1. ELEMENTOS DE ECONOMIA E POLÍTICA INTERNACIONAL
Contexto Histórico
Banco Mundial
FMI
ONU
OMC
Globalização Econômica
Neoliberalismo
Os Fluxos de Capital e as Dívidas Externas
Crise financeira mundial de 2008
2. GEOPOLÍTICA
Questão das Nacionalidades
Questão do Oriente Médio, Ásia e Terrorismo Internacional
África
América Latina e Haiti
3. DESENVOLVIMENTO E INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS E CIENTÍFICAS
Lei de Biossegurança
Bioética
Células Tronco
Transgênicos
Tecnologia
4. ENERGIA
Histórico
Fontes de Energia
Política Energética Brasileira
Petróleo
Gás Natural
Urânio
Hidrelétricas
Pró-alcool
Biocombustíveis
5. MEIO AMBIENTE
Desenvolvimento Sustentável
Responsabilidade social
Ecologia
Aquecimento Global
Protocolo de Kyoto
6. GOVERNO LULA
Política
Economia
Sociedade
Relações internacionais
1. ELEMENTOS DE ECONOMIA E POLÍTICA – RELAÇÕES INTERNACIONAIS
1.1 Contexto Histórico
Sobre o processo de globalização planetária, que extrapola a questão econômica, temos que entender
que sua origem remonta ao surgimento do próprio capitalismo. O marco do nascimento do sistema capitalista
está ligado à crise do feudalismo, quando os problemas gerados pela superpopulação e a fome, já no século
XI, foram solucionados pelas seguintes transformações: a fuga de servos para pequenas vilas e antigas cidades
ampliando as incipientes atividades de produção e comércio; as pestes; o desenvolvimento de novas
tecnologias de produção e a abertura de novas fronteiras agrícolas (degradação ambiental) e as Cruzadas.
A mais importante transformação ocorrida com o processo cruzadístico foi o Renascimento
Comercial e Urbano projetando uma nova e endinheirada classe social, a burguesia, ampliando também a
contradição entre o comércio e o sistema feudal. Para a burguesia continuar com processo de
desenvolvimento de suas atividades e sua conseqüente acumulação de capitais, foi necessário derrubar o
sistema feudal centralizando o poder nas mãos de um rei comprometido, em um primeiro momento, com os
interesses burgueses, unificando, assim, os impostos e a moeda.
Os interesses burgueses eram representados pelos reis absolutos em seus Estados Nacionais (países)
por intermédio de uma política econômica chamada Mercantilismo. De acordo com esta tese o Estado
promoveria a capitalização da burguesia por intermédio da manutenção de uma balança comercial favorável
por intermédio de políticas intervencionistas e do protecionismo alfandegário.
A Baixa Idade Média e a Idade Moderna significam a transição do sistema feudal para o capitalista e
juntas formam o período da primeira fase do sistema capitalista, o Capitalismo Comercial ou Mercantil.
Durante a Baixa Idade Média ainda existiam mais características feudais, enquanto no período da Idade
Moderna, o capitalismo já se afirmava enquanto sistema dominante, porém sua consolidação e
internacionalização definitiva ocorrem após a Revolução Industrial (séculos XVIII e XIX).
Ainda no fim da Idade Média, quando o capitalismo europeu passou a ter a necessidade de se
expandir, Portugal, o primeiro Estado Nacional, inicia o processo de Expansão Marítima e Comercial
Européia dos séculos XV e XVI. Esse processo foi responsável por iniciar a padronização econômica, social,
política e cultural do planeta com a chamada europeização.
O sistema colonial, fruto da combinação entre as teses mercantilistas e a Expansão Marítima e
Comercial Européia, foi responsável por um fenômeno chamado acumulação primitiva de capitais. Este
processo de acumulação se deu graças à exploração colonial com o tráfico negreiro e o pacto-colonial que é a
relação de comércio imposta pela metrópole, na qual a colônia fornece produtos primários e consome
produtos manufaturados, sustentando assim a balança comercial favorável das metrópoles.
Em seguida, outro momento importantíssimo para o capitalismo foi à revolução industrial dos
séculos XVIII e XIX que marca o início da segunda fase do sistema, o Capitalismo Industrial. Após a segunda
revolução industrial (meados do século XIX) o mundo passará a vivenciar o desenvolvimento da física, da
química e da medicina, mudanças essas que transformaram todo o planeta.
A Era das Revoluções ampliou a perspectiva de lucros da classe burguesa que, para isso, passou a
necessitar, novamente, de mercados fornecedores de alimentos e matérias-primas, para também receber os
excedentes populacionais e de capital (queima de capitais) dos europeus, além de servirem de consumidores
dos produtos industrializados produzidos nos países centrais. O imperialismo, essa disputa por dominar
mercados, vai levar as potências européias aos confrontos mundiais da primeira metade do século XX, e suas
conseqüências vão configurar nosso mundo moderno.
As duas guerras mundiais, na verdade, foram conseqüências dessa necessidade de ampliação de
mercados (imperialismo), que produziram o domínio estadunidense da América e a partilha afro-asiática
como conseqüência da segunda revolução industrial. Essa situação, aliada às unificações tardias da Itália e
Alemanha (1870), que ficaram com as piores extensões coloniais da África e sem posses na Ásia, enquanto
que a Inglaterra e a França se apoderam das melhores áreas consolidando-se como potências industriais e
deixando somente a via do conflito para suprir a necessidade de expansão de mercados dos países de
unificação tardia.
Após a segunda guerra mundial o capitalismo passará a adotar, de forma extensiva, sua terceira
etapa, o Capitalismo Financeiro, pois, após a crise de 1929, o sistema percebeu que não pode mais contar
somente com a produção de bens para gerar lucros.
O Capitalismo financeiro parte da premissa de que se deve ganhar dinheiro com dinheiro e isto só é
possível se houver um processo intenso de endividamento planetário. O primeiro momento de endividamento
intenso se deu nos países subdesenvolvido que optaram por um processo de desenvolvimento econômico
industrial conhecido como entreguista. As nações subdesenvolvidas pegaram dinheiro emprestado com os
desenvolvidos para investirem em infra-estrutura (energia e transporte) e, a partir daí, receberem as
multinacionais desses países ricos se endividando e entregando nosso mercado interno para o capital externo,
criando assim uma situação de dependência em relação aos países de centro.
E, ao final do século XX e início do XXI, chegou a vez do endividamento dos países ricos e da
pessoa física. Como exemplo, podemos citar o governo Bush (2000 a 2008) que com sua guerra contra o
terror conseguiu gerar uma dívida de 1 trilhão de dólares e, por outro lado podemos também citar o processo
de endividamento pessoal que se alastra por intermédio da farra do crédito que nos EUA foi intenso no
sistema habitacional e no Brasil no incentivo ao financiamento de automóveis.
Após a segunda guerra a indústria eletrônica criou centenas de novos produtos dando também um
novo impulso a indústria automobilística. O desenvolvimento da petroquímica gerou a indústria de plásticos e
fibras sintéticas e a aviação civil se beneficiou com os avanços da guerra produzindo mais uma revolução nos
transportes. Isso sem contar com o desenvolvimento da energia nuclear.
Porém, após a Segunda Guerra, o mundo se dividirá em dois blocos antagônicos que travaram uma
guerra velada sem confronto direto, a Guerra Fria. Esse sistema internacional será marcado pela bipolaridade
de poder entre os Estados Unidos e a União Soviética, superpotências nucleares que dividiram a Europa em
esferas de influência. A Europa Ocidental manteve uma economia de mercado desregulamentada inserindo-se
no bloco geopolítico alinhado aos Estados Unidos, que se tornou o catalisador da reconstrução da economia
capitalista. Enquanto isso, a Europa Oriental apresentava-se como um bloco geopolítico subordinado à União
Soviética, que liderava o bloco dos países com economias estatizadas, centralmente planificadas e isoladas do
mundo capitalista.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar liderada pelos Estados Unidos,
e o Pacto de Varsóvia, aliança militar liderada pela União Soviética, dividiram o espaço europeu. Os blocos
geopolíticos antagônicos estavam separados pela fronteira estratégica da chamada Cortina de Ferro. A
rivalidade entre as superpotências nucleares, evidente nos campos político, militar, econômico e ideológico,
estenderam-se para além da Europa, adquirindo contornos globais, expressando-se inclusive em conflitos
políticos ou militares na Ásia, África e América Latina.
A Guerra Fria estabeleceu-se com a Doutrina Truman, de 1947, quando os Estados Unidos
declararam que a "contenção da União Soviética" constituía o eixo da sua política internacional. Porém,
alguns historiadores acreditam que o marco inicial da guerra fria estaria ligado às explosões das bombas
atômicas, momento em que os EUA demonstram ao mundo seu poder nuclear. Esse sistema bipolar perdurou
até a queda do muro de Berlim, em 1989, e a dissolução da URSS, em 1991.
Uma outra situação que se aprofunda no quadro do pós-guerra é uma outra bipolarização que o
planeta apresenta, a divisão dos países entre os desenvolvidos e os subdesenvolvidos. Esses conceitos foram
elaborados, originalmente, em função do grau de industrialização dos diversos países. Até meados do século
XX, países desenvolvidos eram aqueles cuja economia estava fundamentada na produção industrial e países
subdesenvolvidos aqueles em que a economia se assentava em uma base primária (agrícola ou mineral).
No pós-guerra, a economia global sofreu profundas transformações. A planificação central da
economia acelerou o crescimento industrial da antiga União Soviética e dos países do antigo bloco socialista
no Leste europeu. A desconcentração geográfica da indústria e a conseqüente industrialização de inúmeras
áreas da periferia do mundo capitalista levaram as chaminés das fábricas até os países subdesenvolvidos, na
América Latina e na Ásia.
Esse vasto processo histórico não eliminou as diferenças entre os níveis de desenvolvimento das
economias nacionais. Mas provocou uma revisão dos conceitos de desenvolvimento e subdesenvolvimento.
Atualmente, a separação entre esses dois conjuntos de países decorre, principalmente, do controle sobre
grandes massas de capitais e do domínio das tecnologias de ponta, criando uma nova nomenclatura indicativa:
países de centro e países periféricos.
A imensa maioria das empresas multinacionais e das instituições financeiras globais, têm suas sedes
nos países desenvolvidos (centrais). Essas empresas e instituições controlam a parcela principal dos capitais
investidos na produção ou nos mercados financeiros. Ao mesmo tempo, os conglomerados industriais e os
centros de pesquisa dos países desenvolvidos produzem as inovações tecnológicas e científicas que lhes
possibilitam a liderança do sistema global.
O capitalismo para aprofundar a intensidade do comércio internacional e aumentar a lucratividade
das grandes corporações, precisou criar mecanismos para facilitar o fluxo de capitais e a formação de grandes
blocos econômicos englobando várias nações (formato atual da Globalização). Esse processo não se deu só
por causa do fim da bipolarização mundial, com a queda do muro de Berlim, a desintegração da URSS e do
leste europeu, assim como a abertura para o mercado da China, esse fenômeno já vinha se organizando havia
bastante tempo, pois ele, como já vimos, faz parte da própria necessidade de expansão do sistema capitalista,
sendo assim, inerente ao próprio sistema.
Os países da Europa que formaram a Comunidade Econômica Européia (CEE) com o Tratado de
Roma em 1957, já estudavam essa questão desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Em outras partes do
mundo, essas negociações também já eram antigas, portanto podemos concluir que o fim da Guerra Fria foi
somente o marco da generalização do processo atual da globalização econômica e que esta, está ligada
umbilicalmente aos tratados assinados nas conferências do final da Segunda Guerra Mundial.
1.2 Conferência de Bretton Woods: Banco Mundial
Concebido durante a Segunda Guerra Mundial na Conferência de Bretton Woods (EUA/1944), o
Banco Mundial inicialmente ajudou a reconstruir a Europa, alocando recursos para o Plano Marshall. Após a
Guerra, o Banco se torna uma instituição de desenvolvimento econômico e de infra-estrutura (energia,
transporte e urbanização). O trabalho de reconstrução se tornou permanente e com um enfoque muito
importante para o Banco Mundial. Além do socorro aos desastres naturais, as emergências humanitárias, as
guerras e as ameaças de epidemias, atualmente a principal meta do Banco Mundial é a redução da pobreza no
mundo em desenvolvimento.
O grupo do Banco Mundial é constituído por cinco instituições estreitamente relacionadas e sob uma
única presidência. Dentre eles o destaque é para o BIRD – Banco Interamericano para a Reconstrução e
Desenvolvimento – que tem como linha de atuação o financiamento, inclusive a fundo perdido, de projetos de
reconstrução, infra-estrutura urbana e sanitária, infra-estrutura econômica e inclusão social, por intermédio de
financiamento para pequenos investimentos familiares e projetos de desenvolvimento sustentável. O poder de
voto de cada país-membro está vinculado às suas cotas de capital, que, é claro, estão baseadas no poder
econômico que cada país possui.
O Banco oferece assessoria técnica e econômica por meio de suas equipes ou missões, como são
chamadas. Para o levantamento de fundos o BIRD recorre ao Mercado Financeiro Internacional para proceder
seus empréstimos a juros mais baixos para os países do Terceiro Mundo e países de rendas médias com bons
antecedentes de crédito. Quando o BIRD toma esta atitude, o país favorecido passa a ter maior credibilidade
no mercado financeiro internacional. Esses recursos são obtidos por meio da venda de títulos nos mercados
internacionais de capital.
O BIRD nunca deixou de cumprir seus compromissos com as entidades financeiras internacionais,
pois, além dos altos recursos em ativos que possui, ele mantém sua lucratividade para os países centrais, e,
por isso, o Banco tem o Grau de Investimento (AAA), classificação internacional que demonstra total
confiança ao fazer pedidos de empréstimos no mercado financeiro internacional.
Ultimamente o BIRD, tem se dedicado a elaborar um levantamento mundial sobre a realidade sócio-
econômica dos países pobres. Segundo as análises do Banco Mundial os países subdesenvolvidos devem
voltar a priorizar suas atividades primárias como agricultura, pecuária e extrativismo, sob a forma de
commodities e, se possível, desestimular ou até desmontar sua modernização industrial devido ao atraso de
seus parques produtivos e, portanto, ao alto grau de degradação ambiental que eles promovem. Outra
justificativa para este comportamento do BIRD é a falta de capacidade competitiva destes países no comércio
mundial. Essa postura deixa claro o interesse das grandes potências em manter os países pobres sobre o
domínio de sua indústria e de sua tecnologia.
Dos últimos anúncios sobre linhas de crédito para o Brasil, no fim de outubro de 2007, o Banco
anunciou que emprestaria recursos para a formação de cooperativas de pequenos agricultores para a produção
de oleaginosas, tais como babaçu, palma, girassol e mamona, entre outras, com a finalidade de fornecer
matéria prima para o biodiesel. Essa medida produzirá distribuição de renda em nosso país e foi uma resposta
ao pedido do governo brasileiro.
Quanto ao Distrito Federal, podemos citar os exemplos de investimento do Banco em obras e infra-
estrutura urbana nos assentamentos feitos pelo governo Roriz e ultimamente, no governo Arruda, os
empréstimos para a implantação do sistema de transporte interligando ônibus e metrô, o Brasília Integrada, a
linha verde e o VLT (veículo leve sobre trilhos).
Outro fato curioso acontece depois do encontro entre o presidente Lula e o presidente Barac Obama
dos EUA que lançou a candidatura do presidente brasileiro a presidência do Banco Mundial em março de
2009.
1.3 Conferência de Bretton Woods: FMI – Fundo Monetário Internacional
Ainda na Conferência de Bretton Woods, uma das mais importantes para a caracterização da
economia capitalista do pós-guerra, definiu-se o padrão ouro-dólar de conversão internacional para dar lastro
as moedas dos países com economia de mercado (35 dólares por uma Onça Toy de ouro - 31,1 gramas), além
do governo norte-americano garantir a troca nesta paridade. Assim o dólar passa a ser a moeda do comércio
internacional demonstrando a força da potência estadunidense no mundo bipolar e essa situação perdurou até
1973 com a primeira crise internacional do petróleo.
Esta conferência criou também o Fundo Monetário Internacional, o FMI, ao qual caberia a função de
zelar pela estabilidade financeira mundial, inclusive garantindo empréstimos a curto prazo aos países que
estivessem em dificuldades para fechar seu balanço de pagamentos, captando recursos no mercado financeiro
e repassando-os a estes países. Caberia também ao FMI zelar pela estabilidade nas taxas de câmbio, pela
paridade e conversibilidade das moedas dos vários países membros, tendo o dólar como padrão de referência.
Os países-membros do Fundo têm cotas de participação no organismo e o direito de voto é
proporcional ao montante de cotas. Os Estados Unidos, seguidos pelo Japão e pelas grande potências
européias detêm as maiores cotas. A partir de 1980 o FMI passa a assumir o papel de intermediário entre os
bancos credores e os países devedores.
Com a atual crise econômica os países emergentes passaram a exigir uma maior participação no
FMI, inclusive com relação à ampliação do direito de voto, pleito aceito pelo fundo que ampliou em 5% a
participação dos emergentes. No caso brasileiro, uma novidade inédita foi o anuncio de que o país passará a
ser credor do Fundo com a compra de 10 bilhões de dólares em cotas que serão resgatadas com dez anos.
O problema dos acordos que países insolventes (“quebrados”) fazem com o FMI está na grande
ingerência do fundo na política econômica destes países. Uma das imposições mais cruéis do Fundo é o
Superávit Primário, que determina ao país devedor uma retirada mensal de parte de seu orçamento anual,
proporcional ao seu PIB, para ficar vinculado ao pagamento de seus débitos e, assim, comprovar a capacidade
de pagamento de suas dividas, deixando estes recursos indisponíveis para serem aplicados em infra-estrutura
dificultando assim o próprio crescimento econômico do país.
A Conferência de Bretton Woods ao criar o padrão de conversão dólar-ouro, o Banco Mundial e o
FMI deixa claro sua preocupação de organizar as regras do novo jogo monetário, comercial e financeiro
internacional, além de zelar pela estabilidade do sistema.
1.4 Conferência de São Francisco: ONU – Organização das Nações Unidas
Após a Segunda Guerra Mundial, os países vencedores, reunidos na Conferência de São Francisco
nos EUA em 1945, criam a Organização das Nações Unidas com a finalidade de preservar a paz e a segurança
mundial, além de promover a cooperação internacional para resolver problemas econômicos, sociais, culturais
e humanitários. A idéia era que a ONU substituísse a fracassada Liga das Nações criada após a Primeira
Guerra e com praticamente os mesmos objetivos.
A ONU é composta por vários órgãos e dentre os mais importantes, podemos destacar a Assembléia
Geral (que somente faz recomendações) e analisa questões referentes aos seus dois pólos de ação. Com
relação a questão das ações humanitárias podemos destacar os seguintes órgãos: FAO, Unesco, Unifem,
Unicef, Care, Cepal, entre outros. Este é o aspecto mais positivo da ONU e podemos inclusive citar o relatório
de 2007 da Unicef que aponta para a queda no índice de mortalidade infantil em todo o planeta e destaca
como principais causas as campanhas de vacinação e amamentação e os programas de transferência de renda.
Além da Unicef podemos citar dois exemplos interessantíssimos oriundos das pesquisas e do
monitoramento da FAO, órgão responsável pela agricultura e distribuição de alimentos. Em dezembro de
2007 afirmou já haver mais crianças obesas do que subnutridas no planeta e esta não é uma boa notícia porque
na verdade a razão deste fato reside na péssima qualidade dos alimentos ingeridos pelas populações de baixa
renda. Já em Janeiro de 2008 o mercado é informado sobre a ameaça da crise de alimentos, desta vez no
primeiro mundo. Imediatamente busca-se culpar o biocombustível, principalmente o brasileiro, porém a maior
ameaça, no momento, é o próprio boicombustível dos EUA (milho) e da União Européia (oleaginosas –
biodiesel), o protecionismo das economias de centro, o crescimento dos emergentes e, a época, os altos preços
do petróleo (2007/2008).
O órgão máximo da ONU é a Assembléia Geral, porém o mais importante é o Conselho de
Segurança, responsável pela manutenção da paz em todo o planeta. O Conselho de Segurança é composto por
quinze membros, cinco são permanentes e com poder de veto, os EUA, a Rússia, a China, o Reino Unido e a
França, que possuem o poder de voto e veto, além de dez membros eleitos pela Assembléia Geral para um
mandato de dois anos que possuem o poder de propor ações (voz). Sua função é investigar conflitos e disputas
internas ou entre países e recomendar acordos de paz, sanções militares, econômicas ou diplomáticas e até
mesmo utilizar o uso da força militar em intervenções diretas.
Os grandes problemas enfrentados pelo Conselho de Segurança estão geralmente relacionados a duas
questões básicas: o petróleo e a produção de armas nucleares e isto fica claro ao analisamos a Guerra do
Iraque, quando os EUA derrubaram o governo de Sadam Houssein, alegando o perigo do uso de armas
químicas e ficando livre de um presidente que cogitava a venda de petróleo em Euro. Essa questão de quebra
da multilateralidade gerou uma grave crise de credibilidade para o Conselho, quando os EUA e a Inglaterra
desobedeceram o veto imposto pelos votos contrários ao conflito por parte da Rússia, França e China.
Na tentativa de encaminhar soluções para essa crise o Brasil, enquanto membro provisório do
Conselho, propôs a reforma do órgão com a entrada de três emergentes (Brasil, Índia e África do Sul), além
das poderosas economias do Japão (2ª maior) e da Alemanha (4ª maior). Essa proposta enfrenta resistência da
China por causa da inimizade diplomática e centenária com o Japão.
Outros casos polêmicos são os programas nucleares da Coréia do Norte, que já testou uma pequena
bomba além de um foguete de longo alcance. Porém, em outubro de 2007, o governo norte coreano iniciou as
negociações a com a ONU e os países do G-8, e a paralisação do seu programa nuclear só se efetivou após o
acordo com o Conselho de Segurança em agosto de 2008, momento em que os coreanos destruíram uma usina
e seu reator nuclear.
Em 2009, a Coréia do Norte rompeu o acordo de reaproximação com a Coréia do Sul e ameaça
derrubar os aviões sul coreanos que passassem sobre seu espaço aéreo numa clara retaliação as manobras de
guerra promovidas pela Coréia do Sul e os EUA no mar do Japão.
Além disso, A Coréia do Norte quebrou, também em 2009, o acordo com a ONU voltando a
enriquecer urânio e testando outra bomba atômica com alto poder de destruição, além de testar mísseis de
longo e curto alcance no mar do Japão e no oceano pacífico e o fato mais interessante foi a data dos testes dos
mísseis, 4 de julho (independência dos EUA).
Com relação ao Irã, o país desrespeitou todas as exigências do Conselho de Segurança e não
interrompeu seu programa nuclear, pois nega a intenção de produzir armas atômicas. Pó isso recebeu pesadas
sanções militares e econômicas determinadas pela ONU, porém ainda não se admitiu a intervenção direta
como solução para o conflito. Já em fevereiro de 2009, nas comemorações de 30 anos da revolução islâmica,
o governo iraniano testou um míssil de longo alcance, porém reafirmou a intenção pacífica para seu
desenvolvimento tecnológico.
Outro problema sério problema monitorado pelo Conselho de Segurança são às questões de
separatismo na Europa e no Cáucaso. O anúncio da Proclamação da independência do Kosovo e a tentativa de
separação da Geórgia não são um problema exclusivo da Sérvia e da Rússia. Vários são os países que
vivenciam estas ameaças em todo o planeta e como exemplo podemos citar, na Europa, os movimentos
separatistas na Irlanda do Norte (IRA), na Espanha com os Bascos (ETA) e catalões no sul, na Bélgica, na
Itália e na Grécia, e aqui na América do Sul o caso da tentativa de secessão dos departamentos (estados) ricos
da Bolívia.
1.5 Conferência de Havana: OMC – Organização Mundial do Comércio
Na Conferência Econômica de Havana em 1947, foi criado o GATT - Acordo Geral de Tarifas e
Comércio - com o objetivo de estimular o comércio em nível mundial, combatendo práticas protecionistas e
regulamentando o mercado internacional. O objetivo é promover o crescimento dos fluxos comerciais
internacionais e diminuir as tarifas, taxas e barreiras comerciais.
O poder, em nível de relações internacionais após a II Guerra, seria condicionado pela
disponibilidade de capitais, o avanço tecnológico, a qualificação de mão de obra, o nível de produtividade e
os índices de competitividade. Portanto se fazia necessário um ordenamento jurídico internacional para as
relações econômicas, principalmente após o fim do socialismo real.
Sendo assim a partir de 1995 o GATT passou a denominar-se Organização Mundial do Comércio
(OMC), procurando aumentar a sua influência nas questões mundiais de comércio ampliando o
multilateralismo. Seu princípio mais importante é o de não-discriminação entre as nações, determinando que
toda vantagem, favor ou privilégio concedido bilateralmente envolvendo tarifas aduaneiras deve ser estendido
imediatamente aos países membros.
Um importante aspecto da atuação da OMC são os julgamentos produzidos por esta instituição, que
assumiu o papel de Tribunal Comercial dando a palavra final nas pendências do comércio internacional entre
países membros, protegendo inclusive a propriedade intelectual e cultural desses países. Já os acordos
comerciais tem que ser tomados por consenso entre os membros e para tanto foi criado em 2001 as Rodadas
de Doha (capital do Catar).
Dentre as últimas reuniões da OMC, em Cancum no México (2004), e em Hong Kong (2005) que
terminaram sem maiores resultados práticos, ficou claro a grande contradição dos países ricos que falam em
um mundo globalizado e neoliberal, porém, mantém práticas intervencionistas, como a política de subsídios,
principalmente no setor agro-pecuário, além de manterem uma política protecionista em relação aos produtos
dos países emergentes. Outro agravante dessa questão esta no protecionismo que os países emergentes e
pobres também utilizam no setor de tecnologia.
Destacam-se nestas reuniões a organização dos países em desenvolvimento por intermédio da criação
do G21. Com participação decisiva da diplomacia brasileira estes países negociam em bloco os problemas
oriundos das políticas protecionistas (mercantilistas) praticadas tanto pelos EUA, quanto pela União Européia.
Sua composição traz a união entre os 3 emergentes que não gozam do status de desenvolvidos (Brasil, Índia e
África do Sul) e os países em desenvolvimento.
Hoje tem se falado incessantemente tanto no G8, quanto no Fórum Econômico de Davos, na Suíça e
nas reuniões do G20, sobre a necessidade de se retomarem as reuniões de deliberação da OMC, pois se faz
necessário e urgente encontrar uma saída para o impasse que toma conta das relações comerciais entre pobres
e ricos. Nos anos de 2006 e 2007 sequer aconteceram as Rodadas de Doha e em 2008 houve a reunião em
Genebra e mais uma vez sem produzir um acordo em relação ao protecionismo e o intervencionismo nas
relações comerciais internacionais.
O Brasil tem se esforçado na tentativa de se produzir um acordo na Rodada de Doha defendendo a
tese de que só com o fim dos subsídios e do protecionismo é que o planeta sairá mais depressa da atual crise
mundial.
Ainda com relação ao Brasil, as vitórias nas contendas dentro da OMC são muitas. Podemos citar os
absurdos que foram reconhecidos pela OMC com relação as patentes de cupuaçu e açaí, registrados pelos
japoneses, e a rapadura e a cachaça, registrada pelos alemães. Junto a União Européia o Brasil conseguiu
diminuir os impostos sobre o algodão, a carne e o açúcar, e também conseguiu manter um decreto que
impedia a compra de pneus usados da Europa. Com os EUA conseguimos baixar impostos sobre o algodão, as
frutas, o álcool e o açúcar e atualmente (2009) recebemos o direito de utilizar política de salvaguarda em
relação a produtos estadunidenses devido ao reconhecimento da OMC em relação aos prejuízos da sobretaxa
em relação ao nosso algodão. Contra os Canadenses foram duas vitórias: derrubamos a proibição da compra
da nossa carne (nos acusávamos de contaminação por febre aftosa) e vencemos também a tentativa da
empresa de aviões Bombardie de impedir a participação da Embraer em licitações internacionais.
1.6 A Globalização Econômica
Percebe-se que todos os mecanismos e instituições criadas a partir da Segunda Guerra Mundial
visam com exclusividade à manutenção do sistema econômico capitalista de mercado, preparando o planeta
para o processo de globalização econômica.
A partir da década de 1970, o capitalismo internacional buscou novas formas de organização. A
ampliação dos grandes conglomerados, representados pelas indústrias multinacionais, fez desaparecer a idéia
de capital nacional. Os governos se aliaram ao capital privado na tarefa de criar grandes pólos econômicos
para entrarem no mercado internacional mais fortalecidos.
Na configuração atual da globalização com a formação de grandes Blocos Econômicos, fica muito
difícil, para um país isolado, competir no mercado internacional. Por isso, a tendência mundial é que todos os
países acabem entrando nos grupos já existentes ou formem novos grupos. Esta tendência se verifica também
no volume de dois terços das exportações mundiais constituir-se de máquinas, equipamentos, peças e partes
de produtos que circulam entre matrizes e filiais de conglomerados multinacionais, o que permite uma maior
rentabilidade ao capital internacional, agora em escala mundial e não mais nacional.
O rito de instalação dos Blocos Econômicos obedece aos seguintes passos: Acordos Bi ou
Multilaterais que criam as Zonas de Livre Comércio, avançando para a União Aduaneira formando os
chamados Mercados Comuns que darão origem a União Econômica e Monetária (criação de uma moeda
única), em seguida, formar-se-á o Parlamento Comum e os últimos passos para a integração total são a
aprovação da Constituição Comum aos países do Bloco e a montagem de uma infra-estrutura de energia e
transporte comuns, além de um exército único para o bloco.
O processo de globalização da economia capitalista de mercado em todo o planeta possui
características que lhe são peculiares nesta etapa de desenvolvimento. Sendo assim podemos destacar como
características fundamentais:
1. A eliminação das barreiras alfandegárias entre os países membros;
2. A livre circulação de pessoas, trabalhadores e capital;
3. Investimentos em países e regiões menos desenvolvidas;
4. Intercâmbio tecno-científico;
5. A homogeneização dos espaços econômicos por intermédio do domínio cultural;
6. Desprezo ao conjunto das economias nacionais;
7. Desmembramento das cadeias de produção entre diversos países;
8. Nova redivisão internacional do trabalho por intermédio da transferência de indústrias
pesadas e poluentes com necessidade de menor qualificação da mão de obra para países
pobres sem legislação trabalhista e ambiental e sem um eficiente aparelho de
fiscalização do estado;
9. Nova hierarquização dos países;
10. Legislação homogênea (econômica e trabalhista) para evitar políticas diferenciadas;
11. Padronização da cultura, do consumo e da produção;
12. Formação de grandes fusões empresariais
13. Sistema de defesa comum entre os países do bloco.
Ao se instalar o processo de globalização, os países nele integrados passam a desenvolver
importantes conseqüências, tais como:
1. Crescimento dos oligopólios e eliminação de empresas de atuação regional que não
operam de forma internacional;
2. Desnacionalização e falências de empresas de países em desenvolvimento;
3. Pouco crescimento da produtividade média do trabalho, da expansão do comércio
internacional e do bem estar social;
4. Desregulamentação das economias nacionais;
5. Maior casamento entre o Capital e o Estado que sustenta, cada vez mais, as redes de
produção de bens, serviços, financiamentos e tecnologia;
6. Desenvolvimento do capital especulativo, que não tem pátria, por intermédio de bolsas
de valores, corretoras, bancos e fundos de pensão e de gestão de ações que possuem
extrema liquidez com uma observação importante que é: o capital não tem
compromisso social e nem político em relação ao país que ele explora;
7. Fragilização dos espaços e dos Estados nacionais;
8. Terceiromundização dos países desenvolvidos com a emergência de características dos
países subdesenvolvidos nas sociedades dos países centrais, gerando distúrbios como
aconteceu nas periferias de cidades francesas no final de 2005;
9. Necessidade de reformas que acabem com a alta proteção social; flexibilização da
legislação trabalhista (sem estabilidade para os trabalhadores cria-se um clima mais
favorável para a proliferação de empresas);
10. Enfraquecimento do movimento sindical;
11. Desemprego estrutural;
12. Globalização de “mão única” privilegiando um país do Bloco em detrimento dos
demais (NAFTA).
Para o 3º mundo as conseqüências ainda são mais terríveis. Com o desenvolvimento tecnológico e
científico expressos pela robótica e da informação on line (internet), acabam por produzir um verdadeiro
aparthaid tecnossocial devido às desigualdades na formação do conhecimento. Este desenvolvimento
tecnológico aplicado à produção gera desemprego, como já vimos, aumentando a marginalidade e a violência
social devido à exclusão que o capitalismo globalizado amplia nas regiões periféricas. Isto tudo sem contar
com a fragilização característica do Estado Mínimo que por isso, perde a capacidade de fiscalização e de
intervenção para evitar abusos por parte do empresariado.
Os principais blocos econômicos formados nesse processo são:
I. EU (Tratado de Roma, 1957: Comunidade Européia e Tratado de Maastrich, 1992:
União Européia) – Engloba vinte e sete países: França, Holanda, Bélgica, Espanha, Portugal, Irlanda,
Luxemburgo, Alemanha, Itália, Dinamarca, Reino Unido, Suécia, Grécia, Austrália, Finlândia, República
Tcheca, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Hungria, Malta, Polônia. Os últimos
(2007) foram Bulgária e Romênia. Croácia, Macedônia e Turquia são os próximos candidatos à adesão.
Conforme o rito de instalação, o mercado comum mais desenvolvido é a União Européia que
enfrenta dois problemas que são a aceitação do Euro na Inglaterra, Suécia e Dinamarca, que não abrem mão
do uso de suas moedas locais, além da elaboração e do referendo de uma nova constituição, visto que em
2005 o projeto de constituição comum foi rejeitado na Dinamarca, Holanda e França com o parlamento
europeu desistindo desse projeto.
Outra questão que se tornou um problema para a União Européia é a entrada da Turquia, que já era
esperada para o início de 2007. Embora a economia turca seja tão importante devido sua posição geográfica,
existe um forte temor, pois, a entrada da Turquia na União Européia pode facilitar o livre trânsito de
fundamentalistas islâmicos, o que assusta o povo europeu com a “ameaça do terrorismo”. Este ponto também
retrata o preconceito em relação aos povos árabes. Outra questão fundamental que sustenta o impasse é a
questão cultural. Muitos dos hábitos muçulmanos não se adaptam ao mundo capitalista globalizado e a seus
valores, e como exemplo podemos citar a pena de morte.
A Turquia tem demonstrado esforços para sua entrada no Bloco. Aprovou uma emenda
constitucional institucionalizando o Estado Laico, em substituição ao Estado Islâmico. E as duas últimas
eleições foram vencidas pelo partido AKP (islâmico moderado) que tem feito as reformas globalizantes como
a abertura do mercado e as privatizações (neoliberalismo). Outro problema para a relação com os europeus é
representado pelo partido PKK (partido dos trabalhadores curdos) que tem um grupo que faz uso de práticas
de guerrilha e terrorismo para a criação de um estado curdo no norte da Turquia.
Ultimamente as questões que mais afetam a União Européia são: o perigo dos movimentos
emancipacionistas em vários países do continente, a crise econômica mundial de 2008/2009 que empurrou a
União Européia para a recessão, as diferenças históricas, o movimento migratório e o crescimento da
população islâmica.
A última medida tomada pelo parlamento europeu foi a aprovação do tratado de Lisboa que estipulou
a adoção do voto por maioria qualificada (em vez de unanimidade), e criou o cargo de presidente da UE,
eleito por cinco anos para chefiar o Conselho Europeu e representar o bloco no exterior.
II. MERCOSUL (1991 – Tratado de Assunção) – O Mercado Comum do Sul, reúne, como
sócios efetivos o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. A adesão da Venezuela está em processo de
conclusão, faltando somente a aprovação dos referendos nos parlamentos do Brasil (falta o senado) e no
Paraguai. Outros países possuem acordos bilaterais com o Mercosul e demonstram interesse em se filiarem
como membros efetivos como a Bolívia, Equador, Chile, Peru e Colômbia.
Vários são os problemas que o Bloco, de criação recente, enfrenta. Dentre esses, podemos citar, a
assimetria entre os países, que possuem índices opostos de desenvolvimento econômico e social; o grave
problema de falta de infra-estrutura (energia e transportes) o precário sistema de defesa e o problema entre
países que hoje (2009) se expressa na questão que envolve o Brasil e o Paraguai.
Dentre os acertos podemos destacar é o livre trânsito dentro do bloco; as discussões conjuntas com
futuros membros sobre os problemas de infra-estrutura e defesa; crescimento vertiginoso do comércio e do
turismo entre Brasil e Argentina; acordo entre Brasil e Argentina para o uso de moeda local nas transações
entre os dois países, abandonando o dólar e dando um passo rumo a moeda única do Bloco; entre vários
acordos na área educacional e de cooperação científica.
III. NAFTA (1992) – O Acordo de livre Comércio da América do Norte agrupa os Estados
Unidos, o Canadá e o México. Este é um caso típico de globalização de mão única, pois os mexicanos não
possuem as mesmas regalias que os EUA e o Canadá. Na verdade o Nafta foi uma tentativa de experimentar a
união aduaneira como um preparo para a ALCA, impossibilitada pela política protecionista e de subsídios
agrícolas e pecuários dos EUA, além de tentar evitar o fluxo migratório mexicano.
No México os EUA investiram levando indústrias pesadas e poluentes e de bens de consumo, as
chamadas maquiladoras, que utilizam mão de obra barata, importa componentes técnicos dos EUA e
fornecem o produto para esse mesmo mercado. Já o Canadá tem índices econômicos e sociais que lhe concede
um IDH de país desenvolvido, porém, extremamente dependente dos investimentos estadunidenses tanto na
agricultura e pecuária quanto na indústria.
Os EUA acabam de deixar para trás uma era de governo republicano que imprimiu uma guerra
exacerbada contra o terrorismo, exagerando no desrespeito aos direitos humanos, gerando uma grave crise
econômica que combinou os altos gastos da doutrina Bush com a irresponsabilidade do crédito subprime no
setor imobiliário. Com relação à política externa, como se não fosse pouco, esse governo levou os EUA a sua
maior crise de credibilidade internacional, ampliando os problemas diplomáticos.
O ano de 2009 marca o retorno dos Democratas (nos lembra a política do café-com-leite no início da
república), porém, agora, com uma novidade, o primeiro presidente negro de sua história. Barak Obama foi o
candidato a presidente que mais gastou dinheiro em uma campanha até então, lembrando que esse poder
econômico sem dúvida colherá frutos desse grande investimento.
Dentre as primeiras medidas tomadas pelo presidente Barak Obama, podemos destacar: o plano de
ajuda de 800 bilhões de dólares para conter a crise econômica e minorar os problemas sociais; a aprovação
das pesquisas com células tronco embrionárias e do orçamento de 2009 proposto pelo governo Obama
trazendo medidas que demonstram a mudança em relação ao governo republicano, quais sejam: a imposição
de metas de limite da emissão de gases poluentes, aumento do imposto sobre os ricos, aumento do imposto
sobre o uso de combustíveis fósseis e fim dos subsídios para os maiores produtores agrícolas de seu país.
Com relação ao terrorismo internacional, destacaremos a suspensão dos julgamentos na base militar
de Guantanamo, em Cuba, e por último, o anuncio do fechamento dessa prisão com a transferência de seus
presos para os EUA até o fim de 2009. Ainda com relação ao orçamento para 2009 temos que destacar o
aumento das verbas para a guerra o que possibilitou o envio de mais soldados para o Paquistão e o
Afeganistão e mantendo as tropas no Iraque, e, talvez por esse motivo, Obama tenha recebido o prêmio Nobel
da “Paz”.
Outra grande polêmica em que se envolveu o governo Obama foi a proposta de reforma da saúde em
que se pretende criar um sistema de saúde universal (como no Brasil) para cuidar da população mais pobre. A
oposição vem dos Republicanos, representantes dos interesses das corporações da saúde, que não admitem a
ampliação dos gastos públicos para atender a população carente que se ampliou consideravelmente com a
crise financeira.
IV. APEC – A Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico, bloco econômico ligando os
países da Bacia do Pacífico, a Apec responde por 40% do comércio mundial. Membros: Autrália, Brunei,
Canadá, Indonésia, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Filipinas, Cingapura, Coréia do sul, Tailândia, Estados
Unidos, China, Hong Kong (China), Taiwan, México, Papua–Nova Guiné e Chile. Uma característica
importante é a heterogeneidade nos níveis de renda que oscilam da pobreza até a índices de desenvolvidos.
A Apec engloba os Novos Países Industrializados (Tigres Asiáticos), que se destacaram após os
investimentos japoneses e estadunidenses implementando uma política industrial de Plataforma de
Exportação, produzindo bens de consumo com um câmbio subvalorizado, oferecendo uma abundante mão de
obra qualificada pelo ensino técnico e sem proteção trabalhista. Importam máquinas e equipamentos, petróleo
e gás natural, além de matéria-prima e alimentos. Os países asiáticos se destacam na produção de têxteis,
calçados, brinquedos, eletrodomésticos, eletreletrônicos e automóveis.
V. CEI – A Comunidade de Estados Independentes é uma aliança econômica e política
formada por doze das quinze repúblicas que formam a União Soviética. Membros: Bielo-Rússia, Moldávia,
Ucrânia e Federação Russa (Estados Eslavos); Armênia, Geórgia e Azerbaijão (Cáucaso); Cazaquistão,
Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão (Ásia Central).
A CEI não conseguiu até agora se quer formar uma união aduaneira. Prejudicada pelo processo de
privatizações que concentrou e internacionalizou o capital, além de ampliar a corrupção e a ascensão de
grupos mafiósos ao poder, embora tenha se reequilibrado economicamente durante o governo Vladimir Putin.
A influência que a Rússia exerce nas ex-repúblicas soviéticas vem da força bélica e dos contingentes
demográficos russos presentes nessas repúblicas. Essas áreas trouxeram uma vantagem competitiva para o
capitalismo, a mão de obra abundante, barata e, em sua maioria, qualificada. Há de se destacar os problemas
de instabilidade política gerados pelo fundamentalismo islâmico que contesta os governos muçulmanos da
Ásia Central.
Com relação à China, seus índices de crescimento recorde do PIB por anos consecutivos, se devem
ao seu enorme mercado consumidor, na sua vasta mão-de-obra barata e a forma de abertura para o mercado
adotada pelo governo, o Socialismo de Mercado. A entrada de multinacionais depende da criação de uma
sociedade com o governo chinês, além de transformar a indústria em exportadora de seus bens, trazendo
assim, mais divisas para os chineses.
Os últimos acontecimentos da China que influenciaram o mercado internacional, podemos citar: a
crise da bolsa de valores no primeiro semestre de 2007, resolvida em 48 horas com as demais empresas
estatais chinesas comprando ações das empresas atacadas pela especulação, a legitimação da propriedade
privada, a ameaça de uma bolha especulativa no mercado de capitais devido a supervalorização das ações das
empresas chinesas, o vertiginoso crescimento econômico, até a crise de 2008/9, que significou uma pressão
sobre os preços das commodites, contribuindo para a crise do aumento dos preços dos alimentos e do
petróleo.
1.7 Neoliberalismo
A corrente do Liberalismo Econômico surge entre os séculos XVIII e XIX e tem como maiores
representantes Adam Smith e Davi Ricardo. Essas idéias preconizavam uma economia livre da intervenção do
Estado na economia. Para estes estudiosos a lei natural (ou de mercado, ou ainda, da oferta e da procura), e
somente ela, seria capaz de equilibrar as relações econômicas e, por conseguinte, determinar as relações
políticas e sociais com mais harmonia.
A escola clássica de economia, a qual os dois teóricos citados pertencem, defendia a tese de que o
trabalho é que produz a riqueza, e o mundo se desenvolveria pela necessidade do trabalho se tornar mais
eficiente e produtivo, para que houvesse, assim, mais progresso.
As teorias do Liberalismo Econômico foram utilizadas pela burguesia em seu empreendimento de
expansão do lucro, com a abertura dos mercados das antigas áreas coloniais, com os processos de
independências americanas e o fim da escravidão para a ampliação do mercado e com a tomada do poder
político por intermédio da derrubada do absolutismo monárquico. Para os liberais, os maiores problemas para
o capitalismo seriam: a intervenção do Estado na economia e o protecionismo alfandegário, os quais negavam
estas práticas, de forma veementemente, aos países capitalistas do planeta.
Porém, após a Segunda Guerra Mundial, o mundo entra em um novo momento, o capitalismo
financeiro, e as antigas áreas coloniais iniciam o seu processo de desenvolvimento de indústrias de bens de
consumo. Assim seria necessário contrair empréstimos externos e investi-los na criação de infra-estrutura
básica nos países subdesenvolvidos para a chegada das multinacionais ou transnacionais (modelo de
desenvolvimento industrial dependente do capital externo – entreguismo).
Antes da Segunda Guerra os grandes conglomerados (inicialmente nos EUA) formavam os
chamados trustes para controlar os preços e ampliar os mercados formando verdadeiros oligopólios. Os
principais setores foram o petrolífero (Sete Irmãs: Standard Oil of New Jersey, Móbil Oil, Texaco, Gulf Oil,
Standard Oil of Indiana, Royal Dutch Shell e British Petroleum), o químico, a siderurgia e a indústria
automobilística. Após a segunda guerra estes trustes passaram a ser chamados de multinacionais ou
transnacionais. Nesse momento os trustes já não se contentam com os mercados nacionais e as fusões
empresariais se ampliam em um processo de acumulação de capital jamais visto.
As empresas multinacionais são elementos centrais da globalização. Essas corporações estendem
suas redes produtivas, comerciais e administrativas por diversos países. Mas, de modo geral, a maior parcela
de seu patrimônio encontra-se no país-sede. Como regra, apenas as multinacionais sediadas em países com
pequena população e mercado interno limitado - como a Suíça, Suécia, a Holanda ou a Bélgica - mantêm a
maior parte de seu patrimônio no exterior.
Os conglomerados multinacionais têm um centro de decisões globais localizado no países
desenvolvidos. A alta direção do conglomerado geralmente ocupa postos de importância nas esferas
econômicas e políticas desses países, para os quais é repatriado a maior parte dos lucros obtidos no mundo
inteiro. A empresa multinacional tem pátria.
A crescente liberalização dos mercados nacionais acirrou a concorrência em escala global. Nos
ramos industriais estratégicos, que exigem vultosos investimentos em pesquisa, marketing e comercialização,
só conseguem sobreviver os conglomerados gigantescos. Na década de 1990, a marcha da centralização
acelerou-se ainda mais. Nos Estados Unidos, fusões bilionárias reduziram de 15 para apenas 4, o número de
grandes empresas de armamentos. Estas novas fusões estão criando uma nova espécie de conglomerados, as
empresas globais.
O comércio internacional é um dos principais motores da globalização. A expansão do intercâmbio
comercial aprofunda a divisão internacional do trabalho, produto da especialização das economias nacionais,
divisão essa forjada a partir do processo de colonização do século XVI. As antigas áreas coloniais têm como
função fornecer mão de obra barata utilizada para a produção de alimentos, matéria prima e, atualmente, na
montagem de bens de consumo. De um ponto de vista geral, essa situação torna as economias nacionais mais
sensíveis às flutuações da economia mundial.
Desde a década de 1960, o crescimento do comércio internacional é maior que a expansão do PIB
global. O comércio internacional passou a crescer em ritmo ainda mais acelerado a partir da segunda metade
da década de 1980.
A explosão do intercâmbio internacional resultou, em parte, das políticas de redução de tarifas de
importação postas em prática desde o final da Segunda Guerra Mundial, por meio das negociações globais do
GATT. As tarifas médias nos países desenvolvidos que situavam-se em torno de 40% na década de 1940,
retrocederam para cerca de 16 % na década de 1960 e continuaram a cair até o patamar de 3% em 2000.
Mas o fator decisivo para a expansão acelerada dos fluxos comerciais decorreu, principalmente, do
crescimento dos investimentos diretos no estrangeiro. Instalando filiais e fábricas em diferentes países criando
circuitos produtivos internacionais, as empresas multinacionais tornaram-se fontes de parcela cada vez maior
do intercâmbio comercial.
No Brasil, os picos de desenvolvimento foram baseados no investimento de capital e
desenvolvimento destes conglomerados internacionais. Nos anos 50, era JK, anos 70, milagre brasileiro, e
desta forma, durante os anos em que estes empreendimentos de telefonia, estradas, hidrelétricas e linhas de
transmissão, não davam lucro e tinham que ser construídas, a responsabilidade e o endividamento era do
Estado brasileiro.
Nos anos 80, surgem com muita força as idéias mais radicais do liberalismo do fim do século XX, o
chamado neoliberalismo. Inspirado no modelo estadunidense de economia extremamente desregulamentadas,
com a ampla autonomia do mercado (Consenso de Wasinghton).
Esta idéia de Estado mínimo chegará ao Brasil no início da secada de 90 com o governo Collor,
perdurando durante o governo FHC e nem tão combatida assim durante o governo Lula. No momento em que
estas empresas estatais estariam prontas para ampliar seus lucros, chega a hora de “vendê-las”. As
justificativas eram: a ineficiência do Estado em gerenciá-las, os péssimos serviços por elas prestadas e a falta
de capacidade de investimentos devido ao alto grau de endividamento de nosso governo. Assim sendo,
acontecerá um grande desmonte do patrimônio estatal, em um processo de privatizações cravejado de
denuncias de corrupção.
Outra justificativa para as privatizações era a venda das empresas para angariar capital a ser utilizado
no pagamento das dívidas, que no governo Collor estavam por volta de 140 bilhões de dólares e que no fim do
governo FHC estava perto de 700 bilhões de dólares.
1.8 Os Fluxos de Capital e as Dívidas Externas
Os fluxos internacionais de capital dividem-se em dois grupos:
I. Investimentos produtivos: também chamados investimentos diretos, são capitais aplicados
no estrangeiro para a instalação de unidades produtivas, como fábricas, edifícios comerciais, fazendas,
empresas de mineração, infra-estruturas de transporte ou comunicações.
II. Investimentos financeiros: são capitais investidos em mercados financeiros de países
estrangeiros, por intermédio da compra ou negociadas em bolsas de valores.
A globalização atual caracteriza-se por uma forte expansão dos fluxos internacionais de
investimentos produtivos e financeiros. Esses fluxos reforçam a interdependêncía das economias nacionais e
amplificam a influência global das empresas multinacionais e dos mercados financeiros. Os países
desenvolvidos são os que mais recebem investimentos e entre os países não desenvolvidos, apenas a China, o
Brasil e o México destacaram-se como grandes receptores desses investimentos internacionais.
Uma massa imensa de capitais formam mercados financeiros cada vez mais integrados pela
revolução da informação. Esses capitais, investidos dos países de origem, proporcionam rendas para seus
detentores e dinamizam as economias nacionais. Todavia sua circulação global, cada vez mais livre de
barreiras e regulamentações, também provoca crises financeiras.
Os mercados de ações ocupam uma posição destacada nas finanças internacionais contemporâneas.
O valor dos negócios nas principais bolsas de valores do mundo revela a hegemonia financeira global dos
Estados Unidos, da União Européia e do Japão.
A carência de capitais dos países subdesenvolvidos gera uma dependência financeira permanente.
Uma das manifestações dessa dependência é o pesado endividamento externo contraído junto aos bancos
privados e governos dos países desenvolvidos e, também, às instituições internacionais de crédito como o
Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.
Os custos dos empréstimos aumentaram a partir da década de 1970, com as crises do petróleo,
multiplicando as dívidas dos países subdesenvolvidos. Os desembolsos anuais com juros e taxas de risco, que
formam o “serviço da dívida”, minam os recursos em moedas fortes conseguidas por meio das exportações.
O “serviço da dívida” impõe a necessidade de se alcançar elevados saldos comerciais positivos ou de
atrair capitais financeiros de curto prazo, por meio da manutenção de altas taxas de juros internos.
Atualmente, as maiores dívidas externas se localizam em países da América Latina, Bacia do Pacífico e
Europa Oriental, refletindo o esforço de modernização das chamadas economias emergentes.
1.9 Crise Financeira Mundial de 2008
No mês de setembro de 2008 a inadimplência no setor imobiliário dos EUA atinge 15% e os bancos
não conseguem suportar o prejuízo e começam a falir. Primeiro o tradicional banco Lemam Brothers e em
seguida o importantíssimo JP Morgan Chase, que mede o risco dos países para o sistema financeiro
internacional. A crise rapidamente se espalha pelo globo, em parte, pela própria estrutura do sistema
globalizado e em tempo real, e por outro lado, devido à compra desses créditos pelos bancos europeus e
asiáticos.
A crise ocorreu devido à farra do crédito, principalmente no setor imobiliário com o crédito sub-
prime (sem garantias) o que ampliou consideravelmente o endividamento da população. Aliado a isso
podemos destacar a fragilidade da economia estadunidense, abalada pelos autos custos da guerra contra o
terror (o maior endividamento da história de um governo nos EUA – George W. Bush) 1 trilhão de dólares.
Para manter aquecido o mercado, o Federal Reserv (Banco Central estadunidense) manteve a taxa de juros
baixa e isso ocasionou um processo inflacionário devido a elevada procura por bens de consumo. O resultado
foi o aumento exacerbado da inadimplência.
Como conseqüência da crise podemos destacar: o aumento do dólar (que já se encontra em queda), a
queda no preço dos combustíveis, as falências e as mega-fusões (principalmente no setor bancário) o
desemprego estrutural e a miséria, a recessão no primeiro mundo e a queda no crescimento econômico dos
emergentes (com algumas exceções como a China 8% e a Índia 6%) e paralisação na crise de alimentos que
assolava o primeiro mundo, não havendo a tão esperada redução da emissão de gases poluentes.
Texto Complementar
Mais de 30 mil crianças morrem por dia, em todo o mundo, como resultado de doenças associadas à
subnutrição, segundo estatísticas divulgadas pela ONU. Isso equivale, diariamente, a dez vezes o número total
de vítimas do atentado contra o World Trade Center, considerado pela mídia “o maior atentado terrorista da
história”. Cerca de 38 milhões de refugiados de guerra abarrotam os campos miseráveis da ONU, à espera
diária de uma dose mínima de alimentos e remédios, mas destituídos de esperança no futuro. Vegetam,
apenas. O novo dado sinistro: os refugiados agora são também produzidos por crescentes desastres
ambientais, que ameaçam expulsar milhões de seus locais de origem.
Enquanto Isso um único banqueiro espertalhão dá um golpe de 50 bilhões de dólares em Nova York;
restaurantes em São Paulo cobram milhares de reais por uma garrafa de vinho; as diárias dos hotéis em Dubai,
novo paraíso dos “ricos e famosos”, superam os 20 mil dólares; um jovem jogador de futebol que, até anteon-
tem, brincava com os amigos nas praias de Santos paga agora, só de multa, a soma de 1 milhão de dólares,
valor considerado normal no circuito bilionário do futebol europeu. Ah, sim, e os astros de Hollywood
ganham 20 milhões de dólares para participar da dose cotidiana da indústria da hipnose que torna a vida
suportável. E nunca se gastou tanto em armas, drogas e entretenimento – das megaproduções cinemato-
gráficas às copas e olimpíadas mundiais.
José Arbex Jr. – Caros Amigos
2. GEOPOLÍTICA E CONFLITOS INTERNACIONAIS
2.1 Questão das Nacionalidades
O nacionalismo difundiu-se na Europa do século XIX, contestando os impérios multinacionais. As
elites nacionalistas lideraram movimentos populares que lutavam pelo estabelecimento de Estados nacionais
soberanos. Esses movimentos atingiram seu apogeu no fim da Primeira Guerra Mundial. Os tratados de paz
redesenharam o mapa do Velho Mundo, produzindo uma "Europa das pátrias", no lugar da "Europa dos
impérios" que desaparecia.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o nacionalismo transformou-se na bandeira dos movimentos
anti-coloniais na Ásia e na África. Da Índia à Indochina e da Argélia às colônias portuguesas na África, os
impérios europeus de além-mar sofreram a contestação dos povos que queriam se tornar nações soberanas. A
descolonização gerou inúmeros novos Estados independentes, que ingressaram na ONU e conferiram caráter
verdadeiramente mundial ao sistema internacional.
Mas o nacionalismo não se esgotou. O encerramento da Guerra Fria e a dissolução dos regimes de
partido único na Europa centro-oriental abriram caminho para uma nova onda de movimentos nacionalistas,
que fragmentaram a Iugoslávia, dividiram a Tchecoslováquia e continuam a gerar tensões em toda a área da
Comunidade de Estados Independentes.
Os conflitos nacionais formam um dos elementos mais ativos do sistema internacional de Estados.
Eles não se circunscrevem ao antigo bloco socialista europeu, mas pipocam também nas democracias
ocidentais e no mundo muçulmano. A decomposição da antiga Iugoslávia e o conflito anglo-irlandês ilustram
diferentes caminhos seguidos pelos movimentos nacionalistas.
A Iugoslávia surgiu como um produto do nacionalismo Sérvio e da decomposição dos impérios que
dominavam a região balcânica. No final da Primeira Guerra Mundial, a decomposição do império Turco-
Otomano e do império Austro-Húngaro abriu caminho para a formação do Reino dos Sérvios, Croatas e
Eslovenos, que mais tarde se tornaria a República da Iugoslávia.
No novo Estado, a elite nacionalista sérvia exercia o poder sobre diversos grupos étnicos e religiosos.
As tensões políticas que atravessavam a Iugoslávia explodiram durante a Segunda Guerra Mundial, quando a
Alemanha nazista aliou-se com os nacionalistas croatas e ocupou a Sérvia. No pós-guerra, o regime comunista
de Tito reconstituiu o Estado, dando-lhe a forma institucional de uma federação de seis repúblicas.
A Iugoslávia federal de Tito foi, por quase meio século, o território comum de inúmeras etnias,
culturas, tradições e religiões. Nela conviviam os sérvios, cristãos ortodoxos, croatas, eslovenos, católicos, os
muçulmanos de origem albanesa do Kosovo, da Macedônia e de Montenegro, além dos muçulmanos de
origem sérvia ou croata da Bósnia. A religião islâmica tinha se difundido nos Bálcãs meridionais durante o
longo domínio Turco-Otomano, iniciado no século XV.
A desagregação dos regimes comunistas da Europa centro-oriental, em 1989-1990, acendeu o pavio
das reivindicações separatistas. A elite comunista sérvia apegou-se a velha bandeira da Grande Sérvia,
acentuando as rivalidades nacionalistas que corroíam a federação. As repúblicas da Eslovênia e da Croácia,
mais ricas, tradicionais e próximas da Europa Ocidental, declararam a independência e foram, depois,
seguidas pela Bósnia-Herzegovina e pela Macedônia.
A desagregação do Estado abriu caminho para a guerra étnica. A presença de minorias sérvias
disseminadas pelas repúblicas deflagrou o conflito, que se concentrou principalmente na Bósnia. A guerra da
Bósnia (92/95) envolveu exércitos dos três grupos étnicos culturais e produziu massacres e deportações em
massa. O conflito encerrou-se após a intervenção de forças da OTAN. O acordo de Dayton, firmanodo nos
EUA, transformou a república em uma frágil confederação que reúne uma federação muçulmano-croata e
uma república sérvia.
A fragmentação da antiga Iugoslávia removeu o pilar da estabilidade balcânica alcançada no pós-
guerra e gerou cinco Estados - a República da Sérvia e Montenegro, a Eslovênia, a Croácia, a Bósnia e a
Macedônia. As tensões nacionalistas, depois da Guerra da Bósnia, transferiram-se para a província de
Kosovo, que pertence à Sérvia mas tem maioria demográfica de origem albanesa e religião muçulmana. A
formação de uma guerrilha separatista e a violenta repressão do governo sérvio provocaram, em 1999, uma
operação de bombardeio aéreo da OTAN contra a Sérvia. Como resultado, Kosovo tornou-se um protetorado
militar administrado pela ONU, que continua formalmente a pertencer à Sérvia. Essa região também faz parte
de um sonho de unificação nacionalista, a Grande Albânia, que seria formada pelo Kosovo, Albânia e por
uma minoria desta etnia na Macedônia.
Atualmente o Kosovo proclamou-se independente gerando uma forte apreensão na região, pois a
possibilidade de sucesso dos movimentos emancipacionistas assusta muitos países, como a Inglaterra, França,
Espanha, Grécia, Itália, Bélgica e a Rússia que também enfrentam perigos de secessão. O reconhecimento da
independência depende da retirada das tropas de paz da ONU. Essa situação também causa apreensão, agora
mundial, após as declarações das superpotências nucleares. Os EUA afirmaram que a região nunca mais
pertencerá a Sérvia e a Rússia se pronunciou dizendo que o Kosovo nunca deixará de ser da Sérvia.
Já na Grã-Bretanha, que reúne Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, outro
movimento separatista tem atingido sua possessão na ilha irlandesa. Na Irlanda do Norte a minoria católica
identifica-se como parte da nação irlandesa (colonizados), enquanto a maioria protestante se identifica como
britânica (colonizadores). Essa é a fonte do conflito político econômico e religioso.
As origens do conflito remontam da invasão inglesa na ilha da Irlanda, no século XII, e na Reforma
Protestante, que aprofundou o fosso entre os invasores e a população católica irlandesa. No século XIX, com
a Revolução Industrial, a imigração de protestantes e a emigração de irlandeses para os Estados Unidos
inverteram a composição demográfica das províncias do norte (Ulster), reduzindo os católicos à condição de
minoria.
No início do século XX, a guerra Anglo-Irlandesa (1918-1921) encerrou-se com a divisão da Irlanda.
As províncias católicas do sul alcançaram a soberania em 1949, mas a Irlanda do Norte permaneceu vinculada
à Grã-Bretanha. O sentimento de reunificação já se manifestou logo na Constituição da República da Irlanda.
Na Irlanda, EIRE, os católicos representam 93% da população. Na Irlanda do Norte, por outro lado,
os protestantes perfazem 54% da população e os católicos, 42%, em sua maioria concentrados nas províncias
ocidentais. Os protestantes, de origem inglesa ou escocesa, apresentam-se como unionistas, defendendo a
manutenção da Irlanda do Norte na monarquia britânica. Os católicos, de origem irlandesa, apresentam-se
como nacionalistas e republicanos, defendendo a reunificação da Irlanda.
Na década de 1960, o nacionalismo católico irlandês expressou-se por meio de movimentos pacíficos
pelos direitos civis. A intervenção britânica, com a ocupação militar iniciada em 1969, conduziu o conflito
para um novo patamar. O Exército Republicano Irlandês (IRA) deflagrou uma persistente campanha
terrorista. Depois, formaram-se grupos paramilitares protestantes, que conduziram campanhas de terror contra
os católicos irlandeses. O ápice dos conflitos acontecerá após o Domingo Sangrento, em 1972, quando
soldados ingleses abriram fogo contra uma manifestação de irlandeses deixando treze mortos católicos.
A perspectiva de paz deu-se a partir de 1994, com as conversações entre os governos britânico e o
irlandês e representantes dos partidos católicos (incluindo o Sinn Féin, partido político do IRA) e protestantes
da Irlanda do Norte. Em abril de 1998 foi assinado o chamado Acordo da Páscoa, baseado em dois princípios:
o direito à autodeterminação da atual Irlanda do Norte, incluindo a criação de um parlamento independente
além do direito da Irlanda desempenhar um papel institucional nos assuntos da Irlanda do Norte.
O acordo assenta-se sobre um equilíbrio de cessões: os protestantes têm a garantia da manutenção da
Irlanda do Norte no Estado Britânico, mas devem aceitar a criação de instituições nas quais se manifeste a
influência da República da Irlanda sobre a Irlanda do Norte.
Outra nacionalidade que exige solução para seus problemas são os Curdos. Eles são um povo sem
Estado, disseminado por uma ampla faixa do Oriente Médio, que se estende da Turquia ao lraque, do Irã à
Síria e à Armênia. São ao todo 26,3 milhões de indivíduos, a maioria dos quais professa a religião
muçulmana.
Habitantes de regiões montanhosas, onde preservam suas tradições e sua identidade étnica e cultural,
os curdos promoveram diversas revoltas pela independência a partir do final da Primeira Guerra Mundial
(1914/1918). Após 1945, essas lutas se concentraram no Curdistão iraquiano, onde vivem cerca de 4 milhões
de curdos.
Com o fim da Guerra Irã-lraque (1980-1988), os governos dos dois países passaram a reprimir
duramente as manifestações curdas pró-independência. Em março de 1988, a aviação iraquiana bombardeou
com armas químicas as cidades do Curdistão na região de Halabja, causando 5 mil mortes e cerca de 5 mil
feridos.
Em 1991, os curdos chegaram a assumir o controle de uma parte importante do Curdistão iraquiano.
O exército de Saddam Hussein ocupou a região, lançando centenas de milhares de refugiados nas estradas. Os
países ocidentais decidiram, criar no Curdistão iraquiano uma “zona de segurança" sob o seu controle.
Contudo, as lutas entre facções curdas jamais permitiram que se colocasse em prática um regime de
autonomia.
Já na Turquia, os curdos lutam também pela autonomia na região oriental do país, contando para
isso, inclusive, com um braço político, o partido PKK (Partido dos Trabalhadores Curdos). Também são
constantes os atentados fundamentalistas dos curdos na Turquia, que em 2008, se aproveitando da fragilidade
iraquiana, invadiram o seu território para atacar posições do exército turco que revidou com ataques aéreos no
território iraquiano ameaçando inclusive a invasão, mantendo tensa a situação na região.
2.2 A Questão do Oriente Médio, Ásia e o Terrorismo Internacional
Histórico
O problema do Oriente Médio inicia-se a partir do momento em que Maomé unifica, político e
religiosamente, os povos da península arábica. Esta Unificação se deu por intermédio de sua religião
monoteísta, o Islamismo que pregava preceitos básicos, tais como: Jejuar no mês de Ramada, dar esmolas,
rezar cinco vezes ao dia voltado para Meca, ir pelo menos uma vez na vida visitar a cidade sagrada de Meca,
fazer a Guerra Santa de conversão dos infiéis, além do mais importante princípio que é a existência de um
único deus, Alá.
Após a morte de Maomé seus sucessores, os califas, iniciaram um processo de expansão territorial
convertendo vários povos ao Islamismo. Este império dominou a península Ibérica, o norte da África, e na
Ásia: o Oriente Médio, a Pérsia, o sul da Rússia, o norte da Índia até o Afeganistão.
Foi neste contexto de expansão que surgem as principais seitas islâmicas: os Xiitas e os Sunitas. Os
Xiitas acreditam que a única fonte de ensinamentos é o Corão (livro sagrados que consta os preceitos básicos)
e também acreditam que somente os parentes de Maomé é que devem governar o povo muçulmano por
intermédio de um Estado Teocrático e atualmente condenam veementemente a ocidentalização da cultura
islâmica. Já os Sunitas acreditam que além do Corão outra fonte doutrinária seria o Suna (livro dos atos, das
interpretações doutrinárias e das pregações de Maomé), acreditando também que o governo deveria ser
entregue a aristocracia dominante (quem tem melhores condições econômicas e políticas para exercer o
governo).
Essa divisão se deu após o assassinato do quarto Califa (descendente de Maomé e chefe político-
religioso), Ali ibn Abu Talib, em 661, e com apoio da maioria dos líderes religiosos e dos grandes
comerciantes, o poder foi entregue ao governante da Síria, Moawiya que assassinou os filhos do califa
deixando os muçulmanos favoráveis ao Estado Teocrático, longe do poder e representando, a partir daí uma
minoria mais radical.
A expansão muçulmana na Palestina vai converter os palestinos, porém os judeus ao resistirem à
conversão serão expulsos se dispersando pela Rússia e por toda a Europa. Na península ibérica, por exemplo,
eles irão financiar o processo de expansão marítima e comercial européia com a chegada dos europeus na
América. Embora importantes com seu capital financeiro e seus empréstimos a juros, os judeus foram
perseguidos em todo o continente encontrando um clima de mais tranqüilidade na Holanda. Em seguida
migraram para os EUA, a pátria da liberdade (política e religiosa) e durante a marcha para o oeste financiaram
esse processo com seus bancos e sua indústria armamentista. Ao se descobrir petróleo, eles investiram em
indústria petroquímica e em seguida na indústria automobilística. No final do século XIX um magnata do
petróleo judeu, Rockfeller resolve investir no meio de comunicação de massa comprando um jornal sendo o
primeiro empresário da história a possuir esse meio de comunicação. No alvorecer do século XX, com o
advento do cinema eles criaram Hollywood, no meio do século, com a televisão, criaram Walt Disney
dominando assim o entretenimento no mundo ocidental.
Questão palestina
Com a desintegração do império Islâmico, após o século XV, profundas divergências surgiram entre
os países muçulmanos e a sua maior perda foi a criação do Estado de Israel (1948) na palestina. A criação do
Estado judeu foi deliberada pela Organização das Nações Unidas, em uma sessão presidida pelo brasileiro
Osvaldo Aranha que inclusive deu o voto de Minerva para a criação de Israel. Esse fato é conseqüência da
vitória estadunidense no pós-guerra e do domínio do capital judeu naquele país.
No mesmo ano a Liga Árabe ataca Israel com um exercito composto por forças do Egito, Iraque,
Jordânia, Líbano e Síria. A vitória israelense amplia seu território com as conquistas da Galiléia e o deserto de
Neguev (antiga fronteira com o Egito), Jerusalém é dividida entre Jordânia e Israel e a Faixa de Gaza é
anexada pelo Egito, além da Cisjordânia , anexada pela Jordânia.
Já em 1967, a Liga Árabe volta a atacar iniciando a Guerra dos 6 Dias, que impõe mais uma derrota
aos árabes. Com isso, Israel conquista a península do Sinai (devolvida ao Egito em 1982), a Faixa de Gaza, do
Egito, a Cisjordânia, da Jordânia e as colinas de Golã, da Siria,. Expulsando e marginalizando as populações
muçulmanas, por intermédio de uma política de criação de colônias judaicas nas regiões recém ocupadas.
Em 1964 é fundada a Organização para a Libertação da Palestina, a OLP, pelo líder Yasser Arafat,
do grupo guerrilheiro Al-Fatah, unindo vários grupos de resistência, que pretendia a criação do Estado
palestino, por intermédio inclusive de ataques terroristas.
Em 1973, no dia do perdão, o feriado do Yom Kippur, em Israel, mais uma vez a Liga Árabe
composta por forças da Síria e Egito tentam um outro ataque fracassado para a reconquista de seus territórios
e a queda do Estado de Israel, gerando a crise do petróleo, por pressão da mesma Liga Árabe para que a OPEP
reduzisse a produção de petróleo, com o intuito de gerar prejuízos ao mundo ocidental, além do boicote aos
países que apoiaram Israel, além da própria guerra que prejudica a produção e distribuição do combustível.
A OLP, no ano de 1975, sofrerá um racha após a instituição declarar o fim da guerrilha abandonando
as armas e iniciando uma nova etapa marcada pela luta político-diplomática, sendo reconhecida como
representante do povo palestino e admitida na ONU como membro observador. Esta opção vai provocar o
surgimento de entidades que não abrem mão da luta armada, como é o caso da FPLP (Frente Para a
Libertação da Palestina), o MPLP (Movimento para Libertação da Palestina) e o mais famoso desses, o
Hamas.
Durante a década de 80 alguns fatos históricos merecem nossa atenção para uma melhor
compreensão da causa palestina e seu período atual. No ano de 1982, sob o comando de Ariel Sharon, o
exército israelense liberou a invasão de tropas ligadas ao presidente libanês pró-ocidente, que foi assassindo
por radicais islâmicos, promovendo o massacre nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila, na
periferia de Beirute no Líbano. Em 1987 inicia-se a primeira Entifada, confrontos diretos entre palestinos e
judeus nas ruas das regiões ocupadas pelos palestinos. Esses episódios levaram a opinião pública
internacional a apoiar o pleito palestino com maior intensidade impondo, inclusive, derrotas políticas a Israel
dentro das Nações Unidas.
Em 1988, em Argel na Argélia, o Conselho Nacional Palestino proclama a criação do Estado
palestino e declarou aceitar a existência do Estado de Israel, repudiando o terrorismo e exigindo uma solução
para o problema dos refugiados, além do cumprimento das resoluções da ONU, que reconheciam o direito
palestino. Nesse momento surge a Autoridade Nacional Palestina, reconhecida pela comunidade internacional
como governo legítimo, sendo responsável pelas negociações para a criação do Estado palestino.
O avanço das negociações culmina com o Acordo de Oslo, em 1993, negociado secretamente na
Noruega e assinado formalmente em Washington. Sob a tutela do presidente dos EUA, Bill Clinton, o líder da
OLP, Yasser Arafat, e o primeiro ministro israelense, Yitzhak Rabin, assinam o acordo no qual os dois
acertam a criação do Estado da Palestina por intermédio da autonomia da Faixa de Gaza e da Cisjordânia,
dando início a retirada das tropas israelenses da região. Em 1994 ocorre a volta de Yasser Arafat a Faixa de
Gaza e a montagem de um governo provisório para o Estado palestino.
Esse acordo deu aos dois líderes o prêmio Nobel da Paz daquele ano. Já em 1995 foi assassinado o
líder israelense Yitzhak Rabin por um militante judeu ortodoxo, demonstrando toda dificuldade que a paz
enfrenta nesta região. No ano de 2004 morreu o grande líder palestino Yasser Arafat, após um longo cerco do
exército israelense ao seu quartel general na Faixa de Gaza, de onde só saiu para se tratar de uma doença em
Paris, onde irá falecer. O mistério que cerca a morte do líder palestino, até hoje com a causa não identificada
ao certo, levanta a suspeita de envenenamento, ou por inimigos palestinos ou pelo próprio Mossad (serviço
secreto israelense).
No ano 2000 inicia-se a segunda Entifada e em 2001o governo do primeiro ministro Ariel Sharon
que inicia a construção de um murro nos territórios ocupados e iniciado a derrubada das casas dos militantes
terroristas e os ataques preventivos com mísseis aos líderes dos grupos islâmicos radicais. Embora suas
primeiras medidas tenham sido radicais, Ariel Sharon, promoveu a retirada dos colonos judeus de todos os
assentamentos na Faixa de Gaza e de quatro, dos 120, na Cisjordânia, além de paralisar a construção do murro
nos territórios palestinos. O receio dos palestinos é que esta atitude signifique um maior controle israelense
sobre a Cisjordânia e Jerusalém Oriental (a porção muçulmana da cidade).
Até as eleições de 2005 o Fatah comandou politicamente a ANP sob a presidência de Mahmoud
Abbas. A partir daí, surge outro foco de tensão após a vitória nas eleições parlamentares do Hamas, grupo
radical que não admite o reconhecimento do Estado de Israel, elegendo assim o primeiro ministro. A vitória
do Hamas é atribuída as denuncias de corrupção e a inoperância do governo do Fatah em trazer soluções as
necessidades imediatas da pobre população palestina. A divisão interna entre o Hamas e o Fatah, que possuí a
presidência da autoridade palestina, tem gerado conflitos e mais atentados que podem levar a uma verdadeira
guerra civil. Outro momento tenso ocorreu em 2006, quando os israelenses invadiram uma prisão palestina na
Faixa de Gaza para capturar 6 presos palestinos acusados de terrorismo e que estavam sob a guarda da
autoridade palestina.
Hoje os palestinos estão ainda mais divididos, e isso se verifica na separação política entre os
territórios palestinos. O Fatah, com o apoio israelense, passou a comandar a Cisjordânia, enquanto o Hamas
manteve o controle da Faixa de Gaza.
Na Faixa de Gaza, o Hamas iniciou uma série de lançamentos de mísseis às cidades israelenses
limítrofes, produzindo uma reação imediata do exército judeu que fez um cerco que impedia a entrada de
bens, alimentos e até remédios. A crise gerada na Faixa de Gaza fez com que os palestinos derrubassem o
murro que os separa do Egito para buscar auxílio, reerguido depois por imposição israelense.
Na virada de 2008/2009, o exercito israelense iniciou uma guerra bombardeando a Faixa de Gaza por
causa dos mísseis do Hamas. O ataque visava destruir a infra-estrutura da Faixa de Gaza, os túneis por onde
se contrabandeiam as armas, além de executar membros fundamentalistas. O resultado foi um verdadeiro
massacre de civis, com mais de mil mortos, em sua maioria crianças.
O último episódio dessa atual crise foi o acordo de paz firmado entre os dois lados e que tem duração
estipulada de seis meses e no qual Israel retira imediatamente seu exército.
Nas eleições de 2009 em Israel, foi eleito primeiro ministro o ultra conservador, Beijamim Netaniahu
do Likud e para aumentar a tensão seu governo reiniciou a criação de colônias judias na Cisjordânia.
Líbano
De 1975 a 1989 explode a guerra civil no Líbano devido às divergências entre os vários grupos
étnico-religiosos, a presença de refugiados palestinos e a luta direta entre Israel e Síria pelo controle político
da região.
Em junho de 1982 foi iniciado um ataque decisivo para promover uma limpeza étnico-militar no sul
do Líbano para se estabelecer uma zona de segurança com o massacre de refugiados palestinos (Sabra e
Chatila) e destruir a OLP, porém somente se conseguiu fazer um cerco a Beirute. A resistência Xiita nos
bairros de Beirute, inclusive com ataques suicidas de homens bomba, acabaram por impor a retirada do
exército israelense.
A formação do governo pós-ocupação possuiu a seguinte configuração: a presidência ficou com os
cristãos maronitas, o 1º ministro nas mãos dos sunitas, deixando os Drusos e os Xiitas de fora do controle
político do Estado libanês, que tem um governo corrupto e clientelista. Porém aos Xiitas do grupo Hezbollah,
que se tornou partido em 1992 (embora não abra mão da luta armada contra os judeus), foi entregue o
controle da região sul na divisa com Israel. Esta é a região do Líbano que mais se desenvolveu em termos de
distribuição de renda e auxílio à população carente, por intermédio de políticas de assistência social, educação
e infra-estrutura.
No ano 2007 o Líbano foi novamente atacado pelo governo de Israel, após a prisão de soldados
israelenses no sul do Líbano pelo Hezbollah. Estes ataques visavam diminuir a força militar do grupo xiita e
um aviso à inimiga Síria que é acusada por efetuar os atentados terroristas que mataram importantes líderes
políticos cristãos pró-ocidente no Libano.
No meio do ano de 2008, iniciaram-se uma série de acordos visando a paz. Primeiro foram trocados
os restos mortais dos soldados israelenses seqüestrados no fim do ano de 2007 pelos restos mortais de
prisioneiros do Hesbollah, além da libertação de 5 guerrilheiros palestinos. Em seguida, foi liberado, para o
retorno ao sul do Líbano, um ônibus com vários guerrilheiros. E no segundo semestre foi assinado um acordo
de paz de 6 meses entre Israel e o Hesbollah.
Irã
A história contemporânea do reino da Pérsia começa em 1921 com um golpe que leva ao poder a
dinastia Reza Pahlev que se alto-proclama Xá (rei) do Irã (novo nome do país adotado em 1935). O primeiro
Xá aproxima-se da Alemanha e, após a Segunda Guerra, sua posição se torna insustentável. Seu filho e
sucessor, Mohamed Reza Pahlev, a partir de 1953, sob a influência agora estadunidense, reforça seu poder
com o apoio da CIA e inicia a perseguição a oposição, principalmente a fundamentalista xiita, por intermédio
de sua polícia política, a Savak.
Seu governo era pró-ocidental, corrupto, autoritário, além de marginalizar a população islâmica.
Porém, a partir de 1975, a oposição xiita, que compõe 93% da população local, exigia o fim da monarquia
Pahlev e a volta do Aiatolá Khomeini, líder religioso exilado na França desde 1963. As manifestações
tornaram-se tão intensas que acabaram por derrubar a dinastia Pahlev e expulsar as empresas e os cidadãos
estadunidenses em janeiro de 1979, criando uma república islâmica fundamentalista, que passou a incentivar
o terrorismo de Estado e a guerra santa contra os opositores do regime, dentre eles, os EUA.
Outro conflito de grandes proporções foi a guerra entre Irã e Iraque. Com o apoio dos EUA e sob a
liderança de Saddam Hussein, o Iraque invade o Irã. A guerra entre 1980 e 1988 promoverá mais uma crise do
petróleo e deixará explicito as divergências internas entre os muçulmanos, que disputam a hegemonia entre si
ampliando a forte divisão entre Sunitas e Xiitas, facilitando assim a dominação dos inimigos judeus e
estadunidenses na região.
Saddam Hussein pretendia conquistar os campos petrolíferos do Irã, se tornar o grande líder do
mundo islâmico e diminuir a influência Xiita no Oriente Médio. A guerra termina sem vencedores, com um
saldo de quase um milhão de mortos, o enfraquecimento político dos dois governos e mais tarde se torna
público o escândalo do governo estadunidense de Ronald Reagan que vendia armas tanto para os aliados
iraquianos quanto para os inimigos iranianos.
Atualmente, após a eleição de Mahmoud Ahmadinejad em 2005 e o anúncio do desenvolvimento do
programa nuclear iraniano, incluindo o enriquecimento de urânio, para fins pacíficos, o país voltou a
promover mais instabilidade na região. Acusados pelo ocidente, principalmente pelos EUA, de estarem
desenvolvendo um arsenal nuclear, estão sob pressão do Conselho de Segurança da ONU para suspenderem o
seu programa nuclear.
Em janeiro de 2009, os iranianos comemoraram os trinta anos da revolução islâmica com muita festa
na rua e, como parte dos festejos oficiais, o governo fez o lançamento do primeiro míssil de longo alcance
totalmente desenvolvido com projeto nacional. Embora o governo iraniano sempre negue a utilização bélica
de suas ações, sempre fica a dúvida com relação a verdadeira finalidade de seu projeto nuclear.
Doutrina Bush
O ano de 1991 será marcado pela invasão iraquiana ao Kwait gerando uma guerra entre os EUA e
seus aliados pela libertação do país invadido. Esta guerra, conduzida por Bush pai, promoverá mais uma crise
do petróleo e terminara com a derrota de Sadam Hussein, além da imposição de um forte bloqueio econômico
sobre o Iraque.
Um fato histórico determinante para o aumento da tensão EUA e os fundamentalistas islâmicos foi o
atentado de 11 de setembro de 2001 nos EUA. A reação do presidente republicano George Bush foi a
chamada doutrina Bush que consiste em ataques preventivos, na criação de prisões-navios e prisões secretas,
na transformação da base militar de Guantanamo - Cuba, em prisão também, além de aprovar no congresso
norte-americano a lei que permite tortura nos interrogatórios de suspeitos de terrorismo.
O primeiro passo da guerra preventiva foi a invasão do Afeganistão e a derrubada da guerrilha
Talibã do poder, empreendendo uma caçada mal sucedida, ao líder do grupo terrorista Al-Qaeda, Osama Bin
Labin. É importante frisar que tanto a guerrilha Talibã, quanto a Al Qaeda são grupos de guerrilha islâmica
que foram treinados e armados pelo governo estadunidense como parte da estratégia, essa sim vitoriosa, de
expulsão dos soviéticos do país e que em seguida, após a tomada do poder, se tornaram rivais da diplomacia
dos EUA na região. Em maio de 2009, o governo Barac Obama enviou mais tropas para a região em uma
demonstração clara de continuidade da guerra iniciada por George Bush.
A segunda invasão foi no Iraque em 2004. A guerra declarada pelos EUA foi uma demonstração de
desrespeito ao princípio de multilateralidade do Conselho de Segurança da ONU e apoiado pela Inglaterra e
pela Espanha. O falso motivo, alegado pelos EUA, era a produção de armas químicas e biológicas pelo
governo de Sadam Hussein.
A guerra é rápida embora tenha produzido mais uma crise do petróleo no período que lhe antecedeu e
provocou uma ocupação militar marcada por atentados diários e pela morte de muitos soldados norte-
americanos além de milhares de civis iraquianos e de outras nacionalidades, inclusive o embaixador brasileiro
Sergio Vieira de Melo, vítima de um atentado, além de centenas de outros. A situação atual é de uma guerra
de guerrilha que já é responsável pela morte diária de quase cem pessoas por dia, aumentando para próximo
de duzentas pessoas nos dias em que se comemora o início da ocupação ou o assassínio de Sadam Houssein.
Os atentados são atribuídos a oposição sunita e, também, aos xiitas fundamentalistas que não admitem a ajuda
estadunidense, e sua influência, no governo local.
A grande dificuldade agora é a consolidação do novo governo eleito e comandado por uma maioria
xiita com o apoio dos curdos e que enfrenta forte oposição dos sunitas, a minoria da população que
dominavam o Iraque na época de Sadam. Como se a auto afirmação do governo não fosse já um grande
problema, existe ainda a falta de consenso sobre a nova Constituição e, para aumentar a instabilidade o apoio
a intervenção estadunidense vem de inimigos históricos, os xiitas.
Outro foco de tensão no oriente próximo é o Paquistão, a única potência nuclear muçulmana. Após
seis anos de ditadura, o presidente Pervez Mushara convocou eleições presidenciais e parlamentares, permitiu
o retorno de Benazir Buto, que havia sido expulsa do poder por ele próprio através de um golpe de estado
alegando corrupção no governo da primeira ministra.
Em seguida a sua chegada, Benazir Buto foi morta em um atentado fundamentalista e as eleições
deram vitória ao presidente Pervez Mushara e, no parlamento, deu vitória para os grupos fundamentalistas.
Após a posse, pressionado pela oposição e acusado de corrupção, o presidente renuncia. A guerrilha
fundamentalista tenta a chegada ao poder para assim ter acesso à tecnologia nuclear, enquanto os EUA tentam
manter um governo aliado, e esse é o motivo da tensão na região.
O último episódio da tensão no Paquistão foi a chegada de mais tropas estadunidenses enviadas pelo
Governo Obama que ampliou, em seu orçamento de 2009 os gastos de guerra tendo inclusive mais recursos
disponíveis para esse fim do George Bush teve em seu último ano de governo.
Coréia do Norte
A Coréia, durante o período de descolonização afro-asiática foi divida após o período de guerra civil
que durou de 1950 a 1953 quando o país foi dividido entre o Norte socialista e Sul capitalista. A partir daí o
Norte passou a ser uma ditadura stalinista que isolou o país do restante do planeta adotando uma economia
planifica que manteve o país no atraso gerando uma crise humanitária e, por isso, recebe ajuda de alimentos e
remédios da ONU.
O governo sul coreano implementou uma verdadeira caça aos opositores com prisões e fuzilamentos
de opositores e ultimamente se projetou no cenário geopolítico devido ao seu programa nuclear que a levou a
ser o quarto país a quebrar o acordo de não proliferação de armas nucleares feito pela ONU em 1968.
2.3 África
O continente africano foi a região do planeta mais explorada/sacrificada pelo sistema capitalista e
vista com mais preconceito por parte dos países de centro. Esta história remonta do período do capitalismo
comercial, ou mercantil, momento em que sua população foi vendida por séculos como escravos na América e
suas riquezas naturais foram saqueadas.
Na segunda metade do século XIX , no período da segunda revolução industrial e da partilha afro-
asiática, o continente africano foi repartido entre as principais potências européias e a exploração atingiu um
dos piores momentos, inclusive com a separação de tribos irmãs e a união de tribos rivais dentro de um
mesmo país. Com a criação de novos países, pelo Tratado de Berlim (1886), também era incentivado as
divergências e os conflitos entre tribos, o que facilitava a dominação européia.
Com o processo de descolonização, após a segunda grande guerra, algumas nações se tornaram
socialistas, em outras guerrilhas socialistas aqueciam no continente a guerra fria. Em outras nações as guerras
étnicas, as ditaduras, os governos corruptos e os massacres têm roubado a estabilidade da região.
Atualmente, além dos problemas já citados, temos ainda a constante e grave ameaça da fome, com
quase a metade da população vivendo abaixo da linha da pobreza, com a maior mortalidade infantil do
planeta, com 2/3 da população portadora do vírus HIV, com um elevado índice de doenças infectocontagiosas
(cólera, febre amarela, tuberculose, DST entre outras).
As guerras civis também são uma constante na África. O fundamentalismo religioso e as diferenças
étnicas são o principal combustível para esses conflitos. Podemos destacar as guerras na Nigéria, Senegal,
Somália, Sudão, Chade, Mauritânia, Mandagascar, Ruanda, Angola, Etiópia e no próprio Quênia, país de
origem do atual presidente estadunidense, Barak Obama.
Na Nigéria, importante produtor mundial de petróleo, grupos milicianos que atuam no sul e querem
a independência da região, utilizam-se de atentados terroristas contra a infra-estrutura petrolífera do país que
pertence a multinacionais européias e estadunidenses, além de atacarem navios petroleiros. O grupo mais
importante da guerrilha é o MEND (Movimento para a Emancipação do Delta do Níger).
Já no Senegal, a situação atual é de paz e o presidente reeleito Abdoulaye Wade, iniciou uma rodada
de negociação direta entre os grupos palestinos Fatah e Hamas na tentativa de unir novamente o enfraquecido
movimento para a independência definitiva do Estado palestino.
Na Somália, ao contrário, os problemas se multiplicam. As milícias islâmicas rivais constantemente
se atacam fazendo vítimas milicianas e civis gerando mais um caos humanitário e de segurança. O país está
sem um governo operante a 17 anos e seus contínuos distúrbios sempre estão ligados a clãs rivais e grupos
armados islâmicos que lutam pelo poder.
Mergulhado no pior ciclo de violência desde o início da guerra civil em 1991, a capital Mogadíscio
chegou a ser administrada pelos insurgentes dos tribunais islâmicos fazendo explodir a violência na capital e
em um número cada vez maior de regiões somalis, onde as forças governamentais, apoiadas pelos aliados
etíopes, combatem os islamitas. A Etiópia, que interveio no fim de 2006 na Somália para combater esses
tribunais ajudando a derrubá-los em 2007, anunciou que vai retirar todo o seu exército do território somali no
início de 2009, o que acentua as dúvidas sobre a segurança na região.
Outro sério problema é a costa da Somália que é a mais perigosa do mundo devido à ação de piratas,
de acordo com um novo relatório divulgado nesta quinta-feira pela Agência Marítima Internacional (IMB). A
pirataria é um negócio grande e bem organizado e os piratas atacam usando uma rede sofisticada de
informações secretas, sempre atacando navios com cargas valiosas de empresas ricas o bastante para pagar
grandes resgates. Em 2008 foram realizados 42 seqüestros de navios e nos já nos dois primeiros meses de
2009 foram seqüestrados 13 embarcações demonstrando o crescimento desta atividade clandestina, assim
como os ingleses fizeram com seus piratas e corsários durante os séculos XVI, XVII e XVIII.
Os piratas também contam com a impunidade devido ao alto grau de corrupção do inoperante
governo local. Já o apoio popular geralmente é comprando com verbas para escolas e serviços médicos,
demonstrando mais uma vez a ausência de governo.
No final de 2008 o presidente da Somália, Abdullahi Yusuf Ahmed, renunciou ao cargo por não ter
conseguido garantir a paz no país africano, em meio a uma crise política que paralisou as instituições do país,
O novo presidente da Somália, o islâmico moderado Sharif Sheik Ahmed, eleito pelo parlamento
somali no início de 2009 é líder da Aliança para a Nova Fundação da Somália (ARS).
No Sudão, em 2004, na região de Darfur (no oeste) os movimentos rebeldes dos cristãos enfrentam
milícias islâmicas apoiadas pelo governo do atual presidente Omar al-Bashir que foi acusado pelo promotor-
chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), de cometer os crimes de genocídio, crimes contra a humanidade
e crimes de guerra na região, pedindo então a prisão do presidente. Al-Bashir impôs um genocídio para os
grupos étnicos Fur, Masalit e Zaghawa, sob o pretexto de impedir a insurgência.
Está atitude pode dificultar as tentativas de aumentar a presença de uma força de paz internacional na
região e de promover negociações para um acordo entre o governo do Sudão e os grupos rebeldes, além de
poder envolver a China que é importante fornecedora de armas para o Sudão.
Outro grave problema denunciado pela ONU e a existência de até seis mil crianças-soldados -
algumas com até 11 anos de idade - na conturbada região de Darfur, de acordo com o representante da Unicef
(a agência das Nações Unidas para a infância) no país, e algumas delas combatendo no próprio exército
sudanês.
O saldo dessa guerra civil que assola o país desde 1956 é de dois milhões de vítimas diretas e
indiretas, quatro milhões de deslocados, quinhentos mil refugiados e quase dois milhões de famintos.
O Chade, desde sua independência a partir da década de 60, tem enfrentado golpes e conflitos
internos constantes. Ao longo da história do país, a França, apoiando diferentes governos, e a Líbia, apoiando
grupos rebeldes, tiveram um papel importante nos conflitos interno do país, que é um dos mais pobres do
mundo, mas que tem uma importante reserva de petróleo.
A atual onde de violência começou em 2005, quando o presidente Deby alterou a Constituição para
permitir que ele fosse reeleito pela terceira vez. Deby chegou ao poder em um golpe de Estado no início dos
anos 90 e está no comando do Chade desde então.
Nos praticamente 17 anos que está no controle do Chade, Idriss Deby já enfrentou diversas tentativas
de golpes. Desta vez, porém parte do grupo que agora está tentando derrubá-lo é composto por antigos aliados
que mudaram de lado após as mudanças constitucionais de 2005.
A deterioração da segurança no leste do Chade, na fronteira com o Sudão, levou à suspensão da
maior parte da ajuda humanitária na zona de Dogdoré, onde moram 26 mil deslocados internos, dos 180 mil
que existem no país, informou a ONU. Cerca de 315 mil refugiados sudaneses e centro-africanos residem no
Chade, o que faz com que haja em torno de 500 mil pessoas que precisam de ajuda humanitária para
sobreviver no país.
Os partidários de Idriss Deby acusam o Sudão de estar patrocinando a atual ofensiva rebelde como
uma forma de desestabilizar a região para retirar atenção de Darfur pouco antes que tropas da ONU se juntem
à tropas da União Africana com o objetivo de controlar o conflito no Sudão.
A realidade da Mauritânia não foge a regra. No dia 6 de agosto de 2008 um golpe de estado
derruba o presidente, Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdallahi, eleito democraticamente e que conta com o
apoio da maioria das nações ocidentais, incluindo Estados Unidos e Europa. Após o golpe militar verifica-se
um aumento da violência dos extremistas islâmicos.
Como forma de pressionar uma solução à crise política, os EUA e a França já suspenderam a ajuda
humanitária ao país africano e ameaçam impor sanções contra os membros da junta militar, presidida por
Mohammed Ould Abdelaziz.
No pedido por uma "guerra santa" na Mauritânia, em 12 de agosto, os membros da Al Qaeda
disseram que os generais que realizaram o golpe estão provavelmente agindo com a provação dos "Estados
infiéis": EUA, França e Israel.
O líder da junta militar argumenta que os militares vão acabar com a ameaça terrorista e que o ex-
presidente era muito condizente com os fundamentalistas, libertando muçulmanos radicais da cadeia e
concedendo postos de governo a extremistas islâmicos do partido Tawassoul, que representa os muçulmanos
de linha-dura, acusação que o antigo governo nega.
Em Madagascar, os conflitos políticos ocorrem com mais violência desde janeiro de 2009 entre os
partidários do presidente Marc Ravalomanana, e de seu rival, o destituído prefeito de Antananarivo (capital),
Andry Rajoelina, que representa a etnia malgaxe. As manifestações de apoio e oposição ao governo já
geraram mais de 100 mortes na capital.
No Quênia a violência explodiu depois das eleições fraudulentas de dezembro de 2007 quando o
país entrou em sua crise mais profunda desde a independência em 1963. Mais de 1.500 pessoas foram mortas
e estima-se que, pelo menos, um milhão de pessoas tenham sido desalojadas em função das batalhas
motivadas por política, disputas de terras entre tribos rivais no Vale de Rift, diferenças sociais e antigas
tensões étnicas entre vários grupos como, por exemplo, os kambas, kikuyus, luos e luhyas. Esses distúrbios
causaram a morte de dois medalhistas olímpicos, além de impedir a volta de atletas que vieram para o Brasil
para a disputa da corrida de São Silvestre, em São Paulo.
O estopim da crise foi o resultado do pleito, que reelegeu o então presidente Mwai Kibaki, eleito em
2002. O líder opositor e rival político Raila Odinga, do Partido Democrático Laranja (ODM), contestou a
vitória de Kibaki - o qual acusou de fraudar os resultados para ficar no poder - e convocou protestos pelas
ruas do país. O processo eleitoral também foi colocado em dúvida pela delegação de observadores da União
Européia (UE). A etnia de Kibaki, os kikuios (22% da população, grupo majoritário no país), enfrenta
diariamente membros da comunidade luo, de Odinga.
A solução para o impasse foi um grande acordo que possibilitou aos deputados aprovarem a criação
de uma administração conjunta entre o governamental Partido de União Nacional (PNU) do presidente
queniano, Mwai Kibaki, e o principal grupo da oposição, o ODM. A criação do governo de coalizão, em
março de 2008, reservou os cargos de primeiro-ministro, que estará reservado o opositor Odinga, e dois vice
primeiro-ministros, que serão ocupados, respectivamente, por membros do PNU e do ODM. O Parlamento
também aprovou o projeto de lei relacionado com o Acordo Nacional de Reconciliação que indicará aos
membros do futuro Executivo híbrido as funções de cada ministro, assim como de seus colaboradores.
2.4 A América Latina e o Haiti
A história da América como continente já inserido no sistema capitalista se inicia com a chegada dos
“colonizadores” europeus. O interesse desta invasão era utilizar este continente como mercado consumidor de
produtos manufaturados europeus e de fornecedor de produtos tropicais, de minérios e de matéria-prima.
O período colonial foi marcado pela exploração metropolitana das riquezas naturais e do trabalho
aqui aplicado, pois a função da colônia é produzir riqueza para os países de centro complementando a
economia destas antigas áreas metropolitanas.
Na virada do século XVIII para o XIX iniciaram-se os processos de independência da América.
Guiados pela independência dos EUA promotora dos ideais burgueses do iluminismo e do liberalismo, que
tão bem representavam os interesses da revolução industrial. A necessidade da abertura dos mercados,
principalmente do imenso mercado dos atrasados países ibéricos, era uma imposição do processo de
transformação do capitalismo. Desta forma aconteceram nossas independências.
O segundo processo americano de independência se verificou no Haiti, colônia francesa que melhor
produzia rapaduras, e que havia iniciado sua mobilização popular com inspiração nos ideais liberais. A
princípio os negros lutavam pelo fim da escravidão para que se cumprisse a determinação do governo
Jacobino de libertar os escravos, porém, após a decretação por parte de Napoleão do retorno ao escravismo
nas colônias, a luta evoluiu para a tentativa de independência, produzindo heróis como Touinssant e
Dessalines. A independência do Haiti foi um marco na história do continente por ter sido o único processo de
libertação popular, ocorrido em 1806.
O maior problema veio depois da independência, quando o país não possuía a menor qualificação
para as responsabilidades de um Estado independente e inserido no contexto capitalista industrial. Para piorar
a situação o Haiti sempre contou com o apoio estadunidense durante os dois séculos de sua “soberania”.
Mantendo o modelo agrário exportador como as demais colônias latino-americanas, atravessou estes
dois séculos, governado por ditadores corruptos e com hábitos faraônicos. O último deles foi Baby Doc,
derrubado na década de 80 quando se inicia a nova república presidencialista e democrática do Haiti. O
primeiro presidente eleito o padre Jean Bertrand Aristide, ligado a esquerda e aos fracos movimentos sociais,
foi derrubado por um outro golpe militar. Porém em um novo momento de redemocratização surge um fato
raro na história haitiana: um presidente eleito termina seu mandato sem levar um golpe de estado.
O Haiti não consegue superar seus sérios problemas que vão da corrupção crônica no aparelho do
Estado a desestruturação geral de seu sistema de infra-estrutura e da atividade produtiva gerando um bolsão
de pobreza e miséria capaz de explodir a qualquer momento.
Sendo assim o Conselho de Segurança das Nações Unidas determinou uma missão de paz chefiada
pelo Brasil que se iniciou em 2003. A ação da ONU é bastante questionável, pois, o Haiti precisa, mais que
um policiamento ostensivo, é de investimentos externos para a geração de empregos e estruturação do sistema
produtivo com a garantia de compra de seus produtos pelos países ricos e em desenvolvimento.
O último grande momento de tensão vivido pelo Haiti foram as eleições presidenciais do mês de
março de 2006 quando o candidato e ex-presidente René Preval venceu as eleições e o governo interino tentou
levar as eleições para o segundo turno. Porém, uma grande mobilização popular, inclusive após a descoberta
de urnas no lixo, pressionou o governo até o reconhecimento da vitória de René Preval.
A história da América latina após o início do século XIX também será marcada pelo processo de
independência que manterá as estruturas agrárias exportadoras com a propriedade das terras concentradas nas
mãos de uma elite oligárquica que produzirá o surgimento de governos conhecidos por Caudilhos e no Brasil
por Coronéis, que detinham o poder local por intermédio da manutenção de uma política clientelista, trocando
votos por favores e ainda exercendo o poder de polícia local.
Outro fator que não pode ser deixado de lado é o poder imperialista estadunidense que se forma,
ainda no início do século XIX, em toda a América. Com a Doutrina Monroe e sua máxima “A América para
os americanos” iniciou-se um processo de dominação dos mercados latino-americanos por intermédio de uma
falácia que foi a maior integração do continente. Enquanto mandávamos produtos primários, como sempre,
exportávamos, agora desta vez, produtos industrializados.
Durante o século XX as estruturas sofreram uma mudança com o processo de industrialização e
urbanização que, é lógico, atenderam os interesses das empresas multinacionais que se alastravam por toda a
América latina. No campo se mantinham as estruturas sociais, econômicas e políticas do século anterior. O
clientelismo nas cidades evoluiu para uma forma de governo que receberá o nome de populismo. Esta nova
forma de administração do Estado será influenciada pelo fascismo da década de 30, difundindo o
paternalismo governamental e se alternando no poder com ditaduras ora civis, ora militares. Durante o século
XX haverá sempre momentos, embora menores, de governos nacionalistas que foram eleitos ou até mesmo
ditatoriais.
Já no século XXI, a América latina é tomada por uma corrente populista e nacionalista que tem a
noção da importância de uma maior integração da região e que mantém uma postura crítica a respeito da
fidelidade cega aos EUA, nosso parceiro tradicional. Existe, e tem que ser levado em consideração, o
problema dos personalismos, característicos do fenômeno populista, e que tem atrapalhado uma integração
mais rápida devido a algumas disputas veladas pela liderança da região.
A seguir citaremos alguns países latino-americanos que se destacam nas questões de maior relevo
geopolítico para o processo econômico e político regional e internacional:
A história de Cuba, que a liga a atualidade, se inicia com a guerra hispano-americana em 1889
quando, tanto Cuba quanto Porto Rico, se tornaram independentes. Em seguida (1901) o parlamento
estadunidense aprova a emenda Platt que autorizava seu legislativo a fazer leis que valeriam nestes dois novos
países latino-americanos.
Os governos que se sucederam mantiveram uma infeliz tradição que foi a manutenção do modelo
agro-exportador, totalmente dependente da economia estadunidense, fornecendo gêneros agrícolas tropicais,
principalmente açúcar. O povo cubano vivia na miséria e no analfabetismo trabalhando nos grandes
latifúndios e no período do verão fazendo pequenos serviços (incluindo aí a prostituição, que ainda se mantém
muito forte e presente até os dias de hoje).
O último governo antes do processo revolucionário foi a ditadura sangrenta e opressora de Fulgêncio
Batista, instalada no poder em 1952 e sustentada pelo governo estadunidense. Foi justamente esta grande
contradição que possibilitou o apoio irrestrito da sociedade cubana aos guerrilheiros socialistas que haviam se
instalado na Sierra Maestra e de lá conquistando o poder no dia 1º de janeiro de 1959 com a tomada de
Havana e a chegada triunfal dos líderes Fidel Castro e Che Guevara.
O novo governo iniciou a tomada das propriedades com um processo de estatização dos meios de
produção característico dos estados socialistas. Porém foram comuns os fuzilamentos fruto dos julgamentos
de rito sumário, os exílios e as prisões. Além disso, temos a censura dos meios de comunicação e a proibição
da saída da ilha sem a autorização do governo.
Durante o período de existência da URSS a ilha servil como um satélite dos interesses soviéticos,
sendo sua economia sustentada por eles. Outra função que a ilha desempenhava era a de centro de
treinamento de quadros socialistas da América.
Neste período Cuba se destacará nos esportes, na produção cultural e intelectual e na saúde. Porém a
oposição ao sistema sempre existiu internamente e quando os dissidentes conseguiam chegar nos EUA o
governo daquele país os financiava para que se tornassem em pouco tempo milionários o que servia de contra
propaganda ideológica do sistema. Outra investida foi a criação por esses dissidentes, na Flórida durante a
década de 80, da rádio Marti que emite em ondas curtas para dentro da ilha propaganda anti-castrista.
Dois outros momentos muito tensos da história cubana foram: a tentativa de dissidentes de retornar a
ilha na tentativa de estabelecer um foco de guerrilha para a derrubada do governo, fato conhecido como a
invasão da baía dos porcos em 1961 e a crise dos mísseis de 1962.
A crise dos mísseis foi o momento em que a União Soviética, em retaliação aos mísseis instalados na
Turquia e na Alemanha Ocidental direcionados para Moscou, instalou mísseis de longo alcance em Cuba
apontados para os EUA. O episódio foi tão tenso que quase leva as duas superpotências ao confronto direto
ficando o fato conhecido como os treze dias que abalaram o mundo. Como conseqüência desse momento a
OEA – Organização dos Estados Americanos – expulsa Cuba e decreta o embargo econômico que vigora até
hoje.
Após o fim da URSS em 1991 a ilha de Cuba fica sem seu apoio decisivo e mergulha em uma crise
profunda com a falta de petróleo, do fornecimento de automóveis e máquinas, de peças de reposição,
defensivos e fertilizantes agrícolas, além de alimentos e equipamentos de alta tecnologia.
A crise gera recessão e racionamento de alimentos e as grandes filas passam a ser muito comum em
todo o país. O momento mais crítico se verifica em 1998 quando da fuga em massa dos cubanos pelo mar para
os EUA. Nessa ocasião o governo de Fidel toma uma atitude inesperada e libera a saída da ilha de quem
quisesse sair provocando uma fuga em massa de aproximadamente 22 mil pessoas que foram resgatadas pelos
mariners norte-americanos e encaminhados à base militar de Guantanamo onde vivem com ajuda
“humanitária” dos EUA que não teriam condições de lhes dar uma vida de progresso material.
A recuperação cubana começa quando da ascensão de Hugo Chaves e Lula ao poder em seus países
passando assim a suprir, principalmente com petróleo, suas necessidades de desenvolvimento. Outro motivo
dessa recuperação foi o início da abertura do socialismo cubano ao mercado por intermédio do turismo com a
liberação para que a iniciativa privada construísse grandes hotéis e importasse Coca-Cola do México. A
princípio o turismo estava reservado aos estrangeiros.
A notícia mais importante da atualidade em Cuba foi a doença do líder Fidel Castro que o afastou do
poder, por intermédio da renuncia do cargo, sendo necessário a eleição indireta de um novo presidente, no
caso, seu irmão Raul Castro e seus cinco vice-presidentes.
As primeiras medidas do “novo” governo foram à liberação do uso de eletrodomésticos, assim como
a liberação do turismo nos grandes hotéis para a população cubana. O último grande momento de Cuba está
ligado à pressão internacional para o fim do embargo econômico que, a cada dia que passa, ganha novos
aliados. Nas reuniões da UNASUL o assunto é sempre lembrado, nas duas últimas reuniões do G20 também
surgiram discursos que pregavam a necessidade dos EUA abandonarem a pressão sobre a ilha. Já a União
Européia, antes da crise, havia sinalizado com a possibilidade de uma quebra do embargo de forma unilateral.
O fim do embargo econômico trás uma grande perspectiva para Cuba devido a grande quantidade de
mão de obra disponível para o trabalho com alta tecnologia, conforme prevêem alguns analistas. O último
episódio com relação a esse assunto foi a revogação do decreto de expulsão de Cuba da OEA, abrindo
caminho para seu retorno, o que pode ajudar consideravelmente para o fim desse injustificável embargo.
Já em Honduras, país de colonização espanhola que expulsou os colonizadores em 1821 e se tornou
formalmente independente em 1838. Manteve-se com uma população miserável e com um modelo agro-
exportador de produtos tropicais e consumidor de bens de consumo importados, principalmente dos EUA.
Durante as décadas de 70 e 80 do século passado, as guerrilhas nos países vizinhos afeta diretamente
o país que passa a ter uma intervenção mais direta dos estadunidenses que em 1982 se estabelecem
definitivamente em território hondurenho construindo uma base militar e influenciando diretamente na nova
Constituição. A partir de 1989, a esquerda parte para a guerrilha que é duramente reprimida pelo governo com
a ajuda estadunidense.
Em julho de 2009, um golpe militar põe fim ao regime democrático e depõe o presidente Manoel
Zelaya que possuía uma característica bem peculiar na América Latina, o populismo. Suas reformas durante
um novo processo constituinte desagradam a elite local que se une aos militares e derruba o presidente eleito.
O novo governo, comandado pelo general Roberto Micheletti, passa a receber pressões externas dos
países do continente americano, da OEA, que suspende Honduras da organização, e até mesmo da ONU. As
ajudas humanitárias são suspensas e o governo dos EUA e do Brasil, suspendem o acordo de livre transito
para o país e deixam claro que não darão visto a representantes do novo governo que não é reconhecido por
nenhum outro país.
O novo episódio envolvendo a crise institucional em Honduras foi a volta do presidente Manoel
Zelaya, após as tentativas de negociações fracassadas da OEA e de Costa Rica (onde o presidente havia se
exilado), ao seu país. Zelaya se refugia na embaixada brasileira que foi cercada pelo exército na tentativa de
impedir manifestações de simpatizantes do presidente deposto que utiliza a embaixada brasileira como uma
espécie de quartel general, onde mantém contato direto com a imprensa local e estrangeira.
O novo governo marcou eleições para novembro e impediu a participação no processo eleitoral do
antigo governo. A dúvida é se a comunidade internacional reconhecerá o novo governo eleito nessas
condições.
Na Venezuela temos o maior inimigo dos estadunidenses no poder na América do Sul. Hugo Chaves
venceu as eleições em 1989, após ter tentado um golpe de estado em 1994, e governa pelo segundo mandato
consecutivo. Dentre os fatos mais importantes do primeiro mandato estão: o fechamento da corte suprema e a
substituição de seus juízes; o fechamento do congresso e as eleições parlamentares gerais que deram maioria
para o governo; a nova constituição do país que deu o direito a reeleição para o executivo; a briga direta
contra as multinacionais do petróleo e a oposição local, incluíndo a elite venezuelana, a mídia e o próprio
governo Bush. após a estatização/nacionalização de refinarias.
Com o direito a reeleição, Hugo Chaves vence as eleições e inicia seu segundo mandato. O primeiro
problema enfrentado foi a tentativa de golpe (financiada pelos EUA e apoiada pela RCTV e por outros
governos, inclusive a Espanha) imposta pela oposição a seu governo. A contra reação de Chaves, contando
com amplo apoio popular e das forças armadas, detém o movimento golpista. Em seguida Chaves vence o
referendo revogatório de mandato, previsto pela constituição, o que lhe garante a conclusão do mandato. As
denuncias de fraude, feitas sempre que são realizadas eleições na Venezuela, também foram à tônica das
críticas da oposição que chegaram a boicotar as eleições parlamentares de 2005, que, mais uma vez, deram a
vitória aos partidários de Chaves.
Um outro momento tenso entre a Venezuela e os EUA foram a expulsão dos diplomatas. Iniciada
pela Venezuela que expulsa um capitão da marinha estadunidense acusando-o de espionagem e em seguida os
EUA expulsarão uma diplomata venezuelana acusando-a do mesmo.
O ano de 2007 foi muito intenso para a história venezuelana. Com relação ao mercosul foi aceito
pelo Bloco Econômico a entrada da Venezuela, porém a entrada é condicionada ao referendo dos poderes
legislativos de todos os Estados membros. Já aprovaram a entrada, os parlamentos do Uruguai e da Argentina.
Estes referendos foram inclusive ameaçados pelo governo Hugo Chaves com a retirada da Venezuela do
Bloco. Os problemas começaram quando o governo Chaves não mais renovou a concessão pública do canal
RCTV (Rede Caracas) acusado de ter auxiliado na tentativa de golpe ao presidente. Por este motivo, os
parlamentos dos demais países que são influenciados pela grande mídia, da qual necessitam para se manterem
no poder, e pelos EUA, protestam contra o que chamam de arbitrariedade com o direito de expressão.
Chaves em sua cruzada anti-estadunidense, discursou na Abertura da Assembléia Geral da ONU em
2006 chamando o presidente Bush de “el diablo” e ultimamente, em 2007, juntamente com o presidente do
Irã, Armadinejah, propuseram na reunião da OPEP a substituição do dólar como moeda para as transações
internacionais do petróleo. A justificativa é a perda de força da moeda estadunidense o que pode gerar
prejuízos aos países produtores de petróleo.
Outro momento de tensão nas relações diplomáticas com os EUA foi o acordo de compra de armas
da Rússia pelo governo venezuelano, promovendo uma aproximação do governo Chaves com um grande rival
estadunidense.
Mais um problema interno enfrentado pelo governo esta relacionado as novas emendas
constitucionais. O processo tem sido acusado de manipulação e de entregar super poderes ao presidente Hugo
Chaves que poderá, por exemplo, se candidatar infinitamente à presidência da república, que segundo suas
pretensões passará a se chamar República Socialista Bolivariana da Venezuela. A reação da oposição agora
conta com a manifestação contrária dos estudantes universitários, que denunciam a instalação de uma
ditadura.
A primeira derrota de Chaves foi no referendo em que pretendia ampliar seus poderes e permitir que
se candidatasse eternamente a presidência. Após a derrota, Chaves passou a enfrentar problemas de
desabastecimento de alimentos numa manobra da oposição agrária que diminuiu a produção no intuito de
gerar uma crise de desabastecimento. Já com relação às nacionalizações, em 2008 houve um novo avanço do
governo com a estatização de outra várias empresas, como a Cargil (estadunidense) e o Banco Santander
(espanhol).
Ainda em dezembro de 2008 o presidente Hugo Chaves consegue aprovar uma emenda que permite
aos ocupantes do executivo que se recandidatem quantas vezes quiserem. Essa medida foi referendada pela
população venezuelana que deu uma vitória esmagadora ao presidente com 67% de aprovação.
A força política de Hugo Chaves se explica pelas políticas assistencialistas, tais como: a distribuição
de renda por intermédio da ampliação das aposentadorias e da distribuição de alimentos para as famílias mais
carentes; pelo projeto de saúde preventiva levada a cabo pelos médicos cubanos lá estabelecidos; pelo projeto
de reforma agrária; pela ampliação das vagas nos estabelecimentos educacionais e pelas políticas de
saneamento básico e infra-estrutura que têm aumentado a oferta de empregos.
Outra medida do governo Hugo Chaves que desagrada bastante os interesses estadunidenses é a sua
postura de defesa intransigente de uma maior integração latino-americana com o seu apoio aos governos
nacionalistas do continente e sua aproximação com o governo cubano.
O último problema enfrentado internamente pelo governo, em 2009, foi a sua proposta de reforma
educacional, criticada pela oposição que levanta a possibilidade da utilização da estrutura educacional do país
para a propaganda oficial da revolução bolivariana de Chaves, acabando com a liberdade de ensino na
Venezuela.
Na Bolívia, no fim do ano de 2005, a América assistiu a primeira vitória da história de um presidente
índigena, Evo Morales, presidente do sindicato dos cocaleiros que venceu as eleições no primeiro turno com
53,7% dos votos e conseguiu formar uma base parlamentar que se aproxima da maioria do parlamento, o que
facilitará bastante seu governo.
Eleito pelos movimentos sociais, sindicatos de trabalhadores urbanos e rurais, intelectuais de
esquerda, estudantes e associações de moradores. A Eleição de Evo Morales na verdade foi a explicitação das
contradições internas de um país que não possui uma classe média forte e sim uma massa miserável sempre
alijada do poder e de seus direitos básicos, mantendo assim um dos mais baixos IDHs da América latina.
Em sua primeira viagem ao exterior, antes da posse que foi tomada com trajes indígenas. Seu
discurso nacionalista a princípio gerou um impacto em nosso país. Sua proposta de nacionalização do petróleo
e do gás natural afeta o Brasil diretamente, pois a Petrobrás é quem detém o monopólio do refino e da
distribuição de 100% do petróleo e de 75% do gás natural, setor onde a Petrobrás muito investiu para fazer o
gasoduto Brasil-Bolívia.
A tendência, segundo especialistas, é que a situação de impasse quanto ao petróleo e o gás natural
evolua para uma parceria entre governo boliviano e a Petrobrás, pois a Bolívia não tem condições para o
processamento do petróleo e seus derivados. Alem da possibilidade de acordo com a Petrobrás, a Bolívia
busca novas parcerias com a venezuelana PDVSA tentando evitar parcerias fora da América latina reforçando
o discurso de integração regional do presidente Evo Morales.
Hoje o governo boliviano enfrenta uma forte oposição dos meios de comunicação, da elite local e dos
interesses estadunidenses. A saída para o Governo de Evo Morales é o processo constituinte que, com uma
nova Constituição pretende modernizar a estrutura jurídica e defender os interesses bolivianos através da
ampliação das conquistas sociais, como, por exemplo, os programas assistencialistas de distribuição de renda,
a garantia de aposentadoria para índios, a reforma agrária e a ampliação da rede de ensino para por fim ao
analfabetismo estrutural que assola o país.
Essa nova Carta Constitucional foi aprovada em Sucre em uma sessão dentro de um quartel general
devido a forte oposição que as elites bolivianas lhe fazem. Esta oposição consequiu por intermédio de
plebiscitos ampliar a autonomia de seus estados e depois tentaram um movimento separatita dos
departamentos (estados) mais ricos, sem êxito devido a falta de apoio externo.
Após uma série de protestos nas regiões controladas pela oposição, que terminaram, a maioria deles,
em distúrbios, o presidente Evo Morales convocou um referendo onde obteve mais de 65% dos votos e
mesmo assim os distúrbios não cessaram. O último momento de tensão ocorreu no departamento de Pando,
onde, de acordo com o governo boliviano, o governador insuflou um grupo de traficantes e militantes da
oposição para atirarem em manifestantes camponeses que apóiam Evo Morales. O governo prendeu o prefeito
do departamento de Pando e alguns de seus seguidores fugiram para o Brasil.
Em agosto de 2009, em visita oficial a Espanha, Evo Morales conseguiu o perdão da divida externa
com sua antiga metrópole. O perdão de 100% da dívida será distribuído da seguinte forma: perdão de 60% e
os 40% restante devendo ser utilizado como investimento no setor educacional.
No Equador, a vitória em 2005 do presidente Rafael Correa estabelece mais um presidente
nacionalista que é favorável ao integracionismo latino americano e aos avanços sociais como a reforma
agrária e as políticas de saúde pública e distribuição de renda.
Um fato importantíssimo foi o problema diplomático com a Bolívia, devido ao bombardeio, sem
autorização de seu governo, feito em seu território pelo exército boliviano que matou o segundo homem na
hierarquia das FARC. Essa questão foi mediada pelo governo brasileiro e resolvida na OEA com o pedido de
desculpas do governo colombiano.
Outro episódio que ocupou os noticiários da América do sul foi a expulsão da construtora Odebrest
do Equador por causa de uma hidrelétrica por ela construída e que não funcionou. A construtora brasileira
resolveu voltar ao país e consertar a obra, pois a Odebrest já havia vencido uma outra concorrência para a
construção de um porto que será uma obra ainda maior e mais lucrativa. Um outro detalhe importante é que as
duas obras receberam financiamento do governo brasileiro por intermédio do BNDES.
A Colômbia é hoje o país mais próximo dos EUA em nossa América do Sul. O plano Colômbia
pretende investir 5 bilhões de dólares na luta armada contra o tráfico que produz mais de 60% da cocaína do
planeta. As obras de infra-estrutura nos bairros pobres das grandes cidades ajudou a diminuir a violência
nessa área do país, porém, o narcotráfico e a guerrilha das FARC controlam uma boa parte do país.
As FARC no início eram um grupo guerrilheiro que lutavam para implantar o socialismo no país,
mas depois do fim da URSS, se aliaram ao narcotráfico para sobreviver e ampliaram a prática dos seqüestros
chegando a capturar a candidata a presidente da república, Ingrid Bitencourt.
A luta contra as FARC acabaram por causar um grave problema diplomático quando o segundo
homem de sua hierarquia foi morto em um ataque em território Equatoriano. O mal estar só foi contornado
em uma reunião extraordinária Organização dos Estados Americanos com o pedido de desculpas por parte de
Álvaro Uribe. Após a morte de seu fundador, Manuel Marulanda, as FARC libertaram a ex-senadora Ingrid
Bitencourt. Existem duas versões para a libertação: um espetacular resgate do exército colombiano ou um
misterioso depósito de 20 milhões de dólares depositados na conta das FARC na Suíça.
O último problema causado pelo governo colombiano foi a autorização para que os EUA construam
uma base militar em sua mata amazônica. Os governos dos países vizinhos como a Bolívia, a Venezuela e o
Brasil não admitem a idéia e ainda são apoiados por países como a Argentina, o Uruguai e o Paraguai
A Argentina de Nestor Kirchner, estava falida no ato de sua posse, após romper com o FMI e
ameaçar com uma moratória de quatro horas, conseguiu um acordo mais favorável aos interesses nacionais
com a redução de até dois terços da dívida em alguns casos. Os elevados índices de crescimento econômico
foram cruciais para encaminhar soluções às graves seqüelas sociais deixadas pela crise.
Porém o rápido desenvolvimento econômico sem investimentos em infra-estrutura, principalmente
no setor energético, gerou um apagão elétrico que chegou a diminuir o fornecimento de gás natural boliviano
para o Brasil para que se socorresse a necessidade Argentina.
Outro fato político importante foi a eleição, em primeiro turno, da esposa do presidente Kirchner, a
senadora Cristina Kirchner, primeira mulher eleita na história Argentina. Seu discurso é contrário aos órgãos
de crédito internacionais e demonstra preocupação com a situação de infra-estrutura que estrangula a
economia platina.
Porém as coisas não andam muito bem. A Argentina tem sido sacudida por protestos de pecuaristas
por causa, primeiro da tentativa de aumentos dos impostos (retenções), e por último pela tentativa de tornar os
impostos de importações flutuantes para que aumentem conforme aumentares os preços das commodittes, o
que não foi aprovado pelo parlamento argentino. Outra acusação que pesa sobre o governo é a manipulação
dos índices de inflação para baixo para tentar esconder os efeitos da crise.
Já no segundo semestre de 2009 um novo problema envolve a disputa de poder entre o governo e o
agro-negócio. A presidente Cristina não liberou o seguro que os produtores rurais tinham direito para cobrir
os prejuízos da seca ampliando mais ainda os protestos do setor.
O Paraguai foi um país governado nos últimos sessenta anos pelo partido colorado e em 2008 a
eleição presidencial produziu mais uma surpresa para o cenário sulamericano, com a eleição do ex-bispo
Fernando Lugo de um pequeno partido de esquerda apoiado por outros partidos nanicos. Sua plataforma de
governo visa um processo de reformas estruturais ampliando o assistencialismo, criando a saúde preventiva, a
reforma agrária e promovendo obras de infra-estrutura.
O capital para essas realizações virá de uma renegociação com o Brasil do tratado de Itaipu. Em
julho de 2009 o presidente Lugo e o presidente Lula criaram uma minuta de acordo em que o governo
brasileiro admite aumentar em até três vezes mais o valor pago pelo Kilowatt de energia, porém essa minuta
de acordo só se transformará em acordo após a aprovação no parlamento dos dois países.
No Uruguai a vitória em 2005 do candidato ligado aos movimentos sociais urbanos e a esquerda,
Tabaré Vasquez, foi um marco em sua história, pois ele derrubou do poder os dois partidos que se alternavam
no poder desde a independência no século XIX. O partido Blanco e o Colorado são compostas pela elite rural
que é responsável por manter o Uruguai ainda sem um desenvolvimento urbano e industrial acentuado. A
esperança do novo governo é conseguir um processo de modernização conciliado com uma boa distribuição
de renda.
No Chile, a vitória da candidata do governo, Michelle Barchelet, foi uma quebra de preconceitos,
pois além de ser mulher é uma intelectual de esquerda, divorciada, perseguida, presa e torturada pela ditadura
militar sangrenta de Pinochet. A preocupação maior de seu governo será também a má distribuição de renda
que também assola o país mais estável da América do Sul. Durante sua posse, a presidenta do Chile afirmou
que apóia as pretensões brasileiras para a vaga no novo Conselho de Segurança da ONU.
3. DESENVOLVIMENTO E INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS E CIENTÍFICAS
3.1 Lei Biossegurança
A sanção presidencial a nova Lei de Biossegurança, em 2005, que permite a pesquisa com células-
tronco embrionárias humanas, além da produção e comercialização das OGMs (Organismos Geneticamente
Modificados) foi comemorada por muitos cientistas embora os organismos internacionais e nacionais como o
Greenpece, o WWF, o MST(movimento dos trabalhadores Rurais sem Terra) e o Idec (Instituto Brasileiro de
Defesa do Consumidor) criticaram duramente a sanção da lei sem vetos à autorização para que as pesquisas
sejam realizadas sem estudos de impacto ambiental pelo Ministério do Meio Ambiente.
A produção e a comercialização de organismos geneticamente modificados e a pesquisa com células-
tronco embrionárias com finalidades terapêuticas de agora em diante passam a obedecer os artigos da Lei de
Biossegurança.
3.2 A Bioética
O termo bioética é recente. Surgiu em 1970 na publicação de um artigo especializado onde se pregou
a necessidade de se estabelecer uma ponte entre o saber científico e o saber humanístico. Ela tem por objetivo
associar a biologia à ética, por meio de uma prática interdisciplinar, onde esperam os médicos, homens de
ciência, advogados, juristas, religiosos, atuem em comum para estabelecer um conjunto de normas aceitável
para todos.
A razão da emergência da bioética reside no momento histórico aonde se multiplicam os
transplantes, as experiências bem-sucedidas com animais, as inseminações artificiais se tornaram corriqueiras
bem como nascimentos humanos fora do corpo humano (fertilização in vitro). A Bioética tem procurado
orientar não só os cientistas dedicados a experiências genéticas como também a opinião pública e os
legisladores em geral.
Atitudes como a dos médicos brasileiros que foram presos por vender células-tronco em cápsulas e o
médico coreano Woo-suk Hwang, que havia falsificado resultados de sua pesquisa sobre clonagem de
embriões humanos, expõe os obstáculos que a questão ética terá que transpor para que se crie uma cultura
mais humanizada.]
3.3 Células-Tronco
A lei de biossegurança regulamentou e estabeleceu regras para a pesquisa, o cultivo e a
comercialização dos OGMs (Organismos Geneticamente Modificados). Ele cria uma legislação específica
para problemas recentes, como a clonagem e a manipulação de embriões. Uma grande importância desta lei é
se iniciar prematuramente na corrida científica internacional, este fato cria condições para não ter que, mais
tarde, importar tecnologia criando novas patentes para a produção nacional.
Pesquisas mostram que as células-tronco podem recompor tecidos danificados, de músculos aos
neurônios, e, assim, teoricamente, tratar um infindável número de problemas, como alguns tipos de câncer, o
mal de Parkinson e de Alzheimer, doenças degenerativas e cardíacas ou até mesmo fazer com que pessoas que
sofreram lesões físicas irreversíveis e diabetes possam ser curados.
Existem dois tipos de células-tronco: as extraídas de tecidos maduros de adultos e crianças ou as de
embriões. No caso das extraídas de tecidos maduros como, por exemplo, o cordão umbilical ou a medula
óssea, as células-tronco são mais especializadas e dão origem a apenas alguns tecidos do corpo. Já as células-
tronco embrionárias cada vez se mostram mais eficazes para formar qualquer tecido do corpo.
Mas a retirada de células-tronco acaba destruindo os embriões, o que tem provocado reações
contrárias de diversos segmentos da sociedade mundial. Grupos religiosos e outros setores sociais engajados
na luta anti-aborto não aceitam a destruição dos embriões, pois, consideram que a vida começa no momento
da concepção. Para aumentar ainda mais a polêmica, a obtenção de células-tronco embrionárias pode ser feita
a partir de outra alternativa não menos controversa: a clonagem humana.
A liberação da pesquisa com células tronco embrionárias por intermédio da Lei de Biossegurança foi
questionada no Supremo Tribunal Federal que decidiu pela manutenção da liberação em 2008 por entender
que se a fecundação ocorrer em vitro, o embrião não será um nacituro e, portanto, não esta sujeito a proteção
do código civil que determina o direito ao nascimento. Outra questão importante desse julgamento é entender
que, embora os advogados tenham utilizados discursos levantando a questão ética não era esse o objeto da
deliberação.
A grande novidade do início do ano de 2009 foi protagonizada pelos cientistas cariocas que
produziram pela primeira vez no Brasil uma linhagem de células-tronco de pluripotência induzida. Elas são
idênticas às cobiçadas células-tronco embrionárias, com a vantagem de que não necessitam de embriões para
sua obtenção. Em vez disso, a pluripotência (capacidade para se transformar em qualquer tecido do
organismo) é induzida "artificialmente" em uma célula adulta, por meio da reprogramação de seu DNA.
A técnica, não reduz a importância do estudo das células embrionárias "autênticas", mas diminui a
necessidade de destruir embriões para a produção de novas linhagens pluripotentes, além de facilitar
imensamente a produção de células-tronco oriundas dos próprios pacientes, já que não há limite no número de
células adultas que podem ser reprogramadas nem é preciso passar pelas complicações técnicas (e éticas) de
fabricar ou clonar um embrião para pesquisa.
Apenas quatro outros países já possuem linhagens de células iPS registradas na literatura científica:
Japão, Estados Unidos, China e Alemanha.
Outro fato importante que ocorreu no início de 2009 foi a aprovação da liberação da pesquisa com
células tronco embrionárias nos EUA, projeto esse sancionado pelo presidente Barac Obama.
3.4 Transgênicos
São alimentos geneticamente modificados. Essa alteração, feita em laboratório, pode buscar tanto a
melhora nutricional do alimento como tornar uma planta mais resistente a agrotóxicos. Testes encomendados
por organizações contrárias à liberação dos transgênicos, como o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e
o grupo ambientalista Greenpece, mostraram que vários produtos derivados de soja e milho vendidos em
supermercados contêm organismos geneticamente modificados (OGM).
A polêmica que cerca os transgênicos tem fundo econômico, social e ambiental. Seus defensores
argumentam que a biotecnologia aumenta a produção de alimentos a ponto de ser uma das alternativas para
resolver a fome mundial. Entidades que são contra, dizem que não há provas de que os produtos sejam
benéficos ou nocivos. Eles defendem que é preciso aprofundar os estudos antes de se permitir o plantio em
larga escala.
O Greepeace diz que a produção de transgênicos favorece a agricultura mecanizada, aumenta o
desempenho e piora o quadro social do país. Representantes da Embrapa afirmam que são gastos US$ 40
bilhões anuais em agrotóxicos no mundo e os transgênicos podem diminuir o consumo destes agrotóxicos. O
Greenpeace rebate com a informação de que o consumo de agrotóxicos cresceu nos EUA, ao contrário das
previsões anteriores.
O governo federal decidiu também atualizar a norma que obriga a identificação de um produto, no
rótulo, como transgênico sempre que a quantidade de resíduos genéticos ultrapassar a taxa de 4%. Agora, o
Brasil deverá acompanhar a norma européia, que é muito mais rígida, e impõe a identificação obrigatória, no
rótulo, quando o produto apresentar mais de 1% de resíduos de transgênicos. Um avanço considerável foi o
protocolo de Cartagena assinado entre os EUA, Brasil e Argentina. Ele prevê a obrigatoriedade da rotulagem
indicativa em tosdos os seus produtos que contenham transgênicos.
Os especialistas temem que as plantas geneticamente modificadas possam provocar o aparecimento
de “super-pragas”. O maior problema, porém, é que não se sabe como essa soja vai comporta-se no meio
ambiente, da mesma forma pode se tornar uma praga se proliferando além dos limites das fazendas.
Argumentam os pró-trangênicos, a engenharia genética certamente pode ser uma eficiente alternativa
para reduzir o problema da fome, que aflige populações de todo o mundo, uma vez que plantas geneticamente
modificadas teriam mais resistência, além da produtividade mais alta que em espécies orgânicas.
No Brasil já se tornou comum o uso de sementes transgênicas tanto de milho, quanto de soja,
principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso e Goiás. Porém, o estado do
Paraná, no governo de Luiz Requião (PMDB), foi ao contrário do censo comum entre o agro-negócio e
proibiu o uso de sementes geneticamente modificadas, de olho principalmente no mercado europeu que é
mais exigente, podendo exportar seus produtos com maior valor agregado.
3.5 Tecnologia
A revolução Tecnológica, principalmente após a II Guerra, foi determinante para o desenvolvimento
científico que condiciona diretamente nossas vidas hoje. Dentre estas novidades podemos citar o computador,
os chips, o satélite, a fibra ótica, os softwares de multimídia e a robótica.
Se por um lado estas inovações facilitaram a vida cotidiana, por outro lado, trouxeram um grande
problema social de nosso tempo, o desemprego. A substituição do trabalho humano pela tecnologia não foi
acompanhado por um processo de distribuição de renda, mesmo porque, isto não faz parte da lógica do
sistema capitalista. Para o italiano Domenico Manzi, a tecnologia deveria liberar a mão de obra não para o
desemprego e sim para uma menor jornada de trabalho para que este pudesse se dedicar ao “ócio produtivo”
(família, lazer, leitura, esporte, cultura, contemplação da natureza, etc.).
Na última década a grande inovação desenvolvida pelo impulso científico foi a Internet que
conseguiu difundir a globalização da informação. Os grandes problemas enfrentados pela rede são a falta de
regulamentação e do controle oficial. O que poderia ser um grande veículo de cultura e informação tem sido
usado também para o crime organizado, a pedofilia, marcação de encontros entre gangues rivais, tráfico de
drogas e armas, além de outras práticas que atentam contra o bem comum. O Orkut tem sido amplamente
utilizado como ferramenta para estes ilícitos e, pó isso, no Brasil tem-se estudado meios de controle sobre
estas comunidades.
Outro problema atual foi a questão da retirada do ar do sítio You Tube, por decisão da justiça
brasileira a pedido do advogado da modelo Adriana Cicareli que teve as imagens gravadas de um namoro
picante em uma praia da Europa com seu “namorado”. Este fato produziu uma grande polêmica sobre o
direito de veiculação de imagens na rede demonstrando a carência de regulamentação.
Embora se fale muito nas facilidades da rede, uma dura realidade que atravessamos e a pequena
quantidade de brasileiros atendidos pela Internet. No Brasil somente 18% da população tem acesso a este
serviço e, dentre eles, somente 7% tem acesso a Internet de banda larga (alta velocidade). Pensando nisso, o
governo brasileiro já possui um projeto de inclusão digital para as escolas públicas em uma meta ousada de
entregar um leptop para cada aluna da rede pública até 2010. Estes minicomputadores populares já são
desenvolvidos pela Apple, a Microsoft e a Linux e deverão custar algo em torno de 100 dólares.
A TV digital é outra novidade tecnológica que em breve estará disponível em nosso país. O padrão
digital escolhido pelo governo brasileiro foi o japonês e a crítica de cientistas e estudiosos reside na falta de
vontade política de se desenvolver um padrão nacional para a TV digital. Em vez de desenvolvermos
tecnologia, inclusive para entrar no mercado internacional, com esta postura nós estamos abandonando uma
área promissora para o futuro e que poderia ser responsável por uma importante fonte de receita.
Fala-se que a TV digital será responsável pela redemocratização da televisão em nosso país, porém,
para que isto aconteça se faz necessário retomar as produções regionais. Esta medida colaboraria para manter
viva nossa diversidade cultural, tão ameaçada em tempos de globalização e sua padronização de produção,
consumo e cultura.
O celular de terceira geração, que já é uma realidade no mercado brasileiro, também é mais um passo
para interligar estes três importantes instrumento da revolução tecnológica, o computador, a televisão e o
celular que passaram a desempenhar as mesmas funções por intermédio do cabo de alta velocidade.
Com relação a Vacinas, a FioCruz (fundação Osvaldo Cruz), temn desenvolvido uma série de
vacinas que tem nos tornado auto-suficientes e até, em alguns casos, exportadores desta tecnologia. A última
grande descoberta da FioCruz (Instituto Butantã) foi a vacina da gripe aviária (H5N1) que teve um surto em
2005/2006 na Ásia e ameaçou o planeta com a possibilidade de uma pandemia. A vacina já e vendida na
Austrália, tendo sido desenvolvida na Indonésia. Em 2007, surge um novo surto na Inglaterra, detectado após
a morte de aves migratórias em seu território demonstrando que ainda não estamos livres desta ameaça.
4. ENERGIA
4.1 Histórico
Durante muito tempo o homem utilizou as forças disponíveis da natureza, gerando, transmitindo e
consumindo energia sem alterar significativamente o ambiente global. Este primeiro momento de degradação
ambiental teve picos importantes desde o Império Romano, quando toda a Europa, o norte da África e o
Oriente Médio passaram a aumentar as áreas plantadas e a derrubada de matas para sustentar a cidade de
Roma. Na Baixa Idade Média, como tentativas de solução para a crise de superpopulação e fome, serão
abertas novas fronteiras agrícolas com mais desmatamento e secagem de pântanos. Já na Idade Moderna, com
o processo de expansão marítima e comercial européia dos séculos XV e XVI, a destruição ambiental passou
a atingir todos os demais continentes, que passaram a ter suas economias direcionadas para suprir a
necessidade dos países capitalistas de centro.
A questão ambiental passou a ser um problema de escala mundial após, principalmente, a segunda
revolução industrial que ocorreu durante a segunda metade do século XIX. A acumulação primitiva de
capitais, que a exploração colonial e o tráfico negreiro possibilitaram a Europa, possibilitou o investimento
em parte, na pesquisa que redundou em novas tecnologias aplicadas ao processo produtivo. Por intermédio da
maquinofatura e do conseqüente aumento da capacidade produtiva surge uma grande necessidade de mais
matérias primas para suprir o aumento da produção, bem como, de mais e novas fontes de energia.
Aumenta o consumo de madeiras, derrubam-se mais florestas, retiram-se mais minérios e
combustíveis fósseis, poluem-se mais o ambiente, aumentam mais a temperatura global. Sendo assim não
resta a menor dúvida que nosso estilo de vida sobre o Planeta é insustentável e está avançando sobre os
estoques naturais da Terra, comprometendo as gerações atuais e futuras (de acordo com a WWF, o ser
humano usa atualmente 20% a mais do que a terra pode repor).
Até o século XVIII a lenha era o principal combustível; no século XIX o carvão substituiu a lenha e,
no século XX, generalizou-se o uso do petróleo e da eletricidade, criando as bases da moderna civilização
industrial.
Depois da II Guerra Mundial, como recurso adicional para atender a expansão crescente do
consumo de energia, foi desenvolvido o aproveitamento tecnológico da energia nuclear. A partir desse
período, o aumento das atividades econômicas eleva a um nível, cada vez mais, crescente o consumo dos
recursos naturais e, pela primeira vez, o desequilíbrio ecológico passa a ameaçar a vida.
O uso indiscriminado dos recursos do planeta produzem um enorme desequilíbrio entre países e
continentes e como exemplo podemos citar a África e Ásia, que usam os recursos do Planeta em torno de 1,4
hectares por pessoa, enquanto na Europa Ocidental este uso chega a 5,0 hectares e a dos norte-americanos, a
9,6 hectares. Os brasileiros usam em média 2,3 hectares.
Nas décadas seguintes, inicia-se o debate internacional sobre desenvolvimento e meio ambiente e a
questão energética aparece no cenário mundial através de crises econômicas e políticas (embargos
temporários do petróleo a aumento dos preços no mercado internacional) e de acidentes ambientais
(vazamento de petróleo na Exxon/Alaska; falha de segurança em Three Mile Sland; acidente de Chernobyl
etc) com fortes repercussões mundiais, mobilizando setores públicos e acadêmicos na busca de tecnologias
eficientes e seguras.
O grito de alerta foi dado na Conferência de Estocolmo, na Suécia em 1972. Com a Estocolmo 72,
iniciam-se as discussões sobre a necessidade de se expandir a preocupação com nosso meio ambiente e sua
sustentabilidade. Após esta conferência ficaram definidas algumas medidas emergenciais e foram previstas
novas comissões que teriam como responsabilidade criar uma agenda mínima para a preservação do meio
ambiente durante o próximo século. Esta agenda seria apreciada na conferência marcada para, o Rio de
Janeiro em 1992.
Dos vários acordos ambientais negociados, ao longo das décadas de 80/90, apenas o Tratado de
Montreal (1987) obteve êxito relativo na substituição industrial dos gases clorofluorcarbonos (CFC) por
outros compostos com menor potencial destrutivo sobre a camada de ozônio. A maioria das negociações
ambientais relacionadas à energia ainda está a meio termo, como protocolo de Kyoto, que espera a ratificação
dos principais países poluidores: EUA, China e Austrália.
A Eco-92 estabeleceu uma espécie de novo pacto social que passou a incluir com real seriedade ao
componente ambiental. Foi aprovada a Agenda 21 que trata da preservação ambiental dentro, é claro, das
concepções neoliberais e globalizantes, mas tomando o cuidado para que o desenvolvimento capitalista não
inviabilize o planeta. A complexidade e abrangência da Agenda 21 é impressionante. Ela trata de questões
que vão do aquecimento global e o desenvolvimento sustentável até o cotidiano das pessoas estabelecendo
normas para a construção de novos bairros urbanos que devem obedecer a preocupações como o escoamento
de águas pluviais e também de veículos para não causar problemas e transtornos urbanos além de procurar
resolver os problemas da fome e da corrupção, inclusive pregando a necessidade de profissionalismo na
gestão pública. Segundo as metas estabelecidas faz-se necessário que os países se comprometam a destinar
7% de seus PIBs para aplicação desta agenda.
Dez anos depois, os governos reuniram-se novamente em Johannesburgo, na África do sul, para
avaliar o que foi realmente realizado nos 10 anos, tentar reverter algumas das tendências negativas e colocar a
humanidade no caminho do desenvolvimento sustentável. Porém, o que se verificou é que pouco se fez em
relação da Agenda 21 até agora e que é necessário uma maior disposição de todos os países para a proteção
ambiental.
O problema é que duas grandes visões de mundo capitalista entram em confronto e acabam, mesmo
involuntariamente em alguns casos, a dificultar uma posição unificada e coesa em defesa do meio ambiente.
Uma das visões é a economicista com característica não-solidária, que transforma tudo em mercadoria,
incluindo a força de trabalho e a inteligência humana, visando o fortalecimento e enriquecimento de um
pequeno grupo de nações e grandes empresas. E a outra é a visão de uma economia solidária não só com as
pessoas, exigindo melhor justiça social e distribuição de riquezas, mas também mais respeito ao Planeta e
todas as suas formas de vida.
Não deixa de ser irônico ver os representantes das superpotências defendendo o fim da pobreza
quando são eles os representantes de uma situação de exploração dos estados-nações em desenvolvimento, via
juros impagáveis de dívidas externas estratosféricas e apoio a administrações corruptas que contraem tais
dívidas para o enriquecimento de uma minoria, além de darem abrigo à mega empresas multinacionais, que se
colocam acima das nações, das pessoas e do meio ambiente em suas metas de lucros crescentes.
Os EUA por exemplo é o país que mais gasta em armamentos, produz o vício do consumo, e neste
quesito é seguido de perto pela China, além de se recusam a assinar o Protocolo de Kyoto, demonstrando ao
mundo que coloca seus interesses econômicos acima dos interesses coletivos de toda a Humanidade. Nossa
rota sobre o planeta será insustentável enquanto nossa idéia de felicidade for baseada na posse de bens
materiais e na acumulação de riquezas.
4.2 Fontes de Energia
Todos os processos da cadeia energética (produção, transformação, transporte, distribuição,
armazenagem e uso final) envolvem uma série de perdas que reduzem efetivamente a quantidade de energia
útil à sociedade à apenas uma fração da energia captada na natureza.
Além disso, o uso de energia também origina impactos sociais e econômicos decorrentes do próprio
aproveitamento de recursos naturais, mesmo no caso das fontes renováveis esse impacto pode ser significativo
em virtude de áreas extensas para a produção em grande escala. A própria tecnologia usada, mesmo sob
condições normais de operação, pode trazer riscos consideráveis para a vida humana e o meio ambiente. O
exemplo mais temido ainda é o do funcionamento das centrais nucleares e também podem ser incluídas nesse
rol, com escala e características diversas, as atividades extrativas do carvão e do gás natural, a construção das
represas de hidrelétricas e a infra-estrutura do petróleo (poços, refinarias, oleodutos, navios e veículos de
transporte).
As fontes de energia são divididas em dois blocos: renováveis e não renováveis; poluentes e não
poluentes.
Não Renováveis: Esgotam-se com o tempo e o uso.
Ex.: Carvão mineral, petróleo, gás, urânio, xisto etc.
O carvão mineral é considerado o maior poluidor da atmosfera (efeito estufa/ chuva ácida).
O gás natural é o combustível fóssil que menos polui a natureza quando queimado.
Urânio – os rejeitos das usinas nucleares permanecem tóxicos por milhares de anos.
Renováveis: Nunca se esgotam com o tempo e o uso, são as fontes de energia alternativa.
Ex.: Hidráulica, biomassa, solar, eólica, maremotriz etc.
A hidráulica é a mais produzida e consumida das energias renováveis.
Biomassa – álcool (etanol, metanol), biodiesel (soja, girassol, mamona, dendê, entre outros).
Biogás – é produzido a partir de material em decomposição.
4.3 Política Energética Brasileira
O conjunto dos recursos de energia de um país e suas formas de uso designam sua matriz energética
tendo que se destacar seus dois os aspectos mais importantes. O primeiro são as fontes de energia, que podem
ser primárias (coletadas diretamente da natureza, como petróleo e cana-de-açúcar) ou secundárias (como óleo
diesel, derivado do petróleo, ou o álcool, extraído da cana) e os processos de transformação de uma em outra
(mecânica, nuclear etc). O segundo aspecto refere-se à forma de consumo: eletricidade, combustível e queima
industrial ou doméstica, entre outros. O equacionamento entre essas variáveis torna uma nação equilibrada na
área de energia, portanto é preciso um bom planejamento em relação à matriz energética para evitar possíveis
crises.
A participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira chega a 44%, enquanto no mundo
essa participação é de apenas 14%.
O processo energético brasileiro teve seu desenvolvimento em conjunto com o processo de modernização,
principalmente na passagem da sociedade agrária para a sociedade urbano-industrial. O processo acelera-se a
partir da década de 30, com o esgotamento da oligarquia do café e com o início da primeira fase industrial.
Essa fase coincide com o governo de Vargas (1930/45 – 1950/54), que cria em:
1938 – CNP – Conselho Nacional do Petróleo – início da produção interna de petróleo.
1939 – CNAEE – Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica.
1941 – CSN – Companhia Siderúrgica Nacional.
1942 – CVRD – Companhia Vale do Rio Doce.
1945 – CHESF – Companhia Hidrelétrica do São Francisco.
1954 – Petrobrás (fruto da campanha o petróleo é nosso iniciada por Monteiro Lobato e
encampada por Getúlio Vargas).
No governo JK (1956 -61) o desenvolvimento energético toma dimensões maiores com o plano de
metas. Há uma maior produção de petróleo e carvão mineral e um maior investimento no nosso potencial
hidrelétrico.
Com as crises de 1973 (guerra do Yom Kippur – OPEP) e de 1979 (Revolução Islâmica – Irã) há um
brutal aumento no Baril (158,6 litros) de petróleo e o Brasil teve que replanejar sua política energética,
resultando na:
- Priorização de pesquisa, formação de técnicos e desenvolvimento de tecnologia nacional na
área energética;
- Tecnologia para prospecção de petróleo em grandes profundidades;
- Criação do Programa Nacional do Álcool – ProÁlcool (1974);
- Programa Nuclear Brasileiro (1975) – Angra I e II;
- Maior aproveitamento do gás natural e do carvão;
- Construção de grandes hidrelétricas, como Itaipu.
Atualmente, durante o governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento – PAC – pretende
investir na produção energética brasileira construindo novas hidrelétricas de pequeno, médio e grande porte,
linhas de distribuição de energia, usinas nucleares, novas jazidas de petróleo, usinas eólicas e energia solar,
além de um forte incentivo aos biocombustíveis.
Petróleo
O maior consumo energético no planeta é de petróleo e seus derivados, em razão do processo de
modernização urbano-industrial, das facilidades de um século atrás quando esta fonte de energia era
abundante e barata. Durante este longo período de uso o petróleo se manteve como fonte primordial também
por causa da multiplicidade de seu uso e da capacidade de produção de uma variedade de subprodutos.
No final de 2005 o Brasil atingiu a auto-suficiência na produção de petróleo, ou seja, produzimos
todo o petróleo que consumimos; mais, o Brasil continuará a importar petróleo, e também exportar. Isso
porque parte do que é extraído no nosso país não é adequado às nossas refinarias, então exportamos o petróleo
que não temos tecnologia para refinamento e importamos o que nossas refinarias podem refinar. Sendo mais
preciso, a auto-suficiência significa que os gastos com a importação de petróleo passam a ser menores do que
os ganhos com a exportação.
Em novembro de 2007 o governo brasileiro anunciou a descoberta do poço de Tupi que tem um
potencial estimado entre 5 a 8 bilhões de barris de óleo leve e gás natural. O início da extração de Tupi
ocorreu em 1º de maio de 2009 e sua exploração transformará o país em exportador de petróleo leve, abrindo
a possibilidade de entrada do Brasil na OPEP (Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo)
Já em 2008, o governo brasileiro anunciou a descoberta do Pré-Sal, um gigantesco poço localizado
entre os estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo localizado a mais de 6.000 metros de
profundidade. Para a extração desse petróleo o país terá que ampliar a tecnologia para a prospecção em águas
com essa profundidade o que aumentará a nossa liderança nesse setor.
Ainda com relação ao Pré-Sal, o congresso nacional está analisando a proposta do marco regulatório
enviado pelo governo. A proposta pretende manter a atual distribuição dos royalts com 60% para os estados
produtores e o restante distribuído entre os demais estados da federação, além da criação do Fundo Social que
utilizará os recursos dessa exploração para o combate a pobreza, desenvolvimento sócio ambiental, educação ,
ciência, cultura e para suprir a carência de recursos para a previdência. Outra forma de utilização desses
recursos seria o investimento em países latino americanos.
Gás Natural
O Brasil tem investido no gás natural como combustível, desde 1893, com a construção da primeira
usina termelétrica brasileira, em Campos (RJ) e atualmente construindo o gasoduto Brasil-Bolívia, visando a
instalação de 49 termelétricas próximas das áreas de consumo.
As termelétricas funcionam à base de gás natural para gerar energia elétrica, têm a grande vantagem
de apresentar maior rapidez e menor custo de instalação, além de eliminar bastante o sistema de transmissão e
as necessidades de manutenção. Outra grande vantagem é poderem ser instaladas próximas das áreas de maior
consumo, sem dependerem da vazão dos rios e do relevo, como ocorre com as hidrelétricas. As termelétricas
produzem mais de 8% da energia elétrica produzida no Brasil.
A última descoberta de gás natural no Brasil, no litoral da Região Sudeste, triplicou nossas reservas
podendo melhorar os custos para o consumidor e diminuir nossa dependência do gás da Bolívia, que é
comprado em dólar. Com isso é possível a volta da estratégia de construir novas termelétricas.
O objetivo desses investimentos no gás natural é aumentar sua participação na matriz energética
brasileira, inclusive em veículos automotivos, para 12% em 2010. Em 1999 essa participação era de 2%, hoje
passou de 6%.
Embora os gastos de instalação de termelétricas sejam baixos e por isso atraentes, elas são muito
poluentes, principalmente as movidas a carvão, além de produzirem devastação ambiental. Estes motivos, tem
gerado duras críticas de ambientalistas às termelétricas que pedem o fim desta forma de matriz energética.
Com relação às termelétricas movidas a gás natural, a questão atual do fornecimento do combustível da
Bolívia levará a um aumento de custo para a termelétrica de Campo Grande, no Mato Grosso do sul, que será
repassado para todos os brasileiro devido a interligação do sistema nacional de energia elétrica.
Em 2008 foi anunciado pela Petrobras a descoberta de um poço na bacia de Santos que deve
antecipar nossa auto-suficiência, prevista para 2012. Já em 2009 um outro poço, denominado Júpiter, foi
encontrado. Esse poço que está a uma profundidade final de 5.252 metros, localizado a 290 km da costa do
Rio de Janeiro e a 37 km a leste da área de Tupi. A Petrobras esta estudando a transformação do gás
descoberto na Bacia de Santos em energia elétrica. Uma usina em alto mar processaria o gás e a energia
elétrica seria levada em cabos submarinos para o continente. O poço de gás deve iniciar sua produção daqui a
seis anos
Urânio: Energia Nuclear
O Programa Nuclear Brasileiro iniciou-se na década de 60, durante o Regime Militar; seu resultado
mais conhecido foi a construção das duas usinas nucleares de Angra dos reis (RJ). A construção da terceira
usina, a Angra III, foi suspensa em 1986, por falta de verbas.
Essas usinas termonucleares consumiram bilhões de dólares, mas já estão obsoletas e representam
muito pouco da energia produzida e consumida no Brasil.
Mas, graças ao domínio da tecnologia nuclear, o Brasil atingiu importantes avanços científicos nos
últimos anos, como a produção do hormônio do crescimento sintético e remédios para tratamento do câncer,
além de desenvolver materiais e equipamentos para as indústrias da construção, da siderurgia e de transportes.
Hoje nosso país faz parte do grupo de nove países que dominam o processo de enriquecimento de
urânio. A técnica é fundamental para permitir o aproveitamento nuclear do mineral. O funcionamento da
primeira fábrica brasileira de enriquecimento de urânio, a Indústrias Nucleares do Brasil, foi liberado pela
Agência internacional de Energia Atômica (AIEA) – organização filiada à ONU – em novembro de 2004. A
fábrica entrou em operação em janeiro de 2005 e o governo prevê que até 2010 o Brasil enriqueça todo o
urânio de que precisa para abastecer suas usinas nucleares. O país possui a terceira maior reserva de urânio do
mundo, e apenas 25% do território nacional foi prospectado.
Mas também, em relação às energias alternativas, o Brasil está bem posicionado, nosso país
desenvolveu a produção do álcool combustível a partir da cana-de-açúcar, com o ProÁlcool, além de outras
fontes alternativas e, principalmente, o grande potencial hidrelétrico brasileiro.
Potencial Hidrelétrico Brasileiro
Nosso maior potencial energético é o hidráulico, que corresponde a mais de 90% da energia elétrica
produzida no Brasil. O início da utilização deste potencial remonta de 1889, quando se criou a primeira usina
hidrelétrica brasileira, em Juiz de Fora (MG).
As hidrelétricas são instaladas de acordo com as condições naturais oferecidas pelo relevo do local e
vazão dos rios, por isso apenas 25% do potencial hidráulico brasileiro é aproveitado. Cerca de 75% desse
potencial encontram-se em áreas de baixa necessidade energética, como a Amazônia, com grandes rios, mas,
também, um grande vazio populacional e econômico. Por isso o maior aproveitamento é nas bacias do Paraná
(61% do potencial) e do São Francisco (59% do potencial), em virtude da maior proximidade dos grandes
centros consumidores.
Além dessa limitação, de nem sempre poderem ser instaladas perto dos grandes centros produtores, o
alto custo de construção e do sistema de transmissão e o tempo longo de implantação, não acompanham as
necessidades energéticas do país. Soma-se a isso o custo ambiental, pois as represas das hidrelétricas
desalojam populações, cobrem áreas cultiváveis e de florestas, prejudicando o ecossistema da região onde é
instalada, além de impor gastos com o pagamento de indenizações.
Uma solução para os problemas citados acima seria a instalação de hidrelétricas de pequeno porte
que reduziriam os impactos ambientais, os gastos do governo e a perda de energia na distribuição. O sucesso
deste modelo ficou claro durante o racionamento da crise do apagão em 2001, quando o sul do país ficou livre
do racionamento, justamente por causa da grande quantidade de pequenas hidrelétricas.
Uma questão crucial para o desenvolvimento econômico brasileiro e justamente a demanda de
energia. Embora o governo afirme que o Brasil não corre um risco de desabastecimento de energia, o
consumo tem aumentado ano a ano. Em 2005, o aumento do consumo foi de 4,6% em média, distribuído da
seguinte forma: residencial 5,4%, industrial 2,4% e serviços 6,0% o que reflete também o desaquecimento de
nossa economia no ano.
Outra questão polêmica quanto a esta matriz energética se verificou na liberação pelo IBAMA e no
início das obras das duas primeiras usinas do rio Madeira na Amazônia (serão três). A usina de Santo Antônio
(3ª maior do mundo) e a de Giral já iniciaram suas obras.
Biocombustíveis e o Programa Nacional do Álcool
Biomassa: é a matéria orgânica que é queimada para gerar energia; o bagaço de cana é um bom
exemplo desse aproveitamento e já responde por mais de 10% do consumo de energia, no Brasil.
Biodiesel: produzido a partir de oleaginosas como a mamona, a soja, girassol, dendê, entre outras,
tendo sido patenteado na ainda na década de 80. Recentemente foi criado o Programa Nacional de Uso do
Biodiesel e em novembro de 2005, empresas fornecedoras de biodiesel participaram do primeiro leilão da
Agência Nacional de Petróleo. O contrato foi assinado em fevereiro de 2006 pelo Presidente Lula, para o
fornecimento desse combustível à Petrobras que abastecerá os postos com a mistura ao diesel, na proporção
de 2% a partir de 2008, e de 5% a partir de 2013.
Outro projeto incentivado pelo governo brasileiro no tocante ao biodiesel é o incentivo aos
produtores de fumo que queiram mudar suas lavouras para culturas relacionadas a matérias primas para o
combustível ecologicamente correto. Esta iniciativa faz parte da política contra a proliferação do tabaco, que é
um problema de saúde pública gravíssimo, pois mata 1 em cada 2 usuários.
O programa Nacional do Álcool (pró-Álcool) surgiu em resposta à crise internacional do petróleo,
em 1973, e visava a substituição da gasolina como combustível. Em meados da década de 80 O pró-alcool
atinge seu ápice quando 95% dos veículos nacionais produzidos eram movidos a álcool. Entretanto, no início
da década de 90, o programa foi gradualmente perdendo força. A cotação do petróleo voltará a níveis mais
baixos, e, com a elevação do preço do açúcar no mercado internacional, tornou-se mais vantajoso para as
usinas transformarem cana em açúcar.
Nos últimos anos, o lançamento do automóvel bicombustível, com motor híbrido, capaz de funcionar
tanto a álcool, quanto a gasolina, deu novo impulso à produção de álcool.
Atualmente o Brasil é exportador de álcool combustível e, visando aumentar essa condição, a
Petrobras investirá R$ 500 milhões na construção de um alcooduto (primeiro do mundo) que ligará o terminal
de Senador Canedo-GO (Goiás é o 5º maior produtor do país.) à Refinaria de Paulina-SP e, quando ficar
pronto, o alcooduto terá capacidade de transportar 4 bilhões de litros/ano.
Em 2005, a Petrobras iniciou as exportações de álcool com um volume de 50 milhões de litros para a
Venezuela e a expectativa é quintuplicar e exportar 250 milhões de litros/ano; o Brasil exporta 2,5 bilhões de
litro/ano. O objetivo estratégico da Petrobrás é se tornar uma empresa de energia, e não apenas petróleo e gás,
investir em energias renováveis como álcool e biodiesel.
No setor das energias alternativas – renováveis e mais limpas – foi criado em 2002 o Programa de
Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa), que até o fim de 2006 deverá destinar 20 milhões de dólares para a
produção de energia renovável: biomassa, biodiesel, biogás e, também, as energias solar, eólica e das ondas
do mar.
Solar, Eólica e Maremotriz
São fontes de energia limpas e renováveis, mas ainda são caras, porém já temos várias iniciativas no
Brasil que geram expectativas promissoras:
Eólica – foi inaugurado pela Petrobras, em Macau, RN, uma instalação que fornecerá energia a
quatro campos de produção de petróleo que equivale ao consumo de uma população de 10 mil habitantes.
Maremotriz – prevista para começar a funcionar em 2006 uma usina para geração de energia por
meio das ondas do mar, desenvolvida por pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
A usina será instalada na praia do Pecém (a 60 km de Fortaleza/CE) e poderá gerar 500kw de energia elétrica,
beneficiando 200 famílias.
5. MEIO AMBIENTE
5.1 Desenvolvimento Sustentável
O desenvolvimento sustentável consiste em criar um modelo econômico capaz de gerar riqueza e
bem-estar enquanto promove a mobilização social e impede a destruição da natureza. Esse modelo busca
satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas
próprias necessidades.
A questão é utilizar recursos naturais sem comprometer a produção de bens necessários ao consumo
equilibrado e por isso coloca na berlinda o modelo atual de produção e consumo ocidental, que representa
uma verdadeira ameaça ao equilíbrio do planeta.
O termo, “desenvolvimento sustentável”, surgido em meados de 1969 em uma pesquisa sobre meio
ambiente e o termo “desenvolvimento social”, utilizado pela primeira vez em 1980 por um organismo privado
de pesquisas (Aliança Mundial para a Natureza - UICN), serão defendidos pela ONU. O organismo
internacional passa a utilizar o conceito e compartilhar da idéia que o desenvolvimento sustentável implica no
reconhecimento global de que as forças de mercado, abandonadas à sua livre dinâmica, não garantiram a
preservação dos recursos naturais e do ambiente.
Hoje, um dos maiores problemas do meio ambiente e que já começa a dividir atenções com o
aquecimento global é a água. Este bem que é fonte da vida, ao contrário do que se pensava, não é infinito e
sua manutenção nos níveis atuais, que já estão degradados, depende diretamente da preservação do meio
ambiente terrestre e do consumo equilibrado do homem.
O Brasil mais uma vez sai na frente dos demais países da América Latina ao criar o Programa
Nacional de Águas em 22 de março de 2006 dando um caráter mais racional a exploração de nossos recursos
hídricos.
5.2 Ecologia
A economia mundial continua sendo uma das forças motrizes da degradação ambiental, tanto quanto
se trata de perda da floresta tropical, como pelo aquecimento da Terra (a tendência e elevar-se mais 5 graus
até 2100) devido a emissão de milhões de toneladas de gases despejados na atmosfera por veículos e fábricas.
Os pobres são os mais prejudicados. 1/3 de sua população – 1 bilhão e 200 milhões de habitantes –
vive abaixo do limite da pobreza, estimado em 370 dólares anuais per capita. Muitos governos de países
pobres se preocuparam unicamente com a crise econômica e política imediata. A administração e conservação
dos recursos ambientais ocuparam um lugar de pouco destaque nas listas de prioridades.A onda da
globalização neoliberal que vem promovendo uma total perda da soberania nacional sobre a gestão dos seus
recursos naturais, coibindo assim a alternativa de projetos de desenvolvimento sustentáveis, passando por um
processo acelerado de degradação ambiental.
Uma outra séria questão é verificada nos países ricos. Atualmente os países desenvolvidos
concentram menos de um quinto da população mundial e consomem 80% dos recursos naturais (alimentos e
matérias-primas) produzidos no planeta. A queima de fontes de energia, por exemplo, fazem dos EUA o país
responsável pela emissão de ¼ dos “gases de estufa” do globo, embora a China seja o maior poluidor do
Planeta.
O problema é que tanto os países mais ricos, por descuido e falta de planejamento estratégico, e os
países em desenvolvimento, pela falta de legislação ambiental e a mão de obra barata, utilizam tecnologias
obsoletas e energeticamente menos ineficientes.
A questão ambiental ou ecológica é uma questão global, sendo necessária uma ação conjunta de
todos os países. As energias carbonadas, petróleo e carvão, principalmente, as queimadas, os gases emitidos
pelas fábricas, são causas básicas do efeito estufa, da ilha de calor, da chuva ácida, da inversão térmica e dos
superverões.
Os desastres naturais são a reação da natureza aos excessos cometidos pelo homem. Nos últimas
grandes tempestades nos Estados Unidos e no golfo do México fica bem claro a relação entre o aquecimento
global e a formação de furacões (Katrina, Wilma e Alfa) e tornados que tem aumentado em intensidade e
quantidade. Até o Brasil já teve o seu primeiro furacão o Catarina que provocou mortes, pânico e destruição
em Santa Catarina, colocando definitivamente o Brasil no neste circuito.
As avalanches também têm sido mais freqüentes e intensas como nos últimos casos da Indonésia, das
Filipinas que arrasou uma vila inteira matando mais de 2.000 pessoas, e nos países andinos na América do
Sul.
5.3 Protocolo de Quioto (Aquecimento Global)
Na reunião de Quioto, no Japão (1997), os países chegaram à triste conclusão que os principais
poluidores mundiais não estavam obedecendo às propostas e aos projetos da Eco-92. Os índices de
degradação ambiental haviam aumentado continuamente.
Os países participantes elaboraram o Protocolo de Quioto, que exigia uma redução de 5% na
poluição atmosférica, tendo como base a poluição provocada em 1991 – com elevadas multas para quem
descumprisse as exigências. É claro que os países-potência não concordaram com Quioto. Em agosto de 2001,
na terceira reunião sobre clima, na Alemanha, o Protocolo de Quioto foi reformado reduzindo para 2% a
poluição provocada em 1991 e os valores das multas também. Com isso, os principais países aceitaram
assinar o protocolo, exceto os EUA, com a alegação de que ele prejudicava seu crescimento econômico.
Em 2002, a União Européia assinou o Protocolo de Quioto, com a proposta de reduzir a poluição em
5,2% tendo como base o ano de 1990. Então, a partir do dia 16 de fevereiro de 2005, entra em vigor o
Protocolo, porém, sem a participação dos EUA, da China e da Austrália. Os países que assinaram o Protocolo
terão prazo que vai de 2008 a 2012 para reduzir sua poluição ambiental nos níveis determinados pelo
protocolo.
O Protocolo divide os países em dois grupos. O grupo A é composto pelos países desenvolvidos que
serão os responsáveis pela redução da emissão de gases poluentes de efeito estufa e os países do grupo B se
comprometem a preservar o meio ambiente e diminuir as emissões sem metas.
Embora o Brasil tenha ficado fora do grupo A, uma de suas propostas acabou sendo aceita pelo
grupo que foi a criação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL. De acordo com a idéia os países
que são obrigados a cumprir as metas e que por ventura não conseguirem poderão comprar carbono dos países
que pouparem as emissões. As formas de se garantir os créditos de carbono são: o reflorestamento e os
projetos de economia de energia. O MDL veio de encontro com a necessidade capitalista de transformar tudo
em lucro, e, quem sabe assim, auxiliar de fato na tentativa de preservação da natureza por intermédio desta
forma de desenvolvimento sustentável.
Um dos últimos dados alarmantes, ligados a questão do aquecimento global, foi divulgado em
novembro de 2007 pela Organização Metereológica Mundial afirmando que, da revolução industrial do século
XVIII até hoje, houve um aumento de 36% nas emissões de gás carbônico e óxido nitroso, perigosos gases de
efeito estufa. De acordo com as pesquisas divulgadas, o dado mais preocupante foi o sensível acréscimo deste
nível de poluição, que entre os anos de 2005 e 2006 chegou a aumentar 0,53%.
O aquecimento global provocado pelo homem não é a única causa do recente degelo da região
Ártica. Grande parte dos danos podem ter como causa, o aumento natural e cíclico na quantidade de energia
na atmosfera, segundo estudo publicado na revista Nature. A pesquisa indica que este volume de energia se
move do sul para o norte, ao redor do Círculo Polar Ártico e que estamos em pleno período de elevação
natural das temperaturas.
Outro estudo, que está para ser publicado, mostrou que a combinação do aumento de energia com o
aquecimento global provocado pelo homem são, juntos, os responsáveis pelo derretimento das geleiras na
região Ártica. Já outros cientistas afirmaram que o estudo publicado na revista subestima o efeito do
aquecimento global e mantêm suas previsões catastróficas. Estas visões diferentes demonstram as três teses
para se explicar o fenômeno do aquecimento global.
Para a criação de um novo acordo multilateral com relação a redução da emissão dos gases de efeito
estufa para após a vigência do Tratado de Quioto (2.012), reuniram-se em Bali no final de 2007 todos os
países participante do atual protocolo. Essas negociações só produziram um consenso para o pós-Quioto, a
necessidade de incluir a preservação ambiental entre os mecanismo geradores de créditos de carbono no
MDL.
6. GOVERNO LULA
6.1 Política
A eleição de 2002 foi marcada pela divisão na base de sustentação política do governo FHC, que
perdeu o apoio de parte dos aliados históricos, como o PMDB e o PFL (atual DEM). Já o Partido dos
Trabalhadores faz a opção por ampliar as alianças com setores conservadores, recebendo o apoio de políticos
como Antônio Carlos Magalhães e José Sarney (além de muitos outros) e entregando o cargo de vice-
presidente para José Alencar, senador do PL (hoje PRB), selando assim a coligação vitoriosa no 2º turno.
Pela primeira vez na história contemporânea brasileira a transição do poder se dá de forma tranqüila
e com ampla colaboração do governo FHC. Essa transição será marcada também pela posse mais popular de
toda nossa história brasileira.
O governo tem se articulado para garantir a maioria no congresso nacional, ampliando mais ainda a
aproximação com os setores conservadores, o que fica explícito no acordo com o PMDB, o PP, o PL (atuais
PR e PRB) e o PTB, tanto para a aprovação das reformas, quanto para a governabilidade, cedendo-os quase a
metade dos ministérios.
Outro fato importante foi a manutenção de todos os acordo firmado pelo governo anterior, inclusive
com o FMI. Esses fatos serviram para levantar uma oposição interna no PT, os chamados “radicais livres”,
que geraram muita polêmica em torno do desvio de programático do partido. Esse grupo foi liderado pela
senadora Eloísa Helena e pelos deputados Babá e Luciana Genro, que acabaram sendo expulsos do partido
(uma das últimas demonstrações de coerência que o partido deu no governo ), em dezembro de 2003, após
votarem contra a reforma da previdência que implantou a cobrança de impostos de inativos.
Os dissidentes formaram um novo partido o PSOL.
Já a estrutura político partidária brasileira e o sistema eleitoral, proporcionam as mais variadas
formas de corrupção ativa e passiva. A parcela mais esclarecida da sociedade começa a ter consciência da
necessidade de uma reforma política urgente para que as estruturas políticas arcaicas se modernizem,
adaptando-as a eficiência tão exigida pelo mundo globalizado.
A proposta de reforma visa criar:
1. o financiamento público de campanha;
2. a lista fechada de candidatos com o voto no partido.
3. fim das coligações nas eleições proporcionais
4. fim do voto secreto nas sessões do Congresso Nacional
5. eleição de suplente de senador;
6. voto distrital ou distrital misto e facultativo
7. a cláusula de barreira determinando que o partido só terá representação no parlamento,
direito a horário eleitoral gratuito e mais verbas do fundo partidário, se obtiver no mínimo
5% dos votos para deputado federal em todo país e 2% dos votos em 9 unidades da
federação;
Estas medidas procuram, entre outras, o reforço da organização político partidária e a redução dos
gastos de campanha, numa tentativa de deter o poder econômico para que ele não interfira no resultado das
eleições. Porém sabemos que a única maneira de se fazer uma eleição mais limpa é o aumento do
conhecimento e do padrão ético de toda a sociedade
Outra reflexão que a sociedade brasileira tem que fazer é que a reforma política será feita pelos
políticos conservadores, aliados ao capital nacional e multinacional, que são maioria no parlamento, e que terá
que aprovar quais serão as mudanças constitucionais e jurídicas que comporão essa reforma. Somente para
exemplificarmos o problema, podemos citar a rejeição, em agosto de 2007, do projeto de lei que instituía a
votação em lista fechada.
Até agora a única reforma política realizada foi pelo judiciário que foi questionado sobre a quem
pertencia o mandato dos políticos se a eles ou se a seu partido. O TSE se posicionou a favor da tese de que o
mandato pertence ao partido, tese esta reafirmada pelo STF mais tarde. Já tivemos alguns casos de perda de
mandato por troca de partido.
O maior problema do processo eleitoral brasileiro é o financiamento privado de campanha. Esse
mecanismo estimula a corrupção, pois direciona as políticas públicas para atender o interesse das elites, que
possuem o dinheiro, indispensável para uma bem sucedida campanha e a conseqüente vitória. Se as doações
estão sempre vinculadas a grupos econômicos, existe então uma expectativa de retorno financeiro, pois isso
faz parte da lógica do sistema capitalista.
Novamente, para exemplificar, utilizaremos os dados do TSE sobre as eleições de 2002 para o
parlamento envolveu mais de R$ 730 milhões de reais em doações legais para 2.641 candidatos a Deputado
Federal. A média de doações foi de R$ 71 mil reais para cada candidato, porém se considerarmos somente os
eleitos, a média sobe para 224 mil reais. Os cinco maiores financiadores são: o grupo Votorantim (R$
9.700.000,00), a construtora OAS (R$ 8.000.000,00), a construtora Odebrecht (R$ 10.900.000,00), o
Bradesco (R$ 7.200.000,00) e o Itaú (R$ 7.000.000,00).
Esse patrocínio privado é determinante para se entender a força que a elite financeira tem no
parlamento para, por exemplo, impedir na reforma tributária que as propostas de taxação de grandes fortunas
e a cobrança de IPVAs de jatinhos e iates, não sejam aprovadas. Essa força se manifesta na presença de 20
deputados, financiados por empreiteiras, na comissão dos 24 deputados que examinou o projeto de Parcerias
Público-Privadas. Encontramos outros exemplos na rejeição do projeto de lei que elevava a tributação sobre
os estratosféricos lucros bancários, além da aprovação do projeto de lei que faculta ao trabalhador a escolha
do banco em que se quer receber seu salário abrindo a possibilidade do funcionalismo público migrar dos
bancos públicos para os privados, entre outros.
A tese de que o dinheiro vence as eleições tem as próprias campanhas eleitorais do Partido dos
Trabalhadores como indício. Em 1998 o partido contou com doações na ordem de R$ 4 milhões de reais; a de
2002 em que se recebeu sob forma de doações legais cerca de 39 milhões de reais e, por último, nas eleições
de 2006 o PT recebeu 115 milhões de reais, enquanto o “suposto” candidato das elites, Geraldo Alquimim
recebeu 92 milhões.
Já com relação aos casos de corrupção que surgiram no governo Lula, verifica-se uma postura
contraditória nas tentativas de impedir a apuração por intermédio de CPIs, ao liberar verbas orçamentárias,
comprar a vinda de parlamentares para a base de apoio (mensalão) e trocar cargos por votos no parlamento,
manobras idênticas às do governo FHC, porém sem o mesmo sucesso.
A diferença, neste governo, está em uma maior isenção das apurações da Polícia Federal e da Justiça
Federal, que, em conjunto com o Ministério Público da União (MPU) e a Controladoria Geral da União
(CGU), tem se destacado como nunca na luta contra a corrupção que é uma constante em nossa história
política desde os tempos coloniais. Porém, esta analise nunca é feita pelos nossos meios de comunicação de
massa, o que, segundo alguns, demonstra o desejo da elite brasileira de retirar do poder o penetra (Lula),
mesmo tendo ele mantido os privilégios desses grupos intocáveis.
Podemos perceber que, embora o governo tenha avançado no combate a corrupção, de acordo com o
“senso comum” da população brasileira, este é o governo mais corrupto da história. Essa situação também
pode estar ligada a falta de memória do povo que não consegue se lembras da enorme quantidade de
escândalos de corrupção de todos os governos após a abertura política do governo ditatorial, principalmente
após o último presidente, o general João Batista de Figueiredo.
O primeiro escândalo foi o caso Valdomiro, assessor do então ministro mais importante do governo,
José Dirceu, da Casa Civil. Valdomiro foi flagrado no aeroporto de Brasília, quando era assessor do governo
Antony Garotinho (PMDB-RJ), oferecendo influência na Caixa Econômica Federal para o Carlinhos
Cachoeira, bicheiro de Goiás. Valdomiro foi exonerado, criou-se então, uma comissão de inquérito interno
que não apurou irregularidades no governo Lula. Outras medidas tomadas pelo governo foram, colocar no
caso a Polícia Federal e o Ministério Público.
Outra questão de corrupção que deve ser destacada foi a CPI do Banestado que investigou a remessa
ilegal de dólares para o exterior por intermédio das contas CC5, surgindo a denúncia e, inclusive, evidências
de que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (licenciado do PSDB), também haveria se
aproveitado do esquema e feito remessas ilegais de dólares para paraísos fiscais. Essa CPI, encerrada de
forma medíocre e com dois relatórios, um do presidente (PT) e outro do relator (PSDB), foi utilizada como
um palanque de denuncismo político entre governo e oposição, com vazamentos de informações sigilosas e
sem apurar o maior esquema de remessa ilegal de dólares ao exterior de nossa história. Nos documentos
apareceram muitas denuncias não apuradas como o envolvimento do Banco Oportunity, de Daniel Dantas e
uma suposta conta tucano, além do envolvimento de dezenas de deputados e políticos.
Além desses vexames do início do governo Lula, ainda podemos citar outra postura contraditória que
foi o empréstimo feito no final do ano de 2003 pelo BNDES para as redes Globo (NET) e Bandeirantes se
sanearem. Todos esses fatos ajudaram a prejudicar a imagem do presidente e nos fazer entender porque elas
fizeram uma oposição tão branda há época da primeira eleição, e porque, principalmente a rede Globo, passou
a fazer uma oposição sistemática ao governo logo após o início de 2004, após o caso Valdomiro.
As denúncias de corrupção no poder público brasileiro serão também uma constante durante o
governo Lula. O caso da Operação Vampiro, executada pela Polícia Federal, desbaratou uma quadrilha que
vendia remédios superfaturados ao Ministério da Saúde. A denúncia foi feita pelo próprio ministro, com
apenas dois meses à frente do ministério, sendo que o esquema existia há mais de 10 anos o que demonstra a
situação endêmica de corrupção que permeiam todos os governos da história de nosso país.
Como a corrupção, conforme já vimos, é um problema relacionado à falta de postura ética de nossa
sociedade, ela se espalha por todos os campos e chegando, inclusive, ao futebol, como no caso da venda de
resultados por árbitros de futebol no campeonato brasileiro de 2005. Esse ato de corrupção fez com que a
CBF remarcasse 10 jogos. Essa medida para alguns também foi tendenciosa e “acabou” privilegiando o time
que foi campeão.
Outro caso de corrupção que assustou o país aconteceu em Rondônia, quando o governador Ivo
Cassol (PSDB) foi acusado de fraude no orçamento, passando a ser chantageado pelos deputados estaduais. O
assustador é que o governador foi absolvido pela Assembléia Legislativa, que ampliou a “pizza” ao também
absolver todos os deputados envolvidos. Mais tarde, na reeleição, o mesmo governador, Ivo Cassol, foi
denunciado pelo Ministério Público, desta vez por compra de votos. O pedido de cassação do governador Ivo
Cassol, agora sem partido, deverá ser julgado ainda no primeiro semestre de 2009.
O TSE já cassou por unanimidade o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB) em
fevereiro de 2009 e em março foi a vez do governador do Maranhão Jackson Lago por compra de voto e
abuso do poder econômico. As decisões cabem recurso ao Supremo Tribunal Federal.
O mais grave caso de corrupção que abalou o governo foi o chamado Mensalão. O escândalo começa
com a divulgação das imagens de um funcionário de carreira recebendo propina para facilitar a vida de
fornecedores em licitações públicas dentro dos Correios, e com ramificações no IRB (Instituto de Resseguros
do Brasil), citando como chefe do esquema o deputado Roberto Jefferson (PTB). No Conselho de Ética da
Câmara, o deputado citado, acusa o governo nas figuras do ministro José Dirceu, do presidente do PT, José
Jenuino, do secretário do partido, Silvio Pereira e do tesoureiro do partido, Delúbio Soares, que forneceriam
mesadas de 30 mil reais por mês para deputados que se tornassem aliados e votassem com o governo,
garantindo assim a base necessária de apoio político no Congresso. A denúncia deu início a três CPIs.: a do
Correio, a da Compra de Votos e a dos Bingos (que se encontrava engavetada desde o escândalo Valdomiro
Diniz).
Nas apurações descobriu-se que não existia o Mensalão da forma com que Roberto Jefferson havia
denunciado, e que o PT havia repassado dinheiro ilegalmente para três partidos da base aliada, que eram o PL
(atual PR/PRB), o PP, e o PTB, além de envolver 6 deputados do partido que pegaram recursos do empresário
Marco Valério, que operava o esquema por intermédio de suas agências de publicidade, a SMP&B e a DNA,
que, também, trabalha para o governo por intermédio de vitória em licitações públicas fraudulentas.
A grande questão não respondida pelas CPIs é de onde veio o dinheiro de Marcos Valério, pois sua
versão de empréstimos no banco BMG e Rural (também envolvido no esquema PC Farias durante o governo
Collor) não se sustenta.
O curioso desse caso é que o Congresso não conseguiu descobrir o verdadeiro, ou os verdadeiros
donos da propina, assim como os grandes meios de comunicação de massa também não conseguiram. Uma
das teses descartadas foi divulgada em dezembro de 2005, pelo relator da CPI dos Correios (PMDB),
afirmando que havia encontrado a origem do dinheiro nos adiantamentos do pagamento de serviços de
publicidade no Banco do Brasil/Visa, que, segundo o relator, era ilegal. Porém descobriu-se, após as festas de
fim de ano, que aquela era uma prática comum utilizada durante todo o governo FHC.
Uma das fontes que irrigaram o esquema de corrupção conhecido por Mensalão, é um velho
conhecido de nossa história, a forma de compor o governo, ou “a hora de partir o bolo”. Os partidos políticos
brasileiros que são, em sua grande maioria fisiológicos, só apóiam o governo em troca de cargos públicos. É a
partir destes cargos públicos de decisão, que esses políticos promovem licitações fraudulentas, gerando
contratos superfaturados entre o governo e prestadores de serviço. Estes pagamentos a mais serão distribuídos
entre o político, que ocupa o cargo, a prestadora do serviço e o partido do político, que utilizará o recurso na
composição do caixa 2 de seu partido.
As revistas Carta Capital (semanário) e a Caros Amigos (mensal) levantam a tese de que a outra
parte do dinheiro pertenceria ao banqueiro Daniel Dantas do Banco Oportunity, que travava uma grandiosa
briga judicial pelo controle do grupo Brasil Telecom (do qual foi afastado por decisão da justiça, em outubro
de 2005), o qual ele havia comprado como testa de ferro do CityBank e dos fundos de pensão liderados pelo
PREVI (dos funcionários do Banco do Brasil), por deter informações privilegiadas no processo de
privatizações devido à grande influência que este detinha dentro do ninho tucano (escândalo da pasta cor de
rosa).
Daniel Dantas surge na vida pública brasileira pelas mãos do ex-governador Antônio Carlos
Magalhães da Bahia. Ele era assessor do Partido da Frente Liberal (PFL), hoje Democratas, em Salvador
quando fundou o Banco Oportunity
Na briga pelo controle da Brasil Telecom, o banqueiro lançou mão de uma empresa internacional de
espionagem, a Kroll, que fez inúmeras escutas telefônicas ilegais, aumentando os escândalos envolvendo
Daniel Dantas. Sua necessidade de se aproximar do governo para continuar exercendo influência e ter apoio
na luta contra seus sócios levou Marcos Valério a se aproximar do governo e cooptar, com recursos ilegais, o
apoio de parte da cúpula petista.
Outro fato importante é o envolvimento, descoberto pela CPI dos Bingos, do ex-governador e, a
época, atual presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, que havia recebido do esquema mais de 100 milhões
repassados pelo publicitário Marcos Valério, para sua campanha a reeleição em Minas Gerais, na mesma
época da reeleição de FHC, 1998. Esse fato levanta a tese de o esquema existir desde o período da reeleição
ou até mesmo para a aprovação da emenda da reeleição e das privatizações durante o governo FHC.
O resultado após 9 meses de apuração foi, a cassação de Roberto Jefferson (PTB), José Dirceu e o
presidente do PP; a renúncia de mais 4 deputados, inclusive um do PT, e a absolvição de 7 deputados
envolvidos no esquema. Um dos problemas que a CPI dos Correios encontrou é a proibição do acesso às
informações da justiça norte-americana, devido ao vazamento de informações por parte de parlamentares
durante a CPI do Banestado (2002/2003). Esses documentos só se encontram disponíveis para a investigação
da Polícia Federal e da Justiça Federal.
O Supremo Tribunal Federal, em agosto de 2007, aceitou o indiciamento de todos os 40 denunciados
de envolvidos no mensalão acusando-os de 7 crimes, quais sejam: formação de quadrilha, corrupção ativa,
peculato, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta e desvio de dinheiro público. Dentre os
acusados estão o presidente do PT, José Genoíno, o secretário geral, Silvio Pererira, o tesoureiro, Delúbio
Soares, o secretário do partido, Marcos Valério, o operador do sistema, José Dirceu, o mentor, e Roberto
Jefferson, o membro dedo-duro do esquema.
Em outubro o STF também acatou a denuncia do valerioduto mineiro, indiciando o ex-governador
tucano e atual senador Eduardo Azeredo por caixa dois na campanha de reeleição em Minas Gerais de 1998.
Outra renuncia, que abalou o poder legislativo, foi a do presidente do congresso Severino Cavalcante
(PP). Ele cobrava propina do empresário e dono do restaurante do Congresso para lhe fornecer a concessão do
uso do espaço. Isso quando ele ainda era secretário da mesa, na gestão anterior. Para fugir da cassação o
deputado também renuncia e este escândalo passa a ser conhecido por Mensalinho.
Em se tratando de renuncia, a última e mais ultrajante foi a do deputado Ronaldo Cunha Lima, ex-
governador da Paraíba e pai do atual governador cassado. Sua renuncia foi uma tentativa de impedir a
formação de uma ação judicial acatada pelo STF contra o deputado, e réu confesso, de ter tentado matar, com
dois tiros, o também ex-governador Tarcísio Buriti. A lógica da impunidade e da influência política no poder
legislativo levaram Ronaldo Cunha Lima a acreditar que assim levaria o julgamento para os tribunais da
Paraíba, pois perderia o foro privilegiado. Porém o Supremo abriu o processo contra o deputado mesmo após
sua renuncia.
Os escândalos de corrupção também produziram cenas absurdas como a do ex-assessor da
Assembléia legislativa do Ceará e membro do PT, que foi pego em um aeroporto de São Paulo com cem mil
dólares na cueca. Outro episódio grotesco foi a apreensão de 10 milhões de reais em espécie em um avião que
estava de posse de um deputado do PFL (atual DEM), e que tentou justificar a origem como dízimo de igrejas
que ele representava.
Com relação a bancada evangélica, na legislatura 2003/2006, que era composta por 63 deputados
federais, dos quais 35 deles foram envolvidos em escândalos de corrupção. A comunidade evangélica
brasileira anda descuidando de um alerta feito pelo próprio Cristo em um de seus sermões, quando ele usa a
metáfora do “trigo e do joio” para alertar os fiéis do perigo de pessoas que não representam a moral cristã
entre os cristãos. Nesta legislatura foram envolvidos em escândalos de corrupção 112 deputados federais.
Outra história que não foi esclarecida, são os assassinatos dos prefeitos do PT no estado de São
Paulo. As mortes de Celso Daniel, de Santo André e Toninho do PT, de Campinas, podem estar ligadas aos
esquemas de fraudes em licitações e contratos superfaturados que alimentariam o caixa dois do PT no estado.
Existe uma tese de que esses prefeitos morreram por terem descoberto o esquema e ameaçado entregar os
corruptos para a justiça. Este fato pode estar relacionado à história do ex-ministro da fazenda Antônio Palocci,
suspeito de participar do mesmo esquema na prefeitura de Ribeirão Preto. Porém a polícia do estado de São
Paulo já deu os dois casos como solucionados e relacionados à própria violência urbana além de encarados
como meras fatalidades.
As denúncias contra Palocci se avolumaram tanto na CPI dos Correios quanto na CPI dos Bingos.
Essas denúncias levantaram a possibilidade de Palocci ter freqüentado uma mansão alugada, no Lago Sul, um
bairro nobre de Brasília, que era usada para fazer esquemas ilegais dentro do governo, além de orgias com
seus correligionários políticos. A oposição apresentou na CPI o caseiro da tal mansão este, por sua vez,
afirmou ter visto Palocci várias vezes na casa. O ex-ministro, em uma ação ilegal, juntamente com o
presidente da Caixa Econômica Federal, quebrou o sigilo bancário do caseiro e entregou à imprensa.
A renuncia dos dois envolvidos, o ministro Palocci e o presidente da CEF, não impediram que a
Polícia Federal continuasse as investigações sobre o caso. Porém com a eleição do ex-ministro para a Câmara
Federal, o processo agora ficará parado devido a imunidade (impunidade) parlamentar conseguida pelo réu.
Dentre os vários escândalos que surgiram no parlamento brasileiro dois deles derrubaram os
influentes senadores, Joaquim Roriz e Renan Calheiros, este último presidente do Senado. Roriz foi pego em
escuta telefônica tratando de divisão de propina com dinheiro desviado do Banco de Brasília (estatal) num
montante superior a 2 milhões de reais, havendo renunciado logo no início do escândalo para não perder os
direitos políticos.
Renan Calheiros, foi acusado de cinco crimes, quais sejam: pagar pensão ao filho bastardo com
dinheiro de empreiteiro (absolvido em plenário com o apoio da base governista); lavagem de dinheiro em
negócios de pecuária, sonegação fiscal, compra de emissoras de rádio e jornais por intermédio de laranjas e
espionagem de políticos do PSDB e do DEM. As quatro primeiras denuncias foram encaminhadas pelo PSOL
e a última pelo PSDB/DEM. Depois de resistir quase cinco meses de crise renunciou a presidência do Senado
para manter o mandato.
Os escândalos de corrupção e uso de influência política não param de acontecer no poder legislativo.
Após a eleição para a presidência do Senado no início de 2009 o presidente eleito, José Sarney, teve que
extinguir 181 diretorias da casa por causa da falta de necessidade de muitas delas aliadas a criação de cargos
em excesso para correligionários e parentes. O curioso e que 70% dessas diretorias foram criadas pelo próprio
Senador José Sarney, quando presidente do Senado em outra legislatura. O Senado informa que serão criadas
somente 20 diretorias para o gerenciamento burocrático da instituição. Em seguida foi descoberto o escândalo
dos atos secretos que nomearam parentes de parlamentares, inclusive do próprio Sarney que também teve sua
fundação envolvida em repasses da Petrobrás para a programas culturais que não foram realizados. Por último
a operação da polícia federal que investiga o filho de José Sarney que consegui na justiça impor o silêncio ao
jornal O Estadão (censura).
Até a multinacional brasileira de petróleo, a estatal Petrobras, não escapou dos escândalos de
corrupção. Duas grandes compras anunciadas pela Petrobras, a Ipiranga e a Suzano petroquímica, são
investigadas pela Polícia Federal por vazamento de informações privilegiadas, sendo afastado um de seus
diretores. O esquema ficou nítido com a compra de ações na Bolsa de Valores de São Paulo um dia antes de
cada aquisição dando a grupos de investidores, de um dia para o outro, uma rentabilidade recorde. Foram
abertos dois inquéritos para investigar o vazamento de informações tanto na Bolsa de Valores quanto no
CADE (Conselho Administrativo de Desenvolvimento Econômico). Outro fato curioso foi o roubo de
Laptops da empresa que estavam dentro de um contêiner no porto de Macaé, no Rio de Janeiro e que
continham informações preciosas sobre as descobertas do pré-sal, inclusive o poço de gás natural de jupter,
também no pré-sal. A Polícia Federal após o termino das investigações afirmou, para quem quiser acreditar,
que o roubo foi um crime comum, afastando a possibilidade de espionagem empresarial.
A corrupção também se verifica nas loterias da Caixa Econômica Federal que são utilizadas para a
lavagem de dinheiro, contando, inclusive, com a conivência de funcionários. Este fato já ocorreu antes no
governo Itamar Franco em 1993, e foi descoberto pela CPI do Orçamento que esclareceu a forma com que o
deputado João Alves lavava o dinheiro desviado do orçamento. Por intermédio da compra de bilhetes
premiados, legalizava-se a entrada desses recursos em sua contabilidade.
Com relação ao combate à corrupção, a Polícia Federal, que, no início do governo Lula, embora
tenha feito uma greve que trouxe inúmeros transtornos, principalmente nos aeroportos (no setor de embarque
internacional), tem realizado operações importantíssimas com a prisão de corruptos e bandidos. Estas
operações dizem respeito ao combate dos crimes: cibernéticos, praticados através da Internet, tais como, o
desvio de saldo bancário, a pedofilia, as compras em cartão de crédito, as brigas de gangue, o racismo e o
neonazismo; formação de quadrilha e lavagem de dinheiro; tráfico nacional e internacional de drogas e armas;
grupos de extermínio; evasão fiscal; ambiental; crime organizado; corrupção ativa e passiva na administração
pública e etc.
Porém a atuação da Polícia Federal tem sido questionada por políticos e magistrados. A cobertura
cinematográfica da mídia expondo os acusados, o vazamento de informações sobre os inquéritos, a
“truculência” dos agentes, entre outros, são argumentos contra a instituição. Foi a operação Hurricane (2007)
que deflagrou a crítica contundente, talvez pelas revelações estarrecedoras, vinculando membros do judiciário
a uma quadrilha de venda de sentenças. Foram denunciados chefes de grupos ligados a jogos ilegais,
empresários, advogados, policiais civis e federais, magistrados e um membro do Ministério Público Federal.
Fica nítido, durante o mandato de Lula, que a PF hoje tem uma maior independência em relação às
pressões políticas e por isso trabalha com mais eficiência. Prova disso tem sido a evolução, a cada ano, do
número de operações realizadas pela instituição, tais como: 16 em 2003; 42 em 2004; 67 em 2005; 167 em
2006; 189 em 2007 e 218 em 2008.
A Controladoria Geral da União, instituída pela Constituição de 1988, também atua na apuração de
fraudes em verbas públicas fazendo auditoria nos repasses federais para estados e municípios. Outra forma de
fiscalização promovida pela Controladoria é a chamada devassa fiscal em 50 prefeituras por mês, mediante
sorteio, e com isto tem, felizmente, exposto as feridas da corrupção endêmica que assola as instituições do
Estado brasileiro. Um exemplo importante de ser citado foi o caso da prisão de vários prefeitos, vereadores e
um contador em Alagoas (2005) por formação de quadrilha. As irregularidades destacadas foram: pagamento
de propina para vereadores em troca de apoio político, licitações fraudulentas e notas fiscais frias. Esse fato
ganha importância ao percebermos que o modus operandi é o mesmo utilizado pelos mensaleiros que serão
conhecidos logo em seguida pela sociedade brasileira.
Uma prisão muito alardeada pela mídia foi a de Paulo Maluf (PP) e seu filho Flávio Maluf por
remessa ilegal de dólares via conta CC5 (esquema do Banestado). Esses recursos eram oriundos do
superfaturamento de obras públicas durante sua última gestão na prefeitura de São Paulo.
Na tentativa de modernização do poder legislativo o Congresso Nacional aprovou uma tímida
reforma, que na verdade pode se restringir a criação da Súmula Vinculante, que obriga os juízes de instância
inferior a tomar decisões semelhantes as já tomadas em casos semelhantes pelos juízes de instância superior.
Até agora três Súmulas Vinculantes foram editadas pelo STF, quais sejam: normatiza a validade do acordo de
FGTS; limita a defesa sobre decisões do TCU e proíbe a liberação de loterias e casas de jogos por intermédio
de leis estaduais e municipais, entre outros.
Mais duas importantes ações da PF, uma contra a corrupção no estado e a outra contra o narcotráfico.
A primeira, antes da reeleição, foi à prisão dos componentes de uma quadrilha que manipulava o orçamento,
liberando verbas para a compra de ambulâncias e equipamentos hospitalares superfaturados com o
envolvimento de mais de 80 pessoas, a maioria deputados federais. As emendas para a compra eram
apresentadas por parlamentares do esquema que recebiam de 2 a 3% de propina ao aprovarem a emenda e o
restante após a liberação do dinheiro para a compra. O total das propinas era de 10% pagos em espécie ou por
intermédio de presentes dados pela família Vedoin, donos da empresa que atuava nos estados do Mato
Grosso, Paraná, Minas Gerais, Rondônia e Pará. Esse escândalo determinou inclusive a criação de uma nova
CPI para apurar o esquema, que ficou conhecido como a máfia dos sanguessugas. Esse fato deixa claro a
necessidade de se acabar com as emendas parlamentares ao orçamento da república.
Já a segunda operação foi a que deu origem a prisão de um dos maiores traficantes colombianos
erradicado no Brasil, Juan Carlo Abadia, demonstrando o vínculo entre o crime organizado e policiais
corruptos, que cobravam propinas para evitar a prisão e repassar informações sobre operações policiais, e no
judiciário, para dar ganho em causas para o narcotráfico.
Quanto a eleição de 2006, a tônica da campanha foi o denuncismo. Uma clara campanha de
desestabilização do governo foi promovida pelas elites locais por intermédio da grande mídia brasileira. As
denuncias de corrupção e as reportagens dos insucessos do governo ocuparam a maioria das páginas e do
tempo dos periódicos e telejornais.
O fato mais explorado foi a tentativa da compra de um dossiê, (fajuto, segundo a grande mídia,
porém recheado de fotos contendo os Vedoin com Serra e Alkimin) por parte de membros do PT muito
próximos do próprio presidente, mais uma vez. Este dossiê seria revendido para a revista Isto É e sua
publicação criaria problemas para o candidato Geraldo Alkimim, do PSDB e para o então candidato tucano ao
governo de São Paulo, José Serra.
A aquisição do suposto dossiê foi envolvida de um grande mistério até hoje sem explicação: de onde
veio o dinheiro para a compra desse dossiê? Essa questão produziu, com razão, críticas a independência da
Polícia Federal. Esse dinheiro foi fotografado e freqüentou as primeiras páginas dos jornais às vésperas da
eleição, sem conseguir influenciar no resultado previsto nas pesquisas eleitorais.
A vitória de Lula se deu no segundo turno, depois de um gasto estratosférico na campanha para um
candidato do “povo”, R$ 115.000.000,00, enquanto o candidato Geraldo Alkimim, das elites, só conseguiu
arrecadar R$ 92.000.000,00.
Dessa eleição nos conseguimos retirar alguns aprendizados, tais como: a classe média e a grande
mídia (maior derrotada no processo eleitoral) já não são veículos tão eficientes na formação de opinião, em
outras palavras, o povo já esta conseguindo formar sua própria opinião, porém não se preocupa com a questão
ética no processo de escolha de seus representantes. Os brasileiros precisam encarar a política como algo
muito sério e não mais como uma micarê (carnaval temporão). O povo brasileiro precisa passar a acompanhar
e a entender sobre política para, a partir daí, fazer melhores escolhas mantendo viva a sua memória sobre as
questões políticas. O eleitor precisa diferenciar o público do privado e compreender que o voto é um
instrumento para a solução de problemas coletivos e não individuais.
Após a eleição outros dois assuntos de destaque foram: à reforma ministerial e a dança das cadeiras.
A reforma ministerial, muito demorada por sinal, contemplou a ampliação da base de apoio com a diminuição
dos ministérios para o PT e o aumento da participação do PMDB de 3 para 5 ministérios, além de ministérios
para o PP, PR, PDT e PTB, sem se esquecer dos companheiros históricos como o PCdoB e o PSB.
Quanto ao troca-troca de partidos, a dança das cadeiras, o óbvio acontece novamente. Em um país de
partidos regionais, sem projeto nacional (a não ser o poder pelo poder), e com predominância do fisiologismo
político, os deputados abandonam os partidos de oposição para aderir aos partidos da situação, em busca de
mais vantagens e privilégios. Até o início desta legislatura (2007/2010), para se ter exemplo, o PFL perdeu 8
deputados federais (tem 37), o PPS perdeu 8 (tem 14) e o PSDB perdeu 7 (tem 58), dados do início de 2007.
Outro acontecimento importante em relação aos partidos, foi a fusão, a cisão e a mudança de nome
que produziram a criação de novas siglas. O PFL, agora é o Democratas (DEM), o PL se uniu ao PRONA e
aos PHS e se tornou o Partido Republicano (PR), parte do PL funda o Partido Republicano Brasileiro (PRB),
do vice-presidente José de Alencar, e o PPB (antigo PDS do Maluf) se torna o Partido Progressista (PP).
Outra grave e longa crise enfrentada pelo governo, e que produziu inclusive uma CPI, foi o apagão
aéreo. Tudo começou após o fatídico acidente em 2006, envolvendo o avião da Gol e o jato Legancy, com 96
vítimas fatais e que fez o povo brasileiro descobrir a existência e a importância dos controladores de vôo que
exercem uma jornada longa, cansativa e sem os equipamentos adequados a magnitude das operações
aeroviárias brasileiras.
Em seguida se procedem as operações padrão que atingiram seu pico no período imediato que
antecederam os jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro. Logo após os jogos acontece o maior acidente aéreo
de nossa história, com o avião da TAM que mata 198 pessoas no aeroporto de Congonhas em São Paulo. Este
episódio marca a queda do ministro da defesa, Valdir Pires, e sua substituição pelo ex-ministro do STF,
Nelson Jobim, que substituiu a diretoria da ANAC, por sua conivência com as empresas aéreas, além da
direção da INFRAERO, pelas denuncias de corrupção.
Como se já não bastasse, no início de novembro de 2007, um jato de uma empresa de táxi aéreo cai
sobre algumas casas próximas ao aeroporto de Cumbica, deixando desta vez mais 6 mortos. Descobriu-se que
o piloto não tinha o curso de pilotagem em situação de risco o que expôs mais um problema, a ineficiência da
fiscalização nos vôos particulares.
No mês de agosto o Congresso Nacional aprovou a lei eleitoral para as eleições de 2010. De acordo
com a nova lei mesmo durante as eleições, os candidatos poderão manter páginas na web. Está garantida a
livre manifestação do pensamento em sites, blogs partidários ou jornalísticos e redes sociais, além da
possibilidade de malas diretas por parte dos candidatos. O anonimato fica proibido para que seja assegurado
um eventual direito de resposta. A restrição ao uso da Internet será somente na realização de debates que
passam a seguir as mesmas regras aprovadas para rádio e TV
Está mantida a impressão dos votos a partir de 2014. O eleitor vota eletronicamente e a urna imprime
o voto, que fica armazenado, caso o TSE precise fazer alguma auditoria. O outro item é o voto em trânsito, o
eleitor que estiver fora de seu domicílio eleitoral poderá votar para Presidente, desde que esteja em alguma
capital. Com relação as doações de campanha, fica permitido doações aos candidatos ou aos partidos por meio
de cartão de crédito, pela internet.
Dentre as propostas que não foram incluídas na lei podemos citar a necessidade do candidato possuir
uma reputação ilibada e a possibilidade de eleição direta em caso de cassação dos eleitos para cargos do
executivo.
6.2 Economia
Com relação à questão econômica, a reforma tributária aprovada na Câmara dos Deputados,
enfrentou uma forte resistência dos governadores e dos empresários, produzindo uma negociação muito mais
dura entre o governo e as partes interessadas. De acordo com a reforma, o ICMS passará a ser cobrado, em 5
anos, no destino (hoje é cobrado na origem) e sua alícota passará a ser unificada em todos os estados a partir
de 2007. Essas medidas em relação ao ICMS visam acabar com a chamada guerra fiscal entre os Estados,
porém, é muito provável que essas medidas não se tornem realidade.
Além dessas mudanças ocorreu também um super aumento na alíquota do COFINS, que passou de
3% para 7%, prejudicando claramente o setor de serviços. A Proposta de Emenda Constitucional 232,
apresentada no ano 2005, foi a continuidade do processo de reforma tributária que aprovou a correção da
tabela de descontos do imposto de renda em 10%, agradando a classe média brasileira e tentou, porém não
conseguiu, aumentar os impostos sobre a prestação de serviços.
O apoio internacional ao governo Lula foi intenso, principalmente pela não alteração da política
econômica e pela afirmação do governo de que cumpriria e respeitaria todos os contratos assinados pelo
governo anterior. Essa postura tem levado o governo a receber velados elogios do Grupo dos 7 mais ricos do
planeta, de grandes líderes mundiais, da OMC, da ONU e até mesmo do FMI.
A queda do processo inflacionário e a conseqüente queda do risco Brasil, que atingiu o menor índice
de nossa história neste governo, auxiliaram nessa lua de mel, tanto fora quanto dentro do país, com o apoio de
empresários e do povo. Com relação a este assunto devemos destacar também o aspecto populista que o
presidente tem demonstrado em suas ações políticas, desde a sua posse.
Já com o FMI, o atual governo fez sua primeira negociação de forma diferente do que
tradicionalmente o país sempre fez. Desta vez, o Brasil conseguiu uma espécie de “cheque especial” com o
FMI, garantindo até 6 bilhões de dólares caso o país precise. O grande problema para o desenvolvimento
nacional se encontra na manutenção do superávit primário, exigência do fundo para a liberação dos
empréstimos como uma forma de garantia de pagamento, obrigando o país a indisponibilizar uma grande
quantidade de recursos que poderiam ser investidos em infra-estrutura para o desenvolvimento econômico.
No ano de 2005 o governo não fez nenhum acordo com o FMI, porém, manteve o superávit primário
e antecipou a quitação da dívida de 15 bilhões de dólares ao FMI, referentes ao último empréstimo do
governo FHC no fim do ano de 2002. Esta atitude, que teve críticas da oposição, auxiliou na queda do risco
país e melhorou a qualificação de área de investimento pelo mercado financeiro.
O anúncio do início de grandes obras tem encontrado dificuldades para se efetivarem, tais como: a
transposição do rio São Francisco (mais polêmica), o polêmico megaprojeto, orçado em 6 bilhões de reais. e
que retirará cerca de 700 famílias de seu habitat natural e que serão colocadas em 16 vilas que estão sendo
construídas pelo governo.Cada família terá direito a uma casa com 100 metros quadrados, em uma área de 5
mil metros quadrados, além da indenização pelo valor da terra.
Ao lado do projeto de transposição, o governo também faz obras de recuperação das margens do rio
São Francisco – uma das principais reivindicações de alguns dos críticos da transposição.Os argumentos do
bispo Luiz Flávio Cáppio – um dos maiores opositores da obra – têm ressonância entre a população local.
Cáppio se opõe à obra por temer prejuízo ambiental e a readaptação dos ribeirinhos a novas atividades
econômicas chegando a fazer uma greve de fome contra a transposição em 2007
De acordo com o governo, o projeto de transposição do rio São Francisco produzirá 8.400 empregos
diretos e visa levar água para 12 milhões de pessoas nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande
do Norte.Para isso, estão sendo contruídos dois canais com largura que varia de 3,4 a 12 metros e de até seis
metros de profundidade.
Um dos canais, com 287 quilômetros de extensão, deverá ser entregue até 2010. O outro canal, com
426 quilômetros, deverá ser entregue até 2012.
A construção de usinas hidrelétricas e a recuperação das estradas federais, que pouco avançaram
além da operação tapa-buracos de 2006, demonstra a morosidade das ações do governo. Hoje nossa malha
rodoviária continua extremamente comprometida, aumentando os custos operacionais que são repassados ao
consumidor final por parte da falta de investimento na infra-estrutura. A questão da energia elétrica faz o país
viver no “fio da navalha” o que compromete o desenvolvimento econômico.
A tentativa do governo federal para fomentar um maior desenvolvimento econômico esta no
Programa de Aceleração do Crescimento – PAC. Segundo o governo serão investidos 58 bilhões de reais
neste quadriênio. As obras são de infra-estrutura rodoviária, ferroviária e aéro-portuária, além de infra-
estrutura urbana (incluindo as favelas cariocas) e de energia elétrica, contemplando também a questão dos
bio-combustíveis. Até outubro de 2007 o PAC já havia liberado 2 bilhões para as estradas e 500 milhões para
a segurança, os dois setores que mais receberam recursos.
Na tentativa de uma maior inclusão social, o micro-crédito é uma importante política de
desenvolvimento econômico utilizada pelo governo, que faz empréstimos sem burocracia, para pequenos
investimentos e com juros subsidiados, tais como: financiamento para servidores públicos e aposentados
descontados em folha, Banco do Povo para pequenos empreendimentos urbanos e o Pronaf (programa
nacional de agricultura familiar), ligado à Caixa Econômica Federal e ao Banco do Brasil.
Um fato importante a se destacar é o envolvimento do Banco do Brasil e dos Correios no processo de
exportação feito por pequenos produtores e artesãos, que encontram todo apoio desses órgãos para fazer o que
antes era impossível, pois o ato de exportar requer uma série de custos e contatos que dificultavam a vida
daqueles produtores. Para melhorar o desempenho de nossas exportações, o governo também criou os centros
de distribuição de mercadorias no exterior, aumentando com isso as facilidades para a exportação.
Um sério problema que tem afetado o desempenho de nossas exportações tem sido a questão do
agro-negócio, principalmente durante o ano de 2006. Além da febre aftosa, do perigo da gripe aviária, da seca
na Bahia e no sul, além da desertificação provocada pelo próprio agro-negócio, nós percebemos a demora do
governo brasileiro em encaminhar soluções, o que gerou uma série de protestos dos produtores rurais que,
inclusive, bloquearam rodovias em todo país, fazendo com que o agro-negócio não apoiasse a reeleição do
presidente, que teve, por exemplo, somente 30% da votação na região sul.
Uma questão interessante, que demonstra a tese de “criminalização” dos movimentos sociais, é a
forma como a grande mídia trata as invasões de rodovias. Se, são os proprietários, eles estão cobertos de razão
diante de um governo que não lhes garante o lucro; se são os Sem Terra, eles estão violando um direito
constitucional do cidadão, que é o direito de ir e vir.
O governo Lula será marcado pela contradição que se expressa na incapacidade de se promover um
novo modelo econômico que não seja excludente, e de aplicá-lo com bravura, acumulando reservas,
controlando capitais e câmbio, baixando juros (admitindo-se uma inflação um pouco maior conforme prega a
tese desenvolvimentista), finalizando a política de superávit primário, gerando mais empregos, investindo
mais na infra-estrutura, avançando mais na reforma agrária, buscando de fato um Estado de bem-estar social.
Essa contradição também se explicita na política econômica neo-liberal e nas relações políticas
clientelistas, corruptas e conservadoras com políticos tradicionais. Os anos de 2004 e 2005 foram também
marcados pelas mortes de nacionalistas históricos e coerentes que já teciam críticas as atuações do governo,
umas mais contundentes outras mais brandas, como é o caso de Leonel Brizola e Celso Furtado em 2004 e
Miguel Arraes em 2005.
O governo tem problemas estruturais que ainda esperam soluções, tais como: o menor crescimento
entre os países emergentes; a maior inflação entre eles; uma das piores relações divida/PIB do planeta; maior
carga tributária do mundo e a moeda que mais se valoriza atualmente na economia mundial.
Entre 2003 e 2008, mais precisamente setembro de 2008 o país viveu um clima de crescimento
econômico e desenvolvimento social graças ao crescimento mundial e a valorização das commodites, a
estabilidade da economia brasileira e os avanços sociais promovidos pela inclusão de milhares de brasileiros,
inclusive devido ao assistencialismo do governo, com, inclusive, a ampliação do nosso IDH.
Porém este clima de bonança foi interrompido pela crise mundial que se iniciou no setor financeiro
imobiliário nos EUA e que, rapidamente se alastrou pelo planeta devido a forte interdependência gerada pelo
fenômeno da globalização.
No Brasil os efeitos não foram tão profundos como no primeiro mundo mas houve uma retração no
consumo e suas conseqüências fizeram com que a sociedade sentisse mais a crise do que a própria elite local e
internacional aqui estabelecida.
As reações mais consistentes do governo para estimular o crescimento foram o aumento da oferta de
crédito, com a diminuição do empréstimo compulsório dos bancos no Banco Central, beneficiando,
principalmente o setor da construção civil. Além disso, o governo iniciou uma política de redução do IPI
primeiramente para os automóveis, logo após o material de construção e por último eletrodomésticos da
chamada “linha branca”.
As conseqüências para o nosso país foram: a queda na atividade produtiva com a ameaça de
recessão, embora o governo afirme que o país crescerá em 2009 algo em torno de 1%; queda na arrecadação
do estado e dos investimentos do governo; aumento do desemprego e da inadimplência, puxada pelo crédito
automotivo; queda dos juros básicos de nossa economia (Selic).
A partir do segundo semestre de 2009, já se começa a verificar uma melhoria nos índices
econômicos, tanto em termos mundiais quanto em termos nacionais. Essa melhora, mais rápida do que o
esperado, tanto pelas autoridades monetárias e quanto pelos economistas de todo o planeta, se reflete na
melhoria dos índices econômicos que apontam para um reaquecimento da economia, principalmente a dos
emergentes, com o Brasil ficando atrás da China, Rússia e Índia.
Embora a economia mundial se recupere os estudiosos alertam para o fim das políticas fiscais dos
estados, que podem frear o crescimento econômico, e, embora as economias estejam reagindo bem, ainda se
está saindo da crise e vai demorar um tanto para o mercado mundial se estabilize em patamares de
crescimento do período pós-crise.
Uma notícia importante é a redução da dívida pública, sendo que a dívida externa já é menor que 100
bilhões de dólares e embora a dívida interna seja mais de 1 trilhão e quatrocentos milhões de reais ela tem
caído nos meses de setembro e outubro de 2009 devido a recompra de títulos e da diminuição da emissão
desses títulos da dívida pública nesses meses.
6.3 Sociedade
As tão prometidas reformas, no tocante às questões sociais, se iniciaram com o encaminhamento do
projeto de lei nº 9, que prevê a criação da previdência complementar, iniciando a reforma previdenciária, que
cria o teto para a aposentadoria (R$ 2.400,00, posteriormente elevada pelo STF para R$ 2.500,00) e a
cobrança dos inativos acima de 1.450,00 reais (elevada posteriormente pelo STF para R$ 2.450,00). As
principais reações vieram dos servidores públicos que fizeram protestos e os da previdência social que
reagiram com uma greve que durou até a aprovação da proposta na Câmara do Deputados. A outra reação que
acabou por garantir a manutenção de privilégios foi a ameaça de greve dos magistrados, proposta que dividiu
o próprio poder judiciário quanto à legalidade do suposto movimento, não alterando as aposentadorias de
juízes e ministros.
Outra proposta de reforma que tramita no Congresso Nacional é a sindical (que antecederá a
trabalhista), propondo o plurisindicalismo, o que não é consenso, pois permitiria a existência de mais de um
sindicato por categoria profissional, obrigando assim os sindicatos a só poderem existir se tiverem 25% de
filiados, além do fim do imposto sindical, o que já é consenso. Essas medidas podem tornar os sindicatos mais
eficientes, pois, eles dependerão da arrecadação de seus membros ou poderão decretar o fim da
representatividade formal para categorias profissionais mais fracas ou desorganizadas.
O primeiro grande anúncio do governo Lula foi o Programa Fome Zero, que visa eliminar a fome do
povo brasileiro numa ação conjugada com um processo de alfabetização dos beneficiados, e o incentivo à
agricultura familiar, que também se conjuga com o processo de reforma agrária. O programa recebe críticas
dos setores de oposição, porém essa é a primeira vez em nossa história que o governo elege como prioridade
matar a fome que assola a população brasileira desde o início do processo de colonização.
O Fome Zero é uma ação interministerial que, na verdade, representa o conjunto de todas as políticas
sociais do governo desde as afirmativas, como as cotas e os demais direitos das minorias, passando pelas
cisternas do nordeste e chegando ao projeto Segundo Tempo, do Ministério dos Esportes, que atende um
milhão de crianças no horário invertido em escolas, no Sesi e no Sesc, além dos quartéis do exército, onde o
jovem recebe alimentação, o material esportivo, além da instrução técnica e do reforço escolar.
O aumento do salário mínimo para 380,00 reais mantém o apoio das camadas mais pobres, enquanto
os irrisórios aumentos dados para o servidor público e aposentados, que recebem acima do salário mínimo, e o
fracassado programa do primeiro emprego para os jovens, por exemplo, não conseguem, é óbvio, se
transformar em apoio político para o governo.
Outra conquista importante desse governo, foi a aprovação do Estatuto do Idoso pelo Congresso
Nacional. Outros Estatutos aprovados em seu governo foram o dos Torcedores e o do Desarmamento. Este
último promoveu uma campanha de desarmamento que conseguiu retirar da sociedade 500 mil armas,
reduzindo, inclusive, os índices de mortes e feridos com armas de fogo, além de promover também o maior
referendo da história do Brasil, em que o povo brasileiro optou pela manutenção da venda de armas e
munição, obedecidas às normas estabelecidas pelo próprio estatuto.
Um sério problema que deve ser enfrentado pelo governo Lula é a má distribuição de renda. O
IBGE, no ano de 2003, divulgou o balanço do século XX, que produziu afirmações extremamente
preocupantes, quais sejam: o Brasil foi o país que mais se modernizou durante o século e foi também o que
pior distribuiu renda. Essa desigualdade histórica se verifica nas relações trabalhistas arcaicas existentes no
campo e que chegam ao cúmulo de manterem, sob sistema de escravidão por dívidas, cerca de 25.000
crianças e adultos em fazendas de todo país.
Essa grave situação social que se verifica com o baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é
responsável por produzir um alto grau de violência, principalmente a urbana. O crime organizado e suas ações
de seqüestro, assalto a banco, narcotráfico e tráfico de armas, tem se agravado, e sua proliferação aumenta,
nos dias de hoje, o medo da classe média principalmente com relação às chamadas balas perdidas.
O crime comum também tem se espalhado e utilizado novas metodologias como o seqüestro
relâmpago, por exemplo. Dentro das favelas e nas periferias, além da tensão do próprio crime organizado,
você tem o problema relacionado à formação e a atuação das milícias, grupos de extermínio, mantidas pelo
crime e por comerciantes para promover a “justiça”, ou se preferirem, a pena de morte.
Um fato importante relacionado ao crime organizado tem sido a luta sangrenta pelo controle dos
pontos de venda de drogas nos morros pelas facções rivais, além do episódio do roubo das armas do exército,
que mais uma vez vai para a rua e sobe o morro. Essa ação é sempre criticada por especialistas que destacam
o extermínio do inimigo como finalidade para a qual o exército é treinado. A solução para esse problema
passa por uma polícia técnica e científica que faz uso da inteligência aplicada às investigações e por uma
política de desenvolvimento econômico que gere emprego e renda para as famílias que também precisam de
um eficiente processo educacional.
Outro problema sério é a questão da violência urbana, que inclusive, revela a alienação da maioria da
sociedade brasileira, ao acreditar que o problema está relacionado única e exclusivamente, à contratação de
policiais e à compra de armamentos e viaturas, como se o policiamento ostensivo pudesse, sozinho, resolver a
questão.
Porém a cada dia que passa, amplia-se na sociedade brasileira a noção mais precisa das causas que
envolvem a violência urbana. Enquanto o Estado brasileiro não fizer a reforma agrária, não investir
pesadamente em educação, não promover um desenvolvimento econômico mais robusto, não investir em
infra–estrutura urbana, para que se propague um clima de perspectiva social para o povo brasileiro. Uma
conseqüência direta destas ações, será a melhoria na qualidade de vida e, conseqüentemente, uma melhor
estruturação familiar, o que sabemos ser fundamental para a proteção do individuo em relação à
criminalidade.
Um episódio assustador referente à insegurança urbana, principalmente devido à super exploração do
fato pela mídia, foi a onda de rebeliões que tomaram conta de presídios em São Paulo, Paraná e Mato Grosso
do Sul, seguido pelo Espírito Santo, além dos 6 dias de atentados no Rio de Janeiro com a morte de mais de
150 pessoas, entre bandidos, policiais e civis sem qualquer envolvimento com os problemas. Muitas das
mortes possuem características de ação de grupos de extermínio, e a falta de transparência do Estado em
revelar detalhes sobre as circunstâncias das mortes aumentam as especulações.
O fato gerador da revolta foi a divulgação de um plano de transferência para outras penitenciárias
das lideranças do grupo paulista conhecido como Primeiro Comando da Capital, o PCC. A ação criminosa só
pode ser executada graças às facilidades no uso de celulares dentro das unidades prisionais, o que é
expressamente proibido por lei. As questões levantadas no episódio foram a necessidade de um controle mais
rigoroso dentro das prisões, a necessidade de instalação de bloqueadores e a construção de mais presídios
modernos e bem equipados (além dos dois entregues e três em construção). Porém, a corrupção dos agentes
do Estado já obrigou a transferência de um dos mais perigosos presos do Brasil, Fernandinho Beira Mar,
devido às regalias que ele já havia conseguido em um dos novos presídios de segurança máxima recém
inaugurado.
As grandes metrópoles nacionais brasileiras são as que mais sofrem com o crime organizado e a
violência urbana. Porém, no Rio de Janeiro, um fato curioso aconteceu durante os Jogos Pan-americanos,
momento em que a mídia não publicou nenhuma morte, assalto, seqüestro, enfrentamento entre bandidos e
policiais e nenhum caso de bala perdida. Segundo os adeptos da teoria da conspiração, esse fato se explica ao
analisarmos o abrandamento da fiscalização sobre a Classificação Indicativa dos programas de televisão por
parte do governo, que, antes dos jogos, ameaçava as emissoras de radicalizar na fiscalização.
Com relação aos Jogos Pan-americanos, acima citados, temos um momento de afirmação de nossa
nação no plano internacional com a demonstração de que podemos sediar qualquer grande evento de porte
planetário. Porém, infelizmente, os jogos foram utilizados por nossa elite política e as empreiteiras como
forma de arrecadação ilícita de recursos. O Tribunal de Contas da União, a Polícia Federal e a Câmara
Municipal do Rio de Janeiro, já estão investigando as denuncias de superfaturamento das obras.
Segundo as denúncias, as 5 últimas edições dos Jogos Panamericanos custaram 2,1 bilhões de reais.
A edição brasileira de 2007, foi orçada inicialmente pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro em 400
milhões e segundo os dados oficiais da própria prefeitura o valor gasto foi de 1,2 bilhão de reais. As
denuncias na Câmara Municipal estão produzindo uma queda de braço entre parte dos vereadores, que
querem instalar uma CPI para apurar os fatos, e o prefeito, que tenta impedi-lá.
Dentre os movimentos sociais organizados da sociedade brasileira, talvez o mais importante deles
tem sido o MST (Movimento dos Sem Terra) que, no início do governo Lula, deu uma trégua até julho de
2003, quando reiniciaram os bloqueios de rodovias e as invasões de propriedade e em 2004 deram o nome de
abril vermelho para o mês de luta do movimento (relação com o massacre de Eldorado dos Carajás-PA).
Embora na maioria dos casos os assentamentos dos Sem Terra tenham dado bons resultados, existem
problemas, inclusive nos próprios acampamentos, pois o MST sofre do mesmo mal da sociedade brasileira:
alguns dos seus membros ainda possuem baixos padrões éticos de conduta, comprometendo a ação dos
trabalhadores organizados na luta pela reforma agrária.
A criminalização dos movimentos sociais é uma constante no Brasil (uma vertente do anti-
comunismo), foi alvo de denúncia por um relatório da ONU e esse fato é muito comum em relação aos Sem
Terra, maior movimento social do país, que recebe constantes críticas da grande mídia, mais compromissada
com essa criminalização do que com o esclarecimento do público e a pressão para a solução do problema. O
movimento comete erros que ajudam neste processo, tais como: o quebra-quebra do laboratório de pesquisas
de uma empresa multinacional de reflorestamento no Rio Grande do Sul, feito pelo MST e, por último, a
invasão seguida de quebra-quebra do Congresso Nacional feito pelo MLST (uma das dissidências do MST),
que redundou na reprovação, quase que unânime, da população brasileira, além da prisão de mais de 500
invasores. A Polícia Federal já tem inclusive provas de que a invasão foi premeditada e financiada em parte
com dinheiro público, desviado pelo movimento para isto.
A violência no campo não se dá somente pela existência das invasões de propriedade, e isso ficou
evidente no assassinato da freira norte-americana, Dorothy Stang, em fevereiro de 2005 no sul do Pará, por
defender o uso sustentável da terra com criação de unidades familiares de exploração da mata, o que contraria
o interesse dos pecuaristas e das madereiros, assim como já havia acontecido com o líder seringueiro Chico
Mendes, no Acre, na década de 80.
Uma questão muito importante levantada ainda no governo FHC é a necessidade de se discutir e
promover a tão necessária e histórica inclusão social das minorias. A esse respeito, o debate mais intenso foi
sobre a lei de cotas que, mesmo extremamente polêmica, levanta a questão da reserva de vagas para negros,
afro-descendentes, povos indígenas e estudantes de escolas públicas numa tentativa de democratizar a
universidade pública. O sistema de cotas, há de se destacar, não será permanente, e o tempo de duração
defendido pelo Ministério da Educação é de dez anos. Um bom exemplo dessa inclusão social foi a
nomeação, pelo governo Lula, do primeiro ministro negro do STF, Joaquim Barbosa.
Já a atual proposta de reforma universitária determina que 50% das vagas nas universidades públicas,
estaduais e federais, sejam reservadas para estudantes oriundos do ensino médio público. Hoje sabemos que
as universidades públicas são excludentes e reservam suas vagas para os filhos da elite brasileira. Um reflexo
dessa elitização se verifica na dificuldade de se levar médicos para o interior do país, pois estes são, em sua
larga maioria, membros de uma classe abastarda que não se satisfaz com o simples contato com a natureza,
preferindo assim um vida urbana, mais artificial (como nos shoppings e nas salas de bate papo virtuais).
Porém um fato curioso, ainda com relação a reforma universitária, não foi levantado pelo governo, e
nem muito menos pela própria mídia, que é o paradigma da necessidade de curso superior para todos. Será
que o povo brasileiro, em sua totalidade, deve freqüentar uma universidade? No primeiro mundo não é assim.
Lá o ensino superior é reservado para cientistas e pesquisadores, para os demais é reservado o ensino técnico
de nível médio. Será que se faz necessário uma graduação superior para, por exemplo, arquivar processos
judiciais ou atender pessoas nos protocolos ou nas ante-salas da burocracia estatal. E aqui fica uma pergunta,
a quem interessa de fato a cultura da formação universitária para todos?
Na área da Educação, o governo Lula conseguiu aprovar em dezembro de 2006 o FUNDEB (Fundo
de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), após dois anos tramitando no Congresso Nacional.
O Fundo pretende ampliar os recursos de forma gradativa para promover mudanças em toda a educação
básica com o foco na inclusão da educação infantil, ensino médio e educação de jovens e adultos.
Já em abril de 2007, o Governo Federal anunciou o Plano de Desenvolvimento da Educação que visa
melhorias no ensino público brasileiro criando metas e condutas para atingir este fim. Com relação a:
Avaliação: criação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) que avalia o caráter
qualitativo baseando-se na combinação do desempenho do aluno nas avaliações externas do governo e no
desempenho escolar variando de 0 a 10; Provinha Brasil, que avalia a alfabetização de crianças de 6 a 8 anos;
Olimpíada da língua portuguesa.
Professores: piso nacional de 850,00 reais para 40 horas (até 2.010); criação da Universidade Aberta
do Brasil (UAB) para a formação e capacitação de professores.
Investimentos: 75 milhões para o incentivo a produção de conteúdos didáticos digitais; distribuição
de obras e demais materiais de apoio ao ensino básico e médio; eletrificação das escolas públicas; inclusão
digital em todas as escolas públicas.
Programas: integração dos programas de juventude; Bolsa Família para jovens até 17 anos;
ampliação do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar para atender mais alunos de áreas rurais;
atendimento básico de saúde ao aluno articulando a escola ao Programa Saúde da Família.
Educação Profissional e Superior: reformulação do Programa Brasil Alfabetizado; ampliação de
vagas na rede pública federal (Projeto Universidade Nova com 20% de aumento orçamentário); educação
profissional em ensino à distância; oferecimento de cursos voltados para o desenvolvimento econômico local
e regional; 150 escolas técnicas nas cidades pólo; criação dos Institutos Federais de Educação Tecnológica
(IFET) para fortalecer os Arranjos Produtivos Locais (APLs); novas normas para estágios; recursos do FIES
par financiar as bolsas parciais do Pró-Uni.
A situação do ensino público brasileiro inspira cuidados imediatos. Os primeiros resultados do IDEB
para 1ª a 4ª séries, 64,57% ficaram a baixo da média nacional que ficou em 4. As menores médias ficaram
com o Nordeste e o Norte com as melhores notas em São Paulo. Vale lembrar também que o IDEB é
importante para demonstrar o cumprimento das metas estabelecidads para cada município que assim
aumentaram conforme a produtividade.
Já no ensino superior os resultados ENAD comprovam o baixo rendimento dos universitários
brasileiros, resultado este reforçado pelo Exame de Ordem que reprova a maioria dos candidatos ao registro
profissional de advogado. O ministério da educação ameaça com punições que vão da suspensão dos
vestibulares até o descredenciamento da instituição. Ainda como política de governo, podemos destacar: a
abertura de novas unidades de extensão das universidades federais, concursos públicos para professores, e o
anuncio de mais verbas para a pesquisa científica e para as bolsas do CNPq.
As ações do governo na área de educação demonstram uma ligeira melhora no quadro. A ampliação
para 9 anos do ensino fundamental, mais como uma questão social (quanto mais cedo na escola melhor); a
distribuição de livros didáticos e merenda escolar para o nível médio, o Pró-Uni que, baseado no ENEM como
fonte de classificação, distribui bolsas (50 e 100%) que o programa destina a pessoas de baixa renda e que
foram estudantes de escolas públicas (subsidiando desta forma as entidades particulares de ensino superior).
Com relação a questão racial, embora se verifiquem avanços, ainda convivemos com a escravidão
por dívidas em algumas propriedades de fazendeiros extremamente atrasados, inclusive políticos como, por
exemplo, o deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Inocêncio de Oliveira (DEM), que tem dois
processos judiciais parados por seu privilégio de imunidade (impunidade) parlamentar, e outro caso no
mínimo curioso é o do prefeito eleito em 2004, na cidade mineira de Unaí, que estava preso quando venceu a
eleição, acusado do uso de trabalho escravo e assassinato de três fiscais e um motorista do Ministério do
Trabalho.
A culpa dos problemas sociais brasileiros é naturalmente atribuída ao governo. Porém esta atitude, a
partir do governo FHC, tem gerado uma forma de manifestação que ficou conhecida como “as marchas sobre
Brasília”. Durante o governo Lula essas manifestações tem se repetido, como foram as marchas promovidas
pelo MST (2007: 5º Congresso), os menores de rua, os funcionários públicos, as margaridas (mulheres que
representam a agricultura familiar), além de outras.
Com relação a estes movimentos sociais, a classe média alta e a elite brasileira produziram, em 2007
um movimento, equivocado e preconceituoso, o Cansei. Baseados na pesquisa que virou livro, A Cabeça do
Brasileiro, de Alberto Carlos Almeida, e que tenta demonstrar a seguinte tese: a classe dominante é vítima da
classe dominada. Dentre as conclusões a que o autor chega, encontramos as seguintes conclusões: os
analfabetos são mais propensos à corrupção do que quem tem curso básico, médio ou superior; o cidadão
branco é mais inteligente, honesto e educado do que o negro e o pardo; O negro é mais malandro, o pardo
menos preguiçoso, porém, com tendência acentuada para o crime. Como se não houvesse nenhuma questão
econômica e histórica por traz desses fatos.
Os membros do movimento se dizem contrários à corrupção, o apagão aéreo, os escândalos no
legislativo e no judiciário, além, é claro, da violência urbana, e que estão exercendo seu direito de protestar.
Porém o movimento não deixa de se envolver com declarações no mínimo polêmicas, como a do presidente
da Philips, Paulo Zottolo, de que “não se pode achar que o País é um Piauí, ou “se o Piauí deixar de existir
ninguém vai ficar chateado”. Infelizmente, como diz o cantor e compositor Max Gonzaga, “fazemos passeata
por causa de um acidente de avião ou porque um conhecido morreu de bala perdida. Mas ninguém faz
passeata quando tem um chacina em Parelheiros ou quando o idoso morre na fila do hospital público. É um
contra-senso”.
6.4 Relações Internacionais
Com relação à política externa, podemos destacar as viagens diplomáticas realizadas na África, no
Oriente Médio, nas reuniões de Davos-Suíça (Fórum Econômico Mundial), na Assembléia Geral da ONU, nas
reuniões de Cúpulas e da OMC. Além disso, estas viagens tem ampliado os mercados para nossos alimentos
(aumento de 20% no consumo de carne brasileira na UE), matéria-prima, álcool combustível, petróleo,
energia atômica (urânio enriquecido) e o setor aeroespacial com a China e a Ucrânia. Com a Rússia, nosso
maior comprador de carnes, um destaque importantíssimo nas relações externas, foi o lançamento do primeiro
astronauta brasileiro em 2006. Com a Ucrânia e a China o acordo aeroespacial é para lançamento de satélites
na base de Alcântara, no Maranhão. A ampliação dos mercados externos busca uma realidade diferente, pois
estamos intensificando as parceria com a África, a Ásia, a União Européia, a Argentina, a China e a Rússia e
diminuímos, embora pouco, a dependência estadunidense.
Há de se destacar o “sucesso” da diplomacia brasileira em ampliar mercados de bens primários,
produtos que possuem pouco valor agregado, o que demonstra a manutenção de nossa vocação histórica:
produzir riqueza e transferi-la para países de centro, enquanto, por exemplo, os países emergentes asiáticos
desenvolvem tecnologia, como, por exemplo, a Coréia do Norte.
No campo das relações entre o Brasil e a América Latina, o governo Lula ampliou as relações
comerciais com os países da América do sul e sempre foi um grande incentivador de uma maior parceria na
região que, no início do século XXI, é tomada por uma corrente nacionalista e vê surgir à possibilidade de
governos que estejam mais interessados em uma maior integração da região do que em manter a fidelidade
cega ao parceiro tradicional, os EUA.
Esta relação estável e de maior parceria encontra sérios problemas. O presidente Evo Morales, da
Bolívia, com a nacionalização do petróleo e do gás natural, atingiu diretamente os interesses de nossa estatal
do petróleo, a Petrobrás. Nossa empresa detinha o monopólio do refino de 100% do petróleo e 75% do gás
natural. O acordo fechado entre os governos brasileiro e boliviano aumenta o pagamento feito pelo Brasil na
compra do gás e a venda de duas refinarias que serão vendidas abaixo do custo pela Petrobrás.
Segundo Lula, o Brasil é o grande país da região e por isso deve abrir mão de privilégios e assumir
em alguns momentos até mesmo negócios desfavoráveis para tentar promover esta maior integração. O Brasil
precisa do gás boliviano e para isso construiu inclusive um gasoduto ligando estes dois países, o que é bom
negócio para ambos.
No fim de outubro de 2007, uma crise de abastecimento de gás ameaçou o fornecimento do produto
gerando apreensão nas termelétricas, indústrias e nos portadores de veículos movidos a GNV. Durante este
momento tenso, o governo brasileiro e a Petrobras anunciam um acordo de novos investimentos na Bolívia e a
descoberta de uma jazida de petróleo que vai transformar o Brasil em um grande país exportador, o que fez
com que nosso governo já inicie uma tomada de providências para o ingresso do país na OPEP (Organização
dos Países Produtores e Exportadores de Petrtóleo).
Com relação ao Mercosul, vários problemas estão sendo enfrentados pelo governo brasileiro e dentre
elas podemos citar: a concessão de políticas de salvaguardas em relação a indústria de eletro-domésticos
argentina; a acusação do Uruguai e do Paraguai da falta de auxílio dos grandes do bloco (Argentina e Brasil)
para o aumento do intercâmbio, tendo o presidente brasileiro viajado a estes países assinando acordo bilaterais
extremamente vantajosos para os dois países; a briga nas fronteira entre o Uruguai e o Paraguai; a ameaça de
um acordo bilateral entre Uruguai e os EUA e o Paraguai e os EUA; o acordo militar entre Paraguai e EUA
para a construção de uma base militar estadunidense no maior aqüífero do planeta, o Guarany, além da
ameaça do Uruguai de deixar o bloco. Por isso a entrada definitiva da Venezuela no Mercosul gerou a
expectativa de auxiliar nesses desafios que o bloco possui no momento.
A Venezuela no Mercosul tem trazido mais problemas do que soluções. Em primeiro lugar, a
instabilidade jurídica de seu país atenta contra a democracia, em seguida a vontade de Hugo Chaves de
assumir a liderança do bloco é visível e por último, o episódio da suspensão da concessão da Rede Televisão
Caracas trouxe a reação do Congresso Nacional Brasileiro que tem retardado a confirmação da entrada
definitiva da Venezuela no bloco econômico, tem trazido severas críticas do presidente venezuelano.
A Cúpula dos Países Árabes e Latino-Americanos (2004), realizada em Brasília, aumenta a
intensidade dos negócios entre essas regiões o que difere da Cúpula das Américas (2005), realizada em
Montevidéu, que não produziu avanços com relação a ALCA, ou a outra forma de maior unidade do
continente. A crítica ao governo Bush, incentivada por Hugo Chaves e Maradona, foram a tônica do encontro.
A visita, em seguida, do presidente George W. Bush ao Brasil produziu uma promessa na melhoria das
relações bilaterais, embora os EUA afirmem que não podem rever sua política de subsídios agrícolas sem que
a União Européia faça o mesmo e se declarou simpático à reforma do Conselho de Segurança da ONU.
A posição brasileira com relação à ALCA se identifica com a dos demais países latino-americanos
que desejam implantar a área de livre comércio gradativamente a partir de 2005, ao contrário do que
pretendem os EUA, a implantação imediata a partir do mesmo ano, além do grande empecilho ao verdadeiro
livre mercado expresso na contradição dos países ricos (que ainda são mercantilistas). Porém há críticas de
economistas quanto à resistência que o Brasil tenta impor a ALCA, eles acreditam que assim os EUA minam
nossas posições ao fomentar acordos bilaterais nocivos aos interesses nacionais.
Outro problema diplomático com os EUA foi a denuncia feita por eles, que o Brasil estaria se
preparando para construir a bomba atômica. Esta denuncia encobre o verdadeiro interesse norte-americano em
copiar o nosso projeto de enriquecimento de urânio ao defender a inspeção de toda as etapas do processo de
enriquecimento, pois o nosso processo é mais rápido e econômico.
Além desses problemas, os estadunidenses têm no comércio com os mercados latino-americanos a
presença cada vez maior dos chineses e seus acordos bilaterais com os países da região, principalmente na
América do Sul, o que é preocupante para os interesses dos EUA.
Para tentar influenciar de forma mais decisiva o Brasil tem utilizado a estratégia de formação de
Blocos de países com o mesmo interesse no comércio internacional. A criação do G3 com a África do Sul e a
Índia (grupo dos emergentes) e do G21 (grupo dos países em desenvolvimento) tem como finalidade ampliar
as parcerias internacionais e proceder as negociações internacionais com os países ricos.
Na reunião da OMC, em Cancum, no México (2003) e em Hong Kong (2005), nosso país, na
liderança dos blocos já citados, fez questão de deixar explicita a contradição dos países ricos que pregam um
mercado mundial globalizado, porém, não abrem mão de políticas protecionistas e do intervencionismo estatal
sob forma de subsídios à agricultura e à pecuária. E foi justamente esse impasse que suspendeu a rodada de
negociações da OMC do ano de 2007.
Com relação à ONU, o presidente Lula propôs a criação do Fome Zero internacional, que seria
mantido por intermédio de um imposto cobrado das indústrias bélicas, e o perdão de dívidas externas de
países pobres. Porém, a maior questão levantada pela política externa do governo Lula, é a pregação da
necessidade de se fazer uma reforma no Conselho de Segurança com a criação de cinco novas vagas
permanentes, que seriam ocupadas pelo Brasil, Índia, África do Sul, Alemanha e Japão.
Dentre as medidas tomadas pelo governo brasileiro para viabilizar esse fim, temos: o
reconhecimento da China como economia de mercado, impedindo assim que o país adote unilateralmente
políticas de salvaguardas para a proteção do mercado interno (em 2006 um tratado assinado com a China
concede ao Brasil o direito de utilizar políticas de salvaguardas em relação a produtos têxteis chineses); o
lançamento de candidaturas, que foram derrotadas, para a direção de órgãos internacionais como o FMI e a
OMC; o envio de tropas e o comando da missão da ONU no Haiti.
A visita do presidente dos EUA, George Bush, ao Brasil em março de 2007, foi um importante
momento do Brasil nas relações internacionais. O tema principal foi o etanol, o biocombustível alternativo
que começa a despertar o interesse de todo o planeta. Em sua visita Bush não ira anunciar a diminuição dos
impostos cobrados pela superpotência de nosso álcool combustível, mesmo porque nós teríamos estrutura
suficiente para suprir a demanda que seria gerada pelo produto.
Foram firmados acordos de cooperação técnico-científico entre os dois países e a predisposição dos
estadunidenses em negociar condições favoráveis, a longo prazo, para a importação mais intensa de nosso
produto. Fica claro também a opção por diminuir a dependência em relação ao petróleo, não por questão
ambiental como elemento principal, e sim para se livrar de áreas de instabilidade política como o Oriente
Médio e a Venezuela.
Com relação aos problemas que possam ser gerados por esta nova fonte energética, o governante
cubano Fidel Castro alertou para a ameaça da falta de alimentos e seu consequente encarecimento devido a
substituição das áreas plantadas pela cana-de-açúcar. Além deste motivo, outro questão importante é o rítimo
de crescimento dos países emergentes, o que aumenta o consumo e que, juntamente com o primeiro problema
citado, já estão produzindo o aumento das commodites de alimentos nas bolsas do mundo inteiro.
Os encontros de cúpula hoje, devido principalmente a inoperância e o domínio dos países de centro
nas decisões da ONU, que deveria ser um órgão político de grande influência nas questões internacionais, vê
seu lugar sendo tomado pelos Encontros de Cúpulas que são mais decisivos nas questões políticas e
econômicas mundiais. No Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, na Suíça, em 2007, foi unânime a
intenção de retornar as rodadas de Doha, para a continuidade das negociações em torno das quebras de
barreiras e políticas de subsídios praticadas, principalmente pelos ricos. Já na reunião do G8, também foi
cobrado dos países membros da OMC a volta das rodadas de negociação. Este foi um clamor feito nos
discursos do presidente Lula em tosos os dois encontros.
Em setembro de 2007, o mundo foi abalado com as quebras de instituições financeiras
estadunidenses ligadas ao setor imobiliário. Após a onda de quedas das bolsas desencadeada pela bolsa de
Xangai, na China, no final de fevereiro, agora é a vez dos EUA. O crescimento das taxas de inadimplência
chegou a 15% no segmento de clientes considerados de risco (subprime), porém o mercado conseguiu impedir
a falência do sistema.
Um tema que inspira preocupação internacional é o aquecimento global e, nesse quesito, o Brasil tem
uma triste marca que é estar entre os maiores emissores de gases estufa do planeta. No caso brasileiro, a
emissão se dá mais pelo desforestamento com a diminuição das áreas de retenção de carbono e com as
queimadas, a putrefação da matéria orgânica e a substituição das áreas por pastagens. Nos últimos três anos o
ritmo de queda no desmatamento da Amazônia foi sempre decrescente. Em 2004 foram desmatados 27.000
hectares, em 2005 foram 18.000 hectares e em 2006 foram 14.000 hectares. Os estados de maior índice de
desmatamento são Rondônia, Mato Grosso e Pará. E, com relação à importância desta questão, a CNBB
escolheu-a como tema para a Campanha da Fraternidade de 2007 a Preservação Ambiental.
Já no início de 2008, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que recorrerá à
Organização Mundial do Comércio (OMC) no caso dos medicamentos genéricos fabricados na Índia e
importados pelo Brasil. Os remédios foram apreendidos recentemente por autoridades dos Países Baixos
quando estavam em trânsito.
A Holanda reteve uma carga do medicamento Losartan, genérico para hipertensão fabricado na Índia
e destinado ao Brasil, a pedido da Merck Du Pont, detentora da patente. O país alegou que o produto é
protegido por patente na Holanda até novembro e a carga deveria ser considerada pirata. Para o Itamaraty, o
episódio inédito foi marcado pelo uso "distorcido" do sistema de propriedade intelectual internacional
Outro fato polêmico foi o acordo entre o Brasil e o estado do Vaticano, que estabelece uma relação
jurídica com a Igreja Católica no país, foi aprovado nesta quarta-feira pelo Senado.O acordo diz, por exemplo
que "nenhum edifício, dependência ou objeto ao culto católico pode ser demolido, salvo por necessidade ou
utilidade pública". O texto diz que "o ensino religioso católico e de outras confissões religiosas, de matrícula
facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas, sem qualquer discriminação".
Segundo os críticos o Estado está oferecendo a uma igreja um privilégio sobre as outras.
Em outubro de 2009 o Brasil foi escolhido pela Assembléia geral da ONU como membro provisório
do Conselho de Segurança cargo que ocupa pela décima vez, sendo, juntamente com o Japão, os países que
mais ocuparam esse espaço. O mandato brasileiro vai ser no biênio 2010/ 2011 e as prioridades do país em
sua atuação no conselho, segundo nota do Itamaraty, incluem a estabilidade no Haiti, a situação na Guiné-
Bissau, a paz no Oriente Médio, os esforços em favor do desarmamento, a promoção do respeito ao Direito
Internacional Humanitário, a evolução das operações de manutenção da paz e a promoção de um enfoque que
articule a defesa da segurança com a promoção do desenvolvimento socioeconômico.
I. GLOBALIZAÇÃO.
01. Estamos presenciando o início do terceiro ciclo do processo de globalização. O primeiro
ciclo se iniciou com as descobertas de Vasco da Gama e Colombo, abrindo um período de
expansão mercantilista da Europa. O segundo ciclo correspondeu ao desenvolvimento da
Revolução Industrial que conduziria ao desigual intercâmbio entre produtos manufaturados da
Europa e produtos primários dos demais países. O terceiro e atual ciclo, corresponde à revolução
tecnológica de meados do século XX e está conduzindo ao assimétrico relacionamento entre
países de alta e baixa competitividades.
Com auxílio das informações do texto e ao processo histórico de internacionalização de
economia, julgue os itens.
1. A expansão marítimo-comercial dos séculos XV e XVI liderada pelos países ibéricos, abriu
novas perspectivas à exploração econômica européia, quer ativando áreas de contato no Oriente,
quer incorporando a América ao contexto industrial.
2. A Revolução Industrial, iniciada pela Inglaterra na segunda metade do século XVIII,
consolidou o capitalismo como sistema dominante, impulsionando sua universalização.
3. Um ponto em comum entre os três ciclos do processo de internacionalização da economia
é a tendência da superação das desigualdades entre área centrais e periféricas.
4. No estágio atual de uma economia altamente globalizada, as precárias condições de
competitividade apresentadas por países subdesenvolvidos, são amenizadas pelo fim do
protecionismo por parte dos países tecnologicamente mais avançados.
5. No mundo globalizado, em virtude da liberdade do comércio, não há centros de influência
mundial como havia no mundo bipolar.
02. No final do século XX, a economia capitalista mundializada produziu uma segmentação
geoeconômica atestada na formação de blocos supranacionais. O quadro atual é resultado de
vários desdobramentos que também englobam questões sociais e culturais. Nesse contexto, julgue
as alternativas.
1. A globalização de fluxos comerciais e do movimento de capitais tem na constituição dos
blocos econômicos supra-nacionais uma de suas características.
2. A força do capital encontra-se no monopólio do conhecimento e da informação; assim,
ciência e tecnologia tornaram-se fatores produtivos importantes no processo de globalização.
3. A inexistência ou a existência parcial e seletiva da modernização tecnológica nos países
menos desenvolvidos os impede de participar no fluxo do comércio mundial e os mantém na
qualidade de subdesenvolvidos.
4. A economia globalizada da atualidade pressupõe mercados abertos à livre circulação de
produtos e de capitais, o que inviabiliza, em tese, a existência de monopólios e de protecionismo.
5. Entre os efeitos positivos trazidos pela globalização está a sensível redução das
desigualdades entre os países. Isso se explica pela simetria existente no mercado mundial, no qual
todos podem comprar e vender em condições bastante semelhantes.
6. A globalização é um fenômeno que traz somente conseqüências econômicas, quase
sempre funestas, aos países mais pobres.
7. O comércio exterior, cada vez mais importante para a economia de qualquer país, é
marcado por acirrada competição e a formação de blocos é uma tentativa de inserir-se nesse
mercado mundial em condições mais vantajosas.
03. O trecho abaixo, da musica "Geração Coca-Cola" de Renato Russo, evoca uma das
principais características do mundo moderno: o consumismo.
Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês nos empurraram
Com os enlatados dos USA, de 9 às 6
Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial industrial
Mas agora chegou nossa vez
Vamos cuspir o lixo em cima de vocês.
Somos filhos da revolução
Somos Burgueses sem religião
Nós somos o futuro da nação
Geração Coca-cola.
Com base nos conhecimentos sobre o assunto, julgue as assertivas abaixo.
1. A presença, num mesmo espaço geográfico regional, do consumidor e do produtor do bem
de consumo é necessária, porque os circuitos espaciais de produção são demarcados pelas
fronteiras regionais.
2. A globalização da economia fez surgir uma nova geografia do consumo: países e regiões
com níveis de desenvolvimento econômico distintos consomem produtos e serviços semelhantes.
3. O modelo de consumo "mundializado" deixa marcas evidentes no espaço das metrópoles,
onde proliferam estabelecimentos comerciais de grande porte, como shopping centers,
hipermercados, etc.
4. O consumismo se caracteriza como um comportamento social em que o consumo deixa de
ser meio e adquire status de finalidade.
5. A globalização pode levar à homogeneização cultural, privilegiando o modo de vida de uma
dada sociedade, em detrimento de outras identidades culturais.
04. Em relação às alterações da economia, na atualidade, julgue os itens seguintes.
1. A globalização é um fenômeno recente, típico das duas últimas décadas, que contradiz o
processo de industrialização consolidado ao longo do século passado.
2. O desenvolvimento tecnológico ampara e estimula a rápida circulação de produtos,
serviços e capitais, aprofundando o processo de internacionalização da economia.
3. A tendência à formação de blocos regionais autônomos e com características
heterogêneas tem caracterizado este momento, por ser uma maneira de inserção mais vantajosa
na economia mundial que é fortemente competitiva,
4. Ao contrário da experiência soviética a China integra-se ao mercado mundial pela via de
abertura política e da ação estatal no controle da economia.
05. Globalização e regionalização são processos em curso no mundo. Se por um lado, a
globalização de mercados avança sobre fronteiras entre países, por outro, a regionalização cria
barreiras com o objetivo de proteger e fortalecer as grandes zonas internacionais estabelecidas,
pesando na formação destes blocos questões que fogem a própria ordem econômica. Sobre o
assunto, julgue os itens seguintes.
1. Um fato resultante da globalização é a ocorrência da produção e do consumo em um
mesmo lugar.
2. O bloco econômico mais bem sucedido do planeta, a União Européia, comemorou os 50
anos da assinatura do tratado de Roma (2007), recebendo também a adesão da Bulgária e da
Romênia. Porém a esperada liberação do bloco para a entrada da Turquia não ocorreu e dentre os
motivos desta negativa encontra-se: o preconceito em relação ao islamismo e o abismo cultural
entre os turcos o os europeus ocidentais.
3. A União Européia, embora seja o bloco econômico mais antigo do planeta, enfrenta
problemas de grandes proporções, como, por exemplo, a negativa da Suécia, Dinamarca e
Inglaterra de utilizarem em suas economias o euro.
4. Outra prova da complexidade para a criação de um bloco se verifica no fato do Parlamento
Comum Europeu ainda não ter conseguido se quer produzir um esboço de Constituição Comum.
5. A instalação da economia globalizada contribui para a recuperação da estabilidade
econômica dos países denominados emergentes, como, por exemplo, os países do MERCOSUL,
pois proporciona a abertura de suas economias à competitividade internacional.
6. As empresas multinacionais representam os pólos da economia globalizada e expandem-
se geograficamente com o objetivo de promover tanto o desenvolvimento tecnológico e
informacional quanto a estabilidade financeira e fiscal dos países em desenvolvimento.
7. Com a globalização da economia, observa-se, no cenário geopolítico, uma nova
hierarquização dos países, com o surgimento dos chamados emergentes, por exemplo.
06. Leia o texto.
―Está em curso um novo surto de universalização do capitalismo, como modo de produção
e processo civilizatório. O desenvolvimento do modo capitalista de produção, em forma extensiva e
intensiva, adquire outro impulso, com base em outras tecnologias, criação de novos produtos,
recriação da divisão internacional do trabalho e mundialização dos mercados. As forças produtivas
básicas, compreendendo o capital, a tecnologia, a força de trabalho e sua divisão internacional,
ultrapassaram fronteiras geográficas, históricas e culturais, multiplicando assim suas formas de
articulação e contradição. Esse é um processo também civilizatório, já que desafia, rompe,
subordina, mutila, destrói ou recria outras formas sociais de vida e trabalho, compreendendo
modos de ser, pensar, agir, sentir e imaginar.‖
Octávio Ianni – Globalização e Nova Ordem Mundial.
A partir do texto relativo à configuração econômica mundial contemporânea, identifique os
itens corretos e errados.
1. Deduz-se do texto que a revolução tecnológica dos dias atuais, mais claramente visível a
partir dos anos 70 do século XX, desempenha papel central no atual estágio global da economia.
2. Diferente do ocorrido sobretudo com a África, a partir das últimas décadas do século XIX, a
fase presente de universalização do sistema capitalista – diz o texto – ―desafia, rompe, subordina,
mutila, destrói ou recria outras formas sociais de vida e trabalho‖, o que é inédito.
3. Pode-se dizer que a formação de blocos regionais, como se vê na atualidade e cujo melhor
exemplo seria a União Européia, atesta o que o texto chama de ultrapassagem das ―fronteiras
geográficas, históricas e culturais‖, impulsionadas pelas novas ―forças produtivas básicas‖.
4. Uma das características da economia globalizada é a redistribuição de empresas,
corporações e conglomerados pelo mundo; assim, em lugar da concentração industrial, surgem
novos pólos industriais e financeiros, o que permite a emergência de milagres econômicos em
áreas de escassa tradição industrial, como os chamados Tigres Asiáticos.
5. Enquanto a moderna tecnologia da informação permite e estimula a rápida circulação dos
capitais pelos mercados financeiros mundiais, o livre trânsito de trabalhadores torna-se um
problema cada vez maior, o que contribui para o agravamento de tensões sociais, especialmente
em função do desemprego.
07. A emergência dos Estados Unidos da América (EUA) como núcleo de um mundo unipolar
reforçou a atenção dada às implicações da recentralização do poder global — não simplesmente
em relação às escolhas estratégicas dos EUA, mas, mais amplamente, quanto à possibilidade de
gerar ordem mediante hierarquia, hegemonia ou até mesmo império. Mas a caracterização dos
EUA como poder imperial sempre foi difícil e contestada.
Andrew Hurrell - Revista Brasileira de Política Internacional.
Tomando o texto como referência inicial, julgue os itens que se seguem, que exploram
aspectos conceituais das relações internacionais e vinculam o tema das organizações mundiais
com a balança de poder global contemporânea.
1. A política exterior é instrumento relevante para Estados e governos e afeta o destino de
seus povos, pois mantém a paz ou faz a guerra, administra conflitos e cooperações, estabelece
resultados de crescimento e desenvolvimento ou de atraso e dependência.
2. A Organização das Nações Unidas (ONU) tem exercido, ao longo dos mais de sessenta
anos de sua existência, sua missão de autoridade política, mesmo em ambiente internacional
complexo.
3. O sistema funcional da ONU, quando comparado ao da Liga das Nações, pelo caráter
arrojado e vanguardista, capacitou as Nações Unidas para dirimir querelas nas relações
internacionais a partir da segunda metade do século XX.
4. A Organização Mundial do Comércio (OMC) é inovação sem precedentes na história das
organizações econômicas internacionais, pois, inexistem tentativas de esforços semelhantes.
5. Blocos econômicos como a União Européia e o MERCOSUL se distinguem do NAFTA pelo
fato de que os primeiros estão ancorados em instituições econômicas internacionais que lhes
conferem maior legitimidade que este último.
6. O MERCOSUL, embora tenha alcançado avanços substantivos de ganhos relativos, ainda
padece de problemas estruturais especialmente vinculados à assimetria econômica dos sócios.
7. A balança de poder contemporânea, pouco favorável a processos de integração
econômica, vem privilegiando temas voltados para a bilateralidade enquadrando a dimensão social
das relações internacionais .
08. A recente mudança dos hábitos alimentares dos chineses provocou uma guinada nos
preços do leite e de produtos lácteos na União Européia. Porém essa novidade, uma boa notícia
para os pecuaristas europeus, já inquieta os consumidores. Impulsionada pelo vigoroso
crescimento econômico, a China vê explodir a demanda do consumo de proteínas e de leite,
artigos raros nas mesas chinesas até os anos 90. O apetite voraz por esse tipo de alimento na
China foi responsável pelo crescimento de 13,46% no consumo do produto no ano passado — e
nenhum mercado no mundo tem um dinamismo tão grande e tanta influência nas exportações da
União Européia, o maior produtor mundial de leite.
Folha de S.Paulo, 12/8/2007.
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando as diversas implicações do
tema que ele focaliza, julgue os itens que se seguem.
1. Na atualidade, a China é considerada uma das mais fortes e dinâmicas economias do
mundo, com índices anuais de crescimento muito expressivos.
2. Citada no texto, a União Européia é considerada o exemplo mais avançado de bloco
econômico no mundo contemporâneo, fruto de longo e complexo processo de constituição
histórica.
3. Especialistas são unânimes em afirmar que o êxito da União Européia decorre de seu
caráter exclusivamente econômico, sem pretensões de promover a integração político-cultural de
seus membros.
4. Segundo o texto, a atual explosão do consumo de proteínas e de leite na China recupera
antigos e tradicionais hábitos alimentares de sua população, os quais, por circunstâncias diversas,
foram interrompidos nos anos 90.
5. O caso citado no texto confirma uma característica da economia global contemporânea,
qual seja, a interdependência dos mercados.
6. Segundo o texto, produção reduzida e consumo elevado explicam a alta dos preços do
leite e de seus derivados na União Européia.
7. O impacto do crescimento chinês sobre a economia mundial não é maior porque o país
resiste a ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC) e a ampliar suas exportações.
8. Também asiática e quase tão populosa como a China, a Índia apresenta-se hoje como
uma das mais pujantes economias emergentes do planeta.
II. GEOPOLÍTICA
9. ―As atuais ameaças entre EUA, Coréia do Norte e Irã que estão abalando o mundo são o
resultado de décadas de rivalidades e tensões que datam do período da Guerra Fria e que se
agravaram após o 11 de setembro de 2001, quando os EUA deram início à Doutrina Bush, uma
política global de combate ao terrorismo, na qual os norte-coreanos e os iranianos foram
considerados uma ameaça aos interesses estadunidenses.
Mais um capítulo dessa história se deu quando o Conselho de Segurança da Organização
das Nações Unidas (ONU) impôs sanções financeiras e bélicas à Coréia do Norte, para punir
Pyongyang pelo teste nuclear realizado em outubro (2006), apesar dos apelos internacionais para
que não fossem feitos, e o Irã, devido ao seu programa nuclear. Nos dois casos a aprovação foi
por unanimidade, 15 votos a zero.‖
Revista Veja.
Com base no texto acima e nos múltiplos fatores que envolvem as relações internacionais
contemporâneas, julgue os itens.
1. O Conselho de Segurança, citado no texto, refere-se ao principal órgão das Nações Unidas
e é responsável por temas que possam ameaçar a paz mundial. Esse órgão é formado por 15
membros com igual poder de decisão.
2. Entre as sanções impostas pela ONU estão, a inspeção de cargas que entram e saem,
para prevenir o trânsito ilegal de armas nucleares, químicas e biológicas e de materiais
relacionados, além da proibição de comércio de tanques de batalha, veículos blindados de
combate, aviões de combate, helicópteros de ataque, navios de guerra e mísseis.
3. Recentemente, seguindo o exemplo da Coréia do Norte, o governo iraniano rejeitou
qualquer tipo de negociação com a ONU e os países do ocidente e declarou que continuará
plenamente com seu projeto nuclear para fins pacíficos.
4. A Coréia do Norte é uma ditadura socialista rigidamente centralizada, com o poder
concentrado nas mãos de uma só pessoa. Atualmente é um país bastante isolado, com uma
economia agrária e planificada, ainda no estilo soviético. As relações econômicas com o exterior
são mínimas e o país recebe ajuda alimentar da ONU.
5. Os governos citados no texto, foram apontados por Bush, após o 11 de setembro, como
integrantes do Eixo do Mal, acusando-os de possuir armas de destruição em massa.
6. Estes países afirmam ter o direito de testar mísseis e bombas atômicas, pois são países
soberanos que pretendem demonstrar suas posições pacifistas.
7. A Coréia do Sul, que tenta uma aproximação diplomática com os norte-coreanos a fim de
reunificar a península, contrariando os EUA, apoiaram o teste nuclear do irmão do norte, na
tentativa de criar condições mais favoráveis para as negociações.
8. Na reunião do Conselho de Segurança da ONU, China e Rússia, países historicamente
alinhados ao Irã, vetaram qualquer possibilidade de ofensiva militar.
9. O temor causado pelo anúncio do governo de Teerã de que continuará seu programa
nuclear talvez nem existisse se, desde os tempos da Guerra Fria, as potências detentoras de
armas nucleares tivessem chegado a um acordo que permitisse a assinatura de um tratado
coibindo a proliferação desse tipo de armamento.
10. Nos últimos anos, o Brasil vem defendendo sua inclusão no reduzido grupo de membros
permanentes do Conselho de Segurança da ONU, pleito apoiado pelo conjunto da América Latina
e pela maioria dos Estados asiáticos e africanos.
11. Em seu discurso na Assembléia Geral da ONU, aberta pelo Brasil em 2007, o presidente
Armadinejah, do Irã, fez questão de afirmar a autodeterminação dos povos e a necessidade de seu
país, como os ocidentais, de possuir a tecnologia nuclear.
10. ―A estratégia do governo Bush com relação ao programa nuclear do Irã não chegará a
lugar algum. A exigência dos Estados Unidos da América (EUA) de que o Irã abandone para
sempre até mesmo uma capacidade limitada de enriquecimento de urânio foi rejeitada,
categoricamente, por todas as autoridades e grupos políticos iranianos, incluindo os principais
reformistas.
Os EUA e o Ocidente dão ao Irã tratamento radicalmente diferente ao que empregam em
relação à Índia, ao Paquistão e a Israel. É inútil sonhar com a transformação do Irã em uma
democracia ao estilo ocidental e em um solícito simpatizante da estratégia dos EUA no Oriente
Médio. Também parece praticamente impossível que os EUA façam pressão econômica suficiente
sobre o Irã para forçar o atendimento de suas exigências. A opção militar motivaria a retaliação do
Irã, o que agravaria dramaticamente a situação no Iraque e poderia desestabilizar a região inteira.‖
Antol Lieven. O Estado de S. Paulo. 13/04/2006.
Tendo o texto acima como referencia inicial e considerando aspectos relevantes das
relações internacionais contemporâneas, julgue os itens subseqüentes.
1. O texto revela que a compreensão demonstrada por potências ocidentais com alguns
países que decidiram desenvolver seu programa nuclear, chegando até mesmo a possuir bomba
atômica, deixa de existir quando se trata de decisão semelhante adotada pelo governo iraniano.
2. Quando o texto sustenta ser inútil uma pressão econômica norte-americana sobre o Irã,
como forma de demovê-lo da intenção de prosseguir em seu programa nuclear, possivelmente
baseia-se, entre outras razões, na expressiva receita iraniana decorrente dos altos preços do
petróleo no mercado internacional.
3. Em geral, temas de elevado potencial de conflitos, como o que envolve atualmente o Irã,
são levados ao exame do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU),
formado por representantes de vários Estados dos quais cinco são permanentes: EUA, Rússia,
Reino Unido, França e China.
4. Historicamente, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o Irã comportou-se como aliado
preferencial dos EUA na tensa região do Oriente Médio, situação que se abalou com a vitória da
revolução islâmica liderada pelo aiatolá Khomeini.
5. O atual problema suscitado pelo Irã traz ao centro do debate mundial, uma vez mais,
segundo a opinião de muitos analistas e governantes, a injustificável inexistência de um órgão ou
de uma agência técnica, na estrutura da ONU, especializado em energia atômica.
6. Para não ser alvo de desconfiança internacional o Brasil optou por não desenvolver seu
programa nuclear. Essa decisão foi tomada em pleno regime militar, durante o governo Geisel, e
permanece em vigor até os dias de hoje.
7. De maneira geral, a situação do Oriente Médio permanece com elevado grau de tensão, de
que o grave cenário interno do Iraque e o não-equacionado problema palestino são exemplos
exponenciais.
8. A cerco a Cisjordânia, determinado pelo governo israelense, na tentativa de evitar os
ataques do Hamas com seus mísseis a regiões de Israel, aumentou a fome e a falta de
medicamentos, gerando assim mais um problema humanitário que levou a derrubada do muro da
divisa com o Egito.
11. ―O primeiro ministro de Israel, Ariel Sharon, teve sua vida marcada pelas guerras e pela
total oposição ao povo palestino. Pertencente ao LIKUD, partido de extrema direita historicamente
contrário às negociações de paz com os palestinos, sofreu um derrame cerebral em dezembro de
2005 e esta em coma até hoje.
Antes, porém, desocupou a Faixa de Gaza que passou a ser controlada pela Autoridade
Nacional Palestina. Um de seus últimos atos foi a criação de um novo partido o KADIMA, que
venceu as eleições em 2006 elegendo o primeiro ministro Ehud Olmeth, que na atualidade enfrenta
duas frentes de batalha: uma ao sul, na Faixa de Gaza, contra o grupo radical HAMAS e ao norte,
no Líbano, contra o HESBOLLAH‖.
Revista Carta Capital.
Tendo o texto acima como referência e considerando a complexidade da região e do tema
por ele abordado, julgue os itens abaixo.
1. Conforme o texto, Sharon modificou sua postura ao longo da trajetória política, inclusive
devolvendo a Faixa de Gaza aos palestinos, pois esta era a área da Autoridade Palestina em que
menos tinham domínio, retirando, portanto, os colonos judeus.
2. Pouco antes do agravamento de seu estado de saúde, Sharon recebeu total apoio de seu
partido, o LIKUD e do povo israelense no ato da desocupação dos territórios palestinos.
3. A Faixa de Gaza e a Cisjordânia são territórios ocupados por Israel na guerra dos Seis
Dias em 1967 e reivindicados pelo povo palestino para a construção de um Estado. Esses
territórios são administrados pela Autoridade Nacional Palestina criada pelo acordo de Oslo em
1993.
4. A vitória eleitoral do HAMAS para a ANP nas eleições parlamentares de 2005 levou a um
recrudecimento do conflito, pois o grupo palestino não admite sequer a existência do Estado
israelense e defende o uso de práticas terroristas para expulsar os judeus da palestina.
5. O Oriente Médio é uma das mais explosivas regiões do mundo contemporâneo, na qual se
mesclam interesses econômicos, culturais e religiosos.
6. O que deixou o cenário do conflito entre judeus e palestinos mais ameno nos últimos
meses foi a ação diplomática do presidente do Irã, Mahmud Armadinejad, propondo uma
negociação mediada pela ONU para resolver as pendências da região.
7. O acordo de paz definitivo assinado entre o HAMAS e o governo israelense em meados de
2008 é a prova de que somente por meio diplomático se poderá resolver a questão palestina.
8. A guerra travada entre o Estado israelense e as forças armadas do HESBOLLAH em 2007,
no sul do Líbano, teve como estopim o seqüestro de soldados israelense na fronteira entre os dois
países.
9. O Líbano é um Estado marcado pelas divisões étnicas e religiosas. Durante a década de
70 foi palco de uma guerra civil que, além de encobrir os interesses sírios e israelenses, deixou o
país dividido em áreas de influência, como, por exemplo, a região sul controlada pelo grupo
muçulmano HESBOLLAH.
10. Embora ao ataques israelenses ao sul do Líbano ainda ocorram, Israel e o grupo islâmico
HESBOLLAH não deixam de negociar, e prova disso foi o acordo que possibilitou a troca de
prisioneiros e restos mortais de muçulmanos pelos corpos dos dois militares israelenses
seqüestrados no fim de 2007.
12. ―A maioria dos Estados do Oriente Médio surgiram recentemente, sob a influência do
imperialismo, após a queda do Império Turco-Otomano com a primeira guerra mundial. A
fragilidade desses Estados reflete-se nas ameaças provocadas, inclusive, pela divisão da
sociedade. Organicamente, nesses Estados, a base do poder é limitada a um grupo familiar ou
local, segundo princípios dinásticos ou pelo encampamento das responsabilidades civis e militares
por um grupo religioso, regional ou corporativo‖.
Revista Piauí.
Sobre o Oriente Médio e os seus inúmeros conflitos regionais, julgue:
1. Em 1948, a UNU aprovou a criação do Estado judeu em uma Assembléia presidida pelo
brasileiro Osvaldo Aranha.
2. A criação do Estado de Israel é mais um agravante para a estabilidade da região devido a
volta dos judeus em prejuízo dos irmãos muçulmanos.
3. A instabilidade, característica da região na contemporaneidade, tem como uma de suas
causas a divisão entre as lideranças islâmicas, expressa historicamente desde o primeiro cisma
muçulmano (Xiitas e Sunitas) ainda durante a idade média.
4. Embora Israel tenha vencido a guerra dos Seis Dias e afastado temporariamente a ameaça
da Liga Árabe representada pela Síria, Jordânia e Egito, o Estado judeu não conseguiu manter o
domínio sobre os territórios ocupados pelos palestinos perdendo a Faixa de Gaza e a Cisjordânia.
5. Mais uma vez em 1973 Síria e Egito atacam Israel no feriado do Yom Kippur. A derrota
quase que instantânea faz com que os judeus retomassem o controle da Faixa de Gaza, dos
egípcios, e da Cisjordânia, dos jordanianos.
6. A Batalha do Yom Kippur provocou uma reação imediata dos países árabes exportadores
de petróleo na OPEP, por serem o grupo mais influente conseguiram promover a diminuição da
oferta provocando a primeira grande crise do petróleo.
7. Em 1964 os vários grupos guerrilheiros palestinos se organizam e fundam a OLP –
Organização para a Libertação da Palestina – que, embora reconhecesse a legitimidade do Estado
israelense, não abria mão de ações terroristas para expulsão dos judeus da região.
III. AMÉRICA LATINA
13. O cultivo da planta de coca, base para a produção da cocaína, subiu 8% na Bolívia e 7%
no Peru em 2006, tendo diminuído 9% na Colômbia no mesmo ano, concluiu o relatório anual do
Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC). O crescimento do cultivo na
Bolívia tem especial motivo para preocupar o governo brasileiro já que, segundo a embaixada
norte-americana e a polícia boliviana, de 85% a 90% de toda a cocaína produzida pela Bolívia tem
como destino o Brasil. Apesar da queda do cultivo da planta na Colômbia, o país continua a ser o
maior cultivador de coca e produtor global de cocaína, respondendo por 62% da droga encontrada
no mundo. A erradicação da coca na Colômbia é altamente financiada pelos Estados Unidos da
América (EUA), que, pelo Plano Colômbia, destinam ao país US$ 700 milhões anuais, a maior
parte em ajuda militar para combater a guerrilha e o narcotráfico.
Folha de S.Paulo, 16/6/2007.
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a amplitude do tema por ele
focalizado, além de aspectos do atual cenário latino-americano, julgue os itens seguintes.
1. O narcotráfico desempenha importante papel na existência do conhecido quadro de
violência presente em grandes cidades brasileiras.
2. O denominado crime organizado global atua em várias frentes e tem no tráfico de drogas
ilícitas uma de suas maiores fontes de renda.
3. A contínua redução de demanda pelas drogas ilícitas nos EUA explica a crescente
dificuldade encontrada pelo narcotráfico para continuar atuando naquele país.
4. Considerando os países citados no texto, é correto inferir que a América do Sul concentra
parte considerável da produção mundial de determinado tipo de droga ilícita.
5. O Brasil funciona como rota de passagem de droga a ser distribuída internacionalmente.
6. A Colômbia vive hoje em paz, graças ao programa de urbanização das favelas, muito
parecido com as propostas contidas no PAC do governo brasileiro.
7. Além do narcotráfico, o crime organizado global também atua fortemente no contrabando
de armas.
8. O narcotráfico é, na atualidade, uma das faces mais visíveis do crime organizado que atua
em escala global e alimenta o crime organizado brasileiro dando muito lucro as milícias, que são
compostas principalmente por policiais e ex-policiais.
9. O narcotráfico desempenha importante papel na verdadeira guerra civil que envolve a
Colômbia há décadas, sendo o único problema estrutural daquele país.
10. Deduz-se do texto que as autoridades policiais norte-americanas atuam em todo o
continente, inclusive desrespeitando a autonomia das polícias locais, constantemente envolvidas
em escândalos de corrupção e ligação com o tráfico para, assim, enfrentar a rede de
narcotraficantes latino-americanos.
14. ―Quando meu foco preferido era a América Latina, há 20 anos, pouco mais, pouco menos,
vender aos editores material sobre a Bolívia dependia do número de mortos. Menos de dez, saía
no rodapé. Nos últimos dias, ninguém morreu, ninguém matou, mas a Bolívia é manchete de todos
os jornais brasileiros de primeira linha e ocupa vastíssimo tempo na TV, nas rádios e nos ―online‖.
Fora à quantidade de páginas internas - de fazer inveja a morte do papa.
Para o Brasil, a esquina de sua casa é a América Latina, gostemos ou não. Se o Brasil
quer - e é lógico que queira, pelo tamanho da economia, do território e da população - um papel de
liderança na região, ou começa a entendê-la, ou será eternamente surpreendido pela sua esquina.‖
Clovis Rossi. O vizinho desconhecido. In: Folha de São Paulo, 6/5/2006.
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando o atual cenário latino-
americano, julgue os itens que se seguem.
1. A atual política brasileira segue as linhas mestras da ação diplomática do governo anterior
ao privilegiar o relacionamento com os países mais ricos e ao deixar de lado seus vizinhos do
continente.
2. Infere-se no texto que, de maneira geral, os brasileiros demonstram pouco interesse no
conhecimento de seus vizinhos latino-americanos, algo que, na opinião do autor, não é bom para o
país.
3. O fato de a Bolívia ter sido alçada às manchetes dos meios de comunicação brasileiros, na
atualidade, deve-se à decisão de seu governo em nacionalizar suas riquezas naturais, por
intermédio da Lei dos Hidrocarbonetos, e, com isso, atingir os interesses da PETROBRÁS.
4. O atual governo boliviano, chefiado por Evo Morales, ex-presidente do sindicato dos
cacaleiros e líder carismático de forte apelo popular, mostra-se receptivo aos investimentos
estrangeiros no país, desde que monitorados pelas autoridades locais.
5. Apesar de possuir riquezas minerais de grande valor no mercado mundial, a Bolívia,
historicamente, não conseguiu que os frutos da exploração dessas riquezas fossem partilhados
pelo conjunto da população, a qual, majoritariamente, padece de precárias condições de vida.
6. A Bolívia dispõe de grandes reservas de gás natural, produto que muito interessa ao Brasil,
e que é uma das principais razões para que uma das maiores empresas brasileiras atue em
território boliviano.
7. A decisão do governo boliviano de determinar a ocupação militar de instalações industriais
estrangeiras em seu território, embora tenha gerado duras críticas a Evo Morales, fortalece a
integração energética sul-americana e, indiretamente, acaba por tornar mais forte o próprio
MERCOSUL.
8. A decisão de ampliar os investimentos brasileiros na Bolívia, anunciada pelo presidente
Lula no final de 2007, tem recebido críticas devido ao alto grau de instabilidade, principalmente
após a manifestação da tentativa de secessão dos departamentos mais ricos do país.
9. A atual Constituição da Bolívia, aprovada em uma sessão isolada do parlamento dentro de
um quartel general em Sucre, principal região do país, demonstra a falta de apoio da população
boliviana em relação ao governo.
10. A pressão política feita pela oposição, inclusive com ameaça de secessão, fez com que o
presidente Evo Morales convocasse um referendo no qual seu governo foi apoiado por 65% da
população boliviana.
15. Leia os fragmentos dos texto e julgue.
―A proposta do MERCOSUL de liberar 34% do comércio de bens industriais e 38% do setor
agrícola para a ALCA em dez anos não agradou aos EUA. O representante da Casa Branca,
Robert Zoellick, deixou claro ao governo brasileiro que seu país considera a proposta do
MERCOSUL modesta e espera que o bloco melhore sua oferta até junho de 2003.‖
Estado de São Paulo
―Os governos da América do Sul mostraram ter-se dado conta de que precisam se unir
para tratar de questões que afetam a vida de todos e para fazer o melhor uso possível dos
recursos que compartilham.‖
Luiz Felipe Lampreia, Chanceler brasileiro – Reunião de presidentes da América do Sul (2003).
1. Pelas palavras do dirigente estadunidense, fica claro o interesse dos EUA em estabelecer
normas rígidas que assegurem, na vigência plena da ALCA, proteção especial à agricultura,
impondo restrições à livre comercialização desses produtos.
2. Para seus adversários, a ALCA, daria aos EUA controle absoluto sobre o mercado
americano, dada a evidente supremacia econômica estadunidense sobre os demais países do
continente.
3. Com relação a ALCA, a estratégia de grande parte dos países da América do Sul é
primeiro fortalecer blocos regionais para então formar o bloco continental.
4. A ALCA, deixou de ser implementada a partir do ano de 2005, conforme queria os EUA,
por causa das vitórias dos governos ultra nacionalistas como os da Venezuela, Bolívia e Equador.
5. O MERCOSUL é uma tentativa de alguns países sul-americanos de, pela via associativa,
inserirem-se em melhores condições em uma economia crescentemente globalizada e marcada
pela extrema competitividade dos mercados.
6. O MERCOSUL tem enfrentado problemas de todos os tipos, tais como: entre o Paraguai e
Uruguai; entre Brasil e Argentina; entre os mais pobres e os mais ricos e, ultimamente, entre seus
mais novos membros, Bolívia e Venezuela.
7. Dentre os problemas que o MERCOSUL tem para administrar está a disputa pela liderança
geopolítica da região entre Brasil e Venezuela.
8. As vitórias do Brasil na Organização Mundial do Comércio, tanto na queda de barreiras
alfandegárias quanto nas patentes, mostram o importante papel dessa entidade no gerenciamento
das relações comerciais internacionais.
9. A consolidação dos atuais blocos econômicos regionais não traz como conseqüência a
completa supressão das barreiras aduaneiras, políticas e culturais entre os países membros.
10. Exercendo papel de liderança no âmbito do Mercosul, o Brasil é o grande articulador das
ligações desse organismo com a União européia e o Acorde de Livre Comércio da América do
Norte (NAFTA).
16. ―Além de prosseguir com o cronograma de investimentos na Bolívia, a PETROBRAS
deverá absorver eventuais aumentos de preços do gás, afirmou o presidente Lula. Ele contou ter
reclamado do seu colega boliviano, Evo Morales, pelo fato de o exército ter cercado as refinarias
da PETROBRAS. A queixa foi feita em encontro que teve a participação dos presidentes da
Argentina, Néstor Kirchner, e Venezuela, Hugo Chávez. Lula justificou ainda a posição,
considerada branda, do Brasil em relação à Bolívia: Eles precisam de ajuda, não de arrogância. E
nós também precisamos de respeito e consideração, Então, vamos resolver isso negociando, sem
bravata".
Jornal do Brasil, 6/5/2006.
De acordo com o texto e considerando aspectos relevantes do atual cenário latino-
americano, julgue os itens seguintes:
1. O texto salienta a disposição do governo brasileiro em resolver o impasse com a Bolívia
pela via diplomática, o que foi criticado pela oposição que exigia medidas mais duras do governo
Lula.
2. Enquanto o Brasil necessita do gás boliviano, a Bolívia não precisa do Brasil como
mercado consumidor de seu gás, e como prova disso podemos citar o rompimento temporário do
fornecimento no fim de 2007, o que acarretou a falta do produto para o abastecimento de
automóveis no Rio de Janeiro e em São Paulo.
3. Infere-se do texto que o problema surgido entre o Brasil e a Bolívia desperta a atenção de
outros países da região.
4. Para o presidente Lula, a decisão boliviana não deve gerar reação violenta por parte do
Brasil, pois o interesse de todos é o maior intercâmbio das relações comerciais dentro da América
do Sul.
5. A população brasileira de baixa renda está atenta e preocupada com os desdobramentos
da crise Brasília-La Paz, que pode levar a um aumento do preço do gás de cozinha.
6. Em curto prazo, o Brasil não precisará mais se preocupar com a Bolívia, visto que a
PETROBRAS anunciou recentemente, após a descoberta de uma nova reserva de gás natural em
Santos-SP, que pode antecipar nossa auto-suficiência prevista para 2012.
7. O que ganha destaque na questão boliviana é o fato de o presidente do país vizinho ser
oriundo de camadas sociais historicamente excluídas, indígenas e cocaleiros, e que as medidas de
nacionalização adotadas recentemente o aproximam do presidente cubano Fidel Castro e o
afastam dos Estados Unidos, que passam a ter, além da Venezuela, outro ponto de preocupação
na América do Sul.
17. Em março de 1991, foi assinado o Tratado de Constituição do Mercado Comum do Cone
Sul – Mercosul – pelos Países: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, com o intuito de promover o
desenvolvimento regional. Sobre o assunto, julgue.
1. O estímulo à produção industrial e à oferta de empregos, em vista da ampliação dos
mercados desses países, tem promovido uma certa distribuição de renda.
2. A integração comercial entre os países membros deu origem a um mercado, teoricamente
estimado em 300 milhões de indivíduos, cujo poder de compra se pulveriza de forma homogênea
em toda a sociedade.
3. As reduções gradativas das tarifas aplicadas sobre os produtos importados entre os países
membros, demonstra um dos primeiros passos para a formação de um bloco econômico regional
nos moldes do processo de globalização.
4. A unificação das tarifas de produtos importados dos países não-membros é a única
condição para o relacionamento comercial do bloco com outros países – acordos bilaterais.
5. Embora o desenvolvimento regional seja a meta a ser alcançada, o bloco não possui uma
forte unidade, o que pode ser explicado, entre outros fatores, pelo populismo de líderes
carismáticos que tanto dentro de seus governos como nas relações internacionais não zelam por
um clima de segurança jurídica.
18. Não há dúvida que, nas últimas décadas, o assunto que dominou o debate acerca da
economia mundial foi a globalização. O comportamento do dólar, os fluxos econômicos e a dívida
externa transformaram-se em assuntos sempre presentes em nosso dia-a-dia. Em meio às
incertezas que pairam sobre o mundo, há uma clara estratégia dos países latino-americanos em
afirmar sua adesão irrestrita ao receituário indicado pelas agências econômicas internacionais.
A respeito da vida econômica e social na América Latina, julgue:
1. A economia Argentina está abalada pela ausência de investimentos na área da educação,
pelo crescimento do analfabetismo, a escassez de matérias-primas e a crescente instabilidade
política, o que transformou a Argentina em área de risco para o capital internacional.
2. O Mercosul criou elementos de integração econômica entre o Brasil e a Argentina capazes
de acomodar as especificidades das duas economias evitando, assim, que decisões unilaterais ou
crises globais afetem a unidade do bloco.
3. A venda das grandes estatais no Brasil, a contenção das despesas do Estado e as altas
taxas de juros criaram condições para que se obtivesse um equilíbrio fiscal; no entanto, essas
medidas revelaram-se incapazes de promover a redução da miséria e do desemprego.
4. A globalização impõe um conjunto de medidas que visam o aumento da produtividade
econômica, mas deixam de lado os investimentos na área da educação, uma vez que a formação
tecnológica dos trabalhadores nos países latino-americanos nada tem a ver com a lucratividade de
seus empreendimentos.
5. A globalização é regida por uma inflexível lógica econômica formada pelo binômio lucro e
produtividade. Nesse sentido, é possível perceber uma aproximação entre o atual governo norte-
americano e os regimes nacionalistas exacerbados da América Latina, com a clara finalidade de
abrir novos mercados para os investidores estadunidenses.
6. O último acordo celebrado entre o Brasil e a Argentina elimina o dólar como moeda nas
transações comerciais entre os dois países do bloco, gerando assim um embrião para uma futura
união monetária para o Mercosul.
7. Atualmente a Argentina enfrenta problemas econômicos internos, com a acusação de que
o governo manipula os dados de inflação e pela tentativa de criar impostos (retenções) flutuantes,
que variariam de acordo com o aumento da lucratividade no comércio exterior de commodittes.
19. Dados recentes, publicados pela Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL),
sugerem visão comparada das economias da região. A respeito desse tema, julgue os itens.
1. O Brasil, ainda que acompanhado do México no que se refere ao PIB elevado em relação à
média dos demais países da América Latina, destaca-se como a economia que mais cresce
percentualmente no continente.
2. A Venezuela e a Colômbia apresentam, nos dias atuais, as duas taxas de crescimento
mais expressivas da América do Sul.
3. O Chile, país liberal e primário, exporta produtos industriais com valor agregado muito
elevado, e, por isso, tem uma economia que vem crescendo de forma expressiva há mais de dez
anos.
4. O crescimento econômico de mais de 5% no Brasil, no ano de 2007, foi fato
inquestionável, tanto entre os agentes do governo, quanto entre a oposição e as percepções
empresariais e acadêmicas.
5. A onda de governos nacionalistas exacerbados na América do Sul não se restringe a
Venezuela, a Bolívia e a Colômbia. Este fenômeno se manifestou novamente por intermédio das
eleições de Alan Garcia no Peru e de Rafael Corrêa no Equador.
IV. TECNOLOGIA E FONTES DE ENERGIA;
20. Leia o texto.
―A concepção de trabalho pode ser entendida como uma força exclusivamente humana,
realizada por qualquer individuo, grupo, categoria profissional ou classe social cujo conteúdo e
forma são determinados a partir das necessidades sociais a serem satisfeitas. Dentro desse
contexto, a influência da tecnologia na consecução do trabalho é freqüentemente um catalisador
de soluções, mas também de problemas.
As novas descobertas e a utilização das inovações tecnológica das últimas décadas têm
deixado o mundo do trabalho muito mais interligado, rápido e diversificado e, conseqüentemente,
menos previsível. Essas incertezas, somadas às do mercado, em compasso com as descobertas
nas áreas de tecnologia de informações e robotização industrial, têm como conseqüência inúmeras
mudanças que vêm ocorrendo no desempenho das atividades do dia-a-dia dos trabalhadores nas
organizações.
Ainda nesse mesmo contexto: a denominada economia das nações vem exigindo uma
forte e generalizada qualificação educacional e profissional de todos aqueles que pretendem estar
dentro dos parâmetros hoje exigidos pelo mercado no que se refere a empregabilidade. Em
contrapartida, avanços científicos e tecnológicos buscam incessantemente novos padrões de
especialização das economias e a adoção de novos modelos da organização do trabalho‖.
Silmara Cimbalista. .
Tendo o texto por referência inicial e considerando os múltiplos aspectos que envolvem o
tema nele focalizado, julgue os itens que se seguem.
1. Na economia globalizada do tempo presente, o suporte oferecido pela tecnologia é
essencial para a ampliação da produção, mas irrelevante para a circulação de bens e de capitais.
2. Um caso típico de mudanças hoje verificadas no mundo do trabalho, graças aos avanços
tecnológicos, é o fortalecimento da figura do trabalhador que atua em todas as etapas da
produção.
3. No mundo contemporâneo, os sistemas educacionais buscam se organizar tendo por
objetivo, além da formação da cidadania, levar o aluno a compreender os mecanismos que
norteiam o sistema produtivo de modo a nele se inserir.
4. Os padrões da economia contemporânea demonstram que os avanços tecnológicos quase
sempre levam à ampliação dos postos de trabalho.
5. Pelas características do atual sistema de produção, a tendência é que as funções
desempenhadas pelo trabalhador sejam dinamizadas e alteradas conforme vão surgindo novos
processos produtivos, que são conseqüências da incessante evolução tecnológica.
6. Embora com nível desigual de desenvolvimento entre suas regiões, a economia brasileira
amplia o grau de exigência de formação educacional para os que buscam inserir-se no mercado de
trabalho e, cada vez mais, o mínimo exigido é o ensino médio concluído.
7. As incessantes inovações tecnológicas são, em grande parte, responsáveis pelo
incremento da produção e pela rapidez com que mercadorias e capitais circulam por todo o
planeta.
8. A indústria do turismo tem acompanhado a tendência à abertura dos mercados mundiais e
aproveitado as facilidades de comunicação e de locomoção das pessoas, sua participação na
economia tem aumentado nos últimos anos.
21. No primeiro trimestre de 2006, no Brasil, o aumento do litro do álcool na bomba dos postos
de combustíveis foi motivo de fortes preocupações para todos os proprietários de veículos movidos
a etanol ou bicombustível. Sobre a atual situação brasileira, julgue os itens.
1. A produção alcooleira no Brasil é reconhecida internacionalmente como programa
alternativo de fabricação em larga escala de um combustível limpo.
2. Com o advento do carro flex (2005) - desenvolvimento tecnológico nacional -, aumenta-se
mais ainda a possibilidade de exportação do etanol brasileiro, o que reduzirá o preço internacional
dos combustíveis fósseis.
3. A ausência de subsídios aos produtores de álcool e aos usineiros tem sido apontada como
a principal causa para a insuficiência da produção brasileira para atender o mercado interno e
externo.
4. A oscilação de preço do álcool combustível esta ligada tanto a questão da safra e entre
safra, quanto a questão do próprio mercado externo.
22. ―Como país recentemente mantido numa economia agro-exportadora, posição que nos foi
destinada durante muito tempo na divisão internacional da produção, não possuímos uma cultura
de pesquisa, característica básica de países desenvolvidos, nos quais a educação formal e a
investigação científica e tecnológica se tornaram prioridades de governo e determinaram a posição
que ocupam hoje na economia mundial.‖
Melhem Adas e Sergio Adas – Panorama Geográfico do Brasil.
De acordo com o texto e seus conhecimentos sobre o desenvolvimento tecnológico, julgue
os itens.
1. Conforme o texto, o Brasil ―não possui uma cultura de pesquisa‖ por ser um país
subdesenvolvido.
2. Podemos destacar como conseqüência da revolução tecnológica a biopirataria, pois,
principalmente após a descoberta do código genético, o tráfico de seres vivos (animais, plantas e
aves) passa a ser uma constante em nosso país.
3. Embora os transgênicos sejam considerados ―Organismos Geneticamente Modificados‖
não podemos relacioná-los a tecnologia aplicada ao nosso cotidiano devido à resistência popular
ao seu consumo.
4. A demora na criação do Conselho Nacional de Bioética pelo presidente Lula, reflete a falta
de interesse do atual governo em relação à questão que envolve ética e tecnologia, que segundo o
texto, determina aposição que ocupamos hoje na economia mundial.
5. Entre as conquistas tecnológicas da atualidade, podemos destacar a TV digital que no
Brasil vai utilizar o padrão de imagem japonês, o ISDB, desprezando-se a possibilidade da
produção de uma tecnologia nacional para o setor.
23. Com relação ao potencial hidrelétrico brasileiro, julgue as afirmativas abaixo.
1. O Brasil tem um dos maiores potenciais hidrelétricos do mundo, devido às condições
propícias de grande parte de sua hidrografia, de seu relevo e de seu clima.
2. A região mais úmida do país, onde predomina o clima equatorial, tem condições para a
instalação de usinas hidrelétricas de grande porte.
3. O Nordeste é a região que apresenta condições naturais menos favoráveis à implantação
de grandes usinas, devido à ocorrência do clima semi-árido em extensas áreas.
4. A região mais montanhosa e acidentada do Brasil, que já dispõe do maior potencial
hidrelétrico aproveitado, tem, ainda, possibilidades de receber mais usinas.
5. O Centro-Oeste tem condições climáticas, morfológicas e hidrográficas muito favoráveis,
sendo, portanto, a região que dispõe do maior potencial hidrelétrico do país.
24. Pela Internet, uma pessoa pode, da comodidade de sua residência e a custo baixo, buscar
informações relativas aos mais diversos assuntos, adquirir bens e contratar serviços, movimentar
sua conta bancária, comunicar-se com outras pessoas, etc. Esses benefícios fazem que o número
de usuários da Internet cresça a cada dia.
Acerca do significado da comunicação eletrônica e sua relação com a dinâmica do mundo
de hoje, julgue os itens.
1. Neste novo mundo virtual, pessoas interagem com uma vastíssima quantidade de dados,
por meio de representações textuais e visuais, as quais podem ser consideradas como elementos
da globalização.
2. Indústrias como a automobilística e a petroquímica não mais lideram a economia. Além de
alguns outros setores, a informática está no centro das atividades econômicas dos países
desenvolvidos.
3. A tecnologia não é privilégio de determinados países, podendo ser gerada e utilizada por
todos.
4. A Internet é um elemento propulsor de relações econômicas, de que é exemplo a sua
influência no setor terciário.
5. O atual sistema bancário brasileiro, por demais pulverizado entre várias instituições de
grande, médio e pequeno porte, dificulta a adoção de modernas tecnologias, que ficam restritas às
grandes instituições bancárias.
6. A crescente sofisticação tecnológica está na base do atual estágio da economia mundial,
contribuindo para lhe dar um dinamismo desconhecido em outras épocas da história.
25. ―O retrato traçado pelo mapa da exclusão digital, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas,
é cruel. Dos 180 milhões de brasileiros, apenas 30,6 milhões têm acesso a um computador. Ainda
assim, quem olhar com mais atenção esse retrato observará que crianças e jovens estão
embarcando no mundo digital, o que permite algum otimismo para o futuro. Nos últimos quatro
anos, o número de incluídos aumentou de 10% para 17%. O perfil do incluído digital é bem
definido. Ele estudou mais de 8 anos, é branco ou amarelo, mora em grandes cidades, tem renda
de R$ 1.677 e é servidor público, empregador ou empregado com carteira assinada.‖
Bruno Lopes, Apartheid digital, In: Jornal do Brasil.
Considerando o texto acima e o tema que ele focaliza, com suas ramificações, julgue os
itens seguintes.
1. Um dos grandes símbolos da tecnologia dos dias atuais, a informática, venceu barreiras,
democratizou-se e está presente no mundo inteiro, o que permitiu o desenvolvimento material das
sociedades de maneira razoavelmente simétrica.
2. O desaparelhamento digital das escolas brasileiras talvez seja a melhor explicação para o
fato de os brasileiros em idade escolar (educação básica) praticamente desconhecer o
computador.
3. Pelo perfil dos incluídos digitais apresentado no texto, pode-se relacionar exclusão digital e
exclusão social.
4. Deduz-se que o chamado trabalhador informal brasileiro ainda não está entre os incluídos
digitais.
5. De acordo com o texto, a maioria dos afrodescendentes brasileiros ainda não conseguiu
vencer uma das barreiras à sua plena inserção na cidadania, a exclusão digital.
26. Instalou-se, recentemente, no Brasil e no mundo, intensa polêmica sobre o uso de
sementes transgênicas e, com relação às restrições para o seu uso, julgue os itens.
1. Em termos econômicos, a preferência por produtos transgênicos poderá gerar
dependência econômica em relação a multinacionais que produzem essas sementes.
2. A questão econômica também é um empecilho, pois os transgênicos demandam grande
quantidade de mão-de-obra, o que onera o custo final do produto no mercado internacional.
3. Há um problema ambiental, pois argumenta-se que os Organismos Geneticamente
Modificados podem provocar a contaminação dos ecossistemas e reduzir a biodiversidade.
4. Há circunstâncias de que, ecologicamente, o plantio de transgênicos provoca aumento de
problemas no solo, tais como erosão pronunciada e diminuição do lençol freático.
5. Haverá problemas para as economias nacionais, principalmente porque os países pobres
não possuem o domínio dessa tecnologia.
27. A primeira década do século XXI revela um Brasil que desfruta, do ponto de vista
energético, de recursos privilegiados entre as demais nações do mundo. No tocante ao petróleo, o
país alcançou a auto-suficiência, além de dispor de reservas crescentes e domínio tecnológico da
exploração em águas profundas. A predominância hidrelétrica e a existência de um vasto potencial
de base hidráulica, cujo aproveitamento conta com tecnologia inteiramente dominada no país,
fazem com que o sistema gerador brasileiro seja muito diferenciado frente aos sistemas dos
demais países. O Brasil desenvolveu um programa de produção de álcool combustível, assim
como uma solução inovadora de uso misto, álcool/gasolina, que serve de referência para os
demais países, e não só detém, ainda, a terceira maior jazida mundial de urânio, mas também faz
parte do seleto grupo de nações que dominam a tecnologia de enriquecimento desse mineral.
Adriano Pires, Eloi Fernández e Julio Bueno - Política energética para o Brasil. Rio de Janeiro.
Tomando o texto acima como referência inicial, julgue os itens subseqüentes, relativos à
energia no Brasil e no mundo.
1. No Brasil, onde se verifica um quadro bastante satisfatório no que se refere aos recursos
energéticos, tem sido demonstrada unanimidade acerca dos novos caminhos para a ampliação da
oferta de energia, necessária ao crescimento econômico nacional.
2. Uma política energética integrada, baseada em planejamento estratégico e na capacidade
gerencial do Estado, tem todas as condições de colaborar com as tarefas de recuperação da infra-
estrutura nacional.
3. A solução inovadora do álcool como combustível para automóveis, desenvolvida no Brasil
desde a década de 70 do século passado, vem sendo vista, no mundo, como uma solução precária
para o desenvolvimento energético.
4. O Brasil é um dos países que possui elevada reserva comparada de urânio, mineral
necessário à exploração de energias alternativas e às novas formas de produção de energia
barata.
5. A energia eólica, particularmente nos corredores de ventos do Nordeste do Brasil, vem
sendo experimentada em usinas pequenas.
6. Apesar de haver fontes nacionais diversificadas de energia, o domínio tecnológico, no
campo energético alternativo, ainda é diminuto no Brasil.
7. Com relação à energia nuclear, o Brasil não conseguiu avançar muito na produção de
energia, porém, avançou bastante no enriquecimento de urânio (Usina de Rezende-RJ), o que
levou o país a um problema diplomático, quando os EUA levantaram dúvidas em relação aos
objetivos de nosso programa nuclear, dúvida essa, sanada pela AIEA (Agência Internacional de
Energia Atômica), ligada ao Conselho de Segurança da ONU.
28. Com relação à situação energética Brasileira, julgue os itens seguintes.
1. Uma das maiores críticas que especialistas endereçaram ao governo brasileiro, quando do
reconhecimento de que o país passava por grave crise energética em 2001 e ultimamente em
2008 (com menor intensidade), diz respeito à falta de investimento no setor, especialmente no que
se refere à distribuição de energia, que ainda se encontra sob domínio estatal.
2. O inverso do ocorrido na área das telecomunicações, se deu no processo de privatização
do setor elétrico que ocorreu de maneira tranqüila, praticamente sem que vozes contrárias — entre
técnicos e políticos — se levantassem em oposição a venda das empresas estatais, pois assim
haveria mais investimentos no setor.
3. O racionamento de energia elétrica chegou ao fim, em 2002, quando as empresas
fornecedoras viram-se obrigadas a arcar sozinhas com os prejuízos que tiveram em função da
redução do consumo; a sugestão de cobrança de um percentual a mais dos consumidores, para
compensar a diminuição de receita das empresas, foi rechaçada pelo Governo Federal.
4. A situação energética brasileira é preocupante e a realidade vivida no início de 2008 serve
como argumento justificador desta afirmação, momento em que nos vimos a mercê do clima para
evitar um novo racionamento.
29. ―O aumento da procura por carros bicombustíveis, conseqüência das seguidas altas no
preço do petróleo, tem estimulado o setor produtor de cana-de-açúcar, que prevê dobrar a área
plantada com a cultura em seis anos. Para fortalecer os pequenos e médios fornecedores das
usinas de álcool, tramita no Senado Federal, projeto que prevê a criação de programa específico
para esse segmento, visando à ampliação do crédito, das opções de armazenamento e de
assistência técnica. O projeto veda o apoio a propriedades que façam uso de trabalho escravo ou
que adotem práticas nocivas ao meio ambiente.‖
Jornal do Senado, 16-22/10/2006 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a abrangência do tema nele
abordado, julgue os itens seguintes.
1. O modelo de desenvolvimento adotado pelo Brasil a partir da segunda metade do século
XX privilegia o transporte urbano individual, realidade que se expressa na contínua expansão da
indústria automobilística brasileira.
2. O projeto citado no texto volta-se, essencialmente, para o apoio ao agronegócio, ou seja,
às grandes corporações que atuam no campo com as atenções voltadas para a exportação.
3. A cana-de-açúcar é atividade econômica presente no Brasil desde o início da colonização
e, daquela época aos dias de hoje, manteve a posição de liderança na pauta das exportações
brasileiras.
4. A assistência técnica aos plantadores de cana, mencionada no texto, faz lembrar a
importância da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a EMBRAPA, instituição que
adquiriu renome mundial pelo trabalho científico-tecnológico que desenvolve.
5. Infere-se do texto que há, no referido projeto em tramitação no Senado, preocupação com
o incentivo ao desenvolvimento sustentável e com o combate à exploração degradante da mão-de-
obra.
6. O petróleo tem tido sucessivos aumentos nas Bolsas de Valores de Londres e Nova
Iorque, devido ao seu alto grau poluente, ao caráter não renovável e ao surgimento de energias
alternativas mais limpas que ameaçam a lucratividade da OPEP.
7. O biodísel, combustível alternativo produzido a partir de plantas oleaginosas como a
mamona e o girassol, pode, num futuro próximo, tornar-se uma alternativa ao gás natural na
geração de energia nas usinas termoelétricas brasileiras.
8. O biodiesel mais rentável é o produzido por meio do uso do soja, demonstrando com isso a
opção do desenvolvimento social como justificativa para a utilização de outras oleaginosas por
parte da PETROBRAS.
9. O fato de o Brasil ter atingido, em 2006, a auto-suficiência na produção do petróleo reflete
um trabalho que remonta à criação da PETROBRAS, em 1953, durante o governo Vargas que
aderiu a campanha ―O Petróleo é Nosso‖ iniciada por Monteiro Lobato.
10. Uma conseqüência positiva do processo de globalização é que as economias nacionais
ficam protegidas das oscilações de preços dos produtos utilizados em larga escala.
11. A proposta do presidente Lula para a criação de uma nova Estatal do petróleo para a
exploração do pré-sal (elevada profundidade) da região de Santos, revogará a lei do governo FHC
de 1997 que quebrou o monopólio da PETROBRAS na extração, demonstrando, segundo alguns
especialistas, uma tendência ao processo de nacionalização das reservas dessa fonte energética.
V. MEIO AMBIENTE
30. ―Em uma iniciativa inédita, dez grandes corporações assinaram um compromisso com o
Fórum Econômico Mundial para divulgar regularmente o volume de suas emissões de gases
poluentes. Com isso, elas se antecipam ao protocolo de Quioto.
Pelo acordo, denominado Registro Mundial de Gases que causam o Efeito Estufa, as
multinacionais passam a informar o seu grau de poluição do meio ambiente, atendendo às
expectativas de acionistas, que cobram mais transparência sobre o tema. Juntas, essas empresas
são responsáveis pela emissão de 800 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, o que
representa cerca de 5% das emissões mundiais.‖
Revista Caros Amigos.
A partir do texto acima e considerando aspectos marcantes da questão ambiental no
mundo contemporâneo, julgue os itens.
1. Citado no texto, o efeito estufa que se relaciona ao aquecimento do planeta, é um
fenômeno que, particularmente nas últimas décadas, tem preocupado os cientistas e, de forma
geral, chamado a atenção de ambientalistas. Uma das razões para que o protocolo de Quioto
ainda não tenha entrado oficialmente em vigor é a oposição que lhe move o maior país poluidor do
planeta, os EUA.
2. A reciclagem de materiais, a exemplo do plástico, contribui para a preservação ambiental.
Contudo, até o momento, não conseguiu transformar-se em atividade econômica que possa gerar
renda, algo vital, sobretudo para os setores mais carentes da população.
3. Infere-se do texto que as multinacionais que poluem o ambiente estão sendo pressionadas
pelo governo dos países onde estão instaladas a informar os índices de degradação do ar.
4. Ocorre uma oposição entre desenvolvimento e proteção ao meio ambiente, e, portanto, é
inevitável que os impactos ambientais negativos sustentem o crescimento econômico dos povos.
5. A Suprema Corte dos EUA, em 2007, determinou ao governo Bush a obrigatoriedade da
diminuição da emissão de gases estufa e, embora o governo não tenha assinado o protocolo de
Quioto, vários estado norte-americanos já iniciaram programas de diminuição da emissão, como é
o caso da Califórnia, durante o governo de Arnold Shwazeneger.
6. O modelo de consumo/utilização dos recursos naturais explícitos pelo ―American Way of
Life‖ é ideal para o desenvolvimento sustentável.
7. Uma das Resoluções tomadas pelo protocolo de Quioto foi o mecanismo de Créditos de
Carbono, fruto da proposta do MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo -, e os créditos
ficaram limitados a projetos de redução de emissões e seqüestro de carbono (reflorestamento).
8. O Crédito de Carbono será comercializado em leilões nas bolsas de Valores, e serão
comprados por empresas que poderão especular e revender a países pobres que degradam o
meio ambiente.
9. No Brasil, no segundo semestre de 2007, foram realizados dois leilões de Crédito de
carbono, nas Bolsas de Valores de São Paulo e Rio de Janeiro, sendo negociados créditos de dois
lixões de reciclagem e das fazendas de suinocultura da Sadia, entre outros.
31. A questão ambiental tem-se caracterizado como uma das grandes preocupações do
mundo moderno. Muitos dos recursos utilizados na produção industrial são extraídos diretamente
da natureza, causando-lhe prejuízos por vezes incalculáveis. Hoje, é bastante corrente a
reutilização e/ou reciclagem de muitos produtos, bem como uma maior preocupação com medidas
anti-poluição, além de uma melhoria na educação, quando se refere à questão do meio ambiente.
Tudo isso como medida para que no futuro possamos ter um ambiente propicio à continuidade das
atividades econômicas e, principalmente, viável à própria vida. Com relação a essa temática, julgue
os itens.
1. Com relação a inquietação por questões ambientais, existe uma tese de que há um
exagero, fruto apenas de discussões de inúmeros grupos ecológicos radicais, que, com suas
previsões catastróficas, acabariam por beneficiar a União Européia, gerando baixa competitividade
aos produtos estadunidenses, devido aos gastos para a modernização de seu parque produtivo.
2. Com um sistema socioeconômico voltado principalmente à produção de mercadorias,
visando basicamente o lucro, torna-se difícil, sob o domínio do sistema capitalisma, a não
degradação dos recursos naturais.
3. A queda no processo de urbanização, diminui vertiginosamente os problemas
socioambientais, tanto nas cidades quanto no meio rural.
4. Os países subdesenvolvidos são os que mais defendem o desenvolvimento sustentável,
pois, por sua baixa industrialização preservam melhor o meio ambiente do que os países ricos.
5. A oposição entre os interesses econômicos e os ambientais é visível em nosso país, pois
até o presidente Lula já questionou a ingerência do IBAMA nos assuntos de infra-estrutura,
principalmente as obras ligadas a produção energética.
6. São as riquezas acumuladas nos países ricos em prejuízo das antigas colônias, durante a
expansão colonial, que devem, hoje, sustentar o crescimento econômico dos povos.
32. A história do homem na face da Terra é determinada pela transformação da natureza.
Como resultado do desenvolvimento científico e tecnológico, a produção e o consumo de bens têm
tornado o ambiente cada vez mais artificializado. Por isso a questão ecológica obteve destaque na
agenda do mundo contemporâneo, sobretudo em função dos elevados níveis de degradação
ambiental com os quais se passou a conviver nas últimas décadas. A este respeito, julgue os itens.
1. A destruição de bens naturais é um fenômeno recente, típico do período industrial.
2. As fotos de satélites demonstram, nos últimos anos, acentuada redução no número de
incêndios na Floresta Amazônica.
3. A ECO-92, conferência de dimensão mundial que o Rio de Janeiro sediou, contribuiu para
alertar a opinião pública para os perigos decorrentes da degradação de meio ambiente inclusive
com a publicação das teses defendidas neste encontro no livro Nosso Futuro Comum.
4. Outro agente poluente que deve ser lembrado é a falta de saneamento básico, problema
centenário que no início do século XX insuflou a revolta da Vacina Obrigatória, e que sempre
degradou nossos mananciais hídricos sendo hoje tema de filme com o próprio título: Saneamento
Básico (2007).
5. A redução das áreas cobertas por florestas é um fator que contribui para o incremento de
CO2 na atmosfera.
6. O agravamento do efeito estufa tem elevado a temperatura média da Terra, o que pode ser
observado pelo aumento do nível do mar devido ao derretimento das geleiras.
7. As maiores emissões de gás carbônico na atmosfera são provenientes da China, devido ao
seu forte desenvolvimento industrial e à sua grande população.
8. O Brasil é um dos maiores emissores de gases estufa do planeta, porém nossa situação é
um pouco diferente do primeiro mundo pois, emitimos mais gases por intermédio do desmatamento
e da queima, do que pela poluição automobilística ou da indústria como nos países de centro.
33. ―A natureza está agora cobrando a conta pelos excessos cometidos na atividade industrial,
na ocupação humana dos últimos redutos selvagens e na interferência do homem na reprodução e
no crescimento dos animais que domesticou.
A começar por seus bens mais preciosos, a água e o ar, o balanço da atividade humana
mostra uma tendência suicida. Com a mesma insolência de quem joga uma casca de banana ou
uma lata de refrigerante pela janela do carro pensando que se está livrando da sujeira, a
humanidade despeja na natureza todos os anos 30 bilhões de toneladas de lixo.
O efeito mais apocalíptico dessa mensagem é o aquecimento global, cuja causa mais
provável é a concentração na atmosfera de gases produzidos pela queima de gasolina, óleo e
outros combustíveis por fábricas e veículos. O acúmulo desses gases poluentes encapsula o calor
do sol e não deixa que ele escape para o espaço sideral, transformando a atmosfera em uma
estufa.
Em uma tentativa de reverter esse quadro, o Protocolo de Kyoto de 1997 obriga os países
a reduzir a emissão de poluentes, de modo a diminuir o número de partículas de dióxido de
carbono por milhão em 5,2% em relação aos níveis de 1990.
Estudos mostram que o teor de dióxido de carbono na atmosfera vem crescendo desde o
início do século, como mostra a tabela abaixo.‖
Ano Dióxido de carbono (em ppm)
1900 270
1950 300
2000 380
Revista Veja 18/04/2001 (com adaptações).
Com relação ao exposto, julgue os itens abaixo:
1. O dióxido de carbono (C02), único gás estufa, é liberado na atmosfera exclusivamente pela
queima de carvão mineral e petróleo.
2. Os países subdesenvolvidos pouco contribuem para o efeito estufa devido a sua fraca
industrialização.
3. Documento-compromisso aprovado por vários países, o Protocolo de Kyoto tem, entre
seus principais objetivos, a redução da quantidade de gases emitidos na atmosfera na ordem de
5,2% para que cheguemos em 2012 com o patamar de poluição do ano de 1990.
4. A decisão da China de ratificar o Protocolo de Kyoto gerou protestos em várias partes do
mundo, sobretudo da parte de organizações não-governamentais voltadas para a causa do meio
ambiente.
5. Ainda que indiretamente, pode-se afirmar que o texto defende a existência e o
fortalecimento de uma educação ambiental como instrumento formador de consciências
comprometidas com a vida, o que pressupõe a defesa da sustentabilidade ambiental.
6. A adesão da Austrália ao Protocolo de Kyoto só aconteceu em dezembro de 2007 durante
a Conferência de Bali, na Indonésia, reunião esta que prepara um novo Protocolo Ambiental para
entrar em vigor após 2012.
34. ―Desmatamento, aquecimento global, seca, fome e extinção. Será, enfim, que haverá um
amanhã para o planeta? Para as plantas e os animais, incluindo os humanos? Com a ajuda de
muitos governantes, o mundo está virando um deserto. O São Francisco um corregozinho. A
Amazônia um cerrado. E a Guanabara uma baía nada maravilhosa de lixo e esgoto.
Com que armas poderíamos lutar, em termos práticos, contra os que aceleram o risco de
morte do planeta e da humanidade? Com as armas do esclarecimento, da compreensão e do
convencimento. Explicando e mostrando o valor da natureza. Pregando a necessidade de
respeitarmos e preservamos todas as espécies de vida. Formando consciências, tornando as
pessoas que nos são mais próximas, como nossos filhos; parentes, amigos e colegas de serviço,
cidadãos planetárias.‖
Hiram Firmino. Receita do amor. - JB Ecológico (Jornal do Brasil).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a temática que ele aborda,
além de aspectos relativos ao cenário ambiental contemporâneo, Julgue os itens que se seguem.
1. Nas discussões em torno do projeto de transposição das águas do São Francisco, o atual
Governo Federal não cedeu as pressões contrárias, nem dos religiosos, e, por isso, está sendo
derrotado pela força da opinião pública, majoritariamente favorável à interdição das obras.
2. Entre os que se opõem ao projeto de transposição do São Francisco, um dos argumentos
mais utilizados é o de que, antes de tudo, o rio precisa se revitalizado, já que é visível a
degradação de que é vítima ao longo do tempo, principalmente devido ao assoreamento.
3. O texto focaliza um tema que, há algumas décadas, ganha crescente importância na
agenda das discussões do mundo contemporâneo, qual seja, a necessidade de se repensar o
modelo de desenvolvimento econômico, como forma de não se comprometer irremediavelmente a
vida no planeta, e essa conclusão é fruto da conferência internacional de meio ambiente
patrocinada pela ONU, no Rio de Janeiro, a ECO-92.
4. A principal razão pela qual o movimento ambientalista mundial não consegue obter
resultados positivos em sua luta pela preservação das condições adequadas de vida, são os
escândalos de corrupção que assolam as ONGs e que, no Brasil, estão sendo investigadas por
uma Comissão Parlamentar de Inquérito do Legislativo Federal.
5. Citado no texto como um rio que corre o perigo de se transformar em "corregozinho", o São
Francisco tem importante papel na formação histórica do Brasil e, pelo fato de interligar regiões e
estados, é conhecido como rio da integração nacional.
6. Nos últimos anos o desmatamento descontrolado e os incêndios que se multiplicam são
fatores determinantes para as alterações verificadas na Amazônia, que, como lembra o texto, corre
o risco de se transformar em ―cerrado‖.
7. Entre os grandes problemas ambientais com os quais convive a civilização
contemporânea, o lixo ocupa lugar de destaque, quer por existir em elevada quantidade, quer pela
dificuldade em lhe dar correta destinação.
8. Esta se formando no oceano Pacífico, por causa das baixas pressões, uma ilha de lixo
gigantesca e composta principalmente por compostos plásticos. Essa situação, além de
demonstrar a falta de noção do homem em relação ao meio ambiente, demonstra também mais um
efeito maléfico do aquecimento global.
9. Ainda que múltiplas possam ser suas causas, acredita-se que recentes tragédias ditas
ambientais como os furacões que atingiram o sul dos EUA, por exemplo, estão condicionadas às
sensíveis alterações sofridas pela natureza em face da ação predadora dos homens.
10. Em que pese o incontestável poderio do país, é grande o nível de desigualdade na
sociedade norte-americana e esse fato demonstra uma globalização que também importa
características do terceiro mundo (―terceiromundização‖ do primeiro mundo).
11. O aquecimento global aparece como um dos mais graves problemas atuais, especialmente
por seus efeitos nocivos sobre a natureza, a começar pelas alterações climáticas.
12. As imagens de devastação, morte e dor, que a passagem de um furacão como o Katrina,
em New Orleans, deu a conhecer ao mundo, demonstram já as conseqüências do aquecimento
global, que se manifesta catastroficamente como a causa deste fenômeno.
13. Por causa de seu imenso potencial hidráulico, o Brasil é um dos poucos países que não
corre o risco de padecer da falta de água para o consumo humano.
35. ―Cientistas descobriram na Antártida uma elevação alarmante da temperatura oceânica
que ameaça prejudicar populações de pingüins, baleias, focas e muitas outras criaturas menores
dentro de poucas décadas. O estudo mostra que a temperatura do oceano a oeste da península
Antártida subiu mais de 1°C desde os anos 60. É a primeira evidência de que o oceano Sul está
ficando mais quente, com conseqüências potencialmente graves para a vida selvagem. O clima em
direção a América do Sul é o que muda mais rápido. A temperatura do ar na região subiu 3ºC
desde 1951 e a cobertura de gelo ao redor diminuiu 20% desde 1979. Agora os pesquisadores
mostraram que as temperaturas estão em ascensão.‖
O Estado de São Paulo, 20/10/2005.
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a temática por ele abordada,
julgue os itens.
1. As alterações climáticas não são exclusivas das áreas tratadas no texto e preocupam os
especialistas justamente pelos efeitos potencialmente negativos que acarretam para a vida no
planeta.
2. Por suas características, a Antártida é região que atrai a atenção de cientistas, razão pela
qual nela estão instaladas bases que acolhem pesquisadores de várias nacionalidades.
3. Além da redução da cobertura de gelo no mar, mencionada no texto, pode-se falar de outro
fenômeno semelhante e que também aponta para um desequilíbrio ambiental: a diminuição das
camadas de gelo em elevadas altitudes, a exemplo dos Andes.
4. A potencialização de fenômenos como os furacões de extremo vigor, podem representar,
como muitos estudiosos acham, uma espécie de reação das forças naturais à maneira
desordenada e predatória como a humanidade vem se relacionando com a natureza.
5. O chamado efeito estufa, vinculando ao fenômeno do aquecimento global, é
perigosamente ampliado pela grande quantidade de gases poluentes que são lançados na
atmosfera.
6. Entre as formas mais comuns de se degradar o meio ambiente e de comprometer a
qualidade de vida estão os esgotos despejados sem tratamento nos cursos de água e lixo
produzido em grande quantidade sem destinação adequada.
36. Dados recentes mostram que aumentou o ritmo do desmatamento na Amazônia (2007),
pois a economia que vive do saque se mantém firme e forte. Como salvar a Amazônia? Aumentar
a fiscalização ambiental, por certo é importante. Para isso, o Governo Federal poderia criar uma
Polícia Florestal, específica, para enfrentar os criminosos do mato.
A conscientização ecológica dos agricultores ajuda. E o mercado mundial, restritivo aos
produtos ambientalmente sujos, favorece. É na ponta do consumo que se esconde o ovo de
Colombo da proteção da Amazônia. Basta recusar-se a comprar madeira surrupiada da floresta.
Simples, embora difícil.
Rios voadores. Aos incrédulos, a inusitada informação. Cientistas estimam que, na estação
chuvosa, até 70% da precipitação caída em São Paulo depende do vapor d‘água gerado na
Amazônia. Uma árvore adulta expele até 300 litros de água por dia. Quer dizer, se acabar a
floresta lá, pára de chover aqui.
Xico Graziano. Rios Voadores.
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando os múltiplos aspectos que
envolvem o tema nele focalizado, julgue os itens.
1. A devastação da Amazônia está sem controle, o que explica o atual avanço do
desmatamento, pois o Governo Federal não consegue desenvolver nenhuma política pública para
evitá-lo.
2. O corte sustentável da floresta pressupõe áreas demarcadas, manejo técnico e escolha de
árvores a serem abatidas.
3. O autor do texto acredita que a relação equilibrada entre moradores e floresta ajuda na
salvação da Amazônia.
4. Compradores internacionais tendem a exigir a certificação de origem ambientalmente
correta da madeira.
5. O autor do texto afirma que a mais importante atitude para salvar a floresta é a demanda
consciente, isto é, comprar apenas madeira explorada de maneira sustentável.
VI. LULA
37. Leia o Texto.
―Ééé...Senador Arruda! A política trás poder e glória, infla almas pequenas, transforma
ratos em leões, medíocres em pomposos, mas também é traiçoeira como uma mulher bela e vadia.
Ao menor descuido, te bota pra fora e te joga na sarjeta... Vai continuar servindo aquele a quem
serviu caninamente e que, de Quebec, sem a menor preocupação te abandona e te joga na cova
dos leões? Tome vergonha e dê um derradeiro suspiro de dignidade: dedure o homem e ajude o
Brasil. Toda a soberba e insensibilidade de FHC não merecem a tua proteção. Complete com
chave de ouro o teu sacrifício e expiação moral e diga para toda a nação o que é o óbvio, mas que
ninguém da mídia tem coragem sequer de cogitar: foi o presidente, preocupado em controlar a
conhecida chantagem orçamentária e clientelística sobre teus pares, quem te mandou violar a lista,
não foi? Só assim poderá olhar com a alma tranquila para teus filhos no futuro. Você ainda merece
uma chance na política. Não a desperdice. Seja mais fiel ao Brasil e teus filhos do que a quem te
usou e agora te esquece‖.
Prof.: Said Dib – Correio Braziliense.
De acordo com o fragmento acima, julgue os itens.
1. O texto diz que a política é ―traiçoeira como uma mulher bela e vadia‖ e este fenômeno fica
claro em vários momentos da vida política do Brasil contemporâneo, tais como no episódio da
renuncia do cacique político do PFL que sempre deu as cartas no congresso, o finado senador
Antônio Carlos Magalhães; a cassação do homem forte do governo Lula, o deputado e ex-ministro
Jose Dirceu (PT); e por último a cassação do senador Renan Calheiros, ex-presidente do Senado
Federal.
2. Conforme o texto percebe-se a necessidade do presidente defender ―caninamente‖ sua
base de apoio, demonstrando a permanência em nossa república contemporânea da velha política
clientelista dos coronéis que persiste desde o início do século XX.
3. A mídia brasileira, com o seu poder de informação e formação de opinião, faz as análises
profundas do processo e dos fatos históricos, mesmo que estes conspirem contra o governo, um
de seus maiores clientes.
4. O Texto levanta a possibilidade da chamada ―chantagem orçamentária‖, o presidente
precisa ter certeza dos votos para ser mais eficiente na troca de favores, ressuscitando a velha
prática coronelística do século passado.
5. Por trás da imagem de modernidade e reformismo dos governos Collor, FHC e Lula,
percebemos a manutenção de práticas entreguistas, aliadas a uma série de denuncias de
corrupção que nunca acabam em punições de suas bases de sustentação.
38. Leia o trecho da música ―João Ninguém Sem Terra‖ de Zé Mulato e Cassiano.
Sou João ninguém brasileiro
casado, pai de três filhos
quero um pedaço de terra, meu senhor
pra plantar feijão e milho...
Sem egoísmo eu não peço só pra mim
sou a boca da pobreza, falo por quem não
tem sorte
o senhor sabe a nossa vida é precária
falo da classe operária do Brasil de sul a norte
Eu por exemplo espero a reforma agrária
devolver aquela área que eu perdi para
o mais forte
sei que o pedido do sem-terra não influi
mais veja se nos inclui no seu próximo pacote...
De acordo com seus conhecimentos sobre a história brasileira e com a ajuda do texto,
julgue os itens a seguir.
1. A primeira forma de distribuição de lotes na colônia brasileira foi o sistema de Capitanias
Hereditárias que privilegiava a nobreza portuguesa - os donatários. Ai reside a origem dos conflitos
no campo quando o latifúndio passou a ser a base da produção agrária em nosso país, sem que
houvesse apoio decisivo aos demais tipos de propriedade por parte do poder público.
2. Graças a organização dos movimentos sociais, influenciados pela inspiração socialista, é
que os trabalhadores brasileiros têm conseguido uma significativa alteração da situação citada nos
dois últimos versos da segunda estrofe.
3. Vivenciamos dois momentos de nossa história em que o povo brasileiro recebeu a atenção
das autoridades brasileiras em seus pacotes, durante a ditadura militar com o chamado ―milagre
brasileiro‖, momento em que o país chegou mais próximo da situação de pleno emprego, e no
governo Lula com sua revolucionária política social.
4. A estabilidade financeira internacional, que tem marcado o governo Lula, é uma constante
no sistema capitalista durante este período de globalização criando condições para a superação
dos problemas estruturais brasileiros citados na música e isso se verifica no aumento da renda do
trabalhador e na queda do nível de desemprego.
5. O movimento dos Sem Terra, consequência da má distribuição fundiária, ainda é
interpretado pelas elites conservadoras e reacionárias do país como uma afronta a propriedade, já
os setores mais radicais vinculam o movimento a ações de grupos comunistas, argumentos estes
que acabam ganhando força, principalmente depois de declarações como a do líder João Pedro
Stedile, que proclamou ―infernizar o Brasil no Abril Vermelho.‖
39. A maior votação nominal da história brasileira, obtida na eleição em dois turnos de 2002,
levou à presidência da Republica, pela primeira vez, um candidato caracteristicamente de
esquerda. A propósito do processo político que culminou com a vitória de Luiz Inácio da Silva,
julgue os itens abaixo.
1. O Partido dos Trabalhadores, ao qual Lula é filiado, é herdeiro direto da tradição trabalhista
conduzida por Vargas, a qual se materializou, em termos partidários, em 1945, com a criação do
Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB.
2. Mesmo sofrendo três derrotas consecutivas, o PT chegou a quarta e vitoriosa tentativa de
conquistar o poder federal admitindo fazer aliança partidária somente com agremiações integrantes
do chamado campo ideológico de esquerda.
3. O novo sindicalismo brasileiro surgido na região do ABC paulista em fins da década de 70
e início da de 80 do século XX foi berço do PT. Embora se distanciando do velho modelo sindical
da Era Vargas, dele se aproxima em um ponto essencial: a defesa da tese de vinculação dos
sindicatos ao Estado.
4. A vitória do PT nas eleições de 2002 foi completa: alem da maioria na Câmara dos
Deputados, o partido também ganhou os governos dos estados econômica e politicamente mais
fortes da Federação.
5 Logo após tomar posse, o primeiro projeto de impacto anunciado pelo presidente Lula foi o
Fome Zero, acompanhado da intenção de se erradicar o analfabetismo no país.
6. Como conseqüência da manutenção da corrupção entre os agentes políticos durante o
governo Lula, surgiram graves crises políticas que geraram várias Comissões Parlamentares de
Inquérito que foram limitadas por emenda constitucional e decisões judiciais do Supremo Tribunal
Federal, dificultando a criação de novas CPIs e a consequente punição de mais envolvidos em
atos de improbidade parlamentar e administrativa.
7. As operações da Polícia Federal, poderiam ser mais eficientes se houvessem outros
mecanismos de controle externo do estado.
40. ―Um levantamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário comprova o agravamento dos
conflitos no campo no primeiro semestre do governo Lula. Entre janeiro e junho, foram registradas
114 invasões, contra 103 em todo o ano de 2002, 70 das quais nos seis meses iniciais.
Também aumentou o número de mortes de trabalhadores rurais. No primeiro semestre de
2003, foram assassinados 13, enquanto, em 2002, houve 20 mortes. Segundo o ministério, das
invasões ocorridas nos primeiros seis meses de 2003, 34% ocorreram na região Nordeste, 24%, na
Sudeste e 22%, na região Sul.‖
MST invadiu em seis meses mais que no ano passado - Jornal do Brasil, 10/7/2003.
Considerando o texto acima e o tema nele enfocado, julgue os itens seguintes.
1. As dificuldades encontradas pelo Brasil para fazer a reforma agrária talvez possam ser
explicadas pela falta de um modelo externo que pudesse ser utilizado como referência, já que, no
mundo contemporâneo, a rigor, nenhum país conseguiu fazer sua reforma agrária.
2. O episódio de Eldorado dos Carajás, no Pará, com muitas mortes em confronto com a
polícia estadual, chamou a atenção da opinião pública brasileira e do exterior, tendo em vista a
dimensão que adquiriu.
3. É provável que o antagonismo entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), desde o surgimento deste último, explique o aumento das
invasões nos primeiros anos do governo Lula.
4. Para os analistas, a inexistência de um órgão na estrutura do Governo Federal voltado
especificamente para a questão da terra e da reforma agrária é o principal fator para a
multiplicação de conflitos no campo.
5. Para o autor, existe relação direta entre concentração da propriedade de terras e
concentração de renda.
6. De maneira geral, a estrutura agrária brasileira guarda semelhanças históricas com a
predominante nos demais países da América Latina.
7. Parte dos graves problemas internos atualmente vividos pela Colômbia, e da própria
Bolívia, deriva de uma estrutura agrária semelhante à brasileira.
8. A CPI da terra, durante o governo Lula, terminou com a aprovação de um relatório
sugerindo que as invasões de propriedade fossem consideradas crime inafiançável e não citou as
mortes no campo.
41. Leia os fragmentos abaixo.
―A economia brasileira registrou em 2006 uma expansão de 2,9%, acima do apurado em
2005 (2,3%) segundo dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística).
―A alta do PIB brasileiro no ano passado representa cerca da metade do crescimento
econômico mundial, que foi de 5,1%, segundo estimativas do FMI (Fundo Monetário internacional).
Além disso, também é pouco mais da metade do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou
a prometer para 2006: 5%.‖
―Na década de 90, o mundo cresceu em média 3,4%, enquanto no Brasil o avanço foi de
2,1%. Na década de 80, o cenário foi ainda pior: o Brasil cresceu 1,6%, enquanto o mundo, 3,4%.‖
―Entre os BRICs (grupo de países emergentes que reúne, além do Brasil e da Índia, a
Rússia e a China), o Brasil amarga a pior posição em 2006, bem atrás da China, campeã de
crescimento (10,7%), Rússia (6,7%) e Índia, que deve ter crescido 9,2%.‖
Fragmentos da Revista do Brasil.
De acordo com os fragmentos acima e considerando os múltiplos fatores por ele abordado,
julgue os itens.
1. O PIB, citado no texto, é comumente definido como a soma de todas as riquezas geradas
no país no período de um ano.
2. A manutenção de elevadas taxas de juro no governo, o que tem sido duramente criticado
pela oposição e até por governistas, pode ser apontada como um dos principais fatores para pífio
crescimento do país quando comparado com os vizinhos latino-americanos e com outros países
emergentes.
3. Um adicional para o fraco crescimento econômico foi a crise de confiança do consumidor e
dos investidores internacionais na economia, decorrente da crise política do mensalão.
4. O resultado do PIB só não foi pior devido à política cambial adotada pela equipe
econômica. O dólar desvalorizado favorece o setor exportador que teve surpreendente aumento
nos últimos anos, notadamente o agronegócio.
5. O fato de o Brasil ter renovado os acordos econômicos com o FMI (Fundo Monetário
Internacional) foi outro fator impeditivo do crescimento da economia, visto que o Fundo limitou
investimentos no setor produtivo e obrigou o país a antecipar uma parcela de US 15 bilhões da
dívida externa.
6. Os empresários apontam o "custo Brasil", a alta carga tributária, como um fator que
emperra os investimentos e o crescimento.
7. Nos últimos meses o Banco Central vem diminuindo paulatinamente a taxa de juro.
8. Contrariamente ao Brasil, como informa o texto, o PIB da China cresceu mais de 10 % em
2006, ultrapassando o da França e o do Reino Unido, elevando o país a condição de membro do
G-8.
9. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), lançado recentemente pelo governo,
tem como objetivo principal destravar o crescimento econômico do país, adotando entre outras
medidas, cortes de tributos.
10. O PAC, em virtude das dificuldades orçamentárias do governo, dependerá exclusivamente
dos investimentos privados para gerar o aumento do PIB.
11. O que mais anima os empresários em relação ao PAC é a adoção da reformas estruturais:
previdenciária, tributária e trabalhista, consideradas como fatores limitantes do desenvolvimento.
12. A política econômica do governo Lula segue a tradição monetarista iniciada por FHC, na
qual o objetivo básico é a manutenção do valor da moeda, e para isto, a política econômica
mantém os juros altos e o superávit primário tornando-se, na prática, mais um empecilho ao
desenvolvimento econômico.
13. O apagão aéreo, crise que se iniciou após a queda do avião da Gol e que teve como seu
último mais trágico momento, o acidente do vôo 3054 da TAM, em Congonhas. Embora as
investigações ainda não tenham sido concluídas, alguns fatos ligados a crise aérea já foram
expostos, tais como, o forte lobby das empresas, a prepotência e corrupção da Infraero, a
condescendência da ANAC e a omissão do governo, por não ter incluído os aeroportos no PAC.
42. ―Pela segunda vez, dirijo-me a esta Assembléia Universal para trazer a palavra do Brasil.
Carrego um compromisso de vida com os silenciados pela desigualdade, pela fome e pela
desesperança. Esta Assembléia é o signo mais alto de uma ordem fundada na independência das
nações. A transformação política, contudo, não se completou no plano econômico e social. E a
história demonstra que isso não ocorrerá espontaneamente. Em 1820, a diferença de renda entre o
país mais rico e o mais pobre do planeta era inferior a 5 vezes. Hoje, essa diferença é de 80 vezes.
Os antigos súditos converteram-se em devedores perpétuos do sistema econômico internacional.
Barreiras protecionistas e outros obstáculos ao equilíbrio comercial, agravados pela concentração
dos investimentos, do conhecimento e da tecnologia, sucederam ao domínio colonial.‖
Discurso do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembléia Geral da ONU.
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando os múltiplos aspectos que o
tema por ele abordado suscita, julgue os itens seguintes.
1. Percebe-se no texto que o chefe de Estado brasileiro assume, nos foros internacionais de
que participa, com crescente desenvoltura, o papel de porta-voz dos países ditos emergentes,
razão pela qual reafirma sua crença de que, em linhas gerais, são corretos os caminhos
percorridos pela globalização, em que pese alguns equívocos que ela ainda cometa.
2. As medidas protecionistas, que o presidente Lula identifica como um dos sérios obstáculos
à concretização de uma ordem econômica internacional mais justa e equilibrada, podem ser
traduzidas como a fixação de altas taxas para o ingresso de determinados produtos estrangeiros
em um mercado nacional.
3. Infere-se do texto que o fim do colonialismo inverteu, positivamente, a lógica do sistema
econômico mundial, retirando dos países ricos – antigas metrópoles – os instrumentos de que
sempre fizeram uso para a exploração das áreas mais pobres do planeta.
4. O local onde Lula discursou, a Assembléia Geral da ONU, reflete a simetria do poder
econômico e político típico do mundo contemporâneo. Nela, há uma hierarquia entre os Estados,
de modo que apenas alguns têm direito a voz.
5. A luta contra a pobreza, além de estar presente na política assistencialista do governo
Lula, extrapola as fronteiras nacionais e esse fato pode ser notado na proposta feita pelo próprio
presidente em reunião das nações unidas quando o Brasil propôs a criação do Fome Zero
Internacional.
6. Na atualidade, o Brasil tem evitado participar de negociações comerciais multilaterais em
clara estratégia para obter facilidades no ingresso de seus produtos nos ricos mercados
consumidores da União Européia e dos Estados Unidos da América (EUA).
7. A crítica brasileira a uma globalização excludente parte do pressuposto de que seus efeitos
socialmente perversos ampliam a distância entre pobres e ricos e criam, nos países pobres, um
clima de insatisfação e de intranqüilidade, matriz de atos de violência e de conflitos.
8. Em resposta a globalização econômica e excludente, no Brasil, em Porto Alegre – RS, foi
criado o Fórum Social, que prega a necessidade de se colocar na agenda das relações
internacionais a inclusão social das populações pobres do planeta.
9. Um dos temas nucleares da plataforma política do presidente Lula, o problema da fome,
não decorre essencialmente da falta de conhecimento científico ou de falhas na produção de
alimento. Vencê-lo seria, antes de tudo, fruto de decisão política, a ser empreendida, sobretudo,
pelas economias mais sólidas do planeta.
10. O surgimento do G-21, que teve o Brasil como um de seus principais artífices, justifica-se
pelo propósito de fazer avançar o processo de liberalização do comércio com justiça social, a
começar pelo fim dos subsídios que as grandes economias teimam em oferecer aos seus
produtores.
43. ―Como se define, hoje, a urbanização brasileira? Alcançamos, neste século, a urbanização
da sociedade e a urbanização do território, depois de longo período de urbanização social e
territorialmente seletiva. Depois de ser litorânea, a urbanização brasileira tornou-se praticamente
generalizada a partir do terceiro terço do século XX, evolução quase contemporânea da fase atual
de macrourbanização e metropolização‖.
Milton Santos Filho.
Julgue os itens a seguir sobre o tema destacado no texto e assuntos correlatos.
1. Registra-se, todavia, uma atenuação relativa das macrocefalias, pois, além das cidades
―milionárias‖, desenvolvem-se cidades intermediárias ao lado de cidades locais.
2. Durante muitos séculos, o Brasil poderia ser considerado um grande arquipélago, formado
por subespaços que evoluíam segundo lógicas próprias, ditadas em grande parte por suas
relações com o mundo exterior.
3. No período pós 2° Guerra Mundial observa-se além da intensificação da urbanização
brasileira uma grande explosão demográfica, em função da redução gradativa dos índices de
mortalidade e manutenção de elevadas taxas de natalidade.
4. O crescimento desordenado, a macrocefalia urbana, possuem responsabilidade no visível
processo de apartheid social, típico do Brasil, onde a ausência do Estado propicia o surgimento de
―organizações paralelas‖ financiadas por ações ilícitas, como o narcotráfico e seus
desdobramentos.
5. O desenvolvimento industrial acentuou-se após 1955, quando se instalaram no Brasil
grandes empresas multinacionais como a Volkswagen, a General Motors e outras.
6. A atividade industrial satisfaz nossas necessidades de bens de consumo e a maior parte
das necessidades de bens duráveis, sendo insuficientes a indústria de bens de produção.
44. Na primeira etapa da viagem que levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a cinco
países europeus, os governos brasileiro e finlandês assinaram acordo de cooperação para a
redução das emissões de gases causadores do efeito estufa.
O documento segue as metas definidas pelo Protocolo de Kyoto. O acordo faz parte do
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O Brasil é, com a China e a Índia, o líder mundial
de projetos MDL. A preocupação com o meio ambiente também explica o interesse da Finlândia no
etanol brasileiro. O presidente Lula aproveitou a ocasião para rechaçar a principal crítica feita à
produção de cana-de-açúcar. Ele também apresentou a empresários finlandeses as oportunidades
que surgem na economia brasileira com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Correio Braziliense, 11/9/2007.
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a amplitude e a diversidade
dos temas por ele tratados, julgue os itens que se seguem.
1. A globalização caracteriza o atual estágio da economia mundial, expressão máxima do
capitalismo financeiro, marcado pela ampliação dos mercados e o Estado mínimo.
2. No mundo contemporâneo, viagens de chefes de Estado e de governo tendem a assumir
caráter prioritariamente econômico.
3. O aquecimento global é uma das graves conseqüências da emissão descontrolada de
gases poluentes na atmosfera, agravado pelo desmatamento e as queimadas.
4. Os Estados Unidos da América, não assinaram o Protocolo de Kyoto, e isso não significa
que o país deixe de se preocupar com a questão do aquecimento global, porém investir
maciçamente na modernização de seu parque produtivo para atingir as metas de Kyoto daria
prejuízo aos negócios do comércio internacional estadunidense.
5. Integrantes do G-8, China e Índia são países considerados ricos, razão pela qual devem se
submeter às determinações do Protocolo de Kyoto para a redução do nível de gases poluentes que
lançam na atmosfera.
6. O Brasil domina a tecnologia de produção do etanol extraído da cana-de-açúcar, o tipo de
etanol que mais reduz as emissões de gases poluentes, adquirindo assim interesse em abrir
mercados mundo afora para esse biocombustível.
7. A principal crítica feita à ampliação da produção da cana-de-açúcar pelo Brasil é que essa
cultura ocupa espaço que deveria ser destinado à produção de alimentos.
8. Fidel Castro (Cuba) e Hugo Cháves (Venezuela) simbolizam o apoio incondicional latino-
americano ao projeto brasileiro de produção de combustível a partir da cana-de-açúcar.
9. Previsto no Protocolo de Kyoto, o MDL permite aos países ricos ultrapassarem a cota
fixada de emissões de gases, desde que invistam em projetos sustentáveis em países
subdesenvolvidos ou emergentes, ou comprem seus créditos de carbono.
10. Por deficiência técnica, o Brasil ainda não conseguiu elaborar projetos passíveis de serem
financiados pelo MDL.
11. Em geral, projetos que recebem investimentos do MDL relacionam-se a energias
renováveis, à gestão de dejetos e ao reflorestamento.
12. Por opção estratégica, nenhum projeto integrante do PAC relaciona-se a infra-estrutura, a
exemplo de portos, hidrelétricas, rodovias e ferrovias.
45. A política exterior não é derivada, no Brasil, dos regimes políticos. Ao contrário dos
assuntos domésticos do Estado-nação, ela tem certo traço de permanência. Esse argumento, no
entanto, não merece ser endeusado. A continuidade em política externa não se impôs de forma
natural nem foi resultado da intervenção do ―divino direito dos reis‖. Houve oscilações e mudanças,
histórica e socialmente determinadas por causalidades políticas, sociais e econômicas, que
atuaram e continuam atuando na conformação da política externa do Brasil.
José Flávio S. Saraiva e Amado L. Cervo - O crescimento das relações internacionais do Brasil.
Tomando o texto como referência inicial, julgue os seguintes itens, relativos ao tema da
política externa brasileira.
1. O caráter supletivo do setor externo conferiu ao Brasil uma inserção internacional
acanhada a longo prazo e de baixa adequação ao peso relativo do país na sociedade
internacional.
2. Nos últimos anos, a retomada da dimensão sul-atlântica da política exterior do Brasil levou
o país a ampliar o intercambio cultural, econômico e até na área da saúde no continente africano.
3. As relações do Brasil com seus vizinhos sul-americanos, mesmo que difíceis e marcadas
por fricções, constituem um desafio importante diante das questões de segurança, de mercado, de
estabilização da região e de internacionalização das empresas brasileiras.
4. As relações do Brasil com o Oriente Médio são de eqüidistância pragmática, sem tomar
partido nas querelas históricas, orientando-se pela dimensão multicultural e pacífica da convivência
de descendentes dos povos daquela região no Brasil, sem ferir os interesses de brasileiros e de
empresas brasileiras que lá atuam.
5. Nos interesses comuns da cena global e na expansão de negócios e comércio, a parceria
do Brasil com a China em torno de projetos científico-tecnológicos e do comércio bilateral é
unanimidade na opinião pública nacional.
6. A inclusão do Brasil no rol de suas parcerias estratégicas, proposta pela União Européia,
confirma o reconhecimento do protagonismo brasileiro na cena sul-americana.
VII. 2009
46. Com relação aos últimos acontecimentos mundiais referentes às relações internacionais,
geopolítica, tecnologia, fontes de energia, meio ambiente, e governo Lula, no ano de 2009, julgue
os itens.
1. A posse de Barac Obama nos EUA representa uma mudança em termos mundiais e, prova
disso foi sua proposta de orçamento enviada ao Congresso estadunidense que contem cortes
drásticos no financiamento das guerras movidas pelos EUA.
2. O projeto aprovado pelo parlamento estadunidense que autoriza o pacote de ajuda
econômica de mais de 800 bilhões de dólares para contornar a crise financeira e econômica do
país é a tentativa do governo Obama de resolver a situação.
3. A primeira medida do novo governo dos EUA com relação a base militar de Guantanamo
em Cuba, transformada em prisão pelo governo Bush, foi a ordem de seu fechamento imediato.
4. O orçamento de 2009 proposto pelo governo estadunidense traz medidas que demonstram
a mudança em relação ao governo republicano, quais sejam: a imposição de metas de limite da
emissão de gases poluentes, aumento do imposto sobre os ricos, aumento do imposto sobre o uso
de combustíveis fósseis, fim dos subsídios para os maiores produtores agrícolas de seu país.
5. Foi divulgado em fevereiro (2009) o relatório anula de direitos humanos do governo dos
EUA que acusa a Venezuela, o Brasil e a Bolívia, entre outros, não citando a questão dentro dos
Estados Unidos da América.
6. O presidente Barac Obama afirmou que os EUA não estão vencendo a guerra contra o
Talibã, que já detém mais de 50% do território afegão e admitiu a intenção de iniciar negociações
com o grupo mais moderado dos talibãs para a composição de um novo governo.
7. O Talibã é uma guerrilha fundamentalista islâmica treinada pelos EUA para expulsar os
soviéticos que invadiram o Afeganistão na década de 80 e que hoje causa problemas para o
ocidente ao controlar um país de grande importância geopolítica por ser cortado por gasodutos que
servem para escoar o combustível fóssil para a Europa e os EUA.
8. O Irã, no início de fevereiro comemorou 30 anos de sua revolução islâmica que expulsou
do país os estadunidenses que dominavam sua economia, podo fim a uma ditadura dinástica pró-
ocidente dos Reza Parlev.
9. Dentre os festejos de comemoração da revolução islâmica no Irã, podemos citar o teste de
um míssil de longo alcance com tecnologia totalmente iraniana, sem que o conselho de segurança
da ONU, sequer se preocupasse com o fato.
10. No Paquistão se desenvolve mais um foco de tensão geopolítica. O país possui arsenal
nuclear e vivencia um crescimento vertiginoso da oposição fundamentalista islâmica que detém a
maioria no parlamento e que já conseguiu até o afastamento do presidente e ex-ditados Pervez
Mushara, acusado de corrupção e que teve de renunciar para evita a cassação.
11. O Paquistão é um dos países que desrespeitou o acordo de não proliferação de armas
nucleares promovido pela ONU, em 1968, após a crise dos mísseis de Cuba em 1962, visando o
uso pacífico da energia nuclear.
12. A Coréia do Norte anunciou em janeiro de 2009 o fim do acordo de reaproximação com a
Coréia do Sul e ameaçou seus vôos civis ao atravessarem seu território. Além disso o governo
norte coreano anunciou que lançará um satélite com tecnologia nacional em breve, e a secretária
de estado norte americana, Hillary Clinton, denunciou a pretensão desse país de se preparar para
a criação de um míssil de longo alcance que poderia transportar ogivas nucleares.
13. A crise global que se iniciou com o crédito subprime no mercado imobiliário dos EUA gerou
recessão na União Européia e no Japão, porém não afetou os países emergentes.
14. A China espera crescer 8% esse ano e manter a inflação no patamar de 4% e para isso o
governo local anunciou um pacote de ajuda econômica de investimentos de 585 bilhões de dólares
em infra-estrutura visando, inclusive, o aumento de seu mercado consumidor.
15. Uma das esperanças para minimizar os efeitos da crise mundial é a rodada de Doha
promovida pela OMC, aonde se tenta a redução das barreiras protecionistas e do intervencionismo
expresso nas políticas de subsídios praticadas pelos ricos.
16. A crise mundial foi o único assunto que dominou as primeiras reuniões internacionais
nesse ano e como exemplo podemos citar o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, e o
Fórum Social Mundial, que se reunião no Pará.
17. No Brasil, dentre as medidas tomadas pelo governo para amenizar os efeitos da crise,
podemos citar o aumento do crédito imobiliário e a queda do IPI para automóveis por tempo
indeterminado. Enquanto isso o governo afirma que poderá autorizar a queda no preço do petróleo
se a crise perdurar ou se ampliar.
18. Como conseqüências da crise no Brasil podemos citar o aumento do desemprego e da
inadimplência, puxada principalmente pelos atrasos nas prestações dos carros novos.
19. A crise tem um lado bom que é a redução da necessidade de energia amenizando assim a
crise energética que assola países como o Brasil e a Argentina.
20. O Brasil, em janeiro de 2009, anunciou o sucesso da pesquisa que conseguiu uma
linhagem de células-tronco de pluripotência induzida. Elas são idênticas às células-tronco
embrionárias, podendo resolver a questão ética que envolve essas células. A pluripotência é a
capacidade da célula se transformar em qualquer tecido do organismo.
21. Um problema detectado no uso da tecnologia III G dos celulares em nosso país, foi a
possibilidade do acesso direto à Internet por parte de adolescentes que ao possuírem um aparelho
sem filtro podem se transformar em vítimas potenciais para a pedofilia.
22. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, informou que caiu o percentual de
desmatamento em 2008 e em 2009.
23. O governo Lula admitiu privatizar aeroportos, licitar novos aeroportos para a iniciativa
privada construí-los e abrir o capital da infraero, numa clara medida privatizante e neoliberal, assim
como já tinha feito com a privatização de rodovias.
24. O presidente Lula demonstra todo o seu fisiologismo ao encarar com naturalidade a vitória
de Sarney para a presidência do senado e a de Collor na comissão de infra-estrutura,
abandonando inclusive as candidaturas petistas de Tião Viana (PT-AC) e Ideli Salvati (PT-SC),
respectivamente.
25. A excomunhão em Pernambuco dos médicos e da mãe da menina de 9 anos grávida de
gêmeos, por conseqüência de um estupro por parte de seu padrasto que já esta preso, embora
tenha sido condenado pelo próprio presidente, demonstra coerência com a postura anti-aborto da
Igreja Católica.
26. O PMDB é o maior partido político do país e se mantém fiel ao clientelismo trocando
cargos pelo apoio ao poder desprezando, assim, o apoio programático.
27. É, no mínimo, contraditório o PMDB ser o partido que fez as presidências da Câmara e do
Senado além de indicar os relatores das principais comissões, como foi o caso da escolha de
Collor para a comissão de infra-estrutura.
28. O carnaval vermelho foi o título dado ao período em que o MST intensificou as invasões
que só no pontal do Paranapanema somaram 20 fazendas, e, no estado de Pernambuco um
confronto, ainda não explicado totalmente, entre sem-terras e seguranças armados, levou a morte
de 4 desses seguranças.
29. O título carnaval vermelho, vem da invasão à Câmara dos Deputados em 2007 pelo MST,
que produziu um verdadeiro quebra-quebra nas instalações do legislativo, período esse que ficou
conhecido como o abril vermelho.
30. Quanto às relações diplomáticas, o país vive um momento mais tenso no início de 2009
com a questão de Cesare Batisti, condenado a prisão perpétua na Itália e que recebeu asilo
político do governo brasileiro, asilo esse que será julgado definitivamente pelo STF. Enquanto isso
o parlamento europeu aprovou uma monção que pede a extradição, além de outra monção de
mesma monta foi aprovada no Parlamento italiano por unanimidade.
31. Um grave problema enfrentado pelos governos da Venezuela, da Bolívia e da Argentina e
redução da produção de alimentos em seus países, numa clara demonstração da oposição do
agro-negócio nesses países.
32. A atual ameaça a saúde mundial é a gripe suína, ou mexicana, ou influenza A, que, por ser
uma epidemia, tem preocupado órgão internacionais como a OMS, além de governos em todos os
continentes.
GABARITO
1. E,C,E,E,E 13. C,C,E,C,C,E,C,E,E,E
2. C,C,E,C,E,E,C 14. E,C,C,C,C,C,E,C,E,C
3. E,C,C,C,C 15. E,C,C,E,C,E,E,C,C,C
4. E,C,E,E 16. C,E,C,C,E,C,C
5. E,C,E,E,E,E,C 17. C,E,C,E,E
6. C,E,C,C,C 18. E,E,E,E,E,C
7. C,C,C,E,E,C,E 19. E,E,E,C,E
8. C,C,E,E,C,E,E,C 20. E,E,C,E,C,C,C,C
9. E,C,E,C,E,E,E,C,E,C,C 21. E,E,E,C
10. C,C,C,C,E,E,C,C 22. E,E,E,E,C
11. C,E,C,C,C,E,E,C,C,C 23. C,E,C,C,E
12. C,C,C,E,E,C,E 24. C,E,E,C,E,C
25. E,E,C,C,C
26. C,E,C,E,C
27. E,C,E,E,C,E,C
28. E,E,E,C
29. C,E,E,C,C,E,C,C,C,E,C
30. E,E,E,E,C,E,C,E,C
31. C,C,E,E,C,E
32. E,E,E,C,C,C,E,C
33. E,E,C,E,E,C
34. E,C,C,E,C,C,C,E,E,C,C,E,E
35. C,C,C,C,C,C
36. E,C,C,E,C
37. E,E,E,C,E
38. C,E,E,E,C
39. E,E,E,E,C,E,E
40. E,C,E,E,E,C,C,C
41. C,C,E,E,E,C,E,E,C,E,E,C,E
42. E,C,E,E,C,E,C,C,C,C
43. C,C,C,C,C,C
44. C,C,C,C,E,C,C,E,C,E,C,E
45. E,C,C,C,E
46. E,C,E,C,E,C,E,C,E,C,C,C,
E,C,C,E,E,C,C,C,C,C,C,C,C,C,
E,C,E,C,C,E
MULTIPLA-ESCOLHA
01. ―O bagaço da cana é um produto tão valorizado quanto o álcool e o açúcar. Queimado às
toneladas em caldeiras gigantes, o expurgo produz o vapor que, transformado em energia elétrica,
garante não só auto-suficiência às usinas, como um excedente bastante rentável que atende ao
mercado e abastece as cidades‖.
Luciano Pires, Correio Braziliense.
A fonte de energia tratada no texto trata-se:
a) hidroelétrica
b) termoelétrica
c) biomassa
d) eólica
e)N.D.A
02. ―Um painel formado pelos mais respeitados especialistas em clima, conclamados pelas
Nações Unidas, declarou, em fevereiro de 2007, que não há dúvidas: nosso planeta está
esquentando. E por nossa culpa, os cientistas adiantaram algumas conseqüências desse
aquecimento. Haverá fome, seca, miséria, furacões e enchentes. A média do nível dos mares subia
cerca de 1,8 mm por ano entre 1961 e 2003. O aumento foi mais rápido entre 1993 e 2003, numa
média de 3,l mm. por ano. O relatório final deverá agora guiar uma ação global para salvar o
mundo.
O futuro do planeta foi traçado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas
(IPCC), que reúne uma elite de 2.500 dos principais pesquisadores de mudanças climáticas. Esse
comitê, formado em 1988, reúne-se regularmente para atualizar as informações sobre o clima. Nos
últimos quatro anos, os cientistas avaliaram os resultados das milhares de pesquisas realizadas
pelos principais centros e universidades do mundo. O objetivo do painel é extrair as maiores
certezas desses estudos. É por isso que o relatório final é tão relevante. E, diferentemente dos
anteriores, este é recebido por um mundo em estado de alerta. Fenômenos naturais atípicos
recentes, como a onda de calor na Europa e o fim da neve em estações de esqui, mudaram a
percepção mundial sobre ecologia. A preocupação dos ambientalistas, antes vista como alarmista,
tornou-se questão prioritária‖.
ENEN
Com relação ao tema tratado no texto, avalie as afirmativas a seguir:
I - O fenômeno, chamado de efeito estufa, é causado pela emissão de gases provenientes da
queima de combustíveis fósseis, como carvão e derivados de petróleo, além dos incêndios
florestais.
II – O presidente dos Estados Unidos da América, George W. Bush, surpreendeu o mundo em
janeiro de 2007, em seu discurso anual sobre o Estado da União, quando demonstrou uma ênfase
inédita na urgência de combater as mudanças climáticas, Bush disse que os Estados Unidos
devem investir mais em fontes alternativas de energia, tais como: eólica, solar, nuclear,
combustível de origem vegetal, como o etanol.
IIl- Segundo o IPCC as maiores alterações climáticas ocorrem no hemisfério norte, sendo as
populações nórdicas as mais atingidas do globo com secas, fome, sede e inundações.
Assinale:
(A) Se apenas afirmativa I está correta;
(B) Se apenas a afirmativa II está correta;
(C) Se apenas as afirmativas I e II estão corretas;
(D) Se apenas as afirmativas II e III estão corretas;
(E) Se as afirmativas I, II e III estão corretas.
03. ―A questão energética é preocupante não apenas pelo risco de um possível colapso, mas
também devido ao impacto ambiental. Construir uma hidrelétrica alaga a vegetação e afeta a fauna
e populações locais. No caso dos combustíveis fósseis, o relatório do Painel Intergovernamental de
Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em fevereiro de 2009, apontou a combustão desses
produtos como a principal causa do aquecimento global. Para entender o custo/benefício que o
fomento energético acarreta para a humanidade e a natureza, é preciso separar as fontes de
energia em renováveis e não-renováveis.―
ENEM.
Com relação ao tema tratado no texto, avalie as afirmativas a seguir:
I - Depender do petróleo como fonte de energia está se tornando inviável, pois, além do problema
ambiental, seus principais fornecedores são países politicamente conturbados, como a Venezuela
e o Iraque.
II - A necessidade de criar energia limpa a partir de matérias-primas que não se esgotam vem
aumentando por causa do aquecimento global.
III - A energia nuclear é considerada uma fonte limpa, apesar do lixo atômico que leva milhares de
anos para desaparecer e que a tecnologia para desenvolver essa energia é muito semelhante à
usada para criar armas nucleares.
Assinale:
(A) Se apenas afirmativa I está correta;
(B) Se apenas a afirmativa II está correta;
(C) Se apenas as afirmativas I e II estão corretas;
(D) Se apenas as afirmativas II e III estão corretas:
(E) Se as afirmativas I, II e III estão corretas.
04. ―Nas relações internacionais, o Brasil tenta agradar a gregos e troianos. Mantém relações
cordiais com o presidente da Venezuela, Hugo Chaves, ao mesmo tempo em que se aproxima
cada vez mais de George W. Bush, presidente dos Estados Unidos.
Na América Latina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe criticas dos vizinhos
Uruguai e Paraguai devido às negociações assimétricas no Mercosul. Em cima do muro, entre o
poder econômico norte-americano e o investimento da Venezuela no Cone Sul, o Brasil corre o
risco de perder a liderança na região.‖
ENEM.
Com relação ao tema tratado no texto, avalie as afirmativas a seguir:
I- A passagem de George W. Bush pelo Brasil, em março de 2007, serviu para promover o etanol
brasileiro, onde Bush e Lula assinaram um contrato de cooperação para a pesquisa tecnológica do
álcool e de outras biomassas.
II- Hugo Chávez é considerado o mais radical dos presidentes de esquerda da América Latina, que
usa o dinheiro da indústria petrolífera para investir nos países menos desenvolvidos do continente.
III- Em recente visita a Argentina, Obama, selou um acordo bilateral de comércio entre os EUA e
Argentina, o que vem inviabilizando o futuro do Mercosul, devido a aplicação da Tarifa Externa
Comum- TEC.
Assinale:
(A) Se apenas afirmativa I está correta;
(B) Se apenas a afirmativa II está correta;
(C) Se apenas as afirmativas I e II estão corretas:
(D) Se apenas as afirmativas II e III estão corretas;
(E) Se as afirmativas L II e III estão corretas.
05. ―De que o crescimento econômico será a questão central do segundo mandato do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ninguém mais tem dúvida. Com a consolidação da
estabilidade, 12 anos depois da implantação do Plano Real, formou-se um consenso: chegou a
hora de o Brasil voltar a crescer com vigor. Economistas, políticos, empresários e trabalhadores de
todos os matizes ideológicos - da esquerda radical à direita ultra liberal- estão convencidos da
necessidade de tratar o assunto com a mesma determinação com que se combateu a inflação.
Lula sabe que seu novo governo será julgado pela capacidade de trazer prosperidade ao
País nos próximos anos. Sem um crescimento vigoroso, o combate ao desemprego com a
melhoria das condições de vida de 20 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza
não passam de quimera.‖
ENEM.
Com relação ao tema tratado no texto, avalie as afirmativas a seguir:
I- O crescimento econômico é o principal indicador para avaliar o sucesso de um país na corrida do
mundo globalizado, pois países que crescem mais conseguem atrair mais investimento.
lI- Na tentativa de tirar o país da marcha desalentadoramente lenta, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva lançou em janeiro de 2007 o Programa de Aceleração do crescimento, o PAC, e delegou à
ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a condução do processo.
III- O Programa de Aceleração do Crescimento - PAC, é um conjunto de 37 medidas para acelerar
o crescimento através de investimentos superiores a R$ 500 bilhões em infra-estrutura até 2010,
corte de impostos, estímulos ao financiamento e fixação do limite para os gastos com
funcionalismo público.
IV- Uma nova formula adotada pelo IBGE para calcular o PIB revelou que o crescimento brasileiro
é sensivelmente maior. O que alçou o Brasil entre os países que mais crescem na América Latina.
Assinale:
(A) Se apenas afirmativa I está correta;
(B) Se apenas a afirmativa IV está correta:
(C) Se apenas as afirmativas I e III estão corretas;
(D) Se apenas as afirmativas II e IV estão corretas;
(E) Se as afirmativas I, II e III estão corretas.
06. ―O Brasil pegou carona, nos últimos anos, no chamado bloco dos BRIC's - também
integrado por Rússia, Índia e China. A sigla ganhou popularidade em 2003, quando o banco
americano de investimentos Goldman Sachs, que enxerga nesses países o pelotão de frente dos
emergentes, projetou um desempenho espetacular do grupo até 2050. Investir nos BRIC's seria
participar da grande e sólida fronteira de expansão da economia global.
Recentemente surgiu outro termo que ameaça o brilho dos BRIC's: CHÍNDIA, marca de um
fundo gerenciado pela consultoria de investimentos Ashburton. Como sugere o rotulo, o futuro
estaria reservado para a China e a Índia. Brasil e Rússia seriam coadjuvantes.‖
ENEM.
Com relação ao tema tratado no texto, avalie as afirmativas a seguir:
I- O Brasil é o único membro do "quadrado mágico" que está fora do clube nuclear e é retardatário
no setor aeroespacial.
lI- O progresso econômico da China e da Índia veio acompanhado de estragos ambientais. A China
já é o primeiro país que mais joga gases poluentes na atmosfera e a índia está em quinto lugar.
III- As imposições do Protocolo de Quioto, que impõe redução nas emissões de poluentes
indistintamente aos paises ricos e pobres, pode comprometer o crescimento da China, Índia e
Brasil.
IV- Ao contrário da Índia que apresenta 40% da sua população analfabeta, o Brasil investe
pesadamente na educação, com o intuito de qualificar seus técnicos e pesquisadores para atuarem
num mundo cada vez mais globalizado.
Assinale:
(A) Se apenas afirmativa II está correta;
(B) Se apenas a afirmativa IV está correta;
(C) Se apenas as afirmativas I e II estão corretas;
(D) Se apenas as afirmativas II e IV estão corretas:
(E) Se as afirmativas I, II e IV estão corretas.
07. ―O Tratado de Não-Proliferação Nuclear foi firmado em 1970, no período da Guerra Fria,
quando temia-se que o impasse entre Estados Unidos e União Soviética causasse a explosão de
uma bomba atômica. O objetivo do acordo é impedir a disseminação de armas atômicas e
promover o uso da tecnologia nuclear para gerar eletricidade. Dessa forma, os países sem armas
abririam mão desse direito em troca do desarmamento progressivo das potências nucleares e
membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: Rússia, Estados Unidos, China,
França e Reino Unido.
Atualmente, o documento tem 188 países signatários, entre eles as cinco potências. Mas
Índia e Paquistão se recusaram a participar da aliança, desenvolveram programas nucleares e
fizeram testes com artefatos explosivos. Israel, também fora do acordo, nunca admitiu nem negou
possuir armas nucleares. A Coréia do Norte, que não é mais signatária do documento, declarou
que realizou um teste subterrâneo em 2006 .O Irã faz parte do tratado, mas se recusa a desistir de
seu programa nuclear, pois alega que servirá apenas para gerar energia‖.
ENEM.
Com relação ao tema tratado no texto, avalie as afirmativas a seguir:
I- Desde que retomou o enriquecimento de urânio, em janeiro de 2006, o Irã tem sido foco das
inquietações internacionais. Como o governo iraniano insiste em seu programa, o conselho de
segurança da ONU votou um pacote de sanções militares ao país.
II- Alguns países do Ocidente, principalmente os EUA, suspeitam que o Irã pretende, na verdade,
desenvolver armas nucleares.
III- Depois das negociações na China, seis países fizeram concessões em uma tentativa de acordo
para acabar com o programa nuclear norte-coreano. Por 50 mil toneladas de combustível, ou o
equivalente a isso em dinheiro, e peças de reposição para usinas termelétricas, o regime
comunista mais fechado do mundo concordou em desativar o reator nuclear da usina de
Yongbyon. Por mais 1 milhão de toneladas, a Coréia do Norte se comprometeu a "desabilitar" suas
operações nucleares.
Assinale:
(A) Se apenas afirmativa I está correta;
(B) Se apenas a afirmativa II está correta;
(C) Se apenas as afirmativas I e II estão corretas;
(D) Se apenas as afirmativas II e III estão corretas:
(E) Se as afirmativas I, II e III estão corretas.
08. ―Economistas dizem que o Brasil vai mal na educação por um motivo: falta pensar no
futuro.
Cinco décadas separam a educação brasileira da de países emergentes como a China e
Coréia do Sul. A comparação com os países ricos coloca o Brasil em situação ainda mais
constrangedora: nesse caso, o atraso é de 120 anos. O que falta aos brasileiros é uma visão de
longo prazo sobre o problema.‖
Revista Veja.
Sobre a educação brasileira é correto afirmar que:
a) O Brasil alcançou recentemente uma grande vitória: a universalização da educação básica e a
melhora substancial na qualidade de ensino conforme dados do ENEM 2006.
b) Na tentativa de melhorar a educação brasileira, o atual governo lançou o Plano de
Desenvolvimento da Educação, que prevê a criação do Ministério da Educação infantil e do ensino
médio, dissociando assim a educação superior da educação básica.
c) Avaliações nacionais como o SAEB e o ENEM vem comprovando que apesar dos baixos
resultados dos alunos brasileiros, a educação vem melhorando ano após ano, principalmente na
escola pública.
d) O exame nacional de ensino médio é de caráter voluntário e tem como objetivo principal avaliar
o desempenho do aluno ao término da escolaridade básica.
09. ―A Alta magistratura brasileira está na berlinda. Depende dos ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF), e de mais ninguém, o uso das células-tronco embrionárias para pesquisa
de doenças hoje incuráveis. Ou seja, os rumos da ciência e da saúde pública no Brasil.
De um lado, os que defendem o direito à liberdade de pesquisa, ao progresso dos
tratamentos e à esperança de cura; de outro, aqueles que alegam defender o direito à vida com
base em valores éticos e religiosos.‖
Luiz Carlos Azedo, Correio Braziliense.
Sobre as pesquisas com células-tronco e aos temas com correlacionadas assinale a
alternativa incorreta.
a) A decisão do STF e tão difícil que pela primeira vez em 178 anos de existência, realizou-se uma
audiência pública para ouvir cientistas sobre a lei que autoriza a realização de pesquisas com
células-tronco embrionárias.
b) A pesquisa com células-tronco é a aposta dos cientistas para a cura de problemas cardíacos,
diabetes, derrame, mal de Chagas, mal de Parkinson, esclerose lateral amiotrófica, paraplegia
decorrente da secção da medula.
c) Por causa da polêmica, cientistas, intelectuais e personalidades preparam um manifesto em
defesa da pesquisa.
d) Nos EUA o presidente George W. Bush, vetou um projeto do Senado que reduzia as restrições
ao uso de dinheiro público em pesquisas de células-tronco embrionárias.
e) Em 2005 o congresso nacional brasileiro aprovou por esmagadora maioria, a regulamentação
da pesquisa com células-tronco, mas o presidente vetou a lei, alegando motivos de convicção
religiosa.
10. ―O Brasil mostra cada vez mais o seu lado feminino. As mulheres já são maioria da
população - do total de 184,38 milhões de habitantes; 51,26% são mulheres, contra 48,74 de sexo
masculino, de acordo com a síntese dos Indicadores Sociais de 2005, do Instituto brasileiro de
Estatística (IBGE).‖
Atualidades Vestibular.
Sobre as questões sociais e de gênero avalie as afirmativas a seguir:
I- Há décadas as mulheres conquistam postos de trabalhos tradicionalmente masculinos, como na
construção civil e na indústria. Mas a maior parte atua em setores terciários da economia.
Il- Um setor que demonstra ainda muita resistência aos avanços femininos é a atuação política.
Fato comprovado pelo resultado das ultimas eleições, onde poucas unidades da federação têm o
governo nas mãos de mulheres.
IlI- Há uma tendência de redução da família brasileira em face da redução da taxa de fecundidade.
IV- Quando se leva em consideração os indicadores cor e sexo conjuntamente, as mulheres
negras são o grupo social mais prejudicado no mercado de trabalho.
V - Uma das razões para a grande predominância feminina no Brasil é o número de nascimento de
crianças do sexo feminino, que em países tropicais se mostra acentuado.
Assinale:
(A) Se apenas as afirmativas I e III estão corretas;
(B) Se apenas a afirmativa I,II,III,IV está correta;
(C) Se apenas as afirmativas I e II estão corretas;
(D) Se apenas as afirmativas I, III e IV estão corretas;
(E) Se apenas a afirmativa V estiver incorreta.
11. ―O Brasil acumula sucessivos superávits em sua balança comercial. Em 2006 bateu-se o
quarto recorde consecutivo, com um saldo acima de 46 bilhões de dólares. O feito coroa uma
sucessão de superávits, que teve inicio em 2001, depois de cinco anos de balança deficitária.
Almanaque Abril.
Com relação ao cenário econômico nacional/internacional avalie as afirmativas a seguir.
I- Os saldos negativos da balança comercial no governo FHC pode ser explicado pela prioridade
de combate à inflação que manteve a cotação do dólar num patamar próxima a 1Real.
Il- Após 16 reduções consecutivas nas taxas de juros, o Conselho de Política Monetária – Copom,
anunciou uma nova tendência de alta, com vista elevar a cotação do dólar/real, de modo a
incentivar as exportações.
IlI- Os sucessivos recordes alcançados pela balança comercial brasileira têm reflexos no PIB
nacional que cresce a taxas comparadas aos países do BRlC's.
lV- Com a economia mundial vivendo excelente fase, os analistas esperavam uma participação
mais ativa do Brasil no mercado global. Isso não vêm ocorrendo por três motivos: as políticas
protecionistas dos países desenvolvidos; a recente valorização do real e ao atraso tecnológico
brasileiro que leva o país a exportar produtos com baixo valor agregado e a importar bens de alta
tecnologia e preços elevados.
Assinale:
(A) Se apenas a afirmativa II está correta;
(B) Se apenas a afirmativa IV está correta:
(C) Se apenas as afirmativas I e II estão corretas;
(D) Se apenas as afirmativas II e IV estão corretas;
(E) Se as afirmativas I e IV estão corretas.
(FCC) ―Avalia o ‗Financial Times‘ que o livre comércio é a maior vitima da eleição nos EUA,
apontando uma tendência em particular, ‗o nacionalismo econômico‘. Os que venceram senadores
republicanos em Ohio, Virginia e ‗Missouri fizeram campanha‘ contra o Livre comércio" e a
exportação de empregos, inclusive os acordos comerciais com o México e América Central.
O ‗Miami Herald‘ informa, porém, que a ameaça democrática é sobretudo aos acordos
bilaterais com a Colômbia e Peru, que ainda precisam de aprovação no Congresso. Nada contra
as preferências ao Brasil. É a avaliação também do jornal ‗Valor‘ ontem em destaque: Vitória
democrática facilita a renovação do Sistema Geral de Preferências".
Folha de São Paulo.
12. Com base no Contexto do sistema capitalista contemporâneo. É correto afirmar que a
tendência e a campanha a que o texto se refere estão em desacordo com:
(a) A política do protecionismo e a do Estado de Bem-Estar Social.
(b) A doutrina neoliberal e os princípios da globalização.
(c) O principio de soberania e o ideal de autodeterminação dos povos
(d) Os ideais democráticos e os princípios de estabilização da economia.
(e) A ideologia mercantilista e a doutrina econômica desenvolvimentista.
13. Considerando as relações de comércio Internacional, o sistema a que o texto se refere:
I- Permite aos países desenvolvidos conceder isenção ou redução do imposto de importação sobre
determinados produtos procedentes de países em desenvolvimento.
II- Defende a existência de regras de importação discriminatórias entre os países, inclusive quando
baseadas em cláusulas que garante tratamentos preferenciais aos países em desenvolvimento.
Prevê a importação. sem taxas, de todos os produtos enquadrados no programa e provenientes de
determinados beneficiários e territórios, ou seja, de países em desenyolvimento.
III- É uma concessão unilateral de países desenvolvidos a países em desenvolvimento - países
desenvolvidos oferecem, sem a exigência de reciprocidade, preferenciais tarifárias para uma
determinada relação de produtos.
IV- Tem por função principal facilitar a aplicação de regras de comércio internacional nas
negociações de isenção de tarifas de importação entre os países desenvolvidos e os em
desenvolvimento.
Está correto o que se afirma APENAS em:
(A) l, II e IV
(B) I, II e V
(C) I, III e IV
(D) II, III e V
(E) III, IV e V
14. (FCC) Especialistas em relações internacionais afirmam que. com a vitória dos democratas
nas eleições dos EUA.
I- É de se prever o apoio de Washington à retomada de negociações de paz entre Israel e os
palestinos, solução já buscada pelo Estado Hebreu, ainda que de forma unilateral.
II- A estratégia do novo Congresso será a de reforçar as tropas americanas no Iraque e esgotar
todas as possibilidades para evitar a derrota e resolver a situação na região.
III- O conceito de "eixo do mal" - Irã, Iraque e Coréia do Norte - deve ser progressivamente
atenuado, bem como o de "organização terrorista", para grupos como o Hamas e o Hesbollah.
IV- Haverá um amplo plano de pacificação do Oriente Médio para atrair o apoio de países
muçulmanos pró-Ocidente e pressionar o Irã e a Síria a abandonarem seus programas nucleares.
V- Parte do esforço de uma nova diplomacia será o de reparar danos graves infligidos ao próprio
sistema de alianças americano e, paulatinamente, buscar uma saída para o conflito iraquiano que
permita a retirada militar sem colapso do governo local.
Está correto o que se afirma APENAS em:
(A) I, II e lV
(B) I, III e IV
(C) I, III e V
(D) II, III e V
(E) II, IV e V
15. (FCC) Nos últimos cinco anos, no Brasil, o crescimento econômico criou empregos e
aumentou a renda. Além disso, o programa social Bolsa Família providenciou transferências de
renda para 7 milhões de famílias que vivem em situação de extrema ou moderada pobreza.
Relatório do PNUD: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
O texto identifica um dos critérios utilizados pelo PNUD em seu relatório de
Desenvolvimento Humano, em que aponta que o Brasil.
(A) Teve um dos melhores indicadores sociais no IDH com a política de distribuição de renda.
(B) Combinou forte desempenho econômico com o declínio da desigualdade e da pobreza.
(C) Foi o melhor dos países da América Latina no que se refere ao crescimento da economia.
(D) É considerado o país mais desigual da América do Sul, apesar do declínio da desigualdade.
(E) Focalizou a educação e o crescimento econômico como políticas de redução das
desigualdades.
Leia o Texto e responda as questões 16 e 17
―Na época de eleições, é oportuna a retomada do debate sobre a participação feminina no
espaço político e nas esferas do poder. Não é difícil constar as barreiras que as mulheres têm a
superar, visando sua plena integração na vida profissional. Isso somado à insignificância ou
mesmo desequilíbrio numérico verificado entre homens e mulheres no acesso ás diversas
instancias de decisão política e econômica.
É de domínio público que a economia do país vem passando por transformações no âmbito
da produção, traduzidas pela alteração das relações entre capital e trabalho. É também do
conhecimento de todos que os trabalhadores, mulheres e homens, vêm se desdobrando para
manter um nível de atualização e de qualificação profissional que os garanta. Em relação à força
de trabalho feminina, todavia, as disparidades permanecem constantes. Sublinhando a urgência de
ações afirmativas que conduzam a igualdade de oportunidades.
A expressão "ações afirmativas", segundo o conceito original, significa a adoção de um
conjunto de medidas para compensar, no presente, os efeitos provocados por atos discriminatórios
sucessivos e acumulados historicamente, que relegam parcela da população à categoria de
cidadãos de segunda classe.
Lucio de Alcântara. Folha de São Paulo.
16. O texto deixa claro que:
(A) As mulheres ainda não obtiveram participação efetiva na área política porque lhe falta
experiência, de certa forma, capacitação para isso.
(B) Na sociedade atual, as mulheres ainda encontram muita dificuldade para projetar-se como
individuo capacitado a desempenhar determinadas funções.
(C) A atual situação do mercado de trabalho deixa de lado as mulheres, ainda não totalmente
preparadas para enfrentá-lo, tal como os homens.
(D) No mercado de trabalho, entre nós, há enorme falta de pessoal capacitado e atualizado, quer
quanto aos homens, quer quanto as mulheres.
(E) A única possibilidade de uma vida profissional segura é enfrentar as dificuldades que se
apresentam, indistintamente, para homens e mulheres.
17. No texto, a expressão ações afirmativas.
(A) Confirma a grande diferença existente no numero de homens e mulheres atualmente, que se
reflete nas condições de trabalho.
(B) Reconhece que as mulheres, atualmente, têm conseguido superar os homens na solução de
problemas políticos e econômicos.
(C) Mostra que as mulheres representam uma força de trabalho realmente inferior à dos homens,
tendo em vista as exigências do mercado.
(D) Refere-se à possibilidade de as mulheres serem aceitas em situação de igualdade com os
homens no mundo do trabalho e da participação na sociedade.
(E) Pretende abrir oportunidades mais amplas para grande parte da população, homens e
mulheres, que seja profissionalmente qualificados e atualizados.
18. (CESPE) O progresso, da forma como vem sido feito, tem acabado com o ambiente ou, em
outras palavras, destruído o planeta Terra e a natureza. Criticas têm sido feitas por defensores do
chamado ―desenvolvimento sustentável", que consiste em:
(a) Conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental e, ainda, pôr fim à pobreza
do mundo.
(b) Intensificar o extrativismo vegetal e mineral dos países subdesenvolvidos, com o objetivo de
garantir o crescimento econômico global.
(c) Igualar os níveis de produção industrial dos países do terceiro mundo ao patamar de
crescimento econômico realizado nos países de primeiro.
(d) Utilizar todos os recursos naturais disponíveis, como forma de aumentar a exportação e
proporcionar superávit na balança comercial.
(e) Promover o aumento do extrativismo dos recursos naturais, como forma de intensificar a
produção mundial e o consumismo.
19. (FNDE) No ultimo ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido convocado para tomar
decisões que dizem respeito à organização do sistema político-partidário do pais. Uma dessas
decisões foi a que:
(a) baixou regras para a pesquisa com células tronco.
(b) definiu normas para o estabelecimento de um sistema bipartidário.
(c) estabeleceu regras de fidelidade partidária.
(d) fixou critérios para a extinção das pequenas agremiações partidárias.
(e) estabeleceu normas para a interdição geral de plebiscitos e referendos populares.
20. (FNDE) No Brasil, no período 1930/1980, ocorreu um processo de modernização
econômico, social e político que mudou suas estruturas tradicionais. Assinale a alternativa que
indica corretamente uma mudança ocorrida nesse período.
(a) Passou da coexistir o modelo estruturado pelo mercado externo com o modelo voltado para o
mercado interno.
(b) Passou do modelo do Estado mínimo para o modelo do Estado intervencionista.
(c) Passou do modelo de substituição das importações para o modelo primário exportador.
(d) Passou do modelo dependente dos investimentos de capital externo para o modelo de
investimento estatal.
(e) Passou do modelo de produção fordista para o modelo de produção ―Just in time‖.
21. "O desenvolvimento da economia industrial ocorre por meio de ciclos de inovação
tecnológica. Sucessivos ciclos tecnológicos resultaram na ampliação da capacidade produtiva das
sociedades industriais".
Demetrio Magnoli e Regina Araújo - Geografia, a construção do mundo.
A respeito das inovações tecnológicas que aceleraram a expansão das sociedades industriais,
avalie as afirmativas a seguir:
I - Na segunda metade do século XIX, a invenção do dínamo abriu o caminho para a produção da
eletricidade.
II - No final do século XVIII, a máquina a vapor usando o carvão substitui o trabalho muscular pelo
trabalho mecânico.
III - Nas primeiras décadas do século XX, a difusão do motor de combustão interna determinou a
importância do petróleo.
IV - Na segunda metade do século, o reator nuclear realizou a fissão do átomo para produzir
energia.
Assinale:
(a) Se apenas as afirmativas I, II e III estiverem corretas.
(b) Se apenas as afirmativas I, III estiverem corretas.
(c) se todas as afirmativas estiverem corretas.
(d) Se apenas as afirmativas I, e IV estiverem corretas.
(e) Se apenas as afirmativas I, II e IV estiverem corretas.
22. Assinale a alternativa que relaciona as fontes de energia renováveis e que não produzem
os gases do efeito estufa.
(a) carvão, biomassa e energia eólica.
(b) geotérmica, gás natural e fissão nuclear.
(c) energia solar, energia eólica e hidráulica
(d) lenha, etanol e energia das marés.
(e) petróleo, energia gravitacional e hulha.
23. (ANAC) O relatório Mundial do clima, divulgado anualmente, adverte que as populações
mais pobres do hemisfério sul serão as mais atingidas pelos impactos do aquecimento global.
Sobre os impactos previstos por esse relatório, avalie as afirmativas a seguir:
I - Na África, até 2020, as alterações climáticas irão agravar a falta de chuvas em algumas regiões,
o que reduzirá as áreas cultiváveis, certamente, aumentara os problemas do abastecimento
alimentar.
II - Na Ásia, o degelo do Himalaia irá provocar inicialmente, grande cheia e, a medida que as
geleiras forem desaparecendo, haverá escassez de água para mais de 1 bilhão de pessoas.
III - Os efeitos das mudanças climáticas e a destrutiva ação humana devem vencer a capacidade
dos ecossistemas de absorverem os impactos ambientais e as populações das regiões mais
pobres serão mais penalizadas.
IV – O desmatamento na Amazônia, embora seja extremamente ameaçador, não tem vínculo com
a formação de chuvas que ultimamente tem causado muito pânico e destruição nos grandes
centros brasileiros.
Analise os itens acima e assinale
(a) Se apenas a afirmativa I está correta.
(b) Se apenas a afirmativa II esta correta.
(c) Se apenas as afirmativas I e III estão corretas.
(d) Se apenas as afirmativas I e II estão corretas.
(e) Se apenas as afirmativas I, II e III estão corretas.
(CESPE) Leia o Texto e responda as questões 24 e 25
Os industriais norte-americanos esperam convencer a Federação das Indústrias de São
Paulo a juntar esforços buscando uma redução maior de tarifas de importação do setor
manufatureiro, na Rodada Doha de negociações comerciais, para a liberalização do comércio
global no âmbito da Organização Mundial do Comércio.
Nos dois encontros ocorridos em março, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George
W. Bush, disseram que não vão aceitar nada menos que um acordo abrangente para Doha. "Acho
que nesse caso não há plano B. Ou temos um plano A ou não há acordo", disse Lula a Bush na
residência oficial de Camp David.
GazetaMercantil.
24. Tomando como referência inicial o texto apresentado, assinale a opção correta
relativamente ao desenvolvimento das negociações da Rodada de Doha.
(A) Iniciada em 2001 na capital do Catar, a Rodada de Doha vem avançando de forma rápida no
sentido da liberalização do comércio internacional.
(B) Os produtos agrícolas, nas economias mais avançadas do capitalismo, têm tarifas de
importação e políticas de subsídios semelhantes às dos produtos industriais. :
(C) A força da economia da China e seu protagonismo nas negociações de Doha se justificam pelo
fato de que esse país se constituiu como uma potência agrícola.
(D) O capítulo agrícola nas negociações da Rodada de Doha é relevante para o desenvolvimento
de países menos industrializados e que gozam de menos privilégios no comércio internacional.
(E) A inexistência de políticas protecionistas nas economias do centro do capitalismo global é um
estímulo à retomada das negociações da Rodada de Doha no corrente ano.
25. Considerando o texto apresentado, assinale a opção correta relativamente ao papel do
Brasil nas negociações da Rodada de Doha e nas relações com os Estados Unidos da América
(EUA).
(A) O Brasil, seguindo as teses dos setores industriais estadunidenses, vem flexibilizando
rapidamente suas tarifas de importação.
(B) Ao exercer papel de liderança nas negociações da Rodada de Doha, o Brasil vem insistindo na
necessidade de maior liberalização comercial dos países avançados, especialmente no capítulo
agrícola.
(C) Os EUA, porque têm hoje uma indústria bem consolidada, abandonaram completamente as
políticas protecionistas nessa área.
(D) Os encontros dos chefes de Estado do Brasil e dos EUA sinalizam a aceitação automática pelo
Brasil das teses estadunidenses para a América Latina.
(E) O encontro de Camp David, nos EUA, entre os presidentes Bush e Lula, denota a existência de
forte tensão e de visões estruturalmente distintas dos temas econômicos globais entre os dois
países, particularmente em matéria energética.
26. Euforia é o nome para o que vem dominando os mercados financeiros mundiais nos
últimos meses. Mercado asiático nervoso, hipotecas imobiliárias norte-americanas gerando
desconfiança e dólar desvalorizado no Brasil compõe a cena. A respeito desse tema, assinale a
opção correta.
(A) A economia global é sempre previsível e coerente no seu processo de expansão.
(B) A pujança da economia estadunidense não permite prever qualquer oscilação que envolva
problemas com o sistema das hipotecas imobiliárias.
(C) O Brasil, ante a valorização do dólar, assiste a um imediato e crescente ganho aquisitivo, em
proporções elevadas, da população mais pobre.
(D) O FMl, órgão regulador financeiro internacional, está aparelhado técnica e politicamente para
evitar qualquer crise de grande proporção nas finanças globais.
(E) A desregulamentação do setor financeiro internacional e a emergência de pólos novos de
poder econômico global são elementos da imprevisibilidade que vem preocupando as finanças
internacionais.
27. (Funiversa) ―Não é mais um sonho impossível. Com maior volume de recursos desde a
década de 70, os financiamentos imobiliários abrem caminho para a casa própria para mais de 1
milhão de brasileiros.‖
Revista Veja.
Assinale a alternativa correta em relação ao tema.
(A) A tendência anunciada de aumento dos financiamentos imobiliários no Brasil não se
concretizou. A crise no setor imobiliário americano, no segundo semestre de 2008, causou uma
forte redução do volume de dinheiro disponível para esse tipo de financiamento.
(B) O setor de construção civil, responsável por 10% do PIB brasileiro, preferiu investir em obras de
infra-estrutura promovidas pelo setor público brasileiro. Tal decisão acarretou aumento nos índices
de consumo de cimento e salários de mão-de-obra. Isso ocasionou baixa oferta de imóveis
residenciais e, conseqüentemente, em baixa utilização de crédito.
(C) A queda nos juros dos financiamentos imobiliários para a compra da casa própria no governo
Lula, assim como o pagamento de parte do financiamento pelo estado, esta expressa no programa
―minha casa minha vida‖.
(D) O baixo preço dos alugueis residenciais, em comparação ao valor dos imóveis, faz com que a
população prefira alugar a comprar. Além disso, os contratos de locação obrigam o locador a se
responsabilizar pelo pagamento das taxas mensais de rateio de despesas do condomínio.
(E) Uma das dificuldades encontradas pelos compradores de imóveis é que os financiamentos
imobiliários têm prazo curto de duração, podendo chegar, no máximo, a 5 anos.
28. (FUNIVERSA) ―R. S. O., de 9 anos de idade, nunca foi à escola. Desde os 6 anos, ele
ajuda o pai a encher caixas de tomate colhido em lavouras na zona rural de Ribeirão Branco, no
sudoeste de São Paulo. Boia-fria e analfabeto, o pai, João dos Santos Oliveira, 44 anos de idade,
não pode abrir mão da ajuda do filho. Sem residência fixa, muda de uma cidade para outra, atrás
de serviço nas colheitas de tomate e batata, dormindo em acampamentos. [...]‖
José Maria Tomazela O Estado de São Paulo.
Tomando o texto como referência e acerca das desigualdades sociais e regionais no Brasil,
assinale a alternativa correta.
(A) Em São Paulo, a saturação do mercado de trabalho freou abruptamente os intensos fluxos
migratórios de nordestinos que para lá se dirigiram, especialmente a partir de 1950. Por
consequência, o Nordeste tornou-se a região brasileira de maior índice de urbanização.
(B) Diferentemente do Nordeste, os estados da região Sul não padecem de problemas como o
citado no texto. Ali, o processo de colonização deu-se de forma diferente, tendo sido impedida a
formação dos grandes latifúndios, a exemplo do que ocorreu em estados como Pernambuco e
Bahia.
(C) O combate às desigualdades regionais deve ocorrer em âmbito estadual e municipal, já que, de
acordo com a atual Constituição brasileira, não cabe à União nenhuma participação nesse
processo, pois estados e municípios recebem verbas federais e devem utiliza-Ias para esse fim.
(D) Não obstante a gravidade da situação que se percebe em vastas regiões do Brasil, são
registrados avanços em diversos setores sociais. Mortalidade infantil e expectativa de vida, por
exemplo, vêm apresentando significativa melhoria nos últimos anos.
(E) Percebe-se, do texto, que o trabalho infantil, no Brasil, era uma realidade até alguns anos atrás.
Entretanto, a partir de uma maior ação do Estado e do surgimento de legislação mais eficiente, o
trabalho de crianças foi erradicado do contexto nacional.
29. (FUNIVERSA) Ao longo de 2007, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas
(IPCC, na sigla em inglês) tornou-se uma das referências mais citadas nas discussões acerca de
mudanças climáticas. O órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou quatro
capítulos que, juntos, formam um relatório completo a respeito do aquecimento global hoje.
O IPCC é um órgão composto por delegações de 130 governos para prover avaliações
regulares relativas à mudança climática. Nasceu em 1988, da percepção de que a ação humana
poderia estar exercendo uma forte influência sobre o clima do planeta e que é necessário
acompanhar esse processo.‖
Entenda o que é o IPCC e suas conclusões - Internet
Acerca da questão ambiental no Brasil e no mundo, assinale a alternativa incorreta.
(A) O relatório mencionado no texto acima gerou tanta repercussão que, em 2007, o comitê de
premiação do Nobel resolveu conceder o Prêmio Nobel da Paz ao IPCC, juntamente com o ex-
vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore.
(B) Por chuva ácida, entende-se o processo de precipitações poluídas, em áreas de forte
mecanização das atividades agrícolas, decorrentes do uso de pesticidas por aviões.
Contaminadas, as nuvens, ao se condensarem, provocam precipitações altamente nocivas.
(C) As origens do aquecimento global são questionadas. Muitos cientistas defendem que as
causas são, basicamente, naturais. De outro lado, há os que reafirmam a culpa quase exclusiva
das ações antrópicas no aumento da temperatura do planeta.
(D) No Brasil, o uso de queimadas no desflorestamento de vastas áreas, em especial na Amazônia
e no Centro-Oeste, é responsável por significativa parcela da emissão de gases de efeito estufa
gerado no país.
(E) O advento dos motores bi-combustíveis, também conhecidos como flex, constitui-se uma
interessante alternativa na luta pela redução da emissão de poluentes, estando o Brasil em uma
posição de vanguarda na produção dos combustíveis verdes.
30. (FUNIVERSA – HFA - 2009) ―Do ponto de vista econômico, a soma das imensas mais
pouco povoadas regiões do Centro-Oeste e Norte representa pouco menos que o Rio de Janeiro.
O PIB do estado de São Paulo equivale a cerca de três vezes o PIB dos estados nordestinos e
atinge quase o dobro do PIB dos três estados sulistas. A hegemonia paulista, engendrada nos
tempos do café, permanece absoluta.‖
D. Magnoli e Regina Araújo. Geografia, a construção do mundo.
A respeito da questão abordada no texto e de outros assuntos correlatos, assinale a alternativa
incorreta.
(A) Apesar de ainda manter a liderança absoluta em termos de produção industrial, São Paulo vem
apresentando um declínio relativo recente, em função do aumento da produção, em outros
estados, em ritmo superior ao da economia paulista.
(B) A Zona Franca de Manaus permitiu à cidade agregar, à sua velha função portuária, novo papel
de pólo comercial e industrial regional, polarizando vasta área na Amazônia Ocidental.
(C) Se a expressão "o PIB dos estados nordestinos" fosse substituída por o PIB dos dez estados
nordestinos, o texto manter-se-ia correto em termos geográficos.
(D) No Nordeste, o processo de modernização econômica tomou, nos últimos anos, novo
dinamismo, de que é exemplo a agricultura irrigada no Vale do São Francisco, em especial nas
regiões de Petrolina (PE) e de Juazeiro (BA).
(E) No Sudeste, visto genericamente como uma região moderna e desenvolvida, ainda
permanecem bolsões de pobreza e de atraso, como é o caso do Vale do Jequitinhonha, em Minas
Gerais, à margem do processo de crescimento regional.
31. O documento que substituirá o Protocolo de Kyoto começará a ser negociado. Para reduzir
os impactos das mudanças climáticas, o novo acordo, que entrará em vigor em 2012, deverá ter
metas mais ousadas e incluir os países em desenvolvimento, como o Brasil.
Brasil, o país do biocombustível e da Amazônia abandonou o pioneirismo do movimento de
proteção ambiental. Mesmo assim, o Brasil possui suas vantagens ambientais, pode-se citar
algumas delas que são:
(A) Temos um avançado código florestal, que impede o avanço da fronteira urbana em áreas de
preservação e também somos um dos líderes em tecnologia agrícola e temos tecnologia para
adaptar plantas às mudanças climáticas.
(B) Cerca de 45% de nossos veículos são movidos a partir de fontes renováveis, como álcool e
biodiesel e boa parte das usinas usa carvão vegetal feito por desmatamento do Cerrado e da
Amazônia.
(C) Não há fontes de recursos permanentes para ampliar a rede de metrôs, trens e a malha de
ônibus e temos um avançado código florestal, que impede o avanço da fronteira urbana em áreas
de preservação.
(D) O desmatamento oscila de acordo com o mercado de madeira, carne e grãos e boa parte das
usinas usa carvão vegetal feita por desmatamento do Cerrado e da Amazônia.
(E) Temos uma matriz energética exemplar, com mais de 80% de nossa energia produzida por
hidrelétricas e planejamos construir barragens com pequeno impacto ambiental.
32. Leia as proposições abaixo, referentes ao sistema de TV digital no Brasil.
I. O sistema de TV digital permite que o sinal seja transmitido a aparelhos móveis de forma
gratuita, mas os celulares brasileiros ainda não estão adaptados para receber esse sinal.
II. As emissoras de TV pressionam o governo para que não seja instalado, no sistema de TV
digital, um dispositivo de bloqueio de gravação do usuário. Elas afirmam que isto incomodaria os
usuários já acostumados à possibilidade de gravação de programas, afastando-os do hábito de
assistir televisão.
III. As transmissões do sinal analógico continuam até 2016. Só a partir dessa data é que todos os
aparelhos terão de ser digitais.
É correto o que se afirma
(A) somente em I.
(B) somente em II.
(C) somente em III.
(D) somente em I e II.
(E) somente em I e III.
33. De acordo com notícias recentes, o FMI (Fundo Monetário Internacional) deu empréstimos
de emergência a alguns países. E mais importante: concedeu esses empréstimos sem
condicionalidades. Ao contrário de outras crises, nesta ele não fez acordos com mil exigências.
Deu um empréstimo à Islândia de 6 (seis) bilhões de dólares, que é igual a 800% (oitocentos por
cento) a cota do país no fundo. Concedeu outro empréstimo à Ucrânia, recebeu pedidos de ajuda
do Paquistão e poderá receber muitos outros.
O FMI, que andava sumido dos cadernos econômicos, tem vários objetivos. Assinale a
alternativa incorreta sobre esses objetivos.
(A) Promover a cooperação monetária internacional, fornecendo um mecanismo de consulta e
colaboração dos problemas financeiros.
(B) Favorecer a expansão equilibrada do comércio, proporcionando níveis elevados de emprego,
trazendo desenvolvimento dos recursos produtivos.
(C) Oferecer ajuda financeira aos países membros em dificuldades econômicas, emprestando
recursos com prazos limitados.
(D) Contribuir para a instituição de um sistema multilateral de pagamentos e promover a
estabilidade dos câmbios.
(E) Oferecer ajuda financeira a qualquer país que esteja em dificuldade econômica, emprestando
recursos com prazos determinados.
GABARITO
1. C
2. C
3. E
4. C
5. E
6. A
7. C
8. D
9. E
10. B
11. E
12. B
13. C
14. C
15. B
16. B
17. D
18. A
19. C
20. A
21. C
22. C
23. E
24. D
25. B
26. E
27. C
28. D
29. B
30. C
31. E
32. E
33. B