A L�ngua Russa � sua origem e alfabeto

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					A Língua Russa – Origem do povo russo

O russo pertence às línguas eslavas que constituem o grupo resultante do Proto-Eslavo
(periodo pré-histórico), oriundo por sua vez do Indo-Europeu, língua falada por
homens que habitavam uma região situada nas estepes a sul da Sibéria e da Rússia. No
séc. II A. C. começam a ocupar regiões que iam da Europa Ocidental até à India, onde
impõem a sua língua; esta vai evoluindo consoante os novos contactos, conservando, no
entanto, muito em comum.

Na Idade Média os estados eslavos tinham um grande peso político e económico junto
dos países vizinhos. Os principais estados dessa época eram o principado da Morávia, a
Russ de Kiev e a Republica de Dubrovnik.

Foi no estado da Grande Morávia que, em 863, dois irmãos, os bispos Cirilo e Método
de origem grega, que viviam em Tessalónica, profundos conhecedores do eslavo antigo,
espalharam por mais de 20 anos a fé cristã. O imperador bizantino Miguel III, a pedido
do princípe Rastislav da Morávia, enviou-lhe estes dois filósofos e assim com os seus
conhecimentos eles podiam unir os habitantes desta região à volta do culto falado numa
língua que lhes era familiar. Até aí, Rastislav lutara contra os imperadores alemães.
Bizâncio promete ajudá-lo, na condição de este aceitar a religião cristã segundo o
dogma ortodoxo, isto é, o culto poderia ser efectuado na língua de cada povo, enquanto
a igreja romana apenas permitia que o culto se realizasse em latim ou em grego.

Cirilo e Método traduzem então para o eslavo antigo, ou eslavo eclesiástico, os livros
sagrados escritos em grego. Estes dois filósofos tiveram necessidade de criar um
alfabeto, a partir de outros já existentes, principalmente do grego e do latino, com
correspondência aos sons da respectiva língua, ao qual se veio a chamar alfabeto
“cirílico” em homenagem ao seu criador principal.

No séc. IX os dialectos eslavos do Oeste e do Sul apresentavam poucas diferenças e,
assim, os livros santos traduzidos por Cirilo e Método podiam ser lidos pelos habitantes
da Grande Morávia, para quem o latim era uma língua estranha. A influência de Cirilo e
Método penetra primeiro nas regiões mais abertas à civilização grego-romana.

   A escrita cirilica é introduzida pelos clérigos búlgaros na “Rus” de Kiev, dando
origem ao eslavo antigo, a única língua literária dos Eslavos orientais até ao séc. XVIII.
Desenvolve-se então uma literatura em língua nacional, enquanto noutros países
eslavos, pertencentes à igreja católica onde se impunha o latim, esse desenvolvimento se
travava artificialmente.

No séc. X e XI o eslavo antigo começa a ser utilizado, não só como língua da Igreja,
mas como língua da ciência e da literatura.

O eslavo antigo foi utilizado durante vários séculos por muitos povos eslavos como
língua literária. Na Rússia utilizou-se até ao séc. XVII, isto é, até ao período em que o
russo começa a formar-se como língua nacional.

As línguas eslavas dividem-se em três grupos:

   a) orientais – russo, bielorusso e ucraniano


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   b) ocidental – polaco, checo e eslovaco
   c) meridional – búlgaro, servo-croata, esloveno e macedónio

Quanto à origem da palavra “russo” ainda hoje não há uma certeza do que ela significa
ao certo, embora a maioria dos investigadores se incline para o conceito de “svetli” que
significa “côr clara”.

Na “Crónica dos Tempos Antigos”, obra histórica escrita no séc. XII, os autores
interrogam-se “de onde teria surgido a terra “Rus”. Narram um conjunto de ideias e
factos que nos convencem de que no séc. IX, provavelmente em 856, várias cidades se
recusaram a pagar tributo aos Varegues, expulsando-os do seu território. Estas tribos
caem em seguida numa verdadeira anarquia e acabam por pedir ajuda aos vikings Rurik
e Oleg . Entre os anos 860 e 880 Rurik unificou as colónias comerciais a norte
formando o principado de Novgorod, enquanto Oleg forma o principado de Kiev a Sul.

A “Rus” de Kiev resultaria da união das tribos eslavo orientais e abrangia um território
enorme que se estendia desde a península de Taman ao sul do Dniestre até ao rio Dbina,
a norte.

A Oleg sucede seu filho Igor que, quando morre seu filho Sviatoslav ainda é menor,
ficando como regente sua mãe, a princesa Olga, que para vingar a morte do marido,
assassinado quando pela segunda vez consecutiva recolhia o tributo na cidade de
Iskorosten, manda deitar fogo à cidade, matando quase todos os seus habitantes.

A Sviatoslav sucede seu filho Vladimir, que desejoso de fortificar os laços pacíficos
com o império Bizantino, se casa com a princesa bizantina Ana e aceita o cristianismo
em 988.

A introdução do cristianismo na “Rus” foi um factor de desenvolvimento, aproximando-
a de Bizâncio e de outros estados da Europa Ocidental.

A “Rus” de Kiev, à volta da qual se uniram as tribos eslavas orientais, nem sempre teve
uma história pacífica. Além das lutas internas, em que vários príncipes disputam o
trono, há também as invasões dos povos estrangeiros. Quando em 1240 os tártaros
tomam Kiev encontram um estado em ruína, dividido por numerosos príncipes que
pretendem o trono de Kiev.

Durante quatro séculos, o estado de Kiev, berço da Velha Rus, é palco de
acontecimentos históricos importantes, defendendo-se não só das invasões dos vizinhos
asiáticos, como também afirmando a sua existência política perante o Império
Bizantino.

A última tentativa de unir todos os príncipes contra estas invasões foi feita por Vladimir
Monamax. Porém, com a sua morte em 1125, o estado de Kiev perde cada vez mais a
sua importância.

Só em 1147 nos aparece pela primeira vez a palavra “Moskva” (Moscovo). Moscovo é
um pequeno lugar situado no cimo do rio com o mesmo nome. A fundação de Moscovo
está ligada ao nome de Iuri Dolgoruki (Iuri de “braço comprido”), um dos filhos de
Vladimir Monamax. Moscovo vai-se desenvolvendo e no séc. XIII já assume relativa


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importância, tendo para isso ajudado a sua situação geográfica. O rio Moscovo permite
fácil ligação entre os rios Volga e Oka.

Os acontecimentos da época são contados nas “bilinas” (conto épico popular russo).
Segundo a definição de V. G. Mizev “bilina” é a síntese das observações populares e
suas conclusões. O estilo heróico da época explica-se por um orgulho guerreiro do povo
e pelos seus sucessos na luta contra a natureza.

Este género mantém-se até ao séc. XVI onde, a pouco e pouco, começa a dar lugar ao
“conto histórico” de onde é banido o irreal.

Durante o período em que ambos os géneros coexistem, tanto as “bilinas” como as
“canções históricas” tratavam dos mesmos assuntos, mas de maneira diferente, sem
esquecer a fantasia das “bilinas” e a maneira seca de retratar os assuntos das “canções
históricas”. Enquanto as “bilinas” atribuem todo o valor e o papel principal ao povo, os
“contos históricos” apenas valorizam o papel dos príncipes na orientação dos
acontecimentos.

Nos sécs. XIV e XV a “Rus” atravessa tempos extremamente difíceis, lutando pela sua
libertação das invasões dos tartaro-mongóis; o sujeito das “bilinas” é então a luta do
povo contra os invasores. Surgem muitas canções tristes, onde se lamenta a perda da
liberdade.

As “bilinas” russas foram, há muito, objecto de estudo e em resultado formaram-se três
escolas básicas: a mitológica, a comparativa e a histórica. Podemos dizer que qualquer
delas é valiosa pelos métodos elaborados no estudo das “bilinas”. Na sua análise
devemos ter como critério a tentativa de o povo se rever no seu passado, tirando
conclusões práticas que o ajudam a compreender o presente.




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