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Natal - A celebração do paganismo

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    Natal, a celebração do paganismo


           Louis Guilherme Marcondes




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Introdução
         É interessante notarmos como a comemoração do Natal está enraizada no cristianismo "moderno", e como as
práticas desta festividade são amplamente divulgadas e praticadas tanto por cristãos, como por aqueles que
professam uma crença diferente do cristianismo. Mas diferente da motivação encontrada na sua comemoração, não é
comum o mesmo sentimento sobre a compreensão do significado desta festa.
         Como cristão, preciso ter a mesma atitude dos irmãos de Beréia[1], que mediante o discurso de Paulo e Silas,
procuravam ver se condizia com as escrituras. Postura esta elogiada pelo escritor de Atos, diferente da postura
adotada por muitos líderes cristãos que reprimem os cristãos que adotam a mesma postura dos Bereanos, que é zelar
pela verdade. Aliás o cristianismo é fundamentado na verdade, que é o próprio Cristo.


A ausência da celebração do Natal no cristianismo, anterior ao século IV

         Ao realizarmos uma breve análise da história do cristianismo é possível notar a ausência da comemoração do
Natal nos primeiros 300 anos da Igreja. Não há instrução alguma dos apóstolos ou do próprio Jesus sobre a celebração
do Natal.
         A Enciclopédia Britânica edição de 1946, afirma:
         "O Natal não era contado nas primeiras festas da Igreja...Não foi instituída por Cristo, nem pelos
         apóstolos, nem por autoridades bíblicas. Foi adquirida mais tarde do paganismo."
         "A partir do ano 354, alguns latinos, possivelmente, transferiram o dia de nascimento de 6 de janeiro para
         25 de dezembro, quando se realizava uma festa mitraísta... ou nascimento do Sol invicto... Os sírios e os
         armênios, que se prenderam a data de 06 de janeiro, acusavam os romanos de idólatras e adoradores do
         Sol, alegando... que a festa de 25 de dezembro tinha sido inventada pelos discípulos de Corinto."


         A Enciclopédia Americana, edição 1944, declara:
         "O Natal...não foi, de acordo com muitas autoridades no assunto, celebrado nos primeiros séculos da Igreja
         Cristã, porque o costume cristão, em geral era celebrar a morte de pessoas importantes em vez do
         nascimento. A "comunhão", instituída por autoridade bíblica no Novo Testamento, é o memorial desse
         acontecimento (isto é, o nascimento de Cristo) no século IV. No século V, a Igreja Ocidental deu origem, para
         que fosse celebrada para sempre no dia da antiga festividade romana em honra ao nascimento do Sol, porque
         não se conhecia ao certo o dia do nascimento de Cristo."


         A Enciclopédia Católica, edição inglesa afirma:
         "O Natal não era considerado entre as primeiras festas da Igreja... Os primeiros indícios da festa provêm do
         Egito." "Os costumes pagãos ocorridos durante as calendas de Janeiro lentamente modificaram-se na festa do
         Natal".


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1 [1] “Logo que anoiteceu, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia. Chegando ali, eles foram à sinagoga judaica. Os bereanos
eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as
Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo.” Atos 17:10-11


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        Por volta de 245. DC, Orígenes, um dos patriarcas católicos, reconheceu a seguinte verdade:
        "... Não há registro nas Sagradas Escrituras de que alguém tenha comemorado uma festa, ou realizado um
        grande banquete no dia do seu aniversário. Somente os pecadores (como Faraó e Herodes), que se
        rejubilam grandemente com o dia em que nasceram neste mundo. “


        Mas afinal, o fato de não haver relato da celebração do Natal pelos cristãos dos primeiros séculos impede de
nos dias atuais o Natal seja celebrado? Acredito que para responder a esta pergunta deveríamos responder
primeiramente a esta outra pergunta. Os ensinamentos e as práticas dos apóstolos eram suficientes para estabelecer
as práticas que o próprio Cristo autorizou para a sua igreja? Acredito que a maioria dos cristãos diria: Não. Se partir
deste ponto de vista, então seria lícito comemorar o Natal. Mas não acredito que esta seja a resposta correta.
Considero mais apropriado uma resposta afirmativa. Sim, os ensinamentos e práticas dos apóstolos eram suficientes
para estabelecer as práticas que o próprio Cristo autorizou a sua igreja. Postura adotada por diversos reformadores
como Calvino, Knox e Zuinglio, conforme declaração de Idzerd Van Dellen e Martin Monsma em The Church Order
Commentary (Zondervan, 1941).


        “...Todos os dias especiais sancionados e reverenciados por Roma foram postos de lado. Tanto Zuínglio como
        Calvino encorajaram a rejeição de todos dias festivos eclesiásticos. Em Genebra, todos os dias especiais foram
        descontinuados tão longo a Reforma tomou um firme lugar nessa cidade. Já antes da       chegada de Calvino
        em Genebra, isto tinha sido realizado sob a liderança de Farel e Viret. Mas Calvino concordou de todo
        coração. E Knox, o Reformador da Escócia, compartilhava das mesmas convicções, ele mesmo sendo um
        discípulo de Calvino em Genebra. Conseqüentemente, as Igrejas Escocesas também baniram os dias sagrados
        Romanos”.


        Ainda neste artigo irei descrever sobre a influência romana, e inevitavelmente falar da influência da Igreja
Católica Romana, e que para muitos após ler o trecho acima sobre os reformadores protestantes, poderiam alegar que
minha queixa é somente contra o catolicismo romano, e que acabo mantendo uma postura exclusiva em apoio ao
protestantismo. Mas isto não é verdade, embora haja a postura de não comemorar o Natal pelos reformadores na
Escócia, França, Suíça o mesmo não é visto na Alemanha através de Lutero.
        A contribuição de Lutero para com o cristianismo foi importante ao defender o evangelho da justificação pela
fé e a livre interpretação da bíblia. Mas não podemos simplesmente ignorar o restante do contexto em que a reforma
protestante na Alemanha ocorreu. Acredito que muitos leitores (principalmente evangélicos) se surpreenderiam ao
desfazer toda a idéia de heroísmo que cerca Lutero e também muitas das reformas iniciadas pelos reformadores
citados acima, que apresentam questões duvidosas.
        Acreditar que Lutero queria romper com a Igreja Católica e iniciar o protestantismo é mentira. Em nenhum
momento Lutero quis romper com o Catolicismo Romano. Como o próprio nome diz ele queria realizar uma reforma.
A maior queixa de Lutero era a cobrança indevida das indulgências, tanto que ele esperava apoio do Papa ao invés de
sua censura após publicar suas 95 teses. Lutero queria reformar a Igreja Católica Romana, não abandoná-la. Sendo que
sua saída do Catolicismo foi devido a sua excomunhão em 21 de janeiro de 1521, e não pela sua própria vontade.
        Portanto, Lutero defendeu a justificação pela fé e a livre interpretação da Bíblia, se manifestou mediante a
extorsão das indulgências, mas manteve a liturgia e doutrinas históricas da Igreja Católica. Sendo assim não é de se


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estranhar que muitas das práticas das igrejas protestantes iniciaram no Catolicismo Romano, e o Natal comemorado
até mesmo pelos que se dizem protestantes, é uma herança Católica Romana.
          A prática ensinada por Jesus, propagada pelos apóstolos e praticada pelos cristãos dos primeiros 3 séculos,
era a ceia do Senhor e não o Natal. Não podemos desmerecer o nascimento virginal de Jesus, mas se desejamos
celebrar uma festa legitimamente cristã, esta comemoraria a morte e a ressurreição de Jesus, e não o seu nascimento.


O Império romano e o paganismo

          O mundo romano era pagão, e a adoração ao Sol Invicto passou a ser o culto oficial apos 270 DC. Sendo assim,
o Deus Sol passou a ser a primeira divindade do Império. O culto ao Sol Invicto continuou a ser a base do paganismo
oficial até o império de Constantino. Constantino tinha o Sol Invicto como sua cunhagem oficial e manteve como
símbolo principal em suas moedas até 315 DC.
          Em 313 DC, Constantino decretou o Édito de Milão, dando liberdade de culto aos cristãos. Este decreto
igualou o cristianismo ao paganismo, concedendo direitos e privilégios aos cristãos, assim como os pagãos já

possuíam: como isenção fiscal        [2]   e recebimento de grandes doações em dinheiro   [3].   Agora, ao invés de os cristãos
terem de se preocupar com a perseguição teriam de se preocupar com o Estado, que começava a se interferir na
Igreja.
          Édito de Milão, março de 313.
          “...Pareceu-nos justo que todos, os cristãos inclusive, gozem da liberdade de seguir o culto e a religião de sua
          preferência. Assim Deus que mora no céu ser-nos-á propício a nós e a todos nossos súditos. Decretamos,
          portanto, que não, obstante a existência de anteriores instruções relativas aos cristãos, os que optarem pela
          religião de Cristo sejam autorizados a abraçá-las sem estorvo ou empecilho, e que ninguém absolutamente os
          impeça ou moleste...”


          Embora Constantino tenha realizado sua profissão pública de fé cristã, sua conversão ao cristianismo é
extremamente duvidosa. A Enciclopédia Católica declara:
          "Constantino favoreceu de modo igual ambas as religiões. Como sumo pontífice ele velou pela adoração pagã
          e protegeu seus direitos."


          E a Enciclopédia Hídria observa:
          "Constantino nunca se tornou cristão".




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3 [2] Lactâncio, De mort. persec. XLVIII
6 [3] SHERRARD - Op. cit., pag.16


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              O imperador romano Constantino influenciou em grande parte a inclusão no cristianismo de dogmas
baseados em tradições. Ele ordenou a construção de edifícios especiais (templos) para realizar as reuniões pelos
cristãos [2] [3] , tudo isso para promover a popularidade e a aceitação da cristandade, pois se os cristãos tivessem seus
próprios templos como os judeus e os pagãos a fé cristã poderia ser legitimada no império. Constantino foi um dos
principais causadores da contaminação do cristianismo pelo paganismo, e até hoje é possível notar na Igreja os
estragos deixados.
              Além de Constantino (324 a 600), a maior parte das práticas do Cristianismo Moderno foram introduzidas
também no tempo da Reforma (século XVI) e na era do Reavivamento (séculos XVIII e XIX)) [4]
              Através do Édito       de Constantino, de 321 DC, o domingo foi escolhido como dia de repouso, uma
reminiscência do culto de Sol Invictus, Constantino declarou o domingo como o “dia do Sol”, e provavelmente quis
honrar ao deus Mitras, o Sol Invencível, sendo que para Constantino o Sol Invencível e Cristo era compatíveis. [5]
              Sendo assim, não é uma coincidência que o Natal seja comemorado no dia 25 de dezembro, pois este é o dia
de adoração do deus sol (Sol Invictus), que foi aproveitado para comemorar o nascimento de Cristo por ter sido
declarado “a luz do mundo”.


O dia 25 de dezembro

              O dia 25 de dezembro é celebrado pelos pagãos antes mesmo do nascimento de Cristo. Na Grécia antiga havia
a comemoração do nascimento de Dionísio, deus do êxtase e do vinho. No Egito antigo a comemoração do nascimento
de Horus, deus do Sol. Na Índia antiga a comemoração do nascimento de Krishna. Na Pérsia antiga a comemoração do
nascimento de Mitras. Na babilônia o nascimento de Ninrode.
              The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge (A Nova Enciclopédia de Conhecimento
Religioso, de Schaff-Herzog) declara:
              "Não se pode determinar com precisão até que ponto a data desta festividade teve origem na pagã
              Brumália (25 de dezembro), que seguia a Saturnália (17 a 24 de dezembro) e comemorava o nascimento do
              deus sol, no dia mais curto do ano.
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2 [2]
        Graydon F. Snyder, Ante Pacem: Archaeological Evidence of Church Life Before Constantine (Mercer University Press/Seedsowers,
1985), p. 67. Snyder declara, “não há qualquer evidência literária nem indicação arqueológica de que alguma daquelas casas foi
convertida em um edifício de igreja existente. Nem há qualquer vestígio de igreja existente construída antes de Constantino”. Em
outra obra Snyder escreve, “as primeiras igrejas se encontravam constantemente em casas. Até o ano 300 desconhecemos qualquer
edifício construído enquanto igreja (First Coríntios: A Faith Community Commentary, Macon: Mercer University Press, 1991, p. 3).
3 [3]
        A Historical Approach to Evangelical Worship, p. 103; History of the Christian Church: Volume 3, p. 542. Schaff escreve: “Depois
da cristandade ser reconhecida pelo estado e autorizada a ter propriedades, ela erigiu casas de adoração em todas as partes do
Império Romano. Provavelmente havia mais edifícios deste tipo no século IV do que houve em qualquer período, talvez com exceção
do século XIX nos Estados Unidos...” Veja também To Preach or Not to Preach?, p. 29. Norrington mostra que na medida em que os
Bispos dos séculos IV e V cresciam em riqueza, eles canalizaram tais riquezas através de um elaborado programa de construção de
igrejas. Everett Ferguson escreve, “Até a era Constantino não encontramos edifícios especialmente construídos, primeiro eram
simples salões, depois basílicas constantinas. Antes de Constantino, todas as estruturas usadas para reuniões da igreja eram “casas
ou edifícios comerciais modificados para uso da igreja” (Early Christians Speak, p. 74).
4 [4]   VIOLA ,F. Cristianismo Pagão. Tradução de Railton de Souza Guedes, pag. 4
5 [5]   VIOLA ,F. Cristianismo Pagão. Tradução de Railton de Souza Guedes, pag. 51


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          As festividades pagãs de Saturnália e Brumália estavam demasiadamente arraigadas nos costumes
          populares para serem suprimidos pela influência cristã. Essas festas agradavam tanto que os cristãos
          viram com simpatia uma desculpa para continuar celebrando-as sem maiores mudanças no espírito e na
          forma de sua observância. Pregadores cristãos do ocidente e do oriente próximo protestaram contra a
          frivolidade indecorosa com que se celebrava o nascimento de Cristo, enquanto os cristãos da Mesopotâmia
          acusavam a seus irmãos ocidentais de idolatria e de culto ao sol por aceitar como cristã essa festividade
          pagã.”


          A enciclopédia britânica (1961 ed.), vol. 5, p. 643 afirma:
          “Muitos habitantes da Terra eram adoradores do Sol porque o curso de sua vida dependia da rotação
          desse astro nos céus, e festas eram celebradas para auxiliá-lo no retorno de viagens distantes. No sul da
          Europa, no Egito e na Pérsia, as divindades representantes do Sol eram adoradas com cerimônias elaboradas
          no solstício de inverno —como o tempo adequado para render tributo ao deus benigno da fartura, enquanto
          em Roma as saturnais duravam uma semana. Nas terras do norte, o tempo exato era por volta do dia 15 do
          mês de dezembro, pois os dias se tornavam mais curtos e o Sol estava fraco e distante. Dessa forma, esses
          povos antigos festejavam no mesmo período em que o Natal é observado hoje.”


          Aproximadamente entre 22 e 23 de dezembro ocorre o solstício de inverno no hemisfério norte, e para os
pagãos este período é de extrema importância.
          Durante o solstício de inverno os babilônios adoravam Tamuz, os gregos e romanos adoravam Júpiter, Mitra,
Saturno, Hércules, Baco e Adônis; os egípcios adoravam Osíris e Hórus; os escandinavos adoravam Odim (ou Vodã).
Este período marcava a Saturnália, uma orgia em homenagem a Saturno, que, mais tarde, deu origem ao carnaval.
          Segundo a enciclopédia Barsa afirma:
          “É possível que suas raízes se encontrem num festival religioso primitivo, pagão, que homenageava o
          início do Ano Novo e o ressurgimento da natureza, mas há quem diga que suas primeiras
          manifestações ocorreram na Roma dos césares, ligadas às famosas saturnálias, de caráter orgíaco”


          Para a religião mitraísta o dia 25 de dezembro era celebrado o Natalis Solis Invicti, ou Nascimento do Sol
Invencível. Conforme relatado neste artigo, o mesmo deus sol invencível declarado como culto oficial do estado
romano.
          Juliano, o apóstata, sobrinho de Constantino, que também era adorador de Mitra, comentou a festa de 25 de
dezembro:
          "Antes do inicio do ano, no final do mês cujo nome é segundo Saturno (dezembro), celebramos em
          honra de Helios (o Sol), os jogos mais esplendidos e dedicamos o festival ao Invencível Sol... Que os   deuses
          governantes me concedam louvar e sacrificar neste festival com sacrifícios! E sobre todos os outros, que
          Helios mesmo, o rei de todos, conceda-me isto".


          Nesta data também foi celebrado o nascimento de Ninrode, homem que institui o sistema babilônico, sistema
este que rege o mundo até os dias de hoje. Sistema de competição organizado, baseado no sistema econômico de
competição e lucro. Ninrode construiu a torre de babel, a Babilônia antiga, Nínive e outras cidades.


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Jesus não nasceu em 25 de dezembro

         “Nos dias de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote chamado Zacarias, do turno de Abias. Sua mulher
         era das filhas e Arão e se chamava Izabel.” Lucas 1.5 Revista e Atualizada


         Conforme a Bíblia de estudo Genebra:
         “ turno. Havia apenas um templo e sacerdotes serviam em grupos rotativos. O turno de Abias era o
         oitavo dos vinte e quatro turnos (1Cr 24.10); cada um ministrava por uma semana, duas vezes ao ano”


O primeiro turno iniciava-se com o primeiro mês do ano judaíco(mês de Abibe)Êxo 12:1-2; 13:4; Deut 16:1.
         Conforme a Bíblia de estudo Genebra:
         “no mês de abibe. Em Êxodo a Páscoa (Êx 12.1.-14) e as Festas dos Pães Asmos (Êx 12.15-20) foram
         instituídas no 'primeiro mês' (Êx 12.2,18), também chamado 'abibe', um dos nomes de meses cananeus (Êx
         13.4;23.15). O nome babilônico do primeiro mês do ano era nisã, e os nomes babilônicos dos meses aparecem
         nos livros do Antigo Testamento dos períodos exílico e pós-exílico (p. ex. Et 3.7)”


         No verso 8 de Lucas 1, afirma que Zacarias entrou no templo para ministrar e no verso 23 de Lucas 1
terminados os dias de seu ministério, voltou pra casa. Sendo que o turno de Abias ocorre no mês de Tamuz,
correspondente ao mês de Junho. E que João Batista nasceu no fim deste turno. Meados de fim de Junho, início de
Julho (mês de abibe). E que conforme Lucas 1.24-38 Jesus foi concebido seis meses depois. Podemos afirmar que o
nascimento de Jesus ocorreu em setembro, ou no máximo início de outubro.
         O nascimento de Jesus ocorreu justamente no mês em que os judeus comemoravam a festa dos tabernáculos.
E foi exatamente durante esta festa que Jesus veio habitar conosco.
         Não é coincidência que os principais eventos da vida de Jesus ocorreram de acordo com as festas judaicas.
Jesus Morreu na Páscoa (Mt.27:62; Mc.15:42; Lc.23:54; Jo.19:14), pois Ele é o cordeiro pascal, o cordeiro definitivo.
Ressucitou três dias após a sua morte (Mt.12:40) , na festa das primícias (Lv.23:12). Esta festa era celebrada 3 dias após
a Páscoa, quando as primícias da terra era ofertadas ao Senhor. Na ressurreição o corpo de Cristo que estava inerte no
túmulo foi movido por Deus e a terra se abalou (Mt.27:51-54; Mt.28:2; Hb.12:26,27). Cristo foi vivificado no espirito
(IPe.3:18). Mas a oferta só poderia ser feita após três dias depois da páscoa. [6]
         Não seria óbvio que assim como a morte e ressurreição foram o cumprimento das festas da páscoa e das
primícias, que o nascimento fosse o cumprimento da festa dos tabernáculos?




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6 [6] Luiz Antonio Ferraz, 1997 Festas Judaicas



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Como o Natal foi inserido no Cristianismo

         O fato do império romano ter declarado o cristianismo como religião oficial requisitava uma estratégia para
que os pagãos aceitassem a nova religião do estado. E esta estratégia foi promover o sincretismo religioso (Sistema
filosófico ou religioso que combinava os princípios de diversas doutrinas) .
         Em seu livro Astrologia e Religião entre os romanos, Franz Cumont comenta:
         "Parece certo que a comemoração da natividade foi posta em 25 de dezembro porque no solstício de inverno
         era celebrado o renascimento do deus invencível. A adotar esta data... as autoridades eclesiásticas
         purificaram, de algum modo, alguns costumes pagãos que não conseguiram suprimir".


         Mais tarde o Catolicismo Romano confirma esta estratégia através das instruções do papa Gregório Magno
aos missionários no ano 601 (Enciclopédia Britânica, (1961 ed.), vol. 5, p. 643):


         “Pelo fato de eles [os pagãos] sacrificarem bois a demônios, alguma celebração deve lhes ser dada em
         troca dessa [...] eles devem celebrar uma festa religiosa e adorar a Deus mediante sua celebração, de forma
         a manterem os prazeres externos e poderem, rapidamente, receber alegrias espirituais”.


         E o teólogo católico Mário Righetti reconhece o seguinte:
         "... a Igreja de Roma, para facilitar a aceitação da fé pelas massas pagãs, achou conveniente instituir o 25
         de dezembro como a festa do nascimento temporal de Cristo, para desvia-las da festa pagã, celebrada no
         mesmo dia, em honra do Mitras ‘Sol Invencível’, o conquistador das trevas."


         “Muito antes do século IV, e bem antes da era cristã, um festival era celebrado entre os pagãos, exatamente
         na mesma época, em honra do nascimento do filho da rainha do céu babilônica; e pode-se presumir com
         justiça que, a fim de conciliar os pagãos, e aumentar o número de adeptos nominais do cristianismo, o mesmo
         festival foi adotado pela Igreja Romana, dando-lhe apenas o nome de Cristo” (Alexander Hislop, The Two
         Babylons [Neptune, N.J.: Loizeaux Brothers, (1916) 1943], p. 93).


         Em 350 DC., o Papa Julio I propôs que a data fosse fixada em 25 de dezembro. Finalmente, 354 DC., o Papa
Libério decretou que o Natal cristão era em 25 de dezembro. No ano de 534 DC o Natal foi reconhecido como feriado
oficial pelo Estado Romano.
         Este sincretismo explica os costumes pagãos do Natal. A árvore de Natal é utilizada pois as árvores eram de
muita importância na adoração pagã.
         A Enciclopédia Barsa, vol. 11, p. 274, fala da origem da árvore de Natal:

         “Foi adotada para substituir os sacrifícios ao carvalho sagrado de Odin, adorando-se uma árvore, em
         homenagem ao deus-menino.”

         Na Babilônia a árvore representava Ninrode voltando a vida como Tamuz, supostamente nascida de uma
virgem, Semíramis. Não existe uma semelhança desta história com a de um menino em uma manjedoura?




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Em Roma, os pinheiros eram decorados com frutinhas vermelhas para celebrar os saturnais.
         “As saturnais, como o Natal, era o tempo para trocar presentes. Bonequinhas eram populares pelo menos por
         uma razão desagradável: simbolizavam mito de que Saturno devorava todos os recém-nascidos do sexo
         masculino para ter certeza de morrer sem deixar herdeiros” (The United Church Observer, Santa’s Family Tree,
         Dec. 1976, p. 14).


         “Os romanos ornamentavam seus templos e suas casas com galhos verdes e flores para as saturnais, a
         estação do contentamento e da troca de presentes; os druidas juntavam visco com uma grande cerimônia e o
         penduravam em suas casas; os saxões faziam uso do azevinho, da hera e de louros.” Enciclopédia Britânica,
         vol. 5 p., 643.


         Ainda durante os Saturnais, os romanos acendiam velas para pedirem que o Sol brilhasse de novo. Outro
costume absorvido pelo cristianismo, alegando que Cristo é a Luz do mundo, e que a vela simboliza sua influência.
         Frederick J. Haskins em seu livro "Answer to Questions" (Respostas a Algumas Perguntas) disse:
         "[A guirlanda] remonta aos costumes pagãos de adornar edifícios e lugares de adoração para a festividade
         que se celebrava ao mesmo tempo do [atual] Natal. A árvore de Natal vem do Egito e      sua origem é anterior
         à era Cristã."


         O Papai Noel é uma lenda baseada em Nicolau, bispo católico do século 5 o. A Enciclopédia Britânica, 11ª
edição, vol. 19, páginas 648-649, diz:
         "São Nicolau, o bispo de Mira, santo venerado pelos gregos e latinos em 6 de dezembro... conta-se uma
         lenda segundo a qual presenteava ocultamente a três filhas de um homem pobre... deu origem ao costume
         de dar em secreto na véspera do dia de São Nicolau (6 de dezembro), data que depois foi transferida para o
         dia de Natal. Daí a associação do Natal com São Nicolau..."


Não é possível “santificar” o que Deus abomina

         Os relatos do povo judeu podem nos ajudar a entender, que em todas as vezes que tiveram a oportunidade
de tomar um culto, objetos ou datas comemorativas pagãs para cultuar a Deus, isto nunca chegou a acontecer.
         Em Gn35.4 relata que ao sair Jacó para purificar o campo, os brincos foram retirados como todos os seus
deuses estrangeiros, pois os brincos deles estavam associados com seus falsos deuses. Na disputa com os profetas de
Baal, Elias não usou o altar pagão, e tentou santificá-lo para o serviço a Deus (ex. Como é feito com o Natal); ao invés
disto ele reconstruiu o altar ao Senhor. Os cristãos não deveriam tomar emprestado as festas pagãs e vesti-las com
uma roupagem cristã. Quando Jeú se levantou contra os adoradores de Baal e seu templo, porventura ele poupou o
templo e o separou para Deus? Não. 2Rs10.27.
         Existem outros exemplos como Josias( 2Rs 23), porque não apenas destruiu as casas e os altos de Baal, mas
também seus utensílios, bosques e altares, os cavalos e os carros dados ao sol. Manassés, que não apenas destruiu os
deuses estrangeiros, mas também seus altares (2 Cr 23.15). E Moisés, que além de manifestar sua vingança para com
os israelitas idólatras destruiu o monumento de idolatria.



                                                                                                                      9
        “Não aprendam as práticas das nações nem se assustem com os sinais no céu, embora as nações se
        assustem com eles.. Os costumes religiosos das nações são inúteis...” Jr 10:2-3


        “Assim não farás ao Senhor teu Deus, porque tudo o que é abominável ao Senhor, e que aborrece,
        fizeram ele a seus deuses” Dt 12.31


                           [7]
        Brian Schwertley         afirma:
        “Os Cristãos não devem se desvencilhar apenas dos monumentos idolátricos do passado, mas também de
        todas as coisas associadas à idolatria presente. O Natal é o dia mais importante do catolicismo romano. O
        nome Natal provém do romanismo: Christmass - "a missa de Cristo". O nome Christmass[Natal] une o
        título de nosso glorioso Deus e Salvador com a idolátrica e blasfema missa do papado. Dessa forma, o
        Natal[christmass] é uma mistura de idolatria pagã e invenções papistas"


        Com base no que foi exposto, seria incoerente afirmar: “Mas eu comemoro o Natal me lembrando de Jesus,
não realizo um culto pagão ou promovo a Idolatria, eu vou a Igreja, assisto a uma cantata de Natal e tenho um
período com minha família para comermos juntos e trocarmos presentes.”
        Provavelmente esta seja a alegação de muitos cristãos, mas cobrir um lobo com lã de ovelha não faz dele uma
ovelha, ele continua sendo lobo. Vestir o Natal com uma roupagem crista não torna a festa cristã, ela continua sendo
pagã e ainda permanece uma abominação aos olhos de Deus. Dt. 12.31


Conclusão

        Somos advertidos pelas escrituras de que nossa conduta não deve estar baseada em tradições humanas.
Jesus advertiu os fariseus sobre a obediência das tradições humanas em detrimento dos mandamentos de Deus.


        "Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens
        E disse-lhes: Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira de pôr de lado os mandamentos de Deus, a
        fim de obedecerem às suas tradições!" Marcos 7.8-9


        Paulo aborda este assunto ao escrever aos colossenses e a Timóteo:
        "Portanto, assim como vocês receberam Cristo Jesus, o Senhor, continuem a viver nele, enraizados e
        edificados nele, firmados na fé, como foram ensinados, transbordando de gratidão.
        Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas
        tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo." Colossenses 2.8-10


        ”Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que, como se
        ainda    pertencessem a ele, vocês se submetem a regras: “Não manuseie!”, “Não prove!”, “Não
        toque!”? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos
        humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade
        e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne.” Colossenses 2.20-23

                                                                                                                    10
        "Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos,
        juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à
        verdade, voltando-se para os mitos." I Timóteo 4.3-4


        “Seja diligente nessas coisas; dedique-se inteiramente a elas, para que todos vejam o seu progresso.
        Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, agindo assim, você
        salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem” II Timóteo 4.15-16


        “Retenha, com fé e amor em Cristo Jesus, o modelo da sã doutrina que você ouviu de mim.” II        Timóteo 1.13


        O cristianismo está fundamentado na verdade, e o fundamento é Jesus Cristo “o caminho, a verdade e a vida”
(Jo 14.6). O Espírito Santo é o “espírito da verdade” (Jo 16.13, Jo 15.26) e o evangelho é chamado de “evangelho da
verdade” (2 Tm 2.15, Ef 1.13) toda a base da doutrina cristã é o próprio Cristo, e nada além dele, ele é o centro, o foco,
tudo gira em torno dele.
        Mas sendo o Natal uma mentira não há um conflito entre sua celebração e a doutrina cristã, a qual deveria
estar baseada na verdade?


        “Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo, pois todos somos
        membros de um mesmo corpo.” (Ef 4.25)


        Todos os cristãos são chamados a servir (ministrar), e bons ministros são nutridos com as verdades da fé e a
boa doutrina deixada pelos apóstolos. (1 Tm 4.6)
        Não existe então uma discordância do testemunho cristão ao celebrar o Natal?
        Como poderemos ser testemunhas de Cristo, a verdade, se praticamos uma mentira?
        Como o mundo crerá em uma igreja que fala da verdade mas vive mentiras?


        ”Disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vocês permanecerem firmes na minha palavra,
        verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”. Jo 8.31-32


Quando pertencemos a Deus, ouvimos o que Deus diz e cremos na verdade. Se formos libertos pela verdade e
permanecermos firmes na palavra de Cristo (a palavra da verdade) então podemos afirmar que somos
verdadeiramente discípulos de Cristo. (João 8.31-32)




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