ev cav junqueiras

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1/14/2012
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							   A EVOLUÇÃO DO CAVALO DOS
          JUNQUEIRAS
                                                                       Eduardo Junqueira
                                                                         Fazenda Granvia
                                                                São Joaquim da Barra – SP

                                                             Texto de 1982 – Publicado no
                                                      „Anuário dos Criadores -O Pedigree‟

                                                                  Comentários e Pedigrees:
                                                                       Ricardo L. Casiuch


 Este texto está inserido entre aqueles que nos permitem avaliar a evolução paralela das
               raças nacionais desenvolvidas no seio da Família Junqueira:
                        o Mangalarga e o Mangalarga Marchador.

  De modo contundente e profundo, carrega uma série de informações de significativo
 caráter histórico, permitindo ao selecionador depurar aquilo que se tornou válido para
                                   uma ou outra raça.

         É texto claro, cristalino e de fonte pura, portanto de valor inesgotável.

                                                                        Ricardo L. Casiuch




                               I - ANTECEDENTES


No começo do século, iniciou-se um movimento de âmbito continental com o
fim de selecionar e preservar as raças eqüinas nacionais das três Américas,
ameaçadas de desaparecimento por mestiçagens com raças européias e
asiáticas.

O Chile adiantou-se nos serviços de registro de nascimento, pois já no século
passado, em 1893, a Sociedade de Agricultura de Santiago do Chile abria
livros genealógicos para “el Puro Sangre Chileno”, utilizado pelos „huasos‟
em seus campeios. No entanto, à Argentina, com livros genealógicos de 1918
e a Associação de Criadores de Cavalos Crioulos de 1923, coube uma atuação

                                                                                           1
mais destacada no relevo e divulgação do cavalo – sulamericano, com
repercussão em toda a América.

Dentre os argentinos, salientou-se Emílio Solanet, renomado criador e
Professor de Veterinária na Universidade de Buenos Aires, com um trabalho
de extraordinário valor zootécnico, econômico e cultural, na recuperação e
vulgarização do cavalo “crioulo” platense, animais de formas sóbrias mas
essenciais à sua rusticidade e função campeira. O notável feito dos “crioulos”
de Solanet, Mancha e Gato Cardal, que montados por Aimé Tschiffely, em
1925-1928, foram de Buenos Aires à Nova York, percorrendo 21.500 km em
504 etapas com um termo médio de 42,6 km por dia, pasmou o mundo e
impôs o “Crioulo” como espécime e como raça. O êxito de Solanet,
valorizando o cavalo da terra, motivou os criadores das Américas a buscar nos
campos e fazendas o que restava do eqüino colonial.

Associações surgiram por toda parte. No Uruguai, a do Crioulo (1929), no
Peru, a do Cavalo de Passo Peruano; em Porto Rico, a do Caribe Passo Fino,
nos Estados Unidos, a do Quarto de Milha (1940); e outras, em outros países,
mas todas voltadas para os animais de raiz colonial ibérica.

Além do interesse zootécnico despertado pelas qualidades intrínsecas destas
raças, qualidades estas responsáveis pela sobrevivência aos “cem anos de
solidão” sem se abastardarem expostas a condições ambientais adversas e
selecionadores dos mais aptos, despertaram interesses históricos, sociais,
principalmente pelos aspectos folclóricos, firmadores da nacionalidade.

O Brasil também foi tomado por esta onda de orgulho do criatório americano,
reabilitadora do cavalo nacional. No Rio Grande do Sul, fundou- se a
Associação de Criadores de Cavalos Crioulos (1932); em Minas Gerais, a dos
Criadores de Cavalos Campolina, e em 25 de Setembro de 1934, a Associação
de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga.



         II - FUNDAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO MANGALARGA

A publicação, em 1928, do livro “Criação do Cavalo”, de Paulo de Lima
Corrêa, concorreu para ressaltar a necessidade de sistematização e orientação
unificada na criação do cavalo Mangalarga, com apontamentos e registros
genealógicos credenciados pela chancela de um “Stud Book”.


                                                                                2
Mas a concretização da idéia numa associação de criadores ainda levou 6
anos. Neste meio tempo, um grupo de criadores, cujos nomes é válido
lembrar – Celso Torquato Junqueira, Renato Junqueira Netto, Hermílio
Franco, Gabriel Jorge Franco, José de Lima Franco, Francisco Junqueira
Franco, Antonio Olyntho Diniz Junqueira, Magino Diniz Junqueira, José Jorge
Diniz Junqueira, Mário Diniz Junqueira, Acácio Diniz Junqueira, Edmundo
Diniz Junqueira e Saulo Junqueira, doaram 15 éguas “... ao Governo do
Estado, para que na Fazenda Experimental de Sertãozinho fossem iniciadas
as bases oficiais da criação e seleção do Cavalo Mangalarga”.

Sempre contando com o apoio dos técnicos do Governo Federal e Estadual,
foi amadurecendo a idéia de uma associação, até que circular dirigida a grupo
de criadores, e assinada por Paulo de Lima Corrêa, da Secretaria da
Agricultura, e Augusto de Oliveira Lopes, do Ministério da Agricultura,
incentivou a fundação de associação, “... promovendo-se a congregação dos
criadores e técnicos que se interessam pelo maravilhoso cavalo nacional”.
Constituiu-se uma Comissão Organizadora que, a 11 de Setembro de 1934,
convocou os criadores de Mangalarga para 25 de setembro de 1934, quando
então, sob a presidência de Gabriel Jorge Franco, declararam fundada e
instalada a Associação de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga. A
Assembléia aprovou o ante - projeto de estatuto elaborado pela Comissão
Organizadora e elegeu a primeira Diretoria presidida por Renato Junqueira
Netto.

Assinaram o livro de fundação 48 associados.

    ASSOCIAÇÃO - FUNDAÇÃO E HISTÓRICO
                     Fonte: http://www.cavalomangalarga.com.br/historia.asp

 “(...) Como foi dito, o Cavalo Mangalarga foi trazido do Sul de Minas para
  São Paulo por volta de 1812. Entretanto desde sua introdução em terras
     Bandeirantes até a fundação da A.C.C.R. Mangalarga, cada criador
orientava-se pelos seus próprios critérios, agindo isoladamente, constituindo-
  se em energias dispersas. Em 1928, o zootecnista Paulo de Lima Corrêa,
através de um profundo estudo, lançou as bases da caracterização do cavalo
   Mangalarga. Entusiasmado com a dedicação do técnico, dois criadores
paulistas, Dr. Celso Torquato Junqueira e Renato Junqueira Netto, reuniram
  um grupo de criadores com a finalidade de definirem os critérios a serem


                                                                                3
                          usados na sua seleção.

    A comissão organizadora, de dez membros, ficou assim constituída:

Eduardo Ralston, Gabriel Jorge Franco, Paulo de Lima Corrêa, Augusto de
   Oliveira Lopes, Celso Torquato Junqueira, Renato Junqueira Netto,
Humberto S. Pereira Lima, Saulo Junqueira Franco, Antonio Uchôa Filho,
                       Antonio Junqueira Franco.

 Esta comissão, através de sucessivas reuniões, elaborou o anteprojeto dos
  estatutos que seria apresentado à Assembleia Geral convocada para a
                         fundação da A.C.C.R.M.

Em 25 de setembro de 1934, na cidade de São Paulo, às quinze horas, na sede
 da Associação Herd-Book Caracu, sita à Av. Água Branca, 53, instalou-se a
   Assembléia especialmente convocada com o fim de se fundar o registro
  genealógico do CAVALO MANGALARGA, foi eleita a Primeira Diretoria,
                        que ficou assim formada:

                    Presidente : Renato Junqueira Netto
                   1.Vice - Presidente : Eduardo Ralston
                2. Vice - Presidente : Gabriel Jorge Franco
                   1. Secretário: Augusto Oliveira Lopes
                       2. Secretário: Dr. Otto Stephan
                Tesoureiro : Celso Torquato Junqueira (...)


 (...) Os Junqueira se alinham ao PRP e começam a desencadear-se várias
 mudanças envolvendo o nascimento da Raça Mangalarga e a "rivalidade"
                       entre Mineiros e Paulistas.(...)”




                                                                             4
                     III – O CAVALO NO BRASIL CENTRAL

Os estudiosos identificam um sub - extrato único para os eqüinos das
Américas, do Texas à Patagônia, oriundo do cavalo Moruno1, herança árabe
na Península Ibérica.

Estes animais, introduzidos pelos Conquistadores, multiplicaram-se de forma
explosiva acima do Trópico de Câncer e abaixo do de Capricórnio, onde as
pradarias norte-americanas apresentavam condições ecológicas excelentes
para o seu desenvolvimento. No entre - meio tropical, de condições mais
impróprias, somente em algumas regiões, e com o auxílio da mão do Homem,
surgiram criações de valor. No mais, desenvolveram-se manadas
inexpressivas e desprezadas de eqüinos, como atesta a depreciativa
qualificação popular – “éguas de lagoa”.

Na Província de Minas Gerais, região que nos interessa mais de perto, a
preferência pelo muar como animal de trabalho é tradicional e prevalece até
hoje, estendendo-se esta preferência a todo Brasil Central. No passado foi até
objeto de proibição por édito real a criação de muares em detrimento da
cavalar. A importância de tropas de mulas do Sul fez a riqueza e fama das
feiras de Sorocaba, entreposto entre os Pampas e Minas Gerais.

Neste quadro de preferências, como animais de passeio, pois o de trabalho
cabia ao burro, desenvolveram-se as criações iniciais de raças mineiras –
Mangalarga e Campolina. A presença da Coudelaria Real de Cachoeira do
Campo decidiu a formação destas raças, uma vez que para lá foram os
garanhões portugueses importados por D. João VI, e nas proximidades
nasceram as raças mineiras melhoradas.




1
 Cavalo Moruno – muito provavelmente, o autor queira se referir ao „Cavalo Mouro‟, instrumento da
dominação islâmica na Península Ibérica.


                                                                                                    5
“(...) Novas perspectivas se abrem agora, com o aparecimento de documentos
inéditos durante nossas pesquisas, como o testamento e inventário de João de
     Barros, um dos fundadores de Cachoeira, escritos entre 1712 e 1722,
  documento de suma importância para se entender os primórdios de nossa
      história, e a Carta Régia de D. João VI, de 1819, sobre a criação da
    Coudelaria Real da Cachoeira, estabelecimento que ocupou lugar tão
 sublime na história mineira do Século XIX, saindo dela algumas das mais
                    importantes raças de cavalos conhecidas.

 São janelas que se abrem em vislumbre de um passado rico e que de forma
                     alguma pode ficar esquecido.(...)”

                              Fonte: http://www.cachoeiradocampo.art.br/cachoeira.htm#historia


Caso contrário, estaríamos, em matéria de cavalo nacional, reduzidos a
cavalicoques trôpegos que infestam nossas fazendas do Espírito Santo a São
Paulo. Conceituavam os animais destas raças, nestes primórdios coloniais, os
espécimes em cuja passada o rasto dos posteriores ultrapassava o dos
anteriores. Animais de tríplice apoio ou apoio lateral – marcha batida, picada,
esquipado ou andadura. Também o pouco interesse pelos esportes hípicos,
que exigiriam animais de aprumos retos e, portanto, de trote, colaborou na
diretriz do tríplice apoio. Ao cavalgar sentado, sem alçar, habitual no interior
brasileiro, deve-se, mais do que tudo, o gosto por esses andares macios.

A diferenciação do cavalo de sela do cavalo de lida – o de sela marchador e o
de lida trotão – vem desde este tempo e é comum ainda hoje.



                     IV – A MANEIRA DE MONTAR

A maneira de montar teve decisiva influência na preferência mineiro - paulista
pelo estilo de andar de suas montarias.

As antigas escolas de equitação tinham como correta a postura em pé,
amenizando o impacto do trote através dos estribos. As escolas modernas
optam pelas pernas flexionadas que, por sua vez, amortecem as asperezas do
trote. Em ambas, os calcanhares estão na linha projetada da continuação da
espinha do cavaleiro e abaixo da ponta dos pés, facilitando as ajudas.


                                                                                            6
A nossa postura, sem dúvida defeituosa, é conseqüente da ausência de escola.
Fruto de uma equitação própria e diferente de competições, conserva alguns
princípios básicos e tradicionais. Produto empírico da falta de conhecimentos
hípicos teóricos, desenvolveu para sua comodidade um arreio apropriado – o
arreio de cabeça. Esta arrreata, com estribos muito adiantados e barrigueira
cingindo a montaria ao meio, em vez de cingi-la pelo cilhadouro, facilitando a
respiração do animal , propicia o montar sentado.

Nele, a perpendicular da espinha do cavaleiro passa bem para atrás dos
calcanhares, entorpecendo as ajudas. O uso de pelegos, aumentando a
aderência, completa o equilíbrio e a segurança do cavaleiro.

O criador e cavaleiro Celso Torquato Junqueira procurou corrigir estes
defeitos, diminuindo a cabeça do arreio – Santo Antônio – atrasando a linha
dos estribos e, com isso forçando uma postura mais reta, conservando no
entanto os pelegos; ao passo que João Francisco Diniz Junqueira, criador,
exímio equitador e também hábil seleiro, conservando as linhas básicas do
arreio tradicional, desenhou e fabricou um mais adequado à equitação
racional, com duas barrigueiras, ou seja, uma cilha e uma barrigueira, os
estribos melhor posicionados, além de eliminar os travessões e o pelegos.
Ambos procuraram adaptar o arreio de cabeça a uma melhor equitação, mas
conservando o colorido próprio do original.

Essa colocação atrasada do cavaleiro sobre o lombo da cavalgadura concorre
para o amaciamento do andar. O nordestino, montando na garupa do jegue,
força-o a um passo saçaricado, porém macio. No trabalho de Armando
Chieffi, “A Marcha do Mangalarga”, o autor, em observação filmada, entre as
influências do cavaleiro sobre a marcha do animal, escreve: “ – quer pelas
rédeas e pernas, quer, indiretamente, pela localização posterior de seu corpo
sobre o animal” – e conclui pelo artificialismo da marcha como andamento
adquirido.

O Capitão „Chico‟ Junqueira (Francisco Marcolino Diniz Junqueira), provável
responsável pela marcha trotada, intermediária indecisa entre o trote e a
marcha, ao mesmo tempo que apreciava o galope do castrado e trotão
“Completo”, seu cavalo de caçada, punha na eguada o garanhão marchador
“Baio Escuro”. O mesmo “Baio Escuro”, com excelência do andar mas
figura feia, provocou a observação de um visitante: “... a toada do “Baio
Escuro” vai enfeiar a tropa do Capitão”.



                                                                              7
“(...) João Francisco Diniz Junqueira continuava o desenvolvimento da raça
e outro importante animal que marcou sua criação foi o garanhão Cinza, que
foi pai da égua Penitência, que por sua vez é avó materna e bisavó paterna do
notável raçador Colorado.

Se João Francisco teve importância no aprimoramento da raça, foi com outro
filho de Francisco Antonio, o Francisco Marcolino ("Capitão Chico") que
começaram a surgir os grandes raçadores. O principal cavalo do “Capitão
Chico” tinha o nome de Baio Escuro, sendo filho do Fortuna III, e este filho
do Fortuna II.

Baio Escuro gerou como filhos os raçadores Monte Negro e Sublime do Baio
Escuro, sendo Monte Negro o avô materno e bisavô paterno do pilar
Colorado.(...)”

                              Geraldo Diniz Junqueira – Orlândia (SP) – 1981

Pois ao “Capitão Chico”, a equitação violenta das caçadas foi ensinando
regras de boa postura na sela, definida no preceito de bom montar: “ ... sentar
em cima do saco.” E assim, direto e sem rodeios, o Capitão punha o peão
firme no arreio, exatamente como preceituam a boa escola e a equitação
racional.



 V – A CAÇADA DE VEADO COMO ELEMENTO SELECIONADOR

A caça ao veado, tal como é praticada no nosso meio, é um esporte cinegético
no sentido estrito do termo – caça com cães – na qual o desempenho e o
trabalho dos cães é o objeto principal. Ao cavalo cabe exclusivamente a
função transportadora, que se limita ao esforço solicitado ao acompanhamento
da matilha. A admiração pelo cavalo de caçada nasce como conseqüência dos
lances sucedidos.

No Sul de Minas, donde provêm conjugados o cavalo Mangalarga e o amor à
caça, a topografia montanhosa, criando condições acústicas favoráveis à
apreciação do trabalho dos cães, restringe a necessidade do cavalo galopador.




                                                                                  8
O caçador, postado em local estratégico, deleitando-se com o espetáculo
cinegético, sem correrias, conservou o cavalo de tríplice apoio.2 São tão
desprezadas as oportunidades hípicas pelos mineiros, que para saltar valos de
divisas comuns a toda região, o caçador apeia e salta agarrado à cauda do
animal, aproveitando o impulso, em vez de fazê-lo montado. Aliás, essa
colocação da caçada é a mesma da escola francesa. Os ingleses é que
transformaram a caçada num esporte hípico com obstáculos e saltos.

Mudando para o Nordeste de São Paulo, levaram do Sul de Minas, o
Mangalarga e o gosto pela caça ao veado. Os campos e cerrados paulistas,
situados em espigões de ondulação muito mais mansa e aberta, portanto de
acústica pior, exigiram dos caçadores um esforço eqüestre dobrado, sob o
risco de perderem o “toque”.

Aos poucos, os cavalos esquipadores foram sendo postos de lado e os de
tríplice apoio cederam lugar aos de apoio diagonal. Estava posto o dilema do
cavalo de andar macio e, ao mesmo tempo, galopador. De um lado, a destreza
e, de outro, o hábito de cavalgar sentado. Nascia o cavalo do peão e do patrão.


 “(...) Ora, em São Paulo entende-se por marcha todo andamento marchado
que não seja passo ou andadura. Assim, os movimentos de transição entre os
 andamentos clássicos ou naturais: passo e trote, passo e andadura, incluem-
   se na categoria de marcha, a qual resulta, no caso, substancialmente, da
  contenção do animal a fim de que não se movimente nem em trote, nem em
   andadura. Se a tendência do animal é o trote, a marcha adquire aspecto
  especial que se assemelha a um trote interrompido e que se distingue deste
porque o animal tem sempre um membro, pelo menos, em apoio: é a chamada
   marcha trotada, com predominância de apoios diagonais, ou melhor, os
      intervalos das batidas destes são menores. É O ANDAMENTO DO
                       MANGALARGA PULISTA.(...) “

                                        Geber Moreira – Fazenda da Arapoca
                                                  Além Paraíba (MG) – 1987
                                         publicado na Revista Eqüinos no. 79




2
    Grifo do comentarista


                                                                                9
                              VI – O ANDAR

O andar sempre foi o apanágio do Mangalarga. Já as versões de sua origem
vêm envolvidas na graça e comodidade de seu andamento.

Aceitando por verdadeira a versão do garanhão importado por D. Pedro I, que
pela elegância das passadas arrancou a exclamação imperial “ – Este é de
mangas largas!”; ou a do cavalo do Barão de Alfenas, denominado
Mangalarga, cujo andar deu fama aos descendentes e nome à raça; ou a mais
plausível, do nome originado da Fazenda Mangalarga referida pelos
compradores na procura de animais iguais aos vendidos àquela fazenda e
afamados na Corte; ou pelo contrário, o Mangalarga do Barão procedendo da
Fazenda Mangalarga, em qualquer das versões, a excelência do andar é que
notabiliza a raça.

Os desempenhos mais rememorados e aos quais o Mangalarga deve sua fama,
são decorrentes das qualidades andarilhas da raça.

Seja a do noivo, João do Capinzal que, montando “Perfeito”, percorreu em
três dias as 50 léguas que o separavam da prometida – da Fazenda Nyagara em
Leopoldina, à Fazenda Bela Vista em São Vicente Férrer – e depois do
casamento ainda o conduziu a Silvestre Ferraz, distante 20 léguas.


“(...) Conta-se que naqueles velhos tempos o Sr. João Ribeiro, do Capinzal,
enjeitou oito contos... pelo CUÉRA, pai de CAXIAS I, de um interessado do
Estado de São Paulo que queria levá-lo para Franca. E por falar no Sr. João
do Capinzal, não posso deixar de contar sua façanha de percorrer 50 léguas
que o separavam da prometida em três dias, no lombo de seu cavalo
PERFEITO. Partiu da Fazenda Nyagara, em Leopoldina, e caminhou 50
léguas até chegar à Fazenda Bela Vista, em São Vicente de Minas. Quando
soltou o animal, este saiu „soprando como se quisesse andar mais‟... e depois
ainda percorreu mais 20 léguas com a noiva na garupa até chegar à Fazenda
em Silvestre Ferraz. PERFEITO era crioulo da Fazenda Bela Vista.(...)”

                                            Carlos Roberto Ribeiro Meirelles
                                                  – Fazenda Selva Morena –
                                                 Ribeirão Preto (SP) - 1981




                                                                           10
Seja a do famoso “Baio Escuro”, indo da Fazenda Invernada, em Morro
Agudo, a Batatais, buscar o médico, e em seguida transportá-lo em missão de
urgência, de Batatais a Guaíra, voltando no dia seguinte, de Guaíra à Fazenda
Invernada, cortando 40 léguas em dois dias. Seja a ida, em caçadas
sucessivas, dos irmãos Francisco Orlando e Antônio Olintho, nos anos 10, da
Fazenda Buracão, em Barretos, ao Porto do Taboado, no Rio Paraná e
retornando em quatro marchas, 75 léguas em quatro dias e montando animais
viajados. Sejam outras tantas, mas sempre calcadas nas passadas largas e
cômodas do Mangalarga.

O Capitão Bela Wodianer definiu magistralmente a marcha como conseqüente
da angulação propulsora: “ ... um andamento diagonal, com a mesma
seqüência dos membros locomotores, que nos andamentos diagonais comuns,
diferenciando-se deste pelo fato de pisar o membro posterior sempre no
rastro já feito pelo anterior, aumentando com isto a firmeza do apoio no
solo”. E Armando Chieffi, no trabalho já citado, “ ... podemos definir a
marcha como um andamento de transição entre a andadura (locomoção
marchada, de apoios em bípedes laterais) e o trote (andamento saltado de
apoios em bípedes diagonais), marchado, a 2 ou 4 tempos, lateral ou diagonal
de acordo com a variedade considerada, a velocidade e com o membro que
inicia o passo.”

Camargo, Gouveia e Jordão escrevem sobre a formação do Cavalo
Mangalarga: “ – Esse andar especial, marchado ou marcha trotada, constituía
para os viajantes, caçadores e vaqueiros um dos fatores de preferência, face
ao andamento menos cômodo e cansativo dos outros animais” (Cavalo
Mangalarga – 1953) e ainda sobre esta seleção prática e funcional, “... como
não conheciam os princípios básicos de uma seleção zootécnica, conservavam
a mesma orientação empírica de seus antepassados, isto é, procuraram
manter os caracteres funcionais, com desprezo, às vezes, da correção das
formas.”

E foi essa seleção empírica, calçada na observação direta, do uso cotidiano do
cavalo, na estrada e no campo, procurando sempre um animal macio e ligeiro,
que os criadores da raça chegaram a uma conclusão ditada pela própria
ginástica funcional: “SOMENTE OS CAVALOS QUE PISAM EM CIMA
DO RASTRO ERAM CÔMODOS E ÁGEIS. OS QUE PISAVAM NA
FRENTE PODIAM SER CÔMODOS, MAS SEM AGILIDADE, E OS QUE
PISAVAM ATRÁS, AO CONTRÁRIO, ERAM ÁGEIS MAS SEM



                                                                             11
COMODIDADE.” Foi então adotada a essa referência até – “... com
desprezo, às vezes, da correção das formas”.

Bela Wodianer, técnico de alta competência, Capitão da Cavalaria Austro -
Húngara, criado na convivência das mais variadas raças eqüinas: árabes,
inglesas, húngaras, russas, de sela e de tração, capaz de distingui-las e
identificar seus mestiços, observador sutil, em face das articulações e raios
ósseos do Mangalarga, definiu: “Essa anomalia habilita o cavalo que a possui
a fazer com a mão o movimento de comprimento idêntico ao do pé, pois só
assim é possível sobreporem-se os rastros, como exige este andamento.” E ,
em seguida, dá o rumo certo da seleção técnica quanto à apreciação estética:
“Reduzindo-se esta diferença dos ângulos ao mínimo necessário e
distribuindo-se a todos os ângulos propulsores, a mesma quase não se nota.”

João Francisco Diniz Junqueira, em “Sugestões” a uma tabela de pontos de
julgamento do Mangalarga, publicada no “Cavalo Mangalarga” de 1936,
sintetiza: “Deverá andar 6 km em 40 minutos, deixando as pegadas dos
posteriores sobre as anteriores.”

Na passada está a regra de ouro da seleção Mangalarga.

 “(...) Moldaram um esqueleto de trotão, e o cavalo que talharam, como não
poderia deixar de ser, simplesmente trota. Sem a paixão da raça, sem o culto
e a ciência da equitação de animais marchadores, partindo do pressuposto de
     que o cavalo deve ser, antes de tudo, portador de uma beleza estética,
técnicos e criadores abandonaram o sangue nobre já consagrado dos grandes
  genearcas da raça, como, entre outros: Abismo, Trovador, Pretinho, The
 Money, Bellini, Ouro Preto, Plutão, Cana Verde, Cuéra, Caxias, Sargento,
  V-8, Fidalgo, Salmon, Mozart, Rio Verde, os Bônus, Perfeito, Ramalhete,
    Completo, Bataclan, Manco, Escuro, Vai-Vem, Defesa, Sul de Minas,
Brasil, os Fortunas, Baio-Escuro, Monte Negro, Gregório, Cisne I, Cisne II,
Braceiro, Brasil II, Mineiro, Angahy, Caxias II, Clemanceau, Onda, Caxias
   (fêmea), Exposição, Indiana, Mussolina, Lôla, Carioca, Mangalarga II,
 Brasileira e tantos outros, e lançaram mão do Árabe e PSI (cujos indivíduos
  já resultavam de cruzamento, no Sul, com o Crioulo), partindo para o que
                                hoje aí está.(...)”

                                       Geber Moreira – Fazenda da Arapoca
                                                 Além Paraíba (MG) – 1987
                                        publicado na Revista Eqüinos no. 79

                                                                           12
                           VII – MESTIÇAGENS

A presença de outros sangues não peninsulares deve-se, principalmente nos
rebanhos paulistas, a cruzamentos precedidos do fim do século passado para
cá, devendo ter sido encerrados com o fechamento do Livro Genealógico em
1940. Garanhões de raça inglesa de corrida, árabe, anglo-árabe, americana,
foram conhecidamente utilizados por criadores da região de Orlândia, ao
passo que são apontados garanhões “hackney” e “anglo-normando” no Sul de
Minas, da mesma época.

Essas mestiçagens foram aos poucos reabsorvidas pela preferência do sangue
Mangalarga; e esta preferência se impôs, salvando a raça de desaparecimento,
pelos predicados do andar. O gosto pelos andares macios fez com que os
criadores involuíssem, e como nota Paulo de Lima Corrêa: “E à exigência do
cavalo de marcha, fazendo aproveitar na reprodução só os indivíduos com
essa tendência, tornou esse atributo um verdadeiro caráter da raça, que se
vem perpetuando pela hereditariedade e se mantendo graças à ginástica
funcional.”, daí a razão de garanhões exóticos figurarem somente pela linha
feminina.

Mesmo assim, a influência de sangues alienígenas, já que Alter e Andaluz são
considerados afins e regeneradores, foi apontada e criticada no passado por
hipólogos como Solanet em 1932: “Así se explica cómo en el Mangalarga
actual, encontramos falta de homogeneidad racial y así diversos tipos.” E
Echeniche, em 1936: “Era evidente a promiscuidade de sangues alienígenas
naqueles representantes.” E mais recentemente, Xavier de Camargo: “Em
cada dois plantéis de Mangalarga, nota-se a maior ou menor proximidade de
atributos de uma das raças que entraram na sua formação, tornando-se difícil
determinar qual lhe seja mais afim.” Essas misturas ainda hoje são
responsáveis pelas famílias ou correntes que dividem o Mangalarga,
dificultando a sua padronização.

Destes cruzamentos, o Mangalarga ganhou mais alçada, melhores aprumos,
galope mais fácil, cabeça mais leve e, em contra - partida, esqueletos
incoerentes, má ligação de rins, osso sacro saliente, pescoço invertido, andar
ruim e desorientação quanto ao tipo de padrão. Somente a marcha,



                                                                                 13
abrandando os ângulos, mormente os pélvicos, pode reencaminhar a seleção
pela vereda antiga do andar.

O amor à caça levou ao cruzamento com raças mais velozes, mas a volta para
casa, léguas e léguas de puro trote, desencorajou este cruzamento. O galope
curto e ágil fazia preferível o Mangalarga nas caçadas de catingueiros dos
cerradões de Orlândia e o galope de galão largo os mestiços nas caçadas de
campeiros do Triângulo Mineiro.

A pelagem também induziu uma mudança, com possíveis influências
morfológicas na caracterização racial. O Mangalarga de predominância
tordilha, passou a alazão. É verdade que a recessividade do alazão facilita a
fixação da cor, mas o afastamento de reprodutores de outros pêlos é um mal,
por poder enjeitar animais de reais qualidades e faltos ao aprimoramento da
raça. No caso do tordilho, é mais grave, por ser a pelagem mais fiel aos
sangues ibéricos, e com ela podem-se ir também os caracteres nascentes.

Com os imperialismos, vêm as influências. À “belle époque” devemos as
infusões já referidas, produzindo animais de cabeça seca, músculos lisos,
carnes magras e por vezes ossudos. Com a supremacia norte-americana e a
importação de Quartos de Milha, animais de cabeça de raposa, paleta em pé,
músculos globulosos e silhueta arredondada. Como não podemos duvidar dos
registros genealógicos, só nos resta aceitar a repetição bíblica da sugestão,
como nas cabras de Jacó: “Com efeito sucedeu, que estando as ovelhas no
fervor do coito, e olhando para estas varas, conceberam uns cordeiros
malhados, e de diversas cores.” (Gênesis:30,39). E assim nasceram cavalos
“acauboiados”, fazendo jus aos chapéus texanos, as botas de salto alto e bico
fino, as selas mexicanas e as poses cinematográficas.
Se não houver mais rigor e discernimento, os criadores de Mangalarga
acabarão no drama do Cão de Fila, do qual Lara Campos diz: “- ... se
transforme em simples cachorro de exposição, onde a característica principal
é a mestiçagem.”



        VIII – O MANGALARGA NA REGIÃO DE ORLÂNDIA

A antiga Comarca de Orlândia , herdeira da de Nuporanga, estendia-se pelos
atuais municípios de Orlândia, Nuporanga, Salles Oliveira, Morro Agudo, São
Joaquim da Barra, Ipuã e Guaíra. Área situada entre os rios Sapucaí, Pardo e


                                                                                14
Grande, constituída de terras de campos, cerrados e matas, é drenada no seu
espigão divisor de águas pelo Ribeirão do Rosário, em cuja margem esquerda
foi fundada em 1812, por Francisco Antônio Junqueira, a Fazenda Invernada –
fazenda mãe e pioneira da região. Foi para este local que Francisco Antônio
trouxe do Sul de Minas o Mangalarga.


“(...) Como já vimos anteriormente, o Barão de Alfenas, que tinha o nome de
Gabriel Francisco Junqueira, é conhecido como o "pai da Raça Mangalarga"
                      e é seu primeiro grande criador.

   A história, no entanto, começa a se desenvolver de forma mais intensa à
partir de 1812, quando um sobrinho do Barão de Alfenas - Francisco Antônio
 Diniz Junqueira, muda-se para a Fazenda Invernada no município de Bom
Jesus da Cana Verde, hoje conhecido como Batatais, no interior do Estado de
                                 São Paulo.

   Segundo relatos da família, Francisco Antônio trouxera para a Fazenda
  Invernada um lote de cavalos do Sul de Minas, que teriam formado a base
  atual do Mangalarga Paulista. Do lote de cavalos trazidos por Francisco
      Antônio destacavam-se os animais de nome: Sublime e Fortuna.

      O cavalo Sublime, apesar de importância para a raça, não deixou
  descendência masculina, tendo, porém, deixado uma gama excepcional de
 fêmeas, que proporcionaram sem sombra de dúvidas, o desenvolvimento do
                               plantel.(...)”

                             Geraldo Diniz Junqueira – Orlândia (SP) - 1981


No decorrer do tempo, três linhagens, entrecruzadas, formaram o Mangalarga
atual da região:

“ – Três linhagens principais, bem definidas em suas características
essenciais – os Fortunas, Telegramas e Jóias.” – escreve, para “Cavalo
Mangalarga”, em 1948, o criador José Olintho Fortes Junqueira. De sua
classificação, podemos resumir:




                                                                            15
Fortunas – predominância castanha, menores, muito cômodos, bons aprumos,
cabeça pesada;

Telegramas – frente leve, garupa inclinada, andar ótimo e elegante;

Jóias – maiores, bonitos, andar menos cômodo e, por isso, foram desprezados,
apesar de muito resistentes.

Continuador de seu pai Francisco Antônio, foi Francisco Marcolino (“Capitão
Chico”) o grande selecionador e formador do Mangalarga Paulista. Caçador
apaixonado e devorador de léguas, exigia o máximo de seus cavalos, que a um
só tempo tinham de ser galopadores de fôlego e marchadores incansáveis –
“Completo” de linhagem “Jóia” se antepunha a “Baio Escuro” de linhagem
Fortuna – dilema que prevalece até hoje.

Da divisão da tropa do “Capitão Chico” pelos herdeiros, filhos e genros, três
foram seus continuadores: Francisco Orlando (“Chico Orlando”) – Fazenda
Boa Vista, Antônio Olinto - Fazenda Invernada e José Frauzino – Fazenda
Agudo. Os outros cinco não participaram, por ausentes ou menores de idade.
Mais tarde, Magino comprou a barrigada fêmea da produção de um ano de seu
irmão mais velho, “Chico Orlando”, iniciando assim seu próprio plantel da
mesma origem. Desenvolveu sua criação na Fazenda Perobas, donde provém
“Fortuna V”- 1904 (Fortuna IV – 1898 x Braceira - 1889), pai de
“Colorado – 1912” e “Cravo II”, registro no. 2 da Mangalarga e adquirido
pelo Governo do Estado.


Número do Registro: 000002/D
Nome do Animal: CRAVO II
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Pelagem: CASTANHA Sangue: Puro

           Pai: MONTE NEGRO (1894)*, por Baio Escuro
Filiação
           Mãe: CRAVINA *, por Cravo I

Criador: MAGINO DINIZ JUNQUEIRA - 00071
Proprietário: GOVERNO DO ESTADO DE SAO PAULO - 00035




                                                                           16
Os demais ou adquiriram éguas da região, como „Marico‟ – Fazenda
Marimbondo, ou trouxeram posteriormente do Sul de Minas. Desta geração
de criadores é que vêm os garanhões “Colorado”, “Óder”, “Fortuna IV”,
“Selado”, “Cinza” e outros já na história do Mangalarga.


Número do Registro: 000043/D
Nome do Animal: ODER
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Pelagem: CASTANHA Sangue: Puro

                     Pai: COLORADO (1912) *
Filiação
                       Mãe: SENTIDA *
Criador: JOSE OLINTHO FORTES JUNQUEIRA (ESP) - 00037
Proprietário: RENATO JUNQUEIRA NETTO (H1) - 00001



Número do Registro: 000075/D
Nome do Animal: CINZA
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Pelagem: TORDILHA Sangue: Puro

                     Pai: CINZA I *
Filiação
                       Mãe: PANGARÉ *
Criador: MARIO DINIZ JUNQUEIRA (ESPOLIO ) - 00048
Proprietário: MARIO DINIZ JUNQUEIRA (ESPOLIO ) - 00048




Na geração seguinte, a da fase de arregimentação associativa da Mangalarga,
cinco criadores se destacaram na região:

I - Renato Junqueira Netto, 1º Presidente da Associação e herdeiro da marca
„53‟ de seu pai, José Frauzino.

Optou pelo sangue “Fortuna”, com animais um pouco pesados de frente.
Lanceiro (Apollo* x Japoneza*), tordilho, Campeão Nacional em 1929 e
Botafogo, castanho, Campeão Nacional em 1936; animais robustos e
marchadores, foram seus crioulos. Ultimamente, deu preferência à pelagem
alazã. Criador muito conservador quanto à morfologia.




                                                                              17
Número do Registro: 000011/D
Nome do Animal: BOTAFOGO
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Pelagem: CASTANHA Sangue: Puro

                     Pai: ODER – 000043/D
Filiação
                     Mãe: JAPONEZA*

Criador: RENATO JUNQUEIRA NETTO (H1) - 00001
Proprietário: RENATO JUNQUEIRA NETTO (H1) - 00001


Obs: os animais levemente pesados de antemão têm mais compasso na
marcha, ao passo que os muito leves costumam ser mais inconstantes.


II – João Francisco Diniz Junqueira – prosseguiu o trabalho de seu progenitor,
Coronel “Chico Orlando”, dando preferência aos animais de frente leve dentro
do axioma – “Se um cavalo tiver que ter defeitos, que os tenha atrás.” Ginete
exímio, dava grande importância ao preparo hípico de seus crioulos, que
enfeitavam as exposições sob sua rédea. Procurou a homogeneização através
do alazão. Ao garanhão Astuto deve o tipo de seus animais, mas Sheik foi o
produto de mais fama. Sheik, quando marchava, cobria o rastro da frente com
o detrás. Foi seu crioulo Pensamento, alazão, Campeão Nacional em 1937.


Número do Registro: 000025/D
Nome do Animal: ASTUTO
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Nascimento: 6/10/1927
Pelagem: ALAZÃ RUBICÃO Sangue: Puro

                     Pai: COLORADO *
Filiação
                     Mãe: FALUA *

Criador: JOAO FRANCISCO D. JUNQUEIRA - 00016
Proprietário: JOAO FRANCISCO D. JUNQUEIRA - 00016



Número do Registro: 000626/D
Nome do Animal: SHEIK
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Nascimento: 4/12/1943
Pelagem: ALAZÃ SALPICADA Sangue: Puro

                     Pai: ASTUTO - 000025/D
Filiação
                     Mãe: MINUTA - 000349/D



                                                                            18
Criador: JOAO FRANCISCO D. JUNQUEIRA - 00016
Proprietário: JOAO FRANCISCO D. JUNQUEIRA - 00016



Número do Registro: 000083/D
Nome do Animal: PENSAMENTO
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Pelagem: ALAZÃ RUBICÃO Sangue: Puro

                     Pai: COLORADO *
Filiação
                     Mãe: FANTASIA *

Criador: JOAO FRANCISCO D. JUNQUEIRA - 00016
Proprietário: JOSÉ OSWALDO JUNQUEIRA - 00031



III – Sebastião de Almeida Prado – continuador de seu sogro, Capitão Antônio
Olinto, desprezava a pelagem: “ Cor é pêlo” e reintroduziu o pampa no
Mangalarga de Orlândia. Criador de sensibilidade, adquiriu “escola” com
Bela Wodianer. Criou cavalos sólidos e dentro da quadratura. Exigente
quanto à “limpeza das juntas”, não admitia animais tarados. Prezava a
harmonia e movimentação a qualquer predicado. “Bordado” (por Tank* x
Moita*), pampa de tordilho, da fase anterior ao Livro Fechado, conservou sua
predileção por toda vida; “Capitel”, pampa de tordilho, espécime forte e
quadrado, de bom andar, marcou sua criação pelo perfil acarneirado; “7 de
Ouro”, pampa de castanho, Campeão Nacional em 1938, de bela presença e
andar ruim por exagerado; “Sururu”, tordilho, Campeão Nacional em 1947,
“Chamego”, preto, campeão nacional em 1951, foram seus crioulos;
predominância de pampa e tordilho em seu plantel.


Número do Registro: 000120/D
Nome do Animal: CAPITEL
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Pelagem: PAMPA DE TORDILHO Sangue: Puro

                     Pai: BORDADO *
Filiação
                     Mãe: PERNA DIREITA - 000838/D

Criador: SEBASTIAO DE ALMEIDA PRADO (ESP) - 00047
Proprietário: SEBASTIAO DE ALMEIDA PRADO (ESP) - 00047




                                                                          19
Número do Registro: 000311/D
Nome do Animal: SETE DE OURO
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Pelagem: PAMPA DE CASTANHO Sangue: Puro

                      Pai: CAPITEL - 000120/D
Filiação
                      Mãe: PINTORA - 000542/D

Criador: SEBASTIAO DE ALMEIDA PRADO (ESP) - 00047
Proprietário: SEBASTIAO DE ALMEIDA PRADO (ESP) - 00047



Número do Registro: 000498/D
Nome do Animal: SURURU
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Nascimento: 8/9/1942
Pelagem: TORDILHA Sangue: Puro

                      Pai: CAPITEL - 000120/D
Filiação
                      Mãe: GARRICHA - 001226/D

Criador: SEBASTIAO DE ALMEIDA PRADO (ESP) - 00047
Proprietário: SEBASTIAO DE ALMEIDA PRADO (ESP) - 00047



Número do Registro: 000812/D
Nome do Animal: CHAMEGO
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Nascimento: 28/10/1947
Pelagem: PRETA Sangue: Puro

                      Pai: CAPITEL - 000120/D
Filiação
                      Mãe: AZILADA - 001164/D

Criador: SEBASTIAO DE ALMEIDA PRADO (ESP) - 00047
Proprietário: SEBASTIAO DE ALMEIDA PRADO (ESP) - 00047



OBS; o pampa existia no Mangalarga desde velha data, talvez de origem
gaúcha. O “Capitão Chico” possuía um reprodutor pampa de preto e um
cavalo de caçada chamado “Pampinha”, célebre pela fortaleza. O Capitão
Antônio Olinto adquiriu uma eguada da Fazenda Melancia, de seu primo José
Américo, de Uberaba (MG), na qual veio uma égua denominada “Pampinha”,
bisavó de “Bordado”.

Os três usaram largamente da consangüinidade, colhendo os sucessos e os
desapontos comuns ao uso desta arma de dois gumes, tais como: andar macio,

                                                                         20
esbelteza de formas, harmonia de movimentação, e também paleta em pé,
jarretes fracos, cabeças anômalas, além da diminuição do tamanho.


IV – Celso Torquato Junqueira – o executivo da formação da Associação
Mangalarga, ao criar sua eguada, reuniu algumas, que ganhou de tios e
primos, a outras que adquiriu em São Paulo e Minas. Fugiu da
consangüinidade, não só pela formação “eclética” de sua manada, como pelo
uso dos garanhões mineiros “Disco” e “Vapor”.

Número do Registro: 000034/D
Nome do Animal: DISCO
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Pelagem: CASTANHA ESCURA Sangue: Puro

                    Pai: CALÇADO *
Filiação
                    Mãe: RAPOSA II *

Criador: JOSE BENTO JUNQUEIRA DE ANDRADE (ESP) - 00215
Proprietário: JOSE OLINTHO FORTES JUNQUEIRA (ESP) - 00037



Número do Registro: 000159/D
Nome do Animal: VAPOR
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Pelagem: CASTANHA ESCURA Sangue: Puro

                    Pai: PLUTÃO *
Filiação
                    Mãe: CAMURÇA *

Criador: GABRIEL FORTES JUNQUEIRA ANDRADE (ESP) - 00142
Proprietário: CELSO TORQUATO JUNQUEIRA - 00087



Tomou por base a linhagem “Fortuna”, utilizando reprodutores da Marca „53‟
– Botafogo, Fuzileiro e Fuzil.


Número do Registro: 000044/D
Nome do Animal: FUZILEIRO
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Pelagem: ALAZÃ TOSTADA Sangue: Puro

                    Pai: APOLLO *
Filiação
                    Mãe: QUEIMADA *




                                                                            21
Criador: RENATO JUNQUEIRA NETTO (H1) - 00001
Proprietário: CELSO TORQUATO JUNQUEIRA - 00087



Número do Registro: 001090/D
Nome do Animal: FUZIL
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Nascimento: 17/9/1956
Pelagem: ALAZÃ Sangue: Puro

                      Pai: YEDO - 000873/D
Filiação
                      Mãe: THAÍS - 003141/D

Criador: RENATO JUNQUEIRA NETTO (H1) - 00001
Proprietário: CELSO TORQUATO JUNQUEIRA - 00087



Preferiu o alazão como pelagem e, sendo um inveterado caçador, sempre deu
muita importância ao fôlego e à qualidade do galope de seus cavalos.
“Lapidado”, alazão, Campeão Nacional em 1952, e figurante em quase todas
publicações internacionais apresentando o Mangalarga, foi seu cavalo de
maior repercussão. Criou outros campeões: “Rapé”, Campeão Nacional em
1953, “Radial”, Campeão Nacional em 1955 e “Urutu”, Campeão Nacional
em 1956.


Número do Registro: 000569/D
Nome do Animal: LAPIDADO
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Nascimento: 12/10/1943
Pelagem: ALAZÃ TOSTADA Sangue: Puro

                      Pai: FERRO - 000233/D
Filiação
                      Mãe: ESQUADRA - 000984/D

Criador: CELSO TORQUATO JUNQUEIRA - 00087
Proprietário: CELSO TORQUATO JUNQUEIRA - 00087



Número do Registro: 000911/D
Nome do Animal: RAPE
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Nascimento: 25/10/1949
Pelagem: ALAZÃ Sangue: Puro

                      Pai: LAPIDADO - 000569/D
Filiação
                      Mãe: MALICIA - 002870/D



                                                                        22
Criador: CELSO TORQUATO JUNQUEIRA - 00087
Proprietário: CELSO TORQUATO JUNQUEIRA - 00087



Número do Registro: 000878/D
Nome do Animal: RADIAL
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Nascimento: 14/11/1949
Pelagem: ALAZÃ RUBICÃO Sangue: Puro

                              Pai: LAPIDADO - 000569/D
Filiação
                              Mãe: JANGADA - 002534/D

Criador: CELSO TORQUATO JUNQUEIRA - 00087
Proprietário: CELSO TORQUATO JUNQUEIRA - 00087



Número do Registro: 000946/D
Nome do Animal: URUTU
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Nascimento: 1/10/1952
Pelagem: ALAZÃ Sangue: Puro

                              Pai: QUATI - 000493/D
Filiação
                              Mãe: PALMATORIA - 003454/D

Criador: CELSO TORQUATO JUNQUEIRA - 00087
Proprietário: CELSO TORQUATO JUNQUEIRA - 00087



V- José Olinto Fortes Junqueira – („Seu Zezico‟), seguiu a orientação mineira,
trazendo éguas da Fazenda Favacho, do Sul de Minas, e intercalando o uso de
garanhões de origem paulista aos de Minas. Sem dúvida, o maior conhecedor
de sangues Mangalargas e suas genealogias. O seu produto mais famoso foi
“Paraná”, castanho3.

Número do Registro: 000035/D
Nome do Animal: PARANA
Sexo: Macho Reg.: Definitivo
Pelagem: CASTANHA RUBICÃO Sangue: Puro

                              Pai: CRAVO II - 000002/D
Filiação
                              Mãe: GALATÉIA *

Criador: JOSE OLINTHO FORTES JUNQUEIRA (ESP) - 00037
Proprietário: JOSE OLINTHO FORTES JUNQUEIRA (ESP) - 00037

3
    Paraná – foi pai de Fidalgo (1945) e portanto avô de Quartel Velho JB (1956) e bisavô de V-8 JB (1961).


                                                                                                              23
Eguada de pelagem escura, castanha e preta predominantemente.


Assim, por esforço de todos e sucesso de alguns, o Mangalarga foi evoluindo.
No passado, sangues foram injetados, alguns diversionistas, aos poucos
reabsorvidos, e outros regeneradores.

Numa caçada de campeiro em 1917, na Fazenda Caba - Semana, no dia dos
cães corredores, todos os caçadores, das duas bandas do Rio Pardo, estavam
montados em filhos de Bardo, garanhão Alter importado pelo Governo do
Estado em 1900, e muito utilizado nas eguadas da região. Noutra fazenda,
numa tarde de serviço, um peão cansado vinha puxando um “inglês” pelas
rédeas para descansar um pouco. Foram cenas de outras épocas. Hoje, em
hipótese alguma devemos admitir mestiçagens. No Mangalarga há material
suficiente para continuação de uma seleção até aqui bem sucedida, tendo
sempre como pedra angular o andar.



                         IX - O USO DO CAVALO

O Marquês de Vibraye, presidente da „Societé de Venerie‟ e da „Association
des Maîtres d´Équipage de France‟, no livro „Joies du Cheval‟, considera „la
chasse à courre‟, a caçada a cavalo, como a única utilização normal que resta
do cavalo de sela: “ – Nos nossos dias, a caçada permanece sob certos
aspectos como a única forma utilitária e, poder-se-ia dizer, normal do cavalo
de sela, em oposição ao uso esportivo e mais artificial que constituem as
corridas ou concursos hípicos”, e esclarece que estas atividades são: “função
de especialistas, tanto para o homem como para o cavalo. Enquanto que o
cavalo de caça deve reunir as qualidades básicas procuradas em todos os
tempos no cavalo utilizado como meio de transporte.”

De fato, na Europa, a utilidade do cavalo se restringe dia a dia às artificiais.
No Brasil a situação ainda é bem diferente. Nas fazendas de plantação, se
limita cada vez mais, mas nas de gado, sua utilização continua muito grande e
necessária. E o Mangalarga, como produto natural da região, por sua
polivalência, é o que melhor serve aos usos e costumes do Brasil Central.




                                                                               24
Comum é ver-se nas fazendas, onde existem Mangalargas em competição com
outras raças, os Mangalargas magros e pisados de tanto trabalho, enquanto os
outros estão nédios e vadios na salvaguarda do trote. O peão somente monta
nos outros, por imposição do capataz.

No Brasil Central, a preferência para a lida campeira continua do burro, por
ser um animal de muito “estofo” e pouco “sangue”. O burro não se dá,
empaca, enquanto o cavalo, se solicitado, vai à exaustão. No Pantanal
matogrossense, onde o habitual são dois cavalos para cada peão por 30 dias,
quando são rendidos por outra parelha descansada, os animais precisam ser
carnudos e de fácil recuperação.

Nos EE.UU., os “quarters” são deslocados em caminhonetes e só entram em
ação no momento do rodeio do gado. Aqui as extensões são cobertas a casco
de cavalo e o uso de rodeios movimentados, com laçadas e correrias,
condenado. Preferimos o berrante e o aboio das maneiras calmas de lidar, às
tropelias e gineteadas que só servem para estropear cavalos e enervar o gado.
Um Nelore atormentado vira “bicho”.

Os americanos, com extraordinária objetividade, esquematizaram o rodeio
como espetáculo e como esporte. Regulamentaram o “cutting”, onde o
vaqueiro se exibe e exibe o adestramento de sua montaria, transformando um
trabalho rotineiro de apartação em interessante esporte e, com o “marketing”,
vão avassalando os costumes e vendendo sua mercadoria.

No Sul, os gaúchos reanimaram os rodeios e provas de rédeas com gauchadas
enfeitadas de trajes típicos. No Nordeste, revivem as vaquejadas e os chapéus
de couro. Cabe a nós, do Centro, reabilitar as Cavalhadas, estilizar a nossa
apartação de equitação “por cima” e laço no chinchador, assim como
regulamentar as Provas de Marcha, difundir o Jogo da Rosa e as provas de
agilidade. E temos cavalo para isso: o Mangalarga.




                                                                               25
                           X – O JULGAMENTO

O juiz, quando muito teórico, e pouco afeito às lides rurais, tende a um
academicismo exagerado que as próprias “regras de compensação” condenam.

Nas raças regionais, como nas de seleção funcional, conformações
consideradas feias ou mesmo defeituosas, dentro dos padrões clássicos,
poderão ser exatamente as que as distinguem. Assim é o “baixo de frente” do
Quarto de Milha, o “encurvado de posteriores” do Campolina, o “arredondado
de cernelha” do Crioulo. No Mangalarga, o rigor de aprumos impede a
marcha, e a marcha trotada vai se transformando num eufemismo para
disfarçar o trote e admitir com isso os animais que fugiram do padrão. No
capítulo das “compensações”, é preciso destacar as dinâmicas mais sutis, uma
vez que um cavalo que se movimenta bem, é porque tem os aprumos
convenientes. No Puro - Sangue de Corridas, uma seleção funcional que
genitores comuns deram uma certa homogeneidade, os aprumos vêm como
conseqüência da função e nem sempre perfeitos. A “mão de cabrito” é o
exemplo clássico. Somente numa seleção de valores puramente estéticos se
poderá obter um animal perfeito de formas e, por outro lado, de funções
indefinidas.

Por essas e outras dúvidas, nas raças regionais, o julgamento deve ser
preferencialmente feito por um corpo de jurados, contando no mínimo com a
participação de um criador, em vez de se adotar o juiz único, usual nos
julgamentos das raças internacionais.

No Mangalarga, a angulação um tanto fechada é imprescindível, não só para a
comodidade como para a elegância do andar. A passada um pouco alta,
aumentando o tempo de execução, contribui para a diminuição do tempo de
suspensão, aumentando o apoio no solo com conseqüente amaciamento do
andar e melhor conforto do cavaleiro. A passada rasteira, “rola - sabugo”, em
geral é saltitante e áspera.

A tendência hoje, com o deslocamento do cavalo do campo para a cidade, é
pela estética. Tendência esta desenvolvida por uma orientação imediatista,
fácil de se obter, leva vantagem sobre o marchador de boa conformação
estética, produto de árdua e paciente seleção. Se aceitarmos esta nova diretriz,
corremos o risco de perder o nosso cavalo nacional e seus aficionados certos,
no confronto com outras raças mais bonitas, mas cujo andamento é
desconfortável e cansativo.


                                                                              26
O cavalo de sela e de lida, o cavalo do peão e do patrão, está sendo ameaçado
pelo cavalo de pista, lindo e inútil.

É sempre bom recordar os ensinamentos de dois dedicados técnicos do
Mangalarga na fase de sua formação associativa, Wodianer: “ - Sendo a
inferioridade dos aprumos do Mangalarga provocada pela seleção artificial
do caráter marcha”, e Xavier de Camargo: “ - Jarretes em ângulo um pouco
fechado, condizendo com a marcha.”


O desafio é um cavalo de bela figura sobre o pedestal de um andar macio.




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