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11/29/2011
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Folclore









O folclore é o modo que um povo tem para compreender o mundo em que vive.

Conhecendo o folclore de um país, podemos compreender o seu povo. E assim conhecemos,

ao mesmo tempo, parte de sua História. Mas para que um certo costume seja realmente

considerado folclore, dizem os estudiosos que é preciso que este seja praticado por um grande

número de pessoas e que também tenha origem anônima.





Cada povo tem formas próprias de manifestação. Folclore é o conjunto de todas as

tradições, lendas e crenças de um país. O folclore pode ser percebido na alimentação,

linguagem, artesanato, religiosidade e vestimentas de uma nação. O folclore brasileiro é dos

mais ricos do mundo. Nele estão as marcas dos diferentes povos que contribuíram na

formação do nosso povo.





Em 22 de agosto, o Brasil comemora o Dia do Folclore, data instituída em 1965. A

palavra folclore surgiu a partir de dois vocábulos saxônicos antigos. "Folk", em inglês,

significa povo, e "lore", conhecimento. Assim, folk + lore (folklore) quer dizer ''conhecimento

popular''. O termo foi criado por William John Thoms (1803-1885), pesquisador da cultura

européia que em 22 de agosto de 1846 publicou um artigo intitulado "Folk-lore". No Brasil,

após a reforma ortográfica de 1934, que eliminou a letra k, a palavra perdeu também o hífen e

tornou-se "folclore".

Segundo a Carta do Folclore Brasileiro, aprovada pelo I Congresso Brasileiro de

Folclore, em 1951, "constituem fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir de um

povo, preservadas pela tradição popular, ou pela imitação".

Nesta semana, nossa dica de site é um convite para as páginas do Folclore

Sempre, como ponto de partida para o universo folclórico brasileiro, suas canções de ninar,

suas danças, sua religiosidade, lendas e encantamento. Chamamos de ponto de partida porque

o site apresenta uma lista de outros endereços na Internet que abrem as portas para o folclore

em suas diversas manifestações.

Mas o próprio Folclore Sempre é já uma teia de cores, sons e sabores, onde o

sentido do folclore ultrapassa definições formais e vai buscar nos prazeres da infância a chave

para o imaginário que habita todos os corações sensíveis. "Para quem sabe ler fora dos livros,

sabe bem que na palma da mão começa o mundo", anuncia Peter O'Sagae, pesquisador de

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folclore e organizador do site, no delicioso texto Feche os olhos a abra a mão: o folclore na

ponta dos seus dedos, que nos ajuda a entrar no espírito da coisa. "Por que somente um mês

para o folclore, quando a ciência do povo é o próprio quotidiano, o tempo todo é e não pára?".

O folclore brasileiro, esta coisa viva que pertence a todos, vem de longe, de outros

mares e outros tempos. Em NinaManha, conhecemos as canções "que vem do berço", ninares

do Brasil, de Portugal e da África, e também canções latino-americanas. Em Por onde passa o

boi?, uma vistosa homenagem à diversidade de expressões folclóricas envolvendo o folguedo

do Boi brasileiro. Quem se lembrou apenas do bumba-meu-boi e do boi garantido da

Amazônia, ficará surpreso com a quase onipresença do boi em nossa cultura, histórias,

tradições, toadas, encenações, personagens do imaginário... Tem boi na MPB, na música

erudita, na literatura e nas artes visuais.

Na Fonosfera (céu forrado de canções), o passeio é musical. O autor propõe um

resgate do acervo popular registrado na mídia eletrônica, em especial o rádio. Descobrimos o

quanto de folclore já foi gravado em disco, por intérpretes como Caetano Veloso, Pena

Branco & Xavantinho, Zeca Baleiro, Ney Matogrosso, Cássia Eller, Alceu Valença e outros.

Quem não se lembra do "Pavão Misterioso", do "Cálix Bento", da "Terezinha de Jesus", do

"Marinheiro só" ou da cantiga da borboleta cantada por Marisa Monte? O folclore alimenta a

MPB e esta o preserva e reanima. O site apresenta uma lista com 74 letras de canções

folclóricas inspiradas na tradição oral brasileira, algumas disponíveis em áudio. É possível

também fazer download do livro Rondas Infantis Brasileiras, com 60 cantigas de roda

tradicionais.

Em permanente construção, o Folclore Sempre promete inaugurar duas seções, que

pela descrição (e pela qualidade do site) sugerem que vem mais coisa boa por aí: Lengalenga -

Comprido palavreado rimado e ritmado, e Encantaria - Os seres encantados do imaginário

popular.

E, antes de embarcar nos links e sair navegando pelo folclore na rede, é preciso dar

um pulo do site Caracol do Ouvido, também criado por Peter O'Sagae. Dedicado à literatura

infanto-juvenil, ele traz reflexões sobre Arte-Educação, informações e biografias de grandes

escritores brasileiros, lendas e fábulas tradicionais, contos africanos, músicas infantis e

sugestões para trabalhar a linguagem do rádio com crianças.

A dica está dada e o folclore está aí, na rede, na cama, na fala, na sala, na vida.

"Um folclore que é sempre vivo quando tocado corajosamente por essa gente que gosta de

ensinar, enfim, todos nós professores", encerra, e bem, o autor do site.

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A palavra Folclore foi criada em 22 de agosto de 1846, pelo arqueólogo britânico

Willian John Toms, unindo os vocábulos folk (povo) e lore (ciência), em carta publicada no

jornal londrino “The Atenaeum”.

Existem várias definições para o termo Folclore; porém, a de Renato Almeida

acredito ser a mais completa: ”Folclore é um capítulo da ciência do homem. Ele estuda as

manifestações de ordem espiritual e as da vida material que lhe são correlatas, dos

primitivos e das classes populares das sociedades civilizadas, tudo que é feito

espontaneamente, sem ciência e sem regras. São as crendices, os contos, as lendas, as

estórias, os cantos, as danças, as crenças e as técnicas, coisas fora do corpo do aprendizado

oficial”.

Até bem pouco tempo, o folclore era considerado tradição de povos pobres,

analfabetos, iletrados, contudo, atualmente, já se sabe que todos os povos e todas as

sociedades, independentes de classe social e escolaridade, são portadores de folclore, uma vez

que as manifestações folclóricas se fazem presentes em todas as classes e espaços onde

habitam seres humanos.

Por ser formado na mistura das três etnias (europeu, índio e africano), o Folclore

brasileiro é variado e muito rico, e embora alguns hábitos e tradições sejam comuns em várias

regiões brasileiras, ele sofre variações de acordo com o lugar, a época e a sociedade. O que

não é diferente em Minas Gerais e em Ouro Preto, cujas manifestações folclóricas oriundas

dos primeiros habitantes e dos viajantes que por aqui passaram, vararam os séculos e se fazem

presentes no cotidiano dos ouropretanos.

Características dos fatos folclóricos:

- Tradicionalidade – Passa de geração em geração, ao longo de anos e séculos;

- Oralidade – São transmitidos através da fala, da linguagem oral;

- Anonimato – Não se sabe quem é o autor, onde nem quando começou;

- Coletividade – É coletivo, ou seja, é do povo, é popular;

- Funcionalidade – Existe sempre uma razão para sua existência, seja lazer,

religiosidade, subsistência etc:

- Vulgaridade – É assumido pelas classes populares, sem nenhum preconceito;

- Espontaneidade – É espontâneo, informal, não institucionalizado, mas aceito por

todos os povos.

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Observação: Alguns fatos folclóricos não têm todas as características citadas;

outros têm autores, como é o caso da literatura de cordel e do artesanato, e de algumas lendas.





O folclore pode ser encontrado nos três reinos: vegetal, animal e mineral, e pode

ser agrupado de várias formas:





- Música (instrumento, cantigas de roda, cantigas de escolha, toadas de ensino, romances,

cantigas de ninar)





- Danças (bailados, catira, quadrilha, lundu, carneiro, coco, congadas, maracatu, fandango,

dança de São Gonçalo, de fitas, frevo etc) - Festas (as festas populares em sua maioria têm

caráter religioso: festa de Santa Cruz, de Santos, de Nossa Senhora do Rosário, de Santo

Antônio, do Divino Espírito Santo, Semana Santa, de Santa Efigênia, de São Sebastião, de

Reis, ou festas profanas, como festas juninas e outras) – É importante frisar que o profano e o

religioso estão sempre associados, em geral nota-se elementos profanos na maioria das festas

religiosas, assim como existem elementos folclóricos em cada uma das festas citadas





- Brinquedos e brincadeiras (de jogar, cantados, falados, de roda, de mímica etc)





- Religião (festas, crenças, superstições, benzeções, simpatias, rezas, orações, cânticos,

promessas, cruzes nas estradas, milagres, tabus, amuletos, talismãs e cultos fetichistas)





- Medicina caseira (chás, simpatias, benzeções, mezinhas, rezas, promessas, nome de doenças,

purgantes, emplastros, fomentações, garrafadas, pós e ungüentos)





- Alimentos (pratos regionais, supertições dos alimentos e tabus acerca dos alimentos)





- Folguedos (folias de Reis e do Divino, Boi da Manta, Bumba-Meu-Boi, Boi de Mamão,

cavalhadas, impérios)





- Literatura (provérbios, lendas, parlendas, contos, trava-línguas, desafios, adivinhações,

apelidos, charadas, histórias, xingamentos, réplicas, fábulas, cordel)

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- Arte e artesanato (de cerâmica, pedra, madeira, couro, bambu, taquara, pintura, bordado,

tecelagem e fiação, recortes em papel)





- Meteorologia (nomes de chuva, trovão, tempestades, estações do ano, lua relâmpago,

eclipses)





Além dos elementos folclóricos citados, existem ainda os mitos, que figuram no

imaginário popular dos brasileiros e também dos ouropretanos. Entre eles destacam-se:





- Lobisomem - homem que se transforma em animal nas noites de lua cheia e nas sextas-feiras

da quaresma, parece com um cachorro ou um porco, tem garras e orelhas grandes. Dizem que

é por ser filho do padre, concebido na sexta-feira da paixão; o último de uma vara de sete

filhos homens, ou foi mordido ou arranhado por outro lobisomem

- Mula-sem-cabeça - animal sem cabeça, que aparece nas sextas-feiras da quaresma. Dizem

que quem transa com padre vira mula-sem-cabeça, ou então é a sétima filha seqüente de um

casal. Para desfazer o seu encanto, deve-se arrebentar um terço, tirar uma conta, e deixar que

ela cate as contas, ela fica procurando a conta que falta e o dia amanhece, então ela perde o

encanto.

- Boto cor-de-rosa - peixe que vive nas águas dos rios da região norte do Brasil e que nas

noites de lua enfeitiça as mulheres, engravidando-as

- Caboclo d’água - encontrado no Rio São Francisco, amedrontando os pescadores que não

lhe dão fumo

- Mãe-do-Ouro - mito que aparece à noite em forma de luz fosforescente, mostrando o ouro

aos necessitados

- Mãe-do-Rio - Corrente de ouro maciço que os moradores ribeirinhos acreditam que desce e

sobe os rios velozmente

- Negrinho do Pastoreio - menino preto, escravo que, segundo dizem, encontra objetos e

animais perdidos

- Boitatá - espécie de cobra que vive no interior da terra e assombra as pessoas aparecendo

como bola de fogo

- Saci-Pererê - negrinho de uma perna só que vive nas matas e à beira das estradas. Costuma

brincar quando lhe negam fumo, amarrando o rabo dos animais, e outras traquinices

- Curupira - ser protetor das matas, que em geral assusta os caçadores e lenhadores

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- Famaliá - espécie de demônio em tamanho mínimo, que faz todas as vontades do dono

- Mão-seca - menino de mão seca que batia sempre na mãe e a mão secou

- Mulher de branco - mulher muito bonita, que aparece vestida de branco provocando os

homens, nas áreas próximas aos cemitérios; quando eles se aproximam e a acompanham, ela

adentra pelo cemitério dizendo ser ali sua morada

- Mulher ou homem elástico - mulher ou homem que vai crescendo, até poder se

dobrar até o outro lado da rua.





Dia do Folclore





No Brasil, o Dia do Folclore é comemorado em 22 de agosto. Nosso folclore é um

dos mais ricos do mundo. Nele, estão presentes as características dos povos que contribuíram

para a formação de nossa nação, principalmente os africanos, os indígenas e os europeus. As

pessoas que o estudam são chamadas “folcloristas”. Um dos principais estudiosos brasileiros

foi Luís da Câmara Cascudo (1898-1986).

Nem tudo É Folclore

O folclore é representado por tradições e crenças populares expressas das mais

diversas formas. Para se tornarem folclore, é necessário que tenham origem anônima, ou seja,

que ninguém saiba ao certo quem as criou. Além disso, precisam ter surgido há muito tempo e

ser divulgadas e praticadas por um grande número de pessoas. É o caso dos ditados populares,

como “quem com ferro fere, com ferro será ferido”.





FOLCLORE INFANTIL





Quem não conhece uma brincadeira, um versinho popular ou uma cantiga de roda?

Pois saiba que as músicas, os brinquedos, as parlendas e os jogos fazem parte do rico folclore

infantil brasileiro. Se você prestar atenção, vai perceber que o folclore também faz parte da

sua vida.





PARLENDAS





Você sabe o que são parlendas? São versos infantis com rimas, criados para as mais diferentes

finalidades, entre elas divertir, acalmar, ajudar a decorar números ou escolher quem deve

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iniciar uma brincadeira. Como variam bastante, cada pessoa pode conhecê-las de um modo

diferente. Confira algumas parlendas e veja se a que você conhece é parecida com essas!

“Um, dois, feijão-com-arroz. Três, quatro, feijão no prato. Cinco, seis, bolo

inglês. Sete, oito, comer biscoito. Nove, dez, comer pastéis.”

“Batatinha quando nasce se esparrama pelo chão. Menininha quando dorme põe

a mão no coração.”

“Hoje é domingo, pede cachimbo. Cachimbo é de barro, bateu no jarro. Jarro é

de ouro, bateu no touro. Touro é forte, acabou-se na morte.”

“Chuva e sol, casamento de espanhol. Sol e chuva, casamento de viúva.





FÁCEIS E DIVERTIDOS





Muitos brinquedos simples e fáceis de fazer são utilizados em nosso país há muito

tempo. O pião, também chamado de finca, carrapeta ou pinhão, é um deles. Outro exemplo é a

pipa, que dança nos céus de várias regiões do Brasil e recebe diversos nomes, como papagaio,

raia, pandorga, arraia, maranhão e quadrado. Já o ioiô pode ser comprado pronto ou ser feito

com barbante, serragem e papel de embrulho. Os jogos com bolinhas de gude também são

diversão garantida.





HORA DE BRINCAR





Algumas brincadeiras resistem ao tempo. E você pode estar se divertindo do mesmo modo

que seus pais ou avós. No esconde-esconde, uma pessoa procura enquanto as outras se

escondem. No passa-anel, é preciso adivinhar quem ficou com o anel que passou de mão em

mão. Das brincadeiras com bola, a queimada é uma das preferidas. Divididos em dois

campos, jogadores de duas equipes atiram a bola sobre os adversários. Se ela acertar qualquer

parte do corpo de alguém e cair no chão, a pessoa atingida é “queimada” e eliminada. Ganha o

time com menos jogadores atingidos pela bola.





TEATRO AO AR LIVRE





Os folguedos são representações com muito ritmo, vários personagens e um

enredo. Essas encenações teatrais retratam as diferentes tradições regionais. Ao som de

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instrumentos musicais, tocados normalmente pelos participantes, os hábitos e valores culturais

são transmitidos de forma alegre e bem-humorada.





MARINHEIROS SOMOS!





O Fandango, também conhecido no Norte e Nordeste como Marujada, é um

folguedo de origem portuguesa em homenagem às conquistas marítimas. A encenação

começa com a chegada de uma miniatura de barco a vela, puxada pela tripulação. Os

personagens cantam e dançam ao som de instrumentos de corda. “Marinheiros somos!

Marujos do mar!” é uma das frases recitadas pela tripulação.





DANÇAS E RITMOS





Embora conhecido como a terra do samba, o Brasil possui muitos outros ritmos

musicais. Alguns deles resistem ao tempo e viram uma referência importante para algumas

regiões, que se tornam conhecidas por causa desses ritmos.





Nenhuma dança possui um ritmo tão contagiante quanto o frevo. Nas ruas e nos

salões de Pernambuco, principalmente, e especialmente no Carnaval, passistas dão shows em

coreografias individuais, improvisadas e rápidas, com roupas coloridas e um acessório

especial: uma pequena sombrinha. Muitos dançarinos e dançarinas mirins fazem verdadeiras

manobras dançando o frevo. Entre as variações, existem o frevo-abajo, o frevo-coqueiro e o

frevo-ventania





MUITO GINGADO





A capoeira é um jogo de ataque e defesa, praticado em roda e acompanhado de

instrumentos musicais. Seus movimentos são leves e gingados e o ritmo é marcado pelo som

do berimbau e por cânticos. Era jogada inicialmente pelos escravos negros vindos de Angola,

país africano. No Brasil, precisou ser disfarçada como dança para enganar os senhores de

engenho e as autoridades. Eles achavam que ela era muito violenta e poderia tornar os

escravos agressivos com os patrões. Nascia assim a capoeira regional baiana, que se tornou

também uma destacada atividade esportiva, presente em academias de todo o país.

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BAIÃO E FORRÓ





Entre os vários ritmos nordestinos que animam bailes e festas no Nordeste, dois se

destacam: o baião e o forró. Nas bandas, sobressaem instrumentos como a sanfona e o

triângulo. São dançados em salões ou locais improvisados, muitas vezes de terra batida.

Nascido em Pernambuco, Luiz Gonzaga, o Gonzagão (1912-1989), tornou-se o “rei do

baião”, apesar de ter cantado outros ritmos, entre eles o xote e o xaxado.





“Hoje: feijoada” é uma frase comum nas placas de restaurantes de todo o país, às

quartas-feiras e aos sábados. Sem dúvida, a feijoada tornou-se um hábito tipicamente

brasileiro. Esse prato tão popular, surgido nas senzalas do Brasil colonial, era preparado pelas

cozinheiras negras com os miúdos de porco que eram desprezados pelos donos de escravos.

Com o tempo, incorporou-se ao cardápio de todas as classes sociais. É saboreada com couve e

farinha de mandioca.





Os Quitutes do Sertão





O sertão nordestino também é famoso por seus quitutes. Entre eles, pratos à base

de carne-de-sol e charque e iguarias preparadas com macaxeira e batata-doce. A buchada de

bode, por exemplo, também pode ser feito em outras regiões do Brasil. No Rio Grande do

Norte, a sopa de jerimum com leite, chamada de alambica, é uma das receitas mais

tradicionais.









Nomes Curiosos





Alguns pratos têm nomes bem curiosos. O baião-de-dois, comida típica cearense,

nada mais é do que arroz cozido com feijão e toucinho. O pato-no-tucupi, da região Norte, é

preparado com creme de mandioca e pimenta. Já a baba-de-moça é um doce tipicamente

brasileiro, feito com leite de coco, ovos e açúcar. O mata-fome, apreciado em Pernambuco, é

um pequeno bolo em forma de disco.





Lavagem do Bonfim

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Todo mês de janeiro, milhares de romeiros juntam-se em Salvador para lavar as

escadarias da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim. Esse ritual iniciou-se no século XVIII,

ainda muito timidamente. Com o passar do tempo, o número de participantes foi aumentando

e, hoje, é uma das mais tradicionais cerimônias religiosas do país. Depois da lavagem, os

romeiros vão para as ruas da cidade, onde fazem uma grande festa, com direito a capoeira,

samba e muita comida típica.





Festa de Iemanjá

Nas religiões africanas, Iemanjá é a “rainha do mar”, ou “mãe das águas”. Ela é

homenageada no dia 2 de fevereiro. Nessa data, os devotos de Iemanjá lançam ao mar, da

beira da praia ou a bordo de saveiros, presentes como espelhos, pentes, perfumes e jóias na

tentativa de agradá-la. Segundo a tradição, se a mãe das águas gostar dos presentes, eles

ficarão no fundo do mar. Mas, se ela não gostar, as oferendas voltarão à praia, para a tristeza

dos devotos.





Candomblé





Trazido ao Brasil pelos escravos africanos na época da colonização, o candomblé

era uma religião proibida pelos senhores de escravos. De acordo com a crença, cada pessoa

tem um protetor, chamado de orixá. Conduzido pelas mães-de-santo, o ritual tem cantos e

danças e os participantes tentam entrar em contato com os deuses da religião. Quando as

filhas-de-santo conseguem chamá-los, eles são saudados com muita alegria.





Sabor Apimentado





A culinária baiana é uma das mais saborosas e apreciadas do Brasil. Não há quem

visite a Bahia e deixe de provar o acarajé, um bolinho preparado com feijão-fradinho e

servido com vatapea, um creme temperado feito à base de peixes e crustáceos. Faz tanto

sucesso que invadiu outras regiões do país, embora os baianos digam que não existe acarajé

como o da Bahia. Se você o pedir "quente", ele virá bastante apimentado. Se você não gosta

de pimenta, é melhor pedi-lo "frio". O bobó de camarão, o xinxim de galinha, a moqueca de

peixe e as cocadas são outras especialidades baianas.





ARTE COM AS MÃOS

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O artesanato brasileiro é um dos mais ricos do mundo. Da habilidade manual e da

criatividade dos artesãos, surgem belíssimas peças de barro, palha, tecido, couro, papel ou

fibras naturais, garantindo o sustento de famílias e comunidades.





Trabalho Manual





É considerado artesanato folclórico todo objeto produzido por métodos caseiros

por uma pessoa ou um pequeno grupo, feito à mão ou com o auxílio de instrumentos. Esse

artesanato expressa características locais ou das comunidades. Os materiais utilizados

encontram-se normalmente em grande quantidade nas regiões em que as peças artesanais são

feitas. É uma arte que revela os usos, os costumes e as tradições de cada parte do país.





Cerâmica





Na região Nordeste, é rica a produção de artesanato em praticamente todos os

estados. A cerâmica tem um importante destaque, principalmente na confecção de objetos de

decoração. O mais conhecido ceramista do Nordeste foi Mestre Vitalino (1909-1963), um

pernambucano dono de um estilo inovador, seguido por vários artesãos. Seus bonecos de

barro representam figuras típicas da região, como cangaceiros, retirantes, vendedores

ambulantes, músicos e mulheres rendeiras.





Rendas





As rendeiras, cujas mãos ágeis fabricam roupas, lenços, toalhas e os mais variados

artigos, têm um importante papel econômico nas regiões Norte, Nordeste e Sul. Na chamada

renda de almofada ou de bilros, milhares de nós são desenvolvidos pelas mãos habilidosas das

rendeiras.





Elas trabalham com uma almofada, um papelão cheio de furos, linha e bilros,

pequenas peças de madeira. É uma arte bastante tradicional e muitos são os ditados que se

referem às rendeiras, como “moça na janela, nem bilro nem panela”.

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Diversidade





Em todas as capitais do país existem instituições que divulgam e revendem o

artesanato produzido nas várias regiões brasileiras. Nesses locais, é possível encontrar

instrumentos musicais, bijuterias, roupas, esculturas e peças de madeira para uso diário,

cestas, gamelas, colchas de retalhos, brinquedos, quadros e até móveis.


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