Embed
Email

PARECER N� , DE 2008

Document Sample
PARECER N� , DE 2008
Shared by: HC111208225847
Categories
Tags
Stats
views:
0
posted:
12/8/2011
language:
pages:
6
SENADO FEDERAL









PARECER Nº , DE 2008







Da COMISSÃO DE ASSUNTOS ECONÔMICOS,

sobre a Mensagem nº 137, de 2008, do Presidente da

República (nº 475, de 2008, na origem), que encaminha

ao Senado Federal a programação monetária relativa ao

3º trimestre de 2008.









RELATOR: Senador ROMERO JUCÁ









I – RELATÓRIO



Em conformidade com o art. 6º, § 1º, da Lei nº 9.069, de 29 de

junho de 1995, o Presidente da República encaminha ao Senado Federal,

mediante a Mensagem nº 137, de 2008 (nº 475, de 2008, na origem), a

programação monetária relativa ao 3º trimestre de 2008.



A programação monetária, aprovada pelo Conselho Monetário

Nacional em sessão de 30 de junho de 2008, explicita as estimativas das faixas

de variação dos principais agregados monetários e estipula metas indicativas de

sua evolução para o 3º trimestre de 2008. Acompanha a programação sucinta

descrição do comportamento previsto para a economia nacional nesse período e

as justificativas pertinentes.



À Comissão de Assuntos Econômicos, conforme disposto nos §§ 1º

e 2º do art. 6º da referida Lei, cabe emitir parecer sobre a programação

monetária. O parecer servirá de base para a aprovação ou rejeição in totum da

matéria pelo Congresso Nacional, vedada a introdução de qualquer alteração,

conforme determina o § 3º do dispositivo acima citado.



II – ANÁLISE

SENADO FEDERAL









A Lei nº 9.069, de 1995, dentre outras matérias correlatas, cuidou

do processo de formulação e operacionalização da política monetária, atribuindo

ao Congresso Nacional participação e co-responsabilidade quanto à definição

dos parâmetros e das metas relativas à evolução da oferta de moeda na

economia.



Como se sabe, com a adoção do regime de metas de inflação a

partir de 1999, a política monetária passou a basear-se, fundamentalmente, na

utilização da taxa de juros como variável estratégica para a manutenção do

processo de estabilidade do nível de preços na economia brasileira. Com efeito,

a programação monetária e o controle quantitativo da expansão da oferta de

moeda na economia assumiram importância secundária.



Entretanto, persiste a determinação legal acima referida, assim

como a pertinência dos mecanismos institucionais de controle dos agregados

monetários. Daí, a conveniência e a necessidade de apreciação da matéria por

esta Comissão.



O Poder Executivo vem dando conseqüência à citada norma em

prazos adequados e compatíveis com a possibilidade de participação do

Congresso Nacional no entendimento e na formulação da programação

monetária trimestral. Nesse sentido, essa programação ocupa importante função

na política monetária, que, em verdade, incorpora um conjunto de variáveis

estratégicas e fundamentais para a compreensão e efetivação dos objetivos

macroeconômicos buscados e definidos como prioritários.



A programação monetária sob exame indica taxas de expansão

nominal estáveis para os principais agregados, tanto no 3º trimestre de 2008

como para o ano de 2008.



Com efeito, conforme o Quadro 3 da Programação, à fl. 13 do

processado, as taxas de variação previstas para o final do 3º trimestre e para o

final do ano, anualizadas, são de 18,1% para os dois períodos, no caso do M1, e

de 19,1% e 19,3%, respectivamente, no caso do M4 – conceitos de meios de

pagamentos que vão do mais restrito ao mais amplo e abrangente.



Com relação às bases monetárias restrita e ampliada são previstas,

para cada um dos períodos acima mencionados, variações de 18,2% e 18,1%, no

caso da primeira, e de 15,7% e 17,8%, no caso da segunda.





O PIB registrou crescimento de 5,8% no primeiro trimestre de

2008, em relação ao mesmo período de 2007. Esse resultado tem tido como

centro dinâmico a demanda interna, em especial a determinada pelos

SENADO FEDERAL









investimentos, pelo consumo das famílias e pela continuidade do crescimento

generalizado em todos os setores da economia, com destaque para a indústria,

“que esteve impulsionada pelo desempenho da construção civil, favorecida pelo

ambiente de intensificação dos gastos em infra-estrutura e de melhores

condições de crédito.”



Na Programação Monetária sob exame, as autoridades monetárias

assim interpretam o cenário macroeconômico:



“A evolução recente da economia brasileira segue impulsionada pelo

dinamismo da demanda interna, que, pelo oitavo trimestre consecutivo,

constituiu-se no determinante do crescimento do PIB. A consolidação da

demanda interna como propulsora da economia traduz, em grande parte, as

trajetórias do investimento e do consumo das famílias, com desdobramentos

sobre os resultados do comércio externo, tendo em vista o aumento da

demanda por bens importados e da absorção da produção interna requeridos

para garantir o equilíbrio entre a oferta e a demanda de bens serviços.” (Cf. o

item D da Programação: Perspectivas para o terceiro trimestre para o ano de

2008.)



O fortalecimento consolidado da demanda interna como elemento

de sustentação do ciclo de expansão da economia, a demonstração de sua

capacidade para enfrentar turbulências originadas nos mercados financeiros

externos, assim como o reconhecimento da qualidade dos fundamentos

macroeconômicos brasileiros pelas agências de risco, constituem elementos de

convicção das autoridades monetárias de que “estão criadas as condições que

favorecem a expansão dos investimentos em patamar que beneficia, no médio

prazo, o equilíbrio entre a demanda e a oferta internas de bens e serviços sem

que as contas externas sejam pressionadas de forma inadequada.”



Um dos principais efeitos positivos, quantitativos e qualitativos,

dessa forma de crescimento econômico brasileiro tem registro no mercado de

trabalho: a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE revelou taxa de

desocupação declinante desde o 3º trimestre de 2007, resultante da geração de

novos postos de trabalho no mercado formal. Isto é, o número de postos de

trabalho com carteira assinada no setor privado aumentou 7,1% nos meses de

janeiro a abril de 2008, em relação a igual período de 2007, enquanto o número

de empregados sem carteira recuou 4%, no mesmo período. Por outro lado, os

rendimentos do trabalho continuam obtendo ganhos reais, mesmo no cenário de

aumento das taxas de inflação.

SENADO FEDERAL









Quanto às políticas monetária e creditícia, cabe destacar da

Programação o seguinte entendimento e perspectivas das autoridades

monetárias:



“A evolução dos agregados monetários segue consistente com o vigor da

demanda interna e, em particular, com a manutenção do ritmo de crescimento

das operações de crédito, que continuam oferecendo suporte aos gastos de

consumo das famílias, sobretudo aqueles relacionados à aquisição de veículos e

outros bens duráveis, bem como aos investimentos das empresas, a despeito do

encarecimento do financiamento por parte das instituições financeiras. Ao

mesmo tempo, a inadimplência se mantém estável, sem representar riscos à

solidez do sistema financeiro.” (Cf. o item D da Programação: Perspectivas

para o terceiro trimestre para o ano de 2008.)



Quanto aos segmentos de crédito, destaca-se a participação

crescente das operações contratadas com recursos livres e, quanto às

modalidades, sobressai-se o aumento das operações de leasing, em vista da

elevação da alíquota do IOF nas demais operações de crédito. Já os empréstimos

captados por pessoas jurídicas, com a manutenção das taxas de juros em níveis

relativamente baixos, para os padrões históricos, e o alongamento dos prazos,

estiveram impulsionados pelas operações de capital de giro.



Entendem as autoridades que “a elevação recente das taxas de juros

não inibiu a trajetória de expansão do crédito, comportamento que, ao evidenciar

o vigor da demanda por empréstimos, tanto por parte das pessoas físicas quanto

das empresas, revela que a crescente participação do crédito na economia é

consistente com o nível de atividade e com o grau de desenvolvimento

institucional do sistema financeiro nacional.”



Em perspectiva, ressaltam que a condução da política fiscal segue

assegurando a redução da relação dívida/PIB e, mesmo com a elevação da taxa

Selic, essa trajetória deverá persistir, em linha com o dinamismo da atividade

econômica.



No front externo, as autoridades prevêem que “o exercício de 2008

registrará o primeiro déficit em transações correntes dos últimos 5 anos”,

resultado causado pela redução no saldo comercial e pelo aumento nas remessas

líquidas de serviços e rendas, em especial, de lucros e dividendos. Todavia, o

déficit deverá ser financiado especialmente com o ingresso de investimentos

estrangeiros diretos, além do papel atenuante da taxa de câmbio flutuante e da

expressiva acumulação de reservas de que dispõe o País.



Por fim, entendem que a trajetória expansionista da economia

brasileira “estará condicionada, entretanto, à evolução do processo de aceleração

SENADO FEDERAL









das taxas de inflação, iniciado ao final de 2007 e mantido nos primeiros cinco

meses de 2008. Esse processo – em contexto de choque externo associado à

evolução dos preços internacionais das commodities agrícolas e metálicas –

esteve localizado, inicialmente, nos segmentos de preços relacionados a

alimentos, passando, nos últimos meses, a traduzir maior disseminação entre os

preços da economia e a exigir, portanto, a adoção de postura restritiva da

autoridade monetária.”



Do exposto, compreendem-se as razões macroeconômicas da

reversão adotada pelas autoridades monetárias no movimento descendente da

taxa básica de juros, elevando-a, em meados de abril, do patamar de 11,25% 

no qual estava estacionado desde setembro de 2007  para 11,75% ao ano e,

novamente, no começo de junho, para 12,25% ao ano: as pressões inflacionárias

localizadas indicaram, já em abril de 2008, no entendimento das autoridades

monetárias, riscos para a trajetória da inflação doméstica.



De fato, a taxa de inflação no mês de junho, com IPCA de 0,74%

(ainda que abaixo de 0,79% de maio), registra um IPCA de 3,64% acumulados

no semestre e de 6,06% acumulados nos últimos 12 meses. Significam,

respectivamente, a maior taxa de inflação semestral desde 2003 e a necessidade

de prudência, com medidas tempestivas, para que a inflação não feche o ano de

2008 acima do teto da meta, fixada em 6,5%.



Os dados atuais sobre as taxas de inflação, suas causas e

conseqüências, reforçam a necessidade de manutenção da já referida postura

restritiva e acautelatória das autoridades monetárias, não obstante a inegável

solidez dos fundamentos macroeconômicos conquistados por todos na sociedade

brasileira.



Julgamos, assim, oportuna a programação monetária ora submetida

à apreciação da Comissão de Assuntos Econômicos, destacando que as faixas de

variação programada para os principais agregados monetários indicam uma

política monetária compatível com os objetivos de estabilidade monetária e

ajustada à manutenção do crescimento econômico equilibrado e sustentado.





Uma vez que ainda permanecem em vigor os comandos legais sobre

a apreciação da programação monetária e de sua execução, cabe à CAE dar

conseqüência às formalidades previstas na Lei nº 9.069, de 1995, deliberando

sobre a presente programação monetária.



Todavia, cabe lembrar que se encontra incluído na Ordem do Dia,

com sessão deliberativa prevista para o dia 15 de julho de 2008, o PLS nº 26, de

SENADO FEDERAL









2000, de autoria do então Senador Paulo Hartung. Esta proposição visa alterar o

§1º do art. 6º da Lei nº 9.069, de 1995, para que o Presidente do Banco Central

compareça, pessoalmente, à esta Comissão e relate a execução da programação

do trimestre que se finda e entregue a do próximo trimestre.





III – VOTO



Diante do exposto, voto pela aprovação da programação monetária

relativa ao 3º trimestre de 2008, nos termos do seguinte Projeto de Decreto

Legislativo:







PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº , DE 2008



Aprova a programação monetária relativa ao 3º

trimestre de 2008.





O CONGRESSO NACIONAL decreta:



Art. 1º Fica aprovada a Programação Monetária relativa ao 3º

trimestre de 2008, com as estimativas das faixas de variação dos principais

agregados monetários e as metas indicativas de sua evolução, nos termos da

Mensagem Presidencial nº 475, de 2008.



Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua

publicação.





Sala da Comissão, em 05 de agosto de 2008.



, Presidente





, Relator


Related docs
Other docs by HC111208225847
2008 Conf vendors announce
Views: 0  |  Downloads: 0
Hemingway, The Sun Also Rises,
Views: 11  |  Downloads: 1
Giacomo Leopardi
Views: 56  |  Downloads: 0
The Moon, Comets, and Asteroids
Views: 2  |  Downloads: 0
Shinto
Views: 3  |  Downloads: 0
The Biosphere and its Biomes
Views: 11  |  Downloads: 0
Tithing in the New Testament
Views: 0  |  Downloads: 0
PRAYER FOR BALANCE IN YOUR LIFE
Views: 6  |  Downloads: 0
By registering with docstoc.com you agree to our
privacy policy

You are almost ready to download!

You are almost ready to download!