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CICERO

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11/24/2011
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CÍCERO: ESTOICISMO

ROMANO E LEI NATURAL

BITTAR, Eduardo C.B. ALMEIDA,

Guilherme Assis de Curso de filosofia

do Direito. São Paulo, Atlas, 2001

6.1 Pensamento ciceroniano

 Marcus Túllius Cícero, como estóico afirma

que a natureza humana só se pode

realizar uma vez observada as regras do

cosmo e a ordem divina das coisas. 132

 “… o que é moral não pode estar

vinculado a nenhum outro atrelamento

senão à própria realização moral.”

Independência regularidade e

dever

 “A ética estóica caminha no sentido de postular

a independência do homem com relação a tudo

o que o cerca e seu atrelamento com causas e

regularidades universais. A preocupação com o

conceito de dever (kathékon) irrompe com uma

série de conseqüências histórico-filosóficas que

haviam de marcar nuanças anteriores

inexistentes. Razão, dever, felicidade, sabedoria

e autonomia, relacionam-se com proximidade

inusitada dentro da tradição romana…” 133

6.2 Ética estóica

 A ética estóica é uma ética da ataraxia. O homo

ethicus do estoico é o que respeita o universo e

suas leis cósmicas e se respeita. (…) é capaz de

alcançar a ataraxia, o estado de harmonia

corporal, moral e espiritual, por saber distinguir o

bem do mal. Este homem não se abala

excessivamente nem pelo que é bom nem pelo

que é mau,…

 Significa, então, descoberta de sua interioridade,

posse de um estado imperturbável diante das

ocorrências externas. 134

Ação, felicidade e dever

 Na ética estóica convivem conhecimentos lógicos

e físicos, não é a contemplação a finalidade

da conduta humana, mas sim a ação, pois é

nesta que reside a capacidade de conferir

felicidade ao homem. É por meio da ação que

surgem as oportunidades de ser ou não ser; é

na ação que reside o ideal de vida estóico.

 A ética estóica (…) determina o cumprimento

de mandamentos éticos pelo simples dever.

(…) A ética deve ser cumprida porque se trata

de mandamentos certos e incontornáveis da

ação. 135

A honra e as leis naturais em

oposição ao interesse

 “Se o que nos leva a ser honrados não é a

própria honradez, mas sim a utilidade e o

interesse, então não somos bons, somos

espertos” 135

 “Mas, o maior absurdo é supor-se justas todas

as instituições e leis dos povos.” 136

 “Essa obediência aos mandamentos éticos se

deve ao fato de tais mandamentos decorrerem

de leis naturais. (…) É da phýsis que emanam

as normas do agir.” 136

A felicidade, a harmonia e a

sabedoria

 Elas residem num estado de alma em que o

homem se torna capaz de ser indiferente às

mudanças que estão a sua volta, a um só

tempo: a) por reconhecer a fugacidade de todas

as coisas, por ser temente a Deus; b) por

confiar na justiça que decorre de seus atos; c)

por estar certo de que age de acordo com sua

lógica; d) por conhecer de um conhecimento

certo as coisas pela causa física e) por respeitar

a natureza e os preceitos dela decorrentes; f)

por viver conforme o que é capaz de produzir

um benefício para a comunidade. 137

6.3 Ética ciceroniana e justiça

 Duas contribuições são importantes, a

formação da ética a partir da intuição natural

e a afirmação da ação.

 “No cosmos é que Cícero encontra a reta razão

(…) que a tudo ordena, e de acordo com a qual

se devem pautar todas as condutas humanas. A

ética ciceroniana movimenta-se a partir de uma

lei absoluta preexistente, imutável, intocável,

soberana e perfeita que tudo governa:” 138

Lei natural, bem e razão

 “O parâmetro da conduta humana deverá ser a

observância da lei natural, e isso porque nela

se encontra a noção de bem que deve ser

seguida.” 138

 “Se o bem é louvável é porque encerra em si

mesmo algo que nos obriga a louvá-lo; pois o

bem não depende das convenções e sim da

natureza.”

 “Se a razão é o distintivo humano, a virtude

de acordo com a reta razão será o distintivo do

ser humano justo:”

Natureza do Direito e natureza do

homem

 “Para que se possa iniciar um estudo acerca

das leis, ter-se-á, então, que iniciar um estudo

sobre a natureza e as leis naturais,…”

 “Temos de explicar a natureza do Direito e

buscaremos a explicação no estudo da natureza

do homem.”

 (…) a lei é a razão suprema da natureza,

que ordena o que se deve fazer e proíbe o

contrário.

Lei, natureza e razão

 “… para falar de Direito devemos começar pela

lei; e a lei é a força da Natureza, é o espírito

e a razão do homem dotado de sabedoria

prática, é o critério do justo e do injusto.” 140

 “A razão é o que há de ligação, (…), entre os

homens e os deuses.” 140

 A razão justa é a lei, outro vínculo entre os

homens e os deuses. Logo, devemos considerar

que o nosso universo é uma só comunidade,

constituída pelos deuses e pelos homens.

Felicidade constituição e República

 “Em suma, não há felicidade sem uma boa

constituição política; não há paz, não há

felicidade possível, sem uma sábia e bem

organizada República”. 141

 “…a natureza nos criou para que

participássemos todos do Direito e o

possuíssemos em comum.”

 A lei natural e eterna é a fonte do Direito.

141

O Bem e a razão divina

 “… a noção intuitiva de bem, de acordo com a

razão eterna e divina, precede a qualquer

convenção humana e a qualquer ato

legislador.”

 “Por isso a lei verdadeira e essencial, a que

manda e proíbe legitimamente, é a razão do

grande Júpiter.”

 “Assim como a mente divina é a lei suprema, do

mesmo modo a razão é a lei quando atinge no

homem seu mais completo desenvolvimento;

mas este desenvolvimento só se encontra na

mente do sábio.” 142

República, Direito, leis naturais e

Deus

 “A república pressupõe Direito, e o

Direito pressupõe leis, e as leis

pressupõem leis naturais, e as leis

naturais pressupõem Deus. Assim, a

investigação ciceroniana em torno do

problema da justiça, da virtude e do

Direito se entrelaça com razões cósmicas,

com razões naturais…” 145-146

Obrigações da justiça

 “A primeira obrigação da justiça é não fazer

mal a ninguém, sem que se seja provocado por

qualquer injúria; e a segunda, usar dos bens

comuns como comuns, e como próprios dos

nossos em particular.” 146

 Numa profunda ordenação cósmico-natural

se pode encontrar o fundamento de toda

ética e de todo conceito de justiça na teoria

ciceroniana.

Virtudes, sociabilidade e realização

humana

 “As virtudes são estimuladas pela lei natural, e

os vícios são repreendidos por ela. ”

 “É a sociabilidade condição natural

humana, de modo que a organização do

Estado, das leis, da justiça são condições

para a realização da própria natureza

humana.”

 Tem-se uma ética do dever, na base da lei

natural, cuja finalidade é governar o todo. “É

com a república que surge a felicidade humana.”

147



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