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MONTEIRO LOBATO _1882 – 1948_

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12/3/2011
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MONTEIRO LOBATO

(1882 – 1948)

José Bento Monteiro Lobato

Principais obras:

 Contos: Urupês (1918); Cidades mortas

(1919); Negrinha (1920).

 Literatura infanto-juvenil: Reinações de

Narizinho (1931); Viagem ao céu

(1932); As caçadas de Pedrinho (1933);

Geografia de Dona Benta (1935);

Histórias de tia Nastácia (1937) = Sítio

do Pica-Pau Amarelo

Monteiro Lobato



 Extraordinária figura de intelectual e

homem de ação (escritor + editor +

empresário + fazendeiro), polemista de

mão cheia, errando e acertando com a

mesma ênfase, Monteiro Lobato é um

dos grandes nomes da Literatura

Brasileira do início do século XX.

A polêmica do petróleo



 “O escândalo do petróleo” (1936)= Na

luta pela defesa das reservas naturais

brasileiras, que vinham sendo inescru-

pulosamente exploradas por grandes

empresas multinacionais, denúncia o

jogo de interesses que envolvia a

extração do petróleo e o envolvimento

das autoridades brasileiras com os

interesses internacionais.

ARTIGO & POLÊMICA



 “Paranóia ou mistificação” (1917- O

Estado de São Paulo) = Critica

conservadora e violenta a exposição de

pintura expressionista (arte moderna)

de Anita Malfatti, pintora paulista

recém-chegada da Europa,

considerando seu trabalho resultado de

uma deformação mental.

“Paranóia ou mistificação”



 “Há duas espécies de artistas. Uma

composta dos que vêem normalmente

as coisas e em conseqüência disso

fazem arte pura, guardando os eternos

ritmos da vida, e adotados para a

concretização das emoções estéticas,

os processos clássicos dos grandes

mestres. [...]

“Paranóia ou mistificação”

 [...] A outra espécie é formada pelos

que vêem anormalmente a natureza, e

interpretam-na à luz de teorias

efêmeras, sob a sugestão estrábica de

escolas rebeldes, surgidas cá e lá como

furúnculos da cultura excessiva. São

produtos do cansaço e do sadismo de

todos os períodos de decadência: são

frutos de fins de estação, bichados ao

nascedouro. [...]

Obras de Anita Malfatti

A literatura geral

de Monteiro Lobato

 Destacam-se Urupês – Cidades mortas

– Negrinha.

 Livros de contos com a ambivalência

pré-modernista:

 Temática nova.

 Técnica narrativa e linguagem

tradicionais.

URUPÊS (1918)

URUPÊS

Esse livro de contos, considerado por

muitos como a obra-prima de Monteiro

Lobato, tornou-se um clássico da

literatura brasileira. É um fenômeno

sem precedente que provoca um

terremoto literário, outro sociológico e

outro político. A primeira edição,

lançada em 1918 foi toda ilustrada

pelo próprio Lobato.

URUPÊS

São vários contos retratando aspectos

da realidade brasileira nos quais

denuncia, numa linguagem vigorosa, o

drama da exclusão social que ainda

persiste no Brasil pós Lobato. Velha

Praga é uma reportagem sobre os

grandes incêndios produzindo estragos

na lavoura e na economia do país,

comparáveis a uma grande guerra.

URUPÊS





Refere-se ao nosso caboclo como

"funesto parasita da terra... inadaptável

à civilização". Em Urupês, Monteiro

Lobato contrapõe aos heróis da

literatura indigenista o caboclo, o pobre

Jeca Tatu, indiferente ao

desenvolvimento do país.

URUPÊS



O livro provocou muita polêmica por seu

conteúdo racista. Mais tarde, Lobato

reconheceu que o retrato do caboclo era

injusto, que a culpa não era do Jeca mas

sim daqueles que eram os verdadeiros

responsáveis pela sua miséria e

abandono.

URUPÊS



Contos: Os faroleiros - O engraçado

arrependido - A colcha de retalhos - A

vingança da peroba - Um suplício moderno

- Meu conto de Maupassant - Pollice verso

- Bucólica - O mata-pau - Boca torta - O

comprador de fazendas - O estigma - Velha

Praga - Urupês

JECA TATU



 Símbolo do caboclo – preguiçoso na

primeira versão, doentio e subnutrido a

partir das demais versões - , a ponto de

tornar-se o personagem literário mais

famoso do país. Ainda hoje Jeca

significa o caipira desengonçado, o

matuto palerma, o ser rústico contrário

à civilização moderna.

JECA TATU

 Jeca Tatu surge no pequeno ensaio

que fecha Urupês. A visão caricatural é

tão terrível que Sérgio Milliet diz ser o

personagem uma “vingança do

fazendeiro malogrado” (frustrado por

prejuízo). Monteiro, de fato, não poupa

o caboclo paulistano. Apresenta-o como

incapaz, sem iniciativa, preguiçoso,

boçal, fatalista, preso a superstições e

crendices.

JECA TATU

 “Raça a vegetar de cócoras, incapaz de

evolução, impenetrável ao progresso.”

 “Vive apenas do que a natureza

esparrama pelo mato.(...) Seu grande

cuidado é espremer todas as

conseqüências da lei do menor

esforço.”

 “Cultiva a deusa Cachaça, divindade

que entre eles ainda não encontrou

heréticos.”

JECA TATU

 Mais tarde, Lobato procurou

compreender melhor o caboclo, vendo-

o mais como vítima do atraso do que

propriamente como causador da

miséria nacional.

CIDADES MORTAS (1919)

CIDADES MORTAS



Foi publicado originalmente em 1919 numa

edição da Revista do Brasil. Reúne os

primeiros escritos de Lobato, ainda

estudante em Taubaté, e contos que

escreveu antes de seguir para os Estados

Unidos para ocupar um posto no

Consulado brasileiro em Nova Iorque.

CIDADES MORTAS

Nos contos transparece a transição na

agricultura brasileira provocada pela

grande crise do café, ocorrida em 1929. É

um retrato bem nítido do que era São Paulo

nos anos 20. Numa pintura realista, mostra

as cidadezinhas decadentes do Vale do

Paraíba, onde brilhara a civilização do café,

as quais vão sendo abandonadas pelos

fazendeiros, comerciantes e autoridades,

restando apenas o caboclo.

CIDADES MORTAS

Contos: Cidades mortas - A vida em Oblivion -

Os perturbadores do silêncio - Vidinha ociosa -

Cavalinhos - Noite de São João - O pito do

reverendo - Pedro Pichorra - Cabelos compridos

- O resto de onça - Porque Lopes se casou - Júri

na roça - Gens ennuyeux - O fígado indiscreto -

O plágio - O romance do chopin - O luzeiro

agrícola - A cruz de ouro - De como quebrei a

cabeça à mulher do Melo - O espião alemão -

Café! Café! - Toque outra - Um homem de

consciência - Anta que berra - O avô do Crispim

- Era no Paraíso - Um homem honesto - O rapto

- A nuvem de gafanhotos - Tragédia dum capão

de pintos.

NEGRINHA (1920)

NEGRINHA



Muitos consideram que neste livro estão os

melhores contos escritos por Lobato. Sem

dúvida são os mais emotivos e que mais

agradaram ao público. Alguns contos

foram escritos antes de sua viagem aos

Estados Unidos, outros depois do retorno.

NEGRINHA

O livro contém verdadeiras preciosidades

no tratamento do idioma e os personagens

são mais urbanos e mais mundanos que os

dos livros anteriores. Segundo Alfredo Bosi,

é um livro heterogêneo onde reponta com

maior insistência o documento social

acompanhado do costumeiro sentimento

polêmico e da costumeira vontade de

doutrinar e reformar.

NEGRINHA

Contos: A primeira edição de Negrinha continha

os seguintes contos: Negrinha - Fitas da vida - O

drama da geada - O bugio moqueado - O

jardineiro Timóteo - O colocador de pronomes.

Edições posteriores incluem: O fisco - Os negros

- Barba Azul - Uma história de mil anos - Os

pequeninos - A facada imortal - A policitemia de

Dona Lindoca - Duas cavalgaduras - O bom

marido - Marabá - Fatia de vida - A morte do

Camicego - Quero ajudar o Brasil - Sete grande -

Dona Expedita - Herdeiro de si mesmo.

LITERATURA INFANTIL

 Monteiro Lobato foi um dos primeiros

autores de literatura infantil em nosso

país e em toda a América Latina.

Personagens como Narizinho,

Pedrinho, a boneca Emília, Dona Benta,

Tia Nastácia, o Visconde de Sabugosa

e o porco Rabicó ficaram conhecidas

por inúmeras gerações de crianças em

vários países.

LITERATURA INFANTIL

 Na década de 1970, as histórias da

turma foram adaptadas para a tevê e

levadas ao ar no programa seriado O

Sítio do Pica-pau Amarelo, sendo

reapresentadas em momentos

posteriores. Tal qual no conjunto de

suas obras, também na produção

infantil Lobato aproveita para transmitir

às crianças valores morais,

conhecimentos sobre nosso país,

nossas tradições, nossa língua.

LITERATURA INFANTIL

 Além de misturar realidade e fantasia

em doses sábias, Lobato soube

valorizar o universo brasileiro,

utilizando-se de referenciais mais

próximos das crianças brasileiras do

que a mitologia e a paisagem

européias. Em seu sítio, não há apenas

matos, riachos, animais costumes

interioranos. Há neles também sacis,

cucas, caiporas e mulas-sem-cabeça.

LITERATURA INFANTIL

 Pode-se afirmar que o escritor

nacionalizou o imaginário infantil do

país. A postura compreensiva de Dona

Benta e a simplicidade generosa de Tia

Nastácia e do Tio Barnabé garantem a

ausência do moralismo adulto,

corriqueiro na literatura infantil da época

e que, conseqüentemente, subordinava

a inventividade e a liberdade das

crianças aos valores repressivos da

família patriarcal.

LITERATURA INFANTIL

 A linguagem é coloquial e acessível, sem,

entretanto, cair na banalidade estilística que

aparece em boa parte da literatura infantil

brasileira até hoje. Mesmo que os tempos

tenham evoluído e certas informações

contidas nessa produção literária já estejam

ultrapassadas, vale lembrar que a literatura

infantil de Lobato exerceu, durante 50 anos,

a insubstituível função de despertar o gosto

pela leitura em milhares de crianças

brasileiras. Assim, essa literatura merece ser

sempre lembrada e lida.

LOBATO: PATERNALISMO

OU PRECONCEITO?



 Especialistas em educação infantil

vêem hoje com reserva alguns dos

valores transmitidos pela literatura

infantil de Lobato, especialmente no

tratamento dado à negra e serviçal

Nastácia.

LOBATO: PATERNALISMO

OU PRECONCEITO?

 A pesquisadora Marisa Lajolo, contudo,

lembra que esse tratamento é

contraditório. Em algumas situações a

negra (Tia Nastácia) é tratada de forma

carinhosa e até paternalista pelos

membros da família, enquanto em

outras é discriminada e maltratada,

como ocorre freqüentemente em

diálogos com a boneca Emília.

LOBATO: PATERNALISMO

OU PRECONCEITO?

 “ – Cale a boca! [...] Você só entende

de cebolas e alhos e vinagres e

toicinhos. Está claro que não poderia

nunca ter visto fada porque elas não

aparecem para gente preta. Eu, se

fosse Peter Pan, enganava Wendy

dizendo que uma fada morre sempre

que vê uma negra beiçuda...

LOBATO: PATERNALISMO

OU PRECONCEITO?

 - Mais respeito com os velhos, Emília! –

advertiu Dona Benta. – Não quero que

trate Nastácia desse modo. Todos aqui

sabem que ela é preta só por fora.



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