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					              UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO




         MATERIAL DE APOIO PARA AS AULAS DE

             LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL




 CURSO: FORMAÇÃO ESPECÍFICA EM ADMINISTRAÇÃO DE
               RECURSOS HUMANOS


                      2º. SEMESTRE DE 2011




     PROFA.: RENATA VALENTE FERREIRA VILELA (*)
               (*) e demais professores da disciplina da Universidade




ALUNO (A): _______________________________________

RA: _____________________________________________________




                                         1
    1. LÍNGUA, LINGUAGEM E VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS



DEFININDO ALGUNS CONCEITOS:


   LINGUAGEM:


                  Uma das definições possíveis do termo Linguagem é a que a considera como
a representação do pensamento por meio de sinais que permitem a comunicação e a
interação entre as pessoas. Existem muitos tipos de linguagem, tais como a fala, os gestos, o
desenho, a pintura, a música, a dança, o Código Morse, os sinais de trânsito, etc. Dependendo
das nossas necessidades comunicativas, empregamos uma linguagem específica.

                  As linguagens podem ser organizadas basicamente em três grupos: 1)
linguagem verbal que tem como unidade apenas a palavra; 2) linguagem não verbal que
emprega outros tipos de unidade como o gesto, o movimento, a imagem, as cores, os contornos,
etc.; 3) linguagem mista que combina unidades da verbal e da não verbal. Nas histórias em
quadrinhos, por exemplo, a linguagem geralmente é mista, pois elas contêm imagens e palavras.



        VARIAÇÃO LINGUÍSTICA


                   Uma língua nunca é falada de maneira uniforme pelos seus usuários: ela está
sujeita a muitas variações. Repare que grupos da sociedade acabam se diferenciando pela forma
como se expressam: advogados, administradores, médicos, publicitários, etc.; o português que
foi falado, por exemplo, no século passado é diferente do que falamos hoje; se prestarmos a
atenção para a forma como as pessoas de regiões do Brasil se expressam, verificaremos muitas
diferenças. No entanto, o principal é sabermos que temos a liberdade para empregarmos a língua
de formas diferenciadas desde que saibamos onde estamos, com quem estamos e qual o nosso
objetivo. Da mesma forma que você não vai à praia de terno e gravata, numa reunião mais
formal, por exemplo, você não usará a linguagem do cotidiano, com gírias.



EXERCITANDO:

    1) Após a apresentação teórica em sala de aula, vamos examinar os textos abaixo:

Abaixo, temos a simulação de uma entrevista para a ocupação de um cargo numa empresa.

Com base no que discutimos sobre variações linguísticas, o que você tem a dizer sobre ele?

“- Bom dia. Sente-se, por favor, preciso fazer algumas perguntas para o senhor a fim de saber
se está devidamente qualificado para a nossa empresa.
- Ah. Falô, na boa.
- Qual o nome do Sr., por favor?
- José Carlos, mas o pessoal lá de casa e da rua me chama de zé.

                                              2
- Muito bem Sr. José Carlos, temos uma vaga para o cargo de Assistente Administrativo, mas
precisamos que o candidato tenha domínio de algumas habilidades.
- Certo! É só perguntar.
- O Sr. Possui algum conhecimento na área de informática? Nos dias de hoje ela é
imprescindível para qualquer profissional da área administrativa.
- Sim, eu manjo bastante de informática, você sabe, aqueles programas de sempre: Window,
Word, Excel, esses baratos todos.
- O Sr. costuma acessar a Internet? Conhece as principais ferramentas desse instrumento de
comunicação?
- OH! Nossa! Eu costumo viajar bastante na Internet, conheço muitos sites.
- Qual o grau de escolaridade do Sr.?
- Bem, eu estudei Administração Geral numa faculdade e agora tô pensando em me especializar
em Marketing.
- O Sr. fala algum idioma: inglês, espanhol?
- Bem, fiz um cursinho de espanhol rápido por causa do barato do Mercosul né. Inglês só no
the book is on the table.
- O Sr. é casado? Qual sua Idade?
- Não, por enquanto tô fora... Só namoro mesmo! Tô com 25 anos.
- Qual a sua experiência profissional? O Sr. já trabalhou numa empresa de grande porte como
esta?
- AH! pra falar a verdade eu trabalhei sempre como boy em empresas pequenas, mas o meu
último trampo foi numa distribuidora de medicamentos - empresa grande.
- E quais eram as atividades do Sr. nessa empresa?
- Nossa! Eu fazia um pouco de tudo. Às vezes fazia umas coisas no departamento pessoal,
depois fui para o financeiro, passei uns meses também no CPD... rodei bastante por lá.
- Muito bem Sr. José Carlos, estou com os dados do Sr. aqui. Assim que tivermos uma posição
entramos em contato. Bom dia.
- Certo, bom dia, mas o trampo é meu?”


    2) Observe o texto abaixo, as marcas da oralidade estão presentes. Reescreva-o
        pautando-se pelas características da linguagem escrita e formal.

"Ela tava ali, lindinha e nos conformes, cara... Fiquei olhando, imaginando um jeito de dize!;
bem, você sabe, né? De dizer aqueles negócios que fico pensando sem ela. Era hora, agora, vou
lá, dou uma chavecada nela, buzino umas no ouvidinho dela, tá na minha... Bom, tava faltando
coragem, puxa, foi me dando um frio, uma coisa, um estado... Virei as costas, meu irmão, e me
mandei... "(http://www.algosobre.com.br/redacao/as-diferencas-entre-fala-e-escrita.html)

    3) Abaixo temos uma lista de alguns principais erros que cometemos. Vamos corrigi-
       los para não errarmos mais.


1. Fazem cinco anos que Marta foi para a Argentina e não mais voltou.

____________________________________________________________________


                                                3
2. Falaram que houveram muitos acidentes no período do carnaval.

_____________________________________________________________________

3. Existe muitas esperanças de que o Brasil finalmente cresça. Falam que bastaria dois
anos para que tudo se reorganize e que falta gente de pulso.

________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

4. A dez anos atrás um acidente aconteceu na cidade, mas tudo está bem agora.

________________________________________________________________________.

5. Entrar dentro da sala foi tarefa difícil!

_______________________________________________________________________

6. Na loja estava escrito: ‘Venda à prazo’. Não entrei!!!

________________________________________________________________________

7. Vai assistir o jogo hoje?

________________________________________________________________________

8. Eu preferia mais ir ao cinema do que ficar aqui em casa vendo tevê.

_______________________________________________________________________

9. No acidente, ele quebrou o óculos e ficou com dor na costas. Na próxima férias ele
tomará mais cuidado.

_____________________________________________________________________

10. Aluga-se casas na praia e precisam-se de corretores.

_____________________________________________________________________

11. Chegou em São Paulo hoje à tarde

____________________________________________________________________

12. Ele não conseguiu vender uma grama de ouro!


                                               4
_________________________________________________________________




13. "Obrigado", disse a moça pelo favor recebido.

______________________________________________________________________

14. Ela era meia louca, pois gritava em plena reunião.

_______________________________________________________________________

15. A questão não tem nada haver com você.

________________________________________________________________________

16. Queria namorar com o colega, mas ele não percebia.

________________________________________________________________________

17. Comprou uma TV a cores, uma geladeira e um fogão.

______________________________________________________________________

(http://www.algosobre.com.br/redacao/como-sintetizar-um-texto.htm)


     2. OS VÍCIOS DE LINGUAGEM

     Observe os textos abaixo e tente identificar construções viciosas que prejudicam a clareza,
     a polidez e a linguagem formal, para isso leve em consideração o que for dito em aula:

a)   Ana disse à amiga que seu namorado havia chegado tarde do trabalho e que estava
     preocupada com o fato, afinal trabalhar demais pode perfeitamente acabar com uma relação
     pela falta de tempo para o casal viver outros momentos da vida.
b)   Depois do acidente, o pai falou com o filho caído no chão. Mas disseram que o garoto não
     ouviu direito a voz do pai. Assim que o resgate chegou, os médicos pegaram com as mãos
     o garoto e o levaram correndo para o hospital mais próximo.
c)   No canil, Pedro a um amigo uma mão para ajudá-lo nas tarefas mais difíceis. O amigo
     estava terminando de cuidar de um cão muito bravo e disse que não poderia ajudar naquele
     momento, pois ele teria de dar banho na cachorra daquela menina antipática que já estava
     ligando para apressá-lo.
d)   Irritado e já sem paciência, o pai pediu para que o filho entrasse rápido para dentro, mas a
     mãe achou estranha aquela atitude porque o filho estava em seu quarto lendo um livro que
     ela mesma havia indicado!
e)   Vejam vocês como o amor remove montanhas. Carlos sempre foi conhecido como um
     rapaz sério, sem tempo para essas bobagens do amor, dizia ele. Quando Carlos conheceu

                                                     5
     Ana, uma doce garota da faculdade, ficou zonzo de paixão e logo percebeu que a disputa
     por ela seria dura. Numa conversa com amigos no intervalo, Carlos, ao ver Ana passar, saiu
     correndo e disse: “deixem ir-me já, pois Ana esta indo embora”. Todos perceberam que
     aquele discurso de cara durão era uma bobagem e que Carlos estava com aquela cara de
     tolo característica de quem se apaixona perdidamente gritando por toda parte: “Eu amo ela,
     eu amo ela....
f)   Muita gente diz que o processo eleitoral do Brasil está com muitas falhas, porque possui
     erros graves em todo o seu processo. Talvez isso ocorra devido à falta de seriedade de
     quem organiza todo o processo eleitoral que há tempos passa por dificuldades enormes
     principalmente nas grandes capitais do Brasil.
g)   Como pessoa, acho que ajudar aqueles que passam por dificuldades é uma atitude nobre.




     3. FORMATAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS



        NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS

        ORIENTAÇÕES PARA A APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS ESCRITOS


É importante que a apresentação escrita dos trabalhos siga os critérios organizados abaixo com
base nos principais manuais de normas técnicas, que contribuirão para que esse seja feito de
maneira ordenada e clara.


Em primeiro lugar, antes se cercar de material, leituras, discussão entre os participantes do
grupo de trabalho (caso ele seja em equipe) elabore um rascunho do que será realmente
apresentado, portanto, separe um tempo para pensar no que você irá apresentar – o que será
mais importante a destacar. Você deve observar algumas regras gerais referentes ao conteúdo:
a. Deve apresentar conteúdo de relevância para Recursos Humanos e as interfaces que mantém
com outros campos e áreas de conhecimento;

b. Deve pautar-se na estrutura geral e de apresentação gráfica apresentadas abaixo;

c. E deve-se observar rigorosamente as regras ortográficas, bem como as normas gerais e
bibliográficas em apresentações de trabalho científico.




                                                6
     Todos os trabalhos deverão seguir um mesmo padrão para a apresentação escrita, como
                                                 segue:




        o    CAPA
        o    FOLHA DE ROSTO
        o    SUMÁRIO
        o    INTRODUÇÃO
        o    DESENVOLVIMENTO
        o    CONCLUSÃO
        o    BIBLIOGRAFIA (caso seja utilizada pesquisa em livros, revistas, jornais, etc.)



Deverão ser utilizados os padrões da ABNT:

   Inicialmente utilizaremos essa padronização para apresentação de trabalhos aos
    professores do 1º semestre para auxiliá-lo nessa nova adaptação de linguagem,
    formatação, etc.


1. Não numere a introdução.
2. Na introdução, preocupe-se em mostrar ao seu leitor o que ele encontrará no seu
    trabalho, o que te motivou a pesquisar sobre esse assunto, ou seja, prepare o leitor sobre
    o que ele vai ler em seu trabalho/sua pesquisa. Frases como: “Este trabalho tem o
    objetivo de...”, “Neste trabalho o leitor encontrará...”, “O foco deste trabalho é...”, etc.
    podem impulsionar o início da sua introdução.
3. O desenvolvimento do seu trabalho é exatamente o que você numerou de 1 a quantos
    itens você achar necessários. É bom lembrar que quanto mais você detalhar a sua
    discussão e organizá-la em itens, melhor será a leitura, a compreensão do que você está
    discutindo.
4. Nas considerações finais (também chamada de conclusões) retome aquilo que seja mais
    importante, enfatize o seu ponto de vista, arremate o seu texto.




                                             7
      NOME DO ALUNO




   TÍTULO DO TRABALHO




UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO

         UNINOVE

        SÃO PAULO

           2010




            8
      NOME DO ALUNO




   TÍTULO DO TRABALHO




       Trabalho    apresentado    à    disciplina    de
       ______________, como pré-requisito de avaliação,
       do curso de Administração, turma ____, sob a
       orientação do Prof. ______________________.




UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO

         UNINOVE

        SÃO PAULO

            2010




              9
SUMÁRIO

Introdução..............................................................................

CAPÍTULO 1 - NOME.............................................................. 05

1.1 - Definição.......................................................................... 06

1.2 – Aplicação......................................................................... 07

1.3 – Medição........................................................................... 08

CAPÍTULO 2 - NOME............................................................... 09

CAPÍTULO 3 – PESQUISA...................................................... 19



CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................... 20



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................... 21




                                                               10
        A IMPORTÂNCIA DA CITAÇÃO

        A citação é a referência de uma idéia extraída da obra de outro autor.

        A utilidade da citação é dar suporte, ratificar e fundamentar as idéias que o autor deseja
transmitir, aclarar ou questionar em relação ao tema em discussão.

        Para citar a idéia de outro autor, no entanto, deve-se seguir algumas regras e identificar
os diferentes tipos de citação.




 Citação Direta
        Chamada também de citação textual ou citação literal. Consiste na transcrição integral
de parte do texto de outro autor.

        Não é recomendável o uso excessivo da citação direta, pois pode sinalizar insegurança
por parte do autor ao redigir e argumentar suas idéias.

        Se a idéia citada for igual ou inferior a cinco linhas deverá ser apresentada dentro do seu
próprio parágrafo, entre aspas e, ao final da mesma, após o ponto e entre parênteses, vem a
indicação bibliográfica (SOBRENOME DO AUTOR, ano de publicação da obra: número da
página).

        Exemplo:

        No início da televisão, no Brasil, era nítida a divisão entre ficção e realidade. Os
telejornais apresentavam os fatos ocorridos como uma cópia fiel da realidade, enquanto as
telenovelas contavam histórias imaginadas pela mente criativa de um autor. Hoje, essa
separação não é mais visível, há uma inversão entre realidade e ficção. “(...) a tese é a de que a
telenovela é o mundo real e o noticiário de televisão (os telejornais, as reportagens, os
documentários), esse sim, é um mundo ficcional.” (MARCONDES FILHO, 1994: 39)

        A citação superior a cinco linhas deverá ser apresentada em parágrafo separado do texto
do autor, com o dobro do recuo da primeira linha, com espaço duplo antes e depois da citação,
espaçamento simples, fonte 11, sem aspas e, ao término da citação, indicação bibliográfica
(SOBRENOME DO AUTOR, ano de publicação da obra: número da página).




                                               11
        Exemplo:

        No início da televisão, no Brasil, era nítida a divisão entre ficção e realidade. Os
telejornais apresentavam os fatos ocorridos como uma cópia fiel da realidade, enquanto as
telenovelas contavam histórias imaginadas pela mente criativa de um autor. Hoje, essa
separação não é mais visível, há uma inversão entre realidade e ficção.

                    Em primeiro lugar, a tese é a de que a telenovela é o mundo real e o
                    noticiário de televisão (os telejornais, as reportagens, os documentários),
                    esse sim, é um mundo ficcional. E por que isso?As pessoas ligam a
                    televisão e acompanham com assiduidade quase religiosa os capítulo das
                    novelas. Assistem regularmente cada episódio, todas as noites, com
                    exceção dos domingos, mas sem cancelar feriados, Natal, Carnaval ou
                    qualquer outra data universal de guarda. A novela é tão cotidiana
                    quanto a própria vida. (MARCONDES FILHO, 1994: 39-40)


 Citação Indireta


        É a síntese das idéias extraídas do texto de outro autor, ou seja, dar-se-á redação própria
às idéias desenvolvidas por outro autor.
        Primeiro, indique a fonte à qual pertencem as idéias (SOBRENOME do autor), em
seguida, entre parênteses, o ano de publicação da obra. Na citação indireta, não se usam aspas.
        Exemplos:
        Segundo MARCONDES FILHO (1994), atualmente, já não existe mais divisão
entre realidade e ficção, há uma inversão entre ficção e realidade na televisão.
        Para MARCONDES FILHO (1994), atualmente, já não existe mais divisão entre
realidade e ficção, há uma inversão entre ficção e realidade na televisão.
        MARCONDES FILHO (1994) defende a inexistência de fronteira entre realidade e
ficção, há uma inversão entre ficção e realidade na televisão.
 Citação de Citação (Apud)
        Se a idéia a ser citada for extraída da obra de um outro autor e não do autor da obra
original, far-se-á a citação de citação, também chamada de citação de segunda mão.
        A expressão latina apud significa: segundo fulano, referido por. Portanto, a citação é
feita em nome do autor da obra original, em seguida, vem a expressão apud e os dados do autor
e da obra consultada.
        Exemplo:
        Os pensadores liberais defendem a idéia de que a globalização econômica e a
liberdade de mercado possibilitaram que todas as pessoas, em qualquer parte do mundo,

                                               12
tenham um padrão de consumo igual ao das pessoas que vivem nos países industrializados.
“Essa idéia interessa aos ricos dos países pobres, pois justifica a concentração da riqueza
nas mãos de poucos, em nome do progresso tecnológico e do desenvolvimento econômico
que, como eles querem fazer crer, futuramente irão beneficiar toda a população.
(FURTADO apud OLIVEIRA, 2000: 208)


NUMERAÇÃO DE PÁGINA
        A numeração de páginas será em algarismos arábicos quando o trabalho apresentar
pouco elementos textuais. Nesse caso, todas as folhas, a partir da folha de rosto, devem ser
contadas sequencialmente, mas não numeradas. A numeração é colocada a partir da primeira
folha da parte textual (introdução), em algarismos arábicos, no canto superior direito da folha, a
2 cm da borda superior.

        ESPAÇAMENTO E PARAGRAFAÇÃO

     Tamanho do papel: A4 (210 x 297 mm)
 Tipo, Tamanho e Estilo da Fonte Usada no Texto
   Texto geral: times new roman ou arial tamanho 12 - estilo: normal
   Capítulo: times new roman ou arial tamanho 14 - estilo: negrito
   Tópico: times new roman ou arial tamanho 12 - estilo: negrito
   Subtópico: times new roman ou arial tamanho 12 - estilo: itálico
   Citação em parágrafo distinto (citação direta): times new roman ou arial tamanho 11 -
    estilo: normal


 Configuração de Página
   Margem superior: 3,0 cm
   Margem inferior: 2,0 cm
   Margem esquerda: 3,0 cm (justificado)
   Margem direita: 2,0 cm (justificado)
   Cabeçalho: 1,25 cm
   Rodapé: 1,25 cm



     Paragrafação e Espaçamento:
   Paragrafação direta com recuo da primeira linha de 1,25 cm
   Espaçamento antes: 6 pt
   Espaçamento depois: 0 pt
   Espaçamento do texto geral: 1,5 linha

                                               13
   Espaçamento das citações e notas de rodapé: simples
   Espaçamento entre capítulo e texto: duplo
   Espaçamento entre tópico e texto: 1,5 linha
   Espaçamento entre subtópico e texto: 1,5 linha


COMO FAZER A REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA



        Referência bibliográfica é a relação ordenada de todas as obras citadas ao longo do
trabalho. A apresentação das obras é feita em folha separada, logo após a conclusão e segue as
normas da ABNT para referências bibliográficas.

        Os documentos lidos, porém não citados no trabalho, poderão ser apresentados em outra
lista, nomeada de Bibliografia Recomendada ou Obras Consultadas.



a) Livros
SOBRENOME, Nome. Título. Edição. Cidade de publicação: Editora, ano de publicação.
Exemplo:
CHAUI, Marilena. O que é ideologia. 42. ed. São Paulo: Brasiliense, 1997.
 Até três autores: indica-se o nome dos três autores.
Exemplo:
JARDILINO, J. R. L.; ROSSI, G.; SANTOS, G. T. Orientações metodológicas para
elaboração de trabalhos acadêmicos. São Paulo: Gois Editora e Publicidade, 2000.
 Mais de três autores: indicar o nome do organizador ou do coordenador da obra.
Exemplo:
DANTAS, Audálio (org.). Repórteres. São Paulo: Editora SENAC, 1998.
 Referência bibliográfica de parte da obra ou capítulo.
SOBRENOME, Nome do autor do capítulo. Título do capítulo. In: SOBRENOME, Nome do
autor do livro. Título do livro. Edição. Cidade de publicação: Editora, ano de publicação.
Exemplo:
MEIRELLES, Domingos. Acerto de Contas. In: DANTAS. Audálio (org.). Repórteres. São
Paulo: Editora SENAC, 1998.


b) Artigos de publicações periódicas
SOBRENOME, Nome. Título do artigo. Título do periódico, cidade de publicação: Editor,
número do volume, número do fascículo, páginas inicial-final, mês e ano.



                                                14
Exemplo:

SILVA, Dalmo O. Souza. Ágora ou o Zoológico Humano?- uma contribuição para o
debate sobre os Reality Shows. Cenários da Comunicação, São Paulo: UNINOVE, v. 1, n. 1,
p. 57-71, set. 2002.

c) Artigo de jornal

SOBRENOME, Nome. Título do artigo. Título do Jornal, cidade, data. Número ou título do
caderno, seção ou suplemento, páginas inicial-final.

Exemplo:

CARDOSO, Raquel. Zeca, o pivô da guerra das cervejas. Diário de S. Paulo, São Paulo, 16
de março de 2004. Economia, p. B3.

d) Trabalhos de fontes eletrônicas

SOBRENOME, Nome / EDITOR. (Ano). Título do trabalho, Tipo de mídia. Produtor
(opcional). Disponível: identificador (data de acesso).
ARAÚJO, J.G.F. e MOREIRA, A.Z.M. (1999). Mass Media: um enfoque político-social. (On-
line). INTERCOM. Disponível: http://www.intercom.org.br/papers/xxii-ci/gt27/27z02.PDF ,
(14 de junho de 2004).

             AGORA VEJA COMO DEVE FICAR A SUA BIBLIOGRAFIA:

ABREU, Antonio Suarez. Curso de Redação. Ática, São Paulo, 2003.

CARNEIRO, Agostinho Dias. Texto em construção: interpretação de texto. São Paulo:
Moderna, 2000.

FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristóvão. Prática de textos para estudantes universitários.
Petrópolis, RJ: Vozes, 1992.

AGORA VOCÊS PRATICAM (PESQUISA EM GRUPO)- Pesquisa na biblioteca.

Cada grupo será responsável em trazer para a sala as seguintes referências bibliográficas:
        a) Três obras do mesmo autor
        b) Livro com um autor
        c) Capítulo de livro organizado por outro autor
        d) Livro com três autores
        e) Texto publicado em anais de um congresso
        f) Dois autores de livro com tradução e organização de outros

                                               15
     5.   GRAMÁTICA DE USO


Vamos eliminar alguns erros comuns cometidos principalmente na escrita:

1) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas:

    Não chores _________a vida é bela e _____ podemos senti-la nessa existência tão breve.
     ( por que, porque, porquê, por quê; mau, mal, má, mas)
    Sua aula foi ______________ preparada. (Mal/MaL)
    Estes são livros para -------- ler. Comprei-os numa livraria só para ________. Agora eu
     preciso fazer o trabalho. (eu/mim – eu/mim).
     A criança sofre desse _________ há dois anos. (Mal/Mau )
    Tive um ___________ presságio hoje. (Mal/Mau )
     Para não sofrer fui _________________ dela. (Ao encontro de/De encontro ).
    Tínhamos idéias ______________________. (Afim/A fim )
    Vesti-me ____________ de ir ao cinema. (Afim/A fim)
    A felicidade voa tão leve ________ tem a vida breve. (Mas/Mais)
     Este é o vestido ________________ caro da loja. (Mas/Mais)
    _________________ vai ser a festa? (Onde/Aonde)
    __________________ você vai domingo à noite? (Onde/Aonde)
    A lei é clara: Não fale _______ celular quando dirigir. (ao /no).
    Carla não pode atendê-lo agora porque está ______ telefone com um cliente. (no/ao)
    Os gerentes estão _______ mesa almoçando e discutindo negócios. (na/à)
    Não fique ______ porta esperando as pessoas! (na/à)
    Agora eu estou ______ sala de aula com vocês. (à/na).
    Sempre leio a -------- de esportes do jornal. (seção/sessão/cessão).
    Conseguimos ver o filme apenas na _______ das dez! (sessão/seção/cessão)
    _______ dias Carlos tenta comprar ingressos para ver aquela banda, mas dizem que só
     haverá entrada disponível daqui _______ duas semanas. (a / há).
    Juntamos muita roupa e vamos fazer a ________ delas, ou seja, ofereceremos para uma
     entidade carente. (sessão/cessão/seção).

2) Nem sei _____ você mora e ___ poderemos chegar por esse caminho. (onde- aonde)
    a- Por que - mal – onde – aonde.
    b- Porque – mal – onde – aonde.
    c- Por quê – mal – onde – aonde.
    d- Porque – mau – onde – aonde.
    e- Porque – mal – aonde – onde.


3) Empregue nos espaços das frases abaixo a forma correta:
    a) Todos, naquela festa, deram os ............... ao ............... Ministro daquele país.
       (comprimentos/cumprimentos; iminente/eminente)
    b) Fomos à loja de ............... e lá compramos tudo o que precisávamos para fazer o reparo
       do carro. (assessórios/acessórios).
    c) Disseram-nos que os cargos ................ serão extintos no próximo semestre.
       (acessórios/assessórios).
    d) A ............... das cláusulas do contrato deve ser feita mediante a ............... de todos os
       contratantes. (ratificação/retificação).


                                                   16
    e) A ............... do jornal reservada para o esporte foi cancelada por falta de espaço no
       jornal. (seção/sessão/cessão)
    f) A reunião anterior do departamento não foi proveitosa, mas na ...............,todos ficaram
       de reclamar dos baixos salários. (seção/sessão).
    g) O calor estava muito forte a ponto de .............. sem parar. (suarmos/soarmos).
    h) A polícia finalmente conseguiu prender os bandidos envolvidos com o ................ de
       drogas no litoral. (trafico – trafego).


4) Use mim ou eu, corrigindo mais algumas construções se estiverem erradas.

a) Para ........ é muito difícil dizer não, mais vou tentar mudar este meu comportamento porque
   às vezes o não é necessário na vida!
b) Para ...... terminar esse trabalho precisarei de mas tempo, no entanto não sei aonde vou
   arrumá-lo.
c) Houve desentendimentos entre......... e ele, pois mau cheguei na empresa e já foi despejando
   problemas.
d) Curvou-se perante .......... com humildade, para isso ele tinha um porque.
e) São muitos os quilômetros para ...... conseguir pegar o ônibus e o lugar onde vou fica muito
   distante do centro da cidade.
f) Entre ......... e você já não há mais nada por que eu já quitei minhas dívidas!


  5) Assinale as alternativas cujo “porque” foi mal empregado:

    a) Os alunos não sabiam o porquê de tanta algazarra que acontecia na outra sala de aula do
       lado.
    b) Márcia, uma aluna estudiosa, tenta procurar um por que para o seu baixo desempenho
       nas atividades.
    c) Os funcionários queriam saber por que os salários não foram reajustados de acordo com
       o estabelecido em ata.
    d) Por que tanta gente consegue chegar ao poder por meio de mau comportamento? Os
       meios justificam o fim? Por quê?


  6) Apenas uma das alternativas abaixo o termo grifado foi empregado corretamente,
     assinale-a.

    a) Mau dei o recado e já apareceram dúvidas.
    b) Carlos costuma ter mal comportamento diante dos seus diretores – isso ainda o
       prejudicará no trabalho.
    c) Mau hálito pode ser também um problema estomacal.
    d) Durante quatro semanas, os candidatos passaram mau com as provas do concurso.


  7) Em uma das alternativas abaixo há uma palavra empregada incorretamente, assinale-a.

    a) Há aproximadamente dois meses que não recebemos os formulários para os clientes.
    b) Aonde estão os meus documentos! Eu os deixei aqui!
    c) Aquela pessoa ainda não conseguiu ser atendida porque não há funcionários suficientes
        para o atendimento.
    d) O porquê de tanta revolta é algo que nos preocupa!
     e) Entre mim e o restante dos funcionários criou-se uma longa distância.



                                               17
  8) Use corretamente os verbos: crer, dar, ler, ver, ter, vir.

   a)   Elas ______ que a empresa vai superar essa fase ruim. (crer)
   b)   Felipe e seus funcionários _____ muito trabalho agora por conta do novo projeto que
        assumiram. (ter)
   c)   Quando você a ____ lá fora, não deixe de avisá-la sobre o próximo encontro dos
        diretores. (ver)
   d)   Todos os alunos ______ seus textos a fim de serem avaliados. (ler)
   e)   Para que ele _____ o dinheiro, é ganhá-lo antes! (dar)
   f)   Eles ______ do litoral ainda hoje. (vir)
   g)   Fábio _______ o livro indicado (ler)

         9) Observe o texto abaixo, aponte os erros contidos nele e indique as formas que
             deveriam ser empregadas corretamente:
         Trabalhei durante muito tempo numa empresa aonde os diretores eram absurdamente
autoritários, com excessão de Fábio que era atencioso e sabia analizar os problemas de cada um
de seus funcionários. Já pela manhã, Fábio comprimentava todos nós e em seguida nos passava
as instruções para que as tarefas saíssem perfeitas. Mau começávamos a executar o trabalho e
ele se aproximava para verificar se havia erros e também para nos reorientar afim de que não
déssemos motivos para reclamações de outros diretores.

        Depois de muito tempo trabalhando com Fábio, fui transferido para a sessão de
contabilidade cujo diretor responsável era Antonio. Ele pedia para mim esperar até o último
minuto de trabalho antes de sair da sala, pois ele poderia precisar de algo. Nossa empresa
trabalhava com assessórios para automóveis e tínhamos muitos clientes, ou seja, soávamos a
camisa de tanto trabalhar o dia todo. Executávamos nossas tarefas com muito cuidado; não
ficávamos no telefone à toa, então não sabíamos porque ele era tão estressado conosco!

        Depois de 10 anos trabalhando ali, resolvi mudar de empresa. Fui numa empresa
especializada em recolocação e lá consegui uma vaga numa grande rede de lojas de material de
construção para mim trabalhar na cessão de pessoal. Como eu mau entendia da rotina desta
área, passei pôr um treinamento antes de iniciar as atividades. Mais o que mais eu achei bom foi
o tratamento dado aos funcionários pelos diretores: todos educados. Mas quando eu ver o Fábio
novamente – da empresa em que eu trabalhava – agradecerei o que ele fez por mim e por todos
os meus colegas, pois aprendi muito com ele, principalmente há não desrespeitar ninguém,
muito menos apreçar os outros afim de que terminem suas tarefas rapidamente e sob pressão.


    6. TIPOS E GÊNEROS TEXTUAIS

Veja as denifições abaixo:

Narração: é uma forma de         Descrição: é a representação     Dissertação: é uma forma de
composição, onde há um           verbal de um objeto sensível.    redação em que se apresentam
desenrolar de acontecimentos     Compara-se à fotografia, mas     considerações a respeito de
(reais ou fictícios). No texto   admite interpretação, salvo se   um tema para expor, explanar,
narrativo,       os      fatos   se trata de descrição técnica.   explicar ou interpretar ideias.
apresentam-se dentro de uma                                       Espécies: Expositiva e
seqüência. Elementos da                                           Argumentativa.
narrativa:             enredo,
personagem, tempo, espaço.



                                                18
EXERCITANDO:

Observe o texto abaixo, vamos reconhecer os elementos da narrativa. Na sequência, nossa
atividade é analisar qual o significado desta trama.

Cinderela

         Era uma vez uma pré-mulher (menina) chamada Cinderela, cuja mãe verdadeira
morrera quando ela era pequena. Poucos anos depois, seu pai casou-se com uma viúva que
tinha duas filhas. A mãe-por-enlace-matriminial-paterno-e-não-por consangüidade (madrasta)
de Cinderela tratava-a cruelmente e, suas irmãs-não-carnais (meias-irmãs) faziam com que ela
trabalhasse duro, como se fosse uma trabalhadora-afro-americana-sem-proventos (escrava).
         Um belo dia, chegou pelo correio um convite. O príncipe estava celebrando a
exploração dos sem-teto e dos marginalizados com um grande baile à fantasia. As irmãs-não-
uterinas de Cinderela focaram radiantes de serem convidadas ao Palácio Real. Começaram a
sonhar com roupas carérrimas que usariam para modificar a imagem natural de seus corpos,
em função de um falso padrão de beleza feminina (o que, no caso delas, era perda de tempo).
Sua mãe-não-natural também planejava ir ao baile, e Cinderela trabalhava como um cão (não
que isto significasse qualquer demérito para com nossos companheiros caninos).
         Quando o dia do baile chegou, Cinderela ajudou sua mãe-não-genitora e suas irmãs-
não-consangüíneas horizontalmente avantajadas (gordas) e esteticamente defierentes (feias) a
pôr seus vestidos de baile. Quase foi preciso pedir a intervenção do exército para executar a
operação. Em seguida, veio a sessão de maquiagem, que é melhor não ser descrita. Quando a
noite chegou, elas foram para o baile e deixaram Cinderela para terminar o serviço de casa.
Ela ficou triste, mas se consolou ouvindo seu disco de salmos do Cid. Moreira.
         De repente, fez-se um clarão e, diante de Cinderela, apareceu um homem vestido um
colant de lycra roxa, todo trabalhado com miçangas e paetês, usando um chapéu de abas
largas enfeitado com plumas e carregando na mão uma varinha de condão, coberta de
purpurina e com uma estrelinha na ponta. De início, Cinderela pensou que se tratava de uma
Drag Queen, mas ele foi logo se apresentando:
         “Olá Cinderela, sou sua fada madrinha.”
         Cinderela percebeu de imediato que o rapaz havia feito uma opção sexual alternativa
como ser humano adulto e consciente que era, e que não cabia a ela qualquer comentário
irônico sobre o fato. A fada-madrinha-alternativa continuou: “Você quer ir ao baile, não é,
fofa? E está disposta a se submeter ao conceito masculino de beleza, e se apertar numa mini
justíssima, que vai lhe impedir de sentar com conforto e prejudicar a sua circulação? Espremer
os pés em sapatos num salto altíssimo, que vai arruinar sua estrutura óssea e transformar sua
coluna numa sanfona? Pintar seu rosto com produtos químicos e maquiagem, camuflando todos
os seus traços naturais? Fazer uma lipo e tirar um pouco dessa barriguinha, deixando você
toda roxa e dolorida? E também colocar um pouco de solicone nesses peitinhos para
transformá-los em dois melões duros e voluptuosos?”
         “Claro que quero!”, disse ela rapidinho. Sua fada-madrinha-cinsciente-e-assumida
então suspirou fundo e decidiu adiar sua educação política para outro dia. Com seus poderes
mágicos, ele a envolveu numa linda luz brilhante e a transportou para o Palácio Real.
         Centenas de carruagens faziam filas intermináveis diante do palácio naquela noite
(aparentemente, ninguém por ali conhecia manobreiros). Numa carruagem dourada, puxada
por uma parelha de cavalos exageradamente enfeitados, chegou Cinderela. Ela usava um
vestido justo, feito com uma seda deslumbrante, roubada de inocentes bichos-da-seda. Seu
cabelo estava preso com guirlandas de pérolas, produzidas por ostras exploradas. E em seus
pés, embora possa parecer mentira, ela usava sapatinhos feitos do mais puro cristal.
(Evidentemente eram totalmente desconfortáveis, mas o contrato assinado com o fada
madrinha exigia os calçados de cristal para não desvirtuar totalmente esta história e com isso
afetar as vendas do livro e sua inevitável adaptação parta uma minissérie na Globo.)



                                             19
        Quando Cinderela entrou no baile, todas as cabeças se viraram.Os homens olhavam e
desejavam aquela mulher que capturava perfeitamente seu ideal Barbie de beleza e
feminilidade.
        As mulheres da sala, treinadas desde pequenas a desprezar seus próprios corpos,
olharam com despeito e inveja. A mãe-espete e as irmãs-refil de Cinderela, mortas de despeito,
sequer a reconheceram.
        Os inquietos olhos do príncipe, que contava piadas sexistas e discutia futebol com os
velhos da corte, logo foram atraídos por Cinderela. E, quando a viu, assim como a maioria das
pessoas, o príncipe teve que fechar a boca para não babar.
        “Eis aqui”, pensou ele, “uma garota que eu poderia tomar como minha princesa e
engravidá-la com uma boa safra de meus espermatozóides perfeitos, tornando-me assim objeto
de inveja de todos os príncipes da terra. E, além do mais, que avião!”
        O príncipe começou a atravessar o salão em direção à sua presa. O mesmo fizeram
todos os homens da sala com menos de setenta anos (acima dessa faixa, só os que se
locomoviam sem a ajuda das esposas). Até os garçons abandonaram as bandejas e foram ver
de perto aquela mulher.
        Cinderela adorou a comoção que criara. Andava de cabeça erguida e se portava como
uma dama de alta condição social. Mas logo ficou claro que a comoção estava degringolando e
se tornando disfunção social.
        O príncipe deixou claro para seus amigos que queria “papar” aquela jovem. E isso
aborreceu a rapaziada, que também planejava passar na cara aquela apetitosa loura. O duque,
que era meio débil, mas bem mais forte que o príncipe, interrompeu-o no meio do salão e
declarou que Cinderela era dele. Que já estava no papo! A resposta do príncipe foi um chute
no meio das pernas do duque, que o deixou falando fino e temporariamente fora do páreo.
Começou-se um empurra-empurra, e o príncipe foi agarrado por homens enlouquecidos
sexualmente, até que desapareceu numa pilha de animais humanos. A violência tomou conta
do salão, e o baile à fantasia parecia mais um “baile funk”, com farta distribuição de tapas,
socos e pernadas. Até representantes do clero entraram na briga para defender seus interesses.
Alguns afro-garçons (garçons negros) improvisaram um rap pela não-violência, mas não
conseguiram nenhum apoio das gravadoras, interessadas apenas na cultura branca opressora.
        Essa demonstração viva de força da testosterona assombrou as mulheres, que, embora
tentassem, não conseguiam separar os combatentes. Para elas, estava claro que Cinderela era
a causa do conflito. Então a cercaram e começaram a demonstrar sua hostilidade. Cinderela
tentou escapar, mas os sapatinhos de cristal atrapalharam sua corrida. Sorte dela que as
outras também tinham sapatos apertados.
        A confusão era tanta, que ninguém ouviu o relógio bater meia-noite. Quando a última
badalada soou, o lindo vestido e os sapatinhos de Cinderela desapareceram, e ela se
apresentou novamente esfarrapada em seus trajes de camponesa e suas irmãs-de-araque
reconheceram-na de pronto, mas se calaram, para evitar constrangimento.
        Com essa transformação mágica, as mulheres silenciaram. Livre do confinamento de
seu vestido e de seus sapatos apertados, Cinderela suspirou, coçou as costelas, esfregou os pés
e depois cheirou a mão, para ver se estavam fedidos. Fez tudo sem se importar com os modos
grosseiros para uma moça, e disse: “Matem-me agora se quiserem, garotas. Pelo menos vou
morrer confortavelmente.”
        A inveja tomou conta outra vez das mulheres, mas, em vez de se vingarem dela,
arrancaram seus corpetes, sutians, sapatos e tudo que as prendia e confinava. Pularam e
gritaram de pura alegria, sentindo-se soltas e desinibidas finalmente, sem roupas e com os pés
descalços.
        Se os homens tivessem ao menos olhado, lá de sua troca de socos machista e destrutiva,
teriam visto muita mulher pelada, pronta para a cama. Mas eles não cessavam de se esmurrar,
bater, chutar e agarrar, até que morreram todos, até o último.
        As mulheres não sentiram remorso. O palácio e o reino eram delas agora. Seu primeiro
ato oficial foi vestir os homens que sobraram com as roupas delas e obrigaram-nos a fazer
ginástica, dieta, tirar cutículas, usar hidratantes a base de colágeno e freqüentar salões de


                                              20
beleza! Seu segundo ato foi montar uma cooperativa que só produzia roupas femininas
confortáveis, incluindo sutians e calcinhas que já vinham frouxos da fábrica. Nova confecção
foi batizada de “Cindy-Roupas”. Com o sucesso, Cinderela, sua mãe-de-araque, suas irmãs-de-
bosta e todas as mulheres do reino se deram bem e viveram felizes para sempre.
GARNER, James Finn. Contos de Fadas Politicamente Corretos – Uma Versão Adaptada aos
Novos Tempos. Tradução e adaptação de Cláudio Paiva. 3a. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999.


Observe atentamente a charge abaixo:




    (fonte: www.chargeonline.com.br)


Vamos produzir um texto a partir da leitura que faremos da charge acima. Para isso siga os
seguintes passos:


   a) Olhe atentamente para a figura e descreva exatamente o que e quem você vê nela.
   b) Qual o significado desta figura tendo-se em vista o atual cenário político americano?
   c) Esse nosso texto, certamente, será um posicionamento crítico nosso em relação a uma\
      questão política, mas vamos iniciá-lo por meio da descrição, a partir dela desenvolvemos
      nossa crítica.
   d) Uma dica: anote, sob a forma de rascunho, o que essa imagem lhe sugere, estas
      anotações ajudarão no momento de organizar o seu texto.


7. ESTRUTURA BÁSICA DO TEXTO DISSERTATIVO

a) Introdução – Propõe a ideia-núcleo da dissertação.Deve ser clara, precisa e tem a função de
preparar o assunto e o leitor para o que virá a seguir, dando ao leitor uma ideia sobre o assunto
que será tratado.

b) Desenvolvimento – Ordena os fatos e opiniões. Consiste em uma série de ideias secundárias
de caráter mais geral, mais detalhadas e expicadas, que devem estar em consonância com as
expostas na introdução.

                                                21
c) Fecho ou conclusão – É a parte final da dissertação e deve encerrar uma síntese coerente e
clara das posições assumidas anteriormente. Deve se adequadar à introdução e justificar o
desenvolvimento e justificar o desenvolvimento, fechando o círculo das ideias.(PIMENTEL,
Carlos. Redação descomlicada.São Paulo, Saraiva, 2008.)

Abaixo você algumas dicas para iniciar parágrafos.

    a)   PARA A INTRODUÇÃO DO TEXTO:
        Há alguns dias ...
        Há algum tempo que a questão X ...
        Os últimos acontecimentos revelam que ...
        O problema X mostra que...
        O caso X vem despertando interesse, pois...
        A Revista X, num estudo sobre ...
        Há quem afirme que ....


    b)   PARA INDICAR UMA ANÁLISE DO ASSUNTO:
        É preciso, primeiramente, lembrar que... / destacar o fato de que...
        É necessário, inicialmente, considerar que...
        Iniciemos a análise do fato/problema/questão, observando que...
        Pode-se admitir que...
        Centrando nossas atenções especificamente no fato de que... etc.


    c)   PARA REALIZAR O DESENVOLVIMENTO:
        É evidente que...
        É inegável que...
        É certo que...
        É fato que...
        Não podemos nos esquecer de que...
        Faz-se necessário insistir no fato de que...
        Torna-se imprescindível insistir que...
        É necessário frisar que...
        Além do mais...
        Ademais...etc.


    d)   PARA CONTINUAR O DESENVOLVIMENTO PROPONDO UMA OPOSIÇÃO:
        Mas...
        Contudo...
        No entanto...
        Não obstante...
        Por outro lado...
        Este problema visto por outro ângulo/prisma... etc.


    e)   PARA CONCLUIR O TEXTO:
        Assim...
        Consequentemente...
        Portanto...
        Em resumo...
        Em suma...

                                              22
       Finalmente...
       Desta forma...
       Definitivamente...
       Pode-se concluir que...etc


EXERCITANDO:

Observe os textos abaixo:

            a) A solidão é o mal da humanidade moderna.

            b) A empresa Net, em um das suas propagandas veiculada na tevê, mostrou um
               homem sentado no topo de uma montanha completamente isolado. Na sua
               frente estavam apenas um notebook e um urubu. A uma certa altura, o homem
               olha para o bicho e diz que ele não podia imaginar como as pessoas podiam
               viver sem internet: elas deveriam ser muito solitárias.

- Estes textos devem dar a você o rumo do seu próprio texto que deve ser dissertativo tratando
sobre a solidão. Siga as instruções em aula.



TRABALHANDO A REDAÇÃO

        Observe os dois texto abaixo:

                                      Fumantes Passivos

        1o.§ - Muito se tem ouvido sobre os males causados pelo fumo. São inúmeras doenças
que podem surgir no nosso organismo em decorrência da soma de cigarros consumidos ao longo
dos anos de nossa vida. Mas e quem não é um fumante ativo? Seria ele obrigado a respirar a
droga eliminada por outros em lugares públicos?

        2o. § - Os fumantes passivos, ou seja, aqueles que sem poder de escolha aspiram a
fumaça de fumantes declarados, como já está muito bem comprovado, estão à mercê dos
mesmos males que acometem os ativos. Pesquisas têm mostrado que algumas pessoas não
fumantes numa família de fumantes adquiriram câncer nos pulmões devido à convivência
freqüente com a fumaça de cigarros que circulava pela casa. Neste sentido, poderíamos até falar
em assassinato.

        3o. § - É evidente que em lugares públicos as pessoas têm o direito e a liberdade de fazer
o que querem. Num local público, por exemplo, podemos falar mais alto, usar roupas mais
ousadas, andar de forma extravagante entre outras atividades, sem que sejamos punidos por
isso. No entanto, em se tratando da fumaça de cigarros a situação muda, pois estamos lidando
com a saúde do outro e não com qualquer outro fato banal. Neste caso, seremos responsáveis
por um problema sério que poderá se desencadear no outro, ou seja, o público não é tão público
assim.

        4o. § - Se este raciocínio não fosse verdadeiro por que, então, restaurantes, bares,
cinemas, teatros, etc. proíbem o consumo de cigarros? Seria apenas para eliminar o mau odor da
fumaça? Também, mas certamente as pesquisas demonstrando e comprovando que há o fumante
passivo devem ter conscientizado muitos.


                                               23
       5o. § - Desta forma, o que se condena não é o fumante ativo, mas os males que o cigarro
causa e principalmente o fato de que os não-fumantes não devem ter o direito de escolher se
querem ou não respirar a fumaça de outras pessoas. (HENRIQUE FAUSTO. IN: PROBLEMAS
DO CIGARRO. SÃO PAULO. ED. ATLAS. 2005).

          Droga pesada

    Fui dependente de nicotina durante 20 anos. Comecei ainda adolescente, porque não sabia o
que fazer com as mãos quando chegava às festas. Era início dos anos 60, e o cigarro estava em
toda parte: televisão, cinema, outdoors e com os amigos. As meninas começavam a fumar em
público, da minissaia, com as bocas pintadas assoprando a fumaça para o alto. O jovem que não
fumasse estava por fora.
    Um dia, na porta do colégio, um amigo ma ensinou a tragar. Lembro que fiquei meio tonto,
mas saí de I à e comprei um maço na padaria. Caí na mão do fornecedor por duas décadas; 20
cigarros por dia, às vezes mais.
    Fiz o curso de Medicina fumando. Naquela época, começavam a aparecer os primeiros
estudos sobre os efeitos do cigarro no organismo, mas a indústria tinha equipes de médicos
encarregados de contestar sistematicamente qualquer pesquisa que ousasse demonstrar a ação
prejudicial do fumo. Esses cientistas de aluguei negavam até que a nicotina provocasse
dependência química, desqualificando o sofrimento da legião de fumantes que tentam largar e
não conseguem.
    Nos anos 1970, fui trabalhar no Hospital do Câncer de São Paulo. Nesse tempo, a literatura
científica já havia deixado clara a relação entre o fumo e diversos tipos de câncer. de pulmão,
esôfago, estômago, rim, bexiga e os tumores de cabeça e pescoço. Já se sabia até que, de cada
três casos de câncer, pelo menos um era provocado pelo cigarro. Apesar do conhecimento
teórico e da convivência diária com os doentes, continuei fumando.
    Na irresponsabilidade que a dependência química traz, fumei na frente dos doentes a quem
recomendava abandonar o cigarro. Fumei em ambientes fechados diante de pessoas de idade,
mulheres grávidas e crianças pequenas. Como professor de cursinho durante quase 20 anos,
fumei nas salas da aula, induzindo muitos jovens a adquirir o vício. Quando me perguntavam
'Mas você é cancerologista e fuma?', eu ficava sem graça e dizia que ia parar. Só que esse dia
nunca chegava. A droga quebra o caráter do dependente.
    A nicotina é um alcalóide. Fumada, é absorvida rapidamente nos pulmões, vai para o
coração e através do sangue arterial se espalha pelo corpo todo e atinge o cérebro. No sistema
nervoso central, age em receptores ligados às sensações de prazer. Esses, uma vez estimulados,
comunicam-se com os circuitos de neurônios responsáveis pelo comportamento associado à
busca do prazer De todas as drogas conhecidas, é a que mais dependência química provoca.
Vida mais do que álcool cocaína e morfina. E vicia depressa, de cada dez adolescentes que
experimentam o cigarro quatro vezes, seis se tornam dependentes para o resto da vida.
    A droga provoca crise de abstinência insuportável. Sem fumar, o dependente entra num
quadro de ansiedade crescente, que só passa com uma tragada. Enquanto as demais drogas dão
trégua de dias, ou pelo menos de muitas horas, ao usuário, as crises de abstinência da nicotina se
sucedem em intervalos de minutos. Para evitá-las, o fumante precisa ter o maço ao alcance da
mão: sem ele, parece que está faltando uma parte do corpo. Como o álcool dissolve a nicotina e
favorece sua excreção por aumentar a diurese, quando o fumante bebe, as crises de abstinência
se repetem em intervalos tão curtos que ele mal acaba de fumar um, já acende outro.
    Em 30 anos de profissão, assisti às mais humilhantes demonstrações do domínio que a
nicotina exerce sobre o usuário. O doente tem um infarto do miocárdio passa três dias na UTI
entre a vida e a morte e não pára de fumar, mesmo que as pessoas mais queridas implorem.
Sofre um derrame cerebral sai pela rua de bengala arrastando a perna paralisada, mas com o
cigarro na boca. Na vizinhança do Hospital do Câncer, cansei de ver doentes que perderam a


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laringe por câncer, levantarem a toalhinha que cobre o orifício respiratório aberto no pescoço,
aspirarem e soltarem a fumaça por ali.
    Existe uma doença, exclusiva de fumantes, chamada tromboangeite obliterante, que obstrui
as artérias das extremidades e provoca necrose dos tecidos. O doente perde os dedos do pé, a
perna, uma coxa, depois a outra, e fica ali na cama, aquele toco de gente, pedindo um cigarrinho
pelo amor de Deus.
    Mais de 95% dos usuários de nicotina começaram a fumar antes dos 25 anos, a faixa etária
mais vulnerável às adições. A imensa maioria comprará um maço por dia pelo resto de suas
vidas, compulsivamente. Atrás desse lucro cativo, os fabricantes de cigarro investem fortunas na
promoção do fumo para os jovens: imagens de homens da sucesso, mulheres maravilhosas,
esportes radicais e a ânsia de liberdade. Depois, com ar de deboche, vêm a público de terno e
gravata dizer que não têm culpa se tantos adolescentes decidam fumar.
    O fumo é o mais grave problema de saúde pública no Brasil. Assim como não admitimos
que os comerciantes de maconha, crack ou heroina façam propaganda para os nossos filhos na
TV, todas as formas de publicidade do cigarro deveriam ser proibidas terminantemente. Para os
desobedientes, cadeia.
                                  (DRAUZIO VARELLA. ln. Folha de S.Paulo, 20 maio 2000)


       A nossa tarefa e produzir um texto dissertativo relacionando os dois acima apresentados.
       Observe as dicas dadas em aula.



VAMOS REVER A PONTUAÇÃO DO NOSSO TEXTO:

Empregue a vírgula quando necessário nas frases abaixo mediante o que foi exposto em
aula pelo professor:

            a) São Paulo cidade bastante comprometida pela quantia de habitantes está
               precisando passar por uma revolução urbanística mas isso parece estar longe de
               ocorrer.

            b) Paulo será que você poderia fechar a boca na reunião pois você sempre fala o
               que realmente não deveria.

            c) Enchentes alagamentos pessoas desabrigadas falta de água limpa têm marcado a
               capital paulista cidade tão querida por nós no mês de janeiro.


            d) Minha casa tem dois dormitórios dois banheiros uma cozinha uma sala
               porém um pequeno quintal.


2) Empregue vírgulas nos textos quando necessário:

a) Alice Vieira gerente média é responsável pela direção das atividades de gerentes de primeira
linha como Jorge de Oliveira chefe do setor de pesquisas de mercado devendo também atender à
direção de seu chefe que é o vice-presidente da empresa. Alice muito dedicada e prestativa
também é responsável por todos os processos de administração. Ela tem de planejar seu
orçamento para o próximo ano entender por que a empresa está gastando mais do que havia
orçado e garantir que tudo sai bem portanto ela tem de controlar os gastos. Alice conversou

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com o seu chefe sobre a reorganização do departamento e o fato de parar de fumar mostrou seu
desejo de liderar pelo bom exemplo.

b) Márcia quer que seus funcionários deixem de focalizar tarefas e passem a focalizar processos
como: agregar pessoas aplicar pessoas desenvolver pessoas recompensar pessoas e assim por
diante. Devem olhar a floresta e não cada árvore. Deixar de executar tarefas especializadas e
separadas como recrutar selecionar integrar comunicar reinar remunerar avaliar desempenho
para atuar de maneira global e estratégica. Devem mirar horizontalmente os clientes internos e
não verticalmente os chefes. Saber das necessidades e das expectativas dos clientes internos e
como satisfazê-los. Devem focalizar metas e resultados a serem alcançados e não apenas os
métodos de trabalho ou seja quais os objetivos a atingir e como atingi-los da melhor maneira.

c) Roberto é um excelente profissional muito responsável e admirado por seus conhecimentos
técnicos. Depois de diplomar-se em Administração Roberto não parou mais de estudar e de
tentar aplicar seus conhecimentos. Sabe melhor do que ninguém equacionar os problemas e
definir as melhores soluções. Sua dificuldade maior é lidar com pessoas: não sabe explicar as
coisas nem treinar ou argumentar tampouco tem paciência com os subordinados. Apesar de seu
excelente preparo técnico Roberto não consegue progredir na empresa. Quer ser promovido a
gerente de equipe mas fica sempre na fila de espera.

A COERÊNCIA E A COESÃO NO TEXTO

Observe os dois textos abaixo:

Exemplo de texto coerente, mas não coeso:

                                                    o anil

                                                   o anzol

                                                   o azul

                                               o silêncio

                                                o tempo

                                                   o peixe



                                                a agulha

                                                   vertical

                                                mergulha



                                                   a água

                                                   a linha

                                                a espuma




                                              26
                                                o tempo

                                                a âncora

                                               o peixe...

                                                                         Affonso Romano de Sant’Anna




Exemplo de texto coeso, mas não coerente:

         Hoje pela manhã, acordei muito cedo, mas mesmo assim não tomei café da manhã
devido a minha fome, entretanto meu irmão não trouxe o livro que eu lhe pedi porque a minha
mãe não fez o café muito cedo hoje, sendo assim, acho que vou viajar no final de semana com
os amigos da faculdade e tentar, na próxima semana, arrumar um emprego, pois sempre acordo
muito atrasado – hoje o pão está quente!!




DEFININDO COERÊNCIA E COESÃO TEXTUAL

   Nota-se perfeitamente que o primeiro texto é coerente. Mesmo não havendo estruturas
    lingüísticas que sirvam para unir um verso a outro como: e, mas, contudo, embora, porque,
    que, então etc., podemos dizer que ele trata de um pescaria (inclusive o título do poema é
    “A pesca”). Desta forma, coerência é um elemento indispensável para que possamos
    garantir o entendimento claro de um texto qualquer.
   No segundo texto, embora haja estruturas lingüísticas que estejam de certa forma ligando
    um fato ao outro como: que, ele, mas, então, contudo, e, notamos que o texto não é nada
    coerente, pois trata num único parágrafo de vários assuntos sem qualquer relação
    lógica.Como costumeiramente produzimos textos que não são poemas e sim trabalhos
    acadêmicos diversos, devemos tomar o cuidado para sermos, ao mesmo tempo, coesos e
    coerentes em nossos textos.


EXERCITANDO:

1) Abaixo temos alguns fragmentos de textos que apresentam algum tipo de incoerência.
Aponte-os e discuta a razão delas:

a) Conheci Sheng no primeiro colegial e aí começou um namoro apaixonado que dura até hoje
   e talvez para sempre. Mas não gosto da sua família: repressora, preconceituosa, preocupada
   em manter as milenares tradições chinesas. O pior é que sou brasileira, detesto comida
   chinesa e não sei comer com pauzinhos. Em casa, só falam chinês e de chinês eu só sei o
   nome do Sheing. No dia do seu aniversário, já fazia dois anos de namoro, ele ganhou
   coragem e me convidou para jantar em sua casa. Eu não podia recusar e fui. Fiquei
   conhecendo os velhos, conversei com eles, ouvi muitas histórias da família e da China, comi
   tantas coisas diferentes que nem sei. Depois fomos ao cinema eu e o Sheing.


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b) O quarto espelha características de seu dono: um esportista, que adorava a vida ao ar livre e
   não tinha o menor gosto pelas atividades intelectuais. Por toda a parte, havia sinais disso:
   raquetes de tênis, prancha de surf, equipamento de alpinismo, skate, um tabuleiro de xadrez
   com as peças arrumadas sobre uma mesinha, as obras completas de um poeta inglês.


c) A empresa fundada em 1903 nos EUA por Henry Ford operou uma revolução. Antes de
   Ford, os automóveis eram feitos artesanalmente, sendo bastante caros e escassos. Ford
   implantou o conceito de linha de montagem: uma esteira conduzia os componentes para
   vários operários, cada um especializado em apenas um único processo. O tempo de
   produção caía de 12 horas para apenas uma hora e meia: maior oferta, menor preço, uma
   grande procura e lucros extraordinários. Ford enriqueceu e pôde erguer outras fábricas
   acreditando na produção artesanal.


d) “Possuir uma boa capacidade de expressão verbal é uma competência que pode contribuir
   para o sucesso e, conseqüentemente, para o desempenho de um profissional qualificado.
   Além disso, se bem administrada, essa qualidade pode trazer outros benefícios como, por
   exemplo, facilitar o desenvolvimento de aspectos como liderança, auto-estima, autocontrole
   e até mesmo auxiliar no domínio de uma situação que precise de um cuidado mais apurado,
   principalmente como algumas que costumam acontecer no dia-a-dia organizacional. No
   entanto, falar em público nem sempre é uma tarefa fácil e muito importante, pois até mesmo
   aqueles profissionais considerados altamente preparados e com um bom nível acadêmico
   também podem se complicar quando precisam passar uma mensagem verbalmente. Para
   citar um exemplo, basta apenas considerar que alguns executivos têm grande dificuldade em
   proferir uma palestra ou mesmo defender suas idéias em uma reunião que resulte em
   decisões estratégicas. E muitas vezes, situações como essa podem significar um momento
   extremamente delicado ou mesmo embaraçoso para o profissional.”

e) Havia um menino muito magro que vendia amendoins numa esquina de uma das avenidas
   de São Paulo. Ele era tão fraquinho, que mal podia carregar a cesta em que estavam os
   pacotinhos de amendoim. Um dia, na esquina em que ficava, um motorista, que vinha em
   alta velocidade, perdeu a direção. O carro capotou e ficou de rodas para o ar. O menino não
   pensou duas vezes. Correu para o carro e tirou de lá o motorista, que era um homem
   corpulento. Carregou-o até a calçada, parou um carro e levou o homem para o hospital.
   Assim salvou-lhe a vida.


f) No cinema, no teatro, não converse. Não mexa demais a cabeça, não fique aos beijos.
   Cuidado com o barulho do papel de bala, do saco de pipocas. Não os jogue no chão, quando
   acabar. Se o seu vizinho estiver fazendo tudo isso e in-comodando, seja discreto. Peça que
   interrompam a sessão e acendam as luzes a fim de inibir o transgressor.




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