Senhor meu, meu Rei:
eu vos amo, com a igual delicadeza com
que a brisa rocia a flor pela madrugada;
eu vos adoro, com o mesmo entusiasmo da ave canora saudando
o dia; eu vos respeito, com a ternura semelhante à da criança
sorridente com o seu reflexo na água tranqüila da fonte;
eu vos busco, com a força da fome devoradora do coração em
soledade; eu vos bendigo, com o ritmo da música silenciosa dos
astros no zimbório, cantando a sonata de luz em plena noite;
eu vos necessito, como o órfão ao pai; eu vos espero, como a noiva
ansiosa aguarda o futuro nubente. . .
Por isso, a minha prece é despida de atavios, de rogativas, de
necessidades, e feita de sublime desejo, que expresso, dizendo:
“Rasga, rasga com o teu punhal de luz toda a sombra que me en-
volve, a fim de que Tu somente, em domínio total, no país do meu
ser, Te tornes o Senhor que me domina e me agrada sem cessar.”
Rabindranath Tagore, poeta, contista, dramaturgo e crítico de
arte hindu; nascido em Calcutá. Nasceu no dia 7 de Maio de
1861. Ele foi o maior poeta moderno da Índia e o gênio mais
criativo da renascença indiana.
Além de poesia, Tagore escreveu canções (letras e melodias),
contos, novelas, peças de teatro (em prosa e verso), ensaios
sobre diversos temas incluindo críticas literárias, textos
polêmicos, narrativas de viagens, memórias e histórias
infantis: O Jardineiro, O Carteiro do Rei, e Pássaros Perdidos.
Grande parte de sua obra está escrita em Bengali. Gitanjali
(1912), uma tradução e interpretação de uma obra poética em
Bengali do original de 1910 fez com que Tagore ganhasse o
Prêmio Nobel de Literatura em 1913.
Seu pensamento abriu novos caminhos para a interpretação
do misticismo, procurando atualizar as antigas doutrinas
religiosas nacionais. Colaborou em revistas americanas, tendo
obras publicadas em francês, inglês e espanhol. Realizou
conferências no Uruguai, Argentina, França, Estados Unidos.
Recebeu o título de "Doutor Honoris Causa e Membro
Honoris Causa" de universidades e associações do Brasil e
outros países, e de Oficial da Legião de Honra da França e da
Ordem do Leão Branco da antiga República Tcheco-
Eslováquia.
Morreu em 7 de agosto de 1941 na casa onde nasceu, em
Calcutá.
A primeira vez que o médium Divaldo P. Franco viu,
mediunicamente, o grande poeta indiano, Rabindranath Tagore
foi no ano de 1949.
Ele próprio relata como ocorreu esse fato:
-“Certa noite eu estava deitado, quando ouvi uma música de
uma beleza indefinível, tocada numa espécie de cítara.
Ao som dessa música, muito plangente e muito profunda, tive
uma visão belíssima de jardins verdejantes e floridos, cortados
por um riacho de águas claras no qual deslizava uma barca.
Nesta uma Entidade venerável, de túnica alva, de tez bem
escura, em cuja fisionomia, de serena beleza, sobressaíam os
olhos negros, enormes e brilhantes, e a barba alvinitente, cujos
fios pareciam ter cambiantes prateados.
“- Eu sou Rabindranath Tagore, poeta da Índia, e desejo que
me grafes alguns pensamentos – disse-me o Espírito.”
Providenciando o material necessário, Divaldo entrou em transe
mediúnico logo em seguida. Narra ele que “enquanto
psicografava continuei a ouvir a melodia, penetrante e bela.”
A partir dessa noite, Divaldo que nunca ouvira falar nesse nome e
nem lera nada a seu respeito, recebeu de Tagore várias
mensagens que constituiriam seu primeiro livro, FILIGRANAS
DE LUZ, que no entanto só veio a ser publicado bem mais tarde,
em 1965.
O SEMEADOR DE ESTRELAS