Caso cl�nico: Epilepsia
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Caso clínico: Epilepsia
Internos: Gustavo Santana
Ferreira
Danila Araújo e Silva
Coordenação: Luciana Sugai
Escola Superiuor de Ciências da
Saúde/ESCS/SES/DF
Identificação
DSM, 1 ano e 1 mês, natural e
procedente de Taguatinga-df
Admissão: 11/06/07
Queixa principal: Crise convulsiva há 1
hora
História da Doença Atual
Mãe refere que há cerca de 9 dias
criança recebeu diagnóstico de Otite
média Aguda (OMA) à Direita. Fez uso
de Amoxacilina por 9 dias, evoluindo
com melhora do quadro,
permanecendo afebril por 6 dias.
Em 11/06/07 refere pico febril de
38.1°C que cedeu com uso de
ibuprofeno.
História de Doença Atual
No período noturno apresentou novo
pico febril de 39.9°C associado a crise
convulsiva (desvio conjugado do olhar
, tremor de extremidades, sialorréia).
Não relata liberação esfincteriana.
Trazido ao hospital imediatamente.
Admitido sem crise e com temperatura
de 38.6°C
Antecedentes Pessoais
G4P3A1, fez pré-natal, toxoplamose na
gestação(?),parto normal, apgar 8/9,
peso ao nascer: 2420g; PC: 33cm
estatura: 44,5cm
Amamentação exclusiva até 5 meses
Calendário Vacinal em dia.
Antecedentes Patológicos
1 mês – pneumonia aspirativa
(primeira crise convulsiva)
10 meses- crise convulsiva febril.
Nega doenças exantemáticas
Pais e irmãos saudáveis.
Histórico sócio-familiar
Reside em apartamento com mais de
5 cômodos
Possui animais de estimação em
domicílio.
Exame Físico
BEG, corado, hidratado, eupnéico,
ativo.
ACV: RCR,2T, BNF , s/sopros. FC: 120
bpm
AR: MVF, s/RA.
ABD: Semigloboso, flácido, fígado a
1,5cm do rebordo costal direito.
Traube livre. RHA+
Exame Físico
Extremidades bem perfundidas, sem
edema.
Pele: dermatite em área de fraldas
SNC: ausência de sinais meníngeos.
Exames complementares
HC(12/06/07) : Leu:30.300 (78% seg/
10% bast/ 8% linf/ 2% mono); Hb:
12,4; Ht: 35,2; Plaq: 434.000; Na:
133; K: 3,9; Cl: 105. VHS: 37mm
Punção Lombar: líquor normal.
Epilepsia na criança
Crises epilépticas acometem até 3 a
5% das crianças
Primeira crise ocorre geralmente após
uma infecção viral,nas primeiras horas
da manhã ou no início do sono
Pediatra tem o papel de afastar ou
confirmar a presença de distúrbios
subjacentes que requeiram tratamento
a longo prazo
Definições
Crise epiléptica: exacerbação
paroxística de determinada função
cortical (motora, sensitiva, psíquica ou
comportamental)
Convulsão:exacerbação motora
Epilepsia:síndrome caracterizada por
crises epilépticas recorrentes
Definições
Mal epiléptico:crise contínua, superior
a 30 minutos, ou a recorrência de
convulsões seriadas com o não retorno
da consciência entre as crises
Estado pós-ictal: período logo após a
crise, marcado por disfunção da área
cerebral afetada
Avaliação da criança com
crise epiléptica
Anamnese: informações sobre perda
ou não da consciência, liberação
esfincteriana, presença ou não de
aura, postura, distribuição da cianose
e características do estado pós-ictal
História familiar de epilepsia (epilepsia
do lobo frontal noturna autossômica,
neonatal benigna familiar,parcial)
Avaliação da criança com
crise epiléptica
Presença de alterações do humor,
cefaléia, mudanças de comportamento
e alterações da personalidade
Desconforto ou dor epigástrica
Sensação inexplicada de medo e
ansiedade
Classificação das crises
Focal:desvio lateral mantido e forçado
do pescoço e olhos para um lado,
movimentos clônicos unilaterais
começando em face ou extremidades,
parestesias ou dor em uma área
específica
Generalizada
Tônica:caracterizada por rigidez e
aumento do tônus muscular
Classificação das crises
Atônicas: flacidez e falta de
movimento durante as crises
Clônicas:contrações musculares
rítmicas seguidas de relaxamento
Crises parciais
40% dos casos na infância
Classificadas em simples e complexas
Crises parciais simples
Distúrbios motores
Aura com cefaléia e desconforto
torácico
Movimentos tônicos e clônicos
Envolvem face,pescoço e extremidades
Persistem por cerca de 10 a 20
segundos
Consciência preservada
Ausência de fenômenos pós-ictais
EEG: alterações focais iniciais contra-
laterais
Crises parciais complexas
Semelhante à anterior em sua fase
inicial
Seguida por distúrbios da consciência
Dura 1 a 2 minutos
Interrupção abrupta das atividades
Irresponsiva a estímulos externos
Seguida por automatismos digestivos
EEG:ondas agudas na porção anterior
do lobo temporal e ondas pontiagudas
focais ou mulltifocais
Epilepsia parcial benigna
da infância
Epilepsia rolândica
Desaparece com a idade
Incidência:3-13 anos; pico:9 anos
Mais comum em meninos
Predisposição familiar
Crises motoras iniciadas em hemiface
Contrações da língua,formigamento da
bochecha, disfagia e sialorréia
Epilepsia parcial benigna
da infância
Comprometimento tônico-clônico das
extremidades contralaterais
Pode ocorrer generalização secundária
EEG:ondas agudas em região
centrotemporal ou área rolândica
Crises generalizadas-
Ausência
Pequeno mal
Menores de 5 anos
Mais comum em meninas
Cessação da atividade motora ou da
fala
Duração de 5 a 30 minutos
Criança reassume o que estava
fazendo
Comum baixo rendimento escolar
Crises generalizadas-
Ausência
Sono, hiperventilação e tensão
emocional precipitam as crises
EEG: típico com ondas tipo espículas
ou ponta rápida ou ponta lenta na
frequência de 3 c/s
Crises generalizadas-
tônico-clônicas
Grande mal
Precipitadas por infecções virais
associadas a febre, uso de teofilina ou
metilfenidato,fadiga excessiva e
estresse emocional
Perda súbita da consciência
Movimento posterior do globo ocular
Contração tônico-clônica da
musculatura
Crises generalizadas-
tônico-clônicas
Contrações rítmicas seguidas de
relaxamento de todos os grupamrntos
musculares
Relaxamento esfincteriano
Período pós- ictal :Semi-coma e sono
profundo por 30 minutos a 2 horas
Vômitos frequentes
Ataxia de tronco, reflexos hiperativos,
clônus e reflexo de Babinski podem
estar presentes
Epilepsias mioclônicas da
infância
Contrações musculares simétricas,
com perda do tônus muscular e
quedas ou projeção do corpo do
paciente para frente
Dentre elas podemos citar:mioclônus
benigno da infância, epilepsia
mioclônica típica da criança, epilepsia
mioclônica complexa e epilepsia
mioclônica juvenil
Mioclônus benigno da
infância
Movimentos mioclônicos em tronco,
pescoço e extremidades
EEG normal
Excelente prognóstico
Crises desaparecem aos 2 anos
Antiepiléptico não está indicado
Epilepsia mioclônica
típica da infância
Ocorre ao 2 anos de idade
Acompanhada por crises tônico-
clônicas
EEG: complexos de ondas pontiagudas
e rápidas
História familiar positiva em 33% dos
casos
Distúrbios da linguagem e aprendizado
Epilepsia mioclônica
complexa
Prognóstico reservado
Precedida por crises tônico-clônicas
Início no primeiro ano de vida
História de encefalopatia anóxica intra
parto
Síndrome de Lennox-Gastaut: crise
intratável, ondas lentas pontiagudas
no EEG da criança acordada e retardo
mental
Epilepsia mioclônica juvenil
(Síndrome de Jans)
Início por volta de 12 a 16 anos
Abalos mioclônicos pela manhã
Exame neurológico normal
Espasmos infantis-
Síndrome de West
Início aos 4 a 8 meses de idade
Contrações simétricas do pescoço,
tronco e extremidades
Duram minutos e se repetem
3 tipos: variedade flexora, extensora e
mista(mais comum)
Espasmos infantis-
Síndrome de West
Casos criptogênicos: criança sem
história pregressa de complicações no
parto e com desenvovimento normal
Casos sintomáticos:apresentam
sequelas de complicações no período
pré, peri ou pós natal
EEG:padrão caótico de atividade de
ondas lentas bilaterais, assincrônicas e
de alta voltagem (HIPSARRITMIA)
Espasmos infantis-
Síndrome de West
Tratamento com glicocorticóides ou
ACTH exógeno
Convulsão febril
Convulsão mais comum da infância
Prevalência de 3 a 4%
Acomete crianças de 6 meses a 5 anos
de idade; pico 14-18 meses; rara
antes dos 9 meses
Excelente prognóstico e evolução
Investigar sempre a causa da febre
(IVAS, exantema súbito, intoxicação
exógena, reação medicamentosa
Convulsão febril
Predisposição genética(cromossomas 19p e
8q)
Raramente evolui para epilepsia
Sempre submeter menores de 1 ano com
convulsão e febre a PUNÇÃO LOMBAR
Geralmente ocorre quando a temperatura
corpórea atinge 39 C
Crise tônico-clônica
Duração de segundos a 10 minutos
Convulsão febril
Período pós-ictal marcado por
sonolência
Crise atípica se duração maior que 15
minutos ou vários episódios
convulsivos no mesmo dia ou
convulsão focal ou alterações
neurológicas focais no período pós-ictal
Exame neurológico normal
Convulsão febril
Recorrência de 25-50%; mais
frequente no primeiro ano após crise
inicial
Fatores de risco para recorrência:
parentes de 1 grau com convulsão
febril, aparecimento da crise cm
hipertermia leve, ocorrência no
primeiro ano de vida
Convulsão febril
EEG só é recomendado se convulsão
persistir por mais de 15 minutos ou se
convulsões repetidas em em várias
horas a dias ou se crises focais
1% evolui para epilepsia
Fatores de risco para desenvolvimento
de epilepsia:história de epilepsia na
família, convulsão antes dos 9 meses,
convulsão prolongada ou atípica,
atraso no desenvolvimento neurológico
Convulsão febril
Tratamento da crise aguda feito com
antitérmicos e diazepam (0,3 mg/kg)
Profilaxia anticonvulsivante prolongada é
controversa
3 opções terapêuticas
Uso diário de fenobarbital, valproato de
sódio ou primidona por 2 anos
Profilaxia com benzodiazepínicos nos dias de
febre (1mg/kg/dia), por 2-3 dias
Convulsão febril
Tranquilização dos familiares e
orientação quanto ao tratamento
precoce da febre e conduta frente a
nova crise
Avaliação diagnóstica geral
das crises epilépticas
Dosagem de glicemia de jejum e
eletrólitos
EEG
RNM: indicada nos casos de epilepsia
parcial complexa, na presença de sinais
neurológicos focais durante e após a
crise, em crises que aumentam de
frequência e intensidade,na evidência
de hipertensão intracraniana e em
adolescentes após a primeira crise
Tratamento de crise
Garantir vias aéreas e fornecer oxigênio
Caso convulsão persista fazer bolo lento de
midazolan 0,2mg/kg (máximo de 5mg/dose)
diluído ou diazepam 0,3mg/kg máximo de
10mg/dose.
Realizar glicemia capilar e caso glicemia
<60mg/dl fazer bolo de glicose (1 ml/kg).
Tratar outros distúrbios metabólicos
conhecidos.
Tratamento de crise
Monitorização(sinais vitais , perfusão,
saturimetria)
Caso convulsões persistem utilizar
fenobarbital em recém-nascidos e
hidantoína ou fenobarbital em crianças
maiores
Caso persista associar segunda droga
(fenobarbital e hidantoína) e completar a
dose de ataques da primeira.
Tratamento da crise
Caso crises persistam iniciar midazolam em
BIC ou propofol ou lorazepam
Considerar a possibilidade de deficiência de
piridoxina em casos refratários e administrar
50-100mg de piridoxina IM
Avaliar possivel edema cerebral (fontanela
anterior possivlemente abaulada).
Considerar uso de manitol em bolus
0,25mg/kg
Tratamento
Monitorização dos níveis séricos de
antiepilépticos até o acerto da dose
ideal
Hemograma e provas de função
hepática durante os três primeiros
meses
Suspensão da terapia após dois anos
sem crise
Cuidados especiais com pacientes que
desejam engravidar
Tratamento
Cirurgia em casos refratários ao
tratamento clínico
Ddo Gustavo Santana
OBRIGADO!
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