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11/25/2011
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12
A RESPONSABILIDADE CRISTÃ DE FUGIR DA IDOLATRIA



TEXTO: I Coríntios 10.14-17



Pr. Cristiano Bezerra Maia



INTRODUÇÃO



A primeira epístola aos Coríntios é em sua essência e caráter um escrito



Paulino e “A autenticidade da autoria paulina é confirmada por diversos pais da



igreja dos primeiros anos, a saber: Clemente de Roma (Ep., Cap.47), Policarpo



(Ep. Aos Filipenses, cap. 11), Inácio (aos Efésios, cap 2) e Irineu (contra os

1

heréticos, iv 27,3). Por semelhante modo fizeram Hermas (100 D.C.; Sim. 5,7).”



“Não existe controvérsia quanto à autoria desta carta. Quase todos os estudiosos



afirmam com convicção que Paulo a escreveu, quando se achava em Éfeso, por



volta do ano 57 A . D.” 2



O apóstolo Paulo esteve pela primeira vez em Corintos durante a segunda



viagem missionária. Estando na cidade Paulo ficou hospedado na casa de Áquila e



Priscila, judeus que foram expulsos de Roma por um decreto do imperador



Cláudio. Neste período Paulo trabalhou juntamente com Áquila e Priscila na



fabricação de tendas para obter o seu sustento. “Nos dias de sábado ele pregava



na sinagoga local. Depois que Silas e Timóteo vieram juntar-se a ele... Mudou suas



atividades evangelizadoras para a casa de Tito Justo ao alado da sinagoga, foi o









1

CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Volume IV.

Milenium. São Paulo, 1983, Fls. 2

2

PONTOS Salientes, 1987. Juerp. Rio de Janeiro, 1987. Fls.173





1

agente da conversão de Crispo, chefe da sinagoga... e, ao todo ministrou nada



menos de um ano meio naquela cidade.” 3



A primeira carta canônica aos Coríntios é na verdade a segunda epístola



que Paulo escreveu para igreja de Corinto. Na faixa de sete anos depois da sua



primeira visita, “Paulo recebeu informações de que a igreja enfrentava problemas



de unidade, de ética cristã, e de disciplina. De Éfeso, ele escreveu a carta dando

4

orientação para a solução dos problemas.” Timóteo provavelmente foi o portador



da carta.



A primeira carta aos Coríntios fora duplamente motivada: “1. Relatórios



orais dos familiares de Cloé, acerca das desavenças havidas na igreja; e 2. A



chegada de uma delegação da parte da igreja de Corinto –Estéfanas, Fortunato e



Acaico – ambas as visitas trazendo uma oferta e uma carta solicitando o parecer



sobre diversos problemas.” 5



Podemos definir o tema da primeira Epístola aos Coríntios da seguinte



maneira: “A purificação da igreja de falsos conceitos do ministério, de orgulho



intelectual, de males sociais, e de outras irregularidades.” 6



Na primeira na carta aos Coríntios, “temos a epístola mais variada do



Novo Testamento. Ela trata de duas ou mais três doutrinas fundamentais do









3

GUNDRY, Robert. H. Panorama do Novo Testamento. Vida Nova, São Paulo, 1987. Fls. 307.

4

PONTOS Salientes, 1987. Fls. 173.

5

GUNDRY, 1987. Fls.308.

6

THOMPSON, Frank Charles. Bíblia de Referencia Thompson. Vida. São Paulo, 1997. Fls. 1411.





2

Cristianismo e bem assim, de questões sobre o que é direito e o que não é,



problemas de importância profunda e prática e de interesse sempre atual.” 7









EXPOSIÇÃO





A passagem acima citada trata da responsabilidade do cristão de fugir da



idolatria, nela são desenvolvidas como cristão pode fugir da idolatria, o porquê do



que é essencial de fugir dela e quais os concretos benefícios que temos neste ato



de fuga. O texto que trataremos é o apelo de Paulo a responsabilidade cristã, ou



seja, é um convite ao abandono da idolatria em qual espécie.









I. COMO FUGIR DA IDOLATRIA



Paulo começa o nosso texto dizendo: “Portanto”, a palavra está



intimamente ligada ao contexto anterior onde ele estava falando e exortando os



coríntios sobre a atitude idólatra de Israel no deserto e aqui ele chama à igreja a



responsabilidade e a aprender com os erros idolatras de Israel no deserto.



O Apóstolo mediu os perigos aos quais estariam expostos os coríntios ao



participar nas festas dos idólatras, em vista das medidas dispostas para que cada



fiel do Senhor consiga a vitória sobre todos os esforços de satanás para fazê-lo



pecar, dá-se o conselho de evitar completamente todo contrato com a idolatria de



qualquer espécie, mesmo que pareça ingênua e sem efeito espiritual.





7

GRAY, James M. Análise Bíblia Elementar Um Estudo Abreviado. Palavras da Vida. Portugal. Fls. 135.





3

Em minha opinião, o “Portanto” do texto está ligado contextualmente ao



versículo anterior que fala: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana;



mas Deus é fiel, e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo



contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que possais



suportar.” Este versículo está inserido no contexto da idolatria de Israel no deserto,



por isso podemos afirmar com certeza que tentação nesta passagem está



relacionada com o desejo de Israel e dos Corintos de participar das festividades



idólatras, mas também “Parece que alguns crentes estavam achando que alguns



ídolos tinham poder (eram supersticiosos).” 8



A palavra grega para tentação é “peirasmos”, que significa ,



, “ 9,” Tentação para a prática do mal



parece encaixar bem no contexto da idolatria.



O vocativo “Meus Amados Amigos” mostra que Paulo amava



intensamente aqueles irmãos e estava profundamente preocupado com a atitude



indiferente deles em relação à participação das atividades cultuais dos deuses.



Depois da sua demonstração de afetividade, abruptamente diz: “Fugi da idolatria”.



“Fugi da idolatria” está no imperativo presente, “O imperativo presente dá a



idéia de prática habitual. Não deve haver nenhuma demorada contemplação do



pecado, pensando que é possível ir longe e estar salvo de ir além.” 10



O comando de Paulo requer uma decisão urgente, rápida, imediata e



contínua de separar-se de todo relacionamento de caráter idólatra. Não deve haver

8

HICKS JR, George Edwin. Apostila Primeira Epístola de Coríntios. SIBIMA. Fls.20.

9

CHAMPLIN, 1983. IV. Fls.154

10

MORRIS, Leon. I Coríntios introdução e comentário. Cultura Bíblica. Vida Nova. São Paulo, 2004 Fls.

116.





4

de nossa parte nenhuma abertura e contato com práticas relacionadas com a



idolatria, Paulo e toda Bíblia consideram a idolatria como coisa muita séria. “O



crente tem que cortar toda associação com vida velha, especialmente com a



idolatria (Espiritismo, Astrologia, Horóscopo). Cristo não andar junto com



demônios.” 11



Em tese, Paulo afirma que os crentes que estão mais sujeitos a idolatria



são aqueles que pensam ser fortes em seu caráter e que não há nenhuma



possibilidade de ser atingido por ela. Paulo dá o seguinte alerta para aqueles que



têm esta mentalidade: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia.”



Não podemos confiar em si mesmo para vencermos as ofertas idólatras que nos



são apresentadas; mas devemos está atentos para que quando elas forem



ofertadas, fugimos delas com plena determinação.



No contexto precedente do texto que estamos estudando, ou seja, I



Coríntios 10.1-13. Podemos definir algumas características das atitudes idólatras



de Israel no deserto que estão em paralelos com as atitudes dos Coríntos. “Paulo



lista cinco exemplos históricos tirados desse mesmo período. Alguns dos



incidentes se sobrepõem: 1. Cobiçando comida (Nm 11.4), 2. Entregando-se à



idolatria (Ex 32.4,6, 19), 3. Cometendo imoralidade (Nm 25.1-9), 4. Provando o



Senhor (Nm 21.5), 5. Murmurando (Nm 14.2,36; 16.1-35)” 12



Podemos notar que estas cinco atitudes acima citadas estavam presentes



na igreja de Corinto: Eles estavam desejando as comidas que eram ofertadas aos





11 11

HICKS JR. Fls 20.

12

KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento 1 Coríntios. Cultura Cristã. São Paulo, 2004.

fls.456.





5

ídolos, estavam participando das festividades pagãs, a moralidade tinha invadido o



seio da igreja, eles estavam constantemente pondo Deus à prova e murmurando



do ministério de Paulo. Tudo isto prova que um pouco de fermento idólatra pode



fermentar e prejudicar o andamento da igreja.



Paulo apela para a sensatez dos Coríntios: “Falo como a criteriosos”.



“ O original grego por detrás desta tradução é , que



significa , , pensador.” 13 Ele exorta a igreja de Corinto a usar



sua razão para compreender a gravidade da idolatria e suas influencias no seio da



igreja. O Apóstolo continuou a sua exortação: “julgai vós mesmos o que digo.”, “O



verbo derivar-se do verbo grego , que originalmente significava



, , de onde lhe veio o sentido de , , até que finalmente veio significar , , ” O apóstolo estava chamado os corintos para resolverem o



problema da idolatria através de uma decisão inteligente, radical e espiritual.









II. PORQUE FUGIR DA IDOLATRIA



Depois da exortação aos coríntos de fugir da idolatria, o apóstolo Paulo



“lembra aos leitores a celebração da ceia do Senhor, em que o Senhor é o anfitrião



e eles os hóspedes. Ele coloca este lembre na forma de duas perguntas retóricas

15

que todo crente deve responder de forma afirmativa.” Paulo ainda está falando



do perigo de comer das coisas oferecidas aos deuses, mas agora ele dá um motivo



13

CHAMPLIN, 1983. IV. Fls. 156.

14

Idem, fls.156

15

KISTEMAKER, 2004. fls. 474.





6

de se fugir da idolatria. Quando os crentes tomam do cálice e participam do pão na



ceia, eles de fato estão tendo comunhão com Cristo.



A expressão “o cálice da benção que abençoamos” remonta até ao cenário



da primeira ceia onde Jesus instituiu o memorial e a ordenança da ceia do Senhor.



Jesus “tomou um cálice, tendo dando graças, o deu aos seus discípulos, dizendo:



Bebei dele todos.”



O cálice da benção está relacionado o “terceiro cálice na antiga festa



judaica da páscoa. E provável que Jesus instituiu a ceia com esse cálice.



Agradecendo a Deus por coisas comuns, eles se consagram” 16



“Neste episódio, ocorrido pouco antes da prisão e morte de



Jesus, Ele introduz naturalmente a Ceia como substituta da festa pascoal do



Antigo Testamento. Se observarmos, está evidente que o Senhor não



terminou a refeição pascoal antes de instituir a Ceia, antes, a ceia está



intimamente ligada à refeição pascal. O pão que era comido com o cordeiro



na páscoa foi consagrado para um novo uso pelo Senhor e o terceiro cálice,



que era chamado de cálice da bênção, foi usado como segundo elemento



na ceia. Desta forma percebemos que a Páscoa foi trocado por Jesus pela



Ceia.” 17



“O cálice da benção que abençoamos” esta frase tem uma



declaração fortemente teológica; ela deve ser compreendida e percebida no



prima da obra redentora de Jesus. A ceia do Senhor deve ser um ato de



16

SHEDD, Russel P. A Bíblia Vida Nova. Novo Testamento. Vida Nova. São Paulo, 1992. Fls.205.

17

MARINHO, Wemerson. O verdadeiro Sentido da Páscoa. Disponível em:

Acesso em: 10 de dez. de 2005





7

gratidão, porque “Deus é doador de bênçãos e nós somos os beneficiários

18

que rendemos graças e louvores a ele.” A Gratidão a Deus é o grande



motivo e incentivo para que os crentes fujam da idolatria, porque nosso



Deus merece uma adoração exclusiva e permanente, e nosso coração não



pode está dividido entre dois senhores e entre dois propósitos espirituais.



Devemos participar da ceia lembrando que precisamos ter coração um



íntegro e isento de idolatria, devemos fugir da idolatria, porque amamos a



Deus e temos uma íntima comunhão com Ele.



“o cálice... Não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que



partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo?” “A palavra Koinonia tem



neste contexto o significado de” participação em “, isto mostra os crentes



têm um relacionamento vertical com Cristo e a ceia do Senhor é também um



memorial da comunhão permanente do crente com Cristo.



O pão e o cálice simbolizam a comunhão do crente no sangue e no



corpo de Cristo. O sangue significa a morte de Cristo, e pelo ato de fé os



cristãos são participantes dessa morte. Deste modo, a morte de Cristo é



identificada como o meio de salvação e comunhão com Deus.



Paulo faz um paralelo entre a ceia e as festividades aos deuses dos



coríntios. Deste modo os participantes ativos destas festividades eram co-



participantes dos seus sacrifícios, e como conseqüência eram identificados



como os ídolos, ou seja, a idolatria fazia parte da sua vida.









18

KISTEMAKER, 2004. Fls.475.





8

Paulo exorta os corintos a abandonar o relacionamento idolatra



para ter um relacionamento exclusivo com Cristo e com a sua obra



redentora. O remédio contra idolatria é reconhecimento da necessidade da



dependência de Cristo e confiar plenamente na obra redentora na Cruz.



O pão é repartido na comunhão, porque o corpo de Cristo foi



triturado em favor de todos aqueles que sabem da necessidade de



confessarem os seus pecados e desejam o perdão de Deus mediado pelo



sacrifico de Cristo. O privilegio de participar da comunhão com Cristo requer



uma responsabilidade de prestar obediência a Cristo, e obediência



exclusiva.



III. QUAIS OS BENEFICIOS DE FUGIR DA



IDOLATRIA



O versículo 17 da análise é “difícil de interpretar nos

19

pormenores, mas a ênfase à unidade é clara.” “A primeira parte do



versículo pode ser traduzido de duas maneiras: ou ” 20



A melhor tradução provavelmente é a segunda, porque a



conjunção “e” falta no texto grego. A ausência desta conjunção dá um



forte indicio que os termos pão e corpo não são sinônimos.









19

MORRIS, 1981. Fls.117

20

KISTEMAKER, 2004. Fls. 477.





9

No ato da celebração da ceia do Senhor, havia apenas um pão



da comunhão que era fragmentado em muitos pedaços e eram comidos



pelos comungantes; o pão ainda continuava uno, embora estivesse em



forma fragmentada. Quando os crentes participam da comunhão da ceia,



proclamam que estão em unidade e que estão associados a uma única



família liderada por Jesus que é o cabeça da igreja.



O Apóstolo Paulo afirmou que Cristo morreu na cruz para formar



um corpo que viva em unidade. Cristo também sacrificou a sua vida para



formar um povo especial e que a unidade seja proclamada no meio da



igreja. Este é argumento Paulino neste texto, Paulo coloca a ceia do



Senhor no contexto da unidade.



Com o argumento acima de Paulo, podemos afirmar que não



existe possibilidade de celebrarmos a ceia do Senhor em um ato solitário



e egoísta, ela é um momento de comunhão tanto vertical com horizontal.



Temos unidade com Deus e também com seu povo. A ceia do Senhor



exige uma adoração exclusiva ao Senhor da ceia, mas a igreja deve está



uma neste ato memorial de libertação e de gratidão ao Senhor.



CONCLUSÃO



A conclusão final que Paulo toma é que “A nossa unidade com



Cristo cria uma desunião natural com a adoração aos demônios, ou seja,









10

com idolatria. A união com Cristo é exclusivista; exclui a unidade com



qualquer outro poder.” 21



Qualquer forma de idolatria prejudica o meu relacionamento com



Deus e também afeta a minha comunhão com meu irmão. A ordem de



fugir da idolatria é urgente e constante, porque ela atinge o meu



relacionamento com Deus e conseqüentemente o meu relacionamento



com meus irmãos. Devemos preservar a unidade cristã, porque salmista



diz que “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!”,



devemos detestar qualquer união idolatra de qualquer espécie.



O apelo de Paulo de fugir da idolatria é imperativo e urgente,



porque este assunto influencia profundamente a minha comunhão com



Deus e com os meus irmãos.









21

CHAMPLIN, 1983 . fls. 157.





11

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



1. CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por

Versículo. Volume IV. Milenium. São Paulo, 1983.



2. GRAY, James M. Análise Bíblia Elementar Um Estudo Abreviado. Palavras

da Vida. Portugal.



3. GUNDRY, Robert. H. Panorama do Novo Testamento. Vida Nova, São Paulo,

1987.



4. HICKS JR, George Edwin. Apostila Primeira Epístola de Coríntios. SIBIMA.



5. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento 1 Coríntios. Cultura

Cristã. São Paulo, 2004.



6. MARINHO,Wemerson. O verdadeiro Sentido da Páscoa. Disponível em:

Acesso em: 10 de

dez. de 2005.



7. MORRIS, Leon. I Coríntios introdução e comentário. Cultura Bíblica. Vida

Nova. São Paulo.



8. PONTOS Salientes, 1987. Juerp. Rio de Janeiro, 1987



9. SHEDD, Russel P. A Bíblia Vida Nova. Novo Testamento. Vida Nova. São

Paulo, 1992.



10. THOMPSON, Frank Charles. Bíblia de Referencia Thompson. Vida. São

Paulo, 1997.









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