A
Contabilidade
em
Perguntas
e
Respostas
Frei Luca Pacioli
A Contabilidade em 122 Perguntas
1. INTRODUÇÃO
1.1 O que é Contabilidade?
É a ciência que se destina a registrar, estudar, controlar e interpretar os fenômenos
ocorridos no patrimônio das Entidades, com o objetivo de fornecer informações e
orientações sobre o estado desse patrimônio e suas variações.
1.2 O que é Entidade Econômico-administrativa?
É a Entidade formada por uma ou mais pessoas, físicas ou jurídicas, que possuem um
patrimônio e dele se utiliza como meio para atingir seus fins, sejam eles econômicos ou
meramente ideais.
A pessoa física que possui e administra seu patrimônio, com o objetivo de prover sua
própria subsistência e a de sua família, pode ser também considerada uma Entidade
Econômico-administrativa, para fins de aplicação dos princípios contábeis à gestão desse
patrimônio.
1.3 Por que é o patrimônio objeto da Contabilidade?
Porque sobre ele são aplicados os procedimentos contábeis. Onde não existe patrimônio
a Contabilidade não é aplicável.
1.4 Onde a Contabilidade é aplicável?
Nas Entidades Econômico-administrativas, pois estas possuem patrimônio
administrável, no qual ocorrem fenômenos que a Contabilidade registra, estuda, controla e
interpreta.
1.5 Com que objetivo a Contabilidade registra, estuda, controla e interpreta os
fenômenos patrimoniais?
Com o objetivo de fornecer informações e orientações amplas, completas e precisas,
sobre o estado patrimonial em determinado momento e sobre os resultados econômicos
produzidos pela gestão administrativa em determinado período.
1.6 A quem a Contabilidade fornece informações e orientação?
Aos administradores do patrimônio, para que possam exercer sua atividade
administrativa.
Aos titulares do patrimônio – acionistas ou sócios da entidade administrada para
que eles possam avaliar o estado de sua riqueza, os resultados produzidos pela gestão do
patrimônio e a eficiência da administração.
Aos financiadores da Entidade, banqueiros ou capitalistas, para que possam
avaliar a capacidade de endividamento e a liquidez dessa Entidade.
Ao fisco, para que este saiba se a Entidade está cumprindo suas obrigações
tributárias.
A todos aqueles que, direta ou indiretamente, estão vinculados à Entidade e têm
interesse em sua continuidade e desenvolvimento – empregados, clientes, órgãos de classe e
a coletividade em geral.
2
1.7 Quais são os meios utilizados pela Contabilidade par atingir seus objetivos?
São as chamadas técnicas contábeis, a saber:
Escrituração: registro dos fatos contábeis.
Demonstrações contábeis: formas expositivas dos vários aspectos do patrimônio e
do resultado em um período administrativo.
Auditoria: confirmação de que as demonstrações contábeis refletem
adequadamente a situação patrimonial da Entidade e o resultado do período examinado, de
acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade e as normas contábeis vigentes,
aplicados uniformemente em períodos sucessivos.
Análise de balanços: decomposição comparação e interpretação do estado
patrimonial.
1.8 Como você conceituaria a Contabilidade?
É a ciência que estuda, controla e interpreta os fenômenos ocorridos no patrimônio
(objeto) mediante o registro, a demonstração expositiva, a auditoria, a análise e a
interpretação desses fatos (meios), com o fim de oferecer informações e orientações sobre a
composição e as variações sofridas pelo patrimônio, bem como sobre o resultado
econômico decorrente da gestão da riqueza patrimonial.
2. NOÇÕES PATRIMONIAIS
2.1 O que é patrimônio?
É o conjunto de bens, direitos e obrigações, vinculados a uma Entidade Econômico-
administrativa, podendo também ser definido como conjunto de bens econômicos, ou
conjunto de bens com fim específico.
2.2 O que é bem?
É toda a coisa útil à satisfação das necessidades humanas.
2.3 O que são direitos?
São créditos da Entidade em relação a terceiros, que lhe devem entregar
determinadas importâncias, em dinheiro ou bens. Podem ser também definidos como bens
de Entidade em poder de terceiros.
2.4 O que são obrigações?
São créditos de terceiros em relação à Entidade, que lhes deve entregar
determinadas importâncias, em dinheiro ou bens. Podem também ser definidos como bens
de terceiros em poder da Entidade.
2.5 O que é Capital?
É o excesso de riqueza aplicado na produção de novas riquezas.
Em Contabilidade, é o excesso dos bens e direitos sobre as obrigações, representado
pela contribuição inicial do titular ou titulares do patrimônio e acrescido de contribuições
posteriores e lucros capitalizados.
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2.6 O que é Ativo?
É a parte positiva do patrimônio, representada por bens e direitos.
2.7 O que é passivo?
É a parte do patrimônio, representada por obrigações. Nele figura também o capital,
como parcela diferencial, igualando o Passivo ao Ativo. Esse diferencial é considerado
como patrimônio líquido.
2.8 O que é equação patrimonial?
É a igualdade entre o Ativo e o Passivo, isto é:
bens+direitos = obrigações+Patrimônio Líquido.
2.9 O que se entende por patrimônio como Fundo de Valores?
É o patrimônio considerado sob o aspecto de sua composição, compreendendo
valores positivos (bens e direitos) e negativos (obrigações) e produzindo uma situação
líquida, que poderá ser positiva, negativa ou nula.
2.10 O que se entende por aspecto qualitativo do patrimônio?
É aquele sob o qual consideramos a natureza dos componentes patrimoniais, como
por exemplo:
Caixa (dinheiro)
Bens: Mercadorias (estoque)
Imóveis (prédios, terrenos)
Móveis (mesas, cadeiras, arquivos, etc)
Maquinário (máquinas, instrumentos)
Direitos: Duplicatas a Receber
Contas a Receber
Investimentos
Obrigações: Duplicatas a Pagar
Contas a Pagar
Impostos a Pagar
2.11 O que se entende por aspecto quantitativo do patrimônio?
É aquele representado pela tradução monetária do valor dos componentes
patrimoniais, como, por exemplo:
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Ativo Passivo
Caixa 10.000,00 Duplicatas a Pagar 200.000,00
Bancos 40.000,00 Contas a Pagar 30.000,00
Mercadorias 200.000,00 Impostos a Pagar 70.000,00
Duplicatas a Receber 150.000,00
Contas a Receber 50.000,00
Investimentos 100.000,00 Capital 600.000,00
Imóveis 260.000,00
Móveis 20.000,00
Maquinário 70.000,00
900.000,00 900.000,00
2.12 O que é situação patrimonial líquida?
É a diferença entre bens e direitos (Ativo) e obrigações (Passivo), a saber:
Ativo>Passivo = situação líquida positiva, (ou patrimônio líquido).
Ativo
Ativo=Passivo = situação líquida nula (ou compensada).
2.13 O que se entende por patrimônio como investimento e como Fonte de
Financiamento?
O passivo indica a origem dos capitais que integram o patrimônio.
O ativo indica a destinação desses capitais investidos em bens e direitos necessários
aos objetivos da Entidade.
Todo capital obtido, seja do titular do patrimônio, de terceiros, ou proveniente de
lucros, é registrado no Passivo, demonstrando sua origem, e ao mesmo tempo registrado no
Ativo, demonstrando investimento, em bens e direitos.
2.14 O que é investimento patrimonial?
São todas as aplicações feitas no Ativo, em bens e direitos, segundo a natureza e as
necessidades da Entidade.
Exemplo:
Caixa 10.000,00
Bancos 40.000,00
Mercadorias 200.000,00
Duplicatas a Receber 150.000,00
Contas a Receber 50.000,00
Investimentos 100.000,00
Imóveis 260.000,00
Móveis 20.000,00
Maquinário 70.000,00
900.000,00
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2.15 Quais são as Fontes de Financiamento?
São aqueles que indicam a origem dos capitais investidos no ativo, os quais podem
ser fornecidos pelos titulares do patrimônio ou por terceiros. No primeiro caso, teríamos
capitais próprios, e, no segundo, capitais de terceiros. Exemplo:
Capitais próprios: Capital 600.000,00
Capitais de Terceiros: Duplicatas a Pagar 200.000,00
Contas a Pagar 30.000,00
Impostos a Pagar 70.000,00
900.000,00
O capital próprio pode também originar-se de lucros acumulados e não-distribuídos,
formados na própria Entidade (reservas e lucros acumulados).
2.16 O que é patrimônio líquido?
É a substância líquida patrimonial, ou seja, a diferença positiva entre bens e direitos
(Ativo) e as obrigações (Passivo). O Patrimônio líquido corresponde à situação líquida
positiva. Sendo demonstrada no Passivo para formar a equação patrimonial. Por não ser
exigível por terceiros, é chamado Patrimônio Líquido.
3. CAMPO DE APLICAÇÃO
3.1 Qual é o campo de aplicação da Contabilidade?
É o das entidades econômico-administrativas, às quais presta sua colaboração,
mediante o fornecimento de informações sobre seu patrimônio, permitindo assim sua mais
eficiente administração.
3.2 Quais os elementos que concorrem para a existência da Entidade Econômico-
admisntrativa?
Esses elementos são: patrimônio, trabalho e administração.
O patrimônio é o elemento material de que se utiliza a Entidade para atingir seus
fins, sejam eles ideais ou econômicos.
A consecução dos objetivos da Entidade exige trabalho, geralmente desenvolvido
sobre o patrimônio.
A administração dirige o trabalho, coordenando sua ação sobre o patrimônio, para
que os fins da entidade sejam alcançados com mais eficiência.
3.3 O que é administrar?
É dirigir, governar e coordenar esforços humanos tendentes a um fim. A
administração dirige o trabalho relacionado com o patrimônio, controlando e administrando
os elementos patrimoniais.
3.4 Como se classificam as Entidades Econômico-admisnitrativas?
Quanto aos fins, em: sociais, econômico-sociais e econômicas (empresas). Quanto à
natureza, em públicas e particulares.
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3.5 Quais as funções da administração, segundo Henri Fayol?
Técnicas.
Comerciais.
Financeiras.
De segurança.
Contábeis.
Propriamente administrativas.
As funções contábeis assumem grande relevância nas Entidades com fins
econômicos (empresas), pois todas as demais funções delas recebem, direta ou
indiretamente, importante colaboração. Não menos importante o é nas administrações
públicas, pois nestas os recursos administradas pertencem à coletividade, ou seja, a toda a
Sociedade, e geralmente envolvem valores elevados.
4. GESTÃO ADMINISTRATIVA
4.1 O que se entende por gestão?
Os atos praticados pela administração, somados àqueles que, embora não praticados
por ela, modificam o patrimônio das Entidades formam um complexo de fatos e fenômenos
a que denominamos gestão.
4.2 O que são períodos administrativos?
São períodos de tempo utilizados para medir os resultados da atividade
administrativa.
4.3 O que é exercício?
É a gestão econômico-financeira realizada dentro de um período administrativo.
4.4 O que é custo?
É o preço pelo qual se obtém um bem ou serviço. O custo é fundamental em
qualquer Entidade com fim lucrativo, pois dele depende a empresa para alcançar seus
objetivos.
4.5 O que é receita?
É a recuperação do custo, através da venda de produtos ou serviços, ou do
recebimento de outras rendas. Nas entidades sem fins lucrativos, a receita é meramente a
entrada de recursos financeiros.
4.6 O que é resultado?
É a diferença entre a receita e seu respectivo custo. O resultado será positivo (lucro)
quando a receita for superior ao custo, ou negativo (prejuízo), quando o custo for superior a
receita.
4.7 Quando se efetiva o resultado?
Quando a receita é recebida ou se torna realizável e o custo é pago ou se torna
exigível, dentro de um mesmo período.
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A apuração do resultado não depende, portanto, do recebimento de receitas ou do
pagamento de despesas, mas apenas de sua alocação como receita e custo, cuja diferença
constitui o resultado do exercício.
4.8 Que constituem receitas e despesas efetivas em instituições sem fins lucrativos?
São aquelas que correspondem à receita e custo nas empresas, isto é, aqueles que
representam recebimentos ou pagamentos sem correspondentes entradas ou saídas de bens
do patrimônio.
4.9 O que são mutações patrimoniais?
São entradas ou saídas de elementos patrimoniais, compensadas por outras do
mesmo valor, não alterando, portanto, o patrimônio líquido. Nas entidades sem fim
lucrativo elas são caracterizadas por compra ou venda de bens permanentes.
4.10 Em que consiste o equilíbrio financeiro das entidades sem fins lucrativos?
Não tendo objetivo de lucro, as entidades sem fins lucrativos devem alcançar suas
finalidades dentro de seus recursos orçamentários. Para isso elas devem limitar as despesas
às receitas, obtendo, assim, o equilíbrio orçamentário. Quando as receitas ultrapassam as
despesas, ocorre superávit financeiro, e, caso contrário, déficit.
4.11 O que se entende por regime de caixa?
O regime de caixa caracteriza-se pela apuração do resultado do exercício mediante
cômputo das despesas e receitas pagas e recebidas durante o período administrativo. Nesse
regime não são considerados, portanto, custos e receitas incorridos, a pagar e a receber em
exercícios futuros, mas apenas o que foi pago o recebido.
4.12 O que é regime de competência?
É aquele em que todos os custos e receitas incorridos, mesmo que pagos ou recebidos
em diferentes períodos, são computados no exercício de sua competência. Esse regime
obedece ao Princípio Fundamental de Contabilidade chamado Princípio da Competência de
Exercícios.
4.13 Em que consiste a gestão das empresas?
C
1. obtenção de capitais, próprios e de terceiros,
2. aplicação desses capitais, em investimentos (realizáveis ou permanentes) e em custos
recuperáveis;
3. recuperação dos custos, através da venda de bens e serviços, com a conseqüente
apuração do resultado, que poderá ser distribuído, em forma de remuneração do capital
próprio, ou reinvestido na empresa, como aumento desse capital.
4.14 Em que consiste a gestão das Entidades sem fins lucrativos?
Compreende as seguintes operações:
1. obtenção de receitas, que constituem os meios necessários ao atendimento dos
objetivos da entidade;
2. aplicação dessas receitas em despesas indispensáveis à consecução desses objetivos.
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5. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
5.1 O que é Escrituração Contábil?
É o registro dos fatos administrativos, em livros próprios e segundo os princípios e
normas técnico-contábeis, tendo em vista demonstrar a situação econômico-patrimonial das
Entidades e os resultados por elas obtidos em determinados períodos administrativos.
5.2 Em que se distingue a Contabilidade da Escrituração?
A Contabilidade é a ciência que estuda, controla e interpreta os fenômenos
ocorridos no patrimônio das Entidades econômico-administrativas.
A Escrituração é uma das técnicas contábeis básicas, que consiste no registro e
demonstração de todos os fatos contábeis, permitindo à Contabilidade atingir sua
finalidade, que é fornecer informações sobre o patrimônio administrado.
5.3 O que é lançamento contábil?
É o registro de um fato administrativo. Ao conjunto dos lançamentos contábeis
chamamos Escrituração.
5.4 O que são variações patrimoniais?
São ocorrências que produzem alterações no patrimônio, quer sejam meramente
permutativas das espécies de componentes patrimoniais ou modificativas da substância
liquida do patrimônio (aumento ou diminuição do patrimônio líquido).
5.5 O que é fato contábil?
É toda ocorrência que se verifica no patrimônio e lhe traz variações,
específicas ou quantitativas. São fatos suscetíveis de contabilização e por isso denominados
contábeis.
5.6 Como se classificam os fatos contábeis?
Classificam-se em:
Permutativos (quando ocorrem alterações meramente qualitativas nos componentes).
Modificativos (quando as variações patrimoniais são quantitativas e provocam alterações
na situação líquida do patrimônio).
Mistos ou compostos (quando ocorrem concomitantemente variações qualitativas e
quantitativas).
5.7 Qual o método de escrituração universalmente adotado?
É o método das partidas dobradas, cujo princípio fundamental é o seguinte: Não
há devedor sem credor correspondendo, a cada débito um crédito de igual valor. Este
método surgiu no ano de 1494, em Veneza, Itália. Seu precursor foi o notável frei
franciscano Luca Pacioli.
5.8 Quais os principais “chavões” do método das partidas dobradas?
São os seguintes:
a. A soma dos débitos é sempre igual à dos créditos.
b. A soma dos saldos devedores é sempre igual à dos credores.
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c. O Ativo é sempre igual ao Passivo. A diferença entre bens, direitos e obrigações figura
na situação líquida, para completar a equação patrimonial.
d. As despesas são sempre debitadas e as receitas creditadas. A diferença entre elas
constitui lucro ou prejuízo, que aumenta ou diminui a situação líquida (patrimônio
líquido).
5.9 Quais os elementos essenciais do lançamento?
São os seguintes:
Local e data.
Conta debitada (ou contas debitadas).
Conta creditada (ou contas creditadas).
Histórico (descrição do fato contábil).
Valor (expressão monetária do fato administrativo).
5.10 Quais as funções do lançamento?
Assim como a Escrituração, da qual é uma unidade, o lançamento tem duas funções:
1. histórica, de registrar cronologicamente os fatos;
2. de registro da expressão monetária dos fatos e seu agrupamento, segundo a natureza de
cada um.
5.11 Quantas e quais são as fórmulas de lançamento?
São quatro, a saber:
Primeira: Apenas uma conta debitada e uma creditada.
Segunda: Uma conta debitada e várias creditadas.
Terceira: Várias contas debitadas e uma creditada.
Quarta: Várias contas debitadas e várias creditadas.
5.12 Quando ocorrem fatos permutativos?
1. Quando há permutação de elementos Ativos:
Ex: D Mercadorias
C Caixa 10
2. Quando há permutação de elementos Passivos:
Ex: D Fornecedores
C Duplicatas a Pagar 20
3. Quando há redução do Ativo compensada por redução do Passivo:
Ex: D Duplicatas a Pagar
C Caixa 20
4. Quando há aumento de Ativo, compensado por aumento de Passivo:
Ex: D Mercadorias
C Fornecedores 30
5.13 Como se classificam os fatos modificativos?
Em aumentativos e diminutivos
Os aumentativos podem ser exemplificados da seguinte forma:
10
1. Aumento do Ativo:
D caixa
C Juros Recebidos 10
2. Diminuição do Passivo:
D Contas a Pagar
C Descontos Obtidos 5
Os diminutivos podem ser exemplificados da seguinte forma:
1. Diminuição no Ativo:
D Aluguéis
C Caixa 15
2. Aumento do Passivo:
D Luz e Água
C Contas a Pagar 6
5.14 Em que consistem fatos mistos?
Em permutação de elementos ativos e passivos, combinada com aumento ou
diminuição de patrimônio líquido.
Exemplos:
1. Permutação no Ativo:
1.1 Diminutiva:
D Caixa 9
D Descontos Concedidos 1
C Duplicatas a receber 10
1.2 Aumentativa:
D Caixa 100
C Mercadorias 70
C Lucros/Vendas 30
2. Permutação no Passivo:
2.1 Diminutiva:
D Duplicatas a Pagar 20
D Despesas de Juros 2
C Letras a Pagar 22
2.2 Aumentativa:
D Duplicatas a Pagar 20
C Letras a Pagar 19
C Descontos Obtidos 1
3. Permutação de elementos Ativos e Passivos:
3.1 Diminutiva:
D Duplicatas a Pagar 20
D Despesas de Juros 2
C Caixa 22
11
3.2 Aumentativa:
D Duplicatas a Pagar 20
C Caixa 18
C Descontos Obtidos 2
5.15 Quando é aberta uma conta?
Uma conta é aberta quando:
1. Constituí-se o capital da empresa.
2. Adquirem-se bens ou direitos.
3. Obrigações são assumidas.
4. Realizam-se receitas ou despesas.
5. Fenômenos de naturezas diversas ocorrem, exigindo a abertura de contas específicas
para registrá-los.
As contas serão movimentadas toda vez que os fenômenos patrimoniais se repetirem,
sendo cada um registrado em sua conta específica.
5.16 Cite dez contas representativas do Ativo:
Caixa
Estoque de Mercadorias Bancos
Bens Imóveis Direitos Duplicatas a Receber
Móveis e Utensílios Aplicações Financeiras
Máquinas Títulos a Receber
Equipamentos de
Informática
5.17 Cite cinco contas representativas de obrigações.
Fornecedores
Duplicatas a Pagar
Contas a Pagar
Empréstimos Bancários
Hipotecas a Pagar
5.18 Cite quatro contas representativas da situação líquida:
Patrimônio líquido (situação líquida positiva)
Capital
Reservas
Lucros Acumulados
Passivo a descoberto (situação líquida negativa)
Prejuízos Acumulados
5.19 Cite dez contas representativas de despesas
Ordenados
Aluguéis
Impostos
Despesas de Juros
Seguros
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Água e Luz
Material de Consumo
Contribuições de Previdência
Despesas Diversas
Prejuízos Diversos
5.20 Cite cinco contas representativas de receitas
Lucro na Venda de Mercadorias
Serviços Prestados
Receitas de Juros
Receitas de Comissões
Rendas Diversas
5.21 Que diz a Lei nº 6.404/76 sobre a Escrituração?
Ela diz que:
A Escrituração da companhia será mantida em registros permanentes.
Esses registros serão feitos com obediência aos preceitos da legislação comercial e aos
princípios de Contabilidade geralmente aceitos.
Os registros devem obedecer aos métodos e critérios contábeis uniformes no tempo.
As mutações patrimoniais devem ser registradas de acordo com o regime de
competência.
A modificação de métodos ou critérios, no exercício, se relevante, deverá ser indicada
em notas explicativas.
As diferenças entre os princípios contábeis e as determinações de leis fiscais serão
registradas em registros auxiliares.
As demonstrações financeiras serão assinadas pelos administradores e por contabilista
legalmente habilitado.
6. LIVROS CONTÁBEIS, FISCAIS E SOCIETÁRIOS
6.1 O que são livros de escrituração?
São os livros utilizados pelas Entidades para registrar todos os fatos que nelas
ocorrem, permitindo assim que se possa conhecer, a qualquer momento, o
desenvolvimento da vida social, econômica, financeira e patrimonial da entidade.
6.2 São contábeis todos os livros de escrituração?
Nem todos os livros utilizados pelas entidades econômicas são de natureza contábil,
embora estes sejam os mais importantes para o controle da vida econômica, financeira e
patrimonial da entidade.
6.3 De que natureza são os demais livros de escrituração?
Livros sociais (exigidos pela Lei das Sociedades por Ações).
Livros fiscais (exigidos pela legislação fiscal).
Livros trabalhistas (exigidos pela legislação trabalhista).
Outros.
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6.4 Quais são os principais livros contábeis?
O Diário, que é o registro geral das operações em ordem cronológica. O Razão, que
é o registro geral das operações em ordem sistemática.
6.5 Como são Processados os registros no Diário ?
Em se tratando de livro obrigatório por lei, o registro do Diário também é regulado
por lei. A atual legislação em vigor permite que o Diário seja escriturado em folhas soltas
(meio eletrônico), para posterior encadernação. Permite, ainda, o uso de um conjunto de
fichas devidamente rubricadas pela Junta Comercial, para substituição do livro
encadernado outrora exigido.
6.6 Como são escriturados os demais livros contábeis?
Após o registro do Diário, as operações são transcritas para os demais livros. Os
modernos processos de registro - mecanizado, maquinizado ou eletrônico - permitem o
registro simultâneo do Diário com o Razão e com outros livros auxiliares.
6.7 Cite outros livros contábeis importantes.
Além do Diário e do Razão, são importantes sob o aspecto contábil todos os livros
auxiliares destinados ao registro analítico de componentes patrimoniais, tais como: Caixa,
Bancos, Contas a Receber, Contas a Pagar, Registro de Duplicatas, Registro de Estoques,
Fornecedores o outros.
6.8 Pode a Entidade utilizar mais de um livro Diário?
Embora uno, devendo ser o registro geral de todas as operações, o Diário poderá ser
desdobrado, substituído pelos registros auxiliares analíticos, como o Caixa, o Contas-
Correntes, o livro de Bancos, de Fornecedores etc., desde que o resumo geral das
operações seja transcrito no Diário Geral.
7. ERROS DE ESCRITURAÇÃO E CORREÇÃO
7.1 Como se corrigem os erros de escrituração?
Na escrituração do Diário, que é o principal livro obrigatório, devem ser evitadas
rasuras, emendas, raspaduras ou borrões, bem como linhas em branco ou escritos à
margem. Para evitar tais irregularidades todos os erros nesse livro devem ser corrigidos
mediante estorno, ou através de lançamento complementar ou retificativo.
7.2 Nos livros facultativos podem ser cometidas rasuras ou outras irregularidades?
Embora não existam prescrições legais quanto aos registros auxiliares, a técnica
contábil desaconselha tais impropriedades, pois elas prejudicam a clareza dos registros e
podem suscitar dúvidas quanto à lisura com que foram procedidos.
7.3 Quando se procede ao estorno e quando se utilizam os demais processos de
retificação de erros contábeis?
O estorno, que consiste na anulação do lançamento errado, é sempre a forma mais
aconselhável de retificação de erros nos livros contábeis, pois após o estorno faz-se o
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lançamento correto. Quando o lançamento errado registra importância a mais ou a menos
do que deveria registrar, o lançamento retificativo ou o complementar poderão também
retificar o erro sem prejuízo da clareza.
7.4 Como se corrigem erros nos livros auxiliares?
O melhor processo de correção é estornar o lançamento e registrá-lo novamente.
7.5 Como se corrige a omissão de um lançamento?
Efetuando-se o lançamento omitido, na data em que se descobrir a omissão, e
fazendo-se referência, no histórico, à data em que o fato ocorreu.
7.6 Como são corrigidos os erros cometidos no histórico de lançamento não encerrado?
Adicionando-se uma das expressões: "digo", "aliás" ou "em tempo", e prosseguindo
com a redação certa.
8. PLANO DE CONTAS
8.1 O que é um plano de Contas?
É o elenco, devidamente classificado e codificado, de todas as contas que poderão
ser utilizadas pela Entidade à qual se destina.
8.2 Quais as regras para a elaboração de um bom plano de contas?
Um bom plano de contas deve:
1. Incluir o maior número possível de contas que possam ser utilizadas no ramo especifico
de atividade para o qual foi elaborado.
2. Ser planejado de forma a permitir a inclusão de qualquer conta nova sem alterar a
codificação das já existentes.
3. Facilitar a elaboração de balancetes e balanços, evidenciando o Ativo, o Passivo e os
resultados, mediante o simples relacionamento das contas, segundo a codificação
planejada.
4. Utilizar codificação que facilmente identifique as contas e que exija a menor quantidade
possível e dígitos.
5. Distinguir claramente as contas patrimoniais das de resultado, evidenciando as
características próprias de cada Entidade (comercial, industrial, bancária, de serviços, de
transportes, social, pública etc.).
6. Facilitar o levantamento de informações específicas para fins administrativos (custos,
liquidez financeira, rotação de capitais, investimentos específicos etc.), para fins fiscais
(lucro tributável, impostos recuperáveis ou a recolher etc.), ou para fins de divulgação
(Lei nº. 6.404/76 Lei das Sociedades por Ações) e dezenas de outros regulamentos
específicos para determinados tipos de empresas: bancos, seguros, financeiras,
corretores, consórcios etc.
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9. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
9.1 O que são demonstrações contábeis?
São todas as formas de exposição, sintéticas ou analíticas, do estado patrimonial e
de suas variações, originadas dos livros contábeis.
Podemos citar, entre outras, os balanços patrimoniais, as demonstrações de
resultados, os Inventários, os orçamentos, os extratos e as análises de contas.
9.2 Quais as demonstrações contábeis exigidos pela Lei nº 6.404/76?
-balanço patrimonial;
-demonstração de lucros ou Prejuízos acumulados (que pode ser substituída pela
demonstração das variações do patrimônio líquido);
-demonstração do resultado do exercício;
-demonstração das origens e aplicações de recursos.
9.3 O Que é balanço Patrimonial?
Balanço Patrimonial é a demonstração sintética, em forma equacional, dos
componentes do patrimônio e de suas variações.
9.4 Qual a relação e a distinção entre a Demonstração do Resultado do Exercício e a
Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados?
A demonstração do Resultado do Exercício demonstra receitas e despesas do
período, evidenciando o lucro líquido no fim do exercício. A demonstração de lucros ou
Prejuízos Acumulados parte do resultado do exercício anterior, mostrando a destinação que
teve, bem como o resultado do presente exercício, adicionado ao saldo anterior, a
desatinação para reservas e dividendos, e, finalmente, o saldo que passa para o próximo
exercício.
9.5 Qual a principal finalidade da Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos?
É a de evidenciar a variação do capital circulante, da empresa, através da
demonstração das variações sofridas pelo ativo circulante a pelo passivo circulante.
9.6 Por que a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados pode ser substituída
pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido?
Porque a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é mais ampla,
demonstrando todas as contas representativas do patrimônio líquido (inclusive os lucros ou
prejuízos acumulados) no início o no fim do exercício, evidenciando, portanto, as
variações por elas sofridas.
9.7 O que é Inventário? Dê exemplo
É a demonstração analítica e especifica de determinado componente patrimonial.
Por exemplo, o Inventário de mercadorias é a relação analítica de todos os itens que
compõem o estoque de mercadorias de uma empresa, especificando suas quantidades,
naturezas e preços unitários, para demonstrar, ao final, o montante das mercadorias em
estoque, o que deverá coincidir com o montante da conta sintética de Mercadorias, no
Razão.
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9.8 Como é feito o inventário?
Há dois tipos de inventário: o contábil e o físico.
O inventário contábil é extraído dos livros auxiliares analíticos, tais como: Registro
de Estoques, Registro de Duplicatas, Bancos, Fornecedores etc.
O inventário físico é a relação de todos os itens apurados através da contagem
física, sendo realizado através da investigação, descrição, classificação e avaliação dos
itens inventariados.
9.9 Que é orçamento?
É um ato de previsão da gestão econômico-administrativa de um período, ou do
comportamento de determinado setor da administração econômica, tais como, previsão de
custo ou de receita de certos trabalhos, previsão de investimentos e de retorno desses
investimentos, previsão de recursos financeiros para atender a compromissos (fluxos de
caixa) etc.
10. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO E DEPRECIAÇÃO
10.1 O que é avaliação?
A avaliação é a última fase do processo inventarial, através da qual se atribuem
valores a todos os itens que compõem o inventário. Da avaliação depende, portanto, a
determinação do valor final do Ativo, do Passivo e, conseqüentemente, do resultado do
exercício.
10.2 Quais os critérios de avaliação adotados pela Lei no. 6.404/76?
Esses critérios que, de maneira geral, obedecem aos Princípios Fundamentais de
Contabilidade em vigor no Brasil, estão discriminados nos arts. 183 e 184.
10.3 O que é depreciação?
Depreciação é a perda de valor que sofrem os bens, em decorrência do uso, da ação
do tempo, de acidentes ou outros fenômenos físicos ou químicos.
10.4 Como se calcula a depreciação?
Vários podem ser os critérios de cálculo da depreciação, entre os quais podemos
destacar o da depreciação real e o da depreciação teórica.
Segundo o primeiro, a depreciação é calculada mediante avaliação direta do bem,
no momento do inventário, a qual é comparada com o valor histórico, sendo a diferença
considerada como depreciação do período. De acordo com a depreciação teórica, faz-se a
estimativa da duração do bem e distribui-se a depreciação por esse período, segundo um
dos vários métodos matemáticos de depreciação.
10.5 Como se contabiliza a depreciação?
A depreciação é contabilizada, mensal ou anualmente, debitando-se ao custo do
período a parcela a ele atribuída, mediante crédito à conta de provisão respectiva. Esta
provisão figurará no balanço dedutivamente da conta ativa do bem depreciado.
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10.6 O que é correção monetária?
Em períodos inflacionários, a moeda se deteriora, e os investimentos permanentes,
registrados; ao custo histórico, se desatualizam em relação ao valor de reposição dos bens,
ou seja, em relação a seu valor atualizado, distorcendo o balanço. A correção monetária é o
processo pelo qual procura-se atenuar os efeitos da desvalorização da moeda sobre o
balanço, corrigindo-se as contas ativas subavaliadas, bem como o patrimônio líquido, que
também se acha desatualizado. A correção monetária vigorou no Brasil,
compulsoriamente, por mais de 30 anos, porém atualmente está revogada pela Lei no.
9.249/95.
10.7 Como se contabiliza a correção monetária?
A correção monetária, quando em vigor no Brasil, era contabilizada mediante a
criação de uma conta, denominada Correção Monetária do Balanço na qual eram
creditados os valores correspondentes à correção monetária debitada nas contas do ativo
permanente e na qual eram debitadas as correções monetárias creditadas às contas do
patrimônio líquido. O saldo da conta Correção Monetária do Balanço era lançado na
Demonstração do Resultado do Exercício, influindo nesse resultado de forma positiva ou
negativa, conforme seja seu saldo credor (lucro inflacionário) ou devedor (prejuízo
inflacionário).
10.8 A correção monetária constitui lucro ou prejuízo?
Segundo as disposições legais que criaram a correção monetária, ela constituiria
lucro quando ela é credora o prejuízo quando devedora. A correção monetária reflete os
efeitos da inflação sobre o capital de giro da empresa. Se esta possui capital de giro
positivo, isto é, patrimônio liquido superior ao ativo permanente a correção monetária
apresentará saldo devedor, indicando que a inflação causou efeito negativo (prejuízo) ao
capital de giro da empresa. Se esta tem capital de giro negativo, isto é, ativo permanente
maior que o patrimônio líquido, o efeito da inflação é positivo (lucro) gerando saldo credor
na Correção Monetária do Balanço.
10.9 Qual a diferença entre a Correção Monetária a Reavaliação do Ativo Imobilizado?
Ambas representam um reajuste do valor histórico contábil do ativo. A correção
monetária, entretanto, ajusta os valores segundo os índices de desvalorização da moeda,
sem levar em conta qualquer outra valorização específica que o bem possa apresentar. A
reavaliação é feita com base em avaliação objetiva de cada bem, individualmente, baseada
em laudo de avaliação elaborado por peritos, que levam em conta todas as circunstâncias
que possam influir nessa avaliação, em especial o valor de mercado do bem na data do
laudo pericial.
11. PRINCÍPIOS E NORMAS CONTÁBEIS
11.1 O que é princípio?
Princípio é a causa da qual algo procede, é a origem, o começo de um fenômeno ou
de uma série de fenômenos. Pode-se também defini-lo como uma verdade fundamental,
evidente e inquestionavelmente, comprovada.
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11.2 O que são Princípios Fundamentais de Contabilidade?
A conceituação emitida pela Resolução CFC nº. 750/93, em seu art. 2º é a seguinte:
"Os Princípios Fundamentais de Contabilidade representam a essência das
doutrinas e teoria relativas à Ciência da Contabilidade, consoante o entendimento
predominante nos universos científico e profissional de nosso País. Concernem, pois, à
Contabilidade no seu sentido mais amplo de ciência social, cujo objeto é o Patrimônio das
Entidades”.
11.3 Que são Normas Contábeis?
São as regras, ou guias-de-orientação, admitidos em um país como os mais
adequados para ordenar, disciplinar a elaborar os registros e as demonstrações contábeis.
Elas se subordinam aos Princípios Fundamentais de Contabilidade.
As normas contábeis são convencionais e não fundamentais para o registro de fatos
e elaboração de demonstrações e informações contábeis, devendo ser interpretadas como
regras complementares, obedientes aos Princípios Fundamentais, e necessárias como
padrões de conduta ou guias-de-orientação para o exercício profissional.
11.4 Qual a diferença entre Princípios Fundamentais de Contabilidade e normas
contábeis?
a. Os princípios são imutáveis e inerentes à própria natureza da doutrina contábil, e existem
independentemente da vontade ou da escolha por parte de doutrinadores ou
profissionais, precisando ser identificados e respeitados, para que essa ciência, em sua
aplicação aos fins a que se destina, alcance seus objetivos de informar e orientar, com
clareza, precisão e eficiência, sobre a situação e as variações patrimoniais da Entidade a
que ela se aplica. São também básicos a imutáveis, em quaisquer circunstâncias, como,
por exemplo, os Princípios da Entidade, de Universalidade dos Fenômenos Patrimoniais
e da Unidade dos Registros e Demonstrações.
b. As normas contábeis são convencionais e podem ser modificadas segundo as
circunstâncias. Elas são dinâmicas e se modificam de acordo com a evolução das
atividades econômicas e empresariais de cada país. Diferentemente dos princípios, as
normas são estabelecidas por doutrinadores ou por profissionais, com a finalidade de
harmonizar os registros, demonstrações e informações contábeis, servindo como
guias-de-orientação para os profissionais que as aplicam. As normas contábeis deverão
atender às necessidades dos meios econômicos e culturais em que são aplicadas,
podendo, portanto, variar segundo as necessidades específicas e contingentes desse
ambiente, desde que respeitem os Princípios Fundamentais da Contabilidade.
11.5 Como são estabelecidas as normas contábeis?
Nos diversos países, para que surjam as normas contábeis, há sempre necessidade
do apoio de uma Entidade com autoridade para impor as normas mais adequadas aos
registros contábeis; em determinado momento. Hoje existem, em quase todos os países,
organismos profissionais, ou regulamentadores da profissão, emitindo pronunciamentos ou
resoluções sobre normas contábeis a serem obedecidos nacionalmente. Muitos países estão
adotando as normas internacionais emitidas pela IASC - International Accounting Standard
Committee, cujos pronunciamentos têm tido crescente aceitação.
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11.6 Como as entidades profissionais criam ou estabelecem as normas contábeis?
Geralmente essas entidades baseiam-se em trabalhos e opiniões de profissionais
conceituados, professores, doutrinadores e escritores; manifestadas através de obras
publicadas, revistas especializadas, teses e trabalhos apresentados em congressos e
conferências, bem como nas cátedras das universidades.
11.7 Como são fixadas as normas contábeis no Brasil?
No Brasil, as autoridades governamentais, com a colaboração de seus profissionais
especializados, têm estabelecido normas contábeis específicas para inúmeros tipos de
atividades econômicas, tais como entidades financeiras, seguradoras, construtoras, de
transporte, de energia elétrica entre outras.
Por muitos anos, as normas contábeis foram emitidas, principalmente, em
pronunciamentos do IBRACON - Instituto Brasileiro de Contadores, bem como em
resoluções da Comissão de Valores Mobiliários - CVM, que fiscaliza as sociedades por
ações, por delegação da Lei no 6.404/76. Atualmente, a principal fonte de emissão de
normas contábeis é o Conselho Federal de Contabilidade que, através de sua Resolução
CFC no 751, de 29 de dezembro de 1993, "Dispôs sobre as normas brasileiras de
contabilidade.”
11.8 Como são fixadas normas contábeis em outros países?
Em quase todos os países desenvolvidos, as normas contábeis são estudadas e
recomendadas pelos respectivos Institutos de Contadores, como ocorre nos Estados
Unidos, Inglaterra, Canadá, México, Argentina, Austrália e outros.
Nos Estados Unidos eram fixadas pelo Instituto até junho de 1973. A partir dessa
data constituiu-se uma Fundação, de cunho oficial, com a sigla FASB (Financial
Accounting Standard Board), que se encarrega de emitir os princípios contábeis a serem
seguidos pelos contadores americanos.
Em 1967 foi criado o Grupo Internacional de Estudos, formado por contadores dos
Estados Unidos, Inglaterra e Canadá, destinado a estudar e emitir pronunciamentos sobre
normas contábeis aceitas nos três países. Essa Comissão foi sucedida pela IASC, citada a
seguir.
Em 1973 foi constituída uma Comissão Internacional de Normas Contábeis, sob a
sigla IASC (International Accounting Standards Committee), fundada por 11 países (EUA,
Inglaterra, Canadá, Alemanha, Japão, México, Holanda, Índia, França, Austrália e
Filipinas), com a finalidade de estudar e fazer pronunciamentos sobre princípios e normas
contábeis. O Brasil aderiu posteriormente a essa Comissão (hoje formada por mais de 100
países) e passará a divulgar os princípios e normas por ela emitidos.
11.9 Qual a Lei que tornou obrigatórias no Brasil as muitas normas contábeis?
Foi a Lei no 6.404, de 15-12-76, que regulamentou as sociedades por ações. Essa
lei consolidou normas anteriormente consideradas aceitas no Brasil, acrescentando
algumas novas, como a da avaliação de investimentos em controladas e coligadas pelo
valor de seu patrimônio líquido, por exemplo, denominada "equivalência patrimonial" bem
com a consolidação de balanços, entre outras.
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12. RESERVAS PROVISÕES E LUCROS ACUMULADOS
12.1 O que é reserva?
Reserva é uma parcela destacada do lucro líquido, que se delibera não distribuir,
mas destinar ao reforço do capital social.
12.2 O que é provisão?
As provisões se destinam a registrar reduções, certas ou prováveis, a se verificarem
no ativo (depreciações, amortizações de despesas, riscos de crédito, sinistros etc.), ou de
aumentos de passivo (contingências fiscais, cambiais, contratuais ou trabalhistas).
12.3 Exemplifique as diferenças entre reserva e provisão.
A reserva é uma parcela do lucro líquido, que se destina ao reforço do capital,
aumentando assim o patrimônio líquido da empresa. A provisão é uma parcela do custo
que reduz o lucro líquido e figura no balanço patrimonial como parcela dedutiva do ativo,
ou como exigibilidade ou contingência, no passivo. A provisão é, portanto, um custo do
exercício, que reduz o lucro líquido, como é o caso da provisão para devedores duvidosos.
A reserva integra o lucro líquido, sendo uma parcela deste destinada a reforçar o capital da
empresa, como é o caso da reserva legal.
12.4 O que é lucro líquido?
O lucro líquido é o resultado positivo da atividade econômica da empresa, no final
do exercício. O resultado da venda de produtos ou serviços, menos o custo desses produtos
ou serviços é chamado lucro bruto. Deduzindo-se deste todas as despesas necessárias à
manutenção e ao desenvolvimento das atividades empresariais, e acrescentando as receitas
não-operacionais, teremos o lucro líquido.
12.5 Como é distribuído o lucro liquido?
Nas empresas individuais e nas sociedades fechadas, o lucro líquido é distribuído
de acordo com a vontade de seus proprietários, podendo ser por eles retirado ou
permanecer na empresa, como reservas ou lucros acumulados, a seu critério.
Nas sociedades por ações, o lucro líquido é distribuído conforme determina a Lei no
6.404/76.
12.6 Como é calculado o lucro real?
O lucro líquido do exercício, conforme define o art. 187 da Lei no 6.404/76,
corresponde ao lucro bruto menos as despesas necessárias à manutenção e ao
desenvolvimento das atividades empresariais, incluídas, entre estas, a parcela relativa ao
imposto de renda devido, que é calculado sobre o lucro real, terminologia adotada pela
legislação tributária pela designar o lucro tributável.
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Para chegarmos ao lucro real, partimos do lucro líquido, antes de deduzida a
parcela destinada ao IR (Lucro antes do Imposto de Renda - LAIR). A esse lucro
acrescentamos as adições e dela fazemos as exclusões previstas no Regulamento do
Imposto de Renda, chegando assim ao lucro real.
Conhecido o lucro real, sobre ele calcularemos o imposto de renda, que será, então,
deduzido do lucro líquido do exercício antes do imposto (LAIR), chegando-se ao lucro
líquido do exercício (depois do imposto = LDIR).
Exemplo:
Lucro antes do IR (LAIR) 650
Adições:
Excesso de remuneração de diretores 100
Brindes 50
Provisão para perda de investimentos 20
Multas fiscais 30 200
Exclusões:
Lucro com equivalência patrimonial (150)
Indenizações reparatórias de seguros (100) (250)
Lucro real 600
Imposto de renda a pagar (25%) (150)
Lucro líquido do exercício:
Lucro antes do IR 650
Provisão para IR (150)
Lucro depois do IR 500
12.7 Que são Lucro Bruto e Lucro Operacional, segundo o Regulamento do Imposto de
Renda?
Os conceitos de lucro bruto e de lucro operacional, segundo o RIR, não diferem do
conceito contábil, ou seja, O lucro bruto é o resultado da receita de vendas menos o Custo
das Mercadorias Vendidas (CMV). O Operacional é o lucro bruto menos as despesas
operacionais, acrescida de outras receitas operacionais; como vemos no seguinte exemplo:
Venda de produtos ou serviços 1000
Custo dos produtos ou serviços vendidos - (400)
Lucro Bruto 600
Despesas operacionais (300)
Outras Receitas Operacionais 100
Lucro operacional 400
Rendas não-operacionais 10
Despesas não-operacionais (20)
Lucro líquido antes do IR 390
Provisão para IR (98)
Lucro líquido do exercício depois do IR 292
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12.8 Quando ocorre a chamada "distribuição disfarçada de lucros"?
Ocorre essa distribuição quando a empresa realiza transações com pessoas a ela
ligadas (sócio, administrador ou titular, bem corno seu cônjuge ou parente até o terceiro
grau), havendo a presunção de que tais pessoas foram beneficiadas, em detrimento do
interesse da pessoa jurídica contribuinte do imposto de renda.
12.9 Existem conceitos contábeis de 'lucro presumido" e "lucro arbitrado"?
Não. Esses conceitos são fiscais, para fins de tributação do imposto de renda.
Se não estiver obrigada à apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá, optar
pela tributação com base no lucro presumido, atendidas às disposições previstas na
legislação em vigor. Quanto ao lucro arbitrado ele somente ocorre quando a empresa não
possui escrituração contábil, ou quando esta contiver vícios ou deficiências que a tornem
imprestável para apuração do lucro real, ou quando o contribuinte se negar a apresentar os
livros de escrituração ou demais documentos exigidos pelo fisco.
13. ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO
13.1 Quais são as medidas preliminares para elaboração do balanço?
1. Na data do encerramento do exercício, levanta-se o balancete de verificação.
2. Confrontam-se os saldos das contas com os registros auxiliares.
3. Procedem-se aos inventários de todos os valores suscetíveis de contagem física (caixa,
estoques, títulos e duplicatas a receber, móveis, máquinas, ferramentas etc.),
4. Confrontam-se os valores inventariados com os registros auxiliaras e com os saldos do
Razão.
5. Havendo divergências entre os registros auxiliares e os saldos do Razão, procedem-se
aos ajustes.
6. Procedem-se às retificações de exercício – depreciações, amortizações, correções
monetárias, provisões para riscos de crédito, para contingências e outras.
7. Verificam-se as despesas vencidas e não pagas, bem como as pagas e não-vencidas, para
que os saldos das contas passem a representar apenas as despesas de exercício.
8. Verificam-se as receitas vencidas e não recebidas, bem como as recebidas e
não-vencidas, para que os saldos das contas representem apenas as receitas do exercício.
13.2 Como se determina o resultado do exercício?
1. Apura-se o lucro bruto na conta de Mercadorias, transferindo-o, depois, para Apuração
do Resultado do Exercício - ARE.
2. Transferem-se os saldos das contas de receita para Apuração do Resultado do Exercício.
3. Transferem-se os saldos das contas de despesa para Apuração do Resultado do
Exercício.
4. Apura-se o lucro líquido.
5. Registra-se a destinação do lucro líquido.
6. Levanta-se o 2º balancete, de verificação (neste balancete deverão aparecer com saldo
somente as contas patrimoniais).
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14. ELABORAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
14.1 Quais os procedimentos para elaboração das demonstrações contábeis?
a. O 2º Balancete de Verificação apresenta apenas contas patrimoniais. As que apresentam
saldo devedor são ativas e as que apresentam saldo credor são passivas. Classificadas as
contas (ativas e passivas), segundo os padrões usuais de classificação, teremos o
Balanço Patrimonial.
b. Para a conta de Apuração do Resultado do Exercício foram transferidos todos os saldos
das contas de receitas o despesas do exercício, bem como o lucro bruto apurado na
conta de Mercadorias. Demonstradas as receitas e as despesas, teremos a Demonstração
do Resultado do Exercício.
c. Essa demonstração, segundo modelo aprovado pela Lei no 6.404/76, é elaborada
partindo-se da receita bruta operacional e deduzindo-se o custo das vendas ou serviços
prestados, para encontrar o lucro bruto. Determinado este, deduzem-se as despesas
operacionais para encontrar o lucro operacional, ao qual são acrescentadas as receitas
não-operacionais ou deduzidas as despesas não-operacionais para encontrar o lucro
líquido antes do imposto de renda, do qual são deduzidas a provisão para o imposto e as
participações de terceiros, para chegarmos ao lucro líquido do exercício.
14.2 Como é elaborada a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos?
A Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos é elaborada
demonstrando-se:
I - as origens dos recursos, agrupadas em:
a. lucro do exercício, acrescido de depreciação, amortização ou exaustão e ajustado pela
variação nos resultados de exercícios futuros;
b. realização do capital social e contribuições para reservas de capital;
c. recursos de terceiros, originários do aumento do passivo exigível a longo prazo, da
redução do ativo realizável a longo prazo e da alienação de investimentos e direitos do
ativo imobilizado.
II – as aplicações de recursos, agrupadas em:
a. dividendos distribuídos;
b. aquisição de direitos do ativo imobilizado;
c. aumento do ativo realizável a longo prazo, dos investimentos e do ativo diferido;
d. redução do passivo exigível a longo prazo.
III - o excesso ou insuficiência das origens de recursos, em relação às aplicações
representando aumento ou redução do capital circulante liquido;
IV - os saldos no inicio e no fim do exercício, do ativo e passivo circulantes, o montante
do capital circulante líquido e seu aumento ou redução durante o exercício.
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14.3 Como é elaborada a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido?
A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é elaborada evidenciando-se
todas as contas que formam o patrimônio líquido, bem como as variações, aumentativas e
diminutivas, por elas sofridas durante o exercício. Esta demonstração substitui a
Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados.
14.4 Como é elaborada a Demonstração das Mutações Patrimoniais?
Elabora-se a Demonstração das Mutações Patrimoniais mediante a comparação do
balanço deste exercício com o do exercido anterior, evidenciando as variações ocorridas
em cada uma das contas, ou grupos de contas, do ativo e do passivo.
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