Mem�ria T�cnica

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					MEMÓRIA TÉCNICA DE CLIMATOLOGIA
Parte 2: Sistematização das Informações Temáticas
NÍVEL COMPILATÓRIO
DSEE-CL-MT-001
PLANO DA OBRA



PROJETO DE DESENVOLVIMENTO AGROAMBIENTAL DO ESTADO DE MATO GROSSO - PRODEAGRO



ZONEAMENTO    SÓCIO-ECONÔMICO-ECOLÓGICO: DIAGNÓSTICO SÓCIO-
ECONÔMICO-ECOLÓGICO DO ESTADO DE MATO GROSSO E ASSISTÊNCIA
TÉCNICA NA FORMULAÇÃO DA 2ª APROXIMAÇÃO


Parte 1: Consolidação de Dados Secundários
Parte 2: Sistematização das Informações Temáticas
Parte 3: Integração Temática
Parte 4: Consolidação das Unidades
Governo do Estado de Mato Grosso
Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral (SEPLAN)
Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD)



PROJETO DE DESENVOLVIMENTO AGROAMBIENTAL DO ESTADO DE MATO GROSSO - PRODEAGRO


ZONEAMENTO    SÓCIO-ECONÔMICO-ECOLÓGICO: DIAGNÓSTICO SÓCIO-
ECONÔMICO-ECOLÓGICO DO ESTADO DE MATO GROSSO E ASSISTÊNCIA
TÉCNICA NA FORMULAÇÃO DA 2ª APROXIMAÇÃO




                      MEMÓRIA TÉCNICA - CLIMATOLOGIA
                 Parte 2: Sistematização das Informações Temáticas
                               NÍVEL COMPILATÓRIO



                            MÁRIO VITAL DOS SANTOS




                                         CUIABÁ


                                      AGOSTO, 2000




CNEC - Engenharia S.A.
GOVERNADOR DO ESTADO DE MATO GROSSO
Dante Martins de Oliveira

VICE-GOVERNADOR
José Rogério Salles

SECRETÁRIO DE ESTADO DE PLANEJAMENTO E COORDENAÇÃO GERAL
Guilherme Frederico de Moura Müller

SUB SECRETÁRIO
João José de Amorim

GERENTE ESTADUAL DO PRODEAGRO
Mário Ney de Oliveira Teixeira

COORDENADORA DO ZONEAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO-ECOLÓGICO
Márcia Silva Pereira Rivera

MONITOR TÉCNICO DO ZONEAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO-ECOLÓGICO
Wagner de Oliveira Filippetti

ADMINISTRADOR TÉCNICO DO PNUD
Arnaldo Alves Souza Neto
EQUIPE TÉCNICA DE ACOMPANHAMENTO E SUPERVISÃO DA SEPLAN


Coordenadora do Módulo Físico

MARIA LUCIDALVA COSTA MOREIRA           (Engª Agrônoma)
LUIZ GONZAGA TOLEDO                     (Engenheiro Civil)

Coordenação e Supervisão Cartográfica

LIGIA CAMARGO MADRUGA                   (Engª Cartógrafa)

Supervisão do Banco de Dados

GIOVANNI LEÃO ORMOND                    (Administrador de Banco de Dados)

VICENTE DIAS FILHO                      (Analista de Sistema)

Supervisor do Mapeamento/Campo dos Aspectos Climatológicos

CARLOS ALBERTO LOPES                    (Engº Agrônomo)
EQUIPE TÉCNICA DE EXECUÇÃO


CNEC – Engenharia S.A.


LUIZ MÁRIO TORTORELLO        (Gerente do Projeto)
KALIL A. A. FARRAN·          (Coordenador Técnico)
MÁRIO VITAL DOS SANTOS       (Coordenador Técnico do Meio Físico – Biótico)

TÉCNICA

JOSÉ ROBERTO TARIFA          (Geógrafo)
                              SUMÁRIO


1.   INTRODUÇÃO                                         001


2.   A REDE METEOROLÓGICA                               004


     2.1.   AS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS                  004


     2.2.   A REDE PLUVIOMÉTRICA                        006


     2.3.   O PERÍODO UTILIZADO                         012


3.   O VETOR REGIONAL                                   012


4.   TABULAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DOS DADOS PLUVIOMÉTRICOS   023


     4.1.   O PERÍODO 1983-1994                         023


     4.2.   O REGIME E A DISTRIBUIÇÃO MENSAL            023


     4.3.   O ANO PADRÃO CHUVOSO (1992) E SECO (1993)   028


5.   A ESTIMATIVA DAS TEMPERATURAS MÉDIAS MENSAIS E
     ANUAIS                                             032


6.   O BALANÇO HÍDRICO                                  037


     6.1.   METODOLOGIA                                 037


     6.2.   OS RESULTADOS                               038


7.   A UTILIZAÇÃO DOS DADOS                             044


8.   BIBLIOGRAFIA                                       046
ANEXOS


ANEXO I – MAPAS


A001     REDE PLUVIOMÉTRICA E METEOROLÓGICA
                          LISTA DE QUADROS


001   RELAÇÃO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS UTILIZADAS
      (1983-1995)                                              005


002   RELAÇÃO DOS POSTOS PLUVIOMÉTRICOS UTILIZADOS DO
      ESTADO DO MATO GROSSO                                    007


003   RELAÇÃO DOS POSTOS PLUVIOMÉTRICOS UTILIZADOS DO
      ESTADO DO MATO GROSSO                                    008


004   RELAÇÃO DOS POSTOS PLUVIOMÉTRICOS UTILIZADOS DO
      ESTADO DO MATO GROSSO                                    009


005   RELAÇÃO DOS POSTOS PLUVIOMÉTRICOS AUXILIARES FORA
      DE MATO GROSSO                                           009


006   RELAÇÃO DOS POSTOS PLUVIOMÉTRICOS AUXILIARES FORA
      DO MATO GROSSO                                           011


007   VARIAÇÃO MENSAL E ANUAL (1983-1994) DA PLUVIOSIDADE EM
      VERA                                                     016


008   VARIAÇÃO MENSAL E ANUAL (1983-1994) DA PLUVIOSIDADE NA
      CHAPADA DOS GUIMARÃES                                    016


009   VARIAÇÃO MENSAL E ANUAL (1983-1994) DA PLUVIOSIDADE EM
      FLECHAS (CÁCERES)                                        017


010   VARIAÇÃO RELATIVA (%) DO GRAU DE CONCENTRAÇÃO
      MENSAL E ESTACIONAL DA PLUVIOSIDADE EM VERA (M012)       017


011   DISTRIBUIÇÃO DE FREQÜÊNCIA (INTERVALOS DE CLASSE)
      MENSAL DA PLUVIOSIDADE EM VERA                           018


012   VARIAÇÃO RELATIVA (%) DO GRAU DE CONCENTRAÇÃO
      MENSAL E ESTACIONAL DA PLUVIOSIDADE NA CHAPADA DOS
      GUIMARÃES                                                019


013   DISTRIBUIÇÃO DE FREQÜÊNCIA (INTERVALOS DE CLASSE)
      MENSAL DA PLUVIOSIDADE NA CHAPADA DOS GUIMARÃES          020
014   VARIAÇÃO RELATIVA (%) DO GRAU DE CONCENTRAÇÃO
      MENSAL E ESTACIONAL DA PLUVIOSIDADE EM FLECHAS            021


015   DISTRIBUIÇÃO DE FREQÜÊNCIA (INTERVALOS DE CLASSE)
      MENSAL DA PLUVIOSIDADE EM FLECHAS                         022


016   COEFICIENTES DA REGRESSÃO MÚLTIPLA ENTRE A
      TEMPERATURA MÉDIA E A LATITUDE (x1), LONGITUDE (x2) E A
      ALTITUDE (x3) PARA O ESTADO DO MATO GROSSO                034


017   COEFICIENTES DA REGRESSÃO MÚLTIPLA ENTRE A
      TEMPERATURA MÉDIA DAS MÁXIMAS E A LATITUDE (x1),
      LONGITUDE (x2) E A ALTITUDE (x3) PARA O ESTADO DO MATO
      GROSSO                                                    035


018   COEFICIENTES DA REGRESSÃO MÚLTIPLA ENTRE A
      TEMPERATURA MÉDIA DAS MÍNIMAS E A ALTITUDE (x2) E
      LATITUDE (x1) PARA O ESTADO DO MATO GROSSO                036


019   ESTIMATIVA DO BALANÇO HÍDRICO PARA O POSTO DE VERA        041


020   ESTIMATIVA DO BALANÇO HÍDRICO PARA A CHAPADA DOS
      GUIMARÃES                                                 042


021   ESTIMATIVA DO BALANÇO HÍDRICO PARA FLECHAS (CÁCERES)      043
                       LISTA DE FIGURAS


001   ROTEIRO METODOLÓGICO DO MAPEAMENTO DOS ATRIBUTOS
      CLIMÁTICOS PARA O ESTADO DE MATO GROSSO (MT).    003
                         LISTA DE GRÁFICOS


001   VARIAÇÃO MÉDIA DA PLUVIOSIDADE MENSAL (1983-1994) EM
      COMPARAÇÃO COM A DISTRIBUIÇÃO NO ANO-PADRÃO
      CHUVOSO (1992) E SECO (1993) EM VERA                    025


002   VARIAÇÃO MÉDIA DA PLUVIOSIDADE MENSAL (1983-1994) EM
      COMPARAÇÃO COM A DISTRIBUIÇÃO NO ANO-PADRÃO
      CHUVOSO (1992) E SECO (1993) NA CHAPADA DOS GUIMARÃES   026


003   VARIAÇÃO MÉDIA DA PLUVIOSIDADE MENSAL (1983-1994) EM
      COMPARAÇÃO COM A DISTRIBUIÇÃO NO ANO-PADRÃO
      CHUVOSO (1992) E SECO (1993) EM FLECHAS (CÁCERES)       027


004   VARIAÇÃO MENSAL E ANUAL DO REGIME PLUVIAL EM VERA       029


005   VARIAÇÃO MENSAL E ANUAL DO REGIME PLUVIAL NA
      CHAPADA DOS GUIMARÃES                                   030


006   VARIAÇÃO MENSAL E ANUAL DO REGIME PLUVIAL EM
      FLECHAS (CÁCERES)                                       031


007   REPRESENTAÇÃO DO BALANÇO HÍDRICO PARA VERA              039


008   REPRESENTAÇÃO DO BALANÇO HÍDRICO PARA A CHAPADA
      DOS GUIMARÃES                                           040
                                                                                             1




1.       INTRODUÇÃO


         O objetivo principal desta Memória Técnica é a descrição da metodologia e
das informações coletadas e analisadas no tema “Climatologia”. No entanto,
consideramos de fundamental importância uma pequena colocação inicial sobre o
método e a postura filosófica nele contida, pois é a partir deste caminho e dentro dele
que foram escolhidas as técnicas e as informações.

          O princípio filosófico que norteou todas as etapas é de que todo conhecimento a ser
produzido deve basear-se na apreensão da realidade. Aqui, realidade deve ser entendida como
“totalidade” de interações dentro de um determinado espaço. As interações dentro de um
espaço geográfico são produzidas pelas contradições e conflitos entre os elementos de
natureza física, biológica, humana e sócio-econômica. O clima, portanto, não é um fenômeno
puramente físico, ele deve ser entendido como parte indissociável do espaço apropriado pela
sociedade.

           As formas históricas de apropriação e produção do espaço possuem crescimento e
desenvolvimento muito diferenciado. Perceber e se inserir dentro deste movimento é
fundamental para estar dentro e fora do real, o suficiente para sentir todas as mediações entre
os fenômenos físicos, humanos e biológicos. No âmbito deste projeto, esta forma de mediação
entre a realidade, os fundamentos teóricos e a prática, permaneceu “viva” durante todo o
processo. Desde a coleta de bibliografia, informações secundárias, o trabalho de campo, o
mapeamento preliminar, as opções técnicas e metodológicas, a reconstrução da base
cartográfica (drenagem e topografia); os cruzamentos com o relevo, a vegetação, o uso do
solo, o mapeamento definitivo e os mapas de síntese (Unidades Climáticas e Potencial Agro-
climático). Todo este conjunto de técnicas e procedimentos adotados foram simplificados e
organizados no fluxograma constante da Figura 001 (Roteiro Metodológico do Mapeamento
dos Atributos Climáticos para o Estado do Mato Grosso – MT).

           Dentro deste roteiro metodológico (Figura 001) alguns procedimentos foram básicos
ou se constituem em peças fundamentais para a compreensão do todo. O primeiro deles foi a
compartimentação climática preliminar, que apesar de ser calcado em dados e informações
bibliográficas secundárias (nível compilatório), seu traçado e sua organização ou estrutura
climática funcionaram como hipóteses da investigação, possibilitando opções e decisões
assentadas no conhecimento genético (circulação atmosférica) e em conceitos associados às
várias realidades climáticas do Estado. As relações com o relevo, a altitude, a latitude, as
formações vegetais e a ocupação do solo foram sendo confirmadas ou rediscutidas ao longo
de todo o processo do trabalho, tanto no campo quanto no gabinete, ou nas interfácies com
outros temas.

          Ela foi, portanto, um “suporte teórico - conceitual” ou uma estrutura climática que
permitiu através de uma “síntese provisória e flexível” avançar e criticar os mapeamentos e os
resultados das várias etapas e atributos de forma contínua. Por exemplo, toda a metodologia
para o tratamento dos dados mensais da pluviosidade foi concebida com base no conceito de
“unidades climáticas” para o vetor regional. Ora, estas unidades ou espaços relativamente
homogêneos para um determinado nível de interação entre os atributos e controles climáticos
já se apresentavam com mais detalhes e um nível maior de resolução espacial, pois já havia
incorporado parte substancial dos resultados dos trabalhos de campo. As soluções
encontradas para o tratamento estatístico dos dados de temperatura, através da análise de
regressão múltipla, também fizeram uso, na fase de substituição das falhas de todo o
conhecimento adquirido através das unidades climáticas (1a aproximação). Assim sendo, o
                                                                                              2




desenvolvimento de todas as fases, desde o cálculo do balanço hídrico, bem como o
mapeamento, foram balizados e criticados dentro das hipóteses e premissas conceituais
associadas ao desenvolvimento a aprimoramento da representação cartográfica das Unidades
Climáticas, baseadas na síntese e no conhecimento da própria realidade.

           Outro procedimento essencial foram as 5 expedições de campo, com
aproximadamente 18.000 km percorridos em todo o Estado. As observações e coletas de
dados realizadas, em 603 pontos com leituras de temperatura seca, úmida, temperatura do
solo (2 cm), além da observação qualitativa da direção e velocidade do vento e da descrição da
estrutura da nebulosidade. Estes tipos de registros e descrições detalhadas, acompanhados
com a descrição do uso do solo, do relevo, dos rios e da vegetação natural permitiram corrigir
limites e identificar novas unidades e compartimentos. Por outro lado, possibilitaram confirmar
ou refutar hipóteses relacionadas. As alterações climáticas de topo e microescala, associados
ao processo de ocupação atual. A própria definição do limite de capacidade de campo do
balanço hídrico, bem como o mapeamento das deficiências e excedentes hídricos procurou
levar em conta as observações de campo. Principalmente se considerarmos que a escassa
rede de postos, tanto pluviométricos quanto meteorológicos, não consegue minimamente
amostrar as unidades de clima local. Nestes casos, torna-se imprescindível expandir as
deduções para áreas onde a relação entre os controles e atributos climáticos é relativamente
consistente e homogênea para uma determinada dimensão, ou simplesmente espaço.

          Um terceiro e último procedimento, tão importante quanto aos anteriores, foram os
mapeamentos. O conceito aqui envolvido não é pura e simplesmente o de uma técnica
cartográfica ou mecânica computacional (tipo SURFER, AUTOCAD, etc.), ela envolve a
representação e simplificação do real, sem perda de conteúdo, ou com a menor perda possível,
dentro de uma relação tempo – espaço, do qual a escala cartográfica 1:1.500.000 é um dos
parâmetros.

            Portanto, o processo de mapping (o termo em inglês tem um rigor interpretativo,
jamais alcançado pela expressão “mapa” em português) envolve a criação de um
conhecimento baseado numa análise lógico-dedutiva, onde se busca na topografia, nas bacias
de drenagem, na forma e orientação do relevo, na circulação atmosférica e nos padrões de
vento, um conhecimento integral de cada lugar. Juntar estes lugares no momento do traçado
do mapa, principalmente da chuva, é uma atitude de interpretação, entendimento, correlação e
experiência acumulada, fazendo nascer, gradativamente, lentamente, num processo de
gestação, as estruturas, as relações, as correlações, o genético (tempo = weather), o histórico
(tempo cronológico) e por fim o nascimento das unidades climáticas. Assim construídas, elas
são um processo em permanente movimento, devendo ser atualizadas e refeitas com novas
informações ou novas observações de campo. Dentro de cada uma destas unidades, o uso do
território poderá ser concebido dentro dos limites do possível, baseado no ritmo climático atual
(série 1983 – 1994).
                   3




ENTRA FIGURA 001
                                                                                               4




2.       A REDE METEOROLÓGICA


          Durante a fase de nível compilatório, foi realizado um levantamento da rede
meteorológica de observações de superfície (estações meteorológicas e postos
pluviométricos), sendo que este cadastro inclui a localização geográfica, período de
observação e tipo de dados disponíveis. Essa rede meteorológica foi espacializada na escala
1:1.500.000, passando a constituir uma “base digitalizada” de referência para a crítica das
informações, tanto em termos temporais, mas principalmente para a consistência espacial,
associada com as unidades climáticas preliminares. Esta distribuição da rede no território do
Mato Grosso não obedeceu (propositadamente) os limites políticos do Estado, tendo se
estendido para uma faixa aproximada de 200 a 300 km, avançando para os Estados do Pará,
Amazonas, Rondônia, Goiás e Mato Grosso do Sul. Este procedimento metodológico visou dar
continuidade espacial nos mapeamentos dos atributos climáticos, ou seja, temperatura,
pluviosidade e o balanço hídrico.

         A análise crítica da distribuição espacial permitiu identificar uma série de fatos:

            A rede meteorológica (em funcionamento e com séries temporais possíveis de
             uso) é ainda muito exígua e os períodos de observação pequenos (10 a 20 anos
             para a maioria dos postos pluviométricos);

            A distribuição dessas estações meteorológicas é irregular, ocorrendo regiões
             onde a densidade é um pouco maior, contrastando com grandes vazios. A maior
             concentração ocorre ao sul do paralelo 13ºS, ficando a região setentrional com
             um número muito pequeno de estações e postos pluviométricos;

            De outra parte, os períodos de observação poucas vezes satisfazem os trinta
             anos ininterruptos considerados pela Organização Meteorológica Mundial. A
             maior parte das estações possui um período muito reduzido de observação, ou
             então a série apresenta muitas falhas ou interrupções. Para se ter uma noção
             mais clara desta precariedade, somente 4 estações do Estado (Cuiabá, Cáceres,
             Diamantino e Vera) contam com normais calculadas para o período 1961 – 1990.
             As normais para o período 1931 – 1960 estão disponíveis para aquelas quatro
             primeiras e também para Merure e Sangradouro (ex-Presidente Murtinho).

         A baixíssima resolução espacial e temporal da base de dados meteorológicos influiu
decisivamente nos procedimentos metodológicos utilizados neste projeto.


2.1.     AS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS

          Considerando que apenas 4 estações possuiam séries longas, tornou-se necessário
trabalhar com uma série menor (mínimo de 10 anos), mas que abrangesse o maior número
possível de estações meteorológicas. Por outro lado, uma das premissas básicas deste estudo
era o mapeamento dos atributos climáticos para todo o Estado. Neste caso, as duas variáveis
mais importantes eram a representação cartográfica da temperatura e da pluviosidade. A rede
de pluviômetros, apesar de mal localizada e com série curta, mostrou-se desde o início do
trabalho, suficiente para atender um mínimo de confiabilidade cartográfica na escala
1:1.500.000. No entanto, a rede de estações meteorológicas revelo-se totalmente insuficiente.
Não por se constituir em 13 estações operadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia
(INMET), 6 operadas pela EMPAER, uma pela INFRAERO (Vilhena), uma pela MICHELIN
                                                                                           5




(Itiquira) e uma pela Escola Federal Agrotécnica (São Vicente da Serra), mas principalmente
por serem séries descontínuas, cheias de falhas.

           A localização deste conjunto de estações meteorológicas pode ser vista no Mapa
A001 – Rede Pluviométrica e Meteorológica bem como no Quadro 001. Portanto, caso fossem
utilizadas apenas 23 estações, o mapeamento da temperatura, bem como o do balanço hídrico,
tornou-se-ia inviável na escala 1:1.500.000. Desta forma, foi necessário utilizar a técnica
estatística da análise de regressão múltipla, para através dos gradientes (com relação à
altitude, latitude e longitude) e dos coeficientes determinados, estimar e mapear a variação
térmica para qualquer ponto do Estado. A estimativa das temperaturas médias compensadas
mensais e anual possibilitou o cálculo do balanço hídrico para toda a rede de postos
pluviométricos do Estado do MT, bem como para os postos auxiliares localizados no Pará,
Amazonas, Goiás, Rondônia e Mato Grosso do Sul. Todas as estações meteorológicas
utilizadas no diagnóstico de Climatologia receberam um código constituído da letra (M) mais
um número constituído de três dígitos, por exemplo, o código da estação meteorológica de
Cáceres é M123.

           O período utilizado foi de janeiro de 1983 a dezembro de 1995. Este segmento
temporal foi escolhido para permitir o uso das estações meteorológicas do INMET e da
EMPAER; já que a maioria das estações operadas pela EMPAER só começou a funcionar a
partir de 1988, conforme pode ser observado no Quadro 001. Portanto, só foi possível calcular
a média das temperaturas (máximas, mínimas e médias) estimando os valores através de
análise de regressão múltipla. Este procedimento será detalhado no tópico 5, referente à
estimativa das temperaturas médias mensais e anuais.


QUADRO 001          RELAÇÃO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS UTILIZADAS (1983-1995)

                                                        LONG
 CÓDIGO              NOME DA ESTAÇÃO         LAT S                ALT
                                                         W
  M124    Padre Ricardo Remetter             15º 47'    56º 04'   140
  M152    Rondonópolis                       16º 27'    54º 34'   280
  M122    São José do Rio Claro              13º 26'    56º 43'   350
  M151    Cotriguaçu                         09º 50'    58º 31'   161
  M150    Matupá                             10º 15'    54º 55'   285
  M023    Cuiabá                             15º 36'    56º 07'   171
  M019    Merure                             15º 34'    53º 00'   418
  M025    Poxoréo                            15º 49'    54º 23'   450
  M028    Cáceres                            16º 03'    57º 41'   118
  M123    Canarana                           13º 30'    52º 30'   430
  M012    Vera (Gleba)                       12º 17'    55º 17'   400
  M010    Nova Xavantina                     14º 42'    52º 21'   316
  M159    Alcoomat                            14º 16'   59º 14'   690
  M013    Diamantino                          14º 26'   56º 27'   286
  M155    Rosário Oeste                      14º 51'    56º 24'   172
  M158    Jaciara                            15º 48'    55º 10'   480
  M154    Juína                              11º 25'    58º 44'   344
  M161    Rondonópolis                       16º 38'    54º 42'   290
                                                                    (continua...)
                                                                                              6




QUADRO 001             RELAÇÃO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS UTILIZADAS (1983-1995)
                                                                           (...continuação)
  CÓDIGO                      NOME DA ESTAÇÃO    LAT S     LONG W    ALT



   M160    Tangará                               14º 00'   57º 29'   478

   M156    Quatro Marcos                         15º 39'   58º 19'   180

   M153    Vilhena                               12º 41'   60º 06'   560

   M157    Itiquira                              17º 22'   54º 44'   560

   M162    São Vicente da Serra (Agrotécnica)    15º 40'   55º 25'   775


FONTE:     ANEEL (1983-1995)



2.2.       A REDE PLUVIOMÉTRICA

          A distribuição espacial dos postos pluviométricos utilizados neste estudo estão
localizados no Mapa A001 – Rede Pluviométrica e Meteorológica A listagem completa de todas
as estações estão relacionadas nos Quadros 002, 003 e 004, e foram empregados três tipos de
códigos para os postos pluviométricos. O código original fornecido pelo antigo Departamento
Nacional de Águas e Energia (DNAEE), hoje Agência Nacional de Águas e Energia (ANEEL),
composto pela quadrícula de um grau de latitude e de longitude e pela numeração de ordem
dentro da quadrícula. Por exemplo, o posto de Cáceres tem o código 01657003, ou seja,
16ºLS, 57º WGr e o número de ordem que é o 003. Quando foi feita a digitalização na base
cartográfica do AUTOCAD e transportado depois para o SURFER, este posto ficou
denominado como P394, sendo este o segundo critério utilizado. O terceiro critério foi aplicado
na localização das estações meteorológicas, ficando, portanto, com a letra inicial (M).

         Existem situações em que num mesmo local, ou em distâncias muito próximas, foram
plotados mais de um posto pluviométrico ou mesmo mais de uma estação meteorológica. Além
dos postos do DNAE, foram incluídos dados pluviométricos da SANBRA (Rondonópolis) posto
P590; Fazenda São Benedito (Posto P591); Fazenda Verde (P592); Fazenda Petrovina (P593);
Fazenda Itaquerê (P593); e de Lucas (P595).

         No total foram utilizados 137 postos pluviométricos do Estado do Mato Grosso
(Quadro 002); 45 dos Estado de Goiás; 11 de Rondônia; 9 do Pará; 5 do Amazonas e 4 do
Mato Grosso do Sul (Quadros 003 e 004).

          A distribuição destes postos no Estado do Mato Grosso é muito irregular, como já
havia ficado constatado na fase de nível compilatório.
                                                                                       7




QUADRO 002          RELAÇÃO DOS POSTO PLUVIOMÉTRICOS UTILIZADOS DO ESTADO DE MATO GROSSO

DNAEE      CÓDIGO    NOME DA ESTAÇÃO            LAT S LONG W ALT


00857000     P068   Santa Rosa                  08º55'    57º25'    175
00951000     P083   Vila Rica                   09º58'    51º10'    280
00954001     P085   Cachimbo                    09º49'    54º53'    330
00956000     P086   Alta Floresta               09º52'    56º06'    270
00956001     P087   Jusante Foz Peixoto de      09º38'    56º15     260
                    Azevedo
00957001     P089   Novo Planeta                09º22     57º13'    200
00960001     P090   Concisa                     09º43     60º35'    110
01050000     P109   Luciara                     10º43'    50º37     180
01050001     P110   Jusante Crisóstomo          10º17'    50º25'    170
01051001     P113   Porto Alegre                10º54'    51º40'    230
01052000     P114   Vila São José do Xingu      10º 47'   52º47'    350
01053001     P116   Fazenda Sta. Emília         10º32'    53º36'    300
01054000     P117   Agro Pecuária Cajabi        10º44'    54º32'    390
01055001     P119   Indeco                      10º06'    55º34'    250
01055002     P120   Colider                     10º47'    55º26'    390
01057000     P121   Fazenda AGROTEP             10º37'    57º32'    360
01057001     P122   Trivelato                    9º56'    57º07'    260
01058002     P124   Núcleo Ariel                 9º51'    58º14'    130
01058003     P125   Juruena                     10º18'    58º29'    225
01058004     P126   Novo Tangará                10º50'    58º48'    380
01058005     P127   Vale do Natal               10º32'    58º52'    360
01059000     P128   Humboldt                    10º10'    59º27'    330
01061002     P130   Faz Castanhal               10º37'    61º10'    165
01150001     P144   São Félix do Araguaia       11º36'    50º40º    200
01151000     P145   Bate Papo                   11º 35'   51º 07'   190
01152000     P146   Suia Liquilândia            11º 44'   52º04'    360
01152001     P147   Espigão                     11º23'    52º15'    370
01154000     P148   Rancho de Deus              11º00'    54º48'    370
01154001     P149   Santa Felicidade            11º14'    54º43'    300
01155000     P150   Cachoeirão                  11º39'    55º42'    315
01156000     P151   Fazenda Itaúba              11º28'    56º25'    360
01156001     P152   Sinop                       11º52'    56º32'    380
01157000     P153   Porto dos Gaúchos           11º39'    57º14'    300
01157001     P154   Juara                       11º10'    57º25'    350
01159000     P158   Boteco dos Mineiros         11º49'    59º19'    370
01250001     P176   Santo Antônio do Leverger   12º 04'   50º51'    180
01251000     P177   Alo Brasil                  12º11'    51º45'    370
01251001     P178   Divinea                     12º55'    51º51'    360
01254001     P179   Agrovensa                   12º48'    54º44'    350
01255001     P180   Teles Pires                 12º55'    55º54'    400
01255002     P181   Núcleo Colonial Rio Ferro   12º48'    55º04'    420
01257000     P183   Brasnorte                   12º07'    57º54'    320
01259001     P184   Cachoeirinha                12º01'    59º39'    460
01351000     P202   Trecho Médio                13º39'    51º24'    230
01352000     P203   Fazenda Sete de Setembro    13º34'    52º25'    360
01352001     P204   Garapu                      13º14'    52º37'    330
01352002     P205   Serra Dourada               13º37'    52º05'    400
01353001     P207   Estância Rodeio             13º48'    53º15'    350
01354000     P208   Fazenda Agrochapada         13º15'    54º10'    370
01355001     P210   Porto Roncador              13º35'    55º19'    400
01356002     P212   Nova Mutum                  13º48'    56º10'    420
01357000     P213   Nova Maringá                13º31'    57º12'    360
01358001     P214   Bacaval                     13º 38'   58º17'    550
01358002     P215   Fazenda Tucunaré            13º28'    58º58'    400
01358003     P216   Utiariti                    13º02'    58º17'    380
01359000     P217   Padronal                    13º10'    59º52'    600
01359001     P218   Vila Alegre                 13º46'    59º46'    580
FONTE:     ANEEL (1983-1994)
                                                                                8




QUADRO 003    RELAÇÃO DOS POSTOS PLUVIOMÉTRICOS UTILIZADOS DO ESTADO DE MATO
        GROSSO

 DNAEE     CÓDIGO      NOME DA ESTAÇÃO              LAT S LONG W          ALT

01452000    P238    Xavantina                       14º40'    52º21'      250
01452004    P239    Água Boa                        14º03'    52º15'      390
01453000    P240    Passagem BR-309                 14º40'    53º49'      300
01453001    P241    Fazenda Becker                  14º02'    53º24'      340
01454000    P242    Paranatinga                     14º23'    54º13'      470
01454002    P244    Nova Brasilândia                14º20'    54º55'      450
01455006    P251    Fazenda São José dos            14º55'    55º49'      380
                    Campos
01455007    P252    Fazenda Corrente Verde          14º53'    55º19'      420
                    PR4
01455008    P253    Fazenda Raizama (Coimbra)       14º51'    55º49'      240
01456001    P255    Arenápolis                      14º33'    56º52'      230
01456002    P256    Marilândia                      14º22'    56º59       340
01456003    P257    Nortelândia                     14º25'    56º47'      400
01456004    P258    Quebo                           14º40'    56º05'      260
01456008    P259    Rosário D’oeste (IBGE)          14º55'    56º23'      150
01456009    P260    Parecis (BR-364)                14º09'    56º56'      448
01457000    P261    Tapirapuã                       14º50'    57º45'      200
01457001    P262    Tangará da Serra                14º38'    57º12'      448
01457003    P264    Deciolandia                     14º11'    57º30'      550
01458001    P266    Rio Verde (BR-364)              14º27     58º14'      509
01552000    P298    Barra do Garças                 15º47'    52º12'      500
01552001    P299    General Carneiro                15º42'    52º45'      366
01552002    P300    Toriqueje                       15º13'    52º56'      400
01552006    P301    Pindaíba                        15º53'    52º14'      250
01554005    P305    Rio das Mortes                  15º16'    54º05       530
01554006    P306    Jaciara                         15º59'    54º58'      300
01555000    P307    Ponte Alta                      15º25'    55º18'      690
01555001    P308    Chapada dos Guimarães           15º26'    55º46'      700
01555005    P311    São José da Serra               15º50'    55º19'      680
01555006    P312    Roncador (Faz. Rio Pardo)       15º16'    55º06'      680
                    PR1
01555007    P313    Usina Casca III PR2             15º21'    55º28'      380
01555008    P314    Fazenda Estiva PR3              15º13'    55º45'      460
01556001    P316    N.S.do Livramento-Bosque        15º48'    56º21       280
                    F.Barros
01556005   P317     Acorizal                        15º12'    56º22'      170
01556009   P319a    Cuiabá - Campus Univer.         15º 36'   56º 06'     160
01557001   P320     Barra do Bugres                 15º03'    57º11'      150
01557003   P322     Barranquinho                    15º39'    57º29       150
01557004   P323     São José do Sepotuba            15º07     57º39'      180
01558000   P325     Colônia Rio Branco              15º29'    58º09'      180
                    (CODEMAT)
01558001    P326    Ponte Cabaçal (MT-125)          15º36'    58º06'      240
01558003    P328    Porto Esperidião                15º51'    58º27'      130
01558004    P329    Alto Jauru (Particular)         15º19'    58º36'      550
01558005    P330    Porto Esperidião                15º51'    58º29       130
01559000    P332    Pontes e Lacerda                15º12'    59º20'      250
01559006    P336    Mato Grosso                     15º00'    59º58'      240
01560000    P337    Fazenda Areião                  15º23'    60º02'      220
01654001    P379    Santa Terezinha                 16º40'    54º15'      700
01654004    P381    Santa             Escolástica   16º50'    54º24'      400
                    (Particular)
01655000    P383    Baia Nova                       16º 23'   55º36'      140
01655001    P384    Córrego Grande                  16º40'    55º09'      170
01655002    P385    Barão de Melgaço                16º14'    55º58'      130
01655003    P386    Taiamã (Particular)             16º43'    55º31'      163
                                                              (continua...)
                                                                                                                  9




QUADRO 003    RELAÇÃO DOS POSTOS PLUVIOMÉTRICOS UTILIZADOS DO ESTADO DE MATO
        GROSSO
                                                            (...continuação)

DNAEE      CÓDIGO    NOME DA ESTAÇÃO            LAT S LONG W ALT
01655004   P387   Santa Lúcia (Particular)       16º53'     55º54'     130
01656001   P389   Porto Cercado                  16º31'     56º23'     119
01656002   P390   Poconé                         16º16'     56º37'     120
01656003   P391   São José Borireu               16º56'     56º14'     110
01657001   P392   Sararé                         16º48'     57º01'     90
01657002   P393   Descalvados                    16º43'     57º45'     95
01657003   P394   Cáceres                        16º04'     57º41'     90
FONTE:   ANEEL (1983-1994)

QUADRO 004    RELAÇÃO DOS POSTOS PLUVIOMÉTRICOS UTILIZADOS DO ESTADO DE MATO
        GROSSO
CÓDIGO     CÓDIGO        NOME DA ESTAÇÃO         LAT S LONG W          ALT
 NAEE
01657004     P395    Flechas                     16º02'     57º16'     130
01658000     P397    Destacamento da Corixa      16º19'     58º18'     170
01658001     P398    Orion                       16º59'     58º20'     80
01753000     P448    Alto Araguaia               17º19'     53º13'     690
01754000     P452    Itiquira (DNPVN)            17º12'     54º08'     620
01754004     P456    Pedro Severo                17º32'     54º00'     650
01755000     P457    Santo Antonio do Paraíso    17º36'     55º11'     300
01755001     P458    União                       17º42'     55º47'     134
01755003     P460    São Jerônimo                17º10'     55º59'     111
01755004     P461    São Jerônimo                17º10'     55º59'     111
01756000     P463    Ilha Camargo                17º04'     56º36'     106
01756001     P464    São José do Piquiri         17º19'     56º26'     103
01757000     P469    Porto Índio (Bela Vista     17º37'     57º42'     320
                     Norte)
01757002     P471    Uberaba                     17º14'    57º47'      96
01853000     P517    Fazenda Taquari             18º04'    53º08       880
             P590    Rondonópolis (Sanbra)       16º 27'   54º 34'     290
             P591    São Benedito                16º 39'   54º 27'     285
             P592    Verde                       16º 35'   54º 51'     520
             P593    Fazenda Petrovina           16º 50'   54º 03'     730
             P594    Fazenda Itaquerê            15º 05'   53º 23'     500
             P595    De Lucas                    13º 09'   55º 57'     450
             M021    Cuiabá                      15º 36'   56º 06'     151
FONTE:     ANEEL (1983-1994)


QUADRO 005          RELAÇÃO DOS POSTOS PLUVIOMÉTRICOS AUXILIARES FORA DO MATO GROSSO
CÓDIGO     CÓDIGO       NOME DA ESTAÇÃO          MUNICÍPIO           ESTADO    LAT S    LONG W ALT
DNAEE

00751000    P041    Gorotire                 Altamira                 PA       07°46'   51°08'   350
00752001    P043    Porto Seguro             S. Félix do Xingú        PA       07°20'   52°40'   260
00754000    P044    Aldeia do Baú            Altamira                 PA       07°20'   54°50'   250
00757001    P046    Missão Cururu            Itaituba                 PA       07°36'   57°35'   100
00758000    P047    Barra do S. Manoel       Borba                    AM       07°19'   58°05'   160
00760000    P050    Prainha                  Novo Aripuanã            AM       07°15'   60°24'   70
00760001    P051    Boca do Guariba          Novo Aripuanã            AM       07°41'   60°18'   80
                                                                                                       (continua...)
                                                                                                         10




 QUADRO 005          RELAÇÃO DOS POSTOS PLUVIOMÉTRICOS AUXILIARES FORA DO MATO GROSSO
                                                                                              (...continuação
CÓDIGO
            CÓDIGO   NOME DA ESTAÇÃO          MUNICÍPIO       ESTADO   LAT S      LONG W     ALT
DNAEE
00761001     P053    Faz. Bonsucesso          Novo Aripuanã     AM      07°54'     61°11'     120
00761002     P053a   Faz. Água Azul                                     07º 30'    61º 30'    110
00850000     P064    Redenção                                   PA      08°03'     50°07'     430
00852000     P065    Cubencranquem            Altamira          PA      08°02'     52°09'     350
00854000     P066    Menocranotire            Altamira          PA      08°39'     54°13'     430
00855000     P067    Km 947 BR-163            Itaituba          PA      08°03'     55°11'     380
00861000     P070    Bodocó                   Humaitá           AM      08°29'     61°32'     211
00950001     P081    Barreira de Campo        Santana do        PA      09°36'     50°08'     169
                                              Araguaia
00950002      P082   Cangussu                 Pium              GO      09°59'     50°00'     170
00961001      P092   Buenos Aires                               RO      09°15'     61°40'     130
00961003      P093   Fábio                                      RO      09°45'     61°53'     160
01050002      P111   Sta. Terezinha                             GO      10°25'     50°30'     170
 01150000     P143   Fazenda Telesforo        Formoso do        GO      11°55'     50°40'     190
                                              Araguaia
01160000      P159   Marco Rondon             Pimenta Bueno     RO      11°50'     60°43'     280
01160002      P161   Fazenda Flor do Campo    Pimenta Bueno     RO      11°45'     60°51'     200
01161000      P162   Vista Alegre BR-364      Cacoal            RO      11°25'     61°27'     220
01161001      P163   Pimenta Bueno            Pimenta Bueno     RO      11°39'     61°12'     200
01161002      P164   Rolim de Moura           Cacoal            RO      11°44'     61°46'     350
01250000      P175   Fazenda Piratininga      S. Miguel do      GO      12°45'     50°18'     200
                                              Araguaia
01260002      P185   Cachoeira do Ávila       Vilhena           RO      12°25'     60°32'     450
01261000      P187   Faz. Expansão            Vilhena           RO      12°28'     61°02'     350
01350000      P199   Bandeirantes             Crixás            GO      13º41'     50º48'     200
01350001      P200   Rio Pintado              São Miguel do     GO      13º34'     50º24'     200
                                              Araguaia
01350002      P201   São Miguel do Araguaia   São Miguel do     GO      13º16'     50º10'     400
                                              Araguaia
01360000      P219   Colorado do Oeste                          RO      13º13'     60º32'     620
01360001      P220   Cerejeira                                  RO      13º17'     60º48'     280
01449003      P233   Crixás                   Crixás            GO      14º33'     49º59'     500
01450000      P234   Lagoa da Flecha (Faz.)   Crixás            GO      14º27'     50º50'     200
01450001      P235   Mozarlândia              Mozarlândia       GO      14º45'     50º34'     400
01450002      P236   Governador Leonino       Crixás            GO      14º05'     50º21'     270
01451000      P237   Aruana                   Aruana            GO      14º 55'    51º 04'    215
01549002      P283   Itapuranga (Xixa)        Itapuranga        GO      15º33'     49º56'     600
01549004      P285   Nova América             Nova América      GO      15º01'     49º53'     800
 FONTE:      ANEEL (1983-1994)
                                                                                                      11




 QUADRO 006         RELAÇÃO DOS POSTOS PLUVIOMÉTRICOS AUXILIARES FORA DO MATO GROSSO

CÓDIGO
           CÓDIGO   NOME DA ESTAÇÃO           MUNICÍPIO          ESTADO   LAT S      LONG W     ALT
DNAEE
01550000     P291   Itapirapuã                Itapirapuã           GO      15º49'     50º36'    343
01550001     P292   Jeroaquara                Goiás                GO      15º22'     50º30'    400
01550002     P293   Travessão                 Aruana               GO      15º32'     50º42'    450
01551000     P294   Britania                  Britania             GO      15º14'     51º10'    300
01551001     P295   Montes Claros de Goiás    Montes Claros de     GO      15º58'     51º20'    350
                                              Goiás
01551002     P296   Peres                     Montes Claros de     GO      15º58'     51º52'    300
                                              Goiás
01551003     P297   Santa Fé                  Jussara              GO      15º41'     51º16'    400
01649000     P346   Anicuns                   Anicuns              GO      16º28'     49º56'    605
01649010     P356   Palmeiras de Goiás        Palmeiras de         GO      16º49'     49º56'    700
                                              Goiás
01650000     P360   Cachoeira de Goiás        Cachoeira de         GO      16º44'     50º39'    800
                                              Goiás
01650003     P363   Turvânia                  Turvânia             GO      16º36'     50º08'    700
01749000     P419   Edeia (Alegrete)          Edeia                GO      17º18'     49º55'    500
01750000     P428   Barra do Monjolo          Parauna              GO      17º44'     50º12'    400
01750001     P429   Fazenda Nova (do Turvo)   Parauna              GO      17º05'     50º15'    509
01750003     P431   Ponte Rio Verdão          Paraúna              GO      17º30'     50º29'    536
01750004     P432   Ponte Rodagem             Paraúna              GO      17º19'     50º36'    550
01750008     P435   Fazenda Paraiso           Rio Verde            GO      17º26'     50º41'    600
01750013     P437   Paraúna                   Paraúna              GO      17º01'     50º26'    600
01751000     P438   Ponte Rio Claro           Jataí                GO      17º55'     51º45'    596
01751001     P439   Ponte Rio Doce            Jataí                GO      17º42'     51º23'    490
01751002     P440   Benjamin de Barros        Jataí                GO      17º52'     51º42'    700
01751004     P441   Montividiu (Chapadão)     Rio Verde            GO      17º19'     51º15'    800
01752002     P444   Fazenda São Bernardo      Mineiros             GO      17º41'     52º51'    820
01752003     P445   Ponte do Cedro            Mineiros             GO      17º34'     52º35'    690
01752006     P447   Bom Jardim                Mineiros             GO      17º44'     52º07'    800
01753001     P449   Cachoeira Grande          Santa Rita do        GO      17º09'     53º14'    600
                                              Araguaia
01753002     P450   Fazenda Babilônia         Santa Rita do        GO      17º22'     53º03'    680
                                              Araguaia
01756002     P465   Retiro Seguro             Corumbá              MS      17º57'     56º38'    110
01756003     P466   Porto Alegre              Corumbá              MS      17º38'     56º58'    110
01850000     P503   Ponta Sul Goiana          Goiatuba             GO      18º07'     50º09'    439
01850001     P504   Fazenda Aliança           Bom Jesus de         GO      18º05'     50º01'    447
                                              Goiás
01850003    P506    Maurilândia               Maurilândia          GO      18º02'     50º20'    500
01853002    P519    Cachoeira / Pólvora       Coxim                MS      18º06'     53º58'    350
01854001    P523    Pedro Gomes               Pedro Gomes          MS      18º04'     54º32'    350
            M101    Goiás                     Goiás                GO      15º 56'    50º 08'   512
            M073    Vilhena (Guajará Mirim)                                12º 44'    60º 08'   652
            M108    Mineiros                                               17º 34'    52º 33'   800
            M115    Jataí                                                  17º 53'    51º 43'   670
            M114    Rio Verde                                              17º 48'    50º 55'   746
            M102    Aragarças                                              15º 54'    52º 14'   345

 FONTE:     ANEEL (1983-1994)
                                                                                              12




2.3.     O PERÍODO UTILIZADO

          A série temporal utilizada para os cálculos dos valores médios mensais e anuais para
todos os postos pluviométricos foi de janeiro de 1983 a dezembro de 1994. Esta série foi
escolhida após a análise crítica detalhada do mapeamento de falhas e do segmento temporal
máximo, desde a instalação de cada posto pluviométrico. Neste mapeamento (falhas e dados
existentes de cada posto) ficou evidente, numa primeira análise ser totalmente inviável o uso
de séries anteriores a 1975, pois ficaria inviável a execução do mapeamento na escala
1:1.500.000 tornar-se-ia inexeqüível. No entanto, no extremo setentrional e parte da região
central do Estado, os postos e as coletas dos dados de chuva somente foram iniciados a partir
dos anos de 1983 e 1984. Desta maneira, a única série “menos ruim” foi exatamente esta de
1983 a 1994. E mesmo assim ela ainda apresentou vários problemas, sendo um dos mais
graves (do ponto de vista da homogeneidade da série) o de que inúmeros postos do extremo
centro meridional do Estado terem sido fechados a partir de 1983. Esta área abrange grande
parte da confluência dos Rios Paraguai, Cuiabá e São Lourenço, ou seja, a importante
paisagem do Pantanal.

           Por outro lado, após uma triagem inicial e avaliação seqüencial, mês a mês dos
dados de cada posto, vários deles tiveram que ser excluídos por não apresentarem o mínimo
de confiabilidade em sua utilização. Esta confiabilidade foi avaliada em função dos parâmetros
(limites superiores e inferiores) climatológicos de cada uma destas condições locais, bem como
na comparação espacial; quando havia postos existentes nas proximidades e
aproximadamente localizado dentro dos mesmos tipos de controles climáticos.

         Desta maneira, dos 186 postos inventariados inicialmente, só puderam ser
efetivamente usados 137 neste mapeamento como ilustra a espacialização no Mapa A001 –
Rede Pluviométrica e Meteorológica.



3.       O VETOR REGIONAL


           Quando trabalhamos com bases de dados, estamos sujeitos a falhas decorrentes dos
mais diversos fatores. Esse problema se agrava ao estudarmos dados de anos remotos,
quando não havia ainda sistemas de coletas automatizados, e a possibilidade de ocorrerem
falhas ou erros eram freqüentes. O método aqui descrito utiliza a técnica do Vetor Regional
para verificar a consistência de uma base de dados mensal, estimando valores onde houver
falhas e corrigindo aqueles cujo valor está muito longe do previsto. Porém, para poder utilizá-lo
é preciso que se tenha dados de no mínimo dois postos (para uma maior precisão, recomenda-
se a utilização de um maior número deles) que estejam localizados em áreas vizinhas e de
comportamento meteorológico semelhante. Além disso, não é desejável que haja falhas por
períodos de tempo muito longos. O método ainda oferece um processamento dos dados e uma
boa visualização dos resultados.

          O método do Vetor Regional, desenvolvido por HIEZ (1983), permite que se realizem
análises de consistência e preenchimento de falhas em dados pluviométricos, tanto em níveis
mensal como anual. O Vetor Regional é definido como uma série cronológica, sintética, de
índices pluviométricos obtidos da informação mais provável contida nos dados de um conjunto
de estações (ou postos) de observação, agrupadas regionalmente.
                                                                                             13




          Seja P a matriz de n observações (precipitações) ao longo do tempo em m estações
localizadas numa região homogênea:

                                                 p11    p12   ... p1m
                                       P=        p21    p22   ... p2m
                                                 ...    ...       ...
                                                 pn1    pn2   ... pnm


             O método consiste em determinar dois vetores ótimos, L e C cujo produto é uma
aproximação da matriz P. O vetor L é um vetor coluna de dimensão n que recebe o nome de
Vetor Regional. Cada dado deste vetor traz um valor que corresponde a um “valor
característico” de precipitação do conjunto de postos analisados para um determinado ano (ou
mês). O vetor C é um vetor linha de dimensão m que representa os coeficientes característicos
de cada estação. Os índices contidos no vetor L são únicos para toda a região e estão
relacionados com as alturas precipitadas em cada posto por meio dos coeficientes contidos no
vetor C. Podemos estimar, portanto, a altura precipitada no ano i, no posto j, pela expressão
 pij  li  c j .
 ˆ

          Para cada ano (ou mês), correspondente a uma estação, existirá uma diferença entre
os valores observado e estimado, de modo que é possível estabelecer uma matriz D de
diferenças (ou erros), cujos elementos são calculados segundo d ij  pij  li  c j .

          Os elementos da matriz L e C são determinados pela minimização quadrática da
matriz D. A soma dos quadrados das diferenças é:

                      n     m
          FO    d ij
                      2

                     i 1 j 1


          Diferenciando a equação acima com relação as incógnitas li e cj e igualando cada
expressão a zero, resulta um sistema não-linear de n+m equações e n+m incógnitas cuja
solução é

                 n               n
       c j   l i  pij         l   i
                                       2
                                            ; j = 1, ..., m     (i)
                 i               i
             m                   m
       li   c j  pij          c    2
                                       j    ; i = 1, ..., n    (ii)
             j                   j

         A solução do sistema pode ser alcançada mediante processo iterativo, partindo de
uma estimativa inicial do vetor regional. É prática comum adotar para a estimativa inicial do i-
ésimo valor do vetor L a média aritmética das precipitações registradas nas m estações em
naquele ano (ou mês), ou seja:

                     m

                 m
       li  1             p ij
                  j

            Com essa estimativa inicial, resolve-se a equação (i). Obtidos os elementos do vetor
C, aplica-se o mesmo processo para recalcular os elementos do vetor L (através da equação
(ii)). O processo converge rapidamente.
                                                                                                      14




          Obtido     o   vetor   L,   calculamos   os   erros   relativos   segundo     a   expressão
                                                                                    k            n
eij  d ij li  c j  [ pij (l i  c j )]  1 , e os seus valores acumulados Eij   eij  1 2   eij
                                                                                    i             i

, para 1  k  n .

         Os erros acumulados obtidos pela expressão acima podem ser plotados em função
do tempo, originando um gráfico denominado duplo-acumulativo, relativo às séries observadas
e gerado com base no vetor regional.

          A utilização do programa VETOR REGIONAL, implementado em linguagem de macro
no MS-EXCEL, permitiu a substituição de todas as falhas existentes nas séries de dados de
pluviosidade. A entrada de dados é feita através de uma planilha modelo. Após a execução da
MACRO o programa cria as seguintes planilhas: vetor regional, que traz os valores estimados
de precipitação; erros e erros acumulados, que trazem os valores dos desvios. Além disso, ele
cria também uma planilha para cada estação, contendo a distribuição, mensal dos totais de
pluviosidade de cada ano, a freqüência com que ocorreu cada faixa de valores, os meses mais
secos e mais chuvosos, os totais anuais e o ano mais seco e o chuvoso. Após o término do
processamento, a planilha de entrada de dados apresentará a coluna de vetor regional e a
linha de coeficientes característicos de cada posto, conforme visto anteriormente.

           Trará também as médias mensais, além disso, as células em branco foram
preenchidas com o valor estimado. Se o usuário desejar, os valores que apresentarem uma
diferença pré-estipulada do valor estimado, poderão ser substituídos pelos valores estimados e
identificados com diferentes cores. Selecionou-se três exemplos com a planilha final para as
localidades de Vera (Quadro 007), Chapada dos Guimarães (Quadro 008) e Flechas (Quadro
009).

          Após a uniformização da série de dados mensais de janeiro de 1983 a dezembro de
1994, foi feito o calculo das médias mensais e do total anual da pluviosidade. Esta série de
dados pluviométricos foi submetida a um tratamento estatístico, no sentido de auxiliar na
escolha do ano padrão seco e chuvoso.

         Os dados mensais foram classificados em faixas de intensidade, tendo sido
consideradas as seguintes faixas:

                                            0mm;
                                          0-25mm;
                                          25-50mm,
                                         50-100mm,
                                         100-200mm;
                                         200-400mm;
                                         400-600mm;
                                          < 600mm;
         Foi realizada também, a soma dos totais pluviométricos para os três meses mais
chuvosos e os três meses mais secos. Os totais (mm) de cada trimestre foram transformados
em porcentagem do total anual. Desta forma, foi possível classificar para cada posto a
concentração sazonal das chuvas, tanto na estação seca quanto na estação chuvosa.

         Este tipo de tratamento estatístico pode ser avaliado para os postos de Vera
(Quadros 010 e 011), para a Chapada dos Guimarães (Quadros 012 e 013) e Flechas
(Quadros 014 e 015).
                                                                                       15




         Para melhorar a visualização, foi construído, um gráfico, onde se pode analisar a
variação mensal e anual da pluviosidade.

          Após o processamento dos dados, eles foram transferidos para uma base
cartográfica digitalizada em AUTO-CAD, onde foi feito o traçado dos mapas na escala
1:1.500.000.
                                                                                                                                                          16




QUADRO 007          VARIAÇÃO MENSAL E ANUAL (1993-1994) DA PUVIOSIDADE EM VERA. POSTO M012, LAT. 12º17’, LONG 55º17’ ALT.400
F - Vera      jan         fev       mar        abr       mai       jun          jul          ago       set        out      nov       dez       Tot. an.
  1983          376,2       229,0     435,5      94,3       6,0           1,3          0,6       0,0      20,6     249,7     200,3     367,7      1981,2
  1984          162,0       353,4     139,0     152,9      94,6           0,0          0,0      32,9      56,3     256,2     287,8     218,3      1753,4
  1985          504,3       202,0     430,6     272,1      48,0           0,0          0,1       0,0     146,5     243,9     201,9     289,1      2338,5
  1986          328,5       493,1     432,6     135,4      59,9           0,0          7,3      65,6      52,2     118,6     194,7     148,5      2136,4
  1987          285,3       386,9     208,5     120,0      38,6           0,0          0,0       1,5       5,6     102,9     357,0     359,3      1865,6
  1988          269,3       446,6     197,3     123,6       0,5           0,2          0,0       0,0       0,0     165,0     391,4     397,2      1991,1
  1989          328,0       326,5     435,8     101,5      52,0          25,0         11,2      41,6      81,6     182,2      85,3     642,5      2313,2
  1990          329,2       409,4     169,8     140,2      70,1           0,3          1,6       8,0     101,6     131,5      92,1      33,4      1788,0
  1991          519,8       257,4     332,3     270,7      21,0           0,0          0,0       0,0     110,5     139,7     252,9     200,1      2104,4
  1992          356,2       372,4     302,0     171,3      10,5           3,5          0,5      48,8      99,2     229,4     154,0     434,2      2181,9
  1993          219,7       324,7     199,6      89,7      15,9          21,1          0,0      23,0      49,1     147,4     331,8     297,6      1719,6
  1994          517,1       274,7     454,4     164,5      39,9          33,9          7,8       1,0      19,6     228,5     246,7     414,8      2402,9
  Média         349,6       339,7     311,5     153,0      38,1           7,1          2,4      18,5      61,9     182,9     233,0     350,3      2048,0
FONTE:     INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA (IINMET)

QUADRO 008          VARIAÇÃO MENSAL E ANUAL (1983-1994) DA PLUVIOSIDADE NA CHAPADA DOS GUIMARÃES. POSTO P308, LAT.15º26’, LONG. 55º46’, ALT.
        700M

X - 308       jan         fev       mar       abr       mai        jun          jul          ago       set        out      nov       dez       Tot. an.
    1983        266,0       270,2    490,2       90,6    236,0            0,0         19,2      10,0     104,2     225,2     437,0     273,0     2421,6
    1984        204,4       243,4    261,8      205,3     74,9            0,0          0,0      67,1     103,5     247,7     269,3     309,6     1986,9
    1985        369,1       198,8    330,0      188,4     49,4            1,2         16,8      10,9       48,5    155,4     167,3     160,7     1696,6
    1986        313,9       276,9    158,9       44,1     75,6           11,6          5,5      58,3     104,1     151,0     251,5     362,2     1813,8
    1987        209,2       284,8    503,9      307,4    131,1           55,8          0,0       8,2       56,8    170,3     229,6     306,8     2263,9
    1988        162,3       336,9    235,6      163,3    130,6           18,0          4,6       0,0        0,0    124,8     297,2     517,0     1990,3
    1989        447,4       346,6    317,9      200,3    210,8           42,0         72,8     152,8       44,2    172,4     214,4     318,4     2540,0
    1990        345,5       299,4    220,6      185,6    268,4           24,2         90,8      30,6     156,2     247,6     129,6     297,7     2296,2
    1991        186,6       326,0    237,9      188,8     37,6           56,0          5,8       8,6     113,6     151,2     161,8     383,6     1857,5
    1992        319,2       179,9    277,2      238,6     13,8            0,6         17,6      33,4     231,7     315,2     306,8     312,9     2246,9
    1993        218,8       503,7    252,8       74,6     29,8           52,5         27,8      15,2     110,8     103,3     220,9     418,9     2029,1
    1994        227,8       255,9    215,8      112,0       3,8          66,5         93,0      10,4       98,2    182,9     243,8     449,1     1959,1
   Média        272,5       293,5    291,9      166,6    105,1           27,4         29,5      33,8       97,6    187,3     244,1     342,5     2091,8
FONTE:     ANEEL
                                                                                                                                             17




QUADRO 009        VARIAÇÃO MENSAL E ANUAL (1983-1994) DA PLUVIOSIDADE EM FLECHAS (CÁRCERES) POSTO P395, LAT. 16º02’, LONG. 57º16’, ALT. 130M
T3 - 395     jan        fev      mar      abr         mai      jun       jul      ago      set      out         nov         dez       Tot. an.
   1983        137,0      221,6   131,5      64,2      116,1       21,5      21,0     0,0      18,2   140,7       340,8       237,6      1450,2
   1984          64,3     110,1   117,2     187,2       61,9        0,8       0,0    17,2      28,7     85,0        83,2      109,1       864,8
   1985        127,5      170,7    78,7      86,5       14,4        0,0      18,7     0,4      39,2   110,8         54,3       96,2       797,6
   1986        141,0        99,5  181,6      89,7       49,0        4,1       0,1    63,7      36,3     38,7      131,8       126,1       961,6
   1987        157,8      124,4   159,5      98,1       17,1       36,6       0,6     0,0       4,0   110,8         93,4      226,2      1028,6
   1988        292,3      248,4   188,8     152,4       11,1       13,6       1,2     0,0       3,5     59,3        94,0      214,7      1279,5
   1989        273,9      166,8   191,5     105,7       25,4       16,9      29,1    73,3      18,0     74,2      103,7       164,5      1243,0
   1990        143,5      123,3   113,0      62,4       59,2        4,5      14,4    26,9      92,4   123,8         89,9      121,9       975,2
   1991        165,8      171,6   256,6      90,1       36,0       27,7       0,0     0,5      49,8   103,9       146,0       109,9      1157,9
   1992        163,9      143,3   145,5      92,1       33,5        0,0       0,1     6,2    150,0    155,4       183,5       116,7      1190,2
   1993        137,6      119,8    64,1      41,5       31,5       15,3      11,1    22,2      18,1   170,8       194,0        75,5       901,5
   1994          99,1     157,2   145,1      47,9       16,4       36,6      21,0     6,0      70,1   142,8         51,1      227,8      1021,1
  Média        158,7      154,7   147,8      93,1       39,3       14,8       9,8    18,0      44,0   109,7       130,5       152,2      1072,6
FONTE:   ANEEL

QUADRO 010        VARIAÇÃO RELATIVA (%) DO GRAU DE CONCENTRAÇÃO MENSAL E ESTACIONAL DA PLUVIOSIDADE EM VERA (M012)
  F-Vera        jan        fev    mar        abr     maio    jun     jul     ago       set      out     nov        dez
    83         18,99%      11,56% 21,98%      4,76%    0,30%  0,07%   0,03%    0,00%    1,04%   12,60%  10,11%     18,56%
    84           9,24%     20,16%  7,93%      8,72%    5,40%  0,00%   0,00%    1,88%    3,21%   14,61%  16,41%     12,45%
    85         21,57%       8,64% 18,41%    11,64%     2,05%  0,00%   0,00%    0,00%    6,26%   10,43%   8,63%     12,36%
    86         15,38%      23,08% 20,25%      6,34%    2,80%  0,00%   0,34%    3,07%    2,44%    5,55%   9,11%     11,63%
    87         15,29%      20,74% 11,18%      6,43%    2,07%  0,00%   0,00%    0,08%    0,30%    5,52%  19,14%     19,26%
    88         13,53%      22,43%  9,91%      6,21%    0,03%  0,01%   0,00%    0,00%    0,00%    8,29%  19,66%     19,95%
    89         14,18%      14,11% 18,84%      4,39%    2,25%  1,08%   0,48%    1,80%    3,53%    7,88%   3,69%     27,78%
    90         18,41%      22,90%  9,50%      7,84%    3,92%  0,02%   0,09%    0,45%    5,68%    7,35%   5,15%     18,69%
    91         24,70%      12,23% 15,79%    12,86%     1,00%  0,00%   0,00%    0,00%    5,25%    6,64%  12,02%      9,51%
    92         16,05%      16,78% 13,61%      7,72%    2,17%  0,18%   0,00%    2,20%    4,47%   10,33%   6,94%     19,56%
    93         12,78%      18,88% 11,61%      5,22%    0,92%  1,23%   0,00%    1,34%    2,86%    8,57%  19,30%     17,31%
    94         21,52%      11,43% 18,91%      6,85%    1,66%  1,41%   0,32%    0,04%    0,82%    9,51%  10,27%     17,26%
  Média:       17,05%      16,56% 15,18%      7,46%    2,01%  0,35%   0,12%    0,90%    3,02%    8,92%  11,36%     17,08%
             Semestre + chuvoso            1766,958 0,861438              10       11       3        2        1         12
             Semestre + seco               284,2137 0,138562               4        9       5        8        6          7
FONTE:   INMET
18
                                                                                                      19




QUADRO 011         DISTRIBUIÇÃO DE FREQÜÊNCIA (INTERVALOS DE CLASSE) MENSAL DA PLUVIOSIDADE EM VERA
  F-Vera      0        0-25     25-50   50-100   100-200   200-400   400-600   > 600
    83        1         4         0       1         0         5         1        0
    84        2         0         1       2         3         4         0        0
    85        2         1         1       0         1         5         2        0
    86        1         1         0       3         3         2         2        0
    87        2         2         1       0         2         5         0        0
    88        3         2         0       0         3         3         1        0
    89        0         2         1       3         2         2         1        1
    90        0         3         0       2         4         2         1        0
    91        3         1         0       0         2         5         1        0
    92        1         1         2       1         2         4         1        0
    93        1         3         1       1         2         4         0        0
    94        0         3         2       0         1         3         3        0
Total:
FONTE:     INMET
                                                                                                                                     20




QUADRO 012         VARIAÇÃO RELATIVA (%) DO GRAU DE CONCENTRAÇÃO MENSAL E ESTACIONAL DA PLUVIOSIDADE NA CHAPADA DOS GUIMARÃES
   T3-395          jan       fev      mar      abr       maio      jun      jul       ago       set      out       nov      dez
     83             9,45%    15,28%    9,07%    4,43%     8,01%     1,48%    1,45%     0,00%     1,25%    9,70%    23,50%   16,38%
     84             7,44%    12,73%   13,55%   21,65%     7,16%     0,09%    0,00%     1,99%     3,32%    9,83%     9,63%   12,61%
     85            15,99%    21,40%    9,87%   10,84%     1,81%     0,00%    2,34%     0,05%     4,92%   13,89%     6,82%   12,08%
     86            14,67%    10,35%   18,89%    9,32%     5,10%     0,43%    0,01%     6,62%     3,77%    4,02%    13,71%   13,12%
     87            15,35%    12,10%   15,51%    9,53%     1,66%     3,56%    0,06%     0,00%     0,39%   10,77%     9,08%   21,99%
     88            22,85%    19,42%   14,76%   11,91%     0,87%     1,06%    0,09%     0,00%     0,28%    4,63%     7,35%   16,78%
     89            22,03%    13,42%   15,41%    8,50%     2,04%     1,36%    2,34%     5,91%     1,45%    5,97%     8,35%   13,23%
     90            14,71%    12,65%   11,59%    6,40%     6,08%     0,46%    1,47%     2,76%     9,47%   12,69%     9,22%   12,50%
     91            14,32%    14,81%   22,16%    7,78%     3,11%     2,40%    0,00%     0,04%     4,30%    8,97%    12,61%    9,49%
     92            13,77%    12,04%   12,23%    7,74%     2,82%     0,00%    0,01%     0,52%    12,60%   13,06%    15,42%    9,80%
     93            15,26%    13,29%    7,11%    4,60%     3,49%     1,70%    1,23%     2,46%     2,01%   18,95%    21,52%    8,37%
     94             9,72%    15,41%   14,23%    4,70%     1,61%     3,59%    2,06%     0,59%     6,75%   14,00%     5,01%   22,34%
   Média:          14,79%    14,43%   13,77%    8,68%     3,67%     1,38%    0,91%     1,68%     4,10%   10,23%    12,17%   14,19%
               Semestre + chuvoso               850,92    0,7958                 10        11        3        12        2        1
               Semestre                         218,28    0,2042                  4         9        5         8        6        7
               + seco
FONTE:      ANEEL
                                                                                                                       21




QUADRO 013         DISTRIBUIÇÃO DE FREQÜÊNCIA (INTERVALOS DE CLASSE) MENSAL DA PLUVIOSIDADE NA CHAPADA DOS GUIMARÃES
  T3-395      0        0-25    25-50    50-100   100-200   200-400   400-600   > 600
    83        1         3        0        1         4         3         0        0
    84        1         2        1        4         4         0         0        0
    85        1         3        1        4         3         0         0        0
    86        0         2        3        3         4         0         0        0
    87        0         4        1        2         4         1         0        0
    88        1         4        0        2         2         3         0        0
    89        0         2        2        2         5         1         0        0
    90        0         2        1        4         5         0         0        0
    91        1         1        3        1         5         1         0        0
    92        0         3        1        1         7         0         0        0
    93        0         4        2        2         4         0         0        0
    94        0         3        2        3         3         1         0        0
Total:
FONTE:     ANEEL
                                                                                                                                     22




QUADRO 014         VARIAÇÃO RELATIVA (%) DO GRAU DE CONCENTRAÇÃO MENSAL E ESTACIONAL DA PLUVIOSIDADE EM FLECHAS
    X308           jan       fev      mar      abr       maio      jun      jul       ago       set      out      nov      dez
     83            10,98%    11,16%   20,24%    3,74%     9,75%     0,00%    0,79%     0,41%     4,30%    9,30%   18,05%   11,27%
     84            10,28%    12,25%   13,18%   10,33%     3,77%     0,00%    0,00%     3,38%     5,21%   12,47%   13,55%   15,58%
     85            21,76%    11,72%   19,45%   11,11%     2,91%     0,07%    0,99%     0,64%     2,86%    9,16%    9,86%    9,47%
     86            17,31%    15,27%    8,76%    2,43%     4,17%     0,64%    0,31%     3,22%     5,74%    8,33%   13,87%   19,97%
     87             9,24%    12,58%   22,26%   13,58%     5,79%     2,46%    0,00%     0,36%     2,51%    7,52%   10,14%   13,55%
     88             8,15%    16,93%   11,84%    8,20%     6,56%     0,90%    0,23%     0,00%     0,00%    6,27%   14,93%   25,98%
     89            17,61%    13,65%   12,52%    7,89%     8,30%     1,65%    2,87%     6,02%     1,74%    6,79%    8,44%   12,54%
     90            15,05%    13,04%    9,61%    8,08%    11,69%     1,05%    3,95%     1,33%     6,80%   10,78%    5,64%   12,96%
     91            10,05%    17,55%   12,81%   10,16%     2,02%     3,01%    0,31%     0,46%     6,12%    8,14%    8,71%   20,65%
     92            14,21%     8,01%   12,34%   10,62%     0,61%     0,03%    0,78%     1,49%    10,31%   14,03%   13,65%   13,93%
     93            10,78%    24,82%   12,46%    3,68%     1,47%     2,59%    1,37%     0,75%     5,46%    5,09%   10,89%   20,64%
     94            11,63%    13,06%   11,02%    5,72%     0,19%     3,39%    4,75%     0,53%     5,01%    9,33%   12,44%   22,92%
   Média:          13,03%    14,03%   13,95%    7,96%     5,03%     1,31%    1,41%     1,62%     4,67%    8,95%   11,67%   16,37%
               Semestre + chuvoso               1631,9    0,7801                 10        11        1        3        2        12
               Semestre                         460,06    0,2199                  4         5        9        8        7         6
               + seco
FONTE:      ANEEL
                                                                                                        23




QUADRO 015        DISTRIBUIÇÃO DE FREQÜÊNCIA (INTERVALOS DE CLASSE) MENSAL DA PLUVIOSIDADE EM FLECHAS
   X308      0        0-25    25-50    50-100   100-200   200-400   400-600   > 600
    83       1         2        0        1         1         5         2        0
    84       2         0        0        2         1         7         0        0
    85       0         3        2        0         5         2         0        0
    86       0         2        1        2         3         4         0        0
    87       1         1        0        2         2         5         1        0
    88       2         2        0        0         4         3         1        0
    89       0         0        2        1         2         6         1        0
    90       0         1        1        1         3         6         0        0
    91       0         2        1        1         5         3         0        0
    92       0         3        1        0         1         7         0        0
    93       0         1        2        2         2         3         2        0
    94       0         2        0        3         2         4         1        0
Total:
FONTE:    ANEEL
                                                                                            24




4.       TABULAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DOS DADOS PLUVIOMÉTRICOS




4.1.     O PERÍODO 1983-1994

          O estudo da distribuição da pluviosidade no Estado de Mato Grosso foi baseado na
crítica das informações existentes, seleção de um período padrão, substituição das falhas,
tratamento estatístico e finalmente o mapeamento.

         O trabalho teve inicio com a solicitação ao DNAEE, de todos os dados existentes
dentro de uma área, que se ajustava sobre as coordenadas de 7° a 19° latitude sul e entre 49°
e 62° longitude Oeste de Greenwhich. Este enquadramento cobriu com folga (na escala 1:
1.500.000) todo o Estado de Mato Grosso, bem como áreas limítrofes com os estados do
Amazonas, Pará, Tocantins, Goiás, Rondônia e Mato Grosso do Sul.

          Os dados pluviométricos recebidos do DNAEE, em formato texto, foram trabalhados
de forma preliminar, no sentido de avaliar a extensão máxima da série de cada posto, bem
como um mapeamento das falhas existentes. Foi construída uma planilha com a representação
mensal de toda a série existente de cada posto. Desta maneira foi possível escolher a serie de
dados com menos falhas e mais confiável, cuja distribuição abrangia o período de 1975 a 1994.
Após a análise da distribuição em uma base cartográfica de todos estes postos, chegou-se a
conclusão que seria impossível utiliza-la; pois não havia densidade suficiente em certas áreas.
No extremo setentrional do estado, a grande maioria dos postos tinha o inicio de
funcionamento somente a partir do ano de 1983-1984. Enquanto que o Sul (abaixo do paralelo
16°) a predominância era para o período 1975-1983; ou seja; quando começou a instalação
dos postos no norte do Estado, os do Sul em grande maioria foram fechados. Após uma nova
análise criteriosa de todos os dados existentes chegou-se a conclusão que a serie "menos pior"
era de 1983 a 1994.

          Os dados mensais desta série foram criticados, em seqüências temporais e em
grupos de espaço climático. Os dados absurdos foram eliminados; da mesma forma as séries
que apresentaram descontinuidades ou eram muito curtas ou muito inconsistentes foram
eliminadas, não passando a fase seguinte de complementação das falhas e aplicação do
método do Vetor Regional. A utilização deste método pressupõe a organização de "grupos ou
conjuntos de postos pluviométricos" localizados em regiões climáticas aproximadamente
homogêneas quanto à gênese e aos controles climáticos de superfície (altitude, forma e
orientação do relevo). A escolha destes "grupos ou setores regionais" foi feita levando-se em
consideração as unidades climáticas do Estado de Mato Grosso (primeira aproximação)
elaborada com base na bibliografia, na escala 1:1.500.000. No entanto, devido à baixíssima
densidade de postos em algumas regiões, foi necessário muitas vezes extrapolar o "vetor
regional" para uma área maior. No caso do Pantanal, varias estações pluviométricas foram
fechadas, não houve alternativa, a não ser trabalhar com uma série diferente da de 1983 a
1994. Portanto, varias estações que compõem o mapeamento das chuvas no Pantanal e
alguns trechos da depressão Cuiabana, a série utilizada é anterior a 1983.


4.2.     O REGIME E A DISTRIBUIÇÃO MENSAL

           O estudo do regime pluviométrico foi feito analisando-se todas as variações mensais,
trimestrais e anuais para todos os postos do Estado de Mato Grosso, bem como para os postos
                                                                                       25




limítrofes do Amazonas, Pará, Rondônia, Goiás e Mato Grosso do Sul. A análise inclui além
dos totais mensais (mm), a participação relativa (porcentagem) de cada mês ou trimestre em
relação aos totais anuais. Os valores e resultados encontrados e o tipo de metodologia
empregada podem ser analisados consultando-se os Quadros 010 a 015, bem como a
representação do regime, sua variabilidade e extremos constantes dos Gráficos 001 (Vera),
002 (Chapada dos Guimarães) e 003 (Flechas – Cáceres). Estes resultados e análises foram
fundamentais para o mapeamento do regime pluvial na escala 1:1.500.000.
                    26




ENTRA GRÁFICO 001
                    27




ENTRA GRÁFICO 002
                    28




ENTRA GRÁFICO 003
                                                                                           29




4.3.     O ANO-PADRÃO CHUVOSO (1992) E SECO (1993)

           A análise da distribuição mensal da pluviosidade (1983-1994) em termos de total
mensal, bem como através da comparação dos desvios em relação à média, possibilitou a
compreensão do ritmo da pluviosidade em anos extremos. No entanto, é importante que, dada
a extensão territorial do Estado de Mato Grosso, a escolha dos anos representativos de
“padrão chuvoso” ou “padrão seco” não se mostrou uniforme para todo o Estado. Este fato
pode ser observado nos Gráficos 004 (Vera), 005 (Chapada dos Guimarães) e 006 (Flechas –
Cáceres). No entanto, fica evidente que os maiores desvios positivos durante o ano chuvoso
(1992) ocorreu na passagem do final do inverno (agosto) para a primavera até o início do verão
(Gráficos 004, 005 e 006). No ano seco (1993) os maiores desvios negativos foram observados
entre janeiro até o mês de abril; no entanto, os meses de fevereiro e dezembro de 1993 na
Chapada dos Guimarães indicaram fortes desvios positivos, fugindo da tendência geral. Este
fato talvez possa ser explicado pelo efeito do relevo na intensificação das chuvas.

         Este tipo de análise e representação gráfica permitiu melhorar para todas as
unidades climáticas mapeadas a compreensão da distribuição espacial da chuva em anos
extremos.
                    30




ENTRA GRÁFICO 004
                    31




ENTRA GRÁFICO 005
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ENTRA GRÁFICO 006
                                                                                            33




5.       A ESTIMATIVA DAS TEMPERATURAS MÉDIAS MENSAIS E ANUAIS


        O estudo da distribuição da temperatura no Estado de Mato Grosso, exigiu a adoção
de uma série de procedimentos, que possibilitaram atender os objetivos do diagnostico Sócio-
Econômico Ecológico – DSEE-MT. As três maiores dificuldades foram:

            O caráter aleatório dos pontos com dados medidos de temperatura;\

            A escassez de informações disponíveis;

            A presença de muitas falhas dentre as séries.

          Nos casos em que existe uma baixa densidade de estações meteorológicas com
dados de temperatura, o procedimento mais usado é o da análise de regressão múltipla. A
análise de correlação linear comprovadamente existente entre as variações térmicas e os
controles geográficos - altitude, latitude e longitude - permite que se obtenha a estimativa da
variável dependente para qualquer ponto do espaço geográfico. A adoção desta técnica tanto
serve para estimar matematicamente os valores térmicos, como pode ser utilizada no processo
cartográfico para o tratamento espacial. Tal procedimento tem sido empregado mesmo em
países mais desenvolvidos, como pôr exemplo o Canadá. Assim que HOPKINS (1938) utilizou
retas de regressão linear estudando as correlações entre temperatura, altitude, latitude e
longitude, no centro e Sul de Alberta e Saskatchewan concluindo que elas podiam ser usadas
para estimar as temperaturas médias dos pontos situados entre as estações meteorológicas. O
mesmo autor, em 1967, retoma essa técnica, adaptando-a e atualizando-a para a área norte
das grandes planícies.

          WILLIAMS (1969), aplicou a mesma técnica no zoneamento do trigo nesta mesma
região, passando em 1974, a utilizá-la no mapeamento dos limites do cultivo de cevada.

          No Brasil este procedimento tem sido longamente empregado em vários estudos.
PINTO, ORTOLANI e ALFONSI (1972), correlacionaram temperatura com altitude e latitude
para a estimativa de temperaturas médias no Estado de São Paulo.

        Da mesma forma procederam PINTO, ORTOLANI e ALFONSI (1972), para o Estado
do Paraná. PINTO, ALFONSI e PEDRO JUNIOR (1974), para o Estado de Goiás e PEREIRA,
ORTOLANI, PINTO & TARIFA (1973), para o Estado do Rio de Janeiro.

         A necessidade de operar com uma série de dados homogênea o mesmo período
para todas as estações (1983/95) bem como eliminar as falhas existentes, tornou necessário o
tratamento dos dados coletados em duas etapas.

          A primeira consistiu em organizar uma análise de regressão preliminar, com as
estações meteorológicas existentes no Estado de Mato Grosso e estados limítrofes. Os
períodos utilizados não eram homogêneos, mas as correlações encontradas foram
suficientemente satisfatórias para encontrar os gradientes térmicos verticais (altitude em
metros) e latitudinais, necessários para a homogenização e substituição das falhas das
estações do Estado de Mato Grosso.

          De posse, deste conjunto de equações de regressão múltipla foi elaborada uma
estimativa das falhas existentes, usando a estação meteorológica mais próxima, e fazendo as
devidas correções de altitude, latitude e longitude. Este procedimento permitiu preencher todas
                                                                                           34




as falhas existentes e calcular as médias anuais e mensais das máximas, mínimas e média
compensada.

         A segunda etapa foi realizada utilizando-se de uma macro no Excel, para obtenção
de equações e tabelas para estimativa das temperaturas, com base em dados conhecidos
através do método de regressão linear.

          Com base neste conjunto de equações sendo uma para cada mês (janeiro à
dezembro) e calculadas para as medias compensadas (Quadros 016), medias das máximas
(Quadro 017) e medias das mínimas (Quadro 018), é possível estimar valores médios mensais
e anuais para qualquer ponto do Estado de Mato Grosso.

         O procedimento cartográfico, adotado para o mapeamento da distribuição das
temperaturas no Estado de Mato Grosso, na escala de 1:1.500.000 consistiu em:

            Preparar uma base cartográfica com topografia (hipsometria) representada de
             100 em 100 metros, juntamente com a drenagem;

            Ressaltar os principais espigões das bacias hidrográficas, bem como as áreas
             serranas e depressões;

            Elaborar o traçado das isotermas acompanhando a variação do gradiente
             atitudinal dentro de faixas de latitude e longitude. Após o traçado das isotermas
             com base nos valores estimados pelas regressões foi feito um ajuste de traçado
             em relação aos dados reais das estações meteorológicas. Este procedimento
             corrige eventuais desvios em função da interferência de outros "controles"
             meteorológicos na variação total da temperatura.

           As equações mensais de regressão, da temperatura média compensada foram
utilizadas para calcular a evapotranspiração potencial, já que apenas 25 postos pluviométricos
de um total de 260 contavam com dados medidos de temperatura. Portanto, em todos os
postos (DNAEE, EMPAER, FAZENDAS E OUTRAS INSTITUIÇÕES) onde não se contava
com registros medidos, os valores foram calculados usando as equações. Este procedimento
possibilitou o calculo do balanço hídrico para todos os pontos onde se contava com dados
medidos de pluviosidade.
                   35




ENTRA QUADRO 016
                   36




ENTRA QUADRO 017
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ENTRA QUADRO 018
                                                                                             38




6.       O BALANÇO HÍDRICO


         A avaliação do recurso hídrico para uma área qualquer num intervalo de tempo pode
de maneira geral ser representada pela relação:

        Precipitação = escoamento superficial (RUNOFF) + evapotranspiração + variação no
armazenamento superficial e subterrâneo.

          Se, para a hidrologia de superfície, o centro de interesse se apoia basicamente no
estudo e na previsão do comportamento do escoamento superficial ou deflúvio, a determinação
do recurso hídrico disponível para a agricultura depende basicamente do armazenamento
superficial (M), ou seja, a água do solo. Neste referencial teórico, o termo que apresenta maior
dificuldade, tanto para medidas diretas como indiretas, é exatamente o armazenamento no
solo, especialmente para grandes áreas territoriais. Ao lado das próprias dificuldades de
medida no campo, outros fatores, tais como heterogeneidade dos solos, vegetação, topografia,
condições geológicas e o próprio dinamismo da água no sistema solo-planta-atmosfera, são
dificuldades intrínsecas a serem superadas. Tendo em vista a impossibilidade de se instalar
uma rede tal de observações que cubra todo o espectro de variações no tempo e no espaço,
surge a necessidade de simplificações, tais como a extrapolação de dados obtidos no campo a
uma determinada condição para espaços maiores, desde que as características fundamentais
sejam mantidas razoavelmente constantes.




6.1.     METODOLOGIA


         O conceito de evapotranspiração potencial (EP) foi introduzido pôr THORNTHWAITE
e outros (1944) significando a quantidade de água que evapora dos solos e transpira das
plantas em um solo inteiramente vegetado, livremente exposto a atmosfera e onde nunca falte
umidade para as plantas. Ela representa "a pluviosidade ideal para manter uma área vegetada
sempre verde e túrgida”, constitui-se no fluxo de umidade que volta a atmosfera pelas plantas
e pelo solo. Para sua determinação, THORNTHWAITE desenvolveu uma fórmula empírica
baseada em dados de temperatura e no comprimento do dia para as varias latitudes. Do cotejo
dessa variável de natureza teórica, com os valores de precipitação pluviométrica, desenvolveu
um balanço da água.

         No método de 1948, admitiu valores constantes de 0 a 100 milímetros para significar
a variação entre a capacidade de campo (CC) e o ponto de murchamento (PM). Em 1955,
propôs uma alteração considerando variáveis os limites de capacidade de campo (CC) e ponto
de murchamento (PM) segundo as características dos solos bem como em função do tipo de
cobertura vegetal, podendo oscilar a capacidade de campo ente 0 a 300 milímetros. Esse
balanço permite ainda conhecer a evapotranspiração real (ER), as deficiências e os
excedentes hídricos.

          Enquanto a evapotranspiração potencial depende só de insumos puramente
meteorológicos a evapotranspiração real é relacionada a outros fatores. Alguns desses são:
tipo e estágio de desenvolvimento da vegetação, tipo de solo, e o mais importante, o próprio
conteúdo de umidade do solo, corresponde ela, pois, a evapotranspiração que ocorre em
condições reais de campo. Da comparação entre os valores da evapotranspiração potencial e
                                                                                            39




real, surge a quantificação do déficit ou da deficiência hídrica, ou seja, da água que deixa de
ser evapotranspirada pôr falta de umidade. O excedente hídrico é a água que excede a
capacidade máxima de retenção, sujeita a percolação ou escoamento superficial. O método
consiste, pois, em contabilizar a água no solo num processo em que a chuvas representa o
abastecimento e a evapotranspiração, a perda, considerando-se que o solo tem uma
determinada capacidade de armazenamento ou retenção da água.

         O nível máximo de armazenamento de água, ou capacidade de campo do solo, tem
sido um dos pontos mais criticados do método. Este assume uma relação linear entre a taxa de
evapotranspiração e o conteúdo total de água no solo. No entanto, a maioria dos
pesquisadores tem obtido resultados desencontrados e conflitantes para essa relação.

          Na realidade não existe uma relação universal para um fenômeno que depende
basicamente das condições peculiares de cada local. É possível que em determinadas
condições, com um fornecimento moderado de umidade do solo na zona das raízes, bem como
para condições mensais e em climas úmidos, essa estimativa seja aceitável, isso em uma
ordem de grandeza tanto temporal como espacial de grande escala ou para avaliações
regionais, pois foi para a elaboração de mapeamentos da distribuição geral da umidade no solo
que o método foi originalmente desenvolvido por seu autor.



6.2.     OS RESULTADOS

          No Brasil, apesar de esforços isolados anteriores, as primeiras abordagens sobre
recursos hídricos e agricultura, foram iniciadas pôr CAMARGO (1966). Esse autor introduziu e
desenvolveu no país pesquisas sobre o método de THORNTHWAITE (1948,1955) para
estimativa do Balanço Hídrico. Tais levantamentos foram publicados como primeiras
aproximações em face das limitações impostas pêlos dados meteorológicos. A falta de melhor
densidade e distribuição de dados e a heterogeneidade de períodos são os principais
problemas para estudos interativos entre clima e produção agrícola no território brasileiro. A
adoção, portanto, do método de THORNTHWAITE (1955) no estudo climatológico do Estado
de Mato Grosso, para estimar o balanço hídrico, baseou-se principalmente em sua simplicidade
e no fato de exigir apenas dados de temperatura do ar e precipitação pluviométrica. O balanço
hídrico como vem sendo aplicado, é essencialmente um indicativo básico de caracterização
climática, subsidiando, portanto, adequadamente os trabalhos de zoneamento agrícola, de
regiões carentes de informações meteorológicas, tais como radiação solar, ventos, e umidade.

          Foram escolhidos os balanços hídricos de Vera (Quadro 019 e Gráfico 007),
Chapada dos Guimarães (Quadro 020 e Gráfico 008) e Flechas (Quadro 021) como
representativos de três unidades climáticas diferenciadas. Esta forma de cálculo contida nestes
Quadros (019, 020 e 021) e de representação gráfica (Gráficos 007, 008), permitiu mapear os
resultados do balanço hídrico para todo o Estado de Mato Grosso.
                                                                                                                               40




GRÁFICO 007              BALANÇO HÍDRICO MÉDIO PARA VERA

      mm
400                                                                                     Precipitação

                                                                                        Evaporação Potencial

                                                                                        Evaporação Real


                                                                                        Excedente Hídrico     Total - 1033,3
300
                                                                                        Reposição de Água


                                                                                        Água Retirada


                                                                                        Deficiência Hídrica   Total - 268,9
200




100




  0
           jan   fev   mar   abr   mai    jun     jul     ago   set   out   nov   dez

      FONTE : Dados meteorológicos INEMET ( 1983-1994 )
              Lat. 12o 17'  Long. 55o 17'    Alt. 400 m
                                                                                                                          41




GRÁFICO 008              BALANÇO HÍDRICO MÉDIO PARA CHAPADA DOS GUIMARÃES

      mm
400                                                                                Precipitação

                                                                                   Evaporação Potencial

                                                                                   Evaporação Real


                                                                                   Excedente Hídrico     Total - 1065,4
300
                                                                                   Reposição de Água


                                                                                   Água Retirada


                                                                                   Deficiência Hídrica   Total - 53,8
200




100




  0
           jan   fev   mar   abr   mai   jun   jul   ago   set   out   nov   dez
                   42




ENTRA QUADRO 019
                   43




ENTRA QUADRO 020
                   44




ENTRA QUADRO 021
                                                                                             45




7.       A UTILIZAÇÃO DOS DADOS


          Considerando-se que o Estado de Mato Grosso passa a contar com a delimitação
espacial de um conjunto de 60 unidades e subunidades climáticas representativas de todas as
realidades sócio-ambientais, é de se esperar que este sistema passe a ser a base conceitual e
prática para o uso e atualização permanente de um sistema de informações hidroclimatológicas
e meteorológicas. Cada polígono (Unidade Climática) delimitado (escala 1:1.500.000) pode ser
utilizado como uma “célula” de planejamento. A sua definição espacial, quase sempre
associada aos limites topográficos e dos principais espigões e divisores das bacias
hidrográficas, deve facilitar o trabalho de organização da base seqüencial e temporal do banco
de dados. Por outro lado, os arquivos e os processamentos em meio digital devem facilitar
também a atualização, utilização e divulgação dos resultados de forma contínua e permanente.

         Existem, no entanto, algumas sugestões importantes oriundas da experiência de ter
trabalhado tanto no campo quanto no gabinete com as informações climatológicas.

         A primeira delas é a necessidade de ter um órgão ou um setor da Secretaria de
Planejamento que faça a centralização, coleta, processamento e organização de todos os
dados hidrometeorológicos. Existe hoje uma grande variedade de Instituições (ANEEL,
EMPAER, INMET, INFRAERO, UFMT, EMPRAPA, FAZENDAS, PREFEITURAS) que coletam
e usam dados climatológicos. No entanto, o processamento, a consistência e o acesso à essas
informações é muito difícil, quando não impossível. A melhor e mais completa rede é a operada
pela Agência Nacional de Águas e Energia (ANEEL), cujos dados pluviométricos se encontram
todos centralizados em Brasília. Apesar de ser a rede de dados de chuva com maior número
de postos e com as séries mais longas, ela está muito longe de ter um bom funcionamento. A
densidade de postos é muito baixa, quando não totalmente inexistente em importantes regiões
do Estado.

          Por exemplo, o número de postos em funcionamento centro-setentrional, abaixo do
paralelo 13º, é muito pequeno. Portanto, é urgente a instalação de novos postos, bem como a
melhoria nos critérios de localização, na operação e no processamento dos dados. Por
exemplo, a grande maioria dos postos pluviométricos operadas pela ANEEL não contam com
cota de altitude em metros. Este fato dificulta muito os tratamentos e análises estatísticas ou
estimativas de temperatura e do próprio zoneamento climático, pois a estação pode estar
também com erro de localização. No caso deste projeto (Climatologia) foi necessário localizar
todos os postos pluviométricos na base cartográfica 1:250.000 e conferir ou inferir as altitudes
(metros). Trata-se, pois, de um procedimento aproximado, nos postos onde o trabalho de
campo permitiu a conferência (checagem) o ajuste foi feito entre a base topográfica (1:250.000)
e os dados da leitura combinada do GPS com o altímetro.

          Outro problema sério da rede pluviométrica do Estado de Mato Grosso é a falta de
continuidade temporal, quase todas as séries são intercaladas por seqüências com ausência
de dados. Além das falhas, qualquer inspeção ou análise das seqüências temporais mostra
que existe intercalado nas séries dados não confiáveis, ou valores absurdos, muito elevados,
ou seqüências que se repetem com dados completamente iguais. Dentro deste ponto de vista é
necessário um acompanhamento sistemático e crítico das informações antes de qualquer
procedimento para utilização ou divulgação dos dados. Além dos postos operados pela
ANEEL, existem várias instituições que mereciam a formalização de convênios ou que fossem
firmados protocolos de cooperação, por exemplo, via INTERNET, para a troca de informações.
Inúmeras faculdades, empresas agropecuárias, INFRAERO, EMBRAPA, EMPAER, UFMT,
entre outros deveriam necessariamente participar deste intercâmbio. Acho que seria até
                                                                                           46




mesmo o caso a solicitação de recursos à Fundação de Pesquisa do Estado de Mato Grosso,
para financiar a organização de uma central para recepção, processamento e divulgação das
informações pertinentes aos recursos hídricos do Estado.

           O mesmo tipo de problema que ocorre com a rede pluviométrica também ocorre com
a rede meteorológica de superfície. Sabe-se que o Estado tem feito um esforço considerável no
sentido de modernizar a rede meteorológica através da aquisição e implantação de estações
automáticas equipadas com dataloggers e sensores de última geração. Este fato é muito
louvável, no entanto a manutenção, reposição de peças e sensores (tem ocorrido problemas de
queima através de descargas elétricas e roubo de cabos e equipamentos) tem sido muito
demorada. Este fato tem criado “buracos” ou falhas longas (de alguns meses) nas séries mais
recentes, ou seja, de 1997 até o presente momento (julho de 2000). Torna-se importante
investir urgentemente na análise de consistência dos dados das estações automáticas,
criticando e analisando-os no menor tempo possível após a coleta. Seria muito importante
também uma análise comparativa entre os dados registrados pelas estações automáticas com
aqueles das estações mecânicas convencionais. A sistemática de amostragem é muito
diferente, ou seja, as estações automáticas geram registros contínuos pelo menos de hora em
hora, enquanto que as estações convencionais tem registros organizados em três leituras
(8:00, 14:00 e 20:00 horas – horário local), certamente estas diferenças de procedimento
devem levar à diferenças nos valores dos atributos (temperatura, chuva, etc.). Por outro lado,
existe um conjunto de informações importantes, por exemplo, nebulosidade (cobertura do céu
em octas), pressão atmosférica e outros, que não estão sendo observados nas estações
automáticas.

          No entanto, as estações automáticas estão gerando informações novas como a
intensidade da radiação solar global (Qg) que deveriam ser tratadas e correlacionadas com
aqueles de brilho solar ou insolação; acontece que nas estações automáticas este tipo de
registro não tem sido feito de forma rotineira. Apenas as estações mecânicas tinham e têm este
tipo de observação. Fica claro, portanto, a necessidade de um “repensar” global das
informações à luz de um princípio que seja “vamos modernizar e divulgar rapidamente as
informações, mas sem abandonar o que de importante já foi registrado”.
                                                                                            47




8.       BIBLIOGRAFIA


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     Rev. Geográfica, 78: 115-130, Rio de Janeiro.
BAHIA. SEPLANTEC. Centro de planejamento da Bahia (CEPLAB) (1975) - Atlas climatológico
     do Estado da Bahia: Análise espacial da temperatura. CEPLAB, Salvador, 273p.
CAMARGO, A.P. – Balanço Hídrico no Estado de São Paulo. Secr. da Agricultura do Estado de
     São Paulo. IAC – Campinas – Boletim no 116, set. 1971, 24p.
CAMARGO, A.P. – Contribuição para a determinação da evapotranpiração potencial no Estado
     de São Paulo. IAC – Campinas. Boletim no 161, abr. 1966.
Can. J. Reasearch C. 16 : 16-26.
HIEZ, C.L.C. e RANCAN, L. (1983) Aplicação do método do vetor regional no Brasil. V
     Simpósio Brasileiro de Hidrologia e Recursos Hídricos. Vol. 2.
HOPKINS,J. W. (1938) - Agricultural meteorology, Correlation of air temperatures in Central and
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PINTO, H. S; ALFONSI, R. R. e PEDRO JR., M. (1974) - Estimativa das temperaturas médias
     mensais no estado de São Paulo em função da altitude e latitude.
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     temperaturas médias mensais no Estado de Estado de São Paulo (Caderno de ciências da
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THORNTHWAITE, C.W. – An approach toward a rational classification of climate. Geogr. Ver.
     Vol. 38. P 55 – 94. (1948).
THORNTHWAITE, C.W. & MATHER, J.R. - The water balance. Climatology, Centerton, N.J. 8
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THORNTHWAITE, C.W., WILM, H.G. et al – Report of the Comitee on Tranpiration and
     evaporation. Trans. Amer. Geophys. Union, Part V, p. 687.
TUCCI, E. M. (org) (1993) Hidrologia: ciência e aplicação. Porto Alegre: Ed. Da Universidade:
     ABRH: EDUSP. Coleção ABRH de Recursos Hídricos; v.4
VASCONCELLOS, R. ; TARIFA, J. R . (1983) - Estimativas e representação das temperaturas
     no Brasil. Departamento de geografia, FFLCH, USP. Revista do Departamento de
     Geografia.
ANEXO
ANEXO I - MAPAS

				
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