ANOTA��ES � ANTROPOLOGIA SOCIAL

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11/26/2011
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							         ANOTAÇÕES – ANTROPOLOGIA SOCIAL
                               COMENTÁRIO AFIM
        A gestão provém do princípio. O princípio é conformado pela educação que passa
por fontes como a família, a escola, a rua, o trabalho, a religião, a filosofia, a ciência, a arte
etc.. Na realidade tudo se permeia, pois a própria família, que está na base, educa segundo
sua relação com as fontes. Então em meio a um contexto cultural há uma formação moral,
que vai se derramando até sua base individual, cujo resultado chamam de personalidade.
Nos dias de hoje tecemos um encontro muito bonito entre estas diversas fontes, sendo fio
condutor uma visão compreensiva, baseada no princípio do amor.

       Todas as lições deixadas pelos Grandes Mestres, Avatares, falam à essência divina.
Encontrando esta essência o homem vai despertando, apreciando a riqueza da vida. Nesta
faculdade o homem aprecia o céu, as estrelas, a flora, a fauna, as pessoas, e com eles se
confraterniza.É na consciência de Ser Divino que o homem sente-se um com a Criação, a
ama.

       “Se eu der aos pobres tudo o que eu tenha, do meu sustento e do meu valor, se não o
fizer com toda caridade, tendo o coração cheio de amor, de justiça e de verdade, não
aproveito este Valor” (Hinário Cavaleiros da Paz - HCP). “A caridade é o exercício do
amor” (definição de caridade ouvida em palestra num Centro Espírita Umbandista em Santa
Maria, cidade do Distrito Federal).Trabalhar bebendo desta fonte é trabalhar com paz, com
uma tranqüilidade interior tão intensa, que a tudo compreende em sua infinita dimensão.

       Qual é a angústia da vida senão esta de não amar como expressão única e última.
Em verdade vos digo que o homem de nada necessita, pois dele é o Reino. De quantas e
quantas ilusões vive o homem, no Vale de Lágrimas, acreditando que ali ou acolá está a
chave. Em verdade vos digo que ela não está nem ali nem acolá, mas em todo lugar onde
reside Deus. “Meu Deus está nas Flores, meu Deus está no ar, meu Deus está em tudo,
estando em tudo aqui está” (HCP). Nos ensina Aquele Que Nos Amou: “O vento sopra
onde quer, e tu ouves o seu ruído, mas não sabes de onde ele vem, nem para onde ele vai.
Assim é todo aquele que nasceu do Espírito.” Então é amar.

        “A bendita chave quem nos trouxe foi Jesus, abençoada por sua mãe Virgem
Maria,..., Nela estava bem escrita e gravada, nela brilhava a palavra amor”.Nos ensina outra
doce canção. E quantos homens em quantas maldades negaram esta simples verdade. É este
o tesouro de paz e compreensão que nos foi legado por Jesus. Sua Luz e Sua Graça não
param de abençoar a todos que o coração abrirem para amar. Aceitar a verdade e toda a luz
é das mais fáceis tarefas, pois a luz vai batendo e revelando. Nem todos estão prontos para
libertar-se dos apegos, do ciúme, do orgulho e da maldade. Contudo, aprendi que por mais
que o homem se debata, o que foi revelado não será escondido, e Esta Luz triunfará.
“Conhecereis a Verdade e Ela Vos Libertará”. Este Conhecimento, Esta Verdade, é um
Conhecimento Interior, de ti mesmo, e por mais que queira fugir, se iludir, não conseguirás.
Em verdade a consciência é atributo divino que reside no homem. Dela nada se esconde,
seu olho o acompanha por todo lugar. Quem vive isto tem a chave da compreensão. A
misericórdia e a justiça são atributos divinos, que podem condenar ou perdoar. Você é Filho
de Deus e foi feito à Sua Imagem e Semelhança. Não importa em que momento esta
Consciência venha; Ela é o Renascimento. Ela É o Mundo de Amor. O que beber desta
água jamais esquecerá.

        Aquilo que usamos por referência é aquilo no qual acreditamos. Em verdade as
coisas são como você as sente, e não como fulano ou beltrano falou. Isto não é ausência de
verdade na criação, mas sobretudo sua condição de leitura. As referências são códigos-
chaves para abertura de portas. O cão é manso para com aqueles que vêm conduzidos por
seu dono. As referências estabelecem relações, identidades, o caminho para a mensagem
que está sendo recebida. Conforme a consciência amorosa vai ampliando, as defesas vão
sendo desarmadas, e torna-se o homem, em sua simplicidade, cada vez mais receptivo à
Bem-Aventurança. A Vida se torna Assim, É a Revelação do Divino Espírito Santo.

        É lícito utilizar capitais - intelectuais, políticos, financeiros etc - para abrir portas.
Não há sentido na discussão sobre a fonte A, B ou C, senão para um exercício do ego em
sua expressão analítica, uma forma de poder. São expressões legítimas e tão melhores
quanto mais sinceras forem. Aquele que caminha pela autenticidade busca a pureza de
espírito, que é advinda com a graça, aquela que revela os mais recônditos segredos do
inconsciente. Por isto o devoto, além de autêntico, é um suplicante do amor divino.

       A força do conhecimento histórico, da mente persuasiva, não macula o coração
daquele que ama, não corrompe a compreensão. A essência está além das referências. E o
diálogo existe como a Construção do Real. Referenciais que se afinam, tal qual lentes de
um binóculo quando busca-se o foco ideal que equalize a nítida imagem diante de ambos os
olhos. Neste momento a figura do outro dissolve-se, pois uma só imagem se apresenta.

       Mas isto que vos falo é ciência de um ser maduro e altamente centrado.

        As referências são projeções das idéias. Não só são como obras que algum artista
materializou, mas parâmetros de força que impõe respeito ao serem evocadas. A idéia
cristalina caminha por si só, até no calar. As referências são símbolos, como as próprias
palavras. E na realidade todas buscam o Êxtase da Criação, Pura Paz e Luz em Profusão.

       Cada palavra é um símbolo apreendido em sua história de vida. Traz todo um
contexto referencial. A mente é associativa, e só se torna despreconceituosa quando liberta
de traumas internos. Então torna-se vazia de conteúdos interiores, de caminhos de vida
passada, tornando-se receptiva para o Presente Divino, alcançando verdadeiramente a
faculdade de ouvir o próximo. Esta é a faculdade dos que andam em comunhão com a
Criação. O Presente Divino é A Salvação, Cria a Realidade Pura e Translúcida, Sempre
Nova e No Tempo.

      A Sabedoria é encontrada pelo Homem conhecedor da Essência do Ser. Sua
Mensagem Luz, e irá, no Tempo Certo, Encontrar a Consciência. Aí lembrarão do que foi
dito.
DIREITO
        Um dia o homem descobriu o pecado e ingressou no mundo de Maya: o mundo da
ilusão. E desta forma, criada a dicotomia do certo / errado, criou as leis.

      Lei: Regra cuja finalidade está na correção de um desequilíbrio. Equilíbrio:
Caminho do Meio, digno de uma vida Bem-Aventurada.

     Havia um tempo, e há um local, onde inexiste o errado. Nesta dimensão não há lei,
nem mandamento, há amor.

        * Na harmonia as leis caem em desuso posto que os homens vivem além delas, não
desobedecendo-as, mas cumprindo-as de tal forma natural que seus postulados esquecem.
Isto é uma atitude típica da relação fraterna de trabalho, onde o entendimento das partes é
pressuposto natural do todo e a lei da obediência se fundamenta como um encaixe, onde
fêmea e macho de mesmas dimensões se encontram. Na realidade a lei é uma decorrência
básica da dinâmica da vida, quando a compreendemos de maneira cósmica, universal.

       Lei Eterna: Lei de funcionamento do universo. Reside na compreensão da vida em
toda a sua plenitude. Lei cujos postulados propiciam o equilíbrio entre o sentimento e a
razão. No caminho dual está presente de um lado, a misericórdia, e do outro, a severidade,
mas no meio eles são um, se encontraram e vivem felizes para sempre. Como um rio que
não julga e segue em seu leito, assim caminha o amor do criador.

       Mas criado o errado, aberta foi a porta do mundo das trevas. Faltou Luz, clareza, e
muitos entraram pela porta aberta. E desceram do paraíso ao sombrio.

       Um Claro Anjo, Filho da Luz, percebeu o padecimento dos que haviam sucumbido
nas trevas e projetou Sua Luz no escuro sombrio. Esta Luz, o primeiro mandamento, é o
Amor, que clareia até na mais profunda escuridão.

      Alguns conseguiram vê-lo, e abriram os olhos. Dele se banharam e por ele subiram
novamente ao Paraíso. Tornaram-se novamente Claros, Iluminados.

        Mas outros já estavam com problemas de visão, até mesmo cegos, e já não podiam
perceber direta e claramente a Luz. A Claridade Divina os chegava em gradações
intensidades variadas, conforme a saúde permitia. E aqueles que iam amando, iam se
curando: alçando mais nítidamente a Luz.

       Assim é com A Lei, e as leis. São caminhos de luz para o retorno ao paraíso.

        A doença é a confusão, a dúvida, os mal humores e mal sentimentos. A saúde traz o
amor, e vice-versa. Obedecer de coração, não com a revolta na mão. Quem se liberta na
obediência, liberta a si mesmo. Não necessáriamente liberta para o mundo, embora isto seja
o que desejamos: o Bom Combate cuja vitória significa o Reino de Cristo neste mundo, que
é a vitória do Amor no Reino Material.
       Com a civilização vieram as leis. Desde os princípios religiosos, passando pela
moral, os bons costumes e a ética, as normas em geral servem à educação humana, no
propósito coletivo da prosperidade, harmonia e felicidade. Isto é o que justifica as
normatizações. E se todas existem culturalmente, a lei é o grau máximo. A lei é cultural, e
comum à religião. As leis vivem e morrem conforme a consciência de seus criadores, o
povo que as emana.

       Vejamos alguns conceitos comuns aos constructos jurídicos:

       . Contrato: Acordo realizado entre parceiros visando um propósito comum,
declarado entre as partes.

        . Contrato de trabalho: O tema deste acordo é trabalho, e suas implicações relativas
à direitos e deveres entre as partes.

       Tradição cultural de contrato: Mecanismo pelo qual um povo organiza e administra
um contrato. Estes contratos podem ser individuais ou coletivos, e podem ser relacionados
ao parentesco, à área de vizinhança, à sazonalidade, à religião e ...

               Aqui poderia vos fazer inúmeros comentários bem antropológicos sobre tais
tradições, que em sua totalidade implicam em comportamentos que são positivamente
reforçados ou recriminados pelo social: convenções sobre acasalamento, vestuário,
compromissos de parentesco, regras de vizinhança, costume de estação, localização
geográfica, fidelidades de credo
etc.

        Lei Constitucional: Lei maior de um país sob a qual todas as demais devem estar
orientadas. Contém os princípios norteadores de um povo no que tange às questões
políticas, educacionais, econômicas, trabalhistas, de segurança, de saúde e de ordem e
progresso geral.

      Lei ordinária: Leis que obedecendo aos ditames das constitucionais, as
desenvolvem, tratando dos temas per si, de maneira mais detalhada e aprofundada.

        Estatuto: Lei maior de uma organização: Empresa, associação, instituição
filantrópica etc.. Em lógica relacional ela está para a organização assim como a lei
constitucional está para a nação.

       Regimento Interno: Normas que obedecendo ao estatuto, proporcionam seu
detalhamento e encarregam-se de tratar de questões menores da organização. Em lógica
relacional está para o estatuto assim como a lei ordinária está para a constitucional.

       Lei costumeira: Baseia-se na tradição acerca de qualquer procedimento, quando o
costume passa a ser gerador de direitos e deveres. Estas leis não são escritas formalmente
por nenhuma estância legal, mas são reconhecidas como válidas por aqueles que a
praticam, até que alguma novidade venha mudá-las.
        Leis do trabalho e do comércio: Leis que organizam as relações trabalhistas e
comerciais. Orientam quanto ao exercício da profissão, quanto aos direitos e deveres em
geral que envolvem o produtor / prestador de serviço e a produção / serviço prestado,
quanto ao vínculo de trabalho e investimento (empregado, patrão, sócio, meeiro,
arrendatário, acionista etc.), quanto ao Local de trabalho, condições de transporte,
segurança ambiental, salubridade, produtividade, promoção, equipamentos, cargos e
salários, plano de carreira, benefícios, treinamento etc. e formas de transações, direitos e
deveres, com os clientes.

        A lei da profissão só é uma: esmerar-se por cada vez trabalhar melhor, com mais
alegria, amor e beleza.

               * Um contrato pode ser silencioso, verbal, escrito ou celebrado por qualquer
outro rito que lhe for conveniente. A validação de um contrato é conforme o entendimento
das partes acerca do que lhe basta. Um contrato deve ser vivo. Sua rigidez é como uma
prisão: não realiza nem traz felicidade. Por isto prevalece o bom senso, que traz curas e
graças valiosíssimas, e assim sendo dá a exata medida da validade temporal e textual de um
contrato.

         São raros os contratos formais que possam prever todas as atividades de trabalho
que serão realizadas. Na realidade os contratos são mais amplos e obedecem a um
entendimento que coloca em sua prática os valores norteadores da vida de cada um. Se há
litígio, começam as restrições, que vão desde aos limites de acesso à informações e à
ambientes / equipamentos, até ao cumprimento do estrito senso acordado, que diz : só faço
aquilo para o qual fui contratado. Em termos finais recorre-se aos processos na Justiça do
Trabalho, onde na cobrança material residem muitas cobranças relacionais.

       Os teus direitos são por vós conhecidos de acordo com o que lidas e necessitas, e
eles se fazem presentes no tempo oportuno por intermédio dos colegas de trabalho,
vizinhos, televisão, família, cursos, livros, amigos etc. Isto é graça divina reconhecida por
aqueles que renasceram como espirituais.

        Além da lei está a fé, pois ela é advogada das causas impossíveis. A fé remove as
montanhas das dificuldades que podem estar abrigadas debaixo de cegas leis. A fé torna
viável aquilo que num primeiro momento parecia impossível, intransponível. As portas e
janelas vão se abrindo e mostrando o caminho para o alcance da vontade maior de cada um,
que só pode ser resumida numa palavra: felicidade A fé gera esperança, proporciona
firmeza e faz avançar para o objetivo. A fé é um tipo de visão interior que pode ocorrer de
plena consciência, ou ser sentida, destituída da visão externa e clara de sua verdade,
verdade que irá sendo revelada conforme a retirada dos véus que a encobriam.

         Ao homem que confia tudo lhe é possível, e a realização de suas obras pode ocorrer
tijolo a tijolo, ou de forma imediata.

      Não devemos ser contrários á lei, mas compreendê-la em suas limitações, e tê-la
como um elemento que deve estar ao nosso serviço, pois se acaso assim não o for, podemos
empreender a sua falência e erigir outra mais atual em sua substituição ou mesmo nenhuma,
posto que num estado bem avançado de fraternidade a lei pode ser um referencial de amor
para com a vida, onde seja este o norte que governará a vida de todos os irmãos. A lei é um
postulado de rigidez quanto à determinados aspectos da vida. Ela é um limitante que quanto
mais tiver o caráter de educativo, e menos de repressor, tanto mais estará avançada em sua
jornada. Contudo ela é relacional e deve ser eficaz. A cada homem sua sentença e seu
remédio, e neste sentido também a lei é perfeita.

       A lei deve ser fruto do amor, pois doutro jeito será filha da dor.

        A vida humana é um constante aprendizado, onde na busca do caminho do meio
uma série de vícios podem ser de caráter totalmente opostos, e o julgamento descaridoso,
meus irmãos, representam ainda as cadeias que prendem ao fato ou pessoa julgada. Falo
isto a vós como quem conhece que os véus da ignorância se fazem presentes diante do
julgamento descaridoso, sem amor / sem luz, e não possibilita àqueles que o praticam,
conhecer o verdadeiro fundamento de suas contrariedades, que na realidade só podem
habitar na casa que as recebe.

       Não há como apelar para que acreditem ou não em alguma coisa, pois todas as
referências são ilusões se não tocam o íntimo do ser de cada um. Na caminhada rumo ao
conhecimento da verdadeira lei, é o teu cristo interno que deve ser desperto, para receber as
bênçãos de luz que o Mestre está constantemente a nos presentear.

        As graças não param nunca de nos banhar. Todos os livros são santos e todos os
seres são mestres, e tu também o és, pois a vida é sagrada. Esta é a lei, a lei da vida em
abundância, a lei que acredita e não teme uma nova vida e que faz a sua parte, a melhor
parte: única, inteira, indivisível.

        A lei é a liberdade, e como tal deve ser empreendida. A lei que é prisão é a lei da
ilusão, é a lei da morte, que mata os homens por seus vãos julgamentos. A lei que existe
para defender interesses escusos é a lei da dor, e coitado daqueles que a empreendem,
porque não há nada oculto que não venha a ser revelado, e a estes desejamos que venham
logo a aprender a lei do perdão, pois esta sim é libertadora do homem em relação às cadeias
que forja, sobretudo para si mesmo.

       Diz um belo ensinamento: “Ressentir significa sentir de novo, e o que foi já passou:
este é o segredo do perdão”. Como perdoar se ainda temes reproduzir o mal que outrora
padeceu? Como viver, se temes morrer? Como Ter novamente a Cristo sem julgá-lo e
condená-lo? Como amar se ainda temes sofrer? Parece que é mais fácil prender o amor,
mas não é.

       Judas, O Socialista, julgava que o óleo vertido sobre Jesus deveria ser vendido e
dado aos pobres. Sob seus olhos não brilhava o amor, mas o despeito e a dor daquele que
sem o coração queria pregar a “igualdade”, a “justiça social”, a “caridade” entre os irmãos.

      O amor que motiva cada ato é quem o justifica perante o Pai, pois é a base, a raiz, o
fundamento de sua obra. A obra construída sobre o alicerce do ódio e do rancor, do
despeito e da dor, não poderá construir o reino do amor. As igrejas ou os partidos políticos
que se fecham sob si mesmos não reconhecerão a Luz, assim como os Judeus e Políticos
não reconheceram Jesus. Se fecham sob si mesmos. Por isto o coração de todo verdadeiro
político ou religioso deve estar aberto. Assim pertencem à um único partido, à uma única
igreja, onde quer que estejam, apontem ou façam. São os abençoados de Deus. Àqueles que
compreenderam Sua palavra e vivem Seus Ensinos.

       Quem busca verdadeiramente a Deus não se prende pela mesquinhez do mundo, não
se respalda pelas más atitudes para modelar seu comportamento, mesmo que sejam “legais
ou comuns”. É isto o que caracteriza os notáveis santos das diversas artes.

        Paulo, o guerreiro fiel cumpridor dos preceitos judaicos, de pronto transformou-se
da água para o vinho; Madalena, “a prostituta”, recebeu o seu perdão pois muito amou;
Zaqueu, cobrador de Impostos, recebeu em sua casa a Presença do Senhor; o Ladrão,
crucificado á direita de Jesus, no mesmo dia Elevou-se ao Reino dos Céus.

       Jesus não discutiu seu julgamento. Conhecia a verdade do cálice que Seu Pai lhe
preparara e quanto àquele não ser o Seu Reino, pois se o fosse seus guardas viriam libertá-
lo.

      A vida é a lei, e ela é muito engraçada. A fé é a lei e as obras a sua materialização.
Não há nada melhor do que sorrir, então sorria e siga adiante, cantando e dançando.

       A vontade do Pai é a tua lei, e qual é o Pai que não deseja a felicidade de seu filho?


GÊNERO

       Princípio básico: o gênero é uma manifestação da diversidade da vida. E diversidade
como expressão da riqueza. Diante de tais manifestações não há que se valorar um em
relação ao outro, mas sobretudo sua combinação, como integrantes importantes nas
dinâmicas de nossas vidas, tal qual a santa origen representada pelas figuras do pai e da
mãe.

        Uma polaridade pode apresentar a forma de virtude ou vício. A sensação do quente
ou frio pode ser agradável, virtuosa, ou desagradável, viciosa. Assim o gênero representa a
vida, que em equilíbrio é sadia, e fora dele danosa.

        Ao nos referirmos aos seres superiores, aos anjos e aos grandes espíritos elevados,
costumamos dizer que eles não possuem sexo, posto que a essência divina, esta porção
sublime e criadora, está além do sexo, não porque o negue, mas sobretudo porque o
compreende e, lá nos altos reinos celestiais, a polaridade não tem muito sentido, pois a vida
tem um fluir harmonioso, como um caminho que é sempre um : por onde se anda não se
está à direita nem à esquerda, apenas num caminho pelo qual se passa. Andar à esquerda ou
direita sem valorar torna-se simplesmente andar.
       Num meio de consciência mais avançada, os atributos de personalidade típicos de
cada sexo, como culturalmente ainda são reconhecidos em nosso meio, são exercidos não
condicionados aos modelos culturais que o distinguiam sexualmente.

       Direita-esquerda, frutos da ideologia, são frutos da valoração, que está sempre a
dizer por aqui é certo e por ali é errado. Quem cria estas referências é a mente que
constantemente está a julgar, buscando equilíbrio. Eis o porquê que Cristo nos diz que
quem não renascer, não ver o mundo com os olhos de criança, não estará com Ele no Reino
dos Céus. A criança sente e simlesmente entende o que é do Reino da Graça.

       Na Árvore da Vida caminha o homem na busca de si mesmo, saltando de galho em
galho. É desta forma que vai experimentando a vida. E cada lado da árvore também tem sua
harmonia, seu caminho do meio. E cada galho, cada folha, também tem um caminho do
meio.

        Na realidade esta essência divina, luminosa, está presente em cada um aqui e agora,
só restando ser desnudada pela consciência para ser revelada em todo o seu esplendor. E na
profundidade do ser cada um está buscando a chave desta consciência de Vida, eterna,
radiante e abundante. E percorrem diversos caminhos procurando aqui ou ali sua felicidade,
ora pela matéria e ora pelo espírito, em busca da consciência da eternidade que vive aqui e
agora.

        Não é ser grande sempre, não é sempre estar com a consciência nas “estrelas do
infinito”, mas sobretudo sentir-se vivo, inteiro, ainda que pequenino vivendo o justo amor
de seu lar. A consciência assim permanece como bem precioso, junto de ti por onde for,
presente no pouco e no muito. Ela se torna simples, e é eterna porque é. Você a sente assim.

       Com quem ficará a viúva dos setes irmãos quando todos estiverem no reino dos
céus ? Com nenhum, pois lá não há esta forma de relacionamento. Na realidade, mesmo em
nosso meio, junto aos mais idosos, é comum haver uma sublimação dos papéis no
relacionamento do casal, um compartilhar maior das tarefas em geral, segundo o princípio
do amor e do companheirismo, num convívio maduro e sereno. Lembro-me, em infância,
quando minha avó acordava, botava a água no fogo, e deixava tudo pronto para que o café
fosse coado. Em seguida levantava meu avô, passava o café e levava as canecas para cama,
onde sorviam este primeiro carinho compartilhado. Ali conversavam e após, partiam para o
trabalho. Após o jantar novamente eles compartilhavam do café, só que agora apenas numa
única caneca, da qual o vô sorvia os primeiros goles, deixando os demais, mais doces, com
açúcar ao fundo, para a vó.

       Na busca deste equilíbrio, da consciência da igualdade essencial entre o homem e a
mulher, muitas das posições do mundo do trabalho, culturalmente apropriadas para
exercício de determinado gênero, hoje são exercidas por ambos os gêneros. E quanto
melhor quanto felizes e satisfeitos com suas novas atividades.

       Nisto tem uma coisa muito interessante que é fruto do desejo daquele que diz assim:
A galinha do vizinho é mais gorda. E daí vai a pessoa experimentar o trabalho da outra, e
luta por aquilo, e diz que aquilo é essencial, que tem de ser, que é de seu direito e que ela
tem de ter esta liberdade, e assim vive por algum tempo, de forma afogueada, alimentando
essa vontade. E daí, se consegue, pode até perder a graça, pois as vezes estava mais ligada
na luta do que na realização. Estas manifestações são comuns no campo da política, quando
para ser contra alguma coisa levantam-se organizações, e depois de derrubado o pretenso
inimigo vem o : E agora ? E quem não se acalmou e definiu o que quer construir em sua
vida, parte para outra luta, outra frente, contra alguma coisa na qual possa expressar um
pouco da insatisfação interna que existe no seio de cada um que luta contra a faculdade de
amar. Amar é compreender, e compreender é realizar-se.

         Compreender significa buscar a consciência da realização na presença: “Eu sou
feliz aqui e agora, com aquilo que sou e faço.” Sonhar com outras coisas também não é
motivo de contrariedade, muito pelo contrário, pode ser motivo de deleite e de inspiração
para realizações. Ilusão e sofrimento é negar o aqui e agora em razão de uma ocorrência
futura, de um desejo. É uma coisa tão idiota que funciona mais ou menos assim: “Como eu
não fui, eu também não estou, e portanto não sou lá nem aqui.” E olhem que há pessoas que
vivem esta relação diante da vida, e daí são amargas, desanimadas. Isto pode se manifestar
no que concerne ao trabalho, às paixões e outras quaisquer relações.

       A procura do outro está na porção que se quer obter para si, na completude que isto
proporciona. É assim que se verificam as uniões. Na presença do amado está suprida aquela
porção que se quer ter sempre consigo, aquele algo que o outro representa e que você
buscou quando amou, namorou, casou.

        Que bom quando temos no cônjuge a representação de nossos ideais sublimes:
atributos que nos atraem, elementos aos quais damos importância e nos identificamos. E
neste sentido compreendemos que na dinâmica da vida muitas vezes nossos esposos e
esposas do momento são aqueles com os quais nos relacionamos e nos identificamos, que
podem ser inclusive do mesmo sexo: amigos do trabalho, do lazer, da vizinhança, dos
estudos ou outro qualquer vínculo. É bom que se diga que a relação sexual, vista Lato
Senso, existe na relação do ser com a vida, em suas mais distintas manifestações, e é como
fazer amor com a natureza, com o alimento, com o ar, com as pessoas, com as coisas e
palavras, sem contudo isto implicar em ereções, ejaculações e manifestações desta ordem.

        O feminino e o masculino, atributos naturais com corolários culturais. “Fulano está
fazendo gênero”, diz a linguagem popular com muita sabedoria. Está fazendo “tipo”,
teatralmente representando, este é o significado da expressão. A qual tipo a expressão se
refere depende do caso, pois o gênero é contextual. É interessante também notarmos esta
maneira de encarar o significado de gênero desconectando-o do componente homem-
mulher. Notem que diversos atributos dados como gênero não são efetivos, são
instrumentalizados ao sabor das oportunidades. Criar expectativas em relação à um
comportamento típico é gerar condições para que ele se estabeleça, negá-lo quando ele
parece evidente, é besteira.

       Homem com homem dá lobisomem, mulher com mulher dá jacaré. Se juntarmos
duas energias da mesma ordem temos que saber onde aplicá-la, pois são forças somadas. E
como o equilíbrio é naturalmente sempre buscado, evitemos concentrar sem bem
direcionar, para que não se manifeste descarga intempestiva e destrutiva. Há força na
construção e na destruição. Sexos iguais devem estar reunidos num encontro de muita
harmonia e equilíbrio.

       Nas manifestações que comumente são conhecidas como Movimentos em Prol de
Alguma Coisa, há uma polarização de forças que são reunidas no propósito de interagirem
com outras. Quando este movimento encontra campo fértil, o casamento é perfeito e paira a
harmonia. Quando o movimento encontra um campo de idêntica expressão, não há
harmonia e sim luta pelo poder, com a transmutação, o descarrego de toda aquela energia,
até que novamente o equilíbrio possa se instaurar. No Tarot, a carta da morte representa a
transmutação da energia. Jesus, Mestre do Amor, não cai quando Pedro lhe oferece lutar
com as mesmas armas do inimigo.

       Contudo a felicidade reside em empregar com amor todas as energias, fazendo com
que possam salvar e curar. Grandes forças direcionadas geram obras brilhantes. Homens
direcionados constróem cidades, civilizações e conquistam a paz. O gênero de que falo é
humano.

       Na natureza uma mão é a que dá, a outra é a que recebe, um lado é o que fecunda,
outro o que concebe. E isto é um presente da criação. Aliás, é só um caminho, pois em sua
essência não tens gênero, só ser. E não tem quem receba que não doe, e quem doe que não
receba, pois a vida é dar e receber, é fluidez. Recebemos da vida e damos à vida.
Recebemos do pai e da mãe, e ofertamos como pai e mãe. É desta união que brota a
criação. Da união de dois surge um. Este é um ensinamento primoroso.

       Por vezes busquei compreender qual o significado do ensinamento de Paulo,
Apóstolo de Cristo, quando disse: Se não casou, muito bem; se casou, não descase. A
mente de Paulo tinha um único propósito, a união com o Divino, a presença de Cristo em
seu Ser. E neste, que é um mergulho no autoconhecimento, se não casou, tua escola é o
mundo; se casou, tua escola começa em casa, junto à tua porção eleita e a criação que
descenda de ti. Esta máxima taoísta do todo estar na parte, e a parte estar no todo, ou o que
está dentro está fora, e o que está fora está dentro, ou se vede argueiro em vosso vizinho,
dos vossos olhos a trave tirai, vale para o relacionamento do casal, onde conhecer ao outro
é conhecer a si mesmo, até que de dois haja um.

        O homem que conhece sua família pode conhecer mais da vida do que o homem que
tenha muito viajado. É comum aqueles que saem para curar a si e ao mundo das
vicissitudes que não consegue curar em casa, e o que vale em casa vale no mais íntimo do
ser. Quando se permite que a rebeldia o abandone, não há mais espaço para contrariedades,
mas soluções. Na compaixão as doenças são vistas sob os olhos do amor e da compreensão,
e chamo doenças os desequilíbrios em suas diversas formas de expressão: física, mental e
emocional. Fora do amor o “mar de lágrimas” transforma-se em dor, ou é repelido por
manifestações de frieza, indiferença, crueldade e outras tantas defesas.

       A indignação, o inconformismo, revoltosos, são expressões da revolta que residem
fora do amor. E neste processo de defesa vai o ser embrutecendo-se, gerando o que a
psicologia costuma chamar de couraças, que nada mais são do que armaduras
comportamentais. Para libertar-se deste pesado fardo uma coisa é necessária: amar. A
escola do amor te acompanha por onde você for e o importante nela é amar.

       Faça o seu gênero. E curta a vida. Com graça e alegria.

GESTÃO

        Toda gestão é pública. Ilude-se o homem que pensa ao contrário. O Pai, que a tudo
vê e a tudo enxerga, reside na consciência, onde não há ocultar. Tudo é público aos olhos
de Deus.

       Sois, portanto, eterno gestor da vida, é para ela que estarás continuamente criando.
Sois gestor do micro e do macro, do teu corpo, dos teus sentidos. É teu o templo. São teus
os sentidos que percebem a vida. São sagrados teus atos e pensamentos. É de tua gestão
como indivíduo que provém a gestão coletiva.

      Gestão Pública é o viver, e o viver não foi nem será, ele é. E a gestão na dualidade é
composta por três colunas: a coluna da severidade, a coluna do equilíbrio e a coluna da
benevolência. Na administração pública este sistema binário pode ser assim compreendido:

                                   Poder Federal

                                  Poder Executivo

    Poder Judiciário                                             Poder Legislativo


                                   Poder Estadual

                                  Poder Executivo

    Poder Judiciário                                             Poder Legislativo


                                  Poder Municipal

                                  Poder Executivo

    Poder judiciário                                             Poder Legislativo
                                   Poder Individual

                                  Eu Sou O Que Sou


   Poder Científico                                                Poder Cultural



        Note que no cidadão, de forma internalizada, estão presentes os três poderes
anteriormente apresentados. No legislativo está a cultura e a ciência (consciência) criando
as leis de regulação da vida. No judiciário a cultura e a ciência (consciência) julgando e
determinando o cumprimento das leis. No executivo, a vida emanada de ambos, a síntese
prática.

       No exercício do ser, quando não pensamos, ou seja, não precisamos nem legislar
nem julgar nossas atitudes, respondemos pelo caminho do meio, que é o que faz aquele que
aprendeu a dirigir, tendo deixado de mão as consultas metodológicas e julgamentos para
passar a marcha ou frear. Mas note que tal prática de maturidade é inerente ao ser que
conhece sua luz. Lembro que há estados grosseiros de consciência onde a ausência de
pensamentos não indica clareza, caminho de luz ou pura criação divina, mas simplesmente
o pouco alcance de uma limitada sensibilidade, relativa ao meio cultural ou ambiental. Não
deixa de ser um caminho do meio. Em cada extremidade há um meio.

        Representado tal faculdade em termos da Árvore da Vida, é dizer que em cada lado
da árvore, e em cada parte da árvore, há uma nova árvore, que tem o seu meio. Se ali você
estiver circunscrito, ali viverá. E no universo divino esta pode ser a sua realidade, de acordo
com sua criação, educação. Por isto a humildade e o amor sào portas para a elevação. Quem
está cheio de razões, de ciências próprias, pode estar submerso em suas próprias cadeias.
Assim o homem, assim as culturas.

       O cultivo da consciência é como um refinamento existencial. Se você sente, mas
não entende, o que estará por trás daquele sentimento? E lá vai você buscar conhecer a
origem daquele sentimento cuja razão não alcança. E vai buscar a si mesmo, pois queres
saber sobre o que habita em ti. Este é o despertar do Cristo Interior.

      O funcionamento do universo, da vida, é revelado tal qual a porta que se abre
quando se bate. E você entra, e vislumbra. “Batei e abriser-vos-á”. Assim vai havendo a
chamada evolução espiritual, a ascese, a elevação de consciência, o autoconhecimento. É
como enxergar melhor. Até que não haja mais cegueira espiritual, ou seja, estiverdes
conforme o ensinamento cristão: “Se em teus olhos tiverdes luz, então todo teu corpo luz
será”. Isto é literal, físico, existencial.

        As couraças existenciais são formas energéticas condicionantes de determinada
forma de viver. É assim que os homens vivem sob suas culturas, sob suas leis. É conforme
estas cercanias existenciais que o homem “normalmente” caminha. Imagine que você esteja
submerso em um oceano de águas culturais, água cuja densidade é sutil, tipo energia do
pensamento. Assim funciona seu pensar, conforme tais condicionamentos. Você respira em
meio à água que o circunda. Ela passa em meio às suas guelras. E os condicionamentos são
de ordem social, mas também individual, pois representam a sua experiência de vida. Sua
mente, seu computador, tem programas internos, caminhos de rotina, e decodificadores do
mundo exterior. Se tiver problemas, tem traumas, vícios, e se for envenenado tem vírus.

       Claro que esta realidade é transcendida conforme o meio que cultives. O homem
cuja consciência se eleva é representado como o Ser que Eleva Sua Mente Acima das
Águas do Mudo, aquele que observa o rio da vida. Este está fora do Sansara, da roda de
nascimentos e mortes, das contínuas encarnações como sofredor no vale de lágrimas.
Operou seu resgate Kármico. Alcançou a Vida Eterna. Renasceu não mais como carnal,
mas como espiritual.

        Aqui torno a citar que “Em Deus só existe a face direita”, e a compreensão deste
atributo está no trilhar do caminho: o caminho que é, que foi e que sempre será. Só a ilusão
pode permitir as diferenciações, as dúvidas, os erros. Mas quem desperta compreende que
é, e está no caminho.

        Não há outra forma disto ocorrer sem observarmos as leis de mercado, as leis de
fluidez, e dentro dela buscarmos o ritmo universal, o ritmo da vida, da liberdade e da
realização. O amor é isto. Mente desperta, coração iluminado. As ovelhas conhecerão o
chamado do Pastor.

       Trago todas estas coisas à baila para contribuir com uma transformação interior,
uma transformação que fundamentalmente lhe traga a si mesmo, a aprender com seu centro
sobre a vida. A gestão não é só pública, é universal. Os elementos são propalados por
inúmeras correntes filosóficas, religiosas, artísticas: luzes do caminho. Amar: o único
mandamento.

HIGIENE E SEGURANÇA
       A higiene está na clareza. Na clareza das atitudes, palavras e gestos.

       Esta é a base, e dela emanam todas as atitudes. A clara consciência possibilita
trabalhar com higiene e segurança.

       A clareza revela a harmonia, e a faculdade de limpar sem sujar. Manter a clara
consciência das atitudes é algo como limpar a sujeira de um pano, sabendo que a água
limpará o pano, e levará a sujeira à terra, que será decomposta em seus elementos
reabsorvíveis, o que num sentido místico é um renascimento, sob um novo aspecto. Assim
o cocô vira adubo e a urina fertiliza.

      Mas a clareza essencial é a da consciência, que não se contamina ao limpar. O
médico não adoece, o exorcista não absorve maus espíritos, o lavador de pratos não sai
engordurado. Ninguém se aborrece, se irrita, ou se perverte, limpa. A consciência
permanece limpa. Não há contaminação. Se a mente não vacila, não há contaminação.

       A técnica de massagem Shiatsu pressupõe interação entre massageador e
massageado. E o sensível, ao passar a mão pelo paciente, decodifica as energias
trabalhadas, o que está sendo retirado, desembaraçado. A mente clara, firmada na luz,
permite um trabalho consciente, ou seja, você faz e sabe o que faz.

       Há passistas, ou mesmo massagistas, que trabalham inconscientes, sob
incorporações ou sob campos energéticos de correntes espirituais, de sorte que estejam
seguros de não se tornarem vítimas das doenças que estão curando. Contam com a
capacidade própria, mas também com assistentes, guarnições e benção da Luz.

       Mas a clareza é essencial, ela é autonomia divina, ou seja, intimidade direta com a
Luz de Deus. Querer nela estar, e nela permanecer, é manter-se ciente, em paz, vivo e
radiante. Saúde Total. Agora a saúde está em você, onde você está. Então você enxerga o
que é necessário para trabalhar com higiene e segurança. Equipe, equipamentos, local
apropriado e um ritual certo. Caminho limpo. O médico usa branco, cor que revela a
mínima sujeira, o que é desejável para manter um ambinete bem asséptico.

        Mas se você é um agente, que deve trabalhar à noite sem chamar atenção, outra
estratégia deve ser tomada. Mas a consciência deve permanecer clara. A providência deve
ser sempre presente para que você esteja salvaguardado em seus limites. A clareza de
consciência em determinados momentos é algo muito fácil de manter, o ambiente é
propício. Mas noutros pode ser dificílimo, sendo grande o nível de interferência. A clareza
também está em se reconhecer isto e tomar as devidas providências para se manter “limpo e
seguro”.

        Então, resumindo, não perca a cabeça, não deixe a vista turvar nem a raiva o pegar.
Aja com elegância e clareza. Presença viva da luz radiante. Não faça concessões internas,
de tua luz interior. Haja com sabedoria na vida, sabendo até calar ou quietar diante daquilo
que não pode realizar, mas não se corrompa interiormente. Este tesouro interior é sua
clareza, sua luz, sua verdade, sua integridade. Esta clareza é imaterial, imortal. Você pode
se perder, se permitir o domínio, e aí não será mais você, será outro na sua cabeça, porque
quando reencontra a luz de Deus, novamente você se sente inteiro, íntegro, realizado e no
leme de sua embarcação. Você sente sua expressão, sua palavra, seu relacionamento e a
força de sua presença. Eu Sou o Que Sou foi um dos primeiros nomes de Deus.

       Se um mágico o hipnotiza, ele o hipnotizou. E daí? Ele conquistou você, sua cabeça.
Ele o comanda, comanda seu corpo. Não vejo mal nenhum. Só pergunto onde está você?
Onde esteve você? Acorda! Tenha consciência de sua fragilidade. De que precisa aprender
a se manter consciente, presente na luz de Deus. A permanecer São. Por isto o Mestre
ensinou: “Busque primeiro o Reino de Deus, Nele todas as coisas lhe serão dadas por
acréscimo”. Seja um devoto.

       Higiene e segurança não pode ser loucura, pois vira paranóia. Inteligência e clareza
sem amor gela o imperador. Vai acabar na dor. Clareza com amor é o fio condutor. O
esplendor é rico de amor.

        Estar diante dos raios solares, se abrindo, sendo energizado, ocasiona uma relação
prazerosa. A luta cria a queimadura. Este estado de aceitação e harmonia passa por um
desenvolvimento, um aprimoramento do ser, uma interação cósmica. Ser banhado pela luz
da lua, pela luz das estrelas. Seu corpo se aliment\a disto, tenham certeza. E fica especial.
Claro que isto mexe com tudo, mexe com a sua vida. É um novo alimento, uma nova
interação. Produz novos efeitos.

       Que tipo de higiene e segurança deve proporcionar banhar-se de luz celestial, sentir-
se iluminado por miríades de estrelas?

        Se o trabalhador estiver tranqüilo não há por que lutar com o trabalho, sofrendo com
isto uma lesão. O que acarreta a lesão é a luta, externada na relação com o objeto do
trabalho. Por mero exemplo, a Lesão por Esforços Repetitivos, que ocorre em datilógrafos,
inicia, quando o sistema que propicia a suavidade do toque, a lubrificação dos dedos, é
bloqueado. Assim o atrito leva à lesão. A mente clara detecta o que está pegando e toma
providência, evitando assim o mau funcionamento e o deixando livre do adoecimento.

        Esta higiene e segurança também vale para análogas situações sociais. Pensando a
cidade como um ser vivo há que se conhecer suas carências para promover sua saúde. Uma
sujeira deve ser limpa para evitar ser ampliada, espalhada. E deve ser detectada sua origem,
sua motivação. O que contém na caixa preta do avião são informações sobre seu
andamento. Assim, enquanto não aberta, a consciência é como uma caixa preta. Aberta,
revela o que estava oculto. Então o cidadão, o cientista, aquele que quer se conhecer, o
cristão, busca resposta para sua vida, cura de sua cegueira. Ele caminha amparado pela fé,
protegido pela corrente, pelas alianças, mas quer um dia estar presente diante do Senhor,
sentir sua comunhão, ser filho da luz.

        Então sinta-se como parte e todo de diversos corpos. Tome consciência de sua
cabeça, seus pensamentos. Tome consciência de seu corpo. Tome consciência de sua casa.
Tome consciência de sua cidade. Tome consciência de seu estado. Tome consciência de seu
país. Tome consciência do mundo. Tome consciência do universo. Ora, enquanto você está
identificado com o corpo menor, os demais são estranhos. Mas vista a roupagem dos
demais corpos. Eles lhe envolvem. Ame-os. E viva neste amor.

       Contudo vamos aqui trabalhar alguns cuidados instrumentais que nos sirvam a esta
grande travessia rumo à uma vida mais higiênica e segura.

       Quando Cristo e seus discípulos se colocam à mesa na casa dos fariseus, para o
almoço, estes escandalizam-se pelo fato deles não lavarem as mãos antes das refeições.
Cristo aproveita a oportunidade para ensinar que tal escândalo deve-se ao fato do símbolo
ser tomado como a essência, pois suas mãos e a de seus discípulos não encontravam-se
sujas, ou seja, suas realizações e seus propósitos eram limpos, o que não ocorria com
aqueles que “mal enxergavam” o asseio das aparências.

        Isto não quer dizer que lavar as mãos antes das refeições não seja um bom hábito. A
atividade higiênica e segura é aquela realizada na paz dos bons propósitos, pois estes
alicerces são seguros.

       Higiene em termos gerais significa ter o carinho de não sujar, e se tal for inevitável,
limpar. E, se já houver sujeira, a higiene é limpeza.

        A segurança reside na confiança, a insegurança no medo. A confiança é sobretudo
interna e se fundamenta na eternidade da vida. Aquele que nisto confia tem a liberdade da
criança em sua leveza de ser.

        A renúncia tem um segredo, e este não está na negação de alguma coisa, mas no
lidar com elas consciente. A renúncia serve à riqueza. Estar apto a absorver os frutos da
vida. Ter o céu, a terra, os pássaros, os mares, as árvores, as flores, os frutos, o sorriso da
criança, o olhar amigo, o carro, a moto, a casa, o passeio e...

        Só pode renunciar aquele que tem, ou que pode ter, e por amor. A renúncia que não
encontra o amor por fundamento não encontra o maior valor. Renunciou para pagar uma
dívida, por impotência ou algum interesse barganhado ( quem perde ganha ). Isto não quer
dizer que não tenha valor ou que não encontre sua recompensa. Liberta, salva, traz paz etc.
Mas, a renúncia verdadeira é fonte de avivamento da alma e gera um estado de suprema
alegria e resplendor. A renúncia é como a caridade, e a caridade é expressão do amor.

        Segurança é sentida por aquele que deita tranqüilo com a sensação do dever
cumprido. E acorda dando bom dia ao dia que se faz presente. Segurança é saber ouvir a
voz do coração e a ele consultar para a resolução das atividades do dia. Higiene é saber
levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Higiene é ter a alegria da transparência, do
gozo da vida, da tolerância que releva pequeninos erros, perdoa os grandes e educando
sempre. Higiene é amar a si mesmo, amando a vida como extensão que é dos seus olhos,
narinas, ouvidos, pele, pois é exatamente desta forma que a vida se lhe apresenta, pois não
há como ser diferente. Higiene é cuidar dos pés para poder pisar nos canteiros celestiais do
aqui e agora.

       Higiene mental: Ato de buscar para a mente um foco de atenção que não esteja
contaminado, ou seja, que não seja identificado como problema. Alivia e revigora,
preparando o campo para receber nova semeadura. Toda atividade feita com entrega,
atenção, concentração, amor, primor, na qual você flui, funciona como uma prece, uma
meditação, e traz a paz da higiene mental.

        A higiene e a segurança são frutos do bom senso, que não se rebelará se tiver de
usar capacete, capa, luva, ou qualquer outro tipo de armadura se assim necessário. Alarme,
trancas, sistemas de escuta e vídeo, tudo é lícito. Só o bom senso pode nos orientar quanto à
necessidade.
        A segurança compreende e corrige. A higiene alça, nos planos inconscientes à
maioria dos cidadãos, uma limpeza paralela à que está se processando no plano físico.
Quando uma dona de casa varre seu quintal com alegria e paz, vai varrendo as sujeiras que
porventura ali estejam em um plano sutil e depositando no local uma atmosfera de paz e
alegria.

       Os Santos são homens de força, que mobilizam um quantum muito grande de
energia em suas ações. Recebem este nome, santo, dada à tamanha saúde que gozam,
embora possa não estar manifesta na aparência. A evocação do nome destes seres é a
evocação da Presença, da (graça) energia que estes seres representam. É assim que Jesus
opera, os santos operam, a igreja coopera. Segurança e higiene ocorre a cada invocação.
Libertar-se do pecado significa lapidar-se de forma a ir deitando os véus que encobrem a
consciência, até a derradeira comunhão.

                               MEIO AMBIENTE

        Por vezes acordo, está sol, e eu me alegro. Por vezes acordo, chove, e eu também
me alegro. Se me enterneço, entristeço ou aborreço, o tempo me acompanha. O sol fica
forte demais, ou venta, ou é frio ou sei lá o que não me agrada. Nestas vezes há sempre um
passarinho que canta, e lembro que a vida é bela, e sorrio.

        E como um canto, celebro a vida num ritual de magia. A magia da reza, a magia do
café, do pão, do falar com atenção. Observo os pensamentos anunciando o dia. Vejo o que
minha esposa revela, meus filhos, a amiga que chega. Tomo banho e ouço o que meu corpo
me conta, cada parte pode revelar segredos, histórias. Ouço o silêncio e sinto minhas mãos,
água e sabão, fazendo as vezes da manutenção. Deixo a água correr e sinto seu derramar
sobre minha cabeça, cabelos, ombros, braços, peito, barriga, pinto e pernas. Sinto os pés no
chão, os dedos, a planta, ufa, relaxo e deixo a água banhar.

        Na hora de desligar a água tem sempre uma chave do dia, uma confidência. Enxugo,
visto a cueca, um ritual. Qual o significado de cada roupa na história do homem, na estória
do dia. O que trajarei? Escolho a cor, modelo, tecido, desenho. Visto a calça e sinto por
onde andarei, coloco a camisa, sinto a tessitura, estufo o peito e solto meus ombros e mãos.
Olho no espelho, reparo minha expressão, pele, olhar, penteio o cabelo como quem mexe
numa antena, sintonizando a beleza. Vejo o brilho de meus olhos.

        Na hora de calçar os sapatos sinto mais um pouco do meu dia. Se entra um pouco
apertado, ou bem larguinho; fácil e macio, ou com resistência. Visto observando. Se piso
gostoso, macio, carinhoso, vejo que será um dia primoroso. Por vezes piso valente, forte ou
ligeiro, sagaz ou maneiro. Passos largos, passos curtos, tudo percebo. E caminho. Por vezes
quero correr e saltar, outras apenas caminhar.

       No caminho as pessoas, os cumprimentos, os sorrisos, as mensagens. A natureza me
presenteia e todas as coisas me falam sobre si e sobre mim. Observo. Por tudo que passo
me relaciono. Registro o que ouço, o que enxergo, as revelações, e toco pra frente. No
caminho vou brincando; por vezes compartilho das conversas alheias, como um discreto
bom ouvinte, Se pego um ônibus, cumprimento o motorista e sorrio ao trocador. Na viagem
observo quem entra e como aquilo repercute em mim, o significado, as reações dos diversos
passageiros, às vezes até mentais. Vejo quem desce, quando desce, e acompanho a vida.
Não é sempre assim, posso estar vivendo no pensamento coisas de outros lugares. Se isto
ocorre, ao voltar acho graça, pois volto a ouvir o barulho da carroceria, o falar das pessoas,
e a sentir o deslizar das rodas sobre o tapete de asfalto.

        Quando ligo a televisão quantas coisas me são oferecidas em poucos momentos.
Quantas histórias, dramas, aventuras, vida. Vishi, é muita loucura. No teto do quarto -
estrelas, luas, sóis e espaçonaves (para meu filho viajar). O som mexe profundamente, o
ritmo faz a vida. Música para meditar, cantar, tocar, dançar, namorar e pintar. Música para
silenciar. No silêncio da mente repouso, contemplo, viajo.
        No trabalho vou me tornando íntimo, descobrindo histórias e detalhes contidos em
cada objeto. Cada coisa traz em si a história de alguém, sua relação com a vida, aquilo que
acredita, credita valor; é precioso. Um quadro, uma planta, a ordem da mesa, outros de toda
natureza. As pessoas e suas mensagens: no toque do vestir, no jeito do cabelo, no adereço.
Vejo o olhar, a expressão, os braços, as pernas, a emoção. Sorrio, aprecio.

       Ando pela cidade e namoro os jardins. Certa vez um amigo o que era trevas e o
compreendi. Estávamos caminhando por belas árvores, arbustos, flores, e o chão coberto
por um tapete de viva grama. Ele disse: Treva é isto, andar por este caminho, que sei ser
belo, mas não conseguir sentir sua beleza.

        Certa vez, num destes momentos de extrema felicidade, caminhando para a sala
onde trocaria de roupa, abriu à minha frente uma miração tridimensional, “real”, um espaço
da realidade de outra dimensão presente no ambiente, vi-me numa sala de tesouros: arcas
enormes de onde transbordavam pérolas, pedras preciosas, jóias, coroas, taças, tudo muito
reluzente, de grande beleza. Passado este momento continuei caminhando e entrei na
salinha para trocar de roupa, guardar a farda da oração, e quando abaixei para retirar os
sapatos percebi que estes reluziam como os tesouros da sala que estivera anteriormente.
Mais ainda feliz fiquei quando notei que não só “o velho tênis rasgado” brilhava (me
apaixonei por aquele furo cujo algodão saltava para cima ), mas brilhavam todas as coisas
as quais tomava contato. Com muito carinho retirei e dobrei minha blusa, olhava para os
fios de algodão com imensa ternura; logo compreendi que estava na verdadeira riqueza:
amando.

       Na época maravilhava-me com estes presentes do amor, estas graças de luz, mas
não sabia como se revelavam, e por tal as identificava como um encanto, uma benção, o
que não deixa de ser. Hoje, aprendi outra linguagem, que chama a este estado iluminado,
amoroso, de saúde, ou seja, você consegue ver a luz de cada ser, de cada elemento da
criação. Você os revela, a luz sempre teve presente neles. Nesta outra dimensão o contato é
muito pleno, é cheio, é rico, voc6e brilha e revela as coisas de acordo com a luz da criação.

       Imaginem o computador, Hardwares e softwares presentes. Desligado você não
enxerga seu interior, não tem luz na tela. Agora você liga na Luz e a tela acende, seu
conteúdo é projetado, o que estava oculto é revelado. É isto a Graça Divina, a Unidade em
Cristo, a Iluminação, você acende A Vida. Experimentei isto após horas de cantorias
devocionais, me harmonizando com uma frequência vibratória onde tal faculdade era
alcançada. E depois de um tempo de dedicação, de dedicação atlético-devocional, tive os
olhos se abrindo no cotidiano, de acordo com o que operava no dia a dia. Aminha emoção,
a minha fé no que realizava, possibilitava-me alçar tais estados. Alegria de vida na forma
de amor resplandecente. É um estado radiante e equilibrado, de alegria com amor.

       Na realidade está certo quem disse que o meio-ambiente é tudo que está em volta da
gente. "O corpo é o templo nascido de Deus / aonde a luz poderá refletir” (Hinário
Cavaleiros da Paz). Este é o primeiro meio-ambiente palpável a qualquer cidadão. Seu
corpo pode ser visto como composto por miríades de estrelas e constelações. Seu corpo
pode ser visto como uma cidade, por cujas veias trafegam inúmeros veículos. Seu corpo
pode ser visto como sua casa, na qual reside seu espírito. Seu corpo é relacional e está
integrado à existência. Seu corpo recebe a influência da lua tal qual o mar, recebe a
influência das quadratura estelar, das vibrações familiares, vizinhas, citadinas... Tudo pode
Ter importância, depende de tua sintonia, de tua consciência.

       Se muitos véus o encobrem, como podes revelar Deus em sua plenitude. O revelará
de acordo com a dimensão em que vives, sob o teto de sua consciência, seu limite. Este é o
mistério da revelação divina. Retirar os véus é ampliar a consciência. Que isto seja feito
conforme um desenvolvimento sustentável e ecológico, de tal forma que não haja
pertubações, danos, quedas.

       Certa vez o Mestre pediu-me que orientasse minha contagem mental pelas batidas
de meu coração. A princípio eu não conseguia ouvi-lo, e tinha de levar minha mão ao pulso
ou pescoço para poder sentir os batimentos. Depois de um tempo eu consegui esta façanha,
e daí ocorreu-me a seguinte questão: o coração nunca parou de bater, eu é que não
conseguia ouvi-lo, sintonizá-lo, e como o coração, diversas outras coisas também são
presentes durante nosso dia. E como é esta história de às vezes escutar, e às vezes não?
Heureca! É uma questão de sintonia. E da capacidade para tal. Dependendo da tua sintonia
podes estar alegre em meio ao velório ou no mais profundo silêncio em meio a uma bateria
de escola de samba.

      Mas é claro que os rituais existem para ser celebrados, e os extremos foram usados
como alegorias denotativas do poder da consciência. O bom senso a faz presente, cheia de
compaixão ou samba no pé.

        Os meios têm suas vibrações, e as pessoas mais sensíveis as sentem e inclusive
deles falam. Na realidade todos sentem as vibrações do meio ambiente, sendo que os
“adaptados” a um padrão nem as percebem mais, pois de acordo com elas vibram. Na
maioria das vezes o processo é bem natural e se dá em termos da abordagem dos assuntos e
trabalhos comuns àquele meio. A “visão”, a consciência coletiva, a cultura local. Claro que
há os atores das mudanças.

       O meio ambiente é como uma correnteza de rio: ou você vai com ela, sai dela, ou
navega contra. Claro que o mais difícil é navegar contra, pois exige mais esforço para
superar o atrito.
        Aqui tem uma contribuição importante para os neófitos nos mistérios da natureza.
Os celebrantes de rituais que contatam “forças sobrenaturais”, muitas vezes ficam por elas
impactados de tal forma a perderem sua liberdade de “vulgarizarem hábitos e palavras ao
sabor dos meios”, serem simples. Ficam presos aos grilhões da responsabilidade. E aí se
privam de um palavrão, um julgamento, uma consideração mais jocosa, “sacana”, e se
aliam do mundo sem graça e humor. Presta atenção, tais procedimentos são usados
naturalmente como frutos da sabedoria. Ao falar uma besteira o tom de sua voz muda, a
consciência não caminha com gravidade, a verdade é relativizada e um tanto de
performances são empreendidas de forma a libertar do tom “responsável” e “formal”, lhe
permitindo uma coloquialidade integrada ao mundo. Então você fica natural e para de
julgar a si mesmo, a cada palavra e atitude, e vive na verdade e sabedoria. Isto significa
adaptabilidade e comunhão.

       Na realidade você brilhará mais, será sincero e puro nas suas expressões, de forma a
proceder e ser compreendido nos mais diversos meios em que estiver. Aquela aura de
intimidade lhe cobrirá conferindo autoridade nata. Algo como ser amigo das crianças
compartilhando de suas alegrias, operar com lógica e razão diante da ciência ou sentir de
coração o rito religioso.

       A casa da gente tem o toque da gente. Sua casa é seu templo. Aqueles que dela
cuidam, sentem-se, em seu interior, gratificados, confortáveis e felizes. Nela estão
guardados os elementos de tua intimidade, de teu carinho. O cheiro, a cor, o jeito. E
sonham homens e mulheres em construir sua casinha. Começa pelo pedacinho de chão,
passa pela obra e chega à habitação.

        E vem a rua. “Se essa rua, se essa rua, fosse minha, / Eu mandava, eu mandava,
ladrilhar, / com pedrinhas, com pedrinhas, de brilhantes, / para o meu, para o meu, amor
passar”. O bairro: as demais ruas, a escola, o comércio, o centro de saúde, o clube... A
cidade: o transporte, o hospital, a delegacia, a administração, a rede de ensino, de
abastecimento, os postos de trabalho... O Estado. O País. O Continente. O Mundo. O
Sistema Solar, a Via Láctea, o Universo. Cada um de uma vez e tudo ao mesmo tempo.

       Não precisa fazer um depois do outro. Na realidade todos eles fazem parte da sua
vida, e em todos você vai operando. Por onde passar vai deixando sua pequenina
contribuição. Os índios costumam tratar com sabedoria os locais onde vivem e passam.
Assim sabem que naqueles locais ou por aquelas estradas, se voltarem, colherão os frutos e
as essências cultivadas.

       Não importa qual seja o seu meio-ambiente, importa que você aprenda a amá-lo.
Este é o caminho do crescimento, da compreensão e da libertação. E isto é um exercício.
Simples, objetivo e encantador.

        O conceito fundamental é só um: casa. Ao tirar os sapatos ao chegar da rua, e à
porta calçar seu chinelo, manterá limpo o interior. Assim como a casa está a rua, no tocante
a outros aspectos. E também a cidade, o estado, o país e etc., etc., etc. No fim tudo
equilibrado e limpo.
                                            Viva o Meio e o Ambiente!

PLANEJAMENTO TERRITORIAL
      Planejar significa criar um roteiro para execução. Significa estabelecer objetivos e
prognosticar providências a fim de obter êxito e excelência. Planejar significa prever o que
fará.

       Planejamento Territorial significa “prever como usar a terra”. 100 anos, 50, A
Existência. Zoneamento Econômico-Ecológico: Autoconhecimento. Plano de
Desenvolvimento Ambiental: Plano de Vida. Desenvolvimento Sustentável: Saúde.

       O planejamento de uma terra nasce como o de uma casa, uma Grande Casa onde
muitos habitarão. O planejar compreende:

       . Idealização...
       . Desenho...
       . Articulação da Parceria Doméstica: Esposa, filhos, parentes...
       . Localização: Analisar Custos, Equipamentos urbanos do local, Infra-Estrutura
       Urbana, Recursos Naturais, Vizinhança...
       . Análise de Fontes de Custeio: Rendimentos, amigos,...
       . Projetos: Físico-financeiro, hidráulico; arquitetônico; elétrico; estrutural;
       acabamento, paisagístico; decorativo; automativo, energético, circulação, insolação,
       recreação, artístico, saneamento, abastecimento, serviço, manutenção, segurança ...
       . Legalização para Construção;
       . Equipe de construção;
       . Administração;
       . Mudança;
       . Adaptação;
       . O Morar.

               Se for de sua graça você pode se dedicar à cada ponto do projeto da casa,
encomendá-los, ou um pouco de cada. É importante que esteja presente em tudo, ou seja,
consciente, vivendo, realizando. A casa pode ser simples, mas digna. A Sua Morada. A
Morada de Deus. A Morada Dos Seus

       Em uma casa deve haver Harmonia e Prosperidade (“Ordem e Progresso”).

       E numa cidade, estado ou nação as coisas são relativamente as mesmas. Projetar
uma vila que brotará da terra virgem é conceber seu desenvolvimento sustentável.

        Uma Vila Comunitária Cooperativada. Todos colaboram para a Satisfação
Coletiva. Na vila tem educação, saúde, segurança, lazer, produção e serviços. Tem também
o que ofertar, comercializar.
        Imaginem agora esta produção/prestação de serviços circulando ao sabor das
necessidades dos moradores da Vila. Algo como um “dinheiro local”, que permita às
pessoas estarem prestando e recebendo serviços sem desemprego, sem o congelamento da
circulação de bens e serviços, com realização.

       Planejar um território é montar uma equação que resulte a Feliz Cidade. Aproveitar
as potencialidades da própria população, o Dom, o Saber de Cada Um. Trabalhar como o
músico que ama cantar, o médico que adora curar, o advogado que se realiza com a justiça
alcançar. As demais coisas são acréscimos. Presentes.

        O planejamento integrado, regional-nacional-mundial, caminhará com demanda e
oferta harmônica, saúde holista. Planejar como um Profeta da Providência Divina.

      No Plano do Serviço Social, deve estar previsto orientação para aqueles que
demandem riqueza. A expansão deve ser clara.

        Programas de desenvolvimento comunitário sustentável, cooperativados, abrigarão
o retorno do homem ao campo, e a expansão econômica. A luz da cidade e a luz do campo
serão doces.

       As cidades enfermas pela marginalização devem estar preparadas para a assistência
individual, familiar e comunitária. Albergues-Escolas e Serviços de Campo de Formação
Comunitária viabilizarão a reabilitação social. Uma verdadeira promoção da saúde, física,
psicológica, vivencial. Cidadania Plena.

       Isto será bom para todos, inclusive para os guerreiros do cotidiano, que lutam no dia
a dia por seu espaço de vida, imersos num contexto de stress social. Terão paz, um gozo
diferenciado, uma saúde nunca dantes vista. Vibrante.

       Estado e População - “De Bandeira na Mão” - Realizarão esta Construção.


PRECONCEITO
               PretaBrancaAmarelaVermelhaMestiça. Muito bem, nosso país é toda essa
riqueza racial. E sobre este tema o que eu tenho a dizer é: Não Acreditem em Racismo,
embora aí se encaixe aquele ditado que diz : “Bruxas, não creio. Mas que elas existem,
existem.” Certa vez, conversando com um amigo, membro de um Movimento Racial, disse-
me que até aos seus 16 anos não conhecia Racismo, até que alguém o “conscientizou”. E aí
meus irmãos, a caixinha decodificadora dele passou a entender diversas relações do
cotidiano através do prisma racial, e imaginem que estes casos podem exacerbar-se a ponto
de serem objeto de uma série de justificativas do ser. Talvez ele achasse osa racistas
doentes, mal humorados, ou problemáticos de qualquer ordem. E como a cor da pele há a
aparência, a condição econômica, a estatura, a roupa, o carro, a ferramenta, o local de
moradia, o gênero, o emprego e por aí vai.
       Como será que era o entendimento de nosso amigo antes desse novo referencial? O
racismo já existia como explicativa para muitos, mas não para ele. Não tinha voltado seus
olhos para esta forma de interpretação do cotidiano, que ouso dizer, não existia, muito
menos fazia parte de seu campo de atração. O conhecimento e as relações são espaços
existenciais que podem ofertar inúmeras novidades nunca dantes vislumbradas. Fazem
parte da estrutura do conhecimento, da história e tradições. Trabalhar preconceitos é
desconstrui-los em si próprio, haja visto que as relações são vivenciadas conforme os
paradigmas aos quais a pessoa está imersa. Claro que diante dos imaculados a realidade se
apresentsa de maneira distinta. Mas Jesus, que morreu por nós na Cruz, teve seu calvário
como redenção da humanidade.

       As identidades são verdadeiras, tanto quanto sejam exercidas ou acreditadas. Um
homossexual costuma apresentar determinado estereótipo identificável. Um rico idem.
Assim diversos corpos sociais são pré-identificáveis. Mas sua forma de lidar com eles não
precisa padecer sob vícios maliciosos. Uma relação fraterna deve ser celebrada. Se não for
possível trabalharem juntos, toquem na mesma banda, saúdem-se, procurem o interstício do
amor. Através dele relacionem-se. Este caminho tem a solução.

       Aqueles que entenderam a dimensão desta filigrana pode dizer que aqui está a chave
do paraíso, ou pelo menos da compreensão das coisas aos quais se está inserido, que muitas
vezes são legados culturais. Mas, quem está no rio, é para nadar com muita alegria, curtir a
água. E se tiver sujeira, desvia, limpa, e no caso do “sal”, aproveite, e se houve excesso,
mergulhe após em “água doce”.

        Vejamos a questão partidária. O próprio nome indica: partido, uma parte, esquerda
ou direita. Ah, há o centro, contudo alguns o chamam de “Em Cima do Muro”. E todos tem
ideais e verdades. Como eles são decodificados quando alguém apresenta ou rotula uma
pessoa referindo-se ao partido a que está associada? Conceitos são estruturados para
qualificar aquela pessoa, os pré-conceitos. Ora, isto é comum. Referir-se à uma pessoa
através do atributo que lhe é próprio. “Aquele cabeludo que mora no 171”. Percebam que
seu discernimento vai trabalhando cada um destes dados conforme a sua relação com eles,
que tem a ver com sua história de vida, com a origem, o momento e a forma como foi dita.

       Nada é sem sentido, a compreensão é soberana. Cada um pode ser conhecido por
sua qualidade ou defeito, perceba como as coisas te chegam. O emissor da mensagem a
transmite dentro de um contexto. Se expressa por referências verbais, gestuais, expressão
fisionômica, entonação. Cabe a você compreender na amplitude que revela a relação do
emissor com o assunto em pauta, o porquê que aquilo te chega daquela maneira, e sua
tendência de reação instintiva.

        Corporativismo: Conforme já vimos, o ismo é um sufixo que revela movimento, e a
palavra assume em sua origem semântica o significado de “movimento do corpo”. A
identidade do corpo, e como ele se integra com os demais corpos, confere a identidade do
movimento. Os movimentos corporativos tomam sua identidade específica e a defende
perante os demais corpos na busca da purificação dos conceitos, do reconhecimento,
superação de barreiras, projeção de ideais e integração social. Na União há um pacto de
solidariedade. Na Unidade acaba a distinção de corpo separado.
       Ambientalismo,     Feminismo,       Cristianismo,      Sindicalismo, Partidarismo,
Associativismo, Pacifismo e outros tantos ismos são exemplos de movimentos que, no seu
bojo, defendem algum ideal. Há diferenças entre eles? Claro que sim, e não só quanto aos
seus ideais bem como à prática de exercitar ou de atingir estes ideais.

       Remover as correntes da prisão é amar: sem amor haverá dor. As amarras
necessitam ser desatadas, precisam da condição para que os nós da ilusão sejam desfeitos.

      Sem amor não há paz, sem humildade não há sabedoria, estes compõe o caminho da
harmonia. Através da compreensão você vislumbra a dor de cada um, a dor de todos.

       Satanás, que na realidade faz parte da divina criação humana, adora as lutas
desamorosas, pois assim faz girar a Roda do Sansara, a Roda da Vida da Eterna Ilusão,
onde ódio e paixão cohabitam. A vida, meus irmãos, é sempre para frente. Ressuscitem!
Livres e purificados. O bom combatente não se ilude, sabe o que quer. Não alimenta inveja
nem desamor, é forte e justo.

        O maior direito que podemos exercer é direcionar nossos esforços sempre para
frente, para o presente da vida. Construir a obra. A justiça é construir, não contrariar. Este
deve ser o mote fundamental. Este é o princípio da união e da correção que não julga, pois
nunca houve ponto sem nó, mas ata e desata sempre vivendo o presente. Alimentar-se do
passado dolorido, ir contra, é viver na morte, “deixe que os mortos enterrem seus mortos”.
Viver é realizar o caminho, e o caminho do viajor é bom.

        Todo e qualquer sentimento ou ação que encontra na divisão, na segmentação, na
negação, o seu fundamento, a sua base de valores e referências, vive a remar contra, no
fogo do atrito. Navegar ao sabor da corrente e dos bons ventos é assaz interessante. Cada
um vai procurar a sua turma, para com ela conviver. Tanto maior é a consciência sobre
algum assunto quanto mais você o tiver como natural, dele inclusive “esquecendo-se” como
referência mental para a ação. A mente vazia com os sentidos despertos é comunhão com o
divino. O motorista é uno com o carro, com o trânsito, com a vida.

        Os budistas descrevem uma rica parábola que descreve a verdade além dos símbolos
dogmáticos: Um Grupo Devocional Masculino, que tinha como código disciplinar a não
relação com mulheres, realizava uma peregrinação. No momento da travessia do rio, uma
mulher, à margem, não conseguia atravessá-lo. Um dos monges a ergueu e realizou a
travessia. Travessia feita, Tempo depois, um monge indignado protesta ao que ajudou,
dizendo “que ele errou, que não podia ter feito aquilo, que feriu o código etc. etc. etc.”. O
monge, que realizou a travessia da mulher, tranqüilo, responde: Eu a carreguei na travessia.
Você a continua carregando até agora.

       Carregar a bandeira de algum movimento de igualdade de direitos, de justiça, de
algum ismo, pode ser como carregar a mulher.

       As novidades abrem nossos olhos e você passa a enxergar coisas que antes não eram
percebidas, eram sem significado especial. Vivi isto com gatos. Nunca prestei atenção
neles. Quando me mudei para uma casa onde recebi um para cuidar, de repente meus olhos
se abriram para ver como havia gatos pela cidade.

        Quais os identificadores raciais que existem no seio de nossa população? Lembro
de um trabalho antropológico que investigou o ideário de uma população do Norte
Brasileiro. Tema: o índio. A população, ao ser consultada sobre a raça indígena, tecia
considerações sobre os donos da terra, a sua integração com a natureza e outros atributos
eletivos. Ao serem consultados sobre os índios que moravam nas periferias da cidade,
retrucaram que estes eram Bugres, não índios. A partir do novo aspecto, dentro da nova
ótica, passam os representantes da raça indígena a serem conhecidos, juntamente com
brancos, negros e mulatos, como favelados, pessoas carentes e problemáticas da periferia.

        É interessante que conheçamos as nossas leis sobre Racismo, mas é mister
ressaltarmos que o nosso coração é “brasileiro”, contém a riqueza da miscigenação. Somos
Cidadãos do Mundo. Cada homem tem uma missão, e assim como existe atributos
individuais, existem os coletivos, ligados à uma família ou grupo. Quem percebe os
preconceitos como limites culturais, e as diferenças como naturais, compreende a vida com
simplicidade. O preconceito nem sempre é falso, pois pode ser designativo de um traço
cultural que é valorizado por alguns embora combatido por outros.

       Contrariar a discriminação injusta, falsa, com suas próprias armas, é alimentar o
próprio sentimento que se combate. Diz o ditado: “Dois bicudos não se beijam”. No
máximo “Se Bicam.”.

        Os representantes dos Movimentos Raciais, que lidei, eram carentes de afeto,
buscavam através desta identidade racial um grupo de intimidade. Externar beleza, ritmo e
criatividade na construção de propósitos sublimes, deixando de lado o ranço e o ódio para
com os irmãos que erraram, é um Belo Caminho. O perdão é um bálsamo que antes de tudo
banha o próprio indivíduo que o exerce, libertando-o do peso das experiências negativas. E
quando isto ocorre, ao invés de você andar de espada na mão, pronto para espetar o inimigo
racista, e até procurando-o, você estará mais livre e leve para apreciar as graças da natureza.

       Certo samurai, paladino da justiça, matou muito para defendê-la. Ainda que
honrado, tendo defendendido nobremente seu ideal, despertou para um ainda maior, e parou
de matar. Inverteu o corte da espada, tornando-o interno, e fez de suas batalhas “lutas pelo
despertar da paz”. A sua espada passou principalmente a cortar o nó da maldade, o nó dos
traumas e das revoltas que prendiam seus “adversários” aos grilhões do ódio e da
perversidade. Vencia sobretudo conquistando seus “inimigos” para a Vida. Quem vê a
essência sabe que apenas a ilusão é inimiga. Quem assim se burila desperta o divino em si.

        Irmãozinhos, se há o erro, a educação virá para corrigi-lo, e a vida é grande escola.
Que o nosso exercício diante dela possa ser a de educadores da paz e fraternidade, pois
desta água beberemos e deste fruto comeremos. Quem vive de dia, não precida temer os
vampiros da noite, eles não resistem à luz. Mas quem está na noite, ore a Deus por proteção
e que logo amanheça.
       O cidadão é: “Sem língua nem corpo / Sem mente nem cor / sem gosto nem cheiro /
sem tato ou existência / sem som... sem som... / a forma é vazia. / A luz da verdade / é
compreensão / a mente é liberta... / é libertação”. ( Hinário Cavaleiros da Paz – Sutra do
Buda )

       Portanto, meus irmãos, o mais importante não é ficar constatando as mazelas da
vida, mas delas se livrar, afastando de si os vícios e defeitos acerca de pessoas e coisas, mas
não as pessoas e coisas, transformando o modo de se relacionar com elas. Suprir em si as
dádivas necessárias para ofertar àqueles que nestas prisões encontram-se e, na ignorância, a
alimentam. Dentro do Tempo não serás nem contra nem a favor, simplesmente será.

       O preço de ser criador da realidade pode lhe ser muito alto, e assim encontrares o
que Cristo falou aos seus discípulos sobre os dias que adviriam, onde não escolheriam por
onde ir nem como proceder. É vida em outro patamar de consciência, onde a natureza o
comanda como criatura de seu reino. É nesta condição que muitos encontram a simples
condição da fé que deposita aos pés do criador o seu destino. São simples de coração que
humildemente esperam a salvação e uma boa morte na Paz do Senhor. São milhões e
milhões de idosos, doentes e apaixonados que comungam desta esperança no porvir. Assim
criam um ambiente de intimidade amorosa e confiança em Deus. São Santos que vivem na
perfeição da graça divina.

       Na peregrinação do caminho cristão, na fé do criador, não há criação fora do amor.
Então não há nada fora de você, e toda realidade perversa é vista como uma sombra criada
pelo espelho da ilusão, uma parte perdida da verdade, uma expressão de si doente, que
merece ser curada, desperta. Por isto amai os inimigos, sabendo que o ódio é um amor mal
resolvido. Por isto zelai pelos que te tocam, porque são como partes tuas que ficaram
perdidas no tempo, no espaço, adormecidas. Claro que guardam tesouros: de luz, de amor e
bem-aventurança. O místico Cristão sabe disto, a isto se dedica.

       Não são todos os teus próximos. Isto seria loucura. Mas sobretudo os que te tocam o
coração, os que acendem sua compaixão. Estes são os próximos da vez, para que entenda
melhor. Não são maiores nem menores, são do caminho do coração.

        Para o discípulo isto perdura até não ser mais tocado pela compaixão, vivendo no
amor. Então ele não quer mais curar, nem buscar a caridade, ele já é um exercício divino, e
pleno de vida não revela sombras em espelhos da ilusão, mas sobretudo um caminho a
seguir. Não tem mais doença na sua criação, tem um presente de luz radiante, vivo. Que se
elevem para compartilhar de Sua Riqueza, pois onde está Ela É Infinita. Ele não cai, a
humanidade é que deve subir.

       Este livro é depositário de uma história de aprendizado, um caminho percorrido em
busca do Tesouro Perdido. Que possa ser útil ao vosso caminhar, ao vosso fortalecimento.
E aos que na luz já se encontram, um romance, saudoso, de um filho de deus.

       Curta os encontros de grupo, as confraternizações, as obras dos muitos ismos da
vida. Eles estão aí para isto, para serem bem vividos. Com alegria e realização.
REPRESENTANTE
Representar: Exercer um papel de acordo com a procuração que lhe foi entregue.

 A representação é uma condição comum em nossas vidas. Veja estes exemplos de
representantes:

       1 - Em Casa: o pai;
       2 - Na Vizinhança: o Prefeito de Quadra, o Diretor da Associação;
       3 - Na Justiça: o advogado, o Juiz;
       4 - Na Escola: o representante de classe, do Grêmio;
       5 - Na Política: o vereador, o deputado, o senador, o prefeito, o governador, o
presidente;
        6 - No Trabalho: o chefe;
        7 - Na Igreja: o padre.

       Há aqueles que representam ideais, e pautam suas vidas conforme princípios
doutrinários. Há os sábios, que exercem qualquer um destes papéis com graça.

        Seja amigo do seu representante. Vá além dos partidos, candidatos. Você tem
muitas pessoas de quem gosta mas uma será eleita para sua casa. Isto não acaba com o
gostar das demais pessoas. Que a graça possa mantê-lo no amor da comunhão.

TRANSPORTE
        Nós, nesta terra de grandes riquezas, possuímos esta dádiva da diversidade de
transportes. E temos métodos de transporte sofisticadíssimos, que transformam som e
imagem, viajando longas distâncias, num curto espaço de tempo. As chamadas viagens
espirituais, ou desdobramentos astrais, são fenômenos energéticos das camadas sutis do
corpo, menos densas que a do corpo material. O teletransporte humano integral, por locais e
dimensões, é relatado pelas “ficções científicas” e poderes de Jesus Ressuscitado e Mestres
Orientais.

       Podemos transportar um beijo, um gracejo, uma idéia, notícia ou sentimento. Aliás,
qual o transporte que não carrega em si nenhum sentimento ou mensagem? Simplesmente
não há. Há um conteúdo intrínseco nosso em tudo que transportamos. Como há um
conteúdo áurico em tudo que é elaborado. Quando você constrói, produz algo, ficam
armazenadas impressões suas. Digamos que seja uma forma invisível de assinatura. No
transporte ocorre a mesma coisa. E daí, se somos seres relacionais, como sempre
transportarmos a nós mesmos sem nos perdermos neste mar de relações? É simples.
Vejamos.

       O ser que se deixa envolver pelo oceano das ilusões caminha como uma multidão
em conflito. Dentro de si clamam as mais diversas vozes. Livrar-se deste processo é ter
consciência da simplicidade e da clareza do caminho. É buscar transportar em seu interior o
vazio que a tudo comporta ao mesmo tempo em que esvazia. É dedilhar a flauta tocada ao
sabor do vento. E isto é transmutação, alquimia, mágica, bom senso, sagacidade,
habilidade, força interior e amor. Não há por quê carregar consigo nada que não seja de seu
agrado e de sua identidade, se não for por amor. Todas as águas correm para o mar.
Carregue consigo somente o que lhe convém, que deixe o seu fardo leve e suave. Não
permita que rapinas, desconfianças e velhacarias venham somar ao seu bornéu. Atente para
quando estas coisas estiverem lhe chegando e não as deixe entrar. Ouça, auxilie quando
puder, seja sobretudo compreensivo, mas não se identifique. E a identificação não se dá
somente por algum tipo de pena, condescendência que oculta tolerâncias perigosas em seu
interior, uma misericórdia doentia nutrida pela cumplicidade ou culpa e não pelo amor.
Atenção porque a identificação também se revela pela revolta, que nada mais é do que um
mecanismo de defesa. Sede íntegro e procure a força da firmeza dos bons princípios, a
sinceridade que revela a base do seu credo, e sendo sincero sê puro nas suas intenções e
ações. A vida é um transporte contínuo. Sê firme com a tua bagagem, pois na luz da
claridade divina tudo é simples.

        E qual é a tua bagagem senão o viver do semeador e do colheitador. Ao homem que
se afasta de sua consciência relacional, integrada à vida, a necessidade de transporte, de
deslocamento, é uma coisa insaciável, pois os objetos de seu desejo sempre estarão por
chegar ou por levar. É por isto mesmo que a questão é tão simples, porque a vida do
caminhoneiro está também na estrada, como está na sua família, nos postos, no destino de
cada viagem, no iniciar de uma nova. Qualquer deslocamento da atenção com relação ao
caminho pode remetê-lo à ilusão do depois, na forma de ansiedade e o desespero com
relação ao aqui e agora. Não é que não existam grandes recompensas no porvir, no cais, no
fim do caminho, é que isto não pode roubar o presente do presente, mas sim fortalecer o
viajor. Na realidade a estrada é linda, mas ora bolas, se você não consegue vê-la como tal,
então ela não o é para você. Note, a confiança na beleza da estrada orienta nosso olhar e
serve como centro das ações, de forma que logo possamos tê-la presente na realidade de
nosso cotidiano e bradar com alegria: Que Bom Que a Vida É!

        Um dos transportes mais maravilhosos que ocorrem na face da terra é o transporte
da vida, da mãe que carrega em seu ventre um filho. E como é essa relação, esse diálogo,
esse crescimento? A primeira orientação que me ocorre é da sublimidade deste transporte,
desta vivência literalmente crescente. O transporte é sempre um meio, uma atividade entre,
um caminho, até que haja sua conclusão, que encerra uma fase e celebra o nascimento de
outra: “a mãe deu a luz”. Passa então a mãe não mais a carregar seu filho dentro do ventre,
mas sobre o ventre, alimentando-o não pelo umbigo, mas pelo seio. E os ritos de passagem
vão se dando, e a mãe já transporta seu filho não sobre si mas ao seu lado, e aí se faz mais
presente a figura do pai, que é companheiro íntimo do filho. E já não mais só a mãe ou o
pai transportam o filho, mas a escola, os amigos, os demais familiares, e vai o menino
crescendo, conhecendo o mundo, rompendo etapas. Agora não mais o menino é paciente, é
agente do transporte, pois torna-se pai, amigo, professor. E a viagem continua rumo ao Pai
e a Mãe Universais, que em sua síntese mais absoluta são um só: O Criador.

      E de posse desta consciência universal só resta viver: na paz, no amor e na
compreensão infinita da Grande Casa de Deus.
ABASTECIMENTO
       Uma flauta é abastecida pelo ar que lhe corre nas entranhas. Este ar ganha forma, e a
forma se revela como som, e o som encanta os ouvidos, e os ouvidos suprem o coração, e o
coração enamorado encanta a vida. E a vida sopra doces melodias pela flauta.

               A relação de abastecimento é uma relação que envolve sabedoria. Portar a
bolsa cuja traça não fere e o rato não rói, andar na luz.

        Desta forma, não há pragas que invadam o seu silo, não há ladrão que roube a sua
poupança, e não te faltará jamais o pão de cada dia. E no dia a dia está presente a
consciência das necessidades. Precisamos de casa. Na casa precisamos de água, luz, gás, de
estrutura de saneamento, de telefone, de alimentos etc. Se temos carro precisamos de
combustível, óleos, pneus. E, de acordo com a cultura, há necessidade de escolas, clubes e
demais prestadoras de serviços sociais. São os chamados equipamentos sociais urbanos. O
pessoal da roça tem seus equipamentos de outra forma, em vez de piscina tem açude etc.
Em determinada cidade, de nossa Antigüidade, não havia médicos, quiçá hospitais, sendo
este papel de cuidador da saúde cumprido pelo Pai da família. E viviam mais de cem anos.

        No entanto, como garantir a fluidez de todos estes serviços na dinâmica cotidiana.
Ou ainda como mantê-los, ampliá-los ou substituí-los por outros mais aprimorados? A
resposta diz: faça a sua parte, sua pequenina parte, e a vida se encarrega de trazer as demais
coisas. O todo, a princípio tão complexo e gigantesco, se simplifica. O todo só existe na
medida que você se relaciona com ele, e é exatamente nesta medida que você está
contribuindo. A beleza do todo está relacionada com a parte. O homem que faz sua parte
está em paz com o universo.

        É no exercício do cotidiano que executamos as providências para um mundo
melhor. É na dedicação ao que se faz, no sentido simples do termo. A cada um o seu papel,
esta é a chave da integração do todo. Antes cuide das tuas coisas, dos teus afazeres, e
entregue as coisas alheias à sabedoria da vida, nossa grande professora. Seja relacional,
razão e emoção, íntegro; simples e constante é o abastecimento que flui neste reservatório
infinito.

       “Bebida é água / comida é pasto / Você tem sede de quê? / Você tem fome de quê? /
A gente não quer só comida, / A gente quer comida, diversão e arte. / A gente não quer só
comida, / A gente quer saída para qualquer parte. / A gente não quer só comida, / A gente
quer bebida, diversão, balé. / A gente não quer só comida, / A gente quer a vida como a
vida quer. / Bebida é água, / Comida é pasto, / Você tem sede de quê? / Você tem fome de
quê? / A gente não quer só comer, A gente quer comer, quer fazer amor. / A gente não quer
só comer, / A gente quer prazer pra aliviar a dor. / A gente não quer só dinheiro? / A gente
quer dinheiro e felicidade. / A gente não quer só dinheiro, / A gente quer inteiro e não pela
metade.

       Um caminho simples. Viver numa Comunidade ecológica.
ORAÇÃO
        A oração é uma forma devocional de se aprimorar pedindo à Deus e aos seres
sagrados de Sua Luz bênçãos que nos amparem, conduzam e zelem. É através da prece que
buscamos criar um perfeito estado de carinho e cultivo da vida em toda sua manifestação. É
isto que zelamos quando pedimos por nossas curas, por nossos inimigos e pela vitória do
amor. Dê-me força, coragem, paz, saúde, discernimento, buscando os elementos aos quais
julgamos estar carentes, a fim de vencermos na vida. Orar é pedir a Cristo que nos auxilie, e
pedir a Cristo é como pedir a um Amigo.

       E assim vamos recebendo os elementos para conhecer e viver na verdade. Nos
momentos sutis, sublimes, nos elevamos às primícias superiores e abrimos olhos e ouvidos
para ver e ouvir o que precisamos. A oração traz estas ferramentas de poder. Cada um reza
de uma maneira até que conheça uma forma melhor, e vai aprimorando, crescendo, ficando
mais belo e saudável. Claro que é assim que Deus quer. Se não fosse este o norte, o
horizonte, estaríamos vivendo a ilusão.

        A oração repetitiva é uma forma de meditação verbalizada. A concentração na
oração
é uma forma de trabalho que gera um campo de energia. E sobretudo permite receber as
graças que vem do alto. O guia mostra o caminho. E bem firmados vão chegar.

        É por isto que chamam a oração de navegação, pois de fato há uma navegação por
estados vibratórios, onde seres celestiais nos conduzem pelo caminho das bênçãos. O guia
está a falar, cantar, orar, e todos o acompanham. Estão trilhando o caminho. Alguém se
perdeu, é só voltar a atenção que o guia está a ajudar, orientar. Por isto que é guia, porque
conhece o caminho e sabe como proceder.

       Não se abre portas e janelas de sua casa para que imundos a adentrem. Assim, para
pisar em solo sagrado, tem de estar limpo.

       A oração é um momento especial onde são ministrados diversos remédios
providenciais.

       Pai nosso que Estás no Céu, santificado seja o Vosso Nome, venha a nós o Vosso
Reino, seja feita a Vossa Vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos
dai sempre, perdoai os nosso pecados e nos guie no perdão aos pecadores, não nos deixeis
cair em tentação e livra-nos do mal. Amém.

SEXO
       Nada melhor na vida do que um tesão bem resolvido, livre, sem censuras, próprio de
um gozo abundante e “infinito enquanto dure”. Sacana são todos aqueles que censuram esta
expressão, e nas lástimas de suas vidas mal resolvidas enchem as cabeças dos nossos jovens
de tanta maldade, medo, resultado de culturas frustradas, doentias, carcomidas pelo
julgamento, pela falta de amor. Mas que os problemas existem, existem.
        Hoje pela manhã lembrei-me do fato ocorrido por volta de meus 14 anos quando,
procurado por uma amiguinha, fui tocado para “amá-la”. Ela tinha 11, e eu, apesar de todo
carinho e desejo, não poderia concordar com aquele convite. Era responsável demais para
assumir aquele ato. Conclusão, ela encontrou um menino bem mais velho que eu e, sem o
mesmo carinho que havia entre nós, passou com ele a se relacionar. Eu continuei virgem e
“íntegro”. Mas perdi um cabaço, ou em outras palavras, perdi momentos que poderiam ser
de rara beleza.

       Mas, conversa à parte, é claro que não seria amor, pois não estava configurado, não
consegui me desvencilhar dos limites a que estava submetido: aí está a sabedoria: Os
limites existem, apesar de que poderiam ser diferentes. Eles são. E graças para quem
consegue amá-los, pois congrega a paz essencial em sua caminhada.

       Onde está o teu tesouro, aí está o teu coração. Se o seu tesouro estiver centrado no
coração, no amor, é a ele que você vai buscar. Se estiver centrado no orgasmo, é nele que
você estará ligado. A moral ética também tem um fundamento. É fácil discernir. Contudo
cada um tem uma estória, e é este o novelo que você estará desenrolando quando optar.
Repare não só quando você optar por praticar, mas também ao julgar, em palavra e
pensamento.

       Há os prostíbulos, as boates, os shows ou festinhas, onde há permissão e
cumplicidade para as diversas formas de manifestações, normalmente interditas em outros
ambientes. E você está preocupado com o tamanho da saia da vizinha ou com o garanhão
da esquina. Que pobreza. Uma coisa são eles com seus tesões, suas atenções. Outra aqueles
que olham e de diversas maneiras se sentem envolvidos. Outra ainda é você. Compreenda,
observe, veja como aquilo lhe toca, o que te desperta. Aí você estará crescendo, se
autoconhecendo. Depois joga tudo que é Lixo de Comentários e Sentimentos fora. Fique
com o amor.

       Ora, os povos indígenas não carregam este mesmo código sobre a nudez. Nascem
pelados, crescem pelados, e não ficam com os olhos “naquilo” o tempo todo. São melhores
resolvidos em sua sexualidade não tem tanto a esconder. Ora, então tanto padrão de valores
em relação às roupas não é um dado essencial, mas cultural. É claro. Então profetas criaram
normas de condutas como caminhos ótimos para seu povo conforme as situações aos quais
estavam inseridos. Claro que é um caminho, como as leis o são, mas o mandamento é maior
e único.

        A cultura é embasada no credo, nas experiências, nas relações de um povo. Estes se
transformam em normas costumeiras e daí até em normas legais. Hum, então não vale a
pena ser contra, nem a favor, mas antes compreender as palavras do Mestre quando disse
“Não vim ao mundo para destruir as leis, mas antes para fazê-las cumprir. Dê a César o que
é de César, e a Deus o que é de Deus.”

       E então pude compreender que na ascensão da árvore da vida o Mestre também
curava em dias de Sábado. Ora, saquei! O Cara era contextual e detonava com os vícios e
exacerbações quando sabia que poderia. Ele tinha a autoridade da mudança. Noutras vezes
recolhia-se, de acordo com Sua Suprema Sabedoria. A clarividência e a verdade lhe eram
próprias.

        Ora, o sexo indubitavelmente é fonte de prazer terreno, material, abençoado, divino
tal qual o é esta porção de nossa existência. E se ele não estiver bem resolvido tem uma
parte que ficou esquecida, e que faz parte da criação, é tanto que está representada no
“Sagrado Templo de Deus”, Seu Corpo.

       Para um olhar atento, é fácil reconhecer o tônus de energia de cada um. É só olhar e
verás onde está centrada a energia de cada pessoa. Se estiver exacerbada, todos percebem.
Seja pelo olhar, pelo cheiro, pela voz, pelo toque ou pela maneira como degusta um
alimento. Se estiver apagado, reprimido, é feio, sem energia, congestionado ou literalmente
“caído”. Se saudável é equilibrado, vivo, tranqüilo e em paz. A paz daquilo que está bem
resolvido não desperta outra coisa, senão a própria paz.

        Não só da “sexualidade carnal” vive o homem, pois representa apenas um aspecto,
mas principalmente da “relacional”, que é Ampla. É sexo sim, só que numa dimensão
infinita. Neste sentido viver amando é viver “fazendo sexo”. Sexo com a mãe, o pai, a
família, os amigos, a sociedade, a natureza, com Deus.

        É simples: verteu para baixo, verteu para a materialização. É O princípio da
concepção. Verteu para cima, verteu para a espiritualização. É o princípio da iluminação.
Mas Epa, calma lá, tem que Ter a caminhada bem resolvida, senão fica preso, castrado, e
não sobe. Na Cabala, o caminho da iluminação é chamado Caminho de Volta, a ascese em
direção à Coroa de Luz. A energia Kundalini parte do cóccix, base da coluna, e sobe pelo
Canal Psíquico, a Coluna Vertebral, até o ápice no alto do crânio, o Chacra Coronário. A
comunhão divina assim se estabelece, de alto a baixo. Uma flauta de puro cristal
translúcido. Eis o simbolismo da flauta de Krshna.

       Mas ao querer realizar este desejo não há que se castrar de amar, e amar é ouvir a
natureza, desde aquilo que se considera puro até aquilo que deve se revelar como tal. Então
disto vem o caminho da humildade, que transmuta os obstáculos em escadas ascéticas de
pura luz. Os místicos que se dedicaram ao “serviço devocional” compreendiam em
profundidade o 1º mandamento. Deus é a comunhão Maior, e o próximo, a menor. Quanto
maior em Deus mais importante fica o menor. Por isto os Grandes advertem quanto à
caridade, e Jesus vos disse quanto a fazerem as pazes com os adversários, andar uma milha
a mais, entregar a túnica ou dar a outra face. Claro que O Louco Apaixonado falava de Sua
Augusta Verdade. Não temam, a Verdade é maior que tudo isto.

       Vamos trabalhar os relacionamentos interditos. Alguns são condenados apenas
socialmente, pela cultura, outros, estão inscritos como crime pela lei. A lei e os bons
costumes são construtos sociais.

        Participei de um meio cultural onde o adultério masculino era valorizado
positivamente, sendo os jovens incentivados a “conhecerem as mulheres” antes do
casamento. Isto de forma velada, relativamente discreta. Já as mulheres deviam manter sua
virgindade e fidelidade. Li que determinado povo esquimó era monogâmico no verão,
quando habitavam unifamiliarmente. Já no inverno, habitavam coletivamente e tinham
práticas poligâmicas, funcionando de acordo com a estação. Li também que chinesas
velavam os pés acima dos “órgãos sexuais”. E também já conheci que houve povo cujo
exercício “paterno social” era exercido pelo irmão da mãe, isto como prática de
organização social. Ou seja, era distinta a paternidade social da genética.

        Mas voltemos ao nosso meio mais comum, tradicional. Analisemos aspectos
interditos que inclusive distinguem o credo religioso das práticas da vida mundana.

        No caso de adultério, se pego em flagrante, a lei e cultura justificam até a morte
(sob forte comoção). E interdição se dá não apenas nos chamados casos sexuais
propriamente ditos, mas nos organizacionais quando se trai a fidelidade a uma empresa,
sociedade política ou religiosa. Já dizia Nosso Amigo: Não se anda em dois cavalos a um
só tempo, sob pena de dos dois poder cair, ou seja, não se serve a dois senhores, pois a um
deles se há de trair.

        Ora, ora, a traição carrega um peso: o da consciência. E haja emoções fortes ou
letargia para manter uma cortina sobre ela. Haja paixão, bebida, drogas, noitadas e
“paraísos oníricos”, ou mesmo apatia, para calar a mensagem do coração que alerta: o amor
banha o ser de paz e radiante alegria.

       Than, Thun, Pan, e sai mar adentro em busca de aventura: tesouros que o mantenha
aceso, incendiado. É isso mesmo, e claro que tem a ver com sexo, a energia básica, do
chacra inferior, bem vermelha e intensa. Não tem o que criticar, sim compreender que é um
aspecto bem animal selvagem, e como tal se relaciona com a vida quando briga, urra,
conquista. Ráá! É força de vida.

       O que eu quero transmitir aqui é que isto se torna uma coisa bem natural,
naturalmente bárbara. Se você se alimenta de tragédias, de lutas, contos e cantos eróticos, é
claro que você acabará sonhando com isto, e haja censura para que você não se torne o
vilão da estória, ou graça para que seja o mocinho bem sucedido. Deixar tudo isto não é
condenar, criticar, proibir, brigar, mas despertar.

        Contudo meus irmãos, esta certeza só nas profundezas de teu ser pode estar
manifesta para com segurança usar de teu leme, no comando o Mestre Interior. É comum,
neste momento, os religiosos pedirem ajuda de condução aos Santos Guias, à Deus ou ao
Eu Superior, que é uma invocação à essência divina que reside dentro de cada um. Invocar
Jesus é invocar a Deus em sua forma humana.

         Quando você confia, quando você acredita, de alguma maneira você o faz por
algum atributo ou conjunto de atributos ao qual depositou confiança. Você o faz quando
invoca um Dom Santo ao campo das virtudes angelicais representadas pelo Santo. Estas
eleições que você privilegiou no outro estão adormecidas em você, já que seus olhos não a
conseguiram enxergar dentro de você, com pureza d‟alma. Corrigir este vício é saber como
lidar e despertar estes aspectos. Jesus está sempre a abençoar. Não há dolo em pedir auxílio,
pode ser sábio.
       Vejamos o que buscamos no relacionamento conjugal. O casamento é uma forma de
enriquecimento.

       Na santidade o casamento é com Deus, literalmente com o universo, pois é esta a
esposa divina. Também os casais ao amadurecerem passam a isto constatar. Assim o amor é
compartilhado com menor reserva conjugal, pois o casamento se dá com a vida. Tudo na
sua condição.

        Se não há equilíbrio na relação sofre-se o peso, e o casamento torna-se difícil de
sustentar. A arrogância de um lado necessita da submissão do outro. Hoje compreendo o
tempo que trabalhei numa Central Sindical. Um tempo de grande dedicação à religiosidade,
onde buscava permanecer nos planos da luz e vivia gelado dentro de uma fornalha. A
severidade e a misericórdia casaram-se por mais de ano e deram à luz realizações e
conquistas dentro da paz e harmonia de um lar que prospera. No local em que trabalhava -
ponto consagrado ao sindicalismo, partidos políticos, drogas e prostituição, mas não só isso
- contatei no astral que minha sala era um lindo templo, um altar em arte sacro-barroca. Em
meio às lutas, verdadeiras catarses coletivas, havia um “assistente técnico de políticas
sociais” que jejuava, orava, pouco falava e migrara dos 80 para os 50 quilos. Na minha
mente só queria luz branca, pura, como num oceano ou cachoeira que provém da criação.
Uma disciplina de controle mental levou-me até a abolir bocejos e piscar dos olhos. Sempre
ligado, buscando a serenidade, um curso de pensamento e ocorrências que pudessem ser
conforme a paz.

       Pessoalmente pouco produzi, para mim a vida estava muito difícil, pois guerreava
pela renúncia material, inclusive alimentar, quase a todo tempo. Mas a Central Sindical
realizou muito. Não tinha consciência racional do que fazia, nem como funcionava este
mecanismo, só sabia que queria viver nos planos da luz. Em casa, junto à minha esposa, as
coisas não eram tão diferentes: na casa do naturalista comemoravam com churrasco. E no
dia que me recusei compartilhar e tranquei-me no quarto a orar, tive minha mão a inchar e
queimar, com dor viva a se pronunciar.

        Maturidade Compreensiva é a palavra chave. Sorte daquele que logo consegue
atingi-La, pois Sua Clarividência O Guia na vida. Guia à Libertação pelo Caminho
Ecológico do Desenvolvimento Sustentável. Não tenham dúvidas que Ela É Individual e
Compartilhada por Todos que Ouvirem.

ÉTICA AMOROSA
        Fazer aos outros o que gostaria que fosse feito a ti na sintonia do amor. Imagine isto
na relação social cotidiana. Imagine isto em relação à natureza. Ao planeta. À Vida!


ALIMENTAÇÃO
       A alimentação é uma graça divina. Algo que você ama, apaixona numa relação tão
íntima que se apropria e integra ao seu Ser. Uma música muito nirvânica à qual você se
entrega num deleite envolvente e paradisíaco. Um bom livro que o transporta. São
alimentos de êxtase, contentamento, satisfação. Um esporte, uma arte, um namoro, todos
alimentos sagrados.

       Para desfrutar com integridade a mensagem contida em cada alimento é necessária
uma consciência desperta. Da massagem pelos dentes, língua, boca, descendo pela
garganta, até chegar ao estômago, intestinos, daí espraiando-se por todo corpo via corrente
sangüínea. O inabsorvido dando continuidade pelo tubo de digestivo reto afora.

       As viagens das monodietas são interessantíssimas. Imaginem alimentar-se de um
único e harmonioso alimento durante dias. O corpo vai conhecendo a intimidade do
alimento, que será tomado em diversas ocasiões e exercerá diversas influências. Não só a
sensação orgânica ou palatável poderá ser observada, mas também as atitudes mentais. E
não é pequeno o universo do possível de ser degustado.

        Desde a fruta em si, com suas características costumeiramente associadas, até a
leitura de sua assinatura: do pé que proveio, solo, região, fazenda, manuseio, embalagem,
transporte, exposição e comercialização. Também suas relações simbólicas, oriundas dos
significados míticos, “a maçã do amor”, ou de sua relação histórica de intimidade com o
fruto. Há ainda a propriedade do alimento ser raiz, fruto, semente, caule, folha ou flor. Qual
o significado, o que representa cada uma destas expressões da vida. Claro que nisto está
toda uma medicina, a sabedoria da alimentação, cuja chave está na mente, no sentir, no
olhar abençoado que conhece segundo a vida.

       Na hora das ceias você ali, no seu alimento devocional, uma curtição repleta de
encantos. A mente receberá em graça todas as benesses das transformações.

        Coma com satisfação, pois a vida é bela, divina.

       Observando bem se compreende que se come o alimento relacionado à alguma idéia
que o suscita. Claro que está integrado: propriedades “físicas” e “relacionais”. A sabedoria,
a forma de conhecer é própria do ser, e não precisa ser racionalizada por algum caminho
específico do conhecimento para ser verdadeira. A mãe é uma nutricionista do amor.

       Então se bebe buscando a onda, o prazer. E assim pode ocorrer como nos ensina um
ditado chinês: "Primeiro o homem toma a bebida, logo a bebida toma a bebida, depois a
bebida toma o homem”. Ora, o homem conhece algo novo, e o toma para si. Este algo novo
quer mais de seu semelhante, e leva o homem a tomá-lo. A novidade faz a cabeça do
homem e se torna a sua vida. Assim o é na ocorrência de dependências, vícios. Amou,
compreendeu, libertou.

       Mas isto se refere também à comida, onde se busca através do alimento identidades.
A comida da mamãe traz saúde, afeto, remédios de amor. A feijoada do Fulano de Tal
lembra amigos, alegria. A macarronada da vovó a família.

       A comida da rua, a dinâmica da rua, mar da vida. E não é só isto, tem a conversa
que rega a mesa. Vibrações são evocadas por pensamentos ou palavras e gestos. Tem um
amigo que sabiamente diz que “fuma, mas não traga”, o que prontamente entendi como
sendo referente aos problemas mundanos aos quais assiste, mas não os toma para si. Ele
ouve, participa, o que for sábio explicita, mas sua mente, sua compreensão, está a depurar o
joio do trigo, ou seja, está sabendo o que é de César e o que é de Deus. Isto é como
compreender a Pedro, em seus arroubos de valentia guerreira, mas não sucumbir à espada
mundana, continuando firmado acreditando na paz.

        O melhor tempero do alimento é aquele que carrega, do preparo à deglutição, muita
coisa boa do coração. Quando se busca a pureza do cozinhar, os hábitos higiênicos a
observar são como caminhos para na luz poder estar. Cozinhar na Luz é faze-lo de maneira
“zen”, ou seja, em santa pureza, sem conaminações ou embaraços que possam vir a
envenenar o manjar. Esta celebração é tipicamente encenada na Cerimônia do Chá. A
religiosidade oriental, ainda que ligada à figura do Buda, do Mestre, é muito refinada
quanto ao cultivo da pureza de procedimentos.

        Estais, pois, atentos quando vos alimentardes junto aos porcos, para que não ingira o
que não queres, pois como nos ensinou Jesus, não é o que entra pela boca que macula o
coração, mas o que nele é concebido de desgraça e desunião. Estais, pois, atento, posto que
assim o veneno não intoxicará. Tudo dentro de tua condição, pois é na humildade que
reside a sabedoria. Não só a mente é sábia, o corpo também o é. A digestão, a excreção, são
objetos da ciência divina. Vide a quantos ácidos, triturações e contrações se sujeita um
alimento para seu aproveitamento. E o que não prestar ainda é lançado fora, “em algum
lugar excuso”. Se não tens consciência, fique no coração, ele lhe dá a devida proteção.
Aquele que o cultiva tende a ser sereno e manso. A estes, se O Pai, que reside no Alto da
Consciência de cada um, não comunicar instantâneamente, não fizer luz à razão na hora, o
fará em seu recolhimento, na oração ou quando a cabeça encostar colchão. Além disto, Ele
é tão bom que prepara seu caminho sem contaminação.

        Eu tenho um irmão engraçado. Certa vez falou-me algo que não esqueci. Disse que
toda sua família teve verminose, mas ele não. As “bichas” não agüentavam a concentração
alcoólica do seu bucho. A mãe de um amigo segredou-me ter a ciência da cozinha, ser uma
professora de nutrição sem diploma acadêmico na mão. Era um seu dom. Sabia usar a
gordura junto com o limão, o abacaxi noutra refeição, assim equilibrando a boa refeição.

       O alimento também vem do coração. E é sentido conforme a fé do coração de quem
recebe. Assim se compreende como Judas achava Jesus um soberbo ou como o Mestre
declarava “Vá, a Tua Fé O Curou”. Escutas com bom coração, ouves num bom tom.

       O Chá (Vegetal ou Santo Daime), é composto por dois vegetais cozidos
conjuntamente: O Jagube e a Rainha. O Jagube é um cipó. A rainha é uma árvore cujas
folhas são utilizadas no feitio do chá. Ambos são típicamente encontrados na região
amazônica, mas adaptáveis a outros locais. O chá é feito de cipó, folha e água. Ao cipó é
associado a propriedade da Força, à folha a propriedade da Luz. O cipó parte do chão em
escalada, irrompendo vigoroso para o alto das árvores. A folha contempla o sol, a claridade.
Ele exerce o fototropismo e sobe às alturas. Ela se espraia, para receber o banho solar.
Macho e fêmea se encontram na composição do chá.
        Mas eles não andam, são fixos, dependem da natureza exterior para se expandirem
pela mata. O Jagube não sobe sem estar apoiado em alguma árvore. A folha não revela toda
sua luz sem estar associada ao cipó. São seres divinos, como toda a natureza o é, só que do
Reino Vegetal. Quem os endeusar aproximar-se-ão dos vegetais ou serão instrumentos de
quem os ministra em falsidade. O vinho é o símbolo do Sangue de Cristo, não é o Cristo. Se
torna Sangue de Cristo pela Fé, que remete à santidade. Sois humanos, Filhos de Deus,
Cristo é o Mestre.

        É só não viciar, não acreditar que só ali está a sua luz. Por isto a Sua Luz é Jesus.
Anda, voa, resssuscita, e nos mostrou o Caminho da Casa do Pai. Sem esta Luz da
Sacralidade, da Guia Doutrinária do Mestre, o Chá vira Droga. E assim como falei dos
vegetais posso vos falar dos animais. Eu amo o boi e a vaca. Adoro sua paciência, seu olhar
meigo de cílios longos, sua atitude tranqüila de tetas generosas. Tomei muito leite de vaca.
E vejo como é interessante a galinha, que passa o dia a ciscar. Atenta, ela é muito ligada,
elétrica. Olhos abertos, cabeça oscilando, o bico na terra lançando.

       Aprecio as raízes. Penetram a terra. Vão às profundezas retirar alimento e firmar o
sustento. Os frutos, que dádivas. As sementes quanta vida ensejam. Prontas para brotarem,
têm a energia da vida. Quanta sabedoria.

      Virtudes, virtudes e virtudes. Salve a santa união do Jagube e da Rainha, presente à
mesa das festas divinas. Quem os celebra em comunhão os tem no coração.

        Posto isto não se faz necessário orar sempre antes de se alimentar quando tua
postura já é de oração. E comes com alegria e satisfação. Mas se ainda não tens isto na
consciência, bom remédio lhe será a prece, para que transmutes teu estado e possas comer
purificado. Os rituais praticados são verdadeiros Ritos de Passagem. Lavar as mãos, colocar
a camiseta, servir aos amigos da mesa: regras de etiqueta. Nada disto é essencial, mas
devem ser observados, existem para educar. São caminhos.

        Podes transmutar a energia do alimento posto que o homem purifica. É claro que o
alimento tem memória, ou seja, nele estão gravadas todas as coisas de sua história. Tal qual
ao homem comum, que enxergas com o coração, deixando de lado suas mazelas e
vicissitudes, fazendo saltar suas qualidades e virtudes, assim podes operar as coisas da vida.
Contudo humildade e bênçãos para Ser em Cristo conforme tua condição. Não é falsear
realidades, é posicionar o olhar e buscar esta sintonia. Claro que há fé e entrega. É
alimentar-se do canteiro onde há o joio e o trigo, contudo Cristo o abençoa, sabe quem é
quem, para que servem, seus preços, suas doenças, suas curas, e na intimidade os separa
conforme seus valores.

        A medicina dietética, a nutrição balanceada, é padronizada, ou seja, é baseada na
média saudável para a vida dos cidadãos comuns, “normais”. Claro que as médias são
científico-culturais. Possuem valor relativo. Se você está inserido naquele contexto elas se
tornam verdades, pois representam seus hábitos, costumes, sua fé ou aquilo que aprendeu a
acreditar. Então tem de tomar tantos litros de água, comer tantas calorias, proteínas etc. etc.
etc. Há ascetas que comem o que lhe dão, de acordo com sua devoção.
       Tem um salmo bíblico que ensina não ser necessário jejuar, bastando repartir
melhor o pão. Este salmo fala da purificação da vida. Fala da caridade, do Servir em Cristo.
A ciência cristã, o evangelho que nos deixou, é guia comportamental.

      Bom mesmo é comer sem preocupação. Todo tralhador é digno de seu salário, todo
homem de seu alimento. E com fartura poder viver. A mesa ser farta, a vida abundante.
Assim és abençoado para viver no amor.

FUMAR

  “Minha energia disparou, estou a mil e tudo corre na minha realidade. As coisas têm
  muita energia e assim eu reajo com elas. As coisas são rápidas pois a velocidade do meu
  pensamento é alta. Ora, pra, ora, é tudo muito intenso. Tem energia vibrando em meu
  ser. Tem desespero, porque quero manter esta densidade, intensidade. Ora não há
  dúvida, não há tempo para ela. Tudo tem de ser muito ligeiro, não pode entupir ou
  vacilar. Mas há erros. Mas há energia. Nada importa. Viver nesta intensidade. É como
  droga. Manter a ligação. É Alucinante.”

        Hoje novamente estive sintonizado no canal das coisas do mundo, canal cuja
sintonia capta muita informação em grande velocidade. São pensamentos muito rápidos,
coisas que acontecem, agitação corporal respondendo a tudo isto, superatividade. Não tem
tempo, é Pá Buff! Não dá para esperar porque as coisas estão acontecendo, nascendo e
morrendo a cada instante. É bola pra frente buscando a cada novo segundo uma solução,
sem hesitação. Ora, Ora, Ora. Fú, é muita gente, muita coisa. Ë um mar de pensamentos e
observações que parece um moto doido, incessante. Ë a perna que mexe, a cabeça, as mãos,
e aí a situação é não parar. Ação. Precisa de ação. Bebida pode ser. Televisão tem que Ter,
ação, emoção forte, contínua. As pessoas têm que falar rápido. Linguagem comercial,
desenho animado, daquelas que não dá tempo pra pensar. Ë isto, algo que prenda a atenção
sem quebra, ruptura. Tem que preencher o espaço, senão busca outra situação para colocar
a atenção. A viagem do pensamento, do olhar pra outras coisas, de abordar outros assuntos,
que logo dá vontade de sair, de ir, Deus sabe onde, de preferência pro bar ou algo
semelhante, que mantenha aquele mar. Balançando as coxas e exasperado, puto com
qualquer coisa que saia do agradável. Ora, tá tudo bom, porque agora chegou o deleite da
onda, da embriaguez, do tudo numa paz. As coisas são bonitas, as mulheres, as crianças.
Doce, tudo é doce. Outra solução é trepar, dá bem pra acalmar.

       Fumar é mergulhar neste mar de loucura, nesta pensamentosfera. Fumar significa
isto para a mente desperta, percebendo como num filme em alta velocidade. Fumar
representa muita ligação quando esta energia é trabalhada pela excitação do corpo, da fala
ou da atenção. Fumar é aflição ou torpor / sono quando a mente ou o corpo não consegue
trabalhar com boa desenvoltura e fluidez, tornando-se exasperante ou intoxicante.

       Fumar, como as demais coisas, é sentido de acordo com sua interação com a vida,
mas claro que há as médias comportamentais. Que Deus te abençoe.
ENCONTRAR DEUS

       A sincronicidade é perfeita, tudo com beleza.

      Tudo tem graça: andar, expressar, falar, cantar, dançar. Escrever, brilhar com o
computador.

DROGAS
       Um sábio utiliza as drogas com mestria. Ora, são vários os que viajam no uso de
elementos químicos. Um deles, dos mais comuns, são os cozinheiros. Os Barmam
preparam "poções mágicas": Os Drinks. Tem química pra tudo. Umas internas. Outras
externas. Afrodisíacas, calmantes, alucinantes; pro amor e pra cura da dor. Usá-las com
consciência é o grande canal. Saber usar do feijão, da laranja, do alecrim. Eu aspiro flores.

        Falo como quem conhece o que é saúde, da mente e do corpo. As pernas soltas,
flexíveis, os braços ágeis, velozes; a mente ligada, serena e brilhante. O pescoço ereto,
coluna erguida, plexo solar voltado para frente, ombros para trás, de quem “encara a vida
de peito aberto”. Respiração plena, que goza de ar. O olhar vivo capta luz, do céu, das
paisagens. A clareza é impressionante, tudo é nítido. Sente-se na carne a vibração da voz.
Tudo fluindo. Essa é A Grande Curtição.

        E o hábito faz a fome. E a corrente passa falando: é hora da droga, digo, da bóia.
Reparem que se passa daquela hora, motivo para os dependentes de desespero, muitos
dizem que perderam a fome e a esquecem ou fazem apenas um “pequeno lanchinho”.
Conheço gente que literalmente treme e sua frio se “o negócio” demorar (comida mesmo,
mas claro que idêntico ao processo de dependência química das drogas, sendo que para
alguns a manifestação é de revolta, indignação, tristeza). É sério galera. Qualquer
semelhança disto com a dependência química (de drogas ilícitas) não é mera coincidência, é
realidade. Os dependentes compulsivos precisam Ter um negocinho para estarem ingerindo
a todo o momento: bala, chiclete, biscoito, cigarro, água, café, suco, leite, remédio etc. etc.
etc. De preferência drogas lícitas.

       Credo que o bicho pega, e é prá valer. Não dá prá ficar sem fazer nada. A mente
despiroca. Precisa de algo para aterrar, para amortecer, para acalmar. Senão o bicho pega.
Cês tão pensando que é loucura, é doideira mesmo. E a mente tá ligada, fazendo a cabeça.
Claro que é um rio de energia intensa ao qual a pessoa está sintonizada. A química dá
resposta. “Não tem consciência” do que se passa, sabe que ingerindo o desejado continuará
ou ficará ligada. Se usar mal vai inchar, adoecer, ficar letárgico, “passado”, “bodado”. Se
exagerar vai morrer. Overdose!

        A água benta transporta, a hóstia também. São magnetizadas. Endereçadas por um
ritual.
Mágico. Sacramentado. É a fé. E cada um com sua história, desde a comida caseira até os
restaurantes, das mais diversas ordens. Há restaurantes orientais que chegaram ao requinte,
“luxúria?”, de servirem pratos sob o corpo de uma gueixa, nua. Com todo respeito. Tais
rituais odem ser mais ou menos validados de acordo com sua cultura, consciência, Graça.
Mas claro que podem ser muitos melhores do que o arroz e feijão cotidiano.

        A mente atenta, desperta, capta estas nuanças e é primorosa na arte de alimentar.
Sabe onde, o quê, e como comer ou beber. Num vacilo o mal pode adentrar, num instante
tudo pode purificar. Você não está sozinho. Está ligado a escolas, igrejas e laços afetivos de
diversas ordens. Fazem parte do caminho. Quanto mais desenvolvido for, mais conhecerá
esta ciência. Mas não se assuste. Não tem de estar em estado de luta intermitente. Esta
loucura pode existir. Os estados de consciência alcançam estágios de estabilidade.

       Você come na mão de quem? De Jesus. De Maria. Que bom.

        E qual é o teu equilíbrio natural em relação à droga, digo, alimento. Come o
suficiente para quê? Come o que teu organismo tá pedindo para se manter equilibrado e
ágil.

        Na temperatura você está na muvuca, muito calor, muita sede. Bebe muito e soa
como um porco, a cântaros. Se dá um tempo, uns quinze minutinhos de relax, já muda o
tônus, come e bebe normal, e com certeza já não terá tanto calor, não suará tanto. Nagitação
se come e bebe na ânsia de uma troca imediata das sensações, ou mesmo sua manutenção.
Você pode fazer isto numa interação ambiental, harmonizando, extendendo sua
consciência.

       Da última vez que fumei “merla” (cocaína em pasta), enchi a cara de bebida. Fiquei
tão desesperado, tão energizado e ligado, que mal a respiração conseguia acertar. Só com
uma trepada consegui acalmar. São as chamadas válvulas de escape. A pressão vaza. Uma
coisa puxa a outra. Outro nível de equilíbrio.

        Uma coisa muito difícil de se mexer com drogas-ilegais é a “nóia” (paranóia) da
polícia. “Cara!, você pode ser preso, pegar tantos anos de cadeia, ser considerado um
marginal.” “E a família, a vizinhança, os professores do colégio!?” Sintonizar isto é
sintonizar um inferno astral, de culpas e apreensões. Chamo de “nóia” porque muitas vezes
não é a polícia materializada que pre-ocupa o "drogando", mas a mental, que o acompanha
por onde ele for. E daí fica "o maluco", "noiado", a tomar conta das portas, das pessoas e
coisas à sua volta. Nossa, isto se agiganta na hora de pegar a droga com o trafica, de ir na
boca, de subir o morro. E se para você a polícia era amiga ou não dizia nada, agora passa a
Ter o significado de “perigo”, “prisão”, “porrada”. Não é a droga que representa isto, mas
amigos, vizinhos, família, polícia: oposição. Se pintar polícia muda tudo, e aquilo que até
então era curtição vira tragédia.

       E tem todo o “barato” da revolta contra tudo aquilo, contra a proibição, contra a
“encheção de saco”, contra os “caretas” que só servem para sabotar as “viagens”. Caretas:
geralmente um povo sem tesão, sem criatividade ou gozo na vida, que encontra “na
salvação alheia” a sua bengala. “Sai fora cumpadre, vai procurar outra turma que o
“aluguel” da malucada é muito caro. Seria tão bom se eles ficassem na deles e não
viessem encher o saco, ou melhor ainda, se aprendessem a curtir este barato. Outros
hipócritas nem ousam encostar, mas criticam de longe. Sabem que são ladrões, sacanas,
viciados em drogas legais ou prostitutos de algum modo.”

       Na onda rompe-se com as barreiras, massificadoras de comportamentos, da visão da
realidade. Vê-se com novo olhar, intensifica-se o viver, “queremos Ter este prazer,
consolidar esta caminhada dentro de nós”.

        Os jovens são valentes, e não se entregam facilmente às hipocrisias da vida. Eles
enxergam como é e se rebelam quando lhe querem por cabrestos morais, culturais,
religiosos, ou seja lá qual forem. Não querem saber muito do discurso vazio, querem sentir,
ouvir, respirar e cagar aquela verdade. A sintonia do meio marginal, a abertura dos canais
provocados pelas drogas levam a “respirar” outros pensamentos, ideologias, construtos e
ideais sociais. E aí meus irmãos, os que não suportam esta Luz querem prendê-los,
condicioná-los, controlá-los. Os hipócritas precisam de "Segurança". Quem enxerga, vê que
não é só isto, mas compreende que tal também existe.

       É bom que se diga que pude experimentar diversas drogas lícitas e ilícitas dentro de
ambientes relativamente sadios: durante a prática de esportes, dança, arte, estudo ou
contemplação. Isto é histórico. Desde os primórdios da humanidade tais práticas são
efetivadas nas mais diversas celebrações ou obras. É claro que estou santificando o vinho.

        Ainda tem a história da grana, da manutenção do uso no meio ambiente. Cada um
quer viver onde é aceito. Bem aceito. De preferência curtindo, "em família”, seu barato. E
aí, meus irmãos, cada meio tem seu culto específico, sua dinâmica. Então para
compatibilizar toda a história passa o “doidão” a conviver no meio ao qual passa a se
alinhar, curtir, e até a trabalhar. Trabalha na arte que prestigia o meio, ou no tráfico que
garante o meio.

        Mas a “sociedade”, “brother”, tem o seu meio, e se você ainda não conquistou sua
alforria diante dela, ela o dirá NÃO. “Independência só com sustento próprio, rezando na
cartilha das leis e bons costumes". “Lei, moral, pra quê, por quem?” A luta tá por aí, com
suas armas, feridos e mortes. É claro que ladrões, assassinos e outros vilões sujam a barra
das “drogas”, que passa a ser associada a essas maldades. No meio da confusão, rola a
guerra. Ela diz: Quem é ladrão?, ou: “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. E
quem é safado, ou viciado em quê, ou feliz?

       Não te interessa a decadência dos outros, o teu barato é curtir a vida, livre de toda
esta doença, da guerra insana. Aí tem que ser “malandro bacana”, sapato branco e andar
macio. Não dar de bandeja a cabeça ao inimigo, nem entregar os pontos. Você é além disto
tudo. Para tudo tem solução. “Valeu Brother?”.

        Vocês conhecem a “droga” do devoto? Assim os budistas explicam a caminhada
para a iluminação: “ Antes de uma pessoa estudar o Zen, as montanhas são montanhas e as
águas são águas; depois de um primeiro contato com a verdade Zen, as montanhas não são
mais montanhas, e as águas não são águas; mas, após a iluminação, as montanhas voltam a
ser montanhas e as águas voltam a ser águas.” Assim: “Para um Mestre Zen não existe
diferença entre um iluminado e um ignorante, a diferença que existe é que enquanto um
compreende isto, o outro ignora.” E olha que esta “droga Zen” é pura oração, meditação.
Muitos fanáticos por Jesus e Maria também passam por suas provações e loucuras. O
estado alterado de consciência, a religiosidade, mexe com a cabeça sim.

       Mas não são todas “farinha do mesmo saco”. Vide suas propostas, seus caminhos,
seus cultivos, suas práticas sociais. Vide as relações que fizeram florescer. Vide como
empunham a bandeira. Drogaria, a princípio, é lugar de remédios e não de venenos. Então
evitem macular plantas e produtos. Tenham discernimento.

        No final das contas as drogas são várias, umas menos e outras mais perigosas, umas
legalizadas outras deslegalizadas. Hoje conheço que de acordo com o que uso posso
sintonizar determinados meios, ou seja, entrar no ambiente cultural de virtudes ou
problemas inerentes aos seus usuários, ou contatar pessoas específicas relacionadas ao uso.
Pelo plano dos pensamentos começo a receber mensagens, idéias acerca das coisas que
vivem. Assim se conhecer diversos imaginários, horizontes.

       Seja sábio. Jesus não trouxe remédios para os outros, mas primordialmente para
cada um. Então é você quem toma Sua Orientação. É você quem trilha o caminho da paz.
Ao invés de exigir a liberação da ilegalidade da droga, renuncie. Ao invés de proibir o uso
da droga, libere-o. Tudo de acordo com a Lei. Este é o seu caminho. O da maturidade,
ciência e consciência. Com zelo e sinceridade. Não será tragado por indignações e lutas
perversas, terá paz.

        Não pense que o mundo está errado em prender ou matar. Ele tem sua sabedoria.
Quando decretaram a Lei Seca nos Estados Unidos, proibindo o uso de bebidas alcoólicas,
o fabrico e o tráfico viraram objeto de bandidos, os “gangsters”. E nem diga que uma Mãe
ou um Pai estão errados, quando buscam força para retirar seu filho do “Meio da Morte”,
do Vale de Lágrimas.

       Jesus secou a figueira que não deu frutos. Chutou as bancas dos vendilhões do
templo. Como julgar Deus. Cada um sabe de seu limite. A humanidade conformou um
caminho comum, dentro de suas possibilidades, dentro do que enfrentou na história. Quem
não tiver força em meio ao combate, sucumbe.

       As igrejas e instituições que “combatem as drogas” combatem simbolicamente o
mal que se instaurou em seu meio. E formam verdadeiras legiões e correntes de
combatentes, inclusive psíquicos, para protegerem e libertarem o ente perdido,
inconsciente, insano. A luta do bem contra o mal também se dá no mental.

       Há rituais onde expulsam o demônio, ou a legião deles, libertando o assediado, o
possuído. Outros doutrinam os obssessores, explicando os caminhos das Graças de Luz.
Não pensem que neste último não há autoridade, poder, pois há. E assim, também no sutil,
há trabalho.

       Por isto a máxima: “Quem perder a vida por amor à esta Luz, a Sua Vida Inteira
Salvará”. Não pensem que isto é uma literalidade, ou seja, que exigirá de vós calvário e
morte. Entre na ciência, na consciência: verás a solução do amor. Abra a porta.
     Quem morre é o orgulho, a inveja, a ambição; a vingança, o ciúme e a traição.
Quem morre são os filhos da morte. Você Vivifica.

       Ande pelo caminho simples. Esteja em paz com o fundamental, consigo mesmo.
Não fume, não cheire, não beba, não coma, a maldade. Não alimente isto. Paz!

       Jesus na Cabeça. Maria no Coração.

       “Boa Viagem!”.

A TERRA, A PRODUÇÃO E O EQUILÍBRIO ECOLÓGICO
        Imaginem uma terra fértil. Você entra nela e produz, produz, produz. Extrai
verdadeiras riquezas. Extração palpável, matéria orgânica transferida de local, digamos da
roça para a cidade. Para se manter o nível produtivo sem esgotamento há que se repor o que
foi retirado. Luz temos por abundância, numa oferta diária e infinita. Mas quando há
recursos limitados é preciso gestionar, suprir carências oriundas das transferências, para
propiciar o equilíbrio do ciclo ecológico.

       Então vejamos que assim como consideramos que os seres têm seu tempo de
maturação: “nascer, crescer, amadurecer”, também a terra apresenta esta faculdade. O
carvão amadurece até o diamante ( os dois tem como composto básico o carbono, mas
arranjos diferentes ). Os resíduos orgânicos idem, para chegarem ao estado de petróleo.
Sim, a natureza vive, evolui, respira, e quem ama sente.

       À devolução à terra, dos elementos básicos que foram extraídos com a exportação
da produção, deve ser somada as condições de maturação e integração ao meio ambiente,
para que se alcance um novo estado fecundo. É como o organismo de uma mulher que se
prepara para ser semeada e se tornar mãe. A Terra é nossa Mãe, Mãe de muitos frutos.

        As fontes abundantes devem ser preservadas. Se colocarem uma cortina, nuvens de
poluição, interrompem o contato com o sol. E o sol, sempre disponível, vai requerer
trabalho para novamente ser recebido. Ao mudar a superfície da terra, onde havia florestas
e terra permeável transformam em superfície de pedra (a cidade moderna: as casas
cavernas, os caminhos e os ambientes “concretos”), o comportamento da água também há
de se modificar, e a terra “viva” vai operando suas adaptações a fim de manter um
equilíbrio saudável. Saudável para a terra significa saudável para o homem que a trate
como Mãe Amorosa, ou seja, em sua forma divina.

       A Terra é Vida, e Esta Vida é amamda pela grande população de humanos? A
"espécie humana" tem se revelado como uma riqueza, ou uma peste que precisa ser
combatida? Ou requer manejo ambiental? A resposta está nas nossas mãos. Ela, A Terra,
naturalmente sempre operará o equilíbrio. Não está nela a dualidade, o julgamento. Ela é
pura expressão. Opera em pureza. O mundo da ilusão é criação do homem, assim como o
pecado. O mundo real É A Perfeição. E Esta Perfeição se encontra no Ser o Amor. É
simples, é Deus de uma única face e um único caminho.

       O que fazer? Reorientar o mote de vida. Tem que se buscar a fonte inesgotável, fim
de toda pobreza, usura, assalto e todas outras urdiduras demoníacas humanas. O amor lhe
dá todo o universo. O moto básico que lhe dará todo o resto. Na prática não haja movido
por outros interesses, procure isso. Revele o próximo como sua expressão e estará
integrando a natureza dentro de si, estará se compondo com a riqueza infinita. O sentimento
é o amor, o entendimento é a compreensão. É de posse desta consciência que você eterniza,
e sendo eterno não teme. Vive, VIVE.

        Trabalhar pelo quê? Para que esta consciência se revele integralmente, para que ela
se consolide, nada mais havendo entre você e ela, nem por um instante. A Unidade. E
então, no meio de tantas verdades, de tanta ciência, você desperta seu Mestre Interior e
sacraliza a vida. A simplicidade da plenitude do amor.

      “Depois, entregar as desilusões, humildemente nas ondas do mar.” Ensina esta linda
música. Sim, perdoar. Deixar as doenças. Deixa passar.

       Deixando doenças, prisões, entregando-se ao amor. Zere este videogame com as
armas da paz, liberdade, amor. Você ficará nu, viverá como os índios. Mas não se
preocupe, não sentirá frio, falta, pela ausência das antigas roupas. Nem terá medo de te
roubarem o que a natureza por graça lhe oferece. Terás como presente a riqueza do
universo. É muita luz, energia, saúde.

        Calma. Você não vai regredir, vai andar para frente. Qualidade total. Ame a
adaptação. O caminho do amor se trilha amando. Você é o princípio de toda vida. Você é o
criador. Fora de você não há vida. Não há vida naquilo que você não enxerga, não sente,
não ouve. Então tem que começar amando, acreditando no amor. Amando e transbordando
este amor.

       Você vencerá. Na cidade começaram a reciclar o lixo. Ele é selecionado, reciclado,
reaproveitado.

       O lixo orgânico é selecionado, moído, transportado e exposto ao sol, onde seca e
perde o “mal cheiro” até chegar ao estado ideal de agregação ao solo. Este é o manejo que
devolve a matéria orgânica ao solo. Opera-se um ciclo. Isto é o que os místicos chamam de
“transmutação alquímica”. O lixo é transformado e poderá retornar à nossa mesa como
alimento saudável. Graças à Maria. Graças à Deus.

        Sujou, limpou. É isto que a Mãe nos ensina. Adoeceu, curou. Mas qualquer remédio
tem de temer a Deus. O que significa? Levar em consideração o equilíbrio da criação para
evitar desarranjos posteriores. O caminho de vida não é de morte, é de vida, é de saúde.
Houve um desequilíbrio, a plantação adoeceu. Este desequilíbrio materializou uma praga.
Sejamos radicais neste aspecto, vamos à raiz do problema, vamos curar na fonte. Este é “o
norte”, não a morte.
       É problema na irrigação, no manejo sustentável? A vida chora quando adoece, e
fora da loucura os homens a sentem e encontram soluções. Eles sabem, os simples sabem.
As relações sociais e produtivas estão integradas a você. Então ame, tenha isto por princípio
que os remédios vão lhe chegando. A cura é inevitável.

       Há tempos atrás o homem comia outro homem. Se fosse de outra tribo. Tava tudo
bem. Era socialmente aceito. Depois ele viu que não era muito agradável aquela matança e
resolveu interditar aquela forma de alimentação. Os aztecas sacrificavam milhares de
pessoas anualmente em oferenda às graças do Deus Sol. Ofereciam ao alto os corações
ainda pulsando. E isto era consagrado pelo povo. No Velho Testamento a Lei Vigente era
Olho por Olho e Dente por Dente. Sacrificavam literalmente pombas, carneiros e outros
bichos à Deus. O perdão também era limitado a sete vezes. Vishi, parecia terrível!

        Hoje os homens não comem carne humana. E os que sacrificam animais em seus
rituais são marginalizados como “macumbeiros”, adeptos da “magia negra”. Mas comem a
carne dos animais. O sacrifício não é feito “à Deus”, mas “aos Homens”. Não é interdito, é
cultural. Não é condenável, é “cientificamente estimulado”, protéico. Está “sacralizado”,
“está limpo”. A cultura “sacraliza”: a ciência “sacraliza”, o credo “sacraliza”.

       Mas se não for está no sal, tanto o que come, como o que produz. Por que matas?
Por que pagas por cadáveres como alimento? Já ouvi histórias índias onde as caças eram
consagradas pela transmissão dos caracteres dos animais ao homem. O alimento é a virtude
animal, sua agilidade, sabedoria. Então volto a lhes afirmar que uma vida deve ser tomada
por outra com amor, posto que sem isto semeia-se dor.

       Posso vos afirmar que a alimentação é relacional, cultural, é inerente à um costume.
O corpo e suas sínteses fazem parte da criação do homem. E isto explica as enormes
adaptações à condições distintas em termos de hábitos diversos.

        Imagine como determinadas pessoas podem adaptar-se saudavelmente ao “fumo,
álcool, prana”. Imagine como os apóstolos tornaram-se imunes aos “venenos”. Nesta época
de globalização, de contatos interétnicos, muito será ilustrado desta relação entra forma de
vida e alimentação.

        Os homens estão acordando para a ecologia. Estão zelando pela natureza. A
natureza interior e exterior, a ecologia ambiental e social. Imaginem que os rios de nossas
grandes cidades, verdadeiros esgotos, são espelhos de um rio mais sutil, de considerações
poluídas. Imaginem agora a nuvem de poluição que encobrem também as grandes cidades
como uma “nuvem de considerações poluída, desamorosas”. O denso e o sutil. É claro que
estão relacionados. Quando pela manhã descia de Sobradinho, cidade serrana do Distrito
Federal, visualizava com admiração que já Brasília estava encoberta por uma pequena
nuvem cinza de poluição. Mas assim como há os Centros de Tratamento do Esgoto e a
chuva que limpa o ar, há as Casas de Oração e Centros de Excelência que exercem este
papel nos planos sutis, cuidando não somente de recuperar o que já está poluído bem como
de ser fonte puríssima para uma vida saudável. Assim o faz o homem de boa índole.
        Os animais sacrificados tem se aproximado dos vegetais posto que cultivados
confinados e desenvolvidos à base de “alimentos e ambientes artificiais”. Note que estas
coisas carregam em si um código energético, um modo de se relacionar com o mundo. Com
certeza inconscientemente o homem tem se alimentado destes aspectos, pois o que faz com
a natureza é espelho do que faz a si. “Ao próximo como gostaria que fosse contigo”.

        A ninguém deveis condenar ou julgar. Mas alertar é mais que lícito. O sacrifício dos
animais agora é feito ao homem para saciar a sua fome de...? É claro que na ampliação da
consciência o homem vai apurando seu paladar para energias mais finas até “nunca mais ter
fome ou sede”. É o progresso das tecnologias não poluentes. Imaginem o carro à bateria
solar. Hoje as maquininhas de calcular, baratinhas, estão a mostrar que isto é possível. Mas
é uma caminhada que inclui o amor pelo tempero da mamãe. Na realidade todo e qualquer
alimento, inclusive o de origem animal, é uma interação energética santa.

      As políticas sociais caritativas, o avanço dos direitos humanos, o respeito aos povos
e minorias étnicas são ações que apontam para o desenvolvimento da consciência crística,
fundamental Jornada aos Direitos Humanos Universais.

        Os homens outrora escravizavam outros homens. Os consideravam como
propriedade e sobre eles tinham poder de vida ou morte. Tipo a relação que se estabelece
com os animais quando não há estima. Depois foram regulamentando, concedendo direitos,
alforrias, até chegarem na “libertação”. A forma da dominação mudou. Os escravos de
ontem hoje recebem o nome de mão-de-obra barata, massa de manobra, pobres. Aliás, se
uma parte deles serve bem, está em desenvolvimento. Os demais são a doença, o escolho
pouco valorizado de uma sociedade capitalista. Não foram preparados, não são mão-de-
obra especializada, não tem poder sobre o mercado, são fracos, ultrapassados, obsoletos:
geram despesas e problemas. São ignorantes: roubam e matam entre si. E produzem em seu
ambiente uma escória de sentimentos e faltas éticas. Não se iludam os “puritanos” pois
dentre os pobres materiais reside grande pobreza espiritual. Ainda mais nesta época de
“Real”. Este é um diagnóstico racional, econômico, frio, objetivo e de Morte. O de Vida
vem a seguir.

        Os pobres estão “presos” por seu “carma”, revelado como “legado cultural, familiar,
racial, ideológico”. Claro que estão limitados. Cristo quando anuncia sua vitória sobre o
mundo revela sua vitória sobre os aspectos que cerceiam a Luz. Tanto o quiseram limitar,
conformar segundo os costumes da época, que tentaram anula-lo até pela morte.

         Foram presos pelas leis do mercado, lei competitiva, do mais forte. A Lei da Selva
e da Seleção Natural. Alguns até acham que é a Lei Correta, estão esquecidos do amor. E se
identificam com os animais em suas características dominadoras. Adoram uma competição,
uma luta, tem tesão por elas. Este é alimento que os incita a viver. Então o mundo se
estabelece como uma luta. Quantos “evangélicos” ou “comunistas” são tragados por
insanas lutas “antidemoníacas”, “antiimperialistas”. Abastardam as demais culturas e
religiões, jogam no lixo histórias de vida e tradições, esquecem do amor. Ficam presos na
Vala Comum dos sentimentos conflituosos com a Roda da Vida a girar com eles. Ora em
cima, ora em baixo, alimentos da ilusão. Haja filmes e espetáculos de "Luta Livre", Dor,
para saciar tal sede.
       E a luta é generalizada pela sociedade. Países, Partidos, Igrejas, Empresas, setores,
indivíduos etc. Ás vezes uma luta maior dá trégua às menores, quando temporariamente se
passa por cima de pequenas diferenças para resolver grandes problemas. Mas o princípio
único tem de estar de alto a baixo para cessar tudo. Quem está na luta não tem paz. Há
aqueles que cessam a luta, são sábios agraciados.

        Sei que queres a Paz do Mundo, queres zelar por Tua casa, pela Casa dos Teus
Filhos. Os homens conscientes trabalham a inclusão social. Trabalham além da ideologia
dominante, que é capitalista mesmo dentre “pobres”. Capitalista no sentido da competição,
e não da liberdade que é louvável.

       Os homens tornaram-se escravos de um símbolo, um fetiche das relações sociais:
dinheiro. Dinheiro e poder de realização material revelaram-se sinônimos. Hoje, após o
domínio da burguesia capitalista, da fase do homem como animal competitivo, entramos no
período do cooperativismo.

       O Dinheiro foi consagrado como símbolo de poder. Assim passou a mascarar
relações sociais. Tornou-se a luz, “o Sangue de um Mundo Vampiresco”. A vida para
ocorrer, para fluir, precisa de dinheiro. Dinheiro tornou-se sinônimo de energia. E quando
ele aparece há trabalho, mobilização, operação. Quando ele não está presente é difícil para
quem está "preso" recriá-lo sobre outro aspecto. A escassez de dinheiro representa a anemia
humana. Os que poderiam ser grandes doadores por vezes o deixam coagulado congelado
ou sugam mais ainda, presos à sustentação ou incremento de seus impérios perecíveis.

       Mas há quem ame e revele isto com outros olhos, e não está preso nem perecerá.

        Ora, mas o trabalhador é ao mesmo tempo produtor e demandante da produção. Ele
é o ciclo completo: que produz e consome. Continua preso pois não domina os meios de
produção : não tem terra, não tem ferramentas, não tem tecnologia, não tem solidariedade.
Estão com fome, pois o pão o diabo amassou e o sistema salgou. Duro preço Real. O carma
da pobreza, da prisão, da escravidão. “Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, Vida, Doçura,
Esperança Nossa, Salve. A Vós bradamos os degredados filhos de Eva, a Vós suspiramos
gemendo e chorando neste Vale de Lágrimas. Eia, pois, Advogada Nossa, esses Vossos
Olhos Misericordiosos nos volvei,...”. O apelo é grande, mas a Deus tudo é possível.

        E o Sal do Sistema é fino ou grosso. Andando bonitinho consegue um lugar ao sol,
para criar a família e tocar a vida, com sucesso e alegria. Se avançar o sinal, pode bater. Se
revoltar vai guerrear. O Sal vira Chumbo Grosso.

        E A Palavra do Mestre está Presente e Tem Força. E Sua Força se manifesta aqui,
para que todos compreendam e tenham fé. Lutem pela sua dignidade. De vida. É vosso
direito. Solidarizem-se, busquem a união saudável, amiga, fraterna. Não permitam ilusões,
dívidas, desenvolvimentos insustentáveis: são prisões. Vençam Satanás pela comunhão
com a Vida. Tornem-se fortes. “Fabriquem dinheiro. Integrem vossas riquezas”.
      Este é o Poder dos Trabalhadores que está abençoado e sacralizado no amor. Este é
o Fogo do Divino Espírito Santo que irá incendiar as vossas almas. Na Justiça, na Paz e Na
Tranqüilidade daquele que colhe o que É Seu. Deus é Convosco.

“CALMA QUE O SANTO É DE BARRO”
        O Santo a que me refiro sois vós. E no popular significa: cuidado para não cair e se
machucar. Na compreensão a vida é perfeita como é, por mais que pareça ser caótica na sua
diversidade de representação. A terra em sua perfeiçãso produz maremotos, terremotos e
erupções. Veja que sois criadores, e mesmo que inconscientes, estais a criar vossas
realidades. Nisto está O Que É, Que É Perfeito. A Mudança para O Amor é Para Estar
Inteiro e Satisfeito, Radiante na Vida da Graça. Então isto tem Um Caminho no Universo,
O vosso Caminho.

        Então por tempos andei me perguntando porque não havia mudança na realidade
exterior de tantos sofrimentos e subjugação. E vim recebendo a resposta que estavam na
escola, e que a cada despertar da consciência, nova realidade seria criada. Isto na dimensão
individual e coletiva. Então passei a compreender o processo histórico-evolutivo.

       Então há a iluminação individual, e a coletiva, que não necessariamente precisam
ser concomitantes. Isto é interessante posto que o cenário exterior não necessariamente
muda em si, mas muda na expressão que adquire em sua presença. Aos teus olhos tudo
muda porque o canal de relação, de apreciação, é primoroso. Viver limpo e radiante.

      Apesar desta compreensão ainda me perguntava missionariamente sobre a
emancipação do povo, sobre o sermão da montanha, sobre a dignidade consciente dos
povos da terra. E aí me recordo que isto é consolidado em cada um, na fé de cada um, no
amor.

       "Calma que o Santo é de Barro" significa zelo para que não se desvie em soberbas,
cobiças, ou revoltas de um passado sofrido que clama por vingança ou culpa penitencial.
São caminhos da dor. Calma que não é por aí: esse é o caminho da dor. No mundo tem de
tudo, vocês tem visto. Então "Liberdade Verdadeira Só Em Jesus" significa lidar de outra
maneira. Estar centrado no que é teu direito.

        Obedecer não significa inconsciência. O Mestre disse quanto à cobrança de
impostos: "Dê a César o que é de César". Quem dá poder é Deus. Jesus não discutiu isto.
Ele reconheceu a Vontade do Pai em Poncio Pilatos, e por isto calou quando questionado
sobre a Verdade. Ele orou no dia anterior: “Pai, se é de Teu agrado, afasta de mim este
cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas a Tua”, e se dobrou à vontade do Pai.

        É por tais questões que já ouvi dizer quanto à diferença de se orar`a Deus e à Jesus.
Orar à Deus pode ser no sentido do Clamor pela Justiça, que é imparcial, implacável e
imperiosa, e orar à Jesus pode se dar no sentido de sua Benção Misericordiosa, que perdoa
e livra do mal.
        Assim Deus está concedendo, e você, na boa, vai encontrando. A Sua Seara, Seu
Jardim do Éden, o Jardim de Maravilhas. É esse o diferencial dos demais caminhos, o que
não quer dizer que não haja força, inclusive para remover montanhas. Há uma força infinita
nisto. Tão grande que é capaz de erradicar os males da vida. Como realizar isto: Paz e Bem.
É simples. Amém.

COMBATE À VIOLÊNCIA
        Um bom Programa Social. A condição é propícia. Um novo governo com forte
credibilidade popular. Um governo com a bandeira identificada pelo social. Está com a faca
e o queijo nas mãos. É só servir.

        Trocando em miúdos não adianta só repressão, que causa medo e indignação. As
raízes que elevam um homem a optar pela criminalidade são postas sobre um solo onde
faltam oportunidades. Então muitos reagem. A fome tem pressa, o desespero idem. Quem
olha e não vê solução apela para a violência meu irmão. Haja Casa de Recuperação.

       Continuo acreditando em Programas Sociais de Grande Envergadura. Em Projetos
que acendam o Nacionalismo de Nosso Povo. Um Homem que tem pelo que lutar se
agiganta, assim Uma Nação. Lutar pela Construção. Nosso País é Continental. Tem uma
Imensidão Territorial. O movimento de Concentração deve agora novamente experimentar
a Expansão. Do Campo para a Cidade, agora da Cidade para o Campo.

       A Terra Unida à Força de Trabalho gera Riquezas Incomensuráveis. Emprega, dá
dignidade, faz circular a produção de bens que até estão em coagulação, e além de tudo,
acalma.

       O homem que pisa no chão, que põe a mão na terra, é abençoado. O Homem que
planta uma árvore, que se insere em meio à natureza, é harmonizado. O homem que se
descobre sob as estrelas é maravilhado. Há muita energia, e é de comunhão!

        Além disto, qual o valor agregado dos frutos dos pés de árvores do quintal. A
manga, a goiaba, o abacate, a acerola. Das ervas de remédio e de cheiro? Dos pés de
mandioca, milho, feijão, que dá tirar um pouco a cada estação? Da galinha, do porco, de
toda criação?

       Além disto dá para se ter o produto da comercialização. Dá para se abrigar a família,
o irmão. Dá para ter a festa da plantação, da colheita, da oração.

       Sim, vai ter como escoar a produção. Novos consumidores chegarão. Eram os
indigentes meus irmãos. A universidade vai ter sua Extensão. Sua mão-de-obra encontrará
expressão. Ecovilas cooperativadas formarão. Cada um dentro de sua condição.
Financiamento Social. Doação. Uma mudança de postura que vai acabar com a competição.
Bens maiores virão.

       A lógica não é a comercial, é social.
BOACONHA
       A primeira vez que usei morava no alojamento estudantil da universidade e resolvi,
numa aventura, sair tragando pontas deixadas por amigos em cinzeiros de suas casas. Foi
uma experiência muito forte, onde além de formigamentos por todo corpo tive viagens
mentais, de expansão e contração de um túnel criado no pensamento, formado por objetos
geométricos perfeitos de diversas cores. Com medo lutei contra o formigamento, a vibração
que tentava tomar todo meu corpo. Como ficaria se aquilo tomasse todo meu corpo? Venci.
Fiz regredir a vibração, e o formigamento foi baixando até sair por meu pé. Esta foi a
primeira vez que usei uma substância que me levou a “sonhar acordado”, ver imagens e
formas, com nitidez, em minha tela mental.

       Nos próximos usos que fiz da Canabis Sativa, seu nome científico, lembro-me de
compará-la ao estado que ficava quando tinha dor de garganta, pois o nível de sensibilidade
que ela me deixava, após uma primeira impressão de força e alegria, tinha este
correspondente na história de minha vida. Não me refiro aos sintomas imediatos, euforia e
grande disposição, logo após a ingestão de seu princípio ativo, o THC; mas a um estado
imediatamente subsequente que me comprometia por todo o dia, um estado de sensibilidade
passiva, bem contemplativa, no qual meus olhos despertavam para a apreciação da natureza
como poesia. Uma nostalgia.

       No decorrer do uso da erva, também conhecida como diamba, pude perceber que a
origem do fumo dava identidade ao efeito, sendo melhor o que fumei plantado por um
amigo, recém chegado do interior do Maranhão: 04 pezinhos no quintal de nossa casa, bem
escondido em meio à mata para que ninguém pudesse achar ou se escandalizar. Esta
diamba foi tão saudável que não me causou sono nem melancolia depressiva. Aliás, toda
vez que comia algum alimento plantado em casa, no solo da minha região, sentia
claramente a diferença em minha vitalidade, parecendo estar mais integrado, saudável,
energizado e de bem com a vida.

       Cheguei ao luxo de guardar em casa um pouquinho de “Bagulho” de diversas
procedências. Do Paraguai, Prensado; de Pernambuco, tipo Camarão Graúdo; e ainda fiquei
curioso para fumar um Da Lata, um caso famoso de um navio que despejou latas de
Canabis ao mar e os surfistas ficaram doidos procurando colhê-las às margens das praias.
Bom, em momentos de arte, ou mesmo quando queria mudar meu olhar, e cria que não
prejudicaria ninguém (falo isto por que sabia os que temiam ou se escandalizam), usava.
Mantinha um uso “saudável”: jogava, lia, dançava, namorava, conversava, via filme,
curtindo a sensibilidade desperta pelo “Preto”.

      A procedência não se refere apenas ao local de cultivo, mas por quem ela o chegou,
de quem recebeu, o significado atribuído: a sintonia relacionada àquele “Fita”. É assim
mesmo, e não só ligado à Canabis, mas a todas as coisas. Vide. Visitei um vizinho, na hora
em que ele ia desfrutar de um “Baseado”. Dei uns tragos enquanto conversávamos um
pouco sobre seu Projeto Social. Voltei para casa e tive grande vontade de fazer ginástica.
Há muito que não fazia flexões, mas foi esta a vontade que me despertou. E nunca fui de
fazer muitas, alegrando-me com dez por vez. E fiz uma, duas, três, dez, quinze, epa,
comecei a me assustar com a facilidade que encontrava naquela prática, e nas vinte e tantas
parei, não por cansaço ou falta de disposição. Estranhei tanto que parei por medo que
pudesse estar forçando algo sem perceber. Logo expliquei para mim que este novo amigo
deveria ser “marombeiro”, pessoa que faz ginástica, e lembrei-me de seu forte aperto de
mão.

       Uma bela época peguei o que tinha guardado em minha geladeira e dei descarga no
banheiro. Não estava prestando. Não conseguia fumar e me realizar: ou ficava “cansado”,
“passado”, (desligado da luz da consciência), o que comprometia meus estudos ou minha
vivacidade para trabalhar, ou ficava atribulado com muitos pensamentos negativos. Coisas
obsessivas que não contatava sem o uso do fumo. Nesta época nem sonhava com Casa de
Oração, sendo leigo sobre assuntos espirituais, mas sabia que toda vez que fumava entrava
em sintonia com coisas ruins, pensamentos paranóicos. Morte, assassinato e terrores desta
ordem. Treva pesada.

       Também tinha uma amiga que estava fumando para dormir. Associava isto ao uso
de tranqüilizante, destes que “velhos” tomam para dormir, fato que não gostava de
alimentar, pois acreditava que o barato proporcionado era para ser vivido na consciência.
Então dei descarga na maconha, descarga sim, porque a água leva e ninguém vê. Não é
como o lixo que alguém pode xeretear. Cair na língua do povo como maconheiro é um
péssimo cartão.

  Tenho pela Erva carinho, carinho que zelo a fim de que não a maculem, e cheios de

  maldade chamem de Má Conha, a mim também revelada como Boa Conha. Lembro-me

  que quando criança meu Tio comprava suas sementes, o cânhamo, para alimentar seu

  Pássaro, que cantava que era uma maravilha. Então vede que não é o que entra pela boca

  que macula o coração. Quanto a Canabis Sativa tenho lido que tem sido usada para

  diversas curas, até do câncer. Mas as drogas “matam”. O vício também. Tenham

  consciência e sabedoria nas vossas vidas. Graças.

SEXO E OBSSESSÃO
       Imagine os tormentos daqueles que realizaram prazeres insanos quando presos por
obsessores aos grilhões da culpa. A tribulação mental ou obsessões, fortíssimas energias
arrebatadoras, podem ser de tal envergadura que levem a diversos tipos de penitência,
flagelos ou morte. O fundamento não necessariamente vem vinculado conscientemente,
depende de sua graça ou nível de consciência, e sem saber a origem verdadeira há um
incêndio ou pânico interior. Na cegueira, na inconsciência, os problemas ocorrem sem que
se saiba sua origem. É muita culpa e muito terror.

        Os casos de grandes desequilíbrios a gente conhece pela imprensa, mas e os
pequeninos, ocorridos no cotidiano, “ocultos de tudo e de todos”? Se não tratados ficam “à
espreita” ou corroendo, gerando dores e comportamentos doentios no decorrer da vida.
Taras, incestos, traições, atrações, desconfianças e outras mazelas que sequer podem ser
conversadas com os “íntimos” quando não há maturidade. Padres, psicólogos, médicos e
confidentes são recursos comumente utilizados como forma de conquistar amparo quando
na intimidade o peso parece insuportável. Esta cobrança interior é o que chamo de
tribulação.

       Aqueles que bloqueiam grosseiramente esse sentir mais se afastam do caminho do
amor, e com semelhantes que espelham suas atitudes vão se encontrar. E continuar a lutar,
até a Luz encontrar. Por isto a liberdade é fruto da paz. Ao acordar vai em Jesus confiar e
logo aprender a amar.

       Pode ter certeza que muitos que acusam com mais veemência e exigem punição tem
horrores ocultos corroendo as entranhas. A sede de justiça pode ser a da falta de perdão.
Até culpa por não Ter amado mais o ente querido ou de Ter sacrificado tanto por uma
riqueza tão fugidia. E em vez de começar logo a amar se perde em novos devaneios de dor.

        Estas mazelas, ocultas no fundo d‟alma, vão tornando o sujeito duro, amargurado,
desgostoso, incrédulo, devasso, revoltado, procurando a morte por diversos meios: matar e
morrer, já não suportando mais a vida. São processos o mais das vezes inconscientes. Eles
vão acumulando, acumulando, acumulando, e um dia o sujeito cai, deita por terra e lá vem
os bichos para o comerem, os chamados decompositores. E se estiver identificado com a
matéria e não tiver quem o acolha da ilusão, pode sofrer os horrores de seu microuniverso
físico em decomposição. Imagine a consciência ligada a um corpo, sem condição de defesa,
sem amor. Seu universo interior em decomposição deve ser o verdadeiro apocalipse. Quem
tem Jesus brilha neste momento.

       É comum na literatura oriental encontrar relato das partidas dos Mestres Iogues, na
morte, ocorrendo em Samadhi, ou seja, com saída da alma realizada de forma consciente.
Vide a história de santos que próximos à sua morte relatam o contato com os Planos
Luminosos da Existência.

       Mas não vos falo isto apenas após a morte física, eu vos falo no sofrimento da vida.
Todas estas coisas do astral, dos planos micros e sutis, são possíveis de encontrarem
identidades materiais, e de vez em quando a gente ouve relatos de horrores.

        E se não tiver consciência ou fé na infinita benignidade divina, após o desencarne,
pode ficar sentenciado a viver por outros vales de lágrimas dos mundos astrais. Todas estas
coisas estão ligadas aos tormentos possíveis do homem em seu caminho de morte, em sua
morte doentia, sem reconhecer que A Vida É Amor.
       Tenho, de olhos abertos, captado uma imagem muita linda de uma cachoeira
gigantesca, que desce do céu à terra, de água puríssima, representando o fim das águas
poluídas, que vão embora, e o início de uma nova Era: de Humildade, Paz e Amor.

O PIB
       “Olhai os Lírios do Campo!
       Eles não tecem nem fiam,
       Mas nem Salomão,
       Com toda sua riqueza,
       Teve tanta beleza”.

       Medir a riqueza de uma nação pelo PIB, Produto Interno Bruto, o montante de
produtos e serviços executados em determinado período, pode ser como a riqueza de
Salomão, e olha que foi um sábio. A Belelza dos Lírios é fruto da graça divina, é inerente
ao amor radiante.

         Este é um alerta sobre ideais produtivos viciosos que geram ricas sociedades
artificiais. O trabalho em si pode ser: escravo, e a produção e os serviços : bélicos. A
sociedade pode ser fria, pragmática, calculista e métrica. Pode haver a segurança de uma
vida padronizada e assaz controlada, “otimizada”. Detalhes perfeitos, celeiros sempre
cheios. A máquina substituindo o homem. O homem vivendo qual máquina.

       “As flores de plástico não morrem.” Pouco Vivem.

       Eu quero o PIB do Sol da Lua do Mar e das Estrelas. Quero o PIB da Natureza.

       Bom dia meu povo. Vamos trabalhar.

PREÇOS E VALORES
      Na sociedade dual estas coisas são distintas. Sorte do homem que consegue tê-las
como única. Assim também instituições, povos e nações.

       Vou dissertar um pouco sobre o viez da concorrência. A concorrência foi concebida
no sentido de permitir uma participação de interessados, “com igualdade de
oportunidades”, com premiação pela competência: menor preço.

       Pense nisso em relação ao exército de desempregados e subempregados. Competem
no aperfeiçoamento e barganham cada vez mais barata sua mão-de-obra. A oferta de mão-
de-obra excedente, o desemprego, garante o preço baixo na concorrência. Saem cartéis.
Para limitar isto criaram o salário-mínimo, que de tão mínimo pouco tem sustentado uma
base real de qualidade de vida.

       Quanto aos profissionais médios vieram o corporativismo classista e os sindicatos a
defenderem direitos, salários e espaço de mercado.
        Vejamos outro dado. Há uma questão jurídica que carece do ofício de um advogado.
Para defender a Causa de Teu Interesse hás de contratar o mais barato? Com certeza
quererás contratar o melhor. Preços e valores são proporcionais sob a ótica da Livre
Concorrência de Mercado. E os experts em licitações procuram amarrar as condições de
forma a garantir a qualidade do processo sem sucumbirem no “menor preço”. Às vezes até
recorrem à Cláusula do “notório saber”, “competência ímpar”, para dispensarem licitações.
No grande isto é mais factível, mas nos pequeninos, na grande massa cotidiana de licitações
de serviços, tal apreço pela qualidade fica mais complicado. E os bons profissionais vão
servir a outros setores do mercado.

        Bom, mas a questão que me motivou a redigir esta missiva foi a seguinte: o
primeiro preço registra um valor, um preço, um princípio. A natureza o ofertou. É o seu
próximo mais próximo se manifestando. Claro que na Escola da Vida, no Encontro Divino,
isto tem um significado especial. Este é um princípio altruísta.

        Mas não é só isso. Pagar bem é virtude de quem gosta de receber bem. Há equilíbrio
no universo. Há diferença de origem do produto feito por uma mão-de-obra com qualidade
de vida, feliz, e outra miserável, infeliz. A diferença de origem não é ideológica, ela é
consciencial. Há os que conseguem ver isto: entendem o Sermão da Montanha, a parábola
do rico e do pobre.

       Há casos onde apenas uma fatia de pão sacia o apetite, outros onde ele parece
interminável. Assim como encher a pança, pode ser a satisfação dos desejos.

       Preços não devem ser discutidos, criticados. Devem ser pagos, ou não, em santa
humildade. Neles há sonhos, projetos e condições sagradas que são expostas. Os ideais
sonhados pelo próximo podem ser os mesmos que os teus, então pagas por valores
compartilhados. Ou criticas e condenas a si, e ao mundo de ilusão: viu que confusão. Por
isto quando amas, respeitas, bem cuidas da natureza: que é a expressão de tua vida, a
criação que está a lhe presentear.

       A originalidade da obra de arte é justificada por sua aura única. O preço de um
produto também. Numa Época de Justiça estas coisas passam a ter Valor. Juízo Final é A
Verdade. Por isto o amor é a Ciência da Vida. O respeito ajuda a enxergar.

       A razão da consciência me diz isto. Assim respeito as condições cármicas, artísticas,
existenciais, de cada um. Posso falar sobre o preço para mim, se está ao meu alcance, se o
produto atende às minhas expectativas, o arbítrio do meu caminho. Mas o preço e o valor
em si de cada obra deve ser respeitado.

        Qual o preço da entrada no céu, qual o valor do alimento sagrado? Qual o valor da
cura de uma vida? Só pode ser o amor. Se a expressão de retribuição vier na forma de
R$1,00 ou R$1.000.000,00 pouco importa. Só se paga amor com amor. Outros salários são
da dor.
       Eis por quê viver no paraíso tem sido tão difícil numa cultura tão economicista.
Como crer na benignidade divina dentre tantos sofredores, miseráveis que mitigam o pão de
cada dia? Nestas horas falar sobre a Riqueza em Cristo parece ser falar de outro mundo. As
entranhas clamam, ardem, se entristecem, e padecem sob o sol.

       E se matam, roubam e disputam mesquinharias. Valores de morte. Assim não
apenas o homem endurece, mas a sociedade. E trancam-se atrás de grades, com armas,
alarmes. Aumentam o efetivo policial. Superlotam cadeias. Clamam por mais hospitais e
tribunais.

        O salário é digno do trabalho de cada um. Acordem e cresçam em Cristo Jesus para
a verdadeira libertação. Não se importe com o que é do próximo, mas com o que é seu, seja
rico, pois o Reino é do Pai.

       E o Reino do pai é de abundância e Bem-Aventurança.

ELEIÇÃO PARTIDÁRIA
       Então tem quem é governo, tem quem é oposição. E se houver confusão esquecem
do cidadão. Marcar posição, vencer a competição.

        Seria bom mudar a tônica. Celebrar a arte política, comungar. Todos ganham,
respeitam-se como irmãos.

        Quando não há vício partidário, todos ganham. Desaparecem os cerceamentos
típicos do preconceito. Mas entre esquerda e direita parece haver mais preconceito do que
entre raças. Talvez seja fruto de um processo histórico intitulado luta de classes. Na
verdade a questão é anterior. Talvez até haja uma burguesia política que veste a camisa de
sua conveniência, à direita, à esquerda, ou no centro.

        Na política tenho buscado ser cônscio. Em meditação busquei ver candidatos
sentados à mesa do cargo que postulavam. Tive visões reveladoras. Para determinado cargo
o revolucionário materialista era surrado até cair ao chão, tendo sua cabeça pisada. O
revolucionário religioso saía da cadeira e voava rumo ao sol. O de centro colocava sua mão
direita sobre a mesa e brilhava.

       “Mas eu desejava ver os revolucionários no trono”. As mudanças que sempre
sonhei. Mas não seriam factíveis. Não havia condições realizadoras. Então concluí ser
saudável a participação dos revolucionários. Que todos que os ouçam, absorvam suas
contribuições, mas votem em quem governará à mesa com brilho. O desejo revolucionário
alimenta a chama do porvir, tal qual ocorre nas buscas de realização dos desejos.

       Esta realidade é projetiva, ela fala do meu Eu. Meu Eu Revolucionário: Materialista
ou Religioso. Meu Eu Centrista. Sua verdade é esta. Mas se minha identificação for fiel à
nação, ela representa a verdade nacional, espelhada pelos candidatos das diversas correntes.
       Para além do partido tenho procurado direcionar meu olhar para o candidato que
acredito ser maduro e centrado. Assim, para além das ideologias, olho com compreensão e
vejo a pertinência de cada situação. Claro que a ideologia é importante, assim como o
partido, mas pode ter entrado numa expressão “difícil”, espelhada pela figura que
internamente colocou à frente. Como cidadão enxergo tudo isto, e ajo de acordo com minha
condição. A ideologia é como você pensa, aquele caminho que você quer seguir, mas não
pode ofuscar as condições reais.

      Eu acredito que todo mundo possa e tenha o direito de ficar nú. Mas dependendo
como o faça, do momento e do local que o faça, pode apanhar ou ser preso.

        Na realidade é comum que os muitos críticos contenham em si os elementos que
criticam veementemente nos adversários. Sofrem, envolvidos que estão, no mal. Por isto
padecem as contradições, lutam tanto. O “pobre” pode ver com orgulho o rico, tomá-lo
como exemplo e elegê-lo. Brilhou a admiração. O coração alcança assim. O revoltoso
poderia até sonhar com aquela condição, mas nega, a condena. Judas fez isso. Haja
maturidade para votar com a tranquilidade da consciência.

        A dimensão de uma visão pode estar sujeita ao seu meio ambiente íntimo, e você
estar viciado nele. Pode estar sujeito às pesquisas, propagandas e relatos exteriores, que
influenciam sua “visão” superficial. Aquele que medita costuma ir além das aparências,
busca a essência.

        O que você vê pode representar o seu momento. O que você vê pode representar o
futuro. Depende do tempo que você buscou ao projetar sua visão. É uma questão de
consciência, clareza do que se vê.

        Você pode ler seu voto no olhar do candidato. É uma forma de conhecer. E pode ser
a melhor. Pode conhecê-lo pelo tom da voz. Pelo conteúdo do discurso. Pelo processo
histórico. Por um misto de expressões. O conhecer provém de sua graça divina. Seu Dom
lhe permite conhecer. Este é o seu modo de conhecer. Provém do seu centro.

       Seu voto não precisa ser “no ganhador”, mas ganhador. Precisa ser em verdade
naquilo que você acredita, tem fé, quer ver suscitado. Tenham certeza que não será em vão.
Vote acreditando e sabendo no que está votando. Independente de quem ganhar, aquela
identidade você irá ressaltar, aquela qualidade você colherá. É assim que funciona, tenham
fé. Mesmo que para outros, para muitos, seja diferente. Por isto é bom estar centrado. Ter
consciência de sua eleição. Claro que vale a composição.

       Não é só para o mundo que se elege, mas elege-se para si. Elege-se um atributo,
qualidade, identidade, uma forma de ser que irá governar, legislar, dentro de si.

       Seu voto constrói a vida. É como um caminho. Você bateu na porta. Decidiu por
ela.
        Os votos, mesmo que para um mesmo candidato, podem ser diferentes em sua
qualidade intencional. A ciência está na sua projeção. Por isto consciência, coração e muita
alegria meu irmão.


NECESSIDADES
       As necessidades do mundo que vou alertar são aquelas que vos são chegadas por
meios desamorosos, aquelas do tipo “tem de ser assim, estamos no mundo”.

        Cuidado, pois esse mundo que te pintam é o mundo da morte, mergulhar nele é
mergulhar nela. Agir malévolamente para obter, diante das ameaças do que podes perder,
do que pode de pior acontecer. Como se detecta isto? Pelo olhar. Pela consciência. A
irritação fica à espreita e o ar se torna lascivo ou sádico, “diabólico”. Tenha fé, nestes casos
o Divino Espírito Santo o protege, tornando-o “sereno como uma pomba e ágil como uma
águia”.

       Então, se te encontrares abrindo uma porta de luta, cuidado, pois podes estar
entrando num canteiro de espinhos que terás trabalho para cuidar. Se nele, com primor
cuide das rosas. Elas representam a beleza que brota em meio hostil. A natureza abrirá nova
porta.

        Existem meios mais hostis, e meios mais amorosos. Não se entregue às
necessidades do mundo para caminhares entre meios hostis se não sentires no teu interior
força suficiente, confiança de que não sucumbirá, se perderá. Sinta a força em seu interior,
a convicção em seu seio. Ela deve brotar em você, ser sua de forma que possa identificá-la
interiormente. Não te importa tanto o que te falam, você é o centro da tua vida. Em ti deve
estar a força para operá-la. Assim você assume o leme de sua vida e constrói o seu meio.
Esta é a Riqueza dos Sábios. Esta é a “Necessidade de Deus”.

        Não quer dizer que não haja trabalho, quer dizer que este é operado de maneira
diferente. Não é duro, árduo, maior que você, angustiante e ladrão de tua Paz e Forças. Não
é uma guerra, vida de sofrimentos. Ele é do tamanho do seu amor, do seu primor, e traz em
si as condições do desenvolvimento amigo. Este é o sapato que te calça bem, no qual você
pisa macio e confortável, sobre o qual você se sente protegido e leve. Você sente o chão e
pode saltar, correr, brincar, e andar sem chulé. Este é o teu caminho, do teu tamanho. Tua
morada acompanha teu caminho na Grande Casa de Deus. A Mansões do Coração está
sempre segura e de portas abertas. Jesus e Maria moram contigo. Esta é a “Necessidade do
Mundo”.

SOCIEDADES E FÉ
       O centro é você. Sempre foi e sempre será. Imagine que neste centro você gravita
com todo universo. Sempre foi assim, criatura de Deus. Ora, mas aquele que tem
consciência desta posição já não mais é criatura, é criador. Não vos falo de conhecimento,
de simplesmente saber, mas de Ter Consciência. Qual a diferença? Consciência. Uma, a do
conhecimento, pode ser relativamente vulgar, tendo sua dimensão um aspecto corriqueiro e
sem maior importância, como as demais coisas da vida, principalmente falando-se de
Sociedade de Consumo. A outra carrega a dimensão infinita do universo. Seu poder é
incomensurável. Contudo pode ser simples. Ela pode fazer de conta que é vulgar, mas na
verdade é especial, sempre. Ela é a vida em cada instante único, sempre precioso.

         Observei um viés enganoso na realação cidadão-estado que creio oportuno vos
alertar. Há uma tendência cega de responsabilizar o Estado, a administração político-social,
como responsável principal das mazelas ao nível do indivíduo. De uma maneira simbólica
isto pode ser correto, pois o Estado Democrático tende a espelhar o povo, que nem sempre
vive no amor, assim olham a administração maior com os olhos das mazelas de suas
administrações particulares. E sofrem diante do Grande Espelho a dor de tantas fraquezas,
principalmente quando ao invés do amor optam pelo rigor.

        Assim, os idosos, que em tempo recente era de responsabilidade familiar, hoje é
visto como dívida pública do estado. Assim a criança, a saúde, a habitação, a educação etc.
Ora a responsabilidade de cada um fica atenuada diante de tantas causas sociais, e fora
daquele clima gosotoso defraternidade amiga, familiar, de vizinhança, construído sem
histerias, embriaguez ou sofrimentos de alguns, que haveria caso andassem na caridade,
empunham bandeiras de justiça social ou veêm a cegueira nos-olhos-do-Governo.

       É tanto direito, tanta lei, tantos processos, tantas prisões. Claro que estão esquecidos
da comunhão, do amor mais simples ao próximo. Até os laços mais santos, a exemplo da
família onde há a prática cristã da caridade pois os bens são compartilhados caritativamente
(ao menos nem tão economicamente), estão vulgarizando sem a medida do coração. Não só
quanto às separações advirto, mas também quanto às posses e garantias materiais que
falseam segurança e poder para cada vez um núcleo menor, mesmo dentro das próprias
famílias. Assim a identidade de vizinhança, de bairro, de cidade, de nação, tem sido
esquecida.

        Lembro-me bem de um ensinamento da minha infância no Rio. No Morro havia
uma tradição de paz e prosperidade. Se houvesse algum ladrão, que fosse longe de sua área,
pois no local não era permitida tal sacanagem. Robim Hood é outro caso. Então zelavam
por sua área, inclusive educando os jovens. “Pobreza nunca foi motivo para sem-
vergonhice.” Era frase comum das mães na educação popular. “O nosso barraco era sem
trinco, e a luz que furava o nosso zinco, salpicava de estrelas o nosso chão...” É música que
identifica o amor de minha terra natal.

        Assisti admirado o anúncio turístico de um país pobre onde o narrador ressaltava
que ali o Turista poderia andar despreocupado, com sua máquina fotográfica e dinheiro no
bolso. A cultura local inadmitia o roubo, o assalto. Não há casos. A religião, a cidadania, no
que acreditavam, inadmitia tal tipo de prática. Há locais onde mendicantes são buscadores
divinos, e neste sendeiro de santificação desenvolvem suas vidas e relações sociais. A Índia
conquistou sua independência na firmeza da paz.
       Outra falácia é o igualitarismo. Não se cancelam os fogos que acendem a vida de
cada um por uma justiça cega. Não se anulam os sonhos individuais e coletivos por uma
igualdade sem graça, sem amor. A igualdade sem amor é uma prisão cheia de dor.

        Cada escola tem um campo de energia, que lhe é próprio. Que pode ser raro ou
comum. Qual o melhor? Você tem uma família. Eu te digo que é a melhor. E assim Deus
vai te dar sucessivamente sempre a melhor família. “Não tenho tudo que amo, mas amo
tudo que tenho”, é sabedoria popular de excelente princípio.

       Buda fala de “Não desejar”. O princípio é simples: Quem não deseja colhe os
presentes divinos. Mas a prática é caminho devocional, caminho de fé. O desejo é um
possibilitador de frustração. Quem não deseja não pode se frustrar. Sem apego, Sem
“querer”. Vive o que é. Faz o que tem de ser feito. Quem está bem não “quer” mudança.
Navega em paz. Assim é a luz do não desejo. “Pai, seja feita a Tua Vontade”. Claro que isto
ensina um querer diferente, o Presente de Deus.

       Diz um mestre amigo que A Maior Oração é O Agradecimento. “O Pai sabe do que
verdadeiramente necessitas”. Assim Jesus ensina o Caminho para Deus.

       Mas não creia que isto é o fim do planejamento, das construções, dos projetos. Isto é
o fim do “princípio da frustração” (desejo insano). Não tem tempo ruim, tem sempre
Presente de Deus. Claro que é caminho santo.

       Esta outra nos ensina sobre tempo e valor, e nos encoraja ao amor.

       As sociedades têm sua maturidade, suas idades. Nesta época de globalização a Terra
é cada vez mais uma só. Sempre foi, mas agora é mais. Com fé no porvir agradeço o
Presente Divino.

CONSUMO CULTURAL
       Estou falando de cultura e consciência: “a consciência ambiental é a cultura local”.
Claro que isto é contextual, não ideal. E vários são os hábitos que a conformam. Assim o
homem vai criando sua forma de interação. A cultura é a forma de se lidar com o ambiente,
com a vida.

       Então imagine um ser que se estruturou observando as estrelas, vivendo em meio à
mata. Ora, aí está seu meio ambiente, os elementos primários formadores de sua cultura.
Integrado à esta realidade e de bem com a vida, ele vive feliz.

        Então você, integrado ao Grande Centro Urbano, à Metrópole, também pode ser
feliz. Claro. Mas, se ainda tá querendo, observe o que te faço presente.

       Um dos maiores ensaios de vida que ocorrem, ao qual vou chamar de “missa diária
familiar”, é a telenovela. Ali ocorre, para alguns, uma formação ideológica. Os valores de
vida são representados “de forma natural”, e principalmente, “sedutora”. Aquele alimento
doméstico comporta projeções pessoais, identificações, que penetram num contexto plural
do cotidiano que encanta os telespectadores. E conseguem um prodigio: reunir as pessoas
em caráter meditativo, olhar atento em silêncio, pois é “horário sagrado”. Assim novelas e
jornais são centro de atenções noturnas do povo, no cotidiano, até a hora de deitar.

       É claro que as novelas fazem a cabeça criando um ambiente de questionamento e
respostas às situações cotidianas, num recorte de beleza e final feliz. Tratam de questões
cotidianas sob lente própria. São dinâmicas, contextualizadas, inteligentes, atrativas: tem
um padrão de vida intenso que “prende” a atenção e é cobiçado pelo povo. E fica o povão
gozando com o “sexo” dos atores. E daí? É só não viciar.

        Dizem os gaiatos que o povo do interior, que tem aquele montão de “fios”, „é puquê
não tem televisão em casa‟. Mas Meu Deus, se não assistir TV vai fazer o quê? Arrumar
um trem que teja precisando? Conversar o quê? “Ajudar os fio nos trabaios da escola?”
Ler? Fazer arte? Tricô? Ouvir música? Vishi Maria, até parece que depois que criaram estas
coisas televisivas o homem virou sonhador, assistidor da vida. E óia que vive mesmo a
projeção da telinha: chora, grita, fica forte, com raiva, feliz, até se excita com as cenas
eróticas! Voyeur!

        Ali pela telinha joga bola, vai a show, vê gente importante, e pode até escolher
aonde ir, pois tem vários canais. Dá pra vê até coisas comuns de outros países. Isto sem
falar nos recursos mais ativos da Internet. Deus do Céu, esses homem criaram um mundão.
Será que tão virando Deus?

        Quando este autor começou a meditar, ambicionou em certa altura não dormir mais,
ou seja, passar para o estado de repouso sem desligar a consciência. Daí, com a mente vazia
ele precisava deitar para repousar, para dar descanso ao corpo, não à consciência, para a
qual não há cansaço ou luta quando há meditação, compreensão. Quem assim procede
consegue enxergar muitas coisas de sua vida, enxergar o sonho acordado, consciente, até
mesmo realizar “projeções astrais”, o que comumente é chamado de “viagens fora do
corpo” ou desdobramentos.

        Mas não pensem que isto é comum, não é. O tradicional em nossa vida é deitar-se
quando o aparelho da consciência já está desligando, se apagando de “cansaço”, de sono.
Ou mesmo “fumar um cigarro antes de dormir” para que se quebre a consciência e seja
trazido um torpor, próprio da sonolência. Mas, no ensejo de manter a consciência, uma das
providências é a da troca de ciclagem do cérebro, sair daquele ritmo acelerado típico do
mundo citadino, consumista. Trocar de sintonia e de ciclagem das ondas cerebrais. Como
fazer isto? Orar, meditar, ouvir ou entoar cânticos serenos e melodiosos, ler um bom livro,
de alguém que navegue nestas alturas e possa lhe fazer uma ponte. Pronto, você está pronto
para repousar, sem sono no sonho, navegar pelo universo compreensivo.

       É uma questão de cultivo. Pode ser que na primeira tentativa você consiga
vislumbrar o que Deus tem para lhe mostrar, mas chegar à essa plena consciência do não-
sono é uma graça. Imagine que quando você repousar começará a desenvolver sua
consciência corporal. Começará a deitar por terra o véu que encobre a relação de seu corpo
com a vida. Sentir e conhecer o estado de cada ponto em desequilíbrio, se houver e for
providencial, e o significado contextual daquele fato. Imagine ter um feedback das questões
que ficaram em aberto, não bem resolvidas no seu dia. Todas retornando para tomada de
consciência e devida providência. Imagine que você pode ser levado, ou ir, a algum local,
no astral, para conhecer algo do passado, futuro, ou mesmo outra realidade contemporânea.
Estas viagens, verdadeiras riquezas, são possíveis de serem feitas. Tem escolas de
projeciologia que versam sobre métodos para tais.

       Mas se sempre for repousar anestesiado pelas drogas culturais é difícil manter a
consciência. Sem relaxamento ou condições propícias é difícil sentir com intimidade e
amor seu corpo, sua família, sua casa, seu trabalho sua vida, Deus. Ainda que, “de porre”,
altamente alcoolizado, eu já tenha passado a noite interia deitado em vigília, ou seja,
consciente das muitas coisas que ocorriam no astral durante aquele repouso. Claro que a
consciência pode ser cultivada, mas também é verdade que há muitas graças nesta Luz. A
consciência está acima de todas as drogas assim como Jesus outorgou aos seus discípulos a
graça do não envenenamento.

       Este cultivo da consciência é fruto de seu cotidiano, não é algo meramente
episódico da hora de deitar, é fruto da relação estabelecida no seu caminhar. O sono da
consciência é um estado de perda de atenção ao fluxo de informações que se apresenta, uma
quebra de meditação. Jesus falou aos seus discípulos sobre orar e vigiar.

        Porque algo como vigiar parece tão difícil. Claro está que é pela cultura, pelo modo
como se vive e como se encontra a vida. Na hora da meditação na quietude corporal, como
na hora do repouso, as tensões vão aportando à consciência como fluxos energéticos que
podem ser percebidos como dor que se apresenta. Com a mente desperta você conhece o
que houve, o que foi somatizado lhe é traduzido como informação intelegível. Você lembra
dos fatos, das atitudes, das palavras, dos pensamentos. E pode ir mais longe, depende de
sua consciência. Você pode sentir sua casa, como ela está: coisas, instalações, pessoas. Seu
prédio, sua rua, seu bairro, cidade, estado, nação, o cosmos.

        E é por ser pecadores, e não ter sã consciência das ações, nem quando “despertos”,
muito menos quando no sono, que se ora a Jesus pedindo Zelo. Que se pede a todos amigos
terrenos, celestiais, santos anjos e guardiões, para que protejam e livrem do mal.

       Nas sessões da Tradição Daimista, antes dos trabalhos serem abertos, ou seja, de um
novo estado de consciência ser coletivizado, são chamadas as guarnições, no Santo Nome
de Jesus.

       Se no campo sutil, que tem correspondência com seu cotidiano, você está ligado à
uma igreja, é Claro que isto tem influência no seu campo de alcance/atração. A sua
corrente, onde você navega. Ela forma uma “Cultura Espiritual”: valores e referências,
meios relacionais. Sim, você está relacionado com suas opções de vida. Estas opções estão
relacionadas não só ao aspecto “religioso”, mas ideológico geral.

       Então o seu espaço cultural está relacionado aos referenciais que você abraçou, dos
quais se alimenta. Qual carne ou sangue te nutre? Quais os programas que eleges para teu
cotidiano? O que o motiva? Respondendo estas simples questões você passa a vislumbrar
onde está inserido. Ficará consciente da “igreja”, da cultura que verdadeiramente tens
abraçado.

       Então, depois desta sacudidela, de torcer o pano de chão e jogar fora a água suja,
digo: Amem a cultura como Graça Divina. Amem. Amem o Sonho Divino.

ESTABILIDADE CONSCIENCIAL
        Quero conversar para levá-los à uma ampla compreensão da dimensão do viver.
Quando você está cercado de estruturas sociais que normalizam seu viver, é provável que aí
você se estabeleça com poucos graus de liberdade, o que num conceito de engenharia
significa poucos graus de variações possíveis. Assim é nas sociedades de castas, onde se
nasce em determinado meio social ao qual se deve viver. A Revolução Burguesa rompeu
com a Hegemonia dos Nobres quanto às sucessões hereditárias, mas mesmo assim há uma
tendência estatística de estratificação na maioria das sociedades. E nem foram todos lugares
que romperam com as chamadas formas patriarcais de governo, ou mesmo tradições
familiares. As culturas encontraram suas acomodações e novas e velhas tradições vivem
com seus horizontes.

         Mas estas coisas que vos quero salientar não se referem restritamente ao caráter
econômico, cuja lente não pretendo “Karl Marxizar”. Outros fatos são condicionantes de
sua forma de acasalar, alimentar, emancipar filhos, outorgar heranças, cultivar o campo
etc., etc., etc. São hábitos dentro dos quais você está inserido, conformam o seu horizonte
de vida e dão perspectivas de felicidade. São o que você conhece, o que seu imaginário, o
que a fé verdadeiramente alcança, nem que seja sob o prisma da esperança. Quanto mais
distantes forem da dinâmica de seu cotidiano mais ao plano dos sonhos pertencem.

       Há os que ampliam os horizontes e novas luzes derramam sobre a humanidade. E
assim são como Melquisedec, Jesus ou os artistas que obraram, pintaram, cantaram e
descreveram maravilhas desde a eternidade, nos mais diversos campos onde o homem
Amou a Deus em Sua Infinita e Esplendorosa Criação.

       Bom, mas se você anda navegando pelo universo, pela vida, um tanto quanto
desorientado, sem Ter um caminho bem-aventuroso, nem atracando em portos felizes, é
claro que isto dá a impressão de perda de consciência, pois as neblinas turbam sua visão, as
tempestades atormentam sua fé, as infelicidades roubam seu bom viver. Então tome este
remédio para à vitória chegar.

       “Um mesmo caminho” pode ser trilhado como desgraçado ou engraçado. Depende
do estado vibracional que você se encontre. Mas mesmo que você esteja passando por um
mal bocado não deve perder a esperança de que pode viver na Bem Aventurança. Os
elementos maléficos serão transformados em benéficos, as ameaças em auxílios, os
inimigos em amigos. Não é ignorar o que se vive, que é real. É crer, confiança interior na
transmutação daquele estado desesperador. A compreensão por si só já é milagrosa, pois
não é a penas um entendimento do que está ocorrendo como forma da justiça, equilíbrio
universal. É mais que isto, é caminho perfeito e excelente de sua santificação, O Presente
de Deus. Isto traz a chave. Este é o fio condutor.

        Viver mal é simplesmente viver sem alegria, sem paz, sem o fogo da realização que
aquece o coração. Em outra linguagem: é viver na escuridão e/ou entre demônios. Assim,
há pouco tempo, li um livro chamado Bhardo Thodol - O Livro dos Mortos - um tratado
interessantíssimo acerca do renascimento. Alguém, em passado longínquo, Antes de Cristo,
viveu os caminhos da morte e descreveu o Caminho da Luz, o do Renascimento Feliz. O
livro foi feito em forma de oração instrutiva, a ser realizada para a alma dos mortos, a fim
de conduzi-las na Luz do Renascimento.

       Mas, se serve aos mortos, também aos que mortos-vivos lêem. Para que cônscios do
caminho, orientados pelos ensinamentos do mestre, renasçam num estado superior de
existência, no Plano Divino da Pura Luz, no caso Chamado de Estado Búdico, ou suas
adjacências.

       É assim no que se refere à mudança de vida. Novo trabalho, casa, ambiente.

        Dou testemunho desta verdade, do brilhantismo da obra, pois literalmente vivi o
descrito, experimentei-o a cada instante. Tendo meus canais mediúnicos abertos, vivendo
como espiritual sem carma determinado, meu ser mergulhava nas realidades a cada foco da
minha atenção. Eu vivi isto. Muito amor e muita dor. Vivi como um navegador
relativamente solitário, vazio, dentre Vales de Lágrimas. Muitas solicitações. Anos lutando
por uma estabilidade consciencial que me propiciasse paz. Num instante a desordem
chegava. E era algo aberto na mente, energia de ligação, que se manifestava onde podia, até
nos entes queridos, que derrubavam, quebravam, brigavam, e traziam pelo verbo tormentas.
Haja compaixão e fortaleza para operar, sanear. Tempo e espaço ilimitados. A graça a zelar.
Não adiantava chorar, tinha que a tempestade acalmar e ao centro voltar.

       Por estas coisas se deseja ser pequeno, ser ovelha do Pastor. O que vos falei tem
dimensão cósmica, mas claro que há as diversas gradações de acordo com simplicidade, a
consciência de cada um. O princípio é único. Que Deus me abençoe, guarde, proteja e livre
de todo mal. Por isto pedi e busquei, implorei, uma condição para viver em paz. Renascer
em um novo ambiente ou de forma que pudesse novamente ser feliz, simplesmente feliz.

        Andei por ambientes iminentemente políticos, religiosos, artísticos, científicos etc.
“Trabalhei” em diversas instituições sociais. Fiz em cerca de dez anos, dez mudanças
físicas de endereço, telefone etc. Mas não foi só isto, cada livro que peguei para ler, cada
desejo abria um horizonte e uma história. Senti-me como um aidético, padeci de diversas
doenças “relativamente sutis”. Imagine não defesa com relação a qualquer “deslize de
pensamento”. Falei sutil porque apesar de palpáveis fisicamente, ou seja, sofri diversas
dores e aflições no corpo, estas não chegaram a assumir a forma física crônica que
caracteriza a doença somatizada, aquela manifesta visivelmente na carne. Mas recebi
inúmeras curas sutis.

       No plano mental/social tive diversas esposas institucionais, algo como freqüentar
diversos partidos políticos, ou igrejas, com costumes distintos, aos quais nem sempre
consegui estabelecer ou manter um relacionamento acima dos condicionamentos
corporativos. Então se por um lado há toda uma beleza, típica das preciosidades inerentes à
cada casa, por outro há limites. Beber cachaça num momento, rezar em outro; ouvir música
clássica e popular. Administrar conflitos e contradições das mais diversas ordens buscando
iluminar as relações. O “esposo infiel”, ou mesmo “a puta”, tinha “projeção no astral”
(plano mental), mas “pouca estatura no material”. Então “pau neles”. “A criança”, apesar
de sua pureza, precisava amadurecer, e como era indomável, foi presa. Muita luta onde
quem morre é “Jesus”, ou seja, o que há de mais fino e precioso. Por tais coisas é que
escolas iniciáticas são reservadas e instituições religiosas burocratizadas. É a forma que
conseguiram manter no mundo.

       Enviei dezenas de vezes currículos. A cada emprego pretendido, ainda que não
atendido, senti seu significado no cotidiano. De forma sutil, relativo ao prisma da vida que
se abria. São portas, caminhos de vida. Já entrei em sintonias onde me senti como uma
cidade profana, como as reveladas pela bíblia, mas como cria não Ter dolo de intenções,
apesar de sofrer conseqüências, seguia em frente para a salvação.

       A coisa é bem simples. Pode ser como uma carona que você pega e passa a ver as
coisas com os olhos do motorista. Estar vazio é um pouco isto em relação à casa aos qual
você adentra, aonde se emprega, o que escolhe para prestigiar. É só não se identificar e com
o cosmo ficar. Isto em outras palavras é não se deixar tomar e permanecer em Deus. Para
sempre amém.

        É difícil Ter como esposa uma cidade: “multidão em conflito”. No plano religioso:
freqüentar credos distintos; no plano político: bom relacionamento com Governo e
Oposição. O exercício requer graça e poder para não cair em situações onde aspectos de
rivalidade o desqualifiquem como demoníaco, traidor, interesseiro, ladrão, espião e
loucuras dessa ordem, ou cobrem uma “Posição Clara”: se vai apoiar fulano ou beltrano, se
és pela Água ou pelo Vinho. Todos clamam a Deus, mas tem de saber escutá-lo, recebê-lo,
não cercea-lo.

       O Pai recolheu-se em meu interior.

       Então nesta escola de vida tenho andado, aprendendo a administrar meus passos.
Sou como criança que tem sede de vida. Embarco sem maldade. Mas tenho amadurecido. A
Luz da Criação está se harmonizando. Estou recompondo minhas partes, sarando feridas,
retornando à unidade. Simples, com o fogo interior abrandado, acalmado. “Salvando a mim
mesmo”. Assim, quem sabe, um dia, Deus me proporcione a Graça de satisfazer o desejo de
ajudar mais. Alegre, feliz, de bem com a vida. Isto é que chamo de estabilidade
consciencial.

PAPÉIS SOCIAIS
      A típica contradição da sociedade de classes é algo vicioso e doentio ou natural e
saudável. Veja a simples condição do aprendiz e do mestre. É natural que haja uma
condução.
       Abusos ocorrem quando o aprendiz quer ignorar a condição de maturidade,
conhecimento e arte do mestre, ou quando o mestre aprisiona o aprendiz numa condição de
estagnação subserviente.

        No âmbito social há as empresas harmônicas: onde dirigentes e dirigidos,
realizados, comungam do mesmo “corpo empresarial”, e as desarmônicas: onde patrões e
empregados, arrogantes, conflitam em seu empreendimento.

       Ao homem cabe o correto entendimento para evitar vícios de comportamento. Saber
de sã consciência andar pelo caminho da verdade, da justiça. A uns cabe obedecer, a outros
comandar. Até que possam a unidade comungar.

       Tudo tem seu tempo e local. Cada qual assim serve e é servido, é filho, é pai, é avô.
Na paz, na comunhão e no amor.

     É preciso sã consciência da construção do caminho da unidade. Por isto é mister
homem cônscio na condução da nação. Cumprir o papel cidadão.

                                  “Filhos Honrai Vossos Pais,
                                Filhas Honrai Vossas Mães,
                                Pais Não Planteis Tantos Ais
                                   Para Futuras Gerações”.

                                 ( Hino: Honrar aos Pais )

COOPERATIVISMO
        O movimento dos próximos. Movimento que organiza as pessoas em associações de
próximos no intuito de promoverem o bem comum. Um movimento riquíssimo em ideais
de fraternidade.

       Em meio à tantas formas de organização do trabalho, esta reúne pessoas de modo
muito igualitário e democrático. Chamo de organização dos próximos pois é com estes que
se comunga os ideais construtivos sociais. Cooperativas são associações voltadas para a
promoção de serviços e geração de trabalho.

       Uma cooperativa congrega cidadãos irmanados em prol de um bem comum. É uma
orquestra, um coral, um corpo de dança, que executará belas obras.

        Em termos conscienciais na cooperação há uma associação, o que designa uma
consciência coletiva. Assim ocorre nos grupos, nas religiões, nas culturas. No caso do
cooperativismo, o que o diferencia são os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, ou
seja, seu fundamento cristão na Obra do Reino. Claro que ótimos ideais são relativamente
comuns, mas este opera na seara do poder terreno, a produção da riqueza material, o Valor
Divino das Obras.
        O cooperativismo é um movimento muito além de uma organização social da
produção, pois é um princípio da vida em comunhão fraterna. Assim o cooperativismo é
antes de tudo um ofício individual, que opera no exercíco da vida. Antes de sua forma
exterior como associação jurídica, ele é um modus operandis. São cooperativos os
asssalariados e patrões que assim vivem. São cooperativas as pessoas que assim se
comportam. Assim constroem a Grande Fraternidade Universal.

        O termo “companheiro”, antes de ser um jargão designativo de militantes políticos
significa: “aqueles que dividem o pão”. A cooperativa mais forte que existe em nossa
cultura chama-se família. É nesta que se divide, se oferta como graça da vida.

CASTIDADE
       A princípio isto é visto com algo ideal, a busca da sublimidade divina. Mas há
meios em que tal é visto como uma caretice, um limite doentio, a castração da sexualidade.
Note que são extremos que existem.

       No sentido ascético, espiritual, a castidade se dá como uma forma de expansão da
energia de vida em direção ao infinito existencial, à harmonia cósmica. Num sentido
grosseiro pode-se dizer que é uma forma de inibição da tentação do corpo, de estímulos
provenientes de suas partes componentes que estão viciadas ou influenciadas para tal
comportamento animal, animal não no sentido de antinatural, mas sim de pouco
consciencial. Note que muito que realiza com o corpo é relacional, sentimental, mas pouco
consciencial, ou seja, a visão é limitada quanto aos motivos e interesses existenciais que
levam a determinadas práticas físicas. Fica a consciência do sentir, ou lógicas e razões
menores em amplitude de significância.

       Então a castração vem como uma disciplina do autoconhecimento, onde se inibe
determinadas satisfações da ordem dos sentidos físicos a fim de se libertar de correntes
mais densas e se projetar na sublimidade da existência. Em outra linguagem isto é o que
está por trás da religiosidade da castidade.

        Os prazeres do corpo são trabalhados neste sentido. O orgânico de um equilíbrio
animal é sacrificado por um propósito consciencial. Assim não só de sexo há privação, mas
de alimentação (vide os jejuns), de fontes de aquecimento ou resfriamento exteriores etc.
Assim outros caminhos são buscados para o equilíbrio. Mas note que sacrifícios são
traumáticos, havendo época em que até chicoteavam o próprio corpo para se li\bertar do
fogo das tentações. É comum ouvir histórias de ascetas orientais que realizaram verdadeiros
prodígios nos domínios dos sentidos. Das artes marciais às meditações isoladas, passando
pelo banho de cachoeira em águas geladas. Cada um tem sua batalha. Preços e valores têm
a ver com a cultura, aquilo que se credita.

        Ora, e o amor? Único mandamento de nosso Cristo Salvador? É ele quem dá o norte
da verdadeira castidade. É ele quem liberta das exacerbações, e nos concede o caminho
perfeito.
TENDÊNCIA ORIENTAL E OCIDENTAL
        Se tivesse que apontar uma tendência doutrinária do oriente e do ocidente vos diria
que o oriente tende a trabalhar o interior, e o ocidente o exterior. Um dentro, outro fora. O
cultivo interior, a caridade com o próximo.

HÁBITOS E MEIOS
        Hábitos são costumes formadores de uma cultura. Eles conformam uma certa
maneira de viver. Geram um nível de bem estar. São realizados de forma que “em
condições normais de temperatura e pressão” o sujeito, ou povo, nem questiona. Por
exemplo, usar calças compridas ou ternos num país tropical como referendo de status e
respeito.

       Vai tomar consciência quando algo ocorrer que lhe chame atenção. Historicamente
ocorreram catarses coletivas que chamaram a atenção para a necessidade da mudança de
postulados ou hábitos. Assim foi nas manifestações sociais ou nos desequilíbrios
ecológicos das mais diversas espécies. Assim foi nos fenômenos como Jesus.

       Hoje eu chamaria “Amar ao próximo como a si mesmo” como “Ser Ecológico”. E
ser ecológico, muito além de uma postura fragmentada - referente a um hábito higiênico ou
de preservação de algum espaço, flora ou fauna - refere-se a uma Postura do Ser.

       Esta consciência é como uma benção de cura: revela o que estava oculto. É mágica
da vida. Imagine que você procede não por disciplina, não por imposição de um método ou
postura, mas por amor.

       Freqüentei para este aprimoramento a Casa de Oração São Francisco de Assis, com
seus rituais de cultivo do amor. Esta foi minha escola ecológica. E fui aprendendo a
transportar aquele Estado de Graça, obtido com as orações, para todos os momentos de
vida.

        Então hábitos são condizentes aos meios, de origem ou socialização. Estes hábitos
podem ser suscitados por grupos sociais propriamente ditos – Escola, Trabalho, Clube,
Igreja – ou indivíduos. As coisas podem ser bem simples: somente há pouco tempo pode a
mulher trajar calças compridas sem ser notada ou rotulada, sendo o uso de saia para o
homem visto com naturalidade apenas em sociedades exóticas ou grupos especiais. Há
códigos de valores que envolvem os hábitos.

        No processo de desconstrução dos paradigmas culturais, com vistas ao
renascimento, você vai rompendo com estas cadeias de códigos e valores, pelo menos no
que diz respeito ao seu valor intrínseco, e passa a vê-las, a compreende-las, como um
símbolo cultural. E lida naturalmente com todas meio como quem brinca do “faz de conta”.
Isto se dá na pureza do ser.
       Mas cuidado se o costume levar a comportamentos descaridosos. O Mestre disse
“Deixem que os mortos enterrem seus mortos”. Eu vos traduzo: “o mesmo se dá com os
que não buscam Ser Verdadeiramente Ecológicos”.

       Você vai rompendo com o sistema de valores usuais e se torna diferente. Vai Ter
muita gente trocando o salto-alto, bico-fino e outros tipos de sapatos pesados, quentes e
desconfortáveis, por pisantes macios e leves, primores da saúde. Culturas tradicionalmente
importadas de regiões geladas, ou outras inadequadas, serão substituídas pelas
ecologicamente condizentes com nossa Nação Tupiniquim. Assim muitas mudanças
ocorrerão anunciando a Nova Era de Paz, Amor e Prosperidade. Assim Jesus volta.

LÍNGUAS INDÍGENAS
       Quando se perde uma língua indígena não se perde apenas uma forma de expressão
em sentido restrito, mas uma forma de expressão em sentido lato. Ou seja, uma forma de
encantamento da vida, de celebração. O som, a pronúncia. O verbo: manifestação criadora
do divino.

        Outra língua, outra realidade, outra forma de celebrar a natureza, a vida. A língua
dominante traz a realidade dominante. E como ela vibra? Mais grave, mais aguda, mais
harmonizada? Vem do coração, da garganta, do ventre? De todo Ser? Já ouvi testemunho
de um cantor que revelou cantar diante da vela sem haver trepidação da chama. A língua
cria realidades.

       Que Oxalá os Abençoe!

                          A CULTURA DA HONRA
Um dos elementos importantes que bebi ao estudar a cultura oriental, ao ver seus filmes,
desenhos e conviver com seus descendentes, é o lugar fundamental atribuído à honra. Ela é
superior aos demais elementos normais da vida, é algo considerado como valor imortal, e
por aí pode-se entender que tem valor espiritual.

A dignidade de um oriental, a necessidade de se cumprir uma palavra, um compromisso, de
se pagar uma dívida, isto era cultivado em geral, e me lembro disto como referência comum
ao modo de vida dos antigos em geral, inclusive aqui no Brasil. Com o relativismo cultural
tais coisas tornaram-se um tanto descartáveis, posto que de acordo com a ótica do advogado
tais compromissos foram afrouxados ou mesmo descartados. Por um lado a ideologia do
oprimido justificava o perdão das dívidas e a necessidade de novos créditos com alforria
dos passados, do outro o caráter dominante dos gestores, dominadores, tratorava os
compromissos conformando a estrada segundo seus interesses, e se perdoavam. Claro que
isto engendrou a cultura do descartável, do peremptório. Nada tem muito valor, a vida é
passageira, usou joga fora.
        Veja se não é por aí o corre-corre. Por que será que se corre tanto, que se compete
tanto, que se busca tanto, e dificilmente se está seguro, tranqüilo, sereno e em paz? Por que
o movimento geral não permite, o moto propulsor não foi cultivado assim. A competição, a
disputa vai operando armas, estratégias de ação e ocupação, esquecida da harmonia. Por
isto o incremento da ecologia, que nada mais é que um conservadorismo não rotulado
politicamente como de direita, mas pelo contrário apropriado pela esquerda, pois é
“vanguardeiro”. O movimento dos opostos continua a buscar se equilibrar, mudança e
conservação na baila da criação. (O taoísmo se fundamenta no equilíbrio disto, do Yin-
Yang)

       Conta nossa história, relativamente recente, que os compromissos eram verbais,
quando muito se empenhava “um fio de bigode”. E pronto. Isto só pode se dar a partir de
um valor, que resida dentro de cada um, mas que more também na cultura, para que
verdadeiramente tenha valor social, assim é como moeda corrente cunhada por cada um e
avalizada pela cultura de um povo.

       Assim se morre, assim se vive. A honra supera a morte. Se morre pela honra, pois se
vive na dignidade, e se deixa a dignidade para os próximos e para o porvir. Assim se é
digno de um respeito imperecível. Claro que isto é atributo da fé, do que se acredita, não
em termos do comumente designado como religioso, mas o que se acredita em termos de
vida, uma fé cultural.

       Mas é claro que a religião é o alicerce existencial da cultura, mas até que ponto? Até
que ponto seguem as palavras do Mestre? Jesus morreu mantendo sua dignidade, os santos
idem, grandes homem também. Mas o que é mesmo dignidade? Às vezes vejo isto como
uma besteira pueril, um Castelo de Areia. Será que realmente vale a pena edificar na rocha
da consciência ou ser como uma folha ao léo, que caminha com o vento, ou como a água,
que toma a forma do recipiente que ocupa? No final das contas Jesus morreu nas mãos de
um monte de safados que viveram e continuam a viver.

        A construção da dignidade é interessante para quem quer conformar um caminho de
estabilidade. Andar em harmonia e tranqüilidade. Assim sabe o que plantou, e o que vai
colher. Mas na instabilidade ta tudo na incerteza, a luta ta virando a mesa. Assim a mente,
assim a concepção de vida do homem. Pá, Buf! Assim é que assisti depoimentos de
meninos armados do morro falando sobre suas vidas, de poucas perspectivas de tempo mas
muito intensa, e cheia de dignidade “criminosa”.

       Tem amor a dignidade? Tem amor a consciência do caminho? Tem a honra?

       Eu acho tão feio como os políticos se criticam, ou mesmo como os noticiários
anunciam. Denunciam a idéia alheia, a concepção ou mesmo a ação do outro sem o cuidado
do respeito à história de vida, ao plano de cada um, ou seja, sem construírem para sua
própria nação um ambiente de profundo respeito ao ser humano. Tá vulgarizado. O homem
ta vulgarizado, a vida ta vulgarizada. Ta igualada num baixo nível de amor ao ser humano.
Se as autoridades assim são tratadas imagine a “gentalha”. Não há excelência comunitária,
não há excelência de referência: todos são corruptos ou errados, falhos, incompetentes etc.
Ora minha gente, isto não é apenas o caos aparente, é presente. É a barbárie. Veja quantos
assassinatos ocorrem diariamente. Claro que primeiro vão os mais fracos, às vezes levando
porções preciosas dos ser global, uma parte que no amor seria muito feliz.

       Todos os ensinamentos sagrados são concordes no tocante à sacralidade de seu
ambiente; tem de ter tratamento especial, que vai desde a limpeza até o tratamento especial.
Tem um caminho que tem de ser respeitado, sacralizado. Quem sacraliza somos nós. Não
há sacralidade fora do olhar, fora da consideração humana. Como ter uma vida sagrada se
ela não é assim celebrada? Como ser evangélico se não seguir os ensinamentos cristãos? A
Barbárie é a pura competição. O direito à igualdade pela barbárie.

       Por isto a honra, a dignidade, são valores culturais de uma sociedade, valores que
constroem uma identidade. Eu admiro nossa bandeira brasileira. Nela está escrito Ordem e
Progresso. Seu caminho de sabedoria. Que seja com amor.

       Mas tem alguns que dizem que andam na luz. Matam e morrem de espada na mão,
cheios de raiva e ódio no coração. Alucinados pela honra, pela dignidade. Quantos não se
enfrentam tendo como alimento a defesa de suas posturas. Esqueceram da humildade, da
brandura de coração que traz a paz, da mansidão.

        Envoltos em conflitos vêem os demônios se multiplicarem, e as lutas nunca
cessarem. Tem, demônios e tentações em todos os cantos, lugares. E assim ficam a se
exercitarem, a se preparar para guerrearem.

       A falta de respeito, de zelo à Deus de Amor, a Deus de paz, a Deus de Harmonia, e
assim sua Santa Criação, é quem traz esta condição. E quando estão envolvidos nela dizem
que é a realidade que deus criou, deus do ódio, deus da ignorância, da inveja, do desamor.
Não sabem o quanto são criadores da própria realidade. Deus os formou à sua imagem e
semelhança, com livre arbítrio. E criaram um inferno.

A Luz do Amor é a Luz da Comunhão. Por isto Jesus falou sobre ela para viver nesta Terra.
Tem de amar para comungar. Se não vai ensimesmar. O poder vai profanar. Quantos
grandes não estiveram a pecar e à humanidade sentenciar. O povo os coroou, é uma
expressão de si que elegeram, conformaram como a melhor.


O prazer não é sinônimo do amor. Há prazer até com a dor. Há energia, há satisfação com a
destruição. Saciam sua sede na dor. A vingança é um prato cheio.

Mas depois vem o amargor. Quando estiverem a serenar, e pela porta da harmonia quiserem

entrar, vão conhecer quanta dor tem de pagar. Ceitil por ceitil. Quando a derrota lhes

entranhar, e o ódio começar a faltar, vão conhecer o prato cheio de amargor com que

estiveram a se alimentar.
A vida é sábia em alertar. Meu espírito recebeu alforria, a minha carne tenta dominar. Ele é
sábio em operar, para no amor meu corpo poder derrotar. Derrotar com amor, amar para na
unidade se encontrar. Esta é a verdadeira vitória.

Por isto sim honra e dignidade. Uma comunhão paradisíaca. O Mestre não disse: mantenha
sua firmeza de consciência, seu caminho mental até o fim. Ele disse amai. Se o caminho
não tiver amor, não tem a comunhão que permite a vida da fina flor. Ele não disse: jogai
fora vossa consciência, não a dê importância, ele apenas declarou como primeiro
mandamento o amor.

O Poder está na luz, sem luz não há poder. Alucinados matam o que está para ser morto. Se
não fosse da vontade do Pai não teriam assassinado Cristo. O Pai do Alto é a Consciência
Iluminada. Acabou a sua missão, ele devia se libertar daquela forma pesada, e era aquela
forma que havia de ser sacramentada. Pronto, cumpriu sai missão. Foi viver noutra
dimensão. Inacessível aos comuns de então.

Por isto é que vos digo que para se resgatar a luz do coração vale a pena andar na escuridão.
A caridade é uma benção. Quando li que a dádiva do amor provém do Espírito Santo fiquei
a pensar o por quê daquela condição. Assim descobri que é porque é a graça da comunhão,
a comunhão do Espírito Santo, a comunhão do amor. O 4º Chacra, o do Amor, o do
Coração, é o Chacra da Comunhão. No centro do peito, o sol universal, que abrasa de amor
por toda existência, toda, inclusive a humana: “Amai a Deus sobre todas as coisas, e ao
próximo como a si próprio”. Note que o segundo termo é uma redundância de realce do
humano na relação de amor.

Assim é que na consciência sem amor falta Deus em todo seu esplendor. Assim, com amor
vem a liderança, o comando, a consciência do caminho, a visão, e a compreensão da vida, a
vida celestial.

Isto tudo é possível em várias gradações, de várias maneiras, mas a plenitude é única, e os
desequilíbrios ficam a tragar para se equilibrar. Assim é que os problemas são transmutados
em soluções, esta é a alquimia da sabedoria. Saber e crer que tudo é pela sua santificação,
tudo é para a Graça de Deus. Em tudo dai Graças a Deus é uma verdade que se revela
apenas na Consciência Superior. Fora dela se cultiva tal pela fé, pela lembrança desta
verdade. Contudo isto é um despropósito de acordo com, a identidade, com a situação em
questão. O fato é que a Consciência Superior é sempre presente e não olha pra trás, no
sentido de ser sucumbida fora do amor. Este é o verdadeiro sentido de “deixem que os
mortos enterrem seus mortos”. A Vida é graça sempre presente. Chorar por Amor é digno
de Louvor.

Assim um homem pode enriquecer com honra. E pode ser sacrificado por um meio
inóspito. Melhor seria se não o fizessem. Falo isto para testemunhar o caminho que desejo
semear. É tão bom o fruto do amor, que é o que desejo: que os ricos doem com caridade e
que os pobres recebam com graça e verdade. E assim haja a verdadeira fraternidade. E que
ninguém queira o que é do outro. Pois Deus sabe do que cada um precisa e é generoso,
podem acreditar.
                                     ESTÉTICA
        Aparência, forma, harmonia dos desenhos, funcionalidade, beleza. Estes são alguns
dos atributos da estética.

       A estética está relacionada com a intimidade, com aquilo que foi advindo pelo afeto.
Assim é que os padrões mudam de acordo com a cultura. O ideal de beleza tem suas
variantes, pois as afinidades são legados culturais ou advém das experiências pessoais.

        O padrão estético pode mudar. De outra forma teus olhos, ouvidos, sentidos, podem
revelar. Assim é que as pessoas aprendem a gostar. Afinidades e ideais são caminhos de
abrilhantamento do objeto estético.

       “Me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”, disse o poeta. Claro que sim, a
beleza é uma porta do contentamento, da alegria, da apreciação feliz de uma obra. Assim é
importante ser belo de corpo, de expressão.

        Mas o que me motivou a dissertar sobre esta questão foi o vício estético. A
aparência que predomina sobre o conforto e a saúde. Para mim tal fica feio, não justifica.
Assim considero algumas roupas, em especial sapatos. Um sapato bico fino ou que dá chulé
não entra no meu pé. E tem gente que cria calos, machucados, usando sapato duro ou
apertado. Haja ar refrigerado para ambientar os trabalhadores de paletó e gravata em pleno
clima tropical, além do que é pesado e prende o pescoço.

        Mas eu entendo que determinadas roupas estão ligadas a determinadas posturas.
Uma mulher de salto alto exercita o equilíbrio no caminhar. Há uma educação postural para
tal. Assim no caso do paletó e gravata, onde o sujeito deve permanecer emprumado para
bem traja-los. Então tais roupas requerem uma disciplina do vestir. Trajar com elegância,
manter a harmonia entre corpo e roupa a fim de evitar amassados ou tropeços.

       Mas note que há um viés, a vestimenta como um artifício para uma conduta
desejada. E no caso, uma cultura apropriada, pois tais modelos foram apropriados doutros
países de clima gelado ou cujo uso era apropriado em cirscuntâncias especiais e favoráveis.
Imagine andar de salto alto e fino numa estrada de terra. O pé vai afundar e é bem provável
que o salto venha a quebrar.

        Mas a mulher sonhou em aparecer naquele local toda bonita, vestido elegante, salto
alto. E como não pode levar sacola para trocar o sapato na hora, sai pela rua já vestida com
ele. E tais coisas vão se estendendo até chegar ao absurdo de andarem assim como padrão
de vestuário. E não é só ao salto alto que me refiro, mas aos modelos em geral que não
trazem conforto ou proteção ao pé do cidadão.

        Nós temos dedos nos pés, há todo um movimento que deve ser feito para mantê-los
sadios. E não só o pé, mas as pernas. Não sabe a inconsciente que quando estrangula seu
corpo na base, quando lhe impõe um padrão pouco saudável, está maltratando seu caminho.
Claro que pode haver compensações, daí advém cremes, talcos, raspagens, tratamentos de
varizes, joanetes etc.

        Claro que isto advém da ignorância, e é uma perversão. Já ouvi até o termo Tirania
Estética, ou simplesmente padrão de beleza artificial e inadequado. Se você vai desfilar, e
quer trajar por alguns momentos uma estética especial, que tenha a condição ideal para tal.
No caso do salto alto e fino, um carro à porta, um piso liso e não escorregadio, e um prazo
razoável de duração do evento, para que não se sinta cansada e queira tirar os sapatos em
meio à festa, à recepção.

       Então a estética caminha de acordo com o que se acredita ser importante, ser
elegante. E a beleza é querida e requerida. E é saudável admirar o belo, tornar-se belo,
embelezar. Contudo o que deves no fundo desejar é a beleza do coração, pois é esta que
revela a beleza de todos irmãos. Revela a beleza dos esfarrapados, dos doentes, dos fracos,
dos mal tratados, revela porque brilha de amor, é a solução por onde for.

                           JOVENS GUERREIROS
       Alguns roqueiros, funqueiros, ou de rua mesmo. Tem uma gana de verdade e vivem
no exercício da presença, num ritmo geralmente veloz, alucinante. Não só a música que
ouvem é acelerada, mas os vídeos e as coisas idolatradas.

        Isto os faz sentir-se vivos, ligados, eletrizados. Vejo isto como um reflexo, uma
resposta ao instituído em termos sociais. Encontram exercício próprio nesta forma de
expressão, liberdade em relação a uma apatia doentia, que seria concordar com as normas
instituídas. Daí provém a rebeldia. Uma luta existencial.

       Não são ainda economicamente competitivos, mas tem de se manter vivos. Então é
no plano mental e atitudinal que respondem ao social. Autonomia, individualidade, dentro
dos limites de suas capacidades.

        Os jovens são força viva de mudança, trazem as sementes dos ideais de seus pais.
Revigorados, inovados. É a espécie humana que caminha buscando sua alforria. Os filhos
são a vida nova dos pais, uma forma de renascimento, são uma expressão terrena da vida
eterna.

       Sem desejo não há filho. Os filhos são gerados e tem em seus genes a realização dos
desejos paternos, ainda que estes possam ser inconscientes. Há esta ciência da criação.

       Os caminhos tomados podem ser diferentes dos idealizados pelos pais, ou mesmo
dos normatizados por estes, mas o princípio foi posto, o ideal lançado, isto é indubitável.
Eles completam a unidade divina paterna. É assim que o homem sempre caminha para
Deus. Tudo para a santificação.

      “Eu nunca quis isto para mim ou para meu filho” é uma expressão que não responde
ao âmago da questão do que realmente está sendo trabalhado, operado, buscado. O jovem
foi lançado para dar uma resposta. Talvez não sejam muitos os homens que tenham plena
consciência disto, mas na família a unidade é celebrada.

        Não é só o casal que conforma a unidade (no casamento os dois são um), se há
filhos, estes passam a fazer parte desta união, desta unidade. Isto ocorre em diversos planos
e de diversas maneiras, é uma forma cooperativa de ser. Em outras palavras há uma
consciência coletiva que em si representa a unidade divina. Todos se completam como um
corpo único perante Deus.

       Cada categoria angelical tem uma consciência coletiva. Cada espécie de animal
idem. Isto é um dado consciencial decodificado em termos dos dons naturais, inclusive
corporificados, ou seja, escritos na forma de cada espécie, de cada categoria, através da
expressão genética, genótipica e fenótipica. No animal isto é fácil visualizar pela forma que
caracteriza sua qualidade e distingue cada espécie.

       Na espécie humana isto também ocorre. Há uma consciência coletiva humana. E
nesta ainda há subdivisões dos dons. Me refiro aos dons inatos, que são descritos desde a
antiguidade como próprios de cada ser, ainda que alguns pudessem ter vários ou todos (o
que Cristo fala acerca de seus apóstolos).

       O dom de julgar, de curar, de plantar, de criar, de pintar, de fazer música, de dançar
etc. Mas além destas consciências inatas, há também as raciais, as culturais de cada nação,
povo, corporação. Todas elas celebram um tipo de consciência coletiva, e onde há categoria
há uma consciência que a estrutura, uma cultura.

        A base é o ser. O princípio e a célula básica da unidade. O homem que é um com
Deus atingiu sua individualidade no mais alto grau da existência. Atingiu a consciência
espiritual no mais alto nível. Assim, ainda que possa viver em sociedade, sua consciência
não é coletiva, e ele se integra pela harmonia.

        A sua identidade grupal é diferenciada da convencional, pois ele não é uma parte
que se equilibra como tal em relação às demais partes. Ele é um todo, é uma unidade que
pode se relacionar com as demais unidades. Unidades de diversos tamanhos em termos de
corpo, unidades corporativas, pessoas jurídicas, institucionais ou mesmo culturas raciais.
Assim também ocorre com a natureza, a criação divina. A consciência do indivíduo
realizado se relaciona com a consciência de cada manifestação da criação. O
relacionamento é amplo e profundo em termos da criação, é simples, é existencial, para o
consciente; e para o “ignorante” o aproveitamento é relativo à sua condição (vide o
caminho e a situação de cada um, vide a parábola do semeador).

        Vencer o mundo não tem o significado guerreiro destrutivo, mas pelo contrário
conquistar a unidade divina, a comunhão maior, a harmonia universal no individual,
libertar-se da multidão em conflito de um corpo mal resolvido. Um novo tipo de comunhão
vai celebrar, a comunhão de um corpo realizado. De bem com a vida vai celebra-la.
Celebrar a comunhão maior. O Todo está na Parte e a Parte está no Todo.
       Então no final o que caracteriza a unidade real é o sentimento interior e profundo de
unidade, estar consigo mesmo em toda sua integridade. E isto para o mundo tem uma
expressão, que é o amor. O amor é um estado de comunhão, manifesto pelo chacra da
integração, o do coração, no centro do peito. E o poder disto é o de amar.

        Bom, mas voltando aos jovens, os jovens querem isto encontrar. Eles têm a força
disto conquistar, ainda que iludidos possam do amor se afastar no afã de se libertar. Por isto
um Hino Cristão ensina: “Pais não planteis ais para futuras gerações, filhos honrai vossos
pais”.

       Não é só aos jovens corporais que venho declarar, mas aos jovens em relação à
compreensão da vida. A luz da força e a luz do amor podem e devem ser uma, pois a luz da
força sem amor cria muita dor. Guerreiros e nações já ficaram alucinados pela pureza de
suas pátrias, e guerrearam, e sofreram.

       A luz do amor é a luz da comunhão universal. Ela encanta a natureza de outra
maneira. Ela faz brilhar o amor por todas as coisas, a admiração pela vida. A luz da força
dá a disposição para a batalha, como um rio que corre forte carregando-o cheio de
disposição dentre as veias da nação. E você sai ceifando com força e vigor todos os
obstáculos que vieram a se interpor. É a Luz e a Força do Guerreiro. Claro que isto é Força
Divina. Mas não é amor. O amor é comunhão. Quando ele se estabelece há harmonia no
universo.

        Por isto algumas instituições ou pessoas que estão com excesso de energia devem a
caridade encontrar, vão se equilibrar, o amor reencontrar. Caso contrário vão lutar para
retificar, conformar, disciplinar, adaptar, moldar: os caminhos do guerreiro vão trilhar.
Volto a dizer, nisto não há mansidão ou brandura, há a paz da ação, da transformação. É a
Revolução.

        Mas não é a revolução do amor. Isto não quer dizer que a força não provenha do
divino, que não seja justiceira, que não vá arrumar a casa. O Senhor da Paz também é
Senhor da Guerra, e cada um sabe de sua condição. Apenas eu sonho com a misericórdia de
todos para que haja a verdadeira e duradoura Paz.

        Energia pode ser trabalhada no caminho da lei. Empregando de acordo com a lei o
presente divino para imprimir mudanças. Assim pode-se utilizar a energia para construir,
para se divertir. O esporte é um meio de aperfeiçoamento físico-mental que eleva o ser. As
artes. Enfim o trabalho, até o do computador. Então tem várias maneiras de operar
transformações e aproveitando o espaço que se tem, sempre fluindo para o bem.

       Deixe a Deus, aos iluminados, corrigir o que está errado.

        A Revolução que imagino é pacífica, tem a força gigantesca do amor. Ela convence
a quem for. Os frutos da doação não carecem do perdão. Eles vêm pela sensibilização. Mas
os frutos da justiça cega são difíceis de não deixarem seqüelas.
        Aqueles que estão na luz não vão cair, seus caminhos, firmes e tranqüilos, vão
seguir. Os demais vão se consumir. É Lei do Equilíbrio Natural.

       Então o indivíduo que experimentou amar tem esta contribuição para dar.


IDENTIDADE DE CLASSE
       Este é um conceito comum em relação aos extratos sociais, e não só a estes, mas às
relações onde há um pacto de fidelidade para a formação de um corpo, uma instituição. Da
família à cidadania mundial há aspectos sociais de solidariedade que moldam o indivíduo
segundo uma identidade classista.

        E daí? Como sair disto? É simples. Sacralizando. Ampliando e encontrando o
primeiro e único mandamento: amando. Este sentimento de comunhão universal é
libertador. Só ele acaba com a dualidade que classifica uma parte em relação à outra num
sentido valorativo “negativo”. Se na faculdade do sentir o amor integra universalmente, na
faculdade da razão é a compreensão quem traz a integração perfeita. Ela vê com lógica,
inteligência, clareza, toda organização da vida universal.

        Numa práxis comum identidades classistas restritivas, conflituosas, são prisões. Elas
tentam segurar os indivíduos conforme suas limitações. Outro dia vi um filme interessante
que bem demonstrou tal em relação à projeção de uma cidadã em relação ao seu meio
“pobre e ignorante”, e note, seu caminho, sua libertação, foi conforme seu desejo foi sendo
desperto para outras coisas, que a levou “na boa” a dedicar-se naquele sendeiro, o que foi
feito sem frustração traumática dos elementos comuns que a cercavam, hábitos sócio-
ambientais comuns aos demais de seu entorno, mas de forma livre e natural como alguém
que se entesoura por algo que se tornou especial para ela (não está na moda nem é o
caminho comum da casta).

        Mas estejam certos de uma coisa: tal realmente costuma ser raro, pois o social
cultural, o meio-ambiente, é condicionante. É uma corrente de força que tende a lhe
carregar dentro de suas cercanias. Diz uma antiga teoria sociológica que as pessoas, as
classes, apenas trocam de papéis quando lutam, a acabam tendendo a reproduzir as mesmas
histórias, num processo de ação e reação, causa e efeito, ou ainda, quem com ferro fere,
com ferro será ferido. Assim a oposição quando se torna governo quer, faz suas mudanças e
quer celebrar a paz e a estabilidade, e assim se torna conservadora. Já aqueles que saíram,
se não satisfeitos com a mudança, agora querem celebrar sua nova transformação, e se
dedicam na oposição para reconquistarem o poder. E assim vai num processo interativo
dialético. Sorte dos que acreditam que este processo é evolutivo, ou seja, ele é caminho do
aperfeiçoamento, sendo feito cada vez mais na paz, conforme princípios éticos cada vez
mais respaldados na compreensão e no amor.

       Na síntese última está o amor e a iluminação.

                               CIÊNCIA E MAGIA
        O meu grau de refinamento e aprofundamento me permite dizer que a ciência está
avançando para alcançar a magia. As duas tem o mesmo princípio, mas a magia veio antes,
é interior, e é celebrada há muitos milênios, sendo a ciência apenas uma sua expressão
racionalizada.

        Contudo não devo negar haver ignorantes na prática de ambas que como tais se
rivalizam, construindo castelos de poder. O corporativismo científico ou religioso (aqui no
sentido de mágico) é uma lástima que acusa, sentencia e penitencia.

        Os corpos sutis ainda são pouco trabalhados cientificamente, principalmente no que
se refere ao humano, ainda que as energias estejam cada vez mais sendo manipuladas pela
ciência: vide a eletricidade, as ondas de rádio, a energia atômica, o laser etc.

        A garantia da magia é a fé popular e pessoal. A garantia da ciência provém de
institutos de certificação e controle de qualidade. A magia é um fenômeno que se credencia
segundo um caminho popular, a ciência segundo um caminho acadêmico, institucional.
Claro que ambas são atestadas e aferidas em seus meios. São vitoriosas conforme sua
eficácia e força.

        A ciência se sobrepôs à magia, pois ela universalizou seu campo de ação ao evento
certo, ou ao menos probabilisticamente eficaz (acima de 50 % de acerto, estabilizando na
casa dos 90 a 100 %). Assim ela dominou a política. O que é certo, cura, funciona, é
testado, medido, analisado, e se aprovado é liberado, divulgado, popularizado.

       Assim pode-se dizer que a ciência é o caminho seguro de entendimento da magia,
de certificação e garantia da magia. Mas quando ela coíbe, num processo de Estado
Vigiado, ela inibe o que ainda não pode controlar, o que deveria melhor estudar e observar.

        O problema nisto é haver cientistas de espírito comezinho, egoístas e tiranos que
celebram uma determinada segurança sob o pesado bastão do cerceamento e confinamento,
sob o custo da liberdade de um povo. Mas os corações não se rendem, e daí as várias
expressões do sentimento que tocam milhões, bilhões, sinalizando que há entre o céu e a
terra mais coisas do que a vã ciência conseguiu alcançar. Assim a religião, a magia, voltam
a ser, pois carregam um coração, e lembrem-se que o coração representa o sentimento de
comunhão, de harmonização universal (é o chacra do meio, entre os canais superiores e os
inferiores).

       Sem o coração ninguém alcança os Planos Superiores da Existência: ele faz parte do
caminho e deve estar aberto para que se tenha equilíbrio universal. Os Planos da
racionalidade material não enxergam o Plano da Espiritualidade. A espiritualidade é sentida
pelo coração (4º chacra), é inteligível pelo verbo (5º chacra), é vista pelo olho espiritual (6º
chacra) e compreendida pela coroa universal (7º chacra).

     Todos eles podem estar funcionando, mais eis que o cerne de cada um pode estar
em um dos discos, um dos chacras, um dos centros universais de energia. Vide que isto é
comum numa sociedade pouco espiritualizada. Vou lhes dar um exemplo cabal disto.
       Cristo, depois de ressuscitado, encontra com seus discípulos pelo caminho. Eles
apenas O reconhecem após a ceia, quando Jesus abençoou o alimento e lhes deu de comer.
Ora, é claro que tal fato é denotativo que não tinham a visão espiritual, que estavam
centrados no Plano Material. Através da barriga O reconheceram.

        Através das obras do mundo material buscam os céticos a Deus. Vide que sempre
pediram milagres, provas materiais “irrefutáveis”. Quem está preso na dimensão material,
limitado a ela, não enxerga os Planos Superiores, não vê o espírito. Mas ao contrário, o ser
espiritual enxerga a dimensão carnal, e sabe o que se passa quando reside o egoísmo, a
desconfiança e as estruturas de poder típicas dos interesses das riquezas perecíveis,
mundanas, ilusórias pois filhas da dor.

       A ciência como toda obra do Reino de Deus é pura, é divina e santa. Ela é graça que
se derrama, é a Luz da Razão. Por outro lado a magia é a filha da ilusão quando navega
pelas raias do engano, da soberba, da teimosia e falta de compaixão. No Astral, no
Universo Sutil, há casas em estados iguais ou piores do que o Terreno. Tê-las contatado é
apenas indicativo de uma ligação, de pouco valia se não houver compaixão.

       A visão espiritual parcial pode ser limitada ao próprio umbigo cheio de dor e
desespero. Rica em representações da desgraça humana. Sem compaixão ela apenas pode
revelar a digestão humana, repleta de transformações intestinas própria da decomposição
dos compostos orgânicos, dos organismos vivos, e reaproveitamento de seus componentes.
Isto que ocorre com os animais e vegetais em termos micro dentro de nosso organismo
humano ocorre no macro, no mundo. A questão da espiritualidade não é ver isto, mas sim a
consciência com a qual se conhece estas coisas. Se o indivíduo acreditar que diante de tais a
vida se resume a isto, está imerso no vale de Lágrimas. Sem consciência, sem crer na
salvação, a tendência é que reproduza a mesma dinâmica que representa a Cadeia
Alimentar de presas, predadores e decompositores do Reino Animal. Assim são Filhos de
Deus que na ignorância se comportam como criaturas, pois perderam a consciência, caíram
do Céu Paradisíaco. A magia destes seres de pouca luz é a magia das trevas.

       Então é isto, magia e ciência são uma só coisa para os olhos daquele que
compreende a Vida, ainda que estejam trilhando caminhos próprios, específicos. Não há
ciência sem magia, nem magia sem ciência, pois são frutos de uma só essência universal.
Magos e Cientistas são seres brilhantes percorrendo caminhos divinos. Na Unidade do
Divino Espírito Santo são Um.


OS DONOS DA TERRA
        Costumam coloquialmente afirmar que os donos da terra são os índios, mas esta é
uma visão histórica primitiva. Afirmar isto nos dias de hoje muitas vezes é legitimar e
reificar o sistema de propriedade privada, a forma egoísta da relação com a terra que os
legítimos índios tanto combateram.
       O que eu falo aberto e claramente é que o discurso de propriedade, sem bom senso e
honestidade, no qual deve estar presente a visão de sociedade, de nação, da situação
hodierna da civilização como um todo, não passa de mais um apelo corporativista e
segregacionista.

       Os índios de outrora, o sentimento legítimo de liberdade e intimidade com a terra,
de forma alguma ficou aprisionado num povo hoje denominado índio. Ele está disseminado
por aqueles que carregam este espírito, seja onde for e em que situação for. A Terra em
verdade compreende o campo e a cidade, os mares, e hoje até os ares.

        Dignidade de vida, bem-aventurança, equilíbrio nas relações econômicas e
espirituais é o desejo, consciente ou não, fundamental de todo cidadão. Isto é paz e
felicidade.

       Há pouco vi num filme uma frase sobre os aborígenes australianos que me chamou
atenção, ela dizia: Não são eles que têm a Terra, mas a Terra, que é sua Mãe, é que os têm.
E quando se fala de mãe se fala de berço, de amor, de carinho, compaixão e condução.

        Então operários, indigentes e viventes em geral são descendentes de índios, há um
tempo maior ou menor, e carregam na sua história cultural a bagagem cultural da
miscigenação. Chamam os japoneses, os filhos misturados, de Ainokô, que traduzido
significa: Filhos do Amor. Amor: comunhão.

        Eu não me sinto um invasor, e não é só porque corre em minhas veias o sangue
indígena, mas sobretudo porque Sou um cidadão Universal, livre de preconceitos. Porque
acreditei no amor, porque sou cristão.

       Assim o Planeta Terra nos pertence, e a cada um de acordo com o seu Zelo, com a
sua condição de zelar. Eu nunca ouvi falar em minha educação de preservar o que é ruim. O
que é ruim é para descartar, deixar passar, sanear, curar.

        Uma nação deve ser de irmãos, este é o sentimento que deve ser primado e
reificado. A luta de classes, de raças, de gênero, não deve perder este horizonte para não
sucumbir em sua própria queixa.

       Entregar na mão de Deus os frutos do amargor de vivências difíceis passadas e
antepassadas é caminho do renascimento numa nova estrada iluminada. Perdão é libertação
dos sentimentos mais comezinhos que flagelam o homem. Não é falta de memória nem
perda de consciência, é amadurecimento e condição de sabedoria para viver na Paz e Luz
de Deus.

        Gandhi liderou a libertação pacífica do Povo Indiano. O exemplo histórico existe.
Claro que o povo indiano, quase 1 bilhão de pessoas, é um povo espiritualizado, ou seja,
possui cultura que acredita no caminho e na força da Paz, na perfeição e na benignidade
divina. Sem essa fé com certeza tomariam outra opção e teriam guerreado como outros
tantos o fazem.
        Todo aquele irrealizado está preso. Pode ser preso à sua fortuna, à sua Terra, família
etc. As cadeias são as mais diversas para aquele que não tem luz, pois vive insatisfeito. O
pobre aprende na pobreza a lição de amar a abundância. E amar não é deseja-la
sordidamente, é despertá-la na relação com a natureza, inclusive diante dos homens ricos.
Quem odeia os ricos se furta diante da beleza da vida. Queima e abrasa onde poderia brilhar
e ensinar, se tivesse em si riqueza maior, sentimento mais nobre, luz.

       Então a vida é uma escola do amor. Conheça seus limites, respeite-os, mas não
perca do horizonte esta verdade, este sonho de felicidade de andar com o coração e dentro
dos corações, andar Com e Na Luz de Deus.

       A Terra, verdadeiramente a têm, aqueles que andam na Paz e no amor de seu gozo.
Na confusão todos temem até pelo seu corpo. Andam preocupados com filhos, família,
emprego e até os parcos e miseráveis bens. E destroem castelos pelo puro gosto da
expressão de seu ódio.

       A libido da guerra cria a prática da luta, do investimento em armamento, a
competição para ver quem vai vencer em cada momento. Cria o celibato, a dieta, o excesso
de reza. Reprime o prazer e eleva a vigilância, numa clara postura de militância.

       Eu gosto muito de pensar o mundo como um mundo de amigos, e para aqueles que
estão em conflito, considerar que no máximo no mundo há amigos e amigos a conquistar.
Inimigo é uma palavra que se deve riscar.

       Me perdoem os irmãozinhos que tanto tem sofrido e padecido. Se vos critico é
porque na iminência de conquistares o Tesouro maior não quero que vos perca na Ilusão do
Mundo. Assim é que critico aos que amo, para vos firmar na santificação, corrigindo o
Vosso Cruzeiro, Luzeiro que da Terra deve se expandir às estrelas.

       Só há uma Terra que verdadeiramente vale a pena conquistar: O Paraíso. Este é o
horizonte que tenho a me guiar. E eu a quero, para mim e para aqueles que dela quiserem
comungar, na Graça de Deus.


                              ÁLCOOL E DROGAS
        Todos já ouvimos falar do termo “envenenar um carro”, aditivar, ou seja, colocar
algo com ou no combustível que traga um maior desenvolvimento ao motor. Assim há mais
força, mais velocidade. Isto é o princípio dos energéticos químicos. A comparação entre o
carro e o organismo humano é evidente.

       Mas há ainda outros estados que são trazidos pelas drogas que produzem alterações
dos sentidos, das emoções, alguns ocasionando o chamado “estado alterado de
consciência”. Psicotrópicos, como são chamados pela ciência, é um termo técnico, que
trocado em miúdos significa: psico (mente, consciência), trópico (crescimento,
desenvolvimento). Caso tal seja orientado por uma autoridade médica, ou seja um mestre
no assunto, o psicotrópico é abençoado culturalmente, e o chamam de remédio. Caso
contrário ele é droga, entorpecente, e o significado semântico sofre uma distorção, pois tais
substâncias passam a não mais servir ao desenvolvimento mental, mas ao mal possível
quando utilizado sem o devido acompanhamento e sob circunstâncias não salutares (vide o
problema dos excessos, também chamados de Overdoses).

        Vou avançar um pouco mais no campo mental e me referir aos aspectos de
personalidade possíveis diante das mais diversas circunstâncias. Estar vigilante,
normalmente usado na linguagem religiosa, aqui bem serve como designativo de estar
atento para não embarcar em caminhos difíceis, perigosos, mortais. E isto eu falo em
termos atitudinais, ou seja, em relação ao que se faz, se fala, e até do que se pensa (estes
últimos para quem vive numa dimensão maior de responsabilidade pública /
espiritualidade).

        Para vos apresentar o que significa isto vou representar um quadro elucidativo.
Imagine que você está em meio a uma guerra, vendo o inimigo matar crianças, velhos,
pessoas em geral, e as maiores barbaridades ocorrendo, o clima de horror está instalado,
muita ira e revolta assoberbam o ambiente, ou seja, muita energia, destrutiva (claro que não
é um êxtase amoroso, mas um desejo de gozo, da satisfação pela morte alheia) está no ar
que você respira, no alimento que consome. Ora isto tem força, incendeia, um rio do desejo
de morte e vingança se forma, e tende a arrasta-lo. Você é da Paz, mas a situação o
conclama para a guerra: você é convidado, conclamado, convocado, obrigado e até
sacrificado se resisir. Vide que vos narro algo extremo, de resistência e conflito. Houveram
nações que passaram por isto, que passam por isto; e há pessoas, categorias corporativas
(sociais não só econômicas, mas ideológicas de diversas ordens) que estão nisto.

        Assim pode haver forças de outras ordens, como as que envolvem separações
conjugais, opções sexuais, rupturas, ousadias e riscos das mais diversas ordens, loucuras
que excitam, que alimentam as sensações mais densas, fortes. Esportes radicais, aventuras
perigosas, e daí você pode ser polícia ou bandido, mas tem de estar naquele meio,
defendendo sua paixão, trabalhando na seara de seu objeto de desejo, aquilo que o mantém
aceso, ligado, com energia vibrante.

        Se tais coisas forem bem administradas, abençoado você será vitorioso e receberá
glórias. Mas o comum é que haja frustração, dor, doença, decepção, na hora ou mesmo na
velhice. Numa competição de qualquer ordem costumam haver poucos ganhadores, o que
só muda se todos forem bons perdedores.

        A excitação trazida por algumas drogas lhes abre os canais de ligação para entrar em
ambientes de tal ordem energética. Quem medita pode assistir isto à distância, pode ver tais
coisas, percebe-las com imagem ou como pensamento, sem ser tragado, pois está ligado na
Luz de Deus, Vigilante do que se passa. Mas quem não tem esta estatura, ou ainda esta
“maturidade de vida”, está mais vulnerável, mais fácil de ser tragado.

       E daí toma atitudes que não tomaria noutra situação de mais paz, tranqüilidade, ou
ainda em melhores ambientes ou condições para a Vigilância. Um médico caminha curando
os doentes, não adoecendo.
        Então é isto, o problema não são as drogas em si, mas como usa-las: quanto usá-las,
como combina-las, em que ambiente desfruta-las, o ritual a ser celebrado, e o cuidado para
não cair, a defesa para não sucumbir. Embriagar o inimigo para depois surpreende-lo em
sua fragilidade é uma tática antiga de guerra. Uma dose depois de outra pode engendrar tal
situação, ficando depois mais difícil para controlar a situação. O choro e o ranger de dentes
da merda feita: é melhor evitar. O desejo de tomar mais uma dose eu já tive até no Daime,
“para a Luz encontrar”, e creio que seja o mesmo para aqueles que no álcool ou nas drogas
em geral querem a felicidade encontrar. O problema é que depois pode ficar mais difícil
para administrar (você ficou bêbado ou “entrou literalmente na Peia”). A cada um de
acordo com a sua consciência, e com o crescimento sua cabeça vai se tornando dona de seu
destino, menos sujeita aos zeladores externos, mais responsável por sua maioridade. Por
isto liberdade com maturidade. Saber viver, ser dono de seu nariz, dirigir o próprio barco, é
viver com autonomia. Por isto os Pais zelam até que a personalidade esteja consolidada, por
isto o Pastor guia o Rebanho até a Salvação. Por isto a educação. Deus é Bom.

       Discernir o Joio do Trigo é saber a diferença entre o Vinho da Comunhão Cristã e o
Vinho da embriaguez promíscua. O carro envenenado, correndo, tem de ter piloto atento,
principalmente se numa pista de mão dupla com buracos, curvas perigosas e outros
intervenientes.

       Jesus andou em meio aos pecadores, ceou com eles. Um missionário, um catequista,
é um conquistador de Deus. Mas estes têm “resistência física” (lastro de formação que os
mantém imune às doenças), e/ou ainda consciência firme de seu propósito, são
incorruptíveis.

       Já ouvi falar de gente que tem medo apenas de doenças exóticas, ou seja, de raras
coisas que ainda não conheceu, pois das outras tem anticorpo, está vacinado, não cai. Estes
podem andar muito. Sei daqueles que andam pela fé, estes vão longe, até onde Deus quiser,
pois são entregues às Graças e Bênçãos Divinas. Os iluminados são cônscios de Sua Luz.

         Mas vou falar de cachaça e incorporação. Ora isto é uma coisa comum, celebrada
em ambientes rituais, onde os habitantes das profundezas, de chifres, rabo e cor vermelha,
bebem e fumam muito durante os rituais. Estes seres astrais, representados bem Terra nos
rituais, com a cor do Chacra Básico (energia espiritual presente no 1º canal de energia da
coluna vertebral, na região do cócix), são “símbolos” representativos do ser humano nesta
dimensão da existência. Tais seres no amor podem ser vistos como aquela personagem de
desenho animado chamado Brasinha, ou seja, um ser bom e amigo de todos. Na dor são os
Diabos, os malvados e cruéis agentes da morte, destruição e toda sorte de paixão mundana.

       Com os canais abertos e tanta energia posta para dentro, bebendo e tragando
fumaça, odiando ou alimentando qualquer sentimento desamoroso, a condição se torna
propícia à intrusão do caminho da morte e da dor, que são caminhos de transformação, ou
transmutação como nos revela o Tarot. Os códigos e as leis morais, culturais e a educação,
contam na guarnição, o ambiente do local também conta, a idoneidade e o propósito do
provedor (zelador do bar ou ministrador da bebida) também contam, assim como também
conta a dosagem, os tipos de bebida, a circunstância social e o que está sendo evocado ou
trabalhado. Tudo isto tem sua contribuição na passagem ou não de determinados aspectos
do comportamento humano (isto levando em conta as possíveis fases do Leão, do macaco e
outras, que foram utilizadas para descrever os possíveis comportamentos de um ébrio).

       Normalmente fora da linguagem espiritualista ninguém diz que fulano de tal
recebeu o santo ou que baixou alguma entidade quando ocorre alguma mudança de
comportamento. O costume é usar outros termos para designar a mudança de
comportamento: “fulano se exaltou, se tornou brilhante, se encontrou, se revelou etc”.

        Bom, o mundo tem todas estas coisas, e você pode ser mais ou menos suscetível a
elas. Então cuida, zela pelo teu caminho de acordo, e bom acordo, com tua condição.
Caminhe na Bem-Aventurança, pois esta não te traz problemas, nem agora nem depois. Sê
feliz, puro e simples. E, Graças a Deus.

                    EXPRESSÃO SÓCIO-CORPORAL
        A expressão da sabedoria de um povo pode ser percebida pelo corpo. Vou sinalizar
com dois prodígios que me chamam atenção, ao menos pelo exemplo que tenho aqui no
Brasil. A cultura japonesa pode ser representada pela expressão erguida, coluna reta (são
até meios duros nos movimentos em geral). Atribuo isto à ênfase que dão ao mental, pois
me parece que andam equilibrando suas cabeças, principal foco de sua atenção e região que
mais brilha nos seus corpos. Já os negros quanta vitalidade corporal, onde salta ao meu
olhar os pés e cintura, haja vista que venho da terra do samba (onde os pés e a cintura são
mais usados nesta dança), ainda que notoriamente admire a capoeira, que desenvolve toda
expressão corporal.

        Claro que isto representa a expressão dos povos: é uma forma de leitura das
tendências de expressão, que claro está relacionada à forma de estarem no mundo. Como já
vos falei dentre os japoneses há os “negros” e dentre os negros os “japoneses”. E no Brasil
isto se mistura de maneira formidável.

       Note que há pessoas que falam com o corpo, cheias de expressões gestuais,
posturais. Outras falam com o corpo quieto, e quando mais, com expressões faciais. Assim
como há pessoas que possuem estas identidades expressionais, há povos.

        Ainda continuando com negros e japoneses (falo de raça e nação porque é o que
conheço no Brasil, onde os descendentes de negros a mim não foram diferenciados por
nação, mas já os orientais sim, sendo que principalmente convivi com japoneses), lembro
que suas expressões rituais divinatórias guardam também tendências bem distintas, tendo a
tradição nipônica o caráter da celebração meditativa, na quietude, ou por cânticos e artes
feitas buscando trilhar o caminho óctuplo, da pureza e perfeição de cada atitude, também
chamado de caminho reto. Já o ritual negro, das celebrações de Terreiro, costumam ser
mais instintivos e realizados comumente com o uso de artefatos mágicos (elementos
naturais) e incorporações de energias ou espíritos; assim cantam e dançam com muita
vibração sem se aterem metodicamente à repetições sistemáticas no intuito de atingirem a
perfeição. No oriental o domínio da energia cósmica é celebrado via a sensibilidade e razão.
No africano o mesmo se dá via a fé e o sentimento. Creio que isto represente o culto com
predominância do Pai e da Mãe respectivamente.

        É claro que há porções do Pai e da Mãe em ambas. Vide que na preparação da
cabeça das Mães de Santo (creio que dos Pais de Santo também), estas ficam 40 dias
reclusas num quarto, num processo de “feitura de cabeça”, onde são tratadas de forma
especial em termos do alimento que consomem (comidas consagradas, abençoadas), do rito
que praticam. No Japão também se trabalha com os espíritos da natureza, havendo cultos
que celebram de acordo com os espíritos das montanhas, das águas, dos elementos naturais
em geral, usam incensos, devotam alimentos aos mortos (oferta de arroz aos falecidos
queridos) etc. Conheço pouco do xintoísmo e outras formas de celebrações japonesas, tendo
tido mais contato com o Zen Budismo, contudo para a finalidade deste texto creio que tal já
seja esclarecedor.

      No mistério da vida quem é mais feliz: aquele que segundo a razão quer iluminar-se
ou aquele que com o coração quer encontrar a salvação? Assim me parece que temos dois
pés num só caminho. Coração e mente unificados e iluminados é o ideal.

        Note que tal expressão de distinção entre japoneses e negros brasileiros pode ser
ampliada, guardada suas devidas restrições, para compreender a diferença entre o Ocidente
“Cristão” e o Oriente “Budista”. A doutrina cristã como muito para fora, para o
comportamento diante do mundo exterior, conforme os ensinamentos evangélicos (o amor,
a caridade). A doutrina budista é de muito cultivo interior, do aperfeiçoamento do eu para a
correta expressão diante do mundo (A reta expressão, a perfeição).

        Historicamente já houveram grandes cismas, ou seja, divisão conflituosa onde reina
determinada tradição, que pode ser vista como um lar em desarmonia onde o pai ou a mãe
se tornam tiranos dominantes. Isto é ruim e creio que já tenha sido aprendido. A fecundação
é do Pai, e o zelo é da Mãe. Assim será enquanto houver sexo e forma de expressão
distinta. Dizem que no céu não há sexo, mas certamente há outras formas distintas de
expressão, haja visto que todas as tradições falam de papéis distintos e até hierarquias. A
chave não está em não haver diversidade, mas sim em haver harmonia da criação, amor. Na
harmonia isto é perfeito; na doença a mãe deseja ser pai ou o pai a mãe. No caminho os
dois podem se experimentar como forma amiga de se equilibrar na relação amorosa, isto
compreendido como tolerância necessária a fim de se perdoar os abusos cometidos no
caminho. É fundamental que se creia que a unidade na paz é possível. E abramos os olhos
para o que é atributo natural de cada um.

       Este tema que trabalho é chamado de “inconsciente coletivo dos povos”, ou seja,
são as bases formadoras da cultura que praticam. Como de tudo na vida se deve obter o
melhor, que ambos sejam um só. Um só povo, um só planeta, com todas as riquezas. Na
comunhão isto é uma grande benção. A unidade se tem ao saber viver na beleza da
diversidade. Sentir o perfume das flores do dia e da noite, da montanha e do vale, da água e
do deserto.

       Om... Om... Om... Om...
                        A CARIDADE E O PEDÄGIO
        A caridade é redentora. Ela opera maravilhas na vida de qualquer irmão. Ela é a
magia do amor, da comunhão, do mandamento cristão. A caridade tem gradações. Nas
alturas do sentimento ela é doce e prazerosa.

       Ela abre as portas. A maior caridade que há é realizar com a paz de consciência sua
obra, não alimentando discórdia. O que é seu, é seu. O que não for será doado ou
compartilhado com prazer. Dar é tão bom quanto receber quando ambos encerram a
gratidão que ilumina o coração.

        A caridade típica da esmola pode ser tal qual um pedágio, feita sob coação dentro de
uma luta territorial. Se ajudar recebe passe livre; “vai com Deus etc.”, se não recebe a carga
da energia do qual aqueles pedintes são porteiros (claro que há exceções quando tua mente
é reta e está em dia com suas obrigações e não julga levianamente o irmão pedinte). A
caridade pode ser feita sob coação direta, sob a ameaça de riscarem seu carro ou algo
parecido (quando pedem para tomar conta do seu automóvel: um tipo de salvo-conduta
realizado por pobres “à margem da cidadania”).

       Estou me referindo ao que ainda pode ser denominado de caridade dado o pequeno
preço de compra destas micro-chantagens sociais. Mas isto não é bom quando cria um
sistema de acomodação longe do ideal. O ideal que aqui me refiro é o da cidadania, aquele
que dá a vara e ensina a pescar em lugar de apenas o peixe ofertar. O problema social ficou
como atributo do Estado de Direito, a ser resolvido por leis e políticas públicas sociais. No
caminho dá-se um jeitinho e a população vai resolvendo no bom senso da compreensão ( o
que no popular é chamado “vai empurrando com a barriga”.

        Aqueles que organizam sua vida e pagam seus impostos dizem: estou fazendo a
minha parte. Aqueles que estão depauperados perderam as referências de um sistema
organizado, ainda que submetidos à uma certa norma da “vida de rua”. São
“decompositores orgânico-sociais”. Onde não há uso disciplinado, território policiado ou
ainda a graça imanente, fica aberto o espaço. Estou aqui comparando a cidade à um sistema
orgânico-corporal. Se o sistema estiver saudável não adoece. A cidade ecologicamente
correta brilha.

        Esta abordagem orgânico-funcionalista é bastante didática para se compreender com
isenção a estrutura de um sistema autônomo. Autônomo porque ainda que uma cidade tenha
suas ligações com o estado, país, mundo, ela tem gestão e leis próprias, então é um micro-
sistema autônomo básico, porque é a menor unidade territorial com tal autonomia (elege
executivo e legislativo local, sendo que algumas até possuem algo do judiciário especial).

        Alguns povos nômades do passado, ou alguns grupos indígenas que ocupam
grandes espaços, migram sazonalmente deixando a terra se recuperar naturalmente até sua
volta (tendo ainda deixado enriquecido o caminho e o velho local com espécimes ao qual
domina o uso especial ou coloquial. Mas nesta época de globalização, ainda que hajam os
“ciganos” (nômades), já se tem consciência da ecologia como ciência do tipo “saúde
preventiva” e de “Hábitos Saudáveis”. Cuidar para poder usar bem sempre, e não ter de se
dedicar a ficar a limpar ou realizar processos dolorosos para recuperar. Na medicina a
saúde preventiva é um ideal geral, e a saúde holista um bem ainda mais apropriado pela
medicina existencial (filosófica, religiosa, homeopática, natural, alternativa, floral ...).

       Falo isto porque a abordagem de saúde, ainda que tenha avançado bastante nos
aspectos do saneamento básico (água potável e esgotamento sanitário), ainda está mais
comumente relacionada à saúde curativa, ou seja, à cura do que está doente. Um sistema de
saúde hipertrofiado (muito desenvolvido), tal qual um sistema jurídico de mesmo teor, é
evidência clara de uma sociedade doente nos seus aspectos físico-relacionais.

       E se alguma cidade faz isto porque atende os doentes de outras, é porque há um
desequilíbrio sistêmico estadual ou mesmo nacional. A cultura das sociedades livres de
mercado, aquelas que o indivíduo procura ocupar por ter riquezas que permitem prosperar,
tem de ter sistemas reguladores que permitam um equilíbrio relacional. Vide o que
aconteceu com as grandes capitais nacionais (pobreza, marginalização, congestionamento,
desemprego, sub-habitação, criminalidade etc.).

       Mas esta roda viva de mais assistência em virtude de mais doença acaba quando se
cura o mal pela raiz, ou seja, as fontes dos distúrbios são sanadas. Isto requer mudança de
vida, de cultura, de “país”. Uma transposição de mentalidade, isto quer dizer uma formação
de cidadania ecológica global (municipal, estadual, nacional e mundial) geral, formando o
novo cidadão do terceiro milênio.

        Se você respira uma cultura indiana, por exemplo, onde o tesouro maior valorizado
é espiritual, o conceito de casta tem pertinência pois acreditam na ascensão via benção
divina e não como um produto da luta social que possam empreender. Só assim se entende
no Tibet a existência de mendicantes sábios, santos. Este tipo de concepção é muito próprio
do povo oriental, onde o conceito de dignidade do ser é muito superior ao da materialidade
da condição de existência, ainda que tenha havido exceções históricas (socialismos
revolucionários ditatoriais).

        Contudo não faço apologia a nenhum sistema de alienação material, antes quero
trazer um pensamento, uma ideologia, uma concepção de existência que possa apaziguar o
caos do sentimento social que impera sob a nação: de político e autoridades corruptas,
empresários e fazendeiros gananciosos e ladrões e de um sistema de respeito pelo medo. A
admiração ficou um tanto restrita à classe artística, a crítica ao poder consumindo com
maior força as demais categorias onde há projeção social. Então há um mal generalizado
sob o cunho de justiceiro que corrói as relações sociais.

        Roubos, assaltos, tráficos, assassinatos se tornaram comuns, e os noticiários diários
se alimentam e alimentam o povo com eles todos os dias. O caos tem espaço privilegiado,
“porque urge extremado”, em relação à ciência, filosofia, educação, saúde e outros. As
notícias giram principalmente em torno de denúncias e problemas, e muitas vezes pouco
colabora para se compreender com equilíbrio e discernimento o tema. A luta de classes
(patrão x empregado), o conflito racial e étnico, a questão do gênero (homem x mulher), a
questão etária (idosos e crianças), os desempregados e miseráveis, enfim categorias sociais,
recortes de uma sociedade em conflito: uma existência caótica de cegos lutando no escuro
da noite da ilusão.

       Como calar tantas vozes que clamam, como dessedentar tantas gargantas em fogo
(quando desci para trabalhar com demarcação de terras indígenas, nas primeiras noites
minhas narinas entupiam e minha garganta queimava como em brasa – senti na carne
(somatotônicamente) a relação social). O simbolismo bíblico de “sepulcros vivos” pode ser
bem entendido quando do alto contatamos aqueles que semeiam a discórdia, a
desconfiança, a inveja e insuflam à revolta. Estes agentes do caos são fratricidas e tem sede
de sangue, morte, vingança.

       A chamada igualdade social em bases materiais não é o caminho, ela é a ilusão.
Cheguei à esta conclusão depois de muito analisar. A riqueza da diversidade ninguém deve
negar. Sois como flores, que ainda quase iguais, ocupam espaços diferentes neste grande
jardim. Os sonhos são diferentes; Deus dá a cada um o seu dom. Não é o melhor caminho
querer manietar ou limitar ninguém, o melhor caminho é amar, se libertar. Só assim a
formiga operária pode ser feliz na obra sem invejar a Rainha. E no formigueiro Deus deu a
cada um seu dom.

       Ordem e Progresso é o Lema da nossa Bandeira Nacional. Nisto há sabedoria. Um
homem dá o que possui por gratidão, pelo coração. Mas luta até a morte quando violado.
Deus dá a cada um conforme sua condição. Isto é postulado sagrado, verdadeiro, real. E a
natureza é perfeita como ela é, como ela está. Procure primeiro o Reino de Deus e todo o
resto vos será dado por acréscimo é verdade absoluta, pois é fruto da consciência, divina,
imortal.

         Fortaleça sua consciência em Deus e os “ricos” virão à sua mesa. Mas não queira
retirar os galardões da riqueza. Não se corrompa nem se venda.

       Sabe como vos falo isto, como quem alerta para que não escolham a cabeça de
Barrabás em detrimento da cabeça do Cristo de Deus. Quem é cúmplice do ódio continua
optando pelo “Justiceiro do Pobres”, o ladrão traficante bandido “Barrabás”.

       E a caridade? Todo homem justo faz caridade no próprio exercício natural de sua
vida. Ele não tem de doar ou dar alguma coisa pros pobres. Ele já vive em paz com suas
ações. Ele tem a ciência da administração da sua vida. Assim ele é uma Rocha Sagrada.

        O Povo da Rua, que esmola e vive de subemprego precisa de realocação com
educação (vivem em locais proibidos ou impróprios). Tem de ser reintegrados ao sistema
produtivo sustentável. Tem, de ser resgatado do processo de vida do descartável (o dinheiro
e a mercadoria sem valor que vem e vai a futilidades do dia a dia, havendo ausência do
amor). O objeto trabalhado costuma ser dignificado. O objeto merecido também. Mas o
bem esmolado pode ser vulgarizado, assim a vida de quem o vulgariza. Inchados pelo
alcoolismo, vermelhos, sujos, doentes, é um fim comum dos que se tornam indigentes.

       E os favelados não são tão diferentes. Vide que constroem suas casas no barranco,
“e quando vem a enchente leva a casa embora”. Isto é bíblico e se refere à vida de cada um,
que começa pela consciência até chegar na decadência material a que me refiro (mas
existem muitas outras no plano existencial cujo simbolismo da casa representa a queda da
vida em termos de ruínas das mais diversas ordens como vícios, delitos, acidentes, doenças
etc.).

       Mas os pobres, os marginalizados, estão no limbo. É ali que o Bicho tá comendo
com mais facilidade (roubo pancadaria e mortes são mais comuns). Então se a cidade, como
organismo vivo, tem doença, eis um foco claro.

        Numa visão cruel pode se interpretar o ensino do mestre “Se uma parte do teu corpo
o trai arranca-o fora” como alusório à uma medicina de amputação, o que é um tanto
drástico. Outra forma terapêutica é injetar veneno para os invasores, como no caso dos
antibióticos, matando-os (e zelar para que não hajam efeitos colaterais). Outro método
ainda é ensinar ao corpo o caminho da defesa, a fim de que ele produza os anticorpos
necessários ao combate do mal de forma que a doença fica impossibilitada de se instalar
(este é o método da vacina que quando atinge ausência total da incidência do mal diz-se que
a doença foi erradicada). Outro método ainda é fortalecer o organismo de forma que ele
esteja sempre bem cuidado e alerta, assim também tendo o sistema imunológico em dia e
não contraindo doenças. No ambiente ideal, saúde integral, a doença nem se apresenta.

        Existem ainda equilíbrios sistêmicos muito curiosos. Fizeram uma pesquisa na praia
onde morei em minha infância para saber por que não havia incidência de certa doença,
típica de águas poluídas, dentre seus usuários. A praia com cerca de 01 Km de extensão, era
repleta de prédios em toda sua extensão frontal (o que indica alta densidade populacional)
tendo 01 rio de esgoto desembocando diretamente de cada lado (que transportava esgoto de
bairros). A pesquisa conclui haver um outro organismo presente na água que se alimentava
do agente que normalmente causava a doença, neutralizando-o. Ainda que outras doenças
fossem encontradas nos usuários eu nunca contraí nenhuma. E houve um tempo que nem
queimava os pés andando no asfalto ou areia quente.

        Mas e a caridade? Lembrei ainda dos que não tem dolo. Jesus se referiu a um dos
seus apóstolos como tendo esta qualidade, virtude. A caridade de Jesus para com os
demônios foi expulsa-los. A caridade de Jesus com os Vendilhões do Templo foi chutar
suas barracas. A ordem estava presente na disciplina do Mestre. A caridade do mestre era
feita sob a vontade do pai, e muitas vezes declarou: “Vá, tua fé o curou”.

       Então a caridade meus amigos, para não ser uma mera ação sob coação, deve ser
fruto de um seu ideal, daquilo que acredita como certo e verdadeiro. Dar conforme o
coração. Já dei esmola e saí leve e satisfeito. Já dei esmola e entristeci de imediato,
ganhando terrível peso, como se tivesse sido roubado, traído, enganado, vilipendiado.

       A caridade pode ser objeto de barganha, como um pedágio, mas assim ela não aviva
o coração alimenta uma relação de dependência sistêmica que não é indicativa de boa coisa
em sua vida. É sempre bom acreditarmos naquilo que colaboramos. Estar presente de corpo
e alma na menor ação que fizermos, com amor.
       Tudo na vida tem um sentido. A condescendência com a esmola para a cachaça do
mendigo também deve ter um sentido. Assim se forma a consciência construtiva da obra da
sua vida.

         A par desta consciência da ação, é bom que eu diga que a caridade é manancial para
verdadeiros milagres. Abre as portas para a satisfação dos desejos, para a ajuda bem como
felicita o coração. Falo da caridade verdadeira. Ela é uma oração cristã consubstanciada na
ação.

        Quanto ao corpo citadino o ideal seria que atingíssemos uma saúde tal que apenas
ao trilhar o reto caminho estivéssemos guardados do mal. Descobri que isto era possível na
meditação, através da observação da relação entre minha consciência e as investidas de um
mosquito. Consciência firmada, mosquito longe – consciência perturbada mosquito zoando,
mas note que passei uma noite em claro, vigiando (o senso comum me daria a solução de
matar o mosquito – o que é mais razoável em determinado nível de consciência). Esta
questão que parece extraordinária chega a ser exacerbada em determinada cultura de
monjas indianas ao ponto de andarem com véu sobre a boca a fim de que acidentalmente
não matem algum inseto (elas praticam ahinsa – um voto de não matança).

       Então vejam, que há uma questão de bom senso para se tratar das questões, pois o
campo de possibilidades é imenso. Apenas pela não ingestão de carne ou açúcares em
excesso é possível sair do campo de atração dos insetos. A ecologia, que nada mais é do
que a ciência que estuda o equilíbrio natural de um habitat conhece a importância dos
decompositores para o equilíbrio de determinados ecossistemas. Já falei sobre isto.

       Agora tem um ponto que ainda considero em falta: para o homem se libertar ele tem
de amar. Para arrancar as grades que cercam as casas, para andar feliz e despreocupado em
meio ao seu semelhante, para não precisar mais investir tanto em defesa e segurança, para
não se alimentar tanto dos alimentos pesados dos combatentes ainda que heróicos (esta
fome de luta traz um vício alimentar que só se sacia sadicamente), deve o homem praticar a
caridade consigo mesmo, assim optar pelo coração.

       Para tal deve abdicar da competição, e optar pelo respeito à alteridade, ao que é de
cada um, e optar pela solidariedade. Quando há intenção reta de amor ao próximo, de
conferir aos semelhantes oportunidades de uma vida sustentável, brilha a justiça que abre o
caminho para a comunhão, para erradicação dos maus instintos e maus humores de uma
população. A política deve ser séria, desenvolvida pelo governo sem o cunho de inserção
no mercado competitivo, na dura lei. O mercado é uma ciência que requer maturidade, e
deve ser muito bem orientado para que não seja uma pedra de tropeço aos neófitos e
despreparados, sujeitando-os à uma dura educação por dívidas, falências etc.

        Então em determinado patamar da economia deve haver um sistema comunal, a
exemplo de Kibutz, Ecovilas Cooperativas, Aldeias Indígenas, onde haja o sentimento
familiar de partilha (já vos disse que na família os mais fortes e ricos servem aos demais).
Note que junto aos pobres, que precisam de cuidados, há uma multidão de desempregados
profissionalizados bem como uma demanda de mercado (meu professor de economia na
universidade defendia a tese de que uma das grandes crises do capitalismo foram de
superprodução – muito produto sem o mercado ter dinheiro para comprar pois o salário do
trabalhador não poderia acompanhar sem perda da margem de lucro que girava a
acumulação. Creio que uma política dessa ordem não acarrete inflação haja visto que
estamos introduzindo novos cidadãos na economia, tanto aqueles que formavam o
lumpemproletariado como os desempregados (no sistema inflacionário há um ajuste
constante de regulação de mercado pertinente à uma dinâmica de compensações de ganhos
como busca de um equilíbrio financeiro dentro de uma perspectiva competitiva – o que não
ocorre no caso em tela, que promove o aquecimento do mercado com a inserção de novos
atores, a princípios consumidores, que trarão um esquentamento da economia e elevação da
qualidade de vida). A mágica é criar dinheiro para mais gente (moeda-luz), bem
administrando o uso.

        Note que hoje em dia o sistema da expansão do capital competitivo, que vem sendo
esgotado com a globalização dos mercados, tem sido sustentado sob a base do
endividamento, que gera controles transnacionais: o domínio se dá sob a égide do
monitoramento afim de que se garanta o pagamento das dívidas. É o governo dos ricos, das
nações poderosas: é uma dura lei. Esta forma de dominação, adestramento, educação via
cabresto, pode ser humanizada. Assim as leis justas não serão contrariadas (o movimento
político-social que persegue as lideranças mundiais dentro e fora de seus países encontrarão
a paz. Todo o alicerce de uma estrutura histórica de ignorância humana será perdoado. Um
pacto global celebrado: A Vida como Arte.

        Contudo a creio em fase de superação, porque com a globalização, com o
desenvolvimento consciencial dos povos de todas as nações, o sentimento cristão, o da
comunhão fraternal, tem clamado alto em meio às massas e dirigentes. É este quem vai
orientar daqui pra frente.

       Ainda que o cidadão comum possa e deva fazer a sua parte, ele carece do suporte de
uma política estrutural que saneie as relações sociais e traga a Paz e a Fé a uma nação, e
faça o Mundo Melhor. Eu sinto, e tenho certeza, que nossa população clama por vestir a
camisa de um Ideal Humanitário e Dignificador.

       É o espírito quem move o homem, é o ideal quem lhe dá força para operar. É a fé
que o motiva a trabalhar com satisfação, realização (todo trabalhador é digno de seu salário,
mas o acréscimo da fé é alimento da alma).

        Assim é que muita gente vai ter que pagar pedágio. Pedágio ao pequeno porteiro
(exu), pedágio aos povos do mundo inteiro. Pedágio a Deus que é quem tem a regulação.
Deus, em sua manifestação da criação, tem as mais diversas formas de cobrar o pedágio do
irmão. O não pagamento gera débito com a situação, com isto pode-se perder o amor no
coração. Pior do que isto é perder a paz; pior ainda é chegar à agressão (odiar o cobrador e
vibrar no rancor). Tem também as doenças e as questões fenomênicas, onde “a natureza”
pune sem dolo (culpa, apenas age com a sabedoria do equilíbrio natural). Assim é bom que
o pedágio seja pago de coração. É uma forma simples de bem resolver a questão. Exu
agradece e fica amigo do irmão. Dá Boa Noite e fecha a porta que conduziria à prisão. E
encomenda um bom caminho até a libertação do sentimento de cobrança. Porque na
realidade a cobrança é apenas uma questão de pressão em relação a uma questão que bate à
porta. O ideal seria que não houvessem cobranças, que cada um cessasse dentro de si este
mecanismo e aprendesse a viver no tempo divino, no presente único e verdadeiro de cada
momento, que é perfeito, claro e iluminado. Esta história de cobrança, quer seja material,
quer seja relacional (Karmas e Darmas) é lixo histórico, lastro de peso, bola de ferro atada
ao pé dos sofredores pecadores. Então não precisa pagar pedágio não, é viver a vida com
amor e gratidão. E bola pra frente meu irmão. Deus sabe que você é simples. E que seu
verdadeiro amor também o é. Ou seja, não precisa ser como um “salvador”, nem andar
bestando se derramando em caridade compassiva. É ser o que for com a certeza de quem
tem por mesa a boa intenção. Assim você opera nas coisas simples, de modo simples, com
a sabedoria devida, na alegria. E a Luz brilha nas Graças de Jesus.


             A CELEBRAÇÃO DO AMOR E DO TEMOR
       São ambas celebrações onde se busca as bênçãos divinas, onde se busca aprender a
Viver. Não me refiro aqui a rezar a Deus e ao Diabo, mas a rezar a Deus em condições
diferentes. de maneiras diferentes, conforme o que está posto em tua realidade.

       Há celebrações onde o ritual é todo amoroso, só fala de coisas boas, salvação, e se
canta as primícias celestiais. Mas isto pode ser sem graça para alguns. Não atrai o âmago de
alguns. Então estes não estão na condição, aquele local não é adequado à ele. É “Sem Sal”,
e portanto “Sem Graça”.

       Quem já experimentou uma comida da dieta naturalista sabe do que falo. Falta
tempero, falta açúcar no café ou no suco, é muito leve e não “mata a fome” ou a fome logo
reaparece. Bom isto depende da condição do neófito e do restaurante, porque tudo pode ser
ótimo.

        Assim são as celebrações mais suaves ou mais fortes. Assim é a vida de cada um de
acordo com aquilo ao qual a pessoa está ligada, o que está vivendo, no que está acreditando
e qual a missão que está executando.

        Vide claramente a Missa Católica e algumas celebrações protestantes ou espíritas
onde se trabalha com desobssessão. Uma passa por cima, e manda rezar Ave Maria e Pai
Nosso, de forma que entrando naquele caminho você possa ir se libertando e brilhando. A
outra já pega a laço e mostra o que estava influenciando. Algumas trabalham com a
doutrinação do ego doentio (espírito obssessor ou qualidade enferma ao qual a pessoa se
identificou como sendo a disponível para sua prática atitudinal). Então quer do ponto de
vista religioso ou psicológico tem algo a ser tratado, e o fundamento maior do tratamento é
o centramento do Eu, que noutras palavras pode ser chamado de encontrar o Cristo ( O
Cristal que Brilha em seu interior). Autoconhecimento, centramento, resolução de conflitos,
enfim uma caminhada para a auto-realização, iluminação, santificação. As espadas são
várias: da caridade, da doutrina, da ascese, do serviço, enfim da lapidação e do aprendizado
da pureza do ser.
       Mas esteja cônscio do seguinte: Um é o teu caminho, por onde estiveres, por onde
andares. Você é mestre de si mesmo e Deus paira sobre sua alma, cabeça, corpo: reside
contigo. O Centro sempre foi e sempre será Este. E não há como escapar, pois ao centro
sempre retornarás. Então a vida pode ser um aprendizado de viver neste centro divino e
magnífico, imortal e eterno. É nele que se encontra o Cristo, é com ele que se ama
verdadeiramente.

        Agora, quem porventura esteja adormecido, acorde, conheça a vida. Há igrejas que
estão numa luta infernal, ou seja, “tão saindo no braço com o capeta”. Acabam vibrando
assim, e vencem quando são mais fortes. São como as pessoas: umas andam mais na Paz,
outras mais na Luta. Umas preferem caminhar sem agressividade, outras preferem guerrear.
Só que o exército do bem contra o mal tem de se cuidar para não muito criticar, pois o que
fazem é criar prisões de acordo com suas limitações. Mas enquanto por suas vicissitudes se
servem delas, está de bom tamanho, pois vestem a roupa que lhes cabem, mas quando
querem “Salvar o Mundo” impondo suas condições desamorosas, julgando o
comportamento alheio, aí começam a declinar e a pecar. Uma coisa é você se abster dado
sua fragilidade, outra é incriminar. Deve se respeitar e até admirar quem é forte pois assim
se abre interiormente para o aprendizado da fortaleza. Quem não admira a riqueza e a
fortaleza pode está cultivando a inveja e a avareza, portanto cuidado.

       Um nobre pode ser amado ou detestado. Os que amam a nobreza aspiram-na, e sob
seu manto vivem. Os que odeiam, conspiram, são súditos de um “amor doentio”, e ao que
desejam ver perecer, estão já perecendo e conforme for, ainda mais perecerão.

Há pouco baixei umas músicas de Umbanda que trabalham com os seres universais, de
Oxalá aos Chefes das Cadeias dos Submundos Astrais. Olha meus irmãos, tem de respeitar,
como tudo na vida tem de se respeitar, mas ali, sentindo na força divina, há que se cuidar.
Uma coisa é você celebrar em meio a um ambiente limpo, tranqüilo, em paz. Outra é você
estar próximo ao lodo e à guerra, onde é muito mais fácil se sujar ou se machucar.

       Em alguns ambientes desta natureza o Joio e o Trigo estão sendo peneirados. É na
Porta da Cadeia ou do Cemitério que o assunto está sendo tratado. Que bom se o seu papel
for o de advogado. E olhe lá pois mesmo para isto deve haver boa condição para se
trabalhar.

        Assim não só pode se conhecer as coisas da vida, onde a lei é mais dura dentre
alguns meios sociais, onde há prisão, tiros e lutas se tornaram algo relativamente comum,
mas também situações de sanidades de algumas pessoas, que adoecem ou caem das mais
variadas formas. Claro que isto tem relação com o produto da vida, os que têm consciência
sabem disto, enxergam isto antes do juízo final pois abriram as portas do eterno mundo
espiritual. Estas coisas não são comuns a todas as pessoas pois tais fatos estiveram vedados
apenas aos iniciados cósmicos, e grandes corporações e instituições religiosas se formaram
a pastorear as consciências sem que pudessem provar do “Fruto da Árvore da Vida e
conhecer as coisas de Deus”, aqui representada como a Criação Negativa, Perecível,
Ilusória Pois em Constante Mudança de Forma. Viver no Paraíso neste sentido é viver sem
conhecer o mal, sem contatar outras coisas senão a pureza do paraíso. Assim o saber, a
fome de conhecimento desta realidade, representa a fome do proibido, cuja essência estava
presente no Paraíso.

       Que o mal existe, existe, e é deste ponto que trabalho pois em meio a ele nos
encontramos, mas como ele principiou é outra história, que é narrada através do princípio
do desejo de algo proibido. Retirada a proibição acabou a ilusão. O homem é um contínuo
eterno e tendo reencontrado o amor ele recriou o paraíso.

       Note a Chave. O Paraíso não é mais exterior, não há ignorantes em relação à um
Deus superior. A Pureza de quem renasceu em Cristo é interior, O Paraíso lhe acompanha
para onde for. E isto só tem que conhece o Amor e anda no Amor. Esta é a superação do
ideal da busca no exterior, que traz a revelação da perfeição da criação sob as lentes da
compreensão, do amor. Este é o renascimento como Espiritual.

       Cônscio disto não há apego: Livre para Amar.

        Por isto a Ciência de Deus parece Loucura diante dos Homens, porque Ele está
liberto das convenções, dos limites, das cadeias dos homens. Ele é Livre em Deus, Um
Com o Pai, Ligado Direto na Luz.

       Isto não quer dizer que diante de tal ele vire um desobediente, transgressor de leis e
etc, porque ama. Ele obedece porque ama, ele não crê nos fundamentos humanos
inviezados, ele crê na retidão da Luz e do Amor da Vida. Por isto Cristo disse: “Eu não vim
ao Mundo para destruir as Leis, mas antes para faze-las cumprir”, e isto é libertar, porque a
obediência é caminho da libertação, da paz e da harmonia entre os irmãos.

        Então quem está no mundo sente saudade do Paraíso. Tem lembrança do Céu e já
conhece o inferno, pelo menos em algumas gradações. Aí o sujeito começa a reconstruir
sua morada ideal, vai arrumando a casa, a rua, o seu microclima. E quem vai reconstruindo
o Paraíso vai deixando a tristeza e os problemas para trás. Já não quer mais nem se
alimentar de problemas, pois não tem fome destas coisas: assim não lê, não compra nem vê
as agruras da vida, simplesmente não mais o interessa. Ele não nega que existam, nem as
nega se porventura se apresentarem, só que não as procura pois não está identificado com a
solidariedade salvadora, pois acredita que sua parte está feita, o caminho está posto e as
oportunidades existem para todos. Ele não nega ajudar, ele apenas sabe discernir como
melhor cooperar.

       Uma vez um discípulo procurou o Mestre para aconselhamento (história indiana).
Adentrando a porta o Mestre disse: “Volte. Deixe a multidão lá fora. Retorne só.” O
discípulo vinha carregando o mundo, a multidão em conflito. Isto deixa qualquer um
ensandecido. Só ele reencontrou a Paz, o caminho, e o mestre amigo, que estava com ele,
acompanhando-o do seu interior. Jesus, A Luz, é isto. Ele está sempre em você sereno e
compassivo. Suas Palavras Nunca Passarão, Sua Luz é Eterna. Bem aventurados aqueles
que semearam pois verão, vêem e viram esta Luz. Esta é a eterna Presença de Deus.

       Mas note que não vos digo para virarem a cara para os necessitados, não digo que
ignorem o mundo, não digo que desconheçam os que sofrem, apenas falo para amarem a
Deus e a si próprios, para desta condição verdadeiramente poderem ajudar. Um cego pouco
pode guiar outro cego. É preciso ter força para ajudar o fraco, sob pena dos dois
sucumbirem.

        Então o homem que vai conseguindo a sua paz vai ganhando também a humildade
de seus limites para bem preservar a sua vida. Assim vai construindo sua família, seu lar,
seu trabalho, sua igreja, sua nação, sua terra, seu universo.

       Assim vocês compreendem as instituições, as culturas, as nações: as obras humanas.

         Note o que mais uma vez vou falar: não é ignorar, e nem duvidar das validades e
das verdades, O Mestre disse: “Fazeis as Pazes com seu adversário quando com ele estiver
a caminho para não ser aprisionado e ficar até a hora final, e recomendou pagar ceitil por
ceitil todas as dívidas”. E também acrescentou “Ai daquele que fizer mal a um puro”, “não
jogue pedra no telhado do vizinho se o teu é de vidro” e “Quem não tiver pecado atire a
primeira pedra”.

        Então o que vos traduzo é que é natural querer prosperar, é saudável querer viver
bem, é normal se proteger para não sofrer. Então existem formas de vida, e até instituições,
nações ou mesmo culturas que melhor conseguiram se aproximar destes ideais de
felicidade. E assim celebram. Hoje, em época de consciência ecológica e economia global
já bem compreendem as suas responsabilidades e seu papel mundial.

        Então o mundo é perfeito de alto a baixo. Vá limpando a sua condição para que
reencontre a paz e a plenitude de viver sem preocupação. Isto é possível a cada um onde
esteja, e creiam que o fardo nunca é maior do que se pode suportar, ou seja, há salvação,
enquanto se vive há salvação.

        Mas agora você chegou a construir seu império de felicidade, está com sua vida
arrumada, sua paz conquistada, mas ainda faltou alguma coisa para a felicidade estar
verdadeiramente conquistada. Então você mergulha de novo no mar da vida, mais forte,
mais experiente, mais sábio, para resgatar o que ficou perdido, esquecido, suprimido, e
estava lhe chamando.

       Pronto. Você sai de seu conforto, arregaça as mangas, e vai buscar. Deus é quem vai
lhe guiar. Isto é até cessar, até acabar. Tem fim? Tem. Quando não mais tiver peso, acabou.
É só viver. Assim é que outras pessoas vão aparecendo, que estão mais precisadas que você
de cumprir aquela missão, de ter aquele aprendizado, e você pode ficar sossegado: você
está “aposentado”. Você não está velho nem cansado, muito menos na condição de
imprestável, apenas foi libertado. Vive já na Luz e nas Graças de Deus.

     Então fechando os tipos de celebrações: sobre isto eu já falei, algumas estão
comemorando outras ainda o pau quebrando. A Paz cada um sabe da sua.

       Diz a astrologia que o caminho é certo, cabe a cada um saber caminha-lo. Diz a
sabedoria espiritualista que mesmo os deficientes podem ter suas condições como virtudes
que os ajuda a manterem-se próximos a Deus. Ou seja: os condicionantes do caminho,
vistos com sabedoria, se tornam degraus da escada divina. Assim é que a ninguém é
permitido olhar para trás no intuito de lamentar, pois tudo a frente poderá ser resolvido e a
condição do presente Divino é de Graça Radiante.

       Também disse o Mestre: “Não vim para curar os sãos, mas os doentes”, contudo
nem todos os doentes mereciam sua graça, haja visto o que instruiu seus discípulos: “A
cidade que não vos receber limpe até o pó das sandálias”.

        Assim é que aquele que tem o poder de salvar ou julgar pode andar por qualquer
lugar, ele está a imperar. Os demais que saibam bem os seus papéis, como contribuem, e
temam serem maus, principalmente se em meio a eles caminhar.

        Aqueles que já aprenderam a guardar coisas boas, e andam sem temor, parabéns.
Cumprem bem o seu papel onde for e Deus vai lhes conferindo o galardão do merecimento
e as recompensas do avivamento. Não tenham dúvidas de que estes além de estarem mais
próximos do Paraíso em termos individuais, serão os primeiros a adentrá-los em termos
existenciais. A vida não foi feita para sofrer. O sacrifício é um ofício santo e a penitência é
apenas uma imposição dura de disciplina que assola os que se esquecem do caminho do
amor.

       A felicidade há de brilhar. Se dela de agora em diante você puder se banhar, grande
obreiro será.

                 EQUILÍBRIO SOCIAL E INDIVIDUAL
Aqui verso e revelo as questões pertinentes à ciência do espiritual individual versus o
coletivo. Todos na realidade devem partir do individual. O coletivo é apenas uma projeção
do individual, e como ter amor ao próximo é uma forma de ter amor a si mesmo, de
maneira expansiva, o social merece trato especial.

       Quanto a questão da ascese, ou da ajuda na vida, tal continua sendo uma projeção da
consciência, sua relação com tal é fruto dela. Na inconsciência que obra com amor o
próximo carente é um paraíso em Flor que você quer resgatar, um jardim que esteve a
secar.

       Então se você não vive no isolamento é mister realizar no social sua prática
existencial, ou seja, imprimir nele o que acredita como ideal. Assim dentro e fora estarão
integrados num mesmo diapasão de progressão.

      Assim como na ascese você escolhe a melhor prática, aquela que lhe é mais
adequada, na prática social também. É onde irá contribuir mais presente, de coração.
Contudo não seja surdo no escutar nem mudo no ponderar, para ajustar se assim necessitar.

         POLÍTICA INDIGENISTA SEGREGACIONISTA
        Esta mensagem é de alerta aos amigos da FUNAI e do Governo Federal, principais
responsáveis pela Política pública que trata das questões indígenas. Não semeiem o que
viriam a se arrepender mais tarde. O que li, experimentei no trabalho que realizei, é que
estão criando uma nação dentre outra. E se o Brasil tem a graça de ser miscigenado, de ser a
Pátria do Evangelho, vão arrumar confusão ao fortalecerem a recriação de uma nação
indígena a partir de uma ideologia de esquerda academicista, antropológicamente mal
conseqüente e religiosamente doente.

        Falo isto porque ligada a noção dos direitos indígenas está toda uma reserva de
espaço físico e de tradições esquecidas do amor e da comunhão, reificadas na revolta e
rebelião. Assim é que podemos assistir os diversos episódios de índios procurando fazer
justiça com as próprias mãos contrariando todo o alicerce de cidadão ao qual foram
integrados desde a nova constituição de 1988.

        Não são com bons olhos que tenho visto isto não. Vejo o interesse corporativista
falar mais alto numa posição egoísta. No fundamento muito egoísmo e ilusão. Ilusão quanto
à situação deles próprios, quanto à sua interação com a globalização, com a vida adjacente,
e egoísmo pois querem sustentar algo, conquistar algo, que não tem condição para manter.
Qualquer reino é frágil quando não se o pode proteger. E para zelar por suas terras, por sua
cultura, por seu povo, dependem da estrutura que criticam e da qual cobram.

        Não vão fazer retaliação procurando apoio em outra nação, exterior, pois seriam
infelizes em sua própria Pátria Brasil. O Brasil é também dos índios assim como eu, você e
milhões que os tem no coração, no próprio sangue, na herança cultural.

       Então o que vi é engano, falácia, segregação. A formação de uma nova nação dentro
de outra. Assim alerto para a orientação da comunhão enquanto pode haver paz na relação.
Este valor deve vigir para que a casa seja forte e feliz. Ordem e Progresso é o que a Nossa
bandeira diz. Então o sentimento de irmandade deve ser trabalhado, reificado. “Os branco”
tratamento generalizado como são postos pelos indígenas, é uma consideração racista que
em nosso meio é sujeito à advertência, multa, detenção inafiançável quando posta como
preconceito racial (política principalmente erguida com fins à discriminação racial dos
negros, mas válida para discriminação em geral).

        Vide irmãos que o governo tem procurado tratar com zelo e compaixão todos os
irmãos, todos os irmãos, inclusive os irmãos pobres e necessitados ou desviados, de todas
as raças. Então não vos assoberbeis aproveitando a oportunidade para reproduzir
mecanismos de que outrora padeceis. Estão sendo assistidos quanto ao sentimento,
observados com relação aos procedimentos. Fiel no pouco ou no muito, justo sob coação ou
na liberdade, são parâmetros que bem conduzem à verdadeira liberdade.

        Compreendo o tempo de sofrimento, de privação, e toda dor e angústia que estão
encerradas neste. Mas cônscio deste sentimento, desta relação, devo vos orientar que ela
briga não só com os irmãos brancos, com os governantes deles, mas com toda uma nação
que esteve na ilusão (que outrora operou isto), com Deus que permitiu, que os fez passar
por isto. Então veja o problemão que é viver do passado. Desperta! A culpa clama o perdão.
Por isto o salto desta ilusão é cuidar para não cair em retaliação. A justiça deve vir sob nova
iluminação.

       Fiquem e Paz e aperfeiçoem os vossos caminhos.

                         O PREDICADO DE UM BAR
       “Vou beber para esquecer” ensina a linguagem popular comum aos indivíduos que
procuram esta forma de terapia para desanuviar. Eu posso testemunhar que já curei dor de
cabeça infernal com tal.

       Mas o que está por detrás disto é que se os ambientes e seus alimentos podem ser
responsáveis por verdadeiras trocas de humores, felicitando o indivíduo, ainda mais um
local consagrado para tal. E note como adendo que se um alimento pode conferir uma
mensagem decodificada pelo organismo, e reconhecida de alguma forma pela mente, ainda
mais quando a substância utilizada é consagrada como responsável por induzir a estados
alterados de consciência.

       As drogas em geral foram historicamente utilizadas como propiciadoras de
comunhões. E no caso do Bar isto se dá com certa excelência posto que é legal e controlada
apenas em seu aspecto de compromisso social cidadão: bom comportamento e pagamento.
E tais ambientes, que costumam ser de livre ingresso, são mundialmente disseminados e
comuns.

        Note que quando um indivíduo está ligado a problemas, ele pode ficar tal qual um
ruminante (este tipo de animal regurgita o alimento do estômago para nova mastigação
digestiva) mental, pois as idéias, fatos, coisas, cobranças, ficam a reprocessar em seu
cérebro. Neste sentido as drogas podem atuar, de acordo com o ambiente, retirando-o
daquele lugar mental, daquele “looping” mental (nome dado em informática à repetição
cíclica “interminável”).

       Ao ser retirado do problema, ainda que por instantes, pode ser que o sujeito
vislumbre a besteira em que estava inserido, assim encontrando sua solução. É o que chama
de higiene mental, refrescar a cabeça para pensar melhor. E ainda, de acordo com o local, o
ambiente, a sugestão, seu momento, ser transportado para uma senda “onírica” onde veja a
natureza em sua beleza radiante, imagens e fatos com profundo amor e poesia. Assim é a
criança que passa, a musa que desfila, a arte, o sorriso, a natureza em franca comunhão. E o
amor se faz presente.

        Um bom violão, uma boa música, ajudam a navegar. Um piano, um violino, uma
flauta. Enfim há predicados a encantar. E assim pode o sujeito até reprocessar seus
problemas vendo-os com outra vibração, com inteligência e amor no coração. O ambiente
livre propicia a comunhão, a troca de informação e até a iluminação.
        O bar em que você se sente assim e pode compartilhar com sua família assim, em
paz, é um bar cheio de predicados, que merece ser freqüentado. Na realidade ele chega a ser
espiritualizado, santificado. E assim deve ser cultivado. Graças a Deus.



                       A EFICIÊNCIA DAS PRISÕES
       A maior eficiência que uma prisão pode ter é o perdão, é a elevação da consciência
que permita ao homem que foi preso pacificar os condicionantes que motivaram o crime ou
a punição, pacificar em si pela compreensão e amor divinos.

       Sem isto a eficiência da prisão está apenas na contenção e no temor. Na contenção
da ação de novos crimes pelo agente infrator (enquanto preso), e no temor posterior de cair
em nova punição. Ou vai por bem ou por mal, no amor ou na dor, diz a linguagem popular.

       E são muitos anos de sujeição, de privação. Perde a liberdade de andar, perde a
liberdade de criar, perde a liberdade de se relacionar. Um castigo para disciplinar.

        Não sei até que ponto os presídios trabalham para doutrinar. Sei que religiosos
trabalham em presídios, mas quanto aos presídios em si desconheço o que ficam a orientar,
o trabalho psicológico que ficam a realizar, além da obediência e disciplina. Não sei se
ensinam a meditar, se educam os presos no sentido de os purificar. Creio que isto até então
seja concernente ao natural amadurecimento durante o tempo de prisão, e ao
comportamento, o relacionamento social e o cumprimento dos deveres que trazem
abrandamentos da pena, concessões (para estudar ou trabalhar) e indulgências (saída de
natal e outras).

        O que me motivou este texto foi a observação de que sem arrependimento, sem a
cura da revolta, não há satisfação, e o criminoso poderá voltar à ação. Há resistência na
prisão que mantém a consciência de guerra e não aceitação. Sem pacificação o tempo se
torna apenas de concentração. Dia após dia o ódio é renovado e retemperado. Assim as
Casas de Detenção se tornam verdadeiros Campos de Concentração, onde nazistas (que
querem purificar o mundo) são polícias.

        A sociedade usuária da droga sustenta a ideologia de sua liberação (liberação do uso
das drogas). Assim, traficantes são guerreiros em ação, são membros de resistência, de
coragem, que lutam pela liberdade (financiados pela população). Alguns ladrões ou
terroristas políticos também se vêem na mesma situação, como força de resistência e
combate à “escravidão humana” do capital. E alguns, menos idealistas, aprendem que
foram “vítimas inconscientes”, que cederam às pressões de uma Puta Estrutura Opressora,
ensandeceram, e foram penalizados como bodes expiatórios.

        Assim, a noção de dualidade continua, num processo de heroísmo e banditismo
(transgressor e polícia) contraditório, “revolucionário”. E isto gera a rebelião dentro e fora
das cadeias.
      Temor a Deus, Temor ao Mal, tem sua eficiência, mas não é a seara mais feliz. A
doença educa por um caminho de sujeição, mas traz limites à ação e uma necessária
adequação. Mas o zelo da casa pode trazer Grande Redenção. Prevenção e Reabilitação.

       Não há outro caminho, é Buscar a Deus. É ouvir e administrar. É informar e formar.
É esclarecer. Quem conhece a verdade dela se banha e jamais se esquece. Do amor vem a
união, e na verdade está a unidade. E isto está na compreensão. Então educação. Um bom
alimento para a nação. E onde há abundância de terras e homens só fica na frustração
aquele que não venceu a ilusão.

       A cultura tem um patamar básico ao qual o homem considera digno. A tecnologia já
nos permite realizá-lo com relativa facilidade. A questão então é de administração dos
recursos físicos e formação humana. Uma bandeira de reconstrução nacional. Um pacto de
Unidade em virtude de um futuro melhor para toda sociedade.

       Fé, Ordem e Progresso. Disto o Povo, a Nação Precisa.

      Em muitos nascerá a esperança, e darão o voto de confiança. Noutros brotará a fé.
Assim casas de Detenção virarão Casas de Redenção.

        Com a sociedade muito individualizada, muito conturbada, o indivíduo passou a ser
defeso e não acreditar mais em nada, assim competitivo e draconiano (tendo fé na Lei do
Dragão). Nisto ele parou de ter (cada um na sua história, em seu meio) bons conselhos, ou
de conseguir reconhece-los, pois o sopro da paz costuma ser suave. E o que é manso,
calmo, por vezes não resgata aquele que está na corrente do caos. A Luz da Mansidão tem
de ser um Grande Holofote para Clarificar aos que estão em meio à escuridão.

        Com a Luz da verdade a crítica vai sendo esmorecida, a rebeldia vencida. O espírito
crítico, há pouco tão fortalecido como apropriado para Vencer na Vida, vai sendo
substituído pelo Espírito Cooperativo. Este é um princípio da construção de uma sociedade
mais fraternal. Assim os amigos aparecem e zelam mutuamente. Encontram gozo na
colaboração, no partilhar o pão. E se interessam mais pela ciência do próximo como que
enamorado pela vida.

        Não há mais condição de sucesso para as lutas por categorias, as lutas corporativas.
Os ismos (movimentos de gênero, raça, faixa etária, categoria profissional, classe social,
partido político, escola religiosa etc.) tem de olhar mais alto, tem de buscar o todo para não
se perderem egoístamente nas dores de um passado maledicente. Muitos, ao invés de
operarem a verdadeira igualdade, união ou unidade global, acabam sendo instâncias que na
prática estimulam a competição das partes. E a superação deste processo, dialeticamente
falando, pode exigir experiências traumáticas onde dissabores engendram novas batalhas.
Então, se há força na união, que seja divina, universal, a que traz a vitória final.

       Isto está de acordo com a celebração da vida. A forma de celebrar é importante. Isto
traz contornos, caminhos. A vida deve ser celebrada na paz, com arte. Um doente pode ser
um estorvo na vida da gente, ou o que permite o salto para uma nova vida, com a cura
presente.

       Minha luta não é contra, mas a favor, este é o Lema do Construtor.



                             SISTEMA IMPERIAL
      É perfeito na unidade. Fora desta ele pode ser sustentável. Na unidade consciencial,
amorosa, a unidade é celebrada como perfeita, e assim é representada através do monarca.

       A Igreja Católica segue este princípio. O Papa, o Imperador Eclesial na Terra dos
Católicos, é o comando supremo e único, ao qual é atribuído o dom da infalibilidade.

        Isto não quer dizer que não haja outras estruturas administrativas de poder dentro da
Igreja Católica, mas as questões que são inerentes ao Papa são sujeitas a sua infalibilidade.
Ele é Pedro na Terra, é quem o Rei Celestial deixou apascentando suas ovelhas. É um cargo
vitalício. Até a volta do Cristo.

        Este termo “apascentar ovelhas” tem de ser bem visto para ser entendido. Aos olhos
do anarquismo as ovelhas não deveriam ser nem arrebanhadas. Outra visão é a de
apascentar para aproveitar: comer da carne e se servir da lã, ou comercializar. A visão
amorosa fica assim sumida diante da visão maquiavélica existencial. “Tratar dos filhos
menores” é uma alusão que não seria confundida. Não há quem negue, ignore a realidade
atual, a ponto de dizer que o zelo paterno pode ser dispensável. No Amor o anarquismo é
verdadeiramente celebrado.

        Na antiguidade houve impérios onde o poder terreno era uno ao poder espiritual, o
Sumo Sacerdote era o mesmo Rei Material. Faraós foram assim no Egito Antigo. Este é um
tipo de reinado absoluto.

        No Japão o Imperador é sacralizado. O foi e ainda o é. As eras são conhecidas
historicamente através de seus nomes. A personificação da nação se dá na figura do
imperador. Honrar a isto é nobre. Este tipo de postura gerou um servir tão digno que criou a
figura do Samurai.

       O Samurai é um nobre servidor. O seu código de honra é de dedicação até a morte.
Em outras culturas o que se torna mais forte assume o poder, de acordo com a lógica
competitiva do mais capacitado, mais forte, mais eficiente. Já no oriente nipônico a honra
não está nisto. Está em servir e elevar seu mestre. Assim um povo luta e dignifica seu líder.
Há fé neste caminho.

       No ocidente democrático é comum os líderes serem cada vez mais cobrados e
testados, quando não muitas vezes duramente criticados e suspeitados. O princípio de fé na
sabedoria do líder é frágil, e por vezes a luta é constante pela tomada do poder. O sistema é
instável e dinâmico. A dualidade política a isto dá o nome de Posição e Oposição. E o
sistema religioso é separado, ficando o poder espiritual apartado do poder material.

       O modelo de governo centralizado foi considerado inadequado mesmo em muitos
países onde havia tradição monárquica (mesmo no Japão). Assim, ainda que a família
Imperial seja respeitada como um Tesouro Nacional, o poder temporal passou a ser
exercido pelo Parlamento, onde os parlamentares (ministros) decidem as questões em geral
através do voto ou consenso, e o 1º Ministro é o líder. O poder foi dissolvido, ficando
diluído num corpo de dezenas de cabeças.

        Algo muito importante não pode ser esquecido. Em qualquer um dos sistemas o
povo há que ser amigo. Se o povo não tiver fé e confiança em sua liderança, na adversidade
ele corta sua cabeça. Troca de esposo mesmo antes do término do compromisso de
mandato. A roupa suja sendo lavada se torna cenário da política nacional, por vezes
degradante pela forma como trata seus representantes que deveriam ser nobres cidadãos,
dos mais respeitados. Mas isto ainda é menor, pois há lugares onde isto é a custa de sangue
(guerrilhas e revoltas armadas).

        Confesso que antes de me tornar religioso eu era preconceituoso quanto a sistemas
centralizados, e ainda sou muito desconfiado. Mas quando conheci a cultura de elevação, de
nobreza que há nisto, passei a respeita-lo. É que antes eu só via isto sob o signo do
egoísmo, da mesquinhez. Depois foi que conheci isto através da nobreza, do amor de um
povo.

       Como a vida é dinâmica, os modelos também o são, e cada um tem o que está de
acordo com sua condição. Ovelhas podem ser apascentadas por um pastor. Já animais
selvagens (perigosos) têm de ser isolados em habitats apropriados ou trancafiados. A
natureza ensina sobre esta questão. No amor está a perfeição.

        Pareço, por vezes, um pouco pueril em tratar destas questões, quando deixo de citar
as vilezas humanas, inclusive das lideranças profanas, mas é que quero enfatizar quanto à
forma de celebrar. Quanto à ciência da herança (porque te foram dados tais pais e como
descarta-los ou trocá-los) e porque motivo elegeram tais lideranças (Quais atributos
ambicionavam?)?

        Então amigos prestem atenção: a sabedoria é viva e dinâmica. Ela não é só de
modelos estacionários autoritários, ela é tal qual uma dança que deslancha, deslizando pelo
salão como bailarina em brilhante apresentação. É como água que segue a curvatura do
leito até encontrar o mar.

       Os que vêem sabem que até uma criança tem autoridade. É na confusão, na
escuridão, que reside a ilusão. Só no amor há o sentimento de fraternidade.



             IMPÉRIOS, CORRENTES, MOVIMENTOS,
                       COMPREENSÃO
                O que falarei quanto à religiões serve para movimentos em geral de caráter
político social (racial, sexual, cultural em geral). Falo de forças vivas, Movimentos,
Correntes ou mesmo Impérios que elencam, na maioria das vezes rapidamente, nossa
história. São novidades peremptórias, às vezes até modismos. Tem a sua contribuição a dar
na história da evolução social.

        “Jesus, O Único Caminho”. Esta frase bíblica, do Apóstolo João é referência firme
para qualquer Cristão. Eu como tal a aceito com todo amor, mas tenho compreensão. Pegue
um adepto de outra religião, um nascido em outra cultura, onde Deus tenha outro nome, e o
Filho que enviou à Terra também. O sujeito ao ouvir isto na oração pode estranhar e se
questionar: mas e os demais filhos de Deus, não valem como luzeiros? Eu já comentei
sobre isto, mas vou esclarecer mais. Com certeza tal sujeito não está na dimensão do amor,
da compreensão. É apenas um ser comum cheio de defesas e contradição. Tem um senso
crítico que diz não.

        O problema disto está no seguinte: se ele disser não em meio à corrente de oração
ele se torna um contrário, uma força de oposição. E o couro come, porque a corrente tenta
arrastá-lo. Tem que ser muito firme para suportar, senão vai ser carregado, pancado pela
força da água. “O Contrário deve ser eliminado.”

        A solução está na compreensão, porque ela não é oposição, ela vê com verdade
todas as coisas dentro Universo Divino. Então a compreensão conhece aquilo dentro de sua
realidade, e não se turba. Assim não faz oposição e não entra na luta em questão. É uma
faculdade superior, iluminada, que se mantém em paz sem brigar com nada. Ela nunca
briga, ainda que possa exercer algo por compaixão.

       Isto se dá em diversos níveis. Há uma corrente forte de determinada religião
dizendo que o Cristo chegou e está fazendo uma enorme passeata. Se você desconfia, pode
ficar em casa, ou ir lá e não dizer nada. Mas se for e levantar sua voz contrária é possível
que receba resposta. Se o movimento for amoroso, a resposta assim será, mas se o
movimento for clamoroso e guerreiro é possível que você receba um “chega pra lá” (Sai
Satanás!).

        Eu falei que há pouco assisti à uma celebração da Igreja Universal do Reino de
Deus. Fui na sessão. Começou a celebração e o Pastor empreendendo de forma a todos
unificar numa só corrente, num só pensamento. Falava sem parar, cantava, e incitava a
platéia a participar. Pronto, a corrente estava instaurada, a platéia ligada, como vira e mexe
ele consultava. Energia. Daí ele se torna a fonte da celebração, foi procurado para exercer
este ministério e o está operando. Então a princípio é a verdade que está operando. “Se dois
ou mais estiverem reunidos em meu nome aí estarei, e podem pedir o que quiser em meu
Nome, ao Pai, que o Farei” (Evangelho segundo São Matheus).

       E daí o pastor faz diversas amarrações à corrente, à igreja, àquela celebração
(Amém Irmão?). Não tem tempo não, ele nem quer dar tempo pra você pensar. É a corrente
forte que está a movimentar. E se você se deixar levar vai rezar naquela cartilha, vai
comparecer na próxima reunião, na outra, na outra, pois ali está a solução. Se pensar
contrário pode entrar em tribulação, vai enfrentar a corrente na mente, no corpo (que
começa a tremer). Se se manifestar contrário é bem capaz de virem em torno de você e
começarem a rezar para expulsar o “contrário”, “libertar”. E ainda tem a imposição da mão,
na nuca ou na cabeça, para “tirar o diabo”. Tem também o Vale do Sal, um corredor com
pessoas enfileiradas de ambos os lados com as mãos levantadas, onde o “Pau Quebra”,
como disse o pastor.

       Então, meus irmãos, é isto. E com muita magia. Pois rasgam folhas da Bíblia com o
nome das pessoas escritas, e as deixam na mesa de celebração para estar constantemente
em oração (tipo de prece-recompensa aos dizimistas, reservados a eles). Se você olhar com
maus olhos dirá que fazem isto para manterem cativos seus contribuintes, renovando o
pacto a cada celebração, a partir daquele testemunho vivo deixado na mesa de oração (o
próprio nome e o dos familiares e das pessoas por quem pede oração).

        Se olhar com bons olhos agradecerá pelo trabalho que contratou. A comunhão será
renovada conforme contratada, e de acordo com sua condição, com a condição da pessoa
por quem foi contratada e da pessoa a quem a oração é endereçada, ela vai atuar. É eficaz?
Sim. Imagine uma pessoa sozinha, desolada, agora reforçada com aquela corrente de
pensamento. Imagine isto se estendendo para familiares e amigos por quem orou. Pode
fazer cabeça e mudar comportamento. Daí as chamadas curas e libertações.

        E a paz e o amor? Depois da Batalha. Porque no estágio inicial das curas, das
libertações, é guerra. Pau no demônio. Pau no contrário. Pau na oposição. Sai Satanás!

      Compreenderam o que significa comunhão? A verdade de cada casa, de cada
agremiação?

        Vejamos então no caso da tradição do Santo Daime. Aqui quase não há doutrinação
direta do mestre, a orientação é espírita-musical. Espírita porque a música é recebida do
Astral, o ordenamento do ritual provém do mundo espiritual. Os hinários são cantados e de
acordo com sua beleza, harmonia, luz e inteireza é que o indivíduo vai se aprimorando. Mas
tem os hinos que fala de prender o contrário (no chiquerador). Tem o Hino que fala do
Império Juramidam. Vai desviar o pensamento para ver onde você vai parar? É bem
provável que vá tontear, vomitar ou balançar até a firmeza da mente voltar a encontrar.
Atenção concentrada e contínua, sem oposição, buscando o amor e a compreensão. Assim
sua mente vai sendo formatada, o caminho aberto segundo os ensinamentos musicais
contidos naquela doutrina de Santa Luz. E quanto mais forte é o trabalho, maior o balanço
ou a aferição como chamam, e aí até gente antiga pode ter vacilação e entrar na peia ou na
aflição. É a hora da firmeza, irmão.

        Então se põe sua cabeça na direção, preste atenção. Se caminhar juntinho vai ter
muita premiação. Se apartar pode ter contrariação. Como a celebração é protegida a partir
do Reino Espiritual há mistérios que foram pouco revelados. Então neófitos não enfrentam
de início muita pressão, a não ser que tenha de ser esta sua lição. É o mundo espiritual que
dá a graduação. Então a “droguinha”, que de início traz um grande barato, mais tarde vai
trazendo responsabilidade de vida, reta e compromissada com a missão. Primeiro o
compromisso com Deus, com Jesus, e depois o compromisso com o próximo, com a
comunidade que está em celebração. Lembre que você está comungando, está celebrando
com um povo, o Povo de Juramidam. Prestou atenção na seriedade de cada comunhão. Tem
luz, tem verdade? Sim.

        Então se você ingressa em cada um destes mistérios a saída é a compreensão, ou
seja, a superação da sua função. Isto se dá no amor universal. É de Deus cada casa que você
habitar, e a consciência está aqui a testemunhar.

       Assim é a vida, assim é a ciência que traz a compreensão. Cada um está na sua
condição, trazendo a verdade de sua situação. Dizem que a Lei de Moisés foi a necessária
para manter seu povo unido. Seus dogmas foram remédios. Assim cada agremiação tem
uma condição, tem uma forma de celebração, tem sua verdade que é única naquela ocasião.
Assim há as afirmativas, ao mesmo tempo que coercitivas para evitar desarranjos e
desagregações.

       “Quem quiser seguir comigo, Disse o nosso Amado Jesus, Renuncie a si mesmo,
Tome a sua cruz, Tome a sua cruz, E venha a mim; Meu fardo é leve, E o meu jugo é
suave, Assim dizia Jesus Cristo Salvador”. Este é trecho de uma das canções da Casa de
Oração. Ele diz: deixe a identidade mundana, encontre a si mesmo em Mim, que Sou Leve
e de Suave autoridade.

       Os graus superiores de liberdades vão aparecendo conforme vossa mansidão. A sua
cabeça, as suas tentações estão apaziguadas. Então esta é a sua estrada. Vai viver na
compreensão do amor. Ai quão doce é esta estrada. Do outro lado uma guerra danada. Aqui
uma paz abençoada.

       Então num mundo em constante transformação, em processo de globalização, isto
tudo está em questão. O povo está amadurecendo, encontrando seus próximos, se
conhecendo. Assim é a Fênix, o pássaro lendário que renasce das cinzas, o símbolo do
renascimento após o caos. Os Impérios, os movimentos, as correntes que lutam entre si, são
corporativas e competitivas, até despertarem para o amor maior. Daí saltam para uma nova
forma de manifestação. Aprenderam a lição.

        Aceitação para viver conforme a vontade divina. Obedecer ao seu doce chamado, à
sua doce orientação em cada manifestação. Isto existe e sempre esteve dentro de cada um.
Pacificar a este ponto é relaxar e deixar a histeria que está no mundo a contaminar. Saber
lidar para se libertar das intempéries que estão a tragar. E saber ser feliz ao navegar neste
lindo oceano. Neste infinito.

        Eu tenho uma amiga muito doce, e admirava quando ela, com seus filhos, brincava
de dançar na Boquinha da Garrafa. E admiro muito quem ri, quem tem bom humor para
divertir. Vi noutro dia um ensinamento contra assombração que simplesmente falava: ria
dele, porque ele é engraçado.

        Assim meu irmão, faz de conta, e esvazia sua cruz. Deixe ela leve, ao ponto de
flutuar, por onde você quiser pairar. Deixe-a divertida, de bem com a vida. Muita
responsabilidade dá uma fome e uma sede “dos diabos”, dá uma sede de luta “danada”, faça
a sua parte, a sua pequenina parte, e será cheio de graça. Todos os remédios estão aí.

       O mundo vai despertando e vai deixando. Vai deixando até o poder, e o querer,
descobrindo o ser.

       Graças a Deus.
                                 CARROCEIROS
        Povo que geralmente mora em invasões e sobrevive às custa de subempregos,
esmolas ou catando lixo e vendendo para reciclagem. Esta é a realidade deles aqui no Plano
Piloto, ainda que nas satélites hajam grupos assentados, ou mesmo fazendo parte da
população urbano-rural.

         Muitos são dados ao vício, à cachaça principalmente, e seus barracos são
provisórios, sendo o entorno de suas habitações transformado em depósito de madeira,
papel, metal etc. Como habitam em locais desautorizados para suas habitações, são às vezes
temporariamente tolerados. Assim tudo é improvisado, sendo precário. Assim vivem
dependente até da água corrente e de uma energia diferente (não podem cavar poço nem
eletrificar suas casas).

       Inserem-se como problema social diante do estado. Há os que não querem saber de
serem assentados, irem para periferia e mudar a condição de vida. Querem é ficar na
cidade. São pedintes de uma população relativamente abastada, e já vi os que usam uma
roupa e a jogam fora. Na dinâmica de suas vidas é mais fácil pedir outra nova. Alguns
vivem de esmola disfarçada, pois o que ganham para “vigiar carro” em estacionamentos
públicos é como um “pedágio social imposto por carentes/talvez delinqüentes”.

      Ao nível pessoal tive meu passarinho roubado da janela de meu apartamento, e
minha cunhada e meu sobrinho assaltados quando chegavam para celebrar o Ano Novo em
minha casa. Também já ocuparam marquise de meu bloco, onde geralmente deixam
bagunça na região e já chegaram até a fazer de banheiro um canteiro que havia na região.

        Então não é bom não, e é até constrangedor quando há choro de criança durante a
noite, tosse. No dia seguinte o coração fala mais alto e desço com o café da manhã para
servi-los. Estão batendo na porta, é constrangedora a situação. E as crianças por vezes
sujas, escorrendo nariz, de pé no chão. Os pequeninos lindos, verdadeiras obras de arte,
mas os mais velhos já vão demonstrando o desgaste. Alguns fazem ponto do mercado onde
colocam crianças ao colo, ou para pedirem, e fazem a compra com certa facilidade. Ao
menos os mais desinibidos, desavergonhados.

        Não são todos assim, não digo que todos os carroceiros sejam assim. Há os que
foram assentados e cooperativados. Há os que são associados e tem seu papel social onde
estão baseados. Mas aqui no Plano Piloto de Brasília, como não há local para eles, isto não
ocorre, pois estão inadequados, salva raras exceções.
        Mas o fato é que os quero desconectados, desligados de minha consciência. Por eles
me afeiçoei e participei, anos atrás, em evento nacional de catadores de lixo, promovido por
instituições sociais e principalmente a Igreja Católica, de uma marcha ao Congresso
Nacional. Andei junto uns bons quilômetros, em passeata, no chão, junto ao povão.

        Mas desde então eles ficaram na minha cabeça como preocupação. Cheguei até a
realizar projeto social e procurar apoio para implementar, mas as portas não foram abertas
para que eu chegasse a concretizar. Um deles cheguei até a levar em minha propriedade
com o intuito de lá deixa-lo ficar, mas tive foi de segura-lo na volta, pois estava bêbado,
caindo onde podia se machucar.

       Mas o fato é que toda vez que procurava me certificar onde estava minha
consciência, ouvia um carroceiro a passar. Daí explicava para mim mesmo que eram meus
próximos. E cheguei até a ouvir mentalmente de algum que meu passarinho estava bem
guardado, protegido. Mas o fato é que não consegui ter por bem resolvida tal comunhão.
Não consegui trabalhar, na cachaça não pude me encontrar, e os porres não queria mais
suportar. Então temperei respeito à situação com aversão.

        Perguntava a Deus: será que estou nesta situação diante de Ti, diante da Vida, ou
pior, pois nem feliz e tranqüilo como eles eu ficava quando os encontrava (raras exceções).
O sentimento de caridade, do coração, me abandonara, eu tinha era raiva daquela
perseguição mental que me acompanhava. Uma vez, quando passava, escutei um que se
apresentara à minha esposa como “papa da informática‟, dizendo, se pensar eu entro. E daí
me acompanhava na cabeça até em casa, pois daquela conexão eu não me libertava.

       Certa vez o vi mirando meu filho, e não gostei, pois conheci que queria me atingir
por meu filho. Dei terno que usei uma única vez para ir ao Senado Federal (tinha dois dei
um), dei calça nova, pouco uso, que vi logo depois suja, jogada fora. E me achava
explorado quando tinha de dar esmola, mas pior que dar ou não dar era me sujeitar
mentalmente àquela ligação mental. E a tribulação mandava pau aproveitando a vacilação
mental.

       Hoje eu me pergunto se não é por tal que me encontro com a consciência em
escuridão? Se não é por tal que tenho tido desejos por bares, por bebidas alcoólicas? Mas
não me conformo de ter que me defender de tal condição pela vigilância sempre em
prontidão. Não quero viver nesta condição. Então tenho procurado a solução para a questão.
Algo que eu possa fazer que me desconecte desta situação sem ter viver me policiando
mentalmente (procurei por vários caminhos ajudar: a solução cristã encontrar, mas em
nenhum consegui me felicitar).

        E os anos passaram. E vivi como um carroceiro sem ser. Passei meses olhando no
chão e lixeiras para recolher tampinhas de garrafa ou lata para trocar por bonequinhos para
meu filho. Saía passeando com o carrinho de bebê com meu filho menor pelas lixeiras ou
bares da quadra. Depois, entre outros, trabalhei com material reciclado, Catava madeiras e
fazia caixas e móveis. A maioria das telas que pintei foram provenientes de madeiras que
encontrei e de cortinas jogadas fora. Então todo dia, ao abrir a janela, naturalmente a
primeira coisa que olhava era para o lixo: observava se havia alguma coisa que poderia ser
aproveitada. E quantas vezes não lamentei morar em apartamento e não poder guardar ou
ter como usar determinadas coisas.

        Mas isto deixou de ser algo normal. Aquela identidade com o lixo se tornou
incômoda. Sou um profissional formado, com contas a pagar, deveria ter algo mais
producente para me direcionar. Mas vira e mexe estava eu olhando lixo. Paciência. Muita
tela pintei em estado de embriaguez.

        O “povo da Rua” tá me segurando. Me liberta Meu Deus, me ensina o caminho de
ser feliz. Daí, de uns dias para cá, depois de mais de ano que meu filho insiste para comprar
um novo computador, eu negando, resolvi concordar. Com isto um novo astral começou a
pintar. Voltei a meditar com facilidade todos os dias pela manhã. O sono foi embora, e
encontro meu corpo de energia a toda hora. Minha coluna está se levantando (estava
andando arqueado sobre o estômago). De manhã realizo movimentos com os braços e
mãos, com simplicidade, sentado ao lado de minha esposa ainda deitada, e encontro a
energia cósmica e vejo meu corpo sendo iluminado, erguido, coluna reta, olhar para frente.
Sinto Krishna em minha expressão, sinto Santos Iogues como a energia viva presente em
meu corpo durante a meditação (vejo e sinto meu corpo luminoso como o de um oriental
em meditação). A gratidão me invade. A alegria e a saúde me dão bom dia.

        Chegou uma nova mesa para o computador. Mas meu filho quer o computador novo
em seu quarto. em cima de sua mesa. Então uma mesa sobrou. Esta que estou não cabe no
quarto. A nova sim. A sala vou mudar e para a nova mesa vou transportar este velho
computador. E esta velha mesa vou dispensar (a mesa foi feita com material que reciclei a
partir do lixo e material jogado na rua). Então lembrei (tive consciência) de escrever este
texto.

      Mudou a mesa, chegou um novo computador. Novos recursos, missão cumprida.
Nova Vida.

                                           Graças a Deus.


             PERTENCIMENTO – A NATUREZA E O EU
        Um dos sentimentos louváveis de se cultivar é o sentimento de pertencimento ao
local onde se está. Isto é integrativo e traz bem estar.

       Falo isto porque me encontrei desejando outro lugar, outra situação. E este é um
sentimento que traz frustração quanto ao presente divino. Você pode até desejar, mas não se
roubar do que é, está presente. Sob o risco de focar ausente de lá e de cá. Já dissertei sobre
isto.

        Estava há pouco a pensar sobre a natureza das religiões politeístas e monoteístas.
Uma é espelho da outra. Na monoteísta se está diante de Deus Criador. Na politeísta se está
diante da Criação Divina.
      Reconhecer a Expressão Divina Da Criação é uma Faculdade Divina. Então Deus
também é presente em quem nisto está.

        Reconhecer Deus na Unidade é estar de acordo com esta unidade. Então Deus está
presente no Uno.

       A diferença fundamental de enfoque é que politeístas conversam com a Expresão de
Deus, a natureza, o objeto exterior. E os Monoteístas despertam em si esta Expressão de
Deus.

       Ainda que na prática a grande maioria celebre da mesma forma, através da devoção
ao objeto exterior, uno ou pluriformal, o fato é que o monoteísta que trabalha por despertar
Deus em seu interior, vê a Criação como uma faculdade sua, interior. Então o objeto de
conhecimento está centrado no criador, no seu interior, que é o da pessoa humana/divina, O
Filho de Deus.

        Todo fundamento exterior está em si, no interior. Quando o cidadão que crê nisto
consegue se antepor às relações que o governam pelo exterior ele chegou à sua condição de
Criador. A existência fica nisto ao nível da consciência, nada se dá fora dela, sem ela. Tudo
com Cristo. “Eu sou o Alfa e o Omega. O Princípio e o Fim de Todas as Coisas. Ninguém
vai ao Pai senão por Mim.”

       Mas nisto pode estar o ditador ou mesmo o lutador. Mas aquele que vê deuses se
aproxima da porta da perfeição. Então os caminhos se encontram. Na Essência e
Manifestação. Então a Vida é Unificada com a Criação.

       Este fundamento é experienciável ao Ponto da Perfeição. A Porta é o Amor.

       No fundamento não há o sentimento competitivo de Deus estar à frente da Criação.
Eles simplesmente são. O sentimento é o de comunhão. Quando se ama é sempre assim. Há
comunhão. Mas Deus está à frente da Criação.



                             CHOQUE CULTURAL
        Imagine se há contradição entre abraçar uma causa franciscana e trabalhar numa
central sindical. Um dá até a roupa do corpo para agasalhar o irmão que sente frio, mas não
agride nem briga, acusa ou denuncia, e sim ora e pede a Deus que ilumine amigos e
inimigos, necessitados das diversas ordens, esperando que por esta providência do amor
todos se curem, se confraternizem, se equilibrem e sejam felizes. A sua firmeza é a de
encaminhar as pessoas para esta solução do coração, da comunhão, assim é Deus a Solução,
a riqueza maior e imperecível do qual andam esquecidos os irmãos. Do outro lado chega o
guerreiro justiceiro, armado de lança, espada, escudo, espetando o dragão. É morte, é
punição, prisão, acusação. Não tem pena não, coisa ruim vai é para o inferno pagar seus
débitos. Lugar de bandido e ladrão é na prisão.
        A verdade é uma só, mas pode parecer que são duas. É uma questão de objetivo,
situação e condição. Mas a ação é uma só a cada instante, a cada presente. Eu já me neguei
a performance guerreira, e também a misericordiosa, e amuei, perdi o brilho, fiquei sem
vida, sem energia, como quem espera uma nova oportunidade da vida, ou então entrei na
luta interior, na revolta para com o mundo, uma luta que se trava com Deus pois
desconhece a perfeição das criação (assim a Criação Divina é cheia de enganos e
contradições, desde a essência).

        Esta é a história de Luz e Treva. Mas não é tão simples assim quando os opostos
não são reconhecíveis, não há discernimento do caminho. Vamos agora simplificar falando
de correntes que se encontram, correntes culturais. Uma fala assim: maçã faz bem à saúde,
é leve, adstringente e até limpa os dentes – outra diz maçã é coisa indecente, pois é fruto
proibido que representou a queda de Adão do Paraíso.

       Uma vacilação, hesitação, dúvida, permite a troca de consideração. Dependendo do
meio em que você se encontre, e do seu envolvimento com cada corrente de pensamento
pode ser difícil que a certeza se assente, havendo tribulação, ou seja, pensamentos repletos
de considerações (este livro faz muito isto no caminho da celebração da unidade) acerca de
cada aspecto (o pensar reflexivo que busca a iluminação: recorda experiências buscando o
discernimento, a solução, a compreensão).

       Quando olho para um chocolate, o vejo com bons olhos e tenho vontade de come-lo.
Mas se parar para pensar por vezes eu não faço. Vejo aquele líquido preto se espraiando por
dentro de meu sistema digestivo não dando o benefício, não tendo o brilho da luz que faria
bem ao meu sistema. E pensando assim também não como alimentos gordurosos e nada
denso ou pesado. Quero apenas o que me confira o sentimento de luz em expansão, que seja
leve e delicado, que seja energético e vá manter meu aparelho brilhante ou ao menos
reconfortado em meio à suave carinho.

        Mas vejam que estando eu muito energizado como subjugando. Como alimentos
pesados como quem diz: isto é leve, meu organismo é forte e sábio e extrai disto boas
coisas. Assim a vida dos que “pegam pesado”, tem força para desbravar as terras. Os que
comem leve costumam ser mais ecológicos, vivem mais no sutil, tendem mais `à
preservação, manutenção.

        Um peão da cidade, do campo, bebe cachaça, vinho, e come em abundância. Um
meditador, aqueles que trabalham em frente ao computador, tendem a se alimentar mais dos
frutos da natureza contemplativa (as folhas captam muita energia solar, se abrem para a
vida). São formas de expansão diferente, as manifestações são de ordens distintas. Isto não
quer dizer que não hajam as intersessões, a cabeça liga as dimensões.

        No choque cultural as verdades são relativas. Imagine um aspecto espiritual e um
social. Uma amiga disse-me ter recebido um filho de outra mãe, que o trouxe em
pagamento de dívida cármica, pois em outra vida havia roubado seu filho. Esta é uma
verdade particular, dada pela fé espiritual, mas socialmente não há débito, não há direito
material sobre tal. Isto quer dizer explicitamente que não há maneira legal de tal ser
exigido, a não ser que a sociedade fosse convertida para que assim suas leis a espelhassem.
A fé espiritual passa a fé racional e se transforma na ciência jurídica. Vejam que é tudo uma
questão de consciência alicerçada em distintas condições.

       Outro dia vi um filme de uma mulher sofrendo, quase aceitando seu desígnio de
morte por estar se apaixonando pelo homem de seus sonhos (havia casado sob coerção, sob
chantagem). Assim ela morreria sem lutar, pois a lei, a moral, a sentenciava a tal, dando ao
homem o direito de executa-la. Ainda que fosse real seu sentimento, ela não tinha a força
da guerreira para se rebelar, e estava aceitando a morte encontrar. Sua consciência não
consentia lutar para se libertar.

       Não viver é melhor do que viver sem honra. Aquele que crê nisto é disposto a
guerrear para a honra não sacrificar. A única questão relevante disto é onde está o
fundamento de tal honra. Se está na luz divina, no amor de Deus, são novos cristos. Quem
não está nisto está preso ao Sansara da vida, no mundo da ilusão, enfrentando sua
contradição.

       Houve época de minha vida onde estar em meio de bacanas (ricos) me trazia
repugnância, pois os sentenciava como criminosos culposos de um povo sofrido (o
julgamento do luxo às custas dos servos me aviltava, eu tinha um sentimento classista). Isto
após minha politização de esquerda, durante a universidade. Depois ainda não conseguia
comungar porque cria que eles deviam é estar a rezar, a praticar caridade em meio a tantas
necessidades do mundo (minha consciência estava no caminho da religiosidade caritativa
mas não alcançara o amor incondicional). Assim julgava e sofria.

        Para estar de bem com a vida só antes (infância), quando inocente admirava a
riqueza como quem admira a beleza da natureza (os julgamentos morais, qualitativos, sobre
as fortunas alheias não pesavam sob a minha cabeça). E depois, quando superei tudo isto,
busquei ver a riqueza de cada realidade como uma benção, eu em paz, disposto e disponível
de acordo com o voto de amor que acredito.

        Mas a acusação diante dos poderosos, ao menos no pensamento que julga, é uma
coisa muito fácil. A minha socialização relacionou riqueza à vileza (houve e há culturas
onde riqueza é símbolo de nobreza, e até de santidade, mas minha formação foi a da moral
religiosa: “é mais fácil um camelo passar por uma agulha do que um rico entrar no Reino
dos Céus”, e científica: “a história contada sob a ótica do oprimido”, ambas sob o cunho
popular da indignação.

        Depois da religiosidade passei a ter dificuldades em tolerar ambientes classistas,
preconceituosos e desrespeitosos. Comungar dentre pessoas que criticam seus próximos,
cheias de rebeldia e despeito eu não aceito. É alimento de uma qualidade do qual não faço
parte, mas bem o conheço, pois já o comunguei. Há muito desrespeito nele, principalmente
á natureza humana em sua dimensão mais ampla, nivelando tudo por uma base material
odiosa. Então seja pobre ou seja rico, tem de ter a riqueza do Ser para que eu possa me
sentir em casa, dentre amigos, próximos. Assim eu acredito que o caminho está certo. Pode
ser até que não estejamos no paraíso, mas o estamos construindo, para ele caminhando,
edificando.
         Vide que tais coisas também residem na seara religiosa. A moral cristã trouxe muito
de renúncia ao povo. Cristo veio do povo, não tinha lugar de deitar. Nasceu assim e ainda
morreu numa cruz. Mas Krishna, o Cristo do Oriente, aparece sempre enfeitado, adornado,
rico, iluminado, e com bela esposa. Buda foi filho de Reis: teve uma vida paradisíaca em
meio à cidade do Pai até renunciar em Busca de Riqueza ainda Maior.

        Ora, veja que há uma identidade cuja moral se apropriou em detrimento do
ensinamento maior (do amor). A identidade classista. Na tradição oriental isto foi
compensado (Buda veio da riqueza, os Faraós eram Deuses na Terra, Krishna é símbolo de
fartura, alegria, beleza, e aparece ensinando um príncipe a guerrear). Note que estes valores
estruturam culturas, pois foram símbolos máximos: a personificação da perfeição para cada
povo. Então o olhar de um povo se formou tendo estas considerações referenciais.

        Assim, para muitos, o material e o espiritual se tornaram antagônicos, mas de fato
são apenas manifestações da riqueza divina. Um não deve existir sem o outro. Ninguém é
de fato rico sem a Luz de Deus. Sem ela toda riqueza é um peso, e com ela toda riqueza não
é nada.

        No amor é possível se atingir a consciência por antecipação. E o respeito e a
admiração são caminhos. Fuja da destruição, caminho da indignação que reflete apenas a
rebeldia diante da confusão interior. O inferno queimando dentro levando-o a encontra-lo
no espelho existencial. Procure antes a Paz de Gandhi, a Paz de Cristo, e Graça de Krishna
e sê firme. Quem se eleva à compreensão vê tudo com perfeição.

        A riqueza católica parece uma grande contradição: ame-a. Não seja protestante, não
seja oposição, seja apenas um novo fruto do amor cristão. Que o império transnacional seja
feliz, e você também. As pequenas e grandes árvores existem, e são felizes em suas
identidades matrizes, Uno é Deus. Adquira esta consciência de união e estarás na Porta da
Unidade.

       Eu não morro nem mato, apenas comungo com a natureza. Esta é uma fórmula sem
mácula de se apropriar de tudo que externo está. Só assim você pode se beneficiar de tudo o
que o universo está a lhe presentear. Até do ar que está a respirar.

        Há pouco, no caminho, estive a pensar nos gatos de rua da quadra. Estão a
proliferar. Me lembrei de uma mulher que os está a alimentar. E da Zoonose que dentro em
breve deve baixar (carrocinha de recolhimento dos animais de rua). E me veio um cena de
alguém estar culpando a mulher por aquela proliferação, e ela apenas disse: eu apenas os
estive a alimentar, não mais que isso.


        CARTA A TODOS QUE SE SENTEM OPRIMIDOS
       Conheço todas as vossas dores. Sei de todos os dissabores e do quanto é difícil
suportar uma vida assim. A vontade de se rebelar é grande e você quer gritar e até esganar o
primeiro idiota que lhe aparecer. Quando não o ódio já assumiu caminho certo e se tem
asco, nojo e repulsa por certas pessoas, indivíduos, classes.

       A dor é tamanha e remonta a história de vida, a sua e a de antepassados injustiçados.
Então a revolta é grande, queima, arde e quer explodir até o último furor esvair.

       Não posso julgar ou condenar se mesmo eu por vezes uso de minha força e
autoridade para dar um basta na sacanagem. O máximo que posso fazer é aconselhar.

        O mundo da dor nos roubou o amor. Sem ele estamos na guerra. Este é o inferno.
Pequeno ou gigantesco este é o inferno. E como ser cordeiro em meio a tantos lobos que
espreitam sem procurar se defender de acordo com nossas imperfeições? Sim, este é o
limite do bom senso.

        Se me esforço para ser bom mas no pecado o mal me rouba como vou me fortalecer
na gratidão e na fé? É um caminho muito estreito, difícil, odioso. É mais fácil odiar do que
amar dependendo de onde você está. De onde sua cabeça está. Amor não existe a não ser
em raros momentos de intimidade com alguém ou algo querido. O que existe é respeito, um
pouco pela admiração e outro tanto pela disciplina ou temor. É, pelo medo. Medo da morte,
da prisão, da porrada, da traição, da canalhice, da chantagem e de toda sacanagem, que nos
mantém ora selvagem, disposto a matar qualquer custo, ora acuado, resolvendo esperar e
agüentar para melhorar.

       “Não dá mais pra agüentar, explode coração!” A Igreja não consegue me saciar, não
consegue resolver, ela só fica a amansar ou a condenar. Eu quero é resolver, e é agora.
Quero a justiça valer. Quero dizer que se Deus me deu estes sentimentos eles são reais, eles
mostram quem está me molestando, me sacaneando, me aprisionando. Eu sei quem são os
grandes e os pequenos bandidos. Eu sei de tudo porque tudo é verdade dentro de mim. Se
não fossem não existiriam, mas existem. Eu quero um basta!

        Fudeu mano, porque só conheço uma solução. Pegar a sintonia do amor e andar
nele, e se tiver que resolver algo, resolver sem se arrepender (no amor o presente é sempre
divino). Mas eu tenho ótimos conselhos para você vencer. Escute.

        . Primeiro seja forte. Não caia de gaiato, não entre de babaca sem estar na força, na
condição. Apanhar é pra mané. Cria a força que diz: eu não vou lutar para apanhar nem
brigar para empatar, eu vou dominar, dar porrada até me fazer compreender.

       Quem chega neste estado está tão forte que resolve sem precisar lutar, mostrar.

       . Tome a refeição do amor todos os dias para não alucinar e sair disparando para
todo lugar. Assim o ódio não vai te cegar.

        . Vença uma das batalhas mais difíceis do ser humano, as suas responsabilidades e
identidades sacanas. Aqueles que te cobram sem amor no coração não merecem sua
solidariedade. Não se sinta responsável pelas mazelas dos outros, pintam muito escroto.
       . Ponha tua cabeça na moral, no ideal, e ande concernente com ele. Assim você
constrói o seu caminho reto.

        . Escute tudo, cabeça aberta e vigilante, principalmente para não entrar na bronca
alheia. Se você quer resolver, quer paz, tem de apartar das filhas da putice que ficam a te
chegar. É um ninho de cobras, de maribondos, que você vai apartar. Sai, vai pra lá. Se ficar
no vacilo vai alucinar de tanto problema e vai lutar até se acabar. É mais fácil deixar o
inferno do que extermina-lo. Fora dele você vê melhor, combate melhor, vence melhor.

        . Resolva todas as suas broncas uma a uma. Seja honesto! O que você dá conta, faz,
paga, resolve. O que não dá tem de adiar, tem de dar um jeito de esperar.

        . O sujeito que manda seu ego pro caralho se torna obediente a Deus. Ele não tem
mais trava, identidade social que o circunscreva num padrão comportamental. Então é
como Jesus, capta as coisas no ar, Na Luz de Deus. Mas como fazer esta porra se a treva
está no ar. Se você obedecer é capaz de ter que ficar a matar e sacanear de tanta coisa ruim
que lhe fica a chegar. Então tem de se iluminar. Eu só conheço o caminho de meditar, orar
cantar. É ele que recomendo. Ele vai à fonte, e é a partir dele que as demais coisas se
tornam sagradas. É limpar, arrumar, sintonizar e amar.

        . Mas sem o ego você vai se despersonalizar. Não tem raça, não tem classe, não tem
religião, não tem pai, mãe ou irmão. Não tem nada que não presta, e tem tudo que é bom
abessa, pois no amor você tem a todos, a tudo. Sem o ego não há cumplicidade nem carma,
não há identidade com o passado, não há relação de pertencimento rebelde, há devoção.
Você paga as dívidas sem rancor. Fala com verdade. Sabe da realidade, é consciente da sua
condição, é consciente que o mundo está em transformação. Mas está na frente porque
aprendeu a ter a força da coerência divina, a manifestação divina.

        Fora disto eu não conheço solução. Eu conheço paliativos, labirintos da ilusão,
coisas que apenas toma tempo e enrolam a situação como o looping da computação.

       Então depois que descarreguei, eu digo, sai fora da escrotidão. Seja forte, elegante e
deixe o ódio pros babacas. Em vez de trocar tiro, e se refestelar, se regozijar com sangue,
vá fuder com uma boa mulher. Vai fazer amor. Vai se acabar de amor. Esvazia essa coisa
negativa.

       Em vez de ficar na frieza, no congelamento do sentimento, numa luz sinistra, vá
experimentar felicitar, fazer as pessoas ficarem radiantes de alegria, sem nenhuma rusga,
receio arrependimento por ser às custas da dor. O sentimento puro é algo superior ao
benefício frio, cheio de rancor. Ele traz felicidade à alma e não tem nada a temer. Ele só
tem a agradecer como um presente eterno, que brilha de tão puro que é.

       Antes de cobrar veja aonde você pode se consertar. A vida tem perspectivas. Seja de
bem com ela. Malandro. Não otário, mané, chulé. As pessoas gostam de quem se gosta e é
especial. Quem não gosta do que é belo, bonito? A diferença é que o fascínio do mal é
doentio. Ele reina no medo. E o medo é uma merda para quem o tem. Então no reinado do
medo há luta e espreita, ou há covardes, e o valente não gosta de covardes, pois é uma
escória que não se admira. O Herói impõe respeito: medo para os que o temem, mas ele
pode ter amigos sinceros que o admirem, pessoas que estejam com ele e que se sintam um
com ele, e das crianças aos velhos todos podem se chegar, pois é do coração que ele está a
lutar.

       O babaca faz de conta que está fazendo o bem, mas é cheio de contradição porque
não tem coração, a maldade é a condição. O herói não. Ele suporta na honra.

       Então minorias em geral, excluídos, desassistidos, doentes de todas as sortes e
desvalidos, tem de botar a cabeça para funcionar, buscar a Deus e brilhar. No possível o
corpo vai funcionando. Eu já dei o caminho. A Luz vai orientando. Graças a Deus.


                                    CONTROLE
        Mais uma atitude alternativa, uma solução disciplinar para quem vive fora da Luz
Divina. Isto é tão sério que em alguns locais tornou-se lei. Há países que limitam, há países
que estimulam a natalidade.

        Um filho é uma responsabilidade. Desde a gestação há interação. No ventre da mãe
ele vive toda uma situação relacionada ao organismo que o conduz, que o hospeda, que o
alimenta. Mas também o meio ambiente é importante, em particular a figura do pai, co-
gestor genético e ambiental, principalmente quando convive o casal.

       Mas depois que nasceu há toda uma responsabilidade social. É tanto que é cultural,
e no legal os pais respondem por seus filhos até a maioridade, geralmente atingida dos 18
aos 21 anos, dependendo do fato.

        Mas depois que se atinge determinada consciência social, deixar procriar pode ser
tão irresponsável quanto deixar cães e gatos se multiplicarem quais selvagens dentre as
ruas. Na cidade os que não são adotados são eliminados. O estado executa isto através de
um serviço conhecido como Controle de Zoonoses (Carrocinha de Cachorro é como este
serviço é públicamente conhecido). Então cachorro ou gato sem identificação, encontrado
perambulando nas ruas, é digno de apreensão, e depois de um tempo, se não procurado (se
aparecer alguém será multado pelo mal cuidado), será eliminado.

       Esta é a nossa realidade social, e este o nosso modelo ambiental. Então criar
animais, fora de seus ambientes normais, requer cuidados especiais. Isto é normatizado até
por códigos de posturas condominiais.

        Imagine então pessoas que se situam como animais. Ficam a perambular de lá para
cá, como doentes sociais. E ainda tem algumas que ficam a procriar. Procriar sem ter o que
fazer, para bem receber, e encaminhar o novo ser, que está a nascer. Não tem consciência
de si, de seu sustento, não são cidadãs no sentido do cumprimentos dos deveres sociais, e
muitas vezes nem ao menos fé no que vai acontecer. Estão a fuder, e o que “Deus quiser vai
acontecer”.
        Então, se a irresponsabilidade do doente mental está a tal, o Estado tem que
interceder. E vai dizer não, você está sem condição de procriar. Vai primeiro se endireitar,
entrar na cidadania, para depois poder proliferar. Isto se torna zelo de uma sociedade. Não
permitir que se crie problemas que ela vai ter de assumir é uma forma de bem gerir. E
precaver é melhor do que remediar ou sofrer. E uma população exorbitada é desequilíbrio
ecológico que terá de ser corrigido. A natureza faz isto.

       Dizem que a natureza é seletiva. O homem o foi para com o restante. Há alguns que
entraram em extinção por suas mãos, outros estão limitados e preservados em condições
especiais. Alguns servem como alimento, outros como passatempo. Esta é a cadeia
alimentar e de relacionamento, do qual o Homem está no topo.

        Não há mais dinossauros, não há mais espécies soltas selvagens que ameaçam o
homem. Eles se tornaram extintos, excluídos ou frágeis diante da inteligência humana. Note
que não vos falo diante da natureza animal humana, seu aparato de força física, mas sim
diante de seu aparato intelectual. O ser humano imperou dado sua inteligência como
criador.

       E em breve também não haverão tais animais em termos sociais. Eles serão
excluídos para outras paragens de forma idêntica ao poder que Cristo usou quando mandou
os demônios irem para o inferno. O homem conforme vá evoluindo em sua natureza, vá
conhecendo com clareza suas qualidades e as identidades de cada coisa de sua casa, vai
operando a limpeza e o ordenamento da natureza. Sem dúvida, sem vacilação e sem
confusão.

       A clareza vai mostrando o que há de errado em toda natureza. Ela, a clareza, que é
luz, não tem preconceito de qualquer espécie, nem ao menos é classista, é sim precisa e
objetiva, e evidencia. A misericórdia e o rigor vão se juntar e dar lugar à Justiça. Eis o
julgamento do Último Dia. Último Dia de cada coisa, de cada condição, último dia para a
redenção.

       Este Último Dia ocorre todos os dias. Mas vai se intensificar. E terminar para quem
se Iluminar. O puro que não estará mais a pecar. E o mundo vai balançar. Não balança nem
o dedão para quem está em paz, mas quem está na ilusão vai ter de enfrentar a tormentação.

       Quem já viveu isto na mesa de oração tem a seguinte declaração: é duro de agüentar
ver um caminho difícil, onde se vacilar é sinônimo de num terror entrar. E terror mesmo,
pois quem vê as trevas da Luz, enxerga o que está a tolerar, empurrando com a barriga,
fazendo-se cego e pouco sensível diante da maldade que há no ar. Então a solução é o
caminho ampliar, a estrada pavimentar: tranqüilo poder passar. Assim o caminho fica uma
Bem-Aventurança, um “Presente de Criança”, Puro e Poderoso. Simples e Amoroso.

        Falo em “empurrando com a barriga” pois muitos não tem consciência superior a
isto. Sua “visão consciencial” está limitada ao sistema de poder material. A consciência não
se eleva além deste nível da existência. Estes têm de tomar Chá ou usar de outro veículo
abençoado para ingerir e se elevar.
       Portanto meus irmãos, nesta época de iluminação, cuidem bem de vossa procriação.
Os homens de bom coração estão e vão se dar as mãos. Não crie mais problemas não.
Ajude a resolver os que já estão.

       E note: assim como os loucos são internados, julgados incapazes; assim como os
bandidos são encarcerados, julgados incapazes do exercício da cidadania; assim como uns
morrem como doentes e outros por acidentes; assim como os que morrem na guerra ou
temendo a ela, assim são os que estão “fora da linha”, fora da Luz de Deus, para a
consciência divina. Isto já é assim. E morte tranqüila só com fé, mas de preferência com
consciência do dever cumprido (que só tem aquele que julgado está e deixou de pecar).

      Então vamos controlar. Aprender a viver, para depois criar, cuidar, ensinar. As
bênçãos de Jesus estão no Altar. Graças a Deus

              O EGITO E AS ANTIGAS CIVILIZAÇÕES
       Até há pouco não tinha consciência destas coisas, apenas aprendi a respeita-las pois
pelo tanto que vi no sutil se tornou fácil acreditar nestas coisas que por vezes me chegavam
superficialmente, como fantasias estóricas.

        No decorrer de minha vida tive duas namoradas que tinham ligações espirituais com
o Egito. Uma deu ao filho o nome de Akenatom, Deus Sol que foi Faraó (esta namorada era
uma iniciada da Umbanda, com o corpo fechado, marcado por setes cruzes em torno de seu
peito-ombro, e andou comigo pelo território do DF num trabalho de cadastramento onde
sempre me ofertava um pó branco abençoado para proteção, fazia sua oração, e me fornecia
galhos de arruda para por sobre a orelha). Outra foi uma coroa (+ de 40) que conheci num
bar. Bela começou a me paquerar de forma que fiquei a admirar. Seus olhos brilhavam. Ela
bebia muito. Fascinado a levei para casa, carregada, e depois passei a namora-la. Numa
bela noite, na cama, ela me pede para segura-la que os espíritos estavam a carregá-la. E me
conta algo sobre o Egito, e se declara a encarnação de Nefertiti. Realmente sua expressão
era encantadora (alta, bela e forte, imponente). Conforme me revelou foi reconhecida como
tal por várias pessoas em sua vida, inclusive quando em viagem pelo mundo.

        Mas estas passagens não me despertaram conscientemente interesse pela cultura
egípcia. Foi algo normal, natural (nesta época nem sabia o que era astral e quase nada sobre
coisas espirituais). Apenas havia lido uma obra que indagava se eram os Deuses do Antigo
Egito Astronautas, mas nem a concluí, apesar de acha-la interessante.

       Mais à frente conheci um senhora idosa, sobre a qual já versei, que me falava sobre
o Egito, a Grécia, os árabes de forma muito especial. Esta senhora era uma ermitã de
apartamento, e as vezes que veio tomar chá comigo trouxe grande equilíbrio à minha casa,
sendo sua encomenda de bons sonhos verdadeiro prodígio de bem-aventurança no repouso.

        Outra passagem eu colhi numa festa com uma turma de idosos para os quais dei
aula. Tendo levado minha família, um senhor de + de 80 anos, coronel aposentado da
polícia, me chamou e declarou ter conhecido que meu filho (o mais velho) fora um Faraó
do Antigo Egito. Conta ainda que a época eu houvera lhe tomado a mulher, e que nesta
encarnação ele viera para saudar com amor a relação que no passado houvera dor. Ouvi,
mas isto pouco acrescentou, pois nada em minha consciência mudou, já que o caminho eu
conhecia ser sempre o amor, independente do que se passou.

       Há pouco tive vivo interesse em comprar, e vou comprar, uma fita de vídeo que fala
das semelhanças entre Brasília e as cidades do Antigo Egito. As cidades projetadas e seus
marcos transcendentais, espirituais, simbólicos-energéticos.

        E agora acabei de conhecer a história de uma civilização do Antigo Egito, mais
propriamente a de um Faraó e sua Filha em processo de Iniciação Espiritual (Amenemhat, a
filha, veio posteriormente a ser conhecida como Nefertiti), e fiquei maravilhado com as
revelações. As revelações são espirituais, falam de civilizações Antigas como Atlântida,
algo que nossa história comum não registra mas que está gravado e é disponível para quem
tem acesso às bibliotecas do Plano Sutil ou à Memória Akásica. Isto está disponível na
internet num site da Grande Fraternidade Branca.

       Aliás, foi após a oração onde ouvi hinos, música, da Grande Fraternidade Branca, e
conheci a luz fina e bonita que ali havia, muito estável, que despertei o interesse em beber
mais desta cultura.

        Se pensarmos bem, nossa memória comum, racional-científica, é muito recente, de
poucos milhares de anos para cá. Mas esta memória espiritual fala de civilizações há
centenas de milhares de anos, e a histórica propriamente dita que li data de 14.000 anos
atrás. Revelação: os dirigentes, faraós, sacerdotes, eram oriundos de outras civilizações
espaciais. Detinham tecnologia de controle da energia que permitia navegação aérea,
lapidação, extração e transporte de pedras (com domínio sobre a força da gravidade), eram
telepáticos, faziam viagens astrais etc. Ou seja, trabalhavam até com a radioatividade, mas
com a faculdade da mente principalmente. Li e conheci coerente. Gostei e me maravilhei.

       Sim, conhecimento da existência de uma consciência extraterrestre que já dominava
o que hoje o computador faz, e ainda mais. E as cidades eram planejadas, formadas no sutil,
para depois serem aterradas. Verdadeiros paraísos. E claro que isto tem um paralelo lógico
com o sonho, profecia, de Dom Bosco, sobre Brasília.

       É muito lindo lidar com isto, ampliar a visão para esta dimensão, só não muda o
amor. Este continua sendo o centro.

                  RECADO À JUVENTUDE REBELDE
       Não adianta se revoltar nem se rebelar, pois vão apanhar. O caminho não é este.
Tem que noutra sintonia entrar. Falo isto pois me vi sendo solicitado a ouvir este clamor de
dor. Em casa coloquei algumas músicas e escutei. Sintonizei e conheci que não tem solução
a não ser mudar de opinião, sair da maldade, cultivar outra forma de se celebrar a liberdade.
       Eu sei que o caminho está difícil, estreito, que a dor e a dificuldade espreitam. Sim,
tão no sal da vida, e o alimento da destruição estimula a rebelião. Sei que a sociedade é
cheia de contradição, mas quem está nesta condição tem de limpar a visão para sair fora do
Plano da Rebelião.

        Traficante, agressor e ladrão ninguém quer meu irmão. E a resposta da sociedade é
polícia, prisão, educação, morte. E os bandidos estão tão perdidos que matam e agridem
entre si, roubam seus próximos, então não tem modelos que devam ser seguidos para o
social, são agentes do mal (estão na inconsciência da revolta geral). A morte e a
desobediência habitam entre eles. O amor é apenas uma porta para aliviar a dor, e uma
esperança.

        O caminho do perecível é limitado. Quem está por baixo já anda acuado, e se quiser
subverter o sistema vai salgar ainda mais sua vida. Já por outro lado o caminho do
espiritual traz a libertação final. O refinamento da energia traz saúde, harmonia, e vai
abrindo as portas da realização. Outra solução vem na mão. Quem tem a mente liberta, o
espírito liberto, sai da ilusão e vai viver em comunhão. Em comunhão com a irmandade, em
comunhão com a natureza. Esta verdade lhe põe a mesa. Lhe põe a mesa espiritual e
também material.

       `Há pouco, lendo sobre a Iniciação Espiritual de uma adolescente, lembrei do
quanto somos impotentes quando não temos Deus na Mente. E para ter Deus na mente é
preciso cultivar até Ele brotar, crescer, florescer e frutificar. Uma Arvora Frondosa ficar.

       A consciência próxima ao Divino é como o carro que se dirige sem desviar para não
atropelar, bater, ou estragar (não contrair ônus ou outros males ocasionar). O Carro é você,
que no Caminho fica a alinhar. No princípio pode parecer um pouco difícil manter a
direção, fazer a curva perfeito, passar marchas etc., mas depois chega o Zen e você desliza
com elegância. Essa é a mestria. A vida é o lugar que você está a passar.

        Pude recordar que quando um indivíduo sai da consciência divina é como um
dormir no sono da ilusão: vai a roda do Sansara girar até redespertar. Quando despertar a
sensação é a de que tudo passou num instante, isto porque na Luz o Presente é constante,
intenso e radiante (não há sentimentos doutrora que são pesados, difíceis, dolorosos, nada
disso, pois tudo é visto claramente da compreensão, com Luz. Você está no perdão perfeito:
por isto dizem que quem está na luz não tem saudades: O presente divino é tão intenso e
radiante que não admite este tipo de sentimento de falta, a lembrança se dá doutra forma,
como caminho, como Presença).

       Sabe porque isto? Porque na consciência você encontra consigo mesmo na
Excelência, o resto todo desaparece. As coisas da ilusão se tornaram incontatáveis porque
você não vive a ilusão. Há clareza. Você sabe o que é como é.

        E a sensação é a de volta para casa. De volta para si mesmo. De volta para o Lar. A
sensação é a de integridade e felicidade. Você está inteiro, convicto e iluminadamente feliz.
Ama sua casa, seus familiares, seus amigos, e zela por tudo isto. Sempre Criativo, sempre
ideal. No caminho isto pode ter que ser zelado, daí toda expressão de vigilância e cuidado
para manter este estado, mas conforme você se fortaleça o caminho vai se tornando mais
largo. Isto quer dizer que a vida vai simplificando, a felicidade se tornando algo natural,
comum, sem desafios ou obrigações que todo dia você tem de enfrentar para a sustentar.
Você domou a sua vida, deixou a luta, Venceu.

       Encontrou a Humildade, a Paz e o Amor.

       Esta é a identidade do encontro. Assim você ama e vive todas as coisas, do jeito que
forem, como forem, do tamanho que forem. Eu Sei O Que Sou. Eu Sou O Que Sou. Eu Sou
o Eu Sou. Eu Sou.

                                      TOGURO
       É uma personalidade que me chamou atenção nos últimos dias. Resolvi curtir com
meu filho de 05 anos alguns desenhos, e elegi dois seriados, animées orientais: o I NU I
ASHA e o YU YU HÁ KU SHO. Depois eu falo sobre Os Cavaleiros do Zodíaco, Samurai
X, e outros que já curti.

        Mas o Toguro foi um herói, um lutador muito forte, que decidiu não morrer nem
envelhecer, e fez um pacto com o mal para tal. É extremamente frio, pragmático, tranqüilo,
disciplinado consigo mesmo e destituído de qualquer compaixão, ao menos aparente.

       Vive para lutar e sonha com quem o possa desafiar de forma que ele possa
realmente medir sua força, dar vazão ao seu potencial com plenitude interior. E ele aponta
decididamente para o caminho do mal, ele morre no final e escolhe o pior lugar para
ingressar no Reino dos Mortos, no Inferno, com o objetivo de se tornar um Pleno Demônio
(A Força em seu exercício mais absoluto de Poder).

       Ele é o que podemos dizer de “um seguidor do caminho reto”, pois suas palavras e
determinações são inflexíveis.

        Então o tanto que pode andar o homem na busca desenfreada da entrega do amor
por outro lado pode alguém no patrocínio da dor. Isto se assemelha à clássica invenção do
anti-cristo.

        Toguro decide pelo caminho supra citado num processo de culpa e impotência por
não haver salvado, quando herói, seus amigos, tendo sido derrotado no bem. Resolve ser
mau, mas entrega com alegria sua vida quando encontra alguém do Bem que o supera, sem
afrouxar, aliviar, ou declinar de sua trajetória: não tem arrependimento no seu caminho. Ele
usa a força, aprecia a força, respeita a força. Ela é Verdade para ele.

        Estes limites e estas expressões conscienciais, existenciais, são muito exploradas na
arte oriental, e as crianças experimentam isto desde cedo, nos desenhos e mangás infantis.
Determinações de heróis e anti-heróis que se digladiam em busca da vitória, que se
estabelece então como “verdade”, mesmo que provisória. Ainda que vença sempre o bem, é
a luta quem tem trazido o elã de vida, a competição de ideais odiosos e amorosos.
       Outra coisa que é de se admirar nos mangas / desenhos animados orientais é a
manipulação das energias sutis. Forças cósmicas e magias são comumente evocadas e
trabalhadas, numa representação da vida nesta escala. Demônios e heróis de toda espécie
são invocados, com poderes extraordinários e com lições repletas de significados
existenciais, psicológicos.

       No fundamento fica que o homem é dono de sua criação, e o mais forte sempre
vence, e sua fortaleza vem de sua determinação. O resto é caminho. Aprendizado para
quem acha que a vida é uma escola. Mas sobretudo um caminho trilhado. A firmeza de
objetivo é o que quero ressaltar. Além do bem e do mal o japonês não costuma cultivar o
arrependimento, pois isto lhe parece sem honra, pois pode ser como algo que falte a sua
palavra e determinação. Se houver mudança o perdão deve ser automático sem comiseração
nem exploração. E o sentimento é algo guardado, cultivado no máximo no interior de cada
um, de preferência sem ser revelado. Na cultura não há espaço para queixas ou
reclamações, mas sim decisões, tomada de posição. O presente da consciência desta cultura
determina assim, viver na verdade. Mas todos ensinam o amor como Verdade Absoluta e
Final de toda caminhada.

       Então meus irmãos, ainda que o amor seja um valor, a educação mental, das
energias sutis, tem disciplina comum nos dois caminhos: Criar/Preservar, Destruir/Mudar.
Eis o que vos falo de honra, de caminho reto, de verdade. E numa cultura que acredita em
vida espiritual, que crê em, reencarnação, que lida com isto com uma certa intimidade,
normalidade, tais valores transcendem uma vida comum, a roupa de uma encarnação, que
representa apenas um tempo, uma pequena parte de uma história muito maior, ou ainda até
uma ilusão. Então os fundamentos do homem enquanto criador são postos em ação e há
uma luta pelo domínio da criação até o término de sua exploração, quando então se
encontra definitivamente com O Criador. A Luz do Amor.

        Os limites são desafiados e enfrentados, e o exterior é apenas um espelho deste
estado. A Ilusão deve ser vencida. Quando não tiver mais nada para ser confrontado eis
que estão iluminados. Imagine um ser vivendo sua criação por vidas e mortes ao longo da
existência, sendo o bem e o mal apenas ilusões da aparência. Ele não crê nisto, no bem e no
mal, apenas no caminho de sua criação, na verdade universal, onde busca imperar com
vitória e consciência sempre. Eis que descobre O Amor e Brilha Por Onde For. Este
ensinamento Buda deixou. A Luz da Consciência, da Razão, Culmina No Amor.

     CAVALEIROS DO ZODÍACO, O LOBO SOLITÁRIO,
                BLADE E SAMURAI X
        São desenhos animados ou mangás de excelência filosófico-existencial. No primeiro
a determinação pela causa supera todos os desafios, levando Cavaleiros de baixa categoria a
superarem Deuses das mais diversas ordens. Na realidade eles se tornam Deuses dada sua
fé legítima oriunda do fundo de seus corações, assim tornando-se imortais, ainda que para
tal sejam ressuscitados de diversos estados de morte ou mal. Então os limites, valores, são
testados, desde traumas de infância até os sentimentos inusitados que alimentaram, todos
são postos à prova. Com isto os cavaleiros se tornam refinados, são resgatados, e vão
crescendo em força e brilho, em nobreza. Em tudo por tudo são desafiados em suas
fraquezas, estes são os fundamentos dos desafios que os inimigos lhes põe à mesa. Então a
Saga dos Cavaleiros do Zodíaco é verdadeira caminhada de encontro com a verdade, de
autoconhecimento, de encontro com o mais profundo Eu, que desperta com cada Vitória
(são exploradas nas sagas diversas mitologias, especialmente a grega). Assim a qualidade
de cada um é expandida conforme os mais puros valores da amizade e da devoção divina
(protegem a Deusa Athenas, personificada como companheira ameaçada), assim o amor.

       A história do Lobo Solitário é a de um Samurai com seu Filho, andando pelo Japão
Feudal, como um Rônim (Samurai sem Senhor) com apenas um objetivo (resgatar sua
honrra). Os samurais são leais servos de seus senhores, senhores feudais. O deste caso tinha
a função máxima de Carrasco Oficial, uma posição muito honrada na Corte Imperial. Foi
traído (foi vítima da ambição alheia). E passou a caminhar sem parar no intuito da
“vingança” (era um justiceiro) alcançar. Como era exímio guerreiro, o melhor, muitos
queriam o desafiar, e esta praga ele teve de enfrentar pelo caminho. Matou a todos, de
forma sempre honesta. Seu filho seguiu seu caminho, e desde cedo demonstrou também ser
grande, o melhor, na arte do viver, combater.

        Em Blade – A Lâmina do Imortal, a história é um tanto irreverente, o herói um tanto
displicente e sua vida relativamente mundana. Ainda que, como os demais, retrate uma
cultura, no caso a japonesa, nesta versão há um certo descompromisso com alguns padrões
de valores clássicos do heroísmo. O herói tem um comportamento meio vulgar, como
namorar prostitutas, e não vence todas as batalhas. É que ele é imortal e como tal nunca
perde, acaba vencendo a guerra. É que ele foi condenado, por uma magia, a ter vermes que
reconstituem seu corpo, mesmo que seja furado ou retalhado. E disto só será libertado
depois que matar mil demônios. Então mesmo que queira, que esteja “de saco cheio”, ele
não morre. Assim, no caminho, ajuda uma menina que quer vingar a morte de seu pai, uma
menina gulosa por doces quando está emocionada, de bom coração, que vai aprendendo
sobre a vida e até passa a respeitar o vilão (bandido) que matou seu pai, mas continua a
caminhar por justiça. Os desafios vão aparecendo e ele vai resolvendo. Os inimigos
morrendo. Não há muita moral de compaixão, nosso herói não alimenta muita consideração
com o que não é bom, e passa a faca, espada, ou o que estiver na mão. A história segue seu
curso.

        Em Samurai X o protagonista, antes um carrasco do Imperador, sempre um
excelente espadachim, inverte a lâmina de sua espada e resolve lutar com a lâmina voltada
para o interior, o que representa Fim das Ilusões de uma mundo conflituoso. Enfrenta todos
os demônios de sua vida com exímia habilidade e eloqüência, lutando não mais pelo
extermínio de seus opositores, mas pelo convencimento de que seus valores não levam à
verdadeira felicidade. Assim luta sem matar, fazendo por onde cessar os desafios de morte.
Luta então pela paz e pelo amor como fruto de seu interior, o mal apenas manifesto no
exterior como a ilusão que ele tem de sobrepor. E é simples, e é nobre, e é o mais forte. E
vence.

       Em todos eles há humor, crianças, namoradas, anciãos sábios, caridade, e os heróis
são jovens guerreiros simples, com características bem comuns quando não estão em ação
de batalha (com exceção do Lobo Solitário que é homem maduro, sempre equilibrado,
vigilante, compenetrado, monástico). São histórias de batalhas, de lutas, de enormes
conflitos, de enfrentamento dos mais diversos tipos de demônios: nestas os jovens heróis
são implacáveis. Não são romances leves, não são retratos de vida em paraísos iluminados,
nem ao menos fábulas de compaixão ou histórias simples de um cotidiano honrado,
admirável. São retratos de vidas em liminaridade, em combate, com muita emoção.

       Mas creiam, há Vida, há nobreza e sabedoria, além de beleza.


                       FUI CONVIDADO A MATAR
       Desci ao Rio para visitar meus familiares. Era estudante em Brasília e tive a
oportunidade de ir para casa, no Rio de Janeiro. Lá chegando cumprimentei meus avós,
minha mãe, e procurei o que fazer, era noite. Fui informado que meu irmão estava no bar da
esquina, acompanhado de meu cunhado e um primo de minha mãe. Fui lá.

       Estavam bem alcoolizados, eu sem beber nada, não tinha este costume à época. Meu
irmão incentivou-me a ir com o primo num samba que ocorreria na Ponta da Areia, bairro
de Niterói. Falou que era interessante retomar as rasízes de nossa terra natal, a cultura
popular etc. e tal. Não estava muito animado, por causa da diferença de astral, mas
incentivado aceitei.

        Lá chegando, o primo era sócio titular do clube mas o porteiro era novo e não o
conhecia. Ele quis me botar pra dentro sem pagar, o porteiro não deixou, ele se impombou,
o caldo entornou. Claro que o primo estava intransigente de fazer valer sua autoridade, não
oficial mas política, de forma afogueada, e não admitiu que eu ficasse fora esperando que
ele resolvesse lá dentro as coisas, queria meu acesso de imediato, e que se eu tivesse de
esperar seria dentro do clube e não fora. E a situação ficando conflituosa.

        O clima foi de porrada. O primo era já de meia idade, acima de 40 ou 50 anos, o
porteiro um jovem de pouco mais de 20. Em meio à briga que começou uma gang se
armou, eu convidado para entrar. Vi o gostro de sangue que pairava no ar. Estavam ávidos,
a rapaziada da área, por um conflito daquela natureza. Eu nem um pouco disposto a lutar,
me tornar saco de pancada ou mesmo entrar naquela comunhão maldita de agressão.


       Mas fiquei profundamente angustiado porque o primo já estava sangrando,
descendo o melado pelo nariz, e eu ali parado, querendo intervir pela solidariedade, mas
sem ter maior condição de ação, pois num deslize me envolveriam na porradaria, e seriam
dois contra vários. Ambiente estranho, local estranho, não era minha praia e eu nem achava
que a luta tinha uma causa correta pois minha humildade, ou mesmo educação, apontaria
para outra solução (mas a área e o clube era do primo), então eu queria ao menos manter a
minha condição de não entrar naquela flagelação.

        A luta terminou, o primo apanhou, eu muito chateado. Ele indignado não queria
parar e sua proposta era passar em casa e pegar a arma para matar. E agora? O primo estava
alucinado, ensanguentado, injuriado e queria vingança a todo custo. Eu frio, gelado, na
depressao da escuridão. Disse não.

       Mas fiquei chateado, com um peso danado, em depressão. Me questionava quanto a
minha participação, se independente de não concordar com a situação criada não deveria ter
também levado umas porradas, ter exposto minha vida, por solidariedade. Mas não, minha
razão não admitiu entrar nesta condição. Não fui pego pela emoção e minha razão dizia que
não. Cumplicidade daquela forma não. Fui para casa deitar e descansar, viajara a noite toda
e queria daquele pesadelo de chegada despertar.

        Eu já salvei um amigo de ser preso pela repressão em meio à uma manifestação
política. Era época das Diretas Já e já o houvera aconselhado a não ficar provocando os
policiais, que estava cheio de federais infiltrados em meio ao povo, e qualquer hora ele ia
dançar. Dito e feito, quando olhei ao longe, na confusão em meio à multidão, havia alguém
sendo caregado para o camburão. Vi que era ele, não pensei, corri e o salvei. O segurei
pelas calças, no alto do gramado, e o tomei dos policiais, descendo com ele arrastado,
desaparecendo em meio ao povão. Depois sob que teve um outro amigo que segurou na
outra perna e saiu com a cabeça quebrada de uma cacetada que recebeu dos policiais. Eu
não pensei em nada, só agi.

       Mas teve uma outra passagem que eu estava sentado num banco, muuito deprimido,
e vi ao longe um carro começar a soltar fumaça pela grade de ventilação do motor. Tinha
uma mulher dentro que não dava conta do que se passava e eu na inércia, olhando. A
fumaça aumentou, o fogo aumentou e as labaredas já transbordavam o caput do motor, eu
olhando, inerte.

        Até que ela se alarmou, saiu do carro, gritou, e logo apareceu um com extintor e
apagou o fogo do motor. Eu sentado no banco olhando. A idéia que tive de correr, levantar,
ajudar, não tinham força, luz, para me movimentar.

       Mas o caso do Rio eu fiquei depois foi “indignado” de como meu irmão me põe
naquela situação. Num verdadeiro inferno com sangue e direito a troca de tiros e outras
admoestações. Não. Este não é o samba que sei, que gosto de ouvir, cantar, tocar e dancar.
E nem o vou recomendar a quem quer que seja. Nisto eu lembro do Samba Enredo da
Mangueira: “Quem Plantar a Paz, Vai Colher Amor, Um Grito Forte, de Liberdade, na
Estação Primeira Ecoou”. Já fazem mais de dez anos do ocorrido.

       O samba que quero compartilhar é o que conheci de alegria, de satisfação, de
sabedoria; de harmonia.



PLANEJAMENTO ESTATAL, CULTURAL E IDEAL

      A vida é a graça de cada um. A vida tem de ter um por que, um tesão de se viver.
Assim uma economia planificada pode ser um sonho de uma robotização danada. E isto não
é bom, pois não consigo me ver em tal questão com perfeita realização. Consigo apenas me
ver em adequação.

       Ou seja, a organização que traz a planificação não deve ser tal que venha a
automatizar a vida de um indivíduo, família, povo. E falo isto porque uma cultura
avassaladora pode os tornar pequenos peões, marionetes de um sistema de inclusão, que
não os serve como Plano de Realização Pessoal e Global.

        Ora, já vos falei que bens básicos de hoje outrora poderiam ser dados como
culturais. Bens tecnológicos modernos em culturas passadas já vi que eram realizadas como
de domínio mental-espiritual. E no raso, no real, ainda o céu, a lua e as estrelas são de
riqueza incomensurável para nós, claro que aliadas aos bens da natureza em geral.

        Então isto serve para dizer: “Sem Tesão Não Há Solução”. Ou seja, deve haver uma
apropriação cultural e pessoal que siga à frente de cada construtro social. Sim, este é o ideal
que deve ser possibilitado. E não algo massificado que continue a criar ideais privilegiados
que só poucos alcançarão, um verdadeiro estímulo à competição, e por conseguinte à
frustração da maioria (o que é raro só pode ser obtido por poucos, e o que é único por um).

       Quem pensa a cidade, quem governa a cidade, quem, planeja o desenvolvimento,
deve ter esta coisa em mente. A padronização tem de ser de acordo com a ocasião, mas não
pode ser modelo geral não. Por isto que igualdade do jeito que alguns falam é uma
verdadeira arbitrariedade massificadora.

       Estamos na época que cada um deve ter o direito de existir sem dar necessáriamente
a mesma forma de resposta ao existir. A igualdade de direitos envolve igualdade de
deveres, e esta consciência de aspirações deve existir, para que cada um possa fluir em paz
e harmonia.

       Falo isto porque propicia criar instâncias mais equilibradas e duradouras em termos
de sustentação ecológica, ambiental e social. Os grands acúmulos em torno das grandes
cidades, capitais, é ruim para todos. As grandes propriedades monoculturais extensivas no
campo (agricultura/pecuária) tem servido básicamente à captação de moeda no exterior
para pagamento de dívidas externas.

         Enquanto isto a cidade, principalmente as periferias, vivem numa selvageria canibal,
que envolve bandido e policial. E o Pleno Emprego não acontece, e as pessoas em stresse,
frenéticas procurando onde depositar ou buscar estímulo e energia. Êxodos em feriados,
férias, finais de semanas prolongados.

       Tempo e dinheiro, dois bens que deveriam ser duráveis, são colocados como
fugazes. O tempo é a vida do existir, o dinheiro seu traduzir. Na riqueza da Bem
Aventurança ambos são estáveis e fartos.

       Por um lado tão botando um lutando contra o outro sem sentir (cada um defendendo
sua “rica miséria”), por outro estão embotando (parando, viciando, aprisionando e
automatizando a vida com poucos graus de liberdade) suas vidas.
       Então riqueza com liberdade de expressão cultural e individual só é possível numa
sociedade plural onde haja confiança e amor, respeito profundo ao caminho de cada um.
Assim pode haver um jardim de variadas matizes e aromas.

        É importante que o Estado tenha esta consciência e forme seus cidadãos, assentando
melhor a cabeça de cada irmão numa condição mais propícia à paz e harmonia. Eis o cerne
da questão: trabalhar por promover a consciência do cidadão num ideal cristão, de
equilíbrio ecológico de sua vida, região e população. Com ordem e Progresso caminhamos
para esta Evolução.

       Assim cada cidade deve ser planejada, reestruturada, rehabilitada. Assim como cada
família deve ser uma célula de bem estar, assim cada região deve estar integrada. E assim
sucessivamente no todo que forma o Planeta.

        Uma comunidade equilibrada não carece muito de saúde curativa, de polícia, de
justiça (o aumento destes setores veio com o adoecimento da sociedade). Núcleos de
Desenvolvimento Sustentáveis deve ser a ótica para o aprimoramento, e o cerne dos novos
assentamentos. É isto.

       Com isto se economiza em todos os dispositivos de segurança, saúde e justiça, e
com deslocamentos pendulares que fazem as pessoas viverem horas em trânsitos ou
enfrentando Rush, e com os específicos para idosos e crianças. Com isto se anda mais
tranquilo, confiante e se tem mais amigos. O indivíduo é mais coletivo (em contraponto
com a cidade onde nos prédios vizinhos pouco se conhecem). A vida torna-se mais estável.

       Vide a loucura da época inflacionária; vide depois que estabilizou o Real. É por aí o
que falo em termos de estabilizar de forma econômico-social-espacial-etc.-e-tal. Graças a
Deus.

                        ÉTICA NA SIMPLICIDADE
       Uma conduta fina é algo muito agradável para todos de bom tom. Tudo fica mais
agradável.

        É assim com relação ao colher frutos de árvores comunitárias, da rua. Colher os
frutos que já estão maduros é atitude louvável, pois possibilita o fruto atingir seu melhor
estágio, onde fica mais doce e perfumado, bem como coloca no Tempo da natureza a
sabedoria de quem irá colhê-lo. Assim, alguns frutos só devem ser apanhados quando
jogados ao chão, quando isto não o estraga e sinaliza a condição.

       Desagradável é quebrar galhos e em arremessos errados derrubar frutos verdes,
inadequados, que serão desperdiçados.

       Assim também se dá em relação às flores públicas, mas ainda são mais especiais,
porque tem a função de embelezar o local. Então para se retirá-las tem de ter um motivo
muito especial, que justifique retirar do Jardim Público, do Vaso Comunitário, para um
reservado. As floriculturas existem para prestar este serviço às pessoas em particular.

        Outra coisa simples é não sujar a rua. Pode ser muito simples guardar o papel de
bala no bolso, ou na mão, até a lixeira mais próxima. Assim os cigarros. É desagradável
pisar sobre bingas, ou ter o chão do bar repleto de cinza.

        São pequenas atitudes que vão desde o buzinar até as formas corteses de se
relacionar ou cuidar. Pensar no nível do som quando o carro encostar na frente do bar e
botar algo para tocar. Lembrar que ali tem crianças, idosos, em suas moradias, e ter alegria
de se felicitar podendo compartilhar com a boa harmonia para o lugar.

        Assim se cultiva um bom lugar, um bom meio, uma boa vizinhança. Ter a dignidade
de pensar como pode fazer para não ofender e se possível melhorar. Este coração encanta o
local e a vida.

        Assim, se há uma hora adequada para se colocar o lixo, procurar dela se aproximar
para evitar o lixo na rua a mercê de quem o possa espalhar ou o exalar do odor fétido que
ele fica a expirar.

       Ao sair com o cachorro, ou recolher as fezes ou tampá-las com folhas para que
ninguém venha pisar e se sujar. Evitar deixar mijar em locais inadequados que possam
estragar ou enferrujar, ou que venham a feder para os usuários do local. Evitar deixar cagar
em calçadas ou locais onde a massa orgânica não será absorvida (se for na terra ou mesmo
na grama, e numa proporção razoável, pode até colaborar como adubação e equilíbrar o
manejo haja visto a saída de frutos do local).

       São coisas simples mas que bem podem ajudar. Isso ajuda a colocar uma atmosfera
de respeito, consideração e fineza no ar.

       As coisas são tão simples como o fato de realizar um pequeno desvio de percurso
para não ter de cruzar na frente de quem assiste à televisão. O modo de sentar no ônibus
dispondo o assento lateral, quando houver, ao novo pasageiro que vier. Olha, até o fato de
se perfumar sutilmente pode ser uma questão de carinho ético quando se visa harmonizar
um ambiente.

       No trânsito o dar passagem é uma cortesia, e mesmo a forma de assinalar para parar,
no caso do transeunte, pode vir a celebrar uma comunhão interessante e até desestressante.
Assim é estacionar lembrando de zelar para que hajam vagas para os demais.

        Nos prédios a postura não só no elevador, mas no compartilhar das questões
coletivas, no participar das reuniões condominiais, no dedicar-se ao aprimoramento das
relações, serviços e demandas da vizinhança. Assim o é em relação aos códigos de postura
que dizem respeito à funcionalidade, estética e mesmo urbanidade. A cidade é nossa, o
nosso cartão postal coletivo.
       A ética é como a boa educação que torna a vida especial. Dentro de casa há coisas
simples como o comportamento à mesa, onde há gentilezas, como manter a pia limpa e
organizada, como dar a descarga (e no caso dos homens limpar se a urina foi desviada) ou
ainda colocar o papel higiênico de forma adequada (de cima para baixo) e não esquecer de
repô-lo quando acabar na sua vez.

       Um piso que se preserve evita mais dedicação à sua manutenção. Então sapatos da
rua devem ser trocados por chinelos domésticos limpos. Um hálito perfumado é um
presente aos demais que compartilham com a proximidade de vossos lábios.

       Assim a roupa deve ser de acordo com o frescor ou vigor que você deseje
proporcionar. Ela é uma mensagem, expressão, que você deve ter prazer em ofertar.

        Ter Boas maneiras é uma forma ética de se portar. Atender ao telefone, à porta, à
campainha tendo zelo não só com o que vai falar mas como vai falar, o tom da voz que
usará. Isto, além de manter um padrão de excelência, pode o resgatar.

       Sim, ética na forma de pisar, no acender a luz, no acordar ou cumprimentar. Ética da
generosidade ao compartilhar sem esquecer da expontaneidade. Ética no lidar com idosos,
no tratar seus ambientes e suas formas de celebrar. Ética no falar. Saber escutar e
pronunciar, sendo cortez no tempo, principalmente quando em comunhão gerações ou
tempos distintos em termos de manifestações. Centrar corpo e alma na mensagem
demonstrando vívido interesse no que está a comunicar, atenção contínua e concentrada no
relacionar.

        Estas coisas fazem diferença; são simples mas representam Qualidade de Vida, pode
ter certeza. São bonitas de realizar e também gratificantes de encontrar.

                                      CIÊNCIA
       Tenho muito vos falado sobre espiritualidade, mas a vejo em determinado aspecto
apenas como uma linguagem, que pode ser científica, pois trata básicamente de energias.

       A grande diferença é que na espiritualidade a máquina fundamental da operação é
mental, ainda que se conte com todo um aparato institucional e mágico-operacional. Já na
ciência o mental é transferido de forma estável para o instrumental, e tal é tão pragmático
que um invento é lançado quando testado e aprovado, ou seja, tem de ter aproximadamente
100% de garantia.

       E daí é só ver os prodígios, as maravilhas que o homem inventou. Tantas minúcias,
detalhes, por vezes milhares de operações. Isto levou tempo de maturamento, de caminho,
de experimento, de aperfeiçoamento.

      Então as leis de funcionamento foram sendo conhecidas, foram sendo transcritas,
foram sendo obtidas de maneira precisa. Assim os comportamentos, dentro das CNTP
(Condições Normais de Temperatura e Pressão), garantidos.
       Ora, cada funcionamento pode ter um comportamento diante das condições. Vede
que tem equipamentos que requerem refrigeração, que funcionam em ambientes
controlados ou tem ventilação própria. Então há uma adequação.

       Os aparelhos elétricos antigos costumavam vir ou 110 ou 220, e para adaptá-los era
preciso um conversor monstruoso (grande e pesado). Hoje os próprios equipamentos já vem
com uma chave seletora 110-220. Os primeiros computadores eram à válvulas, ocupavam
andares de prédios, e não faziam mais que um computador Lap Top, portátil, de hoje.

       O caso do Titanic, o maior e mais luxuoso Transatlântico construído à época,
afundou em águas geladas por um problema de soldagem de sua estrutura metálica (o tipo
de solda usada tricava, rachava, em temperaturas muito geladas), e o casco partiu (hoje as
soldas “trabalham”, ou seja, se dilatam ou contraem de acordo com o comportamento do
material que ligam. Assim quem já observou grandes pontes, prédios, viadutos, sabe que há
espaçamentos entre seus vãos prevendo a condição de dilatamento e contração das seções.

        Quem constrói casa sabe da importância de “virar lage” no mesmo dia, de concretar
cada unidade da estrutura de cobertura no mesmo dia, para que não hajam problemas de
rachadura (se for dividida em partes deve ser bem cuidada para que todas tenham um
perfeita ligação, sejam solidárias no comportamento, como numa dança onde os passos
combinam).

       Há países onde uma dada viscosidade média de óleo para motores de carros é mais
adequada. Já houve fabricantes de automóveis, na história, que tiveram problemas ao
exportar seus carros (nos motores) pois não previram este dado. Aqui no Brasil se usa o
óleo multiviscoso, ou seja, aquele que se adapta às mudanças de temperatura.

       É magnífica a magia da obtenção e transporte da energia. Como, do movimentos das
águas, extraem essa graça de fazer funcionar as coisas em nossas casas, de acender luzes. E
como a transportam por quilômetros. É algo excepcional. E quanto ao mineral radioativo,
de pouca pedra retirar energia para funcionar uma cidade. É um prodígio a ciência e a
tecnologia.

        Quando visitei, ainda menino estudante, a Companhia Siderúrgica Nacional, fiquei
maravilhado. Olhei para aquele lingote de ferro, da altura de um prédio de três andares,
saindo do Alto Forno estalando, sua casca pulando (estalando) deixando transparecer
aquele vermelho-amarelo-fogo-vivo de seu interior, e fiquei maravilhado. Um esplendor.

       Foi deitado, tombado, e passado de máquina à máquina, que iam lhe dando forma
no decorrer de um galpão gigantesco, todo mecanizado e automatizado. Genial. No teto
guindastes sustentados por trilhos aéreos faziam transportes. Para visitar tivemos de
comprar botas, sapatos de couro, e usar capacetes, norma para prevenção de acidentes.

       Ao final do galpão rolos gigantescos, carreteis de latas na espessura das que
comportam óleo de cozinha. Fiquei maravilhado. Vi o metal escorrendo como líquido
fervendo, ferro gusa. Ali as coisas não podem parar, nem esfriar: imagine uma coisa
daquelas endurecendo: o trabalho depois para retirar (tudo ferro, metal, aço). Olhe que esta
fábrica foi construída na década da 1940.

       Visitei ainda uma Indústria Farmacêutica. Eu nunca imaginara que uma máquina
injetando um monte de pózinhos num pequeno buraquinho e apertando era quem formava o
“comprimido” (daí o nome genérico oriundo do processo de fabricação por compressão).
Simles, mas achei fantástico, tudo automático.

       Na mesma esteira, sequência de produção, os frascos era enchidos, os rótulos
pregados, o algodão colocado, a tampa, a bula dobrada e enrolada e a caixa fechada.
Sensacional. Dali uma amostra era reservada para o Controle de Qualidade. E tudo
carimbado com data de validade e demais imformações de produção, transporte e condições
de acondicionamento. Quase tudo automatizado.

       As ampolas de injetáveis quais vasos abertos onde líquidos eram colocados, rápidos,
e rodavam por maçaricos de bicos finos que as cortavam e fechavam (o fogo trabalhando o
vidro com precisão em automação). Fantástico.

        Noutra sala o teste do vácuo. Se acaso o recipiente não estivesse herméticamente
fechado, acusaria no vácuo (na ausência de pressão). E alguns comprimidos recebiam uma
cobertura de “chocolate”, eram amargos no natural (assim contra-indicados para crianças),
de várias cores e sabores, operadas por misturadores quais betoneiras, que faziam barulho,
daí a sala empregar surdos. Muito bem feito.

        E na fábrica de cerveja a Bacia de Fermentação é uma coisa gigantesca em puro
metal (um apartamento pequeno + ou -). Tem as câmaras frigoríficas onde guardam o
lúpulo (produto tradicional importado). Tem os depósitos de cereais. Tem o envasamento,
controle de qualidade, encaixotamento, administração, venda e transporte. O setor de
lavagem de garrafas eu já me lembro da fábrica de Refrigerante da minha Terra Natal. No
refeitório umas provas bem geladas, ofertas da casa, com uns queijinhos nos palitinhos. É
deste jeitinho.

        No aeroporto um Avião em Cheque D, realizado à época a cada 2.000 horas de vôo.
Os aviões tem checagens de segurança realizados a cada intervalo regular de tempo. Este é
o maior, o mais amplo. Desmontam o avião quase todo, e checam desde a estrutura até a
parte elétrica.

       Num Cheque de Estrutura usavam Líquido Penetrante, Ultra-Som, Raio X, ensaios
chamados não-destrutivos, a fim de conhecer a condição do material estrutural do avião.
Verificam se há falhas internas, rachaduras ou fissuras que possam indicar desgaste, fadiga
ou qualquer outro tipo de problema.

       Na parte elétrica veêm fio por fio, cabeamento por cabeamento, equipamento por
equipamento, nada pode falhar, a manutenção tem de estar OK quando se está no ar. É
admirável. Outros procedimentos são testados. Cada parafuso tem de estar devidamente
apertado, ajustado.
       Ora, quem penetrar profundamente na ciência dos Iogues, dos Monges Tibetanos,
na tradição espiritual do oriente, verá que há muita informação concernente ao trato e
domínio da energia física e suprafísica (sutil). Assim eu posso dizer que o caminho trilhado
no desenvolvimento interior do indivíduo pode ser racionalizado e aferido. Só que a
linguagem é outra e a forma de conhecer também.

       Aqui falo de ciência, desta formidável faculdade de conhecimento e encantamento
da vida. E como é rica. E na cultura tem ciência, e não é pouca. Tem uma administração de
muitas coisas, que são tidas como naturais, adptadas à forma da vida: à região, ao povo em
questão. Mas a cultura pode ser universal. Esta é a melhor. Assim ela vive no tempo divino,
que é o tempo da luz, da força, da paz e da harmonia. É neste tempo que tudo dá certo e não
tem confusão.

        Mas a cultura não é algo aprendida, ela geralmente é apreendida, ou seja, é
incorporada como costume, como algo natural e desejável dentre aquele meio. Saber se
uma cultura é mais ou menos evoluída é saber a quantas anda a vida de seu povo, sua
sabedoria. Saber de seu conhecimento acerca da vida, do mundo material e espiritual, como
trabalha com as energias. Saber se há paz e harmonia. Se há amor é um primor. Se a
inteligência sobeja muito brilho põe à mesa.

          Assim, Cons-ciência, com a ciência, consciência.


CIDADE ADMINISTRATIVA E CIDADE DE MERCADO
      Estas são categorias explicativas Weberianas, um grabde sociólogo formulador da
chamada Teoria Compreensivista.

          O brilhante cientista percebeu que na história se formavam basicamente 02 tipos de
cidade:

       . A cidade originada a partir do mercado: aquela onde alguma riqueza natural,
qualidade inerente ao local, atraiu as pessoas e assim a cidade se formou;

       . A cidade que se cria para ser sede administrativa: a cidade é planejada para acolher
o corpo administrativo da nação.

        Então, numa visão simplificada e geral estes são os dois grandes motes que
originaram cidades na história. Mas tanto um como o outro precisa de gestão, de bom
senso, clareza e administração. Porque senão entram num processo de caotificação.

        Mesmo uma cidade administrativa, que tenha sido criada conforme um
planejamento, se não tiver manutenção adequada, e mesmo ordenamento de sua expansão,
torna-se uma cidade de mercado, posto que sua riqueza de serviços e importância política
atrai pessoas.
       Ora, umna cidade aos moldes modernos precisa ser estruturada com muita atenção.
Há uma implicação de serviços básicos de saneamento, abastecimento, circulação, bem
como de educação, saúde, segurança e trabalho que precisam estar devidamente orientados
para que haja satisfação.

       Então tanto um como outro tipo de cidade precisam de planejamento, de controle,
de ordenamento: isto é lucidez, visão global, geral, de uma estrutura que deve ser
ecológicamente saudável para não sucumbir ao desequílibrio e ruínas. Um organismo sadio
deve ter suas partes constituintes sadias: assim uma cidade viva deve evoluir e viver.

       Não importam os rótulos acerca desta visão: se é funcionalista, orgânica, ela é
simples e verdadeira. E não se pode cobrar dos ignorantes esta visão macro.

       Os migrantes, na maioria das vezes ignorantes no tocante ao Planejamento Espacial
de uma nação, tem um comportamento básico de sobrevivência e busca da melhoria da
qualidade de vida. Assim ele vai “atrás do ouro”, onde está havendo desenvolvimento.

       A grande selva urbana, se há princípio apresenta fartura, depois passa a apresentar,
com a superpopulação, falências típicas da obesidade, dos orgãos, entupimentos das artérias
e veias circulatórias e outras histórias, inclusive cânceres sociais (desobediências quanto à
um desenvolvimento, ordenamento orgânico). Então é tudo aquilo que conhecemos por
desemprego, doenças, calamidades, crimes, revoltas etc.

       A questão básica aqui tratada é a lucidez de visão, e a educação cidadã para
extensão desta comprerensão. Em outros textos formulei a questão da distribuição da
população no campo dada nossa qualidade de grande extensão territorial e as virtudes
inerentes ao ecossistema natural que ajudariam a equilibrar populações estressadas (a
presença da natureza e o contato com seu ritmo natural ajudam o indivíduo a reorientar, a
harmonizar, seu ritmo biológico com o planetário, com o cosmo, com a vida maior, com
Deus).

       As grandes cidades, dada grande competição, criaram ritmos próprios que não tem
dado grandes sinais de equilíbrio sistêmico (vide problemas em geral, inclusive
engarrafamentos ou o Rush cotidiano). As pessoas acabam “se acostumando” com este tipo
de “normalidade”, mas isto não é qualidade de vida.

       Então tem de haver equacionamento, inteligência, planejamento, para um
desenvolvimento racional global e se impedir o caos. Os interesses político eleitoreiros são
a corrupção de uma nação que dá seu voto por uma “migalha de pão”, por um bem imediato
que na verdade é uma corrupção sistêmica. O populismo é isto. Dá lote e dá acomodação
sem condição promissora para toda a população. E depois mantém o processo através da
cessão dos serviços, equipamentos urbanos e assistencialismo ( a pressão caóticamente
aumentando).

       A solução precisa ocorrer com visão. Ordem e progresso é a solução até que a
população encontre um fluir saudável, equilibrado. É a providência da disciplina para se
tornar um organismo são. Quando estiver são ele vive no amor, no equilíbrio natural desta
forma de expressão ideal.

       Há pouco trabalhei com índios, e vi que estavam passando por uma clara
manifestação de “apartheid racial”, buscando readquirir seu território para reencontrar seu
antigo equilíbrio natural. Mas vide meus irmãos, que até para eles o processo deve ser de
inclusão. Não dá para simplesmente voltar na história não, dá para avançar e encontrar nova
solução. O mundo nos últimos 100 anos mais que sextuplicou sua população, passou de 1
bilhão para mais de 6 bilhões de pessoas. É claro que isto cria uma nova e objetiva
condição.

        Consciência da natalidade, consciência de saúde (vide o caso da Aids), consciência
de sociabilidade (vide as prisões, de adultos e de menores pelo país). Alguns já desejam e
até já estão numa “guerra de purificação”, “de justiça social”: vide o mundo, vide o
terrorismo, vide o narcotráfico, vide as guerras étnicas e de nações, vide o stresse social de
uma população que anda no cotidiano temendo assalto, seqüestro, estupro ou outro tipo de
admoestação.

       É claro que a solução passa pela administração e pela fé num ideal de vida cristão.

                        PLANEJAMENTO URBANO
       Fiquei “horrorizado” ao recontatar ontem o Distrito Federal após anos de relativo
isolamento.

        Cresceu fora do “sonho ideal” de Dom Bosco e da Nossa Capital Federal. Isto
significa ter ocorrido na capital de um país de proporção continental (com baixa a média
densidade populacional), o mesmo vício de adensamento que tanto dificultaram o
desenvolvimento de tantas cidades que se projetaram no cenário brasileiro (ainda que a
metropolização tenha sido por loteamento e não por favelização, o que já é um avanço).

        Falam que esta minha visão é típica do aquariano, que dizem andar cem anos na
frente, neste sentido eu concordo. Vejo esta coisa com muita clareza e nitidez. Vejo as
pessoas brigando por seu espaço, cada um querendo logo que chegue a sua vez, e uma
política de resultados práticos e imediatos se implantando ao sabor disto, ainda que
perecível a médio ou longo prazo. É assim que a população demanda e encontra a chamada
política eleitoreira. Note que é muito mais fácil atender o clamor imediato por benefício e
espaço, do que buscar uma solução mais estável, mais harmonizável a médio e longo prazo.

        Assim lotes são logo providenciados porque o povo “pede”, exige seu “direito”, sua
“cidadania”. Haja hipocrisia. Quem tem cabeça (consciência) não gosta de aceitar umna
solução doentia (que nasce comprometida). Mas o fato é que a demanda existe, a pressão
existe, e aquele que faz é que costuma ser eleito. Então nesta correria o ideal cede lugar ao
pragmático. E o que vacila em atender é logo substituido pois a carência social está posta
na condição de urgência, sujeita a todo tipo de intempéries típicas daquelas vidas ou “casas
bíblicas” que não são firmes (sem base na rocha).
        E a coisa não para por aí. A avidez é grande. A “sede e a fome” (desejos de vida)
costumam ser gigantescas (Mundo da Avidez), e a mídia consumista a estimula a cada dia.
Uns acham que dando o imediato o clamor vai acalmar. Mas o que tem acontecido é uma
desordem orgânica que está sendo contida a custa de muita segurança (polícia, bombeiro,
vigilância, justiça) e “remedança” (postos de saúde, hospitais, farmácias, clínicas etc.) e
assistência social (bolsa-família, auxílio-gás, restaurante popular etc.)

       É claro que a coisa não está sendo celebrada segundo um princípio ecológico. Está
no sal da histeria e do stress social. Então é disciplina e pão. Os próprios cidadãos se
enjaulam: “a grade é a solução”.

        Entao num país de dimensão continental tem de ter Planejamento consequente. Tem
de ter Governo Forte e Eloquente, tem de ter Sabedoria Administrativa, tem de Ter
Inteligência, Visão Futurista.

        O sistema “equilíbrio natural”, de crescimento desordenado, sujeito a
superpopulações, e depois “Anjos Apocalípticos” de extermínio (guerras, doenças,
catástrofes) tem de ser evitado. Isto é Consciência Social. Esta é a pregação de quem tem
Visão Estrutural, é A mensagem dos Cientistas, dos Artistas.

       Tem de sair da confusão infernal, do quadro dantesco dos próximos que se roubam e
se prostituem por ilusões. Esta é a verdadeira corrupção e pecado de uma nação. E uma
nação é feita por cada um de seu povo. A consciência divina existe, mas deve ser amada,
abraçada, para que novamente não seja apenas sacrificada e apartada.

        Vide o que vos falo quão simples é. Um homem que tem a mente serenada consegue
caminhar na estrada sabendo do cultivo de sua vida, como um fio ou um caminho que
continua à eternidade. Ele vê com calma e gozo o que foi, o que aprendeu, e o que vem na
estrada. Ele vai se aprefeiçoando, certo de que a natureza divina é toda abençoada, e que o
paraíso está na caminhada, que é o viver da Bem Aventurança.

        Com isto o homem não anseia, Ele tem a Paz Interior. Então ele constrói e vive com
a arte do amor. A mente firme e em paz por onde for. Com isto ele passa a enxergar vidas,
que foram e que vêm. Ele pasa a ter a dimensão do além. O corpo passa a ser entendido
como uma roupa de vivência, como um sistema lindo e perfeito que cada um teve a graça
de poder operar em toda sua complexidade.

       Isto dá suavidade e paz ao caminhar. Isto gera amor próprio, puro e sublime. Amor
a Deus Criador e A Todas as Coisas. Daí vão lembrar de São Francisco, de Jesus Cristo, de
todos os Santos e Avatares que se aproximaram desta Verdade.

        Mas a mente comum, perdida, não tem segurança da vida. Está no “vai da valsa”,
não compadecida. Ela luta se confundindo com o perecível. Ela é como louca, que não sabe
da vida. Daí cria, faz parte, da Roda da Vida, onde o Céu e o Inferno giram, sem
estabilidade. É o mundo da dualidade, da impermanência, da incerteza, da insegurança.
Nisto está o medo fundamental pois não há bem-aventurança (sob estes olhos há
insegurança e luta, Mundo dos Animais).

       Somente aqueles que se assentam sobre Sua Consciência saem deste giro infernal.
Pois compreendem com amor o que é natural, com amor e com luz, e assim continuam no
caminho divinal.

       Por isto, ó irmãos, não criem tantos ais para a população, para si mesmos, para a
natureza e todos os irmãos. Cuidem bem de vossas consciências, cuidem do pensar, cuidem
da mente, cuidem do sutil, abram as portas da alma, do mundo espiritual. Estudem isto, se
dediquem a isto, e verão o ideal como real.

        Não pensem que é fácil manter isto, manter a dimensão espiritual, o equilíbrio
cósmico, em mundo tão “material”, tão passageiro e até brutal. Mas se todos cooperarem
fica mais natural, mais fácil, menos desigual. Este é um ideal que deve ser desenvolvido por
cada um em seu seio. Isto muda a vida, muda a realidade individual e geral. A fome e a
sede, os desejos, também mudam. Somos muito ricos e temos muita abundância neste
estado. A vida é perfeita. E Cheia de Graças.

       Vocês devem estar esquecidos do que é se nutrir com a luz do sol, das estrelas, mas
não é só isto, devem estar esquecidos do que é ter uma vida perfeita. Perfeita sim, como
Um Presente Divino que Não Cessa, Não Tem Fim. É o passarinho que canta, o olhar que
encanta, a comida que agracia, a casa um lar de amor e carinho. Cada um com seu jeitinho
é uma pérola do caminho.

       Então assim dá para administrar com o sabor do perfeito. Sem correr para consertar
o que não tem jeito ou arrumar o que não para no lugar (o vendaval do caos bagunça a vida
dos que não tem paz). Sem que o político eleito seja o seu espelho interesseiro, sem ser a
praga do Canteiro que Deus Criou. Quem tem a dimensão divina não rouba nem ofende a
ninguém pois estaria o fazendo a si. Este é o único e verdadeiro comunismo (o resto é
apenas luta pelo poder perecível) .

       Nisto não há protesto. Há organização. Há proposta. Há Ordem e Progresso. Nisto
as formigas (pessoas) do formigueiro (cidade) são disciplinadas e acreditam na verdade.
Olham para Deus em Seu Interior, e no Exterior verão Sua Criação.

       “Se vêde argueiro nos olhos de vosso vizinho, dos vossos olhos a trave tirai”. Cessai
o olhar da iniquidade, que despeita e o trai, até que possas plenamente enxergar com a luz
da verdade. A vida é o espelho da alma. Jesus ensina com isto a limpar a alma para brilhar a
Vida. Conhecereis A Verdade, não terás mais dúvida nem relatividade, e Ela vos Libertará.

        Então calma meu povo para a si mesmo não perecerem. Se estão na condição do
ajuntamento, não adianta lamentar. O Tempo vem a tudo consertar. Vamos ouvir e ver na
paz e retidão. Vamo sentir também com o coração (acender outros meios de conhecimento
além da barriga, da pele, da genitália em ação). Vamos despertar os sentidos da alma e do
espírito (Vamos celebrar o Despertar Cristão). Vamos viver um Novo Mundo e uma Nova
Nação.
                            ECONOMIA GLOBAL
       A economia seria mais fácil de conduzir se houvesse mais confiança e concordância
no gerir. Mas quandos os “pais” são diferentes ocorre da mesma forma repreendida por
Jesus, quando um dizia que era de Paulo, outro de Pedro, ou ainda motivavam seus
métodos em experiências históricas diferentes, com viezes, rancores e temores.

        Então a visão, a perspectiva e expectativa são diferentes pois os olhares tem
fundamentos diferentes. Se isto não for bem resolvido, sanado, há sempre aquele caminhar
ressabiado que contém interiormente a desconfiança. E isto é relativamente comum em
vários planos. Isto é tão comum que recebe o nome de governo com oposição (em termos
políticos maiores). Mas se pensarmos num time esportivo ou num lar, isto é péssimo

       Então no plano superior a economia, além de sua metricidade, recebe seu conteúdo
existencialista, ou seja, se baseia numa concepção de mundo e em expectativas de
comportamentos sociais que influem na natureza do mercado. A natureza de cada um
espelha seu ser.

       Um sujeito certa vez deu um depoimento que realizou um trabalho no Itamaraty
onde no início de cada dia realizavam uma prática de harmonização que os possibilitou
muito sucesso na ação. Ali as vibrações eram equilibradas, assim integrados, e com isto o
trabalho ficava como que único, facilitado. Na realidade são aparelhos que são afinados a
fim de tocarem determinada partitura ou ainda sintonizados na mesma estação da missão.

        Mas o fato é que há ambientes onde isto ocorre automáticamente. A rede funciona
com perfeição e exatidão. E há outros, conflituosos, problemáticos, onde isto não ocorre e
práticas outras não são admitidas. Houve época em que ouvi isto como um problema
encontrado no funcionalismo público de Estado, onde a “máquina era emperrada” (a
estabilidade de emprego seria um agente propiciador da resistência política). E haja
habilidade para superar divergências, por vezes históricas, e fazer brilhar, ótimamente
funcionar, esta “família laboriosa”.

        Ainda que haja diferença de classe no social, no residencial a questão econômica
costuma ser diferenciada por papel social. Quem põe o sustento é quem tem o controle
(antes o homem em alto percentual – hoje as mulheres ganharam espaço). Ter um lar claro
e harmonizado, com todos devidamente respeitados, é uma benção.

        Isto, este movimento de busca de satisfação, de justiça, só acaba com a unidade. E
no caminho disto está o respeito, as decisões coletivas e a ética nos relacionamentos. A Luz
é a guia ideal (caminho), e o amor o farol orientador.

       Uma mesma coisa, ainda que questionamento, pode ter conteúdo bem diferente de
acordo com a forma que for colocada. Há algumas agremiações, políticas, religiosas etc.,
que inadmitem sequer comversar, pois dizem que é erro de concepção, desvio de rumo,
quando um assunto ou proposição não é da seara comum de suas alusões. Isto ocorre
porque acostumaram a rotular os espaços e as colocações a automatizaram suas reações.

        Isto é muito comum em sistemas hierárquicos burocratizados centralizados. Há um
condicionamento do caminho e da concepção. Fugiu disto: “cuidado com a tentação, com a
intriga da oposição ou com a cooptação”. E isto pode ser verdade. Num caminho único e
reto isto é verdade. A única coisa que ocorre é que o discernimento deste caminho advém
pela Luz de cada um. Fora disto ele entra na obediência disciplinada, aquela que teme, que
foi sujeita a tal por acordos, contratos, condições e imposições diversas. Isto é comum. Isto
funciona, mas não é um paraíso, e os seres condicionados a isto estão em penitência, ao
menos durante o exercício no qual desconhecem A Luz.

       O que ocorre é que a natureza divina do homem precisa ser aprendida. O homem
precisa encontrar sua perfeição. Para isto resta apenas se limpar, se polir, retirar os apegos
que são sinônimos da escuridão. Assim voltarão a brilhar e a ver. E verão a Luz Própria do
Ser.

       No meio antigo, para alguns isto parecia ser mais fácil porque a natureza de força,
graça e poderes gigantescos, lhes era algo muito admirável e respeitável. Mas hoje, quando
o próprio homem, semelhante, “controlou” anteriores condicionantes naturais (uso do solo,
águas, energias e o espaço, com limites de uso e benefício) a faculdade interior (da relação
com Deus e Sua Manifestação – A Criação) foi espelhada nos homens (novos deuses
criadores e gestores). Deus não poderia ser isto (ruim, imperfeito), mas seus “semelhantes”
sim. Então na confusão há muita luta e tribulação.

       E o desafio tem sido como despertar e manter esta luz em meio ao mundo. Como
amar e ser amado sem necessáriamente ser explorado, sacrificado, vilipendiado, contestado,
combatido, sacrificado. Ter vitória sobre o mundo.

       As lições continuam as mesmas, e podem ser transpostas das religiões. Oremos para
que os stresses coletivos não continuem a tragar milhões. Que a humildade, a paz e o amor
ilumine as nossas consciências e corações.

                      SINDICALISMO NECESSÁRIO
        É a associação representativa que funciona auxiliando seus membros a conseguirem
seus intentos, em especial de justiça, quando sozinho eles seriam desrespeitados, ignorados,
silenciados, enganados, enrolados, postergados ou coisas desta ordem que sofrem os
fragilizados ou marginalizados.

       Sindicato hoje é como imprensa, podem mudar a sentença. O primeiro porque
trabalha no plano judicial e político (opera em planos maiores, conquistou força para tal), e
o segundo porque influencia na opinião geral, e numa democracia isto é deveras relevante
para o voto dos governantes.
       O sindicalismo só foge do ideal quando esquece do todo, pois deve ter a consciência
do universal ainda que represente o parcial (uma categoria, um corpo social).

        Então o sindicalismo necessário é assaz eficaz para equilibrar, harmonizar,
fortalecer o que estava sendo esquecido, perdido ou adoecido. Tem uma função
eminentemente curativa do tecido social. E isto é legal, legítimo e providencial.

                      VIBRAÇÃO NA CONSTRUÇÃO
       Certa vez falei a um Mestre de Obras da Construção Civil quanto ao uso da vibração
sonora na cura do concreto. O concreto depois de preparado leva um tempo sendo
“curado”, tempo em que solidifica a estrutura que servirá ao piso, às paredes, ao teto e à
obra em geral. Imaginei que haveria uma melhor organização da massa do concreto se a
submetesse à vibração de cânticos mântricos.

       Este me disse: quem vibra a massa Sou Eu. Compreendi.

                            VESTIBULAR E COTAS
        Note que a universidade, a academia científica, é um caminho do conhecimento.
Este conhecimento, acadêmico, está no poder da razão material, conquanto é um alicerce
que fundamenta a progressão social, não só em termos de status, mas de poder financeiro.
Assim é que, um caminho natural e valorizado por todas as classes para ascensão ou
manutenção social, é a educação formal (ensino regular de escolas oficiais). E há todo um
arcabouço jurídico regulamentando e avalizando isto. Então há uma política viva em torno
disto, onde Conselhos e Ordens de profissões organizadas fazem gestões, dentre as quais
uma das mais valorizadas, senão a mais, é a do próprio direito, vide os salários e as formas
de ganho destes sujeitos, bem como suas prerrogativas enquanto cidadãos.

       Mas o que quero assinalar é que a princípio, por princípio, a educação científica é
um caminho do conhecimento: não tem ênfase no saber, pois não é tão dinâmico, tão aberto
ao curso da vida universal, mas sobretudo relacionado à informação histórica ainda que esta
possa ser ferramenta de trabalho e porta de compreensão, ampliação da consciência.

        Isto posto, fico a pensar como a cor da pele, ou ainda a cultura histórico-social pode
ensejar um tratamento especial neste caminho. E o que me foi apresentado até então como
caminho foi a questão sócio-econômica. A questão de preconceito direto racial não pode ser
posta, pois ela não existe, não há quem negue uma vaga na universidade por causa de cor
no Brasil. Ainda que isto comece a haver quando se há reservas especiais.

        A questão colocada é de forma subjacente, quando relaciona a raça historicamente à
uma diferença de tratamento que teve corolários sociais e econômicos (escravidão e
distinção de classe). Mas a realidade objetiva de nossos dias é que pobres, carentes,
oprimidos, não estão limitados à questão de cor, ceio que na verdade na maioria sejam
miscigenados, ainda que haja representantes de todas as raças. Então fica uma lacuna, algo
mal resolvido, incompleto.
       Daí as forças sociais ficam a buscar sua parte, seu quinhão. Os índios já estão a
reclamar, a raça vermelha, por sua consideração. Há estudantes de escolas públicas que
também pedem a sua separação: cotas por origem de instituição de ensino (escola pública x
escola particular). A justificativa continua sendo sócio-econômica (“os ricos tem melhor
condições de se educarem, de se prepararem, e se disputarem com chances iguais aos
demais vão vencer, assim reproduzindo a sociedade de castas, de classes”).

       Na minha época de estudante o reitor propôs a universidade pública paga para quem
tivesse recurso econômico. Foi vaiado pelas esquerdas como reformista. Universidade
pública para todos é o que queriam como se o conhecimento devesse ser contido, dominado
e somente ofertado pelo estado.

       Eu aqui, ainda que conheça os desvios, fico ainda crendo que a academia é caminho
do conhecimento. E fico pensando nos filtros, na evolução, na adequação bem como atento
à deturpação. Se não tem dinheiro para estudar, mas tem merecimento, é aí que o estado
pode ajudar, cada coisa no seu lugar. Ajudar a custear o estudo de quem precisar, de acordo
com sua condição.

       Vamos pensar numa equipe de médicos residentes que começa a operar numa
pesquisa de ponta. São os mais aptos que lá devem estar. Seria inadequado compor
diferente a equipe.

       Ah, se o problema estiver na seleção, na prova, no conteúdo utilizado e na forma de
elaboração das questões da prova, vamos resolver então a situação. Mas o que não dá é
começar a estratificar a sociedade como se isto fosse resolver o que é viciado por outra
questão.

       Num exame de seleção para o céu não se pode reservar cotas para “riquinhos” em
detrimento dos demais que tem mais merecimento (“É mais fácil um camelo entrar por um
buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”). A Grande Casa de Deus
tem muitas Habitações, e tem sabedoria e verdade. Cada um de acordo com sua condição,
elevação.

       Isto deve ser simplificado. O caminho do conhecimento deve ser tratado como
caminho do conhecimento. Meu amor pelos negros, vermelhos, estudante de escolas
públicas (meus filhos são miscigenados e estudam em escolas públicas) está em apontar o
que creio, o que vejo.

        Respeito às culturas é sobretudo compreensão da sabedoria de cada uma de acordo
com sua condição, e todas tem belezas, verdadeiras pérolas de ímpares riquezas. Isto sim
realçar, incorporar, realizar na unidade da vida.

       Organizar é como jorrar a luz da razão divina. O universo desmistificar. As soldas
do navio Titanic não se comportavam da mesma maneira que o restante do metal do casco,
não dilatavam e comprimiam em harmonia, assim quando entraram numa água muito fria,
romperam, e todo barco naufragou.
       Não vos falo sobre o que já passou, que seja abençoado, compensado, aprimorado.
Em certo sentido não há erro ou desobediência na ciência maior divina. Isto não teria
sentido. Há caminhos. Sempre atuais quando a consciência se faz presente.

             SOBRE A POLÍTICA DE INVASÕES NO DF
       O quadrilátero Crulls, faixa de terra retangular que foi demarcada para sediar a
Capital Federal, fora objeto de uma expedição missionária de uma equipe multidisciplinar
(mais de 50 especialistas analisaram a área em seus diversos campos do saber), anos antes
da capital começar a ser construída.

        Com a construção de Brasília, num local ermo, praticamente inabitado, muitos
operários foram chamados. Mas o projeto inicial era de que em massa retornassem aos seus
locais de origem pois a característica da Cidade Planejada, que se criava, era administrativa,
ou seja, não absorveria tanta mão-de-obra braçal (importante no período das obras de
construção civil).

      Mas o fato foi que muitos não quiseram voltar, e para além dos Acampamentos
começaram a se afivelar. Então, antes de Brasília ser inaugurada, a apelidada Cidade Livre,
Núcleo Bandeirante, ponto de chegada dos imigrantes, fora formada. Com as obras em
andamento surgiram outras cidades, só que a política que as originou foi de assentamento.
Assim surgiu Taguatinga (Terra Branca em Tupi-Guarani), em 1958, e Sobradinho, em
1959/60. Brasília foi inaugurada em abril de 1960.

       A política de assentamentos acomodava funcionários das obras, dos acampamentos,
como também já acomodava o afavelamento caótico que se formava. Então atendia
demandas de ocupação, organizando espacialmente a população. Brasília em si estava
reservada para os funcionários públicos do Governo Federal que viriam ocupá-la.

        Mas a ocupação não obedeceu pragmáticamente ao Planejamento. O Governo foi
vindo aos poucos da antiga capital, mas o povo foi chegando em busca do ouro, do novo,
das oportunidades da nova capital (trabalho, renda, educação, saúde etc.). O que ainda não
era tão atraente para as populações dos grandes centros urbanos, inclusa a da antiga capital
(os salários poderiam ser melhores mas as condições de vida ainda não), para o povão era
uma oportunidade primorosa.

        Então em 1968 mais uma cidade satélite se formou, a cidade do Guará, num
assentamento de funcionários públicos e trabalhadores de menor poder aquisitivo. E em
1970, dada uma situação de massivo afavelamento, principalmente nos arredores do Núcleo
Bandeirante, houve uma Campanha de Erradicação das Invasões, e formou-se a Ceilândia
(terra da Campanha de Erradicação das Invasões - CEI).

       Da mesma forma outras cidades foram criadas ou ampliadas no decorrer do tempo.
Assim tive a oportunidade de trabalhar no cadastramento da população que formou a cidade
de Samambaia (na terra onde era Setor de Mansões, havia um pequeno Assentamento de
Funcionários Públicos e o Setor de Chácaras, de Taguatinga) Foi uma nova erradicação de
invasões com o assentamento também da população de baixa renda adensada (mais de uma
família numa mesma casa ou mais de uma casa num mesmo lote) e assentamento da
população em geral, principalmente categorias profissionais públicas de baixo poder
aquisitivo, que não trinham imóvel próprio. Este Programa de Assentamento também
originou o atual Paranoá, que era uma Vila e mudou de lugar e se tornou cidade (para lá
foram as invasões do Plano Piloto de Brasília). Várias outras cidades já formadas foram
ampliadas com novos assentamentos.

       Isto continuou formando novas cidades. Assim se originou Santa Maria, Riacho
Fundo, Recanto das Emas, São Sebastião (que era uma Agrovila), itapoã e diversas outras
expansões de cidades já construídas (na Ceilândia Setor O, depois Expansão do Setor O e
mais setores. Em Sobradinho, Sobradinho II. Em Planaltina Vila Buritis, Vila Roriz, isto
como exemplo parcial, pois houveram várias outras expansões, nas cidades antigas e nas
recém-formadas.

        A diferença fundamental, que existe no Distrito Federal em relação à outras cidades
tradicionais do país, é que no DF a grande maioria da Terra é do Estado, ou seja, é pública
de domínio do Estado (Governo). Parece-me que isto deveria ser integralmente (O Governo
proprietário de Todas as Terras), mas há quem tivesse conseguido reservas particulares,
fato este que estranho (já ouvi falar de muita corrupção cartorária). Nas cidades comuns,
tradicionais, o sistema de ocupação foi de acordo com a Lei de Mercado, as terras eram na
maioria de particulares, ainda que regulamentadas pelo Estado (Leis Urbanísticas, Códigos
de Construção e Ocupação etc.).

        A Invasão de Terras foi um agente provocador dos assentamentos no Distrito
Federal. E isto não ficou restrito apenas às classes menos privilegiadas. A Classe Média,
imprensada pelas leis, pelos impostos, buscou solução de habitação na ocupação dos
Chamados Condomínios Horizontais. Grileiros, Invasores de Terras, se apropriavam de
Terras Públicas (invadiam Terras Vazias, pois o Sistema de Vigilância do Solo do Estado
era fraco, ou comprovam Direito de Posse de antigos invasores), as loteavam, e vendiam.
Nisto havia uma trama, que envolvia a demanda da Classe Média e a luta pela legitimação
no campo da política. Para a Classe Média o valor do Lote vendido pelo grileiro era mais
acessível (não legalizado, sem preço de mercado, oportunidade de moradia em espaços
privilegiados), e o grileiro enriquecia. Isto ocorreu à rivelia do PDOT-DF (Plano de
Desenvolvimento e Ordenamento Territorial do Distrito Federal) e da Política Oficial de
Brasília (a ação dos grileiros originava o condomínio, criava o fato político; os condôminos
se associavam e pressionavam por uma solução de conciliação com o Governo (direito à
moradia, legalização da terra invadida). Mas os interesses pessoais vinham antes da
ecologia, da consciência de construção de uma cidade sadia).

        Esta política oportunista não se deu somente em relação às chamadas ocupações de
Classe Média, mas também com as Classes Populares. Os assentamentos atenderam de
forma mais fácil às demandas, e elegeram candidatos, e mantiveram governos. O voto da
gratidão, pelo lote para moradia na mão. Isto foi instrumentalizado. Por vezes é bem mais
fácil atender ao povo em seus clamores imediatos do que guia-los a um futuro promissor. O
Regime Democrático foi sujeito à estes viezes que “atendem aos interesses populares”.
       Para uma Cidade do Terceiro Milênio, uma Capital Avançada, a Política de
ocupação urbana do Distrito Federal pecou, cometendo erros similares aos encontrados nas
grandes cidades de morros e periferias afaveladas de nosso país. Um adensamento insano,
sem previsão para ocupação da mão-de-obra, sem um projeto de auto-sustentação, de
desenvolvimento sustentável, para cada Núcleo, Cidade, que se criava. Isto é um absurdo
para a mente brilhante de um Bom Gestor. E não é que não houvesse tais, mas sim que não
foram ouvidos. O poder (no governo e no povo) esteve corrompido.

       Ora, temos um país continental. Não temos carência de terra. E temos um dos
melhores solos, das maiores riquezas naturais do mundo. Vou repetir mais uma vez. Para
um povo simples, não especializado em termos de mão-de-obra técnico-urbana, uma casa
com quintal traz riqueza e autonomia: de trabalhar, criar, plantar e colher. Traz ainda o
contato com a natureza, e o tempo cósmico, do céu, do sol e das estrelas, da presença das
árvores em volta da casa, traz paz e harmonia. A dimensão divina, da grandeza e fartura da
vida, assim é lembrada em contraposição ao stress da cidade onde a competição é
incentivada (espaços privilegiados demarcados e disputados sob a insigne do dinheiro).

        A passagem, a migração do campo para a cidade, pode ser muito difícil de
adaptação para um cidadão. Na cidade, sem dinheiro, ele fica de mãose e pés atados. A
economia da roça não é tão capitalizada (dá de tirar um tanto de comer e viver do quintal, a
água do rio ou do poço, a lenha da mata, e assim perfumes, remédios e outros tantos, até
lazer). Mas na cidade tem de ganhar dinheiro pois tudo é pago ( a luz, a água, o gás, o
alimento, o medicamento etc.). Então muda o sistema de vida, e ele, o humilde, não estando
preparado, não tendo em si a cultura do mercado, vai sofrer.

       E mesmo que seja um herói, que não caia de sua moral, de sua honestidade, é
provado quando vê sua família passando necessidade. Haja benção, graça, fé, vigilância e
perseverança. Com o êxodo campo-cidade, interior-capital, sem um maior zelo, ao sabor do
mercado, de buscar o ouro ou a oportunidade que está lá, muitos problemas ocorreram.
Vede os guetos, a periferização, a marginalização. Vede as guerrilhas do tráfico e do
banditismo. Vede os presídios.


        Então, preste atenção: criar assentamento, cidade, têm de ter na base a ocupação de
sustentação, ou seja, o trabalho, o labor, a ação de sustentação. Sem isto, sem esta base de
equilíbrio, não há estabilidade nem autosustentação. A população fica dependente ou tendo
de se deslocar para trabalhar em outro lugar. Escola, hospital, segurança, tudo isto é
secundário se no local há o trabalho que permita viver e prosperar. A comunidade assim
tem mais facilidade para se educar, medicar e vigiar. A base de sustentação tem de estar à
mão. Assim é que comunidades são prósperas. Cidades, assentamentos, idem. Com isto
mais harmonia, mais riqueza, menor tempo de deslocamento e menor gastos com
transporte, saúde e justiça. Mais vida.

       Uma invasão começou no Lixão. A vila não poderia ser assentada. O local era de
nascente de água, num parque ecológico. O Lixão deveria sair de lá pois não era adequada
aquela localização. No ecológico o Povo não muito acreditou. Onde queriam assenta-los era
longe, não concordou. Próximo dali condomínios horizontais começaram a surgir, numa
Zona também de nascente de Água. Lá o Governo não foi demolir. A confusão tá formada,
o sujo falando do mal lavado, briga de foice no escuro, interesse escuso. Um político
aproveita o ensejo e segura a bandeira. Foi eleito. A Vila foi reconhecida. Teve força
política.

        Houve uma pesquisa, tese de mestrado, num assentamento outrora bem pobre. A
maior parte da terra doada aos assentados já havia sido vendida. Porque era bem localizada
mas atinente a outra forma de vida, não oferecia trabalho, não havia a ambiência própria do
estilo de vida das famílias. Assim o povo simples vendia aos já mais adaptados naquela
vida. É a dinâmica urbana do mercado. Uma reorganização lógica e natural

       Mas o espírito de comunidade, de identidade, não havia. E dinheiro para quem não
sabe lidar, acaba. E terra tem valor básico de uso, mas também de troca (de venda). E
muitos já viajavam (alguns já retornavam) para “garimpar” em Brasília. Vinham acampar
ou adensar para reivindicar moradia. E se pudesse botavam outro na fila.

        Na invasão mais recente que se tornou cidade, Itapoã, o jornal noticiou que em
muitos barracos moradores não havia, era gente de outros locais (e até habitantes e
comerciantes da cidade mais próxima), fazendo ali “investimento para ganhar lote”,
construindo um Barraco de Madeirite para marcar o território. Claro que devia haver na
história “laranjas” e corrupção política (laranja é o nome dado a quem se apresenta de
maneira falsa, pois na verdade é usado para defender interesses e propriedades de outros
que são ilícitos).

        E Brasília, a ideal capital política, a terra que se acreditara sonhada por Dom Bosco,
foi ilhada por toda uma ignorância popular e política. Num país rico de terra e de gente não
haveria porque haver pobreza senão pela ignorância da população e a política da corrupção
(corrupção material e espiritual). Por isto alguns sofrem, se isolam e até morrem. “Pai,
perdoa, pois eles não sabem o que fazem”, disse Cristo em sua dor. Mas hoje Ele está
“dando a saber”. Nestes mais de 2.000 anos Ele tem dado a conhecer.

       Na política popular Barrabás, o eleito para viver, foi mais atraente que Cristo. Nisto
não há o que discutir, apenas compreender e aprender para melhor viver. Agora tem é de
olhar para frente para resolver, encontrar novas e melhores soluções, e nos vícios (erros)
não mais incorrer.


       No Norte, no Estado do Acre, onde 92% das Matas estão preservadas, fizeram um
Zoneamento Econômico Ecológico da Região. Isto permite visão, planejamento,
organização. Isto requer cumprimento. Cada coisa no seu lugar de acordo com sua
adequação.

       Vide o que vou relatar. Na relação de poder um povo corrupto, ignorante, vai
procurar um semelhante para o governar. Só não o vai quando a humildade o banhar e
virem e compreenderem o Sol Raiar. No tocante ao amor, ele é uma forma de conhecer e
proceder que perfaz um caminho de harmonia cósmica, universal, então, neste sentido,
mesmo os que não tenham conhecimento, mas amem, seguem um bom caminho pois
estarão de acordo, luminoso, com Deus (neste caminho o futuro se enxerga através do,
coração). Aqueles que não estão no amor, no coração, mas tem o amparo da fé, da religião
verdadeira, e nela crêem, também não ficarão desamparados pois serão avisados, guiados,
orientados (quem está na luta mas sabe escutar o bem, o que é bom, tem amparo da
salvação). Vide então que não é exigido ter esta luz do conhecimento racional e histórico
para seguir o Bom Caminho (luz do intelectual), mas mesmo esta está vos está sendo
providenciada.

       Mais aqueles duros de coração (sem amor), descrentes (sem fé), ignorantes (sem a
luz do conhecimento), continuarão desonestos e sofrerão. Perecerão. São os vaidosos,
egoístas, assassinos e ladrões que morrerão.

       Não importa o que digam na aparência, não terão consistência. Assim podem dizer
que são de determinada religião, que tem experiência e/ou estudos, que falam com o
coração, mas não terão a verdade ao seu lado, não serão acreditados, e perderão. Perderão
os que já estão no poder, e aqueles que virem desejá-lo. E serão punidos.

        Claro que eu vejo tais como assassinos, mas o livre arbítrio da humanidade de seus
semelhantes (seus próximos), os elegeram. Esta é uma questão de poder e realidade a que
se está por merecer. Mas quando a força chega, ela traz a justiça na mão. Aqui os inocentes,
os puros, os de bom coração, os que têm a fé verdadeira, os honestos, triunfarão.

       Mas olhar pra frente é reparar os erros e colher o perdão. Com isto ser digno da luz
da razão e do coração. Os cultos letrados devem ser honestos em suas considerações (não
podem mais e devem pagar o que ostentaram sob “a medida do ladrão” (dois pesos e duas
medidas, a que alivia o erro para si, e a que oprime o errado para outrem)), e os ignorantes
do conhecimento que se firmem no coração ou na fé verdadeira. Aquele que atingiu o
autoconhecimento divino é e trará orientação.

        Ouvi certa vez de uma pessoa humilde que pobreza não é sinônima de
desonestidade. E conheci a força que havia nela. Estas pessoas são fortes d‟alma, tem
integridade, e triunfarão. Elas liderarão para a Bem-Aventurança, O Caminho do Justo.

       A Guerra é de Deus. A cada um basta que se mantenha no seu caminho de correção.

                          POLÍTICA INDIGENISTA
       Tenho analisado a política que presenciei quando trabalhei na FUNAI e aquela que
venho acompanhando pelos jornais, e acredito que a missão geral da FUNAI tenha
terminado. O povo indígena brasileiro tem de ser ligado aos diversos institutos que tratam
do povo brasileiro.

       Falo isto porque considero que para uma nação seja importante a unificação de sua
população, a integração de suas políticas para todos os povos de sua constituição. E o que
pude perceber na FUNAI é uma ideologia de criação de um povo à parte, de uma nação à
parte. O relativismo cultural dando margem à um apartheid racial.

       Ora, a grande maioria dos índios falam o português, língua nacional, e tem contato
com a sociedade local. A necessidade de saúde especial, educação especial, plantio
especial, tudo isto centralizado pela FUNAI tem levado ao órgão a reprodução de um
“mini-estado especial” dentro de outro. O que falo é que o serviço especial, a princípio a
grupos culturalmente isolados, tem sido exacerbados.

       Exemplo do que falo pude conhecer em visita que fiz a uma etnia do nordeste que
recebia tratamento especial de saúde, abastecimento, saneamento e cultivo agropastoril em
relação a uma vizinhança de semelhantes condições sócio-econômicas. Toda uma política
diferenciada de assistência sem uma contrapartida de desenvolvimento sustentável, criando
dependência sem cidadania (cobravam do Estado, via FUNAI, a perda histórica de sua
riqueza em geral).

        O Brasil é um país multicultural: dos povos das florestas do norte aos pampas no
sul, passando pelos sertões ou pelos adensamentos dos grandes centros urbanos.

       O que falo de apartheid, que pude conhecer, é a pressão racial que os índios tem
feito de ter liderança racial nas delegacias locais, gerências regionais, e na própria sede
Federal da FUNAI. “Índio é quem entende de índio”.

        E nisto teve estupro por índio, assassinato de garimpeiros por índios, onde o
relativismo cultural tem buscado dar um tratamento especial ao caso, distinto da legislação
nacional. Ora, a constituição federal de 1988 acabou com a tutela que considerava os índios
como incapazes de responder como cidadãos brasileiros.

       Eu assisti a uma política restritiva de religiosidade (só índio pode participar de ritual
de índio) até para cônjuges não índios. E penetrei na dimensão da cultura que “considera o
homem branco como ladrão”.

        Ora, não quero aqui desconsiderar toda a dor de um povo, toda uma situação difícil
e sofrida de uma população oprimida por uma aculturação de propriedade privada e ideais
competitivos. Isto para mim é tácito: sei que há e houve dor nisto. Mas o que quero
salientar é que não vai curar se continuar alimentando na cultura popular esta consciência
coletiva de um povo desintegrado e rancoroso. Nosso povo é miscigenado, o povo indígena
também está assim. Identidade cultural, preservar o ideal, tem de ser cuidado sem
descambar para a segregação étnico-racial-cultural. Estamos na época de globalização, de
todos os povos se darem as mãos.

        FUNAI não é órgão provedor de justiça, não é especialista em educação, nem em
saúde, nem em agricultura, nem em cartografia. O Estado tem aparato melhor para cuidar
de tais. Então tais funções tem de ser descentralizadas para os Órgãos Especialistas do
Estado Federal e Público de Competência Local. Falo também da saúde posto que agora em
2.005 ouvi os índios pedirem que a Assistência à Saúde passe da FUNASA (Ministério da
Saúde) à FUNAI. E falo dos demais serviços que já são cumpridos por outros órgãos
públicos pois tem a FUNAI como Embaixada para assuntos indígenas, o que já passo a
considerar adequado somente para casos especiais.

         Estou falando de política de integração, local e nacional. De integração social e
territorial.

       Terra e cidadania para os índios. Isto quero ver operado. Terra para o
desenvolvimento sustentável e condições para o exercício da cidadania brasileira e mundial
(os índios, principalmente os jovens, querem acesso ao mundo globalizado, e precisam ter
condições próprias para operar este relacionamento sem a dependência assistencialista do
Estado Nacional).

        O contexto que pude conhecer é que há índios que dependem do Estado quanto à
saúde curativa, alimentação, defesa de suas terras, moradia e mesmo integração nacional
com outras etnias de sua população (com o “sentido econômico comercia”l não desperto, os
índios são dependentes diretos do Estado para suas ações fora do campo da subsistência, e
tem sido até para a subsistência em muitos casos).


        Com uma pequena produção artesanal para a venda, são parcos consumidores dos
produtos em geral da Sociedade Nacional, dependendo do estado para consumo, obras de
infra-estrutura e equipamentos sociais (muitos indígenas hoje são aposentados como
agricultores tirando daí um benefício para o consumo de bens em geral). Em geral não
trabalham de “alugados”, não são empregados, não admitem ser assalariados.

        Lembro que há diversas realidades indígenas nas diversas regiões brasileiras. O
índio tradicional, morando em grandes porções de terra, na base da caça e coleta, é comum
ao Norte.

        Então há um desejo de fortalecer a identidade índia, a identidade de um povo, e com
isto o exercício do poder com autonomia. O índio quer respirar conforme sua própria
verdade, identidade, e esta expressão é natural naquele que se desenvolve, cresce, passa a
“maior idade”, conquista a cidadania, e com isto quer o Livre Arbítrio, autogestão, e todos
os direitos inerentes ao sujeito histórico culturalmente (racialmente) identificado. Isto é
natural no ser humano.

        A “Pessoa Jurídica”, Pessoa Social, A Identidade Racial, quer sua Expressão de
Poder. Por isto eles querem controlar os serviços que o Estado Nacional está a lhes
oferecer. Mas um órgão público não pode ser identificado assim, com uma parte, pois deve
ser expressão do todo da nação brasileira, que é pluriracial. Então note o que estou a
apontar: o fato me parece natural, o desejo de poder, de expressão própria. Mas a forma
FUNAI é inadequada, por ser uma instituição vinculada diretamente ao Ministério da
Justiça Nacional, um órgão do Governo Federal Nacional. Este cuida dos índios, mas não
pode ser sua propriedade pois é inerente aos cidadãos brasileiros, onde os nossos
emergentes índios são apenas uma parte.
        Então, a solução está na construção de um Instituto Próprio Indígena, com
capacidade de gestão e representação, com recursos para sua sustentação numa fase de
transição, até que seu próprio corpo (cultural, racial) possa realizá-lo. Este sim pode ser dos
índios, para os índios, como uma associação cultural racial, e ser ajudado pelo Estado
Nacional (de todas as raças – brasileiro).

       Note o Movimento Sindical, o Movimento Religioso, o Movimento Negro, possuem
expressões corporativas e tem suas representações que influem na política, nas gestões
referentes aos seus corpos, que lhe conferem identidade. São intituições legítimas
corporativas, e seus estatutos correspondem a isto. E o Governo respeita, regula e se
relaciona com isto em nome do Nação Brasileira.

       Outro dia ouvi do MST (Movimento dos Sem Terra) a autodefinição de ser apenas
um movimento que visava a Reforma Agrária. Quando ela fosse consumada o movimento
acabava (a identidade de um corpo, sem terra, acaba com a conquista da terra). A vida
poderia continuar com outras formas de se organizar, como Confederação das Cooperativas
dos Produtores Assentados, por exemplo.

       Mas o Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (INCRA) e o Departamento Nacional de Cooperativismo (DENACOOP)
continuarão sendo do Governo Brasileiro, do povo, dos agricultores e das cooperativas em
geral.

       Então por um lado a integração do indígena se dá com a ligação como cidadão aos
diversos institutos nacionais federais e locais, e por outro com a própria direção de sua
própria organização. São atores políticos, cidadãos, que como os demais, tem sua expressão
de participação prevista no Cenário Político Nacional. Assim se constrói uma nação
verdadeiramente multicultural em unidade ideal.

       A maturidade deve aportar para se lidar com toda sabedoria e ecologia nesta “nova
selva da vida humana”. O mundo globalizado assim se apresenta, em diversos estágios,
expressões, de acordo com a consciência de cada povo que está em relação.

       A Identidade de uma etnia não pode vir inconsciente de uma realidade de
sustentação no mundo moderno, hodierno. O resgate cultural deve ser algo original no
sentido do Presente ao Mundo Real. Vivo e Representante Brilhante da Riqueza Universal.

      Em certa monta todos somos índios, ainda que de culturas antigas e misturadas, e
bem compreendemos a beleza de cada natureza.

                             ETNOMUSICOLOGIA
       Estudo da música étnica. Além da análise-de-conteúdo, análise textual, vou relatar
outros descritivos que ajudem na identificação da música em questão.
        Vou percorrer “estilos étnicos e culturais os mais gerais”. Vou percorrer estilos
brasileiros e estrangeiros.

       A identidade da amostragem que vou utilizar provém de minha observação. Não
metodicamente farei uma explanação racional descritiva prévia. Creio ter um olhar clínico
sobre a questão. Isto noutra linguagem se chama capacidade de síntese: a forma de
apreensão do conhecimento já está consolidada pelo “olhar”. O olhar antropológico em
questão.

        Utilizarei características simples para descreve-las. Procurem ouvir e visualizar. Eis
as categorias descritivas que elegi:

       . Análise do Conteúdo Escrito (Letra);
       . Instrumentos utilizados;
       . Entonação: + ou – Grave ou Agudo;
       . Velocidade do Ritmo: Lento ou Acelerado;
       . Melodia: Encorpada, arredondada;
       . Harmonia: Tempo e Combinação dos Elementos;
       . Vocal: Expressão da Voz do Cantor;
       . Expressão Corporal: A Dança, O Gestual Que A Acompanha;
       . A Interpretação: O Sentimento Passado Quando na Execução.
       . O que não está expresso: mas é o anseio certo.

       Faço isto livremente, poético-musicalmente.

                                         O RAP
       O Rap é uma forma poético-musical de se declamar uma idéia, uma situação, pelo
qual passa o compositor ou o povo da inspiração.

        Muitos dizem que o Rap é a música da periferia, pois é onde mais cresceu. Mas não
está restrito à isto: o Rap é hoje linguagem de expressão de representantes de diversas
camadas e linguagens, havendo até o “Rap do Cristão Com o Terço na Mão”.

       Mas sua identidade mais marcante tem sido a da periferia, aquela que retrata a “vida
bandida”, a pobreza, as mazelas sociais. É aquela que retrata e faz um apelo de
consci|ência, “Aí malandragem, se liga”, em relação ao viver do drogado, do bandido, do
penitenciário.

       Sua musicalidade está na batida, uma marcação grave e “surda” (grave), e no
declamar ritmado do cantor, o dedo indicador em riste: isto é a base simples. Daí vem as
pick-ups, os pratos de disco vinil, de onde extraem os sons típicos que também identificam
a musicalidade em expressão. Há muitas outras expressões, inserções, como trechos de
outras músicas populares (principalmente refrões marcantes) que são trazidas na
apresentação, e sinfonias de fundo, como um cenário apropriado ao ambiente da
declamação, que por vezes ocorre no próprio silêncio.
       A voz grave, em tom de advertência, é a mais comum, ainda que haja até coros
melódicos femininos. Então tem toda uma criatividade, mas a base, o comum, é o que foi
exposto, o que está posto.

        Muita emoção, muita alma, muita força na composição e exposição. O Rap costuma
expressar profundos sentimentos do coração, dores da alma pelo qual passa o irmão e “sua
população”. O “inferno” é retratado como cenário da vida real, não espiritual. É o inferno
da frustração diante da pobreza e da opressão, da violência, do banditismo, das drogas, e da
prisão (que continua, e até aprofunda, o inferno).

        Claro que há Raps felizes, festivos, mas não são maioria, nem os que predominam
como expressão da periferia. Então em sua expressão não são músicas que elevam,
remetendo através de sua exclamação-expressão às alturas, ou descrevendo amorosamente
os elementos pobres de um paraíso, mas sobretudo alertam, muitas com tamanha
sinceridade e emoção, que libertam a comoção, ainda que muita revolta ensejem pela “vida
de cão” (cão aqui não como expressão do amigo, mas como expressão do fudido).

       É bom ouvir, mas nesta narrativa já vai dar para sentir o drama que vos falo.
Lágrimas me banharam ao ouvir testemunhos do inferno da vida de um drogado,
prisioneiro na mente, ou o testemunho de um presidiário do corpo cuja família foi a única
que dele se lembrou em seu tempo de penitenciária (assim aconselhava valoriza-la). Vida
bizarra em que a maioria dos valores não vale mais nada, a morte e a prisão são os
caminhos que se apresentam na estrada do irmão. Então clama por Paz. Paz na consciência,
paz na vida do irmão.

        Quando vos disse que sofrendo ressaca de muita cachaça fiz orações de muito
sentimento pois imerso em muita dor, tristeza e depressão, o mesmo posso dizer que me
lembraram algumas destas composições. Despertam muita compaixão pois são expressas
do fundo do coração. Assim elevam o irmão, pois são apelos sinceros à compaixão ou à
uma vida que conheceram um dia ou ouviram falar de como é “bão” (vida de paz,
felicidade). Luz, encontrei muita luz, porque são sinceras as exposições.

        Mas outras despertam a luta e a guerra, exprimem revoltas odiosas e “promessas de
volta”, vingança, ou seja, são protestos gerais (ao sistema e seus componentes) e apologias
ao crime, ao banditismo.

       Tem aquelas que lembram o inferno em que se vive. Tem as que prezam pela
consciência.

       Alguns refrões e trechos de RAPs:

       “O menino do morro virou deus,
       O poderoso chefão, a majestade,
       No teste da guerra ele venceu,
       Subiu uma escada de sangue pra 1ª classe.”
“Paz na Terra aos homens de bem
Que Deus ilumine aqueles que já não se encontram
Sonhos, é o que nos mantém vivos
Por isso temos de estar em um bom estado de espírito.”

“Não queira ser um de nós
Em momento nenhum:
Apenas mais um.”

“A detenção não valoriza ninguém,
Aqui eu me sinto um refém.”
“Liberdade: Pela janela eu vejo a cara dela.”

“Vida de ladrão, se dá na maior ilusão
É a maior decepção
Futuro não tem.”

“Vítima do sistema cuja polícia me pinta como lixo de periferia.”

“Deus leva mais um que sai das trevas
E que a paz esteja onde estiver
Amem.
Onde o corpo abandonado
Sem vida, sem alma, sem luz
Só uma cruz
Carregada por lágrimas
Que tinha Jesus.
E uma frase gravada
Descanse em paz.”


“E aí mano?
 E aí veio?
Ô mano, como é que ce tá irmão?
...
Precisava desabafar com alguém...
Aí mano, meu ombro taí mano, pra trocá uma idéia.
...
As drogas, a violência, o crime, o sofrimento pra minha coroa. Não pensava em
nada. Zoava a noite inteira. Aos 18 anos de idade a 1ª besteira. Fiz um filho com
uma mina que já não era firmeza. Moleque burro e virgem foi pela beleza.
...
Foi no rolê, não paga pra vê! ...
Apenas 2 minutos de conversa e o destino daquela mina meu opalão. ...
Mano, meu desespero foi lançado quando descobri que da minha pessoa aquela
mina tinha engravidado. ...
Disse que eu trincasse com dinheiro que amanhã seria um novo dia. ...
Juro por Deus do Céu que meu sonho era ter aquela menina, minha filha. ...
Ela tirou minha filha. Quando eu soube da notícia eu só queria morrer. ...
“Papai, você não sabia, mas eu tinha meu sonho. Sonhava em crescer ao seu lado,
conhecer o anjo chamado mamãe, mas a maldade do mundo foi mais forte, ela foi
mais forte papai.”
Para eu me recuperar foi foda. Arranjei um trampo, a escola, deixei de lado a
moda, passei a jogar bola, larguei realmente as drogas. ...
... mal eu sabia que o mal ainda estava por vir. ...
Remédios, simpatias, igrejas, nada adiantava. Foi aí que um resultado de um exame
médico apontava. Mano tiveram que fazer 3, 4, 5, pra eu poder ler e crer: No
sangue da minha vida rolava o vírus do HIV. ...
Aquele dia ela colou comigo, pensando que eu queria algum esquema, mas não.
Sem opalão, canhão na mão, dor no coração, desespero quando na seqüência,
sangue no chão. ...
Me sentia vingado. ...
Eu me lembro do martelo batendo Bum! Seis anos de detenção. Carandiru, várias
histórias, vários parceiros, vários relatos. ...
... no quarto do hospital, na fase terminal, ....”

“Aí, é embaçado viver na Selva de Concreto e Aço. ...
mas neste mundo quem é quem? Terra de ninguém. ...
Sem dó, nem fé, nem piedade, vários malucos envenenam e contaminam a cidade.
...
Jesus que me guie, que me conduz, que me leve pro caminho onde haja luz.
Sobreviver e prosseguir sem se envolver. ...
Sobreviver na guerra das ruas, veneno psicológico, que gera a dor, que causa o
terror, que faz o homem virar no puro ódio, descontrolado, na febre, neurótico,
atraído pro crime, pras drogas ...
Não quero ver, seu filho vendendo drogas para poder se manter. ...
Sobreviver e prosseguir sem se envolver. Na Selva de Pedra todos querem
sobreviver. Só os fortes sobrevivem.”

“Periferia...
Soube entrar, soube sair. ... Eu faço meu caminho, controlo a minha mente,
propagandas enganosas não me deixam mais doente. ... Periferia. O sangue escorre
dentre becos e vielas, e        minha inspiração, vem de dentro dela. ... Se chove
falta energia, se faz sol não tem água        nem pra beber. A expressão sofrida no
rosto de cada um demonstra a violência que o governo nos causa. ... Polícia e ladrão
era nossa diversão. ... Periferia, onde quer que seja é tudo igual. Violência,
homicídio, é banal. ... gente pobre é humilhada pelo patrão sem dó. Outros ganham
a vida vendendo pedra e pó. A cadeia tá cheia, mas sempre cabe mais um. ... Já
chegam armados, empurrando todo mundo, arrombando os barracos. Enchem de
medo nossos filhos. E com razão, devemos nos proteger de proteção meu irmão.
Olhe pro nosso mundo, onde estamos. O que nos sobrou? E nossos filhos, como
serão? Um vacilo, um erro, você vai subir mais cedo. ...”

“Quem disse que na periferia não dá pra curtir.
       Mano chega aí, Mano chega aí.
       Fique na paz, procure festa, e faça por onde se divertir.
       E aí mano, vamos que vamos. Diz, diz, diz.”

       O Rap é um pouco isso meu irmão. Eu agradeço.

               LEIS INTERÉTNICAS: UMA SÓ NAÇÃO

         Os poderosos fazem a Lei da Nação. Enquanto a lei estiver centrada no capital ela
reproduz o direito por ele. Vide as multas, para os ricos pouco significam: além de serem
irrisórias diante de seus rendimentos, possuem jeito de as burlar e evitar. Mas para o pobre
é pena dura.

       Vide no trânsito. Multas pecuniárias muito significam para o pobre: se não tiverem
como pagar deixarão de circular ou até mesmo correrão o risco de serem apreendidos.
“Para os pobres a Lei, para os ricos a exceção”. Então além de serem relativamente baratas
as multas para os ricos, estes tem gestão, informação e poder de contesta-la. Basta pegar um
telefone influente e reclama-la. Ou então, se quiser fugir de uma corrupção direta, tráfico de
influência no poder público, podem evita-las, adquirindo um carro com emplacamento de
outra praça (onde as multas não chegam por falta de integração do sistema nacional de
informação).

      No caso eu vou fazer uma interpolação; vou considerar o rico como uma das etnias
em questão. Etnia dominante, diria eu, e não sem sua justificação. Vou ampliar a questão.

        Na periferia há “etnias” emergentes. A dos traficantes e seus dependentes.
Justificam a insubordinação diante dos absurdos e caos da situação. E peitam a repressão. É
certa que a vida, ainda que intensa, tem sido curta para os guerreiros em consideração, mas
o movimento tem se mantido vivo a duras penas de sustentação; sangue, ódio, dor e prisão.
Será que não tem alguma razão. Claro que sim. Tem fundamentação e estão na apelação. Só
que tem apanhado na construção. Muita ilusão no meio da situação. Pouca malandragem.

       Então quem tá na ponta dança. Quem tá na periferia tá na ponta da sanção, da
exclusão. Vacilou, dançou.

       Por isto tenho sido tão duro na orientação. O ódio lambeu a cabeça do irmão. Tá
brigando na área de atuação.

        Analisemos agora uma situação emblemática. Vou colocar a questão dos índios de
nossa nação. Aliás, índios de nossa nação tão na integração, sou eu, é você e tantos outros
milhões de nossa população. Vou falar de índios não plenamente integrados, que habitam
locais reservados, que mantém culturas distintas, que tentam criar uma nova nação, índios
que até pouco tempo eram considerados sem capacidade civil diante de nossa organização
social constitucional.
        Hoje em dia eles são emergentes e tem muitos intelectuais de esquerda querendo
reificá-los como raça, nação ecologicamente coerente. E daí o que se vê em guerrillhas
políticas, em outras nações, começa a acontecer no meio desta nossa gente. Só que com
conotação diferente: respeito à alteridade cultural, ou seja, à cultura diferente. Graças a
Deus a coisa é um tanto teatral, mas tem de ser cuidada.

       Nisto, a chamada fricção interétnica começa a ocorrer. Índio acusado de estupro tem
tratamento diferente. Índios mataram garimpeiros, mais de 30, por invasão de suas terras (o
MST ostenta a bandeira do Assassinato de 9 de seus integrantes em Carajás há muitos anos
como símbolo da ganância dos fazendeiros), mas os índios que assassinaram os garimpeiros
será que serão presos? Ou terão reconhecido seu direito à uma lei diferente, concernente à
cultura de sua nação emergente? O que eu vi foi logo após a Caixa Econômica Federal
ajuda-los na venda de seus diamantes.

        Na última manifestação pública que li os índios dançaram no Altar do País, numa
forma que poderíamos denominar de macabra, pois reproduziram a figura de um Senador
da República em boneco (tamanho natural), o flecharam e o queimaram na Praça dos Três
Poderes, junto à imagem que simboliza A Justiça (em frente ao Superior Tribunal de
Justiça). “Livre manifestação política”, “direito à religiosidade”, sei que o ato foi tolerado.
Mas note que foi direcionado à um homem, uma autoridade política eleita
democraticamente. Um homem público tem de ter respeitada sua posição, há de se ter ética
em sua consideração, ainda mais em sua casa, em seu templo, Templo Soberano de Toda
Nação. Não houve maior repercussão.

       Índios seqüestrando, fazendo policiais de refém ou retendo autoridades públicas
como mostra de força e pressão política. Nisto eu faço uma ressalva pois conheci que há
concordância ideológica neste tipo de manifestação. Conheci que nos meios públicos, nos
bastidores da FUNAI, há esta consideração de se deixar prender como forma de criar um
Fato Político de repercussão nacional, que atraia a imprensa, para a que assim o Governo
possa atender. Então a gravidade é menor, uma estratégia menos bélica. Mas imagina se a
moda pega. Ideologia é isso aí.


       Eu compreendo toda a movimentação que houve em defesa de uma cultura, de um
corpo frágil, bem como a dança histórica de compensações. Só que quero alertar para não
descambar.

        Alerta, tem de estar alerta. “Foram tão abusados que tem de ser valorizados,
recompensados, tolerados.” “Índio tá bravo!”. E a nossa população, os milhões de “índios”
de nossa nação, é no cacete, na morte ou na condenação à prisão? Ou vão ter de encontrar
alguma identidade étnica para reivindicar direitos (como a questão da autodenominação
como negro)? A cobrança social é patente na Justiça Comum, na saúde pública, na baixa
qualidade de vida, desemprego etc. e tal. Todos querem a cura de seus males. Justiça social
para o idoso, a criança, o adolescente, a mulher, o deficiente, o pobre, o sem terra, o sem
teto, o desempregado, o mal empregado, o doente, o louco, o preso, º..
        A denúncia quanto `a ganância dos maus latifundiários, dos maus patrões, dos
políticos ladrões, das autoridades corruptas, dos serviços viciados, a crítica vem sendo feita
até em banco de escola pública e particular, sendo matéria de prova e vestibular. A
esquerda política, comunista, socialista, sindicalista dos empregados, chegou ao poder, é
maioria no Congresso Nacional e tem seu representante na Presidência do Governo Federal,
o mais alto cargo executivo. Então o que venho neste texto cuidando é o reverso da
medalha, é bem cuidar para que não venha novamente a faltar. Quando político não é
respeitado, empresário não tem seu valor reconhecido, é bem provável que até os pais
andem falidos para com os filhos. Então a bagunça fica grande e o próprio povo pede uma
mão forte que restabeleça a ordem em sua casa.

       Então, em se tratando de uma só nação, isto tem de ser levado em consideração. Ao
meu ver os “parentes” (como se chamam os índios) merecem toda consideração mas
cuidado com o apartheid racial, conflitos de vizinhança e vacilação quanto à unidade e
soberania nacional. Um só povo, uma só nação brasileira.

        De raça pobre, humilde e sofrida, há que se cuidar para que na expansão a soberba
não venha a lhes roubar o galardão. Eu sei que há um impasse entre e manutenção da
cultura interior, guardada e recomendada pelos mais velhos, e o desejo pelo mundo
exterior, aspiração dos mais jovens. E li também que a sustentação espiritual, a principal da
sabedoria ancestral e universal, anda mal, sem a força que faz um povo pensar igual (os
pajés alertam que tal vem ocorrendo). Então este é um alerta geral.

       No mundo global quem não ganha dinheiro não tem autonomia real. São ajudados
ou conduzidos por alguma compaixão ou interesse marginal.

         Então auto-sustentação. Esta é a palavra chave. Saúde assim, economia assim,
tecnologia assim. No sistema de propriedade particular tem de dar conta de proteger o
território. Na produção tem de gerar a contribuição para ser um verdadeiro cidadão (de
direitos e deveres). E tem de conhecer e obedecer a legislação.

      Vede que isto que falo acerca dos índios bem serve quanto `a relação global,
mundial, dos povos em geral.

       Assim vão reconhecer no mundo todos os cidadãos como “índios irmãos”. Os
parentes que têm, espalhado por esta grande nação, e mundão. A Benção de Tupã ilumine a
vossa compreensão.

                 ENFORCAMENTO E DECAPITAÇÃO
       O que me chamou atenção é que em ambos é que a cabeça é retirada da unidade do
corpo em consideração.

         Isto em termos somáticos significa retirar o comando da situação. Sem a cabeça o
corpo fica sem orientação. Assim se ganha a guerra ou a competição. No jogo de xadrez
isto é representado pelo rei. É a peça chave que decide. Quem ganha tomba o rei oposto.
       Na Segunda Grande Guerra Mundial ouvi dizer que os aliados queriam terminar a
guerra e matar o Rei do Japão (Imperador). Um antropólogo disse não. Conhecendo do
código de honra, essencial para a vida do povo, ele conheceu que esta não seria a melhor
solução, pois antes da vida estava a honra para o povo em questão. Então que buscassem
uma melhor opção. No caso ilustrado retirar a cabeça não tinha o mesmo significado de
deixar sem orientação e poder com isto dominar, conquistar. O mesmo se dá com os
mártires, onde matar pode ser incendiar os ânimos de uma população e altear o ídolo de
uma revolução.

       Arrancar a cabeça e ganhar só no caso do povo estar a vacilar, temeroso ou incerto
do caminho a tomar, ou ainda se o líder for não-carismático, impopular. Contudo matar
requer grande sabedoria de ação: a Santa Benção. Para que nunca haja dúvida ou retaliação,
individual ou social, e possa haver bem estar a partir de então.

       Enforcar ou decapitar pode se dar apenas no Plano Simbólico: afastar a liderança.
Tomar o poder pela destituição do antigo comando. Isto pode ser eficaz se houver algo
popular que o legitime, não só por uma acusação de crime, mas também pela oferta de Um
Caminho ansiado, desejado, almejado por toda a população.

        O ideal é pedir em oração para bem votar, eleger, e encaminhar a situação, de modo
que no tempo certo, sem constrangimento e sobreocupação, possa haver a devida
substituição. Assim é um caminho natural de vida, onde não só a cabeça é substituída, mas
o “corpo existencial” (a concepção inicial de um modelo de vida) a que estava ligada, e
assim a paz e a maturidade nas ações e nos compromissos de vida.

                    APRENDENDO COM OS ÍNDIOS
     Uma das grandes virtudes que se deve admirar na vida indígena é a Vida
Comunitária. O índio vive como se estivesse numa grande família. Assim coabitam.

        O tempo é dedicado à elaboração prática das coisas a serem utilizadas. Então não há
o processo de alienação quanto ao uso do objeto em manipulação. E também não muito
sentido em grandes obras ou muitas coisas que não podem carregar. Assim se aproximam
mais do que podem coletar (incluindo aqui a caça e a pesca). Também não podem se apegar
se não tem como carregar e tem de mudar.

       Isto os aproxima dos ensinamentos sagrados do não apego e do cultivo dos tesouros
que o bicho não corrói. Livres, leves e soltos caminham o mais próximo da manifestação da
vida como O Criador as apresentou.

        A relação com Deus enquanto responsável pela Criação se torna uma coisa mais
direta: não há muito sentido reclamar da natureza tal qual faz o homem diante do Governo.
Antes entendê-la, ter a sabedoria que revela a riqueza da natureza.
       Ausência de roupa, menor campo de fetiche da sexualidade bem como melhor
adaptação à temperatura natural, à insolação e à respiração integral (dérmica).

       O pão nosso de cada dia é de cada dia mesmo. Não tem geladeira nem muitas
formas de preservação ou acumulação (estocagem). A coleta e a cozinha tende a ser diária.

       A tradição do saber oral faz que em cada local tenha aquele que fala da existência,
do mito ancestral, aquele que domina a magia ritual, curandeiro, chefe-espiritual, e aquele
que tem a sabedoria política, o cacique do local.

       As fases, as idades, são marcadas por ritos de passagem, ou seja, celebrações
especiais que marcam uma nova fase de vida do cidadão.

      Isto é um pouco do que agora, a princípio, tenho a relatar. Depois pode ser que eu
comece a contar “causos” para ilustrar.

             ACULTURAÇÃO E SISTEMAS DE PODER

       Aculturação significa uma cultura que se superpõe à outra e a domina. Assim
valores, costumes e até crenças são substituídos. A antiga forma de viver dá valor à nova,
que chegou de fora.

        Note, uma mudança cultural que nasça no seio do próprio povo, de sua expressão
política ou religiosa, não é um processo de aculturamento, sendo este termo designado para
o caso da substituição dos valores internos por valores externos, que venham doutro povo,
doutro território.

       E se não houver prejuízo quanto à isto tal é uma dádiva, um abrilhantamento, um
enriquecimento.

       A crítica principia quando isto não melhora, mas piora uma situação. E quando isto
se caracteriza como uma ilusão, que por vezes traz benesses de curto prazo, mas os que
enxergam vêem que não será nem no médio nem no longo. Isto porque não incorporou, não
levou em conta, não aproveitou, a sabedoria do local, apenas usou de uma abertura para se
implantar, a abertura da boa fé popular. Mas quando tenta dominar, já não mais às custas da
riqueza ou da beleza, mostra sua outra face, de dureza.

       Então tá na hora de parar e botar cada coisa no seu lugar. Aproveitar o que é bom, o
que enriquece e engrandece, e jogar fora, deixar ir embora o que não serve. Fizemos tanta
dívida que sujeitamos nossa economia ao controle externo (porque não dávamos conta de
administrar para pagar).

       Mas as coisas podem não ser tão simples assim porque envolvem sonhos, projeções
de vida, ideais, e até mesmo hábitos e costumes que passam a ser arraigados pela cultura
popular. Então tem de ter um despertar, um “toque consciencial”, para acordar, mudar.
       Vou falar de coisas bem simples. O nosso pão tem por base a Farinha de Trigo. Ora,
não produzimos muito trigo, produzimos muito milho, arroz, feijão, mandioca, batata doce
etc. Porque manter este hábito cotidiano europeu? Porque ainda não mudamos este hábito
de consumo popular (nós somos dependentes de trigo, importamos trigo)?

       E a cerveja. A bebida mais consumida. Não é brasileira. Também é a base de trigo, e
entra lúpulo, espécime própria de países gelados, que importamos. Porque ainda não
tornamos popular, mais sociável, bebidas mesmo “leves” como a cerveja a partir de
vegetais nossos, abundantes em nosso solo?

        Não se deve proibir o consumo, mas buscar não ser dependente. Desenvolvimento
dependente atrela a gente. Se nosso carro depende de petróleo e ainda não temos o
suficiente internamente, dependemos do mercado internacional em algo básico (a
circulação não pode parar por falta de combustível). Não há que se negar usar, mas uma
boa política é procurar, ao menos no tempo, ter condições de se sustentar (ora, temos um
país de dimensões continentais). Então é pesquisar novas fontes de energia (limpas) e
procurar suprir internamente (o Brasil possui um dos maiores mananciais de energia limpa
do mundo, que é a energia natural extraída do movimento da água na força da gravidade).
O Brasil tem um dos melhores níveis médios de insolação do mundo, vamos aproveitar a
energia solar. Carros elétricos deveriam ser viabilizados. Vide o combustível a partir do
álcool, a partir de fontes naturais renováveis (plantou renovou).

       Dizem que no arroz integral há muita saúde, pois é nas películas (7) que retiram
quando dão o polimento, que estão os principais nutrientes. Ora, então arroz integral fica
mais barato e mais saudável. Hoje ele só é mais caro porque o povo não tem o hábito.

       Mas vide os medicamentos. A farmacinha do quintal, da sabedoria da vovó, ficou
quase que esquecida ou até mesmo proibida (“só o médico pode receitar, curar”). Isto
também é uma forma de aculturamento que inibe a sabedoria popular. E quantos não
entram neste sistema e ficam dependentes de tratamentos e remédios que custam o dinheiro
que não pode pagar. Aí ficam filas a enfrentar, do Estado a reclamar. Claro que com isto se
esquecem um pouco das coisas simples, dos remédios que podem alcançar do seu lugar.

       O chá que poderia tomar, a compressa que poderia aplicar, a reza, a massagem, a
imposição das mãos, o banho, foi substituído pelo remédio que não pode comprar, que tem
de ganhar. Mas o principal não é o fato em si, mas sim de não haver condição de auto-
sustentação, ou seja, nem dele ganhar o dinheiro que irá precisar para comprar nem de
adquirir as condições dele próprio produzir (técnica, equipamentos, etc.). Então fica
dependente. Aculturação: sistema de poder.

       E o próprio Estado, Governo, vem se complicando com esta situação. Saúde é
obrigação do Estado diz a Constituição. Então tenho visto em matérias de jornais: “morreu
porque faltou medicamento, morreu de tanto esperar na fila de cirurgia”, e precisa de mais
médicos, da mais leitos, de mais equipamentos. “Helicóptero para salvar e vigiar.”
       Uma população bem educada, dignificada, tem harmonia. Não vai querer ser
sustentada por extremos, pois tem paz em seu interior.

       Um sujeito que pouco vale durante a vida, que se procurar um crédito popular pouco
vão lhe dar (R$300, 00 e “olhe lá”, pois vão cobrar e regular), se ficar doente passa a
valorizar (há pouco tempo o gasto médio mensal público básico com medicamento por
paciente (remédios de manutenção) no caso da AIDS, era em torno de R$1.000,00, isto sem
contar com outros tratamentos, campanhas etc.). Imagine agora cirurgias, internações e
sustentação de remédios controlados. Isto é no mínimo antieconômico. Daí eu me pergunto:
será que é mesmo com o cidadão que o sistema está preocupado, ou na loucura opera
sustentação de um Status Quo doentio?

        Não tenho dúvida. Judiciário, legislativo, sistema repressivo e curativo exacerbados
são sintomas claros de uma sociedade doentia, mal orientada, iludida, esquecida da Vida.

       A Reforma de Base principia pelo indivíduo (autoconhecimento divino), passa pela
família (base da formação social), entra pelas comunidades (o mais próximos de serem
auto-sustentáveis) e chega à cidade, ao estado, ao país, ao mundo globalizado. Os sistemas
tem de serem equilibrados, do básico (indivíduo) ao mais complexo (Governo de Estado).
Assim as relações.

       Um Stress coletivo deve ser curado. O Estado (governo) não pode assumir a vida do
cidadão ou o controle de sua expressão social. Ele é um orientador organizador.

        O morrer assim como o viver deve ser algo natural da vida, em paz. A insegurança é
fruto da ignorância e a justiça fruto da verdade que traz prosperidade (real, material e
espiritual). A Nação precisa desta conscientização (com um bom programa de construção,
dignificando o cidadão na base da paz, da honestidade e da cooperação).

       Entenda auto-sustentável a condição de prover os recursos básicos para prover as
próprias necessidades, sejam estes à base do uso próprio bem como adquiridos pela troca
ou comercialmente (não depende de doação). Contudo, isto precisa ser alavancado. Os
recursos precisam ser dirigidos e o fim buscado.

                  DORMIR, BEBER, CAGAR, COMER
       No meio do caminho trabalhar para se sustentar. Claro que dormir para descansar.

        Isto é resultado de uma consciência não espiritualizada, correlacionada à um corpo
não resolvido, sem equilíbrio que o permita amar, ter consciência de Uma Vida Divina
Trilhar.

                              FORÇAS ARMADAS
       O melhor remédio é aquele que se tem sem precisar usar. Mas enquanto houver
dúvida, ameaça, ou precisar rosnar para evitar, é bom ter. E “rezar” para não ter de usar.
        Então respeito, bom tratamento, cuidado, conservação. Não o pode tornar obsoleto.
Isto seria ferir um galardão de muita honra e dedicação. São nobres os cidadãos.

       A minha idéia é que em Tempo de Paz elas sejam aproveitadas em serviços sociais,
em serviços estratégicos, cada vez mais. Mas sem ferir ou confundir seu fim, seu propósito
sua condição especial para o qual deve estar sempre preparada, em dia, bem treinada e
capacitada.

       No dia em que ela não for mais necessária é porque o mundo aprendeu a amar,
houve uma só nação e todos são irmãos.

                 METROSSEXUAL, TECNOSSEXUAL
       Novas definições da sexualidade. São heterossexuais, são homens com qualidades
especiais distintas da cultura que normatiza os demais.

       Assim, os homens metrossexuais dão valor à estética. Cuidam da beleza. Cuidam
dos cabelos, unhas, pele, aperência. São elegantes, “finos”. São bem tratados de uma forma
que outrora só as mulheres o faziam.

       Minha vó dizia que apreciava a beleza máscula de um homem. Os metrossexuais
devem o ter, pois são homens, mas cuidam da beleza. Investem nisto, tempo e dinheiro.
Tem os cabelos bem cuidados, pele, unhas, o corpo inteiro. E se vestem sobre maneiro,
elegantes.

       Já os tecnossexuais dão vazão ao seu libido, à sua atenção, à tecnologia. São
elegantes no trato e no vestir, mas o que os distingue é portar, manusear, os aparelhos e
equipamentos mais modernos, avançados, sofisticados. São ligados na informática e nas
máquinas: aparelhos de precisão e poder de ação.

       São expressões, perfis de homens, valorizados pela mídia executiva. Modelos de
homens que fazem sucesso na moda de hoje em dia. Moda televisiva sofisticadíssima, dos
galãs de revistas, que desfila em passarelas ricas.

        São emblemas de ponta do que o homem pode vir a ser, e encantam horizontes. Mas
à estatura social em que despontam poucos podem ascender.

                             SALÃO DE BELEZA
        O “bar” das mulheres. Bar no sentido da comunhão semanal. As mulheres são muito
interessante neste sentido pois se tratam mesmo. Dão valor ao seu corpo, suas unhas, pele,
cabelos.

                  ARMAMENTO, DESARMAMENTO
        Sou contra o proibimento. Sou a favor da paz, mas cada um deve discernir sobre a
conduta e o limiar que deve nutrir. Conforme vos disse dar a vida por amor não se pode
exigir.

       Aconselhar, regular, sim, mas proibir seria dificultar. E não gosto de pensar só no
estado tendo condição disto. A qualidade do estado é ser organizado e representativo de
todos, por isto poderoso. Mas não deve censurar o que é concernente ao indivíduo. O bom
senso deve prevalecer.

       A Campanha de Desarmamento fez sucesso. Muitos entregaram seus
equipamentos”. Mas no mundo de hoje proibir poderia ser restringir demais. Quantos
valentões ou vilões não respeitam franzinos ou casas de vizinhos por não saberem,
temerem, o que terão pela frente se abusarem da situação?

       É isto. Pra quem está na condição o desarme é feito com gratidão. mas para outros
poderia ser uma violentação.

        Quanto à polícia sou favorável à um reaparelhamento. Ora, se mesmo com os
animais se usam tranquilizantes para o dominar, por que ter de furar ou arrombar os
suspeitos ou bandidos? Acredito que a tecnologia já deveria ter desenvolvido uma arma
capaz de paralisar o adversário sem ter de esburaca-lo (o que dá um maior prejuízo ao
estado, quando não morre, com recurso hospitalar, para recuperar)?

       Se não existe tal tecnologia, invista em pesquisa que logo vai surgir, com precisão e
bom alcance permitindo eficácia à pontaria. Dar esta alternativa. Assim sair da raia da
morte ou da ferida mais doentia e acessar uma outra forma de ação-proteção.

        Com isto podem acreditar que muitos migrariam para esta nova posição, inclusive
porque a legislação também seria relativa (não configuraria homicídio culposo). Mesmo o
homicídio doloso, se houvesse, seria relativo à situações especiais. Mas no geral a intenção
seria diferencial, pois a escolha da arma pressupõe a diferença.

       A vida cada vez mais respeitada. Menos feridos, menos aleijados, menos
adoentados. A eficácia da ruptura com o ato criminoso mantida. Assim também os
presídios, penitenciárias, casas de detenção, centros de reabilitação, deverão ser investidos,
mais do que para que não hajam mais genocídios, mas para que se recuperem os que foram
“perdidos”.

       Assim, a proibição de armamento que tira a vida como forma de proteção, poderia
ser recebida. Armas “que poderiam tirar uma vida” para esportes de pontaria, não para
defesa da vida.

       A primeira vez que vi duas mulheres, morava no Rio, fazendo Top Less na praia, o
povo ficou aturdido: correu atrás jogando areia. Ainda que eu achasse bonito e quisesse ver
os seus peitinhos o que vi foi selvageria. Já passaram 30 anos e a moda naquela praia ainda
não pegou. Já viram alguém andando de sunga ou biquíni nas ruas de Brasília (este tipo de
intimidade ainda só é apropriado para locais reservados). E isto a princípio é algo tão bobo,
apenas uma moral. Mas existe.

       Então bom senso é o ideal. Respeito ao cultural e ao real. E bola pra frente que
assim a gente vence.

                    O VÔO DO PÁSSARO POLÍTICO
       Possui harmonia no bailado das asas, que singram os ares, e se movimentam com
elegância, em divina dança. Vede o colibri, vede o planador, vede aquele que mergulha no
mar, vede aquele de rapina ao caçar. O movimento das asas é conjugado para na eficácia do
vôo se encontrar.

       Na política ouvi certa vez que se conquista o poder pela esquerda (o lado
comumente referido como revolucionário, de oposição), e se governa com a direita (o lado
da autoridade conservadora, do governo). Isto parece natural. A oposição ao conquistar o
poder faz as mudanças e o tenta manter.

       Mas eis que neste vôo direita e esquerda são dinâmicas. Na ilusão de quem não as
alcança, parece que trocam de lugar, e assim direita deveria ser chamada de esquerda, e
esquerda de direita, para acompanhar o movimento, o bailado das asas. Não vos falo de
vícios não resolvidos, mas de uma dialética sincronizada e bem ajustada, que já sente as
fragrâncias da paz.

       O fato é que há um só pássaro, e ambas as asas são prolongamento de um mesmo
corpo unitário.

            SOCIEDADE TÉCNICA, ÉTICA, AMOROSA
        Um pensador político, professor, de nosso país, tem constantemente advogado,
filosofado, sobre a evolução de uma sociedade técnica para uma sociedade ética. Ele deve
ter boas razões para ter encontrado este parâmetro de observação, afinal além de
governador da capital federal foi reitor de uma universidade federal.

       Ora, escutei hoje pela manhã que o desenvolvimentismo posto sobre bases injustas
não trazia a paz, e que a igreja católica deixara, há décadas, de ter as minorias pobres como
pacientes, para tê-las como sujeitos históricos, coadjuvantes, e que ao ouvi-las em seu
clamor, escutaram fortemente o desejo de Justiça.

       Daí entendo bem a defesa da técnica a serviço da ética como um estágio de
evolução da nossa civilização. E lembrei de um irmão, que chefiava o Instituto de
Desenvolvimento de Recursos Humanos na gestão de Governo do referido irmão, que
levantava a bandeira do Governo Ético e Amoroso, inclusive tendo formulado princípios
para tais (postulados orientadores). Hoje, e há dez anos, este irmão é monge do Templo
Budista da Terra Pura.
       Então da técnica á ética e ao amor. Princípios, ensinamentos, são ferramentas
importantes de orientação. Eles o foram na época de Moisés (as Dez Leis do Antigo
Testamento e Ensinos Bíblicos do Antigo Testamento), na época de Krishna (os sete
pecados capitais e as orientações à Arjuna presentes no Bhagavad Guita), na época do Buda
(A senda do Buda e o Caminho Óctuplo), na época de Jesus (O Mandamento do Três em
Um, da Trindade: O Pai, Deus; O Filho, Si Mesmo; O Espírito Santo, O Próximo e Os
Evangelhos) e na época de Mohamed (Os Cinco Pilares do Islã e O alcorão ).

       Eu agradeço.

                                    JITSU E DO
       Ouvi, por mais de uma vez, nas palestras sobre Artes Marciais realizadas no Templo
Budista, a diferença entre Do e Jitsu. Do significa caminho, e Jitsu arte.

        Durante o Japão Feudal existia muita disputa de terra, liderança, domínio, então a
arte era eminentemente guerreira. Com a unificação do Japão não houve mais espaço para
esta forma de manifestação. Em tempo de Paz a arte marcial encontrou um novo espaço
vivencial. Assim se tornou Caminho.

        Daí surgiram as academias, templos, mosteiros, onde a luta era ensinada como O
Caminho do Guerreiro. Mas até aí, para a cultura ocidental, pode não estar clara a diferença
entre arte e caminho. É sito que acreditei encontrar.

      A arte está mais relacionada com seu exercício exterior numa vida aguerrida. O
Caminho com o aprendizado interior em tempo de paz.

       A técnica junto à filosofia encaminhando uma disciplina física, ética e social. Com
isto pude vislumbrar que este Caminho é vida, e vida de forma especial. Porque encerra
dentro dele pessoas fortes como os guerreiros, em paz.

      Um caminho de aperfeiçoamento físico, moral, espiritual. Mas o que mais me
chamou atenção nisto, me despertou esta consideração, é que tal passou a ser um meio
ambiente especial, um meio sócio-cultural. Uma sociedade que permeias outras.

       Este caminho passa a existir no Plano Mental e Atitudinal, pois conforma valores e
ações. Assim bate à porta do espiritual.

                                EU QUERO ARTE
       Chega de narrativa, quero poesia. Quero deixar de escrever, quero viver. Quero
deixar de falar quero cantar. Quero fazer TV.

       Outro dia conheci que há uma “igreja dos artistas”, nos Estados Unidos, com uma
representação em Hollywood. Ela considera a arte como um dom divino, assim foi a porta
próxima para os artistas se reunirem (Cientologia é o nome dela).
        Mas o que quero frisar, salientar, declarar, é que além da fama, é importante viver
com arte. Falar tem que ser como declamar, como encantar. Cantar é vibrar. Dançar é
deleitar. Harmônico, elegante, cheio, de Força e Presença Marcante.

        Ora, é isto! Viver com intensidade e beleza a verdade. Todos podem alcançar isto.
Na cozinha, no caminho, no ofício que for. viver com intensidade, com fé, com verdade:
integridade.

       O homem brilha quando faz aquilo que acredita. Do que parece ser mais simples ao
mais difícil, tudo, o felicita. A Riqueza Vibra.

       Assim escrever. Assim Ser.

                           COMBATE À POBREZA
       A pobreza possui, além e anterior a um dado material, um componente fundamental
que é de ordem interior existencial. Mas como tudo que é exterior, é sujeita ao dado
relacional, cultural. O que digo é que em essência o homem é sábio, é rico, é universal. A
essência é o fragmento luminoso da existência. A consciência é quem deserta isto para A
Presença.

       Assim, botando os pés no chão, os dois, um homem centrado se sente realizado
tendo fé no que está a fazer. Simplificando: dê ao homem a condição de “estar elaborando
com suas próprias mãos”, assim o estará dignificando, despertando.

        Deixe de tenta-lo com tanta ilusão de realização, frutos dos quais poucos ou nem
todos, podem comer, obter. Deixe de empurra-lo ou trancafia-lo para/em condições nas
quais ele não sabe como bem sobreviver, quanto mais como idealmente vencer.

        Ser pobre, ter carências materiais básicas, já não é bom, e ser pobre espiritualmente
são as trevas em que vive o cidadão. O combate à pobreza tem seu fundamento no espírito,
ao qual chamo consciência criadora, e tem sua facilidade no caminho, de boa condição de
realização.

                           DEFICIENTES FÍSICOS
       Oh sentimento de compaixão, vinde a mim para falar de tão delicada situação.

       A primeira idéia que me ocorreu ao começar a escrever sobre este tema foi o
ensinamento Cristão “se um membro está a o perder, arranca-o”. Os espíritas revelam
condições Kármicas como explicativo aos nascidos com tais deficiências. Aliás, Karma não
só para os que possuem a deficiência, mas por vezes para os que deles cuidam. Estes, ainda
que sãos no físico, tem compromisso ético e amoroso a zelar. Mas para o Cristo quem
nasceu cego foi para a Glória de Deus, pois É Dele o Poder de Curar. Então levantem todos
aqueles que estiverem a lamentar. E tenham fé. Pois se já estão no Caminho da Libertação
(fé na Salvação), a Libertação Maior poderá os visitar (consciência da vida). Eu não vejo
limites nisto.

                     À POPULAÇÃO ALCOOLIZADA
        Metam o pé no freio pois está viciada. Bebem porque a situação é caótica e sem o
álcool seriam tragados a assistir a tristeza da alma. A verdade da música suave e doce não
os apetece porque a violentam e a desobedecem. Assim se embriagam para correr e viver
noutra realidade que não a da paz e da harmonia, da branda natureza que traz a ternura.

       Envenenam os motores de vossos carros pois precisam deste combustível para
acender: mas vão envelhecer, vão perder, vão adoecer pois os vossos corações tem trilhado
a dureza do ser, e atropelado muito a consciência da dor que está a acontecer.

       Bebem e comem carne como ignorantes ainda que grossos ou refinados. São
viciados e nem sabe por quê. Não conhecem porque precisam de tanto combustível em
vosso interior, o que estão administrando com este ardor, com este fogo, mas há muita dor.

        Assim buscam ignorar o que tem de administrar. Parem de beber e vejam quanta dor
circula em volta de vocês. É claro que estão ignorando desde situações particulares,
familiares, que poderiam ser resolvidas com mais paz, dedicação e amor, até relações
empregatícias, comerciais e mesmo sociais. Há um mundo em clamor. E vocês bebendo
para se alegrarem e escaparem da dor do desamor.

       Alguns ficam na histeria da alegria, outros concentrados no cultivo do controle de
seus estados, outros faustos em suas fantasias, outros taciturnos, outros ébrios apaixonados:
todos alienados.

       O teatro tá pegando fogo. Toma uma no enterro, no nascimento, no casamento. Em
casa toma para ver o futebol, para conversar à noite. Bate o ponto no bar ao sair do
trabalho. Vai beber no final de semana para espairecer. E bebe nas festas, shows, boates,
vernissages, jantares e em todos os demais lugares. Vive para beber, bebe para viver.

       Não é você quem determina isto não, são seus cobradores, dos quais você não tem
consciência, que lhe impõe esta condição. Só se tem “paz” com a ingestão. Com ela há
tranqüilidade e a mente desanuvia, termina o estresse. Os viciados inveterados revelam isto
somáticamente pelo Delirium Tremis (alucinação com tremor corporal quando há
abstinência), ou “batendfo pandeiro”, pois a mãozinha treme quando passa do tempo de
tomar “uma”.

       Meditação, oração, cura médica, alcançar através deste caminho a libertação. O
caminho deve guiar o irmão no sendeiro da realização que é sinônima de libertação de todo
e qualquer vício.
       O álcool está relacionado à um inconsciente coletivo globalizado (tem bares em
quase todo o mundo), que comumente não aceita algumas prerrogativas religiosas (não só
inerentes à questões da fé ou da moral, mas quanto às relações de poder).

       Então a religião tem de ser melhor que o bar. No bar se busca felicidade, amor,
descontração. A religião tem de oferecer isto melhor ainda, em consciência superior.
Curando das alienações e trazendo as mais diversas obras de verdadeiras felicitações.
Inclusive a cura das doenças dos irmãos.

       O bar que consiga este feliz estado é abençoado.

       Eu agradeço.

                 A TELEVISÃO COMO MEDITAÇÃO
       A televisão de minha casa tem uma ligação especial. Constatei isto em certa
ocasião. Falo da TV a cabo, TV por assinatura, que aluga a transmissão de canais além dos
normais gratuitos.

       O fato não está apenas na TV a cabo, mas no nome de quem ela está (mãe da minha
esposa). Ela nos cedeu o nome para o serviço por uma questão de mercado creditício, mas
somos nós quem o pagamos.

       Estava eu um dia atribulado, passando mal, a respiração ofegante, num forte
trabalho espiritual (corrente difícil por mim passando e me arrastando, me fazendo passar
mal). Tinham cortado o serviço da televisão, dado um atraso no pagamento. Eu a religara
nos canais normais. E lutava, passando mal e segurando para voltar ao equilíbrio normal.

       Minha esposa chega para o almoço, liga para a operadora, e pede a religação em
consideração (é cliente antiga, e paga normalmente em dia), até ao final do mês quando
poderá a conta quitar. O atendente, cujo nome é o do Arcanjo da Saúde, faz a religação. De
imediato minha respiração serena e saio da tribulação.

                A empresa em questão utiliza tecnologia de ponta (som, imagem, interrnet),
conta com mais de 8.000 funcionários, e me parece eficiente (me pareceu que seus
funcionários trabalham contentes, “vestem a camisa” da empresa). Além disto minha sogra
é católica e creio que também seja esta a magia que esteve em operação. A sintonia da
mente fez a troca da respiração. Lembro que é a mente a precursora da magia, e que a
respiração tem tudo a ver com a ligação mental.


        A televisão tem sido usada, por mim e minha esposa, como forma de meditação
noturna. Ao chegar do trabalho, de cabeça cheia, utilizamos a televisão para esvaziar.
Sentamos, e ficamos concentrados nas histórias que estão a passar. Dado um tempo a paz se
estabiliza em nosso lar.
               Eu agradeço.


CARTÓRIOS
         Instituições de fé pública negocial. Fazem parte de uma criação social. As cidades,
as sociedades complexas, de muita gente, contam com tais instituições como órgãos,
institutos legais, consagrados como depositários de uma verdade maior, da fé pública
oficial. Então fazem parte de uma organização oficial, de direito.

         Neles são depositados, são inscritos, documentos, registros de negócios, onde além
da assinatura dos celebrantes diretamente interessados, há o aval da autoridade
judicialmente consagrada para tal. Assim os documentos se constituem como de fé pública,
ao menos até que se provem ao contrário. O ato então é um caminho do direito público
oficial, sob os auspícios da organização estatal.

       Existem os mais diversos tipos de cartórios: de registros de imóveis, documentos,
nascimentos, casamentos e atos em geral (geralmente envolvendo um caráter negocial,
ainda que o negócio, por exemplo, seja uma associação que não envolva um bem material,
como o casamento sem comunhão de bens).

       O contato último que tive com tal instituição foi relativo a um Cartório de Protestos
de Títulos, onde por falta de pagamento tive um título (um cheque) protestado.

        Na sociedade há um sistema organizado de conhecimento público, onde ainda que
não haja um corolário direto com o sistema penal, ou seja, não haja sanção judicial em
termos de julgamentos com possíveis apenações (que acarretem pagamentos pecuniários,
obrigações sociais ou mesmo prisões corporais), servem a uma limitação creditícia em
termos de mercado, em termos de aptidão para negócios e mesmo para o exercícios de
direitos públicos (ter o “nome limpo” pode ser, por exemplo, condição para o ingresso em
cargos públicos, crédito ou cheques de bancos etc.).

        Mas ainda que os cartórios sejam representantes de um sistema legal oficial, não são
os únicos que servem para avalizar tal referencial. Existem os sistemas de mercado, os
“sistemas de proteção ao crédito”, normalmente usado pelos comerciantes na análise de
crédito aos postulantes de compra financiada, a prazo. Existe também um sistema oficial,
regulado pelo Estado, próprio dos bancos (SERASA). Neste, os registros são perdoados em
5 anos (após 5 anos o devedor é retirado do rol de não recomendados ao crédito e ao
negócio bancário).

        Mas minha última experiência cartorial merece ser descrita. No banco fui informado
que havia uma restritiva em meu sistema de crédito (fui informado sobre o valor e o
cartório onde estava registrado). Fui ao cartório e lá conheci do que se tratava. Eu já a havia
pago a dívida, mas tinha de “dar baixa” no registro. Para isto eu tinha de comprovar que
havia feito o pagamento. O caminho envolvia ou a declaração do credor da dívida (com um
tanto de burocracia, em vias e com cópia da constituição da firma) ou que eu apresentasse o
título protestado resgatado. Como eu tinha guardado o cheque resgatado (o cheque
protestado), lá o levei, e paguei o serviço para meu nome ser retirado.

        O cartório me deu o recibo e disse que meu nome seria retirado do Sistema On Line
(computadorizado) no dia seguinte. Mas isto não era a baixa do título protestado. Se algum
negócio me pedisse um “nada consta” em termos de registro de protestos, meu nome ainda
seria encontrado. Para dar baixa eu teria que ir no Cartório de Distribuição (dos títulos
protestados), mas o documento que eu teria que levar para tal só ficaria pronto no dia
seguinte. Teria que voltar lá para pega-lo.

        Daí já fiquei um pouco importunado com a burocracia. Solicitei à atendente que
tivessem uma fotocopiadora no local (ao menos para pequenos serviços), pois já tivera uma
vez de me ausentar para “xerocar” o título oficial que apresentara (e sendo o serviço pago
poderiam acrescentar poucos centavos e facilitar a vida do agora cliente, pois era quem
pagava o serviço para o seu nome não estar mais contando como pendente). E questionei o
fato do porquê o cartório de Distribuição não ser por eles diretamente informado da baixa,
já que eram diretamente ligados.

       Me senti alimentando um sistema oneroso burocrático. Mais tempo e empenho, pois
além de lá retornar para pegar nova declaração de pagamento (nova declaração para eles
mesmos, emanadas deles mesmos), teria de ir a um novo lugar, em outro local, e nova taxa
pagar.

       O que fazer? Obedecer por vezes é mais fácil do que reclamar ou brigar. Dei baixa.
Mas fiz constar verbalmente à atendente as minhas observações e aqui resolvi registrar.

       Conclusão: com tantos créditos que andam a ofertar (cartões de créditos,
empréstimos, andam sendo oferecidos em meio à rua, em supermercados, por telefone etc.),
e com tantas produtos e facilidades que andam a anunciar, se torna “relativamente fácil” ao
neófito se endividar, mas se não pagar, mais difícil e oneroso pode ser se limpar.

        Além do “nome sujo” na praça, no mercado, ao menos no início o valor do débito é
acrescido de multa e juros (perdão ou abatimentos da dívida geralmente levam tempo ou
requerem luta para os celebrar), e em se tratando de uma “economia estabilizada pouco
inflacionada, as multas e os juros são assaz pesadas, pois configuram percentuais de 5, 10
ou até + de 20% ao mês numa economia de base assalariada com índice de reajuste salarial
anual em média abaixo dos 10%. Ora, como se faz com um salário “estacionário” quando
se entra num circuito deste? Horas extras, outros trabalhos, não são tão facilmente
encontrados numa economia cujo índice de desemprego oficial se aproxime dos 20 %.
Arrolar a dívida com novos empréstimos é como jogar a bola de neve montanha abaixo,
onde caindo vai crescendo de volume.

        E se o caso entra no judicial novos custos e tempos são acrescidos. Além do custo
advocatício há o custo do processo judicial incluindo aqui o custo do sistema público oficial
(tribunais e fóruns em geral que entram no orçamento final, pagos pelo contribuinte,
cidadão nacional).
        Então o sistema financeiro tem de ser reordenado. As sanções de mercado não
devem penalizar os assalariados, os de baixo poder aquisitivo, tal como fazem com os
grandes especuladores do mercado, que repassam seus ônus para os consumidores de base.
Isto gera indignação, empobrecimento, aviltamento de uma população.

       Cobrar multa de centenas de reais por atraso na Declaração do Imposto de Renda de
um assalariado que não tem nada a pagar, ou de uma empresa que teve zero a declarar (no
ano ou no trimestre) é penalizar. Cobrar multas de trânsito, ou outras multas pecuniárias,
sem enxergar a classe social ao qual está a penalizar, é sentenciar enormemente os que
estão no limiar do mercado em sua porção mais elementar.

       Outro dado importante a se considerar é o custo do sistema financeiro. Muitas vezes
o que se paga muito é o serviço da dívida, principalmente quando para pequenos valores
representa grande percentual em relação à dívida real. O sujeito quando quita o débito
pagou até o dobro, ou mais, do bem ou serviço adquirido. Ou seja, quando isto está em
exacerbação significa que o caminho precisa de reorientação (o sistema financeiro trazendo
mais dificuldades, ônus, do que o benefício, facilidade, que deveria trazer ao cidadão).

        Claro que tudo isto tem haver com educação, com a cultura da população. Este
frenesi consumista, erótico mercadológico, é aliciador desta situação. E isto tem corolários
nos mais diversos ambientes da vida que batem à porta do sistema público como se fossem
inerente aos direitos fundamentais do cidadão. Assim todo mundo tem de ter “educação
científica” do mais alto nível, “saúde” com todos os recursos médicos disponíveis,
“segurança” com os maiores aparatos possíveis etc. etc. etc. Eu digo, estão na loucura do
mercado insaciável. Tais desejos só em Deus serão satisfeitos.

       Há pouco ouvi uma reportagem sobre a falência do setor de têxteis norte-americano.
Eram os principais do mundo, mas diante do baixo custo da mão-de-obra dos asiáticos não
teve mais como competir e o capital migrou. Agora os antes favorecidos, estabelecidos,
estão enfrentando sérias restrições. Dizem que são os problemas da globalização, mas mais
do que isto é um problema e equilíbrio de mercado e autosustentação.

       Tudo isto está na base do desejo satisfeito no caminho do prazer e frustração (A
Roda dos Desejos, vida e morte em constante revolução). Por isto medicina curativa
demais, sistema jurídico agigantado, educação não prática, segurança exacerbada, tudo isto,
e muito mais, é sinal de uma sociedade desequilibrada.

        A competição que cobiça é uma desgraça predatória que aniquila a consciência
fraterna do cidadão. Ela não é própria da paz, muito menos do amor que é comunhão. E
nem é sinônima de liberdade. Não falo da competição esportiva, espetáculo de arte em
consagração. Falo da selvageria inconsciente que anda assolando o coração de muita gente.
Ver o mercado e vislumbrar o seu espaço é outra questão.

       No fundo, ou em verdade, esta é a punição de uma sociedade que se tornou
desobediente. Tudo isto é criação divina, que tem de ser conhecida e respeitada, e só assim
será revelada como santificada. E libertada, alforriada, por ter reencontrado a estrada
abençoada.
        Não há nada fora de lugar, e o que há, como disse o Mestre (Jesus Cristo se
referindo à origem da cegueira) é para a Glória de Deus, pois será posto no lugar.

       Graças a Deus.

                          CIDADES – HABITAÇÕES
       A organização sociológica, vista a partir do desenho das cidades e de suas
habitações, foi fruto de investigações.

       É mais uma forma de se conhecer a sociedade, sua gente, através de sua expressão:
no caso dada pela forma da cidade e de suas habitações.

       Me chamou atenção os feudos antigos, onde havia a fortificação. Lembrei-me
também dos reinos, onde muralhas guardavam as cidades. E ainda dos Fortes-Apaches
(período de colonização norte-americana), usados pelos soldados para se protegerem dos
ataques dos índios.

        Isto tudo é uma realidade da época onde não havia cidadania nacional, mundial, ou
mesmo paz nas relações. Então governos, poderes, de vários tamanhos, se sustentavam pela
força, estando a defesa representada por suas fortificações.

        Hoje em dia a Segurança Nacional de um país não seguiu o caminho das Muralhas
da China, com 8.000 Km de extensão, mas realiza outra forma de proteção: sistemas de
informação móveis (aviões, patrulhas...), sutis (radares, sonares...), com as correspondentes
forças de repressão.

       Nos caminhos oficiais operam os fiscais e as polícias alfandegárias e migratórias.

        Agora, em termos de habitações individuais/familiares/condominiais, as
fortificações foram reificadas. Casas com portas, portões, fechaduras, muros, grades, cercas
elétricas, propriedades com arames farpados, cachorros bravos, sistemas de alarme, de
filmagem etc., é o quem sido praticado.

       A crise não tem estado tanto na relação internacional quanto na relação social local,
no caso do Brasil (crescimento populacional marginal sem equilíbrio ou condição de
autosustentação gerando um autocanibalismo social). Em outros locais do mundo isto não
se dá em termos locais mas sim em termos de disputas internacionais ou até do poder de
governar (política interna). Esta ausência de paz, de equilíbrio, de harmonia, é uma merda
de qualquer jeito.

        Tudo isto é uma questão de consciência. É a ignorância que a sustenta. É preciso
ouvir e solucionar logo tais violências. Como hoje a vida é cidadã, é via o Estado que deve
ser consertada. Este foi o ente criado, Governo, como intermediário para as ações
estruturais. No campo individual também é quem controla a educação regular e informação
das massas. Então este é o aparelho que deve acordar para operar. E já. A consciência
popular (intelectual, religiosa, política, filosófica e artística) deve usar deste seu “corpo
organizado” para atuar. Já! E cada um fazer a sua parte: com humildade, paz, luz, amor e
harmonia. Mas note que tudo isto tem fundamento no ser, no indivíduo, pois este é a pedra
fundamental da criação (cada realidade existe a partir do “olhar” de cada um) e um
componente da Grande Construção.

       Eu agradeço.

                           ECONOMIA E JUSTIÇA
        Ontem ouvi falar, no jornal da televisão, que foi feita a compra de uma empresa
estatal por 5 bilhões, e que só no primeiro ano após a venda já havia rendido 9 bilhões.

        A procuradoria estava a investigar se houvera corrupção. O que ocorreu com uma
empresa, outrora do Estado, que apenas em um ano, rendeu 80% a mais do valor que fora
vendida? Era mal administrada? Foi negociata de político para enriquecer a si e aos seus
interesses? Como pública não podia ser otimizada, mas como privada outra política pode
ser acionada? Ou teve alguma novidade não computada?

       O mais importante em termos de sabedoria é o que está sendo ensinado com o
exemplo. O mercado neste sentido é como a vida em movimento de justiça (o equilíbrio de
mercado pode simular o afinar do violão: se apertar demais as cordas estouram, se deixar
frouxas não tocam).

       Mas após todo este relativismo, a mensagem que deixo clara é que o legalismo
oportunista apenas dá satisfação à justiça humana, peremptória, provisória, quando dá. Ou
seja, não adianta um corrupto, oportunista, andar conforme as leis menores, humanas,
estando à ética divina a faltar. E nem uma casa dividida por forças contrárias ignorar a
importância da unidade para bem navegar (imagine um “barco democrático” sem consenso,
cada um “remando” para um lado: a navegação pode ficar circular e ao objetivo faltar).

        Como saber sobre isto? Basta consultar seu coração. Veja em que bases foram
postas suas intenções ao negociar, qual o verdadeiro projeto que está a empunhar, abra sua
“agenda oculta”, interior, e se ponha a examinar (“Os Olhos de Deus Estão Por Todo
Lugar” significa que não se foge da Consciência, Eterna Companheira. O Pai, ainda que
silencioso, paciente e auspicioso, Sempre Sabe de Tudo). Então a sinceridade e a franqueza
próprias permitem o bom enxergar

       O verdadeiro tesouro que estás a cultivar você certamente descobrirá. Quem cultiva
o imperecível cultiva a si mesmo, cultiva o único tesouro que se pode carregar, a única
verdade de felicidade que se pode almejar. Este tesouro da consciência é realizador dos teus
sonhos do amor.

       É verdade que se dois estão num mesmo patamar do amor/dor em relação à postura
de seu ser, quem tem um maior conforto material sofre menos porque o circunstancial
exterior lhe é mais agradável. Mas não se iludam, se um tem mais amor, o aproveitamento
do que externamente tem menor conforto supera em valor, porque é vivido com um pouco
mais de graça e esplendor. Toda a natureza muda com isto. Tudo se torna mais especial: o
caminho, os amigos, a família, o cachorro, o que se põe à mesa, as árvores, os passarinhos,
a conversa, enfim até o pão ou a cachaça mudam o brilho e o valor. E isto você carrega por
onde for, é teu nos mais diversos mundos.

        A voz de Deus se instala na natureza. Dizem que no Julgamento, no Dia do Juízo
Final, o homem toma conhecimento de sua vida (a balança da justiça). Eu digo que este
livro está aberto desde já. Ao subir um degrau da consciência o homem se depara com suas
atitudes, ligações (“pecados”) e motivações, isto desde as obras materiais até os sutis
julgamentos existenciais (da oerdem do pensamento). Cada um de acordo com sua
evolução, elevação, e há desde a misericórdia que oculta tanta desgraça pois não
suportariam, até aquela onde a verdade leva o sujeito à resignação e reparação de seus erros
com gratidão (isto sem falar nas loucuras no qual o homem que não suporta mergulha).

        Isto deve ser visto como algo racional, menos místico. O homem estava ligado à
uma teia de relações, àquilo que ele acreditava, concordava, alimentava, apontava como
caminho, se associara. Estas ligações têm lugar na consciência como história de vida (o
livro escrito pela própria vida). Quando o sujeito é ascensionado há um balanço para se
deixar tudo certo, equilibrado. Se houver, as pendengas podem ser resolvidas na oração, na
sua continuação, na ação com terceiros, ou diretamente na vida e com os atores que
envolviam a questão. É a condição de cada um, é a verdade da vida, quem decide esta
situação.

        Um pouco isto pode ser comparado com a prova que afere o aprendizado. Há os que
recebem este aprendizado de forma clara e precisa no “banco da escola”, outros tem de o
viver para aprender. Claro que isto varia de acordo com a maturidade de cada ser. Por isto
espíritas falam de encarnações, vidas, no evoluir (a escola das reencarnações, onde cada
Karma corresponde à uma lição que deve ser aprendida, vencida, até a diplomação final:
acabou o Karma, as dívidas, as lições que tem de ser aprendidas). Fica a Vida.

       São várias as condições. Coletivas e individuais. Há o galardão coletivo da
aprovação (aqueles que foram aprovados porque obtiveram média superior) e o galardão
individual (o melhor da turma).

      Este é um processo de aprendizado e purificação. Há locais onde não se admite a
menor poluição, nem dúvida nem a mínima escuridão. Nada se oculta, tudo é revelado.

       Quem está impuro não suporta estas dimensões por carregar muitas dores em seu
coração. O peso (“a gravidade”) o atrai até resolver a situação. Este é o princípio que leva à
reencarnação, este é o princípio que leva à purificação.

       Claro que isto é um atributo de vida, mas creiam que há amigos e há felicitação
(ainda que seja algo de essência individual, é existencial, e nisto está A Criação). Tanto na
resolução dos problemas como no fluir da vida pode haver plena realização (o indivíduo
que quita a prestação de uma compra a prazo está em dia com “o mercado”).
       Então a vida é um contínuo. Esta questão da purificação não pode ser vista com a
soberba que leva ao apartheid, ao medo da contaminação. Isto traria mais dor ao irmão.
Deve ser observada sobretudo diante do coração, grande galardão da comunhão com Deus,
e Caminho verdadeiro da purificação ( a consciência não se contamina com a sujeira da
aparência quando o motivo do coração é verdadeiro, ela prevalecerá e o absolverá). A
consciência não ignora nem os motivos, objetivos, nem as condições de realização.

       Simplificando a questão, se você anda de bom coração semeia esta relação. Então
imagine que sua “sentença” continuará a ser de comunhão. A consciência é fundamental: é
ela quem discerne em verdade que você botou fogo no feijão para comer, não foi para
invalidar a semente de brotar e crescer).

       Só Deus liberta, só Deus salva, significa que só Ele tem a graça de o libertar para
sempre das armadilhas da vida. Falo isto para aqueles que já adquiriram consciência ética
de sua existência e querem deixar de serem tentados, provados, sujeitos a erros como
cordeiros aos quais os lobos espreitam. Estes, nos seus momentos de sublime amor,
entregam suas almas a Deus, A Jesus Cristo Redentor, para que os resgatem, os salvem, da
vida do desamor (do pecado sentenciador). Então consciência.

       Os que não contam com um Mestre Redentor, não tem um Amigo no Mundo
Superior, batalham seu caminho próprio. Não são condenados por isto. São filhos de Deus.
A questão é apenas de condição: no mundo de hoje ninguém, pode negar ter ouvido falar
num Mestre Redentor, num Caminho Iluminador. Se não esteve na condição de escutar, se
seu coração não se abriu para amar, é a condição de vida na qual está a cultivar, e assim vai
viver em um meio relativo à esta realidade de sua fé na criação.

      Amigos é bom se cultivar em todo e qualquer lugar. Cultivar amigos é cultivar o
amor em Sua Criação.

       Sede simples. Estou convosco na Libertação. Testemunhei as dificuldades da vida
numa existência onde havia discórdia e confusão.

       A consciência do corpo, da alma, do espírito, da harmonia em diversos níveis de
realidade, é tema que venho dissertando comumente. Economia Justa tem a ver com isto.

       Eu agradeço.

                           ETNOMUSICOLOGIA II
       Através da música é possível se conhecer o universo cultural ao qual o estilo
musical referencia. E isto lhe dá a identidade. É assim que se caracteriza como étnica
determinados estilos musicais.

       Trocando em miúdos, os valores de vida, o arcabouço da criação, a criação não só
em termos da referência direta à natureza, mas também quanto aos valores com os quais se
lida com a natureza, inclusive humana, isto nos revela a etnomusicologia (e música é uma
expressão artística).

        A etnomusicologia vem a desvendar, expor, admirar, compreender, numa linguagem
racional e poética, artísitica e é claro, musical, o que por vezes é apenas sentido mas não
inteligido. Ou seja, ela serve à uma ampliação da consciência.

        Há doutrina num estilo étnico, e se este termo for um pouco “forte”, digo que há um
“caminho” que é inerente ao estilo. Com uma sonoridade especial a música étnica vem a
dar respostas, até comportamentais, sobre a vida, o viver. E vem representando a vida, com
seu olhar sobre fatos e coisas. Assim pode-se dizer que a música é como um encanto, ou
seja, é uma concepção de realidade. (com ritmo, melodia, afinação etc.)

       Diversos estilos podem ser definidos como étnicos, ainda que não sejam referentes a
grupos isolados. Basta ele ter uma identidade musical, que reúne as pessoas em torno
daquele ideal, daquele referencial, daquele sentimento que a música expressa.

        Não digo que o estilo romântico possa ser chamado de étnico porque é abordado por
muitos grupos étnicos menores, então romance seria uma categoria maior. E dentro do
estilo romântico há o estilo devocional, e dentro do estilo devocional há os universos
específicos de representação (referentes à cada religião, à fé de um povo), isto é étnico.

        Então a etnomusicologia é como uma Lente identificadora, decodificadora, de uma
cultura representada pela música.

       Os horizontes da existência, e a vida, são representados na música (são cantados,
tocados). Assim a verdade de cada realidade.

        EU AMO O CARNAVAL, A CULTURA POPULAR
        Porque tem a força da realização, da fé, da entrega, da devoção. A cultura popular
traz a paixão, a identidade do coração. Isto é fundamental meu irmão!

        Sangue vivo corre nas veias de quem celebra com entrega: canta, dança, se expressa.
Com isto dedicação, suor, muito amor no coração. Tem planejamento, tem espera, tem
muito sonho de realização. É como um namoro que enseja o casamento, um casamento que
se repete a cada comunhão, manifestação.

       É comum brilhar nesta ocasião. Porque tem verdade. A radicalidade da paixão
encontra sua expressão no mais alto nível de realização, que é o gozo, a apoteose da
manifestação.

       O Samba Enredo tem a Mensagem da Agremiação. Este samba é cantado, dançado,
tocado, e apresentado para todo o mundo, em franca comoção, amor, realização. Esta é a
expressão da cultura popular. Celebrar aquilo que ama e admira de verdade. Assim uma
Escola Brilha, um povo se encanta, e samba.
         E tem cultura popular nas mais diversas gradações e ocasiões, repletas de sabedoria.
Tem o sambinha do bar, com aquela cervejinha e a conversa “afiadinha”. A cada momento
uma nova canção, uma nova mensagem, que fala ao ouvido, à consciência, ao coração. E é
algo cuja meditação (apreciação da manifestação) é feito com liberdade de expressão, ou
seja, literalmente com “samba no pé”, jogo de cintura, molejo, ginga, e muita inspiração.
Assim é poesia de expressão.

      Note que nisto, nesta arte de expressão da cultura popular, há todo um encanto que
vem da motivação do que há de mais primoroso, gostoso e até jocoso no sentido do bom
humor da brincadeira em celebração. São todos irmãos.

       Ora, é a Moda de Viola, o Bumba meu Boi, o Samba de Roda. No chorinho há uma
prosa saudosa, na Seresta uma Cantoria Clamorosa, na Capoeira uma dança “gingosa”.

       Neste sentido eu respeito e admiro as mais diversas artes. Lembrei de uma Boate
Gay, onde certa vez organizei uma festa. Num Cartaz Underground, produzi um travesti,
que era Doubleé de uma cantora famosa (norte-americana), segurando sua piroca na mão,
que tinha mais de um palmo de extensão. Ali eu enxerguei extravasamento do coração
(como quem dá vazão `a criancices de um mundo bizarro que pode ser visto como natural e
simbólico).

        A Cultura Popular tem sabedoria na mais diversa expressão. Tem beleza, tem arte,
tem a cura do coração. As Quebradeiras de Côco, que entoam cânticos durante o ofício da
mão. O Cordel, que rima rica de expressão. O Repente, a Embolada, a inteligência, a
técnica, a arte em expiração.

       O Rock, o Rap, o Funk, o Axé, quanta energia, quanta vibração.

        São todas expressões do coração onde o corpo está presente em franca admiração, e
participação.

       O Corpo Nu, a exibição, a quebra de regras num momento de exceção, o rito de
passagem, o teatro da vida em ação. A fantasia se torna realidade nesta ocasião. O mundo
dos sonhos, da arte, vem em felicitação.

       Eu agradeço.

                    EU AMO OS DECOMPOSITORES
       Eles são purificadores. São agentes transformadores.

       A natureza é sábia em sua harmonia. Ela celebra o equilíbrio. Por isto o amor.

       Na matéria há a reciclagem da vida, a consciência caminha por onde for.
       Eu agradeço.

                FORÇA ARMADA NA RETAGUARDA
       Li ontem um trecho de um gibi onde um líder armeiro (criador e fabricante de
armas) critica seus parceiros. Os mesmos estavam a engabelar o governo encarecendo as
armas a custas de adereços. Não pesquisavam e não criavam (logo seriam ultrapassados
tornando-se até obsoletos). Este líder armeiro o fazia, mas em vez de servir de exemplo,
era invejado pelos outros que queriam rouba-lo e mata-lo.

        Tolos! Disse o líder armeiro. “Nestes tempos de paz os homens se acomodaram e se
dedicam às luxúrias, mas logo virá os lobos, que já sei que estão a espreitar, e os pegará.
Acordem enquanto há tempo de se salvaguardar.” Não foram estas as exatas palavras, mas
foi esta a mensagem.

       Lembrei logo da prudência. O líder armeiro revelava quanto à ineficiência das
armas antigas. Novas deveriam ser criadas para fazer frente e até evitar ataques (a força
consciente gera respeito e propicia o amor).

       Mesmo em tempos de paz é sábio guardar a Força de Segurança. Um mal epidêmico
(uma doença) só é considerado como erradicado, e assim desfeito o aparato que o combatia,
quando passado, no mundo, 05 anos sem incidência. Isto é prudência. Tudo de acordo com
a consciência.

       Então forças de paz, forças de defesa, devem ser consideradas com verdade e
sabedoria.

       Eu agradeço.

                      GREVE COMO SACRO OFÍCIO
        Uma greve para ser exercida como sacro ofício deve ser nobre. Deve no altruísmo
caminhar. Não se priva um setor da economia de sua sustentação, um governo do fluxo de
sua economia, sem este galardão, ainda mais quando se quer seriedade e justiça, quando
esta é a reivindicação.

       Greve bagunça, férias coletivas, cheira a descaso e abuso de poder, assim
reproduzindo o comportamento ao qual criticam.

       Eu agradeço.

                   MEIO AMBIENTE E SEGURANÇA
        Há sabedoria nisto. Principalmente quando se vive numa sociedade de interesses
conflitantes. Assim desde testemunhas de crimes como autoridades devem ser protegidas.
        Quanto menos o sujeito tem, menos ele desperta interesse e ambição. Quanto mais
ele tem maior deve ser sua proteção. A dinâmica da vida sem apego pode levar a uma
renúncia quase que constante dentre um meio de muitas relações conflitantes. A simples
defesa de um caminho pode sofrer num meio de intenções e sentimentos difusos (cobranças
e dívidas diversas que amarram as pessoas). Isto é o que explica o assassinato de santos. A
justiça quando defende um inocente pode, ao menos provisoriamente, ficar sujeita ao ódio
do delinqüente inconsciente: a justiça prevalece por que mais forte é.

        Na Missão, na Obra de Compaixão, a “morte” pode ser do Caminho Divino. A
vitória com vida idem. A compreensão que fala: “A cidade que não os receberem, dela nem
o pó das sandálias carreguem.” também.

       Então não se iludam, há condições para o exercício do poder.

       O indivíduo comanda muitos empregados, cumpre sua missão. Se não houvesse
poder que o garantisse sucumbiria na primeira rebelião. Dependendo do meio em questão,
da cultura, a simples ameaça de advertência, suspensão, já basta. Noutros, é o temor da
demissão quem regula. Mais grave ainda se chega no campo da justiça penal. E houve
tempo em que a autoridade era sobre a vida física (não obedeceu, morreu).

        Quanto mais pacífica for uma sociedade, mais suaves são os seus caminhos de
justiça. No Brasil práticas mais extremadas não têm sido operadas em termos do poder
político. A repressão tem mantido a criminalidade homicida estancada em ambientes
marginais ou excepcionais. Mas no mundo há todo um stress quanto à isto: por guerras,
guerrilhas, atentados políticos e terrorismo.

       Assim, a benção de Deus é essencial e fundamental, pois é A Maior Segurança. O
homem de fé, desapegado, não precisa de segurança, e nem quer abrir esta porta do temor
em relação à sua vida.

        Mas quem tem poder institucional e defende interesses de muitos, principalmente
quando há identidades corporativas em conflito, não faz mal que tenha precaução, proteção,
sabendo que está num mundo em que há ilusão. Ou seja, opera numa criação doentia sob a
qual a humanidade tem sido presa e sacrificada.

       O caminho quem sempre considertei como ideal é aquele no qual o cidadão possa se
desenvolver na paz, na luz, no amor, sem precisar recorrer a aparatos especiais de
segurança. Isto há na Luz Espiritual.

       A segurança infalível e essencial é a Divina: é a mais forte, livre de falhas e é a que
acolhe na Vida Espiritual.

       Eu agradeço.

              O GOVERNO DEVE GUIAR O MERCADO
       O Governo como Consciência. Haverá o dia em que o mercado será plenamente
sábio, mas por enquanto deverá ser guiado. Isto porque é constatável que numa sociedade
gananciosa os homens afluem em louco afã às fontes de riqueza. Onde a cultura da honra e
do respeito, muito menos a do amor, não atingiu alto nível de consideração, não se pode
esperar que o mercado tenha boa regulação, ele se comporta como selvagem em seu mal
aspecto, viciado.

       Então é o que já falei e repisei, sobre adensamentos urbanos: é uma solução muito
antinatural para um país continental. Grandes áreas disponíveis para expansão trazem
grande facilitação, principalmente em se tratando de ter uma população massiva
“afavelada”.

        Escutei há pouco que querem aumentar o “gabarito de construção” (nº de andares
possíveis para um prédio local) de uma cidade. Isto para o empreendedor imobiliário
costuma ser ótimo, pois num menor espaço físico ele pode construir um maior número de
imóveis, e com isto aumentar a lucratividade. Para o consumidor imediato há o ganho de
um local privilegiado e a segurança coletiva de um condomínio. Mas a longo prazo isto não
é bom pois é dependente de todo um sistema artificial de sustentação. Assim para os
serviços que usufrui, assim para a vida. É a sociedade dos frutos do supermercado: leite em
saco, frutas nos plásticos etc.

       Plano de Desenvolvimento, consciente, para os Grandes Centros Urbanos
Nacionais. Chega de periferização, anéis de pobreza e calamidade; chega de ocupações de
grandes riscos ecológicos e notáveis esforços para adaptação (ocupação de morros e locais
inadequados em que há deslizamentos ou cheias de rios, e onde o transporte e o
abastecimento tem custo exorbitado). Olhe a Segurança e a Saúde: criminalidade e
insanidade abundam nestes locais e transbordam quando podem. Isto deve cessar.

       Por isto Inteligência Nacional, olhos aos cegos de uma Visão Estrutural, Visão de
Futuro, Fartura, Ecologia, Bem-Aventurança. Paz.

       Zoneamento Econômico Ecológico integrado: Global, Continental, Nacional,
Estadual, Municipal (não falo regional pois não existe governo, sistema político-
administrativo, nesta esfera territorial, apenas Ações e Companhias Federais de
Desenvolvimento que devem estar integrando-os).

        Habitação, trabalho, autosustentação (desenvolvimento sustentável). Núcleos mais
equilibrados, em harmonia com a natureza.

        A administração do grito, do tipo bombeiro, que apaga o fogo, também não pode
ficar viciada (falo isto porque tais posturas passaram do ponto de serem naturais e se
tornaram processos de poder maquiavélicos operados por políticos que se aproveitam da
pobreza humana). Isto foi verdade. Chega. É hora da inteligência assumir, guiar, disciplinar
para o Bem Coletivo a curto, médio e longo prazo, como numa equação que trabalha com
estas três variáveis em sua consideração. Na vida há isso. O ontem, o hoje e o amanhã,
todos em consideração, formando o Presente da Solução.
        O Governo deve ser Do Sábio que compreende o micro e o macro eos conduz à
harmonia. Mesmo que algo não seja apetitoso ao mercado, pode o ser para o Governo, que
não visa lucratividade econômica (ganância financeira) mas sobretudo bem estar social.
Assim Desenvolvimento Estratégico, Pesquisa e Programas de Desenvolvimento Humano,
Bem Estar do Mundo e da Nação, são áreas de prioridade onde O Estado deve encontrar a
sua principal função.

       Este é o Papel Regulador e Orientador do Governo.

       Eu agradeço.

                         O MUNDO DAS DROGAS
       Nasce, como Cristo revelou, no coração do homem. Assim é que com pouca
consciência o homem se entorpece, empobrece e até morre.

       Em verdade vos digo que quem contata o caminho, da nobre verdade do caminho
budista da ação, palavra e pensamento corretos (intenção correta, verdadeira, do fundo da
alma), sabe que qualquer alimento pode ser droga nociva à comunhão, alimentação.

       Isto não quer dizer que não hajam drogas mais nocivas do que outras, e que algumas
sujeitem à condenação. Há muita diferenciação, e há a verdade de cada condição (natural,
pessoal e social em interação).

       Mas o que quero vos dizer é que a droga costuma ser menor que o vício. O vício
traz uma certa acomodação à questão. É uma forma de se equilibrar diante da situação.
Surgiu o desejo e a satisfação vem como forma do usuário atender à solicitação.

        Teve fome comeu, teve sede bebeu, isto é natural, faz parte da vida normal,
ninguém o poderá julgar ou condenar a se alimentar de Luz. Mas isto é desejável em tudo
que realizares pois esta é a consciência correta da divina manifestação da perfeição. Tudo
claro, limpo, ainda que aparentemente seja tão complexa a situação. Assim opera a
verdadeira saúde, que faz as trocas com gratidão e o mantém fluindo com exatidão.

       Mens Sana In Corpore Sano diz uma antiga manifestação. Quem fuma com
perfeição não tem dor de cabeça não. Quem bebe idem.

       Mas os que não estão nesta condição tem de tomar cuidado e ter a devida atenção.
Para não serem tragados ou mesmo fragilizados em posterior situação.

       Uma droga puxa outra, isto é caminho natural, passível de “contaminação” (são os
elos da corrente). Quem mexe com drogas proibidas, legitimamente e legalmente, é médico
curador. Quem mexe com drogas lícitas é alimentador (também dessedentador).

       Então drogas de comunhão são agentes que se integram ao físico com alguma
intenção. Esteja consciente disto. Esteja consciente dos ambientes com os quais estará em
interação. Tenha a moderação como forma de bem viver todas as situações. Com
intensidade, verdade e integralidade (sem sugestão, dominação).

        Assim como o homem se acostuma ao som da cidade, ao ar dos canos de descarga,
ele se adapta ao mundo das drogas, mas ele é designativo de uma outra realidade. Saiba
reconhece-la, tenha discernimento, tenha a ciência de cada alimento.

       E use-os na Obra Divina do Bom Andamento. Deus lhe proverá o devido
discernimento e acompanhamento.

        Quando Jesus enviou seus discípulos em missão recomendou: na casa em que
entrares para se hospedar coma o que tem puserem à mesa (o preceito não foi relativo ao
tipo de alimento, mas a honrar o que os anfitriões estiverem a ofertar).

       Quem usa com consciência não se torna dependente nem viciado, nem sequer fica
acostumado, ele o faz com a consciência do que tem de ser tratado.

        Isto representa que não há domínio do corpo sobre a consciência. É a consciência no
uso de sua razão, que contempla o coração, quem faz a devida utilização para o devido bem
estar e integração.

        Não há intoxicação, Há caminho e realização. Assim se come e se bebe, se cheira e
se traga, sem perigo de contaminação.

       Eu agradeço.

                         PASSEATA E PROCISSÃO
        Duas formas de clamor popular. A passeata geralmente caracterizada pelo protesto
ou reivindicação. A procissão pelo sacrifício ou gratidão.

       A procissão quase caiu em desuso em se tratando dos grandes centros urbanos. Ela é
mais comum nos interiores ou periferias onde ainda é forte esta tradição.

       A passeata, por sua vez tem lugar preferencial nos grandes centros urbanos, sendo
rara nos interiores. Com a tecnologia a passeata também é feita como carreata, ao som do
buzinaço.

       A passeata se dirige ao governo político, às autoridades humanas.

       A procissão à Deus, ainda que algum Santo seja intercessor.

       Eu agradeço.

                            PESQUISA APLICADA
        Note que o país ainda não é um celeiro de inventos. Proporcionar isto é dar vazão à
criatividade. E criatividade à serviço de uma coletividade, à serviço da facilitação do
trabalho, do conforto, da abundância, da Qualidade de Vida.

       Falo isto “de cadeira” pois passei por 2 universidades de engenharia e testemunho
que a pesquisa aplicada não tinha grande incentivo. Os laboratórios andavam meio
obsoletos, antiquados, e seus usos eram principalmente devotados ao demonstrar didático,
uma constatação de determinados fenômenos, comportamentos, orientados para o
conhecimento do alunato. A maioria das máquinas antigas e importadas.

        Assim seguia-se um frio e disciplinado curso do conhecimento teórico não aplicado.
A parte prática vinha no Projeto Final, depois de cerca de 04 anos ao qual o aluno foi
adestrado para o estudo bibliográfico, principalmente. Falo isto como quem conheceu a
motivação de um Aluno de Engenharia ao entrar na Universidade, o afã de querer realizar
na prática o seu objeto de estudo teórico, e como isto é abrandado e encaminhado para um
curso até burocrático, relativo ao estudar e até ao trabalhar futuro (no tocante à um emprego
administrativo, não inventivo). Assim, o mote da engenharia fica subsumido por um “rolo
compressor” não inventivo, não criativo.

       Isto deve mudar já! A vida facilita muito com a engenharia. Desde os serviços
domésticos até os das oficinas ou indústrias, tudo recebe facilitação com a inteligência
aplicada. E todos agradecem. Claro que isto deve observar a ambiência, ou seja, obedecer
ao equilíbrio ecológico para que tenha absoluta pertinência.

     O que disse quanto à engenharia bem serve para os demais cursos, inclusive
humano-sociais.

       Eu agradeço.

                             PODER LEGISLATIVO
       Poder que elabora leis. Leis constitucionais, leis ordinárias, leis federais, estaduais,
municipais. Leis em relação ao âmbito ao qual o poder está afeto, ao espectro de sua
representação.

       Idealmente o que se espera de seus representantes, que são eleitos diretamente pelo
povo num regime democrático, é que sejam cidadãos que tenham ampla visão humano-
sociológica. Sábios seres que regularão, através das leis, as relações humanas e sociais, de
forma que se possa ter equilíbrio, saúde. Harmonia, paz, justiça, desenvolvimento cônscio e
auto-sustentável são algumas das qualidades daquilo que se espera como resultado de suas
ações.

       Assim a inteligência legislativa deve operar. Deve discernir, em visão geral, a
necessidade dos que estão sob sua representação, e orientar os caminhos, tendo também em
vista o ambiente externo (se for um legislativo nacional deve levar em consideração o
mundial).
        Assim teremos uma casa de ilustres doutos, sábios, que guiarão, que conduzirão,
através das leis, os cidadãos sob sua representação. Este é o ideal.

        Agora vou falar o que ocorre em termos práticos no Brasil, onde o sistema
legislativo é bicameral (câmara e senado), e o presidente (Poder Executivo) legisla
temporariamente por decretos leis até que estes sejam aprovados ou rechaçados pelo Poder
Legislativo. Esta é a prática operacional em linhas gerais (há vários detalhes).

        Tanto o Poder Legislativo quanto o Executivo são eleitos por voto direto popular. O
Poder Judiciário fica noutra seara, pois a maioria de seus cargos é preenchida por concurso
específico de conhecimento, no ingresso inicial, e uma minoria, ainda que de importância
política, eleita por pares (Membros do Poder Jurídico) e autoridades ligadas ao saber
jurídico ou político.

        O judiciário julga conforme o caminho, as leis, que o legislativo elabora. Então o
judiciário é um operativo técnico das leis que o legislativo elabora. Mas note que o
executivo é um tanto legislativo, porque decreta e propõe leis, então ainda que não tenha
esta função direta, acaba sendo muito ativo nela, tanto mais quanto se faça necessário, dada
a necessidade de regulações imediatas (vede que este tempo vai de acordo com a dinâmica
e a estabilidade).

        O legislativo é constituído por cerca de 600 membros votantes, num movimento de
requer a interação de dois setores (deputados e senadores), e sua base eleitoral provém do
pluripartidarismo, ou seja, de várias ideologias. Então há todo um ritual de discussão de
cada matéria, elaboração dos termos das leis e as conseguintes aprovações até se chegar à
final promulgação. Isto pode levar um bom tempo e neste interregno, se for oportuno, o
executivo legisla, decreta.

       A existência de muitas leis requer muito conhecimento jurídico. Com isto o Poder
Jurídico ganha notoriedade pois são especialistas que as conhecem nos pormenores, em
suas imbricações, pois são a isso que se dedicam.

        Na prática o legislativo funciona, um tanto quanto, também como executivo, não
diretamente (não é sua função legal), mas por influência do poder político (arranjo dos
interesses). Os políticos eleitos para legislar são diretamente ligados aos políticos eleitos
para executar, ambos devem pertencer a um partido político (que pode ser o mesmo ou
estar aliançado ou ainda ficar sujeito a compartilhar poder em função de algum bem
comum). Então as campanhas, executivo-legislativo, são casadas numa campanha por
partido ou coligação política (quando os partidos se unem em composição).

        Mas o fato que quero aqui salientar, que foi a base que motivou este texto, é de
assinalar que muitos legisladores têm sido eleitos na prática por defenderem interesses
corporativos. São lideranças de determinadas categorias, que se tornaram emergentes no
cenário nacional ou local, e com isto conquistaram o poder. O vício disto é não terem ou
defenderem o interesse geral, mas o particular de sua base eleitoral. Assim a harmonia de
uma Casa Geral fica sujeita ao conflito de interesses de categorias em especial. Há uma
relação de forças que precisa ser harmonizada, e o conflito de interesses, a competição, leva
a dissabores e desgastes fundados em egoísmos particulares.

        Chamo um legislativo-executivo quando se vê abertamente um membro do
legislativo falar das conquistas em termos de obras que trouxe para sua base (rodovias,
hospitais, créditos locais). O jogo de interesses se dá em relação à interesses locais (a
eleição de deputados e senadores tem bases estaduais (cada estado elege um número
determinado de senadores e deputados), e neste setor contamos com vinte e sete estados,
mas também se dá em relação à outros interesses corporativos: representantes do
sindicalismo, do movimento de gênero, racial etc. e tal. Então as forças vivas de uma
sociedade ficam em baila.

        Se houve maturidade na eleição o fato é bom. Elegeram um cidadão de expressão
“local” com visão humano-sociológica geral, um cidadão preparado para ajudar a parte, que
se expressou, com preparo para a regulação do todo. Mas se o sentimento é bairrista,
egoísta, a educação se dará no próprio exercício legislativo, no contraste com as demais
forças vivas.

        Quando isto encontra harmonia é ótimo, gera crescimento, ainda que tenha
despendido tempo e energia para a regulação (ensaios para acertarem os passos). Mas se a
falsa harmonia se dá por acordos expúreos de interesses ocultos ou particulares, ora ali ora
acolá, ou ainda por defesas de ações ou legislações imediatistas populistas
(maquiavélicamente age o sujeito político pelo interesse de sua próxima reeleição, ou dos
seus interesses egoístas em geral, e não de uma prosperidade real), o cenário é conflitivo e
prejudicial.

        Jogo de forças, relações de poder, é o que se assiste numa competição, onde há
disputa, conflito de interesses. Isto só tem uma solução: a maturidade , a sabedoria, a
faculdade de se ouvir com harmonia e justiça e se colocar no devido papel de um
parlamentar (ainda que tenha sido eleito por uma parte, como parlamentar legisla para o
todo, e com esta consciência deve se comportar e operar).

        Estas coisas podem ser muito pragmáticas. Um parlamentar maduro pode não
agradar sua base eleitoral que tenha interesses egoístas, pode perder financiamento se não
defender os interesses daqueles que patrocinaram com dinheiro sua campanha. A base do
político altruísta e defensor dos interesses gerais deve ser como tal, madura e evoluída.
Então vejam que o cenário democrático caminha de acordo com a base eleitoral, com sua
maturidade política.

        E quanto mais o legislativo regular o executivo mais leis vai criar: para regular,
controlar, criar, e até exercer o poder de governar. Assim o Bom Senso executivo cede
lugar para muitas leis que o estão a regular. E cresce o papel do jurídico que fica tudo a ter
que avaliar e avalizar de modo que o político não venha a naufragar por desobediência às
muitas leis que o está a regular. Nisto emerge o Poder Jurídico pela sua capacidade de as
leis interpretar (Enquadra-las no “tempo, espaço, situação”. O correto julgamento acaba
sendo um espaço que beira o político.).
         Bom, finalizando:

         . Se as leis forem boas criou-se um estado técnico-burocrático, todo regulado, mas
justo;

         . Se as leis forem más, criou-se um estado amarrado, travado e injusto;

       . O ideal nunca foi muita lei para viver, mas bom senso ecológico do proceder.
Muita lei serve à burocracia, é um caminho de regulação, educação.

       . As más leis, inadequadas, hão de mudar, pois o povo não as há de suportar. As
boas leis serão obedecidas até perderem o sentido (a sociedade mudou e a base que
originou a lei também, então elas caducam). As leis que sobreviverem não serão sentidas
por uma sociedade amadurecida (são como as leis naturais que depois de aprendidas não
são nem pensadas para serem cumpridas: cuidado natural com os elementos da vida).

         Eu agradeço.

                   POLARIZAÇÃO E GLOBALIZAÇÃO
      Há poucas décadas o mundo estava separado por blocos, capitalista/socialista, onde
imperava uma chamada “guerra fria”. Isto passou, acabou.

         Observe o que tem ocorrido no mundo em termos de comunicação.

         É Plano Divino a Unificação: Um Só Planeta Uma Só Nação.

         Isto não é sinônimo pobre de aculturação.

         Sim de desenvolvimento consciencial e amor no coração.

         Eu agradeço.

                        PRECONCEITO E COMUNHÃO
        Ontem assisti a um programa que me chamou atenção. Testemunho de pessoas que
tinham aversão a determinada alimentação. Sempre quando a viam, sentiam, cheiravam,
degustavam ou ouviam sua anunciação, tinham repulsão. Claro que isto é uma direta
associação com a frustração que experimentaram em alguma situação de ingestão daquela
alimentação. Então o ser associa, lembra e cria o temor à mesma situação traumática, com
isto a negação e até a aversão. Isto existe em diversos graus de manifestação (em condições
especiais pode haver tolerâncias ou até apreços).

       Ao passear com um manso cão, deparei com pessoas que o temiam. Claro que elas
não o contatavam, estavam presas.
        Já vos escrevi sobre os mecanismos da prisão e libertação. Aqui apenas estou
repisando o aspecto da consciência de que se trata de uma associação. Na reportagem que
vi falavam de aversão a frutas, a princípio alimento considerado por todos como saudável.

       Numa pesquisa sobre alimentação, ao tampar a visão e a olfação (o nariz), os
provadores de alimento não tinham nítida identificação do que ingeriam, ou seja, não
faziam a associação do produto em deglutição. O que isto indica. Que a memória gustativa
não chegou a comunicar a devida associação que traria a identificação do produto em
ingestão.

       Assim também eu vos falo que o produto em si pode não ser o responsável pela
aversão, mas sobretudo sua associação com o evento que causou a frustração, que originou
o preconceito.

       Assim como há com o indivíduo há com culturas. Quando pequeno ouvia falar que
manga com leite dava indigestão, mas para mim não. Depois ouvi falar que aquilo era uma
crendice típica da ilusão.

       Mas note que isto que ocorre com a alimentação, aquilo que se integra ao templo em
Santa Comunhão, pode ser válido para outros tipos de relação, como a social. Nisto há tipos
de identificação que trazem os preconceitos a partir de traumas históricos. Dentro de uma
sociedade ou entre sociedades, ou seja, interno a uma cultura ou entre culturas.

        Lembre que uma cultura é como um Mundo da Criação, são caminhos, portas
abertas do conhecimento acerca de diversas situações.

       Já vos falei de diversos experimentos meus feitos sem dolo de coração, ou seja, sem
maldade de intenção. E já vos falei de que depois, quando contaminado, fui cerceado, pois
as mesmas situações já tinham ligações que as impunham limitações (o mesmo ato estava
associado a alguma dor ou frustração, para mim ou outrem).

       O sábio procura o melhor caminho, e na verdade anda.

       Eu agradeço.

             PURISMO, TOTALITARISMO, NAZISMO
      O fundamento se justifica na purificação, no ordenamento, na obediência, no
caminho reto e único, na determinação.

      Assim quando se fala “Sem Apego”, “Determine”, “Eu Sou”, “Pureza”, “Perfeição”,
tem que ter bom senso para não cair por exacerbação.

       Esta questão da consciência do caminho reto é muito séria pois os valores podem
beirar o caminho da intransigência a partir da autodeterminação, e isto ser crime
caracterizado como Uso Arbitrário das Próprias Razões (que consta do Código Penal
Nacional).

        É a honra ou o orgulho quem encaminha a questão, e por onde anda o coração?, são
itens importantes a serem avaliados.

        Assim para vencer, determinar a vitória, deve se discernir se vale atropelar quem
está na trajetória. Eu Sou deve ter a verdadeira compreensão da condição real em que se
está, que é dito em busca de uma consciência que se deseja alcançar (se nela estivesse não
precisaria afirmar (o seria), quanto mais repetidas vezes para se concentrar).

       O comunismo totalitário, um caminho armado, militar, centralizado, matou, dividiu
e prendeu em busca de igualdade, justiça. Uma justiça doída.

       O nazismo, a afirmação da prevalência da raça pura, branca, ariana, agia sem
sentimento, matava com determinação, estudava com o sofrimento das vítimas, com frieza
(sem apego à dor alheia). E olha que grandes nações, há pouco tempo histórico (60 anos),
entraram nesta condição.

       Então prudência, bom senso, e muito amor sincero no coração, é boa recomendação.
Imagine o ser espiritual, que conheceu a luz, teve consciência da vida na luz, experimentar
um ambiente digestivo de morte e decomposição sem estar na consciência da luz (poderia
desesperar e querer aniquilar toda aquela aparência injusta, catastrófica, infernal).

       Quem está na luz não faz guerra ao processwo digestivo físico, compreende-o, na
paz e harmonia. Mas quem sobe, e cai, o desespero e a revolta pode encontrar. Por isto
consciência. E olha que a realidade de vida e morte ocorre no corpo humano todo dia, e é
normal. Urina e merda são coisas naturais e comuns da realidade física hodierna.

       Cabeça nas alturas, pés no chão, e muito bom senso: aqui está o meio ambiente do
coração.

       Eu agradeço.

                      SABEDORIA SOBRE A GUERRA
       Estive por analisar a fonte dos conflitos e o mundo que eles encerram. Isto nos
remete ao pecado original como algo que uma vez realizado leva a um mundo desta ordem
de ocorrências, ou seja, à esta ordem de existência.

       É como o velho ditado sobre a mentira, que diz que uma vez dita, as demais são
corolários que a tentam justificar. Então é uma construção feita sobre uma falsa pedra
angular, assim vai desabar.

       Estive vendo um filme sobre um jovem comunista, num período de resistência
clandestina, e quando notei seu envolvimento com drogas (ilícitas judicialmente) me
lembrei da relação de associação dos movimentos de libertação. Quando se protesta contra
um Status Quo é fácil encontrar outros tipos de protestos contra ordens ou costumes
estabelecidos.

        A maneira pela qual se conduz o movimento de libertação pode ensejar o amor ou a
guerra. Na verdade está a Paz e a Vitória.

        Sair disto é como renascer. Lembra o que vos falei de subir, de mudar a vibração: é
como adquirir um novo olhar sobre a situação.
        Não é necessário entrar no ódio para combater o ódio. Não é necessário morrer para
tal. A Espada da verdade corta o laço da maldade.

        Note então o que vos falei, há um espaço da criação que é livre desta dimensão do
conflito, da guerra, há paz. É o espaço da unidade. O importante é que ele permite uma
nova Criação da Realidade (na compreensão que há nesta vibração se enxerga onde está a
maldade, os erros e defeitos, e a correção pode se operar de um novo jeito). Isto permite
lidar com a realidade, aquela que está a o chamar, sem cair em nova contrariedade e num
mundo de falsidade (ilusão criada a partir do pecado original: mentira, erro, defeito ...).

       Quanto ao aspecto do conservadorismo da injustiça, da manutenção do status quo
doentio, creiam que a fé opera uma justiça perfeita. Aperfeiçoem-se e criem vosso mundo
de amor e verdade. A Vitória Virá.

        “Faça as pazes com o adversário quando com ele estás a caminho, para não serdes
aprisionado e lá fiqueis até a hora final.” Isto significa resolver bem sua situação, para não
cair na revolta. A revolta é como uma contaminação, que pode ser de um vírus tão potente
que contamine o “computador” do irmão em diversas situações, mudando a vida (diversas
relações ficam comprometidas). A paz de consciência é um bem individual que se torna
universal, e não é frio, é verdadeiro.

       “Amar ao próximo como a si mesmo” é trata-lo como gostaria de ser tratado. Isto é
Kármico. E o Karma nada mais é do que um cultivo de vida. Onde se planta e se colhe à
imagem e semelhança (na compreensão é possível a reparação de uma nova forma, em uma
nova situação, pagando ceitil por ceitil e/ou obtendo o perdão).

       Eu agradeço.

                        SEGURANÇA ECONÔMICA
       A tenho pela fé, e há pouco tive a revelação de que nada me faltará.

        Mas a revelação só ocorreu depois de muitos anos, ao menos no tom que eu pudesse
ouvir a acreditar.

       Mas mesmo assim, afora o campo da fé (ainda que seja o mais importante e único
verdadeiro), no “palpável material” o que tenho é temporário.
       Se minha esposa perde o emprego não temos uma economia para contar. Temos sim
dívidas a saldar, algumas atrasadas.

       Perderíamos a moradia, pois moramos de aluguel, e perderíamos até a comida ou
bebida. De uma hora para outra estaríamos num precipício que periga a queda ao infernal.
Nosso sustento é todo salarial, assim depende de um equilíbrio representado pelo salário
mensal, um equilíbrio dinâmico.

       Não temos Fundo de Garantia, poupança, ou bens além dos de uso doméstico.
Minha esposa não tem a chamada Estabilidade no Emprego (condição funcional dos
servidores públicos) e nem Décimo Terceiro (salário-extra anual). Então não há nem
poupança residual.

        Então, se chegamos ao final do mês relativamente apertados, com o dinheiro
contado, às vezes até pegando algum temporariamente emprestado, se ocorresse interrupção
não teria nem para a condução.

       Em economia chamam a isto de equilíbrio instável.

       Então o que digo é que em “termos econômicos” é insegura a nossa “segurança
material”. O “pão nosso de cada dia” conta com Deus, com a fé que não vai faltar.

      Assim como no espiritual se deseja ter a consciência ampliada quanto à salvação, no
Plano Material também se deseja ver estabilizada esta condição de sobrevivência material.

        Como a verdade é espiritual, que se estabelece no material (e doenças, desastres,
catástrofes e assassinatos podem destruir uma falsa estabilidade material), devo dizer que
esta é a primeira e a essencial. Contudo nada impede que se tenha uma melhor condição
econômica no Plano Material. Esta estabilidade traz uma segurança adicional, ou mesmo
um conforto, que é típico do porto, onde o navio chegou, atracou.

       Eu agradeço.

                      CABELEIREIRO X BARBEIRO

      Outro dia despertei que nos Salões de Beleza é comum haver o emprego de
homossexuais “bichas”. As mulheres os apreciam, recebem bem a arte dos “colegas”, os
admiram.

     Mas na barbearia não. Tem de ser homem definido, ser membro do sexo masculino.
Tem uma ética profissional envolvida nisto. Tem um direcionamento envolvido nisto.
       E conversando com minha esposa soube que as mulheres gostam das bichas, até
incentivam suas características. Senti como se fosse algo que valorizasse o feminino, assim
bem quisto.

       Mas no Salão Masculino li, através das palavras dela, que o homem não quer
entregar o corte de seus cabelos, “a sua cabeça”, nas mãos de um viado. Não tem o atributo
mais valorizado pelo gênero.

        Assim o mercado é seletivo. O preconceito aqui é baseado no fato da obra de arte
está relacionada ao artista, à sua vida, e como tem o velho ditado que diz: “diga-me com
quem andas que te direi quem és”, com certeza tem alguma sabedoria na eleição.

        Eu mesmo estou além desta situação. Eu corto meu próprio cabelo, e também já
cortei, com viado, com barbeiro. Corto com minha esposa e já ofereci até para o meu filho
o realizar. Comigo não tem estia: é o que der na minha “telha”.

        Já orei ou fiz um tipo de programação racional verbal quando vou ou estou a
realizar o corte. Mas gosto mesmo é de não pensar e na santa luz, paz e alegria me
encontrar.

       Eu agradeço.

                        PADRÕES EDUCACIONAIS
        O que eu acredito, pude depreender de minha observação, é que os filhos estão de
acordo com a evolução dos pais. E cada um que vem na linha de sucessão vem trazendo
mais um galardão, mais consciência para a ação. Os primogênitos são frutos de grande
compaixão porque são os que mais se parecem com os pais na realidade de outrora no
sentido de serem os primeiros a carregarem o “piano existencial” que os formou. Mas nada
para, e quem está vivo continua evoluindo.

       Na fraternidade todos se reúnem para promover a melhor solução.

       Eu sou o caçula (mais novo), mas minha irmã logo antes de mim, já apresentou um
problema de educação: ela não queria comer. Minha avó, que a criou, buscou várias
soluções que não adiantou, e por fim o próprio médico que consultava receitou: uma
chinelada e uma colherada. Esta foi a solução do amor que minha vó encontrou. E
orgulhosa falava: “foi assim que a salvei.”.

        Eu vim seis anos após, temporão dos 4 filhos, com 5 quilos. E me recordo que entre
2 e 3 anos eu sofri ao me alimentar. Eu padecia perante a disciplina de só poder me levantar
depois de todo o prato limpar, e fica só, de castigo, à mesa, por cerca de 2 horas (me lembro
dos dias de semana). A comida gelava e entravas forçada, já sem gosto, e bem mastigada.

      Com cerca de seis anos estabeleci um cardápio básico para o cotidiano com o qual
me dava bem: arroz, feijão e ovo. Isto também me marcou, mas agora como um período
tranqüilo. Adorava mamar, e ainda que sujeito às críticas, não abri mão de minha
mamadeira até aos 6 anos. Ia para casa para tomar leite, à tarde, especificamente, para ter
aquele prazer, e não aceitava qualquer argumentação que no copo seria melhor (eu sabia
consumir em qualquer recipiente, mas tinha minha preferência, e pronto).

       Os finais de semana são à parte em minha vivência pois foram próprios da
confraternização, com pratos especiais (a motivação era diferenciada da cotidiana, e todos
estavam em casa, sendo que no domingo a família extensa comparecia).

       Mas eu demorava muito para comer, e só mudei, por força da socialização, depois
de longe da família, em local estranho, e após os 21 anos. Mas não foi para melhor. Foi um
período no qual contraí Toxoplasmose, que usurpou meu tônus de vida, e passei a ter
problemas digestivos, com muito sono no período da tarde, após a comida rapidamente
ingerida.

        Assim eu lembro que desde pequeno eu tinha um tempo diferenciado. Não
conseguia cantar com ninguém, a não ser estribilhos, porque meu tempo, minha respiração,
era diferenciada. Era mais lenta, mais pausada. Isto não quer dizer que eu era parado, pois
sempre fui ágil e atlético.

        Minha letra era um garrancho danado. Não tinha técnica cursiva (escrever
continuamente sem levantar a mão a cada letra ou sílaba) e por vezes empregava força na
caneta como quem luta para operar a escrita.

       Só passei a ter maior consciência destas coisas depois que me refinei, depois que
Ioga pratiquei, depois que cultivei a oração dinâmica da atenção contínua e concentração.

       Assim foi que outro universo de vida passou a ser real para minha consideração.
Outra cultura se estabelecia então. Uma cultura normativa enquanto Caminho para a
evolução, uma cultura viva enquanto sabedoria de ação para toda e qualquer situação.

        Assim é que, além da questão que criança deve logo aprender a tomar leite em copo
(cultura “adulta” ignorante), vem a noção que o bico deve ser interessante para a digestão
do leite (parte da digestão se faz na boca, onde há ácidos apropriados).

        Assim imagino que o tempo que levava era adequado à minha digestão. E que para
ser diferente minha alimentação deveria ser diferenciada.

       Assim lembro que quando meu primeiro filho nasceu, como minha esposa o
agasalhava. Para o meu sentimento ele ficava sufocado, abafado.

       Enquanto as pessoas não aprenderem a se unificar com as outras, no sentido Zen do
termo (entrarem verdadeiramente em contato com a outra como vos falei que faz parte da
técnica de massagem Do In), correm o risco de não saberem sentir ou diagnosticar em
verdade o que está se passando com o próximo, e assim receitar remédios que não
contenham a sabedoria viva, a melhor adequação.
          Então é quanto ao conhecimento vivo que estou a alertar.

          Não se deve procurar um profissional para o ajudar a comprovar sua tese ou forma
          de educar, mas antes buscar a consciência despertar: o amor verdadeiro irá brilhar..

          A ajuda pode ser procurada com isenção, com humildade, para escutar, ver clarear,
          iluminar.

          O conhecimento vivo faz sorrir quando encontrado, ele ilumina dentro e fora o seu
estado.

          É O Caminho da Luz.

          Eu agradeço.

               A CIDADE E A RIQUEZA MATERIAL
       É muito bom ser rico, de dinheiro, na cidade material. Isto porque está tudo
preparado, foi tudo organizado para funcionar assim.

       Então o dinheiro abre as mais diversas portas, dá acesso às mais diversas coisas,
pessoas, eventos, permite o deslocamento. O dinheiro é chave da cidade, seus espaços e
serviços. Qualidade se acessa através dele.

          Sim, quase tudo funciona através dele, e de forma adequada, onde se agradece.

          Eu agradeço.

                   ÍDOLOS, IGREJAS, EXPRESSÕES
       Chamou minha atenção o fato de que Goiânia e Rio de Janeiro foram as capitais
estaduais brasileiras que mais perderam católicos nos últimos tempos. Logo imaginei que a
paz cultivada por esta igreja (a mansidão do rebanho) não tem sido tão requerida quanto o
aspecto guerreiro das igrejas chamadas evangélicas (que tem crescido em representação).

       Na expressão popular musical encontrei o samba no Rio de Janeiro (cujas raízes
remontam a Umbanda, que tem Jesus como expressão de Oxalá, na mais alta conta, mas
concebe ainda mais seis orixás, os 3 primeiros guerreiros). E no Goiás a música sertaneja,
em franca identidade com o ambiente dos rodeios (ainda que na abertura dos mesmos
Nossa Senhora Aparecida seja consagrada em carro aberto com fogos). Isto é apenas uma
rápida alusão à questão.

        Bom, o fato é que o Povo, principalmente numa democracia capitalista, elege a
igreja e os ídolos de seu coração. Isto é sinal dos tempos, e isto requer zelo e mudança.

          Força, Poder de Transformação, é o quer tem sido requerido então.
       Assim foi o “Líder Operário” (representante da classe operária) que trouxe
esperança democrática à nação. E 4 anos se passaram então, onde as forças vivas se
aquietaram buscando uma solução de paz e comunhão. Mas passado este tempo não foi
grande a luz da transformação, não brilhou a luz do Novo Tempo, Nova Comunhão, Nova
Nação.

       Faltou o Fermento da Fé de Uma Comunhão que faz prosperar a Nação. A crise no
campo permanece com as grandes concentrações de terra, e nas cidades favelas e guetos se
autoflagelam. Então há grande desespero e desejo de mudança que desta monta não
combina com a paz da mansidão em acomodação (vide que polícia e justiça conquistam os
maiores salários públicos de então).

        Mais uma vez o caminho se abre para nova solução. A fé numa política que possa
trazer esperança à nação. É época de eleição.

       O Ídolo é A Expressão de Um Ideal da População. È o símbolo-referência que
ilumina o “Caminho da Salvação” (mesmo que seu caráter seja mundano, é a esperança de
um melhor caminho em construção).

      Assim o momento é vital para uma boa solução (afastando o caos social das pestes
em geral: afastando criminalidade, doença, guerra etc.).

      Cultivemos unidos, muito além das disputas egóicas/ideológicas, esta solução. Que
Deus nos abençoe com a correta condução e eleição.

              DIREITO AUTORAL (E DESAPEGO)
        É o que se paga pelo trabalho do criador. Normalmente as leis não admitem que
ninguém comercialize uma criação sem o devido pagamento ao criador. O que vai contra
isto é chamado falsário, e seus produtos falsificados.

        Existem obras que são de domínio público, ou seja, ninguém sabe quem criou ou o
criador morreu sem deixar herdeiros ou mesmo abriu mão da cobrança de seus direitos
autorais. Isto quer dizer que um músico pode cantar a música em circuito comercial sem se
preocupar em recolher direito para seu criador original, ou o livro pode ser reproduzido
total ou parcialmente, e ser comercializado, sem ter que recolher os royalties para o autor.

      Mas fora do domínio público a lei regula e tem de pagar ao autor. Tem gente que
compra direitos autorais (já ouvi falar de cantores cujos sucessos foram comprados a outros
compositores). Mas o comum é: tocou em lugar público tem de pedir autorização e se for
comercial tem de pagar um percentual para executar.

       Assim autores de livros, criadores de música e Desenvolvedores de Softwares
(programas de computador) são custeados (a título de exemplo). Ora, até certo ponto isto
parece razoável, principalmente quando o custo de desenvolvimento foi relevante e a
manutenção do sistema é importante para a criação de novas obras.

        Mas note. Isto é um pagamento que deve ser consciente, como um agradecimento
aos criadores. Assim o pagamento pelo fruto vem com o valor da gratidão. Fora disto, fora
deste reconhecimento do coração, começa a apropriação indébita (figura jurídica que
caracteriza crime, no caso violação dos direitos autorais). Vide que este já é um ambiente
de luta (já saímos do paraíso onde há concordância e entramos numa porção da criação
onde há polícia e ladrão).

       Aquilo que os ratos podem roer, as traças cortar, são perecíveis, assim suas relações
tem de ser cuidadas para o preservar. Tem de ser guardadas, vigiadas, protegidas, e como
no caso em questão deve haver sanção para coibir uma possível profanação. Este mundo
dos homens e das relações comerciais a gente conhece bem.

       Quando se falsifica um produto, se faz um “pirata”, não necessariamente se faz algo
com material inferior e com baixa qualidade de reprodução (as vezes isto ocorre para poder
baratear ao máximo o produto, mesmo o que haja queda da qualidade). Então a diferença
entre a cópia e o original pode se dar apenas em termo conceitual: não é oficialmente
autorizado, foge à lei que o regula.

        São raros os despojados que criam e entregam à humanidade, se dignando a viver de
acordo com seu presente trabalho (no caso tocar a própria música que criou e ir ganhando
com ela). O fato é que há todo um aparato enviesado e viciado que envolve o processo de
criação dentro de um circuito comercial. Há uma rede de relações que deve ser sustentada
(quem vai sustentar quando o cara aposentar, quem paga quando ele tiver parado, quanto
vale o investimento inicial, a vida que teve que bancar até chegar na condição de criar
aquela obra?). Todas estas coisas são postas em consideração, e para soluciona-la o homem
criou o Direito Autoral (onde existe hereditariedade).

        “Ah, mas tá caro esta porra de disco, esta merda de disco, e o povão tem o direito de
o poder também desfrutar”! Então uma história de contradição social, se coloca: várias
justiças se encontram: justiça dos ricos e dos oprimidos, justiça de uma multidão em
conflito.

       Tô fora. Eles se merecem. “Vão tudo Tomar no Cu”! Vão ser roubados, presos, vão
esquentar a cabeça, vão ser multados, vão ser derrubados.

        Eu não costumo dizer que “tá caro” (não gosto de discutir quanto ao merecimento
alheio, o preço de seu produto, cada um sabe de sua condição), costumo sim dizer não
tenho ou não dô. E quando posso comprar algo sem me prejudicar, que creio que não vá
violentar ninguém mas até alforriar um pouco, eu faço. “Um beijo e um abraço”.

       Eu agradeço.

                        CULTURA DA MESTRIA
       Há pouco, lendo um romance japonês, com referência à vida no século XVII, tive
um insight de como o aprendizado de vida, profissional e mesmo humano-vivencial, era
obtido ou através da Tradição Familiar, ou através da relação Mestre-Discípulo.

       Isto não era algo inerente só ao primeiro momento de vida, infância ou
adolescência, mas algo para pautar a vida madura do ser. Um aprendizado que permitisse
viver como “Homem”: honrado, dedicado, hábil, capaz, digno, eficaz, competente...

        Ainda que isto exista até hoje, em determinados meios familiares e até sociais, a
relação aluno-professor se tornou menos pessoal e mais social, ao nível de categoria, ou
seja, institucionalizada. E no caso dos ofícios mais ainda impessoalizadas (mais reguladas
por leis de relações trabalhistas, direito da criança e do adolescente e limites sociais gerais).

        Quem ensina é a escola, o curso, a universidade. E ela forma cidadãos. A figura do
Mestre, ainda que exista, ficou subsumida pelo caráter institucional da educação. E cada
vez mais cedo isto se torna patente. As creches estão se tornando comuns na rotina familiar
(há pouco o ensino público iniciava em torno dos 7 anos com a alfabetização, hoje inicia
com 4 anos no 1º maternal). E isto sem contar com as creches para menores ainda, cujos
familiares precisam trabalhar fora no tempo que dedicariam para os cuidar. Então, de
acordo com o trabalho, com a necessidade, a creche se torna integral, matutina e vespertina.
Isto cria a Figura dos Pais-Mães sociais (as tias e tios dos colégios e creches).

       E no trabalho os técnicos, patrões, encarregados, não costumam ser Mestres de
Vida, mas do ofício (as normas sociais costumam regular as relações além dos indivíduos).
Isto pode dificultar que o indivíduo rompa a inércia do que é estrutural.

      Mas na Luz tudo tem solução, a Sabedoria e a Criação conquistam as Mentes e os
Corações e daqui advém a mudança mais oportuna da situação.

       Mas o fato que achei mais bonito, e que me despertou este texto, foi um amigo
(reconhecendo que o outro tinha a cabeça fraca – pouca determinação para trilhar um
caminho único de crescimento com perseverança) aconselhar ao outro que procurasse um
Mestre que o pudesse conduzir ao êxito em sua vida. Sim, um “guia, amigo, pai-adotivo”,
um Mestre que no sentido antigo representava um sábio em Lato Sentido.

       Este era um caminho natural e bem aceito, valorizado e recomendado.

       Eu agradeço.

                          A CIDADE E O CAMPO
       Há os que sonham com tais ambientes: compreendo ambos.
        Os que sentem que no campo podem construir, que têm espaço livre para expandir,
comungam deste sentimento do fluir com a terra, com a natureza, conforme o aspecto que
lhe dá esta inteireza (de sua intimidade, de seu sentimento de capacidade).

        Os que estão íntimos da cidade, é nelas que se sentem inteirados, Sua praia tá na
vizinhança, sua plantação no mercado. Assim seus investimentos, a casa pros seus filhos:
estão realizados e sentem bem e prósperos nesta condição de ocupação: são “do mercado
social”.

        São dinâmicas, condições de fluidez, espaços de intimidade. Contudo isto não
relativiza o caminho quanto ao que falei dos inadaptados. Os bolsões, os inchaços da cidade
em boa parte serão curados pelo retorno ao campo, ao interior, „a natureza em flor. Sim,
árvores, vegetais, com seu crescimento e sua expressão segundo a estação, a interação com
a natureza físico-animal, e o tempo de maturação, a liberdade em rica e franca interação
conforma a criação e o zelo de então. Sim a Lua, as Estrelas, O Sol, a comunidade
ecológica cooperativa solidária, que se cuida e prospera, e zela. Sim, O Estado menos que
O Trabalho, menos que a natureza, menos que Deus (a consciência da vida sendo
relembrada em sua dimensão universal sagrada).

        E os do campo se completando na cidade, vendo a dinâmica da criação em franca
transformação também abençoada, ainda que o homem seja o promotor, ou a natureza
vivificada.

           Sim, é tudo lição, é tudo expressão, é tudo criação, abençoada.

           Eu, agradeço.

                       A POLÍTICA MATERIALISTA
           O candidato diz: Eu fiz, destinei o dinheiro, enchi a barriga do povo.

           Insaciável, dentro do naturalmente limitado, pode ser esse povo.

       Tem de ter mais trabalho (eu diria tem de ter mais loucura, quando se fala de
trabalho alienado). Trabalho é um estágio diferente do escravo se não houver arte, amor,
primor, vida dedicada, devotada.

       Tem de ter mais hospitais: para o povo ignorante que não sabe como parar de
adoecer.

           Tem de ter mais polícias, mais presídios: para limitar, conter, o que o Mestre esteve
a dizer.

       Os índios protestam: viram seu direito de ir e vir na contramão , “os brancos
cercaram a terra e tomaram a nossa condição de vida, o nosso pão”. “foram chegando e
tomando, limitando, e depois cobrando, querendo contratar nosso trabalho por pão, por
aluguel, não comunhão”.

       Sim, e os índios estiveram até então dormindo (no sentido espiritual-existencial do
termo) neste mundo de ignorância e paixão. Tem Karma sim.

      E quem cercou, limitou, cerceou, também está com seu galardão em débito, pois
também estiveram dormindo para o amor, para a luz espiritual.

       Então está todo mundo no sal, salvo raras exceções, de devotos sinceros, honestos.

       Estão na prisão de um mundo de sofrimento e contradição. Estão presos no medo,
na corrupção.

        Então o Balanço vai chegar com a libertação. Fiquem nos vossos lugares os que
estiverem em boa condição. Os que acordaram e se viram explorados, sacrificados,
trabalhem e confiem no maior galardão, que a Justiça chega à Terra com perfeição. Os que
exploraram repartam o pão, libertem-se do peso de então e vão encontrar maior satisfação.
Esta é a orientação. De muita saúde, físico-existencial, meu irmão. E não há nada melhor,
pois isto é Vida desde então.

       Eu agradeço.

                            BANDIDO É PRESO
      Deu no noticiário da manhã. A repórter ao noticiar disse que não recomendava a
ninguém que fizesse o mesmo, mas que achou bom, achou.

       O fato foi que um sujeito reagiu num assalto à padaria, tomou a arma do bandido e o
entregou à polícia.

        O fato me fez lembrar da Presença. Se pensar pode ser bom relevar, não reagir e se
utilizar da polícia, Mas se o sangue inflamar, o fogo acender, não se espera ninguém para
proceder. A Presença é uma faculdade animada, brilhante, de força, que alguns chamam de
Baixou o Espírito Santo, ou me iluminei, e não necessariamente a ação recorre a força
física, mas traz a solução do modo que for (a inteligência traz a solução do tema).

       Eu agradeço.

                      BAR, TERRITÓRIO “LIVRE”
        Uma das características de um bar é transitar diversos tipos de pessoas com uma
certa tolerância sobre o ser de cada um: ficando na paz e pagando a conta é o básico.

       Assim, inclusive para determinadas coisas consideradas como ilegais, como o caso
de drogas, ninguém é de caguetar o sujeito como criminoso ou coisa do tipo (pode ser que
não queira que o local vire ponto, mas não discrimina que seja freqüentado pelos usuários
ou mesmo pelos aviões ou traficantes (contanto que não queimem a clientela em geral, não
afastem o povo tranqüilo nem façam bagunça ou banditismo: violência, clima pesado por
ameaça, exibição de força etc.).

       Assim é que o pobre e o rico tomam seu trago, o músico compõe, o poeta escreve
etc.

       O ambiente é laico e o mais isento possível de preconceito (isto um bom buteco, de
gente cabeça, tarimbada, “macaco velho na estrada”).

       Eu agradeço.

                      CIDADE DO AMANHECER
        Visitei o Vale do Amanhecer, uma religião missionária espírita-cristã fundada por
Tia Neiva (vidente) em 1958, na Serra do Ouro, logo depois transferida para a Cidade de
Planaltina – Distrito Federal.

       Meu amigo Seu Vicente, a quem já retratei neste livro, fez parte desta criação, ainda
que tenha se alojado como ermitão em chácara própria no Núcleo Bandeirante.

       Mas o Vale do Amanhecer se constitui numa missão religiosa cujo mentor é o Pai
Seta Branca (entidade espiritual que foi Cacique Tupinambá; já ouvi falar que uma de suas
encarnações foi Francisco de Assis).

      Possui uma mística ritualística devocional centrada em entidades e símbolos que
remontam seres do espaço, índios-caboclos e o Antigo Egito. Mas é Jesus Cristo a Pedra
Fundamental.

        Assim gerem uma terra onde o Trabalho Espiritual não para, 24 horas por dia, sete
dias na semana, ainda que existam os horários e dias específicos para determinados tipos de
trabalhos. E a comunidade se reveza nesta lida, que além da doutrina, que é realmente
estudada por anos (como numa escola), realiza atendimentos de orientação e cura dos irmão
que os procuram. Para isto há os doutrinadores, os passistas curadores e os orientadores
(médiuns incorporados ou irradiados pelos espíritos consultores). Esta creio que seja a
tônica.

        Mas o que me chamou atenção nesta última visita que fiz, ao realizar um trabalho
fotográfico, foi o fato de gerirem uma cidade sob o auspício da espiritualidade. O Vale do
Amanhecer conta hoje com cerca de 15.000 pessoas morando em seu interior (uma pequena
cidade se formou). As celebrações são o centro das atenções, onde há os espaços
consagrados para tais, mas nas ruas é comum serem vistas pessoas portando suas vestes
rituais (transitam assim pela cidade em direção aos locais principais de celebração ou
mesmo realizando rituais nas áreas públicas da cidade).
       Mas notem: é uma cidade gerida pela fé, pela espiritualidade. Creio que este seja o
mesmo princípio de muitas culturas que formam comunidades alternativas ( a maioria tem
uma mística coletiva que serve à orientação e comunhão do grupo em questão, uma
afinação e purificação, iluminação, que traz saúde aos irmãos).

       Eu agradeço.

                  O BOM SENSO E A RENÚNCIA
        Vide que sois um cidadão. Vide que a Terra em boa parte está ocupada, apropriada,
os locais definidos e os caminhos demarcados.

       Vide que a condição de ermitão, na qual o sujeito se isola, quer seja num mosteiro
quer seja numa montanha (como nos casos dos hinduístas ou até dos devotos de Krishna), é
um caminho de ascensão ao universal, de encontro com uma amplidão universal, mas com
certeza muito pouco social, e cada vez mais difícil num panorama de globalização e de
crescimento da população mundial.

 Então o que me parece é que o razoável, o bom sentido, é saber aproveitar a encarnação
neste Plano de Ação, saber bem viver nesta condição. A mente no cosmo e os pés no chão,
solidário aos irmãos, à natureza, humana, interagindo vivamente com o social em questão.
Assim não há alienação: há presença, consciência, interação.

       Outro foco da espiritualidade ascética foi a renúncia do caminhante. Nada lhe
pertence, e se for questionado ele é um renunciante. Assim, sem apego, ele segue adiante,
num caminho cigano, de viajante sem bolsa, sem mantimento, sem provisão: o que Deus
lhe dá é a paga de cada ocasião. Muito bom noutro tempo, sem família, sem socialização
(hoje nem os ciganos bem suportam tal condição (são taxados de ladrão, não tem bem onde
parar ou com que contar, devido às demarcações, às obrigações, e à própria tecnologia que
exige um certo comprometimento e resposta a cada invento socializado: esta foi a solução
do bom uso que encontraram).

        Então renunciar plenamente pode ser seguir o caminho hippie, ser pobre, abdicar
constantemente: é um caminho difícil e estreito para os que vivem atualmente. Neste
sentido, ainda que Francisco e muitos santos, orientais ou ocidentais, tenham tido sua
interação cósmica, divina, com este caminho do renunciante, hoje me parece que vale a
pena lembrar também do que disse Jesus: “haverá dias em que portarão bolsas”. Então isto
me “cheira” a Bom Senso, a pés no chão, a justiça social desde então, e até a uma
adaptação à natureza terrestre em seu estado de evolução (imagine a natureza animal
predatória em face à natureza pacífica paradisíaca).

       Então leis e cuidados sociais são como encaminhamentos justos a um estado de
direcionamento para as condições ideais (note que as questões Kármicas, se obscuras por
não ser da cultura esta clarividência de vidas passadas, mesmo assim de alguma forma são
comunicadas por questões históricas, inter-raciais e direitos atuais desiguais). Contudo o
bom senso do justo permite que se avance além da mera reprodução sansárica da troca de
posições, posição-oposição, de difícil condição evolutiva: difícil porque sofrida, doída.

       Então: Justiça (força para valer o que é justo e conter avanços ignorantes do abuso:
Deus também exerce seu Poder pela Natureza Humana: o que é cósmico, divino, universal,
ou até maior/melhor também deve prevalecer diante do caos das mesquinharias da
degradação: È Tempo Disto). Leis, obediência, mudança: o Tempo opera a Nova Herança;
O Tempo faz a Presença da Bem Aventurança. Eu agradeço.


    O CASAMENTO MUNDANO E O DEVOCIONAL
       O casamento devocional se dá com o servir ao cônjuge. A ele é dedicada a vida.

       O casamento mundano é aprendizado, é cumplicidade, é parceria.

      No Mundo Mágico, no Universo de Encantamento Espiritual, o Próximo
Devocional, O Esposo ou a Esposa, é algo da reverência mais especial. Assim são os votos
da União do Casal, assim se celebra o matrimônio que encaminha a Unidade Existencial
(Unidade Existencial é Iluminação, Perfeita Compreensão Existencial).

       A Vida é Próxima, e dentre estes próximos, o Cônjuge é Especial. Então este
caminho de revelação foi celebrado pelos casados, com maior ou menor consciência do
fato. Quem caminha à perfeição vai tomando consciência da verdade (ainda que dinâmica)
deste caso. Na chegada tudo é compreendido como perfeito: tudo que houve e tudo que há,
em Deus.

       Mas então no comum, um casamento conjugal se aproxima do devocional quando a
esposa se dedica ao esposo. Ela se arruma para ele: se pinta para ele, se veste para ele,
cozinha para ele.

        Num casamento mundano a esposa tem seus gostos (que devem ser respeitados) e
está descobrindo o quanto é bom servir ao esposo, se dedicar ao esposo. Assim ela faz as
coisas também conforme os apreços que aprendeu na infância, na adolescência, conforme
seu pai ou sua mãe gostou, aprovou, conforme a religião, conforme um namorado apreciou
etc. Assim ela traz seu casamento histórico: não se despojou totalmente para servir ao
parceiro. E também o esposo mantém seus apreços independentes da companheira. Assim
há uma união, parcial. Vide que o mundo de hoje legalmente celebra tais coisas até no
tocante ao material, no casamento civil: com comunhão de bens, com comunhão parcial de
bens, sem comunhão de bens. “È dada a partida na caminhada para o amor”. O ser
amadurece, o casal amadurece, a confiança e o conhecimento acontecem. As paixões e os
apegos vão ficando para trás quando a comunhão vai triunfando: nos dois a unidade vai se
dando.
       O casamento devocional é algo muitíssimo especial: ele é próprio dos que
despertaram para o amor integral, dos que são sinceros e transparentes desde a alma, e
confiam no amor de Deus, de seu próximo (OPrimeiro e Único Mandamento Cristão).

       A postura devocional é uma revelação do divino na vida integral.

       Eu agradeço.

                      O CULTIVO DE IMAGENS
      Não deve ser desprezado. O fato de que alguns possam ter a sintonia divina em suas
mentes, ou conquistá-la através de suas orações, canções, devoções, não impede que
alguém o faça através de alguma imagem que seja consagrada e se faça santificada.

        Assim a imagem é abençoada. Não precisar da imagem sagrada do cristo não quer
dizer condená-la, pois é objeto referência, é referência, que não deve ser ignorada.

       Não falo em se ter uma postura viciada, falsa, dependente, decadente: falo de um
amor transcendente, ali representado, cultivado, santificado. Assim os santuários são belos
e devem ser respeitados.

        Porque crêem que a fé não pode imantar tais imagens: já vos falei das egrégoras
(recipiente de luz, portal espiritual) que são criadas nos locais santificados, dedicados à
celebração do sagrado. E quem sois vós para dizer ou achar, quanto mais condenar, um
local ou uma imagem que uma divindade possa ter abençoado?, por isto sede humilde e
respeite o caminho de cada um (“se vide argueiro em vosso vizinho, dos vossos olhos a
trave tirai”, ensinou Jesus).

       Então a pessoa ou religião, monista, que não quer imagem para sua celebração:
parabéns, “mas não encha o saco não”, não condene ou fique em depreciação pois estará
perdendo a condição de paz, luz, amor e mansidão.

       Eu agradeço.

                                 OBRA SOCIAL
       È fruto do amor transcendental. Sim, vocês imaginam o que é ver ao invés de
doentes, pobres carentes, amores. Como é doce.

       Alegria divinal, conforto especial.

        Sim, tenho andado em meio a horrores. Tenho sofrido a dor do mundo, a dor da
consciência pesada, de quem não faz nada: assim olhando a vida com temor e dissabor. O
sentimento de culpo tem me avassalado. Olhar para um carente, para um doente, e sofrer,
entristecer, ou então correr ou ainda evitar ou combater, é deitar no travesseiro e não ter
paz, orgulho, alegria de ser. A consciência tranqüila é o bem mais precioso a se obter.
       Consciência tranqüila é a consciência de estar na verdade, de estar fazendo o que
deve ser, a paz merecer.

      Obra social, operação no mundo real: reparação, reequilíbrio, amor. O universo se
expandindo em flor. “Todos os males cessarão, todas as doenças curarão” diz a oração.

      Sim, fim do temor do assalto, da doença, da morte, do amanhã: “o hoje está
cumprido: o amanhã a Deus pertence” é de quem tem a consciência do dever cumprido.

       Estar em paz com sua obrigação, eis o galardão.

        Fim de toda ilusão de toda briga, de toda insatisfação. Cada um sabe de sua
obrigação. Para mim é a canção, é a ternura, é a alegria que irradia toda a satisfação do
dever cumprido. Saravá então. Eu agradeço pelo dever cumprido em cada estação. Com
todas alegria e satisfação.

        A Obra Social de cada um é sua vida em expressão de realização, ou seja, com fé e
alegria de execução. Integridade de ação. Construção. Gratidão. Entrega, Suprema Paixão
(que é o amor em revelação). Exercício do Eu com Fé Plena em Realização.

       Eu agradeço.

    ORIENTE E OCIDENTE, CULTURA, RELIGIÃO
       É momento de globalização, com isto integração, complementação.

        Vide que se há tendência numa abordagem (ainda que possam ser completas em si)
o equilíbrio pode ser obtido com a porção evidente da cultura exógena.

       Assim o ocidente do Mundo busca o oriente do Interior, e vice-versa o oriente
centrado no Eu busca o ocidente centrado em Deus (o Mundo e o Interior, o Eu e o Deus,
como manifestações santas do Ser Divino).

       Sim, amar para caminhar (Jesus), obedecer a Deus para triunfar (Mohamed), que
são da tradição judaico-cristã, bem se harmonizam com a expressão da iluminação através
da meditação (Buda) e a celebração de cunho devocional (Krishna).

       Há ainda muitas outras tradições, mas estas bem representam a globalização; São as
grandes correntes do mundo, as grandes religiões: Cristianismo, Islamismo, Budismo e
Krishianismo.

        Houve ênfases de abordagem, de acordo com a cultura, com o povo, com a condição
cultural de cada nação, então alguns aspectos, que ficaram minimizados, discretos, são
realçados pelo olhar de observação em relação às culturas que o tiveram como foco de sua
atenção (cada um tende a fixar naquilo que mais precisa aprender) .
       É assim mesmo que o aprendizado vai se dando, com o indivíduo, com o povo, que
vai buscando o que está lhe faltando, para ao equilíbrio, à perfeita harmonia, ir chegando.
Assim “Os Filhos de Deus” vão despertando para a Luz Espiritual, para Vida Espiritual que
é uma só: Deus.

       Cantei durante um bom tempo um hino, que ensina assim (vide um trecho):

       Meu Deus é um só... Não se pode duvidar.

       Meu Deus está na Terra, Meu Deus está no ar,
       Meus Deus está em tudo, estando em tudo aqui está.

       Eu agradeço.

                        UM MAL DA ESQUERDA
      Por esquerda chamo a oposição ao poder, aos que são contra o sistema, e querem
mudá-lo, e se dizem libertários defensores de causa populares, e criticam o Estado, o
Governo, com quem critica Deus, a Existência.

       Sim, este é o mal. A esquerda doentia atribui a existência, à criação, à religião, à
Deus, a origem e o mal de sua aflição. Assim são revoltosos, combativos, desconfiados.
Sofrem com a miséria do povo, e atribuem o mal ao Estado, e sua personificação,
“altamente imperfeita, corrupta e egoísta”, o Governo.

      Melhor seria se olhassem verdadeiramente para sua feridas e procurassem curá-las,
com humildade procurassem senti-las. Assim corrigiriam suas vidas, e com certeza criariam
melhorias para a correção de toda criação conforme sua visão.

       Sim, a rebeldia contra o Pai Opressor, O Pai Criador, O Pai dos Outros, O Deus do
Inimigo, daria lugar ao discernimento do Pai Amigo, justo Compreensivo, “e todas as
lágrimas secariam”, e seus ideais na Terra se realizariam.

       Sim, desta forma a caridade é exercida a partir do próximo, aquele que te alcança,
que te clama à consciência, e assim, cumprida, pode ser estendida aos superiores, aos
demais que já estão noutros primores (toda riqueza é de Deus, e só assim pode
verdadeiramente ser atingida, alcançada “quem despeita quer comprar”, e é desta forma que
se paga o justo valor pela verdadeira riqueza).

      A direita doentia é o viés deste mal, na manutenção do poder insano. São tudo saco
do mesmo pano, profano.

       Eu agradeço.

                               ESQUERDISMO
       Todos são iguais. Esta verdade mal instrumentalizada é a maior mentira.

      Assim ainda que todos se amem, tem o Pai, O Filho, A Mãe, A Filha, e cada um tem
um papel na família.

       E tem a consciência, a adequação da vida. Isto é palpável de cultura a cultura.
Querer dizer que tem de ser igual de uma hora para outra realidade diferente pode ser
golpe, ilusão pelo que é do outro, e isto não leva a boa coisa, a bom lugar. O ávido é
insaciável, e se for bandido vai viver a saquear. Então basta.

       A satisfação da inveja é prazer temporário, contaminado: é fruto indesejável.

        Então todos têm seu valor, e na firmeza e na paz interior se obtém toda a libertação
do opressor. Busca ampliar tua memória das muitas vidas, busca a ciência cósmica da
harmonia, e na Luz Divina receba sua moradia, seu caminho por esta vida. Esta é a primeira
providência, e os presentes são muitos, e com alegria. Eu me entreguei a Deus e ainda
reitero para mim esta sabedoria.

       Eu agradeço.

  A ESTABILIDADE DA CONSCIÊNCIA COLETIVA
        Já vos falei muito acerca das questões conscienciais, e as sagradas escrituras estão
repletas destas coisas. Vigiar e orar, parábola do semeador etc. Mas estas questões
conscienciais não são tão vivas, não são tão realidade, para quem vive sob o véu de alguma
instituição ou ainda conforme uma consciência coletiva.

        Sim, porque o fluxo consciencial da Divina Luz não lhe é um atributo individual
proveniente de uma ligação direta e distinta com a Fonte, mas sim um alimento comum
colhido de acordo com o meio de sua comunhão. Se este meio é o Divino Espírito Santo, as
coisas são santas, a luz é pura, então dá no mesmo porque o amor, que é a Luz Espiritual,
está presente (mas cá entre nós este é um meio muito especial, um paraíso).

       Assim, há gradações conscienciais de acordo com o meio existencial, e isto
resplandece a cultura, mais ou menos avançada, mais ou menos amorosa.

        Então o indivíduo ligado a uma mente coletiva respira as coisas de seu meio, assim
sua ligação é comum, tradicional, normal. Mas as coisas podem mudar quando o ser é
ligado noutro canal, um canal especial, distinto do meio, que requer uma conduta, um zelo
especial. É isto que os Mestres espirituais falam do caminho: que pode ser estreito ou largo
de acordo com a condição do discípulo. Se for estreito requer muita atenção, concentração.
Se for largo ficou mais fácil. Se for o paraíso, já chegou.

      Então, atributos conscienciais não têm o mesmo sabor de verdade para um comum
quando comparado a um devoto, porque o devoto experimenta a energia viva da
consciência, e para o comum, desligado desta Fonte Viva, a energia pode parecer pequena
(note que pode haver interfaces onde a Verdade se estabeleça para todos, com força, Com
Vida).

        Então num meio comum, os saberes e os deveres são relativamente de domínio
comum, então são facilmente religáveis, memoriáveis, porque são de domínio do meio
ambiente humano ao qual se está inserido. Então a pessoa é lembrada e até constantemente
religada pela consciência comum social. Assim direitos e deveres de um cidadão, assim a
cultura do povo em questão.

        Um Mestre da Luz, por assim dizer, um Cientista, um artista, que traz inovação, já
pensa em outra condição. Assim o seu cristal é mais lapidado. Assim um asceta jejua, faz
dieta, se submete a disciplinas éticas, se comporta como um verdadeiro atleta das coisas
espirituais, ou seja, tem uma vida dedicada, devotada, ao cultivo de seu objetivo.

      Claro que há um meio termo nisto, e uma interface de comunicação, mas as vidas
podem se tornar diferenciadas de acordo com a condição. É isto.

                             APOSENTADORIA
      Não tenho muita informação sobre este benefício tão importante para nossos idosos
em geral, mas tenho alguns estranhamentos que creio seja oportuno relatar.

       A Classe média está pagando 27% de Imposto de Renda. É uma quantia elevada.
Ainda mais que se paga imposto na base dos produtos e serviços que se consome, ou seja,
além deste imposto sobre o ganho, ainda se paga mais imposto sobre o que se consome ou
sobre o que se contrata parta fazer. Então tem muito imposto.

       Principalmente sobre esta classe, que é a mais controlada, parametrizada. Os pobres
ou estão fora da margem mínima de cobrança ou na informalidade, e os ricos, o que sobeja
é muito em importância relativa (e são os que fazem os preços pois precisam triunfar para a
economia prosperar).

       Minha esposa me disse outro dia que de 160.000 aposentados e pensionistas do
Setor da Saúde, apenas 50.000 estão na ativa. Ora, a maioria destes aposentados e
pensionistas são recentes, ou seja, não contribuíram efetivamente durante sua vida para
terem este tipo de aposentadoria. O que digo é que não pagaram ao Estado dinheiro
correspondente à circulação de serviços e mercadorias. Estão aposentados pela Lei, mas
sem esta contraparte dos ativos financeiros há um estrangulamento, principalmente em se
tratando de uma sociedade que envelhece (população idosa maior que m mais nova).

       E tem funções que aposentam com menor tempo de contribuição. E nos últimos
tempos foi criado aposentadoria para o Trabalhador Rural, para o índio. Claro que isto é
benefício social para prestigiar ilustres ou amparar pessoas.
        Mas o que falo é que deve haver outra forma de compensar, outra forma de
aposentar, sem sobretaxar os que giram os mercados nas cidades, ou mesmo nos empregos
do campo que são empresariados (indústrias, fábricas, criações e produções legalmente
oficializadas).

      Andaram congelando os salários dos aposentados, ou seja, desequiparando o salário
de quem aposentou dos que continuaram na ativa. Isto para quem efetivamente contribuiu é
como uma injustiça. E para o geral é diminuição da condição do exercício material da vida.

        Então tem de estimular outra forma, para não pesar os que não estão na ativa, e nem
ir aos poucos depauperando os que entraram na aposentadoria. Sim, a questão é dar novas
oportunidades e estimular o desenvolvimento de outros valores de vida. Já vos disse que os
idosos se preparam para uma nova caminhada de vida, onde os tesouros espirituais são os
únicos que se transportam, então a consciência e a importância disto é sabedoria de vida.

       Assim sábios contribuem bem para uma nova vida, no Plano Espiritual e também
para o Plano Material. Então sustentação adequada para a vida dos idosos.

       1- Idosos com vida e moradia em condição de autosustentação tranqüila;
       2- Idosos com a família;
       3- Idosos em papéis sociais na vizinhança: junto aos jovens, junto às crianças
          (ensinando arte, esporte, dando aulas de cultura geral e derramando sabedoria);
       4- Grupos de idosos, casados ou solteiros, em comunidades, cultivando a vida.
       5- Idosos com mercado de trabalho adequado à sua condição de maturidade e
          sabedoria.

        Sim, tais coisas devem ser incentivadas, ilustradas, como bons caminhos de vida.
Então sai do eixo da economia restrita, da economia finita, e entra na seara da infinita. Isto
faz a cabeça, isto faz a ideologia, isto faz a vida, a dignidade social é de acordo com o que
se acredita.

       Se a sociedade fica crendo que o “velho” está sendo sucateado, numa perspectiva
comparativa competitiva, é mais um demérito e mais um amargo da vida. Sustentar a
igualdade em planos diferenciados também não faz justiça. Então é adequar, bem arrumar.

       Por isto acender para o que é próprio a cada estágio da vida. Com claridade,
verdade, paz e justiça.

       Eu agradeço.

           CULTURA, PRECONCEITO, CAMINHO
      Aos que se elevam aos Planos Conscienciais Superiores é comum se constatar que
quem reclama de preconceito geralmente é preconceituoso.
       Falo isto porque a realidade do Presente Divino geralmente se manifesta fora da
reclamação.

      A cultura é formadora de preconceitos de origem do caminho, e até de enrijecimento
do mesmo, que só o amor, a consciência superior, pode libertar.

      Assim, numa cultura um homem que compartilhe sua esposa é um corno,
promíscuo, sem honra. Noutra isto pode ser como um costume gentil de servir, e ser digno
como deferência honrosa. (já li que houve povos que praticavam isto).

        Assim, um viado, que dê o cú, pode ser um pobre coitado numa cultura, mas noutra
pode ser algo comum. Quando vi o filme de Roma antiga, e vi que tanto homem como
mulheres serviam para agradar sexualmente, me surpreendi. E no caso da associação direta
da virilidade com a força física, com a determinação de vida, também a cultura considerava
distintamente, porque um dos grandes imperadores, que dominou muitos povos ao seu
redor, era homossexual (homossexual que lutava, pegava literalmente na espada).

       A cultura da mulher libertina como vil também foi relativizada com a benção de
Jesus a Madalena. E me parece que no Céu não há espaço para amor egoísta: o amor é a
comunhão dos espirituais.

        Então no amor e na consciência superior é que se tem condição de conhecer o que é
atributo do caminho de cada um, e assim se revelar a santificação da vida. A compreensão é
a faculdade que revela a lógica perfeita, a razão de cada coisa. E quando as coisas são
compreendidas a luta esmorece, dilui, acaba. Sem resistência não há porque se lutar ou ser
contra nada. Sim, há caminhos, simplesmente caminhos.

      Estes caminhos podem ter limites. Os limites podem ser derrubados ou contornados.
No Tempo a Paz é bem constante.

               DETERMINISMO MATERIALISTA
       Houve já uma briga histórica em relação à isto.

      De um lado a igreja era culpada por ser o ópio do povo, por vender “lotes no céu”,
enquanto aqui na Terra o povo continuava preso e oprimido.

       Do outro os comunistas, materialistas históricos (também conhecidos como
marxistas) eram responsabilizados por incitar ódios, conflitos, guerras fratricidas (inveja,
ambição, desconfiança. rivalidade etc.) onde o coração poderiam e deveria encontrar outra
solução.

        Então os vícios por si só já denunciam a questão. “Nem tanto ao céu nem tanto à
terra” é o meio termo que equilibra a questão, ou ainda, “pés no chão e cabeças nas
alturas”. São ditados antigos que ajudam a compreender a questão.
        Há um mundo espiritual, há uma realidade além da terrena, mas isto não significa
alienação. O ser consciente espiritualmente tem uma consciência superior ao limitado
apenas à cultura terrena. Ele não vê apenas uma “vida de cão” limitada à esta encarnação.
Ele vê, ele crê, numa eternidade. Então o investimento se torna diferente.

        Assim a espiritualidade tem se efetivado como uma condição para perfeição, para
ser feliz. Diz outro velho ditado; “o muito sem Deus é pouco, o pouco com Deus é muito”.
Uma mulher, um prato de comida, que possam ser apreciados com amor, com gratidão, são
riquezas. Fora isto as coisas não tem o mesmo valor, pois são da ordem da ilusão.

        Assim a igualdade tem sido antes uma condição interior do que um manifesto
exterior, e a riqueza verdadeira tem sido antes espiritual do que material.

       A espiritualidade não preconiza um caminho de servidão. A espiritualidade não
gosta de servidão. A espiritualidade não serve o alimento da ignorância. O que ela faz é
apontar um outro caminho de solução que traga a verdadeira solução. Verdadeira em
relação à sansárica, àquela que os ratos e as traças destroem.

        A lógica materialista pode diferir da lógica espiritual pela abordagem: uma arde, a
outra clareia. E podem encontrar a unidade. Eis o ideal.

                           EQUILÍBRIO SOCIAL
        Estive analisando os fenômenos sociais de conflito em sociedades onde o
ordenamento é de assunção coletiva e onde o ordenamento é de assunção individual. Se a
prática não é perfeita, o que é reprimido ou negado encontra sua respectiva condição para o
equilíbrio: assim, no caso em específico (desta análise) temos uma condição
individualizada, ou minoritária, e outra coletiva, ou massiva, em termos de uma resposta
efetiva na tentativa, ou no afã, de reequilibrar, fazer justiça (na ignorância, na confusão, é
reproduzida a lei de ação e reação, ou lei kármica/dármica).

        Assim, em sociedades muito estruturadas, onde o indivíduo é muito socializado para
manter uma ética de relacionamento interior, a insatisfação geralmente, quando ocorre, se
manifesta de forma coletiva, contra um inimigo exterior: as insatisfações próprias de uma
vida pouco “realizada” (feliz, bem-aventurosa), são direcionadas para combater o inimigo
que é socializado, permitido pela ética interior, o inimigo exterior. Assim, a alteridade se dá
de forma coletiva, em função de uma nação, território, religião ou qualquer uma destas
associações de coletivização (o valor da cidadania global é menor que o da cidadania local
(“bairrismo”), que é o ideal, superior, próprio).

       Ainda nestas sociedades pode ocorrer um racha na estrutura interior, criando
vertentes de direita e esquerda, mais liberais ou mais conservadoras, que disputam o poder.
A catarse é celebrada na busca do equilíbrio, verdade, justiça, na baila desta dicotomia.

       Mas há sociedades onde o equilíbrio social não é tão feito ao nível do costume
social coletivo, leis e normas éticas não são tão padronizadas pela fé do cidadão, pelo
cumprimento de seus postulados coletivos. Nestas sociedades pequenos grupos, ou mesmo
indivíduos, dispersos, dão a resposta ao desequilíbrio (ainda que isto possa ser um
fenômeno comum, não há o caráter de movimento coletivo, organizado: são como erupções
surgindo por diversos lados). Assim desobediências, roubos, assaltos, seqüestros, não têm
um caráter ideológico, político-institucional, mas vem como resposta de um indivíduo ou
grupo, num caráter mais imediato e um tanto quanto anárquico (o indivíduo ou grupo não
visa resolver o problema coletivo, no máximo serve de exemplo como resposta efetiva, pois
toma para si o fruto de sua ação).

        Vamos trazer como exemplo os países que seguem o alcorão, onde a disciplina
interior do indivíduo em relação ao ser coletivo (de mesma religião) é grande: os conflitos
geralmente ocorrem como resposta coletiva, de um povo, de uma nação ou de um segmento
da religião. Veja o caso do Brasil, um país cristão com grande miscigenação racial-cultural.
Há uma tensão social do tipo “competição selvagem na Babilônia da Vida”, ou seja, o sal
natural do oceano disciplina a vida.

      Esta autofagia, coletiva ou individual, cessará: O Reino de Deus Triunfará. Por
inúmeras vezes conheci que não vale estressar, o que tem e quem tem de morrer, morrerá.
Apenas explico o que há e certifico minha fé na paz que advirá.

       Eu agradeço.

                   IGNORÂNCIA E POPULISMO
       Vos digo que um dos vícios da democracia é o populismo, que se distingue do
popular ou democrático pelo fato de ignorar a consciência, ou seja, a condição de um
melhor administrar no Tempo e Espaço, para agradar um corpo eleitor.

       Assim vou exemplificar. Vi no jornal da manhã de hoje que o Governo está
querendo regularizar a situação do estacionamento de determinado setor da cidade. O fato é
que os proprietários de veículos são pressionados a pagar pedágios a populares que se auto-
declaram “tomadores de conta de carros” (vigias), isto informalmente. Por medo ou por
caridade ou por tolerância a uma situação de falta de emprego, a população dos condutores
de veículos paga os pedágios.

       Então o Governo quer regularizar a situação, acabando com a informalidade da
situação. Quer oficializar o serviço, conferindo aos jovens este lócus do Mercado de
Trabalho.

       Eu vejo e fico “indignado”. Porque creio que o ideal é criar postos de trabalho em
algo mais providencial, e há sim, que coibir esta chantagem social, onde os “tomadores de
conta de carro” são na realidade uma ameaça em potencial de dano aos veículos. São como
os pedintes que anunciam: “Olham, eu preferi pedir, porque poderia estar roubando” e
deixam o recado da ameaça implícita aos que não quiserem contribuir.
       Então não tem que regularizar o serviço neste setor não, e nem gerar mais impostos
aos condutores de veículos. Tem sim que gerar empregos dignos na área de serviços ou
produtiva, arrumando a casa.

        Por serviço digno ou providencial entenda aquele no qual o cliente e o trabalhador
se sentem agraciados pelo serviço em realização, o que não tem ocorrido nessa situação.

       Então ordem (os carros não estão ameaçados na rotina normal do dia, então não há
necessidade de contratar segurança a todo momento), educação social (solidariedade entre
os próprios condutores, os comerciantes, zeladores de outra ordem e o povo, quanto ao
cuidado dos bens e o acesso à polícia) e progresso (encaminhamento deste povo
desempregado para outros postos de trabalho). Assim uma Nova Vida, uma Nova
Cidadania.

             MATERIALISMO E ESPIRITUALISMO
       Tenham discernimento do significado de cada um destes termos sabendo que é a
consciência quem dá a verdade sobre a questão, ou seja, é a única que de forma presente
sabe.

      Por espiritualismo pode-se entender a verdade, mas uma verdade intrínseca, interior,
permanente. Mas também no materialismo a verdade pode estar presente.

         A questão é que o material costuma estar relacionado ao plural, e o espiritual ao
único.

        Então o espiritual é a unicidade de um caminho, mas se o corpo material tiver várias
ligações, há a tendência à relativização de um corpo dividido até uma multidão em conflito.
Esta é a questão que verdadeiramente permeia a situação dicotômica entre o material e o
espiritual, entre a diversidade e a unicidade.

       Mas na vida comum isto se dá de maneira comum, o que falo que só a consciência
pode discernir em verdade a verdade.

        De acordo com o espiritual a condição de cada homem deveria apontar para a paz, a
comunhão universal. De acordo com o material, que conhece e reconhece uma situação de
conflito, o caso é relativo, e dependendo da situação há que se ter a proteção e a
desagregação: a força e a exclusão.

       No sentido doentio o materialismo é o vício que opta por brigar em vez de
renunciar, e o espiritualismo é o vício que opta por renunciar em vez de brigar. Quem tem
cabeça, tem consciência, é que tem a correta decisão sobre a questão.

       O espiritualismo age evangelicamente para se manter são (é comportamental a
condição de sua saúde), e se adoece busca a reparação na caridade, no perdão, na religação.
Já o materialista busca comer bem, dormir bem, se proteger da flagelação física, dos
possíveis contatos corporais com as fontes da infecção, os vetores físicos da questão, e se
adoece busca matar o agente agressor através de antibióticos ou fortalecer o seu sistema
imunológico interior.

       No materialismo a relação entre saúde e doença não é reconhecida como um fato
existencial, como um desequilíbrio (pecado) ecológico com origens em seu
comportamento, seu modo de pensar, falar, agir ou cultivar e até suas ligações Kármicas e
Dármicas. Quem concebe assim é o espiritualismo.

       No espiritualismo a relação entre saúde e doença não é em primeiro plano
reconhecida pela matéria, pela base física, por onde esteve, com quem lidou, o quanto se
alimentou, mas antes o como com estas coisas operou. E este como está relacionado à sua
fé primeira na boa intenção e ação (e não ao instrumental físico-técnico de proteção).

       No materialismo se busca polícia, prender e punir o malfeitor. No espiritualismo se
busca educar, e saber de si o que anda fazendo para receber aquele tipo de ação divina ou
mesmo como melhor solucioná-la.

        A tendência do materialista é alienar sua vida no exterior de uma sociedade que lhe
dá elementos existenciais concretos. Já a tendência do espiritualista é alienar sua vida no
interior, e buscar criar a sua intervenção, a sua criação. A consciência é a solução do
Caminho; A Unidade é A Perfeição (Na Grande Casa de Deus todos têm sua Habitação, do
Inferno ao Paraíso, cada um em sua condição).

        O materialista tem consolidado sua verdade de forma taxativa, e isto o mobiliza para
a integridade e verdade, mas não havendo em sua base a verdade existencial, ruirá,
apodrecerá. O espiritualista, por mexer com o Mundo Sutil, por considerar esta existência
tão Tênue e delicada, costuma ter dificuldade em ver consolidada a verdade num mundo
cujo metabolismo envolve tanta catarse. Daí ter sido frágil e optado por construir do
interior ao exterior, do invisível para o visível, do sutil para o material. Mas a verdade está
na unidade, do ser interior até onde for. Travar o bom combate é ter consolidado isto no teu
interior. Eu venci o mundo é triunfar. Cristo reinar é preponderar sobre a matéria, é matéria
lúcida por todo lugar, é no amor habitar.

       Em qual extensão pode ser praticado o perdão e a punição?: este é o equilíbrio da
balança: a consciência entra aqui trazendo a justiça para cada situação: A Verdade Divina.

       O fiel da balança é espiritual porque é dele quer vem a base da vida, a síntese
imortal, mas isto é claro, racional, material: não é viciado em atitudes de frouxidão, uma
misericórdia medrosa ou condescendente com o ladrão. E este espiritual deve se consolidar
ao material: em verdade, de cabo a rabo, do princípio ao fim. Assim é a unidade e assim
funciona o homem espírito-material em sua integridade.

       Assim como uma criança que se levanta, assim o espírito vai dominando seu corpo e
conquistando sua consciência de unidade com integridade (Este é o Reino do Cristo, Em
Verdade).
       Eu agradeço.

              O CONGELAMENTO EXISTENCIAL
     É uma prisão. É um limite que não corresponde ao amor divino, não corresponde à
comunhão existencial e pode ser um limite à compreensão da perfeição da vida.

        Estava lendo um gibi que falava sobre o fenômeno do congelamento do corpo. Os
primeiros pontos a sentir são os extremos. A sensação de frio é substituída pela de dor
(queimadura pelo frio), depois há a perda da sensibilidade, continuando vem a imobilidade,
e na fase final a necrose dos tecidos. Isto se dá quando os tecidos não são protegidos e a
circulação para de chegar ao local (sem circulação não há o calor interior que manteria
sadio o tecido). O fato das extremidades se dá como um limite de acesso da irrigação
sanguínea que transporta o “calor” (o vigor, a saúde ao tecido).

       Bom, humanamente falando, isto pode se dar com o tecido social, com o corpo
existencial de um ser. Assim o indivíduo vai se isolando, se trancando, e vivendo
limitadamente, comedidamente. Até podendo adoecer e perecer tal qual é conhecido quanto
ao corpo físico.

       Então muito julgamento, muito cerceamento, muito apartheid, muita segregação,
pode levar a esta condição de isolamento e morte de uma porção do corpo social,
principalmente a da periferia.

       Ficar observando sem agir, congelando sentimentos, pode ser como abdicar de uma
realidade que se ausenta deixando no local o vazio e a depressão de uma vida sem sal,
vazia. Tanto o homem enquanto indivíduo quanto às suas culturas, os povos, tem esta
regulação, ainda mais neste momento de globalização.

              Assim encolher e expandir tem de ter a sabedoria do existir.

                 O LEÃO ME QUERIA DEVEDOR
       O leão a que me refiro é o fisco da Receita Federal (o Imposto de Renda).

       São multas acumuladas por atraso na entrega de declarações, que remontam a mais
de R$2.000,00, ainda que o declarante não tenha tido renda, em cima de rendimento R$0,00
estas multas estejam a cobrar.

       No tocante à pessoa física isto esteve a vigorar, e eu tive que pagar (atraso num ano,
por 15 dias) pois não a perdoaram (e o leão tem a lei que lhe impõe condição, ainda que
também o rendimento a declarar tenha sido R$0,00).

      Então pensei com os “meus botões”: estou pressionado a ganhar, ao que me parece
um caminho mais fácil do que brigar e esperar a lei mudar.
        Mas também pensei: “você cai num buraco, aí jogam terra em cima”. Mas lembrei-
me da esperteza de um cavalo, que foi empurrando a terra para o canto, e assim foi se
assentando cada vez mais alto, até poder sair do buraco (a sabedoria que faz das
dificuldades a escada da ascensão).

       Mas já fiquei indignado. “Como vou ganhar se me dificultam o caminhar”. As
dívidas tornam a cidadania restrita. No caso da receita federal um devedor não pode abrir
um negócio em seu nome, não,pode responder por instituições e até ter restrições de
créditos e outras operações (seu nome é inscrito no cadastro da Dívida Ativa).

        E volto eu a pensar que a dívida, a multa, deveria ser relativa ao ganho. Eu atrasei
pois me considerei sem força, sem cabeça. sem auxílio técnico para declarar. Isto foi um
período da minha vida. Mas para isto valer na burocracia deveria ter sido comprovado por
uma autoridade burocrática: eu como bom descendente de índio que sou, sou independente,
auto-suficiente, não costumando a me valer da burocracia para me credenciar, tratar etc.,
ainda mais quando esta burocracia sempre o está exigindo o que eu não tive até agora para
lhe dar: dinheiro.

       Vou continuar na informalidade. Tenho declarado o nada, porque quem teve
empresa não pode dar baixa tendo dívida, e não pode deixar de declarar, mesmo não tendo
rendimento. Tenho me mantido em dia, mas o débito passado ainda está lá a me cobrar e
“pressionar”.

        Então vou bater à porta de novo pedindo o perdão. Mas junto a isto vou procurar
ganhar porque não posso e não quero continuar nesta condição de faltoso cidadão. E se
ganhar bem vou é pagar sem mais questionar ou pedir perdão, porque já fiz isto no
particular, demorou um tempão, investi no escrever, me apresentar e acompanhar, e o
retorno foi um não ao perdão.

        Dançar conforme a condição, conforme o Tempo em Questão. Quando cobraram os
impostos a Jesus, ele não disse não: Dê a César o que é de César, e pagou com a moeda que
tinha o Imperador como inscrição.

       Jesus, na época, pegou um peixe e tirou a moeda de sua barriga. Eu acho que o leão
tá abusando. Como gatinho manso eu até o acho bom, mas como fera da selva de pedra ele
bem merece uma lição. Tenho certeza que ele não está apertando só a mim, mas toda uma
população em diversa situação. E o homem está acima do “Rei da Selva”.

      Vou exitar! Vou pagar o que estão a me cobrar. E vou triunfar. Na Bem-
Aventurança Prosperar.

       E o leão nunca mais vai me afrontar.

          O MERCADO MUNDIAL E A ECOLOGIA
       A exploração de países por outros, de mercados por empreendedores, por vezes soa
como algo de usar o externo, de aproveitar para se dar bem, sem uma identidade ecológica
com o “Planeta”, a Vida, que nos convém, agora e sempre, amém.

        Assim, a corrida “atrás do ouro”, quando é disciplinada, é como uma disputa
esportiva. Em alguns lugares usam como miras os pombos, Tiro aos Pombos. Noutro
apostam na destreza do que faz o outro “arregar”, de tanto o socar, violentar (“mas é tudo
da lei”). Pode se dizer que também é ecológico, levando em conta uma vida selvagem de
predadores e predados.

       Claro que os países antigos, de 1º mundo, aprenderam a observar melhor isto com
relação ao seu povo, aos seus pares de nacionalidade. É a ecologia que lhes chega como
cuidar bem de casa e do quintal. Mas com a globalização o quintal se torna o mundo,(quiçá
a própria casa). Então tem de cuidar.

        Assim um equilíbrio mundial e um equilíbrio em cada base territorial, sem
escravizar, violentar ou parasitar. Um equilíbrio sadio local e mundial. Mas como tem
resgate Kármico, ou seja, tem haveres a serem cobrados, a roda ainda vai girar até poder se
equilibrar.

       Já escrevi como realizar um desenvolvimento equilibrado e auto-sustentável.

       E agradeço.

                     O MÍSTICO E O RACIONAL
       O Caminho é a Chave Especial. É ele quem dá o Brilho da perfeição e diferencia
técnica controlada num laboratório de uma vida determinada pela Benção de Uma
Caminhada.

       Mas note: a razão não deve ser descartada, e os frutos de laboratório tem sua
correção de acordo com a adequação, a evolução, a condição do laboratório. Mas o que não
é controlado pode ser iluminado, perfeito no Grande Laboratório que é a Existência.

       O místico é um caminho no qual pela fé, pela obediência às orientações, pela amor
devotado, se obtém algo que por vezes o intelecto não racionalizou, e nem a ciência da
razão previu ou controlou. Mas isto não deixa de ter sua ciência, e pode ser racionalizado.

       Assim um místico que se prepara por um caminho sacralizado, ritualizado, segue as
instruções ou o caminho de um “Cientista da Luz”, ou de sua Equipe de Provedores,
também da Luz.

       Bom, ao tomar um copo de água, lembrei que muita coisa, impureza, poderia ser
lavada através deste simples ato. Aliás lembrei disto ao mijar e pensar que muita impureza,
contaminação, havia sido abandonada, derramada, por aquele simples ato. Assim libertação
de problemas.
       Então um corpo que tem uma dinâmica fluida: bebe, come, se relaciona, faz amor
intensamente, pode utilizar destes simples mecanismos orgânicos e viver com saúde, sem
racionalizar todos os ingredientes sutis que está a “trabalhar”. Assim vive.

        Mas pode ser que ao submeter o mesmo indivíduo dinâmico a um process de
quietude, sem se alimentar, sua estrutura entre em falência, porque se tudo não tiver bem
cuidado a sua dinâmica natural vai continuar a demandar aquele equilíbrio dinâmico de
outrora, ou seja, um alto metabolismo funcional. Então havendo uma adaptação para a nova
vida, se faz a passagem com cuidado para que não hajam colapsos.

       Assim, um indivíduo que se submete a regras, princípios, quisilas, preceitos, na
realidade está adaptando sua vida, seu corpo, a uma nova dinâmica. Assim se explica um
iogue deixar de comer e ficar a meditar sem problema. Seu corpo, seu cérebro, sua
consciência foi preparada ou se encontra na condição para tal. Claro que há paz, há uma
consciência espiritual luminosa que o permite andar em equilíbrio. A mente de tal sujeito é
refinada, é ligada no alto, na Chamada Coroa Universal, ou ainda, noutra linguagem, na
Luz Espiritual.

       Mas também explica Jesus se relacionar com todos (não se isolar) e comer e beber
livremente. Sua máquina, corpo, tinha condição para tal dada pela sua “gerência” especial.
Assim o discernimento é como uma “máquina de aproveitamento” do que se pescou,
separando o joio do trigo dentro e fora do corpo, nas relações sociais ou nas impurezas que
estavam incrustadas em meio aos alimentos, e com isto, com esta sabedoria, a transmutação
dos elementos, ou seja, também o reaproveitamento, a reciclagem, a transformação do
impuro em puro, que é a mágica da natureza que faz do cocô (dejeto, lixo) até novo
alimento (via decomposição, cadeia alimentar etc.).

        Então o místico pode ser racionalizado, se for o caso, se for adequado. Mas a
máquina, o corpo, quem faz é a consciência, que o controla em qualquer estado, mas não o
ignora, pois ama e Obedece ao Pai.

                  O VÍCIO NA SAÚDE CURATIVA
        Estive conversando hoje pela manhã com minha esposa sobre saúde, a partir de
mais uma matéria jornalística onde o tema aparece como sendo a principal reivindicação
popular. Mas a forma como está sendo pleiteada saúde é mais médico, mais hospital, e isto
representa um vício de combater o efeito ao invés da causa, assim um setor fica
supertrofiado (inchado, grande demais) e isto não é bom, conforme já vos versei antes.
Uma sociedade ideal deve ter os homens bem preparados para se manterem hígidos em
justiça, e não depender de excessivos cuidados externos que caracterizam um vício.

        Costumo dizer que o remédio via barriga, via sistema digestivo, não deve ser o
único, e até exemplifico que o Evangelho Cristão é eminentemente comportamental. Além
do remédio via ingestão oral, o povo deve redescobrir a carícia essencial, a massagem
intuitiva, o relaxamento terapêutico e o cultivo de hábitos sadios. Claro que isto os retira do
inferno do conflito do dia a dia, criando uma outra forma de convívio social (mais
ecológica).

       Dei um simples exemplo para ilustrar o que considero um vício na saúde curativa:
ter uma parede mofada em casa, gerando alergia e problemas respiratórios, e ficar tomando
remédios da indústria farmacêutica sem logo corrigir a Fonte do Mal (aparentemente a
parede que está vazando e permitindo a proliferação do mofo, que são microorganismos
que residem em locais sombreados e úmidos).

        Outro dado é que para uma clientela mais pobre os remédios da farmácia são muitas
vezes algo distante de sua condição de produção, ou seja, são como uma cultura perante o
qual são alienados, e portanto são frágeis para nutrirem dependência. Então um Aloe Vera
da farmácia pode ser facilmente substituído por uma Babosa do quintal, assim como um
antiinfectante farmacêutico pode ser facilmente elaborado com o Álcool e a Arnica (que
tem na vizinhança ou é barata no raizeiro). Assim a sucupira para garganta, a semente de
abóbora ou o Mastruz com Leite para a verminose etc. e tal.

        E além disto, no campo existencial, deve fazer parte da cultura a ciência existencial,
o exame de consciência que permite conhecer as coisas da vida que estão levando àqueles
problemas (no caso da parede mofada, a consciência luminosa teria reparado antes do mal
se instalar, “ah, mas não tinha dinheiro”, então teria caprichado na limpeza ou mesmo teria
dado um jeito de obrar e priorizar recursos a fim de não deixar um mal maior chegar, que é
as doença manifesta no corpo próprio ou de algum ente familiar).

       Quem examina consciência, medita, pede a Deus ou a seu Guia a instrução para
vida, não paga a mais por isto, está ao alcance de qualquer cidadão, e faz bem de montão
pois conserta a vida em toda situação.

        A Casa da Gente é como um Templo, além do corpo, além da roupa, então ele
também comunica a situação da saúde existencial. E isto está relacionado ao campo das
relações ecológicas, quer com a natureza quer com o social. Uma vida Zen pode ser
chamada também de uma vida equilibrada, sem pecado. E o vazamento da parede
corresponde a um vazamento existencial referente a alguma postura diante da vida que
precisa ser sanada, reparada.

        Note que não vos falo que você precisa cortar relações com pessoas que estão
doentes, que são pecadoras etc, e tal, mas sobretudo vos falo que deve ser reparada a forma
de lidar com elas. Este é o princípio que o permite andar por todo lugar, e ajudar, sem se
contaminar (sem deixar a parede mofar).

       Mas claro que até isto é de acordo com sua situação. Se você não dá conta de cuidar
da questão, o afastamento não é segregação, preconceito, mas antes renúncia que também é
sabedoria em ação. Então sua vida vai sendo comedida segundo elementos que o permitem
exercer uma boa qualidade de vida: isto é Boa Administração.

      Feliz você vai vivendo, com saúde, com alegria, com todos bem em família, Este é
um grande galardão. A isto se chama Bom Caminho e até Bem-Aventurança: sabedoria de
gestão segundo a própria condição e a condição daqueles que convosco habitam a mesma
embarcação, trilham no mesmo sentido e direção.

       Eu agradeço.

                          PARAÍSOS NA TERRA
       Quem trabalha realizado, no exercício de seu dom de excelência, tem um excelente
princípio. Com isto satisfação, paz, alegria, otimização do produto da ação.

       Falo isto porque a atividade com o qual se preenche o dia não é desviada. Assim há
uma certa paz e um contentamento natural com a obra que se depreende de suas mãos.
Assim outras circunstâncias vão encontrando, se necessitarem, arrumação. A matriz
energética está centrada no objeto da realização.

       Agora pensem que tal pode se dar num trabalho com crianças, com os anjinhos.
Num trabalho de arte: quanta beleza, quanta verdade de expressão. Assim também quem,
produz beleza, quem produz frutos dignos de admiração.

       Quem gosta de festa, faz festa. Quem gosta de turismo, faz turismo. Quem gosta de
esporte, trabalha nisso.

       Eu gosto do que eu faço. Assim um construtor uma vez me disse sobre seu ofício de
levantar ou reformar casas.

       Mas tem lugares que são especiais, pois o que se pratica encontra recursos para a
boa prática, e também boas condições ambientais. Assim é o galardão.

       Com isto a contribuição para a organização do todo se faz. Este primor é qualidade
de vida que contagia, é excelência que brilha expandindo o ar de sua graça.

        Claro que isto é o sonho de realização de todo cidadão: ser feliz no trabalho, ser
feliz na vida, ser feliz em toda extensão.

        Quando vejo gente bonita, bem tratada, vejo que há realização: o encanto da vida
está presente então. Se arruma bem para o trabalho, para a igreja, para a reunião. Se arruma
e arruma sua casa, seu carro, seu quintal. Isto é um claro sinal, coroado quando o sorriso se
dá, em franca apreciação.

       De bem com a vida, alto astral, sempre pra cima, não tem tempo ruim, cheio de
disposição, são algumas das denominações que representam o sujeito realizado. Zen,
tranqüilo, sereno, sempre saudável, cortês, educado são algumas outras. Formidável,
brilhante, um gênio também fazem sua vez na referência ao realizado.

                        POLÍTICA ECONÔMICA
       Este texto descreverá a política econômica do Estado Brasileiro na conjuntura atual.
Em síntese descreverei a ótica política que norteia a presente política, um tanto quanto
“Hobin Hoodiana” mai generalizada, porque não rouba só dos ricos para dar a aos pobres,
mas também da Classe Média e dos expoentes empreendedores que se formalizam, assim
achatando a economia de Livre Iniciativa e confortando uma determinada inércia cômoda
mas não promissora nas categorias onde a economia de mercado não é exercida
(dependentes de renda ou ajuda social que não participaram do mercado ou não participam
mas amealham ao menos parte de seus sustentos nestas bases).

        Assim Bolsa Família, ajuda paras comprar o gás, pagamento de aposentadoria ou
pensão para os que não foram contribuintes, Pão e Leite, saúde, escola etc. Esta é a forma
que vem sendo encontrada para sustentar uma parcela do povo que ficou “a reboque da
história” (pobres, miseráveis, infortunados das mais diversas ordens: oprimidos, caídos,
desalentados, adoentados, marginalizados, sem condição para ocupar um lugar no
mercado). Isto é posto como Dívida Social Nacional.

        Carregar este “Piano Pesado” é dedicar parte de seu produto de trabalho a quem não
“chega junto”, não se afina, com um ritmo promissor de trabalho, de vida. Assim, um
programa de Assistência Social Básica garante uma subsistência deste povo, até que possa
se emancipar. Melhor que isto é proporcionar um Programa que o permita se dignificar,
despertar o valor que está adormecido entre a revolta e adequação à uma situação de
“aceitar esmola”. Assim Cidadania, Ordem, Progresso e o Brilho de Uma População Sadia.

       Mas isto não é obra de uma simples economia, de um simples ajuste nas taxas
financeiras, que regula mais ou menos, mas antes é fruto que tem por base o Fogo da Fé
numa Nova Vida. Assim um homem, uma mulher, um doente, se levantam e carregam sua
cama.

       Sim, é isto que o povo clama: Uma Nova Chama.

                        PROCESSO HISTÓRICO
       Estive assistindo uma reportagem sobre o processo histórico-político de nosso país.
E se abriu uma lente sociológica de nossa cultura.

        Num país cristão, com desigualdade social, depois da repressão, surgiu um popular.
O comunismo, o socialismo, fora podado, e ficou engasgado na mente dos intelectuais e na
fé dos populares. Assim houve a gestação de um representante popular.

        Veio do sindicalismo, a maior expressão de organização de um povo no espaço
político, no ambiente do trabalho. Os trabalhadores lutando por seus direitos de dignidade.
Mas a expressão democrática tende a caminhar de acordo com a fé coletiva, que é
interativa. Assim os próprios corporativismos, e as próprias contradições, ficaram sendo
enfrentados em busca da solução, da perfeição. A igualdade idealizada, almejada, desejada,
encontra com a alteridade e até mesmo com a verdade, e nesta interação se continua a
buscar a felicidade.
       A luz maior vem com a religião, aquela que tem a promessa da paz, da
prosperidade, da perfeição, e nesta vida ou na próxima (após a morte), a Salvação. Então
eis a base ideológica que prosperou em toda a nação. È ela quem apascenta o rebanho e
nutre de força, de fé, de esperança, a nação.

       A alienação era julgada como fonte de alienação pelos políticos de esquerda.
Através da religião se obtinha uma conformação, uma opção por um caminho de paz e
humildade, que desagradava o ideal libertário que incendiava o peito justiceiro
revolucionário de então.

       Mas acontece que seus frutos foram bons. Ela conseguiu concatenar seu fiéis com
boa dose de amor no coração, mas não só isto, com motivação e força para prosperar, na
saúde e na bem-aventurança. E assim diversos viés sociais de marginalidade foram por ela
evitados (drogas, roubos, assassinatos, crimes em geral, abusos éticos e morais (vícios ~
desequilíbrios) etc.). E além disto, ela foi incorporando a construção do Reino de Deus no
seu coração, na terra e na realidade em que vivem desde então. Então isto significou
conquistar a matéria, o emprego, a progressão. E assim as correntes de libertação, de
prosperidade, entraram em ação, como justas para a Vida, desde então. A fé foi se firmando
numa base terrena de ação.

       A justiça sem amor fica com algo a faltar. E no meio político, ainda que se possa
amar, não é ele o centro do altar. Já a religião celebra o Amor, e clama pela Justiça deste
Patamar. Ou seja, não a justiça dos homens, considerada imperfeita, cármica, mas a Justiça
de Deus, que celebra a vida eterna desde já. E o caminho para isto é o Divino Espírito
Santo, a Fé no Amor. Assim recorrem aos santos, às santas escrituras, relatos de povos
exitosos, e cantam e dançam esta criação, e pedem a solução, e louvam a sabedoria de Deus
em ação, e agradecem pela vida com devoção. É este o galardão.

        A solução pregada pela fé política, pela política da religião, é uma solução não
apenas estrutural, que invoca a responsabilidade do Estado, das lideranças políticas, mas a
solução de cada um, pela luz que paira sobre cada um, que vai dando a solução na dose
certa, na condição, no Tempo e Espaço, na vida de cada irmão. Então o geral e o particular
entram em unificação.

       Então ouso dizer que uma liderança política virá deste meio em questão. É uma
clara opção de vida, uma opção de construção onde cabe o velho, a criança, a família, o
“irmão”. Assim o prisioneiro, o doente, o ladrão, todos merecerão atenção. A “Voz do
Mestre” será A Invocação. Pois este é o mandamento de base de fé do cristão. E
mandamento de base de toda religião onde haja amor.

        Então é esta liderança que está em gestação. Uma liderança que trará a Força da Fé
para a Vida de uma população, de uma nação. E as obras da fé renovam, derrubam
barreiras, ressuscitam irmãos. Assim é que todos podem vir a se darem as mãos. Além da
denominação, além do egoísmo do corporativismo. E isto com a celebração da Razão. Pés
no Chão. A fé gera confiança e a razão aterra o que é desde então e coloca a verdade em
ação.
       É o Novo. É a próxima fase da Evolução.

       Depois disto só resta a unificação do reino, ou seja, a vida é o que está em
celebração, santa, abençoada e amorosa, sempre firmada no coração e na mente da nação.

                     REALEZA DEMOCRÁTICA
        É belo um povo que tem amor e respeito à sua nobreza. Eles sentem orgulho no
peito como sendo quem os espelha.

        Este sentimento puro é de admiração, é de singeleza e é de pertencimento, porque
faz parte de sua natureza aquela condição divina. Como uma bela flor, ou uma bela mulher,
ou um belo guerreiro, assim está realeza em sua nobreza.

       Sem mácula este é um sentimento e um zelo divinos.

       Assim um povo cultiva sua natureza.

        Mas há os que se corromperam, por inveja, despeito, e por estes princípios nada
nobres, querem o poder de qualquer jeito. Então blasfemam, humilham, criticam, atacam de
todo e qualquer jeito. Assim fazem a guerra dizendo que querem liberdade, justiça, mas não
é amor ou verdade que residem nos seus peitos. Com isto, se tiveram condição, se esta for a
sentença da população, vão experimentar o que é uma democracia sem respeito, feita de
injúrias, desconfianças e críticas de todo jeito.

       A natureza divina exige respeito. Sem amor não tem solução, tem caotificação.

      Então não é um sistema que tem a solução, mas forma pela qual se faz a sua
condução.

       Admiração, amor no coração, constrói uma brilhante nação; e emana dos corações a
condição desta construção.

       Há uma transformação na vida de cada irmão a partir desta consideração. Isto não é
e nem será alienação. Peça sempre a Deus que lhe dê a força, o galardão, quando tiver de
promover alguma reparação, crítica, transformação. E caminhe nesta divina condição, de
eternidade santa, meu irmão. Assim, não cairá na Babilônia (Terra da Confusão, da
vulgaridade sinônima da prostituição existencial de um mundo sem importância e em
decomposição) esta é a diferença do cultivo existencial, do caminho da salvação e do
caminho da perdição.

       Assim, tua crítica será conseqüente, bem compreendida, e dará frutos de correção
(não será alimento de altercação e mais dor e confusão). Esta é a diferença de ação entre o
homem probo e o vulgar.
        A Realeza está na Vida de quem sabe caminhar (honra ao deitar, levantar, caminhar
realizar, ensinar).

       Eu agradeço.

                      SAÚDE URBANA E RURAL
       O que difere basicamente é o meio ambiente, que importa. Na cidade as coisas são
produzidas, em sua maioria, por terceiros, e na simbiose o equilíbrio vai sendo feito. No
campo há a elaboração caseira, há o que é ofertado diretamente pela natureza. A natureza
da cidade é basicamente humana; a natureza do campo é basicamente vegetal ou animal.

       Assim, as formas de se apropriar dos recursos ganham um diferencial. As
sabedorias são relativas. O equilíbrio é contextual.

      Todos tem direito à liberdade individual, mas tem de se ter sabedoria quanto à
dinâmica global: o humano bate à porta do natural e vice-versa: Ecologia de vida Universal.

            SOB A EGRÉGORA, SOB A CULTURA
       Egrégora de Luz, Manto de Maria. Cultura de um Povo, Sabedoria de Vida.

        Todos encerram uma performance de equilíbrio, cada um em sua condição, em seu
mundo, em seu estado de evolução. O maior pode englobar o menor, o inverso não se dá
por uma questão de compreensão, ainda que haja interatividade . Além do contato natural
intersticial, pode haver também internos ao menor, vetores da mudança, que compreendam
o maior (numa linguagem religiosa é o caso dos missionários ou dos abençoados).

       Mas numa cultura, na praia, é lícito às mulheres andarem de “calcinha e sutiã”
(biquíni), e noutra até andarem nuas em seu cotidiano, mas há locais e culturas onde tal não
é permitido. E o fato é que a vida caminha com um certo equilíbrio.

       A quebra de paradigmas, a ruptura de tradições, deve ser feita com atenção e amor
no coração.

       Uma mente tem paz e um ser se acha justificado se anda de acordo com os preceitos
de sua cultura, de sua igreja. Mas a verdade cria responsabilidade, ou seja, o que se toma
contato num nível superior não pode nem deve ser ignorado. A inocência termina neste
ponto exato.

        Então formas de equilíbrio podem ser opção, mas a condenação doutras não. A
alteridade cultural tem motivos históricos, ambientais etc. e tais. Mas a condenação do
outro revela a imperfeição da visão, falta compreensão. A Verdade È.

        Antes de dizer que algo está caro prefiro dizer que ainda não tenho o dinheiro
suficiente, para não julgar o mérito do trabalho de algum irmão a especificidade de sua
vida, de seu produto, de seu caminho, enfim, o julgamento ignorante pode bloquear os
sonhos mais lindos que se tem vontade de materializar. Por isto respeito e humildade ao
caminhar: assim à luz e à sabedoria se há de chegar. A Verdade não condena, Revela.

       Quando falo de condenação me refiro a algo insidioso do tipo aviltante, ofensivo,
danoso. Não vos falo como sinônimo de inadequação. Assim é que os remédios são
adequados de acordo com a vida e a necessidade do paciente. Não há sentido em conferir
pérolas aos porcos: para eles seriam como pedras até desconfortantes.

        Então a adequação ou a inadequação de algo é justo pois corresponde ao “tamanho
da roupa que serve a cada um”. O ordenamento do universo é real, é racional. Não há
leviandade nisto. Uma organização deve ser adequada para saúde ambiental. Usando do
fisiologismo humano para exemplificar a barriga não deve ser a sede da consciência, ainda
que tenha de ser tratada também com excelência. A evolução da consciência permite amar a
toda existência.

       O discernimento é fruto da consciência, da compreensão, sobre o que é de cada um,
sobre a evolução. Assim os caminhos são santificados ou ao menos respeitados.

                            TEMPO REFINADO
       A cultura samuraica cultivou um Tempo Refinado. Na badalada da hora, realizada
manualmente, `a 01:00 h da manhã, o samurai, deitado (repousando mas em vigília do
próprio repouso) percebeu uma hesitação, um pequeno passar do tempo que seria o
habitual.

       Quando o tocador do sino chegou ele já sabia que houvera algo.

      Isto remonta uma cultura fina, precisa. E ao que tudo indica, mesmo no repouso,
permanece desperta a consciência, em vigília.

       Numa cultura menos refinada, mais grosseira, a pequena variação não seria notada,
e provavelmente ainda que faltante ou destoada, não seria notada, pois não adentraria no
pesado sono. Aliás, em certo caso seria tolerada (deve estar bêbado ou ter chegado atrasado
por algum motivo fútil).

       Então tais vidas são diferenciadas pela cultura celebrada.

        Falam de miscigenação de raças, de união das culturas, mas tal fato, principalmente
em nome do amor, não deve ser menosprezado. Deve ser considerado com o devido
respeito e consideração para que assim sim, de posse desta consciência possa se dar a
comunhão.

                                     VIAGENS
        Viajar é se deslocar, em corpo ou em consciência. Viajar, dito pela gíria brasileira,
significa admirar, prestigiar e também está relacionado ao estado alterado de consciência
experimentado pelos usuários de drogas: assim viajar também é mirar, ter visões,
“alucinações”.

        A Vida é uma viagem também é correto se expressar, sem que para isto se precise
ingerir nenhum tipo de substância especial que altere o estado de consciência da pessoa. Na
realidade esta viagem costuma ser integrada, estando de acordo com os aspectos normais,
sociais, de uma caminhada. Assim a vida é um curso.

        Às viagens por drogas são geralmente caracterizadas como mentais, ou seja, viagens
ao interior do ser, ao plano sutil, ou ainda como visões diferenciadas de como uma mesma
realidade costuma ser observada, e esta desperto por algum estímulo específico,
direcionado a este fim. Assim desde o uso de fármacos, passando pela imagem e som,
estimulando os sentidos em geral, há a busca e a celebração de um “estado diferenciado de
observação”: daí a “viagem” da linguagem popular.

      A viagem do termo comum, básico, se dá com o transporte físico do corpo. A outra
“viagem” é mais coisa da mente ou dos sentidos do observador.

        Existe um ponto nevrálgico muito combatido pela sociedade atual: é o uso de drogas
que retiram o ser de seu papel social, os tornando alienados (só nos baratos interiores ou do
grupinho), ou ainda os tornando revoltados, já que não mais aceitam a criação dos
anteriores (assim lutando contra leis, normas, éticas, comportamentos, costumes, contra a
forma de vida convencionada por seus precursores ou gestores sociais).

       Este equilíbrio entre a alteridade e a coletividade é uma chave do viver bem
individualmente em sociedade.

              A ESPIRITUALIDADE E A PSICOLOGIA
        A psicologia científica ainda não teve como comprovar o que é espiritual, então este
campo fica à parte, como algo que foge à realidade palpável de um mundo
cognoscivamente controlado (controlar o experimento é um dos alicerces da cientificidade
em geral, ficando o campo do meramente observável como algo ainda reservado como “em
pesquisa”, “em análise”). Assim, na prática a psicologia não deixa de tratar das questões em
geral, mas costuma reduzi-las, faz um recorte, enquadra, traz para um setor de seu domínio,
e a partir disto trata. Assim culturas, domínios sobrenaturais, são trazidos para seus efeitos
e relações com o real, e neste sentido a pessoa é tratada. Assim como a pessoa, o coletivo
(casal, família, grupo etc.) também é “balanceado”, como quem busca um equilíbrio das
relações, uma satisfação, com sede na identidade do indivíduo ou grupo e bom senso na
relação com o coletivo. Sim, esta arte tem sido o que tenho observado quanto ao metiê do
psicólogo.

       Já a espiritualidade busca mais efetivamente o conhecimento e a obediência aos
ensinamentos dos Grandes Avatares, Gurus da Humanidade, ou mestres e guias espirituais,
de sorte que se possa alcançar a eternidade existencial e uma vida condizente a esta verdade
desde esta realidade. Ou seja, há a busca de uma ciência, de uma verdade, superior àquela
no mundo constatada (uma realidade eterna em face a uma realidade peremptória).

        E no caminho da busca do ideal espiritual, a ciência racional é balizadora, como as
leis, de uma regra social. Assim, enquanto a espiritualidade mergulha no existencial, e nele
costuma colocar seu objetivo, a psicologia lá mergulha para trazer o indivíduo ao seu
mundo concreto, terreno, como quem celebra uma ecologia ambiental em relação à vida do
paciente em tratamento.

       Assim, tudo bem, de paz com a vida, o sujeito deve prosseguir seu caminho. E isto é
construído, esta compreensão da vida, e do caminho que está sendo seguido, é promovida
para ser desperta no paciente, para que seja inteira, verdadeira, para que esteja satisfeita na
base de conhecimento e credulidade (fé) do próprio indivíduo (ou grupo) que está se
tratando.

       Sim, os caminhos foram observados, as lógicas assinaladas, as correspondências
observadas, e este é o ferramental com o qual lida o terapeuta, junto às teorias explicativas
e bases metodológicas, para guiar o paciente em sua viagem de autoconhecimento e boa
integração à vida.

       A espiritualidade, por sua vez, busca observar o Caminho do Mestre, suas lições e
orientações, e editar e orar para obter a pureza e a benção do Bem Caminhar (purificar
corpo e alma, a vida, e obter ajuda do Guia e seus santos, anjos e companhia).

         A psiquiatria fica com a parte física, médica, com as análises químicas inerentes ao
equilíbrio biológico do ser (claro que faz uma ponte com a psicologia, mas sua ênfase é
esta, físico-médica). Já psicologia fica com o observável a partir dos comportamentos, dos
pressupostos para estes comportamentos, e as somatizações que disto decorrem.

        Vejamos a questão do placebo. Na testagem científica dos medicamentos em
humanos a questão da sugestão (relevância do psicológico sobre o ser, que é traduzida pela
cura física pela fé no caminho independente da química direta do que foi ingerido). Assim,
quando dividem o grupo de cobaias é comum que dentre os 50% de pessoas que ingeriram
“água com açúcar”, alguns apresentem os sintomas de reabilitação ou mesmo cura
esperados pela eficácia do medicamento. Há casos onde os percentuais se igualam ou
mesmo se invertem, indicando claramente que a sugestão terapêutica teve grande ou até
maior influência no tratamento do que a química em si.

        A ciência em si sabe que a fé, que a confiança, que o acreditar opera no ser, e por
conseguinte no organismo humano, verdadeiros prodígios, só ainda não conseguiu
metrificar, conhecer, todos estes mecanismos (são muitas variáveis em muitas intensidades,
que envolvem desde questões ambientais até história de vida etc.). A psicologia percorre
este caminho de conhecimento já sabendo sobre mecanismos que ajudam ou mesmo
possibilitam a cura (a consciência detona mecanismos que se abrem racionalmente para
permitir a cura, ainda que o próprio processo físico possa ainda ser inconsciente: vamos
dizer que a porta é aberta e assim o indivíduo extrai a cura via um medicamento ou mesmo
via um alimento comum, pois agora o seu organismo está em condição de assimilar).

       A psicologia é um caminho de cura, de auto-cura, de adequação para o bem viver, e
de ciência, porque é compreender o funcionamento da vida universal e de cada ser. Mas
enquanto terapia ela recorta bem para uma eficácia relativamente concreta de ajudar o
paciente a se estabelecer com equilíbrio, com satisfação, diante da vida.

        Assim, o Plano Existencial não deixa de ser tratado pela psicologia, mas enquanto
elemento de composição para uma vida em harmonia, em realização pessoal. O “Buscar a
Deus” não deixa de ser importante, mas com os pés no chão, ou melhor que isto, com
integridade, com maturidade, com ecologia própria e social, existencial.

        Então o amor, a consciência, tornam-se presentes. Mas a linguagem é outra porque
os mecanismos são outros. Um tratamento espiritual normalmente não pode ser diretamente
cobrado em termos pecuniários, mas uma terapia o é. É profissão, está no mundo
(econômico). Então meu ousaria dizer que é papel da psicologia conferir ao paciente
(individual ou social) uma certa condição de regulação de sua vida. Assim, como caminho,
é comum que trate dos desajustados dos mais diversos meios, inclusive aqueles que tiveram
problemas em suas religiões.

       E note que mesmo na psicologia, assim como na medicina, há especialistas, ou seja,
técnicos com formação e capacidade diferenciada para atender determinados tipos de
questões. São os limites ou mesmo os dons de cada um (digamos que têm chaves
diferenciadas que possibilitam o resgates de distintas situações). Assim, na psicologia
também há a triagem que indica a terapia mais adequada.

        A psicologia não costuma ter normas, ela ´prima por um bem estar de acordo com a
fé, de acordo com a cultura da pessoa. Ela trabalha com o ser, com o indivíduo e como ele
está posicionado diante de sua vida (idem para o social em relação à sociedade e vida em
geral).

        A religião, ainda que possa cumprir este papel, de curar os “olhos da consciência
interior, e daí os demais), costuma seguir a vida , o caminho, os ensinamentos de um
Mestre Precursor, e se organiza como uma instituição da qual seus membros fazem parte (a
pretensão é que seja por toda vida, ou vidas), ainda que com papéis diferenciados. Assim,
como instituição, há uma identidade que caracteriza os “irmãos”.

        Os mecanismos de cura usados pela espiritualidade costumam projetar caminhos de
fé, sem uma racionalidade aparente (lidam com a fé, co0m a confiança, como uma
premissa, uma prévia, para a conquista dos bens espirituais, que conforme a Vontade de
Deus, se derramam nos materiais). O Mundo Sutil, dos seres espirituais e da magia,
também é evocado. A psicologia como ciência do mundo faz um recorte desta “realidade”
sutil, não a ignorando, mas não trabalhando nesta seara, mas sim dentro do que pode ser
dito científico, que é o racional que busca conhecer o imaginário, e trata-lo para o bem estar
do cidadão, no aqui e agora, no mundo, e daí então à eternidade.
       A religião também trata da materialidade humana, mas seu ideal normalmente está
pautado num vir a ser de uma vida ideal, a vida espiritual (renascer como espiritual).
Renascer como Espiritual no Mundo é adentrar numa existência especial, numa vida e
numa sociedade ideal. Então os pastores, os padres, os mestres, são os condutores para esta
realidade diferenciada, são os zeladores desta “mundo especial”, desta Vida Espiritual.

        A espiritualidade cria egrégoras, as religiões criam ambientes de vida que envolvem
o Caminho de seus fiéis, de seu povo. Isto se dá na base de suas crenças, na educação ética,
isto forma o Devoto (o “cidadão religioso”). Uma religião dá a base de vida do seu povo,
seus valores fundamentais. E num país multireligioso, multiétnico, multicultural, mesmo
assim cada religião cria um caminho de entendimento e de relacionamento social (mais
ainda, ecológico universal). Esta egrégora, como já vos chamei em textos anteriores, gera o
“Manto de Maria”, sob o qual se abrigam e vive seu povo. Digo com isto que mesmo que
de forma inconsciente, há identidades que vinculam gentes ainda que a razão não se
apresente.

         Com a globalização, A Nova Era, chegou o Tempo de Unificação, Um Só Povo
Uma Só Religião, mas isto é objeto da compreensão, porque as distinções continuarão a
existir quanto aos estilos de vida assim como a cor da pele, os solos, climas, as flores, são
distintas (ao menos durante um tempo). A psicologia, como ciência, já tem uma base
territorial mundial, ainda que possam haver diferenças de escolas.

         “E assim na Terra como no Céu” é o ponto de encontro da ciência com a religião,
assim da psicologia com a espiritualidade. Na realidade é a razão aportando na seara da
percepção, ou seja, o refinamento da ciência alcançando uma maior amplitude da existência
sutil, da ciência do pensamento, da consciência.

Eu agradeço.

               A ETERNA CONSCIÊNCIA E A VIDA
              Há uma consciência existencial que permite alçar esta condição de
eternidade. São parâmetros de uma mente iluminada, de consciência da vida espiritual. Isto
é uma realidade nítida, ainda que velada a muitos comuns.

        Já vos disse que as culturas são como Campos Existências, Limites de Vida, ou
ainda Marcos da Fé. A cultura é a criação, ela representa a vida de quem nela está inserida.
Isto se dá num aspecto coletivo, e isto tem seu campo individual de acordo com a posição
de cada um.

       As culturas então, e mesmo instituições ou religiões, podem ser representadas como
Grandes Cobras Devoradoras de consciências: elas podem engolir o sujeito através de seus
aspectos de realidade, circunscrevendo uma condição de existência (limites, recortes, que
enquadram uma vida individual e suas relações sócio-naturais).
       Um Planeta como a Terra, sujeito a diversas transformações em sua superfície
vivente, tem uma dinâmica de transmutações. Um comum se assenta com ela, e vive de
acordo com o que lhe é dado. E assim vai cumprindo o que é natural e inerente ao seu ciclo
de vida.

        Um consciente da eternidade chega a um grau de Luz Espiritual que já não se
identifica com seu corpo físico (o ama, respeita etc. tudo de bom), mas o tem como a roupa
de uma época, de uma vivência, que é eterna.

        O sentimento de “Eu não sou este corpo” é relativo a um distanciamento entre o ser
espiritual, que vivifica a matéria, e o ser físico-material, que o liga àquela vivência
episódica.

         Assim, de acordo com o caminho de cada um, o ser espiritual pode deixar seu
corpo.

        A Vida No Paraíso é a representação da Vida ideal, onde se é isento de corrupção, e
portanto de flagelação, de dicotomia de expressão. Assim a unidade é dada de corpo e alma,
e a vida se expressa neste contínuo existencial.

       Uma vida impregnada de doenças e corrupção pertence a um campo existencial cuja
criação está sujeita a este tipo de flagelação. Sim, a Cobra Existencial que engoliu o ser
digere sua presa com essa expressão. Assim guerra e todo tipo de decomposição fazem
parte da criação circunscrita à cultura, os limites interiores da cobre existencial que engoliu
a pessoa, o povo, a humanidade.

       Sim, a Salvação, a Libertação, O Paraíso, é a consciência da Luz Espiritual, da
Eterna Verdade Existencial, que transcende qualquer aspecto da corrupção material. Assim
a pessoa passa pela vida de Posse de seu Tesouro Espiritual (há os que esperam isto na fé,
ainda que não vivam isto conscientemente, eis o porque do cultivo da confiança no
Salvador).

       Em meio a um mundo em franco desespero, com coisas bárbaras acontecendo, eis
que pode ser muito difícil se conquistar e manter a Consciência Vivencial de acordo com a
Luz Espiritual. Então a devoção, a fé, o cultivo coletivo, dão os ingredientes que permitem
a aproximação deste ideal de Vida Eterna (de Salvação). E assim se constrói uma egrégora,
uma dimensão diferenciada de vida, onde o ambiente permite ao menos uma aproximação
com o que pretende alcançar em termos de Iluminação. Assim a Luz Espiritual é cultivada,
celebrada, seguida, e convocada a se instaurar na Terra (Vinda a nós o Vosso Reino, O
Reino do Pai Nosso, O Reino do Cristo).

       Eis então que se diz poder existir num mesmo mundo vários mundos, ao longo de
uma mesma vida várias vidas: isto diz respeito a este aspecto da circunscrição existencial.
Então. na Terra, Céu e Inferno existindo, ou como disse Jesus, condição distinta entre
aparentemente semelhantes, “irmãos”.
       Isto se dá nas relações sociais, com a natureza, e também se dá quanto à
degeneração física. Por isto a fé, sobretudo a consciência, são campos de excelência. Assim
é que uma pessoa envelhece sadia e parte contente e consciente. E enquanto vive, vive em
harmonia, em felicidade e prosperidade de vida. Bem-aventurança, prosperidade e bonança
são qualidades dos que conquistaram este caminho.

       Este é o Testemunho que Nasce da Criação e perpetua Sua Vida em Eterna
Iluminação: isto é Luz Espiritual que vivifica eternamente a criação.

             A FORMA DINÂMICA HARMÔNICA
      Quando se pretende liberdade sem limite deve-se entender um processo dinâmico
harmônico, assim uma realidade mutável como a vida que flui em perfeição de comunhão.

A noção de estabilidade estática imutável pode ser um engessamento, e isto não é bom para
quem luz, porque esta requer movimento, interação.

       Sem limite não há forma, e sem forma não há expressão arquitetônica, não haveria a
criação que hoje entendemos como a existência material universal (seres e matérias
espaciais).

       Então o ideal não é conservar algo de forma imutável monótona, tediosa ou até
mesmo morta, mas sobretudo manter viva a consciência que a tudo vivifica, inclusive os
processos dinâmicos de mutação intra e extra corpo físico-material bem como a
conservação do ideal. Assim a eternidade se faz presente com alegria.

       Padecer, congelado diante da dinâmica da vida é uma doença séria, assim como
queimar no fogo da avidez também o é, mas mesmo estas coisas, feitas com alegria, luzem,
porque são verdades naturais. Então a chave está na harmonia, na consciência da dinâmica
da vida, conservadora ou transformadora (sem vícios).

       Então numa conversa, numa negociação, o ideal não é posição rígida, mas a
compreensão para a satisfação da necessidade de cada irmão. Assim todos se ajudam
mesmo que a intermediação conte com um novo fator para solução. É bom ver uma
conversa onde se evita o não, onde o fluxo de energia, de solução, não é interrompido,
tendo continuidade com uma alternativa, uma nova condição, uma outra proposição,
consideração etc, e tal. Assim se evita muita frustração.

       A vida flui.

       Eu agradeço.

     A FORMAÇÃO DE UMA NOVA INSTITUIÇÃO
      Primeiro há o interesse dos próximos, os que têm o mesmo objetivo a realizar.
Depois a dedicação para o criar.
        Assim reunião, treinamento, planejamento e o que for necessário para firmar e
triunfar no caminho.

       Investimento: físico, mental, pecuniário.

       Há muito um velho amigo me disse: “o mais difícil não é conquistar, mas manter”.
Então tem de zelar como algo precioso.

       Assim é a vida, assim é a criação de cada irmão.

        Pessoas capacitadas, dedicadas, é mister contar para o bom realizar. Cada um no seu
lugar. Assim empatia e harmonia.

       A maturidade tem de estar presente para que se ande de acordo com o que os pés (a
saúde com qualidade de vida) agüentem. Assim a consciência do bem encaminhar.

       Ensaiar, cada um contribuindo com o que tem melhor para dar.

        Minimizar a importância dos limites físicos ou pecuniários, se houverem, porque
tais podem ser conquistados durante o período da incubação. É como uma providência que
chama outra. Uma ação possibilita, abre a porta para outra ação, e com isto obtenção. Por
isto o essencial é reunir as pessoas realmente interessadas, pois o objetivo comum facilita a
estrada. Com a “equipe base” formada, uma nova parte da estrutura pode ser edificada: os
alicerces são essenciais para uma obra sólida, como a parábola da casa edificada sobre a
rocha.

       O comprometimento de cada um deve estar claro, para que não surjam demandas ou
expectativas fora da realidade, do compromisso clarificado e publicizado perante o grupo.

        Se é uma banda, ou uma orquestra, tem de ensaiar primeiro, para depois começarem
a se apresentar. Com isto vai havendo afinação e harmonização. E a vida de cada um vai se
adequando aquela nova condição. E a atividade do grupo vai adquirindo nova dimensão,
inclusive de importância para sua dedicação bem e até como programação para familiares e
amigos próximos afins da atividade em consecução.

       Há uma melhoria de qualidade de vida quando se realiza algo ideal: isto “Realiza”.
E o grupo, como ser social, também se dignifica.

       Assim amplia ou se multiplica se for o Caminho de Sua Vida.


        A LÓGICA SOCIAL BABILÔNICA: PRISÃO
        Normatização, legalização, regulamentação, é tudo manifestação da forma que traz
delimitação, e isto numa sociedade estressada desequilibrada, medrosa e conflituosa, é
prisão.

       Colocam sua segurança em instâncias estanques e com isto formam cadeias para si
próprios: “ o que tu temes deve superar em Deus”.

       De um tempo para cá eu decidi sair do caminho do renunciar para o guerreiro
despertar. Isto porque conheci que estava em desequilíbrio: aquele caminho não me podia
mais sustentar: porque não tinha luz, alegria, brilho que pudesse me confortar: não era o
meu papel no mundo estar lá. Trabalha nisso quem precisar.

        Assim é O Caminho de Cada Um. De acordo com sua história, sua necessidade de
se equilibrar, sua missão e o remédio para o meio com o qual está a trabalhar. Eu mergulhei
numa seara de muito medo, sofri, e assim desejei a força reencontrar para bem trilhar. Eu
conheço o amor, a luz, que nada tem a ver com o medo, a fragilidade, que são muito ruins,
principalmente em ambientes hostis e mesmo covardes.

        Então O Guerreiro decidi suscitar. Mas note, não é que o misericordioso não seja
guerreiro, pois o é, numa linda batalha de zelo, amor e perdão. Mas é que ele se dedica à
reparação. Cuida dos fracos e oprimidos, doentes, todos em prostração. Cuida das crianças
inocentes, dos idosos dependentes. Cuida dos loucos, dos perdidos, dos iludidos e
desiludidos, todos doentios. Mas se na base disto não houver reparação há o vício de cuidar
do que não é são: e o caminho do são é bom, e é bom o caminho são. É bom viver entre
flores belas na aparência, na essência e no vigor de sua existência.

       Então mais luz para a ação. Se o mundo já está cheio de gente, vamos cuidar de não
botar mais gente para não virar superpopulação e incomodar. Se tem gente poluindo o que
custa caro para recuperar, vamos evitar. Se um presídio custa caro e não reabilita, urge me
mudar porque está a falhar. Se o egoísta está a escravizar e avaramente administrar, tem de
mudar. Se o ladrão está a roubar, a infelicitar, e a plantar para si infortúnios, tem de
“acordar”. Então chega de produzir tanto lixo, doença, corrupção. Eu não quero mais
cuidar disto não. Basta! É basta o que quero dizer e digo então. Chega! Para! Vade Retro
Satanás! Sai Ilusão!

      Eu quero viver bem, dentre gente bonita, com um povo feliz desde então! Então
“arma” na mão para deter o “Sugismundo”, o Demônio da Corrupção, o Demônio da
Doença, da Covardia, da Fraqueza, da Falta de Dignidade, de Espiritualidade, que estes
demônios é que são os verdadeiros responsáveis por um Mundo em Flagelação.

       Estou de Espada na Mão. E agradeço.

                         ALTO METABOLISMO
       É a rápida capacidade de processar as coisas da vida. Assim a digestão dos
alimentos, mas não só isto, e sim os encaminhamentos das coisas do dia a dia, intra e extra
corpo físico.

        Vou falar de sexo. Se vivo em baixo metabolismo, provavelmente faço pouco sexo,
pois esta é minha condição natural de equilíbrio, um equilíbrio de baixo metabolismo
físico. Assim, a tendência das relações se faz conforme encaminho minha vida, assim vivo
no sutil, assim amo sutilmente, e tudo tende a permanecer inalteradamente em pequenas e
lentas transformações da forma corpórea, e isto só não é monótono pois as filigranas dos
mundos sutis abrem suas portas para que se aprecie a vida nesta dimensão de radiação
cósmica..

       Note que o sutil também pode ter alto metabolismo, o fato é que o grosseiro não o
enxerga, mas o vidente o integra, e quanto mais preciso, mais luz, mais reluz, maior
perfeição da ação.

       Então voltando ao sexo, ele pode ser feito também com muita iluminação, assim
mais saúde, maior consciência da ação e exatidão.

       Não há problema no alto metabolismo consciente, iluminado, saudável. Problema há
quando a avidez leva a caminhos desgraçados. Ontem observei a velocidade, e pensei: sem
amor ela machuca, compete sem respeito ou ética, e com isto cria guerra. Cria porque
atropela (“acalma mais o teu sol, deixa eu feliz passar”, é trecho de uma valsinha bela onde
o homem se refere à sua mulher pedindo respeito à sua vida (alteridade), e com isto
harmonia). Então o alto metabolismo da avidez não é uma virtude, e sim um vício.

      Sabe-se quando está saudável quando se tem amor, ou seja, não se prejudica a vida.
Assim é quando uma estrela corre rápida e feliz, livre e desimpedida: não tem briga, tem é
harmonia cósmica no seu caminhar, no seu brilhar.

        Então a questão central não é o baixo ou o alto metabolismo em si, mas a harmonia,
o equilíbrio, o amor. Com este tudo vai bem, não tem carma senão amor.

       Eu agradeço.

       ÉTICA, PARTIDARISMO E CLIENTELISMO
        Ouvi, numa entrevista de televisão, um sujeito recém eleito para a presidência de
uma instituição pública, dizer que era intriga da oposição a crítica quanto à partidarização
da instituição, e conheci que mentia. Não eram por critérios eminentemente técnicos,
conforme afirmava, que se davam as promoções e contratações. Havia o caráter político-
partidário, e bem expressivo.

       È tácito isto, e ouso afirmar que é prática na maioria dos partidos quando chegam ao
poder. Então negar é alimentar a hipocrisia (um teatro de falsidades que não permite a
“Cega Burocrática Lei” adentrar). Se o fato é negado a porta é fechada: fica mais difícil de
incomodar, ainda que a verdade fique internalizada.

       O fato de contratar partidários é até natural pois foram os que marcharam, os que se
empenharam e empunharam a Bandeira de um ideal vitorioso. Então, a princípio, é até
certo ponto justo e até mais fácil os contratar (a direção, o caminho, já é comum desde a
intimidade partidária).

        Mas isto não presta quando se nega esta verdade, porque para se proteger se pisa
num campo de falsidade, que esconde outras tantas irregularidades, que em determinada
altura dá margem às corrupções (cheias de boas intenções partidário-ideológicas).

       Então é preciso muita ética e, sobretudo, a Luz Espiritual como Guia. A ética é
aquela que ainda que queira prestigiar o amigo, o correligionário político, não deixa de bem
avaliar as verdadeiras condições para uma correta decisão: isto gera decisões sóbrias,
maduras, conseqüentes. A Luz Espiritual é a perfeição a se manifestar.

       Assim, num sistema público ético, não é uma corrente que chegou ao poder, e que
governa segundo isto como num conflito, mas na ética é o Poder Público que evoluiu, é o
Funcionalismo Público quem progrediu: assim o processo da nova gestão é mais justo e
verdadeiro.

       O ranço da competição interna leva um sistema à exaustão, corrupção, sabotagem e
demais processos de retaliação de um conflito que não teve boa solução com uma simples
eleição provisória (por tempo limitado). Então tem de haver maturidade ética de base, no
partido e na gestão, para se evitar este tipo de frustração e rejeição.

       Isto requer uma boa direção. Muitos santos, renunciantes, não subiram ao poder
material porque não suportavam o ambiente de corrupção a que estavam estas instâncias
envolvidas. Mas quem subiu, deve se alertar para já mudar. O Tempo urge tais providências
para que tais líderes, seus correligionários, e o povo que votou, possam na luz entrar e com
a ordem e o progresso venham a caminhar para triunfar: a paz, o amor e a felicidade
encontrar (na saúde, no bem estar e no bom caminhar).

       Eu agradeço.

                              VISÃO ESPACIAL
       Vou usar isto como símbolo, como referente para que se entenda o que é
consciência.

       Imagine que alguém ande por um local mas não grave nem assimile sua arquitetura,
apenas siga um caminho de forma limitada, vendo apenas que algumas coisas passam por
ele. Mas não registra sua lógica ou mesmo uma nítida fotografia estrutural. Assim uma
pessoa não sabe bem onde está, não conhece o local, apenas passa por ele.
        Mas há pessoas que não perdem as referências por onde passam, elas registram as
coisas, fica conhecendo a lógica do caminho, sabe de onde veio e em qual direção está indo
(leste, oeste, sul e norte lhe são bases de orientação pelo sol, assim como montanhas,
árvores e os demais elementos do caminho). Na realidade ela faz um mapa, mapeia por
onde passa.

        Assim pode ser a vida de uma pessoa. Assim sua visão, mais ampla, com maior
consciência (que chamo de compreensão), ou menor, quando não vê o todo de sua vida
“caminho”, da existência universal (que transcende o tempo de uma encarnação ou uma
forma de vida), e menos ainda quando não relaciona inteligentemente o panorama de sua
realidade imediata. Estes são níveis de consciência, de visão, e quando são diminutos já são
chamados de “cegueira”, problemas de visão. Mas a sensação disto é relativa ao meio
cultural, pois como diz um velho ditado, em Terra de Cegos, quem tem um olho é Rei.

        Então Supraconsciência é como uma supervisão transcendente. E a visão nítida,
clara, é a visão da verdade cristalina. Então o Tempo é um só, e é a verdade quem dá a
propriedade da transcendência deste tempo, que pode ter referências longínquas (tanto em
termo do cronológico como em termos espaciais), ou ser bem objetivo no sentido do aqui e
agora, e ser preciso em ambos, pois trabalha com os dados, ,os intervenientes de forma
correta, assim de alguma forma Presentes na realidade objetiva do sujeito.

       Assim a precisão chega ao nível da verdade sutil, que se estabelece tanto na pureza
da materialidade quanto na pureza astral e luminosa da existência transcendente universal.

        Note que a visão grosseira é um corte da realidade, que existe, mas isto que vos
falei, de precisão, é pureza. Assim há graus de nitidez, até chegar ao ponto da perfeição
imaculada.

        Quando um profeta, um vidente, vê uma obra peremptória, maculada, ele enxerga
com maior nitidez no Tempo Divino os componentes daquela obra, por isto sabe melhor
quanto ao futuro ou mesmo quanto ao verdadeiro teor do que foi feito, ainda que numa
aparência externa esteja tudo bem, de acordo. Um sujeito de menor visão não enxerga as
ligações sutis, astrais, as relações que envolvem os frutos mundanos ( pode sentir ou não, e
não entende). Assim isto é questão de origem, do sutil, das camadas do Mundo da Criação
que se derramam até chegar no Mundo da Matéria. E mesmo no mundo da matéria há um
caminho para s coisas se efetivarem, desde a perfeição até o sujeito aos mais diversos tipos
de intempéries. Assim é que um profeta enxerga o Caminho Santo, mas um cego, se não
amparado, fica sujeito a ser tragado (pelos mais diversos tipos de flagelos, físicos ou
sociais, a saber: maremotos, terremotos, pestes, doenças etc, ou vícios, conflitos etc.)

        Então um caminho puro é algo especial, eis o diferencial do que é espiritual (o
espiritual não é anti-material, mas sobretudo primordial, radical no sentido de ter sua base
zelada desde o princípio da Criação). Os chamados vícios espirituais e materiais são a seara
da confusão que conforma a Babilônia, cidade de um mundo que como o nome já diz, vive
em confusão.
       Assim, visão de consciência é a primeira e maior visão. A física vem com a
condição de materialização da Luz de Deus (Luz Espiritual, Luz da Verdade, Luz da
Perfeição, da Consciência na Eternidade) na Vida do Irmão.

       Eu agradeço.

                          MOVIMENTO SOCIAL
        Quanto mais o revejo mais confirmo o evangélico. Por que com emoção, com
seriedade, procuram a luz da verdade. A sinceridade celebrada vem da alma, vem do
interior onde há clamor, e pede providência, ciência de vida, perdão pelos erros e superação
dos obstáculos.

        E a corrente é respeitosa: não é cada um atirando para um lado. Então não difama,
antes clama. As técnicas de esvaziamento do mundano, dos conflitos, são cada vez mais
usadas, para que o homem possa entrar no equilíbrio (p.ex. “joelho ou cabeça no chão”).

       Então é cada vez mais caótico e visível o apelo daqueles que perdem tempo na vida
e ao invés de se ajoelhar e pedir perdão e recomeçar, ao invés de buscar se sacrificar para
reingressar no tempo e amar, ficam a contestar, reclamar, protestar, o caos a celebrar,
tentando tragar os que na Luz estão a caminhar. Deus dá: esteja pronto em seu lugar: probo
e consciente.

      Contudo, na Grande Casa de Deus, todos tem o seu lugar, seja como vermes
decompositores, seja como grandes predadores, por isto Consciência em Deus sempre foi O
Melhor Lugar.

       Pena, dó, compaixão, apenas do homem doente, inocente, decente. É apontando o
caminho virtuoso que se ajuda o irmão. Agora atender o vicioso é como atender o ladrão,
sendo cúmplice em sua má ação.

      Quem sabe o que tem plantado, e o que colherá, tem a cabeça no lugar. Como disse
O Mestre “É pela árvore que se conhece os frutos”. “Quem plantou vento colherá
tempestade” é outro dos seus ensinamentos.

        Assim, revolucionário da luz foi Jesus, e todos aqueles que tem a honra e o
privilégio de celebrar suas causas em Seu nome, em verdade, estão num bom caminho.
Usar Este nome já é um bom sinal, porque o amor do 1º Mandamento é essencial.

        Daqui advém confiança, orar pelos inimigos, e sempre acreditar, pela fé, na Luz
Espiritual, na cura, na solução, na salvação: abrir as portas da vida além da matéria restrita
que parece, na ilusão de uma concepção, também restringir a felicidade da vida.

        Os homens mais felizes desta humanidade são sobretudo ricos de luz, de amor, de
paz interior. A partir destas todas as riquezas podem ser verdadeiras. Diz um antigo ditado:
“O pouco com Deusa é muito; O muito sem Deus é pouco”, e está cheio de razão. Por isto é
a partir deste galardão que se constrói para a eternidade. Por isto busque o discernimento, o
entendimento, a Luz Espiritual em Primeiro Lugar.

       E serás próspero por onde passar.

       Eu agradeço.

          O QUE É A CIDADE, O QUE É O MUNDO
                     GLOBALIZADO
       É comunhão. É cooperação. Cada um no seu lugar de então. E tem mobilidade. A
graça divina, O Tempo Divino é a verdade.

      Sim, é esta a fiel representação da vida coletiva que dá certo. Num tempo o pai e a
mãe põem a mesa, noutro tempo ensinam, noutro apenas curtem a natureza.

       E as muitas vidas se colocam desta maneira.

        Quem tá dormindo acorda! E anda “rápido” que o mundo é dinâmico, as
transformações fazem parte da dinâmica da vida, e quem as acompanha tem o Presente da
Vida. Quem não acompanha lamenta, chora a morte doentia. Mas quem acorda arruma a
vida.. Deixa de reclamação e se põe em ação.

       Quem teve sem estudar, sem avançar espiritualmente, esteve “dormindo” em seu
lugar. O homem probo deve sempre avançar, estar consciente em Deus. Este não há de
lamentar. Ele conhece o seu lugar, respeita a natureza, compreende o movimento do
planeta. Sabe se colocar e aconselhar.

        Não é a riqueza material que determina a questão, nem a científica, mas antes a
espiritual é quem dá a condição: e esta respeita e bem considera todas as demais, sabe de
suas verdades, é consciente. E todas devem se encontrar para a unidade celebrar: a verdade
encaminha ao amor.

       O pobre e o rico egoístas vão “dançar”, os revoltados ladrões idem. Os que negaram
o conhecimento, ensimesmados em sua vileza, não podem alçar a Deus em Sua Realeza. A
Sabedoria É Luz Espiritual Viva, e isto deve ser celebrado como Presente de Vida.

       Deus dá o Tempo correto em cada ocasião. É Dele o tempo de surfar, o tempo de
repousar, o tempo de contemplar, o tempo de navegar.

       Então a Vida em Comunhão é esta Verdade para Aqueles que estão na Unidade. Os
que estão fora são os mortos que enterram seus mortos.

       Pense em especialização, em mercado, em espaço. Um faz a comida, num cardápio
específico ou variado, outro lava a roupa, outra guia o turismo, outro limpa, outro canta, e a
todos encantam.
       Não tem teimosia, tem vida. A rebeldia é doentia: é oposição ao princípio da vida, à
luz primeira. Então o fluxo traz energia.

       Eu agradeço.

       SOBRE HABITAÇÃO (CENTRO-PERIFERIA-
                    CAMPO)
        Fundamental é o amor. Uma comunidade integrada é feliz. Com isto, mesmo se a
casa for pequena engrandece, pelos muitos quartos e salas compartilhadas. Assim a
fraternidade, a solidariedade preenche a vida do sujeito, que me primeira análise vive para
ser feliz.

        Os desejos de um ser feliz são inerentes à sua felicidade. Por isto os simples podem
amar, a si, entre si, e se locupletar. Podem cantar, se banhar de sol, dançar, enfim festejar o
encantamento do viver com “mil e uma maneiras” de ser. A arte é sábia nisto, e viver com
arte, fazer arte, faz parte.

       Então quer seja no campo, quer seja no centro, quer seja na periferia, é importante
ter uma boa relação (ecologia com a natureza, com a sociedade).

        A partir desta essência vem as condições de desenvolvimento e sustento, ou mesmo
transformação de cada realidade, para que se tenha um efetivo equilíbrio, onde as demandas
sejam atendidas.

       Cada um tem de reconhecer, querer e fazer, isto acontecer. Onde for, como for.

       Eu agradeço.

                       UMA CRIAÇÃO DO AMOR
       Há que se ter amor para criar, uma Pessoa Jurídica formar.

       Vou formar uma associação, vou criar uma empresa, vou montar um ponto.

        É um ser vivo que se está a formar, e dele deve se cuidar para que cresça sadio,
bonito, e seja feliz (bem encaminhar).

       Eu agradeço.

    “ACALMA MAIS O TEU SOL, DEIXA EU FELIZ
                  PASSAR”
Este é um trecho de uma música da Barquinha de São Francisco, e fala da Varella, a mulher
do cantor, que por muitas vezes procura naufragar o barco de seu amor.

A música retrata alguém que em seu entusiasmo, em seu fulgor, tem um ímpeto
avassalador, e com isto agita as águas por onde o marido está a navegar.

O cantor, no caso o esposo, é alguém que está tranqüilo, feliz a navegar.

Assim, podemos dizer que há a diferença entre a Luz Espiritual, e a “luz do mundo”, a
“força carnal”, a “justiça dos homens”. Uma é equilibrada e eterna, é paz e comunhão
cósmica. A outra tem sua razão de ser, mas representa o giro da Roda, que muda a história,
mas não dá o salto para fora, ou seja, continua presa ao ciclo das repetições cármicas-
dármicas.

A “verdade vem como as Pombas, nunca como o Pavão” simboliza a mansidão dos que de
posse da paz guiam o caminho, enquanto que os aflitos o alarma, mas ainda não o domina.
A Paz Interior, o Fruto Maduro, é sinal de uma boa condição (mas pode ficar distante do
povão). O fruto em amadurecimento também tem seu Tempo (amadurecer no Caminho de
Então, junto com os irmãos).

Eu Agradeço.

                       AMBIENTE FAVORÁVEL
       Meu filho trocou de escola. Questionei, belo dia, se guardava as coisas de sua
mochila, no armário (lá ficavam os livros e cadernos depositados). Ele disse não, não tinha
sentido. A mochila ficava bem acomodada em sua carteira.

       E no recreio disse que continuava. Ali não tinha perigo, ninguém roubava (no
ambiente antigo, da escola pública, não havia clima de confiabilidade). Se acaso ocorresse
daria um “auê danado” (providência: investigação e correção). A escola é católica, e neste
ambiente as coisas, como roubo, são inadmissíveis.

       Então é isto, de acordo com a cultura o ambiente pode ser mais pacificado, os
valores mais firmados e refinados: o ambiente favorável.

       Eu agradeço.

                      DROGAS E CONSCIÊNCIA
      O ideal é que se atinja um estado consciencial inalterável pela droga. Não quer dizer
que não se possa acompanhar o efeito dela, mas não há corrupção. Este é o Estado de
Senhor sobre a droga.
       A diferença entre a droga e o alimento comum, dito normal, é que este normalmente
não alavanca o consciencial, não dá um diferencial: já a droga se caracteriza por alterar o
estado consciencial.

       Outros veículos podem ser responsáveis por alterar o estado da consciência através
dos sentidos (sons, cheiros, imagens, superfícies, sabores etc.). A “Presença” de um ser
consciente é algo muito especial.

        Mas o fato com as drogas é que seu efeito diferencial deve ser bem trabalhado, para
que não se chegue ao abuso e nem ao sofrimento com o residual (para haver uma passagem
perfeita, com saúde, entre o estado de consciência alterada e o normal).

       A dependência maléfica em relação à droga é tentar ao abusá-la buscar aquele
estado mental ao que se recorda. Como o corpo, e o estado mental, já não suporta (O
Tempo Divino é outro), a ação fica fora de rota, e não havendo equilíbrio concordância,
com O Tempo Divino, há desobediência, desequilíbrio, pecado, falta de saúde etc. e tal.

        Sim, a dinâmica do fluir é sinônima de sabedoria de vida: no Caminho Divino todas
as coisas podem ser pertinentes, mas fora Dele há desequilíbrio. Sem equilíbrio há doença,
malefício: por isto o que é de cada um, é de cada um, tudo ao seu Tempo e de acordo com
A Condição.

        “O Rio da Vida pode lhe dar, no Tempo certo e no Lugar” o objeto dos seus desejos,
é instrução para não aflitar, na música descrita como “não adianta ao rio empurrar”. Isto
significa que há um tempo de abdicar (renunciar) e um Tempo de não desviar pois Tudo É
Santo (está abençoado, sacramentado, Deus está em Seu Lugar).

       Eu Agradeço.

                                    EDUCAÇÃO
       Ao meu filho, que agora completa a 8ª série, dei apenas um conselho fundamental
para sua educação: preste atenção na aula. É a hora e o local adequado para esta celebração,
então preste atenção. Não lhe interessa amigos ou nenhum tipo de perturbação que venha a
lhe roubar a atenção. A hora da aula é sagrada. E um aluno centrado ajuda, colabora, no
enriquecimento da aula.

        Vantagens disto: o professor fica contente, a aula rende, você aprende, e não precisa
carregar nada para depois, não leva dúvida nem perde tempo com outra consulta. Chega em
casa e faz o dever rápido, sem vacilar, pois está tudo no lugar. Se não entendeu o professor
vai ter prazer em lhe explicar, e nenhuma dúvida vai deixar, pois o mestre tem prazer em
ver seus alunos brilhar e boas e merecidas notas tirar.

       Se o professor é ruim a sua mente consciente o ajuda. É energia que você direciona,
e concentra nele, a fim de o enriquecer. Com isto você o ajuda, e ele ajuda você, dedicando-
se. Não é o melhor caminho reclamar ou culpar: esta pode ser a solução mais danosa.
        Se a turma não presta atenção, é dispersa, você tem de pelo menos o ajudar a
dominar. Por que para a aula por vezes trazem as vidas de sua casa, os problemas de seus
dia a dia, a cabeça tomada por tais, sem concentração, e ficam buscando a dispersão. Então
a tarefa pode ser muito difícil pois várias são as formas de manifestação. Um tá com sono,
outro com tesão. Um pensa na bola, outro no dinheiro, outro na droga. Outro já namora. E a
aula? Tem que o professor ficar brigando, ameaçando, ou ser um prodígio para que todos os
admirem e tenham atenção? Então é sua obrigação prestar atenção. Faça a isto com
devoção, pelo menos por princípio, a princípio.

       O ensino regular dura muitos anos: 03 anos de maternal, 08 de Primeiro Grau, 03 de
Segundo Grau, e mais outros tantos de Universidade de acordo com o curso escolhido (03
em diante). Hoje em dia isto ainda foi acrescido de Mestrado (02 ou mais) e Doutorado (02
ou mais). Então, para se chegar ao final de uma carreira do ensino público, hoje pedido para
alguns empregos mais selecionados, há que se estudar por no mínimo dos mínimos 21 anos.

        Ora, é muito tempo de dedicação pelo que considero mais adestramento do que
educação. Hoje alguns professores estão celebrando dinâmicas de harmonização com a
turma para obterem um melhor aproveitamento de sua aula. Mas o espaço institucional
ainda é um pouco complicado para isto, pois tem limitações quanto às ciências que não são
tradicionais.

        Então há uma dinâmica de homogeneização da massa estudantil que coloca num
mesmo curso seres de dinâmicas diferentes, de aspirações distintas, e de condições
variadas, inclusive em termos de saúde. Então a barra é pesada pois a qualidade tem que se
adequar ao que é obrigatório sem punir, pois a educação coercitiva é uma relação dura de se
arcar, principalmente com crianças e jovens que carregam situações difíceis de suportar
provenientes de seu lar.

       Mas o ensino regular dos primeioros graus se tornou básico e práticamente
obrigatório ao cidadão em geral. Então tem de passar.

        O que eu sugiro para melhorar é uma atenção especial no sentido da dinâmica e dos
conteúdos escolares. Primeiro, um rito de passagem. Cantar Hinos todos os dias, no pátio
todos cantam o Hino Nacional, o Hino Local, e o Hino do Colégio é uma sugestão. Na sala
outras formas de harmonização, integração, relaxamento e concentração da atenção. Há que
se esvaziar para meditar, estar de corpo e alma no lugar.

       O ensino regular anda muito centrado no conhecimento diversificado através da
informação, mas deve se dedicar ao aperfeiçoamento do equilíbrio motor fino e o
autoconhecimento (conhecimento de seu corpo, de seus pensamentos). Isto não apenas no
nível da exposição audiovisual, mas de dinâmicas sensitivas, perceptivas, onde o estudante
encontre dentro de si, sinta, o que se está trabalhando.

       Em muitas escolas é comum a cultura ser contrária à aplicação, ou seja, os rebeldes
recebem um galardão. Então matar aula, colar, ou contrariar de alguma forma o sistema
regular é ser esperto e tem mérito. Esta cultura deve acabar pois é a cultura do sabotar.
Ninguém que faça isto sem querer colaborar pode estar sendo considerado como ideal, e
não estamos mais na época onde falsos valores morais venham a impedir um
compartilhamento sadio das idéias com os educadores.

       Outra coisa que já vem sendo feita e pode ser intensificada é a informação básica
direcionada aos elementos constituintes da vida que lhe é presente. Tem de compreender o
sistema econômico, as relações de trabalho, os fundamentos filosóficos/históricos que
norteiam tais. Tem de compreender a cidade como um organismo vivo ecológico:
abastecimento, circulação, lazer, trabalho, educação, administração, saúde, saneamento,
segurança, comunicação ..., enfim como funciona este grande ser estrutural e como se
relaciona a nível de estado, país e mundo (relação campo-cidade, globalização, preservação
etc.).

       Tem de entender os sistemas religiosos como inseridos em contextos culturais, a
relação politeísmo-monoteísmo, os interditos de acordo com os ideais de criação de uma
realidade de vida. A religião e a política devem ser encontradas num ideal único de
constução da realidade desejada.

       Tem de conhecer sobre economia doméstica, administração do lar desde economia
até princípios de manutenção da saúde holista no templo doméstico (som, luz, água,
higiene, energia, alimentação, repouso etc.). Tem de romper com os limites das relações de
gênero pois a sociedade mudou (conhecer o valor da manutenção de uma casa). Tem de se
trabalhar a sexualidade dos pais e dos filhos. Estas coisas tem que vir à razão, luz nelas.

       Os sistemas político-administrativos devem ser vistos como uma grande obra de
engenharia no micro e no macro. Isto deve ser compreendido como princípio de gestão da
realidade, para depois ser expandido em termos processuais históricos como um caminho
evolutivo que vem sendo percorrido (evolução como busca da possível perfeição, equilíbrio
de forças de acordo com aquilo que se vive e se acredita no momento). O real e o ideal
numa interação viva.

       Enfim, trazer a luz da compreensão da vida em suas mais diversas dimensões. Não
há por quê tanta exacerbação em termos de saber tantas regras e fatos, antes deve-se buscar
a compreensão de tais. Nisto reside o interesse natural pela disciplina, e seu acesso
fundamental, fundado na razão íntima do ser. Luz da razão.

        O capital intelectual tem de ser desmistificado. O modo de conhecer a vida têm de
ser respeitado na essência de cada ser. E a cada um o direito de escolher a comunhão que
vai colher sabendo de suas condições e das oportunidades inerentes.

       Assim acredito ser o bem preparar para viver, numa abordagem holista do conhecer.
Sonhos, projetos, ideais, tudo sagrado, o amor criando realidades conscientes de um
esplendor nascente.

      Falo isto como quem já viveu, já conheceu. Que tem consciência de que a sala de
aula é como uma nave que o transporta aos mais diversos reinos da criação e do
conhecimento. E que isto deve ser vivido, aproveitado, e não sacrificado como penitência o
que deveria ter excelência.

        Já fui professor do ensino regular. Já eduquei jovens e adultos. Já vivi e já sofri o
que falo. Já dei aula para uma pequena turma como apaixonado. E sei como é interessante
falar do que se gosta, mostrar o que se gosta, para alguém que aprecia, dá valor. Ë uma
jornada agradabilíssima.

       Hoje em dia a informática permite uma excelente apropriação da informação. Há
riqueza textual, musical, visual. Então a educação pode ser centrada na base da
compreensão básica e nos mecanismos de manuseio da informação. Com isto virá a devida
especialização ou aprofundamento na questão.

        Bom, é isto que tenho por enquanto a falar sobre meus ideais de educação. Graças a
Deus.

                          PROFISSÃO E DINHEIRO
      Há algumas profissões que levam naturalmente as pessoas a ter oportunidade de
ganhos elevados. Outras de entrarem num padrão de assalariados com ganhos médios ou
pequenos. Há exceções, mas a tônica é esta.

       Vide a profissão de advogado. Na Justiça, como funcionários públicos, seus salários
em relação à maioria dos demais profissionais de nível superior, são mais elevados. E na
vida privada seus honorários costumam se dar em relação ao valor da causa, ou seja, um
percentual sobtre o que se lida. E várias coisas a Lei obriga a que haja trato jurídico via um
representante advocatício. A linguagem é própria do meio, e assim criou-se um feudo
corporativo, principalmente quando há poder aquisitivo (para os mais simples as coisas são
mais fáceis ou há a possibilidade de advogados dativos, de graça, para cuidarem).

       Então se o advogado cuida de uma herança, recebe um percentual dela. Se o
advogado cuida de uma causa, uma dívida, um pagamento, recebe um percentual deste
valor, e isto é combinado ou fixado pelo juiz (que é advogado). Se a causa é criminal
depende de sua importância e do poder aquisitivo do cliente. Se a causa é coletiva, recebe o
percentual de cada um, somado.

        E se o valor da causa for muito pequeno não é obrigado a aceitá-la. Então, ainda que
uma vez tenha visto a notícia na televisão de um advogado vendendo cachorro quente, o
certo é que a possibilidade de ótimos ganhos existe, como autônomo ou empregado. Os
salários dos Procuradores (advogados) costumam ser os iniciais mais altos do mercado (de
funcionários públicos).

       Compare então com a profissão de professor, ainda que universitário. Seus
proventos são comuns (no setor público e privado), e sua possibilidade de enriquecimento
pequena.
        Há profissões onde a eximiedade não é traduzida em dinheiro. A competência estar
diretamente ligada ao dinheiro ocorre principalmente com as profissões que estão ligadas
ao poder ( e há uma dinâmica de mercado nisto, de acordo com as necessidades sociais e
especiais). Uma das profissões que mais tenho visto aumentar salário nos últimos tempos é
a de policial (a de lixeiro melhorou). O controle da ordem pela força, pela coação, pela
disciplina, passa por uma boa remuneração da classe. Assim é o mercado.

        As valorização das profissões técnicas, com a popularização do ensino superior
(mas não só isso), tem caído. Quando entrei na faculdade o valor inicial mínimo (salário
mínimo) para um engenheiro civil estava pautado em 20 Salários Mínimos nacionais. Hoje
tal salário, requer experiência.

        O mesmo se deu com os médicos. E a tendência é o achatamento geral porque é isto
que vem sendo celebrado pela socialização. É o capitalismo com liberdade de mercado
administrado por um governo socialista, ou seja, onde o estado promove a ascensão da
massa a uma melhor condição de vida material (vide que fora as corrupções e mal uso da
máquina administrativa para enriquecimento ilícito ou tendencioso, as políticas de inclusão
social tem se intensificado).

        Note que o ingresso para a universidade pública, para a detenção do capital
intelecutal, é políticamente exigido, para o ganho comum, público, financeiro. Antes havia
competição, pelo vestibular, a uma vaga para estudar. Mas como os melhores preparados, e
que mais passavam, provinham das classes superiores economicamente, entenderam que o
público, de graça, estava tendencioso, e mudaram o jogo.

       Hoje o vestibular para a escola pública está dividido por categorias sociais. Há um
tanto reservado para as escolas públicas e outro para as particulares. Há ainda um
percentual para o vestibular geral, e outro para a inclusão social de raça (por enquanto a
negra, mas os índios também estão pleiteando).

       Os que tem melhores condições financeiras estão sendo levados a pagar, a ingressar
em escolas particulares, posto que as universidades públicas tem a eles restringido seu
ingresso. Isto vai acarretar novas transformações no sistema, porque se antes as
universidades públicas eram as melhores, em recursos humanos e tecnológicos, hoje o
mercado vai disputar, pois, e as particulares vão se aperfeiçoar buscando seu espaço de
liberdade, para vencer no mercado. Falo-vos estas coisas para que tenham compreensão do
mobilidade político-social de mercado num regime democrático.

       Vede que a questão do saber, que deveria ser o principal objetivo deste caminho do
conhecimento, foi rendida pelo caráter do poder sócio-econômico que ele passou a
representar.

       Outro ponto, note o seguinte:

              . Quem é rico vai longe e pouco sente mensalidades ou pequenas taxas e
       despesas de sustentação, ou mesmo impostos: são percentuais pouco significativos
       quando comparados aos seus ganhos (os que são autômanos, empresários, e
       dominam setores da economia, repassam este custo ao valor do serviço ou da
       mercadoria, inclusive o risco).

               . Quem é pobre não paga, usufrui do serviço público educacional, de saúde e
       geral (inclusive assistencial de inclusão social), e não sofre ou pouco sofre com
       impostos diversos sobre bens, transferências ou mesmo impostos de rendas.

              . Agora a classe média (baixa, média e alta classe média), esta tem sido
       chamada a exercer a cidadania, “pois paga em tudo quanto é canto para o nome
       continuar girando, limpo no sistema”. E são percentuais significativos em relação
       aos seus ganhos.

        É isto. Uns estão criando no topo do sistema (os ricos). Outros estão querendo
entrar, estão ainda no nível da subsistência (os pobres). E há os que estão girando o sistema,
que o faz funcionar (a classe média).

        O mercado, que a princípio é autoregulador, é normatizado com fins sociais,
humanos, a fim de corrigir distorções que o levariam a “selvagerias” (Lei do mais forte
típica do predatório Mundo dos Animais). O mercado é “aliviado” pelo humanismo.

       As profissões tem a ver com este jogo de poder que há no mercado. Portanto saiba
escolher tendo consciência do que vai ter.

       Em cem anos a população mundial mais que sextuplicou. Isto criou um diferencial.
No Brasil a classe mais pobre é a que mais reproduz (05 filhos por família). Isto gera
pressão de inclusão. Isto carece de ser cuidado.

       Controle de natalidade há em países de 1º mundo onde a consciência coletiva é
elevada (e tem reduzido a população ou apenas mantido), hoje estando regulando o
mercado imigratório. E há também em nações com superpopulação. É uma questão humana
não só de responsabilidade individual mas tornou-se de responsabilidade social (o direito
individual e o social também são objetos de equilíbrio).

       Num Regime Democrático os votos são contados por pessoa, o que representa, por
princípio, o poder da classe massiva, que tem de ser consciente.

       Profissão e dinheiro tem a ver com tudo isto, com liberdade e mercado, com leis e
sociedade, com política de estado. Mas quem está para ganhar dinheiro vai ganhar.

                           O LOCAL E O FEDERAL
        Imagine como se dão as funções corporais. Imagine o processo natural alimentar. O
ser vivo realiza um processo digestivo bem decompositivo.

      Fora o processo do abate do animal ou da colheita do vegetal, e também das
manipulações exteriores (cortes, cozimentos, frituras, temperos e transformações diversas),
é na boca que tem início o processo de digestão interior. Nesta os alimentos são
dilacerados, perfurados, triturados e ainda banhados e lubrificados com um líquido
decompositivo, a saliva.

       Depois disto vem os movimentos constritivos do esôfago e estômago: mais ácidos
são postos em ação para a chamada digestão. Uma forma interior de decomposição da
matéria propicia a absorção dos nutrientes que interessam ao equilíbrio e fortalecimento do
corpo (energia para combustão e composição de outros fluxos, mais ou menos temporários,
metabolizados pelo organismo (esperma, óvulo, líquidos lubrificantes, tecidos
regenerativos etc.).

        E isto, por vezes, ainda conta com hospedeiros colaboradores, como, por exemplo,
são conhecidos os lactobacilos, que comumente habitam a flora intestinal e auxiliam na
ruptura da celulose, película verde de alguns vegetais que forma uma proteção à dissolução
(tais bacilos quebram esta película, facilitando a ação do organismo). Então na digestão há
um complexo cooperativo saudável.

       O ser vivo metaboliza isto cotidianamente, e hoje em dia quase que
intermitentemente, pois a dinâmica da vida trouxe este costume. A alimentaçãop já não se
dá em momento discreto, mas em várias refeições, lanchinhos, docinhos, cigarrinhos,
salgadinhos, cafezinhos, balinhas etc.

        Há uma dinâmica interativa operativa. Agora imagine que “horror”, se a mente
acompanha isto sob o olhar da dor. Imagine a representação de uma floresta sendo
devastada, ou de animais sendo caçados, abatidos e mordidos, decompostos por líquidos
(ácidos corrosivos). E aquela merda em decomposição, o bolo fecal, com possíveis gases
fétidos, sendo produzido e armazenado dentro do seu organismo. Vide aí também o mijo.
Pode ser terrível.

       Então a consciência que acompanha isto tem de estar abençoada para ver com os
olhos do amor, para ver beleza neste processo da morte (transformação) que alimenta a
vida. O “sacrifício” de uns em detrimento de outros, na cadeia alimentar natural da vida.

       Mas há mentes que não acompanham isto, não estão sintonizadas nisto. Ela está
num equilíbrio onde isto funciona de modo natural, automático, sendo a saúde física,
material, corporal, algo já resolvido e normal. Esta mente não se liga às coisas intestinas,
seu foco de atenção não está nisto.

        Então fica a atenção mental direcionada para outro plano existencial. Aqui nascem
os seres mais intelectuais, mais mentais, mais astrais ou espirituais.

       Este equilíbrio pode ser estável, e ainda ter níveis de estabilidade. Daí padrões
mutáveis de alimentação, não só em termos da qualidade do alimento, mas também do tipo,
hábito e postura de consumo.

     Conforme já vos disse a estabilidade pode ser dinâmica. O hábito alimentar se faz
num fluxo médio comum, onde as variações dificilmente criam diferenças de
comportamento no indivíduo, ou seja, sua saúde, seu metabolismo, não é alterado, continua
equilibrado e com isto a pessoa funcionando normalmente, com um fluxo de pensamento
não alterado pelo motivo orgânico-digestivo.

       As chamadas pessoas cerebrotônicas, ainda que doentes, continuam a fluir além do
corpo, não dando maior importância ou significação mental ao que se dá no plano físico-
corporal. Os chamados ascetas, os espirituais, os seres de grande poder mental, costumam
dizer não se identificar com o corpo, como não sendo eles, e com isto isolam sentimentos,
dores e sensações físicas diversas, mesmo as adversas. E há ainda os que produzem energia
cósmica para seu equilíbrio, regeneração e manutenção (calor e “alimentação”). Vide o
caso dos que se alimentam só de Luz ou manipulam energia para curas espirituais.

        O corpo físico, e mesmo o corpo relacional, tem várias maneiras de ser encarado e
tratado. O indivíduo somatotônico costuma ser guiado pelo equilíibrio do seu corpo, que se
comunica com ele através das sensações ou ainda pensamentos, havendo a decodificação
das mensagens e o atendimento. O corpo relacional ligado a este equilíbrio orgânico
também dá sua mensagem, e recebe sua providência, assim caminha o humano em seu
equilíbrio de vida dinâmico.

       Note que isto, que acabo de expor, é o comum, o natural, que dá ao indivíduo uma
qualidade grupal, relacional, próprio da consciência ecológica ambiental ou associativa.
Assim o “inconsciente” coletivo interage com o consciente individual, e nisto o ser se
parece com o animal por seu condicionamento físico-existencial.

        Na linguagem mística-espiritualista costuma se dizer que é a Mãe quem determina,
quem cuida e zela pela vida do filho, numa clara alusão à natureza da criação. O que é mais
espiritualizado ama, zela e cria seu caminho no espaço, anda no Caminho da Luz pela
Existência, criando e se relacionando.

        A ligação é quem dá a dinâmica da realização. Há os indivíduos ligados à dinâmica
local, tem a consciência do local e cumpre um papel dentro do equilíbrio ecológico local,
assim é relacional. Há os indivíduos que tem a consciência do nacional, ele pensa e está
ligado nesta dimensão existencial. Há os de consciência planetária, que tem a cidadania
mundial e gravitam nesta esfera. E há os de consciência cósmica ou universal, a mente
ligada à Deus. Isto produz visões diferentes, estados diferentes, equilíbrios diferentes. (vide
a sintonia do perdão ou da execução, do conflito ou da paz, do universo sempre vivo e da
morte aparente da forma)

        Isto é natural e dá uma sustentação diferencial. Para mim, fora do ambiente
espiritual meditativo (visionário compreensivo), esta verdade natural foi apreendida quando
lidei com funcionários do Governo Federal e do Governo local. Há uma visão diferenciada,
sendo os mais amplos mais refinados. (suas ações, decisões, emanam com maior amplitude
de alcance: a consciência é expandida, assim a energia)

      E isto chegou a tal monta, pois é notório, que está implicando numa reforma
administrativa geopolítica. A capital federal, em relação ao seu planejamento mais que
quadruplicou sua população direta, e mais, em torno dela surgiram muitas outras cidades,
com grande adensamento da população. São cidades de outro estado federativo que na
realidade “gravitam” em torno do Distrito Federal (estão centradas mais em Brasília que em
sua capital estadual).

       O sistema político democrático, de representação direta, gerou no governo local
uma política voltada à representação eleitoral. A gestão da cidade administrativa passou a
ser mista, pois a influência do mercado começou a ocorrer: mercado aqui representado
pelos votos populares.

        “ O quintal do poder foi ocupado pelo povo”. Isto parece interessante, bonito, mas
tem de ser zelado. Quem tem uma casa “bonita” (cidade) para 5 pessoas de uma mesma
família, pode não a ter no caso de ocupa-la com mais de 20 de orientações diferentes. E
todos ficarem insatisfeitos. A representação é orgânico-funcionalista mas bem evidencia: se
a consciência de um indivíduo for tomada pelo intestino pode falir todo o organismo; já se
esta for avivada irá administrar de forma adequada, não só o intestino mas todo o sistema
que é de sua competência.

        Um câncer, que se apresenta como muma multiplicação anômala de células doentias
em alguma parte do corpo pode levar à falência o Complexo Geral orgânico se não for
tratado. Transformações sociais devem ser conscientes, devem operar segundo uma
maturidade para não serem inconseqüentes (gerando maiores malefícios futuros). O
Caminho rebelde, brigão, não se estabelece contra nenhum irmão ou situação, mas contra a
natureza pacífica, por isto consciência na Ação de Criação (por isto um “mané” lá atrás
falou do amor)

       Isto não só organiza ou privilegia a consciência, a cabeça, a cidade administrativa,
mas organiza a vida, pois o ser vivente é um complexo racional e consciente. E isto se
reproduz em diversos níveis e instâncias pela vida de toda gente, mesmo a nível inividual (é
o que chama de ordem universal, obediência ao Pai e amor à Mãe).

       Em uma sociedade anarquista, sem governos centrais, esta forma de governo seria
individual (tudo isto ocorre, mas vejam o real em termos de nossa evolução política e
Estado nacional), e no amor não há valoração do poder, pois os diferentes não competem e
sim se enriquecem (se amam).

        Quando faziam passeata na Esplanada dos Ministérios, no período de abertura
política, após a Ditadura Militar, era muito bonito ver o Povo passar, empunhando suas
bandeiras e bradando suas palavras de ordem. Depois se tornou uma coisa danosa, pois as
passeatas se tornaram comum, vindas de várias categorias e lugares do país, fazendo
barulho, congestionando o trânsito e prejudicando o trabalho em geral da administração de
uma nação, por vezes por uma questão pontual. (isto vem sendo sanado: democracia não é
bagunça)

              Então o fato é que a liberdade de mercado (o povo buscando melhoria de
qualidade de vida), a falta de Planejamento Nacional Integrado, e o populismo, se casaram.
Então sem visão de autosustentação se assentou uma multidão. Ora, num país continental, e
para um povo “rural”, o adensamento sujeita ao mercado de capital um povo cuja mão-de-
obra é braçal. Aí vem a Bolsa-Escola para investir nos filhos, O Programa do Pão e leite, O
Salário Família, O Auxílio Gás etc. Assistencialismo em face do desemprego, subemprego
e de uma inadequação de ocupação.

       Vede bem o que me refiro. Sem o atrativo de Brasília, Cidade Administrativa, o
Cerrado por si só não geraria um bem de mercado que atrairia este contigente populacional.
E mesmo que fosse mais ocupado (pois era ermo e seco), com certeza não o seria em lotes
de 100 m² (onde nem uma árvore dá para plantar, um bicho criar etc.)

       Então a Cidade Administrativa, a Capital Federal, e todos os cuidados que se deve
ter com tal, se tornou atrativa ao mercado nacional. (caso semelhante ocorreu com as
grandes capitais e cidades nacionais, e ocorrem no mundo)

         Despertando para esta situação estão designando para o Plano Piloto um novo
tratamento especial. Quando Brasília foi criada a questão da Geopolítica foi muito
considerada em termos da Segurança Nacional. No centro do país para dificultar invasões
estrangeiras, acessos limitados e controlados, construções sobre Pilotis de forma dar maior
visibilidade policial. O gabarito de seis andares do Plano regulava o adensamento de forma
a não ter problemas de trânsito ou de abastecimento/saneamento etc. Setor de Escolas,
Clubes, Indústria e Abastecimento, tudo conforme um ordenamento.

        Assim, como modelo de Ordem e Progresso, a Capital poderia gozar do Turismo
Político, e até do mísitco, pois se notabilizou como sendo a materialização do Sonho de
Dom Bosco.

       Outro fato que considero importante é a administração física territorial de Brasília
ser própria `a consciência federal, ou seja, ser conforme sua funcionalidade. Há um
inconsciente coletivo administrativo federal que deve encontrar espaço para administrar seu
espaço domiciliar territorial.

      Brasília deve ser administrada por um político local eleito pelo Presidente Nacional.
Unidade de gestão política e territorial é o que objetivo neste caminho. A “governanta” de
uma casa deve ser escolhida pelo chefe da casa. (era assim)

        Sei que de fato, com os adensamentos, a pressão político-democrática tem se dado
para o cuidar de outros centros, as cidades satélites, que estão se conurbando e crescendo,
um tanto ainda atreladas pela faculdade de serem Distrito Fedral, receberem tratamento
especial federal por esta circunstância. Mas de fato não cumprem este papel administrativo
federal, então outra vocação, adequada à situação, tem de ser desperta.

         Com isto estão formulando a Criação do Estado do Planalto Central. Eu creio que
politicamente isto será mais interessante pois a administração será mais voltada ao real
territorial, às vocações casadas com os recursos naturais, e assim uma administração mais
ecológica e verdadeira pois desatrelada do papel federativo, tendo Brasília como mercado
próximo.
       Estado do Planalto Central: Cidades Satélites e do Entorno, tudo conforme uma
geopolítica que atenda à uma melhor organização nacional e local.

       Eu agradeço.


                                 COMENTÁRIOS
       . Os animais podem ser vistos como espelhos da alma de seus donos.

        . O morar no interior, na área rural, privilegia o olhar para a natureza não
transformada pelo ação direta do homem. Com isto são franquiadas as apreciações ao céu,
estrelas, sol, lua, estações do ano, canto dos pássaros, habitats e comportamentos das
espécimes animais e vegetais (como crescem, quando florescem, onde habitam) e todas as
demais coisas próprias do “Tempo Interiorano”.

        . O morador da cidade geralmente habita em pequenas casas de pedra ou mesmo
cavernas, bem próximas umas das outras, em cima ou em baixo, e tem como qualidade a
diversidade da criação humana em termos da transformação que operou sobre si e a
natureza. Assim a cidade oferece muitas benesses em termos de arte, arquitetura,
transporte, artigos de consumo e permanentes tecnológicos, shows, cinemas, teatros,
palestras, apresentações diversas etc., (a noite é iluminada “artificialmente” e mais
aproveitada pelos viventes de forma “consciente”) .

       . Não interessa tanto que o natal seja uma produção artificial. Que sua data original
não corresponda à data original de nascimento de Jesus, e que Papai Noel tenha advindo de
um modo artificial. Interessa mais é que a data está consagrada, e que hoje Papai Noel é
uma personificação cristã, é um Jesus diferente, simbolizado como O Bom Velhinho (de
barbas e cabelos brancos), alegre (feliz, sorridente) gordo (carinhoso, envolvente,
abundante), dadivoso (que dá presentes materiais) e veste vermelho (veste a cor do intenso
amor). Assim Papai Noel, um símbolo que se tornou mundial, traz o Espírito do Natal.
Mas “anseio” que assim como consagraram a criança e o idoso como belos, personificações
divinas ideais, o façam com o homem maduro, resplandecente, assim como foi Jesus
quando viveu contente.

       . Aquele que canta com alegria revela a beleza de seu dia.


                         LINGUAGEM UNIVERSAL
        Encontrei argumentos consistentes para a realização deste ideal. A unificação do
mundo deve empreender tal. Isto não significa o fim da linguagem cultural (local,
tradicional), mas a eleição de uma Língua para comunicação global.

       Assim todos os povos estariam aptos, com mais facilidade, a se intercambiarem.
       Sensível fiquei ao ouvir o apelo dos Esperantistas (o Esperanto foi uma Língua
criada com tal finalidade, de se tornar universal). O Esperanto foi uma Língua criada com
elementos simplificados, que pudessem ser facilmente assimilados por diversas culturas
mundiais. E já é uma realidade em dezenas de países, tendo diversos livros publicados.

       Outra vantagem que apontam ter o Esperanto é não carregar em seu domínio

nenhuma bagagem cultural, ou seja, não ser símbolo do predomínio de nenhuma raça ou

cultura em especial. Assim ele estaria livre da rivalidade entre as nações.


        Só que nisto, ainda que eu encontre lógica nas argumentações, eu não encontro
conforto nesta solução. Quando penso em universalidade lembro do meu Brasil. Este país já
é um celeiro multicultural. Aqui convivem raças e povos de todo o mundo, e ao que escuto
com boas qualidades quando comparados às suas Terras Natais. Este país novo tem sido
construído por este povo global. Aqui coabitam diversas crenças, costumes, tradições, num
mesmo território, sob a mesma lei e falando uma única língua. Assim este modelo pode ser
expandido como quem fez uma experiência que deu certo e a aplica no mundo inteiro. Esta
Pátria do Evangelho tem esta vantagem que é Um Valor Verdadeiro.


       A Simpatia é Essencial, como um carisma, à eleição de uma nova língua. Ainda que
considere isto como um bem de nossa nação, devo testemunhar que a pobreza e o
banditismo têm deposto contra nosso povo. Isto tem de ser corrigido. No caso específico da
nossa Língua Portuguesa Brasileira, ainda que possua muitas regras, exceções e expressões
regionais, pode ser adaptada para uma forma simplificada.

       Pelo lado da facilidade de implantação eu vejo que os Estados Unidos (O Inglês
Americano) está bem mais adiantado na implementação. É a Nação mais internacionalizada
do Mundo. Tanto sua língua como moeda são as que tem tido maior aceitação neste período
de globalização.

        Outras línguas, outras nações, têm sua justificações. A islâmica por certo advogaria
o árabe, pois nele foi escrito o livro sagrado que os guia, O Alcorão. Os Judeus idem,
inclusive porque desenvolveram a guematria, uma ciência com base no alfabeto. Assim o
sânscrito. E daí, nesta dinâmica, aparecem até Línguas Antigas ou Exóticas (que remontam
civilizações ou símbolos mágicos/existenciais). Mas na minha consciência está que a
Língua Brasileira é a que vai prevalecer.

        No Plano Espiritual uma cultura unicista está por aparecer (ela é jovem ao mesmo
que anciã, traz a união e a unidade compreensiva que está no alto de todas as religiões).
Esta é a “Santa Língua Espiritual” que vai prevalecer, um código de valores culturais que
corresponde a uma Consciência Superior em Sua Essência (A Compreensão ou Visão
Espiritual, Pura, Verdadeira).
       Mas uma coisa é certa: com a globalização esta eleição se faz mister. Só o Bloco
Europeu reúne 26 línguas diferentes, ou seja, para reuniões há que se ter disponível 25
traduções. Imagine isto no caso das reuniões da ONU (Organização das Nações Unidas),
onde há mais de 100 nações. Uma comunicação sem intermediação poderia facilitar a
relação, a precisão e baixar os custos de tradução e tempo de celebração .

        Outra coisa é a facilidade de circulação das mercadorias, de seus manuais, dos
livros, das pessoas. Isto urge simplicidade e objetividade. Aponta para a Unidade.

                           SENTIMENTO DE ÍNDIO
       Fui caminhar. Varei a cidade de Oeste a Leste. Chegando a beira do lago, vi que
após a rua havia, de um lado uma Estação de Tratamento de Esgoto, do outro um Clube,
mas em frente um mato danado que não permitia nem sequer constatar se o lote estava
cercado. Atravessei e fui constatar.

       Antes disto, passando por outro mato do caminho, lembrei do povo sem teto, que
andava morando na cidade onde tinha mato. Naquele caminho observei que não tinha
nenhum, mas fui alçado pela consciência espaço-ambiental. Na cidade, sem teto, sem
emprego, ele vivia meio que escondido no mato, e se tirasse ele de um lugar ele iria
procurar outro, de próximo formato. É que no mato ele pode acampar, ao menos
temporariamente (até que a polícia ou fiscalização o remova), e contar com o sustento na
cidade, de relativo “ganho fácil” em se considerando as benesses da esmola, o
aproveitamento do lixo e os empregos informais como “tomar conta ou lavar carro”.
Também no mato ele pode cozinhar, improvisar um sanitário, e um pouco de água pode
encontrar ou levar. O fato é que não sendo longe da cidade, do centro urbano, não há as
limitações de transporte (tempo, custo, impossibilidade de carregar cargas) e a cidade pode
ser “explorada”. Ora, se a propriedade rural ele perdeu, não há mais terra para plantar,
colher ou coletar, ali ele pode se aproximar daquela vida produtiva/extrativista (tal qual o
indígena quando planta algo ou percorre a selva, mata, campo, em busca dos elementos que
compõe sua vida). Então se tira ele de um lugar, e ele não tem para onde ir, é natural que
procure por outro onde do “extrativismo” ele possa continuar a se servir. Por isto
assentamentos e bons programas de encaminhamento desta parcela da população, aliada às
oportunidades não governamentais (oriundas das relações sociais em geral), são
importantes na organização da vida na nação.

        Voltando onde comecei a relatar, tinha um mato alto a atravessar. O terreno era
irregular, cheio de valas e buracos, um “mato alagado” em tempo de seca. Fui pisando alto
e deitando o mato. Algumas dezenas de metros à frente pude ver o arame farpado. Fiquei
um pouco frustrado. Daí lembrei dos índios, nativos em seu estado primitivo, quando
começaram a encontrar a cerca dos colonizadores.

       Este sentimento-lembrança, me trouxe a história sofrida dos oprimidos históricos.
Aqueles que foram despojados, vendidos como escravos (às vezes até nobres em guerra
derrotados) ou apartados de seu livre trânsito exploratório. Isto nos é histórico há milênios,
vide os relatos bíblicos dos judeus como escravos egípcios, vidre os povos que eram
saqueados, dominados, cerceados. Mas em nosso continente, em nossa nação, isto foi algo
bem mais recente. “A história contada sob a ótica do oprimido”, foi uma abordagem
revolucionária comunista, em Cuba encontrou campo fértil, que conheci quando (na
universidade) com o Curso de História me envolvi. E de fato alcancei este sentimento,
caminhando, andando e “respirando”.

        Quando trilhei o Caminho Franciscano, isto também conheci, só que a dimensão do
amor acolhe este sentimento com compaixão ao invés de revolta, e a dor não tem ênfase na
injustiça social (subjugação), no conflito étnico-cultural, mas no afastamento das Graças do
Senhor, na perda, na queda, diante de Deus, que pela fé conduz os seus filhos. Note que
assim não deixam de haver os “erros”, mas eles são vistos como de ambos os lados que se
afastaram da Bonança e Bem-Aventurança (assim uns rindo, outros chorando, girando a
Roda Kármica ou Dármica, de prazeres e mortes intercambiantes). Esta dimensão, Kármica
ou Dármica é vivida pelos lutantes que não tem amalgamado em seu interior esta ciência
espiritual de vida (que é para a eternidade, a saída do mundo da dualidade, a substituição do
Antigo Testamento, “Olho por olho, Dente por dente”, pelo mandamento Cristão).

       Mais à frente, já no concreto e asfalto, numa região de construção recente, encontrei
algumas sementes (de árvores para arte). Daí me lembrei dos operários, os índios da cidade,
que moravam nas obras ou nas cidades pendulares. Aqueles que ofertavam sua vitalidade
naquela arte, de construir moradias, cidades.

       Me lembrei do vigor deles como algo muito saudável. Lembrei-me da força da terra,
da força “Índia”, com o qual se lançavam a construir. Um ofício popular, de pai para filho,
de mestre para aprendiz, que geralmente não se aprende em escola.

       Decerto estes irmãos têm um jeito especial de enxergar o “Império” que estão a
levantar. Isto tudo me trouxe um sentimento de pertencimento muito especial, sou filho de
Mestre de Obras, neto direto de índia. E penso quantos milhões não são descendentes em
semelhante situação.

        Isto me traz solidariedade, um digno sentimento de familiaridade, proximidade.
Assim eu me lembro de como gostaria que fossem felizes. E fico imaginando como guia-
los para que prosperem, para que a Justiça e o Bem imperem, confirmando aquilo que os
espíritas se referem e as religiões em geral discernem: Brasil, Pátria do Evangelho.
Evangelho Vivo, Reino de Deus, Reino do Cristo.

       Então passo os olhos pelas periferias, pelas favelas, e vejo muita dor e temor. É
preciso levantar a fé deste meu povo. Fé com obras que a consolidem na paz e no amor.
Temos tanta Terra e um Povo maravilhoso. Havemos de construir algo novo que esvazie as
prisões, os crimes, os hospitais, os juizados, as delegacias, as brigas.

        Este sentimento tem que comover a Nação numa ação que traga paz e prosperidade.
Andar com liberdade, liberto de medos, e satisfeito, é um grande galardão. Não há quem
em sã consciência quem não queira esta realização. Esta riqueza acende o coração. Ela
aviva todas as outras meu irmão.
        Bom, agradeço a Deus, e tenho isto como uma Oração, um pedido de benção para a
realização.

                            CONSCIÊNCIA SOCIAL
       O povo não a tem de forma nítida e precisa em termos maiores de espaço e tempo.
Ele vê o caminho que se lhe afigura à frente, ainda não está na cultura a análise ou a
consciência estrutural. E os condicionamentos o empurram à ação, aproveitamentos das
oportunidades da ocasião. O fato é que a luta pela sobrevivência, pelo imediato, ainda
consome sua visão de mundo e de futuro. Um povo mais estabilizado já assenta sua
consciência no longo tempo e nas relações globais (até cósmico-ecológicas).

       A falta de consciência social poderia ser maior se não fosse a religião, pois a
competição poderia reificar condições selvagens de vida (isto se dá na forma dos
banditismos, terrorismos, guerras etc.). Na religião o indivíduo é guiado pela luz, pela
providência divina, pelos missionários de uma corrente, que se apresentam influenciando
desde o patamar mental (por mensagens, pensamentos, egrégoras) até a presença real.

        Isto representa os escolhidos, ou seja, a guia de uma parte do povo, que será salva e
está sendo bem conduzida (pastoreada, zelada).

        Vide que tudo isto é condizente e concernente à uma realidade religiosa histórica: a
promessa de Deus ao povo escolhido. Não tem que lutar com isto, pois seria confusão.
Lutar contra os escolhidos seria travar uma luta infernal (por inveja, despeito, etc. e tal). Os
eleitos mesmos não serão encontrados muito menos abatidos: esta é a ilusão que ceifa os
não eleitos, que se matam entre si. Mas isto é não um determinismo que faz da vida um
mero jogo de cartas marcadas, como se não fóssemos vivos, apenas robôs cumprindo uma
sentença pré-determinada. O livre arbítrio existe e a condição de salvação é Vera. E nunca
se perde tempo ao se trabalhar pelo despertar. A consciência é o espírito que se carrega
além da matéria, pela eternidade. Então vale a pena cuidar (“ama a Deus acima de todas as
coisas...”).

        Vide: há pouco uma cidade secular foi inundada, gerando destruição de casas e
desabrigo de cerca de cem mil pessoas, muitos mortos. A cidade é litorânea e foi construída
numa porção de terra abaixo do nível do mar. Um maremoto gerou ondas que derrubaram
as barreiras e o mar “lavou” a cidade inteira.

      Um indivíduo nascido naquele local dificilmente teria consciência do perigo que era
morar em tal. Dez milhões de turistas o visitavam anualmente. E o país é do primeiro
mundo.

       O comum de um povo da favela tem os horizontes centrados nela. Normalmente ele
não vê oportunidade de ir para a Amazônia construir um ambiente ideal, fraternal e
próspero. Ao menos em termos de expressão massiva. E a carência não é pontual, é
massiva.
        Um indivíduo que está revoltado em meio ao caos está num ambiente infernal.
Mesmo que ele lembre do amor, de uma outra realidade que sonhou, aquele presente dele
lhe traga para a luta: é muita tentação, muita provação, muita vibração do mal em seu meio
ambiente contextual. Então ele fica entre Jesus Cristo e o Profeta Mohamed: um deu sua
vida e reinou no amor, outro empunhou sua arma e imperou. São verdades contextuais
incontestáveis.

        Este fenômeno se dá em termos individuais e massivos. E olhe que falo de devotos
religiosos, que são altruístas, que têm espírito fraternal, que apontam para o bem, que lutam
em defesa de seu povo.

        Os que estão no ódio respiram uma revolta infernal que os consome feito fogo. O
pavio é curto e a exigência é cabal. Estes já atacam pois não confiam, e se regozijam com o
mal: a vingança é doce e a crueldade é para com a vida que os fez assim. A revolta geral
(em relação à vida infernal) propicia, inaugura, o Império da Força (“dragões nasceram da
ira e do orgulho”, Hinário CVP).

         Do outro lado as forças de defesa ficam alerta. O bem contra o mal trava sua batalha
final.

        Se fosse assim tudo bem, pois como resultado teriam a organização do espaço
existencial. Cada um morando em seu local. Bem definidos céu e inferno se separariam, O
joio seria apartado do trigo. Mas quando envolve confusão na relação há muito sofrer e
muita insatisfação: o coração dividido vê bondade e maldade em ambos os lados, em ambas
as situações: então é briga de cegos, é confusão.

        Nisto tem de ter guia, tem de ter saída que unifique a situação, que mostre o
verdadeiro inimigo que deve ser combatido e vencido. Esta é uma questão de visão, de
clarividência, de consciência para a ação. Um líder carismático é solução de unificação. É
caminho de salvação.

        Os que enxergam tem de aparecer e exercer o poder. O Estado tem de operar a
solução para as massas. O Estado a serviço de Deus, a serviço da ecologia, da paz, do bem
estar cidadão, da solução para as massas. Este instrumento normativo, executivo, judiciário,
tem de operar as mudanças estruturais, indo além dos patamares competitivos corporativos,
promovendo a paz e o equilíbrio.

        O amor ao próximo está no primeiro e único mandamento cristão, e é base de todas
as religiões. É a base que unifica toda a crença popular em todas as camadas sociais. Este
valor tem de imperar, em cada um de acordo com sua condição, com seu lugar, para o êxito
encontrar. E com Ele caminhar.

        Para isto os caminhos de uma vida básica, digna, tem de estar claros. Não pode
existir dificuldade estrututral para se alçar o básico (desemprego sistêmico, salário que não
permita sustentar uma família, falta de saudável moradia etc.). Isto deve ser arrumado. E o
mercado continua para os melhores preparados: as realizações não podem ser aprisionadas,
inibidas, detidas, pois a criação é graça divina que deve ser respeitada. E a sabedoria faz a
estrada. Assim há paz, respeito e a vida fica organizada.

        Quem tiver de plantar mandioca e milho, o fará. Quem tiver de viajar ao infinito, o
fará. Tudo no tempo e na condição traz felicidade ao irmão. Cada um realizado no que está
a laborar.

       Eu agradeço.




 ÍNDICE ANOTAÇÕES – ANTROPOLOGIA SOCIAL
COMENTÁRIO AFIM - PÁG. 1
DIREITO – PÁG. 2
GÊNERO – PÁG. 7
GESTÃO – PÁG. 11
HIGIENE E SEGURANÇA – 13
MEIO AMBIENTE - 17
PLANEJAMENTO TERRITORIAL – 21
PRECONCEITO - 22
REPRESENTANTE – 27
TRANSPORTE – 27
ABASTECIMENTO - 29
ORAÇÃO – 30
SEXO - 30
ÉTICA AMOROSA – 34
FUMAR - 38
ENCONTRAR DEUS – 39
DROGAS – 39
A TERRA, A PRODUÇÃO E O EQUILÍBRIO ECOLÓGICO –
43
“CALMA QUE O SANTO É DE BARRO” - 48
COMBATE À VIOLÊNCIA – 49
BOACONHA – 50
SEXO E OBSSESSÃO - 51
O PIB - 53
PREÇOS E VALORES - 53
ELEIÇÃO PARTIDÁRIA – 55
NECESSIDADES - 57
SOCIEDADES E FÉ - 57
CONSUMO CULTURAL - 59
ESTABILIDADE CONSCIENCIAL - 62
PAPÉIS SOCIAIS - 64
COOPERATIVISMO - 65
CASTIDADE - 66
TENDÊNCIA ORIENTAL E OCIDENTAL - 67
HÁBITOS E MEIOS - 67
LÍNGUAS INDÍGENAS – 68
A CULTURA DA HONRA - 68
ESTÉTICA - 72
JOVENS GUERREIROS – 73
IDENTIDADE DE CLASSE - 76
CIÊNCIA E MAGIA – 76
OS DONOS DA TERRA – 78
ÁLCOOL E DROGAS – 80
EXPRESSÃO SÓCIO-CORPORAL 82
A CARIDADE E O PEDÄGIO – 85
A CELEBRAÇÃO DO AMOR E DO TEMOR – 91
EQUILÍBRIO SOCIAL E INDIVIDUAL – 95
POLÍTICA INDIGENISTA SEGREGACIONISTA - 95
O PREDICADO DE UM BAR - 97
A EFICIÊNCIA DAS PRISÕES - 98
SISTEMA IMPERIAL - 100
IMPÉRIOS,CORRENTES, MOVIMENTOS, COMPREENSÃO
– 102
CARROCEIROS – 105
PERTENCIMENTO – A NATUREZA E O EU – 107
CHOQUE CULTURAL – 108
CARTA A TODOS QUE SE SENTEM OPRIMIDOS - 111
CONTROLE - 114
CONTROLE
O EGITO E AS ANTIGAS CIVILIZAÇÕES - 116
RECADO À JUVENTUDE REBELDE - 117
TOGURO – 119
CAVALEIROS DO ZODÍACO, O LOBO SOLITÁRIO,
BLADE E SAMURAI X - 120
FUI CONVIDADO A MATAR – 122
PLANEJAMENTO ESTATAL, CULTURAL E IDEAL – 123
ÉTICA NA SIMPLICIDADE - 125
CIÊNCIA 127
CIDADE ADMINISTRATIVA E CIDADE DE MERCADO 130
PLANEJAMENTO URBANO - 132
ECONOMIA GLOBAL - 135
SINDICALISMO NECESSÁRIO - 136
VIBRAÇÃO NA CONSTRUÇÃO - 137
VESTIBULAR E COTAS - 137
SOBRE A POLÍTICA DE INVASÕES NO DF 139
POLÍTICA INDIGENISTA - 143
ETNOMUSICOLOGIA - 146
O RAP - 147
LEIS INTERÉTNICAS: UMA SÓ NAÇÃO - 151
ENFORCAMENTO E DECAPITAÇÃO 153
APRENDENDO COM OS ÍNDIOS - 154
ACULTURAÇÃO E SISTEMAS DE PODER - 155
DORMIR, BEBER, CAGAR, COMER – 157
FORÇAS ARMADAS 157
METROSSEXUAL, TECNOSSEXUAL - 158
SALÃO DE BELEZA - 158
ARMAMENTO, DESARMAMENTO – 158
O VÔO DO PÁSSARO POLÍTICO - 160
SOCIEDADE TÉCNICA, ÉTICA, AMOROSA - 160
JITSU E DO - 161
EU QUERO ARTE - 161
COMBATE À POBREZA - 162
DEFICIENTES FÍSICOS - 162
À POPULAÇÃO ALCOOLIZADA - 163
A TELEVISÃO COMO MEDITAÇÃO – 164
CARTÓRIOS - 165
CIDADES – HABITAÇÕES - 168
ECONOMIA E JUSTIÇA - 169
ETNOMUSICOLOGIA II - 171
EU AMO O CARNAVAL, A CULTURA POPULAR - 172
EU AMO OS DECOMPOSITORES - 173
FORÇA ARMADA NA RETAGUARDA - 174
GREVE COMO SACRO OFÍCIO - 174
MEIO AMBIENTE E SEGURANÇA - 174
O GOVERNO DEVE GUIAR O MERCADO 175
O MUNDO DAS DROGAS - 177
PASSEATA E PROCISSÃO - 178
PESQUISA APLICADA - 178
PODER LEGISLATIVO - 179
POLARIZAÇÃO E GLOBALIZAÇÃO – 182
PRECONCEITO E COMUNHÃO - 182
PURISMO, TOTALITARISMO, NAZISMO - 183
SABEDORIA SOBRE A GUERRA - 184
SEGURANÇA ECONÔMICA - 185
CABELEIREIRO X BARBEIRO - 186
PADRÕES EDUCACIONAIS - 187
A CIDADE E A RIQUEZA MATERIAL - 189
ÍDOLOS, IGREJAS, EXPRESSÕES - 189
DIREITO AUTORAL (E DESAPEGO) - 190
CULTURA DA MESTRIA
CULTURA DA MESTRIA - 192
A CIDADE E O CAMPO - 192
A POLÍTICA MATERIALISTA - 192
BANDIDO É PRESO - 194
BAR, TERRITÓRIO “LIVRE” – 194
CIDADE DO AMANHECER - 195
O BOM SENSO E A RENÚNCIA - 196
O CASAMENTO MUNDANO E O DEVOCIONAL – 197
O CULTIVO DE IMAGENS - 198
OBRA SOCIAL – 198
ORIENTE E OCIDENTE, CULTURA, RELIGIÃO – 199
UM MAL DA ESQUERDA – 200
ESQUERDISMO - 200
A ESTABILIDADE DA CONSCIÊNCIA COLETIVA - 201
APOSENTADORIA - 202
CULTURA, PRECONCEITO, CAMINHO - 203
DETERMINISMO MATERIALISTA - 204
EQUILÍBRIO SOCIAL - 205
IGNORÂNCIA E POPULISMO - 206
MATERIALISMO E ESPIRITUALISMO - 207
O CONGELAMENTO EXISTENCIAL - 209
O LEÃO ME QUERIA DEVEDOR - 209
O MERCADO MUNDIAL E A ECOLOGIA - 210
O MÍSTICO E O RACIONAL - 211
O VÍCIO NA SAÚDE CURATIVA – 212
PARAÍSOS NA TERRA - 214
POLÍTICA ECONÔMICA - 214
PROCESSO HISTÓRICO - 215
REALEZA DEMOCRÁTICA - 217
SAÚDE URBANA E RURAL – 218
SOB A EGRÉGORA, SOB A CULTURA - 218
TEMPO REFINADO - 219
VIAGENS - 219
A ESPIRITUALIDADE E A PSICOLOGIA - 220
A ETERNA CONSCIÊNCIA E A VIDA - 223
A FORMA DINÂMICA HARMÔNICA - 225
A FORMAÇÃO DE UMA NOVA INSTITUIÇÃO - 225
A LÓGICA SOCIAL BABILÔNICA: PRISÃO - 226
ALTO METABOLISMO - 227
ÉTICA, PARTIDARISMO E CLIENTELISMO - 228
VISÃO ESPACIAL - 229
MOVIMENTO SOCIAL - 231
O QUE É A CIDADE, O QUE É O MUNDO GLOBALIZADO -
232
SOBRE HABITAÇÃO (CENTRO-PERIFERIA-CAMPO) - 233
UMA CRIAÇÃO DO AMOR - 233
“ACALMA MAIS O TEU SOL, DEIXA EU FELIZ PASSAR” -
233
AMBIENTE FAVORÁVEL – 234
DROGAS E CONSCIÊNCIA - 234
EDUCAÇÃO - 235
PROFISSÃO E DINHEIRO - 238
O LOCAL E O FEDERAL - 240
COMENTÁRIOS - 245
LINGUAGEM UNIVERSAL - 245
SENTIMENTO DE ÍNDIO - 247
CONSCIÊNCIA SOCIAL - 249

                           AGRADEÇO

À Deus Pai.

Aos Avatares de Todas Épocas e Nações.

Aos Amigos zeladores desta missão.

À minha Esposa e Filhos.
Aos meus Familiares e Amigos.

Às Igrejas em Geral.

Às Igrejas da Barquinha, União do Vegetal e Santo Daime.

Às Instituições e Pessoas com as quais relacionei ou trabalhei.

Aos Mestres da minha caminhada.

Aos Bichinhos Companheiros de jornada.

À Toda Criação.

						
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