Lead, mostrando o caminho

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Lead, mostrando o caminho Powered By Docstoc
					                    MOSTRANDO O CAMINHO ATRAVÉS DO LEAD


O lead é o relato inicial da notícia. Vem da frase “to lead the way”, ou seja, “mostrar o
caminho”. E é justamente o lead que abre o caminho para a leitura do texto; é através
dele que a atenção e o interesse do leitor são despertados. Pode-se dizer que o lead é a
introdução da notícia; uma síntese inicial que procura responder às cinco perguntas
básicas: O quê? Quem? Como? Quando? Onde?


Redigido o lead, deve-se colocar os pormenores em ordem decrescente de importância,
de tal maneira que, mesmo que se corte os últimos pormenores, o entendimento do fato
não será comprometido. Portanto, o desenvolvimento da notícia depende da importância
dos pormenores (em alguns casos, em fatos especiais, a notícia pode começar com o
pormenor de maior surpresa).


Procure usar parágrafos de quatro a, no máximo, oito linhas em média. A frase não deve
ultrapassar três linhas. Desenvolva apenas uma idéia por parágrafo. Schopenhauer disse,
certa vez, que “não pode alguém pensar, nitidamente, de cada vez, senão um
pensamento”, e Edivaldo Boaventura arremata: “A arte de bem exprimir o pensamento
consiste em saber ordenar as idéias.”


Perguntas do lead


O quê? O que aconteceu? O que foi dito? Quais são os fatos? É a pergunta mais
importante. Sem ela, não há notícia e nada aconteceu.


Quem? Quem fez isso? Quem veio? Quem disse isso? Quem está nessa situação? Aqui
se pergunta pelo protagonista, o autor do fato noticioso. É preciso distinguir entre o
protagonista ativo (o que faz) e o protagonista passivo (para quem se faz). Ex.: “A DSA
homenageou...” (ativo); “A DSA foi homenageada...” (passivo).


Obs.: A DSA só tem relevância como “gancho” quando a notícia é destinada ao público
interno da Igreja. Quando se vai noticiar algo para o público externo, deve-se buscar um
“gancho” que diga respeito às pessoas em geral e lhes chame a atenção.


Um bom exemplo de “gancho” ocorreu na cobertura da reunião mundial da Igreja
Adventista, realizada em Foz do Iguaçu, PR, em setembro de 1998. Uma matéria
veiculada na Gazeta do Povo, em sua edição de 29 de setembro daquele ano, trazia
como título: “Supercobertor pode ser usado em enchentes”. E o lead era o seguinte: “O
Brasil vai ter mais um aliado para atender vítimas de enchentes, vendavais e catástrofes:
o cobertor espacial. Feito com plástico que conserva o calor e isola a umidade, o
supercobertor pesa apenas 60 gramas, cabe na palma da mão e pode ser usado como
maca, já que suporta o peso de uma pessoa. O produto está sendo adotado no país pela
Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais, Adra.” Depois de falar
um pouco mais sobre o supercobertor, o repórter passa a descrever as atividades sociais
da Igreja Adventista e menciona a reunião mundial. Dificilmente uma reunião de igreja
evangélica despertaria tanto interesse, por mais importante que fosse tal encontro.


Como? Como se desenvolveu o fato? Em que circunstâncias? Com que meios? O como
engloba dados de mais detalhes, fala do processo, põe as “cores” no fato, coloca “carne
nos ossos”.


Quando? Em que dia? Em que hora? Antes ou depois de quê? Para o leitor ou ouvinte
popular é mais fácil entender quando a notícia se relaciona com uma data conhecida. Ex.:
Ontem, amanhã, semana passada, após o culto...


Onde? Em que lugar? Aqui também é melhor buscar um “onde” que se relaciona com um
lugar conhecido (especialmente quando for uma notícia para veiculação local). Ex.: Nesta
mesma região, na cidade vizinha, a três quadras da prefeitura...
Exemplo


Título: “Aposentado entra com ação contra Souza Cruz”


Lead: “O jornalista aposentado José Carlos Gomes, de 62 anos, tabagista desde os 14
anos, entrou ontem com ação na Justiça paulista contra a fábrica de cigarros Souza Cruz,
exigindo indenização por danos morais. Gomes alega que o vício provocou vários danos à
sua saúde. Ele teve dois derrames cerebrais e uma obstrução arterial que levou à
amputação das pernas.” (O Estado de S. Paulo, 23/10/98)


O quê? Ação na justiça contra a Souza Cruz. Exigência de indenização por danos morais.


Quando? Ontem.


Quem? Jornalista aposentado José Carlos Gomes, de 62 anos. Tabagista desde os 14.


Por quê? Gomes alega que o vício provocou danos à sua saúde. Teve dois derrames e
uma obstrução arterial que levou à amputação das pernas.


Resumindo


O lead deve, em outras palavras, fornecer as respostas às perguntas que o leitor faria (ou
mesmo as que ele nem imaginou), dando a ele um vislumbre inicial e conciso do assunto
em pauta.


O que aconteceu de significativo? Por que aconteceu? Qual era o objetivo?


Quem estava envolvido? (Deve-se dar a identificação completa. Não há notícia sem nomes. É preciso
identificar a pessoa pelo seu nome completo na primeira vez em que aparece no texto. Daí em diante, pode-
se identificá-la pelo sobrenome, ou título/cargo.)


O que foi dito – oficialmente e extra-oficialmente – pelos participantes e espectadores? Citações diretas e
indiretas dão vida à reportagem.
Quando o evento teve lugar?


Como se desenvolveu o fato?


Quais foram os resultados? Que efeitos esse evento terá sobre a igreja, a comunidade, seus leitores?


O que houve de diferente, novo ou incomum? (Deve-se tentar descobrir a razão e o significado das coisas.
Dar prioridade ao por quê.)


Qualidades de um texto jornalístico


Um bom texto deve ter clareza, concisão, correção, conteúdo, conhecimento, compreensão, coerência,
criatividade, coesão e, para sair do “c”, harmonia.


Clareza. Sem frases intercaladas que complicam o entendimento: Ex. 1: (a) “Matar um rei não é pecado.”
(b) “Matar um rei não, é pecado.” Ex. 2: “O homem estava embaixo da mesa que tinha a perna quebrada.”
Quem tinha a perna quebrada? Que tal assim: “O homem que tinha a perna quebrada estava embaixo da
mesa.” (Desde que a perna quebrada seja mesmo a do homem.)


Linguagem direta. Sujeito, verbo e complemento, sem explicações ou opiniões. Além disso, jamais se deve
usar adjetivos na notícia, porque a adjetivação torna a informação tendenciosa; relate apenas o fato, sem
comentários. Ex. 1: Ao invés de “belo vestido”, diga “o vestido de seda vermelho” (o leitor é quem deve
achar o vestido bonito ou não). 2: Em lugar de “prédio alto” ou “muitas pessoas compareceram à reunião”,
diga “o prédio de quinze andares”; “noventa pessoas compareceram à reunião”. Para contribuir com a
objetividade, deve-se, também, evitar frases intercaladas que, além de dificultar o entendimento, tornam o
período muito longo. Em casos como este, divida em duas frases. Ex. 1: “Judas, que não sabia se amava
mais a Jesus ou ao dinheiro, acabou traindo seu Mestre.” 2: “Judas não sabia se amava mais a Jesus ou ao
dinheiro. Acabou traindo seu Mestre.”


Objetividade. Sem pormenores que nada trazem de novo ao fato. Deve ser rápida, sintética, sem enfeites.
A mais “enxuta” possível.


Imparcialidade (tanto quanto possível).
Simplicidade


Atualidade


Proximidade no espaço


Universalidade (interesse geral)


Correção gramatical


Precisão (denotativa e não conotativa)


Organização


Quando aparecem siglas pela primeira vez no texto, dar por extenso o significado, logo após a sigla. Ex.: “A
Divisão Sul-Americana, DSA...”


Usar aspas quando as palavras forem exatamente aquelas pronunciadas pelo entrevistado.


A boa notícia começa com a apuração dos fatos. Se você fizer uma boa reportagem (obtiver respostas
satisfatórias às cinco perguntas fundamentais), será mais fácil, depois, redigir a notícia. (Gravador e bloco
de anotações ajudam.)


Um pouco de “faro” jornalístico sempre ajuda na escolha do ângulo mais importante do fato, aquele que
servirá de “gancho” para sua matéria e prenderá a atenção do leitor.


É bom ter em sua biblioteca o manual de redação de um grande jornal para sanar dúvidas técnicas.


Finalmente, traçando um paralelo com a estrutura de um texto noticioso, vale a pena mencionar Jean
Guitton, para quem, o segredo de toda arte de exprimir consiste em dizer a mesma coisa três vezes:
anuncia-se; desenvolve-se; finalmente, resume-se em poucas palavras.


Exercícios


1. Redija um lead a partir das informações a seguir: O quê? Nova redução nos juros básicos da economia,
de 39,5% para 34% anuais. Quando? Ontem. Quem? Banco Central. Onde? Brasília. Detalhe: o BC
indicou que novas quedas poderão ocorrer na taxa nas próximas semanas.
Como saiu na FSP: “O Banco Central promoveu ontem nova redução nos juros básicos da economia, que
passaram de 39,5% para 34% anuais, e indicou que novas quedas poderão ocorrer na taxa nas próximas
semanas.”


2. Leia o relato de Mateus 14:22-34 e transforme-o em notícia (atenção especial às cinco perguntas do
lead). No máximo 10 linhas.


Michelson Borges, jornalista e editor de notícias da Revista Adventista.


Bibliografia


LAGE, Nilson. Linguagem Jornalística. São Paulo, Ática, 1999.


BLIKSTEIN, Izidoro. Técnicas de Comunicação Escrita. São Paulo, Ática, 2000.

				
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posted:12/13/2011
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