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					RELATÓRIO TÉCNICO CONSOLIDADO DA FAUNA
PARA O ESTADO DE MATO GROSSO
Parte 2: Sistematização das Informações Temáticas
NÍVEL COMPILATÓRIO
DSEE-FN-RT-002
PLANO DA OBRA

PROJETO DE DESENVOLVIMENTO AGROAMBIENTAL DO ESTADO DE MATO GROSSO - PRODEAGRO


ZONEAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO-ECOLÓGICO: DIAGNÓSTICO SÓCIO-ECONÔMICO-
ECOLÓGICO DO ESTADO DE MATO GROSSO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA NA
FORMULAÇÃO DA 2ª APROXIMAÇÃO


Parte 1: Consolidação de Dados Secundários

Parte 2: Sistematização das Informações Temáticas

Parte 3: Integração Temática

Parte 4: Consolidação das Unidades
Governo do Estado de Mato Grosso - Secretaria de Estado de Planejamento e
Coordenação Geral (SEPLAN)
Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD)



PROJETO DE DESENVOLVIMENTO AGROAMBIENTAL DO ESTADO DE MATO GROSSO - PRODEAGRO


ZONEAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO-ECOLÓGICO: DIAGNÓSTICO SÓCIO-ECONÔMICO-
ECOLÓGICO DO ESTADO DE MATO GROSSO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA NA
FORMULAÇÃO DA 2ª APROXIMAÇÃO




 RELATÓRIO TÉCNICO CONSOLIDADO DA FAUNA PARA O ESTADO DE MATO
                                  GROSSO
             Parte 2: Sistematização das Informações Temáticas
                           NÍVEL COMPILATÓRIO




                         MÁRIO VITAL DOS SANTOS




                                   CUIABÁ

                              FEVEREIRO, 2002




CNEC - Engenharia S.A.
GOVERNADOR DO ESTADO DE MATO GROSSO
Dante Martins de Oliveira

VICE-GOVERNADOR
José Rogério Salles

SECRETÁRIO DE ESTADO DE PLANEJAMENTO E COORDENAÇÃO GERAL
Guilherme Frederico de Moura Müller

SUB SECRETÁRIO
João José de Amorim

GERENTE ESTADUAL DO PRODEAGRO
Mário Ney de Oliveira Teixeira

COORDENADORA DO ZONEAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO-ECOLÓGICO
Márcia Silva Pereira Rivera

MONITOR TÉCNICO DO ZONEAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO-ECOLÓGICO
Wagner de Oliveira Filippetti

ADMINISTRADOR TÉCNICO DO PNUD
Arnaldo Alves Souza Neto
EQUIPE TÉCNICA DE ACOMPANHAMENTO E SUPERVISÃO DA SEPLAN


Coordenadora do Módulo Meio Biótico/Uso e Ocupação do Solo
LUZIA IVO DE ALMEIDA ARIMA                 (Geógrafa)

Consultor do Meio Biótico/Uso do Solo
RICARDO RIBEIRO RODRIGUES                  (Biólogo/Botânico)

Supervisora do Tema Vegetação/Fauna
LUZIA IVO DE ALMEIDA ARIMA                 (Geógrafa)

Supervisora do Tema Fauna
LILIAN PATRICIA PINTO                      (Bióloga)

Coordenação e Supervisão Cartográfica
LIGIA CAMARGO MADRUGA                      (Enga. Cartógrafa)

Supervisão do Banco de Dados
GIOVANNI LEÃO ORMOND                       (Administrador de Banco de Dados)

VICENTE DIAS FILHO                         (Analista de Sistema)
EQUIPE TÉCNICA DE EXECUÇÃO


CNEC - Engenharia S.A.

LUIZ MÁRIO TORTORELLO                    (Gerente do Projeto)
KALIL A. A. FARRAN                       (Coordenador Técnico)
MARIO VITAL DOS SANTOS                   (Coordenador do Meio Físico - Biótico)

TÉCNICA

MARIA CRISTINA DE OLIVEIRA L. MURGEL (Bióloga - Supervisora do Meio Biótico)
PAULO EMÍLIO VANZOLINI                   (Consultor)
MARÍLIA KERR DO AMARAL                   (Bióloga - Mamíferos)
FERNANDO MENDONÇA D’HORTA                (Biólogo - Aves)
CAROLINA DE CASTRO MELLO                 (Bióloga - Herpetofauna)
FABIANO OLIVEIRA COELHO                  (Estagiário)
                                   SUMÁRIO


1.   APRESENTAÇÃO                                                    001


2.   INTRODUÇÃO                                                      001


3.   PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS                                     002


     3.1.   DADOS SECUNDÁRIOS                                        002


     3.2.   DADOS PRIMÁRIOS                                          004


     3.3.   PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ESPECÍFICOS PARA
            MAMÍFEROS, AVES E HERPETOFAUNA               009


            3.3.1.   Mamíferos                                       009

                     3.3.1.1.   Metodologia de Coleta/Observação     010

                     3.3.1.2.   Preparação do Material               017

                     3.3.1.3.   Critério Taxônomico Adotado          017

                     3.3.1.4.   Destino Final do Material Coletado   018

            3.3.2.   Aves                                            018

                     3.3.2.1.   Metodologia de Coleta/Observação     019

                     3.3.2.2.   Preparação do Material               019

                     3.3.2.3.   Critério Taxônomico Adotado          020

                     3.3.2.4.   Destino Final do Material Coletado   020

            3.3.3.   Herpetofauna                                    020

                     3.3.3.1.   Metodologia de Coleta/Observações    021

                     3.3.3.2.   Preparação do Material               021

                     3.3.3.3.   Critério Taxônomico Adotado          022

                     3.3.3.4.   Destino Final do Material Coletado   022

     3.4.   PROCEDIMENTO PARA A SISTEMATIZAÇÃO DOS DADOS
            POR TIPO DE LEVANTAMENTO                     022
4.   LOCALIDADES AMOSTRADAS                                            023


     4.1.   CRITÉRIOS PARA A SELEÇÃO DAS LOCALIDADES DE
            AMOSTRAGEM                                  023


     4.2.   DESCRIÇÃO DAS LOCALIDADES DE AMOSTRAGEM                    027


5.   RESULTADOS                                                        063


     5.1.   ANÁLISE ZOOGEOGRÁFICA                                      063


            5.1.1.    Domínios Morfoclimáticos                         065

            5.1.2.    Distribuição das Espécies Amostradas Segundo os
                      Domínios Morfoclimáticos                        066

                      5.1.2.1.   Mamíferos                             066

                      5.1.2.2.   Répteis                               066

                      5.1.2.3.   Anfíbios                              072

                      5.1.2.4.   Aves                                  074

     5.2.   MAMÍFEROS                                                  079


            5.2.1.    Resultados das Campanhas de Campo                079

            5.2.2.    Caracterização das Espécies de Mamíferos         081

            5.2.3.    Uso de Mamíferos como Indicadores                095

     5.3.   AVES                                                       098


            5.3.1.    Resultados por Campanha de Campo                 101

            5.3.2.    Caracterização da Avifauna Amostrada             102

                      5.3.2.1.   Localidades de Influência Amazônica   108

                      5.3.2.2.   Localidades de Cerrado                114

     5.4.   RÉPTEIS                                                    116


            5.4.1.    Resultados das Campanhas de Campo                117
                5.4.2.   Caracterização das Espécies de Répteis                  118

         5.5.   ANFÍBIOS                                                         130


                5.5.1.   Resultados das Campanhas de Campo                       130

                5.5.2.   Caracterização das Espécies de Anfíbios                 132

6.       CONCLUSÕES                                                              141


         6.1.   ANÁLISE DOS       DADOS     OBTIDOS      NAS       LOCALIDADES
                FLORESTAIS                                                       143


         6.2.   ANÁLISE DOS DADOS OBTIDOS NAS LOCALIDADES DE
                CERRADO                                      148


         6.3.   CONSIDERAÇÕES SOBRE A REGIÃO DO PANTANAL                         150


7.       BIBLIOGRAFIA                                                            151


ANEXOS


ANEXO I – QUADROS


A001     DISTRIBUIÇÃO DAS ESPÉCIES DE MAMÍFEROS AMOSTRADAS PELO DSEE/MT


A002     ESPÉCIES AMOSTRADAS PELO DSEE/MT – DISTRIBUIÇÃO DAS ESPÉCIES DE
         AVES POR LOCALIDADES AMOSTRADAS


A003     AVES - PARÂMETROS ECOLÓGICOS


A004     RÉPTEIS – ESPÉCIES AMOSTRADAS PELO DSEE/MT – DISTRIBUIÇÃO DAS
         ESPÉCIES POR LOCALIDADES AMOSTRADAS


A005     ANFÍBIOS – ESPÉCIES AMOSTRADAS PELO DSEE/MT


ANEXO II – FOTOGRAFIAS


A001     Caluromys lanatus – JURUENA
A002   Marmosops parvidens – JURUENA


A003   Micoureus demerarae - JURUENA


A004   Monodelphis sp 1 - JURUENA


A005   Monodelphis sp 3 - JURUENA


A006   Neacomys cf spinosus - JURUENA


A007   Oecomys sp - JURUENA


A008   Oryzomys macconnelli - JURUENA


A009   Oryzomys nitidus - JURUENA


A010   Philander opossum - JURUENA


A011   Callicebus sp. n - CLAUDIA


A012   Callicebus moloch - APIACÁS


A013   Metachirus mudicaudatus (FÊMEA COM FILHOTES) - CLÁUDIA


A014   Cavia aperea - VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE


A015   Ctenomys nattereri (TUCO- TUCO) - VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE


A016   Artibeus cinereus - VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE


A017   Pteronotus parvelli - VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRIDADE


A018   Rhynchonyteris naso - VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE


A019   Inia geoffrensis (BOTO COR DE ROSA) - VILA BELA DA SANTÍSSIMA
       TRINDADE
A020   PEGADA DE Procyon cancrivorus MÃO-PELADA, NAS MARGENS DE UM
       IGARAPÉ. - VILA RICA


A021   Rhipdomys cj mastacalis - VILA RICA


A022   Cabassous unicinctus - VILA RICA


A023   Sylvilagus brasiliensis - VILA RICA


A024   Platyrrhinus lineatus - SÃO JOSÉ DO RIO CLARO


A025   Callithrix melanura - SÃO JOSÉ DO RIO CLARO


A026   Cebus apella (JOVEM) EM CATIVEIRO - CLÁUDIA


A027   Ara macao - ARIPUANÃ I


A028   Rhegmatorhina hoffmannsi MACHO (ESQUERDA) E Thamnophilis aethiops
       MACHO (DIREITA) - ARIPUANÃ I


A029   Passerina cyanoides (MACHO) - ARIPUANÃ I


A030   Electron platyrhychum - ARIPUANÃ II


A031   Phlegopsis nigromaculata - ARIPUANÃ II


A032   Campylorhamphus procurvoides - ARIPUANÃ II


A033   Hypocnemis cantator - ARIPUANÃ II


A034   Pteroglossus bitorquatus - ARIPUANÃ II


A035   Chloroceryle inda - CLÁUDIA


A036   Baryphthengus martii - ARIPUANÃ I


A037   Hylophilus pestoralis - COCALINHO
A038   Sporophilia lineola macho - COCALINHO


A039   Ramphocelus carbo - COCALINHO


A040   Hylophilus pestoralis – COCALINHO


A041   Pteroglossus beauharnaesii - GAÚCHA DO NORTE


A042   Onychorhynchus coronatus - GAÚCHA DO NORTE


A043   Machaeropterus pyrocephalus - SÃO JOSÉ DO RIO CLARO


A044   Mymotherula hauxwelli (MACHO) - SÃO JOSÉ DO RIO CLARO


A045   Pipra fasciicauda (FÊMEA) – INDIANÓPOLIS


A046   Eucometis penicillata – INDIANÓPOLIS


A047   Pipra fasciicauda (MACHO) – INDIANÓPOLIS


A048   Jabiru mycteria (ADULTO E FILHOTE NO NINHO) – CÁCERES


A049   Mycteria americana (NINHAL DE CABEÇA-SECA) – CÁCERES


A050   Rhynchops nigra (TALHA-MAR) – CÁCERES


A051   Poecilurus scutatus – INDIANÓPOLIS


A052   Gralbula ruficauda – CÁCERES


A053   Taraba major (CHOCÃO DE BARRIGA BRANCA) – CÁCERES


A054   Pitangus sulphuratus (BEM-TE-VI) – CÁCERES


A055   Ramphocelus carbo ( BICO DE PRATA – MACHO) – CÁCERES


A056   Paroaria coronata (CARDEAL) – CÁCERES
A057   Micrastur gilvicollis – JURUENA


A058   Malacoptila rufa – JURUENA


A059   Momutus momota – JURUENA


A060   Jacamerops aurea – JURUENA


A061   Selenidera gouldi - JURUENA


A062   Deconychura stictolaema - JURUENA


A063   Xiphorhynchus guttatus - INDIANÓPOLIS


A064   Neopelma pallescens - INDIANÓPOLIS


A065   Formicivora grisea (MACHO) – INDIANÓPOLIS


A066   Hylophylax naevia – (MACHO) - JURUENA


A067   Hylophylax naevia – (FÊMEA) - JURUENA


A068   Ara cloroptera - VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE


A069   Phlegopsis nigromaculata - VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE


A070   Thalurania furcata - CHAPADA DOS GUIMARÃES


A071   Rhea americana (EMA) - CHAPADA DOS GUIMARÃES


A072   Prionodactylus eigenmani - APIACÁS


A073   Clelia clelia (JOVEM) - APIACÁS


A074   Lachesis muta - APIACÁS


A075   Clelia clelia (ADULTO) - APIACÁS
A076   Micrurus surinamensis (CORAL VERDADEIRA) – APIACÁS


A077   Kentropyx calcarata – CLÁUDIA


A078   Anops bilabialatus – CLÁUDIA


A079   Paleosuchus trigonatus – CLAÚDIA


A080   Enyalius leechi – CLÁUDIA


A081   Anolis punctatus (COLORAÇÃO DO PAPO DO MACHO) - CLÁUDIA


A082   Imantodes cenchoa – CLÁUDIA


A083   Bothrops castelnaudi – CLÁUDIA


A084   Liophis reginae - SÃO JOSÉ DO RIO CLARO


A085   Bothrops moojeni (JARARACA) - SÃO JOSÉ DO RIO CLARO


A086   Geochelone denticulata - VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE


A087   Mabuya bistriata (COM EMBRIÃO EM DESENVOLVIMENTO) - SÃO JOSÉ DO RIO
       CLARO


A088   Gonatodes hasemani (fêmea) - CLÁUDIA


A089   Tupinambis teguixin – CLÁUDIA


A090   Bachia scolecoides (LAGARTO) - CLÁUDIA


A091   Philodryas viridissimus (COBRA VERDE DA AMAZÔNIA) - CLÁUDIA


A092   Arthrosaura reticulata - APIACÁS


A093   Coliodactylus amazonicus - APIACÁS


A094   Iphisa elegans - APIACÁS
A095   Crotalus durissus (CASCAVEL) - SÃO JOSÉ DO RIO CLARO


A096   Dendrophryniscus minutus – APIACÁS


A097   Hyla geographica – APIACÁS


A098   Hyla granosa – APIACÁS


A099   Pyllomedusa tomopterma – APIACÁS


A100   Hyla raniceps – COCALINHO


A101   Scinax grupo ruber (FÊMEA) – APIACÁS


A102   Adenomera andreae – APIACÁS


A103   Lephpdactylus gr. Podicipinus – APIACÁS


A104   Bufo g. typhonius – CÁCERES


A105   Leptoctylus podicipinus – INDIANÓPOLIS


A106   Osteocephalus taurinus – SÃO JOSÉ DO RIO CLARO


A107   Bufo marinus – CLÁUDIA


A108   Hyla minuta – CLÁUDIA


A109   Leptodactylus labyrinthicus – CLÁUDIA


A110   Physalaemus cuvieri – GAÚCHA DO NORTE


A111   Phrynohyas coriacea – APIACÁS


A112   Plyllomedusa sp – ARIPUANÃ


A113   Lithodytes lineatus – ARIPUANÃ
A114   Leptodactylus knudeseni (ADULTO) – JURUENA


A115   Leptodactylus knudeseni (JOVEM) – JURUENA


A116   Leptodactylus myetacinus – GAÚCHA DO NORTE


A117   Bufo marinus – VILA RICA


A118   Hyla multifasciata – VILA RICA


A119   Rana palmipes – JURUENA


A120   Leptodactylus pentadactylus – ARIPUANÃ


A121   ARMADILHAS TIPO TOMAHAWK, SOBRE PLATAFORMA DE 3 METROS DE
       ALTURA – JURUENA


A122   ARMADILHA DE COLA EM TRONCO – JURUENA


A123   ARMADILHA SHERMAN INSTALADA SOBRE UM TRONCO DE 2 m DE ALTURA
       VILA – RICA


A124   MARSUPIAL DENTRO DE UM BALDE, ARMADILHA DE QUEDA – CLÁUDIA


A125   ARMADILHAS PARA CAPTURAR COBRAS D’ÁGUA (COVO) – SÃO JOSÉ DO
       RIO CLARO


A126   DETALHE DA RETIRADA DA REDE TIPO “MIST – NET”- CLÁUDIA


A127   CHECAGEM DAS ARMADILHAS DE QUEDA - CLÁUDIA


A128   LABORATÓRIO DE CAMPO – AVES – APIACÁS


A129   MESA DE PREPARAÇÃO – ARIPUANÃ


A130   LABORATÓRIO DE CAMPO – ARIPUANÃ


A131   MORCEGOS TAXIDERMIZADOS – APIACÁS
A132   AVES APÓS PREPARAÇÃO – CLÁUDIA


A133   CHEGADA DO MATERIAL DE COLETA DE CAMPO – CLÁUDIA


A134   QUEDAS D’AGUA – ARIPUANÃ


A135   DETALHE DA FLORESTA OMBRÓFILA – LIMITE COM ÁREA ANTROPIZADA –
       ARIPUANÃ


A136   DETALHE DE CARREADOR DE EXPLORAÇÃO MADEIREIRA EM ARIPUANÃ


A137   ÁREA DE DESMATADA – APIACÁS


A138   DETALHE DA VEGETAÇÃO JUSTAFLUVIAL – APIACÁS


A139   ÁREA DE MATA SECUNDÁRIA PRÓXIMA A UM IGARAPÉ – JURUENA


A140   ÁREA ABERTA PARA RETIRADA DE CASCALHO CERCADA POR UMA ÁREA
       DE MATA SECUNDÁRIA – JURUENA


A141   VISTA GERAL DA CASCALHEIRA – CLÁUDIA


A142   DETALHE DA MATA, DA ESTRADA PARA O RIO RENATO – CLÁUDIA


A143   CERRADO/ FLORESTA ESTACIONAL – SÃO JOSÉ DO RIO CLARO


A144   ÁREA DE BANHADO – FLORESTA AFOGADA, REPRESADA PELA ESTRADA
       SÃO JOSÉ DO RIO CLARO


A145   BORDA DO PLANALTO DO PARECIS – GAÚCHA DO NORTE


A146   VISTA GERAL DO PLANALTO DO PARECIS – GAÚCHA DO NORTE


A147   DETALHE DE UMA ÁREA DE SUB-BOSQUE – GAÚCHA DO NORTE


A148   VEREDAS E MATA DE GALERIA NA REGIÃO CAVERNA AROÊ – JARI-
       CHAPADA DOS GUIMARÃES
A149   CACHOEIRA VÉU DE NOIVA, O CAMPO ACIMA É FLORESTA ESTACIONAL –
       CHAPADA DOS GUIMARÃES


A150   ÁREA DE CERRADO ABERTO, MANCHAS DE MATA NA SERRA AZUL-RIO DAS
       MORTES – INDIANÓPOLIS


A151   MATA CILIAR DO RIO PINDAÍBA – FAZENDA BRASIL – INDIANÓPOLIS


A152   VISTA GERAL DA FLORESTA ALUVIAL – ARAGUAIA – COCALINHO


A153   DETALHE DE UM SUB-BOSQUE – COCALINHO


A154   MATA PERTUBADA PELA EXTRAÇÃO DE MADEIRA – EVIDÊNCIA DE
       SOROROCAS – VILA RICA


A155   DETALHE DA MATA CONTATO DE FLORESTA OMBRÓFILA/ FLORESTA
       ESTACIONAL – VILA RICA


A156   DETALHE DA MATA (FLORESTA ESTACIONAL) – VILA BELA DA SANTÍSSIMA
       TRINDADE


A157   VISTA DO RIO GUAPORÉ – VILA BELA


A158   ÁREA DE PASTATEM AO FUNDO PEQUENA SERRA COM COBERTURA
       VEGETAL ORIGINAL – CÁCERES


A159   CARANDAZAL, CARACTERÍSTICAS DE ÁREAS ONDE DOMINA A PALMEIRA –
       CÁCERES
                          LISTA DE QUADROS


001   CAMPANHAS DE FAUNA                                     004


002   PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS COM OS TRABALHOS DE CAMPO     008


003   NÚMERO DE LOCALIDADES COMPILADOS NA ETAPA DE OBTENÇÃO
      DE DADOS SECUNDÁRIOS POR REGIÃO                       024


004   FAUNA - LOCALIDADES AMOSTRADAS                         025


005   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – APIACÁS                 027


006   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – VILA RICA               030


007   FAUNA: PONTOS DE AMOSTRAGEM – ARIPUANÃ                 033


008   FAUNA: PONTOS DE AMOSTRAGEM – JURUENA                  037


009   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – CLÁUDIA                 040


010   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – SÃO JOSÉ DO RIO CLARO   044


011   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – GAÚCHA DO NORTE         046


012   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – COCALINHO               052


013   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – INDIANÓPOLIS            056


014   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – VILA BELA DA SANTÍSSIMA
      TRINDADE                                              058


015   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – CÁCERES                 060


016   MAMÍFEROS - ESPÉCIES TÍPICAS DO DOMÍNIO AMAZÔNICO      067


017   MAMÍFEROS - ESPÉCIES TÍPICAS DE CERRADO                068
018   RÉPTEIS - ESPÉCIES TÍPICAS DO DOMÍNIO AMAZÔNICO                069


019   RÉPTEIS - ESPÉCIES TÍPICAS DOS CERRADOS E ESPÉCIES NÃO-
      INDICATIVAS                                             070


020   ANFÍBIOS – ESPÉCIES TÍPICAS DO DOMÍNIO AMAZÔNICO               073


021   ANFÍBIOS - ESPÉCIES TÍPICAS DE CERRADO; E ESPÉCIES NÃO-
      INDICATIVAS                                             073


022   MAMÍFEROS - ESPÉCIES DE PRIMATAS OCORRENTES EM MATO
      GROSSO                                              096


023   MAMÍFEROS - NÚMERO       DE   ESPÉCIES   DE   PRIMATAS   POR
      LOCALIDADE AMOSTRADA                                           098


024   AVES - NOVOS REGISTROS PARA O ESTADO DE MATO GROSSO            099


025   AVES - ESPÉCIES DE PRIORIDADE DE CONSERVAÇÃO DE MÉDIA A
      URGENTE                                                 107


026   NÚMERO DE     ESPÉCIES   DE    GRANDES    FRUGÍVOROS     POR
      LOCALIDADE                                                  111


027   RÉPTEIS - NOVOS REGISTROS PARA O ESTADO DE MATO GROSSO         116


028   ANFÍBIOS - NOVOS REGISTROS DE ANFÍBIOS PARA O ESTADO DE
      MATO GROSSO                                             131


029   FAUNA - ESPÉCIES NOVAS AMOSTRADAS PELO DSEE/MT                 142


030   FAUNA - N.º DE NOVOS REGISTROS PARA O ESTADO DE MATO
      GROSSO                                               142
                         LISTA DE GRÁFICOS


001   MAMÍFEROS - % DE ESPÉCIES POR DOMÍNIO MORFOCLIMÁTICO     067


002   RÉPTEIS - % DE ESPÉCIES POR DOMÍNIO MORFOCLIMÁTICO       069


003   ANFÍBIOS - % DE ESPÉCIES POR DOMÍNIO MORFOCLIMÁTICO      072


004   MAMÍFEROS - NÚMERO DE ESPÉCIES POR ORDEM DE MAMÍFEROS    079


005   MAMÍFEROS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA                                             081


006   MAMÍFEROS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – ARIPUANÃ                                  082


007   MAMÍFEROS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – APIACÁS                                   082


008   MAMÍFEROS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – CLÁUDIA                                   083


009   MAMÍFEROS - % DE ESPÉCIES POR FIDELIDADE ECOLÓGICA – SÃO
      JOSÉ DO RIO CLARO                                        083


010   MAMÍFEROS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – CHAPADA DOS GUIMARÃES                     084


011   MAMÍFEROS - % DE ESPÉCIES POR FIDELIDADE ECOLÓGICA –
      GAÚCHA DO NORTE                                      084


012   MAMÍFEROS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – COCALINHO                                 085


013   MAMÍFEROS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – INDIANÓPOLIS                              085


014   MAMÍFEROS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE          086
015   MAMÍFEROS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – CÁCERES                                   086


016   MAMÍFEROS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – VILA RICA                                 087


017   MAMÍFEROS - % DE ESPÉCIES POR        GRAU DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – JURUENA                                          087


018   AVES - DEPENDÊNCIA DE AMBIENTES FLORESTAIS                   103


019   AVES - CARACTERIZAÇÃO       DAS COMUNIDADES DE AVES
      AMOSTRADAS QUANTO   À       SENSITIVIDADE A DISTÚRBIOS
      AMBIENTAIS                                            104


020   AVES - NÚMERO DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE PRIORIDADE DE
      CONSERVAÇÃO                                              106


021   RÉPTEIS - % DE ESPÉCIES      COLETADAS    NAS   DIFERENTES
      LOCALIDADES AMOSTRADAS                                       118


022   RÉPTEIS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA                                           119


023   RÉPTEIS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – ARIPUANÃ                                119


024   RÉPTEIS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA ECOLÓGICA – SÃO
      JOSÉ DO RIO CLARO                                    120


025   RÉPTEIS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – JURUENA                                 120


026   RÉPTEIS - % DE ESPÉCIES POR GRAU DE FIDELIDADE ECOLÓGICA –
      APIACÁS                                                    121


027   RÉPTEIS - % DE ESPÉCIES POR GRAU DE FIDELIDADE ECOLÓGICA –
      CLÁUDIA                                                    121


028   RÉPTEIS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – GAÚCHA DO NORTE                         122
029   RÉPTEIS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – COCALINHO                               122


030   RÉPTEIS - % DE ESPÉCIES POR GRAU DE FIDELIDADE ECOLÓGICA –
      VILA RICA                                                  123


031   RÉPTEIS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA ECOLÓGICA – VILA
      BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE                           123


032   RÉPTEIS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – INDIANÓPOLIS                           124


033   RÉPTEIS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – CÁCERES                                 124


034   ANFÍBIOS - % DE ESPÉCIES AMOSTRADAS NAS DIFERENTES
      LOCALIDADES                                        130


035   ANFÍBIOS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA                                            133


036   ANFÍBIOS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – APIACÁS                                  133


037   ANFÍBIOS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – ARIPUANÃ                                 134


038   ANFÍBIOS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – CÁCERES                                  134


039   ANFÍBIOS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – COCALINHO                                135


040   ANFÍBIOS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – CLÁUDIA                                  135


041   ANFÍBIOS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – GAÚCHA DO NORTE                          136


042   ANFÍBIOS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – JURUENA                                  136
043   ANFÍBIOS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – INDIANÓPOLIS                             137


044   ANFÍBIOS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – S. JOSÉ DO RIO CLARO                     137


045   ANFÍBIOS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE         138


046   ANFÍBIOS - % DE ESPÉCIES POR CATEGORIA DE FIDELIDADE
      ECOLÓGICA – VILA RICA                                138


047   FAUNA - % DE ESPÉCIES AMOSTRADAS PELO DSEE/MT                142


048   FAUNA - % DE ESPÉCIES      DEPENDENTES   DA     MATA   NAS
      LOCALIDADES FLORESTAIS                                       143


049   AVES - % DE POR CATEGORIA DE FIDELIDADE ECOLÓGICA
      (ARIPUANÃ + APIACÁS + JURUENA)                   144


050   FAUNA - % DE ESPÉCIES NÃO-DEPENDENTES DA MATA NAS
      LOCALIDADES FLORESTAIS                            145
                              LISTA DE FIGURAS


001   ARMADILHAS TIPO SHERMAN E TOMAHAWK                     011


002   ARMADILHAS TIPO PIT-FALL TRAP                          013


003   REDES TIPO MIST - NET                                  015


004   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – APIACÁS                 028


005   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – VILA RICA               032


006   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – ARIPUANÃ                035


007   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – JURUENA                 038


008   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – CLAÚDIA                 042


009   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – SÃO JOSÉ DO RIO CLARO   045


010   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – GAÚCHA DO NORTE         047


011   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – CHAPADA DOS GUIMARÃES   050


012   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – COCALINHO               054


013   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – INDIANÓPOLIS            057


014   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – VILA BELA DA ANTÍSSIMA
      TRINDADE                                             059


015   FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – CÁCERES                 061
                    LISTA DE MAPAS


001   LOCALIDADES DE AMOSTRAGEM DAS CAMPANHAS DE FAUNA   007


002   DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS                           064
                                                                                            1




1.       APRESENTAÇÃO


         O presente relatório refere-se à compilação das informações zoológicas obtidas por
meio dos levantamentos primários no âmbito do Diagnóstico Sócio-Econômico Ecológico do
Estado de Mato Grosso – DSEE/MT. Os pontos de amostragem faunística alusivos a esses
levantamentos encontram-se espacializados nos Mapas A001 a 051 anexos às Memórias
Técnicas (DSEE-VG-US-MT) do tema Formações Vegetais / Uso e Ocupação do Solo, escala
1.250.000.

          Nota-se que os dados aqui compilados compreendem além daqueles obtidos em
campo, por meio de coletas e/ou observações, as análises biológicas ecológicas e
zoogeográficas realizadas posteriormente na etapa de sistematização desenvolvida nos
laboratórios do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo – MZUSP e em gabinete.



2.       INTRODUÇÃO


          O inventário faunístico do Estado, compreendeu os levantamentos de mamíferos,
aves, répteis e anfíbios.

          No total foram amostradas 1.068 espécies animais, sendo 169 mamíferos; 683 aves;
91 anfíbios e 125 répteis,

         Em termos metodológicos, os procedimentos adotados revelaram-se perfeitamente
adequados, pois embora cada campanha tenha representado um levantamento pontual e de
curta duração, as informações por elas obtidas, quando contrapostas a base referencial
montada preliminarmente, permitiram identificar o “status” de conservação de cada área
amostrada, bem como ampliar o conhecimento zoológico do Estado.

         A cada campanha realizada, com a repetição da amostragem em áreas semelhantes
e a comparação das informações de outras localidades, foi possível melhorar ou mesmo obter
novas aferições, refinando o conhecimento zoológico/ecológico inicial.

         Além da descoberta de espécies até então não conhecidas pela ciência (05
espécies), um grande número de formas foi pela primeira vez registrado para o Estado de Mato
Grosso ou para alguma região específica (159 espécies).

          Em todas as áreas trabalhadas, como esperado, os resultados obtidos, ainda que
limitados, espelharam a condição ambiental, refletindo suas características naturais e o seu
processo de ocupação, alimentando as discussões sobre as práticas de planejamento e
conservação em cada uma.

           Certamente o número de levantamentos dentro do presente projeto foi forçosamente
limitado, sobretudo quando se considera a extensão territorial do Estado e suas peculiaridades
ambientais. Contudo, no entender da equipe executora, a base por ele consolidada, abre
caminho para a continuidade no tempo, que só poderá ser dada pelas instituições oficiais de
pesquisa e seus especialistas.
                                                                                             2




3.       PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS



3.1.     DADOS SECUNDÁRIOS

           Durante a etapa de obtenção de dados secundários (1995/1996), os estudos de
fauna consistiram em uma investigação zoogeográfica, de âmbito intracontinental, ou seja, em
um estudo da distribuição espacial dos animais acima da ordem de grandeza da movimentação
individual.

           Essa linha de pesquisa, embora tenha permitido a compreensão mais eficiente das
distribuições geográficas em áreas extensas, não foi por si só suficiente no contexto do
DSEE/MT – Diagnóstico Sócio Econômico Ecológico do Mato Grosso, sobretudo quando se
considera que do entendimento da fauna (juntamente com a vegetação e com as disciplinas
dos meios físico e sócio-econômico) devem resultar medidas práticas de preservação e
conservação dos diversos ecossistemas.

          Desta forma, a investigação zoogeográfica realizada, foi acrescida de uma dimensão
ecológica, de maneira a se ter, ainda que de forma preliminar, um modelo sinecológico flexível,
de aplicação regional, onde as espécies ou grupos relevantes pudessem ser examinados, pelo
menos, em termos de sua distribuição; e suas necessidades mínimas ambientais.

          Dentro dessa linha metodológica, a etapa de obtenção dos dados secundários,
inclusive a montagem do Cartograma de Fauna, com a espacialização das localidades de
coleta basearam-se, fundamentalmente, nos seguintes materiais:

          coleções zoológicas institucionais, desde que adequadamente catalogadas;

          artigos científicos específicos sobre a área de estudo, ou de caráter geral que
             incluíssem material sobre a mesma;

          experiência individual dos profissionais envolvidos no levantamento, quer sobre a
             área em si, quer no grupo por eles levantados, permitindo a elaboração de
             analogias e interpolações.

          Como o estudo zoogeográfico e a pesquisa ecológica dos diversos grupos zoológicos
não foram feitos simultaneamente e, muito menos tiveram o mesmo grau de detalhamento,
admite-se que o partido delineado acima conduziu a uma relativa assimetria no tratamento dos
diversos grupos.

          Contudo, essa assimetria constitui um fator importante para o andamento dos
trabalhos; sua análise e compreensão consistiram na base para o entendimento das
deficiências do conhecimento existente, bem como foram o suporte estatístico para o trabalho
de campo realizado na etapa subseqüente.

         Especificamente em relação às informações secundárias, tem-se que desde as
descrições Histórico- Geográficas da então “Capitania de Mato Grosso” (datada de 1797, In
FRANCO, 1857), já havia considerações a respeito da fartura de pesca e caça. Alguns
catálogos faunísticos e artigos em revistas de Zoologia ou História Natural, também datam do
século XIX.
                                                                                             3




          A compilação dessas informações, porém, apresentou algumas dificuldades em
virtude das inúmeras modificações ocorridas até hoje. A área do Estado de Mato Grosso, por
exemplo, já se alterou duas vezes, com a separação do então território de Rondônia e com a
divisão em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em 1977. Por outro lado, nomes científicos
encontrados nos catálogos tradicionais e/ou em artigos mais antigos, tais como o de GOELDI
(1893), VIEIRA (1955) e CABRERA (1957; 1960), freqüentemente, sofreram atualizações, dada
a continuidade dos estudos e revisões sistemáticas de taxa. Além disso, catálogos faunísticos
gerais, embora úteis, são insuficientes no que diz respeito à análise da distribuição das
diversas espécies animais.

         A consulta a coleções zoológicas constituiu a etapa fundamental para a montagem do
banco de dados, com lista máxima de espécies e cartogramas, uma vez que estas se
configuram como o dado mais confiável e duradouro a respeito da ocorrência de uma dada
espécie em um dado local.

          Por ocasião da Etapa de Consolidação dos Dados Secundários, havia duas coleções
zoológicas consideráveis do Mato Grosso, a do Museu de Zoologia da Universidade de São
Paulo – MZUSP; e a do Museu Nacional do Rio de Janeiro, sendo que a primeira encontrava-
se catalogada e, seguramente, em condições de possibilitar a pesquisa. Desta forma, os
trabalhos concentraram-se, principalmente, na Coleção do MZUSP, cujos registros abrangem
um período de aproximadamente 90 anos.

          Outra coleção zoológica pesquisada foi a do Departamento de Zoologia do Museu
Paraense Emílio Goeldi - MPEG, na qual o trabalho se restringiu ao material de mamíferos e
aves, pois os demais (répteis, anfíbios e peixes), naquela ocasião, não estavam acessíveis à
consulta por encontrarem-se em fase de reorganização e/ou por estarem sem um curador
responsável.

          Em relação à Coleção Zoológica da UFMT, acredita-se que possa haver registros
zoológicos importantes do Estado. Entretanto, de acordo com informações obtidas junto ao
Departamento de Vertebrados do Instituto de Biociências da Universidade Federal de Mato
Grosso, esses registros não se encontravam organizados de maneira sistematizada, o que
impossibilitou a sua consulta.

         Para cada um dos grupos analisados, aos dados levantados diretamente nas
coleções foram somados aqueles pesquisados em bibliografias especializadas, tais como
catálogos faunísticos gerais, monografias e/ou teses.

           Além dessas, foram levantadas as principais localidades de coleta, devidamente
identificadas por suas coordenadas geográficas, denominação e tipologia (rio, serra, município,
etc.), bem como as diversas espécies nelas encontradas.

          As localidades levantadas, referentes a cada grupo zoológico estudado, foram
plotadas na Base Cartográfica Preliminar (1:1.500.000), de maneira a se obter o respectivo
padrão de distribuição dos pontos de coleta, em todo o território do Estado de Mato Grosso
(Relatório de Consolidação dos Dados Secundários – Fauna DSEE-FN-RT-001).

          A partir da análise desses Cartogramas e das listas faunísticas encontradas, foi
possível identificar nas diversas regiões do Estado de Mato Grosso:

          a intensidade do “esforço” de coleta e/ou inventário faunístico; e

          a distribuição das espécies animais.
                                                                                                 4




          Observa-se que, para cada um dos diferentes grupos, considerou-se, além das
localidades pertencentes ao atual Estado de Mato Grosso, outras mais, que apesar de não
pertencerem aos domínios político-administrativos do Estado objeto desse trabalho, constituem
referenciais ecológicos de suma importância nesse tipo de análise.

          A inclusão das espécies de ocorrência provável foi definida, em função da
experiência direta dos profissionais envolvidos no estudo, que estabeleceram o grau de
extrapolação dos dados distribucionais externos à área, tendo como critério básico a analogia
ecológica.

          A lista sistemática produzida (Relatório de Consolidação dos Dados Secundários –
Fauna DSEE-FN-RT-001), a partir das informações secundárias, certamente é mais extensa
que a realidade, o que, no contexto dos trabalhos, representou uma medida de cautela, como
forma de melhorar o suporte estatístico para as fases de obtenção de dados primários e suas
respectivas interpretações.


3.2.     DADOS PRIMÁRIOS

         Os levantamentos de fauna no âmbito do Diagnóstico Sócio-Econômico Ecológico,
compreendendo a amostragem de Mamíferos, Aves, Répteis e Anfíbios, foram realizados no
período entre outubro de 1996 e janeiro de 1998, tendo sido realizadas 15 campanhas,
conforme o Quadro 001 – Campanhas de Fauna.


QUADRO 001         CAMPANHAS DE FAUNA

                 LOCALIDADES                     GRUPOS                   PERÍODOS

 1.    ARIPUANÃ

                   Estação Chuvosa      Herpetofauna                  01/11/96 15/11/96
                                         Aves                          24/10/96 15/11/96
                                         Mamíferos                     01/11/96 15/11/96
                   Estação Seca         Herpetofauna                  19/08/97 03/09/97
                                         Aves                          22/07/97 05/08/97
                                         Mamíferos                     21/08/97 01/09/97
 2.    APIACÁS                           Herpetofauna                  14/02/97 26/02/97
                                         Aves                          15/02/97 01/03/97
                                         Mamíferos                     29/01/97 14/02/97
 3.    CLAUDIA
                   Estação Chuvosa      Herpetofauna                  10/03/97 25/03/97
                                         Aves                          03/04/97 16/04/97
                                         Mamíferos                     10/03/97 25/03/97
                   Estação Seca         Herpetofauna                  18/07/97 28/07/97
                                         Mamíferos                     18/07/97 28/07/97
                                                                                      (continua...)
                                                                                                5




QUADRO 001         CAMPANHAS DE FAUNA
                                                                                  (...continuação)

                 LOCALIDADES                       GRUPOS                PERÍODOS

4.   GAÚCHA DO NORTE                    Herpetofauna                  27/04/97 11/05/97
                                        Lagartos                      27/04/97 11/05/97
                                        Serpentes                     27/04/97 11/05/97
                                        Aves                          07/09/97 22/09/97
                                        Mamíferos                     27/04/97 11/05/97
5.   SÃO JOSÉ DO RIO CLARO              Herpetofauna                  12/06/97 27/06/97
                                        Aves                          13/06/97 26/06/97
                                        Mamíferos                     10/06/97 25/06/97
6.   JURUENA                            Herpetofauna                  05/04/97 20/06/97
                                        Aves                          15/06/97 01/07/97
                                        Mamíferos                     05/04/97 20/06/97
7.   VILA BELA                          Herpetofauna                  07/09/97 22/09/97
                                        Aves                          20/07/97 30/07/97
                                        Mamíferos                     07/09/97 22/09/97
8.   VILA RICA                          Herpetofauna                  27/09/97 11/10/97
                                        Aves                          20/10/97 05/11/97
                                        Mamíferos                     27/09/97 11/10/97
9.   INDIANÓPOLIS (ANTIGA PINDAÍBA)     Herpetofauna                    10 a 25/01/98
                                        Aves                          02/04/97 12/04/97
                                        Mamíferos                     07/02/97 14/02/97
10. COCALINHO                           Herpetofauna                    01 a 11/11/97
                                        Aves                          20/10/97 05/11/97
                                        Mamíferos                     03/11/97 13/11/97
11. CHAPADA DOS GUIMARÃES               Aves                          01/07/97 10/07/97
                                        Mamíferos                     25/11/97 05/12/97
                                        Herpetofauna                  25/11/97 05/12/97
12. CÁCERES                             Herpetofauna                  29/11/97–08/12/97
                                        Aves                          17/11/97 28/11/97
                                        Mamíferos                     29/11/97 08/12/97
FONTE:    CNEC, 2000.

          Cada uma das campanhas realizadas consistiu em uma investigação pontual, de
maneira a permitir o julgamento da qualidade das fontes secundárias utilizadas na fase
preliminar; e, na medida do possível, o “status” de conservação atual.

          Observa-se que para a seleção das localidades de amostragem foram consideradas
as principais regiões do Estado de Mato Grosso, particularizadas por suas características
naturais e antrópicas, bem como pelo grau de conhecimento que se tinha sobre a fauna,
conforme será apresentado adiante (item 4 – Localidades de Amostragem).

          Além dos levantamentos amostrais, em cada uma das localidades selecionadas, foi
realizado um reconhecimento expedito da região do Pantanal matogrossensse e do Chaco
(boliviano e paraguaio), de forma a elucidar o entendimento das relações entre o ambiente do
                                                                                          6




Chaco e de Pantanal, melhorando o quadro ecológico referencial dos trabalhos. O caminho
percorrido por este transecto é mostrado na Mapa 001 – Localidades de Amostragem das
Campanhas de Fauna.

          Equipe Executora

         Em relação à equipe envolvida com os trabalhos de campo, deve-se ressaltar que a
seleção desses profissionais teve como principal critério não só o grau de conhecimento dos
pesquisadores no que se refere aos aspectos zoológicos, propriamente ditos, mas também a
experiência prévia na aplicação dos métodos de amostragem selecionados.

           Foram então recrutados profissionais qualificados, ligados as mais diversas
instituições científicas, conforme discriminado no Quadro 002 - Profissionais Envolvidos nos
Trabalhos de Fauna.
                 7




ENTRA MAPA 001
                                                                                                              8




QUADRO 002          PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS COM OS TRABALHOS DE CAMPO

         NOME                  FORMAÇÃO            INSTITUIÇÃO                       GRUPO
Paulo Emílio Vanzolini       Consultor            MZUSP              Orientador geral dos
                                                                     trabalhos e supervisor de Herpetofauna
Alexandra Bezerra            Bióloga -auxiliar    MNRJ               Mamíferos
Ana Paula Carmignotto        Bióloga              MNRJ               Mamíferos
Benedito Rondon              Taxidermista         IBAMA - MT         Aves / Mamíferos
Carolina de Castro Mello     Bióloga              MZUSP              Mamíferos
Celso Moratto                Biólogo              UFA -SE            Herpetofauna
Dante Pavan                  Biólogo              USP - DZ           Herpetofauna
Debra Moskovits              Ornitólogo           FMNH               Aves
Douglas Stotz                Ornitólogo           FMNH               Aves
Fernando D'Horta             Ornitólogo           MZUSP              Supervisão - Aves
Gabriel Skuk Sugliano        Biólogo              USP - DZ           Herpetofauna
Gilson Ximenes               Biólogo              USP - DZ           Mamíferos
Júlio Dalponte               Biólogo              UNEMAT -NX         Mamíferos
Luís Caetano                 Taxidermista         MNRJ               Aves / Mamíferos
Luís Fábio Silveira          Biólogo              USP-DZ             Aves
Maria José da Silva          Bióloga              USP - DB           Genética
Marília Kerr do Amaral       Bióloga              AUTÔNOMA           Supervisão - Mamíferos
Miguel Rodrigues             Biólogo              USP - DZ           Herpetofauna
Myriam E. Velloso Calleffo   Bióloga              IBSP               Herpetofauna
Otávio Oliveira              Taxidermista         UNICAMP            Aves / Mamíferos
Paulo César Balduíno         Taxidermista         UNICAMP            Aves / Mamíferos
Paulo Manzani                Biólogo - Auxiliar   UNICAMP            Mamíferos
Pedro Develey                Biólogo              USP - DZ           Aves
Pedro Rocha                  Biólogo              UFFS - BA          Mamíferos
Raul Vieira                  Taxidermista         Zoológico Cuiabá   Aves / Mamíferos
Vinícius Xavier da Silva     Biólogo              USP - DZ           Herpetofauna
William Ronald Heyer         Biólogo              SI                 Herpetofauna
FONTE:      CNEC, 2000.
MZUSP = Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo;
UNICAMP = Universidade de Campinas – Departamento de Zoologia
UNEMAT – NX = Universidade Estadual de Mato Grosso – Campus Nova Xavantina
IBAMA – MT = Instituto Brasileiro de Recursos Naturais e Meio Ambiente – Regional de Mato Grosso
USP – DZ = Universidade de São Paulo – Departamento de Zoologia
USP – DB = Universidade de São Paulo – Departamento de Biologia
MNRJ = Museu Nacional do Rio de Janeiro
IBSP = Instituto de Butantan de São Paulo
SI = Smithsonian Institution
FMNH = Field Museum Natural History
UFFS – BA = Universidade Federal de Feira de Santana – Bahia
UFA – SE = Universidade Federal de Aracaju – Sergipe

        Salienta-se que, o número de profissionais recrutados para esses trabalhos e,
consequentemente o número de equipes em campo foi definido por diversos aspectos tais
como:

            a disponibilidade de profissionais com relativa experiência no assunto;

            a manutenção da coerência metodológica entre os diversos profissionais
               (evitando-se recrutar técnicos com linhas de trabalho diferentes);
                                                                                           9




          a preservação da qualidade final dos trabalhos, evitando-se ao máximo distorções
            entre as interpretações em campo.

          Além da equipe diretamente envolvida com a coleta e/ou observação do material
zoológico, algumas das campanhas realizadas contaram, também, com a participação de uma
geneticista, a Bióloga Maria José de Jesus da Silva, que preparou, em campo o cariótipo de
várias espécies de répteis, herpetofauna e mamíferos. O material desses estudos foi
depositado no Laboratório de Genética do IB/USP.

          Salienta-se que mesmo adotando-se critérios de elevado rigor técnico-científico, de
forma a evitar distorções entre as amostragens realizadas, os resultados obtidos em cada uma
das campanhas ainda apresentaram algumas diferenças, seja em função do esforço de coleta
aplicado, seja em função das interpretações de campo de cada pesquisador.

         No entanto, admite-se que seguramente, essas diferenças não interferiram na
qualidade final da análise aqui apresentada. No decorrer das sistematizações dos dados de
campo, as distorções entre as campanhas foram sendo identificadas e, na medida do possível,
aparadas ou pela experiência da equipe envolvida com o fechamento dos trabalhos; ou,
eventualmente, por meio de extrapolações de dados da literatura.


3.3.     PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS                 ESPECÍFICOS      PARA    MAMÍFEROS,
         AVES, RÉPTEIS E HERPTOFAUNA


3.3.1.   Mamíferos

         As campanhas de levantamento de campo de mamíferos iniciaram-se em Novembro
de 1996 e foram concluídas em dezembro de 1997.

         Foram feitos estudos nas seguintes localidades:

          Aripuanã (duas campanhas em estações distintas);

          Apiacás;

          Cláudia (duas campanhas em estações distintas);

          Gaúcha do Norte;

          São José do Rio Claro;

          Juruena;

          Vila Bela de Santíssima Trindade;

          Vila Rica;

          Cocalinho;

          Indianópolis;

          Chapada dos Guimarães;
                                                                                            10




            Cáceres.


3.3.1.1.   Metodologia de Coleta / Observação

       Descontadas pequenas particularidades inerentes as várias localidades, todas as
campanhas utilizaram, em maior ou menor grau, a metodologia descrita a seguir:

            Armadilhas Tipo Live-trap

          As armadilhas do tipo de captura e recaptura, de muito conhecidas como arapucas
(ou no inglês Live-trap) possuem a grande virtude permitir a escolha do destino do animal, isto
é, se será marcado e solto para um estudo de população, ou se será sacrificado (estudos
taxonômicos ou genéticos).

            Independente do motivo, a coleta por meio desta técnica requer que um número
significativo de armadilhas (100, no mínimo) sejam dispostas ao longo das áreas em estudo.

           A experiência dos pesquisadores brasileiros e estrangeiros é a de que a disposição
das armadilhas em intervalos regulares formando linhas ou transectos, no método conhecido
na literatura como Paceline method (DEBLASE & MARTIN, 1981) surte muito mais efeito do
que quando dispostas em quadrados do tipo Grid method, dada a diversidade tropical.

           Neste projeto, foram utilizadas armadilhas de dois tipos distintos (SHERMAN e
TOMAHAWK) – Figura 001 Armadilhas tipo Sherman e Tomahawk de modo a aumentar a
possibilidade de captura dos pequenos animais, que podem diferir muito em tamanho corporal
(variação de peso compreendida entre 6 e 1600g); e também quanto ao comportamento em
relação às armadilhas: i.e., algumas espécies evitam as armadilhas (trap-shy) ao passo que
outras são capturadas com facilidade (trap-happy).
                                                        11




ENTRA FIGURA 001   ARMADILHAS TIPO SHERMAN E TOMAHAWK
                                                                                             12




          Nas armadilhas foram colocadas iscas atrativas, tais como mandioca, banana ou
milho, ou ainda uma mistura de amendocrem, aveia, sardinha em lata, associada a ração de
cachorro. A utilização de uma grande variedade de iscas, nestes estudos, teve o intuito de
abranger todos os tipos de dietas dos pequenos mamíferos (insetívoros, granívoros, frugívoros,
etc.).

          Como o período de maior atividade dos pequenos mamíferos tais como, roedores,
tatus, gambás e pequenos carnívoros corresponde à noite, as armadilhas sempre foram
“iscadas” à tarde e verificadas pela manhã.

          Outro método de amostragem bastante utilizado durante os levantamentos foi o de
transectos ou linhas, sendo que cada transecto era composto por aproximadamente 25
estações de captura distantes cerca de 15m umas das outras. As armadilhas foram colocadas
ao nível do solo. Estes transectos foram repetidos em vários pontos diferentes, procurando
abranger todos os tipos de ambientes observados em cada região em estudo.

         Um tipo especial de armadilha utilizado neste trabalho foram as Pit fall traps. (Figura
002 - Armadilhas tipo Pit-fall trap).
                                                      13




ENTRA FIGURA 002   ARMADILHAS DO TIPO PIT-FALL TRAP
                                                                                          14




          A amostragem com armadilhas de queda do tipo pit fall trap requer a instalação, por
enterramento, de um número considerável de baldes (de 75 a 200 baldes de 20 litros), sempre
dispostos ao longo de linhas, no intuito de maximizar a diversidade dos habitats amostrados:

          linhas de amostragem devem ser compostas por 10 estações de armadilhas de
            queda, sendo que, cada estação deve se compor de 4 baldes de 20 litros
            enterrados no chão, sendo um balde central e três outros dispostos radialmente,
            em ângulos iguais (sempre que o terreno permitir) e a 4 metros de distância do
            balde central.

          Os baldes são enterrados de modo que suas aberturas fiquem rigorosamente ao
nível do solo e suas bordas unidas por 3 cercas direcionadoras de lona plástica preta (cada
uma com 4 m de comprimento x 50 cm de altura), ligando o balde central aos periféricos e
sustentadas por estacas de madeira .

          As cercas de lona plástica aumentam a eficiência das armadilhas, ampliando o raio
de ação dos baldes e direcionando os animais até eles, onde acabam caindo. A base das
cercas direcionadoras deve sempre ser coberta com terra para evitar que os animais escapem
por baixo da cerca.

          Durante as campanhas, os baldes foram sistematicamente vistoriados duas vezes
por dia, sempre pela manhã e ao final da tarde. Os animais coletados em cada estação devem
ser colocados individualmente em sacos plásticos, acompanhados do número da estação.

        Por serem armadilhas de captura passiva, os pit fall traps coletam apenas aqueles
exemplares que caem nos baldes e não conseguem sair; permitindo, portanto, uma estimativa
da abundância relativa dessas espécies bem como a coleta seletiva, no caso de espécies
raras.

          Redes de Neblina - Mist net

         As redes de neblina (mist-net) foram instaladas na mata ou ainda em áreas
naturalmente abertas dentro da mata (TUTTLE, 1976). – montadas com o auxílio de duas varas
ao longo de picadas, sobre riachos ou na beira da mata - Figura 003 - Redes Tipo Mist–Net.
                                         15




ENTRA FIGURA 003   REDES TIPO MIST-NET
                                                                                          16




         Foram utilizadas redes de neblina de duas dimensões (12m x 2,5m; malha 36mm e
7m x 2,5m; malha 36mm), sendo que as menores foram freqüentemente conjugadas formando
uma barreira em ziguezague (em V ou W).

        Em algumas ocasiões, as redes foram instaladas com o auxílio de roldanas para que
as mesmas pudessem ser içadas até o alto do dossel.

        As redes foram preferencialmente verificadas logo após o entardecer, às 23:00hs e
pela manhã, pois tais horários correspondem ao de maior atividade da maioria das espécies de
morcegos neotropicais.

            As redes de neblina foram utilizadas tanto para estudos de morcegos quanto para
estudos de aves. Como o horário de coleta de aves era o oposto ao de morcegos, procura-se
utiliza-las de forma integrada. Porém, como a forma de unir uma rede à outra e devido às
particularidades de escolha de pontos de amostragem dentro da área de estudo, nem sempre é
possível utilizaram-se as redes de morcegos para aves, mesmo assim, ocorrem capturas
ocasionais de aves em redes de morcegos e vice-versa. As redes utilizadas para a captura de
morcegos possuem menor durabilidade, pois estes animais enquanto estão presos à rede
mordem-na, causando muitos rombos.

          Coletas Ocasionais - Armas de fogo

        Decorrem de encontros ocasionais em que a presença de um pesquisador experiente
demonstra necessidade, ou não, de coleta.

          Para pequenos mamíferos, tais como serelepes, utilizam-se cartuchos 22, com
chumbo fino ou mostarda. Para mamíferos maiores tais como macacos, que geralmente foram
utilizados cartuchos 32 ou 36, também com chumbo fino, a fim de não danificar a pele do
animal.

          Coletas Ocasionais Aleatórias - Atropelamentos e escolas

         Neste projeto foram obtidos exemplares mortos por atropelamento. Assim como
aqueles depositados em escolas de áreas rurais geralmente fornecem bons exemplos de
animais ditos “perigosos”, fixados em álcool, tais como morcegos e serpentes.

          Observações de Campo - Evidências Indiretas

          Talvez a maior parte do levantamento tenha sido justamente a observação. Sempre
que possível documentou-se as observações através de fotografias, filmes ou gravações de
vocalização.

         Usualmente, as observações dividem-se em dois tipos:

            diretas - binóculos e gravadores

         Usualmente, as observações diretas através de binóculos são a parte mais
importante nos estudos de animais arborícolas tais como primatas e preguiças.

         O uso de gravadores para reconhecimento do padrão de sons de cada espécie de
morcego (ecolocação) ainda é incipiente no Brasil e, portanto, não foi adotado neste projeto.

            indiretas - pegadas, fezes, etc.
                                                                                          17




           Muitos animais deixam rastros visíveis em certos substratos. As pegadas de certos
mamíferos são virtualmente uma "impressão digital" da espécie. Guias de campo, tais como
EMMONS & FEER (1990) e BECKER & DALPONTE (1991) são fundamentais para a
identificação de rastros de mamíferos.

         Fezes são típicas para cada grupo animal, mas sua correta identificação requer muita
experiência do pesquisador.

            Odores e sons dentro da mata auxiliam muito a identificação de onde o animal se
localiza.

         Adicionalmente às evidências indiretas têm-se as entrevistas de moradores locais.
Neste caso, novamente a experiência do pesquisador é de fundamental importância, pois não
se pode conduzir o informante e tampouco deixa-lo divagar.

         Observa-se que muitas das informações aqui apresentadas referem-se a informações
de residentes, já confrontadas com dados secundários para que aqui fossem incluídas.

             Armadilhas Especiais

         Armadilhas de cola são originalmente armadilhas para insetos, desenvolvidas por
norte americanos.

          Nestes levantamentos, foram utilizadas armadilhas de cola para capturar pequenos
roedores arborícolas e morcegos. Geralmente essas armadilhas foram fixadas em algum
substrato, como troncos, com auxílio de um grampeador de pressão.

3.3.1.2.    Preparação do Material

        A totalidade dos mamíferos capturados teve as medidas corpóreas padrão tomadas,
de acordo com o grupo (comprimento total, comprimento do pé, comprimento da cauda e
comprimento da orelha, comprimento do antebraço e peso).

          Em algumas localidades foram feitos estudos de citogenética (Aripuanã; Apiacás;
Cláudia; Gaúcha do Norte; Juruena, Vila Rica e Cocalinho).

          A maior parte dos primatas, morcegos, roedores e marsupiais foi taxidermizado em
campo, i.e., examina-se o animal em busca de ectoparasitas e a seguir a pele é retirada e o
crânio e carcassa são colocados em camburões com formol a 10% para posterior preparação
das partes esqueléticas em laboratório.

           Esta preparação pode ser feita manualmente, com banhos em água de lavadeira
(hipoclorito de sódio), neutralizada e removida com álcool, e remoção da musculatura e
material encefálico através de pinças; ou em dermestário, através do contato do crânio e
esqueleto com os pequenos besouros da família Dermestidae.

            Alguns espécimes foram fixados em formol 10% e depositados em álcool 70%.

3.3.1.3.    Critério Taxônomico Adotado

         Durante as fases anteriores do DSEE de Mato Grosso, foi estabelecido que, quanto
aos mamíferos, seria adotada a classificação de acordo com WILSON & REEDER, 1993, então
obra padrão no assunto.
                                                                                         18




          Muito embora já haja certa controvérsia em relação a algumas formas, optou-se por
seguir, mais uma vez a obra padrão, pois deste fato decorrerá uma maior facilidade em acesso
a estes dados no futuro.

             Toda nomenclatura ora apresentada esta de acordo com WILSON & REEDER
(op.cit.).

3.3.1.4.     Destino Final do Material Coletado

         No Museu de Zoologia, o material obtido foi identificado utilizando-se para tanto
chaves de identificação, literatura específica, bem como a comparação com exemplares da
coleção.

             Em alguns casos, a identificação não chegou ao nível de espécie.

         A maior parte do material coletado durante o DSEE/MT encontra-se em fase de
incorporação à Coleção de Mamíferos do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

         Alguns espécimes foram incorporados à Coleção de Mamíferos do Museu Nacional
do Rio de Janeiro; e outros compõem a coleção de referência a ser depositada na
Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT.

3.3.2.       Aves

          Os levantamentos de campo foram realizados entre outubro de 1996 e dezembro de
1997, período em que foram amostradas as seguintes localidades:

              Apiacás;

              Aripuanã (foi amostrada em duas ocasiões),

              Cáceres,

              Chapada dos Guimarães,

              Cláudia,

              Cocalinho,

              Gaúcha do Norte,

              Juruena,

              Pindaíba,

              São José do Rio Claro,

              Vila Bela da Santíssima Trindade e

              Vila Rica.

        As localidades foram investigadas durante períodos de aproximadamente dez dias
(exceção feita a Aripuanã, visitada em duas ocasiões), não permitindo desenvolver
                                                                                            19




levantamentos de cunho quantitativo; todo o esforço foi voltado a maximizar a aquisição de
informações qualitativas das comunidades levantadas.

3.3.2.1.   Metodologia de Coleta / Observações

           Os levantamentos foram desenvolvidos utilizando-se, basicamente de três recursos
distintos: observação, gravação/playback e através de captura em redes de neblina
(12mx2,5m; malha 36mm).

            Observação

          As observações foram realizadas durante todo o dia, sendo sistemática,
principalmente durante o início da manhã e o final da tarde, quando eram percorridas picadas,
carreadores e estradas, voltando-se periodicamente a fazer o mesmo ao início da noite
(esforço dedicado à amostragem das aves noturnas).

            Gravação/Playback

           As gravações foram realizadas simultaneamente às observações, sendo as mesmas,
identificadas no campo, quando possível (utilizando-se de playback), ou a partir de
comparações com gravações arquivadas.

            Captura em Redes de Neblina (12mx2,5m; malha 36mm)

          As redes de neblina foram instaladas no interior da mata, em picadas abertas para
este fim, tendo a extremidade inferior junto ao chão e a superior a cerca de 2,5m de altura,
sendo, em certas ocasiões montadas no estrato superior da mata com o auxílio de roldanas.
Todas as redes eram armadas diariamente antes do sol nascer, sendo fechadas ao final do
período de observações.

         Na maioria das localidades levantadas, exceto em Cáceres, Chapada dos Guimarães
e Pindaíba (relativamente bem representadas em coleções zoológicas), foram realizadas
coletas.

           As coletas foram feitas a partir das capturas em redes, assim como por coleta ativa,
utilizando-se para isso armas de fogo (espingardas calibre 22, 36, 20 e 12) com carga
adequada a cada caso, a fim de resguardar a qualidade do material.

3.3.2.2.   Preparação do Material

          Todos os espécimes coletados foram pesados, medidos, etiquetados e então
taxidermizados ou injetados com formol 10%, e conservados em álcool 70% depois de fixados,
sendo, tanto as peles, quanto o material em via úmida, mantidos na coleção de aves do Museu
de Zoologia da Universidade de São Paulo.

         Cabe lembrar que a quase totalidade dos espécimes teve suas carcaças
preservadas, e mantidas sob os cuidados da mesma instituição.

          De parte dos espécimes coletados foram retiradas amostras de sangue e/ou tecido,
material depositado na coleção do Departamento de Genética da Universidade de São Paulo.
Para os trabalhos voltados à preservação do material coletado contamos com o auxílio de
técnicos experientes.
                                                                                           20




3.3.2.3.   Critério Taxonômico Adotado

          Os nomes utilizados na “Lista de Aves” seguem diferentes autores: PAYNE &
RISLEY (1976: Ardeidae), VAURIE (1968: Cracidae), HAFFER (1974: Ramphastidae e
Galbulidae), SHORT (1982: Picidae), TRAYLOR (1979: Tyrannidae), LANYON & LANYON
(1986: Lathrotriccus euleri) e TURNER & ROSE (1989: Hirundinidae). Para várias espécies de
outras famílias foi utilizada a denominação dada por MORONY & SIBLEY (1993), além da
atualização fornecida pela “American Ornithologists Union” (1991) quanto a Phalacrocorax
brasilianus, Isobrychus sinensis e Speotito cunicularia.

          Utilizou-se para a seqüência das famílias de aves e espécies nelas incluídas, aquela
fornecida por MORONY et al., (1975), com exceção da família Cathartidae, hoje incluída na
Ordem Ciconiforme (KÖNIG, 1986) e a seqüência das espécies de Tyrannidae (TRAYLOR,
1979). Para a atualização dos gêneros e espécies, principalmente daqueles registrados nos
levantamentos mais antigos, foram consultados os trabalhos de PETERS (1931), CORY et al.,
(1918-1949), PINTO (1944 e 1978), GRANTSAU (1988) e SICK (1985).

3.3.2.4.   Destino Final do Material Coletado

         No Museu de Zoologia, o material obtido foi identificado utilizando-se para tanto
chaves de identificação, literatura específica, bem como a comparação com exemplares da
coleção.

         A maior parte do material coletado durante o DSEE/MT encontra-se depositado na
Coleção de Aves do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo e parte compõe uma
coleção de referência a ser depositada na Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT.

3.3.3.     Herptofauna

         Os levantamentos da herpetofauna para o Diagnóstico Sócio-Econômico-Ecológico
do Estado de Mato Grosso foram realizados entre o final de 1996 e o início de 1998, período
em que foram amostradas as seguintes localidades:

            Apiacás,

            Aripuanã (foi amostrada em duas ocasiões),

            Cáceres,

            Chapada dos Guimarães·,

            Cláudia (foi amostrada em duas ocasiões),

            Cocalinho,

            Gaúcha do Norte,

            Juruena,

            Pindaíba,

            São José do Rio Claro,
                                                                                            21




            Vila Bela da Santíssima Trindade e

            Vila Rica;

            e uma breve incursão ao Pantanal/Chaco.

3.3.3.1.   Metodologia de Coleta / Observações

         Os procedimentos de coleta foram os mesmos em todas as campanhas e baseavam-
se em dois métodos complementares:

            captura passiva de exemplares por meio de instalação de armadilhas de queda
              (pit-fall traps) e de cola (glue traps) e;

            procura ativa andando no campo durante o dia e a noite.

          Estes dois métodos, quando aplicados conjuntamente mostram-se eficazes na
maximização da amostragem da fauna herpetológica durante um período de tempo curto, além
de permitirem comparações mais realísticas das áreas amostradas.

            Captura Passiva

          Para a amostragem com armadilhas de queda, foram instalados baldes de 20 litros
ao longo de linhas selecionadas a partir de inspeção prévia, conforme já descrito anteriormente
não subitem Mamíferos.

          As armadilhas foram vistoriadas pela manhã; em algumas campanhas foram
vistoriadas também no período da tarde. Os animais coletados eram colocados individualmente
em sacos plásticos com os dados de campo.

          Para tentar amostrar melhor a herpetofauna das margens dos igarapés, foi também
instalado um conjunto de armadilhas de queda, formado por baldes de 8 litros dispostos
linearmente ao longo da margem de um igarapé, com cercas direcionadoras de 4 metros entre
eles.

          Além desse procedimento de coleta, foram utilizadas, com o intuito de capturar a
fauna arborícola, armadilhas de cola (glue traps) instaladas a aproximadamente 1,5 metros do
solo em troncos de árvores de diversos diâmetros; para capturar girinos e serpentes aquáticas,
covos confeccionados com garrafas de refrigerante de 2 litros, foram colocados nos igarapés.

            Procura ativa

          Durante as campanhas grande parte do tempo foi dedicada à coleta ativa de animais;
os exemplares foram coletados manualmente ou com o auxílio de garruchas com chumbo
mostarda. Os Herpetofauna foram procurados preferencialmente à noite, período em que estão
ativos; serpentes e lagartos durante o dia e a noite.

3.3.3.2.   Preparação do Material

          Todos os exemplares capturados foram pesados, sacrificados com injeção de
barbitúrico e fixados em formol a 10%. Amostras de fígado, músculo ou coração de boa parte
dos exemplares coletados foram retiradas e preservadas em nitrogênio líquido para estudos
bioquímicos e moleculares posteriores.

           A maioria das espécies obtidas foi fotografada viva.
                                                                                            22




3.3.3.3.   Critério Taxônomico Adotado

       Em relação à nomenclatura aqui utilizada, tem-se que essa seguiu principalmente
PETERS, MIRANDA & DONOSO-BARROS (1986), no caso dos Répteis; e FROST (1985) e
DUELMAN (1993), para os Anfíbios.

3.3.3.4.   Destino Final do Material Coletado

         No Museu de Zoologia, o material obtido foi identificado utilizando-se para tanto
chaves de identificação, literatura específica, bem como a comparação com exemplares da
coleção.

         A maior parte do material coletado durante o DSEE/MT encontra-se depositado na
Coleção Herpetológica do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo e parte compõe
uma coleção de referência a ser depositada na Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT.


3.4.       PROCEDIMENTO PARA A SISTEMATIZAÇÃO DOS DADOS POR TIPO DE
           LEVANTAMENTO

          As informações zoológicas obtidas durante os trabalhos de campo foram
sistematizadas de forma a aferir e complementar o modelo sinecológico esboçado por ocasião
da etapa de obtenção dos dados secundários.

         Tendo em vista, os objetivos finais do DSEE/MT, sobretudo o fato a necessidade de
aplicação regional dos dados zoológicos, pela qual, as espécies (ou grupos) relevantes
pudessem ser examinadas em termos de: sua distribuição; e suas necessidades mínimas
ambientais, deu-se continuidade, nesta etapa do trabalho, a análise zoogeográfica, acrescida
de uma dimensão ecológica, iniciada na fase anterior (obtenção dos dados secundários).

           A análise zoogeográfica realizada no âmbito deste trabalho baseou-se,
principalmente, no aspecto levantado por VANZOLINI (1970) de que, embora os tipos de
vegetação da América do Sul estivessem razoavelmente bem descritos, ilustrados e mapeados
(como por exemplo, HUECK, 1966) do ponto de vista zoológico, nem sempre é conveniente
utilizar uma classificação “... muito fina, ou por ser ela irrelevante no caso, ou por faltarem
dados para o seu uso. Na prática, adota-se ainda uma divisão sumária, em grandes tipos
fisionômicos e ecológicos (sem considerações florísticas)...”, como a que serviu de base a
AB’SABER (1967) na conceituação dos Domínios Morfo-Climáticos do Brasil.

         Além do conceito de Domínios, especificamente para Aves, procedeu-se também
uma análise segundo a proposição de STOTZ, et al. (1996), que estabelece regiões e
subregiões zoogeográficas, definidas por padrões de distribuição delimitados por acidentes
geográficos ou por feições ecológicas.

           Para as análises ecológicas, além dos conceitos de ecologia geral, comumente
utilizados para o estudos de conservação e preservação de ecossistemas, foram adotados os
conceitos estabelecidos para cada um dos grupos em estudo, seguindo-se para isto a
bibliografia específica. EMMONS (1990), para os mamíferos; STOTZ et alli (1996), para as
aves; e PETERS & DANOSO-BARROS (1986) VANZOLINI (1990), para répteis; e FROST,
(1985) para anfíbios.

         Cumpre ressaltar que os diversos grupos aqui estudados possuem características
ecológicas e biológicas bastante diferenciadas, sendo que o grau de conhecimento sobre as
mesmas é bastante diferenciado o que impede que se adote um único padrão de análise dos
dados obtidos em campo.
                                                                                         23




           Desta forma, em que pese o fato de que os resultados apresentados no item 5 deste
relatório tenham sido analisados segundo um padrão geral, em cada um dos grupos analisados
têm-se especificidades, de acordo com a informação biológica/ecológica disponível.




4.       LOCALIDADES AMOSTRADAS



4.1.     CRITÉRIOS PARA A SELEÇÃO DAS LOCALIDADES DE AMOSTRAGEM

          Durante a primeira fase do chamado nível compilatório, na etapa de sistematização
dos dados secundários, utilizou-se às informações de literatura e coleções de museus, que
permitiram elaborar uma caracterização zoológica preliminar; bem como indicar os pontos
merecedores de complementação e refinamento por meio de levantamentos de campo.

          A análise dessas informações, associada à montagem de Cartogramas de Fauna,
(Relatório de Consolidação de Dados Secundários – DSEE – FN – RT – 001) permitiu
depreender o conhecimento dos diversos grupos em estudo em cada uma das regiões do
Estado de Mato Grosso.

         Naquela ocasião, a distribuição dos registros levantados nas principais regiões do
Estado (apresentadas no Quadro 003), evidenciou o baixo conhecimento de algumas delas,
como por exemplo, o Alto Xingu, o Norte e o Noroeste do Estado frente às regiões de Cuiabá,
Pantanal e Alto Guaporé e Alto Paraguai, Rio das Mortes e Rio Araguaia.
                                                                                                    24




QUADRO 003    NÚMERO DE LOCALIDADES COMPILADAS NA ETAPA DE OBTENÇÃO DE DADOS
        SECUNDÁRIOS POR REGIÃO

   LOCALIDADES        MAMÍFEROS          AVES     LAGARTOS      SERPENTES        ANFÍBIOS   TOTAL
 NORTE                4                  5        4             13               0          26
 NOROESTE             5                  6        2             3                2          18
 ALTO XINGU           6                  3        4             8                5          26
 CHAPADA DOS
 GUIMARÃES            1                  5        1             7                1          15
 CUIABÁ               7                  16       9             9                4          45
 RIO ARAGUAIA         5                  9        11            13               7          45
 RIO DAS MORTES
                       5                  8        11           9                17         50
 ALTO PARAGUAI/
 GUAPORÉ               11                 32       11           14               5          73
 PANTANAL              11                 7        5            8                8          39
 TOTAL                 55                 91       58           84               49
FONTE:   Relatório de Compilação de Dados Secundários – DSEE-FN-RT-001 – 01/97

          De um modo geral, o padrão de distribuição encontrado para as diversas localidades
de coleta e/ou observação refletiram, principalmente, as expedições do final do Século XIX.
Verificou-se, que mesmo os registros mais recentes, bastante expressivos para alguns grupos,
tendiam, de certa forma, a priorizar as regiões do Pantanal, de Cuiabá e da Chapada dos
Guimarães, o que é explicado pelas peculiaridades ecológicas das mesmas (entre elas a
existência de ambientes mais conservados), associadas a maior facilidade de acessos nelas
encontradas.

          Adicionalmente, as informações zoológicas e botânicas levantadas durante aquela
etapa, sinalizaram a especial importância, tanto do ponto de vista teórico quanto prático, das
chamadas áreas de tensão ecológica (resultantes do contato entre dois Domínios) situadas
preferencialmente no Planalto dos Parecis; e do Pantanal mato-grossense.

          Desta forma, na etapa de obtenção de dados primários, tendo em vista os objetivos
gerais do Diagnóstico Sócio-Econômico Ecológico, a seleção das localidades de amostragem
foi norteada pela necessidade de:

           preencher a lacuna de conhecimento zoológico de certas regiões para as quais
              não se tinha registro de coleta e/ou observação para um ou mais grupos;

           buscar, na medida do possível, o entendimento de possíveis modificações
              faunísticas decorrentes das alterações antrópicas instaladas em algumas regiões,
              comparando antigos registros com dados mais atualizados; e

           obter um melhor entendimento zoológico sobre as áreas de tensão ecológica, de
            maneira a subsidiar as discussões das etapas subsequentes.

         Foram então estabelecidas 12 localidades de coletas (Mapa 001– Localidades de
Amostragem das Campanhas de Fauna), representativas dos diferentes Domínios
compreendidos pelo Estado (Cerrado e Amazônico), além da Zona de contato e o Pantanal,
conforme apresentado no Quadro 004 Fauna - Localidades Amostradas.

          Em relação aos pontos de amostragem, tem-se que na escala geográfica considera-
se apenas uma localidade, com um círculo de 15 a 30 Km de raio, a partir da sede municipal.
Dentro dessa área, os pontos de coleta (sublocalidades), têm significado puramente ecológico,
tendo sido escolhidos visando mostrar a biodiversidade da área.
                                                                                                                      25




QUADRO 004           FAUNA - LOCALIDADES AMOSTRADAS
                                                                                                LOCALIDADES
   DOMÍNIO         REGIÃO        CONHECIMENTO DADO PELOS DADOS SECUNDÁRIOS
                                                                                                AMOSTRADAS
Amazônico       NORTE            Região mal documentada para a maioria dos grupos 1- APIACÁS
                                 investigados, com exceção aos répteis. A baixa cobertura 2-VILA RICA
                                 encontrada para essa região, deve-se em grande parte a
                                 maior dificuldade de acesso e a existência de áreas
                                 indígenas extensas.
                                 Verificou-se um grande número de coleta e/ou observação
                                 de serpentes em função dos registros da Coleção do
                                 Instituto Butantã do Estado de São Paulo. Por se tratar de
                                 uma região de colonização nova, i.e., de desmatamentos
                                 recentes, muitos exemplares de serpentes encontrados
                                 pelos fazendeiros foram encaminhados a esse Instituto.
Amazônico       NOROESTE          Mal documentada para a maioria dos grupos estudados, 3- ARIPUANÃ
                                 sobretudo, répteis e anfíbios, para os quais os registros 4- JURUENA
                                 existentes eram esporádicos e/ou acidentais.
                                 Tanto para as aves, quanto para os mamíferos, parte dos
                                 registros feitos nessa região dizia respeito à Expedição
                                 Rooselvelt - Rondon (Localidade - Camp 30, Utiariti e
                                 Tapirapoã).
                                 Para esses grupos, especialmente para as aves, foram
                                 encontrados também importantes registros feitos pelo
                                 Instituto de Pesquisas da Amazônia - INPA nas
                                 proximidades do rio Aripuanã, nas localidades de
                                 Dardanelos e Ilha dos Patos (NOVAES, 1976).
                                 Para todos os grupos, no entanto, essa região, assim como
                                 a anterior, possui um forte apoio indireto, i.e., os registros
                                 referentes a Rondônia, cuja fauna de vertebrados encontra-
                                 se melhor estudada, seja pelo Programa POLONOROESTE,
                                 desenvolvido pelo Conselho Nacional de Pesquisa - CNPq,
                                 na década de 1980, seja por diversos empreendimentos
                                 hidroelétricos      promovidos,      principalmente       pela
                                 ELETRONORTE em Rondônia.
Contato         PARECIS          Essa região não havia sido individualizada durante a etapa 5- CLAUDIA
                                 de dados secundários. O seu destaque nesta etapa do 6- S. JOSÉ DO RIO
                                 trabalho deve-se, principalmente às observações de campo, CLARO
                                 sobretudo em função de suas características ecológicas, 7- GAUCHA DO
                                 resultantes do contato entre o Domínio Amazônico e NORTE
                                 Cerrado.
                                 Observa-se que parte desta região compreende o Alto Xingu
                                 (região anteriormente considerada), a qual encontrava-se
                                 relativamente bem documentada para a maioria dos grupos
                                 estudados. A maior parte das localidades para as quais se
                                 obteve registros, referiam-se ao Parque Indígena do Xingu
                                 (Posto Leonardo, Lagoa Ipavu, Posto Jacaré e Posto
                                 Culuene), realizados, de forma não sistemática, pelo
                                 MZUSP.1
Cerrado         CHAPADA          Para todos os grupos estudados foram encontrados registros 8- CHAPADA DOS
                DOS              na Chapada dos Guimarães, sendo que para alguns, como, GUIMARÃES
                GUIMARÃES        por exemplo, aves, têm-se levantamentos em épocas
                                 distintas: I) H.H.Smith, entre 1882 e 1886 (ALLEN, 1993); ii)
                                 O. Pinto, em 1937 (PINTO, 1940); e iii) Willis e Oniki, em
                                 1987 (WIILIS & ONIKI, 1990).


                                                                                                             (continua...)




            1
               Observa-se que, certamente, o levantamento de qualquer grupo, na área do Parque Indígena do Xingu
significaria um referencial ecológico importante, tendo em vista os objetivos finais desse trabalho, no entanto, não foi
possível realizar nenhuma campanha no interior das Reservas Indígenas.
                                                                                                          26




QUADRO 004         FAUNA - LOCALIDADES AMOSTRADAS
                                                                                              (...continuação)
 DOMÍNIO       REGIÃO       CONHECIMENTO DADO PELOS DADOS SECUNDÁRIOS*                       LOCALIDADES
                                                                                             AMOSTRADAS
Cerrado      RIO           Obteve-se uma grande quantidade de registros para répteis e 9- COCALINHO
             ARAGUAIA anfíbios, que são os dois únicos grupos para os quais se tem
                           registros referentes às localidades do Alto Araguaia,
                           especialmente bem trabalhadas por Janalee Caldwell em 1988
                           (CNEC, 1989), que levantou os anfíbios dessa área.
                           Para as aves e mamíferos a maior parte dos registros nessa
                           região refere-se às coletas e/o observações de Natterer
                           (PELZELN, 1883), sendo que para o segundo têm-se, também,
                           dados da Comissão Rondon (Miranda-Ribeiro, 1914), além de
                           alguns levantamentos ocasionais.
Cerrado      RIO DAS       Há uma boa base de dados, não necessariamente, refletida no 10- PINDAÍBA
             MORTES        número de localidades, mas através dos registros efetuados
                           por expedições significativas.
                           Para os mamíferos têm-se os registros da Expedição Butantã
                           (Vieira, 1951); para as aves tem-se o levantamento feito por
                           Fry, na Serra do Roncador (FRY, 1968); para répteis e anfíbios
                           tem-se, o material coletado por Werner C.A. Bokerman,
                           também, da Expedição Butantã.
                           Os dados referentes a essa região referem-se, em alguns
                           casos, a uma época em que a área era ocupada por índios
                           Xavantes.
Contato      ALTO          Essa região é a que concentra a maior quantidade dos 11-             VILA  BELA/
             GUAPORÉ       registros considerados, em parte, como já dito, pelos trabalhos PONTES        E
             ALTO          desenvolvidos no Século XIX, em parte em função dos LACERDA
             PARAGUAI inventários          mais     recentes,   como       o    Programa
                           POLONOROESTE, desenvolvido pelo CNPq entre os anos de
                           1980 - 85, que também abrangeu parte da mesma, e alguns
                           levantamentos de aves (WILLIS, 1976; SILVA & ONIKI, 1988;
                           WILLIS & ONIKI, 1990).
                           Faltavam informações referentes às relações entre a bacia
                           Amazônica e a do Paraguai.
             PANTANAL É relativamente bem conhecida para a totalidade dos grupos 12- CÁCERES
                           estudados. Para alguns se tem estudos exaustivos em
                           determinadas regiões, como é o caso do trabalho desenvolvido
                           por Schaller (1983), para mamíferos.
                           Além disso, há boas coleções para os Estado de Mato Grosso
                           do Sul, que servem como apoio indireto na identificação de sua
                           fauna. Além de alguns estudos específicos, como o de CINTRA
                           & YAMASHITA (1990).
* FONTE:   Relatórios de Compilação dos Dados Secundários –DSEE-FN-RT-001 – 01/97

         Observa-se que para as áreas de Cerrados, embora as espécies existentes sejam
conhecidas para a maioria dos grupos estudados, faltavam informações, atualizadas, sobre o
levantamento de uma fauna local completa.

         Em relação ao Pantanal, observa-se que inicialmente essa região não era
contemplada pelo escopo do DSEE/MT, uma vez que seriam incorporados os dados zoológicos
obtidos pelo projeto PCBAP – Programa de Conservação da Bacia do Alto Paraguai, através
da EMBRAPA – MS (PCBAP, 1997).

          Entretanto, os levantamentos realizados pelo PCBAP diziam respeito, em sua maior
parte, à área compreendida pelo Pantanal do Mato Grosso do Sul, tendo sido necessária à
incorporação da localidade de Cáceres nos trabalhos de campo do DSEE/MT.

        A seguir será dada uma breve descrição das características naturais das localidades
amostradas.
                                                                                                         27




4.2.        DESCRIÇÃO DAS LOCALIDADES DE AMOSTRAGEM

             APIACÁS

         A base dos trabalhos de campo foi a sede municipal de Apiacás, localizada na região
norte do Estado de Mato Grosso (sede nas coordenadas UTM 411.057 e 8.912.903), a cerca
de 35 km da margem esquerda do baixo curso do Rio Apiacás, próximo de sua confluência
com o Rio Teles Pires, sendo que os levantamentos concentraram-se num raio de 10 a 15 Km
ao redor da sede urbana, conforme mostrado no Quadro 005 Fauna – Pontos de Amostragem
– Apiacás, e na Figura 004 Fauna – Pontos de Amostragem - Apiacás.


QUADRO 005          FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – APIACÁS
 MAPA/MIR                                      PONTOS DE AMOSTRAGEM
  SC21VD
    ou        FAUNA
  MIR 273
              Campanha de Fauna Apiacás, abordando os grupos Mamíferos (21/08-01/09/97); Anfíbios,
              Lagartos, Serpentes (14-26/02/97) e Aves (15/02-01/03/97).

              F.01 - PONTO FN 1 - Transecto A / linha 01- fragmento de mata na estrada de acesso à Fazenda
              Canoas. Coordenadas UTM 464.028 e 8.944.319.
              F.02 - PONTO FN 2 - Transecto B - C / linha 02 - fragmento de mata a 4 km de Apiacás -
              Coordenadas UTM 463.421 e 8.941.247.
              F.03 - PONTO FN 3 - Transecto D-E - G / linhas 03 e 05 - fragmento de mata - Coordenadas UTM
              461.592 e 8.941.246.
              F.04 - PONTO FN 4 - Transecto F / linha 04 - fragmento de mata - Coordenadas UTM 461.589 e
              8.944.317.
              F.05 - PONTO FN 5 - Transecto H - picada do Mutum, estrada que leva ao Garimpo Mutum -
              Coordenadas UTM 464.024 e 8.948.005.
              F.06 – PONTO FN 6 - Transecto I/K - área antropizada/ mata alterada na estrada que leva à
              fazenda Canoas, estrada que leva à fazenda Canoas - Coordenadas UTM 458.544 e 8.941.242.
              F.07 - PONTO FN 7 - Transecto J - mata alterada na estrada que leva ao garimpo Mutum -
              Coordenadas UTM 458.539 e 8.946.156.
              F.08 - PONTO FN 8 - Transecto L - transição entre um milharal e uma mata baixa (sítio do Seu
              Guilherme) - Coordenadas UTM 463.425 e 8.937.562.
              F.09 - PONTO FN 9 – linha do Igarapé - um açaizal, na área de drenagem de um igarapé, na
              estrada que leva ao Garimpo Mutum - Coordenadas UTM 450.610 e 8.947.990.
FONTE:      CNEC, 2002.
                                                            28




ENTRA FIGURA 004   FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – APIACÁS
                                                                                            29




          Apiacás situa-se em uma região de ocupação bastante recente. O histórico de
exploração e das transformações decorrentes está intimamente ligado à atividade garimpeira, à
exploração madeireira, de menor monta, e mais recentemente à expansão da pecuária
extensiva.

         Nos fins da década de 80 a atividade garimpeira atinge seu auge, atraindo para a
região um volume extremamente grande de pessoas.

         A mata predominante nessa região é a Floresta Ombrófila em contato com a Floresta
Estacional, porém, o quadro fisionômico geral da área deixa marcada a impressão de
abandono.

          Durante os trabalhos de campo, verificou-se que a mata primária local apresentava-
se bastante aberta, com dossel descontínuo e emergentes - em sua maioria castanheiras
(Bertholetia excelsa), de médio porte e eventuamente angelins - muito espaçados.

          Verificou-se que, as áreas de vegetação encontravam-se bastante reduzidas,
constituindo-se, em sua maioria, de pequenos fragmentos já perturbados. A maior parte da
cobertura vegetal primitiva foi transformada em pastagens para criação extensiva de gado e em
campos para o cultivo do arroz, as principais atividades econômicas.

         Outra atividade verificada na área de estudo, porém de menor expressão, é a
madeireira. Segundo informações locais, as matas da região nunca apresentaram potencial
madeireiro, sendo a exploração basicamente para consumo local.

          VILA RICA

          A cidade de Vila Rica se situa no nordeste do Estado de Mato Grosso (coordenadas
UTM 487.214 e 8.891.510), no divisor de águas entre as bacias do Rio Xingu e do Rio
Araguaia.

           Essa região é caracterizada pela presença de relevos residuais, os quais fazem parte
do Planalto Dissecado do Sul do Pará. Nestes locais e em algumas áreas planas penetradas
por este tipo de relevo, abundam campos de grandes matacões.

          Situada em uma área de contato entre o domínio amazônico e os cerrados, a
vegetação predominante nessa localidade é a Floresta Ombrófila em contato com a Floresta
Estacional. A mata possui, em geral um dossel com emergentes de até 25m de altura, como o
jatobá, por exemplo. As árvores de grande porte são raras e no sub-bosque dominam cipós e
sororocas (Musaceae).

         Por ocasião dos trabalhos de campo, foi muito difícil encontrar áreas de matas
preservadas devido à ocupação de grandes extensões de terra para a criação extensiva de
gado, que é a atividade econômica mais importante da região. As amostragens foram, então
concentrados em duas áreas de mata ainda não derrubadas à cerca de 30 Km da cidade,
conforme mostrado no Quadro 006 Fauna – Pontos de Amostragem – Vila Rica, e na Figura
005 Fauna Pontos de Amostragem – Vila Rica.
                                                                                                                              30




QUADRO 006          FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – VILA RICA
MAPA/MIR                                               PONTOS DE AMOSTRAGEM
 SC22YB    FAUNA
   ou      Campanha de Fauna, abordando os grupos Anfíbios, Lagartos, Serpentes, Mamíferos (27/09 a 11/10/97) e
 MIR277    Aves (20/10 a 05/11/97).
           F.01 - PONTO M1 - Transecto A (Coordenadas UTM 477.791 e 8906.160) - localizava-se em uma área bastante
           alterada, em uma picada feita por madeireiros; a “estrada” possuía em média, 3 a 4 m de largura, porém, em certos
           locais onde se encontravam clareiras enormes, que alcançavam até 25 m de largura; o dossel da mata era
           descontínuo, com árvores de até 20 m de altura; o sub-bosque era denso próximo das clareiras, com a presença
           de muitos troncos e galhos caídos no chão. Em locais de dossel mais preservado, o sub-bosque era relativamente
           aberto, apresentando pequenas árvores distantes umas das outras, algumas palmeiras, plântulas e cipós.
           F.01 - PONTO M2 - Transecto B (Coordenadas UTM 477.791 e 8906.160) - em uma picada feita num trecho de
           mata entre duas entradas de madeireiros. A mata possuía dossel descontínuo, baixo, com emergentes em torno de
           15 m de altura. O sub-bosque era aberto em certos trechos, com a presença de uma camada de pteridófitas
           terrestres e muitas plântulas. Em outros locais, era repleto de cipós, troncos caídos e sororocas.
           F.01 - PONTO M3 - Transecto C (Coordenadas UTM 477.791 e 8906.160)- Distância da cidade: 26,9 Km - nas
           margens de um pequeno igarapé paralelo à estrada principal. O igarapé, de águas claras, variava de 5 a 15 cm de
           profundidade e tinha em média, 2 m de largura. A vegetação na margem era composta por cipós, troncos caídos,
           sororocas e algumas árvores maiores (em torno de 20 m de altura), as quais compunham o dossel, tornando o igarapé
           um local sombreado.
           F.02 - PONTO M4 - Transecto D (Coordenadas UTM 476.246 e 8905.632) - em uma picada feita num trecho de mata
           já alterada, ao lado de uma lagoa que foi represada pela estrada principal; o estrato herbáceo era composto por uma
           camada contínua de capim nas margens da lagoa, à medida que se adentrava na mata, o capim desaparecia. O
           dossel deste trecho de mata era descontínuo, com emergentes de até 15 m de altura, o sub-bosque era aberto,
           composto por palmeiras, Bauhinia sp, plântulas, troncos caídos, cipós e alguns cupinzeiros. Em locais de dossel mais
           aberto, encontravam-se sororocas, árvores de até 10m de altura e muitos cipós.
           F.03 - PONTO M5 - Transecto E (Coordenadas UTM 475.005 e 8904.496) - Distância da cidade: 29,1 Km - em uma
           picada feita no interior de um trecho de mata. O dossel era fechado, com árvores de até 20 m de altura, porém,
           também havia clareiras ao longo do mesmo e áreas de dossel descontínuo. O sub-bosque era aberto, composto por
           palmeiras, arbustos pequenos, cipós e sororocas (Musaceae), bem como troncos caídos e alguns cupinzeiros. O solo
           apresentava muito folhiço e pedras grandes emergindo deste. O terreno era bastante inclinado, com árvores mais
           altas no fundo do vale.
           ___ - PONTO M6 - Transecto F - localizado numa estrada de madeireiros. O dossel da mata é descontínuo com
           muitas clareiras provenientes do extrativismo madeireiro. Apresenta denso sub-bosque, com palmeiras, sororocas e
           arbustos de até 2 m de altura.
           ___ - PONTO M7 - Transecto G – Picada localizada no interior de uma mata com dossel fechado, de
           aproximadamente 20 m de altura, situada a cerca de 28 km da cidade, em terreno declivoso. Apresenta sub-bosque
           aberto com pteridófitas, musáceas (sororoca), lianas e árvores de pequeno porte. O solo coberto por serapilheira era
           bastante pedregoso.
           F.04 - PONTO M8 - Transecto H (Coordenadas UTM 472.592 e 8905.629) - situou-se em uma área aberta, de
           pastagem. Não havia dossel e o sub-bosque era composto basicamente pelo estrato herbáceo. O estrato herbáceo
           apresentava uma camada quase contínua de capim, intercalados por áreas de vegetação muito rala, formando,
           assim, blocos de vegetação densa. O capim era alto, alcançando até 2 m de altura. Além das gramíneas, havia
           muitas herbáceas, também em torno de 2 m de altura e plantas arbustivas. Em certos “blocos”, onde a vegetação
           era mais densa, encontrava-se a presença de algumas árvores de pequeno porte.
           F.05 - PONTO M9 - Transecto I (Coordenadas UTM 483.037 e 8907.478) - situado ao lado de um tabocal, em uma
           área aberta. A vegetação também se encontrava distribuída em blocos, porém, de vegetação muito mais densa
           que o descrito anteriormente. O estrato herbáceo era constituído de capim (1,5 m de altura) e, nas áreas de solo
           mais úmido, de taboa (2 m de altura) ou pteridófitas (0,5 m de altura). As moitas eram compostas por palmeiras
           grandes de até 4 m de altura, Bauhinias e outras plantas arbustivas que alcançavam até 3 m de altura.
           F.06 - PONTO M10 - Transecto J (Coordenadas UTM 489.039 e 8898.267) - localizado nas margens de um
           igarapé. O igarapé também era de água clara, porém, maior e muito mais encaixado que o do Transecto C. As
           margens possuíam de 4 a 5 m de altura e era mais profundo, 20 a 60 cm, no entanto, a largura era semelhante, em
           torno de 2 m. Possuía também bancos de areia e troncos caídos ao longo do mesmo. A vegetação nas margens
           apresentava dossel descontínuo, com emergentes de até 15 m de altura, o sub-bosque era denso, composto
           principalmente por cipós, palmeiras, sororocas (Musaceae) e troncos caídos. Em locais de solo úmido, encontrava-
           se a presença de uma camada de pteridófitas e o sub-bosque era relativamente mais aberto.
           F.01 - PONTO HERP 1 - (Coordenadas UTM 477.791 e 8906.160). As cinco linhas de armadilhas de queda foram
           instaladas na margem da estrada que corta a mata da Fazenda Ipê. Esta primeira linha foi instalada na margem
           direita da estrada, no topo de um interflúvio, aproveitando um antigo carreador utilizado para a exploração de
           madeira. A mata local é relativamente alta, de terra firme, com dossel aberto e descontínuo. As maiores
           emergentes, especialmente jatobás, não ultrapassam 25 metros e DAP de 80 cm. O folhiço é espesso e o sub-
           bosque aberto. A sororoca e os cipós são muito abundantes; praticamente não há palmeiras no local. O solo é
           argilo-pedregoso com matacões isolados; não há igarapés nas proximidades.
           F.01 - PONTO HERP 2 - (Coordenadas UTM 477.791 e 8906.160). Localizada na mesma margem da estrada, a
           cerca de 1,5 km da linha 1. A linha também segue um antigo carreador de madeira e foi instalada próximo da base
           da escarpa de um morro com matacões ainda recoberto por mata. A mata local foi parcialmente explorada e
           apresenta dossel aberto e descontínuo, quebrado, dificilmente ultrapassando os 20 m. A embaúba (Cecropia) é
           bastante abundante. O DAP médio das árvores grossas é de cerca de 15 cm e o das maiores, quase sempre
           jatobás, não ultrapassa os 60 cm. O sub-bosque é fechado, mas a mata rala, com muito cipó e sororoca.
           Praticamente não há palmeiras no local. O folhiço é abundante e o solo areno-pedregoso com matacões
           emergentes espassados. Não há igarapés no local.
                                                                                                                     (continua...)
                                                                                                                         31




QUADRO 006          FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – VILA RICA
                                                                                                             (...continuação)
MAPA/MIR                                              PONTOS DE AMOSTRAGEM
 SC22YB     F.01 – PONTO HERP 3 - (Coordenadas UTM 477.791 e 8906.160). Instalada cerca de 50 metros adiante da linha
   ou       2, na margem oposta da estrada. A fisionomia local é idêntica a anteriormente descrita.
 MIR 277    F.03 - PONTO HERP 4 - (coordenadas UTM 475.005 e 8904.496). Linha situada cerca de 3 km adiante da
            anterior, na margem direita da estrada. Esta linha amostrou a melhor mata da área e foi instalada em um trilha
            aberta por nós. A mata é primária, com um dossel praticamente contínuo, situado por volta dos 20 m. As maiores
            árvores apresentam DAP médio de cerca de 60 cm. O sub-bosque é aberto e bem estratificado. Cipós são bastante
            abundantes; palmeiras raras. O folhiço é espesso e o solo também revestido por um tapete de pequenas arvoretas
            e samambaias. O solo é areno-pedregoso e os matacões freqüentes.
            F.07 - PONTO HERP 5 - (Coordenadas UTM 472.593 e 8903.787). Situada a cerca de 2 km da linha anterior, na
            margem oposta da estrada, numa área de mata inundável, onde corre um igarapé intermitente, bem encaixado,
            com leito arenoso-pedregoso e que não apresentava água. A mata é bastante aberta, com dossel relativamente
            baixo, não ultrapassando os 20 metros. O diâmetro médio das árvores mais grossas é de aproximadamente 20 cm.
            Cipós e sororocas são muito abundantes no local. O solo é predominantemente arenoso e o folhiço ralo.
            F.06 - Linha do Igarapé (Coordenadas UTM 489.039 e 8898.267). Um pequeno curso d’água com cerca de 1 metro
            de largura e leito arenoso. A região, embora situada na margem de uma grande derrubada, ainda estava coberta
            por mata primária caracterizada pela abundância de sororocas e de cipós. Quatro baldes foram instalados numa
            das margens e os três outros na margem oposta, sempre linearmente.

            Observação: Os pontos M6 e M7 não se encontram plotados na MIR 370 por falta de referências
            geográficas (coordenadas).
FONTE:     CNEC, 2002.
                                                            32




ENTRA FIGURA 005   FAUNA PONTOS DE AMOSTRAGEM – VILA RICA
                                                                                                                        33




          ARIPUANÃ

         A localidade de Aripuanã situa-se no noroeste do Estado de Mato Grosso
(coordenadas UTM 231.560 e 8.873.913), na margem direita do Rio Aripuanã, tributário do Rio
Madeira, principal afluente da margem direita do Rio Amazonas.

          A base dos trabalhos de campo foi a sede municipal de Aripuanã, tendo sido
amostrados os mais diversos ambientes num raio de 20 a 30 Km da mesma, conforme
mostrado na Figura 006 - Fauna Pontos de Amostragem – Aripuanã e no Quadro 007 – Fauna
- Pontos Amostragem – Aripuanã.

QUADRO 007       FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – ARIPUANÃ
 MAPA/MIR                                         PONTOS DE AMOSTRAGEM
  SC21YA
             FAUNA
    ou
             1A Campanha de Fauna Aripuanã abordando os grupos Anfíbios, Lagartos, Serpentes, Mamíferos
  MIR 297
             (01 a 15/11/96) e Aves (24/10 a 15/11/96).
             F.01 - PONTO FN 1 - Fazenda Porto Feliz (margem esquerda do rio Aripuanã, na estrada do Lontra) –
             Coordenadas UTM 222.515 e 8861.161. Fazenda em que a área de pastagem faz limite com ambiente de
             mata de terra firme, atualmente com processo de exploração de madeira. O limite é um riacho.
             F.02 - PONTO FN 2 - Estrada MT420 (estrada da serra Morena, margem direita do rio Aripuanã) –
             Coordenadas UTM 238.913 e 8867.820. Linhas 3, 4 e 5 de Pit-fall, descritos no item de répteis.
             F.01 - PONTO FN 3 - Estrada do rio Branco (descrito no ítem 3.2). Fazenda Porto Feliz (margem esquerda
             do rio Aripuanã, na estrada do Lontra) - Coordenadas UTM 222.515 e 8862.161 . Ressalta-se que foram
             colocadas redes sobre o riacho e também dentro da área de mata.
             F.03 - PONTO FN 4 - Cachoeira de Dardanelos (margem direita do rio Aripuanã) - Coordenadas UTM
             233.583 e 8875.948. Área próxima à cachoeira, junto ao pomar abandonado do INPA e área do balneário,
             que fica submersa na cheia.
             F.02 - PONTO FN 5 - Estrada MT420 (estrada da serra Morena, margem direita do rio Aripuanã) –
             Coordenadas UTM 238.913 e 8867.820.
             2a Campanha de Fauna Aripuanã abordando os grupos Mamíferos, Anfíbios, Lagartos e Serpentes
             (19/08/97 a 03/09/97) e Aves (22/07/97 a 05/08/97).
             F.04 - PONTO M1 – Transecto A (Coordenadas UTM 219.542 e 8879.999) - em uma picada feita por
             madeireiros para retirada de madeira. O dossel desta mata era descontínuo, composto por algumas
             árvores altas (30m de altura) esparsas e por embaúbas (Cecropia sp.) e outras plantas típicas de
             vegetação secundária nas áreas de clareiras.
             F.05 - PONTO M2 – Transecto B (Coordenadas UTM 224.255 e 8873.242) localizado numa trilha, em uma
             área bastante alterada. O solo desta trilha era composto por capim, folhas e galhos secos caídos, o sub-
             bosque da mata que ficava na borda da trilha era fechado e formado por herbáceas (capim), arbustos
             pequenos e árvores de até 3m de altura; dossel era descontínuo, com poucas árvores de mata primária
             (castanheiras) que se encontravam isoladas, sendo o restante composto por embaúbas e outras árvores
             que ocorrem em áreas perturbadas.
             F.06 - PONTO M3 – Transecto C (335.418 e 8859.980), situado numa entrada para retirada seletiva de
             madeira, com clareiras enormes. Nestes locais não há dossel e o sub-bosque é fechado, constituído por
             arbustos e plantas “invasoras”, de crescimento secundário, como, por exemplo, bambús. Onde o dossel é
             descontínuo, formado pela presença de algumas árvores da mata primária, o sub-bosque é mais aberto,
             ocorrendo algumas palmeiras, vários troncos caídos e muitos cipós.
             F.07 - PONTO M4 –Transecto D (220.659 e 8865.835) em uma estrada que leva a uma propriedade rural.
             A mata apresentava dossel contínuo na maior parte do transecto, apresentando umas poucas clareiras
             formadas pela queda de árvores de grande porte. O dossel era composto por árvores altas (30-35m de
             altura), como castanheiras (Berthollethia excelsa) e algumas leguminosas (como o angelim pedra). O sub-
             bosque era aberto, com plântulas, palmeiras e pequenas árvores distribuídas em meio a troncos caídos e
             alguns cipós.
             F. 07 - PONTO M5 – Transecto E (Coordenadas UTM 220.659 e 8865.835) próximo ao transecto D, em
             uma estrada do lado oposto, que leva a uma área de pastagem. Este fragmento de mata encontra-se bem
             mais perturbado, com dossel descontínuo, composto por algumas árvores de grande porte (30m de altura),
             mas também por embaúbas (Cecropia sp.) e outras plantas oportunistas. O sub-bosque é mais fechado,
             formado por arbustos, palmeiras e muitos troncos caídos e cipós.
             F.08 - PONTO M6 – Transecto F (Coordenadas UTM 222.472 e 8867.694) - instalado em picada de
             caçador, terminado em um igarapé. Neste trajeto, a mata possui dossel descontínuo, com sub-bosque
             denso, constituído por palmeiras, arbustos altos, cipós, troncos caídos e muito folhiço no solo; em
             determinadas porções da mata, o dossel começa a ter continuidade devido à presença de árvores de
             grande porte (castanheiras, leguminosas, etc.) mais próximas umas das outras, e o sub-bosque encontra-
             se mais aberto, formado por plantas de até 1m de altura, palmeiras e árvores pequenas. Nas margens do
             igarapé. Verifica-se a presença de áreas alagadas, com a presença de palmeiras e herbáceas.
             F.09 - PONTO M7 – Transecto G (Coordenadas UTM 222.515 e 8862.161) localizado em uma entrada de
             madeireiros. Apresenta dossel alto, com emergentes de 30m de altura (castanheiras e leguminosas),
             porém descontínuo. O sub-bosque é relativamente aberto nas áreas menos perturbadas, composto por
             palmeiras e alguns cipós, e denso nas áreas de clareiras, com a presença de arbustos e plantas de
             vegetação secundária.
                                                                                                        (continua...)
                                                                                                                              34




QUADRO 007         FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – ARIPUANÃ
                                                                                                           (...continuação)
 MAPA/MIR                                          PONTOS DE AMOSTRAGEM
  SC21YA       F.10 - PONTO M8 –Transecto H (Coordenadas UTM 226.083 e 8873.256) instalado em uma clareira,
    ou         adentrando em uma mata que já teve seu potencial madeireiro explorado; o dossel, portanto, é
  MIR 297      descontínuo; o sub-bosque é fechado nos locais de clareiras e menos denso onde o dossel foi pouco
               perturbado.
               F.11 - PONTO M9 – Transecto I (Coordenadas UTM 233.492 e 8877.000) próximo à cachoeira de
               Dardanelos, instalado em um leito seco, com muitas pedras.
               F.12 - PONTO M10 – Transecto J (Coordenadas UTM 241.243 e 8874.015) nas margens de um córrego,
               próximo a uma área de pastagem. O córrego é de águas claras, estreito (menos de 1m de largura) e
               “encachoeirado”. A vegetação na margem era constituída por palmeiras, pteridófitas, melastomatáceas,
               plântulas e alguns troncos caídos, formando um sub-bosque aberto. Próximo deste local havia uma lagoa.
               F.10 - PONTO HERP1 – Linha 1 (Coordenadas UTM 226.083 e 8873.256). Na margem esquerda do Rio
               Aripuanã, na estrada que leva a região dos assentamentos do Lontra, cerca de 6 km após a ponte do
               Aripuanã, num antigo carreador utilizado para a exploração de madeira. A mata local é alta, de terra firme,
               com dossel relativamente aberto devido à extração seletiva de madeira. As maiores emergentes,
               especialmente castanheiras, atingem cerca de 30 metros e DAP de 1,5 m.
               F.13 - PONTO HERP2 – Linha 2 (Coordenadas UTM 222.472 e 8867.694). n a encosta e parte da planície
               aluvial do vale de um igarapé que apresenta pequenas lagoas temporárias e meandros abandonados. O
               dossel da mata do local atinge entre 25 e 30 m. Palmeiras e cipós são especialmente abundantes no local.
               F.14 - PONTO HERP3 – Linha 3 (Coordenadas UTM 222.486 e 8865.850), em uma mata de terra bastante
               conservada, embora tenha sido submetida a algum corte seletivo; o dossel atinge cerca de 25 m, embora
               algumas emergentes ultrapassem excepcionalmente os 30 m. O DAP médio das maiores árvores está por
               volta dos 80 cm; o sub-bosque apresenta-se bastante fechado e é francamente dominado por palmeiras e
               cipós.
               F.15 - PONTO HERP4 – Linha 4 (Coordenadas UTM 220.674 e 8863.991), na planície de inundação de um
               igarapé com cerca de 4 m de largura; a mata local apresenta-se bastante perturbada uma vez que se limita
               com uma extensa derrubada. Assim, cipós e bambús são relativamente abundantes; o sub-bosque é
               relativamente fechado e marcado pela presença de palmeiras;
               F.09 - PONTO HERP5 – Linha 5 (Coordenadas UTM 222.515 e 8862.161). Em área de mata, situada num
               interflúvio. A mata é alta, de terra firme, dossel situado por volta dos 30 metros e as maiores árvores
               atingindo cera de 80 cm DAP; o sub-bosque é bem estratificado e há poucas palmeiras e cipós no local. A
               linha acompanha um antigo carreador utilizado para extração de madeira.
               F.08 - PONTO HERP6 – Linha do Igarapé (Coordenadas UTM 222.472 e 8867.694), em um igarapé com
               leito arenoso, cerca de 4 metros de largura, parcialmente assoreado, bem encaixado e com profundidade
               média de cerca de 40 cm. Com uma área alagada ao redor com a presença de muitos buritis.

FONTE:      CNEC, 2002.
                                                             35




ENTRA FIGURA 006   FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – ARIPUANÃ
                                                                                         36




         A mata primária local constitui-se da mata de terra firme (Floresta Ombrófila) e
apresenta-se geralmente com dossel contínuo, com emergentes atingindo cerca de 30 metros.

           Em outras áreas, como nas margens do Rio Branco, as emergentes estavam
presentes, mas a mata apresentava-se francamente aberta, com palmeiras, especialmente o
babaçu (Orbgnyia marciana). Esses locais não foram explorados pelas equipes que estiveram
em campo, devido à distância, associada às condições de tráfego, pois no período da
campanha este estava bastante prejudicado devido às chuvas. Verificaram-se, ainda, manchas
de buritizais, associadas a solos hidromórficos.

          Amostrou-se num raio de cerca de 20 km da base, todos os tipos de habitat ainda
pouco perturbados, aos quais se teve acesso pelas estradas disponíveis, a maioria deles
situados na estrada que leva a Cotriguaçu, ou nas duas estradas que levam à margem do Rio
Juruena conforme mostrado na Figura 007 – Fauna - Pontos de Amostragem – Juruena e no
Quadro 008 – Fauna - Pontos de Amostragem – Juruena. Por ocasião dos trabalhos de campo,
observou-se que a região de Aripuanã assim como todo o norte e noroeste do Estado de Mato
Grosso vinham sofrendo acelerado processo de exploração de seus recursos naturais,
figurando com destaque o madeireiro, causa das maiores alterações diagnosticadas para a
área em estudo. Os desmatamentos resultantes eram seguidos por queimadas e instalação de
pastagens para a criação extensiva de gado.

         Localmente, os impactos sobre os diversos habitats eram decorrentes não só do
corte das árvores propriamente dito, mas também de toda a infra-estrutura associada ao
mesmo, como a abertura de vias de acesso viabilizando o trabalho de tratores e caminhões na
exploração e retirada da madeira, e o aumento significativo da clareira produzida pela queda
das árvores com o intuito de facilitar o corte e arranjo da madeira explorada.

          JURUENA

         A base de trabalhos foi a cidade de Juruena (coordenadas UTM 336.544 e
8.858.421), situada em região de relevo pouco pronunciado a cerca de 20 km da margem
esquerda do Rio Juruena. Este, após receber o Teles Pires forma o Rio Tapajós.
                                                                                                                          37




QUADRO 008         FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – JURUENA
MAPA/MIR                                              PONTOS DE AMOSTRAGEM
           FAUNA
 SC21YB    Campanha de Fauna Juruena, abordando os grupos Mamíferos, Anfíbios, Lagartos, Serpentes (05/04 a
   ou      20/06/97), Aves (15/06 a 01/07/97).
 MIR 298   F.01 - PONTO M1 - Transecto A - fragmento de mata alterada, em trilha aberta por madeireiros - coordenada UTM
           336.802 e 8861.772.
           F.02 - PONTO M2 - Transecto B - fragmento de mata periodicamente alagado - Coordenadas UTM 336.708 e
           8868.010.
           F.03 - PONTO M3 - Transecto C - área antropizada - onde houve retirada de cascalho – Coordenadas UTM
           337.558 e 8862.881;
           F.04 - PONTO M4 - Transecto D - mata preservada – Coordenadas UTM 336.756 e 8865.120;
           F.05 - PONTO M5 - Transecto E - trilha aberta para retirada de madeira; vegetação com sub-bosque se
           regenerando, mostrando que a retirada de madeira não era recente – Coordenadas UTM 336.708 e 8868.010;
           F.06 - PONTO M6 - Transecto F- nas margens de um igarapé – Coordenadas UTM 336.791 e 8864.260;
           F.07 - PONTO M7 - Transecto G - mata alterada próxima à estrada que leva ao Rio Juruena, em um carreador
           antigo de retirada de madeira, pois a vegetação encontrava-se em estado sucessional – Coordenadas UTM
           342.017 e 8859.123;
           F.08 - PONTO M8 - Transecto H - mata alterada próxima da estrada que leva ao Rio Juruena. – Coordenadas UTM
           340.036 e 8859.882.
           F.09 – PONTO M9 - Transecto I - nas margens de um igarapé pequeno, adentrando na mata alterada com muitos
           cipós e palmeiras – Coordenadas UTM 336.708 e 8868.010.
           F.10 - PONTO HERP 1 (Coordenadas UTM 336.804 e 8861.773). Estrada que leva a Cotriguaçu. Esta foi instalada
           na margem esquerda da estrada, cerca de 2 km após a saída de Juruena, aproveitando um carreador
           recentemente aberto para a exploração de madeira. A mata local é alta, de terra firme, com dossel relativamente
           aberto devido à extração de madeira. As maiores emergentes atingem cerca de 35 metros. O folhiço é espesso e o
           sub-bosque relativamente fechado. Não há caetês recobrindo o solo, há poucos cipós e algumas palmeiras. O solo
           é argiloso e não há igarapés nas proximidades.
           F.11 - PONTO HERP 2 - Linha 2 (Coordenadas UTM 336.794 e 8864.260). Localizada na mesma margem da
           estrada, a cerca de 350 metros da linha 1. A linha também aproveitou um carreador antigo. A mata do local é muito
           semelhante a da linha anterior, com a copa das árvores mais altas atingindo cerca de 35 metros. Algumas
           castanheiras estão presentes.
           F.12 - PONTO HERP 3 - Linha 3 (Coordenadas UTM 336.708 e 8868.010). Instalada cerca de 5 km adiante da
           linha 2, na margem oposta da estrada, praticamente no topo de um interflúvio. A mata local é primária, não tendo
           sido submetida a corte seletivo. O dossel atinge, ou ultrapassa pouco, os 30 metros. A imensa maioria das árvores
           grossas. O sub-bosque é amplamente aberto e composto por árvores mais finas e palmeiras espaçadas. Vários
           cipós estão presentes no local. Todo o estrato inferior da mata é caracterizado pela presença de uma cobertura de
           caetês com pouco mais de um metro.
           F.13 - PONTO HERP 4 - Linha 4 (Coordenadas UTM 336.708 e 8868.010). Linha situada cerca de 300 metros
           adiante da anterior, na mesma margem da estrada. Em mata primária de terra firme que, exceto pela presença de
           sororocas, tem fisionomia muito semelhante a da linha anterior. Nas demais, embora a cobertura de caetês
           permaneça, o número de palmeiras é muito maior. Os solos são predominantemente arenosos nas proximidades
           do igarapé e areno-argilosos com canga no interflúvio.
           F.14 - PONTO HERP 5- Linha 5 Estações 41 a 50 (Coordenadas UTM 336.708 e 8868.010). Situada a cerca de
           350 metros da linha anterior num vale. A mata local é francamente aberta, onde o elemento mais característico é
           dado pela abundância e diversidade de palmeiras: patuás, buritis, tucumãs, açaís, entre outras. O folhiço é ralo e
           há muitas ciperáceas no local. A área, drenada por uma rede de pequenos igarapés, alguns intermitentes, parece
           ser inundada durante o período de chuvas. As maiores árvores atingem cerca de 25 m Epífitas são muito
           abundantes.
           F.15 - PONTO HERP 6 - Linha do Igarapé (Coordenadas UTM 339.398 e 8859.817). Nas margens de um pequeno
           igarapé. O igarapé tem leito arenoso, é bem encaixado e tem largura aproximada de 2 m e profundidade não
           superior aos 50 cm. Sua planície de inundação é extensa e a mata local é aberta, com palmeiras em abundância.
           F.16 - PONTO A1 - Coordenadas UTM 337.566 e 8861.038, mata próxima ao aeroporto da cidade. Esta mata já foi
           bastante explorada, tendo sido retirada boa parte da madeira de maior valor comercial. Porém, alguns trechos
           permanecem inalterados, sendo estes locais selecionados para a armação de redes.
           F.17 - PONTO A2 - Coordenadas UTM 337.524 e 5570.254, mata situada a beira da estrada que liga Juruena a
           Cotriguaçu. A mata apresenta árvores de grande porte espaças, resultando em uma descontinuidade do dossel.
           Chama atenção à alta abundância de diferentes espécies de palmeiras, sendo que vários indivíduos de Euterpe sp.
           Haviam sido cortados para a exploração do palmito.
           F.18 - PONTO A3 - Coordenadas UTM 341.176 e 8870.271, área de mata distando cerca de 2 Km da estrada para
           Cotriguaçu. Esta mata começou a ser explorada apenas recentemente, apresentando árvores imensas, formando
           um dossel alto e contínuo. O sub bosque e pouco denso com predomínio de “caetês”.
           F.19 - PONTO A4 - Coordenadas UTM 348.519 e 8861.087, mata situada na beira da estrada que liga a cidade de
           Juruena ao rio Juruena, local onde funcionava uma balsa para transporte de gado. Mata bastante semelhante à
           encontrada no ponto de amostragem A3, porém a exploração de madeira é mais antiga.
           F.20 - PONTO A5 - Coordenadas UTM 352.170 e 8861.102, rio Juruena margem esquerda. As matas na beira do
           rio ainda permanecem preservadas. Além destas matas, também foram realizadas observações em algumas áreas
           alagadas próximas as margens.
FONTE:     CNEC, 2002.
                                                         38




ENTRA FIGURA 007FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – JURUENA
                                                                                            39




          A região é coberta predominantemente pela Floresta Ombrófila, especialmente nas
áreas mais elevadas. Dominam ali matas densas de grande porte com dossel médio situado
em torno de 30m e sub-bosque francamente aberto e bem estratificado, especialmente
dominado por pequenas palmeiras e arbustos. Algumas emergentes atingem os 40m. Nos
vales, bem drenados por uma densa malha de pequenos e médios igarapés, dominam florestas
equatoriais mais abertas, também com árvores de grande porte, mas onde as palmeiras são
excepcionalmente abundantes. Toda a região é também caracterizada por alta densidade e
diversidade de epífitas e por um folhiço bastante denso.

          A impressão inicial, formada a partir da inspeção de imagens de satélite era de que o
nível de preservação da área era excelente, porém, em campo observou-se uma exploração
intensiva da floresta, a principal atividade econômica da região. Por ocasião dos trabalhos de
campo, verificou-se que a imensa maioria da área já estivera sujeita à extração seletiva de
madeira e em vários locais extensos desmatamentos haviam sido efetuados para a instalação
de pastagens.

          CLÁUDIA

         A base dos trabalhos esteve centrada a cerca de 30 km a sudoeste de Cláudia, na
Fazenda Ignes Maria e Madeireira Iracema, ambas adjacentes à Fazenda Continental
(coordenadas UTM 702.324 e 8.717.628 – MIR 320), conforme mostrado no Quadro 009 e na
Figura 008 - Fauna - Pontos de Amostragem – Cláudia.
                                                                                                                          40




QUADRO 009            FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – CLÁUDIA
MAPA/MIR                                               PONTOS DE AMOSTRAGEM
 SC21ZD    FAUNA
ou MIR 320 1a Campanha de Fauna Claudia abordando os grupos: Anfíbios, Lagartos, Serpentes (10 a 25/03/97) e Aves
           (03 a 16/04/97).
           F.01 - PONTO HERP 1 - Linha 1 (Coordenadas UTM 703.544 e 8718.849). Ao longo da estrada que serve de limite
           ‘as Fazendas Condor e Continental e que conduz ‘a BR 163. A linha foi instalada no lado esquerdo da estrada,
           próximo do entroncamento com a que liga Cláudia a Sinop. A mata é de terra firme com dossel praticamente
           contínuo formado predominantemente por grandes castanheiras que atingem cerca de 30 metros. Palmeiras e cipós
           finos são raros, embora ali se encontrem vários cipós com cerca de 30 cm de diâmetro. O sub-bosque é aberto e o
           folhiço medianamente espesso, embora em alguns locais o solo argiloso se apresente com pouco folhedo. Não havia
           igarapés nas proximidades.
           F.02 - PONTO HERP 2 - Linha 2 (Coordenadas UTM 701.726 e 8718.861). Localizada na mesma margem da
           estrada a cerca de 1 km da linha 1. A mata é de terra firme com emergentes atingindo cerca de 30 metros. O dossel
           é praticamente contínuo e pouca luz chega ao chão da mata. O sub-bosque é bem desenvolvido e há muitos cipós
           no local. Palmeiras de espinho, especialmente Astrocaryum e tucumã são bastante abundantes. O folhedo é espesso
           e o solo argiloso, não havia igarapés nas proximidades.
           F.02 - PONTO HERP 3 - Linha 3 ( Coordenadas UTM 701.726 e 8718.816). Instalada, como as duas linhas
           anteriores, na mesma margem da estrada, a cerca de 400 metros da linha 2. A mata, também de terra firme, é
           relativamente alta, com dossel descontínuo formado por emergentes de cerca de 25-30 metros. Algumas
           castanheiras atingem 35 m. O sub-bosque é bem estratificado e palmeiras e cipós são raros. O solo é argiloso e não
           há igarapés na área.
           F.03 - PONTO HERP 4 - Linha 4 (Coordenadas UTM 698.114 e 8722.572). Linha situada à cerca de 6 km da
           anterior, na mesma margem da estrada. A mata é de terra firme com dossel descontínuo e mais aberta que a das
           linhas anteriores. As emergentes são, em sua maioria, castanheiras de cerca de 30 m. Cipós eram muito
           abundantes; observaram-se várias clareiras naturais, causadas pela queda de grandes árvores. O sub-bosque é
           aberto e marcado por palmeiras de espinho de médio porte do gênero Astrocaryum. O folhiço é espesso e o solo
           argiloso.
           F.04 - PONTO HERP 5 - Linha 5 (Coordenadas UTM 698.114 e 8722.572). Situada 2 km adiante da linha anterior, na
           margem oposta da estrada. Esta linha, situada a cerca de 21 km da BR 163 foi instalada acompanhando o curso do
           Rio Renato (bacia do Teles Pires) exatamente no contato entre a mata de terra firme e o extenso buritizal que
           acompanha o curso do igarapé. O igarapé é bem encaixado, tem cerca de 4 m de largura e uma profundidade
           aproximada de 1,5 metros nos trechos mais profundos, por onde corre água clara em abundância. Sua planície de
           inundação é extensa e pantanosa. Além dos buritis e de uns poucos açaís, ocorre na área uma mata mais aberta,
           muito mais seca e com cipós. As emergentes não passam dos 25 metros. A sororoca era abundante, especialmente
           no contato com a mata. Havia poucos caetês. O solo é arenoso.
           F.01 - PONTO HERP 6 - Linha do Igarapé (Coordenadas UTM 703.544 e 8718.849). Ao longo do curso de um
           pequeno Igarapé da bacia do Xingu, situado próximo ‘a base de trabalhos. Os baldes foram dispostos linearmente ao
           longo da margem direita do igarapé, a montante do trecho que foi represado pela estrada. A mata local foi
           parcialmente explorada para retirada de madeira. O dossel é descontínuo e atinge cerca de 25 metros com algumas
           castanheiras (Bertholletia excelsa) e angelins-de-saia (Parkia pendula) de grande porte. O folhiço é relativamente
           denso e palmeiras são medianamente abundantes. No trecho que as armadilhas foram instaladas a largura do vale
           não excede os 30 metros. Havia poucos caetês. Na porção superior de seu curso o igarapé é ligeiramente
           encachoeirado.
           F.05 - PONTO HERP 7 - Linha 7 (Coordenadas UTM 709.047 e 8726.188). Próxima ao entroncamento da entrada
           para a Cascalheira, ao lado esquerdo na estrada Sinop – Cláudia.
           F.06 - PONTO HERP 8 - Linha 8 (Coordenadas UTM 714.490 e 8724.307). Próxima ao posto fiscal, ao lado esquerdo
           da estrada Sinop - Cláudia.
           F.07 - PONTO HERP 9 - Linha 9 (Coordenadas UTM 699.920 e 8720.716). No entroncamento do lado direito da
           estrada Sinop – Cláudia que segue um carreador de madeira.
           F.01 - PONTO HERP 10 (Coordenadas UTM 703.544 e 8718.849). Casa ou arredores da casa – local onde ficamos
           hospedados, próximo a sede da serraria da Fazenda Iracema.
           F.08 - PONTO HERP 11 - (Coordenadas UTM 701.714 e 8717.017). Colônia da madeireira - é o local onde moram os
           empregados da serraria, Nas linhas 7, 8 e 9 as árvores não ultrapassam 25-30 metros de altura e estão situadas em
           mata de terra firme sem igarapé. Há uma predominância de cipós ou lianas, arbustos, epífitas em menor quantidade
           e muitas ervas que cobrem o chão. A floresta encontra-se um pouco perturbada pela exploração de madeira e com
           trechos em estágio de sucessão. É comum encontrarmos castanheiras, palmeiras e pequi.
           F.01 - PONTO AV1 - Fazenda Iracema (Coordenadas UTM 703.544 e 8718.849).
           F.09 - PONTO FN1 - Cascalheira (Coordenadas UTM 705.423 e 8728.056) bancada de canga sob uma camada de
           sedimento de 1 a 1,5m.

             2a campanha Claudia abordando Mamíferos (18/07 a 28/07/97).
             F.10 - PONTO HERP 1 - Cascalheira (Coordenadas UTM 705.423 e 8728.056). O local está devastado, não passa
             de uma grande clareira, foram escavados mais ou menos quatro metros de profundidade, com trator, para a retirada
             do cascalho, laterita ou canga. A mata ao redor, situada em terra firme sem igarapé, encontra-se em processo de
             regeneração, cujas árvores não ultrapassam 20-25 metros de altura. Além da retirada do cascalho, nesta área, a
             floresta encontra-se um pouco perturbada pela retirada de madeira (peroba, jatobá, e outras). É frequente
             encontrarmos castanheiras e pequi em menor quantidade.
             F.11 - PONTO HERP 2 - Córrego Anastácia - (Coordenadas UTM 707.229 e 8726.200). O córrego Anastácia
             desemboca no ribeirão Carmelita que se encontra com o ribeirão do Macaco Branco e ambos deságuam no rio Azul.
             Próximo às margens, havia uma prainha de águas límpidas e claras. O perfil da área do córrego e entorno onde
             trabalhamos é de uma mata secundária em processo de regeneração, com poucas árvores emergentes, uma ou
             outra castanheira, árvores não ultrapassando 20-25 metros de altura, camada de folhiço em torno de 2 cm. O solo é
             bastante arenoso e úmido
                                                                                                                  (continua...)
                                                                                                                           41




QUADRO 009         FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – CLÁUDIA
                                                                                                                (...continuação)
MAPA/MIR                                                 PONTOS DE AMOSTRAGEM
 SC21ZD      devido à proximidade da água. Muitas árvores e troncos caídos sobre a água, permitiram a travessia de um lado da
ou MIR 320   margem para o outro. Havia muitas epífitas (líquens, musgos, bromélias, cipós e lianas). O local é pouco iluminado,
             com dossel irregular. Muitas palmeiras altas e arbustos.
             F.12 - PONTO HERP 3 - Ribeirão Carmelita (Coordenadas UTM 776.820 e 8781.003). É um córrego fundo de
             águas mais escuras, onde predomina um buritizal (Mauritia sp) ou mata de brejo.
             F.13 - PONTO HERP 4 - Sede da Fazenda Santa Inês (Coordenadas UTM 710.803 e 8716.957). Casa onde nos
             hospedamos e realizamos os trabalhos de laboratório (taxidermia, preparação e fixação dos animais).
             F.14 - PONTO HERP 5 - Restaurante do Leonel (Coordenadas UTM 702.234 e 8.717.628). É uma parada de
             ônibus na estrada SINOP/ Claudia, próximo ao posto fiscal e o escritório da Madereira Iracema, onde fazíamos as
             refeições. Colônia ou Vila da Madeireira (Coordenadas UTM 701.706 e 8.715.788) - morada dos trabalhadores da
             serraria. Alguns deles colecionam animais conservados em álcool, geralmente cobras e insetos.
             F.15 - PONTO HERP 6 - Paliteiro (Floresta afogada). Lagoa ou banhado represado pela estrada, devido ao acesso
             viário, afluente do Ribeirão da Encrenca (que deságua no rio Azul), mata com inundação permanente. Havia dois
             (2) paliteiros bem próximos, onde trabalhamos.
             F.16 - PONTO M1 - (Coordenadas UTM 701.726 e 8718.861). Fragmento de mata que apresenta um dossel
             contínuo, composto por um misto de árvores grossas (DAP=80cm) e altas (30m) com árvores menores e mais
             finas. Presença marcante de castanheiras (Bertholletia excelsa). O sub-bosque é aberto, e constituído basicamente
             por palmeiras, do gênero Astrocaryum e caetês (Heliconia), além de vários troncos caídos. O solo é úmido e possui
             folhiço espesso. No início do transecto existem algumas clareiras, aí o sub-bosque é mais fechado e com cipós.
             F.17 - PONTO M2 (Coordenadas UTM 699.920 e 8720.716). Esta mata também possui um dossel contínuo, mas
             com árvores de estatura menor, com exceção das castanheiras. O sub-bosque é menos aberto, composto também
             por palmeiras; porém, nas áreas com clareiras é mais denso e com cipós. Nota-se a presença de cupinzeiros em
             alguns pontos do transecto. O folhiço é espesso e úmido.
             F.18 - PONTO M3 (Coordenadas UTM 699.920 e 8720.716). O transecto se inicia numa estrada abandonada
             (exploração de madeira), onde a vegetação é sucessional e arbustiva, com um sub-bosque bastante denso, e vai
             adentrando numa mata de dossel contínuo e sub-bosque aberto, também com a presença de algumas bertholetias,
             pois o único vestígio da presença de outras castanheiras nesta mata são seus enormes troncos cortados.
             F.19 - PONTO M4 (Coordenadas UTM 696.295 e 8722.583). Mata de dossel contínuo composto por árvores de
             20m de altura; sub-bosque composto por palmeiras, troncos caídos e cupinzeiros. Ao caminhar-se ao longo do
             transecto, pouca luz chega a entrar na mata, dando um aspecto de "fim de tarde" a qualquer hora do dia.
             F.20 - PONTO M5 (Coordenadas UTM 698.102 e 8720.728). Floresta de dossel quase contínuo, com árvores altas
             (25m) e grossas (DAP= 70cm) e várias árvores mais finas. Sub-bosque aberto com palmeiras nas áreas de dossel
             contínuo e mais alto, e sub-bosque mais denso, com cipós e troncos caídos em áreas de dossel descontínuo e de
             menor estatura.
             F.15 - PONTO M6 (Coordenadas UTM 701.714 e 8717.017). É o primeiro dos transectos descritos caracterizado
             pela presença de um igarapé. No início do transecto o solo é bastante úmido, chegando a formar um lamaçal em
             alguns trechos onde o solo é encharcado. No decorrer do transecto, o igarapé se torna mais encaixado e o solo
             torna-se cada vez mais seco. A vegetação na margem do igarapé é composta praticamente por pteridófitas,
             bromélias e buritis; à medida que se afasta do leito do riacho a mata passa progressivamente a apresentar dossel
             quase contínuo, com árvores altas (castanheiras) e sub-bosque aberto, com palmeiras e alguns cipós.
             F.14 - PONTO M7 (Coordenadas UTM 703.544 e 8718.846). Localiza-se próximo à base de trabalhos e também
             margeia um igarapé. Este igarapé é maior e foi represado pela construção da estrada, formando um lago na beira
             da mesma. A vegetação na margem é constituída por palmeiras, assim como o sub-bosque da mata que apresenta
             dossel descontínuo, com árvores altas como as castanheiras e o angelim-de-saia (Parkia pendula).
             F.14 - PONTO M8 (Coordenadas UTM 703.544 e 8718.849). Transecto que faz limite com uma área aberta (linha
             de transmissão de energia elétrica). Esta área percorre mais ou menos uns 100 m entre dois fragmentos de mata.
             A vegetação na borda destes fragmentos é sucessional e arbustiva, com sub-bosque muito denso.
             F.21 - PONTO M9 (Coordenadas UTM 704.047 e 8717.063). Este transecto localiza-se na borda de uma área de
             pastagem. A vegetação é composta de capins altos e alguns arbustos, o solo é avermelhado e o folhiço inexistente.
FONTE:       CNEC, 2002.
                                                          42




ENTRA FIGURA 008 FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – CLÁUDIA
                                                                                            43




         Essas fazendas situam-se em região de relevo pouco acidentado, no divisor de
águas entre as bacias do Rio Teles Pires e do Rio Xingu. Correm na área igarapés que
deságuam no Manissauá-Missú, afluente da margem esquerda do Rio Xingu, e que fluem para
o Rio Renato, afluente da margem direita do Rio Teles Pires.

          De acordo com os estudos de vegetação e as observações de campo predomina
nessa área a Formação Florestal do Parecis, que se constitui em um ecótono (mosaico
específico), entre a Floresta Ombrófila e a Floresta Estacional, onde estes diferentes tipos de
vegetação se misturam e a identidade ecológica é dada pelas especificidades florísticas e
fisionômicas resultantes.

           Fisionomicamente, essa mata apresenta densa cobertura foliar, dossel bastante
homogêneo, com aproximadamente 20m de altura e grande densidade de indivíduos,
caracterizados por áreas basais reduzidas. Em geral, possuem escassa serapilheira e raras
epífitas. A baixa freqüência de exemplares caducifólios confere pequeno grau de deciduidade a
estas comunidades vegetais. (seguramente menor do que aquele encontrado na Floresta
Estacional que ocorre em outras regiões do Estado de Mato Grosso).

           Embora aparentemente uniforme em sua grande extensão, esta formação apresenta
heterogeneidades locais, tanto estruturais quanto florísticas, não evidenciadas por meio de
imagens de satélite. De acordo com as observações de campo, é possível dizer que muitas
dessas variações estão associadas às características de solo e relevo. Freqüentemente, essas
florestas apresentam-se mais vigorosas à medida que se aproximam dos canais de drenagem,
onde os solos têm textura mais arenosa e retém maior umidade.

         Em algumas localidades situadas no interflúvio, entretanto, a maior contribuição da
flora Ombrófila torna estas florestas atrativas para a exploração madeireira, como é o caso da
região de Cláudia e Sinop, ocorrendo inclusive pequenos encraves de Floresta Ombrófila em
meio a esta formação de transição.

          Durante os levantamentos de campo, verificou-se que localmente, a mata apresenta
dossel com altura média por volta dos 20 metros, sendo que a feição mais marcante dessa
matas foi a presença de extensos castanhais de Bertholletia excelsa. O sub-bosque era
relativamente denso, bem estratificado, e o folhiço era geralmente espesso. Em algumas
regiões, especialmente ao longo do Rio Renato e de alguns dos igarapés que correm na área,
observou-se o domínio de buritizais.

           Por ocasião dos trabalhos de campo, constatou-se que a perturbação ambiental
dessa região se desenvolvia em ritmo acelerado. Ao lado de extensas pastagens para criação
de gado, a exploração madeireira era também muito intensa. Embora em várias fazendas a
exploração dos recursos madeireiros viesse sendo monitorada com projetos de manejo, corte
seletivo e plantio de mudas, em outras, grandes castanhais vinham sendo derrubados de modo
desordenado.

          SÃO JOSÉ DO RIO CLARO

         A base de trabalhos foi a cidade de São José do Rio Claro (coordenadas UTM
527.061 e 8.513.695), situada no Planalto dos Parecis, na margem esquerda do Rio Arinos.

        Os pontos de amostragem concentraram-se na área compreendida por um raio de 10
a 20km da sede municipal, conforme mostrado na Figura 009 Fauna - Pontos de Amostragem –
São José do Rio Claro e no Quadro 010 Fauna - Pontos de Amostragem – São José do Rio
Claro.
                                                                                                                         44




QUADRO 010         FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – SÃO JOSÉ DO RIO CLARO
MAPA/MIR                                          PONTOS DE AMOSTRAGEM
 SD21XC      FAUNA
ou MIR 356
             F.01 - HERP 1 - (Coordenadas UTM 528.882 e 8529.667). Mata secundária em processo de regeneração,
             com poucas árvores emergentes, uma ou outra castanheira, dossel aberto, sub-bosque não ultrapassando
             15 metros de altura, camada de folhiço de 2 a 3 cm, abundância deepífitas (bromélias, cipós e lianas).
             F.02 - HERP 2 - (Coordenadas UTM 528.880 e 8527.824). Situada quase na margem de um antigo
             carreador de madeira abandonado. A mata é mais aberta, com clareiras, as árvores não ultrapassam 20-25
             metros de altura, a camada de folhiço é bem mais espessa do que na Linha A, e há menor quantidade de
             cipós.
             F.03 - HERP3 - (Coordenadas UTM 530.683 e 8525.979). Estações de 16 baldes alinhados na beirada do
             Córrego Caju Doce; a linha começa por uma estrela de cinco (5) baldes (um no centro e quatro laterais) e
             segue alinhada até o final. O solo é bastante arenoso e úmido devido à proximidade da água, a mata é
             mais fechada com árvores de no máximo 20-25 metros de altura, muitas sororocas (pacova - Ravenala),
             palmeiras, líquens e musgos.
             F.01 - HERP 4 - Estrada dos Pit-falls (Coordenadas UTM 528.882 e 8529.667). Onde estavam instaladas
             as redes para captura de aves e morcegos, além das armadilhas para captura de mamíferos; as redes e
             armadilhas junto aos “pit-falls”.
             F.04 - HERP 5 - Entrada da Cidade (Coordenadas UTM 532.473 e 8513.074). É o trevo de acesso à
             cidade e a estrada onde trabalhamos durante a maior parte do tempo, onde estavam instaladas todas as
             linhas de armadilhas e redes.
             F.05 - HERP 6 - Hotel Eldorado (Coordenadas UTM 528.862 e 8511.235). Local onde nos hospedamos e
             realizamos trabalho de laboratório, coletamos lagartixas nas paredes e colocamos armadilhas
             "Tomahawk", havia uma rede armada para capturar morcegos.
             F.06 - HERP 7 - Banhado das Antas (Coordenadas UTM 528.884 e 8531.510). É um lago represado pela
             estrada com predominância de ciperáceas, palmeiras (buriti, bacuri), embaúbas e gramíneas.
             F.07 - HERP 8 - Recanto dos Bufos (Coordenadas UTM 528.886 e 8533.353). É um alagadinho entre um
             pasto queimado e uma borda de mata.
             F.08 - HERP 9 - Estrada do Cemitério (Coordenadas UTM 525.240 e 8464.493). Caminho que leva à
             "capoeira do cerrado", local de visível mudança de vegetação (área de transição para o cerrado). Ausência
             de palmeiras, predominância de capim típico e flores de cerrado, campo sujo, pequenas árvores
             espaçadas e de casca grossa, subarbustos, samambaias e arranha-gato. Solo oligotrófico.
             F.08 - HERP 10 – “Capoeira de Cerrado” (Coordenadas UTM 525.240 e 8496.493). Localiza-se no final da
             estrada do cemitério rumo ao Campo dos Parecis. Observam-se dois estratos nítidos, um composto de
             capins e outro formado por arbustos.
             F.09 - HERP11 - Rio Arinos (Coordenadas UTM 537.919 e 8537.029). Há uma ponte que o atravessa no
             caminho para Nova Maringá, com uma antiga balsa abandonada.
             F.10 - HERP 12 - Associação dos Pequenos Produtores Rurais União Santa Maria (Coordenadas UTM
             518.041 e 8514.931). Local onde deixamos um balde com formol sob a responsabilidade de uma pessoa
             para coletar animais.
             F.01 - PONTO A1 - Fazenda Santana d’Água Limpa (Coordenadas UTM 528.882 e 8529.667). Fazenda
             situada entre a cidade de São José do Rio Claro e o rio Arinos. A mata desta propriedade apesar de muito
             perturbada, destaca-se qualitativamente das encontradas na região.
             F.09 - PONTO A2 - Rio Arinos (Coordenadas UTM 537.919 e 8537.029). Matas de menor porte, bastante
             alteradas.
             F.03 - PONTO A3 - Córrego Cajú Doce (Coordenadas UTM 530.683 e 8525.979). Área, contígua ao
             córrego, caracteriza-se pela presença de uma vegetação Bastante baixa, sobressaindo alguns poucos
             indivíduos arbóreos e palmeiras do gênero Mauritia sp (buritis).
             F.06 - PONTO A4 - Lago das Japuíras (Coordenadas UTM 528.884 e 8531.510). Pequeno espelho d’água
             formado pelo represamento de um igarapé. A paisagem dominante nesta área assemelha-se a encontrada
             na Faz. Santana d’água Limpa, apresentando, porém, maior intensidade de perturbações.

FONTE:   CNEC, 2002.
                                                                       45




ENTRA FIGURA 009FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – SÃO JOSÉ DO RIO CLARO
                                                                                                                        46




          A área em estudo pertence na faixa de contato entre os Domínios Morfoclimáticos
Amazônico e do Cerrado, onde se verifica a ocorrência das formações vegetais florestais
(Floresta Ombrófila; Formação Florestal do Parecis) localizadas preferencialmente ao norte do
município; e de cerrado (Cerradão). A região apresenta duas estações típicas, uma chuvosa e
outra de estiagem.

         Dentre os ambientes diagnosticados próximos à base das pesquisas realizadas,
optou-se por concentrar os esforços nas áreas de mata, por este ambiente ser menos
conhecido.

          GAÚCHA DO NORTE

         A base de campo dessa localidade foi a cidade de Gaúcha do Norte (coordenadas
UTM 254.936 e 8.540.252), situada no setor sul do Planalto dos Parecis, praticamente no limite
entre o Domínio Amazônico e o Domínio dos Cerrados entre as bacias dos rios Curisevo e
Coluene, ambos formadores do Xingu, onde o relevo é pouco acidentado. Figura 010 Fauna -
Pontos de Amostragem – Gaúcha do Norte e Quadro 011 Fauna - Pontos de Amostragem –
Gaúcha do Norte.


QUADRO 011         FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – GAÚCHA DO NORTE
 MAPA/MIR                                         PONTOS DE AMOSTRAGEM
  SD22VC     FAUNA
    ou
  MIR 358    F.01 - PONTO HERP1 - Linha 1 Coordenadas UTM 259.321 e 8551.942). Ao longo da estrada que conduz
             ao limite sul do Parque Indígena do Xingu, em região de terra firme com solos vermelhos argilo-arenosos.
             A mata é baixa, de aspecto esbranquiçado e bastante fechada. Não há sub-bosque definido e o folhiço é
             denso. Não há palmeiras grandes ou embaúbas no local.
             F.02 - PONTO HERP2 - Linha 2 (Coordenadas UTM 259.467 e 8552.466). Na mesma margem da estrada,
             a mata do local é idêntica a da linha anterior.
             F.03 - PONTO HERP3 - Linha 3 (Coordenadas UTM 262.477 e 8559.808). Na margem sul do Parque
             Indígena do Xingu, do lado direito da estrada. A mata é relativamente baixa, de modo geral fina e
             esbranquiçada, com algumas emergentes atingindo 15 a 18 metros de altura. Não há sub-bosque definido;
             a cobertura é bastante homogênea de um pequeno bambu de cerca de 40 cm recobre o solo. Cipós são
             escassos e não há palmeiras ou embaúbas.
             F.04 - PONTO HERP4 - Linha 4 (Coordenadas UTM 264.306 e 8560.931). Situada a cerca de 3 km da
             anterior, na margem oposta da estrada; a região também é de terra firme e não apresenta riachos nas
             proximidades.
             F.05 - PONTO HERP5 - Linha 5 (Coordenadas UTM 254.643 e 8542.647). Nas proximidades da cidade,
             na encosta do vale do Riacho Pau D’Alho. Esta mata com árvores mais grossas, alterada, com vestígios
             isolados de árvores queimadas, indicam que a área esteve provavelmente sujeita a ação do fogo.
             F.05 - PONTO HERP6 - Linha do Igarapé (Coordenadas UTM 254.643 e 8542.647). Ao longo da margem
             esquerda das cabeceiras do Riacho Pau D’Alho, é um dos poucos locais na região de Gaúcha do Norte
             onde algumas palmeiras, especialmente açaís (Euterpe oleracea) e embaúbas (Cecropia sp) estão
             presentes.
             F.06 - PONTO HERP7 - Linha 1A, Cerrado do Rio Curisevo (Coordenadas UTM 238.543 e 8556.517).
             Encrave de cerrado próximo da margem do Rio Curisevo. No local o solo é arenoso, e o cerrado
             relativamente aberto, com poucos cupinzeiros e arbustos baixos.
FONTE:   CNEC, 2002.
                                                                 47




ENTRA FIGURA 010FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – GAÚCHA DO NORTE
                                                                                             48




          Amostrou-se, num raio de cerca de 30 km da base, todos os tipos de habitat aos
quais se teve acesso pelas estradas disponíveis.

          Esta área de tensão ecológica é marcada pela presença de matas de transição com
fisionomia bastante homogênea (Floresta do Parecis). Em Gaúcha do Norte, verificou-se que
essa formação vegetal tem porte muito inferior ao das matas amazônicas, são fechadas, não
apresentando sub-bosque estratificado, e são dominadas por árvores de troncos finos, casca
esbranquiçada e de pequeno porte, especialmente melastomatáceas. A escassez de
palmeiras, a abundância de cipós e um folhiço relativamente denso são também
característicos.

          Por ocasião dos trabalhos de campo foi especialmente notada a ausência quase total
de embaúbas (Cecropia), tão características como vegetação secundária pioneira na
Amazônia. As embaúbas eram ali raríssimas, não apenas na mata, como também em
derrubadas ou nas áreas de contato entre a mata e as pastagens ou entre a mata e áreas
cultivadas.

          Cerca de 25km a noroeste de Gaúcha do Norte, entre as matas galerias do Rio
Curisevo e as demais matas da região, foi observado um enclave de Cerrado ainda intocado,
sobre solos arenosos.

          De modo geral, por ocasião dos levantamentos de campo, verificou-se que o nível de
preservação dos habitats ainda era muito bom na região de Gaúcha do Norte. As derrubadas
eram apenas realizadas para o cultivo, sempre em pequena escala, da seringa, do milho, do
arroz e para a instalação de pastagens.

          CHAPADA DOS GUIMARÃES

          Essa região foi individualizada por localizar-se em uma situação altimétrica peculiar,
na transição do Planalto dos Guimarães com a Depressão do rio Paraguai, em uma área de
cerrado típico, o que implica em diferenças ecológicas importantes.

          O Planalto dos Guimarães é um divisor entre as bacias do Prata e do Amazonas, e
formado por duas subunidades: a Chapada dos Guimarães, com cotas entre 600 e 800m e o
Planalto do Casca, com cotas entre 350 e 600m.

         No entorno do Planalto dos Guimarães encontra-se as escarpas, cujas altitudes
variam entre 200 e 400m. Estas são formadas por solos litólicos e afloramentos rochosos.
Junto à base das escarpas ocorrem as veredas, em terrenos de relevo suave, junto aos cursos
d’água, constituída por solos gleizados, ricos em matéria orgânica, com predominância de
gramíneas.

          A região se encontra numa porção importante das cabeceiras do rio Cuiabá. Boa
parte dos cursos d’água que se formam nesta área descem a escarpa e afluem diretamente no
Rio Cuiabá, pela sua margem esquerda, como os rios Coxipó, Aricá Açu e Aricá Mirim,
enquanto que os cursos d’água que se dirigem para o norte, como o córrego da Água Fria, Rio
Cachoeirinha e Ribeirão da Lagoinha afluem ao Rio Manso e deste, ao Rio Cuiabá.

          A vegetação presente na Chapada dos Guimarães é bastante diversificada e
correlacionada aos ambientes microclimáticos resultantes de fatores geomorfológicos, como a
drenagem, inclinação e disposição das vertentes, altitude, disponibilidade hídrica e condições
edáficas.

         A Savana (Cerrado senso lato) é a formação vegetal predominante na região,
ocorrendo as diversas feições de cerrado, como a Savana Arbórea Densa - Sf (Cerradão) -
                                                                                           49




situada principalmente na zona de contato entre Areias Quartzosas, Latossolo Vermelho
Amarelo e Solos Concrecionários; e a Savana Arbórea Aberta com e sem Floresta de Galeria -
Sa (Campo Cerrado).

         Também se encontra nesta região Floresta Estacional (E) – geralmente associada às
áreas com predominância de Latossolo Vermelho Escuro e solos Litólicos distróficos.

           Durante os trabalhos de campo, observou-se que a principal atividade econômica da
região é a agricultura e a pecuária. O turismo também é uma fonte de renda muito importante e
emergente, associado às belezas cênicas da região, presentes no interior e nas regiões
limítrofes ao Parque Nacional da Chapada dos Guimarães.

          Observa-se que para esta região, dado o caráter peculiar de sua situação ecológica e
o alto grau de conhecimento, os levantamentos de campo tiveram o caráter de checagem e
observação das condições atuais, sendo o esforço de coleta/observação aplicado bastante
reduzido; a base dos trabalhos concentrou-se num raio de 10 a 20 Km da cidade de Chapada
dos Guimarães (Figura 011 Fauna - Pontos de Amostragem – Chapada dos Guimarães).
                                                                       50




ENTRA FIGURA 011FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – CHAPADA DOS GUIMARÃES
                                                                                           51




          COCALINHO

          Cocalinho localiza-se na região leste do Estado de Mato Grosso (coordenadas UTM
500.000 e 8.409.872), na margem esquerda do médio rio Araguaia. A região, situada no
domínio dos cerrados, encontra-se na zona de contato entre a depressão do Araguaia e a
Planície do Bananal. Apesar da ocorrência de pequenas elevações isoladas, com afloramentos
rochosos, predominam os relevos pouco acidentados, formando um complexo mosaico de
terrenos drenados e inundáveis.

         A vegetação natural da região é composta por cerrados e florestas de estruturas
vegetacionais variadas e, algumas destas fisionomias, estão estritamente relacionadas às
áreas inundáveis.

          Ao longo das terras baixas, que acompanham o Rio Araguaia e seus principais
afluentes na região, ocorrem florestas inundáveis de dossel contínuo e sub-bosque
relativamente aberto (Florestas Aluviais).

          Nas áreas mais interiores, sujeitas a um menor grau de inundação, ocorrem cerrados
abertos (Savana Parque), conhecidos como “campos de murunduns”. Nestes campos
inundáveis, os arbustos, cupinzeiros e pequenas árvores ocorrem, exclusivamente, sobre
pequenas elevações isoladas do terreno, os “murunduns”, em torno dos quais cresce um
tapete contínuo de gramíneas. As veredas, acompanhando os pequenos cursos de água, são
características pela presença dos buritis (Mauritia sp), que ocorrem somente em solos
permanentemente encharcados.

          Na terra firme, em amplas faixas adjacentes aos riachos temporários, ocorrem matas
semidecíduas, de dossel aberto e sub-bosque denso, onde a palmeira babaçu (Orbygnia sp) é
muito abundante. Já os interflúvios são ocupados por cerrado, onde o estrato herbáceo,
dominado por gramíneas, é interrompido nos locais onde o estrato arbóreo, mais denso, causa
maior sombreamento. Nas elevações, entre os freqüentes afloramentos rochosos, ocorria um
cerrado similar, porém com árvores menores e mais esparsas.

         Por ocasião dos trabalhos de campo, verificou-se que a principal atividade econômica
na região era a pecuária extensiva. Essa atividade, além de utilizar as pastagens naturais dos
cerrados, promove intensa remoção da vegetação natural, com o objetivo de implantar
pastagens cultivadas. Assim, uma considerável parcela do cerrado, babaçuais e “campos de
murundus” foi destruída e intensamente fragmentada.

        O trabalho de campo foi inteiramente realizado ao longo da estrada que dá acesso à
Fazenda Globo Agropecuária e no interior desta fazenda, conforme mostra a Figura 012 -
Fauna - Pontos de Amostragem – Cocalinho e no Quadro 012 - Fauna - Pontos de
Amostragem – Cocalinho.
                                                                                                                          52




QUADRO 012             FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – COCALINHO
MAPA/MIR                                              PONTOS DE AMOSTRAGEM
 SD22YB   FAUNA
   ou     Campanha Cocalinho abordando os grupos Anfíbios, Lagartos, Serpentes (01 a 11/11/97), Mamíferos (03 a
MIR375/37 13/11/97), Aves (20/10 a 05/11/97).
    6
          F.01 - PONTO HERP 1 - Linha A (Coordenadas UTM 508.992 e 8431.990). Mata seca em regeneração, perturbada.
          Dossel irregular. As árvores não ultrapassam 15 metros de altura, algumas emergentes podem atingir 20 metros; não
          havia vegetação rasteira, folhiço em torno de 1-2 cm, em resumo chão limpo. Poucas epífitas.
          F.01 - PONTO HERP 2 - Linha B (Coordenadas UTM 508.992 e 8431.990). Na margem do rio Araguaia, quase na
          beira d'água, bem próximo a um capinzal que rendeu boas coletas. É uma mata baixa de paus finos, com uma
          camada espessa e seca de folhiço. Sem árvores emergentes e sem sub-bosque. Árvores baixas e de troncos finos
          adaptadas ao terreno alagadiço.
          F.03 - PONTO HERP 3 - Linha C (Coordenadas UTM 503.597 e 8437.521), estações 21 a 30. A mata é suja.
          Abundam nela palmeiras, pequizeiros, navalha-de-macaco e emaranhados de cipós. Folhiço espesso de 2-3 cm.
          Mata com algumas árvores altas de grande porte, algumas emergentes em torno de 15 metros de altura. Sub-bosque
          ralo. Arbustos típicos de mata seca.
          F.02 - PONTO HERP 4 - Linha D (Coordenadas UTM 503.597 e 8437.521). 37 baldes alinhados em torno de -
          "murundus", (montículos ou ilhotas de vegetação misturada e muitos cupinzeiros). Predominam ciperáceas, lixeira
          (Curatella americana), arranha-gato, maçaranduba, pequizeiros, marmeleiros e palmeiras. As árvores não
          ultrapassam 10 metros de altura.
          F.03 - PONTO HERP 5 - Paliteiro (Coordenadas UTM 498.201 e 8430.149). É uma floresta afogada, represada pelo
          córrego Jabuti. Local de coleta noturna.
          F.04 - PONTO HERP 6 - Córrego do Bilega (Coordenadas UTM 498.202 e 8415.402). Havia uma ponte sobre este
          córrego temporário, onde foram coletados cobras e lagartos.
          F.05 - PONTO HERP 7 - Lagoa dos Sapos (Coordenadas UTM 500.000 e 8411.716). Assim foi denominada, devido
          a existência de outras tantas lagoas no caminho e às paradas e coletas nas mesmas. Coletamos somente anfíbios.
          F.06 - PONTO HERP 8 - Igarapé do Jabuti (Coordenadas UTM 505.395 e 8433.835). Encontra-se no caminho para o
          rio Araguaia, próximo às linhas A e B. Havia uma manilha (tubulação) onde coletávamos durante as noites.
          F.07 - PONTO HERP 9 - Fazenda São Pedro (Coordenadas UTM 496.403 e 8426.462) dista 2 km da porteira de
          entrada para a fazenda da Globo. É um ambiente diferente dos demais, com uma colina pedregosa baixa.
          ___ - PONTO HERP 10 - Represa do Córrego Corixo da Saudade - Situada na Fazenda Globo.
          F.08 - PONTO HERP 11 - Hotel Pousada do Araguaia (Coordenadas UTM 494.610 e 8406.185). Arredores do hotel,
          quase na beira do rio Araguaia
          F.09 - PONTO M1 - Transecto A (Coordenadas UTM 501.798 e 8435.678). Área de cerrado onde solo era arenoso,
          coberto por folhiço, e por gramíneas em alguns locais. O sub-bosque era relativamente denso, apresentando
          palmeiras de caule subterrâneo, herbáceas, plântulas, pés de abacaxi e árvores pequenas típicas de cerrado. Havia
          cupinzeiros, formigueiros de saúva, troncos e galhos caídos pelo chão. O dossel era descontínuo, formado por
          árvores baixas, as quais se encontravam no período de frutificação. Próximo a esta área encontrava-se uma área de
          pastagem.
          F.10 - PONTO M2 - Transecto B (Coordenadas UTM 507.193 e 8431.991). Área de mata periodicamente inundada.
          O dossel era contínuo na maior parte do transecto e formado por árvores altas (até 15 m de altura); nestes locais o
          subosque era aberto e o solo era coberto por muito folhiço. Havia lagoas nos locais de relevo mais baixo. Em alguns
          trechos onde o dossel era descontínuo, o subosque era denso, composto por árvores pequenas, troncos caídos e
          grande abundância de cipós.
          F.10 - PONTO M3 - Transecto C (Coordenadas UTM 507.193 e 8431.991) próximo à margem esquerda do rio
          Araguaia. A vegetação era bastante densa, composta de árvores baixas (até 5 m de altura), com copas grandes,
          formando um emaranhado de galhos a partir de 1 m de altura. O solo era coberto por folhiço e gramíneas. Em alguns
          trechos do transecto, a vegetação herbácea dominava: o solo era coberto por gramíneas altas, com algumas moitas
          de vegetação mais densa bem distribuídas.
          ___ - PONTO M4 - Transecto D. Buritizal com moitas de vegetação mais densa encontravam-se distribuídas ao
          longo do capinzal. Nestes locais, o subosque era muito fechado e formado por árvores de até 7 m de altura, bem
          como por árvores menores, moitas de capim navalha, herbáceas e, é claro, os buritis (Mauritia sp), com suas folhas
          secas e frutos caídos pelo chão. No final, o transecto adentrava uma área de mata. Ali, o solo era mais drenado,
          coberto por folhiço, não ocorrendo a presença de gramíneas. O dossel era descontínuo e o sub-bosque relativamente
          denso, com a presença de cupinzeiros. Este local situava-se bem próximo de uma área de pastagem.
          F.11 - PONTO M5 - Transecto E (Coordenadas UTM 494.606 e 8422.775). Área de mata de terra firme onde
          predominavam os babaçus (Orbygnia sp.). O solo era coberto por muito folhiço, o subosque era denso, apresentando
          muitas palmeiras, troncos caídos, cipós, herbáceas e alguns cupinzeiros. O dossel era descontínuo e composto de
          árvores com até 15 m de altura. Observamos vários troncos cortados, indicando que o potencial madeireiro do local
          já havia sido explorado.
          F.12 - PONTO M6 - Transecto F (Coordenadas UTM 494.606 e 8424.618). Área de cerrado com solo pedregoso e
          coberto por gramíneas, rochas grandes afloravam ao longo deste transecto, o qual apresentava um terreno íngreme.
          O dossel era aberto, composto por árvores pequenas e médias (até 8 m de altura), muitas das quais se encontravam
          no período de frutificação, como a mangaba, por exemplo. Herbáceas e palmeiras também faziam parte da
          vegetação do subosque, o qual era aberto em alguns locais, chegando a ficar denso nas áreas onde o terreno era
          plano.
          F.13 - PONTO M7 - Transecto G (Coordenadas UTM 498.202 e 8413.559). Área de solo arenoso, coberto por
          gramíneas e folhiço. O sub-bosque era composto por cupinzeiros, sauveiros, bromélias (abacaxis), palmeiras,
          troncos caídos e árvores pequenas próximas umas das outras. O dossel era formado por árvores de até 6 m de
          altura, as quais também estavam repletas de frutos. Observaram-se vários pequis e marmelos no solo ao longo deste
          transecto.
                                                                                                          (continua...)
                                                                                                                          53




                                                                                                            (...continuação)
QUADRO 012           FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM – COCALINHO
MAPA/MIR                                               PONTOS DE AMOSTRAGEM
 SD22YB    F.05 - PONTO M8 - Transecto H (Coordenadas UTM 500.000 e 8411.716). Área de pastagem próxima a uma lagoa.
   ou      O solo era bastante úmido e repleto de caetês nas proximidades da lagoa; nos locais mais drenados, o solo era
 MIR375/   coberto por gramíneas. O sub-bosque era formado por moitas de vegetação muito densa onde predominavam
   376     herbáceas de até 3 m de altura e palmeiras. O dossel era aberto, formado por babaçus isolados.
           F.14 - PONTO M9 Transecto I (Coordenadas UTM 496.405 e 8415.402). Área de cerrado, com solos arenosos,
           cobertos de gramíneas e sub-bosque relativamente aberto, com cupinzeiros, herbáceas e árvores pequenas, as
           quais formavam o dossel que alcançava até 5 m de altura. O estrato herbáceo ficava mais alto no decorrer do
           transecto e era formado apenas por gramíneas. Havia moitas isoladas de vegetação mais densa neste campo. Parte
           dessa área apresentava o solo muito úmido e o subosque bastante denso, apresentando caetês, pteridófitas,
           herbáceas, palmeiras e várias árvores de até 4 m de altura bem próximas umas das outras. O dossel era formado por
           buritis e algumas árvores altas (8 m de altura) bem esparsas. No interior desta vereda havia um córrego com vários
           afluentes, tornando o local totalmente encharcado.

           Parte da Campanha Pindaíba abordando os grupos Anfíbios, Lagartos, Serpentes (jan/98), Aves (02 a
           12/04/97), Mamíferos (07 a 14/02/97).

           F.15 – PONTO AV1 - Fazenda Brasil - Velho Doutor, área situada na Serra Azul - coordenadas 344.030 e 8.446.45.
           F.16 – PONTO AV2 - Fazenda Brasil, fragmento de mata semidecídua - coordenadas 356.643 e 8.341.420.
           F.17 – PONTO AV3 - Fazenda Brasil, Reserva Legal da Fazenda - coordenadas 343.465 e 8.440.726.
           F.18 – PONTO AV4 - Rio das Mortes, trecho do rio entre as coordenadas 354.630 e 8.378.102 até a Ilha dos
           Pintados (coordenadas 381.544 e 8.380.091).
           F.19 - PONTO HERP 1 - (Coordenadas UTM 360.218 e 8343.101). Mata úmida com dossel semi-aberto. Árvores
           com troncos finos, uma ou outra mais grossa, em torno de 15 metros de altura, podendo as emergentes atingir 20
           metros. Sem subosque. Folhiço ralo, 1-2 cm.
           F.16 - PONTO HERP 2 - (Coordenadas UTM 356.633 e 8343.080). Mesmo ponto amostrado pela equipe de fauna -
           aves. Mata mais fechada com subosque denso. Ainda restam algumas árvores de madeira nobre, pau-brasil,
           angelim, jatobá, mas predominam os carvoeiros (cuja madeira é inferior).
           F.20 - PONTO HERP 5 - Sede da fazenda Brasil (Coordenadas UTM 365.595 e 8343.132). Casa, alojamento,
           quiosque, pomar e arredores. Locais de trabalho de laboratório e de coleta.
           F.21 - PONTO HERP 6 - Lagoa I ou Paliteiro (Coordenadas UTM 363.803 e 8343.122). Local de coleta ativa, noturna
           (anfíbios) e diurna (lagartos). Buritis e cambarás afogados, alguns jequitibás, na represa do "Zé Bocora".
           F.22 - PONTO HERP 7 - Curral (Coordenadas UTM 363.803 e 8343.122), próximo ao curral havia muitas poças e
           alagados onde os anfíbios vocalizavam grande parte da noite.
           F.21 - PONTO HERP 9 - Pasto (Coordenadas UTM 363.803 e 8343. 122) onde estavam localizados os mata-burros.
           F.22 - PONTO HERP 12 - Aldeia Mutum (Coordenadas UTM 392.290 e 8385.672), a primeira aldeia dos índios
           Xavantes no rio das Mortes, ainda próximo de Nova Xavantina.
           F.23 - PONTO HERP 13 - Ilha do Pintado (Coordenadas UTM 381.544 e 8380.091) é uma ilhota com bordas
           submersas devido às chuvas. Havia árvores altas, alguns jatobás, sem vegetação rasteira.
           PONTO M1 - Ponte sobre o córrego Caveira, BR 158.
           PONTO M2 - Sede da Fazenda Brasil.
           PONTO M3 - Ponte sobre o rio Pindaíba, aproximadamente 18 km a sudoeste da Fazenda Brasil.
           PONTO M4 - Ponte sobre o córrego Caveira, aproximadamente 6 km a oeste da Fazenda Brasil.
           PONTO M5 - Aproximadamente 5,7 km a norte da Fazenda Brasil.
           PONTO M6 - Transecto estabelecido a 8,5 km oeste da sede da Fazenda Brasil.
           PONTO M7 - Margem direita do córrego Caveira, a 8 km sudoeste da Fazenda Brasil.
           PONTO M8 - Retiro da Fazenda Brasil, a 9 km sudoeste da sede.
           PONTO M9 - Margem esquerda do córrego Caveira, a 2,5 km sudoeste da sede Fazenda Brasil.
           PONTO M10 - Rodovia BR 158, km 104, armazém da Coopercana.
           PONTO M11 - Antiga sede do Retiro 3, aproximadamente 23 km a sudoeste da sede da Fazenda Brasil.
           PONTO M12 - Margem esquerda do rio Pindaíba, aproximadamente 23 km a sudoeste da sede da Fazenda Brasil.
           Observação: Os pontos M4 e HERP10, relativos à Campanha Cocalinho, e M1 a M12, relativos à Campanha
           Pindaíba, não se encontram plotados na MIR 375/376 por falta de referências geográficas (coordenadas).
FONTE:     CNEC, 2002.
                                                            54




ENTRA FIGURA 012 FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – COCALINHO
                                                                                        55




          INDIANÓPOLIS (antiga Pindaíba)

         A localidade de Indianópolis está situada na região leste do Estado de Mato Grosso
(coordenadas UTM 364.428 e 8.338.209), na margem direita do Rio das Mortes.

         Toda essa região situa-se no Domínio dos Cerrados, onde predominam os campos
cerrados (Savana Arborizada - Sa - Cerrado sensu stricto) com e sem floresta de galeria.
Secundariamente, ocorrem pequenas áreas de Savana Florestada - Sd (Cerradão) e Savana
Parque - Sp (Campo Cerrado).

         Além das formações de cerrado, ocorrem nessa região áreas remanescentes
Floresta Estacional (Fe), associados, principalmente, às encostas da Serra Azul; bem como
pequenas áreas de Floresta Estacional Aluvial, que ocupa os terraços aluviais do Rio das
Mortes e seus afluentes.

         A base dos trabalhos de campo foi a Fazenda Brasil, situada na margem direita do
médio Rio das Mortes, no distrito de Indianópolis (antiga Pindaíba), município de Barra do
Garças, conforme mostra a Figura 013 Fauna - Pontos de Amostragem – Indianópolis e o
Quadro 013 Fauna - Pontos de Amostragem – Indianópolis.
                                                                                                                           56




QUADRO 013           FAUNA – PONTO DE AMOSTRAGEM – INDIANÓPOLIS
MAPA/MIR                                            PONTOS DE AMOSTRAGEM
 SD22YD        FAUNA
ou MIR 391
               Parte da Campanha de Fauna – Pindaíba, abordando os grupos anfíbios, lagartos e serpentes
               (01/98); mamíferos (07 a 14/02/97); aves (02 a 12/04/97).

               F.01 - PONTO HERP 3 - (Coordenadas UTM 347.071 e 8332.573). Área de cerrado na fazenda Roncador,
               rodeado por um varjão. Situada na estrada que vai para o rio Pindaíba. Árvores esparsas predominando as
               de madeira dura. Ocorrência de árvores e arbustos mais espassados entre si e vegetação rasteira. Muricis,
               ata-do-mato, genipapo, marmelo, lixeira, piaçava e muita “macega" ou capim baixo, além do capim nativo
               do varjão, mais alto e duro.
               F.02 - PONTO HERP 4 - (Coordenadas UTM 354.863 e 8339.381). Localizada na estrada, de frente a
               lagoa represada pelo córrego Caveira, na fazenda Vale Verde.
               F.03 - PONTO HERP 8 - Lavoura (Coordenadas UTM 361.390 e 8340.179), pequenas plantações.
               F.03 - PONTO HERP 10 - Pasto (Coordenadas UTM 361.390 e 8340.179), próximo a uma lavoura havia
               uma lagoa com jacarés.
               F.04 - PONTO HERP 11 - Fazenda Terra Nova (Coordenadas UTM 358.448 e 8339.403). Local de
               entretenimento para moradores e visitantes.
FONTE:       CNEC, 2002.
                                                               57




ENTRA FIGURA 013 FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – INDIANÓPOLIS
                                                                                                                      58




          Durante os trabalhos de campo, observou-se que na área onde se concentraram os
trabalhos de coleta e/ou observação, a maior parte da vegetação natural já havia sido retirada,
dando espaço às pastagens para a criação de gado, sendo que os remanescentes de mata
nativa mais significativos, correspondiam àqueles localizados na Serra Azul.

          Observa-se que, as observações de campo incluíram, também, o trecho do Rio das
Mortes, entre a cidade de Nova Xavantina e a Ilha dos Pintados próximo às coordenadas UTM
381.544 e 8.380.091. Nesse percurso, verificou-se que a vegetação ribeirinha estava bastante
alterada. Na área pertencente a Reserva Indígena dos Areões a vegetação natural permanecia
bem preservada.

          VILA BELA SANTÍSSIMA TRINDADE

        Essa localidade situa-se na região sudoeste do Estado de Mato Grosso (coordenadas
UTM 182.729 e 8.339.552), na margem esquerda do alto rio Guaporé.

         A vegetação natural da região é composta predominantemente pela Floresta
Estacional - Fe. Secundariamente, ocorrem áreas de cerrado - cerradão (Savana Florestada -
Sd), campos cerrados (Savana Parque - Sp) e a os cerrados propriamente ditos (Savana
Arborizada - Sa), entremeadas na Floresta Estacional - Fe.

         Por ocasião dos trabalhos de campo, foi observado que, em função da intensa
ocupação dessa região, as áreas de mata nativa já haviam sido quase que completamente
devastadas, sobretudo, aquelas situadas ao longo dos rios e córregos.

         As áreas de mata mais conservadas situam-se predominantemente na porção leste
do município de Vila Bela da S. Trindade, no sopé da Serra Ricardo Franco, quase na fronteira
com a Bolívia.

         A base dos trabalhos de campo foi a cidade de Vila Bela, sendo que os trabalhos de
campo compreenderam um raio de 20 a 30 Km até as proximidades da Serra Ricardo Franco,
conforme mostra a Figura 014 Fauna - Pontos de Amostragem – Vila Bela da Santíssima
Trindade e no Quadro 014 Fauna - Pontos de Amostragem – Vila Bela da Santíssima Trindade.


QUADRO 014         FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE
MAPA / MIR                                            PONTOS DE AMOSTRAGEM
SD21YA ou    PONTO HERP1 - Linha A. Situada na margem esquerda de um carreador de madeira abandonado; no caminho
 MIR 370     do carreador, muitas ciperáceas, navalha de macaco e samambaias. Localiza-se na Fazenda Pousada do
             Guaporé que pertence à Santa Bárbara Agropastoril S/C Ltda. Mata secundária em processo de regeneração,
             pouco perturbada. As árvores não ultrapassam 15-20 metros de altura, folhiço em torno de 2 cm .
             PONTO HERP2 – Linha B. Localiza-se em uma propriedade no qual a área de entorno está totalmente
             devastada. É uma mata baixa de troncos finos, com uma camada alta e seca de folhiço. Sem árvores
             emergentes e sem sub-bosque.
             PONTO HERP3 – Linha C. Era uma antiga picada de caçadores na beira da estrada que vai para o rio Verde. A
             mata é suja, mas apresenta melhor porte que as outras. Abundam nela palmeiras e emaranhados de cipós.
             Folhiço espesso de 2-3 cm. Mata mais fechada com árvores altas, algumas emergentes em torno de 20 metros
             de altura. Sub-bosque ralo.
             PONTO HERP4 – Linha D. Na margem do rio Guaporé ; picada usada por pescadores e demarcada com cercas;
             solo de areia branca e fina, com pouca vegetação rasteira. Predominância de palmeiras, principalmente tucum,
             cujo tronco é coberto por espinhos. Árvores baixas e de troncos finos adaptados ao terreno alagadiço.

             Observação: Os pontos acima não se encontram plotados na MIR 370 por falta de referências geográficas
             (coordenadas).
FONTE:   CNEC, 2002.
                                                                             59




FIGURA 014 FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE
                                                                                                                          60




          CÁCERES

         A área escolhida para os levantamentos situa-se a cerca de 80 Km ao sul da cidade
de Cáceres, na margem esquerda do Rio Paraguai.

          A vegetação originalmente presente nessa área caracteriza-se pelo contato entre a
Floresta Estacional e as diversas fitofisionomias de cerrado encontradas no Pantanal.

          Durante os trabalhos de campo pôde-se observar que a região já sofrera fortes
alterações, sendo que a maior parte das florestas estacionais, situadas nos terrenos mais
elevados (que não estão sujeitos a inundações sazonais) já haviam sido desmatadas para
formação de pastagens para a criação extensiva de gado de corte.

        Os remanescentes de mata situavam-se preferencialmente nas encostas das
pequenas serras que ocorrem na região. As áreas mais baixas, sujeitas à inundação sazonal,
permanecem com vegetação original pouco alterada.

        Os pontos de amostragem localizaram-se principalmente em terras pertencentes à
Fazenda Santo Antônio das Lendas, e secundariamente, nas fazendas Jatobá e Barranco
Vermelho, conforme mostra a Figura 015 Fauna - Pontos de amostragem – Cáceres e no
Quadro 015 Fauna - Pontos de amostragem – Cáceres.

QUADRO 015         FAUNA – PONTOS DE AMOSTRAGEM - CÁCERES
 MAPA/MIR                                         PONTOS DE AMOSTRAGEM
SE21VB ou    FAUNA
  MIR 403
             Campanha de Fauna – Cáceres, abordando os grupos serpentes, lagartos, anfíbios, mamíferos
             (29/11 a 08/12/97) e aves (17 a 28/11/97).
             F.01 - PONTO A1 (coordenadas UTM 412.683 e 8162.877) - Mata estacional com algumas árvores de
             grande porte, dossel descontínuo e um domínio de espécies da palmeira acuri (Athalea pharelata).
             F.02 - PONTO A2 (coordenadas UTM 416.877 e 8161.328) - Mata estacional com dossel fechado e sub-
             bosque bastante denso.
             F.03 - PONTO A3 (coordenadas UTM 412.916 e 8157.134) - Área sazonalmente alagada com árvores
             esparsas e alguns capões de mata.
             F.02 - PONTO HERP 1 (coordenadas UTM 416.877 e 8161.328) - Cerradão com arbustos típicos de mata
             seca em regeneração com dossel irregular. Árvores em torno de 15 metros de altura, algumas emergentes.
             Pouca vegetação rasteira, folhiço de 2 cm. Aroeiras, angicos, ipês, faveiras, paús d´óleo, alguns jatobás.
             Chão de terra boa. Localizada próxima a uma serra pedregosa, entre pastos.
             F.04 - PONTO HERP 2 (coordenadas UTM 411.108 e 8164.503) - Localizada na beira de uma lagoa,
             repleta de palmeiras, predominantemente bacuris. É uma área de transição entre o bacurizal e a mata seca
             de árvores altas e emergentes. Dossel aberto, com uma camada espessa, seca e úmida de folhiço. Sem
             sub-bosque próximo as margens da lagoa. Muito cipó, pteridófitas (samambaias), pacova e cactus na parte
             mais seca.
             F.05 - PONTO HERP 3 (coordenadas UTM 414.686 e 8158.986) - Mata mais fechada com algumas
             árvores altas de grande porte, algumas emergentes em torno de 20 metros de altura. Sub-bosque com
             arbustos. Folhiço úmido e espesso de 3 cm. Localizada próximo ao pasto.
             ___ - PONTO HERP 4 - Borda da lagoa do bacurizal. Muitas palmeiras e figueiras enormes, habitat
             predominante de Tropidurus. Os pontos 2 e 4 estavam locados bem próximos, um do lado esquerdo do
             carreador (2) e outro do lado direito (4), permitindo caminhadas de um ponto até o outro. Ambos têm a
             mesma coordenada geográfica.
             F.05 - PONTO HERP 5 - Lagoa do Cedro (coordenadas UTM 414. 686 e 8156.986), a vazante na chuva
             forma um igarapé.
             F.06 - PONTO HERP 6 - República da Fazenda Santo Antônio das Lendas (coordenadas UTM 411.131 e
             8158.971). Alojamento da fazenda e ponto de coleta noturna (sede e arredores), situada ao lado da sede
             antiga.
             F.07 - PONTO HERP 7 - Buraco da vaca morta (coordenadas UTM 412.831 e 8161.173), assim foi
             denominado devido à existência de um buraco onde havia cadáveres de gado em decomposição, além de
             lixo.
             F.08 - PONTO HERP 8 - Pântano (coordenadas UTM 412.923 e 8155.291). Uma área alagada de
             pantanal, onde há uma grande lagoa de jacarés e piranhas.
             F.04 - PONTO HERP 9 - Linha de armadilhas de gaiola, do tipo “Tomahawk” e “Sherman”, (coordenadas
             UTM 411.108 e 8164.503).
             F.02 - PONTO HERP 10 - Lagoa do jacaré (coordenadas UTM 416.877 e 8161.328). Uma lagoa de terra
             vermelha próxima à estrada.
             Observação: O ponto HERP 4 não se encontra plotado na MIR 403 por falta de referências
             geográficas (coordenadas).
FONTE:   CNEC, 2002.
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ENTRA FIGURA 015   FAUNA - PONTOS DE AMOSTRAGEM – CÁCERES
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          Reconhecimento Expedito da Região do Pantanal

          Adicionalmente aos levantamentos amostrais, realizados em cada uma das
localidades descritas acima, foi realizada uma breve incursão ao Pantanal Matogrossense e à
região do Chaco boliviano e paraguaio.

           Há freqüentes menções na literatura de estreitas relações ecológicas entre o gran
Chaco paraguaio-boliviano e o Pantanal Matogrossense. A experiência prévia da equipe (no
nível de literatura e de coleções) com as duas áreas leva a desconfiar dessa aproximação, e
ressalta a necessidade de fazer um exame in situ do Chaco. Foi feita uma viagem de San
Ignácio Velasco a Maniscal Estigarilla.

           Na região norte foi encontrado, com surpresa, enormes extensões (seguramente
mais de 300km lineares) de cerrado boliviano, típico e característico, que não consta de
literatura corrente. O Chaco, porém, tem fisionomia totalmente diversa, tanto do pantanal
quanto do cerrado, com abundância de cactáceas e extensas palmeiras. Não é área sujeita a
inundações anuais.

         À parte o fato de serem duas formações abertas adjacentes, não se pode fazer
qualquer paralelo mais estreito entre o Chaco e Pantanal.

				
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