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As comunidades imigrantes em Portugal

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					                    2010
As comunidades imigrantes em
                    Portugal




                    Paulo Ferreira
                    Mega Expansão
                    07-04-2010
                       Mapa com países em destaque




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   Analisando o mapa posso constatar que os países assinalados no mapa são:

 1 – Portugal, oficialmente República Portuguesa, é um país localizado no
  sudoeste da Europa, cujo território se situa na zona ocidental da Península
  Ibérica e em arquipélagos no Atlântico Norte. Possui uma área total de 92
  090 km2, e é a nação mais ocidental do continente europeu. O território
  português é delimitado a Norte e a Leste por Espanha e a Sul e Oeste pelo
  Oceano Atlântico, e compreende a parte continental e as regiões autónomas:
  os arquipélagos dos Açores e da Madeira.

 2 – O Brasil integra o continente americano, situa-se na porção centro-
  oriental da América do Sul, limitando-se com a quase totalidade dos países
  sul-americanos, a excepção do Equador, do Chile e de Trinidad e Tobago. A
  área territorial brasileira é de 8.547.403,5 km2 e seu perímetro abrange
  23.086 km, limitando-se em 7.367 km, com o Oceano Atlântico, ou seja 31,9%
  de sua linha divisória. É o terceiro maior país do continente em termos de
  área e o primeiro da América do Sul, ocupando 47% da área territorial sul-
  americana. As suas dimensões territoriais caracterizam-no como um país
  continental, uma vez que seu território ocupa 1,6% da superfície do globo
  terrestre, 5,7% das terras emersas do planeta e 20,8% da superfície do
  continente americano.

 3 – Cabo Verde é uma jovem república, que, em 1975, se tornou
  independente de Portugal, estando situada em pleno Oceano Atlântico. Trata-
  se de um arquipélago que se encontra a Sul das Ilhas Canárias, a Oeste de
  países como o Senegal. A sua população ronda o meio milhão de habitantes,
  contando com 16 cidades. As ilhas cabo-verdianas encontram-se divididas em
  dois grupos, o de Barlavento e o de Sotavento, duas regiões nas quais vamos
  encontrar a Ilha do Sal, principal destino turístico do e a única ilha com um
  aeroporto internacional, e a Ilha de Santiago, uma das maiores, onde se
  localiza a capital de Cabo Verde, a cidade da Praia.
 4 - Moçambique localiza-se na costa sudeste do Continente Africano, cuja
  capital é Maputo, foi colónia de Portugal e tem como língua oficial a Língua
  Portuguesa, porém existem inúmeras outras línguas faladas no país.
  Moçambique é uma dança de origem africana, de louvor a São Benedito. Na
  bandeira de Moçambique uma área referente ao santo protector, São
  Benedito, tem lugar de destaque. O clima de Moçambique é húmido e tropical
  com estações secas de Junho a Setembro.

 5 - A Guiné-Bissau com uma superfície de 36.125 km2, situa-se na Costa
  Ocidental de África, estendendo-se, no litoral, desde o Cabo Roxo até à ponta
  Cagete. Tem fronteira, a norte, com o Senegal, a este e sudeste com a Guiné e
  a sul e oeste com o Oceano Atlântico. Além do território continental, o país
  integra ainda cerca de 40 ilhas que constituem o arquipélago dos Bijagós,
  separado do Continente pelos canais de Geba, Pedro Álvares, Bolama e
  Canhabaque. A sua população é 1,2 milhões de habitantes. Bissau é a capital e
  cidade mais importante do país, tem o porto e o aeroporto internacional.

 6 - Angola é um país da costa ocidental da África, cujo território principal é
  limitado a norte e a leste pela República Democrática do Congo, a leste pela
  Zâmbia, a sul pela Namíbia e a oeste pelo Oceano Atlântico. Angola inclui
  também o enclave de Cabinda, através do qual faz fronteira com a República do
  Congo, a norte. Para além dos vizinhos já mencionados, Angola é o país mais
  próximo da colónia britânica de Santa Helena. Uma antiga colónia de Portugal,
  foi colonizada no século XV, e permaneceu como sua colónia até à
  independência em 1975. A sua maior cidade é Luanda que é também a capital
  do país.

 7 - São Tomé e Príncipe é um estado insular localizado no Golfo da Guiné,
  composto por duas ilhas principais (São Tomé e Príncipe) e várias ilhotas, num
  total de 964 km², com cerca de 160 mil habitantes. Estado insular, não tem
  fronteiras terrestres, mas situa-se relativamente próximo das costas do
  Gabão, Guiné Equatorial, Camarões e Nigéria. As ilhas de São Tomé e Príncipe
  estiveram desabitadas até 1470, quando os navegadores portugueses João de
  Santarém e Pedro Escobar as descobriram. Foi então, uma colónia de Portugal
  desde o século XV até sua independência em 1975.

 8 - Timor-Leste (oficialmente República Democrática de Timor-Leste) é um
  dos países mais jovens do mundo, e ocupa a parte oriental da ilha de Timor,
  na Ásia. As únicas fronteiras terrestres que o país tem ligam-no à Indonésia, a
  oeste da porção principal do território, e a leste, sul e oeste de Oecusse, mas
  tem também fronteira marítima com a Austrália, no Mar de Timor, a sul. A
  sua capital é Díli, situada na costa norte. Conhecido no passado como Timor
  Português, foi uma colónia portuguesa até 1975, altura em que se tornou
  independente, tendo sido invadido pela Indonésia três dias depois.
    De entre os países assinalados aqueles que possuem forte presença da sua
comunidade no nosso país são o Brasil, Cabo Verde, Angola e Guiné-Bissau.
Segundo o relatório Estatístico Anual do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), os
estrangeiros residentes em 2008 em Portugal chegavam aos 440277. Das
comunidades referidas o Brasil destaca-se como a comunidade residente mais
representativa atingindo 106704 pessoas. Os estrangeiros oriundos de Cabo Verde,
com 51352 residentes são o segundo país mais representado dos referidos
anteriormente. Seguem-se depois os cidadãos de Angola e Guiné-Bissau, com 27619
e 24391 residentes em Portugal, respectivamente, sendo que, no ano em análise
(2008), Angola regista uma “descida” e Guiné-Bissau uma “pequena descida”.
Moçambique e São Tomé e Príncipe também são representados, tal como os
restantes, mas os primeiros que enunciei e alguns outros países como são os casos da
Ucrânia, da Moldávia e da Roménia… esses sim fazem parte dos países mais
representados em Portugal. Aqui ficam os resultados:




       O conjunto destes países representa cerca de 71% da população estrangeira
com permanência regular em território nacional. Concluo também que a população
estrangeira em Portugal é mais representada por homens do que por mulheres, como
mostra a tabela abaixo.
       Na tabela abaixo demonstra-se em números a representatividade dos
imigrantes em Portugal. Importa salientar aqueles que estão directamente ligados
com este trabalho específico, os países de língua oficial portuguesa (PALOP), mas
coloco também os restantes mais representativos, apenas par podermos
compreender ainda melhor a situação.




        Portugal tem vindo a receber um número considerável de imigrantes desde a
segunda metade da década de 70. Mas sem uma política de imigração definida e
consistente. Em termos de crescimento cultural e social os problemas surgem. Vêm
para Portugal com o intuito de conseguir um emprego melhor, com melhores
salários. No fundo buscam melhores condições de vida. Mas também o fazem por
perseguição religiosa ou política, ou simplesmente para fugir a conflitos. O facto de
falarem a mesma língua que nós faz com que Portugal seja um país mais apetecível
para os imigrantes destes países, já que a adaptação se torna muito mais fácil. O
factor climático é outro dos argumentos. Habituados a climas mais quentes,
obviamente seria mais difícil adaptarem-se a países frios como a Dinamarca ou a
Rússia por exemplo, para não falar da língua.
        A verdade é que muitos imigrantes são encarados com desconfiança e
preconceito. Muitos na urgência de auferirem rendimento vital à sobrevivência,
aliados à ilegalidade, são forçados a aceitar todo o tipo de trabalho, o que faz deles
alvos fáceis de exploração e maus tratos. Então os problemas a nível social, sanitário,
educativo, económico e laboral são imensos nestes casos. A burocracia excessiva e
extensiva também afecta claramente. Ainda assim Portugal é um país apetecível para
este imigrantes já que, apesar de tudo, os laços existentes são um impulsionador.
       É com a presença destes que podemos contactar com novas formas e
manifestações culturais. Tenho amigos de alguns desses países como sejam o Brasil e
Angola, por exemplo. Por conviver bastante com alguns, principalmente brasileiros,
deles captei já muitas expressões. Vejo-me por vezes a usá-las, algo que não fazia
anteriormente. Em Leiria existe uma
escola onde é fácil encontrar marcas de
culturas de outros países. A “Capoeira”,
que combina elementos de artes
marciais, música e dança aproxima-nos
da cultura vinda do outro lado do
Oceano Atlântico é uma dessas marcas.
No carnaval vemos escolas de samba.
Essa manifestação de dança singular
junta-se a muitas outras.
                                                 1 - Roda de Capoeira

       Os imigrantes têm tradições diferentes, diferentes costumes e não só. O
modo de vestir, a comida. Isto quer dizer que os grupos minoritários e o grupo
maioritário (neste caso quem acolhe) desenvolvem um novo modo de vida, que inclui
elementos, valores e ideias de ambos os grupos.

        Por um lado há quem rejeite por completo a manifestação cultural alheia à
sua própria. Uma razão pode ser o facto de não compreender esses aspectos
culturais e fechar-se na sua própria cultura, originando posturas negativas como a
xenofobia (ódio/repúdio por estrangeiros), o racismo (ódio/repúdio por outras
raças). Depois há aqueles que acreditam que todas as culturas são boas, mas que
cada uma deve viver no seu espaço, preservá-la e não contactar com as outras. No
meu caso revejo-me na interculturalidade porque aceito todas as culturas e fomento
abertura cultural e a implementação do diálogo intercultural. Resumindo, pode-se
dizer que estamos preparados para receber novas culturas, mas isso também
depende das pessoas que acolhem, das zonas onde se inserem, da quantidade de
imigrantes que se fixam. Porque há quem receie que se perca a própria identidade
cultural em prol de uma outra que surja de “fora para dentro”. Se uns estão
preparados outros nem tanto. E as políticas de imigração, o controlo de entrada de
imigrantes e tudo aquilo que envolve o processo devem ser geridos com atenção.
Situações de ilegalidade são meio caminho andado para problemas sociais e por isso
culturais.

        Os imigrantes podem dinamizar determinadas zonas onde se possam inserir.
Lembro-me de Lagos, uma cidade de média dimensão onde existem vários
restaurantes de comida portuguesa. Um restaurante com comida tradicionalmente
brasileira, ou especializada em cozinha africana pode atrair não só as pessoas da
própria cidade, mas como das zonas vizinhas ou mais distantes que possam gostar
desse tipo de comida. E até os próprios turistas do país de origem dessas pessoas,
que possam vir de férias a Portugal. Ao trazer mais pessoas dinamiza o próprio
comércio noutras áreas, ajudando a revitalizar. Todos sabemos que coisas diferentes,
novidades que surgem, alimentam o corpo e o espírito.
        Conheço a cidade de Lagos e já lá contactei com culturas diferentes. Saídas
profissionais estão em muito relacionadas com a restauração e o comércio em geral,
visto tratar-se de uma zona de grande impacto turístico, principalmente nos meses
de Verão.


São promovidas muitas iniciativas ligadas à
cultura. Espectáculos, exposições, colóquios,
entre outras actividades. Há exposições
temporárias, galerias cobertas, salas de
animação e além disso existe na cidade um
rico património histórico e de beleza que
aprecio.


                                                   2 - Centro Cultural de Lagos

       Existem amplas áreas pedonais, parques e pequenos recantos, cheios de cor e
vida, que convidam a partir à sua descoberta. Refiro ainda a “A História e a Arte em
                                           Lagos”, cujos expoentes máximos são: A
                                           igreja de S. António e o Museu das
                                           Descobertas. Para além destes existem
                                           os museus de Etnografia, Arqueologia,
                                           Numismática e Arte Sacra. As estátuas
                                           do Navegador Gil Eanes, Infante D.
                                           Henrique, D. Sebastião e o Tríptico à
                                           Batalha de Alcácer Quibir, são pontos a
                                           visitar.
                                                    Existem também várias praias
                                           que fazem a cidade ser ainda mais
                                           apetecível.

              3 - Praia em Lagos


   Realizou-se na cidade o 3º Fórum Nacional das Estruturas Representativas das
comunidades de Imigrantes em Portugal. Segundo PERCIP (Plataforma das Estruturas
Representativas das Comunidades de Imigrantes em Portugal, na União Europeia os
imigrantes são parte da solução e não parte do problema! Eu penso que é bastante
positivo que se esclareçam estas coisas, também para que nós que recebemos
imigrantes também tenhamos consciência de que com cooperação tudo se poderá
tornar mais fácil e produtivo para ambas as partes.
Recomendam então:

   a) O respeito do direito de voto dos imigrantes residentes.
   b) Respeito da aplicação das leis de Nacionalidade e de Estrangeiros e algumas
      práticas administrativas aplicadas pelo Governo.
   c) A participação das Associações de Imigrantes nos órgãos locais e redes
      concelhias.
   d) A diversificação de estratégias de financiamento das associações,
      favorecendo uma maior autonomia face ao Estado e garantindo a necessária
      independência do movimento associativo imigrante face ao poder político
      executivo.
   e) O investimento na qualificação de dirigentes e activistas, no sentido de
      aumentar a eficácia da sua intervenção.
   f) O reforço do papel das associações e dos imigrantes como actores políticos,
      com voz e presença activa nas comunidades onde estão inseridos.
   g) O enriquecimento dos canais de diálogo com os indivíduos e as comunidades
      a quem se dirige a intervenção das associações, fomentando o envolvimento
      dos cidadãos na vida associativa.
   h) O aprofundamento da cooperação interactiva entre as associações e com as
      associações congéneres em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente as da
      União Europeia.
   i) A sindicalização dos trabalhadores imigrantes, numa perspectiva de
      assumirem um papel activo na vida dos sindicatos, nomeadamente como
      delegados e dirigentes sindicais.
   j) O reforço dos laços de cooperação entre o movimento associativo e o
      movimento sindical, através de consultas regulares, de acções conjuntas e do
      estabelecimento de protocolos de apoio e cooperação.


Nota Final: Segundo o site Algarve Digital abriu no passado dia 27 de Janeiro o
Centro Local de Apoio e Integração do Imigrante. A cidade de Lagos passou assim a
figurar na lista das instituições, organismos e serviços que possuem esse Centro.
Trata-se de um espaço de informação descentralizada, que visa proporcionar
respostas locais articuladas ao nível das necessidades de acolhimento e integração
das comunidades imigrantes radicadas nas várias regiões do país. Disponibilizam
assim um apoio que visa resolver os problemas mais facilmente e de forma humana.
        A Câmara Municipal de Lagos tem vindo a desenvolver outras iniciativas
especialmente para a população imigrante. Cursos de língua portuguesa e
exposições, abordando as realidades históricas e culturais, linguísticas, religiosas,
naturais e geográficas das pessoas vindas de outras partes do mundo. Outro bom
exemplo foi a Festa da Páscoa Ucraniana, com programação recheada de dança
música e actuações de grupos culturais da Associação de Ucranianos em Portugal e a
sua subdelegação em Lagos. Uma pequena feira realizada para dar a conhecer o
artesanato e a gastronomia desse povo. A disponibilização de informação para
imigrantes, pertencente ao ACIME (Alto Comissariado para a Imigração e Minorias
Étnicas, completou a iniciativa.

				
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