Ling��stica, l�xico, lexicalismo, sintaxe, sem�ntica, verbos by 13z4D7g9

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									     Mestrado e Doutorado em Lingüística da UFC
     Prof. Dr. Leonel Figueiredo de Alencar
     Disciplina Sintaxe e Semântica do Português, semestre 2005.2


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     Última atualização: 11/2/2012 11:01

Davis, Anthony R. (2001). Linking by types in the hierarchical lexicon. Stanford: CSLI.
   (Studies in Constraint-Based Lexicalism)

        Páginas iniciais, prefácio e introdução do livro Vinculação por meio de
                  tipos no léxico hierárquico (pp. ii-viii, p.1-16)

                    Esquema elaborado por Leonel F. de Alencar


   INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE A OBRA
     Trata-se de volume de uma série de estudos sobre "lexicalismo baseado em restrições",
constituindo uma versão bastante modificada da tese de doutoramento do autor, de 1996.
Como nos demais trabalhos dessa coleção, editada, entre outros, por Miriam Butt
(Universidade de Constança) e Tracey Holloway King (Xerox Palo Alto Research Center –
PARC), é adotada uma posição lexicalista e não-derivacional da gramática gerativa. Sob essa
perspectiva, a gramática de uma língua natural consiste na interação de restrições localizadas
em diferentes níveis lingüísticos (por ex. sintático, semântico, pragmático etc.).
      Comparação entre os dois trabalhos do autor de 1996 e 2001: o presente livro oferece
um modelo mais adequado da vinculação e da semântica lexical no âmbito da HPSG (Head
Driven Phrase Structure Grammar – Gramática Sintagmática Dirigida por Núcleos); por
outro lado, o autor se manteve fiel ao objetivo de representar os aspectos gramaticalmente
relevantes da semântica lexical no âmbito da HPSG e de modelar de forma econômica a
relação entre papéis de participantes em situações e os argumentos sintáticos dos verbos.
      Listas de lingüistas e das platéias de congressos, colóquios, simpósios etc. que
contribuíram com sugestões, críticas e exemplos.
      Instituições que contribuíram financeiramente com o projeto.


   1. INTRODUÇÃO
       1.1. O que é o fenômeno da vinculação (linking)?
      Exemplificação de uma das principais regularidades da vinculação, objeto maior do
presente estudo: os verbos observados nas línguas naturais constituem apenas uma fração dos
verbos em princípio possíveis. Comparação entre duas classes de verbos:
     (1)        A criança treinou/chamou/acariciou/alimentou/chutou o cachorro.
     (2)        O cachorro queinou [sic] a criança.

     Característica comum a todos os verbos de (1):

                                       AÇÃO VERBAL ---> "age sobre" (p. 2)

      CRIANÇA (papel agentivo)                -----------------> CACHORRO (recipiente da
     ação)
            |                                                |
           sujeito                                     objeto direto


     Representação esquemática do verbo hipotético queinar (cf. (2)):

                                              AÇÃO VERBAL ---> "age sobre"

       CACHORRO (recipiente da ação) -----------------> CRIANÇA (papel agentivo)
           |                                                 |
          sujeito                                     objeto direto


      Breve retrospectiva do estudo das regularidades na projeção ('mapeamento' mapping) de
papéis semânticos sobre argumentos sintáticos na lingüística.
      Objeto das teorias da vinculação ou mapeamento: explicação das regularidades como as
exemplificadas em (1) e definição do que é um verbo possível.
      Exigência sobre uma gramática econômica ou um sistema eficiente de processamento
da linguagem natural: definir os princípios de que derivam essas regularidades e que excluem
os mapeamentos impossíveis.
      Razões para a complexidade dessa tarefa:
             i. Dificuldade de definir com precisão os termos designativos de papéis
                semânticos. Objetivo da teoria da vinculação: mapeamento de papéis como
                AGENTE e PACIENTE sobre funções gramaticais ou posições sintáticas.
            ii. Ampliação da base empírica de (1), incluindo verbos como approach 'aproximar-
                se de' e os equivalentes de tradução de esquecer, possuir etc. Conclusão da
                análise desses verbos: insuficiência da noção de "agir sobre", o papel dos fatores
                animacy e sentience.
           iii. Pares de verbos aparentemente reversos (exemplos adaptados ao português), uma
              das questões mais discutidas na literatura sobre vinculação argumental:

     (3)        a. Maria abomina tarântulas. (abominar "sentir horror por")
                b. Tarântulas horrorizam Maria. (horrorizar "causar horror a")
                                                                             (cf. Ferreira 1999)
       Alternativas para as teorias da vinculação argumental colocadas por dados como os de
(3):


              Admissão de indeterminação
              Exploração de diferenças subtis, mas sistemáticas entre os verbos: o papel por
               ex. da causatividade. Outros fatores.


        1.2. Alternâncias de subcategorização

              1.2.1. Alternâncias locativas
       (4)        a. The kids splattered mud on the walls.
                  b. The kids splattered the walls with mud.

       (5)       a. Maria presenteou uma bicicleta à sobrinha.
                 b. Maria presenteou a sobrinha com uma bicicleta.


              1.2.2. Alternâncias conativas
       (6)        a. Os peninentes batiam os peitos. (Ferreira 1999)
                  b. Os peninentes batiam nos peitos.

           1.2.3. Alternâncias com/contra
       (7)     a. Kim hit the stick against the fence.
               b. Kim hit the fence with the stick.

       (8)       a. Kim bateu o cajado contra a cerca.
                 b. Kim bateu a cerca com o cajado.

           1.2.4. Alternâncias esporádicas
       (9)     a. The new game delighted the children.
                 'O novo jogo alegrou as crianças.'
               b. The children delighted in the new game.
                'As crianças se alegraram no novo jogo.'

       Alternância esporádica? (L. F. de A.)
       (10)    a. O médico a operou do coração.
               b. Ela operou (d)o coração.
               c. Ela se operou do coração.

       Duas conseqüências das alternâncias de (4) a (10):

              Flexibilidade da teoria da vinculação
              Derivação de uma variante a partir da outra

      Pressões opostas sobre a teoria da vinculação: deve ser suficientemente restritiva para
excluir padrões inexistentes e, ao mesmo tempo, suficientemente flexível para dar conta da
variação patenteada pelas alternâncias de subcategorização.
      Desafio maior: satisfazer essas duas pressões opostas com economia e elegância.
      A grande questão: quanta informação sobre a vinculação deve ser incluída nas entradas
lexicais individuais? Resposta de uma teoria ideal, almejada pelo autor: nenhuma.
      Pré-requisito: uma concepção lexicalista da gramática, com a múltipla herança como
base para um modelo da estrutura do léxico.
       1.3. A especificação da informação lexical redundante numa hierarquia
            com múltipla herança
     Utilidade da herança múltipla: expressar, de maneira econômica, regularidades
envolvendo múltiplas dimensões num sistema declarativo de representação do conhecimento.
    Exemplo de aplicação da herança múltipla para organizar informações sobre vinhos.
    O papel da herança múltipla na classificação das palavras no presente trabalho.
Exemplo: herança de informações da forma verbal dá.
    ( 11)
                                              verbo



     passado         presente       ativo transitivo      intransitivo



                                           bitransitivo   passivo



                             dá
                                                    (adaptação de diagrama de Davis 2001:7)


     Exercício: estabelecer rede de heranças da forma doado. (L. F. de A.)
      Insuficiência do diagrama ( 11): não especifica, por ex., que transitivo e intransitivo
constituem classes disjuntas. Questão: o verbo break, tal como seu equivalente de tradução
em português quebrar, não é tanto transitivo quanto intransitivo? (L. F. de A.)
      O papel da classificação semântica dos verbos: base dos padrões de realização
argumental exemplificados nas duas seções anteriores. Necessidade de prover de informações
lingüísticas os diferentes tipos da hierarquia.
      Tipo de hierarquias de múltipla herança empregadas no livro: estruturas de traços
providas de tipos, que servem para descrever todos os tipos de entidades. Semelhança com as
molduras (frames) da inteligência artificial. Exemplo: aplicação do formalismo para
representar o conhecimento sobre diferentes tipos de bicicletas.
      O papel dos tipos das estruturas de traços na modelagem da herança múltipla
(exemplificação com verbos apenas na p. 92!!!). O papel dos tipos na definição das
propriedades adequadas para descrever cada objeto (por ex., não faz sentido falar na
subcategorização de um bicicleta ou do gênero de uma forma verbal finita do português).
      Outros aspectos do formalismo: unificação, herança monotônica, compartilhamento de
estrutura (cf. ( 12) e ( 13)).
      ( 12)


 bicicleta moderna

RODA DIANTEIRA               roda
                             DIÂMETRO [1]

RODA TRASEIRA
                             roda
                             DIÂMETRO [1]




     ( 13)



  bicicleta de marchas

COROA                        coroa
                             MARCHAS [1]


CATRACA                      catraca
                             MARCHAS [2]


MARCHAS                      [1] X [2]


      Exemplo de compartilhamento na semântica do verbo jogar: o objeto sobre o qual se
age é o mesmo que descreve uma trajetória.


       1.4. A vinculação como restrições num léxico hierárquico
      Nesta seção, Davis descreve sucintamente sua proposta. Em vez de formular uma teoria
da vinculação, como outros autores, ele propõe uma série de restrições sobre entradas lexicais
de um léxico organizado hierarquicamente. Trata-se de uma abordagem não-procedural da
realização de argumentos, adotando o princípio da monotonicidade. Esse princípio é relevante
para facilitar a tarefa do aprendiz de uma língua.
        1.5. Visão panorâmica do livro
       Objetivo maior: oferecer abordagem da vinculação não-procedural, monotônica e
baseada em restrições no âmbito da HPSG (Gramática Sintagmática Dirigida por Núcleos),
uma teoria gramatical lexicalista baseada em restrições.
       Construtos teóricos fundamentais: léxico hierárquico e herança múltipla (já postulados e
justificados no âmbito da HPSG).
       Pressuposto básico: não há um componente na gramática responsável pela vinculação
(um dos aspectos da interface entre sintaxe e semântica).
       Ênfase na semântica lexical. Aspectos sintáticos enfatizados: representação da
informação de subcategorização, estatuto dos complementos oblíquos e natureza das
alternâncias de subcategorização.
      Estrutura do livro. Descrição sucinta de cada capítulo. Principais lingüistas discutidos,
em parte constituindo base para a análise do autor (nomes ligados ao gerativismo, como
Rappaport, Levin e Pinker e ao cognitivismo, como Croft e Talmy).

								
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