INSTITUTO DE ESTUDOS SUPERIORES DA AMAZONIA - IESAM
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO: AGRONEGÓCIOS
FABIANE CAMPOS CHISTÉ
DIAGNÓSTICO SOCIOECONÔMICO DA AGRICULTURA FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE
INHANGAPÍ, ESTADO DO PARÁ
BELÉM
2005
INSTITUTO DE ESTUDOS SUPERIORES DA AMAZONIA - IESAM
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO: AGRONEGÓCIOS
FABIANE CAMPOS CHISTÉ
DIAGNÓSTICO SOCIOECONÔMICO DA AGRICULTURA FAMILIAR NO MUNICÍPIO
DE INHANGAPÍ, ESTADO DO PARÁ
Monografia de conclusão de curso apresentada
ao Instituto de Estudos Superiores da Amazônia
como requisito parcial para obtenção do grau de
Bacharel em Administração com habilitação em
Agronegócios.
Orientador
Prof. M. Sc. Marcos Antônio Souza dos Santos
BELÉM
2005
ii
INSTITUTO DE ESTUDOS SUPERIORES DA AMAZONIA - IESAM
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO: AGRONEGÓCIOS
FABIANE CAMPOS CHISTÉ
DIAGNÓSTICO SOCIOECONÔMICO DA AGRICULTURA FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE
INHANGAPÍ, ESTADO DO PARÁ
Esta monografia foi julgada adequada para obtenção do grau de Bacharel em
Administração com habilitação em Agronegócios e aprovada, na sua forma final, pelo
Instituto de Estudos Superiores da Amazônia.
Belém (PA), 03 de Dezembro de 2005.
Banca Examinadora:
Prof. M.Sc. Marcos Antônio Souza dos Santos
Orientador
Prof. Dr. Paulo Júlio da Silva Neto
Avaliador
BELÉM
2005
iii
Aos meus filhos, Mariana e João Victor, razões de
minha vida. Hoje, talvez vocês não entendam,
mas saberão o quanto isso foi importante para
mim.
Dedicatória
iv
AGRADECIMENTOS
Sem querer ser injusta, com algumas pessoas, gostaria muito de lembrar de
todas, mas infelizmente o espaço não será suficiente. Então! Citarei algumas das
muitas que fizeram parte desta curta/longa e árdua caminhada...
Á Deus. Pois ele sempre esteve comigo nos melhores e piores momentos de
minha vida, mostrando-me sempre o caminho, nem sempre eu o ouvia, mas ele
sempre esteve, está e tenho certeza, estará PRESENTE.
Aos Meus pais, Alvanir e Nilza, alicerce fundamental no meu desenvolvimento
pessoal e profissional, sempre me ensinaram VALORES importantes para o
seguimento da vida. Aos meus irmãos, Cristiane e Renan, duas criaturas abençoadas
que tenho a sorte de ter SEMPRE comigo. Meus orgulhos, e sem falsa modéstia,
meus incentivadores e fãs...
Meus filhotes, Mariana e João Victor, TUDO de maravilhoso que tenho na
vida... Perdoe-me à ausência e a intolerância. Eu amo muito vocês...
Ao Nestor, infelizmente, o planejamento final não foi de acordo com minha
felicidade em ter passado no vestibular em janeiro de 2002. Apesar de TUDO, sua
presença fez, faz e fará falta... Obrigada pela experiência compartilhada, livros,
jornais, artigos... E, principalmente, por cuidar dos nossos filhotes nas horas em que
mais precisei...
Ao Ben-Hur Borges, por sempre estar em minha vida em momentos decisivos
e por abrir as portas de sua empresa, sempre com muita boa vontade de compartilhar
sua experiência de vida, obrigada por ter me ADOTADO, pela amizade, confiança e
oportunidade... Ao André Schwob, pelas belas e gentis palavras e pela paciência em
ensinar.
Aos poucos amigos conquistados. Em especial: Mônica Albuquerque, Adalgisa
Coelho, Samaritana Lobato, Rosana Araújo, Eliene Souza.
Ao Felippi Lima, pela paciência e companheirismo.
Aos professores... Cada um foi importante... Mais tem uns que foram mais...
Mais que professores, amigos, conselheiros, incentivadores. Em especial: Leonardo
Sena (A revolução dos bichos), Alexandre Gaia (Sensatez), Ivete Silva (Carinho),
Rosa Carvalho (Alto astral), Marcos Antônio Souza dos Santos (Orientador e meu
querido Mestre TUDO), Fabrício Borges (Determinação), Laércio de Souza Silva (“faça
o que você tiver que fazer por você, não crie expectativa em relação as pessoas”)
Gilberto Suzuki (“Peixe novo nada raso”) e claro! Pai de todos... Paulo Júlio da Silva
Neto.
Meu agradecimento especial aos agricultores familiares, principalmente os que
colaboraram com minha pesquisa. Vocês são exemplo de trabalho, luta e muita
perseverança.
v
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS viii
LISTA DE TABELAS Ix
1 INTRODUÇÃO 11
2. OBJETIVOS 13
2.1 OBJETIVO GERAL 13
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 13
3 METODOLOGIA 14
3.1 DEFINIÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO 14
3.2 ÁREA DE ESTUDO E DADOS UTILIZADOS 14
4 CARACTERISTICAS DO MUNICÍPIO DE INHANGAPÍ – PA 17
4.1 ASPECTOS FÍSICOS 17
4.2 ASPECTO SOCIAL 18
4.3 Aspectos Econômicos 19
5 CARACTERÍSTICA DA AGRICULTURA FAMILIAR INHANGAPÍ - PA 24
5.1 PERFIL SOCIOECONÔMICO 24
5.2 CARACTERIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO 33
5.3 TRABALHO FAMILIAR 39
5.4 CAPITAL 40
5.5 EQUIPAMENTOS 40
5.6 USO DA TERRA 40
5.7 FERTILIZANTES 41
5.8 CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS 41
5.9 CUSTOS DE PRODUÇÃO 41
6 ASPECTOS DA COMERCIALIZAÇÃO 42
6.2 Disponibilidade de crédito 43
7 CONCLUSÃO 45
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 47
vi
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 Divisão representativa de produção agrícola, Inhangapí – PA. 20
Figura 2 Setor Primário 21
Figura 3 Representativo dos principais produtos agrícolas de Inhangapí – PA. 23
Figura Nat Ruralidade dos agricultores familiares de Inhangapí – PA
4 25
Figura 5 Residência de um produtor de farinha da Comunidade do Cariru, 27
Inhangapí – PA.
Figura 6 Residência de um agricultor do ramal do Cariru, Inhangapí – PA 28
Figura 7 Banheiro das residências dos agricultores familiares de Inhangapí – PA 30
Figura 8 Esgoto das residências dos agricultores familiares de Inhangapí – PA 31
Figura 9 Sistema de plantio de mandioca na comunidade do Cariru, Inhagapí-PA 34
Figura Raspagem da mandioca para fabricação da farinha 34
10
Figura Açaizal nativo na comunidade do Arajó, Inhangapí - PA 35
11
Figura Cultivo do Urucum na comunidade Patauateua, Inhangapí – PA 36
12
Figura Beneficiamento do urucum na comunidade Patauateua, Inhangapí – PA 37
13
Figura Comercialização do Urucum na comunidade Patauateua, Inhangapí – PA 37
14
Figura Cultivo de hortaliças 1 – Comunidade do Pau Amarelo, Inangapí - PA 38
15
Figura Cultivo de hortaliças 2 – Comunidade do Pau Amarelo, Inangapí - PA 39
16
Figura Comercialização da produção da agricultura familiar, Inhangapí – PA. 42
17
vii
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 Tamanho das Propriedades das comunidades pesquisadas, 15
Inhangapí – PA
Tabela 2 Comunidades Pesquisadas no município de Inhagapí, 2005. 16
Tabela 3 Índice de diversificação da agricultura do município de Inhangapí, 22
1990/2003.
Tabela 4 Tabela 5: Número de filhos dos agricultores familiares de Inhangapí 24
– PA
Tabela 5 Número de filhos dos agricultores familiares de Inhangapí - PA 24
Tabela 6 Te Tempo de Residência dos agricultores familiares de Inhangapí – PA 25
Tabela 7 Estrutura das residências dos agricultores de Inhangapí – PA 26
Tabela 8 Tipo de cobertura das casas dos agricultores de Inhangapí -PA 26
Tabela 9 Tipo de Piso das residências dos agricultores familiares de inhangapí 27
– PA
Tabela 10 Energia Elétrica 28
Tabela 11 Relação de bens duráveis 29
Tabela 12 Fonte de água das residências dos agricultores familiares de 31
Inhangapí – PA
Tabela 13 Formas de tratamento de água das residências dos agricultores 32
familiares de Inhangapí – PA
Tabela 14 Posto de Saúde 33
Tabela 15 Mão-de-obra contratada 39
Tabela 16 Fontes de renda 40
Tabela 17 Lavoura temporária 41
Tabela 18 Lavoura Permanente 41
Tabela 19 Preço pago aos produtos 43
viii
RESUMO
O trabalho analisa os aspectos socioeconômicos da agricultura familiar no município
de Inhangapí, estado do Pará. Os dados foram obtidos a partir de sites oficiais e
pesquisa de campo com aplicação de 60 questionários distribuídos entre sete
comunidades rurais mais representativas, englobando aspectos como: perfil do
produtor, infra-estrutura, sistema de produção, comercialização, organização social,
assistência técnica e de crédito. Os resultados indicam que o agricultor familiar do
município de Inhangapí, em sua maioria é natural do próprio município, com faixa
etária entre 35 a 50 anos, casado e com uma média de cinco filhos por família, possui
baixa escolaridade e pouca qualificação. Os agricultores estão se organizando em
associações (os que já participam, tiveram acesso a linhas de crédito), e possuem um
sistema produtivo rudimentar voltado à monocultura e extrativismo. A comercialização
de seus produtos é efetuada diretamente por meio de revenda ou atravessador, são
geralmente produtos de pouco ou nenhum valor agregado, fazendo com que a renda
obtida seja mínima, limitando o agricultor a um ciclo de ausência de renda, falta de
tecnologia e endividamento.
Palavra – Chave: Agricultura familiar, Análise socioeconômica, Inhangapí, Estado do
Pará.
ix
ABSTRACT
This work analyzes the socio-economic aspects of family agriculture at Inhangapi
County, Pará State, Brazil. The data used was obtained from official websites and field
research through the application of 60 questionaires distributed between seven of the
more representatives rural communities, covering several aspects as farmer profile,
infrastructure, production system, marketing, social organization, technical assistance
and credit availability.
The results indicate that the family farmer/producers of the Inhangapi County are, in its
majority, born in that county, with an age bracket between 35 and 50 years old,
married and with an average of 5 childrens per family, has low scolarity and little
professional qualification.
The agricultors are organizing themselves in associations (those that are already
participating had access to credit lines) and possess a rudimentary production system
oriented to monocultures and wild fruit collection. Their products are marketed directly
to a re-seller or to a profiteer, and have llittle or no added value, thus making only a
marginal income and limiting the farmer to a cycle of insignificant income, lack of
technology and indebtedness.
Keywords: Family agriculture, socio-economic analysis, Inhangapi County, Pará State,
Brazil
x
1. INTRODUÇÃO
A expressão “agricultura familiar” vem ganhando legitimidade social e científica
no Brasil, passando a ser utilizada com freqüência nos discursos dos movimentos sociais
do meio rural, por instituições governamentais e por estudiosos das Ciências Sociais que
se ocupam de análises do meio rural (SCHNEIDER, 2003).
A agricultura familiar foi considerada, durante muito tempo, um segmento
marginal e de pouca relevância para os interesses econômicos de uma sociedade
capitalista, que vislumbra lucro em cima da chamada agricultura de grande porte ou de
exportação, com plantios voltados à monocultura (cana-de-açúcar, café, trigo, soja, etc.).
O agricultor familiar era considerado inábil à tomada de decisões comprometidas no
desenvolvimento de seu meio de sobrevivência. Durante muito tempo, o poder público
não demonstrava interesse voltado à promoção de políticas engajadas para o
desenvolvimento desse segmento da sociedade (CASTELÕES, 2005).
A década de 1990 foi um marco para essa inclusão. Com a democratização e
abertura econômica, houve um fortalecimento deste e de outros segmentos sociais,
considerados apenas de subsistência, a sociedade passou a discernir e a valorizar a
agricultura familiar, onde esta passou a ser vista como a melhor e mais econômica opção
para a geração de emprego e de ocupações produtivas para o desenvolvimento de uma
sociedade, essa visão lhe proporciona um marketing peculiar, possivelmente, a forma
social de produção mais adequada a satisfazer as exigências de mercado, o aspecto
social e ambiental (AGRICULTURA FAMILIAR NO BRASIL, 1997).
O conceito contemporâneo de desenvolvimento sustentado, com base no tripé da
sustentabilidade (econômico, social e ambiental), privilegia o desenvolvimento humano.
Cabe à agricultura, principalmente a familiar, a desconcentração de renda, geração de
divisas, a criação de ocupações produtivas, o aumento da produtividade e da qualidade e
a diversificação e verticalização da produção. Contribuindo assim, para uma forma de
produção onde haja no campo um desenvolvimento, não somente um crescimento
(BRAVO, 2002).
Na Amazônia, a agricultura familiar é a forma social de produção no meio rural,
sendo responsável por uma grande parcela de produção de alimentos básicos como
arroz, feijão, farinha, frutas, hortaliças e outros.
A agricultura familiar paraense tem características particulares se comparada aos
outros estados do centro-sul brasileiro. No Pará, está caracterizada, em sua maioria,
como auto-consumo, se agrupando as famílias de agricultores mais pobres da agricultura
11
familiar. No entanto, sua importância não se limita à auto-consumo, mas sim, como uma
alternativa socioeconômica de fixação do homem ao campo, diversificação, diferentes
práticas produtivas, hábitos culturais, dentre outros, procurando assim, uma integração e
uma melhoria na qualidade de vida dos agricultores e seus familiares, não somente na
questão alimentícia, contudo nos bens e serviços oriundos de uma sociedade moderna.
Santos (2004), ressalta que o reconhecimento destas peculiaridades é
fundamental na formulação de estratégias e de políticas de incentivo ao desenvolvimento
da agricultura familiar, visto que permite a convergência de esforços entre as diferentes
classes sociais, onde o entendimento torna-se importante para o desenvolvimento
econômico local.
Este trabalho tem por objetivo efetuar o diagnóstico sócio-econômico da
agricultura familiar no município de Inhangapí - Pa, analisando a realidade em que vivem
as famílias, sua produção e produtividade, organização social, comercialização, dentre
outros, bem como sugerir práticas administrativas, para o melhor aproveitamento
econômico de uma propriedade rural, fazendo uso da diversidade agrícola, manejo
integrado e comercialização direta com o consumidor e pontos de venda, com o intuito de
fornecer, possivelmente, uma ferramenta visando contribuir para que os mesmo
consigam obter os conhecimentos básicos referente tanto ao manejo quanto ao controle
administrativo, aliado sempre, aos seus conhecimentos empíricos.
2. OBJETIVOS
12
2.1. OBJETIVO GERAL
Efetuar a análise socioeconômica da agricultura familiar no município de
Inhangapí, Estado do Pará.
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
a) Identificar o perfil socioeconômico dos agricultores familiares;
b) Caracterizar os sistemas de produção da agricultura familiar;
c) Avaliar os aspectos da organização social, assistência técnica, crédito e
comercialização dos produtos agropecuários;
d) Contribuir com informações para orientar ações para dinamizar a agricultura
familiar no município.
3. METODOLOGIA
13
3.1 DEFINIÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO
O objeto de estudo é a agricultura familiar no município de Inhangapí - PA,
entretanto, se faz necessário o estabelecimento sobre conceitos básicos para que se
possa entender as principais características importantes na distinção de produtor rural e
agricultor familiar. Essas características são:
A gestão – é feita por indivíduos que mantém entre si, laços de sangue ou
de matrimônio;
O trabalho – é dividido pelos membros da família;
A propriedade dos meios de produção – pertence à família e são
repassados aos herdeiros;
Mão-de-obra – é exercida pelo agricultor e pelos membros de sua família.
A secretaria de Agricultura Familiar, órgão do Ministério do Desenvolvimento
Agrário, separa os agricultores em três grupos: capitalizados, descapitalizados e
residentes no espaço rural. A diferenciação se dá a diversos fatores, que vão desde os
recursos naturais das regiões em que se localizam até as mudanças nos padrões
tecnológicos das atividades produtivas que desenvolvem (CASTELÕES, 2003).
3.2 ÁREA DE ESTUDO E DADOS UTILIZADOS
14
A área de estudos é o município de Inhangapí – PA, e os dados foram obtidos de
acordo com os seguintes passos metodológicos:
a) Levantamento de dados secundários:
Os dados secundários utilizados para realização deste trabalho foram obtidos a
partir de revisão da literatura e informações encontradas em pesquisas eletrônicas (sites).
Esta etapa consistiu-se no levantamento bibliográfico e na coleta de dados secundários
disponíveis sobre o município de Inhangapí, relativas aos seus aspectos demográficos e
agroeconômicos. As informações foram levantadas a partir do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(EMBRAPA), Prefeitura Municipal de Inhangapí (PMI) entre outras.
b) Levantamento de dados primários:
Os dados primários foram obtidos através de aplicação de questionários, visitas
em propriedades de, no máximo, 100 hectares, conforme Tabela 1. Nestes levantamentos
utilizou-se de instrumentais exploratórios, a partir de entrevistas informais. Essa
metodologia possibilita avaliar e gerar informações sobre os processos dos sistemas
produtivos, em curto espaço de tempo e economia de recursos financeiros.
Tabela 1: Tamanho das propriedades das comunidades pesquisadas, Inhangapí – PA.
Área da propriedade Freqüência Percentual
50 há 11 18,3
Total 60 100,00
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
A área utilizada para a realização da pesquisa é o município de Inhangapí - PA
localizado na região nordeste paraense, pertencente a Mesorregião Bragantina e à
Microrregião Castanhal, e suas principais comunidades, de acordo com Tabela 2, (Arajó,
15
Arraial do Carmo, Arraial do Remédio, Cariru, Paraíso, Patauateua, Pau Amarelo). O
município tem na atividade agropecuária e extrativista um destaque representativo na
economia da cidade.
Tabela 2: Comunidades Pesquisadas no município de Inhagapí, 2005.
Comunidade Freqüência Percentual
Arajó 10 16,67
Arraial do Carmo 9 15,00
Arraial do Remédio 5 8,33
Cariru 10 16,67
Paraíso 10 16,67
Patauateua 10 16,67
Pau Amarelo 6 10,00
Total 60 100
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
c) Processamento e análise dos dados:
O processamento e análise estatística dos dados, com vistas a confecção de
gráficos e tabelas, foi efetuado por meio do software Microsoft Excel¸ versão 7.0 e o
SPSS versão 11.0.
4. CARACTERISTICAS DO MUNICÍPIO DE INHANGAPÍ – PA
16
O município de Inhangapí começou a ser ocupado a partir de 1898, em
decorrência da colonização. Está localizado na vertente direita do rio, que dá o nome a
cidade, Inhangapí (Inhangapí, tradução indígena, “Caminho do Diabo”) afluente do rio
Guamá. O município ligava-se à Castanhal e em 1934 chegou a pertencer geográfica e
politicamente a Castanhal. Em 30 de dezembro de 1943 o Decreto Lei Estadual número
4.503, assinado, pelo então interventor Magalhães Barata dava autonomia para
Inhangapí, (MUNICÍPIO DE INHANGAPÍ, 2005).
4.1. ASPECTOS FÍSICOS
O município de Inhangapí possui os seguintes limites geográficos:
Ao Norte - Município de Castanhal
Ao Sul - Municípios de São Miguel do Guamá e Bujarú
A Leste - São Miguel do Guamá
A Oeste - Municípios de Santa Isabel do Pará e Castanhal
No deslocamento do município para as cidades circunvizinhas são utilizadas as
seguintes vias de acesso: BR 316 e rodovias intermunicipais, sendo também o município
servido de transportes fluviais. Distante 95 km da capital paraense por via rodoviária com
tempo médio de 01:00 hora e 30 minutos e marítimo de 06:00 horas, possuindo 35
agrovilas que dispõem de transportes rodoviários e fluviais (MUNICÍPIO DE INHANGAPÍ,
2005).
O solo dominante é o Latossolo Amarelo com textura média associada ao
Concreconário Laterítico. A vegetação oriunda da mata original foi substituída por
capoeiras, em decorrência de ações antrópicas, em diversos estágios de sucessão. A
topografia é típica da Microrregião Bragantina à qual pertence, contendo altitudes
bastante modestas. Sua sede apresenta uma das mais baixas cotas de sua Microrregião:
10m de altitude (MUNICÍPIO DE INHANGAPÍ, 2005).
O relevo é inexpressivo, com a presença de baixos tabuleiros, aplainados,
terraços e áreas aluviais. Insere-se na unidade morfoestrutural conhecida como Planalto
17
Rebaixado da Zona Bragantina. A hidrografia é fortemente marcada pela presença do rio
Guamá, coletor de água dos rios que percorrem sua área, além de servir de limite natural
com o Município de Bujaru, a Sudoeste. O principal rio do município é o rio Inhangapí, de
grande extensão, apresentando seu curso no sentido leste - oeste, depois se desvia para
o sul e, finalmente, retoma a direção oeste desaguando no Guamá (MUNICÍPIO DE
INHANGAPÍ, 2005).
O clima é megatérmico e úmido. Sob influência da baixa latitude, a temperatura
mantém-se elevada em todos os meses do ano, com média anual em torno de 25ºC,
variando seus valores entre 24ºC e 26ºC. Os meses de outubro, novembro e dezembro
são os mais quentes, com máxima oscilando entre 32ºC e 34ºC e máximas absolutas
em torno de 41ºC. A precipitação pluviométrica anual é bastante elevada, geralmente,
em torno de 2.350mm, porém, fortemente concentrada de janeiro a junho, isto é, cerca
de 80%. De setembro a dezembro, ao contrário, as chuvas são raras, cerca de 7% com
uma curta estação seca, de moderado déficit de água nesses meses. A umidade relativa
do ar oscila em torno de 85% (MUNICÍPIO DE INHANGAPÍ, 2005).
4.2 ASPECTO SOCIAL
Inhangapí está estruturado com características típicas do interior paraense, infra-
2
estrutura básica. O município de 471 km e 8.316 habitantes (IBGE, 2005), conta com
uma Escola-sede, onde estão atreladas cerca de 15 escolas municipais, duas estaduais
– sendo duas de Ensino Fundamental, de 1a a 4a séries e outra de 5a a 8a séries, ensino
médio e supletivo. Na zona rural são cerca de 13 escolas estaduais e 20 municipais,
sendo uma na sede e as outras na zona rural. O município conta com uma unidade
educacional do SESC, em fase de conclusão, resultado de uma parceria com a prefeitura
do município para oferecer opções educativas, de arte, cultura e lazer para a população
local.
Na área da saúde, o município recebe atendimento tanto da SESPA (estadual)
quanto da SESMA (municipal). O atendimento é voltado para a área materno-infantil, de
18
imunização laboratorial, ambulatório, nutrição, vigilância epidemiológica e sanitária,
controle de tuberculose, DST (Doença Sexualmente Transmissível), saúde mental,
hanseníase, saúde da mulher, atendimento odontológico, entre outros. A Unidade Básica
de Saúde de Inhangapí atende 24 horas por dia, coordenada pela Secretaria Municipal
de Saúde, possui duas ambulâncias, uma na sede e outra na localidade de Pernambuco,
podendo ser acionadas a qualquer momento pelos moradores. Existem 10 postos
distribuídos nas localidades de Pernambuco, Trindade, São Lourenço, Patauateua, Santa
Cruz, Muraiteua, Carirú, Jundiaí, Petimandeua e Bandeira Branca.
Os transportes urbanos, rurais e intermunicipais são atendidos pelas seguintes
empresas:
1. Transnobre (que possui um escritório de venda de passagens em Inhangapí,
com destino diário a Capital, Belém).
2. Expresso Dayanne, que tem saídas diárias também do terminal rodoviário de
Belém, além de fazer a linha Castanhal - Inhangapí.
A cidade é abastecida pela rede Celpa e algumas comunidades, em sua maioria
possui energia no ramal de acesso. Inhangapí possui um sistema de telefonia
residencial, público e um posto da Telemar, o sinal de telefonia móvel é precário, fazer
uso de telefone celular é preciso se afastar um pouco do centro, em direção à Pa 136.
O município recebe transmissão da Rede Globo, Sistema Brasileiro Televisão
(SBT), Band, Record. A cidade recebe uma programação diária de várias rádios de
outros municípios, como Belém e Castanhal. Na cidade circulam jornais e material
impresso de outros municípios, principalmente de Castanhal.
4.3 ASPECTOS ECONÔMICOS
A economia em Inhangapí é basicamente sustentada pela produção agrícola,
conforme informações do IBGE e da Sagri - Inhangapí.
Primária - Agricultura (Abacaxi, arroz, feijão, mandioca, milho, cacau, pimenta do
reino, banana, laranja, coco-da-baia, etc). Agropecuária (criação de gado e
suínos para corte). Extrativismo (Açaí, carvão, castanha)
Secundárias - Olaria, serraria e marcenaria.
Terciárias: Comércio de estivas, cerâmicas, alimentícios, confecções, calçados,
armarinhos em geral e serviços profissionais.
19
A produção agrícola do município de Inhangapí é sustentada basicamente por
lavouras temporárias e extrativismo,característica marcante de atividades ligadas á
agricultura familiar (Figura 1).
16.000
14.000 Extrativismo
Lavouras permanentes
12.000
Lavouras temporárias
10.000
R$ Mil
8.000
6.000
4.000
2.000
-
90
91
92
93
94
95
96
97
98
99
00
01
02
03
19
19
19
19
19
19
19
19
19
19
20
20
20
20
Figura 1: Divisão representativa de produção agrícola, Inhangapí – PA.
Fonte: IBGE, 2005.
Com a caracterização do setor primário, pode-se, relacionar as principais atividades
inseridas no processo produtivo. Na produção agropecuária, destaca-se o cultivo de
lavouras temporárias, que detém 58% da produção, seguido do extrativismo florestal,
representando 12% das atividades (Figura 2).
20
Pecuária
6% Outras
Silvicultura e exploração
florestal 4%
12%
Lavoura temporária
Lavoura permanente 58%
20%
Figura 2 : Caracterização do setor primário.
Fonte: IBGE, 1998.
Conforme demonstração da Tabela 3, o índice de diversificação da lavoura vem
diminuindo significativamente, indicativo de uma agricultura de monocultura.
21
Tabela 3- Índice de diversificação da agricultura do município de Inhangapí, 1990/2003.
Ano Índice de Diversificação
1990 4,16
1991 2,02
1992 1,61
1993 2,09
1994 2,14
1995 1,94
1996 2,08
1997 2,12
1998 2,73
1999 2,82
2000 2,64
2001 2,64
2002 2,08
2003 1,94
Média 2,36
Fonte: Dados da pesquisa, 2005.
Os principais produtos agrícolas do município de Inhangapí – PA é a mandioca
para produção de farinha, cultura de lavoura temporária e o açaí, oriundo de extrativismo.
22
Outras 5,69%
1,99%
Laranja
3,84%
Feijão
8,66%
Pimenta-do-reino
9,06%
Lenha
Banana 13,35%
Açaí 21,94%
35,48%
Mandioca
- 5 10 15 20 25 30 35 40
%
Figura 3: Representativo dos principais produtos agrícolas de Inhangapí – PA.
Fonte: IBGE, 2005.
5. CARACTERÍSTICA DA AGRICULTURA FAMILIAR INHANGAPÍ - PA
5.1 PERFIL SOCIOECONÔMICO
23
A caracterização do perfil socioeconômico possibilita o entendimento da estrutura
ligada à agricultura familiar. O tempo de residência no local influencia a questão do
hábito cultural, o que pode dificultar o acesso a novos procedimentos e tecnologias.
Tabela 4: Faixa etária dos agricultores familiares do município de Inhangapí – PA
Idade Freqüência Porcentagem
50 15 25,0
Total 60 100
Fonte: Dados da pesquisa, 20005.
Os agricultores são relativamente jovens, a média da sua faixa etária está entre
35 e 50 anos e o grau de instrução é maior que a dos mais idosos.
Tabela 5: Número de filhos dos agricultores familiares de Inhangapí - PA
Número de filhos Freqüência Porcentagem
1a3 22 36,65
3a6 15 25
6a9 13 21,65
9 a 12 7 11,7
12 a 15 2 3,3
> 15 1 1,7
Total 60 100
Fonte: Dados de pesquisa, 2005.
O número de filhos por casal tem apresentado uma queda com o tempo, percebe-
se que existe um grau de consciência entre ter filhos e sustentá-los, conforme tabela
número 5, 36,65% tem de 1 a 3 filhos.
24
5%
67% 28%
Inhangapí Outros Municípios Outros Estados
Figura 4 : Naturalidade dos agricultores familiares de Inhangapí – PA
Fonte: Dados da pesquisa, 2005.
Tabela 6: Tempo de Residência dos agricultores familiares de Inhangapí – PA
Tempo Freqüência Porcentagem
40 anos 15 25,00
Total 60 100,00
Fonte: Dados de pesquisa, 2005.
5.1.1 Moradia
25
O tipo de cultura produzida e a forma de comercialização dos produtos oriundos
da agricultura familiar, nas comunidades pesquisadas, são indicativos diretos da situação
econômica vivida pelos agricultores. Os monocultores, principalmente aqueles que
plantam mandioca para obtenção de farinha, possuem uma menor condição financeira
do que aqueles que praticam uma agricultura diversificada.
Tabela 7: Estrutura das residências dos agricultores de Inhangapí – PA.
Tipo de casa Freqüência Porcentagem
Barro 11 18,33
Madeira 22 36,67
Alvenaria 18 30
Outras 9 15
Total 60 100
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
As construções de madeira são predominantes nas comunidades pesquisadas,
representam 36,67% das residências. Fato interessante que representa o extremo são
que, 30% das residências pesquisadas são de casas construídas em alvenaria. Contudo,
este fato pode estar relacionado a existência de uma fábrica de cerâmica no município.
Tabela 8: Tipo de cobertura das casas dos agricultores de Inhangapí -PA.
Tipo Freqüência Porcentagem
Barro 49 81,67
Brasilit 6 10,00
Cavaco 4 6,67
Palha 1 1,67
Total 60 100,00
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
A utilização de telhas de barro para cobertura representa 81,67% das residências.
Esse fato pode ser em decorrência da facilidade e oferta deste produto no porto
comercial da cidade.
Tabela 09: Tipo de Piso das residências dos agricultores familiares de inhangapí – PA.
Tipo Freqüência Porcentagem
26
Barro 4 6,67
Chão 15 25,00
Cimento 25 41,67
Lajota 10 16,67
Madeira 3 5,00
Misto 3 5,00
Total 60 100,00
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
Essa interligação entre o aspecto econômico e social faz com que se entenda a
relação direta com a forma de produção e a renda obtida através da atividade, refletindo
também, com o tipo de moradia, cobertura e piso das residências dos agricultores.
Figur
a 5: Residência de um produtor de farinha da Comunidade do Cariru, Inhangapí – PA.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2005.
27
Figura 6: Residência de um agricultor do ramal do Cariru, Inhangapí – PA.
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
5.1.2 Energia elétrica
Apesar da energia elétrica estar próxima às propriedades pesquisadas, a situação
econômica da maioria dos agricultores, não permite que essa energia chegue em suas
casas. Alguns utilizam outras fontes de energia, tais como: gerador, a diesel, e baterias,
somente para mover o necessário.
Tabela 10: Energia Elétrica
Energia Elétrica Freqüência Percentual
Sim 15 25
Não 30 50
Outras Fontes 15 25
Total 60 100
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
28
5.1.2.1 Bens duráveis
Os bens duráveis, básicos, são um indicativo de não sustentabilidade da atividade
agrícola. Demonstra a privação de bens duráveis básicos nas quais os agricultores estão
inseridos.
Tabela 11 : Relação de bens duráveis
Bens Sim (%) Não (%)
Aparelho de som 55 45
Rádio 31,70 68,30
Televisão 61,70 38,30
Geladeira 56,70 43,30
Fogão a gás 75 25
Fogão a lenha 86,70 13,30
Máquina de costura 28,30 71,70
Bicicleta 61,70 38,30
Motocicleta 8,30 91,70
Carro 10 90
Antena Parabólica 10 90
Moto bomba 21,70 78,30
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
5.1.3. Saneamento básico
Nas comunidades pesquisadas, o saneamento básico é precário. Apenas 23,30%
dos agricultores possuem banheiro dentro de suas residências, porém 58,30% dos
dejetos são depositados nos rios e lagos, contaminando a mesma água utilizada para
consumo. 88,30% dos agricultores utilizam água oriunda de poços artesianos sendo que,
48,30% não utilizam nenhum modo de tratamento, conforme demonstrado nas tabelas e
figuras abaixo:
29
55
Não
23,3
Sim
21,7
Fora de casa
Figura 7: Banheiro das residências dos agricultores familiares de Inhangapí – PA.
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
30
58,3
41,7
Fossa
Rio/lago
Figura 8: Esgoto das residências dos agricultores familiares de Inhangapí – PA.
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
Tabela 12: Fonte de água das residências dos agricultores familiares de Inhangapí – PA.
Origem Freqüência Porcentagem
Poço 53 88,30
Rio 6 10,00
Rio/Lago 1 1,70
Total 60 100,00
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
31
Tabela 13: Formas de tratamento de água potável das residências dos agricultores
familiares de Inhangapí – PA.
Formas Freqüência Porcentagem
Coada 4 6,70
Fervida 4 6,70
Filtrada 21 35,00
Nada 29 48,30
Pó hipoclorito 2 3,40
Total 60,00 100,00
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
5.1.4 Saúde
Embora existam somente 10 postos distribuídos em 10 comunidades, constatou-se
que em comunidades próximas, os agentes de saúde fazem visitação, com uma
constância significativa, as propriedades carentes de postos de saúde. O que reflete uma
medicina preventiva, onde as doenças mais freqüentes são: Gripe - virose (68,40%) e
Diarréia (31,60%). O que pode ser resultado do não tratamento de água já que, 48,30%
delas não fazem nenhum tipo de tratamento com a água utilizada para o consumo.
Somente 23,30% das residências possuem banheiro em casa, 21,70% do lado de
fora e a maioria, 55,00%, não possuem qualquer tipo de sanitário. O tratamento de
esgoto é precário e na maioria das vezes é jogado nas águas utilizadas para consumo
(58,30%), e apenas 41,70% tratam os dejetos em fossas.
Tabela 14: Posto de Saúde
32
Postos de Saúde Freqüência Porcentagem
Sim 36 60
Não 24 40
Total 60 100
Fonte: Pesquisa de Campo, 2005.
5.2 CARACTERIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO
Uma parcela representativa dos entrevistados (70%), vivem/sobrevivem do cultivo
da mandioca para fabricação de farinha. Essa atividade é realizada de forma
extremamente rudimentar, onde a propriedade é dividida em área de pousio, 4 anos
média (95% dos agricultores afirmaram que este período de descanso foi reduzido
devido a baixa produtividade e o aumento dos integrantes da família), e área de cultivo,
onde a preparação segue a seqüência: a derrubada, queima e plantio.
33
Figura 9. Sistema de plantio de mandioca na comunidade do Cariru, Inhagapí-PA.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2005.
Figura 10: Raspagem da mandioca para fabricação da farinha
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
34
Após 12 meses a mandioca é colhida e processada na propriedade,
principalmente pelas mulheres e filhas do agricultor. Nenhum outro subproduto da
fabricação da farinha é comercializado, somente para consumo.
O extrativismo do Açaí, nativo e agora com manejo orientado por técnicos da
EMATER, através da Associação onde os produtores (40%) estão inseridos, constitui em
um dos pilares econômicos para 15,00% dos entrevistados, o produto é comercializado in
natura, sem nenhum beneficiamento, salvo engano, para o consumo da família.
Figura 11: Açaizal nativo na comunidade do Arajó, Inhangapí - PA
Fonte: Pesquisa de Campo, 2005.
35
A diversificação de algumas culturas, como: do urucum (duas famílias produzem,
beneficiam e vendem urucum), pimenta, cupuaçu, laranja, limão, coco, banana, pupunha,
cana, carvão e a venda de frangos e suínos, representa fonte de renda para 10,00% dos
produtores.
Figura 12: Cultivo do Urucum na comunidade Patauateua, Inhangapí – PA.
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
36
Figura 13: Beneficiamento do urucum na comunidade Patauateua, Inhangapí – PA.
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
Figura 14: Comercialização do Urucum na comunidade Patauateua, Inhangapí – PA.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2005.
37
A produção de hortaliças representa 5,00% da geração de renda dos agricultores,
com destaque para o cultivo de coentro, alface, cheiro verde, feijão de corda, couve,
quiabo e cebolinha.
Figura 15: Cultivo de hortaliças 1 – Comunidade do Pau Amarelo, Inangapí - PA
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
38
Figura 16: Cultivo de hortaliças 2 – Comunidade do Pau Amarelo, Inangapí - PA
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
5.3 TRABALHO FAMILIAR
A agricultura familiar tem sua principal característica a ocupação dos membros da
família em atividades oriundas da propriedade. Os agricultores entrevistados estão
diretamente ligados aos meios produtivos. Porém, algumas famílias são remuneradas de
outras formas, seja por pensão (aposentadoria), bolsa escola ou trabalho fora da
propriedade.
Tabela 15: Mão-de-obra contratada
Mão-de-obra Freqüência Porcentagem
Membros da família 36 60
Contratados 24 40
Total 60 100
Fonte: Pesquisa de Campo,2005.
39
Tabela 16: Fontes de renda
Renda Freqüência Porcentagem
Aposentadoria 20 33,33
Bolsa escola 11 18,33
Outras 4 6,67
Não 25 41,67
Total 60 100
Fonte: Pesquisa de Campo, 2005.
5.4 CAPITAL
Os agricultores são desprovidos de reservas. Sua capitalização se dá em função
da comercialização de sua produção. Não foi verificado nenhum recurso disponível para
reserva ou investimento na atividade.
5.5 EQUIPAMENTOS
Os equipamentos utilizados na propriedade são poucos, em sua maioria
inexistem. Todo o trabalho é efetuado de maneira rudimentar, herança de gerações o
que se reflete de forma direta na produtividade e qualidade do produto final.
Em muitas propriedades são adaptações de restos de maquinários, verdadeiras
“engenharias da roça”, como definiu um dos agricultores. A necessidade maior, segundo
pesquisa é dos produtores de mandioca, a terra está desgastada e a produção é baixa,
20 sacas de farinha por tarefa, essa produção vem caindo com o passar dos anos, já que
no passado conseguiam fazer 40 sacas por tarefa.
5.6 USO DA TERRA
Entre os agricultores entrevistados, apenas 1% possui pastagem. A utilização da
terra dá-se em função de lavouras temporárias e permanentes conforme demonstra
tabelas abaixo.
Tabela 17: Lavoura temporária
40
Área em hectare Freqüência Porcentagem
15 15 25
Total 60 100
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
Tabela 18: Lavoura Permanente
Área em hectare Freqüência Porcentagem
10 17 28,30
Total 60 100
Fonte: pesquisa de Campo, 2005.
5.7 FERTILIZANTES
Onde a produção é diversificada ou na produção de hortaliças, o uso de
fertilizante é freqüente. O mais utilizado é esterco de boi e cama de frango. Na produção
da mandioca, poucos são os produtores que utilizam adubação, e quando a fazem é com
fertilizantes químicos (NPK).
5.8 CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS
Como as atividades, na maioria, não tem acompanhamento técnico, o controle de
pragas e doenças é por meio natural ou retirada das plantas doentes. Na Comunidade do
Arajó, a plantação de mandioca está sendo prejudicada por uma doença que faz as
folhas caírem e as raízes ficarem podres, ocasionando prejuízo e diminuindo a
produtividade do agricultor. Infelizmente não contam com a presença, mesmo que
esporádica, de algum técnico agrícola que possa identificar os principais problemas e
apresentar uma melhor maneira de cultivo.
5.9 CUSTOS DE PRODUÇÃO
Entre os entrevistados, 98,30% não sabem estimar os custos de produção. A
matemática básica que fazem é típica do produtor de subsistência: Quanto vendeu e
quanto sobrou.
6. ASPECTOS DA COMERCIALIZAÇÃO
41
A produção é direcionada principalmente para Inhangapí, Castanhal e Belém.
Sendo que esta comercialização é feita em sua maioria por agentes atravessadores, que
fazem o controle do preço pago aos agricultores. Existe uma parcela de produtores que
comercializam diretamente na feira de Castanhal e Belém e ainda aqueles que fazem
vendas diretas ao consumidor, como forma de conseguir um preço melhor na venda.
100
90
80
70
58,4
60 Atravessador
50 Feira
38,4 Consumidor
40
30
20
10 3,2
0
Figura 17: Comercialização da produção da agricultura familiar, Inhangapí – PA.
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
Conforme resultado da pesquisa, 58,40 % dos agricultores comercializam sua
produção por meio de atravessador, 38,40% deles vendem diretamente em feira e
apenas 3,20% vendem ao consumidor final.
42
A dependência na figura do atravessador para comercializar os produtos, implica
que este agente interfere e mantém o preço de acordo com o mercado e suas condições.
Os agricultores que comercializam seus produtos diretamente nas feiras e consumidor
final, conseguem um preço diferenciado em relação à tabela abaixo.
Tabela 19: Preços pagos pelos atravessadores
Produto Unidade Preço (R$)
Farinha Saca R$ 25,00
Açaí Lata R$ 10,00
Banana Milheiro R$ 15,00
Cana Unidade R$ 0,06
Coco Unidade R$ 0,15
Carvão Saco R$ 3,00
Laranja Cento R$ 3,00
Cupuaçu Unidade R$ 1,00
Alface Pé R$ 0,20
Cheiro verde Maço R$ 0,30
Couve Kg R$ 0,50
Quiabo Maço R$ 0,50
Cebolinha Maço R$ 0,30
Feijão Maço R$ 0,50
Pupunha Kg R$ 1,00
Urucum Kg R$ 4,00
Castanha Kg R$ 0,35
Frango Unidade R$ 9,00
Porco Kg R$ 2,90
Pato Unidade R$ 10,00
Macaxeira Kg R$ 0,20
Fonte: Pesquisa de campo, 2005.
6.2 Disponibilidade de crédito
O PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) surgiu
em 1996, com a finalidade de contribuir com a promoção do desenvolvimento rural.
Proporcionando aos diferentes agentes o poder de intervenção no meio rural, com o
intuito de possibilitar a formação de uma base sustentável de desenvolvimento (bens,
serviços, conhecimentos) para a partir deles, melhorar as condições de produção,
processamento e comercialização daquilo que o agricultor familiar possa produzir.
Contudo, Percebe-se que há um desconhecimento por parte dos agricultores em
relação ao acesso a linha de crédito (21,70%) e uma falta de adequação dos projetos
existentes ao produto a ser cultivado (1,00%), burocracia (1,00%), demora no repasse
(1,00%), encargos (1,00%), dificuldade em administrar os recursos (1,00%), o que
impossibilita o acesso aos recursos disponíveis para essa finalidade. Entre os
43
entrevistados, 13,40 % encontra dificuldades por não possui todos os documentos
exigidos. A participação em associação permitiu que 5,00% dos agricultores
conseguissem ter acesso ao crédito sem empecilhos. Mas 54,90%, afirmaram: “nunca
pegarem dinheiro no banco, para não perder a terra”.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os produtores das sete comunidades pesquisadas foram caracterizados como:
naturais de inhangapí (66,67%), com uma faixa etária de 35 a 50 anos, em sua maioria
(53,00%), casados (86,67%) com uma média de cinco filhos por família, baixa
escolaridade, mais de 70% deles não concluíram o primeiro grau, sendo que 95,00% não
estudam mais, baixa qualificação (78,30%) e não recebem treinamento (83,30%). Apesar
44
destes baixos índices de qualificação e escolaridade, muitos demonstram interesse em
participar de cursos voltados para as suas atividades (46,70%).
Como citado anteriormente, a agricultura familiar paraense possui características
diferenciadas, a de Inhangapí, não é diferente. A percepção do agricultor é resultado de
vários fatores que ultrapassam as formas reducionistas de hábitos culturais. A privação
de acesso à instrução, qualificação, infra-estrutura para a comercialização e outros
fatores primordiais a qualquer organização, seja ela financeira ou não, resulta na forma
de percepção do sistema de produção, que devido às dificuldades enfrentadas, tanto da
privação de crédito, quanto ao acesso à informação e conhecimento, segue as
características de subsistência, fazendo o uso da queima e desbaste, ocasionando
assim, uma perda de nutriente do solo o que resulta em uma baixa produtividade.
A comercialização é caracterizada pela dependência do atravessador (58,40%)
que aufere o maior lucro em torno do produto comercializado, portanto, o resultado do
trabalho do agricultor, não possui qualquer tipo de agregação de valor, no máximo, a
produção de farinha, de forma rudimentar.
As condições dos créditos disponíveis para a agricultura familiar são
fundamentais para que se consiga dar continuidade ao processo produtivo. Todavia, vale
ressalvar que, a falta de treinamento, acompanhamento, projetos adequados para cada
atividade e região específica, coloca em descrédito uma alternativa funcional para o
pequeno agricultor, que necessita muito além de produzir para autoconsumo.
Uma pequena parcela dos agricultores pratica a diversificação da produção e
venda direta ao consumidor, nestes casos é notória uma melhor condição de moradia e
uma certa folga financeira. Foi possível perceber que o grau de instrução tem relação
direta com o direcionamento administrativo do processo produtivo e com isso o retorno
financeiro possui um representativo maior na renda familiar, o que, por conseqüência,
reflete na qualidade de vida do agricultor e seus familiares.
Portanto, conclui-se que, o município de Inhangapí tem vocação e necessidade
em desenvolver um planejamento rural voltado à agricultura familiar, respeitando as
especificidades da região, contudo é preciso que as políticas públicas estejam voltadas à
promoção, não somente de um projeto isolado, mas também comprometida com um
desenvolvimento interligado que corresponde com a realidade e aptidão das áreas ou
setores nos quais os projetos estão direcionados. Esses projetos necessitam fornecer
crédito, mas também, fazer o acompanhamento administrativo e técnico, pois somente
desta maneira, pode-se proporcionar ao agricultor uma chance de se inserir no mercado
de produtos agrícolas e que sua importância não se restrinja somente a produzir, mas
também em promover uma oportunidade para pessoas simples e com conhecimentos
45
empíricos, porém relevantes, de poderem viver dignamente do seu próprio trabalho,
evitando assim, a sua expulsão do meio rural em direção á periferia dos centros urbanos.
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