CRIAN�AS SUPERDOTADAS
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- 11/24/2011
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CRIANÇAS SUPERDOTADAS
- MITOS -
Vitória, ES
1998
ABAHSD
fundada em 19/11/1991.
entidade da sociedade civil.
sem fins lucrativos.
congrega pessoas interessadas em questões de inteligências,
criatividade e superdotação.
tem como objetivos fundamentais:
- sensibilizar para a importância de se criar condições
favoráveis ao desenvolvimento e aproveitamento do talento,
da inteligência e da criatividade;
- contribuir para a formação e aperfeiçoamento de recursos
humanos destinados à pesquisa, à identificação e ao
atendimento de superdotados.
Apresentação
A Associação Brasileira para Altas Habilidades / Superdotados
(ABAHSD) sempre se preocupou com a falta de compreensão e o
excesso de negligência que a sociedade reserva aos portadores de
altas habilidades. Muitos são os mitos que foram criados a seu
respeito e poucas são as propostas concretas para favorecer o seu
desenvolvimento.
A professora Dora Cortat Simonetti, Mestre em Educação, com tese
na área de Educação para Alunos Talentosos em Ciências, elaborou
a presente publicação, com o objetivo primordial de desmitificar os
paradigmas que se criaram em torno do portador de altas
habilidades.
A ABAHSD espera que, com estas informações esteja colaborando
com pais, professores e comunidade em geral, para que se passe a
ver o superdotado, como um indivíduo que necessita de tanto
estímulo e orientação, quando qualquer outro cidadão.
Nenhum país pode se dar ao luxo de ignorar os talentos que neles
existem.
ABAHSD
A DIRETORIA
MODELO TRIÁTICO DA SUPERDOTAÇÃO
Destaca um conjunto de três traços
marcantes, individuais. Posteriormente,
neste modelo foram incluídos três
marcos sociais: a família, a escola e os
companheiros.
Esta é a concepção proposta por Renzulli (1978, 1984, 1994), a
partir de estudos com pessoas criativas e produtivas. Os
superdotados, segundo ele, seriam aqueles que estivessem na
intersecção dos três círculos. Os que apresentam componentes de
dois círculos seriam muito inteligentes e, se de apenas um, seriam
talentosos. Ex.: uma habilidade acima da média, como talento
matemático. Os gênios não são tratados nesta concepção. Altamente
criativos são capazes de romper modelos.
Atribuir-se a Guy H. Wipple a criação do termo superdotado,
como uma denominação das crianças com uma capacidade superior
a normal (Enciclopédia de Educação Monroe, 1920)
A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) utiliza
este termo.
O que é um MITO?
Uma narrativa com utilização de elementos simbólicos e
sobrenaturais para explicar o mundo, a natureza, o sentido de
viver (acepção original).
Uma leitura imaginária do mundo e do que nele acontece.
Uma forma de propor, onde a imaginação tem amplos direitos.
Uma base para o trabalho posterior da razão.
A leitura especializada, o convívio social, familiar e escolar
são as bases deste nosso trabalho.
" É ótimo aluno e tem sempre as melhores notas."
O bom rendimento acadêmico pode ou não acontecer. Ser um
aluno "nota dez" nem sempre é indicador de superdotação.
O que dados empíricos indicam é uma freqüência
relativamente alta do desempenho inferior, aquém do potencial deste
aluno.
Por que? Dentre os fatores responsáveis para que isto ocorra
estão:
- as características da escola atual, voltada enfaticamente para a
informação pela informação;
- a falta de estímulo do professor em desenvolver o potencial
criativo (ele foi capacitado para trabalhar o pensamento
convergente, ou seja, aquele que se volta para uma única
resposta);
- a tendência em igualar tarefas e conteúdos, massificando o
ensino;
- a pouca sensibilidade para atender o aluno que se destaca por
suas idéias e habilidades, ás vezes considerando "inoportuno";
É importante aceitá-lo como ele é: curioso, perguntador, etc.
não deixá-lo desocupado e, muito estímulo são meios para que
fique integrado e não "atrapalhe".
"Quociente Intelectual alto é uma características das
crianças superdotadas."
A pesquisadora Erika Landau, fundadora do Instituto de jovens
para Promoção das Artes e da Ciência, em Telaviv, o qual atende os
alunos em PROGRAMAS DE ENRIQUECIMENTO, fez uma
pesquisa com crianças problemáticas, de baixo nível intelectual.
Verificou, depois de um ano de trabalho com elas, que o Q.I. da
maioria tinha aumentado cerca de 30%.
Assim, o Q.I. é uma função variável,. Segundo ela, para que os
dados colhidos tenham algum valor deve-se levar em conta o
contexto social e étnico das crianças. É preciso comparar seus
resultados com a opinião de professores e o desempenho escolar da
criança.
Diversos estudos (Willerman e Friedler, 1975) confirmados
por pesquisas (Lewis e Michalson, 1983) mostram que não se pode
identificar a superdotação de crianças sob a base das pontuações
gerais do Quociente Intelectual.
"São estranhas, pequenas, franzinas e usam óculos com
lentes grossas."
É uma idéia errônea que felizmente vai ficando no passado. Na
verdade, a criança superdotada é diferente, mas diferente em certos
aspectos.
Tem se desenvolvido um variado número de listas de
características para identificá-las. A observação nos indica que nem
toda criança apresenta ou manifesta todos os atributos listados em
investigações diversas.
Sem dúvida, é significativo, sobretudo para os familiares e a
escola, estar conscientes de que esta é uma das maneiras de se
identificar a superdotação. Mas, o importante é não usar uma lista
como tabela de pontos. São indicadores e assim devem ser
analisados.
Por sua vez, parece correto o estereótipo de que o superdotado
usa óculos (com ou sem lentes grossas) com maior probabilidade
que as outras crianças - (Projeto de Investigação Gulbenkian sobre
Crianças Superdotadas, 1979).
"São hiperativas e possuem cérebro com mais
neurônios."
Não procede. Às vezes, realmente não param, agitam-se em
busca de mais saber, demonstram muita energia, mas não têm as
características clínicas de hiperatividade.
Os estudos clínicos de cérebros doados, como o de Einstein,
mostram que a quantidade de células nervosas é a mesma. Apontam
no sentido de que possam existir maior número de conexão, mais
interação entre elas.
Estes circuitos nervosos diferenciados podem ser responsáveis
por alguns traços que os superdotados apresentam, em relação à
crianças de sua mesma faixa etária, como por exemplo:
amadurecimento no modo de ser;
habilidade para perceber a relação entre fatos;
flexibilidade de idéias;
versatilidade de interesses;
imaginação fértil;
curiosidade com qualidade e inesgotável;
rapidez na percepção do mundo e de seu meio;
memória acentuada;
senso humor;
"Não necessitam ajuda, pois já que são tão talentosos
podem conduzir-se sozinhos, sem precisar estímulos."
Não procede. No bebê. Os hemisférios cerebrais, direito e
esquerdo, ainda não se especializaram. Isso significa que as
conexões entre os cem bilhões de células nervosas não se
desenvolveram por completo.
Ao longo da primeira infância cada um dos neurônio se ligará
a milhares de outros numa rede de cerca de cem trilhões de
conexões.
Para que essa trama precisa e delicada se estabeleça o cérebro
necessita de DESAFIOS.
Assim acontece também com os superdotados. As
oportunidades educacionais para estas crianças devem caracterizar-
se pela riqueza de incentivos que as levem, inclusive, a identificar
suas próprias potencialidades.
Devem caracterizar-se também pelo conhecimento de que ela
têm dificuldades que podem ocorrer na adaptação escolar, na relação
de aula/ professor/ colegas, no ajustamento social.
"Dizer a uma criança que ela é talentosa, muito
inteligente, superdotada, faz com que fique vaidosa e
se sinta superior às demais."
Depende de como se faça. Maslow, um psicólogo da linha
humanista, coloca que o reconhecimento social é uma necessidade
do ser humano. Assim, estas crianças precisam saber sobre suas
potencialidades e seus familiares orientados no sentido de ajudá-las,
e frear o exibicionismo.
Facilmente perceberam que também têm limitações. O
importante é que após identificadas, não fiquem abandonadas.
Respeitá-las, incentivá-las para que se desenvolvam no seu jeito, e
não como desejam que elas sejam.
Elas não querem ser vistas como diferentes. Para identificá-las
é importante uma observação sistemática e persistente, tanto de
comportamento como de desempenhos.
Verificar a intensidade, freqüência e consistência de suas
peculiaridades, bem como seu histórico familiar, sem a preocupação
de rotular. Como toda criança, querem AMOR e COMPREENSÃO.
"Um programa educacional para
superdotados é algo sofisticado, caro e
especializado."
Não é assim. A educação destas crianças é a mesma das outras.
Elas são, acima de tudo, pessoas. O compromisso de educador é o
mesmo que ele tem com outra criança.
É importante para a criança superdotada ou talentosa sentir que
é atendida como uma pessoa e não como "alguém diferente". Para a
sua sensibilidade acentuada isto faz muita diferença.
O que elas precisam são de oportunidades como qualquer
aluno. Não resta dúvida que estas oportunidades devem estar no
nível de suas aptidões, de seus talentos. Não em escolas especiais,
mas através de ENRIQUECIMENTO, quer seja na própria sala de
aula, grupos em sala de recursos, estudos independentes, através de
visitas, demonstrações, palestras, aceleração e diversas outras
modalidades
Igualdade de oportunidades não quer dizer oportunidades
iguais.
A educação Inclusiva é, sem dúvida, um grande desafio.
Significa repensar direitos de cidadania, aprimorar o processo
ensino-aprendizagem, reestruturar os sistemas de ensino filosófica e
administrativamente, capacitar profissionais.
"O professor de alunos superdotados necessita
também ter altas habilidades."
Não necessariamente. Entretanto, a sensibilidade e a
afetividade são componentes essenciais para conviver com estas
crianças. É preciso que ele goste de desafios, para poder desafiar;
que saiba como desenvolver o pensamento criativo para criar
situações estimuladoras. Para tanto, necessita conhecimentos e
oportunidades de formação.
Respeitar seu aluno como pessoa é fundamental. Orientá-lo
como descobrir seu talento e mostrar-lha que também tem fraquezas.
Ajudá-lo a conviver com seus pontos fracos e fortes, paara que se
sinta mais seguro e, com certeza, feliz.
Segundo James Jallagher, um estudioso nesta área,
"a educação dos superdotados é fascinante porque leva a
refletir sobre o envolvimento da sociedade e da cultura
como desenvolvimento das potencialidades do ser
humano."
É, sem dúvida, necessário disposição para aceitar este desafio,
onde se incluem o interesse e a motivação, a perseverança, dentre
outros traços.
"É sempre o melhor em tudo que faz. É ótimo da
perfeição."
O fato de ser destaque numa área não significa
necessariamente que será em todas. Por isso, é difícil traçar um
papel único e perfeito da criança superdotada, como se fosse um
modelo. É um grupo bastante heterogêneo a nível de traços,
características e habilidades.
Na relação da família e da escola com ela é freqüente a
expectativa e a exigência. Espera-se muito desta criança. São
equívocos que precisam ser consideradas: não pressionar, não exigir.
Excesso de pressão pode levar ao desinteresse, à fadiga, à
desmotivação, à rejeição do próprio talento.
Provavelmente com o propósito de chamar a atenção sobre a
ampla variedade de capacidades, o MEC ficou com o seguinte
conceito de superdotação, proposto pela oficina de Educação dos
Estados Unidos:
"serão considerados superdotados, educandos que apresentem
notável desempenho e/ou elevada potencialidade, nos seguintes
aspectos, isolados ou combinados: capacidade intelectual geral,
aptidão acadêmica específica, pensamento criativo, capacidade de
liderança, talento especial para artes, capacidade psicomotora".
"São de classes sociais mais favorecidas
economicamente."
Não é verdade. Podem ser encontras em todas as classes
sociais, independentes de cor e raça. O que preocupa é que crianças
superdotadas que são carentes economicamente perdem, por
desigualdade de condições, a oportunidade de participação social.
Perdem duplamente!
As crianças não começam sua vida com uma etiqueta de
"superdotação". As oportunidades de mostrar seu talento dependem
muito das pessoas que convivem com elas, sobretudo familiares e
professores.
Crianças de baixa renda têm menos oportunidades, até em sua
escolarização normal. Preocupa a possibilidade de, não tendo seu
talento reconhecido, estimulado, desenvolvido, elas não
desenvolvam seu potencial e ele se perca, às vezes de forma
irreversível.
Situações como estas estimulam a trabalhar em uma educação
para superdotados/talentosos.
"Sempre apresentam sinais de precocidade: ler muito
cedo, andar ou falar bem novos, tocar um instrumento
musical com perfeição em tenra idade, etc."
Necessariamente, não. Pode ou não acontecer. É preciso que
haja constância das aptidões, ao longo do tempo, não apenas em faz
da infância. Há registros de casos de precocidade do aparecimento
de habilidades que permaneceram apesar de obstáculos e
frustrações. Outros, não.
Como crianças estão em processo de desenvolvimento, muitas
vezes, mesmo precoces, não efetivam todo o seu potencial. Daí
serem considerados portadores de altas habilidades e "não ainda
superdotados".
O fato é que não se deve estereotipar. Influem fatores
ambientais: genéticos e a interligação entre ambos. Existem
portadores de deficiência que podem também ter superdotação. Não
são poucos os exemplos de cegos, ou surdos ou paraplégicos
talentosos ou superdotados. São paradigmas, formas de pensar, que
necessitem ser revistas.
A premissa básica é que cada criança tem potencialidades e
nosso compromisso é trabalhar para que se desenvolvam.
O desenvolvimento social e emocional dos superdotados
estão no mesmo nível que seu desenvolvimento intelectual
e acadêmico."
Se desejarmos ajudar uma criança superdotada não podemos
esquecer que elas não crescem da mesma maneira em todas as
dimensões da personalidade. Uma Criança pode ter a idade
cronológica de 07 anos, mas intelectual ter 11 e apenas 04 em seu
lado emocional. Por isso, comparam crianças entre si não é
aconselhável.
Elas possuem especiais vulnerabilidades que podem provocar
conflitos em suas vidas. Estes desnível é difícil para quem convive
com elas porque em momentos têm independência de raciocínio,
usam linguagem precisa, fazem projetos difíceis, em outros
apresentam-se como criancinha frágeis e dependentes.
Estes aspectos não podem ser esquecidos, sobretudo nas
decisões de aceleração escolar. O "equilíbrio" entre as diferentes
idades - cronológica, emocional e social -, se esquecido, pode
conduzir à desarmonia bio-psico-social.
Caminhar junto com elas, dialogar, ajudá-las na construção de
sua identidade pessoal é o papel daqueles que convivem com estas
crianças.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
ABAHSD. Anais do X Seminário Nacional de Superdotação, 1994.
________. Oportunidades educacionais para alunos portadores de
altas habilidades, 1996.
ALENCAR, Eunice Soriano. Psicologia e Educação do
Superdotado, São Paulo, EPU, 1986.
BRASIL, Secretaria de Educação Especial. Subsídios para
Organização e Funcionamento de Serviços de Educação Especial,
Série Diretrizes, 9, 1995.
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Habilidades/Superdotação e Talentos, Série Diretrizes, 10, 1995.
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