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12/8/2011
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Leia Brasil

Apresenta:

12 – Cinema na Escola

com “A sétima arte em Exposição”



Cinema na Escola



O Leia Brasil leva aos alunos das escolas públicas uma enciclopédia cultural

através de livros e de diversas outras formas de incentivo à leitura.



A ação pedagógica do Leia Brasil tem o objetivo de incentivar a leitura entre

crianças, jovens e adultos, afinando o seu olhar para a riqueza e a diversidade das

diferentes linguagens presentes no mundo. Assim, além do amplo e variado acervo

bibliográfico, os caminhões bibliotecas oferecem também atividades culturais

paralelas, como oficinas de teatro, visita de autores, exposições itinerantes e

projeção de filmes.



Como não se deixar seduzir pela arte do cinema? Com apenas cem anos de

existência, a chamada “sétima arte” exerce sobre o público do mundo inteiro um

grande poder de fascínio. Sem dúvida, uma das razões desse êxito surpreendente

deve-se ao poder de comunicação da imagem. Ela corresponde a uma espécie de

linguagem universal que pode ser compreendida por pessoas de origens e faixas

etárias diversas.



Produto recente da cultura, além de criação estética e prodigioso domínio da

técnica, o cinema revelou-se um dos meios mais eficazes de acesso a essa cultura.

A atividade “Cinema na Escola” participa do projeto de democratização da produção

cultural do Homem, abrindo mais um espaço para que alunos e professores,

envolvidos pela magia e o encantamento do espetáculo, exercitem juntos as

múltiplas possibilidades de leitura que a linguagem do cinema oferece.





Conversa com o professor



No escurinho do cinema

Chupando drops de anis ...

Rita Lee



Como você sabe, a 28 de dezembro de 1895, no sótão do Grande Café de Paris, os

Irmãos Lumiére apresentaram o primeiro espetáculo cinematográfico público e

pago. Após longas pesquisas que se aceleram sobretudo na segunda metade do

século XIX, concretizava-se, enfim, um velho sonho da humanidade: a reprodução

do movimento.



O filme é sempre o resultado de um trabalho de equipe. O elenco de atores é

apenas a parte mais visível do trabalho. Por trás ou longe das câmeras, participam

também o roteirista, o câmera (cameraman), o engenheiro de som, o montador, o

figurinista, o cenógrafo e muitos outros técnicos especializados. O diretor dirige

toda essa equipe e o produtor provê os recursos necessários à realização do

empreendimento.



A primeira etapa de trabalho – o argumento – é de natureza lingüística e literária: o

argumentista redige a história. Em seguida, o roteirista fragmenta a história em

seqüências e cenas. Cabe ao diretor imprimir o seu estilo a essa história,

explorando as inúmeras possibilidades oferecidas pela câmera, interpretação dos

atores, iluminação, cenários etc.



Após a redação do roteiro e a realização da filmagem (esta última executada pelo

operador de câmera), o filme passa para a etapa da montagem, que consiste em

fazer uma seleção do material filmado (como por exemplo, escolher a melhor

versão de uma cena) e fazer as ligações e transições entre as cenas e seqüências.

No laboratório, podem ser acrescentados, ainda, alguns efeitos especiais sobre a

imagem e o som.



O cinema tem uma linguagem própria. Desde oângulo da tomada de cada cena até

a montagem final, tudo é planejado, tudo significa. Para dar a idéia de movimento,

o diretor dispõe de procedimentos técnicos: a panorâmica (a câmera abrange o

horizonte), o travelling (a câmera, montada sobre trilhos, segue as personagens), a

grua (que permite a combinação dos dois procedimentos, assim como os

deslocamentos verticais).



De certa forma, ao recorrer a figuras de retórica e à pontuação e sintaxe próprias,

o cinema se aproxima da literatura e da arte da escrita. Graças ao encadeamento

das imagens, a montagem permite qualquer tipo de oposição ou associação, pois

não é obrigada a seguir a cronologia dos acontecimentos.



Pelo uso da imagem, a linguagem cinematográfica também se aproxima da

linguagem da fotografia, mas dela difere substancialmente, pois o cinema baseia-se

não na totalidade de uma única imagem, mas na sucessão de imagens, de tal

maneira que cada uma delas só adquire sentido em conjunto com as outras.



Muitos são os gêneros de filmes produzidos por essa “fábrica de sonhos”, e que

vêm recebendo por parte da crítica especializada as seguintes classificações, entre

outras: drama, desenho, documentário, ficção científica, aventura e comédia.



A comédia destaca-se como um dos gêneros mais populares de todos os tempos.

Os nomes de comediantes como Cantinflas, Charles Chaplin, O Gordo e o Magro,

assim como, no Brasil, Oscarito e Grande Otelo, Mazzaropi e Os Trapalhões,

imortalizaram-se através do gênero cômico.



“No escurinho do cinema”, onde todas as emoções e sentimentos se tornam

coletivos, professores e alunos poderão experimentar o prazer de, juntos,

assistirem a diversos filmes programados pelo “Cinema na escola”, atividade

paralela do Leia Brasil que privilegiará sobretudo o gênero cômico. Prazer que, ao

acender das luzes, os debates sobre o tema, os atores, as técnicas e o processo de

criação do filme certamente se prolongarão.

Apresentação

(Texto de Apoio)



O Magro (Stan Laurel) e o Gordo (Oliver Hardy) formaram a primeira dupla cômica

do cinema. Simplórios e ingênuos, famosos por suas gags e pelas dezenas de tortas

que receberam no rosto, o Gordo e o Magro conseguiram alcançar êxito mundial.



O trabalho de Mazzaropi constitui um sucesso de bilheteria do cinema brasileiro,

apesar de insistentemente considerado medíocre pela crítica. Nos diversos filmes de

longa-metragem que produziu e dirigiu, Amácio Mazzaropi conseguiu consolidar o

seu personagem caipira de fala arrastada, uma espécie de lobatiano Jeca Tatu

modernizado, bondoso e ingenuamente maroto, de camisa xadrez abotoada até o

pescoço, paletó apertado, calças curtas sobre botas de cano curto e um toco de

cigarro no canto da boca.



Procurando explicar o fenômeno Mazzaropi, o escritor Inácio Araújo afirma: “a

crítica nunca esteve com ele porque Jeca representa o Brasil subdesenvolvido,

analfabeto, que ela não quer ver. Para o público, ele representa a vingança dessa

massa de migrantes que vem do campo e se defronta com os códigos da cidade

grande” (in O Estado de São Paulo, 24/02/88).



Por sua vez, o professor e pesquisador Nuno Cesar de Abreu observa que o público

de Mazzaropi é formado sobretudo pelo contingente que migrou do campo para as

cidades nas décadas de 50 e 60, período que coincide com o processo de

desenvolvimento e modernização da cidade e com a industrialização e o

crescimento econômico. Nesse contexto de negação do atraso, em que o rural

surge como imagem do atrasado, a personagem de Mazzaropi vem “representar

para asnovas massas urbanas o conservadorismo”. Desse modo, através do

sentimentalismo e do riso, o público se deixa empaticamente prender numa

identificação pelo avesso: “todos se sentem mais modernos, mais urbanos,

procurando ver através do Jeca a sua própria modernidade” (RAMOS, Fernão,

História do Cinema Brasileiro. São Paulo: Art Editora, 1990, p. 292).



Carlitos, o Grande Vagabundo, amado especialmente pelas crianças e pelos poetas,

é a imortal criação de Charles Chaplin (l889-1977). De calças bem largas, casaco

apertado, sapatos imensos, bigode curtinho e bengala de bambu, a personagem

Carlitos encantou o mundo através de filmes inesquecíveis como os clássicos O

Garoto, Em Busca do Ouro, Luzes da Cidade, Tempos Modernos e O Grande

Ditador.



Mímico excelente, Chaplin mostrou-nos que era, sobretudo um estudioso do

homem: “a pantomina serve perfeitamente onde as línguas se embaralham no

meio da ignorância comum”. Ligado ao cinema mudo, o mestre da pantomina

acreditava que sua personagem Carlitos perderia toda a sua popularidade no dia

em que resolvesse falar.



Segundo Chaplin, a personagem Carlitos aparece como uma síntese dos muitos

ingleses que observara em Londres quando era jovem. Carlitos, um vagabundo com

alma aristocrata, traz consigo a arte de conciliar contrastes e sentimentos

antagônicos, como o riso e a dor, a tragédia e a comédia, a grandeza e a pequenez.

O criador do imortal Carlitos deixou-nos pensamentos muito instigantes, como

estes (O Pensamento Vivo de Charles Chaplin. Martin Claret, 1984):



“Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a

imaginação”.



“Toda vez que assisto a um dos meus filmes, quando ele é apresentado pela

primeira vez ao público, eu presto mais atenção na reação das pessoas do que na

própria película – nas situações que causam riso e nas que não causam”.



“Que eu seja um comediante – mas um comediante que pensa”.



Carlos Drummond de Andrade, considerado um dos maiores poetas brasileiros,

assim termina o seu “Canto ao homem do povo Charles Chaplin” (Reunião 1 e 2.

Rio de Janeiro: José Olympio, 1983, v. 2, p. 229), poema em que confessa

enternecido a sua paixão chapliniana: “ó Carlito, meu e nosso amigo, teus sapatos

e teu bigode caminham numa estrada de pó e de esperança”.





Sugestões de Leitura



- Catarina e Josefina - Eva Furnari

- A Bela e a Fera - Rui de Oliveira

- A Bruxa e a Zelda e os 80 Docinhos - Eva Furnari

- A Bruxinha Atrapalhada - Eva Furnari

- Cenas de Rua - Angela Lago

- Charadas Macabras - Angela Lago

- O Personagem Encalhado - Angela Lago

- O Ratinho Que Morava no Livro - Mônica Wersiane

- O Próximo Dinossauro - Roger Melo

- Saltarelo - Hugo R. de Almeida

- A Pontinha Menorzinha - Elvira Zigna

- O Funil Encantado - Jonas Ribeiro

- Fio - Marilda Castanha

- A noite em que segui meu cachorro - Nina Lador

- Mamãe, você me Ama? - Barbosa M. Joosse

- Hist;oria de Amor - Regina Rennó

- O Gato de Papel - Regina Rennó

- O Mundo das Histórias em Quadrinhos - Leila Iannome

- Os Cisnes da Bruxa - Coleção Contos Populares da Velha Europa

- A Menina e o Dragão - Eva Furnari

- Outra Vez - Angela Lago

- Verde ver meu pai - Celso Listo

- O Almoço - Mário Vale

- O Barquinho vai...- Maurício Veneza

- A arca de Noé - Lucy Cousins

- O dia a dia de Dadá - Marcelo Xavier

- Picote - O Menino de Papel - Mário Vale

- A Cristaleira - Graziela Bozano Helzel


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