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Bovinocultura de Corte
Introdução
-Brasil:
-175 países importam carne brasileira;
-80% do rebanho brasileiro é composto por raças zebuínas (Ex.: Nelore);
-190 milhões de cabeças;
-Produção: 10 milhões de toneladas;
-Rendimento: acima de R$ 1 bilhão;
-Cadeia produtiva:
-2,1 milhões de propriedades (no sul há pequenas empresas e o resto do
país há grandes empresas);
-800 frigoríferos;
-160 empresas de armazenagem;
-65 mil pontos de comércio;
-Emprega cerca de 9 milhões de pessoas;
-Custo de produção:
-70% menor que os Estados Unidos;
Geralmente a alimentação se dá a base de grãos, os
-50% menor que a Austrália; quais são subsidiados pelo governo destes países
(cerca de 70% dos custos de grãos). Também há
-80% menor que a União Européia; protecionismo a favor do mercado interno.
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-Nos Estados Unidos o rebanho é cerca de 33% menor que no Brasil, mas são
cerca de 33% melhores em produção e genética. No Brasil são abatidos na média com
36 meses e nos Estados Unidos com 24 meses (ciclo mais rápido). Brasil vende 12% do
efetivo e países como Canada/EUA 35% (maior taxa de desfrute);
-Taxa de Desfrute (mede a eficiência da propriedade):
T.D.= número de animais comercializados x 100
número de animais disponíveis
T.D. 20% (alta tecnologia)
*Quanto maior a duração do ciclo, menor a taxa de desfrute (há menor comercialização
de animais em relação ao número de animais na propriedade);
**Em propriedades de ciclo completo, a TD é sempre menor que em propriedades
especializadas;
***Vacas vazias, falhadas, velhas, com defeitos, com histórico de retenção de placenta
e improdutivas (desmamam terneiros pequenos) também são comercializadas (abate);
****70% da arrecadação de uma propriedade deve vir dos terneiros;
Macrossistema que Envolve a Produção
-Disponibilidade de capital;
-Acervo tecnológico;
-Vocação do empresário;
-Logística regional;
-Mercado;
-Características do consumidor;
-Recursos humanos;
-Legislação;
-Meio ambiente e clima;
Tecnologia dos Processos
-Genética;
-Nutrição;
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-Sanidade;
-Manejo;
-Gerenciamento;
*Em monta natural, troca-se o material genético em 5 anos. Um touro de qualidade pode
passar até 80% da carga genética para sua prole;
**Boa mãe: tem-se um parto por ano e desmama terneiros com bom peso;
01-Genética:
Rebanho de Elite (cabanhas)
Rebanho Multiplicador
Rebanho Comercial
-Precocidade Sexual: é uma qualidade necessária
-Idade: em torno de 12 meses;
-Peso: 60-65% do peso efetivo das fêmeas em reprodução;
*Média no Brasil: fêmeas com primeiro parto com 48 meses (pode-se reduzir para 24
meses);
-Características Desejáveis em Machos:
-Anatomia do pênis;
-Condições de membros posteriores;
-Salto;
-Libido;
-Características Desejáveis em Fêmeas:
-Habilidade maternal;
-Crescimento pré-natal intrauterino (os 3 últimos meses são responsáveis pela
hiperplasia muscular);
-Peso do terneiro ao parto (o terneiro deve nascer com 7-8% dos P.V. adulto e
mais do que isso pode-se ter dificuldade no parto);
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-Ganho diário no pré-desmame (não pode ser menor que 600g/dia);
-Peso ao desmame (40% do peso da mãe, menor que isso deve-se pensar na
possibilidade de descarte desta fêmea);
-Ganho de peso diário no pós-desmame;
-Peso ao abate;
-Conversão alimentar (pouco alimento e alto ganho de peso);
-Rendimento de carcaça (busca-se mais que 50%);
RC= Peso da carcaça x 100
Peso Vivo
-Precocidade do acabamento (tempo necessário para o animal ‘engordurar’, o
padrão é em torno de 6 a 7mm de gordura subcutânea);
Estrutura de Produção (ciclo completo ou especializado)
Ciclo Completo: grande quantidade de animais de cada categoria (cria, recria e
terminação). Tem-se alto custo de produção.
Terminação (abate) Abate (terminação)
Machos Reprodução (genética)
Recria
Abate / Comercialização
Fêmeas
Reprodução (genética)
Cria
Touros
Multíparas
Primíparas
Terneiros (machos ou fêmeas
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Novilhas (270 a 320kg)
*Na região do planalto catarinense deve-se ter no mínimo 1.000 há de terra para se fazer
o ciclo completo;
-Cria: estrutura mínima de um rebanho para a produção de um terneiro, do
acasalamento até os 2 anos. 20% de reposição e 80% de nascimentos. A relação
touro:vaca é de 1:25.
Vacas 1,0
Novilhas 1 ano 0,2
Novilhas 2 anos 0,2
Vacas Descarte 0,2
Touro 0,04
Terneiros 0,8
Total 2,44
*Primeiro parto com 36 a 48 meses de idade (baixa tecnologia), em países
desenvolvidos esta idade cai para 24 meses;
-Recria: inicia no desmame do terneiro e termina com 75% do peso de abate dos
animais;
-Terminação: recebe novilhos acima de 36 meses. A fase de terminação ocorre entre
75% e 85% (ideal) do peso adulto.
*O desmame precoce aumenta o desempenho reprodutivo;
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-Tecnologias de Baixo Custo
-Ajuste de temporada de acasalamento (touros são disponibilizados de 15 de
novembro até 15 de fevereiro). O ideal dos nascimentos é por volta do mês de
agosto/setembro e da concepção/monta entre novembro e dezembro.
*Vacas também podem emprenhar em abril/maio para se ter bezerros em janeiro;
**A vaca cicla a cada 21 dias e tem-se 4 oportunidades em um ano de fertilizá-la;
-Manipulação do escore corporal;
-Técnicas de desmame (4 técnicas):
-Convencional: cerca de 7 meses com a mãe;
-Precoce: entre 70 e 90 dias;
-Interrompido: terneiro fica com água por 3 dias e sem mães. Desmame
com cerca de 100 a 200 dias;
-Abrupto: terneiro só mama colostro;
*É preferível ter maior número de terneiros do que kg PV/terneiro;
**Creep-feeding: suplementação energético/protéico para terneiros;
-Busca por genótipos longevos;
-Tecnologias de Meio/Alto Custo
-Pastagens anuais (de verão e de inverno);
-Pastagens perenes;
-Suplementação;
-Semi-confinamento;
-Confinamento
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Crescimento e Desenvolvimento em Gado de Corte
01-Crescimento: é o aumento de peso até que a maturidade física seja atingida;
Novilhas (270 a 320kg)
*Peso ao Nascimento: 37kg
Diferença = 263kg
**Peso a Puberdade: 300kg
-1ª Fase (15 meses)
263
= 584g/dia (baixo ganho)
450
-Peso ao Desmame (+-200d)
190kg – 37kg
= 765g/dia
200dias
*Em boas pastagens (aveia/azevém) pode-se colocar 800kg de PV/há com ganho de
peso de cerca de 800g/dia;
**Touro se torna adulto com cerca de 4 anos. Touros de 14/15 meses já podem ser
utilizados na reprodução, mas apenas com ‘monta controlada’.
-Características Desejáveis em Linhagens Terminais (Paternais):
-Peso de carcaça elevado;
-Alta velocidade de crescimento;
-Rendimento de cortes;
-Conversão alimentar;
-Acabamento tardio;
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-Linhagens Mistas:
-Objetivo: fêmeas para produção de leite comercial e machos para produção de
carne;
-Características:
-Animais grandes;
-Ambiente bom (alta exigência);
Influência do Sexo na Composição da Carcaça
-Três sexos:
-Machos inteiros;
-Machos castrados;
-Fêmeas: são mais precoces na deposição de gordura (10% mais leves
que machos, mas terminam mais rapidamente);
*Gado de leite: menos quantidade de músculos, ossos mais pesados e acabamento mais
tardio;
**Raças de Dupla Musculatura (Ex.: Belgium Blue): apresentam um maior volume de
carne (cerca de 6 a 10% a mais) e podem ser subférteis. Terneiros são um problema
(nascem muito pesados, acima de 45kg);
Acasalamento Primaveril
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*Maio/Junho/Julho/Agosto: meses em que há perda de 20% do peso corporal. Somente
em setembro o animal começa a melhorar o escore corporal, pela melhora do
oferecimento de forragem.
Abate e Comercialização
-Introdução:
-Maior concentração de abates se dá no centro sul (76% do total);
-São Paulo é o estado com maior número de estabelecimentos de abate e com
maior mercado consumidor;
-Últimas décadas teve-se a mobilização de frigoríficos para regiões de maior
produção de gado de corte;
-Os ganhos de produtividade e o aumento da produção somente se viabilizarão
mediante a utilização econômica eficiente de técnicas intensivas de produção;
-A tendência global é o aumento da produtividade por animal e redução no
rebanho. Com a redução de 1 ano no ciclo, tem-se o aumento de 30% da produção;
-Tem-se em vista a obtenção de taxas elevadas de natalidade e desmame,
cruzamentos industriais para exploração da heterose e produção de novilhos precoces
com excelente qualidade de carcaça;
-Visão Geral:
-1º Elo (Produtor): resiste bastante a mudança de paradigma da pecuária
nacional, da pecuária extensiva, extrativista, apoiada na fertilidade natural das
pastagens;
-2º Elo (Transporte): opera com dificuldades, em virtude do sucateamento das
rodovias e das ferrovias brasileiras, o que eleva os custos do frete.
*A carne norte americana chega com um custo 70% menor que a brasileira levando-se
em consideração o transporte;
-3º Elo (Industrialização): frigoríficos tem operado com capacidade ociosa;
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-4º Elo (Transporte do Frigorífico para o Comércio): supermercados e açougues
são fundamentais no processo de organização, dada o grande contato com o
consumidor;
*Falta de integração e coordenação entre os elos interfere no desempenho;
Perspectivas Para o Sistema de Produção de Bovino de Corte
-Introdução:
-O produto precisa ser padrão, manter as mesmas características, pois isso acaba
criando confiança no consumidor;
-A indústria precisa se sofisticar, apresentar um diferencial para o consumidor
(Ex.: tempero, porção por pessoa, diferentes embalagens);
*A carne bovina é mais exsudativa que as demais, com o descongelamento, os cristais
de gelo rompem as células, liberando grande quantidade de água e perdendo a qualidade
do paladar;
-Competição:
-Horizontal: competição com quem produz o mesmo tipo de produto;
-Vertical: competição com quem produz produtos diferentes;
Ex.: carne ovina, suína, de aves, etc.
-Variáveis:
-Forças inerentes ao sistema de produção: melhoria da eficiência produtiva
(suplementação, confinamento e potencial genético);
-Forças inerentes ao mercado: competitividade e atendimento da demanda do
consumidor, estabelecendo equilíbrio entre qualidade, preço e constância na oferta;
-Forças inerentes ao meio ambiente: deve-se produzir de forma sustentável, com
menor impacto ambiental.
-Problemas:
-92% dos bovinos abatidos no Brasil tem mais de 36 meses de idade;
*É mais lucrativo comercializar terneiros: 9 meses de gestação + 7 meses de
crescimento = 16 meses de ciclo (cerca de R$ 800,00);
**A venda de bovino para o abate leva muito tempo (36 meses para ficar pronto) e o
preço final é cerca de R$ 1.700,00;
-Tem-se como melhorar o produto final, mas há resistência dos produtores;
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-Criação de ciclo completo só pode ser feita em propriedades acima de 1.000ha
de terra e propriedades abaixo disso devem se especializar em algum segmento (Ex.:
cria, recria ou terminação);
-Estratégia de Avanço de Mercado:
-Alianças Estratégicas:
-Solução de problemas de competitividade;
-Iniciativa conjunta dos agentes envolvidos na produção de abate,
processamento e comercialização;
-Acordos mútuos entre os agentes da cadeia produtiva;
-A sobrevivência de uma aliança depende da sua capacidade em atender
aos interesses de seus membros;
-Problemas Enfrentados:
-Falta de padronização e irregularidade nas ofertas;
-Demanda do consumidor;
-Produto de qualidade: padronização de cortes, freqüência de entrega,
identificação e diferenciação;
Aplicação Prática dos Sistemas de Cruzamento para Produção Industrial de Carne
-Rebanho comercial: produção de carne;
-Rebanho eletizado: produção de genética;
-Rebanho Comercial:
-A inseminação artificial não ultrapassa 12%;
-1 macho jovem para cada 20 fêmeas, 1 macho de idade média para cada 30
fêmeas ou 1 macho velho para cada 40 fêmeas;
*O cruzamento entre grupos genéticos diferentes aumenta a heterozigoze o que
proporciona um aumento da heteroze e aumento da produção;
**Combinações gênicas aumentam a dispersão de genes e a epistasia;
****Quanto mais definidos os grupos genéticos mais estreito as características;
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-Seleção: escolha de indivíduos pelas características que este apresenta (valor genético)
*Heterose não é transmissível (apenas medida);
**Aditividade é transmissível (é a seleção de genes dos pais que se deseja expressar nos
filhos);
***Sem aplicação de heterose e aditividade, tem-se aumento da homozigose
(acasalamentos consangüíneos, acarretando no não aumento da produção ao longo dos
anos;
D
C
B
A
Interpretação do Gráfico:
-‘B’ teve maior produção que ‘A’ devido ao acasalamento dirigido entre grupos
genéticos diferentes. ‘B’ tem heterose;
-‘C’ teve crescimento na produção pois nesta população foi aplicada a
aditividade. Esta relação leva ao gradual aumento na produtividade, devido a soma
genética. É um ganho acumulativo, transmissão da adição.
-‘D’ melhor grupo pela aplicação dos dois conceitos, ganho por aditividade e por
cruzas entre raças diferentes;
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*Para rebanhos comerciais, a linha ‘D’ é a mais indicada. Boas mães cruzadas com bons
touros de raças diferentes leva a um aumento na geração dos filhos.
Heterose
H% = Ẍcruz - Ẍdef x 100
Ẍ def
Exemplo:
Touros Angus x Ventres Angus = progênie angus (definida) com peso desmame 180kg
Touros Hereford x Ventres Hereford = progênie Hereford (definida) com peso desmame 190kg
Ẍdefenidos = 185kg
Touros Angus x Ventre Hereford = progênie mista (cruzada) com peso desmame 210kg
Touros Hereford x Ventres Angus = progênie mista (cruzada) com peso desmame de 200kg
Ẍcruzados = 205kg
H% = Ẍcruz - Ẍdef x 100 H% = 205 - 185 x 100 H% = 10,8%
Ẍ def 185 De superioridade dos cruzados para os
definidos
*Seleção Fenotípica (o que se consegue observar), engloba aspectos genéticos e
ambientais e deve-se ter um equilíbrio entre o genótipo e ambiente;
**Seleção = aditividade
***Heterose = dominância + epistasia;
****A orientação do acasalamento aumenta a heterose, expandindo a variação gênica.
Nas cabanhas se faz aditividade sem heterose (busca o melhoramento dentro de um
mesmo genótipo). Rebanhos comerciais aproveitam a heterose e aditividade;
*****Santa Catarina sendo um estado livre de febre aftosa sem vacinação traz atrasos
para a possibilidade de melhorar a genética, advindas de outros estados. Santa Catarina
não tem touros com qualidade de cobrir vacas comerciais;
Ganho Genético por Aditividade dos Genes
Ganho Genético = i . ACC . VarG
Intervalo geração
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*i : intensidade / pressão de seleção (animais retidos para a reprodução) e ACC :
acurácia
**Intervalo Geração: idade média do rebanho para quando os filhos nascem, quanto
mais curto o IG maior a progressão genética;
***Não se pode comparar o valor genético de animais de cabanhas diferentes. A não ser
que tenham recebido as mesmas condições genéticas.
****Quanto menor a proporção de animais retidos para a reprodução, maior a pressão
de seleção e menor é o ganho genético;
*****A pressão de seleção no lado das fêmeas é muito pequena;
Taxa de Descarte
-Animais descartados: fêmeas velhas, de baixa habilidade reprodutiva, com
injúrias e com baixo desempenho;
*’A’ tem maior probabilidade de ganho genético, pois tem maior variabilidade genética;
Condições Necessárias para Sucesso na Bovinocultura
-Genética;
-Alimentação adequada aquele genótipo;
-Mão-de-Obra;
*Quanto maior o conhecimento da realidade da propriedade maior poderão ser as
melhorias;
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Raças
*Selecionando para velocidade de crescimento, já seleciona-se contra a produção de
leite;
**Vacas com grande produção de leite: o terneiro mama uma menor quantidade de
vezes e maior quantidade de leite. Assim as vacas retornam ao cio mais rapidamente;
***Vaca com pouca produção de leite: o terneiro mama com maior freqüência, isto
atrasa o retorno ao cio e deixa a ciclicidade irregular;
-Raças de Corte:
01-Linhagens Maternais:
-Características:
-Tamanho;
-Peso corpóreo (moderado à pequeno): não usa-se vacas pesadas, pois em
baixas qualidades ambiental/alimentares, estas vacas sentem esta deficiência e isto
interfere na fertilidade;
-Fertilidade (alta): mais de caráter ambiental (alimentar) do que genético
(herança);
-Idade de puberdade (precoces): são mais estáveis e permanecem férteis
por um número maior de ciclos na propriedade;
-Precocidade no acabamento;
-Qualidade de carne (macia, palatável, pouca exsudação, com gordura
subcutânea e intermeada)
*500kg de PV = 250kg de carcaça
**420kg de PV = 200kg de carcaça (melhor para o produtor, carcaça mais leve, porém
mais jovem e com menos gastos);
-Habilidade maternal: cuidado com o terneiro pós-nascimento, boa
produção de leite e estimula o terneiro para as primeiras mamadas;
*Nas primeiras 72 horas o terneiro deve mamar o máximo, devido a alta absorção de
imunoglobulinas. Após as 72 horas a permeabilidade às imunoglobulinas é diminuída
gradativamente.
-Raças Européias:
01.1-Angus: (red ou aberdeen – preto)
-Características:
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-Origem: Escócia;
-Selecionada pela habilidade materna e qualidade de carne (alta
densidade de marmoreio);
-Pequeno/médio porte;
-Raça de clima temperado (no frio desenvolvem uma pelagem longa);
-Possuem muitas pesquisas (grande volume de informação);
-Comportamento agressivo (característica materna desejável);
01.2-Devon:
-Características:
-Origem: Inglaterra;
-Grande aceitação de mercado;
-Bom desenvolvimento de massa muscular;
-Grande aptidão leiteira (no passado), atualmente a morfologia foi
trabalhada para melhorar o rendimento de carne (corpo cilíndrico);
-Bastante procuradas e bem pagas pela pelagem clara (vermelha e
branca);
-Excelente mãe (melhor que Angus);
01.3-Gallaway:
-Características:
-Pouca seleção para carne (pouco progresso);
01.4-Hereford:
-Características:
-Origem: Inglaterra;
-Pouca pigmentação ocular (problemas oculares – tumores);
-Linhagem aspada é mais pesada, maior peso ao nascer e aumentam-se os
problemas ao nascer;
02-Linhagens Terminais: são acasaladas com linhagens maternais (filhos não tão tardios
como os pais, nem tão precoces como as mães);
02.1-Charoles:
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-Características:
-Origem: França;
-Forte estrutura muscular;
-Aumenta o peso médio do rebanho (fêmeas mais pesadas são aquelas
que em déficit energético deixam de ciclar);
-Machos e fêmeas deveriam ser abatidos na primeira geração;
02.2-Limousin:
-Características:
-Origem: França;
-Média/Alta velocidade de crescimento;
-Bom rendimento de carcaça;
-Carcaça cilíndrica;
02.3-Rubia Gallega:
-Características:
-Origem: Espanha;
-Não há venda de reprodutores, somente sêmen;
02.4-Blond d'Aquitaine:
-Características:
-Origem: França
-Excelente em formação de carcaça;
-Muito volume de carne (deve-se escolher com cuidado as matrizes, por
causa de problemas com parto);
-Baixa habilidade materna (baixa produção de leite);
-Não deve-se usar as filhas;
03-Linhagens Mistas: (pobres na parte posterior)
-Utilizados para produção de leite e para crescimento de terneiro (carne);
-Exemplos: Red Poll, Simental, Shorton, Pardo Suiço, etc.
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04-Linhagena Sintéticas ou Compostas: originárias do acasalamento entre outra raças.
Genética diferenciada em função do ambiente.
04.1-Beefmaster:
-Características:
-Mistura de Brahman e Red Poll, podendo ter Angus e Limousin;
-Raça agregada a peso;
04.2-Santa Gertrudes:
-Características:
-Mistura de Brahman e Shorthorn
04.3-Brangus: Brahman + Angus;
04.5-Braford: Brahman + Hereford;
-Raças Zebuínas:
-80% da pecuária de corte é dependente das raças zebuínas, em especial o Nelore;
-São animais de excelente adaptação ao ambiente (animais rústicos);
-Cor da pelagem, pigmentação e pêlo curto: alta adaptação aos ‘campos sujos’ (serrado
e brachiaria);
01-Nelore: (linhagem paterna);
-Características:
-Origem: Índia;
-Baixa habilidade materna;
-Desmama terneiros pequenos;
-Foi selecionado para velocidade de crescimento (animais muito
grandes). Este gigantismo diminui ainda mais a habilidade materna da mãe, retarda o
acabamento e tem-se maior exigência alimentar;
02-Guzerá:
-Características:
-Raça muito antiga;
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-Mãe menor e melhor que Nelore;
-Não há tanta ênfase no maior crescimento dos animais (não há seleção
para o gigantismo);
-Mãe mais tranquila;
-Tetos são mais grossos, o que dificulta que o terneiro mame. Deve-se
esgotar um pouco as mamas, facilitando o aleitamento;
03-Gir:
-Características:
-Selecionados para produção leiteira;
-Fêmeas com dupla aptidão;
04-Tabapuã:
-Características:
-Raça brasileira;
-Carcaça intermediária;
-Cresce a medida que se fornece ambiente (sofre muito em épocas de
escassez);
05-Brahman:
-Características:
-Melhor mãe;
-Carcaça muito bem desenhada (comprida e cilíndrica);
Cruzamento entre Raças
-As diferenças nas características de interesse zootécnico nas diferentes raças,
representam uma excelente oportunidade para aumentar a eficiência produtiva do
rebanho para a produção de carne.
-O cruzamento entre raças permite obter níveis produtivos que levariam
gerações para serem obtidos dentro de uma única raça;
-Acasalar: orientar grupos genéticos a produzirem determinadas características;
-Cross Breeding: heterose da mãe e heterose do filho;
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-Extra Hybrid Vigor: Bos indicus + Bos taurus
Heterose / Vigor Híbrido (continuação da página 13)
H% = Ẍcruz - Ẍdef x 100
Ẍ def
*Heterose direta é aquela medida sobre o próprio animal, ou seja, o ganho genético
observado diretamente no animal cruzado;
**Existe a possibilidade de uma heterose negativa. Exemplo: precocidade materna, as
‘cruzadas’ podem apresentar cio antes que as ‘definidas’;
-Heterose Materna: é aquela sentida no desempenho do animal por ter um ambiente
melhorado proporcionado geneticamente pela mãe cruzada;
Mãe Pura + Pai Puro : sem heterose
Mãe Pura + Pai Cruzado : heterose intermediária;
Mãe Cruzada e Pai Cruzado : grande heterose;
Sistemas de Acasalamento
01-Sistemas Rotacionais: são populares e desejados, pois nestes sistemas as
novilhas de reposição são obtidas dentro do mesmo rebanho. Pode ser feito com 2 ou
mais raças;
01.1-DuploCross: a cada ano entra uma das raças, de forma intercalada. Diferentes
proporções genéticas de cada raça;
-F1 : geração que mais obtém heterose (H% = 100%);
-F2 : somente 50% da heterose;
-F3 : recupera 25% da heterozigose, tendo a heterose em 75%;
*Na 6ª geração é alcançado o equilíbrio, com 66/67% de heterose (34% de perda de
heterose);
01.2-ThreeCross:
-F1 : geração com 100% de heterose;
-F2 : mantém os 100% de heterose;
-F3 : 75% de heterose;
-F4 : heterose aumenta para 88%;
-F6 : estabilização (equilíbrio) em 86% de heterose (14% de perda de heterose);
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*Sistema ThreeCross mantém mais heterose num rebanho;
**Quanto mais raças forem utilizadas, maior será a retenção da heterose. Porém é
formado um grupo de animais muito variados;
Crescimento e Desenvolvimento em Gado de Corte
-Crescimento: é o aumento de peso até que a maturidade física seja atingida;
Peso ao desmame (cerca de 200 dias). Grande
responsabilidade da mãe (75% se deve pela
habilidade materna)
*Peso bom: 230kg aos 200 dias (230kg – 40kg de nascimento = 190kg)
190kg/200dias = 0,950kg/dia (ganho bruto pelo terneiro);
0,950 x 0,75 (75% do crescimento devido ao aleitamento materno) = 0,7121kg
(ganho médio diário fornecido pela mãe);
**A vaca precisa produzir cerca de 9kg de leiteou mais por dia para alcançar
essa taxa;
Relação entre produção de leite e crescimento do terneiro
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***Até as 12 semanas, tem-se o crescimento do terneiro somente pelo leite;
****Mães mais produtoras, desmamam terneiros mais pesados;
*****Nas 3 primeiras semanas o terneiro consome mais que seu PV, depois vai
reduzindo
-Cria: mãe ingere pasto que é convertido em leite que é mamado pelo
terneiro, o qual é convertido em músculo;
-Recria: terneiro ingere pasto e converte em músculo. Esta fase de recria
é maior em eficiência que a fase de amamentação e também é a fase onde se ganha
grande massa muscular;
*Mantendo-se o peso do animal durante o inverno, tem-se a redução de 2 anos para a
prenhes. Deve-se fazer um planejamento de suplementação para o inverno com
pastagens de inverno, grãos, ração e sal proteinado;
01-Crescimento Pré-Natal:
-Restringindo-se a alimentação da mãe durante a gestação, o número de fibras
formadas pelo feto é menor;
-O maior ganho ocorre no terço final da gestação;
-Durante os últimos 3 meses de gestação, o crescimento dá-se por hiperplasia
(aumento no número de fibras);
-O conteúdo de água diminuí a medida que o crescimento avança;
*O peso ao nascimento representa aproximadamente 6 a 8% do peso de abate;
02-Crescimento Pós-Natal:
-Ocorre crescimento por hipertrofia, pois o número de fibras já foi determinado
na vida fetal;
-Para uma determinada idade, as 3 linhagens (materna, mista e paterna)
apresentam diferenças;
*Linhagens maternas não precisam ser grandes (mães menores sofrem menos);
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-O ganho médio diário, é uma medida para avaliar a mudança de peso corporal
por unidade de tempo. O crescimento nesta fase depende grandemente do aleitamento
materno, na razão de no mínimo 2:3 do peso ao desmame em sistema convencional;
-A mesma proporção em gordura, músculo e osso é atingida em pesos diferentes
para as diferentes linhagens e em diferentes ambientes. Isto ocorre porque cada
linhagem apresenta exigências diferentes para atingirem a mesma proporção.
Influência do Sexo na Composição da Carcaça
-O macho é mais tardio na deposição da gordura, ao contrário da fêmea, que
deposita mais rapidamente;
-Raças tardias são mais tardias na deposição de gordura;
-Raças intermediárias são intermediárias na deposição de gordura;
-Raças precoces são mais precoces na deposição de gordura;
Manejo de Touros
-No Brasil, 90% das concepções são feitas por monta natural (necessita cerca de
400mil touros/ano);
-Capacidade Reprodutiva:
-15 a 25% dos touros apresentam resultados insatisfatórios para a reprodução;
-Requerimento indispensável de exames reprodutivos (andrológico);
-Deve-se dispor de um número maior que o necessário de touros, prevendo que 1
entre 5 apresentarão problemas;
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-Relacionada à:
-Desenvolvimento testicular e escrotal (diâmetro e simetria);
-Qualidade do sêmen;
-Capacidade de serviço (habilidade do reprodutor, libido, aprumos, e
saltos – cerca de 4 a 7 saltos em 20 minutos);
-Exames:
-Andrológico: deve ser realizado com 1 mês de antecedência da
reprodução. E testa a viabilidade reprodutiva, densidade de células espermáticas por
ejaculado e coloração;
-Exame físico do testículo: verificar mobilidade testicular (deve ser
móvel), consistência (devem ser sólidos), tamanho (não devem ser menores que 30cm) e
simetria (devem ser simétricos);
-Observação do libido e aprumos:
-Baixo libido: geralmente ocorre em touro jovens (15 a 24
meses);
-Conformação de pernas e cascos
-Jarrete: pode ser reto (linear) ou aberto (ângulo agudo), os
quais não são ideais;
-Cascos: são os pontos de apoio, formam uma aderência
com o solo no momento do salto;
-Pernas: podem ter apoio lateralizado ou centralizado;
-Articulações: mais comum em touros velhos
(artrite/artrose), diminuindo a capacidade de salto;
-Uso do Touro:
-Pode-se adotar um sistema de rotação onde tem-se 3 touros (2 trabalham
e 1 descansa) e vai rotacionando a cada mês;
-O tempo de permanência de um touro na propriedade deve ser de 6 anos
em propriedades bem manejadas, para que o touro não cubra as filhas;
*O touro começa sua atividade reprodutiva por volta dos 2 anos;
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Condição Corporal de Vacas de Corte
-Não avaliar somente o tecido muscular, em um bom exame corpóreo precisa
mensurar o tecido adiposo;
-Ideal: bom preenchimento lombar, boa inserção de cauda e ossos não visíveis;
-Classificação dos Ventres de Corte pelo Escore Corporal
-O que avaliar:
1-Linha Dorso Lombar: se visível é equivalente a um baixo escore corporal;
2-Inserção da Cauda: quanto mais alta a inserção e quanto mais fácil a
visualização do local de sua inserção mais baixo o escore corporal;
3-Ísquio e Ílio: não devem ser visualizados. Quando estão muito visíveis
corresponde a pouco depósito de gordura e muscular;
4-Região das Costelas: não devem ser visíveis;
5-Peito: em animal obeso o peito é flácido e em animal com bom escore
corporal é rígido e é possível ver sua subdivisão;
-Classificação: (modelo americano)
Condição Corporal Descrição
1 Muito magra
2 Magra – ossos estão visíveis e há considerável perda muscular
3 Magra – ossos visíveis e perda muscular
4 Magra – sem visibilidade óssea
5 Moderada – sem presença visível de tecido adiposo
6 Moderada – com alguma presença de tecido adiposo
7 Moderada – com presença visível de tecido adiposo
8 Gorda
9 Obesa
*Escore 6 e 7 são ideais para reprodução;
-Momentos em que devem ser avaliados o Escore Corporal:
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01-Desmame;
02-2 meses antes do parto: no meio do inverno geralmente;
03-Pós parto: logo após o nascimento do terneiro, entre agosto e outubro;
04-No início da época de acasalamento: entre novembro e fevereiro
*Há uma íntima relação entre o escore corporal e eficiência reprodutiva. Quando se tem
um bom escore corporal, 91% das fêmeas estão ciclando em até 60 dias após o parto;
Manejo Nutricional de Ventres de Corte Adultos
-10 a 13kg/dia de MO para cada 100kg de PV (ideal);
-O aumento da oferta de alimentos, diminuí a pressão de pastejo e assim tem-se
o aumento da taxa de prenhes (animal ingere as partes nobres da planta);
-O sal proteínado melhora os componentes/microorganismos do rúmen, fazendo
com que haja melhor aproveitamento de forragens de baixa qualidade;
-Deve-se ajustar a lotação, fazendo com que sobre alimento, assim o animal tem
a possibilidade de escolher o que comer;
*8 semanas pré-parto: deve-se aumentar o escore corporal ou manter se já estiver bom.
-Fases Fisiológicas:
1ª fase: Lactantes e vazias (período de involução uterina e preparação para nova
gestação). Em grande parte a não reconcepção deve-se ao retardo da involução uterina
(deveria ser entre 30 e 50 dias);
-2ª fase: Gestante e em lactação;
-3ª fase: Gestante;
-4ª fase: Não gestante e não lactante (vazia);
*Para se ter 1 terneiro por ano, deve-se retirar o terneiro da mãe com 7 meses e esta
vaca já deve estar no 4º/5º mês de gestação;
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Eficiência Reprodutiva
-Relacionada com:
-Precocidade sexual;
-Taxa de concepção das primíparas (mínimo de 80%);
-Taxa de reconcepção das multíparas;
% Nascimentos = nº de terneiros nascidos
100 vacas expostas à reprodução
*35 a 45kg é o peso médio de um terneiro ao nascer;
-Puberdade e Primeiro Entouro: deve ser feito com 15 meses de idade, para que
a primeira parição seja em torno de 24 meses;
Manejo de Terneiros
-Mortalidade de Terneiros:
-Devido a problemas com a mãe (febre, deficiências minerais e de vitaminas,
mal manejo da fêmea, doenças infecto-contagiosas);
-Mortalidade Fetal:
-Devido ao mal manejo da mãe, doenças como: brucelose e tuberculose;
-Mortalidade no Parto: utilização de machos muito grandes com primíparas (para se
resolver isso, pode-se usar touros específicos para primíparas e touros específicos para
multíparas) causando distocia;
-Falhas Reprodutivas:
-Anormalidades anatômicas;
-Falhas na ovulação;
-Perdas pela ruptura do ovo;
-Falhas na fecundação;
-Mortalidade embrionária;
-Mortalidade fetal;
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Técnicas de Desmame
01-Desmame Convencional: recomendado quando vaca possui alto escore
corporal (entre 8 e 9), deixando o terneiro mamar até os 7 meses;
02-Desmame Interrompido: para vacas com escore corporal 6. Este desmame é
feito a partir dos 100 dias de idade e deve-se separar o terneiro da vaca por 3 dias, com
isto tem-se a ativação da ciclicidade;
03-Desmame Precoce: recomendado para vacas com baixo escore corporal
(entre 4 e 5), o qual deve ser feito a partir dos 70 dias de idade, faz-se uma separação
total;
04-Desmame Abrupto: terneiro só mama o colostro e já é separado. É
encontrado em propriedades mais especializadas (Ex.: produção de vitelo);
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