METODOLOGIA by Aj30y4

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									                             Formação Integral e Inclusão Sócio-Econômica de
                                 Jovens nas Áreas menos desenvolvidas no
                                            Nordeste Brasileiro
Obra Kolping                                                                                                 União Européia




                                               PARA ENTENDER A


                               METODOLOGIA
                                                     DO PROJETO


                 INCLUSÃO DE JOVENS




     (Esta publicação contou com apoio financeiro da União Européia, mas seu conteúdo é de responsabilidade da Obra Kolping

                    do Brasil e não pode, sob nenhuma hipótese, ser tomado como opinião da União Européia)


                                                                                                      Dezembro, 2008
                                                                         Índice


APRESENTAÇÃO .......................................................................................................................... 3
RESUMO DO PROJETO INCLUSÃO DE JOVENS ................................................................. 4
 PROBLEMA: .............................................................................................................................................. 4
 HIPÓTESE: ................................................................................................................................................ 5
 OBJETIVO DO PROJETO: ............................................................................................................................... 5
 ATIVIDADES: ............................................................................................................................................. 5
 METODOLOGIA: PARTICIPATIVA ............................................................................................................... 5
 ESTRATÉGIA: ............................................................................................................................................. 5
 BENEFICIÁRIOS DIRETOS EM TRÊS ANOS:.......................................................................................................... 5
 BENEFICIÁRIOS INDIRETOS: ........................................................................................................................... 6
 IMPACTOS: ............................................................................................................................................... 6
 PARCERIAS: ............................................................................................................................................... 6
ANTECEDENTES DO PROJETO E SUA EFETIVAÇÃO ......................................................... 6
A PEDAGOGIA DE PROJETOS E SUA HISTÓRIA ............................................................ 8
  OBJETIVOS DA PEDAGOGIA DE PROJETOS ........................................................................................................ 9
  PROJETOS DE TRABALHO.............................................................................................................................. 9
PROJETOS ACONTECEM EM TORNO DE UM PROBLEMA ................................................................ 11
ETAPAS DA APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA:.......................................................... 12
  FASES DA APRENDIZAGEM POR VIVÊNCIA ............................................................................. 13
    FASE 1 – VIVÊNCIA – Concretista ................................................................................................ 13
    FASE 2 – RELATO – Teorização ..................................................................................................... 13
    FASE 3 – PROCESSAMENTO – Análise ....................................................................................... 13
    FASE 4 – GENERALIZAÇÃO – Análise sistêmica .......................................................................... 13
    FASE 5 – APLICAÇÃO – Práxis – (Teoria e Prática) ........................................................................ 14
APRENDER ATRAVÉS DE VIVÊNCIA .................................................................................. 14
FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO MÉTODO ......................................................................... 16
EDUCAÇÃO TRADICIONAL X MÉTODO PSICOGENÉTICO ................................................................. 18
A REVOLUÇÃO DE PAULO FREIRE .................................................................................... 20
O MÉTODO É DIALÉTICO ..................................................................................................... 21
HÁ UMA BASE FILOSÓFICA ANTES DO MÉTODO ............................................................. 22
UMA BREVE HISTÓRIA DAS METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS .................................... 24
 1. MODERAÇÃO E VISUALIZAÇÃO. ........................................................................................ 26
 2. DIAGNÓSTICO RURAL PARTICIPATIVO. ........................................................................... 26
 3. PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO. ..................................................................................... 27
 4. COMPETÊNCIA EMPREENDEDORA E FORMAÇÃO DE EMPREENDEDORES - CEFE. 27
 5. DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL PARTICIPATIVO.- DOP .............................. 27
 6. CAPACITAÇÃO EM GESTÃO EMPREENDEDORA COM ENFOQUE DE GÊNERO -
 PROGESTÃO. .................................................................................................................................... 27
QUADRO SÍNTESE DAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS .................................................... 29




                                                                                                                                                           2
                                                    Apresentação

          Esta apostila tem como objetivo apresentar a METOLOGIA do Projeto Inclusão de Jovens,
executado pela Obra Kolping do Brasil – regional Nordeste, em parceria com a União Européia e Obra
Kolping Internacional. O projeto foi executado em seis estados: PE, AL, BA, PI, CE, MA.
          Optamos aqui por fazer também uma rápida viagem pela “Pedagogia de Projetos” e pelas
teorias de aprendizagem1, destacando Paulo Freire2 que sugere ser educação processos que levam a
ampliar a consciência e aquisição de autonomia assegurando ao dominador e ao dominado – ambos
dominados e oprimidos - se libertarem de relações verticais/injustas e que esse processo seja iniciado
pelo oprimido. Neste contexto, e inserido num espaço geopolítico – Nordeste do Brasil –
apresentamos a metodologia que desponta desse universo dialogando e mesmo sugerindo caminho
para aprimorar as práticas de educação. Também na escola, já que a LDB, os PCNs e o ECA sugerem
bastante flexibilidade e dão suporte – jurídico e programático - para um fazer pedagógico atualizado
que considere o DHESC.
          Além dos elementos teóricos apresentados na apostila, outros estudos que ajudarão na
assimilação da proposta metodológica adotada se referem à:
           Grupos operativos - Pichón Rivière - 1958);
           Terapia em grupos;
           Análise Trasacional – Eric Berne - 1958;
           Inteligências Múltiplas - Howard Gardner (1985);
           Ser Empreendedor
           Economia Solidária
           Atual debate sobre formação e protagonismo dos jovens, sugestões da UNESCO, e
políticas do Governo Federal em particular as conferencias de juventude - Brasil.
          Modo geral, o que se fez foi construir uma idéia ampla sobre um problema sentido e que
mais angustiava a juventude, manifestado nos vários seminários e grupos de reflexão da Obra Kolping
do Brasil, que era o “difícil acesso dos jovens pobres ao mundo do trabalho”. Sendo que as principais
causas apontadas eram: falta de formação/capacitação adequada e de experiência profissional. O que
ao final gerava um círculo vicioso, pois em subempregos não teria condições de se especializar e sem
oportunidade de trabalho, jamais construiria alguma experiência.
          Como a Obra Kolping tem larga experiência com cursos profissionalizantes, principalmente
no passado, isto pareceu não tão suficiente para incluir os jovens. Pois além de saturar o mercado
local com profissionais de uma determinada área ainda motivava a migração já que possuindo uma
profissão seria mais fácil arranjar emprego no “Sul”. Ainda a competição entre os novos profissionais
favoreceria de fatos os consumidores dos produtos e serviços – pela queda do preço e profissionais
com qualidade diferenciada, numa evidente distorção do público alvo. Daí, a opção em fazer uma
formação integral da pessoa considerando suas multifaces e que fosse algo interdisciplinar, mas bem
focado no objetivo desejado.
          Como exercício efetivo, foram então casadas atividades para desenvolver a inteligência
EMOCIONAL, a COGNITIVA e a EMPREENDEDORA. Buscando alcançar formação humana (ÉTICA),
formação       intelectual       (SABER      INSTRUMENTAL)       e      formação        empreendedora
(ATITUDE/PROTAGONISMO). Como resultado, pressupondo que a pessoa precisa estar preparada
para vida em sociedade, um ser humano apto a construir, de forma ética e digna, seu espaço no
mundo do trabalho alcançando sua própria inclusão através da prestação de um serviço digno e
aceito pela sociedade, entrando pela porta da frente.


1
    http://ensino.univates.br/~atos/navega/images/artigo14.rtf
2
    http://www.paulofreire.ufpb.br/paulofreire/Controle?tipo=livro&op=listar&id=0&obra_critica=O
                                                                                                    3
          Em todas as etapas do projeto se buscou fortalecer a auto-estima dos jovens, sempre
lembrando-os de que o projeto não foi feito para jovens carentes e perdidos, mas para jovens que
sonham, acreditam na possibilidade e querem construir sua própria história e que os educadores do
projeto os assessoria na construção do PLANO DE NEGÓCIO buscando contribuir na sua qualificação
enquanto empreendedores, ou seja, eles empresários e nós seus assessores, pagos para isto.
          Para trabalhar o EMOCIONAL as atividades de vivências; conversas livres (desabafos); pessoa
contar e reconstruir, com releituras feitas com contribuições do grupo, o conceito da sua própria
história de vida; dinâmicas que trazem a tona valores éticos – ou anti-valores - que são analisados e
valorados comparativamente sobre sua relevância para a vida em sociedade... ao serem discutidos
são feitos acordos de não adoção de alguns em atividades futuras; reflexão comparando os objetivos
assumidos pelo grupo com as atitudes manifestadas, a fim de construir ajustes;
passeios/intercâmbios que posteriormente se refletia coletivamente sobre as atitudes de cada um no
“caminho” e se questionava a pertinência e adequação de tais comportamentos e se cogitava
possíveis mudanças para fazer ajustes e ser mais bem aceito no grupo...
          Para trabalhar o COGNITIVO o projeto trabalhou a revalorização dos saberes/conteúdos da
escola, aulas de informática, oficinas de trabalhos manuais, construção de Plano de Negócio, gestão
de empresa... O Plano de Negócio funcionou como “mote” – produto a ser apresentado ao final do
processo tido como grande contribuidor para acessar o mundo do trabalho. Sobre sua construção
desencadeou então os processos.
          Para trabalhar o EMPREENDEDORISMO foram realizados seminários com palestras e debates
com empreendedores, estudos de textos, oficinas com dinâmicas (CEFE) que despertaria o espírito
empreendedor, criação de situações livres para que avançassem rumo à sua vocação profissional,
analise de atitudes entre “empreendedores” e pessoas “dependentes”... Para identificar o que seria
uma pessoa empreendedora, seja no ramo de negócios ou social, se convencionou buscar uma
“pessoa de sucesso” do local que os jovens sugeriam como exemplo, considerando principalmente
boa gestão da empresa e também no sentido de alguém que conseguiu realizar seu sonho. Ter uma
idéia, montar a equipe, reunir as condições/recursos adequados, materializar – dialogando com a
sociedade - a idéia e faze-la bem aceita pela sociedade, ou seja, empreendedor é aquele que capta
uma carência na sociedade e supre tal carência, resolvendo um problema.
          A conclusão a que chegamos tanto pela aceitação da metodologia pelos jovens e pelos
resultados alcançados – o que motivou várias parcerias do poder público local e instituições a replicar
a metodologia - é que estas três dimensões – 1. Afeto, 2. Reflexão/estudos e 3. Empreendedorismo
(atitude) – estão tão juntas que é impossível dissocia-las na prática de educação.
          Daí se optou pela Pedagogia de Projetos que assegura em todos os momentos, pela vivencia,
o protagonismo do educando, desde a formulação do problema à sua resolução.


                  RESUMO DO PROJETO INCLUSÃO DE JOVENS

O projeto Formação integral e inclusão socioeconômica de jovens nas áreas menos desenvolvidas do
Nordeste brasileiro, realizado pela Obra Kolping do Brasil - Regional Nordeste - em parceria com a
UNIÂO EUROPÉIA, busca contribuir no processo político de democratização do acesso de jovens
socioeconomicamente excluídos a emprego e renda. Isto se dá através da implementação de um
conjunto de atividades de capacitação dos jovens, privilegiando o desenvolvimento das habilidades
profissionais básicas e o desenvolvimento das competências sociais. Estas prioridades foram
planejadas em função da vocação da juventude e das tendências do mercado de trabalho local.

Problema:
Jovens pobres têm dificuldades de acessar e/ou construírem vagas no mundo do trabalho.
                                                                                                     4
Hipótese:
Boa e adequada formação humana e intelectual, experiência profissional e atitudes adequadas
facilitarão o acesso ao mundo do trabalho.

Objetivo do Projeto:
Contribuir com o processo político de democratização do acesso a emprego e renda de jovens
socioeconomicamente excluídos no Nordeste brasileiro.

Atividades:
      Estágios Profissionalizantes;
      Treinamento em Informática, Empreendedorismo e Plano de Negócios;
      Aulas de Redação, Matemática e Conhecimentos Gerais;
      Encontros semanais dos grupos de convivência;
      Palestras e oficinas;
      Visitas a empresas locais;
      Instalação de um sistema local de intermediação de oferta e demanda de emprego;
      Elaboração de Planos de Negócio dos empreendimentos;
      Implantação e acompanhamento dos empreendimentos;
      Seminários de divulgação e discussão da metodologia;

Metodologia: PARTICIPATIVA
Fundamentada nas práticas da Educação Popular
 Privilegiará a convivência grupal como suporte para a ampliação das competências sociais dos
   beneficiários do projeto e o desenvolvimento do comportamento empreendedor;
 Para a concretização das medidas previstas, se contará com a efetiva colaboração dos grupos
   locais beneficiados;
 Nas ações de apoio aos empreendimentos solidários optou-se pela adoção dos princípios da
   economia solidária, ou seja, o ser humano como valor central;
 Os valores da solidariedade e da cooperação;
 A valorização social do trabalho humano;
 O respeito às diferenças políticas, ideológicas, religiosas e às questões de gênero, raça, etnia e
   geração;
 A satisfação plena das necessidades sentidas como eixo da criatividade tecnológica e da atividade
   econômica;

Estratégia:
Formação de 30 grupos em
     10 municípios contemplando
     6 Estados (MA, PI, PE, AL, BA, CE)
     Acompanhamento pedagógico local assumido por um(a) Educador(a) Social para cada três
       turmas de 20 jovens e
     em nível regional duas coordenações pedagógicas e
     uma coordenação administrativa no ECN (Escritório Regional - Fortaleza-CE).

Beneficiários diretos em três anos:
1800 jovens - (Em três anos) – dentro dos seguintes critérios:
    Faixa etária entre 15 e 18 anos
    50% do sexo feminino/masculino;
    Matriculado e freqüentando escola pública;

                                                                                                  5
     Cursando a partir da 5ª Série até último ano 2°. Grau;
     Desempregado, sem profissão definida;
     Renda familiar igual ou menor que três salários mínimos.

Beneficiários indiretos:
Os familiares dos jovens que participarão de várias atividades do Projeto e assumirão com os seus, as
responsabilidades que advierem com algumas atividades como estágios e projetos de geração de
renda.

Impactos:
 Inclusão cidadã dos jovens através de conscientização política e documentação pessoal;
 Experiência profissional através dos estágios profissionalizantes;
 Capacidade de construir seu Plano de Negócio e definir um rumo para sua inserção na sociedade;
 Experiência para trabalhar em grupos e vivências na sociedade;
 Capacidade de dialogar com seus pais e familiares;
 Compreensão do mundo dos negócios e caminhos de sucessos pessoal e coletivos;
 Capacidade de se auto-gestionar, de ser propositivo, enfim, protagonista de si e de sua história;
 Igualdade de gênero em todos os níveis e em todos os processos;
 Tolerância na convivência e capacidade de diálogo com pessoas diferentes, seja colegas,
  empresários, diretores de instituições etc.
 Multiplicação da metodologia do Projeto por outras instituições;
 ...

Parcerias:
Para a realização das atividades são firmadas parcerias com as Comunidades Kolping Locais e
empresas públicas e privadas, ONGs, associações etc.
(Veja alguns resultados do Projeto no site: www.inclusaodejovens.org.br )

                  ANTECEDENTES DO PROJETO E SUA EFETIVAÇÃO

        Para colocar os jovens socio-economicamente desfavorecidos em condições de competir com
chances iguais com os demais jovens, o projeto INCLUSÃO DE JOVENS faz uma opção metodológica
clara a favor de um modelo de formação que visa o desenvolvimento integral da personalidade e das
habilidades profissionais.
        As atividades foram escolhidas e as estratégias adotadas com base nas experiências anteriores que a
Obra Kolping colheu nos anos de execução dos seguintes projetos:
 O projeto de “Geração de Renda”, apoiado pela União Européia trabalhou, em oficinas específicas, as
    competências empreendedoras através da metodologia CEFE.3 Sobretudo os participantes jovens
    responderam muito bem à pedagogia da aprendizagem por ação. As oficinas contribuem
    significativamente com o desenvolvimento da visão e do comportamento empreendedor.
 As teorias do trabalho sociais com grupos foram experimentadas no Projeto de Formação Infanto-
    juvenil na cidade de Esperantina PI (apoio da União Européia de 1992 – 1995). As atividades neste
    campo contribuíram com a superação de deficiências na socialização familiar dos adolescentes.
 Programa Agente Cidadão, apoiado pela Fundação Kellogg no Piauí (2002 – 2003) desenvolveu
    ferramentas preciosas para formação das competências cidadãs dos jovens. Muitos jovens assistidos


3A Metodologia CEFE foi desenvolvida pela GTZ (Cooperação Técnica Alemã) e está sendo utilizado na formação de
habilidades empreendedoras em muitos paises. A Obra Kolping do Brasil utiliza a metodologia na região Nordeste desde 1995
de forma adaptada à formação escolar do público alvo e integrada ao processo de formação e acompanhamento de grupos de
pequenos empreendedores e empreendedoras.

                                                                                                                            6
    por este programa passaram a ocupar funções importantes em movimentos sociais, partidos políticos e
    fóruns de desenvolvimento local;
 Os Acampamentos de Juventude Kolping e as atividades de formação artística e cultural, apoiados pela
    entidade Manos Unidas (Espanha) no Ceará (2002 – 2004), contribuíram com o desenvolvimento da
    criatividade e a auto-estima dos participantes. O projeto desenvolveu ferramentas imprescindíveis
    para motivação da juventude e ensinou como quebrar a barreira da indiferença da juventude
    contemporânea em relação a projetos sociais;
 O Projeto Mulher, implantado recentemente pela Obra Kolping no Nordeste, é outro projeto que
    trabalha pela inclusão de grupos socioeconomicamente excluídos. Os primeiros feedback sobre os
    resultados da metodologia e do material didático serão dicas valiosas para a fase de implantação do
    presente projeto.
        A soma destas lições aprendidas resultou na formatação e na escolha das atividades do projeto
INCLUSÃO DE JOVENS. A iniciativa de trabalhar a formação de jovens de forma sistemática e com uma
visão integral durante o período de um ano é uma proposta inovadora, e provavelmente única, que
pretende ser modelo para a definição de futuras políticas na área da juventude.
        O Projeto superou todas as metas previstas a cada ano em número e em qualidade das ações. E o
trabalho de educação e formação de jovens, seja na periferia das cidades como Caruaru-PE, Teresina-PI,
Salvador-BA... Seja com jovens rurais como Flores-PE. Porto-PI, Viçosa-AL... Está consolidado devido
aos resultados junto aos jovens e parceiros locais.
        A Obra Kolping consolida, assim, uma metodologia de intervenção social que vem sendo
construída, há tempos, através de uma frutífera parceria com a UNIÃO EUROPEIA e outras instituições
que viabilizaram a realização de vários projetos específicos experimentando e consertando a mesma
metodologia.
        A formação dos educadores sociais para aplicarem a metodologia com as turmas de jovens a partir
de estudos teóricos e contextualizados, assegurando autonomia e espaço para sua criatividade, liberdade,
segurança e maturidade psicológica para interagir com os grupos de jovens deu certo. Hoje, a Obra
Kolping tem um quadro de educadores preparados que incorporou o verdadeiro sentido desse tipo de
intervenção.
        A pertinência do Projeto fica evidenciada pela grave situação dos jovens e sua efetividade aparece
nos resultados registrados pelo monitoramento nos núcleos do Projeto.
        O Projeto focaliza as necessidades do grupo alvo e a situação sócio-econômica em que ele vive.
Representa para a maioria dos jovens do grupo alvo uma chance única de permanecer na região de origem
e ao mesmo tempo adquirir bagagem ampla de conhecimentos para uma carreira profissional nas mais
diversas áreas, desenvolver habilidades empreendedoras, ter acesso à assessoria e financiamento do negócio
próprio e fortalecer a auto-estima e a formação da personalidade social e política.
        Graças às parcerias locais estamos convencidos de que a replicação da metodologia gerará mais
referências que somarão para que construamos uma análise mais abrangente do alcance dessa experiência.


                                                     x.x.x.x.x.




                                                                                                        7
                                        ATUALIZAÇÃO PEDAGÓGICA

                            Pedagogia de Projetos e Aprendizagem Vivencial

                                            “Ouço e recordo, Leio e memorizo, Faço e aprendo”. (Confúcio)

    A Metodologia de aprendizagem através de vivência é necessariamente participativa e é aplicada
considerando       as     inteligências  múltiplas     –     cognitiva/lógica,     afetiva/emocional,
criativa/empreendedora – e explora a multidisciplinaridade na identificação e resolução de problemas
numa crescente ampliação da consciência de modo que ao identificar o problema alcance, de forma
dialética, suas causas e possíveis conseqüências de uma intervenção. A aprendizagem é
necessariamente processual e contínua.
     É um processo que dura toda a vida e por meio do qual o sujeito, motivado frente a uma
        situação-problema, resolve-a estabelecendo e atingindo metas e modificando a si mesmo de
        forma duradoura. Esta transformação permite transferir o aprendido para os outros e aplicá-lo
        para novas situações.
     Considera-se que a aprendizagem é contínua desde que nascemos e que aprender é uma
        necessidade para sobreviver. O “ponto de partida” é sempre aquele onde se encontra o
        educando. Todos seus saberes antecedentes são considerados e aproveitados para
        (re)organizar esquemas (padrões) mentais que podem ser acessados e re-elaborados quando
        há necessidade de resolver problemas.
     Para se trabalhar valores éticos usa-se bastante dinâmicas4, pois ao simular situações reais
        onde a pessoa deve se apresentar, se expor, afloram os valores frequentemente usados no
        cotidiano, tais valores devem ser submetidos aos valores gerais do grupo e a pessoa
        incentivada a fazer mudanças comportamentais;


                           A Pedagogia de Projetos e sua história5

        Na primeira metade do século XX, um movimento de educadores europeus e norte-
americanos contestava a passividade a que os métodos da Escola Tradicional condenavam a criança.
Nesse movimento, denominado Escola Nova destacamos o filósofo John Dewey (1859-1952). Ele
critica a Escola Tradicional, pois esta utilizava métodos passivos e os professores eram percebidos
como detentores de todo saber.
        Dessa forma, reproduzia e perpetuava valores vigentes. Segundo Dewey, a educação é o único
meio realmente efetivo para a construção de uma sociedade democrática. Sendo assim, a escola
precisa manter um clima cooperativo e participativo para que a criança desenvolva competências
necessárias para atuar, democraticamente, no grupo social.
        A Escola Nova mantém uma linha de trabalho ativo. Ela valoriza a experimentação; a
participação do educando no processo de aprendizagem; a relação horizontal entre professor e
educando; pesquisa/descobertas e vivência em grupo. A doutrina escolanovista enriquece as idéias
de uma escola que busca inovar sua prática pedagógica e prepara o educando para a vida na
sociedade, desenvolvendo algumas competências voltadas para seu engajamento no mundo do
trabalho.



4
    http://www.inclusaodejovens.org.br/dinamicas.htm
5
    http://www.inclusaodejovens.org.br/Documentos/BIBLIOTECA/pedagogia%20de%20Projetos%20-%20Históriaj.pdf
                                                                                                             8
       No Brasil, em 1932, vários educadores, especialmente após a divulgação do Manifesto dos
Pioneiros da Escola Nova6, a exemplo de Lourenço Filho (1897 a 1970) e Anísio Teixeira (1900-1971),
divulgaram o pensamento do educador norte-americano John Dewey.
       A Pedagogia de Projetos é uma mudança de postura pedagógica fundamentada na concepção
de que a aprendizagem ocorre a partir da resolução de situações didáticas significativas para o
educando, aproximando-o o máximo possível do seu contexto social, através do desenvolvimento do
senso crítico, da pesquisa e da resolução de problemas.
       Acredita-se que a Pedagogia de Projetos surgiu com influência da Escola Nova. A idéia era e
ainda é trabalhar com projetos que valorizem a pesquisa e o cotidiano do educando. É uma
concepção filosófica que deve estar contemplada na Proposta Político Pedagógica da escola. A
operacionalização dessa concepção ocorrerá por meio de um projeto específico e com respostas
precisas a algumas questões como, por exemplo: por que esse projeto? Qual sua finalidade? Qual seu
objetivo? Como o projeto será executado?
       Uma outra questão, que tem exigido da escola uma revisão na sua postura, é o fracasso
escolar, ainda presente na sociedade. Segundo Perrenoud (1998), o fracasso escolar é o fracasso da
escola, pois os educandos são bons ou maus educandos a partir de sua interação com a escola e o
mundo de conhecimento que lhes são oferecidos.
       Perrenoud propõe:
                (...) organizar as interações e as atividades, de modo que cada educando seja
                confrontado constantemente ou, ao menos, com bastante freqüência, com situações
                didáticas mais fecundas para ele. (PERRENOUD, 2001, p.26-27).
       Quando a escola assume seu verdadeiro papel de transformar a sociedade, conscientizando-se
do que precisa ser melhorada, ela resignifica seu valor e seu potencial.
       A Pedagogia de Projetos valoriza a participação do educando e do educador no processo
ensino-aprendizagem, tornando-os responsáveis pela elaboração e desenvolvimento de cada projeto
de trabalho. Portanto, a Escola e as práticas educativas fazem parte de um sistema de concepções e
valores culturais que fazem com que determinadas propostas tenham êxito quando se 'conectam'
com alguma das necessidades sociais e educativas (HERNANDEZ, 1998, p.66).


Objetivos da Pedagogia de Projetos

         Possibilitar a interação do educando no processo de construção do conhecimento.
         Viabilizar a aprendizagem real, significativa, ativa e interessante.
         Trabalhar o conteúdo conceitual de forma procedimental e atitudinal.
         Proporcionar ao educando uma visão globalizada da realidade e um desejo contínuo da
          aprendizagem.


Projetos de Trabalho

       Segundo Nogueira (2001, p.90), "um projeto na verdade é, a princípio, uma irrealidade que vai
se tornando realidade, conforme começa a ganhar corpo a partir da realização de ações e
conseqüentemente, as articulações desta". É como um conjunto de ingredientes necessários para se
fazer um bolo. Esses ingredientes ainda não são o próprio bolo, mas podem ser considerados como o
desejo, a necessidade, a vontade de se produzir o alimento que simboliza o resultado da união e
determinação em se construir algo.


6
    http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb07a.htm
                                                                                                  9
        Segundo Hernández (1998), os projetos não podem ser considerados como um modelo pronto
e acabado ou como metodologia didática, ou separados de sua dimensão política. Trabalhar com
projetos significa dar novo sentido ao processo do aprender e do ensinar. Eles devem estar voltados
para uma ação concreta, partindo da necessidade dos educandos de resolver problemas da sua
realidade, para uma prática social que pode ser adaptada ao contexto escolar através de exposições,
maquetes, músicas, dança, trabalhos artísticos, artesanatos, passeios, dentre outros.
        O trabalho com projetos também se caracteriza pela possibilidade de propiciar uma freqüente
execução de tarefas por todos os educandos como sujeitos ativos dentro do processo de construção,
execução e avaliação do projeto. Segundo Perrenoud (2002), um projeto em que somente cinco
educandos participam e os outros ficam olhando, ou então fazem trabalhos menores para ajudar os
outros, pode ser considerado deficitário.
        Na execução de projeto coletivo, o educando busca informações, leituras, conversações,
formulação de hipóteses, ampliando os seus conhecimentos, o senso crítico e a autonomia. Tudo isso
desenvolve competências favoráveis à sua vida.
        Segundo Dewey, um projeto prova ser bom se for suficientemente completo para exigir uma
variedade de respostas diferentes dos educandos e permitir a cada um trazer uma contribuição que
lhe seja própria e característica. Essas respostas são resultados do conhecimento significativo
adquirido pelo educando durante o processo de ensino e aprendizagem.
        Segundo a abordagem sócio-interacionista, de Vygotsky, a aprendizagem significativa ocorre
quando o professor utiliza o conhecimento do educando, relaciona-o a outros conceitos e, por meio
de sua mediação, o educando adquire novos conceitos. Nesse caso, sua aprendizagem não foi
construída de forma mecânica, mas a partir daquilo que tem significado para ele e que está próximo à
sua realidade.
        Em busca de melhoria da prática pedagógica, os professores e coordenadores pedagógicos se
sentem responsáveis por mudanças na organização dos programas escolares.
        A proposta da Pedagogia de Projetos é trabalhar com a construção de conhecimentos
significativos e deve estar contemplada em projetos multidisciplinares, pluridisciplinares e
interdisciplinares, que podem ser adotados como atividades inovadoras, eficazes e eficientes para o
processo de ensino e aprendizagem.
        Os projetos multidisciplinares estão relacionados a atividades, envolvendo conteúdos de uma
mesma disciplina ou de disciplinas distintas, mas por um único professor. Por exemplo, um professor
de ciências trabalha com um projeto: "Meio Ambiente", desenvolvendo conteúdos como água, solo e
ar. Ou, esse mesmo professor, nesse mesmo projeto, pode estar trabalhando conteúdos de Português
e Matemática sem estabelecer objetivos em comum com os professores das respectivas disciplinas.
        Outro exemplo, professores de Ciências, Português e Matemática elaboram um Projeto com o
tema: "Sexo e Sexualidade". Os professores trabalharão seus conteúdos específicos, sem manter um
planejamento, uma coordenação entre as disciplinas e sem estabelecer objetivos em comum. Com
isso, enquanto um professor estabelece um objetivo a ser trabalhado na disciplina, o outro pode estar
enfatizando aspectos distintos referentes ao tema.
        Diferenciando-se das outras práticas, pode-se encontrar na interdisciplinaridade uma
atividade de cooperação e integração das diversas disciplinas convergidas para um objetivo em
comum, passando da fragmentação do conhecimento para a unificação deste. Nesse caso,
caracteriza-se pela presença de uma coordenação que integra os objetivos, atividades e
planejamentos das diversas áreas do conhecimento para que ocorra um "empréstimo" de
conhecimento, conceitos, saberes entre as disciplinas.
        Os projetos podem ser exitosos, se os conteúdos forem desenvolvidos de forma
procedimental e atitudinal.
        Na proposta da Pedagogia de Projetos, a forma mais eficiente e eficaz para que o educando
adquira conhecimentos significativos, seria por meio dos projetos interdisciplinares, pois esses
formam o cidadão crítico e criativo, numa perspectiva de formação plena.
                                                                                                  10
        O papel do educador é de fundamental importância para o desenvolvimento da prática
interdisciplinar, vencendo velhos hábitos e procurando refletir novas práticas educativas. A sua
prática deverá mover-se juntamente com os demais colegas e educandos, envolvendo todos na
construção de conhecimentos.


                      PROJETOS acontecem em torno de um PROBLEMA7

        Em geral, e em linguagem direta, um problema é uma necessidade não satisfeita. Portanto,
alcançar o problema e visualizar suas causas não é fácil, mas é tarefa necessária para se começar a
caminhar corretamente rumo a solução.
        Problema para a filosofia, é, em geral, qualquer situação que inclua a possibilidade de uma
alternativa (solução). Não deve ser confundido com a dúvida, que é uma questão do ser, uma
confusão de crença do mesmo, incerteza sobre a validade da hipótese. Ao ser solucionada, a dúvida
se torna crença ou descrença. O problema, por sua vez, ao ser solucionado não deixa de ocorrer
novamente, necessariamente, dando origem ao conceito de problematicidade. Problema é a
constatação de que um fenômeno observado não tem sentido único, ele pode ser confeccionado por
várias alternativas. Mas, por qual alternativa optar e como encaminhar da melhor maneira, para não
gerar novo problema? Assim, diante dos problemas nascem as hipóteses e as dúvidas.
        É muito comum se confundir o problema com sua possivel “causa”, p. ex., “estamos com um
grave problema. Está faltando água”. Na verdade, o problema é a sede (ou outro sentir físico) que a
presença da água (hipótese) resolveria. A “falta” é então possivel causa do problema, mas não
necessariamente.
        John Dewey (Lógica, 1939, Cap. VI) propôs uma boa definição de problema: é a situação que
constitui o ponto de partida de qualquer indagação, ou seja, a situação é indeterminada. Ela se torna
problemática no próprio processo de sujeição à indagação. A enunciação de um problema permite a
antecipação de uma idéia sobre sua solução. A sistematização da idéia gera o raciocínio, que faz o
desenvolvimento de suas questões inerentes. A solução real de um problema é sua determinação da
situação embaraçosa inicial. Esta é uma situação unificada e contém relações constitutivas e
distintivas. G. Boas (The Inquiring Mind, 1959, p.56) define problema como algo observável fora da
norma.
        Os problemas sempre estão ligados à insatisfação de alguma necessidade e as necessidades,
por sua vez, agrupam numa ordem, estudada por Maslov, de modo que o problema também obedece
a tal hierarquia.
        As necessidades8 estariam, segundo Maslow9, organizadas numa hierarquia, da base para o
topo, de modo que os problemas variam conforme sua complexidade de acordo com sua posição na
pirâmide das necessidades - os da base são mais simples:




7
  http://www.puc-rio.br/sobrepuc/depto/dad/lpd/download/problemaeobjetivos.rtf
8
  http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Hierarquia_das_necessidades_de_Maslow.svg
9
  http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=piramide+das+necessidades%2C+maslov&meta=
                                                                                                  11
                          Etapas da aprendizagem10 ao longo da vida:

        Segundo Piaget, determinados raciocínios só são possíveis quando se tem desenvolvido algumas
estruturas físicas mentais que respondem a determinados estímulos.

      1. Etapa sensório-motora – 0 a 2 anos – surge a linguagem – forma-se a inteligência sensório-
         motora.
      2. Etapa simbólica – 2 a 4 anos – surge o pensamento simbólico.
      3. Etapa intuitiva – 5 a 7 anos – surge o pensamento intuitivo – desenvolve-se o pensamento
         reversivo.
      4. Etapa concreta – 8 a 12 anos – surge o pensamento concreto – aprende-se a partir do concreto.
      5. Etapa abstrata e analítica – adolescência em diante – desenvolve-se o pensamento abstrato-
         analítico.

Mesmo com a estrutura fisiológica do cérebro desenvolvida, não há garantia de que será utilizada pelo
educando devido a vários fatores, alguns fatores culturais e de desconexão com a realidade (alienação) que
o dificulta acessar o problema e suas relações causais.

Por isso, as fases abaixo, tratam de “Idade Mental” e não necessariamente obedecem à ordem cronológica
apresentada por Piaget.




10
     Segundo estudos genéticos de Piaget.
                                                                                                       12
                                     FASES DA APRENDIZAGEM POR VIVÊNCIA

                                            FASE 1 – VIVÊNCIA – Concretista
                                                Enxergar a si mesmo no mundo
         Pretende-se nesta fase trazer à luz para o educando suas habilidades, pontos fortes e fracos de sua
    personalidade, afirmação do eu (auto-estima) se vendo como sujeito individual, conhecer exemplos de
    problemas e entender e reproduzir soluções, despertar para a possibilidade de criar a partir de modelos.
         Nesta fase “define-se” a auto-estima e se toma consciência de algumas habilidades que se destacam e é comum se formar
    grupos de interesse – “Panelinha”

        Uso de jogos e dinâmicas de:
         Construção, Reprodução de modelos, Montagem de estratégias, Negociação, Processo decisório,
           Criatividade.

                                              FASE 2 – RELATO – Teorização
                                                Saber falar de si e ouvir os outros
          Aqui se aprende a construir raciocínio reverso, usar a memória, a linguagem e estruturação mental para
    construir COMUNICAÇÃO. Toma-se consciência da existência do Outro, adquire autocontrole da mente para
    saber ouvir e a imaginação desenvolvida para se colocar no lugar do outro em situação de Diálogo, sem
    identificação concreta. Compartilhar sentimentos, reações, sonhos... Nesta fase se produz auto-conhecimento e gera crise
    no egocentrismo e aquilo, antes, “normal” porque aprendido no seu universo particular é confrontado por outros valores e jeitos
    diferentes de ser.

    Algumas atividades para a fase de relato:
       o Mural de relato, Baralho dos sentimentos, Painel com perguntas

                                           FASE 3 – PROCESSAMENTO – Análise
                                                Entender e interagir com a realidade
          Nesta fase se aprende a enxergar a situação e suas circunstâncias de forma clara, identificar o que precisa ser melhorado e
    traçar estratégias para alcançar o aperfeiçoamento. Pode-se trabalhar com situações forjadas em jogos, mas também se pode
    trabalhar com experiências concretas das famílias, escolas... A situação objeto da análise deve ser conhecida de todos do grupo, ou
    porque vivenciaram ou porque o relato de alguém (fala ou texto) foi claro o bastante.
            •      Análise do ocorrido durante o jogo (ou relato ou leitura)
            •      Avaliação das atuações dos personagens

    Algumas atividades para a fase de processamento:
         •      Painel livre e seleção coletiva de situações
         •      Roteiros estruturados de discussão
         •      Perguntas geradores que problematizam a situação e aprofundam a reflexão
         •      Questionamentos individuais


                                   FASE 4 – GENERALIZAÇÃO – Análise sistêmica
              Comparações e analogias com a realidade entendendo os por quês das coisas e dos sentimentos.
Nesta fase, deve-se aprender a enxergar várias situações se entrelaçando, entender que causa e efeito são a “mesma” realidade em
movimento (dialético). Perceber que as circunstâncias são criadas, criam, reordenam e se realimentam infinita e indefinidamente. Se
enxergar nesse universo e repensar seu papel no mundo. Trabalhar com realidades complexas, construindo sistemas dinâmicos através de
redes de idéias concatenando-as de forma lógica e compreensível, percebendo também os aspectos subjetivos que as permeiam. Analisar,
questionar e rever “valores” e verdades pré-definidos.

Algumas atividades da fase de generalização:
      • Analogias e comparações
                                                                                                                               13
        •    Complementação de frases
        •    Uma pessoa inicia uma frase outra continua;
        •    Simulação da realidade

                                FASE 5 – APLICAÇÃO – Práxis – (Teoria e Prática)
              Capacidade de planejar – se projetar para o futuro, mas atuar nos espaços reais do presente;
      Nesta fase, o educando deverá ser capaz de perceber a realidade, unir as partes de um TODO de forma lógica e
sistêmica, definir estratégias, levantar os meios/recursos, se ajustar psicologicamente, construir conhecimentos
técnco-instrumental e intervir na realidade para transformá-la.
      Algumas características desta fase:
      Definição e consolidação de seu papel no mundo considerando a si mesmo e as relações com os outros –
         com seus desejos e necessidades - como realidade complexa e em mudança;
      Maturidade para praticar ações sensatas considerando as dinâmicas e sistemas nos quais se está inserido;
      Visão ampliada do todo, distinguindo criticamente as partes;
      Adoção de postura visando servir e atender a si e aos outros com critério e criticidade;
      Comprometimento com mudanças e resultados desejáveis;
      Maturidade/Diálogo;
     Algumas atividades para a fase de Aplicação:
         – Metas de auto-desenvolvimento –– Plano/Projeto de Vida;
         – Planos de melhoria setorial - Planejamento Pessoal e intervenção em área específica;
         – Pesquisa e análise do contexto;
         – Ações práticas de transformação de si mesmo e do meio: exercício da cidadania, vocação pessoal e
             exercício profissional...
         – Capacidade de definição e execução das estratégias – Interação, Parcerias, Investimento financeiro,
             investimento em cursos específicos por demanda...



                                            Aprender através de Vivência

              O Método de Vivência em geral é aplicado nas pedagogias que prevê a formação através da
     resolução de problemas. Para solucionar tal problema um grupo faz um projeto de intervenção visando
     transformar a realidade atuando no presente tendo em vista uma nova realidade futura.
              A discussão sobre pedagogia de projetos não é nova. Ela surge no início do século XX, com John
     Dewey. Já naquela época, a discussão estava pautada numa concepção de que educação é um processo de vida
     presente e não uma preparação para a vida futura e a escola deve representar a vida presente. Mas de forma crítica fazer que
     os educandos vejam a possibilidade de não só reproduzir o que existe na sociedade, mas corrigi-la considerando valores do
     grupo, mas também ser crítico em relação a tais “valores”;
              As características fundamentais do trabalho com Projeto são a responsabilidade e autonomia
     dos educandos que são co-responsáveis pelo trabalho e pelas escolhas ao longo do desenvolvimento dos
     trabalhos que cada um deve entender como seu próprio desenvolvimento pessoal. Em geral as atividades
     são feitas em equipe e usam saberes interdisciplinares, motivo pelo qual a cooperação está também quase
     sempre associada ao trabalho de projetos e dispensa a formação de turmas homogenias. Esta forma de
     trabalhar extrapolou a escola e é adotada por ONGs e associações que trabalham com formação.
              A Pedagogia de Projetos traduz uma determinada concepção de conhecimento escolar, trazendo à
     tona uma reflexão sobre a aprendizagem dos jovens e os conteúdos das diferentes disciplinas.
     Diferentemente da Concepção Cientificista, onde os educadores e educandos enxergam o conhecimento
     como algo já pronto e acabado e que os estudantes ainda não detém. Assim o professor se prende à
     transmissão de um conhecimento disciplinar e acha que não pode abrir uma discussão com os jovens, ou
     propor um trabalho de grupo, pois isso significaria perda de tempo e o não "vencimento" dos conteúdos,
     ao final do período.


                                                                                                                             14
        A Pedagogia de Projetos afirma que não se pode separar o processo de aprendizagem dos
conteúdos disciplinares do processo de participação dos jovens e nem desvincular as disciplinas da
realidade atual. Os conteúdos disciplinares não surgem do acaso. São fruto da interação dos grupos
sociais com sua realidade cultural e as novas gerações não podem prescindir do conhecimento acumulado
socialmente e organizado nas disciplinas. Também não é possível descartar a presença dos jovens com seus
interesses, concepções, sua cultura, principal motivo da existência da escola.
        A Pedagogia de Projetos, portanto, traz uma Concepção Globalizante, pois permite aos jovens
analisar os problemas, as situações e os acontecimentos dentro de um contexto e em sua globalidade,
utilizando, para isso, os conhecimentos presentes nas disciplinas e sua experiência sócio-cultural.
        Com os projetos de trabalho há uma possibilidade de evitar que os jovens entrem em contato com
os conteúdos disciplinares, a partir de conceitos abstratos e de modo puramente teórico. Nessa mudança
de perspectiva, os conteúdos deixam de ter um fim em si mesmos e passam a ser meios para
ampliar a formação dos jovens e sua interação na realidade de forma critica e dinâmica. Os conteúdos
disciplinares passam a ganhar significados diversos a partir das experiências sociais dos jovens, envolvidos
nos projetos.
        Os Projetos de Trabalho trazem nova concepção de sequenciação fundada na dinâmica, no
processo de "ir e vir", onde os conteúdos vão sendo vistos de forma mais abrangente, aprofundada e
contextualizada, dependendo do conhecimento prévio e da experiência cultural dos jovens, bem como do
que se propoem como objetivo de vida a ser alcançado. Assim, um mesmo projeto pode ser
desencadeado em turmas de níveis diferentes, recebendo tratamento diferenciado, a partir do perfil das
pessoas e dos grupos. Só a vivência definirá os caminhos e os níveis. A avaliação acontece “naturalmente”.
        É preciso que os jovens se apropriem desses novos conteúdos e para isso a intervenção do
educador é fundamental, no sentido de criar ações para que esta apropriação se faça de forma significativa.
Isto poderá ser feito a partir da organização de “momentos” de aprendizagem, onde o educador irá criar
atividades visando a um tratamento mais detalhado e refletido do conteúdo trabalhado. Assim, geram
necessidades de aprendizagem de novos conteúdos que poderão ser aprofundados, sistematizados... Por
sua vez, irão repercutir sobre as situações e intervenções dos jovens em outras situações da vida.
        Para outras situações que mereçam atenção, em geral um problema que precisa ser resolvido,
surgem novos projetos. O mais importante é que os problemas ou temáticas e soluções apontadas passem
a ser de todos para se fazer um trabalho coletivo.
        No desenvolvimento de um projeto, três etapas devem ser configuradas: a)-problematização, b)-
desenvolvimento e c)-síntese (sistematização): destes passos dependem e se repetem em níveis diferentes o
tempo todo, isto é, uma constante unipresente em todas as atividades e processos. Os jovens já trazem
hipóteses explicativas, concepções sobre o mundo que o cerca. E é dessas hipóteses que a intervenção
pedagógica precisa partir; pois, dependendo do nível de compreensão inicial dos jovens, o processo toma
caminhos diferentes. Nessa fase, o educador levanta o que os jovens já sabem e o que ainda não sabem
sobre o tema em questão (avaliação). É também a partir das questões levantadas nesta etapa que o projeto
é assumido e organizado pelo grupo. É o momento em que se criam as estratégias para buscar respostas às
questões e hipóteses levantadas na problematização.
        Aqui, também, a ação do jovem é fundamental. Por isso, é preciso que os jovens se deparem com
situações que os obriguem a comparar pontos de vista, rever suas hipóteses (auto-avaliação), colocar-se
novas questões, deparar-se com outros elementos postos pela ciência. Para isso, é preciso que criem
propostas de trabalho que exijam a saída do espaço “menor” (familia, escola, grupo do projeto...) e alcance
a sociedade maior, para tanto pede-se organização em grupos (pequenos ou grandes), o uso da biblioteca,
da própria internet, enciclopédias, a vinda de pessoas convidadas, entre outras ações. Nesse processo, os
jovens devem utilizar todo o conhecimento que tem sobre o tema e se defrontar com conflitos,
inquietações que os levarão ao desequilibrio de suas hipóteses iniciais.
        Em todo esse processo, as convicções iniciais vão sendo superadas e outras mais complexas vão
sendo construidas. As novas aprendizagens passam a fazer parte dos esquemas de conhecimento dos
jovens e vão servir de conhecimento prévio para outras situações de aprendizagem.
        Apesar de serem destacados nesse resumo três momentos no desenvolvimento de um projeto, os
projetos são processos contínuos que não podem ser reduzidos a uma lista de objetivos e etapas. Refletem
uma concepção de conhecimento como produção coletiva, onde a experiência vivida e a produção cultural
sistematizada se entrelaçam, dando o (re)significado às aprendizagens construídas. Por sua vez, estas são
                                                                                                         15
utilizadas em outras situações, mostrando, assim, que os jovens são capazes de estabelecer relações e
utilizar o conhecimento aprendido, quando necessário.
         Todas as situações didáticas são experiências de situações reais, sinceras com as demandas dos
jovens e as estratégias são aquelas passiveis de serem adotadas no cotidiano, portanto, aprendizagem por
vivência11.


                             FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO MÉTODO
        A Educação sempre foi objeto de estudos e pesquisas ao longo dos séculos e a história da
educação é rica em formas e nuances que caracterizam diferentes povos em diferentes épocas. A
História da Educação traz registros das pedagogias aplicadas em diferentes povos: persas, egípcios,
romanos, gregos, judaicos etc. Cada pedagogia elabora um método que seja mais adequado para
responder ao que se propõe alcançar como saber valoroso que precisa ser transmitido às gerações
futuras.
        Sobre pedagogia e métodos temos forte influência dos romanos e gregos e praticamente até
hoje vivemos um modelo sistematizado na Idade Média quando se valorizou a socialização de
conhecimentos e isto se dava através do repasse por alguém que dominava tal saber. Como uma
mesma pessoa precisa de vários saberes – falar, lutar, ser gentil, negociar... – precisava de vários
sábios para ensiná-la diferentes técnicas e profissões. O Pedagogo12 como profissão nasce daí, ele é a
pessoa que acompanha o aprendiz para levá-lo aos diferentes sábios e ajudá-lo na aplicação dos
saberes, assim, pedagogo não necessariamente é o que sabe os conteúdos, mas o que sabe o
caminho para o conhecimento. Deste modo, o sábio – o profeta/professor/profissional – ensina, o
pedagogo educa (prepara para a vida). Assim, ele deve ter uma Filosofia de vida aceita por quem o
contrata e desenvolver um método eficaz para o aprendiz saber aprender e saber usar bem o que
aprendeu reelaborando e criando estratégias de aplicação.
        Visto assim, nossas escolas hoje, ensinam ou educam? Ou nenhum dos dois? Ou os dois?
Parece que hoje há uma confusão de papéis dos nossos professores, ensinadores/repassadores, das
escolas que se acham educadores (pedagogos), que preparam para a vida. Acabam não fazendo bem
nem uma coisa nem outra.
        Então, nós, como educadores nos dias atuais, a fim de resgatar esse conceito de educação:
preparação para a vida em sociedade, temos estudado e tentado elaborar vários métodos que não
separem a aprendizagem e a vida real.
        Vamos tratar aqui um pouco dessa discussão que é até onde chegamos em entendimento e
aplicação, onde a principal prática é através de projetos visando transformar a realidade social
melhorando a qualidade de vida das pessoas. Nesse processo se faz educação.
        Para que se possa confrontar a prática com as diferentes concepções atualmente presentes no
mundo da educação, dê uma olhada no quadro das tendências pedagógicas – em anexo - onde são
comparadas as várias concepções.
        Dentre as pedagogias libertárias temos o método de aprendizagem através da vivência onde
as experiências concretas são problematizadas e reorientadas por um educador.
        Este método é baseado em várias teorias da educação, dentre elas a teoria de Jean Piaget que
demonstrou, através de suas pesquisas genéticas, que a aprendizagem se dá por um processo
contínuo de elaboração e está sempre em acordo com o ambiente. Assim, toda aprendizagem na
natureza está sempre ligada à necessidade de sobrevivência.
        Já o ser humano possui realidade simbólica construida e representada pela linguagem e é
capaz de reorganizar o ambiente natural criando um ambiente próprio, diferente e “separado” da
natureza. Assim, principalmente depois de conhecer as teorias de Vygotsky , Piaget admite que os


11
     http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=teoria+psicogen%E9tica&btnG=Pesquisa+Google
12
     Pedagogia = A palavra Pedagogia tem origem na Grécia antiga, paidós (criança) e agogé (condução).
                                                                                                         16
humanos, pelo poder de manipular o ambiente pode criar situações específicas (mediadoras)
imitando as situações reais, favoráveis à construção de conhecimentos promovendo oportunidades
de resolver problemas desafiadores. Os problemas sugeridos podem ser de qualquer natureza, em
geral utilizado na forma de jogos que exigem criar estratégias e redefini-las várias vezes durante a
atividade aumentando progressivamente o grau de complexidade. Depois de o educando aplicar as
estratégias em situações simuladas seu cérebro as adotaria para resolver problemas noutras
situações correlatas que se encaixem no padrão construído.
        Ao estudar a evolução física do cérebro humano Jean Piajet propôs uma cronologia que
corresponderia ao período em que a pessoa estaria apta para responder a estímulos externos
apresentando determinadas capacidades de formulações cada vez mais complicadas.
        Devido a essa visão evolutiva das capacidades que seriam construídas gradativamente,
conforme se formava fisicamente o cérebro, sua teoria ficou conhecida como “construtivismo”.
        Um outro estudioso Henri Wallon continuou os estudos genéticos e propôs um método de
ensino que respeitasse as capacidades particulares individuais de produção e que fosse
interdisciplinar e considerasse o aprendiz como um TODO indivisível (Corpo, Sentimento, Intelecto).
Assim, não há como separar o ser que pensa e aprende do ser que sente - se frustra e desanima;
comemora e vibra - conforme o ensino tradicional que trabalha as disciplinas separadas e não
considera os processos individuais e privilegia um aspecto - o (cognitivo) - sobre os demais.
        WALLON considera então os aspectos afetivo, cognitivo e motor, procurando mostrar, nos
diferentes momentos do desenvolvimento, quais são os vínculos entre cada um e suas implicações
com o TODO representado pela PERSONALIDADE – que é a parte manifestada do indivíduo (a ponta
do iceberg). Deste entendimento chega-se a quatro grandes temas separados, mas que agem e só
podem ser percebidos juntos, fundamentais de sua teoria: emoção, movimento, inteligência,
personalidade. Por isso, o material didático adotado deve abordar de forma integrada, temas como
expressividade, emoção, gestualidade, movimento, representação mental, pensamento discursivo,
isto vai favorecer a aprendizagem. A escola não deve dissociar a formação da inteligência da
formação da personalidade, pois a inteligência é um item que faz parte no todo constituído pela
pessoa, e seu desenvolvimento está associado ao desenvolvimento das outras esferas.
        O educador tem um papel diferenciado no grupo, pois ele “é o responsável pela unidade do
grupo, podendo receber as manifestações das “crises infantis” com o distanciamento necessário para
não as comprimir nem se submeter a elas. (...) O educador é valorizado também do ponto de vista do
conteúdo. Não se deve colocar como exclusivo detentor do saber e único responsável pela sua
transmissão, mas tampouco abdicar deste papel, submetendo-se indiscriminadamente à
espontaneidade infantil”. Izabel Galvão 13
        Com base nos estudos apresentados, Lauro de Oliveira Lima , no seu livro: "A Escola
Secundária Moderna" faz uma comparação do que representa estas teorias e o que elas trazem de
mudanças se comparadas á pedagogia antiga (tradicional). As comparações a seguir são apenas um
resumo retirado da obra citada.




13
     http://www.crmariocovas.sp.gov.br/dea_a.php?t=009
                                                                                                 17
                         EDUCAÇÃO TRADICIONAL X MÉTODO PSICOGENÉTICO
                 TABELA DE COMPARAÇÃO ENTRE OS DOIS MÉTODOS DE APRENDIZAGEM
ESCOLA TRADICIONAL                                 MÉTODO PSICOGENÉTICO
Ensino – apresentação de conteúdos alheios         Aprendizagem – entender a origem e o porquê das coisas
Aula expositiva – repasse de conteúdo              dinâmica de grupo e pesquisas para desencadear diálogo
Dar aula (apresentar verdade pronta como           orientar um período de aprendizagem
sinônimo de “conhecimento”)
Aula/Ensino – exposição, repasse de conteúdos    “brincadeira” – temas de interesse, reflexão, apresentação de
                                                 subsídios
Memórização (como sinônimo de saber)             inteligência (solução de problemas)
Tortura – opressão, cobranças externas           Prazer – curiosidade, realização pessoal
"Caretice" – assuntos/conteúdos e escola chatos "cabeça-feita", Curiosidade satisfeita através de pesquisa
"Psicodélico" – dinâmicas “programadas”, temas e Criativo – adaptável ao contexto, democracia verdadeira, flexibilidade,
assuntos engessados, animação confundida com leveza, dinâmica sistêmica (relativa ao contexto)
motivação
                                                 Relaxamento – educando se abriga
FRAUDE – JOVENS SE OBRIGAM
Recursos áudios-visuais (parafernália de         técnicas de aprendizagem (“situação problema” que desafia a
equipamentos para manipular melhor)              imaginação e inteligência)
"Eu tô na minha, se preparem"                    "Estamos juntos, nos organizemos"
Programa pré-pronto                              Objetivos coletivos, sonhos almejados
Multidisciplinaridade                            interdisciplinaridade
Linearidade                                      complexificação
Educador (como indivíduo)                        equipe interdisciplinar e Educandos (escola como um corpo)
Memória - reprodução                             Criatividade - criticidade
Repressão (proibições/ terrores                  "É proibido proibir" – comprometimento, construção coletiva, evolução
irracionais/punições)                            natural...)
Saber escolar                                    saber de rua – da vida – lição de vida
Fazer o que mandam                               Compreender e fazer o que é necessário
Acerto=recompensa / erro=punição                 Acerto=proximidade / Erro=tentativa de acerto
Avaliação pelo educador                          Auto-avaliação e equipe de educadores
Perspectivas                                     necessidades
Heteronomia                                      autonomia
Engajamento acrítico                             crítica da realidade
Equilibração-acomodação                          Desequilibração - problematização
O que fazer                                      para que e porque fazer
Produto                                          processo
Rendimento                                       ludicidade
Perfeito                                         possível
Mando/obediência                                 Discussão/diálogo
Autoritarismo/status de poder                    Autoridade/liderança
Imposição/coerção                                Diálogo, Respeito, desafios, persuasão
Decisão unilateral                               decisão grupal/coletiva
Resposta pronta                                  Desafios/conquista/descoberta
Individualismo                                   Cooperação
Adestramento (fazer por repetição)               Crescimento (usar a dedução lógica)
Macetes, dicas de memorização                    Construção, desenvolvimento de estratégias
Co + ação (coerção/repressão)                    co + operação (parceria/incentivo/realização)
Dever – tarefismo/obrigação                      Cooperação – planejamento/prazer em se aperfeiçoar
Chefia (dono/superior/mandatário)                liderança (parceria/fraternidade/igualdade)
Prêmio e castigo                                 Auto-análise e grupo-análise
Educador: informador                             Educador: mediador/orientador/facilitador/problematizador
Educando: ouvinte/passivo/cumpridor              educando pesquisador/ativo/realizador
Escola = casa do educador                        Escola = casa do educando/estudante
Escola = Sistema de ensino                       Escola = Espaço de aprendizagem

                                                                                                                      18
       A Teoria psicogenética, portanto, cria um jeito fraterno de interação entre o educador, a
escola e os educandos, com diálogo autêntico/horizontalizado, cumplicidade... Muda radicalmente a
relação ensino/aprendizagem. Exige que o educador tenha conhecimentos ampliados de processos
de construção de conhecimentos e não a simples reprodução através de repasses mecânicos de
conteúdos14. Mas os conhecimentos deverão ser construídos pelos jovens e o educador reúne as
condições e atos didáticos que favoreçam a aprendizagem, nesse contexto entram os caminhos para
se alcançar o Problema e os conteúdos necessários à sua resolução. Assim, o educador ao iniciar uma
aula – ou encontro - deve ter claro os objetivos a alcançar, (de preferência que tais objetivos sejam
construídos pelo grupo e que represente soluções para situações-problemas reais. De qualquer forma,
os educandos devem concordar e aderir aos objetivos e fazer acordo de convivência – regras
consensuais - para alcançá-los) e saber recorrer aos meios que levam a tais objetivos. Sem esquecer
que a didática fundamenta-se prioritariamente na psicologia15 e que o educador não pode
unicamente apoiar-se no pedagógico16. Resumimos aqui algumas orientações para os educadores
praticarem conforme o Método Psicogenético .

1. Não ensine: provoque a atividade mental do educando, para que a criança veja várias estratégias
    possíveis e as testem. O educando deve aprender a aprender;
2. Leve os educandos a discutirem entre si a situação proposta e respeite suas conclusões, pois a solução
    dada corresponde ao seu nível mental (não existe certo e errado) – a mesma discussão pode ser
    trazida posteriormente;
3. Não trabalhe na base da linguagem (sendo um produto social assimilado por imitação, a linguagem
    nada diz sobre o verdadeiro nível de desenvolvimento do educando); (vygotsky tem algo a dizer sobre a
    linguagem e vale a pena conferir).
4. Não prestigie a memorização, mas a capacidade de construir graus de complexidade e adequação
    lógica. Avalie observando a capacidade de inventar e descobrir soluções. Pode ser problemas
    simulados, mas privilegie os problemas reais do seu meio;
5. Comporte-se como técnico do time de futebol: estimule, sugira, critique, mas não jogue, mas
    disponibilize troca de experiência tanto entre o grupo como trazendo experiências de fora, do tipo,
    pode mostrar que alguém já inventou a roda e aplicou para alguma coisa. Isto amplia a capacidade de
    reflexão, estimula e atualiza os saberes;
6. Use como "material" o que existir no mundo do educando (seja uma favela ou de um bairro rico).
    Lembre-se, ao mesmo tempo em que as mentes “primárias” são concretistas (o corpo, por exemplo,
    tem grande importância) paradoxalmente são místicas e fantasiosas (contos de fadas, divindades etc.).
7. Sempre que a criança superar um patamar, complexifique a situação (sem isto, a criança se
    "especializa" na solução obtida e se acomoda) para gerar uma desadaptação e nova necessidade que
    motiva;
8. Na alfabetização e leitura e interpretação do mundo utilize as marcas e logotipos; propagandas,
    músicas... que estão espalhados por aí e são utilizados no dia a dia da família. Aproveite frase
    coloquiais e reflita sobre as construções e diferentes linguagens. (Não se prenda às cartilhas e livros
    didáticos, os educandos podem produzir seus próprios livros didáticos pesquisando no ambiente local e
    na literatura “universal”);
9. Organize os educandos em grupos (pode até tomar como modelo inicial o escotismo), deixando que
    eles criem as regras de convivência (educação moral e cívica é democracia). Organize o ambiente
    (disposição das cadeiras e acesso a material didático) de modo que facilite a comunicação e interação;
10. Leve os educandos a compreender o que fizeram ("tomada de consciência") – Raciocínio Reverso -
    quer a atividade seja motora, verbal ou mental (incluindo, aí, os atritos surgidos entre as crianças)
    (Lima, 1984a, p. 70).

14
   Os professores que agem assim serão facilmente substituidos pelos equipamentos tecnológicos como DVDs;
15
   Respeitando o jeito de ser, os ritimos, os traumas, sofrimentos; vitórias e alegrias... enfim, as prioridades do educando;
16
   Pedagogia entendido aqui como um caminho pré-definido a se percorrer para chegar ao conhecimento tratando a turma
como “massa” e os educando que passam por algum tipo problema como incapazes e inaptos em relação, por exemplo, ao
livro didatico ou achar as respostas “verdadeiras” que precisavam ser alcançadas.
                                                                                                                           19
                                     A REVOLUÇÃO DE PAULO FREIRE

        Paulo Freire17 considerou os estudos de Piaget, Vygotsky... - mas ponderou que a evolução
não se dá de forma mecânica nem obedece necessariamente a uma regra cronológica física, mas há
sim, por cada pessoa, uma constante reformulação de saberes para solucionar problemas diferentes
que aumentam o grau de complexidade conforme se depara com situações estimuladoras que
contribuem para ampliar a consciência sobre a realidade. Sem experimentar situações/experiências
diferentes a tendência é a reprodução infinitamente de esquemas aprendidos e aceitos pelo grupo.
Em geral tais esquemas são “impostos” pela classe dominante.
        A idade mental, pelo que se pode observar, não corresponde automaticamente à idade
cronológica, embora seja freqüente em determinadas faixas etárias encontrar maior número de
pessoas com características semelhantes. Mas as capacidades das pessoas estão ligadas às suas
experiências, de modo que cada um tende a reproduzir saberes tidos como válidos sem pensar a
respeito assim, os saberes (re)passados de forma pronta e acabada como temos na escola só
interessa aos dominantes, pois a história que conhecemos é a versão dos vencedores - levam a uma
ilusão de que já se aprendeu e gera uma acomodação alienada18 - (ou mesmo negadora de sua
própria realidade) - colocando um véu sobre sua realidade (moral, religiosa, social, econômica,
política...), para a qual é cego e tolo, e reproduz feito uma máquina, um autômata19 pré-programada.
Essa cegueira perpetua a situação injusta Dominador X Dominado que se retroalimentam. Estas
características de alienação podem ser encontradas em grupos inteiros em todas as faixas etárias.
        A escola repassadora (apenas instrucionista, escrava do livro didático) eterniza a pobreza
política e cultural de nossa sociedade. Como pode se observar em todas as fases, mas principalmente
a partir da “5ª série” do ensino fundamental, a escola humilha e torna, segundo Pedro Demo20, as
pessoas imbecis por que não as ensinam a pensar.
        O Método que liberta desse círculo vicioso deve descolar do modelo tradicional – indutivo21 e
de fora pra dentro (o educando deve se encaixar no mundo construído). E construir outro modelo que
seja dedutivo22 e de dentro pra fora (o educando deve materializar na história seu mundo interior e
nessa interação se reconstruir). Mas, não deve descuidar e deve ser crítico e reflexivo, pois o que vem
de dentro antes de alcançar a libertação – que nunca é plenamente alcançada - é nuances da
memória e da lógica de “dominado”. Só aos poucos a libertação acontece e ela não é doada nem

17 http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=Paulo+Freire&meta
18 http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=karl+marx&meta=on
19 Indivíduo de comportamento maquinal, executando tarefas ou seguindo ordens como se destituído de consciência, raciocínio, vontade

própria / espontaneidade, um tarefeiro subserviente, como a escola busca.
20 http://www.fiocruz.br/vpeic/media/falas%20e%20fotos%20cap6.pdf
21 A INDUÇÃO parte do particular (menor parte) e generaliza formando um TODO maior e mais complexo. Na relação ensino-

aprendizagem é comum os professores aplicarem exercícios e dinâmicas com intensão predefinida de construir álibe para alcançar uma
conclusão também predefida que o professor considera importante atingir. A manipulação é fácil e fatal nessa relação. Assim, o a-luno
(a=sem / lune=luz) é “conduzido” pelo professor (profeta=iluminado) a um caminho “bom”. Isto se chama adestramento e por melhor que
seja a intensão do professor está-se reproduzindo a relação DominadorXDominado. Até porque as situações didáticas adotadas aqui,
disposição das cadeiras, hierarquia de poderes, graus de saberes e experiências diferenciados. Enfim, o educando é encurralado e
obrigado a experimentar o que querem que experimenta. Nada do que traz de fora é aceito, a não ser se isso facilita a manipulação pelo
hábil e esperto professor. Perguntas chaves: O QUE É? COMO SE FAZ? O educando deve ser capaz de entender mecanicamente e
reproduzir exatamente do jeito que lhe foi ensinado. Saber isto já basta.
22 A DEDUÇÃO parte do geral – um TODO (um tema, um objeto, um problema...) e caminha em direção às PARTES menores. A

aprendizagem se dá nesse caminhar buscando captar as partes menores e depois, num raciocíneo critico-reflexivo, entender o todo.
Como o TODO nunca é exatamente a soma das partes e as partes se manipuladas de forma diferente gerariam outro TODO, começam
as crises e os questionamentos, até porque num dado momento as próprias partes se perdem no mundo indefinido de partes cada vez
menores (átomos) e assim o educando que tinha aquele TODO apresentado no início como verdade agora tem um grande vazio repleto
de possibilidades infinitas. Então aqui o educando - através da reflexão - se libertou da verdade incial pré definida e pode se reconstruir.
Perguntas chaves: POR QUE? E AGORA? O educando deve ser capaz de entender dialeticamente (de forma sistêmica) e reconstruir
conforme sua necessidade, mas com consciência de que suas construções podem e devem ser ininterruptamente revistas e refeitas.
                                                                                                                                        20
trazida por outros, mas só o educando (e todos somos educandos) num processo continuo de
reflexão (entender os por quês) pode se resgatar e adquirir autonomia.
        Isto é possível e o educador pode contribuir nesse “renascimento” trabalhando com o
educando de forma crítica sobre sua própria realidade, propondo dúvidas e questões mais complexas
e profundas. A realidade apresentada para ser discutida pelo educando e aproveitada pelo educador
deve ser a realidade – objetiva e subjetiva23 - vivida e experimentada efetivamente por ele, pois só
assim ele terá capacidades reais de intervir de forma intencional, consciente e pro ativa na
reconstrução e transformação de sua realidade. Isto tornaria o ser humano livre, pois poderia
escolher e (re)construir sua própria história.
        Daí, por ser um jeito de trabalhar considerando o educando e seus saberes e
instrumentalizando-o para fazer-se a si mesmo sem a necessidade de dominar os outros nem
submetendo a nenhum dominador, sendo livre de idéias pré-concebidas e ditadas de fora, livre dos
preconceitos e das necessidades de construir uma imagem artificial para ser aceito pelo grupo,
desfazendo dos fardos do certo e errado, vencendo a ignorância... Surge a “Pedagogia da Libertação”
sistematizada por Paulo Freire e adotada pelos movimentos sociais e igrejas progressistas.
        Sobre isso, a Igreja Católica desenvolveu um método simples para realizar seus trabalhos
sociais de base que ficou conhecido como “método VER, JULGAR e AGIR”.
        Também sob essa orientação teórica, buscando a efetiva participação das pessoas nos grupos,
foram desenvolvidas várias ações visando re-educar a população usando técnicas que previam
diálogo e construção coletiva. Tais iniciativas ficaram conhecidas genericamente como EDUCAÇÃO
POPULAR. Temos então o MEB (Movimento de Educação de Base) e tantos outros.

         E os CONTEÚDOS?

         Embora Paulo Freire não negue a importância dos conteúdos, ele próprio era muito bem
formado intelectualmente (instruído). Mas, talvez devido a sua forte ênfase criticando as relações de
poder autoritárias e a forma bancário de repasse de informações nas escolas, - entendido
equivocadamente como educação e construção de conhecimento - “sua” Pedagogia tem dado
margem a algumas interpretações – ingênuas ou maldosas. Tais críticas vão o sentido de acusar Paulo
Freire de não valorizar e até negar o saber sistematizado como importante no processo de educação.
         As classes dominantes exploram isto absurdamente. Neste sentido, Demerval Saviane, tem
enfatizado a importância de que a construção de conhecimento deve seguir acompanhada
simultaneamente: 1-Identificação e colocação do problema; 2-Debate analítico/critico sobre o
problema e suas causas aproveitando (até o esgotamento) os saberes do grupo; 3-Chegando a
impasses, então se sugere pesquisas sobre o assunto – saberes sistematizados/conteúdos – de fontes
externas ao grupo, sobre o assunto–problema; 4-Em seguida retorne ao diálogo crítico e assim,
sucessivamente, ampliando a consciência de forma evolutiva e infinitamente, até o ponto em que o
grupo esgote todos os saberes sistematizados existentes, assim, superando-os, comece a construir
novos conhecimentos. Como resultado se terá um educando eterno estudante, pesquisador que
contribuirá efetivamente para a sociedade.



                                            O MÉTODO É DIALÉTICO


23 Isto é importante porque questões para educação precisam ser “questões-problemas”. P.ex., uma criança que mora ao lado de um
canal de esgoto aberto, ela sempre viveu ali e não tem aquilo como problema, mas é louca por um personagem da TV, o que ela vai
trazer não é o canal mas o personagem que habita sua imaginação. Esta seria a questão. Evidentemente, num dado momento em que
se estuda temas como saúde, higiene... o canal poderia aparecer e então ela o veria como problema. Só a partir daí, comporia também
“sua realidade”.
                                                                                                                                 21
         Hoje, é comum se ouvir muito sobre o método dialético e todos os movimentos sociais dizem
utilizá-lo em suas relações, nas atividades. Na prática, se formos rigorosos no entendimento de seu
significado, perceberemos que há equívocos importantes que se refletem nas relações autoritárias – às
vezes declaradas, mas normalmente sutis - e centralizadoras a partir de hierarquias pré-definidas em
“cartório” (diretor, coordenador, presidente...). Ou impostas pela força pelo fato de se deter o controle dos
recursos financeiros ou conhecimentos e informações privilegiadas. Daí advém mais e mais frustrações
com os resultados.
         Ao olhar mais de perto, se percebe uma profunda incoerência entre o discurso e a prática concreta.
Em geral, reproduzem aquilo que criticam afirmando nas ações práticas, o que dizem, em discurso, estar a
combater: coronelismos, clientelismos, servilismos, centralização etc. Enfim, relação de dominação eu-
(superior) x você- (inferior) – Eu sou OK, você não é OK24. O educando não é OK, mas poderá vir a ser,
“ter futuro” se fizer o que estou mandando e dizendo que é importante.
         O problema parece estar na assimilação mecânica do método, sem romper com compreensões “de
fundo” que reproduzem o “dominador/dominado” numa dicotomia inconsciente. A compreensão vai até
certo ponto e cessa quando alcança determinado grau de entendimento, pois chega num “lugar” cômodo e
então se estaciona numa acomodação conveniente e alienada que, se mexida, desestabiliza o poder (do
dominador). A partir de aqui a “problematização” deixa de ser bem vinda. Em alguns casos inclusive há
aparentemente uma inversão de papéis: o antes dominado (aluno) passa a ser o dominador, “o aluno agora
é quem manda”. No entanto, essa realidade é apenas aparente, pois o grande prejudicado é o educando
Assim, sem romper com a situação de injustiça tudo que se consegue imaginar é que “alguém tem que
mandar”, não concebe a democracia como possível.
         Há problema então quando o método é entendido como técnica mágica e se acreditar que ao
simples fato de ser adotado teoricamente nos planos e aplicado de forma mecânica já vai automaticamente
chegar aos resultados preconizados. Não vai.

                       HÁ UMA BASE FILOSÓFICA ANTES DO MÉTODO

       As teorias e os métodos, como tudo o mais na vida, não surgem do nada nem aparecem de
repente. Houve profundas mudanças no mundo no século XX, dentre elas, mudanças na forma
das relações de produção, de comunicação, de transporte, fabricação de bombas nucleares...
Devido ao incrível avanço da tecnologia.
       As pesquisas científicas derrubaram muitos saberes e crenças que justificavam uma série
de atitudes e comportamentos legitimando preconceitos e várias formas de discriminação.
Praticamente todos os ideais buscados pela humanidade e que seriam a solução dos problemas
foram atingidos e, para decepção de todos o milagre não aconteceu. Os medos, os sofrimentos e a
morte continuam presentes.
       As guerras, principalmente a 2a. Guerra Mundial, quebraram várias tradições antigas
judaicas, européias... e afirmou um novo modelo de desenvolvimento. O modelo americano:
individualista, pragmático, consumista, tecnológico... e a Guerra Fria trouxe a eminência do fim
do mundo pelas bombas nucleares.
       Nesse contexto, diante dos fracassos das “grandes” idéias milagrosas e diante do fim do
mundo eminente. O que resta fazer? Viver o hoje, ser feliz hoje, ser alegre e se divertir hoje, não
fazer guerra hoje... Assim, perde força uma corrente filosófica – o IDEALISMO - que persistiu por
séculos e fora reproduzido em praticamente todas as culturas conhecidas.
       No idealismo os Conceitos têm “vida própria” e estão acima das pessoas, de modo que, por
exemplo, em nome do conceito “Democracia”, se oprime e reprime um grupo ou nação; em nome
da Vida (ideal) se mata ou se morre; em nome da Felicidade ideal perfeita no futuro, se submete
resignado aos sofrimentos do hoje; as escolas massacram os educandos fazendo-os infelizes, para
o bem deles no futuro...


24Para a “Análise Transacional” nas relações o EGO (pessoa) pode manifestar de diferentes modos ou estados psicológicos: P.ex., se
achando/sentindo como: Pai, Adulto, ou Criança. Se colocando em perspectiva: EU SOU, VOCE É; EU SOU, VOCE NÃO É; EU NÃO SOU, VOCE É;
EU NÃO SOU, VOCE NÃO É;.
                                                                                                                                  22
        Nesse novo mundo ficou evidenciado que nenhum ideal, por mais “bonito e perfeito” que
fosse, evitava as guerras e as maldades que continuavam a existir. Nem mesmo Deus era um
porto seguro e não protegia ninguém, já que não protegeu os judeus, seu povo eleito, do massacre
na 2a. Guerra. Por estas e tantas outras, a base do IDEALISMO foi por terra.
        Mas não nos iludamos, sem dúvida, o idealismo está muito arraigado no inconsciente e
não conseguimos descolar dele tão facilmente. Muitos não descolam do Idealismo por
insegurança, com medo da “liberdade incondicional” – pois acham que as pessoas são más e,
livres, farão “besteiras” - (evidentemente quem acha isso dos outros se auto-exclui do grupo dos
maus e se coloca como sendo a reserva moral a controlar os outros). Outros tantos por pura
ignorância, estão tão inconscientes e alienados que não se dão conta do que está acontecendo
consigo próprio.
        Nessa conjuntura de profundas mudanças, ganha corpo uma nova concepção da existência
de homem e de mundo.
        O homem descobre que as bondades e maldades são feitas pelo próprio homem, uns
contra os outros. Mas o homem ao nascer não está predeterminado nem obrigado a viver desse
ou daquele jeito, ele se molda pela cultura. Daí é o próprio homem que se constrói. Então, se ele
nasce individualmente livre poderá evitar o mal no mundo, mas ele deve ser capaz de querer e
optar pelo bem e não pelo mal, pois, como livre, ele vai fazer o que quer e usar seus saberes para
isto. Como então, construir relações sociais que levem as pessoas a quererem fazer o bem e não o
mal? Mas o que é Bem e o que é Mal?
        A esta nova corrente filosófica, se chamou EXISTENCIALISMO, e a pessoa é levada a pensar
e relacionar com as coisas e as outras pessoas eternamente no presente. Uma relação concreta e
real feita por quem está na relação sem superiores/inferiores, mas todos livres e capazes de fazer
acontecer e conscientes de que para ser feliz basta estar feliz agora, sem esperar por situações
ideais no futuro.
        Como o Existencialismo mostra a pessoa, desde o nascimento, livre e desprotegida no
mundo é sobre a pessoa que cai toda a responsabilidade.
        Isto dá insegurança em algumas pessoas que teimam em negar a realidade
(principalmente dos outros, mas também suas como sentimentos que não se encaixam em
determinados padrões morais aceitos) e buscar sentido fora dela e caem de novo no Idealismo.
Então para se justificar constrói realidade “virtual” (transcendental/ideológica) e quer levar os
demais para aquele seu universo particular. Retorna, pois ao autoritarismo.
        Quando muitos passam a viver conforme tal ordenamento (Ideologia/Mentalidade), então
se tem uma Cultura. Portanto, exatamente na cultura estão os elementos opressivos que a pessoa
construiu para ela, só que estamos envolvidos pela cultura como os peixes na água, por isso não a
percebemos.
        Então, o principal papel do educador filósofo é desvelar o cotidiano fazendo que sejam
vistas as situações e o que elas trazem, sempre no tempo presente (hoje). Repensar a existência
(re)considerando o “normal” e o comum, como algo estranho que gera perplexidade.
Desconstrução e reconstrução infinita e indeterminadamente.
        Os idealistas “linha dura” fingem – mas não tem consciência de que estão fingindo - adotar
concepções libertárias que geram autonomia dos sujeitos e que trabalham a partir da realidade
dos educandos para reconstruir a realidade. No entanto, eles têm aquela outra realidade a ser
construída como ideal e o “método participativo”, considerando a existência concreta agora é
obrigação – agora é tido como ideal - ou seja, ele conseguiu transformar o Existencialismo em
Idealismo e o que seria para libertar em novas obrigação e novos instrumentos de opressão. Há
aqui uma evidente manipulação dos conceitos e aplicação equivocada e falsa do método.
        Como efeito “natural” disto é que como nada mudou “dentro” da pessoa, nada muda para
melhor na realidade histórica e, só há um simples revezamentos dos donos do poder ou
hipocrisia fazendo “liberdade” de mentira.



                                                                                               23
      UMA BREVE HISTÓRIA DAS METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS25

    Segundo Robert Chambers (1992), um especialista em desenvolvimento rural, nos anos 50 e
    60 os países industrializados pensavam que desenvolvimento rural era fácil, que eles tinham
    todas as soluções para os países não industrializados. Era só dispor de tecnologias
    “modernas” desenvolvidas na Europa e nos Estados Unidos da América e transferi-las para os
    produtores pobres que utilizassem técnicas “primitivas”. Não funcionou. Daí, técnicos e
    pesquisadores começaram a se dar conta de que “desenvolvimento rural não é fácil de fazer”.
         Numa tentativa de modificar a situação verificada e alcançar os resultados esperados, os
técnicos começaram a fazer diagnósticos (levantamentos tradicionais) para “identificar as
soluções corretas” para as áreas onde atuavam. Infelizmente a maioria destes diagnósticos não
deu certo porque estes eram:
a)Superficiais - os pesquisadores faziam observações pelas “janelas dos carros” sem realmente
      ver os campos;
b) Onerosos - demandavam muito tempo para coletar e analisar as informações, aumentando,
      assim, os custos do trabalho;
c) As informações eram incompletas ou inúteis - muitas vezes não se falava com os produtores, ou
      os mesmos não informavam à luz da verdade, ou ainda as informações levavam tanto tempo
      para serem coletadas e analisadas que, muitas vezes, não representavam mais a situação
      atual da comunidade.
        Além dos problemas com os diagnósticos, outros sérios problemas começaram a ser
reconhecidos por estes “trabalhadores de desenvolvimento”. Por exemplo, apesar das novas
tecnologias geradas e/ou introduzidas serem baseadas nos diagnósticos, estas não estavam
sendo adotadas pelo público alvo. Avaliações mostraram que estas tecnologias não eram
adotadas por não serem apropriadas às condições reais das populações de pequenos produtores.
        Geralmente, os especialistas não consideravam os fatores sócio-econômicos como, por
exemplo, mão-de-obra, posse da terra, disponibilidade de recursos, meios de comercialização e
outros.
        Para superar estes desafios, nos anos 70 e 80 especialistas na África, Ásia e América Latina
desenvolveram novas metodologias de pesquisa e extensão com a preocupação de conhecer
melhor os sistemas agrícolas, numa abordagem sistêmica e mais integrada.
        Não podemos deixar de mencionar que esta preocupação com pesquisas mais
participativas voltadas para a ação teve influência de métodos utilizados nas ciências sociais,
principalmente o enfoque pedagógico pregado e experimentado por Paulo Freire ainda na
década de 60.
        No final da década de 70, a partir da experiência no Instituto de Ciências e Tecnologias
Agrícolas (ICTA) da Guatemala, Hildebrand & Ruano (1979) desenvolveram a metodologia de
"Farming Systems Research and Extension" – FSRE, que em português seria conhecida por PESA-
Pesquisa e Extensão em Sistemas Agrícolas.
        O Centro Internacional de Investigação Agroflorestal (ICRAF) - partindo do pressuposto
que a FSRE se concentrava demais nas culturas anuais em detrimento de uma visão mais ampla
de sistemas de uso da terra, respondeu com o desenvolvimento de uma metodologia específica
para o desenvolvimento de sistemas agroflorestais, mas baseando-se na anterior.
        Esta metodologia ficou conhecida como Diagnostic and Design - D&D
(Diagnóstico e Desenho).
        Neste mesmo período várias outras experiências estavam ocorrendo e na década de 80
surgem as primeiras publicações com novos métodos de diagnósticos como DRR (Diagnóstico

25
  MANUAL DA METODOLOGIA Pesa - Uma abordagem participativa - Denise Regina Garrafiel
Francisco Rildo Cartaxo Nobre, Jonathan Dain - http://comunidades.mda.gov.br/o/890805
                                                                                                 24
Rural Rápido) e DRP (Diagnóstico Rural Participativo, uma derivação do DRR), AEA (Análise de
Sistemas Agroecológicos), entre outras.
       Estes métodos incluíram como instrumento fundamental, técnicas de diagnósticos que
consideram o “conhecimento local” e que são rápidas, integradas e relativamente baratas
(HILDEBRAND, 1986).

        As vantagens destes diagnósticos permitem que a aprendizagem progressiva seja flexiva,
exploratória, interativa e inventiva. Além de permitir mudanças de rumos necessárias (aprender
junto com as populações rurais, descobrir e usar os seus critérios e categorias, e encontrar,
entender e apreciar conhecimento técnico local). Averiguando não mais do que o necessário, mas
utilizando diferentes técnicas, fontes e disciplinas, junto com o uso de uma variedade de
informantes, numa grande variedade de lugares, permitindo um controle cruzado de informações
para chegar mais perto da situação real (CHAMBERS, 1992).
        Os DRRs, a FSRE e outros métodos nesta linha se mostraram muito eficazes no que se
refere à melhoria da qualidade das informações adquiridas e a rapidez com que eram coletadas,
analisadas e utilizadas.
        Também tem contribuído para aumentar, até certo ponto, o sucesso da geração e da
introdução de novas tecnologias.
        Porém, nos anos 80, enquanto estas metodologias estiveram se desdobrando, um “novo”
conceito começou a ter mais atenção. A idéia era simples e lógica: dever-se-ia reconhecer que os
pequenos produtores têm um conhecimento profundo da situação que os rodeiam, do meio
ambiente e de suas necessidades e, por isso, eles precisam ser incluídos em todos os aspectos de
qualquer programa destinado a ajudá-los.
        A justificativa se baseia no fato de que:
        - O ponto de vista dos produtores precisa ser incluído em qualquer processo de decisão
            para assegurar que esta será uma decisão apropriada para eles.
        - Se eles participam de todos os aspectos do projeto, também se sentirão mais
            comprometidos, mais dispostos a confiar nos técnicos e mais dispostos a esperar um
            retorno que pode levar anos para se manifestar;
        - Um dos objetivos de qualquer iniciativa deve ser a eventual autogestão do projeto pela
            família ou comunidade. A auto-gestão se torna possível somente quando as famílias
            sabem por que e como o projeto foi desenvolvido;
        - As famílias e/ou comunidade devem também aprender a partir dos diagnósticos, não
            só os técnicos, extensionistas e pesquisadores. A informação é muito importante para
            todos (CHAMBERS, 1992).
        Com base nestas idéias, muitas instituições começaram a incorporar as comunidades
como parte das equipes nos diagnósticos e como parceiras nas discussões e avaliações dos dados
levantados. Os resultados deste novo modelo têm comprovado que, embora mais complicados de
organizar e realizar, os diagnósticos participativos melhoram os projetos que os seguem (
ROCHELEAU, 1993).
        Em resumo, pode-se ver que as metodologias de diagnóstico e desenho (Desenho,
Implementação, Monitoramento & Avaliação, etc.) são dinâmicas e acrescentam à sua práxis
novas idéias e conceitos com regularidade.
        Originalmente, eram sumamente biotécnicas, faltando uma abordagem sócio-econômica.
        Estas metodologias foram sendo modificadas pouco a pouco, incluindo a participação
passiva (entrevistas com produtores, a maioria homens ) e métodos informais e rápidos.
        Outros aspectos incorporados durante os últimos 20 anos incluem considerações sobre o
meio ambiente e florestas, culturas perenes em geral, fauna, saúde, comercialização e aspectos de
gênero (tratando mulheres, crianças e idosos também como atores importantes no processo de
desenvolvimento).



                                                                                              25
       A idéia da participação ativa do público - alvo foi mais um melhoramento nas
metodologias de diagnóstico e desenho e, com certeza, o futuro se encarregará de incorporar
outros.
       Em geral, para iniciar um processo participativo, divide a intervenção em dois momentos,
sendo que o educador (facilitador/problematizador) assessora e modera os diálogos, sendo um
no grupo:

           1. Sensibilização/Mobilização:
                 a. Visitas/conversas... discutir com o grupo para levantar problemas, acionar
                     energia de movimento, persuadir à necessidade de envolvimento e
                     participação, nivelar as idéias dos participantes para aparar arestas e gerar
                     consensos, identificar problema específico a ser enfrentado;
           2. Participação
                 a. Apropriação geral do problema e da importância de solução, definir estratégias
                     e fazer planejamento para intervenção, delegar compromissos, cumprir tarefas
                     definidas pelo grupo, prestar contas, apresentar resultados, partilhar
                     informações, debates, criar ambiente de co-responsabilidade...

As seis principais metodologias adotadas para trabalho com grupos são 26:

1. MODERAÇÃO E VISUALIZAÇÃO.
   1.1. Objetivos
       1.1.1. Instrumentalizar para planejamento e condução de eventos grupais.
       1.1.2. Operacionalizar as diversas metodologias participativas.
       1.1.3. Possibilitar a problematização e reflexão para mudança.
       1.1.4. Garantir o registro dos trabalhos para futuras consultas.
   1.2. Ferramentas:
       1.2.1. Tempestade de idéias (brainstorm).
       1.2.2. Condução de debates em grupo (subgrupos e plenárias).
       1.2.3. Vitalizações ou dinâmicas de grupo
       1.2.4. Fichas de cartolina de cores e formas diferentes (METAPLAN).
       1.2.5. Papel kraft, Pincel atômico, alfinetes, painéis, fita adesiva, cola e tesoura.


2. DIAGNÓSTICO RURAL PARTICIPATIVO.
   1.3. Objetivos:
       1.3.1. Levantar a situação atual vivida por um grupo ou comunidade.
       1.3.2. Garantir a participação efetiva e representatividade dos vários segmentos (mulheres, jovens,
              idosos).
       1.3.3. Subsidiar discussões e futuros planejamentos.
   1.4. Ferramentas
       1.4.1. Entrevistas semi-estruturadas.
       1.4.2. Mapas falados (atual e desejado).
       1.4.3. Matrizes históricas.
       1.4.4. Rotinas diárias.
       1.4.5. Calendário Sazonal.
       1.4.6. Matrizes de problemas.
       1.4.7. Matrizes de priorização.
       1.4.8. Fortalezas, oportunidades, fraquezas e ameaças – FOFA.


26
     http://www.pronaf.gov.br/dater/arquivos/metodologia_participativa_josenildo.pdf
                                                                                                       26
3. PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO.
   1.5. Objetivos:
       1.5.1. Elaborar projetos de intervenção em determinada realidade a partir de objetivos
              estabelecidos.
       1.5.2. Garantir a participação efetiva e representatividade dos envolvidos no projeto.
       1.5.3. Definir claramente objetivos, resultados, atividades, responsáveis, cronogramas e
              indicadores para avaliação de impacto do projeto.
   1.6. Ferramentas:
       1.6.1. Análise de envolvidos.
       1.6.2. Contrato de parcerias.
       1.6.3. Matriz de impacto.
       1.6.4. Análise de alternativas.
       1.6.5. Planilha de atividades,
       1.6.6. Matriz de Planejamento do Projeto,
       1.6.7. Plano operacional.
       1.6.8. Sistema gerencial (monitoria, avaliação e replanejamento).


4. COMPETÊNCIA EMPREENDEDORA E FORMAÇÃO DE EMPREENDEDORES - CEFE
   1.7. Objetivos:
       1.7.1. Instrumentalizar para gestão de negócios com perfil empreendedor;
       1.7.2. Proporcionar o aprendizado através de vivências lúdicas e reflexão em grupo das
              experiências;
       1.7.3. Promover o desenvolvimento do negócio ou da atividade produtiva com atenção às
              dinâmicas do mercado.
   1.8. Ferramentas:
       1.8.1. Estratégia aprimorada para Criação de Novos Negócios - CNN.
       1.8.2. Aprimoramento da gestão de um negócio existente;
       1.8.3. Plano de Negócios (Busines Plan).
       1.8.4. Vivência avançada para gestores de negócios - Best Game.


5. DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL PARTICIPATIVO.- DOP
   1.9. Objetivos:
       1.9.1. Estabelecer uma estratégia de intervenção visando o aprimoramento de uma organização
               (instituição ou grupo informal);
       1.9.2. Garantir a participação efetiva e a representatividade dos vários segmentos da organização.
   1.10.Ferramentas:
       1.10.1. Abordagem sistêmica.
       1.10.2. Modelo de 6 campos.
       1.10.3. Arco Íris.
       1.10.4. Diagrama de Venn.
       1.10.5. Ciclo de Vida.
       1.10.6. Paisagem Organizacional.
       1.10.7. Iceberg.
       1.10.8. Metáfora.


6. CAPACITAÇÃO EM GESTÃO EMPREENDEDORA COM ENFOQUE DE GÊNERO -
   PROGESTÃO.
   1.11. Objetivos:
       1.11.1. Oportunizar o conhecimento e aplicação de instrumentos de gestão empresarial;
       1.11.2. Desenvolver atividades e habilidades empresariais de mulheres e homens de
       1.11.3. micro e pequenas empresas;
                                                                                                      27
    1.11.4. Proporcionar aumento do volume de vendas e consolidação no mercado.
1.12.Ferramentas:
    1.12.1. Desenvolvimento do potencial empreendedor.
    1.12.2. Desenvolvimento Estratégico da Empresa.
    1.12.3. Gestão Comercial.
    1.12.4. Gestão de Processos.
    1.12.5. Gestão Econômica e Financeira.
    1.12.6. Gestão de Recursos Humanos.




                                                                                  28
                                                                                       ANEXO
                                                            Quadro síntese das tendências pedagógicas
                                                                                                                             Professor
Nome da Tendência              Papel da Escola                    Conteúdos                   Métodos                            x                       Aprendizagem           Manifestações
   Pedagógica                                                                                                                educando
                                                            São conhecimentos e                                                                         A aprendizagem é
                                                               valores sociais                                                                        receptiva e mecânica,   Nas escolas que
   Pedagogia          Preparação intelectual e moral dos                            Exposição e demonstração        Autoridade do educador que
                                                          acumulados através dos                                                                      sem se considerar as    adotam filosofias
     Liberal          jovens para assumir seu papel na                              verbal da matéria e / ou por     exige atitude receptiva do
                                                         tempos e repassados aos                                                                          características   humanistas clássicas
   Tradicional.                  sociedade.                                             meios de modelos.                   educando.
                                                           jovens como verdades                                                                         próprias de cada       ou científicas.
                                                                 absolutas.                                                                                   idade.
                                                             Os conteúdos são
   Tendência                                                                                                                                              É baseada na        Montessori Decroly
                          A escola deve adequar às       estabelecidos a partir das Por meio de experiências,        O educador é auxiliador no
    Liberal                                                                                                                                              motivação e na             Dewey
                      necessidades individuais ao meio experiências vividas pelos pesquisas e método de               desenvolvimento livre do
  Renovadora                                                                                                                                             estimulação de             Piaget
                                   social.               jovens frente às situações solução de problemas.                   educando.
  Progressiva.                                                                                                                                             problemas.        Lauro de oliveira Lima
                                                                 problemas.
    Tendência
                                                                                                                      Educação centralizada no
      Liberal                                               Baseia-se na busca dos      Método baseado na                                         Aprender é modificar Carl Rogers,
                                                                                                                   educando e o educador é quem
Renovadora não-             Formação de atitudes.            conhecimentos pelos           facilitação da                                          as percepções da "Sumerhill" escola de
                                                                                                                   garantirá um relacionamento de
 diretiva (Escola                                              próprios jovens.           aprendizagem.                                                realidade.        A. Neill.
                                                                                                                              respeito.
       Nova)
                                                               São informações
   Tendência          É modeladora do comportamento                                   Procedimentos e técnicas     Relação objetiva onde o               Aprendizagem            Leis 5.540/68
                                                               ordenadas numa
     Liberal            humano através de técnicas                                      para a transmissão e   educador transmite informações             baseada no                   e
                                                              seqüência lógica e
   Tecnicista.                 específicas.                                           recepção de informações.    e o educando vai fixá-las.             desempenho.               5.692/71.
                                                                 psicológica.
                       Não atua em escolas, porém visa
   Tendência          levar educadores e jovens a atingir
                                                                                                                   A relação é de igual para igual,       Resolução da
  Progressista            um nível de consciência da          Temas geradores.          Grupos de discussão.                                                                     Paulo Freire.
                                                                                                                          horizontalmente.             situação problema.
  Libertadora          realidade em que vivem na busca
                            da transformação social.
   Tendência           Transformação da personalidade          As matérias são                                                                            Aprendizagem           C. Freinet
                                                                                     Vivência grupal na forma de    É não diretiva, o educador é
  Progressista           num sentido libertário e auto-      colocadas, mas não                                                                         informal, junto ao    Miguel Gonzales
                                                                                            auto-gestão.            orientador e os jovens livres.
   Libertária.                     gestionário.                   exigidas.                                                                                   grupo.              Arroyo.
                                                                                                                                                                                Makarenko
   Tendência                                                 Conteúdos culturais       O método parte de uma
                                                                                                                  Papel do educando como          Baseadas nas                   B. Charlot
  Progressista                                                universais que são          relação direta da
                                                                                                              participador e do educador como estruturas cognitivas             Suchodoski
  "crítico social          Difusão dos conteúdos.             incorporados pela       experiência do educando
                                                                                                                 mediador entre o saber e o    já estruturadas nos              Manacorda
dos conteúdos ou                                             humanidade frente à      confrontada com o saber
                                                                                                                         educando.                    jovens.                   G. Snyders
"histórico-crítica"                                            realidade social.           sistematizado.
                                                                                                                                                                              Demerval Saviani.


                                                                                                                                                                                         29
                                     Ficha de Auto-Avaliação.

  Escola____________________________________________
  Nome: _____________________________________________________________ Nº: _____
  Série: ___________________ Turma: ___________________
  Profª: _______________________________

                      Fui sempre pontual ( )
Pontualidade          Cheguei por vezes atrasado (a) à aula ( )
                      Cheguei frequentemente atrasado (a) ( )
                      Nunca faltei ( )
Assiduidade           Faltei poucas aulas ( )
                      Faltei a muitas aulas ( )
                      Cumpri sempre com as regras de funcionalidade das aulas ( )
Comportamento         Cumpri na maior parte das aulas as suas regras de funcionalidade ( )
                      Perturbei frequentemente o funcionamento das aulas ( )
                      Perturbei sempre o funcionamento das aulas ( )
                      Fui sempre muito empenhando (a) nas tarefas ( )
Empenho               Nem sempre fui empenhado (a) nas tarefas ( )
                      Nunca fui empenhado 9a) nas tarefas ( )
                      Trouxe sempre o material para as aulas ( )
Material na aula      Por vezes não trouxe; o caderno não está organizado ( )
                      Nunca trago o material para as aulas ( )
Trabalhaos/atividades Fiz sempre os trabalhos de casa ( )
de casa               Quase sempre fiz os trabalhos de casa ( )
                      Às vezes fiz os trabalhos de casa ( )
                      Raramente fiz os trabalhos de casa ( )
                      Nunca fiz os trabalhos de casa ( )
Respeitar a opinião   Respeitei sempre a opinião dos outros ( )
dos outros            Nem sempre respeitei a opinião dos outros ( )
                      Nunca respeitei a opinião dos outros ( )
Participação nos      Participei ativamente nos trabalhos de grupos ( )
trabalhos de grupos   Participei em alguns trabalhos de grupos ( )
                      Nao participei dos trabalhos de grupos ( )
Expressão e defesa    Expressei e defendi sempre as minhas opiniões com clareza ( )
das minhas opiniões   Expresei e defendio sempre as minhas opiniões, mas por vezes com
                      dificuldade ( )
                      Expressei com clareza, mas não defendi corretamente as minhas opiniões ( )
                      Nunca expressei e defendi as minhas opiniões com clareza ( )
Interesse pela        A disciplina não me interessa nada ( )
disciplina            A disciplina interessa- me de modo regular ( )
                      A disciplina interessa- me bastante ( )
                      Não me sinto responsável pela minha aprendizagem nesta disciplina ( )
Responsabilidade      Não me sinto responsável na maior parte das vezes ( )
                      Não me sinto responsável ( )
Superação de          Superei sempre as minhas dificuldades ( )
dificuldades          Nem sempre superei as minas dificuldades ( )
                      Nunca superei as minhas dificuldades ( )
Quando foi dado um conteúdo, procurei outras fontes de pesquisa para Sempre ( )
aprofundar meus conhecimentos                                           Às vezes ( )
                                                                        Nunca ( )
Mantém um relacionamento cordial e ético com a turma                    Sempre ( )
                                                                        Às vezes ( )
                                                                        Nunca ( )
Mantém um relacionamento cordial e ético com a professora da            Sempre ( )
disciplina                                                              Às vezes ( )

                                                                                             30
                                                                   Nunca ( )
Cumpri as atividades (trabalhos/avaliações/exercícios) programadas Sempre ( )
nos prazos estabelecidos                                           Às vezes ( )
                                                                   Nunca ( )
Como você avalia seu desempenho nas disicplina                     Excelente ( )
                                                                   Bom ( )
                                                                   Regular ( )
                                                                   Péssimo ( )
Os conhecimentos acumulados têm sido suficientes para acompanhar a Sempre ( )
disciplina                                                         Às vezes ( )
                                                                   Nunca ( )
Utliza os resultados das avaliações para reorientar seus estudos   Sempre ( )
                                                                   Às vezes ( )
                                                                   Nunca ( )

   Sua classificação: Tendo em conta a auto-avaliação que fiz, proponho como classificação final nesta
                                  disciplina a nota de ____________




                                                                                                    31
               Habilidades e Competências a serem observadas nos Educandos: -

Formação Humana (Afetivo-atitudinal)
1.    É auto-suficiente, mas tendo bom relacionamento com os colegas
2.    Assume responsabilidades pelos seus atos
3.    Revela confiança em si próprio e respeita o jeito de ser do outro
4.    Aceita opiniões e opções (inclusive sexuais) divergentes da sua
5.    Gosta de liderar positivamente
6.    Realiza as tarefas até o fim
7.    Pede ajuda quando precisa e ajuda também.
8.    Integra-se nos grupos atuando de forma saudável
9.    É organizado, mantém o ambiente bem cuidado
10.   É curioso em relação a novos conhecimentos
11.   É desinibido para expressar suas opiniões
12.   Espera sua vez de falar
13.   É freqüente às aulas
14.   Mantém um padrão de comportamento convencional
15.   Tem facilidade de compreensão
16.   Interessa-se pelo que está sendo trabalhado
17.   Interpreta com segurança o que está sendo solicitado
18.   Mostra capacidade de selecionar fontes e coletar informações
19.   Relaciona com precisão as principais idéias expressas
20.   Estabelece relação entre a temática sugerida e as informações coletadas
21.   Realiza síntese conclusiva sobre o tema tratado em diferentes fontes de pesquisa
22.   Interessa-se por ouvir e manifesta sentimentos, experiências, idéias e opiniões.
23.   Tem cuidados com os livros e demais materiais utilizados
24.   Organiza-se em grupos para realização de atividades
25.   Demonstra espírito de cooperação e participa ativamente dos trabalhos designados ao grupo
26.   Demonstra respeito em relação às idéias emitidas pelos colegas
27.   Contribui com idéias pessoais para os trabalhos conclusivos
28.   É capaz de respeitar pontos de vista diferentes dos seus, embora estes sejam decisões coletivas
29.   Tem atitude crítica diante das “certezas” apresentadas pela mídia, religiões, etc
30.   Preocupa-se com a qualidade de suas produções e se empenha em aperfeiçoamentos




                                                                                                        32
Formação Política - cidadania
1.    Distingue a relação Homem X Sociedade X Natureza;
2.    Entende a estratificação (classes) social: Elite, povo, classe média;
3.    Entende os sistemas econômicos: Capitalismo, Socialismo, Comunismo, “Comunitarismo
      Cristão...”;
4.    Conhece os sistemas de governo: Monarquia, Aristocracia, Democracia, Anarquismo, Teocracia...;
5.    Percebe a dissonância entre o discurso nos diferentes sistemas e a prática concreta nas relações
      inter(pessoais/institucionais);
6.    Entende as influências externas na formação de nossa cultura: Greco-romano, Judaica,
      Ameríndia, Africana;
7.    Conhece e discute criticamente as forças (político-sociais) presentes nas inter-relações em nível de
      Município, Estado, País, Mundo;
8.    Entende as instâncias políticas de poder em nível local, nacional, mundial: executivo, legislativo,
      judiciário, sociedade (civil) organizada, organismos internacionais... Bem como os mecanismos de
      funcionamento das mesmas;
9.    Entende as relações atuais das políticas globais: Ocidente X Oriente, Norte X Sul, 1º Mundo
      (G8), Terceiro Mundo...;
10.   Entende a estrutura do Estado (com seus aparelhos Ideológicos) e sua manipulação pelas classes
      dominantes;
11.   Entende e tem visão crítica sobre o papel dos aparelhos Ideológicos do Estado - Mídia, Igrejas,
      Escolas, ONGs... – em relação à perpetuação do status quo;
12.   Consegue situar a si próprio no espaço (local/regional/global) e tempo (atual), fazer autocrítica e
      criticar sua realidade buscando adaptação constante, relacionando-a com a cultura e mecanismos
      estruturais de dominação;
13.   Consegue perceber as estratégias de dominação e construir estratégias de autonomia/libertação;
14.   Consegue perceber em si mesmo e nas relações concretas os “círculos viciosos” reprodutivistas
      dos mecanismos que em discurso buscamos superar.




                                                                                                        33
Interação social
1.     Questionar a realidade, formulando problemas e tentar resolvê-los se apropriando da capacidade de
       análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua adequação;
2.     Explorar as diversas formas de manifestação cultural, conhecendo as danças, músicas, costumes,
       artesanato, folclore como forma de expressão de um povo;
3.     Estabelecer relações entre os fenômenos naturais e sociais, que se nos apresentam diferentes ambientes
       que o cercam, construindo conceitos sobre os mesmos;
4.     Confrontar seu conhecimento “espontâneo”, advindo de experiências anteriores ligados à realidade
       física, biológica e sociocultural, com o conhecimento sistematizado, elaborando hipóteses;
5.     Comunicar suas conclusões de modo oral, por escrito, com desenhos, perguntas, suposições e dados;
6.     Criar hipóteses sobre os problemas em estudo;
7.     Formular perguntas, suposições coerentes e criativas para viabilizar situações;
8.     Organizar e registrar informações utilizando desenhos, quadros, esquemas, listas e pequenos textos;
9.     Conscientização para modificação de atitudes repensando questões como: violência, preservação e
       tratamento aos demais;
10.    Desenvolvimento de projetos de defesa e conservação da natureza junto à comunidade com base nos
       conhecimentos adquiridos na escola:
11.    Exercitar a cidadania através da atuação como agente de transformação em relação às questões
       ambientais;
12.    Conscientização e socialização de atitudes de boa convivência;
13.    Expressar sua opinião sobre os assuntos em discussão, colocando-se com segurança, argumentando e
       defendendo seu ponto de vista;
14.    Exercitar direitos e deveres políticos, civis e sociais;
15.    Adotar no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças;
16.    Posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais;
17.    Utilizar o diálogo para mediar conflitos e tomar decisões coletivas;
18.    Construir a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao país;
19.    Conhecer e valorizar a pluralidade sociocultural brasileira, como aspectos socioculturais de outros
       povos e nações;
20.    Agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania.




                                                                                                      34
Comunicação e Expressão (Escrita o oralidade)

1.    Expõe idéias verbalmente com clareza
2.    Organiza idéias com lógica
3.    Defende suas idéias e pontos de vista com argumentos válidos
4.    Adequa sua fala a diferentes contextos
5.    Responde adequadamente à fala do outros, mesmo quando não concorde
6.    Diz com as próprias palavras textos e histórias ouvidas mantendo a fidelidade
7.    Diferencia fato, opinião e propaganda
8.    Incorpora gradativamente a fala de prestígio social.
9.    Expressa com clareza na forma escrita
10.   Domina outras técnicas de comunicação: cartaz, panfleto, painéis, teatro, mímica...
11.   Interpreta adequada e criticamente os textos lidos
12.   Atribui sentido e significado ao texto (identificando contextos e interesses implícitos)
13.   Reconhece diferentes portadores de textos
14.   Identifica gêneros textuais de acordo com suas finalidades, estruturas e diagramação
15.   Interessa-se por leituras diversas
16.   Compreende a importância da literatura na nossa sociedade
17.   Identifica e classifica as idéias nos textos
18.   Faz interferência a partir dos textos lidos
19.   Apreende conhecimento a partir da leitura
20.   Lê corretamente e com expressividade
21.   Adequa a linguagem aos diferentes contextos
22.   Usufrui e compartilha o prazer da leitura
23.   Produz textos com coesão e coerência, mantendo a idéia principal.

      Matemática - (Raciocínio Lógico-matemático)
1.    Compreende o enunciado de um problema e estabelece estratégias para resolvê-lo
2.    Elabora e expõe problema com dados essenciais
3.    Utiliza com agilidade as 4 operações
4.    Interpreta itinerário por meio de mapas e croquis
5.    Identifica formas geométricas espaciais em diferentes contextos
6.    Lê e constrói tabelas e gráficos para obter e transmitir informações
7.    Usa noções de probabilidade, porcentagem e funções.
8.    Usa diferentes linguagens utilizando palavras, símbolos, números e imagens, articulando-as de
      forma sintética para uma efetiva comunicação em matemática
9.    Utiliza o raciocínio matemático na solução de problemas cotidiano: seqüência, inclusão,
      agrupamento, conservação, ordenação, indicador de qualidade e código para o exercício efetivo da
      cidadania.
10.   Constrói e desenvolve o conceito e organiza estrutura aditiva e multiplicativa, utilizando-as na
      resolução de problemas por diferentes procedimentos (cálculo mental, escrito, calculadora, planilha
      eletrônicas)
11.   Constrói plano de ação realista considerando: tempo, espaço, valores, estratégias.
12.   Consegue fazer orçamento: levantar e comparar preços, prever orçamento para despesas, prestar
      contas com documentos fiscais válidos.
13.   Entende de conta bancária, movimentação financeira investimento econômicos, controle de caixa,
      definição de preços, concorrência mercadológica, espoliação capitalista (Mais-Valia).




                                                                                                      35
     História:
     1.      Identificar-se como ser histórico, (re)escrevendo a própria história, se percebendo no contexto
             (espaço, tempo, cultura), e considerando as histórias individuais como partes
             integrantes/vinculadas/dependentes das histórias coletivas;
     2.      Estabelecer relações temporais entre passado e presente de maneira sistêmica (sistemática) e não
             mecânica;
     3.      Identificar diferenças e semelhanças nas formas de organização social;
     4.      Analisar, sintetizar e interpretar situações, dados e fatos históricos, expondo seu pensamento para
             participar ativamente da sociedade;
     5.      Ler e interpretar os significados dos diversos acontecimentos históricos, expressos por meio da
             utilização de variadas linguagens (escrita, pintura, expressão corporal, poesia, contos orais...).
     6.      Narrar e analisar os acontecimentos da vida humana em diferentes tempos históricos (explicando a
             situação atual como resultante de situações antecedentes);
     7.      Entender, se situar e respeitar a diversidade étnica (Afro, Indígena, Européia...), as diferenças
             culturais (religiosas, lingüísticas...), de gênero, de geração...;
     8.      Identificar o próprio grupo de convívio e as relações que estabelecem com outros tempos e
             espaços;
     9.      Organizar alguns repertórios histórico-culturais que lhes permitem localizar acontecimentos numa
             multiplicidade de tempo, de modo a formular explicações para algumas questões do presente e do
             passado;
     10.     Conhecer e respeitar o modo de vida de diferentes grupos sociais, em diversos tempos e espaços, em
             suas manifestações culturais, econômicas, políticas e sociais, reconhecendo semelhanças entre eles;
     11.     Reconhecer mudanças e permanências nas vivências humanas, presentes na sua realidade e em
             outras comunidades, próximas ou distantes no tempo e no espaço;
     12.     Questionar sua realidade, identificando alguns de seus problemas e refletindo sobre algumas de suas
             possíveis soluções, reconhecendo formas de atuação político-institucionais e organizações coletivas
             da sociedade civil;
     13.     Utilizar métodos de pesquisa e de produção de textos de conteúdo histórico, aprendendo a ler
             diferentes registros escritos, iconográficos, sonoros;
     14.     Valorizar o patrimônio sociocultural e respeitar a diversidade, reconhecendo-a como um direito dos
             povos e indivíduos e como um elemento de fortalecimento da democracia.




     Ciências Naturais
1.         Compreender a natureza como um todo dinâmico, sendo o ser humano parte integrante e agente
           de transformações do mundo em que vive
2.         Identificar relações entre conhecimento científico, produção de tecnologia e condições de vida,
           no mundo de hoje e em sua evolução histórica
3.         Formular questões, diagnosticar e propor soluções para problemas reais a partir de elementos das
           Ciências Naturais, colocando em prática conceitos, procedimentos e atitudes desenvolvidos no
           aprendizado escolar
4.         Saber utilizar conceitos científicos básicos, associados à energia, matéria, transformação, espaço,
           tempo, sistema, equilíbrio e vida
5.         Saber combinar leituras, observações, experimentações, registros, etc., para coleta, organização,
           comunicação e discussão de fatos e informações
6.         Valorizar o trabalho em grupo, sendo capaz de ação crítica e cooperativa para a construção
           coletiva do conhecimento
7.         Compreender a saúde como bem individual e comum que deve ser promovido pela ação coletiva
8.         Compreender a tecnologia como meio para suprir necessidades humanas, distinguindo usos
           corretos e necessários daqueles prejudiciais ao equilíbrio da natureza e ao homem



                                                                                                                 36
Geografia
1. Reconhecer o lugar como espaço vivido mediato e imediato na interação dos homens e mulheres com o
    mundo, estabelecendo relações de inclusão espacial;
2. Situar-se no espaço geográfico, nas diversas escalas espaciais de referência; para se encontrar e atuar nos
    seus lugares de existência;
3. Utilizar-se do conhecimento acerca do espaço geográfico, e das diferentes formas espaciais para posicionar-
    se e atuar nos processos de construção dos espaços urbano, rural e “rurbano” (mescla de rural e urbano);
4. Analisar o espaço geográfico através das suas diversas formas de representação espacial para interpretar o
    processo de organização territorial dos homens e mulheres no mundo, intervindo nesse processo;
5. Reconhecer a delimitação das fronteiras dos territórios, como uma manifestação das relações de poder
    no espaço, na busca de soluções para os conflitos socio-territoriais;
6. Identificar as diversidades sócio-ambientais contidas nos diferentes espaços geográficos,
    contextualizando a questão ambiental, na busca da construção do desenvolvimento sustentável;
7. Analisar as desigualdades sócio-espaciais, para entender os processos de segregação social e atuar na
    construção do espaço do cidadão;
8. Conhecer a organização do espaço geográfico e o funcionamento da natureza em suas múltiplas
    relações, de modo a compreender o papel das sociedades em sua construção e na produção do
    território, da paisagem e do lugar;
9. Identificar e avaliar as ações dos homens em sociedade e suas conseqüências em diferentes espaços e
    tempos, de modo a construir referenciais que possibilitem uma participação pro positiva e reativa nas
    questões sócio-ambientais locais;
10. Compreender a espacialidade e temporalidade dos fenômenos geográficos estudados em suas dinâmicas
    e interações;
11. Compreender que as melhorias nas condições de vida, os direitos políticos, os avanços técnicos e
    tecnológicos e as transformações socioculturais são conquistas decorrentes de conflitos e acordos, que
    ainda não são usufruídas por todos os seres humanos e, dentro de suas possibilidades, empenhar-se em
    democratizá-las;
12. Conhecer e saber utilizar procedimentos de pesquisa da Geografia para compreender o espaço, a
    paisagem, o território e o lugar, seus processos de construção, identificando suas relações, problemas e
    contradições;
13. Fazer leituras de imagem, de dados e de documentos de diferentes fontes de informação, de modo a
    interpretar, analisar e relacionar informações sobre o espaço geográfico e as diferentes paisagens;
14. Saber utilizar a linguagem cartográfica para obter informações e representar a espacialidade dos
    fenômenos geográficos;
15. Valorizar o patrimônio sociocultural e respeitar a sociodiversidade, reconhecendo-a como um direito
    dos povos e indivíduos e um elemento de fortalecimento da democracia.




                                                                                                          37
     Meio Ambiente e Saúde
1. Conhecer e compreender, de modo integrado e sistêmico, as noções básicas relacionadas ao meio
    ambiente;
2. Adotar posturas na escola, em casa e em sua comunidade que os levem a interações construtivas, justas
    e ambientalmente sustentáveis;
3. Observar e analisar fatos e situações do ponto de vista ambiental, de modo crítico, reconhecendo a
    necessidade e as oportunidades de atuar de modo reativo e pro positivo para garantir um meio
    ambiente saudável e a boa qualidade de vida;
4. Perceber, em diversos fenômenos naturais, encadeamentos e relações de causa-efeito que condicionam
    a vida no espaço (geográfico) e no tempo (histórico), utilizando essa percepção para posicionar-se
    criticamente diante das condições ambientais de seu meio;
5. Compreender a necessidade e dominar alguns procedimentos de conservação e manejo dos recursos
    naturais com os quais interagem, aplicando-os no dia-a-dia;
6. Perceber, apreciar e valorizar a diversidade natural e sócio-ambiental, adotando posturas de respeito
    aos diferentes aspectos e formas do patrimônio natural, étnico e cultural;
7. Identificar-se como parte integrante da natureza, percebendo os processos pessoais como elementos
    fundamentais para uma atuação criativa, responsável e respeitosa em relação ao meio ambiente;
8. Formular explicações sobre os fenômenos da natureza, a partir da observação, experimentação e
    sistematização das informações;
9. Compreender a ação do homem sobre a natureza e a sociedade, estabelecendo relações entre o meio
    físico e o modo de vida que se desenvolve nele, percebendo-se como sujeito do mundo físico e social;
10. Elaborar questionamentos, a partir da observação direta da diversidade de fenômenos físicos,
    biológicos e socioculturais, argumentando, criticando, acerca de tais fenômenos, em situações que
    desenvolvam confronto de informações;
11. Compreender a importância da preservação da natureza na promoção da qualidade de vida;
12. Perceber as características e propriedades dos objetos e seres para fazer a classificação;
13. Identificar dentre os direitos à cidadania o de preservar os recursos naturais;
14. Zelar pelo ambiente em que vive: higiene, harmonia, preservação...;
15. Ter consciência crítica em relação ao trato hoje sobre o meio ambiente;
16. Identificar diferentes ambientes naturais (bacias, lacustres, florestas, fauna, flora, litoral, caatinga,
    cerrado...) e identificar os efeitos da ação do homem sobre eles e as conseqüências que isso acarreta;
17. Caracterizar espaços no planeta ocupados pelo homem e como vivem em cada um deles:
18. Avaliar a situação atual do próprio ambiente e propor alternativas de modificações benfazejas;
19. Apontar e refletir sobre problemas ambientais globais, a partir de situações locais, identificando suas
    causas, buscando relações e selecionando soluções;
20. Refletir, compreender e construir a consciência crítica, participando da conservação do meio onde está
    inserido;
21. Estabelecer relação entre características e comportamento dos seres vivos, condições do ambiente e
    níveis de alteração para convívio com o meio;
22. Reconhecer os componentes bióticos e abióticos e suas inter-relações, compreendendo os elos da
    cadeia trófica na perspectiva da importância da preservação e conservação do meio ambiente (água, ar,
    solo);
23. Reconhecer o homem (chamando para si mesmo) responsabilidade pelas transformações ecológicas,
    sociais e econômicas do seu espaço local, alcançando o planeta;
24. Reconhecer a importância do uso consciente e racional dos elementos da natureza para assegurar
    perpetuação e melhoria da qualidade de vida;
25. Reconhecer a importância da reciclagem de lixo, promovendo grupos de trabalho para ações nesta
    perspectiva;
26. Reconhecer as causas e conseqüências da poluição da água, do ar, do solo, das queimadas, dos esgotos
    e do lixo e mobilizar ações de prevenção;
27. Compreender a importância da reciclagem do lixo e do tratamento da água e esgoto para a melhoria da
    qualidade de vida;
28. Agir com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva;


                                                                                                                38
Corpo Humano
1.    Observar e identificar características do corpo humano nas etnias diferentes e nas diferentes
      idades (fases), discutindo diferenças de comportamento e enfatizando o respeito às diferenças
2.    Reconhecer e valorizar atitudes e comportamentos favoráveis à saúde (alimentação saudável,
      higiene pessoal e coletiva, zelo pelo espaço onde vive, lazer que fortalece e regenera o corpo e o
      espírito...)
3.    Responsabilizar-se pelo cuidado com o espaço que habita
4.    Identificar os sistemas do corpo humano, seu funcionamento, cuidados que requer e integração
      do corpo ao meio físico-químico, biológico e psico-social
5.    Entender a importância de políticas públicas (macros) para garantir uma boa saúde da população
6.    Conhecer a diversidade de alimentos que compõem nossa cultura, suas composições químicas e
      importância disto para o bom funcionamento do corpo, favorecendo uma seleção racional e
      equilibrada dos alimentos




Formação Sexual
1.    Respeitar a diversidade de valores, crenças e comportamentos existentes e relativos à sexualidade,
      desde que seja garantida a dignidade do ser humano;
2.    Compreender a busca do prazer como uma dimensão saudável da sexualidade humana;
3.    Conhecer seu corpo, valorizar e cuidar de sua saúde como condição necessária para usufruir de
      prazer sexual;
4.    Reconhecer como determinações culturais as características socialmente atribuídas ao masculino e
      ao feminino, posicionando-se contra discriminações a eles associadas;
5.    Identificar e expressar seus sentimentos e desejos, respeitando os sentimentos e desejos do outro;
6.    Proteger-se de relacionamentos sexuais coercitivos ou exploradores;
7.    Reconhecer o consentimento mútuo como necessário para usufruir de prazer numa relação
      sexual;
8.    Agir de modo solidário em relação aos portadores de HIV e de modo pro positivo na
      implementação de políticas públicas voltadas para prevenção e tratamento das doenças
      sexualmente transmissíveis;
9.    Conhecer e adotar práticas de sexo protegido, ao iniciar relacionamento sexual;
10.   Evitar contrair ou transmitir doenças sexualmente transmissíveis, inclusive o vírus da AIDs;
11.   Desenvolver consciência crítica e tomar decisões responsáveis a respeito de sua sexualidade;
12.   Procurar orientação para a adoção de métodos contraceptivos.




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Arte
1.     Expressar e saber comunicar-se em artes mantendo uma atitude de busca pessoal e/ou coletiva,
       articulando a percepção, a imaginação, a emoção, a sensibilidade e a reflexão ao realizar e fruir
       produções artísticas;
2.     Interagir com materiais, instrumentos e procedimentos variados em artes (visuais, música, dança,
       teatro), experimentando-os e conhecendo-os de modo a utilizá-los nos trabalhos pessoais;
3.     Edificar uma relação de autoconfiança com a produção artística pessoal e conhecimento estético,
       respeitando a própria produção e a dos colegas, no percurso de criação que abriga uma
       multiplicidade de procedimentos e soluções;
4.     Compreender e saber identificar a arte como fato histórico contextualizado nas diversas culturas –
       em diferentes tempos – conhecendo, respeitando e podendo observar as produções presentes no
       entorno, assim as demais do patrimônio cultural e do universo natural, identificando a existência
       de diferenças nos padrões artísticos e estéticos;
5.     Observar as relações entre o homem e a realidade com interesse e curiosidade, exercitando a
       discussão, indagando, argumentando e apreciando arte de modo sensível (visão, audição, tato,
       olfato, paladar – imaginando, qualificando, ordenando, recriando...).
6.     Compreender e saber identificar aspectos da função e dos resultados do trabalho do artista,
       reconhecendo, em sua própria experiência, aspectos do processo percorrido para chegar ao
       resultado pronto;
7.     Buscar e saber organizar informações sobre a arte em contato com artistas, documentos, acervos
       de peças artísticas e culturais (livros, revistas, jornais, ilustrações, diapositivos, vídeos, discos,
       cartazes) visita a museus, galerias, centros de cultura, bibliotecas, fonotecas, videotecas,
       cinematecas, reconhecendo e compreendendo a variedade dos produtos artísticos e concepções
       estéticas presentes na história das diferentes culturas e etnias.




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