Leia Brasil
Apresenta:
12 – Cinema na Escola
com “A sétima arte em Exposição”
Cinema na Escola
O Leia Brasil leva aos alunos das escolas públicas uma enciclopédia cultural
através de livros e de diversas outras formas de incentivo à leitura.
A ação pedagógica do Leia Brasil tem o objetivo de incentivar a leitura entre
crianças, jovens e adultos, afinando o seu olhar para a riqueza e a diversidade das
diferentes linguagens presentes no mundo. Assim, além do amplo e variado acervo
bibliográfico, os caminhões bibliotecas oferecem também atividades culturais
paralelas, como oficinas de teatro, visita de autores, exposições itinerantes e
projeção de filmes.
Como não se deixar seduzir pela arte do cinema? Com apenas cem anos de
existência, a chamada “sétima arte” exerce sobre o público do mundo inteiro um
grande poder de fascínio. Sem dúvida, uma das razões desse êxito surpreendente
deve-se ao poder de comunicação da imagem. Ela corresponde a uma espécie de
linguagem universal que pode ser compreendida por pessoas de origens e faixas
etárias diversas.
Produto recente da cultura, além de criação estética e prodigioso domínio da
técnica, o cinema revelou-se um dos meios mais eficazes de acesso a essa cultura.
A atividade “Cinema na Escola” participa do projeto de democratização da produção
cultural do Homem, abrindo mais um espaço para que alunos e professores,
envolvidos pela magia e o encantamento do espetáculo, exercitem juntos as
múltiplas possibilidades de leitura que a linguagem do cinema oferece.
Conversa com o professor
No escurinho do cinema
Chupando drops de anis ...
Rita Lee
Como você sabe, a 28 de dezembro de 1895, no sótão do Grande Café de Paris, os
Irmãos Lumiére apresentaram o primeiro espetáculo cinematográfico público e
pago. Após longas pesquisas que se aceleram sobretudo na segunda metade do
século XIX, concretizava-se, enfim, um velho sonho da humanidade: a reprodução
do movimento.
O filme é sempre o resultado de um trabalho de equipe. O elenco de atores é
apenas a parte mais visível do trabalho. Por trás ou longe das câmeras, participam
também o roteirista, o câmera (cameraman), o engenheiro de som, o montador, o
figurinista, o cenógrafo e muitos outros técnicos especializados. O diretor dirige
toda essa equipe e o produtor provê os recursos necessários à realização do
empreendimento.
A primeira etapa de trabalho – o argumento – é de natureza lingüística e literária: o
argumentista redige a história. Em seguida, o roteirista fragmenta a história em
seqüências e cenas. Cabe ao diretor imprimir o seu estilo a essa história,
explorando as inúmeras possibilidades oferecidas pela câmera, interpretação dos
atores, iluminação, cenários etc.
Após a redação do roteiro e a realização da filmagem (esta última executada pelo
operador de câmera), o filme passa para a etapa da montagem, que consiste em
fazer uma seleção do material filmado (como por exemplo, escolher a melhor
versão de uma cena) e fazer as ligações e transições entre as cenas e seqüências.
No laboratório, podem ser acrescentados, ainda, alguns efeitos especiais sobre a
imagem e o som.
O cinema tem uma linguagem própria. Desde oângulo da tomada de cada cena até
a montagem final, tudo é planejado, tudo significa. Para dar a idéia de movimento,
o diretor dispõe de procedimentos técnicos: a panorâmica (a câmera abrange o
horizonte), o travelling (a câmera, montada sobre trilhos, segue as personagens), a
grua (que permite a combinação dos dois procedimentos, assim como os
deslocamentos verticais).
De certa forma, ao recorrer a figuras de retórica e à pontuação e sintaxe próprias,
o cinema se aproxima da literatura e da arte da escrita. Graças ao encadeamento
das imagens, a montagem permite qualquer tipo de oposição ou associação, pois
não é obrigada a seguir a cronologia dos acontecimentos.
Pelo uso da imagem, a linguagem cinematográfica também se aproxima da
linguagem da fotografia, mas dela difere substancialmente, pois o cinema baseia-se
não na totalidade de uma única imagem, mas na sucessão de imagens, de tal
maneira que cada uma delas só adquire sentido em conjunto com as outras.
Muitos são os gêneros de filmes produzidos por essa “fábrica de sonhos”, e que
vêm recebendo por parte da crítica especializada as seguintes classificações, entre
outras: drama, desenho, documentário, ficção científica, aventura e comédia.
A comédia destaca-se como um dos gêneros mais populares de todos os tempos.
Os nomes de comediantes como Cantinflas, Charles Chaplin, O Gordo e o Magro,
assim como, no Brasil, Oscarito e Grande Otelo, Mazzaropi e Os Trapalhões,
imortalizaram-se através do gênero cômico.
“No escurinho do cinema”, onde todas as emoções e sentimentos se tornam
coletivos, professores e alunos poderão experimentar o prazer de, juntos,
assistirem a diversos filmes programados pelo “Cinema na escola”, atividade
paralela do Leia Brasil que privilegiará sobretudo o gênero cômico. Prazer que, ao
acender das luzes, os debates sobre o tema, os atores, as técnicas e o processo de
criação do filme certamente se prolongarão.
Apresentação
(Texto de Apoio)
O Magro (Stan Laurel) e o Gordo (Oliver Hardy) formaram a primeira dupla cômica
do cinema. Simplórios e ingênuos, famosos por suas gags e pelas dezenas de tortas
que receberam no rosto, o Gordo e o Magro conseguiram alcançar êxito mundial.
O trabalho de Mazzaropi constitui um sucesso de bilheteria do cinema brasileiro,
apesar de insistentemente considerado medíocre pela crítica. Nos diversos filmes de
longa-metragem que produziu e dirigiu, Amácio Mazzaropi conseguiu consolidar o
seu personagem caipira de fala arrastada, uma espécie de lobatiano Jeca Tatu
modernizado, bondoso e ingenuamente maroto, de camisa xadrez abotoada até o
pescoço, paletó apertado, calças curtas sobre botas de cano curto e um toco de
cigarro no canto da boca.
Procurando explicar o fenômeno Mazzaropi, o escritor Inácio Araújo afirma: “a
crítica nunca esteve com ele porque Jeca representa o Brasil subdesenvolvido,
analfabeto, que ela não quer ver. Para o público, ele representa a vingança dessa
massa de migrantes que vem do campo e se defronta com os códigos da cidade
grande” (in O Estado de São Paulo, 24/02/88).
Por sua vez, o professor e pesquisador Nuno Cesar de Abreu observa que o público
de Mazzaropi é formado sobretudo pelo contingente que migrou do campo para as
cidades nas décadas de 50 e 60, período que coincide com o processo de
desenvolvimento e modernização da cidade e com a industrialização e o
crescimento econômico. Nesse contexto de negação do atraso, em que o rural
surge como imagem do atrasado, a personagem de Mazzaropi vem “representar
para asnovas massas urbanas o conservadorismo”. Desse modo, através do
sentimentalismo e do riso, o público se deixa empaticamente prender numa
identificação pelo avesso: “todos se sentem mais modernos, mais urbanos,
procurando ver através do Jeca a sua própria modernidade” (RAMOS, Fernão,
História do Cinema Brasileiro. São Paulo: Art Editora, 1990, p. 292).
Carlitos, o Grande Vagabundo, amado especialmente pelas crianças e pelos poetas,
é a imortal criação de Charles Chaplin (l889-1977). De calças bem largas, casaco
apertado, sapatos imensos, bigode curtinho e bengala de bambu, a personagem
Carlitos encantou o mundo através de filmes inesquecíveis como os clássicos O
Garoto, Em Busca do Ouro, Luzes da Cidade, Tempos Modernos e O Grande
Ditador.
Mímico excelente, Chaplin mostrou-nos que era, sobretudo um estudioso do
homem: “a pantomina serve perfeitamente onde as línguas se embaralham no
meio da ignorância comum”. Ligado ao cinema mudo, o mestre da pantomina
acreditava que sua personagem Carlitos perderia toda a sua popularidade no dia
em que resolvesse falar.
Segundo Chaplin, a personagem Carlitos aparece como uma síntese dos muitos
ingleses que observara em Londres quando era jovem. Carlitos, um vagabundo com
alma aristocrata, traz consigo a arte de conciliar contrastes e sentimentos
antagônicos, como o riso e a dor, a tragédia e a comédia, a grandeza e a pequenez.
O criador do imortal Carlitos deixou-nos pensamentos muito instigantes, como
estes (O Pensamento Vivo de Charles Chaplin. Martin Claret, 1984):
“Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a
imaginação”.
“Toda vez que assisto a um dos meus filmes, quando ele é apresentado pela
primeira vez ao público, eu presto mais atenção na reação das pessoas do que na
própria película – nas situações que causam riso e nas que não causam”.
“Que eu seja um comediante – mas um comediante que pensa”.
Carlos Drummond de Andrade, considerado um dos maiores poetas brasileiros,
assim termina o seu “Canto ao homem do povo Charles Chaplin” (Reunião 1 e 2.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1983, v. 2, p. 229), poema em que confessa
enternecido a sua paixão chapliniana: “ó Carlito, meu e nosso amigo, teus sapatos
e teu bigode caminham numa estrada de pó e de esperança”.
Sugestões de Leitura
- Catarina e Josefina - Eva Furnari
- A Bela e a Fera - Rui de Oliveira
- A Bruxa e a Zelda e os 80 Docinhos - Eva Furnari
- A Bruxinha Atrapalhada - Eva Furnari
- Cenas de Rua - Angela Lago
- Charadas Macabras - Angela Lago
- O Personagem Encalhado - Angela Lago
- O Ratinho Que Morava no Livro - Mônica Wersiane
- O Próximo Dinossauro - Roger Melo
- Saltarelo - Hugo R. de Almeida
- A Pontinha Menorzinha - Elvira Zigna
- O Funil Encantado - Jonas Ribeiro
- Fio - Marilda Castanha
- A noite em que segui meu cachorro - Nina Lador
- Mamãe, você me Ama? - Barbosa M. Joosse
- Hist;oria de Amor - Regina Rennó
- O Gato de Papel - Regina Rennó
- O Mundo das Histórias em Quadrinhos - Leila Iannome
- Os Cisnes da Bruxa - Coleção Contos Populares da Velha Europa
- A Menina e o Dragão - Eva Furnari
- Outra Vez - Angela Lago
- Verde ver meu pai - Celso Listo
- O Almoço - Mário Vale
- O Barquinho vai...- Maurício Veneza
- A arca de Noé - Lucy Cousins
- O dia a dia de Dadá - Marcelo Xavier
- Picote - O Menino de Papel - Mário Vale
- A Cristaleira - Graziela Bozano Helzel