Cultura no Brasil
2000
UM MINISTÉRIO A SERVIÇO DA CULTURA
A cultura brasileira manifesta-se em rica diversidade que espelha as diferenciadas fontes
da sua formação histórica. Uma cultura em que se refletem e evidenciam as contribuições
de povos das mais diversas origens étnicas, primordialmente os portugueses, os negros e os
povos indígenas. Uma cultura – a do povo brasileiro – formada por bens materiais e
imateriais representativos da identidade e da memória nacional.
Um século após o fim do Império e a instauração da República, a cultura brasileira
conquistou, em 1985, um órgão governamental específico – o Ministério da Cultura - com a
missão fundamental de cuidar, promover e incentivar a criação cultural no país. Atribuições
que ficaram consagradas, definitivamente, na Constituição de 1988.
Até essa altura, tais funções estiveram, ao longo dos anos e de acordo com as conjunturas
políticas das diferentes épocas, sob a alçada de diversas entidades, como do Ministério da
Educação e Cultura (1937) ou ainda do Ministério da Educação e Saúde (1945).
Assegurar ao cidadão o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes da cultura
nacional, além do incentivo à valorização e difusão da cultura no país, são algumas das
atribuições do Ministério da Cultura.
Cinco anos depois da sua criação, em 1990, o Governo Federal decidiu extinguir o
Ministério da Cultura, bem como diversos outros organismos que lhe estavam vinculados, e
criar em sua substituição uma Secretaria Especial de Cultura, dependente diretamente da
Presidência da República.
Desde 1996, a política cultural vem se consolidando nos diversos setores, conforme as
diretrizes e metas estabelecidas pelo Governo Federal e consubstanciadas no Plano
Plurianual.
Cabe realçar como aspectos mais relevantes das políticas prosseguidas pelo Ministério da
Cultura a retomada do cinema nacional; os novos mecanismos de apoio e financiamento à
cultura, mediante o apoio de empresas públicas e privadas; as atividades de preservação do
patrimônio histórico e artístico nacional, inclusive os museus nacionais e casas históricas;
os esforços concentrados na área da leitura, do livro e das bibliotecas; a ampliação dos
programas de música e de artes cênicas; o desenvolvimento de linhas de intercâmbio no
plano nacional e internacional e a crescente capacidade de difusão cultural.
A partir de 1999, a estrutura organizacional do Ministério da Cultura (Administração
Direta) foi estabelecida segundo atividades finalísticas. Além do Gabinete do Ministro de
Estado da Cultura, o Ministério passa, então, a contar com uma estrutura integrada por uma
Secretaria-Executiva e quatro Secretarias: Secretaria do Patrimônio, Museus e Artes
Plásticas; Secretaria da Música e Artes Cênicas; Secretaria do Livro e Leitura; Secretaria do
Audiovisual – e cinco instituições a ele vinculadas (Administração Indireta) – Fundação
Casa de Rui Barbosa, a Fundação Biblioteca Nacional, a Fundação Cultural Palmares, a
Fundação Nacional de Arte – FUNARTE; o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional – IPHAN.
A cada um destes órgãos cabe importante responsabilidade na difusão e incentivo à cultura
nacional.
O Gabinete do Ministro, órgão de assistência direta e imediata ao ministro de Estado, tem
por atribuição assisti-lo em sua representação política e social, ocupando-se das relações
públicas, do preparo e despacho do seu expediente, além de acompanhar o andamento dos
projetos de interesse do Ministério, em tramitação na Câmara de Deputados e no Senado.
Cabe-lhe também providenciar a publicação oficial e a divulgação das matérias
relacionadas com a área de atuação do Ministério, assim como dar assistência
administrativa à Comissão Nacional de Incentivo à Cultura – CNIC e ao Conselho Nacional
de Política Cultural – CNPC.
A Consultoria Jurídica, órgão setorial da Advocacia Geral da União – AGU, tem por
finalidade assessorar o ministro de Estado em assuntos de natureza jurídica no que diz
respeito ao controle interno da legalidade administrativa dos atos a serem por ele praticados
ou já efetivados e daqueles oriundos de órgãos ou entidades sob sua coordenação jurídica.
É da sua responsabilidade auxiliar o Ministério na interpretação da Constituição, das leis,
dos tratados e dos demais atos normativos a serem uniformemente seguidos em suas áreas
de atuação e coordenação.
A Secretaria-Executiva assiste ao ministro na supervisão e coordenação geral das
atividades do Ministério e define diretrizes para a sua implementação. Também cuida das
atividades relacionadas com o Fundo Nacional da Cultura – FNC, dos atos relativos ao
cumprimento da legislação sobre o direito autoral e da prestação de contas de convênios e
dos sistemas federais de planejamento e orçamento.
Dentro da estrutura da Secretaria-Executiva, a Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e
Administração estabelece, coordena e supervisiona a execução das atividades relacionadas
aos sistemas federais de recursos humanos, de serviços gerais, planejamento e orçamento,
de organização e modernização administrativa, assim como de recursos da informação e
informática, no âmbito do Ministério.
– Coordenação do Direito Autoral – CDA
As transformações fundamentais que o mundo está vivendo no campo da tecnologia, das
comunicações e das relações internacionais no campo comercial impõem um processo
evolutivo no marco da proteção dos bens intelectuais que são objeto do Direito de Autor e
dos Direitos Conexos.
Falar da proteção na era digital, portanto, não é outra coisa que nos colocarmos frente aos
novos usos que realizam o ambiente digital, isto é, a possibilidade de desmaterializar as
obras, comprimi-las em novos formatos, enfim, ao que denominamos de transmissões
digitais e os usos interativos.
A legislação de direito de autor assume, assim, importância crucial neste processo, além da
implementação de suas normativas e a fiscalização inerente ao cumprimento dos
dispositivos legais adotados pelo país.
A legislação cria, em benefício dos autores e dos artistas intérpretes ou executantes, certos
direitos que têm um valor econômico. Em geral, esses direitos podem ser licenciados ou
cedidos a terceiros, especialmente às diversas categorias de produtores que se
responsabilizam pela divulgação das obras ou das interpretações ou execuções, quer seja
mediante a produção de suportes onde as obras estejam incorporadas, quer mediante a
divulgação sem produção de cópia, como é no caso da radiodifusão.
A recente lei de Direito Autoral, a Lei n° 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que só entrou
em vigor no dia 20 de junho de 1998, é uma resposta, ainda que tímida, aos problemas
criados na área da propriedade intelectual pelo estado da técnica e dos interesses
econômicos estreitamente vinculados ao comércio exterior.
A Coordenação de Direito Autoral busca participar deste processo e, na medida do
possível, colaborar para que os Direitos Autorais sejam respeitados em nosso país.
A Secretaria do Livro e Leitura tem a função de coordenar e promover estudos e
pesquisas destinadas à formulação das políticas do livro, da sua distribuição, da leitura, da
biblioteca, de seu impacto e de sua relação com o desenvolvimento social e nacional . Além
disso, é de sua atribuição apoiar e promover a difusão do livro brasileiro no exterior, em
colaboração com a Fundação Biblioteca Nacional.
À Secretaria do Patrimônio, Museus e Artes Plásticas cabe coordenar e promover
estudos visando à formulação da política cultural nas áreas de Patrimônio, Museus e Artes
Plásticas, em conjunto com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
– Programa Monumenta/BID
O Programa Monumenta foi concebido pelo Ministério da Cultura e pelo Banco
Interamericano de Desenvolvimento – BID e tem por objetivo o resgate e a conservação
permanente dos principais conjuntos patrimoniais urbanos do Brasil, sendo o primeiro
grande projeto de financiamento à cultura apoiado por organismos multilaterais.
Em sua primeira etapa, a desenvolver até 2003, mais de US$ 200 milhões serão
mobilizados. É o maior investimento feito até hoje na preservação do patrimônio brasileiro,
em um só período de governo. Os recursos têm origem em três fontes: US$ 62,5 milhões
são provenientes de empréstimo do BID; US$ 62,5 milhões do Orçamento da União e
contrapartidas dos estados e municípios; o restante tem origem em instituições financeiras e
empresas participantes do programa.
Na sua concepção, o Monumenta teve como inspiração o êxito da experiência precursora da
cidade de Quito, capital do Equador, que em 1994 foi beneficiada com financiamento do
BID, para a reconstrução do centro histórico da cidade, praticamente destruído por um
terremoto em 1987. Essa experiência demonstrou que a restauração poderia dar autonomia
financeira às áreas recuperadas, graças à exploração comercial e turística. O projeto
implantado em Quito provocou a revitalização do centro histórico da capital equatoriana,
em decorrência da valorização dos imóveis da área.
A Secretaria da Música e Artes Cênicas promove e coordena estudos destinados às
áreas de Artes Cênicas e Música, assim como articula a realização de projetos e programas,
em conjunto com diversas entidades. Também é função desta Secretaria supervisionar os
projetos e atividades relacionadas ao Fundo Nacional da Cultura – FNC, no âmbito do
mecenato, e aos Fundos de Investimento Cultural e Artístico – FICART, relativos a Artes
Cênicas e Música.
À Secretaria do Audiovisual compete planejar, promover e coordenar as atividades
necessárias ao cumprimento da legislação do audiovisual. Cabe-lhe também aprovar
projetos de produção, co-produção, exibição, distribuição e infra-estrutura técnica
específicos da área audiovisual a serem realizados com incentivos fiscais.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN é uma autarquia do
Ministério da Cultura que tem por responsabilidade maior a preservação e proteção do
patrimônio cultural, histórico e artístico nacional. Na área das suas competências, o
Instituto realiza um trabalho permanente de fiscalização, proteção, identificação,
restauração, preservação e revitalização dos monumentos, sítios arqueológicos e bens
móveis do país. Este trabalho pode ser reconhecido nos mais de 16 mil edifícios tombados,
50 centros e conjuntos urbanos, cinco mil sítios arqueológicos cadastrados, mais de um
milhão de objetos, incluindo acervo museológico com cerca de 250 mil volumes
bibliográficos, documentação e registros fotográficos, cinematográficos e videográficos.
O IPHAN é a mais antiga instituição de preservação de bens culturais da América Latina.
Suas ações vão da identificação, proteção, restauração, fiscalização de bens físicos,
paisagísticos, arqueológicos e intelectuais representativos da memória nacional até a
administração de bibliotecas, arquivos e museus de propriedade da União.
É também responsabilidade do IPHAN a preservação dos 12 bens declarados pela
Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO, como
Patrimônio Cultural. A tabela abaixo refere-se aos bens que integram o Patrimônio Mundial
brasileiro:
Patrimônio Região
Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto Ouro Preto/ MG
Centro Histórico de Diamantina Diamantina/ MG
Centro Histórico de Olinda Olinda/ PE
Remanescentes da Igreja de São Miguel das Missões São Miguel das Missões/RS
Jesuíticas dos Guarani
Centro Histórico de Salvador Salvador/ BA
Santuário de Bom Jesus de Matozinhos Congonhas/ MG
Sítio Arqueológico de São Raimundo Nonato Parque Nacional da Serra de
Capivara/ PI
Conjunto Urbanístico, Arquitetônico e Paisagístico Distrito Federal
de Brasília
Parque Nacional do Iguaçu Foz do Iguaçu/ PR
Centro Histórico de São Luís São Luís/ MA
Conjunto de 25 Áreas de Mata Atlântica Divisa de São Paulo e Paraná
Costa do Descobrimento Sul da Bahia e norte do Espírito
Santo.
A Fundação Biblioteca Nacional – FBN é a herdeira natural da Real Biblioteca criada na
época do Brasil Imperial (1810). Ela recebeu na sua origem o espólio da transferência para
o Brasil da Real Biblioteca trazida pela corte de D. João VI, em decorrência da invasão de
Portugal pelas tropas francesas de Napoleão Bonaparte.
Situada no Rio de Janeiro, a biblioteca é considerada a maior da América Latina e está
entre as dez maiores nacionais do mundo. O seu acervo é constituído por nove milhões de
peças, entre livros, periódicos, manuscritos, mapas, partituras e discos. Nestes quase
duzentos anos de vida, a Biblioteca Nacional vem ampliando e aperfeiçoando suas
atividades, acompanhando a produção literária brasileira. A instituição conta com áreas
especializadas de atuação, como as de referência, obras raras, conservação e restauração,
microfilmagem, música e arquivo sonoro. Também fazem parte das atividades da Fundação
Biblioteca Nacional orientar e proteger os autores de obras intelectuais, coordenar o
Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas e promover o autor e o livro brasileiros no país e
no exterior.
A instituição é voltada para a preservação do acervo bibliográfico – contando com
modernos laboratórios de restauração e microfilmagem, o apoio e incentivo às bibliotecas
públicas, a implementação da política governamental do livro e o incentivo ao hábito da
leitura – e também para o estímulo à publicação e divulgação de obras literárias de valor
cultural.
Da sua estrutura organizacional faz parte o Escritório de Direitos Autorais – EDA, que
responde pelo registro de obras intelectuais, de acordo com a Lei nº 9.610/98, com
representações em vários estados da União, qualificando-se como Centro de Referência dos
Direitos do Autor.
É também missão da Biblioteca Nacional representar a produção literária do país em feiras
internacionais, o que vem fazendo em associação com entidades ligadas aos editores
(Sindicato Nacional do Editores de Livros e Câmara Brasileira do Livro).
Dentro do programa de apoio e divulgação da literatura brasileira, a FBN concede bolsas
para autores brasileiros com obras em fase de conclusão e prêmios para autores que
lançaram títulos marcantes durante o ano. No exterior, a FBN concede bolsas de tradução
de obras de autores brasileiros a editores estrangeiros e um prêmio para o melhor projeto
gráfico e tradução de livro infantil brasileiro editado no exterior. Em associação com o
Instituto Camões, de Portugal, atribui o Prêmio Camões, o mais relevante dos prêmios
literários em língua portuguesa.
A Fundação Casa de Rui Barbosa desenvolve atividades de pesquisa, documentação,
cursos, seminários e publicações sobre Direito, História, Filosofia e Literatura Brasileira. A
Fundação conta com museu, biblioteca com um acervo de mais de 100 mil volumes,
arquivo histórico com cerca de 60 mil documentos, Laboratório de Microfilmagem –
LAMIC e Laboratório de Conservação e Restauração de Documentos Gráficos – LACRE,
ambos pioneiros no país. A Casa Rui Barbosa é hoje referência obrigatória para
pesquisadores, juristas e estudiosos de suas áreas de atuação.
Sediada no Rio de Janeiro, foi criada por decreto legislativo de 1924, que autorizou o
Governo Federal a adquirir a casa do ilustre brasileiro, bem como sua biblioteca, arquivo,
manuscritos e a propriedade intelectual de suas obras. A Fundação Casa de Rui Barbosa foi
inaugurada oficialmente em 1930 pelo presidente Washington Luís, sendo considerada
como uma das instituições culturais mais produtivas e respeitadas do país.
A Fundação Nacional de Artes – FUNARTE, com sede no Rio de Janeiro, foi criada em
dezembro de 1975 e extinta em março de 1990, para ser recriada em setembro de 1994. Ela
é sucessora das extintas Fundação do Cinema Brasileiro – FCB e Fundação Nacional de
Artes Cênicas – FUNDACEN. Tem como objetivo primordial promover, incentivar e
amparar, em todo território nacional e no exterior, a prática e a difusão das atividades
artísticas e culturais. A FUNARTE desenvolve atividades nas áreas de teatro, dança, ópera,
circo, artes plásticas e gráficas, fotografia, música popular e erudita, folclore e cultura
popular, cinema, vídeo, documentação e informação. Incentiva também a pesquisa nos
campos de sua atuação e contribui para o tratamento e a conservação de toda a
documentação produzida nessas áreas, tendo em vista a preservação da memória cultural do
país.
A Fundação Cultural Palmares, órgão vinculado ao Ministério da Cultura, tem como
missão institucional promover a inclusão qualificada da população negra brasileira no
processo de desenvolvimento do país. A Fundação realiza, participa e acompanha ações
para melhorar a qualidade de vida dos afro-brasileiros e do conjunto da população, com o
intuito de valorizar a cultura do país e elevar a auto-estima dos brasileiros, mediante
valorização das expressões afro-brasileiras. Com sede em Brasília, a Fundação tem papel de
relevo na valorização cultural do país e na inibição ao preconceito e segregação.
Delegacias Regionais
As Delegacias Regionais são unidades descentralizadas do Ministério da Cultura, cujo
objetivo é fomentar e acompanhar todas as atividades desenvolvidas e apoiadas por este
Ministério nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco.
A Delegacia Regional em São Paulo desenvolve, desde 1999, o projeto Incentivo ao
Incentivo, para facilitar o entendimento da Lei Rouanet, com vistas ao fortalecimento do
mercado cultural. Os cursos oferecidos são: Básico, Intermediário e para o Terceiro Setor,
que atenderão as empresas privadas, públicas e organizações da sociedade civil que
pretendem se beneficiar dos incentivos fiscais para projetos culturais.
Abrigando diversos setores do Ministério da Cultura e do Ministério da Educação, o
Palácio Gustavo Capanema – marco do modernismo na arquitetura brasileira – é a sede da
Delegacia Regional do Rio Janeiro. Projeto dos arquitetos Lúcio Costa, Afonso Reidy,
Carlos Leão, Ernani Mendes Vasconcelos, Jorge Moreira e Oscar Niemeyer é tombado
como monumento nacional.
FONTES DE FINANCIAMENTO À CULTURA
Fundo Nacional de Cultura
O Fundo Nacional de Cultura é um mecanismo criado por intermédio da Lei nº 8.313, que
atende a projetos de cunho cultural a fundo perdido e tem por atribuição o financiamento
de atividades artísticas nacionais. Os recursos são provenientes de doações e investimentos
da iniciativa privada, do Tesouro Nacional e dos Fundos de Investimentos Regionais.
A Lei nº 9.999, de 30 de agosto de 2000, reforçou o Fundo, aumentando a sua participação
nas receitas oriundas da arrecadação das loterias, concursos de prognósticos e similares. O
reforço possibilitou fortalecer os investimentos do Ministério em novos projetos, ampliar a
programação e dar novo impulso às atividades artísticas.
Assim, no quadro do Plano Plurianual 2000/2003 e da Lei Orçamentária relativa ao
exercício de 2000, foram desenvolvidas a produção, a difusão cultural e a preservação do
patrimônio histórico, artístico e arqueológico. Neste ano, os investimentos globais foram na
ordem de R$ 543 milhões, dos quais R$ 271 milhões decorrentes da captação por conta das
leis de incentivos fiscais e R$ 272 milhões do Orçamento Geral da União, cuja execução,
comparada com a totalidade dos recursos disponíveis, atingiu o patamar de 97%.
Atendimentos efetuados pelo Fundo Nacional de Cultura - 2000
ÁREA QUANTIDADE VALOR*
Secretaria de Música e Artes Cênicas 66 3.278.599
Secretaria do Audiovisual 58 2.015
Secretaria do Livro e Leitura 18 1.067.160
Secretaria do Patrimônio, Museus e Artes Plásticas
120 10.161.160
* Valores empenhados até 09/09/2000
Leis de incentivo à cultura
O direito à cultura faz parte do conjunto mais amplo de direitos de cidadania de cada
brasileiro, consagrados constitucionalmente. O livre desenvolvimento da criação e
produção cultural e artística, bem como o acesso dos cidadãos à cultura, constituem pilares
fundamentais à consolidação e aprofundamento do Estado de direito democrático.
Para dar resposta às necessidades e exigências culturais da sociedade, o Estado brasileiro
tem vindo a promulgar um conjunto de disposições legais destinadas a apoiar e fomentar a
democratização da cultura.
A Constituição Federal estabelece, de forma inequívoca, a universalidade do direito à
cultura, bem como as obrigações do Estado neste domínio.
O Artigo 215 estipula o seguinte: “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos
direitos culturais e acesso às fontes de cultura nacional e apoiará e incentivará a
valorização e a difusão das manifestações culturais”. As manifestações culturais
populares, indígenas e afro-brasileiras, assim como de qualquer grupo que tenha
participado do processo civilizatório nacional, também estão protegidas no primeiro
parágrafo desta mesma lei.
Em 23 de agosto de 1991, foi publicada a Lei nº 8.313 que restabelece os princípios da Lei
nº 7.505, de 2 de julho de 1986, e instituiu o Programa Nacional de Apoio à Cultura –
PRONAC.
A Lei nº 7.505 permite ao contribuinte do Imposto de Renda abater da renda bruta, ou
deduzir como despesa operacional, o valor das doações, patrocínios e investimentos em
atividades de caráter cultural ou artístico. A Lei de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei
Rouanet, além de legislar sobre as formas de incentivo, criou o Fundo Nacional da Cultura
(FNC) “com o objetivo de captar e destinar recursos para projetos compatíveis com as
finalidades do Programa Nacional de Apoio à Cultura – PRONAC”. Esta lei foi
regulamentada pelo Decreto-Lei nº 1.494, de 17 de maio de 1995.
Para incentivar os apoios e investimentos na produção audiovisual brasileira, foi criada a
Lei nº 8.685, em 20 de julho de 1993, conhecida com Lei do Audiovisual. Esta lei permite
que pessoas físicas ou jurídicas façam uma dedução de até 3% do imposto devido como
forma de incentivar as atividades na área de audiovisual. A lei limita a captação de recursos
em R$ 3 milhões, mas permite que o mesmo projeto seja também beneficiado pela Lei de
Incentivo à Cultura.
A entrada em vigor destas leis veio dar novo fôlego à produção cultural brasileira, em
praticamente todos os segmentos de atividade.
ÁREAS INTEGRADAS
A concessão de bolsas de estudo e de aperfeiçoamento de artistas e outros profissionais
ligados à produção cultural, a par da criação de espaços culturais, como forma de apoiar o
progresso das comunidades em que estão inseridos, constitui uma das áreas de ação do
Ministério da Cultura.
Programas como o Bolsa Virtuose são fator importante de dinamização e desenvolvimento
artístico.
Bolsa Virtuose
O Programa Bolsa Virtuose visa ao aperfeiçoamento e à especialização de autores, artistas
e técnicos ligados diretamente à produção artística e cultural. As bolsas de formação , no
Brasil e no exterior, são atribuídas a artistas com mais de 30 anos e que tenham alcançado
um estágio de reconhecida maturidade profissional.
Para a seleção do candidato, é levado em conta o seu currículo, a qualidade de seu projeto
de formação e/ou plano de aperfeiçoamento e a excelência da instituição escolhida. O
programa abrange as seguintes áreas: artes cênicas, música, artes plásticas, patrimônio
histórico e cultural, audiovisual, literatura e ciência da informação. As bolsas têm duração
mínima de três meses e máxima de um ano, podendo ser prorrogadas por, no máximo, seis
meses, uma única vez.
Em 2000, realizou-se a quarta edição do Programa Bolsa Virtuose. Foram concedidas 33
bolsas e quatro renovações, duas na área das artes cênicas e duas na área da música (anexo 1).
Os segmentos que receberam as bolsas foram os seguintes: circo (1), dança (5), teatro (5),
ópera (2), música instrumental erudita (4), composição / arranjo (3), improvisação
instrumental jazz (1), artes plásticas (3), patrimônio e museus (4) e audiovisual (5). O
anexo 2 apresenta os nomes dos bolsistas selecionados em cada área.
As tabelas 1 e 2 apresentam o comparativo entre as bolsas solicitadas e as realmente
concedidas, nos segmentos de artes cênicas e música, respectivamente. As tabelas 3 e 4
mostram as bolsas solicitadas e as aprovadas, por região.
Tabela 1 – Artes Cênicas
Bolsas Solicitadas Bolsas Concedidas
Segmento Número % Número %
Circo 4 8 01 8
Dança 14 28 05 38
Teatro 20 40 05 38
Ópera 8 16 02 16
A. Integrada 4 8 - -
Total das Artes Cênicas 50 100 13 100
Tabela 2 – Música
Bolsas Solicitadas Bolsas Concedidas
Segmento Número % Número %
Instrumental erudita 11 34,38 4 50,00
Composição/arranjo 4 12,50 3 37,50
Instrumental jazz 3 9,38 1 12,50
Administração
1 3,13 - -
cultural
Instrumental popular 3 9,38 - -
Canto 1 3,13 - -
Pesquisa 4 12,50 - -
Música em geral 3 9,38 - -
Regência 2 6,25 - -
Total da Música 32 100 8 100
Tabela 3 – Por Região: Artes Cênicas
Bolsas Solicitadas Bolsas Concedidas
Região Quantidade % Quantidade %
Norte 05 10 - -
Nordeste 06 12 2 15
Sudeste 21 42 7 54
Centro-Oeste 02 4 - -
Sul 05 10 - -
Exterior 11 22 4 31
Total das Artes Cênicas 50 100 13 100
Tabela 4 – Por Região: Música
Bolsas Solicitadas Bolsas Concedidas
Região Quantidade % Quantidade %
Norte - - - -
Nordeste 04 12,50 1 12,5
Sudeste 25 78,12 7 87,5
Centro-Oeste 01 3,13 - -
Sul 02 6,25 - -
Total da Música 32 100 8 100
Intercâmbio Cultural
Em 2000, foram investidos R$ 2.500.573,69 em intercâmbio cultural. Este montante foi
utilizado para a concessão de 68 passagens nacionais e 597 passagens internacionais,
distribuídas pelas áreas da música, artes cênicas e audiovisual (tabela 5).
Tabela 5 – Passagens concedidas
Nacionais Internacionais Total
Segmento Quantidade % Quantidade % Quantidade %
Artes Cênicas 43 17,00 210 83,00 253 100
Música 20 6,60 282 93,40 302 100
Audiovisual 05 4,55 105 95,45 110 100
Total 68 10,23 597 89,77 665 100
O Ministério da Cultura ainda repassou ao Ministério das Relações Exteriores, sob forma
de destaque, a quantia de R$ 905.556,00. Este repasse possibilitou a montagem do
espetáculo teatral Vestido de Noiva, na Embaixada do Brasil em Varsóvia, com orçamento
de R$ 50 mil do Fundo Nacional de Cultura - FNC; o apoio ao Conjunto Tibetano Sassurea,
da China, para apresentar-se em Brasília, com um investimento do Tesouro de R$
29.600,00; atividades culturais da Embaixada do Brasil em Londres, nas quais foram
dispendidos R$ 375.956,00, provenientes do FNC; manutenção de atividades culturais em
diversas embaixadas brasileiras no exterior, com repasse de R$ 400 mil do FNC; e a
participação do Grupo Jangada na Festa da Música, em Paris, mediante repasse de R$ 50
mil do FNC.
Bolsas para editores
Com o objetivo de dinamizar a divulgação da literatura brasileira no exterior, o Ministério
da Cultura, por meio da Fundação Biblioteca Nacional – FBN, concedeu sete bolsas para
editores estrangeiros, de forma a fomentar a tradução e publicação de autores nacionais no
exterior.
A FBN também concedeu, em 2000, dez bolsas a escritores brasileiros, destinadas a
possibilitar a conclusão de obras já iniciadas. As bolsas foram atribuídas nas categorias de
narrativa, poesia e ensaio literário, conforme a seguinte tabela:
Bolsas para escritores brasileiros
Bolsista Obra
Narrativa
01. Marco Aurélio Cardoso Barroso A revolta do boêmio
02. Carlos Roberto Numeriano Nuvens Vermelhas
03. Adriana Brasília Lunardi Véspera
04. Jerônimo Teixeira da Silva Antes do Circo
Poesia
01. Maurício Gomes de Matos Aquém das retinas
02. Antônio Carlos Secchin Poemas para pedra e vento
03. Cláudio Murilo Leal Cinelândia
Ensaio literário
01. Celso Leopoldo Pagnan Machado de Assis e José de Alencar: leituras
02. Raimundo Nonato Santos Ensaio sobre o perfil intelectual de Prado Júnior
03. Cilaine Alves Cunha A destruição romântica da forma
Espaços Culturais
A criação de espaços culturais tem-se mostrado de grande importância para o
desenvolvimento comunitário, possibilitando a realização de exposições, mostras,
encontros e seminários, bem como atividades lúdicas e de entretenimento, em geral. Eles
abrem portas à criatividade das comunidades, ao desenvolvimento do associativismo, ao
fomento das artes.
Em 2000, como forma de incentivar e difundir a cultura, o Ministério da Cultura implantou
208 espaços culturais por todo o território nacional. Meio milhar de espaços culturais foram
criados entre 1996 e 2000. De 1996 a 2000, o número de utilizadores desses espaços passou
de 800 mil para mais de um milhão.
Investimentos
A tabela 6 registra o volume de recursos captados pelas leis de incentivos em relação às
artes integradas, entre 1996 e 2000.
Tabela 6 – Investimentos
Ano Valor (R$ milhões)
1996 20,5
1997 49,1
1998 44,0
1999 35,8
2000 37,1
Total 186,5
Anexo 1 – Renovação de Bolsas
Bolsista Projeto Instituição e Cidade
Teatro
O Circo e suas Metodologias de Association Volant Trapeze
Maria Clara Lemos dos Santos
Trabalho Jean Palacy – Paris
Teatro-Dança: Simbiose em
Mônica Tavares Pereira HB Studio – Nova Iorque
Movimento
Música
Musik Hochschule Winterthur
Carlos Eduardo Moreno Regência Orquestral
Zurique – Suíça
Sebastião Ramos da Câmara Aperfeiçoamento Vocal – Conservatoire International de
Filho Canto Musique de Paris – França.
Anexo 2 – Bolsas Concedidas
Início e
Bolsista Projeto Instituição e Cidade
Término
Teatro
Out.2000
01. Emílio Carlos Soares Teatro: Trabalho do Ator Théâtre du Soleil – Paris
Set.2001
Mar.2001
02. Enrique Diaz Teatro Contemporâneo Mabou Mines – Nova Iorque
Ago.2001
Out.2000
03. Jorge Correia Miranda Teatro Popular Teatro União e Olho Vivo – SP
Set.2001
Out.2000 Teatro: Máscara e École Philippe Gaulier –
04. Marcos Breda
Mar.2001 Melodrama Londres
Set.2000 Guildford School of Acting –
05. Luiz Carlos Fernandes Interpretação Tetral
Ago.2001 Londres
Dança
Mar.2001 New York Film Academy +
01. Andréa Lerner Dança: Filme e Dança
Jun.2001 Film Dance – Nova Iorque
Mar.2001 New York Film Academy +
02. Rosane Chamecki Dança: Filme e Dança
Jun.2001 Film Dance – Nova Iorque
03. Maria de Lourdes Fev.2001 Dança: Criação e Centre Choregrafique
Tavares Jul.2001 Direção National D’Órleans- Paris
Set.2000 Movement Research –
04. Fernanda Coffers Dança: Improvisação
Ago.2001 New York
Out.2000 Las Piramides Estudio de
05. Marize Piva Pacheco Dança Oriental
Mar.2001 Danza – Madri
Circo
Fev.2001
01. Acleilton Ferreira Técnicas Circenses Escola Nacional de Circo – RJ
Dez.2001
Ópera
Out.2000 Accademia Lirica Italiana –
01. Paulo Mandarino Canto Lírico
Dez.2000 Milão
Jan.2001 Accademia Lirica Italiana –
02. Luciana Bueno Canto Lírico
Abr.2001 Milão
Música instrumental erudita
Set.2000 Aperfeiçoamento em Academia de Música Ferenc
01. Gisella Muller
Jun.2001 piano Lizt Budapest / Hungria
02. Eduardo Henrique Soares Set.2000 Aperfeiçoamento em New England Conservatory
Monteiro Ago.2001 piano Boston / EUA
Set.2000 Aperfeiçoamento em Academia de Música Ferenc
03. Mauro Rufino Martins
Jun.2001 violino Lizt Budapest / Hungria
Westminster Choir College of
Set.2000 Co-repetição e piano
04. Valéria Mastrorosa Rider University New Jersey /
Ago.2001 acompanhamento
EUA
Composição / Arranjo
Jan.2001 Vibrafone aplicado à Barklee College of Music
01. André Pinheiro de Souza
Dez.2002 improvisação/arranjo Massachusetts / EUA
02. José Eugênio de Matos Set.2000 Composição musical para Universidade da Califórnia
Feitosa Ago.2001 cinema Los Angeles / EUA
03. Nelson Jairo Sanches Jan.2001 Composição e arranjo em BMI Jazz Composers
Faria Jul.2001 jazz Nova Iorque / EUA
Improvisação instrumental jazz
01. Rodrigo Ursaia dos Set.2000 Improvisação Jazz e MPB Manhattan School of Music
Santos Ago.2001 flauta e sax Nova Iorque / EUA
Bolsas concedidas
Artes Plásticas
01. Leonardo Azeredo Lopes Tepedino
02. Luiz Evandro Lima de Menezes
03. Luiza Maria Interlenghi
Patrimônio e Museus
01. Clara Landim Fritoli
02. Jeanina Júlia Daher
03. Elza Helena Camargo do Canto e Castro
04. Carlos Moreira Teixeira
Audiovisual
01.Marta Patrícia Cora Filippi
02. Mônica Ferreira Magalhães
03. Cynthia Regina Lucci Salim
04. Joana Andrade Ramalho Pinto
05. Eraldo Coelho Tinoco Melo
MAIS LIVROS, MAIS LEITURA
Levar o livro a mais brasileiros, democratizar o acesso à leitura, criar mais e melhores
bibliotecas, estimular o hábito de ler e de interpretar, capacitar bibliotecários e professores,
fazer chegar o livro à escola, premiar e consagrar autores e disponibilizar o acervo da
Biblioteca Nacional a todo o país fazem parte dos grandes objetivos do Ministério da
Cultura. Um caminho que exige perseverança, decisão, comprometimento e solidariedade.
Um caminho que significa uma grande aposta no futuro.
O gosto de gostar de ler
Uma das mais importantes missões da Secretaria do Livro e Leitura é coordenar e promover
estudos destinados à formulação das políticas do livro, da sua distribuição, da leitura, da
biblioteca, de seu impacto e de sua relação com o desenvolvimento social e nacional.
Baseado nisso, o Ministério da Cultura investe em programas que despertem nos brasileiros
o gosto pela leitura e a valorização desse ato.
Um desses programas é o Livro Aberto, que tem como meta implantar e modernizar
bibliotecas públicas em municípios brasileiros, mediante a aquisição de acervos
bibliográficos, mobiliários, equipamentos e capacitação de recursos humanos,
possibilitando o acesso da população ao conhecimento e ao enriquecimento intelectual.
Suas ações, iniciadas em 1996, já possibilitaram, até 1999, a implantação de mais de 700
bibliotecas públicas e a modernização de mais de 70, representando investimentos de R$ 34
milhões. Em 2000, foram implantadas mais de 300 bibliotecas, totalizando investimentos
de mais de R$ 10 milhões.
Dessa forma, desde que a ação foi iniciada em 1996, até 2000, já foi possível reduzir o
déficit de municípios sem bibliotecas públicas de 40% para 23%, ou seja, dos 5.503
municípios brasileiros, cerca de quatro mil já possuem pelo menos uma biblioteca pública
instalada.
O projeto Leia Brasil, formado por caminhões-bibliotecas que percorrem os estados
brasileiros, com um total de 250 mil volumes, aderiu ao Programa de Recolhimento de
Acervo Porta a Porta, que teve início em fevereiro. O projeto recebeu em doações mais de
50 mil volumes, desde o início do programa, ampliando o acervo das bibliotecas populares,
escolas públicas e instituições cadastradas.
O Programa Nacional de Incentivo à Leitura – PROLER, criado em 1992 e vinculado à
Fundação Biblioteca Nacional, prosseguiu com êxito o objetivo de estruturar uma rede
nacional de leitura.
Parcerias estabelecidas com escolas, bibliotecas, secretarias estaduais de Cultura e de
Educação permitiram o fortalecimento de numerosas iniciativas de promoção da leitura
entre alunos e professores, mediante a realização de cursos a distância, via Internet.
Durante 2000, foram realizados 25 cursos voltados à formação continuada do professor e o
concurso Os Melhores Programas de Incentivo à Leitura junto a crianças e jovens de todo
o Brasil.
No total, foram desenvolvidos 613 projetos, 16 cursos e 80 atividades diversas, entre
oficinas, debates, seminários e palestras, atingindo 9.187 profissionais, além de numerosos
encontros de leitura em bibliotecas, com grupos de alunos da rede pública.
Uma biblioteca em cada município
Desenvolvido pela Secretaria do Livro e Leitura, o programa Uma Biblioteca em Cada
Município aumentou de 2 mil para 3 mil o número de títulos para a composição dos acervos
bibliográficos destinados à implantação de bibliotecas públicas. O programa financia para
cada prefeitura o acervo, os equipamentos e o mobiliário no valor de até R$ 40 mil. Os
municípios atendidos pelo programa participam com as instalações, os funcionários e a
infra-estrutura básica.
MUNICÍPIOS BENEFICIADOS
Cajueiro, Rui Palmeira, Boca da Mata e Poço das Trincheiras, em Alagoas; Lagêdo do
Tabocaí, Uruçuca e Quijingue, na Bahia; Ererê e Icapuí no Ceará; Butiti de Goiás, em
Goías; Apicum –Açu, Campestre do Maranhão, Espereantinópolis e Icatu, no Maranhão;
Coxim, em Mato Grosso; Anapu e Igarapé- Miri, no Pará; Bayeux, na Paraíba; Monsenhor
Gil e São João do Piauí, no Piauí; Clevelândia e Ivaiporã, no Paraná; Engenheiro Paulo de
Frntin, Natividade, Prociúncula e Quatis, no Rio de Janeiro; São José dos Ausentes, no Rio
Grande do Sul; Cumbé, em Sergipe; Estrela D`Oeste, Guapiaçu e Paranapuã, em São Paulo,
e Brasilândia, em Tocantins.
Também durante 2000, foram concedidas às editoras estrangeiras sete bolsas de tradução e
publicação de títulos de autores brasileiros em diversos idiomas e dez bolsas para escritores
brasileiros com obras em fase final de conclusão, nas categorias narrativa, poesia e ensaio
literário.
Programa de Bolsas para Escritores Brasileiros com Obras em Fase de Conclusão - 2000
GÊNERO ESCRITOR OBRA
Narrativa Marco Aurélio Cardoso A revolta do boêmio
Barroso Nuvens Vermelhas
Carlos Roberto Numeriano Véspera
Adriana Brasília Lunardi Antes do Circo
Jerônimo Teixeira da Silva
Poesia Maurício Gomes de Matos Aquém das retinas
Antônio Carlos Secchin Poemas para pedra e vento
Cláudio Murilo Leal Cinelândia
Ensaio literário Celso Leopoldo Pagnan Machado de Assis e José de Alencar:
Raimundo Nonato Santos leituras
Cilaine Alves Cunha Ensaio sobre o perfil intelectual de
Prado Júnior
A destruição romântica da forma
Paralelamente, colheram-se ótimos resultados no tocante à capacitação de técnicos e
profissionais na área do livro e da leitura, ação executada em parceria com o Ministério do
Trabalho, mediante a utilização de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalho – FAT, o que
permitiu o treinamento de mais de 17 mil pessoas para trabalharem em bibliotecas, com
conhecimento especializado na área.
Concursos literários foram realizados, buscando incentivar estudos em torno de grandes
nomes da literatura e da historiografia brasileira, como Gilberto Freyre, Gustavo
Capanema, Rui Barbosa e Joaquim Nabuco. Foram também realizados concursos visando a
melhorar o padrão de qualidade visual dos livros produzidos no país
A vida e obra de Gilberto Freyre e Gustavo Capanema foram tema do II Concurso Nacional
de Ensaios do Ministério da Cultura em 2000. Os vencedores do concurso foram Júnia
Sales Pereira, com o tema Gustavo Capanema: pensamento e ação, e Bajonas Teixeira de
Brito Júnior, com o tema Gilberto Freyre: pensamento e ação.
O romancista mineiro Autran Dourado foi o ganhador do Prêmio Luís de Camões e recebeu
R$ 100 mil. Considerado o maior prêmio literário da língua portuguesa, é concedido pelos
governos de Portugal e Brasil. Já foram premiados, entre outros, os escritores brasileiros
João Cabral de Melo Neto, Rachel de Queiroz e Jorge Amado, o português José Saramago
e o angolano Artur Pestana “Pepetela”.
Diversas feiras de livro foram realizadas com o apoio do Ministério, destacando-se as
bienais internacionais do livro de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Em São Paulo,
a Bienal, que é considerada a mais importante feira do livro realizada no Brasil, com
reconhecimento internacional, reuniu os grandes nomes da literatura brasileira e
estrangeira, tendo em 2000 homenageado a escritora Lygia Fagundes Telles e o poeta João
Cabral de Melo Neto.
O ano de 2000 foi marcado também pelo início de importantes trabalhos na área do livro e
leitura, como a pesquisa sobre “Analfabetismo Funcional” - objetivando o estudo sobre as
pessoas que, apesar de terem um determinado nível de escolaridade, não são capazes de
interpretar textos, tabelas ou inferir informações dos mesmos - e “Informatização de
Bibliotecas” - um levantamento voltado para o problema das bibliotecas que necessitam ser
informatizadas, otimizando seus resultados.
Ainda em 2000, deu-se início a um importante projeto voltado para a criação de uma
biblioteca digital, a partir da indexação de dados bibliográficos e arquivísticos para
disponibilização mediática. A digitalização torna disponível à população o acervo da
Biblioteca Nacional, a maior da América Latina, constituído por nove milhões de peças
entre livros, periódicos, manuscritos, mapas, partituras e discos.
Fundação Biblioteca Nacional
A Fundação Biblioteca Nacional – FBN é vinculada ao Ministério da Cultura, sendo o
órgão responsável pela política de governo para o livro, a biblioteca e a leitura,
estabelecendo as estratégias fundamentais para o entrelaçamento destes três setores que
alicerçam a cultura brasileira. A FBN preserva um acervo bibliográfico e documental – a
Biblioteca Nacional – considerado o maior e mais rico da América Latina.
O Programa Nacional de Incentivo à Leitura – PROLER e o Projeto Livro Aberto são
iniciativas da Fundação, que também tem a missão de representar a produção literária do
país em feiras internacionais e coordenar as ações do Sistema Nacional de Bibliotecas
Públicas, entre outra atividades. Dentro do programa de apoio e divulgação da literatura
brasileira, a FBN concede bolsas para autores brasileiros com obras em fase de conclusão e
prêmios para autores que lançaram títulos marcantes durante o ano.
Para comemorar os 190 anos da Biblioteca Nacional, a FBN, com apoio do Ministério da
Cultura, realizou a exposição bibliográfica e iconográfica 500 Anos de Brasil, enfocando o
meio milênio de produção documental sobre o Brasil. Ainda como parte das festividades,
foi lançado o catálogo Iconografia do Rio de Janeiro 1530-1890 e preparado o livro
Brasiliana da Biblioteca Nacional – Guia das fontes sobre o Brasil, com cerca de 40
ensaios e imagens que revelam ao país o que há de mais representativo na cultura brasileira.
Outros eventos, como as conferências sobre Euclides da Cunha e a entrega da Ordem do
Mérito do Livro a 13 personalidades, fizeram parte dos eventos comemorativos.
Uma Biblioteca em Poço das Trincheiras
O programa Uma Biblioteca em cada Município, desenvolvido pela Secretaria do Livro e
Leitura, que tem como finalidade a ampliação e o fortalecimento da rede pública de
bibliotecas, aumentou de 2 para 3 mil o número de títulos para a composição dos acervos
bibliográficos das bibliotecas públicas.
Uma das comunidades atendidas pelo programa é a de Poço das Trincheiras, município
alagoano com pouco mais de 13 mil habitantes, localizado a 216 quilômetros de Maceió.
Cerca de 47,1% dos habitantes não sabem ler nem escrever e a maioria absoluta vive na
área rural. Um índice de analfabetismo que atinge centenas de outros municípios, em
particular regiões Norte e Nordeste do país.
O Censo 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, destaca que 17,6
milhões de pessoas ainda não são alfabetizadas. Desse total, 15,6% vivem na região Norte e
24,6% no Nordeste, onde a taxa de analfabetismo é a mais elevada entre as regiões do país.
No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o analfabetismo atinge, em média, 10% dos habitantes.
Nos últimos anos, segundo dados do IBGE, a taxa de alfabetização, em nível nacional,
passou de 80,3% em 1991 para 87,2% em 2000. No Nordeste, registrou-se, entretanto, um
crescimento de 12,9% na taxa de alfabetização, enquanto a média nacional de crescimento
da alfabetização foi de 7%.
ARTES VISUAIS
A atualidade artística nacional, no campo das artes visuais, em 2000, foi marcada pela
realização do Salão Nacional de Artes Plásticas, além de mostras diversas e exposições
fotográficas. Um amplo conjunto de atividades artísticas, entre elas o Programa
Macunaíma, que contaram com o apoio do Ministério da Cultura e da Fundação Nacional
de Artes – FUNARTE.
As galerias do Centro de Artes da FUNARTE acolheram, em 2000, exposições individuais
dos artistas Augusto Herkenhoff, Christiana Moraes, Elyeser Szturm e Marcos Chaves,
premiados nos 15º e 16º Salão Nacional de Artes Plásticas.
Como parte da premiação, foram publicados catálogos monográficos dos quatro artistas,
com uma tiragem total de 8 mil exemplares. A FUNARTE também editou e publicou o
catálogo do Prêmio Nacional de Fotografia 1997, com tiragem de 1 mil exemplares,
cumprindo compromissos anteriores.
Nos meses de fevereiro, março e abril, a galeria de fotografia da FUNARTE acolheu a
exposição fotográfica dos fotógrafos Lucia Mindlin Loeb e Everaldo Rocha, dando
prosseguimento ao projeto de fotógrafos selecionados para expor seu trabalho na galeria.
Ainda no ano de 2000, foi realizada, em parceria com a Fundação Bienal de São Paulo, a
exposição de fotografia Brazil Builds, composta de 70 fotografias sobre arquitetura
brasileira das décadas de 40 a 60, capturadas pela lente de um dos mais talentosos
fotógrafos especializados em arquitetura do século XX, G. E. Kidder Smith.
Especialistas da FUNARTE participaram de diversos eventos internacionais, visando à
promoção da arte brasileira, intercâmbio de informações e atualização de procedimentos
técnicos, como na exposição Brazil Without Frontiers, no Houston Center for Photography
(EUA), e na mostra Panorama da Fotografia Brasileira Contemporânea, promovida pelo
Departamento de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Arkansas (EUA).
Em 2000, o Projeto Macunaíma completou 23 anos. Este projeto realiza anualmente um
conjunto de exposições individuais e mostra coletiva, visando à difusão do trabalho de
artistas iniciantes de todo o país. Nos meses de setembro, outubro e novembro, para
comemorar a efeméride, foi realizada uma grande exposição homenageando os artistas que
iniciaram suas trajetórias no Macunaíma, nas galerias do Centro de Artes FUNARTE. Os
artistas selecionados foram Adriana Maciel, Adriana Varella, Alexandre Dacosta, Ana
Vitória Mussi, Ana Miguel, Angela Freiberger, Antonio Luiz M. Andrade (Almandrade),
Bia Medeiros, Carlos Carrion, Brito Velho, Célia Euvaldo, César Brandão, Daniel
Whitaker, Eduardo Frota, Eliane Duarte, Emmanuel Nassar, Fábio Miguez, Fernanda
Gomes, Fernando Lindote, Fernando Lopes, Franklin Cassaro, Giancarlo de Lorenci, Hélio
Fervenza, Isaura Pena, Jarbas Lopes, Karin Lambrech, Lívia Flores, Lúcia Koch, Luiz
Cesar Monken, Marcelo Cipis, Marcia Thompson, Marcos Chaves, Marcos Coelho
Benjamim, Maria Lucia Cattani, Newton Goto, Paulo Pasta, Raquel Garbellote, Regina de
Paula, Rodolfo Athayde, Simone Michelin, Suely Farhi, Vânia Mignone, Walter Barja e
Walter Guerra.
Ainda, como parte da programação relativa às comemorações do Projeto Macunaíma, foi
organizada uma mesa-redonda com a participação de Paulo Sergio Duarte (professor,
historiador e crítico de arte), Lígia Canongia (crítica de arte e curadora independente) e
Carlos Zílio (professor de História da Arte e artista plástico), que concentraram o debate em
torno das questões ligadas à profissionalização e à formação acadêmica em artes visuais
brasileiras contemporâneas, com seus desdobramentos no fazer artístico e no pensamento
crítico.
A FUNARTE, através da Coordenação de Artes Visuais, ofereceu apoio técnico e
equipamentos para as exposições do fotógrafo Evgen Bavcar e para o 6º Festival de Artes
Sem Barreiras, ambos apresentados em Brasília e promovidos pelo programa Very Special
Arts; foi dado também apoio à exposição do fotógrafo Walter Firmo, na Galeria Debret, em
Paris, e à exposição Visões da Bahia, apresentada no Centro Cultural Oduvaldo Vianna
Filho, no Rio de Janeiro.
ARTES CÊNICAS EM MOVIMENTO
A realização de um concurso nacional de textos para teatro e o incentivo ao intercâmbio
cultural estão entre as principais atividades desenvolvidas pelo Ministério da Cultura,
durante o ano 2000, no âmbito das artes cênicas.
O Programa Música e Artes Cênicas promoveu e apoiou a montagem e realização de
espetáculos de teatro e dança, a participação em mostras e festivais e a realização de
diversos concursos com atribuição de prêmios, em várias categorias. No total, foram
apoiados 126 eventos culturais, entre cursos, seminários, exposições, encontros e oficinas,
com um investimento superior a R$ 20 milhões.
Os projetos de intercâmbio cultural apoiaram mais de seis centenas de artistas e outros
profissionais. Numerosos produtores, artistas, técnicos e especialistas foram convidados a
participar de eventos e cursos no país e no exterior. O número de pessoas abrangidas pelo
apoio do Ministério da Cultura ao intercâmbio cultural ascende, desde 1996, a mais de três
mil.
Em 2000, foram concedidas 36 bolsas de estudo e trabalho no país e no exterior, destinadas
ao aperfeiçoamento e à especialização de profissionais ligados à criação artística e cultural
nas áreas de música e artes cênicas.
Recursos financeiros foram destinados a obras de infra-estrutura e modernização de
equipamentos em 13 teatros e espaços cênicos. Dentre os espaços beneficiados, destacam-
se o Teatro Municipal de Canela (RS), o Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, e o Teatro
Municipal da Casa de Cultura de Telêmaco Borba (PR).
Uma das principais realizações do Ministério da Cultura em 2000, no segmento das Artes
Cênicas, foi o Concurso Nacional de Textos Teatrais Inéditos, que contou com a inscrição
de 1.338 textos, dos quais 967 dirigidos ao público adulto e 371 ao público infantil. A
iniciativa representou um importante incentivo ao teatro, possibilitando tornar conhecidos,
dos produtores e do público em geral, novos autores, novos trabalhos na área da
dramaturgia e novos talentos.
Os premiados
Os quadros apresentam os trabalhos premiados nas categorias de teatro adulto e infantil,
incluindo as menções honrosas instituídas pela Comissão Julgadora. O custo do projeto foi
da ordem de R$ 40 mil.
Teatro adulto
Título Autor
1º colocado: R$ 10.000,00
A filha da... Carlos Eduardo Silva
2º colocado: R$ 6.000,00
História Estranha Araílton Alexandre Dias
3º colocado: R$ 4.000,00
Bodas de Ouro Vicente Carlos da Costa Maiolino
Menção Honrosa
Divina Lapa: Melodia Carioca Maria Teresa da Frota Moreira
Flechadas do teu Olhar Antonio Viana de Araújo
Fonte: SMAC / MinC
Teatro infantil
Título Autor
1º colocado: R$ 10.000,00
Trabalho e Justiça! – Vida e Antonio Marcos Gonçalves
Obra de Oswaldo Cruz Pimentel
2º colocado: R$ 6.000,00
Gustavo José Rezende Lemos
O Congadeiro das Estrelas
Ferreira
3º colocado: R$ 4.000,00
Charo y Paco: Aventura no
Carlos Henrique Roza Casanova
Tempo das Caravelas
Menção Honrosa
O Pássaro Real Maria de Lourdes Nunes Ramalho
Fonte: SMAC / MinC
Intercâmbio cultural
Foi realizada em julho de 2000, no Rio de Janeiro, a III Mesa Ibero-Americana de Artes
Cênicas. O evento possibilitou a troca de conhecimentos, a divulgação de experiências e o
debate em torno do desenvolvimento cultural de Portugal, Espanha e países da América
Latina. Participaram da reunião personalidades ligadas às políticas culturais e às artes
cênicas.
Em 2000, a quarta edição da Bolsa Virtuose, visando ao aperfeiçoamento, à especialização
e à reciclagem de autores, artistas e técnicos ligados diretamente à produção artística e
cultural, concedeu várias Bolsas de Formação para o Brasil e exterior.
As artes cênicas receberam 50 candidaturas, tendo sido selecionadas 13 delas (26 %), de
acordo com a disponibilidade orçamentária do programa. A área de música recebeu 32
candidaturas, tendo sido selecionadas oito (25%), em função das disponibilidades
orçamentárias do programa.
Destacam-se ainda, em 2000, o apoio a diversos espetáculos e festivais, como Pernambuco
em Concerto, que visa viabilizar a carreira artística dos músicos pernambucanos; a
montagem da ópera O Guarani, de Carlos Gomes, em Vitória (ES); festivais de dança de
Recife (PE), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Joinville (SC), Triângulo Mineiro (MG),
Belo Horizonte (MG); Festival de Teatro, Dança e Música de João Pessoa (PB) e o
Festival Nacional da Canção Popular de Cascavel (PR).
No exercício de 2000, o Ministério da Cultura, por meio da Fundação Nacional de Artes –
FUNARTE, apoiou a realização de festivais e mostras de teatro, dança e circo, dando
prioridade àqueles que não receberam recursos do Fundo Nacional de Cultura.
Receberam apoios, entre outros, a 25ª edição do Festival de Inverno de Campina Grande,
Paraíba, realizado em agosto, e o mamulengo Só Riso, de Olinda.
Os projetos em números
Relativamente ao Programa Nacional de Apoio à Cultura – PRONAC, no âmbito do
mecenato, até o dia 31/12/2000 a Secretaria de Música e Artes Cênicas processou uma
demanda de 762 projetos apresentados na área das artes cênicas, dos quais 699 foram
aprovados. Outros 192 foram incentivados.
Distribuição de número de projetos por segmento
Segmento
Teatro 564 525 141
Dança 154 135 40
Ópera 30 23 5
Circo 13 15 6
Artes Cênicas 762 699 192
Fonte: SMAC / MinC
Distribuição de recursos por segmento
Apresentados Aprovados Incentivados
Segmento
(R$) (R$) (R$)
Teatro 265.590.780,88 200.146.215,92 32.118.070,28
Dança 74.939.741,94 55.076.369,89 8.598.078,01
Ópera 23.455.649,11 17.413.260,41 1.119.302,00
Circo 7.849.547,08 8.646.458,27 1638.300,75
Artes Cênicas 371.992.450,57 281.446.872,62 43.473.751,04
Fonte: SMAC / MinC
Distribuição de número de projetos por segmento
SEGMENTO APRESENTADOS APROVADOS INCENTIVADOS
Teatro 564 525 141
Dança 154 135 40
Ópera 30 23 5
Circo 13 15 6
ARTES CÊNICAS 762 699 192
Distribuição de recursos por segmento
SEGMENTO APRESENTADOS APROVADOS INCENTIVADOS(
(R$) (R$) R$)
TEATRO 265.590.780,88 200.146.215,92 32.118.070,28
DANÇA 74.939.741,94 55.076.369,89 8.598.078,01
ÓPERA 23.455.649,11 17.413.260,41 1.119.302,00
CIRCO 7.849.547,08 8.646.458,27 1638.300,75
TOTAL 371.992.450,57 281.446.872,62 43.473.751,04
MÚSICA PARA TODOS
Fomentar e apoiar a criação e divulgação da música, seja ela de raiz popular ou erudita, é
um dos objetivos do Ministério da Cultura, na sua missão de democratizar e contribuir para
a abertura de novos caminhos e descoberta de novos valores.
Mais de R$ 45 milhões foram investidos pelo Ministério da Cultura, em 2000, por meio da
Secretaria da Música e Artes Cênicas e da Fundação Nacional de Arte – FUNARTE, em
incentivos destinados a promover o estudo, o conhecimento e a divulgação da música
brasileira e universal.
Nesse ano, foram apresentados ao Ministério da Cultura 854 projetos, dos quais 701 foram
aprovados. Desses, 187 conseguiram incentivos que giraram na ordem dos R$ 45 milhões
(tabela 1). O maior número de projetos aprovados é oriundo da região Sudeste do país,
correspondendo a 86,97% dos investimentos (tabelas 2 e 3).
Tabela 1 - Incentivos
Situação Nº de projetos Valor total dos projetos
Apresentados 854 453.690.565,69
Aprovados 701 255.375.443,89
Incentivados 187 47.542.769,37
Fonte: SMAC / MinC
Tabela 2 – Projetos por região
Apresentados Aprovados Incentivados
Região Nº de Projeto % Nº Projeto % Nº Projeto %
Centro-Oeste 110 12,88 87 12,41 18 9,63
Nordeste 123 14,40 96 13,70 13 6,95
Norte 06 0,70 03 0,43 01 0,53
Sudeste 452 52,93 389 55,49 113 60,43
Sul 163 19,09 126 17,97 42 22,46
Total 854 100 701 100 187 100
Fonte: SMAC / MinC
Tabela 3 – Valor dos projetos
Apresentados Aprovados Incentivados
Região Valor (R$) % Valor (R$) % Valor (R$) %
Centro-Oeste 56.300.685,95 12,41 23.368.827,79 9,13 1.633.075,30 3,44
Nordeste 48.689.006,51 10,73 28.933.066,85 11,32 1.040.478,41 2,19
Norte 9.966.517,40 2,20 2.500.792,20 0,98 125,00 0,00
Sudeste 293.179.091,92 64,62 177.991.503,97 69,55 41.350.119,32 86,97
Sul 45.555.263,91 10,04 22.581.253,08 8,84 3.518.971,34 7,40
Total 453.690.565,69 100 255.914.139,21 100 47.542.769,37 100
Fonte: SMAC / MinC
Dentre os programas desenvolvidos na área de música, destacam-se o Programa de Apoio a
Orquestras e o Programa de Apoio a Bandas Municipais.
O Programa de Apoio a Orquestras foi criado em 1997 e, desde então, tem tido papel de
relevo na divulgação da música clássica no Brasil. O programa tem como objetivo apoiar
orquestras brasileiras com vistas à realização de séries de concertos gratuitos,
preferencialmente, com a apresentação de compositores brasileiros. Procura-se, deste
modo, difundir e incentivar a criação de obras de compositores nacionais e uma maior
identificação do público com a música clássica.
Em 2000, o Programa de apoio a orquestras obteve R$ 1.088.213,97, entre recursos do
Tesouro e do Fundo Nacional da Cultura – FNC (tabela 4).
Tabela 4. Recursos
Origem do recurso Valor do recurso
Tesouro 561.921,92
Fundação Nacional da Cultura – FNC 526.292,05
Total 1.088.213,97
Fonte: SMAC / MinC
Programa Nacional de Apoio a Bandas Municipais – Incentivar a criação e apresentação
de bandas – que são, em muitos casos, o único pólo cultural dos municípios - é objetivo
primordial deste programa. Ele concretiza-se pela doação de instrumentos (conjuntos com
18 instrumentos musicais), partituras e oferta de cursos de capacitação aos regentes, bem
como de cursos de conservação de instrumentos musicais.
No ano de 2000, no âmbito deste programa, foram doados 375 conjuntos, com um total de
6.750 instrumentos. A distribuição abrangeu todas as regiões do país (tabela 5). O valor dos
recursos investidos foi de R$ 5.647.500,00.
Tabela 5. As Bandas
Região Nº de Bandas %
Centro-Oeste 49 13,07
Nordeste 131 34,93
Norte 55 14,67
Sudeste 86 22,93
Sul 54 14,40
Total 375 100
Fonte: SMAC / MinC
O Ministério da Cultura realizou, ainda na área da música, convênios no valor de R$
3.408.686,45, que beneficiaram meia centena de projetos, além de conceder oito bolsas
pelo Programa de Bolsa Virtuose. As tabelas 6 e 7 mostram a distribuição de todos os
projetos apresentados, aprovados e incentivados.
Tabela 6 – Número de projetos
Apresentados Aprovados Incentivados
Segmento
Nº Projetos % Nº Projetos % Nº Projetos %
Áreas Integradas 16 1,87 15 2,14 06 3,21
Música em geral 586 68,62 457 65,19 94 50,27
Música erudita 137 16,04 130 18,55 55 29,41
Música instrumental 107 12,53 94 13,41 28 14,97
Orquestra 08 0,94 05 0,71 04 2,14
Total 854 100 701 100 187 100
Fonte: SMAC / MinC
Tabela 7 – Valor de projetos
Apresentados Aprovados Incentivados
Segmento
Valor (R$) % Valor (R$) % Valor (R$) %
Áreas Integradas 7.972.362,22 1,76 5.995.689.74 2,34 331.127,00 0,70
Música em geral 293.563.428,71 64,71 150.162.057,22 58,68 19.258.477,90 40,51
Música erudita 93.002.714,18 20,50 58.242.446,71 22,76 13.678.816,33 28,77
Música
56.817.558,32 12,52 40.351.853,84 15,77 10.826.025,14 22,77
instrumental
Orquestra 2.334.502,26 0,51 1.162.091,21 0,45 3.448.323,00 7,25
Total 453.690.565,69 100 255.914.139,21 100 47.542.769,37 100
Fonte: SMAC / MinC
PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL
PRESERVAR O PASSADO PARA CONSTRUIR O FUTURO
A preservação do passado é fundamental para que o homem construa sua história,
compreenda seu presente e possa perspectivar seu futuro. Esse entendimento do papel do
homem na construção do seu destino e no progresso da humanidade significa investir nas
áreas do patrimônio histórico, artístico e arqueológico. Significa investir na restauração e
conservação de centros históricos, igrejas, monumentos, bens integrados e acervos.
Essa é uma missão a que o Ministério da Cultura se tem dedicado, bem como à
disseminação de nossas diferentes manifestações populares, de forma a reverter o quadro de
degradação do patrimônio histórico e cultural do país.
Programa Monumenta/ BID
A revitalização do patrimônio cultural em centros urbanos e sítios arqueológicos, criando
condições para a sua sustentabilidade, constitui o objetivo essencial do programa
Monumenta: Preservação do Patrimônio Histórico, lançado em 2000, graças a uma
parceria do Ministério da Cultura e do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID,
com a participação da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura
– UNESCO.
O Monumenta – trabalho pioneiro de recuperação e preservação dos conjuntos patrimoniais
urbanos nacionais – deverá mobilizar, em sua primeira etapa, a desenvolver até 2003, mais
de US$ 200 milhões. É o maior investimento feito até hoje na preservação do patrimônio
brasileiro, em um só período de governo. Os recursos têm origem em três fontes: US$ 62,5
milhões são provenientes de empréstimo do BID; US$ 62,5 milhões do Orçamento da
União e contrapartidas dos estados e municípios; o restante tem origem em instituições
financeiras e empresas participantes do programa.
As cidades selecionadas para a primeira fase de realização do Monumenta são as que
representam os conjuntos patrimoniais mais importantes do país: Ouro Preto(MG), Olinda
(PE), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE), Salvador (BA), São Luís (MA) e São Paulo (SP).
Em 2000, foram contempladas as cidades de Ouro Preto, Olinda, Rio de Janeiro e Recife,
cujas prefeituras assinaram convênios para a execução de diversas ações de restauração e
conservação de seus patrimônios históricos e arquitetônicos, no âmbito do programa
Monumenta.
Em Olinda, o projeto envolve toda a colina histórica da cidade e seus principais edifícios,
como as igrejas de Nossa Senhora do Carmo, do Rosário e do Amparo, além de espaços
públicos – um investimento total de cerca de R$ 6,4 milhões.
Em Ouro Preto, a intervenção do Monumenta abrange a urbanização do Vale dos Contos, a
restauração de monumentos tombados, como a Igreja de Antônio Dias, a Casa Gonzaga e o
Teatro Municipal, entre outros – um valor total orçado em R$ 10, 7 milhões.
No Recife, o sucesso da revitalização do pólo do Bom Jesus inspirou a continuidade do
projeto de restauração previsto no convênio assinado entre a prefeitura e o
Monumenta/BID. Cerca de R$ 24,6 milhões foram destinados à restauração da Igreja
Madre de Deus e o seu entorno, como o Cais da Alfândega, a Rua da Moeda e a Rua Madre
de Deus, sendo R$ 5,3 milhões provenientes de recursos do Ministério, R$ 2,3 milhões da
prefeitura e R$ 17 milhões da iniciativa privada.
A parceria no Rio de Janeiro abrange a restauração e mudança de uso dos imóveis nos
arredores da Praça Tiradentes: o Solar do Barão do Rio Seco, as casas da Rua Gonçalves
Ledo, a Igreja do Santíssimo Sacramento, o tratamento dos logradouros públicos, incluindo
recuperação de passeios e vias públicas, iluminação, sinalização e mobiliário urbano, a
restauração do monumento a Dom Pedro I e o conjunto de esculturas com alegorias da
República. No total, foram investidos R$ 10,9 milhões, sendo R$ 7,6 milhões de recursos
do Governo Federal e o restante da Prefeitura.
Para 2001, foram convidados a participar do programa Monumenta mais duas dezenas de
municípios, além daqueles já selecionados para a primeira fase.
Obras de restauro e tombamento
Durante o ano de 2000, foram realizadas mais de 120 ações de preservação de bens imóveis
do patrimônio histórico. De 1996 a 2000, quase um milhão de peças que fazem parte do
acervo e bens integrados do patrimônio nacional foram objeto de obras de conservação e
restauro. No mesmo período, no desenvolvimento das ações dirigidas para o patrimônio
cultural não abrangidas pelo programa Monumenta, foram conservados, revitalizados e/ou
restaurados mais de 700 bens imóveis.
Dentre as obras de restauração e preservação de bens do patrimônio histórico,
realizadas em 2000, destacam-se:
Obra Região
Início da recuperação física e Rio de Janeiro
restauração do Monumento Nacional aos
Mortos da II Guerra Mundial
Restauração dos afrescos da Igreja Lagoa do Ouro (PE)
Nossa Senhora da Conceição
Restauração da Igreja de São São Gonçalo do Amarante (RN)
Gonçalo do Amarante
Recuperação do telhado da Igreja de Petropólis (RJ)
Nossa Senhora dos Anjos
Restauração dos bens móveis e João Pessoa (PB)
integrados da Igreja de Santa Teresa da
Ordem Terceira do Carmo
Cobertura definitiva da nave da Mariana (MG)
Igreja de Nossa Senhora do Carmo
Reurbanização da Praça Getúlio São Cristovão (SE)
Vargas
Instalação de sistemas de proteção Minas Gerais
contra descargas atmosféricas em
monumentos tombados
Reforma dos equipamentos de luz e São Miguel das Missões (RS)
som das ruínas de São Miguel das Missões
Restauração do Forte São Marcelo Bahia
Consolidação de paredes, conclusão São Miguel das Missões (RS).
de cercadura e manutenção das estruturas de
São Miguel Arcanjo
Diversos tombamentos de bens do patrimônio cultural nacional foram efetivados em
2000. Dentre outros, destaca-se o tombamento da Região da Luz, no centro de São Paulo,
devido à sua importância cultural e histórica. Esse conjunto urbano é agora Patrimônio
Nacional, sendo integrado pela Pinacoteca do Estado, pelo Jardim da Luz, pela Estação e
pela Praça Júlio Prestes, pelo Edifício Martinelli, pelo Museu de Arte Sacra e pela Estação
da Luz.
Foram aprovados, também, os tombamentos do Sítio Roberto Burle Marx, no Rio
de Janeiro, da escultura de Nossa Senhora do Rosário, de autoria de Aleijadinho, em Ouro
Preto, e do estádio do Maracanã, símbolo do futebol brasileiro, no Rio de Janeiro.
Maracanã – ícone do futebol mundial e patrimônio do Brasil
Em 2000, o Estádio Mário Filho, no Rio de Janeiro, conhecido no Brasil e no mundo como
Maracanã – nome que ganhou do rio que corre próximo –, foi considerado pelo Conselho
Consultivo do Iphan patrimônio histórico e artístico do Brasil. A classificação reflete a
universalização do conceito de que o esporte, sobretudo o futebol, é parte indissociável da
cultura nacional.
Edificado para sediar a Copa do Mundo de 1950, o processo de construção foi lançado em
1947, quando a Prefeitura do Rio de Janeiro abriu concorrência pública para o projeto
arquitetônico do estádio. O projeto vencedor foi de autoria da equipe de arquitetos formada
por Waldir Ramos, Raphael Galvão, Miguel Feldman, Oscar Valdetaro, Orlando Azevedo,
Pedro Paulo Bernardes Bastos e Antônio Dias Carneiro.
Inaugurado no dia 17 de junho de 1950, em solenidade presidida pelo general Eurico
Gaspar Dutra, o Maracanã - um dos maiores e mais famosos estádios do mundo – chegou a
ter capacidade para 200 mil pessoas. Atualmente, a sua capacidade está limitada a 105 mil
espectadores. Seu formato é oval, medindo 317 metros no eixo maior e 279 metros no
menor. Sua altura máxima é 32 metros e a distância entre o centro do campo e o espectador
mais afastado é 126 metros.
Do folclore ao artesanato – em defesa dos bens culturais imateriais
Difundir nossas manifestações populares, como o folclore, o artesanato, as festas
tradicionais, as feiras populares, as lendas e mitos de todas as regiões do país, é
determinante para manter e fortalecer o patrimônio imaterial brasileiro. Em agosto de 2000,
foi publicado o Decreto nº3.551, instituindo o Registro de Bens Culturais de Natureza
Imaterial , que dá ao Brasil meios para resguardar sua diversidade cultural.
Nesse contexto, diversas ações foram desenvolvidas, com vistas ao apoio aos
grupos e festivais folclóricos, como a realização do XXXV Festival Folclórico de Parintins,
no Amazonas, que reuniu mais de quarenta mil pessoas, os tradicionais festejos juninos nos
estados da Paraíba e Ceará e o apoio à produção artesanal da cidade de Juazeiro (CE), entre
outros.
O Programa de Apoio a Comunidades Artesanais, em parceria com o Programa
Artesanato Solidário do Conselho da Comunidade Solidária, com recursos da
Superintendência de Desenvolvimento dos Estados do Nordeste – SUDENE, do Serviço
Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa – SEBRAE e do Ministério da Cultura,
desenvolveu projetos de produção artesanal em pólos como o Candeal, com a ampliação do
Galpão dos Oleiros para realização de atividades artesanais, em especial de trabalhos de
modelagem de louça utilitária.
No decorrer do ano, foram realizadas exposições em São Paulo, Belo Horizonte e Brasília,
além da manutenção permanente de venda de peças na Loja do Museu, no Rio de Janeiro.
Dentre os projetos educativos, o De Mala e Cuia destaca-se como um projeto
itinerante de apoio à pesquisa escolar na área do folclore, reunindo coleções de livros,
recortes de jornais e revistas, fotografias, discos e vídeos sobre diversos temas.
O Museu de Folclore Edson Carneiro, da Funarte, foi cenário de exposições
importantes para a divulgação do folclore e artesanato brasileiro. A mostra Brinquedos do
Agreste, que reuniu trabalhos de dois grupos de artesãos da Paraíba – as bonecas de pano da
cidade de Esperança e os caminhões de madeira de Itabaiana –, faz parte do Programa de
Artesanato para Geração de Renda.
Outro evento realizado, em 2000, no Museu da Funarte foi a exposição Cazumbá –
Máscara e Drama no Boi do Maranhão, que contou com máscaras feitas por artesãos, em
madeira ou tecido, e complementadas por cerdas, fibras naturais, miçangas e sucata.
Museus - Memória e Futuro
Um dos aspectos mais significativos da ação do Ministério da Cultura na promoção e
valorização da memória e do patrimônio cultural nacional manifesta-se nos diversos
museus nacionais, cujo acervo e atividades vêm adquirindo, na última década, nova
relevância e dinamização, bem como maior interesse e credibilidade junto ao público das
diferentes regiões do país.
O programa Museu Memória e Futuro visa a revitalizar os museus e casas históricas da
União, dando-lhes condições de sustentabilidade, de modo a possibilitar o cumprimento de
seus objetivos e seu papel cultural e social. Até 2003, espera-se alcançar uma freqüência de
mais de três milhões de visitantes por ano. Atualmente, o número de visitantes é em torno
de 2.5 milhões.
Em 2000, foram desenvolvidos, além das ações regulares de manutenção e preservação
preventiva, programas de modernização em 15 museus nacionais. Climatização,
capacitação de técnicos, aquisição de equipamentos e aparelhamento técnico estão entre os
principais programas desenvolvidos em diversos museus. Foram objeto dessas ações, entre
outros, o Museu Histórico Nacional e o Paço Imperial (RJ); o Museu da Inconfidência, em
Ouro Preto (MG), onde foi implantado um novo projeto museográfico e reformulada a sua
exposição permanente, e o Museu Imperial, em Petrópolis (RJ), com instalação de novos
procedimentos de segurança; o Museu Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, onde foi
feita a recuperação do telhado e das pinturas originais das paredes e tetos.
A inventariação museológica foi também uma das atividades em que se registrou especial
empenho, durante 2000. No total, foram inventariadas mais de dez mil peças.
Os museus nacionais tiveram um ritmo intenso de atividades, com a promoção de diversas
exposições e eventos, sendo as principais as alusivas aos 500 Anos do Descobrimento do
Brasil.
O Museu Histórico Nacional promoveu a inauguração do Centro de Referência Luso-
Brasileiro; a Casa do Trem reabriu ao público com a exposição Vilas e Cidades do Brasil
Colonial e montou exposição itinerante do Redescobrimento. No mesmo espaço, foi
apresentada a exposição Anne Frank, com documentação abordando a experiência e a luta
pela vida da jovem judia durante a II Guerra Mundial, bem como a exposição Amazônia - O
Povo das Águas.
Merecem também destaque as exposições promovidas pelo Museu Imperial Visão do Rio
Antigo na Coleção Geyer, visitada por mais de 40 mil pessoas, e Grandes Doações – 60
Anos de Museu Imperial, com mais de 67 mil visitantes.
As principais atividades do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, outro dos museus
nacionais do país, foram a publicação do 11º volume dos Autos da Inconfidência Mineira, a
exposição de escultura da artista portuguesa Cláudia Lima e a exposição de esculturas de
Solange Pessoa.
Ainda em 2000, o principal destaque das iniciativas desenvolvidas pelo Museu Villa-
Lobos, de Brasília, vai para o seu 39º Festival de música Villa-Lobos.
O Museu da República foi responsável pela exposição Eu, Getúlio, mostra de caráter
multimídia que retrata o perfil do estadista republicano e que foi visitada por cerca de 58
mil pessoas. O Paço Imperial, por seu turno, acolheu três marcantes exposições:
Expressionismo Alemão, Brasil 500 Anos – Imagens do Inconsciente e Quando o Brasil era
Moderno, atraindo um público de quase 300 mil pessoas. No Museu Casa de Rui Barbosa
(RJ), foi realizado o IV Seminário sobre Museus-Casas, que congregou especialistas do
país e do exterior.
Destaque-se, no Museu de Belas Artes, no Rio de Janeiro, a realização de uma das maiores
exposições ocorridas no Brasil em 2000, Esplendores de Espanha: de El Greco a
Velásquez, visitada por mais de 150 mil pessoas, além da exposição Imagens do Barroco,
módulo integrante da Mostra do Redescobrimento – Brasil 500 Anos, realizada com
enorme sucesso em São Paulo.
O AUDIOVISUAL E O RESGATE DO CINEMA
A participação do audiovisual brasileiro no mercado nacional registra de novo uma
tendência de crescimento, depois de um período de forte retração, em particular nos
primeiros anos da década de 90. A tendência de crescimento tornou-se mais clara após a
entrada em vigor de leis de incentivos fiscais. Em 2000, a presença da produção brasileira
no mercado nacional ultrapassou os 10 %. A meta definida no âmbito do Programa
Brasileiro de Qualidade e Produtividade prevê atingir os 20 % de ocupação do mercado
nacional até 2003.
Para conseguir tal objetivo, o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual,
aposta em uma maior articulação entre os elos da produção, distribuição e exibição e na
melhoria dos níveis de gestão, organização e competitividade das empresas produtoras e do
produto nacional.
O mercado do audiovisual no Brasil é hoje um dos oito maiores do mundo,
com crescimento constante nos últimos anos. A quota de mercado da
produção nacional em 2000 era de 10%, com 28 novos filmes lançados no
mercado, contra os 0,05% registrados em 1992. O crescimento verificado
deve-se fundamentalmente às leis de incentivo fiscal e às políticas
específicas realizadas.
Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade
A meta do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade – PBQP –
para o audiovisual é atingir o percentual de 20% de ocupação do mercado
nacional até 2003, elevando a partir desse ano o número de lançamentos para
60 filmes/ano. Em 1995, esta participação era de 3%, em 1999 de 2% e em
2000 ultrapassou os 10%.
O PBQP integra cinco grandes projetos que objetivam aumentar a produção
com melhoria de qualidade e redução dos custos do filme brasileiro,
expandir e diversificar a distribuição no mercado interno, melhorar a
qualidade e diversificar a exibição, fomentar a expansão e competitividade
do cinema nacional, além de melhorar os níveis de organização e gestão na
cadeia produtiva do cinema brasileiro.
A melhora nas atividades audiovisuais é perceptível nos últimos cinco anos, tanto na
qualidade das produções, quanto em público. Essa retomada é explicada basicamente pela
alteração da legislação do audiovisual, pela divulgação dos mecanismos de incentivos
fiscais existentes e pelo apoio a projetos em função de recursos dos orçamentos anuais.
Os grandes programas do audiovisual
A Redescoberta do Cinema Nacional – Um Encontro com o Brasil e com a Cidadania,
criado em 1999, faz parte da política cultural de consolidação da indústria cinematográfica
do país, visando a despertar o público brasileiro para um reencontro com a trajetória de
formação de nossas bases históricas e culturais, com as raízes de nosso imaginário coletivo.
Este projeto foi idealizado como um instrumento de suporte para a formação de público
para o filme brasileiro em bases sustentáveis e para subsidiar o alcance da meta do
audiovisual do PBQP. No ano de 2000, o projeto movimentou recursos em torno de R$
380 mil.
Em sua essência, esse projeto tem vários objetivos, entre eles o de levar o
cinema ao povo, aumentando a visibilidade de nossos filmes, e o de
contribuir para divulgar os temas básicos de nossa formação social, cultural
e histórica. Um outro objetivo é contribuir para fortalecer o espírito de
cidadania. E este, mais do que qualquer outro, é o sentido do que se está
fazendo com o subprojeto Cinema na Praça. Ele procura revitalizar a praça
pública, tornando-a um lugar onde a população se diverte e se descobre,
onde a população consiga exercitar o seu sonho de liberdade, com igualdade
e solidariedade. Tais objetivos visam a fortalecer a nossa identidade cultural,
ameaçada pela dominação de filmes estrangeiros no mercado de exibição.
A Redescoberta do Cinema Nacional exibe filmes brasileiros de longa,
média e curta-metragem na TV Escola, TV Educativa, TV Cultura, TV
Senado, TV Câmara e Canal Brasil. O projeto inclui o Cinema na Praça que,
de dezembro a março de 2000, foi apresentado nas seguintes cidades:
Carapicuíba (SP), Caxias do Sul (RS), Lages (SC), Ponta Grossa (PR),
Cachoeiro de Itapemirim (ES), Belo Horizonte e Uberlândia (MG), Feira de
Santana (BA), Caruaru (PE), Campina Grande (PB), Mossoró (RN), Sobral
(CE), Floriano (PI) e Caxias (MA).
Na TV Escola, o projeto atinge cerca de 62 mil escolas públicas espalhadas
pelo país, alcançando um público de primeiro e segundo graus de ensino,
que, habitualmente, não tem acesso ao cinema e aos bens culturais.
Em 2000, a programação do projeto foi dividida em quatro módulos: origens
do Brasil; formação da sociedade e da cultura brasileira; Brasil moderno;
Brasil contemporâneo. Foram exibidos filmes consagrados, como Central do
Brasil, de Walter M. Salles, Orfeu, de Cacá Diégues, Carlota Joaquina, de
Carla Camurati, e Guerra de Canudos, de Sérgio Rezende, entre outros.
Programa Mais Cinema – É, fundamentalmente, um programa de financiamento ao
audiovisual. Ele visa a consolidar a posição do cinema brasileiro no mercado interno, com
maior oferta de produtos e ampliação das possibilidades de distribuição e exibição de
filmes nacionais, de forma a potencializar a atração de novos investimentos públicos e
privados, além da geração de emprego e renda.
O Mais Cinema resulta de uma parceria entre o Ministério da Cultura, o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, Banco
do Brasil e o Serviço Brasileiro de Apoio ao Micro e Pequeno Empresário –
SEBRAE, envolvendo um crédito de R$ 80 milhões com o qual se espera
viabilizar a conclusão de cerca de 60 projetos.
Em 2000, nove projetos foram aprovados no Programa Mais Cinema. A Secretaria do
Audiovisual mobilizou R$ 2,4 milhões de recursos do orçamento do Ministério da Cultura,
e o BNDES, outros R$ 5,6 milhões, acumulando um montante de R$ 8 milhões.
Cinema Brasil – Este programa tem a finalidade de apoiar a produção de filmes de longa-
metragem com orçamento de até R$ 1 milhão. Ele tem por objetivo consolidar a presença
do cinema brasileiro no mercado de exibição. Em 2000, este programa utilizou R$ 4,07
milhões de recursos e foram selecionados 11 filmes.
Filmes apoiados pelo Cinema Brasil
Filme Diretor e/ou Produtora
Amarelo Manga - Alugam-se Vagas Cláudio de Assis Ferreira
Avassaladoras – Mulheres em Crise de Amor Maria Mourão
Celeste & Estrela Betse de Paula
Dois Perdidos numa Noite Suja José Joffily
Estórias de Trancoso Augusto Sevá
Houve uma vez Dois Verões Jorge Furtado
O Invasor Beto Brant
Rua Seis sem Número João Batista de Andrade
Seja o que Deus quiser Murilo Salles
As Vidas de Maria Renato Barbieri
Wood & Stock Otto Guerra
Fonte: SAV / MinC (janeiro de 2001)
Apoio à Comercialização de Filmes – Trata-se de um programa de apoio à distribuição e
exibição de obras cinematográficas nacionais, com o objetivo de apoiar empresas
brasileiras de produção independente e de distribuição. Entre dezembro de 1999 e março de
2000, este programa beneficiou 18 filmes. Entre abril e dezembro de 2000, foram
beneficiados 12 filmes, envolvendo recursos na ordem de R$ 1,3 milhão.
Filmes beneficiados entre dezembro de 1999 e março de 2000
Filme Diretor (a)
A Terceira Morte de Joaquim Bolívar Flávio Cândido da Silva
Amélia Ana Carolina
Através da Janela Tata Amaral
Bossa Nova Bruno Barreto
Castelo Rá-Tim-Bum – O Filme Cao Hamburger
Cronicamente Inviável Sérgio Bianchi
Cruz e Souza – o Poeta do Desterro Sylvio Back
Fé Ricardo Dias
Gêmeas Andrucha Waddington
Hans Staden Luiz Alberto Pereira
Iremos a Beirute Marcos Moura
No Coração dos Deuses Geraldo Moraes
O Dia da Caça Alberto Graça
Oriundi Ricardo Bravo
Reunião dos Demônios Cecílio Neto
Santo Forte Eduardo Coutinho
Um Certo Dorival Caymmi Aluisio Didier
Villa-Lobos – Uma Vida de Paixão Zelito Viana
Fonte: SAV / MinC (janeiro de 2001)
Filmes beneficiados em 2000
Filme Diretor (a)
Bicho de 7 Cabeças Lais Bodanski
Brava Gente Brasileira Lúcia Murat
O Casamento de Louise Betse de Paula
O Circo das Qualidades Humanas Jorge Moreno
Condenado à Liberdade Emiliano Ribeiro
Milagre em Juazeiro Wolney Oliveira
Negociação Mortal Marcelo Taranto
Subúrbio Soul: O Rap do Príncipe Paulo Caldas e Marcelo Luna
Tônica Dominante Mina Chamir
O Tronco João Batista de Andrade
Uma Vida Dividida Kim Andrade
As Feras Walter Hogo Khouri
Fonte: SAV / MinC (janeiro de 2001)
Curtas-metragens e Documentários – Este é um programa iniciado em 1997 e que objetiva
apoiar a produção de filmes de curta-metragem e documentários de média-metragem.
Apoio que procura promover o acesso desses filmes ao mercado em expansão das Tevês
abertas, a cabo e comunitárias. Ele funciona também como “escola” para a produção
cinematográfica nacional de longa metragem.
Em 1999, a Secretaria do Audiovisual premiou, por meio de concurso, 32
filmes de curta-metragem e 12 documentários de média-metragem. Os curtas
foram, em sua maioria, produzidos em 2000, envolvendo recursos na ordem
de R$ 1,2 milhão. Os de média-metragem, por sua vez, foram todos
produzidos em 2000, envolvendo um volume de recursos na ordem de R$
960 mil.
Curtas-metragens premiados
Filme Diretor e/ou Produtora
Açaí com Jabá Marcos Vinícius de Oliveira
BMW Vermelho Reinaldo Pinheiro
O Cabeça de Copacabana Raccord Produções Artísticas e Cinematográficas Ltda.
Caronte a Baleia Walter Plitt Quintini
Casa Murilo Mendes José Sette de Barros
Coda Fábio Baroni
Deixa Dilson A. R. Produções e Promoções Ltda.
O General Fábio Alencar de Carvalho
Histórias da Dona Lili Regina Ramoska
Os Irmãos Williams Paulo Ricardo Dantas Xavier
A Janela Aberta Philippe Barcinski
O Jardineiro do Tempo Mauro Giuntini Viana
A Lenda do Dia e da Noite Rui Gonçalves de Oliveira
Manaíra Petardo Produções de Audiovisual Ltda.
Mangueira de Amanhã Mônica de Figueiredo Bahague
Morto-Vivo Janaína Cordeiro Freire
As Mulheres Choradeiras Jorane Ramos de Castro
Nessa Poeira Não Vem Mais Seu Pai José Maria Teijido
Outros Gustavo Spolidoro
Os Outros Fernando Mozart
Pai Norato José Lino Curado
Paisagem de Meninos Heloisa Azevedo Passos
Pixaim Truque Produtora de Cinema, TV e Vídeo Ltda.
O Retrato Pintado Joe de Faria Pimentel
A Revolta do Vídeo Tape Rogério Marcelino de Moura
Rifa-me Ainouz Produções Cinematográficas Ltda.
A Sintomática Narrativa de
Carlos Frederico B. Dowling
Constantino
The Book Is On the Table B.P.P. Produções Audiovisuais Ltda.
Tropel República Pureza Filmes Ltda.
Uataú Ademilde Tôrres Avelar
Urubuzal Farid José Tavares
O Velho, O Mar e O Lago Camilo Santos Cavalcante
Fonte: SAV / MinC (janeiro de 2001)
Documentários de média-metragem premiados
Filme Diretor e/ou Produtora
Amazônia – Rede Interdependente Raiz Produções Cinematográficas Ltda.
Assim é o Paraíso Empório de Cinema Eventos Promoções Art. Ltda.
Brasília dos 500 anos Ricardo Camargo de Souza Dias
Gabriel Malágrida – o Taumaturgo do
Renato F. Barbieri
Brasil
Glauber – O filme Sílvio Tendler
A Invenção da Infância M. Schmidt Produções Ltda.
A Negação do Brasil – A História do
Joelzito A.Araujo
Negro na Telenovela Brasileira
Por Mares Nunca Dantes Navegados Regina Jehá
A Rampa Marcelo Moreira S. Massagão
Restos do Ofício Lucas Bambozzi
Secos e Molhados Natora Produções Grotz Sociedade Civil Ltda.
Vida, Paixão e Morte do Padre Cícero na
Cariri Produções Artísticas Ltda.
Terra da Mãe das Dores
Fonte: SAV / MinC (janeiro de 2001)
Cinema dos Brasileiros – Este programa realiza-se sob a forma de mostra de curtas-
metragens e documentários premiados em concursos públicos do Ministério da Cultura.
A mostra, inaugurada em junho de 2000, em Porto Alegre, exibiu, até ao final deste ano, 53
filmes premiados em 1999 e 2000, que foram apresentados em várias cidades do país. Além
da capital gaúcha, a mostra foi levada a Santo André, Goiânia, Brasília, Belém, Belo
Horizonte, Juiz de Fora, Florianópolis e Rio de Janeiro. A mostra contou com o apoio da
Associação Brasileira de Documentaristas – ABD / Nacional. Em 2000, foram investidos
no programa Cinema dos Brasileiros cerca de R$ 55 mil.
Foram apresentados, entre outros, Os Camaradas, de Bruno de André, O Velho, de Toni
Venturi, Nos Tempos do Cinematógrafo, de Kika Lopes, e A Mãe, de Fernando Bélens.
O Grande Prêmio
No ano de 2000, o Ministério da Cultura promoveu o Grande Prêmio
Cinema Brasil, além de outras ações no âmbito do audiovisual, como
fomento do intercâmbio cultural, o Programa Quintas nas Cultura, apoio a
festivais de cinema, acordos de co-produção e registro de obras audiovisuais.
Demonstrativo do investimento em cada programa
Atividade Investimento (R$)
Grande Prêmio Cinema Brasil 1.350.000,00
Quintas na Cultura 32.000,00
Apoio a festivais de cinema 500.000,00
Intercâmbio cultural 280.000,00
Registro de obras audiovisuais 3.500.000,00
Fonte: SAV / MinC (janeiro de 2001)
Desde 1995, o volume de investimento em projetos audiovisuais e
cinematográficos cresceu muito em função da implementação da Lei do
Audiovisual e da Lei Rouanet, dando um novo impulso à produção nacional.
Em 1995, esse volume chegou a R$ 26 milhões; em 1996, superou os R$ 75
milhões; em 1997, ultrapassou a marca dos R$ 113 milhões, registrando um
volume de recursos superior a R$ 200 milhões nos três primeiros de vigência
das referidas leis.
No ano de 2000, os recursos captados com as leis somaram R$ 29 milhões.
Nos seis primeiros anos de sua aplicação, os recursos captados ultrapassaram
os R$ 340 milhões. A tabela 1 registra a evolução dos recursos captados.
Tabela 1 – Comparativo dos recursos captados pelas leis
Ano de Lei do Audiovisual Total de
Lei Rouanet
Referência Art. 1º Art. 3º Captação
1995 17.028.376 4.030.992 5.266.635 26.326.003
1996 50.449.952 7.319.787 17.493.798 75.263.537
1997 75.080.001 3.848.491 34.245.587 113.174.079
1998 39.512.442 3.999.707 30.188.557 73.700.706
1999 36.526.739 3.865.016 19.373.018 59.764.773
2000 6.019.571 3.414.896 19.780.498 29.214.965
Total
224.617.081 26.478.889 126.348.093 377.444.063
Geral
Fonte: SAV / MinC (janeiro de 2001)
Cinema em 2000 – Os grandes destaques
Vários filmes brasileiros conquistaram significativo êxito em 2000, com referências
elogiosas por parte da crítica especializada e do público, entre eles O Auto da Compadecida
(Guel Arraes), Bossa Nova (Bruno Barreto), Castelo Rá-Tim-Bum (Cao Hamburger) e
Villa-Lobos – Uma Vida de Paixão (Zelito Viana).
Um dos que tiveram grande sucesso foi a produção nacional Eu Tu Eles, com
direção de Andrucha Waddington. O filme - idealizado a partir de uma reportagem exibida
na televisão, em 1995 - conta a história de uma sertaneja que vive com três maridos.
No Brasil, Eu Tu Eles, juntamente com O Auto da Compadecida, foi o vencedor do
segundo Grande Prêmio Cinema Brasil, promovido pelo Ministério da Cultura. Ganhou
também os prêmios para Melhor Longa Metragem Nacional (Prêmio Glauber Rocha);
Melhor Atriz (Prêmio Dina Sfat), para Regina Casé; Melhor Montagem (Prêmio Rafael
Valverde) para Vincente Kubrusly e Melhor Fotografia (Prêmio José Medeiros) para Breno
Silveira. A trajetória de sucesso do filme começou ainda antes do início das filmagens. Em
1998, o roteiro de Eu Tu Eles recebeu o prêmio do Concurso de Roteiros do Ministério da
Cultura.
Eu Tu Eles teve também bom acolhimento em festivais internacionais. Na mostra Un
Certain Regard, do Festival de Cannes (França), recebeu uma menção honrosa; no Festival
de Havana (Cuba) conquistou com o primeiro prêmio Grande Coral de Ficção e recebeu o
prêmio de Música, enquanto Regina Casé ganhou uma menção honrosa de interpretação.
Eu Tu Eles foi também o filme brasileiro indicado para concorrer a uma vaga de filme
estrangeiro no Oscar 2001.
Produzido pela Conspiração Filmes, Eu Tu Eles teve um orçamento de R$3,7
milhões. Além de recursos próprios, a produtora recorreu à Lei do Audiovisual (Lei nº
8.685/93) e à Lei Rouanet ( L nº 8.313/91).
Co-produções em 2000
O Ministério da Cultura, no âmbito do audiovisual e cinema, mantém dois acordos de
cooperação que são o Programa Ibermedia e o Acordo de Co-produção Brasil – Portugal.
O Programa Ibermedia foi criado em 1997 e envolve dez países ibero-americanos, visando
à realização de projetos nas áreas de co-produção, distribuição e formação de cineastas.
Participam do Ibermedia, a Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba, Chile, Espanha, México,
Portugal, Uruguai e Venezuela. Desde 1998, foram aplicados US$ 700 mil.
Em 2000, o Programa Ibermedia contemplou os filmes O Vestido, Uma Vida em Segredo,
É Proibido Proibir, M-8 – Quando a Morte Socorre a Vida, Capitães de Abril e Palavra e
Utopia. No mesmo ano, foi concedida uma bolsa de estudo
O Acordo de Co-produção Cinematográfica Luso-Brasileiro foi assinado em 1981 e tem
por objetivo promover a atividade cinematográfica conjunta. O acordo foi consolidado em
1994 por meio de um protocolo firmado entre a Secretaria do Audiovisual e o Instituto
Português da Arte Cinematográfica e Audiovisual – IPACA. O protocolo estabelece a
atribuição de uma verba de US$ 160 mil por projeto selecionado. As inscrições são feitas
por meio de edital de concurso, e, em 2000, foram selecionados dois filmes: A Selva
(Portugal) e Desmundo (Brasil).
A CULTURA AFRO-BRASILEIRA
VALORIZAR A DIVERSIDADE CULTURAL DO BRASIL
A promoção e valorização da diversidade cultural do Brasil e de suas potencialidades é
vetor essencial da política cultural do Governo Federal. Um dos objetivos estratégicos
prosseguidos pelo Ministério da Cultura é o de aprofundar conceitos e executar políticas
culturais dirigidas ao combate à discriminação e, simultaneamente, de desenvolvimento
sócioeconômico da população negra.
O Governo Federal promove, a partir de 1995, políticas específicas para a inclusão e
participação da população negra no processo de desenvolvimento do Brasil, contando para
tal com as atividades de estudo e execução atribuídas à Fundação Cultural Palmares. Nesse
sentido, diversas ações têm sido desenvolvidas, visando à avaliação do impacto negativo
causado pelas discriminações, a valorização da diversidade brasileira, a superação das
injustiças históricas e a preservação da cultura e da memória afro-brasileira.
As ações de reconhecimento, demarcação e titulação das comunidades
remanescentes de quilombos, em cumprimento ao Artigo 68 dos Atos das Disposições
Constitucionais Transitórias, que abriram caminho à realização de estudos
sócioantropológicos, resultaram, até o final de 2000, na identificação de 724 comunidades,
das quais 39 já estão oficialmente reconhecidas e 18 tituladas.
Em 2000, foram tituladas 13 comunidades, como Kalunga (GO), Mocambo (SE),
Rio das Rãs (BA), Castainho (PE), Mata Cavalo (MT) e Furnas da Boa Sorte (MS), entre
outras, perfazendo um total de 342.688,0604 hectares de terras tituladas no Brasil neste ano
para comunidades quilombolas.
Numerosas ações voltadas para a população negra foram programadas e executadas
mediante parcerias com diversos órgãos do Governo Federal, dos governos estaduais, das
prefeituras e municípios e também com organismos não-governamentais, visando a
estruturar e levar à prática um Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável das
Comunidades Remanescentes de Quilombos. Um plano que se desdobra em planos locais
específicos, orientados para a valorização de cada comunidade, capacitando e formando
mão-de-obra especializada, de forma a satisfazer as potencialidades de desenvolvimento
das comunidades.
Desenvolver as comunidades quilombolas
A fim de planejar suas ações e buscar informações seguras sobre as comunidades
quilombolas, foram realizados em 2000, com seqüências previstas para 2001, Planos de
Desenvolvimento Sustentável de Comunidades Remanescentes de Quilombos, a exemplo
de Campinho da Independência, localizada no município de Paraty, no Rio de Janeiro, de
Conceição das Crioulas, no município de Salgueiro, em Pernambuco, e de Ivaporunduva,
no município de Eldorado, São Paulo, onde os integrantes da própria comunidade, em um
exercício de cidadania, em oficinas de planejamento, pensaram, analisaram e decidiram,
com o apoio de técnicos, suas prioridades, seus potenciais e seus desejos de
desenvolvimento.
Os quilombolas são detentores de direitos culturais históricos, assegurados pelos Artigos
215 e 216 da Constituição Federal, que tratam das questões relativas à preservação dos
valores culturais da população negra e elevam as áreas de remanescentes de quilombos à
condição de Território Cultural Nacional.
Organizadas para garantir seu direito imemorial à propriedade da terra, as Comunidades
Remanescentes de Quilombos são grandes preservadoras do meio ambiente, respeitam o
local onde vivem e reivindicam condições que permitam a sua continuidade e permanência
em suas terras.
Esta população sofre constantes ameaças de subtração e expropriação territorial dos mais
diversificados inimigos que cobiçam seus territórios por vários motivos: pela fertilidade do
solo, pela riqueza em recursos naturais, pela qualidade da madeira, da água e pela riqueza
do subsolo.
O novo modelo de gestão pública proposto no Plano Plurianual 2000-2003 faz com que a
Fundação Palmares atue e interfira na cultura do Estado e da sociedade para potencializar a
inclusão da população negra no processo de desenvolvimento nacional, tendo como meta a
consolidação da democracia plural.
De acordo com as atribuições que lhe estão determinadas por lei, a Fundação Palmares
realizou, em 2000, a sistematização e o levantamento de dados sobre a vida e a realidade
das comunidades em todo o Brasil. Estes dados são fundamentais para dar seqüência aos
trabalhos iniciados junto aos governos estaduais, municipais, núcleos de estudos
especializados, instituições de ensino superior, organismos não-governamentais de defesa
dos direitos humanos e do negro. Eles são também importante subsídio para a
implementação de projetos e programas de desenvolvimento local sustentável nas
Comunidades Remanescentes de Quilombos.
Comunidades Identificadas
Até 2000, a Fundação Cultural Palmares identificou 743 comunidades, das quais 39 já
foram reconhecidas e 18 tituladas.
A tabela e o gráfico, a seguir, apresentam a distribuição nacional das Comunidades
Remanescentes de Quilombos.
Estados Nº % Estados Nº %
Alagoas 11 1,48% Paraíba 13 1,75%
Amapá 1 0,13% Paraná 1 0,13%
Amazonas 1 0,13% Pernambuco 15 2,02%
Bahia 245 32,97% Piauí 25 3,36%
Ceará 5 0,67% Rio de Janeiro 14 1,88%
Espírito Santo 15 2,02% Rio Grande do 15 2,02%
Norte
Goiás 7 0,94% Rio Grande do Sul 9 1,21%
Maranhão 172 23,15% Rondônia 2 0,27%
Mato Grosso 2 0,27% Santa Catarina 4 0,54%
Mato Grosso do 6 0,81% São Paulo 33 4,44%
Sul
Minas Gerais 66 8,88% Sergipe 23 3,10%
Pará 57 7,67% Tocantins 1 0,13%
Total de Comunidades Remanescentes de Quilombos: 743
300
245
250
200
Comunidades
172
150
100
66
57
50 33
25 23
11 15 13 15 14 15
5 7 6 9 4
1 1 2 1 2 1
0
Rio Grande do Sul
Sant a Cat arina
Rio Grande do Norte
Mato Grosso do Sul
Pernam buco
São Paulo
Espí rit o Santo
Rio de Janeiro
Rondônia
Amazonas
Amapá
Bahi a
Paraíba
Maranhão
Piauí
Alagoas
Tocant ins
Minas Gerais
Paraná
Sergipe
Goiás
Pará
Ceará
Mato Grosso
Comunidades Tituladas
Estados
Comunidades Região
Curiaú Macapa/AP
Mangal Sítio do Mato/BA
Barra, Bananal e Riacho das Pedras Rio de Contas/BA
Mangal/Barro Vermelho, Rio das Rãs Bom Jesus da Lapa/BA
Campinho da Independência Paraty/RJ
Santana Quatis/RJ
Itamaori Cachoeira do Pirá/PA
São José, Mata Cuece, Apui, Silêncio, Óbidos/PA
Castanhaduba
Porto Coris Leme do Prado/ MG
Kalunga Monte Alegre, Teresina e Cavalcante/ GO
Ivaporanduba Eldorado/SP
Castainho Caranhuns/PE
Conceição das Crioulas Salgueiro/PE
Mata Cavalo Nossa Senhora do Livramento/ MT
Furnas de Boa Sorte Corguinho/ MS
Furnas do Dionísio Jaguari/MS
Mocambo Porto da Folha/SE
Programa cultura afro-brasileira
No âmbito do Plano Plurianual, a Fundação Cultural Palmares preparou e
promoveu o Programa Cultura Afro-brasileira. Um programa que é uma nova proposta de
desenvolvimento local para construção de uma sociedade sustentável, fundamentada no
fomento de ambientes territoriais, inovadores, criativos, democráticos e socialmente
articulados.
A formação destes ambientes depende do investimento em capital humano, ou seja,
de recursos humanos que estejam em condições de resolver com fluidez e eficácia os
diferentes problemas colocados pela sociedade; de pessoas preparadas para conduzir
processos produtivos integradores e satisfazer a demanda de um desenvolvimento
eqüitativo; de cidadãos ativos capazes de combinar a defesa e criação de direitos, com sua
participação em um mundo de economia aberta a mudanças tecnológicas.
O programa cultura afro-brasileira é composto das seguintes ações:
Capacitação de Recursos Humanos para o desenvolvimento sustentável das
comunidades remanescentes de quilombos; capacitação de artistas e técnicos afro-
brasileiros; campanha referente a etnia afro-brasileira; ampliação, restauração e preservação
de acervos do patrimônio histórico, artístico e arqueológico afro-brasileiro; construção do
Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra – CNIRCN; tombamento de
acervos culturais afro-brasileiros; tombamento de sítios históricos afro-brasileiros;
tombamento de terras remanescentes de quilombos; reconhecimento, demarcação e
titulação de áreas remanescentes de quilombos; tratamento técnico para salvaguarda de
documentos bibliográficos afro-brasileiros; preservação de acervos bibliográficos e
documentais da memória afro-brasileira; identificação e inventário de bens culturais afro-
brasileiros; produção e distribuição de material informativo sobre arte e cultura afro-
brasileira; promoção e intercâmbio de eventos culturais afro-brasileiros; apoio a projetos
culturais afro-brasileiros / valorização da imagem e do papel da mulher negra; estudos e
pesquisas nas áreas étnica, estética e de valorização da pessoa negra.
As ações do cultura afro-brasileira
Ações de restauração, classificação de territórios culturais, recuperação de acervo
documental histórico e criação de centros de referência estão entre as muitas iniciativas
realizadas ao longo de 2000. A restauração da Casa da Flor, em São Pedro da Aldeia, no
Rio de Janeiro, ou a classificação do Bairro da Liberdade, em Salvador, como território
cultural afro-brasileiro, constituem alguns dos exemplos dessas ações, cuja memória
descritiva apresentamos:
Restauração da Casa da Flor - Referência arquitetônica da cultura afro-brasileira,
situada no Município de São Pedro da Aldeia, RJ, a Casa da Flor foi construída por Gabriel
Joaquim dos Santos (1892–1985), um artista pobre, negro, semi-alfabetizado e trabalhador
das salinas locais. Inspirado por sonhos e por uma fértil imaginação, colecionou e utilizou
na construção (iniciada em 1912) e no embelezamento da sua casa (a partir de 1923),
durante quase 70 anos, materiais recolhidos nas estradas da região, o lixo doméstico e o
refugo das obras em construção. Assim, cacos de ladrilhos, de pratos e garrafas, pedaços de
bibelôs e jarras partidas, telhas e tijolos quebrados, lâmpadas queimadas, conchas,
pedrinhas e outros restos jogados fora como imprestáveis eram aproveitados para compor
flores, folhas, mosaicos, colunas, luminárias, em uma decoração barroca para a
casa/escultura de singular beleza plástica.
Os motivos criados por Gabriel dos Santos nessa ornamentação luxuriante não se repetem
e foram continuamente recompostos pelo incansável artesão, que trabalhou e viveu ali até
1985, quando faleceu aos 93 anos. Sem jamais ter freqüentado uma escola, ele superou
todas as limitações e desdobrou-se como pedreiro e marceneiro, construtor e arquiteto,
operário e artista. Desse modo, materializou sua emoção, integrou realidade e fantasia.
Gabriel dos Santos habitou dentro de seu sonho.
Classificação do Terreiro Bate-Folha - Localizado no bairro Mata Escura, em
Salvador, o Terreiro Bate-Folha foi fundado em 1916 por Manoel Bernardino da Paixão.
Sendo um dos mais tradicionais terreiros de candomblé (manifestação de sincretismo
cultural e religioso animista e cristão) da cidade, foi considerado como sendo de Utilidade
Pública pela Prefeitura de Salvador, em 1993, e, agora, classificado como Território
Cultural Afro-brasileiro. O terreno onde se localiza possui grande mata, característica dos
sítios religiosos afro-brasileiro. Totalmente preservada, possui espécies nativas e também
muitas espécies africanas, utilizadas nos rituais do culto do candomblé.
Centro de Informação e Referência da Cultura Negra de Uberlândia - A cidade
de Uberlândia (MG) e região envolvente, de 500 mil habitantes, onde as manifestações da
cultura afro-brasileira fazem parte do quotidiano, passaram a sediar um Centro de
Informação e Referência da Cultura Negra. O Centro buscará recuperar, preservar e
divulgar ao conhecimento cultural conjunto da população a cultural local e regional. O
terreno destinado ao Centro tem 700 metros quadrados de superfície.
O Negro e a Escravidão na Documentação Colonial - O Projeto de Levantamento
das Fontes sobre o Negro e Escravidão na Documentação Colonial foi proposto para
formação de um banco de dados inédito para o Centro de Referência da Cultura Negra. No
seu âmbito, o Projeto Resgate de Documentos Coloniais foi desenvolvido no Arquivo
Histórico Ultramarino – Lisboa, mediante a organização, indexação e microfilmagem de
toda documentação brasileira existente naquele arquivo. O levantamento será um trabalho
de identificação e seleção por tema específico, subproduto do primeiro Projeto, mas
fundamentalmente um passo definitivo para a disponibilização de informações sobre a
presença das populações de origem africana na história e formação do Brasil.
Território Cultural Afro-brasileiro da Rua Curuzú - A Rua Curuzú, no Bairro
da Liberdade, em Salvador - o bairro de maior população negra do país, estimada em 600
mil habitantes - é o ponto de encontro cultural do Bairro. Nela nasceu e funciona a sede do
Ilê Ayê, primeiro bloco afro da Bahia que revolucionou o carnaval baiano, com novos
ritmos inspirados na musicalidade africana. A partir de 1995, o Ilê Ayê, com cerca de três
mil associados, consolida a sua vocação educacional com a criação do Projeto de Extensão
Pedagógica. Este projeto tem como objetivo sistematizar e socializar as práticas e
produções educativas, bem como editar cadernos de educação. O Ilê coordena as escolas
Mãe Hilda, a escola de percussão Banda Erê e uma escola profissionalizante.
Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Pirenópolis - A Igreja de Nossa
Senhora do Rosário dos Pretos, em Pirenópolis (GO), foi construída no final do século
XVIII. Em 2000, a área que ocupou foi reconhecida formalmente como Território Cultural
Afro-brasileiro. À época da sua edificação, a segregação racial era prática dominante na
sociedade. Aos negros, escravos ou não, não era permitido entrar na Igreja Matriz – a
Igreja Nossa Senhora do Rosário. Ao longo dos anos sofreu várias reformas, mas em
meados do século XX ( década de 50) acabou por ser demolida. Dessa demolição restaram
os retábulos e algumas peças de altares, hoje pertencentes ao acervo do Museu de Arte
Sacra da Igreja do Carmo.
Projetos desenvolvidos pela Fundação Cultural Palmares
por meio de convênio
Convênio Proponente Objetivo Valor
Projeto Emergencial Fundação Identificar, medir, R$ 127.602,75
Quilombo 2000: Universitária de demarcar e
mapeamento, Brasília - FUBRA reconhecer a
identificação, propriedade definitiva
reconhecimento e das comunidades,
demarcação com vista à realizando
titulação das terras de diagnóstico
comunidades sócioeconômico,
remanescentes de sistematizando
quilombos e estruturação informações e
de conteúdos para inserindo no Banco
implementação do Banco de Dados do
de Dados do Centro CNIRCN e titulação
Nacional de Informação e das Terras
Referência da Cultura Remanescentes de
Negra – CNIRCN Quilombos
(Convênio / FCP Nº
001/2000)
Serra da Barriga Ano XXI Fundação Dar continuidade ao R$ 110.000,00
(Convênio / FCP Universitária de Plano de Manejo e
Nº002/2000) Desenvolvimento e Diretor para que o
Pesquisa - Monumento Nacional
FUNDEPES Serra da Barriga seja
recuperado em sua
totalidade política,
histórica, ecológica e
religiosa:
recomposição
florística e
manunteção,
preservação,
revitalização,
recuperação,
segurança e difusão
da Serra da Barriga
Sistematização e Fundação Implantação de R$ 591.280,93
Restauração de Conteúdo, Universitária de projetos pilotos que
Implantação de projetos de Desenvolvimento de permitam ilustrar a
cultura afro-Brasileira Extensão e Pesquisa - trajetória histórica e
(Convênio / FCP Nº FUNDEPES as manifestações dos
004/2000) vários grupos étnicos
africanos no Brasil.
Centro de Informação e Universidade Federal Construção do R$ 110.000,00
Referência da Cultura de Uberlândia Núcleo do Centro de
Negra de Uberlândia e Iformação e
Região (Convênio / FCP Referência da Cultura
Nº005/2000) Negra, na cidade de
Uberlândia
Restauração da Casa Flor PRO UNI-RIO Restauração da Casa R$ 70.000,00
(Convênio Nº006/2000) Flor e
reconhecimento como
território cultural
afro-brasileiro
Ações, estudos e Fundação Preservação do R$ 137.500,00
implantação de projetos do Universitária de Patrimônio artístico e
Centro Nacional de Brasília - FUBRA cultural afro-
Informação e Referência brasileiro;
da Cultura Negra - disponibilizar acervos
CNIRCN para preservação mediante
do Patrimônio Histórico sistematização de
Artístico e Cultural Afro- informações em um
Brasileiro (Convênio / banco de dado para
FCP Nº 007/2000) consulta de toda a
população
Valorização da Imagem e Prefeitura Municipal Construção da auto- R$ 123.990,00
do Papel da Mulher Negra de Belo Horizonte / estima e de uma
(Convênio / FCP SMACON imagem positiva das
Nº008/2000) mulheres e jovens
afrodescendentes
Construção do Prefeitura Municipal Construção do R$ 8.125,00
Monumento em de Uberlândia Monumento em
Homenagem a Zumbi dos Homenagem a Zumbi
Palmares (Convênio / FCP dos Palmares
Nº009/2000)
Implantação da Vila Secretaria de Turismo Implantação da Vila R$ 264.600,00
Temática dos Palmares do Estado de Alagoas Cenográfica dos
(Convênio / FCP Palmares
Nº010/2000) (revitalização dos
costumes,
gastronomia e
artesanato);
preservação da
cultura e história
locais e
potencialização do
turismo étnico)
Total do apoio de projetos em 2000: R$ 1.120.117,75
Leis de proteção
Várias são as leis e outros dispositivos jurídicos que asseguram os direitos e proteção aos
conhecimentos tradicionais, genéticos e culturais da população negra brasileira. Em 26 de
outubro de 2000, foi publicada a Medida Provisória n. 2052-4, relativa à Convenção sobre
Diversidade Biológica. Ela dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, a proteção e o
acesso ao conhecimento tradicional associado, a repartição de benefícios e o acesso e
transferência de tecnologia para sua conservação e utilização. “O conhecimento tradicional
das comunidades indígenas e comunidades locais associado ao patrimônio genético estará
protegido por esta Medida Provisória contra utilização e exploração ilícita e outras ações
lesivas ou não autorizadas...”(Art. 8º - capítulo III), enquanto comunidade local é definido
como “grupo humano, incluindo os remanescentes de comunidades de quilombos, distinto
por suas condições culturais, que se organiza, tradicionalmente, por gerações sucessivas e
costumes próprios e que conserva suas instituições sociais e econômicas”. (Capítulo II das
definições Art. 7º Item III).
Contra o racismo e a discriminação
Da atividade desenvolvida pelo Ministério da Cultura, em 2000, destaca-se o
trabalho preparatório da Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial,
Xenofobia e Intolerância, que aconteceu na África do Sul.
Coube à Fundação Cultural Palmares, órgão vinculado ao Ministério da Cultura, a
organização de um conjunto de pré-conferências que deram importante contributo à
elaboração do documento apresentado pelo Brasil no Congresso.
Especialistas, universitários, ativistas de movimentos negros e de
organizações não- governamentais, profissionais liberais e funcionários de
órgãos governamentais deram ao conjunto dos debates qualidade, atualidade
e realismo. Subsidiados por dados qualitativos e quantitativos provenientes
de diversas fontes, destacando-se o Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada – IPEA, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e
os banco de dados das universidades brasileiras, realizaram-se análises
tecnicamente informadas e consistentes com a realidade vivida pelas
populações negras.
O processo das pré-conferências envolveu diretamente cerca de 1.200 pessoas e cobriu as
diversas regiões do país. Tratou-se do maior esforço consultivo já realizado no campo das
relações étnicas raciais na história brasileira.
As pré-conferências conceituaram racismo como forma de dominação social, política e
econômica a que estão submetidas as populações de descendência africana e indígena no
Brasil.
De acordo com relatório da Fundação Palmares, os debates constataram “que as políticas
públicas voltados para a pobreza e as defesas dos direitos no plano universal foram
insuficientes para promoção de melhores perspectivas de vida e inclusão digna dos afro-
descendentes nos benefícios do desenvolvimento nacional”.
ORDEM DO MÉRITO CULTURAL
A condecoração de personalidades com uma Ordem é um costume antigo, que vem desde
os séculos passados, quando os reis agraciavam os guerreiros que defendiam as causas
cristãs.
A medalha Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo Ministério da Cultura, é uma réplica
da antiga condecoração de São Tiago da Espada. Esta Ordem é a única voltada
exclusivamente para a valorização da cultura, tanto aqui no Brasil como em Portugal, onde
a Ordem de São Tiago foi restabelecida em 1862.
Em 1995, o Presidente da República restabeleceu essa antiga tradição que começou no
Segundo Reinado e durou até a Proclamação da República, a condecoração da Ordem do
Mérito Cultural, concedida a cidadãos e cidadãs que se destacaram na prestação de serviços
à cultura brasileira.
A Ordem do Mérito Cultural, que já foi concedida a inúmeras personalidades da cultura
brasileira, agraciou, na sua sexta cerimônia de entrega, em 2000, 27 personalidades de
diversas áreas – artistas, escritores, educadores, intelectuais, jornalistas, diplomatas,
autoridades, representantes de comunidades religiosas, patrocinadores e produtores culturas
–, que representam e trabalham para o incremento da cultura brasileira (anexo 1).
No dia 7 de novembro, no Palácio do Planalto, Brasília, foi realizada a cerimônia de
condecoração da Ordem do Mérito Cultural. No evento, em que foi celebrada a
contribuição dos imigrantes para a cultura brasileira, o Hino Nacional foi executado pela
Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, sob regência do maestro Silvio
Barbatto, com participação especial do pianista Arthur Moreira Lima e um coral com mais
de 50 vozes. Foram homenageados, pela passagem de seu centenário duas celebridades da
história cultural do Brasil: Gustavo Capanema e Gilberto Freyre.
Ana Maria Machado Reconhecida como um dos expoentes da
literatura brasileira contemporânea a escritora
tem cerca de cem livros publicados.
O conjunto de sua obra lhe garantiu o Prêmio
Hans Christian Andersen de 2000, considerado o
Nobel da Literatura Infanto-Juvenil.
Ângela Gutierrez Empresária, colecionadora de arte sacra e
pesquisadora do Barroco brasileiro, coordenou a
edição de diversos livros sobre arte brasileira e
patrimônio cultural.
É fundadora do Museu do Oratório, em Ouro
Preto, e presidente do Instituto Cultural Flávio
Gutierrez.
Argemiro Geraldo de Barros Wanderley Bacharel em Teologia, especializou-se em Canto
Gregoriano. Foi diretor do Centro Cultural
Garanhuns e atualmente é regente do Grupo de
Canto Gregoriano do Mosteiro de São Bento em
Olinda.
Dalal Achcar Coreógrafa, educadora e diretora-produtora de
espetáculos de balé, fundou a companhia de
Ballet do Rio de Janeiro e atualmente é a
presidente da Fundação do Teatro Municipal.
Edino Krieger Violonista, compositor e regente, criou
premiadas trilhas sonoras para o cinema e teatro,
além de atuar à frente de diversas orquestras
brasileiras.
É o atual presidente da Academia Brasileira de
Música.
Elizabeth D’Angelo Serra Pedagoga, especialista em literatura infanto-
juvenil e líder de programa de leitura. Coordena
a seleção de livros do Programa Nacional da
Biblioteca da Escola do MEC.
Firmino Ferreira Sampaio Neto Economista e administrador de empresas,
assumiu em 1996 a presidência das Centrais
Elétricas Brasileiras S.A. Na sua gestão a
Eletrobrás tem se destacado por adotar política
de apoio a eventos culturais.
Gessiron Alves Franco (Siron Franco) Nascido em Goiás, o artista plástico, cenógrafo,
diretor de arte e figurinista realiza exposições no
Brasil e no exterior. É autor de monumentos
temáticos como os dedicados ao índio Galdino,
em Brasília, às Nações Indígenas e o
Monumento da Paz, em Goiânia.
Gianfrancesco Guarnieri Ator, destaca-se também como autor de roteiros
para cinema, escritor e diretor.
Gilberto Passos Gil Moreira Cantor e compositor, reconhecido mundialmente
como legítimo representante da MPB. Possui
extensa discografia, é autor de diversas trilhas
sonoras como a do filme Eu Tu Eles.
José Alves Antunes Filho Produtor cultural e diretor, com premiada
atuação no teatro, cinema e na televisão. Sob sua
direção, o Grupo de Teatro Macunaíma se
apresenta no Brasil e no exterior.
Luiz Henrique da Silveira Advogado e professor, como prefeito de
Joinville realizou ações de incentivo à cultura
como a conclusão do Centreventos Cau Hansen e
a instalação da primeira escola do Ballet Bolshoi
fora da Rússia.
Luiz Sponchiado Dedica-se ao estudo e pesquisa sobre a
imigração européia para o Brasil. Fundou e
dirige o Centro de Pesquisas Genealógicas, no
Rio Grande do Sul, que dispõe de amplo acervo
documental sobre a genealogia dos imigrantes.
Maria João Espírito Santo Bustorff Silva Preside o Conselho Diretivo da Fundação
Ricardo do Espírito Santo Silva, o Museu-Escola
de Artes Decorativas Portuguesas e é membro da
Academia Nacional de Belas Artes.
Maria José Motta (Zezé Motta) Atriz e cantora, teve seu trabalho reconhecido
mundialmente com o filme Xica da Silva. Atua
em teatro, cinema e televisão.
Maria Ruth dos Santos (Ruth Escobar) Atriz e produtora, é presidente do Festival
Internacional de Artes Cênicas, que acontece
desde 1974 em São Paulo.
Mario Miguel Nicola Garofalo Jornalista e radialista, é considerado o criador da
rádio-reportagem, atuou como locutor,
apresentador e entrevistador em diversas
emissoras de rádio e televisão.
Martinho José Ferreira (Martinho da Vila) Com 32 álbuns lançados, o cantor e compositor
dedica sua carreira de mais de 30 anos às raízes
da MPB e às questões da raça negra.
Nelson José Pinto Freire Pianista aclamado pela crítica internacional,
participa de concertos sinfônicos com as
melhores orquestras do mundo.
Paulo Tarso Flecha Lima Chefiou e participou, como diplomata, de
importantes delegações, representações e
missões brasileiras em diversos países.
Plínio Pacheco Teatrólogo e produtor cultural, foi o idealizador
da Nova Jerusalém, em Pernambuco, palco da
apresentação da Paixão de Cristo.
Rodrigo Pederneiras Barbosa Bailarino e coreógrafo do Grupo Corpo, concebe
trabalhos para outros grupos de dança brasileiros
e estrangeiros.
Sabine Lovatelli Fundadora e presidente do Mozarteum
Brasileiro, a promotora cultural realiza desde
1981 a série Concertos ao Meio Dia, com artistas
nacionais e entrada franca.
Sérgio Paulo Rouanet Autor de livros como Mal-estar na modernidade
e As razões do Iluminismo. Foi secretário
Nacional da Cultura e concebeu a Lei Federal de
Incentivo à Cultura.
Sérgio Silva do Amaral Embaixador do Brasil na Inglaterra, coordena os
eventos comemorativos aos 500 Anos do
Descobrimento do Brasil naquele país.
Thomaz Jorge Farkas Fundador do Museu de Arte Moderna de São
Paulo, é também conselheiro da Bienal e
presidente do Conselho da Cinemateca
Brasileira.
Tizuka Yamasaki Em 26 anos de carreira, a cineasta já dirigiu,
produziu e co-produziu, além de fazer roteiros,
cenografias e fotografias para o cinema e
televisão.