A Constru��o da Linguagem Hipermidi�tica by xbEMAF30

VIEWS: 0 PAGES: 7

									Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

                      PUC – SP




       A Construção da Linguagem Hipermidiática




        Angeles Treitero García Cônsolo




CURSO: TECNOLOGÍAS DA INTELIGÊNCIA E DESIGN DIGITAL
      Disciplina: Epistemologia e Metodologia da Pesquisa
                    Prof. Dr. Luís Carlos Petry




                      São Paulo
                        2006
A Construção da Linguagem Hipermidiática

Palavras chave – linguagens híbridas – hipermídia – jogo – interação – interconectividade

Resumo

        Pretendemos neste texto fazer uma reflexão entre os capítulos VII e VIII do livro
Matrizes da linguagem e pensamento de Lucia Santaella, a hipermídia Psicanálise e História
da Cultura de autoria de Sérgio Bairon e Luis Carlos Petry e texto Conceito: Hipermídia de
Grazyelle C. Oliveira de Aguiar.


Introdução
        Primeiramente apresentamos as definições que Lucia Santaella faz referente as
linguagens híbridas, e o conceito de linguagens da Hipermídia.
        Num segundo momento, procuramos fazer uma a descrição a respeito do conceito de
jogo encontrado na hipermídia.
        Posteriormente, faremos a relação entre o texto da Lucia Santaella e o conceito
encontrado na hipermídia e a posição a respeito do assunto de Grazyelle C. Oliveira Aguiar.
        E, para finalizar a considerações finais e as referências bibliográficas .


1. Linguagens Híbridas


        Santaella em seu livro Matrizes da linguagem e pensamento,               faz uma grande
reflexão a respeito das idéias que as três matrizes da linguagem e pensamento nos permitem
realizar.
        A autora nos diz que os primeiros princípios da linguagem seguem o seguinte:
    A sonoridade está na sua evanescência algo que na passagem leva à desaparição. Aquilo
que acontece no tempo tem que ser levado junto com o tempo. A visualidade está na forma,
mesmo quando informe, forma que se presentifica diante de nossos olhos. A discursividade
verbal está na inscrição, na intenção de imprimir um traço, que pode não passar de uma
garatuja, capaz de nos transportar para outras fronteiras da realidade, do concomitante, do
passado e do futuro, marca primordial da fala, o traço, o grama, a letra.
1.1 As interfaces e interpretações da três matrizes:
       Para a autora as matrizes não são puras. Não há linguagens puras. Apenas a
sonoridade alcançaria um certo grau de pureza se o ouvido não fosse e se não se ouvisse com
o corpo todo. A visualidade, mesmo nas imagens fixas, também é tátil, além de que absorve a
lógica da sintaxe, que vem do domínio do sonoro. A verbal é a mais misturada de todas as
linguagens, pois absorve a sintaxe do domínio sonoro e a forma de domínio verbal.
       De acordo com a lógica das três categorias e dos conseqüentes pressupostos de que
parte, a sonoridade é dominantemente uma questão de primeiridade, do qual quali-signo
icônico, remático. A visualidade é dominantemente uma questão de secundidade, do signo
indicial, dicente. O verbal é dominantemente uma questão de terceiridade de legi-signo
simbólico, argumental.
       As matrizes se referem a modalidades de linguagens e de pensamentos. As três
matrizes da linguagem e do pensamento não são mutuamente excludentes. Ao contrário,
comportam-se como vasos intercomunicantes, num intercambio permanente de recursos e em
transmutações incessantes.


1.2 Todas as linguagens são híbridas
       Segundo Santaella, as linguagens existentes, uma vez corporificadas são híbridas. Na
realidade, cada linguagem existente nasce do cruzamento de algumas submodalidades de
uma mesma matriz ou do cruzamento entre submodalidades de duas ou três matrizes. Quando
mais cruzamentos se processarem dentro de uma mesma linguagem, mais híbrida ela será.
       Portanto, sob o ponto de vista das matrizes da linguagem e pensamento, linguagens
concretizadas são na realidade corporificações de uma lógica semiótica abstrata que lhes está
subjacente e que é sustentada pelos eixos da sintaxe na sonoridade, da forma na visualidade e
pela discursividade no verbal escrito.


2. As linguagens da Hipermídia


       Segundo Santaella um dos aspectos revolucionários está no aparecimento e no
desenvolvimento de uma nova linguagem: a hipermídia. É uma linguagem que convergem o
texto escrito (livros, periódicos científicos, jornais, revistas), o audiovisual (televisão, vídeo,
cinema)    e   informática    (computadores     e   programas     informáticos).       Aliada   às
telecomunicações (telefones, satélites, cabo) das redes eletrônicas e a tecnologia das
informações digital conduziu a disseminações da internet que resultou da associação de dois
conceitos básicos, o de servidores de informações com o hipertexto.
       Trata-se, de fato, de uma linguagem inaugural em um novo tipo de meio ou ambiente
de informação no qual ler, perceber, escrever, pensar e sentir, adquirem características
inéditas.
       Segundo a autora:
       A grande hibridização permitida pela digitalização e pela linguagem hipermediática
por ela introduzida com seus processos de comunicação inteiramente novos, interativos e
dialógicos. Do ponto de vista do suporte “a hipermídia consiste de informação digital, isto é,
dados eletromagnéticos transcodificados numericamente num espaço a n dimensões. (...) Esse
suporte físico, de caráter eletrônico, inaugura um espaço de representação ontologicamente
infinito”., visto que, “sua existência só acontece em telas de luz e sons codificados,
pressupondo o conceito de interação do autor com o meio e com o interlocutor”.
        Continua a autora:
       O primeiro grande poder definidor da hipermídia está na hibridização das matrizes de
linguagem e pensamento, nos processos sígnicos, códigos e mídias que ela aciona e,
conseqüentemente na mistura de sentidos receptores, na sensorialidade global, sinestesia
reverberante que ela é capaz de produzir, na medida mesma em que o receptor ou leitor
imerso interage com ela, cooperando na sua realização.
       Hipermídia significa “a integração sem suturas de dados, textos, imagens de todas as
espécies e sons dentro de um único ambiente de informações digital.”(Feldeman 1995: 4)
       Assim após essa conceituação dada por Santaella, pretendemos aqui fazer a descrição
do conceito jogo. Conceito este, que está relacionado com nosso projeto de estudo aqui no
mestrado.


3. Descrição - conceito jogo
       Entre tantos conceitos encontrados na hipermídia Psicanálise e História da Cultura de
autoria de Sérgio Bairon e Luis Carlos Petry, procuramos nos centrar no conceito jogo.
Primeiramente por fazer parte do nosso projeto de pesquisa, e segundo por acreditar que faz
parte integrante do contexto hipermediático.
       Quando estava navegando na hipermídia, fui localizando vários conceitos. E, por
curiosidade fui entrando, olhando, analisando, enfim, procurando entender o que era tudo
aquilo que tinha diante de meus olhos.
       Minha proposta era encontrar o conceito jogo. Aos meus olhos tudo me pareceu
bastante interessante e chamativo.
       Ao encontrar o que procurava, me vi em um ambiente quadrado, com três grandes
paredes, tijolos aparentes de tonalidade marrom, duas coluna verticais, três horizontais, o que
mais me chamou a atenção foram as três bolas espelhadas, que mudam de tamanho, ao toque
do mouse. Encontrei também, um losango também espelhado, com tonalidades marrons. Um
enquadramento na cor marrom que mais parece uma moldura. Piso na cor cinza
complementando o ambiente e reproduzindo um grande bem estar, pois dá a impressão de
amplitude e profundidade no local. O enquadramento se dá com um trilho na cor marrom o
que nos leva a um delimitado espaço.
       No aúdio, temos o locutor da hipermídia, que nos diz que “todo jogo é um ser
jogado”, ou seja, há um jogo de palavras que nos leva e incentiva ao descobrimento dos
conceitos.
       Conforme tocamos no mouse a frase se repete e muda de amplitude, o que nos dá
maior incentivo no que diz respeito ao conhecimento da teoria.
       Enfim, é uma experiência bastante interessante que tem que ser repetida
constantemente, pois a cada entrada no labirinto encontramos caminhos diferentes, e
sentimos de fato essa nova linguagem da hipermídia que nos fala Santaella em seu livro.
       Afirma a autora que a linguagem da hipermídia é a linguagem mais híbrida que existe,
é de fato uma mistura entre todas as outras linguagens da mídias, e com muito mais.
       De acordo com a autora:
        “Trata-se, de fato, de uma linguagem inaugural em um novo tipo de meio ou
ambiente de informação no qual ler, perceber, escrever, pensar e sentir, adquirem
características inéditas”.
       Ou seja, até o momento é uma mídia que nos dá a opção de utilizarmos todos os
nossos sentidos ao mesmo tempo.
       Grazyelle C. Oliveira Aguiar tem pesquisado também o assunto e nos diz que:
       “A hipermídia pode ser entendida como um ambiente virtual com informações
vinculadas com alto grau de interconexões , onde o usuário pode se transportar no espaço e
no tempo, mudando de dimensões e de pensamento”
        Acreditamos que,         a mídia digital proporciona uma comunicação dirigida e
direcionada a um determinado público. É uma mídia que não se preocupam em produzir
mensagens para um grande número de pessoas, como é o caso das mídias de massa.
        Está claro que, as mídias digitais produzem um processo de comunicação que não
pode ser tratado mais como algo que acontece mecanicamente, centrado no emissor e
receptor.


Considerações finais


        As mídias digitais dão a possibilidade ao receptor de interagir constantemente com o
seu emissor, tornando-se também um emissor, ou seja,           transformam-se totalmente os
conceitos de comunicação pensada na perspectiva das mídias de massa.
        O sujeito é receptor e emissor ao mesmo tempo. É o sujeito implicado em todo um
processo de significação, ele percorrer o caminho de acordo com seus próprios valores.
        A recepção, nesse sentido se dá, segundo Umberto Eco 1 como se fosse uma “obra
aberta” não é acabada pelo autor mas sim finalizada pelo intérprete. Essa “obra aberta”
conforme o autor: “(...)valoriza o intérprete e instaura nele uma série de atitudes, tais como;
uma liberdade consciente, que lhe dá o direito à crítica, criando sua própria forma(...)”. 2
        Por outro lado, uma vez que o receptor é dono do seu caminho corre o risco de se
“perder”, visto a quantidade de informações que recebe, o que possibilita segundo Umberto
Eco3, "Anarquia do Saber", uma vez que não existe uma filtragem na informação.
        Resumindo a grande hibridização permitida pela digitalização e pela linguagem
hipermediática, introduz processos de comunicação inteiramente novos, interativos e
dialógicos.


Referências bibliográficas
AGUIAR, Grazyelle C. Oliveira de. Texto - Conceito: Hipermídia. 2006.
BAIRON, Sérgio e PETRY, Luís Carlos. Psicanálise e História da Cultura. São Paulo,
Mackenzie, 2000.
ECO, Umberto. Obra Abeta, São Paulo, Perspectiva, 1976.
SANTAELLA, Lucia. Matrizes da linguagem e pensamento: sonora visual verbal. São Paulo,
Iluminuras, 2005.


1
  ECO, Umberto. Obra Abeta, São Paulo, Perspectiva, 1976.
2
  ECO, Umberto. Obra Abeta, São Paulo, Perspectiva, 1976
3
  ECO, Umberto. Jornal Folha de São Paulo. 10.01.2000.

								
To top