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CAP 1 - DINÂMICA CLIMÁTICA

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CAP 1 - DINÂMICA CLIMÁTICA Powered By Docstoc
					                                                  Capítulo I
                                            DINÂMICA CLIMÁTICA I
     Atmosfera, tempo e clima
    Atmosfera é a camada de gases e partículas em suspensão que envolve alguns planetas. Além de atuar na manutenção
de temperaturas adequadas à vida no planeta e proteger os organismos da exposição à radiação ultravioleta*, a atmosfera
terrestre contém gases necessários aos processos vitais de respiração celular e fotossíntese. Ela é composta por 78% de
nitrogênio, 2l % de oxigênio e apenas 1 % de outros gases (ozônio, hélio, vapor de água, etc.).
    O perfil vertical da atmosfera terrestre apresenta várias camadas, definidas de acordo com a variação da temperatura, a
concentração de gases e suas propriedades elétricas. A troposfera é a camada mais próxima da superfície terrestre, na qual
a temperatura decresce com a altitude. Nela ocorrem os principais fenômenos meteorológicos (vento, precipitação, furacões,
etc.).
    A estratosfera está logo acima da troposfera, e contém a camada de gás ozônio, que absorve a radiação ultravioleta do
Sol. Por ela ser muito estável, é nela que os aviões a jato circulam. A mesosfera é a terceira camada e, em sua parte
superior, apresenta temperaturas mais baixas que a troposfera e a estratosfera, além de ar rarefeito. Acima da mesosfera
está a termosfera, uma camada eletrificada na qual há grande concentração de íons e elétrons livres que refletem alguns
tipos de ondas de rádio. Acima de todas essas camadas está a exosfera, a camada mais externa da atmosfera, na qual
orbitam os satélites artificiais.
    O tempo meteorológico é um estado momentâneo da atmosfera em dado local da superfície terrestre. Uma repetição
contínua desse tempo nos permite definir um tipo de clima.
    O clima é, portanto, um padrão do conjunto de condições da atmosfera observado durante pelo menos trinta anos.
    O clima exerce grande influência sobre a Terra, desde os processos naturais, como a formação de solos, até as
atividades humanas, como a agricultura. Essa influência é uma das razões pelas quais, cada vez mais, o clima vem sendo
estudado por grande parte dos cientistas do mundo.
    Nas últimas décadas, alterações climáticas, sobretudo o aumento da temperatura mundial, têm preocupado não somente
cientistas, mas governantes, políticos, organizações não governamentais, ambientalistas e a população em geral. Entre
outros fatores, o aquecimento global é causado pela emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, como o dióxido de
carbono, lançado na queima de combustíveis fósseis. São conseqüências do aquecimento global: o derretimento de gelo das
calotas polares, o aumento no nível de água dos mares e o processo de desertificação. Assim, com o objetivo de se
estabelecer metas para reduzir a emissão desses gases, foi realizada em Copenhague, capital da Dinamarca, em dezembro
de 2009, a 15º Conferência sobre Mudança Climática, a COP15, reunindo representantes de 193 países, entre os quais o
Brasil. A COP15, porém, não apresentou um documento com ações práticas e imediatas, o que decepcionou os que
esperavam um texto que sucedesse o Protocolo de Kyoto (ratificado em 2005), o primeiro tratado internacional sobre
mudanças climáticas.

     Elementos e fatores climáticos
    Os elementos do clima e os fatores climáticos ou fatores geográficos do clima condicionam os diferentes tipos de tempo e
de clima no mundo. Para entender a distribuição climática mundial e brasileira, temos de compreender, primeiro, quais são os
elementos do clima, como eles se relacionam entre si (temperatura e umidade, por exemplo) e como são influenciados pelos
fatores climáticos.

     Elementos do clima
     Os elementos climáticos são os atributos físicos que representam as propriedades da atmosfera de um lugar. Os
elementos mais utilizados são a temperatura, a umidade e a pressão.
     A temperatura do ar é a medida do calor sensível armazenado (em graus Celsius ou Fahrenheit). A variação anual da
temperatura depende da trajetória diária e anual do Sol. Ao longo de um ano, a incidência de raios solares varia muito em
diferentes pontos da Terra, conforme sua posição em relação ao Sol. Em latitudes baixas, isto é, nas proximidades do
Equador, devido à pequena variação da altura solar, as amplitudes térmicas anuais (diferença entre a mais alta e a mais
baixa temperatura, em graus Celsius, entre os meses quentes e frios) tendem a ser pouco elevadas. Em latitudes altas
ocorrem diferenças térmicas significativas ao longo do ano.
     A variação diária da temperatura pode ser alterada por outros elementos climáticos. A nebulosidade, por exemplo, diminui
a penetração de radiação solar direta durante o dia e retém parte da radiação emitida pela Terra durante a noite, ao passo
que os ventos proporcionam uma redistribuição do calor presente no ar.
     A umidade do ar representa a quantidade de vapor de água na atmosfera, que dá origem a todas as formas de
condensação e precipitação. Além disso, influencia os processos de evaporação e evapotranspiração e funciona como
importante regulador térmico do sistema Terra-atmosfera, determinando a ocorrência de pequenas amplitudes térmicas em
regiões com grande umidade e de elevadas amplitudes térmicas em regiões pouco úmidas.
     O resfriamento do ar úmido provoca a ocorrência de orvalho, nevoeiro e nuvens. O orvalho surge com a condensação do
vapor devido à redução rápida da temperatura ambiente ou quando a umidade do ar entra em contato com uma superfície
fria. Por isso, o orvalho ocorre geralmente ao amanhecer ou ao anoitecer em noites mais frias. O nevoeiro, ou neblina, ocorre
por diversos motivos, entre eles a condensação da umidade no ar, que forma uma nuvem próxima ao solo. As nuvens são
compostas por gotículas de água em suspensão no ar e por cristais de gelo. Sua formação está associada à elevação do ar
úmido, que, ao alcançar seu ponto de saturação, inicia o processo de condensação.
    A pressão atmosférica é a força exercida pelo peso da atmosfera sobre a superfície terrestre. A variação desse elemento
é responsável pela movimentação do ar, formando o vento, que se desloca das áreas de alta pressão para as áreas de baixa
pressão. A pressão atmosférica varia, em um mesmo lugar, conforme as horas do dia e as estações do ano e, de uma região
para outra, conforme a variação da temperatura. Quanto mais quente o ar, menos denso ele é, portanto, de modo geral, mais
baixa será a pressão atmosférica. Assim, nas regiões com clima equatorial, onde o ar é mais quente, predominam zonas de
baixa pressão. Nas regiões polares, o ar mais frio determina a ocorrência de alta pressão.

     Fatores climáticos
     Os fatores climáticos são as características geográficas naturais que diferenciam as paisagens na Terra e são capazes de
influenciar os elementos do clima. Em conjunto com os fatores climáticos, como latitude, altitude e
continentalidade/maritimidade, também a dinâmica das correntes oceânicas, das massas de ar e das frentes atua na
caracterização e distribuição dos climas mundiais.

     Latitude: O clima de um lugar depende também da
latitude, pois ela define a maneira como os raios solares
atingem a superfície da Terra. A linha do Equador é o
paralelo em que os raios solares incidem de modo menos
inclinado. Por isso, o clima tende a ser mais quente.
Lugares situados em latitudes elevadas recebem os raios
solares de maneira mais inclinada. Assim, quanto maior a
latitude, maior a inclinação com que os raios solares
atingem a superfície da Terra e menos elevadas as
temperaturas.

     Altitude: As diferenças de altitude acarretam mudanças na temperatura e na pressão atmosférica. À medida que a altitude
aumenta, a pressão fica menor, pois diminui o peso da coluna de ar acima da superfície. Inversamente, quando a altitude
diminui, aumentam a pressão e a densidade atmosférica. Considerando-se dois lugares de mesma latitude e diferentes
altitudes, aquele mais elevado apresentará temperaturas mais baixas, obedecendo à proporção de 0,6 °C a menos para cada
100 metros de altitude.
                                                                          Saiba mais - Relevo, vegetação e clima
     Diminuição da temperatura com o aumento da altitude                  A posição do relevo favorece ou dificulta os
                                                                     fluxos de calor e umidade entre áreas contíguas. Um
                                                                     sistema orográfico que se disponha latitudinalmente
                                                                     em uma região como o Himalaia, por exemplo, irá
                                                                     dificultar as trocas de calor e umidade entre as áreas
                                                                     frias do interior da China e aquelas mais quentes da
                                                                     Índia. Já a cordilheira dos Andes, por se dispor no
                                                                     sentido dos meridianos, não impede que as massas
                                                                     polares atinjam o norte da América do Sul e nem
                                                                     que as equatoriais cheguem ao sul do Brasil.
                                                                     Entretanto, inibem a penetração da umidade
                                                                     proveniente do Pacífico para o interior do continente.
                                                                          A vegetação desempenha um papel regulador de
                                                                     umidade e de temperatura extremamente
                                                                     importante. Tomando-se as áreas florestadas como
                                                                     exemplo, observa-se que suas temperaturas serão
                                                                     inferiores às das áreas vizinhas com outro tipo de
                                                                     cobertura - como campo, por exemplo, uma vez que
                                                                     as copas, os troncos e os galhos das árvores atuam
     Maritimidade e continentalidade: Os mares e oceanos têm         como barreira à radiação solar direta, diminuindo a
papel fundamental no clima. Juntamente com os demais                 disponibilidade de energia para aquecer o ar.
fatores, influenciam as variações de temperatura e de umidade.
     A maritimidade caracteriza as regiões próximas de grandes massas líquidas (mares e oceanos), determinando a
ocorrência de elevada umidade e pequena variação da temperatura. Com a continentalidade ocorre o oposto: quanto mais
distante o lugar estiver do litoral, menor será a umidade e maior será a variação da temperatura. É por causa desse efeito
que uma região costeira sofre a influência moderadora do oceano de maneira mais intensa. Já outra, localizada no interior do
continente, sofre maior contraste entre as temperaturas de inverno e verão.
                                            DINÂMICA CLIMÁTICA II

    Correntes oceânicas: As correntes oceânicas são movimentos
horizontais de grandes massas de água. Causadas pela rotação                                                           da
Terra e pela ação dos ventos constantes, elas interagem com a
dinâmica das massas de ar, influenciando o clima e definindo
áreas secas chuvosas. Tal fato ocorre porque as águas
frias superficiais dos oceanos e mares levam ao
resfriamento do ar, dificultando a formação de nuvens
chuvas. Assim, em regiões costeiras onde prevalecem
correntes oceânicas s há um predomínio de climas com
umidade reduzida. Áreas banhadas por correntes quentes
apresentam um clima mais úmido devido ao aquecimento e à
ascensão do ar e à formação de nuvens e chuvas.
    As correntes quentes que se dirigem para os pólos aquecem as regiões                                               de
altas latitudes. É o caso da corrente do Atlântico Norte, que mantém as temperaturas mais altas no oeste da Europa.
    A corrente de Humboldt, cujo nome homenageia o naturalista alemão Alexander Von Humboldt, também chamada de
corrente do Peru, é uma corrente fria que nasce nas proximidades da Antártida e direciona-se no sentido norte pelo oceano
Pacífico. As baixas temperaturas dessa corrente dificultam a formação de nuvens, o que em parte explica a aridez que
prevalece no norte do Chile e nas zonas costeiras do sul do Peru e do Equador.
    No Brasil atuam as correntes das Guianas (ou do Norte do Brasil), Sul Equatorial, do Brasil e das Malvinas (ou das
Falklands). A corrente do Brasil é uma corrente quente que flui próximo à costa nordeste na direção suI. A corrente das
Malvinas é uma corrente fria que acompanha o litoral sul e sudeste do Brasil

    Saiba mais - Monções
    Na Ásia, esse efeito da continentalidade e da maritimidade provoca o fenômeno denominado monção. As monções de
inverno (ventos secos e frios) movimentam-se do continente para o oceano. Já as monções de verão (ventos úmidos e
quentes) movimentam-se do oceano para o continente, trazendo chuvas que favorecem a atividade agrícola.

    Tipos climáticos mundiais
    Circulação geral da atmosfera
    Os diferentes tipos de clima no mundo são resultado, conforme já mencionado, das relações entre os elementos e os
fatores climáticos.
    Além disso, deve-se considerar a circulação geral da atmosfera, incluindo a atuação das massas de ar e das frentes. A
partir daí são definidas as diferentes regiões climáticas, nas quais o clima se apresenta relativamente homogêneo.
    A subida e a descida do ar atmosférico estabelecem padrões de circulação chamados células de Hadley (nas latitudes
equatoriais e tropicais) e células de Ferrei (nas médias latitudes). O esquema ao lado mostra a direção das correntes de ar
nessas células.
    Os ventos alísios são resultantes da ascensão de massas de ar que convergem dos trópicos (alta pressão) para a região
equatorial (baixa pressão). Os alísios do hemisfério Norte movimentam-se de nordeste para sudoeste. Já os do hemisfério
Sul movimentam-se de sudeste para noroeste. Observe mais uma vez o esquema ao lado.

     Massas de ar e frentes
     As massas de ar são partes da atmosfera com considerável extensão horizontal e com características homogêneas de
temperatura, pressão e umidade. Elas deslocam-se carregando aspectos das condições climáticas do local em que se
formaram. Ao longo do seu trajeto, as massas de ar alteram as características do tempo atmosférico e sofrem modificações
de temperatura e de umidade. Isso é resultado da interação com as características da superfície sobre a qual se deslocam.
     A origem das massas de ar pode ser tropical (massa de ar tropical) ou polar (massa de ar polar). Quando formadas sobre
o oceano, são úmidas; formadas sobre o continente, quase sempre são secas, excetuando-se as formadas na região
equatorial, que também são úmidas.
     As principais fontes produtoras de massas de ar no mundo são as planícies árticas cobertas de neve da América do
Norte, Europa e Ásia; os oceanos subtropicais e tropicais; o deserto do Saara na África; e os interiores continentais da Ásia,
Europa e América do Norte. As massas de ar são muito importantes para a compreensão da dinâmica atmosférica, pois têm
influência direta sobre os tempos e climas de suas áreas de atuação. Quando duas massas de ar de diferentes temperaturas
se encontram, ocorre uma brusca variação nas condições do tempo (temperatura, umidade, vento, etc.) na zona de contato
entre elas. As faixas de transição entre essas massas de ar são denominadas frentes, que podem ser frias ou quentes.

   principais climas do mundo
   A classificação climática nos ajuda a compreender o clima do mundo. Existem diferentes propostas de classificação, entre
as quais a organizada pelo alemão Wladimir Peter Koppen, baseada nas características de precipitação e temperatura:
     Equatorial. Durante o ano inteiro apresenta altos índices de evaporação e temperaturas que variam entre 24º C e
27°C. A. amplitude térmica (variação entre a temperatura mínima e a máxima) é baixa durante o ano inteiro. Apresenta
pluviosidade alta, atingindo mais de 2000 mm por ano.
     Tropical. Apresenta elevados índices pluviométricos (entre 1000 mm e 2000 mm por ano), com duas estações bem
definidas: seca e chuvosa.
     Temperado. As temperaturas variam regularmente ao longo do ano, com média acima de 10º C. Apresenta quatro
estações bem definidas. É dividido em temperado oceânico (inverno menos rigoroso devido à influência da umidade
oceânica) e temperado continental (menor influência dos mares e oceanos, provocando maiores amplitudes térmicas).
     Subtropical. Marcado por verão quente e chuvas distribuídas pelo ano todo. As temperaturas podem chegar a 0 C em
alguns dias do outono e do inverno.
     Mediterrâneo. No inverno, a temperatura é mais amena, por causa das correntes marítimas quentes. O verão é quente
e seco. Nas áreas costeiras, os verões são mais amenos, devido às correntes frias do oceano.
     Frio (subpolar). Temperaturas médias negativas no inverno, alcançando em torno de 10º C no verão.
     Frio de montanha. A redução da temperatura está condicionada ao aumento da altitude, ocorrendo até mesmo na
zona tropical.
     Polar ou glacial. As temperaturas médias são muito baixas, em torno de -30º C. No verão chegam aos -10º C; no
inverno, podem alcançar -50º C. Ocorre no Ártico, incluindo a Groenlândia e o Alasca, e na Antártida. O índice pluviométrico
é muito baixo (menos de 200 mm anuais).
     Desértico. Pequeno volume de precipitação (menor do que 250 mm por ano) e grande amplitude térmica diária. Ocorre
tanto em áreas tropicais como em temperadas: norte da África, Oriente Médio, oeste dos EUA, norte do México, litoral do
Chile e do Peru, Austrália e noroeste da Índia.
     Semiárido. Clima com altas temperaturas (média de 27º C) e chuvas irregulares entre 300 mm e 800 mm/ano. Clima
típico do Nordeste do Brasil, que sofre influência da massa Tropical atlântica (mTa), que, ao chegar à região, já apresenta
pouca umidade .

    Tipos climáticos brasileiros
    Devido a sua extensão territorial e à atuação dos elementos e dos fatores climáticos, o Brasil apresenta uma grande
variedade de climas. A distribuição das formas de relevo (serras, planaltos, etc.), formando corredores naturais para o
desenvolvimento de sistemas atmosféricos ou barreiras que dificultam a passagem de massas de ar, é um exemplo de
conjugação de fatores que promovem a diversidade climática. Identificam-se cinco grandes tipos climáticos no Brasil,
fundamentados principalmente na distribuição de temperatura e pluviosidade, associada às características geográficas e à
dinâmica das massas de ar. É importante destacar que esses grandes tipos climáticos apresentam subtipos, classificados
conforme a distribuição das chuvas.
     Equatorial. Predomina na Região Norte do país e é controlado pela ação das massas Equatorial continental (mEc) e
Equatorial atlântica (mEa) e da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), além de sistemas tropicais. A temperatura
média anual está entre 24º C e 26°C. De maneira geral não apresenta grandes variações térmicas diárias ou sazonais. Os
meses de setembro e outubro são os mais quentes, e durante os meses de junho a agosto há uma queda das temperaturas
devido à penetração de frentes frias, ocasionando o fenômeno da friagem. A pluviosidade média anual é alta, porém
heterogênea. Em algumas áreas, ela pode chegar a 3000 mm; em outras, não ultrapassa 1600 mm. Seus subtipos variam
conforme o período de secas.
     Tropical equatorial. Abrange parte das regiões Norte e Nordeste. A pluviosidade anual pode variar de 620 mm
(algumas localidades no Ceará) até 2600 mm (cidade de São Luís, no Maranhão). A temperatura média anual varia entre 24º
C e 27º C, mas a média das temperaturas máximas pode atingir 33º C (por exemplo, em Mossoró, no Rio Grande do Norte).
Dentre os subtipos desse clima, existe aquele marcado por sete a oito meses de seca, também conhecido como clima
semiárido.
    Tropical litorâneo do Nordeste oriental. Clima úmido e quente fortemente influenciado pela ação das massas de ar
úmidas do oceano Atlântico. Caracteriza-se por elevadas temperaturas (média das máximas pode atingir 30º C) durante o
ano todo, com pequena queda nos meses de inverno. As chuvas concentram-se entre o final do verão e o inverno. A média
anual pode variar entre 700 mm e 2500 mm.
     Tropical úmido-seco ou tropical do Brasil central. Devido a sua posição geográfica e à atuação de sistemas
atmosféricos, esse tipo climático apresenta, ao longo do ano, oscilações significativas de temperatura e pluviosidade. Clima
quente e úmido no verão, e quente e seco no inverno (com queda de temperatura em alguns locais). A média anual da
temperatura varia entre 20º C e 26º C, e a média das máximas pode atingir 36º C em setembro (mês mais quente). Apresenta
chuvas concentradas no verão, podendo os meses de novembro e março concentrar cerca de 70% do total médio anual.
Alguns subtipos desse clima não apresentam período seco; outros têm até oito meses de seca por ano..
     Subtropical úmido. Clima controlado pelas massas de ar tropicais e polares. Apresenta certa regularidade na
distribuição das chuvas (entre 1250 mm e 2000 mm anuais), associada a baixas temperaturas no inverno. As médias anuais
da temperatura situam-se entre 14º C e 22º C. Em regiões mais elevadas, durante o inverno, as médias mensais oscilam
entre 10º C e 15º C, registrando-se também temperaturas absolutas negativas.
                                           DINÂMICA CLIMÁTICA III

     A seca no Nordeste
     A Região Nordeste ocupa uma área de 1539000 km2, correspondente a 18% do território brasileiro, e abriga uma
população de 45,5 milhões, equivalente a 29% do total nacional. O Nordeste apresenta algumas singularidades no cenário
geoeconômico brasileiro. Ali vive cerca de metade da população pobre do país. Em termos geográficos, a região mostra-se
bastante heterogênea, apresentando grande variedade de situações físico-climáticas. Dentre estas destaca-se a zona semi-
árida, que, além da sua extensão de 882000 km2 (cerca de 57% do território nordestino), singulariza-se por ser castigada
periodicamente por secas. As secas podem ocorrer sob a forma de drástica diminuição ou de concentração espacial e/ou
temporal da precipitação pluviométrica anual. Quando ocorre uma grande seca, a produção agrícola se perde, a pecuária é
debilitada ou dizimada, e as reservas de água de superfície se exaurem. Nessas condições, as camadas mais pobres da
população rural tornam-se inteiramente vulneráveis ao fenômeno climático. Historicamente, a sobrevivência daqueles
contingentes de pessoas tem dependido, seja das políticas oficiais de socorro, seja do recurso à emigração para outras
regiões ou para as áreas urbanas do próprio Nordeste.
     A ocorrência periódica de secas é um problema que a população do semiárido nordestino tem enfrentado secularmente, e
com o qual terá de conviver. Porém, a falta prolongada de chuvas em um determinado peno do só assume a dimensão de
calamidade pública devido à situação de pobreza em que vivem milhões de pessoas naquela parte do Nordeste brasileiro. A
escassez de chuvas no período do inverno ou a má distribuição espacial e/ou temporal das precipitações constituem, tão
somente, elementos desencadeadores de um processo que transforma em indigentes as camadas mais pobres da população
da zona semi-árida. Esse quadro não tem sofrido modificações com o passar do tempo.
     A irregularidade climática ocorre ciclicamente, de forma inexorável, mas as medidas oficiais para enfrentá-la não têm,
historicamente, apresentado a consistência e a continuidade que o problema requer. É bem verdade que o enfrentamento
dos efeitos calamitosos da seca representa um desafio de enormes proporções, e a sua mitigação exige um esforço
extraordinário por parte da sociedade brasileira.
     Concretamente, ocorre que uma extensa área do território brasileiro - a zona semi-árida do Nordeste apresenta condições
físico-climáticas desfavoráveis à atividade agropecuária de alta produtividade. Os obstáculos ao acesso à terra fazem com
que grandes contingentes de pessoas cultivem terras, suas ou de terceiros, cujas áreas são insuficientes para o
desenvolvimento de uma agropecuária que os mantenha acima do nível de subsistência. A impossibilidade de formarem
reservas econômicas leva aquelas pessoas à situação de indigência quando ocorre uma seca de maiores proporções.
     1. Quais são as causas climáticas da seca nordestina?
     2. Quais são os impactos sociais e econômicos da seca no Nordeste brasileiro? Justifique sua resposta.
     3. Quais seriam as medidas mitigadoras para a região do semiárido nordestino? Discuta com os colegas e escreva um
texto sobre o que foi discutido.

    Fenômenos climáticos
    El Nino
    O fenômeno climático EI Nino representa mudanças bruscas na circulação da atmosfera e conseqüentes alterações nos
índices pluviométricos e nas temperaturas em quase todo o planeta. O aquecimento anormal das águas superficiais e
profundas do oceano Pacífico equatorial e o enfraquecimento dos ventos alísios na região equatorial são os responsáveis por
essas mudanças.
    Normalmente, os ventos alísios de nordeste e de sudeste sopram sobre o Pacífico ocidental, empurrando as águas mais
quentes; com o fenômeno da ressurgência, ocorre o afloramento de águas mais profundas (portanto mais frias) do oceano.
Quando ocorre o fenômeno EI Nino, diminui a velocidade dos ventos alísios sobre o oceano Pacífico ocidental, e as águas
quentes ficam "paradas" na costa do Peru.
    Esse aquecimento das águas gera a formação de nuvens, devido à evaporação, principalmente no Pacífico equatorial
central e oriental. Outra consequência do fenômeno diz respeito à vida marinha: normalmente, o afloramento das águas mais
frias do oceano favorece a proliferação de nutrientes e microrganismos vindos de grandes profundidades do mar,
aumentando o volume de peixes na região; com o EI Nino, toda essa dinâmica favorável à proliferação da vida marinha é
alterada.

   La Nina
   O termo La Nina ou Anti-EI Nino denomina o fenômeno climático oposto ao EI Nino, constituindo-se em um resfriamento
das águas do Pacífico além do que normalmente ocorre. Esse fenômeno resulta da intensificação dos ventos alísios que
empurram as águas mais quentes para distâncias muito grandes da costa oeste da América do Sul. Em geral, episódios La
Nina têm frequência de dois a sete anos; todavia, eles têm ocorrido com menor frequência que o EI Nino durante as últimas
décadas.

   Ciclones
   Ciclones tropicais são massas de ar com baixa pressão atmosférica que se movem sobre os mares da região equatorial
da Terra. São chamados de furacões quando seus ventos alcançam mais de 120 km/h, movendo-se em espiral. Devido ao
movimento de rotação da Terra e ao efeito de Coriolis, que direciona os ventos de maneira oposta em cada um dos
hemisférios, os furacões formados no hemisfério None movem-se em sentido anti-horário, e aqueles formados no hemisfério
Sul se movem em sentido horário.
   Os ciclones formam-se quando a superfície do mar supera os 26 DC, o que faz com que o processo de evaporação da
água ocorra mais rapidamente. O ar acima da superfície absorve o vapor de água resultante da evaporação, ficando mais
quente e úmido. A partir daí, ele começa a subir, formando uma coluna com baixa pressão atmosférica em volta da qual
ventos começam a soprar. Conforme a coluna de ar quente e úmido sobe, o vapor de d'água condensa, levando à formação
de nuvens, chuvas e trovões. Quando os ventos que giram em volta da coluna de ar quente atingem 120 krn/h, a pressão
atmosférica em uma pequena área dentro da coluna cai muito depressa, aparecendo o chamado olho do furacão, local em
que o tempo é geralmente calmo.
   Existem evidências de que a frequência e a intensidade desses fenômenos climáticos têm aumentado em várias regiões
do planeta. Isso estaria relacionado ao aumento das temperaturas médias da superfície dos continentes e dos mares,
induzido por causas naturais e pelos efeitos de atividades humanas.

    Saiba mais - Como são dados os nomes dos furacões?
    Já virou tradição batizar co nomes próprios furacões que ocorrem nos países voltados para oceano Atlântico. Pouca
gente sabe, no entanto, que é definida com antecedência como um furacão irá se chamar. Pois é: existem seis listas,
elaboradas por especialistas da Organização Meteorológica Mundial, que trazem 26 nomes cada, um para cada letra do
alfabeto. A cada ano, uma delas é empregada e quando todas já foram utilizadas, volta-se a usar a primeira!
    Em geral, não passa de 26, o total de letras do alfabeto, o número de furacões por ano. Mas caso esse limite seja
ultrapassado, serão utilizadas letras do alfabeto grego, como alfa, beta, gama, etc.
    A prática de batizar os furacões com nomes próprios começou na década de 1950, quando os especialistas passaram a
identificar o fenômeno por meio das imagens de satélites. Até então eles eram chamados por números, e por vezes nem
chegavam a ser detectados, sobretudo quando nasciam e morriam sobre o oceano.

    Furacão no Brasil
    Em 27 de março de 2004, uma tempestade classificada como ciclone extratropical atingiu a costa sul do Brasil, entre
Laguna (SC) e Torres (RS), provocando chuvas fortes e ventos estimados em cerca de 150 km/h, causando destruição e
mortes em vários municípios da região. Após estudos, concluiu-se que o fenômeno, chamado de Catarina, por causa de
Santa Catarina, o estado mais atingido, foi o primeiro furacão de que se tem notícia no país.
    O ciclone provocou destelhamento e destruição completa de casas, de galpões e de estufas. Mais de 30 mil residências
foram danificadas. O furação também prejudicou a rede elétrica, destruindo transformadores e derrubando postes. Vários
municípios foram afetados pela falta de energia. No litoral, prédios foram devastados. O número de desalojados e
desabrigados em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul passou de 20 mil. Segundo dados da Defesa Civil dos dois estados,
o prejuízo foi de mais de R$ 1 bilhão.

    Previsão do tempo
    Cada vez mais a previsão do tempo é utilizada em nosso cotidiano como fonte de informações úteis ao planejamento de
diferentes atividades, desde um passeio à praia até atividades econômicas, como a pesca e a agricultura.
    Com o avanço tecnológico, as previsões meteorológicas são feitas com maior precisão. Satélites artificiais,
supercomputadores e instrumentos automatizados de coleta de dados meteorológicos ajudam na previsão mais precisa e
rápida da temperatura e, principalmente, da possibilidade de ocorrência de chuvas, temporais, nevascas, granizo, furacões e
outros fenômenos que podem causar danos graves à população.
                                           DINÂMICA CLIMÁTICA IV

    Poluição atmosférica
    A poluição do ar, em meados do século XVIII, era provocada basicamente pela queima de carvão mineral. Atualmente
são diversas as fontes poluidoras do ar, destacando-se a queima de derivados do petróleo (gasolina e diesel) nas cidades.
Pequim, São Paulo, Tóquio, Nova York e Cidade do México estão na lista das cidades mais poluídas. A queima desses
produtos lança monóxido de carbono e dióxido de carbono (gás carbônico) na atmosfera, o que gera problemas ambientais,
entre eles a chuva ácida e o aumento dos buracos na camada de ozônio e do efeito estufa. Este é um fenômeno natural que
mantém a superfície terrestre aquecida, o que permite a vida no planeta. Se não houvesse o efeito estufa, a temperatura da
Terra seria de cerca de - 20°C.
     Chuva ácida. A diminuição do pH da água da chuva resulta da combinação do vapor de água com os poluentes
atmosféricos oxido de nitrogênio e óxido de enxofre. Essa combinação dá origem aos ácidos nítrico e sulfúrico, altamente
prejudiciais ao solo, à vegetação, às águas e aos seres vivos. A chuva ácida faz diminuir o cálcio no solo, o que afeta o
crescimento das plantas. A perda de cálcio das folhas pode levar à morte da planta. A precipitação ácida também pode levar
ao desaparecimento de espécies aquáticas, além de intensificar a corrosão de materiais usados na construção de edifícios,
de pontes, de obras de arte expostas ao ar, entre outros objetos.
     Aumento dos buracos na camada de ozônio. A camada de ozônio é responsável por bloquear parte dos raios
ultravioleta do Sol, que em excesso podem causar diversas doenças, como câncer de pele. A destruição dessa camada é
causada pelos gases clorofluorcarbonos (CFC), usados como propelentes em aerossóis, como isolantes em equipamentos
de refrigeração e para produzir materiais plásticos. Tais gases, na estratosfera, reagem com o ozônio, dando origem a outras
substâncias que não têm a propriedade de proteger o planeta dos raios ultravioleta. Portanto, os gases CFC diminuem a
concentração de ozônio na atmosfera. A produção de CFC é proibida em muitos países, o que tem ajudado na recuperação
do ozônio na estratosfera.
     Aumento do efeito estufa. Ocorre devido a uma grande concentração de gases poluentes, os quais formam uma
camada na atmosfera que bloqueia a dissipação do calor. Entre os gases responsáveis por esse fenômeno estão o gás
carbônico (C02), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N20). A emissão contínua desses gases resulta na elevação gradual das
temperaturas médias do planeta Terra, o que passou a ser conhecido como aquecimento global.

    Aquecimento global
    A solução para o tão decantado aquecimento global pode estar num verdadeiro "balde de água fria -. A tese é do
renomado químico holandês Paul Crutzen. professor na Alemanha do Max Planck Institute for Chernistry e prêmio Nobel por
seus estudos sobre a formação e decomposição do ozônio na atmosfera terrestre. Segundo Crutzen, em um ano teríamos as
mesmas condições ambientais de três décadas atrás se o seu método fosse seguido: cobrir a atmosfera com uma camada de
enxofre para que ela reflita os raios solares e, assim, abrande o aquecimento. Essa injeção de partículas de enxofre, mais
precisamente na estratosfera (a mais alta camada da atmosfera) , resfriaria o planeta e daria tempo para os seres : humanos
reduzirem a emissões de gases causadores do efeito estufa - o enxofre não seria, dessa forma, uma solução em si, mas
funcionaria como um potente redutor de danos. As suas partículas seriam despejadas por balões de alta altitude ou lançadas
à camada estratosférica por uma artilharia pesada. Uma vez espalhadas pelo ar, elas funcionariam como minúsculos
espelhos mandando a luz do Sol de volta para o espaço. Perderíamos o azul do céu mas ganharíamos vida. Crutzen calcula
que a emissão necessária de enxofre, com efeito programado para dois anos, custe entre US$ 25 bilhões e US$ 50 bilhões.
    A fonte inspiradora desse projeto é natural e chama-se vulcão Mount Pinatubo, que entrou em erupção nas Filipinas em
1991. Aquela época, ele lançou toneladas de cinzas, gases e outros materiais a grandes altitudes.
    Ao pesquisar como essa erupção afetou o clima global, o cientista transformou a catástrofe em instrumento para ampliar o
seu conhecimento. Foi então que os pesquisadores da equipe de Crutzen descobriram que a pluma de enxofre lançada pelo
Mount Pinatubo esfriou a Terra em 0,9 grau Fahrenheit (0,5 grau Celsius) no ano seguinte à sua erupção. O estudo utiliza a
informação oficial da ONU de que nos últimos trinta anos a temperatura da Terra aumentou 0,6 grau Celsius, sendo possível,
portanto, reverter o aquecimento global para as condições que ele apresentava no final dos anos de 1970. "Com muito
menos enxofre do que o lançado pelo vulcão, poderemos resfriar a Terra", diz Crutzen.
     A proposta revolucionária para se combater o aquecimento global ganha cada vez mais adeptos na comunidade
científica - e eles se debruçam sobre o chamado "Projeto Enxofre" na tentativa de salvar a Terra. Todos integram o coro de
que é preciso tirá-lo o quanto antes do papel e colocá-lo em prática. Para o químico americano Mark Thiemens, da
Universidade da Califórnia, as erupções vulcânicas são uma pista para solucionar o grande problema ambiental do século: "A
natureza é o mais maravilhoso e preciso laboratório de que dispomos. Ela nos dá de presente alguns dos mais importantes
experimentos, mas precisamos aprender a observá-los com mais atenção para imitá-los no que têm de bom".
    Revendo conceitos
   1. Explique a diferença entre elementos climáticos e fatores climáticos.
   2. Relacione os elementos climáticos temperatura e pressão atmosférica com o fator climático altitude.
   3. Cite quais são os critérios analisados para a divisão das camadas da atmosfera e explique as principais propriedades
de cada uma delas.
   4. Como a radiação solar influencia na variação da temperatura do ar
   5. O que são massas de ar?
   6. Quais são as principais características dos climas tropical e mediterrâneo?
   7. Explique a diversidade climática do território brasileiro.
   8. Cite e explique dois tipos climáticos predominantes no Brasil.
   9. Explique a origem e as conseqüências dos fenômenos El Nino e La Nina.
   10. Qual é a importância da previsão do tempo? Cite dois exemplos do uso da previsão nas atividades do dia a dia.

				
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posted:12/4/2011
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