Apontamentos Modelos da Comunica��o by 4ql6t25

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									                    Modelos da Comunicação

Tópicos para comentar

   1. Comunicar é... essencial! Sem comunicação seria difícil viver. O ser humano
      tem necessidade de falar, de transmitir, entender o seu redor. Assim a
      comunicação é um processo que engloba pelo menos duas pessoas, podendo ser
      feito de várias formas.

   2. Comunicar é fácil... mas normalmente não é, porque na comunicação podemos
      encontrar vários obstáculos, como a língua, o sotaque, a personalidade, a
      cultura, etc. Para comunicar é necessário alguma sintonia.

   3. É fácil falar sobre a comunicação..., pode não ser porque a comunicação é um
      processo muito complexo e por isso é difícil definir, pois não há uma
      definição comum.

Conclusão dos trabalhos de grupo –
   1. Comunicar é...
         - Pôr em comum.
         - Partilhar.
         - Interacção humana.

   - O homem comunica através de representações  o que o           distingue dos
   animais.
   - Comunicar é transmitir mensagens. O mundo está cada vez mais estruturado com
   diversos meios de comunicação.

   Transmitir mensagens: com eficácia, ou seja, de que modo é que o receptor
   efectivamente percebe e descodifica a mensagem que o emissor lhe envia.

   2.Comunicar é fácil...
      O difícil é garantir a recepção e sintonia da mensagem pelo receptor.



                              Por vezes há obstáculos contudo,
                              o desenvolvimento tecnológico visa
                              atenuar essas dificuldades, facil-
                              itando a comunicação.

Transmitir mensagem é fácil, partilhar é que por vezes não é tão fácil.
 A Liberdade de expressão é um elemento fundamental.



   3. É fácil falar sobre comunicação...
      O que é difícil é defini-la. Comunicar é instintivo, natural, mas no
   entanto, quando queremos definir comunicação torna-se difícil porque existem
   diferentes conceitos.


   Ideia Importante
   Há transmissão de mensagem:



Num campo informativo         Num campo de comunicação



                              Partilhar algo; Interacção entre os sujeitos; não é
                              unilateral; há interacção, isto é, a possibilidade
                              de diálogo.

      Partilha permite construir uma cultura.
      O mundo dos animais funciona por instinto; resposta a um estímulo que eles
       recebem da natureza ou da relação com o Homem.
      O homem é um ser socializado, aprende a representar o que deseja.
                             Aprendizagem das regras e tabus da sociedade.


Diferenças entre Teorias e Modelos da Comunicação


                        Diferentes representações
                        do processo da comunicação.


      Há uma pluralidade de   Pontos de vista.
                                                  Modelos e teorias.
                                                  Quadros conceptuais.

      A comunicação insere-se nas ciências sociais; Formular e resolver problemas.
       - Experiência prática (ex: Ele entende-me?)
       - Conceptuais (ex: Qual a origem da comunicação? Qual a diferença entre
       informação e comunicação?)

Como podemos conhecer? Resolver problemas? 4 Métodos de conhecer?
   1. Adquirimos conhecimentos da realidade; experiência concreta        é   uma   via
      fundamental do que é a comunicação.

   2. Através da Arte  Permite conhecer-nos a nós próprios e o mundo através de
      uma forma muito subjectiva.

   3. Através do Estudo  Permite conhecer a passado e estudar, assim, o presente
      de uma forma mais complexa.

   4. Através da Ciência -> Permite formular hipóteses; A ciência está preocupada
      em descobrir uma verdade.


                                  Modelos ≠ Teorias

Modelos-
    Pretende esclarecer de uma forma esquemática um determinado fenómeno.
    Representações de um processo qualquer em esquema.

Teorias-
    Prende-se a um quadro mais vasto de pensamento.
    Reflexão mais vasta sobre um fenómeno.
    Teoria é mais abrangente e há uma procura da verdade de um fenómeno num
      contexto mais vasto de conhecimento.
    Ligação entre realidade e reflexão.




                      Não há uma total, mais há pequenas diferenças.

      O estudo dos MC vai estar centrado no estudo das diferentes analises dos
       processos comunicacionais.
Texto Pedro Frade “comunicação”-
      Delimita conceptualmente o objecto de estudo da comunicação.
      Questiona-se o que é a comunicação? Quais os níveis a que ocorre?

              O facto de nós todos comunicarmos criou a ideia de que somos
               competentes ao nível da comunicação e que temos um conhecimento sobre
               a comunicação.

              Mas surgem muitas      definições   quando   se   começa   a   delimitar   a
               comunicação.

              A comunicação é extensível    à     nossa cultura.
                                                   a toda a experiência.

                                                                               (página 46)

 Semiótica (a nível dos signos)
 Semântica (a nível do significado)
 Referências (relação da linguagem com o mundo real da experiência)
                                   (página 48)


                                   SISTEMAS SIGNIFICANTES
                               Remete para a ideia de um código.
                                Tem duas dimensões distintas.




               Expressiva                    Conceptual ou da
               do significante.              ordem do significado.

                                   Temos que ter estas 2
                               faces do sistema em relação.

Pluralidade dos patamares
Ou níveis nos quais podem correrem.

          Processos de comunicação
              1. Coexsistivamente à sociedade global. Por exemplo TV (na satélite).
              2. Interinstitucional e inter-organizacional, por exemplo o governo e
                 tribunal supremo de Justiça. Por exemplo a comunicação no sei da
                 ESCS. (Comunicação Interna)
              3. Inter-grupal, por exemplo, comunicação ligada aos vários grupos
                 relacionados com actividades extracurriculares, comunicação entre
                 estes grupos.
              4. Intra-grupal, por exemplo, comunicação entre os membros da
                 ESCTUNIS.
              5. Inter-pessoal, por exemplo, entre dois colegas de turma.
              6. Intra-pessoal, processos de comunicação internos ao sujeito, por
                 exemplo, sempre pensamos em recordações e comparamos o passado com
                 o presente.
                                                                         (Páginas 47)

Os patamares estão ligados por um sistema pressuposicional:
       No sentido ascendente eles mantêm entre si relações de possibilidade.
       No sentido descendente eles mantêm entre si relações de necessidade.
                                                                   (Páginas 47/48)
Texto Adriano Duarte Rodrigues “Perspectiva dos estudos
modernos da comunicação” –> estruturalismo
(página 44-45).

Ferdinard de     Saussure:   Trabalha    a    língua   dentro    de       um   quadro   positivista;
científico.


Propõe o surgimento     de   uma    ciência    que   ele   chamará    a    semiologia    (estudo   da
significação).




 Estruturalismo                    Ao nível do estudo da Língua estudava-se a língua
                                   como um objecto positivo, mas À força de querer
                                   vingar o seu aspecto científico, acaba por colocar de
                                   lado os contextos, as intenções e os efeitos da
                                   mensagem, que são também aspectos importantes do
                                   estudo da língua.

                                   Ele estuda a língua como um todo.

      O estudo da comunicação leva a uma diversidade de modelos para abordar um
       mesmo problema.

Resumo –
      O modelo é uma representação simbólica de um fenómeno e tem que haver com
esse fenómeno uma analogia.


Texto   Adriano              Duarte           Rodrigues         “Planeterização                    da
imprensa... ”
      Nas sociedades fechadas, com um nível de                 desenvolvimento limitado, é
       compreensível a confusão entre o domínio                 da informação e a esfera
       comunicacional.

      Complexificação ----------> Complexificação das sociedades da comunicação
      Os média declararam-se como fomentadores da comunicação na nossa sociedade.
      O desenvolvimento dos Media atingiu tal ponta que a informação tornou-se
       planetária.
      A informação é uma realidade omnipresente na nossa vida quotidiana em
       qualquer análise do mundo.

Mchulan Defende que o desenvolvimento dos media levou à constituição de uma aldeia
global, uniformização de culturas, partilha dos mesmos valores, as mesmas ideias.

          Segundo Adriano D. Rodrigues a ideia de Mchulan não vinga, assistimos a
           um recrudescimento das diferenças culturais ao mesmo tempo que assistimos
           à globalização, estas duas concepções surgem em paralelo
                           uniformização e globalização.
                           Recrudescimento das diferenças.
          O campo informativo tem um papel fundamental nesse processo de
           globalização, de planeterização da informação, dois pólos que Adriano
           Duarte relaciona e que diferencia ao mesmo tempo.

                                    Duas esferas da Experiência

Esfera informativa
          Conjunto dos acontecimentos que ocorrem no mundo e formam o nosso meio
           ambiente;
          Possui um carácter previsível: os acontecimentos são tanto mais
           importantes quanto menos previsíveis.
          Informação pode ser medida pelo cálculo de probabilidades.
          É um produto.
          É irreversível.
          É um processo de transmissão unilateral.
          Destinada (sabe)  Destinatário (ignora).
          Mundialização da informação mediática.


Esfera comunicacional

          Processo de toca simbólica que ocorre entre pessoas dotadas de razão e
           liberdade ligadas entre si pelos mesmos quadros culturais de referencia.
          Não é redutível ao cálculo probabilístico porque é regida por princípios
           de natureza simbólica.
          É dotado de relativa revisibilidade.
          É um processo.
          É reversível.
          Destinador    Destinatário
           Destinatário    Destinador


A dimensão comunicacional
    A comunicação é um fenómeno humano, uma troca simbólica, que se insere no
      universo humano; O homem comunica através de representações, símbolos; É um
      processo inter subjectivo e cultural, dotado de relativa previsibilidade,
      pressupõe a intercompreensão.
    Podemos comunicar sobre os nossos desacordos, desde que partilhamos a mesma
      linguagem, inclui reversibilidade.
    Para Adriano D. Rodrigues, a comunicação é a qualidade prévia de qualquer
      tipo de informação.
    É através da comunicação que se faz a experiência.
    A comunicação que nos chega todos os dias e a todos os instantes faz mudar
      os nossos hábitos, os nossos modos de vida – importância ao desenvolvimento
      tecnológico e dos média no processo comunicacional.


                Relações de articulação entre informação comunicação
      Um processo informativo pode ter um processo comunicacional como objecto.

       Destinador ------------------------------ Destinatário
                                          Processo
                                      comunicacional.

      O objectivo da informação é relativamente independente de experiência
       subjectiva e pessoa dos intervenientes do processo.
      Podemos informar os outros sobre as dimensões da experiência mas o
       estabelecimento destas relações comunicacionais é independente e autónomo em
       relação a essa informação.


   Quadros                          Dimensão da
   de                          A                      B
   Referência                       Experiência
      As relações comunicacionais relacionam-se com quadros que lhes conferem
       sentido e que são definidos a partir da experiência singular dos sujeitos.

      As singularidades culturais dão origens a tensões na comunicação.
      Os media acabam por produzir os próprios acontecimentos, os acontecimentos
       dependem da cobertura que os media lhes dão -> automatização do campo dos
       media -> legitimidade crescente dos media.

Aldeia Global?
    Informação transnacional ≠ de partilhar uma mesma visão do mundo.

      Cada cultura continua a definir o espaço de entendimento e de compreensão
       das mensagens e dos conhecimentos.



       Domínio da                   ≠                Domínio cultural de
       Informação                                         Informação
      Mediatizada


    Problemática                                     Problemática da
   de produção e                  VS                    recepção.
     de Emissão
   Quanto mais se universalizam os fluxos informativos, mais os particularismos
      culturais se manifestam com a globalização do confronto e do conflito de
      interpretação.


                        Planeterização da informação mediática

                                          VS

                       Horizontes da experiência comunicacional

      Ideia de naturalização segundo Adriano Rodrigues: de tal modo a tecnologia e
       o campo dos media se autonomizaram que esse domínio se naturaliza  está
       cada vez mais misturado com o nosso mundo.
Texto Adriano Duarte Rodrigues “Comunicação Humana”
(página 35)

 Estímulo ≠ Signo
                                      - Dispositivo biológico
                                      /natural


Provoca de um modo não                - Previsível, que ocorre
reflectido uma resposta               de modo idêntico.
normalmente da mesma
natureza.                             -Todos temos interacções
                                      com o meio ambiente
Estimulo  Resposta

                                      ordem simbólica/partilha


Relação do homem com                                      Relação dos outros
   o meio ambiente                                         seres vivos com o
                                                             meio ambiente.
          ≠



Noção de pulsão                                      Noção de estímulo.
instinto que é
cultarizado.



    Instintos: são reprimidos
   e ele passará a representar
   as suas pulsões reprimidas.

      Dimensão virtual dos instintos que passam por uma mediação pela socialização
       da linguagem


(isso não acontece nos outros seres vivos)

      A comunicação humana não é mecânica nem instintiva é simbólica ≠ dos outros
       seres vivos.

      Noção de desejo só faz sentido quando sentimos “falta de algo”.
      O homem tem capacidade de comunicar simbolicamente.


      Tem uma linguagem    que   permite   explicar-se   a   si   mesma   (p.   38)      A
       METACOMUNICAÇÃO.

                                   Signo ≠ Estimulo




- Não provoca nada, representa              - Provoca directamente na ausência da
coisa.                                      a resposta.

- Significação – fenómeno                   - E  R
da ordem cultural.                           - Desencadeia imediatamente
                                             uma resposta adequada.
- Tem uma dimensão reflexiva,
Mestasemiótica
(p. 37, 38)



          TEORIA MATEMÁTICA DA COMUNICAÇÃO
                           Teoria da Informação
                  Claude Shannon e Warren Weaver (p. 152 da sebenta)

Modelo da teoria da Informação.
      Modelo técnico-instrumental da comunicação.

              Fonte  Transmissor       Canal    Receptor      Destinatário
               mensagem   sinal                      sinal           mensagem


                                 Ruído

      Fonte: Que produz uma mensagem.
      Transmissor/emissor: Que transforma a mensagem em sinal.
      Canal: O meio utilizado para transformar o sinal.
      Receptor: Reconstrói a mensagem a partir dos sinais.
      Destinatário: É a pessoa ou coisa a quem a mensagem é enviada.

- A comunicação é essencialmente uma organização na mensagem;
- Medir a quantidade de informação nas mensagens.


                           Teoria matemática da informação.

      Segundo Weaver as principais características são: A concepção de 3 níveis de
       análise através dos quais podemos analisar a comunicação:


   A) O nível técnico        relativo     ao conjunto de processos materiais
   condicionantes da precisão da transmissão (determinando a transmissibilidade do
   sinal). (Nível condicionante e predominante)
   B) O nível semântico  relativo ao processo de descodificação das mensagens
   (onde entramos em consideração com o factor da significação e não apenas com a
   informação enquanto pura grandeza estatística).
   C) O nível da eficácia  onde tomamos como preocupação central os mecanismos
   de influência das condutas (de que modo é que a significação recebida
   influencia a conduta do receptor no sentido desejado do emissor).

   Exemplo:   Semáforos
   Nível A-   emissão eléctrica do sinal.
   Nível B-   sei que a cor vermelho é para parar.
   Nível C-   paro o carro ou não; consequências do acto.




   Charles Morris

   A)Dimensão sintáctica.
   B)Dimensão semântica -significações da linguagem.
   C)Dimensão pragmática -efeitos da linguagem.


                                   Weaver ≠ Morris
Weaver-
    Dá relevância à transmissão de informação,             dai    que   o   nível   A   seja
      predominante; ênfase especial à informação.
      Inaugura um modelo de estudo da comunicação, no qual a questão técnica é
       central e determinante em relação às outras.
      É mercado por tendências positivistas/behavioristas.


Morris-
    Faz uma aplicação do ponto de vista da significação.


Referência bibliográfica “teoria da Informação”
      Quando transportamos os conceitos da teoria da informação para a comunicação
humana esses conceitos sofrem alterações.

Entropia Tem a ver com o grau de incerteza de uma situação; significa ausência
de organização numa situação.

      Uma situação totalmente entrópica é imprevisível, não podemos garantir o
       resultado.
      Em virtude da entropia numa situação, é impossível prever o que acontecerá a
       seguir.
      É melhor pensar em entropia em termos de graus.

Exemplo Se as nuvens negras se acumulam no céu, podemos prever que chova.

      Como o tempo é um sistema organizado, existem certas relações prováveis, por
       exemplo, nuvens e chuva.
      Mas não podemos ter a certeza que choverá realmente.
      A entropia existente na situação causa alguma incerteza.
      Quando mais a entropia, menos organização e menos a previsibilidade.
      A informação é uma medida de incerteza ou entropia numa situação.
      Quanto maior a incerteza numa situação maior será a informação.
      Quando uma situação é completamente previsível, nenhuma informação está
       presente.

   Segundo a teoria da Informação o conceito de informação remete apenas para a
quantificação de sinais ou estímulos numa situação.

Shannon e Weaver ligados à matemática, aos cálculos da informação.

      Pode ser considerada em FUNÇÃO de numero de escolhas ou alternativas à
       disposição de uma pessoa para prever o desfecho ou resultado de uma
       situação.

      A noção de informação aproxima-se da noção de entropia.

      Segundo estes autores a informação é uma função de mensagens que me são
       dados e permitiram reduzir o grau de incerteza.

      Dizemos que a informação é a quantidade de incerteza numa situação.

   Exemplo- O céu está carregado de nuvens, será que vai chover? Ou será que vai
   ficar limpo?




   Outra forma de definir-mos informação é considerá-la uma função do número de
mensagens necessárias para reduzir completamente a incerteza da situação.


          Pode ser considerada em função do número de escolhas ou alternativas à
           disposição de uma pessoa para prever o desfecho ou resultado de uma
           situação.
          Numa situação complexa, de outros resultados possíveis, existe mais
           informação do que numa situação simples com poucos resultados.
          Como a informação é uma função do número de alternativas pode-se afirmar
           que ele reflecte o grau de liberdade na formulação da opção dentro de uma
           situação.
          Quando mais alternativas tenho, mais informação recebo.

BIT-   Unidade de informação.

BINARY DIGIT- Digito binário.

      Tecnicamente o número de bits numa situação de resultados igualmente
possíveis é igual ao número de vozes em que os resultados são reduzidos a metade,
a fim de reduzir a incerteza a zero.

Exemplo-   Little John página 154


                                        Pai (A)     1º bit
                                                                      2º bit
              Filho(B)                                    Filho (C)
                                                                               3º bit
       Neto (D)     Neto(E)                Neto (F)        Neto(G)




Equiprobabilidade  Probabilidade igual, todos são prováveis.
     O BIT de informação permite reduzir a incerteza a metade.
     Partimos de uma situação onde existem varias alternativas                e   recebemos
       mensagens que vão reduzindo as incertezas até a anularem.


                                 Abordagem combinatória
                                Para a contagem de BITS

      Esta abordagem ao pressupor que cada alternativa é igualmente provável é
       excelente para se chegar ao significado de informação. Equiprobabilidade.
      Mas com frequência algumas alternativas têm maior probabilidade de ocorrer
       que outras.
      Quando é esse o caso torna-se necessária a abordagem estatística para
       calcular os bits.

   De acordo com a teoria técnica da informação uma mensagem que consiste em
sinais organizados de acordo com regra, possui um curto grau de incerteza.
       Esta incerteza (informação) depende do código em que a mensagem está
         codificada.

       Na acepção da teoria da informação uma mensagem é uma sequência de estímulos
       que atingem o receptor (a linguagem escrita é um exemplo)  Podemos
       encontrar nela padrões previsíveis, o que torna a descodificação mais fácil.
       Já que existe menos informação, maior redundância e menos entropia.

                                                   É a proporção de uma situação que é
                                                  previsível. É uma medida de certeza.
                                                           É o grau de previsibilidade
                                                            numa situação ou mensagem.

Informação semântica
       Ao nível semântico encontramo-nos na comunicação da informação. A qual
         reduz a incerteza numa situação.
       À informação transmitida por uma mensagem que reduz a informação (logo a
         incerteza) dá-se o nome de informação semântica.

Exemplo
 A informação meteorológica corresponde a 1 bit de informação semântica.
 Os álibis correspondem a 3 bits de informação semântica.
                                     Mensagens aditivas.

INFORMAÇÃO SEMÂNTICA

                                     Mensagens Redundantes
                                     (redundância)



Texto de complemento ao texto                     de       Littlejohn   “Teorias
comunicativas”. (página 110).
Littlejohn
      Um bit é uma unidade base de medida de informação entre duas alternativas
       igualmente prováveis.


Exemplo –                      BIT

 Amanha vai fazer sol.        Sim
 Amanha vai fazer chuva.      Não

     A teoria da informação chama unidade de informação ou bit à unidade de
      disjunção binária que serve para individualizar uma alternativa.
    No caso de individualização de 1 entre 8 elementos recebe 3 bits:  8:2=4 
      4:2=2  2:2=1.
    À informação transmitida por uma mensagem que reduz a incerteza dá-se o nome
      de informação semântica. “Amanha vai fazer sol” = a 1 bit.
   Resumindo, a informação semântica é o montante de informação numa mensagem, o
qual pode ser transmitido à pessoa, é removido da situação.
   O efeito líquido da informação semântica é reduzir a quantidade de incerteza
numa situação.

Uma abordagem da eficácia da Informação
    O nível de eficácia trata do impacto da informação sobre o sistema.
    Russel Ackoff: Estado intencional  Um sistema, como por exemplo uma
      pessoa, encontra-se em estado intencional se é desejada uma determinada meta
      e existem vários modos alternativos e desiguais para atingir essa meta.




Exemplo da BarragemRuído(falta de electricidade por exemplo)

Fonte         Transmissor           Sinal           Canal 

Bacia          Detecta o nível        Onda de rádio    Ondas
Hidráulica     de água e converte     ou variação      hertzianas,
               se em sinal            eléctrica.       electricidade.


Receptor        Mensagem     Destinatário.

Capta e                        Descodifica a
descodifica                    resposta
o sinal.                       adequada.

      Se por exemplo só existem 2 acontecimentos possíveis tais como “Agua abaixo
       do nível” e “Nível atingido” a informação obtida pela transmissão da
       mensagem será de 50% ou de 1/2.
      A informação é assim a media estatística da probabilidade de um
       acontecimento ocorrer entre um numero de acontecimentos possíveis.
Concluindo... A teoria da Informação.
     É o estudo quantitativo da informação no fluxo da sua circulação.

Análise de:
   1. Quantidade de informação;
   2. Capacidade dos canais;
   3. Condições de eficácia da codificação e descodificação.
   4. Características do ruído (sua influência e processo de controlo).

Aceitação generalizada da teoria devido:
   1. Ao modelo de comunicação esquematizado;
   2. Linearidade do processo comunicacional;
   3. Visão instrumental da comunicação.
          TEORIA HIPODÉRMICA DA COMUNICAÇÃO
      Abordagem positivista da comunicação.
      Desenvolvimento durante o período das 2 grandes guerras.
      É um modelo que surge muito influenciado, por um lado, pelo desenvolvimento
       das telecomunicações e vai reflectir a importância que é atribuída à noção
       de massa - sociedade de massa.

Modelo comunicacional



Sociedade de Massa



Crescimento dos meios de comunicação social e os seus efeitos sobre as massas.

      Reflecte sobre o papel da propaganda na comunicação.
      Os media são o estimulo que provocam determinadas respostas  têm um grau
       de manipulação muito elevado.

Teoria social subjacente: A sociedade de massas
    Homogeneidade de indivíduos, ausência de contactos, ausência de tradições,
      de regras de conduta e de estruturas organizativas sólidas.
    Total subjugação perante as formas simbólicas veiculados pelos média.
    As condições da sua eficácia é apenas a de que a propaganda atingiu o alvo
      (bullet teory).

Modelo comunicacional subjacente:
    Influência positivista.
    Comportamentos construídos a partir das unidade de estimulo  resposta.
    O carácter instantâneo dos efeitos. Pressuposição de eficácia total que
      dispensa a analise objectiva dos efeitos.

Efeitos totais:
      Propaganda    com    possibilidade   de     manipulação   e   conteúdo   integral   das
        pessoas.

Modelo de Lasswell
      Modelo sob a forma interrogativa.

Emissor     Mensagem     Médium      Receptor     Impacto/Influência


  Quem?      Diz o quê?    Através de    A quem?         Com que
                           que canal?                    efeito?          .


Análise de   Análise de    Analise de Analise de         Analise de
controlo      conteúdo       meios    audiência           efeitos         .


Concepção de comunicação
      Os processos comunicativos são assimétricos: Existe um EMISSOR ACTIVO  e
        um RECEPTOR PASSIVO.
      A comunicação é intencional, consciente e voluntária.
      A comunicação é individual, os papéis de emissor e de receptor surgem
        isolados.
          Os processos comunicativos são episódicos: O início e o fim da comunicação
           são limitados no tempo e os episódios comunicativos têm um efeito isolável
           e independente.



Os efeitos estão centrados nas mudanças comportamentais.



O comportamento do sujeito (teoria behaviorista)
    É aquilo que é visível.
    Estudamos o sujeito pelo comportamento.


Lasswell, juntamente com outros autores, forma a:
Communication Research 

       O modelo de Lasswell é devedor da teoria hipodérmica mas irá também
        contribuir para a problematização desta.
       Assim, por um lado, e de acordo com a teoria hipodérmica, seleccionam-se
        indicadores para compreender a forma de agir da audiência; e acumulavam-se
        provas empíricas de que esta comportava socialmente.

“A audiência revelava-se intratável. As pessoas decidiam por si se deveriam ou não
escutar...” (Bauer, 1958)
Sistematizando...
   Temos 3 teorias 
    A teoria Hipodérmica modelo de comunicação baseado na ideia de que a
      comunicação é um estímulo que produz de um modo imediato uma resposta (E 
      R)
    O modelo de Lasswell retoma a visão de ER para sistematizar este modelo
      comunicacional e os seus vários intervenientes. (análise da mensagem e dos
      seus efeitos) (Emissor Mensagem Médium Receptor Impacto).
    A teoria da informação tem como objectivos estudar a transmissão de
      informação através da: 1. Eficácia da informação. 2. Do controlo dessa
      eficácia. 3. Da avaliação dessa informação (o grau de incerteza).




       Estão todos centrados na transmissão de informação;
       Todas estas concepções são provenientes dos EUA;
       Partilham a ideia de que a comunicação parte de determinados estímulos e a
        determinados estímulos fornece respostas.


       Este quadro conceptual é insuficiente.

       A comunicação humana excede o âmbito de E  R.
       Existem muitos comportamentos que são do âmbito E  R tal como os outros
        seres vivos, mas nós podemos pintar um quadro sobre a dor, porque uma é
        dimensão específica humana. Temos uma pluralidade de código.

Texto Adriano Duarte Rodrigues “Introdução à Semiótica”.

Campo do Sinal                     ≠        Campo do Signo
Formas de comunicação de                    Características da comunicação
carácter automático,                        humana e a complexidade
regular, previsível.                        dessa comunicação.


SINAL
   1. “Uma ponte física de acontecimentos possíveis em que um código selecciona,
      para os transmitir, certos acontecimentos julgados pertinentes.”
   2. “Um destinatário é um dispositivo maquínico (algo altamente previsível), um
      aparelho que responde sempre de maneira equivoca às mensagens recebidas”.
  3. “O emissor e o destinatário possuem em comum o mesmo código”.
  4. “Nem o emissor nem o destinatário podem discutir o código”.

Noção de código
    Uma série de sinais regidos por leis de combinação interna. Aspecto
      sintáctico.
      A uma série de valores correspondentes ao surgimento de vários sinais.
      Aspecto semântico.
    Uma série de possíveis respostas comportamentais por parte do destinatário.
      Aspecto pragmático ou comportamental.
    Regras de associação de elementos da série 1 com elementos da série 2 e/ou
      3.


       Noção de código no sentido restrito do termo.

O sinal...
    Situa-se linearmente num espaço       mecânico   de   transmissão/recepção   de   uma
      mensagem codificada.
    Nível subterrâneo de semiologia.
    Campo infra-semiótico.

Fenómenos de cariz instintiva que são provocados por um estimulo a que corresponde
apenas uma resposta 
    Fenómenos da ordem fisiológica (reflexos condicionados).
    Fenómenos de organismos vivos estudados pela zoologia.
    Fenómenos genéticos; etc.

Este conjunto de fenómenos que abrangem tanto o Homem como a Natureza com relações
pré-estabelecidas mecanistas, pertence ao campo do sinal.

SIGNO
  1. “A fonte é um ser humano e assume indistintamente a função de fonte, de
     destinador e de destinatário da mensagem”.
  2. “O destinatário é um ser humano e confunde-se com o receptor da mensagem”.
  3. “Não existe um código unívoco, mas uma pluralidade de códigos a determinar o
     sentido da mensagem e nem sempre estes códigos são inteiramente comuns ao
     emissor e ao destinatário”.
  4. “Em certas circunstâncias, emissor e destinatário, discutem efectivamente o
     código e, mesmo quando não o discutem, sabem que o podem fazer, sempre que o
     pretendam”.

 Em Umberto Eco “ A estrutura ausente”.


Signo...
    Funciona e significa na ausência das coisas.
    Próprio da condição humana; Identidade da representação.

Coisa a que o signo se refere é  referente do signo  Pode não existir (por
exemplo uma sereia).

       À significação linguística pode juntar-se a significação gestual.
       Existem muitos códigos da comunicação humana.
       Há necessidade de partilha de códigos.
       Uma máquina não pode recorrer a vários códigos.
       Podemos discutir os vários códigos, podemos metacomunicar. (discutir             a
        própria comunicação humana), o que não é possível ao nível do sinal.


          Modificações na natureza do código que passamos do sinal ao signo.


SINAL
    Codificação, descodificação.
    Eficácia.
       Fonte de informação.
       Destinatário.

(Aqui não se fala da percepção porque esta implica sujeitos)


SIGNO
       Emissor.       Interlocutore
       Receptor.      s
       Nível de acesso/exposição.
       Recepção das mensagens.
       Nível semântico da compreensão/interpretação.
       Nível pragmático dos efeitos (não nível da eficácia).
Texto     de   Edgar     Morin    “Receptores       e   selectivos”,       Abril,
1978.

      A partir dos anos 40: Vários estudos mostraram como o receptor assimila a
       informação recebida, como a filtra, a rejeita ou transforma.
      Lideres ou mentores de opinião: “Já viste aquele filme?” e “É preciso não
       perder aquela exposição!”.
      Apesar do bombardeamento de informação rejeitamos a que contraria as nossas
       crenças.
      Muitos rumores, informações passadas de boca em boca, neutralizam os efeitos
       de que é veiculado pelos média.

Mentores de Opinião
   Alguém cujas opiniões são importantes para a comunidade da qual exerce a sua
influência.
       O público é um receptor selectivo.

       O modo como a teoria da informação vê a recepção diz-nos que a informação é:
        O que nos traz um elemento novo ao conhecimento.
        O que provoca surpresa.
        O que diz respeito à incerteza.

(Informação é o grau de incerteza ou entropia)
(Informação semântica é uma mensagem que reduz a incerteza ou entropia)

      Mas, segundo Marin, não existe o puro desconhecido e toda a informação
reporta-se aquilo que a teoria chama de redundância  Morin chama-lhe “estrutura
do pensamento”.

      Se a informação não for integrada na “estrutura do pensamento” não será
apreendida, será negada ou esquecida.

      Para que haja INFORMAÇÃO, a pessoa tem que estar pronta a apreender qualquer
coisa que possa modificar a sua estrutura de pensamento.

MECANISMOS DE PERCEPÇÃO E A SUA INFLUÊNCIA NA RECEPÇÃO DAS MENSAGENS

      Crenças.
      Opiniões, valores, (pre-) conceitos.
      Experiências.
      Necessidades.
      Interesses.
      Nível de conhecimento.
      Desejos.


Informação:
    Assimilada.
    Filtrada.
    Rejeitada.
    Transformada.


Processo de aprendizagem                         Processo de Comunicação


                                Abertura/redundância
                           Caos Cosmos Caos  Cosmos...
              Repetição  Redundância  Habituação  Apropriação.

“É preciso habitar longamente aquilo que se ouve antes de entender qualquer coisa”
Maurice Bellet.
                      TEORIA DA INTERACÇÃO.
Estabelecer naturalmente um acordo com:         -   Pessoas.
                                                -   Coisas.
                                                -   Situações.
                                                -   Lugares.

   1. 1ª Estratégia: Melhorar a sua relação com o universo das coisas.
   2. 2ª Estratégia: Aplicar essa sabedoria cósmica na sua relação com os outros.

O que é que não funciona nesta estratégia?
    Na sua relação com as coisas habituar-se-á a considerar-se um ponto
      incorpóreo, anónimo.
    Na sua relação com os outros começa a embrenhar-se numa série de mal-
      entendidos, vacilações, compromissos, actos falhados.


FALE A CADA PESSOA  INTERACÇÃO


                         - Aversão              - Atracção.
                         - Curiosidade.         - Indiferença.
EXEMPLOS POSSÍVEIS       - Domínio              - Sujeição.
DE INTERACÇÃO
                         - Atitude de discípulo ou ate de mestre.
                         - Espectáculo como actor ou espectador.


      Estabelecer    regras   implícitas   na   relação    conhecimento      compreensão   
intercompreensão.


                         PRAGMÁTICA DA COMUNICAÇÃO.
                                     Paul Watzlawick

      Durante a segunda guerra mundial, Norbert Wiener estuda o problema da
conduta de tiro das Antiaéreas de uma forma abreviada tratava-se de predizer
posições futuras a partir de posições anteriores.

      Wiener reconhece neste problema o princípio de retroacção ou feedback e
       sobre ele funda a cibernética.


      A introdução da noção de feedback e a articulação da teoria dos sistemas ao
   estudo da comunicação interpessoal foi o empreendimento levado a cabo por
   Gregory Bateson e os investigadores que integram o que se convenciona chamar o
   colégio invisível  conjunto de autores em sítios muito diversos a pensar
   sobre temas comuns.
    São normalmente associados ao campo da psicanálise e da psiquiatria devido
      ao facto de um dos centros fundamentais das suas investigações ser o Mental
      Research Insitute, em Palo Alto, estes investigadores provêm de horizontes
      diversos:
      - Don Jackson e Paul Watzlawick desenvolvem a obra de Bateson.
      - Stuart Sigman retoma o pensamento de Birdwhistell e Golfman.

      Para estes autores o essencial é estudar os efeitos pragmáticos da
comunicação humana, ou sejam os seus efeitos sobre o comportamento.
    A comunicação não é concebida como um fenómeno de sentido único, do emissor
      ao receptor, mas sim como um processo de interacção.

      A comunicação é concebida como um sistema de múltiplos canais, no qual ao
       actor social participa em todos os momentos, quer queira, que não.
         Ele faz parte integrante da comunicação como o músico faz parte da
          orquestra. Mas nesta orquestra cultural não existe maestro nem partitura.

 CADA UM JOGA, ACTUA, ESTABELECENDO IMPLICITAMENTE UMA INTERACÇÃO COM OS OUTROS.



                               MODELO DA ORQUESTRA
                                       Yves Winkin

         Comunicação interpessoal:
         A - Emissores.
         B       e                      A
         C - Receptores.                      B

                                         C




         Emissores e receptores não são pessoas, são lugares que as pessoas ocupam
          simultaneamente no decorrer de uma interacção.


Concepções Positivistas da comunicação:
    Teoria da Informação
                               Fiske, John “Introdução ao estudo da
    Teoria Hipodérmica
                               comunicação”. Asa Editora, 1993.
    Modelo de Lasswell



Texto de Paul Watzlawick “A realidade é real?”
      A teoria dos sistemas facilita-nos uma excelente compreensão da natureza dos
sistemas de Interacção.

      Daí o seu estudo como contributo para melhor compreender como se procura a
interacção humana. Tentar compreender como ela se processa para compreender o
processo de comunicação humana.

          Um sistema      - Um conjunto de elementos interdependentes.
                           - Âmbito de aplicação muito vasto que comporta a noção de
                           interdependência.

          A  abordagem   si  temática   consiste   em  não  considerar   os  objectos
           individualmente mas sim observá-los na sua rede relacional, no seu contexto
           como, por exemplo, no contexto da interacção humana.
          A interacção comporta uma dupla acção de A sobre B e de B sobre A.
          Uma forma particular de interacção é a retroacção ou feedback cujos estudo
           é o centro dos trabalhos da cibernética.
          Resumindo o feedback é a transmissão de reacção do receptor de volta ao
           emissor.

        A ideia prática de feedback poderá ser dada com o exemplo da função dos
      diferentes instrumentos de um automóvel (velocímetro, manómetro, etc.), cujas
      medições que transmitem ao condutor podem contribuir para a eficácia da
      condução.

Texto de Paul Watzlawick “Pragmática da comunicação”

         Caracteriza a pragmática da comunicação.
         É um nível de estudo do comportamento humano.

     Entendimento  comportamento humano  comunicação de algo  emancipação do
  nível C  como algo mais complexo e não linear como o nível C de Shannon, mas
  pragmático ≠ concepção da cibernética.
O estudo da comunicação humana pode ser subdividido em três áreas:
    Sintaxe (problemas de transmissão de informação).
    Semântica (Significado; Acordo entre o emissor e receptor).
    Pragmática (Efeito no comportamento).

Todo o comportamento humano tem valor de mensagem, nesse sentido, fala-se de
comportamento como equivalente de comunicação.


                                      Axiomas
1º Axioma - “Não podemos não comunicar”
      Todo o comportamento humano comunica alguma coisa. Essa comunicação é, em
       parte, intencional, mas em larga medida é não intencional.
      Comportamento comunicativo é tanto o comportamento intencional como o
       comportamento inconsciente. O indivíduo não pode deixar de se comportar.
      Comunicamos sempre, quer queiramos, quer não. (Actividade, inactividade,
       palavras, silêncio, etc.) Tudo tem valor de mensagem.
      Mensagem  unidade comunicacional.
      Interacção  uma série de mensagens trocadas entre sujeitos.

Posso comunicar que não quero comunicar, mas não posso nunca não comunicar.

      Existe a impossibilidade de não comunicação.
      A comunicação é um acto recíproco e simultâneo.
      Qualquer comunicação implica um compromisso e, por conseguinte, define a
       relação entre o emissor e o receptor.

   Daí o método da orquestra, segundo o qual todos os indivíduos participam na
comunicação através dos seus comportamentos.
   Assim, enquanto no Modelo telegrafo a comunicação é concebida como uma
actividade verbal e voluntária.

          A significação encontrava-se encerrada nas bolas que os interlocutores
           enviavam.

          O investigador devia “abri-las” para lhes extrair o sentido.

          Já no modelo orquestral a comunicação     é   concebida   como   um   processo
           permanente de múltiplos níveis.

      A comunicação é um todo integrado, ou seja, o comportamento comunicativo
implica vários sistemas, dos quais o comportamento verbal é somente um subsistema.
      Assim o investigador do modelo orquestral tem de considerar o conjunto dos
Modos de comunicação inseridos no contexto de relação comunicacional e não própria
situação da comunicação. Ele irá elaborar essa partilha invisível pelo qual todos
nós partimos o nosso conhecimento comunicativo nas da qual, geralmente não temos
consciência e que constitui a gramática da comunicação.
      Assim, no âmbito do modelo orquestral evidencia-se a análise do contexto,
tornando-se secundária a análise do conteúdo preconizada por Shannon.
      É, pois, em termos de níveis de complexidade, de contextos múltiplos de
sistemas circulares que é preciso posicionar a investigação e a analise dos
processos comunicacionais.




Posicionar é um acto verbal                      E é também gestualidade,
consciente, voluntário e                         olhar, mímica, espaço,
intencional.                                     interpessoal, relações
                                                 dos interlocutores.



   Análise de conteúdo                             Análise de contexto
Modelo orquestral
    Modelo orquestral ≠ modelo técnico - instrumental/linear.
    Distanciamento em relação à concepção de comunicação e enquanto acto verbal,
      voluntário, intencional, consciente.
    Teoria alargada à comunicação com base no modulo cibernético; feedback.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
     Extensão da comunicação à generalidade do comportamento humano.
     Comunicação como um tudo integrado.
     As regras da comunicação enquanto regras do comportamento.
     Carácter inconsciente destas regras.
     Contributo fundamental do contexto para a produção do sentido: outros
       enunciados, situações físicas dos discursos.
     Complexidade do objecto: a multiplicidade dos níveis e contextos da
       comunicação.
     A orquestra: a comunicação como um fenómeno geral, o processo em detrimento
       de um principio ou fim.
     Uma nova acepção para o termo “comunicação” do “transmitir” ao “pôr em
       comum”.


Texto de Adriano Rodrigues “Comunicação e experiência” em
“Estratégias da comunicação”.

      Aquilo que não se diz e aquilo que se deixou por fazer pertencem igualmente
ao domínio da comunicação, na medida em que são processos transformadores de


interacção. Daí a importância do:
                                               - Implícito.
                                               - Não-dito.
                                               - Interdito.

      Um dos processos mais importantes para a averiguação de que existe processo
comunicacional é o dos espectativos  Aquilo que os interlocutores esperam um do
outro.

      A ausência de resposta a uma questão pode constituir a comunicação de uma:
             - Permissão.
             - Consentimento.
             - Reprovação.
             - Interdição.
      Consoante a estrutura da pergunta e o lugar relativo que os interlocutores
       ocupam no quadro das relações institucionais.
      Não dizer algo esperado pode merecer aprovação ou a reprovação de acordo com
       o sentido gerado pela expectativa.
      Mas tanto no caso da sanção ser positiva como no caso de ser negativa o
       facto de haver sanção é a prova indiscutível de que houve um processo
       comunicacional.


Qualquer acto de comunicação.

                        (Implica)

Relação entre os interlocutores

                        (E para alem disso também implica)

A instância institucional que dita as regras e o sentido daquilo que fazem e
dizem.

Instância de ordem simbólica
      Prévia à construção das significações realizadas e o seu reconhecimento
pelos interlocutores.
     A nossa maneira de comunicar depende dos quadros institucionais nos quais
      nos inserimos, por exemplo: a língua é uma força institucional que nos
      incide enquanto sujeitos e perdura ao longo do tempo.

INSTÂNCIA INSTITUCIONAL
    Totalidade que se impõe aos intervenientes e que assegura uma reflexividade
      metacomunicacional. É neste sentido que se deve entender a afirmação de que
      mais do que falante de uma língua somos por ela falados.


      Este trabalho metacomunicacional pode ser actualizado “sou eu que te digo
isto”  explicita o conteúdo e a relação em jogo entre os interlocutores.
      O trabalho metacomunicacional, ao explicitar-se, em vez de se esgotar na
significação transaccionada, desloca-se à maneira de uma máquina fotográfica que
para se mostrar na película precisa de outra câmara fotográfica que não pode ser
por seu lado mostrada.
 Isto resulta num deslocamento indefinido do lugar de enunciação  camadas de
linguagem sobre camadas de linguagem, algo anterior a algo.

Assim, a relação entre os protagonistas da comunicação é coextensiva a todo o
processo de troca de mensagens ou de acção.
    Retomando o modelo orquestral: Nele estamos perante uma lógica de
      reciprocidade simultânea (em que cada sujeito é simultaneamente emissor e
      receptor de mensagens verbais e não-verbais).
    Esta lógica opõe-se á lógica da reciprocidade alternada (em que o emissor -
      activo VS receptor -passivo se mantêm, sendo que os protagonistas da relação
      comunicacional vão ocupando alternadamente estes lugares).

     O sujeito da comunicação, segundo a pragmática é simultaneamente emissor e
      receptor.
     Na comunicação humana, e em tudo, passa pelo nível da comunicação verbal e
      em termos de finalidade da comunicação seria extremamente redutor pensar que
      o único objectivo possível é o da transmissão de determinados conteúdos.
     O que se pede aos interlocutores no decorrer de uma interacção, não é apenas
      a descodificação de conteúdos, mas simultaneamente a capacidade de fazer um
      cálculo e determinar o seu lugar em função da relação comunicacional em que
      se encontram envolvidos.

Partitura invisível
      Gramática da comunicação, regras que cada um utiliza no relacionamento com
os outros (mesmo que inconscientemente), mas que não são explícitos.

     Uma comunicação não só transmite informação como impõe comportamento.
     Pelo que: todo o fenómeno de comunicação é composto por dois elementos:
      - Conteúdo e relação (segundo Watzlawick).
      - Índice e ordem (segundo Bateson).

                                Conteúdo = Índice
                                 Relação = Ordem.


2º Axioma - “Toda a comunicação tem um aspecto de conteúdo e um aspecto de relação
de tal modo que o segundo classifica o primeiro e é portanto metacomunicacional”
(Paul Watzlawick)

     A relação comporta já o conteúdo.
     O conteúdo só adquire significado associado a uma relação. As duas dimensões
      têm de estar presentes.

Índice ou conteúdo
    É o elemento informativos da comunicação.
    Está ligado à organização interna das mensagens.
    Transmite informação e, portanto, é sinónimo, na comunicação humana, de
      conteúdo da mensagem (independente da informação ser verdadeira ou falsa,
      valida ou invalida, ou até mesmo indeterminável).
Ordem ou relação
    Indica o próprio modo como a mensagem tem de ser entendida.
    Realiza isso através de esclarecimentos do tipo de relação que se estabelece
      entre os interlocutores (metacomunicação)  comunicar sobre a comunicação.
    Associa-se ao comportamento, nomeadamente, na sua dimensão não-verbal.
    O próprio contexto é um elemento da ordem da comunicação.

NÍVEIS DA COMUNICAÇÃO
     Transmitir informações  Nível da comunicação, domínio de conteúdo, nível
       explícito simultaneamente.
     Induz um comportamento  Nível da metacomunicação, domínio das relações,
       nível implícito.
     Dá conta da relação entre os interlocutores.
     Implica a própria situação de comunicar.

Por exemplo
     “É importante soltar a embraiagem lentamente”.
     “Salte a embraiagem de golpe, e a transmissão parte”.

      O conteúdo das mensagens é igual mas identificam-se relações diferentes.

      A capacidade de metacomunicar é condição essencial da comunicação bem
       sucedida e está inteiramente ligada ao problema da consciência do eu e dos
       outros.
      A confusão entre estes dois níveis - comunicação e metacomunicação - pode
       dar origem a impasses e paradoxos; por exemplo: Letreiro que diz “despreze
       este aviso”.  Aí o conteúdo está em contradição com o nível da relação.



Texto de Paul Watzlawick “A realidade é real?”

Act 1
    Desde o início da sua existência, o ser humano está evoluído no complexo
      processo de aquisição das regras da comunicação, apenas com uma noção mínima
      daquilo em que consiste esse corpo de regras, esses cálculos da comunicação
      humana.

      O que o investigador faz é identificar esse corpo de regras a partir do
       estudo dos comportamentos observáveis.
      Como a pragmática esta baseada nas manifestações observáveis da relação
       entre emissores e receptores, ela está, por isso, conceptualmente mais
       próxima da matemática do que da psicologia tradicional, visto que a
       matemática estuda a as relações entre as identidade e não a natureza destas.
      As variáveis matemáticas não possuem significado próprio. Elas ganham o seu
       significado nas suas relações mútuas. A relação entre variáveis (usualmente
       expressa como equação) constitui o conceito de função.
      Existe um paralelismo entre o conceito matemático da função e o conceito da
       relação no âmbito da pragmática da comunicação humana.

Act 2
    O conceito de relação é pensado pela pragmática à luz da noção de
      retroalimentação (feedback) desenvolvida pela cibernética).
    No comportamento humano (que é a economia da comunicação) encontramos
      igualmente fenómenos de redundância  redução da incerteza.
    A redundância foi fundamentalmente estudada ao nível da sintáctica e da
      semântica (teoria da informação) cada um de nós possui uma enorme soma de
      conhecimentos sobre a legitimidade e probabilidade estatística inerente à
      sintáctica e semântica na comunicação humana.
    Mas, também no âmbito da pragmática possuímos uma vasta soma de
      conhecimentos que nos habilitam a avaliar, influenciar e prever o
      comportamento (redundância no âmbito da pragmática).
    Nesta área somos particularmente susceptíveis a inerências: o comportamento
      que está fora do contexto é imediatamente detectado.
     E, no entanto, é nesta área que estamos particularmente inconscientes das
      regras que deves ser seguidas na comunicação bem sucedida e violada na
      comunicação perturbada.
     Estamos em constante comunicação mas é-nos muito difícil comunicar sobre a
      comunicação, metacomunicar.
     O investigador em pragmática da comunicação humana tenta percorrer as regras
      da comunicação, sistematizando (procura padrões) porque comunica sobre a
      comunicação dizemos que o seu trabalho é da ordem da metacomunicação.

Act 3
     Axiomas metacomunicacionais.
    1. “A impossibilidade de não comunicar”  por exemplo, o dilema da
       esquizofrenia. O esquizofrénico tenta não comunicar, mas como a solução, a
       impossibilidade, o ensinamento ou qualquer outra forma de renunciar ou de
       negação é, em si, comunicação. Assim, a esquizofrenia defronta-se com a
       tarefa impossível de negar que está a comunicar e, simultaneamente, negar
       que a sua negação é uma forma de comunicação.
    2. “Toda a comunicação tem um aspecto de conteúdo e um aspecto de relação tais
       que a segunda classifica a primeira e, é portanto, uma metacomunicação” 
       O aspecto de conteúdo é da ordem da transmissão de informação. Enquanto o
       aspecto da relação se refere às relações entre comunicantes. As relações só
       raramente são definidas de um modo deliberado e em plena consciência.
       Quanto mais espontânea e “saudável” é uma relação, mais o aspecto
       relacional da comunicação recua para um plano secundário. Inversamente as
       relações doentes são caracterizadas por uma constante luta sobre a natureza
       das relações, tornando-se cada vez menos importante o aspecto de conteúdo
       da comunicação.       Podemos fazer a seguinte analogia: Um computador
       necessita de informação (dados) e informação sobre essa informação
       (instruções). As instruções são de um tipo de lógica superior aos dados,
       são metainformações (visto que são informações sobre informações).


Texto de Adriano Duarte Rodrigues “Comunicação e cultura”
e “Introdução à semiótica”.

      É impossível traduzir do modo digital para o modo analógico sem perda de
informação. E falar das relações requer uma tradução adequada do modo analógico
para o modo digital.
      Só a Linguagem Verbal (digital) pode significar a própria linguagem e dar
conta das modalidades não linguísticas da significação.
 Isto é a função mentalinguística da metasemiótica.
      Conclusão  Os seres humanos comunicam de modo digital e de modo analógico.

A linguagem digital  é uma sintaxe lógica complexa e poderosa mas carente de
adequada semântica no campo das relações humanas.
A linguagem analógica  possui a semântica mas não tem a sintaxe adequada para a
definição não-ambigua das relações.


3º Axioma “A pontuação da sequência de eventos”.
     A próxima característica básica da comunicação diz respeito à interacção -
       TROCA DE MENSAGENS - entre comunicantes.
     Para um observador, uma série de comunicações pode ser visto como uma série
       ininterrupta de trocas.
     Ora, os participantes da interacção produzem sempre uma pontuação da
       sequência de eventos.

Por exemplo
      A uma pessoa que se comporta de certa maneira num grupo chamamos-lhe “LÍDER”
e a uma outra “ADEPTO”, sabem que se reflectirmos será difícil dizer que chegou
primeiro ou onde estariam um sem o outro.

      A dissonância sobre como pontuar a sequência de eventos está na raiz de
incontáveis lutas em torno das relações.
4º Axioma “Comunicação analógica e digital”.
      É difícil ao emissor verbalizar as suas comunicações analógicas e se surgir
alguma dúvida sobre um item, um parceiro ou outro introduzirá uma digitalização em
conformidade com a sua concepção da natureza das relações.
       No caso da comunicação humana: A dimensão do conteúdo transmite os dados, a
dimensão de relação indica como a comunicação deve ser entendida. Por exemplo
“Isto é uma ordem!” diz alguém a rir, ou “estava só a brincar” mas está a franzir
o sobrolho.
        Na comunicação humana podemos referir-nos aos elementos da nossa
          experiência de duas formas diferentes: 1. Comunicação por semelhança,
          auto-explicativa, analógica (por exemplo um desenho de uma flor). 2.
          Comunicação por palavra, digital -escrever flor – Mas a relação entre a
          palavra e a coisa é arbitrária, estabelecida por meio de uma convenção.
        A comunicação analógica pode referir-se mais facilmente à coisa que
          representa: Se escutarmos uma língua estrangeira não a ficamos a saber,
          mas   podemos   facilmente   referir   alguma    informação  básica   se
          desenvolvermos os gostos de uma pessoa ou mesmo de uma cultura
          diferente.

ANALOGIA  comunicação    por   semelhança;   anterior   à   digital;   aprendizagem   mais
fácil e intuitiva.

O que é a comunicação analógica?

      Virtualmente, é toda a comunicação não-verbal, incluindo as pistas
comunicacionais presentes no contexto da interacção.
      O sintoma, por exemplo corar, é um exemplo de uma mensagem não-verbal. No
domínio das relações usamos principalmente a linguagem analógica.
      Assim:
          O aspecto do conteúdo tem toda a probabilidade de ser dada
             digitalmente, ao passo que o aspecto relacional e dominantemente
             analógica.
          O material da mensagem digital é de um grau mais elevado de
             complexidade, versatilidade e abstracção do que o material analógico.
          A comunicação analógica não tem qualificação para indicar qual dos
             dois   significados  diferentes   está  subentendido,   nem   quaisquer
             indicadores que permitam a distinção entre passado, presente e futuro.
             Por exemplo: há lágrimas de dor, de alegria; um punho fechado pode
             significar agressão ou contimento.
          Estes indicadores e qualificadores, bem como a negação explícita
             existem na comunicação digital, o que falta a esta é um vocabulário
             adequado para as contingências das relações.
          O homem tem necessidade de combinar essas duas linguagens. Deve
             traduzir uma para a outra e ao faze-lo deparar-se com dilemas. A
             dificuldade de tradução dá-se nos dois sentidos.

         nota a linguagem digital é auto-reflexiva e a palavra permite essa
         auto-expressão.

								
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