Protestantismo é a denominação do conjunto de igrejas cristãs e doutrinas
que se identificam com as teologias desenvolvidas no século XVI na Europa
Ocidental, na tentativa de reforma da Igreja Católica Apostólica Romana, por
parte de um importante grupo de teólogos e clérigos, entre os que se destacam
o monge agostiniano Martinho Lutero, de quem as igrejas luteranas tomam seu
nome. Porém, a maior parte dos cristãos europeus (especialmente na Europa
meridional) não concordavam com as tentativas de reforma, o que produziu
uma separação entre as emergentes igrejas reformadas e uma reformulação
na Igreja Católica, a chamada Contra-Reforma, que reafirmou explícitamente
todas aquelas doutrinas rechaçadas pelo protestantismo (Concílio de Trento).
Definição
O termo protestante surgiu como apelido pejorativo para aquele grupo de
príncipes eleitores e cidades imperiais alemãs que se atreveram a expressar
seu protesto, o testemunho público de objeção, na Dieta de Speyer de 1529,
contra o Édito de Worms que proibía crer e ensinar as doutrinas luteranas
naquelas localidades do Sacro Império Romano-Germânico onde ainda não
eram conhecidas, mas que entregava completa liberdade ao clero católico para
rebatê-las e persegui-las naquelas localidades do império onde já havia sido
implantado.
Ramos
Na Suíça de fala alemã, Ulrico Zuínglio, Johannes Oekolampad e outros
começaram também uma tentativa de reforma da Igreja católica, de caráter
mais urbano e enriquecida pelo humanismo de Erasmo de Roterdão.
João Calvino foi o dirigente desta "segunda geração" da Reforma protestante,
chamada popularmente calvinista. Esta corrente foi a mais dinâmica e
internacional do Protestantismo entre os séculos XVI e XVII.
A Igreja da Inglaterra não se deixou influenciar, num primeiro momento, pelo
protestantismo, mas depois de sua quebra com a Igreja de Roma, começou
uma aproximação com os ideais reformados. Atualmente as igrejas da
Comunhão Anglicana se declaram claramente reformadas.
O protestantismo apresenta elementos em comum apesar de sua grande
diversidade. A Bíblia é considerada a única fonte de autoridade doutrinal e
deve ser interpretada de acordo com regras históricas e lingúisticas,
observando-se seu significado dentro de um contexto histórico. A salvação é
entendida como um dom gratuito (presente, graça) de Deus alcançado
mediante a fé . As boas obras não salvam, sendo resultados da fé e não causa
de salvação. O culto sempre é no idioma vernáculo e em sua grande maioria é
simples tendo como base as Escrituras Sagradas. O protestantismo histórico,
conserva as crenças cristãs ortodoxas tais como a doutrina trinitária, a
cristologia clássica, o credo niceno-constantinopolitano, entre outros. Os
protestantes expressam suas posições doutrinais por meio de Confissões de
Fé e breves documentos apologéticos. A Confissão de Augsburgo expressa a
doutrina Luterana. As confissões reformadas incluem a Confissão Escocesa
(1560), a segunda Confissão Helvética (1531), a Confissão de Fé de
Westminster (1647), os 39 Artigos de Religião da Igreja da Inglaterra (1562). As
Declarações de Barmen contra o regime Nazista e a Breve Declaração de Fé
da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos são exemplos de declarações de fé
recentes.
O ensino religioso, tem como base o estudo de catecismos. No Luteranismo
fazem-se uso dos Catecismo Maior e Menor de Lutero. O catecismo de
Heildelberg e o Catecismo Maior e Menor de Westminster são utilizados pelas
Igrejas Reformadas. O protestantismo rejeita parte das doutrinas que
caracterizam o catolicismo; tais como: o purgatório, a supremacia papal, as
orações pelos mortos, a intercessão dos santos, a assunção de Maria e sua
virgindade perpétua, a veneração dos santos, a transubstanciação, o sacrifício
da missa, o culto às imagens, etc.
O protestantismo, em maior parte, segue a doutrina agostiniana da eleição.
Estabelece que a salvação é pela graça (favor imerecido) de Deus. Para os
protestantes a autoridade da Igreja está vinculada a obediência da palavra de
Deus e não à sucessão apostólica. Assim sendo, a Igreja cristã existe onde se
escuta e obedece a palavra de Deus.
O protestantismo deseja regressar às doutrinas apóstolicas e à simplicidade da
fé e prática da Igreja primitiva. Portanto deve-se ao protestantismo a iniciativa
as primeiras práticas ecumênicas adotadas a partir da segunda metade do
século XIX. Vale lembrar que até hoje a Igreja Católica não faz parte do
Conselho Mundial de Igrejas, e somente abriu-se ao dialógo ecumênico em
1965, após o Concílio Vaticano II.
Os reformadores foram pessoas de vasta cultura teológica e humanista:
Calvino estudou em Sorbonne e seu pai era bispo, Lutero foi monge e profesor
universitário da Bíblia; Zuínglio era sacerdote e humanista. De acordo com o
programa dos humanistas, buscaram nas fontes da antigüidade cristã as bases
para uma renovação religiosa. Lendo as Sagradas Escrituras e retornando aos
Pais da Igreja, descobriram uma nova visão da fé e uma doutrina bíblica
cristocêntrica.
O protestantismo se disseminou principalmente nos meios urbanos e através
da nobreza. A difusão das idéias protestantes foi facilitada pela invenção da
imprensa, que tornou possível a divulgação e a tradução da Bíblia nas línguas
vernáculas. Desde então, as doutrinas cristãs passaram a necessitar do aval
bíblico.
No Concílio de Trento, os bispos católicos partidários de Roma optaram por
limitar o aceso laico as escrituras, proibindo a tradução da Bíblia para o
vernáculo e impondo a Vulgata em latim como a única Biblia autorizada e
aumentando o índice de livros proibidos aos fiéis (Index Librorum
Prohibitorum).
A Reforma Protestante alcançou êxito em muitas áreas da Europa. Em sua
forma luterana é predominante no norte da Alemanha e em toda a Península
Escandinava. Na Escócia surgiu a Igreja Presbiteriana. As Igrejas Reformadas
também frutificaram nos Países Baixos, na Suíça e no oriente da Hungria. Com
o desenvolvimento dos impérios europeus , principalmente o Império Britânico,
nos séculos XIX e XX o protestantismo continuou a se expandir, se tornando
uma fé de escala mundial. Atualmente mais de 600 milhões de pessoas
professam alguma das diferentes manifestações do protestantismo no
mundo.[carece de fontes?]
O protestantismo assumiu três formas básicas: a luterana, a reformada
(calvinista) e a anglicana. O protestantismo não possui organização
centralizadora, porém suas igrejas estão organizadas em igrejas nacionais e
em concílios internacionais tais como a Aliança Mundial Reformada e a
Federação Luterana Mundial.
O trabalho missionário do século XIX levou a coperação interdenominacional e
consequentemente ao movimento ecumênico do qual surgiu o Conselho
Mundial de Igrejas.
Fora desse protestantismo, que muitos estudiosos denominam "protestantismo
magisterial", surgiu outro ramo que se distinguiu tanto do catolicismo como das
igrejas protestantes de caráter histórico-nacional. Este ramo recebe o nome de
Reforma Radical. O historiador George Williams distingue as seguintes
correntes dentro desta reforma: espiritualistas, racionalistas e anabatistas. Os
anabatistas rechaçaram a união da igreja e estado e repudiaram o batismo
infantil, constituindo-se em igrejas independentes ou segregadas. A maior
aportação à modernidade descansaria em sua persistente promoção da
separação entre a igreja e o estado, a liberdade religiosa pessoal e o exercício
de um governo plenamente democrático em suas congregações.
A seguir, uma relação dos principais ramos do protestantismo:
Pré-Reforma
John Wycliffe
Lollardismo
Valdenses
Hussitas
Reforma
Luteranismo
Calvinismo
o Igrejas Reformadas
o Presbiterianismo
o Congregacionalismo
Anglicanismo
Anabaptismo
Desenvolvimento posterior
Batistas
Metodismo
Adventismo
Desenvolvimento recente
Pentecostalismo
o Pentecostalismo tradicional
o Deutero-pentecostalismo
o Neopentecostalismo
Os dez países com maior número de protestantes no mundo atualmente são:
1. Estados Unidos
2. Reino Unido
3. Nigéria
4. Alemanha
5. África do Sul
6. Quênia
7. China
8. Brasil
9. Indonésia
10. República Democrática do Congo
O protestantismo no Brasil
O protestantismo chegou ao Brasil pela primeira vez com viajantes e nas
tentativas de colonização do Brasil por huguenotes (nome dado aos
reformados franceses) e reformados holandeses e flamengos durante o
período colonial. Esta tentativa não deixou frutos persistentes. Uma missão
francesa enviada por João Calvino se estabeleceu, em 1557, numa das ilhas
da Baía de Guanabara, fundando a França Antártica. No mesmo ano, esses
calvinistas franceses realizaram o primeiro culto protestante no Brasil e, de
acordo com alguns, da própria América. Mas, pela predominância católica,
foram obrigados a defender sua fé ante as autoridades, elaborando a
Confissão de Fé de Guanabara, assinando, com isso, sua sentença de morte,
pondo um fim no movimento.
Com a vinda da família real portuguesa ao Brasil e abertura dos portos a
nações amigas, através do Tratado de Comércio e Navegação comerciantes
ingleses estabeleceram a Igreja Anglicana no país, em 1811. Seguiram a
implantação de igrejas de imigração: alemães trouxeram o luteranismo em
1824.
Mais tarde missionários fundaram as igrejas Congregacional e a Presbiteriana,
voltadas ao público brasileiro.
Em 1871 o primeiro grupo batista se estabeleceu em Santa Bárbara, no Estado
de São Paulo, trazida por missionários americanos. Em 1907 fundava-se a
Convenção Batista Brasileira. Em 1910 o Brasil receberia o pentecostalismo,
com a chegada da Congregação Cristã no Brasil e da Assembléia de Deus.
Esta, em particular, foi trazida ao Brasil por dois missionários suecos, Daniel
Berg e Gunnar Vingren, e estabeleceu-se inicialmente no norte, no Pará. Em
1922 chega ao país o Exército de Salvação, igreja reformada de origem
inglesa, pelas mãos de David Miche e esposa, um casal de missionários
suíços.
Em 1932 alguns ministros da Assembléia de Deus devolveram voluntariamente
suas credenciais de obreiros e organizaram Igreja de Cristo no Brasil em
Mossoró/RN.
Nos anos 1950 o pentecostalismo mudou, com a influência de movimentos
cura divina e expulsão de demônios, que geraram diferentes denominações,
tais como: Igreja Pentecostal O Brasil para Cristo fundada pelo já falecido
missionário Manoel de Mello. Em 1962 surge a Igreja Pentecostal Deus é
Amor, fundada pelo missionário David Miranda.
Também nesta época várias igrejas protestantes que eram tradicionais
adicionaram o fervor pentecostal, como exemplos, a Igreja Presbiteriana
Renovada, a Igreja Cristã Maranata, a Convenção Batista Nacional e a Igreja
do Evangelho Quadrangular, que chegou ao Brasil trazida pelos missionários
Harold Edwin Williams e Jesus Hermírio Vaquez, que se instalaram
inicialmente na cidade mineira de Poços de Caldas. A Igreja Cristã Maranata foi
fundada em Outubro de 1968 no morro do Jaburuna em Vila Velha, Espírito
Santo por quatro antigos membros da Igreja Presbiteriana do Centro de Vila
Velha.
A década de 1970 viu nascer o movimento neopentecostal, com igrejas que
enfatizam a prosperidade, como a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada
por Edir Macedo, em 1977; a Igreja Internacional da Graça de Deus, fundada
por Romildo Ribeiro Soares, entre muitas outras. É também nessa década que
mesmo a Igreja Católica no Brasil começa a sofrer influência dos movimentos
pentecostais através da Renovação Carismática Católica, um movimento
originário dos EUA.
Recentemente cresceram as chamadas igrejas neopentecostais com foco nas
classes média e alta, com um discurso mais liberado quanto aos costumes e
menos ênfase nas manifestações pentecostais. Entre elas podemos citar a
Igreja Apostólica Renascer em Cristo, fundada por Estevam e Sonia
Hernandez, a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, fundada por Robson
Rodovalho e a Igreja Evangélica Cristo Vive, fundada por Miguel Ângelo.
o Protestantismo
Igreja Luterana
Igreja Presbiteriana
Igreja Anglicana
Igreja Metodista
Assembléia de Deus
Igreja Universal do Reino de Deus
Igreja Aliança Biblica
Igreja Batista
Adventismo
Igreja Adventista do Sétimo Dia
Igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento da
Reforma
Igreja Adventista da Promessa
Igreja Cristã Bíblica Adventista
Igreja de Deus (7° dia)
Sinagoga da Igreja de Deus
Igreja Adventista Brasileira
Igreja de Deus Mundial
Igreja de Deus Israelita
Anabatistas
Menonitas
Pentecostalismo
Pentecostalismo clássico
Neo-pentecostalismo
Mormonismo
Quakers
Unitarismo
o Cristianismo Esotérico
Catarismo
Gnosticismo
Rosacrucianismo (apenas em algumas das fraternidades
Rosa-Cruz)
Maniqueísmo
Movimentos teológicos de origem protestantes
Pietismo
Evangelicalismo
Ecumenismo
Fundamentalismo cristão
Pentecostalismo
Neo-ortodoxia
Liberalismo teológico
Ortodoxos
Chama-se Igreja Ortodoxa o grupo de igrejas orientais que aceitam somente os
primeiros sete Concílios Ecumênicos.
No século III Constantino I, primeiro Imperador de Roma a aceitar o
cristianismo como religião oficial do império romano, reuniu no ano 325 na
cidade de Niceia o primeiro concílio ecuménico, que ficou conhecido como
Primeiro Concílio de Niceia, onde se definiu a Divindade de Jesus Cristo.
A Igreja Cristã era dividida em cinco patriarcados tradicionais, apostólicos:
Patriarcado de Roma ou do Ocidente;
Patriarcado de Constantinopla;
Patriarcado de Alexandria;
Patriarcado de Antioquia;
Patriarca de Jerusalém;
Ainda foram feitos mais seis concilios antes do cisma ente as Igrejas Ortodoxas
e a Igreja Católica.
São eles:
Constantinopla I (381) - Divindade do Espírito Santo. Condenação de
Macedónio. Divisão das Pentarquias.
Éfeso (431) - Maternidade Divina de Maria. Condenação de Nestório.
Em Cristo uma Hipóstase, a Divina.
Calcedónia (451) - Dualidade da natureza em Jesus Cristo: Condenação
de Eutiques, que ensinava o monofisismo.
Constantinopla II (553) - Condenou as obras escritas pelos seguidores
do herege Nestório
Constantinopla III (680) - Dualidade de Vontades em Jesus Cristo, não
contrariadas uma pela outra, mas a vontade humana sujeita à vontade
Divina. Condenação do Monotelismo.
Niceia II (787) - Condenação do Iconoclasmo.
O Cisma
A Igreja, espalhada no conjunto da bacia mediterrânica e organizada em redor
dos seus cinco patriarcados (Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e
Jerusalém), soube guardar no princípio a sua unidade global, (seguramente,
largos seguidores da parte oriental da Igreja desligaram-se dela após o
Concílio de Calcedónia - as Igrejas da Arménia, da Etiópia, do Egipto). Esta
unidade tornar-se mais aleatória depois da queda do Império romano do
Ocidente.
As divergências culturais, o uso do latim no Ocidente e do grego no Oriente
bem depressa cederam o passo às divergências de ordem político-religiosa
que resultaram da separação do mundo mediterrânico em entidades políticas
distintas.
A instabilidade merovíngia no Ocidente que, por muitas vezes, fez do Papa o
único elemento estável, reforça a autoridade jurídica do primaz romano, o qual
anteriormente desfrutava apenas de uma primazia de honrra.
Doutrina
A Igreja Ortodoxa crê na Trindade, na natureza humana e divina de Jesus
Cristo, que veio para perfecionar o ser humano. "Deus tornou-se homem, para
que o homem torne-se Deus". Pecado não é visto como violar uma lista de
regras, mas o estado não atingir o objetivo de aproximação de Deus, assim não
crê que o pecado original transmitiu a culpa de Adão para seus descendentes,
mas somente as consequências. A salvação é vista como um processo, como
uma cura.
Maria nasceu sob a égide do pecado original (conforme a concepção ortodoxa
e não a ocidental), mas viveu uma vida santa. Ela é considerada a Theotokos,
aquela que portou Deus em si, rejeitando a tradução latina de "Mater Dei"
preferindo "Deipara" ou "Dei genetrix" que são mais acurados.
A divina liturgia é solene e bela, possui um papel importante. Segue os ritos
bizantino, antioqueno, alexandrino e o antigo rito de Jerusalém em algumas
ocasiões especiais.
A Igreja Ortodoxa é governada tendo Jesus Cristo como o supremo primaz,
que atua através do Espírito Santo através do conceito de "sobornost" -
consenso.
O uso do termo "católica"
Muitas Igrejas Ortodoxas adotam o título de Católica como parte de seus
nomes. Esse uso não indica alinhamento com a Igreja Católica Apostólica
Romana sediada no Vaticano, sendo uma referência ao sentido original da
palavra, que significa Universal.
Lista de religiões
Monoteístas
Abraâmicas
Judaísmo
Judaísmo reconstrucionista
Fariseus
Ortodoxia judáica
Saduceus
Mitnagdim
Essênios
Neturei Karta
Cabala
Haredi
Masorti
Caraísmo Nazarenos
Judaísmo humanístico Ebionismo
Messiânico Congregação Israelita da Nova Aliança
Mashichismo Judaísmo conservador
Adventista messiânica Judaísmo chassídico
Sinagoga Adventista Chabad Lubavitch
Pseudo-judaísmos Reformista
Judaísmo messiânico Sionismo
Islamismo
Wahhabismo
Xiita
Kharijita
Ismaelismo
Sufismo
Sunita
Cristianismo
Catolicismo
Igreja Greco-Católica Melquita
Igreja Católica Apostólica Romana
Igreja Greco-Católica Croata
Ortodoxos
Igreja Ortodoxa Grega
Igreja Armênia
Igreja Ortodoxa Ucraniana
Igreja Ortodoxa Copta
Igreja Ortodoxa Russa
Protestantismo
Assembléia de Deus
Igreja Luterana
Igreja Universal do Reino de Deus
Igreja Presbiteriana
Igreja Aliança Biblica
Igreja Anglicana
Igreja Batista
Igreja Metodista
Adventismo
Igreja Adventista do Sétimo Dia
Igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento da Reforma
Igreja Adventista da Promessa
Igreja Cristã Bíblica Adventista
Igreja de Deus (7° dia)
Sinagoga da Igreja de Deus
Igreja Adventista Brasileira
Igreja de Deus Mundial
Igreja de Deus Israelita
Anabatistas
Menonitas
Pentecostalismo
Mormonismo
Pentecostalismo clássico
Quakers
Neo-pentecostalismo
Unitarismo
Cristianismo Esotérico
Catarismo
Gnosticismo
Rosacrucianismo (apenas em algumas das fraternidades Rosa-Cruz)
Maniqueísmo
Espiritualismo
Conscienciologia
Doutrina espírita (Espiritismo)
Projeciologia
Racionalismo cristão
Fé Baha'ï
Espiritismo ramatisiano
Rastafári
Não-abraâmicas
Siquismo
Zoroastrismo
Igreja Messiânica Mundial
Santo Daime
Umbanda
Seicho-no-ie
Dharmicas
Sanbo Kyodan
Ayyavazhi
Soto
Budismo
Mahayana
Vajrayana
Teravada
Tibetano
Budismo de Nitiren
Nyingma
HBS
Gelug
Terra Pura
Kagyu
Hinaiana
Sakya
Reiyukai
Chinês
Hinduismo(Bramanismo)
Shingon
Civaismo
Tendai
Shixnuismo
Zen
Taoísmo
Jainismo Hinduísmo
Confucionismo Tenrikyo
Cao Dai
Pagãs
Tradição Caminho das Sombras
Ásatrú Vanatru (Odinismo)
Tradição Triskelion
Batuque
Feri Tradition of Witchcraft
Candomblé
Xamanismo
Druidismo
Bruxaria tradicional
Vodun
Janare
Wicca
Tradição Aridiana
Tradição Gardneriana
Tradição Ariciana
Tradição Alexandrina
Fanarra
Tradição Ibérica
Tanarra
Cabot Tradition of Witchcraft
Bazure
Reclaiming
Mache
Tradição Algard
Reconstrucionismo Helênico
Religiões reencarnacionistas
Sem religião
Neopaganismo
Messianismo
Nova Era
Ateísmo
Cientologia
O Espiritualismo é uma doutrina filosófica que admite a existência de Deus, de
forças universais e da Alma, com a visão de que existem milhares de coisas abstratas. É
o contrário de materialismo, que só admite a matéria.
Afirma a existência de uma alma imortal no homem, isto é, de um princípio substancial
distinto da matéria e do corpo, razão absoluta de ser da vida e do pensamento. Em
sentido mais lato, doutrina que, além da tese referida, reconhece a existência de Deus, a
imortalidade da alma e da existência de valores espirituais ou morais que são o fim
específico da actividade racional do homem.
O materialismo admite que pensamento, emoção e sentimentos são reações físico-
químicas do sistema nervoso. Portanto, todos os religiosos, se aceitam a Alma e Deus,
são, por isto mesmo, espiritualistas, visto que essa doutrina admite outros tipos de
visões[carece de fontes?].
Tal vocábulo também é empregado como referência à postura de certos indivíduos que
possuem espiritualidade sem religiosidade: são contrários ao materialismo e, ao mesmo
tempo, não estão filiados a segmento religioso.
Doutrina Espírita
A doutrina espírita é uma corrente de pensamento — nascida em meados do século
XIX — que se estruturou a partir de diálogos estabelecidos entre o pedagogo
francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, também conhecido como Allan Kardec, e
o que ele e muitos pesquisadores da época defendiam tratar-se de espíritos de
pessoas falecidas, a manifestar-se através de diversos médiuns.
Caracteriza-se pelo ideal de compreensão da realidade mediante a integração entre as
três formas consideradas clássicas de conhecimento, que seriam a científica, a filosófica
e a religiosa. Segundo Allan Kardec, cada uma delas, se tomada isoladamente, tenderia
a conduzir a excessos de ceticismo, negação ou fanatismo. A doutrina espírita se
propõe, assim, a estabelecer um diálogo entre elas, visando à obtenção de uma forma
original, que a um só tempo fosse mais abrangente e profunda, de compreender a
realidade.
A sua base doutrinária é o Livro dos Espíritos, primeira das chamadas obras básicas
escritas por Rivail. Nesse livro, consta o resultado preliminar dos diálogos estabelecidos
por ele em diversas reuniões mediúnicas com o que seriam espíritos "desencarnados". A
obra é dividida em 1018 tópicos no estilo pergunta–resposta, ordenados didaticamente
pelo pedagogo. As questões levantadas em O Livro dos Espíritos serviram como base
para os demais livros que compõem a Codificação espírita.
Segundo muitos de seus estudiosos[1], a doutrina espírita é cristã, apesar das concepções
teológicas bem diferenciadas no que diz respeito a conceitos como divindade, natureza
humana, salvação, graça e destino. Para eles, Jesus Cristo é o espírito mais elevado que
conhecemos em toda a história da Terra, bem como o modelo de conduta para o auto-
aperfeiçoamento humano e que provou, através da caridade absoluta e da encarnação,
que o homem pode suportar a provação.
Princípios
Para efeitos didáticos, os princípios foram situados na parte superior deste artigo por
serem objeto de maior interesse ao público em geral que a história do espiritismo. Além
disso, alguns leitores não visualizam o artigo inteiro e podem ter uma impressão
completamente equivocada do termo, dada a peculiaridade de sua história. O termo
sendo referenciado pela comunidade que o integra, deve ser evidenciado por sua
essência e não pelas curiosidades (que nao são poucas!) , pois seria uma abordagem
leviana e frívola.
A doutrina espírita, de modo geral, fundamenta-se nos seguintes pontos:
Na existência e unicidade de Deus, desconstruindo o dogma da
Santíssima Trindade;
Na existência e imortalidade do espírito, compreendido como
individualidade inteligente da Criação Divina;
Na defesa da Reencarnação, como o mecanismo natural de
aperfeiçoamento dos espíritos;
No conceito de criação igualitária de todos os espíritos, "simples e
ignorantes" em sua origem, e destinados invariavelmente à perfeição,
com aptidões idênticas para o bem ou para o mal, dado o livre-arbítrio;
Na possibilidade de comunicação entre os espíritos encarnados ("vivos")
e os espíritos desencarnados ("mortos"), através da mediunidade;
Na Lei de Causa e Efeito, compreendida como mecanismo de
retribuição ética universal a todos os espíritos, segundo a qual nossa
condição é resultado de nossos atos passados;
Na pluralidade dos mundos habitados. A Terra não seria o único planeta
com vida inteligente do universo.
Além disso, podem-se citar como características secundárias:
A noção de continuidade da responsabilidade individual por toda a
existência do Espírito;
Progressividade do Espírito dentro do processo evolutivo em todos os
níveis da natureza;
Volta do Espírito à matéria (reencarnação) tantas vezes quantas
necessárias para alcançar a perfeição. Os espíritas não crêem na
metempsicose, ou seja, a volta do espírito no corpo de animal para
pagar dívidas, como aceitam as religiões orientais em geral; O espírito
não retrocede ao conhecimento e vivência adquiridos, por isso
invariavelmente destina-se à perfeição, reencarnando em corpos cada
vez mais imateriais.
Ausência total de hierarquia sacerdotal (ponto que a Igreja católica
condena, pois, defende a intervenção sacerdotal entre o homem e
Deus);
Abnegação na prática do bem, ou seja, não se deve cobrar nada por
esta ou aquela caridade;
Terminologia própria, como por exemplo, perispírito, Lei de Causa e
Efeito, médium, Centro Espírita. O espiritismo não preconiza o uso de
termos como: corpo astral, karma, Exu, Orixá, "cavalo", "aparelho",
"terreiro", "encosto", entre outros vocábulos utilizados por várias
religiões e crenças de origem africana;
Total ausência de culto a imagens, altares, etc.
Ausência de quaisquer rituais: de batismo, culto ou cerimônia para
oficializar casamento;
A doutrina espírita incentiva aos praticantes do espiritismo o respeito
para com todas as religiões e opiniões.
Embora a Doutrina Espírita não seja oriunda do Brasil, este é o país que possui a maior
quantidade de adeptos. A Federação Espírita Brasileira, que integra o Conselho Espirita
Internacional, é a principal entidade divulgadora da Doutrina Espírita no Brasil. Outra
organização importante é a Confederação Espírita Pan-Americana, sendo que esta
entidade não concebe o espiritismo como religião, centrando-se apenas nos seus
aspectos filosóficos e científicos.
Obras básicas
A seguir são apresentadas algumas das principais obras publicadas por Allan Kardec,
entre as quais encontram-se as chamadas Obras Básicas do espiritismo.
O Livro dos Espíritos
O Livro dos Espíritos, publicado em 1857, apresenta-se na forma de perguntas e
respostas, totalizando 1.018 perguntas principais.
O Que É o Espiritismo
O livro O Que É o Espiritismo?, publicado em 1859, é uma introdução didática sobre a
doutrina espírita.
O Livro dos Médiuns
O Livro dos Médiuns, ou "Guia dos Médiuns e dos Evocadores", foi publicado em 1861
e versa sobre o caráter experimental e investigativo do espiritismo, visto como
ferramenta teórico-metodológica para se compreender uma "nova ordem de
fenômenos", até então jamais considerada pelo conhecimento científico: os fenômenos
ditos espíritas ou mediúnicos, que teriam como causa a intervenção de espíritos na
realidade física.
O livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, publicado em 1864, avalia os evangelhos
canônicos sob a óptica da doutrina espírita, tratando com atenção especial a aplicação
dos princípios da moral cristã e de questões de ordem religiosa como a prática da
adoração, da prece e da caridade.
O Céu e o Inferno
O livro O Céu e o Inferno, ou "A Justiça Divina segundo o Espiritismo", foi publicado
em 1865 e compõe-se de duas partes: na primeira, Kardec realiza um exame crítico da
doutrina católica sobre a transcendência, procurando apontar contradições filosóficas e
incoerências com o conhecimento científico superáveis, segundo ele, mediante o
paradigma espírita da fé raciocinada. Na segunda, constam dezenas de diálogos que
teriam sido estabelecidos entre Kardec e diversos espíritos, nos quais estes narram as
impressões que trazem do além-túmulo.
A Gênese
O livro A Gênese, ou "Milagres e as Predições segundo o Espiritismo", foi publicado em
1868 e aborda diversas questões de ordem filosófica e científica, como a criação do
universo, a formação dos mundos, o surgimento do espírito, segundo o paradigma
espírita de compreensão da realidade.
Doutrina espírita e cristianismo
Os espiritistas (tradução muito usada durante as primeiras décadas do século XX para o
neologismo spirite) ou espíritas, afirmam-se cristãos e atribuem à doutrina espírita o
caráter de uma doutrina cristã, já que seguem os ensinamentos de Jesus. Entretanto, essa
associação entre o espiritismo e o cristianismo é contestada pelas religiões de matriz
judaico-cristãs, sob a alegação de que, embora partilhe de valores cristãos, a rejeição
espírita a diversos postulados bíblicos e teológicos preconizados por elas inviabilizaria a
conceituação do espiritismo como "cristão".
Os espíritas fundamentam sua defesa do carácter cristão da doutrina espírita no fato de
Allan Kardec defender que a moral cristã, isenta dos dogmas de fé a ela associados,
seria o que de mais próximo a um código de ética divino e racional o homem possuí. Os
espíritas argumentam que os dogmas foram elaborados ao longo dos séculos pela Igreja
Católica. Por isso, não é necessário segui-los para ser cristão. Além disso, o item 625 de
O Livro dos Espíritos afirma ser Jesus o maior exemplo moral de que dispõe a
humanidade, apesar de o espiritismo negar a ele qualquer carácter efetivamente divino
[2]
.
A Profª Dora Incontri, pós-doutorada pela Faculdade de Educação da Universidade de
São Paulo, também defende o caráter cristão da doutrina espírita, apontando, na
proposta estruturada por Allan Kardec, um novo modelo de religião, alheio a dogmas,
fórmulas, hierarquias sacerdotais e baseado eminentemente no aspecto ético-moral do
indivíduo. Considera ainda Jean-Jacques Rousseau e Johann Heinrich Pestalozzi como
os dois grandes precursores da idéia de uma "religiosidade natural", predominantemente
moral, e defende que "evidenciou-se com a publicação de "O Evangelho segundo o
Espiritismo" e de "O Céu e o Inferno" que, embora não o confessasse, ele [Kardec]
estava fazendo uma nova leitura do Cristianismo". (Pedagogia Espírita: um projeto
brasileiro e suas raízes histórico-filosóficas. São Paulo: Feusp, 2001. p. 74).
Um estudioso da religiosidade brasileira mais céptico, o Prof. António Flávio Pierucci,
do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo, defende que o
espiritismo não é uma religião cristã. Segundo ele, os espíritas utilizam o cristianismo
para se legitimarem. Pierucci defende também que o vínculo com a Igreja Católica,
defendido pelos espíritas serviu, durante décadas, para lutar contra a discriminação e a
intolerância.
O conceito bíblico
As religiões de matriz judaico-cristãs entendem que, com a Lei dada a Moisés no
Antigo Testamento, Deus interditou à antiga Israel as comuniçações com o mundo dos
espíritos e o uso de poderes sobrenaturais por eles concedidos. "... não haverá no meio
de ti ninguém que faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, que interrogue os
oráculos, pratique adivinhação, magia, encantamentos, enfeitiçamentos, recorra à
adivinhação ou consulte os mortos (necromancia)" (Deuteronômio 18:10-14). Afirmam
ainda que essa proibição é confirmada no Novo Testamento, através das referências
contidas nos Evangelhos e no livro de Atos dos Apóstolos aos "espíritos impuros". A
citação do apóstolo Paulo em Gálatas 5:20, afirma que quem pratica "feitiçaria" (ou
bruxaria, o termo grego usado é farmakía) ... não herdará o Reino de Deus". (Na
Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, o termo é vertido por "espiritismo".
Mas esta aplicação da palavra não se refere, por óbvias razões cronológicas, à doutrina
espírita). É comum encontrar referências ao uso do termo Espiritismo para denominar
outras doutrinas e cultos que não sejam aquela codificada por Allan Kardec.
Já para a doutrina espírita, a Bíblia não condena a prática mediúnica em si, pois esta
seria fundamentada em um fenómeno natural. A condenação bíblica, que também
encontra apoio no movimento espírita, é o uso dos recursos mediúnicos para finalidades
frívolas ou voltadas ao benefício próprio. Segundo ela, diversas passagens bíblicas
exemplificariam a fenomenologia mediúnica, a exemplo de I Samuel 9:9, II Crônicas
16:7, e Mateus 17:1-8.
Ao mesmo tempo, a postura analítica da Doutrina Espírita propõe que se avalie os
textos bíblicos, quando verdadeiramente originais, de forma profunda, onde há um
patamar simbólico, já que os ensinamentos de Cristo deveriam chegar até além de
nossos dias sendo sempre válidos e intrepretáveis, mas também em função das figuras
de linguagem disponíveis na época, para um povo simples e sem repertório, e
consequentemente, sem a complexidade e riqueza linguística, cultural e material,
necessárias para a compreensão de conceitos que nem mesmo nós somos capazes de
compreeender.
O diálogo com as religiões
A posição oficial da Igreja Católica proíbe terminantemente os seus fiéis assistir a
sessões mediúnicas realizadas ou não com auxílio de médiuns espíritas - mesmo que
estes pareçam ser honestos ou piedosos - quer interrogando os espíritos e ouvindo suas
respostas, quer assistindo por mera curiosidade. Posições similares têm as religiões
evangélicas.
No entanto, a Igreja Católica não nega a possibilidade física de comunicação com
entidades espirituais. Em pesquisas recentes, sob a tutela do Papa João Paulo II, o Padre
François Brune publicou o livro Os Mortos nos Falam, em que defende a realidade das
comunicações com os espíritos. Além disso, principalmente no Brasil, é possível
observar uma maior tolerância por parte de muitos leigos católicos às práticas
mediúnicas.
Atualmente, muitas comunidades evangélicas, apesar de não concordarem com os
preceitos teológicos e filosóficos do espiritismo, têm procurado, da mesma forma,
manter com este uma relação respeitosa, por reconhecer nos trabalhos sociais
desenvolvidos pelas casas espíritas uma atividade séria e comprometida. Algumas,
inclusive, têm buscado uma aproximação concreta com as instituições espíritas, seja por
meio da realização de cultos ecumênicos, seja através do diálogo inter-religioso.
A doutrina espírita, por sua vez, respeita todas as religiões e doutrinas, valoriza todos os
esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização e pela paz entre todos os
povos e entre todos os homens. Pois o Espiritismo tem como máxima a frase "Fora da
caridade não há salvação" o que significa que sendo benevolente e caridoso você será
gratificado, independentemente da sua crença, ao contrário do "Fora da Igreja não há
salvação" que exclui todos que não seguem a Igreja, mesmo que caridoso, da salvação.
Contexto
Durante o século XIX houve uma grande onda de manifestações mediúnicas nos
Estados Unidos e na Europa. Estas manifestações consistiam principalmente de ruídos
estranhos, pancadas em móveis e objetos que se moviam ou flutuavam sem nenhuma
causa aparente. Entre eles destacou-se o caso das Irmãs Fox, nos EUA.
Em 1855, o professor Denizard Rivail, que depois adotou o pseudônimo de Allan
Kardec, lançou-se à investigação do fenômeno, bastante comum à época, das mesas
girantes ou dança das mesas, em que mesas e objetos em geral pareciam animar-se de
uma estranha vitalidade. Inicialmente cético, chegou a afirmar: "Eu crerei quando vir e
quando conseguirem provar-me que uma mesa dispõe de cérebro e nervos, e que pode
se tornar sonâmbula; até que isso se dê, dêem-me a permissão de não enxergar nisso
mais que um conto para dormir em pé". Após dois anos de pesquisas, não viu
constatação de fraudes e nem um motivo para englobar todos os acontecimentos dessa
ordem no âmbito das falácias e/ou charlatanices. Pessoalmente convencido não só da
realidade do fenômeno, que considerou essencialmente real apesar das mistificações
existentes, mas também da possibilidade dele ser causado por espíritos, Rivail deu um
passo adiante: em lugar de dedicar o resto de sua vida à busca por "provar
cientificamente" a explicação mediúnica para os fenômenos, procurou extrair da
possibilidade de que fossem causados pela ação de espíritos algo de útil para a
humanidade.
A robusta formação humanística por que passara, bebendo diretamente de Pestalozzi,
discípulo dileto de Rousseau, não poderia limitá-lo a uma pesquisa meramente
naturalista. A necessidade de dar algum suporte à espiritualidade humana numa época
em que a ciência avançava a passos largos e as religiões perdiam cada vez mais adeptos
despertou em Kardec a idéia de um novo modo de pensar o real, que unisse, de forma
ponderada, a ascendente Ciência e a decadente Religião, mediadas pela racionalidade
filosófica. Assim, Kardec fez uso do empirismo científico para investigar os fenômenos,
da racionalidade filosófica para dialogar com o que presumiu serem espíritos e analisar
suas proposições, e buscou extrair desses diálogos conseqüências ético-morais úteis
para o ser humano. Surgia aí, mais precisamente em 18 de abril de 1857, a doutrina
espírita, sistematizada na primeira edição de O Livro dos Espíritos.
Primeiras observações
Os fenômenos mediúnicos são universais e sempre existiram, inclusive fartamente
relatados na Bíblia, mas os espíritas e muitos outros defensores da explicação mediúnica
para os chamados "fenômenos sobrenaturais" ou "paranormais" adotam a data de 31 de
março de 1848 como o marco inicial das modernas manifestações mediúnicas,
alegadamente mais ostensivas e freqüentes do que jamais ocorrera, o que levou muitos
pesquisadores a se debruçarem sobre tais fenômenos. Afirmam, contudo, que
acontecimentos envolvendo espíritos (pessoas que já morreram) existem desde os
primórdios da humanidade.
Entre outros, citam como exemplo os comentários de Platão ao falar sobre o dáimon ou
gênio que acompanharia Sócrates; a proibição de Moisés à prática da "consulta aos
mortos", que seria uma evidência da crença judaica nessa possibilidade, já que não se
interdita algo irrealizável; e a comunicação de Jesus com Moisés e Elias no Monte
Tabor, citada em Mt, 17, 1-9.
Estudo sobre as mesas girantes
Segundo os biógrafos, Allan Kardec foi convidado por Fortier, um amigo estudioso das
teorias de Mesmer, a verificar o fenômeno das mesas girantes com a disposição de
observar e analisar os fenômenos que despertavam curiosidade no século XIX.
As primeiras manifestações tidas como mediúnicas aconteceram por meio de mesas se
levantando e batendo, com um dos pés, um número determinado de pancadas e
respondendo, desse modo, sim ou não, segundo fora convencionado, a uma questão
proposta.
Kardec, em analisando esses fenômenos, concluiu que não havia nada de convincente
neste método para os céticos, porque se podia acreditar num efeito da eletricidade, cujas
propriedades eram pouco conhecidas pela ciência de então. Foram então utilizados
métodos para se obter respostas mais desenvolvidas por meio das letras do alfabeto: o
objeto móvel, batendo um número de vezes correspondenteria ao número de ordem de
cada letra, chegando, assim, a formular palavras e frases respondendo às perguntas
propostas.
Kardec concluiu que a precisão das respostas e sua correlação com a pergunta não
poderiam ser atribuídas ao acaso. O ser misterioso que assim respondia, quando
interrogado sobre sua natureza, declarou que era um espírito ou gênio, deu o seu nome e
forneceu diversas informações a seu respeito.
Fenômenos espíritas e a ciência
A investigação dos fatos e causas do fenômeno mediúnico é objecto de estudo pela
Pesquisa Psíquica, ramo da parapsicologia (substituindo a metapsíquica), que tem como
interesse fundamental a averiguação da ocorrência dos aludidos fatos. Vêm fazendo-se
investigação séria e científica, e por vezes, em nível universitário, mas até o momento
sem qualquer evidência científica reprodutível. Também, a doutrina espírita utiliza uma
metodologia científica própria, sem o rigor científico habitual e baseada muitas vezes
em evidências anedóticas.
Kardec, no preâmbulo de O que é o Espiritismo, afirma que o espiritismo "é uma
ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações
com o mundo corporal". Dentro dessa perspectiva, Kardec teria fundado a "ciência
espírita", tendo como objeto o espírito e toda a ordem de fenômenos que a ele dizem
respeito. Na Revista Espírita, que publicou até sua morte, analisa vários relatos de
fenômenos aparentemente mediúnicos ou sobrenaturais oriundos de diversas partes do
mundo. Procurava distinguir, entre os relatos que lhe chegavam, os acontecimentos
prováveis, ou pelo menos verossímeis, daqueles oriundos do charlatanismo ou da
simples imaginação superexcitada.
Durante o século XIX, uma controversa forma de evidenciar a existência de espíritos era
a chamada fotografia espírita, que obteve sucesso especial na Inglaterra, nos Estados
Unidos e na França. Fotógrafos amadores e profissionais dedicavam-se a ela, fosse com
o intuito de desmascarar o que consideravam ser uma fraude, fosse para demonstrar a
autenticidade do fenômeno. Apesar das muitas fraudes existentes, casos famosos como
o do americano Mumler suscitam até hoje debates entre investigadores.
Para além dos aspectos doutrinários, existe uma diversidade de práticas que vêm
suscitando nas últimas décadas uma crescente curiosidade - a ectoplasmia, psicocinesia,
psicofonia, psicometria, levitação, telepatia, clarividência, pré-cognição, via onírica
(sonhos), psicografia, arte mediúnica, medicina e cirúrgia mediúnica, apometria,
radiestesia e rabdomancia. Mesmo após extensas investigações científicas, e debunks
por James Randi, Harry Houdini e outros, nenhum desses fenômenos foi rigorosamente
referendado até hoje pela metodologia científica.
O Espiritismo no Brasil
Divulgado em praticamente toda a Europa no século XIX, o Espiritismo chegou ao
Brasil em 1865. Hoje, o País é o que reúne o maior número de espíritas em todo o
mundo. A Federação Espírita Brasileira – entidade de âmbito nacional do movimento
espírita – congrega aproximadamente dez mil instituições espíritas, espalhadas por todas
as regiões do País. Atualmente, o Brasil possui 2,3 milhões de espíritas, de acordo com
o último censo[3] realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
em 2000. Terceiro maior grupo religioso do País, os espíritas são, também, o segmento
social que têm maior renda e escolaridade, segundo os dados do mesmo Censo. Os
espíritas têm sua imagem fortemente associada à prática da caridade. Eles mantêm em
todos os Estados brasileiros asilos, orfanatos, escolas para pessoas carentes, creches e
outras instituições de assistência e promoção social. Allan Kardec, o Codificador do
Espiritismo, é uma personalidade bastante conhecida e respeitada no Brasil. Seus livros
já venderam mais de 20 milhões de exemplares em todo o País. Se forem contabilizados
os demais livros espíritas, todos decorrentes das obras de Allan Kardec, o mercado
editorial brasileiro espírita ultrapassa 4.000 títulos já editados e mais de 100 milhões de
exemplares vendidos.
Federação Espírita Brasileira
A Federação Espírita Brasileira foi fundada em 2 de janeiro de 1884, no Rio de Janeiro.
Em 2004 completou 120 anos. É uma sociedade civil, religiosa, educacional, cultural e
filantrópica, que tem por objeto o estudo, a prática e a difusão do Espiritismo em todos
os seus aspectos, com base nas obras da codificação de Allan Kardec e nos Evangelhos
canônicos. O Departamento Editorial da FEB possui um catálogo de mais de 400 títulos
que totalizam 39 milhões de livros vendidos. Todos inspirados na Codificação
Kardequiana: romances, mensagens, contos, crônicas, textos científicos e filosóficos,
além de CD-ROMs, vídeos, apostilas e CDs de canções espíritas.
Confederação Espírita Pan-Americana
A Confederação Espírita Pan-Americana, fundada em 5 de outubro de 1946 na
Argentina, é uma instituição internacional, que congrega majoritariamente espíritas da
América Latina. A CEPA possui instituições adesas e filiadas em diversos países, e
defende uma visão laica a respeito do espiritismo. A organização assume
posicionamentos polêmicos entre os espíritas, como a desvinculação entre a doutrina e o
cristianismo e a necessidade de se atualizar o espiritismo em face da ciência. Desde o
dia 13 de outubro de 2000, a sede da CEPA passou a ser Porto Alegre, no Rio Grande
do Sul. A atuação da CEPA no Brasil se dá, principalmente, através de eventos
promovidos por instituições adesas, como o Fórum do Livre Pensar Espírita e o
Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita.
Candomblé
Candomblé, culto dos orixás, de origem totêmica e familiar, é uma das religiões afro-
brasileiras praticadas principalmente no Brasil, pelo chamado povo do santo, mas
também em outros países como Uruguai, Argentina, Venezuela, Colombia, Panamá e
México. Na Europa: Alemanha, Itália, Portugal e Espanha.
A religião que tem por base a anima (alma) da Natureza, sendo portanto chamada de
anímica, foi desenvolvida no Brasil com o conhecimento dos sacerdotes africanos que
foram escravizados e trazidos da África para o Brasil, juntamente com seus
Orixás/Inquices/Voduns, sua cultura, e seu idioma, entre 1549 e 1888.
Embora confinado originalmente à população de negros escravizados, proibido pela
igreja católica, e criminalizado mesmo por alguns governos, o candomblé prosperou nos
quatro séculos, e expandiu consideravelmente desde o fim da escravatura em 1888.
Estabeleceu-se com seguidores de várias classes sociais e dezenas de milhares de
templos. Em levantamentos recentes, aproximadamente 3 milhões de brasileiros (1,5%
da população total) declararam o candomblé como sua religião. [1] Na cidade de
Salvador existem 2.230 terreiros registrados na Federação Baiana de Cultos Afro-
brasileiros e catalogado pelo Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA,(Universidade
Federal da Bahia)Mapeamento dos Terreiros de Candomblé de Salvador. Entretanto, na
cultura brasileira as religiões não são vistas como mutuamente exclusivas, e muitos
povos de outras crenças religiosas — até 70 milhões, de acordo com algumas
organizações culturais Afro-Brasileiras — participam em rituais do candomblé,
regularmente ou ocasionalmente[2]. Orixás do Candomblé, os rituais, e as festas são
agora uma parte integrante da cultura e uma parte do folclore brasileiro.
O Candomblé não deve ser confundido com Umbanda, Macumba e/ou Omoloko, outras
religiões afro-brasileiras com similar origem; e com religiões afro-americanas similares
em outros países do Novo Mundo, como o Vodou haitiano, a Santeria cubana, e o
Obeah, em Trinidade e Tobago, os Shangos (similar ao Tchamba [3][4] africano, Xambá
e ao Xangô do Nordeste do Brasil) o Ourisha, de origem iorubá, os quais foram
desenvolvidas independentemente do Candomblé e são virtualmente desconhecidos no
Brasil.
Nações
Os escravos brasileiros pertenciam a diversos grupos étnicos, incluindo os yoruba, os
ewe, os fon, e os bantu. Como a religião se tornou semi-independente em regiões
diferentes do país, entre grupos étnicos diferentes, evoluíram diversas "divisões" ou
nações, que se distinguem entre si principalmente pelo conjunto de divindades
veneradas, o atabaque (música) e a língua sagrada usada nos rituais.
A lista seguinte é uma classificação pouco rigorosa das principais nações e sub-nações,
de suas regiões de origem, e de suas línguas sagradas:
Nagô ou Iorubá
o Ketu ou Queto (Bahia) e quase todos os estados - Língua Yoruba
(Iorubá ou Nagô em Português)
o Efan na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo
o Ijexá principalmente na Bahia
o Nagô Egbá ou Xangô do Nordeste no Pernambuco, Paraíba,
Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo
o Mina-nagô ou Tambor de Mina no Maranhão
o Xambá em Alagoas e Pernambuco (quase extinto).
Bantu, Angola e Congo (Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Minas
Gerais, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul), mistura de Bantu,
Quicongo e Quimbundo línguas.
o Candomblé de Caboclo (entidades nativas índios)
Jeje A palavra Jeje vem do yorubá adjeje que significa estrangeiro,
forasteiro. Nunca existiu nenhuma nação Jeje na África. O que é
chamado de nação Jeje é o candomblé formado pelos povos fons vindo
da região de Dahomey e pelos povos mahins. Jeje era o nome dado de
forma pejorativa pelos yorubás para as pessoas que habitavam o leste,
porque os mahins eram uma tribo do lado leste e Saluvá ou Savalu eram
povos do lado sul. O termo Saluvá ou Savalu, na verdade, vem de
"Savé" que era o lugar onde se cultuava Nanã. Nanã, uma das origens
das quais seria Bariba, uma antiga dinastia originária de um filho de
Oduduá, que é o fundador de Savé (tendo neste caso a ver com os
povos fons). O Abomei ficava no oeste, enquanto Ashantis era a tribo do
norte. Todas essas tribos eram de povos Jeje[5],(Bahia, Rio de Janeiro e
São Paulo) - língua ewe e língua fon (Jeje)
o Jeje Mina língua mina São Luiz do Maranhão
Crenças
Candomblé é uma religião monoteísta, embora alguns defendem que cultuem vários
deuses, o deus único para a Nação Ketu é Olorum, para a Nação Bantu é Zambi e para a
Nação Jeje é Mawu, são nações independentes na prática diária e em virtude do
sincretismo existente no Brasil a maioria dos participantes consideram como sendo o
mesmo Deus da Igreja Católica.
Os Orixás/Inquices/Voduns recebem homenagens regulares, com oferendas, cânticos,
danças e roupas especiais. Mesmo quando há na mitologia referência a uma divindade
criadora, essa divindade tem muita importância no dia-a-dia dos membros do terreiro,
como é o caso do Deus Cristão que na maioria das vezes são confundidos.
os Orixás da Mitologia Yoruba foram criados por um deus supremo,
Olorun (Olorum) dos Yoruba;
os Voduns da Mitologia Fon[6] foram criados por Mawu, o deus supremo
dos Fon;
os Nkisis da Mitologia Bantu, foram criados por Zambi, Zambiapongo,
deus supremo e criador.
O Candomblé cultua, entre todas as nações, umas cinquenta das centenas deidades ainda
cultuadas na África. Mas, na maioria dos terreiros das grandes cidades, são doze as mais
cultuadas. O que acontece é que algumas divindades têm "qualidades", que podem ser
cultuadas como um diferente Orixá/Inquice/Vodun em um ou outro terreiro. Então, a
lista de divindades das diferentes nações é grande, e muitos Orixás do Ketu podem ser
"identificados" com os Voduns do Jejé e Inquices dos Bantu em suas características,
mas na realidade não são os mesmos; seus cultos, rituais e toques são totalmente
diferentes.
Orixás têm individuais personalidades, habilidades e preferências rituais, e são
conectados ao fenômeno natural específico (um conceito não muito diferente do Kami
do japonês Xintoísmo). Toda pessoa é escolhida no nascimento por um ou vários
"patronos" Orixás, que um babalorixá identificará. Alguns Orixás são "incorporados"
por pessoas iniciadas durante o ritual do candomblé, outros Orixás não, apenas são
cultuados em árvores pela coletividade. Alguns Orixás chamados Funfun (branco), que
fizeram parte da criação do mundo, também não são incorporados.
No tempo das senzalas os negros para poderem cultuar seus Orixás, Inkices e Voduns
usaram como camuflagem um altar com imagens de santos católicos e por baixo os
assentamentos escondidos, segundo alguns pesquisadores este sincretismo já havia
começado na África, induzida pelos próprios missionários para facilitar a conversão.
Depois da libertação dos escravos começaram a surgir as primeiras casas de candomblé,
e é fato que o candomblé de séculos tenha incorporado muitos elementos do
Cristianismo. Crucifixos e imagens eram exibidos nos templos, Orixás eram
freqüentemente identificados com Santos Católicos, algumas casas de candomblé
também incorporam entidades caboclos, que eram consideradas pagans como os Orixás.
Mesmo usando imagens e crucifixos inspiravam perseguições por autoridades e pela
Igreja, que viam o candomblé como paganismo e bruxaria, muitos mesmo não sabendo
nem o que era isso.
Nos últimos anos, tem aumentado um movimento "fundamentalista" em algumas casas
de candomblé que rejeitam o sincretismo aos elementos Cristãos e procuram recriar um
candomblé "mais puro" baseado exclusivamente nos elementos Africanos.
Os Templos de candomblé são chamados de casas, roças ou Terreiros. As casas podem
ser de linhagem matriarcal, patriarcal ou mista:
Casas pequenas, que são independentes, possuídas e administradas
pelo babalorixá ou iyalorixá dono da casa e pelo Orixá principal
respectivamente. Em caso de falecimento do dono, a sucessão na
maioria das vezes é feita por parentes consanguineos, caso não tenha
um sucessor interessado em continuar a casa é desativada. Não há
nenhuma administração central.
Casas grandes, que são organizadas tem uma hierarquia rígida, não é
de propriedade do sacerdote, nem toda casa grande é tradicional, é uma
Sociedade Civil ou Beneficente.
o Casas de linhagem matriarcal: (só mulheres) assumem a
liderança da casa como Iyalorixá.
Ilé Axé Iyá Nassô Oká - Casa Branca-Engenho Velho -
considerada a primeira casa a ser aberta em Salvador,
Bahia
Ilé Iyá Omi Axé Iyámase do Gantois - Terreiro do Gantois
- Salvador, Bahia
Ilé Axé Opó Afonjá - Opó Afonjá - Salvador, Bahia e
Coelho da Rocha, Rio de Janeiro
Kwe Kpodaba-Asé Podaba - fundado em 1851 - Rio de
Janeiro
Ilé Omo Oyá Legi - Mesquita, Rio de Janeiro
Zoogodô Bogum Malê Rondó - Terreiro do Bogum -
Salvador, Bahia
Querebentan de Zomadônu - Casa das Minas - fundada
+/- 1796 - São Luiz, Maranhão
o Casas de linhagem patriarcal: (só homens) assumem a liderança
da casa como Babalorixá no Culto aos Orixá ou Babaojé no Culto
aos Egungun.
Ilê Agboulá - Ilha de Itaparica
Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Axipá - Ilê Axipá -
Salvador, Bahia
o Casas de linhagem mista: tanto homens como mulheres podem
assumir a liderança da casa.
Ilé Maroialaji - Terreiro do Alaketu - Salvador, Bahia
Ilé Axé Oxumarê - Casa de Oxumare - Salvador, Bahia
Ilé Axé Odó Ogè - Terreiro Pilão de Prata - Salvador,
Bahia
Obá Ogunté - Terreiro Obá Ogunté - Recife, Pernambuco
Kwé Ceja Houndé - Roça do Ventura - Cachoeira e São
Felix, Bahia
A lei federal nº. 6.292 de 15 de Dezembro de 1975 protege os terreiros de candomblé no
Brasil, contra qualquer tipo de alteração de sua formação material ou imaterial. O
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Instituto Patrimônio
Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) são os responsáveis pelo tombamento das casas.
A progressão na hierarquia é condicionada ao aprendizado e ao desempenho dos rituais
longos da iniciação. Em caso de morte de uma ialorixá, a sucessora é escolhida,
geralmente entre suas filhas, na maioria das vezes por meio de um jogo divinatório
Opele-Ifa ou jogo de búzios. Entretanto a sucessão pode ser disputada ou pode não
encontrar um sucessor, e conduz frequentemente a rachar ou ao fechamento da casa. Há
somente três ou quatro casas em Brasil que viram seu 100° aniversário.
Hierarquia
No Brasil, existe uma divisão nos cultos: Ifá, Egungun, Orixá, Vodun e Nkisi, são
separados por tipo de iniciação do sacerdócio.
Culto de Ifá só inicia Babalawos, não entram em transe.
Culto aos Egungun só inicia Babaojés, não entram em transe.
Candomblé Ketu inicia Iyawos, entram em transe com Orixá.
Candomblé Jeje inicia Vodunsis, entram em transe com Vodun.
Candomblé Bantu inicia Muzenzas, entram em transe com Nkisi.
Hierarquia do Candomblé
Sacerdócio
Nas Religiões Afro-brasileiras o sacerdócio é dividido em:
Babalorixá ou Iyalorixá - Sacerdotes de Orixás
babalaxé ou Iyalaxé - Sacerdote e líder na sociedade
Doté ou Doné - Sacerdotes de Voduns
Tateto e Mameto - Sacerdotes de Inkices
Babalawo - Sacerdote de Orunmila-Ifa do Culto de Ifá
Bokonon - Sacerdote do Vodun Fa
Babalosaim - Sacerdote de Ossaim
Babaojé - Sacerdote do Culto aos Egungun
Anexo:Lista de sacerdotes do candomblé
Temas polêmicos
Manuel Raimundo Querino foi um abolicionista ferrenho, lutou contra às perseguições
existentes aos praticantes das religiões afro-brasileiras que eram rotuladas de religiões
bárbaras e pagãs.
Procópio de Ogum teve o seu reconhecimento por ter participado da legitimação da
religião do candomblé, durante a perseguição às religiões afro-brasileiras promovida
pelas autoridades do Estado Novo. Nesse período, o Ilê Ogunjá foi invadido pela polícia
baiana, sob a supervisão do famoso delegado Pedrito Gordo. Procópio foi preso e
espancado. O jornalista Antônio Monteiro foi uma das pessoas que ajudou na
libertação de Procópio. Tal acontecimento - caso Pedrito - registrou o nome de Procópio
na história popular baiana, chegando mesmo a fazer parte de uma letra de samba-de-
roda:
"Procópio tava na sala, esperando santo chegá, quando chegou seu Pedrito, Procópio
passa para cá. Galinha tem força n'asa, o galo no esporão, Procópio no candomblé
Pedrito no facão". (samba-de roda, autor desconhecido)
A intolerância e a perseguição às religiões afro-brasileiras continua até os dias atuais, a
Liberdade religiosa constante da Constituição Brasileira nem sempre é respeitada.
Cultura yoruba Palestra de Juarez Tadeu de Paula Xavier
Abdias do Nascimento conta em uma entrevista concedida ao Portal Afro: "Os cultos
afro-brasileiros eram uma questão de polícia. Dava cadeia. Até hoje, nos museus da
polícia do Rio de Janeiro ou da Bahia, podemos encontrar artefatos cultuais retidos. São
peças que provavam a suposta deliquência ou anormalidade mental da comunidade
negra. Na Bahia, o Instituto Nina Rodrigues mostra exatamente isso: que o negro era
um camarada doente da cabeça por ter sua própria crença, seus próprios valores, sua
liturgia e seu culto. Eles não podiam aceitar isso."
Homossexualidade
A homossexualidade está presente na maioria das religiões, porém oculta,
indiscutivelmente abafada e muitas vezes negada pelos ditos ex-homossexuais.
No Candomblé a homossexualidade é amplamente aceita e discutida nos dias atuais,
mas já teve um período que homens e homossexuais não podiam ser iniciados como
rodantes (termo usado para pessoas que entram em transe), não era permitido em festas
que um homem dançasse na roda de candomblé mesmo que estivesse em transe.
O mais famoso e revolucionário homossexual do candomblé foi sem dúvida Joãozinho
da Goméia, que afrontou as matriarcas e ocupou seu espaço tornando-se conhecido
internacionalmente. Tiveram muitos outros, mas nenhum conseguiu suplantá-lo em
ousadia e popularidade.
Interrupção da gravidez
Nas religiões afro-brasileiras que na maioria são religiões derivadas das religiões tribais
africanas, são contra o aborto e um dos motivos é o religioso, o africano vê o filho como
a continuação da própria vida, filho é o bem mais precioso que o homem africano possa
ter, em consequência disso, foram trazidos para o Brasil alguns conceitos.
No conceito social: Amparam e orientam adolescentes e mulheres
grávidas.
No conceito religioso: Oxum é quem rege o processo de fecundidade,
cuida do embrião, evita o aborto espontâneo, não aprova o aborto
provocado, mantém a criança viva e sadia na barriga da mãe até o
nascimento. Uma mulher quando não consegue engravidar, recorre à
Oxum.
No conceito jurídico: Só aprova a interrupção da gravidez, nos casos
previstos em lei.
Mas como em toda religião, quando acontece uma gravidez indesejada, muitas mulheres
procuram soluções alternativas fora dos Terreiros, como: chás, remédios e até mesmo
clínicas de aborto.
Em virtude do grande número de abortos clandestinos que são feitos e as inúmeras
mortes ocorridas, algumas pessoas estão lutando por essas causas relacionadas às
mulheres.
Leila Linhares Barsted, (advogada) atua na Comissão Estadual de
Segurança da Mulher, que monitora e pressiona o governo em ações
como manutenção de abrigos para vítimas de violência e delegacias
especializadas.
Maria José de Oliveira Araújo (médica) comandou o setor de saúde da
mulher da Prefeitura de São Paulo e implementou, pela primeira vez no
país, o serviço de aborto em hospitais públicos para os casos previstos
em Lei.
Silvia Pimentel, (advogada) em janeiro de 2005, assumiu o cargo de
vice-presidente da mais alta instância de defesa dos direitos da mulher,
o Comitê Cedaw da ONU.
Mudança de hábitos e costumes
As casas de candomblé são frequentadas e habitadas por um número variável de
pessoas, pode variar de 20 a 300 pessoas dependendo do tamanho da casa e da ocasião
ou do evento. Fora do período de festas na casa só ficam as pessoas residentes, mas nas
obrigações e festas além dos residentes virão os outros filhos-de-santo da casa e os
visitantes e convidados. Quanto maior o número de pessoas, maior será a preocupação
com a higiene e alimentação. Os animais são abatidos e limpos e as comidas são
preparadas sempre sob a vigilância da Iyabassê encarregada da cozinha e responsável
pela qualidade dos alimentos tanto para os Orixás como para as pessoas.
A maior preocupação nas casas de candomblé e das outras religiões afro-brasileiras
sempre foi com as doenças infecciosas principalmente a tuberculose e hepatite, por
serem transmissíveis através de copos e talheres, por esse motivo cada filho da casa
deve ter seu prato e caneca identificados, iyawos durante o período de recolhimento não
usam talheres só passam a usá-los depois da caída de quelê. A higiene com pratos,
talheres e copos sempre foi constante. Nos tempos modernos quando já existem os
materiais descartáveis ficou um pouco mais fácil de lidar com o problema.
Com o surgimento de novas doenças como HIV ou Aids muitos hábitos e costumes do
candomblé tiveram que ser mudados. Na iniciação os Iyawos tinham suas cabeças
raspadas e curas feitas por uma única navalha que a Iyalorixá recebia de sua mãe-de-
santo quando da posse do cargo, isso passou a ser feito com mais cuidado, adotando-se
navalhas individuais ou descartáveis.
Um dos maiores problemas enfrentados nas casas de candomblé tem sido com a
dengue, principalmente nas regiões onde os focos do mosquito estão sendo
combatidos. Os potes de abô (infusão de folhas sagradas) foram esvaziados para evitar
possível proliferação do mosquito, os banhos são preparados com água e folhas frescas
e usados imediatamente.
Umbanda
Umbanda é uma religião formada dentro da cultura religiosa brasileira que sincretiza
elementos vários, inclusive de outras religiões como a Católica, Espírita e das Religiões
afro-brasileiras.
Os conceitos aqui relatados podem diferir em alguns tópicos por se tratar de uma visão
generalista e enciclopédica. Por se tratar de um conjunto religioso com várias
ramificações, as informações aqui expostas buscam informar aos leitores da forma mais
abrangente possível e sem discriminação ou preconceitos, pois todas as "Umbandas"
têm suas razões de existir e de serem cultuadas.
Estrutura da Umbanda
Definição da Umbanda A Umbanda é uma religião inserida na religiosidade cultural
brasileira.
A Umbanda é estruturada, moralmente, em 3 princípios: fraternidade, caridade e
respeito ao próximo.
Admite um deus gerador chamado (Zambi), que é o criador de tudo e todos. Seus
adeptos (chamados também de "umbandistas" ou "filhos de fé") cultuam divindades
denominadas Orixás e reverenciam espíritos chamados Guias.
Sua orientação espiritual ou doutrinária é feita pelos Guias - espíritos que atuam na
Umbanda sob uma determinada linha de trabalho que, por sua vez, está ligada
diretamente a um determidado Orixá. Os guias têm sapiência e consciência da natureza
humana e os atributos para que essa humanidade possa evoluir e seguir por um caminho
melhor.
Os guias se manifestam através da mediunidade dos médiuns, sendo a prática da
incorporação a matriz do trabalho deles - ato pelo qual uma pessoa médium,
inconsciente, consciente ou semi-consciente, permite que espíritos falem através de seu
corpo físico e mental.
Os guias possuem diversos arquétipos pelos quais se apresentam através da
incorporação. Cada arquétipo está ligado a uma determinada Linha Espiritual. Como
exemplos desses arquétipos podemos citar:
Pretos-velhos;
Caboclos;
Baianos;
Boiadeiros;
Crianças;
Exus e Pomba-giras, entre outros.
Os arquétipos são roupagens utilizadas pelos guias para se apresentarem nos terreiros e
não espíritos que, necessariamente, tenham sido escravos, índios ou crianças, embora
existam aqueles que realmente o foram.
Cada terreiro ou conglomerado de terreiros têm a sua forma de interpretar e manifestar a
Religião de Umbanda. São diversos ritos que diferem de casa para casa. Alguns utilizam
atabaques, já outros, não utilizam tais instrumentos, preferindo somente o ritmo das
palmas e o cântico dos pontos cantados.
De maneira geral, toda gira de Umbanda inicia-se como o processo de defumação -
elemento característico de quase todas as giras - que consiste na queima de ervas e
essências, com a finalidade de limpeza da matéria e do espírito, e do ambiente do
terreiro antes do início da sessão e do trabalho das entidades que ali estarão.
Normalmente as giras se iniciam com os pontos cantados, defumação e a incorporação.
As giras variam de casa para casa e podem ser de atendimento e/ou de desenvolvimento,
específicas para cada grupamento de entidades, ou seja, gira de pretos-velhos, de
caboclos, de crianças etc.
Nas giras de atendimento os médiuns incorporados pelos seus guias (pretos-velhos,
caboclos, crianças etc), procedem ao atendimento espiritual ao público, em que todos
são convidados a se consultarem com um guia e/ou a tomar um "passe".
Nas giras desenvolvimento, os médiuns da casa são desenvolvidos pelos guia chefe da
casa ou por outros guias mais experientes, para o trabalho espiritual. O desenvolvimento
(que também varia de casa para casa) consiste em "chamar" o guia do médium e "firmá-
lo" nesse médium até que ele, o guia, possa incorporar sem a necessidade da ajuda de
um guia mais experiente. Durante o processo de desenvolvimento, os médiuns passam
por diversos rituais, como: amacis, boris, deitadas etc. Os quais são fundamentados e
variantes para cada forma de Umbanda existente.
Origem da Umbanda
A Umbanda tem origens variadas (dependendo da vertente que a pratica).
Em meio as festas nas senzalas os negros escravos comemoravam os Orixás por meio
dos Santos Católicos. Nessas festas eles incorporavam seus Orixás, mas também
começaram a incorporar os espíritos ditos ancestrais, como os Pretos-Velhos ou Pais
Velhos (espíritos de ancestrais, (que não era de antigos Babalaôs, Babalorixás, pois
esses são cultuados no Culto aos Egungun em Itaparica, Bahia, e nem Iyalorixás pois
essas são cultuadas no Culto das Iyás) eram antigos "Pais e Mães de Senzala": escravos
mais velhos que sobreviveram à senzala e que, em vida, eram conselheiros e sabiam as
antigas artes da religião da distante África), que iniciaram a ajuda espiritual e o alívio do
sofrimento material daqueles que estavam no cativeiro.
Embora houvesse uma certa resistência por parte de alguns, pois consideravam os
espíritos incorporados dos Pretos-Velhos como Eguns (espírito de pessoas que já
morreram e não são cultuados no candomblé), também houve admiração e devoção.
Com os escravos foragidos, forros e libertados pelas leis do Ventre Livre, Sexagenário e
posteriormente a Lei Áurea, começou-se a montagem das tendas, posteriormente
terreiros.
Em alguns Candomblés também começaram a incorporar Caboclos (índios das terras
brasileiras como Pajés e Caciques) que foram elevados à categoria de ancestral e
passaram a ser louvados. O exemplo disso são os ditos Candomblé de Caboclo. Muito
comuns no norte e nordeste do Brasil até hoje.
No início do século XX com o surgimento da Umbanda, esta que muitas vezes era
realizada nas praias começou a ser conhecida pelo termo macumba, pois macumba nada
mais é que um determinado tipo de madeira usada para produzir o atabaque usado
durante as giras; por ser um instrumento musical, as pessoas referiam-se da seguinte
forma: "Estão batendo a macumba na praia", ficando então conhecidas as giras como
macumbas ou culto Omoloko. Com o passar do tempo, tudo que envolvia algo que não
se enquadrava nos ensinamentos impostos pelo catolicismo, protestantismo, judaísmo,
etc, era considerado macumba. Com isso, acabou por virar um termo pejorativo.
Visões sobre o vocábulo Umbanda
Referência Histórioco-Literária
A mais antiga referência literária e denotativa ao termo Umbanda é de Heli Chaterlain,
em Contos Populares de Angola, de 1889. Lá aparece a referência à palavra Umbanda,
como: curador, magia que cura, sinônimo de Kimbanda.
Visão Esotérica sobre o vocábulo Umbanda
Segundo a corrente esotérica que existe na Umbanda, a origem do vocábulo Umbanda
estaria na raiz sânscrita AUM que, na definição de Helena Petrovna Blavatsky, em seu
Glossário Teosófico, significa a sílaba sagrada; a unidade de três letras; daí a trindade
em um. É uma sílaba composta pelas letras A, U e M (das quais as duas primeiras
combinam-se para formar a vogal composta O). É a sílaba mística, emblema da
divindade, ou seja, a Trindade na Unidade (sendo que o A representa o nome de Vishnu;
U, o nome de Shiva, e M, o de Brahmâ); é o mistério dos mistérios; o nome místico da
divindade, a palavra mais sagrada de todas na Índia, a expressão laudatória ou
glorificadora com que começam os Vedas e todos os livros sagrados ou místicos. As
outras palavras componentes se supõem, como: Bandha, de origem sânscrita, no mesmo
glossário significa laço, ligadura, sujeição, escravidão. A vida nesta terra.
Autores dessa corrente esotérica, analisando as duas palavras, definiram Umbanda como
sendo a junção dos termos Aum + Bandha, que seria o elo de ligação entre os planos
divino e terreno. A palavra mântrica Aumbandha foi sendo passada de boca a ouvido e
chega até nós como Umbanda.
Formas variadas da Umbanda
A incorporação de guias também ocorreu em outras religiões como no Candomblé de
Caboclos ( desde de 1865 - as primeiras manifestações de Caboclos, Boiadeiros,
Marinheiros, Crianças e Pretos-velhos aconteceram dentro do Candomblé de Caboclos
), no Catimbó e em centros Espíritas (onde não eram aceitos e, muitas vezes, expulsos
ou pedidos a se retirar, por serem vistos como espíritos não evoluídos, ou mesmo, como
obsessores).
Uma das versões mais aceitas popularmente, mas não cientificamente, pois não existe
documentação da época para corroborá-la, é a sobre o médium Zélio Fernandino de
Moraes.
Diz essa versão que Zélio, em 15 de novembro de 1908, acometido de doença
misteriosa, teria sido levado a Federação Espírita de Niterói e, em determinado
momento dos trabalhos da sessão Espírita manifestaram-se em Zélio espíritos que
diziam ser de índio e escravo. O dirigente da Mesa pediu que se retirassem, por
acreditar que não passavam de espíritos atrasados (sem doutrina). Mais tarde, naquela
noite, os espíritos se nomearam como Caboclo das Sete Encruzilhadas e Pai Antônio.
Devido a hostilidade e a forma como foram tratados (como espíritos atrasados por se
manifestarem como índio e um negro escravo). Essas entidades resolveram iniciar uma
nova forma de culto, em que qualquer espírito pudesse trabalhar.
No dia seguinte, dia 16 de novembro, as entidades começaram a atender na residência
de Zélio todos àqueles que necessitavam, e, posteriormente, fundaram a Tenda espírita
Nossa Senhora da Piedade.
Essa nova forma de religião inicialmente foi chamada de Alabanda, mas acabou
tomando o nome de Umbanda. Uma religião sem preconceitos que acolheria a todos que
a procurassem: encarnados e desencarnados, em todas bandas.
Zélio foi o precursor de um "trabalho Umbandista Básico" (voltado à caridade
assistêncial, sem cobrança e sem fazer o mal e priorizando o bem), uma forma "básica
de culto" (muito simples), mas aberta à junção das formas já existentes (ao próprio
Candomblé nos cultos Nagôs e Bantos, que deram origem às religioes mais africanas -
Umbanda Omoloko, Umbanda de pretos-velhos; ou aquelas formas mais vinculadas à
Doutrina Espírita - Umbanda Branca; ou aquelas formas oriundas da Pajelança do índio
brasileiro - Umbanda de Caboclo; ou mesmo formas mescladas com o esoterismo de
Papus - Gérard Anaclet Vincent Encausse, esoterismo teosófico de Helena Petrovna
Blavatsky (1831-1891), de Joseph Alexandre Saint-Yves d´Alveydre - Umbanda
Esotérica, Umbanda Iniciática, entre outras) que foram se mesclando e originando
diversas correntes ou ramificações da Umbanda com suas próprias doutrinas, ritos,
preceitos, cultura e características próprias dentro ou inerentes à prática de seus
fundamentos.
Hoje temos várias religiões com o nome "Umbanda" ( Linhas Doutrinárias ) que
guardam raízes muito fortes das bases iniciais, e outras, que se absorveram
características de outras religiões, mas que mantém a mesma essência nos objetivos de
prestar a caridade, com humildade, respeito e fé.
Alguns exemplos dessas ramificações são:
Umbanda Popular - Que era praticada antes de Zélio e conhecida como
Macumbas ou Candomblés de Caboclos; onde podemos encontrar um forte
sincretismo - Santos Católicos associados aos Orixas Africanos;
Umbanda tradicional - Oriunda de Zélio Fernandino de Moraes;
Umbanda Branca e/ou de Mesa - Nesse tipo de Umbanda, em grande parte,
não encontramos elementos Africanos - Orixás -, nem o trabalho dos Exus e
Pomba-giras, ou a utilização de elementos como atabaques, fumo, imagens e
bebidas. Essa linha doutrinária se prende mais ao trabalho de guias como
caboclos, pretos-velhos e crianças. Também podemos encontrar a utilização de
livros espíritas como fonte doutrinária;
Umbanda Omolokô - Trazida da África pelo Tatá Tancredo da Silva Pinto.
Onde encontramos um misto entre o culto dos Orixás e o trabalho direcionado
dos Guias;
Umbanda Traçada ou Umbandomblé - Onde existe uma diferenciação entre
Umbanda e Candomblé, mas o mesmo sacerdote ora vira para a Umbanda, ora
vira para o candomblé em sessões diferenciadas. Não é feito tudo ao mesmo
tempo. As sessões são feitas em dias e horários diferentes;
Umbanda Esotérica - É diferenciada entre alguns segmentos oriundos de
Oliveira Magno, Emanuel Zespo e o W. W. da Matta (Mestre Yapacany), em
que intitulam a Umbanda como a Aumbhandan: "conjunto de leis divinas";
Umbanda Iniciática - É derivada da Umbanda Esotérica e foi fundamentada
pelo Mestre Rivas Neto (Escola de Síntese conduzida por Yamunisiddha
Arhapiagha), onde há a busca de uma convergência doutrinária (sete ritos), e o
alcance do Ombhandhum, o Ponto de Convergência e Síntese. Existe uma
grande influência Oriental, principalmente em termos de mantras indianos e
utilização do sanscrito;
Umbanda de Caboclo - influência do cultura indígina brasileira com seu foco
principal nos guias conhecidos como "Caboclos";
Umbanda de pretos-velhos - influência da cultura Africana, onde podemos
encontrar elementos sincréticos, o culto aos Orixás, e onde o comando e feito
pelos pretos-velhos;
o Outras formas existem, mas não têm uma denominação apropriada. Se
diferenciam das outras formas de Umbanda por diversos aspectos
peculiares, mas que ainda não foram classificadas com um adjetivo
apropriado para ser colocado depois da palavra Umbanda.
História e sincretismo
As raízes da Umbanda são difusas. Existem diversas ramificações onde podemos
encontrar influências indígenas (Umbanda de Caboclo), Africanas (Umbandomblé,
Umbanda traçada) e diversas outras de cunho esotérico (Umbanda Esotérica, Umbanda
Iniciática). Existe também a "Umbanda popular", onde encontraremos um pouco de
cada coisa ou um cadinho de cada ancestralidade, onde o sincretismo (associação de
Santos Católicos aos Orixás Africanos) é muito comum.
Não existe uma fonte única que reflita a origem da Umbanda. Cada vertente tem as suas
origens e história. Mais recentemente, na década de 1970, aceitou-se que Zélio
Fernandino de Moraes teria sido o anunciador da Umbanda através do Caboclo das Sete
Encruzilhadas (1908) em determinados moldes, fazendo com que ela pudesse ser
institucionalizada como religião. Porém, o trabalho dos guias (pretos velhos, caboclos,
crianças, exus, etc.) é bem anterior a Zélio.
Mantém-se na Umbanda o sincretismo religioso com o catolicismo e os seus santos,
assim como no antigo Candomblé dos escravos, por uma questão de tradição, pois
antigamente fazia-se necessário como uma forma de tornar aceito o culto afro-brasileiro
sem que fosse visto como algo estranho e desconhecido, e, portanto, perseguido e
combatido.
Alguns exemplos:
Ogum - São Jorge;
Oxóssi - São Sebastião;
Xangô - São Jerônimo;São João Batista
Iemanjá - Nª Sª dos Navegantes;
Oxum - Nossa Senhora da Conceição;
Iansã - Santa Bárbara;
Omolu - São Lázaro.
Os fundamentos
Os fundamentos da Umbanda variam conforme a vertente que a pratique.
Existem alguns conceitos básicos que são encontrados na maioria das casas e assim
podem, com certa ressalva e cuidado, ser generalizados para todas as formas de
Umbanda. São eles:
A existência de uma fonte criadora universal, um Deus supremo,
chamado Olorum ou Zambi;
A obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como:
fraternidade, caridade e respeito ao próximo. Sendo a caridade uma
máxima encontrada em todas as manifestações existentes;
O culto aos Orixás como manifestações divinas, em que cada Orixá
controla e se confunde com um elemento da natureza do planeta ou da
própria personalidade humana, em suas necessidades e construções de
vida e sobrevivência;
A manifestação dos Guias para exercer o trabalho espiritual incorporado
em seus médiuns ou "cavalos";
O mediunismo como forma de contato entre o mundo físico e o
espiritual, manifesta de diferentes formas;
Uma doutrina, uma regra, uma conduta moral e espiritual que é seguida
em cada casa de forma variada e diferenciada, mas que existe para
nortear os trabalhos de cada terreiro;
A crença na imortalidade da alma;
A Crença na reencarnação e nas leis cármicas;
Um Deus único e superior
Deus, em sua benevolência e em sua força emana de si e através dos Orixás e dos Guias
(espíritos desencarnados) seu Amor, auxiliando os homens em sua caminhada para a
elevação espiritual e intelectual.
Os Orixás
Na Umbanda os Orixás são energias, forças da natureza que estão presentes em todos os
lugares, influenciando as pessoas e irradiando energias que mantém o equilíbrio natural
dos elementos em relação ao universo.
Uma interpretação mais objetiva coloca os Orixás como energias emanadas da
divindade, como subdivisões da unidade perfeita de Deus e não, como muitos pensam,
como espíritos que progrediram muito espiritualmente, não necessitando mais do
processo reencarnatório, e que para darem continuidade no seu progresso espiritual
possuem como missão organizar e orientar uma rede de espíritos com menos progresso
espiritual do que eles, ajudando-os a progredirem espiritualmente. Estes espíritos são,
na verdade, os guias espirituais.
Cada pessoa está ligada a um desses Orixás e suas características são encontradas em
seus filhos, seja na forma física ou, mais evidente, nas características psicológicas e
comportamentais a qual a pessoa está relacionada.
Os elementos nos quais se manifestam os Orixás cultuados na Umbanda são:
Oxalá Onipresente, Ogum estradas e campinas, Oxóssi nas matas,
Xangô pedreiras, Oxum cachoeiras, Iansã ventos e tempestades,
Iemanjá no mar, Obaluaê na terra, Nanã nas águas paradas e da lama
dos fundos dos rios e lagos, além da água das chuvas.
Sincretismo
Indígena, Africana, Católica, Espírita, outras.
A Umbanda é uma junção de elementos Africanos (Orixás e culto aos antepassados),
Indígenas (culto aos antepassados e elementos da natureza), Catolicismo (o europeu,
que trouxe o cristianismo e seus santos que foram sincretizados pelos Negros
Africanos), Espiritismo(fundamentos espíritas, reencarnação, lei do carma, progresso
espiritual etc).
A Umbanda prega a existência pacífica e o respeito ao ser humano, à natureza e a Deus.
Respeitando todas as manifestações de fé, independentes da religião. Em decorrência de
suas raízes, a Umbanda tem um caráter eminentemente pluralista, compreende a
diversidade e valoriza a diferenças. Não há dogmas ou liturgia universalmente adotadas
entre os praticantes, o que permite uma ampla liberdade de manifestação da crença e
diversas formas válidas de culto.
A máxima dentro da Umbanda é "Dê de graça, o que de graça recebestes: com amor,
humildade, caridade e fé".
O culto umbandista
A Umbanda tem como lugar de culto o templo, terreiro ou Centro, que é o local onde os
Umbandistas se encontram para realização do culto aos Orixás e dos seus guias, que na
Umbanda se denominam giras.
O chefe do culto no Centro é o Sacerdote ou Sacerdotisa (pode ser Babá, Zelador,
Digiente, Diretor(a) de culto, Mestre(a), sempre dependendo da forma escolhida por
cada casa). São os médiuns mais experientes e com maior conhecimento, normalmente
fundadores do terreiro. São quem coordenam as sessões/giras e que irão incorporar o
guia-chefe, que comandará a espiritualidade e a materialidade durante os trabalhos.
Vale lembrar que o termo pai-de-santo ou mãe-de-santo não deve ser aplicado na
religião de Umbanda, pois estes termos são oriundos do Candomblé, que é uma religião
diferente da Umbanda.
Como uma religião espíritualista, a ligação entre os encarnados e os desencarnados se
faz por meio dos médiuns. Na Umbanda existem várias classes de médiuns, de acordo
com o tipo de mediunidade. Normalmente há os médiuns de incorporação, que irão
"emprestar" seus corpos para os guias e para os Orixás.
Há também os atabaqueiros, que transmitem a vibração da espiritualidade superior por
via dos atabaques, criando um campo energético favorável à atração de determinados
espíritos, sendo muitas vezes responsáveis pela harmonia da gira. Há os Corimbas, que
são os que comandam os cânticos e as cambonas que são encarregadas de atender as
entidades, provisionando todo o material necessário para a realização dos trabalhos.
Embora caiba ao sacerdote ou à sacerdotisa responsável o comando vibratório do rito,
grande importância é dada à cooperação, ao trabalho coletivo de toda a corrente
mediúnica.
Segundo a Umbanda, as entidades que são incorporadas pelos médiuns podem ser
divididas entre:
Guias e protetores:
o Linhas de direita: Falangeiros dos Orixás, Pretos-Velhos,
Caboclos, Boiadeiros, Mineiros, Crianças, Marinheiros, Ciganos,
Baianos, Orientais.
o Linhas de esquerda: Povo de rua (espíritos guardiões): Exus e
Malandros.
As sessões
O culto nos terreiros é dividido em sessões de desenvolvimento e de consulta, e essas,
são subdivididas em giras.
Nas sessões de consulta, onde comumente podemos encontrar Pretos-Velhos, Caboclos,
Ciganos... As pessoas conversam com as entidades a fim de obter ajuda e conselhos
para suas vidas, curas, descarregos, e para resolver problemas espirituais diversos.
As ocorrências mais comuns nessas sessões são o "passe" e o descarrego.
No passe, a entidade reorganiza o campo energético astral da pessoa, energizando-a e
retirando toda a parte fluídica negativa que nela possa estar.
O descarrego é feito com o auxílio de um médium, o qual irá captar a energia negativa
da pessoa e a transferir para os assentamentos ou fundamentos do terreiro que contém
elementos dissipadores dessas energias. Também a entidade faz com que essa energia
seja deslocada para o astral. Caso seja um obsessor, o espírito obsediador é retirado e
encaminhado para tratamento ou para um lugar mais adequado no astral inferior caso
ele não aceite a luz que lhe é dada. Nesses casos pode ser necessária a presença de um
ou mais Exus (um gênero de espírito desencarnado) para auxiliar a desobsessão.
Os dias de Consulta e/ou Desenvolvimento podem variar de casa para casa, de Linha
Doutrinária para Linha Doutrinária. Nos dias de consulta há o atendimento da
assistência e nos dias de desenvolvimento há as giras médiunicas, que são fechadas à
assistência, onde os sacerdotes educam e ensinam os mecanismos próprios da
mediunidade.
Médiuns
Médium é toda pessoa que, segundo a Doutrina Espírita, que tem a capacidade de se
comunicar com entidades desencarnadas ou espíritos, seja pela mecânica da
incorporação, pela vidência (ver), pela audiência (ouvir) ou pela psicografia (escrever
movido pelos espíritos).
A Umbanda crê que o médium tem o compromisso de servir como um instrumento de
guias ou entidades espirituais superiores. Para tanto, deve se preparar através do estudo,
desenvolvendo a sua mediunidade, sempre prezando a elevação moral e espiritual, a
aprendizagem conceitual e prática da Umbanda, respeitar os guias e Orixás; ter
assiduidade e compromisso com sua casa, ter caridade em seu coração, amor e fé em
sua mente e espírito, e saber que a Umbanda é uma prática que deve ser vivenciada no
dia-a-dia, e não apenas no terreiro.
Uma das regras básicas da umbanda é que a mediunidade não deve ser vista ou
vivenciada vaidosamente como um dom ou poder maior concedido ao médium, segundo
os umbandistas, mas sim como um compromisso e uma oportunidade que lhe foi dada
para resgate kármico e expiação de faltas pregressas antes mesmo da pessoa reencarnar.
Por isso não deve ser encarada como um fardo ou como uma forma de ganhar dinheiro,
mas como uma oportunidade valiosa para praticar o bem e a caridade.
Existe médiuns que acabam distorcendo o verdadeiro papel que lhes foi dado e se
envaidecem, agindo de forma leviana em suas vidas. O médium deve tangir sua vida
como sendo um mensageiro de Deus, dos Orixás e Guias. Ter um comportamento moral
e profissional dígnos, ser honesto e íntegro em suas atitudes, pois do contrário acaba
atraindo forças negativas, obsessores ou espíritos revoltados que vagam pelo mundo
espiritual atrás de encarnados desequilibrados que estejam na mesma faixa vibracional
que eles. Por isso, desenvolver a mediunidade é um processo que deve ser encarado de
forma séria e regido através de um profundo estudo da religião, e seguido por conceitos
morais e éticos. Ser orientado e iniciado por uma casa que pratica o bem é essencial.
As pessoas que são médiuns devem levar sempre a sério sua missão, ter muito amor e
dar valor ao que fazem, tendo sempre boa-vontade nos trabalhos de seu terreiro e na
vida diária.
O médium deve tomar, sempre que necessário, os banhos de descarrego adequados aos
seus Orixás e Guias, estar pontualmente no terreiro com sua roupa sempre limpa,
conversar sempre com o chefe espiritual do terreiro quando estiver com alguma dúvida,
problema espiritual ou material.
Sobre o estudo da mediunidade e do médium, pode-se utilizar como fonte para estudos a
relação que existe abaixo, no ítem "Literatura Umbandista". Alguns terreiros utilizam-se
das obras Espíritas (codificadas por Allan Kardec), mas a maioria segue as orientações
da literatura umbandista que é prolífica nas discussões teóricas e nas orientações
práticas. Há livros umbandistas a partir da década de 1930.
Polêmicas dentro das "Umbandas"
Sacrifício ritual de animais
Existem várias ramificações dentro da Religião de Umbanda entretanto na umbanda não
se usa o sacrifício de animais em hipótese alguma. Esta prática está ligada a algumas
linhas que ainda cultuam junto com a umbanda alguns rituais de religiões afro-
brasileiras. Apesar da umbanda ser tão ramificada, denominamos traçada a umbanda
que ainda carrega em seus cultos o sacrifício de animais. Em suma, qualquer ritual onde
se pratica a imolação animal não deve utilizar o nome "Umbanda".
[Uso de bebidas alcoólicas
Também encontramos terreiros dos seguintes tipos:
Os que as entidades incorporadas não usam bebidas (muitas vezes por
questão do próprio médium não estar preparado para este tipo de
trabalho com bebida) criando uma espécie de tabu;
Os que elas bebem durante os trabalhos (tanto os que fazem o uso
correto deste elemento, como os que abusam disso sem necessidade);
Os que usam bebida em situações mais veladas (existindo um certo
rigor quanto a sua utilização, buscando coibir abusos de médiuns ainda
em preparação).
Toda essa controvérsia é gerada pelo uso que as pessoas fazem das bebidas alcoólicas
na vida diária, muitas vezes caindo no vício do alcoolismo, trazendo consequências
graves para sua vida material e espiritual.
Ocorre que médiuns predispostos ao vício podem, ao invés de atrairem espíritos de luz,
afinizarem-se com espíritos de viciados que já morreram. Note-se que o álcool é um
elemento usado na magia para trabalhos para o bem, mas abusos nunca são tolerados e
exibicionismo não são sinais de incorporações de luz.
Existem casas que, por ordem do mentor espiritual, nunca usaram ou deixaram de
utilizar o fumo, assim como a bebida alcoólica, sem que por isso, tivessem qualquer
problema com as entidades que por ventura, utilizavam esses elementos, pois os
espíritos podem se adaptar e mudar a forma de trabalhar de acordo com o fundamento
de cada instituição.
Paramentos
Na Umbanda, os médiuns usam normalmente como paramentos apenas roupas brancas,
podendo estar os pés descalços, representando a simplicidade e a humildade. Mas há
Umbandas que também utilizam roupas com as cores de cada linha. Por exemplo, em
giras de Ogum se utiliza camisas ou batas vermelhas e calças e saias brancas. Nas giras
de esquerda as roupas são pretas, sendo que as filhas de santo podem se vestir de
vermelho e preto.
Pode ocorrer, por exemplo, que uma entidade de Preta-velha solicite uma saia ou um
lenço para amarrar os cabelos; isso visa a proporcionar que o médium se pareça mais
com a entidade que está incorporando. Também há os apetrechos dos guias. Por
exemplo, os Caboclos costumam utilizar cocares, alguns utilizam machadinhas de
pedra, chocalhos etc.
Uma outra visão sobre os paramentos e apetrechos materiais utilizados pelos médiuns é
de que são usados pelos espíritos como condensadores de energia: um modo de
concentrar a energia e depois enviá-la, se positiva, ou dissipá-la no elemento
apropriado, quando negativa.