Embed
Email

sobre o autor

Document Sample
sobre o autor
Shared by: HC111126141530
Categories
Tags
Stats
views:
2
posted:
11/26/2011
language:
pages:
108
SIDA e Você









1

A Sheila, minha melhor amiga, conselheira mais chegada e fonte de

incentivo infinito por mais de 30 anos, e a todos aqueles que têm feito parte

da família ACET durante todos esses anos.







E meu sincero agradecimento à Ray & Joy Thomas por insistir que uma

nova edição fosse escrita, à Mark Forshaw por escrever um capítulo novo

sobre projectos, à George Verwer por ajudar a fazer esta idéia tornar-se

realidade, à Susie Howe seu apoio e rapidez com que distribuiu cópias deste

livro em todo o mundo, e à Tear Fund por permitir a adaptação do seu

manual sobre SIDA.





Meus agradecimentos também a equipe de tradução: Emerson Rizzi,

Faustino Paulo Mandavela, Helga Gamboa e Jean Perry.







Dr Patrick Dixon









2

SIDA e Você









Dr Patrick Dixon









Publicado conjuntamente por





Operação Mobilização

&

ACET International Alliance

em parceria com Kingsway









3

SIDA e Você

Copyright @ 2002, por Dr. Patrick Dixon





Terceira Edição revista 2002

Reimpressão 2003

Edição revista 2004





ISBN 81-7362-470-4







Qualquer parte deste livro pode ser reproduzida para fins educacionais e de

formação com reconhecimento e referência completa ao Web site da ACET

International: http://www.acet-internationa1.orgwherethefullbook onde se

pode encontrar o livro completo.

Terceira Edição patrocinada e publicada pela Operação Mobilização e

ACET International Alliance em parceria com Kingsway.

Todos os lucros da venda deste livro são utilizados para facilitar a sua

distribuição entre aqueles que o necessitam.

Primeira edição foi publicada pela Kingsway 1989 sob o título de AIDS and

Young People (Sida e os Jovens), reimpresso em 1990. Edições em

Tailandês, Português, Checo, Romeno, Húngaro, Espanhol, Russo, Turco,

Urdu, Baita, Alemão, Francês e Polonês.

Publicado conjuntamente por

Operação Mobilização

e

ACET International Alliance

em parceria com Kingsway.









4

Impresso na Índia por

OM Books, Secunderabad - 55

Ph: 91-040-227861447, email: publisher@omb.ind.om.org









5

Sobre o Autor









Patrick Dixon é autor de 12 livros incluindo *A Verdade sobre a

SIDA, SIDA e Você, Fora dos Musseques e Dentro da Cidade, Sinais

de Resurgimento, A Verdade sobre Drogas, A Revolução Genética, A

Verdade sobre Westminster, O Aumento do Preço do Amor e Rumo

ao Futuro.1

Dr. Dixon formou-se médico antes de se especializar em atendimento e

cuidado daqueles em fase terminal de câncer (oncologia) e depois de SIDA.

Após o lançamento do livro A Verdade sobre a SIDA ele fundou ACET

(Aids Care Education and Training) em Junho de 1988, como uma resposta

cristã nacional e internacional à SIDA. Dr. Dixon foi Diretor Executivo da

ACET até 1991 e hoje ajuda a liderar uma rede de iniciativas independentes

conhecidas como ACET International Alliance. Ele é também o patrono de

Hope HIV, um programa de adopção de órfãos da SIDA.

Dr. Dixon é presidente da Global Change Ltd, uma empresa de consultoria e

previsões de tendências globais, comentador regular nos órgãos de

informação por todo o mundo, conselheiro em várias grandes empresas em

assuntos como: sociedade digital, nova tecnologia, a biotecnologia,

globalização, liderança, motivação e valores corporativos. Ele tem 45 anos

de idade, vive no oeste de Londres, é casado e tem quatro filhos. Todos os

membros de sua família são membros activos da igreja local, em colaboração

com a Evangelical Alliance (Aliança Evangélica) e Pioneer.





Mais cópias deste livro:

Mais cópias deste livro podem ser requisitadas grátis através de organizações

cristãs para distribuição em países em desenvolvimento

Escreva para: isdixon@dircon.co.uk





1

N.T: Os titulos foram traduzidos especialmente para esta edição. Os titulos originais são: The Truth about

AIDS, AIDS and You, Out of the Ghetto and into the City, Signs of Revival, The Truth about Drugs, The

Genetic Revolution, The Truth about Westminster, The Rising Price of Love and Futurewise.







6

Conteúdo









Introdução: Cristãos lideram a luta contra a SIDA

Capitulo 1: A SIDA também é seu problema

Capitulo 2: Vacinas, tratamentos e preservativos

Capitulo 3: Agonia da SIDA– Perguntas e Respostas

Capitulo 4: Não ter para onde ir

Capitulo 5: O que é que você acha?

Capitulo 6: Para onde é que vai?

Capitulo 7: O que podemos fazer? Hora de Agir

(por Mark Forshaw)





ACET International Alliance

Operação Mobilização

OMS 3 por 5: Programa de Tratamento Gratuito de SIDA









7

INTRODUÇÃO





Uma Resposta Urgente à SIDA





A menos que alguma coisa mude mais de 200 milhões de homens, mulheres

e crianças irão morrer por causa da SIDA. Mais de meio milhão de pessoas

ja têm um amigo ou um familiar que morreu - apenas um entre os 40 milhões

de adultos e crianças com SIDA, enterradas ou cremadas até o começo de

2002. Apesar de tudo isso, esta nova epidemia está a propagar-se mais rápido

do que nunca dentro das nações mais pobres, matando quatro vezes mais

pessoas todos os anos que a década passada. As pessoas simplesmente não

reconhecem o perigo – ou não querem pensar sobre isto.

Eu nunca me esquecerei da primeira pessoa que eu conheci com SIDA: um

jovem estudante desesperadamente doente numa sala lateral do hospital. Ele

estava ansioso, agitado, suado, com muita dificuldade para respirar,

sufocando-se em suas próprias secreções e sofrendo de um medo terrível. Ele

tinha uma mascara de gás sobre o rosto e tubos ligados ao seu corpo. Ele

estava totalmente sozinho naquele quarto horrível e prestes a morrer.

Eu fiquei tão chocado que alguém num hospital para estágio prático em

Londres, com todos os equipamentos no mundo, pudesse ser abandonado em

tais condições. Mas assim eram as coisas em 1987, numa época em que

nenhum instituição hospitalar para pessoas com doenças terminais no Reino

Unido aceitava pessoas com SIDA, algumas enfermeiras se recusavam a

visitar pessoas com SIDA em casa e alguns dos meus colegas médicos

recusavam receitar medicamentos apropriados. Somente porque essas

pessoas tinham o diagnóstico errado:





SIDA





Desde aquele momento comecei a me envolver. Aqui, nesta enfermaria havia

um ser humano feito à imagem de Deus, extremamente necessitado. Que

outra reacção eu poderia ter, a não ser cuidar e ajudar, deixando de lado

sentimentos pessoais que eu pudesse ter tido sobre estilos de vida, e as razões

pela qual ele tenha sido infectado?

A sua família nem sequer sabia que ele estava doente (ele tinha medo que

fosse rejeitado e queria levar o seu segredo para a sepultura) e os

medicamentos que estava a receber não estavam a fazer nada para diminuir o









8

seu sofrimento. Era como se 20 anos de medicina hospitalar tivessem sido

atirados pela janela.

Estudei medicina com especialização em câncer, tomando conta daqueles

próximos da morte em casa. Por muitos anos mantive a minha distância da

SIDA - uma especialidade de outra pessoa e não uma doença pela qual eu

tivesse uma inclinação natural, de facto o contrário - mas quando eu vi

pessoalmente a horrível realidade, o estigma, a rejeição chocante das pessoas

doentes por colegas profissionais, e tudo isto a acontecer diante dos meus

olhos, cheguei a conclusão que os conhecimentos que alguns de nós tínham

sobre cuidando daqueles morrendo com cancro, necessitavam de ser

estendidos urgentemente também para aqueles com SIDA.

Mas não eram somente os profissionais na área de saùde que estavam a

rejeitar as pessoas com SIDA: a Igreja também lhes apontou o dedo,

envolvendo-se em acusações e debates morais, fazendo muito poucas acções

práticas. De certa maneira eu também agi mau, encontrando todas as

desculpas para não me envolver com esta nova e estranha doença. E quando

percebi como tinha sido desumano, tive que mudar a minha atitude de

maneira radical.

Aquele jovem morreu calmamente, depois de alguns dias, com o tratamento

correcto e com o carinho da família ao seu lado, mas todo o episódio chocou-

me profundamente. Eu nunca iria ser o mesmo.

Este livro foi originalmente publicado em 1989, como uma versão mais curta

do livro “A Verdade sobre a SIDA”, para encorajar uma resposta prática e

humana para a SIDA por parte das igrejas de todas as denominações, com

ênfase no cuidado comunitário e prevenção escolar. O livro foi revisto e

actualizado mais uma vez a pedido de pessoas de as todas as partes do

mundo, que queriam um livro curto de “ acção” sobre a SIDA em uma

perspectiva cristã, e com o forte apoio de Ray e Joy Thomas (AIDS

Intercessores/Intercessores de SIDA), George Verwer (Operação

Mobilização) e Mark Forshaw (Africa Inland Mission – Missão na África

Territorial).

Quase todas as minhas previsões de 1989 são infelizmente hoje uma

realidade, mas em todo o sofrimento e luto de milhões de pessoas, ainda

existe a esperança de que o futuro não seja a repetição do passado. O que

entristece muito é que muitas das lições da epidemia de África desde os fins

dos anos 1980s ainda não foram aprendidas em outras partes do mundo 15

anos depois. Ainda hoje continuamos a ver negação por parte dos governos e

nações inteiras que parecem pensar que de algum modo “isto nunca vai

acontecer connosco. Nós simplesmente iremos ter alguns casos.” O

preconceito e o medo ainda existem em muitos lugares.







9

Com mais de 80 milhões já infectados com SIDA/HIV a epidemia ainda está

no seu início. Somente em Mumbai há mais de 1.000 infecções novas todas

as noites, e a Índia poderá ter mais casos de HIV durante os próximos 15

anos do que houve no mundo inteiro até agora. Uma propagação idêntica à

da África (através da Ásia) está a começar a ocorrer em muitos outros países.

A história está agora a repetir-se, numa vasta e trágica escala, mas com

alguns sinais muito preocupantes do tipo de resposta agressiva e abrangente

que nós vimos em lugares como Uganda 15 anos atrás.

Os cristãos estão na liderança da luta contra a SIDA em muitas nações. Na

África do Sul, o Arcebispo Desmond Tutu calcula que as igrejas e

organizações cristãs estão a providenciar mais de 60% de programas de

comunidade em HIV em África. Na Índia a resposta cristã para a SIDA, já

mobilizou bem mais que 25.000 trabalhadores, tempo parcial ou tempo

inteiro, todos os quais estão envolvidos em cuidados ou prevenção. Esta é

uma conquista notável, um movimento popular através da nação. Sabemos

disto através da Aliança Nacional da SIDA Cristã (CANA) em Delhi, uma

rede em crescimento com algumas centenas de agências cristãs.

Podemos também ver isto na ACET International Alliance (Aliança

Internacional ACET), uma comunidade global de agências independentes,

algumas cresceram a partir de pequenas iniciativas em 1988, todas

procurando dar uma resposta solidária em nome de Cristo. Nós vemos isto

em centenas de organizações missionárias e de desenvolvimento como

Operação Mobilização, Samaritan‟s Purse (Bolsa Samaritana), Tear Fund,

Visão Mundial (World Vision), Christian AID e o Exército da Salvação.

Uganda é um exemplo maravilhoso do que pode acontecer quando os

governos e Faith-Based Organisations (FBOs) (Organizações Baseadas na Fé

– OBFs) trabalham em parceria. O Programa de Controlo da SIDA viu uma

queda dramática em casos de infecção, particularmente entre os jovens – de

22% para menos de 8%. Isto não teria sido alcançado sem o apoio da igreja.

É um sinal de esperança para o futuro.

Cristãos de todas as tradições podem unir-se facilmente em dois objectivos

simples:

 Cuidado incondicional e solidário a todos afectados pelo SIDA /HIV.

 Prevenção efectiva respeitando e mantendo os princípios dos

ensinamentos históricos da igreja.

Muitas vezes como cristãos reagindo à SIDA não fazemos nada ou

apressamo-nos a abrir as nossas Bíblias, ou os ensinamentos da igreja, para

declarar que alguma coisa está errada. Já na nossa resposta podemos perder

de vista a graça, o amor e perdão de Deus – e a realidade de que muitos são







10

infectados através de acções de outros em vez do seu próprio

comportamento. Existe a possíbilidade de estarmos tecnicamente correctos

na interpretação dos padrões de Deus, mas profundamente equivocados em

nossas próprias atitudes.

Tome o exemplo de Jesus com a mulher apanhada no acto de adultério

contado no livro de João – realmente a historia do homem ausente. Aqui há

um grupo de homens zangados a procura de uma razão para linchar uma

mulher, duas pessoas pecaram mas o homem não se encontra em lugar

nenhum. No tempo de Jesus existia uma hierarquia: o pecado sexual por

parte da mulher era punido pela morte, outros pecados eram mais ou menos

aceitáveis, enquanto o pecado sexual por parte do homem quase não contava.

Jesus detestava a hipocrisia deles.

Ele derrotou-os com apenas uma frase: "Se algum de vocês estiver sem

pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra contra ela". "Sim, você

senhor, cujos os olhos nunca vaguearam a prateleira superior do quiosque,

você que nunca foi ciumento, vingativo, mal educado ou nunca falou de

ninguém por trás, você que é a esposa perfeita, você que nunca perdeu a

paciência com os seus filhos, você que nunca disse uma meia-verdade ou

quebrou o limite de velocidade. Vem e atira a pedra." (Ver João 8:1-11)

Ninguém se moveu. Jesus olhou fixamente para todos eles até que um a um

todos se foram embora – começando pelo mais velho . Numa frase Jesus

destruiu totalmente toda a possibilidade de se julgar outros de acordo com

uma escala de pecados. Todos pecamos e saímos da glória de Deus, todos

estamos totalmente perdidos fora da graça de Deus.



Quando se trata de apontar o dedo, Jesus proíbe-nos de subir num pedestal.

Ele era a única pessoa nesta terra que tinha o direito de condenar, contudo

Ele diz à mulher " Eu não te condeno ". Adicionou também " vai e deixa a

tua vida de pecado".

Como cristãos tornamo-nos confusos entre as duas coisas que Jesus disse: ou

apressamo-nos a fazer afirmações de natureza moral, tropeçando em atitudes

de julgamento ao longo do caminho, ou apressamo-nos a expressar a graça e

o amor de Deus, caindo num buraco profundo onde não existe mais uma

estrutura moral definida. O modo de Jesus é manter juntos o amor infinito e

padrões perfeitos em tensão – algo que necessitamos da sua ajuda para o

fazer.

Vamos deixar bem claro que o ensino das escrituras de Gênesis ao

Apocalipse mostra constantemente que o dom maravilhoso da união do sexo,

é uma celebração do amor e amizade entre um homem e uma mulher que

assumiram estar juntos para o resto de suas vidas. Deus ama o sexo, é o







11

desperdício do sexo fora do casamento que lhe causa dor. A Bíblia deixa

claro que toda a união sexual fora do casamento é errada. Este foi sempre o

ensinamento da Igreja - comum à fé Judáica e do Islão.



O sexo é visto como um mistério, um evento espiritual quando dois se

tornam " uma só carne ". Nós vemos o seu lado físico sempre que o esperma

fecunda um ovo. O óvulo da mulher se funde com o espermatozóide do

homem para literalmente dar forma a um novo ser; um único e novo

individuo pleno de personalidade e identidade futuras.





Então como vivemos com estas tensões? O modo de Jesus é claro: somos

chamados para expressar o amor incondicional de Deus a todos os

necessitados não obstante como se tornaram assim.



Se alguém for ferido seriamente num acidente de carro a frente da minha

casa eu apresso-me a ajudar. Eu não me afasto apenas porque descubro que

ele esta bêbado e isso foi a causa do acidente. Nem começo a pregar sermões

anti – álcool na ambulância ou no hospital. Contudo eu falo sobre a história

onde quer que eu vá, indicando os perigos de beber e conduzir.



Com aqueles afectados pelo HIV / SIDA somos chamados para ser úteis,

para ajudar e expressar amor.



Estamos lá como servos para ajudar as pessoas como elas desejam e é um

privilégio assim o fazer. Muitos ficam chocados ao encontrar cristãos

envolvidos que se importam profundamente apesar de não aprovarem certos

estilos de vida.



Sempre penso na história que Jesus contou sobre o filho pródigo que levou

toda a sua herança para gastar com ele mesmo muitas milhas de distância da

sua casa. O que aconteceria se ele se tornasse infectado com HIV enquanto

longe e se morresse antes ter tido tempo para pensar outra vez? Eu imagino o

seu pai a ler o jornal na hora do pequeno-almoço um dia e ver a notícia sobre

a morte do seu próprio filho. Eu imagino-o em lágrimas enquanto chama a

sua esposa:

“Ele nunca telefonou, ele nunca escreveu, e em dez anos nós não tivemos

notícias nenhumas com excepção daquelas através de amigos”.

Muitas pessoas com SIDA estão a morrer sem esperança e sem Deus. Eu

penso no nosso Pai do Céu, lágrimas caindo do seu rosto, não querendo que







12

ninguém pereça, nem que esteja separado mais um dia, contudo com tristeza

liberando as pessoas para seguirem o seu próprio caminho.



Aqueles com SIDA são os leprosos de hoje confrontando medo e rejeição.

Quando Jesus tocou os leprosos fez historia que continua a ser falada

aproximadamente 2000 anos mais tarde. Esta foi a demonstração mais

poderosa do amor de Deus que poderia possivelmente ser expressada à

excepção de seu próprio sacrifício ao morrer na cruz.



Quando um voluntário da igreja entra numa casa, essa pessoa leva consigo a

presença de Deus. Jesus não tem corpo próprio: a igreja é o seu corpo. Nós

somos as suas mãos, os seus pés, o seu sorriso, sua voz, o seu coração, seu

toque.



A única parte de Deus que as pessoas podem ver, poderia ser a vida de Jesus

em ti ou em mim. Quando entramos numa casa, e damos a alguém um

abraço, trazemos água, medicamentos ou alimentos ou damos a mão a

alguém nós também estamos a fazer um pouco de história: uma declaração

poderosa de amor de Deus, uma indicação de profecia do seu coração para as

pessoas que se sentem muitas vezes totalmente alienadas da igreja.



Há também um momento para explicar o plano de Deus para a vida. Diante

de um desastre mundial, principalmente como resultado do ignorar as

maneiras de Deus seria impossível que a Igreja ficasse silênciosa. É um facto

que se todos tivessem só um parceiro na vida e deixassem de injectar as

drogas, HIV desapareceria da face da terra em menos de 30 anos. Também é

verdade que continuando sem limitações durante o mesmo periodo, poderia

custar mais de 200 milhões de vidas.



Como veremos, preservativos reduzem o risco mas não são a resposta a

longo prazo. Os governos honestamente esperam que um casal onde um

deles tenha HIV continue a usar preservativos durante 50 anos “por

segurança”? O que acontece quando quiserem ter filhos ou quando o

preservativo se furar, verter, cair ou falhar de alguma outra maneira? Os

índices de gravidez são elevados com preservativos. Não foi o preservativo

que produziu a “revolução" dos 1960s, mas sim a pílula. Os preservativos

são também uma opção muito cara para países com milhões de pessoas

muito pobres, e orçamentos minúsculos - somente $2 por pessoa por ano

para gastar com saúde. Temos que encontrar soluções mais sustentáveis,

soluções culturalmente apropriadas para os 2 bilhões de pessoas que ganham

menos de $2 por dia.





13

É por isso que a Organização Mundial de Saúde declarou: " a maneira mais

eficaz de impedir a transmissão do HIV é abstenção, ou que dois indivíduos

não infectados sejam fiéis um ao outro. Alternativamente o uso correcto do

preservativo pode reduzir o risco significativamente ". (Dia Mundial de

Combate à SIDA em 1990) .



A única maneira para que muitos parceiros estejam seguros é fazer os testes

de HIV. Em alguns países até um terço das mulheres com SIDA têm sido

celibatas e depois monógamas, contudo estão a morrer porque os seus

maridos infectaram-nas por causa de relações que tiveram com outras

pessoas. Esta é uma área controversa e sensível. Qualquer um que considere

fazer um teste necessita primeiro da assessoria de um perito.



Como ajudar:



O cuidado solidário aos doentes e moribundos, salvando vidas através da

prevenção, e o desenvolvimento comunitário andam de mãos dadas. Aqueles

envolvidos na área de cuidado têm frequentemente maior credibilidade e

impacto. Assim as pessoas podem ver a realidade da doença, mudar

comportamentos e serem motivadas a ajudar os moribundos e os órfãos

abandonados. Mas mudar o comportamento pode ser difícil quando alguém

não tem nada e corre riscos todos os dias vendendo o seu corpo para

sobreviver. A pobreza, baixa formação académica e a SIDA também andam

de mãos dadas. Quanto mais pobres forem as pessoas, mais rápido a SIDA

geralmente se propaga.



A sua igreja ou organização está preparada em nível de liderança para lidar

com a SIDA? Qualquer igreja em crescimento pode encontrar pessoas com o

HIV como membros em consequência do estilo de vida que tiveram

previamente.





Pessoas com SIDA podem ser muito sensíveis às reacções: esta pessoa nova

irá aceitar ou rejeitar? Como acontece com o câncer, uma pessoa pode passar

rapidamente da raiva à negação, tristeza, desespero, esperança, optimismo,

questionar, renúnciar, lutar, desistir, querendo um tratamento activo, ou

mesmo querendo morrer.



Seja sensível ao estado físico e emocional da pessoa, ajudando-a a

compreender que no meio de grandes incertezas sobre o futuro, o seu apoio





14

constante e amizade não são questionáveis, assim como a lealdade e o amor

de Deus não são questionáveis.



Talvez existam feridas profundas do passado, e sentimentos de perda de

valor pessoal. O sentimento de culpa por causa da transmissão involuntária

da infecção para outras pessoas, sentimento de culpa por sobreviver quando

muitas outras já morreram, e a culpa por causa do estilo de vida pode

também estar presente. Os sentimentos de isolamento e solidão podem ser

intensos. O medo do processo de morrer é muitas vezes maior que o medo da

própria morte.



A necessidade maior é frequentemente de ajuda prática e simples em vez de

apenas palavras de conforto ou alguém com quem conversar. Ajudar alguém

com a higiéne pessoal ou cozinhar alimentos pode significar mais para essa

pessoa e os seus filhos do que seis horas sentada numa cadeira confortável.

Muitos querem aconselhar alguém com SIDA - mas quem está realmente

preparado para ir além disto?



E quando a vida termina, as crianças permanecem. Dez milhões já se

tornaram órfãs. Quem toma conta delas? E quem está a lutar para salvar as

vidas da próxima geração de pais jovens, advertindo-os a cada dia sobre os

riscos da SIDA?



Isto é do que trata este livro.



Contudo enquanto a infecção de HIV esta a espalhar-se cada vez mais

rápido, também está a fé cristã com mais pessoas em todo o mundo a

tornarem-se seguidoras de Cristo nos últimos vinte anos, algo que jamais

aconteceu num espaço de tempo tão curto, especialmente nas nações mais

pobres. A minha oração é que esta propagação de mudança de vida através

da fé irá ajudar a prevenir a propagação do HIV e estimular novos

sentimentos de compaixão, cuidado e compreensão.









Patrick Dixon

Outubro de 2002









15

Capítulo Um







A SIDA Também é Seu Problema







Dentro de alguns anos cada pessoa no mundo provavelmente conhecerá

pessoalmente alguém que morreu por causa da SIDA. Mais que um em 200

de todos os adultos na terra estão já infectados. Pode ser um irmão ou uma

irmã mais velha, um primo, um tio, um amigo, um homem na mesma rua,

um comerciante, ou alguém na escola ou no trabalho. É já o caso na maior

parte da África e partes do sudeste da Ásia. Talvez você não se de conta

porque a SIDA é frequentemente guardada em segredo. Você poderia até

pensar que a pessoa morreu de câncer, ou de outra coisa qualquer, mas

alguém em algum lugar sabe da verdade.



Por volta do ano 2002 mais que 80 milhões de pessoas provavelmente foram

infectadas com HIV – ninguém sabe exatamente. E o HIV está a espalhar-se

no mundo com uma velocidade duas vezes maior do que há 5 anos atrás.

Há pessoas que se descontrolam. Mudam o canal do televisor logo que a

SIDA é mencionada. Ficam apavoradas se acham que alguém na festa onde

estiveram na noite passada tinha SIDA. Eles apavoram-se só de pensar em

tocar alguém com SIDA ou em pegar num copo sujo e utilizá-lo para beber

sem dar-se conta. Se pensarem que realmente algumas pessoas conhecidas

podem estar infectadas, o pânico torna-se em histeria.



Homens de ambulância em "fatos de astronauta‟



No início da epidemia as pessoas agiram de forma estranha. No Reino

Unido, os polícias apareceram com luvas, máscaras e calçado de protecção

para prender um suspeito, caso este estivesse infectado. Os homens da

ambulância chegavam vestidos em „fatos de astronauta‟ para transportar

alguém que poderia ter SIDA. Um padre fez a Sagrada Comunhão a alguém

usando luvas, com um bocado de pão na ponta de uma colher de madeira. As

senhoras idosas nas igrejas voltaram para os seus assentos sem beber o

vinho. O serviço de entrega de refeições quentes em casas que tivessem

alguém doente transformou-se numa refeição fria deixada na porta porque os

motoristas estavam demasiado apavorados para tocar a campainha e entrar







16

Em Calcutá, Índia, uma ala nova para o tratamento de HIV/SIDA em um

hospital foi fechada a cadeado porque não se conseguia encontrar médicos

ou enfermeiras para trabalhar nela. Na mesma cidade uma mãe e um bebê

recém-nascido foram postos na rua quando os médicos descobriram que a

mãe tinha HIV. No passado em Uganda os aldeões viraram as costas aos

companheiros doentes com SIDA e os deixaram morrer sem comida ou água

para evitar que eles próprios morressem ao entrar nas casas dos doentes.

Em todas as culturas, e todas as nações se pode encontrar casos de estigma,

de rejeição, de hostilidade e de abuso contra àqueles que sofrem de SIDA.

Graças a Deus as atitudes estão a mudar em muitos lugares mas o problema

ainda existe. Como médico eu não conheço nenhuma outra doença na

história que tenha causado reacções tão difundidas. Por que?



O medo em seguida torna-se raiva. Os tijolos voam pelas janelas ou a casa é

queimada completamente (isto aconteceu duas vezes em Londres). As

pessoas são logo demitidas do serviço e expulsas de suas casas. E o problema

continua a crescer.





Extremamente entediados com a SIDA



A maioria das pessoas com quem me encontro nos países ocidentais não têm

interesse nenhum em SIDA até o momento em que encontram alguém que a

tenha. É um choque terrível descobrir que o seu melhor amigo está a morrer.

É ainda pior quando se sabe que ninguém falará sobre a situação porque ele

tem a doença errada. Não tem câncer, e é como se tivesse deixado de existir.

Ninguém quer saber.



Mas em países como Ruanda, Burundi, Zimbabué, África do Sul ou Uganda

é muito diferente: todas as famílias já tiveram a experiência de óbito causado

pela SIDA e a morte está sempre presente – olhe somente para os fabricantes

de caixões ao lado da estrada ou a linha lenta de funerais nos cemitérios da

África do Sul, onde o espaço se esta a tornar pequeno para enterros em

muitas cidades por causa da SIDA. Mas onde a SIDA existe duma forma tão

devastadora há outro problema: as pessoas tentam esquecer, deixando-se

levar pela negação.



A SIDA é a assassina silênciosa porque quando você souber que tem a

infecção já é demasiado tarde. Mas o problema é que o HIV está a espalhar-

se rapidamente com 15.000 infecções novas todos os dias, e apesar do que

foi dito a muitos ocidentais, a maioria das pessoas infectadas não são nem







17

homossexuais nem tóxico dependentes.



E apesar daquilo que foi dito a muitos nas nações mais pobres, muitas das

pessoas a morrerem com HIV eram celibatários antes do casamento e sempre

foram fiéis – infectadas por parceiros ou por tratamentos médicos com

sangue infectado ou agulhas sujas.



Muitas pessoas em países como a Índia não estão preocupadas com a SIDA

pois ninguém que eles conhecem está morrendo– ainda. Mas o problema é

que no momento em que souberem que um amigo está doente, vão saber

provavelmente de cem outras pessoas que estão infectadas e irão morrer no

futuro. Há um espaço de tempo muito grande.



Reacção em Cadeia

As pessoas que você vê na televisão ou lê a respeito nos jornais talvez foram

infectadas no princípio dos anos 1990s. Nos últimos cinco ou dez anos elas

sentiam-se completamente bem, talvez totalmente inconscientes da situação

e até mesmo tenham passado a infecção para outras pessoas.



Um ano, somente duas pessoas numa comunidade estão infectadas, mas

dentro de doze meses o número cresceu para quatro. Ao final de mais um

ano o número aumentou para oito e um ano depois aumentou para dezasseis.

Todos estão bem e parecem saudáveis, ninguém tem a menor idéia de que

alguma coisa está errada. Depois de um outro ano e meio quarenta estão

condenadas, e um ano depois quase cem. Este tipo de propagação tem sido

comum em África e outras partes do mundo.



E depois, uma das pessoas infectadas tem primeiro uma doença viral

misteriosa e está fora de acção por seis semanas. Quando ele regressa parece

bastante abatido, mas em uma ou duas semanas está de volta em acção. Seis

meses depois os seus amigos notam que perdeu peso, e uma noite depois do

jantar é levado de urgência para o hospital porque não consegue respirar.



Um dos seus amigos aparece para o visitar no dia seguinte e descobre que ele

morreu de pneumonia. Uma semana depois o irmão do falecido diz a alguém

no bar que os médicos suspeitam que ele morreu de SIDA. Naquela mesma

noite a 102ª pessoa no clube arriscou com alguém que conhecia e pensou que

estava “segura” e foi infectada. Então se você sabe que dez pessoas na sua

cidade ou aldeia morreram devido à SIDA, sabe também que talvez entre

duzentas e cinquenta a mil pessoas andam pelas ruas todos os dias sentindo-

se bem mas carregando o vírus assassino.







18

Espalhando-se como fogo sem controlo



Em todos os países do mundo cada pessoa com HIV em média infecta uma

outra pessoa dentro de alguns meses. O tempo necessário para um infectar

dois, para infectar quatro, para infectar oito, para infectar dezasseis e assim

por diante é chamado de “tempo de duplicação”. Uma constipação comum

espalha-se rapidamente e tem talvez o tempo duplicado de mais ou menos

uma semana.

Assim no primeiro dia de aulas uma pessoa está constipada. Nas semanas

seguintes os números aumentam lentamente no início: um, depois dois,

depois quatro, depois oito, depois dezasseis, depois trinta e dois. Depois da

quinta semana de aulas algo dramático acontece e mais sessenta e quatro

pessoas ficam constipadas. A semana seguinte é ainda pior e 128 pessoas

tossem e espirram. Mais outra semana se passa e 256 pessoas sentem-se mal

e uma semana depois desta 512 pessoas querem um dia de folga porque não

se sentem bem.



Realmente não é assim tão mau. Se 512 pessoas estão agora infectadas,

somente 256 continuaram a espirrar porque a constipação apenas dura uma

semana e os restantes, infectados a mais de uma semana já estão melhores.

Se a escola tem 1.000 alunos, depois de mais duas semanas pode-se esperar

que todos tenham tido a constipação. Mas isto nunca acontece porque

algumas pessoas, por razões que não compreendemos, não se constiparão de

jeito nenhum.



A maneira em que a propagação da constipação acontece numa escola

mostra-nos como o HIV se pode espalhar, mas com uma ou duas diferenças

importantes. Com o HIV o tempo de duplicação não é uma semana mas

começa frequentemente num país por volta de seis a doze meses. Depois de

milhares de pessoas terem sido infectadas, o tempo de duplicação diminui,

talvez para dois anos, como aconteceria na escola. Quando houver somente

100 alunos na escola que ainda não se constiparam, ou que podem evitá-la

então os números de pessoas que contraem a constipação cada semana vão

baixar de repente – digamos 256, depois 512, depois 100, depois cinquenta,

depois dez, depois um. Uma semana depois ninguém na escola tem essa

constipação.





Injectando a morte



Contudo, é verdade que enquanto a propagação do HIV através do contacto







19

sexual é relativamente lenta, porque a maioria das pessoas não muda de

parceiros todos os dias da semana, a propagação através de drogas injectadas

pode ser extremamente rápida, com um viciado infectando no mínimo um

outro todos os dias. Nesta situação os números de pessoas infectadas pode

passar por um período de semanas, de uma, a duas, a quatro, a oito, a

dezasseis, a trinta e duas, a sessenta e quatro, a 128, a 256, a 512 a mais de

1.000. É por isto que a Itália, Nova York, partes da Escócia e outros lugares

com sérios problemas com drogas, tais como Manipur em nordeste da Índia

tiveram logo um problema terrível com a SIDA.



Poderia o mundo inteiro morrer?



É improvável que a SIDA nos faça desaparecer a todos. Dentro de qualquer

grupo, cidade ou nação espalha-se rapidamente através daqueles com maior

risco, espalha-se mais lentamente através daqueles com risco médio e

espalha-se muito lentamente através daqueles com baixo risco. Quantas

pessoas estão infectadas e quão rapidamente, isso depende simplesmente de

quantas pessoas há em cada um desses grupos. Se nós pudermos persuadir as

pessoas a mudar o seu estilo de vida de alto risco para um estilo de vida de

baixo risco, então poderemos ao menos desacelerar a propagação. Em

Uganda a percentagem de mulheres jovens portadores de HIV caiu

drasticamente de em torno de 22% a 7%. A educação salva vidas mas mudar

o comportamento de uma comunidade inteira leva tempo.



Quem está 'seguro'?



Na Itália falam que a SIDA é uma praga de tóxico dependentes. Em África é

conhecida como um praga dos homens e das mulheres. No Reino Unido foi

primeiro conhecida como uma praga que afecta a comunidade

homossexual… mas tudo isto está a mudar. A SIDA é uma doença de

relacionamentos e o vírus que a causa espalha-se ao longo das linhas de

relacionamentos. Espalha-se através de um clube social de homens, uma

fábrica, um escritório, um clube de jovens e uma escola.



Uma coisa é certa: A SIDA não conhece limites de nação, cor, personalidade

ou orientação sexual. O vírus cruza-se entre sexos e entre pessoas do mesmo

sexo quando têm sexo juntas, ou quando o sangue ou secreções de uma

pessoa entram no sistema sanguíneo de outra.



No Reino Unido, assim como na América, o primeiro grupo a ser afectado

foi a comunidade homossexual. Como vimos, um grupo somente tem que ser







20

atingido alguns anos antes que outro para ter um problema cem vezes maior.

Isso cria uma impressão enganadora de que só se desenvolve a SIDA se você

for membro desse grupo.



Cabeças na areia



As pessoas pensam sempre que estão seguras até ser muito tarde - os

governos não são nenhuma excepção. Em San Francisco sabiam tudo sobre

esta estranha e nova doença chamada SIDA que matou homens jovens em

Nova York e em Los Angeles. Ficaram preocupados e começaram a procurar

sinais da propagação na sua própria comunidade. Deixaram passar. Quando

se aperceberam que tinham um problema, um em quatro da comunidade

homossexual inteira já estava infectado. A história repete-se em muitas

partes de África e na Ásia com respeito a propagação entre homens e

mulheres.



Muitos pastores têm as suas cabeças na areia. " Não temos um problema de

SIDA na nossa igreja " eles dizem-me. " Nesse caso a sua igreja deve ser

única ", eu respondo. Sempre que uma igreja está a crescer, as pessoas

encontram fé e as vidas mudam, mas a infecção fica, a menos que aconteça

um milagre.



„Isto nunca poderia acontecer aqui „



Em partes da África central parece que um em cinco de todos os homens,

mulheres e jovens já estão condenados pelo vírus. Agora sabemos que a

SIDA estava em África, assim como nos EUA, desde o início dos anos 60s.

As pessoas estavam a morrer, mas mesmo com todas as equipes médicas

alertadas, nós apercebemo-nos somente que havia um único caso de SIDA

em África em 1983. Nesse ano, de repente começamos a notar o desastre

silencioso na África central. Era possível que dezenas de milhares de pessoas

já tivessem perecido e milhões já estivessem infectadas. Para elas era

demasiado tarde.



Agora a SIDA está a ameaçar partes da Ásia de forma semelhante. Somente

em Mumbai mais de 1.000 pessoas são infectadas todas as noites. Eu visitei

vilas no nordeste da Índia na fronteira com Burma, onde de 40.000 pesssoas,

8.000 injectam heroína e 4.000 estão infectadas. Eu sentei-me na cama com

o filho de um pastor que estava morrendo cujo irmão mais velho já tinha sido

morto pelo HIV. Gerações inteiras têm sido devastadas. No entanto como

iremos ver, existe uma resposta muito simples que não custa nada e salva







21

milhões de vidas todos os anos.



Pior que uma guerra



Se todos os infectados com HIV sobrevivessem somente seis semanas, os

EUA estaria de luto nacional e a economia estaria à beira de um colapso.

Haveria um pânico maciço. Vietnam acabou com 50.000 jovens americanos

do exército dos EUA durante dez anos. Com mais de um milhão de infecções

de HIV nos EUA até agora, a SIDA faz as mortes de guerra parecerem quase

insignificantes. Mesmo que não houver uma única infecção nova nos EUA

após ter comprado este livro, o índice de morte será o equivalente de vinte

guerras do Vietnam.



E em África? Nós sabemos que o conflito armado incentiva a propagação. A

maioria das guerras hoje são guerras dentro das nações em vez de entre as

nações, criando milhões de refugiados. Quando a lei e a ordem se quebram e

as milícias armadas vagueiam pelas ruas ou saem das matas para parar o

tráfego, torna-se impossível fazer funcionar um serviço de saúde ou pagar

para que isso aconteça. Campanhas de prevenção deixam de funcionar e a

doença propaga-se. Grupos de homens armados indisciplinados

frequentemente têm muitos parceiros sexuais, ou porque têm uma arma

apontada para eles ou em retorno de favores. Tudo isto significa que HIV se

propaga ainda mais rápido.



Alguns relatórios informais sugerem que a taxa de infecção de HIV no

exército do Kenya é de até 90% entre alguns grupos. Sabemos que muitas

comunidades em África do sul já estão tão afectadas que uma em cada cinco

pessoas estão infectadas. Esta é uma epidemia de grande escala com um

impacto impensável em centenas de milhões de pessoas.



Então quem está seguro?



Você está seguro de não contrair SIDA se não estiver infectado e se for fiel a

um/a parceiro/a que também não está infectado/a, o/a qual continua sendo

leal a você e que não corre risco de utilizar drogas injectáveis ou tratamentos

médicos inseguros.



Nada novo sobre a SIDA?



As doenças sexuais existem a milhares de anos. A sífilis infectou e matou

dezenas de milhares de pessoas até que o tratamento foi encontrado quarenta







22

anos atrás. A gonorréia continua a espalhar-se rapidamente e agora é com

frequência resistente aos nossos medicamentos. Temos um grande problema

com o herpes que causa bolhas dolorosas, tornando o sexo impossível. Vem

e vai durante toda a vida. Não há nenhuma cura. O câncer de cólo do útero

(cervical) está a tornar-se mais comum porque as pessoas começam a

praticar sexo na adolescência e têm vários parceiros. Mais e mais mulheres

descobrem que não podem ter filhos. Isto é cada vez mais frequente por

causa de doenças sexuais, que causam danos interiores na mulher.

Geralmente a mulher não se apercebe até que o dano esteja feito.



A magnífica era do sexo terminou



Nos anos sessenta as pessoas falavam muito sobre liberação sexual uma vez

que a pílula significava que uma mulher estava segura quanto a uma gravidez

indesejável. Nos anos setenta, oitenta e noventa houve uma explosão da

actividade sexual entre jovens de muitas nações, e o número de pessoas que

necessitaram tratamento para doenças sexuais aumentou.



Vivemos agora com os resultados da era do sexo onde os relacionamentos

estáveis não eram tão importantes quanto divertir-se hoje a noite, onde

muitos pessoas deixaram de pensar duas vezes antes de ir para a cama com

alguém ou antes de cometerem adultério, e onde casamentos baseados na

lealdade muitas vezes passaram a não ter significado.





Mas o que é que tudo isto nos deixou? A nossa chamada „ maravilhosa ' era

do sexo deixou-nos com milhões de vítimas; pessoas jovens que cresceram

em famílias que ficaram destruídas porque um dos pais teve mais que um

parceiro sexual. Não é necessário ser médico ou psicólogo infantil para ver o

desastre que tem sido para muitos nos dias de hoje.



As pessoas hoje pensam com mais cuidado por causa da SIDA.





Capítulo Dois





Vacinas, Tratamentos e Preservativos





Ninguém morre somente de SIDA







23

A SIDA é uma condição em que um vírus específico enfraquece o seu corpo

de forma que outros germes podem invadir e matá-lo. Isto é o que o nome

“SIDA” significa: o nosso corpo é geralmente muito bom em destruir

germes. Chamamos a isto imunidade. Quando as suas defesas imunológicas

estão muito danificadas, dizemos que estamos a sofrer de uma deficiência

imunológica. Algumas pessoas nascem com um sistema imunológico

deficiente e outras adquirem deficiências por causa de uma doença. Como a

SIDA é adquirida através de uma infecção, nós a chamamos de sindrome da

imuno-deficiência adquirida (SIDA).



O HIV significa apenas Vírus de Imunodeficiência Humana, que é o nome

científico para o vírus que causa SIDA.



Qualquer que seja o nome que se use, uma coisa é importante, que

compreendamos que existem períodos no desenvolvimento da doença desde

a infecção, onde a pessoa é um portador infectado mas saudável, passando

pelos sintomas iniciais, e então finalmente à doença mais severa ou morte. O

processo leva anos. É totalmente impossível dizer por aparências quem esta

infectado e quem não está.



Que é um vírus?



Um vírus é justamente como um robô ou um programa de computador.

Contêm simplesmente algumas instruções escritas para ensinar as células do

nosso corpo como fazer mais vírus. Um vírus é composto de um saco de

proteína com uma tira pequena do código genético dentro dela. Semelhante

ao código que faz o cabelo ser castanho, o seu nariz e as suas orelhas da

forma que são. Tudo dentro de nós é programado por estes genes, e

surpreendentemente quase todas as células no nosso corpo têm dentro delas

todas as instruções para fazer nossa cópia completa!



O código dentro do vírus possui somente uma ou duas instruções, mas

erradas. Se o vírus ficar durante um momento na parte externa de um tipo

especial da célula branca do sangue, ele arrebenta como uma bolha

minúscula, espalhando o código venenoso dentro da célula. Dentro de alguns

minutos a célula faz uma cópia dentro do cérebro da célula (núcleo) e o

cérebro da célula é permanentemente reprogramado. Esta celula está perdida.



Matando as células-soldados



Durante algumas semanas ou meses, ou até mesmo por alguns anos, as







24

células-soldados infectadas continuam a flutuar no sangue, ou a nadar entre

os tecidos do seu corpo. A célula tem um objectivo na vida: encontrar e

destruir germes. Há centenas de germes diferentes e cada tipo de célula

branca é criada para atacar um tipo de germe.



Porque se fica doente



Somente determinados tipos de células-soldados são atacadas pelo vírus,

mas, a medida que o seu número começa a diminuir, torna-se cada vez mais

difícil para o seu corpo matar certos germes. Pode-se estar bem com uma

simple gripe e constipação. A maioria dos germes comuns são destruídos

rapidamente, mas um ou dois simplesmente continuam a crescer. O resultado

é uma infecção estranha no peito, TB ou outras doenças.



Quando uma célula-soldado encontra um germe com a forma adequada esta

entra em acção. Depois de ter estado adormecida durante anos, trabalha dia e

noite para produzir anticorpos. Estes cabem exactamente na parte externa do

germe e destroem-no. Mas se a célula foi reprogramada, o mecanismo fica

bloqueado. O novo programa entra em acção e diz à célula para parar de

ajudar a fazer anticorpos. Ao invés disso, começa a fazer novos vírus. A

célula começa a ficar mais doente e maior. Eventualmente estoura, regando

milhões de partículas de vírus no sangue. Cada um permanece no sangue

somente alguns minutos antes de tocar numa célula branca saudável,

arrebenta, injecta o código e reprograma células novas - células-soldados e

células cerebrais, por exemplo. Depois de algum tempo o corpo está

enfraquecido e outras infecções começam a surgir.



Algumas destas infecções simplesmente causam o enfraquecimento da

pessoa ou a perda de peso, mas as infecções de peito podem matar e são

muito difíceis de ser tratadas. Ninguém morre unicamente de SIDA. Morre-

se na maior parte das vezes por causa das outras infecções que se apoderam

do seu corpo quando as suas defesas estão danificadas, ou de cancros

relacionados com HIV. TB é um assassino comum de pessoas com infecção

de HIV avançada.



Novidades sobre Curas, Vacinas e Preservativos



Quase todas as semanas parece que lemos ou ouvimos a respeito de alguma

cura nova para a SIDA. Dizem que alguém já encontrou uma vacina, e

também nos dizem como o sexo é seguro se usarmos um preservativo. Estas

coisas são boas notícias se forem verdadeiras – mas são mesmo? Alguns





25

dizem que se tiver sexo com uma virgem estará curado. Absurdo. É

surpreendente no que as pessoas acreditam.



Muito daquilo que se lê e se ouve é disparate. Se fosse tão fácil como

algumas pessoas dizem para encontrar uma cura, ou se uma vacina boa

tivesse sido encontrada, os médicos, as enfermeiras, os hospitais e os

governos poderiam parar de se preocupar. A razão pela qual há tanto

alvoroço em relação à prevenção da propagação da infecção é porque a

verdade é que não há nenhuma cura, nem há uma em nenhum lugar a vista.

Não há nenhuma vacina que funcione, nem há probabilidades de existir uma

vacina nos próximos dez anos. Para tornar as coisas ainda piores, os

preservativos não são tão seguros como muitas pessoas pensam .



Eu espero que em breve tenhamos um medicamento que mate vírus e seja

seguro. Quando isso acontecer, teremos uma cura para a gripe, constipações

comuns, a poliomielite, a hepatite, o herpes e muitas outras doenças tais

como a febre glandular; assim como uma cura para a SIDA. Ainda temos

uma longa estrada a pela frente.



De momento não temos a tecnologia para o fazer. Fazer uma cura envolver-

nos-á na invenção de algumas ferramentas surpreendentes que nos permitirão

trabalhar dentro das células individuais no corpo. Aterrar um homem na lua

ou no planeta Marte é muito simples comparado às habilidades necessárias

para encontrar uma cura. A pessoa que encontrar a cura irá ficar nos livros da

história como um dos maiores inventores de todos os tempos. Livros serão

escritos sobre ele ou ela durante uma boa parte do século XXII .



Enquanto isso iremos ler sobre centenas de curas „falsas‟. O problema com a

SIDA é que as pessoas que estão infectadas na verdade não morrem

simplesmente de SIDA. Como vimos, morrem das infecções e dos problemas

que aparecem quando a SIDA enfraquece o corpo. Qualquer coisa que ajude

o corpo a livra-se destas outras infecções pode ajudar alguém a fazer uma

recuperação considerável. Vão para casa parecendo melhores da doença, e

estão por vezes ainda completamente bem alguns meses mais tarde. Até que

apanhem outra infecção no peito, as pessoas pensam que estavam curadas.

Isto dá origem a rumores e relatórios falsos:



“Eu tomei este antibiótico especial e dentro de um dia estava fora do hospital

e não olhei para trás desde esse dia. Eu já não tenho SIDA”.



O primeiro comentário é correcto, o segundo é errado. A pessoa poderia

morrer rapidamente a qualquer momento. As células-soldados enfraquecem







26

cada vez mais, e com o passar dos dias o corpo fica mais vulnerável aos

novos germes. Embora a pessoa possa parecer estar bem, ela está sentada

numa bomba – relógio.



Curas Ruins



Em Uganda a alguns anos atrás acreditava-se que as drogas para a

tuberculose eram uma cura para a SIDA. Isso é um absurdo. Sabe-se que as

pessoas com SIDA estão propensas a morrer principalmente de tuberculose.

Os medicamentos curam a tuberculose, não a SIDA. Nos EUA, os

tratamentos para a sífilis foram chamados tratamentos para SIDA. Não são -

ajudam pessoas a recuperam-se simplesmente da sífilis.



Algumas pessoas estão a fazer dietas da moda, comida integral, vitaminas

em doses grandes, exercício, sono e psicoterapia em combinações variadas

como uma cura para a SIDA. Que valor têm estas coisas?



É verdade que se as suas células-soldados não estiverem a funcionar

demasiado bem então qualquer coisa que ajude a sua imunidade vai ajudar a

mantê-lo saudável, e as coisas que o fazem não funcionar bem e sentir-se

doente devem ser evitadas. O bom senso diz-lhe para tomar conta de si.

Coma refeições adequadas e regulares, faça algum exercício, mantenha o seu

peso razoável, coma bastante fruta fresca, deixe de fumar, reduza o álcool e

pare com todas as drogas recreadoras e certifique-se que dorme o suficiente.

Estas medidas de baixo custo podem prolongar a vida e o bem-estar da

maioria das pessoas e em especial daquelas com SIDA ou início da infecção

de HIV.



Contudo, algumas pessoas estão a anunciar todo o tipo de remédios muito

caros e inúteis. Muitas pessoas estão a fazer muito dinheiro com a SIDA.



Tratamento Eficaz



É verdade que há alguns medicamentos muito caros disponíveis em alguns

países chamados inibidores de protese de HIV e outras coisas. Mas estes

medicamentos só reduzem o fogo, não o apagam. São todos tóxicos e pode-

se morrer de excesso de tratamento e isto significa muitos testes de hospital.

Os medicamentos têm que ser tomados a vida inteira.



Até bem pouco tempo, um médico de Burundi teria que juntar todo o seu

salário durante 5 anos para pagar o tratamento e controlo de apenas uma







27

pessoa nesta medicação durante um ano – e a pessoa iria de qualquer forma

morrer de SIDA. Por causa disso, há um clamor de justiça e os fabricantes

têm dado passos para promover os medicamentos a um custo mais baixo.

Apesar disso, as pessoas com uma renda inferior a dois dólares ao dia, de

qualquer maneira teriam que juntar todas as suas economias durante dois

anos para pagar dois dias de tratamento de um membro da família.

A mesma insensatez da idéia de que todas as pessoas nos países mais pobres

podem ter acesso ao uso de preservativos quando têm sexo se observa ao

fingir que estes medicamentos de baixo custo irão fazer alguma diferença

para as pessoas mais pobres. Por esta razão a Organização Mundial de Saúde

lançou uma nova iniciativa global em 2003, com vista a fornecer

medicamentos anti-virais grátis a pelo menos 3 milhões de pessoas doentes

por causa do HIV, até 2005 (programa 3 por 5). Este programa ambicioso

somente alcançará objectivos se trabalhar em conjunto com as igrejas e

organizações cristãs, que como vimos, são os principais provedores de

cuidados nos países mais pobres. Aqueles cujo teste deu positivo e estão

doentes com os sintomas que sugerem SIDA, após o aconselhamento

preliminar, começarão com um tratamento que contêm mais de um

medicamento antiretroviral, com testes de sangue simples cada duas semanas

para se certificar que os seus corpos podem usar com segurança os

medicamentos (veja a parte de trás do livro sobre como conseguir grátis o

tratamento SIDA OMS).



E as vacinas?



As vacinas são as nossas únicas armas contra as doenças virais. A

poliomielite, a coqueluche, o sarampo e outras doenças estão a desaparecer

graças as vacinas. Um programa internacional contra a varíola conseguiu

eliminá-la da face da terra. Então por que não a SIDA?



Uma vacina é feita ao dar-lhe um germe inofensivo mas que tem a mesma

forma exterior que o germe da doença. Dentro de uma semana pode-se

desenvolver anticorpos especiais para começar a livrar-se dele. A primeira

vez demora sempre mais. A próxima vez que encontrar o mesmo germe,

levará apenas uma ou duas horas para que as células-soldados comecem a

batalha. As suas células-soldados podem lembrar-se de um germe que

encontraram vários anos antes.



Se alguém tiver um germe completamente diferente e perigoso, e a forma

for a mesma que a do germe que o seu corpo encontrou previamente, o seu

corpo está bem preparado, e em vez de morrer da poliomielite, por exemplo,







28

sentir-se-á ligeiramente adoentado e começará a melhorar num dia ou dois.

A vacina tornou-o imune.





Mestre do disfarce



O problema com a SIDA é que o vírus continua a mudar a sua forma e

confunde as células soldados. Uma vacina que se dá a alguém hoje pode

proteger a ele ou ela a semana seguinte, mas o que acontecerá no mês

seguinte? Aqui temos um vírus que é imune as suas células-soldados. É por

isso que o seu corpo quase nunca consegue se livrar dele. Existem outros

vírus que mudam de forma também. Deve-se ter perguntado por qual motivo

a gripe é ainda uma causa principal das ausências no trabalho ou na escola,

ou por que todos os nossos esforços são derrotados pela constipação comum.



A razão é que ambas estas doenças são causadas pelos vírus que tendem a

parecer um pouco diferentes cada vez que se encontra com eles. Na altura em

que tiver passado a sua constipação a um amigo, e esta tenha sido passada

mais algumas dezenas de vezes, já viajou metade do mundo, infectou talvez

10.000 pessoas num total, e alterou de forma. Cada pessoa infectada produz

vírus novos dentro da célula do nariz e às vezes os vírus que saem não são

exactamente da mesma forma que os vírus que entraram.

Um ano ou dois mais tarde encontra-se com alguém com uma constipação –

a mesma constipação que você teve antes. Se o vírus fosse como o sarampo

ou a varicela, o seu corpo recordar-se-ia e matá-lo-ia imediatamente. Mas o

vírus parece tão diferente na parte externa que quando as células-soldados

consultam as fotos de arquivo, elas simplesmente não conseguem identificá-

lo. Não existe nenhum anticorpo pré-fabricado que seja bom o suficiente,

assim que as células-soldados têm que começar tudo outra vez.





Uma vacina para a gripe



Há uma vacina para gripe e ela apenas funciona porque o vírus tende a

permanecer por mais tempo com a mesma forma que o vírus da constipação.

Temos que olhar aquilo que vem do outro lado do mundo. Tiramos amostras

de pessoas em Hong Kong e na Austrália e sabemos que se nós pudermos ter

as vacinas feitas e começarmos a aplicá-llas nas pessoas idosas no Canadá,

então talvez possamos reduzir o número de mortes por gripes este inverno.

Mas tem que ter uma vacina nova todos os anos.









29

Então mesmo que encontremos uma vacina para a SIDA que seja segura e

funcione, teremos que provavelmente revacinar a todos com intervalos

frequentes. O vírus pode ainda assim não ser destruído. Pode mudar de forma

em maneiras pequenas na mesma pessoa num prazo de algumas semanas,

assim os anticorpos que funcionam bem no inicio do mês são quase inúteis

no fim do mês.





Um vírus vestido para se parecer com você



Não importa o que você lê , a verdade é que nunca encontramos um único

anticorpo humano que seja poderoso contra o HIV - mesmo que seja

exactamente da forma adequada. Quase todos os infectados produzem

anticorpos, mas mesmo assim ficam doentes e morrem. Este vírus é imune

aos anticorpos.



Assim quando voltar a ouvir acerca de algum cientista maravilhoso que deu a

si próprio uma dose da vacina para SIDA, tenha cuidado. A única maneira

que saberemos se funciona é dando-lhe uma injecção de sangue de alguém

que tenha a SIDA e ver o que acontece. Mas quanto tempo pensa que terá

que esperar para estar absolutamente certo que ele nunca desenvolverá a

SIDA? Possivelmente dez anos. Até lá a esposa e filhos viverão na

expectativa, sabendo que ele pode morrer, e também que ele pode ser um

portador infectado.





Fazer-lhe um teste?

Pode perguntar porque que não podemos fazer-lhe um teste de SIDA.

Infelizmente, o teste de SIDA não é nada do tipo. É extremamente difícil

detectar este vírus tão minúsculo. O único teste extensamente disponível que

temos no momento não é para o próprio vírus, mas para os anticorpos que

quase todos as pessoas infectadas criam. Assim as pessoas que querem ser

testadas com frequência, têm que esperar algum tempo depois de terem sido

expostas ao risco, o que pode ser um periodo de até doze semanas. Se

encontrarmos anticorpos, isso significa que a pessoa esteve exposta à

infecção - ou que ele ou ela tenha desenvolvido anticorpos por causa de uma

vacina. Não podemos ver a diferença.

A maioria de peritos sentem-se deprimidos quando têm que falar sobre

vacinas. Dizem que é quase certo de que deveremos esperar ainda uns 10

anos para encontrar uma vacina que funcione, e mesmo que se encontre

levará anos para se ter a certeza que é suficientemente segura para se dar a







30

um grande número de pessoas e para se produzir a custos baixos e em

grandes quantidades.



Os preservativos não são a resposta definitiva para a SIDA



Muitas igrejas não gostam de falar sobre preservativos. Mas qual é a

verdade? Preservativos são uma resposta médica? É a promoção de seu uso

algo que é contrário aos valores de Cristo? E uma outra pergunta...



Se a SIDA mata, o corpo não pode lutar contra isso, os medicamentos

realmente não a podem tocar e as vacinas são inutéis, então que esperança

existe? Sempre que eu entro em escolas ou falo com os jovens, todos dizem-

me que sexo seguro é sexo com preservativo apesar de que eles também

podem ter decidido nunca usar um. Mas mesmo que eles mudassem a sua

maneira de pensar e começassem a usar preservativos, a questão é saber se

eles funcionam tão bem como as pessoas dizem. Algo que ninguém gosta de

dizer é que os preservativos podem não ser tão seguros como se pensa.



Aqui está a verdade:

Os preservativos podem reduzir o risco do HIV espalhar-se enormemente

mas não são 100% seguros.



E aqui está uma preocupação:

As vezes a promoção indiscriminada de preservativos pode dar uma

mensagem confusa aos jovens: por um lado encorajá-los a ser celibatários e

então fiéis, e por outro lado parece talvez incentivá-los a ter parceiros

múltiplos em situações onde eles podem ser expostos à infecção a menos que

usem preservativos.



Todos concordam que uma coisa muito importante, mais do que qualquer

outra produziu a explosão sexual dos anos sessenta, com a liberação das

mulheres do medo da gravidez, a habilidade de planear confiantemente uma

família, e de explorar relacionamentos sexuais livres. A liberação sexual dos

anos sessenta foi produzida pela pílula e não pelo preservativo.



Bebês de preservativos

Antes dos anos sessenta toda mãe advertia sua filha que se dormisse com

qualquer um poderia acabar com um bebê que não queria. Preservativos já

existem a anos - desde 1850 BC (não AD), de facto. Os chineses antigos e os

romanos sabiam tudo sobre preservativos e nessa época não eram mais

seguros.







31

Durante a segunda guerra mundial, os preservativos eram livremente

disponíveis e eram a principal forma de contracepção, contudo „bebês da

guerra‟, nascidos de mulheres que tiveram breves encontros amorosos com

os soldados que estavam de folga, transformaram-se numa piada permanente.

Milhares de pais e avós, tias e tios de hoje, nasceram como ' bebês da

guerra‟, ou após a guerra, como „bebês de preservativos‟. Estes eram os

bebês que surpreenderam e chocaram raparigas novas que pensaram que

estavam seguras da gravidez porque os seus namorados ou maridos usavam

preservativos.



Ainda hoje o êxito dos últimos preservativos não é tão bom como muita

gente pensa, quanto à prevenção da gravidez. Se eu, como médico, tenho

cem mulheres jovens como pacientes que escolheram o preservativo para se

prevenirem contra uma gravidez não desejada, todos os anos eu posso

estimar que talvez catorze das cem virão ao consultório em estado de

choque e confusas porque o período menstrual falhou, mas que não podem

acreditar que estão grávidas porque os seus parceiros usaram preservativo.



Preservativos perfurados!



Para a sua informação, preservativos à venda os quais são de baixa

qualidade, sete em cada dez podem ter furos neles, ou falhas quando se abre

o pacote. Os melhores têm apenas um em 200 com um furo antes de

começar. Mas o que acontece depois de abrir o pacote é ainda mais

importante. Pode ser bem difícil usar correctamente um preservativo. Na

escuridão com a atrapalhação o preservativo pode rasgar-se, ficar preso nas

jóias da mulher, ele pode rebentar, cair, enrolar ou vazar se não for removido

com cuidado depois de fazer amor.



Se formos honestos temos que assumir o fato de que ninguém está

completamente certo porque os preservativos têm o péssimo hábito de nos

desapontar. Uma boa razão pode ser que as pessoas que dizem que os usam,

os compram com boas intenções, mas no afã do momento não conseguem

chegar a usá-los.



Você pode ser infectado mesmo com preservativo



Se fosse desenhar um esperma e um vírus na mesma escala, então um

esperma de dez centímetros de comprimento pode ser comparado a um vírus

do tamanho da cabeça de um alfinete. Se o esperma pode passar de um

homem para uma mulher, então os vírus também podem. Eles também





32

podem passar de uma mulher para um homem. Então não é surpreendente

descobrir relatos atuais de homens que infectam as suas esposas, ou vice-

versa, com o vírus do HIV, apesar de terem usado preservativos

cuidadosamente.



Mesmo se um preservativo falha, é improvável que uma mulher fique

grávida. Só se pode ficar grávida durante três dias em um periodo de trinta

dias, e mesmo que isso aconteça no dia em que existe um óvulo a espera de

ser fertilizado, muitas pessoas têm que tentar muitas vezes antes do bebê ser

concebido De facto cinco em cem pessoas nunca o conseguirão. Outros cinco

em cem irão passar meses ou anos de ansiedade a tentar antes de

conseguirem ter um bebê. Um casal passa em média quatro meses a tentar.



Mas com HIV, você pode, teoricamente, ser infectado em qualquer dia do

mês. Uma vez é o suficiente para contagiar-se.

.

Os preservativos são como cintos de segurança



Os cintos de segurança salvam milhares de vidas todos os anos, mas teme-se

que como as pessoas se sentem mais seguras usando os cintos, isso encoraja

o excesso de velocidade, passando nos sinais vermelhos e fazendo

ultrapassagens malucas. No fim as pessoas podem acabar em situações mais

perigosas, e o número de vidas salvas pode não ser tão grande quanto o

desejado.



Os preservativos são exactamente o mesmo: reduzem a possibilidade de

morrer de uma actividade que pode ser altamente perigosa. Ao promover o

seu uso dizendo que são mais seguros do que na realidade eles são, algumas

campanhas de saúde podem incentivar as pessoas a não alterar a sua forma

de viver. „Continue como de costume, mas lembre-se, quando puder, use

preservativo‟.



É muito simples: se vai correr o risco de fazer sexo com alguém que pode

estar infectado (e como é que saberá, uma vez que as pessoas nunca dizem a

verdade e você não pode saber somente pela aparência) e não usar o

preservativo, você está louco.



Um preservativo pode muito bem salvar a sua vida. Sem dùvida os

preservativos já salvaram milhões de pessoas da morte de SIDA.

Quando usar preservativos tenha a certeza de que são de boa qualidade. Estes

podem deteriorar-se em países quentes se forem guardados por muitos meses







33

antes de serem usados. Em conjunto, use um espermicida que contenha

nonoxynol para reduzir ainda mais o risco. Se quiser usar um lubrificante,

use aqueles que são à base de água e que contenham espermicida de

nonoxynol. Os lubrificantes à base de óleos podem estragar os preservativos

em minutos.





Mas não pense que porque simplesmente usou um preservativo nunca vai

haver um bebê ou nunca vai ficar infectada.



Se tiver sexo regular com alguém, ou com pessoas portadoras do vírus, então

um dia, com ou sem preservativos pode ficar infectada. O mesmo acontece

com alguém que gosta de conduzir carros velozes de desporto para além dos

limites de segurança da estrada, pensando que nunca poderá morrer num

acidente porque usa sempre o cinto de segurança. O cinto de segurança

torna-o mais seguro – mas isso não garante que não se vai ferir.







Não pode abortar para se livrar da SIDA

Os preservativos reduzem o risco em aproximadamente 85-95%, mas eu não

confiaria a minha vida a um preservativo. Há pessoas que estão infectadas ou

morreram, apesar de os terem usado. Preservativos não são tão seguros como

muitos de vocês pensam. Toda a literatura de saúde diz que ' para um sexo

mais seguro use preservativo '. O problema é que ouvimos apenas o que

queremos ouvir. Nós ouvimos ' seguro '. Como alguém disse recentemente,

você pode abortar um bebê, mas não pode abortar a SIDA.



Preservativos podem ser usadas por mulheres



Existem alguns novos tipos de preservativos já disponíveis. Estes são feitos

do mesmo material que qualquer preservativo, mas com reforço para o

manter no lugar dentro da mulher. Podem fornecer uma protecção adicional.

O problema é que quando um homem e uma mulher estão realmente a fazer

amor, estas membranas muito finas de borracha, usadas pelo homem ou pela

mulher, pode deslizar ou mover-se. As coisas acontecem, e nenhum dos

parceiros dá-se conta, somente algum tempo depois quando já é demasiado

tarde. Quanto mais forte e mais grosso o preservativo, menos pessoas se

interessam por eles. O preservativo ideal é invisível, com nenhum parceiro

sentindo algo diferente. Contudo, isto não existe, embora alguns digam que o

preservativo feminino é uma melhoria, e pode ser usado muitas vezes, 35

milhões foram vendidos em todo o mundo.





34

Preservativos devem ser parte da resposta cristã à SIDA



As igrejas tomam uma posição diferente em assuntos relacionados aos

preservativos mas não importa o quanto anti-preservativo a igreja possa ser,

considere isto: um homem vem ter com o pastor porque ele tornou-se

infectado através de uma transfusão de sangue e está preocupado sobre a

saúde da sua mulher. Os dois fizeram o teste. Ele está infectado mas ela não.

Que conselho lhe será dado? Certamente o único conselho que faz sentido

para os dois, marido e mulher, é entenderem que existe um sério risco para a

vida deles se eles tiverem sexo sem protecção, mas se usarem o preservativo

com cuidado todas as vezes que fizerem amor, isto irá reduzir enormemente

o risco da mulher ser infectada. Nestas condições seria uma loucura, de facto

quase um assassinato, não informar o casal sobre os benefícios reais do uso

do preservativo.



Em situações como esta, deixe-nos avaliar os riscos. Sabemos que se os dois

parceiros estão saudáveis, apesar de um ter HIV, isto é se nenhum tiver

sífilis, gonorréia, cancróide não tratados ou outra doença crónica

sexualmente transmitida, então num coito normal e heterossexual, as

possibilidades de transmitir HIV durante um único episodio é provavelmente

menos que um em 200. E sabemos que usando preservativos pode-se reduzir

ainda mais o risco em até 90% ou mais. Isto quer dizer que o risco de se

contrair HIV através do seu marido ou esposa se usarem preservativos é

provavelmente menos de um em 2000 se usar preservativos com cuidado em

situações como estas. Noutras palavras em media tal casal teria que fazer

amor 2000 vezes para que o parceiro que não está infectado contraia HIV. É

claro que isto poderia acontecer depois de apenas vinte vezes, ou não

acontecer mesmo depois de 10.000 vezes. Isto é uma estimativa média que se

obteria ao acompanhar o que acontece a centenas de casais.

Assim, para um cristão parece óbvio que em algumas circunstâncias ao

menos não deveria haver qualquer reserva sobre o uso de preservativos onde

o objectivo seja salvar a vida de um marido ou de uma esposa dentro do

casamento. Depende da igreja o quanto mais longe podemos seguir nesta

direção e quero acrescentar que tradições e culturas variam enormemente.



Dilemas para casais comprometidos



Infelizmente, alguns líderes da igreja em países muito afectados estão a dizer

que não casarão ninguém a menos que tenham sido testados, e se um ou





35

ambos tiverem o HIV eles os proibirão de se casar. Mas eu não encontro

nenhuma passagem da bíblia que apoie tal acção. Claramente nós devemos

incentivar as pessoas a terem muito cuidado e serem responsáveis. Se o

homem e a mulher tiverem o HIV eu não vejo nenhuma razão médica para

que não se possam casar, mais do que duas pessoas com câncer. Muito

provavelmente pensarão com cuidado antes de tentar ter filhos, em parte por

causa do risco de infectarem as crianças, apesar de que os medicamentos do

HIV podem reduzir esse risco quando o tratamento é feito durante o período

de gravidez. Mas em parte também por causa do risco ao bem-estar da

criança se ficar órfã quando ainda pequena.



Um casal noivo em que um está infectado e o outro não, encontra-se numa

terrível situação, porque eles começam um relacionamento para toda a vida

onde o acto de maior intimidade pode matar um deles. Mas mesmo assim

parece-me que estas coisas são questões de cuidadoso aconselhamento

pessoal e não podem ser feitas regras absolutas da igreja.

E fumar ?

Eu estava recentemente a debater este assunto sobre preservativos com

muitos líderes de igrejas no Burundi. Eu perguntei–lhes se aprovavam fumar.

Eles disseram que não. Eu realcei que se pode fumar cigarros com filtros ou

sem filtros mas cigarros com filtros são muito mais seguros, eles matam

menos pessoas. Então se eles tiverem um amigo que insiste em fumar,

deveriam eles encorajar o amigo a fumar cigarros com filtros? Iriam eles

explicar-lhe que isso seria mais seguro? Ou iriam eles sentir que isto só

estava a encorajar as pessoas a fumarem ainda mais?

Eles concordaram que por muito que estivessem contra fumar, a ùltima coisa

que queriam era que os cigarros fossem ainda mais perigosos e concordaram

que a publicidade do governo devia explicar que é melhor para os fumadores

utilizarem marcas com filtros.

Eu realcei que isso de muitas maneiras era o mesmo tipo de argumento com

os preservativos. Se alguém vai correr o risco de qualquer maneira (apesar de

todos os nossos avisos), e poderia perder a sua vida como resultado de uma

relação sexual com um parceiro infectado esta noite, não temos nós as

mesmas obrigações de adverti-los dos riscos, e explicar como evitar uma

sentença de morte lenta?

Assim para mim o assunto está claro: fazemos tudo o que podemos para

encorajar celibato e lealdade, mas também fazemos as pessoas conscientes

que existe uma maneira de reduzir o risco de morte, se eles decidem seguir o

seu próprio caminho.









36

Preservativos são muito caros para as nações pobres darem a todos



Existe um outro problema com os preservativos: os custos. Apenas o

preservativo feminino pode ser usado mais de uma vez com segurança. Então

quem é que os vai fornecer?



ACET International Alliance – a rede de programas de SIDA em muitas

nações a qual eu ajudei a fundar em 1988 – recebeu uma oferta de 140

milhões de preservativos chineses entregues num porto em África por um

determinado preço. Eu disse-lhes que mesmo que tivesse o dinheiro, eu

calculei que 140 milhões de preservativos no continente africano durariam

somente uma noite e depois o que fariam as pessoas? E mais, isto acabaria

com o nosso orçamento para o HIV por muito tempo. Mesmo a Organização

Mundial de Saúde não tem dinheiro suficiente para apoiar projectos como

este de forma sustentável. O Ministro da Saúde do Uganda recebeu uma

oferta de meio milhão de preservativos de um rico empresário de saúde em

1990 e teve a mesma reacção: “ Muito obrigado mas isso só vai durar um dia

no nosso pais”. Temos que pensar em algo mais profundo que pedaços de

borracha. Temos que confrontar a realidade. Temos que pensar numa escala

muito maior e prolongada.

Preservativos podem ser a solução para pessoas ricas, capazes de comprar

quantos necessitarem, ou para aqueles que têm a sorte de viver perto do

ponto de distribuição livre, mas uma coisa é certa: nações ricas não podem e

não estão dispostas a dar dinheiro suficiente para que em cada acto sexual se

utilize o preservativo em 2/3 terços do mundo, assim que a idéia de que

devemos dizer a todos para usarem preservativos é uma piada cruel. E

quando 2 bilhões de pessoas sobrevivem com salários de menos de $2 por

dia, vivendo em países onde o orçamento da saúde é somente de $ 2 por

pessoa para o ano inteiro, como podem os preservativos serem uma solução

sustentável, economicamente viável e apropriada para a realidade local?

Preservativos têm que ser produzidos em fábricas de alta tecnologia, com

alta qualidade, empacotamento cuidadoso e bem armazenados. É por isso

que são caros e uma estranha solução de “estilo ocidental” para uma

sociedade de baixa tecnologia onde muitas pessoas das áreas rurais talvez

tenham muito poucos objectos manufacturados: o contentor plástico para a

água, algumas panelas de metal para cozinhar, o rádio a pilhas e as roupas

que eles vestem. Todo o resto é produzido daquilo que cresce na região ou é

extraído da terra. Temos realmente a esperança de que os preservativos

sejam uma solução em lugares como este? É claro, preservativos também

têm a vantagem de propiciar um controlo no planeamento familiar para

aqueles que querem, mas os problemas práticos permanecem.







37

HIV é um problema de desenvolvimento

Esta é uma das razões que nos leva a concluir que o HIV é um problema de

desenvolvimento. A pobreza reforça a propagação. A ignorância, falta de

assistência médica, comunicação inadequada, falta dos meios necessários de

subsistência, crianças que ganham dinheiro ou comida através de sexo casual

e por ai fora. Estes ciclos de privação precisam de ser rompidos. Focando-

nos somente no HIV não irá parar a SIDA.

Tenha como exemplo uma trabalhadora do sexo profissional que esteja

infectada: como é que ela viverá se parar de oferecer os seus serviços aos

homens? Quem vai dar de comer aos seus filhos? Quem vai pagar os seus

medicamentos? Campanhas de prevenção não são suficientes. Necessitamos

de uma abordagem global que não veja só o estado físico dos infectados mas

também as condições mentais e sociais.

É por isso que uma das armas contra o HIV é o crescimento económico:

incentivar investimentos, negócios e comércio internacional. Micro bancos,

esquemas de geração de dinheiro e outros programas de auto ajuda têm um

papel indispensável, não somente em aumentar a renda geral da nação, mas

também em ajudar aqueles com o HIV a refazerem as suas vidas e ajudar os

órfãos a sobreviver. Eu vi 40.000 pessoas serem tiradas de uma pobreza

absoluta de lugares como Delhi: pessoas que estiveram em tendas e

musseques agora vivem em casas de dois andares com todas os recursos, e

com êxito nos negócios na maior parte dos casos como consequência do

plano da micro-operação bancária, onde grupos de mulheres, juntas pedem

pequenos empréstimos para vários negócios e garantia recíproca.

Como vimos a SIDA é uma doença terrível para a qual não existe cura ou

vacina. A única esperança é ensinar as pessoas como se protegerem da

infecção. Se não há cura, nem vacinas, e os preservativos meramente

reduzem o risco, além de serem muito caros ou difíceis de se obter para

milhares de pessoas, qual é a resposta?



Experiência em África



Apenas alguns semanas atrás eu viajei para um pais onde uma solução foi

urgentemente necessária para prevenir uma grande parte de toda uma

geração de desaparecer por completo. Uganda teve no passado mais relatos

de casos de SIDA que qualquer outro pais em África. Você pode pensar que

este seja o pior caso, mas não é. Com certeza, Uganda é o país com

governantes mais honestos e corajosos, e que teve uma das campanhas de

maior êxito no mundo com resultados surpreendentes.









38

Houve diversas outras nações africanas que tiveram sérios problemas da

mesma natureza, ou talvez ainda pior, mas que não admitiram. Um país de

facto reduziu o número de casos de SIDA que tinha, apesar de que os

médicos nesse país sabiam que os números foram manipulados. Se as

pessoas pensam que um país tem muitos casos de SIDA, então muitas

companhias retiram-se e os turistas param de vir. A economia sofre, além de

ter milhares de jovens doentes para cuidar, se tem também um aumento nos

índices de desemprego e de pobreza.

O governo de Uganda admitiu abertamente que existia um grande problema.

Isto abriu as portas para a ajuda internacional e também para a educação.

Como é que se pode educar pessoas sobre uma causa principal de morte

quando não se admite oficialmente que alguém está a morrer disso?

Em algumas partes da África central, um em três dos condutores de

caminhão nas vias públicas estão infectados, e metade das raparigas que

vagueiam nos bares a noite. Talvez um em cinco de todos os homens jovens

e mulheres em algumas dessas vilas estão infectados. Alguns dizem acreditar

que existem vilas na África central onde talvez metade de todas as pessoas

jovens sexualmente activas estão a morrer.



Como qualquer outra doença sexual

Eu conheci uma mãe que tinha perdido duas filhas. O seu rosto era um

retrato do sofrimento. De forma digna e calma, ela disse-me como foi que

elas tinham morrido. “ Preferia que tivesse sido eu” ela disse, “elas eram tão

novas”. Em África a infecção propagou-se como qualquer doença sexual: de

homem para mulher e de mulher para homem. Os europeus que passam

algum tempo nesses países muitas vezes regressam aos seus paises

infectados depois de terem tido sexo somente algumas vezes.



Em 1988 eu visitei Uganda pela primeira vez: falamos com mais de 20.000

pessoas durante dez dias, a convite dos Ministérios da Saúde e Educação.

Quando fomos as escolas e pedimos que levantassem as mãos aqueles que

conheciam pessoalmente alguém que tinha morrido por causa da SIDA,

metade levantou a mão. Dois anos mais tarde foram quase todos.

Nós organizamos enormes reuniões em espaços abertos com uma grande

banda musical africana, um sistema enorme de alto falantes públicos e

intérpretes. Milhares de pessoas vieram das vilas locais . Por volta de 2.500

pessoas sentaram-se no largo ou ficaram sem se mover, por volta de três

horas: enquanto nós ajudamos as pessoas locais a educarem e responderem

questões. A maior parte da audiência era homens - que quase nunca

apareciam a eventos como este normalmente. Eles vieram porque na área







39

onde estávamos, a SIDA tinha se tornado num assunto de vida ou morte para

todos.





Desesperado por um teste



Muitas pessoas vieram ter comigo para fazerem o teste. Elas tinham boas

razões para estarem preocupadas. Sabiam que existia uma possibilidade

muito elevada de que qualquer uma das duas pessoas prestes a casar podia

estar infectada. Se os dois estivessem, era uma coisa, mas se não, então um

podia matar o outro. O que é que poderiam fazer? Não irá convencer dizer-

lhes somente para usarem preservativos com cuidado para o resto das suas

vidas.



E as crianças? Se a rapariga tem um bebê, ela sabe que a infecção pode

passar através do leite. Ela quer ser testada para ter a certeza que ela não vai

matar o seu bebê acidentalmente. Uma esposa vem ter comigo. Ela estava

preocupada porque o seu marido saía regularmente com outras mulheres até

muito tarde. Ele admitiu que tinha repetidamente sido infiel nos ùltimos 10

anos, e os dois chegaram a conclusão que ele poderia facilmente estar

infectado, assim como muitas das pessoas que ele conhecia que tinham

morrido. Eles queriam saber se era seguro para ele dormir com alguém

novamente – muito menos com a sua mulher.



Todas estas pessoas ansiosas não necessitam somente de concelho. Algumas

delas têm uma necessidade urgente de serem testadas. O teste é uma das mais

poderosas armas que temos na luta contra a SIDA porque isto ajuda a

identificar as pessoas que carregam o vírus e então podem fazer algo para

não matar outros e receber tratamento efectivo. Isto também ajuda outras

pessoas a descobrirem que elas e os seus parceiros não estão infectados,

assim eles deixam de se sentirem ansiosos, não precisam mais utilizar

preservativos durante as relações sexuais para o resto da vida sem o risco de

contraírem HIV desde que nenhum dos dois seja infiél.

Um/a parceiro/a para a vida



A resposta do governo de Uganda à crise foi rápida e admirável. Apenas

mensagens diretas e objetivas. Para eles as respostas eram óbvias e claras:

“sexo seguro é sexo entre virgens agora casados para o resto da vida”. (Se

realmente não poder controlar esta situação, os preservativos podem salvar a

sua vida)”









40

Em África vários governantes também estiveram muito preocupados sobre a

propagação através de tratamentos médicos. Em algumas áreas um em cinco

litros de sangue doados aos bancos de sangue dos hospitais estão cheios de

vírus. Felizmente agora em quase toda a África existem instrumentos e

recursos para testar o sangue. As reservas de agulhas podem também ser

poucas, ou equipamentos para aquecer e estrelizar podem estar avariados ou

não existirem. Ninguém nunca irá saber quantos médicos e enfermeiros

foram mortos em África desconhecendo o verdadeiro motivo. Uma parte

importante da campanha de saúde tem-se certificado que todos estão cientes

dos perigos do sangue e das agulhas.

As pessoas dizem que África é diferente

Muitas pessoas tentaram encontrar as várias razões pelas quais África é

diferente. Você tem que tirar as suas próprias conclusões. Algumas pessoas

dizem que os africanos são especialmente sensíveis ao HIV, é por isso que o

virus se propagou tão rapidamente. Eles encontraram esta explicação por

experiências feitas numa clínica em Londres. Por seis meses esta foi a

resposta que correu pelo mundo, até os médicos fazerem uma confissão

pública que eles tinham erradamente calculado os números.

A seguinte resposta dada foi que os africanos são muito mais promíscuos. As

pessoas acreditam naquilo que gostam de acreditar. Embora seja certamente

verdade que alguns padrões de comportamento incentivam parceiros sexuais

múltiplos em algumas partes de África, a diferença não é suficiente para

explicar o que está a acontecer.

Uma outra sugestão foi que os tratamentos médicos com agulhas

contaminadas e sangue infectado forão a razão. É fácil fazer avaliações

quando se está a 6.000 milhas de distância. O facto é que se isso fosse

verdade então todas as faixas etárias que recebem tratamentos médicos por

injecções estariam propensas a serem contaminadas pela SIDA, visto que a

maioria daqueles infectados são jovens sexualmente activos.

Finalmente, alguns sugeriram que doenças infecciosas podem abrir o corpo

para mais uma outra infecção. Temos razões muito fortes para pensar que

isto acontece. O senso comum nos diz que se você já estiver cronicamente

muito doente e depois é infectado pelo vírus da SIDA, você não está nas

melhores condições de lutar contra isso. A malária e outras doenças tropicais

podem ser as responsáveis.

Entretanto, a explicação mais provável se encontra em outras doenças

sexuais. Estas propagam-se em todos os países, mas doenças sexualmente

transmitidas (DST) crónicas e não tratadas, são muito mais comuns em

países pobres onde existem poucos recursos de assistência de saúde. Além

disso, procurar os parceiros sexuais dos infectados pode ser muito difícil em





41

nações com sistemas comunitários menos organizados. Nós sabemos que se

um homem ou uma mulher estiver infectado/a com gonorréia, sífilis ou uma

doença semelhante, as pequenas feridas feitas por esses germes passam a ser

um caminho fácil para o vírus da SIDA entrar no corpo.



Uma das razões pela qual o HIV se está a propagar tão rapidamente em

lugares como Mumbai em Índia é porque cerca de metade de todos os

adultos nessa vasta cidade carregam uma doença sexualmente transmitida

(DST) activa e não tratada.

Pode-se ver que tudo que aconteceu na África central irá provavelmente

acontecer de uma certa forma no Ocidente. Estúpido aquele que regressa

após haver observado em detalhes aquilo que está a acontecer em África e

diz que a SIDA nunca irá afectar as pessoas que não sejam homossexuais e

drogados no Reino Unido. Não só estúpido como também ignorante: em

2001 a maioria das pessoas recém infectadas no Reino Unido eram

heterossexuais – e a maioria contraiu a infecção em outros países.



Como posso manter-me livre da infecção?



Você pode querer tomar uma decisão se ainda não o fez, que a próxima

pessoa com quem vai ter relações sexuais seja a pessoa com que se

comprometerá a ter relações sexuais para o resto da sua vida. Algumas

pessoas dizem que a vida não é assim tão simples. O que acontece se essa

pessoa teve vários parceiros sexuais antes, ou se você teve? E se o seu

parceiro é infiel ou usa drogas?



A decisão de fazer um teste é dificil e complexa e cada pessoa ou casal é

diferente. Onde o risco é significante pode bem valer a pena que um ou os

dois sejam testados para a segurança do outro. Aconselhamento profissional

médico ou de uma clínica especializada é necessário.

A outra decisão a tomar, se ainda não o fez, é nunca, nunca em nenhuma

circunstância deixar-se ser injectado com uma agulha que pode conter

resíduos de sangue de uma outra pessoa.



Risco zero



Se você fizer estas duas coisas muito simples reduzirá o risco a quase zero.

Quaisquer outros riscos remanescentes seriam se o seu parceiro continuasse a

correr riscos – especialmente se você não tiver conhecimento disso – ou se

estiver a trabalhar na área de medicina ou enfermagem. Se estiver dentro

desta categoria deve já ter tido instruções claras de como se proteger





42

enquanto assiste pacientes. A regra básica é manter sangue e qualquer outro

fluído dos corpos dos pacientes o mais distante possível de sua pele.



No capítulo seguinte vamos ver algumas das preocupações comuns e

problemas que as pessoas têm.





Capitulo Três

Agonia da SIDA

Perguntas e Respostas





O problema com a SIDA é que a maior parte das pessoas estão com muito

medo de perguntar aquilo que elas de facto necessitam saber.

“ O meu namorado diz que eu não o amo porque não quero fazer sexo

com ele”

Uma coisa é absolutamente certa: ele não lhe ama ou se lhe ama, ele não lhe

respeita. Se ele lhe está a pressionar para que se entregue sem um

compromisso verdadeiro da sua parte, ele está mais interessado em ter prazer

para ele próprio do que em construir um relacionamento.



“ Eu conheço o meu namorado e ele diz que também é virgem, então

deve ser seguro”



Um homem dirá qualquer coisa para ter sexo contigo, se ele quiser mesmo.

O mundo está cheio de raparigas feridas e mulheres que foram magoadas.

Elas aceitaram ter sexo como forma de amarrar o homem, com medo que a

relação acabasse, porque ele prometeu que se casaria com ela um dia. Mas

ele não tinha intenção nenhuma de se “amarrar para o resto da vida”.

Pode ser que esteja a procura de um lar, um marido que irá amá-la, cuidar de

você e ser um bom pai para os seus filhos. Mas o seu namorado pode estar só

a procura de diversão, sem nada de compromissos e o relacionamento pode

terminar quando um dia ele encontrar uma outra ou ficar farto de você.

Enquanto isso você vai ouvir tudo aquilo que sonhou ouvir. “ Eu amo-te. Tu

és a única rapariga para mim. Eu estou comprometido contigo”.

De qualquer forma, mesmo que ele seja virgem agora, pensa que ele nunca

vai dormir com outra rapariga para o resto da vida dele? É isso mesmo? Ele é

realmente o rapaz que nunca irá olhar para outra rapariga? Se ele está tão

interessado em ter sexo com você agora antes de qualquer compromisso de







43

casamento, ele irá estar interessado em experimentar sexo com outra pessoa

mais tarde, mesmo depois do vosso casamento.

“ Nós dois vamos nos casar no próximo ano. Nós nunca fizemos sexo.

Mas os dois, se formos honestos, já tivemos um passado. Devemos ser os

dois testados antes de nos casar?

Essa é uma questão muito urgente para vários casais agora, especialmente

em África onde os riscos de se casar com alguém que está infectado são

enormes. Muitas pessoas pedem para ser testadas por esta razão. Eu penso

que existe um bom motivo para isto. Depende do tamanho do risco. Um

membro da igreja veio ter comigo no outro dia. Ele no passado foi usuário de

drogas e injectava heroína até a alguns anos atrás quando se tornou cristão, o

que mudou a sua vida por completo e também deixou o hábito da droga.

Deveria este homem ser testado antes de ir adiante?

Essas perguntas necessitam de aconselhamento individual e especializado.

Não há uma norma para a resposta adequada. Como regra geral, se é possível

que você e o seu futuro parceiro tenham sido expostos ao HIV, então vocês

dois devem ser testados pelo amor e carinho que tem um pelo outro. Como

seria horrível matar a pessoa que ama. Muitas igrejas em países onde a SIDA

é um problema grande agora, recusam-se a casar pessoas sem que o teste de

SIDA seja feito antes.

E os resultados? Se os dois estiverem negativos então será uma notícia

maravilhosa. Se um for positivo e o outro negativo então as consequências

do casamento podem ser muito sérias. Eu não estou a dizer que eles não

deviam ser autorizados a se casar. Isto para mim parece ser um problema de

escolha pessoal, mas eles devem compreender os riscos. Isto quer dizer usar

preservativos com muito cuidado todas as vezes que fizerem amor e

encontrar outras formas de expressar intimidade e afecto que não seja através

do acto sexual. Isto significará (provavelmente) uma decisão de não ter filhos

uma vez que fazer um bebê acarretaria em riscos reais de matar a mãe ou o

pai. Se os dois estão infectados, então não há razões para eles não se

casarem, uma vez que não se vão matar um ao outro por transmissão do

vírus. Eles irão continuar a ter o dilema sobre ter ou não ter filhos, com o

risco de infectar a criança ou de a criança ficar órfã ainda muito nova.

A melhor pessoa para falar sobre o teste do HIV é um especialista numa

clínica para doenças genito-urinárias, onde tratam de doenças sexualmente

transmitidas (DSTs). A maior parte dos grandes hospitais possuem tais

clínicas. Normalmente não é necessário marcar consulta e todas as

informações são confidenciais – eles precisam agir assim, do contrário

ninguém os iria procurar.









44

“ Quão contagioso é o HIV?”



HIV é muito menos contagioso que, por exemplo, a hepatite B. Suponhamos

que existe um acidente enquanto o médico está a tirar sangue de alguém com

HIV e ele pica-se com a agulha. Sabemos, através de muitos casos

semelhantes, que não é comum a infecção ser o resultado de um incidente

assim - isto é um risco de um em 200 ou mais. Então o médico necessitaria

de ter por volta de 200 acidentes como este em média antes de ser infectado,

porque a quantidade de HIV que se precisa para se contrair a infecção é na

verdade alta. Mas com hepatite B o medico só precisava de ter 5 acidentes

em média para contrair a infecção.

Agora, no caso de o risco ser de apenas um em 200 mesmo quando se é

picado com uma agulha médica, pode-se ver que o risco de, digamos, um

jorro de sangue na mão é muito, muito pequeno mesmo. A pele intacta é

normalmente uma barreira poderosa contra o HIV. Mas um jorro de sangue

no olho pode ser perigoso. Da mesma maneira, injectar drogas como a

heroína com o uso de uma seringa compartilhada, onde o sangue da pessoa

anterior se mistura com o da pessoa seguinte.

Durante um acto sexual normal entre um homem e uma mulher, o risco de

infecção é por volta de um em 200 de uma ùnica relação sexual sem

protecção com um parceiro infectado que está bem, sem sintomas. Mas se

um ou outro tiver uma outra doença sexual não tratada como a cancróide ou

gonorréia, e a pessoa não se der conta, nem o parceiro, então o risco de

transmissão pode ser dez ou vinte vezes maior. Isto também é verdade se a

pessoa estiver doente com SIDA.

Então HIV é muito menos infeccioso do que aquilo que muita gente pensa.

Se for o caso, por que se propaga tão rápido em tantos lugares? A razão é

que embora o risco de um acto individual ser baixo, quando o mesmo acto é

repetido várias vezes, ou onde muitos milhões de pessoas estão envolvidas, o

número de riscos é incalculável e o vírus tem um grande número de

possibilidades de passar de uma pessoa para outra.

“ Eu estou confuso porque algumas pessoas dizem que certas coisas

podem causar SIDA e outras pessoas dizem que não.”

É muito confuso para as pessoas, e a maior parte delas, muitas vezes, têm

mais medo das histórias que de qualquer outra coisa. Posso contrair SIDA

pela chávena, pelo beijo, ao nadar, através de picadas de mosquitos ou outra









45

coisa qualquer? Antes de responder a todas estas questões em detalhe,

precisamos de ver os tipos de perigos a que nos expomos todos os dias.

Todas as vezes que você viaja de carro ou de transporte publico você pode

morrer num acidente, e no autocarro pode apanhar gripe. Pode ser mordido

por um cão ou roubado no regresso a casa do serviço. O mundo pode ser um

lugar perigoso, mas temos que ter tudo em proporção, ou viveríamos de uma

forma doentia com tantas preocupações. Algumas pessoas sofrem muito por

causa de todas essas coisas e ficam tão estressadas que não conseguem sair

de casa. Eles necessitam de ajuda de peritos. Outros riem-se deles:

“Certamente as pessoas pensam que o risco de alguma coisa horrível

acontecer é incrivelmente pequeno?”

Quando se trata de SIDA, até mesmo a pessoa mais sensata pode começar a

comportar-se de uma maneira muito estranha. Um homem adulto deixa um

pacote na porta de uma casa num dia de chuva porque tem medo de falar

com alguém que está lá dentro. Uma assistente comunitária tem medo de

beber uma chávena de chá. Na igreja pessoas estão a afastar-se da Santa Ceia

porque têm medo da taça comum – ainda que seja segura. Numa conferência

muita pouca gente quer apertar a mão do visitante que vai falar.

Alguns anos atrás a equipa de apoio comunitário da ACET com quem eu

trabalhei precisou urgentemente de encontrar escritórios maiores. Depois de

muito procurar encontramos um local ideal, mas os donos estavam com

medo que pudéssemos contaminar as sanitas e recusaram-se deixar-nos

entrar.

O problema é que se eu lhe tivesse dito que muitas destas coisas não tinham

riscos absolutamente nenhum, provavelmente não acreditaria em mim. Se eu

tivesse dito que de facto existia um risco provavelmente iriam passar o resto

de suas vidas preocupados. Não estou interessado em alarmar-lhe ou dar-lhe

conforto. Eu quero que saiba dos factos e vocês podem tomar as vossas

próprias decisões. Vamos agora ver alguns exemplos:

“ Eu li no jornal que um perito disse que se podia apanhar SIDA

comendo uma refeição. Isto é verdade ou não?”



Não! Eu suponho que teoricamente se um empregado de restaurante corta-se

com uma faca afiada, e segurar o seu dedo enquanto este pinga sangue fresco

encima da sua refeição, e depois põe-lhe a comida a frente, e quando começa

a comer você morde a língua, então o sangue do empregado entra através do

corte na boca, possivelmente haveria uma chance muita pequena de você ser

infectado. Mas isto é tão ridículo como dizer que nunca deverá viajar de

autocarro porque pode ter um acidente.









46

“Dizem que não se pode apanhar o vírus da SIDA através do beijo, mas

eu ouvi dizer que o vírus está na saliva e alguém ficou infectado por uma

mordidela”.

Ambos estão certos. O vírus que causa a SIDA pode ser encontrado em

qualquer fluido do corpo de alguém que está infectado. Nem sempre está nos

fluidos, e às vezes só está presente em quantidades muito pequenas. Se está

presente na saliva, então porque é que as pessoas não ficam infectadas

através do beijo?

A verdadeira resposta é que nós realmente não sabemos, mas isto é o que nós

pensamos: Em primeiro lugar, parece que existem certas coisas na saliva que

atacam o vírus. Em segundo lugar, o vírus está muitas vezes presente na

saliva em pequeninas quantidades. Em terceiro lugar, mesmo que os vírus de

pessoas infectadas entrarem na sua boca estão perdidos, a não ser que

consigam encontrar uma forma de entrar no seu sistema sanguíneo muito

depressa. Em alguns segundos uma grande quantidade de saliva vai expulsá-

los da sua boca descendo através de um tubo enorme para um grande lago de

ácidos que queimam (o seu estômago), onde o vírus irá instantaneamente ser

destruído e quebrado em milhares de pedaços a serem digeridos. Se este

sobreviver de uma forma danificada sem ser quebrado completamente, em

algumas horas será expulso do outro lado dos intestinos para a sanita.

A única forma em que um vírus na sua boca poderia infecta-lo é se existisse

uma ferida, uma úlcera na boca, ou sangramento da gengiva. Os médicos têm

estado a observar com cuidado todos os casos individuais de infecção para

descobrir como isso aconteceu. Em todos os casos até agora em todo o

mundo que eu saiba ainda não encontramos alguém que tenha apanhado o

vírus pelo beijo.

Entretanto, é possível que uma mordedura humana de alguém infectado pode

infectar outra pessoa. Eu posso pensar em dois casos onde isto aconteceu. No

primeiro, pensa-se que um rapaz mordeu o irmão, e no segundo caso uma

rapariga mordeu a irmã. É fácil entender o porquê que isto é diferente do

beijo. Afinal de contas, os dentes ferem a pele, injectando pequenas

quantidades de saliva – exactamente como uma mordida de cobra.

“ Então deveria deixar de beijar o meu namorado?”

Claro que não! Muito embora, seja verdade, se for completamente honesto,

que se eu fosse jovem e solteiro e descobrisse que a rapariga com quem

namoro está infectada, eu provavelmente não iria dar-lhe beijos longos e

molhados!

“ Podem os bebês serem infectados através do leite da mãe?”









47

Sim. HIV pode infectar um bebê, porque o revestimento da sua boca e do seu

estômago é tão fino que o vírus tem a possibilidade de atravessar. Uma mãe

com HIV estaria mais segura se não amamentasse o seu filho. Entretanto

tudo isto depende. A criança está melhor com o leite infectado da mãe do

que ser alimentado com leite em pó feito de forma não esterilizada – leite

para amamentar feito com água sem estar fervida pode matar crianças com

diarréia e vómitos.

“Pode se contrair SIDA através assento da sanita?”

Não!

“ Você disse que o vírus não pode atravessar a pele a não ser que exista

uma ferida, mas se isso é verdade, como é que passa da mulher para o

homem, ou vice-versa?”

Essa é uma outra área, se for honesto, eu tenho que dizer que nós realmente

não sabemos. A pele do pénis do homem, e da parte interna da vagina da

mulher, é com certeza sensível, fina e delicada. Parece que possivelmente

muitas rachas totalmente inofensivas, indolores e minúsculas aparecem na

pele dos parceiros quando estão a fazer amor. É assim que o vírus entra.

Como nós vimos, qualquer outra doença sexual irá possivelmente fazer a

pele sangrar.

“Pode Deus curar alguém com SIDA?”

Sim! Deus é Deus e faz o que bem entender. Ele é a fonte da vida e o Grande

Curador. Ele pode curar alguém com SIDA assim como pode curar o câncer

ou outra coisa qualquer. Ninguém entende porque Deus decide curar uns e

não outros. Ele cura muito menos pessoas do que nós que oramos

gostaríamos. Eu tenho ouvido muitas informações de pessoas que foram

curadas com HIV ou SIDA, normalmente nas nações mais pobres onde

parece que as experiências sobrenaturais são mais desenvolvidas, mas

ninguém que eu conheça pessoalmente foi curado. Entretanto um número

sem conta de pessoas com a doença HIV informaram melhorias gerais de

saúde e bem-estar depois das orações apesar do teste de HIV continuar a dar

positivo.

É fácil orar por uma cura quando se está com medo mais do que com fé. Nós

às vezes oramos por uma cura porque acreditamos erroneamente que é ruim

que alguém morra. Mas a Bíblia nos ensina que para aqueles que crêem em

Deus a morte não é o fim. Não há desastre na morte para os seguidores de

Jesus, apenas esperança de vida eterna. O apóstolo Paulo disse que para ele

viver era Cristo mas morrer era ganância. Então quando oramos por uma

cura, também oramos para que a vontade de Deus seja feita. O espinho na

carne de Paulo não foi curado. Timóteo continuou a ter problemas com a sua







48

digestão. E Jesus mesmo foi autorizado pelo seu pai para ser crucificado por

nossa causa da mesma maneira que Deus permite que as pessoas sejam

martirizadas por causa do Evangelho hoje.

“ Se o vírus sai da urina irão os nossos rios e abastecimentos de água

ficar contaminados?”

O perigo é dos germes que vivem em esgotos e causam diarréia, não de HIV.





Eu ouvi dizer que mosquitos propagaram SIDA em África. Isso é

verdade e poderei contrair SIDA se for mordido nesse pais?”

Milhões de pessoas em todo o mundo estão preocupadas com esta questão, e

quando estou em África está é a pergunta mais comum. Nós temos a certeza

que a resposta é “não” em África e “não” em qualquer outro lugar. Se a

SIDA se propagasse desta forma, então todas as áreas de África muito

afectadas de malária seriam também muito afectadas pela SIDA porque a

malária é transportada pelo mosquito.

Também notaríamos que todos os grupos de idades diferentes estariam a

desenvolver SIDA. Todas as idades são mordidas por mosquitos. De facto,

somente crianças pequenas através das suas mães e pessoas jovens

sexualmente activas, são principalmente, afectadas pela SIDA, então estamos

seguros que os mosquitos não são a causa. Pode ser que exista uma pequena

ligação entre SIDA e malária, mas é porque se já estiver doente por algo,

então quando a SIDA ataca, será atingido de uma forma mais forte.

O único insecto que pensamos que pode transmitir HIV é o percevejo,

porque quando se tornam grandes e gordos eles comem e transportam muito

sangue, e uma parte dele pode ser injectada na próxima vítima. Contudo, a

quantidade de sangue é tão pequena que foi calculado que teria de ser

mordido em média 15.000 vezes para ser infectado!

“Posso apanhar HIV através da lâmina do barbeiro?”

A lámina do barbeiro pode transmitir HIV se o sangue sair de uma pessoa e

depois a mesma lámina for usada por outra pessoa. Não se pode desinfectar a

lámina de barbear simplesmente lavando. Tem que usar lixívia ou outros

desinfectantes fortes ou aquecer a uma temperatura muito alta.

“ Até que ponto é exacto o teste de HIV?”

Existem muitos métodos diferentes de se fazer o teste, a maior parte deles

são indirectos, procurando por anticorpos que se formam como uma reacção

ao vírus. Pode levar até 6 meses para os anticorpos se desenvolverem depois

de alguém ter sido infectado, assim alguém que tenha corrido um risco em

Janeiro pode continuar a dar negativo até Julho em alguns casos, mesmo que







49

estejam infectados. Na maior parte dos casos os mais avançados sistemas de

testes detectam a infecção por volta de 6 semanas após o virus ter sido

contraido, às vezes mais cedo. Ocasionalmente, o resultado do teste pode ser

errado, e isto acontece com mais regularidade quando se usa pacotes de

testes instantâneos. Os processos de testar podem ser complexos, e os

resultados são às vezes difíceis de ser interpretados, e podem às vezes ser

confundidos com outras doenças. Estas são as razões pelas quais os médicos

em muitos países gostam de fazer dois testes para ter a certeza, com a

diferença de algumas semanas de distância, usando dois métodos diferentes.

Existem testes directos para o vírus de vários tipos diferentes mas estes são

muito caros e difíceis de serem aplicados.

“O meu bebê foi testado HIV positivo – ele está infectado?”

Primeiro, qualquer teste pode ser incorrecto num pequeno número de casos,

é por isso que em geral os médicos gostam de repetir o teste para ter certeza.

Segundo, quando um bebê nasce o teste não funciona correctamente. O teste

que usamos é para anticorpos – que são a reacção do corpo ao HIV, mas um

bebê recém-nascido tem anticorpos da mãe, assim todos os bebês de uma

mãe com HIV darão positivo ao HIV, mesmo que não estejam infectados.

Tem que se esperar que os anticorpos da mãe sejam usados e para o bebê ter

tempo de criar os seus próprios anticorpos. Por volta de um ano depois do

nascimento o bebê pode ser testado outra vez. Na maioria dos casos será

testado negativo e se a mãe foi tratada com medicação anti-HIV durante o

período de gravidez então o risco do bebê testar positivo um ano depois do

seu nascimento será ainda mais baixo.

Em 90% dos casos o bebê não está infectado até o parto iniciar. A maior

parte das infecções de mãe para filho ocorrem durante o parto. Quanto mais

doente a mãe estiver durante a gravidez, mais alto é o nível de vírus e mais

possibilidades haverá do bebê ser infectado. Sem tratamento, por volta de um

em quatro bebês serão infectados depois do nascimento, mas isto pode ser

tão baixo quanto 8 em 100 quando medicamentos como AZT (Zidovudine)

ou HIV inibidor de protease são dados à mãe por volta das catorze semanas

de gravidez até ao nascimento e ao bebê até seis semanas depois. Quando

medicamentos são usados e o bebê nasce por cesariana, o número de

infecções pode ser tão baixo quanto um bebê em 50.

“Ouvi dizer que HIV não causa SIDA”

Num mundo livre de 6 bilhões de pessoas haverá sempre um pequeno

número delas com idéias muito estranhas em qualquer assunto e a SIDA não

é diferente. Apesar das avassaladoras pesquisas científicas durante mais de

20 anos, existe um pequeno número de médicos, cientistas e jornalistas que

dizem coisas como:” Não existe prova que o HIV causa a SIDA”. Este é um







50

comentário muito estúpido e perigoso. Eles recebem atenção da midia

porque os meios de comunicação gostam de pessoas com opiniões extremas

– porque estes fazem as notícias. O problema é que eles não entendem a

ciência médica. Veja bem, também não existe nenhuma “prova” na forma

como eles querem, que fumar causa câncer nos pulmões, mas a evidência é

suficientemente forte para condenar diante de um tribunal. Eu repito. Não se

pode provar que fumar causa câncer. Entretanto, quase toda a gente acredita

que isto é um facto, como certamente eu acredito, baseado em pesquisas. Por

exemplo, vemos o alcatrão do tabaco causar mudanças em células

cancerígenas em laboratórios. Vemos que fumadores têm muito mais

probabilidades de contrair câncer nos pulmões que não fumadores. Mas não

posso provar que a razão pela qual uma pessoa em particular esteja a morrer

com câncer nos pulmões é porque ela fuma. E fumar propriamente não mata:

é o efeito de fumar nos tecidos do corpo que cria doenças e depois acabam

por matar.

O argumento sobre fumar também aplica-se ao HIV. Vemos os efeitos do

HIV nas células no laboratório, matam células brancas. Sabemos porque as

pessoas contraem doenças como Tuberculose TB: porque estas células-

soldados estão danificadas. As pessoas não” morrem” de HIV mais do que

“morrem” por fumar. Elas morrem pelo que acontece quando o HIV danifica

as células no corpo. De facto, a causa mais comum de morte relacionada com

o HIV é a Tuberculose (TB) mas não lhe posso provar que a razão pela qual

alguém está a morrer de TB é porque ele também tem HIV. De qualquer

forma algumas pessoas morrem de TB e o HIV talvez não seja a razão numa

pessoa em particular mesmo que esta esteja infectada. Mas sabemos que

pessoas infectadas com HIV têm uma limitada expectativa de vida

comparada àqueles que não estão infectados, e podemos calcular a variedade

de problemas que eles vão ter. Onde quer que o HIV vá, a Tuberculose

geralmente o segue, numa forma que é difícil de tratar e frequentemente

causa morte rápida.

Mesmo uma criança pequena entende que um homem que recebe meio litro

de sangue infectado, depois alguns anos este fica doente. Ele vai dar HIV

positivo, assim como a sua mulher e o seu filho pequeno. Todos ficam

doentes e todos morrem. Outro homem a quem foi dado meio litro de sangue

não infectado continua bem vinte anos depois. Ele, a sua mulher e filhos

todos testam negativo e continuam bem, não desenvolvem doenças clássicas

associadas à SIDA.

Este é o meu desafio para as pessoas que dizem que HIV não causa SIDA: se

estiver tão seguro, vá e injecte em si próprio sangue de alguém com HIV.

Nenhum deles faz isso, porque no fundo sabem que continuam preocupados.

Contudo parecem contentes por encorajar a todos a ignorarem mensagens de







51

saúde, pondo a vida das pessoas em risco, e como resultado ainda mais

pessoas vão morrer. Eu acredito que isso seja irresponsável.

Em África algumas sessões ao ar livre de perguntas e respostas demoram

várias horas com centenas de pessoas. Por fim o que eu digo é: Neste

momento as pessoas estão horrorizadas sobre todas as maneiras que elas

podem ficar infectadas sem terem sexo. Eu não desejo que as pessoas fiquem

menos horrorizadas sobre contrair SIDA. Só gostaria que elas ficassem tão

horrorizadas com aquilo que elas realmente devem ficar horrorizadas, e que

não tenham medo nenhum daquilo que é bastante seguro. Gostaria que as

pessoas tivessem tanto medo de dormir com qualquer um quanto quando elas

entram na casa de alguém com SIDA.

Quase todas as perguntas que me são feitas pelas pessoas estão relacionadas

com estas mesmas áreas de propagação não sexual. Espero que tenha visto

que a maioria destes riscos são muito, muito pequenos e que não precisa

alterar aquilo que faz, por outro lado agora é o momento se ainda não o fez,

de fazer algumas mudanças radicais no seu comportamento sexual e

expectativas e ser bastante cauteloso com qualquer coisa que fure a pele.



Capítulo Quatro





Não ter para onde ir





Pior que o câncer





Já é ruim o bastante ter que ouvir aos vinte e três anos que tem câncer e que

provavelmente irá morrer, mas quando a doença é SIDA isto pode parecer

ainda pior.

Imagine que foi ao médico porque está se sentindo muito cansado e sem

energia nas últimas semanas. Ele manda-o para a clínica onde lhe fazem um

ou dois testes. Antes de saber o que tem eles levam-lhe com urgência para a

enfermaria. Fazem mais testes e toda a gente corre a volta parecendo

preocupados.

Depois o médico vem e diz-lhe que está seriamente doente, será submetido a

uma grande operação amanhã. Ele diz que no mínimo você ficará no hospital

por uma semana. Dois dias depois um outro médico vem vê-lo. Diz-lhe que

tem uma forma muito rara de câncer. Está muito avançado e o resultado é

terrível.









52

O seu mundo inteiro desfaz-se num instante: todas as suas esperanças e

sonhos para o futuro foram arruinados. Isto não pode ser verdade. É difícil

aceitar: os seus planos de estudos, emprego, casa própria, talvez casar e ter

filhos e viver até uma idade avançada – todas estas coisas foram esmagadas.



Os seus pais estão um ao lado do outro preocupados e com uma dor

profunda. Que tipo de mundo é este onde os filhos morrem antes dos pais? É

como se a ordem natural de tudo foi virada de cabeça para baixo.



Sentimentos suicidas



Mas SIDA pode parecer pior que qualquer uma destas coisas. Às vezes

pergunto aos alunos na escola o que fariam se tivessem ido doar sangue e

alguns dias depois uma carta chegasse e pedisse que voltassem. Quando eles

lá voltam um homem diz-lhes que o seu sangue deu HIV positivo.

Muitas dizem-me que cometeriam o suicídio. Eles não conseguiriam encarar

o pensamento de toda a gente querer saber como contrairam o vírus. Como

poderiam dizer ao pai? Poderiam dizer-lhe que usavam drogas, ou que

dormiram com muitas mulheres, ou que eram homossexuais e tinham sexo

com muitos outros rapazes e homens?

Muitas pessoas sentem vontade de cometer suicídio e algumas matam-se

logo depois de saberem que têm SIDA ou o início de uma infecção e é por

isso que muito cuidado e apoio são necessários depois de alguém saber que

tem SIDA. Um amigo meu que é médico ficou chocado um dia quando

acordou de manhã e reparou que alguém tinha estacionado o carro no fundo

do jardim e sufocou-se com o gás do escapamento. Apenas algumas horas

antes ele pediu alta voluntária apesar dos conselhos da enfermaria de SIDA.

Não podia encarar a vida com SIDA.



Ponha-o fora de casa



Eu lembro-me de uma ocasião em que tivemos um casal amigo para jantar. O

assunto sobre a SIDA começou como normalmente acontece. Depois a

conversa virou-se para a homossexualidade e as formas diferentes das

pessoas se desenvolverem a medida que vão crescendo. Eu fiquei chocado

quando a esposa disse-nos sem rodeios que se o filho deles de cinco anos

estivesse alguma vez a mostrar sinais de homossexualidade na adolescencia,

mesmo que ele se mantivesse celibatário ou não ela punha-o fora de casa e

não teria nada mais a ver com ele. Não é de se admirar que muitas pessoas

com SIDA têm o cuidado de saber a quem contar. Na mente de muitas







53

pessoas, admitir que têm SIDA é o mesmo que admitir ser uma pessoa de

carácter dissoluto com valores morais questionáveis. Muito embora

tenhamos visto muitas vezes que isto não é verdade.

De facto muitas mulheres com HIV em alguns países africanos foram

celibatárias antes do casamento e fiéis desde então, mas foram infectadas

porque os seus parceiros não se mantiveram da mesma forma.

Recolhendo o corpo



Eu fui a uma enfermaria de SIDA um dia e fiquei perturbado ao ver um

homem jovem ansioso que estava obviamente perto da morte, e a morrer

sozinho. Eu perguntei onde estava a sua família e se tinham sido contactados.

A resposta foi que ele tinha sido incapaz de dizer-lhes o que estava a

acontecer e não queria que ninguém o fizesse. Ele estava a deteriorar-se

rápido. Possivelmente de manhã a enfermaria iria contactar a sua mãe a

muitas milhas de distância, para vir recolher o corpo do seu filho que ela

pensou ser forte e estar bem.



Quando ela chegasse seria possivelmente difícil reconhecê-lo. O seu corpo

estava simplesmente um esqueleto comparado ao que ele era sete meses

atrás. A sua face estava encovada e a sua pele coberta por uma irritação

enorme. O seu corpo tinha as marcas de uma longa e terrível luta contra

várias infecções. Ele pediu que o certificado de morte dissesse somente

“pneumonia” porque ele queria poupar a mãe da dor. Se ela tivesse sabido a

verdade a quem poderia ela dizer?



Vivendo em casa



Às vezes a raiva é tão feroz que isto afecta aqueles que estão a cuidar dos

pacientes. Uma grande amiga minha soube pelo pai que ela estava a ser

deserdada pela família. A partir de agora iria ser como se ela não existisse. O

grande crime dela foi ter-se apaixonado por um homem que alguns anos atrás

havia sido infectado e agora estava doente. Por muitos meses ela tomou

conta dele, e depois dele ter morrido, o crime final foi decidir continuar a

preocupar-se por aqueles que tinham SIDA.

Uma enfermeira da comunidade que trabalhava para a ACET em Londres

teve um dia longo. Naquela noite, na cama com o seu marido, ela começou a

falar-lhe sobre alguém com SIDA que estava muito doente e perturbada em

casa, e com quem ela tinha estado algum tempo. “ Salta desta cama” ele

gritou, “ e não voltes aqui enquanto não deixares de lá ir”









54

Eu não acredito que não haja lugar nenhum no mundo em que pessoas com

HIV não tenham experimentado rejeição, hostilidade, preconceito e medo.

Pode agora entender porque um professor numa escola para crianças

pequenas estava desgostoso por estar na enfermaria de SIDA. Ter SIDA era

a sua última preocupação, também não tinha medo de morrer. Ele estava com

medo caso alguém da escola viesse vê-lo e fossem dizer aos pais ou diretores

o que ele tinha. Toda a sua reputação e carreira estariam destroçadas.

Pode também entender um padre que estava constantemente com medo que

um dos membros de sua congregação que trabalhava no hospital poderia vir

a enfermaria e reconhecê-lo. Um número cada vez maior de líderes da igreja

estão a tornar-se doentes com SIDA. Deveríamos esperar por isso. Se muitas

pessoas estão a encontrar fé em Cristo, e se o HIV sobreviver à conversão, a

não ser que aconteça um milagre, então encontraremos muitos na igreja que

mais tarde se tornaram doentes muito embora tenham sido cristãos por

muitos anos e foram celibatários ou fiéis desde que encontraram a fé.

Perdendo o emprego

Com frequência, as pessoas perdem o emprego quando os chefes ficam a

saber o porquê estão doentes.

Várias companhias foram questionadas sobre o que fariam se descobrissem

que algum empregado seu tivesse SIDA. Algumas delas disseram que

despediriam logo essa pessoa. Outras disseram que incentivariam a pessoa a

despedir-se. De qualquer forma ficou claro que no futuro muitas das pessoas

com SIDA em alguns países vão se encontrar desempregados, mesmo que

estejam perfeitamente bem para trabalhar a maior parte do tempo.

Não são só as empresas que são severas. Um advogado foi convidado um dia

desses a empacotar as suas coisas e ir-se embora: “Não queremos este tipo de

coisas aqui”.

Arruinado e a morrer



Todos os dias o número de pessoas com dificuldades financeiras por causa

da SIDA está a aumentar. Acontece frequentemente que o proprietário

desaprova quando descobre que um dos seus inquilinos tem SIDA. Talvez

ele tenha medo que os outros se mudem quando ouvirem dizer ou expressem

sentimentos rudes como casos que já vimos. De uma forma ou outra, isto é

bastante comum alguém sair do hospital logo depois de ficar a saber que têm

SIDA e encontrar todas as suas coisas pessoais atiradas na rua e as

fechaduras das portas trocadas.



Às vezes, o culpado é a pessoa com quem viviam. Eu sei de uma ocasião em

que alguém encontrou as fechaduras mudadas pelo antigo parceiro, e outra





55

em que o parceiro levou tudo da casa sem deixar absolutamente nada, nem

uma cadeira, ou candeeiro, uma mesa ou mesmo uma cama para dormir.

Pudemos comprar uma cama para este homem imediatamente, mas uma casa

inteira leva tempo a reconstruir.



Vagueando pelas ruas

O número de pessoas que ficaram desabrigadas ou destituidas por causa da

SIDA está a crescer a cada semana e está a tornar-se um problema crucial em

muitos países.



Em quem posso confiar?



Em meio a tudo isso, você pode ver que alguém com SIDA tem muitas

coisas em comum com alguém que tem câncer, além de terem que lidar com

um elemento adicional: a tragédia de terem uma doença terminal numa idade

tão jovem – Falo como médico com experiência nas duas doenças. Mas a

pior coisa é sem dúvida como as pessoas ao redor reagem. A próxima pessoa

que eu encontrar sentirá pena de mim (o que odeio) ou quererá ver-me morto

e dizer-me que é tudo culpa minha? Quem é meu amigo e quem é meu

inimigo? Se eu falar com o meu amigo sobre a minha doença, ele guardará

segredo ou quantos dias levará até que o meu amigo conte a outra pessoa?



Não é de se admirar que o suicídio seja visto como a melhor opção. O

choque acumulado, tristeza e angústia de perder tantos familiares e amigos

pode significar que as pessoas percam toda a energia e recursos internos.





Capítulo 5

O Que Você Pensa?





1. De quem é a culpa?

Quero agora falar a respeito de sexo e a SIDA, e o que e como as pessoas

pensam sobre isto. Todos parecem querer apontar o dedo quando se refere à

SIDA. Começam talvez sobre de onde a SIDA veio pela primeira vez. A

resposta verdadeira é que ninguém sabe, muito embora estejamos certos de

que o HIV já existia em diversas partes do mundo nos anos 60s semelhante a

vírus comuns em animais e provavelmente tem existido em alguma forma

durante séculos. Como alguns cientistas pensam que o HIV pode

originalmente ter vindo de animais em África, as pessoas imediatamente







56

pensam que de certa forma a culpa é de África. O que é estúpido. Não

obstante aquilo que os factos mostrem no futuro, a doença tinha que começar

em algum lugar e não é culpa de ninguém onde isto apareceu primeiro.

“Já deveriam saber”

A outra área onde as pessoas parecem apontar dedos é onde grupos em

particular ou indivíduos são infectados. Algumas pessoas dizem que é culpa

deles. Dependendo do julgamento pessoal, eles dão a impressão de que

acreditam que alguém com um certo estilo de vida mereça uma sentença

automática de morte.

Algumas pessoas dizem que os infectados já deveriam saber, mas esquecem-

se que muitos desses a morrer agora, especialmente nas nações mais pobres,

foram infectados mesmo antes das pessoas terem ouvido falar sobre a SIDA,

muito menos compreender como isso se propagava.

Algumas pessoas dizem que alguém, digamos, com o estilo de vida

homossexual ou os usuários de drogas deveriam entender que o que fazem é

errado e deveriam aguentar as consequências. Esta atitude pode fazer com

que os infectados sintam-se ainda mais culpados e se responsabilizem

também. Da mesma maneira eles podem muitas vezes sentirem-se culpados

pelo facto de terem infectado outras pessoas inconscientemente.

Apontar o dedo é a solução mais fácil

Muitas doenças são causadas por estilos de vida que alguns podem

questionar: Devemos ter alguma consideração por um homem que fumou

cinquenta cigarros por dia nos últimos quarenta anos e agora tem terríveis

problemas respiratórios ou câncer nos pulmões? E o que fazer da rapariga

que cai e parte a perna na festa porque bebeu muito?

No final das contas é mais fácil culpar as outras pessoas e não ter nada a ver

com elas. Essa é uma maneira simples e fácil para passar o problema para

outra pessoa. Não tem que se sentir culpado por não se envolver porque na

sua mente você culpou uma outra pessoa. É a mesma mentalidade como a do

homem que diz, não ajude os famintos porque é culpa deles terem famílias

tão grandes (mesmo que seja absurdo pois o mundo tem a capacidade de

produzir comida mais que suficiente para alguns bilhões de pessoas a mais).

Igrejas cruéis

Devido ao facto de ter sido líder de igreja assim como tomei conta de muitas

pessoas com SIDA, as pessoas muitas vezes perguntam o que é que eu penso

sobre a SIDA como cristão. As pessoas têm opiniões diferentes. Alguns

dizem que a SIDA é o julgamento de Deus a todos os homossexuais e aos

heterossexuais com vários parceiros. Outros têm pontos de vista diferentes.

Alguns líderes até mesmo disseram que cristãos não deveriam ter nada a ver





57

com a SIDA enquanto outros dizem que cada cristão deveria ter algum tipo

de resposta. Muitas opiniões, mas o que devemos pensar de tudo isto?

Uma opinião pessoal

A SIDA não é a ira de Deus e nunca foi. Se isto fosse o julgamento de Deus

nas pessoas com múltiplos parceiros sexuais, por que é que homossexuais e

heterossexuais são afectados e lésbicas nunca são? Lésbicas (mulheres

homossexuais) são o único grupo na nossa sociedade, além de monges e

freiras, no qual SIDA quase não existe. É muito difícil para lésbicas

passarem a infecção para outra mulher com quem têm sexo. O julgamento de

Deus é notavelmente selectivo se tivermos que analisar esta posição

negativa. Isto significaria que Deus odeia o sexo entre dois homens, odeia o

sexo entre homem e mulher fora do casamento, mas não se importa com o

sexo entre duas mulheres. Algo que é claramente absurdo. Como um amigo

meu disse recentemente: “Se isto fosse um tiro da pistola ira de Deus para

acabar com os estilos de vida dos homossexuais e heterossexuais, ele tem

uma pontaria muito ruim!” O que você me diz de dezenas de milhares de

crianças infectadas em África como resultado de tratamentos médicos? A ira

de Deus sobre aqueles que estão doentes e necessitam de cuidados médicos?

Nada novo

As pessoas ficam alvoroçadas com a SIDA. Elas pensam que a SIDA é algo

novo e tão estranha quanto um acontecimento inesperado. Precisam de falar

com pessoas mais velhas que têm melhor memória e leram os livros de

história.

Como vimos a SIDA é somente mais uma na longa lista de doenças que se

podem propagar por sexo. Estas coisas existem a séculos, e pode ser que a

SIDA já exista a centenas de anos.

Foi a sífilis a ira de Deus? Propagou-se inicialmente como uma praga a

algumas centenas de anos atrás. Não havia cura. Com os anos causava

esterelidade e todos os tipos de doenças estranhas. Atacava o coração, os

vasos sanguíneos, rins, fígado e finalmente danificava o cérebro.

Costumávamos chamar as etapas finais da sífilis de„paralisia do demente‟.

Uma maneira terrível de morrer.



Quando a penicilina foi descoberta, será que Deus de repente descobriu que

ele não se importava e iria permitir que a praga parasse? Se a SIDA é o

julgamento de Deus então a sífilis também é.

A Bíblia diz que podemos desfrutar da maioria das coisas, mas em demasia

pode ser ruim para nós. Por isso ficar bêbado é considerado como algo ruim.









58

Então, as pessoas que morreram por muito beber, de insuficiência hepática,

apenas outra doença ou a ira de Deus sobre eles?

Como médico eu sei que a SIDA é somente uma doença. É causada por um

vírus comum em animais, que possivelmente existe a muito tempo. O sexo é

uma maneira fácil para muitos germes viajarem e para um número grande de

germes esta é uma forma conveniente de se propagar. Quando tivermos a

cura para a SIDA, certamente outros germes novos aparecerão em cena a

serem propagados pelo sexo.

Sendo assim a SIDA não é uma praga “homossexual”, e eu não penso que

ela foi mandado por um anjo como um raio de Deus para nos assustar a

todos.





2. Causa e efeito

O senso comum mostra que se tira da vida aquilo que nela se põe, ou como

disse Jesus,” você colhe o que sêmea”. Isto é uma opinião pessoal como

cristão que extrai seriamente aquilo que a Bíblia diz. Eu não peço que

concorde com isto ou goste do que eu digo, mas isto é, julgo eu, uma opinião

válida.

Qualquer médico sabe que a maioria das doenças poderiam provavelmente

ser evitadas ou reduzidas se as pessoas vivessem de uma forma diferente.

Doenças de coração em alguns países começam a ser menos comuns, porque

as pessoas se preocupam mais com a saúde. Prestam atenção a seu peso e

fazem exercícios. Fumar também está em declínio em muitos países; da

mesma maneira, a nicotina é uma das drogas que mais cria dependência. O

fumante recebe uma injecção de nicotina cada vez que fuma um cigarro e

inala o fumo gorduroso. Fumar mata por volta de 120.000 pessoas por ano

somente no Reino Unido.

A educação de saúde em toda a sua entensão mostra às pessoas as causas e

os efeitos: se você fumar, danifica os seus pulmões. Se conduzir quando

estiver completamente drogado, tem mais possibilidades de ter um acidente e

de matar alguém. Se embebedar, vai ter ressaca. Se injectar usando agulhas

sujas de sangue, pode contrair hepatite ou SIDA.

Causa e efeito é a lição mais importante que temos que aprender quando

crianças. A minha filha entalou o dedo polegar na porta e teve que ser levada

para o hospital. O dedo estava bastante danificado, mas agora já está

perfeitamente curado. Ela aprendeu que não se deve por os dedos nas arestas

das portas porque estas podem fechar-se e pode-se aleijar gravemente. Se ela

não aprender irá ser um grande perigo para ela própria.









59

Porque amo a minha filha vou tentar protegê-la da dor de ter que aprender da

maneira mais difícil. Se ela saltar na parte de cima do beliche da irmã eu vou

ralhar com ela, porque tenho medo que um dia ela perca o balanço e caía. Ela

possivelmente não fará isso outra vez se cair, mas eu prefiro que ela não caía.

Quando era pequeno os seus pais provavelmente disseram-lhe cem vezes por

dia para se afastar de alguma coisa, ou para por no lugar alguma coisa. A

maior parte das vezes a razão era a sua segurança. A sua mãe provavelmente

explicou-lhe, por exemplo, que um forno é extremamente quente e se tocar

nele com os dedos pode queimar-se gravemente.

Nenhum de nós é muito bom para ouvir no início. Geralmente existem um ou

dois acidentes:” eu avisei-te. Isso foi malandrice. Agora quando te disser da

próxima vez, tu fazes exactamente o que eu digo” E assim aprendemos.

Idéias estranhas

As pessoas às vezes têm realmente idéias estranhas sobre Deus. Pensam nele

como um grande ditador ou opressor ou uma figura distante com quem não

se podem relacionar de forma alguma. A Bíblia diz que Deus é um Pai

carinhoso, um milhão de vezes melhor que o nosso pai humano. Porque ele

ama-nos, olha para nós como seus filhos. Ele cuida de cada pessoa como se

essa fosse a única em todo o mundo.

Como ele se importa muito conosco, Deus quer ajudar-nos e proteger-nos

dos nossos próprios erros. Mas ele respeita-o como pessoa e nunca irá

dominar a sua vida. Ele está sempre pronto e a espera para ajudar-lhe, mas

você tem que pedir. Ele nunca irá impôr-se, nem mesmo irá partir. Pode

virar-lhe as costas durante anos, mas ele está sempre presente pronto e a

espera com os braços abertos. Não há nada que possa fazer que o faça deixar

de amá-lo, embora você possa manter-se distante dele com consequências

aqui e na vida futura.

Eu muitas vezes penso sobre a história que Jesus contou sobre o Filho

Pródigo. Ele zangou-se com o pai e quis sair da cidade e fazer o que lhe

apeteceu. Descobriu que viver sozinho era horrível. Ele passou por muitas

dificuldades. Gastou todo o seu dinheiro tratando de levar uma vida boa e

encontrar trabalho e ser pago uma ninharia de forma a poder comprar

comida. Ele ficou a pensar se o seu pai o aceitaria de volta.

Depois de algum tempo estava tão farto que achou que mesmo se o pai não o

recebesse de volta como membro da família, ele preferia voltar sob qualquer

condição – mesmo como um escravo. Quando ele estava perto de casa ficou

nervoso mas o pai viu-o chegar a distância e correu ao seu encontro. O filho

sentiu-se envergonhado e nem sequer olhou, mas o pai pôs os braços a volta

dele e levou-o para dentro de casa, cancelou todos os encontros e organizou

uma enorme festa para celebrar o regresso do filho à casa, para o desgosto de





60

um certo membro da família. Jesus contou a história para mostrar-nos que o

amor de Deus nunca arrefece ou desaparece, somente porque nos afastamos

demais do caminho de Deus.

Para mim a Bíblia contém um fantástico guia para uma vida saudável.

Muitas vezes vemos a Bíblia cheia de mandamentos negativos – não faça isto

e não faça aquilo. Os meus filhos também podem ver-me como muito

negativo se eles não reconhecerem que o que eu digo é para o seu benefício e

felicidade. Somente um pai descuidado deixaria os filhos colocarem as suas

vidas em risco sem fazer nada a respeito. E Deus seria um Deus estranho,

aquele que fez um mundo cheio de pessoas e deixa-os viver sem dar-lhes

nenhuma ajuda e conselho quando na verdade estão em busca disso.

Como arruinar a sua vida

Deus quer que saiba como prevenir a dor dos seus erros, e como viver uma

vida plena, feliz e satisfatória. A Bíblia está cheia de exemplos sobre causas

e efeitos. De facto, pode-se dizer que é um dos ensinamentos principais da

Bíblia.

A Bíblia diz basicamente que se quiser arruinar a sua vida então uma boa

forma de o fazer é romper os relacionamentos com as pessoas – não somente

qualquer pessoa, mas aquelas que estão mais próximas de você, os seus

amigos mais chegados, o seu parceiro ou a sua família.

E se você quiser acabar completamente com os relacionamentos com os seus

amigos mais chegados e família, então uma boa forma para o fazer é ter sexo

com uma pessoa ou pessoas com quem não está casado.

Se um pai quer ter a certeza de que não terá nenhum relacionamento com a

filha, de maneira que ela nem mesmo esteja interessada em chamá-lo de pai

nunca mais, então a forma mais rápida é tentar seduzi-la e ter sexo com ela,

preferivelmente quando ela é ainda pequena e durante alguns anos.

Como se sentir abandonado e sozinho mais tarde na vida

Dezenas de milhares de pessoas entre 35 e 45 anos de idade estão a ter um

choque terrível. Cresceram a pensar que era melhor apenas viverem juntos.

Depois de 3 ou 4 relacionamentos encontram-se sozinhos mais uma vez.

Com a chance de ter filhos espalhados por todos os lados com quem

raramente encontram.

Muitas mulheres descobrem um dia que as possibilidades de terem uma vida

estável e formar uma família estão a desaparecer rapidamente. Os seus anos

mais férteis estão a passar e os homens que poderiam ter sido os melhores

maridos e pais a muito se casaram.









61

Os homens também podem descobrir de repente que a festa-sem-fim ao

longo dos anos terminou. Eles já não são mais tão atraentes e dinâmicos

como eram antes. Eles têm muitas recordações, mas não têm um

compromisso para a vida e nem idéia de como encontrar um, porque a maior

parte das mulheres que faziam o mesmo têm uma vida estável com outros

homens a muito tempo.





Como destruir o seu casamento

Se o homem quiser destruir o seu casamento por completo de um dia para

noite, a forma mais rápida para o fazer é trair a sua esposa, por exemplo,

tendo um caso com uma amiga dela. Ele irá provavelmente perder os filhos e

talvez o respeito de outros amigos ao mesmo tempo. Aqueles de nós que

assumem a responsabilidade acham inacreditável que as pessoas não

conseguem ver aquilo que está diante do próprio nariz. Eles continuam a

tomar decisões estúpidas que qualquer pessoa com bom senso pode ver que

vai acabar em desastre.

Se você é jovem e quer que o seu casamento tenha uma boa probabilidade de

cair aos bocados dentro de alguns anos, então a maneira mais eficaz é tentar

ir para a cama com quantas pessoas puder enquanto puder. Os padrões não

mudam por causa de dez minutos no registro civil ou uma hora na igreja

durante a cerimónia.

Se programar o seu cérebro e o corpo para reagir de uma forma particular,

então poderá ser realmente difícil de repente de se tornar o/a perfeito/a e fiel

esposo/a.

Sexo antes do casamento significa que o parceiro com quem você irá se casar

está sob muita pressão: “ A Jacky era muito melhor na cama. Ela podia

realmente excitar-me” ou, “Todas as vezes que fazemos amor eu penso em

como o Bill costumava pegar-me…ele fazia isto assim.”

Estou contente que a única pessoa com quem fiz amor é a minha esposa –

alguém que tem sido a minha melhor amiga desde que tínhamos 15 anos – e

estamos felizes e casados a 24 anos. Eu também estou contente por nunca

termos feito amor antes de nos casarmos. Para nós isto foi uma expressão de

total compromisso mútuo. Existe sempre a chance de cancelar tudo até o

último momento no dia do casamento. Muitos noivados não resultam em

casamento, e alguns noivados nunca deviam ter ido avante para o que se

tornaram mais tarde casamentos profundamente infelizes.

As pessoas precisam de saber o que faz um casamento feliz, e como podem

estar razoávelmente seguros de que se vão casar com a pessoa certa.

Amizade é a melhor base, interesses comuns e fé compartilhada, entretanto o







62

apoio da família e amigos é também importante porque torna as coisas mais

fáceis se a relação passa por um momento ruim– todas as relações longas

passam por muitos períodos de reajustamento e de redescobrimento, pois

todos nós mudamos e as nossas necessidades também mudam a medida que

envelhecemos.

Para a minha esposa e eu, toda a nossa linguagem de amor foi construída

pelos dois. É somente nossa. É o nosso segredo. É um lugar privado

exclusivo a nós. Ninguém pode interferir dentro desse lugar especial. Todas

as vezes que estamos juntos, isso é um sinal de nosso compromisso

exclusivo e de nossa união.

A Bíblia diz que quando um homem e uma mulher estão juntos eles tornam-

se, de certa forma „um só corpo‟. O sexo é um mistério, não somente uma

sensação. As pessoas com a melhor vida sexual são em geral aquelas que

estão em relacionamentos exclusivos, estáveis e de amor. Pessoas que

passam tempo juntas, que investem no casamento e têm um comportamento

sério como casal, que realmente ouvem um ao outro e tentam entender as

coisas sob o ponto de vista da outra pessoa. E isto inclui como dar prazer

físico um ao outro.

3. Uma boa vida sexual

Sexo é mais do que um acto físico. Alegro-me que em medicina estamos por

fim a deixar de olhar para as pessoas como carros ou outras máquinas, onde

se substitui ou se repara bocados. As pessoas são pessoas. A medicina

holistica ( da pessoa como um todo ) é onde reconhecemos que você é mais

do que uma pedra nos rins ou um apêndice: temos necessidades pessoais,

sentimentos, esperanças e medos que contribuem para fazer aquilo que nós

somos e são na verdade muito mais importantes que a doença. A doença é

apenas uma maçada porque impede que sejamos nós mesmos.

Revistas muito populares fazem com que o sexo seja um tipo de droga ou

acessório de estilo de vida. Temos a impressão de que sexo todos os dias

mantém longe os problemas ou o médico. Se não fizer sexo regularmente

fazem com que acredite que seja imaturo, frigido, impotente ou apenas

simplesmente estúpido. Mas eu não vejo um grau elevado de satisfação ou

realização. As colunas de conselhos pessoais dessas revistas estão cheias de

pessoas obcecadas por actos sexuais insatisfatórios e falta de prazer que não

têm coragem de dizer a ninguém, ao invés disso escrevem.

Sexo não é um acto: é possivelmente a forma mais profunda de comunicação

e expressão conhecida pelos seres humanos. Mas como qualquer língua, se

não houver nada para comunicar então existe um buraco vazio, descontente e

finalmente sem valor como qualquer outro sentimento passageiro.









63

Quando ainda estava na universidade, lembro-me vividamente de um casal

que veio me visitar. Eles tinham dormido juntos várias vezes durante as

últimas semanas – a primeira vez para ambos – e realmente arrependeram-se.

Eles não eram cristãos e isso não tinha nada a ver com os seus principios

morais. Chegaram a conclusão de que o sexo real não é imediato; que leva

tempo para duas pessoas construírem a sua própria linguagem de amor, para

descobrir como dar um ao outro o maior prazer possivel, e que eles tinham se

aventurado nesta área cedo demais.

Estou contente de que quando faço amor com a minha esposa eu posso dizer-

lhe que nunca fiz amor com mais ninguém. Ela possui o meu corpo e eu

pertenço a ela. Existe uma força real nisto. E se tempos difíceis surgem, e

podem surgir em qualquer relacionamento, embora não por muito tempo,

então a barreira que existe para fazer amor com outra mulher é muito maior

do que se fosse voltar a um velho padrão de “dormir com todo mundo”.





Assegurando-se de que são compatíveis?

As pessoas dizem que se deve ter sexo antes de se casar para saber se são

compatíveis ou não. As pessoas que dizem isso obviamente não sabem as

primeiras coisas sobre os factos da vida! Se soubessem, saberiam que não

existe tal coisa como um homem muito grande para uma mulher ou uma

mulher muito grande para um homem!

A não ser que o homem tenha o pénis mais grosso do que a cabeça de um

bebê, a mulher será capaz de o acomodar. Além disso, onde o homem entra

um bebê terá que sair! Os rapazes frequentemente ficam obcecados com o

tamanho de seu equipamento. Muito pequeno ou muito grande? Quando uma

mulher está excitada, todas as partes internas e externas começam a mudar

de forma, então mesmo que o homem não seja particularmente bem-dotado,

ele vai encaixar-se direitinho. Nós fomos bem projetados! O que conta não é

o que se tem mas o que se faz com o que se tem.

Muito raramente um médico encontra um casal incapaz de ter sexo por causa

de uma pequena deformidade, por exemplo, uma fina camada de pele

fechando completamente a mulher dentro dela. Esta mulher não produz

sangue quando menstrua, então normalmente a razão é clara e fácil de se

resolver. Mas com exceção de raridades como esta, a incompatibilidade não

existe. A impotência no homem pode ser perturbadora, e muito mais comum

do que as pessoas pensam, afectando muitos homens quando estão sob

pressão, cansados ou doentes. A maior causa é sem dúvida a ansiedade sobre

o facto de que ele irá completar o acto ou não, e o homem tende muito mais a

ter medo se sentir que está num certo tipo de teste pré-conjugal. O casamento

dá ao casal tempo, espaço e segurança onde podem relaxar.





64

O Segredo de uma boa vida sexual

Entretanto, não existe um casal que seja compatível instantaneamente. Cada

pessoa é diferente e cada casal é totalmente único. Coisas que uma pessoa

pode achar gratificante, outra pode achar completamente desagradável.

Encontrar uma boa forma de fazer amor leva tempo. Precisa-se de

privacidade, carinho, compreensão e boa comunicação. Talvez seja por isso

que muitos casais acham que fazer amor melhora a medida que o tempo

passa a medida que se conhecem melhor. O requisito elementar, entretanto, é

uma boa e calorosa relação onde, especialmente para a mulher, os dois

parceiros podem entregar-se um ao outro num ambiente de segurança total.

Somente quando se está totalmente seguro se está inteiramente livre.

Quando se separa o sexo da experiência da pessoa como um todo, se está

destinado somente a parte da satisfação. Isto leva a uma vagarosa degradação

espiral, procurando sempre pelo momento crucial na satisfação sexual. A

próxima pessoa, ou esta nova forma de fazer amor, talvez seja ainda melhor

que antes. É claro que sexo perigoso pode ter uma dimensão excitante, e isto

pode ser o elemento atrativo de um caso amoroso, mas existem muitas outras

maneiras de introduzir entusiasmo num relacionamento estável do que ser

infiel, por exemplo fazer amor num lugar onde para os dois não seja normal.





Como arruinar as boas relações sexuais

Na maior parte dos países, as raparigas geralmente reconhecem estas coisas

muito antes do que os homens com quem elas saem. Muitas raparigas não

necessitam de ser persuadidas sobre as vantagens de estarem numa relação

segura. De facto, uma das razões pelas quais (contra o seu próprio

julgamento) algumas finalmente estão dispostas a dormir com os namorados

é a esperança de que oferecendo-lhes sexo elas irão ter a possibilidade de

atrair os namorados para um relacionamento permanente.

Infelizmente na minha experiência isso geralmente resulta de maneira

oposta. A rapariga que o rapaz respeitava, adorava, agora olha para ela como

insignificante e sem vergonha, como todas as outras. Um dos maiores

poderes das mulheres para ganharem um homem é o seu mistério, e a partir

do momento em que ela fizer sexo com o namorado, está em perigo de o

perder. A Bíblia diz que quando um homem dorme com uma mulher, ele

“conhece-a”. Existe a sensação de que tudo foi descoberto.









65

4. Sexo e a Igreja





Confusão na Igreja





Deus ama o sexo: É o desperdício do sexo fora do casamento que lhe causa

tristeza.

Existe confusão em algumas partes da igreja sobre quase tudo no momento.

Parece que em alguns países pode haver um bispo que rejeita Jesus como

Filho de Deus, rejeita o nascimento virginal, pensa que a ressurreição na

realidade nunca aconteceu e que não se pode crer na Bíblia. Quando existe

um grupo de pessoas que decidide rejeitar grande parte da Bíblia, juntamente

com muitos ensinamentos históricos da Igreja, haverá grandes problemas.

Afinal de contas a opinião do homem é tão válida quanto a de qualquer um.

Há tantas religiões quanto pessoas.

Como um amigo meu ateu disse recentemente, se quiser fazer parte do clube

deve-se reconhecer que é necessário obedecer as regras. O problema aqui é

que algumas pessoas pensam que podem tornar a escrever a base da

existência do clube, e consequentemente considerar regras de que eles não

gostam como inválidas, e ignorá-las.

Pode-se perdoar membros do clube já existentes por pensarem que estes

“radicais” não são nada radicais. Eles simplesmente criaram um novo clube

só para eles.





Atrevendo-se a ser sincero

Se eu for sincero e ler a Bíblia com cuidado para entender tudo o que ela diz

sobre a vida, não simplesmente uma frase ou duas, então tenho que ser muito

cuidadoso. Você pode facilmente ler bocados de frases aqui e ali e interpretá-

las como quiser. O significado geral tem uma importância vital.

Esta é a minha conclusão pessoal sobre o que a Bíblia diz sobre sexo e

sexualidade. Você também precisa ler a Bíblia. Eu li a Bíblia completa 3

vezes durante vários anos, frequentemente tomando notas detalhadas e

usando livros de referência para ter certeza de que estava de facto a entender

o que estava a ser dito. O que vou dizer agora é baseado nessas leituras.

Pelo que entendo, a Bíblia ensina desde o início que Deus fez o homem e a

mulher à sua própria imagem. A sua intenção é que o homem deve casar com

a mulher, e que sexo deve ser um presente maravilhoso, um mistério que une

o homem e a mulher que assumiram um compromisso para o resto da vida

desta forma.





66

Fora do caleidoscópio do voluptuoso amor físico virão crianças que

crescerão numa família segura e carinhosa, com avós e avôs, tios e tias,

sobrinhos e sobrinhas, e pessoas solteiras incluídas na vida familiar se eles

quiserem.

O casamento é o alicerce da sociedade. Por isso não é nenhuma surpresa para

os cristãos descobrirem que onde casamentos acabam, onde existe violência

em casa, onde esposos são infiéis um com o outro e deixam de se estimar, as

crianças frequentemente crescem com cicatrizes, inseguros e sem confiança

neles próprios. Muito do vandalismo, problemas relacionados ao álcool,

problemas relacionados às drogas e outras situações podem ter as suas

origens em famílias infelizes de onde vêm estes jovens.

A Bíblia, ao encorajar tudo que apóia um bom e estável casamento, é contra

tudo aquilo que contraria o casamento como a rocha sobre a qual a sociedade

foi construída. Em muitos países da Europa o casamento é muitas vezes visto

como insignificante. Casamento não é moda. Veja as publicidades. Quantas

mulheres de qualquer idade, especialmente em fotos de casais, usam a

aliança de casamento – ou um anel de noivado?

Há carreiras que encorajam as mulheres a não terem filhos por dez anos ou

mais. O trágico é, quando elas finalmente quiserem tê-los, muitas vezes o

pico de fertilidade passou, ficar grávida torna-se difícil e os riscos de ter

bebês com anomalias aumenta. Na medicina, qualquer mulher que tenha o

primeiro filho depois dos trinta anos de idade é considerada como uma mãe

idosa porque os médicos reconhecem que o corpo da mulher não foi

realmente projetado para uma primeira gravidez tão tardia.





Sexo designado para o casamento

Porque a Bíblia é a favor do casamento, e contra qualquer coisa que

desencoraje o casamento, a Bíblia é a favor da união sexual como actividade

exclusiva daqueles que são casados.

Antes da pílula a vinte anos atrás, sexo significava o risco da gravidez, e

bebês precisam de mãe e pai permanentemente. Qualquer médico de família

irá dizer que relacionamentos casuais são ruins para crianças e para a família.

Jesus deixou absolutamente claro que ele estava de acordo com o

ensinamento estabelecido, que diz que o sexo fora do casamento era

condenado. De facto, ele foi mais longe dizendo que até mesmo uma fantasia

sobre sexo fora do casamento também era condenado.

Eu não estou a pedir-lhe que concorde com isto. Tudo o que estou a pedir-lhe

para fazer é que seja honesto consigo próprio e no mínimo aceite que isto é o

que a Bíblia diz. Que é o ensinamento que sempre foi dado pela igreja,







67

embora tenha sempre existiram alguns grupos que escreveram os seus

próprios livros de regras, e no processo encontraram-se fora da igreja como

resultado. Este ensinamento não é de uma denominação, mas da Igreja como

um todo, desde o tempo de Jesus, seja ela Católica, Ortodoxa, Anglicana,

Metodista, ou qualquer outra. De facto isto é uma das poucas posições sobre

a qual durante séculos os cristãos sempre se mantiveram unidos.





Aumentar os limites

Algumas pessoas tentaram sugerir que existe um caso especial para aqueles

que têm atracção por outros do mesmo sexo. A Bíblia ensina que as pessoas

podem ser sexualmente atraidas por um grande número de situações

diferentes. Isto é muito explícito. A Bíblia descreve homens a terem sexo

com homens, adultos com crianças, homens tendo sexo com as suas mães,

pessoas a terem sexo com animais, orgias, prostituição e muitas outras

coisas. O sexo homossexual é mencionado directamente num certo número

de lugares na Bíblia – sempre como algo além daquilo que é permitido.

Entretanto a Bíblia também descreve relacionamentos muito intimos,

calorosos e de amor entre pessoas do mesmo sexo – Ruth e Noemi e Davi e

Jonathan por exemplo. Davi e Jonathan poderiam partilhar as suas vidas

juntos o mais que quisessem, mas não participar em actividades sexuais com

pessoas do mesmo sexo.

Fé que está na moda

As pessoas dizem que é muito injusto. Também é difícil para uma mulher

que acha que o único homem que ela sempre amou é casado com outra

mulher, ou porque acredita que não existe ninguém apropriado com quem se

casar dentro da comunidade de seguidores de Jesus, então irá continuar

solteira. Também é muito difícil para alguém quando parece haver muitos

parceiros potenciais por perto mas não consegue encarar o fato de se casar

com ele/ela ou não confiaria nele/a para ser pai/mãe de seus filhos ( um bom

teste).

Acreditamos que nesta era de dominio sexual para um homem não expressar

a sua sexualidade tendo relações sexuais com outra pessoa é de uma forma

ou outra contra as leis da natureza e é errado. Isto não é diferente para a

mulher também o fazer, com excepção de que as necessidades de um homem

jovem são geralmente mais fortes do que as de uma mulher jovem, uma

situação que geralmente inverte-se durante a meia-idade.

A fé cristã não muda todas as vezes que a moda muda, e tradições cristãs têm

sempre honrado muito aqueles que são celibatos. O próprio Jesus é o nosso

exemplo e o Apóstolo Paulo. No tempo da Igreja primitiva havia também







68

uma cultura obcecada com satisfação sexual e imortalidade e ambos, Jesus e

Paulo, falaram claramente em favor da moderação, disciplina, auto-controlo,

celibato e fidelidade como parte do propósito de Deus para todos nós. No

próximo século as pessoas irão achar muito engraçado o facto de que a

primeira e segunda gerações que cresceram com a pílula, eram obcecados

com o sexo e a dominação das doenças sexuais. Infelizmente irão também

registrar a destruição das famílias em centenas de milhões de crianças.

5. Cuidar não é a mesma coisa que concordar

Você pode não concordar comigo. Eu não estou a pedir-lhe para concordar,

mas só para ver o que eu escrevi é uma observação tão válida quanto a sua, e

é uma observação que reflecte o padrão consistente de ensinamento da Igreja

a mais de dois mil anos, seja ela Católica, Ortodoxa ou Protestante.

Cuidados práticos

Uma vez alguém disse-me que estava chocada com o envolvimento dos

cristãos no cuidado solidário e incodicional às pessoas com SIDA, porque ela

sabia que nós não concordávamos com muitos dos estilos de vida que

fizeram com que pessoas ficassem infectadas.

Eu disse-lhe que ela tinha confundido concordar com cuidar. Estas nunca

foram a mesma coisa em medicina. Se, como médico, eu somente tratasse

pessoas que votavam para o mesmo partido, que tinham a mesma fé, que

oravam no mesmo tipo de igrejas, que nunca fizeram nada que eu

pessoalmente não pudesse aprovar, eu acho que eu deveria ser retirado

imediatamente da associação médica. Espera-se que médicos e enfermeiras

sejam bastante benevolentes em relação a todos os que necessitam e a todas

as doenças, não importando como a pessoa ficou doente. O mesmo se aplica

a todos aqueles envolvidos nas áreas de saúde e social.

E o facto é que em todo o mundo as igrejas são o carro-chefe no cuidado e

prevenção da SIDA.





Capitulo Seis





Para onde é que vai?







Se formos tomar conta das pessoas que estão a morrer então precisamos de

saber exactamente o que pensamos sobre a morte.









69

Abatido pela Violência

É preciso muita coragem para olhar a morte nos olhos e continuar a encará-

la. A primeira vez que isto aconteceu comigo eu ainda estava na escola. Eu

estava a caminhar ao longo de uma rua movimentada e vi um autocarro

atropelar uma mulher. Ela ficou em pedaços no chão instantaneamente. Ali

estava ela estendida na rua sangrando, e tentando respirar. Ficamos todos a

sua volta. Eu nunca tinha feito primeiros socorros na escola e não sabia o que

fazer. Alguém estava a segurar a cabeça dela. O motorista tinha saído do

autocarro em choque, e uma outra pessoa tinha chamado a ambulância. Eu

estava a observar a distância e vi a mulher de repente a vomitar, engasgou,

ficou azul rapidamente e morreu.

Eu regressei a casa agitado com a violência que tinha acontecido. Podemos

ver 100 coisas como esta na televisão mas quando vemos de perto torna-se

real. O que mais me chocou foi descobrir depois que a mulher morreu porque

estava de costas no chão e foi sufocada pelo seu próprio vômito.

A minha segunda experiência de morte foi logo depois de eu ter saido da

escola. Era uma noite escura e chuvosa e eu estava sentado na frente do

primeiro andar de um autocarro enorme com uma entrada da parte traseira.

Com o aumento da velocidade ao longo da rua engordurada e escura, ouvi o

barulho de moedas caindo no chão. Eu virei-me e não vi nada, e depois para

meu horror através da janela de trás eu vi o cobrador deitado na rua. Ele

havia escorregado, batido com a cabeça na plataforma antes de cair no

asfalto.

Eu corri para o alarme e toquei o que pareceu uma eternidade até que o

autocarro pesado encostou na paragem. Eu pulei e voltei a correr. A bicha de

carros já havia parado. Uma enfermeira saiu e deu assistência mas o homem

morreu mais tarde com uma fractura enorme na cabeça.

A maior parte de nós não gosta de falar sobre a morte. Negamos a existência

da morte. Mas a forma como algumas pessoas falam, você poderia pensar

que são imortais. Em alguns países as crianças são mantidas distantes de

funerais, talvez porque os adultos ficam envergonhados de chorar diante

delas.

É o medo da morte, o medo daquilo que não sabemos que é uma das maiores

razões que leva a SIDA a ser tão assustadora. As pessoas às vezes

perguntam-me como é possível passar tanto tempo com as pessoas que estão

a morrer – costumava ser câncer, depois era a SIDA. A resposta era, porque

eu sei onde eu vou.

Logo que terminei a minha formação médica, um dos primeiros pacientes

que eu tive foi uma mulher aposentada que estava a morrer de câncer. Eu







70

lembro-me de estar sentado na cama dela uma tarde e ela pegou-me na mão.

„ Tu irás lembrar-te de mim quando eu for, não vais?‟ ela disse. Eu disse que

sim num movimento de cabeça e ela continuou: „ tu sabes onde tu vais, não

sabes? Tu acreditas?‟

Eu nunca lhe disse nada sobre fé. Eu não ando com uma etiqueta, ou um

símbolo, ou uma bíblia, mas ela tinha percebido algo. Ela sentiu que eu

estava em paz com a sua morte. Ela pôde ver que eu não estava com medo e

que eu não iria abandoná-la só porque a esperança da sua cura me tinha

abandonado.

Somente quando envelhecemos é que sentimos mais medo de morrer. As

crianças pequenas não têm problemas com isso. Crianças que estão a morrer

em geral tratam a morte como parte de uma conversa normal, e ficam depois

muito surpreendidas em saber que os adultos não conseguem lidar com a

situação. Então as crianças aprendem rapidamente a não falar sobre isso para

não magoar os seus pais e as enfermeiras.

Eu acho que alguns dos medos que eu costumava ter vêm de coisas que me

foram ditas como. „ Ele poderia ter engolido a sua dentadura então nós a

tiramos ( como alguém pode acreditar que é possivel engolir uma dentadura

postiça, mas isso fez com eu pensasse que algo violento acontece depois da

morte). Também me foi dito que depois que pessoas morrem é igual a uma

inundação: a bexiga e os intestinos se esvaziavam na cama. Pode imaginar

como fiquei aliviado quando era aluno de medicina e descobri que estas

coisas não acontecem: quando propriamente controlada, a morte é quase

sempre calma e digna. Muitas vezes o familiar no quarto não tem certeza se a

pessoa está morta ou não; ele ou ela apenas parece estar a dormir.

A morte é um mistério

Se alguma vez você teve o privilégio de se sentar junto de alguém que está

a morrer no momento da morte, você experimentou o mistério. Aqui está

uma mulher limitada no tempo e espaço. Você está sentado a segurar a sua

mão. Ela respira rapidamente. A maior parte das vezes ela está a dormir mas

ocasionalmente ela abre os olhos ou diz uma palavra. Ela não está com

dores, ela não está ansiosa e ela sabe exactamente o que está a acontecer. Ela

não está com medo e está em paz.

A medida que o tempo vai passando nota-se que a sua respiração torna-se

mais difícil, e ela parece estar a adormecer. Sobre aquilo que parece serem

horas, mas são de facto apenas alguns minutos, a respiração muda outra vez.

A enfermeira vem e diz que o seu pulso é muito fraco e rápido agora.

Existem pequenas gotas de suor na sua testa.









71

Gradualmente a sua respiração parece enfraquecer e desaparece. Você se

pergunta se ela morreu, depois de alguns minutos você assusta-se quando ela

respira mais uma vez, de novo o silencio. E depois de algum tempo você

percebe que ela se foi.

Um corpo morto continua vivo

Quase todas as células no seu corpo continuam vivas. Os seus rins serão úteis

a outra pessoa se forem removidos em meia hora – desde que ela não tenha

câncer ou HIV. As suas células-cerebrais estão muito danificadas para

durarem muito, mas a sua pele continuará viva em uma semana. A córnea (a

pelicula clara sobre o olho) se removida até dia seguinte, irá dar visão a uma

criança e o seu coração talvez ainda tenha células que estejam a bater. Os

intestinos continuam a contrair-se e o estômago continua a digerir comida.

Todas as proteinas do seu corpo continuam lá, a medula óssea continua a

produzir células de sangue novas. Então o que aconteceu?

No fim das contas isso é um mistério. Eu sempre digo que o mais perto que

um ateu consegue chegar de uma profunda experiência religiosa é a sua

própria morte, a qual aumenta a consciência espiritual em todas as maneiras.

Só uma pessoa corajosa assiste a este mistério, ou então assiste ao

nascimento de uma criança, quem pode depois disso estar tão convencido

como antes de que não existe Deus.

Quatro reacções à morte

Quando se sabe que se está a morrer, quatro coisas começam a acontecer. A

primeira é que as suas prioridades mudam. Qual a razão de continuar o curso

na Universidade quando os médicos já lhe disseram que vai provavelmente

morrer antes do Natal?

A segunda é que isso transforma os seus relacionamentos. Você descobre

que o seu melhor amigo não se conforma e por isso nunca o visitou no

hospital, entretanto alguém no mesmo ano a quem nunca deu muita

importância tem lhe dado um apoio real e nada lhe parece demasiado

problema. Às vezes é necessário um diagnóstico terminal para algumas

pessoas descobrirem quem são, e quem é importante para elas.

Esse pode ser um momento de grande arrependimento e algumas pessoas

acabam por analisar o passado e querem saber como poderiam ter feitos as

coisas de forma diferente se soubessem que a sua vida iria ser tão curta.

Por último, as pessoas acham que devem seguir em frente. A maior parte das

pessoas com quem eu falo não estão muito amedrontadas com a morte mas

sim com medo de morrer: ficam com medo de se tornarem incontinentes, ou

perder o controle, ou tornarem-se fardos, ou tornarem-se completamente









72

dependentes, com medo de dor, com medo de morrerem sufocados, com

medo de perderem a habilidade de pensar, de mover-se ou de lembrar-se.

E depois ainda existe uma outra dimensão: não existe realmente nada mais

na vida do que a vida? Não existe realmente nada mais para mim como

pessoa do que as moléculas que compõem o meu corpo? Quando eu morrer,

será o fim, ou há outra forma de existência depois desta?

Conversão no leito de morte

Estas e muitas outras perguntas muitas vezes fazem com que as pessoas

busquem médiums, espiritistas, curandeiros e qualquer outro lugar que lhes

vai dar conforto dizendo que de facto existe vida depois da morte. A

conversão no leito de morte é muito comum e real. O ladrão na cruz virou-se

para Cristo na hora da morrer. Eu lembro-me de um homem com câncer nos

pulmões que veio para o hospital S. Joseph durante o tempo que lá estive.

Ele olhou para as freiras e disse: „Eu sou ateu. Será que tenho que ser

católico para estar aqui?‟

Explicamos a ele que as pessoas de todas as fés e de nenhuma seriam

igualmente bem-vindos. Eu não acho que alguém lhe tenha perguntado a

respeito de sua fé pessoal ou crença. Duas semanas mais tarde quando ele de

repente levantou a questão outra vez e pediu para ver um padre. Ele

submeteu-se a uma profunda reviravolta enquanto se aproximava do fim,

sem uma única palavra ter sido dita.

Viver é mais do que ter vida

Como cristão eu acredito que existe vida depois desta, e que a morte é

simplesmente uma passagem do mundo físico, limitado por espaço e tempo,

para uma outra dimensão. Jesus ensinou claramente que quando isto acabar,

cada um de nós irá ter que dar uma explicação daquilo que fizemos das

nossas vidas.

Jesus também mostrou-nos que nenhum de nós é perfeito: nenhum de nós

pode satisfazer Deus. Nenhum de nós é perfeito o suficiente para entrar em

sua presença e sobreviver, mas a boa noticia é que Deus criou uma ponte

sobre o abismo que nos separa Dele ao enviar Jesus. As coisas que eu e você

fizemos de errado têm consequências eternas. Somos responsáveis, e o

castigo por aquilo que fizemos é, em última instância, a morte e a extinção.

Mas Deus mandou Jesus para receber o castigo que merecíamos. Morrendo

por nós, Jesus libertou-nos dos efeitos da nossa má conduta. Através de

Jesus, para aqueles que o aceitam e o recebem, Deus escolheu perdoar-nos

completamente e apagar todo o nosso registo. Através de Jesus chegamos ao

inacessível, incogniscível e imensurável Deus como nosso Pai.









73

Para aqueles que acreditam, o momento da morte é para nós a mudança de

ser parcialmente consciente de Deus e do seu amor, para estar

completamente em sua presença, uma experiência do céu em si mesmo. Para

alguém que nunca conheceu a Deus nem as coisas de Deus, a Bíblia ensina-

nos que a vida depois da morte será uma desagradável e inconsolável

desilusão.

Este ensinamento sobre o que acontece após a morte foi sempre uma parte

central da Igreja, mas imediatamente surge uma pergunta na mente de

muitos, especialmente quando lêem que muitas igrejas começam a envolver-

se no trabalho de cuidado práctico às pessoas com SIDA.

Se os cristãos acreditam que algumas pessoas possivelmente estarão

separadas de Deus após morte, então com certeza eles vão querer falar do

Evangelho a todas as pessoas que encontrarem que estão a morrer ?

Conversei recentemente com um membro importante de uma organização

que trabalha com questões relacionadas à SIDA, que por um acaso também

contraiu SIDA. Ele é budista convertido, e livremente admitiu com um

sorriso que quando estava com pessoas com SIDA tudo o que ele queria

fazer era falar-lhes da sua fé, mas sabia que não o podia fazer.

O que você acha? Se alguém com SIDA pede para falar com o pastor, ele

está a pedir ajuda espiritual. Se o pastor só estiver interessado em visitá-lo

em casa para cozinhar, lavar a roupa, ajudar com as crianças e trazer àgua,

você pode imaginar como ele se sentir desapontado. Entretanto, se alguém

com SIDA pede a uma pessoa para que o ajuda a lavar a roupa, mas tudo o

que essa pessoa quer é falar sobre religião, você pode imaginar como o

doente tem toda a razão de se sentir irritado.

É realmente um privilégio poder estar com uma pessoa que está perto do fim

da sua vida. É um momento muito especial, como todos que estiveram

envolvidos sabem. As pessoas são sobretudo sensíveis em relação a outras

pessoas que se oferecem sem consideração àqueles que talvez estejam muito

fracos para dizer „não‟ ou „por favor vá-se embora‟. Muitas vezes, somente

depois é que esse sentimento vem à tona e a pessoa doente implora para que

uma certa pessoa nunca torne a entrar na sua casa. Por detrás de um fingir

educado pode existir um sofrimento que geralmente não é expressado no

presente. Se você está vulnerável deve pensar duas vezes antes de contrariar

alguém de quem a sua vida pode depender





Útil ou inútil

Se um médico em uma clínica pede a uma agência de voluntários por um

agente comunitário, ele espera ajuda prática, não um capelão. Se decobrisse







74

que o visitante passou toda a noite (isto pode não ser verdade, mas pode ser

apenas parcialmente verdade) a tentar converter o seu paciente, o médico

pode sentir-se aborrecido com razão. O médico vai achar o serviço

comunitário completamente inadequado.

Não é um serviço para ele como médico porque ele ficaria extremamente

preocupado em pedir a alguém desse grupo novamente. Isto não é um

serviço para o paciente porque o que o paciente quer é boa companhia e uma

mão para o ajudar, e ao invés disso recebeu um sermão.

O médico chega a conclusão de que o programa de SIDA só está interessado

em servir ao pastor local para tentar converter as pessoas. Se este for o caso,

o médico irá fazer uma campanha para ter a certeza que todos saibam sobre

estas pessoas inúteis.

Hóspede e servo

Existe a hora certa e o lugar certo para tudo, e tudo depende da cultura e

costumes locais. Por exemplo, em muitas partes de Uganda o nível de

compromisso da Igreja é tão forte que seria estranho para um visitante de um

programa de SIDA organizado pela Igreja não oferecer uma oração em cada

visita. Certamente se não oferecer uma oração é muito provável que lhe seja

pedido para o fazer de qualquer maneira. A oração dos cristãos em casa é

uma parte integrante do ministério daquela comunidade. Oração é uma forma

de vida. Mas na Tailândia ou partes da Índia as expectativas podem ser muito

diferentes, porisso devemos estar atentos a essas coisas.



Isto depende muito do tipo de serviço oferecido e àquilo que as pessoas se

referem. Entretanto qualquer que seja a cultura, não obstante a hostilidade

para com a fé cristã, o seguinte é sempre verdade:

Se estiver a cozinhar uma refeição para alguém e essa pessoa notou que você

esta sempre lá, que nunca protesta, que o aceita como pessoa, que está

contente por tomar conta dele mesmo que ele pressinta que você não

compartilhe as sua opiniões sobre diferentes estilos de vida, por todas estas

coisas e porque ele sabe que vai a igreja ele pergunta-lhe sobre a sua fé,

então este é um momento oportuno para compartilhar um bocado de

esperança que está em você, e talvez trazer conforto espiritual e paz.

Ele conduz a conversa, e seria estúpido e desagradável não responder às

questões. Você talvez descobra que no contesto de suas perguntas, ele acha

interessante ter alguém por perto que tenha fé. Talvez você ainda descobra

que o doente lhe vai pedir para orar por ele, é muito surpreendente o número

de vezes que um ateu tem fé nas orações de outra pessoa! Mas em todas a

situações, a sua atitude deve ser a de empregado: Como posso ajudá-lo o







75

melhor possível hoje? Lembre-se também de que você está lá na posição de

convidado e nunca domine o ambiente. A propósito, o budista de quem eu

falei antes, ao final encontrou fé em Cristo dessa maneira.



Educação nas escolas

Os mesmos princípios aplicam-se em programas em escolas. O trabalho em

escolas é muito delicado onde todos talvez tenham opiniões bem definidas de

como a educação sexual e a SIDA devem ser ensinadas. E isto irá variar

entre países, áreas, comunidades e escolas. As pessoas podem estar com

medo de que activistas irão tentar usar a crise da SIDA para promover o uso

não apropriado de preservativos nas escolas ou para promover opiniões

morais e atitudes radicais.

Um educador escolar está lá como convidado do professor para servir a

escola, como convidado na sala de aulas. Ambas as partes devem discutir e

concordar sobre os tópicos, métodos e idéias a serem discutidas previamente.

Trabalhar em escolas é um privilégio e não deve se tornar uma base para a

promoção de opiniões pessoais, sem o acordo daqueles que o convidaram.

Entretanto, se no contexto religioso ou aulas de habilidades o educador é

questionado pelo professor ou aluno para apresentar uma perspectiva pessoal

como exemplo na esperança de vida cristã depois da morte ou sexualidade,

então se trata de algo diferente, desde que isto seja apresentado como opinião

pessoal aberta para discussão e debate. Mas como sempre digo, em tudo

deixe-se guiar pela escola local e os professores que nela trabalham. Com

frequência, eles lhe darão muito mais liberdade do que você havia

imaginado.

Resumindo, a SIDA é uma doença terrível que mata um número enorme de

pessoas, propaga-se por um vírus através de agulhas compartilhadas ou sexo

com pessoas infectadas. Isto ataca-nos em duas áreas que nos sentimos mais

vulneráveis: a nossa moralidade e a nossa mortalidade, e faz-nos perguntar o

que fazemos e quem somos.

Agora é tempo para agir.

Tempo para acção

A primeira coisa que você talvez precise fazer é organizar a sua própria vida.

Eu acho deprimente ver quantas pessoas que só tentam dar sentido às suas

vidas quando as suas vidas estão quase no fim. Será necessário um

diagnóstico terminal para pôr a sua própria casa em ordem? Decisões

urgentes talvez necessitem de ser feitas para mudar a sua vida sexual ou

injectar drogas, assim como decidir o que é importante para si.









76

O que é importante para si?

O que é que lhe vai fazer realmente feliz a longo prazo? Quais são os seus

melhores relacionamentos? Eu não estou a dizer este ano, mas nos próximos

anos no futuro. Sabe quem são os seus verdadeiros amigos e a quem

pertence?

Estas são perguntas importantes. Muitas pessoas depois de se tornarem

cristãs dizem:‟Se eu soubesse o que sei agora, a minha vida nunca teria sido

um caos‟. O pior é que frequentemente é necessário um diagnóstico terminal,

ou quase um acidente fatal, para fazer uma pessoa parar por algum tempo

para pensar e colocar seus sentimentos em ordem. A maioria das pessoas que

conhece provavelmente estão contentes o suficiente no momento para passar

pela vida de um relacionamento ao outro, de um emprego ao outro, sem um

plano a longo prazo em mente, simplesmente a viverem um dia de cada vez.

Mas as pessoas que vivem assim muitas vezes descobrem que seus planos e

esforços forma por àgua abaixo. Uma mulher descobre aos trinta e oito anos

que o homem com quem ela vive e lhe prometeu casamento e filhos tem sido

infiel com outra mulher nos últimos dois anos e lhe vai deixar. Um homem

descobre que alcançou o sonho do seu negócio, mas com o custo de perder a

sua mulher e filhos. Ele descobre muito tarde que dinheiro compra muita

atenção mas não compra amigos. Um outro homem descobre depois de um

número de relacionamentos que está desiludido e não tem mais a certeza do

que é o amor.

Viva a vida plenamente

Você é importante. Creio que foi criado com um objetivo e irá encontrar a

sua maior felicidade descobrindo esse objetivo por si mesmo. Parte deste

envolvimento começa por viver para os demais. Jesus disse que a única

maneira que irá encontrar o seu verdadeiro ser, é tornando-se realmente

humano, e perdendo o seu ser – não tornando-se um tapete passivo onde toda

a gente pode andar por cima, mas desprendendo-se do direito de controlar a

sua vida a sua maneira, e em seu lugar convidar Jesus para lhe mostrar como

viver a vida dele. Acredito que Deus tem um plano para si e porque ele lhe

ama, o Seu plano o fará verdadeiramente feliz.

A parte mais importante desse plano é que ele quer que o conheça

pessoalmente, como seu amigo, e ele quer que tenha novo poder, coragem e

recursos internos de tal maneira que desfrute sua vida ao máximo. Isto faz-

lhe sentir completo e às vezes tráz cura física também.

Participando

Em segundo lugar, existem algumas coisas que você pode fazer para ajudar

de forma práctica aqueles que têm SIDA. Você poder tornar-se voluntário







77

oferecendo-se para visitar alguém que está doente, ou para apoiar as suas

famílias. Talvez você queira ajudar a salvar vidas falando com as pessoas de

como protegerem-se contra o HIV. Que tal falar com outras pessoas na sua

igreja ou com outras pessoas já envolvidas numa resposta cristã à SIDA

oferecendo-lhes o seu tempo? Você encontrará bastantes recursos para ajudá-

lo no website da ACET International Alliance. Pode descarregar

automaticamente no computador e tirar cópias.





O que pode ser feito?

Comece com aquilo que tem. Eu recentemente visitei a escola para órfãos de

SIDA, um projecto de geração de renda iniciado por seis avós numa área

muito pobre de Uganda. Elas começaram com aquilo que tinham e

continuaram elas próprias, pouco a pouco mobilizando outras pessoas na

aldeia e aos bocados o trabalho foi estabelecido. Elas juntaram dinheiro e

compraram terras. Depois juntaram para comprar uma vaca. O leite que

vendem da vaca serve para ter a escola a funcionar. Pouco a pouco fizeram

tijolos e substituiram o teto de palha com uma pequena construção. E depois

construíram outra. Começaram a ensinar as crianças o melhor que podiam no

seu tempo livre. Todos ajudavam. Alguns traziam comida, outros

cozinharam, outros carregaram água todos os dias e assim as crianças com

sede podiam beber. As avós chegaram a conclusão que necessitavam de

treinamento e foram para os programas do governo para receberem

qualificações. Um visitante veio e deu-lhes dinheiro para terem electricidade.

Um outro forneceu tubos para água corrente. Um outro deu-lhes uma

máquina de costura para treinar raparigas maiores...e gradualmente o

trabalho cresceu.

Cada igreja pode encorajar os seus membros a fazer algo para ajudar.

George Hoffman, o fundador da Tear Fund, uma vez disse: “ você não

pode mudar o mundo inteiro mas pode mudar o mundo de alguém em

algum lugar”.

Vai e salva a vida de alguém hoje.

Vai e leva comida para uma família atingida pela SIDA hoje.

Vai e conforta uma viúva ou um órfão hoje.

Vai e encoraja alguém que deseja dedicar-se ao trabalho de uma organização

de SIDA hoje.

Ore pela protecção e provisão de Deus sobre eles.

E você poderá ser parte da resposta a estas orações.









78

Ajuda prática

Em terceiro lugar, tavez você queira falar com alguém sobre os problemas

levantados neste livro. Por exemplo, você pode estar preocupado por

acreditar estar infectado ou que alguém que conheça possa estar infectado.

Talvez você precise falar com o seu pastor, ou com o seu médico para

receber a orientação profissional de que precisa.





Capitulo Sete





O que podemos fazer?

Hora de Agir





Boa Prática em Projectos de HIV/SIDA



por Mark Forshaw - Africa Inland Mission



O que podemos fazer? Como é que você e eu podemos fazer uma diferença?

Em primeiro lugar, comece sempre com o que você já tem. Este é um

princípio bíblico fundamental. O trabalho de Deus feito a maneira de Deus

nunca sentirá a falta dos recursos de Deus, como Hudson Taylor, o famoso

missionário na China disse . O que é que Deus o está a mandar fazer? O que

é que Ele colocou em seu coração?



Você não necessita nem de fundos nem de uma grande equipe para começar.

Não há custos para se cuidar de um amigo ou de um vizinho, nem para falar

com os seus próprios filhos e colegas sobre o HIV e a SIDA, nem incluir o

tópico do HIV em seu programa de ensino da igreja, ou nos esquemas de

formação do trabalho, ou no currículo da escola. Trabalhando juntos nós

podemos ter um verdadeiro impacto.



Pode ser que você não consiga salvar o mundo inteiro mas você pode evitar

que alguém seja afectado com o HIV em algum lugar. Claro que você não

pode ajudar todos aqueles atingidos pelo HIV nem todas as crianças que

ficaram órfãs por causa do HIV, mas você pode ajudar de alguma forma

prática assim como incentivar outros, e você pode se envolver em outros

projectos que já existem. Mas faça tudo em parceria com outros. Este

trabalho pode causar traumas, ser cansativo e solitário, assim que você vai

necessitar que outras pessoas o apoiem também.







79

E projectos maiores? Milhares de programas foram desenvolvidos,

informações incontáveis foram publicadas e milhões de dólares gastos no

esforço da luta contra o HIV / SIDA. Contudo, a propagação da epidemia

continua rapidamente. Muitos governos e as agências de ONGs reconhecem

agora que suas estratégias estão a falhar, contudo continuam a gastar

dinheiro na distribuição de preservativos somente e campanhas esporádicas

de conscientização, nenhumas delas busca lidar com os problemas como a

pobreza, a educação, os direitos da mulher e questões mais abrangentes de

estilos de vida.



Aqui estão algumas histórias para incentivá-lo: lembre-se de que estas lições

são de diferentes países e necessitam de uma cuidadosa adaptação para cada

situação. Entretanto os estudos de caso ilustram muitos pontos gerais que são

de vital importância.

Cada uma destas histórias tem um pequeno inicio. Um indivíduo tocado

pelo amor de Deus, e afectado profundamente pelo que a SIDA está a fazer

ao mundo que Ele fez. Pessoas que sentiram que tinham que fazer algo, e que

geralmente começaram com quase nada, passo a passo, seguindo o chamada

de Deus, em companhia de outros e aprendendo com aqueles ao redor

enquanto seguiam em frente. Em muitos casos a estrada era longa porque

haviam poucos modelos a seguir para tais programas naquela época. Mas

agora os programas que começaram são uma inspiração e incentivo prático

para todos nós, e nos fazem seguir em frente em nossas próprias jornadas.



Cuidados: Estudo de Caso - FACT Zimbabué



Diante do elevado nível de necessidade e de limitados recursos na área de

saúde, Dr. Geoff Foster um pediatra em Zimbabué fundou a FACT – Family

AIDS Caring Trust (Associação para o Cuidado às Famílias com SIDA ) em

Mutare, Zimbabué, ele percebeu a necessidade urgente de mobilizar a

comunidade local para fornecer ajuda. As igrejas que tinham indivíduos que

quisessem ser treinados para fornecer apoio às famílias e vizinhos nas suas

comunidades foram convidadas a participar. Os programas de cuidados a

domicilio de FACT são coordenados por profissionais da área de saúde

experientes que são responsáveis pelas equipes locais. Cada equipe é

dirigida por um voluntário, controlando outros voluntários locais da igreja

que têm contacto directo com aqueles que necessitam em suas áreas.



O treinamento dos voluntários consiste em técnicas básicas de

aconselhamento e cuidados. Os cuidados exigidos às pessoas doentes em







80

casa são: banho e higiene pessoal, lavagem de roupa e lençóis de cama,

limpeza da casa, provisão do alimento apropriado e o tratamento regular de

pequenas feridas. Enquanto o alvo principal dos voluntários é cuidar

daqueles infectados com HIV, eles também são treinados para cuidar de

todos que estão cronicamente doentes ou a morrer, por exemplo, pessoas

com TB, diabetes ou simplesmente idosos. Seria um erro visitar somente

aqueles que estavam doentes devido ao HIV e não cuidar dos seus vizinhos

que estavam igualmente doentes mas não necessariamente infectados pelo

HIV.







Sobretudo é necessário que os voluntários reconheçam que as necessidades

das pessoas visitadas não são puramente físicas, mas também emocionais e

espirituais. Os voluntários são provenientes da comunidade local e muitas

vezes eles cuidam dos seus próprios vizinhos. Criar um bom relacionamento

é a base para um bom cuidado prático e aconselhamento de apoio.



A maioria daqueles visitados vivem com membros das suas famílias e o

papel dos voluntários é de apoiá-los também. Eles oferecem conselhos sobre

as várias maneiras de como tratar diferentes infecções comuns ao HIV;

outros serviços informais e formais disponíveis e como utilizá-los.

Importante é saber que os voluntários também oferecem a ajuda emocional e

espiritual às pessoas da família que cuidam dos doentes.





Através desta equipe com relativamente pouca habilidade e de baixo custo,

um número maior de pessoas pode receber ajuda, utilizando os mecanismos

de cuidados tradicionais da família e da comunidade. Através dos

voluntários, cada igreja pode atingir sua comunidade para servir e apoiar as

famílias, vizinhos e outras pessoas envolvidas em cuidados. Os voluntários

contribuem para o desenvolvimento do programa com levantamento de

dados, tomando decisões e organizando reuniões de planeamento. Isso é boa

prática: envolve as pessoas que são as mais próximas daqueles que

necessitam de ajuda.



O cuidado domiciliar ajuda aqueles que mais necessitam de auxílio nas suas

próprias áreas. De qualquer modo, fornecer simplesmente cuidados práticos

ajuda somente nas necessidades físicas. Há também muitas necessidades

emocionais pois as pessoas enfrentam o preconceito e a rejeição, e

necessidades espirituais porque estão a enfrentar a morte. O cuidado deve

consequentemente abranger aconselhamento pessoal por trabalhadores







81

adequadamente treinados e supervisionados.



Para organizações cristãs, o cuidado domicíliar e aconselhamento podem ser

uma oportunidade para se encontrar a fé, na medida em que pessoas sem

esperança temporal descobrem esperança eterna através de Cristo. Os

cuidados à uma pessoa com SIDA é uma forma poderosa de compartilhar o

amor de Cristo de maneira prática dentro da comunidade e às vezes isto pode

conduzir a uma partilha natural da fé em Jesus, a nossa motivação para o

trabalho.



O cuidado físico básico de pessoas doentes é uma necessidade evidente que

deve ser suprida. Desestigmatização, normalização e inclusão pela família,

pelos amigos e pela comunidade são também necessidades óbvias mesmo

que menos imediatas a primeira vista. Podem todas ser conseguidas a custos

baixos, e ainda pelos visitantes e voluntários, que são eles próprios, bem

apoiados e direccionados.



Os cuidados com base no relacionamento entre os voluntários e as pessoas

atendidas abrem naturalmente oportunidades de aumentar a consciência e a

compreensão em relação ao HIV /SIDA e especialmente como este é

transmitido e prevenido. A prevenção do HIV /SIDA que se desenvolve

dentro do contexto dos cuidados faz com que seja mais fácil falar sobre

problemas morais e sociais mais delicados. Pessoas cujos amigos ou

familiares estão infectados enfrentam a realidade da doença e

consequentemente tendem a ouvir e depois passar a informação para outros.

Para uma organização de SIDA que trabalha com a prevenção, um dos

melhores pontos de entrada é o cuidado, que traz muito frequentemente

também a credibilidade ao seu trabalho.



Sumário de cuidados



 O cuidado baseado na comunidade alcança mais pessoas.

 Pessoas com SIDA muitas vezes preferem ser tratadas em suas

próprias casas.

 Esteja preparado para cuidar daqueles com muitas doenças diferentes,

não somente daqueles que vivem com HIV / SIDA.

 As famílias, os amigos, as comunidades e os voluntários são um

recurso para o cuidado.

 O trabalho é das comunidades, portanto elas devem ser consultadas no

início e durante toda a vida do programa.

 O cuidado na comunidade fornece oportunidades para a educação em







82

prevenção.

 Os cuidados oferecidos pela comunidade são de baixo custo

comparados aos cuidados oferecidos pelo hospital.

 Os cuidados devem ser holísticos: físico, emocional, social e

espiritual.

 Os cuidados na comunidade são mais eficazes se ligados a outros

serviços, trabalhando em parceria com hospitais locais, por exemplo.

 As comunidades têm muitos recursos dentro delas que podem ser

utilizados.



Sumário sobre o uso dos voluntários



 Faça a pergunta: Como, onde e até que ponto é adequado o uso de

voluntários?

 Os critérios de selecção devem ser estabelecidos no início. A

motivação é o mais importante.

 Treinamento relevante no início e durante todo o programa.

 Monitoramento e apoio aos voluntários durante toda a vida do

programa.

 Participação na tomada de decisão e planeamento.

 Parâmetros claros sobre o que se espera dos voluntários e quando

devem consultar a equipe de funcionários com vencimento.

 Monitoramento grupal e individual regular e apoio aos voluntários

por parte da organização. As pessoas são o nosso maior e mais

precioso recurso.



Questões de aconselhamento

 Uma parte central de cuidados e prevenção.

 O treinamento é extremamente importante.

 Supervisão e limites bem definidos também são muito importantes

por exemplo: saber quando parar e a quem passar certas questões.



Prevenção: Estudo de Caso - ACET Uganda



O objectivo de todo o trabalho de cuidado e prevenção de HIV/SIDA deve

ser a redução da propagação do HIV. Este é o maior desafio àqueles cujo

trabalho se relaciona com HIV: está a desempenhar tanto esforço e recursos

para salvar vidas quanto para cuidar daqueles infectados? Você tem somente

hoje para salvar a vida de alguém e os próximos 10 anos para planear os







83

cuidados que este paciente necessita. Devemos fazer tudo que estiver dentro

do nosso alcance para lutar contra este problema terrível. Programas de

cuidados, enquanto vitalmente necessários, não são resposta para a

propagação da SIDA.



Mas a mudança de comportamento é um desafio real. As campanhas de

consciêntização e educação sobre o HIV / SIDA têm um impacto limitado

na mudança de actividades de riscos elevados dos indivíduos. A informação

recebida por um indivíduo não significa necessariamente que o indivíduo

compreende-a, incorpora-a ou deseja mudar seu comportamento.

ACET Uganda, sob a liderança actual de David Kabiswa, desenvolveu

recursos eficazes usados agora em toda a Africa e também em áreas mais

distantes como Índia. Como seus colégas membros da equipe de Uganda,

David não pôde apenas ver os vulneráveis, tais como crianças em idade

escolar, mulheres e crianças de rua, tornarem-se cada vez mais expostos ao

risco de infecção. A equipe de ACET Uganda desenvolveu um enfoque triplo

de comunicação para auxiliar a mudança efetiva e sustentável de

comportamento.



A. Informação:

As pessoas devem conhecer os factos. Isto deve ser projectado para superar

as necessidades individuais e locais. Deve suprir a falta de informação e

providenciar uma fundação que favoreça a compreensão das preocupações

médicas, sociais, económicas, culturais e espirituais relacionadas ao HIV /

SIDA. Mas somente factos irão raramente mudar o comportamento.



B. Identificação:

Auxiliar indivíduos a compreender comportamentos de alto risco nos quais

estão, ou poderão estar, envolvidos. Ajudar as pessoas a fazerem escolhas

importantes sobre o estilo de vida e a compreender as opções e as

consequências de práticas específicas de comportamento. Este método

contrasta com o " método do medo " de muitas campanhas de HIV / SIDA.



C. Interacção:

Depois de ter conhecimento das escolhas, o indivíduo é incentivado então a

refletir sobre as opções. Estas relacionam-se às habilidades de vida que

reduzem a vulnerabilidade à infecções, permitindo relacionamentos a longo

prazo, tomando responsabilidade pessoal pelo seu comportamento, tendo a

confiança para fazer e viver as suas próprias decisões, e respeitar o valor

dos outros.

A medida que ACET Uganda desenvolveu o seu trabalho de prevenção de







84

HIV / SIDA, logo tornou-se visível que o HIV / SIDA não poderia ser

tratado isoladamente e seria necessário tratar da educação sexual em geral, e

mais importante, do desenvolvimento de relacionamentos de um indivíduo

com o desenvolvimento do valor pessoal e uma grande consideração para

com os outros. Estas são as habilidades que são cruciais não somente à

prevenção do HIV / SIDA mas também ao desenvolvimento geral de cada

indivíduo.

ACET Uganda descreve habilidades de vida como " o ensino formal e

informal das habilidades obrigatórias para a sobrevivência, vivendo com

outros e alcançando metas em uma sociedade complexa. Não se pode por

muito tempo supor que estas habilidades são automaticamente aprendidas ou

que são automaticamente passadas para outras pessoas, como acontecia no

passado” (Educação das Habilidades de Vida para um Comportamento

Responsável entre Adolescentes, ACET Uganda). Muitos ensinamentos

culturais existentes talvez não preparem as pessoas para novas pressões.



Por exemplo, com o aumento da urbanização, as pessoas estão a enfrentar

novas pressões económicas e sociais, enquando as estruturas sociais

tradicionais estão a desaparecer. O desenvolvimento das habilidades de vida

pelas pessoas (em particular os mais vulneráveis, tais como jovens e

mulheres) pode prepará-los para responder mais positivamente aos desafios

que enfrentam na vida.



Como as habilidades de vida são aprendidas

ACET Uganda usa métodos interactivos de ensino para incentivar as

pessoas a pensar e discutir problemas que lhes afectam, ajudando-lhes a

analisar situações que irão enfrentar e suas respostas.



A pressão dos/as companheiros/as é muito eficaz em desenvolver

pensamento individual e compreensão social. Isto pode ser negativo como

pode ser positivo. O papel da equipe de educação é desenvolver um método

de reflexão de grupo de companheiros/as que ajudará a reforçar e sustentar o

comportamento positivo e saudável.

 Enfoque nas discussões em grupo.

 Debates e discussões em grupo.

 Filmes, slides e vídeo. " Não espere que filmes falem por si mesmos "

mas estes podem estimular boas discussões.

 Questionários.

 Palestras – não aulas e exposições longas mas curtas com referéncia a

problemas atuais.









85

Há princípios comuns para educadores / facilitadores empregarem durante o

processo de aprendizagem:



 A questão não é primariamente consciêntizar, mas auxiliar na

mudança de comportamento pessoal e comunitário.

 Atenção aos grupos vulneráveis, em particular mulheres e jovens.

Pesquisar as suas necessidades.

 Compromisso para com as pessoas.

 Respeitar os ouvintes e suas opiniões.

 Aprendizagem cooperativa e não competitiva.

 Importância da educação dos/as companheiros/as.

 Métodos interactivos de aprendizagem.

 Tempo para a reflexão.

 Clareza na mensagem.

 Estabelecer contatos e fazer amizades.

 Treinamento de outros para auxiliarem no processo por exemplo,

grupos de educadores que se apoiam e aprendem uns dos outros.



O Evangelho - uma estrutura para a vida.

Para os cristãos envolvidos na educação das habilidades de vida o evangelho

pode ser trazido naturalmente no momento certo, para muitos isto oferece-

lhes uma estrutura para a vida. Essa é a mensagem de Jesus Cristo que pode

ajudar as pessoas a enfrentar os desafios da vida. Nem sempre pode ser

apropriado ser evangelista, mas muitas vezes os educadores são questionados

sobre de onde recebem a força e motivo que os ajudam a enfrentar os

desafios da vida e podem legitimamente testemunhar a sua fé.



A integração da prevenção do HIV / SIDA com outras questões.

Lidar com a educação para a prevenção do HIV / SIDA deve ser parte de

uma educação mais abrangente na área das habilidades de vida. Os

educadores de ACET Uganda ganharam credibilidade, em parte porque eles

lidam com muitas outras pressões que as pessoas enfrentam. Para outras

organizações como a FACT, a participação no cuidado de pessoas que

vivem com HIV / SIDA deu-lhes uma base e oportunidade realizar o trabalho

de prevenção e educação .



Mobilização da Igreja - Estudo de Caso - Hospital Chikankata



Uma igreja que serve a comunidade



É naturalmente importante que a igreja sirva a comunidade local. Mas uma





86

parte do servir significa entregar o poder e permitir que a comunidade tome

as suas próprias decisões, até mesmo às pessoas que vivem com HIV / SIDA.

O verso central em Marcos, 10:45 descreve Cristo como servo. " Pois o

próprio filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a

sua vida em resgate de muitos". 2 Não somente um servo, mas um servo que

lhe deu a sua vida.

O hospital do Exército de Salvação em Chikankata, descreve o seu trabalho

de educação em ' aconselhamento comunitário ' como " uma actividade

expressa através do diálogo, direcionado a transferência genuína de

responsabilidades para a prevenção – do pessoal da área de saúde e outros

„ajudantes ' interessados para os individuos, famílias e talvez o mais

importante, comunidades" (AIDS Management An Integrated Approach/

Gerênciamento da SIDA, Uma Abordagem Integrada de Campbell I.D. e

Williams G.). Uma abordagem ampla, interativa e comunitária deste tipo é

essencial no contexto da SIDA nas comunidades com taxas elevadas de

infecção de HIV. A tarefa de prevenção é muito grande e as comunidades

devem possuir o desejo de mudar. A educação somente não basta.

Necessita-se de educação, informação e treinamento por parte de pessoas as

quais eles respeitem. A igreja deve servir para mobilizar a comunidade.



A Palavra de Deus

A dimensão e a natureza moral da epidemia deixaram muitos

implementadores de programas preocupados com o ritmo lento no qual a

igreja, as missões e as ONGs cristãs responderam. A liderança da igreja é a

chave para a mobilização de programas de HIV /SIDA. Se a liderança da

igreja continua sem motivação ou, ainda pior, é preconceituosa em relação

ao involvimento da igreja, deve-se dedicar tempo ao trabalho de

conscientização para facilitar a mudança de atitude antes que uma acção

sustentável possa ser realizada por uma igreja ou grupo.



Quando se tem o encorajamento e incentivo da liderança da igreja os

recursos dentro da igreja podem facilmente ser mobilizados. A solução que

aparece é o poder da Palavra de Deus com o Espírito Santo para motivar,

cuidar e dar às pessoas uma estrutura para a vida. O cuidado cristão deve

basear-se no modelo de Cristo, o qual não estava restrito às necessidades

físicas das pessoas, mas foi muito além disto, alcançando suas necessidades

emocionais, relacionais e finalmente espirituais. Os cristãos têm uma

oportunidade através dos cuidados e da educação para a prevenção do

HIV/SIDA de expressar de forma prática o amor de Cristo pelos

marginalizados, mas também a todos na comunidade que vive sob a ameaça



2

Marcos 10:45 Tradução João Ferreira de Almeida SBS – Nota do revisor







87

da SIDA.



Mobilizando uma Igreja - Estudo de caso - TAIP, Jinja, Uganda



Sob a liderança do Pastor Sam Mugote alguns membros da igreja de

Deliverance, Jinja, formaram um grupo para prestar cuidados físicos e

espirituais às pessoas da sua comunidade que vivem com HIV/SIDA. Eles

foram motivados pelas muitas necessidades de seus vizinhos mas também

pelo chamado da Palavra de Deus para cuidarem com sacrificio daqueles que

necessitam, sem preconceito ou sem julgá-los. O programa cresceu através

de outras igrejas que viram o impacto positivo na vida das pessoas, da

comunidade e da própria igreja, assim pediram para tornarem-se parte do

programa ou para serem autorizados a realizar o mesmo trabalho. A Igreja

Deliverance formou a TAIP, o Programa de Intervenção da SIDA, para

capacitar e auxiliar as igrejas a agirem no contexto da epidemia de

HIV/SIDA em suas comunidades.



O objetivo de TAIP é ajudar as igrejas a desenvolverem o apoio sustentável

às pessoas que vivem com HIV/SIDA. As igrejas são auxiliadas a planear e

gerir programas de cuidados e de prevenção através do trabalho de

voluntários para a suas comunidades vizinhas. O principio fundamental

destes programas é uma premissa espiritual de que os cristãos devem tomar

iniciativas no que se refere à epidemia do HIV/SIDA.



Os implementadores do trabalho de cuidados e de prevenção são voluntários

provenientes das igrejas. A maioria deles não são treinados na área de saúde

formal, mas foram equipados para fornecer os cuidados físicos básicos que

as pessoas com HIV/SIDA necessitam em suas casas. Além disso os

voluntários são treinados para poderem dar conselhos que vão de encontro às

necessidades emocionais de ambas as pessoas vivendo com SIDA e suas

famílias. Os voluntários oferecem também aconselhamento em questões de

nutrição e outros serviços disponíveis aos indivíduos e suas famílias. Em

meio deste trabalho de ajuda prática, o amor de Cristo é compartilhado.



Geralmente, a equipe da TAIP trabalha com igrejas que a procuram para

obter orientação. Nas palavras do Pastor Sam Mugote, que vê o papel da

TAIP como auxiliadora das igrejas " para desenvolver o trabalho que as

igrejas estão já a fazer", que se importam com pessoas e o modelo bíblico

para a vida. Mugote trabalhou com muitas igrejas se encaixam nesta

descrição. Tal é o seu profundo desejo de ver suprida as necessidades

daqueles afectados pela SIDA, que ele irá ajudar qualquer igreja a agir







88

quando ele puder.



As igrejas que procuram o auxílio e são seleccionadas para serem treinadas,

compartilham duas qualidades chaves: Primeiro, elas vêm as necessidades

das pessoas infectadas pelo HIV em suas comunidades e o efeito que isto

tem em suas famílias e comunidade. Segundo, a igreja é activa na

proclamação do Evangelho, isto é, reconhece e está já a praticar a resposta ao

chamado da Palavra de Deus para proclamar às pessoas a Boa Nova de Jesus

Cristo em palavra e em acção. Estes são os elementos fundamentais, sem eles

será então difícil começar um programa de HIV / SIDA. O papel da TAIP é

oferecer orientação em como uma congregação pode direcionar a sua visão e

habilidades para oferecer cuidados e prevenção eficazes.



Como indicado acima, a experiência da TAIP é que uma igreja local deve já

mostrar sinais do compromisso e trabalho prático dentro dos principios do

ensinamento bíblico acima citado. A partir disso será um desenvolvimento

natural para que as igrejas possam então dar uma resposta local à epidemia

do HIV.



A equipe da TAIP começa por fazer uma visita inicial a uma igreja para

encontrar-se com o ministro, a liderança da igreja e os membros

interessados na congregação. É importante que a liderança não concorde

somente com o desenvolvimento de um programa mas esteja também

envolvida activamente no trabalho. A igreja pode encontrar um número de

desafios em que a sustentação activa da liderança seja necessária. Os

voluntários podem enfrentar o preconceito e necessitarão certamente de

apoio regular e compreensão quando envolvidos com pessoas cronicamente

doentes e as suas mortes. A equipe da TAIP treina membros motivados e

selecionados da igreja para se tornarem um Grupo de Acção e Apoio para

visitar pessoas com HIV /SIDA. Este grupo de voluntários é também

equipado para ser capaz de rever as suas actividades e apoiar mutuamente

reunindo-se com regularidade.



A ênfase no treinamento da TAIP e dos voluntários deste grupo de acção e

apoio é desenvolver relacionamentos com indivíduos. Isto vai de encontro a

uma das principais necessidades das pessoas, afim de que percebam que são

amadas e têm valor e é a partir desta base de apoio emocional que os outros

elementos do cuidado podem ser fornecidos.



É importante notar que a experiência da TAIP mostra que a mobilização de

uma igreja pode levar entre seis e dezoito meses onde os voluntários são

seleccionados, treinados e realizam a prática entre as aulas. O treinamento é





89

então acompanhado através de supervisão, apoio e visitas de actualização do

treinamento por parte da TAIP. Um outro factor importante no

desenvolvimento do programa da igreja é que esta deve ter uma forte

ligação e boa comunicação com a comunidade local. A comunidade deve

estar de acordo e fazer sua a iniciativa e isto requererá tempo e recursos

dedicados ao desenvolvimento de relacionamentos, até mesmo treinamento

no desenvolvimento de pesquisas e planeamento com as comunidades.



A experiência da TAIP e de outras organizações tem mostrado que os

projectos com base no voluntariado podem ser desenvolvidos com menos

dificuldades nas áreas rurais comparadas às áreas urbanas. A razão principal

para isto é a disponibilidade de tempo dos voluntários para cuidar de pessoas

fora da suas próprias famílias. Nas áreas urbanas quase sempre as estruturas

familiares são menores e existe a necessidade de ganhar um salário, o que

restringe drasticamente o tempo que os voluntários têm para oferecer. Uma

das soluções é mobilizar aqueles que têm tempo disponível. Além disso o

treinamento muitas vezes concentrou-se em treinar famílias para fornecer

mais cuidados necessários às pessoas que vivem com o HIV /SIDA.

TAIP tem percebido que um programa desenvolvido naturalmente por uma

igreja local motiva outras igrejas vizinhas a ter a mesma visão.



Resumo para a Mobilização da Igreja

1. O modo de vida bíblico dos membros da igreja deve ser evidente.

2. O líder deve ser prestativo e estar envolvido.

3. Treinamento relevante e de qualidade.

4. Apoio regular aos voluntários.

5. Ênfase no desenvolvimento de relacionamentos com pessoas que

vivem com SIDA e a comunidade.

6. Incluir apoio as famílias.

7. Pode levar até dezoito meses para que um programa eficaz se

desenvolva.

8. Forte ligação e uma boa comunicação com a comunidade local.

9. Mais difícil de desenvolver-se em áreas urbanas.



Os seguintes textos bíblicos são extraídos pela TAIP. Podemos ver sua

relevância para hoje, especialmente para aqueles infectados e afectados

pelo HIV / SIDA.



 Chamado para o cuidado









90

2 Coríntios, cap. 1, vers. 3 e 4: . “Bendito seja o nosso Deus, pai de nosso

Senhor Jesus Cristo, o Pai da misericórdia e Deus de Toda a Consolação! É

ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os

que estiverem em qualquer angústia, com consolação com que nós mesmos

temos recebido de Deus”.



Temos recebido muito de Deus e temos a responsabilidade de alcançar

outros de forma pratica, cuidando-os com compaixão.



 O exemplo de Jesus

Marcos, cap. 1, vers. 40 a 45 “ Aproximou-se dele (Jesus) um leproso

rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres podes purificar-me. Jesus

profundamente compadecido estendeu a mão tocou-lhe e disse-lhe: Quero,

seja limpo! No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo.”



Talvez não tenhamos o poder de tocar e curar, mas aqui vemos Jesus pleno

de compaixão por uma pessoa que nos tempos do Novo Testamento não foi

apenas aflingido por uma doença, mas sofreu o preconceito e a rejeição da

comunidade. Leprosos eram vistos até mesmo como malditos, contudo Jesus

falou com este homem e o tocou.



 O chamado para o não-julgar



João, cap. 8, vers. 2 a 11. A mulher apanhada em adultério, e a atitude de

condenação dos líderes religiosos da época. O versículo 7 diz: " Aquele que

dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra."

Ninguém atirou, nem mesmo Jesus que era sem pecado. Não deveriámos

seguir este exemplo e mostrar compaixão e não julgarmos ou termos

preconceito contra as pessoas com HIV, se eles contraíram inocentemente o

vírus ou não?



 O chamado ao serviço de maneira práctica e sacrificial

Lucas, cap. 10, vers. 25 a 37. A parábola do Bom Samaritano.

A misericórdia foi mostrada a um homem, que provavelmente era judeu, por

um Samaritano, o inimigo dos Judeus. Contudo o Samaritano deu-lhe o seu

tempo, o seu burro, os seus medicamentos e dinheiro para cuidar do homem

ferido – mostrou-lhe misericórdia; Jesus disse-nos " vão e façam o mesmo"

ver. 37.



 O chamado à defender os direitos dos marginalizados e à cuidar

deles.





91

Isaías, cap. 1 ver. 17 “ Buscai a justiça, salvai o oprimido, defendei o direito

do órfão e defendei a causa das viúvas.” A Linguagem é forte, proactiva e

baseada na ação.



 A Igreja tem uma mensagem que oferece a estrutura para a vida.



A prevenção do HIV / SIDA deve ser parte de um ensino mais abrangente

das habilidades de vida, as quais preparam os indivíduos para se

desenvolverem e resistirem às pressões, incluindo aquelas que conduzem ao

aumento da vulnerabilidade à infecção de HIV. A palavra de Deus oferece a

estrutura para a vida e para a esperança; a igreja é obrigada a dizê-lo aos

outros. Isto inclui ajudar membros das comunidades a desenvolver um

comportamento seguro que pode impedir a propagação do HIV.



A equipe de SIDA da AIC (Africa Inland Church) no Kenya desenvolveu,

para um maior benefício, materiais que utilizam a Bíblia para a orientação na

prevenção do HIV / SIDA, educação sexual e no desenvolvimento de

relacionamentos. Utilizando materiais de outras partes de África e assim

“sem reinventar a roda" eles trabalharam não somente com igrejas locais,

mas em suas escolas associadas e mais importante ainda, nas Faculdades de

Teologia, onde os líderes da igreja do futuro estão equipados com as

habilidades e os recursos baseados na Bíblia.



 Um povo de Oração

Efésios, cap. 3, vers. 14 a 21 inclui um versículo onde Paulo ora: “para que

segundo a sua glória (de Deus), vos conceda que sejais fortalecidos com

poder, mediante o seu Espírito no ser interior”. Orar pelas pessoas infectadas

e afectadas é essencial. E apoiar os que estão involvidos no trabalho através

da oração é também essencial. Este trabalho é físico, emocional e

espiritualmente desgastante. O auxilio de Deus é necessário durante todas as

etapas.

Uma resposta com base comunitária para o HIV/AIDS – estudo de caso

HIV / AIDS - Zâmbia ( Hospital de Chikankata).



Com o advento da epidemia do HIV / AIDS no sul da Zâmbia, a resposta do

Hospital de Chikankata (Exército de Salvação) foi desenvolver salas

específicas para o tratamento de SIDA e uma ampla gama de serviços

comunitários preventativos. Entretanto, percebeu-se logo que havia pessoas

demais para os serviços internos de tratamento, e que muitas das

necessidades deveriam e poderiam ser supridas pelos serviços de cuidados

dentro da própria comunidade. Por isso, em 1987 um programa de Cuidado





92

Domiciliar (HBC, que corresponde a sua sigla em inglês) ligado ao

diagnóstico hospitalar, aconselhamento, educação e o tratamento foi

estabelecido.



Este programa permitiu que as pessoas fossem tratadas dentro de suas

próprias casas, o que criou oportunidades para treinar famílias para cuidar

das pessoas que vivem com HIV / SIDA e discutir a respeito de educação

preventiva com as famílias e a comunidade mais abertamente. As equipes de

HBC são multidisciplinares e incluem enfermeiras da comunidade,

nutricionistas e aconselhadores.





O programa de HBC em Chikankata rapidamente tornou-se um programa

detalhado e extensivo de HIV / SIDA incluindo: aconselhamento hospitalar,

educação e prevenção da SIDA em escolas, programas de apoio à criança e

programas de auxílio técnico a outras organizações. Chikankata desenvolveu

uma abordagem diversa mas integrada de suporte à comunidade local com o

intuito de combater o HIV / SIDA. Os programas que são desenvolvidos têm

como objetivo suprir as necessidades de diferentes parcelas da comunidade.



As comunidades locais em colaboração com o Hospital de Chikankata

desenvolveram programas bem sucedidos que fornecem o cuidado às

pessoas com o HIV.



Estes programas de base comunitária pertencem à comunidade que se

beneficia dos serviços, e não as aspirações de uma ONG ou uma instituição

de cuidados de saúde. A comunidade não está necessariamente restrita a uma

área geográfica, ao contrário, o termo ' de base comunitária ' denota que a

comunidade local o possui. O resultado da ligação entre o cuidado

domiciliar, prevenção e o desenvolvimento geral da comunidade tem sido

um investimento numa comunidade que não tinha acesso fácil aos serviços

hospitalares convencionais. Além disso, o cuidado domiciliar provou ser

50% mais barato do que o cuidado do paciente internado. Mas obter tais

economias requer planeamento e gerência eficientes. O cuidado de base

comunitária ainda possui muitos custos, inclusive treinamento e apoio aos

voluntários.



Para a equipe em Chikankata, é extremamente importante que as

necessidades do individuo e da comunidade sejam supridas, sejam elas

físicas, sociais, espirituais, económicas ou psicológicas. Essas diversas







93

necessidades somente podem ser supridas se trabalharmos juntamente com

todos aqueles que contribuem para uma comunidade, isto é, indivíduos,

famílias, comunidades, instituições do governo e ONGs.



Entretanto, muitos nas comunidades da área de Chikankata tinham cada vez

mais expectativas de que o hospital e não eles mesmos, satisfizesse muitas de

suas necessidades. E não somente aqueles relacionados ao HIV / SIDA, mas

frequentemente aqueles relacionados a outros aspectos de suas vidas, tais

como geração de renda, produção de alimentos e escolas.



A administração do hospital reconheceu que o uso de equipas pagas de

cuidados de base comunitária do hospital era caro e que elas eram cada vez

mais incapazes de lidar com a quantidade de trabalho, a medida que casos de

HIV aumentaram continuamente. Um administrador disse que a estrutura de

atendimento de saúde da comunidade estava sendo utilizada como um

esquema de “segurança de bairro” que a comunidade utilizava para pedir

ajuda para uma grande variedade de assuntos da comunidade.



A resposta da administração do hospital foi encontrar-se com os líderes e

com as comunidades locais e compartilhar sua preocupação em como não

poderiam continuar a lidar com todas as demandas que estavam sendo

transferidas a eles. O resultado foi o desenvolvimento das Equipes de

Cuidado e Prevenção que são controladas pela comunidade e não pelo

hospital.



As Equipes de Cuidado e Prevenção têm os seguintes componentes:



 A comunidade elege os membros do comité das ECPs.

 As ECPs não lidam somente com questões de saúde mas questões gerais

de desenvolvimento.

 Os interessados locais são convidados a fazerem parte do comité, por

exemplo, trabalhadores voluntários de saúde, homens e mulheres de

negócios.

 A igreja local não é forçada a tomar parte, mas é incentivada a ter um

papel de serviço ao invés de liderança baseado na autoridade. Ser servo é

estar num nível mais baixo em relação àqueles a quem devemos servir,

para mostrar o amor sacrificial de Cristo.

 Funcionários do hospital trabalham como membros da equipe.



A ECP trabalha com suas comunidades para destacá-las e classificá-las de







94

acordo com a importância percebida. Isto é seguido por uma identificação de

recursos disponíveis: ambiental (água, estradas, árvores, terra fértil), serviços

(hospitais, clínicas, doadores, bancos, escolas, ONGs) e recursos humanos

(professores, fazendeiros, políticos, indivíduos comprometidos). A falta de

dinheiro não significa a falta de outros recursos.



 A ECP e a comunidade entram em acordo sobre uma estrutura de

gerência e um plano de acção para fornecer a maioria dos recursos e

das actividades requeridas para responder à comunidade.



 Um indivíduo influente da comunidade local, ou alguém

particularmente comprometido é seleccionado pela comunidade para

agir como o principal motivador e contacto.



 A ECP negocia então com a equipe de funcionários do hospital para

entrar num acordo sobre que tipo de auxílio pode ser oferecido pelo

hospital para apoiar os esforços da comunidade. Isto pode incluir a

monitoramento e a avaliação regulares.

 Sobretudo, a estratégia da ECP incentiva a comunidade a

responsabilizar-se pela prevenção e cuidado para com os membros da

comunidade que são crónicos (não somente aqueles que estão doentes

devido ao HIV / SIDA). Além disso, o cuidado não é restrito àqueles

que estão doentes, mas também àqueles afetados pela doença, isto é,

os dependentes, mais frequentemente as crianças e pais idosos.



 A ECP não se preocupa somente com a provisão do cuidado do HIV /

SIDA, mas também com a prevenção do HIV / SIDA. E seu foco está

na mudança do comportamento. A medida que se cuida dos

indivíduos, aumentam as possibilidades de conscientizar e assim

dirigir-se à introdução de mudanças de comportamento na vida dos

indivíduos e das comunidades (veja abaixo).



Para citar Dapheton Siame um membro da equipe administrativa de

Chikankata:

" Esta não é uma nova maneira de trabalhar, mas de encontrar outra vez

nossas antigas maneiras de trabalhar em comunidade". Dapheton e os outros

membros da equipe de Chikankata estão inteiramente comprometidos a

fornecer uma resposta cristã às comunidades afectadas pela SIDA, o cuidado

incondicional de Cristo. E essa atitude, altamente cristã, de cuidado

incondicional, viu-os servir na comunidade e trabalhar em cooperação plena







95

com as comunidades, de modo que, juntos combatem a SIDA.



O HIV / SIDA é um problema central de desenvolvimento



O HIV / SIDA contribui para a pobreza e é um produto da pobreza. Golpeia

predominantemente os sexualmente activos, que são frequentemente os mais

economicamente activos, os agricultores de subsistência, trabalhadores de

fábrica, profissionais urbanos ou mães e assistentes de pessoas idosas.

É por isso que o HIV / SIDA tem um impacto em todos os aspectos do

desenvolvimento, da educação e dos direitos das mulheres aos programas de

desenvolvimento económico. Sendo assim, é necessário que os programas de

HIV / SIDA pesquisem e ajam no contexto dentro do qual trabalham. Do

mesmo modo outros programas de desenvolvimento não devem ignorar o

HIV / SIDA e o impacto destruidor e devastador que isso pode ter em seus

projectos. Precisa-se então de uma abordagem integrada.



Abordagem Integrada do HIV / SIDA



Por exemplo aqueles que treinam parteiras tradicionais ou trabalhadores de

irrigação podem destacar a necessidade deles de discutir o problema do

HIV/SIDA. Há também a necessidade de programas de HIV/ SIDA serem

integrados internamente, para abordar o problema de forma holistica em

relação a cada caso. Fornecer somente o cuidado prático resolverá as

necessidades físicas das pessoas. Há também necessidades emocionais muito

concretas na medida que as pessoas enfrentam o preconceito e rejeição e

necessidades espirituais diante da morte. É por isso que o atendimento as

pessoas com HIV/SIDA deve incluir aconselhamento por profissionais

devidamente treinados e supervisionados.



Consulte, escute e supra as necessidades das pessoas que vivem com SIDA.

São elas que mais precisam e que podem contribuir com criticas construtivas

ao trabalho do programa. Elas precisam estar totalmente integradas no

desenvolvimento de programa.



O cuidado holístido pelo qual se satisfaçam as necessidades físicas, sociais,

espirituais, económicas e psicológicas, tanto dos indivíduos como da

comuidade, é de vital importância para a maior eficácia dos programas de

SIDA.

Tais necessidades diversas podem somente ser supridas por todos aqueles

indivíduos afectados, pelas famílias, comunidades, instituições do governo e

por outras ONGs que trabalham juntos de forma integrada.







96

A Defesa dos Direitos

A defesa dos direitos é frequentemente uma actividade nova para as igrejas e

ONGs (Organizações Não-Governamentais ) cristãs que trabalham com a

questão da SIDA, muitas das quais já perceberam de antemão que é melhor

evitar o cenário político e concentra-se no cuidado e prevenção.



No entanto, muitas igrejas e ONGs estão cada vez mais a perceber que

devem agir como defensores dos direitos das pessoas vivendo com SIDA e

comunidades afectadas. Há problemas de justiça com a ausência de outros a

falar em seu favor. Muitas igrejas e ONGs cristãs estão a agir como

defensores dos direitos das pessoas vivendo com SIDA quando estas

procuram melhores tratamentos de saúde de clínicas. Mas isto não conduziu

necessariamente às estratégias planeadas de como responder a outras

necessidades de defesa dos direitos.



Esquema para defensores dos direitos

 Desenvolva relacionamentos com pessoas chaves e organizações.

 Tente não falar em nome das pessoas vivendo com SIDA e

comunidades a menos que estas estejam de acordo.

 Facilite reuniões entre grupos marginalizados e pessoas no poder.

 Esteja ciente que os preconceitos e os medos são frequentemente

fortes e levarão tempo para mudar.

 A defesa dos direitos acontece em muitos níveis, local e nacional.

Desde o trabalho de defesa dos direitos numa clínica local até líderes

da Igreja Nacional criando o ambiente nacional favorável para a

defesa dos direitos em níveis mais locais.



Órfãos: Estudo de Caso - Bethany Trust, Zimbabwe

Uma das consequências que mais partem o coração e de maior impacto

social da epidemia de SIDA é o número de órfãos e em muitos casos o

aumento de lares conduzidos por crianças. A responsabilidade pelo sustento

e cuidados, às vezes não somente para os seus irmãos mas também para seus

pais acamados e avós já muito velhos, esta cada vez mais a cair sobre

ombros de crianças.



Quando se ajuda órfãos não é pratico e raramente é apropriado restringir a

ajuda para aqueles que perderam os seus pais por causa da SIDA. Seja tão

inclusivo quanto possivel com relação aos órfãos de outras doenças,

certamente para qualquer criança com necessidades, não obstante ao facto de







97

serem órfãs ou não. Muito frequentemente as crianças irão apoiar os pais que

estão doentes e cuidam deles. Oferecer pagamento de matrículas da escola

somente àquelas crianças afectadas pelo HIV/SIDA pode criar um

desequilíbrio na comunidade e aumentar o estigma e o preconceito.



É também importante que os programas para apoio de órfãos tenham um

plano para um futuro a longo prazo: poderão eles apoiar as suas necessidades

enquanto crescem? As comunidades vão poder desenvolver as suas próprias

capacidades para ajudá-los de uma maneira sustentável, sem necessitarem de

financiamento externo?





O princípio de fortalecimento da comunidade local no que se refere aos

cuidados para com os seus órfãos foi central ao trabalho da Bethany no

Zimbabué. Fundado por Susie Howe, uma especialista de enfermagem em

HIV por muitos anos, trabalhava no Zimbabué e sentiu-se na obrigação de

trabalhar com cristãos locais para fornecer o cuidado sustentável para órfãos

nas suas comunidades. As igrejas locais e os cristãos são incentivados e

treinados a equipar as comunidades para cuidarem do número crescente de

crianças com necessidades.



Bethany começa por conversar com as comunidades e os seus órfãos sobre

as suas necessidades, interesses e que possíveis soluções a comunidade pode

identificar para os desafios futuros. Os voluntários são então treinados para

fornecer apoio emocional e prático aos orfãos. Isto podia incluir orientação

na plantação de alimentos e informações sobre o crescimento. Eles falam

com as crianças, ouvem-nas e as representam quando necessário.



Mas este trabalho não é restrito às crianças que são chefes de família, mas

também a qualquer família que tenha sofrido a perda de um dos pais. Isto é

particularmente crítico para o apoio do número crescente de avós que agora

agem como únicos responsáveis por seus netos.



Permitindo que famílias e comunidades tomem conta dos seus órfãos e não

os mandem para orfanatos onde possam ser estigmatizados (especialmente se

for um orfanato para crianças orfãs de SIDA) as crianças ganham muito. Eles

mantêm o sentimento de que pertencem a uma família e a uma comunidade.

Muitas vezes isso tem demonstrado beneficiar as crianças emocionalmente,

mas também de forma prática pois elas recebem apoio no presente e assim

elas adquirem habilidades para sobreviver a longo prazo nas suas áreas.



[Uma metodologia semelhante foi repetida também em Chikankata. O





98

hospital está agora a deixar de pagar as matriculas da escola para órfãos

individuais, ao invés disso, destina o dinheiro para ajudar no

desenvolvimento económico de comunidades locais. Quando bolsas de

estudos são necessárias, essas são dadas às escolas e não a individuos. Essas

novas iniciativas não são iniciativas específicas para SIDA, mas sim para

CHIN – Children in Need (crianças carentes). Esta é uma resposta liderada

pela comunidade local, que busca ajudar todas as crianças carentes, não

somente os órfãos. Isto é uma abordagem intregada que mobiliza

comunidades e fortalece laços entre crianças e as suas comunidades. Isto

reduz o estigma dos órfãos, em particular os órfãos que perderam os pais por

causa do HIV/SIDA.]



No passado as pessoas muitas vezes construíam orfanatos como uma

resposta às necessidades dos órfãos. Mas o projecto de Bethany incentivou e

treinou as comunidades de maneira tão eficaz que em cinco anos mobilizou o

atendimento a mais de 6.000 órfãos somente no distrito de Zvishavane.

Orfanatos podem ser vistos como a última alternativa, mas antes de se chegar

a este ponto é necessário fortalecer a estrutura familiar e comunitária

existentes.



Entretanto cada situação é diferente e em algumas comunidades outras

maneiras de apoio a órfãos foram desenvolvidas com sucesso de maneira

sensível e adequada.



Sumário de trabalho com / para órfãos



 Envolva os orfãos e escute-os.

 Capacite famílias e comunidades.

 Forneça suporte a todas as famílias carentes, não somente aquelas

afectadas pelo HIV / SIDA.

 Faça o possível para manter as crianças em suas comunidades.

 Forneça as habilidades que sustentarão famílias, por exemplo, o

cultivo de alimentos e geração de renda/fundos.



Refugiados

O HIV / SIDA espalha-se mais facilmente em épocas de instabilidade

quando as práticas sociais que com frequéncia protegem os indivíduos, se

desestabilizam ou acabam por completo. Isto inclui o uso de protecção na

prática sexual. No começo de 2002 foram estimados 15 milhões de

refugiados no mundo. Três quartos deles em África e 80% eram mulheres e

crianças. Além disso existe um número desconhecido de pessoas que foram





99

forçadas a sair de suas casas mas que não atravessaram fronteiras.



O HIV pode espalhar-se em tempos de crise social e seu impacto é maior em

países em desenvolvimento, os quais são os menos preparados para combater

a crise.



Em situações de emergência de movimento de massas, o HIV parece

frequentemente menos importante do que o alimento, abrigo e água,

atendimento de saúde de emergéncia e segurança. Mas quais são os efeitos a

longo prazo quando não se prioriza os riscos de transmissão do HIV? Os

agentes humanitários devem se perguntar: as pessoas desabrigadas correm

um risco maior de infecção de HIV e essa questão não deveria também ser

abordada ao mesmo tempo que se preocupam com questões a curto prazo de

segurança, abrigo e alimentação?



Diminuição da pobreza e actividades de geração de recursos

Onde há pobreza, a SIDA parece estar a seguir de perto. E a evidéncia é que

a SIDA cresce em áreas de pobreza. O distrito de Luzes Vermelhas em

Mubai, India está cheio de meninas seropositivas, cujas famílias atingidas

pela pobreza as venderam para os proprietários dos bordéis. Actividades de

Geração de Recursos (AGR) pode ser uma intervenção eficaz no apoio de

indivíduos, famílias, programas e instituições, mas elas devem ser feitas com

cuidado e habilidade, particularmente no contexto do HIV/SIDA.



É importante considerar as habilidades das pessoas vivendo com SIDA com

relação ao seu nível de saúde. Deve-se lembrar que um indivíduo talvez não

possa trabalhar sempre na AGR devido a deterioração da sua saúde, e que

pode ser necessário complementar as AGRs com benefícios do Estado. Além

disso, AGRs que envolvem as famílias e as comunidades de apoio de pessoas

com SIDA irão ajudar na sustentabilidade das AGRs durante os períodos em

que as pessoas estão demasiado doentes para participarem mais intensamente

nas actividades.

A integração das pessoas que não são seropositivas, ou daqueles que não

sabem se têm HIV numa actividade económica pode também ser uma

oportunidade para aumentar a aceitação e integração das pessoas vivendo

com SIDA na comunidade local.





Questões para Actividades de Geração de Recursos



 Experiência precedente em gerência de AGR é essencial.







100

 As habilidades exigidas são muito específicas e críticas para evitar

dispêndios de dinheiro e causar desgostos.



 A actividade deve ser viável, deve haver um mercado e habilidades

disponíveis. Procure peritos na área para testar a actividade.



 As actividades centraram-se frequentemente nas mulheres, que podem

conduzir ao aumentado das suaa tarefas ao invés de tornarem-nas

independentes. Como em todo o programa cada etapa do planeamento

e da execução deve ser bem pensada. Novamente, um conselheiro

externo com experiência relevante pode ajudar.









A Necessidade de uma Boa Gestão



Para qualquer tipo de trabalho seja eficiente é fundamental haver uma boa

gestão. Sem uma boa gestão, as necessidades de uma comunidade não serão

ouvidas e a motivação dos voluntários ou as abilidades de profissionais serão

desperdiçadas.

Gestão possui vários elementos, mas duas subdivisões possíveis são:

liderança e organização.





Organização



A informação é importante em cada etapa do programa. Começar com a

pesquisa e a avaliação das necessidades da comunidade em que você deseja

operar fornecerá informações básicas para formar um plano e assim

desenvolver uma estrutura organizacional. A coleta contínua de informação

permitirá o monitoramento e o desenvolvimento do trabalho.



Questões envolvendo a pesquisa



1 O que a comunidade diz ser necessário?

2 O que aqueles com SIDA querem?

3 Quais são as evidências dessa necessidade?

4 Que recursos estão disponíveis na comunidade? Existem outros recursos

necessários e como serão obtidos?







101

5 A igreja/organização está interessada em suprir as necessidades

identificadas? Tais necessidades são compatíveis com os princípios da

organização?

6 A organização possui a capacidade em termos de pessoal, estrutura e

recursos para trabalhar com a comunidade e combater o HIV/SIDA e outras

questões de desenvolvimento?

7 Existem outras organizações que já estejam a desenvolver todo ou parte do

trabalho? Em caso afirmativo, por que começar outra organização, isso não

irá desperdiçar recursos preciosos? Ou é possivel trabalhar em conjunto com

outra organização para aumentar a eficiéncia?

8 Visite outros projectos, utilize métodos e materiais já testados e aprovados.

Para que re-inventar a roda?







Planeamento

1 Tendo identificado respostas para as perguntas mencionadas acima é

importante definir objectivos com indicadores chaves, isto é, medição do

progresso da monitoria. Use objectivos que sejam específicos, mensuráveis,

alcançáveis, relevantes e de duração limitada.



2 De novo, aqueles afectados, a comunidade, a equipe de funcionários e

voluntários devem ser envolvidos no processo.





Monitoramento



1 A informação deve ser recolhida e revista regularmente para monitorar o

sucesso ou fracasso quanto ao alcance dos objectivos.



2 O fracasso em alcançar determinados objectivos não significa que o

programa não está a obter sucesso, mas pode significar que alguns objectivos

necessitam de ser alterados. Isto deve ocorrer durante uma consulta integral

que envolva funcionários, voluntários e a comunidade. O importante é a

eficácia do trabalho, não objectivos desatualizados.



3 Reuniões de análise devem incluir aqueles que recebem o atendimento, a

comunidade e também outros que trabalham na área.









102

Estrutura organizacional



1 Uma estrutura organizacional deve ser preparada e divulgada a todos na

organização. As pessoas beneficiam-se ao saber quem são os encarregados.

2 Se os voluntários serão utilizados, assegure-se de que estejam motivados.

3 A equipe de funcionários empregados deve ter experiência e habilidades

relevantes.

4 Treinamento inicial adequado é fundamental e deve ser seguido por

actualizações regulares.

5 Toda a equipe, os funcionários pagos e voluntários, devem ter uma

estrutura da sustentação e ser informados de seu desempenho regularmente,

com oportunidade para discutir e contribuir para o desenvolvimento da

organização.

6 Gestão financeira aberta e clara.





Liderança



Qualidades na liderança

Como foi mencionado anteriormente, as mais eficazes acções das ONGs para

o HIV / SIDA têm sido através daquelas organizações que procuraram não

somente cooperar com a comunidade, mas procuraram também servir.

Servir a outros deve ser central na liderança. Um líder que seja humilde e

serve de exemplo para o serviço, irá provavelmente produzir uma equipe e

uma organização que servirá a outros.



1 Quando os líderes e os administradores estão a ser seleccionados é bom

procurar uma liderança e gerência com experiência comprovada: eles foram

eficazes em mobilizar outros para conseguir algo eficaz?



2 Um líder deve concentrar-se no desenvolvimento de relacionamentos com

qualidade. Relacionamentos dentro e fora da organização, com líderes da

comunidade, pessoas vivendo com SIDA e outras organizações. Bom

relacionamento com os funcionários pode ser a base para o desenvolvimento

de uma equipe eficaz, da aprendizagem de oportunidades novas e da

aprendizagem proveniente de frustrações e barreiras em direção à eficácia.

Acima de tudo, o líder e a organização são dependentes da equipe inteira.



3 Bons relacionamentos permitirão que o líder tenha influência para o

melhor e reduza a necessidade do excessivo controlo da equipe de

funcionários.





103

4 Ao invés disso, um líder estará facilitando a utilização das habilidades e

motivação do pessoal de maneira eficaz.



5 É necessário que o líder tenha uma visão que seja clara e compreensível

para demais.





6 O líder deve ser solidário com as pessoas. A habilidade de se por “no

lugar” das pessoas que ele lidera.



7 Uma habilidade de compreender (escutar e reflectir) e de ser compreendido

(boa comunicação).



8 Um líder administrativo requererá a prestação de contas dos membros da

sua equipe de funcionários e eles também devem prestar contas a um

conselho diretor ou comité.



Por fim, em toda a liderança cristã, as qualidades que tornam visiveis o

modelo de Cristo, o pensamento bíblico, a humildade, a integridade e a

atitude de servir devem estar sempre presentes. Estas qualidades são mais

importantes que toda a habilidade técnica ou experiência específica no

trabalho com HIV / SIDA. Tais pessoas podem ajudar a facilitar as

comunidades e indivíduos a responderem ao HIV / SIDA.



Hora de Agir

Listas como essas acima podem fazer com que as pessoas sintam que não

são qualificadas ou não há nada que possam fazer.



O MAIS importante de tudo é FAZER ALGO. Como foi dito antes,

importar-se não custa nada e você não precisa de nenhum organização para

ir visitar um vizinho carente, ou para falar com os seus próprios familiares

sobre os riscos do HIV, ou mesmo para emprestar este livro a alguém, ou

para se envolver num programa já existente.

A batalha contra a SIDA não será vencida por grandes programas. Será

vencida quando milhões de homens e mulheres comuns em cada nação

formarem um movimento de pessoas determinadas a encarar a SIDA

seriamente e fazer alguma coisa a respeito disso. E para aqueles que

pertencem a Cristo, nós temos uma mensagem de força e esperança bem

como de saúde e unidade.







104

Você não pode mudar o mundo inteiro, mas hoje você pode mudar o mundo

de alguém em algum lugar.





" Para obter uma lista de organizações, sites na internet e outros recursos

úteis, por favor veja o website da ACET International Alliance: http:/ /

www.acet-international.org "



ACET International Alliance



ACET International Alliance é uma comunidade em expansão de programas

independentes de SIDA em muitas partes do mundo, que começou

originalmente no Reino Unido sob o nome de ACET em 1988. As letras

ACET em inglês significam: SIDA, Cuidado, Educação e Treinamento

(AIDS, Care, Education and Training) e foi fundada pelo Dr. Patrick Dixon.

Os membros da Aliança são unidos num objectivo comum para criar um

acção cristã eficaz para a SIDA:



 Cuidado compassivo e incondicional a todos aqueles afectados pelo

HIV/SIDA.

 Prevenção para a salvação da vida respeitando e seguindo os

ensinamentos históricos da igreja.

 Treinamento eficaz com uma abordagem holística ao desenvolvimento

pessoal e comunitário.



A Alliance consiste em:

 Centros Nacionais de Recursos: centros de excelência que estão

activamente procurando ser um estimulo e servir como recursos para

outros em diferentes partes do mundo que compartilham dos mesmos

valores e visão.

 Programas em Parceria: organizações que fornecem serviços

relacionados com HIV.

 Parceiros para o Desenvolvimento: organizações internacionais que

actuam como recursos para as diferentes partes da Aliança.



A Alliance é uma rede de organizações que cooperam umas com as outras,

ao invés de uma organização financiadora. Ela não tem uma administração

central grande e não concede financiamentos centrais.



O trabalho principal da Alliance é realizado pelos Centros Nacionais de





105

Recursos, pelos programas em países tais como a Inglaterra, Escócia,

Irlanda, Índia, Uganda, Tailândia, República Checa e Slovakia.



Novos Parceiros de Programas juntam-se à Alliance com base em uma

recomendação de um Centro Nacional de Recursos após um período de

trabalho conjunto. Os membros comprometem-se à acção cristã eficaz no

campo da SIDA, e a compartilhar conhecimento, experiência e recursos na

medida do possível.



Mais informações sobre a ACET Parceiros Internacionais perto de você e o

que a Aliança faz, assim como as últimas notícias sobre HIV, materiais de

actividades para acção e muitos outros materiais úteis estão todos disponíveis

no website:

http://www.acet-international.org

e-mail: isdixon@dircon.co.uk



Cópias adicionais deste livro podem ser requisitadas gratuitamente para a

distribuição nas nações mais pobres nas seguintes línguas: Inglês, Russo,

Espanhol, Francês, Húngaro, Checo, Romeno, Turco, Urdo, Baite e

Português.

Operação Mobilização





A Operação Mobilização tem o prazer de co-publicar e patrocinar esta

edição e se compromete inteiramente a ver igrejas no mundo todo tomarem a

iniciativa de trabalharem de maneira solidária e prática para o bem de todos

aqueles afectados pelo HIV e SIDA, bem como ajudar a salvar vidas.



A Operação Mobilização foi fundada por George Verwer, cuja energia,

originalidade e desafio ao discipulado e evangelização mundial comoveu

muitas pessoas. A ênfase em „treinar fazendo' foi um aspecto central de

muitas equipes que atuaram em diferentes partes do mundo. A visão e a

compra dos navios da misericórdia da OM provavelmente puseram-na no

mapa mais do que qualquer outro factor.



Hoje, OM é um ministério global dinâmico, com quase 3000 funcionários

trabalhando a tempo integral em mais de 80 países. A OM se compromete a

trabalhar em parceria com igrejas e outras organizações cristãs com o

propósito da missão mundial. Os diferentes ministérios da OM fornecem

oradores para igrejas, conferências e seminários, treinamento de qualidade

em todas as formas de evangelismo, liderança e ministério pastoral e uma







106

gama de recursos, incluindo vídeos, livros, materiais de apresentação e

cartões de oração .

http://www.om.org

http://www.ombooks.org





Programa de Tratamento da SIDA da OMS ( Organização Mundial de

Saúde )



Após muitos atrasos e lutas políticas, as nações ricas despertaram para o

facto de que a minoria afectada não poder pagar pelos tratamentos anti- retro

virais, mesmo que isso prolongue a vida da maior parte das pessoas com

HIV, e pode prevenir até 60% de todas as infecções em bebês nascidos de

mães infectadas. Uma nova iniciativa tem o objectivo de obter comprimidos

anti-retrovirais gratuitos, para no mínimo 3 milhões de pessoas em países

em desenvolvimento. Isto irá também encorajar as pessoas a fazerem o teste,

pois existe tratamento disponível. Fazer o teste é uma maneira muito

poderosa de evitar a propagação: Aqueles que são negativos são motivados a

manter-se assim e aqueles que são positivos estarão inclinados a mudar de

comportamento se souberem que podem infectar outra pessoa.



Este é o sistema (ainda em desenvolvimento na época em que este livro foi

escrito):



 A OMS fornece medicamentos para os Departamentos de Saúde no

país.





 As organizações no próprio país pedem para se associarem à OMS e o

governo.



 Os medicamentos são fornecidos (provavelmente em caixas que

contêm o suficiente para uma pessoa por um mês).





 Outros recursos são fornecidos, por exemplo, equipamento para testes

imediatos acompanhados de treinamento de um/a enfermeiro/a ou

enfermeiros/as (não é necessário médico).



 A população local é incentivada pela organização a ser testada depois

de terem recebido aconselhamento.





107

 Aqueles que são positivos, e têm claramente padrões de saúde

precária, ou estão grávidas, dão inicio ao tratamento após um simples

teste de sangue, repetido a cada duas semanas.



 Em geral, a terapia é para o resto da vida da pessoa a menos que seja

interrompido para permitir que o teste de sangue retorne a níveis mais

próximos do normal.



 Registos cuidadosos são mantidos de como os medicamentos foram

administrados.



 Os registos são mostrados ao centro de distribuição, para receberem o

fornecimento de mais medicamentos.



As organizações menores e as igrejas precisam torna-se parceiras de grupos

maiores para ter acesso. A OMS estará monitorando cada país para

assegurar um bom fluxo de medicamentos às organizações e está aberta para

receber informações de campo acerca dos problemas encontrados na

realização do trabalho.



Veja: http/ / www.who.org









108


Other docs by HC111126141530
R/W MARKERS:
Views: 2  |  Downloads: 0
L�imp�t de sang �Aide de jeu n�1
Views: 1  |  Downloads: 0
Chapter 36: Image Formation
Views: 1  |  Downloads: 0
PowerPoint ????
Views: 2  |  Downloads: 0
E-R Diagrams
Views: 0  |  Downloads: 0
B? GI�O D?C V� ��O T?O***
Views: 6  |  Downloads: 0
Tabelle1
Views: 0  |  Downloads: 0
A Walk Through The SF424 (R&R)
Views: 1  |  Downloads: 0
By registering with docstoc.com you agree to our
privacy policy

You are almost ready to download!

You are almost ready to download!