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BELO MONTE - REFLEXOES DE UM ESPECIALISTA EM ENERGIA E QUE LUTA PELA SOBERANIA NACIONAL

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BELO MONTE - REFLEXOES DE UM ESPECIALISTA EM ENERGIA E QUE LUTA PELA SOBERANIA NACIONAL
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O Centro de Apoio ao Tabagista divulga artigo para reflexao sobre a criacao da Usina de Belo Monte, tema controverso que envolve grupos de interesses diversos, muitas vezes conflitantes.

Shared by: alexandre milagres
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12/29/2011
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Caro Alexandre,



evidentemente, nenhum dos artistas que falam horrores de Belo Monte entende

de Belo Monte, nem dos porquês de Belo Monte, nem dos problemas que

possa causar e nem das virtudes que possa ter. Logo, fizeram o que sabem -

representar algo de um roteirista que recebeu uma encomenda com fins

definidos. Espontaneamente, esse vídeo jamais existiria.



Por outro lado, a crítica a Belo Monte tem vários componentes, e como um

deles é poderoso - a grande mídia antigoverno - tudo se torna possível e

motiva mais e mais pessoas, mesmo do bem, para entrarem nessa guerra

santa. Nunca vi tamanha mobilização por uma causa que não é decididamente

popular.



Não fora o esforço de morte da oposição e da grande mídia para derrubar

todas as obras do governo Lula, e agora do governo Dilma, Belo Monte já

estaria pronta há tempos e com um reservatório o triplo do agora projetado.



Os interesses que se juntam no caso são simples de entender:



1. da oposição: para tentar levar ao fracasso o governo do PT, com falta

de energia e ainda criar uma atmosfera de governo ruim para o meio

ambiente;

Sem as “Belo Montes”, a economia vai à lona com certeza. A demanda

de energia elétrica cresce entre 5-10%, ou mais por ano, e precisamos

assim inaugurar duas Belo Monte a cada ano!;

2. da grande mídia: pelo seu pavor de governo ou sistema político que

possa um dia se voltar contra ela, como na Venezuela, Equador,

Argentina e tantos outros lugares. E também seu pavor de estatais, pois

precisam de muitas empresas fazendo muitas coisas para terem seu

ganha pão aumentado por mais propaganda;

3. dos lobistas das alternativas que têm na Petrobras e na Eletrobras

seus alvos prediletos pois dominantes no mercado de energia: não

importa quão porca ou custosa ou parcial seja a alternativa, mas ela

será revestida de um brilhantismo arrebatador, como se, por si só, fosse

a salvação. Por exemplo, ninguém discute, com ênfase, Goiás, Triângulo

Mineiro e Paraná, bem como todas as únicas terras férteis do Nordeste

(Alagoas, Pernambuco, Paraíba) terem se voltado para a cana e

obrigando a levar alimentos do Centro Oeste e a destruição da Mata

Atlântica com esse fim;

4. dos ambientalistas oportunistas: que vivem em um plano de vida de

consumismo ocidental e gastador de energia e, portanto, destruidor do

planeta pelo exagero;

5. dos poucos ambientalistas que agem não por interesse pessoal ou

comercial, mas sim pela causa ambiental: Estes últimos são poucos

e deveriam centrar suas bandeiras: no capitalismo, que é

intrinsecamente consumista e por isso gera a dependência de mais e

mais energia; nos desmatamentos, na produção desenfreada de soja e

cana que desmata direta ou indiretamente (pois ocupa áreas que

poderiam ser utilizadas por culturas diversificadas ou para

reflorestamento que sequestra carbono).



Mas por que derrubar as obras? Simples: se feitas perpetuam a situação

PT no governo e aliados no poder e mostram a incompetência dos tucanos

no poder por nada terem feito. O Brasil até a entrada do Lula estava

literalmente parado. Nada fazia e nada gerava por isso. Então cunharam

mantras que parte da grande mídia expõe como: O PAC não existe;

nenhuma obra anda de fato etc. Mas para isso tem que tentar retardar tudo

com todos os expedientes, que incluem tentar jogar a opinião pública contra

as obras do governo. As consequências? Não pensam nisso. Aliás,

pensam sim, preferindo que sejam bem negativas para não enterrar de vez

a chance tucana e para enterrar de vez o governo PT.



Um símbolo da incompetência tucana foi o apagão de 2001, por falta de

energia gerada e linhas de transmissão do Sul para o Sudeste. O País ficou

MESES sujeito ao racionamento e à perda do crescimento. Isso decorreu

das privatizações mal feitas, pois os compradores não investiram em

geração e transmissão e mais ninguém o fez, pois o governo não deixava

as estatais remanescentes atuarem. As obras só retornaram no governo

Lula/Dilma, para recuperar o atraso deixado. Agora as faltas de energia

elétrica têm ocorrido por acidentes humanos ou de equipamentos, como

sempre ocorre em todo o mundo, e suas durações nem de longe se

assemelham às de 2001. A lógica da oposição é bloquear as obras pelo

garrote dos recursos (por exemplo, não aprovando a CPMF que

indiretamente tirou dinheiro de tudo), pelo estímulo à campanha contra as

hidroelétricas (todas tiveram o mesmo destino, mas quase todas estão

sendo construídas depois da saída da Marina). Será um desastre para a

oposição e para a mídia a inauguração de cada uma delas (são várias). Não

houve apagão no governo PT por falta de energia, pois o governo através

da Petrobras construiu umas dezenas de termoelétricas a gás que

funcionam como reserva para anos ou períodos ruins de chuva e somente

são ligadas nesse casos.



Dito isso, vejamos algo muito simples.



Não há forma melhor e mais barata de produzir energia elétrica que a de

origem nos rios (mesmo que se admita corrupção). Todos os países

desenvolvidos do mundo exploraram praticamente 100% do seu potencial

hídrico, E os candidatos a país rico buscam avidamente usar essa forma de

produzir energia elétrica. Eólica nunca terá o suficiente para substituir as

hidroelétricas e também não oferecem garantia de fornecimento, o que

obriga a triplicar os investimentos para oferecer energia firme. Assim,

comparar qualquer energia com Belo Monte precisa ser com a equação:

energia real fornecida por ano. Exemplo: quando não venta não ha energia

eólica, e isso ocorre em boa parte do tempo. Assim, não dá para comparar

o custo da obra de catálogo da eólica com o custo da obra de Belo Monte e

sua capacidade mínima. As bases teriam que ser as mesmas, isto é:

energia média fornecida por ano por kw instalado de placa. Equivale a

multiplicar por umas três vezes o custo do kw da eólica.

Se solar, o custo seria mais de três a seis vezes para mesma energia média

fornecida. Se de cana ou outra matéria verde nem pensar, a menos que

queiramos que todo mundo passe fome para ter uma energia que também

não é nada limpa.



Uma hidroelétrica se vale de rios, e todos têm ciclos de cheia (anos e

meses de mais chuva) e ciclos de seca. O reservatório ideal seria o que

guardasse água para dois ou três anos de chuvas fracas, ou seja,

simplesmente armazenaria a água da época das chuvas para liberar mais

volume na época da seca. Como sempre foram. Tudo mudou com a

pressão dos ambientalistas, da mídia no governo PT (antes queriam obras

maiores) e complacência da Marina que paralisou tudo enquanto esteve

ministra. O Brasil vai pagar muito caro por essa mudança, pois trocamos

áreas que seriam inundadas por uso eterno de combustíveis fosseis

(lembrar que sempre podemos raciocinar que uma energia hidráulica

deixada de fazer representa um energia fóssil a mais no circuito, pois as

alternativas serão todas usadas com o tempo mas nunca serão suficientes

ou viáveis (pelo menos nos próximos trinta a quarenta anos).



Como o sistema elétrico nacional, caso especial no mundo, é praticamente

100% interligado, os vários ciclos do País se complementam, otimizando e

barateando o fornecimento de energia. Isso quer dizer: com bons

reservatórios é possível economizar água em uma região quando outra

região estiver com carga de chuva acima do necessário para guardar o

excedente (vertendo água, como se diz no jargão). Por outro lado, como o

sistema é integrado, também tudo melhora para as pequenas produções -

as alternativas que podem entrar na rede em qualquer lugar ajudando a

compor a produção nacional. Neste contexto a energia eólica tem um papel

complementar, mas não será nunca o papel principal. Dessa forma, Belo

Monte deve ser medido da seguinte forma: sempre operará na máxima

capacidade que o sistema permitir gerando energia firme - POIS QUEM

FIRMA A ENERGIA É O SISTEMA INTERLIGADO. Isso confunde. Para o

País a energia firme é a que se obtém com a programação otimizada dos

sistemas hidráulicos e térmico pela Coordenação Nacional do Sistema. Ou

seja, é primário falar sobre Belo Monte isoladamente como globais fizeram.

E é desonesto falar que sua capacidade plena é tão baixa como disseram.

Ela operará na capacidade máxima na cheia e diminuirá ao longo do tempo

na seca. Seu valor será uma média.



Quando olhamos as vantagens e desvantagens de qualquer alternativa ou

da hidráulica, temos que entender que também há desvantagens para

todas. Por exemplo, a eólica não vem de bucólicos moinhos de vento como

na antiga Holanda. São parques geradores de centenas de imensos postes

com turbinas na ponta. Demanda áreas físicas imensas também (pois cada

poste pouco produz) e nelas o dono do terreno pode utilizá-lo, mas não

pode fazer uma série de coisas (tipos de plantio e de uso). São contratos

draconianos por trinta anos renováveis. Ou seja, a terra deixa de ser livre .

Também venta em todo lugar, mas só é viável colocar usinas eólicas onde

venta muito e por mais tempo - e isso ocorre em poucos lugares! Se a

alternativa for biomassa para energia, temos que pensar nos alimentos, no

reflorestamento para sequestrar carbono que poderia usar a mesma área,

na biodiversidade e não em ficar produzindo verde para queimar como se a

terra para mais nada prestasse (o argumento de que se usaria terras

degradadas é falso por duas razões - é como se disséssemos para uma

pessoa prostituída que continue na profissão já que fora prostituída; ou

disséssemos para o País que não existe nenhuma outra maneira de

aproveitar bem essas áreas, o que é uma mentira e uma maldade).



Um reservatório inunda áreas, mas então porque não fazer um estardalhaço

cinquenta vezes maior contra o desmatamento para fazer carvão, para criar

novos pastos que foram deslocados pela cana, para plantar cana nova ou

soja? A propósito, a área inundada de Belo Monte 2/3 já são inundáveis

quando o rio sobe naturalmente.



Um reservatório cria o controle das cheias que, sem ele, destroem muito

mais, possibilita cultura de peixes como nunca, cria novas áreas de

preservação e pequenas culturas nas margens aproveitando a cheia e a

descida das águas, permite um turismo excelente, aumenta a umidade do

ar e pode levar o progresso para a região. Ao permitir ciclos regulares para

o rio favorece a vida de todos na região. Por outro lado, tecnicamente é

possível resolver todos os problemas que um reservatório pode trazer à

vida fluvial. Mas é impossível resolver todos o problemas que a falta de

energia traz ou que as constantes cheias trazem para todos.



Uma ótima campanha dos artistas globais seria: para criarmos uma

civilização menos consumista, menos capitalista, com menos televisões

ligadas por casa, menos ar condicionado por casa, menos elevadores,

menos bugigangas elétricas, menos consumo inútil, pois tudo gasta energia;

para movimentos por mais conservação/economia de energia (esse o maior

filão). Também, campanhas para: menos canavial; menos áreas para soja;

menos pasto; mais reflorestamento; mais dinheiro para a Embrapa ajudar a

resolver ainda mais os problemas brasileiros. Ou campanhas contra: o

consumismo; a tuberculose; as drogas; os alimentos industrializados; os

agrotóxicos; o cigarro; os corruptores; os corruptos de todos os partidos; o

poder midiático concentrado e manipulador; o sistema financeiro; e muita

coisa mais.



Mas como nunca antes fizeram na dimensão vista no caso Belo Monte,

gastaram seu cacife em uma empreitada carimbada por interesses, alguns

escusos, outros ingênuos.



Por errarem tanto conseguiram unanimidade contra a besteira que fizeram,

sendo derrotados por estudantes e outros com muito menor poder que eles.



Mas dentro da estratégia de prejudicar a imagem do governo, foram felizes.

Pois algo que é visto por um milhão ou mais de pessoas acaba

conquistando milhares contra o governo e contra Belo Monte. A estratégia

montada pela grande mídia - oposição é tentar solapar de qualquer maneira

a imagem da Dilma e do PT, o que não conseguiram com o Lula. Esta

estratégia já está nas novelas, programas da tv e rádios em geral, inclusive

com colunistas dia e noite desqualificando o Brasil, suas realizações e

oportunidades.



Há o 'complexo de vira lata" histórico, mas também cultivado pelos que se

alinham com as luzes externas ou com a excelência da elite brasileira,

mesmo agora, quando não estão tão brilhantes. Nesse contexto,

transformam uma bela obra essencial em um monte de asneiras,

conseguindo reunir alhos com bugalhos, o bom e o ruim ao mesmo tempo.



O autor desta resposta à minha indagação é um amigo, especialista em energia, e não tem

qualquer relação com a empresa que toca Belo Monte. Para fins da divulgação que faremos

agora, pediu para não ter o seu nome citado.


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