ANTIBIOTICOTERAPIA
EM OBSTETRÍCIA
ITU
EGB ↓
VAGINOSE BACTERIANA
DOENÇA PERIODONTAL
Professora Melania Amorim
IMIP – UFCG – IPESQ – ISEA
melamorim@uol.com.br
CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS NA GRAVIDEZ (FDA)
A ) ESTUDOS CONTROLADOS MOSTRAM AUSÊNCIA DE RISCO
Estudos bem controlados em gestantes não demonstram riscos
fetais no primeiro trimestre e não há evidência de riscos em
outros trimestres.
Ex: vitaminas (doses habituais)
B) NENHUMA EVIDÊNCIA DE RISCOS EM HUMANOS
Estudos em animais mostraram risco, mas não foram
confirmados em humanos
Não estão disponíveis estudos em humanos, mas estudos em
animais não demonstraram riscos
Ex.: antibióticos betalactâmicos, prednisona, anti-histamínicos
CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS NA GRAVIDEZ (FDA)
C) RISCO NÃO PODE SER EXCLUÍDO
Estudos em animais mostram risco (efeito teratogênico ou
embriotóxico), mas não existem estudos controlados em
humanos
Não existem estudos controlados em animais e humanos
Só devem ser administradas se os possíveis benefícios
justificam os riscos POTENCIAIS
Ex.: fluoroquinolonas, fluconazol, furosemida
CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS NA GRAVIDEZ (FDA)
D) EVIDÊNCIA POSITIVA DE RISCO
Dados de investigação ou depois da liberação no mercado
evidenciam riscos fetais. Efeitos teratogênicos em humanos já
foram demonstrados.
No entanto, os benefícios em potencial podem superar os
riscos (risco de morte ou doença grave), se drogas mais
seguras são ineficazes ou não existem.
Não usar se existem outras opções terapêuticas ou se os
benefícios não justificam os riscos
Ex.: drogas antiepilépticas, metotrexato, vinblastina, diazepam,
tetraciclina
CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS NA GRAVIDEZ (FDA)
X) CONTRA-INDICADOS NA GRAVIDEZ
Dados de investigação ou depois da liberação no mercado
evidenciam riscos fetais importantes. Efeitos teratogênicos em
humanos já foram demonstrados. O risco é claramente maior
que os potenciais benefícios. Drogas contra-indicadas em
gestantes ou mulheres que venham a engravidar.
Ex.: isotretinoína
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
CONCEITOS BÁSICOS
Achado frequente em gestantes (peculiaridades
anatômicas e funcionais)
Bacteriúria assintomática
Cistite
Pielonefrite
INCIDÊNCIA: 2-10% das gestações
IMPORTÂNCIA: resultados perinatais adversos
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
DESFECHOS ADVERSOS
Parto prematuro
RUPREMA
Baixo peso ao nascer
Sepse neonatal
Corioamnionite
Sepse materna
Choque séptico
O TRATAMENTO ADEQUADO E OPORTUNO PREVINE ESSES DESFECHOS!
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
BACTERIÚRIA ASSINTOMÁTICA
> 100.000 UFC/ml
Acomete até 10% das gestantes
Relaxamento do m.liso, estase
urinária, dilatação ureteral
Risco de progressão para
Pielonefrite: até 40%
DEVE SER SISTEMATICAMENTE
RASTREADA NA GRAVIDEZ
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
RASTREAMENTO
Deve ser feito em todas as gestações
Urocultura entre 12 – 16 semanas (repetir nas
gestantes de alto risco)
Rastreamento e tratamento adequado da BA:
↓Pielonefrite
↓ TPP
↓ RUPREMA
↓ Corioamnionite
↓ Infecção Neonatal
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
WHO Trial, 2009
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
REVISÃO SISTEMÁTICA COCHRANE
Smaill FM, Vazquez JC. Antibiotics for
asymptomatic bacteriuria in pregnancy.
Cochrane Database of Systematic Reviews. In:
The Cochrane Library, Issue 5, 2011
14 ECR – 1923 mulheres
Redução significativa de bacteriúria e
pielonefrite após tratamento
Redução significativa de parto pré-termo e RN
de baixo peso
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
Smaill Fiona M, Vazquez Juan C. Antibiotics for asymptomatic bacteriuria in pregnancy.
Cochrane Database of Systematic Reviews. In: The Cochrane Library, Issue 5, 2011
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
Smaill Fiona M, Vazquez Juan C. Antibiotics for asymptomatic bacteriuria in pregnancy.
Cochrane Database of Systematic Reviews. In: The Cochrane Library, Issue 5, 2011
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
ANTIBIÓTICOS PARA ITU NA GRAVIDEZ
BETALACTÂMICOS (penicilinas,
cefalosporinas): classe B (evitar ceftriaxona a
termo pelo risco de kernicterus): considerar
antibiograma para verificar resistência.
FOSFOMICINA (B): segura na gravidez
NITROFURANTOÍNA (B): evitar próximo ao
termo (anemia hemolítica na mãe e no
concepto com deficiência de G-6PD)
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
ANTIBIÓTICOS PARA ITU NA GRAVIDEZ
SULFONAMIDAS (B): evitar próximo ao termo
(risco de icterícia). Elevado risco de
resistência microbiana.
TRIMETOPRIM (C): evitar no 1o.trimestre
(antagonista do ácido fólico). A combinação
com sulfa tem risco de resistência microbiana.
FLUOROQUINOLONAS (C) e TETRACICLINA
(D) são contraindicadas na gravidez
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
ESQUEMAS ANTIBIÓTICOS
Nitrofurantoína – 100mg VO VO 12/12h 5-7 dias
Amoxacilina – 500mg VO 12/12h 3-7 dias
Amoxacilina-clavulanato – 500mg VO 12/12h 3-7 dias
Cefalexina – 500mg VO 12/12h 3-7 dias
Fosfomicina – 3g VO dose única
Nitrofurantoína e fosfomicina ativas contra ESBL
Esquemas curtos (3 dias) são efetivos para erradicar bacteriúria
assintomática na gravidez e minimizam a exposição fetal
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
REVISÃO SISTEMÁTICA DA COCHRANE
Villar J, Widmer M, Lydon-Rochelle M,
Gülmezoglu AM, Roganti A. Duration of treatment for
asymptomatic bacteriuria during pregnancy. In: The
Cochrane Library, Issue 5, 2011.
10 ECR = 568 mulheres
Não houve diferença na taxa de cura, recorrência,
parto prematuro e pielonefrite (ECR de tamanho
insuficiente).
Houve redução dos EC (N, V, D)
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
REVISÃO SISTEMÁTICA DA COCHRANE
Não há evidência suficiente para avaliar se dose
única ou doses de longa duração são equivalentes
para tratar bacteriúria assintomática em gestantes.
Como o tratamento dose única tem menor custo e
melhor aderência, esta comparação deve ser
explorada em ECR de tamanho adequado.
A incorporação do ECR da OMS a esta RS pode
modificar essas conclusões.
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
778 mulheres
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
CONTROLE
Repetir Urocultura com 7 dias e a seguir
mensalmente
Retratar considerando o antibiograma nas
recidências e recorrências
Terapia supressora (Nitrofurantoína) – 50-
100mg/dia em pacientes que persistem com
bacteriúria depois de 2 ou mais tratamentos
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
CISTITE
Infecção sintomática que pode ocorrer isolada
em ou em associação com Pielonefrite.
Acomete 1 a 2% das mulheres
Geralmente considerada infecção complicada
Diagnóstico: > 10.000 UFC/ml na presença de
sintomas
Tratamento segue as mesmas diretrizes da BA
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
CISTITE
Infecção sintomática que pode ocorrer isolada
em ou em associação com Pielonefrite.
Acomete 1 a 2% das mulheres
Geralmente considerada infecção complicada
Diagnóstico: > 10.000 UFC/ml na presença de
sintomas
Tratamento segue as mesmas diretrizes da BA
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
INFECÇÃO RECORRENTE
Tratamento de supressão: nitrofurantoína (50-100mg
dia) ou cefalexina (250mg – 500mg) pós-coital ou ao
deitar (até o termo).
Cranberry – recente RS Cochrane (JEPSON &
CRAIG, 2011) sugere efeitos benéficos para
prevenção de recorrência. O uso do suco por longos
períodos pode não ser aceitável por muitas
mulheres (dropouts). A dose e o método ideal de
administração (suco, tabletes ou cápsulas) ainda
não estão claros. Futuros ECR são necessários.
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
REVISÃO SISTEMÁTICA DA COCHRANE
Vazquez JC, Abalos E. Treatments for symptomatic
urinary tract infections during pregnancy. Cochrane
Database of Systematic Reviews. In: The Cochrane
Library, Issue 5, 2011.
10 ECR = 1125 mulheres
Na maioria dos estudos não houve diferença na
taxa de cura, infecção recorrente, pielonefrite,
parto prematuro, admissão em UTI neonatal,
necessidade de mudar o esquema antibiótico e
incidência de febre prolongada.
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
REVISÃO SISTEMÁTICA DA COCHRANE
Antibióticos são efetivos para a cura de ITU na
gravidez mas há dados insuficientes para
recomendar qualquer droga específica para o
tratamento de ITU sintomática na gravidez.
Todos os antibióticos utilizados foram muito
efetivos para ↓ desfechos desfavoráveis.
Complicações foram raras. ECR pequenos.
ECR posteriores necessários para avaliar os mais
promissores antibióticos em termos de classe,
época de início, dose, aceitabiliddade, desfechos
maternos, neonatais e custos.
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
PIELONEFRITE
Dor em flancos
Náusea/vômitos
Febre (>38o.C)
Sensibilidade do ângulo costovertebral
Associação ou não com achados de cistite
Incidência: 14 por 1.000 partos
Microbiologia: E. coli (70%), Klebsiella, Proteus e
gram+ (EGB)
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
PIELONEFRITE
Complicações
Anemia (23%)
Bacteremia (17%)
Insuficiência respiratória (7%)
Disfunçáo renal – IRA (2%)
Sepse – Choqe séptico – SDRA (20%)
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
PIELONEFRITE
Tratamento
HOSPITALIZAÇÃO E HIDRATAÇÃO
Parenteral: CEFAZOLINA IV ou CEFTRIAXONA IV
ou IM (preferida por alguns autores)
AMINOGLICOSIDIOS (C ou D): risco de
ototoxicidade com uso prolongado – deve ser
evitado.
ESBL – CARBAPENENS
EGB – PENICILINA CRISTALINA
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
PIELONEFRITE
Tratamento
Depois de 48h afebril iniciar AB ORAL e
manter por 10-14 dias
Sem melhora em 48 horas: estudos de imagem
(USG de vias urinárias) e repetir urocultura
(afastar cálculos e d. preexistentes)
Considerar terapia de supressão
(nitrofurantoína ou cefalexina)
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
Em resumo:
ITU deve ser rastreada na gravidez com urocultura
no início do 2o. trimestre.
O tratamento da BA previne parto prematuro,
pielonefrite e outros desfechos desfavoráveis.
São opções terapêuticas as penicilinas,
cefalosporinas, nitrofurantoína e fosfomicina.
O tratamento da cistite é semelhante ao da BA.
Pielonefrite requer hospitalização e
antibioticoterapia intravenosa. Alguns autores
preferem cefalosporina de 3a. geração.
ESTREPTOCOCO DO GRUPO B (EGB)
CONCEITOS BÁSICOS
Diplococo gram +
Anaeróbio facultativo
Ocorre naturalmente no TGI e
TGU de gestantes
(colonização)
Colonização: transitória,
crônica ou intermitente
Incidência: 10-40% gestantes
ESTREPTOCOCO DO GRUPO B (EGB)
IMPORTÂNCIA
Pode promover infecção neonatal PRECOCE
(transmissão perinatal) ou TARDIA
Principal causa de sepse neonatal
Principal causa de morte neonatal por infecção
Principal causa de meningite neonatal
Associação com prematuridade
Elevada morbimortalidade
ESTREPTOCOCO DO GRUPO B (EGB)
COMPLICAÇÕES NEONATAIS
Pneumonia – Sepse – Meningite
ESTREPTOCOCO DO GRUPO B (EGB)
SEPSE NEONATAL
INCIDÊNCIA
Termo 0.5-1.5 casos por 1000
2001-2500g 3.2-4.8 casos por 1000
1501-2000g 6.7-11 casos por 1000
1001-1500g 1.7-18.8 casos por 1000
POR EGB
NEONATAL 18 horas
História de RN anterior afetado por EGB
Bacteriúria por EGB durante a gravidez
Febre materna intraparto (> 38ºC)
Permitem classificar como de risco 25-30% das gestantes
ESTREPTOCOCO DO GRUPO B (EGB)
RASTREAMENTO PRÉ-NATAL
Urocultura
Realizar de rotina no 2o. trimestre
Bacteriúria por EGB:
Tratamento (antibiograma)
Realizar urocultura de controle
Profilaxia intraparto indicada
ESTREPTOCOCO DO GRUPO B (EGB)
RASTREAMENTO PRÉ-NATAL
Cultura vaginal e anorretal
Rastreamento universal (exceto pacientes
com ITU por EGB e RN anterior afetado)
Entre 35-37 semanas
Cultura positiva para EGB = COLONIZAÇÃO
Tratamento antibiótico NÃO é necessário
Indicação de profilaxia intraparto
ALGORITMO PARA RASTREAMENTO UNIVERSAL DE EGB (CDC, 2010)
Fatores de risco:
Sim Penicilina Cristalina
RN anterior afetado por EGB
Intraparto
Bacteriúria por EGB na gestação atual
Parto prematuro sem pesquisa EGB
Não EGB
positivo Penicilina Cristalina
Swab retal e vaginal para EGB Intraparto
35 – 37 semanas
Não realizado ou desconhecido
EGB Fatores de risco: Penicilina Cristalina
negativo Febre materna intraparto Intraparto
Bolsa rota > 18 horas
Não
Nenhuma profilaxia necessária
INDICAÇÕES PARA ANTIBIOTICOPROFILAXIA INTRAPARTO COM BASE NOS
RESULTADOS DA CULTURA VAGINAL E RETAL 35-37 SEMANAS (CDC, 2010)
Cultura vaginal e retal com 35-37 semanas
UNIVERSAL (exceto se urocultura + para EGB)
Profilaxia intraparto não indicada
Indicações de profilaxia intraparto
Gestação anterior com cultura
RN anterior com EGB
positiva para EGB sem RN
Bacteriúria por EGB na gestação afetado (exceto na presença de
atual indicação atual)
Cultura positiva na gestação atual Bacteriúria por EGB em gestação
(exceto se cesárea eletiva com pregressa (exceto na presença de
bolsa íntegra) indicação atual)
Status EGB desconhecido e Cesariana eletiva com bolsa
qualquer um dos fatores: íntegra (independente de IG ou
Febre materna intraparto cultura para EGB +)
Bolsa rota > 18 horas Cultura negativa, independente
Parto prematuro da presença de fatores de risco
Teste rápido positivo para EGB intraparto
ESTREPTOCOCO DO GRUPO B (EGB)
PROFILAXIA INTRAPARTO
PENICILINA CRISTALINA (B)
5 milhões de unidades IV
A seguir:
2,5 – 3 milhões de unidades 4/4 horas até o parto
AMPICILINA (B)
2 g IV (dose inicial) e a seguir 1g IV 4/4 horas
Amplo espectro – maior risco de resistência
microbiana
ESTREPTOCOCO DO GRUPO B (EGB)
PROFILAXIA INTRAPARTO
PACIENTES ALÉRGICAS
Baixo risco de anafilaxia:
CEFAZOLINA (B) 2g IV, depois 1g IV 8/8 h até o parto
Alto risco para anafilaxia:
EGB sensível a eritromicina ou clindamicina:
ERITROMICINA (B) 500mg IV 6/6h ou CLINDAMICINA
(B) 900mg IV 8/8h até o parto
EGB resistente: VANCOMICINA (B)1g IV 12/12 h até o
parto
ESTREPTOCOCO DO GRUPO B (EGB)
REVISÃO SISTEMÁTICA DA COCHRANE (2011)
Ohlsson A, Shah Vibhuti S. Intrapartum antibiotics
for known maternal Group B streptococcal
colonization. In: The Cochrane Library, Issue 5, 2011
3 ECR = 852 mulheres (elevado risco de bias)
Redução de infecção precoce por EGB (RR=0,17; IC
95% = 0,04 – 0,74) NNT = 25
Não houve redução da mortalidade por EGB nem da
mortalidade global
ESTREPTOCOCO DO GRUPO B (EGB)
Ohlsson Arne, Shah Vibhuti S. Intrapartum antibiotics for known maternal Group B streptococcal
colonization. In: The Cochrane Library, Issue 5, 2011
ESTREPTOCOCO DO GRUPO B (EGB)
OUTRAS OPÇÕES
TESTE RÁPIDO PARA EGB (PCR em tempo real
S=96% E=98%) => PROFILAXIA INTRAPARTO
CLOREXIDINA VAGINAL=> PROFILAXIA
INTRAPARTO (PAÍSES POBRES)
VACINA PARA EGB (estudos)
ESTREPTOCOCO DO GRUPO B (EGB)
Em resumo:
Sugere-se o rastreamento universal de todas
as gestantes entre 35 – 37 semanas para EGB
Profilaxia intraparto com Penicilina Cristalina
indicada nas gestantes EGB +
Na ausência / desconhecimento de cultura:
profilaxia na presença de fatores de risco
VAGINOSE BACTERIANA
CONCEITOS BÁSICOS
Infecção do trato genital inferior, caracterizada
por mudança da flora vaginal –
predominantemente aeróbica (Lactobacilli)– para
flora predominantemente anaeróbica (DAVIS et
al., 1997)
Microrganismos anaeróbicos e microareofílicos:
Gardnerella vaginalis, Mobiluncus, Atopobium,
Mycoplasma, Ureaplasma, Prevotella e
Bacteroides
VAGINOSE BACTERIANA
CONCEITOS BÁSICOS
Prevalência elevada:
Causa mais frequente de corrimento
vaginal: 40-50% dos casos
30% de todas as mulheres (autocoleta)
50% das africanas (Uganda)
12,3% das gestantes assintomáticas
(TOLOSA, 2006)
Cerca de 50% das portadoras = assintomáticas
VAGINOSE BACTERIANA
VAGINOSE BACTERIANA
PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA
Prevalência elevada
Complicações obstétricas
Complicações ginecológicas
Aumento do risco de infecção por HIV
Custos elevados para o Sistema de Saúde
VAGINOSE BACTERIANA
COMPLICAÇÕES OBSTÉTRICAS
RUPREMA
Parto prematuro: RR= 2,19 (IC 95%= 1,54-3,12)
Corioamnionite
Infecções pós-parto
Complicações Neonatais
VAGINOSE BACTERIANA
SINTOMAS
Queixas clínicas:
Odor vaginal desagradável (piora na
menstruação ou depois do coito)
Corrimento vaginal (escasso, branco, branco-
acinzentado ou amarelado)
VAGINOSE BACTERIANA
DIAGNÓSTICO
Exame especular – conteúdo vaginal
Medida do pH vaginal e teste das aminas
Bacterioscopia do conteúdo vaginal
Exame a fresco
Gram (critérios de Nugent – escore > 6)
Papanicolaou (restrições S=49% E=93%)
Cultura NÃO tem valor
Outros exames (PCR, testes rápidos)
VAGINOSE BACTERIANA
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS (AMSEL, 1983)
1. Corrimento branco-acinzentado, fluido,
reveste as paredes vaginais, microbolhoso
2. pH vaginal > 4,5
3. Teste de Whiff positivo – KOH 10%
4. “Clue-cells”(células-guia) – aderência
bacteriana em > 20% das células vaginais
(Sensibilidade = 90% Especificidade = 70%)
VAGINOSE BACTERIANA
VAGINOSE BACTERIANA
Exame a Fresco
Clue-cells (Gardnerella)
VAGINOSE BACTERIANA
GRAM
Cocobacilos aderidos às células epiteliais da vagina
VAGINOSE BACTERIANA
TRATAMENTO ANTIMICROBIANO NA GRAVIDEZ
(CDC, 2006)
Metronidazol (B) – 250mg VO 8/8 horas ou 500mg
VO 12/12h por 7 dias
OU
Clindamicina (B) – 300mg VO 12/12h por 7 dias
AMBAS AS DROGAS PODEM SER USADAS NO
1o. TRIMESTRE
NÃO HÁ ASSOCIAÇÃO ENTRE USO DE
METRONIDAZOL NO 1o. TRIMESTRE E MF
VAGINOSE BACTERIANA
VAGINOSE BACTERIANA
Caro-Patón T, Carvajal A, Martin de Diego I, Martin-Arias LH, Alvarez Requejo A,
Rodríguez Pinilla E. Is metronidazole teratogenic? A meta-analysis. Br J Clin
Pharmacol. 1997 Aug;44(2):179-82.
VAGINOSE BACTERIANA
REVISÃO SISTEMÁTICA DA COCHRANE (2011)
McDonald HM, Brocklehurst P, Gordon A.
Antibiotics for treating bacterial vaginosis in
pregnancy. In: The Cochrane Library, Issue 5, 2011.
5 ECR = 5888 mulheres
Antibioticoterapia efetiva para erradicação da VB
na gravidez: OR=0,17 (0,15 – 0,20)
Tratamento não reduziu o risco de parto
prematuro, RUPREMA, infecção pós-parto e
sepse neonatal
Parto doença infecto-inflamatória
que acomete os tecidos de suporte (gengiva) e
sustentação (cimento, ligamento periodontal e
alvéolos) dos dentes.
Gengivite (superficial)
Periodontite (comprometimento alveolar)
Causa importante de perda dentária em adultos
15% da população dos EUA
50% dos adultos têm gengivite + de 6 dentes
DOENÇA PERIODONTAL
CONCEITOS BÁSICOS
Etiologia microbiana: mudança da flora dentária
para bactérias anaeróbias
Germes associados: estreptococos, Actnomicetes
e espiroquetas
PLACA BACTERIANA
DOENÇA PERIODONTAL
DOENÇA PERIODONTAL NA GRAVIDEZ
Doença periodontal preexistente: gengivite ou
periodontite
Gengivite da gravidez
Granuloma piogênico associado à gravidez: 0,5% a
5% das gestantes
DOENÇA PERIODONTAL
Gengivas normais Gengivite
DOENÇA PERIODONTAL
Periodontite
DOENÇA PERIODONTAL
Granuloma piogênico em gestante no 4o. mês
DOENÇA PERIODONTAL
CONCEITOS BÁSICOS
Riscos obstétricos associados:
Parto prematuro
Pré-eclâmpsia
Perda gestacional
DMG
Sepse neonatal por EGB
O tratamento modifica esses riscos?
Como deve ser realizado?
DOENÇA PERIODONTAL
TRATAMENTO
Mecânico
Remoção da placa bacteriana (raspagem
subgengival)
Cirurgia
Antibioticoterapia (adjuvante)
Antissépticos tópicos (adjuvantes)
DOENÇA PERIODONTAL
ANTIMICROBIANOS NA DOENÇA PERIODONTAL
Antibióticos/Classe Agente Efeito Espectro Limitação
Betalactâmicos Amoxicillina Bactericida Gram + e Gram − Penicilinase
Hipersensibilidade
B Augmentina Bactericida Menor espectro Mais cara que
amoxacilina
Tetraciclinas Tetraciclina Bacteriostático Gram + > Gram − Resistência
bacteriana
D Minocicline Bacteriostático Gram + > Gram −
Doxiciclina Bacteriostático Gram + > Gram −
Quinolonas Ciprofloxacina Bactericida Gram − Náuseas,
C desconforto GI
Macrolídeos Azithromycin Bacteriostático Largo espectro
B OR
Bactericida
Lincomicinas Clindamicina Bactericida Anaeróbios
B
Nitroimidazólicos Metronidazol Bactericida para Gram −; esp. P. Não atua contra
B Gram − gingivalis e P. Actinomycete
intermedia
ANTIMICROBIANOS NA DOENÇA PERIODONTAL
Agente FDA Regime Dosagem/Duração
Amoxicillina B 500 mg 3x/dia por 8 dias
Azitromicina B 500 mg 1x/dia por 4–7 dias
Ciprofloxacina C 500 mg 2x/dia por 8 dias
Clindamicina B 300 mg 3x/dia por 10 dias
Doxiciclina ou D 100–200 mg 1x/dia por 21 dias
Minociclina
Metronidazol B 500 mg 3x/dia por 8 dias
Terapia combinada
Metronidazol + B 250 mg de cada 3x/dia por 8 dias
Amoxacilina
Metronidazol + C 500 mg de cada 2x/dia por 8 dias
Ciprofloxacina
DOENÇA PERIODONTAL
ANTISSÉPTICOS TÓPICOS
1a. geração – Listerine, Cepacol: curto efeito
2a. geração – Clorexedina (aprovada pela
ADA) – efeito persiste depois da
expectoração – inibe a formação da placa
bacteriana e o desenvolvimento de gengivite
crônica – efetivo contra Gram+ e fungos
Efeitos potencialmente deletérios em longo
prazo
DOENÇA PERIODONTAL
CLOREXEDINA
Indicação em curto Indicação intermitente Indicações em longo
prazo (alternando a cada 1-2 prazo (> 3 meses a
meses) indefinidamente)
Gengivite Gengivite Pacientes com ↓ resistência
à placa bacteriana: aids,
leucemia, d.renal,
transplante de medula,
agranulocitose,
trombocitopenia
Seguindo cirurgia Manutenção periódica Pacientes com limitação
periodontal e oral física: artrite reumatóide,
esclerodermia, distúrbios
musculares e/ou motores
Tratamento da candidíase Reconstrução prostética
ampliada
DOENÇA PERIODONTAL
TRATAMENTO ANTES vs. DURANTE A
GRAVIDEZ
ECR não demonstram redução do risco de
parto prematuro e BPN com o tratamento da
doença periodontal durante a gravidez.
O tratamento durante a gravidez é seguro,
porém pode ser tarde demais para reduzir a
resposta inflamatória relacionada aos
desfechos gestacionais adversos.
TRATAMENTO DE DOENÇA PERIODONTAL E GRAVIDEZ
TRATAMENTO DE DOENÇA PERIODONTAL E GRAVIDEZ
DOENÇA PERIODONTAL
COCHRANE REVIEW (PROTOCOL)
Crowther Caroline A, Thomas Natalie,
Middleton Philippa, Chua Mei-Chien,
Esposito Marco. Treating periodontal disease for
preventing preterm birth in pregnant women
(Protocol for a Cochrane Review). In: The
Cochrane Library, Issue 5, 2011
Proposta de incluir ECR comparando tratamento
vs. não-tratamento ou tratamentos alternativos
para doença periodontal na gravidez.
DOENÇA PERIODONTAL
Em resumo:
Apesar de a doença periodontal estar associada
a riscos gestacionais, as evidências não sugerem
redução desses riscos com uma política de
rastreamento e tratamento em TODAS as
gestantes.
O tratamento, no entanto, é seguro e deve ser
realizado quando houver indicação clínica. Se
houver indicação de antibioticoterapia, preferir
as drogas classe B (FDA).
DOENÇA PERIODONTAL
“ANTIBIOTICS ARE NOT HOLY WATER!”*
(GJ EBRAHIM, 1993)
Mas…
*“Os antibióticos não são água benta”
ANTIBIÓTICOS PODEM SALVAR VIDAS!!!