Aulas Multimídias – Santa Cecília
Prof. Ferreira Junior
CEARÁ
E foi assim que o Ceará contribuiu
para mostrar ao mundo, a partir de
1946, em gravação da música
também denominado BAIÃO, pelos
cearenses do Grupo Quatro Ases &
Um Coringa, ritmo que ocuparia
lugar na história da Música Popular
Brasileira.
Pelas próprias palavras de Humberto Teixeira,
assim é o Baião: “... A Primeira chuva fina e
peneirada, anunciando a fartura que vem, que
canta e diverte... O cheiro gostoso de terra
molhada, lembrando o cheiro da cabocla do
sertão...O Aracati ciciando entre palmeiras e
carnaubais...O grande festival verde se
espalhando, qual mar clorofila, por toda a
plantação...A doce Iracema, a triste jandaia... O
balanceio de Lauro Maia... A sanfona mágica de
Luiz Gonzaga...A contribuição rítmica, melódica e
lírica das terras ensolaradas ao grande concerto
orquestral da pátria comum...Tudo isso é BAIÃO.
O “PESSOAL DO CEARÁ”
Movimento liderado por estudantes
universitários, no qual se reuniam em
simples canteiros germinando e revelando
talento. O pensamento e a emoção que
animaram o movimento artístico-cultural de
Fortaleza, este movimento que não era
exclusivamente musical.
PROIBIÇÃO DOS SHOWS – 1965
Ali começava a se definir uma turma que,
anos depois, em São Paulo, seria
chamada de Pessoal do Ceará.
Fausto Nilo, Ricardo Bezerra, Pepe Capello,
Augusto Pontes, Chica (Francisca Lúcia),
Ângela 302, Antônio José Soares Brandão,
Téti, Alba Paiva, Olga Paiva, Flávio Torres,
Augusto Pontes, Braguinha, Ednardo,
Campelo Costa, Petrúcio Maia, Rodger
Rogério etc.
FESTIVAIS:
ASSOCIAÇÃO HENRIQUE JORGE-
Raimundo Fagner
GRUTA (Grupo Universitário de Teatro
e Artes) – 1967
RÁDIO ASSUNÇÃO – 1º Festival de
Música Popular “Aqui no Canto”
FESTIVAL NORDESTINO DA CANÇÃO
Este Festival da Assunção teve um final
inusitado: a polícia proibiu a grande final,
programada para o Teatro José de Alencar.
Aderbal Freire Filho ficou na bronca. Bateu
forte no peito e determinou: “Já que não
pode ter final, vai ter um disco para
registrar as doze finalistas!“ E assim foi
feito. Hoje temos um documento
importante da nossa história musical,
política e cultural.
No auge dos Festivais, Antônio Carlos
Gomes Belchior Fonteneles Fernandes,
com sua criação Na hora do almoço,
feita para Luiz Gonzaga cantar, torna-se o
vencedor do Festival Universitário da
Canção. Belchior grava seu primeiro
álbum, que leva seu nome e passa
desapercebido do grande público brasileiro.
O “estouro” do sobralense aconteceu
com o disco Alucinação, de 76, com
as músicas Velha roupa colorida e
Como nossos pais, ambas já gravadas
por Elis Regina, no mesmo ano, no seu
LP Falso Brilhante e Apenas um
Rapaz Latino-Americano.
Ainda em 1972, Rodger, Teti e Ednardo
gravam um álbum Pessoal do Ceará,
Meu Corpo, Minha Embalagem, Todo
Gasto Na Viagem. Desse disco, algumas
músicas são conhecidas nacionalmente.
Terral, Cavalo de Ferro e Beira-Mar,
esta última registrada originalmente por
Eliana Pitmam no ano seguinte.
Ednardo lança o seu Romance do Pavão
Misterioso. Em 1975 passa a ser o primeiro
cearense dessa geração a tocar na rádio e
na TV em nível nacional e,
conseqüentemente, torna-se conhecido em
todo o Brasil.
Nesse mesmo ano, a dupla Teti/Rodger
Rogério coloca no mercado o antológico
álbum Chão Sagrado, que colocava
Luiz Assunção para o país com sua Siá
Mariquinha e questionava as
modernidades com Bye Bye Baião e
Fox-Lore.
Além de incluir o tango Retrato
Marrom, gravado também por Fagner
em seu segundo disco, Ave Noturna,
de 76 e, por Ney Matogrosso, este
último em duas oportunidades, no início
de sua carreira pós-Secos e Molhados e,
mais recentemente, no LP Destino de
Aventureiro, lançado no final dos anos
80.
No que se refere a festivais, ainda em 75,
Ednardo é um dos finalistas da Abertura
promovida pela Rede Globo de Televisão.
Sua música Vaila, uma salsa composta em
parceria com o arquiteto-letrista Brandão,
não foi muito bem entendida pelos jurados
e público; mesmo assim foi um dos belos
momentos do certame.
“Vaila” foi incluída no segundo LP de
Ednardo, o disco Berro, de 76. Neste
ano, em Fortaleza, acontecia o Primeiro
Festival da Crédimus e o Costa Sol,
na Tabuba, onde os novatos cearenses
tinham espaços para mostrar seus
trabalhos.
Essa nova geração também participou de
outros eventos que foram promovidos
pela Crédimus nos anos seguintes, até
79, e os de 81 e 82, acontecendo na
Volta da Jurema sob o patrocínio de O
Povo.
Em março de 1979, no Theatro José de
Alencar, acontecia a Massafeira Livre,
evento que reunia artistas dos mais
diferentes matizes em torno do som,
imagem, movimento e gente.
Além das estrelas ou não, cearenses que
se tornaram mais conhecidos em nível
nacional, fazendo um tipo de música mais
trabalhada como todos que citamos ao
longo desta nota de aula, não se pode
deixar de falar dos artistas que realizam
um trabalho mais popular. Figuras
conhecidas inclusive em outros estados,
como Eliane, Borba de Paula, José
Orlando, o bregastar Falcão, Mastruz com
Leite, banda Aquarius, bandas de
pagodes, axé etc.
No circuito universitário também se fazia
música e, no final dos anos 70 e início
dos 80, era grande a produção de
músicos dessa área. Entre eles, citamos:
Eugênio Leandro, Dílson Pinheiro, Diassis
Martins, Parahyba, Alcio Barroso, Pingo
de Fortaleza e os teatrólogos e também
letristas Guaracy Rodrigues, Oswald
Barroso e o escritor Rosemberg Cariri.
“SER CEARENSE É VALORIZAR O
QUE TEMOS, E O QUE SOMOS É TER
RESPONSABILIDADE NO RESGATE
DA NOSSA IDENTIDADE.”
Ferreira Junior - 2006