A RELAÇÃO ENTRE A FÉ DRUSA E OUTRAS RELIGIÕES
Por
Xeique Anwar F. Abi-Khzam
Ph.D.Prof. na Universidade Libanesa
INTRODUÇÃO
ISLÃ
CRISTIANISMO
JUDAÍSMO
HINDUÍSMO
OS GREGOS
EPÍLOGO
BIBLIOGRAFIA
INTRODUÇÃO
Desde tão cedo, foi acreditado que a comunidade dos Drusos possuía uma
doutrina religiosa independente, e que é totalmente diferente de outras religiões. Esta
convicção era a razão básica pela qual a opinião pública justificou o fato dos membros
desta seita manterem-na em segredo total. Porém, em tal convicção falta precisão, e uma
análise profunda na cultura dos Drusos pode revelar muitos pontos em comum entre esta
religião e outras religiões. De fato, os xeiques dos Drusos preferem considerar o Dogma
deles uma seita ou um comportamento Sufi, em lugar de uma religião. Este ponto
de visão não está longe da realidade, e há um acordo entre os escritores Drusos que
admitem que o culto dos Drusos é nada mais que uma herança que provém da cultura de
Ishmaili-Fatimid, pela qual marcou o pensamento islâmico em seus aspectos
característicos. Ainda, a relação entre esta seita e a herança islâmica não é tudo; há outras
conexões com Cristianismo, Judaísmo e um pouco de filosofias orientais.
Nós apontamos aqui estas relações que nos darão uma visão clara sobre esta
doutrina particular.
ISLÃ
A fé Drusa originou-se e evoluiu em uma atmosfera totalmente islâmica. É escrito
em uma de suas Epístolas que o Califa de Fatimid (o Príncipe dos Crentes) Al Hakim Bi
Amr Allah, declarou que toda pessoa em seu reino tinha o direito de adotar a religião
que quisesse. Este decreto tornou possível que alguns pregadores de Ishmaili
construíssem um novo dogma. Este dogma herdou quase todos os ensinos Ishmaili e
modificou certas regras.
O decreto declarou:
Remova as causas de medo e alienação de vocês mesmos. Anule a corrupção, a ilusão e
a conformidade. Esteja certo que o Príncipe dos Crentes deu a você livre arbítrio, e
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os poupou das dificuldades de disfarçar e esconder suas verdadeiras convicções, de forma
que quando trabalham possam manter suas ações puras para com Deus. Ele tem feito
assim de forma que, quando você renuncia previamente suas convicções e doutrinas
realmente não se apoiará em tal causa de impedimentos e pretensões. Ao encarregar a
você a realidade da sua intenção, o Príncipe dos Crentes o poupou qualquer desculpa para
fazer isso. Ele lhe permitiu que declarasse sua convicção abertamente. E vocês estão
agora protegidos de qualquer mão que possa tentar machucar vocês. Vocês podem
descansar agora pois vocês tem a garantia dele de que não serão prejudicados. Deixe que
esses que aqui estão presentes carreguem esta mensagem à todos que estão ausentes, de
forma que isto possa ser conhecido por ambos, os distintos e as pessoas comuns. Se
tornará uma regra assim a gênero humano; e que a Divina Prudência prevaleça durante
todos os dias até o fim.
O tempo era o começo do 11º século A.D., o lugar era Cairo, o capital do Egito,
pela Era da Dinastia de Fatimid durante o reinado do califa Al Hakim Bi Amr Allah. Nós
temos evidências claras que este califa, concedeu à esta nova Chamada (Daawa) o seu
apoio financeiro, político e moral.
Al Hakim estava apontado para reinar em todo o Império islâmico, por isso ele
encorajou o pregadores de Ishmaili à pedir-lhe um novo dogma que permitisse a
Unificação entre duas seitas islâmicas principais, os Sunitas e os Xiítas. Ele era um
descendente da família de Muhammad (pbuh); e os diferentes partidos Xiítas acreditavam
que apenas os membros desta família eram qualificados para continuar a mensagem do
seu Antepassado, o profeta Muhammad (pbuh).
Todo Imam que descende da família do profeta tem o direito para legislar e
desenvolver para o bem-estar da Comunidade (Umma), porque ele herda o Divino
conhecimento dos antepassados dele. Ele é invencível, impecável e isento de cometer
enganos.
É evidente que esta nova aproximação religiosa era muito ambiciosa e não seria
fácil para um príncipe fazer o seu povo mudar as suas convicções tradicionais e métodos
de adoração, convertendo-a neste sistema. Além disso o reino de Al Hakim era
constituído por mais de uma religião: Os Sunitas e coptas no Egito, Ortodoxos, além das
seitas esotéricas islâmicas e minorias Cristãs. Para esta causa, Al Hakim mobilizou todo
seu pessoal, buscando alcançar este novo movimento. A adoção de tal movimento era
opcional. Os pregadores estavam contando com uma nova compreensão do Alcorão e dos
outros Livros Santos.
Este nova forma de religião, exigiu um caráter onisciente ao conhecimento de seu
angariador (o promotor) . Esta nova teologia foi herdada dos esforços feitos por Ikhwan
Al Safa que precedeu esta chamada a uma nova doutrina. As duas partes (Ikhwan Al Safa
e os pregadores de Fatimid) estavam apontando para um mesmo objetivo: A reunificação
de todas religiões debaixo de uma convicção intitulada como Al Tawhid
(i.e.Monotheism), por esta causa foi dada alta importância para a filosofia além das três
religiões celestiais. Ikhwan Al Safa considerou a filosofia no mesmo nível que o Islã; e
eles consideraram o trabalho de Aristóteles e Platão tão válido quanto o Alcorão.
Porém, nós achamos que o movimento de Fatimid era uma conseqüência lógica às
jurisprudências de Ishmaili, tão próximas da doutrina islâmica. Assim, não é estranho
notar que todo este novo pensamento se baseava no Alcorão, mas que a interpretação de
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versos era diferente. Também há um toque filosófico que faz os assuntos serem tratados
de maneira mais pertinente e lógicos.
Conseqüentemente, a fé Drusa que descende da tendência religiosa de Fatimid,
não era uma inovação, independente de seu movimento esotérico precedente do
Ishmailismo. A diferença entre estas duas doutrinas é muito pequena. As duas confissões
herdaram os mesmos assuntos metafísicos da filosofia do neo-platonismo e, eles
construíram uma nova aproximação para os conceitos morais e as Éticas islâmicas foi
adotado por ambos.
Mas nós temos que ser cautelosos sobre a identidade islâmica do Tawhid ou
monoteísmo, porque se nós olhamos esta tendência com um olhar fundamentalista,
muitos obstáculos nos dificultarão de aceitar esta tendência como sendo islâmica. A
legislação no Tawhid relativo a vários assuntos difere radicalmente da visão islâmica
comum. Nós temos em mão como exemplo: a reencarnação, monogamia e o testamento
livre para transmitir herança.
Estas legislações parecem ser bastante diferentes das leis islâmicas. Ainda, a
doutrina de Tawhid se refere estes assuntos para o Alcorão. Uma compreensão nova
dos versos era possível por meio do esoterismo e da alegoria, e isto conduziu a uma nova
maneira de olhar a ética e as tradições. Assim um progresso em relações humanas foi
conseguido, e um novo tipo de justificação foi feito sem violar as escrituras do Alcorão.
Esta nova tendência islâmica foi formulada para trazer sobre os novos crentes todos os
dogmas precedentes do Islã, Cristianismo e Judaísmo.
Apesar de sua exigência simples com respeito a outras confissões, esta nova
chamada não achou muito sucesso. Uma das causas principais deste fracasso foram as
notáveis disputas que aconteceram entre seu pregadores Hamza Ibn Ali e Maomé Al
Darazi. Al Darazi proclamou sem a permissão de Hamza o Imam, que Al Hakim é a
encarnação de Deus na terra; e tal reivindicação não se emparelhou com as outras
doutrinas. Assim uma refutação geral se espalhou entre as pessoas no Egito. Esta
refutação evoluiu em uma luta entre os muçulmanos tradicionais e os crentes novos, e
levou estes crentes a trabalhar ocultamente, com medo de serem perseguidos.
Os novos conceitos filosóficos usados para atrair as pessoas, não estavam tão
explícitos ou fáceis de ser entendidos pelo homem secular. A complexidade metafísica de
sua tese exigiam qualificações especiais que ultrapassavam o comum, enquanto que o
Islã tradicional ainda era mais tolerante, lidando com o que pode ser chamado, conduta
humana. Assim as pessoas consideravam a chamada como Anti-islâmica; e esta visão
impediu o espalhar desta doutrina. Os crentes novos estavam tentando desesperadamente
mostrar ao ambiente islâmico onde eles estavam morando, que este movimento novo não
estava contra o Islã, mas era só um âmbito mais largo a seus ensinos.
Esta tentativa de convencer outros muçulmanos que, o movimento de Fatimid era
um real movimento islâmico e não uma conspiração contra ele, era em vão. A causa
principal para tal fracasso foi a conexão íntima entre diferentes Partidos islâmicos com as
motivações políticas que eles carregam por trás. Os outros partidos souberam muito bem
que tal movimento poderia ameaçar a existência deles, e poderia conduzir à soberania da
dinastia de Fatimid sobre todas as outras controvertidas dinastias. Assim, todas as provas
lógicas e as aproximações filosóficas desta nova chamada encontraram ouvidos surdos. A
cobiça pelo poder era o fator dominante, e cada partido tinha seu dogma para servir a um
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regime especial. Era impossível separar a política das legislações religiosas. Isto foi e
ainda é uma das características principais do Islã.
Eventualmente, a chamada foi posta a um fim depois de 27 anos de luta dura e
desde aquele tempo que os Drusos proibiram a pregação, porque eles acreditavam que
tudo o que era possível foi feito, e não há nenhuma necessidade mais de seguir com a
pregação; conseqüentemente, um crente não deve falar sobre a sua fé, e o ensino santo da
seita deveria ser detido em segredo total. Esta conduta foi respeitada durante quase mil
anos, e os estudos sobre esta especial seita não encontrou luz antes da segundo a metade
do século 18. Sylvester De Sacy, um francês orientalista, é tido como primeiro pioneiro
que tentou dar uma informação completa sobre esta seita em seu livro Exponha a
Religião dos Drusos e, com o crescente interesse nas pessoas Drusas, foram escritos
muitos livros depois.
A aceitação dos Drusos como uma seita islâmica ainda está em questão na maioria
dos países árabes; imensas controvérsias tem se formado sobre isso.
Porém, a maioria das comunidades Drusas mantém a reivindicação de que seguramente
os Drusos são uma seita islâmica.
Os argumentos principais para esta reivindicação podem ser classificados como segue:
-A cadeia de Imams que orientou e deu a decisão legal para a chamada eram
descendentes do profeta Muhammad (pbuh).
-As Epístolas de Sabedoria que contém o dogma inteiro da fé dos Drusos deixam
claro que a religião que deve ser confessada diante de Deus é o Islã e nada mais.
-Todas as orações e praticas de rituais durante nascimento, matrimônios,
funerais.... etc. são palavras e espírito islâmicos.
-O estado religioso Druso está dentro da legislação islâmica de Hanafi com
algumas pequenas modificações.
-A administração Sufi dos padres Drusos (Okkal) é essencialmente islâmico em
sua natureza. Com o Sufismo, a conformidade dos Drusos com Islã alcança seu clímax.
-A história dos Drusos revela sem qualquer duvida que os Drusos estiveram em
Aliança com as outras seitas islâmicas na luta para proteger o Império islâmico das
cruzadas e outros inimigos do Islã.
-O Alcorão é a fonte de legislação para o Druso e, é considerado como o Livro
Santo de Deus. Além disso, o Alcorão também é o Livro dos Drusos, enquanto as
Epístolas de Sabedoria são a sua cultura e tradição.
-A maioria das regras que regulam a ética e a conduta social dos Drusos foi
inspirado da tradição do profeta Maomé (pbuh).
Apesar destes argumentos, não podemos negar que a fé Drusa tem suas próprias
características particulares e, além disso, contém algumas idéias revolucionárias com
certeza. Assim, a reivindicação que afirma a identidade islâmica dos Drusos não faz
eliminar o caráter especial que eles tem. Os Drusos descansam como uma seita islâmica
independente, e nós podemos comparar a seita Drusa em relação à outras seitas islâmicas,
como sendo semelhante à dos protestantes com respeito aos católicos romanos.
No passado, os Drusos possuíram aproximadamente 20 mesquitas no Líbano onde
as orações eram praticadas. A maioria destas mesquitas foram destruídas devido aos
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conflitos sangrentos que aconteceram entre os Drusos e outras seitas. Hoje em dia, a
identidade islâmica da comunidade Drusa é politicamente aceita em muitos dos países
árabes.
Os Drusos no Líbano, Síria, e Jordânia são considerados como uma seita islâmica
e este reconhecimento é um tipo de alívio com respeito a eles. O vínculo entre os Drusos
e o Islã é muito apertado. Todos os Drusos teimam em ser muçulmanos. Foram feitas
muitas tentativas para provar o contrário, mas a refutação Drusa para com elas era total.
Eles mantêm a atitude de forte lealdade para a fé e legislação islâmica. Esta sempre tem
sido a conduta normal e um ponto final tem sido colocado nestas tentativas.
Um ponto permanece muito crítico sobre a relação entre os Drusos e o Islã, é a
relação muito rígida de Sufismo. O Druso como uma comunidade de Sufi está
intimamente ligado ao Islã, ao passo que o dogma intelectual está muito mais perto da
filosofia Neoplatônica.
CRISTIANISMO
A relação entre a fé Drusa e o Cristianismo, nos leva à outro âmbito. A fé Drusa
considera a história da religião como um fluxo de eventos contínuos organizada em uma
ordem cronológica. Este fluxo caracteriza o nascimento do monoteísmo e seu
desenvolvimento pelo tempo. A convicção dos Drusos se acentua em uma teoria especial
de evolução, com respeito às três religiões celestiais. Estes crenças determinam que a
sabedoria de Deus não apareceu de repente e tudo de uma vez. Era de fato um processo
lento, no qual, o monoteísmo começou a se desenvolver desde idéias simples à mais
complicadas. Assim todo profeta prepara o caminho para o seu sucessor e, o sucessor
soma artigos novos e pavimenta o caminho o próximo que vem depois dele. A história da
religião não é uma acumulação fútil do tempo. O papel de todo profeta é inscrito na
Vontade Eterna de Deus; e historicamente, os eventos acontecem de acordo com um
plano bem estudado.
Nada é arbitrário, nada é um golpe de chance. Este tipo de visão, empurra a
doutrina Drusa para um nível muito alto de idealismo e encoraja a convicção no
determinismo. Muitos pensadores Drusos tentaram escapar desta teoria ao exigir o direito
de Deus de julgar o homem pelas suas ações e de o condena-lo para paraíso eterno ou
inferno eterno. Mas, todas estas tentativas eram em vão. É quase impossível negar os
fatores de determinismo que dificultam qualquer possibilidade de liberdade humana na
doutrina dos Drusos. O destino de todo ser humano está escrito com antecedência, à sua
frente. Pre-determinação tem seu domínio em todos os lugares. É muito difícil de fazer
um espaço para qualquer forma de vontade pessoal em tal convicção. Não obstante, a
conclusão obtida de tal sistema de idéias é a aceitação de toda outra religião, porque elas
encarnam a vontade de Deus, e o Cristianismo é um das fases mais importantes na
história humana das religiões; precedeu o Islã e afirmou o retorno de Cristo mais uma vez
para salvar os crentes de sua agonia e tortura nesta vida condenada.
O que é mais interessante, são as identidades dos profetas responsáveis pelo
Cristianismo e por outras religiões. Conforme a crença Drusa, esses profetas têm a
mesma personalidade, e a alma de cada profeta transmigra para um novo profeta para dar
continuidade na propagação da mensagem de Deus a todo ser humano. Esta idéia genuína
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conduz, por conseguinte, à considerar que os profetas do Cristianismo são também os
profetas do Judaísmo e os profetas do Islã. Eles têm nomes diferentes mas as suas almas
são a mesma. Semelhantemente, estes profetas também são os profetas dos Drusos.
Na cultura Drusa, nós achamos horários que classificam as diferentes
personalidades dos profetas em cada papel e em cada época. Assim, a crença Drusa é
considerada por seus seguidores como a última fase da pregação destes profetas. Nisto o
monoteísmo e sabedoria divina alcançaram o seu clímax. Toda realidade foi transferida à
humanidade, e agora o destino de todo ser humano está decidido para sempre.
Qual é a avaliação Drusa do Cristianismo?
A resposta para esta pergunta é bastante especial. Os Drusos acreditam em Jesus e
em quatro de seu discípulos que escreveram os Evangelhos. De acordo com a
classificação deles, o Cristo é o Maior Imam e a encarnação da Última Razão (Akl) na
terra e o primeiro princípio cósmico (Hadd). Ele é diretamente segundo a Deus. Os quatro
discípulos dele são considerado como os quatro princípios cósmicos (Houdoud). Os
Evangelhos são os Livros Santos. Com o Cristianismo, o desenvolvimento do
Monoteísmo foi decisivo. Deus prometeu para os cristãos a salvação das almas
torturadas, e tornou claro que aquele Jesus tinha vindo conduzir os seus seguidores para a
orla de segurança. Com relação à crucificação de Jesus, os Drusos acreditam que ele não
foi crucificado, mas que outra pessoa que se assemelhava à ele foi crucificada no lugar
dele. Tal convicção pode parecer muito estranha a um cristão tradicional, mas nós temos
que se lembrar que os Drusos também seguem os versos corânicos, que o Alcorão deixa
claro que aquele Jesus Cristo não foi crucificado. Não obstante, o Druso mantém um
grande valor para o significado do sacrifício. João Batista é considerado próximo a Jesus
e ele personifica o Último Sacrifício.
Um dos manuscritos dos Drusos revela uma idéia fascinante mencionando que
Jesus e o Espírito Santo são uma identidade só. Esta idéia é muito próxima do conceito da
Sagrada Trindade no Cristianismo. A maneira Drusa de pensamento, os permitiu aceitar a
idéia do tudo em um. O panteísmo diluído da fé deles conduz a tal conclusão.
Outra observação que mostra uma relação íntima com o Cristianismo é a refutação
Drusa à poligamia, distinguindo-o das seitas muçulmanas tradicionais. É verdade que os
Drusos se referem à sua refutação da poligamia a certos versos corânicos, mas o fato é
que sua atitude lhes dá um caráter especial e os traz perto da opinião Cristã sobre o
matrimônio. O que é mais notável sobre os Drusos é com respeito ao assunto da adoção
do monasticismo por alguns Xeiques Drusos. Esta conduta é altamente louvada na
comunidade Drusa e é considerado como o grau mais alto de castidade. Um xeique pode
pedir para a sua noiva que concorde em casar sem relações conjugais, e há muitos
casos nos quais um padre Druso permaneceu eunuco por toda sua vida. Sexo não é um
fim em si mesmo; só é acentuado para a causa de reprodução. Uma parte daquele sexo
pode ser considerado como um pecado. Tal doutrina prova, sem dúvida, que os Drusos
herdaram muito dos dogmas Cristãos com respeito ao matrimônio e para a sincera mútua
relações entre o homem e mulher. A perspectiva geral no matrimônio na comunidade
Drusa é bastante semelhante à dos cristãos e tem o mesmo espírito piedoso.
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JUDAÍSMO
Nós vimos que as três religiões celestiais estão intimamente relacionadas na
crença Drusa. A história destas três religiões são, desta forma, uma só. Há um fator
comum muito importante que as une entre si. A convicção na chegada de um Salvador
para salvar a humanidade no dia do juízo. Este fator comum significa que as três religiões
foram inspiradas de uma única personalidade, assim Abraão, Moisés, Jesus e Maomé
seriam o mesmo princípio cósmico, porém em diferentes manifestações de
personalidades. Em cada manifestação novas idéias foram somadas e algumas
modificações foram apresentadas. De acordo com está doutrina, na qual é baseada
principalmente na reencarnação, as três religiões são apenas diferentes e sucessivos
passos de uma mesma religião, notavelmente chamada Islam.
É desnecessário dizer quanto tal convicção solidifica a unidade entre estas três
religiões. Nós não devemos esquecer que o movimento Tawhid i.e. o Movimento Druso,
despontou para unificar as pessoas debaixo de uma doutrina religiosa que pertence a
todos. O Tawhid em si mesmo significa Unificação.
Assim, na relação da fé Drusa com o Judaísmo, nós vemos que na tradição dos
Drusos é dito que os Judeus foram divididos em doze tribos, e que duas tribos e mais
meia de uma outra, se perderam. Desta forma os Drusos reclamam ser estas tribos
perdidas. Em sua crença, as tribos perdidas deixaram o Judaísmo formando o
Cristianismo, depois deixaram o Cristianismo e formaram o Islam. E finalmente se
tornaram no tawhid dos Drusos e no Monoteísmo. Por isto os Drusos glorificam os
profetas da Bíblia e dão uma especial estima a Davi e Salomão. Os outros profetas de
Israel são classificados em uma ordem hierárquica. O número de profetas para uma época
é cento e sessenta e quatro. Este número está baseado em uma ciência legendária onde
são obtidas conclusões de uma relação aritmética entre as letras árabes e o número
correspondentes para elas.
Os profetas são chamados "cartas de veracidade", e eles transmigram de uma
época para a outra espalhando a palavra de Deus nas gerações, e preparando o povo de
Deus para receber a felicidade eterna depois do Dia do Julgamento.
Dai concluímos que, as três religiões celestiais, quando relacionadas aos Drusos
são três fases sucessivas por qual Deus enviou a sua ajuda e benção à humanidade, e todo
indivíduo escolhe o seu destino pertencendo a uma destas tendências. Verdade e
Realidade são encontradas nos três Livros Santos; o Velho Testamento, os Evangelhos e
o Alcorão. A verdade é revelada aos crentes pela Sabedoria. A Sabedoria dos Drusos
descobriu esse segredo e unificou os três dogmas em uma doutrina consistente.
HINDUÍSMO
A relação entre a fé Drusa e o distante pensamento oriental é obscuro. Uma das
evidências principais de que existe um relação, é a convicção na reencarnação, mas há
uma significante diferença entre os Drusos e os hindus quanto a este assunto.
Ao contrário dos hindus, os Drusos não acreditam na transmigração da alma humana do
corpo humano para o corpo animal, planta ou substâncias inorgânicas. A alma humana só
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transmigra de um corpo humano para outro corpo humano, e mantém o mesmo gênero.
Um macho em um macho, e uma fêmea em uma fêmea. Esta diferença é
também acompanhada por outra diferença que é a convicção em sanção. A alma humana
será recompensada ou castigada eternamente no Dia de Juízo. Não há nenhum Nirvana,
pois a alma humana não pode existir sem um corpo. O anexar da alma em sucessivos
corpos é eterno neste mundo, e no mundo futuro. Tais idéias tornam difícil a tarefa de
encontrar uma pista que relacione a fé Drusa com as religiões índias.
O que é certo é que lá não tem sido encontrada nenhuma relação entre os Drusos
com qualquer personalidade índia e que, um desses hindus é mencionado no livro de
Sabedoria dos Drusos, e que há uma Epístola especial que é nomeada a Epístola da Índia.
Além disso, um dos autores Drusos reivindicou achar muitas epístolas enviadas para a
Índia, e ele as classificou em um livro. Este livro é considerado pelos intelectuais Drusos
como uma importante referencia a esta relação, mas os xeique Drusos se recusam a
aceitar como um de seus livros.
OS GREGOS
Outro tipo de relação especial existe entre a fé Drusa e a filosofia idealista grega.
Os Drusos consideram Sócrates, Platão e Aristóteles, como profetas. Muitas de suas
inspirações foram tomadas do pensamento grego. A idéia de uma Última Razão adotada
pelos Drusos é uma idéia neo-platônica. Os filósofos gregos são atualmente mencionados
na cultura dos Drusos, e há um extenso uso da lógica de Aristóteles no argumento
dedicado a provar a validez das novas teses apresentada ao povo pelos pregadores
Drusos. É bem conhecido que o a chamada dos Drusos veio em um tempo em que a inter-
relação entre Islã e metafísicas gregas alcançaram seu clímax. Todas seitas islâmicas
estavam tentando afirmar seus argumentos se referindo às categorias de Aristóteles.
Filósofos Islâmicos trabalharam duro para combinar a teologia islâmica com a filosofia
grega. E a chamada dos Drusos era uma destas tentativas. O pregadores Drusos
alcançaram um alto nível ao entender esta filosofia e aplicar seus conceitos em sua
religião.
EPÍLOGO
A doutrina Drusa era muito ambiciosa como todo movimento humanitário. Mas o
caminho para seu objetivo final não era pavimentado. O pregadores Drusos tentaram
unificar as pessoas debaixo de sua bandeira, mas todo seu esforço foi em vão. Suas idéias
radicais não atraíram às pessoas naquele tempo, e o fanatismo permaneceu sendo o fator
governante.
Hoje, a comunidade Drusa mora pacificamente no Oriente Médio. Seus membros
são extremamente corteses uns com os outros, e eles não interferem nos assuntos uns dos
outros. Eles não pregam mais, e eles não gostam de que outros interferiram em seus
assuntos religiosos. É quase impossível para eles revelar o seu segredo. Quando assuntos
religiosos são apresentados em à sua frente, eles se mantêm silenciosos. A sua filosofia
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de vida é bastante simples. Pode ser resumido no seguinte epigrama: Mantenha-se
silencioso e espere.
Assim, o crente Drusos espera pelo Juízo final, o qual ele pensa ser o seu último
abrigo. Ele menospreza todos as riquezas do mundo, porque acredita que tudo na terra é
temporário, e a Sabedoria é buscar para a eternidade.
A preocupação mais alta para o xeique dos Drusos é esperar pacientemente pela
chegada da cidade de Deus onde a Justiça, o Amor e a Graça sempre reinarão.
BIBLIOGRAFIA
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ASSAD, Sadik, The reign of Al Hakim Bi Amr Allah, the Arab Institute for research and
publishing, Beirut, 1974.
Bouron, Capitaine N. Les Druzes. Paris Editions Berger, Levrault, 1930.
Churchill, Colonel Charles. The Druze and the Maronites. London, Bernard Quatrich, 15
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Head, Joseph & Cranston, S.L. Reincarnation: The phoenix Fire Mystery. New York
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Makarem, Sami Nassib. The Druze faith, New York, Caravan Books, Delmar, 1974.
Other references in Arabic