Resumo

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					          CENTRO UNIVERSITÁRIO JORGE AMADO
         NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM JORNALISMO CONTEMPORÂNEO




                           BAHIA ESPORTE:
 Uma análise do telejornalismo esportivo sob a luz do conceito de modo de
                             endereçamento




                                          Artigo apresentado pelos alunos
                                          Adriana Rodrigues, Marvin Kennedy,
                                          Najara Lima e Yuri Almeida durante a
                                          disciplina   Gêneros     Televisivos,
                                          ministrada pela professora Itania
                                          Gomes.




                               Salvador
                             Junho de 2008
Resumo
O presente trabalho tem como foco a análise do Bahia Esporte como programa jornalístico
televisivo que tem como tema o esporte. Para tanto, utilizar-se-á o conceito de modo de
endereçamento, oriundo da análise fílmica, mas já adaptado para os estudos do
telejornalismo. Além dos operadores de análise dos modos de endereçamento - a saber
mediador, contexto comunicativo, pacto sobre o papel do jornalismo e organização
temática - será feita uma análise do Bahia Esporte com base em suas características mais
peculiares, vistas em conjunto, de modo auxiliar na indicação dos seus modos de
endereçamento.
Palavras-chave
Entretenimento – interatividade - jornalismo esportivo - modos de endereçamento -
telejornalismo
Introdução

De que forma o Bahia Esporte, como programa de jornalismo temático, apresenta-se para a
sua audiência? O que faz dele um programa peculiar dentro da grade de programação da
TV Bahia, emissora através da qual ele é transmitido? Que percurso o jornalismo esportivo
fez para chegar ao ponto de se permitir um texto verbal mais descontraído, mais próximo
do seu telespectador? É com o objetivo de elucidar essas questões que o presente trabalho
se sustenta.

Serão aqui utilizados os conceitos de gênero televisivo e modos de endereçamento para
analisar o Bahia Esporte, tendo sempre como norte a investigação de como se estabelece a
relação entre o programa e o seu telespectador. É importante ressaltar que o modelo
metodológico aqui empregado foi utilizado, inicialmente, para a análise de telejornais, e
será adaptado para o estudo de um programa televisivo esportivo.

A escolha do presente objeto de estudo, além de ter sido influenciada pelo perceptível
expansão de programas com a temática do esporte na TV brasileira, deu-se por conta do
interesse do grupo em buscar as características que diferenciam o Bahia Esporte de todos
os demais da grade de programação da emissora em que ele é exibido. A edição que serviu
de base para a análise do trabalho aqui proposto foi exibida no dia 7 de junho de 2008.
1. Gênero televisivo
O gênero televisivo é o conceito a partir do qual se pode entender a relação que
determinado programa estabelece com seu telespectador. É como ele se apresenta para a
sua audiência, de modo que, sem a necessidade de que alguém lhe informe, o público já
saiba o que pode esperar do programa.

O gênero fala, ao mesmo tempo, de recepção e produção, mas pode ser considerado, tanto
ou mais, como uma estratégia de leitura (BARBERO, 1995 apud SILVA, 2005). Esse
conceito, ao lado do modo de endereçamento, são as chaves para se chegar às respostas das
questões propostas na introdução deste trabalho.
2. Modos de endereçamento
De acordo com Itania Gomes (2007), o conceito de modo de endereçamento, proveniente
da análise de filmes, vem sendo utilizado desde a década de 80 para interpretar também
como são construídos os programas televisivos. Utilizado ao lado do conceito de gênero
televisivo, através do qual é possível “relacionar as formas televisivas com a elaboração
cultural e discursiva do sentido” (GOMES, 2007, p.19), o modo de endereçamento serve à
análise de como um produto telejornalístico estabelece uma relação específica com seus
telespectadores.
2.1. Operadores de análise
Os operadores de análise aqui utilizados, ou os pontos que devem nortear o trabalho de
investigação, serão quatro: o mediador, o contexto comunicativo, o pacto sobre o papel do
jornalismo e a organização temática. É com base nesses operadores que se construirá a
análise de como o programa Bahia Esporte se configura para “construir as notícias,
interpelar diretamente a audiência e construir credibilidade” (GOMES, 2007, p.23).
2.1.1. Mediador
São as pessoas envolvidas no programa jornalístico televisivo que mediam o processo
comunicativo. Apresentadores, repórteres, âncoras, comentaristas. A forma como esses
indivíduos estabelecem vínculos com o público, constroem seu texto verbal e sua
credibilidade como profissional vai ser determinante para a indicação dos modos de
endereçamento do programa.
2.1.2. Contexto comunicativo
Diz respeito às circunstâncias em que são produzidos os programas e como se desenvolve o
processo comunicativo, como emissor, receptor, tempo e espaço.
2.1.3. Pacto sobre o papel do jornalismo
É uma relação estabelecida entre o programa e a sua audiência através do papel que o
jornalismo desempenha na sociedade. Envolve noções como objetividade, imparcialidade,
interesse público, liberdade de expressão e verdade, por exemplo. É, enfim, a forma como
os cidadãos com hábito de audiência esperam que o programa se relacione com essas
noções.
2.1.4. Organização temática
Constitui a forma como o programa é arquitetado, como as notícias / editorias / temas são
distribuídos. Como o Bahia Esporte é um programa temático, analisar este operador é de
suma importância para o entendimento dos seus modos de endereçamento. É importante
também perceber como essa organização temática se articula com os demais operadores de
análise.
3. Jornalismo esportivo e entretenimento: uma relação simbiótica
Até a década de 60, o jornalismo esportivo não teve espaço e prestígio nos veículos de
comunicação. AMARAL (1969, p. 98) justifica que o início da cobertura jornalística
esportiva era realizada por repórteres julgados como não aptos a fazerem as pautas de
economia, política e geral, uma espécie de “vocações frustradas do jornalismo”, nas
palavras de Amaral.

Apesar da primeira publicação sobre assuntos relacionados ao esporte ter sido realizada
pelo Fanfulla, no ano de 1910, em São Paulo, só após a ocorrência de alguns fatos, como a
realização da Copa do Mundo de 1950 no Brasil, as conquistas da “Seleção de Ouro” em
1958, na Suécia, e 1962, no Chile que o jornalismo esportivo ganhou maior status dentro da
atividade jornalística e passou a contar com profissionais “preparados”. Na década de 60,
por exemplo, houve uma explosão dos cadernos esportivos nos principais jornais
brasileiros. Um desses exemplos foram os irmãos Nelson e Mario Filho Rodrigues, que
ajudaram a consolidar o jornalismo esportivo no Brasil, em suas narrativas repletas de
romance, literatura e paixão. E não foi apenas os jornais impressos que efetuaram tais
mudanças. Na mesma data, Oscar Niemeyer iniciou as tentativas de dar uma “roupagem”
audiovisual ao esporte.

Paulo Vinícius Coelho, autor do livro Jornalismo Esportivo (ed. Contexto, 2003), destaca
que a cobertura esportiva, em sua gênese, sempre embaralhou emoção e realidade, em
proporções muito equivalentes, o que "ajudou" ao jornalismo esportivo ser visto como
entretenimento, ao mesmo tempo, que consolidava a imprensa esportiva brasileira. Além
disso, encantados, principalmente pelas conquistas da seleção brasileira de futebol, os
leitores aumentam seu interesse pelo esporte, o que originou uma demanda por informações
esportivas e uma oportunidade para os veículos de comunicação abiscoitarem algumas
cifras com a venda de jornais.

Na televisão, a partir da década de 70, surgem os principais programas especializados em
esporte, como o Esporte Espetacular (1973) que trouxe maior rigor jornalístico na
construção das notícias e uma perspectiva mais dinâmica para publicização de conteúdo. O
avanço tecnológico possibilitou mais inovações e novos formatos, seja com a cobertura ao
vivo, replays, diversas câmaras para a cobertura de um fato. Marco significativo para o
jornalismo esportivo fora durante a década de 90, quando a Rede Bandeirantes torna o
esporte seu slogan principal “Band: o canal do esporte”.

Atualmente, os programas esportivos são marcas registradas na grade das redes de televisão
do Brasil, seja na pré-agenda (divulgação/cobertura de eventos, notícias dos atletas,
bastidores, entre outros) assim como na pós-agenda, com análises e/ou comentários dos
eventos agendados pelos próprios medias. Helal (1997) defende que é importante “perceber
como o esporte é também um fenômeno específico da comunicação de massa. Bourdieu
(1997, p.73) analisando a composição da grade de programação revela que tanto a televisão
quanto os jornais têm dado “o primeiro lugar, quando não é todo o lugar, às variedades e às
notícias esportivas”.

Para Borelli (2002) ano a ano a editoria de esportes tem ganhado mais caráter de
profissionalização, seja por questões próprias do jornalismo (aperfeiçoamento do trabalho
jornalístico) ou pela demanda, que tem aumentado muito, justamente pelo envolvimento
que os leitores têm com o esporte, pelas paixões que move, pelos imaginários que nutre,
pelas cifras que movimenta. É nesse contexto que nasce o Bahia Esporte

4. Bahia Esporte
Exibido ao vivo todos os sábados nas emissoras da Rede Bahia de Televisão, às 9h, o Bahia
Esporte também é reprisado na TV Salvador aos sábados, às 21h30, e aos domingos, às
21h. O programa, apresentado por Patrícia Abreu e que tem como repórteres Matheus
Carvalho e Sérgio Pinheiro, estreou em 2005 com o objetivo de divulgar as principais
competições esportivas da Bahia, com ênfase no esporte amador. Na homepage do
programa, a descrição evidencia os elementos que motivaram a elaboração do Bahia
Esporte: um nicho de mercado e um Estado rico no tange as modalidades esportivas.

“Em sintonia com a demanda crescente de eventos e competições esportivas e o interesse
cada vez maior dos telespectadores em notícias regionais e locais, a Rede Bahia de
Televisão lançou em sua grade de programação no dia 2 de julho de 2005 o Bahia Esporte”.

O Bahia Esporte abre a grade esportiva dos finais de semana da Rede Globo, já que
antecede os treinos da Fórmula-1, no sábado, e os dominicais Auto Esporte e Esporte
Espetacular, além dos Grandes Prêmios de Fórmula 1.

Na estréia, em 2005, a apresentação ficava por conta da dupla Patrícia Abreu e Matheus
Carvalho. Depois, apenas a jornalista seguiu no comando do programa. Hoje, além de
apresentar, ela também é editora e repórter do Bahia Esporte. Matheus edita matérias e
apresenta o programa na ausência de Patrícia. Sérgio Pinheiro, além de repórter, é editor-
chefe do Bahia Esporte. Além dos repórteres em Salvador, o programa conta ainda com
participação ao vivo de jornalistas de várias cidades baianas.
5. Análise do programa
Diferente dos demais programas esportivos, o Bahia Esporte não se prende ao futebol. O
tempo destinado a esta modalidade é, em algumas edições, inferior ao endereçado às
demais. O programa também se mostra imparcial quando trata sobre os dois maiores clubes
do estado, o Esporte Clube Vitória e Esporte Clube Bahia.

O propósito do programa é mostrar o esporte na Bahia, fazendo referência ao nome, Bahia
Esporte. A proposta do programa é divulgar o esporte regional e local. Neste contexto, o
diferencial deste programa é não restringir à apenas ao único esporte, o futebol, que
predomina na maioria dos programas esportivos existente. Ele apresenta uma variedade dos
esportes no estado e região com foco nos atletas baianos que vem se destacando em alguma
modalidade esportiva. Assim, ele propõe também um ambiente interativo através da
participação dos telespectadores que deixam suas mensagens no blog do Bahia Esporte. Os
telespectadores sugerem pautas, eventos esportivos, elogios, críticas que são lidas no ar
durante o programa. A participação dos telespectadores no programa mostra-se como uma
estratégia de aproximação com o telespectador e é reforçada com na abertura do programa
do dia 7/06/08 e por dois quadros “Faça você mesmo” e “Loucos de paixão”.

A abertura do programa mostra uma vinheta bem elaborada sobre os baianos que
participaram da “Corrida Maluca”, evento que aconteceu em Fortaleza. Com uma música
bem intimista, revela os últimos preparativos da confecção de um carro feito por um grupo
de estudantes moradores da barra, o test drive do carro maluco, as expectativas dos
corredores. O fator ineditismo, pitoresco, incomum também se revela nesta matéria. O
“Faça você mesmo” tem como proposta fazer do atleta o repórter e o personagem da sua
própria matéria. Na edição analisada, o nadador Mauro Marcelo mostrou seu desempenho
no aberto inglês de natação, que aconteceu na cidade de Sheffield, Inglaterra.
O nadador começa a matéria contextualizando o evento mostrando as imagens da cidade,
que tem a tradição no cenário da natação paraolímpica como forma de situar o evento,
revela seus resultados (ele ganhou duas medalhas), explica os detalhes da competição,
como vencer na sua categoria. A matéria tem um tom bem pessoal, trata-se de um relato,
um registro pessoal e Marcelo finaliza a matéria com a seguinte afirmação: “Por aqui eu
fico na contagem regressiva para os jogos paraolímpicos, que acontece em setembro, na
China. Vocês que estão me assistindo, poderão acompanhar minha trajetória. Até breve”.

Já o quadro “Loucos de Paixão” mostra a paixão dos torcedores por determinado time ou
esporte, como o próprio nome denuncia. A matéria com Antônio Freitas, um torcedor
fanático pelo time paulista, Corintians. Na reportagem, Antônio revelou sua paixão, quando
começou a torcer pelo time, mostra as mais de 300 camisas do time, loucuras que já
realizou para ver o time jogar. A idéia deste quadro é expor a paixão pelos torcedores
baianos, criando ainda mais a interatividade com o telespectador. Além de criar este
ambiente interativo, o programa explora o entretenimento através destes quadros, cujas
vinhetas bem elaboradas vão introduzindo um clima festivo, alegre, o que reforça o formato
descontraído adotado pelo jornalismo esportivo e como atrativo para os telespectadores da
localidade e região e o pacto de entretenimento no Bahia Esporte.

Outra estratégia de interatividade explorada ao longo do programa é a leitura no ar das
críticas e sugestões dos telespectadores deixadas no site do programa. Desse modo, o
telespectador ganha voz a partir de suas opiniões, sugestões de pautas, eventos esportivos,
críticas, dentre outros, como a de Tatiana, do bairro Itapuã, que informa sobre a Copa
Gêneses, a primeira etapa do Circuito Cobra D’água de Bodyboard, nos dia 14 e 15 de
junho e ressalta a presença do líder do ranking mundial, Hury Valadão. Ao ler as
mensagens diretas do notebook, o programa parece demarcar o seu público-alvo, fala para
um grupo com um certo poder aquisitivo, geralmente classe média, que navega na internet
com facilidade, e com recurso suficiente para adquirir equipamentos eletrônicos com custo
alto. A intenção de explorar a interatividade durante todo o programa é estabelecer um
diálogo com os mais variados tipos de telespectador que curtem o esporte e que privilegiam
os atletas baianos, entre outros

Há ainda o quadro Mexa-se, com o propósito de também aproximar do telespectador, além
de servir como instrumento de interação social entre a comunidade e um resgate da
cidadania. Na edição analisada é mostrado um grupo de idosos fazendo exercícios físicos
ao ar livre. O repórter quase não aparece. Quem fala são os idosos, que são os protagonistas
da matéria, e enfatizam os benefícios de fazer exercícios físicos, o prazer de fazer amizades
com outras pessoas, e o aumento da auto-estima. Assim, a intenção é mostrar como o
programa dialoga com os diversos públicos, de crianças à idosos, sem distinção, tendo
como arma principal o esporte.

O programa ainda proporciona o link educação e esporte, no quadro “Esporte Transforma”.
O enquadramento das reportagens é voltado para um desenvolvimento de uma cultura
esportiva como arma para a educação, constituindo em forma de comunicação, expressão e
para a transformação social, e para o desenvolvimento de formação de um cidadão crítico,
criativo e protagonista. A idéia do programa é mostrar o esporte como um instrumento
integrador, independente da classe social, raça ou religião.
O cenário do programa é constituído de um painel, que mostram diversas modalidades
esportivas, com atletas e equipamentos construídos a partir de recursos gráficos utilizados
na abertura do programa. Outros dois elementos constituem o cenário, um púlpito, que
sustenta um notebook, onde a apresentadora lê e-mails dos telespectadores e uma tela LCD,
em que são exibidas as reportagens. São com estes elementos e uma linguagem solta e
informal, que a apresentadora busca atingir o maior público possível, assim como tenta se
aproximar deste público, agindo como uma “telespectadora” ao chamar as matérias na tela
LCD ou conversando com a audiência respondendo as mensagens enviadas por e-mail, no
notebook.

O Bahia Esporte também busca a promoção de atividades físicas como fundamentais para a
saúde e melhor qualidade de vida. O programa não se prende muito ao factual pelo factual,
mas faz, na maioria das vezes uma opinião sobre o factual, ou desdobramentos de um
determinado fato ocorrido no universo esportivo baiano, a exemplo do acidente na Fonte
Nova, ou o caso do ex-zagueiro da Seleção Brasileira de Futebol, Juvenal. Diferente dos
demais programas esportivos, o Bahia Esporte não se prende ao futebol. O tempo destinado
a esta modalidade é, em algumas edições, inferior ao destinado a outras modalidades. O
programa também se mostra objetivo, quando os assuntos são os dois maiores clubes do
Estado: Esporte Clube Vitória e Esporte Clube Bahia.

A participação da audiência também faz parte do endereçamento do programa. Através de
enquetes, sugestões de pautas e de dois quadros exibidos no programa, o telespectador pode
participar do programa. A enquete é lançada durante a semana e o telespectador pode votar
através do site do programa. As parciais e o resultado são lidos durante o programa.
Através do e-mail, são sugeridas pautas, que também são lidas por Patrícia Abreu durante o
programa e algumas já recebem o aceno positivo da apresentadora. Outra forma de
encontrar o telespectador no programa está nos quadros “Loucos de Paixão”, em que
torcedores exibem loucuras de amor por seus clubes de futebol, e no quadro “Mexa-se”,
que exibe sempre um grupo de pessoas “comuns” que praticam atividades esportivas
apenas com o objetivo de melhorar a saúde e a qualidade de vida. O quadro “Fala Povo”
traz as tradicionais opiniões de público transeunte nas ruas da capital baiana sobre diversos
assuntos.

Além de caracterizar o próprio esporte como entretenimento, outros aspectos neste sentido
são encontrados no programa, a exemplo do quadro “Gol Back”, que trabalha a memória
esportiva dos apaixonados por futebol, lembrando gols do Campeonato Baiano de Futebol,
ou a participação de jogadores e clubes baianos em diversas competições. As enquetes, a
participação da audiência nos quadros e através dos e-mails também podem ser
caracterizados como forma de entreter o programa e sua audiência.

O formato de construção das matérias também reforça o perfil de entretenimento do
programa. Mesmo quando a pauta é mais “dura”, de um assunto sério, como o caso
Juvenal, a captação de imagens associadas à construção do texto verbal, aborda o assunto
de forma leve, o que justamente espera o público de programas esportivos. Esta leveza
também é presente quando o Bahia Esporte exibe sons e imagens captadas de forma lúdica,
a exemplo do som e imagem das braçadas do nadador Alan do Carmo (07/06/2008).
O Bahia Esporte, assim como os demais programas esportivos também se utilizam da
narrativa de “construção do herói”. Isso ficou claro na edição do dia 07/06/2008, quando a
apresentadora traz uma fala da nadadora Ana Marcela, aos 13 anos sobre sua certeza de
chegar às Olimpíadas de Pequim, feito conseguido pela nadadora este ano. No mesmo
programa outro exemplo desta narrativa é a intimidade e a reportagem “ao vivo” feita com
o nadador Alan do Carmo, que também atingiu o índice para as Olimpíadas de Pequim.


6. Considerações finais
Uma das principais características de um programa televisivo de esportes é a relação que
ele estabelece com seu telespectador a partir do texto verbal de seus mediadores. Tanto a
apresentadora do Bahia Esporte, Patrícia Abreu, quanto seus repórteres, utilizam um texto
verbal marcado pela informalidade.

Constantemente são utilizadas expressões bastante coloquiais, muito similares às dos
torcedores, estabelecendo uma relação mais próxima do telespectador e interagindo com
ele. A apresentadora do programa, apesar de não ser uma mediadora performática e
polêmica, como o Jorge Kajuru, por exemplo, tem sua maneira peculiar de estabelecer um
vínculo com o telespectador, tanto com o gestual quanto com seu texto verbal.

Isso pode ser facilmente notado quando lê no ar o e-mail de um telespectador, que pede
para que o programa realize reportagens sobre os esportes praticados na Chapada
Diamantina, ela responde que eles farão sim a matéria, “sem sombra de dúvidas. Aquele
lugar é lindo!”, tentando criar uma identificação tanto com quem enviou o e-mail quanto
com o público de casa, que também deve achar a Chapada um ambiente muito agradável.
Ou quando convida quem está assistindo ao programa para participar através da internet,
dizendo: “Ainda não mandou e-mail pra gente? Então anota aí o endereço”.

Da mesma forma agem os repórteres, no off e na passagem de suas matérias, fazendo com
que ela se construa de forma semelhante ao narrar de uma história.

A construção da notícia no Bahia Esporte é sustentada pela narrativa do herói, focada nos
ícones do mundo esportivo, uma espécie de Big Brother sobre a vida dos astros e estrelas
do universo esportivo, além de fatos curiosos e o dia-a-dia esportivo.

O programa estrutura a sua pauta, em maior parte, na atemporalidade, com produções mais
elaboradas fugindo do factual ou revelando traços interessantes de determinada
modalidade, elevando o status/importância jornalística do esporte enquanto tema.

O esporte, por ser em si, entretenimento, demanda da cobertura jornalística uma linguagem
mais lúdica e matérias leves que divirtam ao mesmo tempo que informem ao telespectador
os fatos mais importantes daquela semana do esporte baiano. Por isso, há um maior
emprego de elementos do entretenimento para dar vida e abrilhantar a cobertura esportiva e
a busca por um maior diálogo com o telespectador, numa postura didática, que busca
explicitar o esporte, mediante uma pedagogia jornalística, que ensina e orienta.
Referências Bibliográficas


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televisivos e modos de endereçamento. Salvador, UFBA, 2005 (dissertação de mestrado
apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas).

				
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