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MONOGRAFIA

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1/11/2012
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“IMPORTÂNCIA DO EXAME RADIOGRÁFICO

EM PERIODONTIA”









EVANDRO VILLAS BOAS GEORGETTI

MARLY KIMIE SONOHARA

VERA LÚCIA GRAMUGLIA









Orientador: Prof. SEBASTIÃO LUIZ AGUIAR GREGHI









BAURU

1989

Introdução 1









I – INTRODUÇÃO









A radiografia é considerada como essencial para um adequado

diagnóstico das condições periodontais. Apesar de algumas limitações referentes ao

método radiográfico, fornece dados que auxiliam no exame clínico, plano de

tratamento e preservação de alguns casos clínicos.

Vários métodos têm sido sugeridos na tentativa de obter imagens mais

próximas do real dos defeitos periodontais.

As radiografias realizadas pela técnica do cone longo oferecem melhor

visualização da crista alveolar revelando com maior precisão a extensão ou

profundidade da lesão periodontal em relação à raiz dental.

A integridade da crista alveolar é essencial na interpretação das lesões

precoces do periodonto de inserção. Um dos sinais que demonstra trauma oclusal

e/ou inflamação do periodonto é sua reabsorção.

As características dos defeitos ósseos são variáveis dificultando a sua

interpretação para o correto diagnóstico ou prognóstico.

O objetivo deste trabalho é mostrar a variação de imagens entre 2

técnicas radiográficas, cone longo e cone curto, observando-se as características

clínicas e radiográficas de lesões periodontais para detectar até que ponto essas

lesões são visualizadas e também qual a veracidade da dimensão dessas lesões.

Revisão da Literatura 2









II – REVISÃO DA LITERATURA









SELTZER & BENDER (1961)9,10 utilizaram mandíbulas humanas

maceradas nas quais foram feitos defeitos artificiais com brocas e limas

endodônticas de diferentes tamanhos e localizações anatômicas. Como controle

foram fotografados e radiografados previamente ao estudo. Verificaram que os

defeitos na cortical ósseos só puderam ser detectados radiograficamente quando

havia perfuração total, extensa em sua superfície interna ou externa. Observaram

também que os defeitos no osso esponjoso eram evidenciados somente

radiograficamente quando, por ampliação, a área destruída atingia a superfície do

osso cortical e que extensas enfermidades ósseas tumorais ou inflamatórias

poderiam estar presentes sem que houvesse evidência radiográfica.

7

RAMADAN & MITCHEL (1962) , realizaram defeitos ósseos em

maxilas e mandíbulas maceradas com brocas de fissura n 559. Previamente ao

experimento os espécimes foram radiografados e seccionados em blocos.

Verificaram que os defeitos em osso esponjoso somente se tornariam evidentes

quando as trabéculas juncionais , próximas a superfície interna fossem atingidas.

Quando foram realizadas secções transversais da crista alveolar com a espessura

da broca mencionada, os defeitos não foram visualizados. Em alguns casos de

destruição óssea provocada por um abscesso ou outra doença periodontal

localizada, a radiografia não indicava se a lesão estava superposta pelas raízes,

principalmente quando as superfícies corticais V ou L eram delgadas.

Em 1971, REES et al. 8 efetuaram radiografias e exames diretos em 41

crânios com defeitos ósseos, comparando-os com outras observações em cadáveres

Revisão da Literatura 3





humanos. Os resultados indicaram que os defeitos ósseos proximais e defeitos de

furca, nas superfícies vestibular e lingual dos dentes multirradiculares podiam ser

detectados e visualizados radiograficamente com alto grau de exatidão.

As fenestrações e deiscências tendem a ocorrer nas áreas onde a

cortical é fina e as suas imagens radiográficas limitam a sua detecção por lingual ou

vestibular. Assim o importante é que o dente seja visualizada pelo menos através de

2 radiografias diferentes para uma análise mais efetiva.

5

PATUR ,em 1960, utilizou crânios secos radiografados com fios

metálicos lisos nas faces vestibulares e , fios de metal com nós nas faces linguais,

tentando com isso , facilitar a identificação através de contraste . Foi destacado o

valor do uso de contrastes adicionais e da técnica do cone longo para realização de

tomadas radiográficas em periodontia.

6

PRICHARD (1961) relatou que uma das causas freqüentes de

insucesso na prática é o profissional basear seu diagnóstico inteiramente na

morfologia óssea evidenciada na radiografia. Contudo, os defeitos ósseos de uma ou

duas paredes não podem ser distinguidas radiograficamente. A extensão vertical da

reabsorção óssea é evidenciada na radiografia, mas a largura, posição e números

de paredes ósseas não podem ser observados radiograficamente.

4

OSADA et al. (1975) provocaram artificialmente lesões periapicais e

periodontais com brocas esféricas. Observaram que se os defeitos ósseos

estivessem limitados ao osso esponjoso não poderia ser detectada

radiograficamente. Porém quando se estendia à superfície interna ou externa da

cortical, tornava-se visível como uma rarefação óssea. Admitiram também, que o

padrão trabecular só desaparecia quando o osso esponjoso próximo a junção

vestibular ou lingual da cortical era removida.

11

Em 1961, TROTT afirmou que um diagnóstico preliminar deve ser

feito antes de as radiografias serem solicitadas. Assim, elas poderiam ser utilizadas

na avaliação clínica. Reafirma ser a radiografia de grande valor diagnóstico como

exame complementar, à semelhança dos exames laboratoriais.

Resultados e Discussões 4









III – RESULTADOS E DISCUSSÕES









Este trabalho tem como objetivo fornecer mais informações do assunto

através de um estudo onde se compara a imagem clínica e radiográfica de alguns

tipos de defeitos ósseos periodontais. A escolha das peças anatômicas

mandibulares e maxilares secas envolveu uma inspeção, onde se procurou

selecionar os defeitos ósseos periodontais mais freqüentemente encontrados na

prática odontológica. Para se tentar reproduzir a imagem clínica foram feitas

fotografias das áreas em questão, visto que não apresentam tecidos periodontais de

proteção, diferentes das condições que encontramos clinicamente. Para o exame

radiográfico dos defeitos ósseos periodontais, foram feitas 2 tomadas radiográficas,

tanto pela técnica do cone curto como pela técnica do cone longo. A técnica do cone

longo foi empregada nesse experimento, por ser a mais indicada para o exame das

estruturas de suporte dental. E a cone curto, por ser uma técnica rotineiramente

utilizada na clínica odontológica.

Dentre os defeitos ósseos periodontais selecionados estão incluídos:

defeitos de uma, duas e três paredes, cratera óssea, deiscência e lesões de furca.

As limitações das radiografias na detecção desses defeitos têm sido

freqüentemente observadas. Superposição de raízes na reprodução da imagem

radiográfica tenderam a mascarar estes defeitos5,6 . Além disso, STAHL, CANTOR &

ZWIG4 mostraram que fenestração e deiscência ocorrem em áreas vestibulares onde

7

a cortical óssea se apresente fina. RAMADAN & MITCHEL demonstraram que

Resultados e Discussões 5





defeitos verticais tanto na face vestibular como lingual da crista alveolar foram

evidentes somente quando apresentavam uma profundidade de pelo menos 3 mm.

Defeitos de 1 a 2 mm de profundidade não são visíveis

radiograficamente. Segundo SELTZER & BENDER9,10, é impossível diferenciar entre

uma reabsorção que ocorre na crista alveolar vestibular, por meio de tais

radiografias.

Destas descobertas pode ser concluído que bolsas infra-ósseas podem

ocorrer sem ser radiograficamente detectadas. Esta condição é provavelmente o que

ocorre na distal do 3o molar inferior onde a destruição pode ocorrer deixando intacta

a cortical óssea7. A remoção da tábua óssea cortical vestibular ou lingual com isso

expondo as raízes dos dentes, não teve grande alteração na radiografia de maxila e

mandíbula estando de acordo com o trabalho de GOLDMAN et al. 7, e isso parece

ser devido ao fato de que a perda óssea é superposta pela sombra das raízes, as

quais são mais densas que a cortical óssea.

Num estudo realizado por REES et al. 8, das crateras que não foram

detectadas radiograficamente, duas eram de aproximadamente 1 mm em

profundidade, enquanto a terceira, localizada na distal do 3 o molar inferior, foi

superposta pela linha oblíqua externa da mandíbula. Os autores observaram que a

lesão de furca de vários graus foi detectada radiograficamente e foi particularmente

interessante observar que a lesão de furca incipiente também foi detectada.O

envolvimento das bi e trifurcação não é necessariamente observado em radiografias,

exceto depois de ter havido a redução da altura da crista óssea inter-radicular. Assim

o exame da área inter-radicular deve ser sondado em todas as direções7. A remoção

completa da cortical óssea vestibular e lingual tem praticamente nenhum efeito sobre

o padrão do trabeculado em volta dos dentes da mandíbula e maxila ou na lâmina

dura, quando observado radiograficamente. O espaço da membrana periodontal e o

padrão trabecular remanescente são essencialmente o mesmo em ambos os casos.

Isso confirma o trabalho de GOLDMAN et al.3.

Observou-se também que a remoção do trabeculado central da

mandíbula e maxila deixando o trabeculado juncional intacto não produziu alguma

alteração radiográfica. Estas descobertas está de acordo com SELTZER &

BENDER9,10 que demonstraram a mesma coisa na mandíbula e concluíram que a

Resultados e Discussões 6





lesão central pode causar destruição do osso esponjoso, deixando o trabeculado

juncional e cortical óssea intactos sem ser detectados radiograficamente. Foi

mostrado também que a remoção do trabeculado juncional deixando a porção

central do osso esponjoso intacto produz nenhuma alteração na densidade da

radiografia. Essas descobertas podem explicar porque a lesão precoce não é vista

radiograficamente7. Lesões de furca podem ser obscurecidas pela superposição da

raiz palatina nos molares superiores, o envolvimento de furca dos dentes inferiores

não é usualmente vistos radiograficamente até que a perda da crista óssea tenha

estendido além do nível incipiente da divergência radicular1. Isto é essencial portanto

que radiografias devem sempre ser usadas em conjunto com sondagens para uma

melhor avaliação das bolsas infra-ósseas e lesões de furca3,11.

Conclusões 7









IV – CONCLUSÕES









Para o diagnóstico da lesão periodontal deve-se preconizar uma

observação clínica com o uso de sondagens; a radiografia é essencial para o

planejamento do tratamento e determinação do prognóstico. A bolsa periodontal é

sinal patognomônico da doença periodontal, mas a bolsa é radiolúcida e isto não é

registrado na radiografia2.

A evidência da reabsorção óssea causada por doença periodontal é

registrada no filme, mas nem a morfologia nem a posição lateral do defeito ósseo

podem ser determinadas, desde que a radiografia mostre a silhueta do osso e do

dente.

A importância de uma projeção radiográfica correta para a

determinação da avaliação da posição do osso alveolar marginal e padrões de osso

destruído na doença periodontal tem sido demonstrado e explicado5.

Com base nos estudos feitos e na documentação radiográfica

executada foi observado que:

-uma mudança destrutiva menor na crista alveolar não pode ser

detectada por radiografia;

-destruição da crista alveolar vestibular não pode ser distinguida da

crista alveolar lingual; destruição em forma de cratera da crista alveolar deixando

interna e externamente a tábua alveolar intacta não foi registrada no filme;

-um método seguro para obtenção de uma boa radiografia da crista

alveolar é alinhar o longo eixo do dente paralelo com o filme com o feixe central do

Conclusões 8





raio-x dirigido para um ângulo certo do filme. Isto ocorre no uso de filmes

interproximais ou na técnica de paralelismo.

-remoção interna da tábua vestibular e lingual não afetou o padrão

ósseo arquitetural na radiografia;

-destruição óssea causada por um abscesso periodontal ou alguma

doença periodontal localizada não mostraria se o defeito estivesse superposto por

raízes, especialmente se a tábua óssea cortical fosse fina;

-a remoção do trabeculado central na mandíbula e maxila deixando

intacto o trabeculado juncional não afetou o padrão trabecular;

-a remoção do trabeculado juncional na maxila deixando o trabeculado

central intacto também não alterou o padrão trabecular;

-a remoção de ambos os tipos de trabeculado afetou o padrão

arquitetural.

Com isto concluímos que o valor da radiografia na detecção da perda

óssea não pode ser negado, mas muitas alterações destrutivas podem ocorrer no

osso sem ser detectadas radiograficamente.

Exames clínicos e radiográficos devem ser feitos juntos para uma

detecção correta da reabsorção óssea alveolar e para a avaliação da doença

periodontal.

Destruição do trabeculado ósseo central não apareceu na radiografia, a

menos que o trabeculado juncional próximo também estivesse destruído. Tal

destruição torna-se muito mais aparente quando ambos os tipos, trabeculado e

tábua cortical foram removidos. A interpretação de radiografias dependeria

fortemente da descobertas eleitas por palpação, aspiração, exploração cirúrgica e

algum outro teste clínico apropriado disponível.

Referências Bibliográficas 9









V – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS









1 - BUCH, B. et alii. Radiological features of the periodontium in health and disease

– a reviewn. J. Dent.Ass.South. Africa, 40: 709 – 12, 1985.

2 - DAMANTE, J.H. & CARVALHO, P.V. - Contribuição à interpretação radiográfica

de lesões ósseas produzidas experimentalmente em mandíbulas humanas

secas - I. Rev.Odont.USP. , 2 (3) :131-8, jul/set. , 1988.

3 - GOLDMAN, H.M. et alii. Origen of registration of the architectural pattern the

lamina dura and the alveolar crest in the dental radiograph. Oral Surg. , 10:

749 - 58, 1957.

4 - OSADA, H. et alii. A radiograph study of artificially created lesions in bone. I.

Periapical; and periodontal defects. Jap. J. Conservative Dent. , 18: 141 – 9,

1975 apud Oral Res. Abstr. , 12: 454, 1977.

5 - PATUR, B. Roentgenographic evaluation of alveolar bone changes in periodontal

disease. Dent. Clin. N. Amer. , 2: 47 - 54, 1960.

6 - PRICHARD, J. F. The role of roentgenogram in the diagnosis and prognosis of

periodontal disease. Oral Surg. , 14: 182 – 96, 1961.

7 - RAMADAN, A.B.G. & MITCHELL, D.F. A roentgenographic study of

experimental bone destruction. Oral Surg. , 15: 934 – 43, 1962.

8 - REES, T.D. et alii. Radiographic interpretation of periodontal osseous lesions.

Oral Surg. , 32: 141 – 53, 1971.

9 - SELTZER< S. & BENDER, J.B. Roentgenographic and direct observation of

experimental lesions in bone. II. J. Amer. dent. Ass. , 62: 152 – 60, 1961.

Referências Bibliográficas 10





10 - SELTZER, S. & BENDER, I.B. Roentgenoghaphic and direct observation of

experimental lesions in bone. II. J. Amer. Dent. Ass. , 62: 708 – 16, 1961.

11 - TROTT. J.R. Radiographic in periodontology. J. Canad. Dent. Ass. , 27: 775 –

80, 1961


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