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Informativo mensal da ACIMBA _07 novembro de 2011

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12/21/2011
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Informativo mensal da Associação Cultural Ilê Mestre Benedito de Angola

ACIMBA – União Angoleira do Estado do Rio de Janeiro

Número 07 * Novembro de 2011

http://ilemestrebeneditodeangola.blogspot.com/







Editorial

Iêeeee comunidade angoleira! Neste mês, duas grandes figuras de nossas referências africanas são homenageadas devido ao episódio de suas

mortes: Zumbi, liderança do Quilombo de Palmares; e mestre Pastinha, liderança da Capoeira Angola. Outros mestres também estarão sendo

homenageados dessa mesma forma. Os grandes eventos do mês são justamente as rodas em homenagens póstumas! Zumbi, no Arpoador; a

vários mestres, na roda de Caxias; e a mestre Pastinha, se consolidando uma grande comemoração tradicional no Rio de Janeiro – a 30ª

Homenagem Póstuma. E para convocar a comunidade angoleira, aí vão sábios pensamentos do próprio mestre, que estarão inscritas na camisa do

evento:

"Engraçada a vida,

a fama chegou para mim

como se eu não a merecesse

ou não estivesse preparado.

No princípio,

sentia uma certa vaidade e pensava:

formidável, todos falam de mim, “Eu não sou flor de flander

todos necessitam de mim, Nem prato esmaltado

um mulatinho descendente de escravos. Não vou jogar com você

Terrível é descobrir que tudo isso é falso. Porque é mal educado”

Que de tudo a única coisa real foi a capoeira.”



Nota: Este informativo tem em suas premissas a divulgação de informações. Estas são de responsabilidade de seus proponentes. Utilizamos imagens que

recebemos ou pesquisamos, e pedimos a licença a quem se sentir violado em seus direitos – pois nossa intenção é apenas ilustrar e enriquecer os tópicos do

informativo. Agradecemos de antemão a todas as pessoas que colaboraram para a realização desta edição.

Retrospectiva “Aconteceu nas rodas”

1º Encontro da Memória da Capoeira do Rio de Janeiro

“Quem nunca viu”... FOI ver... roda MEMORÁVEL pra você...

Num dia ensolarado, Santa Tereza recebeu a presença de importantes mestres de capoeira angola do Rio, entre outros mestres, contramestres,

discípulos e discípulas, gente curiosa, a fim de reencontrar e relembrar os momentos que estas mesmas pessoas – portadoras de memórias e

histórias sobre a capoeira angola – estiveram juntas, várias vezes, numa roda. Para aquelas que estão sendo iniciadas nessa trajetória da capoeira,

simultaneamente séria e brincalhona, foi um momento de grande alegria poder participar junto destes mestres de uma roda de angola. Algumas

fotos oficiais do evento estão disponibilizadas no endereço que segue. E como será o segundo Memórias? Que surpresas teremos? Esperemos o

próximo ano!









Fonte: http://www.flickr.com/photos/21737306@N06/sets/72157627989719280



Roda de Angola na Praça da Cruz Vermelha para as Crianças

Em meio a uma grande festa cheia de crianças e no meio da rua, na Praça da Cruz Vermelha, no Centro, na manhã do feriado do dia 12 de

outubro, se consumou uma grande roda de capoeira angola organizada pelo Contramestre Geraldo, do grupo São Bento Pequeno. Realmente uma

roda muita divertida!



Centro Cultural Pequena África e o Kabula-Rio (por Délcio Teobaldo, jongueiro, escritor e jornalista)

No sábado, dia 22 quem se dispôs enfrentar o frio e perder alguns minutos no trânsito alterado pelas obras do Projeto Porto Maravilha, não se

arrependeu. Numa parceria do Centro Cultural Pequena África e da Kabula (www.kabula.org e www.kabulario.com) foi realizado o evento

“Pequena África – 100 anos de Cultura Negra”. É a primeira mobilização de um projeto de artes integradas que pretende mostrar como o Rio de

Janeiro se organizava naquela região, nos encontros de partideiros e nas discussões sobre a cidade em constante transformação.



O evento que começou com uma mesa de debates sobre a necessidade do diálogo entre o Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (IPHAN) e as

lideranças locais, a respeito do sitio arqueológico do Valongo e bairros próximos, se estendeu para o Largo de São Francisco da Prainha, onde está

situado o CCPA.



Como não acontecia há anos, grupos de angoleiros, sagrados pelo radialista Rubem Confete, se revezaram no Largo de São Francisco numa

apresentação aberta ao público. Com isto devolviam a Pequena África à Capoeira e ao Samba, as duas principais manifestações orais-rítmicas

responsáveis pela formação da identidade do Rio de Janeiro.



Dicas e leituras

A poesia quilombista – Abdias Nascimento (por: Rachel Viana – Grupo de Capoeira Angola N’Golo)

Nesse pequeno texto, falaremos um pouco sobre a trajetória e o pensamento de Abdias do Nascimento, que nos deixou em abril desse ano.

Símbolo da militância negra no Brasil, reconhecido mundialmente, Abdias nasceu em Franca-SP em 1914, formou-se em contabilidade, economia,

sociologia e, ainda, era artista plástico, ator, dramaturgo e poeta.



Foi fundador do Teatro Experimental do Negro, do Museu de Arte Negra, do IPEAFRO, do Movimento Negro Unificado e do Memorial Zumbi; é

autor de diversos livros, entre eles “O Quilombismo”, “O negro revoltado”, “Sortilégio: mistério negro de Zumbi redivivo”, “Drama para negros,

prólogo para brancos”, “Sitiado em Lagos”, “O genocídio do negro brasileiro”, entre outros; lecionou nas universidades de Ilé-Ifé, na Nigéria, e de

Yale, nos EUA. Além disso, Abdias deu voz ao Brasil nos Congressos Pan-Africanistas, que até então se encontrava desvinculado desse

movimento político de união dos povos africanos e da diáspora negra.



Após ter integrado a Frente Negra Brasileira na década de 1930, foi um dos fundadores do PTB (1945) e do PDT (1980), tendo exercido nesse

último partido os mandatos de deputado federal (1983) e senador (1991-1992 e 1997-1999). Em sua vida política destaca-se a sua atuação na

inclusão do direito à terra das comunidades remanescentes de quilombos na Constituição de 1988 e na definição do racismo como crime

inafiançável, entre outras frentes de luta.

Dentre as diversas discussões e lutas travadas em sua trajetória, destaca-se a denúncia ao genocídio da população negra, não só no seu aspecto

físico e social, mas no seu aspecto cultural, moral e religioso. Em seus escritos, Abdias enfatizava a coerção social imposta ao negro quando exercia

sua religião e suas demais expressões artísticas e culturais.



Para Nascimento, uma forma de genocídio cultural é a marginalização, através da folclorização, das expressões religiosas e artísticas negras.

Tornando-as algo exótico, esvazia-se o seu conteúdo simbólico e ritualístico pra torná-lo algo “espetaculável”. Desta maneira, a pessoa vê somente

um espetáculo. Ela não vive aquela expressão, que neste momento deixa de ser expressão de resistência e afirmação de uma etnicidade.



Neste caso, pode-se citar a indústria que se faz atualmente em torno do jongo, da capoeira, da dança afro, do carnaval e das escolas de samba, que

ocupam espaços inacessíveis para a grande maioria da população negra para os brancos aplaudirem e lucrarem. Enquanto isso, seus praticantes

são marginalizados no seu cotidiano, assassinados dentro de suas casas, presos e desmoralizados em qualquer batida policial. Esse tipo de

genocídio aparece na obra de Abdias como uma clara estratégia política da elite branca para a dizimação física, moral e identitária da população

negra.



Outra grande contribuição de Abdias é apontar, fundamentado em argumentos acadêmicos, políticos e em sua própria experiência de vida, o

enfraquecimento das identidades étnicas embutida no discurso da mestiçagem. Mais ainda, alerta que nesta concepção cria-se uma sociedade sem

cor, onde as diferenças étnicas são apagadas. Conseqüentemente, é justificado e fortalecido o mito da democracia racial, do convívio harmonioso

entre as raças.



Apesar de debater com os defensores da democracia racial, tais como Darcy Ribeiro, Abdias deixa bem claro que ele não condena a miscigenação

enquanto encontro espontâneo de raças, onde suas etnicidades são respeitadas. O que condena é a visão da miscigenação enquanto estupro da

mulher negra e indígena; enquanto discurso colonizador, que oprime as identidades étnicas e mascara uma harmonia racial que, definitivamente,

nunca existiu no Brasil.



A obra de Abdias mostra como somos alvos fáceis do discurso da mestização, do branqueamento e da negação étnica. Mostra como somos

constantemente “descolorizados” por estes discursos; descortina a violência simbólica contida neles; põe em jogo o eurocentrismo do pensamento

social brasileiro; ressalta o genocídio da população negra no Brasil e no mundo. Abdias é a voz resistente de um novo pensamento social e político

brasileiro.

Axé, Abdias!!

“Vou pra lá pra vadiar...” (Eventos no mês)

Homenagens na Roda de Caxias (dia 5, sábado)

Em homenagem a mestres que já partiram – Dentinho, Muca, Marujo – haverá uma roda especial este mês em Caxias. Na Praça do

Pacificador, no Centro de Duque de Caxias, 17h.



30ª Homenagem Póstuma a mestre Pastinha (11, 12 e 13: sexta, sábado e domingo)

Após longa vida de militância pela Capoeira Angola na Bahia e no mundo, Mestre Pastinha veio a falecer em 1981. Desde então, os discípulos

desta escola no Rio de Janeiro, formados pelo trabalho de Mestre Moraes nos anos 1970 e início dos 1980, vêm homenageando esta referência

maior com rodas em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Pretos, um marco da união e da resistência negra na cidade

nos tempos da escravidão.



As homenagens póstumas têm sido um momento de encontro da comunidade angoleira e de reflexão sobre a memória da capoeira angola em um

espaço público no Rio de Janeiro. Por isso, a ACIMBA vem apoiando a realização desta iniciativa.

Este ano, que marca 30 anos sem Mestre Pastinha, a ACIMBA propõe que a homenagem a Pastinha seja um momento ainda mais especial. Trocas

de experiências, oficinas e uma mesa-redonda que dê espaço para as várias lideranças da capoeira presentes e demais convidados possam dar

seus depoimentos e conversar sobre a memória e o legado de Pastinha no Rio de Janeiro ontem e hoje.



Entre as várias participações especiais, teremos a presença dos pesquisadores Antônio Liberac, Maurício Barros e André Lace, debatendo sobre a

formação da capoeira angola no Rio de Janeiro, além de grandes mestres de angola que construíram essa capoeira aqui no Rio (incluindo todo o

Conselho Honorário da ACIMBA realizando as oficinas, juntamente com mestres Armandinho, Velho e Edson.



Campanha de camisas: Para você que ainda não adquiriu a camisa da 29ª Homenagem Póstuma a mestre Pastinha e não ajudou antes a

ACIMBA, aproveite e nos procure pelo correio eletrônico ou diretamente na sede para comprar a sua por R$ 15,00 a 25,00. Com o tema “capoeira e

educação”, a imagem da frente da camisa tem por base uma foto rara de Pastinha jogando com um menino, já nas costas, contribuições de mestre

Moraes sobre o tema.

Haverá uma promoção especial para a camisa da 30ª Homenagem ao comprar junto uma camisa da 29ª. Estaremos também vendendo as camisas

da 30ª Homenagem antecipadamente.

Fique por dentro!

PROGRAMAÇÃO:

11 de novembro (Sexta-feira) 17h -20h:

Roda de Capoeira Angola para alunos com camisa do evento e

18h30: Abertura do evento, com exposição fotográfica e de vídeos e convidados

coquetel Local: Av. Marechal Floriano, 42, sobrado (esquina com Rua dos

Local: Av. Marechal Floriano, 42, sobrado (esquina com Rua dos Andradas)

Andradas)

13 de novembro (Domingo)

12 de novembro (Sábado)

13h -16h: Mesa-Redonda

9h -12h: “A Capoeira Angola de Pastinha e seu legado no Rio de Janeiro“

Oficina de movimentos da capoeira angola Mestres e palestrantes convidados

Mestres convidados Local: Av. Marechal Floriano, 42, sobrado (esquina com Rua dos

Andradas)

13h -15h:

Intervalo para almoço 16h30:

Missa-roda da 30ª Homenagem Póstuma a Mestre Pastinha

15h -17h: Local: Rua Uruguaiana em frente à Igreja de Nossa Senhora do

Oficina de ritmo e música na capoeira angola Rosário e São Benedito dos Pretos.

Mestres convidados







Homenagem a Zumbi dos Palmares (20 de novembro, domingo)

Marcando mais uma edição tradicional dessa roda, esta será realizada na Praia do Arpoador, como nos outros anos. Quando o sol estiver

baixando. Já no monumento a Zumbi, na avenida Presidente Vargas, já existe uma programação extensa durante todo o dia, e quem puder

comparecer e representar a capoeira estará fortalecendo também esta homenagem!

Nas rodas que o mundo dá



Rodas de capoeira angola pelo Rio de Janeiro, por ordem de acontecimento. Se a roda mensal de seu grupo ainda não está cadastrada, envie

as informações que prontamente estaremos atualizando no próximo informativo. Você também pode e deve ajudar a completar este mapa

de rodas pelo Rio!



Realização / Coordenação Quando? Local / Endereço Horário Contatos para

informações

21 8714-0974

Flor da Gente 1ª sexta-feira Rua do Catete / Catete 19h



21 7543-1941

Aluandê 1º sábado Rua do Lavradio / Lapa 10h



Casa da Cultura da Baixada 21 3752-5555

1º domingo Praça da Bandeira / São João de Meriti 10h

Fluminense 21 9876-9915

21 7543-1941

Aluandê 2ª segunda-feira Fundição Progresso / Lapa 20h



Colégio Pinheiro Guimarães: Rua Nascimento 21 8899-8832

Volta ao Mundo 2º sábado 17h

Silva, 45 / Ipanema

Comunidade Sementes de 21 8627-3265

2º domingo Rua Gal Gomes de Castro, 300 / Padre Miguel 10h30

Malungo

21 8881-0040

Kabula 3ª quarta-feira Botafogo 19h30



Rua Leandro Martins, 10 sobreloja / Centro do acimba@gmail.com

Na sede da ACIMBA 3ª sexta-feira 18h30

Rio

21 8571-4720

Heranças Ancestrais 3º domingo Sede, perto do Terminal de Piabetá 9h



21 9443-9262

Mocambo de Aruanda Última terça-feira Ocupação Chiquinha Gonzaga / Central do Brasil 19h30

21 9444-4773

FICA-Rio Última quinta-feira Rua Cândido Mendes, 476 / Glória 19h30 21 8789-4972

21 8439-5843

21 9299-2750

Ypiranga de Pastinha Última sexta-feira Cinelândia / Centro do Rio 19h30

21 9771-7214

Largo dos Guimarães / Santa Tereza (Rua 21 9876-9915

N´golo Último sábado 11h

Almirante Alexandrino) mestre@angolangolo.com

21 8549-4707

Angolinha Quintas-feiras UFRRJ – Seropédica



Roda de Caxias Todo domingo Centro de Duque de Caxias





Conselho Honorário

Contramestre Geraldo (São Bento Pequeno) – DIR. FINANCEIRO (21) 9783-8360

Mestre Alcyr (Só Angola)

Mestre Brinco (Só Angola) – DIR. PRESIDENTE (21) 8659-3237

Mestre Carlão (Kabula)

Mestre Cláudio Chaminé (Volta ao Mundo)

Mestre Fred Mussa (Só Angola) – DIR. PROJETOS (21) 9873-8770

Mestre Lumumba (Gungaê) – DIR. VICE-PRESIDENTE e DIR. FISCAL (21) 9872-8907

Mestre Magal (Só Angola)

Mestre Neco Pelourinho (Só Angola) - DIR. CULTURAL (21) 8606-7699



SECRETARIA: Cebola - (21) 9493-7659

COMUNICAÇÃO: Sabará – (21) 8163-2568



Treinos na Sede da ACIMBA:

SEGUNDAS, QUARTAS e SEXTAS: 19h às 21h (M.Brinco - Só Angola)

TERÇAS e QUINTAS: 17h às 19h (M.Lumumba - Gungaê); 19h às 21h (M.Lumumba - Gungaê)

Endereço da Sede: Rua Leandro Martins 10, sobreloja. Centro. Rio de Janeiro – RJ - Brasil.


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