Origem do Cavalo Campolina by R5y1oh

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									         ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DO CAVALO CAMPOLINA
    Av. Amazonas, 6020 – Parque da Gameleira - Tel.: (31)3372-7478 - Fax: (31)3372-7479
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                           Origem do Cavalo Campolina

Tendo sido honrado por convite feito pelo Presidente da Associação Brasileira dos
Criadores de Cavalo Campolina, Fernando Diniz Olivé, para proferir uma palestra sobre
a origem do Cavalo Campolina, por ocasião da 1ª Convenção Nacional realizada em
Barbacena, aceitei o não menos honroso convite do atual Presidente Dr.Emir Cadar,
para repetir o referido trabalho trazendo aos senhores o que sabemos a respeito, como
sucessores diretos do núcleo inicial da formação desta raça, que foi o da FAZENDA DO
TANQUE em Entre Rios de Minas.

O Cavalo Campolina, tal como se apresenta hoje, se diferencia dos padrões iniciais
devido ao Trabalho de Seleção dos Criadores que, muitas vezes, recorreram à intuição
mais que a ciência, para solução de seus problemas.

As Associações orientaram o aperfeiçoamento dos produtos, com o estabelecimento de
padrões.

E porque acreditamos no que foi feito é que aceitamos o convite dos Srs. Presidentes
da Associação Brasileira dos Criadoresdo Cavalo Campolina, para relatar as
experiências feitas e comentar os resultados obtidos na criação do cavalo Campolina
no seu núcleo inicial.

Cassiano Antônio da Silva Campolina, natural de São Brás do Suaçuí, ex-distrito de
Entre Rios de Minas, nasceu em 10 de julho de 1836. Jovem ainda, revelou gosto pelo
cavalo; certamente influenciado pelas cavalhadas e disputas entre mouros e cristãos;
usuais naquela época na cidade de Queluz.

Percebeu a existência de um mercado interno para animais de grande porte, em
virtude da demanda para as disputas, para a montaria dos dragões da milícia real e
para as parelhas de cavalos destinados à tração de trôleis na cidade do Rio de Janeiro.

Em 1870 Antônio Cruz, seu amigo, presenteou-lhe com Medéia égua nacional de bom
tipo, cruzada com um cavalo andaluz, presente de D. Pedro II a Mariano Procópio;
desta cruza nasceu um potro de boa linhagem, batizado com o nome de MONARCA.

Monarca tornou-se garanhão na Fazenda do Tanque e com ele temos o marco inicial na
formação da raça hoje denominada Campolina, em homenagem ao seu iniciador.

O objetivo de Cassiano Campolina era formar cavalos de grande porte, ágeis,
resistentes e de boa aparência para atender as exigências do mercado.

Monarca padreou o plantel de Cassiano por muitos anos e de sua linhagem Andaluza
sucederam Monarca II, Monarca III, Leviano, Predileto, Baiardo, Pope, Nobre e muitas
fêmeas.

Campolina, ainda fez cruzar suas éguas com Menelicke cavalo de sangue Anglo-
Normando, de porte desenvolvido e linhas bonitas; desta linhagem sucederam
Bonaparte, Oder I e Oder II.

Em 1904 faleceu Cassiano Campolina.



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Seu trabalho de seleção, que já contava mais de trinta anos, poderia ter sido
interrompido, não fora o interesse e o entusiasmo pelo Cavalo que conseguira
transmitir aos seus amigos.

Em testamento, passou para seu particular amigo Joaquim Pacheco de Resende a
Fazenda do Tanque e todo seu plantel de equídeos, condicionando ao pagamento de
250 contos de réis, que se destinariam a construção de um Hospital de Caridade em
Entre Rios de Minas, para cuja finalidade havia legado seus bens em dinheiro.

Comprada a Fazenda do Tanque, foi construído o hospital que se chama "CASSIANO
CAMPOLINA" e vem prestando inestimáveis serviços à região, desde 191 0.

Como decorrência do negócio, Joaquim Pacheco de Resende, amigo dos mais ligados a
Campolina, assumia não apenas a responsabilidade da transação mas, principalmente,
o compromisso de dar prosseguimento ao apaixonado trabalho de seleção de cavalos.

Homem perspicaz, nosso avô Joaquim Pacheco de Resende verificou que o tipo de
animal que vinha sendo formado por Cassiano Campolina preenchia os requisitos de
porte, robustez e vivacidade indispensáveis para as disputas e o transporte de
carruagens, mas faltava-lhe o andamento cômodo, necessário ao seu aproveitamento
para viagens e passeios.

As experiências principais de nosso avô consistiram em empregar um garanhão
marchador e dois puro sangue inglês, com estes últimos visando a um tipo mais
delicado.

O cavalo marchador foi Golias, adquirido do Cel. Gabriel Andrade, que o obteve de
José Ferreira Leite e os P.S.I foram São Lourenço e Carlito.

As experiências de Joaquim Pacheco de Resende não duraram muito, pois veio a
falecer em 1911, ficando com seu filho mais velho, Joaquim Resende, nosso pai, a
responsabilidade maior de prosseguir o trabalho iniciado por Cassiano Campolina, do
qual participaram ativamente seus irmãos Antônio, José e Newton.

Joaquim Resende deu continuidade às experiências introduzidas por seu pai,
conservando as fêmeas de boa linhagem, filhas de P.S.l e usando como garanhões
Monarca III e Baiardo da linhagem Monarca, Caruso, Andaluz e Tupi da linhagem
Golias todos marchadores.

Por volta de 1920, decorridos 50 anos de trabalho, a seleção vinha sendo feita à base
de sangue Andaluz, com choques de Anglo Normando, P.S.l e Marchador.

Joaquim Resende que nesta altura usava principalmente Predileto, de linha monarca,
pôde tirar duas conclusões importantes:

PRIMEIRA: o plantel não tinha comportamento uniforme quanto ao andar.

Constatava-se a presença de animais marchadores, outros com andadura e uma parte
com trote, as filhas de éguas de andadura cruzadas com P.S.l eram trotonas.




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SEGUNDA: uma parcela apresentava defeitos de exterior, especialmente exagero na
convexidade da cabeça, inclinação da garupa e arreamento de quartelas.

Baseado nisso, passou a orientar as coberturas de acordo com o tipo e o andamento.

Adquiriu Farol, um puro sangue Inglês, de tipo muito bonito, destacando-se entre suas
qualidades a perfeição da cabeça, da garupa e aprumos. Foi usado nas éguas de
andadura e naquelas com defeito de exterior.

As éguas marchadeiras ou trotonas, que não apresentavam aqueles defeitos,
continuaram sendo cobertas com reprodutores da linhagem Monarca-Predileto,
Baiardo, Pope e Nobre, marchadores.

Todos os machos filhos de Farol P.S.l foram eliminados, as fêmeas de boa linhagem
conservadas.

Em meados da década de 1930, como a linhagem Monarca predominava a pelagem
tordilha e havia uma manifesta preferência pelas pelagens baia e alazã, Joaquim
Resende cuidou de adquirir um reprodutor baio alazão, puro marchador e de bom tipo
que foi o OTELO.

Este reprodutor imprimiu a nova pelagem a 50% do plantel.

Tudo que foi feito até aqui levou 70 anos. A raça Campolina vinha sendo formada
graças ao interesse dos criadores cada um orientando conforme suas preferências e
interpretações.

Tornava-se necessário disciplinar e definir um padrão para que todos os criadores
convergissem os esforços para o objetivo comum - a raça Campolina.

A essa altura, o número de interessados e estudiosos do assunto não era pequeno,
coube a Dr. Paulo Rocha Lagoa, Dr. Claudino Pereira da Fonseca Neto e Dr. Edgard
Bittencourt a iniciativa de organizar o serviço de registro genealógico, a cargo do
Consórcio profissional cooperativo dos criadores do cavalo Campolina, com sede em
Barbacena.

O padrão estabelecido passou a ser ponto de apoio dos criadores, todos se orientando
no sentido de conduzir seus planteis para as características oficializadas.

Joaquim Resende reexaminou seu plantel e concluiu que devia cruzar algumas de suas
éguas bem caracterizadas com um reprodutor, marchador excepcional, de bom tipo,
especialmente, cabeça e aprumos. Foi-lhe oferecido Rio Verde de propriedade de seu
particular amigo Cel. Gabriel de Andrade que por sua vez o adquiriu de José Carneiro.

A experiência foi feliz pois da égua Predileta nasceu REX, notável raçador, de grande
porte, extraordinário de marcha, que reforçou estas características no plantel.

O consórcio a essa altura, já não satisfazia a necessidade dos criadores, o que os levou
em 1951, a fundar a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Campolina, com
sede em Belo Horizonte. Esta Associação reformulou os padrões estabelecidos pelo
Consórcio, o que foi bem aceito por todos; e consideramos ser esta uma etapa muito


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importante na formação da raça Campolina. A Associação ainda manteve o registro
aberto para machos e fêmeas.

Em 1954 faleceu Joaquim Resende, depois de 43 anos de permanente trabalho para a
formação do Campolina. Com seu falecimento herdamos a responsabilidade que ele
havia assumido de prosseguir a obra iniciada por Cassiano Campolina e nosso avô.

Podemos informar que o Cavalo REX influiu de maneira marcante na fixação dos
caracteres raciais do plantel.

Posteriormente aplicamos o reprodutor Tejo, filho de uma bem caracterizada égua
Campolina de Joaquim Resende, filha de Otelo.

O resultado foi também excelente; dele descendem Gás-Prelúdio, GásMontezuma,
Gás-Astro, Gás-Rex II, ApoIo de Santa Maria, Campeões em Exposições Estaduais ou
Nacionais.

Gás-Prelúdio reprodutor em nossa fazenda por muito tempo Campeão Nacional de tipo
e andamento deixou uma descendência com a melhor caracterização de raça.

Hoje temos no plantel dois netos de Gás-Tejo, filhos de Gás-Rex II, O famoso Gás-
Marujo, o grande campeão dos campeões e também o famoso Gás-Sucesso campeão
dos campeões na Gameleira Belo Horizonte e inconsiderável número de excelentes
matrizes.

Coube-nos falar sobre o desenvolvimento da raça Campolina no seu núcleo inicial -
Fazenda do Tanque.

Em nossa exposição focalizamos a atuação daqueles que tiveram a responsabilidade
direta nas criações. Devemos lembrar que Cassiano Campolina, Joaquim Pacheco de
Resende e Joaquim Resende eram bem relacionados e puderam contar com a
Assessoria de estudiosos e entusiastas do cavalo, destacando-se entre estes
colaboradores Florentino Pereira, Dr. Claudino Pereira da Fonseca Neto, Dr. Paulo da
Rocha Lagoa, Dr. José Rocha Lagoa, José Ferreira, Juca da Fazenda, Dr. Rômulo
Joviano e outros.

A Fazenda do Tanque não foi o único núcleo na formação da raça Campolina. Criadores
de outras regiões também se interessaram pelo trabalho. Entre eles o Cel. Gabriel
Andrade, em Passa Tempo, teve presença desde os primeiros tempos. Amigo de
Cassiano Campolina, Joaquim Pacheco de Resende e Joaquim Resende, como criador e
sempre manteve intercâmbio de reprodutores de idéias.

Foi sucedido em seu trabalho pelos seus filhos, notadamente Bolivar de Andrade que
ainda hoje detém um dos bons planteis da raça.

Podemos dizer que as Fazendas do Tanque, em Entre Rios, e Campo Grande, em Passa
Tempo, constituíram os dois núcleos básicos para a formação da Raça, mas muitos
outros criadores tiveram atuação destacada neste trabalho e, entre eles devemos
lembrar Américo de Oliveira, José Ferreira Leite, Cel. Linto Diniz, Ascânio Diniz, Pedro
Joaquim Carlos, Américo Ferreira Leite, Valdemar Resende Urbano, Lídio Araújo,
Epaminondas Cunha MeIo, José Eugênio Dutra Câmara, João de Almeida, Ormínio


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Almeida, Tonico Figueiredo, Alfredo Manoel Fernandes, Agenor Sampaio, Emir Cadar,
Osório Ferraz, José Geraldo Areias, Abelardo Bastos Mattos Júnior, Roberto Cantelmo,
Severino Veloso, Arnaldo Bezerra, Guido Pacheco Magalhães, Valério Resende, Antônio
Lopes da Silva, Heitor Lambertucci, Geraldo Magela de Rezende, Fernando Diniz
Oliveira e tantos outros.

Com o decorrer dos anos cresceu o interesse pela criação do Campolina e com ele o
mercado, a nossa Associação conta com a inscrição de centenas de criadores de Minas
Gerais, e de outros Estados da Federação e com expressivo número de animais
registrados.

Nesse relato procuramos deixar claro que a raça Campolina vem sendo formada, desde
o inicio, por tentativas, visando a atingir um padrão que, somente depois de 70 anos
de experiências foi definido e oficializado.

A nosso ver, toda tentativa foi válida, o grande mérito que atribuímos aos formadores
do Campolina foi o de terem sabido interpretar os resultados das experiências, dando
aproveitamento apenas aos produtos que mais se aproximavam do padrão pretendido.

Mas, nem sempre o produto aproveitado transmitia seus caracteres e tinha que ser
eliminado. Formar um verdadeiro reprodutor é trabalho penoso e demanda tempo.
Estamos com mais de um século de experiências para a formação da raça Campolina e
sabemos que ainda há muito por fazer, mas não podemos esconder nosso orgulho pelo
que está feito: Um cavalo de grande porte, delicado, vivo, inteligente, forte e
marchador - O CAVALO CAMPOLINA.

A raça está submetida a um padrão por associação oficial idônea, e o registro para
machos, a partir de 31.12.66 passou a ser feito em livro fechado.

Hoje a raça Campolina está muito evoluída, a sua padronização é marcante, visível aos
olhos de todos, que observam nas pistas de exposição os animais apresentados.

O mercado é sempre maior, criadores com tradição não conseguem produção bastante
para atender a procura.

Estamos convencidos de que os criadores prosseguirão o seu trabalho com a mesma
determinação com que o fizeram até agora e ao fim de algum tempo, não sabemos
quanto, a raça Campolina estará definitivamente consagrada.

Ao lado do Cavalo Campolina temos em Minas outra importante raça de cavalo
marchador - O MANGA-LARGA.

O número de interessados pelo cavalo vem sendo crescente. Como é natural, as
preferências se dividem entre uma raça e outra, e mesmo quanto a variações de
pelagem.

Aproveitamos a oportunidade para nos manifestarmos sobre o ponto de vista que foi
defendido pelo Dr. José Resende Ribeiro de Oliveira, neto de Joaquim Pacheco de
Resende, inteligente, estudioso e entusiasta do cavalo, conhece bem as dificuldades
inerentes à formação de uma raça. Sabe que o Campolina e o Mangalarga são raças
em formação e têm origem comum.


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Parece-lhe mais razoável que os criadores das duas raças se unam para a formação do
Marchador Mineiro através da fusão dessas.

O CAMPOLINA: Porte grande e delicado, cabeça seca, perfil sub-convexo para retilíneo,
olhar vivo, orelhas médias tendendo para longas, pescoço musculoso e rodado,
tendendo para comprido; crinas fartas e sedosas; garupa ampla e longa, suavemente
inclinada; anca arredondada, cauda de inserção baixa.

O MANGALARGA: Porte médio, comprimento médio da cabeça, perfil sub-côncavo para
retilíneo, olhar vivo, orelhas médias, pescoço leve, crinas ralas e sedosas, garupa
longa, horizontal, cauda de inserção alta.

Ai estão duas raças de cavalo, ambas de marchadores servindo as mesmas finalidades,
mas atendendo a preferências diferentes, pelo tipo.

Não podemos concordar com a idéia de eliminação das duas raças em favor de uma
terceira. Seria abandonar experiência secular, com objetivo definido e resultado
promissor.

Ao contrário, concitamos todos os companheiros a prosseguir nossos trabalhos. Neste
sentido estamos procurando transmitir a Gasto Resende Filho a experiência que
recebemos e cuidamos de aprimorar.

Nosso pensamento, não significa oposição à idéia de José Resende, de criar uma nova
Raça - O MARCHADOR MINEIRO.

Ao contrário achamos que ele deve promover a organização dessa raça, e estamos
certos de que contará com a colaboração de todos nós. No entanto reafirmamos que
isso nã'o implique no desnecessário abandono daquilo que vem sendo feito há tanto
tempo, com o maior idealismo.

Hoje radicado a criação de cavalos há mais de 50 anos, portanto com longa vivência,
faço convite a todos os técnicos no sentido de unirem-se aos criadores somando
forças.

A teoria unida à prática é o ideal, é de bom efeito.

Ao terminar, desejamos manifestar nossa simpatia e admiração por quantos vêm
batalhando nesta causa do cavalo - os técnicos, os dirigentes e os funcionários da
nossa Associação, os pesquisadores nas escolas e aqueles que se dedicam à criação.

Uma palavra final de congratulações aos nossos presidentes, Fernando Diniz e Emir
Cadar, pela brilhante idéia desse encontro, que estamos certos, muito estímulo trouxe
a todos nós.



(Palestra proferida pelo Sr. Gastão Ribeiro de Ollveira Resende, na abertura da III
Convenção Nacional do Cavalo Campolina - BH - 9-78)



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Extraído da Revista : O Cavalo Campolina, ano 1, n.º 1, Abril de 1979




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                        A Vingança de Cassiano Campolina


Fui criado perto de Entre Rios e Passa Tempo, dois berços da raça campolina, numa
época em que menino, pelo menos por aqueles lados, só passeava a cavalo e de
fazenda em fazenda. Sinto muita saudade gostosa da Fazenda do Segredo, do meu tio
e padrinho Flavinho, Flávio Farnezzi da Silva, hipólogo apaixonado e de grandes
méritos. Esquício da aristocracia rural, era homem tenaz, enérgico e reto. Todo o seu
vigor de homem rústico, entretanto, se transformava na maior ternura diante dos seus
cavalos, principalmente dos que eram de sua especial estima. Pena que por ser pouco
afeita ás saídas de seus pagos, aliás situados em região de parcas vias de
comunicação, não se entrosou suficientemente com outros focos de criação e não
registrou seus produtos. Mesmo assim apesar de não se ter feito notar mais, filiando-
se, por exemplo ao nascente Consórcio Profissional Cooperativo de Criadores do Cavalo
Campolina, criado na sua vizinha cidade de Barbacena, deixou saudoso seu nome e
respeitada até hoje sua marca FF principalmente quando colocada em muares da
criação de seus descendentes. Como cavaleiro era inigualável. Dosava nas rédeas a
energia e o carinho e o fazia com indisfarçável satisfação. Em cima de uma das muitas
e bonitas besta baias de sua reserva se transfigurava e com uma esbarrada de freio a
fazia assentar-se ao chão. Em uma exposição de Barbacena foi considerado o cavaleiro
número um e suas bestas, por intimação dos organizadores, tiveram de seguir viagem
até o Rio de Janeiro para outra exposição que lá se realizou. Para mim, garoto da
fazenda, não havia nada melhor que ouvir os comentários de meu pai e da fazendeira
da toda sobre o assunto. Foi com Flávio Farnezzi que aprendi a gostar de cavalo,
sobretudo do campolina, palavra desde então já tinha conotação com perfeição e
superioridade. De todo cavalo bom ou bonito se devia dizer que era Campolina.

Mais tarde ouvi falar em Cassiano Campolina, antigo dono da fazenda Tanque, de Tia
sinhá, minha tia avó, avó de Gastão Resende, detentor da marca CC de Cassiano
Campolina. Sempre gostei de ouvir contar que no século passado o Imperador Dom
Pedro II veio a Queluz de Minas, hoje conselheiro Lafaiete, para inaugurar a estrada de
ferro.

Em sua homenagem foram organizados grandes festejos e incluídas, naturalmente, as
famosas cavalhadas, com o indefectível combate entre cristãos e mouros. Cassiano foi
encarregado de organizar o partido dos cristãos que sempre saía vencedor nesse
combates simulados. No decorre da luta, porem, diante de Sua Majestade o
Imperador, aconteceu o inesperado. Empolgados pelo calor da luta os mouros,
esquecidos da realidade histórica, desbarataram os cristãos debaixo das respeitáveis
barbas de Sua Majestade e na presença de grande público que não regateou sua vaias.
Cassiano, homem orgulhoso de rijo, encheu se de brios e prometeu desforra para a
primeira oportunidade. Adquiriu bons reprodutores, importou garanhões e se dedicou
com afinco á produção de cavalos fortes, ardorosos, ágeis para com eles vencer os
"hereges". E o próprio Imperador, tendo se feito amigo do entusiasmado fazendeiro, o
presenteou com um belo garanhão da coudelaria de Cachoeira do Campo, onde havia
excelentes reprodutores importados de Portugal e até descendentes de cavalos
austríacos que a pedido da Imperatriz Dona Leopoldina haviam sido doados pelo
Imperador da Áustria. E Cassiano Campolina morreu sem ter o prazer de com sua nova
tropa derrotar os " mouros" em revanche.




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Mais tarde ainda, ouvi dizer que essa estória não passa de lenda e que Cassino
Campolina, apaixonado pela equinocultura, com tenacidade e amor deu os primeiros e
decisivos passos para a criação da raça que tem o seu nome merecendo destaque na
sua inteligente seleção, um belo elenco de matrizes nacionais e padreadores como
Monarca, filho de pai andaluz, presente de um fazendeiro amigo, de Juiz de Fora,
Coronel Manoel Vidal. O certo é que o episódio da cavalhada de Queluz de Minas, com
a derrota dos cristãos, " sinon é vero, á bene trovato".

Quando vejo à minha frente, quer em exposições, quer nas fazendas dos proprietários,
ou em fotografias, animais como Gas Marujo e Zulu, Manaus, Maioral, Garboso, Faisão,
Expoente de Passa Tempo, Garoto do Bom Retiro, Apolo de Santa Maria, Baião Pagão,
Alegre da Palmeira, Campo Verde Cativer, sempre me ponho a cismar. Cassiano
Campolina merecia a revanche Com uma dúzia de garbosos cavalos campolinas
encilhados com aparatosos arreios chapeados de prata, estribos, cabeçadas, bocais,
peitorais e rédeas ornados de guisos e filigranas de metal, montados por respeitáveis
cavaleiros, entraria destemido na cancha, daria as voltas de estilo e em seguida
iniciaria a peleja, derrubando mouros em forma de bonecos de papelão, deitando-se
sobre os flancos do cavalo buscando atingir com a espada o coração do adversário ou
levando a mão no solo para soerguer o companheiro ferido e teria saído vitorioso.
Quem haveria de deter os seus homens e os seus corcéis? E no final da refrega, depois
de sensacional esgrima com os mouros, um cristão, talvez o próprio Cassiano, feliz na
sua revanche entre os aplausos do público que o vaiara na frente do Imperador, iria
carregar na garupa, de galope, Hermengarda, a donzela amada que se tornara
prisioneira dos infiéis.

Por isso mesmo, quando na VII Exposição Agropecuária Estadual e III Exposição
Estadual de Campeões de Minas Gerais realizada no Parque da Gameleira em 1976
vimos um campeão nacional da raça Campolina, Garoto do Bom Retiro, vencer com
facilidade a prova do cavalo peão contornando balizas, saltando em disparada
tambores e moirões, avançando e recuando, competindo com excelentes animais,
dando provas excepcionais de agilidade, resistência, coragem e vigor, exibindo porte
nobre e elegante, me reportei a Cassiano Campolina e com emoção vi na vitória do
Garoto que naquele momento representava na pista todas as conquistas do cavalo
Campolina, dos seus criadores e dos seus peões, uma justa vingança. Vingança que
nos deu um primor de raça eqüina.




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         ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DO CAVALO CAMPOLINA
    Av. Amazonas, 6020 – Parque da Gameleira - Tel.: (31)3372-7478 - Fax: (31)3372-7479
          CEP: 30.510-000 - Belo Horizonte – MG - E-mail: campolina@campolina.org.br
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                     Uma história que ainda não foi contada

Esta raça é um justo orgulho do criador mineiro e principalmente do seu organizador e
padronizador, o saudoso hipólogo Coronel Cassiano Campolina, da cidade de Entre
Rios, neste Estado.

É uma raça há muito definida, pois conta mais de 80 anos de existência, mais ou
menos.

Em 1857, o Sr. Cassiano Campolina, apreciador de bons animais de sela, começou
comprando as melhores éguas existentes no município de Entre Rios e cruzando-as
com reprodutores também do mesmo Município; esses no entanto, eram escolhidos,
altos, bons marcheiros e de linhas harmoniosas. Tanto os reprodutores como as éguas,
eram crioulos e assim sem um definido característico de raça.

Por muito tempo criou ele, esse tipo comum de cavalo; no entanto já selecionado em
altura e linhas gerais, pois o seu conhecimento e descortínio via nisto um grande passo
para uma futura e pretensa formação de raça.

Ao cabo de poucos anos, tinha pois em sua Fazenda, já um notável plantel de éguas
novas, altas, marcheiras e de linhas muito melhoradas.

Acontece que nessa ocasião e por obra do destino, quase sempre caprichoso, teve
Cassiano Campolina, necessidade de ir a cidade de Juiz de Fora. Nesta cidade, travou
conhecimento com um fazendeiro daquela zona e morador na cidade, creio que salvo o
engano, o Sr. Coronel Manoel Vidal Barbosa Lage. Este era como aquele, apaixonado e
entusiasta, pela criação de cavalo.

Como "um gambá cheira outro", diz o velho provérbio popular, si tornaram muito
amigos.

Regressando de Entre Rios, trouxe como presente que lhe fez esse amigo, uma égua
preta.

Esse animal, era um belo espécime e vinha padreada por um belíssimo Andaluza de
puro sangue.

Como em tudo a sorte é grande fator para se vencer na vida, Cassiano foi bafejado por
essa fortuna, pois, poucos meses depois, nascia um belo potrilho, filho desta aludida
égua.

Esta foi, a "pedra de toque" do cavalo Campolina.

Assim pois, em 1860 mais ou menos, Cassiano foi presenteado em Juiz de Fora com
uma égua e no mesmo ano, nascia em sua Fazenda, do Tanque, um belíssimo potrilho
preto, enriquecendo e aumentando a raça eqüínea mineira. Este foi criado na cocheira
com cuidado especial e trato farto e substancioso.

Ainda com este trato e com o especial carinho que seu dono prodigalizava-lhe, chegou
a idade adulta, com beleza invulgar, andares notáveis e linhas perfeitíssimas.



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Era esse animal, assim, um meio sangue autêntico de Andaluz.

Daí por diante muito mais fácil se tornou a melhoria crescente do cavalo mineiro, pois,
um lastro de sangue novo, puro e de força, fora inoculado na raça.

Por espaço de 25 anos, serviu aquele potrilho criado com tanto carinho, como
reprodutor do plantel de éguas do Sr. Cassiano Campolina. É o famoso "Monarca", que
todos quanto apreciam e acompanham o desenvolver da raça eqüina mineira,
conheceram ou tiveram conhecimento tradicional.

Falando-se em "Monarca", era o mesmo que falar-se no que havia de melhor em
Minas, como reprodutor eqüino.

Ao fim de 25 anos, com a morte de Monarca, Cassiano que já era força potencial em
prosperidade financeira, oriunda da criação de cavalos e com maiores conhecimentos,
resolveu, cruzar suas éguas com um puro "Percheron". Isso no entanto, muito veio
prejudicar e atrasar a sua já notável criação. A experiência deu-lhe cavalos caneludos,
patas enormes, tipo abrutalhado e ruins de sela.

Notou logo esse péssimo resultado de sua experiência e muito contribuiu para esse
fracasso, o seu pouco conhecimento de raças estrangeiras. No entanto, inteligente e
conhecedor do assunto desprezou logo aquela cruza, indo buscar em filhos de
Monarca, seu ex-ídolo e espalhados por toda Minas Gerais, seus novos reprodutores.

Afinal a morte veio colher este grande e inconfundível vulto de hipólogo, já velho, mas
orgulhoso da sua já afamadíssima criação de cavalos ''C. C..

Essas duas singelas mas significativas letras, eram as iniciais com que carimbava os
seus bons produtos eqüinos.

Como só vendia para reprodução, animais selecionados, reputava-os muito bem e dai,
o povo dar uma designação diferente à marca com que eram carimbados esses
animais, traduzindo aquelas duas letras iguais, pelas palavras simbólicas - "CUSTA
CARO".

Apesar de tudo consumir o tempo, esse batismo popular, ainda perdura, resistindo
galhardamente a ação destruidora do tempo e ainda é comum ouvirmos nossos
patrícios, dizerem com ufania ao si referirem ao cavalo C.C.: - CUSTA CARO.

Eis ai em rápidos traços a história da criação do cavalo Campolina. É ainda um dos
melhores produtos mineiros, os cavalos desta raça. É hoje continuador desta obra,
mantendo gloriosa a raça Campolina, o Sr. Coronel Joaquim Rezende, de Entre Rios
(Minas).

É como o seu antecessor, grande entusiasta da criação de animais, além de
conhecedor profundo da matéria.

Esse simpático e esforçado continuador da obra gigantesca de Cassiano Campolina,
tem procurado manter a raça e até tentado melhorá-la experimentando novas cruzas e
revigoramento com novos lastros.



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Ainda, ultimamente, introduziu na eguada, um belo reprodutor, que segundo
informado, tem ainda sua origem, no Mangalarga, outra raça mineira definida, de que
tratarei em outras notas ligeiras a publicar. Só o tempo nos dirá da oportunidade desta
cruza.

No meu modesto modo de entender e apesar de ver em Joaquim Rezende, um ótimo e
oportuno continuador da obra de uma vida, qual de Cassiano Campolina, acho que era
ao Governo Mineiro, que competia pelos seus postos de monta, padronizar e conservar
essa raça.

Ela deveria ser considerada de utilidade pública.

O Governo gasta tanto dinheiro nesses serviços e na importação de raças inferiores à
Campolina, porque não entra em acordo com Joaquim Rezende, comprando-lhe toda a
criação eqüina e bem assim a sua fazenda que está a venda? Assim poderia fazer da
raça Campolina um padrão seguro e certo.

Ninguém melhor do que o Governo do Estado, poderia tomar essa iniciativa. Com
descortínio, seriedade e parcimônia, estou certo e convencido, seria uma fonte de
renda.

Tudo depende no entanto, da racionalização do serviço.

É uma raça de cavalos de sela que precisa ser conhecida fora de nossas fronteiras.

É coisa ainda não explorada e afirmo, que não há em parte alguma do mundo cavalo
de sela igual ao Campolina ou ao Mangalarga ou ainda, ao cavalo cria de Gabriel de
Andrade; raças estas, todas definidas e genuinamente mineiras.

Uma propaganda eficiente, julgo daria ótimos resultados. Aí fica uma modesta e
despretensiosa opinião para ser estudada.


José Gabriel Ferreira Netto Belo Horizonte, 10 de março de 1938.
Extraído da Revista : O Cavalo Campolina, ano 1, n.º 1, Abril de 1979




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                       Testamento de Cassiano Campolina

Antônio Pereira de Medeiros, escrivão do primeiro ofício desta comarca de Entre Rios,
na forma da lei, etc.:

Certifico que em meu poder e cartório se acham uns autos com o próprio testamento
de Cassiano Antônio da Silva Campolina, em original e é do teor seguinte:

Matéria Retirada da Revista "O Cavalo Campolina" Ano1 nº 1 -Abril 79

EM NOME DE DEUS - AMEM

Eu Cassiano Antônio da Silva, Campolina, abaixo assinado, estando de perfeita
saúde, em meu juízo e claro entendimento, determino fazer este meu solene
testamento pela forma seguinte:

Declaro que sou natural desta Freguesia de São Braz de Suassuhy do Termo de Entre-
Rios: residente nesta fazenda denominada – tanque – do mesmo termo.

Declaro que sou filho legítimo do Major José Caetano da Silva Campolina e D. Francisca
de Paula Ferreira, já falecidos.

Declaro que sempre me conservei solteiro, e neste estado não tive filho algum, e por
conseguinte não tenho herdeiros forçados.

Declaro e nomeio para meus testamenteiros: em primeiro lugar Snr. João Ribeiro de
Oliveira; em segundo ao Snr. João Batista de Oliveira e Souza, em terceiro ao Snr. Te.
Cel. Joaquim Pacheco de Rezende: todos residentes na Freguesia de Entre-Rios, com
substituição de huns aos outros, pela ordem da nomeação, e á aquele que aceitar
minha testamentaria lhe deixo em remuneração do seu trabalho a quantia de dois
contos de rs.(Rs.2:000$000) e o prazo de hun ano para dela prestar contas em juízo, e
em todos deposito inteira confiança e os hei por abonadas.

Declaro que é minha vontade, que o meu enterro seja feito com a maior simplicidade,
e sem pompa alguma.

O meu cadáver será encomendado, e acompanhado por hun só Sacerdote, e este
celebrará a missa pela minha alma.

É meu desejo se sepultado no cemitério da cidade de Entre-Rios: dados com caso
faleça nesta fazenda o meu corpo será conduzido em esquife daqui para Igreja por
alguns dos meus empregados e agregados em numero de oito: e somente do que
tiverem sido mais dedicados, e cada hun deles se dará em remuneração de seu
trabalho a quantia de cinqüenta mil rs.(500$000) e da Igreja para o cemitério será
conduzido por alguns dos meus amigos, Parentes e afeiçoados que de bom grado
queiram prestar-me este ultimo serviço.

No primeiro domingo ou sete dia depois do seu falecimento; meu testamenteiro
mandará por pessoa de sua confiança distribuir pelos pobres mais necessitados da
Freguesia de Entre-Rios, a quantia de quinhentos mil RS.(Rs500$000) e igual quantia



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pelos da de Suassuhy; podendo ser as esmolas de 5$ 10$,20$ a cada hun conforme
merecer o juízo de distribuidor.

Deixo Philomenta Carolina de Silva, casada com Snr. Antônio José Corrêa Loureiro,
residentes em Suassuhy trinta Apólices do Estado de Minas: ao portador, do valor
nominal de hun conto de reis das quais terá somente os juros enquanto viva for, não
podendo transferi-las nem hipotecar e pós sua morte serão divididas em iguais partes
pelos seus filhos os herdeiros sem ônus alguns;

embora    exista o marido, também a ela deixo com as mesma clausulas duas casas de
vivenda    situadas no Arraial de Suassuhy isto no caso de eu ainda as possuir por
acasião   do meu falecimento, declaro livre direitos Nacionais este legado – apólices e
Casas –   que serão pagos a custa do monte.

Deixo em legado: também livre de direitos: a Eloy da Silva Campolina a quantia de
cinco contos de rs. (rs 5:000$000) com a clausula dele os empregar ou em apólices ou
em terrenos; podendo usufruir os juros d´aquelas; ou cultivar estes; porém nunca
alheiar, ou hipotecar ou dar em pagamento de suas dividas, e por seu falecimento
reverterão a seus filhos em iguais partes, e sem ônus algum.

Deixo a cada hun dos meus empregados; tanto os presentes com futuros, que por
ocasião do meu falecimento estiverem; pelo menos a cinco anos consecutivos, e
efetivamente no meu serviço, a quantia de quinhentos mil rs. (Rs 500$000) a cada
hun livres de direitos a quaisquer despesas; atualmente são eles: Torquato Braziliense,
Theobaldo da Costa, Vigilato Cândido, Pedro da Costa, e Francisco Mathias: com a
declaração que se alguns destes se retirarem da minha companhia ates de meu
falecimento, nenhum direito terá a este legado.

Deixo em legado para a fundação, instalação, e patrimônio de hun hospital ao que se
dará a denominação de Hospital Cassiano Campolina – mas sem prejuízo das
disposições acima descritas, todo dinheiro que por ocasião do meu falecimento eu
possuía em moeda metálica, papel Apólices do Governo, e quaisquer outros títulos
públicos ou particulares que representem valor pecuário.

Para dar execução a esta verba, encarrego a Associação do Pão Santo Antônio ora
existente na Cidade de Entre-Rios, e se esta por ocasião do meu falecimento já houver
sido extinta; o meu testamenteiro convidará a trinta homens de reconhecida probidade
para elegerem o Provedor ( e é meu desejo que seja algum dos meus testamenteiros
que a isso queira prestar-se) tesoureiro, secretário e mais funcionários que forem
necessário para darem andamento a construção do dito hospital, para cujo fim farão
aquisição de terreno apropriado nas imediações da Cidade de Entre-Rios.

Orçamento e planta do Edifício, e sua dependências será regulado pelas forças do
legado, reservando em Apólices a quantia que julgar necessária para o seu Patrimônio,
o qual será inviolável sendo aplicados somente só juros para o custeio e conservação
do mesmo; cujo hospital será sempre administrado por Seculares de reconhecida
probidade que serão remunerados, caso não queiram prestar-se gratuitamente e por
espirito de humanidade e sendo uma instituição de caracter particular não terá o poder
civil ou eclesiástico gerencia ou intervenção alguma na sua administração a qual será
sempre confiada a Seculares que terão de ser eleitos, pelo conselho que para esse fim
terá de crear-se.


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Se não houver decrescimento nos meus haveres atuais deduzidas as quantias
necessárias para o cumprimento das outras disposições, o referido legado poderá
montar a setecentos e cinqüenta contos quantia que julgo suficiente para ser
construído e montado hun Hospital de primeira ordem (reservando-ser quantia
suficiente para seu Patrimônio) no qual haverá acomodações para enfermos atacados
de qualquer enfermidade inclusive a loucura.

Os reconhecidamente pobres receberão tratamento gratuito tenho preferência na
admissão em primeiro lugar deste Município, em segundo os de todo Estado de Minas,
em terceiro os demais Estados da União, em quarto os estrangeiros embora
naturalizados.

Também haverá acomodações decentes e separadas para os favorecidos da fortuna, os
quais pagarão hua diária módica somente o quanto compense as despesas com o
tratamento; porquanto é meu desejo que seja criado hun estabelecimento que preste
socorros a humanidade sofredora sem vistas mercantis.

Quanto ao seus estatutos e regimento interno, o Provedor adotará os de alguma
instituição congênere mais conceituada podendo neles fazer alguma alterações ou
supressões que julgar convenientes.

Deixo em legado ao meu testamenteiro, o Te. Cel Joaquim Pacheco de Rezende, ou as
seus filhos se eu a ele sobreviver a minha Fazenda denominada – Tanque – com todos
os seus Retiros e bem feitorias, moveis, animais de criar e de trabalho nela existentes
por acasião do meu falecimento (a excepção de alguns pequenos objetos que deixo
como lembrança material e que contarão de sua lista que deixo separada deste ) com
o ônus deste legatário ou seus sucessores entrarem com a quantia de duzentos e
cinqüenta contos (Rs250:000$000) livres de Direito Nacionais em dez prestações
iguais e anuais; sendo a primeira no primeiro mês de Janeiro, logo depois do meu
falecimento, e as demais nos Janeiros seguintes cujas prestações serão encorporadas
ao fundo patrimonial do Hospital criado por disposição deste testamento; e si o
legatário ou seus sucessores não aceitarem o legado assim clausulado serão os ditos
imóveis, móveis e semoventas vendidas e praça pública, podendo os terrenos e bem
assim os animais, serem vendidos em lotes, afim de facilitar a aquisição dos licitantes
e o produto da venda terá o mesmo destino acima indicado, isto é, será encorporado
ao fundo patrimonial do Hospital criado por disposição deste testamento.

Nesta forma dou por concluído este meu autentico testamento por mim ditado escrito
e assinado o qual quero que se cumpra e guarde como nele se declara e contém
revogando outro qualquer que apareça com data anterior.

Fazenda o Tanque, 22 de fevereiro de 1903.




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