Bullying
Equipe:
Natália Dias
Ana Paula Alves
Lara Mariana Conrado
Você já foi alvo de gozação
ou viu alguém sendo
ofendido constantemente?
Não era brincadeira.
Era o bullying em ação.
O que é
bullying?
É toda agressão feita com a intenção de
machucar outra pessoa ou até uma turma
inteira. Mas, pra ser considerado bullying
de verdade, também é preciso que essa
atitude agressiva se repita uma porção de
vezes. Sabe aquele garoto que fica gozando
do colega todo santo dia, fazendo piadinhas
infelizes a respeito da orelha de abano do
garoto? Pois essa atitude grosseira,
repetitiva, disfarçada de brincadeira, é o
tal de bullying. Mas esse comportamento vai
além dos apelidos maldosos. Ele também é
uma característica de quem gosta de
ofender, humilhar, discriminar, intimidar,
enfim, de quem se diverte fazendo tudo o
que faça uma menina (ou o menino) sofrer.
Menino é
diferente
A prática do bullying nem sempre é igual para meninos e
meninas. Segundo Aramis Lopes, pediatra e coordenador do
Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre
Estudantes, os garotos são mais explícitos. É comum ver
meninos tirando sarro de alguém na frente de todo mundo.
"Já a menina é educada para ser mais recatada, discreta.
Sendo assim, a estratégia delas é outra", explica o
médico. É isso mesmo! A menina é mais sutil e vai, como se
diz, "comendo pelas bordas". Uma fofoquinha aqui, uma
esnobada ali e lá está ela colocando em prática sua
maldade. "A princípio, elas são amigas. Mas, quando vai
ver, uma garota já está sendo vítima de difamação e
exclusão dentro de seu grupo", acrescenta Aramis. Para
esses casos, o especialista dá a melhor solução: trocar de
turma. Afinal de contas, você é livre para ser amiga de
quem bem entender e não tem nada a ver ficar atrás de
meninas que só querem vê-la numa pior, não é mesmo? Mas,
quando o assunto é gozação na frente de todo mundo, como
nos casos em que o cidadão grita um apelido infeliz pelos
quatro cantos da escola, a pedagoga Karen Kaufmann
Sacchetto, da Escola São Gabriel Pompéia, em São Paulo,
tem a saída: "Evite reforçar essa atitude. Tente ignorar o
máximo que puder". E Aramis complementa: "Saia de perto,
para a brincadeira não continuar e você não sofrer".
Contar ou não, eis
a questão
E os pais, como ficam nessa história toda? "Se tiver coragem,
conte a eles, pois podem ajudá-la", diz Karen. Porém o
pediatra Aramis alerta: "Procure alguém de sua confiança, um
colega, um professor, um funcionário da escola, ou seus pais
e conte o que se passa com você. De preferência, os pais só
devem interferir com o consentimento dos filhos". Se você
estiver certa de que quer a ajuda de seus pais nessa luta,
peça uma mãozinha. Do contrário, se tiver medo de que a
situação piore, busque apenas o apoio deles, mas não desista
de tentar se livrar desse sofrimento. Ficar quieta e aceitar
todos os tipos de maldade é o comportamento mais incorreto.
Muitas vezes, quando ficamos chateadas não há nada melhor do
que o colo e os conselhos do pai e da mãe para nos dar um
calorzinho no coração.
A diretoria da escola também pode ser avisada, principalmente
em casos mais graves, como os de ameaça. Entretanto, se você
não quer falar abertamente sobre o que está acontecendo, vale
sugerir à diretoria que faça um programa de conscientização
com os alunos. Você pode, por exemplo, dizer que tem visto
alguns colegas sofrendo por causa do bullying e que seria
muito bom se houvesse alguém para conversar com todos os
alunos, alertando sobre esse mal.
Por que essas
criaturas existem?
Ninguém nasce com um "gene do bullying". Isso não é um
defeito de fabricação. Normalmente, o chamado
"agressor" começa com atitudes ruins desde criança. "Um
exemplo é o caso da criança que fala palavrão, todo
mundo acha bonitinho e ninguém impõe limites", aponta a
pedagoga Karen Kaufmann. Quando ela se torna
adolescente, leva suas "brincadeirinhas" de mau gosto
na bagagem e atinge seus colegas da mesma idade. "O
agressor impõe o seu comportamento dentro do grupo e,
com isso, atrai seguidores, que passam a fazer maldades
também. Dessa forma, se estourar algum problema, o
líder joga a responsabilidade dos seus atos para cima
dos outros e, ao mesmo tempo, diminui seu peso na
consciência", explica Aramis. "Muitos garotos e
garotas, por iniciativa própria, não fariam tantas
maldades. Mas, para pertencer a um determinado grupo,
acabam seguindo os passos do líder", acrescenta o
especialista.
Portanto, se você encontrar uma turminha do mal como essas
por perto, deixe-a para lá. O ditado "Não faça com os
outros o que você não gostaria que lhe fizessem" é
muito importante. Lembre-se sempre dele.
As
conseqüências
Quem já sofreu com o bullying sabe que não é
fácil esquecer a humilhação. Por isso, é
comum a vítima levar esse trauma para a
vida adulta. Os efeitos mais comuns dessa
agressão são depressão, insegurança,
problemas na escola e síndrome do pânico.
Em casos mais extremos, a vítima pode
tornar-se violenta com os colegas ou, até
mesmo, querer se matar.
Por isso, se você já foi - ou está sendo -
alvo de maldades, não tenha vergonha nem
receio de procurar ajuda profissional. Um
psicólogo poderá auxilia-lá a superar esses
traumas e a reagir com mais facilidade
diante das agressões. Uma outra forma de
livrar-se desse peso é desabafar com uma
amiga bacana ou com alguém em quem você
confia pra valer.
Casos
Famosos
1. No dia 19 de novembro de 2004, em Atlanta, Estados
Unidos, duas meninas de 13 anos foram presas por
terem feito um bolo com remédio vencido, água
sanitária, barro e molho de pimenta, que depois,
serviram aos colegas da escola. Doze adolescentes
foram parar no hospital por causa da maldade das
garotas.
2. Eric Harris, de 17 anos, e Dylan Klebold, de 18, sem
antecedentes criminais, no dia 30 de abril de 1999,
armados, invadiram o colégio Columbine High School
(Colorado, Estados Unidos), onde estudavam, e mataram
13 pessoas. Depois do massacre, os jovens se
suicidaram. A explicação para a tragédia é que ambos
eram alvos de chacota de colegas e professores. Essa
rejeição causou revolta nos meninos, que acabaram
tomando atitudes extremas.
3. Em fevereiro do ano passado, na cidade de Remanso,
na Bahia, o jovem D., de 17 anos, matou duas pessoas
e feriu três. O menino sempre sofria humilhações na
escola. O garoto revelou que matou F., de 13 anos,
porque ele vivia humilhando-o. No dia do crime, F.
teria estragado sua mochila e jogado um balde de lama
nele.
Bullying no
Cinema
Alguns filmes sobre o tema:
- Meninas Malvadas: uma garota criada na selva
africana só conhece uma escola aos 16 anos.
Ela começa a andar com um grupo de
patricinhas que adoram esnobar os outros.
Para vingar-se, a adolescente passa a agir da
mesma forma.
- Tiros em Columbine: o polêmico diretor e
escritor Michael Moore levou ao cinema a
história dos jovens Eric Harris e Dylan
Klebold, que estudavam na escola Columbine
High School e mataram seus colegas.
- Nunca fui beijada: a jornalista Josie Geller
recebe a difícil missão de fazer uma
reportagem sobre o comportamento dos
adolescentes na escola. Só que a moça nunca
foi beijada e não era das mais populares na
época de colégio. O filme mostra como a
protagonista vira motivo de chacota para seus
colegas.