Poemas D�Versos Poemas by QJ7QC7

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									                           Poemas D’Versos Poemas.


CAPÍTULO I


SEM AMOR.
ASAS
MARIA MULHER
MILAGRE DA VIDA
CIÚME
DESNUDO
ALDEIA NATIVA
PASSAGEIRO DO MUNDO
LAÇO DE PRATA
EM ALGUM LUGAR


“O CANTO ESTÁ LIGADO AO MISTÉRIO DA VIDA HUMANA “ VILA-LOBOS.


CAPÍTULO   II


JUIZO FINAL
MENINAS DA NICARÁGUA
ADIANTEI-ME
PÉS DESCALÇOS
ROMANCE DO BEM COM O MAL
FEL DO AMOR
CADUQUICE
IMAGINAÇÃO
BOIADA DESGARRADA
BECOS DO MUNDO

“UM POVO QUE SABE CANTAR ESTÁ A UM PASSO DA FELICIDADE “ V. L.


CAPÍTULO III

CANÇÃO COMUNA
PERDÃO
TEMPO DO TEMPO
FOME
VENTRE DO MAR
CÍSNE DA ÍNDIA
PÉS LIGEIROS
DSEJO PENSAR
ROSTOS
PECADO DE AMOR.
AUTO-RETRATO DO AUTOR.


“O ARTISTA NÃO É NENHUM PALHAÇO QUE DIVERTE GRATUITAMENTE O ESPECTADOR. E
SIM UM PREDESTINADO, EXTREMAMENTE ÚTIL Ä HUMANIDADE. “ V.L
Sem Amor.      Antonio Carlos



Sem Amor a flor não tem sentido.
A noite não traz o Luar.
O dia nasce sem o encanto do Sol
Seu beijo: amarga como Jiló.


Sem amor a ausência toma meu Corpo.
Não imagino um Mundo perfeito.
Seu lençol não aquece o Amor.
Minha cara não encontra sua metade.
Sou pássaro sem asas cantando sem melodia.


Sem amor não há o primeiro beijo.
A primeira noite nem alegria.
O Outono toma conta das estações.
O Belo não teria mais sentido.


É Morrer sem o Céu.
Sem Reencarnação.
Sem Ressurreição.
É Viver por Obrigação.


(Já tem música).
Asas.      Antonio Carlos



Componho poemas no meu aconchego.
Descanso no bailar da beira-mar.
Ouvindo melodias azuis que nascem.
Da lira mágica do menestrel estrelar.


Poemas de água mansa que me lançam.
Em órbita sem roupa espacial.
Poemas profundos tecidos
Com linhas de amor sideral.


Poemas que voam como gaivotas.
Belos como o Condor ousado.
Que voa alto sem se derreter.
São às vezes piegas como asas de Icaro.


Nos meus poemas o beijo Solunar é possível.
Ruas tortas são labirintos da imaginação de Dédalo.
O Divino não dá asas a serpente.
Maria Mulher.      Antonio Carlos



No semblante a força do diamante.
Maria safira da Paz
Sorriso de pérola, flor arco-íris nos cabelos.
Porto seguro do seu amado.


Mãe amiga diamante amante.
Punhos de ouro mãos de seda,
Meia costela que dá à luz ao mundo.
No seu leito os desejos são divinos.


A Mão masculina levanta flores para você.
Bem vida tu és, bem vinda te quero todo dia.
Salve seu ventre divino.
Salve e obrigado por existir.
Milagre da Vida.      Antonio Carlos



Três de fevereiro de um ano especial.
O sorriso e o choro se misturaram
Em toda felicidade.
O milagre da vida me presenteou
Na hora certa do dia incerto.
Para meu alento nasceu meu rebento.


Os astros saíram na janela universal.
Iluminando e influenciando o meu guri.
O Sol lanço – o para Aquário.
O seu Eu Maior pousou em Câncer.
O seu Galo cantou em cima do muro Chinês.
Seu Mapa Astral lhe abraçou.


Três é o meu Número de sorte.
Meu rebento confirmou.
Diz o dito popular: Sorte no amor e azar nos negócios.
Mas o sustento a gente arruma.
Amigos verdadeiros são pérolas raras
Que aparecem nos momentos difíceis.


O milagre da vida gratifica.
O tempo que passamos nessa Vida.
A felicidade compõe minha anatomia.
Ciúme.        Antonio Carlos



O ciúme é tolice da insegurança.
Não Vê que os fatos subtraem acusações.
Diz ser por amor suas apelações.


O ciúme quando bem dosado.
Massageia o ego e alimenta
A chama da paixão.
Quando desequilibrado
Implode o amor que desilusão.


Reclama   se saio Elegante.
Reclama   se saio Deselegante.
Reclama   se chego Cedo.
Reclama   se chego Tarde
Reclama   por Reclamar.


Briga por banalidade.
Vem fogoso reconciliar.
Diz me amar veemente.
Mas tem ciúme do meu passado.
Respira o ar por nós dois
Deixando-me sufocado.


Não entende que o Amor
Só resiste ao tempo
Quando há compreensão
Quero asas para voar
Para sempre voltar.


(Já tem música).
Desnudo.    Antonio Carlos


Banhar-se no ventre puro.
Beber o leite materno sadio.
São dádivas que enche de Felicidade
O coração da cria.
O corpo nu e o ser livre.
A virgem se enche de alegria
Realizando suas fantasias.


A virgem imaculada sonha
Em ser violada pelo amor
Sonha em realizar seus instintos
Sem tabus ou moralismo.
Sentindo seus múltiplos orgasmos transcendentais.


O coração voa sem nódoas
Com o sorriso estampado no Sol
Livre de preconceitos e invejas
Conhecendo a si e ao próximo
Com demasiada naturalidade.


O Bem e o Mal equilibrando a Bondade.
Sigo contínuo sem hipocrisia
Provando do Mel e do Fel da Vida
Minha consciência me veste mais
Que qualquer roupa espacial
O Amor protege meu corpo do frio
O Amor é a elegância indispensável.
Aldeia Nativa.      Antonio Carlos



Vamos   está no primeiro Mundo.
Vamos   está por cima de tudo.
Vamos   ser primeiros no Mundo.
Vamos   ser os donos do Mundo.


Mas os Sete caciques foram
Coroados na Aldeia Global.


Quero habitar o Paraíso
Sem cercas, sem dívidas, sem dízimo.
Quero viver como os Nativos.
Vê o meu rosto nas margens do rio e me orgulhar.


Nada de Mundo Virtual
Não basta estar na Internet
Interligado, enlatado, alienado:
Sem tato para Pescar.
Sem tempo para Pensar
Sem coração para Amar
Vendo “gringos” folgados jogarem
Suas redes em nosso Mar
Sem pode uma flecha lançar.


Pode me chamar do que quiser
Mas de Aldeia por Aldeia?
Morrer sem Viver!
Nascer para Sofrer!
Em benefício de quem?
Para Evolução de quem?
A Custa do quê e de quem?
Quero a pureza Nativa e o Orgulho
Dos que foram os Primeiros no Mundo.


(Já tem música).
Passageiro do Mundo. Antonio Carlos



Cortaram os sete mares
Os passageiros do Mundo
Habitando porões e senzalas
Passageiros sem classe de Navio Negreiro.


O chicote açoitava
Os tambores rufavam
Em sinal de Protesto.
Nascia o reggae tribal
Dissimulando a Dor
E denunciando a opressão
O filho da raça não pode
Esquecer tanta humilhação.


Capoeira é arma natural
Liberdade e Dignidade
É toda nossa Ambição
O Reggae raiz é nosso elo
Trazendo paz e elevação.


Hoje Negro com dólar no Bolso
É Bom Negrão. É Sociável.
É Branco como Algodão.
Esquece da Discriminação Sofrida
Muda de Cor traindo sua Nação.



(Já tem música).
Laço de Prata.         Antonio Carlos



Com meu laço de prata, vou.
Laçando cabeças, aventuras e montanhas.
Subo no meu alazão de patas de ouro e sangue latino.
Sigo no trote da perseverança atravessando fronteiras.
Galopando firme frente às mudanças.


A franja voa livre ao Sol
Mãos fortes abrem o laço da vida
A voz ativa frente à comitiva
Abóia os belos ideais
Vendaval das revoluções apagando o rastro do atraso.
Acolhendo camponeses e oprimidos nas intempéries da vida.
Que sentem no pescoço o laço da opressão.


A comitiva vai unindo cores e raças em prol da liberdade.
O laço de prata vai laçando cabeças antes de ter a sua amputada.
Em algum lugar...   Antonio Carlos



Tempo quente.
Vida árdua.
A noite reina sem estrela.


Solo quente se fecha para semente:
E a fome é certa.
Vida de cão: um gato na ceia.
A criança chora o leite que nunca provou.


O interior não é boa vitrine
No interior o futuro não é promissor
Mas as cidades são pequenas demais
Para todos que vem do interior
Uma esmola para o invasor.
CAPÍTULO   II


JUIZO FINAL
MENINAS DA NICARÁGUA
ADIANTEI-ME
PÉS DESCALÇOS
ROMANCE DO BEM COM O MAL
FEL DO AMOR
CADUQUICE
IMAGINAÇÃO
BOIADA DESGARRADA
BECOS DO MUNDO

“UM POVO QUE SABE CANTAR ESTÁ A UM PASSO DA FELICIDADE “ V. L.
Juízo Final.   Antonio Carlos



Há milênios a fio
Os homens contam nas pedras
Do terço a hora do juízo final
Esperando sem fazer força
O repouso celestial.


Não fazem nada contra a miséria e a opressão.
Esperam sentados pelo pão
Gastam os joelhos em orações
A fé sem obra é em vão
A obra sem fé é desilusão.


Fazem planos mágicos
Loteiam na terra o chão celestial
São representantes do céu
Sem firma reconhecida pelo divino.


Negam a possibilidade do paraíso terrestre.
São mulas sem cabeças, tomados pela ambição.
Não praticam o que pregam.
São aliciadores da consciência
Profetas insanos do mal.



(Já tem música).
Meninas Da Nicarágua.   Antonio Carlos



Estamos todas despertas
Diziam as meninas da Nicarágua
Jovens guerrilheiras que deram:
A vida e os filhos à revolução.


Trocaram o batom e o espelho pelas botas e fuzil
Trocaram a submissão pela atuação
Filhas-mãe que deram à luz a uma nova geração.


Salve o ventre que pari um homem livre no mundo.
A revolução é mãe legítima do homem livre.

As meninas guerrilheiras nos deram uma bela lição.
Foram pura superação são pérolas raras do mundo-concha.


Salve as meninas da Nicarágua
Não se curvaram as opressões.
Salve o homem e mulher livre do mundo.
Adiantei-Me.   Antonio Carlos



Dei pulo sobre a ignorância
Rompi a seda da ânsia
Buscando conhecer o desconhecido.
A razão equilibra a emoção
Desvendando ás dúvidas.


A voz da intuição nos dá: prudência.
Nos livra do breu da inconseqüência
Escutar mais é a certeza de errar menos.
Todos temos Calcanhar-de-Aquiles
Para equilibrar nossa ousadia.


Descanso minha imaginação nas crateras lunares
Livre do barulho atômico
Meu sossego acabará quando começar
Circular os táxis lunares.


Meu subconsciente abriga minhas fantasias
Escandalizando o convencional
Meu íntimo convive com infinitas explosões
Há uma luz no fim do túnel
Para aqueles que não esperam a morte: parados.
A meta é vencer, perder, sonhar para sempre se adiantar.
Pés Descalços.   Antonio Carlos



De pés descalços vou me equilibrando no gume da vida.
Meus pés escrevem poemas profundos na beira-mar.
O sal cristaliza o poema para a lua a noite iluminar.


Deixo o rastro da imaginação que não tem pernas curtas:
E vai desvendando os mistérios do mar.
Na romaria deixo meus calos:
Atravesso o mar vermelho para purificar minhas nódoas.


Pés mundanos correm mundo deixando pegadas de sal:
Na terra, na rua, nos astros.
Pular o mar morto e descansar no pacífico.
Do mediterrâneo chegar ao atlântico.


Quero me adiantar devorando a variedade
Conhecer o pulsar dos seres abissais
Descansar, só no repouso eterno.
Viver os segundos como dia.
Romance do Bem com o Mal.    Antonio Carlos



Imagine o romance do bem com o mal
Imagine se o mal liderar
O dia seria sufocado
O mundo padeceria em orgias milenares


Mandíbulas nucleares mastigariam o mar
O som erudito-popular das ondas
Calaria-se na beira-mar
Os apaixonados não lançariam
Girassóis para iemanjá.
A flor lua não iria mais desabrochar.


Mas o bem pode liderar
O galo cantaria pra os quatros cantos do mundo
Avisando as boas novas.


O girassol nasceria forte como uma ogiva nuclear.
As janelas e flores abrir-se-iam para vida.
A bondade estaria livre da clausura
O sorriso seria o cartão de visita
O amor a solução para os males


Imagine a felicidade plena
Mas tudo em dose forte é veneno
Imagine o equilíbrio do bem com o mal.
Fel Do Amor.   Antonio Carlos



Que egoísta tornei-me querendo sua exclusividade.
Quando o ciúme invade o ser o verbo lançado é possessivo.
Eu quero você na palma da mão sob meus olhos.
Aprisionada aos meus lençóis.


Vou pintar seu sorriso, seus gestos, seu corpo,
Sua imaginação na tela da exclusividade.
Todos seus movimentos e ações conterão minha vontade.


Querer-lhe demasiadamente é meu erro fatal
O amor é sublime quando pode voar
Não se resume em fantasias fugazes.



(Já tem música).
Caduquice.   Antonio Carlos



Ao vê o brilho dos seus olhos
Pela primeira vez, me fez ponderar:
Como é belo o suspiro da vida.
O ventre é o abrigo mais seguro
A vida é a tela da complexidade.


A vida abriga no seu âmago
O enigma indecifrável de viver
O nome de um novo ser é a chave da auto-estima.
O nome do meu rebento, ele terá orgulho de ouvir:
Os outros chamarem.


Ítalo traz em si a força o bramar da natureza
Marx em homenagem ao grande pensador
Instinto unindo-se a inteligência.


Não basta fecundar, tem que participar.
Trocando fraldas, acompanhando seus passos.
A mãe é abençoada pelo milagre da vida
Quando o cordão umbilical pai-e-filho for cortado de fato.
É hora da cria assumir o ciclo da vida
Continuar os passos da humanidade.
Imaginação.     Antonio Carlos



A   imaginação escapa entre meus dedos
É   maresia que corroí a razão
É   girassol que aquece o sol
É   o espelho da minha vaidade
É   narciso de ego platônico


Lanço-me no gume das ondas
Quebro no espelho da beira-mar
Toco o berimbau estrelar
Na harmonia permanente do universo.


Pinto meu arco-íris interior
Sonhos que não realizo são pilares no ar
Eu seria um poço seco sem o pulsar da imaginação.
Boiada Desgarrada.   Antonio Carlos



A boiada: corre deixando pegadas lentas na noite pálida
Desgarrada vagueia no sereno de sal
Tateando o curral do futuro
Com visões de uma vida melhor
Que é diluída na magra ração na cocheira.


A boiada é rentável do rabo aos chifres:
Nada nela se perde. Nada ela ganha.


Senti o cheiro do estrume invadir sua vida
Amamenta bezerros nacionais e estrangeiros
Que fartos e gordos, arrotam a soberba em suas tetas.


No seu horizonte, só existe poeira e estrada.
O berrante do norte mostra a direção “certa” do curral
Ela baixa a cabeça e segue na nova ordem do prado mundial
A noite permanece no seu interior.
Becos do Mundo.    Antonio Carlos



Mendigos e marginalizados
São pedras que rolam sem limo
Esquecidos pela sorte
Exalam o odor da miséria.


São pedras maltrapilhas
Erguendo a muralha da solidão
Delatam os olhos em busca do pão
Vagueiam pelos becos do tóxico
Náufragos na vida.


No relógio sem hora pra parar
Eterno vilão em busca do perdão
Dos pilatos que lavam ás mãos
A sentença é certa sem apelação
As pedras são esmagadas e voltam ao pó.



(Já tem música).
CAPÍTULO III

CANÇÃO COMUNA
PERDÃO
TEMPO DO TEMPO
FOME
VENTRE DO MAR
CÍSNE DA ÍNDIA
PÉS LIGEIROS
DSEJO PENSAR
ROSTOS
PECADO DE AMOR.
AUTO-RETRATO DO AUTOR.


“O ARTISTA NÃO É NENHUM PALHAÇO QUE DIVERTE GRATUITAMENTE O ESPECTADOR. E
SIM UM PREDESTINADO, EXTREMAMENTE ÚTIL Ä HUMANIDADE. “ V.L
Canção Comuna.    Antonio Carlos



Canção comuna ecoa do coral povo
Nasce de olhos erguidos
É sinfonia de fogo queimando a injustiça.
Faz nascer o pão coletivo
Faz nascer do pó a nova geração.


O arco-íris povo nasce no vendaval da revolução.
Quem vive o sonho comuna: canta, ama, sorrir com razão.
O sol ilumina com igualdade
A vida pode ser diferente, tente!
A canção comuna brota do coração.
Perdão.     Antonio Carlos



Peço perdão pela omissão por calar
Quando o coração grita.
Por não lançar a voz em prol da verdade
Por não gritar quando o sapato aperta a liberdade.


Perdão por não ter levantado a voz,
Bandeira ou barricada frente ao vilão.
Hoje o espelho é meu torturador atroz
O remesso me trucida
A consciência guilhotina minha língua:
Para assim ter motivo de calar.


As lágrimas de arrependimento
São poucas para o silêncio cúmplice
Mas peço perdão ao pé de sua cova
Sei que a sentença maior será minha memória.
Sei que meu perdão é nunca mais
Calar frente a uma injustiça.
Tempo Do Tempo.     Antonio Carlos



Tempo   implacável, infinito e severo.
Tempo   no rosto, nas rugas e na cicatriz.
Tempo   da juventude, da flor e da velhice.
Tempo   ingrato da flacidez e das pelancas
Tempo   do verão, inverno outono e primavera.
Tempo   amarelo, pálido sem vida.


Tempo azul da alegria
Tempo verde maduro do amor
Tempo fugaz da vida, dos conflitos,
da morte batendo em nossa porta.
Tempo de dar um tempo pra vida
Esquecer tolices. Sair de dentro de si.
De não perder tempo pensando demais.


Tempo por um milésimo de segundo
É urgência viver melhor!
Tempo de gritar quando a fome chegar
De não perder tempo e de não parar
Tempo de sonhar e realizar...realizar...




(Já tem música).
Fome.     Antonio Carlos



Fome gula feroz dos homens e dos animais
Corpo vazio a cabeça não pensa
Corpo vazio as pernas não correm


Gula de sexo, de vida, de paz.
Gula do pançudo dengoso
Gula – pecado capital.
Gula de mulher sem nexo, complexo.
Que nos prende e arrasta como tufão


A fome da seca devora
A fauna, o homem e a flora.
Como uma forrageira irracional
É carcará que come o indigerível
A fome do câncer, da úlcera, dos vírus.
Roubar pelo pão tem todo perdão.
Ventre Do Mar.    Antonio Carlos



Navego seguro no mar
Mais seguro no ventre materno
Caravelas de velhas lembranças:
Trago comigo por onde passei.
O mar não conhece a imensidão da minha imaginação.
Filtro o líquido do mar.


Nasci no sol de Oxossi
Viajei pelo universo
Pousei na calma da Lua
Tenho a força do Touro no ascendente
No trono oposto o Capricórnio.
A morte é minha última amada
No leito tranqüilo da eternidade
Meu último doze de julho de um ano qualquer.
Cisne Da Índia.   Antonio Carlos



Mahatma , mahatma, Mahatma Gandhi
Seu coração pacífico pulsava com razão.


Mahatma Gandhi a fé nutria sua missão
Movendo a montanha da opressão
Sua fraternidade movia sua ação
Sua ética era o escudo da liberdade.


A paz e a liberdade os “donos” do mundo:
Tentam aprisionar.
A guerra pela paz é uma opção.


Um punhal irracional rasgou o coração da paz
O cisne da índia deixou o bom exemplo
A incompreensão e o fanatismo:
É a arma do incompetente irracional.
Pés Ligeiros.    Antonio Carlos



Meus pés correm sobre as dunas
Lançando poeira nos seus olhos
Sem deixar pegadas de gesso
Rostos: ocultos, vagueiam no calor morno.


O vento tem pés ligeiros que assanham os cabelos
E levantam redemoinhos despertando múmias
para o passeio matinal


Miragem virtual mostra oásis surreal
Odalisca virtual não proporciona orgasmo carnal.
Camelos e Dromedários embriagados com o xarope cola
Tatuo meu corpo na tela de seda.
Desejo Pensar.   Antonio Carlos

(dedico Ao professor de filosofia: Padre José Ribamar)



Corte minhas pernas, mutile meus braços.
Corte meus pulsos, explode meu crânio.
Espalhe meus neurônios no sal do mar. Castre-me.


Esquarteje meu corpo, retalhe minhas entranhas.
Divida meu coração amiúde, incinere meus membros.
E sopre as cinzas para os braços do tornado furioso.
Apague a minha história.


Mas não decepe meus ideais
Nem guilhotine minhas opiniões
Nem queime minha língua
Tire minha vida, mas não mutile minha voz.


Deixe-me desejoso de pensar
Não me prive do favo do saber
Deixe-me soltar o verbo em qualquer língua.
Deixe-me longe da mediocridade
Não aniquile minha curiosidade
Deixe-me às revoluções e mudanças
Deixe nascer meu pensamento permanentemente.
Rostos.     Antonio Carlos



Rostos suados flertam vitrines
Imaginando-se acolhidos por:
Amor salário flor pedras
Aposentadorias coragem livros.


Rostos deliram de fome
Rostos vagam em sonhos náufragos.
Quebram-se no mar-real.
Cegos pela cortina de aço da ilusão
Rostos saboreiam a imaginação
Desatinam e dor...mem


A madrugada traz o dia mais cedo
E tatua nos ombros do povo inerte
O sol abre o sorriso largo e distante do povo.
O raiar do dia traz no seu fogo
A jornada árdua de todos os dias
Mas se unimos as mãos nascerá
Um dia diferente e colorido.


O dia todos os dias acorda cedo
No relógio no trem no ônibus
Acorda os braços do povo para
Construir mais um dia
A lida diária nasce antes do dia.


A jornada do povo é espinhosa
Mal remunerada mal agradecida
Mal vivida mais valia e vale
Mais vale por cada gota de suor
Da Maria da Rosa da Isaura da Ilza
Da Claudia da Amélia da Tereza
Da violeta parra da Olga da Nilza.
Da Frida Kahlo da Mercedes da Zilda...



(Já tem música).
Pecado por Amor.   Antonio Carlos



Deus não criou o pecado
Deus criou o amor
Deus não criou a limitação
O homem criou ás possibilidades
O moralismo criou o pecado.


Deus criou tudo em cooperação
Tudo que se move tem um motivo
Tudo que cai, que sai, que nasce e cresce.
Faz parte do lúdico amor.


Meu pecado é amar e querer ser feliz
O pecado aprisiona a imaginação
O pecado vem antes da ação
Sou impulso, lágrimas, suor.
Sou todo amor e emoção.
Auto- Retrato.    Antonio Carlos



Paraíba e campinense por geografia
Do mundo por opção e São Paulo no coração.
Brasileiro nativo nascido em 12/07/1972
Quase filho do tri, mas pai no tetra (1994).


De família humilde, de raízes fortes e idôneas.
Carvalho de sombra acolhedora e frutos sadios.


Católico de batismo (e quem não é?).
Comuna pela igualdade dos direitos.
Crente na justiça, na boa amizade e nos ideais.


Poeta militante pela arte e ética.
Sindicalizado à revolução e as mudanças
Filiado às causas justas
Inimigo eterno do imperialismo.
Sociólogo e filosofo autodidata e músico diletante.
Comunicador por formação e necessidade de expressão.

								
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