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Agricultura familiar

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Agricultura familiar
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INSTITUTO DE ESTUDOS SUPERIORES DA AMAZONIA - IESAM



CURSO DE ADMINISTRAÇÃO: AGRONEGÓCIOS









FABIANE CAMPOS CHISTÉ









DIAGNÓSTICO SOCIOECONÔMICO DA AGRICULTURA FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE

INHANGAPÍ, ESTADO DO PARÁ









BELÉM

2005

INSTITUTO DE ESTUDOS SUPERIORES DA AMAZONIA - IESAM



CURSO DE ADMINISTRAÇÃO: AGRONEGÓCIOS









FABIANE CAMPOS CHISTÉ









DIAGNÓSTICO SOCIOECONÔMICO DA AGRICULTURA FAMILIAR NO MUNICÍPIO

DE INHANGAPÍ, ESTADO DO PARÁ









Monografia de conclusão de curso apresentada

ao Instituto de Estudos Superiores da Amazônia

como requisito parcial para obtenção do grau de

Bacharel em Administração com habilitação em

Agronegócios.





Orientador

Prof. M. Sc. Marcos Antônio Souza dos Santos









BELÉM

2005





ii

INSTITUTO DE ESTUDOS SUPERIORES DA AMAZONIA - IESAM



CURSO DE ADMINISTRAÇÃO: AGRONEGÓCIOS









FABIANE CAMPOS CHISTÉ









DIAGNÓSTICO SOCIOECONÔMICO DA AGRICULTURA FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE

INHANGAPÍ, ESTADO DO PARÁ









Esta monografia foi julgada adequada para obtenção do grau de Bacharel em

Administração com habilitação em Agronegócios e aprovada, na sua forma final, pelo

Instituto de Estudos Superiores da Amazônia.







Belém (PA), 03 de Dezembro de 2005.





Banca Examinadora:







Prof. M.Sc. Marcos Antônio Souza dos Santos

Orientador





Prof. Dr. Paulo Júlio da Silva Neto

Avaliador









BELÉM

2005







iii

Aos meus filhos, Mariana e João Victor, razões de

minha vida. Hoje, talvez vocês não entendam,

mas saberão o quanto isso foi importante para

mim.



Dedicatória





iv

AGRADECIMENTOS



Sem querer ser injusta, com algumas pessoas, gostaria muito de lembrar de

todas, mas infelizmente o espaço não será suficiente. Então! Citarei algumas das

muitas que fizeram parte desta curta/longa e árdua caminhada...



Á Deus. Pois ele sempre esteve comigo nos melhores e piores momentos de

minha vida, mostrando-me sempre o caminho, nem sempre eu o ouvia, mas ele

sempre esteve, está e tenho certeza, estará PRESENTE.



Aos Meus pais, Alvanir e Nilza, alicerce fundamental no meu desenvolvimento

pessoal e profissional, sempre me ensinaram VALORES importantes para o

seguimento da vida. Aos meus irmãos, Cristiane e Renan, duas criaturas abençoadas

que tenho a sorte de ter SEMPRE comigo. Meus orgulhos, e sem falsa modéstia,

meus incentivadores e fãs...



Meus filhotes, Mariana e João Victor, TUDO de maravilhoso que tenho na

vida... Perdoe-me à ausência e a intolerância. Eu amo muito vocês...



Ao Nestor, infelizmente, o planejamento final não foi de acordo com minha

felicidade em ter passado no vestibular em janeiro de 2002. Apesar de TUDO, sua

presença fez, faz e fará falta... Obrigada pela experiência compartilhada, livros,

jornais, artigos... E, principalmente, por cuidar dos nossos filhotes nas horas em que

mais precisei...



Ao Ben-Hur Borges, por sempre estar em minha vida em momentos decisivos

e por abrir as portas de sua empresa, sempre com muita boa vontade de compartilhar

sua experiência de vida, obrigada por ter me ADOTADO, pela amizade, confiança e

oportunidade... Ao André Schwob, pelas belas e gentis palavras e pela paciência em

ensinar.



Aos poucos amigos conquistados. Em especial: Mônica Albuquerque, Adalgisa

Coelho, Samaritana Lobato, Rosana Araújo, Eliene Souza.



Ao Felippi Lima, pela paciência e companheirismo.



Aos professores... Cada um foi importante... Mais tem uns que foram mais...

Mais que professores, amigos, conselheiros, incentivadores. Em especial: Leonardo

Sena (A revolução dos bichos), Alexandre Gaia (Sensatez), Ivete Silva (Carinho),

Rosa Carvalho (Alto astral), Marcos Antônio Souza dos Santos (Orientador e meu

querido Mestre TUDO), Fabrício Borges (Determinação), Laércio de Souza Silva (“faça

o que você tiver que fazer por você, não crie expectativa em relação as pessoas”)

Gilberto Suzuki (“Peixe novo nada raso”) e claro! Pai de todos... Paulo Júlio da Silva

Neto.



Meu agradecimento especial aos agricultores familiares, principalmente os que

colaboraram com minha pesquisa. Vocês são exemplo de trabalho, luta e muita

perseverança.









v

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS viii

LISTA DE TABELAS Ix

1 INTRODUÇÃO 11

2. OBJETIVOS 13

2.1 OBJETIVO GERAL 13

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 13

3 METODOLOGIA 14

3.1 DEFINIÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO 14

3.2 ÁREA DE ESTUDO E DADOS UTILIZADOS 14

4 CARACTERISTICAS DO MUNICÍPIO DE INHANGAPÍ – PA 17

4.1 ASPECTOS FÍSICOS 17

4.2 ASPECTO SOCIAL 18

4.3 Aspectos Econômicos 19



5 CARACTERÍSTICA DA AGRICULTURA FAMILIAR INHANGAPÍ - PA 24

5.1 PERFIL SOCIOECONÔMICO 24

5.2 CARACTERIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO 33

5.3 TRABALHO FAMILIAR 39

5.4 CAPITAL 40

5.5 EQUIPAMENTOS 40

5.6 USO DA TERRA 40

5.7 FERTILIZANTES 41



5.8 CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS 41



5.9 CUSTOS DE PRODUÇÃO 41



6 ASPECTOS DA COMERCIALIZAÇÃO 42

6.2 Disponibilidade de crédito 43



7 CONCLUSÃO 45

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 47









vi

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 Divisão representativa de produção agrícola, Inhangapí – PA. 20



Figura 2 Setor Primário 21

Figura 3 Representativo dos principais produtos agrícolas de Inhangapí – PA. 23

Figura Nat Ruralidade dos agricultores familiares de Inhangapí – PA

4 25

Figura 5 Residência de um produtor de farinha da Comunidade do Cariru, 27

Inhangapí – PA.



Figura 6 Residência de um agricultor do ramal do Cariru, Inhangapí – PA 28

Figura 7 Banheiro das residências dos agricultores familiares de Inhangapí – PA 30

Figura 8 Esgoto das residências dos agricultores familiares de Inhangapí – PA 31

Figura 9 Sistema de plantio de mandioca na comunidade do Cariru, Inhagapí-PA 34

Figura Raspagem da mandioca para fabricação da farinha 34

10

Figura Açaizal nativo na comunidade do Arajó, Inhangapí - PA 35

11

Figura Cultivo do Urucum na comunidade Patauateua, Inhangapí – PA 36

12

Figura Beneficiamento do urucum na comunidade Patauateua, Inhangapí – PA 37

13

Figura Comercialização do Urucum na comunidade Patauateua, Inhangapí – PA 37

14

Figura Cultivo de hortaliças 1 – Comunidade do Pau Amarelo, Inangapí - PA 38

15

Figura Cultivo de hortaliças 2 – Comunidade do Pau Amarelo, Inangapí - PA 39

16

Figura Comercialização da produção da agricultura familiar, Inhangapí – PA. 42

17









vii

LISTA DE TABELAS



Tabela 1 Tamanho das Propriedades das comunidades pesquisadas, 15

Inhangapí – PA

Tabela 2 Comunidades Pesquisadas no município de Inhagapí, 2005. 16

Tabela 3 Índice de diversificação da agricultura do município de Inhangapí, 22

1990/2003.

Tabela 4 Tabela 5: Número de filhos dos agricultores familiares de Inhangapí 24

– PA



Tabela 5 Número de filhos dos agricultores familiares de Inhangapí - PA 24

Tabela 6 Te Tempo de Residência dos agricultores familiares de Inhangapí – PA 25

Tabela 7 Estrutura das residências dos agricultores de Inhangapí – PA 26

Tabela 8 Tipo de cobertura das casas dos agricultores de Inhangapí -PA 26

Tabela 9 Tipo de Piso das residências dos agricultores familiares de inhangapí 27

– PA

Tabela 10 Energia Elétrica 28

Tabela 11 Relação de bens duráveis 29

Tabela 12 Fonte de água das residências dos agricultores familiares de 31

Inhangapí – PA

Tabela 13 Formas de tratamento de água das residências dos agricultores 32

familiares de Inhangapí – PA

Tabela 14 Posto de Saúde 33

Tabela 15 Mão-de-obra contratada 39

Tabela 16 Fontes de renda 40

Tabela 17 Lavoura temporária 41

Tabela 18 Lavoura Permanente 41

Tabela 19 Preço pago aos produtos 43









viii

RESUMO





O trabalho analisa os aspectos socioeconômicos da agricultura familiar no município

de Inhangapí, estado do Pará. Os dados foram obtidos a partir de sites oficiais e

pesquisa de campo com aplicação de 60 questionários distribuídos entre sete

comunidades rurais mais representativas, englobando aspectos como: perfil do

produtor, infra-estrutura, sistema de produção, comercialização, organização social,

assistência técnica e de crédito. Os resultados indicam que o agricultor familiar do

município de Inhangapí, em sua maioria é natural do próprio município, com faixa

etária entre 35 a 50 anos, casado e com uma média de cinco filhos por família, possui

baixa escolaridade e pouca qualificação. Os agricultores estão se organizando em

associações (os que já participam, tiveram acesso a linhas de crédito), e possuem um

sistema produtivo rudimentar voltado à monocultura e extrativismo. A comercialização

de seus produtos é efetuada diretamente por meio de revenda ou atravessador, são

geralmente produtos de pouco ou nenhum valor agregado, fazendo com que a renda

obtida seja mínima, limitando o agricultor a um ciclo de ausência de renda, falta de

tecnologia e endividamento.









Palavra – Chave: Agricultura familiar, Análise socioeconômica, Inhangapí, Estado do

Pará.









ix

ABSTRACT

This work analyzes the socio-economic aspects of family agriculture at Inhangapi

County, Pará State, Brazil. The data used was obtained from official websites and field

research through the application of 60 questionaires distributed between seven of the

more representatives rural communities, covering several aspects as farmer profile,

infrastructure, production system, marketing, social organization, technical assistance

and credit availability.

The results indicate that the family farmer/producers of the Inhangapi County are, in its

majority, born in that county, with an age bracket between 35 and 50 years old,

married and with an average of 5 childrens per family, has low scolarity and little

professional qualification.

The agricultors are organizing themselves in associations (those that are already

participating had access to credit lines) and possess a rudimentary production system

oriented to monocultures and wild fruit collection. Their products are marketed directly

to a re-seller or to a profiteer, and have llittle or no added value, thus making only a

marginal income and limiting the farmer to a cycle of insignificant income, lack of

technology and indebtedness.

Keywords: Family agriculture, socio-economic analysis, Inhangapi County, Pará State,

Brazil









x

1. INTRODUÇÃO





A expressão “agricultura familiar” vem ganhando legitimidade social e científica

no Brasil, passando a ser utilizada com freqüência nos discursos dos movimentos sociais

do meio rural, por instituições governamentais e por estudiosos das Ciências Sociais que

se ocupam de análises do meio rural (SCHNEIDER, 2003).



A agricultura familiar foi considerada, durante muito tempo, um segmento

marginal e de pouca relevância para os interesses econômicos de uma sociedade

capitalista, que vislumbra lucro em cima da chamada agricultura de grande porte ou de

exportação, com plantios voltados à monocultura (cana-de-açúcar, café, trigo, soja, etc.).

O agricultor familiar era considerado inábil à tomada de decisões comprometidas no

desenvolvimento de seu meio de sobrevivência. Durante muito tempo, o poder público

não demonstrava interesse voltado à promoção de políticas engajadas para o

desenvolvimento desse segmento da sociedade (CASTELÕES, 2005).



A década de 1990 foi um marco para essa inclusão. Com a democratização e

abertura econômica, houve um fortalecimento deste e de outros segmentos sociais,

considerados apenas de subsistência, a sociedade passou a discernir e a valorizar a

agricultura familiar, onde esta passou a ser vista como a melhor e mais econômica opção

para a geração de emprego e de ocupações produtivas para o desenvolvimento de uma

sociedade, essa visão lhe proporciona um marketing peculiar, possivelmente, a forma

social de produção mais adequada a satisfazer as exigências de mercado, o aspecto

social e ambiental (AGRICULTURA FAMILIAR NO BRASIL, 1997).



O conceito contemporâneo de desenvolvimento sustentado, com base no tripé da

sustentabilidade (econômico, social e ambiental), privilegia o desenvolvimento humano.

Cabe à agricultura, principalmente a familiar, a desconcentração de renda, geração de

divisas, a criação de ocupações produtivas, o aumento da produtividade e da qualidade e

a diversificação e verticalização da produção. Contribuindo assim, para uma forma de

produção onde haja no campo um desenvolvimento, não somente um crescimento

(BRAVO, 2002).



Na Amazônia, a agricultura familiar é a forma social de produção no meio rural,

sendo responsável por uma grande parcela de produção de alimentos básicos como

arroz, feijão, farinha, frutas, hortaliças e outros.



A agricultura familiar paraense tem características particulares se comparada aos

outros estados do centro-sul brasileiro. No Pará, está caracterizada, em sua maioria,

como auto-consumo, se agrupando as famílias de agricultores mais pobres da agricultura





11

familiar. No entanto, sua importância não se limita à auto-consumo, mas sim, como uma

alternativa socioeconômica de fixação do homem ao campo, diversificação, diferentes

práticas produtivas, hábitos culturais, dentre outros, procurando assim, uma integração e

uma melhoria na qualidade de vida dos agricultores e seus familiares, não somente na

questão alimentícia, contudo nos bens e serviços oriundos de uma sociedade moderna.



Santos (2004), ressalta que o reconhecimento destas peculiaridades é

fundamental na formulação de estratégias e de políticas de incentivo ao desenvolvimento

da agricultura familiar, visto que permite a convergência de esforços entre as diferentes

classes sociais, onde o entendimento torna-se importante para o desenvolvimento

econômico local.



Este trabalho tem por objetivo efetuar o diagnóstico sócio-econômico da

agricultura familiar no município de Inhangapí - Pa, analisando a realidade em que vivem

as famílias, sua produção e produtividade, organização social, comercialização, dentre

outros, bem como sugerir práticas administrativas, para o melhor aproveitamento

econômico de uma propriedade rural, fazendo uso da diversidade agrícola, manejo

integrado e comercialização direta com o consumidor e pontos de venda, com o intuito de

fornecer, possivelmente, uma ferramenta visando contribuir para que os mesmo

consigam obter os conhecimentos básicos referente tanto ao manejo quanto ao controle

administrativo, aliado sempre, aos seus conhecimentos empíricos.









2. OBJETIVOS









12

2.1. OBJETIVO GERAL





Efetuar a análise socioeconômica da agricultura familiar no município de

Inhangapí, Estado do Pará.





2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS



a) Identificar o perfil socioeconômico dos agricultores familiares;



b) Caracterizar os sistemas de produção da agricultura familiar;



c) Avaliar os aspectos da organização social, assistência técnica, crédito e

comercialização dos produtos agropecuários;



d) Contribuir com informações para orientar ações para dinamizar a agricultura

familiar no município.









3. METODOLOGIA









13

3.1 DEFINIÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO







O objeto de estudo é a agricultura familiar no município de Inhangapí - PA,

entretanto, se faz necessário o estabelecimento sobre conceitos básicos para que se

possa entender as principais características importantes na distinção de produtor rural e

agricultor familiar. Essas características são:



 A gestão – é feita por indivíduos que mantém entre si, laços de sangue ou

de matrimônio;



 O trabalho – é dividido pelos membros da família;



 A propriedade dos meios de produção – pertence à família e são

repassados aos herdeiros;



 Mão-de-obra – é exercida pelo agricultor e pelos membros de sua família.



A secretaria de Agricultura Familiar, órgão do Ministério do Desenvolvimento

Agrário, separa os agricultores em três grupos: capitalizados, descapitalizados e

residentes no espaço rural. A diferenciação se dá a diversos fatores, que vão desde os

recursos naturais das regiões em que se localizam até as mudanças nos padrões

tecnológicos das atividades produtivas que desenvolvem (CASTELÕES, 2003).









3.2 ÁREA DE ESTUDO E DADOS UTILIZADOS









14

A área de estudos é o município de Inhangapí – PA, e os dados foram obtidos de

acordo com os seguintes passos metodológicos:







a) Levantamento de dados secundários:



Os dados secundários utilizados para realização deste trabalho foram obtidos a

partir de revisão da literatura e informações encontradas em pesquisas eletrônicas (sites).

Esta etapa consistiu-se no levantamento bibliográfico e na coleta de dados secundários

disponíveis sobre o município de Inhangapí, relativas aos seus aspectos demográficos e

agroeconômicos. As informações foram levantadas a partir do Instituto Brasileiro de

Geografia e Estatística (IBGE), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

(EMBRAPA), Prefeitura Municipal de Inhangapí (PMI) entre outras.







b) Levantamento de dados primários:



Os dados primários foram obtidos através de aplicação de questionários, visitas

em propriedades de, no máximo, 100 hectares, conforme Tabela 1. Nestes levantamentos

utilizou-se de instrumentais exploratórios, a partir de entrevistas informais. Essa

metodologia possibilita avaliar e gerar informações sobre os processos dos sistemas

produtivos, em curto espaço de tempo e economia de recursos financeiros.



Tabela 1: Tamanho das propriedades das comunidades pesquisadas, Inhangapí – PA.



Área da propriedade Freqüência Percentual



50 há 11 18,3



Total 60 100,00



Fonte: Pesquisa de campo, 2005.







A área utilizada para a realização da pesquisa é o município de Inhangapí - PA

localizado na região nordeste paraense, pertencente a Mesorregião Bragantina e à

Microrregião Castanhal, e suas principais comunidades, de acordo com Tabela 2, (Arajó,







15

Arraial do Carmo, Arraial do Remédio, Cariru, Paraíso, Patauateua, Pau Amarelo). O

município tem na atividade agropecuária e extrativista um destaque representativo na

economia da cidade.





Tabela 2: Comunidades Pesquisadas no município de Inhagapí, 2005.

Comunidade Freqüência Percentual

Arajó 10 16,67

Arraial do Carmo 9 15,00

Arraial do Remédio 5 8,33

Cariru 10 16,67

Paraíso 10 16,67

Patauateua 10 16,67

Pau Amarelo 6 10,00

Total 60 100

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.







c) Processamento e análise dos dados:

O processamento e análise estatística dos dados, com vistas a confecção de

gráficos e tabelas, foi efetuado por meio do software Microsoft Excel¸ versão 7.0 e o

SPSS versão 11.0.









4. CARACTERISTICAS DO MUNICÍPIO DE INHANGAPÍ – PA









16

O município de Inhangapí começou a ser ocupado a partir de 1898, em

decorrência da colonização. Está localizado na vertente direita do rio, que dá o nome a

cidade, Inhangapí (Inhangapí, tradução indígena, “Caminho do Diabo”) afluente do rio

Guamá. O município ligava-se à Castanhal e em 1934 chegou a pertencer geográfica e

politicamente a Castanhal. Em 30 de dezembro de 1943 o Decreto Lei Estadual número

4.503, assinado, pelo então interventor Magalhães Barata dava autonomia para

Inhangapí, (MUNICÍPIO DE INHANGAPÍ, 2005).







4.1. ASPECTOS FÍSICOS





O município de Inhangapí possui os seguintes limites geográficos:

 Ao Norte - Município de Castanhal

 Ao Sul - Municípios de São Miguel do Guamá e Bujarú

 A Leste - São Miguel do Guamá

 A Oeste - Municípios de Santa Isabel do Pará e Castanhal







No deslocamento do município para as cidades circunvizinhas são utilizadas as

seguintes vias de acesso: BR 316 e rodovias intermunicipais, sendo também o município

servido de transportes fluviais. Distante 95 km da capital paraense por via rodoviária com

tempo médio de 01:00 hora e 30 minutos e marítimo de 06:00 horas, possuindo 35

agrovilas que dispõem de transportes rodoviários e fluviais (MUNICÍPIO DE INHANGAPÍ,

2005).



O solo dominante é o Latossolo Amarelo com textura média associada ao

Concreconário Laterítico. A vegetação oriunda da mata original foi substituída por

capoeiras, em decorrência de ações antrópicas, em diversos estágios de sucessão. A

topografia é típica da Microrregião Bragantina à qual pertence, contendo altitudes

bastante modestas. Sua sede apresenta uma das mais baixas cotas de sua Microrregião:

10m de altitude (MUNICÍPIO DE INHANGAPÍ, 2005).









O relevo é inexpressivo, com a presença de baixos tabuleiros, aplainados,

terraços e áreas aluviais. Insere-se na unidade morfoestrutural conhecida como Planalto







17

Rebaixado da Zona Bragantina. A hidrografia é fortemente marcada pela presença do rio

Guamá, coletor de água dos rios que percorrem sua área, além de servir de limite natural

com o Município de Bujaru, a Sudoeste. O principal rio do município é o rio Inhangapí, de

grande extensão, apresentando seu curso no sentido leste - oeste, depois se desvia para

o sul e, finalmente, retoma a direção oeste desaguando no Guamá (MUNICÍPIO DE

INHANGAPÍ, 2005).



O clima é megatérmico e úmido. Sob influência da baixa latitude, a temperatura

mantém-se elevada em todos os meses do ano, com média anual em torno de 25ºC,

variando seus valores entre 24ºC e 26ºC. Os meses de outubro, novembro e dezembro

são os mais quentes, com máxima oscilando entre 32ºC e 34ºC e máximas absolutas

em torno de 41ºC. A precipitação pluviométrica anual é bastante elevada, geralmente,

em torno de 2.350mm, porém, fortemente concentrada de janeiro a junho, isto é, cerca

de 80%. De setembro a dezembro, ao contrário, as chuvas são raras, cerca de 7% com

uma curta estação seca, de moderado déficit de água nesses meses. A umidade relativa

do ar oscila em torno de 85% (MUNICÍPIO DE INHANGAPÍ, 2005).









4.2 ASPECTO SOCIAL



Inhangapí está estruturado com características típicas do interior paraense, infra-

2

estrutura básica. O município de 471 km e 8.316 habitantes (IBGE, 2005), conta com

uma Escola-sede, onde estão atreladas cerca de 15 escolas municipais, duas estaduais

– sendo duas de Ensino Fundamental, de 1a a 4a séries e outra de 5a a 8a séries, ensino

médio e supletivo. Na zona rural são cerca de 13 escolas estaduais e 20 municipais,

sendo uma na sede e as outras na zona rural. O município conta com uma unidade

educacional do SESC, em fase de conclusão, resultado de uma parceria com a prefeitura

do município para oferecer opções educativas, de arte, cultura e lazer para a população

local.









Na área da saúde, o município recebe atendimento tanto da SESPA (estadual)

quanto da SESMA (municipal). O atendimento é voltado para a área materno-infantil, de







18

imunização laboratorial, ambulatório, nutrição, vigilância epidemiológica e sanitária,

controle de tuberculose, DST (Doença Sexualmente Transmissível), saúde mental,

hanseníase, saúde da mulher, atendimento odontológico, entre outros. A Unidade Básica

de Saúde de Inhangapí atende 24 horas por dia, coordenada pela Secretaria Municipal

de Saúde, possui duas ambulâncias, uma na sede e outra na localidade de Pernambuco,

podendo ser acionadas a qualquer momento pelos moradores. Existem 10 postos

distribuídos nas localidades de Pernambuco, Trindade, São Lourenço, Patauateua, Santa

Cruz, Muraiteua, Carirú, Jundiaí, Petimandeua e Bandeira Branca.

Os transportes urbanos, rurais e intermunicipais são atendidos pelas seguintes

empresas:

1. Transnobre (que possui um escritório de venda de passagens em Inhangapí,

com destino diário a Capital, Belém).

2. Expresso Dayanne, que tem saídas diárias também do terminal rodoviário de

Belém, além de fazer a linha Castanhal - Inhangapí.



A cidade é abastecida pela rede Celpa e algumas comunidades, em sua maioria

possui energia no ramal de acesso. Inhangapí possui um sistema de telefonia

residencial, público e um posto da Telemar, o sinal de telefonia móvel é precário, fazer

uso de telefone celular é preciso se afastar um pouco do centro, em direção à Pa 136.



O município recebe transmissão da Rede Globo, Sistema Brasileiro Televisão

(SBT), Band, Record. A cidade recebe uma programação diária de várias rádios de

outros municípios, como Belém e Castanhal. Na cidade circulam jornais e material

impresso de outros municípios, principalmente de Castanhal.







4.3 ASPECTOS ECONÔMICOS



A economia em Inhangapí é basicamente sustentada pela produção agrícola,

conforme informações do IBGE e da Sagri - Inhangapí.









 Primária - Agricultura (Abacaxi, arroz, feijão, mandioca, milho, cacau, pimenta do

reino, banana, laranja, coco-da-baia, etc). Agropecuária (criação de gado e

suínos para corte). Extrativismo (Açaí, carvão, castanha)



 Secundárias - Olaria, serraria e marcenaria.



 Terciárias: Comércio de estivas, cerâmicas, alimentícios, confecções, calçados,

armarinhos em geral e serviços profissionais.





19

A produção agrícola do município de Inhangapí é sustentada basicamente por

lavouras temporárias e extrativismo,característica marcante de atividades ligadas á

agricultura familiar (Figura 1).









16.000



14.000 Extrativismo

Lavouras permanentes

12.000

Lavouras temporárias

10.000

R$ Mil









8.000





6.000



4.000





2.000



-

90



91



92



93



94



95



96



97



98



99



00



01



02



03

19



19



19



19



19



19



19



19



19



19



20



20



20



20

Figura 1: Divisão representativa de produção agrícola, Inhangapí – PA.



Fonte: IBGE, 2005.









Com a caracterização do setor primário, pode-se, relacionar as principais atividades

inseridas no processo produtivo. Na produção agropecuária, destaca-se o cultivo de

lavouras temporárias, que detém 58% da produção, seguido do extrativismo florestal,

representando 12% das atividades (Figura 2).









20

Pecuária

6% Outras

Silvicultura e exploração

florestal 4%

12%









Lavoura temporária

Lavoura permanente 58%

20%









Figura 2 : Caracterização do setor primário.

Fonte: IBGE, 1998.









Conforme demonstração da Tabela 3, o índice de diversificação da lavoura vem

diminuindo significativamente, indicativo de uma agricultura de monocultura.









21

Tabela 3- Índice de diversificação da agricultura do município de Inhangapí, 1990/2003.



Ano Índice de Diversificação



1990 4,16

1991 2,02

1992 1,61

1993 2,09

1994 2,14

1995 1,94

1996 2,08

1997 2,12

1998 2,73

1999 2,82

2000 2,64

2001 2,64

2002 2,08

2003 1,94



Média 2,36



Fonte: Dados da pesquisa, 2005.









Os principais produtos agrícolas do município de Inhangapí – PA é a mandioca

para produção de farinha, cultura de lavoura temporária e o açaí, oriundo de extrativismo.









22

Outras 5,69%





1,99%

Laranja



3,84%

Feijão



8,66%

Pimenta-do-reino



9,06%

Lenha





Banana 13,35%





Açaí 21,94%

35,48%



Mandioca



- 5 10 15 20 25 30 35 40

%









Figura 3: Representativo dos principais produtos agrícolas de Inhangapí – PA.

Fonte: IBGE, 2005.









5. CARACTERÍSTICA DA AGRICULTURA FAMILIAR INHANGAPÍ - PA



5.1 PERFIL SOCIOECONÔMICO





23

A caracterização do perfil socioeconômico possibilita o entendimento da estrutura

ligada à agricultura familiar. O tempo de residência no local influencia a questão do

hábito cultural, o que pode dificultar o acesso a novos procedimentos e tecnologias.





Tabela 4: Faixa etária dos agricultores familiares do município de Inhangapí – PA

Idade Freqüência Porcentagem

50 15 25,0

Total 60 100

Fonte: Dados da pesquisa, 20005.





Os agricultores são relativamente jovens, a média da sua faixa etária está entre

35 e 50 anos e o grau de instrução é maior que a dos mais idosos.





Tabela 5: Número de filhos dos agricultores familiares de Inhangapí - PA

Número de filhos Freqüência Porcentagem

1a3 22 36,65

3a6 15 25

6a9 13 21,65

9 a 12 7 11,7

12 a 15 2 3,3

> 15 1 1,7

Total 60 100

Fonte: Dados de pesquisa, 2005.





O número de filhos por casal tem apresentado uma queda com o tempo, percebe-

se que existe um grau de consciência entre ter filhos e sustentá-los, conforme tabela

número 5, 36,65% tem de 1 a 3 filhos.









24

5%









67% 28%









Inhangapí Outros Municípios Outros Estados

Figura 4 : Naturalidade dos agricultores familiares de Inhangapí – PA

Fonte: Dados da pesquisa, 2005.









Tabela 6: Tempo de Residência dos agricultores familiares de Inhangapí – PA

Tempo Freqüência Porcentagem

40 anos 15 25,00

Total 60 100,00

Fonte: Dados de pesquisa, 2005.









5.1.1 Moradia





25

O tipo de cultura produzida e a forma de comercialização dos produtos oriundos

da agricultura familiar, nas comunidades pesquisadas, são indicativos diretos da situação

econômica vivida pelos agricultores. Os monocultores, principalmente aqueles que

plantam mandioca para obtenção de farinha, possuem uma menor condição financeira

do que aqueles que praticam uma agricultura diversificada.





Tabela 7: Estrutura das residências dos agricultores de Inhangapí – PA.

Tipo de casa Freqüência Porcentagem

Barro 11 18,33

Madeira 22 36,67

Alvenaria 18 30

Outras 9 15

Total 60 100

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.

As construções de madeira são predominantes nas comunidades pesquisadas,

representam 36,67% das residências. Fato interessante que representa o extremo são

que, 30% das residências pesquisadas são de casas construídas em alvenaria. Contudo,

este fato pode estar relacionado a existência de uma fábrica de cerâmica no município.





Tabela 8: Tipo de cobertura das casas dos agricultores de Inhangapí -PA.

Tipo Freqüência Porcentagem

Barro 49 81,67

Brasilit 6 10,00

Cavaco 4 6,67

Palha 1 1,67

Total 60 100,00

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.

A utilização de telhas de barro para cobertura representa 81,67% das residências.

Esse fato pode ser em decorrência da facilidade e oferta deste produto no porto

comercial da cidade.









Tabela 09: Tipo de Piso das residências dos agricultores familiares de inhangapí – PA.

Tipo Freqüência Porcentagem





26

Barro 4 6,67

Chão 15 25,00

Cimento 25 41,67

Lajota 10 16,67

Madeira 3 5,00

Misto 3 5,00

Total 60 100,00

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.





Essa interligação entre o aspecto econômico e social faz com que se entenda a

relação direta com a forma de produção e a renda obtida através da atividade, refletindo

também, com o tipo de moradia, cobertura e piso das residências dos agricultores.









Figur

a 5: Residência de um produtor de farinha da Comunidade do Cariru, Inhangapí – PA.

Fonte: Pesquisa de Campo, 2005.









27

Figura 6: Residência de um agricultor do ramal do Cariru, Inhangapí – PA.

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.





5.1.2 Energia elétrica



Apesar da energia elétrica estar próxima às propriedades pesquisadas, a situação

econômica da maioria dos agricultores, não permite que essa energia chegue em suas

casas. Alguns utilizam outras fontes de energia, tais como: gerador, a diesel, e baterias,

somente para mover o necessário.



Tabela 10: Energia Elétrica



Energia Elétrica Freqüência Percentual



Sim 15 25



Não 30 50



Outras Fontes 15 25



Total 60 100



Fonte: Pesquisa de campo, 2005.









28

5.1.2.1 Bens duráveis





Os bens duráveis, básicos, são um indicativo de não sustentabilidade da atividade

agrícola. Demonstra a privação de bens duráveis básicos nas quais os agricultores estão

inseridos.





Tabela 11 : Relação de bens duráveis

Bens Sim (%) Não (%)

Aparelho de som 55 45

Rádio 31,70 68,30

Televisão 61,70 38,30

Geladeira 56,70 43,30

Fogão a gás 75 25

Fogão a lenha 86,70 13,30

Máquina de costura 28,30 71,70

Bicicleta 61,70 38,30

Motocicleta 8,30 91,70

Carro 10 90

Antena Parabólica 10 90

Moto bomba 21,70 78,30

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.





5.1.3. Saneamento básico





Nas comunidades pesquisadas, o saneamento básico é precário. Apenas 23,30%

dos agricultores possuem banheiro dentro de suas residências, porém 58,30% dos

dejetos são depositados nos rios e lagos, contaminando a mesma água utilizada para

consumo. 88,30% dos agricultores utilizam água oriunda de poços artesianos sendo que,

48,30% não utilizam nenhum modo de tratamento, conforme demonstrado nas tabelas e

figuras abaixo:









29

55









Não









23,3





Sim









21,7





Fora de casa









Figura 7: Banheiro das residências dos agricultores familiares de Inhangapí – PA.

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.









30

58,3







41,7



Fossa

Rio/lago









Figura 8: Esgoto das residências dos agricultores familiares de Inhangapí – PA.

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.









Tabela 12: Fonte de água das residências dos agricultores familiares de Inhangapí – PA.

Origem Freqüência Porcentagem

Poço 53 88,30

Rio 6 10,00

Rio/Lago 1 1,70

Total 60 100,00

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.









31

Tabela 13: Formas de tratamento de água potável das residências dos agricultores

familiares de Inhangapí – PA.

Formas Freqüência Porcentagem

Coada 4 6,70

Fervida 4 6,70

Filtrada 21 35,00

Nada 29 48,30

Pó hipoclorito 2 3,40

Total 60,00 100,00

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.





5.1.4 Saúde





Embora existam somente 10 postos distribuídos em 10 comunidades, constatou-se

que em comunidades próximas, os agentes de saúde fazem visitação, com uma

constância significativa, as propriedades carentes de postos de saúde. O que reflete uma

medicina preventiva, onde as doenças mais freqüentes são: Gripe - virose (68,40%) e

Diarréia (31,60%). O que pode ser resultado do não tratamento de água já que, 48,30%

delas não fazem nenhum tipo de tratamento com a água utilizada para o consumo.





Somente 23,30% das residências possuem banheiro em casa, 21,70% do lado de

fora e a maioria, 55,00%, não possuem qualquer tipo de sanitário. O tratamento de

esgoto é precário e na maioria das vezes é jogado nas águas utilizadas para consumo

(58,30%), e apenas 41,70% tratam os dejetos em fossas.









Tabela 14: Posto de Saúde







32

Postos de Saúde Freqüência Porcentagem

Sim 36 60

Não 24 40

Total 60 100

Fonte: Pesquisa de Campo, 2005.





5.2 CARACTERIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO





Uma parcela representativa dos entrevistados (70%), vivem/sobrevivem do cultivo

da mandioca para fabricação de farinha. Essa atividade é realizada de forma

extremamente rudimentar, onde a propriedade é dividida em área de pousio, 4 anos

média (95% dos agricultores afirmaram que este período de descanso foi reduzido

devido a baixa produtividade e o aumento dos integrantes da família), e área de cultivo,

onde a preparação segue a seqüência: a derrubada, queima e plantio.









33

Figura 9. Sistema de plantio de mandioca na comunidade do Cariru, Inhagapí-PA.

Fonte: Pesquisa de Campo, 2005.









Figura 10: Raspagem da mandioca para fabricação da farinha

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.









34

Após 12 meses a mandioca é colhida e processada na propriedade,

principalmente pelas mulheres e filhas do agricultor. Nenhum outro subproduto da

fabricação da farinha é comercializado, somente para consumo.

O extrativismo do Açaí, nativo e agora com manejo orientado por técnicos da

EMATER, através da Associação onde os produtores (40%) estão inseridos, constitui em

um dos pilares econômicos para 15,00% dos entrevistados, o produto é comercializado in

natura, sem nenhum beneficiamento, salvo engano, para o consumo da família.









Figura 11: Açaizal nativo na comunidade do Arajó, Inhangapí - PA

Fonte: Pesquisa de Campo, 2005.









35

A diversificação de algumas culturas, como: do urucum (duas famílias produzem,

beneficiam e vendem urucum), pimenta, cupuaçu, laranja, limão, coco, banana, pupunha,

cana, carvão e a venda de frangos e suínos, representa fonte de renda para 10,00% dos

produtores.









Figura 12: Cultivo do Urucum na comunidade Patauateua, Inhangapí – PA.

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.









36

Figura 13: Beneficiamento do urucum na comunidade Patauateua, Inhangapí – PA.

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.









Figura 14: Comercialização do Urucum na comunidade Patauateua, Inhangapí – PA.

Fonte: Pesquisa de Campo, 2005.









37

A produção de hortaliças representa 5,00% da geração de renda dos agricultores,

com destaque para o cultivo de coentro, alface, cheiro verde, feijão de corda, couve,

quiabo e cebolinha.









Figura 15: Cultivo de hortaliças 1 – Comunidade do Pau Amarelo, Inangapí - PA

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.









38

Figura 16: Cultivo de hortaliças 2 – Comunidade do Pau Amarelo, Inangapí - PA

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.





5.3 TRABALHO FAMILIAR



A agricultura familiar tem sua principal característica a ocupação dos membros da

família em atividades oriundas da propriedade. Os agricultores entrevistados estão

diretamente ligados aos meios produtivos. Porém, algumas famílias são remuneradas de

outras formas, seja por pensão (aposentadoria), bolsa escola ou trabalho fora da

propriedade.



Tabela 15: Mão-de-obra contratada



Mão-de-obra Freqüência Porcentagem

Membros da família 36 60

Contratados 24 40

Total 60 100

Fonte: Pesquisa de Campo,2005.









39

Tabela 16: Fontes de renda



Renda Freqüência Porcentagem

Aposentadoria 20 33,33

Bolsa escola 11 18,33

Outras 4 6,67

Não 25 41,67

Total 60 100

Fonte: Pesquisa de Campo, 2005.





5.4 CAPITAL



Os agricultores são desprovidos de reservas. Sua capitalização se dá em função

da comercialização de sua produção. Não foi verificado nenhum recurso disponível para

reserva ou investimento na atividade.



5.5 EQUIPAMENTOS



Os equipamentos utilizados na propriedade são poucos, em sua maioria

inexistem. Todo o trabalho é efetuado de maneira rudimentar, herança de gerações o

que se reflete de forma direta na produtividade e qualidade do produto final.

Em muitas propriedades são adaptações de restos de maquinários, verdadeiras

“engenharias da roça”, como definiu um dos agricultores. A necessidade maior, segundo

pesquisa é dos produtores de mandioca, a terra está desgastada e a produção é baixa,

20 sacas de farinha por tarefa, essa produção vem caindo com o passar dos anos, já que

no passado conseguiam fazer 40 sacas por tarefa.



5.6 USO DA TERRA



Entre os agricultores entrevistados, apenas 1% possui pastagem. A utilização da

terra dá-se em função de lavouras temporárias e permanentes conforme demonstra

tabelas abaixo.









Tabela 17: Lavoura temporária









40

Área em hectare Freqüência Porcentagem

15 15 25

Total 60 100

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.





Tabela 18: Lavoura Permanente



Área em hectare Freqüência Porcentagem

10 17 28,30

Total 60 100

Fonte: pesquisa de Campo, 2005.





5.7 FERTILIZANTES



Onde a produção é diversificada ou na produção de hortaliças, o uso de

fertilizante é freqüente. O mais utilizado é esterco de boi e cama de frango. Na produção

da mandioca, poucos são os produtores que utilizam adubação, e quando a fazem é com

fertilizantes químicos (NPK).



5.8 CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS



Como as atividades, na maioria, não tem acompanhamento técnico, o controle de

pragas e doenças é por meio natural ou retirada das plantas doentes. Na Comunidade do

Arajó, a plantação de mandioca está sendo prejudicada por uma doença que faz as

folhas caírem e as raízes ficarem podres, ocasionando prejuízo e diminuindo a

produtividade do agricultor. Infelizmente não contam com a presença, mesmo que

esporádica, de algum técnico agrícola que possa identificar os principais problemas e

apresentar uma melhor maneira de cultivo.



5.9 CUSTOS DE PRODUÇÃO



Entre os entrevistados, 98,30% não sabem estimar os custos de produção. A

matemática básica que fazem é típica do produtor de subsistência: Quanto vendeu e

quanto sobrou.

6. ASPECTOS DA COMERCIALIZAÇÃO









41

A produção é direcionada principalmente para Inhangapí, Castanhal e Belém.

Sendo que esta comercialização é feita em sua maioria por agentes atravessadores, que

fazem o controle do preço pago aos agricultores. Existe uma parcela de produtores que

comercializam diretamente na feira de Castanhal e Belém e ainda aqueles que fazem

vendas diretas ao consumidor, como forma de conseguir um preço melhor na venda.









100

90

80

70

58,4

60 Atravessador

50 Feira

38,4 Consumidor

40

30

20

10 3,2

0



Figura 17: Comercialização da produção da agricultura familiar, Inhangapí – PA.

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.







Conforme resultado da pesquisa, 58,40 % dos agricultores comercializam sua

produção por meio de atravessador, 38,40% deles vendem diretamente em feira e

apenas 3,20% vendem ao consumidor final.





42

A dependência na figura do atravessador para comercializar os produtos, implica

que este agente interfere e mantém o preço de acordo com o mercado e suas condições.

Os agricultores que comercializam seus produtos diretamente nas feiras e consumidor

final, conseguem um preço diferenciado em relação à tabela abaixo.



Tabela 19: Preços pagos pelos atravessadores



Produto Unidade Preço (R$)

Farinha Saca R$ 25,00

Açaí Lata R$ 10,00

Banana Milheiro R$ 15,00

Cana Unidade R$ 0,06

Coco Unidade R$ 0,15

Carvão Saco R$ 3,00

Laranja Cento R$ 3,00

Cupuaçu Unidade R$ 1,00

Alface Pé R$ 0,20

Cheiro verde Maço R$ 0,30

Couve Kg R$ 0,50

Quiabo Maço R$ 0,50

Cebolinha Maço R$ 0,30

Feijão Maço R$ 0,50

Pupunha Kg R$ 1,00

Urucum Kg R$ 4,00

Castanha Kg R$ 0,35

Frango Unidade R$ 9,00

Porco Kg R$ 2,90

Pato Unidade R$ 10,00

Macaxeira Kg R$ 0,20

Fonte: Pesquisa de campo, 2005.





6.2 Disponibilidade de crédito



O PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) surgiu

em 1996, com a finalidade de contribuir com a promoção do desenvolvimento rural.

Proporcionando aos diferentes agentes o poder de intervenção no meio rural, com o

intuito de possibilitar a formação de uma base sustentável de desenvolvimento (bens,

serviços, conhecimentos) para a partir deles, melhorar as condições de produção,

processamento e comercialização daquilo que o agricultor familiar possa produzir.



Contudo, Percebe-se que há um desconhecimento por parte dos agricultores em

relação ao acesso a linha de crédito (21,70%) e uma falta de adequação dos projetos

existentes ao produto a ser cultivado (1,00%), burocracia (1,00%), demora no repasse

(1,00%), encargos (1,00%), dificuldade em administrar os recursos (1,00%), o que

impossibilita o acesso aos recursos disponíveis para essa finalidade. Entre os







43

entrevistados, 13,40 % encontra dificuldades por não possui todos os documentos

exigidos. A participação em associação permitiu que 5,00% dos agricultores

conseguissem ter acesso ao crédito sem empecilhos. Mas 54,90%, afirmaram: “nunca

pegarem dinheiro no banco, para não perder a terra”.









CONSIDERAÇÕES FINAIS



Os produtores das sete comunidades pesquisadas foram caracterizados como:

naturais de inhangapí (66,67%), com uma faixa etária de 35 a 50 anos, em sua maioria

(53,00%), casados (86,67%) com uma média de cinco filhos por família, baixa

escolaridade, mais de 70% deles não concluíram o primeiro grau, sendo que 95,00% não

estudam mais, baixa qualificação (78,30%) e não recebem treinamento (83,30%). Apesar









44

destes baixos índices de qualificação e escolaridade, muitos demonstram interesse em

participar de cursos voltados para as suas atividades (46,70%).

Como citado anteriormente, a agricultura familiar paraense possui características

diferenciadas, a de Inhangapí, não é diferente. A percepção do agricultor é resultado de

vários fatores que ultrapassam as formas reducionistas de hábitos culturais. A privação

de acesso à instrução, qualificação, infra-estrutura para a comercialização e outros

fatores primordiais a qualquer organização, seja ela financeira ou não, resulta na forma

de percepção do sistema de produção, que devido às dificuldades enfrentadas, tanto da

privação de crédito, quanto ao acesso à informação e conhecimento, segue as

características de subsistência, fazendo o uso da queima e desbaste, ocasionando

assim, uma perda de nutriente do solo o que resulta em uma baixa produtividade.

A comercialização é caracterizada pela dependência do atravessador (58,40%)

que aufere o maior lucro em torno do produto comercializado, portanto, o resultado do

trabalho do agricultor, não possui qualquer tipo de agregação de valor, no máximo, a

produção de farinha, de forma rudimentar.

As condições dos créditos disponíveis para a agricultura familiar são

fundamentais para que se consiga dar continuidade ao processo produtivo. Todavia, vale

ressalvar que, a falta de treinamento, acompanhamento, projetos adequados para cada

atividade e região específica, coloca em descrédito uma alternativa funcional para o

pequeno agricultor, que necessita muito além de produzir para autoconsumo.

Uma pequena parcela dos agricultores pratica a diversificação da produção e

venda direta ao consumidor, nestes casos é notória uma melhor condição de moradia e

uma certa folga financeira. Foi possível perceber que o grau de instrução tem relação

direta com o direcionamento administrativo do processo produtivo e com isso o retorno

financeiro possui um representativo maior na renda familiar, o que, por conseqüência,

reflete na qualidade de vida do agricultor e seus familiares.

Portanto, conclui-se que, o município de Inhangapí tem vocação e necessidade

em desenvolver um planejamento rural voltado à agricultura familiar, respeitando as

especificidades da região, contudo é preciso que as políticas públicas estejam voltadas à

promoção, não somente de um projeto isolado, mas também comprometida com um

desenvolvimento interligado que corresponde com a realidade e aptidão das áreas ou

setores nos quais os projetos estão direcionados. Esses projetos necessitam fornecer

crédito, mas também, fazer o acompanhamento administrativo e técnico, pois somente

desta maneira, pode-se proporcionar ao agricultor uma chance de se inserir no mercado

de produtos agrícolas e que sua importância não se restrinja somente a produzir, mas

também em promover uma oportunidade para pessoas simples e com conhecimentos







45

empíricos, porém relevantes, de poderem viver dignamente do seu próprio trabalho,

evitando assim, a sua expulsão do meio rural em direção á periferia dos centros urbanos.









REFERENCIAS



A agricultura familiar no Brasil. Matéria do Informativo Meio Ambiente e Agricultura -

ano V nº 17 jan/fev/mar 1997. On-Line. Disponível em:

. Acesso em

07/04/2005.



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Desafios e Perspectivas. Brasília: Sociedade Brasileira de economia e Sociologia Rural

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46

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Viçosa – MG, CPT, 2002. 188p.



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LAUSCHNER, Roque. Agribusines, cooperativa e produtor rural. São Leopoldo:

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ROMERO, Juan Ignácio. Questão Agrária: Latifúndio ou agricultura familiar. 1 ed.

São Paulo: moderna, 1998.



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SEBRAE/PA; PROASCON – Projetos e consultoria em Agronegócio. Belém, 2004.



TOURRAND, Jean François. Viabilidade de sistemas agropecuários na agricultura

familiar na amazônia. Belém: Embrapa Amazônia Oriental, 2003.









47


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