SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENSINO DE BIOLOGIA – SBEnBio
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DIRETORIA EXECUTIVA NACIONAL – Gestão 2004/2006
Informativo 01 - 1o. semestre - 2004
Caros Associados,
É com um enorme prazer que, no presente boletim, anunciamos as novas diretorias nacional e
regionais da Sociedade Brasileira de Ensino de Biologia, cuja gestão corresponde ao período
2004/2006.
No dia dezenove de fevereiro de 2004 a comissão eleitoral, presidida pela Prof Dra Sílvia L.
Frateschi Trivelato, contabilizou os votos e, nessa mesma data, foi realizada a assembléia de
homologação das eleições. Parabenizamos os membros das novas diretorias e aproveitamos para
convocar a todos para uma nova fase de bastante trabalho pela frente. Sabemos que muito já se
caminhou, graças às diretorias anteriores; nossos desafios, contudo, são ainda enormes e, para
enfrentá-los, contamos com a cooperação e o trabalho coletivo das diretorias regionais.
Nesse momento, a Diretoria Executiva Nacional está despendendo esforços para a
atualização, junto ao cartório, de nossa situação jurídica. Esse processo é demorado, já que implica
em obter dados de todos os membros das novas diretorias, além de reunir atas das assembléias e
demais documentos devidamente autenticados para o encaminhamento ao cartório. Essa é a nossa
atual prioridade, pois só assim será possível dar continuidade as nossas atividades e,
principalmente, organizar a situação das Diretorias Regionais no que se refere à abertura de contas
bancárias, procedimento essencial para a realização dos repasses de verbas.
É preciso destacar que várias das dificuldades jurídicas enfrentadas hoje pela SBEnBio são
fruto de uma estrutura rígida de nosso estatuto. Pretendemos desencadear, brevemente, um amplo
debate sobre esse documento, de modo a propor modificações importantes que viabilizem e
dinamizem as atividades da sociedade.
Outra necessidade imperativa é a atualização de nossa lista de filiados. Para tal, temos como
objetivo elaborar um banco de dados que possa ser acessado via página eletrônica por todas as
diretorias regionais. Contamos com a ajuda das novas diretorias regionais tanto para atualizar os
cadastros quanto para promover campanhas de novas filiações.
Pretendemos ainda dar continuidade às atividades iniciadas pela Diretoria Nacional anterior,
além de honrar os compromissos institucionais assumidos. Dessa forma, a SBEnBio continuará
participando, quando solicitada, dos debates com os órgãos do governo federal, assim como
trabalhará para que a Revista de Biologia do Ensino Médio realmente seja publicada. Do mesmo
modo, continua colaborando com a organização do IX EPEB, a ser realizado no próximo mês na
FEUSP.
Por fim, estaremos iniciando, em breve, uma campanha para a escolha do logotipo da SBEnBio,
com os modelos sendo disponibilizados via página eletrônica para votação. Buscamos, com esse
procedimento, optar por uma marca que realmente se identifique com os anseios de nossa
sociedade.
Esperamos contar com o auxilio e sugestões de todos/as, pois entendemos que a Diretoria
Executiva Nacional só terá êxito se efetivamente houver trabalho em conjunto. Para isso,
esperamos uma colaboração não só de idéias, mas com uma participação efetiva de todos os nossos
associados.
Diretoria Nacional
2004-2006
1
NOVAS DIRETORIAS
A Comissão Eleitoral realizou a apuração dos votos enviados pelo correio, de acordo com as
normas aprovadas para o processo eleitoral. Foram recebidos 67 (sessenta e sete) votos, sendo 7
(sete) votos considerados inválidos, pois continham irregularidades que impediam a comprovação da
filiação ou do pagamento da anuidade, e 60 (sessenta) votos considerados válidos. Na ata da
comissão, os votos referentes às Diretorias Regionais e Nacional foram especificados na tabela:
Votos Votos Votos em Votos
SIM NÃO branco nulos
Regional 1 – chapa única 17 - - -
Regional 2 – chapa única 24 - - -
Regional 3 – chapa única 10 - - -
Regional 4 – chapa única 4 - - -
Regional 5 – chapa única 5 - - -
Diretoria Nacional – chapa única 60 - - -
Os membros eleitos de cada regional foram, respectivamente:
Diretoria Nacional: Presidente: Martha Marandino (FE/USP); Vice-presidente: Sandra Escovedo
Selles (FE/UFF); Secretária: Marcia Serra Ferreira (FE/UFRJ); Tesoureiro: Antônio Carlos
Amorim (FE/UNICAMP).
Regional 1: Diretor: Rodrigo Venturoso M. da Silva; Vice-diretor: Marcelo Motokane; Secretária:
Vânia M. Marcusso Cavalare; Tesoureiro: José Trivelato; Conselho Deliberativo: Daniela Lopes
Scarpa; Luiz Caldeira B. de T. Neto; Regina C. E. Gualtieri; Valéria M. M. Gimenez; Maria Saleti F. D.
Ferreira.
Regional 2: Diretora: Ana Clea M. Ayres (FFP/UERJ); Vice-diretor: Luis Fernando M. Dorvillé
(FFP/UERJ); Secretária: Maria Margarida Gomes (CAp/UFRJ); Tesoureira: Celina M. de S. Costa
(CAp/UFRJ); Conselho Deliberativo: Mariana Lima Vilela (FE/UFF); Marcus Soares (PROJETO
FUNDÃO BIOLOGIA/UFRJ); Maria Jaqueline Girão (FE/UFRJ); Maicon Azevedo.
Regional 3: Diretora: Adriana Mohr (UFSC); Vice-diretora: Maria Cristina M. Schlichting
(UNICENP); Secretária: Vivian Leyser da Rosa (UFSC); Tesoureira: Maria Cristina Panserade
Araújo (UNIJUÍ); Conselho Deliberativo: Suzani de Souza; Carlos Eduardo P. de Souza; Cristina
Gioppo; Nadir Castilho Delizoicov.
Regional 4: Diretora: Maria Inez Melo de Toledo; Vice-diretora: Rosy Mary dos Santos; Secretária:
Carmem Maria de Caro Martins; Tesoureira: Selma de Moura Braga; Conselho Deliberativo: Graça
Cicillini; Cristina Generosa; Jordelina L. Martins Wykrota.
Regional 5: Diretora: Elenita P. de Q. Silva (UEFS); Vice-diretor: Marco A L. Barzano; (UEFS);
Secretário: Edinaldo Medeiros (UESB); Tesoureiro: Francisco A. Setúval (UESB); Conselho
Deliberativo: Charbel Niño El-Hani (UFBA); Marsílvio G. Pereira (UFPB).
2
BALANÇO DA GESTÃO (2002/2004)
Finda mais uma gestão da Diretoria Executiva Nacional da SBEnBio: cabe-nos a tarefa de
realizar um balanço desta gestão. Se a gestão 2000-2002 foi marcada por uma atuação externa, ou
seja, a entidade buscou reconhecimento no cenário educacional nacional, a gestão 2002-2004
marcou-se por uma atuação voltada para o fortalecimento interno da entidade.
O fortalecimento interno da SBEnBio constituiu-se em torno de duas questões: a da
legalidade e a da legitimidade. Foi nessa gestão 2002-2004 que a Sociedade pôde organizar-se
administrativamente, registrando seu novo estatuto de modo a viabilizar a ampliação das filiações
junto às regionais e o repasse de verbas. Em suma, pode-se dizer que tanto a diretoria nacional
quanto as diretorias regionais da SBEnBio encontram-se hoje plenamente legalizadas.
Quanto à legitimidade da entidade, esta tem sido garantida e construída desde o seu início, a
despeito do fato de que o processo de legalização tenha sido mais demorado do que desejávamos.
Foi na perspectiva de construção da legitimidade que a gestão 2002-2004 buscou atuar, investindo
no fortalecimento dos vínculos internos por meio de uma maior integração entre as diretorias
nacional e as regionais. Tal integração permitiu iniciar uma gestão compartilhada, tanto no
aprofundamento das questões encaminhadas à entidade, como também, na tomada de decisões.
Muitas das temáticas importantes à nossa Sociedade puderam ser discutidas por meio da lista de
discussões (sempre, moderadas pela Lenise Garcia, da DER-4) e até mesmo questões as quais
exigiam posicionamento da entidade foram discutidas e decididas, utilizando os recursos do correio
eletrônico e em reuniões agendadas e que ocorreram nos vários encontros de nossa área ao longo do
período.
Além do esforço de fortalecimento interno da SBEnBio, esta também teve intensa atuação
externa ao longo do ano de 2003. A convite da SEMTEC/MEC e MCT, desde junho do ano passado a
DEN da SBEnBio passou a participar em Brasília das discussões em torno de uma política nacional
de educação científica e tecnológica para o Ensino Médio. Foram discutidos vários tópicos desta
política, dentre os quais: o currículo do Ensino Médio para as Ciências da Natureza, os programas de
formação continuada de professores de Biologia, Química e Física do Ensino Médio e o projeto de
democratização da ciência intitulado “A Ciência é de Todos - Idéias básicas para sua concepção”.
Em relação a este último projeto, a Sociedade elaborou um texto com uma análise crítica e com
propostas alternativas ao que foi apresentado pelo MEC/MCT. A construção coletiva deste texto
incorporou diferentes sugestões e opiniões dos seus associados, considerando a vasta produção e
experiência acumulada pela comunidade científica da área de ensino de Ciências/Biologia.
Atualmente, a perspectiva é de continuidade do diálogo entre nossa sociedade e o MEC/MCT,
buscando contribuir na discussão das políticas educacionais e de ciência e tecnologia promovidas
pelo Governo, sempre mantendo a nossa autonomia de pensamento e de ação para corroborar ou
para discutir políticas e ações governamentais.
Outra atividade, de grande abrangência e relevância, desenvolvida pela Sociedade, foi a
elaboração de um número especial sobre a SBEnBio, na Revista do Ensino Médio , esta última
publicada pela SEMTEC/MEC. Embora sua publicação ainda não tenha se efetuado, o processo de
produção da revista tem grande significado para todos nós, já que, mobilizou todas as regionais
para a seleção dos seus artigos. Tendo em vista que a elaboração desse número pretendeu dar início
a um processo regular de produção de uma revista da Sociedade e sabendo que as publicações dos
nossos encontros representam um rico material para consulta e pesquisa, uma vez que expressam
significativamente a produção nacional sobre o ensino de Biologia, os artigos desta revista foram
selecionados a partir desses trabalhos, já publicados em coletâneas dos EPEBs e em Anais dos
3
EREBIOs. Além dos artigos, foram realizadas entrevistas com três profissionais, professores e
pesquisadores atuantes na área de ensino de Biologia e que, sobretudo, têm expressão significativa
na construção desta área: a Profa.Dra. Myrian Krasilchik (da FEUSP), o Prof.Dr. Nelio Bizzo (da
FEUSP) e a Profa.Dra. Maria Lúcia Vasconcellos (da UFRJ). O principal objetivo desta revista é o de
ampliar a presença da entidade no cotidiano dos professores de Biologia do país, já que é uma
revista de grande penetração junto a esses professores (500.000 tiragens).
A SBEnBio realizou dois Encontros Regionais de Ensino de Biologia: o II EREBIO no Rio de
Janeiro e o I EREBIO na Bahia. A regional RJ/ES realizou o seu segundo Encontro Regional,
reunindo cerca de 800 participantes, professores – do ensino superior e da educação básica –, bem
como alunos de graduação em Ciências Biológicas. Seguindo a tradição de nossos encontros, sua
programação incluiu além da conferência e duas mesas redondas, oficinas e minicursos trazendo
uma significativa contribuição aos seus participantes. Deste encontro, resultou a publicação dos
Anais do II EREBIO, contendo os textos dos trabalhos apresentados.
A regional Nordeste realizou o seu primeiro Encontro Regional que aconteceu na
Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia. Estiveram presentes professores e alunos de
diversos estados do Nordeste e o encontro foi marcado pela excelência de sua programação
acadêmica e cultural. A iniciativa pioneira do I EREBIO Nordeste, bem como o caloroso acolhimento
a todos os participantes, refletiu-se na decisão tomada na plenária final de dar prosseguimento
regular ao encontro, realizando-o futuramente em outros estados.
É importante relatar, também, a experiência positiva que tivemos com as eleições das novas
Diretorias da SBEnBio, realizadas à distância e por meio do correio, em fevereiro de 2004. Em
virtude do adiamento do IX EPEB, para julho de 2004, que é o espaço tradicionalmente usado para
realizar essas eleições, buscou-se uma forma alternativa à eleição presencial e direta obtendo
resultados bastante satisfatórios.
Por fim, desejamos que as novas Diretorias, eleitas em fevereiro de 2002, possam dar
continuidade aos trabalhos já iniciados pela Sociedade e, sobretudo, ampliar sua atuação,
abrangência e representatividade, propondo novas ações e trazendo novos colegas para esta
entidade. Queremos ainda agradecer o apoio de nossos associados esperando contar sempre com a
participação de todos na construção de nossa SBEnBio.
Ribeirão Preto, 4 de junho de 2004.
Clarice Sumi Kawasaki – Presidente da SBEnBio (2002-2004)
SEÇÃO OPINIÃO
Movimento Criacionista:
Um risco à formação científica e cultural dos alunos da rede pública carioca
Claudia Sepulveda
A despeito do crescimento visível de comunidades evangélicas defensoras do criacionismo no
Brasil, e de seus consideráveis investimentos na manutenção de instituições de ensino e editoras de
livros didáticos, como a Sociedade Criacionista Brasileira e as diversas Faculdades Adventistas, o
criacionismo no Brasil parecia estar longe de se configurar num movimento político de grandes
proporções à semelhança do fenômeno norte-americano, e nossa sociedade, até então, não havia se
4
defrontado com uma polêmica entre criacionistas e evolucionistas que atingissem a esfera das
políticas públicas de educação.
No entanto, no início do mês de maio, fomos surpreendidos com fatos que revelam possíveis
mudanças neste cenário. A governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, declara ao Jornal O
Globo ser adepta ao criacionismo, não acreditando na evolução das espécies. Passadas duas
semanas, 31 professores de religião da região no Norte Fluminense, terra da governadora, decidem
incluir “a teoria criacionista” no currículo escolar. Eles fazem parte do grupo de 793 professores
concursados e pagos pelo governo do estado para ministrar aulas de religião confessional no Ensino
Fundamental das escolas da rede pública de ensino, em conformidade com a lei sancionada em 2002
pelo governo de Anthony Garotinho, que prevê a oferta de ensino religioso confessional nas escolas
públicas. Estas notícias provocaram reações da comunidade científica. O presidente da Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência, Ennio Candotti interpretou o fato como uma estratégia de
grupos políticos evangélicos para “marcar posição, criar polêmica, ganhar visibilidade e arrebanhar
apoio” e não “uma iniciativa sincera de discutir fé e ciência”, e considerou incorreta a comparação
do criacionismo à teoria da evolução, dado que “o evolucionismo tem um lastro de estudos e
comprovação”.1
Confesso que minha primeira reação diante dos referidos fatos foi de indignação, mas não só
pelas implicações que o ensino de criacionismo podem apresentar para a educação científica dos
alunos, preocupação também expressa pela SBPC, mas, principalmente, pelos significados cultural,
social e político que tais fatos podem representar. A questão que primeiro me veio à mente foi:
“Como o Brasil, uma nação reconhecida pela negociação dialógica entre as diferentes etnias que a
compõe e seus respectivos sistemas de conhecimento acerca do mundo pode estar na iminência de
viver um fenômeno, o movimento criacionista, antes considerado o resultado típico de uma reação
xenofóbica de uma nação predominantemente protestante à imigração de povos de diversas
formações religiosas? Será que, justamente no momento em que o mundo se sente ameaçado pelos
conflitos causados por divergências étnicas e religiosas, nós brasileiros estamos na iminência de
dar corpo a um movimento político que na sua origem esteve associado a uma postura
fundamentalista que integra a tradição da intolerância americana à alteridade, evidenciada na
guerra contra o Iraque?
Bem, como não tenho uma formação específica que possa me autorizar a enfrentar
profundamente estas perguntas, passarei a me deter no que minha breve experiência na pesquisa na
área de Ensino, Filosofia e História das Ciências me permite fazer: a análise dos argumentos
apresentados por aqueles que defendem e aqueles que condenam a inclusão do ensino de
criacionismo na educação pública, no que se refere aos pressupostos epistemológicos em que se
amparam, e implicações que sugerem para a formação dos educandos.
Primeiro passo: dissecar a ambigüidade do termo “criacionismo”
Para realizar esta análise é preciso, em primeiro lugar, compreendermos a diversidade de
noções e movimentos que o termo “criacionismo” pode designar, para então situarmos o movimento
criacionista que se inicia no Rio de Janeiro.
Os criacionistas representam um grupo de pessoas ligadas a diferentes religiões teístas,
como o Cristianismo, o Judaísmo, o Islamismo e o Hinduísmo, que consideram o evolucionismo uma
forte ameaça à fé num Deus criador e providencial. Os criacionistas cristãos reagiram de
diferentes formas a esta suposta ameaça. Muitos criaram versões pessoais da criação que integram
elementos do evolucionismo, buscando uma espécie de compatibilização, como a idéia de que Deus
age segundo as leis da evolução. Os cristãos liberais, religiosos e cientistas, adotaram a estratégia
de identificar como foco central dos textos bíblicos as questões existenciais da vida humana e as
1
Folha de São Paulo; Folha Ciência, 13/05/2004.
5
de conduta moral, reservando à ciência o magistério acerca da realidade física. Estes cristãos vêem
como fundamental a manutenção da noção de que há uma dependência do mundo natural e humano a
um Deus Criador, não interpretando a narrativa contida nos livros do Gênese de maneira literal e,
portanto não se opondo ao ensino do evolucionismo. Diametralmente oposta a esta reação,
encontra-se a postura de um grupo norte-americano de protestantes fundamentalistas, que a
partir de 1920 se lançam numa guerra contra o evolucionismo, dando origem a um movimento
político, designado pelo paleontólogo Stephen Jay Gould de criacionismo combativo.2
O referido movimento criacionista norte americano se inicia tendo como maior frente de
batalha a exclusão legal do ensino de evolução das escolas públicas dos Estados Unidos. Tendo sido
derrotados, em 1964, com a decisão da Suprema Corte de declarar inconstitucionais os estatutos
antievolucionistas em vigência nos estados do sul dos Estados Unidos, os protestantes
fundamentalistas mudaram de tática ao final da década de 1970, passando a defender a inclusão
legal do criacionismo no ensino público de Ciências. Os criacionistas buscaram fortalecer a
reivindicação de que ambos os modelos explicativos, criacionismo e evolucionismo fossem tratados
no ensino público de Ciências, com o argumento de que desta forma, seria dado a oportunidade às
crianças de julgarem as evidências a favor de cada uma dessas visões, para decidir, então, qual
delas consideram a mais correta. Esta foi a argumentação que levou em 1981 à criação de leis para
regulamentação do ensino do criacionismo e evolucionismo nos estados norte-americanos de
Arkansas e Louisiana, leis estas revogadas em 1982. Aliada a esta argumentação educacional, este
grupo de criacionistas se valeu também de argumentos epistemológicos, utilizando como principal
estratégia a desqualificação do evolucionismo como boa ciência, de um lado, e a elaboração de
argumentos a favor da cientificidade do criacionismo, de outro. Nasce assim o chamado
criacionismo científico, ou ciência da criação que busca refutar a cientificidade e veracidade de
teorias bem estabelecidas pela ciência, como a da evolução e do Big Bang, explorando pontos que
permanecem controversos para a comunidade científica, ao mesmo tempo em que buscam
“evidências científicas” para provar a “veracidade” de fatos bíblicos, como o dilúvio universal.
Na década de 1990, um novo movimento criacionista, intitulado „Criacionismo de Planejamento
Inteligente‟ (Intelligent Design Creationism), ou „Design Inteligente‟ (Intelligent Design)3 surgiu
nos Estados Unidos, o qual além de reforçar a linha de ataque do criacionismo científico, propõe
uma nova frente: acusar o evolucionismo de dogmatismo que, se apoiando na metafísica
materialista, retira Deus das explicações dos fenômenos naturais, desautorizando o criacionismo
como explicação alternativa.
Situando o movimento criacionista do Estado do RJ e identificando seus argumentos
Na verdade, não me encontro em condições de fazer afirmações conclusivas acerca de qual
tipo de criacionismo, dos que expus anteriormente, o movimento iniciado no estado do Rio
encontra-se filiado, uma vez que só disponho de algumas reportagens a respeito, não tendo
realizado nenhuma investigação empírica no que concerne a sua história ou do que vem sendo de
fato discutido nas salas de aula. Mas é possível fazer algumas inferências acerca de sua
aproximação com os movimentos norte-americanos.
Em termos legais, o que temos é a legalização do ensino confessional nas escolas públicas sob
o controle e manutenção do poder público, uma vez que os professores são concursados e pagos pelo
governo do estado.4 Através desta via, no entanto, o ensino do criacionismo está sendo sutilmente
GOULD, S.J. Pilares do Tempo. Ciência e religião na plenitude da vida. RJ: Rocco, 2002.185p.
2
Termo utilizado pelos defensores do movimento no Brasil, segundo PABLO NOGUEIRA. “A ciência
3
da Criação. Galileu, junho de 2003, 18-25.
4
Em relação a este aspecto é interessante destacar que embora a LDB prevê no artigo 33 o ensino
religioso em caráter confessional como disciplina nas escolas públicas, ela estabelece que este deve
6
introduzido nos currículos escolares. Dado que o currículo básico a ser considerado nas aulas de
religião das escolas públicas do Ensino Fundamental no Rio de Janeiro prevê “reflexões sobre a
criação de Deus como ato de amor” , alguns professores pretendem ensinar a “teoria criacionista”.
O termo teoria nos faz pensar que estamos diante de algo semelhante ao criacionismo científico.
Por outro lado, na fala de alguns professores entrevistados pelo O Globo 5 não detectamos a
sofisticação das argumentações deste movimento. O fato é que, ao que tudo indica, os criacionistas
mais ativos no Brasil estão filiados ao criacionismo científico. Há 30 anos a Sociedade Criacionista
Brasileira vem realizando conferências e eventos que divulgam a Ciência da Criação no país,
trazendo inclusive nomes como o bioquímico americano Duane Gish, um dos expoentes do
criacionismo científico. Segundo recente reportagem da Época 6 , há cinco anos, o Centro
Universitário Adventista de SP apresenta no seu currículo o curso chamado Ciências das Origens
em que teorias científicas são utilizadas para provar e fortalecer o criacionismo.
Recolhendo as declarações da governadora Rosinha, de alguns professores do norte
fluminense, de membros da equipe de educação religiosa da Secretária de Educação, do presidente
da Sociedade Criacionistas, listamos a seguintes argumentos apresentados por aqueles que
defendem o ensino de criacionismo nas escolas públicas do Rio:
- O evolucionismo é apenas uma teoria;
- O evolucionismo é imposto aos alunos, ao ser ensinado como uma teoria científica;
- Os alunos aprendem, ou desaprendem, que a evolução das espécies é cientificamente
comprovada. Isso é ensinado como verdade absoluta;
- O evolucionismo é tão questionado quanto o criacionismo;
Analisando os argumentos em defesa do criacionismo nas aulas de religião da rede pública do
Estado do RJ
A primeira questão que nos salta aos olhos, ao analisarmos tais argumentos, é a de que, em
lugar de tentar argumentar a respeito da pertinência e legitimidade de ensinar-se a “teoria
criacionista”, os seus defensores se concentram em atacar o evolucionismo e seu ensino. Essa é uma
característica típica do criacionismo científico, o de ser uma doutrina negativa, ou seja, desprovida
de um conteúdo próprio. Tendo como maior motivação o combate do evolucionismo e não
propriamente a defesa do criacionismo, acabam utilizando, de maneira deturpada, os próprios
critérios do conhecimento científico para buscar desqualificar a teoria da evolução. O terceiro
argumento, por exemplo, integra uma das principais frentes da Ciência da Criação: acusar a teoria
da evolução de não apresentar base empírica suficiente para ser comprovado. O problema é que na
maioria das vezes esta argumentação encontra-se apoiada numa concepção de base empírica
equivocada, a de que ciência é construída apenas com base em observações diretas, enquanto boa
parte do conhecimento científico é obtida por inferência de evidências indiretas. O raciocínio
científico tipicamente se vale de evidências indutivas para dar suporte a proposições hipotéticas
que tentam dar conta de uma coleção particular de dados. Estas evidências são consideradas
suficientes para tornar uma afirmação factual um fato não controverso para ciência, à medida que
as implicações e predições derivadas desta hipótese se confirmam, sem que tenham que atingir a
certeza de uma prova dedutiva no sentido matemático. 7 Desta forma, alguns fatos científicos são
ser de acordo com as preferências manifestadas pelos alunos, de matrícula facultativa, e sem ônus
para os cofres públicos.
5
O Globo, Primeiro Caderno, 09/05/2004.
6
MARTINS, E. & FRANÇA, V. Rosinha contra Darwin. Época, 24 de maio de2004. P. 44 – 47.
HOFMAN, J. R. & WEBER, B. H. The fact of evolution: implications for Science Education.
7
Science & Education, (no prelo).
7
resultantes de observações diretas, mas outros são inferidos de dados observacionais, este é o
caso da evolução.
Neste ponto, chegamos a um outro equívoco epistemológico geralmente presente no escopo
do ataque criacionista à evolução, representado no primeiro, segundo e último argumento listados
acima: a falta de clareza do que vem a ser um fato e uma teoria para ciência e, consequentemente,
a falta de distinção entre a noção de descendência comum e a seleção natural, como fato e teoria
respectivamente, e entre Darwinismo e Evolução.
Um fato para a ciência é uma asserção sustentada suficientemente em evidências indutivas
de modo que a comunidade científica não mais apresente razões para questioná-la. As teorias
científicas se constituem em explicações para a razão dos fatos empíricos serem como se
apresentam, buscam fornecer o por que dos fenômenos. A ocorrência da evolução das espécies é um
fato para a Biologia, assim como o fenômeno da descendência comum, fatos confirmados por dados
empíricos derivados de centenas de anos de observações sobre o registro fóssil, a distribuição
geográfica a anatomia comparada dos seres vivos, além dos mais recentes dados bioquímicos. A
seleção natural consiste numa teoria darwinista que procura explicar o mecanismo evolutivo, ou
seja, como a evolução das espécies, um fato, se dá. A noção de que a evolução não tem sido fonte de
controvérsias, o que vem sendo debatido pela comunidade científica diz respeito ao mecanismo
evolutivo, a o que exatamente é responsável pela transformação das espécies. Tem sido
questionado, por exemplo, se a seleção natural seria o único fator a ser considerado quando
estudamos este processo. A visão estruturalista de Goodwin, por exemplo, alerta para a
importância de reconhecermos às restrições que os processos de desenvolvimento e a natureza das
interações físicas que ocorrem entre as células impõem à seleção natural. 8 Tais debates têm sido
equivocadamente, ou ardilosamente, utilizados pelos criacionistas para alardear que o Darwinismo
estaria entrando em crise e que a evolução é uma questão controversa na ciência.
Ademais, a teoria da evolução apresenta um enorme poder explicativo, ela consegue explicar
um grande numero de dados observacionais derivados de diversos disciplinas como a biogeografia,
paleontologia, anatomia comparada, reunindo-as sobre o mesmo “guarda-chuva conceitual”,
fornecendo assim uma visão integrada do mundo vivo, o mesmo não ocorrendo com a teoria da
criação. Este fato, por si só, já justifica a cientificidade do evolucionismo em detrimento do
criacionismo.9
Feita esta análise é possível compreendermos o que Candotti queria dizer com a declaração
inflamada de que o ensino de criacionismo “é propaganda enganosa. É um caso que deveria ser visto
como de defesa do consumidor. Os alunos deveriam procurar o Procon”. 10
Implicações para a educação científica e formação cultural dos alunos
Meu empreendimento em esclarecer a natureza do movimento criacionista que parece tomar
corpo no Rio e analisar seus argumentos, teve como finalidade deixar claro que não vejo problemas
em que o modelo explicativo oferecido pelas religiões teístas para origem da diversidade da vida
seja tratado nas aulas de religião como uma dentre as diversas perspectivas que nos são
apresentadas para entendermos este fenômeno. Mas não parece ser este o enfoque da proposta
MEYER, D. & EL-HANI, C.N. Evolução. In: EL-Hani, C.N. & Videira, A. A. P. O que é vida afinal?
8
Para entender a Biologia do Século XXI. Rio de Janeiro: Relume Dumará. 2000. pp 153-185.
MEYER, D. & EL-HANI, C. N. (2000).
9
SEPULVEDA, C. A Relação Religião e Ciência na Trajetória Profissional de Alunos Protestantes da
Licenciatura em Ciências Biológicas. Salvador: Mestrado em Ensino, Filosofia e História das
Ciências (UFBA/UEFS). Dissertação de Mestrado. 2003.
10
Folha de São Paulo; Folha Ciência, 13/05/2004.
8
que vem se delineando, sendo perceptível na argumentação daqueles a que defendem o discurso do
criacionismo científico.
Como vimos, o criacionismo científico apresenta a idéia de criação divina, atribuindo a mesma
o status de uma teoria científica, ao mesmo tempo em que desqualifica o evolucionismo e questiona
sua cientificidade. Para tanto, se utiliza de uma argumentação, pode-se dizer, falaciosa, que traz
no seu bojo uma série de equívocos em relação a importantes conceitos epistemológicos necessários
a compreensão do processo de produção do conhecimento científico e que deveriam estar na base
da formação científica dos alunos.
Portanto, o ensino de criacionismo nesta abordagem, ainda que restrito a aula de religião,
estará prejudicando a alfabetização científica dos alunos, hoje considerada, inclusive nos
documentos das políticas públicas de educação, essencial para a inclusão social destes indivíduos,
dada a participação da ciência e da tecnologia na construção de nossa sociedade. As conseqüências
podem ser ainda maiores se pensarmos o risco que uma educação religiosa que impõe um modelo
explicativo como sendo o único válido, sem reconhecer as outras formas de conhecimento, pode
constituir para o empobrecimento da visão de mundo destes alunos, e mais grave ainda, para o
desenvolvimento da intolerância religiosa e étnica. Não podemos esquecer que estamos falando da
educação básica pública, a qual segundo a LDB 9.324/96, deve desenvolver-se seguindo, dentre
outros, os princípios de: (1) “aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte
e o saber”, (2) pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, o respeito à liberdade e apreço à
tolerância (Artigo 3).
Penso que estaríamos, sim, contribuindo para a formação dos alunos, envolvendo-os no debate
cultural acerca da relação entre religião e ciência, debate do qual não podemos nos esquivar. Mas
concordamos com Candotti, quando coloca que a proposta dos criacionistas não se constitui em uma
“iniciativa sincera de discutir fé e religião”. Uma forma honesta e produtiva para enfrentarmos
este debate na sala de aula seria trazer para os estudantes o criacionismo científico, o Design
Inteligente, as diversas abordagens teológicas da evolução, e a teoria da evolução, darwinista e
neodarwinista, com o devido tratamento epistemológico que esta variedade de perspectivas
demandam. É preciso situá-las cultural e intelectualmente, identificando seus pressupostos
epistemológicos e ontológicos, os argumentos que cada uma delas apresenta em defesa aos seus
críticos, sua filiação aos diferentes sistemas de conhecimento e às diferentes tradições
científicas e religiosas. Desta forma, estaríamos verdadeiramente contribuindo para o
enriquecimento da visão de mundo de nossos alunos, ao introduzi-los nas diferentes formas de
conhecimento que a humanidade tem desenvolvido para dar sentido ao mundo.
AUTORA: Claudia Sepulveda é bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo
(USP) e mestre em Ensino, Filosofia e História das Ciências pelo Programa Interdisciplinar sobre
Ciência e Educação (UFBA/UEFS). Professora Auxiliar do Departamento de Educação da
Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), e membro do Grupo de Pesquisa em História,
Filosofia e Ensino de Ciências Biológicas, Instituto de Biologia, Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Homepage: www.gphfecb.ufba.br. E-mail:causepulveda@ig.com.br
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SEÇÃO DIVULGAÇÃO
1. IX Encontro Perspectivas do Ensino de Biologia (IX EPEB) – Faculdade de Educação da USP,
São Paulo – 20 a 23 de julho de 2004. Informações: www.sbenbio.org.br/epeb.
2. BioEd: 13 a 18 de setembro de 2004 no Rio de Janeiro (www.iubs.org).
3. XII Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino (XII ENDIPE), Curitiba, de 29 de
agosto a 01 de setembro de 2004 (www.endipe.org.br).
4. 56ª Reunião Anual da SBPC, 18 a 23 de julho de 2004 em Cuiabá (www.sbpcnet.org.br).
5. 1º Jornada Internacional de Enseñanza de la Biología, Buenos Aires, de 07 a 09 de outubro de
2004 (VIJornadasADBiA@unsam.edu.ar) e (www.adbia.com.ar).
6. II Encuentro Iberoamericano sobre Investigación Básica en Educación em Ciencias – Organiza:
Programa Internacional de Doctorado en Enseñanza de las Ciencias, Universidad de Burgos,
España y Revista Investigações em Ensino de Ciências, UFRGS, Porto Alegre, Brasil Data: 21 a
24 de setembro de 2004. Local: Universidad de Burgos, España.
7. XXV Journées Internationales sur la Comunication, l'Éducation et la Culture Scientifiques et
Industrielles, em Chamonix, França, de 30 de novembro a 04 de dezembro de 2004.
(daniel.raichvarg@u-bourgogne.fr).
8. Fifth Conference of European Researchers in Didaktik of Biology – ERIDOB 2004, Patras,
Grécia, 23 a 27 de setembro de 2004. (eridob@ecedu.upatras.gr).
9. II Seminário de Educação: Memória (s), História (s) e Educação: Fios e Desafios na Formação
de Professores, de 04 a 05 de agosto de 2004 na Faculdade de Formação de Professores da
UERJ, São Gonçalo, RJ. Maiores informações: Departamento de Educação, Tel: (21)
2604-3232; 2604-3340; 2605-7412-Ramal 224 E mails: deduffp@uerj.br aos cuidados do II
Seminário de Educação.
10. IV Seminário Nacional de Pesquisa: Universidade Pública: Conhecimento e Projeto de País,
Faculdade de Educação da UFF, Niterói, RJ de 04 a 07 de outubro de 2004. Informações:
www.uff.br/edu/pos ou pelo e-mail: poseduc@vm.uff.br.
SEÇÃO AVISOS
Para obter informações sobre a Sociedade Brasileira de Ensino de Biologia, acessar a página
www.sbenbio.org.br. Para contactar a Diretoria Executiva Nacional, enviar mensagem eletrônica
para secretaria.sbenbio@predialnet.com.br.
Participe da lista de discussões da SBEnBio. É só acessar a página www.sbenbio.org.br e inserir o
seu endereço eletrônico.
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CONVOCAÇÕES DA SBEnBio
CONVOCAÇÃO PARA REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO NACIONAL DA SBEnBio
A Presidente da Diretoria Executiva Nacional da Sociedade Brasileira de Ensino de Biologia, no uso
de suas atribuições e de acordo com o Estatuto, convoca o Conselho Deliberativo Nacional da
Sociedade para se reunir, ordinariamente, no dia 21 de julho de 2004, às 13h na Sala de Reuniões
da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, São Paulo, tendo como ítens de pauta:
1. Apreciação do Relatório de Prestação de Contas e de Atividades da Gestão do DEN – biênio
2002/2004;
2. Discussão sobre possíveis alterações no estatuto da SBEnBio;
3. Atualização da lista de associados;
4. Alternativas à forma de pagamento das anuidades;
5. Conteúdo da página da SBEnBio na web.
6. Eventos da SBEnBio Regionais e Nacional.
São Paulo, 15 de junho de 2004.
Martha Marandino
Presidente da DEN da Sociedade Brasileira de Biologia
CONVOCAÇÃO PARA ASSEMBLÉIA NACIONAL DA
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENSINO DE BIOLOGIA
A Presidente da Diretoria Executiva Nacional da Sociedade Brasileira de Ensino de Biologia, no uso
de suas atribuições e de acordo com o Estatuto, convoca seus associados à Assembléia Nacional da
SBEnBio a realizar-se no Auditório da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, na
cidade de São Paulo, às 18h do dia 22 de julho de 2004, para apreciar e discutir os seguintes pontos
de pauta:
1. Aprovação do Relatório de Prestação de Contas e de demais atividades da gestão da DEN – biênio
2002/2004.
São Paulo, 15 de junho de 2004
Martha Marandino
Presidente da DEN da Sociedade Brasileira de Biologia
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