SIDA e Você
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A Sheila, minha melhor amiga, conselheira mais chegada e fonte de
incentivo infinito por mais de 30 anos, e a todos aqueles que têm feito parte
da família ACET durante todos esses anos.
E meu sincero agradecimento à Ray & Joy Thomas por insistir que uma
nova edição fosse escrita, à Mark Forshaw por escrever um capítulo novo
sobre projectos, à George Verwer por ajudar a fazer esta idéia tornar-se
realidade, à Susie Howe seu apoio e rapidez com que distribuiu cópias deste
livro em todo o mundo, e à Tear Fund por permitir a adaptação do seu
manual sobre SIDA.
Meus agradecimentos também a equipe de tradução: Emerson Rizzi,
Faustino Paulo Mandavela, Helga Gamboa e Jean Perry.
Dr Patrick Dixon
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SIDA e Você
Dr Patrick Dixon
Publicado conjuntamente por
Operação Mobilização
&
ACET International Alliance
em parceria com Kingsway
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SIDA e Você
Copyright @ 2002, por Dr. Patrick Dixon
Terceira Edição revista 2002
Reimpressão 2003
Edição revista 2004
ISBN 81-7362-470-4
Qualquer parte deste livro pode ser reproduzida para fins educacionais e de
formação com reconhecimento e referência completa ao Web site da ACET
International: http://www.acet-internationa1.orgwherethefullbook onde se
pode encontrar o livro completo.
Terceira Edição patrocinada e publicada pela Operação Mobilização e
ACET International Alliance em parceria com Kingsway.
Todos os lucros da venda deste livro são utilizados para facilitar a sua
distribuição entre aqueles que o necessitam.
Primeira edição foi publicada pela Kingsway 1989 sob o título de AIDS and
Young People (Sida e os Jovens), reimpresso em 1990. Edições em
Tailandês, Português, Checo, Romeno, Húngaro, Espanhol, Russo, Turco,
Urdu, Baita, Alemão, Francês e Polonês.
Publicado conjuntamente por
Operação Mobilização
e
ACET International Alliance
em parceria com Kingsway.
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Impresso na Índia por
OM Books, Secunderabad - 55
Ph: 91-040-227861447, email: publisher@omb.ind.om.org
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Sobre o Autor
Patrick Dixon é autor de 12 livros incluindo *A Verdade sobre a
SIDA, SIDA e Você, Fora dos Musseques e Dentro da Cidade, Sinais
de Resurgimento, A Verdade sobre Drogas, A Revolução Genética, A
Verdade sobre Westminster, O Aumento do Preço do Amor e Rumo
ao Futuro.1
Dr. Dixon formou-se médico antes de se especializar em atendimento e
cuidado daqueles em fase terminal de câncer (oncologia) e depois de SIDA.
Após o lançamento do livro A Verdade sobre a SIDA ele fundou ACET
(Aids Care Education and Training) em Junho de 1988, como uma resposta
cristã nacional e internacional à SIDA. Dr. Dixon foi Diretor Executivo da
ACET até 1991 e hoje ajuda a liderar uma rede de iniciativas independentes
conhecidas como ACET International Alliance. Ele é também o patrono de
Hope HIV, um programa de adopção de órfãos da SIDA.
Dr. Dixon é presidente da Global Change Ltd, uma empresa de consultoria e
previsões de tendências globais, comentador regular nos órgãos de
informação por todo o mundo, conselheiro em várias grandes empresas em
assuntos como: sociedade digital, nova tecnologia, a biotecnologia,
globalização, liderança, motivação e valores corporativos. Ele tem 45 anos
de idade, vive no oeste de Londres, é casado e tem quatro filhos. Todos os
membros de sua família são membros activos da igreja local, em colaboração
com a Evangelical Alliance (Aliança Evangélica) e Pioneer.
Mais cópias deste livro:
Mais cópias deste livro podem ser requisitadas grátis através de organizações
cristãs para distribuição em países em desenvolvimento
Escreva para: isdixon@dircon.co.uk
1
N.T: Os titulos foram traduzidos especialmente para esta edição. Os titulos originais são: The Truth about
AIDS, AIDS and You, Out of the Ghetto and into the City, Signs of Revival, The Truth about Drugs, The
Genetic Revolution, The Truth about Westminster, The Rising Price of Love and Futurewise.
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Conteúdo
Introdução: Cristãos lideram a luta contra a SIDA
Capitulo 1: A SIDA também é seu problema
Capitulo 2: Vacinas, tratamentos e preservativos
Capitulo 3: Agonia da SIDA– Perguntas e Respostas
Capitulo 4: Não ter para onde ir
Capitulo 5: O que é que você acha?
Capitulo 6: Para onde é que vai?
Capitulo 7: O que podemos fazer? Hora de Agir
(por Mark Forshaw)
ACET International Alliance
Operação Mobilização
OMS 3 por 5: Programa de Tratamento Gratuito de SIDA
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INTRODUÇÃO
Uma Resposta Urgente à SIDA
A menos que alguma coisa mude mais de 200 milhões de homens, mulheres
e crianças irão morrer por causa da SIDA. Mais de meio milhão de pessoas
ja têm um amigo ou um familiar que morreu - apenas um entre os 40 milhões
de adultos e crianças com SIDA, enterradas ou cremadas até o começo de
2002. Apesar de tudo isso, esta nova epidemia está a propagar-se mais rápido
do que nunca dentro das nações mais pobres, matando quatro vezes mais
pessoas todos os anos que a década passada. As pessoas simplesmente não
reconhecem o perigo – ou não querem pensar sobre isto.
Eu nunca me esquecerei da primeira pessoa que eu conheci com SIDA: um
jovem estudante desesperadamente doente numa sala lateral do hospital. Ele
estava ansioso, agitado, suado, com muita dificuldade para respirar,
sufocando-se em suas próprias secreções e sofrendo de um medo terrível. Ele
tinha uma mascara de gás sobre o rosto e tubos ligados ao seu corpo. Ele
estava totalmente sozinho naquele quarto horrível e prestes a morrer.
Eu fiquei tão chocado que alguém num hospital para estágio prático em
Londres, com todos os equipamentos no mundo, pudesse ser abandonado em
tais condições. Mas assim eram as coisas em 1987, numa época em que
nenhum instituição hospitalar para pessoas com doenças terminais no Reino
Unido aceitava pessoas com SIDA, algumas enfermeiras se recusavam a
visitar pessoas com SIDA em casa e alguns dos meus colegas médicos
recusavam receitar medicamentos apropriados. Somente porque essas
pessoas tinham o diagnóstico errado:
SIDA
Desde aquele momento comecei a me envolver. Aqui, nesta enfermaria havia
um ser humano feito à imagem de Deus, extremamente necessitado. Que
outra reacção eu poderia ter, a não ser cuidar e ajudar, deixando de lado
sentimentos pessoais que eu pudesse ter tido sobre estilos de vida, e as razões
pela qual ele tenha sido infectado?
A sua família nem sequer sabia que ele estava doente (ele tinha medo que
fosse rejeitado e queria levar o seu segredo para a sepultura) e os
medicamentos que estava a receber não estavam a fazer nada para diminuir o
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seu sofrimento. Era como se 20 anos de medicina hospitalar tivessem sido
atirados pela janela.
Estudei medicina com especialização em câncer, tomando conta daqueles
próximos da morte em casa. Por muitos anos mantive a minha distância da
SIDA - uma especialidade de outra pessoa e não uma doença pela qual eu
tivesse uma inclinação natural, de facto o contrário - mas quando eu vi
pessoalmente a horrível realidade, o estigma, a rejeição chocante das pessoas
doentes por colegas profissionais, e tudo isto a acontecer diante dos meus
olhos, cheguei a conclusão que os conhecimentos que alguns de nós tínham
sobre cuidando daqueles morrendo com cancro, necessitavam de ser
estendidos urgentemente também para aqueles com SIDA.
Mas não eram somente os profissionais na área de saùde que estavam a
rejeitar as pessoas com SIDA: a Igreja também lhes apontou o dedo,
envolvendo-se em acusações e debates morais, fazendo muito poucas acções
práticas. De certa maneira eu também agi mau, encontrando todas as
desculpas para não me envolver com esta nova e estranha doença. E quando
percebi como tinha sido desumano, tive que mudar a minha atitude de
maneira radical.
Aquele jovem morreu calmamente, depois de alguns dias, com o tratamento
correcto e com o carinho da família ao seu lado, mas todo o episódio chocou-
me profundamente. Eu nunca iria ser o mesmo.
Este livro foi originalmente publicado em 1989, como uma versão mais curta
do livro “A Verdade sobre a SIDA”, para encorajar uma resposta prática e
humana para a SIDA por parte das igrejas de todas as denominações, com
ênfase no cuidado comunitário e prevenção escolar. O livro foi revisto e
actualizado mais uma vez a pedido de pessoas de as todas as partes do
mundo, que queriam um livro curto de “ acção” sobre a SIDA em uma
perspectiva cristã, e com o forte apoio de Ray e Joy Thomas (AIDS
Intercessores/Intercessores de SIDA), George Verwer (Operação
Mobilização) e Mark Forshaw (Africa Inland Mission – Missão na África
Territorial).
Quase todas as minhas previsões de 1989 são infelizmente hoje uma
realidade, mas em todo o sofrimento e luto de milhões de pessoas, ainda
existe a esperança de que o futuro não seja a repetição do passado. O que
entristece muito é que muitas das lições da epidemia de África desde os fins
dos anos 1980s ainda não foram aprendidas em outras partes do mundo 15
anos depois. Ainda hoje continuamos a ver negação por parte dos governos e
nações inteiras que parecem pensar que de algum modo “isto nunca vai
acontecer connosco. Nós simplesmente iremos ter alguns casos.” O
preconceito e o medo ainda existem em muitos lugares.
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Com mais de 80 milhões já infectados com SIDA/HIV a epidemia ainda está
no seu início. Somente em Mumbai há mais de 1.000 infecções novas todas
as noites, e a Índia poderá ter mais casos de HIV durante os próximos 15
anos do que houve no mundo inteiro até agora. Uma propagação idêntica à
da África (através da Ásia) está a começar a ocorrer em muitos outros países.
A história está agora a repetir-se, numa vasta e trágica escala, mas com
alguns sinais muito preocupantes do tipo de resposta agressiva e abrangente
que nós vimos em lugares como Uganda 15 anos atrás.
Os cristãos estão na liderança da luta contra a SIDA em muitas nações. Na
África do Sul, o Arcebispo Desmond Tutu calcula que as igrejas e
organizações cristãs estão a providenciar mais de 60% de programas de
comunidade em HIV em África. Na Índia a resposta cristã para a SIDA, já
mobilizou bem mais que 25.000 trabalhadores, tempo parcial ou tempo
inteiro, todos os quais estão envolvidos em cuidados ou prevenção. Esta é
uma conquista notável, um movimento popular através da nação. Sabemos
disto através da Aliança Nacional da SIDA Cristã (CANA) em Delhi, uma
rede em crescimento com algumas centenas de agências cristãs.
Podemos também ver isto na ACET International Alliance (Aliança
Internacional ACET), uma comunidade global de agências independentes,
algumas cresceram a partir de pequenas iniciativas em 1988, todas
procurando dar uma resposta solidária em nome de Cristo. Nós vemos isto
em centenas de organizações missionárias e de desenvolvimento como
Operação Mobilização, Samaritan‟s Purse (Bolsa Samaritana), Tear Fund,
Visão Mundial (World Vision), Christian AID e o Exército da Salvação.
Uganda é um exemplo maravilhoso do que pode acontecer quando os
governos e Faith-Based Organisations (FBOs) (Organizações Baseadas na Fé
– OBFs) trabalham em parceria. O Programa de Controlo da SIDA viu uma
queda dramática em casos de infecção, particularmente entre os jovens – de
22% para menos de 8%. Isto não teria sido alcançado sem o apoio da igreja.
É um sinal de esperança para o futuro.
Cristãos de todas as tradições podem unir-se facilmente em dois objectivos
simples:
Cuidado incondicional e solidário a todos afectados pelo SIDA /HIV.
Prevenção efectiva respeitando e mantendo os princípios dos
ensinamentos históricos da igreja.
Muitas vezes como cristãos reagindo à SIDA não fazemos nada ou
apressamo-nos a abrir as nossas Bíblias, ou os ensinamentos da igreja, para
declarar que alguma coisa está errada. Já na nossa resposta podemos perder
de vista a graça, o amor e perdão de Deus – e a realidade de que muitos são
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infectados através de acções de outros em vez do seu próprio
comportamento. Existe a possíbilidade de estarmos tecnicamente correctos
na interpretação dos padrões de Deus, mas profundamente equivocados em
nossas próprias atitudes.
Tome o exemplo de Jesus com a mulher apanhada no acto de adultério
contado no livro de João – realmente a historia do homem ausente. Aqui há
um grupo de homens zangados a procura de uma razão para linchar uma
mulher, duas pessoas pecaram mas o homem não se encontra em lugar
nenhum. No tempo de Jesus existia uma hierarquia: o pecado sexual por
parte da mulher era punido pela morte, outros pecados eram mais ou menos
aceitáveis, enquanto o pecado sexual por parte do homem quase não contava.
Jesus detestava a hipocrisia deles.
Ele derrotou-os com apenas uma frase: "Se algum de vocês estiver sem
pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra contra ela". "Sim, você
senhor, cujos os olhos nunca vaguearam a prateleira superior do quiosque,
você que nunca foi ciumento, vingativo, mal educado ou nunca falou de
ninguém por trás, você que é a esposa perfeita, você que nunca perdeu a
paciência com os seus filhos, você que nunca disse uma meia-verdade ou
quebrou o limite de velocidade. Vem e atira a pedra." (Ver João 8:1-11)
Ninguém se moveu. Jesus olhou fixamente para todos eles até que um a um
todos se foram embora – começando pelo mais velho . Numa frase Jesus
destruiu totalmente toda a possibilidade de se julgar outros de acordo com
uma escala de pecados. Todos pecamos e saímos da glória de Deus, todos
estamos totalmente perdidos fora da graça de Deus.
Quando se trata de apontar o dedo, Jesus proíbe-nos de subir num pedestal.
Ele era a única pessoa nesta terra que tinha o direito de condenar, contudo
Ele diz à mulher " Eu não te condeno ". Adicionou também " vai e deixa a
tua vida de pecado".
Como cristãos tornamo-nos confusos entre as duas coisas que Jesus disse: ou
apressamo-nos a fazer afirmações de natureza moral, tropeçando em atitudes
de julgamento ao longo do caminho, ou apressamo-nos a expressar a graça e
o amor de Deus, caindo num buraco profundo onde não existe mais uma
estrutura moral definida. O modo de Jesus é manter juntos o amor infinito e
padrões perfeitos em tensão – algo que necessitamos da sua ajuda para o
fazer.
Vamos deixar bem claro que o ensino das escrituras de Gênesis ao
Apocalipse mostra constantemente que o dom maravilhoso da união do sexo,
é uma celebração do amor e amizade entre um homem e uma mulher que
assumiram estar juntos para o resto de suas vidas. Deus ama o sexo, é o
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desperdício do sexo fora do casamento que lhe causa dor. A Bíblia deixa
claro que toda a união sexual fora do casamento é errada. Este foi sempre o
ensinamento da Igreja - comum à fé Judáica e do Islão.
O sexo é visto como um mistério, um evento espiritual quando dois se
tornam " uma só carne ". Nós vemos o seu lado físico sempre que o esperma
fecunda um ovo. O óvulo da mulher se funde com o espermatozóide do
homem para literalmente dar forma a um novo ser; um único e novo
individuo pleno de personalidade e identidade futuras.
Então como vivemos com estas tensões? O modo de Jesus é claro: somos
chamados para expressar o amor incondicional de Deus a todos os
necessitados não obstante como se tornaram assim.
Se alguém for ferido seriamente num acidente de carro a frente da minha
casa eu apresso-me a ajudar. Eu não me afasto apenas porque descubro que
ele esta bêbado e isso foi a causa do acidente. Nem começo a pregar sermões
anti – álcool na ambulância ou no hospital. Contudo eu falo sobre a história
onde quer que eu vá, indicando os perigos de beber e conduzir.
Com aqueles afectados pelo HIV / SIDA somos chamados para ser úteis,
para ajudar e expressar amor.
Estamos lá como servos para ajudar as pessoas como elas desejam e é um
privilégio assim o fazer. Muitos ficam chocados ao encontrar cristãos
envolvidos que se importam profundamente apesar de não aprovarem certos
estilos de vida.
Sempre penso na história que Jesus contou sobre o filho pródigo que levou
toda a sua herança para gastar com ele mesmo muitas milhas de distância da
sua casa. O que aconteceria se ele se tornasse infectado com HIV enquanto
longe e se morresse antes ter tido tempo para pensar outra vez? Eu imagino o
seu pai a ler o jornal na hora do pequeno-almoço um dia e ver a notícia sobre
a morte do seu próprio filho. Eu imagino-o em lágrimas enquanto chama a
sua esposa:
“Ele nunca telefonou, ele nunca escreveu, e em dez anos nós não tivemos
notícias nenhumas com excepção daquelas através de amigos”.
Muitas pessoas com SIDA estão a morrer sem esperança e sem Deus. Eu
penso no nosso Pai do Céu, lágrimas caindo do seu rosto, não querendo que
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ninguém pereça, nem que esteja separado mais um dia, contudo com tristeza
liberando as pessoas para seguirem o seu próprio caminho.
Aqueles com SIDA são os leprosos de hoje confrontando medo e rejeição.
Quando Jesus tocou os leprosos fez historia que continua a ser falada
aproximadamente 2000 anos mais tarde. Esta foi a demonstração mais
poderosa do amor de Deus que poderia possivelmente ser expressada à
excepção de seu próprio sacrifício ao morrer na cruz.
Quando um voluntário da igreja entra numa casa, essa pessoa leva consigo a
presença de Deus. Jesus não tem corpo próprio: a igreja é o seu corpo. Nós
somos as suas mãos, os seus pés, o seu sorriso, sua voz, o seu coração, seu
toque.
A única parte de Deus que as pessoas podem ver, poderia ser a vida de Jesus
em ti ou em mim. Quando entramos numa casa, e damos a alguém um
abraço, trazemos água, medicamentos ou alimentos ou damos a mão a
alguém nós também estamos a fazer um pouco de história: uma declaração
poderosa de amor de Deus, uma indicação de profecia do seu coração para as
pessoas que se sentem muitas vezes totalmente alienadas da igreja.
Há também um momento para explicar o plano de Deus para a vida. Diante
de um desastre mundial, principalmente como resultado do ignorar as
maneiras de Deus seria impossível que a Igreja ficasse silênciosa. É um facto
que se todos tivessem só um parceiro na vida e deixassem de injectar as
drogas, HIV desapareceria da face da terra em menos de 30 anos. Também é
verdade que continuando sem limitações durante o mesmo periodo, poderia
custar mais de 200 milhões de vidas.
Como veremos, preservativos reduzem o risco mas não são a resposta a
longo prazo. Os governos honestamente esperam que um casal onde um
deles tenha HIV continue a usar preservativos durante 50 anos “por
segurança”? O que acontece quando quiserem ter filhos ou quando o
preservativo se furar, verter, cair ou falhar de alguma outra maneira? Os
índices de gravidez são elevados com preservativos. Não foi o preservativo
que produziu a “revolução" dos 1960s, mas sim a pílula. Os preservativos
são também uma opção muito cara para países com milhões de pessoas
muito pobres, e orçamentos minúsculos - somente $2 por pessoa por ano
para gastar com saúde. Temos que encontrar soluções mais sustentáveis,
soluções culturalmente apropriadas para os 2 bilhões de pessoas que ganham
menos de $2 por dia.
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É por isso que a Organização Mundial de Saúde declarou: " a maneira mais
eficaz de impedir a transmissão do HIV é abstenção, ou que dois indivíduos
não infectados sejam fiéis um ao outro. Alternativamente o uso correcto do
preservativo pode reduzir o risco significativamente ". (Dia Mundial de
Combate à SIDA em 1990) .
A única maneira para que muitos parceiros estejam seguros é fazer os testes
de HIV. Em alguns países até um terço das mulheres com SIDA têm sido
celibatas e depois monógamas, contudo estão a morrer porque os seus
maridos infectaram-nas por causa de relações que tiveram com outras
pessoas. Esta é uma área controversa e sensível. Qualquer um que considere
fazer um teste necessita primeiro da assessoria de um perito.
Como ajudar:
O cuidado solidário aos doentes e moribundos, salvando vidas através da
prevenção, e o desenvolvimento comunitário andam de mãos dadas. Aqueles
envolvidos na área de cuidado têm frequentemente maior credibilidade e
impacto. Assim as pessoas podem ver a realidade da doença, mudar
comportamentos e serem motivadas a ajudar os moribundos e os órfãos
abandonados. Mas mudar o comportamento pode ser difícil quando alguém
não tem nada e corre riscos todos os dias vendendo o seu corpo para
sobreviver. A pobreza, baixa formação académica e a SIDA também andam
de mãos dadas. Quanto mais pobres forem as pessoas, mais rápido a SIDA
geralmente se propaga.
A sua igreja ou organização está preparada em nível de liderança para lidar
com a SIDA? Qualquer igreja em crescimento pode encontrar pessoas com o
HIV como membros em consequência do estilo de vida que tiveram
previamente.
Pessoas com SIDA podem ser muito sensíveis às reacções: esta pessoa nova
irá aceitar ou rejeitar? Como acontece com o câncer, uma pessoa pode passar
rapidamente da raiva à negação, tristeza, desespero, esperança, optimismo,
questionar, renúnciar, lutar, desistir, querendo um tratamento activo, ou
mesmo querendo morrer.
Seja sensível ao estado físico e emocional da pessoa, ajudando-a a
compreender que no meio de grandes incertezas sobre o futuro, o seu apoio
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constante e amizade não são questionáveis, assim como a lealdade e o amor
de Deus não são questionáveis.
Talvez existam feridas profundas do passado, e sentimentos de perda de
valor pessoal. O sentimento de culpa por causa da transmissão involuntária
da infecção para outras pessoas, sentimento de culpa por sobreviver quando
muitas outras já morreram, e a culpa por causa do estilo de vida pode
também estar presente. Os sentimentos de isolamento e solidão podem ser
intensos. O medo do processo de morrer é muitas vezes maior que o medo da
própria morte.
A necessidade maior é frequentemente de ajuda prática e simples em vez de
apenas palavras de conforto ou alguém com quem conversar. Ajudar alguém
com a higiéne pessoal ou cozinhar alimentos pode significar mais para essa
pessoa e os seus filhos do que seis horas sentada numa cadeira confortável.
Muitos querem aconselhar alguém com SIDA - mas quem está realmente
preparado para ir além disto?
E quando a vida termina, as crianças permanecem. Dez milhões já se
tornaram órfãs. Quem toma conta delas? E quem está a lutar para salvar as
vidas da próxima geração de pais jovens, advertindo-os a cada dia sobre os
riscos da SIDA?
Isto é do que trata este livro.
Contudo enquanto a infecção de HIV esta a espalhar-se cada vez mais
rápido, também está a fé cristã com mais pessoas em todo o mundo a
tornarem-se seguidoras de Cristo nos últimos vinte anos, algo que jamais
aconteceu num espaço de tempo tão curto, especialmente nas nações mais
pobres. A minha oração é que esta propagação de mudança de vida através
da fé irá ajudar a prevenir a propagação do HIV e estimular novos
sentimentos de compaixão, cuidado e compreensão.
Patrick Dixon
Outubro de 2002
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Capítulo Um
A SIDA Também é Seu Problema
Dentro de alguns anos cada pessoa no mundo provavelmente conhecerá
pessoalmente alguém que morreu por causa da SIDA. Mais que um em 200
de todos os adultos na terra estão já infectados. Pode ser um irmão ou uma
irmã mais velha, um primo, um tio, um amigo, um homem na mesma rua,
um comerciante, ou alguém na escola ou no trabalho. É já o caso na maior
parte da África e partes do sudeste da Ásia. Talvez você não se de conta
porque a SIDA é frequentemente guardada em segredo. Você poderia até
pensar que a pessoa morreu de câncer, ou de outra coisa qualquer, mas
alguém em algum lugar sabe da verdade.
Por volta do ano 2002 mais que 80 milhões de pessoas provavelmente foram
infectadas com HIV – ninguém sabe exatamente. E o HIV está a espalhar-se
no mundo com uma velocidade duas vezes maior do que há 5 anos atrás.
Há pessoas que se descontrolam. Mudam o canal do televisor logo que a
SIDA é mencionada. Ficam apavoradas se acham que alguém na festa onde
estiveram na noite passada tinha SIDA. Eles apavoram-se só de pensar em
tocar alguém com SIDA ou em pegar num copo sujo e utilizá-lo para beber
sem dar-se conta. Se pensarem que realmente algumas pessoas conhecidas
podem estar infectadas, o pânico torna-se em histeria.
Homens de ambulância em "fatos de astronauta‟
No início da epidemia as pessoas agiram de forma estranha. No Reino
Unido, os polícias apareceram com luvas, máscaras e calçado de protecção
para prender um suspeito, caso este estivesse infectado. Os homens da
ambulância chegavam vestidos em „fatos de astronauta‟ para transportar
alguém que poderia ter SIDA. Um padre fez a Sagrada Comunhão a alguém
usando luvas, com um bocado de pão na ponta de uma colher de madeira. As
senhoras idosas nas igrejas voltaram para os seus assentos sem beber o
vinho. O serviço de entrega de refeições quentes em casas que tivessem
alguém doente transformou-se numa refeição fria deixada na porta porque os
motoristas estavam demasiado apavorados para tocar a campainha e entrar
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Em Calcutá, Índia, uma ala nova para o tratamento de HIV/SIDA em um
hospital foi fechada a cadeado porque não se conseguia encontrar médicos
ou enfermeiras para trabalhar nela. Na mesma cidade uma mãe e um bebê
recém-nascido foram postos na rua quando os médicos descobriram que a
mãe tinha HIV. No passado em Uganda os aldeões viraram as costas aos
companheiros doentes com SIDA e os deixaram morrer sem comida ou água
para evitar que eles próprios morressem ao entrar nas casas dos doentes.
Em todas as culturas, e todas as nações se pode encontrar casos de estigma,
de rejeição, de hostilidade e de abuso contra àqueles que sofrem de SIDA.
Graças a Deus as atitudes estão a mudar em muitos lugares mas o problema
ainda existe. Como médico eu não conheço nenhuma outra doença na
história que tenha causado reacções tão difundidas. Por que?
O medo em seguida torna-se raiva. Os tijolos voam pelas janelas ou a casa é
queimada completamente (isto aconteceu duas vezes em Londres). As
pessoas são logo demitidas do serviço e expulsas de suas casas. E o problema
continua a crescer.
Extremamente entediados com a SIDA
A maioria das pessoas com quem me encontro nos países ocidentais não têm
interesse nenhum em SIDA até o momento em que encontram alguém que a
tenha. É um choque terrível descobrir que o seu melhor amigo está a morrer.
É ainda pior quando se sabe que ninguém falará sobre a situação porque ele
tem a doença errada. Não tem câncer, e é como se tivesse deixado de existir.
Ninguém quer saber.
Mas em países como Ruanda, Burundi, Zimbabué, África do Sul ou Uganda
é muito diferente: todas as famílias já tiveram a experiência de óbito causado
pela SIDA e a morte está sempre presente – olhe somente para os fabricantes
de caixões ao lado da estrada ou a linha lenta de funerais nos cemitérios da
África do Sul, onde o espaço se esta a tornar pequeno para enterros em
muitas cidades por causa da SIDA. Mas onde a SIDA existe duma forma tão
devastadora há outro problema: as pessoas tentam esquecer, deixando-se
levar pela negação.
A SIDA é a assassina silênciosa porque quando você souber que tem a
infecção já é demasiado tarde. Mas o problema é que o HIV está a espalhar-
se rapidamente com 15.000 infecções novas todos os dias, e apesar do que
foi dito a muitos ocidentais, a maioria das pessoas infectadas não são nem
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homossexuais nem tóxico dependentes.
E apesar daquilo que foi dito a muitos nas nações mais pobres, muitas das
pessoas a morrerem com HIV eram celibatários antes do casamento e sempre
foram fiéis – infectadas por parceiros ou por tratamentos médicos com
sangue infectado ou agulhas sujas.
Muitas pessoas em países como a Índia não estão preocupadas com a SIDA
pois ninguém que eles conhecem está morrendo– ainda. Mas o problema é
que no momento em que souberem que um amigo está doente, vão saber
provavelmente de cem outras pessoas que estão infectadas e irão morrer no
futuro. Há um espaço de tempo muito grande.
Reacção em Cadeia
As pessoas que você vê na televisão ou lê a respeito nos jornais talvez foram
infectadas no princípio dos anos 1990s. Nos últimos cinco ou dez anos elas
sentiam-se completamente bem, talvez totalmente inconscientes da situação
e até mesmo tenham passado a infecção para outras pessoas.
Um ano, somente duas pessoas numa comunidade estão infectadas, mas
dentro de doze meses o número cresceu para quatro. Ao final de mais um
ano o número aumentou para oito e um ano depois aumentou para dezasseis.
Todos estão bem e parecem saudáveis, ninguém tem a menor idéia de que
alguma coisa está errada. Depois de um outro ano e meio quarenta estão
condenadas, e um ano depois quase cem. Este tipo de propagação tem sido
comum em África e outras partes do mundo.
E depois, uma das pessoas infectadas tem primeiro uma doença viral
misteriosa e está fora de acção por seis semanas. Quando ele regressa parece
bastante abatido, mas em uma ou duas semanas está de volta em acção. Seis
meses depois os seus amigos notam que perdeu peso, e uma noite depois do
jantar é levado de urgência para o hospital porque não consegue respirar.
Um dos seus amigos aparece para o visitar no dia seguinte e descobre que ele
morreu de pneumonia. Uma semana depois o irmão do falecido diz a alguém
no bar que os médicos suspeitam que ele morreu de SIDA. Naquela mesma
noite a 102ª pessoa no clube arriscou com alguém que conhecia e pensou que
estava “segura” e foi infectada. Então se você sabe que dez pessoas na sua
cidade ou aldeia morreram devido à SIDA, sabe também que talvez entre
duzentas e cinquenta a mil pessoas andam pelas ruas todos os dias sentindo-
se bem mas carregando o vírus assassino.
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Espalhando-se como fogo sem controlo
Em todos os países do mundo cada pessoa com HIV em média infecta uma
outra pessoa dentro de alguns meses. O tempo necessário para um infectar
dois, para infectar quatro, para infectar oito, para infectar dezasseis e assim
por diante é chamado de “tempo de duplicação”. Uma constipação comum
espalha-se rapidamente e tem talvez o tempo duplicado de mais ou menos
uma semana.
Assim no primeiro dia de aulas uma pessoa está constipada. Nas semanas
seguintes os números aumentam lentamente no início: um, depois dois,
depois quatro, depois oito, depois dezasseis, depois trinta e dois. Depois da
quinta semana de aulas algo dramático acontece e mais sessenta e quatro
pessoas ficam constipadas. A semana seguinte é ainda pior e 128 pessoas
tossem e espirram. Mais outra semana se passa e 256 pessoas sentem-se mal
e uma semana depois desta 512 pessoas querem um dia de folga porque não
se sentem bem.
Realmente não é assim tão mau. Se 512 pessoas estão agora infectadas,
somente 256 continuaram a espirrar porque a constipação apenas dura uma
semana e os restantes, infectados a mais de uma semana já estão melhores.
Se a escola tem 1.000 alunos, depois de mais duas semanas pode-se esperar
que todos tenham tido a constipação. Mas isto nunca acontece porque
algumas pessoas, por razões que não compreendemos, não se constiparão de
jeito nenhum.
A maneira em que a propagação da constipação acontece numa escola
mostra-nos como o HIV se pode espalhar, mas com uma ou duas diferenças
importantes. Com o HIV o tempo de duplicação não é uma semana mas
começa frequentemente num país por volta de seis a doze meses. Depois de
milhares de pessoas terem sido infectadas, o tempo de duplicação diminui,
talvez para dois anos, como aconteceria na escola. Quando houver somente
100 alunos na escola que ainda não se constiparam, ou que podem evitá-la
então os números de pessoas que contraem a constipação cada semana vão
baixar de repente – digamos 256, depois 512, depois 100, depois cinquenta,
depois dez, depois um. Uma semana depois ninguém na escola tem essa
constipação.
Injectando a morte
Contudo, é verdade que enquanto a propagação do HIV através do contacto
19
sexual é relativamente lenta, porque a maioria das pessoas não muda de
parceiros todos os dias da semana, a propagação através de drogas injectadas
pode ser extremamente rápida, com um viciado infectando no mínimo um
outro todos os dias. Nesta situação os números de pessoas infectadas pode
passar por um período de semanas, de uma, a duas, a quatro, a oito, a
dezasseis, a trinta e duas, a sessenta e quatro, a 128, a 256, a 512 a mais de
1.000. É por isto que a Itália, Nova York, partes da Escócia e outros lugares
com sérios problemas com drogas, tais como Manipur em nordeste da Índia
tiveram logo um problema terrível com a SIDA.
Poderia o mundo inteiro morrer?
É improvável que a SIDA nos faça desaparecer a todos. Dentro de qualquer
grupo, cidade ou nação espalha-se rapidamente através daqueles com maior
risco, espalha-se mais lentamente através daqueles com risco médio e
espalha-se muito lentamente através daqueles com baixo risco. Quantas
pessoas estão infectadas e quão rapidamente, isso depende simplesmente de
quantas pessoas há em cada um desses grupos. Se nós pudermos persuadir as
pessoas a mudar o seu estilo de vida de alto risco para um estilo de vida de
baixo risco, então poderemos ao menos desacelerar a propagação. Em
Uganda a percentagem de mulheres jovens portadores de HIV caiu
drasticamente de em torno de 22% a 7%. A educação salva vidas mas mudar
o comportamento de uma comunidade inteira leva tempo.
Quem está 'seguro'?
Na Itália falam que a SIDA é uma praga de tóxico dependentes. Em África é
conhecida como um praga dos homens e das mulheres. No Reino Unido foi
primeiro conhecida como uma praga que afecta a comunidade
homossexual… mas tudo isto está a mudar. A SIDA é uma doença de
relacionamentos e o vírus que a causa espalha-se ao longo das linhas de
relacionamentos. Espalha-se através de um clube social de homens, uma
fábrica, um escritório, um clube de jovens e uma escola.
Uma coisa é certa: A SIDA não conhece limites de nação, cor, personalidade
ou orientação sexual. O vírus cruza-se entre sexos e entre pessoas do mesmo
sexo quando têm sexo juntas, ou quando o sangue ou secreções de uma
pessoa entram no sistema sanguíneo de outra.
No Reino Unido, assim como na América, o primeiro grupo a ser afectado
foi a comunidade homossexual. Como vimos, um grupo somente tem que ser
20
atingido alguns anos antes que outro para ter um problema cem vezes maior.
Isso cria uma impressão enganadora de que só se desenvolve a SIDA se você
for membro desse grupo.
Cabeças na areia
As pessoas pensam sempre que estão seguras até ser muito tarde - os
governos não são nenhuma excepção. Em San Francisco sabiam tudo sobre
esta estranha e nova doença chamada SIDA que matou homens jovens em
Nova York e em Los Angeles. Ficaram preocupados e começaram a procurar
sinais da propagação na sua própria comunidade. Deixaram passar. Quando
se aperceberam que tinham um problema, um em quatro da comunidade
homossexual inteira já estava infectado. A história repete-se em muitas
partes de África e na Ásia com respeito a propagação entre homens e
mulheres.
Muitos pastores têm as suas cabeças na areia. " Não temos um problema de
SIDA na nossa igreja " eles dizem-me. " Nesse caso a sua igreja deve ser
única ", eu respondo. Sempre que uma igreja está a crescer, as pessoas
encontram fé e as vidas mudam, mas a infecção fica, a menos que aconteça
um milagre.
„Isto nunca poderia acontecer aqui „
Em partes da África central parece que um em cinco de todos os homens,
mulheres e jovens já estão condenados pelo vírus. Agora sabemos que a
SIDA estava em África, assim como nos EUA, desde o início dos anos 60s.
As pessoas estavam a morrer, mas mesmo com todas as equipes médicas
alertadas, nós apercebemo-nos somente que havia um único caso de SIDA
em África em 1983. Nesse ano, de repente começamos a notar o desastre
silencioso na África central. Era possível que dezenas de milhares de pessoas
já tivessem perecido e milhões já estivessem infectadas. Para elas era
demasiado tarde.
Agora a SIDA está a ameaçar partes da Ásia de forma semelhante. Somente
em Mumbai mais de 1.000 pessoas são infectadas todas as noites. Eu visitei
vilas no nordeste da Índia na fronteira com Burma, onde de 40.000 pesssoas,
8.000 injectam heroína e 4.000 estão infectadas. Eu sentei-me na cama com
o filho de um pastor que estava morrendo cujo irmão mais velho já tinha sido
morto pelo HIV. Gerações inteiras têm sido devastadas. No entanto como
iremos ver, existe uma resposta muito simples que não custa nada e salva
21
milhões de vidas todos os anos.
Pior que uma guerra
Se todos os infectados com HIV sobrevivessem somente seis semanas, os
EUA estaria de luto nacional e a economia estaria à beira de um colapso.
Haveria um pânico maciço. Vietnam acabou com 50.000 jovens americanos
do exército dos EUA durante dez anos. Com mais de um milhão de infecções
de HIV nos EUA até agora, a SIDA faz as mortes de guerra parecerem quase
insignificantes. Mesmo que não houver uma única infecção nova nos EUA
após ter comprado este livro, o índice de morte será o equivalente de vinte
guerras do Vietnam.
E em África? Nós sabemos que o conflito armado incentiva a propagação. A
maioria das guerras hoje são guerras dentro das nações em vez de entre as
nações, criando milhões de refugiados. Quando a lei e a ordem se quebram e
as milícias armadas vagueiam pelas ruas ou saem das matas para parar o
tráfego, torna-se impossível fazer funcionar um serviço de saúde ou pagar
para que isso aconteça. Campanhas de prevenção deixam de funcionar e a
doença propaga-se. Grupos de homens armados indisciplinados
frequentemente têm muitos parceiros sexuais, ou porque têm uma arma
apontada para eles ou em retorno de favores. Tudo isto significa que HIV se
propaga ainda mais rápido.
Alguns relatórios informais sugerem que a taxa de infecção de HIV no
exército do Kenya é de até 90% entre alguns grupos. Sabemos que muitas
comunidades em África do sul já estão tão afectadas que uma em cada cinco
pessoas estão infectadas. Esta é uma epidemia de grande escala com um
impacto impensável em centenas de milhões de pessoas.
Então quem está seguro?
Você está seguro de não contrair SIDA se não estiver infectado e se for fiel a
um/a parceiro/a que também não está infectado/a, o/a qual continua sendo
leal a você e que não corre risco de utilizar drogas injectáveis ou tratamentos
médicos inseguros.
Nada novo sobre a SIDA?
As doenças sexuais existem a milhares de anos. A sífilis infectou e matou
dezenas de milhares de pessoas até que o tratamento foi encontrado quarenta
22
anos atrás. A gonorréia continua a espalhar-se rapidamente e agora é com
frequência resistente aos nossos medicamentos. Temos um grande problema
com o herpes que causa bolhas dolorosas, tornando o sexo impossível. Vem
e vai durante toda a vida. Não há nenhuma cura. O câncer de cólo do útero
(cervical) está a tornar-se mais comum porque as pessoas começam a
praticar sexo na adolescência e têm vários parceiros. Mais e mais mulheres
descobrem que não podem ter filhos. Isto é cada vez mais frequente por
causa de doenças sexuais, que causam danos interiores na mulher.
Geralmente a mulher não se apercebe até que o dano esteja feito.
A magnífica era do sexo terminou
Nos anos sessenta as pessoas falavam muito sobre liberação sexual uma vez
que a pílula significava que uma mulher estava segura quanto a uma gravidez
indesejável. Nos anos setenta, oitenta e noventa houve uma explosão da
actividade sexual entre jovens de muitas nações, e o número de pessoas que
necessitaram tratamento para doenças sexuais aumentou.
Vivemos agora com os resultados da era do sexo onde os relacionamentos
estáveis não eram tão importantes quanto divertir-se hoje a noite, onde
muitos pessoas deixaram de pensar duas vezes antes de ir para a cama com
alguém ou antes de cometerem adultério, e onde casamentos baseados na
lealdade muitas vezes passaram a não ter significado.
Mas o que é que tudo isto nos deixou? A nossa chamada „ maravilhosa ' era
do sexo deixou-nos com milhões de vítimas; pessoas jovens que cresceram
em famílias que ficaram destruídas porque um dos pais teve mais que um
parceiro sexual. Não é necessário ser médico ou psicólogo infantil para ver o
desastre que tem sido para muitos nos dias de hoje.
As pessoas hoje pensam com mais cuidado por causa da SIDA.
Capítulo Dois
Vacinas, Tratamentos e Preservativos
Ninguém morre somente de SIDA
23
A SIDA é uma condição em que um vírus específico enfraquece o seu corpo
de forma que outros germes podem invadir e matá-lo. Isto é o que o nome
“SIDA” significa: o nosso corpo é geralmente muito bom em destruir
germes. Chamamos a isto imunidade. Quando as suas defesas imunológicas
estão muito danificadas, dizemos que estamos a sofrer de uma deficiência
imunológica. Algumas pessoas nascem com um sistema imunológico
deficiente e outras adquirem deficiências por causa de uma doença. Como a
SIDA é adquirida através de uma infecção, nós a chamamos de sindrome da
imuno-deficiência adquirida (SIDA).
O HIV significa apenas Vírus de Imunodeficiência Humana, que é o nome
científico para o vírus que causa SIDA.
Qualquer que seja o nome que se use, uma coisa é importante, que
compreendamos que existem períodos no desenvolvimento da doença desde
a infecção, onde a pessoa é um portador infectado mas saudável, passando
pelos sintomas iniciais, e então finalmente à doença mais severa ou morte. O
processo leva anos. É totalmente impossível dizer por aparências quem esta
infectado e quem não está.
Que é um vírus?
Um vírus é justamente como um robô ou um programa de computador.
Contêm simplesmente algumas instruções escritas para ensinar as células do
nosso corpo como fazer mais vírus. Um vírus é composto de um saco de
proteína com uma tira pequena do código genético dentro dela. Semelhante
ao código que faz o cabelo ser castanho, o seu nariz e as suas orelhas da
forma que são. Tudo dentro de nós é programado por estes genes, e
surpreendentemente quase todas as células no nosso corpo têm dentro delas
todas as instruções para fazer nossa cópia completa!
O código dentro do vírus possui somente uma ou duas instruções, mas
erradas. Se o vírus ficar durante um momento na parte externa de um tipo
especial da célula branca do sangue, ele arrebenta como uma bolha
minúscula, espalhando o código venenoso dentro da célula. Dentro de alguns
minutos a célula faz uma cópia dentro do cérebro da célula (núcleo) e o
cérebro da célula é permanentemente reprogramado. Esta celula está perdida.
Matando as células-soldados
Durante algumas semanas ou meses, ou até mesmo por alguns anos, as
24
células-soldados infectadas continuam a flutuar no sangue, ou a nadar entre
os tecidos do seu corpo. A célula tem um objectivo na vida: encontrar e
destruir germes. Há centenas de germes diferentes e cada tipo de célula
branca é criada para atacar um tipo de germe.
Porque se fica doente
Somente determinados tipos de células-soldados são atacadas pelo vírus,
mas, a medida que o seu número começa a diminuir, torna-se cada vez mais
difícil para o seu corpo matar certos germes. Pode-se estar bem com uma
simple gripe e constipação. A maioria dos germes comuns são destruídos
rapidamente, mas um ou dois simplesmente continuam a crescer. O resultado
é uma infecção estranha no peito, TB ou outras doenças.
Quando uma célula-soldado encontra um germe com a forma adequada esta
entra em acção. Depois de ter estado adormecida durante anos, trabalha dia e
noite para produzir anticorpos. Estes cabem exactamente na parte externa do
germe e destroem-no. Mas se a célula foi reprogramada, o mecanismo fica
bloqueado. O novo programa entra em acção e diz à célula para parar de
ajudar a fazer anticorpos. Ao invés disso, começa a fazer novos vírus. A
célula começa a ficar mais doente e maior. Eventualmente estoura, regando
milhões de partículas de vírus no sangue. Cada um permanece no sangue
somente alguns minutos antes de tocar numa célula branca saudável,
arrebenta, injecta o código e reprograma células novas - células-soldados e
células cerebrais, por exemplo. Depois de algum tempo o corpo está
enfraquecido e outras infecções começam a surgir.
Algumas destas infecções simplesmente causam o enfraquecimento da
pessoa ou a perda de peso, mas as infecções de peito podem matar e são
muito difíceis de ser tratadas. Ninguém morre unicamente de SIDA. Morre-
se na maior parte das vezes por causa das outras infecções que se apoderam
do seu corpo quando as suas defesas estão danificadas, ou de cancros
relacionados com HIV. TB é um assassino comum de pessoas com infecção
de HIV avançada.
Novidades sobre Curas, Vacinas e Preservativos
Quase todas as semanas parece que lemos ou ouvimos a respeito de alguma
cura nova para a SIDA. Dizem que alguém já encontrou uma vacina, e
também nos dizem como o sexo é seguro se usarmos um preservativo. Estas
coisas são boas notícias se forem verdadeiras – mas são mesmo? Alguns
25
dizem que se tiver sexo com uma virgem estará curado. Absurdo. É
surpreendente no que as pessoas acreditam.
Muito daquilo que se lê e se ouve é disparate. Se fosse tão fácil como
algumas pessoas dizem para encontrar uma cura, ou se uma vacina boa
tivesse sido encontrada, os médicos, as enfermeiras, os hospitais e os
governos poderiam parar de se preocupar. A razão pela qual há tanto
alvoroço em relação à prevenção da propagação da infecção é porque a
verdade é que não há nenhuma cura, nem há uma em nenhum lugar a vista.
Não há nenhuma vacina que funcione, nem há probabilidades de existir uma
vacina nos próximos dez anos. Para tornar as coisas ainda piores, os
preservativos não são tão seguros como muitas pessoas pensam .
Eu espero que em breve tenhamos um medicamento que mate vírus e seja
seguro. Quando isso acontecer, teremos uma cura para a gripe, constipações
comuns, a poliomielite, a hepatite, o herpes e muitas outras doenças tais
como a febre glandular; assim como uma cura para a SIDA. Ainda temos
uma longa estrada a pela frente.
De momento não temos a tecnologia para o fazer. Fazer uma cura envolver-
nos-á na invenção de algumas ferramentas surpreendentes que nos permitirão
trabalhar dentro das células individuais no corpo. Aterrar um homem na lua
ou no planeta Marte é muito simples comparado às habilidades necessárias
para encontrar uma cura. A pessoa que encontrar a cura irá ficar nos livros da
história como um dos maiores inventores de todos os tempos. Livros serão
escritos sobre ele ou ela durante uma boa parte do século XXII .
Enquanto isso iremos ler sobre centenas de curas „falsas‟. O problema com a
SIDA é que as pessoas que estão infectadas na verdade não morrem
simplesmente de SIDA. Como vimos, morrem das infecções e dos problemas
que aparecem quando a SIDA enfraquece o corpo. Qualquer coisa que ajude
o corpo a livra-se destas outras infecções pode ajudar alguém a fazer uma
recuperação considerável. Vão para casa parecendo melhores da doença, e
estão por vezes ainda completamente bem alguns meses mais tarde. Até que
apanhem outra infecção no peito, as pessoas pensam que estavam curadas.
Isto dá origem a rumores e relatórios falsos:
“Eu tomei este antibiótico especial e dentro de um dia estava fora do hospital
e não olhei para trás desde esse dia. Eu já não tenho SIDA”.
O primeiro comentário é correcto, o segundo é errado. A pessoa poderia
morrer rapidamente a qualquer momento. As células-soldados enfraquecem
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cada vez mais, e com o passar dos dias o corpo fica mais vulnerável aos
novos germes. Embora a pessoa possa parecer estar bem, ela está sentada
numa bomba – relógio.
Curas Ruins
Em Uganda a alguns anos atrás acreditava-se que as drogas para a
tuberculose eram uma cura para a SIDA. Isso é um absurdo. Sabe-se que as
pessoas com SIDA estão propensas a morrer principalmente de tuberculose.
Os medicamentos curam a tuberculose, não a SIDA. Nos EUA, os
tratamentos para a sífilis foram chamados tratamentos para SIDA. Não são -
ajudam pessoas a recuperam-se simplesmente da sífilis.
Algumas pessoas estão a fazer dietas da moda, comida integral, vitaminas
em doses grandes, exercício, sono e psicoterapia em combinações variadas
como uma cura para a SIDA. Que valor têm estas coisas?
É verdade que se as suas células-soldados não estiverem a funcionar
demasiado bem então qualquer coisa que ajude a sua imunidade vai ajudar a
mantê-lo saudável, e as coisas que o fazem não funcionar bem e sentir-se
doente devem ser evitadas. O bom senso diz-lhe para tomar conta de si.
Coma refeições adequadas e regulares, faça algum exercício, mantenha o seu
peso razoável, coma bastante fruta fresca, deixe de fumar, reduza o álcool e
pare com todas as drogas recreadoras e certifique-se que dorme o suficiente.
Estas medidas de baixo custo podem prolongar a vida e o bem-estar da
maioria das pessoas e em especial daquelas com SIDA ou início da infecção
de HIV.
Contudo, algumas pessoas estão a anunciar todo o tipo de remédios muito
caros e inúteis. Muitas pessoas estão a fazer muito dinheiro com a SIDA.
Tratamento Eficaz
É verdade que há alguns medicamentos muito caros disponíveis em alguns
países chamados inibidores de protese de HIV e outras coisas. Mas estes
medicamentos só reduzem o fogo, não o apagam. São todos tóxicos e pode-
se morrer de excesso de tratamento e isto significa muitos testes de hospital.
Os medicamentos têm que ser tomados a vida inteira.
Até bem pouco tempo, um médico de Burundi teria que juntar todo o seu
salário durante 5 anos para pagar o tratamento e controlo de apenas uma
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pessoa nesta medicação durante um ano – e a pessoa iria de qualquer forma
morrer de SIDA. Por causa disso, há um clamor de justiça e os fabricantes
têm dado passos para promover os medicamentos a um custo mais baixo.
Apesar disso, as pessoas com uma renda inferior a dois dólares ao dia, de
qualquer maneira teriam que juntar todas as suas economias durante dois
anos para pagar dois dias de tratamento de um membro da família.
A mesma insensatez da idéia de que todas as pessoas nos países mais pobres
podem ter acesso ao uso de preservativos quando têm sexo se observa ao
fingir que estes medicamentos de baixo custo irão fazer alguma diferença
para as pessoas mais pobres. Por esta razão a Organização Mundial de Saúde
lançou uma nova iniciativa global em 2003, com vista a fornecer
medicamentos anti-virais grátis a pelo menos 3 milhões de pessoas doentes
por causa do HIV, até 2005 (programa 3 por 5). Este programa ambicioso
somente alcançará objectivos se trabalhar em conjunto com as igrejas e
organizações cristãs, que como vimos, são os principais provedores de
cuidados nos países mais pobres. Aqueles cujo teste deu positivo e estão
doentes com os sintomas que sugerem SIDA, após o aconselhamento
preliminar, começarão com um tratamento que contêm mais de um
medicamento antiretroviral, com testes de sangue simples cada duas semanas
para se certificar que os seus corpos podem usar com segurança os
medicamentos (veja a parte de trás do livro sobre como conseguir grátis o
tratamento SIDA OMS).
E as vacinas?
As vacinas são as nossas únicas armas contra as doenças virais. A
poliomielite, a coqueluche, o sarampo e outras doenças estão a desaparecer
graças as vacinas. Um programa internacional contra a varíola conseguiu
eliminá-la da face da terra. Então por que não a SIDA?
Uma vacina é feita ao dar-lhe um germe inofensivo mas que tem a mesma
forma exterior que o germe da doença. Dentro de uma semana pode-se
desenvolver anticorpos especiais para começar a livrar-se dele. A primeira
vez demora sempre mais. A próxima vez que encontrar o mesmo germe,
levará apenas uma ou duas horas para que as células-soldados comecem a
batalha. As suas células-soldados podem lembrar-se de um germe que
encontraram vários anos antes.
Se alguém tiver um germe completamente diferente e perigoso, e a forma
for a mesma que a do germe que o seu corpo encontrou previamente, o seu
corpo está bem preparado, e em vez de morrer da poliomielite, por exemplo,
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sentir-se-á ligeiramente adoentado e começará a melhorar num dia ou dois.
A vacina tornou-o imune.
Mestre do disfarce
O problema com a SIDA é que o vírus continua a mudar a sua forma e
confunde as células soldados. Uma vacina que se dá a alguém hoje pode
proteger a ele ou ela a semana seguinte, mas o que acontecerá no mês
seguinte? Aqui temos um vírus que é imune as suas células-soldados. É por
isso que o seu corpo quase nunca consegue se livrar dele. Existem outros
vírus que mudam de forma também. Deve-se ter perguntado por qual motivo
a gripe é ainda uma causa principal das ausências no trabalho ou na escola,
ou por que todos os nossos esforços são derrotados pela constipação comum.
A razão é que ambas estas doenças são causadas pelos vírus que tendem a
parecer um pouco diferentes cada vez que se encontra com eles. Na altura em
que tiver passado a sua constipação a um amigo, e esta tenha sido passada
mais algumas dezenas de vezes, já viajou metade do mundo, infectou talvez
10.000 pessoas num total, e alterou de forma. Cada pessoa infectada produz
vírus novos dentro da célula do nariz e às vezes os vírus que saem não são
exactamente da mesma forma que os vírus que entraram.
Um ano ou dois mais tarde encontra-se com alguém com uma constipação –
a mesma constipação que você teve antes. Se o vírus fosse como o sarampo
ou a varicela, o seu corpo recordar-se-ia e matá-lo-ia imediatamente. Mas o
vírus parece tão diferente na parte externa que quando as células-soldados
consultam as fotos de arquivo, elas simplesmente não conseguem identificá-
lo. Não existe nenhum anticorpo pré-fabricado que seja bom o suficiente,
assim que as células-soldados têm que começar tudo outra vez.
Uma vacina para a gripe
Há uma vacina para gripe e ela apenas funciona porque o vírus tende a
permanecer por mais tempo com a mesma forma que o vírus da constipação.
Temos que olhar aquilo que vem do outro lado do mundo. Tiramos amostras
de pessoas em Hong Kong e na Austrália e sabemos que se nós pudermos ter
as vacinas feitas e começarmos a aplicá-llas nas pessoas idosas no Canadá,
então talvez possamos reduzir o número de mortes por gripes este inverno.
Mas tem que ter uma vacina nova todos os anos.
29
Então mesmo que encontremos uma vacina para a SIDA que seja segura e
funcione, teremos que provavelmente revacinar a todos com intervalos
frequentes. O vírus pode ainda assim não ser destruído. Pode mudar de forma
em maneiras pequenas na mesma pessoa num prazo de algumas semanas,
assim os anticorpos que funcionam bem no inicio do mês são quase inúteis
no fim do mês.
Um vírus vestido para se parecer com você
Não importa o que você lê , a verdade é que nunca encontramos um único
anticorpo humano que seja poderoso contra o HIV - mesmo que seja
exactamente da forma adequada. Quase todos os infectados produzem
anticorpos, mas mesmo assim ficam doentes e morrem. Este vírus é imune
aos anticorpos.
Assim quando voltar a ouvir acerca de algum cientista maravilhoso que deu a
si próprio uma dose da vacina para SIDA, tenha cuidado. A única maneira
que saberemos se funciona é dando-lhe uma injecção de sangue de alguém
que tenha a SIDA e ver o que acontece. Mas quanto tempo pensa que terá
que esperar para estar absolutamente certo que ele nunca desenvolverá a
SIDA? Possivelmente dez anos. Até lá a esposa e filhos viverão na
expectativa, sabendo que ele pode morrer, e também que ele pode ser um
portador infectado.
Fazer-lhe um teste?
Pode perguntar porque que não podemos fazer-lhe um teste de SIDA.
Infelizmente, o teste de SIDA não é nada do tipo. É extremamente difícil
detectar este vírus tão minúsculo. O único teste extensamente disponível que
temos no momento não é para o próprio vírus, mas para os anticorpos que
quase todos as pessoas infectadas criam. Assim as pessoas que querem ser
testadas com frequência, têm que esperar algum tempo depois de terem sido
expostas ao risco, o que pode ser um periodo de até doze semanas. Se
encontrarmos anticorpos, isso significa que a pessoa esteve exposta à
infecção - ou que ele ou ela tenha desenvolvido anticorpos por causa de uma
vacina. Não podemos ver a diferença.
A maioria de peritos sentem-se deprimidos quando têm que falar sobre
vacinas. Dizem que é quase certo de que deveremos esperar ainda uns 10
anos para encontrar uma vacina que funcione, e mesmo que se encontre
levará anos para se ter a certeza que é suficientemente segura para se dar a
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um grande número de pessoas e para se produzir a custos baixos e em
grandes quantidades.
Os preservativos não são a resposta definitiva para a SIDA
Muitas igrejas não gostam de falar sobre preservativos. Mas qual é a
verdade? Preservativos são uma resposta médica? É a promoção de seu uso
algo que é contrário aos valores de Cristo? E uma outra pergunta...
Se a SIDA mata, o corpo não pode lutar contra isso, os medicamentos
realmente não a podem tocar e as vacinas são inutéis, então que esperança
existe? Sempre que eu entro em escolas ou falo com os jovens, todos dizem-
me que sexo seguro é sexo com preservativo apesar de que eles também
podem ter decidido nunca usar um. Mas mesmo que eles mudassem a sua
maneira de pensar e começassem a usar preservativos, a questão é saber se
eles funcionam tão bem como as pessoas dizem. Algo que ninguém gosta de
dizer é que os preservativos podem não ser tão seguros como se pensa.
Aqui está a verdade:
Os preservativos podem reduzir o risco do HIV espalhar-se enormemente
mas não são 100% seguros.
E aqui está uma preocupação:
As vezes a promoção indiscriminada de preservativos pode dar uma
mensagem confusa aos jovens: por um lado encorajá-los a ser celibatários e
então fiéis, e por outro lado parece talvez incentivá-los a ter parceiros
múltiplos em situações onde eles podem ser expostos à infecção a menos que
usem preservativos.
Todos concordam que uma coisa muito importante, mais do que qualquer
outra produziu a explosão sexual dos anos sessenta, com a liberação das
mulheres do medo da gravidez, a habilidade de planear confiantemente uma
família, e de explorar relacionamentos sexuais livres. A liberação sexual dos
anos sessenta foi produzida pela pílula e não pelo preservativo.
Bebês de preservativos
Antes dos anos sessenta toda mãe advertia sua filha que se dormisse com
qualquer um poderia acabar com um bebê que não queria. Preservativos já
existem a anos - desde 1850 BC (não AD), de facto. Os chineses antigos e os
romanos sabiam tudo sobre preservativos e nessa época não eram mais
seguros.
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Durante a segunda guerra mundial, os preservativos eram livremente
disponíveis e eram a principal forma de contracepção, contudo „bebês da
guerra‟, nascidos de mulheres que tiveram breves encontros amorosos com
os soldados que estavam de folga, transformaram-se numa piada permanente.
Milhares de pais e avós, tias e tios de hoje, nasceram como ' bebês da
guerra‟, ou após a guerra, como „bebês de preservativos‟. Estes eram os
bebês que surpreenderam e chocaram raparigas novas que pensaram que
estavam seguras da gravidez porque os seus namorados ou maridos usavam
preservativos.
Ainda hoje o êxito dos últimos preservativos não é tão bom como muita
gente pensa, quanto à prevenção da gravidez. Se eu, como médico, tenho
cem mulheres jovens como pacientes que escolheram o preservativo para se
prevenirem contra uma gravidez não desejada, todos os anos eu posso
estimar que talvez catorze das cem virão ao consultório em estado de
choque e confusas porque o período menstrual falhou, mas que não podem
acreditar que estão grávidas porque os seus parceiros usaram preservativo.
Preservativos perfurados!
Para a sua informação, preservativos à venda os quais são de baixa
qualidade, sete em cada dez podem ter furos neles, ou falhas quando se abre
o pacote. Os melhores têm apenas um em 200 com um furo antes de
começar. Mas o que acontece depois de abrir o pacote é ainda mais
importante. Pode ser bem difícil usar correctamente um preservativo. Na
escuridão com a atrapalhação o preservativo pode rasgar-se, ficar preso nas
jóias da mulher, ele pode rebentar, cair, enrolar ou vazar se não for removido
com cuidado depois de fazer amor.
Se formos honestos temos que assumir o fato de que ninguém está
completamente certo porque os preservativos têm o péssimo hábito de nos
desapontar. Uma boa razão pode ser que as pessoas que dizem que os usam,
os compram com boas intenções, mas no afã do momento não conseguem
chegar a usá-los.
Você pode ser infectado mesmo com preservativo
Se fosse desenhar um esperma e um vírus na mesma escala, então um
esperma de dez centímetros de comprimento pode ser comparado a um vírus
do tamanho da cabeça de um alfinete. Se o esperma pode passar de um
homem para uma mulher, então os vírus também podem. Eles também
32
podem passar de uma mulher para um homem. Então não é surpreendente
descobrir relatos atuais de homens que infectam as suas esposas, ou vice-
versa, com o vírus do HIV, apesar de terem usado preservativos
cuidadosamente.
Mesmo se um preservativo falha, é improvável que uma mulher fique
grávida. Só se pode ficar grávida durante três dias em um periodo de trinta
dias, e mesmo que isso aconteça no dia em que existe um óvulo a espera de
ser fertilizado, muitas pessoas têm que tentar muitas vezes antes do bebê ser
concebido De facto cinco em cem pessoas nunca o conseguirão. Outros cinco
em cem irão passar meses ou anos de ansiedade a tentar antes de
conseguirem ter um bebê. Um casal passa em média quatro meses a tentar.
Mas com HIV, você pode, teoricamente, ser infectado em qualquer dia do
mês. Uma vez é o suficiente para contagiar-se.
.
Os preservativos são como cintos de segurança
Os cintos de segurança salvam milhares de vidas todos os anos, mas teme-se
que como as pessoas se sentem mais seguras usando os cintos, isso encoraja
o excesso de velocidade, passando nos sinais vermelhos e fazendo
ultrapassagens malucas. No fim as pessoas podem acabar em situações mais
perigosas, e o número de vidas salvas pode não ser tão grande quanto o
desejado.
Os preservativos são exactamente o mesmo: reduzem a possibilidade de
morrer de uma actividade que pode ser altamente perigosa. Ao promover o
seu uso dizendo que são mais seguros do que na realidade eles são, algumas
campanhas de saúde podem incentivar as pessoas a não alterar a sua forma
de viver. „Continue como de costume, mas lembre-se, quando puder, use
preservativo‟.
É muito simples: se vai correr o risco de fazer sexo com alguém que pode
estar infectado (e como é que saberá, uma vez que as pessoas nunca dizem a
verdade e você não pode saber somente pela aparência) e não usar o
preservativo, você está louco.
Um preservativo pode muito bem salvar a sua vida. Sem dùvida os
preservativos já salvaram milhões de pessoas da morte de SIDA.
Quando usar preservativos tenha a certeza de que são de boa qualidade. Estes
podem deteriorar-se em países quentes se forem guardados por muitos meses
33
antes de serem usados. Em conjunto, use um espermicida que contenha
nonoxynol para reduzir ainda mais o risco. Se quiser usar um lubrificante,
use aqueles que são à base de água e que contenham espermicida de
nonoxynol. Os lubrificantes à base de óleos podem estragar os preservativos
em minutos.
Mas não pense que porque simplesmente usou um preservativo nunca vai
haver um bebê ou nunca vai ficar infectada.
Se tiver sexo regular com alguém, ou com pessoas portadoras do vírus, então
um dia, com ou sem preservativos pode ficar infectada. O mesmo acontece
com alguém que gosta de conduzir carros velozes de desporto para além dos
limites de segurança da estrada, pensando que nunca poderá morrer num
acidente porque usa sempre o cinto de segurança. O cinto de segurança
torna-o mais seguro – mas isso não garante que não se vai ferir.
Não pode abortar para se livrar da SIDA
Os preservativos reduzem o risco em aproximadamente 85-95%, mas eu não
confiaria a minha vida a um preservativo. Há pessoas que estão infectadas ou
morreram, apesar de os terem usado. Preservativos não são tão seguros como
muitos de vocês pensam. Toda a literatura de saúde diz que ' para um sexo
mais seguro use preservativo '. O problema é que ouvimos apenas o que
queremos ouvir. Nós ouvimos ' seguro '. Como alguém disse recentemente,
você pode abortar um bebê, mas não pode abortar a SIDA.
Preservativos podem ser usadas por mulheres
Existem alguns novos tipos de preservativos já disponíveis. Estes são feitos
do mesmo material que qualquer preservativo, mas com reforço para o
manter no lugar dentro da mulher. Podem fornecer uma protecção adicional.
O problema é que quando um homem e uma mulher estão realmente a fazer
amor, estas membranas muito finas de borracha, usadas pelo homem ou pela
mulher, pode deslizar ou mover-se. As coisas acontecem, e nenhum dos
parceiros dá-se conta, somente algum tempo depois quando já é demasiado
tarde. Quanto mais forte e mais grosso o preservativo, menos pessoas se
interessam por eles. O preservativo ideal é invisível, com nenhum parceiro
sentindo algo diferente. Contudo, isto não existe, embora alguns digam que o
preservativo feminino é uma melhoria, e pode ser usado muitas vezes, 35
milhões foram vendidos em todo o mundo.
34
Preservativos devem ser parte da resposta cristã à SIDA
As igrejas tomam uma posição diferente em assuntos relacionados aos
preservativos mas não importa o quanto anti-preservativo a igreja possa ser,
considere isto: um homem vem ter com o pastor porque ele tornou-se
infectado através de uma transfusão de sangue e está preocupado sobre a
saúde da sua mulher. Os dois fizeram o teste. Ele está infectado mas ela não.
Que conselho lhe será dado? Certamente o único conselho que faz sentido
para os dois, marido e mulher, é entenderem que existe um sério risco para a
vida deles se eles tiverem sexo sem protecção, mas se usarem o preservativo
com cuidado todas as vezes que fizerem amor, isto irá reduzir enormemente
o risco da mulher ser infectada. Nestas condições seria uma loucura, de facto
quase um assassinato, não informar o casal sobre os benefícios reais do uso
do preservativo.
Em situações como esta, deixe-nos avaliar os riscos. Sabemos que se os dois
parceiros estão saudáveis, apesar de um ter HIV, isto é se nenhum tiver
sífilis, gonorréia, cancróide não tratados ou outra doença crónica
sexualmente transmitida, então num coito normal e heterossexual, as
possibilidades de transmitir HIV durante um único episodio é provavelmente
menos que um em 200. E sabemos que usando preservativos pode-se reduzir
ainda mais o risco em até 90% ou mais. Isto quer dizer que o risco de se
contrair HIV através do seu marido ou esposa se usarem preservativos é
provavelmente menos de um em 2000 se usar preservativos com cuidado em
situações como estas. Noutras palavras em media tal casal teria que fazer
amor 2000 vezes para que o parceiro que não está infectado contraia HIV. É
claro que isto poderia acontecer depois de apenas vinte vezes, ou não
acontecer mesmo depois de 10.000 vezes. Isto é uma estimativa média que se
obteria ao acompanhar o que acontece a centenas de casais.
Assim, para um cristão parece óbvio que em algumas circunstâncias ao
menos não deveria haver qualquer reserva sobre o uso de preservativos onde
o objectivo seja salvar a vida de um marido ou de uma esposa dentro do
casamento. Depende da igreja o quanto mais longe podemos seguir nesta
direção e quero acrescentar que tradições e culturas variam enormemente.
Dilemas para casais comprometidos
Infelizmente, alguns líderes da igreja em países muito afectados estão a dizer
que não casarão ninguém a menos que tenham sido testados, e se um ou
35
ambos tiverem o HIV eles os proibirão de se casar. Mas eu não encontro
nenhuma passagem da bíblia que apoie tal acção. Claramente nós devemos
incentivar as pessoas a terem muito cuidado e serem responsáveis. Se o
homem e a mulher tiverem o HIV eu não vejo nenhuma razão médica para
que não se possam casar, mais do que duas pessoas com câncer. Muito
provavelmente pensarão com cuidado antes de tentar ter filhos, em parte por
causa do risco de infectarem as crianças, apesar de que os medicamentos do
HIV podem reduzir esse risco quando o tratamento é feito durante o período
de gravidez. Mas em parte também por causa do risco ao bem-estar da
criança se ficar órfã quando ainda pequena.
Um casal noivo em que um está infectado e o outro não, encontra-se numa
terrível situação, porque eles começam um relacionamento para toda a vida
onde o acto de maior intimidade pode matar um deles. Mas mesmo assim
parece-me que estas coisas são questões de cuidadoso aconselhamento
pessoal e não podem ser feitas regras absolutas da igreja.
E fumar ?
Eu estava recentemente a debater este assunto sobre preservativos com
muitos líderes de igrejas no Burundi. Eu perguntei–lhes se aprovavam fumar.
Eles disseram que não. Eu realcei que se pode fumar cigarros com filtros ou
sem filtros mas cigarros com filtros são muito mais seguros, eles matam
menos pessoas. Então se eles tiverem um amigo que insiste em fumar,
deveriam eles encorajar o amigo a fumar cigarros com filtros? Iriam eles
explicar-lhe que isso seria mais seguro? Ou iriam eles sentir que isto só
estava a encorajar as pessoas a fumarem ainda mais?
Eles concordaram que por muito que estivessem contra fumar, a ùltima coisa
que queriam era que os cigarros fossem ainda mais perigosos e concordaram
que a publicidade do governo devia explicar que é melhor para os fumadores
utilizarem marcas com filtros.
Eu realcei que isso de muitas maneiras era o mesmo tipo de argumento com
os preservativos. Se alguém vai correr o risco de qualquer maneira (apesar de
todos os nossos avisos), e poderia perder a sua vida como resultado de uma
relação sexual com um parceiro infectado esta noite, não temos nós as
mesmas obrigações de adverti-los dos riscos, e explicar como evitar uma
sentença de morte lenta?
Assim para mim o assunto está claro: fazemos tudo o que podemos para
encorajar celibato e lealdade, mas também fazemos as pessoas conscientes
que existe uma maneira de reduzir o risco de morte, se eles decidem seguir o
seu próprio caminho.
36
Preservativos são muito caros para as nações pobres darem a todos
Existe um outro problema com os preservativos: os custos. Apenas o
preservativo feminino pode ser usado mais de uma vez com segurança. Então
quem é que os vai fornecer?
ACET International Alliance – a rede de programas de SIDA em muitas
nações a qual eu ajudei a fundar em 1988 – recebeu uma oferta de 140
milhões de preservativos chineses entregues num porto em África por um
determinado preço. Eu disse-lhes que mesmo que tivesse o dinheiro, eu
calculei que 140 milhões de preservativos no continente africano durariam
somente uma noite e depois o que fariam as pessoas? E mais, isto acabaria
com o nosso orçamento para o HIV por muito tempo. Mesmo a Organização
Mundial de Saúde não tem dinheiro suficiente para apoiar projectos como
este de forma sustentável. O Ministro da Saúde do Uganda recebeu uma
oferta de meio milhão de preservativos de um rico empresário de saúde em
1990 e teve a mesma reacção: “ Muito obrigado mas isso só vai durar um dia
no nosso pais”. Temos que pensar em algo mais profundo que pedaços de
borracha. Temos que confrontar a realidade. Temos que pensar numa escala
muito maior e prolongada.
Preservativos podem ser a solução para pessoas ricas, capazes de comprar
quantos necessitarem, ou para aqueles que têm a sorte de viver perto do
ponto de distribuição livre, mas uma coisa é certa: nações ricas não podem e
não estão dispostas a dar dinheiro suficiente para que em cada acto sexual se
utilize o preservativo em 2/3 terços do mundo, assim que a idéia de que
devemos dizer a todos para usarem preservativos é uma piada cruel. E
quando 2 bilhões de pessoas sobrevivem com salários de menos de $2 por
dia, vivendo em países onde o orçamento da saúde é somente de $ 2 por
pessoa para o ano inteiro, como podem os preservativos serem uma solução
sustentável, economicamente viável e apropriada para a realidade local?
Preservativos têm que ser produzidos em fábricas de alta tecnologia, com
alta qualidade, empacotamento cuidadoso e bem armazenados. É por isso
que são caros e uma estranha solução de “estilo ocidental” para uma
sociedade de baixa tecnologia onde muitas pessoas das áreas rurais talvez
tenham muito poucos objectos manufacturados: o contentor plástico para a
água, algumas panelas de metal para cozinhar, o rádio a pilhas e as roupas
que eles vestem. Todo o resto é produzido daquilo que cresce na região ou é
extraído da terra. Temos realmente a esperança de que os preservativos
sejam uma solução em lugares como este? É claro, preservativos também
têm a vantagem de propiciar um controlo no planeamento familiar para
aqueles que querem, mas os problemas práticos permanecem.
37
HIV é um problema de desenvolvimento
Esta é uma das razões que nos leva a concluir que o HIV é um problema de
desenvolvimento. A pobreza reforça a propagação. A ignorância, falta de
assistência médica, comunicação inadequada, falta dos meios necessários de
subsistência, crianças que ganham dinheiro ou comida através de sexo casual
e por ai fora. Estes ciclos de privação precisam de ser rompidos. Focando-
nos somente no HIV não irá parar a SIDA.
Tenha como exemplo uma trabalhadora do sexo profissional que esteja
infectada: como é que ela viverá se parar de oferecer os seus serviços aos
homens? Quem vai dar de comer aos seus filhos? Quem vai pagar os seus
medicamentos? Campanhas de prevenção não são suficientes. Necessitamos
de uma abordagem global que não veja só o estado físico dos infectados mas
também as condições mentais e sociais.
É por isso que uma das armas contra o HIV é o crescimento económico:
incentivar investimentos, negócios e comércio internacional. Micro bancos,
esquemas de geração de dinheiro e outros programas de auto ajuda têm um
papel indispensável, não somente em aumentar a renda geral da nação, mas
também em ajudar aqueles com o HIV a refazerem as suas vidas e ajudar os
órfãos a sobreviver. Eu vi 40.000 pessoas serem tiradas de uma pobreza
absoluta de lugares como Delhi: pessoas que estiveram em tendas e
musseques agora vivem em casas de dois andares com todas os recursos, e
com êxito nos negócios na maior parte dos casos como consequência do
plano da micro-operação bancária, onde grupos de mulheres, juntas pedem
pequenos empréstimos para vários negócios e garantia recíproca.
Como vimos a SIDA é uma doença terrível para a qual não existe cura ou
vacina. A única esperança é ensinar as pessoas como se protegerem da
infecção. Se não há cura, nem vacinas, e os preservativos meramente
reduzem o risco, além de serem muito caros ou difíceis de se obter para
milhares de pessoas, qual é a resposta?
Experiência em África
Apenas alguns semanas atrás eu viajei para um pais onde uma solução foi
urgentemente necessária para prevenir uma grande parte de toda uma
geração de desaparecer por completo. Uganda teve no passado mais relatos
de casos de SIDA que qualquer outro pais em África. Você pode pensar que
este seja o pior caso, mas não é. Com certeza, Uganda é o país com
governantes mais honestos e corajosos, e que teve uma das campanhas de
maior êxito no mundo com resultados surpreendentes.
38
Houve diversas outras nações africanas que tiveram sérios problemas da
mesma natureza, ou talvez ainda pior, mas que não admitiram. Um país de
facto reduziu o número de casos de SIDA que tinha, apesar de que os
médicos nesse país sabiam que os números foram manipulados. Se as
pessoas pensam que um país tem muitos casos de SIDA, então muitas
companhias retiram-se e os turistas param de vir. A economia sofre, além de
ter milhares de jovens doentes para cuidar, se tem também um aumento nos
índices de desemprego e de pobreza.
O governo de Uganda admitiu abertamente que existia um grande problema.
Isto abriu as portas para a ajuda internacional e também para a educação.
Como é que se pode educar pessoas sobre uma causa principal de morte
quando não se admite oficialmente que alguém está a morrer disso?
Em algumas partes da África central, um em três dos condutores de
caminhão nas vias públicas estão infectados, e metade das raparigas que
vagueiam nos bares a noite. Talvez um em cinco de todos os homens jovens
e mulheres em algumas dessas vilas estão infectados. Alguns dizem acreditar
que existem vilas na África central onde talvez metade de todas as pessoas
jovens sexualmente activas estão a morrer.
Como qualquer outra doença sexual
Eu conheci uma mãe que tinha perdido duas filhas. O seu rosto era um
retrato do sofrimento. De forma digna e calma, ela disse-me como foi que
elas tinham morrido. “ Preferia que tivesse sido eu” ela disse, “elas eram tão
novas”. Em África a infecção propagou-se como qualquer doença sexual: de
homem para mulher e de mulher para homem. Os europeus que passam
algum tempo nesses países muitas vezes regressam aos seus paises
infectados depois de terem tido sexo somente algumas vezes.
Em 1988 eu visitei Uganda pela primeira vez: falamos com mais de 20.000
pessoas durante dez dias, a convite dos Ministérios da Saúde e Educação.
Quando fomos as escolas e pedimos que levantassem as mãos aqueles que
conheciam pessoalmente alguém que tinha morrido por causa da SIDA,
metade levantou a mão. Dois anos mais tarde foram quase todos.
Nós organizamos enormes reuniões em espaços abertos com uma grande
banda musical africana, um sistema enorme de alto falantes públicos e
intérpretes. Milhares de pessoas vieram das vilas locais . Por volta de 2.500
pessoas sentaram-se no largo ou ficaram sem se mover, por volta de três
horas: enquanto nós ajudamos as pessoas locais a educarem e responderem
questões. A maior parte da audiência era homens - que quase nunca
apareciam a eventos como este normalmente. Eles vieram porque na área
39
onde estávamos, a SIDA tinha se tornado num assunto de vida ou morte para
todos.
Desesperado por um teste
Muitas pessoas vieram ter comigo para fazerem o teste. Elas tinham boas
razões para estarem preocupadas. Sabiam que existia uma possibilidade
muito elevada de que qualquer uma das duas pessoas prestes a casar podia
estar infectada. Se os dois estivessem, era uma coisa, mas se não, então um
podia matar o outro. O que é que poderiam fazer? Não irá convencer dizer-
lhes somente para usarem preservativos com cuidado para o resto das suas
vidas.
E as crianças? Se a rapariga tem um bebê, ela sabe que a infecção pode
passar através do leite. Ela quer ser testada para ter a certeza que ela não vai
matar o seu bebê acidentalmente. Uma esposa vem ter comigo. Ela estava
preocupada porque o seu marido saía regularmente com outras mulheres até
muito tarde. Ele admitiu que tinha repetidamente sido infiel nos ùltimos 10
anos, e os dois chegaram a conclusão que ele poderia facilmente estar
infectado, assim como muitas das pessoas que ele conhecia que tinham
morrido. Eles queriam saber se era seguro para ele dormir com alguém
novamente – muito menos com a sua mulher.
Todas estas pessoas ansiosas não necessitam somente de concelho. Algumas
delas têm uma necessidade urgente de serem testadas. O teste é uma das mais
poderosas armas que temos na luta contra a SIDA porque isto ajuda a
identificar as pessoas que carregam o vírus e então podem fazer algo para
não matar outros e receber tratamento efectivo. Isto também ajuda outras
pessoas a descobrirem que elas e os seus parceiros não estão infectados,
assim eles deixam de se sentirem ansiosos, não precisam mais utilizar
preservativos durante as relações sexuais para o resto da vida sem o risco de
contraírem HIV desde que nenhum dos dois seja infiél.
Um/a parceiro/a para a vida
A resposta do governo de Uganda à crise foi rápida e admirável. Apenas
mensagens diretas e objetivas. Para eles as respostas eram óbvias e claras:
“sexo seguro é sexo entre virgens agora casados para o resto da vida”. (Se
realmente não poder controlar esta situação, os preservativos podem salvar a
sua vida)”
40
Em África vários governantes também estiveram muito preocupados sobre a
propagação através de tratamentos médicos. Em algumas áreas um em cinco
litros de sangue doados aos bancos de sangue dos hospitais estão cheios de
vírus. Felizmente agora em quase toda a África existem instrumentos e
recursos para testar o sangue. As reservas de agulhas podem também ser
poucas, ou equipamentos para aquecer e estrelizar podem estar avariados ou
não existirem. Ninguém nunca irá saber quantos médicos e enfermeiros
foram mortos em África desconhecendo o verdadeiro motivo. Uma parte
importante da campanha de saúde tem-se certificado que todos estão cientes
dos perigos do sangue e das agulhas.
As pessoas dizem que África é diferente
Muitas pessoas tentaram encontrar as várias razões pelas quais África é
diferente. Você tem que tirar as suas próprias conclusões. Algumas pessoas
dizem que os africanos são especialmente sensíveis ao HIV, é por isso que o
virus se propagou tão rapidamente. Eles encontraram esta explicação por
experiências feitas numa clínica em Londres. Por seis meses esta foi a
resposta que correu pelo mundo, até os médicos fazerem uma confissão
pública que eles tinham erradamente calculado os números.
A seguinte resposta dada foi que os africanos são muito mais promíscuos. As
pessoas acreditam naquilo que gostam de acreditar. Embora seja certamente
verdade que alguns padrões de comportamento incentivam parceiros sexuais
múltiplos em algumas partes de África, a diferença não é suficiente para
explicar o que está a acontecer.
Uma outra sugestão foi que os tratamentos médicos com agulhas
contaminadas e sangue infectado forão a razão. É fácil fazer avaliações
quando se está a 6.000 milhas de distância. O facto é que se isso fosse
verdade então todas as faixas etárias que recebem tratamentos médicos por
injecções estariam propensas a serem contaminadas pela SIDA, visto que a
maioria daqueles infectados são jovens sexualmente activos.
Finalmente, alguns sugeriram que doenças infecciosas podem abrir o corpo
para mais uma outra infecção. Temos razões muito fortes para pensar que
isto acontece. O senso comum nos diz que se você já estiver cronicamente
muito doente e depois é infectado pelo vírus da SIDA, você não está nas
melhores condições de lutar contra isso. A malária e outras doenças tropicais
podem ser as responsáveis.
Entretanto, a explicação mais provável se encontra em outras doenças
sexuais. Estas propagam-se em todos os países, mas doenças sexualmente
transmitidas (DST) crónicas e não tratadas, são muito mais comuns em
países pobres onde existem poucos recursos de assistência de saúde. Além
disso, procurar os parceiros sexuais dos infectados pode ser muito difícil em
41
nações com sistemas comunitários menos organizados. Nós sabemos que se
um homem ou uma mulher estiver infectado/a com gonorréia, sífilis ou uma
doença semelhante, as pequenas feridas feitas por esses germes passam a ser
um caminho fácil para o vírus da SIDA entrar no corpo.
Uma das razões pela qual o HIV se está a propagar tão rapidamente em
lugares como Mumbai em Índia é porque cerca de metade de todos os
adultos nessa vasta cidade carregam uma doença sexualmente transmitida
(DST) activa e não tratada.
Pode-se ver que tudo que aconteceu na África central irá provavelmente
acontecer de uma certa forma no Ocidente. Estúpido aquele que regressa
após haver observado em detalhes aquilo que está a acontecer em África e
diz que a SIDA nunca irá afectar as pessoas que não sejam homossexuais e
drogados no Reino Unido. Não só estúpido como também ignorante: em
2001 a maioria das pessoas recém infectadas no Reino Unido eram
heterossexuais – e a maioria contraiu a infecção em outros países.
Como posso manter-me livre da infecção?
Você pode querer tomar uma decisão se ainda não o fez, que a próxima
pessoa com quem vai ter relações sexuais seja a pessoa com que se
comprometerá a ter relações sexuais para o resto da sua vida. Algumas
pessoas dizem que a vida não é assim tão simples. O que acontece se essa
pessoa teve vários parceiros sexuais antes, ou se você teve? E se o seu
parceiro é infiel ou usa drogas?
A decisão de fazer um teste é dificil e complexa e cada pessoa ou casal é
diferente. Onde o risco é significante pode bem valer a pena que um ou os
dois sejam testados para a segurança do outro. Aconselhamento profissional
médico ou de uma clínica especializada é necessário.
A outra decisão a tomar, se ainda não o fez, é nunca, nunca em nenhuma
circunstância deixar-se ser injectado com uma agulha que pode conter
resíduos de sangue de uma outra pessoa.
Risco zero
Se você fizer estas duas coisas muito simples reduzirá o risco a quase zero.
Quaisquer outros riscos remanescentes seriam se o seu parceiro continuasse a
correr riscos – especialmente se você não tiver conhecimento disso – ou se
estiver a trabalhar na área de medicina ou enfermagem. Se estiver dentro
desta categoria deve já ter tido instruções claras de como se proteger
42
enquanto assiste pacientes. A regra básica é manter sangue e qualquer outro
fluído dos corpos dos pacientes o mais distante possível de sua pele.
No capítulo seguinte vamos ver algumas das preocupações comuns e
problemas que as pessoas têm.
Capitulo Três
Agonia da SIDA
Perguntas e Respostas
O problema com a SIDA é que a maior parte das pessoas estão com muito
medo de perguntar aquilo que elas de facto necessitam saber.
“ O meu namorado diz que eu não o amo porque não quero fazer sexo
com ele”
Uma coisa é absolutamente certa: ele não lhe ama ou se lhe ama, ele não lhe
respeita. Se ele lhe está a pressionar para que se entregue sem um
compromisso verdadeiro da sua parte, ele está mais interessado em ter prazer
para ele próprio do que em construir um relacionamento.
“ Eu conheço o meu namorado e ele diz que também é virgem, então
deve ser seguro”
Um homem dirá qualquer coisa para ter sexo contigo, se ele quiser mesmo.
O mundo está cheio de raparigas feridas e mulheres que foram magoadas.
Elas aceitaram ter sexo como forma de amarrar o homem, com medo que a
relação acabasse, porque ele prometeu que se casaria com ela um dia. Mas
ele não tinha intenção nenhuma de se “amarrar para o resto da vida”.
Pode ser que esteja a procura de um lar, um marido que irá amá-la, cuidar de
você e ser um bom pai para os seus filhos. Mas o seu namorado pode estar só
a procura de diversão, sem nada de compromissos e o relacionamento pode
terminar quando um dia ele encontrar uma outra ou ficar farto de você.
Enquanto isso você vai ouvir tudo aquilo que sonhou ouvir. “ Eu amo-te. Tu
és a única rapariga para mim. Eu estou comprometido contigo”.
De qualquer forma, mesmo que ele seja virgem agora, pensa que ele nunca
vai dormir com outra rapariga para o resto da vida dele? É isso mesmo? Ele é
realmente o rapaz que nunca irá olhar para outra rapariga? Se ele está tão
interessado em ter sexo com você agora antes de qualquer compromisso de
43
casamento, ele irá estar interessado em experimentar sexo com outra pessoa
mais tarde, mesmo depois do vosso casamento.
“ Nós dois vamos nos casar no próximo ano. Nós nunca fizemos sexo.
Mas os dois, se formos honestos, já tivemos um passado. Devemos ser os
dois testados antes de nos casar?
Essa é uma questão muito urgente para vários casais agora, especialmente
em África onde os riscos de se casar com alguém que está infectado são
enormes. Muitas pessoas pedem para ser testadas por esta razão. Eu penso
que existe um bom motivo para isto. Depende do tamanho do risco. Um
membro da igreja veio ter comigo no outro dia. Ele no passado foi usuário de
drogas e injectava heroína até a alguns anos atrás quando se tornou cristão, o
que mudou a sua vida por completo e também deixou o hábito da droga.
Deveria este homem ser testado antes de ir adiante?
Essas perguntas necessitam de aconselhamento individual e especializado.
Não há uma norma para a resposta adequada. Como regra geral, se é possível
que você e o seu futuro parceiro tenham sido expostos ao HIV, então vocês
dois devem ser testados pelo amor e carinho que tem um pelo outro. Como
seria horrível matar a pessoa que ama. Muitas igrejas em países onde a SIDA
é um problema grande agora, recusam-se a casar pessoas sem que o teste de
SIDA seja feito antes.
E os resultados? Se os dois estiverem negativos então será uma notícia
maravilhosa. Se um for positivo e o outro negativo então as consequências
do casamento podem ser muito sérias. Eu não estou a dizer que eles não
deviam ser autorizados a se casar. Isto para mim parece ser um problema de
escolha pessoal, mas eles devem compreender os riscos. Isto quer dizer usar
preservativos com muito cuidado todas as vezes que fizerem amor e
encontrar outras formas de expressar intimidade e afecto que não seja através
do acto sexual. Isto significará (provavelmente) uma decisão de não ter filhos
uma vez que fazer um bebê acarretaria em riscos reais de matar a mãe ou o
pai. Se os dois estão infectados, então não há razões para eles não se
casarem, uma vez que não se vão matar um ao outro por transmissão do
vírus. Eles irão continuar a ter o dilema sobre ter ou não ter filhos, com o
risco de infectar a criança ou de a criança ficar órfã ainda muito nova.
A melhor pessoa para falar sobre o teste do HIV é um especialista numa
clínica para doenças genito-urinárias, onde tratam de doenças sexualmente
transmitidas (DSTs). A maior parte dos grandes hospitais possuem tais
clínicas. Normalmente não é necessário marcar consulta e todas as
informações são confidenciais – eles precisam agir assim, do contrário
ninguém os iria procurar.
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“ Quão contagioso é o HIV?”
HIV é muito menos contagioso que, por exemplo, a hepatite B. Suponhamos
que existe um acidente enquanto o médico está a tirar sangue de alguém com
HIV e ele pica-se com a agulha. Sabemos, através de muitos casos
semelhantes, que não é comum a infecção ser o resultado de um incidente
assim - isto é um risco de um em 200 ou mais. Então o médico necessitaria
de ter por volta de 200 acidentes como este em média antes de ser infectado,
porque a quantidade de HIV que se precisa para se contrair a infecção é na
verdade alta. Mas com hepatite B o medico só precisava de ter 5 acidentes
em média para contrair a infecção.
Agora, no caso de o risco ser de apenas um em 200 mesmo quando se é
picado com uma agulha médica, pode-se ver que o risco de, digamos, um
jorro de sangue na mão é muito, muito pequeno mesmo. A pele intacta é
normalmente uma barreira poderosa contra o HIV. Mas um jorro de sangue
no olho pode ser perigoso. Da mesma maneira, injectar drogas como a
heroína com o uso de uma seringa compartilhada, onde o sangue da pessoa
anterior se mistura com o da pessoa seguinte.
Durante um acto sexual normal entre um homem e uma mulher, o risco de
infecção é por volta de um em 200 de uma ùnica relação sexual sem
protecção com um parceiro infectado que está bem, sem sintomas. Mas se
um ou outro tiver uma outra doença sexual não tratada como a cancróide ou
gonorréia, e a pessoa não se der conta, nem o parceiro, então o risco de
transmissão pode ser dez ou vinte vezes maior. Isto também é verdade se a
pessoa estiver doente com SIDA.
Então HIV é muito menos infeccioso do que aquilo que muita gente pensa.
Se for o caso, por que se propaga tão rápido em tantos lugares? A razão é
que embora o risco de um acto individual ser baixo, quando o mesmo acto é
repetido várias vezes, ou onde muitos milhões de pessoas estão envolvidas, o
número de riscos é incalculável e o vírus tem um grande número de
possibilidades de passar de uma pessoa para outra.
“ Eu estou confuso porque algumas pessoas dizem que certas coisas
podem causar SIDA e outras pessoas dizem que não.”
É muito confuso para as pessoas, e a maior parte delas, muitas vezes, têm
mais medo das histórias que de qualquer outra coisa. Posso contrair SIDA
pela chávena, pelo beijo, ao nadar, através de picadas de mosquitos ou outra
45
coisa qualquer? Antes de responder a todas estas questões em detalhe,
precisamos de ver os tipos de perigos a que nos expomos todos os dias.
Todas as vezes que você viaja de carro ou de transporte publico você pode
morrer num acidente, e no autocarro pode apanhar gripe. Pode ser mordido
por um cão ou roubado no regresso a casa do serviço. O mundo pode ser um
lugar perigoso, mas temos que ter tudo em proporção, ou viveríamos de uma
forma doentia com tantas preocupações. Algumas pessoas sofrem muito por
causa de todas essas coisas e ficam tão estressadas que não conseguem sair
de casa. Eles necessitam de ajuda de peritos. Outros riem-se deles:
“Certamente as pessoas pensam que o risco de alguma coisa horrível
acontecer é incrivelmente pequeno?”
Quando se trata de SIDA, até mesmo a pessoa mais sensata pode começar a
comportar-se de uma maneira muito estranha. Um homem adulto deixa um
pacote na porta de uma casa num dia de chuva porque tem medo de falar
com alguém que está lá dentro. Uma assistente comunitária tem medo de
beber uma chávena de chá. Na igreja pessoas estão a afastar-se da Santa Ceia
porque têm medo da taça comum – ainda que seja segura. Numa conferência
muita pouca gente quer apertar a mão do visitante que vai falar.
Alguns anos atrás a equipa de apoio comunitário da ACET com quem eu
trabalhei precisou urgentemente de encontrar escritórios maiores. Depois de
muito procurar encontramos um local ideal, mas os donos estavam com
medo que pudéssemos contaminar as sanitas e recusaram-se deixar-nos
entrar.
O problema é que se eu lhe tivesse dito que muitas destas coisas não tinham
riscos absolutamente nenhum, provavelmente não acreditaria em mim. Se eu
tivesse dito que de facto existia um risco provavelmente iriam passar o resto
de suas vidas preocupados. Não estou interessado em alarmar-lhe ou dar-lhe
conforto. Eu quero que saiba dos factos e vocês podem tomar as vossas
próprias decisões. Vamos agora ver alguns exemplos:
“ Eu li no jornal que um perito disse que se podia apanhar SIDA
comendo uma refeição. Isto é verdade ou não?”
Não! Eu suponho que teoricamente se um empregado de restaurante corta-se
com uma faca afiada, e segurar o seu dedo enquanto este pinga sangue fresco
encima da sua refeição, e depois põe-lhe a comida a frente, e quando começa
a comer você morde a língua, então o sangue do empregado entra através do
corte na boca, possivelmente haveria uma chance muita pequena de você ser
infectado. Mas isto é tão ridículo como dizer que nunca deverá viajar de
autocarro porque pode ter um acidente.
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“Dizem que não se pode apanhar o vírus da SIDA através do beijo, mas
eu ouvi dizer que o vírus está na saliva e alguém ficou infectado por uma
mordidela”.
Ambos estão certos. O vírus que causa a SIDA pode ser encontrado em
qualquer fluido do corpo de alguém que está infectado. Nem sempre está nos
fluidos, e às vezes só está presente em quantidades muito pequenas. Se está
presente na saliva, então porque é que as pessoas não ficam infectadas
através do beijo?
A verdadeira resposta é que nós realmente não sabemos, mas isto é o que nós
pensamos: Em primeiro lugar, parece que existem certas coisas na saliva que
atacam o vírus. Em segundo lugar, o vírus está muitas vezes presente na
saliva em pequeninas quantidades. Em terceiro lugar, mesmo que os vírus de
pessoas infectadas entrarem na sua boca estão perdidos, a não ser que
consigam encontrar uma forma de entrar no seu sistema sanguíneo muito
depressa. Em alguns segundos uma grande quantidade de saliva vai expulsá-
los da sua boca descendo através de um tubo enorme para um grande lago de
ácidos que queimam (o seu estômago), onde o vírus irá instantaneamente ser
destruído e quebrado em milhares de pedaços a serem digeridos. Se este
sobreviver de uma forma danificada sem ser quebrado completamente, em
algumas horas será expulso do outro lado dos intestinos para a sanita.
A única forma em que um vírus na sua boca poderia infecta-lo é se existisse
uma ferida, uma úlcera na boca, ou sangramento da gengiva. Os médicos têm
estado a observar com cuidado todos os casos individuais de infecção para
descobrir como isso aconteceu. Em todos os casos até agora em todo o
mundo que eu saiba ainda não encontramos alguém que tenha apanhado o
vírus pelo beijo.
Entretanto, é possível que uma mordedura humana de alguém infectado pode
infectar outra pessoa. Eu posso pensar em dois casos onde isto aconteceu. No
primeiro, pensa-se que um rapaz mordeu o irmão, e no segundo caso uma
rapariga mordeu a irmã. É fácil entender o porquê que isto é diferente do
beijo. Afinal de contas, os dentes ferem a pele, injectando pequenas
quantidades de saliva – exactamente como uma mordida de cobra.
“ Então deveria deixar de beijar o meu namorado?”
Claro que não! Muito embora, seja verdade, se for completamente honesto,
que se eu fosse jovem e solteiro e descobrisse que a rapariga com quem
namoro está infectada, eu provavelmente não iria dar-lhe beijos longos e
molhados!
“ Podem os bebês serem infectados através do leite da mãe?”
47
Sim. HIV pode infectar um bebê, porque o revestimento da sua boca e do seu
estômago é tão fino que o vírus tem a possibilidade de atravessar. Uma mãe
com HIV estaria mais segura se não amamentasse o seu filho. Entretanto
tudo isto depende. A criança está melhor com o leite infectado da mãe do
que ser alimentado com leite em pó feito de forma não esterilizada – leite
para amamentar feito com água sem estar fervida pode matar crianças com
diarréia e vómitos.
“Pode se contrair SIDA através assento da sanita?”
Não!
“ Você disse que o vírus não pode atravessar a pele a não ser que exista
uma ferida, mas se isso é verdade, como é que passa da mulher para o
homem, ou vice-versa?”
Essa é uma outra área, se for honesto, eu tenho que dizer que nós realmente
não sabemos. A pele do pénis do homem, e da parte interna da vagina da
mulher, é com certeza sensível, fina e delicada. Parece que possivelmente
muitas rachas totalmente inofensivas, indolores e minúsculas aparecem na
pele dos parceiros quando estão a fazer amor. É assim que o vírus entra.
Como nós vimos, qualquer outra doença sexual irá possivelmente fazer a
pele sangrar.
“Pode Deus curar alguém com SIDA?”
Sim! Deus é Deus e faz o que bem entender. Ele é a fonte da vida e o Grande
Curador. Ele pode curar alguém com SIDA assim como pode curar o câncer
ou outra coisa qualquer. Ninguém entende porque Deus decide curar uns e
não outros. Ele cura muito menos pessoas do que nós que oramos
gostaríamos. Eu tenho ouvido muitas informações de pessoas que foram
curadas com HIV ou SIDA, normalmente nas nações mais pobres onde
parece que as experiências sobrenaturais são mais desenvolvidas, mas
ninguém que eu conheça pessoalmente foi curado. Entretanto um número
sem conta de pessoas com a doença HIV informaram melhorias gerais de
saúde e bem-estar depois das orações apesar do teste de HIV continuar a dar
positivo.
É fácil orar por uma cura quando se está com medo mais do que com fé. Nós
às vezes oramos por uma cura porque acreditamos erroneamente que é ruim
que alguém morra. Mas a Bíblia nos ensina que para aqueles que crêem em
Deus a morte não é o fim. Não há desastre na morte para os seguidores de
Jesus, apenas esperança de vida eterna. O apóstolo Paulo disse que para ele
viver era Cristo mas morrer era ganância. Então quando oramos por uma
cura, também oramos para que a vontade de Deus seja feita. O espinho na
carne de Paulo não foi curado. Timóteo continuou a ter problemas com a sua
48
digestão. E Jesus mesmo foi autorizado pelo seu pai para ser crucificado por
nossa causa da mesma maneira que Deus permite que as pessoas sejam
martirizadas por causa do Evangelho hoje.
“ Se o vírus sai da urina irão os nossos rios e abastecimentos de água
ficar contaminados?”
O perigo é dos germes que vivem em esgotos e causam diarréia, não de HIV.
Eu ouvi dizer que mosquitos propagaram SIDA em África. Isso é
verdade e poderei contrair SIDA se for mordido nesse pais?”
Milhões de pessoas em todo o mundo estão preocupadas com esta questão, e
quando estou em África está é a pergunta mais comum. Nós temos a certeza
que a resposta é “não” em África e “não” em qualquer outro lugar. Se a
SIDA se propagasse desta forma, então todas as áreas de África muito
afectadas de malária seriam também muito afectadas pela SIDA porque a
malária é transportada pelo mosquito.
Também notaríamos que todos os grupos de idades diferentes estariam a
desenvolver SIDA. Todas as idades são mordidas por mosquitos. De facto,
somente crianças pequenas através das suas mães e pessoas jovens
sexualmente activas, são principalmente, afectadas pela SIDA, então estamos
seguros que os mosquitos não são a causa. Pode ser que exista uma pequena
ligação entre SIDA e malária, mas é porque se já estiver doente por algo,
então quando a SIDA ataca, será atingido de uma forma mais forte.
O único insecto que pensamos que pode transmitir HIV é o percevejo,
porque quando se tornam grandes e gordos eles comem e transportam muito
sangue, e uma parte dele pode ser injectada na próxima vítima. Contudo, a
quantidade de sangue é tão pequena que foi calculado que teria de ser
mordido em média 15.000 vezes para ser infectado!
“Posso apanhar HIV através da lâmina do barbeiro?”
A lámina do barbeiro pode transmitir HIV se o sangue sair de uma pessoa e
depois a mesma lámina for usada por outra pessoa. Não se pode desinfectar a
lámina de barbear simplesmente lavando. Tem que usar lixívia ou outros
desinfectantes fortes ou aquecer a uma temperatura muito alta.
“ Até que ponto é exacto o teste de HIV?”
Existem muitos métodos diferentes de se fazer o teste, a maior parte deles
são indirectos, procurando por anticorpos que se formam como uma reacção
ao vírus. Pode levar até 6 meses para os anticorpos se desenvolverem depois
de alguém ter sido infectado, assim alguém que tenha corrido um risco em
Janeiro pode continuar a dar negativo até Julho em alguns casos, mesmo que
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estejam infectados. Na maior parte dos casos os mais avançados sistemas de
testes detectam a infecção por volta de 6 semanas após o virus ter sido
contraido, às vezes mais cedo. Ocasionalmente, o resultado do teste pode ser
errado, e isto acontece com mais regularidade quando se usa pacotes de
testes instantâneos. Os processos de testar podem ser complexos, e os
resultados são às vezes difíceis de ser interpretados, e podem às vezes ser
confundidos com outras doenças. Estas são as razões pelas quais os médicos
em muitos países gostam de fazer dois testes para ter a certeza, com a
diferença de algumas semanas de distância, usando dois métodos diferentes.
Existem testes directos para o vírus de vários tipos diferentes mas estes são
muito caros e difíceis de serem aplicados.
“O meu bebê foi testado HIV positivo – ele está infectado?”
Primeiro, qualquer teste pode ser incorrecto num pequeno número de casos,
é por isso que em geral os médicos gostam de repetir o teste para ter certeza.
Segundo, quando um bebê nasce o teste não funciona correctamente. O teste
que usamos é para anticorpos – que são a reacção do corpo ao HIV, mas um
bebê recém-nascido tem anticorpos da mãe, assim todos os bebês de uma
mãe com HIV darão positivo ao HIV, mesmo que não estejam infectados.
Tem que se esperar que os anticorpos da mãe sejam usados e para o bebê ter
tempo de criar os seus próprios anticorpos. Por volta de um ano depois do
nascimento o bebê pode ser testado outra vez. Na maioria dos casos será
testado negativo e se a mãe foi tratada com medicação anti-HIV durante o
período de gravidez então o risco do bebê testar positivo um ano depois do
seu nascimento será ainda mais baixo.
Em 90% dos casos o bebê não está infectado até o parto iniciar. A maior
parte das infecções de mãe para filho ocorrem durante o parto. Quanto mais
doente a mãe estiver durante a gravidez, mais alto é o nível de vírus e mais
possibilidades haverá do bebê ser infectado. Sem tratamento, por volta de um
em quatro bebês serão infectados depois do nascimento, mas isto pode ser
tão baixo quanto 8 em 100 quando medicamentos como AZT (Zidovudine)
ou HIV inibidor de protease são dados à mãe por volta das catorze semanas
de gravidez até ao nascimento e ao bebê até seis semanas depois. Quando
medicamentos são usados e o bebê nasce por cesariana, o número de
infecções pode ser tão baixo quanto um bebê em 50.
“Ouvi dizer que HIV não causa SIDA”
Num mundo livre de 6 bilhões de pessoas haverá sempre um pequeno
número delas com idéias muito estranhas em qualquer assunto e a SIDA não
é diferente. Apesar das avassaladoras pesquisas científicas durante mais de
20 anos, existe um pequeno número de médicos, cientistas e jornalistas que
dizem coisas como:” Não existe prova que o HIV causa a SIDA”. Este é um
50
comentário muito estúpido e perigoso. Eles recebem atenção da midia
porque os meios de comunicação gostam de pessoas com opiniões extremas
– porque estes fazem as notícias. O problema é que eles não entendem a
ciência médica. Veja bem, também não existe nenhuma “prova” na forma
como eles querem, que fumar causa câncer nos pulmões, mas a evidência é
suficientemente forte para condenar diante de um tribunal. Eu repito. Não se
pode provar que fumar causa câncer. Entretanto, quase toda a gente acredita
que isto é um facto, como certamente eu acredito, baseado em pesquisas. Por
exemplo, vemos o alcatrão do tabaco causar mudanças em células
cancerígenas em laboratórios. Vemos que fumadores têm muito mais
probabilidades de contrair câncer nos pulmões que não fumadores. Mas não
posso provar que a razão pela qual uma pessoa em particular esteja a morrer
com câncer nos pulmões é porque ela fuma. E fumar propriamente não mata:
é o efeito de fumar nos tecidos do corpo que cria doenças e depois acabam
por matar.
O argumento sobre fumar também aplica-se ao HIV. Vemos os efeitos do
HIV nas células no laboratório, matam células brancas. Sabemos porque as
pessoas contraem doenças como Tuberculose TB: porque estas células-
soldados estão danificadas. As pessoas não” morrem” de HIV mais do que
“morrem” por fumar. Elas morrem pelo que acontece quando o HIV danifica
as células no corpo. De facto, a causa mais comum de morte relacionada com
o HIV é a Tuberculose (TB) mas não lhe posso provar que a razão pela qual
alguém está a morrer de TB é porque ele também tem HIV. De qualquer
forma algumas pessoas morrem de TB e o HIV talvez não seja a razão numa
pessoa em particular mesmo que esta esteja infectada. Mas sabemos que
pessoas infectadas com HIV têm uma limitada expectativa de vida
comparada àqueles que não estão infectados, e podemos calcular a variedade
de problemas que eles vão ter. Onde quer que o HIV vá, a Tuberculose
geralmente o segue, numa forma que é difícil de tratar e frequentemente
causa morte rápida.
Mesmo uma criança pequena entende que um homem que recebe meio litro
de sangue infectado, depois alguns anos este fica doente. Ele vai dar HIV
positivo, assim como a sua mulher e o seu filho pequeno. Todos ficam
doentes e todos morrem. Outro homem a quem foi dado meio litro de sangue
não infectado continua bem vinte anos depois. Ele, a sua mulher e filhos
todos testam negativo e continuam bem, não desenvolvem doenças clássicas
associadas à SIDA.
Este é o meu desafio para as pessoas que dizem que HIV não causa SIDA: se
estiver tão seguro, vá e injecte em si próprio sangue de alguém com HIV.
Nenhum deles faz isso, porque no fundo sabem que continuam preocupados.
Contudo parecem contentes por encorajar a todos a ignorarem mensagens de
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saúde, pondo a vida das pessoas em risco, e como resultado ainda mais
pessoas vão morrer. Eu acredito que isso seja irresponsável.
Em África algumas sessões ao ar livre de perguntas e respostas demoram
várias horas com centenas de pessoas. Por fim o que eu digo é: Neste
momento as pessoas estão horrorizadas sobre todas as maneiras que elas
podem ficar infectadas sem terem sexo. Eu não desejo que as pessoas fiquem
menos horrorizadas sobre contrair SIDA. Só gostaria que elas ficassem tão
horrorizadas com aquilo que elas realmente devem ficar horrorizadas, e que
não tenham medo nenhum daquilo que é bastante seguro. Gostaria que as
pessoas tivessem tanto medo de dormir com qualquer um quanto quando elas
entram na casa de alguém com SIDA.
Quase todas as perguntas que me são feitas pelas pessoas estão relacionadas
com estas mesmas áreas de propagação não sexual. Espero que tenha visto
que a maioria destes riscos são muito, muito pequenos e que não precisa
alterar aquilo que faz, por outro lado agora é o momento se ainda não o fez,
de fazer algumas mudanças radicais no seu comportamento sexual e
expectativas e ser bastante cauteloso com qualquer coisa que fure a pele.
Capítulo Quatro
Não ter para onde ir
Pior que o câncer
Já é ruim o bastante ter que ouvir aos vinte e três anos que tem câncer e que
provavelmente irá morrer, mas quando a doença é SIDA isto pode parecer
ainda pior.
Imagine que foi ao médico porque está se sentindo muito cansado e sem
energia nas últimas semanas. Ele manda-o para a clínica onde lhe fazem um
ou dois testes. Antes de saber o que tem eles levam-lhe com urgência para a
enfermaria. Fazem mais testes e toda a gente corre a volta parecendo
preocupados.
Depois o médico vem e diz-lhe que está seriamente doente, será submetido a
uma grande operação amanhã. Ele diz que no mínimo você ficará no hospital
por uma semana. Dois dias depois um outro médico vem vê-lo. Diz-lhe que
tem uma forma muito rara de câncer. Está muito avançado e o resultado é
terrível.
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O seu mundo inteiro desfaz-se num instante: todas as suas esperanças e
sonhos para o futuro foram arruinados. Isto não pode ser verdade. É difícil
aceitar: os seus planos de estudos, emprego, casa própria, talvez casar e ter
filhos e viver até uma idade avançada – todas estas coisas foram esmagadas.
Os seus pais estão um ao lado do outro preocupados e com uma dor
profunda. Que tipo de mundo é este onde os filhos morrem antes dos pais? É
como se a ordem natural de tudo foi virada de cabeça para baixo.
Sentimentos suicidas
Mas SIDA pode parecer pior que qualquer uma destas coisas. Às vezes
pergunto aos alunos na escola o que fariam se tivessem ido doar sangue e
alguns dias depois uma carta chegasse e pedisse que voltassem. Quando eles
lá voltam um homem diz-lhes que o seu sangue deu HIV positivo.
Muitas dizem-me que cometeriam o suicídio. Eles não conseguiriam encarar
o pensamento de toda a gente querer saber como contrairam o vírus. Como
poderiam dizer ao pai? Poderiam dizer-lhe que usavam drogas, ou que
dormiram com muitas mulheres, ou que eram homossexuais e tinham sexo
com muitos outros rapazes e homens?
Muitas pessoas sentem vontade de cometer suicídio e algumas matam-se
logo depois de saberem que têm SIDA ou o início de uma infecção e é por
isso que muito cuidado e apoio são necessários depois de alguém saber que
tem SIDA. Um amigo meu que é médico ficou chocado um dia quando
acordou de manhã e reparou que alguém tinha estacionado o carro no fundo
do jardim e sufocou-se com o gás do escapamento. Apenas algumas horas
antes ele pediu alta voluntária apesar dos conselhos da enfermaria de SIDA.
Não podia encarar a vida com SIDA.
Ponha-o fora de casa
Eu lembro-me de uma ocasião em que tivemos um casal amigo para jantar. O
assunto sobre a SIDA começou como normalmente acontece. Depois a
conversa virou-se para a homossexualidade e as formas diferentes das
pessoas se desenvolverem a medida que vão crescendo. Eu fiquei chocado
quando a esposa disse-nos sem rodeios que se o filho deles de cinco anos
estivesse alguma vez a mostrar sinais de homossexualidade na adolescencia,
mesmo que ele se mantivesse celibatário ou não ela punha-o fora de casa e
não teria nada mais a ver com ele. Não é de se admirar que muitas pessoas
com SIDA têm o cuidado de saber a quem contar. Na mente de muitas
53
pessoas, admitir que têm SIDA é o mesmo que admitir ser uma pessoa de
carácter dissoluto com valores morais questionáveis. Muito embora
tenhamos visto muitas vezes que isto não é verdade.
De facto muitas mulheres com HIV em alguns países africanos foram
celibatárias antes do casamento e fiéis desde então, mas foram infectadas
porque os seus parceiros não se mantiveram da mesma forma.
Recolhendo o corpo
Eu fui a uma enfermaria de SIDA um dia e fiquei perturbado ao ver um
homem jovem ansioso que estava obviamente perto da morte, e a morrer
sozinho. Eu perguntei onde estava a sua família e se tinham sido contactados.
A resposta foi que ele tinha sido incapaz de dizer-lhes o que estava a
acontecer e não queria que ninguém o fizesse. Ele estava a deteriorar-se
rápido. Possivelmente de manhã a enfermaria iria contactar a sua mãe a
muitas milhas de distância, para vir recolher o corpo do seu filho que ela
pensou ser forte e estar bem.
Quando ela chegasse seria possivelmente difícil reconhecê-lo. O seu corpo
estava simplesmente um esqueleto comparado ao que ele era sete meses
atrás. A sua face estava encovada e a sua pele coberta por uma irritação
enorme. O seu corpo tinha as marcas de uma longa e terrível luta contra
várias infecções. Ele pediu que o certificado de morte dissesse somente
“pneumonia” porque ele queria poupar a mãe da dor. Se ela tivesse sabido a
verdade a quem poderia ela dizer?
Vivendo em casa
Às vezes a raiva é tão feroz que isto afecta aqueles que estão a cuidar dos
pacientes. Uma grande amiga minha soube pelo pai que ela estava a ser
deserdada pela família. A partir de agora iria ser como se ela não existisse. O
grande crime dela foi ter-se apaixonado por um homem que alguns anos atrás
havia sido infectado e agora estava doente. Por muitos meses ela tomou
conta dele, e depois dele ter morrido, o crime final foi decidir continuar a
preocupar-se por aqueles que tinham SIDA.
Uma enfermeira da comunidade que trabalhava para a ACET em Londres
teve um dia longo. Naquela noite, na cama com o seu marido, ela começou a
falar-lhe sobre alguém com SIDA que estava muito doente e perturbada em
casa, e com quem ela tinha estado algum tempo. “ Salta desta cama” ele
gritou, “ e não voltes aqui enquanto não deixares de lá ir”
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Eu não acredito que não haja lugar nenhum no mundo em que pessoas com
HIV não tenham experimentado rejeição, hostilidade, preconceito e medo.
Pode agora entender porque um professor numa escola para crianças
pequenas estava desgostoso por estar na enfermaria de SIDA. Ter SIDA era
a sua última preocupação, também não tinha medo de morrer. Ele estava com
medo caso alguém da escola viesse vê-lo e fossem dizer aos pais ou diretores
o que ele tinha. Toda a sua reputação e carreira estariam destroçadas.
Pode também entender um padre que estava constantemente com medo que
um dos membros de sua congregação que trabalhava no hospital poderia vir
a enfermaria e reconhecê-lo. Um número cada vez maior de líderes da igreja
estão a tornar-se doentes com SIDA. Deveríamos esperar por isso. Se muitas
pessoas estão a encontrar fé em Cristo, e se o HIV sobreviver à conversão, a
não ser que aconteça um milagre, então encontraremos muitos na igreja que
mais tarde se tornaram doentes muito embora tenham sido cristãos por
muitos anos e foram celibatários ou fiéis desde que encontraram a fé.
Perdendo o emprego
Com frequência, as pessoas perdem o emprego quando os chefes ficam a
saber o porquê estão doentes.
Várias companhias foram questionadas sobre o que fariam se descobrissem
que algum empregado seu tivesse SIDA. Algumas delas disseram que
despediriam logo essa pessoa. Outras disseram que incentivariam a pessoa a
despedir-se. De qualquer forma ficou claro que no futuro muitas das pessoas
com SIDA em alguns países vão se encontrar desempregados, mesmo que
estejam perfeitamente bem para trabalhar a maior parte do tempo.
Não são só as empresas que são severas. Um advogado foi convidado um dia
desses a empacotar as suas coisas e ir-se embora: “Não queremos este tipo de
coisas aqui”.
Arruinado e a morrer
Todos os dias o número de pessoas com dificuldades financeiras por causa
da SIDA está a aumentar. Acontece frequentemente que o proprietário
desaprova quando descobre que um dos seus inquilinos tem SIDA. Talvez
ele tenha medo que os outros se mudem quando ouvirem dizer ou expressem
sentimentos rudes como casos que já vimos. De uma forma ou outra, isto é
bastante comum alguém sair do hospital logo depois de ficar a saber que têm
SIDA e encontrar todas as suas coisas pessoais atiradas na rua e as
fechaduras das portas trocadas.
Às vezes, o culpado é a pessoa com quem viviam. Eu sei de uma ocasião em
que alguém encontrou as fechaduras mudadas pelo antigo parceiro, e outra
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em que o parceiro levou tudo da casa sem deixar absolutamente nada, nem
uma cadeira, ou candeeiro, uma mesa ou mesmo uma cama para dormir.
Pudemos comprar uma cama para este homem imediatamente, mas uma casa
inteira leva tempo a reconstruir.
Vagueando pelas ruas
O número de pessoas que ficaram desabrigadas ou destituidas por causa da
SIDA está a crescer a cada semana e está a tornar-se um problema crucial em
muitos países.
Em quem posso confiar?
Em meio a tudo isso, você pode ver que alguém com SIDA tem muitas
coisas em comum com alguém que tem câncer, além de terem que lidar com
um elemento adicional: a tragédia de terem uma doença terminal numa idade
tão jovem – Falo como médico com experiência nas duas doenças. Mas a
pior coisa é sem dúvida como as pessoas ao redor reagem. A próxima pessoa
que eu encontrar sentirá pena de mim (o que odeio) ou quererá ver-me morto
e dizer-me que é tudo culpa minha? Quem é meu amigo e quem é meu
inimigo? Se eu falar com o meu amigo sobre a minha doença, ele guardará
segredo ou quantos dias levará até que o meu amigo conte a outra pessoa?
Não é de se admirar que o suicídio seja visto como a melhor opção. O
choque acumulado, tristeza e angústia de perder tantos familiares e amigos
pode significar que as pessoas percam toda a energia e recursos internos.
Capítulo 5
O Que Você Pensa?
1. De quem é a culpa?
Quero agora falar a respeito de sexo e a SIDA, e o que e como as pessoas
pensam sobre isto. Todos parecem querer apontar o dedo quando se refere à
SIDA. Começam talvez sobre de onde a SIDA veio pela primeira vez. A
resposta verdadeira é que ninguém sabe, muito embora estejamos certos de
que o HIV já existia em diversas partes do mundo nos anos 60s semelhante a
vírus comuns em animais e provavelmente tem existido em alguma forma
durante séculos. Como alguns cientistas pensam que o HIV pode
originalmente ter vindo de animais em África, as pessoas imediatamente
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pensam que de certa forma a culpa é de África. O que é estúpido. Não
obstante aquilo que os factos mostrem no futuro, a doença tinha que começar
em algum lugar e não é culpa de ninguém onde isto apareceu primeiro.
“Já deveriam saber”
A outra área onde as pessoas parecem apontar dedos é onde grupos em
particular ou indivíduos são infectados. Algumas pessoas dizem que é culpa
deles. Dependendo do julgamento pessoal, eles dão a impressão de que
acreditam que alguém com um certo estilo de vida mereça uma sentença
automática de morte.
Algumas pessoas dizem que os infectados já deveriam saber, mas esquecem-
se que muitos desses a morrer agora, especialmente nas nações mais pobres,
foram infectados mesmo antes das pessoas terem ouvido falar sobre a SIDA,
muito menos compreender como isso se propagava.
Algumas pessoas dizem que alguém, digamos, com o estilo de vida
homossexual ou os usuários de drogas deveriam entender que o que fazem é
errado e deveriam aguentar as consequências. Esta atitude pode fazer com
que os infectados sintam-se ainda mais culpados e se responsabilizem
também. Da mesma maneira eles podem muitas vezes sentirem-se culpados
pelo facto de terem infectado outras pessoas inconscientemente.
Apontar o dedo é a solução mais fácil
Muitas doenças são causadas por estilos de vida que alguns podem
questionar: Devemos ter alguma consideração por um homem que fumou
cinquenta cigarros por dia nos últimos quarenta anos e agora tem terríveis
problemas respiratórios ou câncer nos pulmões? E o que fazer da rapariga
que cai e parte a perna na festa porque bebeu muito?
No final das contas é mais fácil culpar as outras pessoas e não ter nada a ver
com elas. Essa é uma maneira simples e fácil para passar o problema para
outra pessoa. Não tem que se sentir culpado por não se envolver porque na
sua mente você culpou uma outra pessoa. É a mesma mentalidade como a do
homem que diz, não ajude os famintos porque é culpa deles terem famílias
tão grandes (mesmo que seja absurdo pois o mundo tem a capacidade de
produzir comida mais que suficiente para alguns bilhões de pessoas a mais).
Igrejas cruéis
Devido ao facto de ter sido líder de igreja assim como tomei conta de muitas
pessoas com SIDA, as pessoas muitas vezes perguntam o que é que eu penso
sobre a SIDA como cristão. As pessoas têm opiniões diferentes. Alguns
dizem que a SIDA é o julgamento de Deus a todos os homossexuais e aos
heterossexuais com vários parceiros. Outros têm pontos de vista diferentes.
Alguns líderes até mesmo disseram que cristãos não deveriam ter nada a ver
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com a SIDA enquanto outros dizem que cada cristão deveria ter algum tipo
de resposta. Muitas opiniões, mas o que devemos pensar de tudo isto?
Uma opinião pessoal
A SIDA não é a ira de Deus e nunca foi. Se isto fosse o julgamento de Deus
nas pessoas com múltiplos parceiros sexuais, por que é que homossexuais e
heterossexuais são afectados e lésbicas nunca são? Lésbicas (mulheres
homossexuais) são o único grupo na nossa sociedade, além de monges e
freiras, no qual SIDA quase não existe. É muito difícil para lésbicas
passarem a infecção para outra mulher com quem têm sexo. O julgamento de
Deus é notavelmente selectivo se tivermos que analisar esta posição
negativa. Isto significaria que Deus odeia o sexo entre dois homens, odeia o
sexo entre homem e mulher fora do casamento, mas não se importa com o
sexo entre duas mulheres. Algo que é claramente absurdo. Como um amigo
meu disse recentemente: “Se isto fosse um tiro da pistola ira de Deus para
acabar com os estilos de vida dos homossexuais e heterossexuais, ele tem
uma pontaria muito ruim!” O que você me diz de dezenas de milhares de
crianças infectadas em África como resultado de tratamentos médicos? A ira
de Deus sobre aqueles que estão doentes e necessitam de cuidados médicos?
Nada novo
As pessoas ficam alvoroçadas com a SIDA. Elas pensam que a SIDA é algo
novo e tão estranha quanto um acontecimento inesperado. Precisam de falar
com pessoas mais velhas que têm melhor memória e leram os livros de
história.
Como vimos a SIDA é somente mais uma na longa lista de doenças que se
podem propagar por sexo. Estas coisas existem a séculos, e pode ser que a
SIDA já exista a centenas de anos.
Foi a sífilis a ira de Deus? Propagou-se inicialmente como uma praga a
algumas centenas de anos atrás. Não havia cura. Com os anos causava
esterelidade e todos os tipos de doenças estranhas. Atacava o coração, os
vasos sanguíneos, rins, fígado e finalmente danificava o cérebro.
Costumávamos chamar as etapas finais da sífilis de„paralisia do demente‟.
Uma maneira terrível de morrer.
Quando a penicilina foi descoberta, será que Deus de repente descobriu que
ele não se importava e iria permitir que a praga parasse? Se a SIDA é o
julgamento de Deus então a sífilis também é.
A Bíblia diz que podemos desfrutar da maioria das coisas, mas em demasia
pode ser ruim para nós. Por isso ficar bêbado é considerado como algo ruim.
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Então, as pessoas que morreram por muito beber, de insuficiência hepática,
apenas outra doença ou a ira de Deus sobre eles?
Como médico eu sei que a SIDA é somente uma doença. É causada por um
vírus comum em animais, que possivelmente existe a muito tempo. O sexo é
uma maneira fácil para muitos germes viajarem e para um número grande de
germes esta é uma forma conveniente de se propagar. Quando tivermos a
cura para a SIDA, certamente outros germes novos aparecerão em cena a
serem propagados pelo sexo.
Sendo assim a SIDA não é uma praga “homossexual”, e eu não penso que
ela foi mandado por um anjo como um raio de Deus para nos assustar a
todos.
2. Causa e efeito
O senso comum mostra que se tira da vida aquilo que nela se põe, ou como
disse Jesus,” você colhe o que sêmea”. Isto é uma opinião pessoal como
cristão que extrai seriamente aquilo que a Bíblia diz. Eu não peço que
concorde com isto ou goste do que eu digo, mas isto é, julgo eu, uma opinião
válida.
Qualquer médico sabe que a maioria das doenças poderiam provavelmente
ser evitadas ou reduzidas se as pessoas vivessem de uma forma diferente.
Doenças de coração em alguns países começam a ser menos comuns, porque
as pessoas se preocupam mais com a saúde. Prestam atenção a seu peso e
fazem exercícios. Fumar também está em declínio em muitos países; da
mesma maneira, a nicotina é uma das drogas que mais cria dependência. O
fumante recebe uma injecção de nicotina cada vez que fuma um cigarro e
inala o fumo gorduroso. Fumar mata por volta de 120.000 pessoas por ano
somente no Reino Unido.
A educação de saúde em toda a sua entensão mostra às pessoas as causas e
os efeitos: se você fumar, danifica os seus pulmões. Se conduzir quando
estiver completamente drogado, tem mais possibilidades de ter um acidente e
de matar alguém. Se embebedar, vai ter ressaca. Se injectar usando agulhas
sujas de sangue, pode contrair hepatite ou SIDA.
Causa e efeito é a lição mais importante que temos que aprender quando
crianças. A minha filha entalou o dedo polegar na porta e teve que ser levada
para o hospital. O dedo estava bastante danificado, mas agora já está
perfeitamente curado. Ela aprendeu que não se deve por os dedos nas arestas
das portas porque estas podem fechar-se e pode-se aleijar gravemente. Se ela
não aprender irá ser um grande perigo para ela própria.
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Porque amo a minha filha vou tentar protegê-la da dor de ter que aprender da
maneira mais difícil. Se ela saltar na parte de cima do beliche da irmã eu vou
ralhar com ela, porque tenho medo que um dia ela perca o balanço e caía. Ela
possivelmente não fará isso outra vez se cair, mas eu prefiro que ela não caía.
Quando era pequeno os seus pais provavelmente disseram-lhe cem vezes por
dia para se afastar de alguma coisa, ou para por no lugar alguma coisa. A
maior parte das vezes a razão era a sua segurança. A sua mãe provavelmente
explicou-lhe, por exemplo, que um forno é extremamente quente e se tocar
nele com os dedos pode queimar-se gravemente.
Nenhum de nós é muito bom para ouvir no início. Geralmente existem um ou
dois acidentes:” eu avisei-te. Isso foi malandrice. Agora quando te disser da
próxima vez, tu fazes exactamente o que eu digo” E assim aprendemos.
Idéias estranhas
As pessoas às vezes têm realmente idéias estranhas sobre Deus. Pensam nele
como um grande ditador ou opressor ou uma figura distante com quem não
se podem relacionar de forma alguma. A Bíblia diz que Deus é um Pai
carinhoso, um milhão de vezes melhor que o nosso pai humano. Porque ele
ama-nos, olha para nós como seus filhos. Ele cuida de cada pessoa como se
essa fosse a única em todo o mundo.
Como ele se importa muito conosco, Deus quer ajudar-nos e proteger-nos
dos nossos próprios erros. Mas ele respeita-o como pessoa e nunca irá
dominar a sua vida. Ele está sempre pronto e a espera para ajudar-lhe, mas
você tem que pedir. Ele nunca irá impôr-se, nem mesmo irá partir. Pode
virar-lhe as costas durante anos, mas ele está sempre presente pronto e a
espera com os braços abertos. Não há nada que possa fazer que o faça deixar
de amá-lo, embora você possa manter-se distante dele com consequências
aqui e na vida futura.
Eu muitas vezes penso sobre a história que Jesus contou sobre o Filho
Pródigo. Ele zangou-se com o pai e quis sair da cidade e fazer o que lhe
apeteceu. Descobriu que viver sozinho era horrível. Ele passou por muitas
dificuldades. Gastou todo o seu dinheiro tratando de levar uma vida boa e
encontrar trabalho e ser pago uma ninharia de forma a poder comprar
comida. Ele ficou a pensar se o seu pai o aceitaria de volta.
Depois de algum tempo estava tão farto que achou que mesmo se o pai não o
recebesse de volta como membro da família, ele preferia voltar sob qualquer
condição – mesmo como um escravo. Quando ele estava perto de casa ficou
nervoso mas o pai viu-o chegar a distância e correu ao seu encontro. O filho
sentiu-se envergonhado e nem sequer olhou, mas o pai pôs os braços a volta
dele e levou-o para dentro de casa, cancelou todos os encontros e organizou
uma enorme festa para celebrar o regresso do filho à casa, para o desgosto de
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um certo membro da família. Jesus contou a história para mostrar-nos que o
amor de Deus nunca arrefece ou desaparece, somente porque nos afastamos
demais do caminho de Deus.
Para mim a Bíblia contém um fantástico guia para uma vida saudável.
Muitas vezes vemos a Bíblia cheia de mandamentos negativos – não faça isto
e não faça aquilo. Os meus filhos também podem ver-me como muito
negativo se eles não reconhecerem que o que eu digo é para o seu benefício e
felicidade. Somente um pai descuidado deixaria os filhos colocarem as suas
vidas em risco sem fazer nada a respeito. E Deus seria um Deus estranho,
aquele que fez um mundo cheio de pessoas e deixa-os viver sem dar-lhes
nenhuma ajuda e conselho quando na verdade estão em busca disso.
Como arruinar a sua vida
Deus quer que saiba como prevenir a dor dos seus erros, e como viver uma
vida plena, feliz e satisfatória. A Bíblia está cheia de exemplos sobre causas
e efeitos. De facto, pode-se dizer que é um dos ensinamentos principais da
Bíblia.
A Bíblia diz basicamente que se quiser arruinar a sua vida então uma boa
forma de o fazer é romper os relacionamentos com as pessoas – não somente
qualquer pessoa, mas aquelas que estão mais próximas de você, os seus
amigos mais chegados, o seu parceiro ou a sua família.
E se você quiser acabar completamente com os relacionamentos com os seus
amigos mais chegados e família, então uma boa forma para o fazer é ter sexo
com uma pessoa ou pessoas com quem não está casado.
Se um pai quer ter a certeza de que não terá nenhum relacionamento com a
filha, de maneira que ela nem mesmo esteja interessada em chamá-lo de pai
nunca mais, então a forma mais rápida é tentar seduzi-la e ter sexo com ela,
preferivelmente quando ela é ainda pequena e durante alguns anos.
Como se sentir abandonado e sozinho mais tarde na vida
Dezenas de milhares de pessoas entre 35 e 45 anos de idade estão a ter um
choque terrível. Cresceram a pensar que era melhor apenas viverem juntos.
Depois de 3 ou 4 relacionamentos encontram-se sozinhos mais uma vez.
Com a chance de ter filhos espalhados por todos os lados com quem
raramente encontram.
Muitas mulheres descobrem um dia que as possibilidades de terem uma vida
estável e formar uma família estão a desaparecer rapidamente. Os seus anos
mais férteis estão a passar e os homens que poderiam ter sido os melhores
maridos e pais a muito se casaram.
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Os homens também podem descobrir de repente que a festa-sem-fim ao
longo dos anos terminou. Eles já não são mais tão atraentes e dinâmicos
como eram antes. Eles têm muitas recordações, mas não têm um
compromisso para a vida e nem idéia de como encontrar um, porque a maior
parte das mulheres que faziam o mesmo têm uma vida estável com outros
homens a muito tempo.
Como destruir o seu casamento
Se o homem quiser destruir o seu casamento por completo de um dia para
noite, a forma mais rápida para o fazer é trair a sua esposa, por exemplo,
tendo um caso com uma amiga dela. Ele irá provavelmente perder os filhos e
talvez o respeito de outros amigos ao mesmo tempo. Aqueles de nós que
assumem a responsabilidade acham inacreditável que as pessoas não
conseguem ver aquilo que está diante do próprio nariz. Eles continuam a
tomar decisões estúpidas que qualquer pessoa com bom senso pode ver que
vai acabar em desastre.
Se você é jovem e quer que o seu casamento tenha uma boa probabilidade de
cair aos bocados dentro de alguns anos, então a maneira mais eficaz é tentar
ir para a cama com quantas pessoas puder enquanto puder. Os padrões não
mudam por causa de dez minutos no registro civil ou uma hora na igreja
durante a cerimónia.
Se programar o seu cérebro e o corpo para reagir de uma forma particular,
então poderá ser realmente difícil de repente de se tornar o/a perfeito/a e fiel
esposo/a.
Sexo antes do casamento significa que o parceiro com quem você irá se casar
está sob muita pressão: “ A Jacky era muito melhor na cama. Ela podia
realmente excitar-me” ou, “Todas as vezes que fazemos amor eu penso em
como o Bill costumava pegar-me…ele fazia isto assim.”
Estou contente que a única pessoa com quem fiz amor é a minha esposa –
alguém que tem sido a minha melhor amiga desde que tínhamos 15 anos – e
estamos felizes e casados a 24 anos. Eu também estou contente por nunca
termos feito amor antes de nos casarmos. Para nós isto foi uma expressão de
total compromisso mútuo. Existe sempre a chance de cancelar tudo até o
último momento no dia do casamento. Muitos noivados não resultam em
casamento, e alguns noivados nunca deviam ter ido avante para o que se
tornaram mais tarde casamentos profundamente infelizes.
As pessoas precisam de saber o que faz um casamento feliz, e como podem
estar razoávelmente seguros de que se vão casar com a pessoa certa.
Amizade é a melhor base, interesses comuns e fé compartilhada, entretanto o
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apoio da família e amigos é também importante porque torna as coisas mais
fáceis se a relação passa por um momento ruim– todas as relações longas
passam por muitos períodos de reajustamento e de redescobrimento, pois
todos nós mudamos e as nossas necessidades também mudam a medida que
envelhecemos.
Para a minha esposa e eu, toda a nossa linguagem de amor foi construída
pelos dois. É somente nossa. É o nosso segredo. É um lugar privado
exclusivo a nós. Ninguém pode interferir dentro desse lugar especial. Todas
as vezes que estamos juntos, isso é um sinal de nosso compromisso
exclusivo e de nossa união.
A Bíblia diz que quando um homem e uma mulher estão juntos eles tornam-
se, de certa forma „um só corpo‟. O sexo é um mistério, não somente uma
sensação. As pessoas com a melhor vida sexual são em geral aquelas que
estão em relacionamentos exclusivos, estáveis e de amor. Pessoas que
passam tempo juntas, que investem no casamento e têm um comportamento
sério como casal, que realmente ouvem um ao outro e tentam entender as
coisas sob o ponto de vista da outra pessoa. E isto inclui como dar prazer
físico um ao outro.
3. Uma boa vida sexual
Sexo é mais do que um acto físico. Alegro-me que em medicina estamos por
fim a deixar de olhar para as pessoas como carros ou outras máquinas, onde
se substitui ou se repara bocados. As pessoas são pessoas. A medicina
holistica ( da pessoa como um todo ) é onde reconhecemos que você é mais
do que uma pedra nos rins ou um apêndice: temos necessidades pessoais,
sentimentos, esperanças e medos que contribuem para fazer aquilo que nós
somos e são na verdade muito mais importantes que a doença. A doença é
apenas uma maçada porque impede que sejamos nós mesmos.
Revistas muito populares fazem com que o sexo seja um tipo de droga ou
acessório de estilo de vida. Temos a impressão de que sexo todos os dias
mantém longe os problemas ou o médico. Se não fizer sexo regularmente
fazem com que acredite que seja imaturo, frigido, impotente ou apenas
simplesmente estúpido. Mas eu não vejo um grau elevado de satisfação ou
realização. As colunas de conselhos pessoais dessas revistas estão cheias de
pessoas obcecadas por actos sexuais insatisfatórios e falta de prazer que não
têm coragem de dizer a ninguém, ao invés disso escrevem.
Sexo não é um acto: é possivelmente a forma mais profunda de comunicação
e expressão conhecida pelos seres humanos. Mas como qualquer língua, se
não houver nada para comunicar então existe um buraco vazio, descontente e
finalmente sem valor como qualquer outro sentimento passageiro.
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Quando ainda estava na universidade, lembro-me vividamente de um casal
que veio me visitar. Eles tinham dormido juntos várias vezes durante as
últimas semanas – a primeira vez para ambos – e realmente arrependeram-se.
Eles não eram cristãos e isso não tinha nada a ver com os seus principios
morais. Chegaram a conclusão de que o sexo real não é imediato; que leva
tempo para duas pessoas construírem a sua própria linguagem de amor, para
descobrir como dar um ao outro o maior prazer possivel, e que eles tinham se
aventurado nesta área cedo demais.
Estou contente de que quando faço amor com a minha esposa eu posso dizer-
lhe que nunca fiz amor com mais ninguém. Ela possui o meu corpo e eu
pertenço a ela. Existe uma força real nisto. E se tempos difíceis surgem, e
podem surgir em qualquer relacionamento, embora não por muito tempo,
então a barreira que existe para fazer amor com outra mulher é muito maior
do que se fosse voltar a um velho padrão de “dormir com todo mundo”.
Assegurando-se de que são compatíveis?
As pessoas dizem que se deve ter sexo antes de se casar para saber se são
compatíveis ou não. As pessoas que dizem isso obviamente não sabem as
primeiras coisas sobre os factos da vida! Se soubessem, saberiam que não
existe tal coisa como um homem muito grande para uma mulher ou uma
mulher muito grande para um homem!
A não ser que o homem tenha o pénis mais grosso do que a cabeça de um
bebê, a mulher será capaz de o acomodar. Além disso, onde o homem entra
um bebê terá que sair! Os rapazes frequentemente ficam obcecados com o
tamanho de seu equipamento. Muito pequeno ou muito grande? Quando uma
mulher está excitada, todas as partes internas e externas começam a mudar
de forma, então mesmo que o homem não seja particularmente bem-dotado,
ele vai encaixar-se direitinho. Nós fomos bem projetados! O que conta não é
o que se tem mas o que se faz com o que se tem.
Muito raramente um médico encontra um casal incapaz de ter sexo por causa
de uma pequena deformidade, por exemplo, uma fina camada de pele
fechando completamente a mulher dentro dela. Esta mulher não produz
sangue quando menstrua, então normalmente a razão é clara e fácil de se
resolver. Mas com exceção de raridades como esta, a incompatibilidade não
existe. A impotência no homem pode ser perturbadora, e muito mais comum
do que as pessoas pensam, afectando muitos homens quando estão sob
pressão, cansados ou doentes. A maior causa é sem dúvida a ansiedade sobre
o facto de que ele irá completar o acto ou não, e o homem tende muito mais a
ter medo se sentir que está num certo tipo de teste pré-conjugal. O casamento
dá ao casal tempo, espaço e segurança onde podem relaxar.
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O Segredo de uma boa vida sexual
Entretanto, não existe um casal que seja compatível instantaneamente. Cada
pessoa é diferente e cada casal é totalmente único. Coisas que uma pessoa
pode achar gratificante, outra pode achar completamente desagradável.
Encontrar uma boa forma de fazer amor leva tempo. Precisa-se de
privacidade, carinho, compreensão e boa comunicação. Talvez seja por isso
que muitos casais acham que fazer amor melhora a medida que o tempo
passa a medida que se conhecem melhor. O requisito elementar, entretanto, é
uma boa e calorosa relação onde, especialmente para a mulher, os dois
parceiros podem entregar-se um ao outro num ambiente de segurança total.
Somente quando se está totalmente seguro se está inteiramente livre.
Quando se separa o sexo da experiência da pessoa como um todo, se está
destinado somente a parte da satisfação. Isto leva a uma vagarosa degradação
espiral, procurando sempre pelo momento crucial na satisfação sexual. A
próxima pessoa, ou esta nova forma de fazer amor, talvez seja ainda melhor
que antes. É claro que sexo perigoso pode ter uma dimensão excitante, e isto
pode ser o elemento atrativo de um caso amoroso, mas existem muitas outras
maneiras de introduzir entusiasmo num relacionamento estável do que ser
infiel, por exemplo fazer amor num lugar onde para os dois não seja normal.
Como arruinar as boas relações sexuais
Na maior parte dos países, as raparigas geralmente reconhecem estas coisas
muito antes do que os homens com quem elas saem. Muitas raparigas não
necessitam de ser persuadidas sobre as vantagens de estarem numa relação
segura. De facto, uma das razões pelas quais (contra o seu próprio
julgamento) algumas finalmente estão dispostas a dormir com os namorados
é a esperança de que oferecendo-lhes sexo elas irão ter a possibilidade de
atrair os namorados para um relacionamento permanente.
Infelizmente na minha experiência isso geralmente resulta de maneira
oposta. A rapariga que o rapaz respeitava, adorava, agora olha para ela como
insignificante e sem vergonha, como todas as outras. Um dos maiores
poderes das mulheres para ganharem um homem é o seu mistério, e a partir
do momento em que ela fizer sexo com o namorado, está em perigo de o
perder. A Bíblia diz que quando um homem dorme com uma mulher, ele
“conhece-a”. Existe a sensação de que tudo foi descoberto.
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4. Sexo e a Igreja
Confusão na Igreja
Deus ama o sexo: É o desperdício do sexo fora do casamento que lhe causa
tristeza.
Existe confusão em algumas partes da igreja sobre quase tudo no momento.
Parece que em alguns países pode haver um bispo que rejeita Jesus como
Filho de Deus, rejeita o nascimento virginal, pensa que a ressurreição na
realidade nunca aconteceu e que não se pode crer na Bíblia. Quando existe
um grupo de pessoas que decidide rejeitar grande parte da Bíblia, juntamente
com muitos ensinamentos históricos da Igreja, haverá grandes problemas.
Afinal de contas a opinião do homem é tão válida quanto a de qualquer um.
Há tantas religiões quanto pessoas.
Como um amigo meu ateu disse recentemente, se quiser fazer parte do clube
deve-se reconhecer que é necessário obedecer as regras. O problema aqui é
que algumas pessoas pensam que podem tornar a escrever a base da
existência do clube, e consequentemente considerar regras de que eles não
gostam como inválidas, e ignorá-las.
Pode-se perdoar membros do clube já existentes por pensarem que estes
“radicais” não são nada radicais. Eles simplesmente criaram um novo clube
só para eles.
Atrevendo-se a ser sincero
Se eu for sincero e ler a Bíblia com cuidado para entender tudo o que ela diz
sobre a vida, não simplesmente uma frase ou duas, então tenho que ser muito
cuidadoso. Você pode facilmente ler bocados de frases aqui e ali e interpretá-
las como quiser. O significado geral tem uma importância vital.
Esta é a minha conclusão pessoal sobre o que a Bíblia diz sobre sexo e
sexualidade. Você também precisa ler a Bíblia. Eu li a Bíblia completa 3
vezes durante vários anos, frequentemente tomando notas detalhadas e
usando livros de referência para ter certeza de que estava de facto a entender
o que estava a ser dito. O que vou dizer agora é baseado nessas leituras.
Pelo que entendo, a Bíblia ensina desde o início que Deus fez o homem e a
mulher à sua própria imagem. A sua intenção é que o homem deve casar com
a mulher, e que sexo deve ser um presente maravilhoso, um mistério que une
o homem e a mulher que assumiram um compromisso para o resto da vida
desta forma.
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Fora do caleidoscópio do voluptuoso amor físico virão crianças que
crescerão numa família segura e carinhosa, com avós e avôs, tios e tias,
sobrinhos e sobrinhas, e pessoas solteiras incluídas na vida familiar se eles
quiserem.
O casamento é o alicerce da sociedade. Por isso não é nenhuma surpresa para
os cristãos descobrirem que onde casamentos acabam, onde existe violência
em casa, onde esposos são infiéis um com o outro e deixam de se estimar, as
crianças frequentemente crescem com cicatrizes, inseguros e sem confiança
neles próprios. Muito do vandalismo, problemas relacionados ao álcool,
problemas relacionados às drogas e outras situações podem ter as suas
origens em famílias infelizes de onde vêm estes jovens.
A Bíblia, ao encorajar tudo que apóia um bom e estável casamento, é contra
tudo aquilo que contraria o casamento como a rocha sobre a qual a sociedade
foi construída. Em muitos países da Europa o casamento é muitas vezes visto
como insignificante. Casamento não é moda. Veja as publicidades. Quantas
mulheres de qualquer idade, especialmente em fotos de casais, usam a
aliança de casamento – ou um anel de noivado?
Há carreiras que encorajam as mulheres a não terem filhos por dez anos ou
mais. O trágico é, quando elas finalmente quiserem tê-los, muitas vezes o
pico de fertilidade passou, ficar grávida torna-se difícil e os riscos de ter
bebês com anomalias aumenta. Na medicina, qualquer mulher que tenha o
primeiro filho depois dos trinta anos de idade é considerada como uma mãe
idosa porque os médicos reconhecem que o corpo da mulher não foi
realmente projetado para uma primeira gravidez tão tardia.
Sexo designado para o casamento
Porque a Bíblia é a favor do casamento, e contra qualquer coisa que
desencoraje o casamento, a Bíblia é a favor da união sexual como actividade
exclusiva daqueles que são casados.
Antes da pílula a vinte anos atrás, sexo significava o risco da gravidez, e
bebês precisam de mãe e pai permanentemente. Qualquer médico de família
irá dizer que relacionamentos casuais são ruins para crianças e para a família.
Jesus deixou absolutamente claro que ele estava de acordo com o
ensinamento estabelecido, que diz que o sexo fora do casamento era
condenado. De facto, ele foi mais longe dizendo que até mesmo uma fantasia
sobre sexo fora do casamento também era condenado.
Eu não estou a pedir-lhe que concorde com isto. Tudo o que estou a pedir-lhe
para fazer é que seja honesto consigo próprio e no mínimo aceite que isto é o
que a Bíblia diz. Que é o ensinamento que sempre foi dado pela igreja,
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embora tenha sempre existiram alguns grupos que escreveram os seus
próprios livros de regras, e no processo encontraram-se fora da igreja como
resultado. Este ensinamento não é de uma denominação, mas da Igreja como
um todo, desde o tempo de Jesus, seja ela Católica, Ortodoxa, Anglicana,
Metodista, ou qualquer outra. De facto isto é uma das poucas posições sobre
a qual durante séculos os cristãos sempre se mantiveram unidos.
Aumentar os limites
Algumas pessoas tentaram sugerir que existe um caso especial para aqueles
que têm atracção por outros do mesmo sexo. A Bíblia ensina que as pessoas
podem ser sexualmente atraidas por um grande número de situações
diferentes. Isto é muito explícito. A Bíblia descreve homens a terem sexo
com homens, adultos com crianças, homens tendo sexo com as suas mães,
pessoas a terem sexo com animais, orgias, prostituição e muitas outras
coisas. O sexo homossexual é mencionado directamente num certo número
de lugares na Bíblia – sempre como algo além daquilo que é permitido.
Entretanto a Bíblia também descreve relacionamentos muito intimos,
calorosos e de amor entre pessoas do mesmo sexo – Ruth e Noemi e Davi e
Jonathan por exemplo. Davi e Jonathan poderiam partilhar as suas vidas
juntos o mais que quisessem, mas não participar em actividades sexuais com
pessoas do mesmo sexo.
Fé que está na moda
As pessoas dizem que é muito injusto. Também é difícil para uma mulher
que acha que o único homem que ela sempre amou é casado com outra
mulher, ou porque acredita que não existe ninguém apropriado com quem se
casar dentro da comunidade de seguidores de Jesus, então irá continuar
solteira. Também é muito difícil para alguém quando parece haver muitos
parceiros potenciais por perto mas não consegue encarar o fato de se casar
com ele/ela ou não confiaria nele/a para ser pai/mãe de seus filhos ( um bom
teste).
Acreditamos que nesta era de dominio sexual para um homem não expressar
a sua sexualidade tendo relações sexuais com outra pessoa é de uma forma
ou outra contra as leis da natureza e é errado. Isto não é diferente para a
mulher também o fazer, com excepção de que as necessidades de um homem
jovem são geralmente mais fortes do que as de uma mulher jovem, uma
situação que geralmente inverte-se durante a meia-idade.
A fé cristã não muda todas as vezes que a moda muda, e tradições cristãs têm
sempre honrado muito aqueles que são celibatos. O próprio Jesus é o nosso
exemplo e o Apóstolo Paulo. No tempo da Igreja primitiva havia também
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uma cultura obcecada com satisfação sexual e imortalidade e ambos, Jesus e
Paulo, falaram claramente em favor da moderação, disciplina, auto-controlo,
celibato e fidelidade como parte do propósito de Deus para todos nós. No
próximo século as pessoas irão achar muito engraçado o facto de que a
primeira e segunda gerações que cresceram com a pílula, eram obcecados
com o sexo e a dominação das doenças sexuais. Infelizmente irão também
registrar a destruição das famílias em centenas de milhões de crianças.
5. Cuidar não é a mesma coisa que concordar
Você pode não concordar comigo. Eu não estou a pedir-lhe para concordar,
mas só para ver o que eu escrevi é uma observação tão válida quanto a sua, e
é uma observação que reflecte o padrão consistente de ensinamento da Igreja
a mais de dois mil anos, seja ela Católica, Ortodoxa ou Protestante.
Cuidados práticos
Uma vez alguém disse-me que estava chocada com o envolvimento dos
cristãos no cuidado solidário e incodicional às pessoas com SIDA, porque ela
sabia que nós não concordávamos com muitos dos estilos de vida que
fizeram com que pessoas ficassem infectadas.
Eu disse-lhe que ela tinha confundido concordar com cuidar. Estas nunca
foram a mesma coisa em medicina. Se, como médico, eu somente tratasse
pessoas que votavam para o mesmo partido, que tinham a mesma fé, que
oravam no mesmo tipo de igrejas, que nunca fizeram nada que eu
pessoalmente não pudesse aprovar, eu acho que eu deveria ser retirado
imediatamente da associação médica. Espera-se que médicos e enfermeiras
sejam bastante benevolentes em relação a todos os que necessitam e a todas
as doenças, não importando como a pessoa ficou doente. O mesmo se aplica
a todos aqueles envolvidos nas áreas de saúde e social.
E o facto é que em todo o mundo as igrejas são o carro-chefe no cuidado e
prevenção da SIDA.
Capitulo Seis
Para onde é que vai?
Se formos tomar conta das pessoas que estão a morrer então precisamos de
saber exactamente o que pensamos sobre a morte.
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Abatido pela Violência
É preciso muita coragem para olhar a morte nos olhos e continuar a encará-
la. A primeira vez que isto aconteceu comigo eu ainda estava na escola. Eu
estava a caminhar ao longo de uma rua movimentada e vi um autocarro
atropelar uma mulher. Ela ficou em pedaços no chão instantaneamente. Ali
estava ela estendida na rua sangrando, e tentando respirar. Ficamos todos a
sua volta. Eu nunca tinha feito primeiros socorros na escola e não sabia o que
fazer. Alguém estava a segurar a cabeça dela. O motorista tinha saído do
autocarro em choque, e uma outra pessoa tinha chamado a ambulância. Eu
estava a observar a distância e vi a mulher de repente a vomitar, engasgou,
ficou azul rapidamente e morreu.
Eu regressei a casa agitado com a violência que tinha acontecido. Podemos
ver 100 coisas como esta na televisão mas quando vemos de perto torna-se
real. O que mais me chocou foi descobrir depois que a mulher morreu porque
estava de costas no chão e foi sufocada pelo seu próprio vômito.
A minha segunda experiência de morte foi logo depois de eu ter saido da
escola. Era uma noite escura e chuvosa e eu estava sentado na frente do
primeiro andar de um autocarro enorme com uma entrada da parte traseira.
Com o aumento da velocidade ao longo da rua engordurada e escura, ouvi o
barulho de moedas caindo no chão. Eu virei-me e não vi nada, e depois para
meu horror através da janela de trás eu vi o cobrador deitado na rua. Ele
havia escorregado, batido com a cabeça na plataforma antes de cair no
asfalto.
Eu corri para o alarme e toquei o que pareceu uma eternidade até que o
autocarro pesado encostou na paragem. Eu pulei e voltei a correr. A bicha de
carros já havia parado. Uma enfermeira saiu e deu assistência mas o homem
morreu mais tarde com uma fractura enorme na cabeça.
A maior parte de nós não gosta de falar sobre a morte. Negamos a existência
da morte. Mas a forma como algumas pessoas falam, você poderia pensar
que são imortais. Em alguns países as crianças são mantidas distantes de
funerais, talvez porque os adultos ficam envergonhados de chorar diante
delas.
É o medo da morte, o medo daquilo que não sabemos que é uma das maiores
razões que leva a SIDA a ser tão assustadora. As pessoas às vezes
perguntam-me como é possível passar tanto tempo com as pessoas que estão
a morrer – costumava ser câncer, depois era a SIDA. A resposta era, porque
eu sei onde eu vou.
Logo que terminei a minha formação médica, um dos primeiros pacientes
que eu tive foi uma mulher aposentada que estava a morrer de câncer. Eu
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lembro-me de estar sentado na cama dela uma tarde e ela pegou-me na mão.
„ Tu irás lembrar-te de mim quando eu for, não vais?‟ ela disse. Eu disse que
sim num movimento de cabeça e ela continuou: „ tu sabes onde tu vais, não
sabes? Tu acreditas?‟
Eu nunca lhe disse nada sobre fé. Eu não ando com uma etiqueta, ou um
símbolo, ou uma bíblia, mas ela tinha percebido algo. Ela sentiu que eu
estava em paz com a sua morte. Ela pôde ver que eu não estava com medo e
que eu não iria abandoná-la só porque a esperança da sua cura me tinha
abandonado.
Somente quando envelhecemos é que sentimos mais medo de morrer. As
crianças pequenas não têm problemas com isso. Crianças que estão a morrer
em geral tratam a morte como parte de uma conversa normal, e ficam depois
muito surpreendidas em saber que os adultos não conseguem lidar com a
situação. Então as crianças aprendem rapidamente a não falar sobre isso para
não magoar os seus pais e as enfermeiras.
Eu acho que alguns dos medos que eu costumava ter vêm de coisas que me
foram ditas como. „ Ele poderia ter engolido a sua dentadura então nós a
tiramos ( como alguém pode acreditar que é possivel engolir uma dentadura
postiça, mas isso fez com eu pensasse que algo violento acontece depois da
morte). Também me foi dito que depois que pessoas morrem é igual a uma
inundação: a bexiga e os intestinos se esvaziavam na cama. Pode imaginar
como fiquei aliviado quando era aluno de medicina e descobri que estas
coisas não acontecem: quando propriamente controlada, a morte é quase
sempre calma e digna. Muitas vezes o familiar no quarto não tem certeza se a
pessoa está morta ou não; ele ou ela apenas parece estar a dormir.
A morte é um mistério
Se alguma vez você teve o privilégio de se sentar junto de alguém que está
a morrer no momento da morte, você experimentou o mistério. Aqui está
uma mulher limitada no tempo e espaço. Você está sentado a segurar a sua
mão. Ela respira rapidamente. A maior parte das vezes ela está a dormir mas
ocasionalmente ela abre os olhos ou diz uma palavra. Ela não está com
dores, ela não está ansiosa e ela sabe exactamente o que está a acontecer. Ela
não está com medo e está em paz.
A medida que o tempo vai passando nota-se que a sua respiração torna-se
mais difícil, e ela parece estar a adormecer. Sobre aquilo que parece serem
horas, mas são de facto apenas alguns minutos, a respiração muda outra vez.
A enfermeira vem e diz que o seu pulso é muito fraco e rápido agora.
Existem pequenas gotas de suor na sua testa.
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Gradualmente a sua respiração parece enfraquecer e desaparece. Você se
pergunta se ela morreu, depois de alguns minutos você assusta-se quando ela
respira mais uma vez, de novo o silencio. E depois de algum tempo você
percebe que ela se foi.
Um corpo morto continua vivo
Quase todas as células no seu corpo continuam vivas. Os seus rins serão úteis
a outra pessoa se forem removidos em meia hora – desde que ela não tenha
câncer ou HIV. As suas células-cerebrais estão muito danificadas para
durarem muito, mas a sua pele continuará viva em uma semana. A córnea (a
pelicula clara sobre o olho) se removida até dia seguinte, irá dar visão a uma
criança e o seu coração talvez ainda tenha células que estejam a bater. Os
intestinos continuam a contrair-se e o estômago continua a digerir comida.
Todas as proteinas do seu corpo continuam lá, a medula óssea continua a
produzir células de sangue novas. Então o que aconteceu?
No fim das contas isso é um mistério. Eu sempre digo que o mais perto que
um ateu consegue chegar de uma profunda experiência religiosa é a sua
própria morte, a qual aumenta a consciência espiritual em todas as maneiras.
Só uma pessoa corajosa assiste a este mistério, ou então assiste ao
nascimento de uma criança, quem pode depois disso estar tão convencido
como antes de que não existe Deus.
Quatro reacções à morte
Quando se sabe que se está a morrer, quatro coisas começam a acontecer. A
primeira é que as suas prioridades mudam. Qual a razão de continuar o curso
na Universidade quando os médicos já lhe disseram que vai provavelmente
morrer antes do Natal?
A segunda é que isso transforma os seus relacionamentos. Você descobre
que o seu melhor amigo não se conforma e por isso nunca o visitou no
hospital, entretanto alguém no mesmo ano a quem nunca deu muita
importância tem lhe dado um apoio real e nada lhe parece demasiado
problema. Às vezes é necessário um diagnóstico terminal para algumas
pessoas descobrirem quem são, e quem é importante para elas.
Esse pode ser um momento de grande arrependimento e algumas pessoas
acabam por analisar o passado e querem saber como poderiam ter feitos as
coisas de forma diferente se soubessem que a sua vida iria ser tão curta.
Por último, as pessoas acham que devem seguir em frente. A maior parte das
pessoas com quem eu falo não estão muito amedrontadas com a morte mas
sim com medo de morrer: ficam com medo de se tornarem incontinentes, ou
perder o controle, ou tornarem-se fardos, ou tornarem-se completamente
72
dependentes, com medo de dor, com medo de morrerem sufocados, com
medo de perderem a habilidade de pensar, de mover-se ou de lembrar-se.
E depois ainda existe uma outra dimensão: não existe realmente nada mais
na vida do que a vida? Não existe realmente nada mais para mim como
pessoa do que as moléculas que compõem o meu corpo? Quando eu morrer,
será o fim, ou há outra forma de existência depois desta?
Conversão no leito de morte
Estas e muitas outras perguntas muitas vezes fazem com que as pessoas
busquem médiums, espiritistas, curandeiros e qualquer outro lugar que lhes
vai dar conforto dizendo que de facto existe vida depois da morte. A
conversão no leito de morte é muito comum e real. O ladrão na cruz virou-se
para Cristo na hora da morrer. Eu lembro-me de um homem com câncer nos
pulmões que veio para o hospital S. Joseph durante o tempo que lá estive.
Ele olhou para as freiras e disse: „Eu sou ateu. Será que tenho que ser
católico para estar aqui?‟
Explicamos a ele que as pessoas de todas as fés e de nenhuma seriam
igualmente bem-vindos. Eu não acho que alguém lhe tenha perguntado a
respeito de sua fé pessoal ou crença. Duas semanas mais tarde quando ele de
repente levantou a questão outra vez e pediu para ver um padre. Ele
submeteu-se a uma profunda reviravolta enquanto se aproximava do fim,
sem uma única palavra ter sido dita.
Viver é mais do que ter vida
Como cristão eu acredito que existe vida depois desta, e que a morte é
simplesmente uma passagem do mundo físico, limitado por espaço e tempo,
para uma outra dimensão. Jesus ensinou claramente que quando isto acabar,
cada um de nós irá ter que dar uma explicação daquilo que fizemos das
nossas vidas.
Jesus também mostrou-nos que nenhum de nós é perfeito: nenhum de nós
pode satisfazer Deus. Nenhum de nós é perfeito o suficiente para entrar em
sua presença e sobreviver, mas a boa noticia é que Deus criou uma ponte
sobre o abismo que nos separa Dele ao enviar Jesus. As coisas que eu e você
fizemos de errado têm consequências eternas. Somos responsáveis, e o
castigo por aquilo que fizemos é, em última instância, a morte e a extinção.
Mas Deus mandou Jesus para receber o castigo que merecíamos. Morrendo
por nós, Jesus libertou-nos dos efeitos da nossa má conduta. Através de
Jesus, para aqueles que o aceitam e o recebem, Deus escolheu perdoar-nos
completamente e apagar todo o nosso registo. Através de Jesus chegamos ao
inacessível, incogniscível e imensurável Deus como nosso Pai.
73
Para aqueles que acreditam, o momento da morte é para nós a mudança de
ser parcialmente consciente de Deus e do seu amor, para estar
completamente em sua presença, uma experiência do céu em si mesmo. Para
alguém que nunca conheceu a Deus nem as coisas de Deus, a Bíblia ensina-
nos que a vida depois da morte será uma desagradável e inconsolável
desilusão.
Este ensinamento sobre o que acontece após a morte foi sempre uma parte
central da Igreja, mas imediatamente surge uma pergunta na mente de
muitos, especialmente quando lêem que muitas igrejas começam a envolver-
se no trabalho de cuidado práctico às pessoas com SIDA.
Se os cristãos acreditam que algumas pessoas possivelmente estarão
separadas de Deus após morte, então com certeza eles vão querer falar do
Evangelho a todas as pessoas que encontrarem que estão a morrer ?
Conversei recentemente com um membro importante de uma organização
que trabalha com questões relacionadas à SIDA, que por um acaso também
contraiu SIDA. Ele é budista convertido, e livremente admitiu com um
sorriso que quando estava com pessoas com SIDA tudo o que ele queria
fazer era falar-lhes da sua fé, mas sabia que não o podia fazer.
O que você acha? Se alguém com SIDA pede para falar com o pastor, ele
está a pedir ajuda espiritual. Se o pastor só estiver interessado em visitá-lo
em casa para cozinhar, lavar a roupa, ajudar com as crianças e trazer àgua,
você pode imaginar como ele se sentir desapontado. Entretanto, se alguém
com SIDA pede a uma pessoa para que o ajuda a lavar a roupa, mas tudo o
que essa pessoa quer é falar sobre religião, você pode imaginar como o
doente tem toda a razão de se sentir irritado.
É realmente um privilégio poder estar com uma pessoa que está perto do fim
da sua vida. É um momento muito especial, como todos que estiveram
envolvidos sabem. As pessoas são sobretudo sensíveis em relação a outras
pessoas que se oferecem sem consideração àqueles que talvez estejam muito
fracos para dizer „não‟ ou „por favor vá-se embora‟. Muitas vezes, somente
depois é que esse sentimento vem à tona e a pessoa doente implora para que
uma certa pessoa nunca torne a entrar na sua casa. Por detrás de um fingir
educado pode existir um sofrimento que geralmente não é expressado no
presente. Se você está vulnerável deve pensar duas vezes antes de contrariar
alguém de quem a sua vida pode depender
Útil ou inútil
Se um médico em uma clínica pede a uma agência de voluntários por um
agente comunitário, ele espera ajuda prática, não um capelão. Se decobrisse
74
que o visitante passou toda a noite (isto pode não ser verdade, mas pode ser
apenas parcialmente verdade) a tentar converter o seu paciente, o médico
pode sentir-se aborrecido com razão. O médico vai achar o serviço
comunitário completamente inadequado.
Não é um serviço para ele como médico porque ele ficaria extremamente
preocupado em pedir a alguém desse grupo novamente. Isto não é um
serviço para o paciente porque o que o paciente quer é boa companhia e uma
mão para o ajudar, e ao invés disso recebeu um sermão.
O médico chega a conclusão de que o programa de SIDA só está interessado
em servir ao pastor local para tentar converter as pessoas. Se este for o caso,
o médico irá fazer uma campanha para ter a certeza que todos saibam sobre
estas pessoas inúteis.
Hóspede e servo
Existe a hora certa e o lugar certo para tudo, e tudo depende da cultura e
costumes locais. Por exemplo, em muitas partes de Uganda o nível de
compromisso da Igreja é tão forte que seria estranho para um visitante de um
programa de SIDA organizado pela Igreja não oferecer uma oração em cada
visita. Certamente se não oferecer uma oração é muito provável que lhe seja
pedido para o fazer de qualquer maneira. A oração dos cristãos em casa é
uma parte integrante do ministério daquela comunidade. Oração é uma forma
de vida. Mas na Tailândia ou partes da Índia as expectativas podem ser muito
diferentes, porisso devemos estar atentos a essas coisas.
Isto depende muito do tipo de serviço oferecido e àquilo que as pessoas se
referem. Entretanto qualquer que seja a cultura, não obstante a hostilidade
para com a fé cristã, o seguinte é sempre verdade:
Se estiver a cozinhar uma refeição para alguém e essa pessoa notou que você
esta sempre lá, que nunca protesta, que o aceita como pessoa, que está
contente por tomar conta dele mesmo que ele pressinta que você não
compartilhe as sua opiniões sobre diferentes estilos de vida, por todas estas
coisas e porque ele sabe que vai a igreja ele pergunta-lhe sobre a sua fé,
então este é um momento oportuno para compartilhar um bocado de
esperança que está em você, e talvez trazer conforto espiritual e paz.
Ele conduz a conversa, e seria estúpido e desagradável não responder às
questões. Você talvez descobra que no contesto de suas perguntas, ele acha
interessante ter alguém por perto que tenha fé. Talvez você ainda descobra
que o doente lhe vai pedir para orar por ele, é muito surpreendente o número
de vezes que um ateu tem fé nas orações de outra pessoa! Mas em todas a
situações, a sua atitude deve ser a de empregado: Como posso ajudá-lo o
75
melhor possível hoje? Lembre-se também de que você está lá na posição de
convidado e nunca domine o ambiente. A propósito, o budista de quem eu
falei antes, ao final encontrou fé em Cristo dessa maneira.
Educação nas escolas
Os mesmos princípios aplicam-se em programas em escolas. O trabalho em
escolas é muito delicado onde todos talvez tenham opiniões bem definidas de
como a educação sexual e a SIDA devem ser ensinadas. E isto irá variar
entre países, áreas, comunidades e escolas. As pessoas podem estar com
medo de que activistas irão tentar usar a crise da SIDA para promover o uso
não apropriado de preservativos nas escolas ou para promover opiniões
morais e atitudes radicais.
Um educador escolar está lá como convidado do professor para servir a
escola, como convidado na sala de aulas. Ambas as partes devem discutir e
concordar sobre os tópicos, métodos e idéias a serem discutidas previamente.
Trabalhar em escolas é um privilégio e não deve se tornar uma base para a
promoção de opiniões pessoais, sem o acordo daqueles que o convidaram.
Entretanto, se no contexto religioso ou aulas de habilidades o educador é
questionado pelo professor ou aluno para apresentar uma perspectiva pessoal
como exemplo na esperança de vida cristã depois da morte ou sexualidade,
então se trata de algo diferente, desde que isto seja apresentado como opinião
pessoal aberta para discussão e debate. Mas como sempre digo, em tudo
deixe-se guiar pela escola local e os professores que nela trabalham. Com
frequência, eles lhe darão muito mais liberdade do que você havia
imaginado.
Resumindo, a SIDA é uma doença terrível que mata um número enorme de
pessoas, propaga-se por um vírus através de agulhas compartilhadas ou sexo
com pessoas infectadas. Isto ataca-nos em duas áreas que nos sentimos mais
vulneráveis: a nossa moralidade e a nossa mortalidade, e faz-nos perguntar o
que fazemos e quem somos.
Agora é tempo para agir.
Tempo para acção
A primeira coisa que você talvez precise fazer é organizar a sua própria vida.
Eu acho deprimente ver quantas pessoas que só tentam dar sentido às suas
vidas quando as suas vidas estão quase no fim. Será necessário um
diagnóstico terminal para pôr a sua própria casa em ordem? Decisões
urgentes talvez necessitem de ser feitas para mudar a sua vida sexual ou
injectar drogas, assim como decidir o que é importante para si.
76
O que é importante para si?
O que é que lhe vai fazer realmente feliz a longo prazo? Quais são os seus
melhores relacionamentos? Eu não estou a dizer este ano, mas nos próximos
anos no futuro. Sabe quem são os seus verdadeiros amigos e a quem
pertence?
Estas são perguntas importantes. Muitas pessoas depois de se tornarem
cristãs dizem:‟Se eu soubesse o que sei agora, a minha vida nunca teria sido
um caos‟. O pior é que frequentemente é necessário um diagnóstico terminal,
ou quase um acidente fatal, para fazer uma pessoa parar por algum tempo
para pensar e colocar seus sentimentos em ordem. A maioria das pessoas que
conhece provavelmente estão contentes o suficiente no momento para passar
pela vida de um relacionamento ao outro, de um emprego ao outro, sem um
plano a longo prazo em mente, simplesmente a viverem um dia de cada vez.
Mas as pessoas que vivem assim muitas vezes descobrem que seus planos e
esforços forma por àgua abaixo. Uma mulher descobre aos trinta e oito anos
que o homem com quem ela vive e lhe prometeu casamento e filhos tem sido
infiel com outra mulher nos últimos dois anos e lhe vai deixar. Um homem
descobre que alcançou o sonho do seu negócio, mas com o custo de perder a
sua mulher e filhos. Ele descobre muito tarde que dinheiro compra muita
atenção mas não compra amigos. Um outro homem descobre depois de um
número de relacionamentos que está desiludido e não tem mais a certeza do
que é o amor.
Viva a vida plenamente
Você é importante. Creio que foi criado com um objetivo e irá encontrar a
sua maior felicidade descobrindo esse objetivo por si mesmo. Parte deste
envolvimento começa por viver para os demais. Jesus disse que a única
maneira que irá encontrar o seu verdadeiro ser, é tornando-se realmente
humano, e perdendo o seu ser – não tornando-se um tapete passivo onde toda
a gente pode andar por cima, mas desprendendo-se do direito de controlar a
sua vida a sua maneira, e em seu lugar convidar Jesus para lhe mostrar como
viver a vida dele. Acredito que Deus tem um plano para si e porque ele lhe
ama, o Seu plano o fará verdadeiramente feliz.
A parte mais importante desse plano é que ele quer que o conheça
pessoalmente, como seu amigo, e ele quer que tenha novo poder, coragem e
recursos internos de tal maneira que desfrute sua vida ao máximo. Isto faz-
lhe sentir completo e às vezes tráz cura física também.
Participando
Em segundo lugar, existem algumas coisas que você pode fazer para ajudar
de forma práctica aqueles que têm SIDA. Você poder tornar-se voluntário
77
oferecendo-se para visitar alguém que está doente, ou para apoiar as suas
famílias. Talvez você queira ajudar a salvar vidas falando com as pessoas de
como protegerem-se contra o HIV. Que tal falar com outras pessoas na sua
igreja ou com outras pessoas já envolvidas numa resposta cristã à SIDA
oferecendo-lhes o seu tempo? Você encontrará bastantes recursos para ajudá-
lo no website da ACET International Alliance. Pode descarregar
automaticamente no computador e tirar cópias.
O que pode ser feito?
Comece com aquilo que tem. Eu recentemente visitei a escola para órfãos de
SIDA, um projecto de geração de renda iniciado por seis avós numa área
muito pobre de Uganda. Elas começaram com aquilo que tinham e
continuaram elas próprias, pouco a pouco mobilizando outras pessoas na
aldeia e aos bocados o trabalho foi estabelecido. Elas juntaram dinheiro e
compraram terras. Depois juntaram para comprar uma vaca. O leite que
vendem da vaca serve para ter a escola a funcionar. Pouco a pouco fizeram
tijolos e substituiram o teto de palha com uma pequena construção. E depois
construíram outra. Começaram a ensinar as crianças o melhor que podiam no
seu tempo livre. Todos ajudavam. Alguns traziam comida, outros
cozinharam, outros carregaram água todos os dias e assim as crianças com
sede podiam beber. As avós chegaram a conclusão que necessitavam de
treinamento e foram para os programas do governo para receberem
qualificações. Um visitante veio e deu-lhes dinheiro para terem electricidade.
Um outro forneceu tubos para água corrente. Um outro deu-lhes uma
máquina de costura para treinar raparigas maiores...e gradualmente o
trabalho cresceu.
Cada igreja pode encorajar os seus membros a fazer algo para ajudar.
George Hoffman, o fundador da Tear Fund, uma vez disse: “ você não
pode mudar o mundo inteiro mas pode mudar o mundo de alguém em
algum lugar”.
Vai e salva a vida de alguém hoje.
Vai e leva comida para uma família atingida pela SIDA hoje.
Vai e conforta uma viúva ou um órfão hoje.
Vai e encoraja alguém que deseja dedicar-se ao trabalho de uma organização
de SIDA hoje.
Ore pela protecção e provisão de Deus sobre eles.
E você poderá ser parte da resposta a estas orações.
78
Ajuda prática
Em terceiro lugar, tavez você queira falar com alguém sobre os problemas
levantados neste livro. Por exemplo, você pode estar preocupado por
acreditar estar infectado ou que alguém que conheça possa estar infectado.
Talvez você precise falar com o seu pastor, ou com o seu médico para
receber a orientação profissional de que precisa.
Capitulo Sete
O que podemos fazer?
Hora de Agir
Boa Prática em Projectos de HIV/SIDA
por Mark Forshaw - Africa Inland Mission
O que podemos fazer? Como é que você e eu podemos fazer uma diferença?
Em primeiro lugar, comece sempre com o que você já tem. Este é um
princípio bíblico fundamental. O trabalho de Deus feito a maneira de Deus
nunca sentirá a falta dos recursos de Deus, como Hudson Taylor, o famoso
missionário na China disse . O que é que Deus o está a mandar fazer? O que
é que Ele colocou em seu coração?
Você não necessita nem de fundos nem de uma grande equipe para começar.
Não há custos para se cuidar de um amigo ou de um vizinho, nem para falar
com os seus próprios filhos e colegas sobre o HIV e a SIDA, nem incluir o
tópico do HIV em seu programa de ensino da igreja, ou nos esquemas de
formação do trabalho, ou no currículo da escola. Trabalhando juntos nós
podemos ter um verdadeiro impacto.
Pode ser que você não consiga salvar o mundo inteiro mas você pode evitar
que alguém seja afectado com o HIV em algum lugar. Claro que você não
pode ajudar todos aqueles atingidos pelo HIV nem todas as crianças que
ficaram órfãs por causa do HIV, mas você pode ajudar de alguma forma
prática assim como incentivar outros, e você pode se envolver em outros
projectos que já existem. Mas faça tudo em parceria com outros. Este
trabalho pode causar traumas, ser cansativo e solitário, assim que você vai
necessitar que outras pessoas o apoiem também.
79
E projectos maiores? Milhares de programas foram desenvolvidos,
informações incontáveis foram publicadas e milhões de dólares gastos no
esforço da luta contra o HIV / SIDA. Contudo, a propagação da epidemia
continua rapidamente. Muitos governos e as agências de ONGs reconhecem
agora que suas estratégias estão a falhar, contudo continuam a gastar
dinheiro na distribuição de preservativos somente e campanhas esporádicas
de conscientização, nenhumas delas busca lidar com os problemas como a
pobreza, a educação, os direitos da mulher e questões mais abrangentes de
estilos de vida.
Aqui estão algumas histórias para incentivá-lo: lembre-se de que estas lições
são de diferentes países e necessitam de uma cuidadosa adaptação para cada
situação. Entretanto os estudos de caso ilustram muitos pontos gerais que são
de vital importância.
Cada uma destas histórias tem um pequeno inicio. Um indivíduo tocado
pelo amor de Deus, e afectado profundamente pelo que a SIDA está a fazer
ao mundo que Ele fez. Pessoas que sentiram que tinham que fazer algo, e que
geralmente começaram com quase nada, passo a passo, seguindo o chamada
de Deus, em companhia de outros e aprendendo com aqueles ao redor
enquanto seguiam em frente. Em muitos casos a estrada era longa porque
haviam poucos modelos a seguir para tais programas naquela época. Mas
agora os programas que começaram são uma inspiração e incentivo prático
para todos nós, e nos fazem seguir em frente em nossas próprias jornadas.
Cuidados: Estudo de Caso - FACT Zimbabué
Diante do elevado nível de necessidade e de limitados recursos na área de
saúde, Dr. Geoff Foster um pediatra em Zimbabué fundou a FACT – Family
AIDS Caring Trust (Associação para o Cuidado às Famílias com SIDA ) em
Mutare, Zimbabué, ele percebeu a necessidade urgente de mobilizar a
comunidade local para fornecer ajuda. As igrejas que tinham indivíduos que
quisessem ser treinados para fornecer apoio às famílias e vizinhos nas suas
comunidades foram convidadas a participar. Os programas de cuidados a
domicilio de FACT são coordenados por profissionais da área de saúde
experientes que são responsáveis pelas equipes locais. Cada equipe é
dirigida por um voluntário, controlando outros voluntários locais da igreja
que têm contacto directo com aqueles que necessitam em suas áreas.
O treinamento dos voluntários consiste em técnicas básicas de
aconselhamento e cuidados. Os cuidados exigidos às pessoas doentes em
80
casa são: banho e higiene pessoal, lavagem de roupa e lençóis de cama,
limpeza da casa, provisão do alimento apropriado e o tratamento regular de
pequenas feridas. Enquanto o alvo principal dos voluntários é cuidar
daqueles infectados com HIV, eles também são treinados para cuidar de
todos que estão cronicamente doentes ou a morrer, por exemplo, pessoas
com TB, diabetes ou simplesmente idosos. Seria um erro visitar somente
aqueles que estavam doentes devido ao HIV e não cuidar dos seus vizinhos
que estavam igualmente doentes mas não necessariamente infectados pelo
HIV.
Sobretudo é necessário que os voluntários reconheçam que as necessidades
das pessoas visitadas não são puramente físicas, mas também emocionais e
espirituais. Os voluntários são provenientes da comunidade local e muitas
vezes eles cuidam dos seus próprios vizinhos. Criar um bom relacionamento
é a base para um bom cuidado prático e aconselhamento de apoio.
A maioria daqueles visitados vivem com membros das suas famílias e o
papel dos voluntários é de apoiá-los também. Eles oferecem conselhos sobre
as várias maneiras de como tratar diferentes infecções comuns ao HIV;
outros serviços informais e formais disponíveis e como utilizá-los.
Importante é saber que os voluntários também oferecem a ajuda emocional e
espiritual às pessoas da família que cuidam dos doentes.
Através desta equipe com relativamente pouca habilidade e de baixo custo,
um número maior de pessoas pode receber ajuda, utilizando os mecanismos
de cuidados tradicionais da família e da comunidade. Através dos
voluntários, cada igreja pode atingir sua comunidade para servir e apoiar as
famílias, vizinhos e outras pessoas envolvidas em cuidados. Os voluntários
contribuem para o desenvolvimento do programa com levantamento de
dados, tomando decisões e organizando reuniões de planeamento. Isso é boa
prática: envolve as pessoas que são as mais próximas daqueles que
necessitam de ajuda.
O cuidado domiciliar ajuda aqueles que mais necessitam de auxílio nas suas
próprias áreas. De qualquer modo, fornecer simplesmente cuidados práticos
ajuda somente nas necessidades físicas. Há também muitas necessidades
emocionais pois as pessoas enfrentam o preconceito e a rejeição, e
necessidades espirituais porque estão a enfrentar a morte. O cuidado deve
consequentemente abranger aconselhamento pessoal por trabalhadores
81
adequadamente treinados e supervisionados.
Para organizações cristãs, o cuidado domicíliar e aconselhamento podem ser
uma oportunidade para se encontrar a fé, na medida em que pessoas sem
esperança temporal descobrem esperança eterna através de Cristo. Os
cuidados à uma pessoa com SIDA é uma forma poderosa de compartilhar o
amor de Cristo de maneira prática dentro da comunidade e às vezes isto pode
conduzir a uma partilha natural da fé em Jesus, a nossa motivação para o
trabalho.
O cuidado físico básico de pessoas doentes é uma necessidade evidente que
deve ser suprida. Desestigmatização, normalização e inclusão pela família,
pelos amigos e pela comunidade são também necessidades óbvias mesmo
que menos imediatas a primeira vista. Podem todas ser conseguidas a custos
baixos, e ainda pelos visitantes e voluntários, que são eles próprios, bem
apoiados e direccionados.
Os cuidados com base no relacionamento entre os voluntários e as pessoas
atendidas abrem naturalmente oportunidades de aumentar a consciência e a
compreensão em relação ao HIV /SIDA e especialmente como este é
transmitido e prevenido. A prevenção do HIV /SIDA que se desenvolve
dentro do contexto dos cuidados faz com que seja mais fácil falar sobre
problemas morais e sociais mais delicados. Pessoas cujos amigos ou
familiares estão infectados enfrentam a realidade da doença e
consequentemente tendem a ouvir e depois passar a informação para outros.
Para uma organização de SIDA que trabalha com a prevenção, um dos
melhores pontos de entrada é o cuidado, que traz muito frequentemente
também a credibilidade ao seu trabalho.
Sumário de cuidados
O cuidado baseado na comunidade alcança mais pessoas.
Pessoas com SIDA muitas vezes preferem ser tratadas em suas
próprias casas.
Esteja preparado para cuidar daqueles com muitas doenças diferentes,
não somente daqueles que vivem com HIV / SIDA.
As famílias, os amigos, as comunidades e os voluntários são um
recurso para o cuidado.
O trabalho é das comunidades, portanto elas devem ser consultadas no
início e durante toda a vida do programa.
O cuidado na comunidade fornece oportunidades para a educação em
82
prevenção.
Os cuidados oferecidos pela comunidade são de baixo custo
comparados aos cuidados oferecidos pelo hospital.
Os cuidados devem ser holísticos: físico, emocional, social e
espiritual.
Os cuidados na comunidade são mais eficazes se ligados a outros
serviços, trabalhando em parceria com hospitais locais, por exemplo.
As comunidades têm muitos recursos dentro delas que podem ser
utilizados.
Sumário sobre o uso dos voluntários
Faça a pergunta: Como, onde e até que ponto é adequado o uso de
voluntários?
Os critérios de selecção devem ser estabelecidos no início. A
motivação é o mais importante.
Treinamento relevante no início e durante todo o programa.
Monitoramento e apoio aos voluntários durante toda a vida do
programa.
Participação na tomada de decisão e planeamento.
Parâmetros claros sobre o que se espera dos voluntários e quando
devem consultar a equipe de funcionários com vencimento.
Monitoramento grupal e individual regular e apoio aos voluntários
por parte da organização. As pessoas são o nosso maior e mais
precioso recurso.
Questões de aconselhamento
Uma parte central de cuidados e prevenção.
O treinamento é extremamente importante.
Supervisão e limites bem definidos também são muito importantes
por exemplo: saber quando parar e a quem passar certas questões.
Prevenção: Estudo de Caso - ACET Uganda
O objectivo de todo o trabalho de cuidado e prevenção de HIV/SIDA deve
ser a redução da propagação do HIV. Este é o maior desafio àqueles cujo
trabalho se relaciona com HIV: está a desempenhar tanto esforço e recursos
para salvar vidas quanto para cuidar daqueles infectados? Você tem somente
hoje para salvar a vida de alguém e os próximos 10 anos para planear os
83
cuidados que este paciente necessita. Devemos fazer tudo que estiver dentro
do nosso alcance para lutar contra este problema terrível. Programas de
cuidados, enquanto vitalmente necessários, não são resposta para a
propagação da SIDA.
Mas a mudança de comportamento é um desafio real. As campanhas de
consciêntização e educação sobre o HIV / SIDA têm um impacto limitado
na mudança de actividades de riscos elevados dos indivíduos. A informação
recebida por um indivíduo não significa necessariamente que o indivíduo
compreende-a, incorpora-a ou deseja mudar seu comportamento.
ACET Uganda, sob a liderança actual de David Kabiswa, desenvolveu
recursos eficazes usados agora em toda a Africa e também em áreas mais
distantes como Índia. Como seus colégas membros da equipe de Uganda,
David não pôde apenas ver os vulneráveis, tais como crianças em idade
escolar, mulheres e crianças de rua, tornarem-se cada vez mais expostos ao
risco de infecção. A equipe de ACET Uganda desenvolveu um enfoque triplo
de comunicação para auxiliar a mudança efetiva e sustentável de
comportamento.
A. Informação:
As pessoas devem conhecer os factos. Isto deve ser projectado para superar
as necessidades individuais e locais. Deve suprir a falta de informação e
providenciar uma fundação que favoreça a compreensão das preocupações
médicas, sociais, económicas, culturais e espirituais relacionadas ao HIV /
SIDA. Mas somente factos irão raramente mudar o comportamento.
B. Identificação:
Auxiliar indivíduos a compreender comportamentos de alto risco nos quais
estão, ou poderão estar, envolvidos. Ajudar as pessoas a fazerem escolhas
importantes sobre o estilo de vida e a compreender as opções e as
consequências de práticas específicas de comportamento. Este método
contrasta com o " método do medo " de muitas campanhas de HIV / SIDA.
C. Interacção:
Depois de ter conhecimento das escolhas, o indivíduo é incentivado então a
refletir sobre as opções. Estas relacionam-se às habilidades de vida que
reduzem a vulnerabilidade à infecções, permitindo relacionamentos a longo
prazo, tomando responsabilidade pessoal pelo seu comportamento, tendo a
confiança para fazer e viver as suas próprias decisões, e respeitar o valor
dos outros.
A medida que ACET Uganda desenvolveu o seu trabalho de prevenção de
84
HIV / SIDA, logo tornou-se visível que o HIV / SIDA não poderia ser
tratado isoladamente e seria necessário tratar da educação sexual em geral, e
mais importante, do desenvolvimento de relacionamentos de um indivíduo
com o desenvolvimento do valor pessoal e uma grande consideração para
com os outros. Estas são as habilidades que são cruciais não somente à
prevenção do HIV / SIDA mas também ao desenvolvimento geral de cada
indivíduo.
ACET Uganda descreve habilidades de vida como " o ensino formal e
informal das habilidades obrigatórias para a sobrevivência, vivendo com
outros e alcançando metas em uma sociedade complexa. Não se pode por
muito tempo supor que estas habilidades são automaticamente aprendidas ou
que são automaticamente passadas para outras pessoas, como acontecia no
passado” (Educação das Habilidades de Vida para um Comportamento
Responsável entre Adolescentes, ACET Uganda). Muitos ensinamentos
culturais existentes talvez não preparem as pessoas para novas pressões.
Por exemplo, com o aumento da urbanização, as pessoas estão a enfrentar
novas pressões económicas e sociais, enquando as estruturas sociais
tradicionais estão a desaparecer. O desenvolvimento das habilidades de vida
pelas pessoas (em particular os mais vulneráveis, tais como jovens e
mulheres) pode prepará-los para responder mais positivamente aos desafios
que enfrentam na vida.
Como as habilidades de vida são aprendidas
ACET Uganda usa métodos interactivos de ensino para incentivar as
pessoas a pensar e discutir problemas que lhes afectam, ajudando-lhes a
analisar situações que irão enfrentar e suas respostas.
A pressão dos/as companheiros/as é muito eficaz em desenvolver
pensamento individual e compreensão social. Isto pode ser negativo como
pode ser positivo. O papel da equipe de educação é desenvolver um método
de reflexão de grupo de companheiros/as que ajudará a reforçar e sustentar o
comportamento positivo e saudável.
Enfoque nas discussões em grupo.
Debates e discussões em grupo.
Filmes, slides e vídeo. " Não espere que filmes falem por si mesmos "
mas estes podem estimular boas discussões.
Questionários.
Palestras – não aulas e exposições longas mas curtas com referéncia a
problemas atuais.
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Há princípios comuns para educadores / facilitadores empregarem durante o
processo de aprendizagem:
A questão não é primariamente consciêntizar, mas auxiliar na
mudança de comportamento pessoal e comunitário.
Atenção aos grupos vulneráveis, em particular mulheres e jovens.
Pesquisar as suas necessidades.
Compromisso para com as pessoas.
Respeitar os ouvintes e suas opiniões.
Aprendizagem cooperativa e não competitiva.
Importância da educação dos/as companheiros/as.
Métodos interactivos de aprendizagem.
Tempo para a reflexão.
Clareza na mensagem.
Estabelecer contatos e fazer amizades.
Treinamento de outros para auxiliarem no processo por exemplo,
grupos de educadores que se apoiam e aprendem uns dos outros.
O Evangelho - uma estrutura para a vida.
Para os cristãos envolvidos na educação das habilidades de vida o evangelho
pode ser trazido naturalmente no momento certo, para muitos isto oferece-
lhes uma estrutura para a vida. Essa é a mensagem de Jesus Cristo que pode
ajudar as pessoas a enfrentar os desafios da vida. Nem sempre pode ser
apropriado ser evangelista, mas muitas vezes os educadores são questionados
sobre de onde recebem a força e motivo que os ajudam a enfrentar os
desafios da vida e podem legitimamente testemunhar a sua fé.
A integração da prevenção do HIV / SIDA com outras questões.
Lidar com a educação para a prevenção do HIV / SIDA deve ser parte de
uma educação mais abrangente na área das habilidades de vida. Os
educadores de ACET Uganda ganharam credibilidade, em parte porque eles
lidam com muitas outras pressões que as pessoas enfrentam. Para outras
organizações como a FACT, a participação no cuidado de pessoas que
vivem com HIV / SIDA deu-lhes uma base e oportunidade realizar o trabalho
de prevenção e educação .
Mobilização da Igreja - Estudo de Caso - Hospital Chikankata
Uma igreja que serve a comunidade
É naturalmente importante que a igreja sirva a comunidade local. Mas uma
86
parte do servir significa entregar o poder e permitir que a comunidade tome
as suas próprias decisões, até mesmo às pessoas que vivem com HIV / SIDA.
O verso central em Marcos, 10:45 descreve Cristo como servo. " Pois o
próprio filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a
sua vida em resgate de muitos". 2 Não somente um servo, mas um servo que
lhe deu a sua vida.
O hospital do Exército de Salvação em Chikankata, descreve o seu trabalho
de educação em ' aconselhamento comunitário ' como " uma actividade
expressa através do diálogo, direcionado a transferência genuína de
responsabilidades para a prevenção – do pessoal da área de saúde e outros
„ajudantes ' interessados para os individuos, famílias e talvez o mais
importante, comunidades" (AIDS Management An Integrated Approach/
Gerênciamento da SIDA, Uma Abordagem Integrada de Campbell I.D. e
Williams G.). Uma abordagem ampla, interativa e comunitária deste tipo é
essencial no contexto da SIDA nas comunidades com taxas elevadas de
infecção de HIV. A tarefa de prevenção é muito grande e as comunidades
devem possuir o desejo de mudar. A educação somente não basta.
Necessita-se de educação, informação e treinamento por parte de pessoas as
quais eles respeitem. A igreja deve servir para mobilizar a comunidade.
A Palavra de Deus
A dimensão e a natureza moral da epidemia deixaram muitos
implementadores de programas preocupados com o ritmo lento no qual a
igreja, as missões e as ONGs cristãs responderam. A liderança da igreja é a
chave para a mobilização de programas de HIV /SIDA. Se a liderança da
igreja continua sem motivação ou, ainda pior, é preconceituosa em relação
ao involvimento da igreja, deve-se dedicar tempo ao trabalho de
conscientização para facilitar a mudança de atitude antes que uma acção
sustentável possa ser realizada por uma igreja ou grupo.
Quando se tem o encorajamento e incentivo da liderança da igreja os
recursos dentro da igreja podem facilmente ser mobilizados. A solução que
aparece é o poder da Palavra de Deus com o Espírito Santo para motivar,
cuidar e dar às pessoas uma estrutura para a vida. O cuidado cristão deve
basear-se no modelo de Cristo, o qual não estava restrito às necessidades
físicas das pessoas, mas foi muito além disto, alcançando suas necessidades
emocionais, relacionais e finalmente espirituais. Os cristãos têm uma
oportunidade através dos cuidados e da educação para a prevenção do
HIV/SIDA de expressar de forma prática o amor de Cristo pelos
marginalizados, mas também a todos na comunidade que vive sob a ameaça
2
Marcos 10:45 Tradução João Ferreira de Almeida SBS – Nota do revisor
87
da SIDA.
Mobilizando uma Igreja - Estudo de caso - TAIP, Jinja, Uganda
Sob a liderança do Pastor Sam Mugote alguns membros da igreja de
Deliverance, Jinja, formaram um grupo para prestar cuidados físicos e
espirituais às pessoas da sua comunidade que vivem com HIV/SIDA. Eles
foram motivados pelas muitas necessidades de seus vizinhos mas também
pelo chamado da Palavra de Deus para cuidarem com sacrificio daqueles que
necessitam, sem preconceito ou sem julgá-los. O programa cresceu através
de outras igrejas que viram o impacto positivo na vida das pessoas, da
comunidade e da própria igreja, assim pediram para tornarem-se parte do
programa ou para serem autorizados a realizar o mesmo trabalho. A Igreja
Deliverance formou a TAIP, o Programa de Intervenção da SIDA, para
capacitar e auxiliar as igrejas a agirem no contexto da epidemia de
HIV/SIDA em suas comunidades.
O objetivo de TAIP é ajudar as igrejas a desenvolverem o apoio sustentável
às pessoas que vivem com HIV/SIDA. As igrejas são auxiliadas a planear e
gerir programas de cuidados e de prevenção através do trabalho de
voluntários para a suas comunidades vizinhas. O principio fundamental
destes programas é uma premissa espiritual de que os cristãos devem tomar
iniciativas no que se refere à epidemia do HIV/SIDA.
Os implementadores do trabalho de cuidados e de prevenção são voluntários
provenientes das igrejas. A maioria deles não são treinados na área de saúde
formal, mas foram equipados para fornecer os cuidados físicos básicos que
as pessoas com HIV/SIDA necessitam em suas casas. Além disso os
voluntários são treinados para poderem dar conselhos que vão de encontro às
necessidades emocionais de ambas as pessoas vivendo com SIDA e suas
famílias. Os voluntários oferecem também aconselhamento em questões de
nutrição e outros serviços disponíveis aos indivíduos e suas famílias. Em
meio deste trabalho de ajuda prática, o amor de Cristo é compartilhado.
Geralmente, a equipe da TAIP trabalha com igrejas que a procuram para
obter orientação. Nas palavras do Pastor Sam Mugote, que vê o papel da
TAIP como auxiliadora das igrejas " para desenvolver o trabalho que as
igrejas estão já a fazer", que se importam com pessoas e o modelo bíblico
para a vida. Mugote trabalhou com muitas igrejas se encaixam nesta
descrição. Tal é o seu profundo desejo de ver suprida as necessidades
daqueles afectados pela SIDA, que ele irá ajudar qualquer igreja a agir
88
quando ele puder.
As igrejas que procuram o auxílio e são seleccionadas para serem treinadas,
compartilham duas qualidades chaves: Primeiro, elas vêm as necessidades
das pessoas infectadas pelo HIV em suas comunidades e o efeito que isto
tem em suas famílias e comunidade. Segundo, a igreja é activa na
proclamação do Evangelho, isto é, reconhece e está já a praticar a resposta ao
chamado da Palavra de Deus para proclamar às pessoas a Boa Nova de Jesus
Cristo em palavra e em acção. Estes são os elementos fundamentais, sem eles
será então difícil começar um programa de HIV / SIDA. O papel da TAIP é
oferecer orientação em como uma congregação pode direcionar a sua visão e
habilidades para oferecer cuidados e prevenção eficazes.
Como indicado acima, a experiência da TAIP é que uma igreja local deve já
mostrar sinais do compromisso e trabalho prático dentro dos principios do
ensinamento bíblico acima citado. A partir disso será um desenvolvimento
natural para que as igrejas possam então dar uma resposta local à epidemia
do HIV.
A equipe da TAIP começa por fazer uma visita inicial a uma igreja para
encontrar-se com o ministro, a liderança da igreja e os membros
interessados na congregação. É importante que a liderança não concorde
somente com o desenvolvimento de um programa mas esteja também
envolvida activamente no trabalho. A igreja pode encontrar um número de
desafios em que a sustentação activa da liderança seja necessária. Os
voluntários podem enfrentar o preconceito e necessitarão certamente de
apoio regular e compreensão quando envolvidos com pessoas cronicamente
doentes e as suas mortes. A equipe da TAIP treina membros motivados e
selecionados da igreja para se tornarem um Grupo de Acção e Apoio para
visitar pessoas com HIV /SIDA. Este grupo de voluntários é também
equipado para ser capaz de rever as suas actividades e apoiar mutuamente
reunindo-se com regularidade.
A ênfase no treinamento da TAIP e dos voluntários deste grupo de acção e
apoio é desenvolver relacionamentos com indivíduos. Isto vai de encontro a
uma das principais necessidades das pessoas, afim de que percebam que são
amadas e têm valor e é a partir desta base de apoio emocional que os outros
elementos do cuidado podem ser fornecidos.
É importante notar que a experiência da TAIP mostra que a mobilização de
uma igreja pode levar entre seis e dezoito meses onde os voluntários são
seleccionados, treinados e realizam a prática entre as aulas. O treinamento é
89
então acompanhado através de supervisão, apoio e visitas de actualização do
treinamento por parte da TAIP. Um outro factor importante no
desenvolvimento do programa da igreja é que esta deve ter uma forte
ligação e boa comunicação com a comunidade local. A comunidade deve
estar de acordo e fazer sua a iniciativa e isto requererá tempo e recursos
dedicados ao desenvolvimento de relacionamentos, até mesmo treinamento
no desenvolvimento de pesquisas e planeamento com as comunidades.
A experiência da TAIP e de outras organizações tem mostrado que os
projectos com base no voluntariado podem ser desenvolvidos com menos
dificuldades nas áreas rurais comparadas às áreas urbanas. A razão principal
para isto é a disponibilidade de tempo dos voluntários para cuidar de pessoas
fora da suas próprias famílias. Nas áreas urbanas quase sempre as estruturas
familiares são menores e existe a necessidade de ganhar um salário, o que
restringe drasticamente o tempo que os voluntários têm para oferecer. Uma
das soluções é mobilizar aqueles que têm tempo disponível. Além disso o
treinamento muitas vezes concentrou-se em treinar famílias para fornecer
mais cuidados necessários às pessoas que vivem com o HIV /SIDA.
TAIP tem percebido que um programa desenvolvido naturalmente por uma
igreja local motiva outras igrejas vizinhas a ter a mesma visão.
Resumo para a Mobilização da Igreja
1. O modo de vida bíblico dos membros da igreja deve ser evidente.
2. O líder deve ser prestativo e estar envolvido.
3. Treinamento relevante e de qualidade.
4. Apoio regular aos voluntários.
5. Ênfase no desenvolvimento de relacionamentos com pessoas que
vivem com SIDA e a comunidade.
6. Incluir apoio as famílias.
7. Pode levar até dezoito meses para que um programa eficaz se
desenvolva.
8. Forte ligação e uma boa comunicação com a comunidade local.
9. Mais difícil de desenvolver-se em áreas urbanas.
Os seguintes textos bíblicos são extraídos pela TAIP. Podemos ver sua
relevância para hoje, especialmente para aqueles infectados e afectados
pelo HIV / SIDA.
Chamado para o cuidado
90
2 Coríntios, cap. 1, vers. 3 e 4: . “Bendito seja o nosso Deus, pai de nosso
Senhor Jesus Cristo, o Pai da misericórdia e Deus de Toda a Consolação! É
ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os
que estiverem em qualquer angústia, com consolação com que nós mesmos
temos recebido de Deus”.
Temos recebido muito de Deus e temos a responsabilidade de alcançar
outros de forma pratica, cuidando-os com compaixão.
O exemplo de Jesus
Marcos, cap. 1, vers. 40 a 45 “ Aproximou-se dele (Jesus) um leproso
rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres podes purificar-me. Jesus
profundamente compadecido estendeu a mão tocou-lhe e disse-lhe: Quero,
seja limpo! No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo.”
Talvez não tenhamos o poder de tocar e curar, mas aqui vemos Jesus pleno
de compaixão por uma pessoa que nos tempos do Novo Testamento não foi
apenas aflingido por uma doença, mas sofreu o preconceito e a rejeição da
comunidade. Leprosos eram vistos até mesmo como malditos, contudo Jesus
falou com este homem e o tocou.
O chamado para o não-julgar
João, cap. 8, vers. 2 a 11. A mulher apanhada em adultério, e a atitude de
condenação dos líderes religiosos da época. O versículo 7 diz: " Aquele que
dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra."
Ninguém atirou, nem mesmo Jesus que era sem pecado. Não deveriámos
seguir este exemplo e mostrar compaixão e não julgarmos ou termos
preconceito contra as pessoas com HIV, se eles contraíram inocentemente o
vírus ou não?
O chamado ao serviço de maneira práctica e sacrificial
Lucas, cap. 10, vers. 25 a 37. A parábola do Bom Samaritano.
A misericórdia foi mostrada a um homem, que provavelmente era judeu, por
um Samaritano, o inimigo dos Judeus. Contudo o Samaritano deu-lhe o seu
tempo, o seu burro, os seus medicamentos e dinheiro para cuidar do homem
ferido – mostrou-lhe misericórdia; Jesus disse-nos " vão e façam o mesmo"
ver. 37.
O chamado à defender os direitos dos marginalizados e à cuidar
deles.
91
Isaías, cap. 1 ver. 17 “ Buscai a justiça, salvai o oprimido, defendei o direito
do órfão e defendei a causa das viúvas.” A Linguagem é forte, proactiva e
baseada na ação.
A Igreja tem uma mensagem que oferece a estrutura para a vida.
A prevenção do HIV / SIDA deve ser parte de um ensino mais abrangente
das habilidades de vida, as quais preparam os indivíduos para se
desenvolverem e resistirem às pressões, incluindo aquelas que conduzem ao
aumento da vulnerabilidade à infecção de HIV. A palavra de Deus oferece a
estrutura para a vida e para a esperança; a igreja é obrigada a dizê-lo aos
outros. Isto inclui ajudar membros das comunidades a desenvolver um
comportamento seguro que pode impedir a propagação do HIV.
A equipe de SIDA da AIC (Africa Inland Church) no Kenya desenvolveu,
para um maior benefício, materiais que utilizam a Bíblia para a orientação na
prevenção do HIV / SIDA, educação sexual e no desenvolvimento de
relacionamentos. Utilizando materiais de outras partes de África e assim
“sem reinventar a roda" eles trabalharam não somente com igrejas locais,
mas em suas escolas associadas e mais importante ainda, nas Faculdades de
Teologia, onde os líderes da igreja do futuro estão equipados com as
habilidades e os recursos baseados na Bíblia.
Um povo de Oração
Efésios, cap. 3, vers. 14 a 21 inclui um versículo onde Paulo ora: “para que
segundo a sua glória (de Deus), vos conceda que sejais fortalecidos com
poder, mediante o seu Espírito no ser interior”. Orar pelas pessoas infectadas
e afectadas é essencial. E apoiar os que estão involvidos no trabalho através
da oração é também essencial. Este trabalho é físico, emocional e
espiritualmente desgastante. O auxilio de Deus é necessário durante todas as
etapas.
Uma resposta com base comunitária para o HIV/AIDS – estudo de caso
HIV / AIDS - Zâmbia ( Hospital de Chikankata).
Com o advento da epidemia do HIV / AIDS no sul da Zâmbia, a resposta do
Hospital de Chikankata (Exército de Salvação) foi desenvolver salas
específicas para o tratamento de SIDA e uma ampla gama de serviços
comunitários preventativos. Entretanto, percebeu-se logo que havia pessoas
demais para os serviços internos de tratamento, e que muitas das
necessidades deveriam e poderiam ser supridas pelos serviços de cuidados
dentro da própria comunidade. Por isso, em 1987 um programa de Cuidado
92
Domiciliar (HBC, que corresponde a sua sigla em inglês) ligado ao
diagnóstico hospitalar, aconselhamento, educação e o tratamento foi
estabelecido.
Este programa permitiu que as pessoas fossem tratadas dentro de suas
próprias casas, o que criou oportunidades para treinar famílias para cuidar
das pessoas que vivem com HIV / SIDA e discutir a respeito de educação
preventiva com as famílias e a comunidade mais abertamente. As equipes de
HBC são multidisciplinares e incluem enfermeiras da comunidade,
nutricionistas e aconselhadores.
O programa de HBC em Chikankata rapidamente tornou-se um programa
detalhado e extensivo de HIV / SIDA incluindo: aconselhamento hospitalar,
educação e prevenção da SIDA em escolas, programas de apoio à criança e
programas de auxílio técnico a outras organizações. Chikankata desenvolveu
uma abordagem diversa mas integrada de suporte à comunidade local com o
intuito de combater o HIV / SIDA. Os programas que são desenvolvidos têm
como objetivo suprir as necessidades de diferentes parcelas da comunidade.
As comunidades locais em colaboração com o Hospital de Chikankata
desenvolveram programas bem sucedidos que fornecem o cuidado às
pessoas com o HIV.
Estes programas de base comunitária pertencem à comunidade que se
beneficia dos serviços, e não as aspirações de uma ONG ou uma instituição
de cuidados de saúde. A comunidade não está necessariamente restrita a uma
área geográfica, ao contrário, o termo ' de base comunitária ' denota que a
comunidade local o possui. O resultado da ligação entre o cuidado
domiciliar, prevenção e o desenvolvimento geral da comunidade tem sido
um investimento numa comunidade que não tinha acesso fácil aos serviços
hospitalares convencionais. Além disso, o cuidado domiciliar provou ser
50% mais barato do que o cuidado do paciente internado. Mas obter tais
economias requer planeamento e gerência eficientes. O cuidado de base
comunitária ainda possui muitos custos, inclusive treinamento e apoio aos
voluntários.
Para a equipe em Chikankata, é extremamente importante que as
necessidades do individuo e da comunidade sejam supridas, sejam elas
físicas, sociais, espirituais, económicas ou psicológicas. Essas diversas
93
necessidades somente podem ser supridas se trabalharmos juntamente com
todos aqueles que contribuem para uma comunidade, isto é, indivíduos,
famílias, comunidades, instituições do governo e ONGs.
Entretanto, muitos nas comunidades da área de Chikankata tinham cada vez
mais expectativas de que o hospital e não eles mesmos, satisfizesse muitas de
suas necessidades. E não somente aqueles relacionados ao HIV / SIDA, mas
frequentemente aqueles relacionados a outros aspectos de suas vidas, tais
como geração de renda, produção de alimentos e escolas.
A administração do hospital reconheceu que o uso de equipas pagas de
cuidados de base comunitária do hospital era caro e que elas eram cada vez
mais incapazes de lidar com a quantidade de trabalho, a medida que casos de
HIV aumentaram continuamente. Um administrador disse que a estrutura de
atendimento de saúde da comunidade estava sendo utilizada como um
esquema de “segurança de bairro” que a comunidade utilizava para pedir
ajuda para uma grande variedade de assuntos da comunidade.
A resposta da administração do hospital foi encontrar-se com os líderes e
com as comunidades locais e compartilhar sua preocupação em como não
poderiam continuar a lidar com todas as demandas que estavam sendo
transferidas a eles. O resultado foi o desenvolvimento das Equipes de
Cuidado e Prevenção que são controladas pela comunidade e não pelo
hospital.
As Equipes de Cuidado e Prevenção têm os seguintes componentes:
A comunidade elege os membros do comité das ECPs.
As ECPs não lidam somente com questões de saúde mas questões gerais
de desenvolvimento.
Os interessados locais são convidados a fazerem parte do comité, por
exemplo, trabalhadores voluntários de saúde, homens e mulheres de
negócios.
A igreja local não é forçada a tomar parte, mas é incentivada a ter um
papel de serviço ao invés de liderança baseado na autoridade. Ser servo é
estar num nível mais baixo em relação àqueles a quem devemos servir,
para mostrar o amor sacrificial de Cristo.
Funcionários do hospital trabalham como membros da equipe.
A ECP trabalha com suas comunidades para destacá-las e classificá-las de
94
acordo com a importância percebida. Isto é seguido por uma identificação de
recursos disponíveis: ambiental (água, estradas, árvores, terra fértil), serviços
(hospitais, clínicas, doadores, bancos, escolas, ONGs) e recursos humanos
(professores, fazendeiros, políticos, indivíduos comprometidos). A falta de
dinheiro não significa a falta de outros recursos.
A ECP e a comunidade entram em acordo sobre uma estrutura de
gerência e um plano de acção para fornecer a maioria dos recursos e
das actividades requeridas para responder à comunidade.
Um indivíduo influente da comunidade local, ou alguém
particularmente comprometido é seleccionado pela comunidade para
agir como o principal motivador e contacto.
A ECP negocia então com a equipe de funcionários do hospital para
entrar num acordo sobre que tipo de auxílio pode ser oferecido pelo
hospital para apoiar os esforços da comunidade. Isto pode incluir a
monitoramento e a avaliação regulares.
Sobretudo, a estratégia da ECP incentiva a comunidade a
responsabilizar-se pela prevenção e cuidado para com os membros da
comunidade que são crónicos (não somente aqueles que estão doentes
devido ao HIV / SIDA). Além disso, o cuidado não é restrito àqueles
que estão doentes, mas também àqueles afetados pela doença, isto é,
os dependentes, mais frequentemente as crianças e pais idosos.
A ECP não se preocupa somente com a provisão do cuidado do HIV /
SIDA, mas também com a prevenção do HIV / SIDA. E seu foco está
na mudança do comportamento. A medida que se cuida dos
indivíduos, aumentam as possibilidades de conscientizar e assim
dirigir-se à introdução de mudanças de comportamento na vida dos
indivíduos e das comunidades (veja abaixo).
Para citar Dapheton Siame um membro da equipe administrativa de
Chikankata:
" Esta não é uma nova maneira de trabalhar, mas de encontrar outra vez
nossas antigas maneiras de trabalhar em comunidade". Dapheton e os outros
membros da equipe de Chikankata estão inteiramente comprometidos a
fornecer uma resposta cristã às comunidades afectadas pela SIDA, o cuidado
incondicional de Cristo. E essa atitude, altamente cristã, de cuidado
incondicional, viu-os servir na comunidade e trabalhar em cooperação plena
95
com as comunidades, de modo que, juntos combatem a SIDA.
O HIV / SIDA é um problema central de desenvolvimento
O HIV / SIDA contribui para a pobreza e é um produto da pobreza. Golpeia
predominantemente os sexualmente activos, que são frequentemente os mais
economicamente activos, os agricultores de subsistência, trabalhadores de
fábrica, profissionais urbanos ou mães e assistentes de pessoas idosas.
É por isso que o HIV / SIDA tem um impacto em todos os aspectos do
desenvolvimento, da educação e dos direitos das mulheres aos programas de
desenvolvimento económico. Sendo assim, é necessário que os programas de
HIV / SIDA pesquisem e ajam no contexto dentro do qual trabalham. Do
mesmo modo outros programas de desenvolvimento não devem ignorar o
HIV / SIDA e o impacto destruidor e devastador que isso pode ter em seus
projectos. Precisa-se então de uma abordagem integrada.
Abordagem Integrada do HIV / SIDA
Por exemplo aqueles que treinam parteiras tradicionais ou trabalhadores de
irrigação podem destacar a necessidade deles de discutir o problema do
HIV/SIDA. Há também a necessidade de programas de HIV/ SIDA serem
integrados internamente, para abordar o problema de forma holistica em
relação a cada caso. Fornecer somente o cuidado prático resolverá as
necessidades físicas das pessoas. Há também necessidades emocionais muito
concretas na medida que as pessoas enfrentam o preconceito e rejeição e
necessidades espirituais diante da morte. É por isso que o atendimento as
pessoas com HIV/SIDA deve incluir aconselhamento por profissionais
devidamente treinados e supervisionados.
Consulte, escute e supra as necessidades das pessoas que vivem com SIDA.
São elas que mais precisam e que podem contribuir com criticas construtivas
ao trabalho do programa. Elas precisam estar totalmente integradas no
desenvolvimento de programa.
O cuidado holístido pelo qual se satisfaçam as necessidades físicas, sociais,
espirituais, económicas e psicológicas, tanto dos indivíduos como da
comuidade, é de vital importância para a maior eficácia dos programas de
SIDA.
Tais necessidades diversas podem somente ser supridas por todos aqueles
indivíduos afectados, pelas famílias, comunidades, instituições do governo e
por outras ONGs que trabalham juntos de forma integrada.
96
A Defesa dos Direitos
A defesa dos direitos é frequentemente uma actividade nova para as igrejas e
ONGs (Organizações Não-Governamentais ) cristãs que trabalham com a
questão da SIDA, muitas das quais já perceberam de antemão que é melhor
evitar o cenário político e concentra-se no cuidado e prevenção.
No entanto, muitas igrejas e ONGs estão cada vez mais a perceber que
devem agir como defensores dos direitos das pessoas vivendo com SIDA e
comunidades afectadas. Há problemas de justiça com a ausência de outros a
falar em seu favor. Muitas igrejas e ONGs cristãs estão a agir como
defensores dos direitos das pessoas vivendo com SIDA quando estas
procuram melhores tratamentos de saúde de clínicas. Mas isto não conduziu
necessariamente às estratégias planeadas de como responder a outras
necessidades de defesa dos direitos.
Esquema para defensores dos direitos
Desenvolva relacionamentos com pessoas chaves e organizações.
Tente não falar em nome das pessoas vivendo com SIDA e
comunidades a menos que estas estejam de acordo.
Facilite reuniões entre grupos marginalizados e pessoas no poder.
Esteja ciente que os preconceitos e os medos são frequentemente
fortes e levarão tempo para mudar.
A defesa dos direitos acontece em muitos níveis, local e nacional.
Desde o trabalho de defesa dos direitos numa clínica local até líderes
da Igreja Nacional criando o ambiente nacional favorável para a
defesa dos direitos em níveis mais locais.
Órfãos: Estudo de Caso - Bethany Trust, Zimbabwe
Uma das consequências que mais partem o coração e de maior impacto
social da epidemia de SIDA é o número de órfãos e em muitos casos o
aumento de lares conduzidos por crianças. A responsabilidade pelo sustento
e cuidados, às vezes não somente para os seus irmãos mas também para seus
pais acamados e avós já muito velhos, esta cada vez mais a cair sobre
ombros de crianças.
Quando se ajuda órfãos não é pratico e raramente é apropriado restringir a
ajuda para aqueles que perderam os seus pais por causa da SIDA. Seja tão
inclusivo quanto possivel com relação aos órfãos de outras doenças,
certamente para qualquer criança com necessidades, não obstante ao facto de
97
serem órfãs ou não. Muito frequentemente as crianças irão apoiar os pais que
estão doentes e cuidam deles. Oferecer pagamento de matrículas da escola
somente àquelas crianças afectadas pelo HIV/SIDA pode criar um
desequilíbrio na comunidade e aumentar o estigma e o preconceito.
É também importante que os programas para apoio de órfãos tenham um
plano para um futuro a longo prazo: poderão eles apoiar as suas necessidades
enquanto crescem? As comunidades vão poder desenvolver as suas próprias
capacidades para ajudá-los de uma maneira sustentável, sem necessitarem de
financiamento externo?
O princípio de fortalecimento da comunidade local no que se refere aos
cuidados para com os seus órfãos foi central ao trabalho da Bethany no
Zimbabué. Fundado por Susie Howe, uma especialista de enfermagem em
HIV por muitos anos, trabalhava no Zimbabué e sentiu-se na obrigação de
trabalhar com cristãos locais para fornecer o cuidado sustentável para órfãos
nas suas comunidades. As igrejas locais e os cristãos são incentivados e
treinados a equipar as comunidades para cuidarem do número crescente de
crianças com necessidades.
Bethany começa por conversar com as comunidades e os seus órfãos sobre
as suas necessidades, interesses e que possíveis soluções a comunidade pode
identificar para os desafios futuros. Os voluntários são então treinados para
fornecer apoio emocional e prático aos orfãos. Isto podia incluir orientação
na plantação de alimentos e informações sobre o crescimento. Eles falam
com as crianças, ouvem-nas e as representam quando necessário.
Mas este trabalho não é restrito às crianças que são chefes de família, mas
também a qualquer família que tenha sofrido a perda de um dos pais. Isto é
particularmente crítico para o apoio do número crescente de avós que agora
agem como únicos responsáveis por seus netos.
Permitindo que famílias e comunidades tomem conta dos seus órfãos e não
os mandem para orfanatos onde possam ser estigmatizados (especialmente se
for um orfanato para crianças orfãs de SIDA) as crianças ganham muito. Eles
mantêm o sentimento de que pertencem a uma família e a uma comunidade.
Muitas vezes isso tem demonstrado beneficiar as crianças emocionalmente,
mas também de forma prática pois elas recebem apoio no presente e assim
elas adquirem habilidades para sobreviver a longo prazo nas suas áreas.
[Uma metodologia semelhante foi repetida também em Chikankata. O
98
hospital está agora a deixar de pagar as matriculas da escola para órfãos
individuais, ao invés disso, destina o dinheiro para ajudar no
desenvolvimento económico de comunidades locais. Quando bolsas de
estudos são necessárias, essas são dadas às escolas e não a individuos. Essas
novas iniciativas não são iniciativas específicas para SIDA, mas sim para
CHIN – Children in Need (crianças carentes). Esta é uma resposta liderada
pela comunidade local, que busca ajudar todas as crianças carentes, não
somente os órfãos. Isto é uma abordagem intregada que mobiliza
comunidades e fortalece laços entre crianças e as suas comunidades. Isto
reduz o estigma dos órfãos, em particular os órfãos que perderam os pais por
causa do HIV/SIDA.]
No passado as pessoas muitas vezes construíam orfanatos como uma
resposta às necessidades dos órfãos. Mas o projecto de Bethany incentivou e
treinou as comunidades de maneira tão eficaz que em cinco anos mobilizou o
atendimento a mais de 6.000 órfãos somente no distrito de Zvishavane.
Orfanatos podem ser vistos como a última alternativa, mas antes de se chegar
a este ponto é necessário fortalecer a estrutura familiar e comunitária
existentes.
Entretanto cada situação é diferente e em algumas comunidades outras
maneiras de apoio a órfãos foram desenvolvidas com sucesso de maneira
sensível e adequada.
Sumário de trabalho com / para órfãos
Envolva os orfãos e escute-os.
Capacite famílias e comunidades.
Forneça suporte a todas as famílias carentes, não somente aquelas
afectadas pelo HIV / SIDA.
Faça o possível para manter as crianças em suas comunidades.
Forneça as habilidades que sustentarão famílias, por exemplo, o
cultivo de alimentos e geração de renda/fundos.
Refugiados
O HIV / SIDA espalha-se mais facilmente em épocas de instabilidade
quando as práticas sociais que com frequéncia protegem os indivíduos, se
desestabilizam ou acabam por completo. Isto inclui o uso de protecção na
prática sexual. No começo de 2002 foram estimados 15 milhões de
refugiados no mundo. Três quartos deles em África e 80% eram mulheres e
crianças. Além disso existe um número desconhecido de pessoas que foram
99
forçadas a sair de suas casas mas que não atravessaram fronteiras.
O HIV pode espalhar-se em tempos de crise social e seu impacto é maior em
países em desenvolvimento, os quais são os menos preparados para combater
a crise.
Em situações de emergência de movimento de massas, o HIV parece
frequentemente menos importante do que o alimento, abrigo e água,
atendimento de saúde de emergéncia e segurança. Mas quais são os efeitos a
longo prazo quando não se prioriza os riscos de transmissão do HIV? Os
agentes humanitários devem se perguntar: as pessoas desabrigadas correm
um risco maior de infecção de HIV e essa questão não deveria também ser
abordada ao mesmo tempo que se preocupam com questões a curto prazo de
segurança, abrigo e alimentação?
Diminuição da pobreza e actividades de geração de recursos
Onde há pobreza, a SIDA parece estar a seguir de perto. E a evidéncia é que
a SIDA cresce em áreas de pobreza. O distrito de Luzes Vermelhas em
Mubai, India está cheio de meninas seropositivas, cujas famílias atingidas
pela pobreza as venderam para os proprietários dos bordéis. Actividades de
Geração de Recursos (AGR) pode ser uma intervenção eficaz no apoio de
indivíduos, famílias, programas e instituições, mas elas devem ser feitas com
cuidado e habilidade, particularmente no contexto do HIV/SIDA.
É importante considerar as habilidades das pessoas vivendo com SIDA com
relação ao seu nível de saúde. Deve-se lembrar que um indivíduo talvez não
possa trabalhar sempre na AGR devido a deterioração da sua saúde, e que
pode ser necessário complementar as AGRs com benefícios do Estado. Além
disso, AGRs que envolvem as famílias e as comunidades de apoio de pessoas
com SIDA irão ajudar na sustentabilidade das AGRs durante os períodos em
que as pessoas estão demasiado doentes para participarem mais intensamente
nas actividades.
A integração das pessoas que não são seropositivas, ou daqueles que não
sabem se têm HIV numa actividade económica pode também ser uma
oportunidade para aumentar a aceitação e integração das pessoas vivendo
com SIDA na comunidade local.
Questões para Actividades de Geração de Recursos
Experiência precedente em gerência de AGR é essencial.
100
As habilidades exigidas são muito específicas e críticas para evitar
dispêndios de dinheiro e causar desgostos.
A actividade deve ser viável, deve haver um mercado e habilidades
disponíveis. Procure peritos na área para testar a actividade.
As actividades centraram-se frequentemente nas mulheres, que podem
conduzir ao aumentado das suaa tarefas ao invés de tornarem-nas
independentes. Como em todo o programa cada etapa do planeamento
e da execução deve ser bem pensada. Novamente, um conselheiro
externo com experiência relevante pode ajudar.
A Necessidade de uma Boa Gestão
Para qualquer tipo de trabalho seja eficiente é fundamental haver uma boa
gestão. Sem uma boa gestão, as necessidades de uma comunidade não serão
ouvidas e a motivação dos voluntários ou as abilidades de profissionais serão
desperdiçadas.
Gestão possui vários elementos, mas duas subdivisões possíveis são:
liderança e organização.
Organização
A informação é importante em cada etapa do programa. Começar com a
pesquisa e a avaliação das necessidades da comunidade em que você deseja
operar fornecerá informações básicas para formar um plano e assim
desenvolver uma estrutura organizacional. A coleta contínua de informação
permitirá o monitoramento e o desenvolvimento do trabalho.
Questões envolvendo a pesquisa
1 O que a comunidade diz ser necessário?
2 O que aqueles com SIDA querem?
3 Quais são as evidências dessa necessidade?
4 Que recursos estão disponíveis na comunidade? Existem outros recursos
necessários e como serão obtidos?
101
5 A igreja/organização está interessada em suprir as necessidades
identificadas? Tais necessidades são compatíveis com os princípios da
organização?
6 A organização possui a capacidade em termos de pessoal, estrutura e
recursos para trabalhar com a comunidade e combater o HIV/SIDA e outras
questões de desenvolvimento?
7 Existem outras organizações que já estejam a desenvolver todo ou parte do
trabalho? Em caso afirmativo, por que começar outra organização, isso não
irá desperdiçar recursos preciosos? Ou é possivel trabalhar em conjunto com
outra organização para aumentar a eficiéncia?
8 Visite outros projectos, utilize métodos e materiais já testados e aprovados.
Para que re-inventar a roda?
Planeamento
1 Tendo identificado respostas para as perguntas mencionadas acima é
importante definir objectivos com indicadores chaves, isto é, medição do
progresso da monitoria. Use objectivos que sejam específicos, mensuráveis,
alcançáveis, relevantes e de duração limitada.
2 De novo, aqueles afectados, a comunidade, a equipe de funcionários e
voluntários devem ser envolvidos no processo.
Monitoramento
1 A informação deve ser recolhida e revista regularmente para monitorar o
sucesso ou fracasso quanto ao alcance dos objectivos.
2 O fracasso em alcançar determinados objectivos não significa que o
programa não está a obter sucesso, mas pode significar que alguns objectivos
necessitam de ser alterados. Isto deve ocorrer durante uma consulta integral
que envolva funcionários, voluntários e a comunidade. O importante é a
eficácia do trabalho, não objectivos desatualizados.
3 Reuniões de análise devem incluir aqueles que recebem o atendimento, a
comunidade e também outros que trabalham na área.
102
Estrutura organizacional
1 Uma estrutura organizacional deve ser preparada e divulgada a todos na
organização. As pessoas beneficiam-se ao saber quem são os encarregados.
2 Se os voluntários serão utilizados, assegure-se de que estejam motivados.
3 A equipe de funcionários empregados deve ter experiência e habilidades
relevantes.
4 Treinamento inicial adequado é fundamental e deve ser seguido por
actualizações regulares.
5 Toda a equipe, os funcionários pagos e voluntários, devem ter uma
estrutura da sustentação e ser informados de seu desempenho regularmente,
com oportunidade para discutir e contribuir para o desenvolvimento da
organização.
6 Gestão financeira aberta e clara.
Liderança
Qualidades na liderança
Como foi mencionado anteriormente, as mais eficazes acções das ONGs para
o HIV / SIDA têm sido através daquelas organizações que procuraram não
somente cooperar com a comunidade, mas procuraram também servir.
Servir a outros deve ser central na liderança. Um líder que seja humilde e
serve de exemplo para o serviço, irá provavelmente produzir uma equipe e
uma organização que servirá a outros.
1 Quando os líderes e os administradores estão a ser seleccionados é bom
procurar uma liderança e gerência com experiência comprovada: eles foram
eficazes em mobilizar outros para conseguir algo eficaz?
2 Um líder deve concentrar-se no desenvolvimento de relacionamentos com
qualidade. Relacionamentos dentro e fora da organização, com líderes da
comunidade, pessoas vivendo com SIDA e outras organizações. Bom
relacionamento com os funcionários pode ser a base para o desenvolvimento
de uma equipe eficaz, da aprendizagem de oportunidades novas e da
aprendizagem proveniente de frustrações e barreiras em direção à eficácia.
Acima de tudo, o líder e a organização são dependentes da equipe inteira.
3 Bons relacionamentos permitirão que o líder tenha influência para o
melhor e reduza a necessidade do excessivo controlo da equipe de
funcionários.
103
4 Ao invés disso, um líder estará facilitando a utilização das habilidades e
motivação do pessoal de maneira eficaz.
5 É necessário que o líder tenha uma visão que seja clara e compreensível
para demais.
6 O líder deve ser solidário com as pessoas. A habilidade de se por “no
lugar” das pessoas que ele lidera.
7 Uma habilidade de compreender (escutar e reflectir) e de ser compreendido
(boa comunicação).
8 Um líder administrativo requererá a prestação de contas dos membros da
sua equipe de funcionários e eles também devem prestar contas a um
conselho diretor ou comité.
Por fim, em toda a liderança cristã, as qualidades que tornam visiveis o
modelo de Cristo, o pensamento bíblico, a humildade, a integridade e a
atitude de servir devem estar sempre presentes. Estas qualidades são mais
importantes que toda a habilidade técnica ou experiência específica no
trabalho com HIV / SIDA. Tais pessoas podem ajudar a facilitar as
comunidades e indivíduos a responderem ao HIV / SIDA.
Hora de Agir
Listas como essas acima podem fazer com que as pessoas sintam que não
são qualificadas ou não há nada que possam fazer.
O MAIS importante de tudo é FAZER ALGO. Como foi dito antes,
importar-se não custa nada e você não precisa de nenhum organização para
ir visitar um vizinho carente, ou para falar com os seus próprios familiares
sobre os riscos do HIV, ou mesmo para emprestar este livro a alguém, ou
para se envolver num programa já existente.
A batalha contra a SIDA não será vencida por grandes programas. Será
vencida quando milhões de homens e mulheres comuns em cada nação
formarem um movimento de pessoas determinadas a encarar a SIDA
seriamente e fazer alguma coisa a respeito disso. E para aqueles que
pertencem a Cristo, nós temos uma mensagem de força e esperança bem
como de saúde e unidade.
104
Você não pode mudar o mundo inteiro, mas hoje você pode mudar o mundo
de alguém em algum lugar.
" Para obter uma lista de organizações, sites na internet e outros recursos
úteis, por favor veja o website da ACET International Alliance: http:/ /
www.acet-international.org "
ACET International Alliance
ACET International Alliance é uma comunidade em expansão de programas
independentes de SIDA em muitas partes do mundo, que começou
originalmente no Reino Unido sob o nome de ACET em 1988. As letras
ACET em inglês significam: SIDA, Cuidado, Educação e Treinamento
(AIDS, Care, Education and Training) e foi fundada pelo Dr. Patrick Dixon.
Os membros da Aliança são unidos num objectivo comum para criar um
acção cristã eficaz para a SIDA:
Cuidado compassivo e incondicional a todos aqueles afectados pelo
HIV/SIDA.
Prevenção para a salvação da vida respeitando e seguindo os
ensinamentos históricos da igreja.
Treinamento eficaz com uma abordagem holística ao desenvolvimento
pessoal e comunitário.
A Alliance consiste em:
Centros Nacionais de Recursos: centros de excelência que estão
activamente procurando ser um estimulo e servir como recursos para
outros em diferentes partes do mundo que compartilham dos mesmos
valores e visão.
Programas em Parceria: organizações que fornecem serviços
relacionados com HIV.
Parceiros para o Desenvolvimento: organizações internacionais que
actuam como recursos para as diferentes partes da Aliança.
A Alliance é uma rede de organizações que cooperam umas com as outras,
ao invés de uma organização financiadora. Ela não tem uma administração
central grande e não concede financiamentos centrais.
O trabalho principal da Alliance é realizado pelos Centros Nacionais de
105
Recursos, pelos programas em países tais como a Inglaterra, Escócia,
Irlanda, Índia, Uganda, Tailândia, República Checa e Slovakia.
Novos Parceiros de Programas juntam-se à Alliance com base em uma
recomendação de um Centro Nacional de Recursos após um período de
trabalho conjunto. Os membros comprometem-se à acção cristã eficaz no
campo da SIDA, e a compartilhar conhecimento, experiência e recursos na
medida do possível.
Mais informações sobre a ACET Parceiros Internacionais perto de você e o
que a Aliança faz, assim como as últimas notícias sobre HIV, materiais de
actividades para acção e muitos outros materiais úteis estão todos disponíveis
no website:
http://www.acet-international.org
e-mail: isdixon@dircon.co.uk
Cópias adicionais deste livro podem ser requisitadas gratuitamente para a
distribuição nas nações mais pobres nas seguintes línguas: Inglês, Russo,
Espanhol, Francês, Húngaro, Checo, Romeno, Turco, Urdo, Baite e
Português.
Operação Mobilização
A Operação Mobilização tem o prazer de co-publicar e patrocinar esta
edição e se compromete inteiramente a ver igrejas no mundo todo tomarem a
iniciativa de trabalharem de maneira solidária e prática para o bem de todos
aqueles afectados pelo HIV e SIDA, bem como ajudar a salvar vidas.
A Operação Mobilização foi fundada por George Verwer, cuja energia,
originalidade e desafio ao discipulado e evangelização mundial comoveu
muitas pessoas. A ênfase em „treinar fazendo' foi um aspecto central de
muitas equipes que atuaram em diferentes partes do mundo. A visão e a
compra dos navios da misericórdia da OM provavelmente puseram-na no
mapa mais do que qualquer outro factor.
Hoje, OM é um ministério global dinâmico, com quase 3000 funcionários
trabalhando a tempo integral em mais de 80 países. A OM se compromete a
trabalhar em parceria com igrejas e outras organizações cristãs com o
propósito da missão mundial. Os diferentes ministérios da OM fornecem
oradores para igrejas, conferências e seminários, treinamento de qualidade
em todas as formas de evangelismo, liderança e ministério pastoral e uma
106
gama de recursos, incluindo vídeos, livros, materiais de apresentação e
cartões de oração .
http://www.om.org
http://www.ombooks.org
Programa de Tratamento da SIDA da OMS ( Organização Mundial de
Saúde )
Após muitos atrasos e lutas políticas, as nações ricas despertaram para o
facto de que a minoria afectada não poder pagar pelos tratamentos anti- retro
virais, mesmo que isso prolongue a vida da maior parte das pessoas com
HIV, e pode prevenir até 60% de todas as infecções em bebês nascidos de
mães infectadas. Uma nova iniciativa tem o objectivo de obter comprimidos
anti-retrovirais gratuitos, para no mínimo 3 milhões de pessoas em países
em desenvolvimento. Isto irá também encorajar as pessoas a fazerem o teste,
pois existe tratamento disponível. Fazer o teste é uma maneira muito
poderosa de evitar a propagação: Aqueles que são negativos são motivados a
manter-se assim e aqueles que são positivos estarão inclinados a mudar de
comportamento se souberem que podem infectar outra pessoa.
Este é o sistema (ainda em desenvolvimento na época em que este livro foi
escrito):
A OMS fornece medicamentos para os Departamentos de Saúde no
país.
As organizações no próprio país pedem para se associarem à OMS e o
governo.
Os medicamentos são fornecidos (provavelmente em caixas que
contêm o suficiente para uma pessoa por um mês).
Outros recursos são fornecidos, por exemplo, equipamento para testes
imediatos acompanhados de treinamento de um/a enfermeiro/a ou
enfermeiros/as (não é necessário médico).
A população local é incentivada pela organização a ser testada depois
de terem recebido aconselhamento.
107
Aqueles que são positivos, e têm claramente padrões de saúde
precária, ou estão grávidas, dão inicio ao tratamento após um simples
teste de sangue, repetido a cada duas semanas.
Em geral, a terapia é para o resto da vida da pessoa a menos que seja
interrompido para permitir que o teste de sangue retorne a níveis mais
próximos do normal.
Registos cuidadosos são mantidos de como os medicamentos foram
administrados.
Os registos são mostrados ao centro de distribuição, para receberem o
fornecimento de mais medicamentos.
As organizações menores e as igrejas precisam torna-se parceiras de grupos
maiores para ter acesso. A OMS estará monitorando cada país para
assegurar um bom fluxo de medicamentos às organizações e está aberta para
receber informações de campo acerca dos problemas encontrados na
realização do trabalho.
Veja: http/ / www.who.org
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