Poemas - PowerPoint by 7Cn02Zou

VIEWS: 0 PAGES: 32

									                      Linguagem Poética

O gênero lírico
Gênero lírico* é a denominação dada às obras que
apresentam maior ênfase na exaltação de emoções e
sentimentos. De forma subjetiva, esse gênero aborda temas
como amor, ódio, natureza, alegria, religião, etc.
Durante alguns séculos, a poesia esteve dissociada da
música, mas, hoje, especialmente no Brasil, percebemos
uma enorme interação entre esses dois elementos.


*Esse nome se deve à lira, instrumento   musical muito utilizado pelos gregos que, na Antiguidade,
acompanhava os poetas em suas declamações. Havia, portanto, entre o som e a palavra, uma junção
que perdurou até o século XV, quando os poemas se distanciaram da música e passaram a ser lidos ou
declamados.
                      Rimas
A literatura foi uma arte exclusivamente oral durante
milhares de anos e, para que se pudesse memorizar obras
mais facilmente, eram utilizados versos e rimas. Mesmo
após o surgimento da escrita, a produção literária que
enfatizava a sonoridade continuou muito forte.

Juntamente com a sistematização escrita da poesia,
surgiram classificações para os elementos que a
compõem. Assim, cada frase ou linha de um poema é
denominada verso, e a combinação sonora entre elas é
denominada rima.
                   Rimas
• A rima pode ser classificada em:

Rima pobre: utiliza palavras da mesma classe
gramatical. Esse tipo de rima você encontra no
poema "Aos afetos, e lágrimas derramadas na
ausência da dama a quem queria bem", de
Gregório de Matos.
                   Rimas


Rima rica: usa palavras de diferentes classes.
Esse tipo de rima você encontra no poema
"Velhas árvores", de Olavo Bilac.
                    Rimas


A ordem em que se apresentam as rimas no poema
também recebe classificações especiais:

• Rimas cruzadas (alternadas): quando sua disposição
  apresenta o esquema ABAB.
• Rimas intercaladas (interpoladas): quando sua
  disposição apresenta o esquema ABBA.
• Rimas paralelas: quando sua disposição apresenta o
  esquema AABB.
           Versos/estrofes


Uma das variações que podem ocorrer na poesia é
a quantidade de versos. Para determinarmos essa
variação, temos de ver qual o número de versos
contidos em cada estrofe.

Estrofe: cada estrofe é a reunião de versos entre
os espaços em branco de um poema.
Hoje em dia, devido à grande liberdade que a
poesia assumiu após o Modernismo, não há
mais uma grande necessidade de utilização
de estrofes regulares. Entretanto, em uma
poesia regular, o mais comum é a utilização
de estrofes de dois a dez versos.

Dependendo da quantidade de versos que
cada estrofe possui, ela recebe um nome
específico.
              Versos/estrofes
2 versos - Dístico ou parelha
3 versos - Terceto
4 versos - Quarteto ou quadra
5 versos – Quinteto
6 versos – Sexteto
7 versos – Sétima
8 versos - Oitava
9 versos - Nona
10 versos – Décima

Uma das formas mais tradicionais de poemas é o soneto.
Um soneto é um poema composto por 14 versos. Normalmente,
esses versos estão dispostos em quatro estrofes: as duas
primeiras com quatro versos (quartetos) e as duas últimas com
três versos (tercetos).
Poema do amor total
Soneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
                       Divisão Silábica
NÚMERO DE SÍLABAS
A sílaba poética possui uma contagem um pouco diferente da sílaba normal.
Na poesia, as sílabas são contadas de acordo com a SONORIDADE. Dessa forma, se
há duas palavras aproximadas por VOGAIS (a primeira terminando em vogal e a
segunda iniciando em vogal), as sílabas dessas duas vogais são contadas em apenas
uma sílaba.




   "Busqueamor, novas artes, novo engenho..." (Luis de Camões)
   Você pode perceber, também, que a contagem ocorre até a ÚLTIMA SÍLABA
   TÔNICA de cada verso.
                        Divisão Silábica
 Classificação dos versos quanto ao número de sílabas.



PENTASSÍLABOS
Estes versos de cinco sílabas são chamados de pentassilábicos ou redondilha menor.
Foram muito utilizados na poética luso-brasileira.
HEPTASSÍLABOS
Estes versos de sete sílabas são chamados de heptassilábicos ou redondilha maior.
DECASSÍLABOS
Estes versos de dez sílabas são chamados de decassilábicos.
DODECASSÍLABOS ou ALEXANDRINOS
Estes versos de doze sílabas são chamados de dodecassílabos ou alexandrinos.
PENTASSÍLABOS
HEPTASSÍLABOS
DECASSÍLABOS
         DODECASSÍLABOS ou
           ALEXANDRINOS




Messe: campo de cereais em bom estado para serem colhidos
Esmorece: diminui a intensidade, apaga-se
Cantilenas: cantigas suaves
Amenos: delicados, agradáveis
       Figuras de Linguagem

Polissíndeto
O polissíndeto é o emprego repetitivo da conjunção
entre as orações de um período ou entre os termos
da oração. É um recurso muito eficiente para sugerir
movimentos que se dão em sequência e sem
interrupção.

Vão chegando as burguesinhas pobres,
e as criadas das burguesinhas ricas
e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza.
(Manuel Bandeira)
         Figuras de Linguagem

Anáfora
A anáfora consiste na repetição de uma mesma palavra ou
expressão sempre no início de uma frase ou de um verso.
Esse recurso contribui para o ritmo e para a musicalidade
do texto.

Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro noturno.
(Fernando Pessoa)
          Figuras de Linguagem
Antítese
A antítese consiste no uso de palavras ou expressões de
sentidos opostos com a intenção de realçar a força expressiva
de cada uma delas.
              Figuras de Linguagem
Metáfora
A metáfora consiste no emprego de uma palavra fora de
seu sentido normal (real), em razão de uma semelhança.

Poema dos olhos da Amada

Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus...

MORAES, V. de. In: _____. Poesia completa & prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1987. p. 334.
         Figuras de Linguagem


Assonância
A assonância é a repetição de vogais iguais ou
semelhantes.

O vento ulula trêmulo de susto.
(Alphounsus de Guimarães)
         Figuras de Linguagem

Paradoxo
O paradoxo consiste na aproximação de duas realidades
supostamente incompatíveis, relacionando termos opostos.




          (Luís Vaz de Camões)
          CAMÕES, L. de. Lírica. In: MOISÉS, M. A literatura portuguesa
          através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1987. p. 123.
                 Figuras de Linguagem
Aliteração
A aliteração é um recurso de linguagem que consiste na
repetição de fonemas consonantais idênticos ou semelhantes
dentro do mesmo verso ou frase, em especial nas sílabas
tônicas iniciais, para proporcionar um efeito sonoro imprevisto.

Supremo desejo
Eternas, imortais origens vivas
da Luz, do Aroma, segredantes vozes
do mar e luar de contemplativas
vagas visões volúpicas, velozes...

CRUZ E SOUSA. In: Poesia completa de Cruz e Sousa.
Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura, 1981. p. 31.
          Figuras de Linguagem

Eco
Eco é a repetição de palavras ou sons.

Um sonho
Na messe, que enlourece, estremece a quermesse...
O Sol, o celestial girassol, esmorece...
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos...

CASTRO, E. de. In: AMORA, A. S. Presença da literatura
portuguesa: o simbolismo. São Paulo: Difel, 1969. v. 4. p. 38-39.
             Figuras de Linguagem
Onomatopeia
As onomatopeias consistem na formação de palavras pela
imitação de sons e ruídos.

Passagem das horas
Ho-ho-ho-ho-ho!...
Cada vez mais depressa, cada vez mais com o espírito adiante do
corpo
Adiante da própria ideia veloz do corpo projetado,
Com o espírito atrás adiante do corpo, sombra, chispa,
He-la-ho-ho... Helahoho...

CAMPOS, A. de. In: PESSOA, Fernando.
Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986.

								
To top