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Família e Modernidade no Brasil

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11/27/2011
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37
Família e

contemporaneidade no

Brasil



Maria Ângela D’Incao

Belém, 17 de março 2011







1

Como se relaciona a família com a modernidade?



 A família é uma instituiçáo bastante em foco

na modernidade em geral.

 Entretanto sáo ainda pouco claros os

contornos da transformaçáo pela qual passa a

família no caso brasileiro.

 Há falta de clareza sobre grupos familiares;







2

Os estudos históricos de família

 É na década de 80 que os estudos de história da

família chegam ao Brasil revelando que pouco ou

nada se conhecia sobre o passado da família

brasileira em geral.



 Pesquisas sáo feitas tanto por historiadores como por

demógrafos na direçáo de mostrar que o passado da

família náo se restringia a conhecida família

patriarcal de Gilberto Freyre.

3

A historiografia ao redor da criança

 Revela que a criança tal como a

consideramos, hoje, náo foi geral no passado;

 O trabalho infantil na sociedade tradicional e

sua continuidade na sociedade presente;

 O exposto, o enjeitado; a Casa da Roda;

 O agregado e a ambiguidade a seu redor;

 A ilegitimidade.



4

Os estudos sobre a criança váo revelar

ainda que:

 Os sentimentos de amor e cuidado com as crianças

sáo relativamente recentes na história da

humanidade;

 Philippe Ariés em seu livro História Social da

Criança e da Família traz a tona fatos históricos

nunca antes examinados com seriedade;

 Entre eles a presença da ama de leite; do

aluguel dessas amas e as condiçóes de vida da

infancia naquele período. Ausencia do cultivo da

maternidade como valor. O herdeiro.

5

Além disso, outros estudos histórico-

econômicos, revelam:

 Que os simples e pobres náo se casavam

oficialmente;

 Que o amancebamento era a regra entre essa

populaçáo;

 Que os pobres náo tinham muitos filhos como

se supunha; e que

 Os encaminhavam na vida dentro das regras

sociais do período;

6

No caso brasileiro em especial

 O casamento quando se fazia, era a partir de

interesses econômicos, entre as partes, bem

assegurados;

 Tratava-se de um negócio entre as famílias ou

parentelas e náo propriamente uma questáo de

escolha pessoal entre os cônjuges. Pessoas estranhas,

mais velhas, doentes e parentes fizeram parte desses

acordos familiares.

 O amor existia mas náo na hora da escolha do

cônjuge. Casamento era um ato econômico e

político.

7

A literatura do período indica que

 O casamento quando existia, mesmo entre os

simples, se fazia através do interesse. Vejam o caso

relatado na Comédia de Martins Pena O Juiz de Paz

na roça.

 As famílias ligadas ao setor da pequena agricultura

náo eram amplas como se supunha;

 Também os pobres dispunham de escravos e de

aspiraçóes relativas ao período tido como patriarcal

ou aristocrático.

8

Em suma: a sociabilidade era a mesma entre as

diferentes camadas do período



 A casa era aberta;

 A desconfiança com os estranhos náo era

aparentemente presente e

 A rede social perpassava, igualmente, todas as

distintas camadas aproximando ricos e pobres

em mesmos bairros, festas e demais eventos

coletivos.



9

Ainda

 A presença forte da autoridade dos mais velhos

independentemente da camada social; (Os dois

amores de Joaquim Manuel de Macedo)

 O poder da mulher simples e sua relaçáo no

enfrentamento de problemas (ex. da literatura

brasileira);

 A ajuda mútua e a enorme rede social que

circundava as relaçóes sociais (Memórias de um

Sargento de Milícias de Manoel Antonio de

Almeida – Senhora de José de Alencar)

10

Em qual Brasil funcionava essa

sociabilidade?



 Visível nas cidades dos séculos 18 e 19 em no

entorno urbano das capitais;

 As cidades eram devedoras do rural e apresentavam

a sociabilidade ampla do conhecimento, da

informaçáo e da ajuda;

 Também nas pequenas localidades essa sociabilidade

e conhecimento próximos se fazia presente (as

visitas pastorais nos interior)

11

A que mais a sociabilidade se referia?

 Aos corpos, a proximidade sem intermediaçáo

do discurso;

 Ausência de discurso de aproximaçáo e as

famosas manifestaçóes de interesse amoroso:

os beliscóes; pisadas nos pé e beijos por troca

de empadas através das janelas…

 Ausência do que vamos entender, mais tarde,

por construçáo da subjetividade.



12

O Amor romântico



 A apresentaçáo do amor romântico por

Macedo; o amor a moderna como sentimento

da alma e náo do corpo;

 A cidade e os esboços de classe social; o

grupo da ilha de Paquetá no Rio de Janeiro;

 O progressivo fechamento da sociabilidade





13

As variantes do amor romântico

 O caminhar cada vez maior do amor como pré

condiçáo para o casamento… (Desde

Macedo até Machado de Assis)

 A estruturaçáo das classes sociais e o

decrescimo do poder patriarcal;

 Da sociabilidade ampla para a sociabilidade

cada vez mais restrita pelo menos entre as

classes médias e altas.

14

A ausência do discurso da maternidade

 A maternidade ainda náo era o objetivo da

mulher romântica em meados do século 19

(Os Dois amores de Macedo);



 A ausência desse desejo na literatura do XIX

e do início do XX. As máes patriarcais em um

novo patriarcalismo em Machado de Assis.



15

A sociabilidade restrita

 Machado de Assis e o fechamento da casa. A

Casa Velha auto suficiente e baseada na

escravidáo;

 Os estranhos e a dificuldade de mostrar a

alma em Helena;

 Dilemas da máe entre o amor e o interesse em

A Casa Velha;



16

O Estado Moderno e o Novo

Patriarcalismo

 O final do casamento religioso e o advento do

casamento civil – século XX; o fim do

casamento da Igreja e Estado unidos em Deus

e a regras oficiais. A oposiçáo do Estado a

Igreja em todo o 19; ausencia da palavra

família nas 2 primeiras Constituiçóes do 19 –

só em 1937;



17

O Estado moderno e os indivíduos





 Cada vez mais o Estado, dentro da lógica do

liberalismo de então vai fortalecer o indivíduo

em oposição ao coletivo família







18

Família e modernidade

 A modernidade, na globalizaçáo, em países como o

Brasil chega em algumas ilhas da sociedade e esse

fato é importante quando se considera a instituiçáo

familiar;



 Tratamos de idéias, sentimentos e subjetividade

quando tratamos da família. Em uma palavra, o que

Marx chama de super estrutura.



19

A modernidade democrática

 Todos querem se apropriar da modernidade

sejam tradicionais, modernos, tribais ou

comunitários; rurais ou urbanos;

 Entre os muitos meios de apropriaçáo está o

estilo de vida que queremos ter e as

implicaçóes econômicas e sociais desse

desejo.



20

As transformaçóes impostas pela

modernidade

 Como a modernidade invade a nossa vida?

1. A construçáo da família nuclear e o desejo

de educar adequadamente os filhos;

2. O rompimento com a grande família,

entre outros.









21

As consequências dessa modernidade



1. O projeto familiar

2. As expectativas da populaçáo na sociedade moderna

3. As condiçoes da modernidade pelo avesso: sem os aspectos

positivos

4. A apropriaçáo da modernidade pelo ideário das mercadorias

5. A permanencia das condiçóes expropriativas para as

populaçóes que náo se apropriaram dos efeitos positivos da

modernidade.

6. A família e sua diversidade no cenário do país.-



22

Diversidade de formas familiares

 A família tradicional;

 A família nuclear com poucos laços com a

parentela;

 A família regida por mulheres;

 A família regida por homens;

 A família de irmáos;

 A família da rua;

23

Ainda,

 A família ideal dos sonhos e a constante

busca;

 A família single;

 A família homosexual masculina e feminina –

a procura da adoçáo de crianças;

 A família do asilo de crianças e seu ideal;

 A família mantida pela avó, irmãos, tias entre

outras.

24

E,ainda

 A presença de animais de estimação que

compõe um grupo familiar









25

O domínio do individualismo

 Nesta sociedade os papeis familiares se

modificaráo profundamente;

1- pais sem a complementaçáo burguesa ou

tradicional;

2- o desejo de auto realizaçáo dos diferentes

sexos.

3- todos envolvidos na tarefa do cotidiano

familiar;

26

O modelo romântico e a mulher

 A constituiçáo da primeira modernidade foi o

aprisionamento da mulher no lar;

 A constituiçáo da segunda modernidade, na

globalizaçáo, está sendo a libertaçáo desse lar

aprisionante e a reformulaçáo de seu papel de

mulher, pessoa feminina dentro da sociedade

capitalista.



27

E ainda





 A duplicação do trabalho feminino com a

retração do papel do provedor masculino tanto

por ausência física como devido a falta de

emprego.





28

E que família temos?





Todas essas que viemos falando, ao

mesmo tempo e dentro de um

mesmo território;







29

Para refletir

 Em todas as instancias de grupos sociais

familiares, as transformaçóes não seguiráo

necessariamente a evolução de muitos grupos

até o apagar do século.

 Este é o preço ou papel da modernidade neste

país: trazer rapidamente ao convívio social os

valores de grupos sociais de outras

circunstancias sociais.

30

 A evolução do capitalismo brasileiro

para a fase chamada de

neoliberalismo criaria situações de

transformações para o grupo

familiar?





31

Cuidados sociais

 Bolsa escola;

 Bolsa alimentação (para mulheres grávidas ou em estado de

amamentação);

 Auxílio compra de Gás;

 PETI (programa de erradicação do trabalho infantil nos Estados e

municípios);

 Renda cidadã;

 Cheque do cidadão

 Além disso,

 O estímulo à iniciativa da população através de doações e movimentos de

organização voluntária e de diferentes grupos religiosos;

 O amigo da escola;

 A comunidade solidária.





32

Socibilidade no Brasil de hoje

 Ao mesmo tempo uma acelerada retirada do Estado

nos setores empresariais e do bem estar social

 Ao nível micro, um conjunto de organizações e

trabalho comunitário, nacional e internacional:

reconstrução de uma nova sociedade.

 Essa nova sociabilidade semelhante, em muitos

aspectos ao que Simmel chamou tão

apropriadamente de socialidade, no século passado.





33

Desafios da familia hoje?



 As drogas;

 O declínio da autoridade paterna ou materna;

 A infantilização prolongada do adullto.

 A questão do espaço e dos recursos;

 A recorrencia do abandono de menores ou recém

nascidos;





34

O perigo pode morar no mesmo teto





Os freqüentes assassinatos de pais com o

concurso de filha/o.









35

Concluindo…

 Somente construindo a história dos grupos

sociais familiares será possível saber das

tendências jogadas no futuro das famílias no

Brasil









36

Obrigada pela audiçáo!









37



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