Slide 1 - UNIFR A

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					“As comunidades, identidades e
 culturas surdas: modos de ser
   surdo e suas produções no
    cenário contemporâneo”

               Juliane M. Morgenstern
 Mas, se não ouvir não define
fundamentalmente o ser surdo,
o que é que está em jogo, então,
        nesta afirmação?
  (BENVENUTO, 2006, p. 227).
  1. Revisitando as Representações
  acerca da Surdez
1.1 Diferentes olhares sobre a surdez

SURDEZ como construção de um olhar sobre os
  sujeitos.

                                    
  Materialidade                Representação
  (corpo surdo)             (campos de sentido
                          construídos culturalmente)

                                     

                      Construção cultural da surdez
                   a partir de distintas narrativas
                     provindas de campos de saber
                                  distintos.
Percebemos o Outro a partir de representações
    e interpretações construídas e enunciadas
  dentro de espaços de saber e de relações
 de poder (o modo como entendemos o Outro
   e a nós mesmos, aquilo que somos e aquilo
                  que o Outro é)
                        
    Qual(is) saber(es) se sobressai(em) ao
    projetarmos ações e práticas educacionais
               para alunos surdos?

 MÉDICOS, PSICOLÓGICOS, CULTURAIS,
    ANTROPOLÓGICOS, RELIGIOSOS
1.2 Campos de saber e suas narrativas na
projeção de modos de ser surdo

CIÊNCIA
   
Saberes estatísticos, clínicos

*Se pensou a surdez a partir:
 - dos níveis de perda auditiva;
 - lesões no tímpano;
 - fatores hereditários, biológicos
 ABORDAGEM EDUCACIONAL
Trabalhava com:
                  -   técnicas diversas de oralidade;
                  -   treino orofacial;
                  -   aparelhos auditivos;
                  -   terapias de fala

                           
                       NORMALIZAÇÃO

- relação binária surdo/ouvinte
- surdez como deficiência que requer tratamento,
   correção
- surdo como sujeito incompleto
- representações ouvintistas
  SABERES CULTURAIS/
  ANTROPOLÓGICOS
 Instituição de uma nova racionalidade que possibitou a
   instauração da Concepção Sócio-antropológica da
                          surdez
                             
Surdez vista como diferença cultural;
Surdo como sujeito de uma língua e cultura próprias;
                             
 Desloca o olhar p/ o grupo surdo. O que dizem de si
  quando articulados na negociação por seus direitos de
  se verem e de quererem ser vistos como sujeitos
  surdos.

NARRATIVAS vinculadas ao movimento surdo
 Resistência que se dá pelo e nas relações de poder
  (negociação diária nos diversos contextos sociais).
ABORDAGEM EDUCACIONAL

Trabalha com:

            - proposta de Educação Bilíngüe;
            - uso de artefatos culturais;
            - considera os marcadores surdos
           (características, marcas compartilhadas
                     no grupo)
1.3 Elementos culturais na significação
das pessoas surdas e da surdez

*Configuram-se espaços de estudo e
  discussão

ESTUDOS SURDOS


ESTUDOS CULTURAIS

                 Noções de cultura
                  Cultura Surda
  Estudos Surdos
  “Os estudos Surdos em Educação podem ser
   pensados como um território de investigação
    educacional e de proposições políticas que,
       através de um conjunto de concepções
      lingüísticas, culturais, comunitárias e de
         identidades, definem uma particular
   aproximação – e não uma apropriação – com
    o conhecimento e com os discursos sobre a
         surdez e sobre o mundo dos surdos”
               (SKLIAR, 2005, p. 29)

Conhecimento sobre os surdos que apontam p/
  questões:
            - da diferença;
            - da cultura;
            - da identidade.
    Estudos Culturais
   Ampliam a discussão sobre cultura; não
    distinguem alta/baixa cultura; relação cultural
    ou acultural. Redimensiona a noção cultural.
    Não é somente o legado de nossos
    antepassados, cultura é aquilo pelo que se
    luta... (SILVA, 2000).

“A cultura surda é então a diferença que contém
  a prática social dos surdos e que comunica um
 significado [...] o jeito de usar sinais, o jeito de
  ensinar e de transmitir cultura, a nostalgia por
   algo que é dos surdos, o carinho para com os
  achados surdos do passado, o jeito de discutir
            a política, a pedagogia, etc”
              (PERLIN, 2004, p. 77)
    2. A Arena Cultural e a Produção de
        Identidades
2.1 Os processos de constituição de identidades


   As identidades não são essenciais, naturais, não
    existem como “seres” estáveis a espera de
    revelação, mas resultam de processos de
    criação social, assim como as diferenças
    (SILVA, 2000).

   As identidades são permanentemente
    construídas na dinâmica cultural. Nesse
    contexto, a cultura é produto e produtora das
    relações sociais e identitárias.
   A educação ao assume a tarefa de
    formação de um sujeito autônomo,
    consciente de si. Projeção do sujeito
    moderno como essencial, único, fixo.

   A normalidade é instituída pela eleição de
    uma identidade que se coloca no centro
    das relações de identidades. Sua
    elaboração pode ser tensionada tendo em
    vista seu caráter construído.

   As identidades vem passando por
    modificações nos diferentes períodos...
No cenário contemporâneo,
“O sujeito assume identidades diferentes em
  diferentes momentos, identidades que não
      são unificadas ao redor de um “eu”
 coerente [...] à medida em que os sistemas
  de significação e representação cultural se
  multiplicam, somos confrontados por uma
  multiplicidade desconcertante e cambiante
   de identidades possíveis, com cada uma
  das quais poderíamos nos identificar – ao
           menos temporariamente”
           (HALL, 2005, p. 12-13).
    2.2 O terreno cultural e as identidades
    surdas
   Que elementos atravessam e compõem as
    identidades surdas? É possível afirmar que existe
    uma identidade pertencente ao grupo surdo?

   Identidades múltiplas construídas cotidianamente;

   A língua é um elemento cultural, não havendo cultura
    sem a funcionalidade e as atribuições de uma língua.
    Assim, uma língua visual-espacial constitui uma
    cultura específica, uma cultura visual;

   Sujeitos que experenciam e significam o mundo a
    partir da experiência visual. A leitura de mundo se dá
    pelo registro visual.
“O encontro surdo-surdo é essencial
   para a construção da identidade
 surda, é como um abrir do baú que
  guarda os adornos que faltam ao
   personagem [...] Os surdos são
   surdos em relação à experiência
     visual e longe da experiência
                auditiva”
        (PERLIN, 2005, p. 54)
2.3 Os artefatos culturais e sua
produtividade
  Segundo Schmidt:
“[...] os artefatos da cultura, como a televisão ou os
   jornais, praticam pedagogias, nos ensinam coisas,
    nos contam histórias, nos dizem como as coisas
      são, como as coisas não são, como as coisas
                        devem ser”
                     (2001, p. 64).

   Os artefatos comportam uma pedagogia, um
    currículo cultural que produz significados novos e
    reafirmam outros tantos. Os locais de veiculação
    dos artefatos apresentam-se como espaços
    legítimos de divulgação e enunciação.

   *Ex: cinema, televisão, imprensa escrita,
    propaganda levando a certos modos de ser
    mulher, adolescente, criança, estudante, mãe...
Podemos citar alguns deles, tais como:

   Filmes que narram histórias de surdez e mostram
    experiências vividas por surdos;
   Reportagens que mostram e divulgam
    acontecimentos da comunidade surda;
   Livros de histórias narrados em língua de sinais;
   Veiculação e propagação de informações sobre a
    cultura surda;
   Estruturação de cursos para surdos em espaços
    bilíngües com professores surdos;

- Ainda importa considerar o papel dos artefatos
  culturais na construção das identidades
  surdas, bem como de uma dinâmica curricular
  (produto e produtor das relações) que viabilize
  tais produções relacionadas a cultura surda.
3. Comunidades Surdas e os
    Espaços Culturais
3.1 As comunidades e os movimentos de
  resistência

   O movimento surdo configura-se como
    local de gestão política das identidades
    surdas.

   As comunidades de surdos não se
    tornaram apenas espaços de lazer ou
    entretenimento, mas, sobretudo espaços
    de articulação política na busca pelo
    reconhecimento da surdez como diferença
    (BOTELHO, 1998).
 3.2 As asserções da diversidade e da
 diferença na educação de surdos


Deficiência – Diversidade – Diferença

                  

Podemos entendê-las como sinônimas?
Educação Especial


                         Altas
                       Habilidades



  Dificuldade de                        Deficiência Física
  Aprendizagem


                      Cegueira


                                                Autismo

    Surdez

                   Deficiência Mental
Diversidade
   Segundo Bhabha (1998), o termo
    diversidade implica uma forma de remanso;
    a naturalização e o compartilhamento de
    características tomadas como universais...
    “todos somos sujeitos da diversidade”;

   Qualidade do que é diferente, falta de
    igualdade ou semelhança; Variedade,
    qualidade daquilo que é diverso, variado
    (parece haver um concenso);

   Tolerar a diversidade: hospedar o Outro
    abrigando suas “diferenças” e melhorando
    com elas.
    Diferença
   Na esteira dos discursos e práticas que
    pontuam a deficiência, apaga-se o caráter
    político da diferença, tratando-a como
    diversidade. É vista assim, como traço da
    sociedade contemporânea a ser tolerado.

   A diferença ao ser narrada pelo viés da
    diversidade nos remete à percepção do outro
    a partir de uma representação folclórica, que
    tematiza e atribui valor ao Outro diferente.

           Diferença igual a diversidade?
           Diferença oposta a igualdade?
    “Entender diferença dessa forma não permite que ela
    seja enquadrada em categorias ou traduzida em outros
     diagnósticos. Ela não pode ser enquadrada, nomeada
       ou capturada pelas malhas do poder. A diferença,
      assim entendida, se dá na presença de cada um de
        nós. Ela altera a serenidade ou a tranqüilidade
       daqueles que buscam se localizar na mesmidade”
                    (LOPES, 2007, p. 23).

   Impossibilidade de nomeação e fixação da diferença.

   Não supõe ou pede tolerância, aceitação; sua
    existência independe da vontade ou da autorização da
    norma. Está em permanente produção, tensionando as
    relações de poder que a envolvem.
*Em que espaço de significação a
   surdez tem sido localizada?

   * Há possibilidades para o
 reconhecimento da diferença no
  cenário plural da diversidade?
    3.3 Pensando as possibilidades para
    uma pedagogia da diferença
   A diversidade tem atuado como balizadora do projeto
    inclusivo, fazendo operar a tolerância para com o
    diferente.

   Assim, a “pluralidade cultural” viabiliza o jogo da
    inclusão a partir da exaltação da diferença. Ações de
    solidariedade e tolerância tem funcionado como
    estratégias ao movimento inclusivo.

   Não significa desconsiderar a inclusão, nem tampouco
    defendê-la. Talvez o que nos caiba enquanto
    educadores, é justamente olhar para tais práticas de
    modo a questioná-las, sem deixar de fazê-las
    funcionar da melhor forma possível.
 Para Thoma,
     “[...] não é possível defendermos ou negarmos
   incondicionalmente as políticas de inclusão. Podemos
     apenas dizer da necessidade de se conviver com o
     outro sem desejar fazê-lo como nós, sem desejar
   normalizá-lo, sem enquadrá-lo em nossas narrativas
      e descrições redutoras que buscam organizar o
    mundo moderno contemporâneo, simplesmente nos
        permitindo ter a experiência desse convívio”
                       (2006, p. 24).

- As relações que envolvem o respeito à diferença,
   nesse sentido, perpassam pela possibilidade de
   conviver com o Outro sem a busca de querer que este
   Outro se torne como nós... (THOMA, 2006).
    Referências Bibliográficas
   BENVENUTO, Andrea. O surdo e o inaldito. À escuta de Michel Foucault. In:
    GONDRA, José; KOHAN, Walter (orgs.). Foucault 80 anos. Belo Horizonte:
    Autêntica, 2006.
   BHABHA, Homi. O local da cultura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.
   BOTELHO, Paula. Segredos e silêncios na educação dos surdos. Belo
    Horizonte: Autêntica, 1998.
   HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 10 ed. Rio de
    Janeiro: DP&A, 2005.
   LOPES, Maura Corcini. Inclusão escolar: currículo, diferença e identidade. In:
    LOPES, Maura Corcini; DAL'IGNA, Maria Cláudia (orgs). In/exclusão: nas
    tramas da escola. Canoas: ULBRA, 2007.
   PERLIN, Gladis. Identidades surdas. 3 ed. In: SKLIAR, Carlos (org.). A
    surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Mediação, 2005.
   ______. O lugar da cultura surda. In: THOMA, Adriana da Silva; LOPES,
    Maura Corcini (orgs.). A invenção da surdez: cultura, alteridade,
    identidades e diferença no campo da educação. Santa Cruz do Sul: EDUNISC,
    2004.
   SCHMIDT, Saraí. De olho na mídia. In: VEIGA-NETO, Alfredo; SCHMIDT,
    Saraí. A educação em tempos de globalização. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.
   SKLIAR, Carlos (org.). 3 ed. A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto
    Alegre: Mediação, 2005.
   SILVA, Tomaz Tadeu da (org.) Identidade e Diferença: a perspectiva dos
    estudos culturais. Petrópolis: VOZES, 2000.
   THOMA, Adriana da Silva; LOPES, Maura Corcini (orgs.). A Invenção da
    Surdez II. Espaços e tempos de aprendizagem na educação de surdos. Santa
    Cruz do Sul: EDUNISC, 2006.
Proposta de Atividade

Pensando nas elaborações contemporâneas
      que definem modos de ser surdo e
     vislumbrando a promoção de ações
       governamentais, assista ao vídeo
             disponível no endereço
  http://www.youtube.com/watch?v=ZikYK
  5CCrTE e busque pensar na forma como
 a surdez tem sido localizada nos materiais
    oficiais. Eleja um deles para realizar a
   atividade, trazendo sua contribuição ao
    Seminário que balizará a discussão do
                próximo encontro.

				
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posted:12/8/2011
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