PROJETO REITEGRA��O SOCIAL by 17qxSuhn

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 1. Identificação do Projeto
 1.1 .Título do Projeto: “Reescrevendo a História”
 1.2 . Coordenadoria: Região Central
 1.3 . Unidade: Centro de Ressocialização Feminino de Rio Claro
 1.4 . Autores
  Tatiane Michele Teixeira Medina – Psicóloga
  Márcia Aparecida Dietrich Amador – Assistente Social
  Maria José Palmero - Assistente Social
  Rita de Cássia Vieira da Silva – ASP I
 1.5. Contatos
 Telefones: (0XX19) 3525 3354
            (0XX19) 3532 3033


 2. Justificativa
        A presente proposta de trabalho com as reeducandas do Centro de
 Ressocialização Feminino de Rio Claro surgiu a partir de um concurso de
 poesias, no qual se observou a facilidade de expressão literária das participantes
 do certame em documentar suas vivências, sentimentos e angústias.
        Assim sendo, foi elaborado o projeto “Reescrevendo a história”, para
 estimular, na mulher presa, esta forma de expressão e, ao mesmo tempo, para
 proporcionar momentos de reflexão sobre seus sentimentos e emoções.


 3. Objetivos
 Proporcionar às reeducandas um momento de reflexão sobre sua vida, seus
 sentimentos e emoções, na busca de uma nova visão de vida e numa nova forma
 de ser mulher .
 Expandir a visão cultural da mulher presa, permitindo novas formas de expressar
 sentimentos.
 Propiciar um espaço, para que as reeducandas hajam de forma empática entre si.
 Permitir que a mulher se reconheça como tal,valorizando sua feminilidade, sua
 sensibilidade e o seu papel na sociedade.
 4. População-Alvo
            População carcerária feminina.
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5. Metodologia
        O projeto terá duração de 18 semanas e será dividido em 6 módulos, de 3
semanas consecutivas cada um, onde será abordado um tema por módulo.
        Os módulos consistirão de reuniões programadas, que serão realizadas
uma vez por semana, com duração de três horas cada uma.
        Os temas de abordagem, por módulo, são os seguintes:


No primeiro módulo: “O papel da mulher na sociedade”
Primeira Semana – 1ª reunião – tempo: 3h
       Objetivo: proporcionar uma reflexão sobre os sentimentos das
participantes, sobre sua vivência na prisão e sobre a busca de soluções para a
questão dos preconceitos existentes em relação à mulher.
       Desenvolvimento:
             Apresentação do tema às participantes;
             Comentários gerais sobre o tema a ser feito pela Agente de
              Segurança envolvida na atividade;
             Aplicação da dinâmica “Cosme e Damião” (Anexo 1);
             Distribuição do texto bibliográfico “Chiquinha Gonzaga” (Anexo 2);
             Leitura do texto e comentários gerais pela Agente de Segurança;
             Discussão sobre a condição da mulher nos dias atuais a ser
              coordenada pelas animadoras da atividade (Assistente Social e
              Psicóloga da unidade)
Segunda semana – 2ª reunião – tempo: 3h
       Apresentação do Filme Olga [sinopse (Anexo 3)]. Animadora da atividade
        ASP envolvida no projeto
       Discussão sobre os sentimentos e os pensamentos referentes à condição
        da mulher nos dias atuais e problemas enfrentados por elas e sobre a
        força e a sensibilidade femininas. Animadoras da atividade Assistente
        Social e Psicóloga da unidade.
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Terceira Semana – 3ª reunião – tempo: 3 h
       Objetivo: Refletir sobre o papel da mulher nos dias atuais, como a
sociedade a vê no desempenho do papel de mão, esposa, trabalhadora –
profissional, enfim sobre tudo o que envolve o universo feminino.
       Música de Erasmo Carlos “A mulher”, tocada em sala e distribuída, por
        escrito, para as reeducandas, para leitura e reflexão (Anexo 4).
        Animadora da atividade: ASP.
       Reflexão sobre a letra da música, bem como sobre            o filme “Olga”
        assistido e a história da vida de “Chiquinha Gonzaga”. Animadoras da
        atividade: Assistente Social e Psicóloga da unidade.
       Elaboração de textos e poesias sobre temas suscitados a partir desta
        reflexão, contendo opinião crítica sobre o universo feminino.


No segundo módulo: “Insegurança, Sensibilidade e Precipitação”.
Primeira Semana – 1ª reunião – tempo: 3 h
       Objetivo: Refletir sobre o papel que desempenham na sociedade, e a
condição da mulher presa, seus sentimentos, sua sensibilidade, suas
inseguranças, seus medos, seus erros em agir de forma precipitada e, como
mulher, como poderiam ser mais atuantes e positivas no meio social.
       Distribuição do texto “A Raposa e o Lenhador”, para leitura e reflexão
        (Anexo 5). Animadora da atividade: ASP
       Discussão sobre a posição na qual as participantes se encaixam (de
        raposa e ou de lenhador). Animadoras da atividade: Assistente Social e
        Psicóloga da unidade.
Segunda Semana – 2ª reunião – tempo: 3 h
Objetivo:   refletir sobre situações do cotidiano, a busca da segurança, da
estabilidade social e econômica e emocional, a busca do parceiro ideal, “o herói”,
“o príncipe encantado de nunca chega!”, alguém em quem possa confiar, bem
como sobre a vaidade feminina, a feminilidade, sobre suas frustrações, suas
angústias, suas culpas, suas vivências, “seus castelos desfeitos”. E mais, sobre a
renúncia de seu ideal de vida por um amor e a construção de uma nova vida, da
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força interior que cada uma tem e da luta por novos caminhos, no enfrentamento
de seus medos e a visão de seu triunfo sobre todas essas dificuldades.
Pensamentos para reflexão:
   -   A mulher busca o herói que a salvará.
   -   Com o tempo a mulher terá a imagem distorcida do herói.
   -   Do que a mulher precisa se salvar?
   Desenvolvimento da atividade:
       -    Dividir a classe em 3 (três) grupos;
       -    Distribuir uma questão por grupo pra leitura e discussão;
       -    Elaboração de um texto sobre o assunto abordado.
       -    Leitura dos textos na 3ª semana (3ª reunião).
       Animadoras da atividade: ASP, Assistente Social e Psicóloga.
Terceira Semana – 3ª reunião – tempo: 3 h
   -   Leitura dos textos elaborados pelas reeducandas na reunião anterior;
   -   Discussão dos textos por todas as participantes. Animadoras da atividade:
       Assistente Social e Psicóloga.
   OBS: provocar discussão sobre experiências pessoais, no amor, no papel de
   mãe, como membro de família, etc.


No terceiro módulo: “Violência contra a mulher”
Primeira Semana – 1ª reunião – tempo: 3 h
   -   Distribuição de um texto sobre violência doméstica, para leitura e reflexão.
   -   Comentários iniciais pela ASP envolvida na atividade.
   -   Discussão dos temas pelas participantes.
   OBS: A animadora deve suscitar reflexão sobre o apoio que tiveram (se
   tiveram) para dar solução a este grave problema.
   - Aplicação da dinâmica “Dramatização de uma situação-problema” (Anexo 7)
   - Comentários sobre a dinâmica aplicada (como se sentiram no desempenho
   dos papéis de vítima e agressor).
   - Comentários com a classe sobre a atividade.
Segunda Semana – 2ª reunião – tempo: 3 h
          Projeção do filme “Nunca mais violência” [sinopse no Anexo 8].
          Comentários sobre o filme, animado pela Assistente Social e pela
           Psicóloga da unidade.
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       OBS: fazer um paralelo com situações reais de vida.
Terceira Semana – 3ª reunião – tempo: 3 h
Objetivos:
   -   buscar soluções conjuntas para seus conflitos com as demais presas.
   -   alavancar a auto-estima e o sentimento de mais valia das participantes.
Desenvolvimento:
       Discussão sobre as relações com seus agressores, despertando seus
        sentimentos na busca de soluções para suas vidas. Animadoras:
        Assistente Social e Psicóloga.
   Encerramento com a seguinte atividade:
       A animadora sorteia entre as participantes números de 1 a 10;
       Pede à de número 1 que inicie uma história qualquer relacionada ao tema
        discutido na reunião, interrompendo em determinado ponto e convidando
        sucessivamente às de números 2, 3, etc, que dêem seqüência à história,
        como quiserem.
   OBS: A ASP envolvida na atividade deverá registrar a história contada e
   montada pelas participantes.


No quarto módulo: “Preconceito”
Primeira Semana – 1ª reunião – tempo: 3 h
       Distribuição do texto “A nigeriana” (Anexo 9).
       Leitura do texto pela ASP;
       Discussão sobre preconceito com relação à mulher e à mulher presa,
        seus medos, suas angústias, sua família, vizinhos, amigos
Segunda Semana – 2ª reunião – tempo: 3 h
Objetivo: refletir sobre os processos de exclusão social e os preconceitos que
existem por trás deles, a cultura que impera nas sociedades nos dias atuais e as
manifestações de desapreço com relação à mulher.
       Projeção do filme “História Americana” [sinopse no Anexo 10].
       Discussão e comentários sobre o filme: a questão do preconceito e os
        processos de exclusão social gerados por ele.
   OBS: Abordar a história de vida das participantes de seus próprios
   preconceitos e de seus erros.
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Terceira Semana – 3ª reunião – tempo: 3 h
       Abertura da atividade com memorização da discussão realizada na
        reunião anterior, com relatos de situações de vida comparativas;
       Elaboração de textos, poesias ou histórias a respeito do tema sugerido
        neste módulo, incluindo: sentimentos, medos, angústias. “Preconceito”
        (Anexo 11)
       Dramatização de situações de preconceito, usando como exemplo
        situações de vida.


No quinto módulo: “O despertar do bem”
Primeira Semana – 1ª reunião – tempo: 3 h
      Palestra da ASP (animadora da atividade) sobre coisas simples da vida
       que podem se tornar importantes e serem gravadas na memória e que
       podem despertar sentimentos inesquecíveis.
      Abrir um momento de relatos de experiências sobre lembranças de fatos
       e pessoas, ou coisa que antes não eram notadas e hoje fazem falta.
   OBS: As técnicas da unidade animarão, juntamente com a ASP, a atividade,
   provocando sentimentos, saudades e vivências significativas.
Segunda Semana – 2ª reunião – tempo: 3 h
      Projeção do filme “A corrente do bem“. Sinopse no (Anexo 12).
      Discussão sobre o tema enfocado no filme. Animadora ASP.
      Continuação da atividade com a participação da        Assistente Social e
       Psicóloga, sinalizando sobre a importância de se dar o primeiro passo
       para que seja possível realizar mudanças, começando pela família, filhos,
       etc.
      OBS: Convidar as participantes a revelarem sentimentos estimulados pelo
       filme e sobre soluções que dependem da participação da mulher.
Terceira Semana – 3ª reunião – tempo: 3 h
       Elaboração de um texto, história ou poesia sobre mudanças que podem
        ser empreendidas na vida da mulher, para que tenha sua integridade
        preservada.
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No sexto módulo: “Reflexões sobre a prisão”
Primeira Semana – 1ª reunião – tempo: 3 h
      Abertura das atividades do dia pela ASP, com uma síntese do que foi
       visto até agora, permitindo que as participantes tenham uma visão global
       da mulher.
   OBS: procurar estimular o sentimento de mais valia e as possibilidades de
   superação dos próprios limites e fraquezas. Valorizar os sentimentos e a
   importância que elas tem para a família, em especial para os filhos.
      Palestra da Assistente Social e da Psicóloga sobre: sentimentos, medos ,
       angústias , frustrações, relação de culpa , em especial por estarem
       presas e não poderem acompanhar o crescimento dos filhos, explorando
       temas com: a auto–afirmação, a vaidade e situações cotidianas, como o
       medo de perder os filhos para a Justiça, ou de as crianças não a
       respeitarem mais, ou de não a aceitarem como mãe.
      Elaboração de textos sobre os assuntos abordados na palestra das
       técnicas.
Segunda Semana – 2ª reunião – tempo: 3 h
      Projeção do filme “28 dias” Sinopse no Anexo 13.
      Comentários e discussão sobre o tema de abordagem do filme
      Apresentação dos textos elaborados na semana anterior.
      Síntese pela ASP envolvida na atividade.
      Projeção do filme “A Menina de Ouro” Sinopse no Anexo 14.
      Discussão acerca do filme enfocando             atributos importantes da
       personagem, como: esforço, perseverança e a busca por objetivos e
       metas de vida.
Terceira Semana – 3ª reunião – tempo: 3 h
      Distribuição de letras de músicas às participantes;
   Exemplos:
   1. “Enquanto houver sol”;
   2. “É preciso saber viver”;
   3. “Dias melhores” (Anexo 15)
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   .        Elaboração de mensagens pelas participantes, estimuladas pelas músicas
   ouvidas, enfocando vida, auto-confiança, etc. Animadoras: Assistente Social e
   Psicóloga
       .   Leitura das mensagens, análise das mensagens e escolha de um tema
para encenação de uma peça teatral.
       .      Elaboração do roteiro da peça, ensaios e apresentação à população
carcerária da unidade.


6. Número de presas a serem atendidas em cada edição do projeto
            10(dez) reeducandas, no máximo.


7. Duração prevista para cada edição do projeto
            18 semanas.


8. Recursos Materiais
   -       uma sala para reuniões, papéis, canetas, xérox do material apresentado,
           rádio, TV, Vídeo Cassete, Livro e fitas de vídeo.


9. Recursos Humanos
            ASP, Assistente Social e Psicóloga.


10. Avaliação
            A avaliação será semanal, através da produção dos textos e dos
comentários sobre as reflexões suscitadas nas discussões dos temas abordados
em reuniões.
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                                     Cosme e Damião


        Objetivos:
              Facilitar     aproximação dos participantes, intregrando-os no
               processo total do grupo.
              Levantamento de expectativas.
        Desenvolvimento:
              O monitor solicita que os participantes se dividam em duplas,
               preferencialmente agrupando as pessoas que tenham menos
               contato anterior entre si.
        “Vocês deverão conversar entre si, durante cinco minutos, sobre o tema:
“O MEU DIA ONTEM”. Procurem dividir o tempo. Cada um deve observar o outro
ao máximo ”.
              Decorridos os cincos minutos:
        “Agora, cada um de vocês terá um minuto para representar (ou dramatizar
o outro). Vocês devem caracterizar o outro da forma mais completa possível.
Procurem representar a forma de falar, a postura física, os tiques, enfim
incorporar o outro”.
              Dar tempo para que cada pessoa se apresente e abrir comentários.
        Discussão:
              O monitor deve solicitar:
        Que os participantes avaliem o que sentiram quando representados e,
quando representando o outro, quais as dificuldades e facilidades;
        Como o grupo sentiu a atividade, em que aspectos ela facilitou o
entrosamento do grupo e o autoconhecimento de cada participante.
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                           Biografia de “Chiquinha Gonzaga”


        O texto abaixo foi escrito por Abel Cardoso Junior
        Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu em 17.10.1847, na cidade
do Rio de Janeiro, filha de José Basileu, então 1º tenente, mais tarde marechal, e
da modesta mestiça Maria. O casamento de ambos só seria formalizado 3 anos
depois. A avó paterna de Chiquinha tinha parentesco com a avó paterna do então
Marquês de Caxias.
        Chiquinha recebeu boa educação geral e adequada formação musical,
tendo aulas, provavelmente, com o maestro Elias Álvares Lobo. Com 16 anos, em
1863, casa-se com Jacinto do Amaral, 8 anos mais velho, moço de posses e
projetos ambiciosos, nascendo-lhes logo 2 filhos: João Gualberto e Maria do
Patrocínio. Jacinto, muito ciumento, obrigou-a e ao filho João Gualberto a
acompanhá-los em penosas viagens do seu navio cargueiro até o Paraguai,
durante a guerra de Solano Lopes, que fretava para transportar armas, soldados e
escravos.
        O casamento não era feliz, pois Jacinto, intransigente, não admitia que
Chiquinha cultivasse a música, que tanto amava, no piano que levara no dote. Por
fim, impõe-lhe um dilema: ele ou a música! Chiquinha não tem dúvidas: "Pois,
senhor meu marido, eu não entendo a vida sem harmonia!"
        Deixa então a casa, mas volta porque se descobre grávida de um terceiro
filho: Hilário. Pouco depois, contudo, abandona de vez o lar, para escândalo da
sociedade patriarcal e repúdio do pai, que a "declara morta e de nome
impronunciável".
        Nessa ocasião, passa a freqüentar o ambiente masculino e nada
recomendável dos músicos populares tornando-se amiga do grande flautista e
compositor Calado, considerado o Pai dos Chorões Brasileiros, que muito a
estimava. Também se liga apaixonadamente a João Batista, jovem e rico
engenheiro de inclinação boêmia. Para continuar junto dele e, ao mesmo tempo,
aliviar as pressões na Corte, não hesita em acompanhá-lo quando é contratado
para dirigir a construção de linha férrea no interior de Minas Gerais.
        Terminado o contrato em 1875, voltam para o Rio de Janeiro havendo o
nascimento de uma filha de ambos: Alice. João Batista resolve, de novo, fixar-se
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em Minas, numa fazenda de sua propriedade. Chiquinha, cansada do seu
comportamento mulherengo, logo o deixa, sendo a gota d'água o episódio em que
o surpreende com outra. Apesar dos pesares, João Batista foi o grande amor de
sua vida.
          Com o primogênito João Gualberto, Chiquinha vai residir no bairro de São
Cristóvão, no Rio. Precisa trabalhar para sobreviver e, para isso, ministra aulas
particulares de disciplinas escolares e de piano. Reaproxima-se do amigo Calado,
com quem consegue alunos de piano e a oportunidade de tocar em grupos de
choro. Historicamente, é a primeira mulher e o primeiro pianista do choro. Ao
mesmo tempo, encontra, na composição de músicas, outro caminho para algum
ganho e expressão de sua arte.
          Com a primeira música que consegue imprimir, a polca Atraente, em
1877, obtém uma aceitação extraordinária, traduzida em mais de 15 edições. Daí
em diante, fica cada vez mais conhecida à medida que são editadas outras
músicas em papel e, mais tarde, pode apresentá-las no teatro musicado.
          Famosa e comentada, alvo da maledicência e de preconceitos, tem ativa
participação nos movimentos que empolgam a época, como a revolta, em 1880,
contra o imposto do vintém nas passagens dos bondes, a abolição da
escravatura, finalmente alcançada em 1888 e a implantação da República no ano
seguinte.
          Em 1885, já tinha derrubado outras barreiras. Na terceira tentativa,
consegue com que uma peça de sua autoria, A Corte na Roça, seja encenada. As
duas anteriores, com músicas suas, Viagem ao Panasco e Festa de São João,
não foram aceitas pelo fato de ser mulher e não haver precedente. Torna-se,
assim, a primeira compositora brasileira a ser levada à cena. Nesse mesmo ano,
num espetáculo em seu benefício, consagra-se igualmente como a primeira
mulher a dirigir uma orquestra, portanto a primeira maestrina que tivemos.
          Em 1899, para o Cordão Rosa de Ouro, do Andaraí, compõe a marchinha
de rancho Abre Alas, considerada a primeira música composta especialmente
para o carnaval, desde então símbolo do mesmo, ainda que decorrido todo um
século.
          Seu coração inquieto e ardente ainda tinha espaço para o amor. Também
em 1899, já com 52 anos, une-se a João Batista, de apenas 16 anos, e o
apresenta como filho, solução que julga suficiente para evitar maiores
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constrangimentos. Os que a conhecem, por admiração e amizade, fingem
acreditar. Malgrado a diferença chocante de idade, foi uma união tão forte que
duraria até seu falecimento, e mais além, já que Joãozinho jamais trairia a
memória da "mãe" com revelações indiscretas.
        Por 3 vezes esteve em Portugal. A primeira em 1902, desembarcando na
volta com o "filho" Joãozinho, que por fim assumia publicamente, mas que
ninguém conhecia, apesar de já bem criado. Na viagem de 1904, sempre com
Joãozinho ao seu lado, passa meses. Na última viagem, que durou de 1906 a
1909, e que desenvolve atividade profissional, com destaque, no teatro de
revistas português.
        De novo no Brasil, toma pé no meio musical, nada mais que a retomada
do seu legítimo lugar, para assinalar, em 1912, o maior êxito, até hoje, do teatro
brasileiro, a burleta Forrobodó, com texto de Carlos Bettencourt e Luiz Peixoto.
Outras peças de Chiquinha, nos anos seguintes, continuariam a merecer o favor
do público, entremeadas com o escândalo que foi a execução, mesmo que
apenas em solo de violão, do seu popularíssimo tango Corta-Jaca, em 1914, no
Palácio do Catete, por decisão de Nair de Tefé, mulher do presidente Hermes da
Fonseca.
        Sempre lutadora, levantou também bem alto a bandeira do direito autoral.
Era a única mulher entre os 21 fundadores, em 1917, da SBAT (Sociedade
Brasileira de Autores Teatrais), que acompanharia de perto no seu dia-a-dia
enquanto viveu. A SBAT muito deveu também a Joãozinho Gonzaga, seu
funcionário, incansável na cobrança dos direitos. Reconhecendo os bons serviços
prestados, a SBAT, em assembléia, mesmo não sendo ele escritor, considerou-o
o sócio-efetivo e benemérito.
        Até falecer, em 28.2.1935, no Rio de Janeiro, com 87 anos, Chiquinha
não sentiu esgotada a sua capacidade criativa. Em 1933, era levada à cena sua
última peça original, Maria, no Teatro Recreio, tendo texto de Viriato Corrêa, com
quem tinha marcado os êxitos memoráveis de A Sertaneja, em 1915, e Juriti, em
1919.
        Maior vulto de compositora popular brasileira, Francisca Edwiges Neves
Gonzaga contribuiu, inestimavelmente, para a formação do nosso nacionalismo
musical e, tantas vezes pioneira, teve a coragem de viver, com intensidade e
desassombro, tudo o que lhe ditava o coração de mulher adiante do seu tempo.
                                                                       13




Bibliografia:


       Diniz, Edinha: Chiquinha Gonzaga, uma história de vida.     Editora
            Codecri, 1984.


       Vasconcelos, Ary: Panorama da música popular brasileira La Belle
            Époque. Livraria Santana, 1977.


       Tinhorão, José Ramos: Música popular - do gramofone ao rádio e TV .
            Editora Ática, 1981.
                                                                            14

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       Titulo: OLGA (Brasil / RJ / 2004 / 137’)


       Diretor: Jayme Monjardim
       Produção Executiva:Guilherme Bockel
       Roteiro: Rita Buzzar
       Elenco: Caco Ciocler Werner Schünemann, Osmar Prado, Floriano
Peixoto, Luís Mello, Murilo Rosa, Guilherme Weber, Camila Morgado, Fernanda
Montenegro, Renata Jesion, Mariana Lima, Eliane Giardini
       Diretor de Fotografia:Ricardo Della Rosa
       Diretor de Arte: Tiza de Oliveira
       Música: Marcus Viana
       Sinopse: Olga retrata uma grande história de amor, em todos os
sentidos: a luta; os ideais; o marido; a maternidade. Da infância burguesa na
Alemanha à morte numa das câmaras de gás de Hitler, as imagens retratam a
alma de uma revolucionaria, que descobriu o amor e a crueldade no Brasil, onde
Olga Benario casou-se com Luís Carlos Prestes, engravidou e foi entregue por
Getúlio Vargas aos nazistas.
       http://www.rge-rs.com.br/festival_de_gramado/mostra_hors_concours.asp
                                                                        15



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                          Composição: Erasmo Carlos – Narinha


                  Mulher (Sexo frágil) (Narinha - Erasmo Carlos)


Dizem que a mulher é o sexo frágil,
Mas que mentira absurda.
Eu que faço parte da rotina de uma delas.
Sei que a força está com elas.
Veja como é forte a que eu conheço.
Sua sapiência não tem preço.
Satisfaz meu ego se fingindo submissa,
Mas no fundo me enfeitiça.
Quando eu chego em casa à noitinha,
Quero uma mulher só minha.
Mas pra quem deus luz não tem mais jeito,
Porque um filho quer seu peito.
O outro já reclama sua mão
E o outro quer o amor que ela tiver.
Quatro homens dependentes e carentes
Da força da mulher.
Mulher, mulher.
Do barro de que você foi gerada,
Me veio inspiração.
Pra decantar você nesta canção.
Mulher, mulher.
Na escola em que você foi ensinada,
Jamais tirei um 10 ou forte, mas não chego aos seus pés.
http://erasmo-carlos.letras.terra.com.br/letras/67612/
                                                                              16

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                                 A Raposa e o Lenhador


        Existiu um lenhador que acordava às 6 da manhã e trabalhava o dia
inteiro cortando lenha, e só parava tarde da noite.
        Esse lenhador tinha um filho, lindo, de poucos meses e uma raposa, sua
amiga, tratada como bicho de estimação e de sua total confiança.Todos os dias o
lenhador ia trabalhar e deixava a raposa cuidando de seu filho.
        Todas as noites, ao retornar do trabalho, a raposa ficava feliz com sua
chegada. Os vizinhos do lenhador alertavam que a raposa era um bicho, um
animal selvagem e, portando, não era confiável. Quando ela sentisse fome
comeria a criança.,
        O lenhador, sempre retrucando com os vizinhos, falava que isso era uma
grande bobagem. A raposa era sua amiga e jamais faria isso. Os vizinhos
insistiam: "Lenhador abra os olhos! a raposa vai comer seu filho." "Quando sentir
fome, comerá seu filho!”
        Um dia o lenhador, muito exausto do trabalho e muito cansado desses
comentários, ao chegar em casa, viu a raposa sorrindo como sempre e sua boca
totalmente ensangüentada. O lenhador suou frio e sem pensar duas vezes
acertou o machado na cabeça da raposa. Ao entrar no quarto desesperado,
encontrou seu filho no berço dormindo tranqüilamente e, ao lado do berço, uma
cobra morta. O lenhador enterrou o machado e a raposa juntos.
        Moral da estória:
        Se você confia em alguém, não importa o que os outros pensem a
respeito, siga sempre o seu caminho e não se deixe influenciar, mas,
principalmente, nunca tome decisões precipitadas.
        Autor desconhecido.
                                                                                     17

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                               O que é violência contra a mulher?
        Na definição da Convenção de Belém do Pará (Convenção Interamericana para
Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher, adotada pela OEA em 1994), a
violência contra a mulher é “qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause
morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública
como na esfera privada”.
        “A violência contra as mulheres é uma manifestação de relações de poder
historicamente desiguais entre homens e mulheres que conduziram à dominação e à
discriminação contra as mulheres pelos homens e impedem o pleno avanço das
mulheres...”
        Declaração sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres, Resolução da
Assembléia Geral das Nações Unidas, dezembro de 1993.
        A Conferência das Nações Unidas sobre Direitos Humanos (Viena, 1993)
reconheceu formalmente a violência contra as mulheres como uma violação aos direitos
humanos. Desde então, os governos dos países-membros da ONU e as organizações da
sociedade civil têm trabalhado para a eliminação desse tipo de violência, que já é
reconhecido também como um grave problema de saúde pública.
        Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), “as conseqüências do abuso
são profundas, indo além da saúde e da felicidade individual e afetando o bem-estar de
comunidades inteiras.”
        De onde vem a violência contra a mulher?
        Ela acontece porque em nossa sociedade muita gente ainda acha que o melhor
jeito de resolver um conflito é a violência e que os homens são mais fortes e superiores às
mulheres. É assim que, muitas vezes, os maridos, namorados, pais, irmãos, chefes e
outros homens acham que têm o direito de impor suas vontades às mulheres.
        Embora muitas vezes o álcool, drogas ilegais e ciúmes sejam apontados como
fatores que desencadeiam a violência contra a mulher, na raiz de tudo está a maneira
como a sociedade dá mais valor ao papel masculino, o que por sua vez se reflete na forma
de educar os meninos e as meninas. Enquanto os meninos são incentivados a valorizar a
agressividade, a força física, a ação, a dominação e a satisfazer seus desejos, inclusive os
sexuais, as meninas são valorizadas pela beleza, delicadeza, sedução, submissão,
                                                                                   18

dependência, sentimentalismo, passividade e o cuidado com os outros.
        Por que muitas mulheres sofrem caladas?
        Estima-se que mais da metade das mulheres agredidas sofram caladas e não
peçam ajuda. Para elas é difícil dar um basta naquela situação. Muitas sentem vergonha
ou dependem emocionalmente ou financeiramente do agressor; outras acham que “foi só
daquela vez” ou que, no fundo, são elas as culpadas pela violência; outras não falam nada
por causa dos filhos, porque têm medo de apanhar ainda mais ou porque não querem
prejudicar o agressor, que pode ser preso ou condenado socialmente. E ainda tem
também aquela idéia do “ruim com ele, pior sem ele”.
        Muitas se sentem sozinhas, com medo e vergonha. Quando pedem ajuda, em
geral, é para outra mulher da família, como a mãe ou irmã, ou então alguma amiga
próxima, vizinha ou colega de trabalho. Já o número de mulheres que recorrem à polícia é
ainda menor. Isso acontece principalmente no caso de ameaça com arma de fogo, depois
de espancamentos com fraturas ou cortes e ameaças aos filhos.
        O que pode ser feito?
        As mulheres que sofrem violência podem procurar qualquer delegacia, mas é
preferível que elas vão às Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM),
também chamadas de Delegacias da Mulher (DDM). Há também os serviços que
funcionam em hospitais e universidades e que oferecem atendimento médico, assistência
psicossocial e orientação jurídica.
        A mulher que sofreu violência pode ainda procurar ajuda nas Defensorias Públicas
e Juizados Especiais, nos Conselhos Estaduais dos Direitos das Mulheres e em
organizações de mulheres.
        Como funciona a denúncia
        Se for registrar a ocorrência na delegacia, é importante contar tudo em detalhes e
levar testemunhas, se houver, ou indicar o nome e endereço delas. Se a mulher achar que
a sua vida ou a de seus familiares (filhos, pais etc.) está em risco, ela pode também
procurar ajuda em serviços que mantêm casas-abrigo, que são moradias em local secreto
onde a mulher e os filhos podem ficar afastados do agressor.
        Dependendo do tipo de crime, a mulher pode precisar ou não de um advogado
para entrar com uma ação na Justiça. Se ela não tiver dinheiro, o Estado pode nomear um
advogado ou advogada para defendê-la.
        Muitas vezes a mulher se arrepende e desiste de levar a ação adiante.
                                                                                     19

         Em alguns casos, a mulher pode ainda pedir indenização pelos prejuízos sofridos.
Para isso, ela deve procurar a Promotoria de Direitos Constitucionais e Reparação de
Danos.
         Violência contra idosos, crianças e mulheres negras - além das Delegacias da
Mulher, a Delegacia de Proteção ao Idoso e o GRADI (Grupo de Repressão e Análise dos
Delitos de Intolerância) também podem atender as mulheres que sofreram violência,
sejam elas idosas ou não-brancas, homossexuais ou de qualquer outro grupo que é
considerado uma “minoria”. No caso da violência contra meninas, pode-se recorrer
também às Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente.
         Tipos de violência
         Violência contra a mulher - é qualquer conduta - ação ou omissão - de
discriminação, agressão ou coerção, ocasionada pelo simples fato de a vítima ser mulher
e que cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral,
psicológico, social, político ou econômico ou perda patrimonial. Essa violência pode
acontecer tanto em espaços públicos como privados
Violência de gênero - violência sofrida pelo fato de se ser mulher, sem distinção de raça,
classe social, religião, idade ou qualquer outra condição, produto de um sistema social que
subordina o sexo feminino
Violência doméstica - quando ocorre em casa, no ambiente doméstico, ou em uma
relação de familiaridade, afetividade ou coabitação
Violência familiar - violência que acontece dentro da família, ou seja, nas relações entre
os membros da comunidade familiar, formada por vínculos de parentesco natural (pai,
mãe, filha etc.) ou civil (marido, sogra, padrasto ou outros), por afinidade (por exemplo, o
primo ou tio do marido) ou afetividade (amigo ou amiga que more na mesma
casa).Violência física – ação ou omissão que coloque em risco ou cause dano à
integridade física de uma pessoa
Violência institucional - tipo de violência motivada por desigualdades (de gênero, étnico-
raciais, econômicas etc.) predominantes em diferentes sociedades. Essas desigualdades
se formalizam e institucionalizam nas diferentes organizações privadas e aparelhos
estatais, como também nos diferentes grupos que constituem essas sociedades.
Violência intrafamiliar/violência doméstica - açontece dentro de casa ou unidade
doméstica e geralmente é praticada por um membro da família que viva com a vítima. As
agressões domésticas incluem: abuso físico, sexual e psicológico, a negligência e o
                                                                                    20

abandono.
Violência moral – ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a honra ou a reputação
da mulher
Violência patrimonial - ato de violência que implique dano, perda, subtração, destruição
ou    retenção       de    objetos,    documentos      pessoais,      bens   e    valores.
Violência psicológica - ação ou omissão destinada a degradar ou controlar as ações,
comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por meio de intimidação,
manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação, isolamento ou qualquer outra
conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, à autodeterminação ou ao
desenvolvimento pessoal.
Violência sexual – ação que obriga uma pessoa a manter contato sexual, físico ou verbal,
ou a participar de outras relações sexuais com uso da força, intimidação, coerção,
chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou qualquer outro mecanismo que anule ou
limite a vontade pessoal. Considera-se como violência sexual também o fato de o agressor
obrigar     a     vítima   a    realizar   alguns     desses       atos   com    terceiros.
Consta ainda do Código Penal Brasileiro: a violência sexual pode ser caracterizada de
forma física, psicológica ou com ameaça, compreendendo o estupro, a tentativa de
estupro, a sedução, o atentado violento ao pudor e o ato obsceno.
          Fases da violência doméstica
          As fases da situação de violência doméstica compõem um ciclo que pode se
tornar vicioso, repetindo-se ao longo de meses ou anos.
          Primeiro, vem a fase da tensão, que vai se acumulando e se manifestando por
meio de atritos, cheios de insultos e ameaças, muitas vezes recíprocos. Em seguida, vem
a fase da agressão, com a descarga descontrolada de toda aquela tensão acumulada. O
agressor atinge a vítima com empurrões, socos e pontapés, ou às vezes usa objetos,
como garrafa, pau, ferro e outros. Depois, é a vez da fase da reconciliação, em que o
agressor pede perdão e promete mudar de comportamento, ou finge que não houve nada,
mas fica mais carinhoso, bonzinho, traz presente, fazendo a mulher acreditar que aquilo
não vai mais voltar a acontecer.
          É muito comum que esse ciclo se repita, com cada vez maior violência e intervalo
menor entre as fases. A experiência mostra que, ou esse ciclo se repete indefinidamente,
ou, pior, muitas vezes termina em tragédia, com uma lesão grave ou até o assassinato da
mulher.
                                                                                     21

        Homens e a violência contra a mulher
        A violência é muitas vezes considerada como uma manifestação tipicamente
masculina, uma espécie de “instrumento para a resolução de conflitos”.
        Os papéis ensinados desde a infância fazem com que meninos e meninas
aprendam a lidar com a emoção de maneira diversa. Os meninos são ensinados a reprimir
as manifestações de algumas formas de emoção, como amor, afeto e amizade, e
estimulados a exprimir outras, como raiva, agressividade e ciúmes. Essas manifestações
são tão aceitas que muitas vezes acabam representando uma licença para atos violentos.
        Existem pesquisas que procuram explicar a relação entre masculinidade e
violência através da biologia e da genética. Além da constituição física mais forte que a
das mulheres, atribui-se a uma mutação genética a capacidade de manifestar extremos de
brutalidade e até sadismo.
        Outros estudos mostraram que, para alguns homens, ser cruel é sinônimo de
virilidade, força, poder e status. “Para alguns, a prática de atos cruéis é a única forma de
se impor como homem”, afirma a antropóloga Alba Zaluar, do Núcleo de Pesquisa das
Violências na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
                                                                            22



                                                                     ANEXO 7
                        Dramatização de uma situação
       Objetivos:
        - Vivenciar relação de poder / autoridade/ submissão;
        - Explicar / aprofundar idéias e conceitos; e
        - Sistematizar conhecimentos.
       Desenvolvimento:
        Esclarecer que o grupo ou parte dele, deverá dramatizar uma situação,
para vivenciar relações de poder / autoridade/ submissão.
        Solicitar voluntários para dramatizar e pedir que cada um deles defina
seu papel;
        Solicitar aos que não se ofereceram, que observem atentamente e
anotem o que acharam importante.
        Discussão:
        Como cada voluntário se sentiu no papel ?
        Facilidades e dificuldades encontradas no desempenho dos papéis.
        Como foi percebida a postura de cada personagem?
        Que tipos de relações se estabeleceram?
        Em que situação do cotidiano tais relações e postura aparecem?
                                                                         23

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        Nunca Mais.( Enough - EUA, 2002 )
        Direção: Michael Apted
        Gênero: Suspense
        Elenco: Jennifer Lopez, Russell Milton, Bill Campbell, Tessa Allen,
Juliette Lewis, Dan Futterman, Chris Maher, Noah Wyle
        Sinopse: Mulher perseguida pelo ex-marido se cansa de fugir e treina
para enfrentá-lo.
        Site Oficial:http://www.sonypictures.com/movies/enough/
                                                                              24

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        JORNAL: AGORA – SÃO PAULO
        SEXTA-FEIRA, 26 DE SETEMBRO DE 2003.
        NIGERIANA É INOCENTADA NA JUSTIÇA (pg .A-14)


        Mulher escapa de pedradas; Amina Lawal , 31 anos, com a filha, após ser
absolvida pela justiça da Nigeria. Ela seria apedrejada até a morte, porque deu à
luz uma filha fora do casamento, o que é considerado adultério pelas leis
islâmicas.
        Países ocidentais haviam pedido sua absolvição.
        “Foi uma vitória da humanidade sobre alguns erros dos homens”,
disse a advogada de defesa.
        NIGERIANA É ABSOLVIDA
        Corte da Nigéria inocentou AMINA LAWAL, que havia sido condenada à
morte, acusada de adultério. Antiga sentença previa apedrejamento.
        Uma corte nigeriana absolveu ontem Amina Lawal, 31 anos, de ser
apedrejada até a morte ao rever a condenação de um tribunal islâmico por
adultério, o que alivia as pressões internacionais sobre o governo de Olusegun
Obasanjo.
        Países ocidentais liderados pela União Européia haviam conclamado o
presidente nigeriano a intervir no caso. A condenação de Lawal aconteceu em
março de 2002, depois de , separada, Ter engravidado de outro homem. Sua filha
foi considerada a prova.
        O julgamento dela de acordo com o Sharia (código legal do islâmico)
dividiu a opinião pública muçulmana na Nigéria e aprofundou o sectarismo no país
de mais de 120 milhões        de habitantes, dividido quase igualmente entre
muçulmanos e cristãos.
        Enquanto a Igreja Católica e muçulmanos moderados elogiaram a
absolvição, muitos no norte da Nigéria não estão seguros sobre a reação dos
mais radicais. As celebrações religiosas de hoje nas principais cidades do norte
vão mostrar a reação.
        “Nós suspeitamos que vai haver muita pressão das reuniões políticas e
religiosas aqui no norte”, disse Shehu Sani, presidente do congresso de direitos
civis, “A percepção é que o governo esta cedendo à pressão internacional.”
                                                                                25

         Os juizes basearam sua decisão, sobretudo, em questões técnicas. “É a
visão desta corte que o julgamento do tribunal islâmico de Pontua foi muito
equivocado e que, por causa disso, a apelação de Amina Lawal é procedente”
disse o juiz Ibrahim Maiangwa.
         Ele afirmou que a condenação original “não é condizente com as leis do
estado de Katsina, porque a policia não prendeu os suspeitos quando eles
praticaram a ofensa”.
         Lawal, segurando sua filha no colo, sorriu quando sua sentença foi lida na
corte.
         “Foi uma vitória das mulheres e da humanidade sobre certos defeitos e
erros dos homens”, disse Hauwa Ibralim, ativista da causa feminista e advogada
de Lawal, que é analfabeta.
         Grupos feministas condenam        o   que   avaliam   como   a   natureza
discriminatória das leis Sharia em casos de adultério. O homem envolvido
geralmente escapa de ser punido. Já a mulher, recebe penas duríssimas.
                                                                               26

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        História Americana
        ( American History X - EUA, 1998 - 119 minutos )
        Direção: Tony Kaye
        Distribuição: New Line Cinema
        Gênero: Drama
        Elenco: Edward Norton (Derek), Edward Furlong, Beverly D'Angelo,
Jennifer Lien, Ethan Suplee, Fairuza Balk, Avery Brooks, Elliott Gould, Stacy
Keach
        Site Oficial:http:// www.historyx.com/
        Sinopse: Derek busca vazão para suas agruras tornando-se líder de uma
gangue de racistas. A violência o leva a um assassinato, e ele é preso pelo crime.
Três anos mais tarde, ele sai da prisão, e tem que convencer seu irmão (Edward
Furlong), que está prestes a assumir a liderança do grupo, a não trilhar o mesmo
caminho.
                                                                           27

                                                                    ANEXO 11
                            Preconceito   (Fobia Social)


      Nós mulheres (presas), não diferentes das mulheres (livres), somos
também frágeis mães, seres REPLETOS DE SENTIMENTOS, e carregamos as
mesmas essências femininas, estando ENCLAUSURADAS, OU NÃO...
      EU ainda, NÃO SENTI, NA PELE, COMO É VIVER NA SOCIEDADE, em
uma condição de MULHER EX-PRESIDIÁRIA, MAS AFIRMO: SINTO UM
RECEIO ENORME DE ENFRENTAR ESTE PRECONCEITO.
      O que FUI ONTEM, NÃO SOU HOJE, por que hoje me conduzo para dias
melhores, PARA UMA PESSOA MELHOR.
      E o que SOU HOJE, NÃO SEREI AMANHÃ, porque já me fiz uma NOVA
MULHER,   aceitei   novas   transformações,   que   me     farão   DIGNA   DO
RECONHECIMENTO SOCIAL, quebrando barreiras do PRECONCEITO.
      Quanto aos conceitos humanos, superarei a todos COM CORAGEM E
APOIO DOS QUE ME CERCAM.
      POIS SOU MULHER, que já viveu e sofreu e só será feliz ao conquistar
NOVAMENTE SEU ESPAÇO SOCIAL.
      Quero ser a mulher que fora antes ... antes de me excluírem da
SOCIEDADE.
      POIS EU COMO MULHER, ME DEVO ESTE MÉRITO.


      Ass:   PATRÍCIA RAGAZZI
                                               28

                                            ANEXO


MULHER


MULHER sempre MULHER
MULHER, ser que muda constantemente.
Não é complicada é apenas diferente.
Tem fases e segredos.
Tem coragem de leoa.
Conquista o que quer.
Atravessa mil barreiras,
Em suas fases de MULHER.
MULHER que desde outrora,
Doces dias transforma.
E na sua fase de fel,
Ainda nos ensina o momento
De estar só.
Menina ou moça, MULHER ou Velha
Lá está sempre ela,
Com seu brilho resplandecente
Iluminando o obscuro mais
Triste ser vivente.
A MULHER tem fases, se boa
Ou ruim, não importa, isto pertence a ela
É isto que a faz MULHER.
LUA é MULHER tem fases e fases
MULHER é LUA tem faces e faces
Unindo as duas temos
FASES e FACES.
                                                      29



Um dia fui presa, hoje sou livre


Em busca de um caminho
Perdida não estou mais.
Tirei da rosa o espinho,
Encontrei a minha Paz.
Vejo novos horizontes.
Está em mim, está em você.
Aquilo que fomos ontem,
Já podemos esquecer.
Por Quê?
O sol já nasceu de novo,
Já podemos caminhar.
A tempestade não vai mais atrapalhar.
As pedras dos caminhos já ficaram para trás.
Nestes novos tempos temos de tudo, temos paz.
Com nossos pés descalços pisamos neste chão.
São livres nossos passos,
Como os versos de uma Canção.
E esta liberdade me faz rir, me faz chorar.
E quanto mais sou livre, mais livre eu quero estar.
Nossas novas regras são as leis do amor.
Plantamos em cada vida,
Que a liberdade é o maior valor!
                   Patrícia Angélica Ragazzi Alves
                                                                            30



                                                                    ANEXO 12
       A Corrente do Bem
       ( Pay It Forward - EUA, 2001 - 123 minutos )
       Direção: Mimi Leder
       Gênero: Drama
       Elenco: Angie Dickinson, Helen Hunt, Kevin Spacey, Jay Mohr, Haley
Joel Osment, Jon Bon Jovi, James Caviezel
       Site Oficial: http://www.payitforward.com/




       Sinopse: Haley Joel Osment interpreta Trevor McKinney, um bom aluno
na escola que sofre problemas em casa com a mãe alcoólatra (Helen Hunt).
Quando seu professor Eugene Simonet (Kevin Spacey) pede um trabalho no qual
ele deve consertar algo de que não gosta no mundo, ele propõe uma corrente de
bondade: cada pessoa teria de fazer três boas ações. Como forma de retribuição.
fariam o bem para mais três pessoas e assim por diante. Seus planos são
colocados em prática e uma revolução ocorre em sua cidade.
                                                                                31



                                                                        ANEXO 13
         28 Dias
         (28 Days - EUA, 2000 - 103 minutos - EUA, 2001 - 95 minutos)
         Direção: Betty ThomasGênero: Drama
         Elenco: Sandra Bullock, Dominic West, Steve Busceni, Viggo Mortensen,
Elizabeth Perkins, Azura Skye
         Site Oficial: http://www.spe.sony.com/movies/28days/


         Sinopse: Além de ser uma escritora bem sucedida de Nova York, Gwen
Cummings (Sandra Bulock) adora uma noitada. Ao lado de seu namorado, Jasper
(Dominic West), ela não perde a chance de se embebedar e, constantemente,
acorda de ressaca. Tudo começa a mudar na cerimônia de casamento de sua
irmã, Lily (Elizabeth Perkins), quando ela provoca um acidente automobilístico
depois de se embriagar. Sua pena: 28 dias em um centro de reabilitação. Na
clínica, Gwen sofre problemas com o rigoroso regulamento até encontrar o
conselheiro Cornell (Steve Buscemi). Com sua ajuda, ela começa a entender
melhor      seu     comportamento      e     tenta    manter     o      equilíbrio.
                                                                            32

                                                                    ANEXO 14
       MENINA DE OURO
       Titulo Original: Million Dollar Baby
       Gênero: Drama
       Duração: 137 min
       País: EUA
       Ano: 2004


       Sinopse: Frankie Dunn (CLINT EASTWOOD) é uma lenda do boxe. Por
ele passaram grandes lutadores e passou a vida nos ringues. Sofrendo com o
doloroso distanciamento da filha, Frankie há muito tempo optou por não se
aproximar de ninguém. Seu único amigo é Scrap (MORGAN FREEMAN), ex-
boxeador que cuida do ginásio de Frankie e sabe que por baixo da aparência
rude, encontra-se um homem que freqüenta a missa quase diariamente há 23
anos, em busca de um perdão que nunca consegue alcançar. E então Maggie
Fitzgerald (HILARY SWANK) entra em seu ginásio a fim de se tornar uma
lutadora de boxe profissional. Maggie traz consigo um talento não-lapidado, uma
determinação inabalável e uma tremenda força de vontade. Mais do que tudo,
porém, deseja que alguém acredite nela. Por não desejar - ou por não ser capaz
de - desistir do seu objetivo de vida, Maggie se entrega totalmente ao treino
diariamente, encorajada apenas por Scrap. Vencido pela determinação de
Maggie, Frankie acaba por aceitar treiná-la. Revezando momentos em que se
agridem ou se inspiram mutuamente, os dois descobrem ter um espírito em
comum que transcende as dores e perdas que sofreram no passado, e encontram
um no outro a família que há muito perderam. O que eles não sabem é que em
breve enfrentarão uma batalha que exigirá mais coragem do que qualquer outra.
                                                                33

                                                          ANEXO 15
É Preciso Saber Viver


TitãsComposição: Roberto Carlos


Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão.
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer.
É preciso saber viver.
Toda pedra do caminho
Você deve retirar.
Numa flor que tem espinhos,
Você pode se arranhar.
Se o bem e o mal existem,
Você pode escolher.
É preciso saber viver.
É preciso saber viver.
É preciso saber viver.
É preciso saber viver.
Saber viver, saber viver!
Não deixe nada pra semana que vem,
Porque semana que vem pode nem chegar.
A partir de amanhã eu vou discutir,
Da próxima vez eu vou questionar.
http://www.samba-choro.com.br/artistas/chiquinhagonzaga
                                                                      34



"Quando não restar nem mesmo dor, ainda há de haver desejo, em cada um
               de nós, aonde Deus colocou dias melhores"
                                                               Jota Quest
                                             Composição: Rogério Flausino
      Vivemos esperando
      Dias melhores.
      Dias de paz, dias a mais.
      Dias que não deixaremos para trás.
      Vivemos esperando
      O dia em que seremos melhores.
      Melhores no amor, melhores na dor.
      Melhores, em tudo, vivemos esperando
      O dia em que seremos para sempre.
      Vivemos esperando
      Dias melhores, para sempre
      Vivemos esperando
      Dias melhores.
      Dias de paz, dias a mais.
      Dias que não deixaremos para trás.
      Vivemos esperando
      O dia em que seremos melhores.
      Melhores no amor, melhores na dor,
      Melhores em tudo.
      Vivemos esperando.
      O dia em que seremos para sempre.
      Vivemos esperando,
      Dias melhores para sempre.
                                                                 35

"Enquanto Houver Sol"


                                                               Titãs
                                           Composição: Sérgio Britto
Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma idéia vale uma vida
Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós, algo de uma criança
Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando que se faz o caminho
Quando não houver desejo
Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Mas isso é compromisso seu

								
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