RADIOLOGIA DO ABDOME by 3m22Qa5

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									       É realizada nas seguintes incidências:

 decúbito dorsal (ou simples)
 ortostática
 decúbito lateral direito ou esquerdo
 Com contraste (via oral ou retal)
 Não há padronização para avaliação da qualidade
 de uma radiografia de abdome. No mínimo, a
 imagem deve conter todo o abdome sem cortes na
 sua periferia.
 É importante notar a distribuição do gás presente
 no intestino, e esta varia muito em indivíduos
 normais. É importante notar a presença de gás na
 ampola retal. Normalmente o reto contém gás na
 maioria dos indivíduos normais. Quanto à
 presença de gás no cólon, esta é muito variável.
Distribuição de gás normal:
 no adulto, o cólon contém gás e fezes, na maioria
  dos adultos não visualizamos ar no delgado
 na criança normalmente há imagem
  correspondendo à presença de gás em todo
  intestino delgado, além do cólon.
 Fonte de ar: ar deglutido, produção de gás pelas
  bactérias do cólon.
 Presença de ar no fundo gástrico gerando a
  imagem da “bolha gástrica” em quadrante
  superior esquerdo em ortostática.
Visualização dos órgãos abdominais:

 Fígado: sua borda inferior do lobo direito
  contrasta com a gordura pericólica e omental
  adjacente
 baço tem 10 a 12 cm de comprimento, seu
  contorno pode ou não ser visto
 Rins seu contorno é mais nítido visto quanto
  maior a quantidade de gordura perirrenal
 O pâncreas não é visto, mas na pancreatite
  crônica pode haver calcificações que ocupam a
  região epigástrica e hipocôndrio esquerdo
 Músculos psoas: suas bordas externas contrastam
  com a gordura vizinha
 Bexiga pode ser vista e também o útero nas
  mulheres.
 Linha do flanco: corresponde à camada de
 gordura junto ao peritônio, indica o limite lateral
 da cavidade peritoneal. Esta linha desaparece
 quando fica tão densa quanto a musculatura
 adjacente, e isso acontece em processos
 inflamatórios, por exemplo abscesso de apêndice.
            Calcificações podem ser vistas:
 Calcificações nodulares esplênicas e hepáticas em
  pessoas com antecedente de histoplasmose.
 Calcificações em fossa ilíaca direita (à direita da 3ª
  e 4ª vértebras lombares) ou hipogastro:
  linfonodos mesentéricos calcificados.
 Cálculos biliares: 10% contém cálcio e podem ser
  vistos. Tem superfície facetada.
 Cálculos de vias urinárias: a maioria é calcificada
  (exceto cálculos de ácido úrico).
 Fecalito: conteúdo intestinal pode calcificar, se
  localizado em região de apêndice, pode causar
  apendicite aguda.
 Enterolitos: podem se localizar no Divertículo de
  Meckel, em lesões crônicas e parcialmente
  oclusivas de intestino delgado.
 Calcificação de suprarrenais: pode ser seqüela de
  tuberculose e infarto hemorrágico (no lactente).
 Cistos de baço, fígado (exemplo: cisto
  equinocócico), glândulas suprarrenais, rins,
  mesentério podem calcificar.
 Teratomas ovarianos podem conter calcificações
  que simulam dentes e ossos.
 Leiomioma uterino pode calcificar.
 Quadro de dor abdominal de caráter agudo que
  obriga o doente a procurar ajuda médica.
 Nessa situação um dos exames obrigatórios é a
  avaliação radiográfica do abdome, chamada
  ROTINA DE ABDOME AGUDO
A rotina de abdome agudo inclui:
 Radiografia de abdome em decúbito dorsal
  (simples)
 Radiografia de abdome em ortostática
 Radiografia de tórax em ortostática
 Quadro Clínico: dor abdominal, distensão
  abdominal e vômito.
 Devem ser solicitadas: radiografia de abdome em
  posição ortostática, em decúbito dorsal (simples)
  e do tórax (em ortostática).
 Causas: hérnias, neoplasia, brida, cálculos
  biliares.
                    À radiografia:
 Alças intestinais distendidas e com níveis
  hidroaéreos.
 Alças de delgado localizam-se centralmente,
  aparecem suas pregas típicas, aspecto em
  “empilhamento de moedas”.
 Se a obstrução do intestino delgado for completa,
  não é observada a presença de gás nos cólons,
  inclusive reto.
 Na obstrução avançada, pode ser vista imagem em
  “colar de pérolas”.
 Causas: neoplasia, diverticulite, vôlvulo, hérnia,
  impactação de fezes.
 À radiografia: vê-se ar desde o ceco até o ponto da
  obstrução e distensão gasosa. Se a válvula íleo-
  cecal for incompetente, a distensão não será tão
  evidente.
 No vôlvulo de sigmóide: 2 alças colônicas
  paralelas e distendidas por gás saindo da pelve.
 No vôlvulo cecal: geralmente aparece como
  imagem hipotransparente ovalada, com a ponta
  voltada para cima e para a direita. Ou distensão
  gasosa no hipocôndrio esquerdo, simulando o
  estômago cheio de ar. Pode haver distensão de
  delgado associada.
 Comprometimento da motilidade intestinal por:
 laparotomia, outros traumatismos,
 hipotiroidismo, drogas que inibem a motilidade,
 hipopotassemia.
 Presença de distensão abdominal tanto de
 intestino delgado como do cólon, às vezes só de
 cólon. Nível líquido é insignificante, diferente da
 obstrução mecânica. Não se detecta um ponto de
 obstrução.
 Pode evoluir para perfuração do ceco (se distensão
 maior que 12 cm). Tratamento: colonoscopia ou
 cecostomia p/ descompressão.
 Ar livre intraperitoneal.
 Aparece na perfuração de vísceras ocas que é
 complicação das seguintes doenças: úlcera
 péptica, diverticulite, apendicite, doença
 inflamatória intestinal, infarto mesentérico,
 neoplasia de cólon e colecistite aguda.
 Radiografia de tórax em ortostática:
 pneumoperitônio se perfuração de víscera oca,
 como intestino, estômago.
 Gás na parede intestinal
 Causas: pneumatose intestinal benigna
 (idiopática, sem quadro clínico agudo, presença
 de gás na parede intestinal em grande extensão),
 ou necrose intestinal (quadro clínico grave)
 secundária à: colagenose, traumatismo
 abdominal, obstrução intestinal.
 Apendicite aguda
 Víscera perfurada (principalmente por úlcera
  péptica ou divertículo de cólon, e também
  carcinoma de cólon e isquemia aguda
 Obstrução aguda de intestino delgado
 Coledocolitíase, colecistite, colangite hepatite
  aguda
 Obstrução ureteral
 Infecção do trato urinário, pielonefrite
 Gastroenterite infecciosa aguda
 Obstrução pilórica
 Gravidez tubária rota, cisto de ovário (rotura
  ou torção)
 Pneumonia (bases pulmonares)
 Ruptura de aneurisma de aorta abdominal
 Dissecção da aorta abdominal
 Pancreatite aguda
 Diverticulite
 Infarto pulmonar, infarto agudo do miocárdio,
  pericardite
 Outras: anemia falciforme, porfiria intermitente
  aguda, intoxicação por metal pesado (chumbo),
  neuropatia diabética, tabes dorsalis.
               “Sempre” são solicitados:
   Hemograma: leucocitose com desvio à esquerda
   Exame de urina: piúria, hematúria
   Amilase sérica
   ROTINA de ABOME AGUDO
       A radiografia de tórax é essencial para:
 Revelar ar intraperitoneal livre abaixo do
  diafragma (pneumoperitônio)
 Evidenciar pneumonia
 Evidenciar diafragma elevado com ou sem
  derrame pleural e atelectasia (se à esquerda, é
  sugestivo de pancreatite aguda, e se à direita,
  sugere abscesso sub-diafragmático.
 Ultra-sonografia de abdome e Tomografia
  computadorizada de tórax também podem
  auxiliar o diagnóstico diferencial.
 Exames contrastados de abdome, são pouco
  utilizados nessa situação.
 Pneumoperitônio: perfuração de víscera oca (80%
  por úlcera péptica, divertículo, apendicite
  perfurada)
 Doença calculosa em via biliar ou trato urinário
 Estômago dilatado (obstrução)
 Massas de tecidos moles (cistos ou abscessos)
 Imagem de “alça sentinela”
 Imagem de “amputação do cólon”
 Árvore biliar delineada por ar
 Calcificação pancreática (pancreatite crônica)
 Cálculos em fossa ilíaca direita (apendicite aguda)
 Inflamação aguda do apêndice vermiforme, que
  pode evoluir com necrose e perfuração.
 Idade: maioria entre 5 e 30 anos.
 Doença comum e curável.
 Causa mais comum: cálculos (fecalitos). E
  também: Enterobius vermicularis, sarcoma de
  Kaposi, linfoma, adenocarcinoma,
  esquistossomose, tumores carcinóides.
 Quadro clínico: dor (95%) em região epigástrica
  ou peri-umbilical vaga e leve no início, tipo cólica
  (por estiramento do órgão), que depois se localiza
  em região de quadrante inferior direito (quando
  atinge serosa e peritônio).
 Exceções: apendicite retrocecal e pélvica.
 Anorexia, náuseas, vômitos, febre, constipação
  intestinal.
 Exame físico: dor à palpação (99%), geralmente no
  ponto de McBurney.
 Descompressão brusca localizada (sinal de
  Blumberg) (75%) ou generalizada, diminuição ou
  ausência dos ruídos hidroaéreos, febre.
 E também: massa em fossa ilíaca direita
  (minoria).
 Radiografia: “alça sentinela” do íleo paralítico à
  direita, apagamento da linha do músculo psoas à
  direita. Pode evidenciar fecalito calcificado em
  quadrante inferior direito (minoria), massa de
  tecido mole com ou sem bolha de gás em
  quadrante inferior direito.
 Tomografia computadorizada é muito sensível,
  mas pouco solicitada na prática.
 Causas: álcool (com pancreatite crônica), doenças
  do trato biliar, traumatismo, infecções,
  metabólica, fármacos, vascular, mecânica, úlcera
  duodenal, familiar.
 Quadro clínico: dor abdominal epigástrica ou
  hipocôndrio esquerdo, e depois difusa e que
  irradia para o dorso, que melhora com a flexão do
  tronco. Vômitos (70 a 90%), febre.
 Exame físico: dor abdominal à palpação
 epigástrica ou difusa, com ou sem defesa, com ou
 sem descompressão brusca. Febre, taquicardia,
 hipotensão. Sinal de Grey Turner (flancos) e sinal
 de Cullen (peri-umbilical) na pancreatite
 hemorrágica.
 Radiografia de abdome: pode ser normal, pode
  haver imagem de íleo paralítico. Procurar
  calcificações em região epigástrica em pacientes
  alcoólatras.
 Tomografia computadorizada é excelente para
  estudo do pâncreas, mas nem sempre é
  necessária.

								
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