NOVA ORTOGRAFIA

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12/8/2011
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Portuguese
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							NOVA
ORTOGRAFIA


Professora:Kellen Bonelli
REFLEXÕES SOBRE O NOVO ACORDO
ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA
PORTUGUESA
   A língua é viva, pulsante. Palavras e expressões, em voga num
    período, caem em desuso em outro. Não há academias que possam
    deter a dinâmica histórica de uma língua.
   Não há consenso sobre a forma de falar, mas é possível um acordo
    sobre como escrever? O mais adequado seria “facto” ou “fato”?
    “Pequeno-almoço” ou “café-da-manhã? “Banda desenhada” ou
    “histórias em quadrinhos”?
   O novo Acordo Ortográfico busca um consenso, ele não mexe na
    nossa forma de falar, mas procura padronizar a escrita da língua
    portuguesa dos oito países signatários (Brasil, Portugal, Timor
    Leste, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé
    e Príncipe), facilitando o mercado editorial entre os países.
   A ortografia (horto = correto; grafia = escrita) é um dos aspectos
    mais importantes das línguas escritas, mas é também um dos mais
    polêmicos, pois já foi motivo de acirrados embates linguísticos ao
    longo dos tempos (presente desde o século XVI nas primeiras
    gramáticas de nosso idioma).
   O novo Acordo Ortográfico, de 1986/1990, mais recente tentativa
    de unificação do português entre os países que o têm como idioma
    oficial, é, portanto, um documento que institui a vigência de novas
    regras ortográficas às nações que compõem a Comunidade dos
    Países de Língua Portuguesa (aprovação de um vocabulário
    comum e de regras ortográficas).

   O Português é falado, aproximadamente, por 240 milhões de
    pessoas (180 milhões no Brasil), é a sexta língua mais falada no
    mundo. Por isso, uma reforma não é algo simples e sem
    consequências. Embora não ultrapasse 2% do vocabulário global do
    idioma, trata-se de um projeto amplo cujas consequências deverão
    aparecer no meio editorial, nas escolas, na imprensa, enfim, em
    todo âmbito social em que a escrita é um elemento indispensável
    (1,6% do universo lexical português será afetado e 0,5% do
    Brasil).

   Com a unificação da Comunidade dos Países de Língua
    Portuguesa(CPLP), o Português pode se tornar um dos idiomas
    oficiais da ONU.
CRONOLOGICAMENTE:
   1986 – ano da idealização do acordo (1º encontro da CPLP, no Rio
    de Janeiro).
   1990 – assinatura oficial em Lisboa, mas o acordo não obteve as
    ratificações necessárias para que as regras fossem válidas. O
    Brasil o ratificou apenas em 1995.
   1998 – foi assinado um protocolo modificativo que extinguia a
    cláusula do acordo que definia o ano de 1994 como limite para sua
    entrada em vigor.
   2004 – foi assinado outro protocolo modificativo que determinava
    a necessidade de ratificação de apenas três países para fazer
    vigorar o acordo; nesse ano houve a inclusão do Timor Leste entre
    os países participantes do acordo (Brasil, 2004; São Tomé e
    Príncipe e Cabo Verde, 2006).
   2008 – ano da ratificação do Acordo por Portugal ( definindo que
    as mudanças em sua ortografia só passariam a valer dentro de
    seis anos). No Brasil, porém, a transição acontecerá até dezembro
    de 2012, período em que as duas formas coexistirão.
MUDANÇAS NO ALFABETO
O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras k, w
e y.

            O alfabeto completo passa a ser:
      ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ

As letras k, w e y, que na verdade não tinham desaparecido da
maioria dos dicionários da nossa língua, são usadas em várias
situações.

Por exemplo:
a)na escrita de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro), kg
(quilograma), W (watt);

b)na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados):
show, playboy, playground, windsurf, kungfu, yin, yang, William,
kaiser, Kafka, kafkiano.
TREMA
Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para
indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui.

Como era                        Como fica

 Agüentar                       Aguentar
 Argüir                         Arguir
 Bilíngüe                       Bilíngue
 Cinqüenta                      Cinquenta
 Delinqüente                    Delinquente
 Eloqüente                      Eloquente
 Ensangüentado                  Ensanguentado
 Freqüente                      Frequente
 Lingüiça                       Linguiça
 Seqüência                      Sequência
 Seqüestro                      Sequestro
 Tranqüilo                      Tranquilo
MUDANÇAS NAS REGRAS DE
ACENTUAÇÃO
1. Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das
   palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na
   penúltima sílaba).
Como era                     Como fica
 Andróide                    Androide
 Apóia (verbo apoiar)        Apoia (verbo apoiar)
 Apóio (verbo apoiar)        Apoio (verbo apoiar)
 Asteróide                   Asteroide
 Bóia                        Boia
 Colméia                     Colmeia
 Estréia                     Estreia
 Estréio (verbo estrear)     Estreio (verbo estrear)
 Geléia                      Geleia
 Heróico                     Heroico
 Idéia                       Ideia
 Jibóia                      Jiboia
 Jóia                        Joia
 Odisséia                    Odisseia
 Paranóia                    Paranoia
 Platéia                     Plateia
Atenção: essa regra é válida somente para palavras paroxítonas.
Assim, continuam a ser acentuadas as palavra oxítonas
terminadas em éis, éu, éus, ói, óis.

 Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus.

2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no
   u tônicos quando vierem depois de um ditongo.

                 Como era               Como fica

                 Baiúca                 Baiuca
                 Bocaiúva               Bocaiuva
                 Feiúra                 Feiura


 Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição
 final (ou seguidos de s), o acento permanece.

                Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí.
3. Não se usa mais o acento das palavras terminadas em
   êem e ôo(s).


Como era                     Como fica

   Abençôo                     Abençoo
   Crêem (verbo crer)          Creem (verbo crer)
   Dêem (verbo dar)            Deem (verbo dar)
   Dôo (verbo doar)            Doo (verbo doar)
   Enjôo                       Enjoo
   Lêem (verbo ler)            Leem (verbo ler)
   Perdôo (verbo perdoar)      Perdoo (verbo perdoar)
   Povôo (verbo povoar)        Povoo (verbo povoar)
   Vêem (verbo ver)            Veem (verbo ver)
   Vôos                        Voos
4. Não se usa mais o acento que diferenciava os pares:

                            pára/para
                          péla(s)/ pela(s)
                          pêlo(s)/pelo(s)
                          pólo(s)/polo(s)
                           e pêra/pera.

Como era                           Como era

   Ele pára o carro.                Ele para o carro.
   Ele foi ao pólo Norte.           Ele foi ao polo Norte.
   Ele gosta de jogar pólo.         Ele gosta de jogar polo.
   Esse gato tem pêlos              Esse gato tem pelos brancos.
    brancos.                         Comi uma pera.
   Comi uma pêra.
ATENÇÃO:
 Permanece o acento diferencial em pôde (3a pessoa do singular
  pretérito perfeito do indicativo) e pode (3a pessoa do singular
  presente do indicativo).
Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.
 Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é
  preposição.
Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.
 Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos
  verbos ter e vir.
Exemplos:
 Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros.

 Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba.

 Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.

 Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos estudantes.

 Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.

 Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as
  aulas.
5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu)
    arguis, (ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicativo
    dos verbos arguir e redarguir.
6. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em
    guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar,
    desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir, etc.
Veja:
a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem
   ser acentuadas.
verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam;
enxágue, enxágues, enxáguem.
verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem;
delínqua, delínquas, delínquam.
b) se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de
   ser acentuadas.
verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam;
enxague, enxagues, enxaguem.
verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem;
delinqua, delinquas, delinquam.
Prefixo terminado por VOGAL +
VOGAL IGUAL (usa-se hífen)
anti-inflamatório   semi-integral
contra-ataque       auto-observação
micro-ondas

Prefixo terminado por VOGAL +
VOGAL DIFERENTE (não se usa hífen)

autoestrada         coautor
extraoficial        hidroelétrico
infraestrutura      plurianual
semianalfabeto      reinvenção
Prefixo terminado por VOGAL + S OU
R (não se usa hífen e duplica-se a
consoante)
antirracismo     suprarrenal

antissemita      antirrugas

contrassenha     neorrealismo

semirreta        ultrarromântico


Qualquer prefixo + H (usa-se hífen)
anti-higiênico   mini-hotel
super-homem      ultra-humano
extra-horário    supra-humano
Prefixos HIPER, INTER e SUPER +
R (usa-se hífen)
hiper-requintado
inter-racial
super-romântico


Prefixo CIRCUM, PAN + VOGAL, M, N
(usa-se hífen)
pan-americano
circum-adjacente
circum-navegação
Prefixos PRO, PRE, RE e CO (em
qualquer situação, não se usa hífen)
Propor                  Reidratar
Coabitar                Reumanizar
Reabastecer             Reaver
Preencher               Reabilitar

Prefixos CARBO e ZOO (admite-se a
escritura com ou sem hífen)
carboidrato e carbo-hidrato
zooematita e zoo-hematita

Prefixos AB, OB, SOB, SUB e AD + B, H ou
R (usa-se hífen)
Ad-renal
Ab-rogar
Sub-humano
Pseudoprefixos: RECÉM, ALÉM,
AQUÉM, SEM, PÓS, PRÉ, EX, VICE
(usa-se hífen)
recém-nascido   pré-vestibular

além-mar        ex-senador

sem-terra       vice-governador

pós-graduação

O HÍFEN é abolido quando não se
tem a noção de que a palavra é
composta.
mandachuva      girassol
paraquedas      pontapé
parabrisa
Usa-se HÍFEN para ligar
encadeamentos vocabulares

 Ponte Rio-Niterói
 Eixo Rio-São Paulo


Usa-se HÍFEN para ligar o advérbio
NÃO a um substantivo, quando ele
funciona como verdadeiro prefixo
(=in-)

 não-comparecimento
 não-pagamento
  Advérbios BEM e MAL + VOGAL ou
  H (usa-se hífen)
  Bem-estar/mal-estar
  Bem-humorado/mal-humorado
  Bem-aventurado/mal-aventurado

  Obs.: o advérbio BEM pode não se
  aglutinar com palavras começadas
  por consoantes
  Bem-criado/malcriado
  Bem-mandado/malmandado
  Bem-nascido/malnascido

Exceções: benfazejo, benfeito, benfeitor,
benquerença (quer BEM tenha ou não vida à
BIBLIOGRAFIA

SACCONI,   Luiz Antonio. Nossa gramática
completa Sacconi: teoria e prática. São Paulo: Nova
Geração, 2008.
TERRA   EDUCAÇÃO. Quiz. Disponível em <http://
www.terra.com.br/noticias/educacao/quiz8b/index.htm>,
acessado em 04/01/2009, às 20h32min.
CENTRO    DE FORMAÇÃO, TREINAMENTO E
APERFEIÇOAMENTO (CEFOR). Reforma
ortográfica: tutorial. Disponível em < http://www2.ca
mara.gov.br/internet/reformaortografica/exercicio.html
>, acessado em 04/01/2009, às 21h07min.

						
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