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MONOGRAFIA

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MONOGRAFIA
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12/14/2011
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48
ARRANJO PRODUTIVO LOCAL DE MÓVEIS NA GRANDE

BELÉM





Raymundo Garcia Cota









1 INTRODUÇÃO



Este trabalho se enquadra dentro do esforço nacional de entender as aglomerações

produtivas da economia brasileira e estabelecer políticas públicas adequadas. A abordagem

mais recente tem sido de Arranjos Produtivos Locais (APLs), conceito que surge no final

da década de 80 (LASTRES, 1998). A data serve para enfatizar as mudanças ocorridas no

mundo, que revolucionaram as indústrias tradicionais com o advento da globalização.



Essa abordagem se fortaleceu com o êxito da experiência americana do Vale do

Silício, que se espalhou por todo o mundo. Neste tipo de abordagem industrial, acentua-se

principalmente a cooperação, que surge entre os membros de um APL, gerando sinergias

operacionais decorrentes das externalidades positivas.



Este trabalho segue de perto as metodologias desenvolvidas pela RedeSist 1,

enfatizando aglomerações empresariais, clusters e arranjos produtivos locais. As

aglomerações empresariais de modo geral se apresentam como conjunto de empresas

geralmente pequenas e médias de determinado setor industrial, que se localizam em

determinada área geográfica, não apresentando relações de cooperação, mas são de suma

importância para o desenvolvimento local. Os clusters e os APLs se confundem quanto

conceito geral, pois ambos são caracterizados por apresentarem um certo grau de

cooperação; são constituídos em sua maioria de micros e pequenas empresas, que em suas

relações sinérgicas e com a ajuda de outros agentes do arranjo; propiciam ganhos

econômicos, sociais, tecnológicos etc. tanto para as empresas quanto pela a

localidade/região em que estes são implementados.



O trabalho se ressentiu da dificuldade em penetrar nas médias e grandes empresas,

para obter os dados necessários a esta análise. Isso denota a falta de informação e

integração existentes dentro do setor, pois os empresários ainda confundem os agentes

governamentais: não diferenciam os agentes de pesquisa (UFPA) com os agentes

fiscalizadores. Assim se prejudica a cooperação, característica central para a existência de

um APL.



A partir das considerações acima, o presente trabalho tem o objetivo de verificar as

possibilidades do Arranjo Produtivo Moveleiro da Grande Belém-Pa, compreendendo os

municípios de Belém (capital), Ananindeua e Marituba. O relatório está estruturado em

quatro partes. A primeira parte trata dos aspectos teóricos relativos aos conceitos, tentando

definir um aglomerado industrial, cluster e/ou Arranjo Produtivo Local. A segunda parte



1

Para melhor saber sobre a RedeSist, acesse http://www.sinal.RedeSist.ie.ufrj.br/

faz um breve diagnóstico do setor moveleiro no mercado nacional e internacional. A

terceira parte trata do estudo de caso em questão, onde tanto fontes secundárias como

primárias foram utilizadas e elaboradas a partir dos resultados da aplicação do questionário

padrão RedeSist, com uma amostra aleatória de 20 empresas. Esta pesquisa de campo

possibilita aferir o comportamento do arranjo, quanto ao seu perfil qualitativo/quantitativo,

estratégico/competitivo e outras informações a nível local, que tem relevância para o

arranjo produtivo pesquisado. Na última parte, são apresentadas as conclusões da pesquisa

e a sugestão de algumas políticas públicas e ações privadas pertinentes.



Os autores deste relatório desejam agradecer a todos que colaboraram direta ou

indiretamente para a realização deste trabalho, em particular ao Sindmóvel (Sindicato das

Indústrias de Móveis do Estado do Pará), a AIMEX (Associação das Indústrias

Exportadoras de Madeiras do Estado Pará), ao Engº. Florestal José Conte e ao Economista

Josias Martins Nascimento.





2 ASPECTOS TEÓRICOS



2.1 Modelo de Desenvolvimento: Conceitos Aglomerações Empresariais

/Clusters/Sistema Inovativo Produtivo Local/APLs.



Um dos objetivos deste trabalho é apresentar de forma mais didática possível, os

diversos conceitos e debates sobre as diversas teorias de desenvolvimento, mais

especificamente, os conceitos de desenvolvimento local, dentre estes, o conceito do que é

ou pode vir a ser um aglomerado econômico ou industrial, um cluster e/ou Arranjo

Produtivo Local. Analisam-se as teorias que deram origem aos modelos de

desenvolvimento no Brasil e de como estes instrumentos podem ajudar nas políticas de

desenvolvimento nacional e regional, onde são ou poderão ser aplicados. Procura-se

mostrar como estas políticas de desenvolvimento influenciam na competitividade que o

setor de moveis da Grande Belém tem no mercado nacional e internacional.



Segundo Santos et al. (1994), é difícil escrever sobre o desenvolvimento em países

que se encontram neste processo, sendo este também um tema marginal em países de

economia desenvolvida. Por outro lado, desenvolvimento é um objeto sobre o qual

generalizações a partir de cortes analíticos são mais problemáticas do que o normal.

Entretanto, o Brasil insiste no uso de modelos de desenvolvimento importados, mostrando

a desconfiança da nossa própria capacidade de compreender os problemas internos e

decidirmos nós mesmos como solucioná-los, tendo como argumento que os modelos de

desenvolvimento aplicados no Brasil não teriam o devido respaldo de grandes acadêmicos

internacionais e financiadores multilaterais.



O que chamamos de aglomerados, clusters e/ou APLs surgem como uma das fases

do processo de desenvolvimento nacional e regional, mostrando que, nos locais em que

esses conceitos se apresentam ou são aplicados. As decisões de políticas econômicas e

sociais são mais bem aceitas devido à própria necessidade de cooperação e diálogo entre os

agentes do aglomerado, cluster e/ou APL, e o próprio conhecimento absorvido

internamente, afim de que em conjunto, todos possam se beneficiar, principalmente diante

de uma acirrada competição pelo mercado do setor de móveis, tanto nacional como







2

internacional, em que são utilizados diversos tipos de estratégias de competitividade em

busca de maiores fatias de mercado e consolidação nesse setor.





Aglomerações Econômicas/Industriais



A literatura apresenta inúmeros conceitos de aglomerações de empresas, sempre

associadas a determinadas formas de organizações institucionais, culturais, sociais e

principalmente à implementação da maioria das políticas publicas. Nesse sentido há a

presença de dois grandes exemplos de aglomerações empresariais comuns das grandes

cidades e que ganharam expressividade nos estudos sobre desenvolvimento local, os

centros industriais e os complexos industriais, Santana (2004) e Santos et al. (1994).



A primeira categoria trata de grandes e diversificadas aglomerações industriais,

que, apesar de exercerem grande importância no meio, não apresentam maiores relações de

cooperação entre as mesmas. Nas décadas de 50 e 60, período de grande abertura ao capital

externo, havia políticas direcionadas ao incentivo de tais centros industriais, que tinham

como objetivo atrair indústrias dos setores mecânico e metalúrgico para as regiões menos

desenvolvidas do Brasil. Entretanto, como esses centros industriais demandavam grandes

incentivos fiscais por parte do governo, além de mão-de-obra especializada, mercado

consumidor, acesso a serviços e amenidades urbanas, entre outros, e acabavam por atrair

indústrias de diversos setores. Vale ressaltar que essas políticas incentivadoras eram

baseadas principalmente nos teóricos estruturalistas da CEPAL2, e tinham relação direta

com a política de substituição de importação e potencialização dos setores exportadores,

visando acelerada expansão da industrialização nacional (SANTOS et al., 1994).



O segundo exemplo, o complexo industrial, assim definido por Haddad (2003a, p.

30), “é um conjunto de atividades que ocorrem numa dada localidade e pertencem a um

grupo ou subsistema de atividades que estão sujeitas a importantes inter-relações de

produção, comercialização e tecnologia”. O ponto importante a se destacar nesse tipo de

aglomeração é que essas empresas regularmente participam de uma determinada cadeia

produtiva, elevando o nível de competitividade de acordo com as políticas de substituição

de importações e alargamento das exportações, adotadas pelo governo. Essas políticas

também tinham como meta a industrialização de regiões menos desenvolvidas e que

dispunham de boas condições para receber essas indústrias, tais como: insumos, logística,

mão-de-obra dentre outras. Os investimentos aplicados nos complexos industriais tiveram

início a partir da década de 50 com a indústria de automóveis, mas foi em 1970, que tais

políticas se consolidaram, principalmente a indústria petroquímica (SANTOS et. al., 1994).

Esses exemplos foram de suma importância para a denominação de APL, pois “o conceito

APL foi criado tendo como paradigma e meta de política essas duas experiências

históricas” (SANTOS et al ,1994, p. 156).



Clusters



Os denominados Clusters apresentam, segundo a literatura especializada, inúmeros

conceitos, mas todos com as mesmas características e objetivos, que lhe são comuns no

processo de desenvolvimento de políticas público-privadas nacional, regional e/ou local. O

2

CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, para mais informação acesse

www.cepal.org.br



3

advento da globalização mudou de forma significativa o ambiente industrial, quer do ponto

de vista da competitividade, quer do próprio processo produtivo. O dinamismo e exigência

do mercado fizeram com que as micros e pequenas empresas – MPEs se adequassem ao

padrões internacionais, por meio de uma maior interatividades horizontal e vertical, afim

de minimizar os problemas das MPEs, surgindo assim os chamados clusters.



Uma das definições de clusters é que são

“concentrações geográficas de firmas setorialmente especializadas,

principalmente de pequeno e médio porte, onde a produção tende a

ocorrer verticalmente desintegrada, mantendo relações interfirmas de

cooperativismo e competitividade à jusante e à montante”( CROCCO ;

HORÁCIO, 2001, p. 4).



Os clusters surgem com uma maneira de micros, pequenas e médias empresas,

atravessarem os empecilhos quanto ao seu crescimento, proporcionados através de

cooperação empresarial, especialização do trabalho, de serviços, infra-estrutura etc., um

aumento da capacidade de negociação coletiva em insumos e componentes, reduzindo

custos, e aumentando o nível de produtividade e qualidade dos produtos. Alia-se a outras

variáveis tais como: disponibilidade de mão-de-obra troca de informações, insumos,

logística, marketing cooperado etc., viabilizado uma maior competitividade na venda e

distribuição dos produtos para o mercado interno e externo .(CROCCO ; HORÁCIO

,2001).



As mudanças ocorridas no processo produtivo das indústrias, intensificadas pelas

inovações tecnológicas e de informação, proporcionaram maior diversificação da

produção, ocasionando uma inevitável discussão acerca das formas de coordenação do

processo produtivo, e tendo nas relações interfirmas e o meio (clusters), um novo

paradigma em busca de mais produtividade e competitividade das MPEs no setor em que

atuem, visto que estas relações potencializam o desempenho das firmas, devido às

especializações no processo produtivo. Um outro aspecto importante dessa cooperação

interfirmas está no fato de que, dependendo de sua configuração de cooperação, tanto pode

existir uma firma líder exercendo o papel de coordenação dos clusters, como também esta

coordenação é realizada por meio de uma instituição e/ou entidade pública e privada, que

institucionalizam a coordenação, levando em consideração a questão da cooperação versus

concorrência. Este segundo aspecto se mostra de extrema importância, visto que a

caracterização de um cluster não quer dizer que não haja a concorrência entre os agentes

do aglomerado industrial (CROCCO ; HORÁCIO, 2001).



Sistemas Produtivos Inovativos Locais

Antes de abordar o conceito de Sistemas Produtivos e Inovativos Locais, faz-se

necessário entender o papel e importância da inovação e da difusão tecnológica dentro do

atual estágio de globalização. Vale ressaltar que, ao contrário do que foi pregado por

alguns simpatizantes da globalização, esse processo não vem resultando em diminuição das

barreiras à circulação dos conhecimentos científicos e tecnológicos, de modo que a

capacidade de inovação dos sistemas produtivos e inovativos locais ganha ainda mais

relevância à medida que a globalização tecnológica de fato não existe, ou se só venha a

existir nos países desenvolvidos.









4

Neste contexto, países periféricos, como o Brasil, se vêem com a necessidade de

promover endogenamente processos de inovação, sendo tempestivo que o presente

trabalho aborde o tratamento do conceito de Sistemas Produtivos e Inovativos Locais.

O reconhecimento da importância do conhecimento e das inovações como

elementos fundamentais para o crescimento de nações, regiões, setores, organizações e

instituições constitui uma das premissas do conceito do modelo apontado acima, que leva

também em consideração tanto o conhecimento codificado, como o conhecimento tácito, o

que se revela estratégico, ao desempenhar papel primordial ao processo (e ao sucesso)

inovativo. Não se esqueça que, quando se fala em caráter estratégico do conhecimento

tácito, está se falando justamente na dificuldade de transferência de tais conhecimentos. Da

mesma forma, há de se reconhecer a importância do contexto social, político, econômico e

institucional para o processo de inovação e aprendizado (pois tal processo é dependente de

interação) .



A construção de uma proposta baseada nos fundamentos apontados acima está

ligada, de maneira bastante contundente, a um conceito fundamental. O conceito de

Sistema de Inovação, que pode ser definido como um conjunto de instituições distintas,

com experiências e idiossincrasias próprias, que mantém relações entre si e com outras

organizações (LASTRES et. al., 2003).



Segundo a Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais

(RedeSist), Sistemas Produtivos e Inovativos Locais são arranjos produtivos em que a

interdependência, articulação e vínculos consistentes resultam em interação, cooperação e

aprendizagem, com potencial para gerar incremento da capacidade inovativa endógena, da

competitividade e do crescimento local.



Com isso, a participação territorial ganha relevância com a abordagem neo-

schumpeteriana, que estuda o conceito de Sistemas Nacionais de Inovações e enfatiza o

caráter localizado e específico de processos de aprendizado e de inovação. A aceitação da

teoria neo-schumpeteriana se dá pelo fato de que a capacidade para gerar inovações é um

dos fatores mais importantes, segundo a visão dos teóricos da RedeSist, para a

competitividade sustentada de empresas e nações. Assim sendo, o principal diferencial

entre APL e Sistemas Produtivos está na capacidade deste último em gerar, entre os

agentes, a difusão de conhecimentos.



Arranjos Produtivos Locais



Os Arranjos Produtivos Locais, segundo a RedeSist, vinculado ao Instituto de

Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, são “agentes econômicos, políticos e

sociais, localizados em um mesmo território, que apresentam vínculos consistentes de

articulação, interação, cooperação e aprendizagem”, sendo este conceito um

desmembramento do conceito de Sistemas Produtivos e Inovativos Locais – SPILs, uma

vez que o primeiro, segundo Cassiolato e Lastres (2004; p. 5), não apresentam certa

consistência de articulação, cooperação e interação entre os agentes.



Muitos outros conceitos e definições de APLs são apresentados na literatura

especializada e em debates tanto nas academias, instituições e organizações, quanto nas

discussões de políticas públicas de desenvolvimento nacional, regional e municipal. Apesar

dos diversos conceitos sobre APLs, é consenso entre quase todos que são fundamentais as





5

políticas que estimulem o desenvolvimento local, de maneira sustentada e de longo prazo,

fazendo com que os arranjos interajam com o mercado, proporcionando ganhos em escala,

inclusão social, melhor distribuição de renda e qualidade de vida, levando sempre em

consideração as especificidades locais e regionais, além da preservação do meio ambiente

como fonte de vida e matéria-prima sustentada para o setor de madeireiro.



Como já falado anteriormente, o paradigma dos distritos industriais da Itália e o

Vale do Silício na Califórnia foram o ponto inicial e principal na caracterização/definição

dos APLs. Para Santos et al. (1994), deve-se o seu sucesso conceitual a um dos poucos

modelos de política industrial aceita nos governos neoliberais, onde a intervenção estatal é

tida com extremamente danosa para o bom andamento da economia e também serem

modelos de fácil aplicabilidade nos países subdesenvolvidos. Um fator de extrema

importância no uso dos APLs é a cooperação existente nos modelos acima, que

proporciona ganhos de economia, competitividade e social, comprovada pelas “crescentes

taxas de exportações e de inovação da Itália nos anos 80 e 90” (SANTOS et al., 1994, p.

157).



Esse é o tipo de cooperação realizada nesses distritos e, conseqüentemente, nos

APLs Multilaterais, caracterizados por um grande número de micro e pequenas empresas,

que juntas influenciam em grande ou pequena parte a cadeia produtiva em que se

localizam, onde há também a participação de uma instituição e/ou associação com poder de

decisão no arranjo. Entretanto, ainda é muito difícil definir um APL a partir da cooperação

que exerce. Esse problema de definição culminou com a elaboração por meio de alguns

estudiosos de uma tabela que tipificasse os “níveis de competitividade e de cooperação dos

APLs”. Mesmo assim, ainda se torna muito difícil a caracterização de APLs, por inúmeros

fatores como mensuração, diferenciação, ordenamento entre outros (SANTOS et al., 1994,

p. 159).



Tabela 1: Tipologia Consagrada de Clusters/APLs

Clusters/APLs Clusters/APLs Clusters/APLs

INFORMAIS ORGANIZADOS INOVADORES

Existência de Baixo Baixo e Médio Alto

Liderança Micro e Pequenas MPMEs MPMEs e Grandes

Tamanho das Firmas Pequena Alguma Contínua

Capacidade Inovadora Pequena Alta Alta

Confiança Interna Pequena Média Média

Nível de Tecnologia Algum Algum Difundido

Linkages Pequena Alguma e Alta Alta

Cooperação Alta Alta Média e Alta

Competição Poucos; Nenhum Alguns Continuamente

Novos Produtos Pouca; Nenhum Média e Alta Alta

Exportação

Fonte: SANTOS (1994, p. 159)





Contudo, as experiências e as tipologias apresentadas acima não foram e nem são

suficientes para caracterizar os APLs como modelos de organização e localização

produtiva. Junto a estes existem as entidades de classe, instituições do governo pró-ativas





6

no local, fornecedores especializados, instituições de crédito, ensino e pesquisa, centros de

treinamento de mão-de-obra, entre outras, além da grande capacidade geração de

inovações capazes de alavancarem o nível de competitividade, proporcionados pelas

vantagens locacionais do arranjo. Isso tudo mostra que o fator locacional/geográfico torna-

se de grande importância na definição de um APL. Essas vantagens competitivas

locacionais podem ser estáticas ou retroalimentáveis, conforme representação na Tabela 2

abaixo (SANTOS et. al.,1994).



Tabela 2: Tipos de Vantagens Competitivas Locacionais.

VCL – Estáticas VCL - Retroalimentáveis

 Terras agrícolas em condições  Externalidades multisetoriais;

competitivas associadas à boa  Ganhos de escala ou escopo; e

logística de transporte;  Externalidades setoriais.

 Minas com condições competitivas

associadas à boa logística de

transporte;

 Mão-de-Obra não-qualificada muito

barata; e

 Incentivos fiscais.

Fonte: Elaboração própria a partir de SANTOS (1994, p.166-167)



Portanto, a Tabela 2 acima mostra que a localização do arranjo é de irrefutável

importância para organização, estruturação e desenvolvimento de um APL. Isto significa

que uma maior difusão de desenvolvimento de conhecimento, aliado à oferta de créditos,

serviços, mão-de-obra barata e etc., propicia maiores vantagens locacionais e facilita

também as cooperações multilaterais entre firmas, instituições e poder público. No entanto,

quando se trata de conhecimento, principalmente o especializado, este dificilmente se

encontra nos locais do arranjo nem pode adquirido através de manuais ou computadores. O

que chamamos de conhecimento tácito advém da experiência e contato de longo prazo com

as tecnologias do arranjo e do próprio dom do trabalhador. Este conhecimento é

transportado junto com o trabalhador para dentro do arranjo.



Voltemos para o foco de achar uma definição para o termo APL, uma vez que,

segundo Santos et al. (1994), a definição de um conceito só é precisa, quando descreve as

condições em que é possível usá-lo de forma eficaz. De acordo com a literatura, o conceito

de APL se afasta, de forma geral, das características de um cluster, pois estes apresentam

maior proximidade, que proporciona maior ênfase nos processos de cooperação e

externalidades estáticas. Ao contrário, o APL se dá em caráter mais dinâmico, não

delineado por uma fronteira geográfica, que leva em consideração a necessidade da

participação e/ou influências de diversos atores, no processo de desenvolvimento

sustentável de um APL. Sendo assim, pode-se definir de forma mais restrita um Arranjo

Produtivo Local como um conjunto de empresas, principalmente micro e pequenas

empresas não interligadas horizontal e/ou verticalmente. Estas, localizadas em um mesmo

território, apresentam algum tipo de relação interfirmas, com especialização produtiva,

fornecedores de insumos e equipamentos, prestadores de serviços, clientes etc., além de

associações e sindicatos de representação e de outras instituições público-privadas







7

fornecedores de recursos humanos, pesquisas, treinamentos de mão-de-obra especializada

e promoção de financiamentos para o APL (NASCIMENTO ; LIMA, 2005).



Apresar de sua definição um tanto vaga, o Arranjo Produtivo Local pode ser muito

importante na implantação de políticas de planejamento e desenvolvimento sustentável em

paises menos desenvolvidos, visto que esse tipo de política se adapta muito bem às

particularidades do ambiente locacional, gerando as sinergias capazes de galgar novos

patamares de competição e inovação, culminado com maiores ganhos sócio-econômicos,

tecnológicos, ambientais, entre outros.





3 DIAGNÓSTICO: O SETOR MOVELEIRO NO MERCADO INTERNO E

EXTERNO.



3.1 Panorama Internacional



O Mercado moveleiro internacional está caracterizado por uma produção horizontal

e de grande absorção de mão-de-obra, apresentando ainda uma pequena participação no

valor adicionado da indústria de transformação, mostrando que o setor não consegue afetar

a indústria de transformação, mas é de extrema importância quando se trata do fator oferta

de emprego3.



A estrutura organizacional da indústria moveleira internacional é representada por

um grande número de pequenas e médias empresas de altíssimo grau de especialização.

São firmas pequenas que atuam em linhas de produção de peças e componentes para suprir

as firmas maiores. Especializam-se na montagem do bem final, dando origem a um

encadeamento de redes produtivas entre firmas, propiciando grande competitividade na

indústria de móveis à inserção de novas tecnologias de produção, novas matérias primas,

melhoramentos nos designs e novas estratégias comerciais e de distribuição, propiciando

ganhos em escala, e gerando maior margem de lucros para as empresas (CROCCO ;

HORÁCIO, 2001).



A literatura evidencia que a indústria moveleira internacional, apesar de ter sofrido

grandes investimentos na aquisição e/ou substituição de máquinas modernas em suas

linhas de produção, não conseguiu mudar seu perfil de especialização e elevada absorção

de mão-de-obra Demonstra também que as máquinas mais antigas podem fazer parte da

mesma linha de produção das máquinas mais modernas4, evidenciando que o fator

investimento na modernização dos equipamentos é insuficiente para garantir maior

competitividade da indústria moveleira.



Como a renovação do maquinário, aliada às inovações do processo produtivo, não é

suficientemente capaz de garantir maior competitividade da indústria moveleira

internacional, os empresários buscam outras formas de conseguir aliar custo/benefício,

mantendo padrão de qualidade e inovação de produto, para manter-se no mercado e



3

A absorção de mão-de-obra disponível influência diretamente na taxa de desemprego de uma economia

(CROCCO e HORÁCIO, 2001).

4

Empresas desenvolvem produção em série, ou seja, poucos produtos sendo produzidos em uma mesma

linha de produção, não havendo significativa mudança com a flexibilização dos novos equipamentos à linha

de produção, (CROCCO e HORÁCIO, 2001).



8

almejar os tão esperados lucros. Este processo está sendo feito por meio da aquisição de

matérias primas diferenciadas e constante aperfeiçoamento dos designs dos móveis, o que

torna estas duas variáveis de grande importância para o objetivo de inovação tecnológica

da indústria do mobiliário. Contudo, estes dois fatores terão um maior ou menor grau de

importância, dependendo de onde a firma estará fixada. Em lugares que apresentam uma

quantidade elevada de recursos naturais (madeira em abundância), estas irão explorar mais

o fator preço em relação à oferta da matéria prima. Já as firmas que se localizarem nos

lugares onde há escassez desses recursos naturais, as mesmas priorizarão esforços no

aprimoramento dos designs e aquisição de novas matérias-primas mais baratas, obtendo

vantagens (lucros) na constante inovação do produto final (CROCCO ; HORÁCIO, 2001).



Em consideração a este panorama, a utilização de softwares, que conseguem criar

novos formatos de móveis com qualidade e precisão, tornam-se de grande relevância no

quesito competitividade. Um exemplo de software inovador é o CAD (Computer Aided

design), que projeta móveis com design diferenciado e com alto padrão de qualidade Ainda

neste contexto de oferta de matéria prima e redução de custos, foram implementados

estudos em busca de novos materiais para uso no setor moveleiro, no que se destacam os

MDFs (Médium-density fiberboard) e madeiras de projetos de manejo (reflorestadas) como

o eucalipto e o pínus. Essas duas espécies de madeira manejadas foram geneticamente

modificadas para suprir não só o setor moveleiro como também os de celulose e de

resíduos para fabricação de aglomerados, chapas de fibras e os próprios MDFs, sendo este

último comparado em volume e densidade ao mogno e outras espécies usadas e aceitas na

indústria moveleira nacional e internacional. Além disso, são mais fáceis de sofrerem

mudanças quanto à qualidade e ao design do produto final. Apesar da introdução desses

novos tipos de materiais na fabricação de móveis com menores custos, a competitividade

da indústria moveleira mundial ainda tem como fator mais importante a variável design

(CROCCO ; HORÁCIO, 2001).



O mercado mundial da indústria do mobiliário apresenta características bastante

peculiares e que serão analisadas e comentadas a seguir. Estima-se que o setor produza

cerca de US$ 200 bilhões anuais, envolvendo neste comércio aproximadamente 50 países.

A maior parte dessa produção (76%) está concentrada nos países desenvolvidos, ficando os

países em desenvolvimento com a fatia restante da produção mundial (24%). Os principais

países exportadores são Itália, Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França e Reino Unido

com 64% das exportações totais. Na via da importação quem se destaca são Estados

Unidos, Alemanha, Japão e França, com participação de 57% do total importado,

representando cerca de US$ 30,6 bilhões (Revista da Madeira, jun., 2005).



A Itália, juntamente com Estado Unidos, Alemanha e Canadá, responde por 40%

das exportações totais. No critério consumo, os maiores, dentre eles, Estado Unidos,

Alemanha, França, Itália, Inglaterra, Japão e Espanha, demandam 80% do consumo

mundial. Esse cenário vem favorecendo o crescimento da indústria de móveis e,

principalmente, de indústria em países emergentes (Revista da Madeira, jun., 2005). A

evolução de 38% das importações evidencia problemas de alguns países, que vão desde

déficit em ofertar alguns segmentos de produtos como até a falta de matéria-prima. Isso

possibilita a abertura desses mercados aos países exportadores bem como aos países que

estão iniciando neste processo.



Indústria Italiana





9

A indústria italiana é a que mais se destaca no cenário mundial, além de ser a maior

exportadora de móveis do mercado mundial. A constante renovação de seus produtos

(design) e o uso de novas matérias primas na confecção do móvel constituem os fatores

necessários para garantir uma alta competitividade no mercado. Sua estrutura

organizacional é composta por cerca de 35.000 estabelecimentos, em que predominam as

médias e pequenas empresas. Uma característica da indústria italiana é o alto grau de

especialização e produção horizontal, mostrando este aspecto a boa relação inter-firmas.

Estes fatores tornam Itália quase independente do comércio externo para suprir sua

demanda interna, tornando-a competitiva em todos os segmentos da movelaria, ditando

tendências em outros países, particularmente Estados Unidos e Europa. A União Européia

é que absorve a maior parte da produção italiana (FILHO ; BUENO, 2000).



Ainda segundo Filho e Bueno (2000), a integração das indústrias produtoras de

móveis com as de fornecimento de máquinas e equipamentos acaba por propiciar um outro

fator que potencializa a indústria moveleira italiana. Trata-se do avançado parque

industrial, caracterizado por máquinas e equipamentos de última geração, possibilitando a

produção de um produto com maior qualidade tanto no avançado design quanto no

acabamento final.



Indústria Americana



Os Estados Unidos apresentam uma estrutura industrial moveleira distribuída por

do seu território, sendo composta por mais ou menos 4.000 estabelecimentos. O padrão de

móveis produzidos nos EUA são os residenciais, representando cerca de 2/3 de sua

produção total, sendo também o principal importador mundial, consumindo internamente

quase toda sua produção e abrindo, assim, seu mercado a outros países fornecedores

(CROCCO ; HORÁCIO (2001). A madeira é a principal matéria prima utilizada no setor.

Segundo Silva et al. (2004), entre as espécies que se destacam estão o pinheiro, carvalho e

frejó. Ainda segundo Silva et al. (2004, p. 11) “o consumo total de madeira serrada atingiu

118 milhões de m3 em 1996, destinado para construção civil, enquanto que o volume

consumido em chapas e painéis reconstituídos representou cerca de 46 milhões de m3 no

mesmo ano”. Os móveis com padrão RTA (ready-to-assembly) vêm em constante

crescimento nos últimos anos. Além de terem ótima aceitação no segmento móvel para

escritório, apresentam um baixo custo de transporte e são bastante práticos para montar.



Produção horizontal é também uma outra característica da indústria moveleira

americana, uma vez que a as empresas maiores utilizam a sub-contratação a fim de

diminuírem custos no processo produtivo. Todavia, implantam plantas produtivas em

países onde se apresentam outros fatores que diminuem os custos produtivos. Um exemplo

é o México, em que a mão-de-obra barata e a legislação ambiental mais flexível

possibilitam este tipo de redução que as empresas maiores procuram, a fim de manterem

competitividade e permanência no mercado (Revista da Madeira, jun., 2005).





Indústria Alemã



A indústria moveleira da Alemanha trabalha principalmente com móveis de valor

intermediário, a se destacar os de cozinha. A Alemanha é a maior produtora de móveis da

Europa e é intensiva em tecnologia. Apresenta-se no setor como um dos principais centros



10

de desenvolvimento de tecnologia e indústria de base, sendo a proximidade com as

produtoras de móveis um fator responsável por um produto com maior qualidade, menor

custo e alto volume de produção. Contudo, apresenta um produto com design menos

desenvolvido. A indústria Alemã é composta por aproximadamente 1.200

estabelecimentos, onde predominam as médias e grandes empresas, que trabalham com

madeira sólida certificada, em conjunto com outros materiais. Na Alemanha, os produtores

de móveis são regidos por uma legislação ambiental muito rigorosa.



Outros Países



No panorama internacional, outros países, como França, Reino Unido, Canadá,

além dos emergentes como China e Taiwan, conjuntamente formam uma força expressiva

no mercado moveleiro mundial. A França é a terceira produtora de móveis da Europa,

tendo uma produção grandemente verticalizada. A maior parte da produção é absorvida

pelo mercado interno, com elevada dependência do mercado externo para suprir sua

demanda. Os principais segmentos de móveis competitivos são os de estofados e de

cozinha.



O Reino Unido apresenta em sua produção a predominância da madeira como

matéria prima principal. Os mais importantes segmentos são os móveis de cozinha e para

dormitório, com padrão (RTA-ready-to-asembly) e o (DIY-do it yuorself), ocupando

ambos mais da metade do valor total da produção. A Indústria Canadense é destacada pela

relação com os Estados Unidos, em que uma consome a produção da outra, sendo os

móveis de madeira para dormitórios os de maior destaque. O Canadá se coloca como

quarto maior exportador mundial (SILVA et al., 2000), sendo sua especialidade a

montagem dos móveis, e não a elaboração de todo o produto. A indústria canadense

importa as peças em grandes quantidades de países asiáticos para montá-las, tendo o design

também como fator importante.



A Dinamarca era maior exportadora de móveis do mundo até meados da década de

70, sendo também pioneira. Hoje se apresenta como a quinta maior exportadora de móveis

do mundo, perdendo a liderança para os móveis mais bem elaborados e acabados da Itália.

A produção dinamarquesa é de alto valor agregado em design, acabamento e sofisticação,

atendendo a uma classe social mais elevada. Alguns países emergentes vem-se destacando

no setor moveleiro, nos últimos anos, como China e Taiwan. Seus segmentos de móveis

competitivos são os de vime (China) e Metal (Taiwan). Esses dois países representam,

respectivamente, as 7ª e 8ª colocações em exportações do mundo. A produção chinesa está

concentrada nos segmentos de móveis residenciais, em maior quantidade, e para escritório,

em menor. Um fator de competitividade da indústria chinesa é a mão-de-obra em

abundância e barata. A indústria moveleira de Taiwan, a exemplo da China, ainda não

apresenta um design próprio. Predominam pequenas e médias empresas, com baixa

verticalização e alto nível de especialização e descentralização, formando uma rede de sub-

contratação que a torna mais competitiva no mercado moveleiro mundial.









11

3.2 Panorama Nacional



O Setor moveleiro nacional, segundo a Abimóvel (2005), é composto por 16.112

micro, pequenas e médias empresas. A maioria delas é constituídas de capital nacional, o

que é comum no restante do mundo, gerando cerca de 189.372 empregos diretos e indiretos

(RAIS 2003). No Gráfico 1, encontramos os denominados Pólos Moveleiros do país,

concentrando-se na região centro-sul o maior número de Pólos do Brasil e,

conseqüentemente, de empresas do setor (Tabela 3). O Pólo do estado de São Paulo

apresenta quantitativo superior de empresas. Contudo, é no pólo de Bento Gonçalves (RS),

localizado na Região sul do país, que está a maioria de mão-de-obra ocupada.



Gráfico 1: Mapa do Brasil com os Pólos Moveleiros









Fonte: Abimóvel (2005)









12

Tabela 3: Pólos Moveleiros mais importantes.



POLOS MOVELEIROS ESTADO EMPRESAS EMPREGADOS

Ubá MG 310 3.150

Bom Despacho MG 117 2.000

Linhares e Colatina ES 130 3.000

Arapongas PR 150 7.980

Votuporanga SP 85 7.400

Mirassol SP 210 8.500

Tupã SP 54 700

São Paulo Região

Metropolitana SP 3.000 9.000

São Bento do Sul SC 210 8.500

Bento Gonçalves RS 370 10.500

Lagoa Vermelha RS 60 1.800



Fonte: Abimóvel (2005)





O panorama do setor moveleiro nacional, quando analisado por estado (Tabela 4)

em relação ao número de estabelecimentos e números de empregados, mostra que o estado

de São Paulo apresenta o maior número de estabelecimentos e o maior número de

empregados no setor.









13

Tabela 4: Empresas e Empregados do Setor de Moveleiro/Estado

UNIDADE DA FEDERAÇÃO Nº ESTAB. Nº TRAB.

Rondônia 123 673

Acre 34 180

Amazonas 36 445

Roraima 8 65

Pará 127 1.682

Amapá 18 71

Tocantins 39 207

Maranhão 75 1.267

Piauí 64 950

Ceará 336 3.968

Rio Grande do Norte 119 881

Paraíba 82 609

Pernambuco 302 2.762

Alagoas 57 686

Sergipe 80 552

Bahia 340 3.775

Minas Gerais 2.118 22.457

Espírito Santo 297 4.817

Rio de Janeiro 632 5.392

São Paulo 3.821 46.717

Paraná 2.103 28.217

Santa Catarina 1.961 25.566

Rio de Grande do Sul 2.467 30.970

Mato Grosso do Sul 135 713

Mato Grosso 223 1.547

Goiás 405 3.483

Distrito Federal 110 810



TOTAL 16.112 189.372

Fonte: RAIS/2003 Elaboração: Abimóvel, 2005





O Pólo moveleiro da grande São Paulo, que reúne São Paulo/Região Metropolitana

e os Pólos de Mirassol, Votuporanga e Tupã (Tabela 3), somam juntos o correspondente a

3.490 empresas, o que equivale a 71,31% dos estabelecimentos em relação aos principais



14

Pólos Moveleiros do País. O Pólo da grande São Paulo apresenta um capital humano de

cerca de 25.600 trabalhadores, o que corresponde a 40,94% da mão-de-obra ocupada, em

relação aos principais Pólos do setor de móveis do Brasil. Conforme Silva et al. (2004),

São Paulo detém cerca de 40% do faturamento do setor e concentra aproximadamente 80%

da produção de móveis para escritórios.



Os Pólos de Bento Gonçalves e Lagoa Vermelha no Rio Grande do Sul têm, juntos,

430 estabelecimentos (Tabela 3). Bento Gonçalves é um dos Pólos mais modernos e

antigos do Brasil, apresentando o maior número de empregados em relação aos outros

principais pólos do país. A maior parte de sua produção é destinada ao mercado interno e o

restante, cerca de 7%, é destinado à exportação. O Rio Grande do Sul é o segundo em

produção de móveis, representando 20% do valor da produção nacional (SILVA et al.,

2004). Suas exportações equivaleram cerca de 27,31% (Tabela 4) do total nacional em

2005, tendo como principal segmento os móveis retilíneos seriados advindos de chapa

dura, aglomerados e MDF, utilizados na fabricação de móveis para residência

(ABIMÓVEL, 2005).



Santa Catarina é o terceiro maior produtor de móveis do país e o primeiro no

quesito exportação, tendo em 2005 uma participação de 43,7% nas exportações nacionais.

O Pólo de São Bento do Sul, com 210 empresas e cerca de 8.500 funcionários, é um dos

maiores do Brasil, e o principal do estado. É também o maior centro exportador do país,

com quase 40% das exportações nacionais. Na produção de móveis há o destaque os de uso

residencial, com aproximadamente 80% da produção, com especialização em móveis

torneados de madeira maciça, proveniente do pínus, direcionado ao mercado exportador

(SILVA et al., 2004). O associativismo inter firmas, Centros de Tecnologia, Instituições

Público-Privadas etc., propicia a difusão de informação tecnológica e mão-de-obra

qualificada, contribuindo para o desenvolvimento do pólo de São Bento do Sul-SC,

garantindo maior competitividade e acesso aos mercados internacionais, características que

fazem de Santa Catarina um dos principais produtores do setor de móveis do país

(CROCCO ; HORÁCIO, 2001).



Em 2005, Minas Gerais, apesar de ter participado com apenas 1,13% (Tabela 5)

das exportações do setor mobiliário nacional, é um estado que merece respeito. Além de

ocupar a sexta posição na escala de exportações do país (Tabela 5), é o terceiro em

concentração de empresas, aproximadamente 6,6% (Tabela 3). O Pólo moveleiro de Ubá é

o principal centro produtor e um dos pólos que mais se desenvolvem na indústria

mobiliária do Brasil. A produção está centrada em móveis residenciais de madeira e, mais

recentemente, no segmento de armários de aço para cozinha, tendo ainda a maior fábrica

do país neste segmento (Itatiaia), configurando-se de grande importância para a economia

local (CROCCO; HORÁCIO, 2001).









15

Tabela 5: Principais Estados Exportadores Dezembro 2005

ESTADOS US$ %

Santa Catarina 433.338.634 43,75%

Rio Grande do Sul 270.442.545 27,31%

Paraná 91.731.990 9,26%

São Paulo 87.427.269 8,83%

Bahia 68.256.572 6,89%

Minas Gerais 11.190.400 1,13%

Espírito Santo 6.425.973 0,65%

Ceará 4.429.587 0,45%

Maranhão 3.987.663 0,40%

Pará 3.308.094 0,33%

Goiás 2.988.023 0,30%

Rio de Janeiro 2.527.747 0,26%

Mato Grosso do Sul 1.442.428 0,15%

Pernambuco 1.044.608 0,11%

Outros 993.655 0,10%

Mato Grosso 596.910 0,06%

Amazonas 142.627 0,01%

Rio Grande do Norte 96.131 0,01%

Alagoas 20.232 0,00%

Rondônia 16.923 0,00%

Roraima 9.790 0,00%

Acre 2.588 0,00%

Piauí 2.251 0,00%

Sergipe 1.365 0,00%

Paraíba 204 0,00%



TOTAL 990.424.209 100,00%

Fonte: Abimóvel (2005)





Segundo Crocco e Horácio (2001), a indústria brasileira de móveis, mantém um

padrão diferente do internacional, com respeito a sua produção. Enquanto no setor

internacional a produção apresenta um alto grau de especialização, no Brasil, a sua

característica é a produção verticalizada. As empresas produzem seus componentes e seus

produtos finais, diminuindo as relações intra-setoriais e, conseqüentemente,







16

impossibilitando a redução dos custos de produção e diminuindo a competitividade no

mercado.



Os investimentos na indústria moveleira nacional vem apresentando números

expressivos desde a década de 90, mas realizados de forma não eqüitativa, propiciando

vantagens para alguns poucos e a excluindo muitos do setor. Isso se deve a diversos fatores

que vão desde a desinformação, a falta de instituições de apoio técnico-científico e mão-

de-obra especializada, até a falta de uma gestão mais eficiente, que consiga acompanhar as

exigências e tendências do mercado consumidor, principalmente o internacional. Esse

panorama é comprovado, uma vez que a maior parte da produção nacional é absorvida pelo

mercado interno (ABIMÓVEL, 2005).



Quanto às inovações tecnológicas, estas estão sendo implementadas em toda a

cadeia produtiva, direcionadas quase na sua totalidade para produção da principal matéria

prima do setor moveleiro, que é a madeira. No entanto, algumas regiões, como o Pará e o

Amazonas no Norte, ainda há grande dificuldade para a difusão de novas matérias-primas.

Nessa região ainda abundam florestas nativas e esses produtos novos ainda apresentam

custo elevado em comparação com outras regiões e até mesmo outros países. O Brasil, em

sua configuração industrial moveleira, é composto por um grande número de produtores

ilegais, que conseguem vender a madeira a preços mais baixos, fazendo com que os

grandes produtores que trabalham na legalidade percam competitividade, uma vez que o

fator preço ainda é um dos principais elementos competitivos do mercado.



No Brasil, apesar de apresentar uma área florestal bem superior a área urbana, este

panorama vem sofrendo profundas mudanças com o passar dos anos. Em algumas regiões,

há uma inversão dos fatores, ou seja, começa haver um aumento da área urbana, em

detrimento da área verde, o que tem preocupado o poder público em todas as esferas,

principalmente na esfera federal. O Governo Federal, por meio de vários instrumentos,

tanto normativos como de investimentos, tenta racionalizar o uso das áreas florestais em

todo o país em bases sustentáveis, proporcionando desenvolvimento econômico e social

sem agredir o meio ambiente.



A fim de se obter uma matéria-prima mais bem elaborada, que propicie seu

aproveitamento quase total, uma maior competitividade atendendo as exigências do

mercado, sem agredir o meio ambiente e com retorno econômico e social, o Governo

através de algumas políticas de reflorestamento e de uso manejado das florestas, tais como

o Programa Nacional de Florestas, vêm tentando implementar o uso sustentável das

florestas nacionais – FLONAS. Conjuntamente a essas políticas, os diversos órgãos,

setores do ramo moveleiro e principalmente o próprio mercado, nos últimos anos, vêm

criando mecanismos para manter a oferta, aliando qualidade do produto, inclusão social,

retorno econômico e sustentabilidade ambiental da indústria de móveis e madeiras. Para

citar alguns mecanismos, temos a Certificação Florestal - SELO VERDE, aplicado tanto a

nível local como o CEFLOR em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas

(ABNT). A nível mundial, o FSC – Forest Stewardship Council é responsável pelas séries

ISO e, mais especificamente, a ISO 14000, que dá o certificado de Gestão Ambiental às

empresas que adotam o reflorestamento e manejo sustentável como parte de suas plantas

industriais. Todas essas exigências, normatizações e regulações, visam o aproveitamento

total e sustentável dos recursos naturais, que abastecem tanto o setor de móveis como o de

madeira, promovendo a vantagem econômica, inclusão social e meio ambiente estável.





17

As florestas plantadas por algumas empresas privadas, principalmente nas regiões

sul e sudeste, são um bom exemplo de manejo sustentável, conseguindo um produto com

certificação ambiental e de grande qualidade e aceitação no mercado interno e externo,

sendo as madeiras de Eucalipto e Pínus as que mais e destacam. Contudo, algumas regiões

do país, nos últimos anos, vêm sofrendo um déficit nas áreas de florestas plantadas,

diminuindo a sua oferta, principalmente nos estados das regiões sul e sudeste, tais como

Minas Gerais e Paraná, (PERECIN, 2005). Segundo Silva et al. (2004). Essas empresas

privadas argumentam que as políticas de regulação e essas normatizações (certificação),

principalmente do mercado externo, como o FSC, que é a única a estabelecer regras sobre

o manejo sustentável, não levando em consideração as particularidades locais, acabam por

travar o mercado. Isto as leva a obterem um outro modelo de certificação que também

tenha aceitação do mercado externo No Brasil, criou-se um certificado de manejo florestal

sustentável nacional, o CEFLOR.



Os novos produtos e matérias-primas que vêm sendo desenvolvidos, por um lado,

diminuem custos e aumentam a competitividade, atendendo ao alto padrão de qualidade

que exige o mercado; por outro lado, se apresentam como uma nova e importante

alternativa para manter sustentáveis os setores madeireiro e moveleiro. Os principais

produtos elaborados a partir de resíduos da própria madeira são os aglomerados, a chapa de

fibra e o MDF (Medium-density fiberboard), sendo este último o mais inovador e o de

melhor qualidade quando se trata da confecção de móveis, que necessitam de um melhor

acabamento. Além de ser um produto comparável à madeira maciça, é também um

material susceptível a mudanças no design, proporcionando um produto final diferenciado,

com qualidade e competitividade em todo mercado. Vale enfatizar que atualmente os

principais consumidores dos subprodutos da madeira são os Pólos Moveleiros, que

utilizam estes materiais na fabricação de móveis seriados e/ou sob encomenda. Menciona-

se que a produção de Aglomerado e Chapa de Fibra teve uma variação de desempenho de

330% entre 1994 e 2003; o MDF teve uma variação de desempenho de 3.592% entre 1997

e 2003 (ABIMÓVEL, 2005).



Quanto aos tipos de produção da indústria moveleira nacional, basicamente se

subdividem em duas modalidades: a produção de móveis torneados, produção de móveis

retilíneos. As primeiras modalidades são móveis que requerem um melhor acabamento,

misturando formas retas e curvilíneas, sendo utilizado neste tipo de produção as madeiras

de lei (nativas), que originam os móveis feitos sob encomenda e as madeiras de

reflorestamento, denominadas de seriadas. A segunda modalidade é a produção de móveis

retilíneos, que são produzidos em escala pelas empresas mais modernas e de grande porte

do setor moveleiro. Estes móveis utilizam basicamente os painéis de madeira aglomerada,

o que chega a inviabilizar este tipo de produção pelo seu custo. São móveis retos, com

poucos detalhes de acabamentos e design simples.



Atualmente os móveis retilíneos seriados, principalmente os modulares, têm

assumido grande expressividade no mercado moveleiro, uma vez que sua funcionalidade

propicia competitividade e aceitação no mercado na hora de montar e desmontar, aliada à

boa qualidade e baixo custo, além de um melhor aproveitamento dos espaços físicos

(FILHO ; BUENO, 2000).



A madeira maciça e os painéis de madeira aglomerada são, sem dúvida, os

principais produtos utilizados na indústria de moveis tanto do Brasil como de todos os





18

países produtores do mundo. São classificados conforme Quadro 1 abaixo (FILHO ;

BUENO, 2000).



Quadro 1: Classificação dos Produtos Sólidos de Madeira

CATEGORIA PRODUTOS SUBPRODUTOS

Roliços

Estacas

Mourões

Escoras

Serrados

Dormentes Molduras

Pranchas Aplainados Sarrafeado Paralelo

Tábuas Painéis Sólidos Sarrafeado Cônico

Ripas Tacos

Caibros Parket

Sarrafos

Laminados

Fraqueado Componentes Compensado Laminado (Decorativo,

Desenrolado Chapas de Concreto, Industrial, Naval e Uso Geral)

Compensado Compensado com Miolo (Sarrafeado,

Revestimentos Celular e Composto)

LVL



Cavacos e Resíduos

Chips Chapas de Chapas de Aglomerados

Flakes Aglomerado Chapas Finas de Aglomerado

Cascas Chapas de Partículas Largas

Serragem Chapas de Partículas com Cimento

Refugos OSB

Chapas Duras (LM, HM, MDF, Padrão e

Chapas de Fibras Temperadas)

Chapas Leves (Comuns e Impregnadas

com Betume)

Fonte: FILHO e BUENO (2000, p.19)



Ainda segundo FILHO e BUENO (2000), a utilização dos variados tipos de

matérias primas se apresenta da seguinte forma:



(i) Madeira Serrada: Tampos de mesa, frontal e lateral de balcões, assento e

estrutura de cadeiras, estruturas de camas, molduras, pés de mesa, estrutura de

sofás, enchimento de portas, laterais e gavetas, embalagem, carretéis para

cabo elétrico, pisos, portas residenciais, pés de cama, pés de racks, estrados,

painéis colados, acabamentos de móveis;



(ii) Compensado: Fundos de gaveta, armários, roupeiros, tampos de mesa, laterais

de móveis, braços de sofá, fundos de armários, prateleiras, pisos, portas

residenciais;



(iii) MDF: Molduras especiais, rodapés, molduras para portas, pisos finos, caixas

de som, embalagens especiais, divisórias, componentes frontais, internos e

laterais de móveis, fundos de gaveta, estantes, tampos de mesas, racks;



19

(iv) Chapa de Fibra Dura: Fundos de gavetas, de armários e racks, tampos de

móveis, móveis infantis, pranchetas de mão e,



(v) Madeira Aglomerada: Fabricação de móveis, tampos de mesas, laterais de

portas e de armários, racks, divisórias, laterais e estantes.



O Brasil, assim como a maioria dos países em desenvolvimento e até mesmo de

alguns países com indústria moveleira mais avançada e consolidada, se coloca como um

eminente imitador dos móveis internacionais, principalmente da Itália. Algumas grandes

indústrias tem investido nesse sentido, por meio da aquisição de softwares como o CAD,

que consegue elaborar um design diferenciador no produto final. Isso mostra a grande

necessidade de investimentos em P&D, que corroborem para a obtenção de um produto

melhor acabado e diferenciado e com qualidade para atender a exigências de consumo

interno e externo. Um outro fator que precisa urgentemente ser mudado é a verticalização

da produção por uma produção mais horizontalizada, que possibilite uma maior relação

interfirmas, ampliando os processos de cooperação tanto na área de inovação quanto

tecnológica da produção de móveis.



A produção moveleira nacional para o mercado externo utiliza a madeira sólida

reflorestada (pínus, em maior escala e eucalipto, em menor) e certificada, como principal

matéria prima. Está segmentada em dois tipos, a retilínea e as torneadas, atuando

principalmente em mercados de baixo custo e valores intermediários. Nesses mercados o

fator preço ainda é o diferencial. Outros diversos materiais como painéis de fibras, MDFs,

metal etc., também são usados na fabricação de móveis, estes em escala menor, tendo o

mercado interno como maior consumidor. As especialidades da indústria moveleira

nacional estão nos segmentos de móveis para cozinha, banheiro, sala, quarto e

complementos, sendo os retilíneos fabricados com painéis de madeira em geral e os

torneados com madeira maciça e MDFs, este último possibilitando um melhor acabamento

(design) no produto final (Revista da Madeira, jun., 2006).



O faturamento do setor mobiliário em 2000 (Tabela 4) foi de R$ 7.599 bilhões de

reais, enquanto que as estimativas para 2005 foram de R$ 12.051 bilhões de reais (Tabela

6), o que equivale a um crescimento de 63,05%. Desse faturamento, 60% referem-se a

móveis residenciais, 25% a móveis de escritório e 15% a móveis institucionais, escolares,

médico-hospitalares, móveis para restaurantes, hotéis e similares, mostrando uma

relevância desses diferentes segmentos do setor de móveis, para a indústria brasileira

(ABIMÓVEL, 2005).









20

Tabela 6: Faturamento do Setor Mobiliário Nacional.

ANO 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Produção/Faturamento

Milhões de R$ 7.599 8.631 10.095 10.756 12.543 12.051*



Consumo Milhões de R$ 6.918 7.738 8.767 8.934 10.060 9.901*

Exportações milhões de

US$ 485 479 533 662 941 991

Importações milhões de

US$ 113 99 78 70 92 108

Balança comercial

milhões US$ 372 380 455 592 849 883

Exportação/Produção

(%) 10,1 11,6 15,4 17,2 22 18,3*

Importação/Consumo

(%) 2,5 2,6 2,6 2,3 2,6 2,3*

Fonte: Abimóvel, 2005

*estimativas



O volume das negociações internacionais realizadas pelo setor mobiliário nacional

pode ser analisado por meio da Tabela 7 abaixo, que mostra alguns aspectos particulares.

As exportações nacionais, apesar do decréscimo em 2001 em relação ao ano anterior, vêm

apresentando crescimento nos anos posteriores. A maior variação anual ocorreu no ano de

2004 (US$ 940.574.475) em relação a 2003 (US$ 661.556.905), 42,2% segundo a

Abimóvel (2005). Ainda segundo esta fonte, o volume total exportado em 2005 foi de US$

990.424.209, tendo uma variação de apenas 5,3% em relação ao ano anterior, que foi de

US$ 940.574.475. Essa diminuição no volume exportado pode ser explicada por inúmeros

fatores, tais como a exigência do mercado, produtos de baixa qualidade, dificuldade de

exportar, legislação ambiental mais rigorosa, baixos investimentos em P&D, entre outros.



Quanto às importações brasileiras, houve um decréscimo do volume importado nos

anos 2001, 2002 e 2003 com relação a 2000 (Tabela 8). Este panorama muda a partir de

2004, mantendo-se em 2005. Avaliando o Gráfico 2, o saldo da balança comercial do setor

mobiliário nacional, como afirmado anteriormente, sempre se manteve positivo, apesar de

ter apresentado uma variação em maior escala das importações nacionais entre os anos

2004 e 2005 em relação à variação do volume exportado nos mesmos anos, cujos motivos

já foram colocados em parágrafo anterior.









21

Tabela 7: Exportações e Importações Totais

ANO EXPORTAÇÕES/US$ IMPORTAÇÕES/US$

2000 485.174.452 112.593.827

2001 479.085.232 99.087.929

2002 532.486.497 77.935.295

2003 661.556.905 69.591.075

2004 940.574.475 91.589.127

2005 990.424.209 107.441.644

Fonte: Elaboração própria com na Abimóvel (2005)





Gráfico 2: Exportações/Importações Nacionais em Milhares US$



Evolução das Exportações/Importações Nacionais

2000-2005





1.000.000.000

900.000.000

800.000.000

700.000.000 EXPORTAÇÕES

600.000.000

US$ 500.000.000 IMPORTAÇÕES

400.000.000

300.000.000

200.000.000

100.000.000

0

2000 2001 2002 2003 2004 2005

Ano







Fonte: Elaboração própria com base na Abimóvel (2005)





Um outro panorama a ser analisado é para onde vai maior parte do volume

mobiliário produzido do país, e de onde vêm às importações que o setor realiza. Segundo

dados da Abimóvel (2005) e Gráficos 3 e 4, apresentados abaixo, a Europa é o principal

destino das exportações nacionais, seguida por outros países, Estados Unidos e Argentina

(Gráfico 3). Este retrospecto se explica pelo fato de que na Europa estão às indústrias mais

avançadas tanto na produção de móveis quanto na criação de novas máquinas e

equipamentos para o setor mobiliário, além de serem consumidores de móveis em madeira

de lei abundante em nosso país. Nos últimos anos, outros mercados em potencial como

EUA e Ásia começam se configurar no cenário internacional.



Os países de quem o Brasil importa (Gráfico 4) são: Estados Unidos, Outros países

e a Europa. Isso se explica devido a fatores que vão desde o Brasil depender dás máquinas



22

e equipamentos estrangeiros para adquirir tecnologia no processo produtivo até a falta de

competitividade do setor.







Gráfico 3: Exportações Nacionais

EXPORTAÇÕES NACIONAIS







Estados Unidos

35%

38% França



Argentina



Reino Unido



Holanda



Outros

4%

8%

10%

5%





Fonte: Elaboração própria, com base na Abimóvel (2005)

(*) Base Jan/Dez 2005



Gráfico 4: Importações Nacionais

IMPORTAÇÕES NACIONAIS







29%

33%

Alemanha



Estados Unidos



Itália



França



Espanha

11%

8%

Outros

12% 7%







Fonte: Elaboração própria, com base na Abimóvel (2005)

(*) Base Jan/Dez 2005



Analisamos agora as exportações nacionais por produto com descrição (NCM) para

o Mercosul, segundo dados coletados pela Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário

– (ABIMÓVEL, 2005) e que serão detalhas nas Tabelas 8 e 9. A Argentina é o país do





23

Mercosul que mais adquiriu móveis do Brasil nos últimos seis anos; em 2002; o Uruguai

foi o principal importador dos móveis brasileiros (Tabela 8).



Tabela 8: Exportações Nacionais para o Mercosul. US$

Itens NCM: 9401 - Assentos / 9403 - Outros / 9404 - Colchões

Ano Argentina Uruguai Paraguai

2000 78.115.328 27.719.607 4.506.982

2001 65.407.150 20.960.732 4.431.088

2002 6.630.623 7.910.066 2.402.870

2003 13.508.112 6.105.425 2.342.684

2004 33.511.202 9.281.979 4.447.170

2005 46.914.399 11.240.197 5.337.333



Fonte: Elaboração própria com base na Abimóvel (2005)





Com relação às importações de produtos conforme definição (NCM), nota-se, de

acordo com a Tabela 7, que a Argentina, a exemplo do que acontece nas exportações, é o

país que mais exporta móveis para o Brasil. No entanto, esse panorama vem sofrendo

constantes reduções em seu volume, como mostra a tabela seguinte, mas mostrando ainda

que é o país de maior relação comercial com o Brasil. O Uruguai é o segundo país do

Mercosul em relações comerciais com o Brasil. Este panorama apresenta variações

distintas alguns anos. Se o Uruguai exportou aproximadamente US$ 307 milhões em

móveis para o Brasil em 2000, nos três anos seguintes, esse volume somado chegou a

apenas US$ 302,119 milhões em móveis para o Brasil. Já nos dois últimos anos 2004 e

2005, o volume de negócios subiu para US$ 680,486 milhões.



Os melhores ganhos em exportações de móveis do Paraguai para o Brasil foram nos

anos 2000 e 2001, que renderam o equivalente a US$ 4.471.317 ao Uruguai, mas nos

seguintes houve uma redução de cerca de 50% nos ganhos do país, o que pode ser visto na

Tabela 9 abaixo.



Tabela 9: Importações Brasileiras do Mercosul. US$

Itens NCM: 9401 - Assentos / 9403 - Outros / 9404 - Colchões

Ano Argentina Uruguai Paraguai

2000 6.546.271 306.556 2.334.446

2001 4.121.725 149.147 2.236.871

2002 3.393.675 56.839 1.423.139

2003 3.088.758 96.133 1.560.875

2004 2.275.847 345.188 1.685.541

2005 2.656.309 335.295 1.748.447



Fonte: Elaboração própria com base na Abimóvel (2005)



No sistema de comercialização e distribuição da produção moveleira nacional,

levando em consideração os principais Pólos do país, há a predominância dos



24

representantes comerciais que repassam os móveis aos pequenos varejistas; algumas

médias e grandes empresas que apresentam um produto mais bem elaborado se utilizam da

franquia para comercializarem e distribuir os seus móveis; há ainda os que negociam

diretamente com o consumidor final, como o Pólo da Grande São Paulo e os fabricantes

informais (esses em todo o Brasil), que, na sua maioria, produzem móveis sob medida

(SILVA et. al., 2000).



Todo este panorama mostrado acima evidencia alguns aspectos tanto positivos

quanto negativos do setor moveleiro nacional, quando comparados com outros países mais

desenvolvidos e, principalmente, quando se leva em consideração o nosso real potencial

neste setor, precisando de uma inevitável e urgente ajuda de todos os agentes responsáveis

direta e indiretamente pela Indústria de Móveis do Brasil.





4 O ARRANJO PRODUTIVO LOCAL DA GRANDE BELÉM



A área de estudo em questão, chamada de Grande Belém, compreende os

municípios de Belém (Capital), Ananindeua e Marituba. Estes municípios juntos somam

cerca de 1.353 km2, com uma população estimada em 1.985.296 habitantes, segundo dados

do IBGE (2006)5.



O Arranjo Produtivo Local de Móveis da Grande Belém, como era de se esperar,

apresentou na coleta de dados, por meio de questionário padrão (modelo RedeSist), um

panorama mais ou menos parecido com os APLs do setor de móveis dos outros Estados

estudados, inclusive o APL Móveis de Paragominas-PA (NASCIMENTO ; LIMA, 2005).



Neste APL, há a presença de centros de saber (UFPA, UFRA, UEPA, CEFET,

SENAI e SEBRAE), sindicatos patronal e de operários, um centro de exposição de móveis

da Prefeitura Municipal de Belém, um Centro de design da Amazônia e o Centro

Tecnológico do Mobiliário e da Madeira da Amazônia - TEMMA.



O setor conta com uma boa infra-estrutura instalada de transportes (portos e

aeroporto, estradas, hidrovias etc.), energia firme, comunicação (telefone, internet), rede de

saúde e educação.



A Tabela 10 abaixo mostra que a grande maioria das empresas da indústria

moveleira do Arranjo pesquisado é constituída por micro-empresas cerca de 88,9%.

Levando-se em consideração alguns aspectos, como capital para investimento, máquinas,

tecnologia de ponta, mão-de-obra, acesso facilitado de novas empresas etc., que serão mais

pormenorizados adiante, isto torna estas empresas com pouquíssimas possibilidades de

crescimento no mercado. O critério utilizado na classificação quanto ao tamanho da

empresa foi o da RAIS-MDIC (nº de empregados), sendo das 20 empresas consultadas, 17

se enquadraram na categoria de microempresas, com até 19 empregados, duas na categoria

de pequena empresa, com até 99 empregados e apenas uma empresa na categoria de média

empresa.







5

Para maiores detalhes acesse: www.ibge.gov.br/cidadesat/default.php





25

Tabela 10: Identificação da Empresa



Tamanho Nº de Empresas % Nº de Empregados %



1. Micro 17 85,0% 96 35,0%

2. Pequena 2 10,0% 77 28,1%

3. Média 1 5,0% 101 36,9%

4. Grande 0 0,0% 0 0,0%

Total 20 100,0% 274 100,0%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)





A maioria das empresas do Arranjo foram fundadas nos últimos 9 anos (Tabela

11), com idade aproximada de 5 anos (66,7%), demonstrando o potencial desse mercado.

Por se encontrarem numa região onde ainda há uma grande quantidade de madeira nativa e

ofertada de forma irregular e mais barata, isto consegue ser um fator de atratividade para

esses microempresários. Segundo alguns entrevistados, a madeira ainda é considerada um

dos materiais mais fáceis de se trabalhar, onde a maioria atuante pertence ao mercado

informal de móveis. As empresas com maior tempo de implantação situam-se ente os 20 e

25 anos de idade.



Tabela 11: Ano de Fundação da Empresa

Micro Pequena Média

Ano de

Nº Nº Nº

Fundação

Empresas % Empresas % Empresas %

Até 1980 4 22,2% 1 50,0% 1 100,0%

1981-1985 0 0,0% 0 0,0% 0 0,0%

1986-1990 1 5,6% 0 0,0% 0 0,0%

1991-1995 1 5,6% 1 50,0% 0 0,0%

1996-2000 5 27,8% 0 0,0% 0 0,0%

2000-2006 7 38,9% 0 0,0% 0 0,0%

Total 18 100% 2 100% 1 100%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)





Com relação ao capital das empresas do Arranjo, a pesquisa revelou que todas

tinham 100% do seu capital inicial nacional, o que se aproxima do panorama nacional,

sendo também empresas totalmente independentes. Esse aspecto se dá principalmente pela

falta de crédito mais flexível e específico para o setor moveleiro e a desinformação por

parte dos empresários, que na sua maioria não sabem se existe ou não como conseguir tais

financiamentos.







26

Tabela 12: Origem do Capital

Micro Pequena Média

Descrição Nº Nº Nº

Empresas % Empresas % Empresas %

1. Origem do Capital

1.1. Nacional 17 100,0% 2 100,0% 1 100,0%

1.2. Estrangeiro 0 0,0% 0 0,0% 0 0,0%

1.3. Nacional e

Estrangeiro 0 0,0% 0 0,0% 0 0,0%

Total 17 100% 2 100% 1 100%

2. Sua Empresa é

2.1. Independente 17 100,0% 2 100,0% 1 100,0%

2.2. Parte do Grupo 0 0,0% 0 0,0% 0 0,0%

Total 17 100% 2 100% 1 100%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)

A Tabela 13, a seguir, mostra que 35,3% dos fundadores das microempresas

tinham idade entre 21 e 30 anos, ou seja, o perfil relativamente jovem desses fundadores.

Já com relação às pequenas e médias empresas, que trabalham com moveis seriados, e que

requerem uma quantidade maior de mão-de-obra e experiência de mercado, o perfil do

fundador ficou entre 31 e 50 anos de idade. O sexo masculino ainda predomina na

fundação dessas empresas em cerca de 76,5% dos estabelecimentos pesquisados, mas a boa

noticia é que o sexo feminino começa a se destacar com 23,5% das empresas fundadas. A

maioria dos fundadores (cerca 76,5%) não eram filhos de pais empreendedores, com

apenas 23,5% nesta categoria. O grau de instrução desses fundadores evidenciou um

aspecto parecido ao quadro nacional, pois 29,4% não tinham nem o Ensino Fundamental

completo e apenas 11,8% eram formados em instituição superior.









27

Tabela 13: Perfil do(s) Sócio(s) Fundador(es) das Micro, Pequenas e Média(s) Empresas

Especificação Micro Pequena Média

1. Idade

1.1. Até 20 anos 5,9% 0,0% 0,0%

1.2. Entre 21 e 30 anos 35,3% 50,0% 0,0%

1.3. Entre 31 e 40 anos 17,6% 0,0% 100,0%

1.4. Entre 41 e 50 anos 17,6% 50,0% 0,0%

1.5. Acima de 50 anos 5,9% 0,0% 0,0%

Total 82,4% 100,0% 100,0%

2. Sexo (%)

2.1. Masculino 76,5% 100,0% 100,0%

2.2. Feminino 23,5% 0,0% 0,0%

Total 100,0% 100,0% 100,0%

3. Pais Empresários (%)

3.1. Sim 23,5% 0,0% 0,0%

3.2. Não 76,5% 100,0% 100,0%

Total 100,0% 100,0% 100,0%

4. Escolaridade (%)

4.1. Analfabeto 0,0% 0,0% 0,0%

4.2. Ensino Fundamental Incompleto 29,4% 0,0% 0,0%

4.3. Ensino Fundamental Completo 17,6% 0,0% 0,0%

4.4. Ensino Médio Incompleto 11,8% 0,0% 0,0%

4.5. Ensino Médio Completo 23,5% 50,0% 100,0%

4.6. Superior Incompleto 5,9% 50,0% 0,0%

4.7. Superior Completo 11,8% 0,0% 0,0%

4.8. Pós-Graduação 0,0% 0,0% 0,0%

Total 100,0% 100,0% 100,0%

5. Atividade antes de criar a empresa (%)

5.1. Estudante Universitário 5,9% 50,0% 0,0%

5.2. Estudante de Escola Técnica 5,9% 0,0% 0,0%

5.3. Empregado de micro ou pequena empresa local 17,6% 0,0% 0,0%

5.4. Empregado de média ou grande empresa local 11,8% 0,0% 0,0%

5.5. Empregado de empresa de fora do arranjo 11,8% 0,0% 0,0%

5.6. Funcionário de instituição pública 23,5% 0,0% 0,0%

5.7. Empresário 0,0% 50,0% 100,0%

5.8. Outra 23,5% 0,0% 0,0%

Total 100,0% 100,0% 100,0%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)



O capital investido no primeiro ano de fundação das microempresas foi de 62,4%

dos sócios, ficando em 2º lugar os adiantamentos de recursos por clientes (17,1%), seguido

dos empréstimos de parentes e amigos 8,8%, adiantamento de materiais por fornecedores

(5,9%) e outras fontes de recursos (5,9%), mantendo 2005 um padrão parecido. As

pequenas e médias empresas, no 1º ano de fundação e ao final de 2005, apresentaram e

apresentam os sócios como a principal fonte de recursos (Tabela 14).









28

Tabela 14: Estrutura do Capital das Micro, Pequenas e Médias Empresas

Micro Pequena Média

Fonte de Recursos

1º Ano 2005 1º Ano 2005 1º Ano 2005

1. Dos sócios 62,4% 78,8% 75,0% 100,0% 100,0% 100,0%

2. Empréstimos de parentes e amigos 8,8% 0,0% 25,0% 0,0% 0,0% 0,0%

3. Empréstimos de instituições financeiras gerais 0,0% 1,2% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0%

4. Empréstimos de instituições de apoio as

MPEs 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0%

5. Adiantamento de materiais por fornecedores 5,9% 2,9% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0%

6. Adiantamento de recursos por clientes 17,1% 17,1% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0%

7. Outra 5,9% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0%

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)





Os tipos de relação de trabalho encontrados na pesquisa (Tabela 15) demonstraram

que, em se tratando das microempresas, há um maior índice de trabalhadores temporários

(40,6%), atuando na produção de móveis, seguido pelo sócio com 24,0%. Os contratos

formais respondem por apenas 20,8% nos trabalhadores das microempresas. O percentual

de familiares trabalhando informalmente nas microempresas do arranjo pesquisado foi de

apenas 10,4%, sendo contrário ao apresentado no nível nacional, em que esse percentual

foi bem mais elevado. Nas pequenas e médias empresas do arranjo, por serem bem mais

estruturadas em todos os níveis, cerca de 93,5% e 97% respectivamente dos seus

trabalhadores apresentam vínculo formal (carteira assinada) de contratação.



Tabela 15: Relação de Trabalho

Micro Pequena Média

Tipos Nº Nº Nº

Pessoas % Pessoas % Pessoas %

Sócio Proprietário 23 24,0% 4 5,2% 3 3,0%

Contratos Formais 20 20,8% 72 93,5% 98 97,0%

Estagiário 3 3,1% 0 0,0% 0 0,0%

Serviço Temporário 39 40,6% 0 0,0% 0 0,0%

Terceirizados 1 1,0% 1 1,3% 0 0,0%

Familiares sem

contrato formal 10 10,4% 0 0,0% 0 0,0%

Total 96 100% 77 100% 101 100%

Fonte: Pesquisa de campo





O nível de escolaridade do pessoal ocupado nas micro e pequenas empresas

apresentou um panorama diferente da maioria dos APL/Móveis estudados. A nível

nacional a maior parte do pessoal ocupado tem apenas o ensino fundamental incompleto,

ao passo que a pesquisa de campo deste arranjo constatou que a maioria tem formação

completa no ensino médio, com 41,4% nas microempresas e 68,8% nas pequenas



29

empresas. Só a da categoria de média empresa apresentou dados parecidos com o que

ocorre no panorama nacional, com 41,6% da mão-de-obra ocupada tendo apenas o nível

fundamental incompleto (Tabela 16).





Tabela 16: Escolaridade do Pessoal Ocupado

Grau de Ensino Micro Pequena Média

1. Analfabeto 2 0 0

2,0% 0,0% 0,0%

2. Ensino Fundamental Incompleto 35 17 42

35,4% 22,1% 41,6%

3. Ensino Fundamental Completo 8 3 27

8,1% 3,9% 26,7%

4. Ensino Médio Incompleto 5 1 18

5,1% 1,3% 17,8%

5. Ensino Médio Completo 41 53 10

41,4% 68,8% 9,9%

6. Superior Incompleto 5 1 0

5,1% 1,3% 0,0%

7. Superior Completo 3 2 4

3,0% 2,6% 4,0%

8. Pós-Graduação 0 0 0

0,0% 0,0% 0,0%

Total 99 77 101

100,0% 100,0% 100,0%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)







A variação da evolução do emprego nos últimos seis anos foi positiva em 16,5%

para as microempresas. Já as pequenas empresas consultadas no arranjo não apresentaram

variação no período 2000-2005, e a média empresa consultada no arranjo teve uma

variação positiva de 14,8 em 2005 em relação a 2000 (Tabela 17).



Tabela 17: Evolução do Emprego

Emprego (variação no período)

Anos Micro Pequena Média

Total Índice Média Total Índice Média Total Índice Média

2000 85 100 5 77 100 39 88 100 88

Taxa00/95 0,0% 0,0% 0,0%

2005 99 116,471 6 77 100 39 101 114,773 101

Taxa05/00 16,5% 0,0% 14,8%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)



Com relação à evolução do faturamento das microempresas, a Tabela 18 mostra

que esta variável não acompanhou o desempenho da evolução do emprego nos últimos seis

anos (Tabela 17). As microempresas tiveram um faturamento de R$ 606.500,00 em 2005,

o que corresponde a uma variação negativa em -6,2%, em relação a 2000, que faturou R$

646.365,45. O desempenho das pequenas empresas consultadas no arranjo não puderam ser

computadas visto que ambas empresas se omitiram nesta pergunta. A média empresa, em



30

2005, teve um faturamento de R$ 8.000.000,00, tendo uma variação negativa em -6,1%,

em relação a 2000, cujo faturamento foi de R$ 8.517.994,26. Este panorama mostra uma

preocupação da indústria do mobiliário da Grande Belém. Infelizmente as tabelas

apresentadas acima não mostram as causas ou conseqüências das variações negativas

(faturamento) dos estabelecimentos consultados no arranjo.



Tabela 18: Evolução do Faturamento

Faturamento (preços de 2005)

Anos Micro Pequena Média

Total Índice Média Total Índice Média Total Índice Média

2000 646.365,45 100 38021 - 100 0 8.517.994,26 100 8517994

Taxa00/95 0,0% 0,0% 0,0%

2005 606.500,00 93,8324 35676 - 100 0 8.000.000,00 93,9188 8000000

Taxa05/00 -6,2% 0,0% -6,1%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)





A próxima Tabela 19 mostra onde são comercializados os móveis produzidos no

arranjo pesquisado, levando-se em consideração o período de 2000 a 2005. As

microempresas vendem grande parte de sua produção para o mercado local, sendo que esse

mercado teve aumento de 8,2% em 2005 em relação a 2000. O restante da produção das

microempresas é vendida para o mercado externo que sofreu um decréscimo no volume

comercializado em 2005 de -8,2% em relação a 2000. As pequenas empresas consultadas

no arranjo apresentaram uma pequena mudança na comercialização da sua produção

moveleira, visto que, em 2000, toda sua produção era vendida a nível local; já em 2005,

15% dessa produção foi para o mercado nacional, fora do arranjo e do Estado. A média

empresa consultada não apresentou mudança nas vendas de sua produção, pois tanto em

2000 como em 2005 manteve o mesmo percentual de vendas para o mercados local,

estadual e nacional, sem exportar nenhuma para o exterior.









31

Tabela 19: Destino das Vendas

Anos

Destino

2000 2005

1. Micro

1.1. Local 87,7% 95,9%

1.2. Estado 0,0% 0,0%

1.3. Brasil 0,0% 0,0%

1.4. Exportação 12,3% 4,1%

Total 100,0% 100,0%

2. Pequena

2.1. Local 100,0% 85,0%

2.2. Estado 0,0% 0,0%

2.3. Brasil 0,0% 15,0%

2.4. Exportação 0,0% 0,0%

Total 100,0% 100,0%

3. Média

3.1. Local 30,0% 30,0%

3.2. Estado 60,0% 60,0%

3.3. Brasil 10,0% 10,0%

3.4. Exportação 0,0% 0,0%

Total 100,0% 100,0%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)





Em se tratando dos fatores competitivos, a pesquisa de campo constatou (Tabela

20) que os empreendedores das microempresas consideram os itens qualidade do produto e

capacidade de entendimento com peso alto (100% dos entrevistados), seguidos de perto

pelos itens qualidade da matéria-prima e outros insumos, estratégias de comercialização e

qualidade de mão-de-obra, todos com 82,4%. Outros fatores de importância na

competitividade para os microempresários são o nível tecnológico dos equipamentos

(76,5%), o custo da mão-de-obra (com 70,6%), desenho e estilo dos produtos (64,7%) e a

capacidade de introdução de novos produtos/processos (52,9%), em grau de influência na

competitividade para os microempresários. O item desenho/estilo dos produtos é de suma

importância para empresas que desejam conquistar novas fatias de mercado, uma vez que a

não-diversificação do produto e do processo produtivo faz com que os empreendedores se

restrinjam apenas em um único mercado, perdendo a possibilidade de garantir novos

nichos de mercado, Todavia, todos esses fatores são trabalhados de acordo com a estratégia

de mercado que o empreendedor possa ter.



As pequenas empresas que apresentam um certo grau de organização, planejamento

estratégico, capital, mão-de-obra mais especializada etc., demonstraram, na pesquisa de

campo (Tabela 20), que cerca de 95% consideram praticamente todos os fatores

perguntados em questionário de alta importância para a competitividade da empresa.

Apenas o item custo de mão-de-obra é considerado o fator com menos importância (50%)

para a competitividade da empresa frente ao mercado moveleiro. A média empresa

consultada no arranjo declarou que todos os fatores analisados na Tabela 20 são de vital

importância para a competitividade do setor no mercado de móveis.



Quando analisamos o fator Treinamento e Capacitação de Recursos Humanos

(Tabela 21), fica evidenciado que essa variável tem pouca importância principalmente



32

para os microempresários do arranjo. Para as pequenas empresas, a maioria dos itens

perguntados ficou entre nula e de alta importância para a competitividade e crescimento da

empresa no setor moveleiro. Já para a média empresa consultada, todos os itens

perguntados quanto ao treinamento e capacitação de RH, são de altíssima importância para

a melhora da empresa em todos os aspectos da competitividade no mercado.









33

Tabela 20: Fatores Competitivos

Micro Pequena Média

Fatores competitivos

Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice*

1. Qualidade da matéria-prima e 2 0 1 14 0,86 0 0 0 2 1,00 0 0 0 1 1,00

outros insumos

11,8% 0,0% 5,9% 82,4% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

2. Qualidade da mão-de-obra 2 1 0 14 0,84 0 0 0 2 1,00 0 0 0 1 1,00

11,8% 5,9% 0,0% 82,4% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

3. Custo da mão-de-obra 2 0 3 12 0,81 0 0 1 1 0,80 0 0 0 1 1,00

11,8% 0,0% 17,6% 70,6% 0,0% 0,0% 50,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

4. Nível tecnológico dos 2 0 2 13 0,84 0 0 0 2 1,00 0 0 0 1 1,00

equipamentos

11,8% 0,0% 11,8% 76,5% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

5. Capacidade de introdução de 3 1 4 9 0,69 0 0 0 2 1,00 0 0 0 1 1,00

novos produtos/processos

17,6% 5,9% 23,5% 52,9% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

6. Desenho e estilo nos produtos 3 2 1 11 0,72 0 0 0 2 1,00 0 0 1 0 0,60

17,6% 11,8% 5,9% 64,7% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%

7. Estratégias de comercialização 0 2 1 14 0,89 0 0 0 2 1,00 0 0 0 1 1,00

0,0% 11,8% 5,9% 82,4% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

8. Qualidade do produto 0 0 0 17 1,00 0 0 0 2 1,00 0 0 0 1 1,00

0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

9. Capacidade de atendimento 0 0 0 17 1,00 0 0 0 2 1,00 0 0 0 1 1,00

(volume e prazo)

0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

10. Outra 0 0 0 0 0,00 0 0 0 0 0,00 0 0 0 0 0,00

0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)

*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº Empresas no Segmento)









34

Tabela 21: Treinamento e Capacitação de Recursos Humanos

Micro Pequena Média

Descrição

Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice*

1. Treinamento na empresa 12 0 1 4 0,27 0 0 1 1 0,80 0 0 0 1 1,00

70,6% 0,0% 5,9% 23,5% 0,0% 0,0% 50,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

2. Treinamento em cursos técnicos 13 1 1 2 0,17 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

realizados no arranjo

76,5% 5,9% 5,9% 11,8% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

3. Treinamento em cursos técnicos fora 14 1 1 1 0,11 1 0 0 1 0,50 0 1 0 0 0,30

do arranjo

82,4% 5,9% 5,9% 5,9% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0%

4. Estágios em empresas fornecedoras 15 1 0 1 0,08 1 0 0 1 0,50 0 1 0 0 0,30

ou clientes

88,2% 5,9% 0,0% 5,9% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0%

5. Estágios em empresas do grupo 15 1 0 1 0,08 1 0 0 1 0,50 1 0 0 0 0,00

88,2% 5,9% 0,0% 5,9% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0%

6. Contratação de técnicos/engenheiros 14 1 1 1 0,11 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

de outras empresas do arranjos

82,4% 5,9% 5,9% 5,9% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

7. Contratação de 14 2 0 1 0,09 1 0 0 1 0,50 0 1 0 0 0,30

técnicos/engrenheiros de empresas fora

do arranjo 82,4% 11,8% 0,0% 5,9% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0%

8. Absorção de formandos dos cursos 15 1 0 1 0,08 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

universitários localizados no arranjo ou

próximo 88,2% 5,9% 0,0% 5,9% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

9. Absorção de formandos dos cursos 15 1 0 1 0,08 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

técnicos localizados no arranjo ou

próximo 88,2% 5,9% 0,0% 5,9% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)

*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº Empresas no Segmento)









35

A Tabela 22 mostra que apenas 36,75% dos microempresários entrevistados no arranjo

consideraram as inovações ocorridas no período entre 2000 e 2005 de extrema importância,

sendo que a maior parte (52,9%) inovou enquanto empresa, mas o produto já não era novidade

para o mercado. Ao contrário, 62,5% dos pequenos empresários disseram ter apresentado

ganhos com as inovações tecnológicas implementadas nesse período. Os pequenos

empresários entrevistados no arranjo apresentaram 100% de inovação no produto tanto para a

empresa, quanto para os mercados nacional e internacional. Já a média empresa consultada no

arranjo afirmou ter inovado 100% em todo os itens perguntados.





Tabela 22: Inovações entre 2000 e 2005

Micro Pequena Média

Descrição

Sim Sim Sim

1. Inovações de produto* 52,9% 100,0% 100,0%

1.1. Produto novo para a sua empresa, mas já existente no mercado? 8 2 1

47,1% 100,0% 100,0%

1.2. Produto novo para o mercado nacional? 2 1 1

11,8% 50,0% 100,0%

1.3. Produto novo para o mercado internacional? 1 0 0

5,9% 0,0% 0,0%

2. Inovações de processo* 29,4% 50,0% 100,0%

2.1. Processos tecnológicos novos para a sua empresa, mas já existentes 5 1 1

no setor?

29,4% 50,0% 100,0%

2.2. Processos tecnológicos novos para o setor de atuação?’ 1 0 1

5,9% 0,0% 100,0%

3. Outros tipos de inovação* 35,3% 50,0% 100,0%

3.1. Criação ou melhoria substancial, do ponto de vista tecnológico, do 0 0 1

modo de acondicionamento de produtos (embalagem)?

0,0% 0,0% 100,0%

3.2. Inovações no desenho de produtos? 6 1 1

35,3% 50,0% 100,0%

4. Realização de mudanças organizacionais (inovações

organizacionais)*

29,4% 50,0% 100,0%

4.1. Implementação de técnicas avançadas de gestão ? 4 0 1

23,5% 0,0% 100,0%

4.2. Implementação de significativas mudanças na estrutura 4 1 0

organizacional?

23,5% 50,0% 0,0%

4.3. Mudanças significativas nos conceitos e/ou práticas de marketing ? 1 1 1

5,9% 50,0% 100,0%

4.4. Mudanças significativas nos conceitos e/ou práticas de 1 1 1

comercialização ?

5,9% 50,0% 100,0%

4.5. Implementação de novos métodos e gerenciamento, visando a atender 1 0 0

normas de certificação (ISO 9000, ISSO 14000, etc)?

5,9% 0,0% 0,0%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)

*Índice = (Nº Empresas com pelo menos um sim) / (Nº Empresas no Segmento)









36

Uma das variáveis mais importantes para a consolidação e crescimento de um APL é a

Cooperação, uma vez que a interação sinérgica interfirmas propiciará maiores ganhos em

vários níveis ou estágios do processo produtivo. A Tabela 23 mostra que as microempresas

tiveram apenas 5,9% de atividades de cooperação ao final de 2005; as pequenas e médias não

demonstram nenhum grau de cooperação. Isso evidencia quão incipiente é a cooperação

interfirmas no setor.



Tabela 23: Atividades Cooperativas em 2005

Tamanho da Empresa Sim Não Total

1. Micro 1 16 17

5,9% 94,1% 100,0%

2. Pequena 0 2 2

0,0% 100,0% 100,0%

3. Média 0 1 1

0,0% 100,0% 100,0%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)





Com relação às vantagens da localização do arranjo, a Tabela 24 mostra que a maioria

os microempresários acharam como nula a importância de estarem no arranjo, sendo o item de

maior atratividade a proximidade com clientes/consumidores (58,8%), ficando os itens mão-

de-obra e estrutura do arranjo em escala inferior como principais atrativos de localizarem-se

no arranjo. Já os pequenos empresários mantiveram uma média de 50% entre nula e alta

importância de fazerem parte do arranjo. A média empresa consultada manteve-se na

classificação entre baixa, média e alta em relação às vantagens de estarem no arranjo estudado.









37

Tabela 24: Vantagens da Localização no Arranjo

Micro Pequena Média

Externalidades

Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice*

1. Disponibilidade de mão-de-obra 4 5 2 6 0,51 1 0 0 1 0,50 0 0 1 0 0,60

qualificada

23,5% 29,4% 11,8% 35,3% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%

2. Baixo custo da mão-de-obra 4 1 6 6 0,58 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

23,5% 5,9% 35,3% 35,3% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

3. Proximidade com os fornecedores 3 4 5 5 0,54 1 0 0 1 0,50 0 1 0 0 0,30

de insumos e matéria prima

17,6% 23,5% 29,4% 29,4% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0%

4. Proximidade com os 2 1 4 10 0,75 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

clientes/consumidores

11,8% 5,9% 23,5% 58,8% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

5. Infra-estrutura física (energia, 2 4 5 6 0,60 1 1 0 0 0,15 0 0 0 1 1,00

transporte, comunicações)

11,8% 23,5% 29,4% 35,3% 50,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

6. Proximidade com produtores de 5 8 3 1 0,31 1 0 0 1 0,50 0 1 0 0 0,30

equipamentos

29,4% 47,1% 17,6% 5,9% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0%

7. Disponibilidade de serviços 4 9 3 1 0,32 1 0 0 1 0,50 0 1 0 0 0,30

técnicos especializados

23,5% 52,9% 17,6% 5,9% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0%

8. Existência de programas de apoio 8 5 4 0 0,23 1 0 0 1 0,50 0 0 1 0 0,60

e promoção

47,1% 29,4% 23,5% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%

9. Proximidade com universidades e 10 5 2 0 0,16 1 0 0 1 0,50 0 0 1 0 0,60

centros de pesquisa

58,8% 29,4% 11,8% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%

10. Outra 0 0 0 0 0,00 0 0 0 0 0,00 0 0 0 0 0,00

0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)

*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº Empresas no Segmento)









38

As transações comerciais locais (Tabela 25) se mostram com maior relevância para as

vendas dos produtos 82,4% segundo os microempresários consultados no arranjo, ficando a

aquisição de matéria-prima (58,8%) como segunda variável importante nas transações

comerciais dos microempresários. Da mesma forma os pequenos empresários tiveram os

fatores vendas de produtos (100%) e aquisição de meteria-prima (100%), como os mais

importantes no que se refere às transações comerciais locais. A média empresa consultada teve

a apenas o item vendas de produtos como o mais importante nas transações comerciais locais.



A Tabela 26, a seguir, mostra que, para os microempresários, em sua grande maioria, é

totalmente nula a contribuição dos sindicatos, associações e cooperativas locais, atuantes no

arranjo pesquisado (aproximadamente 89,98% das microempresas entrevistadas). As pequenas

empresas apresentaram uma opinião contrária, com uma média de aprovação da atuação

dessas entidades de 70%.



A média empresa pesquisada no arranjo apresentou uma distribuição equilibrada, entre

baixa, média e alta, quanto à importância da contribuição das entidades, associações,

sindicatos, cooperativas e etc.









39

Tabela 25: Transações Comerciais Locais

Micro Pequena Média

Tipos de Transações

Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice*

1. Aquisição de insumos e 4 1 2 10 0,68 0 0 0 2 1,00 0 1 0 0 0,30

matéria prima 23,5% 5,9% 11,8% 58,8% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0%

2. Aquisição de equipamentos 3 5 4 5 0,52 0 0 1 1 0,80 0 1 0 0 0,30

17,6% 29,4% 23,5% 29,4% 0,0% 0,0% 50,0% 50,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0%

3. Aquisição de componentes e 6 4 4 3 0,39 1 0 0 1 0,50 0 0 1 0 0,60

peças 35,3% 23,5% 23,5% 17,6% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%

4. Aquisição de serviços 3 6 4 4 0,48 0 0 1 1 0,80 0 1 0 0 0,30

(manutenção, marketing, etc) 17,6% 35,3% 23,5% 23,5% 0,0% 0,0% 50,0% 50,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0%

5. Vendas de produtos 0 1 2 14 0,91 0 0 0 2 1,00 0 0 0 1 1,00

0,0% 5,9% 11,8% 82,4% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%



Fonte: Pesquisa de campo (2006)

*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº Empresas no Segmento)









40

Tabela 26: Avaliação da Contribuição de Sindicatos, Associações, Cooperativas Locais

Micro Pequena Média

Tipo de Contribuição

Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice*

1. Auxílio na definição de objetivos 13 3 1 0 0,09 0 0 0 2 1,00 0 0 0 1 1,00

comuns para o arranjo produtivo

76,5% 17,6% 5,9% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

2. Estímulo na percepção de visões de 15 2 0 0 0,04 0 0 0 2 1,00 0 1 0 0 0,30

futuro para ação estratégica

88,2% 11,8% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0%

3. Disponibilização de informações sobre 16 1 0 0 0,02 0 0 0 2 1,00 0 1 0 0 0,30

matérias-primas, equipamento, assistência

técnica, consultoria, etc

94,1% 5,9% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0%

4. Identificação de fontes e formas de 15 1 1 0 0,05 1 0 0 1 0,50 0 1 0 0 0,30

financiamento

88,2% 5,9% 5,9% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0%

5. Promoção de ações cooperativas 16 0 1 0 0,04 1 0 0 1 0,50 0 0 1 0 0,60

94,1% 0,0% 5,9% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%

6. Apresentação de reivindicações comuns 15 2 0 0 0,04 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

88,2% 11,8% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

7. Criação de fóruns e ambientes para 16 1 0 0 0,02 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

discussão

94,1% 5,9% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

8. Promoção de ações dirigidas a 15 2 0 0 0,04 0 0 0 2 1,00 0 0 1 0 0,60

capacitação tecnológica de empresas

88,2% 11,8% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%

9. Estímulo ao desenvolvimento do sistema 16 1 0 0 0,02 1 0 0 1 0,50 0 0 1 0 0,60

de ensino e pesquisa local

94,1% 5,9% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%

10. Organização de eventos técnicos e 16 1 0 0 0,02 1 0 0 1 0,50 0 0 1 0 0,60

comerciais

94,1% 5,9% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)

*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº Empresas no Segmento)









41

Com relação ao conhecimento por parte dos micro e pequenos empresário no que diz

respeito a programas e ações voltadas para eles, a Tabela 27 mostra que a maioria dos

microempresários desconhece qualquer tipo de benefício ofertada pelas instituições abaixo.

Apenas nos itens Governo Federal e SEBRAE, esse panorama muda um pouco. Os pequenos

empresários, em sua maioria, conhecem e participam dos programas e ações disponibilizadas

tanto por instituições públicas como privadas. A exemplo das pequenas empresas, a média

empresa consultada afirmou que conhece e participa dos programas e ações voltadas para o

arranjo moveleiro.



Tabela 27: Participa ou tem conhecimento sobre algum tipo de programa ou ações voltadas para

MPEs.

Micro Pequena Média

Instituição Conhece, Conhece Conhece, Conhece Conhece, Conhece

Não Não Não

mas não e mas não e mas não e

conhece conhece conhece

participa participa participa participa participa participa

1. Governo Federal 11 5 1 0 0 2 0 0 1

64,7% 29,4% 5,9% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 100,0%

2. Governo Estadual 12 5 0 0 0 2 0 0 1

70,6% 29,4% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 100,0%

3. Governo 11 6 0 2 0 0 0 1 0

Local/Municipal

64,7% 35,3% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%

4. SEBRAE 7 7 3 0 1 1 0 1 0

41,2% 41,2% 17,6% 0,0% 50,0% 50,0% 0,0% 100,0% 0,0%

5. Outras 0 0 0 0 0 0 0 0 0

Instituições

0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)





Ao se analisar a Tabela 28 a seguir, constata-se que, para os microempresários, a

maioria das políticas públicas contribuem para o aumento da eficiência competitiva das MPEs.

Já os pequenos empresários tiveram opiniões de meio termo, sendo a metade achando positiva

e a outra negativa a contribuições das políticas pública para a eficiência da competitividade

das MPEs no mercado moveleiro. Já a média empresa consultada achou todas as políticas a

favor do arranjo de altíssima importância para o setor moveleiro como um todo.









42

Tabela 28: Políticas Públicas que contribuem para o aumento da eficiência competitiva das MPEs

Micro Pequena Média

Ações de Política

Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice*

1. Programas de capacitação 1 0 1 15 0,92 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

profissional e treinamento técnico

5,9% 0,0% 5,9% 88,2% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

2. Melhorias na educação básica 1 0 3 13 0,87 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

5,9% 0,0% 17,6% 76,5% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

3. Programas de apoio a consultoria 2 1 1 13 0,82 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

técnica

11,8% 5,9% 5,9% 76,5% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

4. Estímulos à oferta de serviços 1 0 2 14 0,89 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

tecnológicos

5,9% 0,0% 11,8% 82,4% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

5. Programas de acesso à informação 1 0 1 15 0,92 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

(produção, tecnologia, mercados, etc)

5,9% 0,0% 5,9% 88,2% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

6. Linhas de crédito e outras formas 1 1 4 11 0,81 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

de financiamento

5,9% 5,9% 23,5% 64,7% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

7. Incentivos fiscais 1 0 2 14 0,89 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

5,9% 0,0% 11,8% 82,4% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

8. Políticas de fundo de aval 2 0 3 12 0,81 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

11,8% 0,0% 17,6% 70,6% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

9. Programas de estímulo ao 3 0 1 13 0,80 1 0 0 1 0,50 0 0 0 1 1,00

investimento (venture capital)

17,6% 0,0% 5,9% 76,5% 50,0% 0,0% 0,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%

10. Outras 0 0 0 0 0,00 0 0 0 0 0,00 0 0 0 0 0,00

0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0%

Fonte: Pesquisa de campo (2006)

*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº Empresas no Segmento)









43

5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AÇÕES

PRIVADAS



5.1 Conclusões



A partir dos dados analisados, qualitativa e quantitativamente, podemos concluir que o

Arranjo Produtivo identificado na área de abrangência da Grande Belém não se enquadra a todas as

condições definidas no conceito tradicional de Arranjo Produtivo Local. No entanto para os critérios

adotados pela RedeSist e o SEBRAE, podemos afirmar que há um arranjo produtivo local de móveis

na Grande Belém, apesar de apresentar particularidades que carecem ser levadas em consideração

no momento em que forem traçadas diretrizes para atuação do poder público na região.





No arranjo em estudo, a falta de uma intensidade maior dos processos de aprendizagem é

óbvia, mesmo considerando o tipo de regime tecnológico em que as empresas estão inseridas, na

pouca difusão de inovações incrementais, não gerando, então, novas oportunidades de negócios para

as empresas pelos seus ganhos de competitividade. A falta de uma maior troca de informações entre

os agentes, empresas, universidades e centros de pesquisa apenas ressalta os problemas do processo

inovativo. Sendo assim, dificilmente haverá uma tentativa de melhorar o aprendizado através do

próprio aprendizado, pois se encontra em uma etapa de pouco desenvolvimento em comparação ao

que seria necessário em esforços para iniciar uma trajetória de capacitação sustentada, como

sustentam os teóricos da RedeSist. Nesses termos, observa-se fraco estímulo à aprendizagem local e

à interação intra e inter agentes. Entretanto, percebe-se também que há um grande potencial para

alcançar essa categoria. Citam-se abaixo algumas características que fundamentam tais

considerações.



1) Existe grande concentração de micro e pequenas empresas, principalmente estas

últimas; (as microempresas com média de 5 empregados e as pequenas empresas com

média de 39 empregados).



2) Inexistem lideranças empresariais, ou existem com grandes conflitos entre elas.





3) É parca a capacidade inovativa, quanto ao design original, sendo a imitação a prática

comum. Muito contribui para esse retrospecto o fraquíssimo investimento em P&D.



4) Pode-se afirmar que não existem barreiras à entrada de novos produtores, pois existe

matéria prima e acesso a equipamentos. Percebe-se ainda que os pequenos produtores

também utilizam equipamentos fabricados por eles mesmos, o que demonstra que a

barreira à entrada de novos produtores é principalmente financeira.



5) e equipamentos, gerando custos de energia, má qualidade e baixa produtividade.





6) É praticamente nula a cooperação entre os agentes do arranjo. Este apresenta

produção ainda muito diversificada, com pouca especialização. A grande



44

concorrência entre as empresas limita as relações de cooperação. Existe uma gama de

instituições de apoio ao setor, mas pouco articuladas entre si e com o arranjo.



7) A estrutura administrativa da maioria das micro e pequenas empresas é familiar, bem

como a mão-de-obra, cujas técnicas de produção são repassadas “de pai para filho”.

Nas microempresas a contabilidade é informal, constando freqüentemente apenas

anotações em cadernos.



8) A grande maioria das empresas está dispersa no arranjo, com instalações em imóvel

próprio fora da residência, embora com layout ainda inadequado.



9) A maioria da produção é comercializada por meio de encomendas, com pouca

fabricação em série, mesmo para o mercado local.



10) O setor já encontra dificuldade em encontrar matéria-prima adequada, devido à

funesta política nacional de exportação de madeira com pouco beneficiamento.

Rareiam matérias-primas tradicionais como cedro e mogno, sofrendo problemas de

legislação. Madeiras como angelim pedra são abundantes por causa de sua pouca

aceitação no mercado internacional. Na ausência de estufas, a secagem natural não

favorece a boa qualidade na produção de móveis.



11) Os fatores apontados acima contribuem para a baixa competitividade do setor, tanto

em nível local quanto em níveis nacional e internacional.



5.2 Recomendações de Políticas Públicas e Ações Privadas:



Entende-se que cada arranjo deve buscar políticas públicas e ações privadas de acordo com

suas especificidades. Isso não impede que se procure alternativas já experimentadas em outros

arranjos. A partir da analise e conclusões apresentadas acima, sugere-se o que segue.



1) A exemplo da experiência internacional que validou a grande eficiência dos arranjos

produtivos, recomenda-se a adoção dessa modalidade para as micro, pequenas e

médias empresas, a fim de aproveitarem o máximo das sinergias geradas por essa

modalidade de organização produtiva.



2) Enfatize-se na coordenação dos arranjos locais a importância dos governos locais, das

instituições locais e das lideranças locais na condução das políticas públicas

concernentes ao arranjo da Grande Belém.



3) Levando-se em consideração o mundo globalizado, a disseminação do conhecimento

é fator decisivo de competitividade. Recomenda-se que instituições de saber se unam

com associações de classe e com organizações não governamentais para fornecer

educação formal e informal, ou seja, treinamento e capacitação às micro e pequenas

empresas do arranjo estudado. Contudo, as empresas não devem esperar somente do

governo os investimentos em P&D, para sua inovação tecnológica.





45

4) Faz-se mister o fortalecimento do arranjo produtivo local da Grande Belém,

facilitando-se não só a aquisição de equipamentos e matérias-primas de boa

qualidade, bem como o acesso a financiamento adequados à realidade dos micro e

pequenos empresários. Isso possibilitará a diminuição dos custos operacionais.



5) Ainda em consideração ao item anterior, a cooperação mais do que nunca é tema

central na discussão/implantação de políticas que visem o desenvolvimento e a

consolidação do arranjo produtivo local da Grande Belém, devendo contribuir para

este fim todas as instituições públicas e privadas, tais como: centros de saber,

associações de classes e ONG´s. Essa cooperação deverá viabilizar a produção

especializada das empresas, embora mantendo a competitividade e uma concorrência

saudável interfirmas dentro do arranjo.



6) A gestão empresarial pode ser melhorada por meio tanto de contratação de gestores

especializados quanto de treinamentos de funcionários dentro e fora da empresa.



7) Seria de fundamental importância reunir geograficamente as empresas do arranjo,

facilitando assim as sinergias (educação, transporte etc.), a disseminação das

informações e a produção em cooperação; pode também favorecer a produção em

série e a competitividade para atingir os mercados local, nacional e internacional.



8) A política pública deve estabelecer uma cota da produção de madeira para o arranjo

moveleiro da Grande Belém a fim de que este não fique à mercê das sobras das

exportações.









46

REFERÊNCIAS





ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DO MOBILIÁRIO. Panorama do Setor

Moveleiro até 2005. Disponível em http://www.abimovel.com.





CASSIOLATO, J. E.; LASTRES, H.M.M. Arranjos e sistemas produtivos locais na indústria

brasileira. Revista de Economia Contemporânea, v.5, p 103-136, 2001. Edição Especial.





CROCCO, M.; HORÁCIO, F. Industrialização Descentralizada: Sistemas Industriais Locais

O Arranjo Produtivo Moveleiro de Ubá. Contrato BNDES/FINEP/FUJB. (Nota Técnica, 38).

Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais, IE/UFRJ, 2001.





FILHO, A. V.; BUENO, F. O. Elementos Dinâmicos do Arranjo Produtivo Madeira/Móveis

no Nordeste Capixaba - Linhares. Contrato BNDES/FINEP/FUJB.(Nota Técnica, 24). Rede

de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais, IE/UFRJ, 2001.





HADDAD, P. R. A organização dos sistemas produtivos locais como prática de

desenvolvimento endógeno. 2003, mimeo.





IBGE.Dados dos municípios do Pará. Disponível em http://ibge.gov.br/cidadesat/default.php.

Acesso em 04/09/2006 às 19h30.





LASTRES, H.; CASSIOLATO, J.E.; MACIEL, M. L. Uma caracterização de arranjos

produtivos locais de micro e pequenas empresas. In: Pequena empresa: Cooperação e

desenvolvimento local.[s.l]: Relume Dumará Editora, 2003.





NASCIMENTO, J. M.; LIMA, N. R. APL móveis de Paragominas-Pará. (Trabalho

apresentado para obtenção de título de especialista em Economia Agrobio-Industrial.

Universidade Federal do Pará – UFPA, Belém-Pará, 2005).







47

PERECIN, L. O aproveitamento máximo das florestas. Revista O papel, v.26, n. 8 ago. 2005.





REVISTA DA MADEIRA. Mercado de móveis movimenta US$ 200 bilhões por ano.São

Paulo,v.16,n.97,junho,2006.Disponível em

. Acesso em: 25/8/2006, às 19h15.





SANTOS, G.A.; DINIZ, E.J.; BARBOSA, E. K. Aglomerações, Arranjos Produtivos Locais e

Vantagens Competitivas Locacionais. Revista do BNDES,Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, 1994.





SANTANA, A., C. Arranjos produtivos locais na Amazônia: metodologia para identificação e

mapeamento. Belém: ADA, 2004.





SILVA, J. P.; GLOWASKI, C.; SILVA, M. J. P.; SILVA, M. P. Arranjo produtivo florestal-

moveleiro de Xapuri: Relatório de Atividades da Expansão da RedeSist.. Rio de Janeiro:

IE/UFRJ/UFAC, 2004.









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