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A CAPOEIRA COMO UMA DAS DIFERENTES LINGUAGENS

NO ESPAÇO EDUCATIVO.



Monografia apresentada como requisito parcial para conclusão do curso de Pedagogia -

Universidade do Vale do Itajaí - Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental, sob

orientação da Profª MSc. Alzira Izabel Rosa.

São José 2003



RESUMO



A presente monografia busca mostrar através das intervenções e práticas pedagógicas a

verdadeira importância da capoeira como uma das diferentes linguagens no espaço educativo,

tendo como objetivo maior resgatar as atividades culturais nas unidades escolares identificando a

capoeira como um fator primordial, buscando subsídios para que a criança se aproprie de novos

conhecimentos desenvolvendo assim a socialização entre diferentes classes sociais, religiões,

raças, entre outros, levando a construção da sua formação desta forma, buscaremos desenvolver

as qualidades gerais das crianças através da capoeira, tornando as aulas prazerosas e atrativas,

usando alguns recursos básicos como as cantigas, a música e os instrumentos, contribuindo e

oportunizando `as mesmas resolver situações do seu cotidiano. A capoeira não pode mais ser vista

como disciplina isolada do processo político pedagógico e sim como parte de um todo, pois a

criança se apaixona pelo ritmo, pela movimentação, pela troca de informação entre o aluno e o

professor e pela própria capoeira como manifestação cultural, que trabalha o resgate e os

costumes de um povo, que durante muitos anos foi condenada e proibida.O que desejamos é

poder ainda promover e oportunizar a centenas de crianças a prática da capoeira, seja ela vista

como esporte, arte, cultura, jogo, dança,luta ou brincadeira, proporcionando um ambiente onde

exista harmonia, alegria, solidariedade, sociabilidade, amizade e prazer.







INTRODUÇÃO





Este trabalho vem especificar como eixo condutor a compreensão e a importância da aplicação de

aulas de capoeira nas séries iniciais do ensino fundamental, tendo por objetivo resgatar as

atividades culturais nas escolas identificando a capoeira como recurso pedagógico, no sentido de

oferecer subsídios para que a criança desenvolva a socialização como um todo. Nesse sentido,

ressalta-se a mediação do educador no universo de construção de conhecimentos das crianças, e

as formas de apresentar a capoeira como meio, o que se mostra fundamental no desenvolvimento

da sua formação. Percebe-se que a entrada em um mundo de possibilidades e riquezas, que

possibilitam descobrir, interagir e agir, é feita através da influência mútua, propiciando

compreender as realidades desenvolvidas na sua vida.

Um longo caminho foi percorrido até o encontro da alma e de prazer entre a criança e a cultura do

movimento (capoeira). Essa demora tem fortes amarras no passado. Até a Idade Média, a criança

era considerada um adulto em miniatura e a infância ligava-se `a idéia de incapacidade,

inexperiência e dependência. Sua educação, baseada na aprendizagem com os mais velhos,

impossibilitava a distinção de idades. Não havia distinção entre adultos, adolescentes ou crianças,

sua participação na vida social não era poupada e nem tampouco os jogos eram destinados

somente `as crianças.

A capoeira entendida como recurso que ensina, desenvolve e educa de forma prazerosa,

materializa-se nas atividades físicas, no lazer, em datas festivas e brincadeiras, envolvendo

músicas, ritmos e danças. È uma fonte inesgotável de riquezas que, pelas várias formas de ser

ministrada, oferece ao seu praticante através de sua prática bem orientada, aprender a escolher as

várias linhas com as quais mais se identifica, não deixando de lado nenhum dos aspectos que

abrangem o universo desta arte como: instrumento educacional, arte, folclore, esporte, luta, jogo,

filosofia de vida, entre outros.

Utilizar as atividades da capoeira na educação, significa transportar para o campo ensino-

aprendizagem condições para a construção de conhecimentos, introduzindo as propriedades do

lúdico, do prazer, da intuição e da imitação, atividades estas que possibilitam ao aluno o acesso a

vários tipos de conhecimentos e habilidades. Numa concepção didática, consideramos a capoeira

uma atividade física completa, pois ela atua de maneira direta e indireta sobre os aspectos

cognitivo, afetivo e motor da criança. Sendo encarada como lúdica instrucional, articula atividades

de desenvolvimento visomotor, artístico e social, levando a criança a estabelecer relações a partir

dela própria, fato que torna a capoeira multidirecional, uma vez que permitirá, desde que

adequadamente conduzida, desenvolver na criança noções de equilíbrio físico juntamente com

equilíbrio mental e disciplina. No que tange `a sua articulação ás atividades nas séries iniciais,

podemos através dela trabalhar conteúdos que dizem respeito `a localização espaço-temporal,

lateralidade cruzada e domínio da linguagem oral, característica marcante desta arte. Naturalmente

ocorre a articulação com conteúdos de geografia e história, principalmente História do Brasil,

intimamente ligada `a história da capoeira, situando a criança no tempo e no espaço que ocupa,

haja visto a necessidade de situar seus praticantes no contexto histórico desta arte que vem se

desenvolvendo através dos anos, de geração a geração.

A capoeira deve estruturar-se para conseguir assumir seu papel dentro de uma política

educacional democrática. Com o objetivo de apresentar uma proposta comprometida com os

educandos e com a sua cultura, junto a uma nova intenção pedagógica buscar novos modelos de

planejamento e servir de implementação a outros novos projetos educacionais.

As palavras traduzem sentimentos, verdades e sonhos, porém às vezes, elas não atingem o papel,

perdem-se entre a memória e o ato de transformá-las em algo mais concreto e tocante. A angústia

surge nesse momento, e não permite fluir a forma mais bela de expressão. Desta forma, a

importância do resgate cultural no universo infantil deve ser mais que uma atividade escolar e sim

uma atividade vital, plena de significação. A cultura do movimento, a qual está presente durante

toda uma vida, é uma fonte inesgotável de experiências insubstituíveis. O imaginário infantil é

enriquecido através do jogo entre a linguagem do cotidiano e a da escola. Usando a magia do

conhecimento pode-se chegar às portas de uma das experiências mais ricas que o ser humano

pode viver: a prática da capoeira.

No entanto, para que as crianças possam usufruir dessa experiência nos espaços educativos das

instituições, é necessário que os profissionais tenham um olhar atento às práticas desenvolvidas

em relação à capoeira. Nesse sentido, desde a época em que dei inicio a minha atividade

profissional na área de Educação Infantil, já se fazia presente o desejo de ampliar e analisar a

importância da cultura do movimento (capoeira), tema escolhido para a monografia, o qual veio a

ser reforçado em observações durante o estágio na disciplina de prática de ensino.

Essa vivência educacional, confirma que uma disciplina bem orientada é uma escolha para todo o

sempre, pois independente da idade, todos poderão praticar esta atividade pela qual sempre

demonstraram interesse.

É buscando e acreditando numa proposta baseada na mediação do professor, que garanta o lúdico

e a criação, na qual a criança seja um ser ativo capaz de agir, interagir e transformar. A partir

disso, este trabalho busca analisar a importância de se aplicar á capoeira de forma prazerosa na

prática pedagógica da pré-escola e das séries iniciais e especificamente abordá-la como uma das

diferentes linguagens presentes no espaço da educação, visualizando novas formas de se

trabalhar, e por fim, não menos importante, discutir a capoeira enquanto elemento lúdico e de

criação, o qual permite que a criança encontre a passagem para o universo social e democrático e

dele faça uso durante toda a vida.

Esta não pode mais ser vista como disciplina isolada, justificando que não é uma modalidade à

parte do processo e sim que faz parte de um todo. O contato dos alunos com o mundo da cultura

do movimento (capoeira) tem se dado das mais diversificadas formas. A capoeira se faz de forma

significativa e prazerosa na sua prática corporal, torna-se um grande atrativo seja pela forma lúdica

ou de treinamento exigida na disciplina, pois a criança se apaixona pelo ritmo e pela movimentação

nas aulas, pela troca de informação entre o professor e os alunos, ou pela própria capoeira que é

uma manifestação cultural que trabalha o resgate da história e os costumes de um povo, que

durante muitos anos foi condenada e proibida, pelo poder constituído.

Muito mais que uma simples luta para dar pernadas. Transcende este aspecto marcial e assim

vista como arte, já que trás notáveis benefícios para o corpo como saúde física, beleza estética e

um ideal de vida, além dos benefícios para a alma humana como, a alegria, a harmonia, a

solidariedade, a sociabilidade e a amizade.

Pode-se promover e oportunizar a centenas de crianças a prática da capoeira como um esporte,

uma dança, uma arte, ou seja, qual for o seu significado, onde os fatores psicológicos e fisiológicos

estejam integrados, valorizando e divulgando a cultura afro-descendente. Devido a identificação

que a criança tem com a capoeira, ela passa a reconhecer o seu próprio limite, e descobre que o

medo e a insegurança também fazem parte de sua vida, e que para superar seus limites é

importante seguir regras, ai ela passa a ter noção de disciplina.

Assim é o universo encantador de uma criança: suas fases, seu desenvolvimento e toda sua

vontade de viver. Tem a capacidade de transformar o difícil em fácil, o impossível em possível e de

encontrar no convívio de um adulto o cuidado, o afeto e a segurança para caminhar juntos em

busca do novo.

Caminhos diferentes, distantes no tempo, histórias que se cruzam, memórias que se encontram,

memórias escolares, história de vida.

E assim surgiu o interesse da autora desta dissertação pelo esporte. Acredito que já tenha vindo

determinado no seu sangue pelo pai, pois este tem história para contar de sua vida. Foi

atleta(jogador,treinador) profissional em Florianópolis pelos times do antigo São Paulo e do

Figueirense, atleta muito conceituado e membro importante nas equipes que participou como ponta

de lança, posição conhecida como lateral. Após parar de jogar, tornou- se técnico do maior clube e

a maior torcida de futebol do Estado de Santa Catarina, o "Figueirense Futebol Clube". Hoje não

desenvolve nenhuma atividade física, mas se distrai colecionando latinhas de todos os tipos que

existir. Algumas fotos suas até hoje ficam nas lembranças pois, volta e meia, em alguns jornais de

nossa cidade, eles fazem um resgate dos velhos tempos do futebol na grande Florianópolis.

A beleza de ser, descobrir, sorrir diante um sorriso, chorar com gosto e sem vergonha, dar os

primeiros passos, ainda cambaleantes e inseguros,buscar o desconhecido e entender um mundo

de grandes dimensões e emoções. Inúmeras descobertas e muitas, muitas vivências.

Atividades físicas que emocionam, fazem rir ou chorar, que educam, que influenciam para o resto

da vida, que nos orientam e nos ensinam a termos direitos e deveres, que nos ensinam a sermos

mais críticos e lutar por nossos direitos, a termos responsabilidades e respeito ao próximo, a

sermos solidários, mais humanos, competidores que aprendem a perceber as diferenças sem

menosprezar ou se revoltar consigo mesmo ou com os adversários.

Sentimentos e atitudes estes, inexplicáveis, que só podem expressar, sentir ou demonstrar, quem

realmente já lutou, brigou, se enfureceu, sorriu, chorou, gritou, esperneou, beijou e abraçou por

algum motivo esportivo ou profissional.

É dividindo vivências , crescendo juntos, transformando e somando experiências, que adquirimos

valores através do que aprendemos pelos exemplos com os pais, professores, avós, tios, amigos.

A escola, se não é, poderá ser o instrumento para estas novas oportunidades como aqui (a

capoeira) nós professores queremos propiciar como melhoria para aprendizagem, ou finalidade de

ensino de nossas crianças.

Para a criança, a capoeira é vista de forma muito positiva e construtiva, pois dá oportunidade para

ela expressar seus sentimentos sem exigência nenhuma e de uma maneira espontânea e singular.

A concretização deste trabalho monográfico é um convite à reflexão e um forte desejo de contribuir

com a formação de nossas crianças.Pois as questões relacionadas com a capoeira vem interagir

com suas riquezas e possibilidades de ação, na esperança de ter contribuído para resignificar o

olhar pedagógico de todos nós, educadores e companheiros de aprendizado.





`` Em nome do Deus de todos os nomes

javé, obatalá, olorum, oió.

Em nome de Deus, que a todos os homens

nos faz da ternura e do pó.

Em nome do povo que espera

na graça da fé, a voz de xangô

o quilombo páscoa que libertara.

Em nome do povo sempre deportado

pelas brancas velas no exílio dos mares

marginalizados no cais, nas favelas e ate nos altares.

Em nome do povo que fez seu palmares, que ainda fará palmares de novo.`` palmares,palmares,

palmares do povo.

(Missa dos Quilombos)









2.REFERENCIAL TEÓRICO



2.1 HISTÓRIA DA CAPOEIRA



Com a conquista do Brasil surgiu a carência de mão-de-obra barata para trabalho de colonização.

De início tentou-se a utilização da mão-de-obra indígena por ser abundante por aqui, porém os

índios não se adaptaram ao trabalho escravo e o convívio com os brancos lhe traziam doenças

quase sempre fatais. Por esse fato, principalmente, é que se optou pela mão-de-obra escrava de

africanos. Não devemos esquecer que o comércio de escravos africanos era um negócio de alto

rendimento para Inglaterra e Portugal, o que não oferecia a mesma vantagem do uso da mão-de-

obra indígena.

(Petta,1996) afirma que por volta de 1550 é que os primeiros escravos africanos começaram a

desembarcar no Brasil oriundos de diferentes tribos trazendo seus costumes, suas culturas.

Uma outra questão importante, a partir do último quartel do séc. XIX, o velho Estado

patrimonialista, representado pela monarquia começou a dar lugar a um Estado moderno,

governamentalizado, sob influência dos homens de ciência e que tinha a população como objeto

de governo, e os dispositivos de segurança (prisões, hospícios, exército) como instrumento de

governo, Sua utopia: a construção de uma sociedade disciplinada .

Racismo científico e estado disciplinar moldaram a solução para o problema nacional: o

abolicionismo imigrantista.



Era preciso acabar com a escravidão e para ampliar no Brasil, os estoques raciais brancos, trazer

trabalhadores disponíveis na europa, pra através deles branquear a país, condição essencial para

o progresso da nação.

Neste processo, africanos e afro-descendentes, agora agrupados na categoria racial negro, seus

modos de vida, seus territórios, sua forma de manifestação cultural, tornaram-se alvos principais

dos dispositivos de segurança. O negro se tornou uma questão de polícia.

Foi este quadro que determinou a criminalização e exclusão da prática de capoeira, e a construção

da imagem do capoeirista como um marginal, em contraste com o trabalhador branco ,

disciplinado, higienizado, vemos em Barbieri (p.118) um trecho do código penal, Decreto Lei nº 847

de 11 de outubro de 1890:



"Capítulo XIII: Dos Vadios e Capoeiras."

"Art. 402. Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal, conhecidos

pela denominação capoeiragem; andar em correrias, com armas ou instrumentos capazes de

produzir uma lesão corporal, provocando tumultos ou desordens, ameaçando pessoa certa ou

incerta, ou incutindo temor ou algum mal."

"Pena: de prisão celular de dous meses a seis meses."





Esta estrutura institucional desfavorável à prática da capoeira, somente começou a ser superada

no bojo de um processo central para a história da sociedade brasileira: - o jogo de poder, que

gerando um novo pacto de dominação, entronou Getúlio Vargas no Palácio do Catête.

Por volta de 1960 é que a Capoeira começou seu processo de expansão. A Bahia, através das

constantes secas, pauperização da população, do turismo mal dirigido, foi aos poucos

descaracterizando as manifestações do seu povo, fazendo-os debandar a terras distantes em

busca do pão de cada dia. E essa busca inicia por São Paulo, onde os Mestres do nordeste

encontram terreno fértil para desenvolver um trabalho de capoeira e adquirir estabilidade

econômica e social. (AREIAS, 1984).



Na década seguinte, 1970, esse processo de expansão se intensifica, explode, atingindo todas as

capitais, cidades grandes e centenas de vilas e povoados por todo o território nacional. Um dos

exemplos mais marcantes desta verdadeira explosão demográfica capoeirística aconteceu no sul

do país simultaneamente nos três estados (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), e apesar

das dificuldades, a capoeira floresceu.

Nessa década e na década seguinte, a capoeira começou a ser difundida na Europa

(principalmente França e Alemanha) e nos Estados Unidos (Califórnia e Nova York). Hoje em dia

existem mais de 1.200 academias só em São Paulo. Núcleos de ensino e divulgação na Grécia,

Itália, França, Alemanha, Portugal, Holanda, Inglaterra e muitos outros países. (CAPOEIRA, 1992).

O Comitê Olímpico Brasileiro reconheceu a Capoeira como esporte Olímpico no ano de 1995, e já

existe campanha por um lugar nos Jogos Olímpicos de 2004. (PETTA, 1996, p.48 ). Resta saber

agora, de que forma será julgada a luta, já que na década de 70 houve uma tentativa frustrada de

regulamentação para campeonatos de capoeira, que acabaram descaracterizando a prática e

gerando inúmeros conflitos.

Para além dos livros de história, os grupos sociais tendem organizar a memória, tendo por

referência suas próprias experiências culturais. Portanto constitui um dado modo de lidar com o

passado, cuja a finalidade é dar importância `as vivências individuais e coletivas.



Tal perspectiva de abordagem, poderia nos ajudar a compreender a importância, para a memória

dos capoeiristas, da associação entre a prática e a resistência à escravidão, em especial, os

quilombos.

Zumbi dos Palmares é considerado pelos capoeiristas como o primeiro Grande Mestre da luta e

responsável por aguçar os ideais de liberdade do povo negro.

Segundo ARNT e NETO (1995, p. 38) Zumbi nasceu dentro do Quilombo dos Palmares, foi

capturado em uma expedição e ficou sob os cuidados de um padre que o catequizou e o batizou

com o nome de Francisco. E mais, aprendeu a ler, foi coroinha, porém não aceitou a escravidão e

conseguiu retornar a Palmares, onde passou a se dedicar a arte de guerrear.

Para esses autores, o maior Quilombo, Palmares, resistiu bravamente durante quase um século às

expedições de ataque. A partir de 1670 os portugueses intensificaram as expedições para

destruição de Palmares culminando em 1693, com o objetivo cumprido. Palmares foi destruído.

Milhares de escravos recapturados. Zumbi, porém, continuou a guerrear mesmo depois da

destruição de Palmares e só foi preso porque um de seus companheiros o denunciou aos

portugueses que, descobrindo seu refúgio, o emboscaram e o mataram expondo sua cabeça em

praça pública em 20 de novembro de 1695.

Palmares, na memória coletiva dos praticantes de capoeira constitui um verdadeiro mito de origem,

através e em relação do qual, definem o lugar e a importância de cada um.

Este é o caso, por exemplo, da capoeira de angola praticada por Vicente Ferreira Pastinha, Mestre

Pastinha (1889 - 1981). Os angoleiros,remontam seu estilo ao próprio quilombo, portanto se vêem

como continuadores de uma capoeira quilombola. No mesmo período de Mestre Pastinha, primeira

metade do século XX, entra em cena a figura de Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba (1900

- 1974), considerado pelos seus discípulos como o responsável pela desproibição da prática da

capoeira e fim da marginalização da mesma. Sua proposta era ensinar a capoeira às classes mais

privilegiadas de Salvador. Para tanto, Mestre Bimba uniu a capoeira de Angola com o batuque, luta

originária da África da qual seu pai era exímio praticante, e criou a luta Regional Baiana, segundo

Raimundo César Alves de Almeida, Mestre Itapoan . Porém, outros autores afirmam que Mestre

Bimba valeu-se também de outras lutas para criar a sua Capoeira Regional. (CAPOEIRA, 1992, p.

63).





2.2 HISTÓRIA DA CAPOEIRA NO BRASIL



A cultura afro é uma das mais antigas formas de comunicação corporal e oral. Com mais de quatro

séculos de vivência no Brasil, vem resistindo a todas espécies de repressões e discriminações.

Sua historia confunde-se com a própria historia de todos os povos.

Sendo assim, a Capoeira e tantas outras expressões afro- brasileiras surgirão como manifestação

de liberdade de um povo que, num período histórico, fora escravizado.

Da pratica cultural das danças tribais, surgiu a luta. Da necessidade de ocultar a luta, surgiu a

brincadeira. Da simulação de dança, de luta e de brincadeira, os negros legaram a este país uma

das mais completas expressões artísticas e esportivas: A Capoeira .

Uma das discussões que mais envolvem os estudiosos da arte-luta brasileira gira em torno da

questão: a capoeira surgiu na África ou no Brasil? Atualmente considera-se uma questão já

resolvida, pois a grande maioria dos autores que escreveram sobre a história da capoeira

concordam com a tese de que ela teria sido criada no Brasil pelos negros africanos trazidos pelos

portugueses a partir do início da colonização para o trabalho escravo na lavoura, na pecuária,

mineração e em atividades urbanas.

Os que defendem que a capoeira surgiu no Brasil, apóiam-se no argumento de não existir

atualmente outras formas de lutas semelhantes à capoeira criadas e desenvolvidas pelos escravos

nas ex-colônias do continente americano. Essas ex-colônias também receberam grandes

quantidades de negros africanos vindos das mesmas regiões, em alguns casos, daqueles trazidos

para o Brasil. A idéia de que a capoeira seria uma luta africana, trazida pelos cativos ou seja

prisioneiros, apoiava-se no fato de que ainda hoje, no continente africano, existem danças rituais

com características de luta (denominada entre outras, cujuinha, uianga, cuissamba e dança da

zebra). A capoeira praticada nas terras brasileiras seria simplesmente uma variação dessas

danças, que teria se tornado extremamente útil em situações de luta corporal contra o branco

colonizador.

Assim, de acordo com a organização que as comunidades negras conseguiam constituir no Brasil

nos primórdios da colonização (seja nos quilombos, ou nas próprias senzalas, preparando os

movimentos de rebeldia e as fugas), seriam recuperados os elementos dessas danças-lutas

ancestrais.

O surgimento da capoeira se confunde com a história da resistência dos negros no Brasil. Eis

porque a maioria dos autores que escreveram sobre a questão associam o aparecimento da

capoeira ao surgimento dos primeiros quilombos. Alguns chegam a se referir especificamente do

Quilombo de Palmares (que foi o que reuniu um número maior de pessoas, cerca de 25 mil, e foi

destruído em 1693) como berço da capoeira.

Do ponto de vista cientifico, apenas se pode sustentar essa idéia como hipótese a ser comprovada

em estudos futuros. Porém, é verdade inquestionável, que os quilombos representavam uma

atmosfera de liberdade, de recuperação dos rituais e danças africanas e de convívio social que,

somadas à situação de opressão, podem ter dado origem à capoeira.

Os estudos históricos desenvolvidos sobre o Quilombo de Palmares, embora não se refiram

especificamente à capoeira descrevem detalhadamente as violentas guerras travadas ao longo de

quase cem anos na Serra da Barriga (que se localizava em território da capitania hereditária de

Pernambuco, atual Estado de Alagoas) entre os fugitivos e as tropas enviadas para a destruição do

quilombo. Dificilmente terá existido, em toda história do Brasil, um ambiente mais propício para o

surgimento de uma modalidade de luta como a capoeira.

Ao longo do século XIX a capoeira torna-se uma nítida expressão da situação vivida pelo negro no

Brasil. As mudanças ocorridas na economia e na política do império vinham gerando um intenso

processo de desescravização. A lógica do sistema econômico mundial e brasileiro impunha a

substituição do negro pelo trabalhador imigrante, e isso gerava uma inevitável situação de

marginalidade.

Segundo o grande historiador Manuel Querino, a capoeira floresceu dessa forma, e são inúmeros

os relatos de jornais do século passado que narram as aventuras dos capoeiras (esse nome, até

meados deste século, era utilizado para designar o lutador;)a luta era denominada capoeiragem.

Naquela época, a capoeira reunia não só ex-escravos e seus filhos, mas também figuras

importantes da sociedade. Aos poucos, a capoeira foi se envolvendo na vida política e chegou a

ser amplamente utilizada como arma entre facções que se enfrentavam nos tempos do Império e

nos primórdios da República, sobretudo nas cidades de Salvador, Rio de Janeiro, Recife e São

Paulo. Os capoeiras eram contratados para interferir em comícios, tumultuar eleições e fazer a

segurança de figurões da política. Analisando as ocorrências policiais da época calcula-se cerca de

vinte mil o número de capoeiras cariocas existentes às vésperas da Proclamação da República

(1889), o que nos dá uma idéia da importância desse segmento da sociedade da época.



2.3 A CAPOEIRA NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE SÃO JOSÉ



No município de São José, a capoeira teve o seu inicio de uma forma bem natural e sua expansão

foi a partir da iniciativa de um trabalho realizado pela professora Rosa Cristina Costa no ano de

1992 no centro educacional Bom Jesus de Iguape, localizado no bairro Praia Comprida em São

José, no qual ministrava aulas de Educação Física. Entre suas atividades diária incluiu a iniciação

a prática da capoeira e, a partir daí, houve interesse da direção do C.E.I. na participação das

crianças nos eventos proporcionados pela Prefeitura. Com a divulgação da capoeira nos eventos,

o interesse para a inclusão da mesma nas escolas ocorreu gradativamente.

Portanto, a capoeira está em plena atividade desde 11 de março de 1996. Foi somente após

muitos anos de insistência e dedicação, provando a qualidade e a competência do trabalho, da

Associação Cultural Aú Entidade Afro-Brasileira em parceria com a Prefeitura Municipal de São

José, implantou o "PROJETO GINGA CRIANÇA A CAPOEIRA NA ESCOLA" inicialmente com as

escolas municipais Maria Luiza de Melo, José Nitro, Vila formosa e Altino Flores, sendo que seus

alunos tiveram e tem a oportunidade de praticar capoeira gratuitamente pelo Projeto alcançando o

expressivo numero de duzentas crianças participando do projeto.

Hoje, com a ampliação do projeto a prática da capoeira já alcança um total de treze unidades

escolares, 1200 alunos atendidos e 500 famílias sendo beneficiadas. Contamos com quatro

profissionais trabalhando com a capoeira, e dispomos de um grupo constituído por

psicólogo,pedagoga,nutricionista,professor de educação física e mestre de capoeira, para

orientação e capacitação dos profissionais

A partir dessas considerações, é possível afirmar que o elemento lúdico, além de se fazer

historicamente presente no jogo da capoeira, constitui-se numa categoria que pode servir como

estratégia pedagógica no processo de ensino-aprendizagem da mesma.







2.4 O QUE É CAPOEIRA



· Espécie de gaiola grande onde se alojam ou criam capões e outras aves.

.

· Mato de pequena parte que nasceu nas derrubadas da mata virgem.



· Segundo o dicionário Aurélio (2002) pode ser Jogo atlético de ataque e defesa.



Rego (apud Bueno, 1997) afirma que existem várias proposições, tais como a que diz que "a luta"

nasceu nos mercados quando os escravos chegavam com um cesto de aves chamada de capoeira

e nas horas de folga do transporte brincavam de lutar, e, outras teorias para o vocábulo como a

que relaciona a luta travada por pássaros (Odontophorus capueira - Spix) com os movimentos da

capoeira.

Padre José de Anchieta, em seu livro intitulado "A arte da gramática da língua mais usada na

Costa do Brasil, cita que o vocábulo capoeira é de origem tupi-guarani que significa"mato-ralo",

descreve também, que os próprios índios divertiam-se jogando capoeira.(ANCHIETA Apud

PINATTI, 1984,).



2.4.1 O JOGO

Herança africana legada a cultura brasileira, o jogo da capoeira significa valioso contributo a

formação da nossa identidade cultural. A capoeira constituí-se numa atividade em que o jogo, a

luta e a dança se interpenetram. Ela é, ao mesmo tempo, luta, dança e jogo embora seu praticante

seja definido como um jogador e não como lutador ou dançarino. Entre os capoeiristas, fala-se em

jogar capoeira e, raramente, ouve-se falar em lutar ou dançar capoeira. Essa é a constatação que

diferencia a capoeira das outras modalidades de luta. A medida que o componente jogo

redimensiona o conceito dessa cultura de movimento. Segundo a ótica de Huizinga(1990), o jogo é

uma atividade em que predomina a alegria, não precisa ser justificado e nem precisa de um

objetivo para ocorrer. O jogo "promove a relação de grupos sociais com tendência a rodearem-se

de segredo e a sublinharem sua diferença em relação ao resto do mundo por meio de disfarces ou

outros meios semelhantes"(Huizinga,apud Bueno1990, p. 16). Assim, na roda, o capoeira é livre

para jogar como e quando quiser, sem a pretensão de obter qualquer competitividade. A partir

desse enfoque, a capoeira reflete o sentido de uma atividade descomprometida, `a vontade, sem

objetivos práticos e imediatos. Vista sob a ótica do jogo, ela consegue atender a necessidade de

fantasia, utopia,justiça e estética e, ainda, desperta o gosto pelo inesperado, pelo imprevisível.

O jogo, na capoeira, representa uma constante negociação(sobretudo corporal) em que cada

capoeirista procura ampliar cada vez mais o seu volume ou seja desenvolver os seus movimentos.

Por mais que se pretenda minuciosa, a descrição dos expedientes gerados num jogo de capoeira

jamais refletirá a riqueza dos fatos em si.

Através do jogo de capoeira, os corpos negociam, e a ginga significa a possibilidade de barganha,

atuando no sentido de impedir o conflito " (Reis, apud Bueno 1977, p. 225.)

O jogo da capoeira, por ser uma simulação de luta, por não envolver ostensivamente o perigo

implícito desta ultima, permite o desenvolvimento da auto-confiança e dos reflexos de adaptação a

condições de perigo. Simultaneamente, torna-se um instrumento precioso no desenvolvimento

duma personalidade sadia. A disciplina exigida pela pratica da capoeira acresce novos valores `a

personalidade do aprendiz, tais como o respeito `a `ética, o cumprimento das normas e

regulamento, a obdiencia os preceitos e tradição, a noção de parceria e o companheirismo

indispensáveis ao aprendizado, os quais contribuem para a formação do caráter forte e equilibrado.



2.4.1.2 A LUTA



A capoeira enquanto luta, remonta `as suas origens. Convém observar que o jogo e a dança

contribuem para a dissimulação do componente luta na prática da capoeira, a medida que não se

efetiva um confronto direto, mas uma constante simulação de ataques e defesas, mediada pela

ginga, numa ambigüidade onde o jogo, a dança, a luta se interpenetram.

Aliás, a luta na capoeira deve e tem que ser vista a partir de uma dimensão ampliada. A principal

luta do capoeira, nos dias de hoje, não deve ser contra determinado feitor individualmente, como

acontecia antigamente, tampouco, contra outros praticantes de capoeira. A luta do capoeira, nos

dias de hoje, deve ser contra todo e qualquer tipo de opressão, discriminação e pela construção de

uma sociedade mais justa, livre e democrática.

Nessa luta dissimulada e disfarçada, o capoeira mais competente é aquele que mostra que poderia

acertar um golpe, mas não o faz e, com isso, possibilita a continuidade da própria Luta-Jogo-

Dança.



2.4.1.3 A DANÇA



A dança, na capoeira, se expressa no gingado centrado nos quadris. No embalo do toque do

berimbau, os capoeiristas descrevem círculos no espaço da roda, fazendo com que "o corpo lute

dançando e dance lutando" , remetendo a capoeira " a uma zona imaginária e ambígua, situada

entre o lúdico e o combativo", conforme nos aponta a antropóloga Letícia Reis(1997 , p. 215).









2.4.1.4 A CULTURA DO MOVIMENTO BRASILEIRO



A capoeira constitui-se numa cultura de movimento cuja origem é bastante diferente das demais

modalidades hoje consolidadas no contexto da Educação Física, como voleibol, o basquete, o

handebol e a ginástica olímpica. Seu referencial é afro-brasileiro, enquanto que expressiva parte

das demais culturas de movimento praticadas nas escolas são contribuições legadas da cultura

européia ou norte-americana. Esta distinção constitui-se numa mudança de privilégios,

contribuindo para a ampliação de possibilidades e democratização do acervo das culturas de

movimento no interior das escolas.

2.4.2 OS MOVIMENTOS E LINGUAGEM DA CAPOEIRA



A movimentação na capoeira muda de acordo com o estilo. Porém, alguns movimentos são de uso

da capoeira de Angola (praticada por Vicente Ferreira Pastinha), Mestre Pastinha,na qual e um

jogo manhoso, associado a calma, a prudência, a tolerância, e a esperteza, tem por fundamento a

esquiva, a negaça, a malicia, a simulação e a dissimulação de intenção e objetivo características

no jogo da capoeira angola. No mesmo período de Mestre Pastinha, entra em cena a figura de

Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba , considerado pelos seus discípulos como o

responsável pela desproibição da prática da capoeira e fim da marginalização da mesma. Sua

proposta era ensinar a capoeira às classes mais privilegiadas de Salvador. Para tanto, Mestre

Bimba uniu a capoeira de Angola com o batuque, luta originária da África. Assumindo a forma de

luta que recebeu a denominação de Luta Regional Baiana procurando escapar ao enquadramento

legal e servindo de fundamento para um sistema de defesa pessoal. ambos estilos seja angola ou

regional baseiam-se em ginga, esquivas, defesas, ataques e floreios.

A ginga, segundo AREIAS (1984), é a coluna vertebral dos movimentos da capoeiragem. É o

movimento-mestre e que proporciona ao capoeirista estar em constante movimentação para não

se tornar alvo fácil, e poder defender ou atacar ao mesmo tempo. Serve também como forma de

esquivar dos ataques adversários.

As defesas são baseadas em negaças, que nada mais são que trejeitos de corpo, de mãos, pés e

cabeça, que quando conjugados formam o jogo de corpo necessário para neutralizar o ataque

adversário. Até mesmo um contra-golpe é considerado uma defesa oportuna, segundo Moura.

Para os ataques, o capoeirista vale-se principalmente das extremidades de seu corpo, ou seja, usa

tão bem a cabeça e as mãos quanto as pernas, seu principal instrumento de trabalho. COSTA

(1962) assinala alguns dos principais ataques. São eles:

- Armada: consiste em um giro na vertical seguido de chute por um dos pés.

- Martelo: chute lateral executado com a parte superior do pé (peito do pé).

- Ponteira: chute frontal executado com a extremidade anterior do pé.



- Meia-lua-de compasso ou rabo-de-arraia: consiste em um giro de 360º com três bases de apoio

para permitir o ataque com o calcanhar.

- Cabeçada: geralmente desferida contra o queixo ou o plexo solar.

O mesmo autor considera ainda, os golpes desequilibrantes como sendo de ataque. São eles.

- Rasteira: movimento violento e rápido, com ambas mãos no chão, de perna estendida que

descreve uma trajetória circular à sua frente para varrer o adversário.

- Tesoura: trata-se de um giro de tronco estando com o corpo do adversário entre suas pernas.

- Arrastão: estando à frente do adversário de pé, o capoeira abaixa-se e puxa suas pernas para si

provocando a queda.

Os floreios são a parte acrobática da capoeira e nela se incluem os movimentos de aú, macacos,

mortais, rodopios, paradas de mão, etc. (AREIAS, 1984).

A partir das atividades práticas realizadas conseqüentemente são desenvolvidas qualidades

físicas, onde segundo SANTOS (1994), a capoeira desenvolve ainda habilidades tais como (melhor

postura)resistências aeróbica e anaeróbica, uma válvula de escape para amenizar as neuroses

humana. Promove o crescimento físico e mental, de forma sadia.A capoeira ensina a disciplina , o

respeito ao diferente, quebra preconceitos, enfim, forma cidadãos de bem, frisando a importância

de um bom educador para que isso ocorra verdadeiramente.

A capoeira é uma modalidade desportiva que coloca a criança em situações lúdicas, onde seus

movimentos representam muitas vezes situações de experiências já vividas pela criança, como

também, situações novas, graças ao poder criativo estimulado pelo próprio conjunto de seus

movimentos corporais e musicais, os quais deixam a criança em total liberdade de pensamento, de

adquirir novas aprendizagens e livremente, pela sua criatividade, modificar situações que os

próprios movimentos oportunizam. Nesse sentido, estas concepções vão ao encontro com as

idéias de Mesquita(1995), quando afirma que a criança brincando, pensando para realizar,

modificando situações, aprendendo através do movimento, amplia suas experiências, ativando

energias criadoras.

Em seu projeto intitulado "A Ginástica Brasileira" (1981), Inezil Penna Marinho apresenta como

características básicas da capoeira a flexibilidade, o equilíbrio e a destreza.

Segundo o autor, a flexibilidade objetiva o trabalho das articulações possibilitando uma maior

amplitude dos movimentos.

Já o equilíbrio tem por finalidade o domínio do corpo no espaço nas diversas posições e a destreza

caracteriza-se pela velocidade e coordenação de movimentos durante seu deslocamento no

espaço.

No mesmo projeto, o autor apresenta a forma de como trabalhar a capoeira para qualquer faixa

etária ou seja, a partir dos seis anos de idade e mostra os objetivos para cada uma delas:

agilidade: os movimentos mudam de direção e sentido a todo momento;

o ritmo: pois os movimentos do corpo acompanham a música;

atenção: é preciso estar ligado o tempo todo no adversário;

persistência: os golpes só ficam bons depois de várias tentativas

coragem: aos poucos desaparecem os medos de executar certos movimentos;

astúcia: para criar situações de embaraço para o adversário na luta;

fatores psicológicos: descontração, entrosamento social.

Quanto `as fontes energéticas, Silva nos afirma que, a princípio, a capoeira é um exercício

anaeróbico, mas no desenrolar do treino, com a ginga no ritmo, ele se torna aeróbico.



2.4.2.1 LINGUAGEM



A constituição cultural é tudo aquilo que a pessoa adquire, acumula de conhecimento em sua vida,

logo a criança, que praticou capoeira, na fase adulta será uma pessoa desprovida de preconceitos

e valores típicos impostos pela sociedade de quem não a praticou.

A linguagem é altamente assimilada pelas crianças que passam a ter na prática uma referência de

conduta devido a identificação singular com seu educador de capoeira.

Terminologias usadas no meio capoeirístico:

- Capoeira: Defesa pessoal de Afro-Descendentes, cativos, livres e libertos do Brasil colônia; Arte

de defesa e ataque baseado na ginga (meneio) do corpo utilizando os pés, as mãos e a cabeça

para definição do entrave.

- Mestre Bimba (Manoel dos Reis Machado): Famoso capoeirista baiano. Fundou a 1ª academia de

capoeira do Brasil, segundo Lamartine P. da Costa.

- Quilombo: Lugar de refúgio e resistência de escravos.

- Capoeirista: Aquele que pratica capoeira.

- Africanos e afro-descendentes: Duas noções que enfatizam a categoria de população com uma

origem em comum, que elimina a categoria raça como válida para a classificação dos grupos

humanos.

- Brancos: Indivíduos e grupos que se reconhecem como euro-descendedentes, europeus

nascidos no Brasil, colonizadores.

- Negros: No séc. XVIII, o termo caracterizava uma condição ativo, indivíduo sob sujeição de

outrem. Era geralmente usado como instrumento de desclassificação e restrição de direitos civis de

africanos e afro-descendentes. A partir da segunda metade do séc. XIX com a criação dos

institutos politécnicos, faculdades de direito, e a adoção do racismo científico o termo será

racializado, e passará a designar os grupos humanos, biologicamente definidos, oriundos do

continente africano. Inapto para a civilização.

- Racismo: Prática de poder através do qual se garantem privilégios étnicos-raciais, aos euro-

descendentes e se exclui as outras populações, em especial, africanos e afro-descendentes.



2.4.3 O SOM, A MÚSICA, OS INSTRUMENTOS E A RODA.



O som, na capoeira, é algo de uma riqueza incontestável. Não se sabe, porém, quando e como os

instrumentos passaram a fazer parte da luta. No desenvolvimento da capoeira o som, a música e

os instrumentos estão todos interligados, formando um só padrão musical desenvolvido no

processo Ensino-Aprendizagem.

A música é dos componentes mais importantes para se entender o jogo da capoeira. No som dos

instrumentos, a cadência inebriante, e que chama a atenção das pessoas pelo mundo todo e nas

letras, que servem como forma de transmissão de conhecimentos, como comunicação de

movimentos sociais ou como oração.

Debret descreve (1939, pg. 224) "quase sempre este canto que os eletriza se acompanha de uma

pantomima improvisada ou sucessivamente pelos espectadores que desejam figurar no centro do

círculo formado em torno do músico. Durante esse drama muito inteligível, transparece nos rostos

dos atores o delírio de que estão possuídos"

As cantigas da capoeira constituem- se em elementos dinâmicos, extremamente ricos e dão a essa

modalidade uma peculiaridade notável.

A capoeira é conhecida como a única luta no mundo em que seus lutadores se confrontam ao som

de cantigas executadas pelos demais componentes. Além disso, é possível afirmar que as cantigas

de capoeira são o mais significativo espaço de representação dos conflitos gerados no contexto

dessa arte-luta.

O sociólogo Luiz Renato Vieira(1995) identifica três funções básicas nas cantigas de capoeira: (a)

uma função ritual, que fornece `a roda o ritmo e animação;(b)uma função mantenedora das

tradições, que reaviva a memória da comunidade capoeirística acerca dos acontecimentos

importantes em sua história,e(c) um função ética, que promove um constante repensar dessa

mesma história e dos princípios éticos nas rodas de capoeira.

O público pode acompanhar o ritmo batendo palmas.

Exemplos de músicas de capoeira:

"Dona Isabel que história é essa, de ter feito abolição.

De ser princesa boazinha, que libertou a escravidão.

Eu tô cansado de conversa, eu tô cansado de ilusão.

Abolição se fez com sangue, que inundava esse país.

Que o negro transformou em luta, cansado de ser infeliz.

Abolição se fez bem antes e ainda há por se fazer agora.

Com a verdade da favela, não com a mentira da escola...

Iê viva meu Deus...

Iê viva meu Deus, camará."



"Paraná ê, paraná ê, paraná.

Vou me embora enquanto é cedo, paraná, pois de noite eu tenho medo, paraná...

Paraná ê, paraná ê ..."

A realidade musical da capoeira é uma arte e também um fenômeno que tem por base as

vibrações sonoras dos seus instrumentos musicais, sendo os mais usados, o berimbau, o

atabaque e o pandeiro. Estes formam a melodia e a harmonia, e sua finalidade é a expressão

estética dos sentimentos capoeirísticos.

Um dos aspectos de especial interesse nas cantigas de capoeira é o diálogo, não entre duas

pessoas presentes na roda, mas entre uma presente e outra ausente, em que as indagações são

feitas e respondidas para uma pessoa. Alguns exemplos,

Ie viva meu deus, ie viva meu deusa câmara.. Ie quem me ensinou, ie quem me ensinou câmara...

Entre os instrumentos que são utilizados pela capoeira, o Berimbau merece uma parte específica

em qualquer trabalho de capoeira. Ele é formado por uma verga de madeira, que geralmente é a

biriba, e tem mais ou menos 1,70 m. Essa madeira é retesada por um fio de aço extraído das

bordas do pneu de carro. Coloca-se uma cabaça cortada em uma das extremidades para servir de

caixa de ressonância. Para percurtir o som usa-se uma vareta de biriba e um dobrão, que se pode

ser uma pedra ou uma moeda antiga, e para completar, usa-se um chocalho chamado caxixí.

(LEITE, 1995). Além de ditar o ritmo e o estilo de jogo, os toques do berimbau também determinam

o ritmo das músicas de capoeira.

O pandeiro é de origem portuguesa e foi aculturado pelos africanos. Trata-se de um aro de

madeira com uma pele esticada em um dos lados e com várias rodinhas de metal colocadas no

aro. Já o atabaque é de origem africana, trata-se do mesmo instrumento de percussão usado nas

religiões africanas no Brasil conhecidas como candomblés. O atabaque e o pandeiro fazem a

marcação do ritmo. Outros instrumentos complementares, como o ganzá e o agogô, podem ser

utilizados. (MENEZES, 1977).

O mesmo autor afirma que as músicas da Capoeira geralmente contam histórias do tempo da

escravidão, podendo também ser cantigas de enaltecimento de um capoeirista ou até mesmo

cantos de desafios para adversários. Alguns exemplos...Zum,zum,zum capoeira mata um, mata um

e mata dois, mata três de uma vez eu falei, zum, zum capoeira mata um...

2.5 A CAPOEIRA NO PROCESSO PEDAGÓGICO



Muito tempo se passou até que a capoeira superasse esse estigma de mazela social. Pode-se

afirmar que a história da capoeira nos últimos cem anos tem sido a trajetória de sua inserção e

institucionalização na sociedade brasileira. Aos poucos foi sendo reconhecida como expressão do

folclore nacional, como técnica eficiente de luta e mais recentemente, como instrumento educativo

importantíssimo para a consciência de nossa cultura. ( Falcão, José Luis, Brasília, 1996).

O desenvolvimento técnico da capoeira nas últimas décadas foi imenso, e não para de ocorrer. O

contato com outras modalidades de lutas e com os métodos científicos de treinamento desportivo

tem exigido dos capoeiristas um imenso esforço de atualização e sistematização de seus

conhecimentos.

A capoeira pode se integrar aos currículos escolares, sem a conotação de um simples

passatempo,ao contrário, pode integrar-se como uma atividade que tem lugar de destaque, porque

é um dos jogos que pode desenvolver a criança em seu todo, em virtude de sua riqueza de

expressão e musicalização e principalmente do seu aspecto de ludicidade. Assim, concorda-se

com Oliveira(1983), quando diz que o jogo é um recurso metodológico capaz de propiciar uma

aprendizagem espontânea e natural, concorrendo para a descoberta e minimizando a atmosfera

predominantemente artificial e tecnicista que impera nos meios educacionais, estimulando a crítica,

a criatividade, a socialização e muitos outros aspectos. A capoeira, como parte integrante da

existência de muitas pessoas, é um fenômeno lúdico fundamental. Enquanto cultura de movimento

na escola, deve ser vista como um movimento crítico-social.

A viabilização da capoeira na escola, dentro da proposta aqui sugerida, requer, portanto, um

compromisso com sua historicidade. Não basta que o ensino-aprendizagem da capoeira se realize

apenas pelo viés da técnica, do espetáculo, do rendimento. É preciso ir muito mais longe. A

capoeira deve ser vivenciada e analisada a partir de suas próprias mudanças, de sua leitura

histórica, de seus condicionantes, de modo a permitir o desvelamento de suas contradições,

conforme já sugerimos em estudo anterior( Falcão, 1996), sem perder de vista a questão da

dinâmica do poder, que, incontestavelmente, plasma as suas configurações. A capoeira emplaca

as contradições sociais, onde a dominação e a resistência coexistem de forma conflitante, fazendo

dela uma figura emblemática, reveladora dos conflitos sociais.



3. METODOLOGIA ANÁLISES DE DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.



Sabemos que a capoeira é capaz de causar grandes transformações benéficas ás crianças, e o

quanto elas as encantas. Aprendemos muitos, erramos também, mas sempre querendo acertar.

A partir dessas práticas de intervenção, constata-se que através das diversas linguagens da

capoeira, e possível oportunizar uma relação significativa entre a criança e o espaço educativo,

proporcionando assim, momentos de prazer e divertimento, abrindo espaço para um melhor

aprendizado. No processo didático pedagógico tem grande importância, e suas possibilidades

desenvolvidas provocam transformações, partindo dos sujeitos envolvidos. Sendo que neste

sentido, a capoeira é fundamental e decisiva, pois, diferencia de sua própria vida e de suas

experiências cotidianas. Buscando uma sociedade democrática, com sujeitos participativos e

críticos, temos então que optar por uma proposta de educação transformadora.Neste caso, a

função assumida pela prática da capoeira é a de apresentar novas possibilidades para uma

interpretação da realidade, e dar ênfase a uma nova visão de mundo.A meta nesse processo, é a

de estimular a criatividade das crianças,proporcionando um melhor conhecimento do mundo e de

si própria. A presente metodologia utilizada para relatar o trabalho deu-se em forma de relatórios

descritos através das intervenções das práticas pedagógicas realizadas junto ao Colégio Municipal

Maria Luiza de Melo da Rede Municipal de ensino de São José,

as turmas envolvidas foram á pré-escola e ensino fundamental. As intervenções foram realizadas

em forma de aulas práticas e teóricas usando como recursos a música, as cantigas e os

instrumentos usados na prática da capoeira.

Trabalhar as potencialidades das crianças através dos recursos da capoeira como as cantigas os

sons, as músicas e os instrumentos, dão as crianças a oportunidade de aprender através dos sons

produzidos individual e coletivamente, usando várias estratégias: pode-se utilizar, por exemplo, a

estratégia de arranjos de palavras geradoras extraídas de situações do cotidiano ou de fatos

históricos.Nesse sentido, cabe ressaltar que mediante as intervenções sobre o tema, foi possível

perceber o quanto ele é significativo para as crianças e o prazer que se senti quando se esta

desenvolvendo a cultura do movimento(capoeira). A seguir serão apresentadas as formas de

intervenção prática, mais relevantes para as crianças a que se propôs este trabalho.

As intervenções foram realizadas no período vespertino e durante uma hora em cada encontro.

Iniciando a aula fiz minha apresentação, e oportunizei a fala com as crianças, e foi muito

significativo ouvi-las expressar suas idéias.Dando seqüência fiz a apresentação da professora de

sala e resgatamos nas crianças tudo que sabiam sobre a história da capoeira.Expomos a idéia do

que realmente significava a palavra capoeira,e depois desse momento de reflexão, partimos para

as aulas práticas.Em alguns momentos onde as crianças manuseavam o berimbau, tivemos aulas

muito proveitosas, pois ao se falar da capoeira e de seus instrumentos, a maioria das crianças

demonstravam interesse executam, vários movimentos como: aú, armada, parada de mão. A

maioria das crianças conseguiu exteriorizar seus sentimentos através da capoeira, e em muitos

momentos elas demonstram não ter oportunidade de brincar, de falar,de ser ouvidas, pelo fato de

morarem em condomínios, e não terem espaço para certas atividades e não terem ninguém para

conversar em casa. A descontração nas aulas foi fundamental para fazer com que até os mais

inibidos ficassem a vontade diante dos seus colegas e do professor.

Após este momento de conversação e descontração, mostrei os instrumentos da capoeira que iria

usar nas aulas durante as intervenções, onde primeiramente as crianças tentavam adivinhar o

nome da cada instrumento. Das hipóteses formuladas pelas crianças muitas foram

demasiadamente engraçadas entre elas: arco e flecha, tambor,batuque, até chegar no berimbau,

atabaque e pandeiro. Durante toda essa apresentação, observamos os olhares atentos das

crianças diante do que estava sendo exposto. Após, fomos para um momento mais descontraído,

onde as crianças tiveram a oportunidade de manusear todos os instrumentos livremente

descobrindo os sons de cada um deles e a forma de tocá-los, houve criança que preferiu tentar

tocar sozinho e outras solicitavam minha orientação. Durante o diálogo com as crianças,

constatamos o quanto elas prestavam atenção em cada instrumento e a empolgação delas em

querer participar e aprender tudo logo.

No decorrer das intervenções dei inicio usando as palmas. Algumas crianças tinham um certo

ritmo, porém outras, com pouca coordenação motora. Percebi que ao passar para a fase dos

instrumentos de percussão(o atabaque e o pandeiro) o desempenho das crianças se tornou mais

fácil, somente dois alunos demonstravam sentir um pouco de dificuldade. As característica

pessoais de introversão e extroversão das crianças não tem muito significado diante do

desempenho de suas habilidades, pois entre as crianças mais extrovertidas houve pouco

desempenho no desenvolvimento(coordenação e ritmo) dos toques, já entre as crianças

introvertidas, estas mostraram um maior desempenho e capacidade de percepção em relação aos

toques e ritmos. Porém, como o berimbau é um instrumento com um grau maior de dificuldade na

sua aprendizagem, a dificuldade das crianças foi maior ainda, pois requer força, equilíbrio e

coordenação. No entanto alguns nos surpreenderam ao tocar o berimbau com certa habilidade,

mesmo sem nunca ter tocado neste instrumento.

No encerramento desta aula, ensinei uma cantiga de capoeira, onde todas as crianças deveriam

responder em coro, distribui os instrumentos e deixei que cada um por vez tentasse acompanhar a

música manipulando os mesmos, um com o berimbau, dois com os pandeiros e um no atabaque.

Algumas crianças conseguiam tocar no ritmo, outras ainda não, e os risos foram muitos por parte

das crianças e minha também, é claro. Sendo que a hora mais engraçada foi quando a professora

de turma tentou tocar no ritmo e não conseguiu,então criançada caiu na gargalhada.

Nas atividades propostas onde foi usado o atabaque como instrumento pedagógico, estava

chovendo, e precisei fazer essa intervenção na sala de aula. A medida que as crianças entravam

na sala, iam sentando no chão. Apresentavam uma certa curiosidade do que poderia acontecer; os

olhares demonstravam curiosidade, misturado com sorrisos e alegria.

Durante esse momento, trabalhamos em duplas, trios e grupos,todos estavam bem atentos,

fazendo expressões de criatividade. Enquanto uma criança tocava o atabaque no centro da sala, a

outra fazia movimentos livremente no ritmo da batida do instrumento, enquanto a turma

acompanhava com as palmas.

No final das intervenções já havia um grande equilíbrio entre todas as crianças na evolução da

coordenação e no ritmo. No decorrer das aulas finais formei grupos divididos pelos instrumentos.

Cada grupo escolhia o de seu maior interesse e um ficaria com as atividades da roda de capoeira.

Após o revezamento dos grupos em cada setor,formei uma roda e percebi que havia uma grande

harmonia no canto e ritmo, e no jogo a criatividade foi fundamental para a concretização e

finalização das minhas intervenções.

Sabemos que podemos perceber uma pequena porcentagem do que a capoeira é capaz de fazer

com as crianças, e quanto encanto ela passa. Aprendemos muito, erramos também, mas sempre

querendo acertar.

A partir dessas práticas de intervenção, constata-se que através das diversas linguagens da

capoeira, é possível oportunizar uma relação significativa entre a criança e o espaço educativo,

proporcionando assim, momentos de prazer e divertimento, abrindo espaço para um melhor

aprendizado.

A capoeira no processo didático pedagógico tem grande importância, e suas possibilidades

desenvolvidas provocam transformações partindo dos sujeitos envolvidos. Sendo que neste

sentido, a capoeira é fundamental e decisiva, pois, diferencia de sua própria vida e de suas

experiências cotidianas. Buscando uma sociedade democrática, com sujeitos participativos e

críticos, temos então que optar por uma proposta de educação transformadora. Neste caso, a

função assumida pela prática da capoeira é a de apresentar novas possibilidades para uma

interpretação da realidade, é dar ênfase à uma nova visão de mundo. A meta nesse processo,

seria a de estimular a criatividade das crianças, proporcionando um melhor conhecimento do

mundo e de si própria.

Assim compreende-se que a capoeira deve ser comprometida com o homem e com a vida. Cabe a

nós como educadores, fazer esse processo de auto - conhecimento o mais agradável possível,

pois sabe-se que tanto a capoeira como a criança precisam de emoção, beleza, fantasia, jogo e

ludismo.

A capoeira enquanto lúdica proporciona prazer a partir da sonoridade, do ritmo, do jogo e de

palavras. Portanto, precisa se identificar com o espírito infantil, que dê privilégios à aspectos

lúdicos, já que é tão importante na vida do homem e particularmente na vida das crianças.









4. Considerações Finais



Mediante este estudo, foi possível perceber que a capoeira deve ser trabalhada de uma forma

prazerosa com as crianças. Então, para que a criança comece a desenvolver certas habilidades é

necessário que haja um mediador com formação específica na capoeira , na pedagogia ou

educação física, e que tenha conhecimento específico sobre o desenvolvimento infantil e disposto

a auxiliar a criança nesse processo. Processo esse, que se dá em longo prazo e que necessita de

dedicação e paciência de ambas as partes. Em curto prazo, já confirmado com o Projeto Capoeira

na Escola desenvolvido nas Escolas da Rede Municipal de São José, o resultado é a ocupação de

parte do tempo vago e o aprendizado da prática, bem como da complementação escolar,

principalmente nas aulas de Historia e Educação Física, a diminuição de brigas na escola, a

melhoria das notas e a grande socialização com alunos de outros núcleos e do mesmo local

podem ser citados como benefícios de médio prazo.

Certamente,a longo prazo, teremos cidadãos com diversas profissões sendo também grandes

capoeiristas. Um norte profissional futuro poderá ser escolhido pelos que fizeram a opção de ser

mais um responsável pela perpetuação desta arte-luta.

Quanto aos que não continuarem neste caminho específico, mesmo assim contribuirão no papel da

erradicação dos preconceitos em relação `a cultura afro-brasileira pois terão excelentes

lembranças dos momentos que praticaram capoeira e, na grande maioria dos casos, estarão longe

das drogas e terão como escora para a vida, a disciplina de cidadão. Outro indicativo desta

pesquisa, refere-se `a fundamental e decisiva importância da capoeira no desenvolvimento de um

sujeito crítico, e mais uma vez a presença do professor mediador se faz necessária.

Este projeto tem o intuito de propagar e difundir a importância da capoeira nas escolas, e o real

trabalho prestado por esta entidade a Associação Aú que vem oportunizando e ampliando os

horizontes de nossas crianças, e que possui uma filosofia própria na busca de um cidadão com

direito `a igualdade e sem preconceitos.

Acredita-se que esta proposta sintetiza não só os processos de aprendizagem e as teorias a eles

subjacentes, como também resume boa parte de nossos pensamentos, experiências e

principalmente o cultural das crianças.

Baseados no que apresentamos até então e sabedores da importância das manifestações afro-

brasileiras na contribuição para com a educação e fortalecimento da auto-estima de nosso país, já

que o povo que valoriza sua cultura é um povo forte, compreendemos a necessidade urgente de

criarmos o Projeto Capoeira na Escola, uma atividade sócio-cultural permanente que atenda a

todos sem discriminação.

O presente documento é fruto de um grande desafio: desafio assumido por profissionais que se

propunham a repensar o seu fazer, buscando antes de qualquer coisa o saber fazer.

O desejo é de que todos os educadores explorem, analisem e se apropriem deste referencial, que

nasceu do confronto entre os conhecimentos apropriados nos cursos de capacitação, das

experiências trazidas, do novo que foi permitido viver, além das construções que nos foi possível

fazer, mesmo diante de diferentes momentos de angustia e insegurança.

Leiam, releiam, pois a cada leitura feita, informações são analisadas e absorvidas segundo nossos

referenciais, produzindo significados que irão transformar verdadeiramente a prática cotidiana. É

importante incluir nestas leituras, as produções diárias dos educandos. Pois estas serão geradoras

de sujeitos produtores capazes de provocar as mudanças que o atual momento histórico tanto

necessita.

Muitos de nossos interlocutores não estão aqui explicitamente citados, mas tenham a certeza que

a essência deste trabalho se construiu a partir deles, profissionais sérios e interessados, que a nós

se uniram nos inúmeros momentos de reflexões e debates.

Gostaríamos de expressar o grande prazer que sentimos de ter partilhado do coletivo que

construiu este trabalho, além do desejo imenso de vê-lo chegar a todas as entidades interessadas

existentes e escolas.

Ao findar este estudo, entendo não ter esgotado o assunto, tampouco respondido com

profundidade `as questões intrigantes sobre a temática, devido a sua extensão.

A caminhada chega ao fim, em um momento que não é o último passo, e sim uma pausa para

iniciar outra caminhada, aprendendo e reaprendendo, lendo e relendo histórias da vida, sob um

novo olhar, construindo uma perspectiva de educação mais próxima à infância. Este também é um

momento que possibilita repensar as práticas educativas desenvolvidas, bem como perspectivar

um fazer pedagógico baseado no prazer, na vivência plena das múltiplas formas de expressão.

A capoeira na sua trajetória atual tem conquistado bastante espaço na sociedade e na educação,

servindo como importante instrumento de socialização e transformação no desenvolvimento das

crianças, seja ela em forma de jogo, brincadeira, luta, folclore ou dança.

Mediante esta pesquisa foi possível perceber que a capoeira deve ser trabalhada de forma

prazerosa com as crianças. Para tanto, é necessário que as instituições contribuam com a mesma

fazendo com que seja aproveitado todo seu potencial já que para algumas crianças é na escola

que ela tem o primeiro contato com essa manifestação cultural.

No entanto, para que se tenha um aproveitamento realmente significativo da capoeira como

recurso pedagógico na pré-escola e nas séries iniciais é necessário que ele seja planejado com

cuidado. O professor precisa estar preparado para ser um mediador disposto a auxiliar a criança no

processo ensino aprendizagem e no desenvolvimento de um sujeito crítico, processo esse que se

dá em longo prazo e que necessita de dedicação e paciência de ambas as partes.

Diante do exposto até o momento, venho reforçar ainda mais minhas idéias como profissional em

desenvolver, criar, transformar e trazer novas informações suprindo as necessidades dos docentes

e das instituições em relação `a prática da capoeira na educação. Acredita-se que esta proposta

sintetiza não só os processos de aprendizagem e as teorias a eles subjacentes, como também

resume boa parte de nossos pensamentos, experiências e principalmente o cultural das crianças.









5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS





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Autor: ROSA CRISTINA COSTA


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