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					Antologia Poética

Vinicius de Moraes

“Antologia significa, etimologicamente, coletânea de flores; o termo remete a idéia de escolha, coleção. Sendo assim, antologia é uma coleção de trabalhos literários. A importância de se ler uma obra como essa está no fato de que estamos tendo contato com uma seleção de poemas feitas pelo próprio autor.”
Jorge Viana de Moraes

O livro é dividido em duas etapas,que caracterizam as fases do autor:  A primeira fase, com conteúdo religioso,divino e abstrato.  A segunda fase retrata problemas sociais, materialização da mulher,e fala sobre o cotidiano .

A Primeira Fase

“A primeira, transcendental, freqüentemente mística, resultante de sua fase cristã, termina com o poema „Ariana, a mulher‟, editado em 1936.” Vinicius de Moraes

Palavras-chave: religiosidade, misticismo, transcendência, angústia.

A Mulher que Passa
Meu Deus, eu quero a mulher que passa. O incriado O mistério das sete estrelas, que viste na Seu dorso frio é um campo de lírios minha destra, e dos sete castiçais de ouro. Tem sete cores nos seus cabelos As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as Sete [..] esperanças na boca fresca! sete igrejas. (...)sou o Incriado de Deus, o que não teve a sua alma e semelhança (Apocalipse, 1;20) Eu Teus sentimentos são poesia Eu sou o que surgiu da terra e a quem não coube outra dor senão a terra como dois filhos gêmeos Os teus seios são Teus sofrimentos, melancolia. da gazela, que se sobre a imagem Eu sou a carne louca boa freme ante a adolescência impúbere e explode apascentam entre os que Teus pêlos são relva lírios. Antes que refresque o dia e fujam as criada] Fresca e macia. sombras, irei ao monte da mirra e ao outeiro Eu sou o demônio são cisnes destinado Teus belos braços do bem e o mansos do mal mas eu nada sou. (Cântico dos Cânticos, 5-6;4) do incenso. Longe das vozes da ventania. [..] (...) Por que não voltas, mulher que passas? Por que não enches a minha vida? A Uma Passante Por que não voltas, mulher querida Sempre perdida, nunca encontrada? (..) Por que não voltas à minha vida Um relâmpago e após a noite! — Para o que sofro não ser desgraça? Aérea beldade, (...) E cujo olhar me fez renascer de Que fica e passa, que pacifica repente, Que é tanto pura como devassa Só te verei um dia e já na eternidade? Que bóia leve como cortiça (...) E tem raízes como a fumaça. BAUDELAIRE, Charles. As Flores do Mal.

Mulher com Sombrinha (1875) por Claude Monet

“Multidão, solidão: termos iguais e conversíveis para o poeta diligente e fecundo. Quem não sabe povoar a sua solidão também não sabe estar só em meio a uma multidão atarefada.”

BAUDELAIRE, Charles. As multidões. (fragmento)

O Bulevar dos Capuchinhos por Claude Monet

O Retrato da Angústia

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça É ela menina que vem e que passa

A Segunda Fase
“Nela estão nitidamente marcados os movimentos de aproximação do mundo material, com a difícil mas consistente repulsa ao idealismo dos primeiros anos”. Vinicius de Moraes

Palavras-chave: linguagem simples, valorização do cotidiano, participação político-social, sensualidade.

Receita de mulher
As muito feias que me perdoem Mas beleza é fundamental. É preciso Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture Em tudo isso (ou então Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa)

[...] Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos então Nem se fala, que olhe com certa maldade inocente [...] Que ela não perca nunca, não importa em que mundo Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade

O operário em construção
E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo: – Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu. E Jesus, respondendo, disse-lhe: – Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás. Lucas, cap. V, vs. 5-8.
[...] Sentindo que a violência Não dobraria o operário Um dia tentou o patrão Dobrá-lo de modo vário. De sorte que o foi levando Ao alto da construção E num momento de tempo Mostrou-lhe toda a região E apontando-a ao operário Fez-lhe esta declaração: – Dar-te-ei todo esse poder E a sua satisfação Porque a mim me foi entregue E dou-o a quem bem quiser. [...] E foi assim que o operário Do edifício em construção Que sempre dizia sim Começou a dizer não.

[...] – Loucura! – gritou o patrão Não vês o que te dou eu? – Mentira! – disse o operário Não podes dar-me o que é meu. [...]E assim o operário ia Com suor e com cimento Erguendo uma casa aqui Adiante um apartamento Além uma igreja, à frente Um quartel e uma prisão: Prisão de que sofreria Não fosse, eventualmente Um operário em construção [...]

A bomba atômica
A bomba atômica é triste Coisa mais triste não há Quando cai, cai sem vontade Vem caindo devagar Tão devagar vem caindo Que dá tempo a um passarinho De pousar nela e voar... [...] Coitada da bomba atômica Que não gosta de matar Mas que ao matar mata tudo Animal e vegetal Que mata a vida da terra E mata a vida do ar Mas que também mata a guerra... A bomba atômica que aterra! Pomba atômica da paz!

Sonetos
“Longe de serem acadêmicos, são essencialmente modernos: respiram a mesma naturalidade de suas melhores composições.”
Otto Lara Resende

Vinicius de Moraes conseguiu o que poucos autores souberam fazer: empreender, na forma de soneto, uma obra poeticamente válida, conciliando disciplina e liberdade.

Soneto de intimidade
Nas tardes de fazenda há muito azul demais. Eu saio às vezes, sigo pelo pasto, agora Mastigando um capim, o peito nu de fora No pijama irreal de há três anos atrás. Desço o rio no vau dos pequenos canais Para ir beber na fonte a água fria e sonora E se encontro no mato o rubro de uma amora Vou cuspindo-lhe o sangue em tomo dos currais. Fico ali respirando o cheiro bom do estrume Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme E quando por acaso uma mijada ferve Seguida de um olhar não sem malícia e verve Nós todos, animais, sem comoção nenhuma Mijamos em comum numa festa de espuma.

Grupo:
   

Gustavo Henrique Laura Lopes Letícia Wolff Ludmila Carrara 3°B


				
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posted:9/7/2009
language:Portuguese
pages:14